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Numero do processo: 15956.000537/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. SÚMULA CARF 29.
Nos termos da Súmula CARF 29, os co-titulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co-titulares.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 38.
Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO.
1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional.
2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-006.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, a fim de excluir da base de cálculo do lançamento os valores depositados e/ou creditados na conta 22668, do Banco do Brasil S/A.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: João Victor Ribeiro Aldinucci
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ANTONIO APARECIDO SAVEGNAGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF 29. Nos termos da Súmula CARF 29, os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 38. Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 37 /2 00 7- 32 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 558 2 objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. 1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. 2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, a fim de excluir da base de cálculo do lançamento os valores depositados e/ou creditados na conta 22668, do Banco do Brasil S/A. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 559 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 560 4 Intimado da decisão em 11/05/2009, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 506 do pdf), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/06/2009 (fls. 508 e seguintes do pdf), no qual reafirmou as teses de defesa a seguir sintetizadas: decadência parcial, relativa aos fatos geradores ocorridos de janeiro de 2002 a outubro de 2002; como os recursos seriam oriundos da atividade rural, a "alíquota utilizada pelo Fisco para lavratura do auto de infração limitase a 20% da receita"; as provas teriam sido obtidas por meios ilícitos, por ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade e do sigilo; a autoridade não teria considerado as saídas de recursos de outras aplicações financeiras, de outras contas, e os contratos poderiam conter empréstimos, valores liberados por cheques especiais, circulação de valores entre bancos e muitas outras situações; a multa aplicada seria confiscatória e ofenderia o princípio da razoabilidade. O recorrente ainda acrescentou que seria descabida a aplicação da Selic. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. Em memoriais, apresentados após o recurso, o sujeito passivo alega nulidade por aplicação da Súmula CARF 29, sobretudo porque, no seu entender, o lançamento seria nulo por falta de intimação do outro cotitular da conta. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 561 5 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. A tese de inaplicabilidade da taxa Selic não foi ventilada na impugnação e é insuscetível de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Por outro lado, em memoriais e em sustentação oral, o recorrente alega nulidade por aplicação da Súmula CARF 29, sobretudo porque, no seu entender, o lançamento seria nulo por falta de intimação do outro cotitular da conta. Essa matéria não havia sido ventilada na impugnação e nem mesmo no recurso, mas é passível de conhecimento. O Código de Processo Civil vigente, em seu art. 278, parágrafo único, preleciona que a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade, exceto aquela que o julgador deva decretar de ofício. Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 562 6 Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. O § 5º do art. 337 do Código determina que o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas nos incisos I a XIII, entre as quais a ausência de legitimidade da parte. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: [...] XI ausência de legitimidade ou de interesse processual; [...] § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. Neste caso concreto, há possível ilegitimidade de parte, pois, na dicção do § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996, "na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares". Logo, essa matéria deve ser conhecida. 2 Da nulidade por falta de intimação do outro cotitular Em memoriais e em sustentação oral, o recorrente alega nulidade por aplicação da Súmula CARF 29, sobretudo porque, no seu entender, o lançamento seria nulo por falta de intimação do outro cotitular da conta. O sujeito passivo assevera que todas as contas seriam conjuntas. Neste tocante, o recurso deve ser parcialmente provido. Isso porque apenas a conta 22668, do Banco do Brasil S/A, era comprovadamente conjunta com Sebastião Edson Savegnago, conforme demonstram os extratos de fls. 147/158, mas não as demais contas objeto de fiscalização e lançamento (v. extratos de fls. 159 e seguintes. Logo, em relação à supra mencionada conta, a pretensão do recorrente está amparada na Súmula CARF 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. (Súmula Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 563 7 revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Por outro lado, aquele cotitular não apresentou declaração em conjunto com o recorrente. A despeito disso, o outro titular da conta não foi intimado para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precedeu à lavratura do auto de infração. Logo, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores depositados e/ou creditados na conta 22668, do Banco do Brasil S/A. 3 Da decadência O recorrente suscita tese de decadência parcial. Sem razão o sujeito passivo. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 564 8 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, não há prova nos autos de recolhimento antecipado parcial no anocalendário 2002, o que impede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 565 9 E mesmo que fosse aplicável o citado dispositivo, ainda assim não teria transcorrido o prazo decadencial. É que, em se tratando de IRPF apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, seu fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme a Súmula CARF 38, tendo em vista que o imposto de renda é um tributo cujo fato gerador é igualmente anual, ainda que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido seja considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Veja se: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Alinhada com a doutrina, a jurisprudência tem reconhecido que o imposto de renda, em regra, tem seu fato gerador efetivamente concretizado em 31 de dezembro, o que se convencionou chamar de fato gerador complexivo ou periódico1 ainda que tal expressão seja criticada por parte da doutrina2. Vejase, nesse sentido, as seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO A MENOR INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN FATO GERADOR COMPLEXIVO DECADÊNCIA AFASTADA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 2. O imposto de renda é tributo cujo fato gerador tem natureza complexiva. Assim, a completa materialização da hipótese de incidência de referido tributo ocorre apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. 3. Hipótese em que a renda auferida ocorreu em fevereiro de 1993 e o lançamento complementar se efetivou em 25/03/1998, o seja, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que este se findava apenas em 31/12/1998. Decadência afastada. 4. Agravo regimental não provido. 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 268/270. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 538. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 566 10 (AgRg no AgRg no Ag 1395402/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2013, DJe 24/10/2013) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES DE SWAP COM COBERTURA HEDGE. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. LEI 9.779/99. [...] 3. Os fatos geradores específicos do imposto de renda são as várias situações descritas nas leis ordinárias, como, por exemplo, os rendimentos auferidos nas diversas modalidades de aplicações financeiras, podendo ser complexivos, quando se constituem em diversos fatos materiais sucessivos, que são geralmente tributados em conjunto, principalmente pelo regime de declaração de rendimentos, ainda que recolhidos antecipadamente. Por seu turno, há os fatos geradores simples, que se constituem de circunstâncias materiais isoladas, tributadas em separado, pelo regime na fonte, como por exemplo o imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e o Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] (REsp 859.022/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJe 31/03/2008) Em sendo assim, quando o lançamento foi notificado ao contribuinte, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, nem contado na forma do art. 173, inc. I, nem na forma do art. 150, § 4º. 4 Da quebra de sigilo O recorrente alega que as provas teriam sido obtidas por meios ilícitos, por ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade e do sigilo. Sem razão o contribuinte. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos: Tema 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 567 11 créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Como se vê, o citado tema trata exatamente da matéria suscitada pelo recorrente. Naquele recurso extraordinário, a Suprema Corte decidiu que "o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Segue a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 568 12 bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe198 DIVULG 15 092016 PUBLIC 16092016) Eis, ainda, o conteúdo da decisão prolatada: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, para negar provimento ao recurso neste tópico. 5 Dos depósitos bancários de origem não comprovada O recorrente afirma que, como os recursos seriam oriundos da atividade rural, a "alíquota utilizada pelo Fisco para lavratura do auto de infração limitase a 20% da receita", e que a autoridade não teria considerado as saídas de recursos de outras aplicações financeiras, de outras contas, e os contratos poderiam conter empréstimos, valores liberados por cheques especiais, circulação de valores entre bancos e muitas outras situações. Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 569 13 Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19973) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 3 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 570 14 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 614. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 4 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 571 15 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). No caso in concreto, o recorrente contesta o lançamento efetuado, basicamente porque entende que os recursos creditados em sua conta deveriam ser tributados de acordo com os benefícios concedidos à atividade rural. Ocorre que a apuração dos rendimentos provenientes da atividade rural demanda um mínimo de zelo e de rigor por parte do contribuinte. Exemplificativamente, o art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda, vigente à época dos fatos geradores, dispunha que o resultado da exploração da atividade rural seria apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deveria abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integrariam a atividade, tudo lastreado em documentação hábil e idônea. Vejase: Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). §1ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §1º). §2ºA falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §2º). §3ºAos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §3º). §4ºÉ permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 572 16 §5ºO Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. §6ºA escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. §7ºO Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. A despeito disso, o recorrente baseouse em afirmações genéricas a respeito da origem dos recursos e não se dignou de apresentar a respectiva documentação comprobatória. Da mesma forma, o sujeito passivo igualmente não comprovou que parte dos recursos seria referentes a empréstimos, limites de cheque especial, circulação de valores entre contas, etc, o que deveria ter feito de forma minimamente individualizada, de tal forma que ele não se desincumbiu de seu ônus probatório, razão pela qual deve ser desprovido o seu recurso. 6 Da multa de ofício O recorrente defende que a multa de ofício seria confiscatória e ofenderia o princípio da razoabilidade. Entretanto, a multa aplicada ao recorrente tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há qualquer previsão legal para sua redução, nos moldes pleiteados no recurso, e, por outro lado, a cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de sanção confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 9430/96. Como sabido, todavia, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15956.000537/200732 Acórdão n.º 2402006.984 S2C4T2 Fl. 573 17 7 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, a fim de excluir da base de cálculo do lançamento os valores depositados e/ou creditados na conta 22668, do Banco do Brasil S/A. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 573DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721722/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.725
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 72 2/ 20 15 -0 2 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16682.721722/201502 Resolução nº 3201001.725 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16682.721722/201502 Resolução nº 3201001.725 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720008/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE METAS E CRITÉRIOS. INEXISTÊNCIA DE PACTO PRÉVIO. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
A ausência de fixação prévia de metas e critérios (pacto prévio) caracteriza inexistência de regras claras e objetivas previamente ao início do período aquisitivo ao recebimento de PLR, decorrendo o descumprimento da lei que regulamenta a matéria, atraindo, destarte, a incidência de contribuição previdenciária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS (NÃO EMPREGADOS). INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ART. 7°., XI, DA CF/88. LEI 10.101/2000. NÃO ABRANGÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA.
As verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários (não empregados) a título de PLR subsumem-se ao conceito de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência de contribuições previdenciárias, vez que não abrangidas pela imunidade conferida pelo art. 7°., XI, da CF/88, regulamentado pela Lei n. 10.101/2000.
PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. EXCEÇÕES. NÃO DEMONSTRAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto nas situações discriminadas em lei, nas quais a Recorrente não se enquadra, vez que não demonstradas, forte no § 4°. do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ENUNCIADO 108 DE SÚMULA CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE METAS E CRITÉRIOS. INEXISTÊNCIA DE PACTO PRÉVIO. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A ausência de fixação prévia de metas e critérios (pacto prévio) caracteriza inexistência de regras claras e objetivas previamente ao início do período aquisitivo ao recebimento de PLR, decorrendo o descumprimento da lei que regulamenta a matéria, atraindo, destarte, a incidência de contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS (NÃO EMPREGADOS). INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ART. 7°., XI, DA CF/88. LEI 10.101/2000. NÃO ABRANGÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. 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Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 54776/54816) em face do Acórdão n. 1055.691 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 54731/54755) que julgou improcedente a impugnação (efls. 54595/54723) e manteve os lançamentos lavrados em 20/01/2015 e constituídos em 28/01/2015, consignados nos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.015.4842 (antigo 51.015.4646) no valor total de R$ 9.067.009,49 com fulcro em i) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos Fl. 54826DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.827 3 benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados empregados, nas competências abril de 2010 a junho de 2010 e outubro de 2010 a dezembro de 2010; e ii) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados contribuintes individuais (diretores estatutários não empregados), nas competências março de 2010, julho de 2010 e agosto de 2010 e DEBCAD n. 51.015.4850 (antigo 51.015.4654) no valor total de R$ 2.089.485,30 com fulcro em contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados empregados, nas competências abril de 2010 a junho de 2010 e outubro de 2010 a dezembro de 2010 (efls. 54662/54684), conforme especificado no Relatório Fiscal (efls. 54563/54588). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 54595/54723) em 06/03/2015 (observandose reabertura de prazo concedida pela autoridade lançadora em 04/02/2015 efl. 54592), julgada improcedente pela DRJ/POA, nos termos do Acórdão n. 1055.691 (54731/54755), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. PROVA DOCUMENTAL. É de nenhum efeito o prévio protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas, inclusive a documental. SUSTENTAÇÃO ORAL. A legislação que disciplina o julgamento administrativo de primeira instância não autoriza a realização de sustentação oral. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser endereçadas ao domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição, tanto para o segurado empregado quanto para o segurado contribuinte individual, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por eles auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem Fl. 54827DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.828 4 decorrente da relação laboral não componha o saláriode contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n.º 10.101/2000, integra o salário decontribuição, para fins de incidência de contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 JUROS. TAXA SELIC. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de juros equivalentes à taxa Selic, calculados sobre o valor originário das contribuições apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 1055.691 (54731/54755) em 01/12/2015 (efl. 54774), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 54776/54816) na data de 30/12/2015 (efl. 54817), com os seguintes tópicos principais: i) preliminarmente, ausência de qualquer pedido de análise de constitucionalidade da Lei n. 10.101/00; ii) requisitos legais para o regular pagamento de PLR; iii) improcedência das acusações; iv) pagamentos de PLR aos diretores estatutários; v) impossibilidade de preclusão para apresentação de prova documental; e vi) ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 54776/54816) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato o Relatório Fiscal (efls. 54563/54588), no essencial: [...] Fl. 54828DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.829 5 Fl. 54829DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.830 6 Fl. 54830DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.831 7 [...] [...] [...] Fl. 54831DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.832 8 [...] Fl. 54832DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.833 9 Fl. 54833DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.834 10 [...] [...] A decisão recorrida, ao apreciar a matéria em sede de impugnação, assim se posiciona: Fl. 54834DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.835 11 [...] Da Participação nos Lucros e/ou Resultados Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o artigo 214, inciso I, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, o saláriodecontribuição, para o segurado empregado, corresponde à remuneração por ele auferida na empresa, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa”. Em relação ao segurado contribuinte individual, entendese por saláriodecontribuição, a teor do disposto no artigo 28, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999, combinado com o artigo 214, inciso III, do RPS, na redação dada pelo Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria”. Já o parágrafo 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, combinado com o parágrafo 9.