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Numero do processo: 10930.720299/2011-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.137
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .7 20 29 9/ 20 11 -3 6 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 163 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 06.33930 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.301.5313 (parte patronal) e também o AIOP nº 37.301.5321 (Terceiros). Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O presente foi instruído após a lavratura dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP (DEBCAD acima citados) em que se exige da contribuinte acima identificada os créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias da empresa, parte patronal, incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (terceiros): 1. Referente à parte patronal, foi constituído o valor total de R$ 424.095,30, sendo R$ 181.242,63 de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, R$ 47.964,95 de juros de mora e R$ 194.887,72 de multa de ofício, conforme discriminado no demonstrativo Discriminativo do Débito DD, às fls. 135/167, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009. 2. Referente às entidades e fundos denominados “terceiros”, foi constituído o valor total de R$ 48.876,74, sendo R$ 7.923,75 de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, R$ 2.918,88 de juros de mora e R$ 27.574,73 de multa de ofício, conforme discriminado no demonstrativo Discriminativo do Débito DD, às fls. 181/190, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009. Os créditos tributários foram constituídos em virtude da exclusão da ora impugnante da sistemática do Simples Federal, bem como do Simples Nacional, por meio dos Atos Declaratórios Executivos (ADE) nº 14 e 15, de 18/03/2011, de emissão do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 109 a 131: 1. A empresa estava inscrita no Simples Federal desde 09/03/2000, e a partir de 01/07/2007, no Simples Nacional; 2. No entanto, ficou demonstrado que a impugnante era constituída por interpostas pessoas, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 164 3 ocultando o sócio de fato, conforme amplamente demonstrado na Representação Fiscal que embasou a decisão de exclusão do Simples/Simples Nacional; 3. Tal situação é impeditiva para a opção por este sistema diferenciado de tributação, constituindo afronta ao disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996 e, Lei Complementar nº 123, de 2006, artigo 16 e artigo 29, incisos IV; 4. A empresa, indevidamente inscrita no Simples/Simples Nacional, não efetuava os recolhimentos previdenciários da parte patronal e de outras entidades e fundos (terceiros) e, como conseqüência, foi lavrado o respectivo auto de infração para os lançamentos dos tributos devidos; 5. quanto ao recolhimento de contribuições previdenciárias descontadas dos segurados sob responsabilidade do sujeito passivo, estas foram declaradas em GFIP com o código de empresa pertencente ao Simples e Simples Nacional, ensejando a incidência de multa por descumprimento de obrigação acessória; 6. comparandose as multas incidentes às competências 01/2006 a 11/2008, onde foram entregues as GFIP com omissão de fatos geradores, aplicouse a mais benéfica ao contribuinte, que é, no caso, de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (Anexo IV planilha comparativa); 7. Havendo elementos de prova suficientes do intuito sonegador e da evidente intenção de fraude, conforme representação fiscal que é parte integrante dos autos de infração, nas competências com créditos tributários a partir de 12/2008, a multa de 75% foi duplicada, totalizando 150%, conforme determinações contidas no Inciso I e § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96; 8. em virtude das ocorrências verificadas durante o procedimento fiscal, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124, 134 e 135 do CTN, resultando na lavratura de Termos de Sujeição passiva Solidária em nome de João Roberto Viotto e Ângela Fernandes Viotto. O Relatório Fiscal, informa que o sujeito passivo foi excluído do SIMPLES FEDERAL bem como do SIMPLES NACIONAL pelos Atos Declaratórios Executivo nº 14 e 15, de 18/03/2011, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente. Em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2006 a 12/2009. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 24.03.2011,, via Aviso de Recebimento, conforme o relatório da decisão de primeira instância. A Recorrente apresentou Impugnação, com as seguintes alegações, principalmente a de que o processo administrativo nº 10930.720.282/201189, de exclusão do SIMPLES encontrase em fase de Recurso no âmbito do CARF: Em 24/03/2011, o contribuinte foi cientificado do lançamento por via postal vindo a impugnálo em 05/04/2011, alegando, em síntese, que a empresa foi excluída do regime diferenciado de tributação – Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 165 4 Simples/Simples Nacional – e, por conseqüência, mediante lançamento de ofício foi exigida a diferença de Contribuições Previdenciárias e demais reflexas. Informa que não há possibilidade de se constituir o crédito tributário enquanto não julgado o processo de exclusão do regime diferenciado de tributação, pois, caso a impugnante saia vencedora da situação em litígio, cairá por terra o lançamento de ofício e seus argumentos; Alega, ainda, a interessada, a nulidade da exclusão por ausência de provas quanto às situações jurídicas descritas e, por inaplicabilidade dos dispositivos legais mencionados, sendo que a autoridade fiscal intentou uma sanha desenfreada contra as empresas onde João Roberto Viotto e Ângela Fernandes Viotto são procuradores mandatários. Sustenta que ao fisco cabe provar a ocorrência dos fatos que afirma e que a outorga de procurações para que gerissem as diversas empresas do grupo não traduzem, nem induzem a interposição de pessoas. Argumenta que a conclusão da autoridade fiscal é desarrazoada e paradoxal já que inexiste impedimento à outorga do mandato, não havendo que se alegar acerca de interposição de pessoas; que não se pode esquecer que a interposição de pessoas somente se descortina quanto à finalidade, cujos efeitos recaem na supressão do pagamento de impostos, fato não caracterizado no presente caso. Afirma que no caso em análise não restou caracterizada a omissão de receitas e que o fato de outros gerirem a empresa não caracteriza a participação societária indireta ou oculta, pois os atos praticados representam mera gestão de negócios, o que encontra respaldo no artigo 653 do Código Civil Brasileiro de 2002. Fala na transferência da responsabilização solidária (art.135,II do CTN) e sustenta ter o fisco pecado ao transferir a responsabilidade aos procuradores a fim de excluir a pessoa jurídica do Simples, posto que não restou configurada eventual omissão de receitas e que, os fatos relatados constituem situações factuais não passíveis de sujeição tributária; que os desígnios traçados pelo legislador foi responsabilizar fatos jurídicos e não meramente econômicos; o que os procuradores fizeram foi dar fiel cumprimento ao mandato que lhes foi outorgado; que é inconcebível imputar a responsabilidade subsidiária a terceiro para alcançar o intento expropriatório. Transcreve vasta manifestação jurisprudencial e doutrinária sobre prova na responsabilidade de terceiros com base no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Na seqüência, procede à análise da responsabilidade tributária espelhada no artigo 124 do mesmo diploma legal, também acompanhada de jurisprudência e doutrina e, conclui que a exclusão da requerente ao Simples desprezou as balizas traçadas para desferir a titularidade plurisubjetiva de contribuintes, onde a eleição coparticipativa é natimorta na sua essência, uma vez que não houve o cometimento do dolo, fraude ou simulação na constituição empresarial, inexistindo qualquer interposição de pessoas (sócios ocultos), mas tão somente outorga representativa de mandado, conforme as leis civis, não havendo espaço jurídico para a aplicação do artigo 124, I do Código Tributário Nacional, tampouco os artigos Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 166 5 14, inciso IV da Lei nº 9.317, de 1996 e, artigo 29, inciso IV da Lei Complementar nº 123, de 2006. Impugna a qualificação da multa, haja vista não terem sido detectadas ou vislumbradas quaisquer omissões de receitas tributáveis, especialmente, as situações descritas no art. 957 do RIR/99. Justifica a afirmação dizendo que o lançamento versou apenas sobre as diferenças de valores das contribuições previdenciárias relativas à exclusão da impugnante do regime do Simples, e isto, por si só, não autoriza a qualificação da multa. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 06.33930 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 AIOP 37.301.5313 Patronal AIOP 37.301.5321 Terceiros EXCLUSÃO DO SIMPLES E CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO CONCOMITANTE. NULIDADE Efeito imediato da exclusão da empresa do SIMPLES é sua tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, de maneira que ao Fisco, tendo conhecimento da exclusão e da existência de créditos tributários não constituídos, resta obrigatória a sua constituição pelo lançamento. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Os elementos de prova que constam nos autos da intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco a fim de se beneficiar de regime de tributação diferenciado são suficientes para demonstrar fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 167 6 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 168 7 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 06.33930 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.301.5313 (parte patronal) e também o AIOP nº 37.301.5321 (Terceiros). Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O presente foi instruído após a lavratura dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP (DEBCAD acima citados) em que se exige da contribuinte acima identificada os créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias da empresa, parte patronal, incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (terceiros): 1. Referente à parte patronal, foi constituído o valor total de R$ 424.095,30, sendo R$ 181.242,63 de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, R$ 47.964,95 de juros de mora e R$ 194.887,72 de multa de ofício, conforme discriminado no demonstrativo Discriminativo do Débito DD, às fls. 135/167, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009. 2. Referente às entidades e fundos denominados “terceiros”, foi constituído o valor total de R$ 48.876,74, sendo R$ 7.923,75 de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, R$ 2.918,88 de juros de mora e R$ 27.574,73 de multa de ofício, conforme discriminado no demonstrativo Discriminativo do Débito DD, às fls. 181/190, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009. Os créditos tributários foram constituídos em virtude da exclusão da ora impugnante da sistemática do Simples Federal, bem como do Simples Nacional, por meio dos Atos Declaratórios Executivos (ADE) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 169 8 nº 14 e 15, de 18/03/2011, de emissão do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente. O Relatório Fiscal, informa que o sujeito passivo foi excluído do SIMPLES FEDERAL bem como do SIMPLES NACIONAL pelos Atos Declaratórios Executivo nº 14 e 15, de 18/03/2011, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente. Outrossim, A Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, dentre outros argumentos, o de que o processo administrativo nº 10930.720.282/201189, de exclusão do SIMPLES encontrase em fase de Recurso no âmbito do CARF. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento do processo administrativo nº 10930.720.282/201189, de exclusão do SIMPLES, posto que tal processo produz efeitos diretamente no presente processo nº 10930.720299/201136. Anotese ainda que a competência para o julgamento de processo de exclusão do SIMPLES é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2º, V, do Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Resolução nº 2403000.137 S2C4T3 Fl. 170 9 VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe o resultado final do julgamento do processo administrativo nº 10930.720.282/201189, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como, também informe se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000303/2008-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento fiscal afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação da Declaração de Ajuste Anual relacionada ao procedimento instaurado.
