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Numero do processo: 10880.903975/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 39 75 /2 00 9- 23 Fl. 93DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista o preenchimento indevido da DCTF. Diante do equívoco a Recorrente efetuou a retificação da DCTF, informando os valores corretos e a existência do crédito tributário a que teria direito. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter apresentado cálculos a fim de demonstrar a composição do erro com as respectivas explicações, se o valor errado foi descontado na folha de salários e constou no Informe de Rendimentos. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.903975/200923 Acórdão n.º 2201004.962 S2C2T1 Fl. 79 3 dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Fl. 95DF CARF MF 4 Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portanto, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário proválo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Sendo assim, ante a falta de comprovação dos créditos a que alega ter direito, não há como concluir pela legitimidade do crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.903975/200923 Acórdão n.º 2201004.962 S2C2T1 Fl. 80 5 Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.904996/2009-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o fito de se confirmar (ou não) se houve dois pagamentos de DARF no valor de R$ 15.016,57, código de receita 1097, efetuados em 14/01/2005 e 31/01/2005.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
RELATÓRIO
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FASZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o fito de se confirmar (ou não) se houve dois pagamentos de DARF no valor de R$ 15.016,57, código de receita 1097, efetuados em 14/01/2005 e 31/01/2005. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO Tratase de Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório eletrônico (fl. 21), que indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação declarada no PERDCOMP de fls. 02/05, transmitido em 07/10/2005, porque o valor pleiteado foi inteiramente utilizado na quitação de débitos confessados pela contribuinte. Irresignada, a empresa apreen tou impugnação (fls. 25), na qual requer a reconsideração do pedido de compensação, alegando que ao elaborar o PER/DCOMP informou erroneamente o vencimento do IPI no DARF, pois onde constava vencimento em 14/01/2005, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 04 99 6/ 20 09 -6 9 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10805.904996/200969 Resolução nº 3001000.166 S3C0T1 Fl. 3 2 deveria constar vencimento em 31/01/2005; e que o valor pago a maior ocorreu no DARF pago em 31/01/2005, juntado aos autos. Com os fundamentos de fls. 49/50, a autoridade recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, com fundamento no art. 116III da Lei 8.112, e na Portaria MF 341/2001, combinado com o disposto no art. 77 da IN/SRF 900/2008, e arrematou (fls. 50), verbis. Como a interessada solicita textualmente, somente agora, nesta manifestação de inconformidade, retificar o PER/DCOMP entregue em 17/02/2005, esta retificação, em função do disposto na norma acima, não pode ser aceita, porque a interessada já foi cientificada do despacho decisório elaborado pela DRF/Santo André. Regularmente intimada (fls. 54/55), ingressou o contribuinte com Recurso a este Colegiado (fls. 58/57), reiterando suas manifestações anteriores, sustentando que "a decisão foi injusta contra o contribuinte que está com todos os seus impostos em dia mesmo diante da dificil situação financeira pela qual o País está passando e consequentemente esta empresa" (fls. 38 sic). Fez um resumo da situação, reiterando os termos da impugnação, e insiste que pagou duas vezes, por erro, o montante de R$ 15.016,57 a título de IPI; sendo que, também por erro, procedeu à retificação da DCTF quando já tinha sido intimada do teor do Despacho Decisório que indeferiu a obtenção do indébito e a perseguida compensação deste valor com o pagamento de outros tributos. Finalmente, ressaltou que todos os seres humanos são passíveis de erros, e que não é justo e nem correto pagar duas vezes o mesmo débito sem o direito de receber um deles de volta, principalmente se para compensar outros débitos. Requer, então, uma análise dos fatos referenciados e dos documentos já nos autos e outros que juntou com o Recurso (fls. 60/65). É o relatório. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O Recurso Voluntário foi ajuizado dentro dos 30 dias de prazo entre a ciência do teor da decisão recorrido e a entrega do apelo à DRF, providências tomadas de forma eletrônica, pelo que dele tomo conhecimento. Verificase do exame dos autos que a discussão gira em torno de um possível erro material cometido pelo contribuinte, ficando a nítida impressão de que, não fora a retificação da DCTF ter sido efetivada a destempo (após o Despacho Decisório) e a própria DRF compreendeu que a empresa estaria com a razão; ou seja, como a empresa cometeu erros materiais e deixou de observar rigidamente as normas tributárias, mesmo pagando a maior, teria perdido o direito ao pretendido indébito fiscal com cujo valor pretendeu a discutida compensação. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10805.904996/200969 Resolução nº 3001000.166 S3C0T1 Fl. 4 3 Para uma melhor compreensão da pendenga, vejamos primeiramente o enfoque da questão pelo ângulo do Fisco, tal como resumidamente posto no voto condutor do Acórdão Recorrido (fls. 49), verbis. De acordo com o despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Registrese que a decisão da Delegacia de origem baseouse nas informações prestadas pela contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e no PER/DCOMP. Tanto na data de transmissão do PER/DCOMP, quanto na data de emissão do despacho decisório, a DCTF apresentada pela requerente indicava o IPI devido equivalente ao valor do recolhimento efetuado indicado no PER/DCOMP, não havendo qualquer valor a ser restituído. O PER/DCOMP foi originalmente apresentado indicando um crédito proveniente de um pagamento a maior, efetuado em 14/01/2005. O DARF, indicado como pagamento a maior, era referente ao recolhimento de IPI, no valor de R$ 15.016,57. O débito que deveria ser compensado, indicado no PER/DCOMP, era também de IPI, no valor de R$ 4.889,58. E foi com estes dados informados na declaração da interessada que a DRF/Santo André analisou o pedido de compensação. No entanto, agora, nesta manifestação, a interessada afirma que errou ao informar a data do recolhimento e apresenta um DARF, à fl. 27, que ela afirma ter pago a maior, em 31/01/2005, com o mesmo valor do DARF informado no PER/DCOMP, pago em 14/01/2005 (cópia também à fl. 27). Cabe lembrar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, tem a função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, de examinar os procedimentos fiscais em conformidade com as normas legais vigentes, particularmente o disposto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 116, III, e na Portaria MF nº 341/2011..............................................(omissis)....................................... .... Como a interessada solicita textualmente, somente agora, nesta manifestação de inconformidade, retificar o PER/DCOMP entregue em 17/02/2005, esta retificação, em função do disposto na norma acima, não pode ser aceita, porque a interessada já foi cientificada do despacho decisório elaborado pela DRF/Santo André. Por sua vez, sustenta a recorrente em seu apelo que, de fato, cometeu alguns equívocos e erros materiais, mas insiste que pagou a maior R$ 15.016,57; que procurou por diversas vezes orientações nos órgãos da Receita Federal e, por isto mesmo, procedeu à retificação da DCTF, mas que esta retificação só foi consumada após a emissão do despacho decisório denegatório de sua pretensão compensatória. pelo valor devido de R$ 4.889,58. A pretensão do recorrente, pois, extraída do seu apelo, pode ser resumida quanto segue. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10805.904996/200969 Resolução nº 3001000.166 S3C0T1 Fl. 5 4 a) em 31.01.2005 o IPI referente ao período de apuração 31/12/2004 foi pago em duplicidade, conforme exposto a seguir: (a.1) período de apuração de 31.12.2004, vencido em 14.01.2005, no valor de 15.016,57, código da receita 1097 (pagamento correto); e, (a.2) período de apuração 31.12.2004, vencido em 31.01.2005, no valor de R$ 15.016,57, código da receita 1097 (pagamento a maior). b) em 07 de outubro de 2005 formalizou um PER/DCOMP número 13598.45980.071005.1.3.04.578, indicando como pagamento a maior para compensar com o débito também de IPI, período de apuração de 31.03.2005, no valor de R$ 4.889,58 ("aqui encontramos outro erro, pois este débito já havia sido pago em 15.04.2005, ou seja, ele não poderia ser usao para compensação por já estar quitado). c) "infelizmente esse pedido de compensação foi preenchido erroneamente com a data de 14/01/2005, que é o pagamento efetuado corretamente no valor do imposto devido. No entanto o pagamento a maior que deveria ser compensado é o DARF pago em 31/01/2005, com o mesmo valor informado no PER/DCOMP pago em 14/01/2005." d) ao contrário do alegado, "antes do despacho estivemos divrsas vezes na Receita Federal solicitando orientação para a devida correção, visto que nesta época ainda não estava disponível o ECAC onde poderíamos consultar com maior clareza os pagamentos e as devidas alocações dos valores". E arrematou (fls. 59), verbis. Inclusive por