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Numero do processo: 13123.000188/2009-98
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. INCLUSÃO RETROATIVA.
Regularizada a pendência impeditiva enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção pelo Simples Nacional, deve ser promovida a inclusão do contribuinte nesse regime, com efeitos retroativos.
Numero da decisão: 1803-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. INCLUSÃO RETROATIVA. Regularizada a pendência impeditiva enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção pelo Simples Nacional, deve ser promovida a inclusão do contribuinte nesse regime, com efeitos retroativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 40 1 39 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13123.000188/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.813 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2013 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DE OPÇÃO Recorrente ASSESCON ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. INCLUSÃO RETROATIVA. Regularizada a pendência impeditiva enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção pelo Simples Nacional, deve ser promovida a inclusão do contribuinte nesse regime, com efeitos retroativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 00 01 88 /2 00 9- 98 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13123.000188/200998 Acórdão n.º 1803001.813 S1TE03 Fl. 41 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13123.000188/200998 Acórdão n.º 1803001.813 S1TE03 Fl. 42 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 29): Trata o processo de impugnação ao Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em virtude de a empresa desenvolver ‘atividade econômica vedada’, com fundamento no art. 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (fls. 01/02). Intimada por meio eletrônico, com data do registro em 08/04/2009 (fl. 02), em sede de impugnação, protocolada em 08/05/2009 (fl. 01v), a contribuinte alega, em síntese, que as pendências relativas aos códigos de atividades econômicas secundárias, de “consultoria e auditoria contábil tributária”, foram excluídas de seu contrato social (fl. 01). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 28): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO 1. A declaração de suas atividades fins no contrato social deve ser tomada como caracterizadora de sua empresa Enunciado nº 54 da I Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal, ao comentar o art. 966 do Código Civil. 2. As atividades de “assessoria” e “treinamentos” constitui vedação de ingresso de empresa ao Simples Nacional, com fundamento na prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, e prestação de serviços de instrutor, não excetuada pela Lei Complementar nº 123/2006, que, em seu § 1º do artigo 17, com remissão aos §§ 5ºB a 5ºE do art. 18, dispôs expressamente sobre as hipóteses de afastamento das normas de vedação. 3. A eficácia do ato de alteração contratual retroage à data de sua assinatura, desde que apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias da referida firma; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 26/08/2011 (fls. 24 numeração digital ND), a tempo, em 15/09/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 26 a 28 ND, instruído com os documentos de fls. 29 a 37 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que os julgadores da 4ª Turma da DRJ/BSB interpretaram equivocadamente a legislação e as datas cronológicas da constituição e Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13123.000188/200998 Acórdão n.º 1803001.813 S1TE03 Fl. 43 4 arquivamento da documentação da empresa perante a junta comercial do Estado; b) que, portanto, a decisão que julgou a impugnação improcedente, inarredavelmente deve ser reformada; e c) que, assim, considerando que alterou o seu contrato social, excluindo a atividade que impedia da opção pelo Simples Nacional dentro do prazo legal, conforme demonstrado nos autos, não vê razão para o indeferimento do seu pedido aos benefícios do Simples Nacional. Em mesa para julgamento. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13123.000188/200998 Acórdão n.º 1803001.813 S1TE03 Fl. 44 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Toda a questão relativa ao presente processo prendese a uma análise de datas, a saber: a) a empresa foi aberta em 22/06/2009 (fls. 12); b) solicitou o seu ingresso no Simples Nacional em 26/06/2009 (fls. 16); c) referida solicitação foi processada e indeferida, por pendência cadastral, em 06/07/2009 (fls. 16 a 18); d) o correspondente Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional foi registrado em 09/07/2009 (fls. 19); e) a Recorrente procedeu à alteração contratual, modificando o seu nome empresarial e o seu objetivo social, assinada em data de 08/07/2009 (fls. 37ND); e f) referida alteração contratual foi protocolada na Junta Comercial do Estado do Tocantins em 09/07/2009, tendo sido registrada em 13/07/2009 (fls. 37ND). 5. Não obstante esses fatos, concluiu a decisão recorrida que (fls. 30 e 31): A eficácia do ato de alteração contratual retroage à data de sua assinatura, desde que apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias da referida firma; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. A alteração contratual que, em tese, excluiu a atividade vedada operouse somente em 15/07/2009 (fls. 06/07, 15, 24/25), e somente a partir daí surtiu efeito, por força do artigo 36 da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. 6. Ora, se o despacho que concedeu o registro é de 13/07/2009 (e não 15/07/2009, como equivocadamente considerou a decisão recorrida), e, pois, menos de 30 (trinta) dias depois da data da assinatura da correspondente alteração contratual (08/07/2009), a eficácia do ato de alteração contratual retroage a essa última data, que é anterior, inclusive, à do próprio Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, registrado eletronicamente em 09/07/2009 (art. 23, § 2º, inciso III, alínea “b”, do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13123.000188/200998 Acórdão n.º 1803001.813 S1TE03 Fl. 45 6 7. Esclareçase, por outro lado, que consta daquele Termo o seguinte (fls. 19): A pessoa jurídica, caso já tenha regularizado as pendências acima enumeradas, poderá solicitar nova opção pelo Simples Nacional, no prazo de trinta dias contados da data do último deferimento da inscrição municipal e, se exigível,da estadual. 8. E esse último deferimento é justamente a data de 26/06/2009, sextafeira, conforme fls. 17, sendo, portanto, admissível a regularização de pendências impeditivas até 28/07/2009. 9. De se destacar, por fim, que, em data de 05/01/2010, foi pleiteada e deferida solicitação de inclusão no Simples Nacional, para o anocalendário de 2010 e posteriores (fls. 16). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 15215.720178/2011-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008
DESISTÊNCIA DE RECURSO
Não cabe conhecer do recurso quando a recorrente desiste do contencioso.
Numero da decisão: 2403-002.123
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 78 /2 01 1- 93 Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720178/201193 Acórdão n.º 2403002.123 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0236.949 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Submetido à fiscalização conforme Mandado de Procedimento Fiscal nº 0610300.2011.00800 ficou constatado que o Município de Mendes Pimentel Prefeitura Municipal incorreu em descumprimento de obrigações principais e acessórias, tendo sido lavrados em seu nome os seguintes autos de infração, em 23/9/2011: 1 – de Obrigações principais: DEBCAD 37.357.5254 – valor total originário de R$313.510,77, período 01/2007 a 12/2008 referese à exigência de contribuição destinada a Seguridade Social, a cargo da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidente sobre valores excluídos indevidamente da folha de pagamento, bem como aos fatos geradores verificados nos empenhos relativos aos empregados (contratados, comissionados, efetivos e agentes políticos), contribuintes individuais e transportadores autônomos. DEBCAD 37.357.5262 – no valor total originário de R$55.681,33, período de 01/2007 a 12/2008, referente à contribuição social não descontada e R$2.941,48 referentes à contribuição social descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais, não repassada em época própria à Seguridade Social. As contribuições não foram declaradas em GFIP. DEBCAD 37.357.5270 – no valor total originário de R$407,16, período 02/2007 a11/2008, referente às contribuições destinadas a Outras Entidades – Terceiros (SEST e SENAT), calculadas sobre os pagamentos efetuados aos transportadores autônomos e não recolhidas à Previdência Social. DEBCAD 37.357.5289 – no valor total originário de R$2.838.03, competência 12/2007, referente à exigência de contribuição destinada a Seguridade Social, a cargo da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 decorrente dos riscos ambientais do trabalho, calculada sobre os valores apurados por arbitramento com base nas declarações efetuadas pela Prefeitura ao Tribunal de Contas (balancete orçamentário) relativos aos segurados contribuintes individuais, não declarados em GFIP. DEBCAD 37.357.5297 – no valor total originário de R$1.560,91, período 12/2007, referente à contribuição social não descontada dos segurados contribuintes individuais apuradas por arbitramento, não declaradas em GFIP. 2 – de Obrigações acessórias: DEBCAD 37.357.5238 (CFL 68) – valor R$13.242,13, competências 02, 03, 05 e 10/2007 e 01/2008. O Município deixou de registrar no campo “Remuneração” da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, valores pagos a segurados, bem como informou incorretamente o código RAT e valores a compensar, conforme Planilhas 002, 006, 007 e C1. Em decorrência da infração foi aplicada multa, nos termos da Lei 8.212/1999, artigo 32, § 5º, acrescentado pela Lei 9.528/1997 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 284, inciso II, e 373. O valor da multa correspondente a 100% da contribuição devida e não declarada, limitada por competência, em função do número de segurados da empresa, aos valores do § 4º do artigo 32 da Lei 8.212/1991. DEBCAD 37.357.5246 (CFL 69) – valor R$3.201,24, competências 02, 03, 05 e 10/2007 e 01/2008. A Prefeitura, na qualidade de empresa, registrou nos campos “Salário Família”, “Salário Maternidade”, “NIT” e “categoria” da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, dados indevidos, conforme Planilhas 004 e 006. Foi aplicada multa, nos termos da Lei 8.212/1999, artigo 32, § 6º, acrescentado pela Lei 9.528/1997 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 284, inciso III, e 373, correspondente a 5% do valor mínimo previsto no caput do artigo 283 do RPS, por campo omisso ou incorreto, respeitado o limite determinado no § 4º do artigo 32 da Lei 8.212/1991, por competência. As inconsistências encontradas, documentos analisados, levantamentos e observações feitas durante a ação fiscal estão discriminados no item 2.10 do Relatório Fiscal, fls. 57 a 60, de onde destacamos: Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720178/201193 Acórdão n.º 2403002.123 S2C4T3 Fl. 4 5 2.10.1 o Município de Mendes Pimentel adota o Regime Geral de Previdência Social, conforme Lei Municipal 1.313/2000; 2.10.2 – os resumos das folhas de pagamento apresentados pelo contribuinte em Excel (2007 e 2008) não foram considerados, uma vez que seus valores são inferiores aos declarados em GFIP e nos Balancetes; 2.10.3 – Sobre os valores apurados “a menor” nos confrontos Folha x GFIP (2009), Resumo Folha meio Magnético x Resumo Folha meio papel (2009), Folha e GFIP x Empenhos (2007 a 2009) e GFIP x Documentos e/ou declarações apresentados pela Prefeitura (2007 a 2009) estão sendo cobradas as contribuições previdenciárias devidas (planilhas 002 e 006) e glosados os valores declarados a maior do salário maternidade e do salário família (Planilhas 006); 2.10.4 – valores apurados por aferição indireta – 12/2007, relativa à divergência entre a conta 3.3.90.36.00 do balancete extraído do sítio do Tesouro Nacional –FINBRA e os declarados em GFIP pelo autuado; 2.10.5 – as diferenças de contribuição previdenciária de responsabilidade dos segurados lançadas estão demonstradas nas Planilhas 002; 2.10.6 – apuradas diferenças de RAT, conforme Planilha 007, em face da alteração da alíquota de 1% para 2%, no período de 06 a 11/2007, determinada pelo Decreto 6.042/2007 (Planilha 007); 2.10.9 –por falta de apresentação dos documentos exigidos nos artigos 67 da Lei 8.213/1991 e 84 do Regulamento da Previdência Social, de 1999, foram glosados os valores relativos ao Salário Família abatidos nas GFIP (Planilhas 006); 2.10.10 Os valores informados a maior de salário maternidade estão sendo glosados (planilhas 006); 210.11 – Nas competências de 08 a 10/2007, de 01, 02 e de 05 a 10/2008, a Prefeitura efetuou recolhimento a maior do que o declarado em GFIP. Intimada a retransmitir as GFIP, informou (anexo DECL) que não entende porque foram cobrados valores a maior, já que as GFIP são reais e os pagamentos realizados por meio de débito em conta. Não foram utilizados pela fiscalização os valores porventura arrecadados a maior nas competências citadas. Observa ainda a fiscalização, item 3.4 do Relatório Fiscal, fls. 61 a 63, que para as infrações com fato gerador anterior a 4/12/2008, data da entrada em vigor da MP 449/2008, decorrentes do não recolhimento e da não declaração da contribuição lançada, em atendimento ao disposto no artigo 106, Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 inciso II, alínea “c”, do CTN, foi efetuado comparativo, fls. 147 a 149, entre a multa que seria devida com base na legislação revogada (artigo 32, §§ 5º e 6º, da Lei 8.212/1991), e com base na norma introduzida pela Lei 11.941/2009 (artigo 35A da Lei 8.212/1991), aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. O Município teve ciência das autuações em 29/9/2011 e apresentou impugnação em 28/10/2011, fls. 1.424 a 1.442, juntando os documentos de fls. 1.443 a 1.813, relativamente aos autos de infração 37.357.5238, 37.357.5246, 37.357.5254, 37.357.7262, 37.357.5270, 37.357.5289 e 37.357.5297. Alega o contribuinte em síntese: NULIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FRENTE A NULIDADE DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS. Nesse item, o contribuinte fala da necessidade de concurso para ingresso no serviço público, a partir de promulgação da Constituição Federal de 1988; da súmula 363 do Tribunal Superior do Trabalho que firmou orientação pela nulidade do contrato firmado entre trabalhador e administração pública; da competência atribuída à Justiça Obreira para executar de ofício das contribuições previdenciárias decorrentes de suas decisões – reclamatórias trabalhistas, confirmadas pelo TST através da Sumula 368, pela Emenda Constitucional 45/2005 e pela Lei 11.457/2007; da natureza, do cabimento e da destinação da contribuição previdenciária; do devido pagamento de salário pelos dias trabalhados mesmo nos casos de contratos anulados; da contagem dos dias trabalhados para fins de benefícios previdenciários; do valor social das contribuições na garantia da sobrevivência e dignidade do ser humano. Cita decisão sobre nulidade de contrato sem concurso público. Finaliza dizendo que com fulcro em todos os argumentos ventilados, tornase indene de dúvidas a obrigatoriedade da incidência de contribuição na hipótese em que o Poder Judiciário do Trabalho aplica entendimento esposado na Súmula 363 do TST. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Na legislação fiscal, existem hipóteses em que a multa, aplicada sobre determinada infração, resulta em patamar superior a 50%, considerandose a soma do valor do principal + multa, o que caracteriza confisco. Cita jurisprudência. COBRANÇA CUMULADA DE JUROS E SELIC. Faz ampla explanação sobre juros moratórios, taxa SELIC, citando os artigos 146 e 150, inciso I, da Constituição Federal, 161, § 1º do CTN, para concluir que a matéria relativa a juro moratório é reservada à Lei Complementar e que a aplicação da taxa SELIC aos débitos fiscais é inconstitucional e ilegal. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720178/201193 Acórdão n.º 2403002.123 S2C4T3 Fl. 5 7 O Código Tributário Nacional não veda a mera atualização do tributo, desde que o critério atualizador esteja previsto em lei, o mesmo ocorre com os juros de mora, que, na ausência de lei em sentido contrário, devese ater à taxa de 1% ao mês. A SELIC é uma taxa de remuneração de capital investido. Quando o contribuinte deixa de recolher impostos e contribuições é obrigação do Fisco efetuar o lançamento e não agir como agente financeiro e cobrar juros. Elabora às fls. 1.438/1.439, quadro comparativo, calculando sobre uma dívida de R$100,00 a aplicação de juros de 1% am. versus taxa SELIC, opinando pela evidência da natureza remuneratória da taxa SELIC, que tem o fim de recompensar o investidor que se dispõe a aplicar em títulos públicos com o ânimo de obter lucro, fim que se compatibiliza com a atividade estatal de cobrar tributo. Cita decisão dada na execução fiscal 11.281.7258 pela Vara de Execuções Fiscais de São Paulo, fls. 1.439 a 1.441, onde o juiz considerou inconstitucional a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, devendo estar os mesmos limitados ao artigo 161, § 1º, do CTN (aplicáveis a partir da mora) e decidiu pela aplicação da correção monetária conforme índices estabelecidos pela Tabela Prática do TJ do Estado de São Paulo. Pede a decretação da nulidade absoluta do auto de infração. O contribuinte juntou ainda, a defesa apresenta no processo COMPROT 15215720179/201138, referentes aos autos de infração DEBCAD: 51.005.7420, 51.005.743 8, 51.005.7446, 51.005.7544, 51.005.7462, 51.005.7489, 51.005.7497 e 51.005.7500, sob o argumento de que esses autos de infração trazem reflexos aos autos de infração objetos do presente processo dos lançamentos a que se referem ao presente processo (fls. 1.814 a 1.832). No entanto, os termos daquela defesa são os mesmos já relatados acima. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade da contribuição frente a nulidade dos contratos administrativos. Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · Multa confiscatória. · SELIC. À folha 1921 consta despacho da DRF Governador Valadares informando da desistência do recurso em razão de parcelamento dos débitos. É o relatório Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720178/201193 Acórdão n.º 2403002.123 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo. Ocorre que à folha 1921 consta despacho da DRF Governador Valadares informando da desistência do recurso em razão de parcelamento dos débitos. 1. O Município de Mendes Pimentel, CNPJ 18.505.347/000151, solicitou a inclusão dos débitos previdenciários no parcelamento especial da Medida Provisória 589 de 13/12/2012, apresentando o Anexo I daquela Portaria (ATO DE DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO) devidamente preenchido, onde desiste totalmente da “impugnação ou recurso interposto em todos os processos administrativos referentes aos débitos de sua responsabilidade ou sob a responsabilidade de suas autarquias e fundações, que contenham débitos passíveis de parcelamento por meio da MP nº 589, de 2012”. 2. Ante o exposto, entendemos que,:a;desistência atinge os recursos interpostos nos débitos previdenciários n°s: 37.357.5238; 137.357.5246;, 37.357.5254; 37.357.5262; 37.357.5270; 37.357.5289; 37.357.5297 e 37.357.5300 correspondentes dos processos nºs: 15215.720178/201193 e 15215.720180/201162, ambos enviados a este Conselho em 19/03/2012. Diante da desistência, entendo por não conhecer do recurso. CONCLUSÃO. Voto por não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 37172.000232/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.380
Decisão: Assunto: Contribuições Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 71 72 .0 00 23 2/ 20 06 -0 8 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37172.000232/200608 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.380 S2C3T1 Fl. 408 2 RELATÓRIO 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ACESITA S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente auto de infração pela apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, relativas ao período de 06/2003 a 04/2004, com informações inexatas, incompletas ou omissas.. 2. O crédito tributário se refere a contribuições a cargo da empresa, destinadas à seguridade social incidentes sobre o percentual de retenção do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativa a serviços prestados mediante cessão de mão deobra, inclusive em regime de trabalho temporário, a cago da empresa contratante, relativamente aos serviços prestados pelo segurado empregado cuja atividade permite a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. 3. Após ser devidamente intimada, a empresa, apresentou impugnação tempestiva às ff. 119. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação da empresa, mantendo o lançamento em sua totalidade. 4. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “INFRAÇÃO FISCAL.GFIP.OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao art. 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91, de 24/07/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, a apresentação de Guia de Recolhimento do Findo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” Em suas razões recursais, o contribuinte aduz os seguintes argumentos consoante trecho da contrarrazões fiscais: “3.1 – inicialmente ratifica todos os fundamentos fáticos e jurídicos constantes dos recursos interpostos na NFLD’s 35.762.1891 e 35.762.1905, pedindo a remissão àqueles autos; 3.2 – renova a nulidade do Auto de Infração, pois é a própria decisão que confessa não constar dos autos a memória de cálculo da multa, ausentandose de um dos requisitos de sua validade. Não há como exercer o direito de defesa sem ter conhecimento de sua origem. A decisão não nega a nulidade (somente tem dificuldades de admitida) apenas diz que o método de apuração constava da autuação; 3.3 – ainda que assim não fosse a multa é indevida, quanto ao mérito, isto porque, na mesma data, a empresa recebeu as NFLD’s mencionadas e a Fl. 438DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37172.000232/200608 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.380 S2C3T1 Fl. 409 3 Fiscalização agiu por ato contínuo, ou seja, entenda que determinada verba era devida, assim, lançada em cobrança (NFLD), ao mesmo tempo entendia que aquele valor não foi declarado na GFIP e lavrado o Auto de Infração; 3.4 – mas como a empresa poderia ter declarado na GFIP valores que entendia, como ainda entende, serem absolutamente indevidos?... 3.5 – como poderia a empresa confessar (lançamento na GFIP) valores de abonos de férias que entende (e tem pleno respaldo jurisprudencial) que tais valores não compõe a base cálculo das contribuições previdenciárias? Como pode declarar devido o adicional se contesta a existência de alguns agentes nocivos além da tolerância legal?; 3.6 – a multa fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois não se pode apenar alguém se não tem certeza de sua culpa; lembrese que em recente decisão o Supremo Tribunal Federal proferiu histórica decisão de que somente com o término do processo administrativo se dará a certeza e liquidez necessárias às providencias cabíveis no âmbito criminal; mutatis mutandis, a multa por não declarar na GFIP somente pode ser cobrada quando se decidir se o lançamento é procedente ou não; 3.7 – se lançados tais valores nas NFLD’s, na mesma data, devese aguardar o prazo de defesa, não impugnado ou pago os valores, estes passam a ser reconhecidamente devidos, portanto, passíveis de serem retificados na GFIP, mas somente após o prazo de defesa é que surgiria esta obrigação e não no mesmo instante da lavratura; 3.8 – se no prazo de defesa a impugnante apresentar sua defesa administrativa e, posteriormente, a matéria for para o âmbito judicial, somente após a decisão passada em julgado é que os valores passam a ser reconhecidamente devidos, gerando a obrigação acessória de declarar em GFIP; 3.9 – em processo similar a fiscalização reduziu a multa inicial em aproximadamente R$ 500 mil, sob a alegação de que estes valores estão sendo discutidos em Juízo, portanto, a empresa somente tem a obrigação de fazer constar da GFIP tais valores 30 (trinta) dias após o trânsito em julgado da decisão judicial; 5. Em seguida, os autos foram encaminhados para a apreciação da antiga 4ª Câmara de Julgamento (CAJ). Nessa ocasião, os autos foram baixados em diligência, para que ficassem sobrestados junto a SRP, e fossem encaminhados juntamente com as NFLDs que com ele se vinculam. 6. Foi juntada ao processo a Resolução n.º 20500.143 da 5ª Câmara de Julgamento, do processo 36378.004044/200671, convertido em diligência, para que um perito do fisco se manifestasse sobre os quesitos formulados pelo colegiado a respeito da exposição dos segurados a agentes de risco. 6. Não obstante o entendimento deste Colegiado para que fisco diligenciasse às instalações da ora recorrente, consoante os quesitos determinados e emitisse um relatório que refletisse fielmente as condições do ambiente de trabalho, tal procedimento não foi realizado, limitandose o fisco a responder as assertivas com base nos autos. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37172.000232/200608 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.380 S2C3T1 Fl. 410 4 7. Baseado nisso em 09 de agosto de 2010, a Resolução n 230100.146 desta Turma novamente converteu o julgamento em diligência insistindo que o Fisco procedesse a diligência e respondesse os quesitos elaborados, nos termos da Resolução nº 20500.144. 