º do artigo 214 do RPS, enumera, de forma exaustiva, as parcelas que não integram o saláriode contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária. Em sede administrativa, as parcelas que não integram a base de cálculo desse tributo vêm elencadas no artigo 58 da Instrução Normativa RFB n.º 971, de 13 de novembro de 2009 (DOU de 17 de novembro de 2009), que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Receita Federal do Brasil RFB. A legislação aplicável à espécie estabelece, portanto, como regra geral, a incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração total dos segurados a serviço da empresa; somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de isenção do pagamento dessa exação. E nem poderia ser de outra forma, haja vista, primeiro, que, nos termos do artigo 97, inciso VI, combinado com o artigo 175, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional CTN, somente a lei pode estabelecer hipótese de exclusão, ou, mais especificamente, de isenção do pagamento de contribuições sociais; e, segundo, que o artigo 111 desse mesmo código determina sejam interpretados Fl. 54835DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.836 12 literalmente os dispositivos legais que disponham sobre exclusão do crédito tributário, i.e., sobre isenção. Em conseqüência, por se tratar de exceção à regra, a interpretação do parágrafo 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 – assim como de qualquer outro dispositivo legal que estabeleça isenção do pagamento de tributos – deve ser feita de maneira restritiva, de sorte que, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o saláriode contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. Assim também quanto àquelas exações destinadas ao FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, que, na forma da legislação disciplinadora de cada uma delas, conforme elencada no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 54.557/54.558) do AI n.º DEBCAD 51.015.4654, incidem sobre a mesma base de cálculo (remuneração dos segurados empregados) das contribuições previdenciárias, e ficam, portanto, sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios destas últimas, inclusive no que se refere à cobrança judicial. Em assim sendo, as contribuições previdenciárias e aquelas destinadas a outras entidades e fundos incidem, regra geral, sobre a remuneração total do segurado empregado, excetuadas apenas e tãosomente aquelas parcelas definidas de forma expressa e exaustiva em lei. Especificamente no que pertine à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, o parágrafo 9.º, alínea “j”, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 estabelece que: Art. 28. [...] § 9.º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10 de dezembro de 1997) [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (Grifouse.) Destarte, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa não integra o saláriodecontribuição, para efeitos de incidência de contribuições,quando paga ou creditada de acordo com lei específica, qual seja, no caso, a Lei n.º 10.101/2000. A Lei n.º 10.101/2000, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores considerados nas peças de autuação – período de março de 2010 a dezembro de 2010 –, estabelece, no que interessa ao caso em apreço, a um, que a participação nos lucros ou resultados seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante (i) comissão Fl. 54836DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.837 13 escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; ou (ii) convenção ou acordo coletivo. Quanto à escolha entre um desses procedimentos, esta deve ser feita pelas partes, de comum acordo – Lei n.º 10.101/2000, artigo 2.º, “caput”; a dois, que dos instrumentos decorrentes da negociação constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros critérios e condições, (i) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e (ii) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente – Lei n.º 10.101/2000, artigo 2.º, parágrafo 1.º; e, a três, que o instrumento de acordo celebrado seja arquivado na entidade sindical dos trabalhadores – Lei n.º 10.101/2000, artigo 2.º, parágrafo 2.º. Observese, ainda, que a participação nos lucros ou resultados “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.” – Lei n.º 10.101/2000, artigo 3.º, “caput”; e que é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil – Lei n.º 10.101/2000, artigo 3.º, parágrafo 2.º. Examinado o Relatório Fiscal, bem assim as razões de impugnação, especialmente aquelas deduzidas no tópico “II.4. Da Improcedência das Infrações Apontadas pela I. Autoridade Fiscal”, verificase que a questão a ser enfrentada no presente voto, no tocante à participação dos segurados empregados nos lucros e/ou resultados da empresa, diz respeito ao cumprimento do disposto no parágrafo 1.º do artigo 2.º da Lei n.º 10.101/2000, que estabelece: Art. 2.º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1.º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 54837DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.838 14 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (Grifouse.) A autoridade lançadora, tendo em vista que os valores pagos a título de PLR, pela empresa, basearamse, a um, em pagamentos lineares a todos os empregados no ano de 2010, sem a devida estipulação e avaliação das metas traçadas; a dois, em indicadores que não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados; a três, em um acordo utilizado para premiar um esforço pretérito e não estimular uma produtividade futura; e, a quatro, em um percentual para o cálculo de valor devido de PLR em discordância com acordo coletivo, concluiu que os pagamentos realizados tratamse de mera liberalidade, com natureza jurídica de “abono”, “bem diversa daquela estabelecida pela Constituição Federal, art. 7.º, inciso XI e na Lei n.º 10.101/2000, sendo vinculada ao salário, e por conseqüência, compondo o saláriodecontribuição para efeito de tributação”. A impugnante, a seu turno, defende o entendimento de que a Lei n.º 10.101/2000 “regulou o pagamento de PLR de forma genérica, de modo a deixar a critério das partes a escolha dos critérios e condições que melhor atendam a seus interesses e segmento.” Observa, ainda, que as regras descritas nos incisos I e II do parágrafo 1.º do artigo 2.º da Lei n.º 10.101/2000 não constituem requisitos indispensáveis à caracterização da PLR, pois são apenas exemplos, aventados pela lei, de critérios que poderiam ser adotados. No aspecto, destaca o estabelecido na Cláusula Primeira da Convenção Coletiva 2009, nos itens 1.º e 2.º do Termo de Acordo 2009, e nas Cláusulas Quarta e Quinta das Convenções Coletivas 2010 – através de cuja análise tem como evidente que os critérios relativos à periodicidade da distribuição e ao período de vigência foram cumpridas. Assim também quanto às regras claras e objetivas para fixação dos direitos substantivos e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, em que foi eleito, como critério a ser observado pelas partes, o atingimento das metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido. Aduz que tal critério encontrase materializado no Plano Anual de Negócios, elaborado anualmente pela empresa, no qual se Fl. 54838DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.839 15 determina, no início de cada anocalendário, o resultado dos doze meses subseqüentes. Assim, com base no confronto entre o PAN e o resultado real obtido pela empresa, é feita a aferição do cumprimento das metas pelos seus trabalhadores. E uma vez atingidas as metas e/ou resultados mínimos estabelecidos no PAN resta constituída a obrigação de pagamento da PLR. Examina, ainda, as “quatro acusações” com base nas quais a autoridade fiscal concluiu que os valores pagos a título de PLR no exercício de 2010 possuem natureza salarial, não fazendo jus à isenção do pagamento das contribuições sociais objeto das peças de autuação. Isto posto, vejase. Na Convenção Coletiva para Pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados de fls. 709/711, celebrada entre o SINDIGÁS e a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, restou estabelecido em relação a todos os empregados que prestaram serviços no decorrer de 2009: CLÁUSULA PRIMEIRA Considerando que as metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido foram alcançados, as Empresas pagarão aos seus empregados até 31/10/2009, o valor correspondente a 125% (cento e vinte e cinco por cento) do salário base vigente em 01/09/2009, acrescido do adicional de periculosidade, quando devido, como pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados relativa ao ano de 2009, compensado de eventuais programas diferenciados que as Empresas tenham ou venham a implementar. Idêntica cláusula foi formalizada na Convenção Coletiva para Pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados de fls. 54.683/54.684, celebrada entre o SINDIGÁS e o Sindicato dos Trabalhadores em Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo de Ribeirão Preto. Já pelo Termo de Acordo para Pagamento de Participação nos Lucros e/ou Resultados de fls. 54.541/54.542, formalizado entre a impugnante e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo da Região do Grande ABC São Paulo, em 13 de abril de 2010, verificase, inicialmente, pelo que consta dos respectivos “considerandos”: a) que a impugnante efetuou, em 30 de outubro de 2009, o pagamento do valor correspondente a 125% do salário base, acrescido de adicional de periculosidade e/ou gratificação de função, quando devidos, a título de adiantamento da PLR relativa ao ano de 2009; Fl. 54839DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.840 16 b) que foi celebrado acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores e todas as empresas que compõem o SINDIGÁS, por meio do qual foi convencionado que, em 30 de abril de 2010, deveria ocorrer o pagamento, pelas empresas distribuidoras de GLP aos seus empregados, de complemento da PLR de 2009, no importe de 15%; c) que a Liquigás deliberou pela complementação do pagamento da PLR de 2009 em percentual superior ao ajustado no acordo mencionado na letra “b”, supra, “de forma a trazer maior benefício a seus empregados”. No caso, restou acordado diretamente entre a empresa e o referido sindicato que: 1.ª DO COMPLEMENTO DA PLR 2009 A Liquigás pagará em 30 de abril de 2010, a título de complemento final e quitação da Participação nos Lucros e/ou Resultados PLR referente ao exercício 2009, o valor correspondente a 40% (quarenta por cento) do salário base, acrescido de adicional de periculosidade e/ou gratificação de função, quando devidos. Parágrafo único: para efeito do caput dessa cláusula, serão considerados o salário base e a gratificação de função vigentes em 1.º de setembro de 2009. Assim também conforme Termo de Acordo para Pagamento de Participação nos Lucros e/ou Resultados de fls. 54.685/54.686, formalizado, em abril de 2010, entre a impugnante e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo de São Paulo. Na Convenção Coletiva de Trabalho 2010/2011 (fls. 706/707 e 54.476/54.477) celebrada entre o SINDIGÁS e o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Transporte Rodoanexo ABCDMRP e Rio Grande da Serra, para o período de setembro de 2010 a agosto de 2011, restou estabelecido em relação a todos os empregados que prestaram serviços no decorrer de 2010: CLÁUSULA QUARTA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS Considerando que as metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido estão sendo alcançados, as Empresas pagarão aos seus empregados até 31/10/2010, o valor correspondente a 170% (cento e setenta por cento) do salário base vigente em 01/09/2010, acrescido do adicional de periculosidade e gratificação de função, quando devidos, como pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados relativo ao ano de 2010, compensado de eventuais programas diferenciados que as Empresas tenham ou venham a implementar e os adiantamentos efetuados até outubro de 2010 a esse título. Fl. 54840DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.841 17 Parágrafo único. O presente pagamento é realizado em caráter de antecipação quanto à sua data, sendo que, ao final do exercício, após apuração de resultados finais, as empresas cujos resultados permitirem pagamento complementar à título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, poderão efetuar no exercício seguinte, observado o prazo mínimo legal. Registrese que essa Convenção Coletiva de Trabalho abrange a categoria profissional dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário locados nas Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo, com abrangência territorial em Diadema/SP, Mauá/SP, Ribeirão Pires/SP, Rio Grande da Serra/SP, Santo André/SP, São Bernardo do Campo/SP e São Caetano do Sul/SP. Idêntica cláusula foi formalizada nas Convenções Coletivas de Trabalho para Pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados 2010/2011 celebradas entre o SINDIGÁS e a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo (fls. 712/713 e 54.479/54.480) e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (fls. 54.689/54.690). Pelo Termo de Acordo para Pagamento de Participação nos Lucros e/ou Resultados de fls. 714/715, formalizado entre a Liquigás e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo da Região do Grande ABC São Paulo, em 19 de abril de 2011, verificase, inicialmente, que a impugnante efetuou, em 30 de outubro de 2010, o pagamento do valor correspondente a 170% do salário base, acrescido de adicional de periculosidade e/ou gratificação de função, quando devidos, a título de adiantamento da PLR relativa ao ano de 2010; Neste caso, restou acordado entre a empresa e o mencionado sindicato que: 1.ª DO COMPLEMENTO DA PLR 2010 A Liquigás pagará em 30 de abril de 2011, a título de complemento final e quitação da Participação nos Lucros e/ou Resultados PLR referente ao exercício 2010, o valor correspondente a 30% (trinta por cento) do salário base, acrescido de adicional de periculosidade e/ou gratificação de função, quando devidos. Parágrafo único: para efeito do caput dessa cláusula, serão considerados o salário base e a gratificação de função vigentes em 31 de dezembro de 2010. Da mesma maneira no Termo de Acordo para Pagamento de Participação nos Lucros e/ou Resultados de fls. 54.692/54.693, formalizado, em 19 de abril de 2011, entre a impugnante e o Fl. 54841DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.842 18 Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo. Assim colocada a questão, verificase que, efetivamente, restou inobservado, em relação aos segurados empregados a serviço da impugnante, o disposto no parágrafo 1.º do artigo 2.º da Lei n.º 10.101/2000, que determina sejam estabelecidas “regras claras e objetivas” para a fixação dos direitos substantivos concernentes à participação dos trabalhadores nos lucros e/ou resultados da empresa. No tocante aos pagamentos relativos à “participação” dos empregados que prestaram serviços no decorrer do ano de 2009, verificase, inicialmente, que foi convencionado, entre o sindicato representante das empresas distribuidoras de gás liquefeito de petróleo e entidades sindicais representantes de trabalhadores a serviço dessas mesmas empresas, apenas o pagamento de um valor linear, para todos os trabalhadores, correspondente a 125% do salário base vigente em 1.º de setembro de 2009, acrescido do adicional de periculosidade, quando devido, sob o vago e indeterminado fundamento de que “as metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido foram alcançados”. (Grifouse.) Observese que nada consta, nas convenções de fls. 709/711 e fls. 54.683/54.684, acerca do pagamento de uma segunda parcela, relativa ao ano de 2009, a ser efetuado no primeiro semestre do ano de 2010. Na seqüência, examinados dois termos de acordo para pagamento de participação nos lucros e/ou resultados (fls. 54.541/54.542 e 54.685/54.686), formalizados em abril de 2010, entre a própria impugnante e entidades sindicais representantes de seus trabalhadores, constatase, primeiro, que teriam sido celebrados acordos – não anexados pela impugnante aos autos, fato que obviamente impede o seu exame – entre os sindicatos dos trabalhadores e todas as empresas que compõem o SINDIGÁS, estabelecendo que, em 30 de abril de 2010, deveria ocorrer o pagamento, pelas empresas distribuidoras de GLP aos seus empregados, de complemento da PLR de 2009, no importe de 15%; e, segundo, que a Liquigás deliberou pelo pagamento da complementação da PLR de 2009 em percentual superior ao ajustado nos acordos entre os sindicatos dos trabalhadores e as empresas que compõem o SINDIGÁS. Em assim sendo, depreendese que, posteriormente às convenções coletivas de fls. 709/711 e 54.683/54.684, foi acordado o pagamento pelas distribuidoras de GLP aos seus empregados, a título de complemento da PLR de 2009, no percentual de 15% – sobre quais bases de cálculo e mediante o alcance de quais metas e/ou resultados não se sabe, na medida em que os instrumentos correspondentes a tais acordos não foram trazidos aos autos. Fl. 54842DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.843 19 Em relação à impugnante, todavia, verificase que o percentual de 15% foi efetivamente aumentado para 40%, em abril de 2010, para pagamento até o dia 30 desse mesmo mês, inexistindo qualquer referência, mesmo que vaga, acerca de metas e/ou resultados mínimos atingidos em 2009, mas tãosó o objetivo declarado de a empresa “trazer maior benefício a seus empregados” – o que de forma alguma se enquadra nas disposições constantes do parágrafo 1.º do artigo 2.º da Lei n.º 10.101/2000, que determina sejam estabelecidas “regras claras e objetivas” para a fixação dos direitos substantivos concernentes à participação dos trabalhadores nos lucros e/ou resultados da empresa, mais se assemelhando a uma simples gratificação acrescentada à remuneração do empregado. No tocante à Convenção Coletiva de Trabalho 2010/2011, melhor sorte não assiste à impugnante. Também aqui foi ajustado, conforme Convenções Coletivas de Trabalho 2010/2011 (fls. 706/708, 712/713, 54.476/54.477, 54.479/54.480 e 54.689/54.690), o pagamento, até 31 de outubro de 2010, a título de “participação” dos empregados que prestaram serviços às empresas representadas pelo SINDIGÁS, de um valor linear, para todos os trabalhadores, correspondente agora a 170% do salário base vigente em 1.º de setembro de 2010, acrescido do adicional de periculosidade e gratificação de função, quando devidos, tendo como fundamento igualmente a vaga e indeterminada referência a “metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido [que] estão sendo alcançados”. (Grifouse.) Neste caso, foi prevista, ao final do exercício, a complementação da PLR 2010/2011 – o que veio a ser objeto dos termos de acordo de fls. 714/715 e 54.692/54.693, em que restou acertado o pagamento, pela Liquigás, até 30 de abril de 2011, a título de complemento final e quitação da PLR referente ao exercício 2010, de valor correspondente ao percentual único de 30% do salário base, acrescido de adicional de periculosidade e/ou gratificação de função, quando devidos. O exame deste pagamento complementar, todavia, não diz respeito ao presente processo, que trata apenas do exercício de 2010, objeto de exame pela autoridade lançadora. Observese que em nenhuma das convenções coletivas e termos de acordo examinados neste processo foram estabelecidas quaisquer regras adjetivas, pertinentes à aferição das informações relativas ao cumprimento do acordado, nem tampouco fixados quaisquer índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nem pactuados previamente programas de metas e resultados. Destaquese, ainda, a um, que não cabe à autoridade lançadora indicar quais normas deveriam ser incluídas nas convenções coletivas, limitandose a atividade de auditoria fiscal, “in casu”, ao exame da situação encontrada na empresa, em confronto com as disposições estabelecidas na Lei n.º 10.101/2000, na redação Fl. 54843DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.844 20 vigente em 2010, época da ocorrência dos fatos geradores considerados nos AIs n.