conta destas orientações efetuamos 03 retificações da DCTF do 1º Semestre de 2005 nas datas de 20/06/2007, 31/10/2007 e 26/09/2008 para corrigir estes lançamentos, mas em nenhum momento fomos orientados a retificar a DCTF do 4º trimestre de 2004. Infelizmente conseguimos esclarecer este fato após a emissão do despacho decisório. Assim resumidas as duas posições (Fisco e Contribuinte), resta indagarse se, realmente, houve pagamento dos R$ 15.016,57 em duplicidade, e que apenas laborou a empresa em erros materiais, conforme confissão que teria feito em virtude da emissão dos documentos constantes dos autos, como dá a entender a parte final do acórdão guerreado (já transcrito no relatório), verbis. Como a interessada solicita textualmente, somente agora, nesta manifestação de inconformidade, retificar o PER/DCOMP entregue em 17/02/2005, esta retificação, em função do disposto na norma acima, não pode ser aceita, porque a interessada já foi cientificada do despacho decisório elaborado pela DRF/Santo André. Tendo em vista a insistência da empresa de que efetivamente pagou os R$ 15.016,57 em duplicidade, cuja credibilidade me parece aumentada na medida em que confessa os erros cometidos, conjugadamente com a interpretação literal que a autoridade recorrida procura imprimir em sua manifestação, entendo conveniente que os autos voltem à repartição de origem para confirmar (ou não) se os R$ 15.016,57 foram efetivamente pagos duas vezes. Assim, voto pela conversão do julgamento em Diligência, nos termos colocados no parágrafo anterior, elaborandose pormenorizado relatório em cotejo com os argumentos e documentos dos autos constantes, devendo o contribuinte ser intimado para que, caso queira, Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10805.904996/200969 Resolução nº 3001000.166 S3C0T1 Fl. 6 5 ofereça ao Fisco outros documentos capazes de demonstrar definitivamente o acerto de sua tese. Cumprida a diligência, deverá a repartição de origem elaborar relatório circunstanciado e fundamentado, dar ciência ao contribuinte para se manifestar, querendo, antes do retorno dos autos a este Conselho para prosseguir com o julgamento do apelo. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.724617/2015-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES À RETENÇÃO NÃO DECLARADOS.
Os rendimentos recebidos referentes ao imposto retido na fonte devem ser declarados. A compensação do imposto retido na fonte somente pode ser utilizada mediante oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, vez que a retenção se caracteriza como uma antecipação de imposto a ser ajustada por ocasião da DAA.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA.
Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-001.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES À RETENÇÃO NÃO DECLARADOS. Os rendimentos recebidos referentes ao imposto retido na fonte devem ser declarados. A compensação do imposto retido na fonte somente pode ser utilizada mediante oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, vez que a retenção se caracteriza como uma antecipação de imposto a ser ajustada por ocasião da DAA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES À RETENÇÃO NÃO DECLARADOS. Os rendimentos recebidos referentes ao imposto retido na fonte devem ser declarados. A compensação do imposto retido na fonte somente pode ser utilizada mediante oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, vez que a retenção se caracteriza como uma antecipação de imposto a ser ajustada por ocasião da DAA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplicase a regra geral de tributação exclusiva na fonte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 46 17 /2 01 5- 31 Fl. 145DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente à compensação de IRRF. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte como imposto suplementar R$ 18.997,41, sendo R$ 1.625,85, com multa de 75% com juros de mora e R$ 17.371,56, com multa de 20% mais juros de mora, referentes ao anocalendário de 2010. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que a Contribuinte efetuou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na utilização de valores indevidos na compensação do IRRF por não oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, como segue: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 5.912,21, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Tratase de ação trabalhista judicial (processo nº 0034500 93.2001.5.19.0005). Crédito incontroverso no montante de R$ 189.622,35. Em 2010 houve liberação de parte desse crédito, sendo R$ 128.414,11 para o reclamante (Alvará nº 1621/2010), R$ 37.924,47 honorários advocatícios (Alvarás nº 1641/2010 e 1851/2010). O imposto de renda e a contribuição previdenciária, inicialmente retidos (R$ 17.371,56 e R$ 5.912,21, respectivamente), foram recalculados para RS 0,00 e R$ 5.183,26, respectivamente, e o excesso de retenção (R$ 18.100,51), correspondente à totalidade do Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10410.724617/201531 Acórdão n.º 2001001.122 S2C0T1 Fl. 146 3 imposto e parte da contribuição previdenciária, foi liberado ao reclamante em 2014 por meio do Alvará nº 130836/2014. Assim, relativamente ao anocalendário 2010, o rendimento bruto a declarar importou em R$ 134.326,32 (R$ 128.414,11 + R$ 5.912,21). O contribuinte declarou, indevidamente, o valor liquido recebido. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 17.371,56, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Compensação indevida de imposto relativo ao processo trabalhista Judicial nº 0003450093.2001.5.19.0005, uma vez que o valor, inicialmente retido (R$ 17.371,56), foi recalculado para R$ 0,00 e devolvido integralmente ao reclamante em 2014, por meio do Alvará nº 130836/2014 (no qual se inclui, ainda, a devolução de parte da contribuição previdenciária retida em excesso). Em sua impugnação, a defesa, informa que concorda com a infração a seguir: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista: R$ 5.912,21 e IRRF: R$ 0,00. O valor não questionado (R$ 1.625,85) foi transferido para outro processo, de nº 10410.725155/201579 (fls. 80 e 82). Assim, a infração passível de julgamento por esta Turma restringese apenas à infração: Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte: R$ 17.371,56. Sobre a matéria vejamos o que dispõe a legislação de Regência, art. 717, 722 e 842, do RIR/99: (...) Portanto, não merece reparos o procedimento fiscal, devendo ser mantida a exigência ora em exame. Assim, VOTO por julgar IMPROCEDENTE a presente impugnação, para manter o crédito tributário apurado na Notificação de Lançamento nº 2011/528400689713140 (fls. 06/11), no valor originário de R$ 18.997,41, abaixo discriminado: Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 18.997,41, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS Fl. 147DF CARF MF 4 Através do presente auto de infração e imposição de multa pretende a Secretaria da Receita Federal a cobrança de multa moratória pela alegação de omissão de receita feita pelo contribuinte, concernente ao exercício 2010/2011. Porém, conforme está demonstrado, o presente ato administrativo de aplicação de penalidade não deve prosperar, tendo em vista o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. (...) Destarte. A intenção do legislador tributário foi incentivar o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiando aquele contribuinte que, antes de qualquer manifestação do sujeito ativo da obrigação tributária, denuncia a própria infração cometida e, por livre opção, recolhe o tributo em atraso; em contrapartida, estimulando tal atitude o Fisco deixa de aplicar como penalidade a multa moratória e a de ofício. O Recorrente, em momento algum conforme observase na documentação anexada cometeu algum ato ilícito por livre e espontânea vontade, com a intenção de cometer o Dolo, onde vemos claramente que a opção de tributação que vemos nos autos foi informada erroneamente, onde o agente fiscal ao ver poderia de ofício chamalo para fazer a retificadora, conduta esta não realizada. (...) Como vemos a multa por lançamento de ofício no percentual de 75% se reveste de caráter confiscatório, razão pela qual se impõe a sua redução. Temos Precedentes dos nossos tribunais regionais federais no tocante a matéria. O DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPPRETAÇÃO. LITERAL. LEGISLAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO ANTES DE NOTIFICADO O LANÇAMENTO. 1 – A interpretação da legislação tributária deve ser literal quando disponha dobre exclusão do crédito tributário. 2 – “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento” Art. 147, § 1º do CTN. (...) (...) À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10410.724617/201531 Acórdão n.