INFRAÇÃO APURADA EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE.
Caracterizada a infração à legislação tributária em procedimento de ofício, cabe a exigência do imposto e encargos legais, uma vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação da Declaração de Ajuste Anual relacionada ao procedimento instaurado. INFRAÇÃO APURADA EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE. Caracterizada a infração à legislação tributária em procedimento de ofício, cabe a exigência do imposto e encargos legais, uma vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. Recurso Voluntário Negado.
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CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação da Declaração de Ajuste Anual relacionada ao procedimento instaurado. INFRAÇÃO APURADA EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE. Caracterizada a infração à legislação tributária em procedimento de ofício, cabe a exigência do imposto e encargos legais, uma vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 03 03 /2 00 8- 89 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10325.000303/200889 Acórdão n.º 2801003.114 S2TE01 Fl. 51 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/FOR/CE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrada Notificação de Lançamento Imposto sobre a Renda de Pessoa Física TRPF, fls. 04/06, relativo ao anocalendário de 2006, exercício de 2007, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 16.879,60, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 03/04, foi: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pela:: fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DlfF) para titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 50.498,19, recebidos das fontes pagadoras relacionadas abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de RS 1.325,04. Fonte pagadora: Fundação de Apoio à Ciência c Tecnologia FACT CNPJ: 02.06 7.0 74/0001 70 Rendimento Omitido: RS 17.900,00 IRRFs/omissão: RS 11,68 Fonte pagadora: Secretaria de Estado da Educação CNPJ: 03.352.086/000100 Rendimento Omitido: R$ 10.649,40 IRRFs/omissão: RS 107,32 Fonte pagadora: Universidade Estadual do Maranhão CNPJ: 06.352.421/000168 Rendimento Omitido: RS 9.663,09 IRRF s/ omissão: RS 409,38 Fonte pagadora: Açailândia Prefeitura Municipal CNPJ: 07.000.288/000172 Rendimento Omitido: RS 9.762,98 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10325.000303/200889 Acórdão n.º 2801003.114 S2TE01 Fl. 52 3 IRRFs/omissão: RS 418,25 Fonte pagadora: Brasilprev Seguros e Previdência S/A CNPJ: 27.665.207/000131 Rendimento Omitido: RS 2.522,72 IRRFs/omissão: RS 378.41 Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 05/06. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 11/02/2008, fl. 19, a contribuinte apresentou impugnação em 10/03/20C8, fls. 01/02, com as alegações a seguir, parcialmente, transcritas: "KARLA JANYES LIMA NASCIMENTO (...) (...) DO DIREITO Sendo o Imposto de Renda Pessoa Física um Tributo que deve ser deduzido dos vencimentos do trabalhador empregado, entendo que onerálo na fonte pagadora e posteriormente, no momento da declaração, seria um grave confronto ao princípio do non bis in idem. Outro falo não menos relevante a ser destacado é a total ausência do animus de sonegar os valores alegados. Se tal fato ocorrera, devese somente ao fato de acreditar que, sendo os valores alvos da notificação repassados a mim com os valores já deduzidos na fonte, desnecessário seria declarálo em momento posterior. DO PEDIDO Portanto senhor julgador, venho humildemente solicitar de vossa senhoria que faça uma reavaliação de minha situação e me desonere do valor cobrado na presente notificação. Caso vossa senhoria entenda não ser possível a desoneração dos valores, solicito que a mim seja estendida a possibilidade de retificar a declaração que deu origem ao débito, com a devida exclusão da multas e da correção aplicada, para que eu faça jus as deduções de direito visto ser eu arrimo de família e arcar com as despesas por demais onerosas que esta condição me impõe, como por exemplo o pagamento de plano de saúde privado, custas com ensino particular e aluguel de imóvel residencial. Sou conhecedora que o ESTADO só consegue desenvolver suas políticas públicas com a participação ativa de seus cidadãos. A participação dos contribuintes no financiamento destas políticas é essencial. Reforço a tese de que em momento algum houve a intenção, o animus de sonegar, de privar os mais necessitados das políticas estatais. Embora a carga tributaria seja por demais onerosa, acredito que a participação cidadã dos contribuintes Fl. 52DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10325.000303/200889 Acórdão n.º 2801003.114 S2TE01 Fl. 53 4 seja fundamental para diminuir as desigualdades. Se não houve o animus, naturalmente também não há que se falar em dolo. Acredito ser uma medida rigorosamente excessiva aplicar uma penalidade a quem em momento algum teve a intenção de prejudicar o ESTADO.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 27/37, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual.. Os rendimentos decorrentes do trabalho com ou sem vínculo empregatício são tributados mensalmente, à medida em que esses forem auferidos e, posteriormente, na declaração de ajuste anual MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa da lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. JUROS DE MORA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Por falta de competência, excetuada a situação de erro de fato, o julgador da DRJ não pode apreciar pedido de retificação de declaração, mormente se o pedido objetiva alteração de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independa da intenção do agente. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10325.000303/200889 Acórdão n.º 2801003.114 S2TE01 Fl. 54 5 Regularmente cientificada daquele acórdão em 01/04/2011 (fl. 42), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 43/47, no qual reitera os argumentos expendidos na notificação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento da apuração de omissão de rendimentos recebidos das seguintes fontes pagadoras: Fundação de Apoio à Ciência c Tecnologia FACT (RS 17.900,00), Secretaria de Estado da Educação (R$ 10.649,40), Universidade Estadual do Maranhão (RS 9.663,09), Açailândia Prefeitura Municipal (RS 9.762,98) e Brasilprev Seguros e Previdência S/A (RS 2.522,72). Na análise dos argumentos da recorrente resta incontroverso que ela é a beneficiária dos rendimentos em apreço. A decisão recorrida muito bem registrou que tais rendimentos são tributados mensalmente à medida em que forem auferidos e, posteriormente, estão sujeitos ao ajuste anual, consoante legislação de regência. Na espécie, cabe à contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Esclareçase que, antes de iniciado pela fiscalização o procedimento para lançamento de ofício do imposto devido, poderia a recorrente ter efetuado a retificação de sua declaração, amparandose no instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), para reparar o erro cometido no preenchimento da declaração. No entanto, tal medida não adotou, conforme se verifica nos autos. Importa, ainda, ressaltar que a responsabilidade por infrações à legislação tributária não depende da intenção do agente, conforme o art. 136 do Código Tributário Nacional. Com efeito, a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, neste caso, essa multa é devida. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10325.000303/200889 Acórdão n.º 2801003.114 S2TE01 Fl. 55 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726351/2011-72
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 51 /2 01 1- 72 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de auto de infração (fl. 40) lavrado em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade do lançamento e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0639.989, de 27 de março de 2013 (fls. 46/50), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 54), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726351/201172 Acórdão n.º 1803001.843 S1TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou as DCTFs antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10865.908847/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Matéria que não tenha sido expressamente contestada não integra o litígio.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3802-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Mara Cristina Sifuentes, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Matéria que não tenha sido expressamente contestada não integra o litígio. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Mara Cristina Sifuentes, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 47 /2 00 9- 64 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 90 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao princípio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o princípio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN nº 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei nº 9.715, de 1998: “aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995” sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.º 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória nº 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 91 3 temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar nº 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP nº 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP nº 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP nº 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o princípio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos.” A DRJ de Ribeirão Preto decidiu não conhecer da manifestação de inconformidade em acórdão, cujas ementa e parte dispositiva tiveram a seguinte redação: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório não Reconhecido. Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da manifestação de inconformidade. Cientifiquese a interessada. Sem direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais” A decisão pela impossibilidade de interposição de recurso ao CARF baseou se nas seguintes palavras do relator: “Em conseqüência, também, o mérito da compensação não poderá ser levado à discussão no órgão superior de jurisdição administrativa. Por não ter havido préquestionamento na peça impugnatória, os argumentos submetidos à primeira instância determinam os limites do litígio. Conseqüentemente, a matéria Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 92 4 não impugnada tornase definitiva na esfera administrativa e os débitos declarados na Declaração de Compensação objeto deste processo tornamse imediatamente exigíveis, consoante entendimento jurisprudencial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF que teve seguimento negado pela DRF de origem, com fundamento na decisão da DRJ, no art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Diante disto, impetrou ação de mandado de segurança, na qual obteve concessão da segurança, pela qual foi determinado que a DRF desse seguimento ao recurso voluntário, remetendoo ao CARF para análise, e que suspendesse a exigência do crédito tributário em virtude da pendência do recurso administrativo. No recurso voluntário, a recorrente alega o mesmo que alegara na manifestação de inconformidade, com a seguinte alteração. Ao pedir, em preliminar, a anulação do despacho decisório da DRF Limeira, no recurso voluntário, a recorrente diz que aquela unidade da RFB não homologou a compensação com fundamento na decadência do crédito. O argumento de que a DRF Limeira não homologou a compensação por que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMP não está presente no recurso. Acrescenta que a decisão da DRJ não contém os fundamentos legais para a não homologação nem fundamentos relativos ao mérito da discussão. Pede a anulação do processo desde o despacho decisório ou a anulação da decisão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator Sobre a competência do CARF O Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF tem competência para julgar recurso voluntário de decisão administrativa de primeira instância em processos de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, conforme arts. 25, II, e 37 do Decreto 70.235, de 1972, e art. 1º, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Decisão que julgue improcedente manifestação de inconformidade contra a nãohomologação de compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pode ser objeto de recurso ao CARF, conforme parágrafo 10 deste artigo 74, devendo ser obedecido o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 93 5 A contribuinte tem o direito de recorrer ao CARF; e este, o dever de julgar seu recurso, ainda que perempto, em obediência ao art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, não obstante a decisão de primeira instância ser considerada definitiva se esgotarse o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto, conforme dispõe o art. 42, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, em que o recurso voluntário é tempestivo, a representatividade está demonstrada nos autos e a matéria e o valor discutidos estão na competência desta turma especial, devemos submetêlo a julgamento. Sobre os fundamentos do despacho decisório. O processo se iniciou com pedido da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. A RFB constatou que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no despacho decisório, de cujo quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” extraio o seguinte trecho: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada ... Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Logo, a decisão da DRF contém sim os fundamentos para a não homologação da compensação declarada. E este fundamento, ao contrário do alegado no recurso voluntário, não é a decadência do crédito. Transcrevo, novamente, o seguinte trecho, extraído do relatório do voto condutor da decisão recorrida, que demonstra que também a DRJ identificou os fundamentos da nãohomologação: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 94 6 contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”.