º DEBCAD 51.015.4646 e 51.015.4654; e, a dois, que os fundamentos que ensejaram a autuação da empresa foram descritos de forma clara e suficiente, tanto que perfeitamente identificadas pela própria impugnante, ao analisar as “quatro acusações” a partir das quais a autoridade fiscal concluiu que os pagamentos realizados em 2010, a título de PLR, não aproveitavam o benefício estatuído na Lei n.º 10.101/2000. Destarte, concluise que os pagamentos efetuados pela impugnante, a seus empregados, a título de complementação da PLR 2009 e antecipação da PLR 2010/2011, não observaram o disposto no parágrafo 1.º do artigo 2.º da Lei n.º 10.101/2000, na medida em que se limitaram a tãosomente a estabelecer o pagamento de determinado percentual incidente sobre a remuneração de cada trabalhador, sem qualquer vinculação com o alcance de metas e resultados previamente pactuados. Em assim sendo, temse como correta a inclusão de tais pagamentos nas bases de cálculo das contribuições previdenciárias patronais, consoante o disposto no artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, e alterações, bem assim daquelas destinadas a outras entidades e fundos, objeto de lançamento por meio dos AIs n.º DEBCAD 51.015.4646 e 51.015.4654. Dos pagamentos de PLR a diretores estatutários não empregados Quanto aos pagamentos efetuados à conta de participação dos diretores não empregados (segurados contribuintes individuais) nos resultados da empresa, estes não aproveitam o benefício da isenção do pagamento de contribuições – que se destina somente aos valores pagos, a tal título, a segurados empregados. É o que estabelecem a Lei n.º 10.101/2000, em seus artigos 2.º, “caput”, e 3.º e seu parágrafo 1.º, bem assim o parágrafo 9.º, inciso X, do artigo 214 do RPS. Nesse sentido, também, o artigo 58, inciso X, da IN RFB n.º 971/2009. No que pertine às disposições acerca da participação de diretores nos lucros ou resultados da empresa, estabelecidas na Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, especialmente os seus artigos 152, 190 e 201, não têm elas aplicação ao caso em tela, na medida em que não se discute se essa participação ocorreu, ou não, na forma dessa lei, que dispõe sobre as sociedades por ações, mas sim se foram observadas, ou não, às disposições das Leis n.º 8.212/91 e 10.101/2000, para que tal participação esteja isenta da incidência de contribuições. Nenhum reparo há a fazer, quanto a este aspecto, no que pertine ao AI n.º DEBCAD 51.015.4646. [...] Muito bem. Fl. 54844DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.845 21 A Recorrente inicia a peça recursal alegando, preliminarmente, que não espera deste CARF qualquer análise ou decisão acerca da inconstitucionalidade da Lei n. 10.101/00, mas sim que a sua interpretação à luz da imunidade conferida pela CF/88. Nesse sentido, afirma que os pagamentos de PLR gozam de imunidade tributária no tocante à incidência das contribuições sociais, e, portanto, a aplicação da Lei 10.101/00 deve observar essa característica. De fato, da mesma forma que a DRJ, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do Enunciado n. 2 de Súmula CARF. Entretanto, com relação à imunidade dos pagamentos de PLR, diferente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida procedeu, de forma elucidativa e pormenorizada, a aplicação da Lei n. 10.101/00 em consonância com a CF/88, conforme se depreende da leitura do excerto do voto acima reproduzido. Feito esse breve esclarecimento, passo à apreciação das questões de mérito enfrentadas pela Recorrente. Conforme já informado, a Recorrente concentra, no mérito, a sua argumentação nos seguintes tópicos: requisitos legais para o regular pagamento de PLR; improcedência das acusações; pagamentos de PLR aos diretores estatutários; impossibilidade de preclusão para apresentação de prova documental; e ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. No que diz respeito às argumentações referentes aos pagamentos de PLR, que no meu entender abrangem os tópicos identificados na peça recursal por i) requisitos legais para o regular pagamento de PLR; ii) improcedência das acusações e iii) pagamentos de PLR aos diretores estatutários, a análise norteiase pelo confronto da realidade fática verificada pela autoridade lançadora e consubstanciada no Relatório Fiscal (efls. 54563/54588), que respaldaram os lançamentos em litígio, confirmados integralmente pela instância de piso, com a CF/88 (art. 7°., XI) e legislação pertinente, com destaque para a Lei n. 10.101/2000 e Lei n. 8.212/1991. Pois bem. No curso de suas alegações, a Recorrente elabora quadro ilustrativo confrontando os requisitos da Lei n. 10.101/2000 e a sua conduta frente a cada um deles, no tocante aos pagamentos de PLR realizados nos meses de março a dezembro do AC 2010: Fl. 54845DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.846 22 A Recorrente afirma que nenhuma outra formalidade, além daquelas elencadas no quadro supra, é exigida pela legislação, não cabendo à RFB criar qualquer outro requisito, sob pena de desrespeitar a CF/88, bem assim a Lei n. 10.101/2000. Em face das alegações da autoridade lançadora, ratificadas pela DRJ, a Recorrente as enfrenta nos seguintes termos: [...] 1° Acusação: Os pagamentos foram feitos a todos os empregados, sem a devida estipulação e avaliação das metas traçadas 46. Conforme a Recorrente já esclareceu anteriormente, a legislação não define quais critérios devem ser utilizados para o pagamento de PLR, ou seja, devese deixar claro que não há nenhuma obrigatoriedade para elaboração de cálculo, de Fl. 54846DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.847 23 sistema de cálculo individualizado para cada empregado ou de sistema de metas. 47. A Lei 10.101/00 estabelece sim a necessidade de regras claras e objetivas, mas somente com a intenção de que os empregadores negociem com os seus empregados, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas sejam atingidas. 48. Isso foi claramente cumprido pela Recorrente! Conforme já demonstrado, as Convenções Coletivas determinam o percentual a ser pago caso sejam cumpridas às metas mínimas quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro. 49. Referidas médias quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro estão materializadas no PAN, que traça todas as metas a serem cumpridas naquele anocalendário. Através do confronto entre o PAN e os resultados reais obtidos verificase facilmente se as metas foram alcançadas. 50. Ao contrário do que faz parecer a r. decisão recorrida, o parágrafo 10 do artigo 2° da Lei 10.101/00 não é taxativo, mas exemplificativo, ao conferir a possibilidade de serem considerados índices de produtividade, qualidade ou lucratividade. 51. Como exposto anteriormente, o PAN (doc 07 da Impugnação) que determinou, no início de cada anocalendário, as metas de resultados dos 12 meses subsequentes. Neste documento foi analisado, por exemplo, i) os orçamentos das áreas de negócios, ii) receitas de vendas e outras receitas, iii) gastos de custeios e investimentos, iv) resultados econômicos, fluxo de caixa, valor econômico agregado, etc. 52. Através do confronto entre o PAN e o resultado real obtido pela Recorrente é que foi feita a aferição do cumprimento das metas pelos trabalhadores da Recorrente. Isso fica cristalino através do confronto entre os PANs para os anos de 2009 e 2010 e as demonstrações financeiras da Recorrente (doc. 08 da Impugnação). 53. A título exemplificativo, para o anocalendário de 2010, a expectativa de lucro líquido era de 100 milhões, todavia através da análise das demonstrações financeiras da Recorrente se verifica que o lucro líquido foi de 134 milhões, superando em muito todas as expectativas. O mesmo se deu no ano calendário de 2009. A expectativa de lucro líquido era de 72 milhões, todavia através da análise das demonstrações financeiras da Recorrente se verifica que o lucro líquido foi de 114 milhões. 54. Portanto, tendo sido atingidas as metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido contido no PAN, a Recorrente tinha a obrigação de pagar PLR aos seus funcionários. Fl. 54847DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.848 24 55. Nesse contexto, é evidente que a adoção do PAN como meta objetiva para o anocalendário representa critério válido para a aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. 2° Acusação: Os indicadores não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados 56. Novamente, importante destacar que a Lei 10.101/00 não determina a necessidade de que o pagamento de PLR seja efetuado com base no desempenho individual de cada empregado. Não existe qualquer previsão legal para instituição obrigatória de PLR com base em métricas individuais. A PLR, nos termos da legislação em vigor pode ser instituída de forma geral ou individualizada, variando de acordo com o juízo de conveniência das partes envolvidas. 57. Nesse sentido, podemos ver entendimento proferido pelo Tribunal Superior do Trabalho e por este E. CARF: "PARCELA REMUNERATÓRIA NATUREZA JURÍDICA COMISSÕES OU PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADO INTEGRAÇÃO A participação nos lucros, sinteticamente, tem por escopo distribuir o resultado financeiro do empreendimento entre os empregados levandose em consideração a importância do fator trabalho como uni todo, motivando o obreiro e integrandoo na estrututura organizacional da empresa. Defluise, de plano, que não objetiva premiar este ou aquele trabalhador, mas o conjunto da força labora! que contribuiu para o êxito do negócio empreendido. [.4" (RR 752847/2001) (grifos nossos) "PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS EM CONVENÇÃO COLETIVA. ESTABELECIMENTO DE METAS INDIVIDUAIS. PAGAMENTO DE VALORES SUPERIORES AO ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. A ausência de participação dos empregados na elaboração de Convenção vista que, nesse caso, a participação do empregado se manifesta indiretamente, através do seu Sindicato. A participação direta do empregado só é exigida caso o Programa de PLR seja estabelecido por acordo firmado entre Comissão de Empregados e Empregadores, não por Convenção Coletiva de Trabalho. O art. 2°, §1°, da Lei n° 10.101/00 determina que as regras para apuração da participação nos lucros sejam claras e objetivas. Entretanto, não há necessidade de que tais regras sejam criadas de forma individual, sendo possível a criação de regras a serem aplicadas ao grupo ou setor da empresa. Além de a Convenção Coletiva de Trabalho estipular a possibilidade de pagamento de valores superiores através de Plano Próprio de PLR, os valores foram pagos dentro dos limites estabelecidos no denominado Programa Participar. Não há vedação à estipulação, em Plano Próprio, de valores superiores aos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho." Fl. 54848DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.849 25 (Acórdão n° 2401003.539 4° Câmara / ia Turma Ordinária. Sessão de 14 de maio de 2014) 58. Portanto, nem as autoridades fiscais, tampouco o Poder judiciário, possuem competência para delimitar os critérios convencionados pelas partes, uma vez que a PLR é acordo oferecido pela empresa e conquistado pelos trabalhadores, em que o resultado financeiro positivo se dá pelo esforço comum. 59. Ora, foram revisitados nas presentes razões todos os requisitos legais necessários para o regular pagamento de PLR e não há na Lei 10.101/00 nenhuma obrigatoriedade de cálculo ou de sistema de cálculo individualizado para cada empregado. Muito menos de valor previamente estipulado para o pagamento de PLR. Até porque tal determinação legal seria absurda! Como poderia uma empresa, dentro do exercício regular de suas atividades, estabelecer um cálculo individual para cada empregado para o pagamento de PLR? Ou antes mesmo de conhecer os resultados daquele exercício, distribuir a cada funcionário um valor de PLR? 60. A Lei 10.101/00 estabelece sim a necessidade de regras claras e objetivas, sugerindo critérios e condições para o pagamento de PLR, tais como índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 61. Ou seja, nem mesmo entre as mencionadas recomendações de critérios da Lei n° 10.101/00 encontrase a obrigatoriedade de fórmula matemática que determine o valor a ser recebido por cada empregado individualmente. 62. A fim de ratificar o aqui exposto, vale transcrever trechos de diversos julgados deste E. CARF nos quais foi completamente afastada a necessidade de um cálculo individualizado ou de valores/percentuais predeterminados, in verbis: "Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exi2ir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adotasse a lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se aferir individualmente a parcela de contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de unia empresa de grande porte atribuída individualmente a uni trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como Fl. 54849DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.850 26 tal parcela reinuneratória"(Acórdão n° 240202.508, 4' Câmara, 2' Turma Ordinária, Relator Julio Cesar Vieira Gomes, Sessão de 12/03/2012) (grifos nossos) "Quanto a falta de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direito dos funcionários a PLR e a falta de previsão de percentual que cada trabalhador teria direito, cabe esclarecer, em primeiro lugar, que não há, na legislação, a determinação de percentuais ou valores prévios para que não haja incidência de contribuição." (Acórdão n° 20501.178, 2° Conselho de Contribuintes 5ª Câmara, Relator Marcelo Oliveira, Sessão de 07/10/2008) (grifos nossos) 63. Importa observar que a estratégia perseguida pela Recorrente é a de motivar o grupo em detrimento do indivíduo. A Recorrente acredita que o incentivo mais eficaz e duradouro para o aumento da sua produtividade, como um todo, é aquele onde todos os seus colaboradores trabalham em equipe, vestindo a camisa da empresa, motivados. A Recorrente não privilegia em sua estratégia de crescimento metas individuais. Ou seja, não premia o esforço individualista, desassociado do grupo. O esforço individual pode gerar resultados individuais excepcionais, no curto prazo, mas não tem a capacidade de movimentar todos os colaboradores em uma única direção, em um movimento contínuo e duradouro. Esse é o motivo de pagamentos similares aos trabalhadores e da estipulação de metas empresarias únicas, por meio do PAN. Juntos, motivados, em uma única direção em beneficio da empresa. Valores individualizados, por outro lado, geram competições internas, centralização de trabalho, dificuldades em delegar atividades, atitudes egoísticas, etc. 64. Independentemente do exposto, é fato que não cabe à RFB avaliar e discutir a estratégia de recursos humanos da Recorrente. Além de faltar competência para os senhores agentes fiscais, que não têm a devida formação para opinar sobre esse tema empresarial (e muitos outros também), é uma nítida invasão do Estado no campo das atividades privadas. 65. Enfim, por todos os ângulos que se analise o tema, o questionamento da RFB é descabido, fora de sua competência técnica e ilegal. 3ª Acusação: O acordo busca premiar um esforço pretérito e não estimular uma produtividade futura 66. A acusação fiscal embasou a suposta ilegalidade dos pagamentos do PLR realizados pela Recorrente no fato de que grande parte dos pagamentos ocorreu em abril de 2010. Isso porque (i) o período de vigência da Convenção2009 foi previsto entre o período de setembro de 2009 a agosto de 2010 e (ii) o pagamento do PLR ocorreu 5 meses antes do final do período de vigência da Convenção 2009. Deste modo, concluiu que o pagamento foi feito antes do final do período estipulado para cumprimento das metas. Fl. 54850DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.851 27 67. Esta equivocada conclusão da acusação fiscal consta, inclusive, de trecho do relatório da r. Decisão recorrida.. Como se verá a seguir, tais informações estão equivocadas e podem ter indevidamente induzido um entendimento incorreto acerca dos fatos e da documentação apresentada por parte da r. decisão recorrida. 68. Isto porque, o período de apuração da PLR paga em abril de 2010 se refere ao anocalendário 2009 como um todo, isto é, de janeiro a dezembro. Em sendo assim, o referido pagamento se referia às metas estipuladas e cumpridas no ano anterior, isto é, ao longo de 2009. 69. Novamente, depreendese que a acusação fiscal tenta se basear em regras que não estão previstas na legislação vigente. Assim sendo, sob os mesmos argumentos utilizados anteriormente, não assiste razão à r. decisão recorrida. 70. Ademais, importante ressaltar que os pagamentos que foram realizados com base na Convenção de 2010 Minério e na Convenção 2010 Transportes, no anocalendário de 2011, sequer foram objeto da acusação fiscal, o que por si só demonstra que tal argumentação é inaplicável a estas Convenções. 71. Ora, a Lei 10.101/00 não estabelece prazo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento de PLR, não cabendo a acusação fiscal fazêlo. Destarte, não se pode dizer que o pagamento de PLR ocorrido 7 meses após a conclusão das negociações da Convenção Coletiva viola diretamente a legislação de regência. Fato é que o pagamento que está sendo questionado pela acusação fiscal ocorreu após a aferição dos resultados e metas atinentes ao anocalendário 2009. 72. Importante ressaltar que o pagamento de antecipação de PLR e o pagamento posterior, que ocorreu em abril de 2010, condizem com as finalidades do beneficio e faz com que o programa seja mais equilibrado. Assim sendo, como nenhuma sociedade pode prever se seus lucros serão afetados por fatores externos, uma vez que ainda pode estes desconhecer, a Convenção Coletiva veio garantir um pagamento mínimo de PLR que ocorreu antes do encerramento do anocalendário e não foi objeto de questionamento pela acusação fiscal. 73. Ademais, os pagamentos da antecipação (não objeto de questionamento) e do complemento em abril de 2010 estão em perfeita consonância com a Lei 10.101/00, que estabelece que a distribuição de valores a título de PLR não poderá ser inferior a um trimestre civil, respeitandose o limite de dois pagamentos anuais. 74. Não atende aos critérios de razoabilidade e de proporcionalidade estabelecer uma condição adicional àquelas já estabelecidas expressamente pela Lei 10.101/00, se o direito a que se pretende dar proteção já está garantido por outros meios, estes também expressamente previstos na legislação em análise. Fl. 54851DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.852 28 75. A situação aqui debatida é similar e comparável aos acórdãos citados abaixo, nos quais os pagamentos de PLR foram pagos poucos dias após a assinatura/fechamento dos Acordos Coletivos. Observe que estes casos são ainda mais graves, pois os empregados nem sabem quais metas que deverão ser cumpridas no anocalendário, e mesmo assim a jurisprudência entendeu pela não incidência de contribuições previdenciárias. Veja as ementas: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA. ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTÊNCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS.A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo." (Acórdão CSRF n° 9202003.192 2 Turma. Sessão de 06 de maio de 2014) (grifos nossos) "PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA.No caso em tela não há incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, devido à celebração do acordo ter ocorrido no término do período de aferição de metas.A legislação específica que dirime a questão, Lei 10.101/2000, não aponta a necessidade de prazo para a celebração do acordo de atingimento de metas, lucros ou resultados." (Acórdão 1102301003.737 3' Câmara / ia Turma Ordinária. Sessão de 19 de setembro de 2013) (grifos nossos) 76. Desta forma, resta evidente que a Lei 10.101/2000 não aponta a necessidade de prazo para a celebração do acordo ou para o pagamento do PLR. 77. Ademais é inverídica a afirmação de que a Recorrente busca premiar um esforço pretérito e não estimular uma produtividade futura! 