8. Em resposta a essa segunda diligência o auditor fiscal emitiu o Relatório complementar. No entanto a perícia técnica in loco não foi realizada e o auditor fiscal manteve o posicionamento da primeira resposta à diligência, na qual “continua reafirmando todas as conclusões manifestas no relatório fiscal e em despachos anteriores. entende que se esta fiscalização fosse a autora de laudo pericial a ser realizado conforme solicitado, não se chegaria à outra conclusão senão aquela manifesta anteriormente pela mesma”. (f. 3678 9. O contribuinte se manifestou quanto à resposta da diligência às ff. 358/370 no qual aduz em síntese: a) requer a insubsistência da referida cobrança diante do fato da perícia ser indispensável para a solução da presente controvérsia, posto que somente ela poderia, em tese, comprovar a ausência de motivação do ato administrativo do lançamento e ainda, diante da recusa injustificada da fiscalização em atender a determinação do CARF. 10. O fisco não se manifestou e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. VOTO REALIZAÇÃO E DILIGÊNCIA 1. Na ocasião em que foi determinada a primeira diligência, por meio da Resolução nº 20500.143, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência nos termos do voto desse relator. 2. O objetivo primordial da realização da diligência era para que o Fisco, mediante inspeção pericial in loco à sede da empresa, respondesse os quesitos listados na referida resolução, para que fossem constatados fatores ambientais que justificassem aposentaria especial aos empregados. 3. Os requisitos a serem respondidos eram os seguintes: 1º . Existem condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade física, no ambiente de trabalho, capazes de implicar no direito à aposentadoria especial aos segurados da Notificada? 2º. Em caso de resposta positiva, quais são? 3º. E em quais condições foram observados? 4º. Em que fundamento legal se encaixa tal condição, se existente? 5º. Há histórico de concessão de aposentadoria especial aos segurados da Notificada? Fl. 440DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37172.000232/200608 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.380 S2C3T1 Fl. 411 5 6º. Em caso positivo, em função de qual agente nocivo? 7º. Há utilização de equipamentos de proteção coletiva ou individual capazes, por si só, de afastarem a concessão do beneficio? 8º. Os equipamentos de minimização dos riscos ambientais do trabalho atendem às especificações técnicas? 9º. Os argumentos da Recorrente quanto ao controle das condições do ambiente do trabalho procedem? 10. As condições do ambiente do trabalho podem ser consideradas as mesmas para todo o período pretérito abrangido pela Fiscalização? 11. O perito pode prestar quaisquer outros esclarecimentos que possam elucidar a questão controvertida. 4. Ocorre que nas duas diligências realizadas o Fisco não procedeu à perícia solicitada, limitandose a responder os mencionados requisitos baseandose em informações já constantes nos autos. No entanto, essa não é a finalidade precípua da diligência, que almeja esclarecer de forma técnica as condições de trabalho a que foram submetidas os funcionários da empresa. 5. Em resposta à resolução 230100.146 (2ª diligência) o auditor fiscal responsável pela autuação assim se pronunciou: “Continua reafirmando todas as conclusões manifestas no relatório discal em em despacho anteriores. Entende que se esta fiscalização fosse a autora de laudo pericial a ser realizado conforme solicitado, não se chegaria á outra conclusão senão aquela manifesta anteriormente pela mesma. Contudo, no intuito de atender à solicitação mencionada no item 1 acima {(e também da solicitação feita através da Resolução 2301 00.077 desta mesma Câmara e turma do conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Segunda Seção de Julgamento, no processo 37172.000235/33, NFLD DEBCAD nº 35.762.189.1/2005 – a conversão em diligência “a fim de que seja elaborada parecer técnico conclusivo para o estabelecimento da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco” (...)}, esta fiscalização sugere, a critério deste I. Conselho (assim como foi feito na resposta a Resolução 230100.077 datada de 09/12/2011), o encaminhamento do presente processo ao INSTITUTO Nacional do seguro social, AOS CUIDADOS do (da) Superintendente da Superintendência Regional Sudeste II, localizada à Av, Amazonas, 266 – 14º and. – Belo Horizonte/MG – CEP 30.180001 (superintencia.sudesteII@previdencia.gov.br), obtendo, assim a realização de uma conclusão realizada por outros profissionais (médicos peritos do INSS).” Fl. 441DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37172.000232/200608 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.380 S2C3T1 Fl. 412 6 6. Considero aspecto essencial para o deslinde da controvérsia a inspeção do local de trabalho e a respectiva apresentação de laudo pericial que comprove a exposição ou não dos segurados empregados a agentes nocivos. 7. Sendo assim, diante do não cumprimento da perícia pela fiscalização, converto o julgamento em nova diligência para que a Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte – MG, conforme sugerido pela própria autoridade de primeira instância, encaminhe os autos à Superintendência Regional Sudeste II do referido estado, para que médico perito do INSS proceda a inspeção da empresa recorrente, a fim de identificar fatores nocivos à saúde dos empregados, bem como, imprescindivelmente, responder aos quesitos supra mencionados e dispostos na Resolução nº 20500.143. 8. O contribuinte se manifestou quanto à resposta da diligência requerendo a insubsistência da referida cobrança diante do fato da perícia ser indispensável para a solução da presente controvérsia, posto que somente ela poderia, em tese, comprovar a ausência de motivação do ato administrativo do lançamento e ainda, diante da recusa injustificada da fiscalização em atender a determinação do CARF. CONCLUSÃO 9. Voto pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, a fim encaminhar os autos à Superintendência Regional Sudeste II do referido estado, para que médico perito do INSS proceda a inspeção da empresa recorrente e elabore laudo técnico a fim de responder aos quesitos supra mencionados e dispostos na Resolução nº 20500.143. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910305/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS DATA DO FATO GERADOR: 31/10/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo pra que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo pra que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator. EDITADO EM: 27/02/2013 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DATA DO FATO GERADOR: 31/08/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo pra que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório Não Reconhecido. Inconformado, o recorrente apresenta os mesmos argumentos trazidos em primeira instância e reitera a legalidade de seu procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte decidiu pela não homologação, já que o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda a retificação da respectiva declaração. Em razão disso, a compensação não foi homologada, consoante passagem seguinte do despacho decisório: “À luz do relato feito e da análise do presente processo, constatase que o indeferimento do pedido pela DRF de origem foi motivado pelo fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido utilizado integralmente na quitação de débito de Cofins do mesmo período. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10680.910305/200910 Acórdão n.º 3802001.508 S3TE02 Fl. 83 3 A contribuinte informa que não providenciou a entrega de DCTF retificadora com a real valor devido da contribuição para o período em questão. No entanto, consultando os sistemas da RFB, verificase a ocorrência da entrega de retificadora. Ocorre que a DCTF na qual foi retificado o débito referente ao fato gerador 31/10/2001 foi enviada pela contribuinte apenas em 05/08/2009, após cinco anos, portanto, contados da ocorrência do fato gerador. Ressaltese, de início, que os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o Decretolei nº 2.124, de 1984. em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Como o PIS/COFINS se amolda ao chamado lançamento por homologação, aplicase ao presente caso a regra do §4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelece o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador para a homologação do lançamento, salvo a comprovação do dolo, fraude ou simulação. Com efeito, nas relações jurídicas, principalmente nas de caráter obrigacional, os prazos para a extinção de direito decorrem do princípio da segurança jurídica e, assim, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer COSIT nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia a presente situação: “dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se torna definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributária. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos, eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUINTES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF – RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 cinco anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 analogicamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSL – COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. A compensação de tributos e face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documento hábil.” Registrase ainda que na DIPJ entregue pela contribuinte à época, consta exatamente o valor devido da contribuição informada na DCTF originária. Portanto, não tendo sido apresentada pela manifestação qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não pode ser considerada a DCTF retificadora enviada à RFB após cinco anos contados do fato gerador correspondente ao crédito de Cofins indicado na declaração de compensação. Observese, ainda, que o protesto genérico pela produção futura de provas não tem efeitos no âmbito administrativo, haja vista que o Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ao menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Logo, há preclusão do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto, o que, no caso, não se evidenciou, sendo apenas meramente alegado. Sobre o requerimento de diligência/perícia, em face de a lide ter sido devidamente apreciada e resolvida no decorrer da exposição, tornase prescindível a sua realização. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de indeferir a solicitação da interessada e não homologar a compensação pleiteada. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10680.910305/200910 Acórdão n.º 3802001.508 S3TE02 Fl. 84 5 Tendo em vista o que dos autos consta, duas matérias merecem análise deste Conselho, a saber: (i) o prazo decadencial e (ii) a possibilidade de apresentação de provas em fase recursal. A contribuinte transmitiu Per/Dcomp visando a compensação dos débitos nela declarados com crédito proveniente de pagamento a maior COFINS, relativo o fato gerador de 31/06/2001. Por outro lado, a Delegacia da Receita Federal de BH emitiu Despacho decisório eletrônico no qual não homologou a compensação pleiteada, já que o pagamento foi utilização na quitação integral de débitos da contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Inconformada, a contribuinte justificou a não realização da retificação da DCTF porque ocorreu uma infiltração no local em que estava arquivada sua documentação fiscal, perdendo vários dados que comprovariam o real valor do tributado então devido. Portanto, cabe avaliar preliminarmente a admissibilidade da prova em face das regras de preclusão previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendese que o caso em exame se regeria à hipótese prevista no o art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. A prova, com efeito, poderia ter sido feita e destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, consoante destacado, a não homologação estava assentada apenas na falta de retificação da Dctf. Admitida a juntada da prova, se trazida, esta deveria ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. O segundo ponto que merece análise é a contagem do prazo para fins de homologação do lançamento. Nesse sentido temos a regra de regência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 6 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como o PIS/COFINS se amolda ao chamado lançamento por homologação, aplicase ao presente caso a regra do §4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelece o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador para a homologação do lançamento, salvo a comprovação do dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, dada a ocorrência da preclusão temporal, não há como reconhecer o direito ao crédito. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002238/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO.
Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
As despesas médicas dedutíveis restringem-se as efetuadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e ao de seus dependente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.470
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas médicas dedutíveis restringemse as efetuadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e ao de seus dependente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 22 38 /2 00 9- 19 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 06 a 09, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 2.788,50 mais cominações legais. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, onde pugnou pela anulação da notificação, carreando para os autos, declarações de beneficiários de despesas médicas, deixando de apresentar, entretanto, os documentos relativos à previdência privada. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 25 a 30): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. 0 direito às deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Artigo 80, §1°, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.002238/200919 Acórdão n.º 2101001.470 S2C1T1 Fl. 69 3 Considerase definitivamente lançado o crédito relativo à matéria não impugnada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância entendeu que a notificada não comprovou as seguintes despesas médicas relativas aos prestadores: Prestador Valor R$ Luciana Ramiro 7.200,00 Thelma Lopes Ortega 1.440,00 TOTAL 8.640,00 De consequência manteve as glosas relativas às citadas despesas, votando pela improcedência da impugnação e mantendo a exigência de imposto suplementar de R$ 2.788,50 mais cominações legais. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 26/10/2010 (fl. 35), a Recorrente apresentou, em 05/11/2010, o recurso de fls. 37 a 39, mantendo os argumentos da impugnação inicial. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 67, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2006, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. O julgador a quo manteve glosas relativas à determinadas despesas entendidas como não comprovadas. No voluntário, a recorrente reapresenta recibos de LUCIANA RAMIRO e THELMA LOPES ORTEGA, apresentando, ainda, cópia de carta ao BANCO DO BRASIL Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 S/A, BANCO BRADESCO, NOSSA CAIXA NOSSO BANCO e HSBC BANK BRASIL S/A, requerendo, ainda, maior tempo para a entrega dos extratos bancários solicitados às referidas instituições financeiras. Vale observar as anotações do Auditor Fiscal que informa que nos exercícios de 2004 a 2006, as despesas médicas pleiteadas alcançam R$ 56.000,00, e observa que a notificada é médica. Informa ainda que a recorrente deixou de apresentar cópias de cheques, transferências bancárias, ordens de pagamento comprovantes de saques etc pois esta forma de comprovação não constou na legislação nem no manual e que alegou ainda que efetuou os pagamentos em dinheiro e que não houve exagero na dedução que alcançam 10,74% da renda bruta. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas odontológicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração da contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.002238/200919 Acórdão n.º 2101001.470 S2C1T1 Fl. 70 5 que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Vejase as seguintes decisões deste colegiado: Acórdão nº : 10248789 DESPESAS MÉDICAS RECIBOS REQUISITOS ESSENCIAIS Quanto aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu são pressupostos essenciais à sua validade. O endereço, o CPF do profissional e a identificação do beneficiário dos serviços, caso ausentes, podem ser completados, posteriormente, pelo tomador dos serviços, adotandose procedimento semelhante ao do pagamento com cheque nominal. Acórdão nº : 10616.890 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR A HIGIDEZ DOS RECIBOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de classe. Na via recursal, o recorrente trouxe recibo emitido em ano precedente com o número de inscrição referido. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. Ementa Assunto: IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Simples recibos comprovam despesas médicas realizadas, mas, se o Fisco teve motivos para duvidar da efetiva prestação de serviços, serão necessárias provas adicionais da autenticidade dos mesmos, mormente quando emitidos por profissional objeto de súmula administrativa. Multa qualificada mantida. IRPF GLOSA DESPESAS MEDICAS Ausência de apresentação de recibos ou quaisquer outros comprovantes de despesas médicas. Glosa com multa de ofício. Lançamento procedente. Recurso negado. (Acórdão 102489492ª Câmara – 1º Conselho de Contribuintes) Os parágrafos 4º a 6º do artigo 16 da Lei nº 70.235,72, dispõem: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Da análise dos autos verificase que o Fisco concedeu prazo razoável para o atendimento à intimação que exigia tais elementos, entretanto a contribuinte não fez anexar documentação probatória capaz de convencer o julgador à quo. Como o recorrente não comprovou o efetivo pagamento das despesas, voto por negar provimento ao recurso. Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado eletronicamente) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003663/2011-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Improcedente a alegação de cerceamento de defesa, assim como a de violação ao contraditório e ao devido processo legal, no caso de não se apontar nos autos qualquer mácula que tenha ensejado a impossibilidade de defesa de qualquer dos responsáveis, em qualquer fase do contencioso, tendo todos estes apresentado regularmente suas defesas em primeira e em segunda instâncias, tendo seus argumentos apreciados.
ESCUTA TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE.
É válida a prova carreada aos autos decorrente de escuta telefônica se a coleta e o repasse à RFB das informações derivadas da escuta forem judicialmente autorizados.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são as previstas no art. 151 do CTN. No caso de ação judicial, não havendo, ao tempo da autuação nenhuma medida concessiva em juízo (sendo todas as decisões denegatórias à recorrente, e todos os recursos recebidos com efeito devolutivo), não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito.
ÔNUS PROBATÓRIO. DISCORDÂNCIA DO IMPUGNANTE/RECORRENTE EM RELAÇÃO AOS VALORES POR ELE PRÓPRIO DECLARADOS.
Apurando o impugnante/recorrente que os dados que declarou ao Fisco (e foram utilizados na autuação) são incorretos, é seu dever retificar tais dados, justificando o porquê das incorreções.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
A responsabilidade solidária de que tratam os arts. 124 e 125 do CTN não se confunde com a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135, III do código, e requer prova do interesse comum, que não se constitui necessariamente em uma transferência patrimonial.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 se configurada situação prevista no art. 71 da Lei no 4.502/1964.
MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA.
Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 9.430/1996, art. 44).
DECADÊNCIA. DOLO. SONEGAÇÃO.
Caracterizada a situação descrita no art. 71 da Lei no 4.502/1964 (na qual o dolo é elemento presente), inaplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o do CTN, devendo a contagem respeitar o disposto art. 173, I do mesmo código, conforme Súmula CARF no 72.
Numero da decisão: 3403-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, que votou por dar provimento parcial aos recursos voluntários, para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75% e para excluir da sujeição passiva todos os responsáveis solidários; e o Conselheiro Ivan Alegretti, que votou apenas pela redução da multa de ofício. Os conselheiros vencidos reconheceram a decadência parcial do lançamento, em consequência do afastamento da qualificadora da multa de ofício. O Conselheiro Domingos de Sá Filho apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Improcedente a alegação de cerceamento de defesa, assim como a de violação ao contraditório e ao devido processo legal, no caso de não se apontar nos autos qualquer mácula que tenha ensejado a impossibilidade de defesa de qualquer dos responsáveis, em qualquer fase do contencioso, tendo todos estes apresentado regularmente suas defesas em primeira e em segunda instâncias, tendo seus argumentos apreciados. ESCUTA TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos decorrente de escuta telefônica se a coleta e o repasse à RFB das informações derivadas da escuta forem judicialmente autorizados. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são as previstas no art. 151 do CTN. No caso de ação judicial, não havendo, ao tempo da autuação nenhuma medida concessiva em juízo (sendo todas as decisões denegatórias à recorrente, e todos os recursos recebidos com efeito devolutivo), não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito. ÔNUS PROBATÓRIO. DISCORDÂNCIA DO IMPUGNANTE/RECORRENTE EM RELAÇÃO AOS VALORES POR ELE PRÓPRIO DECLARADOS. Apurando o impugnante/recorrente que os dados que declarou ao Fisco (e foram utilizados na autuação) são incorretos, é seu dever retificar tais dados, justificando o porquê das incorreções. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária de que tratam os arts. 124 e 125 do CTN não se confunde com a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135, III do código, e requer prova do interesse comum, que não se constitui necessariamente em uma transferência patrimonial. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 se configurada situação prevista no art. 71 da Lei no 4.502/1964. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 9.430/1996, art. 44). DECADÊNCIA. DOLO. SONEGAÇÃO. Caracterizada a situação descrita no art. 71 da Lei no 4.502/1964 (na qual o dolo é elemento presente), inaplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o do CTN, devendo a contagem respeitar o disposto art. 173, I do mesmo código, conforme Súmula CARF no 72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, que votou por dar provimento parcial aos recursos voluntários, para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75% e para excluir da sujeição passiva todos os responsáveis solidários; e o Conselheiro Ivan Alegretti, que votou apenas pela redução da multa de ofício. Os conselheiros vencidos reconheceram a decadência parcial do lançamento, em consequência do afastamento da qualificadora da multa de ofício. O Conselheiro Domingos de Sá Filho apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Improcedente a alegação de cerceamento de defesa, assim como a de violação ao contraditório e ao devido processo legal, no caso de não se apontar nos autos qualquer mácula que tenha ensejado a impossibilidade de defesa de qualquer dos responsáveis, em qualquer fase do contencioso, tendo todos estes apresentado regularmente suas defesas em primeira e em segunda instâncias, tendo seus argumentos apreciados. ESCUTA TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos decorrente de escuta telefônica se a coleta e o repasse à RFB das informações derivadas da escuta forem judicialmente autorizados. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são as previstas no art. 151 do CTN. No caso de ação judicial, não havendo, ao tempo da autuação nenhuma medida concessiva em juízo (sendo todas as decisões denegatórias à recorrente, e todos os recursos recebidos com efeito devolutivo), não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito. ÔNUS PROBATÓRIO. DISCORDÂNCIA DO IMPUGNANTE/RECORRENTE EM RELAÇÃO AOS VALORES POR ELE PRÓPRIO DECLARADOS. Apurando o impugnante/recorrente que os dados que declarou ao Fisco (e foram utilizados na autuação) são incorretos, é seu dever retificar tais dados, justificando o porquê das incorreções. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 36 63 /2 01 1- 28 Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária de que tratam os arts. 124 e 125 do CTN não se confunde com a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135, III do código, e requer prova do interesse comum, que não se constitui necessariamente em uma transferência patrimonial. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 se configurada situação prevista no art. 71 da Lei no 4.502/1964. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 9.430/1996, art. 44). DECADÊNCIA. DOLO. SONEGAÇÃO. Caracterizada a situação descrita no art. 71 da Lei no 4.502/1964 (na qual o dolo é elemento presente), inaplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o do CTN, devendo a contagem respeitar o disposto art. 173, I do mesmo código, conforme Súmula CARF no 72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, que votou por dar provimento parcial aos recursos voluntários, para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75% e para excluir da sujeição passiva todos os responsáveis solidários; e o Conselheiro Ivan Alegretti, que votou apenas pela redução da multa de ofício. Os conselheiros vencidos reconheceram a decadência parcial do lançamento, em consequência do afastamento da qualificadora da multa de ofício. O Conselheiro Domingos de Sá Filho apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório 2 Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em 31/03/2011 para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de maio de 2005 a setembro de 2008, acrescida de multa de ofício (no percentual de 150%) e de juros de mora. O Auto de Infração apresenta na sujeição passiva, solidariamente à empresa Tux Distribuidora de Combustíveis LTDA: a) a empresa Alfa Participações e Empreendimentos LTDA, CNPJ no 05.197.245/000174, domiciliada na Av. Doutor José Bonifácio Coutinho Nogueira, 150, Ala Leste, sl. 208 Jardim Madalena, Campinas/SP; b) a empresa Beta Participações e Empreendimentos LTDA, CNPJ no 05.745.236/000170, domiciliada no mesmo endereço da empresa Alfa; c) a empresa Tamboril Participações e Empreendimentos LTDA, CNPJ no 04.044.108/000137, domiciliada na Av. Madri, 851/sl. 03 Cascata, Paulínia/SP; d) o Sr. Adriano Rossi, CPF no 071.535.87829, domiciliado na Rua Eliseu Teixeira de Camargo, 1070, cs. 67 Gramado, Campinas/SP; e e) o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, CPF no 479.592.40825, domiciliado na Rua Itacaré, 55 Planalto Paulista, São Paulo/SP. Conforme se indica no Termo de Verificação Fiscal, a autuação tem origem em demanda requisitória do Ministério Público Federal regional Ribeirão Preto. A fiscalização aponta no Auto de Infração que: a) a empresa Tux tem como sócios a empresa “offshore” (com sede nas Ilhas Virgens Britânicas) Bloomington Enterprises LTD, CNPJ no 05.689.116/000101 (99% do capital) e o Sr. Jorge Natal Horácio, CPF no 866.892.23868 (1% do capital), este também responsável pela empresa perante a RFB; b) na Tux, o Sr. Jorge Natal Horácio sucede o Sr. Joses Dias dos Santos, CPF no 087.056.07604, que detinha o percentual de 1% do capital até 03/11/2003, sendo que o Sr. Joses Dias dos Santos permaneceu como responsável perante a RFB pela empresa “offshore” Bloomington; c) o Sr. Joses Dias dos Santos, em declarações prestadas à fiscalização, em 20/10/2010 (data na qual ainda constava como representante da Bloomington perante a RFB), nada soube informar sobre a “offshore” que representa, declarando ser motorista e trabalhar com transporte de combustíveis, 3 Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO conhecendo a Sra. Eliane Leme Rossi da base Exxel (por intermédio de seu procurador, em 22/10/2010, o Sr. Joses Dias dos Santos protocolou documento no qual reconheceu ter representado a “offshore” de 26/08/2003 a 03/11/2003, adicionando procuração em língua inglesa com fortes indícios de falsidade). Consta ainda nos arquivos informatizados da previdência social que o Sr. Joses Dias dos Santos foi empregado doméstico da Sra. Eliane Leme Rossi (contadora da Tux e da Ask), no ano de 2003; d) a empresa Tux apresentou nos anoscalendário 2005 a 2008 declarações de imposto de renda sob a forma de apuração do lucro real, com receitas brutas declaradas, respectivamente, de R$ 178.835.007,20; R$ 326.091.737,64; R$ 257.996.369,03; e R$ 302.726.587,09; e está omissa quanto à DCTF no que se refere ao primeiro semestre de 2006; e) a empresa Tux não comprovou possuir bem imóvel, nem a capacidade econômica de seu sócio majoritário (Bloomington), tendo seu registro de distribuidora de combustíveis cancelado pela ANP em 05/11/2009; f) a empresa Tux não tem existência física de fato, operando em tanques da empresa Exxel Brasileira de Petróleo LTDA, CNPJ no 05.689.116/000101; g) para entender quem deve arcar solidariamente com as obrigações tributárias da Tux, é necessário qualificar: 1. a empresa Exxel, que tem como sócios o Sr. Adriano Rossi (33,33% das cotas), o Sr. Sidónio Vilela Gouveia (33,33% das cotas), e o Sr. Miceno Rossi Neto (33,34% das cotas), e também teve o registro cancelado pela ANP; 2. a empresa Ask Petróleo do Brasil LTDA, CNPJ no 05.090.761/0001 03, que também operou nos tanques da empresa Exxel, e teve o registro cancelado pela ANP em 08/10/2008, tem como sócias as empresas Beta e Tamboril (em 28/12/2005 tais sócios foram substituídos por uma empresa “offshore”, a Summit Inversiones de America LLC, com 99,99% e o Sr. Antonio Carlos Penha, com 0,01% do capital). Conforme documentos obtidos durante a fiscalização, ficou comprovado que os donos e administradores das empresas Beta e Tamboril (Sr. Adriano Rossi e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia), continuaram na administração da Ask; 3. a empresa Tractus Negócios e Participações LTDA, CNPJ no 06.079.819/000172, que atua com consultoria em gestão empresarial, e também possui como sócias as empresas Beta e Tamboril; 4. as empresas Alfa e Beta, que são identificadas como “holding de instituições não financeiras” nos cadastros da RFB, e possuem no quadro societário Gabriela Ribeiro Rossi, Isadora Ribeiro Rossi e Pedro Ribeiro 4 Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 Rossi (todos menores e filhos de Adriano Rossi, que é representante com totais poderes de ambas as empresas); 5. a empresa Tamboril, que também é identificada nos cadastros da RFB como “holding de instituições não financeiras”, e apresenta como sócios Guilherme de Padua Vilela e Gouveia, e Gustavo de Padua Vilela e Gouveia (todos filhos de Sidónio Vilela Gouveia, que é representante com totais poderes da empresa); e 6. a usina Dracena Açúcar e Álcool LTDA, que é mais uma sociedade entre a Beta (53% das cotas) e a Tamboril (47% das cotas); h) foi possível identificar o “modus operandi” do grupo a partir das seguintes informações: 1. na relação da Tux com tais pessoas, foi possível evidenciar que há confusão patrimonial entre a Tux e a Ask: além de ambas funcionarem no mesmo espaço físico (tanques da Exxel), a Ask pagou aquisições de álcool de mais de 21 milhões de reais a usinas pela Tux, conforme informação da procuradora (e contadora) de ambas as empresas (Tux e Ask), Sra. Eliane Leme Rossi. Além disso, a Tux e a Ask estavam amarradas por contratos “draconianos” à Tractus, que as impediam de ter relações comerciais com quaisquer outras empresas; e o Sr. Jorge Natal Horácio (sócio administrador e responsável pela Tux perante a RFB) tinha acesso à movimentação bancária da Ask, conforme cópias de documentos obtidos pela fiscalização, e assinou contrato representando a Ask na qualidade de sócio administrador (em data na qual já atuava como sócioadministrador da Tux). Ademais, Ask e Tux tiveram seus registros cancelados pela ANP com um ano de defasagem, ficando a segunda como sucessora de fato nos negócios da primeira (e durante os processos de cancelamento, na ANP, os termos de defesa são “ipsis litteris” os mesmos); 2. há relação de subordinação de fato entre o Sr. Jorge Natal Horácio (sócio administrador e responsável pela Tux perante a RFB) e o Sr. Adriano Rossi, conforme se depreende de escutas telefônicas repassadas à RFB mediante autorização judicial no processo no 2006.61.02.005920 9 (na transcrição carreada aos autos, o Sr. Adriano Rossi dá uma ordem ao Sr. Jorge Natal Horácio para pagamento das compras de álcool da Tux; tendo ainda o Sr. Jorge Natal Horácio gerência na Tractus, conforme documentos constantes do processo (nos quais ele é testemunha de contrato de trabalho e dá autorização para abono de falta na empresa). Concluise assim ser o Sr. Jorge Natal Horácio um “lugar tenente” do Sr. Adriano Rossi, em variados negócios, constituindo o elo entre a Tux e o Sr. Adriano Rossi, tendo ligação com a Ask (gerenciandoa/checando extratos bancários) e a Tractus; 3. a Tux emprestou à usina Dracena durante a fase préoperacional desta (como adiantamento a fornecedores) o valor de R$ 600.000,00 por 5 Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO intermédio da Tractus; demonstrando as ligações entre a Tractus e a Tux; e 4. em fiscalização efetuada no domicílio da Tractus, em 04/11/2010, encontrouse no local a empresa Beta, lá estando o Sr. Adriano Rossi, que esclareceu: que todos os funcionários da Tractus foram demitidos, que os administradores da Tractus eram ele e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, e que é proprietário da usina Dracena; i) conclui assim a fiscalização que tanto a Tux quanto a Ask, assim como a Tractus, a Alfa, a Beta e a Tamboril, são peças de um esquema montado para blindagem patrimonial do Sr. Adriano Rossi e do Sr. Sidónio Vilela Gouveia, inclusive com a utilização do expediente de usar filhos menores como “laranjas”, tendo o esquema culminado na criação da usina Dracena; j) há responsabilidade solidária, no caso, por força do disposto no art. 124, I do CTN; k) a Tux ingressou em 18/04/2007 com “ação declaratória de inexigibilidade de obrigação tributária c/c inexigibilidade de débito e repetição de indébito com pedido de liminar de antecipação de tutelar”, de no 2007.61.05.0047330, na qual solicita a aplicação antecipada do disposto no art. 91 da Lei no 10.833/2003, tendo como patrono o Sr. Sidónio Vilela Gouveia. O pedido de liminar para antecipação de tutela foi julgado improcedente em 08/02/2008; e o mérito, também improcedente, em 25/06/2008, não ficando em nenhum momento afastada pela justiça a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; l) nas tabelas de fls. 16 a 181, a autoridade fiscal detalha as contribuições que deixaram de ser recolhidas sob a alegação de amparo em decisão judicial; e m) em decorrência dos fatos narrados, a autoridade identifica a necessidade de qualificação da multa de ofício e elaboração de representação fiscal para fins penais. Cientificados da autuação, os sujeitos passivos apresentam suas respectivas impugnações, da seguinte forma: a) a empresa Tux (fls. 166 a 217) alega que: a. não teve ciência de todos os documentos que instruíram a autuação (v.g. declarações do Sr. Joses Dias dos Santos e do Sr. Jorge Natal Horácio e documentação que comprove a transação de 21 milhões a que se refere a autuação), o que impossibilitou o regular exercício da defesa; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). 6 Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 b. o auto não descreve a imposição legal que pesa contra a empresa, o que o torna nulo; c. as provas obtidas por meio de interceptação telefônica são ilegais, e não podem ser usadas no processo tributário; d. parte do período lançado está alcançada pela decadência, nos termos do art. 150, § 4o do CTN; e. a discussão sobre a obrigação ou “isenção” nos pagamentos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins está “sub judice”nos termos do processo no 2007.61.05.0047330, restando qualquer cobrança de tais contribuições suspensa enquanto pendente a discussão judicial; f. não há nenhuma prova de prática de qualquer ato arbitrário, ilegal, imoral ou impróprio à atuação comercial da empresa; g. a empresa não operou no primeiro semestre de 2006, daí a não apresentação de DCTF; h. o Sr. Joses Dias dos Santos foi sócio da Tux e representante da Bloomington entre 29/07/2002 a 24/07/2003 (não havendo fundamento para a desconfiança quanto à falsidade da procuração apresentada à fiscalização), e nunca foi funcionário da contadora da Tux, Sra. Eliane Leme Rossi; i. a Alfa, a Beta, a Tamboril, e o Sr. Adriano Rossi e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia não são e nunca foram sócios, participantes, acionistas ou interessados/beneficiados nas operações da Tux, tendo a Tux se relacionado somente com a Tractus (que tinha a Beta e a Tamboril como sócias), dentro da normalidade, buscando redução de custos operacionais; j. os vínculos da Tux com a Ask também foram estritamente comerciais e esporádicos, não havendo confusão comercial entre as empresas (sendo a coexistência física uma prática comum nas distribuidoras de combustível); k. o Sr. Jorge Natal Horácio (sócio e responsável pela Tux) prestou, como pessoa física, e no seu interesse, serviços à Ask, não devendo ser confundida a pessoa física com a jurídica; l. a Tux e a Bloomington nunca tiveram qualquer interesse na usina Dracena, e a compra antecipada também é um comportamento normal no mercado de combustíveis; m. o Sr. Jorge Natal Horácio não era subordinado à Tractus ou a qualquer de seus administradores, inclusive o Sr. Adriano Rossi; 7 Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO n. os valores autuados não são corretos, vez que deixaram de ser excluídas as devoluções, desistências e vendas realizadas a congêneres; e o. não há dolo, fraude ou simulação nos autos, o que impede a aplicação da multa qualificada, tendo havido equívoco da fiscalização na quantificação da multa (detalhada ora como 100% ora como 150%); b) a empresa Alfa também apresenta impugnação (fls. 700 a 737), sustentando que: a. o procedimento fiscal foi instaurado frente à empresa Tux, não tendo sido comprovado nos autos qualquer fato capaz de imputar responsabilidade tributária à Alfa; b. foi criada em 2002, com patrimônio de R$ 3.000.000,00, jamais tendo se beneficiado de recursos provenientes da Tux; c. foi sócia da usina Dracena por um curtíssimo espaço de tempo (17/12/2002 a 31/07/2003), período não abarcado na autuação (além disso, a Tux só começou a operar na distribuição de combustível em em 04/05/2005). Assim, eventuais recursos sonegados pela Tux em benefício da usina Dracena não poderiam beneficiar a Alfa, nem se referir ao período em que a Alfa era sócia; e d. não há motivação para a aplicação da multa de 150%, que é confiscatória; c) a empresa Tamboril, em sua impugnação (fls. 873 a 929), argumenta que: a. o procedimento fiscal foi instaurado frente à empresa Tux, tendo havido desrespeito ao direito de defesa e ao contraditório pela falta de ciência aos procedimentos fiscais, e violação à autonomia da pessoa jurídica, cujo patrimônio não pode ser confundido com o de outras empresas nem com o de seus sócios; b. as provas obtidas por meio de interceptação telefônica são ilegais, mas ainda que sejam consideradas, não há vinculação da Tux com a Tamboril ou seu administrador, Sr. Sidónio Vilela Gouveia; c. não possui qualquer vinculação com a Tux ou com aumento patrimonial que se possa imputar à atuação da Tux; d. o Sr. Sidónio Vilela Gouveia é o simples administrador de uma pessoa jurídica (Tamboril), e esta pessoa jurídica é detentora de cotas de capital de outra (Tractus), que possui contrato de representação comercial da Tux, nada mais; e não se pode confundir a Tamboril com a Tractus, pessoas jurídicas de diferentes objetos sociais, não podendo uma responder pela outra; e. são absurdas as alegações de que o contrato entre a Tractus e a Tux é “draconiano”, e de que o Sr. Jorge Natal Horácio seria um “lugar 8 Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 tenente” do Sr. Adriano Rossi, sendo o Sr. Jorge Natal Horácio tãosomente um cliente da Tractus; f. a documentação usada para comprovar a alegada vinculação do Sr. Jorge Natal Horácio à Tractus é inadmissível (pois em um dos documentos ele é tãosomente uma testemunha, e o outro foi lavrado incorretamente); g. a Tamboril e a Ask possuem personalidade jurídica e patrimônios distintos, e desde 2005, com a venda da participação da Tamboril na Ask, não há mais vinculação societária ou jurídica entre ambas; h. a Tux e a Ask poderiam operar na mesma base física, como autorizado por Portaria da ANP; i. o pagamento feito pela Ask à Coopersucar (de R$ 21 milhões) que teria beneficiado a empresa Tux é operação legal e comum entre distribuidoras, onde uma compra e outra (após cessão de direitos) retira o produto; j. as empresas Tux e Ask eram distintas, mas por algumas razões peculiares, contavam de forma pontual com os préstimos do Sr. Jorge Natal Horácio, que efetuou o contrato de cessão de espaço e acessou conta bancária da Ask de forma regular, por meio de instrumentos válidos e legais; k. a empresa não pode responder por atos de seu administrador, Sr. Sidónio Vilela Gouveia, não tendo se beneficiado de qualquer ato praticado por tal administrador ou pela Tux; e l. há equívoco da fiscalização na quantificação da multa (detalhada ora como 100% ora como 150%), e tal multa é confiscatória; d) o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, em linhas gerais, apresenta as mesmas razões de impugnação (fls. 1191 a 1252) da Tamboril, acrescentando que: a. na qualidade de administrador da Tamboril, não foi apontado nenhum ato praticado por ele que demonstrasse participação na Tux ou responsabilidade tributária; e b. não há prova nos autos de que ele tenha se beneficiado das operações da Tux; e) a empresa Beta, em sua impugnação (fls. 1525 a 1575), sustenta que: a. há nulidade da autuação por não ter sido formalizada a ação fiscal sobre a empresa responsabilizada, porque os terceiros indicados (entre os quais a Beta) não foram beneficiados com a operação da 9 Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Tux, e porque não consta da autuação a clara descrição da irregularidade da conduta do administrador da Beta; b. a alegação da autuação no sentido de vinculação entre as empresas é desprovida de provas, e “conspiratória”, não fazendo sentido; c. nem a Beta, nem a Alfa, nem outras sociedades administradas pelo Sr. Adriano Rossi jamais fizeram parte ou mantiveram negócios diretos com a Tux, nem com a Bloomington; d. o depoimento do Sr. Joses Dias dos Santos foi tomado irregularmente, pois o AuditorFiscal não tem competência para inquirir testemunhas, e não houve assistência por advogado; e. a escuta telefônica também representa prova nula, pois sua obtenção depende de autorização judicial e é restrita ao processo penal (e foi efetuada em período no qual o Sr. Jorge Natal Horácio possuía procuração da Ask, que tinha o capital composto pelas empresas Beta e Tamboril); f. mesmo antes de a Beta e a Tamboril serem sócias da Ask, o Sr. Jorge Natal Horácio já representava a empresa; g. o documento (abono de faltas) que comprovaria a participação do Sr. Jorge Natal Horácio na Tractus está eivado de erros e nada comprova; h. o contrato alegadamente “draconiano” reflete relação privada, efetuada com plena liberdade para contratar, obedecendo aos requisitos do Código Civil; i. não há confusão patrimonial entre a Tux e a Ask, e as premissas tomadas pelo Fisco refletem o desconhecimento das operações, que são usuais no ramo de distribuição de combustíveis; e em outra autuação efetuada pela RFB, a empresa Beta foi indicada como responsável solidária por fato idêntico (utilização de recursos da empresa Ask para integralização de capital da usina Dracena), constituindo este auto um “bis in idem”, mas sendo contraditório àquele, por afirmar agora que a capitalização da usina foi feita com recursos da Tux (ademais, a usina já estava operando em 2006, época em que a Tux apenas iniciava suas atividades); e a multa aplicada não corresponde ao percentual indicado no Termo de Verificação e é confiscatória; e f) o Sr. Adriano Rossi, em sua impugnação (fls. 2190 a 2241), não acrescenta argumentos aos aqui já externados, relacionados a nulidades, elementos probatórios, responsabilidade tributária e confiscatoriedade da multa aplicada. Na decisão de primeira instância, proferida em 20/06/2011 (fls. 2733 a 2785), analisamse conjuntamente as impugnações (reconhecendo um núcleo comum), concluindose que: 10 Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 a) o Auto de Infração não é nulo, por ter sido lavrado por autoridade competente, e não houve preterição de direito de defesa em virtude de dispensa de MPF (normativamente fundamentada); b) a infração está claramente detalhada no Termo de Verificação, e os valores constantes na autuação decorrem do simples confronto entre as bases de cálculo apuradas nos livros contábeis e os valores consignados em DCTF (o que refuta a argumentação, desacompanhada de prova, de que teriam sido excluídos valores referentes a devoluções, cancelamentos e operações entre congêneres); c) não houve suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por estarem ausentes as situações referidas no art. 151 do CTN; d) a busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário não obstrui a constituição do crédito tributário e acarreta renúncia à discussão administrativa da matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte do julgador administrativo; e) a autoridade administrativa é incompetente para manifestarse sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma tributária; f) é legítimo o uso do conteúdo de escutas telefônicas realizadas com autorização judicial e repassadas à autoridade tributária também com permissão do Poder Judiciário (citando excerto do arrazoado apresentado pela Procuradoria da República para a obtenção da autorização judicial para a escuta); g) são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária (Tux, Beta, Tamboril, Sr. Sidónio Vilela Gouveia e Sr. Adriano Rossi), retirandose do polo passivo a pessoa em relação à qual não se tenha comprovado vínculo com a obrigação lançada (Alfa); h) a formação de convicção não se exaure em cada fato narrado e/ou refutado, mas no quadro que se forma quando estes são vistos globalmente (a situação desenhada pelos atores vinculados ao fato gerador com o fim deliberado de expor à Administração Tributária um contribuinte sem qualquer capacidade financeira, ocultando os verdadeiros responsáveis pela operação): a. a Tux, que não recolhia as contribuições nos montantes devidos, acumulando débito que ronda R$ 77 milhões no período de 2005 a 11 Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2008, sem qualquer guarida judicial (visto não ter a empresa obtido qualquer decisão interlocutória ou definitiva favorável), e não possuía capacidade financeira, conforme resta comprovado no processo de cancelamento na ANP (onde se indica que a totalidade do ativo permanente da empresa, por exemplo, era de R$ 20.467, 19); b. pelo encadeamento das composições societárias, concluise que o Sr. Adriano Rossi, mediante seus filhos, controlava a empresa Beta, enquanto o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, também por meio de sua prole, detinha o controle da empresa Tamboril; c. no contexto em que essa rede de relações societárias se estabelece, o grau de parentesco que se verifica nas duas empresas não é fortuito, mas obedece a uma lógica de subordinação hierárquica; d. conforme demonstra o conteúdo das escutas telefônicas encaminhadas à fiscalização, a relação que se estabelecia entre o Sr. Jorge Natal Horácio e o Sr. Adriano Rossi não se confinava a mero vínculo comercial esporádico, mas se tratava de relação hierárquica (ao contrário do que levantam as defesas, a escuta está bem contextualizada, não havendo outra conclusão a se tirar de todo o trecho transcrito senão a de que o Sr. Jorge Natal Horácio estava vinculado por uma relação de hierarquia ao Sr. Adriano Rossi, ocupando aquele o nível inferior); e. o depoimento do Sr. Joses Dias dos Santos foi regularmente tomado pela autoridade fiscal, que tem competência para fazêlo, e também opera na formação de convicção do julgador; f. há um conjunto de fatos que, se tomados isoladamente, poderiam ser considerados coincidências ou ocorrências naturais no domínio comercial; entretanto, analisados como parte de um todo, aliamse às circunstâncias já comentadas e desenham um cenário de confusão patrimonial entre as empresas Tux e Ask; g. a confusão de interesses, patrimônios e de administração caracteriza a atuação das empresas não de forma independente, mas como um grupo econômico, agindo sob um mesmo comando; e h. à exceção de ser a empresa representada com totais poderes pelo Sr. Adriano Rossi, e ter como sócios seus filhos, nenhuma outra ligação da empresa Alfa com o fato gerador da obrigação tributária foi apontada pela autoridade autuante, pelo que esta deve ser excluída do polo passivo; i) a multa qualificada se aplica ao caso (não havendo erro no detalhamento de seu percentual, pois 75% majorado em 100% equivale exatamente a 150%), por estar caracterizado o encadeamento de controle societário engendrado com o objetivo de ocultar ou dificultar o conhecimento, por parte da Administração Fazendária, dos responsáveis pelo cumprimento da obrigação (art. 71, I da Lei no 4.502/1964); e 12 Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 j) ocorrendo dolo, fraude ou simulação, como no caso em análise, o período decadencial se conta na forma do art. 173, I do CTN (afastandose por consequência os créditos referentes ao período de maio a novembro de 2005, por ter sido o lançamento formalizado em abril de 2011). Pelo valor exonerado, apresentase, em decorrência, Recurso de Ofício ao CARF. Às fls. 3055, indicase que foram apresentados ainda três Recursos Voluntários: o primeiro pela Tux (fls. 2826 a 2898), o segundo pela Beta (abarcando ainda a argumentação de seu administrador, o Sr. Adriano Rossi fls. 2899 a 2978) e o terceiro pela Tamboril (que abrangeria ainda as razões expendidas por seu administrador, o Sr. Sidónio Vilela Gouveia fls. 2979 a 3036). Nos Recursos Voluntários, reiterase a argumentação de fato (relativa a elementos probatórios) expendida na fase de impugnação, informandose: a) em relação à Tux (fls. 2826 a 2898), que: a. há nulidade processual, pois a empresa não teve ciência de todos os documentos que instruíram a autuação, e a autuação não descreve qual a imposição legal que pesa contra a empresa e seus sócios; b. as provas obtidas por meio de interceptação telefônica são ilegais, e não podem ser usadas no processo tributário; c. a discussão sobre a cobrança das contribuições está sub judice; d. ao contrário do que decidiu a DRJ (reconhecendo a decadência em relação ao período de maio a novembro de 2005), há decadência também em relação ao período de dezembro de 2005 a março de 2006, aplicandose o disposto no art. 150, § 4o do CTN, por não haver comprovação de dolo, fraude ou simulação; e. não há nos autos prova da prática de qualquer ato arbitrário, ilegal, imoral ou impróprio à atuação comercial da empresa; f. não são verdadeiras as afirmações de que: a) a Tux tenha composição social diferente da que consta em seu quadro societário; b) a empresa tenha omitido informações em DCTF; c) o Sr. Joses Dias dos Santos tenha sido funcionário da Sra Eliane Rossi (tendo ocorrido simples equívoco cadastral); d) há confusão patrimonial entre a Tux e a Ask; e) há subordinação entre o Sr. Jorge Natal Horácio e a Tractus, ou o Sr. Adriano Rossi; g. a decisão de primeira instância não enfrentou todos os pontos em discussão, como: a) a regularidade das operações comerciais da empresa; b) a regularidade da representação contábil e administrativa; c) a regularidade e legitimidade da discussão judicial; d) a imprestabilidade da prova constituída transcrições telefônicas; 