[Sublinhei e negritei.] No início do voto, assim se manifestou o relator: “Tratase de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação relativa ao período de apuração 30/04/2004. De posse das informações declaradas pela própria contribuinte na DCTF, a decisão administrativa certificou razões para não homologar a compensação declarada, diante da inexistência de crédito consignado na DCOMP, porquanto restar configurado sua vinculação integral em débito confessado em DCTF.”[Negritei.] Sobre os fundamentos da decisão da DRJ. A 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto decidiu não conhecer da manifestação de inconformidade com base no seu conteúdo e na lei. O voto cita o art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 333 do Código de Processo Civil, que estabelecem o ônus de comprovar as alegações, não se admitindo a mera alegação e a negação geral. Transcreve o art 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, e ementas de decisões exaradas pelo 1º Conselho de Contribuintes que amparam o entendimento segundo o qual a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação não se considera impugnada. No final do voto, o relator do acórdão recorrido adverte para o fato de que o mesmo crédito pretendido pela contribuinte havia sido utilizado integralmente várias vezes para compensar outros tributos em 7 diferentes processos. Logo, a decisão da DRJ contém os fundamentos para o não conhecimento da manifestação de inconformidade. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 95 7 Sobre as contestações da contribuinte Em nenhum momento deste processo, a contribuinte contestou expressamente a afirmação contida no despacho decisório de que o pagamento informado como indevido ou a maior foi utilizado para quitar tributo devido. Também em nenhum momento, juntou documentos que comprovassem a existência de algum recolhimento de tributo indevido ou a maior. Todos os argumentos do recurso voluntário, que também constaram da manifestação de inconformidade, conforme observado pelo relator do acórdão recorrido, não têm nenhuma ligação com os fatos deste processo ou com o período de apuração a que se referem. Em especial: i) não está em discussão o prazo decadencial, seja para pleitear direito creditório seja para formalização de lançamento; ii) o pagamento que a recorrente alegou indevido ou a maior referese ao período posterior a 1998, logo, toda argumentação sobre eventual vaccacio legis entre 10/1995 e 10/1998 não é pertinente ao caso. Os fundamentos da decisão de primeira instância administrativa também não foram expressamente contestados. Uma vez que, cientificada do despacho decisório e do acórdão da DRJ, logo, conhecedora das razões que levaram à nãohomologação da compensação declarada e ao não conhecimento da manifestação de inconformidade, a contribuinte não contestou expressamente os fundamentos destas decisões nem apresentou documentos que pudessem servir para isto, aplicamse ao caso as seguintes disposições do Decreto nº 70.235, de 1972, norma com status de lei que rege o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União e que se aplica ao caso, por força do art. 74, §§ 9º a 11, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” “Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10865.908847/200964 Acórdão n.º 3802001.826 S3TE02 Fl. 96 8 ...” “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Assim, correta a decisão da DRJ que considerou não impugnada a matéria e não conheceu a manifestação de inconformidade. Considerando que o CARF não pode decidir contrariamente ao disposto nos artigos transcritos, tendo em vista o art. 62 do Anexo II do RICARF, e que a recorrente não contestou expressamente os fundamentos da decisão que não homologou a compensação declarada, nem juntou provas da existência do crédito alegado, e que todos os argumentos apresentados no recurso voluntário são alheios à matéria discutida, voto por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 16327.002794/2003-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL.
A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA.
Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/SP nº 180.137.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/SP nº 180.137. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 27 94 /2 00 3- 54 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Por descrever os fatos com clareza e fidelidade, adoto o relatório do acórdão de primeira instância: “Em decorrência de auditoria interna realizada na DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, referente aos 1º, 2º e 3º Trimestres de 1998, foi lavrado o auto de infração cuja cópia encontrase às fls. 28 a 41, do qual a contribuinte foi cientificada em 23/07/2003, conforme documentos de fls. 89 e 90, exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de (omissis...). 2. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 30), a autuação referese à “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III”. Fundamentação Legal: PIS – código 4574: arts 1º e 3º, § 2º, da Lei Complementar 07/70, art. 1º da Lei nº 9.249/1995, Emenda Constitucional nº 17/97, arts 1º, 2º e 4º da MP nº 1617/97 e reedições, arts 1º, 2º e 4º da MP nº 1674/9853 e reedições; Multa vinculada: art. 160 da Lei nº 5.172/1966; art. 1º da Lei nº 9.249/1995; art. 44, inciso I e § 1º, I, da Lei nº 9.430/1996; Juros de Mora: art. 160 da Lei nº 5.172/1966, art. 43, parágrafo único, da Lei nº 9.430/1996; art. 9º da Lei nº 10.426/2002. 2.1. O Anexo I do Auto de Infração (fls. 32 a 34)– referese ao “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados” e dele se extrai que os valores referentes aos P.A.’s 0101/ 1998 e 0102/ 1998 declarados como estando com a exigibilidade suspensa não foram confirmados pela seguinte ocorrência “Proc Jud de outro CNPJ”; que os valores referentes aos P.A.’s 0103/ 1998 a 0108/ 1998 referemse a “Comp c/DARF s/Processo” explicitados nos Anexos Ia (fls. 35/37). Assim, consoante Anexo III – “Demonstrativo de Crédito Tributário a Pagar” (fl. 38), os valores cobrados no auto de Infração em apreço são os seguintes: (omissis...) Irresignada com o lançamento, a interessada apresentou, em 22/08/2003, a impugnação de fls. 03 a 15 em que alega, que: os valores que estão sendo exigidos foram declarados em DCTF como estando com sua exigibilidade suspensa por força do mandado de segurança n° 97.00591328, sendo que a simples análise da petição inicial daquele "writ", em que consta o número de seu CNPJ, já evidencia ser a Impugnante parte daquele feito, em que se discute a contribuição ao PIS no período da autuação (doe. 03). Por outro lado, as compensações declaradas em DCTF ocorreram efetivamente com os pagamentos indicados; a nulidade do auto de infração lavrado, por absoluta falta de motivação, posto que não poderia jamais ter simplesmente desconsiderado as informações expressamente indicadas sem qualquer justificativa para tanto ou intimação prévia da ora Impugnante para esclarecimentos; não pode prevalecer o crédito tributário nos termos em que constituído pelo auto de infração lavrado uma vez que a suposta obrigação tributária relativa aos meses de janeiro a junho/98 está extinta em razão da decadência que se operou, posto que passados mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, restando, assim, impedida a Fazenda Nacional de efetuar o seu lançamento, por força do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; os valores exigidos relativamente aos meses de março a agosto/98, em razão da ocorrência "comp. c/pagto não localizado", não podem prevalecer uma vez que Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002794/200354 Acórdão n.º 3403002.419 S3C4T3 Fl. 5 3 todos os pagamentos 'supostamente' não localizados foram efetuados, conforme se verifica dos documentos comprobatórios (04 a 06); a exigência de multa de ofício de 75% sobre os valores relativos aos meses de competência de janeiro e fevereiro/98 viola o artigo 63 da Lei n° 9.430/96, sendo que todos os valores lançados foram devidamente declarados em DCTF; na remota hipótese de serem os juros considerados devidos, jamais poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto.” Por meio do Acórdão 38.312, de 26 de abril de 2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo I, julgou parcialmente procedente a impugnação, com os seguintes fundamentos: 1) Foi afastada a preliminar de nulidade, sob a justificativa de que o auto de infração não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do PAF, uma vez que a defesa entendeu o teor da acusação e apresentou defesa robusta atacando os fundamentos da autuação; 2) Foi rechaçada a alegação de decadência com base no art. 150, § 4º do CTN, em relação aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 1998. Entendeu a turma de julgamento que no caso concreto deve prevalecer a regra do art. 173, I, do CTN, por se tratar de lançamento de ofício e por não ter ocorrido o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º, do CTN; 3) Em relação à ocorrência “Proc. Jud de outro CNPJ”, a DRJ entendeu que o contribuinte figura como autor no mandado de segurança 97.00591328, mas as peças dos autos judiciais trazidas ao processo não são suficientes para comprovar que a decisão tenha transitado em julgado favoravelmente ao contribuinte. Além disso, o provimento judicial foi para “recolher” o PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70, mas não consta nos autos prova de que o PIS tenha sido recolhido nos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 1998. O contribuinte sucumbiu na referida ação; 4) Em relação à ocorrência “Comp. C/pagto não localizado”, nos meses de março a agosto de 1998, os documentos juntados aos autos revelam que ou o pagamento efetuado estava alocado inteiramente para a quitação de débitos referentes a períodos de apuração anteriores ou então que o pagamento se referia a débito de outro contribuinte; 5) Foi excluída a multa de ofício com base na aplicação do princípio da retroatividade benigna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e mantida a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Regularmente notificado daquele acórdão em 14/05/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 149 a 164 em 13/06/2012, no qual reprisou e reforçou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. A simples leitura do relatório torna flagrante a improcedência do auto de infração eletrônico. O fato de a DRJ ter consignado em seu acórdão que a autuação teve como lastro a ocorrência “Proc. Jud. de outro CNPJ”, em lugar de “Proc. Jud. não comprovad.”, como consignado no auto de infração (fl. 32) em nada altera a conclusão deste voto. E a conclusão só pode ser pela improcedência do ato administrativo de lançamento, que no caso concreto, decorre de vícios formais e materiais. O auto de infração decorreu de revisão interna de DTCF e foi elaborado em 17/06/2003 (fl. 29) e notificado ao contribuinte em 23/07/2003 (fl. 89). Nessa ocasião, já estava em vigor o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 abril de 2002, cuja redação original estabelecia o seguinte: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: (...)” Grifei. Tendo sido detectadas nas DCTF as ocorrências “Proc. Jud não comprovad” e “Comp. C/pagto não localizado”, que significam que o contribuinte não estaria ao abrigo de medida judicial para deixar de recolher o tributo e que os DARF que foram vinculados às compensações não teriam sido localizados no sistema de controle de pagamentos, era dever legal da administração intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos e somente depois disso, se fosse o caso, lavrar o auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Esse vício formal de procedimento, acabou acarretando o vício material do qual decorre a improcedência do lançamento pelo mérito. Isto porque o contribuinte, além de ter comprovado a existência do mandado de segurança nº 97.00591328, comprovou também que na época da apresentação das DCTF estava amparado pela medida judicial que o autorizava a efetuar o recolhimento com base na LC nº 7/70, conforme fls. 42/64, fato constatado e comprovado pela DRJ nas fls. 91 a 101. Já quanto à ocorrência “Comp. C/pagto não localizado”, as próprias telas do sistema juntadas pela autoridade administrativa às fls. 115 a 120 desmentem o motivo da autuação. Como se pode alegar que os pagamentos não foram localizados no sistema, se as telas do sistema com os aludidos pagamentos estão anexadas ao processo? Entretanto, diante dessas constatações, em vez de julgar o lançamento improcedente, resolveu a DRJ alterar os motivos da autuação. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002794/200354 Acórdão n.º 3403002.419 S3C4T3 Fl. 6 5 No que tange à ocorrência “Proc. Jud não comprovad”, a DRJ suscitou os seguintes motivos para manter a autuação: a) os documentos apresentados não comprovam o trânsito em julgado da decisão; b) o contribuinte teria sucumbido em face do agravo de fls. 97 a 102; e c) que o pedido na ação era para recolher o PIS com base na LC nº 7/70 no período de 01/07/1997 a 23/02/1998, mas não consta dos autos nenhum recolhimento para os meses de janeiro e fevereiro de 1998, nem com base na LC nº 7/70 e nem com base na EC nº 17/97. E no que tange à ocorrência “Comp. C/pagto não localizado”, a motivação passou de pagamentos não localizados, para pagamentos (existentes) que estavam alocados para a quitação de débitos anteriores do próprio contribuinte ou que se referiam a pagamentos efetuados por outros contribuintes. Ora, mas esses dois motivos invocados no voto da DRJ são os motivos que deveriam ter constado inicialmente do auto de infração, caso a autoridade administrativa tivesse se desincumbido do dever legal estabelecido no art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise daí, que o vício de procedimento (falta de intimação prévia determinada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002), acarretou a falsa causa do auto de infração, conforme comprovado pela documentação anexa ao processo. Leciona Hely Lopes Meirelles que “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, os motivos reais que deveriam ter rendido ensejo ao auto de infração foram aqueles mesmos invocados pela DRJ em sua fundamentação. Entretanto, o ato administrativo em julgamento é o auto de infração, que em razão do vício de procedimento acabou sendo lastreado em falsas causas. É certo que o contribuinte deve os valores consignados nas DCTF, mas não pelos motivos invocados no auto de infração, que se revelaram inexistentes. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 14098.000423/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
Recurso Voluntário Provido.