78. Isso porque conforme já explicado, as metas de lucratividade do ano são estabelecidas no início do ano calendário por meio do PAN. Ou seja, buscase sim uma lucratividade futura naquele ano! 79. Adicionalmente, apesar das Convenções serem usualmente assinadas no segundo semestre, suas negociações são iniciadas no início do ano. Ocorre que, por se tratar de órgãos de classes que representam o interesse de milhares de trabalhadores e empresas, referidas negociações demandam tempo para serem concluídas. Em outras palavras, quando se toma por base o Fl. 54852DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.853 29 início das negociações das Convenções, resta claro que os funcionários da Recorrente precisam envidar esforços futuros para atingir as metas estabelecidas no PAN! 80. Outro importante item a ser considerado é que o PLR aqui discutido segue um modelo comum para todos os PLR executados pela Recorrente. Dessa forma, o sindicato, empresa e trabalhadores já sabem no início de cada ano que para ter direito ao PLR as metas e condições previstas no PAN deverão ser atingidas. Portanto, a empresa e os trabalhadores já sabem, logo no início do ano, que precisarão atingir as referidas metas e condições. 81. A afirmação da acusação fiscal no sentido de que a Convenção está premiando um esforço pretérito além de ser inverídica em nada guarda similitude com a realidade na medida em que presume que as metas de produtividade são estabelecidas e a Convenção começa a ser negociada no mês em que assinada. Nada mais absurdo! 82. Com isso, resta comprovado que o pagamento de PLR realizado pela Recorrente premiou sim uma produtividade futura em decorrência de esforços futuros que foram realizados pelos trabalhadores da Recorrente. 4ª Acusação: O percentual para o cálculo do valor de PLR está em discordância com o Acordo Coletivo 83. A acusação fiscal identificou supostas discrepâncias entre os valores de PLR, relativos ao anocalendário 2009, pagos pela Recorrente e os percentuais previstos na Convenção 2009. Importante ressaltar, desde já, que os pagamentos de PLR relativos ao anocalendário 2010 não são objeto da presente acusação. 84. Segundo o Relatório Fiscal, a Recorrente utilizou "um percentual (40%) para o cálculo de valor devido de PLR Final do primeiro semestre de 2010, superior ao pactuado no Acordo Coletivo de 2009 (15%)". 85. De fato, conforme anteriormente mencionado, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo — SINDIGÁS e a Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo celebraram o Termo Aditivo (doc. 01) à Convenção 2009 definindo o pagamento de PLR a título de complemento final e quitação, o valor correspondente a 15% (quinze por cento) do salário base vigente em 1° de setembro de 2009. 86. No entanto, a acusação fiscal deixou de observar que a Recorrente elaborou o Termo 2009 (doc. 05 da Impugnação), em 03/05/2010, determinando o aumento do percentual anteriormente pactuado de 15% (quinze por cento) para 40% (quarenta por cento).Vejamos: "Considerandos.. Fl. 54853DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.854 30 (3) Que foi celebrado instrumento de acordo entre o Sindicado dos Trabalhadores e todas as empresas que compõem o SINDIGÁS, por meio do qual foi convencionado que em 30/0 1/2010 deverá ocorrer o pagamento pelas Distribuidoras de GLP aos seus empregados, de complemento da PLR/2009, no importe de 15%; (c) Que a LIQUIGÁS, observadas as normas legais aplicáveis, deliberou pelo pagamento de percentual de complemento da PLR/2009 superior ao justado no instrumento mencionado no item precedente, conforme cláusula primeira desses termo, de forma a trazer maior benefício a seus empregados; (d) Que em razão da deliberação pela distribuição de percentual superior, o instrumento de acordo já celebrado conforme citado no item "c" supra, deixa de produzir os seus regulares efeitos quanto às obrigações assumidas e a quitação conferida à LIQUIGÁS. 1° Do complemento da PLR 2009 A LIQUIGAS pagará em 30 de abril de 2010, a título de complemento final e quitação da Participação nos Lucros e/ou Resultados PLR referente ao exercício de 2009, o valor correspondente a 40% (quarenta por cento) do salário base [..] " 87. Nesse sentido, tendo em vista a deliberação de pagamento de PLR em percentual superior àquele estabelecido no Termo Aditivo à Convenção 2009 (40% ao invés de 15%), este não pode ser aplicável à Recorrente. Importante ressaltar que a majoração do percentual do PLR a ser pago foi, inclusive, reconhecido pela r. decisão recorrida, conforme se depreende do trecho constante da página 22, in verbis: "Em relação à impugnante, todavia, verificase que o percentual de 15% foi efetivamente aumentado para 40%, em abril de 2010, para pagamento até o dia 30 desse mesmo mês (.)" 88. Por todo exposto e em linha com as descrições feitas ao longo das presentes razões, resta evidente que a Recorrente estabeleceu regras claras e objetivas para o pagamento de PLRs que ocorreram no anocalendário de 2010, que estavam claramente dispostas nas Convenções 2009, 2010Minério e 2010Transporte, restando demonstrada a necessidade de reforma dos autos de infração aqui combatidos. Quanto ao pagamento de PLR aos Diretores Estatutários, a Recorrente esgrime os seguintes argumentos: 89. Sem se preocupar em rebater e analisar cada um dos fundamentos de defesa apresentados pela Recorrente em sua Impugnação, a r. decisão recorrida dedicou apenas dois parágrafos para concluir que os pagamentos de PLR aos diretores estatutários estariam sujeitos à incidência das contribuições ora exigidas nos autos de infração em razão da Fl. 54854DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.855 31 ausência de vínculo empregatício existente apenas para os segurados empregados. 90. No entanto, conforme será demonstrado a seguir, fato é que o argumento constante do Relatório Fiscal ll e utilizado pela r. decisão recorrida não merece prosperar, já que carece de fundamentos fáticos e jurídicos a ensejar a fundamentação do lançamento realizado. 91. Pois bem. Conforme ressaltado anteriormente, a interpretação a ser adotada na subsunção do caso a norma deve ser feita à luz da Constituição, e não restritiva em razão da imunidade de PLR em relação às contribuições sociais, conforme artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federall2 (conquanto que atendidos os pressupostos definidos na Lei 10.101/00). 92. Dessa forma, ao analisar os requisitos da Lei 10.101/00, o intérprete deve sempre procurar perseguir o intuito do legislador constituinte ao proteger os pagamentos de PLR da incidência das contribuições previdenciárias. 93. Logo, as verbas pagas a título de distribuição de lucros ou resultados pela Recorrente jamais poderiam ser caracterizadas como remuneração. Principalmente pelo fato de se caracterizarem como benefício concedido por mera liberalidade da Recorrente, já que estão ausentes em tais verbas os principais pressupostos para configuração do salário, quais sejam, a habitualidade e a contraprestação por serviço prestado. 94. Além disso, ao contrário da acusação fiscal e da r. decisão recorrida, não prevalece o entendimento de que a Lei 10.101/00 não seria aplicável aos administradores, isto é, diretores não empregados), pois não há nenhum dispositivo legal que leve a tal entendimento. 95. O próprio artigo 7°, XI, da CF/88 aponta que PLR pode ser paga a qualquer trabalhador, não sendo destinada exclusivamente aos que detém a condição de empregados. Caso o legislador tivesse a intenção de aplicar tais renúncias fiscais somente às remunerações percebidas pelos segurados empregados assim o teria feito expressamente, algo que não ocorreu. 96. Nesse sentido, confira o entendimento proferido nas decisões13 deste E. CARF: [..] Discordo da decisão de primeira instância com relação ao fato de que o pagamento da PLR não pode alcançar os diretores da recorrente. A caracterização das verbas pagas pelo empregador aos trabalhadores como distribuição de lucros, nos termos da Lei 10.101/00, depende da desvinculação da remuneração e da ausência de habitualidade. Nem a Lei supra mencionada nem o art. 28, 9 da Lei 8212/91 fazem ressalva de que somente os segurados empreRados podem ser beneficiados Fl. 54855DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.856 32 com o paRamento de PLR. (Acórdão n° 2403002.387. 4° Câmara/ 3° Turma Ordinária. Data: 21.01.2014) (grifos nossos) 97. Ressaltase que os lucros auferidos pela Recorrente para distribuição foram decorrentes do esforço mútuo de todos, seja empregado ou diretor estatutário, não fazendo nenhum sentido existir qualquer distinção à aplicação da previsão constitucional de participação nos lucros e resultados. 98. E ainda, devese observar que os pagamentos de PLR aos diretores estatutários da Recorrente decorrem de acordos efetuados entre os acionistas e diretores, sujeitandose às regras da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 ("Lei 6.404/76"), haja vista que a Recorrente é uma sociedade anônima. 99. Portanto, a Recorrente distribuiu seus lucros aos diretores estatutários, conforme disposto em seu próprio Estatuto Social, por meio do órgão competente, isto é, Assembleia Geral Ordinária ("AGO"), em que foi deliberada a aprovação do pagamento de participação nos lucros em razão dos resultados positivo alcançados pela empresa. 100. Para tanto, contudo, valeuse a Companhia da previsão contida no artigo 152, parágrafo 1°, da Lei 6.404/76, o qual assim estabelece: "Art. 152. A assembleiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1° O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor." (grifos nossos) 101. Dessa forma, os valores pagos aos administradores está em consonância com a lei específica (Lei 6.604/76) aplicável à referida espécie de segurados (contribuintes individuais), a qual foi observada regularmente. Nesse sentido já se manifestou, inclusive, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região.. 102. A Lei 6.404/76 sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores das eventuais participações nos lucros ou resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. 103. Nesse contexto, ao contrário da r. decisão recorrida, não há que se falar na aplicação do artigo 28 da Lei 8.212/91, pois tal dispositivo é aplicável tão somente aos segurados empregados com vínculo de emprego nos termos do artigo 3° da CLT e os Fl. 54856DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.857 33 valores recebidos pelos diretores estatutários da Recorrente não se inserem na relação jurídica "Empregador x Empregado", mas sim na "Acionista x Diretores". 104. Verificase que esse raciocínio também é corroborado por este E. CARF: "PLR. DIRETORES ESTATURÁRIOS. POSSIBILIDADE. A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos diretores não empregados enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, em virtude de expressa previsão legal (Lei 6.404/76)." (Acórdão n° 2803004.090 3ª Turma Especial da 2° Sessão de Julgamento. Sessão de 12 de fevereiro de 2015) "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS NÃO EMPREGADOS. APLICAÇÃO DA LEI N° 6.404/76. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei n° 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre "Acionistas x Diretores/Administradores", não se sujeitando às regras previstas na Lei n°8.212/91, que se referem à relação jurídica "Empregador x Empregado". Assim, não merece prosperar o lançamento efetuado sob o argumento de que somente os segurados empregados poderiam ser considerados beneficiários do pagamento de PLR par fins de não incidência das contribuições previdenciárias." (Acórdão n°2402 003.995 2ª Turma da 4ª Câmara da 2 a Seção de Julgamento. Sessão de 19 de março de 2014) "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N° 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI N° 8.212/91. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei n° 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre "Acionistas x Diretores/Administradores", não se sujeitando às regras previstas na Lei n° 8.212/91, que se referem à relação jurídica "Empregador x Empregado"." (Acórdão n° 2402002.884 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. Sessão de 26 de novembro de 2012) "DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N° 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI N° 8.212/91.A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei n° 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre "Acionistas x Diretores/Administradores", não se sujeitando às regras previstas na Lei n° 8.212/91, que se referem à relação jurídica "Empregador x Empregado"." (Acórdão n°2402002.883 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. Sessão de 10 de julho de 2012) 105. Com isso, diante de todo exposto, percebese que: (i) A regulamentação da PLR pela Lei 10.101/00 se deu de forma bastante genérica; Fl. 54857DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.858 34 (ii) Essa regulamentação teve por objetivo dar liberdade às partes para negociarem os critérios e condições que lhe pareçam mais justos e adequados na repartição dos lucros e resultados da empresa; (iii) Como a PLR tem imunidade constitucional, a interpretação a ser adotada na subsunção do caso à norma (Lei 10.101/00) deve ser extensiva, e não restritiva, sendo defeso à fiscalização criar requisitos não previstos em lei e se imiscuir nos critérios eleitos de comum acordo entre as partes e (iv) Os valores pagos a título de PLR aos diretores da Recorrente decorrem de uma relação jurídica firmada entre "Acionistas x Diretores", conforme previsto a Lei 6.404/76. [...] Muito bem. A CF/88 instituiu entre os direitos sociais dos trabalhadores a possibilidade de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, desvinculando estas parcelas da sua remuneração, a teor do art. 7°., XI. Assim, uma vez estabelecido que a parcela relativa à participação nos lucros ou resultados não integra a remuneração do trabalhador, o referido dispositivo constitucional afastou, por consequência, a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 195, I, alínea "a", da CF/88 sobre tais valores. Alinhandose ao comando constitucional, a Lei n. 8.212/1991 estabeleceu, em seu art. 28, § 9°., alínea "j", que a participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o saláriodecontribuição. A regulamentação da participação nos lucros ou resultados é objeto da Lei n. 10.101/2000, que conferiu eficácia à previsão constitucional consignada no art. 7°., XI, in fine. O art. 2°. da Lei n. 10.101/2000 enumera os principais procedimentos a serem observados para a participação nos lucros ou resultados, verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. Fl. 54858DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.859 35 § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4o Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação; (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Por sua vez, o art. 3°. da referida lei determina as condições para efetivação da distribuição dos lucros, inclusive o tratamento tributário a ser conferido, bem assim a sua periodicidade, verbis: Fl. 54859DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.860 36 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. § 5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual. (Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela Fl. 54860DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.861 37 progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 6o Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 7o Na hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 8o Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 9o Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado Fl. 54861DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.862 38 judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas. (Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Da leitura sistêmica dos arts. 2°. e 3°. da Lei n. 10.101/2000, é razoável afirmarse que os principais pilares de legitimidade de um plano de participação nos lucros ou resultados são: i) intervenção do sindicato e participação dos empregados na negociação do plano; ii) existência de regras claras e objetivas para distribuição dos valores; iii) momento do arquivamento do acordo; e iv) periodicidade do pagamento de parcelas referentes à participação nos lucros ou resultados. Requisitos legais para o regular pagamento de PLR, improcedência das acusações e pagamentos de PLR aos diretores estatutários Na espécie, restam incontroversas as seguintes circunstâncias fáticas: a) A PLR foi paga em duas parcelas. A primeira, nos meses de abril a junho de 2010, a título de pagamento final pertinente ao AC 2009. A segunda, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2010, a título de antecipação da PLR de 2010, sendo complementado em abril/2011; b) Os pagamentos da PLR Final (1°. semestre de 2010), foram fundamentados no Termo de Acordo do Trabalho específico, firmado entre a Liquigás e o Sindicato de seus Trabalhadores; c) Os pagamentos da antecipação da Participação nos Resultados (2° semestre de 2010) fundamentaramse em 02 (duas) Convenções Coletivas do Trabalho (CCT). A primeira, celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Transporte RODOANEXO do ABCDMRP e Rio Grande da Serra e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo. A segunda, entre a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo. d) Da análise do Termo de Acordo do Trabalho entre a Liquigás e o Sindicato dos Trabalhadores verificase que: i) em 30/10/2009 a Liquigás efetuou o pagamento do valor Fl. 54862DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.863 39 correspondente a 125% do salário base, acrescido de adicional de periculosidade e/ou gratificação de função, quando devidos, a titulo de adiantamento de Participação nos Lucros ou Resultados relativa ao ano de 2009; ii) foi celebrado instrumento de acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores e todas as empresas que compõe o SINDIGÁS, por meio do qual foi convencionado que em 30/04/2010 deveria ocorrer o pagamento pelas Distribuidoras de GLP a seus empregados, de complemento de PLR/2009, no importe de 15%; iii) a Liquigás, observadas as normas legais aplicáveis, deliberou pelo pagamento de percentual de complemento da PLR/2009 superior ao ajustado no instrumento mencionado na alínea anterior, ou seja, de 40%, do salário base, a fins de trazer maior benefício a seus empregados, a título de complemento final e quitação da PLR; iv) teriam direito a receber a PLR todos os empregados em atividade laboral no decorrer no ano de 2009, respeitada a proporcionalidade dos meses trabalhados, e v) os empregados afastados pela Previdência Social faziam jus ao pagamento de forma integral; e) As CCT informam, no essencial, as seguintes premissas: i) foram celebradas para atender as disposições da Lei 10.101/2000; ii) fixaram suas vigências no período de 01/09/2010 a 31/08/2010; iii) que devido ao atingimento das metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucros alcançadas pelas empresas (distribuidoras de gás), estas deviam pagar a seus empregados até 31/10/2010, o valor correspondente a 170% (cento e setenta por cento) do salário base vigente em 01/09/2010, acrescido do adicional de periculosidade e gratificação de função, quando devidos, como pagamento da participação nos Lucros ou Resultados relativo ao ano de 2010; iv) que os citados pagamentos podiam ser compensados com eventuais programas diferenciados implementados pelas empresas e os adiantamentos efetuados até outubro de 2010 e a esse título; v) o pagamento da PLR será devido a todos os empregados que prestaram serviços no decorrer no ano de 2009 e 2010; vi) os empregados admitidos e os desligados no decorrer dos anos de 2009 e 2010, terão direito ao pagamento proporcional aos meses efetivamente trabalhados, respectivamente no ano de 2009 e 2010, cujo cálculo observará a razão de 1/12 avos por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 dias; os empregados demitidos por justa causa não teriam direito ao recebimento do benefício; e vii) os empregados que estiveram afastados, por motivo de doença, acidente de trabalho ou licença maternidade receberiam o valor referido de forma integral; f) Não houve questionamento da autoridade lançadora, nem da instância de piso, com relação à participação sindical na comissão negociadora, bem assim quanto ao arquivamento dos instrumentos de acordos celebrados (Termo de Acordo e CCT) na entidade sindical dos trabalhadores e territorialidade do sindicato (no caso concreto, tratase de entidade sindical de abrangência nacional); g) Apesar da vigência dos acordos serem no período de setembro/2009 a agosto/2010 e de setembro/2010 a agosto/2011, os pagamentos finais da PLR ocorreram em sua grande maioria no mês de abril de 2010 e 2011, quer dizer bem antes do final do período de vigência dos referidos acordos. Em linhas gerais, o funcionário recebe toda a PLR, antes mesmo do final do