º 2001001.122 S2C0T1 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexiste controvérsia quanto à omissão de rendimentos no valor de R$ 5.912,21, não impugnados, tendo inclusive o Contribuinte concordado com essa parte da infração. Assim, fica mantida a infração por omissão de rendimentos, não contestada, que corresponde ao imposto suplementar de R$ 1.625,85. Em razão disso a lide se limita ao valor de R$ 17.371,56, referente ao imposto de renda retido na fonte sobre verbas recebidas em ação judicial, mediante procedimento denominado RRA – Rendimentos Recebidos Acumuladamente. O requisito de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, especialmente o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, assim estabelece: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes aos anos calendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessária ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 149DF CARF MF 6 § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6º Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (...) § 9º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. Na observância do dispositivo acima, concluise que tais rendimentos passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento. Porém o § 5º, por sua vez, autoriza ao Contribuinte, de forma irretratável, a optar por levar tais rendimentos ao ajuste anual na DAA. Quanto ao IRRF respectivo, cabe aqui observar que ele deve ser calculado de modo diferenciado, em conformidade com o já reproduzido § 1º do art. 12A, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Pelo que dispõe a legislação o recebedor dos rendimentos recebidos acumuladamente pode deixar a tributação exclusiva na fonte ou trazer os valores para sua DAA, adicionandoos aos demais rendimentos recebidos no período, a livre opção do Contribuinte. No presente caso o Recorrente promoveu a compensação em sua DAA de suposto IRRF que antes tinha sido calculada sobre os valores disponibilizados em razão da ação judicial. Porém, os cálculos da ação judicial foram refeitos e resultou numa não retenção de imposto de renda na fonte, fazendo com que a compensação se tornasse indevida. Foi o que ocorreu conforme texto da decisão da DRJ em primeiro grau de julgamento administrativo, como segue: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 17.371,56, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Compensação indevida de imposto relativo ao processo trabalhista Judicial nº 0003450093.2001.5.19.0005, uma vez que o valor, inicialmente retido (R$ 17.371,56), foi recalculado para R$ 0,00 e devolvido integralmente ao reclamante em 2014, por meio do Alvará nº 130836/2014 (no qual se inclui, ainda, a devolução de parte da contribuição previdenciária retida em excesso). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10410.724617/201531 Acórdão n.º 2001001.122 S2C0T1 Fl. 148 7 Assim sendo, da análise do ocorrido constatase que o Recorrente promoveu a compensação de imposto antes retido e que posteriormente lhe foi devolvido por ocasião do recálculo da ação judicial. Em razão disso deve ser mantido o Lançamento nos termos dispostos na decisão da DRJ. Não há notícia nos autos da existência de denúncia espontânea que justifique a argumentação utilizada nos termos da defesa em sede de Recurso Voluntário. Cabe ressaltar que o instituto da denúncia espontânea tem rito e regramento próprio estabelecidos na legislação tributária de modo que não se observa nenhuma ação neste sentido para o caso aqui analisado. MULTA DE OFÍCIO E JUROS Improcedente a alegação de que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% teria caráter confiscatório porque prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, e inciso I, do art. 957, do Decreto nº 3.000/99, e não ofende qualquer dispositivo constitucional tributário. Ressaltese tratar de matéria pacificada neste Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula 2, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Improcedente a contestação da aplicação de juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, porque prevista na legislação. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com relação à jurisprudência judicial, esclareçase que, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação, a eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença. Ressaltese, por oportuno, que a exposição de jurisprudência pode ser útil no convencimento do julgador, porém, as citações devem guardar total pertinência com o caso tratado, não de similaridade, mas de absoluta igualdade de caso, o que não ocorreu no presente processo. Pelo que consta dos autos o Recorrente não logrou êxito em suprir suficientemente o requerido para o provimento de sua demanda. Assim que, forçoso se torna reconhecer a procedência do Lançamento pelas razões apontadas na ação fiscal e no voto da DRJ que manteve a íntegra do crédito tributário lançado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, para manter o crédito tributário no valor de R$ 18.997,41, incluída nesse valor a parte do Lançamento não contestada, sujeito, ainda, aos acréscimos legais. Fl. 151DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907112/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.802
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 11 2/ 20 12 -1 9 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10882.907112/201219 Resolução nº 3402001.802 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10882.907112/201219 Resolução nº 3402001.802 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10882.907112/201219 Resolução nº 3402001.802 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10882.907112/201219 Resolução nº 3402001.802 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.728343/2012-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário sem preliminar de tempestividade interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, não será conhecido.
Numero da decisão: 2003-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso.
Sheila Aires Cartao Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Recurso Voluntário sem preliminar de tempestividade interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, não será conhecido.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Recurso Voluntário sem preliminar de tempestividade interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, não será conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso. Sheila Aires Cartao Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 83 43 /2 01 2- 93 Fl. 62DF CARF MF 2 Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ R$ 6.419,35, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2011, anobase de 2010, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação do efetivo pagamento no montante de R$ 24.480,00 (fls. 05/10). Impugnação Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando que apresentou a documentação solicita, comprovando, por antecipação de tutela, a obrigação com os alimentandos (fls. 02/03). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto alegre julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob o argumento de que faltou a comprovação do efetivo pagamento (fls.27/29). Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que a documentação a ele anexada prova o pagamento de R$ 16.360,00 à Sra. Cristina Lemos (fls. 60). Pertinente registrar que reportada Contestação se apresenta com o título de "Documentos Diversos Outros" no eprocesso, restando razoável a efetivação da respectiva correção. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Denominação Cientificado do Acórdão recorrido, o Contribuinte apresentou sua "inconformidade", dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro I, sob a denominação de "impugnação", a qual foi encaminhada para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Contudo, em que pese a equivocada intitulação, mediante a aplicação do princípio da fungibilidade das formas, mencionada Peça de defesa deverá ser apreciado como sendo recurso voluntário, independentemente do título que lhe fora atribuído pelo Recorrente (fls. 38/59). Admissibilidade Como se pode notar, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10730.728343/201293 Acórdão n.º 2003000.012 S2C0T3 Fl. 63 3 De igual relevância, cumpre aferir a data de ocorrência da ciência do Acórdão recorrido, momento em que se considerou intimado o Contribuinte, com fins à abertura da contagem de prazo para a interposição do Recurso em análise. Assim considerado, o citado Decreto determina que a ciência da intimação feita por via postal se dará no dia do seu recebimento (art. 23). Ademais, na reportada contagem, os prazos são contínuos, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput), bem como só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na Repartição Fiscal (art. 5.º, parágrafo único). Confira se: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (grifo nosso) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. [...] Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Superado o formato legal atinente ao lapso temporal estabelecido para a interposição do Recurso Voluntário aí se incluindo o momento de ocorrência da ciência, assim como o prazo em si e sua forma de contagem passo a enfrentar o caso em debate. Consta nos autos que o Contribuinte foi intimado da decisão recorrida (Intimação de Resultado de Julgamento nº 2015 fls. 31), por via postal, com recebimento datado de 20/04/2015, segundafeira (Aviso de Recebimento fls. 35). Logo, tendo em vista que o dia 21/04/2015 foi feriado nacional, o início da contagem do prazo ora questionado se deu no dia 22/04/2015, quartafeira, restando seu termo no dia 21/05/2015, quintafeira. Contudo, mencionado Recurso somente foi interposto no dia 25/08/2015, revelandose notoriamente extemporâneo. Por oportuno, convém ressaltar que a peça Recursal nada se manifestou acerca da tempestividade, inclusive, se fosse o caso, trazendo provas que afastassem a preclusão temporal revelada pela prática de ato processual fora do prazo legalmente previsto (feriado local, greve, etc.). Portanto, restou afastada a capacidade processual, porque declinada dentro do prazo peremptório estabelecido em lei (preclusão temporal). Fl. 64DF CARF MF 4 Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo Sujeito Passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confirase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Arrematando o que está posto, conforme se ver na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciandose o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. [...] § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Como visto, o Contribuinte declinou do direito de interpor sua pretensão em prazo hábil, razão por que a decisão recorrida alcançou todos os requisitos de definitividade na esfera administrativa. Pensar diferente implicaria afastar a aplicação de prescrição legal vigente a caso específico, ainda que atendidos os pressupostos de fato e de direito que lhes são próprios, competência que não dispõe a autoridade judicante administrativa. Nessa compreensão, conforme o art. 2º, § único, incisos I e VII, c/c com o art. 50, inciso V, da Lei nº 9.784/1999 de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal os atos que resultem decisão de recursos administrativos carecem, além da conformidade com a lei e o Direito, de motivação explicitando seus pressupostos de fato e de Direito. Confirmase: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (grifos nosso) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10730.728343/201293 Acórdão n.