A norma que prevê a exclusão das contribuições para plano de previdência complementar do salário-de-contribuição não exige que haja proporcionalidade entre a contribuição e a remuneração do empregado ou mesmo que os aportes ao plano sejam isonômicos para todos os beneficiários.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. PAGAMENTOS RELATIVOS A CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS IMPROCEDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA.
Impossível exigir acréscimos legais sobre valores relativos a contribuições declaradas improcedentes.
Numero da decisão: 2401-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INOCORRÊNCIA. No caso sob apreciação não ocorreu a desconsideração do plano de previdência complementar instituído pela empresa em benefício dos seus empregados, mas apenas a imposição de consequências tributárias em razão do fisco haver entendido que não houvera sido cumprida a norma que afasta a tributação sobre as contribuições vertidas ao plano previdenciário. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. FALTA DE PROPORCIONALIDADE ENTRE O VALOR DA CONTRIBUIÇÃO E O SALÁRIO DO EMPREGADO E ISONOMIA ENTRE TODOS OS EMPREGADOS QUANTO AOS APORTES AO PLANO. INEXISTÊNCIA DESSES REQUISITOS NA NORMA QUE EXCLUI A RUBRICA DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A norma que prevê a exclusão das contribuições para plano de previdência complementar do saláriodecontribuição não exige que haja proporcionalidade entre a contribuição e a remuneração do empregado ou mesmo que os aportes ao plano sejam isonômicos para todos os beneficiários. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PAGAMENTOS RELATIVOS A CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS IMPROCEDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA. Impossível exigir acréscimos legais sobre valores relativos a contribuições declaradas improcedentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 04 23 /2 00 8- 68 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000423/200868 Acórdão n.º 2401003.167 S2C4T1 Fl. 590 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 20.904 de lavra da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.7110. No presente crédito foram incluídas as contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além de diferenças de juros e multa verificadas em recolhimentos efetuados fora do prazo legal. De acordo com o relatório fiscal, fls. 107/117, os fatos geradores foram os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo aos segurados empregados a título de participação nos lucros, todavia, foram contabilizados como desembolso para plano de previdência complementar. O fisco asseverou que os pagamentos em questão não foram calculados com base na renda individual dos segurados, como forma de complementar o benefício de aposentadoria, mas foram definidos em razão dos resultados obtidos pela empresa. Afirmase ainda que os pagamentos não atendem às exigências da Lei n. 10.101/2000 (Lei da PLR). A auditoria afirmou também que em relação a esses pagamentos há uma grande discrepância entre os valores percebidos pelos ocupantes de cargos gerenciais e os demais empregados, demonstrandose que não havia tratamento equânime entre todos os trabalhadores a serviço da empresa. Noticiase que era condição para percepção do benefício a permanência na empresa por pelo menos um ano, fato que leva à conclusão de que o benefício não era extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais pelo fato da empresa, em tese, haver incorrido no ilícito penal de sonegação de contribuições sociais, por não haver declarado os fatos geradores em questão na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Cientificada da exação, em 18/12/2008, o sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 350/395, na qual, inicialmente relata os fatos processuais verificados no presente feito. A seguir, passa a fazer considerações acerca dos planos de benefícios vinculados a entidades abertas de previdência privada, fazendo menção ao plano por ele contratado com o HSBC Seguros (Brasil) S.A. São apresentados nesse momento aspectos da legislação aplicável e textos doutrinários. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Asseverou que uma vez instituído um plano de previdência complementar, nos moldes da Lei Complementar n. 109/2001, os valores destinados a seu custeio não sofrem a incidência de quaisquer contribuições previdenciárias. Sustentou que a condição expressa no art. 28, § 9. , alínea “p" da Lei n.º 8.212/1991, após a promulgação da referida Lei Complementar, somente é aplicável aos planos de benefícios de entidades fechadas, não alcançando o plano contratado pela autuada, posto que é administrado por uma entidade aberta. Mencionou as características de seu plano de previdência, para concluir que, estando este em consonância com as determinações legais, é improcedente a tentativa de fazer incidir contribuições previdenciárias sobre os valores destinados pela empresa para constituir o fundo acumulado. A autuada afirmou que as contribuições vertidas para o fundo de previdência complementar não representam retribuição pelo trabalho, tampouco podem ser caracterizadas como habituais, assim, a presunção pretendida pelo fisco contraria não só as normas de tributação previdenciária, mas também o disposto no art. 142 do CTN, uma vez que não restou comprovada a ocorrência do fato gerador. Apresentou decisões administrativas em que são declarados improcedentes lançamentos em que não se comprova a ocorrência dos fatos geradores. Repisou o argumento de que a alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 foi revogado tacitamente pelo § 1. do art. 69 da Lei Complementar n. 109/2001, em relação aos planos de benefícios de entidades abertas de previdência complementar. A empresa asseverou que a suposta ausência de finalidade previdenciária do plano não se sustenta. Primeiro porque o art. 2. da Lei Complementar citada não exige que o valor das contribuições vertidas aos planos de previdência complementar, correspondam a parcela da renda individual do empregado. A única exigência legal é a de que as contribuições sejam realizadas de forma a permitir a execução dos planos de caráter previdenciário. Além de que, sustenta, a alegação do fisco não condiz com a realidade, posto que o valor das contribuições realizadas pela autuada era composto das seguintes parcelas: a) salário nominal, extensível a todos os empregados e dirigentes; b) parcela fixa, também extensível a todos os empregados e dirigentes; e c) parcela variável, para aqueles cujo benefício demanda incremento para possibilitar a manutenção de sua situação econômica atual e era atrelada ao resultado financeiro favorável da empresa. Asseverou que não procede o argumento de que haveria tratamento desigual entre os participantes do plano. É que o tratamento dado a todos os trabalhadores a seu serviço era uno, devendo a suposta desproporção entre as contribuições ser creditada a situações em que empregados iniciaram as atividades no decorrer do ano ou se desligaram antes do seu término, gerando pagamentos proporcionais ao número de meses trabalhados. Por outro lado, as contribuições adicionais eram destinadas as contas dos trabalhadores que ocupavam cargos de gestão, de modo a preservar o equilíbrio financeiro e atuarial do plano e da situação econômica dos beneficiários. Alegou também que não deve prosperar o argumento da auditoria de que o plano não seria extensível a todos os empregados e dirigentes. É que, nos anos de 2005 e 2006, Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000423/200868 Acórdão n.º 2401003.167 S2C4T1 Fl. 591 5 o documento citado pelo fisco não apresenta um empregado sequer que tenha deixado de participar do plano. Para os pagamentos efetuados em 2003 e 2004, somente não foram incluídos os empregados que foram admitidos em dezembro ou que não estavam prestando serviço à autuada, quando do pagamento. Ainda que não citado pelo fisco, a possibilidade de resgate dos valores depositados nada mais representa do que a rescisão unilateral do contrato por parte do trabalhador, não havendo alteração na natureza jurídica da verba. Isso porque o contrato firmado entre a empresa e a entidade de previdência privada prevê tal possibilidade e esse expediente não é vedado pela legislação. Reforça que, em relação aos planos de entidades abertas, a Lei Complementar n. 109/2001 foi expressa ao permitir que, independentemente do alcance dos planos de benefícios a elas vinculados, as contribuições vertidas não são objeto de incidência tributária (art. 69, § 1. ). Advoga que, por se tratar de negócio jurídico decorrente da vontade das partes e vinculado à observância das normas regulamentares expedidas por órgãos competentes, ao fisco só caberá desconsiderar a natureza do plano ou da contribuição destinada à previdência privada complementar se restasse comprovado pela autoridade administrativa competente o desrespeito a alguma norma regulamentadora de tais institutos, o que não ocorreu no presente caso. A desconsideração do seu plano, alegou, é carente de fundamentação jurídica, posto que a Autoridade Lançadora não apontou qualquer desvio de conduta da impugnante quanto às disposições contidas no contrato de previdência complementar. Afirma que não se poderia ser aplicada para desconsideração do plano a norma do parágrafo único doa art. 116 do CTN, posto que não foi apresentada nenhuma evidência de que tenha ocorrido simulação. Além de que o citado dispositivo para ter eficácia depende de lei ordinária que o regulamente, a qual não foi ainda editada. As contribuições pagas pela autuada relativas aos valores destinados ao plano de previdência são indevidas e merecem ser compensados ou restituídos, jamais ser objeto de imposição de acréscimos legais, cujos percentuais sequer foram apresentados. O limite da multa a ser aplicada é de 20%, além de que não há motivo legal que permita a cobrança da multa de ofício progressiva em razão do tempo e da fase processual do débito. Afirmou ser incabível a aplicação da taxa SELIC para fins tributários. Contestou a inclusão dos sócios no polo passivo do lançamento fiscal. Ao final, requereu a extinção do crédito tributário ou a imediata exclusão dos sócios do polo passivo da exigência. A DRJ julgou improcedente a impugnação, ver fls. 516/525. Para o órgão recorrido, a imposição do tempo de serviço como condição para participar do plano de previdência representa uma limitação, que confirma que o benefício não Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 era extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Afastou, assim, a aplicação da norma desonerativa. Entendeu a DRJ que a alínea “p” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 é norma especial que trata do custeio da Seguridade Social, portanto, convive em harmonia com a regra geral prevista na Lei Complementar n. 109/2001. Foram ainda afastados os argumentos relativos à aplicação dos acréscimos legais, sob a justificativa de que os mesmos foram impostos em sintonia com a legislação de regência. Asseverou o órgão recorrido que os representantes legais da empresa não estariam no polo passivo do lançamento, tendo a lista que os relaciona apenas caráter informativo. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 529/560, alegando que é nula a decisão de primeira instância por não enfrentar todas as questões apresentadas na impugnação, mormente acerca dos esclarecimentos prestados relativamente à natureza dos planos de previdência firmados pela recorrente. Asseverou ainda que a nulidade da decisão recorrida devese também a suposta falta de comprovação da hipótese de incidência tributária. No mais, repete os argumentos lançados na defesa e pede a declaração de improcedência da lavratura fiscal. É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000423/200868 Acórdão n.º 2401003.167 S2C4T1 Fl. 592 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade da decisão recorrida Alegou o sujeito passivo que a decisão da DRJ seria nula por não ter apreciado todos os argumentos constantes da impugnação, bem como, por não ter demonstrado a ocorrência da hipótese de incidência tributária para fundamentar a manutenção do lançamento. Comecemos pelo segundo ponto. Ao analisar a principal questão da lide, a incidência de contribuições sobre os pagamentos efetuados pela empresa para aporte no plano de previdência privada contratado para seus trabalhadores, o órgão de primeira instância entendeu que deveria haver a incidência de contribuições previdenciárias, em razão dos pagamentos haverem sido feitos ao arrepio da norma que desonera tais parcelas da tributação para a Seguridade Social. Essa manifestação da DRJ, em hipótese alguma, pode ser tida como causa de nulidade, mas se refere a uma questão de mérito, cuja decisão desse colegiado pode ser pelo acatamento ou não do que ficou decidido em primeira instância. Assim, esse ponto do recurso será tratado no enfrentamento do mérito da contenda, afastandose a pretensa nulidade por esse fundamento. Quanto à nulidade por falta de enfrentamento de todos os argumentos veiculados na defesa, é tese que também não merece sucesso. É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Portanto, descabe a alegação de nulidade pelo fato do órgão recorrido supostamente não ter enfrentado todas as alegações apresentadas pelo sujeito passivo na sua defesa. Incompetência do fisco para descaracterizar o plano de previdência complementar A alegação de que a Receita Federal não possui competência para descaracterizar plano de previdência privada regularmente contratado tem razão de ser. De fato, não é atribuição do fisco declarar a ilegalidade desses contratos de natureza civil. Ocorre que, no caso presente, inexiste qualquer espécie de descaracterização de plano de previdência privada. Tal plano permanece, antes e depois da ação fiscal, produzindo os mesmos efeitos jurídicos contratados pelas partes envolvidas. A incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa para custeio de plano de previdência privada em proveito de seus empregados apenas produz consequências tributárias, não irradiando quaisquer efeitos jurídicos à seara civil relativa ao liame ajustado entre a autuada e a instituição de previdência privada. Portanto, inexistiu na espécie a desconsideração do plano contratado pela empresa. Plano de Previdência Complementar A princípio cabe elencar os motivos que levaram o fisco a considerar como saláriodecontribuição as contribuições da empresa vertidas para o plano de previdência complementar. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000423/200868 Acórdão n.º 2401003.167 S2C4T1 Fl. 593 9 No entender da Autoridade Lançadora, o fato das contribuições individuais da empresa para o plano não guardarem relação com a remuneração dos beneficiários seria indicativo do caráter não previdenciário do plano, fato que representaria contrariedade à norma. Verificando o diploma que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar – a Lei Complementar n. 109/2001, não localizei nenhum dispositivo que impusesse a obrigatoriedade de que as contribuições vertidas pelos empregadores para os seus planos de previdência guardassem proporcionalidade com a remuneração dos empregados. Por outro lado, analisando o documento que trata da política de previdência privada do grupo empresarial do qual faz parte a autuada, fls. 453/458, pude verificar que as contribuições eram repassadas ao plano da seguinte maneira: 2. Do numerário a ser repassado • Os sócios em conjunto com os diretores definirão anualmente o valor a ser pago, o qual terá como base os resultados obtidos pela empresa; • Os valores definidos serão pagos a 100% (cem por cento) de seus empregados de acordo com as regras préestabelecidas pela empresa, e não integrarão aos salários. 3. Critérios de Pagamento do Beneficio • Os valores terão como base o tempo de serviço prestado para a empresa por cada empregado: o empregado que tiver 01 (um) ano ou mais tempo, terá direito a 01 (um) salário nominal; o empregado que tiver menos de 01 (um) ano de empresa, o valor será proporcional de acordo com o número de avos de direito. • Os sócios poderão definir também que além de pagar um salário nominal ou proporcional ao empregado, pagar ainda um valor adicional a este, sendo este segundo somado ao primeiro e creditado também via Previdência Privada aos empregados, levando em consideração neste caso, ou seja, para o pagamento do referido valor adicional, os resultados obtidos no exercício, após criteriosa análise; • Os empregados com cargos de gestão terão o valor definido a critério da empresa, de acordo com o desempenho funcional de cada um. Percebese que a empresa contribuía com uma parcela fixa, correspondente a um salário nominal ou fração deste (no caso dos empregados com menos de um ano de atividade); uma parcela variável, esta relacionada ao resultado obtido no exercício e um adicional, este destinado apenas aos ocupantes de cargos gerenciais, a qual tinha como critério o desempenho funcional do empregado. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 De se concluir que, pelo menos na parcela fixa, havia uma proporcionalidade entre a contribuição da empresa para o plano e o salário do beneficiário, portanto, descabe a conclusão do fisco de que o plano não teria caráter previdenciário em razão dos aportes não terem correlação com a remuneração dos trabalhadores. Outra justificativa do fisco para tributar a verba é que haveria grande desproporção entre as contribuições destinadas aos trabalhadores em geral e as relativas aos gerentes. Essa justificativa não encontra amparo na legislação. Inexiste na Lei Complementar n. 109/2001 determinação para que as contribuições sejam vertidas de forma isonômica para todos os trabalhadores. Observese que a empresa alerta que a suposta discrepância apontada pelo fisco devese ao perfil dos empregados, principalmente os ocupantes de cargos de gestão, os quais eram agraciados com uma parcela adicional, para garantir o futuro benefício compatível com o seu padrão salarial. Essa mesma conclusão pode ser extraída do Acórdão n. 2402001.291, de 21/10/2010, em que a turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do sujeito passivo para declarar improcedentes as contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de previdência complementar, no qual não havia proporcionalidade entre os valores destinados às contas de todos beneficiários. Na ocasião, o Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira pronunciouse: “Quanto ao mérito, em síntese, verificamos que o motivo do Fisco conceituar os valores pagos a título de previdência complementar pela recorrente a seus segurados foi a desproporcionalidade nos pagamentos, inclusive em situações em que os segurados apresentam mesmo patamar salarial. A recorrente contesta essa exigência, pois, segundo seus instrumentos de contestação, a única exigência da Lei para que esses valores não integram o SC é que o plano deve estar disponível a totalidade dos segurados. (...) A interpretação literal limitase ao texto legal, não cabendo maiores discussões sobre os diversos significados que uma palavra ou uma expressão podem ter. Portanto, tanto para os contribuintes quanto para o Fisco, não há como interpretar a legislação que concede isenção de maneira que não seja literal. Assim, como na legislação há como única condição para o usufruto d isenção que o a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível totalidade de seus empregados e dirigentes, e, como no presente caso, há a disponibilização de um único plano a todos os empregados, não há como tributar esses valores”. A luz desse entendimento, devese ser afastado o argumento de que a verba deva ser tributada em razão de desproporção da contribuição efetuada pela empresa para todos os segurados. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000423/200868 Acórdão n.º 2401003.167 S2C4T1 Fl. 594 11 A falta de disponibilização do plano a todos os empregados e dirigentes foi outra causa que levou o fisco a tributar os valores relativos ao plano de previdência privada. A empresa assevera que para os exercícios de 2003 e 2004 somente não foram contemplados os segurados contratados no mês de dezembro ou que tenham se desligado da empresa. De fato, essa justificativa está em consonância com as determinações contidas no citado plano de pagamento de previdência privada. Ali se determina que o pagamento seria feito a 100% dos empregados e que a parcela relativa a 1 (um) salário nominal seria creditada para os empregados com menos de um ano de empresa de forma proporcional. Assim, logicamente não fariam jus à verba aqueles que foram admitidos no mês de dezembro. Quanto aos exercícios de 2005 e 2006, a recorrente afirma que o fisco não apontou nenhum segurado que tenha sido excluído do plano. Analisando os anexos colacionados pelo fisco, foi possível verificar que foram relacionados os segurados com os valores recebidos a título de previdência privada, todavia, não se mencionou qualquer segurado que tenha deixado de ser contemplado. Feito esse apanhado, já se pode concluir que os aportes da empresa para o plano de previdência complementar instituído para o seu quadro funcional não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, posto que o plano atende ao disposto na alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, ou seja, foi disponibilizado a todos os seus empregados. Levantamento DAL Esse levantamento abarca as diferenças de acréscimos legais para as Guias da Previdência Social GPS pagas no dia 10/04/2008, as quais, segundo o sujeito passivo, dizem respeito a recolhimentos indevidos sobre as parcelas pagas a título de aporte ao plano de previdência privada. Afirma que, sendo improcedentes as contribuições, não caberia a imposição dos acréscimos, mas a restituição ou compensação dos valores. Inicialmente cabe ressaltar que a repetição do suposto indébito não pode ser tratada no presente processo, mas deveria ter sido requerida à administração tributária em processo autônomo. Todavia, observase dos discriminativos que acompanharam o AI que os recolhimentos em questão foram considerados pelo fisco na apuração, o que me leva a concluir que se acatou o argumento de que as contribuições referemse aos fatos geradores contemplados no lançamento. Forçoso concluir que, sendo improcedentes as contribuições, não há de incidir qualquer acréscimo sobre os valores recolhidos para quitálas, posto que os valores passam a se constituir em pagamentos indevidos. Concluise, assim, que deve ser afastado também o levantamento DAL. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 600DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13896.909040/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, deve-se sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada.