13 Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO e) o cerceamento da defesa; f) a decadência em relação aos períodos de maio de 2005 a março de 2006; e g) o montante das contribuições devidas, em relação a vendas canceladas, devoluções e operações entre congêneres, e a pagamentos e depósitos efetuados (solicitando diligência para tal mister); h. as Súmulas CARF no 14 e 25 declaram que a simples omissão de receita não qualifica a multa de ofício; e i. não há dolo, fraude ou simulação nos autos, o que impede a aplicação da multa qualificada, tendo havido equívoco da fiscalização na quantificação da multa (detalhada ora como 100% ora como 150%); b) no que se refere à Beta, e a seu administrador, o Sr. Adriano Rossi (recurso de fls. 2899 a 2978), que: a. houve erro na autuação e no julgamento de primeira instância no que se refere à imputação tributária e à sujeição passiva; b. a notificação da autuação (e do procedimento fiscal) ocorreu somente à empresa Tux, tendo os demais sujeitos do polo passivo tomado conhecimento dos autos de forma não oficial, o que enseja nulidade; c. não há elemento nos autos que comprove a existência de fraude, conluio ou simulação tributária; d. as operações foram regulares e declaradas, não podendo ensejar a autuação; e. a incorreta indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável impedem o regular exercício do direito de defesa; f. há erro aritmético no valor da multa aplicada (que é confiscatória), e não é possível aplicar multa isolada no presente caso; g. não há prova de transferência patrimonial da Tux para a Beta, a Alfa, a Tamboril, ou para o Sr. Adriano Rossi ou o Sr. Sidónio Vilela Gouveia;, nem de relação da Tux com tais pessoas; h. são nulas as provas de declaração tomada do Sr. Joses Dias dos Santos e de escuta telefônica do Sr. Jorge Natal Horácio; i. não há confusão patrimonial entre as empresas Tux e Ask; e j. a pessoa jurídica tem existência distinta de seus membros, sendo responsável o administrador somente nas hipóteses previstas no CTN; c) no que pertine à Tamboril (fls. 2979 a 3034), que: a. a fiscalização foi conduzida sem que a Tamboril e/ou seu administrador fossem previamente ouvidos ou tivessem o direito de se manifestar, violando seu direito de defesa; 14 Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 b. a validade dos atos da fiscalização deve obediência à Portaria RFB no 11.371/2007 e não à Portaria no 2.284/2010, como sustentou o julgador a quo; c. a escuta telefônica (em que pese nem mencionar a empresa Tamboril, ou seu administrador) é ilegal, pois efetuada sem ordem do juízo competente e em ofensa ao art. 5o da Lei no 9.296/1996; d. a empresa não tem qualquer relação com a Tux, e, por consequência, nenhuma responsabilidade sobre suas dívidas; e. as empresas Tamboril e Tux são entes dotados de personalidade jurídica própria, distinta, e possuem quadro societário e gerencial completamente diferente; f. as empresas Tamboril (que detém cotas de participação na empresa Tractus) e Tractus são entes dotados de personalidade jurídica própria e distinta das demais pessoas, mesmo as componentes de seu quadro societário; g. a fiscalização não tem competência para manifestarse sobre a natureza (draconiana ou não) de contratos firmados livremente entre empresas, em obediência à legislação civil, e os contratos de exclusividade são comuns no segmento de distribuição de combustível; h. o Sr. Jorge Natal Horácio nunca foi funcionário do Sr. Adriano Rossi, ou da Tractus; i. as empresas Tamboril (que já deteve participação na Ask, até novembro de 2005, em sociedade com a Beta) e Ask são entes dotados de personalidade jurídica própria, com patrimônio distinto e atuação completamente diferente; j. as empresas Ask e Tux não se confundem, ou deixam de ter existência física, por compartilharem tanques de estocagem, o que é prática usual no segmento de distribuição de combustível; k. a Tamboril não responde por atos de seu administrador, o Sr. Sidónio Vilela Gouveia (em que pese este não ter praticado nenhum ato ilegal, abusivo ou contrário ao ordenamento jurídico vigente); e l. há erro aritmético no valor da multa aplicada, e não houve motivação para a qualificação da multa (que é confiscatória). Em 24/10/2012, por meio da Resolução no 3403000.402, esta Terceira Turma unanimemente baixa o processo em diligência, “para que sejam cientificados do teor do Acórdão de primeira instância o Sr. Sidónio Vilela Gouveia e a empresa Alfa Participações e 15 Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Empreendimentos LTDA, inaugurandose a contagem de prazo para apresentação por aquele de Recurso Voluntário”. A empresa Alfa foi cientificada da decisão de primeira instância em 27/11/2012 (conforme AR de fl. 3079). O Sr. Sidónio Vilela Gouveia, cientificado em 28/11/2012 (AR à fl. 3077), e apresenta, em 05/12/2012, peça (fls. 3082 a 3089) demandando sua exclusão do polo passivo da autuação, com fulcro na legislação do imposto de renda, e em descumprimento da Portaria RFB no 2.284/2010, e, em 20/12/2012, Recurso Voluntário (fls. 3092 a 3152), no qual argumenta basicamente que: a) há nulidade processual, 1) pela violação aos limites objetivos do MPF, que foi emitido em face da Tux; e não poderia ter sido estendido ao recorrente; 2) porque o administrador da Tamboril não pode se manifestar ao longo da fiscalização; 3) pela violação à Constituição (ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal), a normas legais e à Portaria RFB no 11.371/2007; 4) pela nulidade das provas obtidas por meio de escutas telefônicas (emitidas por autoridade incompetente e por prazo que extrapola o legalmente permitido); 5) pelo fato de não haver sido provado nenhum vínculo do recorrente, ou da Tamboril, com a Tux; 6) pelo fato de não poder ser responsabilizado como administrador fora do disposto no art. 135, III do CTN; 7) por não haver prova de prática de fraude ou simulação, ou de ato doloso pelo recorrente; e por não haver prova de transferência de recursos, ou de enriquecimento ilícito do recorrente; b) há distinção entre as pessoas jurídicas da Tux e da Tamboril (administrada pelo recorrente), sendo que a Tamboril é detentora de quotas do capital da Tractus, que possui contrato de representação comercial com a Tux; c) enquanto a Tamboril tem como sócios as pessoas físicas de Guilherme e Gustavo (filhos de Sidónio Vilela Gouveia), a Tractus possui como quotistas pessoas completamente diferentes a Tamboril e a Beta, administrada pelo Sr. Adriano Rossi, o qual não detém qualquer participação societária na Tamboril ou na Tractus; d) o contrato de exclusividade entre a Tractus e a Tux não é “draconiano”, nem compete ao Fisco emitir sobre isso juízo; e) há distinção entre Tamboril e Ask, em que pese a Tamboril ter tido participação societária na Ask até 2005, e estas terem operado no mesmo imóvel, o que é comum no ramo de combustíveis, sendo ainda comum um distribuidor comprar o produto junto a usinas e outro retirar o combustível comprado (mediante cessão do direito); f) o fato de o Sr. Jorge Natal Horácio (administrador da Tux) acessar dados bancários da Ask e assinar contratos na condição de sócio da Ask decorre de este estar validamente representando a Ask como consultor (munido de regular es poderes); 16 Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 g) a Tux não é sucessora da Ask, e isso não pode ser deduzido apenas porque esta teve seu registro anteriormente cassado pela ANP, antes de isso ocorrer também com a outras, sendo idênticas as impugnações; e h) há confusão na fixação da multa (ora em 100%, ora em 150%), e o recorrente jamais praticou ato de sonegação, fraude ou conluio, impedindo a majoração do percentual da multa de ofício, que é confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. A identidade de núcleo temático nos recursos voluntários (inclusive com impugnações de determinados recorrentes expressamente apresentando defesa em relação a outros) permite sua análise de forma conjunta, fulcrandose a abordagem preliminar na questão referente a nulidades (por irregularidades no procedimento fiscal, por cerceamento do direito de defesa e por ilegalidade das provas apresentadas). No mérito, discutese basicamente a concomitância, o cabimento da responsabilização solidária e o percentual de aplicação da multa. Por fim, discutese a matéria trazida em sede de recurso de ofício, atinente à decadência e à exclusão da empresa Alfa do polo passivo da autuação. Das alegações preliminares de nulidade É recorrente nos recursos voluntários apresentados a argumentação pela nulidade da autuação. O primeiro argumento utilizado para sustentar a nulidade é a irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A empresa Tamboril e seu administrador (Sr. Sidónio Vilela Gouveia) afirmam que a validade dos atos da fiscalização deve obediência à Portaria RFB no 11.371/2007 e não à Portaria no 2.284/2010. Afirmam ainda que a fiscalização foi efetuada sem que a empresa Tamboril tivesse ciência dos procedimentos fiscais, ou pudesse acompanhálos e sobre eles se manifestar. É de se destacar que os procedimentos de fiscalização normatizados pela Portaria RFB no 11.371/2007 não constituem contencioso administrativo, e que a empresa na qual a fiscalização inicialmente foca sua atividade é a Tux. A análise da relação de tal empresa com outras empresas e pessoas físicas, surgida no contexto da fiscalização, não macula o 17 Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO procedimento inicial, voltado à Tux, ou o MPF inicialmente emitido. A Portaria RFB no 11.371/2007 não trata objetivamente da pluralidade de sujeitos passivos, matéria que somente vem a ser posteriormente minuciada na Portaria no 2.284/2010 (que antecede a autuação, e o contencioso administrativo). E tal Portaria no 2.284/2010, em seu art. 2o, § 2o, expressamente afirma que não será exigido MPF para os responsáveis. Ademais, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que anteriormente à Portaria no 2.284/2010 seria necessária a emissão individualizada de MPF para cada responsável identificado ao longo do procedimento fiscal (determinação essa que não consta expressamente em nenhuma norma), continuaria não havendo que se falar em nulidade, visto que o MPF é ato interna corporis, como vem entendendo este CARF: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.” 2 NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Também aí entendese pertinente o posicionamento do julgador a quo, que esclareceu que o MPF é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades fiscais, e eventuais irregularidades em seu trâmite não invalidam o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. 3 Improcedente, assim, a argumentação de que deveria ter sido emitido MPF individualizado para cada responsável, ou mesmo que a ausência de ciência a responsável ensejaria a nulidade da autuação. A nulidade restringese às hipóteses elencadas no art. 59 do Decreto no 70.235/1972 (incompetência e preterição do direito de defesa). Em relação ao cerceamento de defesa há várias alegações dos diversos recorrentes: a) a Tux sustenta que a empresa não teve ciência de todos os documentos que instruíram a autuação; b) a Tux e a Beta defendem que a autuação não descreve ou descreve incorretamente a imposição legal que pesa contra a empresa e seus sócios; e c) a Beta, a Tamboril e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia afirmam que a notificação da autuação (e/ou do procedimento fiscal) ocorreu somente à empresa Tux, tendo os demais sujeitos do polo passivo tomado conhecimento dos autos de forma não oficial. É de se destacar que a autuação explicita seu enquadramento legal e descreve detalhadamente as condutas imputadas, tendo dela sido cientificados todos os responsáveis, que tiveram pleno acesso à íntegra dos autos, e exerceram todos regularmente seu direito de defesa, em primeira e em segunda instância. Não se vê mácula, destarte, também nesse aspecto, tendo a todos os que figuram no polo passivo da autuação sido assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 2 CARF, Acórdão 1801001.018, 3a Turma Especial, 1a Seção, Rel. Cons. Carmen Ferreira Saraiva, unanimidade, Sessão de 10.mai.2012. 3 CARF, Acórdão 1401000.740, 4a Câmara, 1a Seção, Rel. Cons. Fernando Luis Gomes de Matos, unanimidade, Sessão de 15.mar.2012. 18 Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 A empresa Tux alega ainda cerceamento de defesa no julgamento de primeira instância, afirmando que o julgador a quo não enfrentou todos os pontos em discussão, como: a) a regularidade das operações comerciais da empresa; b) a regularidade da representação contábil e administrativa; c) a regularidade e legitimidade da discussão judicial; d) a imprestabilidade da prova constituída transcrições telefônicas; e) o cerceamento da defesa; f) a decadência em relação aos períodos de maio de 2005 a março de 2006; e g) o montante das contribuições devidas, em relação a vendas canceladas, devoluções e operações entre congêneres, e a pagamentos e depósitos efetuados. No entanto, a simples leitura do acórdão de primeira instância revela que todos os tópicos narrados foram objeto de tratamento (embora não tenha sido acolhida a tese da defesa). É preciso esclarecer, entretanto, que não acolher a tese da defesa difere de ignorar a tese da defesa. A não acordância do julgador a quo com a argumentação exposta pela defesa de que as operações eram regulares, etc. não pode ser confundida com a recusa em analisar a matéria. Ademais, os itens destacados são explicitamente analisados na defesa (ilustrativamente, o item “c” acima é tratado no último parágrafo da fl. 2771 e nos quatro primeiros parágrafos da fl. 2772; o item “g” no último parágrafo da fl. 2772 e nos dois primeiros parágrafos da fl. 2773; o item “f” na fl. 2784, e o item “d” tem um capítulo inteiro a ele dedicado fls. 2773 a 2775). Afastamse assim os argumentos de cerceamento de defesa e violação ao contraditório e ao devido processo legal, pois não se aponta nos autos qualquer mácula que tenha ensejado a impossibilidade de defesa de qualquer dos responsáveis, em qualquer fase do contencioso. Repitase, todos os responsáveis apresentaram regularmente suas defesas em primeira e em segunda instâncias e tiveram (e nesta decisão terão novamente) seus argumentos apreciados. O último argumento preliminar se refere à utilização de provas ditas ilegais. A empresa Tux se opõe à escuta telefônica autorizada nos autos da Ação Judicial no 2005.61.02.0082720, afirmando que é ilícita, e não pode ser utilizada no processo tributário. Tal argumentação é refutada pelo julgador a quo, que destaca que tanto a coleta quanto o repasse à RFB das informações derivadas da escuta foram judicialmente autorizados. Na própria cópia juntada aos autos em sede de impugnação percebese que a manifestação do Ministério Público no sentido da necessidade de compartilhamento da informação com a RFB é acatada pela autoridade judicial. E, por óbvio, não cabe à RFB discutir a escorreição da decisão judicial autorizadora da escuta, ou do compartilhamento de seu teor. Legítimos, assim, os elementos probatórios derivados das escutas telefônicas, que apontam, v.g., para o vínculo de subordinação entre o Sr.Jorge Natal Horácio e o Sr. Adriano Rossi. Do crédito tributário exigido Em relação à alegação de que a discussão referente ao crédito tributário está “sub judice, nos termos da Ação Declaratória de Inexigibilidade de Obrigação Tributária c/c Inexigibilidade de Débito e Repetição de Indébito com Pedido Liminar de Antecipação de Tutela”, distribuída antes da autuação no MM Juízo da 8a Vara Federal de Campinas (proc. no 2007.61.05.0047330), é preciso destacar que não foi assegurada qualquer medida judicial 19 Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO suspensiva à recorrente, e não está presente nenhuma das situações referidas no art. 151 do Código Tributário Nacional, como já assegurou o julgador a quo. No sítio da JFSP (www.jfsp.jus.br), obtémse os seguintes dados em relação à ação judicial em comento: “PROCESSO000473361.2007.4.03.6105 NUM.ANTIGA2007.61.05.0047330 DATA PROTOCOLO18/04/2007 CLASSE29 . PROCEDIMENTO ORDINARIO AUTORTUX DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA ADV.SP038218 SIDONIO VILELA GOUVEIA e outro REUUNIAO FEDERAL ADV.Proc. SEM PROCURADOR ASSUNTOPIS CONTRIBUICAO SOCIAL TRIBUTARIO ISENCAO ALIQ PIS/COFINS S/ COMPRAS DE ALCOOL ETIL HIDRAT CARBURANTE A TUTELA (...) Consulta da Movimentação Número : 27 PROCESSO000473361.2007.4.03.6105 DescriçãoEm 23/01/2008 as 17:48 h DESPACHO/DECISAO LIMINAR/ANTECIPACAO DE TUTELA INDEFERIDA Complemento Livre: Número do Livro : 1 Número do registro : 7 Folha inicial : 23” (...) Consulta da Movimentação Número : 48 PROCESSO000473361.2007.4.03.6105 DescriçãoEm 11/06/2008 as 16:36 h SENTENCA COM RESOLUCAO DE MERITO PEDIDO IMPROCEDENTE Nome da Parte: TUX DISTRIBUIDORA DE COMB LTDA Complemento Livre: INTIMAR PFN (...) Consulta da Movimentação Número : 65 PROCESSO000473361.2007.4.03.6105 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 07/08/2008 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Recebo a apelação em seu efeito meramente devolutivo.Dêse vista à parte contrária para as contrarazões, no prazo 20 Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 legal.Após, com ou sem manifestação, remetamse os autos ao E. TRF da 3ª Região, com as nossas homenagens.(...) Disponibilização D.Eletrônico de despacho em 29/08/2008 ,pag 195/199 (...)” Vejase que não havia, ao tempo da autuação, nem passou a haver depois, nenhuma medida concessiva em juízo (sendo todas as decisões denegatórias à recorrente, e todos os recursos recebidos com efeito devolutivo). Não há que se falar, assim, em suspensão da exigibilidade do crédito. O questionamento feito em relação à quantificação dos montantes exigidos, constante do recurso da Tux, é o de que as a vendas canceladas, devoluções e operações entre congêneres, e pagamentos e depósitos efetuados foram desconsiderados na autuação. Tal argumentação é refutada meramente pela leitura da autuação, que se funda no simples confronto entre a base de cálculo apurada nos livros contábeis e os valores registrados em DCTF. Assim, os dados utilizados na autuação refletem as próprias declarações prestadas pela recorrente. Apurando a recorrente que os dados que prestou ao Fisco foram incorretos, deveria solicitar sua retificação, apresentando os documentos comprobatórios da motivação da solicitação de retificação. Não é o que ocorre na fase de impugnação, nem agora em sede de recurso voluntário, limitandose a recorrente a informar genericamente que a autuação desconsiderou as vendas canceladas, devoluções e operações entre congêneres (ou depósitos efetuados), sem qualquer prova, exemplo de ao menos um caso em que tenha ocorrido a desconsideração, ou ainda qualquer indício, ainda que mínimo, do alegado. Houvesse prova de que as declarações prestadas pela recorrente (e utilizadas pelo Fisco na autuação) não refletiram as vendas canceladas, devoluções e operações entre congêneres (ou mesmo que houve depósitos efetuados), improcedente seria a autuação em tal parcela. Houvesse a mínima demonstração de indícios de tal ocorrência, de modo a semear a dúvida no julgador, cabível seria a conversão em diligência, para esclarecimento. No entanto, nenhuma de tais situações encontrase presente nos autos. O que se percebe é que o tópico menos controverso da autuação é exatamente o crédito tributário, sendo incontestável que os montantes, que decorrem do simples confronto entre a base de cálculo apurada nos livros contábeis e os valores registrados em DCTF, jamais suspensos por qualquer medida judicial, e que beiravam a casa dos R$ 230 milhões de reais, simplesmente não foram pagos ou depositados. Da responsabilidade Cristalina a responsabilidade da Tux, empresa que, como visto no tópico anterior, demandou em juízo, por meio de seu patrono Sidónio Vilela Gouveia, medida que não obteve, seja liminar ou definitivamente, para exonerarse do recolhimento (ou ao menos obter a suspensão da exigibilidade) de tributos. Em decorrência, restaram pendentes de pagamento (ou depósito) as contribuições lançadas pelo Fisco. 21 Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Na autuação, relacionamse como responsáveis solidários as empresas Alfa, Beta e Tamboril, o Sr. Adriano Rossi e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia. Em relação às pessoas físicas é preciso corrigir, de plano, um equívoco que ronda as impugnações e os recursos: o vínculo indicado na autuação é de “responsabilidade solidária” (como se vê no cabeçalho de todas as folhas do Termo de Verificação Fiscal fls. 3 a 19), e não de “responsabilidade pessoal do administrador”. A distinção é relevante, pois as duas formas de responsabilidade são tratadas em dispositivos diversos do Código Tributário Nacional (CTN). Enquanto a responsabilidade solidária é tratada nos arts. 124 e 125 do Código, a “responsabilidade pessoal do administrador” encontra disciplina no art. 135, III da codificação. Assim, é preciso destacar que o Sr. Adriano Rossi e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia não foram incluídos no polo passivo da autuação com fulcro no art. 135, III. Improcedente, assim (em verdade, desconectada da autuação) a argumentação que busca a exclusão das pessoas físicas do enquadramento do art. 135, III, quando sequer foram aí enquadradas. Do mesmo modo, improcedente (em verdade, também desconectada do lançado na autuação) a alegação de que a responsabilização seria regida pela legislação do imposto de renda. Corrigido o equívoco, retornese à questão da responsabilidade solidária, tratada no art. 124 do CTN, que afirma estarem solidariamente obrigadas, sem benefício de ordem, “as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. É de se afastar aqui ainda outra confusão perpetrada nestes autos: “ter interesse comum” difere de “obter benefício financeiro com”. Como destacou o julgador a quo, para imputação da responsabilidade solidária basta a comprovação do interesse comum, não sendo requerida prova de transferência de recursos entre uma pessoa e outra (como parece se entender nas defesas efetuadas por alguns recorrentes). É com esse escopo que se busca identificar, a seguir, se houve o referido “interesse comum”. A empresa Tux, como narrado no relatório que antecede este voto, tinha em seu quadro societário uma empresa “offshore” (99% do capital, e com sede nas Ilhas Virgens Britânicas) e o Sr. Joses Dias dos Santos (aposentado, com formação de 3o ano primário, sem domínio de idioma estrangeiro, declarando nunca ter viajado ao exterior cf. doc. de fl. 118, detendo 1% do capital, e responsável, à época, perante a RFB, tanto pela Tux quanto pela “offshore”). A Tux teve seu registro na ANP cassado, restando ausente a comprovação da capacidade financeira para operação (por ocasião de sua defesa na ANP, a empresa apresentou DIPJ na qual comprovava possuir bens no total de R$ 20.467,19). Procede assim a afirmação constante na autuação (fl. 4) no sentido de que “para evidenciar os verdadeiros beneficiários das receitas que transitaram pela Tux” “precisamos fazer alguma digressão, com vistas a nos afastarmos do que nos é mostrado: a verdade formal”, ou seja, o oferecimento à tributação (e à autuação), artificialmente, de um contribuinte sem capacidade financeira. É de se destacar que o Sr. Joses Dias dos Santos, em declaração regularmente prestada à RFB, informou que nada sabia sobre a “offshore” que representava (em verdade, declarou que sequer sabia o que significava a expressão “offshore”). Merece aqui rechaço, de plano, por carência absoluta de fundamentação legal, a argumentação em sede de recurso voluntário no sentido de que a autoridade fiscal não teria competência para tomar declarações de responsáveis por empresas perante a própria RFB). Voltando à declaração do Sr. Joses Dias 22 Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 dos Santos, é de se destacar que este informou que era na verdade motorista, e trabalhava com transporte de combustíveis, conhecendo a Sra Eliane Rossi (tal declaração foi posteriormente aditada, para acrescentar contrato de representação, assinado em Miami/USA, que continuou revelando dados inconsistentes em relação ao período em que o Sr. Joses Dias dos Santos representou a “offshore” perante a RFB). Incumbe ainda endossar que os registros da previdência (trazidos em sede de autuação fl.106/107) indicam que o Sr. Joses Dias dos Santos foi empregado doméstico da Sra Eliane Rossi. (a negativa a essa informação, em sede de recurso voluntário, é totalmente desacompanhada de elementos que contestem ou mesmo retifiquem a informação constante no cadastro da previdência, e fundase na argumentação de que houve engano). É relevante esclarecer que a Sra. Eliane Rossi é contadora das empresas Tux e Ask (que operavam em uma mesma base física Exxel, representada pelo Sr. Miceno Rossi Neto, pelo Sr. Adriano Rossi e pelo Sr. Sidónio Vilela Gouveia cf. contrato de fls. 79 a 81). O Sr. Adriano Rossi e/ou o Sr. Sidónio Vilela Gouveia viriam a figurar, de uma forma ou outra, em todas as empresas citadas na autuação. O papel que era do Sr. Joses Dias dos Santos na Tux passa então ao Sr. Jorge Natal Horácio, também aposentado, e que parece não ter diferente envergadura em relação ao anterior sócio e responsável perante a RFB (as declarações de renda do Sr. Jorge Natal Horácio agregadas na impugnação da Tux fls. 433 a 482 constituem indicadores disso). A partir das escutas telefônicas cujas transcrições foram legitimamente obtidas pelo Fisco, como destacado em tópico anterior deste voto, há inequívoca caracterização de subordinação entre o Sr. Jorge Natal Horácio e o Sr. Adriano Rossi. Na ligação 29 e na ligação 30 (fls. 103104), ambos acordam, respectivamente, uma entrega direta irregular e uma emissão de nota fiscal a menor. Nesta segunda conversa, resta claro que o Sr. Jorge Natal Horácio atende a ordens do Sr. Adriano Rossi. Um ano antes de a Tux perder o registro de distribuidora de combustível, sua parceira nos tanques da Exxel, a Ask, também teve o registro cassado pela ANP (fl. 102). A Ask efetuou pagamentos a usinas em nome da Tux, no valor de cerca de 21 milhões, como