período estipulado para cumprimento das metas; h) A Recorrente elegeu como critério a ser observado pelas partes o alcance das metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido. Referido critério é materializado no Plano Anual de Negócios (PAN). Pois bem. Fl. 54863DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.864 40 É cediço que, para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve observar o rol de requisitos estabelecidos no art. 2°. da Lei n. 10.101/2000. No caso concreto, vislumbro sérias desconformidades entre os procedimentos adotados pela Recorrente e o que dispõe o art. 2°. da Lei n. 10.101/2000. De acordo com a Recorrente, elegeuse como critério a ser observado pelas partes o alcance das metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido, materializado no Plano Anual de Negócios (PAN), elaborado anualmente, no qual se determina, no início de cada anocalendário, o resultado dos 12 meses subsequentes. No referido documento são fixados indicadores gerenciais a serem alcançados pela empresa no respectivo anocalendário, tais como volume de vendas total, percentual de market share, lucro bruto, custeio total, lucro líquido e investimentos. Verificase, ainda, um total descompasso entre o período para o qual se projeta o PAN, correspondente ao ano civil (1°. de janeiro a 31 de dezembro) e a database da categoria (1°. de setembro de cada AC), vez que inexiste pacto prévio à consolidação do PAN, o que denuncia ausência de metas a serem alcançadas, e a primeira parcela da PLR, correspondente ao adiantamento, é paga no final do mês de outubro (efls. 54541/54442), ou seja, quando já se transcorreram 10 meses do AC, o que desvincula tais pagamentos de metas/índices de produtividade. É dizer, não haviam metas/índices que os empregados devessem alcançar para receber essa verba. Constatouse os mesmos procedimentos para a PLR do AC 2010, inclusive o momento da antecipação da primeira parcela, no caso, final de outubro/2010. Nessa perspectiva, não obstante as parcelas referentes à PLR do AC 2009 terem sido pagas observando os intervalos previstos no art. 3°., § 2°., da Lei n. 10.101/2000, com a redação à época dos fatos (antecipação em outubro/2009 e parcela final em abril/2010), resta desnaturada a natureza de tais verbas, vez que, conforme já denunciado, tais pagamentos não se vincularam a metas previamente estabelecidas entre a Recorrente e os seus empregados, aplicandose a mesma lógica ao pagamento da PLR do AC 2010 (antecipação em outubro/2010 e parcela final em abril/2011). Cabe destacar, ainda, que o complemento da PLR/2009, pago em abril/2010, em valor superior ao ajustado na CCT, ou seja, de 40%, do salário base, tratase de evidente liberalidade da Recorrente, vez que, conforme ela mesma afirma, visa a trazer maior benefício a seus empregados, a título de complemento final e quitação da PLR. É dizer, o referido complemento sequer fez parte do CCT, havendo sido pactuada exatamente no mês do seu pagamento, o que apenas reforça a descaracterização dos pagamentos realizados a título de PLR. Nessa perspectiva, resta caracterizado, pelas razões acima, que o PAN não se presta como critério para alcance de metas vez que não se vincula ao desempenho dos empregados, sendo suficiente, para receber a PLR, tãosomente, que os empregados tenham prestado serviços à Recorrente no decorrer no ano de 2009 e 2010, estendendose, inclusive, de forma integral, aos empregados que sequer trabalharam em virtude de encontraremse afastados, por motivo de doença, acidente de trabalho ou licença maternidade, ocorrendo o pagamento do adiantamento da PLR meses após a vigência do PAN e quando sequer havia resultados consolidados a cotejar com o desempenho dos empregados, vez que metas não haviam sido estabelecidas, pois ausente pacto prévio. De se observar que nem na CCT, nem no Termo de Acordo para pagamento da PLR, há qualquer referência, sequer como anexo, ao Plano Anual de Negócios (PAN) como Fl. 54864DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.865 41 critério para o alcance de metas a subsidiar o pagamento de tais verbas. Com efeito, assim reza a cláusula quarta: CLÁUSULA QUARTA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS Considerando que as metas e/ou resultados mínimos estabelecidos quanto à tonelagem de produção, vendas e/ou lucro líquido estão sendo alcançados, as Empresas pagarão aos seus empregados até 31/10/2010, o valor correspondente a 170% (cento e setenta por cento) do salário base vigente em 01/09/2010, acrescido do adicional de periculosidade e gratificação de função, quando devidos, como pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados relativo ao ano de 2010, compensado de eventuais programas diferenciados que as Empresas tenham ou venham a implementar e os adiantamentos efetuados até outubro de 2010 a esse título. (grifei) Parágrafo único O presente pagamento é realizado em caráter de antecipação quanto à sua data, sendo que, ao final do exercício, após apuração de resultados finais, as empresas cujos resultados permitirem pagamento complementar à título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, poderão efetuar no exercício seguinte, observado o prazo mínimo legal. É dizer, nem a CCT, nem o Termo de Acordo estabelecem regras claras e objetivas na fixação dos mecanismos de aferição do cumprimento de critérios e condições necessários ao alcance de índices de produtividade, qualidade, lucratividade, metas e resultados, e sequer faz alusão a qualquer documento, a se considerar como anexo, que os estabeleça. Isto posto, em decorrência do não atendimento de requisito essencial previsto na Lei n. 10.101/2000, na forma acima caracterizada, os pagamentos a título de PLR em apreço integram saláriodecontribuição, não se abrigando na imunidade conferida pelo art. 7°., XI, da CF/88, bem assim no disposto no art. 28, § 9°., alínea "j", da lei n. 8.212/1991. No que diz respeito à PLR paga aos diretores estatutários não empregados, é oportuno esclarecer a sua impossibilidade, justamente por não haver vínculo empregatício daqueles com a Recorrente. Com efeito, sobre a amplitude do termo "trabalhadores" consignado no caput do art. 7°. da CF/88, que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador (urbano e rural), verificase que as garantias inseridas em seus incisos, na verdade, definem a estrutura básica do modelo jurídico decorrente de relação de emprego, ou seja, o referido comando constitucional e a respectiva lei regulamentadora (art. 2°., caput, Lei n. 10.101/2000), denunciam, de forma expressa, que a PLR é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício, e apenas a estes. Fl. 54865DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.866 42 Nesse contexto, não identifico no art. 152 e parágrafos, da Lei n. 6.404/1976, nenhuma natureza regulamentadora no tocante à imunidade de contribuições previdenciárias, abrigada no art. 7°., XI, da CF/88, exatamente porque o dispositivo legal retrocitado direciona se às parcelas de PLR da companhia para diretores sem vínculo empregatício que obedece, inclusive, a rito próprio de apuração, conforme discriminado na Lei das S/A , enquanto que a imunidade conferida pela CF/88 (art. 7°., XI) destinase, exclusivamente, aos trabalhadores com vínculo empregatício, vez que busca a integração, instrumentalizada pela Lei n. 10.101/2000, entre o capital e o trabalho, bem assim como incentivo à produtividade. De se observar que o fato de a assembléia geral (que tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento art. 121 da Lei n. 6.404/1976) deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários não tem o condão de alterar a relação jurídica laboral existente entre a empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício (contribuinte individual), tampouco a natureza remuneratória da verba paga. Assim, tratandose de valores pagos aos diretores não empregados (estatutários), não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei n. 10.101/2000, posto que nos termos do caput do art. 2°. da retrocitada lei essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados (estatutários) possui natureza remuneratória, vez que a Lei n. 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de saláriodecontribuição, tendo em vista que não remunerou o capital investido na sociedade, mas sim o trabalho executado pelos diretores, enquadrandose dessa forma no conceito estabelecido no art. 28, II, da Lei n. 8.212/1991. Acerca da matéria, o STF, no âmbito do Segundo Ag.Rg no Recurso Extraordinário 636.899/DF Sessão 17/11/2015 Segunda Turma Relator: Ministro Dias Toffoli, assim se pronunciou: EMENTA Segundo agravo regimental no recurso extraordinário. Art. 7º, XI, da Constituição. Norma não autoaplicável. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Regulamentação. Lei nº 10.101/2000. Distribuição de lucros aos sócios e administradores. Lei nº 6.404/76. Contribuição previdenciária. Natureza jurídica da verba. Ausência de repercussão geral. Questão infraconstitucional. 1. O preceito contido no art. 7º, XI, da Constituição não é autoaplicável e a sua regulamentação se deu com a edição da Medida Provisória nº 794/94, convertida na Lei nº 10.101/2000. 2. O instituto da participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa de que trata o art. 7º, XI, CF, a Lei nº 10.101/2000 e o art. 28, § 9º, Lei nº 8.212/91, não se confunde Fl. 54866DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.867 43 com a distribuição de lucros aos sócios e administradores autorizada no art. 152 da Lei nº 6.404/76. 3. A Corte tem, reiteradamente, negado repercussão geral a questões envolvendo a incidência da contribuição previdenciária sobre parcelas pagas a trabalhador, com habitualidade ou não, quando pende celeuma acerca da natureza jurídica das verbas. Acolhimento da pretensão que passa, necessariamente, pela análise da natureza jurídica das verbas à luz da Lei nº 6.404/76. 4. Agravo regimental não provido. No voto, o Ministro Relator Dias Toffoli assim decidiu: [...] VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): O recurso não merece prosperar. Como decidido, nos autos do RE nº 569.441, o Plenário da Corte ratificou a sua jurisprudência da Corte no sentido de que o preceito contido no art. 7º, XI, da Constituição não é auto aplicável e que a sua regulamentação se deu com a edição da Medida Provisória nº 794/94, convertida na Lei nº 10.101/2000. Referida Lei nº 10.101/2000, regula a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, dispondo em seu art. 3º que essa participação não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista. Dando efetividade ao comando do art. 7º, VI, da Constituição, nos termos da lei regulamentadora, o art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91, exclui da base de incidência da contribuição previdenciária os valores recebidos pelo empregado, a título da participação nos lucros da empresa. É de se notar, portanto, que esse instituto em nada se confunde com a distribuição de lucros autorizada no art. 152 da Lei nº 6.404/76. Como decidido, a Lei nº 10.101/2000, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição refere a empregado, excluindo os integrantes de sociedades empresariais que ocupam a função de diretores/administradores, sem vínculo empregatício. Dessa forma, sem reparos o acórdão do Tribunal de origem, o qual entendeu ser “Inaplicável ao diretor não empregado o disposto no art. 7º da CF/88, que alude ao trabalhador, bem como inaplicável a regra que da Lei 8.212/91 que dispõe que a participação nos lucros não integra o saláriodecontribuição (art. 28, § 9º, letra “j”), porquanto este é contribuinte individual e não faz parte da folha Fl. 54867DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.868 44 de salários, tampouco possui vínculo empregatício com a empresa.” Esse entendimento também está conforme o RE nº 166.772/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, no qual a Corte, ao analisar a constitucionalidade das expressões "autônomos e administradores" contidas no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787/89, afirmou que "a relação jurídica mantida com administradores e autônomos não resulta de contrato de trabalho e, portanto, de ajuste formalizado à luz da Consolidação das Leis do Trabalho. Daí a impossibilidade de se dizer que o tomador dos serviços qualifica se como empregador e que a satisfação do que devido ocorra via folha de salários" (DJ 16/12/94, p. 34896). [...] No âmbito do CARF, resgato interessante decisão da 2ª. Turma da CSRF, da lavra da i. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previ denciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Inteligência do art. 28, § 9º da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS (ESTATUTÁRIOS). AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76 Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, efetivamente o trabalho Fl. 54868DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.869 45 executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91. A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Recurso Especial do Contribuinte Negado (Acórdão n. 9202004.261 2ª. Turma da CSRF Sessão de Julgamento de 23 de junho de 2016) Concluise assim, sem muito esforço cognitivo, que as verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários a título de PLR subsumemse ao conceito de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência de contribuições previdenciárias. Impossibilidade de preclusão para apresentação de prova documental A Recorrente reclama pela impossibilidade de preclusão para apresentação de prova documental, nos seguintes termos: 107. A r. decisão recorrida decidiu que o direito da Recorrente de apresentar eventuais provas adicionais teria supostamente precluído após a apresentação de sua Impugnação. Isto porque, em seu pedido final apresentado à época, a Recorrente requereu a juntada posterior de qualquer documento que pudesse comprovar os fatos questionados, bem como a produção de todas as provas em direito admitidas. 108. Ocorre que a r. decisão recorrida desrespeitou o princípio da verdade material, que é de observância imprescindível no trâmite dos procedimentos administrativos e, em especial, no procedimento administrativo fiscal. 109. O princípio da verdade material, nas palavras de Celso Antônio Bandeira de MelloI6, assegura que "a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência dos que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado Fl. 54869DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.870 46 aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial". 110. Assim, tendo em vista que o objetivo do procedimento administrativo fiscal é confirmar ou refutar o lançamento realizado pelas autoridades fiscais, ou seja, revisar a exigência de crédito tributário cuja cobrança deverá estar permeada pelo princípio da estrita legalidade, insculpido no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, a aplicação do princípio da verdade material mostrase primordial. [...] 113. Ademais, é imperioso reconhecer que os regimentos internos deste E. CARF sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide1. Vejamos parágrafo 4° do artigo 53 do Regimento Interno atual aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015: [...] No tocante à juntada posterior de provas, é cediço que, nos termos do § 4°. do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Este mesmo dispositivo legal enumera as exceções ao comando geral, nas quais a Recorrente não se enquadra, vez que não demonstrou i) a impossibilidade de apresentação oportuna das provas para as quais requer dilação probatória; ii) que as provas refiramse a fato ou direito superveniente; e iii) que as provas destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. De se observar que a Recorrente não especifica, nem discrimina, na peça recursal, nem tampouco na impugnação, quais as provas deseja produzir, limitandose a alegações genéricas, tendo em vista que protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar os fatos ora questionados, bem como pela produção de todas as provas em direito admitidas. Por oportuno, cabe esclarecer que a apresentação de memoriais prevista no art. 53, § 4°., do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 343/2015, não caracteriza dilação probatória, como pretende a Recorrente, mas sim esclarecimentos, que se entenda relevantes, acerca das matérias já delimitadas no recurso. Nesse contexto, não pode veicular elemento de prova sobre o qual o recurso não se pronunciou, nem a ele se referiu, independentemente do aspecto temporal de sua produção, exceto se preenchidos os requisitos taxativamente estabelecidos no art. 16, § 4°., do Decreto n. 70.235/1972, que devem ser prequestionados no recurso voluntário, o que não ocorreu no caso concreto. Juros sobre multa de ofício Ao final, a Recorrente também alega a ilegalidade da incidência de juros sobre multa de ofício. Fl. 54870DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.871 47 Essa matéria, bastante recorrente neste Colegiado, é objeto do Enunciado n. 108 de Súmula CARF, dispensandose assim considerações adicionais: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.(grifei) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 54776/54816) e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Declaração de Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Acompanho o relator pelas conclusões pelos seguintes motivos: Nos meses de abril a junho de 2010, a recorrente efetuou o pagamento final pertinente ao anocalendário de 2009, tendoo feito com base em instrumento convencionado somente em 30/04/2010 (v. fl. 7 do relatório fiscal), no qual foi ajustado um complemento da PLR 2009. Ao assim proceder, a recorrente violou o disposto no art. 1º da Lei 10101/2000, segundo o qual a participação nos lucros ou resultados também deve funcionar como um incentivo à produtividade. Ora, um acordo firmado após o transcurso integral do período de aquisição, que preveja um adicional, não pode servir como instrumento de incentivo à produtividade, pois tal incentivo pressupõe uma previsibilidade mínima por parte do trabalhador. Isto é, o trabalhador tem que conhecer previamente os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, ou, conforme o caso, os programas de metas, resultados e prazos. Da mesma forma, o sujeito passivo impediu que os trabalhadores tivessem conhecimento prévio do plano de 2010, ao firmálo em setembro de tal ano, com período de apuração iniciado em janeiro. E a recorrente não demonstrou nem alegou que tal plano seria mera reprodução do plano de 2009, o que afasta a possibilidade de uma previsibilidade mínima por parte do trabalhador. Em sendo assim, muito embora eu entenda que a PLR pode estar atrelada apenas a índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, mormente quando efetuada através de Convenção Coletiva de Trabalho; que não necessariamente a PLR tenha que ser firmada antes do período aquisitivo (desde que haja uma previsibilidade mínima, a ser demonstrada conforme cada caso concreto); e que os diretores estatutários podem receber PLR Fl. 54871DF CARF MF Processo nº 19515.720008/201517 Acórdão n.º 2402006.978 S2C4T2 Fl. 54.872 48 desvinculada da remuneração, na medida em que tanto a Constituição, quanto a lei regulamentadora aludem a trabalhadores, e não a empregados; voto com o ilustre relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 54872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907911/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.918
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 91 1/ 20 16 -4 0 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13896.907911/201640 Resolução nº 3201001.918 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13896.907911/201640 Resolução nº 3201001.918 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13896.907911/201640 Resolução nº 3201001.918 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13896.907911/201640 Resolução nº 3201001.918 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13896.907911/201640 Resolução nº 3201001.918 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13896.907911/201640 Resolução nº 3201001.918 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.911845/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DCOMP. INDICAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. ERRO DE PREENCHIMENTO. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE.