Numero da decisão: 3803-004.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, devese sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 90 40 /2 00 9- 70 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 314 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos por SND Distribuição de Produtos de Informática Ltda. contra o Acórdão nº 380303.468, de 23 de agosto de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O presente processo originarase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pelo contribuinte supra identificado, relativo a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, no montante de R$ 13.455,65, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 20.911,43. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação oportunamente, alegando que até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo decidido não reconhecer o direito creditório por falta de prova, não tendo sido autorizada a dilação de prazo para apresentação de documentos e indeferido o pedido de perícia. Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, (i) a necessidade de realização de perícia ou diligência, (ii) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; (iii) o direito à compensação da contribuição derivaria do fato de que as receitas financeiras haviam sido incluídas indevidamente na base de cálculo e (iv) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria (alargamento da base de cálculo), retirando do ordenamento jurídico o art. 3º e § 1º da Lei nº 9.718/1998. Posteriormente à apresentação do recurso, o Recorrente trouxe aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 315 3 Em 23 de agosto de 2012, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380303.468, decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, tendo ficado vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Na ocasião, fez sustentação oral o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. No voto condutor do acórdão, constaram as razões de indeferimento do pedido de perícia, assim como o fato de que, em razão da apresentação, somente em grau de recurso, dos fundamentos de defesa quanto à natureza do direito creditório, tal matéria não seria apreciada, por se encontrar preclusa, pelo fato de não ter sido exposta na primeira instância administrativa, nos termos exigidos pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Como até a impugnação, o contribuinte não havia se pronunciado sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido, essa matéria foi considerada não controvertida nos autos, tornandose não passíveis de apreciação na segunda instância administrativa. Ainda de acordo com o relator, restara controvertido nos autos apenas a existência ou não de um recolhimento do tributo a maior, o pedido de diligência/perícia, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados. Cientificado da decisão desta 3ª Turma Especial em 19 de novembro de 2012, o contribuinte interpôs embargos de declaração no dia 23 do mesmo mês, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, alegando a ocorrência de omissão, contradição e de obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 316 4 a) tendo a Turma Especial se manifestado pela preclusão do seu direito de prova, prevalecera na ocasião, aparentemente, a interpretação literal e mais severa do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, posição essa já superada na jurisprudência do CARF e no Poder Judiciário; b) constou do acórdão embargado apenas o voto vencedor, da lavra do conselheiro relator, tendo sido omitida as razões que conduziram o voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, situação esta que inquinaria de nulidade o acórdão, por preterição do direito de defesa e por ausência de motivação. O voto vencido deve ser juntado aos autos, oportunizandose a reabertura de prazo para defesa (novos embargos de declaração); c) o acórdão não foi suficientemente claro a respeito das razões que levaram o relator a negar provimento ao recurso, em preliminar e no mérito, o que reclamaria o saneamento da decisão; d) a parte dispositiva do acórdão mereceria ajustes quanto às conclusões do voto vencido, pelo fato de ali ter constado que o conselheiro Juliano Eduardo Lirani teria se abstido de votar o mérito, mas teria votado pela conversão do julgamento em diligência, situação essa que demandaria esclarecimentos quanto ao conhecimento ou não do recurso, total ou parcial, à ausência de pronúncia quanto aos demais tópicos suscitados no recurso; e) necessidade da Turma esclarecer o que entende como mérito do recurso, se abrange também o pedido de exame da prova documental; f) existência de contradição entre as razões do voto condutor, a parte dispositiva do voto e a ementa, que pareceriam indicar a inclinação do relator pelo não conhecimento do recurso, por entender tratarse matéria preclusa, enquanto que, ao final, restara decidido o não provimento do recurso nessa parte; g) a diligência requerida, considerada pelo relator como hipótese de inversão do ônus da prova – a despeito de qualquer previsão nesse sentido –, é instituto regularmente disciplinado do Regimento Interno do CARF (arts. 18, I, 50, § 2º, e 58, § 9º) e no Decreto nº 70.235/1972, tratandose de instrumento eficaz e imprescindível à formação do livre convencimento do julgador administrativo que, mesmo na instância revisional, não se encontra submetido às limitações próprias do processo judicial no que diz à apreciação da prova; h) a conversão do julgamento em diligência é também decorrência direta da garantia constitucional do direito de defesa, até por força do que prevê o art. 38, § 2º, da Lei nº 9.784, de 1999, e atende o fim precípuo do lançamento, que é o de constituir somente o crédito efetivamente devido; i) a conversão do julgamento em diligência jamais importará em inversão do ônus da prova em desfavor do Fisco, pois o processo administrativo é inquisitório e o ato administrativo deve ser motivado; j) o laudo contábil apresentado é idôneo e preciso, tendo sido produzido por auditoria independente, sendo, portanto, imparcial; k) não é dever do contribuinte produzir prova negativa ou prova impossível, mas sim demonstrar que a exigência padece de vícios; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 317 5 l) necessidade de recebimento dos embargos de declaração com efeitos modificativos ou infringentes, porquanto assim se encontra autorizado pela interpretação extensiva da lei, bem como pela jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF), para correção de premissa equivocada. Por fim, requereu o Embargante que os embargos fossem recebidos e providos, inclusive em seus efeitos infringentes, de modo a sanar a omissão e esclarecer as obscuridades, bem como corrigir a equivocada premissa em que se fundou a decisão embargada, com modificação da parte dispositiva do acórdão, para dele constar o provimento do recurso no que tange ao pedido de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Nesse mesmo sentido, afirma Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração não visam à reforma do acórdão ou da sentença, admitindose a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as funções dos embargos de declaração “são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão”, não servindo “para forçar o ingresso na instância especial” 2. Conforme já decidiram o Supremo Tribunal Federal (STF) 3 e o STJ4, somente em casos excepcionais, quando a decisão embargada encontrase em total dessintonia com a matéria fática presente nos autos, contendo vícios insanáveis decorrentes da inexistência 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004, p. 560 e ss. 2 Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo De Instrumento nº 659677, processo: 200500270696SP, Primeira Turma: 28/06/2005. 3 ARE 738259 AgRED / DF DISTRITO FEDERAL, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, j. 18/06/2013, Segunda Turma; RE 372975 AgRED / SP SÃO PAULO, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 21/05/2013, Segunda Turma; ARE 664537 AgR ED / BA BAHIA, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 16/04/2013, Segunda Turma etc. 4 EDcl no AgRg no HC 183515 / DF, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS 2010/01590664, Relator(a) Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, j. 20/06/2013 etc. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 318 6 das premissas da decisão ou desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação, vislumbrase a possibilidade de se acolherem os embargos de declaração com efeitos infringentes. A par dessas considerações, verificase, de pronto, que o Embargante postou se assaz reativo aos fundamentos engendrados no voto condutor do acórdão embargado, pretendendo, por via oblíqua, alcançar a reapreciação da matéria litigada na mesma esfera em que decidida. Conforme se demonstrará na seqüência, não se trata o presente caso de hipótese excepcional a exigir a aplicação de efeitos infringentes aos embargos com vistas à prolação de novo acórdão. Registrese, de início, que o Embargante cometera um equívoco ao requerer a juntada aos autos do voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, pois, no acórdão embargado, o voto do relator restou vencedor, não se aplicando ao caso, por total incompatibilidade, a designação de outro conselheiro para a redação de um outro voto, não importando de que natureza. De acordo com o § 1º do art. 63 do Regimento do CARF5, a figura do voto vencido ocorre nos casos em que o voto do relator não obtém a adesão da maioria da turma julgadora, restando, por conseguinte, vencido, decorrendo dessa hipótese a necessidade de se designar um outro conselheiro para redigir o voto vencedor. Contudo, essa hipótese não ocorreu neste processo, pois, conforme acima já dito, o voto do relator, ou seja, do conselheiro para quem o processo fora sorteado, foi acompanhado pela maioria, excetuandose o já citado conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, diferentemente dos demais membros da turma que decidiram por não prover o recurso voluntário, votou pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos solicitados pelo então Recorrente. Esclareçase que inexiste no Regimento Interno do CARF, ou mesmo no Decreto nº 70.235, de 1972, previsão de juntada de um voto específico contendo as posições dos conselheiros que restaram vencidos no acórdão, havendo, no máximo, a previsão de declaração de voto, mas de caráter facultativo, a depender do interesse do conselheiro vencido em demonstrar a posição por ele defendida, conforme se depreende do contido no art. 63 e §§ do Regimento do CARF. Nesse sentido, não tendo o conselheiro vencido se predisposto a apresentar declaração de voto, a ausência desta no acórdão embargado não pode ser considerada causa de anulação ou de declaração de nulidade da decisão, uma vez que esta, conforme acima apontado, fora formalizada em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal. 5 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 319 7 Se o conselheiro vencido votara pela conversão do julgamento em diligência, não se pronunciando sobre o teor e a extensão dessa medida, logicamente que essa diligência só pode ser aquela requerida pelo então Recorrente. Não se pode perder de vista que a referida diligência fora matéria vencida por ampla maioria, não gerando qualquer efeito jurídico no presente processo a descrição pormenorizada dos procedimentos que, caso tivesse sido vencida a tese, deveriam ser observados em sua realização. Ainda mais por se tratar de pedido do próprio Recorrente, encontrandose o objeto da lide, nessa matéria, restringido pelo que fora arguido pela parte interessada. No que tange à decisão contida no acórdão embargado quanto à preclusão processual, nada há a reparar, pois tal matéria foi extensivamente abordada no voto do relator, tendo siso apontadas as razões de fato e de direito em que se pautara, bem como os dispositivos legais