º 2003000.012 S2C0T3 Fl. 64 5 I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] V decidam recursos administrativos; Em verdade, considerando que referido Recurso Voluntário foi apresentado fora do prazo para sua interposição e ausente ponderação acerca da preliminar de tempestividade, entendo que a Unidade preparadora deveria têlo desconsiderado, dando início à cobrança administrativa do crédito apurado, e não ter dado continuidade a uma lide, cujo direito de recorrer já estava extinto. Por assim compreender, razoável pensar que foi dado tratamento semelhante a contextos, infinitamente, desiguais. É que recurso extemporâneo, mas contrapondo preliminar de tempestividade, conforma situação jurídico processual distinta daquela originária dos apelos onde mencionada preliminar deixar de ser atacada. No ensejo, vale a transcrição do 35 do referenciado Decreto nº 70.235, de 1972, por que objeto de análise na seqüência: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. (grifo nosso) Nessa esteira, as disposições dos arts. 35 e 42 retromencionados deverão ser interpretadas em harmonia, já que compatíveis entre si, embora de "aspectos funcionais" próprios e distintos. Afinal, inaceitável se crer que uma decisão seja, ao mesmo tempo, não definitiva e definitiva, respectivamente, suspendendo a exigibilidade do crédito apurado por um lado assentindo o litígio (art. 35) e, por outro, dandolhe o prosseguimento da cobrança administrativa negando o litígio em face de ausência da interposição recursal em si (art. 42, inciso I), como também na parte não atacada no apelo ou não sujeita a recurso de ofício (art. 42, parágrafo único). Com efeito, resta claro que o mandamento visto no reportado art. 35 se apresenta na legislação (“...que julgará a perempção.") com a finalidade de DELIMITAR os recursos que serão encaminhados à segunda instância, ainda que intempestivos. Nesse mister, a ordem legal se impõe às situações com perempção pendente de julgamento, assim consideradas somente aquelas cuja preliminar de tempestividade foi atacada, e não qualquer recurso apresentado fora do prazo legal. De outro modo, os ditames do citado art. 42 tratam dos limites estabelecidos para a prática dos atos processuais, caracterizandose a preclusão com a perda do direito de exercício da pretensão em si, por ter se esgotado o prazo legal a isso definido. Por conseguinte, o eixo mandamental consignado em aludido artigo não contempla o afastamento da preclusão temporal de decisão definitiva de primeira instância em virtude da interposição extemporânea de recurso, o que implicaria o restabelecimento do contencioso. Fl. 66DF CARF MF 6 Conclusão Diante das razões de fato e de Direito ora expendidas, ausente a instauração do contencioso administrativo pressuposto necessário para a análise do mérito voto por NÃO CONHECER de mencionado Recurso Voluntário, visto sua INTEMPESTIVIDADE. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000220/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 03070.204, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que assim relatou o feito: Cuidam os autos de Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS Não Cumulativo (associado à Declaração de CompensaçãoDcomp), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 22 0/ 20 10 -7 9 Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.262 2 vinculado à receita de exportação, apurado no 2º trimestre do ano calendário de 2008 no montante de R$ 13.833.035,83. Irresignada com a homologação parcial da compensação, em virtude do reconhecimento parcial do crédito pleiteado, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Preliminarmente, suscitase a nulidade do despacho decisório, dada a ausência de especificação dos créditos glosados, bem como diante do espúrio não reconhecimento de créditos admitidos pelo próprio despacho decisório. Revelase, assim, eivado de nulidade insanável, notadamente por cercear o direito de defesa, pois carente de qualquer fundamentação jurídica, em afronta ao artigo 2º da Lei 9.784/99, que determina que todos os atos administrativos devem ser devidamente motivados. Mesmo se considerarmos as informações contidas no “Despacho de Diligência”, proferido como resultado da diligência realizada, e das planilhas e informações com este anexadas, ainda assim houve preterição do direito de defesa, tendo em vista que a Autoridade Administrativa apenas limitouse a transcrever aquilo que já constava do Despacho Decisório, sem, contudo, complementar, justificar ou detalhar a motivação das glosas impostas. Aquelas planilhas não trazem qualquer informação adicional, ao passo que trazem mera referência ao DACON, mas não trazem o embasamento legal das glosas perpetradas. A autoridade administrativa não poderia desconsiderar as informações do DACON, poderia, no máximo, analisar a existência do crédito analisando as demais declarações (por exemplo, a DCTF) e, apurando quaisquer irregularidades, efetuar o lançamento de ofício, com a lavratura do competente auto de infração, se necessário, respeitando o prazo decadencial. No mérito, comprovouse a necessidade de reforma integral do despacho, com o necessário reconhecimento do crédito pleiteado e homologação das compensações declaradas, vez que se adotou conceito restritivo de insumo e que os custos com bens e serviços utilizados na formação das florestas próprias destinadas à produção de celulose não gerariam direito ao crédito em razão: a) de as florestas serem contabilizadas como ativo permanente da companhia e estarem sujeitas à exaustão; e b) citados bens e serviços não se enquadram ao conceito de insumo constante das Instruções Normativas RFB 247/2002 e 404/04. De toda sorte, caso restem superadas as nulidades argüidas, demonstrará que faz jus à integralidade do crédito pleiteado, reforçando as suas razões com a apresentação do anexo Laudo Técnico formulado pelos professores da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz da Universidade de São Paulo – ESALQ/USP, no qual os especialistas analisaram todas as atividades desempenhadas no ciclo produtivo da celulose, comprovando através de respeitável opinião técnica que os bens e serviços que fundamentaram o pedido de crédito em questão constituem legítimos insumos de sua atividade. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.263 3 As INs 247/2002 e 404/2004 trazem conceito equivocado de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório do contribuinte. A não cumulatividade do PIS e da COFINS tem regramento próprio e específico, totalmente distinto daquele previsto para o ICMS e o IPI, e é neste contexto que se deve interpretar e analisar o conceito de “insumo” previsto nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em acórdão do Relator Conselheiro Henrique Torres, afastou de vez a fundamentação utilizada pela fiscalização nos presentes autos. Os gastos com insumos florestais, isto é, valores dispendidos indispensáveis à formação e ao desenvolvimento das florestas geram créditos, pois o CARF já sedimentou o entendimento de que, tratando se de empresa agroindustrial, não é possível segmentar e desconsiderar os custos realizados para a constituição de florestas plantadas para obtenção da celulose. Não é o fato de o PN CST 108/1978 determinar a contabilização no ativo imobilizado das despesas com a constituição de florestas, para efeito de correção monetária de balanço, que, inclusive, já foi extinta, que desnatura a natureza dos gastos realizados pela empresa como sendo um insumo. Os documentos apresentados demonstram de forma inequívoca que o processo de produção de celulose se inicia até mesmo antes da atividade agrícola, sendo a etapa industrial apenas a parte final do processo. Isso porque, para a produção da celulose se faz necessário inicialmente produzir a madeira através da formação de florestas, com todos os bens e serviços necessários para tanto. Todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final destinado à venda, daí a glosa dos créditos em comento se encontra ao arrepio da lei e em discrepância com o entendimento firmado pelo CARF e pela doutrina. Analisando os serviços silviculturais, os professores da ESALQ advertem que, tecnicamente, todos os serviços realizados entre a análise do solo e o abastecimento das unidades fabris devem ser classificados