O erro de preenchimento da Declaração de Compensação não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1302-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DCOMP. INDICAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. ERRO DE PREENCHIMENTO. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE. O erro de preenchimento da Declaração de Compensação não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 87 1 86 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.911845/200952 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.464 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente NAANDAN JAIN BRASIL INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS PARA IRRIGAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DCOMP. INDICAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. ERRO DE PREENCHIMENTO. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE. O erro de preenchimento da Declaração de Compensação não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 18 45 /2 00 9- 52 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 88 2 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1433.968, de 27 de maio de 2011 (fls. 49 a 54), proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, comprovação contábil e fiscal dos valores dos tributos apurados no anocalendário e que referidos saldos negativos não tenham sido utilizados para compensar a contribuição devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa." O Acórdão recorrido, assim, sintetiza os autos: "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 89 3 de receita: 5993) de sua responsabilidade, período de apuração: fevereiro de 2005, com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 23.717,67 (fl. 02). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada na PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.023609, ao fundamento de que "Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 15/16, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a compensação declarada na PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.023609; b) a origem do crédito do PER/Dcomp acima mencionados é o saldo negativo de IRPJ, porém o crédito foi demonstrado de forma errônea (erro de fato) no PER/Dcomp; c) apresenta quadros demonstrativos de como foi preenchida a demonstração do crédito no PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.02 3609 e a maneira correta de demonstrálo, assim como a utilização do crédito mediante compensação; d) o crédito utilizado no PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.023609 é válido, tendo como origem saldo negativo de IRPJ, onde ocorreu erro de fato, visto que o mesmo foi demonstrado de forma incorreta no PER/Dcomp. Ao final, requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, e, após julgamento do processo, sua extinção definitiva." A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP resolveu, em 11 de fevereiro de 2011, converter o julgamento em diligência, a fim de que a Recorrente fosse intimada para promover a regularização da representação processual (fls. 20 e 21). Ao retomar o julgamento, a referida Turma não acatou, na composição do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2004, as estimativas compensadas por meio de Declarações de Compensação (DComp) que não foram homologadas. Assim, apesar de reconhecer um valor adicional de R$ 12.202,41, manteve a nãohomologação da DComp de que tratam os autos. Consignou, ainda, que cabia à Impugnante trazer aos autos provas lastreadas na escrituração contábil do saldo negativo invocado. Cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls. 60 a 62), por meio do qual: a) solicitou a realização de perícia, de modo a elucidar a existência do saldo negativo de IRPJ; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 90 4 b) afirmou que a origem do crédito utilizado na DComp sob análise é o saldo negativo no anocalendário de 2003, apontando as DComp em que teria havido a sua utilização; c) pugnou pela conversão do julgamento em diligência, pela complementação probatória, inclusive com a juntada de laudo de auditoria; d) pediu, finalmente, a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 27 de agosto de 2012 (fl. 57), tendo apresentado seu Recurso em 26 de setembro de 2012 (fl. 58), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que o Recurso é tempestivo. O Recurso é assinado pelo representante legal pela pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO O exame da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente (fls. 2 a 6) revela que o tipo de crédito ali apontado foi "Saldo Negativo de IRPJ", sendo indicado como origem do crédito o saldo negativo do anocalendário de 2004, no montante de R$ 23.717,67. Ao detalhar a composição do crédito, a Recorrente indicou apenas as estimativas de IRPJ relativas aos períodos de outubro e novembro de 2004, as quais teriam sido compensadas, respectivamente, por meio das Declarações de Compensação (DComp) nº 02013.10779.150205.1.7.018098 e 05847.70331.241204.1.3.047254. Como as referidas estimativas não eram suficientes para quitar o saldo a pagar de IRPJ apontado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no montante de R$ 166.585,07, o Despacho Decisório de fl. 7, acertadamente, não reconheceu qualquer direito creditório e não homologou a compensação pleiteada. Registrese que, anteriormente, à emissão do referido Despacho Decisório, o sujeito passivo foi informado acerca das divergências entre as estimativas apontadas na Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 91 5 DComp, em relação àquelas listadas na DIPJ, e intimado a retificar as informações incorretas (fl. 13). Por ocasião da Manifestação de Inconformidade, como relatado, o sujeito passivo sustentou a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DComp, indicando as seguintes estimativas, para composição do saldo negativo do anocalendário de 2004: A decisão recorrida junta ao processo provas de que as PER/Dcomp de n° 20653.89690.120504.1.3.023239, 16269.60862.210906.1.7.021789, 36628.82557.220906.1. 7.023939, 04504.70063.220906.1.7.020503 e 40106.25598.220906.1.7.026081 não foram homologadas e, portanto, não considera as estimativas nelas compensadas. E, em relação à DComp nº 05847.70331.241204.1.3.047254, reconheceu apenas as estimativas homologadas, deixando de considerar a parcela nãohomologada. Tal conclusão, contudo, é contrária ao entendimento consolidado desta Turma Julgadora, no sentido de que, ainda que as referidas DComp não tenham sido homologadas, os valores nelas confessados devem ser considerados na apuração do saldo do período de apuração (v.g. Acórdãos nº 1302002.328, de 27 de julho de 2017, e 1302003.311, de 13 de dezembro de 2018, ambos de relatoria deste Conselheiro). É que, à data de transmissão da DComp nº 25123.41206.310305.1.3.023609 (na verdade, na data de encerramento do anocalendário de 2004), as estimativas já estavam extintas, sob condição resolutória de sua posterior homologação, por meio das referidas Declarações de Compensação. A nãohomologação das compensações somente implica na exigência dos débitos, com base nas próprias DComp, posto que estas possuem a natureza de confissão de dívida. Tal entendimento é amparado pelo posicionamento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) expresso no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 92 6 "Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança." E, ainda, corroborada pelo recentíssimo Parecer Normativo Cosit nº 2, de 3 de dezembro de 2018 (com status de norma complementar, na forma do art. 100 do CTN): "e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança;" A esta mesma conclusão chegou a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme Acórdão nº 9101003.891 (Redator designado Luiz Fabiano Alves Penteado, julgado em 08 de novembro de 2018): " Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 GLOSA DE CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 93 7 redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem." E diversos julgados das Turmas Ordinárias do CARF, conforme ilustram as seguintes ementas: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. A estimativa quitada através de compensação não homologada pode compor o saldo negativo do período, haja vista a possibilidade de referidos débitos serem cobrados com base em Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Assim, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)." (Acórdão nº 1401003.033, de 22 de novembro de 2018, Relator Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) "COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CÔMPUTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE.É ilegítima a negativa, para fins de apuração de Saldo Negativo de CSLL, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrança em duplicidade." )." (Acórdão nº 1201002.689, de 12 de dezembro de 2018, Redator designado Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) Merece reforma, portanto o Acórdão recorrido, para que seja incluídas no cômputo do saldo negativo compensado as estimativas de IRPJ extintas por compensação nas DComp não homologadas. Em relação ao outro óbice posto pelo julgador a quo, qual seja, a ausência de "justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que demonstrassem, inequivocamente, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004", entendo que, também, não pode ser referendado. É que, desde o princípio do processo, a discussão se circunscreveu à quantificação das estimativas quitadas pela Recorrente, para comporem o saldo negativo. Em nenhum instante, o sujeito passivo foi instado a comprovar a apuração do montante devido a título de IRPJ, demonstrado na Ficha 12A da sua DIPJ (fl. 47). Descabe, portanto, por ocasião do julgamento administrativo trazer à tona tal discussão e, mais grave, negar o reconhecimento do crédito da Recorrente por não trazer a comprovação de algo para a qual não foi demandada. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 94 8 Isto posto, comprovadas todas as estimativas apontadas na referida Fichas 12A, no montante de R$ 190.237,23, deve ser dado PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para HOMOLOGAR a compensação declarada por meio da DComp de fls. 2 a 6, até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.000636/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MANIFESTO.
Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de erro manifesto existente no julgado embargado.
Numero da decisão: 2201-005.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados formalizados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS para, com efeitos infringentes, sanar o vício identificado no Acórdão nº 3301-00.025, de 05 de março de 2009, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DEBORA FOFANO
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ERRO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de erro manifesto existente no julgado embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados formalizados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS para, com efeitos infringentes, sanar o vício identificado no Acórdão nº 3301 00.025, de 05 de março de 2009, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Débora Fófano dos Santos Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de embargos inominados propostos pela unidade preparadora (fls. 566/567), em face do acórdão nº 330100.025, da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, exarado na sessão de julgamento de 05 de março de 2009 (fls. 538/544). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 36 /2 00 5- 17 Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.007 2 O processo referese à crédito tributário lançado de ofício consubstanciado no auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 13/43), no importe de R$ 144.986,75 (cento e quarenta e quatro mil, novecentos e oitenta e seis reais, setenta e cinco centavos), correspondente às seguintes infrações: omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas no ano calendário de 2001, dedução indevida de despesas médicas nos anos calendário de 2000 e 2001, dedução indevida de despesas de livro caixa nos anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, dedução indevida de despesa com instrução nos anos calendário de 2002 e 2003 e multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão nos anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Inconformado com o supracitado lançamento tributário, o interessado apresentou impugnação (fls. 176/206 e 429/431). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS lavrou o acórdão nº 185.877 2ª Turma da DRJ/STM, em sessão de 18 de agosto de 2006 (fls. 486/507), julgando o lançamento procedente em parte. Da decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Embargado interpôs recurso voluntário (fls. 515/527). Ao analisar o referido recurso, em sessão de 05 de março de 2009 (fls. 538/544), a 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deulhe parcial provimento, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA NÃO DEFERIDA.LIVRO CAIXA. PRELIMINAR AFASTADA. A análise promovida pela autoridade fiscal ainda na fase de investigação, foi detalhadissima, fato que ensejou inclusive, oportunidade ao interessado de trazer aos autos farto material, na tentativa de afastar o lançamento. De outro lado, registrese que as notas fiscais apensadas à impugnação, em sua grande maioria, não guardam relação com o lançamento em discussão, tampouco foram escrituradas no livro caixa pelo interessado. As notas fiscais efetivamente relacionadas com lançamento, foram regularmente consideradas pela DRJ e utilizadas na redução do auto infração, na parte relativa à glosa das despesas lançadas no livro caixa. Admitir nesta oportunidade, a utilização das notas fiscais que sequer foram escrituradas no livro caixa é permitir a retificação extemporânea da declaração apresentada pelo contribuinte nos anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003, após o inicio da fiscalização, contrariamente ao disposto no artigo 147, parágrafo 1 0. do CTN. DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas confirmadas pelo profissional prestador dos serviços, em resposta à intimação da autoridade fiscal, devem ser restabelecidas. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Glosa das despesas do livro caixa e glosa de valor praticamente idêntico, das mesmas despesas lançadas no ajuste anual. Prevalência de apenas um dos lançamentos. MULTA ISOLADA. A multa isolada não pode incidir em concomitância com a multa de oficio. Recurso parcialmente provido." Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.008 3 Cientificada da decisão (fls. 545/546) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 547/555), que submetido ao exame de admissibilidade foi acolhido, conforme despacho nº 21020017/2010 2ª Turma Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 01/02, 556/557), tendo o ora Embargado apresentado contrarrazões (fls. 560/564). O recurso especial teve seu provimento negado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do acórdão nº 920201.631 2ª Turma, em sessão de 25 de julho de 2011 (fls. 220/228), cuja ementa transcrevese abaixo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 a 2004 Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da multa isolada (inciso III, do par. 1 0., do art. 44, da Lei 9.430 de 1.996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44 da Lei 9.430 , 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso Especial do Procurador Negado." A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS por meio do memorando nº 146/2011/DRFURA/Secat, de 22 de dezembro de 2011, interpôs embargos inominados (fls. 566/567). O contribuinte apresentou manifestação intitulada de "impugnação de lançamento", recebida em 19/11/2011 (fls. 568/572). Os embargos foram submetidos à análise de admissibilidade, com manifestação do presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio do despacho s/nº de 08/06/2015 (fls. 987/988): "(...) Antes de analisar o pedido da autoridade preparadora, é necessário tecer alguns comentários sobre a movimentação do processo. Pela referência, da autoridade preparadora, a acórdão em recurso voluntário, o processo foi originalmente movimentado para a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, na atividade ANALISAR EMBARGO DE DECLARAÇÃO. Para manifestação sobre a admissibilidade dos embargos foi – em primeiro lugar – nomeado o exconselheiro José Evande Carvalho Araújo. Posteriormente, o processo foi sorteado para o também ex conselheiro Eduardo de Souza Leão. Por fim, pelo fato de os ex conselheiros não mais comporem o colegiado, o processo foi movimentado para o Presidente da Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que também é Presidente da 1ª Câmara e da 2ª Seção de Julgamento do CARF. Quanto ao pedido da autoridade preparadora, com efeito, o art. 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, prevê a possibilidade de retificação, a qualquer Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.009 4 tempo, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto em decisões. Em complemento, o Decreto 7.574, de 2011, determina – em seu art. 67 – que a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto seja realizada mediante a prolação de um novo acórdão. Em vista do exposto, e considerando que o último colegiado a apreciar o processo foi a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, proponho que o processo seja novamente apreciado por aquela turma, para que: seja verificada, a existência ou não do erro manifesto alegado; em sendo confirmada a existência do erro, sejam determinados seus efeitos,com eventual devolução ao colegiado a quo, para retificação, ou eventual retificação pela própria 2ª Turma da CSRF, mediante a prolação de novo acórdão; em havendo eventual retificação de erro, esclarecimento quanto à validade dos atos posteriores à decisão supostamente eivada de erro. (...)" A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 24 de agosto de 2016, exarou o acórdão nº 9201004.357 (fls. 990/994), com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO. Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração." Em seguida, em razão da extinção do mandato da conselheira relatora, os autos foram redistribuídos e sorteados a esta conselheira para apreciação e julgamento dos presentes embargos. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos Relatora Primeiramente, deixamos de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do Anexo II do Regulamento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), não existe prazo para correção de erro Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.010 5 manifesto, razão pela qual conhecemos do recurso já que presentes os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 32 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Como bem pontuado nos embargos e no voto do acórdão nº 9201004.357 de admissão dos embargos (fls. 990/994), não houve duplicidade no lançamento, uma vez que no item 3 do auto de infração (fl. 30), foram discriminadas as glosas por ano e esses foram os valores efetivamente considerados no cálculo do imposto no lançamento. Por sua vez, no item 5 (fls. 31/33), as glosas foram enumeradas mêsamês, apenas para fins de demonstrar os valores utilizados no cálculo do imposto mensal devido e, em seguida, do imposto mensal que deixou de ser pago, com vistas à imposição da multa isolada (já afastada pelo Conselho). Os embargos, de modo enfático, afirmam que "os valores constantes no item 5 não integraram a base de cálculo do imposto lançado, de modo que não houve a duplicidade apontada". Em virtude do exposto, acolhidos os embargos inominados para saneamento do vício apontado, a decisão embargada merece ser ajustada, excluindose do voto da I. Relatora, o seguinte parágrafo: "DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Neste ponto assiste razão ao interessado. De fato, a autoridade lançadora glosou as despesas lançadas no livro caixa e, as mesmas despesas apresentadas no ajuste anual (item III e V do lançamento). Nestas condições é de se manter apenas um dos lançamentos. Assim, excluo os montantes constantes do item III do lançamento, quais sejam, R$ 29.073,18 no ano calendário de 2000, R$ 30.505,59 no ano calendário de 2001, R$ 28.056,59 no ano calendário de 2002 e R$ 43.068,08 no ano calendário de 2003." E, por conseguinte, a mesma inexatidão consignada no referido voto também foi registrada na ementa e no dispositivo do acórdão embargado. Logo, para fim de proposta de correção do julgado embargado, deve ser excluída da ementa o tópico a seguir: "DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Glosa das despesas do livro caixa e glosa de valor praticamente idêntico, das mesmas despesas lançadas no ajuste anual. Prevalência de apenas um dos lançamentos." E no dispositivo, onde se lê: "Em suma, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO para restabelecer as despesas médicas de R$ 550,00 em maio de 2000; R$ 1.000,00 em junho de 2000; R$ 900,00 em setembro de 2000; R$ 910,00 em novembro de 2000 e R$ 680,00 em dezembro de 2000, totalizando R$ 4.040,00 para o ano calendário de 2000; afastar o lançamento em duplicidade relativo ao livro caixa no valor de R$ 29.073,18 no ano calendário de 2000, R$ 30.505,59 no ano calendário de 2001, R$ 28.056,59 no ano calendário de 2002 e R$ 43.068,08 no ano Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.011 6 calendário de 2003 e, finalmente, para afastar a multa isolada no valor de R$ 36.891,16." Leiase: "Em suma, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO para restabelecer as despesas médicas de R$ 550,00 em maio de 2000; R$ 1.000,00 em junho de 2000; R$ 900,00 em setembro de 2000; R$ 910,00 em novembro de 2000 e R$ 680,00 em dezembro de 2000, totalizando R$ 4.040,00 para o ano calendário de 2000 e para afastar a multa isolada no valor de R$ 36.891,16." CONCLUSÃO Pelos motivos expostos, votamos por acolher os presentes embargos inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS para, com efeitos infringentes, sanar o vício apontado no acórdão nº 330100.025, de 05 de março de 2009, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Relatora Fl. 1011DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726137/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Nulidade.