aplicáveis. O fato de o interessado não concordar com a tese vencedora, mesmo que amparado em posições doutrinárias e/ou jurisprudenciais, não é razão suficiente para que se reaprecie a matéria, dada a inocorrência de qualquer vício a reclamar por reforma. No que se refere ao pedido do Embargante de esclarecimentos quanto ao que a turma considera preliminar ou mérito, e se este abrange também o pedido de exame da prova documental, registrese que, conforme o próprio Embargante apontara em sua peça recursal, o voto condutor do acórdão embargado fora didaticamente elaborado, enfrentandose de início a preliminar de nulidade arguida e, na seqüência, o mérito do recurso, encontrandose abrangido por este toda a matéria enfrentada a partir de então, tudo em conformidade com o art. 59, caput, e § 1º, do Regimento Interno do CARF6. Por outro lado, em um ponto, assiste razão ao Embargante, pois, de acordo com o entendimento externado no parágrafo anterior, por se tratar o pedido de diligência de questão de mérito, não poderia ter constado do resultado do julgamento a afirmativa de que o conselheiro vencido havia se abstido de votar o mérito e ao mesmo tempo votado pela conversão do julgamento em diligência, dada a total incompatibilidade das duas asserções. Essa contradição deve ser reformada. Quanto à alegada contradição entre a decisão de não se conhecer dos argumentos de defesa trazidos aos autos somente em sede de recurso, por preclusão processual, e a conclusão do acórdão embargado de negar provimento ao recurso, conforme se demonstrará a seguir, ela também não merece acolhida. Conforme se verifica do relatório supra, assim como do acórdão embargado e do conteúdo dos embargos ora analisados, para além dos elementos fáticos e das razões de direito considerados preclusos, se encontravam controvertidas nos autos apenas as questões relativas à existência de um pagamento a maior – e aqui merece o destaque que tal possibilidade pode não depender do fundamento de direito da ocorrência desse pagamento a maior, pois este poderia decorrer de mero erro no preenchimento do DARF ou de erro na declaração do valor da contribuição na DCTF – , do pedido de diligência/perícia e da apresentação extemporânea de prova, tendo sido os pedidos correlatos a essas questões não 6 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1° Rejeitada a preliminar, o conselheiro vencido votará o mérito. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 320 8 acolhidos pela turma, nos termos extensivamente expostos no voto condutor do acórdão embargado. Uma vez que os novos argumentos trazidos aos autos somente em sede de recurso não compunham a lide, pois, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada pela impugnação/manifestação de inconformidade, temse que as outras questões apreciadas, que restaram controvertidas – prova e diligência –, uma vez denegadas, reclamavam uma conclusão contendo a negativa do recurso então interposto, conforme efetivamente se deu. A extensa exposição acerca da preclusão processual justificavase, também, para se fundamentar a negativa à apresentação de documentos a posteriori, matéria essa que compunha o mérito então apreciado, em razão do já dito neste voto quanto à formação da lide no momento da impugnação e ao trânsito em julgado de matéria não impugnada. Por outro lado, há que se ponderar que o acórdão embargado poderia ter especificado, além da negativa do recurso na parte controvertida, o não conhecimento das outras questões consideradas preclusas. Contudo, a falta de agir nesse sentido não importa em omissão ou contradição no acórdão embargado, pois, como se constata de muitas decisões do Poder Judiciário, a negativa de provimento do recurso pode abranger a preclusão processual, conforme se verifica, exemplificativamente, das decisões reproduzidas a seguir: STF. AI 769955 AgR / MG, Relator Min. Gilmar Mendes, j. 04/02/2010, Tribunal Pleno. Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Ausência de peça obrigatória à formação do instrumento (art. 544, § 1º, CPC). Cópia da procuração outorgada aos patronos da parte agravante. 3. Ônus de fiscalização da parte agravante. Precedentes. 4. Juntada extemporânea. Desconsideração. Preclusão consumativa. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) STF. AI 824256 AgR / PR, Relator Min. TEORI ZAVASCKI, j. 19/02/2013, Segunda Turma Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO, BEM COMO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 454/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 93, IX, DA CF. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. OFENSA AOS ARTS. 5º, LIV, E 105, III, “A”, DA CF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (grifei) Com base nos excertos supra, constatase que a preclusão processual pode ser abrangida pela decisão de se negar provimento ao recurso, ainda mais quando esta abarca, também, pedidos conhecidos mas não acolhidos pela turma. Por fim, quanto ao pedido de diligência formulado no recurso voluntário, nos termos do art. 18, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, ele se submete ao juízo da autoridade julgadora administrativa quanto à sua Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 3803004.374 S3TE03 Fl. 321 9 necessidade, imprescindibilidade e praticabilidade, devendo ser indeferido o pedido que não se enquadre nessas hipóteses. No presente processo, conforme constou do voto condutor do acórdão embargado, por se tratar de pedido de restituição e declaração de compensação formulados pelo próprio contribuinte, o ônus da prova a ele compete, pois se refere a informações e documentos presentes em sua contabilidade e em seus controles e arquivos internos, não se podendo transferir ao julgador administrativo a tarefa de buscar tais dados, pois, assim agindo, estarseá, efetivamente, invertendo o ônus da prova, daí a negativa do pedido de diligência. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, para excluir do resultado do julgamento do acórdão nº 380303.468 a expressão “abstendose de votar o mérito”, resultado esse que passará a ter o seguinte teor: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que votou por converter o julgamento em diligência.” É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.912684/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 26 84 /2 00 9- 11 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9a Turma da DRJ Campinas (fls. 45/51 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O crédito reclamado no presente litígio diz respeito a suposto pagamento indevido da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no montante de R$ 311,69. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica diante da não confirmação do crédito informado, “[...] tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação do débito do contribuinte”. Em sua manifestação de inconformidade, alegou a interessada que deixou de retificar a DCTF do período em que havia realizado o pagamento indevido, ato que caracteriza como mero erro de forma, o qual, segundo entende, seria incapaz de invalidar ou inutilizar o crédito da empresa. Alicerçase em doutrina e jurisprudência e proclama não ter sido evidenciado nenhum prejuízo para o Erário. Requer, finalmente, o cancelamento da exigência e a dilação de prazo (em até dez dias) para a juntada de documentos (cópia da DIPJ, da DCTF original e das memórias de apuração dos créditos aduzidos pela empresa). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/05/2012 (fls. 55). Inconformada, a mesma apresentou, em 11/06/2012, o recurso voluntário de fls. 58/69, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, e que, ao Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.912684/200911 Acórdão n.º 3802001.932 S3TE02 Fl. 73 3 contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, juntara aos autos “documentação que demonstra de forma patente a existência e a suficiência do crédito utilizado pela empresa na DCOMP indevidamente nãohomologada”. Protesta pela juntada posterior de documentos e requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 11/05/2012 (fls. 55). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/06/2012, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Aduz, ainda, que incorrera em mero erro de forma, o qual seria incapaz de invalidar o crédito da empresa. Informa haver juntado aos autos documentação comprobatória do direito e que, mesmo diante da ausência de retificação da DCTF, não houve qualquer prejuízo para o Erário, não podendo, pois, a pessoa jurídica ser compelida a responder por créditos tributários já devidamente adimplidos junto ao fisco federal. Não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação como o presente a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado na primeira instância. De fato, muito embora o sujeito passivo tenha requerido dilação de prazo para a juntada de documentos, nenhuma comprovação do reclamado direito creditório foi acostada aos autos. É do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. E é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Finalmente, quanto à citada inexistência de prejuízo para o Erário, tal argumento, para ser considerado correto, exigiria fosse demonstrado o pagamento indevido, este, sim, o foco central em que se examinam pedidos como o presente, cujo indébito não foi minimamente demonstrado, como já ressaltado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 20 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905872/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 58 72 /2 00 9- 67 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905872/200967 Acórdão n.º 1803001.667 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de declaração de compensação, transmitida em 09/02/2009, pela empresa recorrente em retificação de PER/DECOMP transmitida anteriormente em 25/01/2006, na qual indicou crédito de R$ 40.303,79, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita d código 2362, do período de apuração de 04/2005, no valor originário de R$ 437.463,00. A Delegacia de origem asseverou que "analisadas as informações no PER/DCOMO por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresentou suas razões em impugnação alegando que mesmo tendo indicado em sua DCTF o montante de R$ 342.430,06 como valor devido a título de estimativa de IRPJ no mês de abril de 2005, a recorrente equivocadamente efetuou o recolhimento, via DARF, no valor de R$ 437.463,00, gerando assim um crédito em seu favor, o qual se pretende compensar. Atenta para o fato de que o montante a título de estimativa de IRPJ do mês de abro de 2005 foi expressamente indicado não apenas em DCTF, como também na DIPJ 2006. A empresa recorrente refere que a sistemática do recolhimento do IRPJ sob o regime de estimativa encontrase definido na Lei 9.430/96, especificamente em seu art. 2, do qual se extrai que se considera como valor devido a título de estimativa de IRPJ o resultado da aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previamente estabelecidos. Prossegue aduzindo que o resultado desse cálculo deve ser recolhido pela empresa, e comporá, no final do ano calendário, o ajuste anual, ocasião em que se verificará se há valor remanescente a ser recolhido ou saldo negativo passível de restituição/compensação. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905872/200967 Acórdão n.