atesta a contadora (da Tux e da Ask), Sra. Eliane Rossi, à fl. 82. Alguns recorrentes afirmam que isso é normal no ramo de combustíveis. Assim, não se toma o ocorrido necessariamente como uma irregularidade, mas como um vínculo entre as empresas, o que nos parece extremamente plausível. Por mais que possa ser comum no ramo de combustíveis pagar R$ 21 milhões pelas compras de um terceiro, dificilmente uma empresa o faria se não tivesse uma substancial relação com tal terceiro. E essa relaçãoTux/Ask não brota só da base física comum, ou dos pagamentos cruzados, ou da identidade de contadora, ou do fato de ambas terem sido cassadas pelo mesmo motivo e apresentarem recursos idênticos na ANP. A relação toma proporções mais avantajadas quando se analisa a representação e o quadro societário da Ask. Em relação à representação, podese ver no doc. de fls. 85 a 90, um contrato entre a Ask (representada pelo Sr. Adriano Rossi e pelo Sr. Sidónio Vilela Gouveia) e a Tractus (também representada pelos mesmos Adriano Rossi e Sidónio Vilela Gouveia). A Tux efetuou um contrato idêntico com a Tractus (fls. 91 a 96). Em ambas as contratações a Tractus assume a representação comercial (da Tux e da Ask) com exclusividade, podendo receber valores, endossar títulos de crédito, etc. São essas contratações que a autuação designou como “draconianas”, o que é contestado por algumas recorrentes, que afirma não 23 Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO deter a RFB competência para a análise de tal caráter em contratos, e ser a contratação nestes moldes comum no ramo de combustíveis. No que se refere ao quadro societário, a Ask tinha como sócios as empresas Beta e Tamboril (em 28/12/2005 tais sócios foram substituídos por uma empresa “offshore”, a Summit Inversiones de America LLC, com 99,99% e o Sr. Antonio Carlos Penha, com 0,01% do capital). A fiscalização traz ainda outro elemento de conexão entre a Ask e a Tux. O Sr. Jorge Natal Horácio teria, após ingressar no quadro societário da Tux, atuado (em contrato de cessão de espaço) na qualidade de sócioadministrador da Ask., e teria acesso à movimentação bancária da Ask. Sobre a alegação, o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, em seu Recurso Voluntário (fl. 3145), justifica que: “No caso, tanto o acesso a uma conta bancária da Ask quanto o contrato de cessão de espaço firmado pelo Sr. Jorge foram realizados de forma regular, e por meio de instrumentos válidos e legais, e teve (sic) sua razão de ser antes mesmo da aquisição das quotas da ASK Petróleo do Brasil Ltda. Pela pessoa jurídica administrada pelo recorrente. O fato é que, antes da Tamboril Participações adquirir as quotas da ASK, esta empresa pertencia a terceiros que tinham no Sr. Jorge Natal Horácio, a figura de um consultor de negócios para quem, inclusive, concederam poderes de representação da sociedade.” Também a Tractus (representada pelo Sr. Adriano Rossi e pelo Sr. Sidónio Vilela Gouveia), tem como sócias as empresas Beta e Tamboril. A Beta e a Tamboril, por fim, figuram ainda como sócias da Usina Dracena (de propriedade do Sr. Adriano Rossi). A fiscalização atesta que, em efetuada no domicílio da Tractus, em 04/11/2010, encontrouse no local a empresa Beta, lá estando o Sr. Adriano Rossi, que esclareceu: que todos os funcionários da Tractus foram demitidos, que os administradores da Tractus eram ele e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, e que é o proprietário da usina Dracena. Derradeiramente, é de se destacar que a Tux emprestou à usina Dracena durante a fase préoperacional desta (como adiantamento a fornecedores) o valor de R$ 600.000,00 por intermédio da Tractus, empréstimo esse que também se alega em sede de defesa ser comum nas empresas do ramo. A Beta (assim como a Alfa), possui no quadro societário os filhos menores do Sr. Adriano Rossi, sendo que este detém totais poderes de representação da empresa. A Tamboril, por sua vez, tem no quadro societário os filhos do Sr. Sidónio Vilela Gouveia, também detendo este totais poderes de representação da empresa. Não há a mínima dúvida há uma identidade (jurídica e contábil) entre pessoas físicas e jurídicas, ou mesmo entre pessoas jurídicas distintas. E não nos parece que o autuante tenha feito confusão em relação a isso. O que se demonstrou foi um encadeamento de composições societárias, e uma relação de fato entre as empresas e pessoas físicas que vai muito além das relações formais que eram apresentadas ao Fisco pela Tux. É preciso um esforço irrazoável para não perceber as relações (e o interesse comum) entre as condutas perpetradas pelas empresas Tux, Beta e Tamboril, sempre conectadas pelas figuras do Sr. Adriano Rossi e do Sr. Sidónio Vilela Gouveia. 24 Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 A nosso ver, resta assim inegavelmente procedente a conclusão do Fisco, endossada pelo julgador a quo, e não afastada a contento por nenhum dos recorrentes, de que estão solidariamente obrigadas as empresas Tux, Beta e Tamboril, e os senhores Adriano Rossi e Sidónio Vilela Gouveia. Pertinente, assim, a conclusão de que as empresas Beta e Tamboril, e os senhores Adriano Rossi e Sidónio Vilela Gouveia, componentes de um mesmo grupo econômico de fato, buscaram mostrar ao Fisco uma situação diversa da que realmente existia, e apresentar ao Fisco um contribuinte (Tux) com dívidas da ordem de centenas de milhões de reais, que possui bens da ordem de dezenas de milhares de reais. Da multa de ofício Aqui também se faz mister, de início, corrigir equívoco presente nas peças recursais: na autuação, aplicase a multa de ofício qualificada (correspondente a 150% do valor do tributo que deixou de ser recolhido). No final do Termo de Verificação Fiscal (fl. 19), expressase que “restou evidenciada a necessidade da qualificação da multa de ofício em 100%” (grifo nosso). É cediço que a multa de ofício pela falta de recolhimento de tributos é de 75%, conforme art. 44 da Lei no 9.430/1996). O § 1o do referido art. 44, em sua nova redação (expressamente citado na fundamentação legal da autuação) estabelece que aquele percentual de 75% será duplicado nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964. O equívoco (expresso em praticamente todas as peças de defesa de todos os recorrentes, que afirmaram ser a multa imputada ora de 100% ora de 150% por isso ocasionando nulidade) é puramente de aritmética: a multa de 75% (quando duplicada, ou seja, majorada em 100%), resulta em 150%, que foi exatamente o percentual aplicado na autuação. Não há, assim, erro algum na autuação, mas tãosomente em eventual leitura distorcida de seu conteúdo. Quanto a ser o percentual (seja de 75% ou 150%) confiscatório, há que se esclarecer que sua fixação em lei afasta qualquer juízo sobre a matéria por parte deste tribunal administrativo. A discussão sobre eventual caráter confiscatório ou sobre a razoabilidade da multa legalmente prevista extrapola as competências deste órgão colegiado, por buscar guarida constitucional para afastar a aplicação de comando legal. O tema já é sumulado no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No que se refere à qualificação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, é de se destacar que as hipóteses que a permitem estão intimamente ligadas à existência de evidente intuito de fraude (caracterizador das situações elencadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964, nas quais o elemento comum é o intuito doloso). 25 Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Pelo descrito no tópico anterior, referente à responsabilidade, resta clara a caracterização da sonegação prevista no art. 71 da Lei no 4.502/1964: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” No caso em apreço, o impedimento ou retardo se referiu aos verdadeiros responsáveis pelo cumprimento da obrigação, na linha do que já havia concluído escorreitamente o julgador de primeira instância. No que se refere à alegação de aplicação ao caso das Súmulas no 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”) e no 25 (“A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64”) deste CARF, é preciso esclarecer que, além de restar configurada situação prevista no art. 71 da Lei no 4.502/1964, não se está tratando de omissão de receitas, mas de receitas e rendimentos declarados e não pagos. Procedente, assim, a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Da Decadência Caracterizada a situação descrita no art. 71 da Lei no 4.502/1964 (na qual o dolo é elemento presente), inaplicável passa a ser a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o do CTN, devendo a contagem respeitar o disposto art. 173, I do mesmo código. O tema também já é sumulado no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Assim, improcedente a alegação em sede de recurso voluntário sobre a aplicação, no caso, do art. 150, § 4o do CTN. Destarte, resta integralmente improcedente o recurso voluntário apresentado. Do Recurso de Ofício Como expresso no tópico anterior deste voto, em relação à decadência, a regra aplicável é a do art. 173, I do CTN. A conclusão aqui externada não difere da delineada no julgamento de primeira instância, do qual se recorreu de ofício em função do quantum exonerado. Por fim, excluise, no julgamento de primeira instância, a empresa Alfa do polo passivo da autuação. Sobre a exclusão, acordamos que tal empresa, em que pese ter identidade societária em relação à Beta (e corresponder à letra subsequente no alfabeto grego), 26 Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 3.164 não foi na descrição dos fatos constante no Termo de Verificação Fiscal vinculada a contento com a situação irregular narrada na autuação. Improcedente, assim, também o recurso de ofício. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício apresentados, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan 27 Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Declaração de Voto Conforme relato, pretendo abordar o afastamento da responsabilidade solidária e a multa qualificada, em que pese estar devidamente fundamentado o voto do relator, pedindo vênia para divergir do entendimento colocado. Após ouvir atentamente a manifestação do relator pedi vista para melhor apreciar a questão trazida a julgamento. O convencimento da situação fática estaria nas provas trazidas pelo agente encarregado da ação fiscal, em sendo assim, peço vênia para divergir do senhor relator votando pelo provimento do recurso voluntário manejado pelos recorrentes solidariamente responsabilizados. Pois bem. Foram imputados a terceiras pessoas jurídicas e aos sócios o cometimento de ilícito tributário contra os interesses da arrecadação das contribuições sociais, COFINS e PIS, em razão de existir interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, motivo pelo qual entendeu a douta fiscalização que essa situação se enquadrava na norma do inciso I, do art. 124 do CTN. A autoridade lançadora quando da lavratura do auto de infração ao dispor sobre a qualificação da multa, simplesmente afirmou que: “Do exposto, ate o presente neste Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, restou evidenciada a necessidade da qualificação da multa de ofício em 100% bem como a necessidade da propositura da Representação Fiscal para Fins Penais de todos aquele que EM TESE perpetraram conduta delituosa com vistas a evasão fiscal intentada”. fl. 19. A partir da análise do caso concreto, e dos fundamentos expedidos pela autoridade fiscal, percebese que não há espaço vislumbrar solidariedade e a majoração da multa. Consta do caderno processual administrativo, que a empresa TUX Distribuidora de Combustíveis Ltda., deixou de ofertar tais receitas à tributação com respaldo em argumentos jurídicos plausíveis, tendo, inclusive, ajuizado “Ação Declaratória de Inexigibilidade de Obrigação Tributária C/C Inexigibilidade de Débito e Repetição de Indébito com Pedido de Liminar de Antecipação de Tutela”, conforme fls. 631/649. Constatase que o procedimento fiscal aconteceu após o ajuizamento das ações acima mencionadas e bem como de sua respectiva sentença, conforme relatado inclusive pela autoridade lançadora, fl.15 dos autos. Não se está aqui a dizer que o mero ajuizamento de ação declaratória suspenderia a exigibilidade do crédito tributário, mas sim, de que não houve dolo por parte de qualquer empresa arrolada nesta fiscalização, não houve intuito de fraude apto à ensejar a majoração da multa de 75% para 150%. Impõe em pleno nascedouro declinar os motivos pelos quais a fiscalização entendeu tratarse de conluio a configurar o interesse comum das demais empresas e sócios por terem sidos esses beneficiados com as receitas que transitaram pela empresa Tux Distribuidora de Combustíveis, para tanto, desenvolveu magnificamente o emaranhado capaz em desaguar no interesse comum. Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO O liame estaria principalmente nos pontos aqui destacados: operação da mesma base em regime de condomínio (base arrendada de pessoa jurídica não vinculada ao auto de infração), utilização do mesmo call Center para comercializar combustíveis, administração financeira realizado por terceiros (tractus), a mesma empresa de contabilidade; cessão de direito de contrato de compra antecipada de combustíveis perante a Petrobras, antecipação de pagamento no valor de R$ 600.000,00; pagamento pela empresa ASK Petróleo pela aquisição de álcool da Tux Distribuidora em torno de R$ 21.000.000,00, informação essa segundo a fiscalização fornecida pela contadora, escuta de conversa entre o Sr. Adriano Rossi, sócio de uma das empresas arroladas, com o Sr. Jorge Natal Horácio, em relação possível pagamento, e, pelo fato do Sr. Jorge Natal ser um dos administradores de uma das empresas. Analise do caso concreto tendo por orientação os fatos narrados no auto de infração, sendo que se colhe da decisão recorrida que as responsabilidades solidárias imputada aos recorrentes decorreriam dos seguintes fatos que foram bem descritos pelo conselheiro relator: “para entender quem deve arcar solidariamente com as obrigações tributárias da Tux, é necessário qualificar: 1. a empresa Exxel, que tem como sócios o Sr. Adriano Rossi (33,33% das cotas), o Sr. Sidónio Vilela Gouveia (33,33% das cotas), e o Sr. Miceno Rossi Neto (33,34% das cotas), e também teve o registro cancelado pela ANP; 2. a empresa Ask Petróleo do Brasil LTDA, CNPJ no 05.090.761/000103, que também operou nos tanques da empresa Exxel, e teve o registro cancelado pela ANP em 08/10/2008, tem como sócias as empresas Beta e Tamboril (em 28/12/2005 tais sócios foram substituídos por uma empresa “offshore”, a Summit Inversiones de America LLC, com 99,99% e o Sr. Antonio Carlos Penha, com 0,01% do capital). Conforme documentos obtidos durante a fiscalização, ficou comprovado que os donos e administradores das empresas Beta e Tamboril (Sr. Adriano Rossi e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia), continuaram na administração da Ask; 3. a empresa Tractus Negócios e Participações LTDA, CNPJ no 06.079.819/000172, que atua com consultoria em gestão empresarial, e também possui como sócias as empresas Beta e Tamboril; 4. as empresas Alfa e Beta, que são identificadas como “holding de instituições não financeiras” nos cadastros da RFB, e possuem no quadro societário Gabriela Ribeiro Rossi, Isadora Ribeiro Rossi e Pedro Ribeiro Rossi (todos menores e filhos de Adriano Rossi, que é representante com totais poderes de ambas as empresas); 5. a empresa Tamboril, que também é identificada nos cadastros da RFB como “holding de instituições não financeiras”, e apresenta como sócios Guilherme de Padua Vilela e Gouveia, e Gustavo de Padua Vilela e Gouveia (todos filhos de Sidónio Vilela Gouveia, que é representante com totais poderes da empresa); e Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6. a usina Dracena Açúcar e Álcool LTDA, que é mais uma sociedade entre a Beta (53% das cotas) e a Tamboril (47% das cotas); foi possível identificar o “modus operandi” do grupo a partir das seguintes informações: 1. na relação da Tux com tais pessoas, foi possível evidenciar que há confusão patrimonial entre a Tux e a Ask: além de ambas funcionarem no mesmo espaço físico (tanques da Exxel), a Ask pagou aquisições de álcool de mais de 21 milhões de reais a usinas pela Tux, conforme informação da procuradora (e contadora) de ambas as empresas (Tux e Ask), Sra. Eliane Leme Rossi. Além disso, a Tux e a Ask estavam amarradas por contratos “draconianos” à Tractus, que as impediam de ter relações comerciais com quaisquer outras empresas; e o Sr. Jorge Natal Horácio (sócio administrador e responsável pela Tux perante a RFB) tinha acesso à movimentação bancária da Ask, conforme cópias de documentos obtidos pela fiscalização, e assinou contrato representando a Ask na qualidade de sócio administrador (em data na qual já atuava como sócio administrador da Tux). Ademais, Ask e Tux tiveram seus registros cancelados pela ANP com um ano de defasagem, ficando a segunda como sucessora de fato nos negócios da primeira (e durante os processos de cancelamento, na ANP, os termos de defesa são “ipsis litteris” os mesmos); 2. há relação de subordinação de fato entre o Sr. Jorge Natal Horácio (sócio administrador e responsável pela Tux perante a RFB) e o Sr. Adriano Rossi, conforme se depreende de escutas telefônicas repassadas à RFB mediante autorização judicial no processo no 2006.61.02.0059209 (na transcrição carreada aos autos, o Sr. Adriano Rossi dá uma ordem ao Sr. Jorge Natal Horácio para pagamento das compras de álcool da Tux; tendo ainda o Sr. Jorge Natal Horácio gerência na Tractus, conforme documentos constantes do processo (nos quais ele é testemunha de contrato de trabalho e dá autorização para abono de falta na empresa). Concluise assim ser o Sr. Jorge Natal Horácio um “lugar tenente” do Sr. Adriano Rossi, em variados negócios, constituindo o elo entre a Tux e o Sr. Adriano Rossi, tendo ligação com a Ask (gerenciandoa/checando extratos bancários) e a Tractus; 3. a Tux emprestou à usina Dracena durante a fase pré operacional desta (como adiantamento a fornecedores) o valor de R$ 600.000,00 por intermédio da Tractus; demonstrando as ligações entre a Tractus e a Tux; e 4. em fiscalização efetuada no domicílio da Tractus, em 04/11/2010, encontrouse no local a empresa Beta, lá estando o Sr. Adriano Rossi, que esclareceu: que todos os funcionários da Tractus foram demitidos, que os administradores da Tractus eram ele e o Sr. Sidónio Vilela Gouveia, e que é proprietário da usina Dracena; conclui assim a fiscalização que tanto a Tux quanto a Ask, assim como a Tractus, a Alfa, a Beta e a Tamboril, são peças de um esquema montado para blindagem patrimonial do Sr. Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Adriano Rossi e do Sr. Sidónio Vilela Gouveia, inclusive com a utilização do expediente de usar filhos menores como “laranjas”, tendo o esquema culminado na criação da usina Dracena;” Em nenhum momento a fiscalização demonstrou que as empresas teriam sido beneficiadas por meio das receitas da empresa Tux Distribuidora Ltda., o que os supostos beneficiados tivessem participação nos lucros oriundos das operações mercantis. Não há uma prova cabal nos autos extraído da contabilidade examinada pela fiscalização do que parte da receita teria sido desviada para alguma das empresas ou sócios apontados como responsáveis solidários da obrigação tributária. O exame de cada situação elencada como primazia da prova de que todas as empresa formam um grupo econômico está centrada no fato de utilizarem da mesma base de distribuição alugada de um terceiro não envolvido na suposta relação jurídica tributária apontada pelo auto de infração. Destaco outro ponto da fundamentação usado como prova, a conversa do Sr. Jorge Natal com o Sr. Adriano Rossi, transcrição da policia federal: “ta tudo bem, mas eu quero que você pague a metade hoje e a outra metade amanhã. Tá bom Adriano eu vou falar com ele pode deixar”. Termo vago, onde o Sr. Jorge deveria falar com outra pessoa no sentido de efetuar o pagamento. Essa conversa levou a fiscalização entender que o Sr. Jorge Natal é vulgarmente se chama de “laranja” ou “testa de ferro”. O termo em vago não podendo concluir coisa alguma. Restou demonstrado que o pagamento de R$ 600.000,00 a Usina Dracena foi de compra antecipada de álcool, assim como, R$ 21.000.000,00 se referiam a compra antecipada de combustíveis, vez que, era a empresa Tux Distribuidora de Combustíveis Ltda. que detinha o canal específico de compra junto a Petrobras Distribuidora. É sabido que as bases utilizadas pelos distribuidores de combustíveis, por tratarse de altos investimentos, são compartilhadas com outras distribuidoras. Neste caso, examinando o conjunto probatório existente, não há dúvida de que o fisco não logrou êxito em provar existência de conluio, fraude com o objetivo de sonegar tributo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA No caso em concreto, temos que deixar expresso que estamos diante de lançamento tributário que constitui crédito tributário proveniente de PIS/COFINS, decorrente de falta ou insuficiência de pagamentos constatados pela análise da escrita do contribuinte. Pelo que se extraí desse caderno administrativo, a autuação compõe um trabalho de fiscalização que acabou concluindo pela existência de fraudes e simulações nas operações empresariais que seriam comandadas, de fato, pelos devedores solidários, ora recorrentes, que seriam na verdade, os mentores de toda a operação, na qual a contribuinte Tux Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Distribuidora de Combustíveis seria uma empresa veículo para suas atividades, que não apresentariam seus verdadeiros controladores. Afirmam a impossibilidade de serem considerados contribuintes solidários, uma vez que não tiveram qualquer “interesse comum” na constituição do fato gerador, já que não teriam participado da distribuição de combustíveis que veio a gerar a autuação em discussão, entendendo que o contribuinte Tux Distribuidora de Combustíveis fora quem efetivamente praticava os atos negociais em questão, não havendo provas concretas da real participação dos recorrentes solidários com o fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS. Para adentrar no caso em apreço, entendo que antes se torna necessário discorrer acerca da responsabilidade em matéria tributária, para firmar o entendimento sobre os diversos institutos de responsabilidade que convivem no sistema tributário nacional. Para tanto, peço licença para transcrever o voto da lavra do Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, nos autos do Processo nº 10235.000306/200406, nos seguintes termos: “1. Da jurisprudência do STF acerca da responsabilidade tributária de terceiros Segundo a jurisprudência do STF, para as situações de responsabilidade tributária previstas no artigo 135 do CTN têmse duas normas. Uma correspondente à relação jurídica tributária na situação que constitua o fato gerador e outra ligada à conduta do agente que caracteriza o excesso de poder ou a infração à lei. Neste sentido, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 562.726/PR, relatado pela Ministra Ellen Gracie, julgado em 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC, com propriedade, o STF assentou os seguintes pontos constantes dos itens 4 e 5 da ementa: ‘DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART. 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.610/93. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. ... 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O ‘terceiro’ só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO jurídica e tão somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. (....)’ O terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em se tratando de contrato que tenha vários sócios com poder de gerência, indispensável que a autuação descreva a ação delituosa de cada participante de modo a possibilitar o exercício do direito de defesa e a apreciação da conduta, de forma individualizada, por quem julga. Como o ilícito não pode se desligar da pessoa de seu agente, em caso de sociedade onde consta do contrato social o nome de vários sócios com poder de gerência, em havendo a participação com excesso de poderes ou atos ilícitos de apenas um ou alguns dos sócios, gerentes ou prepostos, somente a estes há de se estender os efeitos da responsabilidade tributária e, para cada um, limitada aos autos que forem responsáveis. Dito de outra forma, a responsabilidade decorrente de norma sancionatória não pode se divorciar e nem extrapolar os limites da conduta do agente infrator. A contrário senso seria punir todos, de forma objetiva, pela conduta de um ou de alguns. Não é por outra razão que o STF, no julgado acima referido, diz que apenas o pessoalmente responsável pelo ilícito é que deve sofrer as sanções. Por pressupor duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seus pressupostos de fato e sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária de terceiros, por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, o vínculo e a responsabilidade de cada agente na conduta típica. 2. Das distinções entre devedor solidário e terceiro responsável e suas consequências jurídicas Sem embargo, a análise das consequências jurídicas decorrentes da distinção entre devedor solidário e terceiro responsável requer estudo acerca das seguintes situações: hipóteses previstas no artigo no artigo 124, I, do CTN, que trata da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, parágrafo único, I) (...) hipóteses previstas no artigo 124, II, que trata da possibilidade da lei eleger, como responsável pelo crédito tributário, terceiro que não reveste a condição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, II); hipóteses previstas no artigo 128 em que a lei, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO supletivo, atribui a responsabilidade do crédito a terceira pessoa (art. 121, parágrafo único, II); responsabilidade pessoal dos sucessores ou de terceiros que não fazem parte da relação jurídico tributária, mas que podem vir a ser chamados a responder pelo crédito (art. 130 a 133); responsabilidade subsidiária das pessoas elencadas no artigo 134, I a VII (pais, tutores, curadores, administradores, inventariante, síndico, tabeliães, escrivães e sócios, no caso de liquidação de sociedades de pessoas). responsabilidade pessoal dos pais, tutores, curadores, administradores, síndico de massa falida, tabeliães, sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas quando agem com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos (art. 135); responsabilidade pessoal por infrações conceituadas como crimes ou cuja definição o dolo específico do agente é elementar (137); responsabilidade de quem não é procurador e nem aparece no quadro social da empresa, mas faz desta instrumento para exercer suas atividades. 