como serviços silviculturais, os quais são indispensáveis ao ciclo de produção da celulose. Notase, portanto, que a classificação por parte da autoridade fiscal do que seria insumo ou não, para fins do aproveitamento dos créditos pela contribuinte, além de infundado, foi totalmente discricionário e arbitrário, baseandose em legislação inaplicável ao caso vertente. Ora, é preciso que se analise o processo produtivo do que é fabricado pela empresa como um todo. No presente caso, é notório que, como se trata da produção de celulose, estamos diante de um processo longo, a dizer, são sete anos até que a madeira, principal insumo na fabricação da celulose seja efetivamente colhido. Assim, não há como negar que todos aqueles bens ou serviços envolvidos nesse complexo processo Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.264 4 produtivo da madeira, seja desconsiderado a bel prazer da fiscalização, sem quaisquer critérios jurídicos para glosar os créditos do PIS e da COFINS. Os serviços adquiridos de terceiros, os dispêndios com frete, são tidos como custo de produção e, portanto, constituem insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º , das Leis 10.637/02 e 10.833/04. O frete com aquisição de matériaprima, a própria RFB vem reconhecendo reiteradamente o direito ao crédito do PIS e da COFINS sobre tais dispêndios, conforme diversas soluções de consulta, bem assim o frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte o CARF já reconheceu que integram o custo do produto. O frete entre estabelecimentos de produto em elaboração também compõe o custo de produção, possuindo natureza de insumo e gerando crédito de PIS e da COFINs. Incorrendo no mesmo erro que permeou todas as glosas referidas, a autoridade fiscal manteve também, ilegalmente, a glosa sobre combustíveis. Os técnicos da USPESALQ foram categóricos ao destacar como insumos do processo produtivo da Manifestante tanto o combustível utilizado nas máquinas quanto aqueles utilizados nos veículos de transporte. O CARF também já reconheceu o crédito incidente sobre este tipo de gasto. A glosa sobre embalagens para transporte não procede porque integram o processo produtivo, embora não integrem o produto final, configuram custos imprescindíveis à individualização e transporte do produto final (conceito de insumo firmado pelo CARF). Desconsiderando a fase agrícola da produção da celulose, conforme amplamente demonstrado nos itens acima, a autoridade fiscal glosou diversas rubricas referentes às partes e peças de reposição, indevidamente, pois são indispensáveis e, portanto, custos de produção, conforme remansosa jurisprudência do CARF. Impende salientar que a fiscalização atinge conclusões equivocadas em virtude da eleição da frágil premissa de que o processo produtivo da Manifestante cingese às operações químicas que ocorrem dentro da fábrica de processamento da celulose. Da mesma ilegalidade se reveste a glosa sobre alimentos, fardamentos e equipamentos de proteção individual, porque a utilização dos referidos equipamentos é indispensável e obrigatória para a produção da celulose. O CARF decidiu que a indumentária utilizada na fabricação de alimentos é considerada insumo e confere direito ao crédito das contribuições, bem como as despesas com tratamento de resíduos industriais. Outro ponto fundamental diz respeito às glosas sobre equipamentos e ferramentas utilizadas no estabelecimento fabril, os quais, assim como demonstrado nos tópicos anteriores não devem prevalecer, posto que intrínsecos ao objeto social da empresa. Atento à indispensabilidade das peças de manutenção, o CARF já se manifestou no sentido de que tais dispêndios devem conferir o direito a crédito do PIS e da COFINS. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.265 5 A mesma sorte deve seguir os dispêndios realizados com material de construção e instalações civis, posto que tais gastos se referem a pequenos reparos realizados na unidade fabril. O CARF firmou posicionamento favorável no sentido de conferir o crédito de PIS e da COFINS sobre as despesas de locação de veículos, bem assim transporte de pessoal, por entender que os mesmos estão albergados pelo art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/2003. Caso se entenda que os argumentos acima expendidos não são suficientes para a reforma do despacho decisório, requer seja realizada diligência e perícia, posto que necessárias para a comprovação da real natureza de cada bem e serviço adquiridos pela Manifestante, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção,que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito da Contribuinte e para se buscar a verdade material. Indica, para tanto, os peritos e formula os quesitos. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2008. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARGÜIÇÃO REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão da autoridade administrativa se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM FABRICADO/PRODUZIDO. Geram crédito de PIS e Cofins, descontáveis do valor devido da contribuição e compensáveis, as aquisições de qualquer bem que sofra alteração, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. No que se refere às despesas com serviços, o termo “insumo” também não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas tãosomente aqueles que efetivamente se aplicaram ou consumiram diretamente na produção dos bens fabricados/produzidos pelo interessado, ou, ainda, que se aplicaram ou consumiram nos serviços prestados pela empresa. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.266 6 FUNDAMENTO DE ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ENTENDIMENTO DA RFB EXPRESSO EM ATOS NORMATIVOS. Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a ilegalidade das normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa e as decisões judiciais, no caso, só tem efeito inter partes e não erga omnes. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. PEDIDOS INDEFERIDOS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligência e/ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, já delineados no relatório supra. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Em exame do feito, identifico que este não se encontra maduro para julgamento. O Relatório Fiscal que instrui o Despacho Decisório indica que efetuou a glosa de bens e serviços indevidamente caracterizados como insumo. Foi anexada à tal Relatório extensa planilha (fls. 228/331). Contudo, esta planilha indica tãosomente serviços contabilizados como insumos, não se identifica quaisquer bens supostamente glosados. Não se nega que o Relatório Fiscal menciona, a título exemplificativo, alguns dos bens glosados. Contudo, é essencial que tais bens seja exaustivamente indicados. Logo, o primeiro aspecto que precisa ser esclarecido diz respeito à exatamente quais bens foram glosados. Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.267 7 Ainda no que se refere à planilha elaborada, onde foram indicados os serviços glosados, percebese que a estes não foram vinculadas as respectivas razões de glosa.. De fato, no Relatório Fiscal, observamse diversas razões de glosa.Ocorre que não há concatenação entre item glosado e a razão específica de sua glosa. Por exemplo, no que diz respeito às florestas de produção de eucaliptos. A Fiscalização informa que efetuou a glosa de itens que, a seu ver, deveriam ser ativados e, ainda assim, não poderiam gerar crédito passível de ressarcimento. Também informa a existência de glosa pelo fato de serem insumos não adquiridos de terceiros (serviços realizados pela própria contribuinte na formação de florestas). Ocorre que, dentre todos os serviços vinculados à formação de florestas, não é possível identificar qual foi glosado por um ou outro motivo. O mesmo com relação ao frete. Existem diversas razões para a glosa de fretes (fretes de matérias prima, fretes inter company, fretes que deveriam ser ativados). Contudo, não se sabe em cada uma das diversas linhas de frete, qual se enquadra em cada uma das justificativas. Além das questões relativas à correta identificação de cada um dos itens glosados, há também aspecto de direito a ser considerado. O Despacho Decisório, no que foi convalidado pela DRJ, utilizou as INs SRF nº 247/2002 e 404/2004 como fundamentação para a glosa de diversos itens apropriados como insumo pela Recorrente entendendo que: "(...) para que o bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação." Todavia, é de conhecimento que a matéria em questão sofreu considerável alteração após a lavratura do auto de infração e prolação do acórdão proferido pela DRJ. Na esteira do que há muito vinha se estabelecendo deste CARF, para fins de apuração do PIS e da COFINS não cumulativas sobre a aquisição de insumos pela Pessoa Jurídica, já definiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de efeito vinculante à este CARF e à propria Administração Tributária, pelo afastamento da aplicação da legislação de IPI utilizada como parâmetro na autuação. E, também consoante jurisprudência já estabelecida por esta Corte Administrativa, determinou a necessidade de se avaliar a essencialidade e relevância dos bens adquiridos como insumos à atividade produtiva do contribuinte. É a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.268 8 DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Mais recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, examinou a decisão proferida pelo STJ para fins de dispensa de contestação e recursos nos processos que versem sobre a matéria. Embora tal manifestação não vincule este órgão julgador, é possível extrair algumas premissas e conclusões nele apresentadas, com as quais concorda esta Relatora: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.269 9 consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. (...) 