º 1803001.667 S1TE03 Fl. 113 3 Atenta para o fato de que ao se considerar que o valor devido a título de estimativa mensal não é arbitrariamente estipulado pela empresa, sendo na verdade resultado de um cálculo realizado mediante aplicação de critérios definidos em lei, temse como claro que apenas o valor obtido após a realização do referido cálculo pode ser utilizado para composição quando do ajuste anual. Assim, quaisquer valores recolhidos pela empresa a maior dos valores indicados como estimativa mensal em suas Declarações ao Fisco, devem ser tratados como verdadeiro crédito contra o Fisco. A empresa recorrente cita a IN n.600/05, art. 10, que disciplinou o entendimento no sentido de que pode haver compensação entre os valores indevidamente recolhidos a título de estimativa mensal, e o eventual valor a recolher apurado quando do ajuste. No caso em tela, a recorrente afirma que na apuração do ajuste anual, verificou a existência de um valor remanescente devido a título de IRPJ e optou por utilizar o pagamento a maior realizado a título de estimativa do mês de abril de 2005 a fim de deduzir, mediante compensação, do valor devido a título de IRPJ quando do ajuste anual. A recorrente cita jurisprudência e requer a homologação, já que inequívoco o crédito que se pretende ver compensado e legítimo o procedimento adotado. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento e sua integralidade. Aduz que as jurisprudências listadas pela empresa recorrente não constituem normas complementares e cita o art. 100, II do CTN e o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971. Em ato contínuo, o julgador a quo refere, quanto à declaração de compensação, que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19962, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905872/200967 Acórdão n.º 1803001.667 S1TE03 Fl. 114 4 oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Cita o RIR a esse respeito. Explica o julgador que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência – de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete – com o tributo já recolhido). Atenta que ao final do ano calendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Cita Instruções Normativas. Observa o julgador que excepcionalmente e exclusivamente para aqueles períodos em que não há ou houve vedação pela legislação tributária é que a repetição pretendida poderá recair diretamente sobre créditos decorrentes de estimativas mensais, mas que para tanto deverá a empresa provar o efetivo recolhimento da estimativa, bem como que as receitas que a ensejaram foram levadas à composição da base de cálculo do tributo anual, que o valor recolhido a título de estimativa, em sendo o caso, excedeu o determinado pela legislação aplicável e, ainda, que tal valor não foi levado à composição do saldo do tributo apurado ao final do ano calendário. Assim, em tais hipóteses refere o julgador de primeira instância ser indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões de inconformidade em seara de recurso voluntário. Alega em sua defesa o já disposto em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905872/200967 Acórdão n.º 1803001.667 S1TE03 Fl. 115 5 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de declaração de compensação, transmitida em 09/02/2009, pela empresa recorrente em retificação de PER/DECOMP transmitida anteriormente em 25/01/2006, na qual indicou crédito de R$ 40.303,79, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita d código 2362, do período de apuração de 04/2005, no valor originário de R$ 437.463,00. A empresa recorrente contrapõese à decisão de primeira instância de forma tempestiva. De fato, entendo que a decisão proferida pela instância a quo deve ser revista, vez que levou em consideração as Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, que restaram prejudicadas com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. A empresa entende que os valores recolhidos a maior indicados como estimativa, devem ser tratados como verdadeiro crédito, tal como possibilita a IN 900 e também a Súmula CARF n°84: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório. (assinado digitalmente) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905872/200967 Acórdão n.º 1803001.667 S1TE03 Fl. 116 6 Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 35366.000561/2007-29
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2006
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
TERCEIROS
As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
SEBRAE EXIGIBILIDADE
.O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana, Campos de Carvalho Cruz , Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2006 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana, Campos de Carvalho Cruz , Bianca Delgado Pinheiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2006 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar JUROS/SELIC AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 05 61 /2 00 7- 29 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana, Campos de Carvalho Cruz , Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 174 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 26/09/2006 e cientificada ao sujeito passivo através de Registro Postal em 29/06/2006, referese a diferenças de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviço à empresa no período de 01/2005 a 02/2006 e foram apuradas através de ação fiscal específica para batimento de informações prestadas pela empresa em GFIP e os valores efetivamente recolhidos em GPS, conforme relatório fiscal de fls. 26/28. Após a impugnação, onde o notificado alega: Vícios formais a caracterizarem a nulidade do lançamento, pela: a) precária fundamentação legal; b) falta de peças indispensáveis à instrução da NFLD, MPF e TIAF; c) falta de fundamentação legal (alínea) para a cobrança do SAT; e e) existência de incidência na NFLD sobre parcelas indenizatórias, que pretende provar na fase de dilação probatória; 3.2. Inconstitucionalidades na tributação: 1 da ilegitimidade da cobrança do SAT; 2 do INCRA; 3 do SEBRAE; 4 de Terceiros; 3.3. Contesta a aplicação dos acréscimos legais, SELIC e multa; 3.4. Propugna pela obrigatoriedade de julgamento da inconstitucionalidade da legislação pela a administração pública DecisãoNotificação de fls. 68/73, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde reitera as razões já expostas: a) a existência de vícios formais que caracterizam a nulidade do lançamento pela precária fundamentação legal; b) que no caso das contribuições para as terceiras entidades os fundamentos legais se referem à MP 222/04, que não mais existia no mundo jurídico porque convertida na Lei n.º 11.098/05, portanto deve ser retificado o Relatório de Fundamentos Legais; c) a falta de fundamentação legal é vício insanável tornando nulo o lançamento; d) falta de peças indispensáveis à instrução da NFLD, MPF e TIAD; e) a existência de contribuições cobradas sobre parcelas indenizatórias, sendo imperiosa a necessidade de Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 retificação da NFLD para excluir valores de férias indenizadas, 1/3 de férias indenizadas, férias proporcionais, 1/3 de férias proporcionais e vale refeição; f) que é ilegítima a cobrança do SAT porque adveio por Decreto; g) a inconstitucionalidade da cobrança do INCRA e do SEBRAE; h) a ilegitimidade da cobrança de contribuições devidas aos terceiros, porque o INSS não recebeu regular atribuição legal para arrecadar e fiscalizar tais contribuições; i) inconstitucionalidade da SELIC e a inaplicabilidade da multa porque tem caráter punitivo e a recorrente não agiu de má fé, nem sonegou os cofres públicos; j) que a inconstitucionalidade das leis deve ser apreciada pela esfera administrativa. Requer o reconhecimento da nulidade da NFLD e o cancelamento definitivo do débito. A Delegacia da Receita Previdenciária ofereceu as contrarrazões opinando pela manutenção da decisão recorrida, aduzindo que do exame dos documentos trazidos aos autos é de se ver que não há parcelas indenizatória relativas a férias e valerefeição na base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas. Os autos foram à Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que converteu o julgamento em diligência através da Resolução de fls. 143/146, para que o Fisco se manifeste acerca das alegações quanto à verbas indenizatórias, já que a recorrente não teve ciência das contrarrazões que analisou o caso. Informação Fiscal de fls. 166/168, traz que a ação fiscal limitouse ao batimento GFIPxGPS, que os valores lançados obedeceram ao que foi informado pela recorrente em GFIP; que caso tivesse informado valores indenizatórios, deveria ter retificado as GFIP’s. Completa a informação dizendo que quando da ação fiscal específica para batimento de valores declarados com valores recolhidos, não examinou as folhas de pagamento da empresa o que o fez agora, quando da diligência, informando assim que as bases de cálculo de férias indenizadas, 1/3 de férias indenizadas, férias proporcionais e 1/3 de farias proporcionais não integraram o salário de contribuição declarado pela recorrente em GFIP. Que o lançamento não contém verbas indenizatórias. Que , inclusive o lançamento foi efetuado a menor porque a recorrente não considerou a rubrica adicional de férias como base contributiva previdenciária. A recorrente foi cientificada do teor da diligência fiscal efetuada e não se manifestou, de forma que os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 175 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Preliminarmente, não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à alegada falta de instrução da Notificação com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 176 7 a recorrente não possui razão, porque compulsando os autos é de se ver que às fls. 22, consta o MPF assinado pelo Gerente da empresa, Sr. Ruy Rodrigues Nunes e às fls. 23, consta o TIAD, também assinado pela mesma pessoa, tornado inócuas as assertivas da recorrente. No que se refere às Terceiras entidades, de acordo com o artigo 94 da Lei n.º 8.212/91, o INSS tinha a competência de arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas por lei a terceiros. Com a edição da Lei n.º 11.098/2005, passou ao Ministério da Previdência Social a competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento e foi autorizada a criação da Secretaria da Receita Previdenciária. Posteriormente, com a Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, ocorreu a fusão entre a Secretaria da Receita Federal (SRF) e a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), sendo criada a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, a Lei n.º 11.457/2007, em seu artigo 3º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil para planejar , executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros, mediante retribuição do percentual de 3,5% do montante arrecadado: Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Portanto, o crédito referente às contribuições arrecadadas para as Terceiras entidades está bem suportado na legislação vigente à época do fato gerador, não incorrendo em qualquer ilegalidade. Também não cabe a argüição de nulidade do lançamento porquanto para as terceiras entidades os fundamentos legais se referem à MP 222/04, que não mais existia no Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 mundo jurídico porque convertida na Lei n.º 11.098/05, eis que o Discriminativo de Fundamentos Legais do Débito, fls. 17 faz referência à MP222/04, posteriormente convertida na Lei n.º 11.098/2005. Quanto ao mérito, a notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Além do que, a diligência efetuada no curso do processo administrativo confirmou a inexistência de verbas indenizatórias nos valores lançados, do que a recorrente teve regular ciência e não se manifestou. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 177 9 Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 178 11 norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 179 13 Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Em relação às contribuições destinadas ao SEBRAE as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 180 15 O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35366.000561/200729 Acórdão n.º 2302002.626 S2C3T2 Fl. 181 17 acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Por derradeiro, quanto à alegação de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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