2.I. Da solidariedade tributária decorrente do interesse comum Ao tratar da solidariedade tributária o artigo 124, I, do CTN, prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Inicialmente cabe esclarecer que a expressão ‘interesse comum’ não pode ser confundida com interesse econômico. Interesse comum diz respeito à posição ocupada pelo sujeito passivo na relação jurídica tributária. Neste sentido, a seguinte lição extraída da jurisprudência do STJ: ‘PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO CONGLOMERADO FINANCEIRO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. DESPROVIMENTO. 1. ‘Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas’ (HARADA, Kiyoshi. ‘Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador’). 2. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. 3. Recurso especial desprovido.’ (REsp 834.044 / RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 15.12.2008) O interesse comum de que trata o artigo 124, I, deve ser compreendido como o interesse ‘na situação que constitua o fato gerador’. Não se pode ler a expressão ‘interesse comum’ sem o complemento que o segue, isto é, sem sua vinculação à participação do sujeito passivo na situação que constitua o fato gerador. Se o sujeito passivo não integrar a relação que constitua o fato gerador não se pode falar em interesse comum. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, é o interesse ligado ao direito material que mais de uma pessoa possui em relação a determinado bem ou situação jurídica. Se estivéssemos no campo do direito processual diríamos que são os atributos que legitimam o titular de um direito para, em nome próprio, reclamálo em juízo. (art. 6º do CPC). Se A e B são proprietários de determinado imóvel entre eles há interesse comum e o Município pode fazer o lançamento do IPTU em relação a qualquer dos coproprietários. No exemplo aqui citado temse uma única norma jurídica de responsabilidade tributária, qual seja, a norma aplicável em relação a quem é contribuinte direto e, por consequência, participa da relação jurídica de direito tributário. A situação prevista no artigo 124, I, conforme se demonstrará mais adiante, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN, onde vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte (art. 121, parágrafo único, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação (art. 135). Em situações onde um contribuinte fornece serviços ou produtos a outro, os menos atentos costumam arrolar o vendedor, o adquirente, o fornecedor ou tomador dos serviços, conforme o caso, como responsável solidário, sob o argumento de que estes têm interesse comum e citam para tal o artigo 124, I. Tal procedimento é equivocado. Além de confundirem interesse econômico com interesse jurídico, comprador e vendedor não têm interesse comum, mas sim interesses contrapostos. Neste sentido a doutrina de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo: ‘Não podemos confundir interesse comum com interesse contraposto. ..... o interesse do comprador e o vendedor, em contrato de compra e venda, não são interesses comuns, mas interesses contrapostos. Neste sentido, aliás, é a lição autorizada de Silvio Rodrigues, para quem na compra e venda, na locação, no depósito etc., os interesses das partes são antagônicos e o contrato surge exatamente para reduzir as oposições e compor ad divergências (Revista Dialética de Direito Tributário nº 191. Agosto de 2011, pág. 124)” Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO (...) 2.VI. Da responsabilidade de terceiros por infração à lei, sem que o dolo específico do agente seja elementar Conforme afirmado anteriormente, para as situações previstas no artigo 135 têm se duas normas. Uma correspondente à relação jurídico tributária na situação que constitua o fato gerador e a outra ligada à conduta do agente que caracteriza o excesso de poder ou a infração à lei. Por existirem duas normas, cada uma incidindo sobre suporte fático específico, não pode a autoridade fiscal limitarse a descrever a situação fática e jurídica correspondente à relação jurídico tributária que constitua o fato gerador da exigência do crédito tributário em relação ao contribuinte direto e negligenciar na descrição da situação que caracteriza a responsabilidade tributária do terceiro. Dito de outra forma, verificase que são fatos diferentes, agentes diferentes e normas de incidências distintas. Uma é a norma que incide sobre o fato gerador da obrigação tributária e outra é a norma que incide sobre a conduta praticada pelo terceiro, que lhe torna responsável tributário. Igualmente, há que se observar o prazo decadencial tanto em relação ao fato gerador, quanto à conduta do terceiro que o torna responsável tributário. Se até nos crimes contra a vida o tempo produz efeitos capaz de extinguir a punibilidade, o mesmo se dá em relação às infrações tributárias, sejam estas decorrentes de atos lícitos ou ilícitos. Como o ilícito não pode se desligar da pessoa de seu agente, nos casos em que o contrato social contenha cláusula genérica prevendo a gestão da empresa a todos os sócios, havendo conduta típica descrita na norma sancionatória, aplicável ao terceiro, seja ele sócio ou não, fazse necessário identificar o agente e os atos em que atuou. Dito de outra forma, a responsabilidade decorrente de norma sancionatória não pode se desprender e nem extrapolar os limites da conduta do agente infrator. A contrário senso seria punir todos, de forma objetiva, pela conduta de um ou de alguns. Não é por outra razão que o STF, no julgado acima referido, diz que apenas o pessoalmente responsável pelo ilícito é que deve sofrer as sanções. Aqui vale repetir o que já foi dito anteriormente: O sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em se tratando de contrato que tenha vários sócios com poder de gerência, ou de situações onde se verifica a participação de mais de uma pessoa, indispensável que a autuação, em relação à responsabilidade de terceiros, descreva a conduta delituosa de cada participante indicando a ação ou omissão em relação a cada fato imputado, quando ocorreu, como ocorreu e onde ocorreu, de modo a possibilitar o exercício do direito de defesa e a apreciação da conduta, de forma individualizada, por quem julga. Em havendo a participação com excesso de poderes ou atos ilícitos de apenas um ou alguns dos sócios, gerentes ou prepostos, somente a estes há de se estender os efeitos da responsabilidade tributária e, para cada um, limitada aos autos de que forem responsáveis. Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Em outras palavras, os requisitos relacionados à infração por responsabilidade de terceiros devem estar descritos com os mesmos rigores contidos no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é, identificar o agente infrator, descrever a conduta deste, especificar quando esta ocorreu, sobre quais fatos se deu e quais as disposições legais infringidas. Isto é necessário em função da estrutura da norma sancionatória que ostenta a mesma estrutura lógica da regra matriz de incidência. Daí a necessidade de descrição e delimitação da conduta típica praticada pelo terceiro. Neste sentido, oportuna a lição de Paulo de Barros Carvalho: “...as normas sancionatórias são regras de conduta e ostentam a mesma estrutura lógica da regra matriz de incidência: um antecedente, descritor de classe de fatos do mundo real, e uma consequência prescritora de vínculo jurídico que há de formar se entre dois sujeitos de direito.” (Curso de Direito Tributário. 22a. Edição. 2010, pág. 578 e 584.) .... ‘Tudo o que dissemos sobre os critérios da hipótese tributária vale para o antecedente da norma tributária, que tem o seu critério material – uma conduta infringente do dever jurídico, um critério espacial a conduta há de ocorrer em algum lugar – e um critério temporal – o instante em que se considera acontecido o ilícito. Na consequência, deparemonos com um critério pessoal – o sujeito ativo que será aquele investido do direito subjetivo de exigir a multa e um sujeito passivo o que deve pagála – e um critério quantitativo – a base de cálculo da sanção pecuniária e a porcentagh4rem sobre ela aplicada’. A inclusão de terceiro, como responsável tributário, seja ele sócio ou não da empresa contribuinte, requer que se demonstre em que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto. E mais, esta responsabilidade não é irrestrita, mas limitada aos atos em que cada agente agiu com infração. Neste sentido a lição de Francisco Prehn Zavaski: ‘Embora qualquer das pessoas arroladas nos incisos do artigo 135 do CTN possa ter praticado algum ato com ‘excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos’, isto não significa que ela poderá ser responsável por todos os débitos tributários do devedor originário, sob pena de se criar hipótese de responsabilidade universal, o que, evidentemente não é a intenção da norma. Ao contrário, com fundamento no artigo 135 do CTN, só haverá responsabilidade de terceiros com relação aos créditos tributários que tiverem origem no próprio ato ilícito praticado.” (ZAVASKI, Francisco Prehn. A Responsabilidade Tributária Prevista no Art. 135 do CTN e o Processo de Execução Fiscal. In. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 193, outubro 2011, pág. 5253). 2.VIII. Da responsabilidade do terceiro que não é procurador, preposto, mandatário e nem aparece no quadro social, mas usa a empresa para exercer atividades comerciais A atividade econômica, de natureza civil ou comercial, pode ser exercida por pessoa jurídica ou por pessoas físicas. O artigo Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 150, § 1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado no Decreto nº 3000, de 1999, prevê que devem ser tributadas como empresas individuais ‘as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços’ (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 41, § 1º, alínea "b"). Nos casos em que a pessoa física compra e vende produtos, situação que se verifica com mais frequência, por exemplo, entre pequenos comerciantes, vendedores ambulantes, comércio de veículos usados ou de produtos agrícolas, a tributação deve se dar como se pessoa jurídica fosse. Situação diversa é quando as pessoas físicas realizam atividades de natureza comercial, usando para tal pessoa jurídica constituída em nome de outrem. Neste caso é preciso distinguir se a pessoa jurídica que está sendo utilizada para o exercício desta atividade caracterizase por existência apenas formal ou se efetivamente se constitui em ente jurídico dotado de estrutura com prática de atos voltados ao comércio. Nos casos em que a empresa não pratica as atividades constantes de seu objeto social, constituindose apenas de ente com personalidade formal que serve somente para emissão de documento fiscal relativo à atividade que não é praticada por ela, mas por outrem, que pode ser pessoa física ou jurídica, a tributação deve recair em relação àquele que efetivamente praticou o ato jurídicotributário. Não é o registro formal, mas sim a efetiva existência no mundo real que identifica a ocorrência de situação sobre a qual incide a norma tributária. Quando uma empresa dotada de estrutura necessária para exercer as atividades a que se propõe, as exerce em conjunto com outra pessoa física ou jurídica, temse a situação descrita no artigo 124, I, do CTN, isto é, a solidariedade. Neste caso tanto a empresa, quanto à pessoa física, que deve ser considerada firma individual, ou outra pessoa jurídica já existente, praticam ato comum com interesse ‘na situação que constitua o fato gerador’. Nos casos em que se têm mais de uma pessoa jurídica envolvida é necessário que se verifique quais os atos que estão vinculados à situação que constitua o fato gerador. Por exemplo, se dois prestadores de serviços vencerem uma licitação para desenvolverem determinados programas de informática ou para, mediante parceria, construírem uma ponte, por evidente que a solidariedade entre estes há de ficar limitada aos tributos relacionados à receita decorrente dos serviços advindos do desenvolvimento dos programas de informática ou da construção da ponte. Não é possível estender a responsabilidade a outros atos que não estejam vinculados àqueles efetivamente praticados em conjunto pelas partes. Em relação ao comércio aplicase a mesma regra. Isto é, aquele que se associou, por exemplo, para importar ou comercializar um automóvel ou um caminhão de grãos não pode vir a ser chamado a responder pelos tributos em relação a outras transações que dito contribuinte venha a realizar com terceiros. Pensar de forma Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO diversa seria atribuir responsabilidade objetiva em relação a fato jurídico ou conduta não praticada por aquele a quem se imputa a responsabilidade.” Da análise dos institutos relativos à responsabilidade solidária e seu cotejo com a aplicação das normas relativas à responsabilidade tributária, no caso em análise, expressamente fundamentado no inciso I, do art. 124, do CTN, entendo que referido enquadramento legal não ampara a responsabilização no modo como foi procedido no caso em concreto. Isto porque, toda a narrativa dos fatos são conducentes a imputar aos recorrentes solidariamente responsabilizados, a condição de controladores, de representantes legais e/ou sócios de fato da Tux Distribuidora de Combustíveis Ltda. Seriam os responsáveis solidários que de fato gerenciariam toda a atividade do sujeito passivo de direito, sendo aqueles os reais beneficiários, que usavam da referida pessoa jurídica como interposta pessoa para atingir seus exclusivos objetivos. Em assim sendo, entendo que seria o caso de utilização de interposta pessoa, similarmente ao que ocorre na situação descrita artigo 42, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Isto é, “Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.” (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 66, de 29.08.2002, DOU 30.08.2002). Lembremonos que estamos diante de autuação de PIS,/COFINS para o qual não se aplica as normas relativas à importação fraudulenta que responsabiliza o real importador mas também o importador que efetivar a declaração da importação, mesmo que sendo mero repassador. Deste modo, a pessoa jurídica teria sido usada como interposta pessoa a serviço de seus reais controladores, postos então na condição de responsáveis tributários. Se a empresa Tux seria empresa de fachada, deverseia tributar diretamente os recorrentes, por serem os reais contribuintes, não se cogitando de responsabilidade solidária. Terseia que reconhecer que o contribuinte não existiria de fato, afastando dele o lançamento tributário, para lavrálo contra o verdadeiro contribuinte. Toda a narrativa leva a conclusão de que os recorrentes usavam da Tux para consecução de suas atividades empresariais, praticadas a margem da tributação. Seriam eles os verdadeiros condutores dos caminhos da citada empresa, a qual seria apenas de fachada, não havendo existência fática. Consequentemente, deveria o lançamento ter sido lavrado apenas contra os responsáveis solidários, mas colocandoos na condição de reais contribuintes. Porém, segundo se extrai dos autos, em diversas outras ocasiões a Administração tributária considerou que os recorrentes tinham interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo, tendo sido expressa que esse interesse comum residiria na “blindagem patrimonial dos Recorrentes Adriano Rossi e Sidônio Vilela Gouveia”. É dizer: a Tux e os recorrentes solidariamente responsabilizados teriam interesse comum, sendo aquela veiculo de atuação destes últimos. Diante disso, cabe reprisar que não se deve confundir interesse comum com interesse econômico, assim como não se pode interpretar a expressão “interesse comum” Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO abstraindo a sua qualificadora, que é “na situação que constitua o fato gerador principal” (art. 124, I, do CTN). Como se disse, nesse caso há apenas uma relação jurídica tributária, decorrente do fato gerador, e que colhe com a tributação mais de um contribuinte que tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo. Reportamonos ao caso do IPTU, quando há proprietários ou possuidores diversos. Nesse caso, ocorre apenas um fato gerador colocando na condição de responsáveis solidários diversas pessoas, podendo a Administração optar por cobrar a obrigação de um, alguns ou todos os coobrigados. Não se dá a transferência de uma relação jurídica já constituída, para colher terceiros estranhos ao fato gerador. A obrigação já contempla uma relação jurídica tributária, e não duas relações. Nesse sentido, como se viu, o STJ já se pronunciou de que não se pode confundir o interesse comum na situação que constitua o fato gerador principal, com transferência de responsabilidade. O interesse comum une os coobrigados que tenha relação direta com o fato gerador, compondo a relação jurídica tributária, praticando todos os co obrigados o fato gerador principal. Assim, mostrase equivocada a capitulação da responsabilidade tributária aos recorrentes na condição de solidários com o contribuinte que praticou o fato gerador, no caso, a obtenção de faturamento, assim entendido a totalidade de suas receitas. E isto porque não há interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Há apenas 01 (uma) relação jurídica entre a Tux e o Fisco, na qual não figuram os seus administradores, quer sejam aqueles que figuram no contrato social querem sejam os recorrentes solidariamente responsabilizados. Portanto, não se aplica o inciso I, do art. 124, do CTN. Entendo que para se responsabilizar os recorrentes haveria dois caminhos que se poderia atuar, sendo um excludente do outro, a saber: 1.ou a Administração deveria excluir a solidariedade, por serem os recorrentes os reais contribuintes, ou seja, por figurarem como interpostas pessoas com relação à prática mesmo do fato gerador, posto que a TUX seria uma empresa de fachada, inexistente. Ou seja, faria o lançamento diretamente nas pessoas dos reais contribuintes. Todavia esta circunstância não está clara nos autos, tanto que se manteve também nela a responsabilização; 2. ou então, por outra via, deverseia qualificar a responsabilidade solidária no fato de serem os recorrentes os reais administradores, gerentes ou controladores da TUX, tendo como supedâneo legal o art. 135, III, do CTN. Em quaisquer dos casos que acima poderseia enquadrar, na hipótese em análise sobrevém o erro no enquadramento legal no momento de se fazer a subsunção dos fatos à norma legal. Os fatos, como narrados, levam ou a transferência da responsabilidade, seja por serem os recorrentes os reais administradores do contribuinte de fato (duas normas que definem relações jurídicas, distintas), seja porque o contribuinte de fato não existiria, sendo apenas empresa de fachada (uma relação apenas, com relação ao tributo diretamente perante a interposta pessoa). E no caso em análise, como se vê pela decisão recorrida, embora esteja diante de uma narrativa espetacular, a autuação é decorrente da verificação de falta ou insuficiência no recolhimento de PIS e da COFINS, que está suportada por uma medida judicial, constatada pelo confronto do que fora declarado e pago pelo contribuinte e o valor que fora encontrado em sua escrituração empresarial. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Deste fator decorre a conclusão de que fora aceita a escrituração contábil do contribuinte, usandoa para fazer o lançamento das diferenças de PIS e da COFINS que não foram recolhidos. Este fator igualmente serve para afastar o cabimento da aplicação de técnica da “interposição de pessoa” ou do “real beneficiário”, ao menos para essa autuação, e, consequentemente, só nos resta concluir que estaríamos diante de uma pretensão de “transferência de responsabilidade”, calcada no fato de serem os recorrentes os verdadeiros administradores ou gerentes do contribuinte. Deste modo, haveria a regra matriz de incidência tributária, que permite o nascimento da relação jurídica tributária, e, de outro lado, da regra matriz de responsabilidade tributária, que permite a transferência daquela relação para outro responsável, que não o contribuinte. Para tanto, deverseia fundamentar a autuação no art. 135, III, do CTN. MAJORAÇÃO DA MULTA Nesse sentido, importante destacar julgado desta colegiado, nos autos do Processo nº 13982.001408/200981, Acórdão nº 3403001.989 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, Sessão de 20 de março de 2013, da lavra do Conselheiro Ivan Alegretti, cujo trecho da ementa segue abaixo colacionada, in verbis: “MULTA QUALIFICADA. ART. 44, 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável a legislação. A reiteração do mesmo modo de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto ocorrência do fato gerador, nem de modificar as caracterizas do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação”. “Recurso parcialmente provido”. Para melhor elucidar a questão, necessário se faz trazer à colação os textos normativos que embasaram a majoração da alíquota da punição: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Abaixo seguem os artigos da Lei no 4.502/64: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Os fatos aqui descritos mostram que o principal autuado quanto às pessoas arroladas como solidários, agiram de forma transparente. As empresas foram constituídas de fato e de direito, detinham personalidade jurídica própria, sócios próprios, atividade própria, a contabilidade estava à disposição da fiscalização, os fatos geradores foram informados. Não restando no meu entender caracterizado o intuito de fraude, sonegação, dolo ou conluio. O núcleo do tipo do art. 71, acima, é a subtração do conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador já realizado. Portanto, a aplicação da multa agravada fundada em situação de sonegação só será legítima diante de ação ou omissão que visa subtrair do conhecimento ou dificultar o conhecimento, por parte da Administração, de algum aspecto relevante do fato jurídico do qual nasce à obrigação tributária, ou de alguma circunstância da relação jurídica que se instaura com o fato referido do qual surge o crédito tributário.4 Repitase, a empresa apresentou todos os documentos necessários e requeridos pela fiscalização. 4 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de renda das empresas, 10ª Ed., São Paulo: Atlas, 2013, p. 949 Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO A fraude é toda ação ou omissão praticada com ardil, astúcia, malícia ou má fé, com a qual o sujeito passivo visa impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou que implique a modificação de algum dos outros aspectos da relação jurídica.5 Em momento algum, restou demonstrado que a principal autuada buscou se utilizar de meios impeditivos da ocorrência do fato gerador. O auditor apenas devese a afirmar de que houve a tentativa de blindagem do patrimônio pessoal das pessoas físicas arroladas, e não do fato gerador. Já o dolo, tem os traços fundamentais dados pelo modus faciedi ou pelos meios empregados para realização da infração, quais sejam, as declarações falsas, os documentos não verdadeiros, as simulações, as dissimulações e toda e qualquer forma de ilusão que implique a subtração ilegítima de fatos da incidência da norma tributária, além de todas as ações ou omissões igualmente ilegítimas eventualmente adotadas para frustrar o conhecimento dos fatos pela administração tributária.6 Mais uma vez, não identifiquei nos autos a utilização de documentos falsos ou quaisquer outros fatos que obstaculizassem o conhecimento do fato gerador. Dessa forma vejase o que leciona a doutrina acerca da impossibilidade de majoração de multa quando demonstrada a transparência do autuado para com a fiscalização, in verbis: Não podemos ignorar, também, que existem situações impeditivas da qualificação da conduta fraudulenta do contribuinte. Ou seja, ainda que haja provas da fraude, existem contraprovas suficientes a descaracterizála. Vislumbramos esta situação quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações. (DIAS, Karem Jureidini. A prova da Fraude. A prova no processo tributário. NEDER, Marcus Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). São Paulo: Dialética, 2010, p. 331.) Nesse mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na 5 ANDRADE FILHO, Op cit, p. 950 6 ANDRADE FILHO, op cit, p. 952 Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (...) (CARF. Primeira Seção. Processo 16561.000222/200872. Sessão de 21/10/2011. Relator(a) Antonio José Praga de Souza, Acórdão 1402000.802) (...) SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9430, de 1996, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penaistributários. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.Primeiro Conselho de Contribuinte, Processo 11080.009150/200494, Sessão de 23/04/2008, Relatora Heloísa Guarita Souza, Acórdão 10423129) Portanto, diante de tudo o que foi exposto, entendo que não subsistem motivos para majorar a multa de 75% para 150%, uma vez que não estão presentes os requisitos legais para tanto. Assim, ante a ausência de adequado enquadramento legal, entendo que deve ser afastada a responsabilidade solidária dos recorrentes, pelo que voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário manejado pelos recorrentes solidariamente responsabilizados. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10882.908375/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância.
RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa..
Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues.ausente o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira,
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.. Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 75 /2 00 9- 31 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Belchior Melo de Sousa – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues.ausente o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, Relatório Pedese vênia aos pares para a realização de transcrição do relatório do acórdão recorrido, posto que o mesmo capitulou os fatos ocorridos nos autos de forma concisa e didática. Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 3.112,02 partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.Cientificada desse despacho em 19/10/2009, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 18/11/2009, alegando, em síntese e fundamentalmente,erro no preenchimento da DCTF, e que procedeu à sua retificação em 17/11/2009. Argumenta: 1. Embora os dados declarados originalmente pelo Contribuinte tenham dado margem à não homologação da compensação efetuada, a correção das informações da DCTF, pela Retificadora entregue pelo mesmo Contribuinte,possibilitam uma reanálise dos fatos declarados originalmente pelo mesmo Contribuinte, ainda que este tenha dado causa ao problema e reconheça isso,é facultado ao declarante retificar as informações que, eventualmente,tenha declarado com incorreções, conforme disposto no próprio manual de preenchimento da DCTF, no item 1.4— "declaração retificadora". 2. Se a própria RFB faculta ao contribuinte retificar suas próprias declarações,esse fato precisa produzir efeitos, necessariamente. Ademais, existe apenas restrição a correções efetuadas após a inscrição do débito em dívida ativa,sendo também nessa hipótese possível a retificação, porém, com a apresentação de provas inequívocas da ocorrência do fato. Mesmo não se tratando dessa circunstância, o Contribuinte está anexando às evidências relativas às declarações originais e retificadoras, restabelecendo, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908375/200931 Acórdão n.º 3803003.836 S3TE03 Fl. 73 3 assim, os valores geradores do crédito tributário a ser lançado e homologado pela RFB, para produção dos efeitos previstos na lei, uma vez que não está materializada, no caso em tela, as condições impeditivas descritas nos subitens1 a 4 do item 1.4 do manual de preenchimento da DCTF, elaborado pela RFB. Os autos foram encaminhados para julgamento pela 1ª Turma da DRJ/CPS em sessão realizada em 17/02/11, que proferiu decisão através do Acórdão nº 0532.654, sintetizada por meio da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Acórdão fundouse nos artigos 147 e 170 do CTN, e a conclusão de insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida, deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ou seja, não basta a simples apresentação de declaração retificadora em momento posterior, é preciso demonstrar em que se funda o erro da DComp e os documentos probantes da regularidade do crédito e, isto não ocorreu em relação à contribuinte. A ciência do teor do acórdão de fls. deuse em 26/02/11, conforme atesta o AR, e a interposição de recurso em face do mesmo ocorreu em 29/03/11, de acordo com o recebimento à fl. 46 (carimbo da repartição fiscal). Diversamente da defesa apresentada em manifestação de inconformidade, as razões do recurso, preliminarmente, alega a existência de conexão entre o processo em epígrafe e os processos administrativos de nºs 10882.908.373/200942; 10882908.374200997; 10882908.375200931; 10882908.377200921; 10882908.379200910; 10882908.386 200911; 10882908.376200986; 10882.908.382200933; 10882908.383200988; 10882 908.384200922; 10882.908.378200975; 10882.909.122200985; 10882908.381200999, pois todos tratam exatamente do mesmo fato, para requerer a reunião dos mesmos, por dependência, para a apreciação pela mesma Câmara e pelo mesmo Conselheiro relator, com o fito de evitar a possibilidade de prolação de decisões divergentes acerca da mesma matéria. A Recorrente informou haver apurado crédito tributário a título de PIS e COFINS nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005,e que efetuou a compensação desses Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 4 valores com outros supostos débitos administrados pela RFB, IRPJ – estimativa, mês de competência setembro/2005, através de Per/DComp. Esclareceu, outrossim, que no mêscompetência de 01/2005 não houve débito em aberto de IRPJestimativa, tendo em vista que a Recorrente não apurou nenhum montante a ser recolhido a esse título no referido período. Deduziu que para constatar tal fato bastaria realizar singela análise na Ficha 11 – calculo do imposto de renda mensal por estimativa, da DIPJ 2006 (ano calendário 2005), para verificar que a recorrente não apurou imposto de renda a pagar no mês de competência 01/2005 (vide fl. 50, ou doc. 02). Informou que no mesmo sentido se depreende da DCTF (doc. 03), consoante se verifica do seu Resumo dos Débitos/Créditos, para concluir pela inexistência de débito e, por conseguinte, pela não realização de compensação, devendo ser cancelada a declaração de compensação, bem como o débito exigido. Acerca do tema em debate menciona jurisprudência administrativa emanada de outras DRJ’s, que vêm decidindo, nesses casos, que as Per/DComps podem e devem ser canceladas, inclusive de ofício, pela autoridade fiscal, ex vi dos acórdãos adiante transcritos: a) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE OBJETO. DÉBITO INEXISTENTE. Inexistente o débito compensado na DCOMP, não há que se falar em compensação realizada, razão pela qual deve ser cancelada de ofício a DCOMP correspondente e o débito exigido."(DRJ Curitiba, Acórdão n^ 0630003, de 26/01/11) (g.n.) b) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO INEXISTENTES. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A improcedência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação, entretanto, comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa." (DRJ Juiz de Fora, Acórdão n^ 0933342, de 28/01/11) (g.n.) c) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NULIDADE. É nula a declaração de compensação que indica débito inexistente." (DRJ Rio de Janeiro, Acórdão ns 1236230, de 23/03/11) (g.n.) No mesmo sentido menciona o Acórdão nº 210100.026, de 04/06/2009, para requerer a reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento do débito de IRPJ, tendo em vista a sua inexistência. Acerca do requerimento em que justifica a necessidade de realização de diligência em seu estabelecimento para análise de documentação contábil hábil e idônea, tendente à verificação e comprovação de que não houve a base tributável para o IRPJ no mês competência 01/05, nos termos do artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, e menciona jurisprudência administrativa a exemplo dos acórdãos nºs 20216.793, 20312.385, 10809.534. Finalmente requer, preliminarmente, o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator e, quanto ao mérito, a reforma da decisão recorrida para o cancelamento da exigência que foi objeto de manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos, em face da inexistência de débito compensado, ou para a conversão do julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908375/200931 Acórdão n.º 3803003.836 S3TE03 Fl. 74 5 Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. Constatouse dos autos que o despacho decisório (fl. 06) foi proferido em 07/10/2009, que a DCTF retificadora foi transmitida em 17/11/2009 e que o acórdão recorrido foi prolatado em 17/02/2011 (fl. 40). De acordo com o Despacho Decisório nº 848674649 exarado em 07/10/09 (fl. 06), a autoridade administrativa concluiu pela não homologação, haja vista que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos localizados do contribuinte na data de transmissão da Per/DComp, não restando saldo credor disponível para realização da compensação declarada. Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Por ocasião da manifestação de inconformidade a contribuinte admitiu a existência de erro de fato nos Per/DComp declarados à repartição fiscal, por conseguinte apresentou DCTF retificadora em 17/11/09, conforme o recibo de entrega (vide docs. 4 e 5), esclarecendo, oportunamente, que no mês de referência do lançamento não apurou débito aberto na conta IRPJ – Estimativa a pagar, bem assim que a falha constatada, que pode ser confirmada por meio de análise na Ficha 11, referente ao cálculo de IRPJ mensal por estimativa, da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl 50, doc 2), idem via DCTF retificadora (doc. 3). Diante correção da falha anteriormente apontada concluiu a contribuinte pela inexistência de débito para o período assinalado, por conseguinte pela não realização de compensação, portanto devendo ser cancelada a Declaração de Compensação e o lançamento dela decorrente, ou ainda, o esclarecimento acerca da controvérsia pode ocorrer mediante a realização de diligência na empresa para comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05, fazendo solicitação neste sentido. Acerca deste tema a decisão prolatada por meio do Acórdão nº 0532.663, em 17/02/11, julgou improcedente a manifestação de inconformidade aviada pela ora recorrente, sob o mero argumento de que a interessada não logrou demonstrar a liquidez e certeza do crédito informado no Per/DComp. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Concluiu a referida decisão que a insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ora, a defesa apresentada pela contribuinte impugnou justamente a existência do crédito informado no Per/DComp, inclusive esclarecendo,naquela oportunidade, acerca da percepção posterior de ocorrência de erro de fato no preenchimento deste formulário, em razão de não haver apurado IRPJ a pagar em setembro de 2005, ao ponto de que o pleito formulado foi pela não consideração da compensação declarada, ante a inexistência do débito apontado. A meu ver, pelos mesmos fundamentos da Lei nº 9.784/99, a decisão hostilizada deveria se pronunciar acerca da não existência de IRPJ a recolher de competência de setembro/2005, o que efetivamente não o fez. Tal pronunciamento seria de relevante importância, notadamente para consubstanciar a oposição às informações constantes da DCTF retificadora, que trouxe em seu campo específico os dados que atestam a inexistência de crédito, também servindo de comprovação do erro de fato expressamente reconhecido pelo contribuinte, o mesmo se constatando do corpo da própria DIPJ apresentada. No mais, serviriam tais argumentos devidamente fundamentados pelo juízo a quo para se contrapor à tese de que a cobrança tributária não procede, pois se encontra baseada em informações incorretas ainda que declaradas pela própria contribuinte. No passo seguinte rejeito o pedido formulado para a realização de perícia/diligência, pois despicienda. Vêse que os autos tratam exclusivamente de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete às partes interessadas, e mais, temse por não formulado o pedido de diligência ou de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Finalmente a recorrente formulou pleito para que haja o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator, creio existir razão à recorrente. Muito bem. Dentre os processos administrativos retromencionados nos autos, verificouse que aqueles com o final 200911, 21, 31, 75, 85, 88, 97 e 99, encontramse sob a relatoria deste Conselheiro e referemse a pagamentos realizados a maior ou indevido (DComp eletrônico), cujas declarações de compensações informadas apresentam créditos de Cofins e PIS/Pasep (períodos de apuração distintos), com débitos de IRPJ (todos correspondentes a set/2005), portanto correspondendo todas as compensações à mesma data de ocorrência do fato gerador do tributo devido, e aos mesmos argumentos de defesa/prova. Observase, ainda, que os processos administrativos com os finais em 2009 42, 10, 86, 33 e 22, não se encontram sob a relatoria deste julgador. Em síntese há amparo para escudar o pleito da ora recorrente, ex vi do disposto no § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/05. Inobstante assista razão à contribuinte quanto ao pedido acima formulado deixo de atendêlo em face do entendimento construído e profligado no curso deste voto que pugna ao final pelo regresso dos autos ao juízo a quo para a realização de novo julgamento. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908375/200931 Acórdão n.º 3803003.836 S3TE03 Fl. 75 7 Buscase, com isto, afastar a alegação de supressão de instância, se porventura alegada. Também não há se alegar prejuízo pelas as partes interessadas, pois a decisão recorrida deve ser compatível aos pedidos formulados na apelação, nem além, nem aquém, conforme preceitua o artigo 460 do CPC. Verificouse, ainda, que a recorrente carreou para os autos novos elementos de prova e solicitação, o que se deu posteriormente à decisão de primeira instância, porém o fez em desacordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, inclusive dos requisitos atinentes ao seu § 4º, razão pela qual não resta outra solução senão rejeitálos. A meu ver deve retornar o presente processo à instância de primeiro grau para a devida apreciação da DCTF retificadora apresentada pela contribuinte em data anterior à decisão de primeira instância, tendo em vista suprir lacunas decorrentes do pronunciamento anterior acerca de questões já submetidas à apreciação daquele órgão judicante, quais sejam: a existência ou não de débito de IRPJ na competência de setembro/2005; e para a indicação precisa dos débitos constatados pela fiscalização, para os quais foram integralmente utilizados a título de pagamento os créditos informados em Per/DComp pela contribuinte, e que resultaram na insuficiência de saldo credor para a compensação, inicialmente pretendida, ou mesmo que resultaram na exação sob exame. Tal proposta decorre de que não laborou a fiscalização nem os julgadores de primeira instância em produzir elementos de convicção sustentáveis acerca da insuficiência do crédito alegado para a realização da compensação pretendida, ou mesmo infirmou os argumentos expendidos pela Recorrente acerca da inexistência de débito de IRPJ no mês de competência de set/2005, que juntou aos autos documentos que atestam a veracidade do alegado na exordial e no recurso voluntário, eis que não restaram impugnadas nem a DCTF retificadora, nem a DIPJ ano calendário 2005. Logo, para que o princípio da verdade material realize o efeito desejado não basta simplesmente à fiscalização alegar que houve a insuficiência de saldo credor para à satisfação da compensação, porém deve à mesma demonstrar fundamentadamente a existência de ilícito mediante argumentos indestrutíveis, ou mesmo partindo do aprofundamento da investigação de indícios porventura existentes nos autos que constituem o imbróglio, encontre elementos de convicção permitam se chegar à conclusão da prática da irregularidade cometida contra o erário, que resultou na não homologação da compensação declarada. Ante todo o exposto pugno pela anulabilidade da decisão de primeira instância para que outra nova e boa seja proferida, que contemple todas as questões formuladas pela contribuinte, consoante já assinalado. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Temos sob análise DComp não homologada em razão de inexistência de crédito oriundo de pagamento de Cofins integralmente alocado a débito anteriormente confessado. Por não ter o ato administrativo, bem assim a decisão de primeira instância, indicado a que débito estaria tal pagamento alocado, o nobre Relator inquinao de nulidade por deixar de explicitar inteiramente o motivo, configurandose cerceamento do direito de defesa. Esses os seus termos: Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Cumpre mencionar que a forma automática (eletrônica) como se processa a alocação de pagamentos a débitos do contribuinte, nos sistemas de controle da RFB, implica em dizer que pagamentos somente são alocados a débitos por ele declarados por meio de DCTF. Não há alocações manuais no âmbito da RFB realizadas ao alvitre do órgão, fora de eventuais rotinas de ajustes decorrentes de manifesta vontade do contribuinte e de compensação de ofício de pagamento indevido ou a maior em vias de restituição, evento sobre o qual o contribuinte também se expressa. Na existência de DCTF com pagamento vinculado a débito declarado como ocorre neste caso é de solar clareza que o débito é o “anverso da moeda” do pagamento a ele alocado (ou viceversa), ou, noutra palavra, o pagamento representado por DARF é a imagem do correspectivo débito. Dito isso, concluise que a indicação do débito ao qual está alocado o pagamento não compõe o elemento “motivo” do ato administrativo de não homologação da compensação declarada, ao ponto de conspurcálo de invalidade ou de ineficácia. Logo, não se pode opor contra o despacho decisório de não homologação da compensação desconhecimento de qual o destino dado ao pagamento utilizado na DComp e atribuir a existência dessa lacuna na decisão recorrida, como o fez o digno Relator. Este seu entendimento o posicionou pela anulação da decisão de primeira instância, não reparando o óbice processual instalado na lide, consubstanciado em argumento novo trazido pela Recorrente, não questionado perante o Colegiado a quo. Perante a primeira instância a Contribuinte defendeu o seu direito ao crédito argumentando com a retificação procedida na DCTF informadora do pagamento originador do crédito, consignando ter reduzido o débito de R$ 7.483,07 para R$ 2.788,73. No recurso voluntário a Recorrente abandona o argumento de retificação do débito originador do crédito e levanta outro argumento, o de inexistência do débito de IRPJ de setembro/2005 que compensou na DComp sob análise, pedindo o cancelamento da compensação. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908375/200931 Acórdão n.º 3803003.836 S3TE03 Fl. 76 9 É consabido que a inicial e a manifestação de inconformidade estabelecem os limites do litígio, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas no despacho decisório. No caso, temse norma individual e concreta da Autoridade Administrativa afirmando no antecedente a inexistência de crédito e no consequente a não homologação do débito compensado pela Contribuinte. O recurso voluntário que pretenda dar continuidade à lide deve controverter e devolver à segunda instância a matéria que fora alvo de julgamento na instância de piso e que substanciou a razão de decidir, subvertendo as regras de Processo segundo as quais as divergências recursais devem ser opostas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeira instância. É preclusa a defesa que milita com matéria nova, que, assim, não se mostra habilitada a ser apreciada pelo colégio ad quem. Com a devida vênia, aponto que este foi o equívoco em que incorreu o Conselheiro Relator ao aduzir que “a decisão que não resolve todos os pedidos formulados, que decide a menos que o pleiteado deve ser anulada por caracterizar cerceamento do direito de defesa”. Referiuo, por privarse de perceber que o pedido veiculado no recurso voluntário não fora apresentado na primeira instância e o erro processual da Recorrente de inovar seu argumento da defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 301 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10930.908366/2009-28
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 08 36 6/ 20 09 -2 8 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. O presente processo surgiu em razão do PER/DCOMP nº 33103.07966.110308.1.7.028389 (fls. 1 a 7), transmitido em 11/03/2008, pelo qual a Contribuinte pretendeu compensar débito referente ao ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2007 com crédito proveniente de saldo negativo do mesmo imposto (IRPJ) do anocalendário de 2006, no valor original de R$ 90.945,86. A Delegacia de origem, por meio de despacho decisório emitido em 10/12/2009 (fls. 10), decidiu não homologar a compensação pelas seguintes razões: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Parc. Crédito IR Retenções Pagamentos Estim. Comp Estim. Dem. Estim. Soma Exterior Fonte SNPA Parceladas Comp. Parc. Cred. PER/DCOMP 0,00 0,00 917.857,88 0,00 0,00 0,00 917.857,88 Confirmadas 0,00 0,00 917.857,88 0,00 0,00 0,00 917.857,88 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 90.945,86 Valor na DIPJ: R$ 90.945,86 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.055.166,21 IRPJ devido: R$ 964.220,35 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 4 3 Com a manifestação de fls. 14/15, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, insurgindose contra o despacho decisório da Delegacia de origem mediante a apresentação dos argumentos descritos abaixo: Conforme DESPACHO DECISÓRIO acima mencionado, o programa da Receita Federal não faz a retificação da referida PER/DCOMP para incluir os valores corretos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) conforme documento anexo, no valor de R$ 137.308,33, o qual não foi informado anteriormente. O imposto devido no valor de R$ 90.945,86, deve ser compensado deste valor, uma vez que a retenção é suficiente para amortizar o débito, sendo apenas um equívoco no momento do lançamento que não foi informado o IRRF no valor já citado. A requerente em momento algum deixou de cumprir suas obrigações, sendo real a intenção de solução uma vez que há crédito suficiente para amortizar o imposto devido, inclusive com valores maiores que o valor do débito. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR DAS PARCELAS COMPONENTES DO SALDO NEGATIVO INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÁOHOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor das parcelas componentes do saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Não tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, o Fisco infringiu a regra por ele mesmo estabelecida na citada Norma de Execução, sendo nulo o despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 5 4 O voto que orientou a decisão de primeira instância administrativa apresenta os fundamentos transcritos a seguir: [...] 14. Como se pode observar, a lei expressamente confere à Secretaria da Receita Federal, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. 15. Para além disso, a lei, direta e expressamente, determina que a compensação poderá ser efetuada exclusivamente mediante a entrega de declaração em que constem as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. 16. Portanto, a única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. 17. Ao aprovar o programa gerador de PER/DCOMP, a RFB aprova concomitante instruções de preenchimento que são cogentes ao contribuinte. Na esteira da letra “a”, do item anterior, só têm direito à compensação os contribuintes que efetuarem o preenchimento correto do PER/DCOMP, conforme as regras estabelecidas pela RFB. 18. As instruções de preenchimento do PER/DCOMP, referentes à PASTA CRÉDITO, assim estabelecem (item 6.3): [...] 20. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e do §14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ em relação ao que foi informado na DIPJ. 21. Ademais, a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n 6, de 21 de novembro DE 2007 regulamenta o procedimento a ser adotado no processamento eletrônico dos PER/DCOMPs, estatuindo o seguinte: [...] 22. A referida Norma de Execução estabelece ainda o seguinte: [...] Caso a soma das parcelas do crédito informadas no PER/DCOMP seja menor que o montante dos créditos correspondentes na DIPJ, o saldo negativo reconhecido automaticamente será menor do que o saldo negativo informado na DIPJ e no PER/DCOMP, razão pela qual esta divergência é considerada inconsistência, objeto de termo de intimação. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 6 5 [...] 1.1.2 Tratamento após prazo de retificação Transcorrido o prazo dado ao sujeito passivo na intimação, há quatro alternativas para prosseguimento do tratamento do documento: • No caso do sujeito passivo ter efetuado os procedimentos necessários para correção das inconsistências apuradas, o documento prossegue no fluxo eletrônico evoluindo para a etapa de análise do direito creditório, tendo sua situação alterada para Em análise automática, motivo Em análise do direito creditório. • No caso do sujeito passivo ter efetuado procedimentos que julgava suficientes para correção das inconsistências apuradas, sem, no entanto, saneálas, o documento permanece na situação Análise Suspensa, sendo emitido automaticamente novo termo de intimação. Este procedimento repetese, no máximo, duas vezes. • No caso do sujeito passivo não ter efetuado os procedimentos necessários para correção das inconsistências apuradas: Caso sejam relativas a Identificação da DIPJ correspondente ou Valor do Saldo Negativo, encerrase a análise do direito creditório e o PER/DCOMP em que consta o demonstrativo de crédito tem sua situação alterada para Não RDC Não reconhecido o direito creditório, motivo Impossibilidade de análise eletrônica ou Inexistência do direito creditório. Caso seja relacionada à apuração pelo lucro presumido para documentos transmitidos até 31/12/2005, o PER/DCOMP em que consta o demonstrativo de crédito e todos os demais que indicam o mesmo crédito têm sua situação alterada para Aguardando tratamento manual, motivo Tributação no período pelo lucro presumido ou arbitrado Caso sejam relativas a Crédito informado no PER/DCOMP e na DIPJ ou Estimativas apuradas na DIPJ e na DCTF, a análise do documento prossegue no fluxo automático, tendo sua situação alterada para Em análise automática, motivo Em análise do direito creditório. 23. Depreendese da leitura da Norma de Execução, em especial na parte grifada, que a administração tributária, diante da divergência entre as parcelas componentes do saldo negativo informadas na DIPJ e na DCOMP, deve proceder à intimação do sujeito passivo. Não havendo a compatibilização do valor informado nas declarações, por meio de retificação empreendida pelo contribuinte, revelase inviável o prosseguimento da análise, por não possuir o Fisco as informações necessárias para tal. E isso por falha do próprio contribuinte, consistente na apresentação de declarações divergentes. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 7 6 24. Conforme fls. 08/09, foi feita a devida intimação solicitando providências, como determinado pela Norma de Execução. Havendo tal divergência, está escorreito o despacho decisório guerreado. Conclusão Em razão do exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/10/2011, onde desenvolve os argumentos descritos abaixo: a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, nos termos da Ficha "12A CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO REAL PJ EM GERAL", da DIPJ 2007, anocalendário 2006, página 11, conforme declaração anexa; nestes casos em que há pagamento maior que o efetivamente devido é assegurado ao contribuinte a restituição do valor recolhido indevidamente, conforme a segunda parte do inciso II do §1° do artigo 6º da Lei n° 9.430/96; fundada na norma supra transcrita, a Recorrente formalizou Pedido de Restituição e Compensação, denominado de PER/DCOMP; apesar de a Recorrente ter o "direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento" (art. 165 do CTN), a ilustre Administração tributária local indeferiu o pedido de restituição e compensação; do respeitável despacho inferese que os valores de saldo negativo declarados em DIPJ e no PER/DCOMP são idênticos, pois: "Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 90.945,86. Valor na DIJP: R$ 90.945,86"; o próprio despacho decisório reconhece o crédito apurado em DIPJ, ao firmar que a "Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.055.166,21. IRPJ devido: R$ 964.220,35"; ao realizar uma operação aritmética de subtração, entre o crédito composto (R$ 1.055.166,21) e o IRPJ devido (R$ 964.220,35), encontrase o exato valor do crédito de saldo negativo informado na PER/DCOMP e na DIPJ, qual seja: (+1.055.166,21 (964.220,35) = R$ 90.945,86); o próprio despachodecisório reconheceu o saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ R$ 1.055.166,21) (IRPJ devido R$ 964.220,35), bem como que o valor do crédito declarado é idêntico, pois consta da DIPJ que o crédito do saldo negativo IRPJ é de R$ 90.945,86 e no PER/DCOMP que o crédito declarado é de R$ 90.945,86; diversamente do sustentado pelo r. despacho decisório, o resultado daquela operação aritmética não é zero, mas exatamente o valor do saldo negativo do IRPJ (crédito) declarado em DIPJ e PER/DCOMP, qual seja: R$ 90.945,86; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 8 7 em que pese as alegações deduzidas pela Recorrente, a r. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, com alteração da motivação do auto de infração, entendeu em manter o despachodecisório; há um equívoco no exame dos dados e elementos que configuraram o pedido de restituição e compensação (PER/DCOMP), pois entendeu o v. acórdão recorrido que não haveria restado "crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP", em razão da ausência de declaração retificadora; contudo, mera incorreção no preenchimento de declaração não é justa causa para vedar o direito à restituição, mediante compensação, do indébito tributário, dada a ausência de qualquer ato lesivo ao erário e, muito menos, à administração tributária; ademais, a Recorrente apresentou declaração retificadora (artigo 138 do CTN), com demonstração precisa e clara de que há crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, apesar do sistema não processála adequadamente; insta ser reformado o v acórdão recorrido que não homologou o pedido de compensação formulado pelo sujeito passivo, pois não observou a primazia da realidade e contrariou seu próprio enquadramento legal, especialmente o artigo 165 do Código Tributário Nacional; deveria a R. Auditoria Fiscal rever de ofício (§2° do artigo 147 do CTN) as declarações (DIPJ ou PER/DCOMP), para considerar o valor do indébito tributário e apurar o tributo supostamente devido, nos termos do artigo 149 c/c os §§ 2º e 3º do art. 150 do CTN e em atenção ao disposto na Lei n° 9.784/99; mantida como está a decisão de não homologação, a Recorrente estará recolhendo em duplicata o valor que recolheu aos cofres da União, agora acrescida de multa e juros; os documentos anexos comprovam que houve equívoco no exame dos dados e elementos que configuraram o pedido de restituição e compensação (PER/DCOMP), que pode ter sido ocasionado pela impossibilidade de apresentar declaração retificadora; nem se alegue que a conclusão posta no v. acórdão recorrido seria a inexatidão material o equívoco a incorreção etc. , no preenchimento das declarações; como anteriormente demonstrado, mera incorreção no preenchimento das declarações não é justo motivo para negar pedido de restituição e compensação, dada a ausência de qualquer ato lesivo ao erário e, muito menos, à administração tributária, além de configurarse enriquecimento sem causa do Estado; nem se alegue, também, que a Recorrente não logrou êxito em provar a incorreção confessada, pois os próprios fatos descritos na peça básica são suficientes para demonstrar tais fatos. Na dúvida, deveria a Administração Tributária preparadora instruir o processo, conforme determina os artigos 29, 39 e 44 da Lei n° 9.784/99 e parágrafo único do artigo do artigo 845 do RIR/99; todavia, assim não o fez, o que é justo motivo para nulidade e improcedência da exigência fiscal e do próprio acórdão recorrido; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 9 8 para garantir observância dos princípios da finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, segurança jurídica e eficiência, bem como atuação conforme a lei e o Direito e a adequação entre meios e fins (artigo 2º da Lei n° 9.784/99, de aplicação subsidiária ao Decreto 70.235/72), deveria a R. Auditoria Fiscal rever (§2° do artigo 147 do CTN), de ofício, as declarações e pedidos formulados pela Recorrente, para alterar a DIPJ ou o PER/DCOMP, com reconhecimento do crédito; quando notificada a Recorrente adotou as medidas cabíveis para que houvesse a retificação da declaração, a qual somente não ocorreu porque o sistema não validou a entrega do documento, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade; deveria a Fiscalização, com a devida vênia, notificar o contribuinte para prestar esclarecimentos (incisos I e II do artigo 149 do CTN c/c o artigo 47 da Lei n° 9.430/96), para na sua falta manter a exigência; a Recorrente espera que esse Colendo Conselho dignese acolher a nulidade do v. acórdão ora invocada; o próprio acórdão recorrido, na folha 38 (numeração da DRJ/CTA ou folha 45 da origem), consigna no tópico "1.1.2. Tratamento após prazo de retificação", que no "caso do sujeito passivo ter efetuado os procedimentos que julgava suficientes para correção das inconsistências apuradas, sem, no entanto, saneálas, o documento permanece na situação Análise Suspensa, sendo emitida automaticamente novo termo de intimação. Este procedimento repetese, no máximo, duas vezes"; depreendese dos autos de processo que o procedimento estabelecido no item "1.1.2." da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n° 6, de 21 de novembro de 2007, não foi observado pela Administração Tributária, preterição ao direito de defesa que nulifica o processo administrativo e o r. despacho decisório, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; como a constatação do erro na transmissão da declaração é fato incontroverso, cumpre demonstrar, por fim, o direito ao crédito da Recorrente; o saldo negativo do IRPJ, constante da DIPJ, exercício 2007, anocalendário 2006, no valor de R$ 90.945,86 (linha 18, ficha 12A) corresponde a crédito a favor do contribuinte, decorrente de pagamentos efetuados a maior, oriundos das seguintes operações: a) R$ 137.308,33 referese a Imposto de Renda na Fonte, retido por Instituições Financeiras incidente sobre Lucro de Aplicações Financeiras e constante de extratos e demonstrativos e da DIPJ linha 12 Ficha 12 A; b) R$ 917.857,88 referese a IRPJ pago por estimativa e recolhida sobre a Receita Bruta, mensalmente, mediante Darfs constante da DIPJ linha 16 ficha 12 A; c) Assim, os valores recolhidos perfazem R$ 1.055.166,21, de cujo montante é deduzido o valor efetivamente devido, incidente sobre o lucro real, tendo por base o lucro liquido ajustado e apurado em balanço de 31 de dezembro; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 10 9 d) Desta forma, o imposto de renda devido apurado é de R$ 601.932,21, mais o adicional de Imposto de Renda no valor de R$ 377.288,14, o que perfaz o montante de R$ 979.220,35, linhas 1 e 2 ficha 12 A; e) Do montante de R$ 979.220,35 é deduzido a título de incentivos fiscais o valor de R$ 15.000,00, restando o valor líquido devido de R$ 964.220,35, linha 3 ficha 12 A; f) Portanto, agora temos condições de, efetivamente, apurar o saldo negativo de IRPJ ou crédito a favor do contribuinte, a saber: o valor líquido devido R$ 964.220,35 (letra e) diminuído do montante recolhido de R$ 1.055.166,21 (letra c) temos o crédito a favor do contribuinte de R$ 90.945,86, linha 18 ficha 12 A; em resumo, não há qualquer dúvida quanto ao crédito da Recorrente, o que insta pela homologação da compensação, com extinção do crédito nos termos do inciso II do artigo 156 do Código Tributário Nacional; na eventualidade, requer seja reformado o v. acórdão recorrido para decretar a nulidade do r. despachodecisório ou do processo administrativo, dada a preterição do direito de defesa (artigo 59 do Decreto n° 70.235/72) ou, se assim não entender esse E. Conselho, seja reconhecida a nulidade do próprio v. acórdão recorrido, pela alteração da motivação de indeferimento da compensação, como anteriormente demonstrado; caso reste qualquer dúvida quanto ao direto ao crédito e das declarações apresentadas pela Recorrente, pelos motivos expostos neste recurso, justificada está a realização de diligência ou perícia específica (inciso V do artigo 16 do Decreto 70.235/72). Este é o Relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 11 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 11/03/2008, na qual utilizou um alegado crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006, no valor original de R$ 90.945,86. O primeiro exame dessa compensação, ainda no âmbito da Delegacia de origem, revelou que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP era inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ, e também insuficiente para comprovar a apuração do saldo negativo. Em razão disso, a Contribuinte foi intimada a retificar a DIPJ ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período, conforme termo de intimação às fls. 08, cientificado em 03/12/2008. Em 10/12/2009, a Delegacia de origem emitiu o despacho decisório de não homologação da compensação (fls. 10), com fundamento na divergência acima mencionada. A Contribuinte, então, ingressou com manifestação de inconformidade, procurando esclarecer que a divergência nos demonstrativos das parcelas de crédito, entre PER/DCOMP e DIPJ, deviase ao fato de ela não ter relacionado no PER/DCOMP, nos quadros referentes ao detalhamento da origem do crédito, as retenções na fonte no montante de R$ 137.308,33, mas apenas os pagamentos feitos a título de estimativa mensal. Mencionou também que o programa da Receita Federal não aceitou a transmissão do PER/DCOMP retificador, onde incluía as informações sobre as retenções na fonte, conforme documentos de fls. 18 a 27. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à homologação, manifestando o entendimento de que na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor das parcelas componentes do saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com o recurso voluntário sob exame, desenvolvendo tópicos sobre preliminares de nulidade e questões de mérito. Primeiramente, cabe registrar que o PER/DCOMP retificador não foi recepcionado pela Receita Federal porque a tentativa de transmissão ocorreu após ter sido emitido o despacho decisório, momento em que a retificação não é mais aceita pelos sistemas eletrônicos. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 12 11 Quanto às preliminares de nulidade das decisões administrativas anteriores, é importante mencionar que os aspectos procedimentais suscitados tanto pelo Fisco quanto pela Contribuinte, no que diz respeito à divergência entre declarações, aos procedimentos para retificação de declarações, etc., deságuam no exame de mérito, porque estão diretamente relacionados à verificação (pelo Fisco) e à comprovação (pela Contribuinte) da liquidez e certeza do crédito a ser restituído/compensado. Não houve a alegada inovação nos fundamentos para a negativa do pleito da Contribuinte. As normas procedimentais citadas pela Delegacia de Julgamento tiveram apenas o condão de explicitar que faltava ao reivindicado crédito os atributos de liquidez e certeza, em razão de não ter sido devidamente solucionada a divergência entre PER/DCOMP e DIPJ, e este é o fato que desde o início tem motivado a negativa da compensação. Também é importante mencionar que as normas procedimentais trazidas à baila pela Delegacia de Julgamento, quanto detalham os casos de prosseguimento na análise automática do PER/DCOMP, de expedição de novo termo de intimação, de limite para o número de reintimações, de não reconhecimento do direito creditório, de tratamento manual, etc., tem a finalidade de fornecer critérios objetivos para a composição do ônus probatório no âmbito dos procedimentos realizados pela Delegacia de origem, visando a verificação/ comprovação da liquidez e certeza do crédito, e não de criar ou extinguir direitos no processo administrativo fiscal. Todos estes aspectos estão relacionados à existência ou não do direito creditório, pelo que devem ser objeto de análise de mérito. Deste modo, afasto as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, penso que a Delegacia de origem poderia ter aprofundado a análise sobre a existência de indébito de IRPJ no ano de 2006, apesar da divergência entre PER/DCOMP e DIPJ. Registrese que o valor do saldo negativo nas duas declarações era exatamente o mesmo (R$ 90.945,86). A divergência se deu especificamente no quadro destinado às origens do crédito a ser compensado, e uma simples análise da Ficha 12A da DIPJ (fls. 17) evidenciaria que a Contribuinte havia discriminado no PER/DCOMP apenas os valores pagos a título de estimativa mensal (R$ 917.857,88 exatamente o valor que consta da DIPJ a este título), deixando de relacionar as retenções na fonte (R$ 137.308,33). Esta divergência não tem o condão de prejudicar por completo o exame da existência do crédito, até porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Como já mencionado, as normas procedimentais trazidas à baila pela Delegacia de Julgamento tem a finalidade de fornecer critérios objetivos para a composição do ônus probatório no âmbito dos procedimentos realizados pela Delegacia de origem, visando equilibrar a verificação (pelo fisco) e a comprovação (pela Contribuinte) da liquidez e certeza Fl. 222DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 13 12 do crédito a ser compensado, mas não tem a característica de criar ou extinguir direitos no âmbito maior do processo administrativo fiscal. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Nesse caso, a própria DIPJ trazia a informação de apuração de saldo negativo de IRPJ em 2006, no montante de R$ 90.945,86, exatamente o valor reivindicado no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, a Contribuinte procurou esclarecer a razão da divergência entre PER/DCOMP e DIPJ, quanto aos demonstrativos de origem do crédito, informando que não relacionou no PER/DCOMP as retenções na fonte, mas apenas os pagamentos feitos a título de estimativa mensal, e também que não tinha conseguido transmitir o PER/DCOMP retificador, anexandoo aos autos (fls. 18 a 27). E na presente fase recursal, a Contribuinte trouxe comprovantes de retenção na fonte referentes aos valores constantes da DIPJ e que não haviam sido relacionados no PER/DCOMP transmitido eletronicamente. Embora a DIPJ indique a apuração de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2006, ainda não é possível atestar a certeza e liquidez deste crédito. O julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia de origem (DRF Londrina/PR), para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Contribuinte, dos livros e documentos contábeis/fiscais, das informações constantes dos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (DIPJ, DCTF, SINAL, DIRF, etc.), e de outros elementos que entender necessários: 1) verifique e preste informações sobre: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2006; a dedução no ajuste referente a operações de “Caráter Cultural e Artístico”; a dedução a título de estimativas recolhidas em DARF; a dedução referente a retenções na fonte; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.908366/200928 Resolução nº 1802000.311 S1TE02 Fl. 14 13 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ em 2006 a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Londrina/PR atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 224DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13830.001099/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004
DÍVIDA PASSIVA DA UNIÃO. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos escriturais do IPI, conforme a legislação tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU DE ALÍQUOTA ZERO.
O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, em razão dos mesmos serem isentos, não tributados ou de alíquota zero, não há valor algum a ser creditado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
EDITADO EM: 26/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. EDITADO EM: 26/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
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DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos escriturais do IPI, conforme a legislação tributária. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU DE ALÍQUOTA ZERO. O Princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, em razão dos mesmos serem isentos, não tributados ou de alíquota zero, não há valor algum a ser creditado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 10 99 /2 00 5- 59 Fl. 11432DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. EDITADO EM: 26/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório No dia 16/06/2005 a empresa MÁQUINAS AGRÍCOLAS JACTO S/A ingressou com o pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, relativo ao período de junho de 2000 a dezembro de 2001, de MP, PI e ME isento, de alíquota zero ou não tributado pelo IPI. A DRF em Marília SP indeferiu o pedido da recorrente, alegando que o crédito pleiteado é fictício, posto que não houve pagamento de IPI quando da aquisição dos produtos e, também, porque o pedido é parcialmente intempestivo posto que a empresa está pleiteado crédito relativos a MP, PI e ME que ingressaram no seu estabelecimento há mais de 05 (cinco) anos da data da apresentação do pedido de ressarcimento (art. 1º do Decreto nº 20.910/1932). Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: Contra a denegação da autoridade competente, por estar parte do pedido prescrito e pela ausência de base legal, o interessado manifestou sua inconformidade alegando que, conforme julgados que cita, não teria ocorrido a prescrição, bem como o seu direito aos supostos crédito estaria plenamente garantido pela legislação e jurisprudência, não havendo como afastar a incidência de juros, notadamente, moratórios, já que a sua aplicação seria prevista em lei, devendo ser reformada a decisão singular nessa parte. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1435.902, de 25/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve: RESSARCIMENTO DO IPI. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto nº 20.910/32). Fl. 11433DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 4 3 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 02/01/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 30/01/2012, com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relatar. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, merece ser admitido. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito básico de IPI, acrescido de correção monetária e juros compensatórios, apurado na aquisição de MP, PI e ME isento do imposto, com alíquota zero ou não tributado, no período de junho de 2000 a dezembro de 2004. Quanto ao direito de aproveitamento dos créditos do IPI, por qualquer modalidade, ao contrário do que sustenta a Recorrente, fica sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, de que trata o art. 1o do Decreto no 20.910/1932, contados da entrada dos insumos no estabelecimento, de acordo com o Parecer Normativo CST no 515/1971, publicado na página 6.917 do Diário Oficial da União de 27 de agosto de 1971, ainda em vigor. Conseqüentemente, resta equivocada a defesa, ao dizer que o período prescricional aplicável seria de 10 anos, em virtude do IPI ser um imposto sujeito ao lançamento por homologação, tese absolutamente descabida, como bem disse a decisão recorrida. Sem reparos a decisão recorrida, nesta parte. Fl. 11434DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos argumentos da Recorrente de que deve ser apreciado seus argumentos sobre inconstitucionalidade da legislação que cita, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Entrando no mérito da lide, o suposto direito ao crédito nas aquisições de insumos não tributados pelo IPI, ou tributado a alíquota zero, foi submetido a julgamento pelo STJ, no regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, e o Tribunal pacificou o entendimento no sentido da impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos ou matériasprimas sujeitas à alíquota zero ou não tributadas, conforme se pode constatar no enunciado da ementa do Recurso Especial nº 1.134.903, Relator Ministro Luiz Fux, que abaixo se transcreve. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 11435DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Fl. 11436DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 7 6 Nos termos do disposto no art. 62A2, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, as decisões preferidas pelo STJ na forma do art. 543C, do CPC (recursos repetitivos), são de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Neste mesmo sentido o CARF já havia assentado entendimento sobre os insumos tributados com alíquota zero, conforme súmula abaixo reproduzida. Súmula CARF no 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Com relação aos créditos básicos na aquisição de MP, PI e ME isentos do IPI também entendemos que não existe previsão legal para a sua escrituração e aproveitamento, quer na conta gráfica, quer em pedido de ressarcimento. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na nota fiscal houve) do tributo na operação de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. O crédito escriturado e pleiteado pela recorrente é um crédito ficto, presumido, posto que ele não existe de fato. O mesmo não foi lançado nas notas fiscais de aquisição de insumos. Tanto é que a recorrente teve de “inventar” uma alíquota para calcular o total do crédito escriturado. Comprovadamente, não há lei específica que autorize a recorrente a escriturar e aproveitar os créditos pleiteados e a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, ficto ou estimado, sem lei que autorize, conforme comando contido no § 6o do art. 150, que reproduzo: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (grifei) 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acrescido pela Portaria MF nº 586/2010) Fl. 11437DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 8 7 Não há, portanto, previsão legal para a escrituração e o aproveitamento de crédito de IPI ficto, decorrente da aquisição de insumos isentos do imposto. Diante da inexistência do direito material ao ressarcimento do crédito básico de IPI, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa à correção monetária e aos juros compensatórios, incluídas pela recorrente, em razão de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino. A despeito disto, é importante ressaltar que, sobre este matéria, o STJ decidiu nos dois RESPs abaixo citados (ambos os julgamentos submetidos ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008), cujos resultados são de adoção obrigatório por este Colegiado (Art. 62A do RICARF), que não incide correção monetária nos créditos do IPI aproveitados na forma prevista na legislação do imposto e somente quando há ato ilegítimo do Fisco se opondo ao aproveitamento do crédito é que incide a correção monetária. O primeiro caso é o RESP 1035847, cujo relator foi Min. Luiz Fux. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No segundo caso, falo do RESP 993164, cujo relator foi o Min. Luiz Fux, que resultou na Súmula 411, cujo julgado concluiu que: A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. No presente caso, não houve resistência ilegítima do Fisco porque o crédito pleiteado efetivamente não existe. Na hipótese de a presente decisão vier a sofrer reforma, em razão de Recurso Especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, para reconhecer o crédito pleiteado (total ou parcialmente), aí aplicase as decisões do STJ acima referidas. Registrese, por fim, que a Recorrente não segregou os insumos por tipo de desoneração do IPI (isento, alíquota zero ou não tributado). No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 11438DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.001099/200559 Acórdão n.º 3302002.238 S3C3T2 Fl. 9 8 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 11439DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 36630.000533/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulavam o lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulavam o lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 30 .0 00 53 3/ 20 07 -0 5 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36630.000533/200705 Resolução nº 2401000.299 S2C4T1 Fl. 331 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 14.338 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.011.2776. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de deixar de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os seguintes fatos geradores: a) pagamentos efetuados sob a rubrica “auxílio creche”, sem que o sujeito passivo demonstrasse o atendimento da norma que exclui a parcela do saláriodecontribuição; b) fornecimento de alimentação em pecúnia; c) pagamentos efetuados a administradores e autônomos; d) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho; e e) pagamentos decorrentes de reclamatórias trabalhistas. Apresentase planilha demonstrativa dos valores não declarados na GFIP. Entendendo que a empresa integrava grupo econômico, o fisco deu ciência, em 27/12/2006, às demais empresas do referido grupo da existência dos débitos lavrados contra a autuada e da responsabilidade tributária daquelas na qualidade de devedoras solidárias. Cientificada da lavratura em 18/12/2006, a empresa autuada apresentou impugnação, fls. 184/196, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que manteve integralmente a multa imposta (ver fls. 224/239). As demais empresas não se insurgiram contra a lavratura. Inconformada, a empresa autuada interpôs recurso, fls. 249/261, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o depósito recursal prévio é inconstitucional; b) o período da lavratura foi alcançado pela decadência; c) os pagamentos efetuados a título de auxílio creche e alimentação, ainda que efetuados em dinheiro não integram o saláriodecontribuição; d) as verbas citadas foram pagas em obediência ao disposto em Convenção Coletiva de Trabalho, não havendo qualquer ilegalidade no seu pagamento, que justificasse a tributação; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36630.000533/200705 Resolução nº 2401000.299 S2C4T1 Fl. 332 3 e) a presente autuação é uma repetição daquelas identificadas pelos DEBCAD 37.011.6950; 37.011.2709; 37.011.2776; 37.011.2725 e n. 37.011.2733, eis que os fundamentos são idênticos; f) a multa aplicada é confiscatória; g) as multas por falta de declaração dos autônomos e dos valores decorrentes de reclamatórias trabalhistas já foram exigidas em outras lavraturas; h) devese aplicar uma interpretação mais favorável ao sujeito passivo, conforme determina o CTN; Ao final, pede o cancelamento do AI. O julgamento no CARF foi convertido em diligência, fls. 268/274, para que se informasse a situação processual dos lançamentos para exigência da obrigação principal, correlatos com o AI sob cuidado. O órgão de origem apresentou manifestação às fls. 320/321, da qual foi dada ciência ao sujeito passivo, que se pronunciou para reiterar as alegações recursais. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36630.000533/200705 Resolução nº 2401000.299 S2C4T1 Fl. 333 4 Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de nova diligência fiscal Na resposta à diligência fiscal, ficou claro que os lançamentos conexos ao presente AI tiveram o seguinte destino: a) contribuições sobre faturas de cooperativas, declarada a decadência pelo Acórdão do CARF n.º 2401001.965 – 4.ª Câmara / 1.ª Turma Ordinária; b) contribuições sobre “auxílio creche”, “cestas básicas” e remunerações de contribuintes individuais, crédito declarado nulo, com recurso de ofício negado pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, mediante Acórdão n.º 20601.312, de 04/09/2008. Ocorre que a nulidade desse segundo processo foi decretada por vício formal, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo determinado a realização de nova ação fiscal com intuito de refazer a lavratura, conforme demonstra o despacho à fl. 290 do processo n.º 36630.0014670/200704. Nesse sentido, o presente processo deve ser apensado àquele correspondente a nova lavratura para tramitação conjunta, de modo a evitar decisões conflitantes entre feitos originados dos mesmos fatos geradores. Conclusão Voto pela conversão em diligência para que o presente AI passe a tramitar conjuntamente com o processo relativo ao AI lavrado em substituição ao de n.º 36630.0014670/200704. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 333DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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