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. 37. Há bens essenciais ou relevantes ao processo produtivo que nem sempre são nele diretamente empregados. O conceito de insumo não se atrela necessariamente ao produto, mas ao próprio processo produtivo. 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.270 10 bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. 48. A Ministra Regina Helena Costa esclareceu em seu voto que o item atende ao critério da essencialidade quando configura elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou, minimamente, quando sua falta prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. É, portanto, essencial é o item, dentro do processo produtivo, do qual dependa “intrínseca e fundamentalmente” o produto ou serviço. 49. Já o item relevante, ainda no escólio da Ministra Regina Helena Costa, é aquele cuja finalidade, conquanto não seja indispensável à elaboração do próprio produto ou serviço integra o processo de produção, ou pelas singularidades de cada cadeia produtiva ou por imposição legal. Nesse passo, a Ministra entendeu que o critério da relevância seria mais abrangente que o da pertinência (que havia sido proposto pelo Ministro Mauro Campbell Marques), na medida que esta seria caracterizada pelo emprego na produção ou na execução do serviço. Logo, pela precisa análise efetuada pela PGFN, a essencialidade deve ser entendida como a condição sem a qual tornase inviável a atividadefim do contribuinte (qualidade, quantidade e/ou suficiência). Relevância, a seu turno, alcança aqueles itens que, ainda que sua subtração do processo produtivo não impeça o exercício da atividade produtiva ou a prestação do serviço, os tornando inviáveis, tais como as exigências legais impostas. Assim, estabelecidos tais parâmetros, deve se perquirir, a essencialidade e relevância das aquisições efetuadas pela Recorrente para que se possa legitimar a glosa ou o direito ao crédito. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 12585.000220/201079 Resolução nº 3201001.678 S3C2T1 Fl. 1.271 11 Pelas razões expostas, portanto, proponho a realização de diligência nos seguintes termos: 1. Que a Fiscalização esclareça quais bens e quais serviços foram glosados pelo Despacho decisório, indicando, nos autos em exame, de que modo o contribuinte foi cientificado desta identificação; 2. Que para cada um dos itens de glosa, sejam bens ou serviços, que a Fiscalização indique a sua razão específica de glosa, informando, também, de que modo essa vinculação foi cientificada ao contribuinte nos presentes autos; 3. Tendo em vista o que restou decidido pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e o disposto na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, que a Fiscalização se posicione acerca da possibilidade ou não de manutenção dos créditos inicialmente glosados; 4. Intime o contribuinte acerca das conclusões obtidas, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Concluído, retornem os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720308/2011-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, devendo ser corrigido erro no texto do dispositivo.
Numero da decisão: 2001-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re - ratificando o Acórdão nº 2001 - 000.562, de 25 de julho de 2018, alterando o dispositivo para: dar provimento parcial ao recurso, acatando inclusão como dependente da filha incapaz para o trabalho e suas despesas médicas, e negando provimento para mudança de cálculo em relação à multa e juros.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, devendo ser corrigido erro no texto do dispositivo.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, devendo ser corrigido erro no texto do dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re ratificando o Acórdão nº 2001 000.562, de 25 de julho de 2018, alterando o dispositivo para: dar provimento parcial ao recurso, acatando inclusão como dependente da filha incapaz para o trabalho e suas despesas médicas, e negando provimento para mudança de cálculo em relação à multa e juros. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 03 08 /2 01 1- 28 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos inominados, com fulcro no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, de iniciativa deste Presidente do Colegiado, ao Acórdão nº 2001000.562, julgado na sessão plenária de 25 de julho de 2018, em que ele mesmo foi relator, dando provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa transcrevemos abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. Evidenciada a condição de dependente, nos termos da legislação de regência, tornase insubsistente a respectiva glosa. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O dispositivo votado pela turma foi o seguinte: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe deram provimento parcial. E o voto proferido foi: Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, acatando inclusão como dependente de filha incapaz para o trabalho e suas despesas médicas, e negando provimento para mudança de cálculo em relação a multa e juros. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Os embargos foram apresentados tempestivamente. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13782.720308/201128 Acórdão n.º 2001001.086 S2C0T1 Fl. 3 3 Como se vê, por erro, foi dado provimento no dispositivo e no voto foi dado provimento parcial. Como está correta a decisão que consta no voto, por abarcar matéria necessária ao exame, deve ser corrigido o dispositivo para que também reproduza o provimento parcial, nos termos do voto: Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, acatando inclusão como dependente de filha incapaz para o trabalho e suas despesas médicas, e negando provimento para mudança de cálculo em relação a multa e juros. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Em face do exposto voto por acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, sanando o vício apontado no acórdão, alterando o dispositivo que fica: dar provimento parcial ao recurso, acatando inclusão como dependente da filha incapaz para o trabalho e suas despesas médicas, e negando provimento para mudança de cálculo em relação à multa e juros. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721239/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.035
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721239/201358 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.035 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACEUTICOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 39 /2 01 3- 58 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14058.646. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de PIS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de PIS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de PIS; (v) tendo havido a redução do débito de PIS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de PIS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 402DF CARF MF Processo nº 16682.721239/201358 Acórdão n.º 3201005.035 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 403DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.725223/2013-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 52 23 /2 01 3- 35 Fl. 44DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 6.516,46, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2010, anobase de 2009, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 18.952,00, por falta da apresentação de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (fls. 04/08). Impugnação Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando se tratar do pagamento de pensão decorrente de decisão/acordo judicial (fls. 02). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob o fundamento de que a Ação de Oferecimento de Alimentos emitida pelo Juizado Informal de Conciliação, sem a respectiva homologação judicial, não se apresenta como documentação hábil a permitir a dedução demandada (fls. 27/30) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, acompanhado da sentença que homologou a Ação de Oferecimento de Alimentos, emitida pelo Juizado Informal de Conciliação (fls. 36/41). Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 09/03/2015 (fls. 41), e a Peça recursal foi recebida em 30/03/2015 (fls. 36), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 18470.725223/201335 Acórdão n.º 2003000.009 S2C0T3 Fl. 45 3 Mérito Inicialmente, pertinente registrar ser razoável a admissão documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis, ao caso, os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Posta assim a questão, é de se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A, nesses termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Fl. 46DF CARF MF 4 Como se pode notar, o Contribuinte apresentou, em fase recursal, a documentação que o autoriza deduzir a despesa com pensão alimentícia judicial na quantia de R$ 18.952,00. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso interposto, restabelecendo a dedução requerida. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003496/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA.
Não comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este não deve incidir a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF.
Numero da decisão: 1301-003.755
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Não comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este não deve incidir a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 96 /2 00 5- 14 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 323 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 324 3 Relatório UNIFLON INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SPOI (fls. 287 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, e manteve integralmente o crédito tributário de IRRF, referente ao anocalendário de 2001, no valor de R$1.520.020,75 com juros de mora e multa de ofício de 75%. Do Lançamento Nos termos do relatório do acórdão recorrido, bem como do TVF de fls. 142 e ss, as razões do lançamento foram: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no “Termo de Verificação Fiscal" (fls.142 a 150), constatou a contabilização, no anocalendário de 2001, de notas fiscais de compras, em que a contribuinte não comprovou os ingressos das mercadorias e, nem tampouco os devidos pagamentos. 2. Cabe destacar que, desta constatação, resultou a lavratura do presente Auto de Infração do “Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF” devido aos pagamentos sem causa, pois parte dos mesmos a contribuinte não logrou comprovar que foram realizados aos fornecedores indicados em sua contabilidade. Foram, também, lavrados os Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, oficializado por meio do processo de n° 19515.003495/200570, devido às glosas realizadas dos valores das notas fiscais que tinham sido considerados no custo das mercadorias vendidas. 3. A fiscalização relata, no presente processo do IRRF, conforme abaixo integralmente reproduzido, que: 3.1. no exame da conta Fornecedores, a empresa apresentou duplicatas em aberto, vencidas, de valores Duben Bac Indústria e Comércio da Plásticos Ltda; Kanaflex Indústria de Plástico Ltda. e Plastwal Industria de Plásticos Ltda. Intimada a comprovar os pagamentos, nenhum documento foi apresentado; 3.2. pesquisando a situação cadastral da empresa RAMOS & SPÓLITO Ltda., verificase que a mesma é omissa não localizada, a partir de 24/07/2004. Para o anocalendário de 2001, a empresa apresentou declaração de rendimentos com receita auferida de valor ZEROcomo INATIVA; 3.3. pesquisando a situação cadastral da empresa DUBEN BAC Indústria e Comércio de Plásticos Ltda., verificase que a entrega da Declaração de Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 325 4 Rendimentos para o anocalendário de 2004 é como INATIVA e para o ano calendário de 2001 apresentou Declaração de Rendimentos; 3.4. foi feita circularização de fornecedores para as empresas das notas fiscais registradas no Livro de Entradas, com exceção da empresa RAMOS & SPÓSITO Ltda., e da DUBEN BAC Indústria e Comércio de Plásticos Ltda., sendo que a correspondência foi devolvida com o aviso de “Mudou se”; 3.5. as empresas KANAFLEX Indústria de Plásticos e PLASTV\/AL Indústria de Plásticos Ltda., informaram que não tem registro de vendas para a empresa UNIFLON lnd. E Com. Imp. E Exp. Ltda., 3.6. os valores significativos e o fato da conta apresentar duplicatas vencidas já há algum tempo e não pagas, levaram a indicar indícios de irregularidade, quando então foi solicitado à empresa comprovar o ingresso das mercadorias discriminadas nessas notas, que estão relacionadas no demonstrativo Anexo I, bem como os respectivos pagamentos. Embora intimada e reintimada, a empresa não apresentou nenhum documento; 3.7. analisando a escrituração contábil, verificouse o registro de pagamentos de duplicatas que compõem o saldo de Fornecedores de Notas Fiscais lançadas em Compras e pagas dentro do exercício, das empresas acima citadas; 3.8. foi a empresa intimada a comprovar esses pagamentos, com solicitação às instituições bancárias de cópia (microfilmagem) frente e verso dos cheques. Não foi apresentado nenhum documento; 3.9. considerando que não foi comprovado o ingresso das mercadorias e que os valores registrados como pagamento das duplicatas, foram cheques sacados nos Bancos Banespa, Sudameris e Bradesco, e que a fiscalizada não comprovou que os beneficiários foram as referidas empresas, fica caracterizado pagamento de causa não justificada; 3.10. o fato enseja tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, com base de cálculo reajustada; 3.11. os valores estão discriminados no Demonstrativo Anexo ll, com data do saque, valor, instituição bancária e o valor reajustado para cobrança do IRRF. 4. Consequentemente, em decorrência do apurado, os valores do “Demonstrativo Anexo ll, parte do Termo de Verificação", foram oferecidos à tributação como pagamento sem causa. 5. Foi lavrado o auto de infração (fIs.151 a 162), com ciência dada em 17/01/2006, do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 1.520.020,75 (o valor inclui multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/12/2005), com enquadramento legal descrito no mesmo. ~ Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 326 5 Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 165 e ss, que aduziu os seguintes argumentos: 6.1. a lmpugnante apresenta os mesmos argumentos da impugnação dos lançamentos do IRPJ e da CSLL realizados pela glosa dos valores considerados como custo das compras não comprovadas, do processo de n° 19515.003495/200570. As colocações são, resumidamente, as seguintes: 6.2. que a tributação realizada representa um confisco, pois, as glosas realizadas representam mais de 43% do valor total das compras do ano e somente o valor de IRPJ, sem os acréscimos que constam do Auto de Infração, corresponde a mais de 12 vezes o capital social da lmpugnante; 6.3. que a fiscalização desconsiderou os registros contábeis das compras e dos pagamentos e tributou muito mais do que se tivesse desclassificado a escrita contábil, uma medida extrema que resultaria no arbitramento do resultado da impugnante. No caso de arbitramento o valor exigido do IRPJ seria de R$ 184.795,16, contra os R$ 635.846,32 do lançado; 6.4. diz que as quantidades de mercadorias compradas foram de fato incorporadas aos estoques e integraram as quantidades de produtos vendidos, conforme apurado em Auditoria de Produção. Destaca que, além disso, os pagamentos realizados aos fornecedores, foram registrados na contabilidade e suportados por notas fiscais e com lançamentos em datas e valores coincidentes com os registros nos extratos bancários; 6.5. informa que a Impugnante, por ser de pequeno porte, não dispõe, como nas grandes empresas, de uma estrutura para formalização dos recebimentos e movimentação das mercadorias, tais como: romaneios de entradas; relatórios de portaria; tíquetes de balanças, controle de processo, requisição de materiais, relatório de embarque e etc. Informa que não tem registro permanente de estoques, não os controla através de inventários periódicos como determina o artigo 296 do RIR/99; 6.6. a Impugnante, como resultado da Auditoria de Produção, apresenta planilhas de cálculos indicando: os estoques iniciais em Kg's e R$; estoques finais de matéria prima e produto acabado e relação das vendas realizadas por cliente, apresentando valores em R$ e quantidades. Alega que o resumo do resultado da Auditoria de Produção demonstra o volume físico dos estoques, das vendas e das compras totais e comprova o efetivo ingresso dos materiais adquiridos dos fornecedores e que outras saídas representam as perdas no processo de industrialização; 6.7. alega que a glosa das compras e a tributação do IRRF dos pagamentos efetivamente realizados aos fornecedores não estão fundamentados em provas diretas ou indiretas, nem tão pouco em presunções legais, baseando Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 327 6 se unicamente em supostos indícios que a fiscalização entendeu como irregular; 6.8. diz que, “não houve o aprofundamento da Ação Fiscal, o Auditor não investigou, não fez diligência, não elaborou súmulas, limitouse a exigir documentos de entradas de mercadorias que o contribuinte não dispunha, além da Notas Fiscais apresentadas durante a ação fiscal e agora juntadas ao processo fiscal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e por cópias ao processo fiscal do Imposto de Renda Retido na Fonte”; 6.9. destaca que, a fiscalização tentou descaracterizar a efetividade das compras e dos pagamentos com base em ocorrências posteriores às datas dos fatos ou com base em informações não confirmadas. A Impugnante cita as duas observações feitas pela fiscalização quanto aos fornecedores: Ramos e Espósito Ltda. que teria apresentado declaração no anocalendário de 2001, mas estava como omissa no anocalendário de 2004 e Duben Bac Indústria e Comércio de Plástico Ltda., a mesma informação, mas figurava como inativa no anocalendário de 2004; Em julgamento realizado em 30 de novembro de 2017, a 6ª Turma da DRJ/FNS, considerou improcedente a impugnação do contribuinte e prolatou o acórdão 0741 037, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU COM BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ARTIGO 61, CAPUT E §1º, DA LEI Nº 8.981/1995. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU COM BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM LANÇAMENTO ARBITRADO DE IRPJ. O lançamento do IRRF com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995 pode coexistir com lançamento arbitrado de IRPJ, pois independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica (lucro real, presumido ou arbitrado). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 328 7 INCLUSÃO DE TRIBUTO COMO OBJETO DA FISCALIZAÇÃO NOS TERMOS FISCAIS. A inclusão de tributo no objeto de procedimento de fiscalização, excetuados os casos em que se identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, deverá ser efetuada mediante registro eletrônico no próprio MPF/TDPF. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. INTIMAÇÃO. ARTIGO 23 DO DECRETO Nº 70.235/1972. As intimações, em sede de processo administrativo fiscal federal, devem ser efetuadas conforme o prescrito no artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 303 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, de que o lançamento está baseado em indícios sem aprofundamento da fiscalização. Inicialmente, os autos chegaram ao CARF e foram distribuídos no âmbito da 2a Seção, porém, declinaram da competência, conforme despacho de fls. 313, em razão da existência de outro processo, da qual decorre este, de n. 19515.003495/200570, que tratou da glosa de valores de notas fiscais utilizados pela pessoa jurídica no cômputo do custo das mercadorias vendidas, vinculação nos termos do art. 6, §1º, inc. III, do RICARF. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 20/11/2018. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 329 8 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRRF, relativo ao ano calendário de 2001, totalizando o crédito tributário de R$1.520.020,75, incluindo multa de ofício de 75%, e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/FNS e intimada ao recolhimento do débito em 22/07/2008 (AR à fls. 301), e apresentou em 21/08/2008, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 302 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, deles conheço. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 145 e ss, a autuação se deu em razão da contabilização de notas fiscais de compras e o contribuinte não comprovou os ingressos das mercadorias e nem dos respectivos pagamentos. De igual forma foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL PA 19515.003495/200570, em que foram glosadas as mesmas notas fiscais que foram considerados no custo das mercadorias vendidas. A fiscalização identificou que na conta Fornecedores encontravamse algumas duplicatas em aberto, vencidas e de valores significativos de algumas empresas, e que foram consideradas inativas a partir de julho de 2004. Algumas delas foram circularizadas e responderam que não havia o registro de vendas para a recorrente. Intimada a apresentar os respectivos pagamentos, ela não apresentou nenhum documento. A DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, baseandose no voto que foi dado no lançamento de IRPJ e CSLL, já que parte dos argumentos eram os mesmos. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário, e o argumento do recorrente é de qye a fiscalização desconsiderou os registros contábeis das compras e dos pagamentos. Reforça que o custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas foi determinado com base no valor dos estoques existentes, conforme o Livro de Inventário, no fim do período de apuração; o custo de produção dos bens vendidos compreendeu o custo de aquisição de matériasprimas e outros bens e serviços aplicados na produção; e que tais custos são usias, normais e necessários à atividade da empresa, incorporados ao fluxo de produção e integrados nos estoques finais e/ou no custo dos produtos vendidos. O recorrente juntou, ainda na fase de impugnação um relatório de auditoria de produção em que se demonstra que as quantidades compradas, objeto das glosas foram de fato incorporadas aos estoques da empresa e/ou integraram as quantidades de produtos vendidos, e que os pagamentos realizados ais fornecedores,m registrados na contabilidade e suportados por notas fiscais e com lançamentos em datas e valores coincidentes com registros dos extratos bancários decorrem dessas compras. Segue: Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 330 9 Ademais, ressalta que a descaracterização dos fornecedores foram baseadas em fatos que ocorreram posteriormente à data dos fatos que ocorreu o lançamento. O lançamento é de 2001 e a inatividade dessas empresas de 2004. Já com relação ao PA 19515.003495/200570, referente ao IRPJ e à CSLL, o mesmo teve seu julgamento realizado em 12 de dezembro de 2018, através do acórdão 1401 003.047, onde o recurso voluntário do recorrente teve seu provimento por unanimidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS REALIZADAS. ENTRADA FÍSICA. EXIGÊNCIA NÃO APLICÁVEL. Se as compras registradas na contabilidade estão comprovadas por meio das respectivas notas e demais documentos fiscais e não há questionamento acerca da idoneidade de tal documentação, não cabe a glosa dos custos correspondentes. Também não se aplica a exigência de demonstração de entrada física das mercadorias em tal contexto. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 331 10 GLOSA DE CUSTOS. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. O fato de o fornecedor ter apresentado declaração de rendimentos com receita auferida de valor zero ou inativa não é suficiente para embasar a glosa de custos registrados pelo adquirente. Para que possa questionar os custos a autoridade fiscal deve provar a inidoneidade das compras. Segue abaixo os principais trechos do mencionado voto para afastar o lançamento: Conforme relatado, a autoridade autuante glosou as compras da ora Recorrente por duvidar da idoneidade de seus principais fornecedores. Em sua defesa, a ora Recorrente trouxe documentos buscando infirmar as premissas da qual partiu a autoridade fiscal. A tabela a seguir resume o diálogo das acusações e provas constante dos presentes autos: A exigência de comprovação de entrada física das mercadorias no caso em questão não merece prosperar. Como visto, a Recorrente trouxe na impugnação documentos suficientemente adequados para infirmar as premissas que basearam a acusação fiscal, comprovando, por meio das respectivas notas fiscais, que realizou as compras registradas em sua contabilidade. Em tal cenário, as notas fiscais apresentadas apenas poderiam ser rejeitadas caso houvesse provas ou ao menos indícios de sua inidoneidade, o que não é o caso. De fato, não há comprovação nos autos de que, no anocalendário de 2001, os fornecedores eram inidôneos ou não existiam de fato. Os simples fatos de o fornecedor não ter apresentado declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário da venda ou de afirmar que não realizou vendas à Recorrente não são suficientes para colocar em dúvida Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 332 11 a realização da compra do produto pela Recorrente, esta sim devidamente comprovada pelas correspondentes notas fiscais. É verdade que a Recorrente também não comprovou que realizou os pagamentos de tais notas fiscais. Acontece que tal fato, ainda que em conjunto com os acima citados, não serve de prova de que as compras não ocorreram, mormente quando se consideram as provas trazidas na impugnação, as quais buscam demonstrar que a ora Recorrente utilizou as matériasprimas adquiridas para a fabricação de produtos que acabaram por ser por ela vendidos, nos termos dos relatórios de fls. 259/356. Em síntese, o que temos no presente processo é que a DRJ desconsidera os relatórios apresentados pelo sujeito passivo afirmando que eles não estão suportados por documentação comprobatória. De fato, tratase de relatórios sintéticos, mas o ônus de provar a inidoneidade das compras é do fisco uma vez que o este não questiona a idoneidade das notas fiscais. Ou, em outras palavras: as notas fiscais são documentos suficientes e fazem prova a favor do contribuinte, então para que o fiscal as desconsidere ele é quem deve provar que, apesar da existência das notas fiscais, as compras efetivamente não ocorreram. Por não ser ônus do contribuinte tal prova, os relatórios sintéticos já são demonstrações suficientes de que o que ele está defendendo é verdade. Aliás, é inclusive contraditório o comportamento da autoridade autuante que, ao mesmo tempo em que coloca em dúvida a realização dos pagamentos, aparentemente lança IRRF por pagamento sem causa, conforme noticia a DRJ (processo 19515.003496/200514). gn Neste sentido, entendo que não há nos autos provas suficientes que permitam a glosa dos custos da Recorrente, razão pela qual oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário. Só este fato já seria suficiente para se afastar a glosa. Diante da falta de comprovação da inidoneidade dos fornecedores, cuja comprovação deveria ser feita pela fiscalização. O pagamento teria sido feito a fornecedores do recorrente cujas notas fiscais foram devidamente apresentadas e contabilizadas. Vejamos a redação da norma que trata do IRRF sobre pagamento sem causa, art. 61 da Lei 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.003496/200514 Acórdão n.º 1301003.755 S1C3T1 Fl. 333 12 § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (g.n.) Ora, se o próprio fiscal afirma que não foi comprovado o pagamento, não há que se falar em lançamento de IRRF por pagamento sem causa, nos termos da lei. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 333DF CARF MF
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