A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.
Imunidade. Descumprimento dos Requisitos Estabelecidos em Lei. Suspensão. Cabimento.
Tratando-se de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período.
Entidade Imune. Contratação de Empresa de Prestação de Serviços Pertencente a Diretor. Identidade de Função. Remuneração Indireta. Caracterização.
A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados.
Numero da decisão: 1301-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild afastaram o fundamento do voto do relator relativo à terceirização da "atividade-fim" como razão para suspender a imunidade da Recorrente. E, em relação ao fundamento do voto do relator referente à remuneração indireta a dirigentes como razão para suspensão da imunidade, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto entenderam que, no que diz respeito ao ano-calendário cuja imunidade foi suspensa, somente as imputações relativas ao senhor Eduardo Jorge deveriam prevalecer, pois os demais beneficiários de pagamento não eram dirigentes da Recorrente no período. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto fará declaração de voto para fazer constar as razões pelas quais o colegiado acompanhou o voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. SUSPENSÃO. CABIMENTO. Tratandose de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período. ENTIDADE IMUNE. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PERTENCENTE A DIRETOR. IDENTIDADE DE FUNÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARACTERIZAÇÃO. A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild afastaram o fundamento do voto do relator relativo à terceirização da "atividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 37 /2 01 4- 71 Fl. 4889DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.890 2 fim" como razão para suspender a imunidade da Recorrente. E, em relação ao fundamento do voto do relator referente à remuneração indireta a dirigentes como razão para suspensão da imunidade, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto entenderam que, no que diz respeito ao anocalendário cuja imunidade foi suspensa, somente as imputações relativas ao senhor Eduardo Jorge deveriam prevalecer, pois os demais beneficiários de pagamento não eram dirigentes da Recorrente no período. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto fará declaração de voto para fazer constar as razões pelas quais o colegiado acompanhou o voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 4890DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.891 3 Relatório Tratase de recurso interposto por MONTE TABOR CENTRO ÍTALO BRASILEIRO DE PROMOÇÃO SANITÁRIA, já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1157.036, da 4ª Turma da DRJ Recife, que, negando provimento à impugnação, manteve o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 067/2014, que suspendera a imunidade da recorrente para o ano base 2010. A autoridade administrativa constatou os seguintes fatos: a) Ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS. A recorrente teve seu pedido de renovação do certificado indeferido pelo Ministério da Saúde para o período de 2009 a 2012, conforme Resolução nº 07/2009 daquele órgão. Embora a recorrente tenha obtido o efeito suspensivo da decisão denegatória, a autoridade fiscal entendeu que a imunidade havia de ser suspensa, dado que a recorrente não comprovara a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual exigido pela lei. b) Distribuição dos resultados e de parcelas de seu patrimônio. A legislação impõe, para conservar o benefício, que não haja distribuição de resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. Entretanto, essa regra teria sido desrespeitada por meio de operações com o chamado Grupo Delfin. Consta do Despacho Decisório Seort/DRF/SDR nº 0646/2014 (fls. 3.527 a 3.547): Relativamente às operações com o Grupo DELFIN (...), procedeuse ao cotejamento do quadro societário da empresa recém criada, com os elementos contidos na Relação dos Trabalhadores do Contribuinte, obtido através do subsistema GEFIP Web, oportunidade em que foi verificada a coincidência de nomes destes com aqueles. Significa dizer que, dos quinze sócios, pessoa física, da empresa recém constituída, doze deles eram, à época da constituição da pessoa jurídica, empregados do Contribuinte Interessado; Ato contínuo à constituição da Empresa suso aludida, o Contribuinte cessa as suas atividades, que passaram a ser terceirizadas; sendo que, no contrato então firmado, foi evidenciado, pelo Ilustre Auditor subscritor desta Representação, o fato da existência de uma absoluta singularidade e especificidade contraprestacional, onde, na avenca contratual, sobressaem cláusulas que permitiram constatar uma nítida transferência de recursos para pessoas determinadas; Também é evidenciado, na Representação aqui analisada, o fato de que, inobstante a cessão gratuita de expressivas áreas do Complexo Hospitalar do ora Contribuinte Representado à empresa contratada, o Interessado inexplicavelmente paga aluguel a outra empresa do mesmo grupo (DELFIN); sendo que, segundo informações do próprio ora Representado, o imóvel locado teria por finalidade o funcionamento do posto de coleta do laboratório de análise clínica do Hospital São Rafael. (fls. 3.529 e 3.530) A recorrente também teria firmado contrato de prestação de serviços médicos com a empresa Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda., sendo que um dos representantes da contratada fora empregado da recorrente, no período compreendido entre os anos de 2001 e 2009. Fl. 4891DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.892 4 As cláusulas do contrato reproduzem a mesma estrutura do contrato firmado com a empresa DELFIN, com favorecimento unilateral, de que seriam exemplos o comodato de áreas de bem imóvel, o comodato de equipamentos, a cessão de empregados com isenção de encargos sociais, entre outros. Tudo isso revela a (...) forma especialíssima de remuneração pela prestação dos serviços que chega a impressionantes 100% no partilhamento do valor dos honorários e procedimentos médicos nas hipóteses indicadas em contrato; Por oportunidade da 1ª alteração contratual, restou ali consignado que a contratada receberia do Contribuinte o valor correspondente a 95% da Receita Operacional Líquida ROL efetivamente recebida, valores correspondentes aos serviços prestados aos beneficiários do Sistema Único de Saúde SUS. Apontando, também, ato contínuo, fatos outros, embora de natureza diferente, que reforçam mais ainda a especificidade do partilhamento da receita entre, repito, o Contribuinte ora Representado e a empresa contratada. (fl. 3.530) c) Transferências de recursos aos diretores. Teria sido constatada a remuneração de diretores. A recorrente, segundo a autoridade fiscal, remunerou de maneira indireta seus diretores, excedendo, em alguns casos, os valores declarados. O Relatório de Fiscalização apresenta várias situações em que não fora constatada remuneração formal a diretores. No entanto, os mesmos diretores prestavam serviços à recorrente, obtendo expressiva remuneração. Nesse sentido, o relatório fiscal faz alusão a determinado diretor, sócio majoritário de uma empresa prestadora de serviços, que sem qualquer empregado, nos anos de 2009 e 2010, obtivera faturamento superior a meio milhão de reais. Foi também identificada a situação de outros dois diretores que eram sócios da empresa Today Consultoria de Negócios Ltda., a qual, nos anos de 2009 e 2010, recebeu montante superior a R$ 800.000,00. A autoridade fiscal ressaltou o fato de que os serviços prestados pela Today Consultoria eram os mesmos que os sócios desempenham como empregados da recorrente. A autoridade fiscal aduziu que essa prática era comum, apontando situações idênticas, porém envolvendo valores menores. Empresas de consultoria, sem empregados, prestavamse apenas a remunerar diretores da recorrente, caracterizando o desvio de finalidade. Ainda ficou caracteriza a benevolência da recorrente para com outras pessoas com as quais mantinha vínculo. É o caso do pagamento de aluguel de imóveis residenciais, não registrado como remuneração dos respectivos beneficiários, no caso, o Diretor Geral do Hospital Deputado Luiz Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, e o Diretor Geral do Hospital Dantas Bião, em Alagoinhas. Concluiu a autoridade fiscal que a situação descrita configurava modalidade disfarçada de distribuição de renda a diretores. d) Benfeitoria em imóveis de terceiros. Foram identificadas despesas na conta do ativo permanente, imobilizado, mais especificamente na rubrica benfeitoria em imóveis de terceiros. Os valores foram lançados a débito da conta de ativo permanente imobilizado, no montante de R$ 2.498.103,48. Fl. 4892DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.893 5 O procedimento consistia em fazer lançamentos de despesas com obras em imóveis de terceiros, em várias contas de resultado e, mensalmente, transferir tais valores da conta de despesa para conta de ativo permanente. Também foram constatadas, em outros anos, várias aplicações de recursos em imóveis de terceiros, reproduzindo a mesma sistemática descrita, contudo envolvendo valores em torno de R$ 30.000.000,00. e) Pagamento de aluguel à Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor. A recorrente contabilizou como despesa a importância de R$ 840.933,02 a título de aluguel pago à Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor, que seria a proprietária formal dos imóveis. Porém, a autoridade fiscal afirmou tratarse de despesas fictícias, porquanto locador e locatário se confundiam, pois integravam o mesmo grupo. Ao ser questionada sobre as razões pelas quais o Imposto de Renda não fora retido, a recorrente informou que não teria havido pagamento, mas compensações. Nesse passo, lembrou a autoridade fiscal que o art. 9º do Código Tributário Nacional CTN impõe a obrigação de reter na fonte o Imposto de Renda, na condição de responsável tributário. Diante de tais constatações, a autoridade fiscal propôs a suspensão da imunidade para o ano de 2010. A recorrente, alegando razões de fato e de direito, manifestou se contrária à suspensão. Todavia, o Despacho Decisório Seort/DRF/SDR nº 0646/2014 acolheu a representação e, em consequência, a recorrente teve suspensa a imunidade, que se materializou no Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 067/2014, de 3 dezembro de 2014. Não resignada, Monte Tabor impugnou o ato administrativo. A DRJ REC, entretanto, negou provimento à impugnação, em acórdão resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ALEGAÇÕES. Questionamentos acerca de inconstitucionalidade de lei não são conhecidos no âmbito do julgamento administrativo por tratarem de matéria reservada ao exame do Poder Judiciário (Súmula CARF n° 2). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia para exame de elementos devidamente demonstrados nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ASSISTÊNCIA A SAÚDE. Para gozo de imunidade tributária atividade voltada para a área de obrigatoriedade de observância de legislação própria, é insuficiente apenas o exercício de saúde sem finalidade lucrativa, há todos os requisitos especificados na legislação própria. Fl. 4893DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.894 6 Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Contra essa decisão foi interposto recurso. Em preliminar, alegouse nulidade da decisão recorrida, já que não teria havido qualquer análise particularizada das alegações e dos documentos trazidos na manifestação de inconformidade, inexistindo motivação adequada. A recorrente disse ser instituição de assistência médica, social e educacional, sem fins lucrativos, cuja atuação se concentra na periferia de Salvador e em outras regiões carentes do Estado da Bahia. Faz jus à imunidade prevista no art. 150, inciso VI, letra "c", e à imunidade do art. 195, § 7°, da Constituição Federal. Nesse linha de raciocínio, arguiu inconstitucionalidade e ilegalidade dos requisitos estabelecidos no Decreto n° 2.536/1998 para a concessão do CEBAS, uma vez que as condições para fruição de imunidades só podem ser reguladas por lei complementar. Aduziu que, no Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, o E. Supremo Tribunal Federal STF firmou a tese de que os requisitos para o gozo da imunidade têm de estar previstos em lei complementar. No julgamento das ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621, aquela Corte invalidou de forma específica o requisito invocado pelo Ministério da Saúde para o indeferimento do CEBAS, no caso, o mínimo de 60% de atendimentos ao SUS. Segundo a Fiscalização, a recorrente teria praticado três grupos de infrações que justificariam o afastamento da imunidade e da isenção, a saber, terceirização de serviços envolvendo o grupo Delfin e o Centro de Hematologia; remuneração de diretores; e as operações com imóveis. Quanto à terceirização de serviços, a acusação do Fisco seria equivocada, pois pagar prestadores de serviços não configura distribuição de patrimônio, mas despesas inerentes às atividades da pessoa jurídica imune. No caso, tratavase da terceirização de atividades que exigiam investimentos inviáveis, em razão das dificuldades financeiras da recorrente, agravadas pelo esgotamento de seu crédito bancário (caso da contratação da Delfin Médicos Associados), ou apresentavam sucessivas operações deficitárias (caso da contratação do Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda.) Sobre a acusação de remunerar diretores, a recorrente alega, nesse ponto, falta de clareza da autoridade fiscal, porquanto não teria ficado claro se o motivo para a suspensão da imunidade foi a distribuição de patrimônio ou a remuneração de diretores. De qualquer forma, a improcedência é manifesta, no entender da recorrente, pois os pagamentos foram feitos a título de remuneração pela exercício de atividades profissionais que não se confundem com às inerentes ao exercício do cargo de diretor. Afirmou que essa prática não é proibida pela lei, citando como exemplo o caso de diretor de faculdade imune que é, ao mesmo tempo, professor da instituição, recebendo pelas aulas dadas. Acerca das operações com imóveis, disse que tais operações foram regulares e transparentes, não tendo causado nenhuma perda patrimonial à recorrente. Aduziu que a Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor, instituição italiana, criou, com outros fundadores brasileiros, a Monte Tabor Centro ÍtaloBrasileiro de Promoção Sanitária (recorrente). Em 1994 e 1995, a recorrente recebeu vultosos empréstimos da Fondazione, destinados a viabilizar a execução dos serviços assistenciais. Malgrado o empréstimo, a Fl. 4894DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.895 7 dificuldade financeira não cessou. Assim, em 2005, a recorrente vendeu à Fondazione bens imóveis de sua propriedade (R$ 25.318.388,00). A Fondazione, já agora proprietária dos imóveis, decidiu alugálos à recorrente, sua antiga proprietária. Criou então uma empresa no Brasil, a Oásis Administração Ltda., para gerir o contrato de locação. A recorrente, locatária do imóvel, assumiu o custo de benfeitorias úteis e necessárias, e abateu os respectivos valores das dívidas oriundas dos empréstimos, bem como quitou, com aquele crédito, os alugueis do prédio onde funciona o Hospital São Rafael. Com a venda, ocorrida em 2005, a propriedade do imóvel ficou sujeita ao IPTU. A recorrente passou a efetuar o pagamento do imposto e, posteriormente, compensava o valor com a dívida relativa aos alugueis devido à nova proprietária. As despesas com manutenção (benfeitorias úteis e necessárias) e com o IPTU foram tão elevadas que, no fim das contas, a recorrente passou a ter crédito perante a Fondazione. Por essas razões, é impossível falar em confusão patrimonial ou em perdas para a recorrente, que obteve empréstimos, recebeu o preço justo pela venda dos imóveis e, no fim das contas, acabou com crédito a seu favor. Com esses fundamentos, pediu o provimento do recurso, a fim de que fosse reconhecido o direito à imunidade. É o relatório. Fl. 4895DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.896 8 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidade da decisão recorrida A recorrente acusou que alegações e documentos por ela apresentados não foram examinados, e que não existe motivação adequada da decisão. Falta de motivação adequada não é sinônimo de falta de motivação, esta sim um vício que torna nulo o ato decisório. A decisão que não exponha as razões de fato e de direito em que se baseia é nula. A decisão que se apóie em fundamentos juridicamente frágeis ou em valoração equivocada do acervo probatório é passível de reforma em grau de recurso; mas aqui, em tese, não se tem ato decisório nulo. A recorrente, ademais, não indicou de forma objetiva quais os pontos relevantes da impugnação deixaram de ser examinados. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade. Imunidade das entidades beneficentes de assistência social Antes de examinar os pontos controversos que consistem no mérito do recurso, cumpre fazer alguns considerações de ordem geral. Em primeiro lugar, consideramse regras de imunidade tanto a contida no art. 150, inciso VI, letra "c", quanto a do art. 195, § 7º, todos da Constituição Federal. Portanto, ambas serão aqui referidas como imunidade. Em ambos os casos, a imunidade está condicionada a que as pessoas destinatárias da regra atendam aos requisitos estabelecidos em lei; portanto, em norma infraconstitucional. O CTN, que tem força de lei complementar, estabelece no art 14, em linhas gerais, esses requisitos, a saber: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Os incisos I e II contêm requisitos que, na essência, são inerentes às entidades sem fins lucrativos. Afinal, nenhuma entidade sem fins lucrativos pode distribuir patrimônio ou Fl. 4896DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.897 9 renda, sem incorrer em desvio de finalidade, porque quem distribui patrimônio e renda são as entidade que têm no lucro seu objetivo. É óbvio, pelas mesmas razões, que entidades sem fins lucrativos devem aplicar suas receitas na manutenção de seus fins institucionais, sob pena de desvio que descaracteriza sua natureza jurídica. Os dois requisitos, portanto, têm natureza material e emanam da própria condição de entidade sem fins lucrativos, de modo que ambos haveriam de ser observados ainda que o CTN nada dissesse a respeito. O CTN não está criando obstáculos ao gozo da imunidade, mas explicitando atributos inerentes às pessoas jurídicas sem fins lucrativos. O inciso III, diferentemente dos anteriores, tem função meramente instrumental. Ao exigir a escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades mínimas que garantam a exatidão dos registros, a lei busca dar à fiscalização tributária, ou de outros órgãos estatais, as condições para verificar eventuais desvios. As leis ordinárias que, posteriormente, vieram tratar de requisitos para gozo da imunidade o fizeram, em tese, dentro das balizas traçadas pelo CTN, detalhando os requisitos materiais e instrumentais. A premissa de que as leis ordinárias atuam dentro dos limites traçados pela Constituição Federal e pelo CTN é intocável, até que o E. STF se pronuncie pela inconstitucionalidade de alguma exigência fixada em lei ordinária. No âmbito do processo administrativo não se examinam questionamentos referentes à constitucionalidade de qualquer requisitos fixado em lei, complementar ou ordinário, para o gozo da imunidade do art. 150, inciso VI, letra "c", e do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. De acordo com esse paradigma, é que devem ser consideradas as objeções opostas pela recorrente ao CEBAS. O CEBAS é requisito essencial para o gozo da imunidade do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Porém a concessão desse certificado não cabe à Receita Federal. No caso dos autos, a competência é do Ministério da Saúde. Portanto, não compete ao CARF fazer qualquer juízo de valor acerca da decisão que conceder ou denegar o CEBAS. Se a suspensão da imunidade estivesse na dependência exclusivamente do CEBAS, o julgamento haveria de ser sobrestado, até decisão definitiva do Ministério da Saúde. Entretanto, não é o que se verifica no caso em exame. Aqui foram várias as circunstâncias que serviram de fundamento autônomo à suspensão da imunidade em 2010. Assim, basta que se reconheça a presença de um, dentre os diversos fundamentos, para que se confirme a suspensão, negando provimento ao recurso. Terceirização de serviços A terceirização da atividadefim das instituições de assistência social sem fins lucrativos tem de ser vista com reservas. Tais contratos de terceirização podem ensejar, por via oblíqua, a transferência de recursos, alguns inclusive oriundos do Poder Público, para empresas privadas, que buscam, como é natural, o lucro. Pode também caracterizar burla ao princípio da livre concorrência, na medida em que empresas privadas se utilizem de entidades imunes como fachada para o exercício de atividades lucrativas, inclusive com condição diferenciada de reserva de mercado e captação de clientes. Fl. 4897DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.898 10 A terceirização de atividademeio não é problema, e ninguém cogitaria de suspender imunidade em face dessa opção, que vem sendo adotada largamente em todas as esferas, inclusive nos órgãos públicos. O problema é a terceirização da atividadefim da instituições de assistência social, porque isso pode mascarar um procedimento malicioso, visando fraudar a tributação incidente sobre receitas e lucros da respectiva atividade. A terceirização de atividadefim tem sido adotada por empresas privadas. Nesse caso, abstraindo a questão trabalhista, o que se tem são entidades empresariais, exercendo a liberdade de organização de seu negócio da forma que mais lhes convenha. Essa mesma lógica, entretanto, não pode ser aplicada a entidades imunidades, que, desoneradas da carga tributária normal, prestam serviços, sem objetivo de lucro, mas preordenados a atender necessidades e assegurar direitos, exercendo assim o papel que constitucionalmente cumpre ao Estado. Exatamente por isto, são imunes: porque fazem o que ao Estado cabe fazer. Permitir que pessoa jurídica imune pratique a terceirização de atividadefim é abrir caminho a uma relação viciada entre interesse público e interesse de privado. Não tem sentido estabelecer requisitos rígidos para que a entidade possa usufruir de imunidade tributária e, ao mesmo tempo, permitir, de forma ampla, a terceirização de sua atividade principal. Tal circunstância implicará necessariamente o conflito entre a finalidade filantrópica e a finalidade lucrativa. Filantropia e lucro, por definição, não combinam. Quando a entidade filantrópica terceiriza sua atividade principal, o que passa a existir é uma empresa privada exercendo suas atividade sob a máscara de entidade imune. A empresa privada não se descaracteriza, a entidade filantrópica sim. No caso concreto, deuse a terceirização da atividadefim. Mais que isso, a recorrente cedeu toda a sua estrutura física. Os equipamentos utilizados pela empresa Delfin Médicos Associados pertenciam à recorrente, conforme ela própria admitiu. Em especial, no caso da Delfin, a recorrente descreveu um quadro de dificuldades financeiras, diante do qual duas alternativas se apresentavam. Observese que o diz a recorrente no recurso: Duas saídas se apresentavam: a cessação dos serviços, inadmissível, ou a terceirização. Daí a contratação da DELFIN, sociedade integrada por importantes especialistas no ramo, aos quais se juntaram os médicos até então empregados do Recorrente, que para tanto se demitiram. A sociedade responsabilizouse por todos os investimentos necessários ao seu funcionamento em nível de excelência (cf. termos do acerto, sintetizados no doc. n° 15 da impugnação, fls. 3.902/3.910). Ao Recorrente foi assegurada uma participação de 10% na receita, preservada uma remuneração mensal mínima igual à média histórica de receita que até então obtinha com a atividade, no valor de R$ 114.000,00/mês. Ademais, a DELFIN lhe transferiu R$ 800.000,00 a título de antecipação de receitas. Ou seja, manutenção no mínimo dos níveis anteriores de faturamento, sem prejuízo de qualquer espécie e com possibilidade de aumento de receita. Por se tratar de atividadefim do hospital, o Recorrente cedeu o espaço físico que já era destinado a tais serviços, bem como a mão de obra responsável pelos Fl. 4898DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.899 11 serviços gerais (como limpeza, por exemplo), que era a mesma que os executava no restante das dependências do hospital. Não se trata de cessão gratuita, mas de contrapartida pela participação nas receitas, tal como contratada. Os resultados foram favoráveis ao Recorrente: em 2012, a receita do serviço chegou a R$ 21.735.712,84, cabendolhe, assim, R$ 2.173.571,28, inteiramente livres de riscos. Para perceberse a importância desse montante, basta considerar que coube à DELFIN adquirir equipamentos no valor de R$ 10.938.070,00, investir R$ 576.304,90 em obras civis nas instalações físicas do hospital, remunerar toda a dispendiosa mão de obra médica e administrativa e assumir sozinha o risco do negócio (sendo certo que garantiu ao Recorrente uma receita mensal mínima), tudo isso em troca da remuneração paga pelo SUS... Não por acaso, a DELFIN apresentou déficits (R$ 4.359.153,89 em 2008), para atingir um primeiro superávit somente em 2010. (grifos da recorrente) (fls. 4.609 a 4.610)" Percebese que o efetivo prestador do serviço deixou de ser a recorrente para ser a empresa privada, que para assegurar o "negócio" oferecia à recorrente um determinado valor "livre". O negócio era tão vantajoso para a Delfin (entidade de fins lucrativos) que ela antecipou receitas. A recorrente falou que foram mantidos os níveis anteriores de faturamento, sem prejuízo de qualquer espécie, e com possibilidade de aumento de receitas. Concluindo, afirmou que os "resultados" lhe foram favoráveis. É interessante notar que o casamento da entidade beneficente com a sociedade empresária afastou a primeira do seu objetivo inicial. Isso se reflete no nível discurso, no qual sobressai a preocupação clara com lucros e resultados, evidenciando que o problema se resumia a uma simples relação de receitas e despesas. A prestação de serviço ao público, que justifica a imunidade, foi relegada à segundo plano. É como diz a passagem bíblica "ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro". (Mateus. 6.24) A finalidade filantrópica ficou sufocada pelo objetivo de lucro. Observese que o Ministério da Saúde não renovou o CEBAS porque a recorrente não havia cumprido percentuais mínimos de atendimento ao SUS e percentuais mínimos de gratuidade (cf. Parecer Técnico nº 279/2012 CGCER/DCEBAS/SAS/MS, fls. 322 a 337). O cumprimento desses requisitos seguramente pressionaria os lucros das empresas privadas que, mercê da terceirização da atividadefim, eram as efetivas prestadoras dos serviços. Por tudo isso, temse como caracterizado o desvio de finalidade. Remuneração de dirigentes No que tange à remuneração de dirigentes, há situações limítrofes, que se encontram na fronteira entre o que é ou não permitido a uma entidade imune. Não há dúvida de que é lícito pagar, pelas aulas dadas, ao professor, que é também o diretor da escola, instituição de educação sem fins lucrativos, que goza de imunidade tributária. Por outro lado, a pergunta que se impõe é saber se é lícito contratar serviços de consultoria ou assessoria de empresas pertencentes a diretores da entidade imune (pagando Fl. 4899DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.900 12 valores acima dos de mercado), por serviços que deveriam ser prestados pelo diretor pessoalmente. Antes de examinar o problema, é importante delimitar, no tempo, os fatos relevantes, que merecem atenção. O processo cuida de suspensão de imunidade no ano de 2010. Logo, são irrelevantes, em princípio, os fatos ocorridos antes desse período. Em relação à controvérsia, diz a recorrente: O Sr. EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ JÚNIOR era sócio da empresa TODAY CONSULTORIA DE NEGÓCIOS, contratada em 01/08/2003 pelo Recorrente para realizar o diagnóstico econômico financeiro da instituição (doc. n° 27 da impugnação, fls. 4.081/4.085). Somente em 11/2008, o Recorrente optou por contratar o SR. EDUARDO como Diretor Administrativo e Financeiro, quando este passou a exercer funções de macrogestão da instituição, sem confundirse com os trabalhos de consultor na TODAY. O fato de terem sido renegociados para baixo os honorários pagos à TODAY, a partir da nomeação do SR. EDUARDO à diretoria do Recorrente, afasta qualquer pecha simulatória que poderia pairar sobre os fatos. (fl. 4.612) A propósito do serviços prestados pela Today Consultoria de Negócios, vale reproduzir a informação que consta do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 2.837 a 2.876): No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$ 906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. (fls. 2.855) A contratação da empresa de consultoria, claro está, se fez com o propósito de remunerar um dos diretores da recorrente. Consta ainda do recurso: No caso do Sr. SIGEVALDO SANTANA DE JESUS, tratase antigo funcionário do Recorrente que exercera cargos de controladoria e RH e que, em 05/2011, assumiu a Diretoria de Controle e Expansão. Ocorre que aludido Senhor foi sócio da empresa ACERVO AUDITORIA E CONSULTORIA, contratada desde 2005 (doc. n° 34 da impugnação, fls. 4.136/4.139) para prestação de serviços de consultoria contábil ao Recorrente, em época, portanto, muito anterior à sua chegada à diretoria. Isto é, o Sr. SIGEVALDO não se valeu da condição de diretor para determinar a contratação da empresa de que era sócio. Sem falar que os serviços da ACERVO (aperfeiçoamento e melhoria de processos contábeis, revisão de classificações e graus de insalubridade de colaboradores etc.) não equivaliam às atividades do Sr. SIGEVALDO como empregado (até 2011) ou como Diretor (após essa data). (fl. 4.612). Sobre os serviços prestados pela Acervo Consultoria e Auditoria, manifestou se a autoridade fiscal no TVF: Fl. 4900DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.901 13 Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita no CNPJ n° 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação "GFIP SEM MOVIMENTO" desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado. (fl. 2.856) Diante desse quadro, o mais relevante é o fato de que a empresa de consultoria não tinha empregados, porque isso revela que os serviços eram prestados pessoalmente, em caráter intuitu personae, por Sigevaldo Santana de Jesus, de tal modo que a contratação da empresa de consultoria era uma forma mascarada de remunerar dirigente e também uma forma de distribuição de renda da entidade imune. Em suma, tais fatos, por si, bastam para dar suporte ao ato de suspensão de imunidade, tanto a relativa a impostos, quanto a relativa às contribuições de seguridade social. Operação com imóveis foi afastada. No que tange às operações com imóveis, os fatos, por si mesmos, não dariam causa à suspensão da imunidade, pois são anteriores ao período em exame. A alienação do imóvel ocorreu em 2005; portanto, antes do período a que se refere o ADE nº 67/2014. O contrato de locação também precede a 2010. Além disso, as despesas com pagamento de alugueis foram tidas como não comprovadas pela Fiscalização e, por isso, motivaram a glosa e o lançamento de tributo. Portanto, se a existência de tais pagamentos foi considerada como não comprovada, eles não podem servir de base para a suspensão da imunidade. Portanto, esse fundamento deve ser afastado, o que não compromete a validade do ADE 67/2014, que remanesce respaldo pelos dois fundamentos autônomos examinados acima. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 4901DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.902 14 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Em razão do julgamento ter se findado com a conclusão proposta pelo voto do Ilustre Relator, Conselheiro Roberto Silva Júnior, mas com divergência do Colegiado quanto às razões de decidir, fui incumbido de apresentar declaração de voto deixando clara e evidente a razão que determinou a negativa de provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente. Em breve síntese, a Recorrente teve sua imunidade e isenções suspensas sob um dúplice fundamento: i) o indeferimento da renovação do CEBAS para o triênio 2009/2012, em virtude do suposto não atendimento ao art. 3º, § 4º, do Decreto nº 2.536/98 c/c os §§ 10, II, e 14, do mesmo artigo (60% atendimento ao SUS); e ii) a acusação de ofensa ao art. 29, II e V, da Lei nº 12.101/2009 e ao art. 14 do CTN: aplicação de recursos fora dos objetivos institucionais e distribuição de resultados. As razões de ofensa ao art. 29, II e V da Lei nº 12.101/2009 e ao art. 14 do CTN são sumarizadas nos seguintes termos: Item 4.2 do TVF: Distribuição dos resultados ou patrimônio. Itens 4.2.1 e 4.2.2 do TVF: Operações com o Grupo Delfin e com o Centro de Hematologia e Terapia Celular. O Impugnante mantém contratos com duas sociedades de direito privado com fins lucrativos (Delfin Médicos Associados Ltda. e Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda.), cujos sócios foram empregados do Impugnante, para fins de parceria na prestação de serviços médicos, por meio do qual o Impugnante cede via comodato mãodeobra, equipamentos e espaços em seus imóveis, e os Contratados realizam investimentos em equipamentos (raio X, ressonância magnética, tomógrafo, ultrassonografia etc.), partilhando a receita auferida (10% com o Impugnante), inclusive decorrente de serviços prestados pelo SUS. Item 4.2.3 do TVF: Transferência de recursos a diretores. O Impugnante manteria contratos com consultorias cujos sócios eram diretores do hospital, como forma de remuneração indireta aos mesmos. Itens 4.2.4 e 4.2.5 do TVF: Benfeitorias em imóveis de terceiros, e aluguéis pagos pelo Impugnante. O Impugnante realiza diversas benfeitorias nos imóveis que aluga, desse modo disfarçadamente remunerando o locador (FONDAZIONE, proprietária na Itália, via OASIS, administradora da primeira no Brasil). Itens 5.0 e 5.1: Venda de imóveis do Impugnante e de celebração de empréstimos, sempre sem comprovação de pagamentos. Fl. 4902DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.903 15 O Impugnante, em supostas operações comprobatórias de existência de grupo econômico entre ele e a FONDAZIONE e a OASIS (por meio das quais lhes transferiria renda e patrimônio), vendera seus imóveis no Brasil para a primeira, para posteriormente tornarse sua inquilina, e ainda declarou ter tomado diversos empréstimos com aludida instituição italiana, em todos os casos sem demonstrar a veracidade das operações.” Pois bem, prossigamos na análise dos fundamentos, de forma pormenorizada. Quanto ao primeiro fundamento, é sabido por todos que o Supremo Tribunal Federal definiu a tese, em repercussão de geral, que “os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar” (RE nº 566.622/RS), posição está mantida nas ADI nº 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621, inclusive com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 4º, do Decreto nº 2.536/98, utilizado como fundamento parcial da suspensão da imunidade. Senão vejamos o dispositivo do voto prevalecente do Min. Teori Zavascki: (c) sejam julgadas procedentes em parte as arguições decorrentes daconversão das ADIs 2228 e 2621, para declarar a inconstitucionalidade dos arts. 2º, IV; 3º, VI, §§ 1º e 4º, parágrafo único, todos do Decreto 2.536/1998, assim como dos arts. 1º IV; 2º, IV e §§ 1º e 3º; 7º, § 4º, do Decreto 752/1993; Apesar do indeferimento da renovação do CEBAS ter se dado por motivo claramente contrário ao entendimento vinculante do STF, compartilhamos da opinião do relator de que essa análise é competência do Ministério da Saúde, e não do CARF. Caso o único fundamento fosse este, apontou o relator, o procedimento correto seria o sobrestamento, como não é, cabe a nós analisar os demais requisitos. Quanto ao segundo fundamento, ele se baseia no não cumprimento do art. 29, II e V da Lei nº 12.101/2009 e do art. 14 do CTN, verbis: Lei 12.101/2009 Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 4903DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.904 16 II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. a) Contratos com a DELFIN e o CENTRO DE HEMATOLOGIA O Recorrente apresentou anexo aos memoriais parecer econômicofinanceiro, juntado aos autos mas pendente de aprovação (fls. 3470 e ss.), no qual se explica que a contratação da prestação de serviço por essas empresas era uma forma de terceirização de serviços em hospitais, com a finalidade de elevar a produtividade e eficiência, via transferência de custos e do risco para os terceirizados, que prestariam os serviços médicos. Como se vê nas cláusulas 4.3, 4.6 e 5.1 do Contrato com a DELFIN, reproduzidas às fls. 3476 e 3477, a contratada assumiu todas as responsabilidades trabalhistas, tributárias, bem como relativas à qualidade dos serviços e profissionais atuantes, e a conservação dos equipamentos médicos utilizados, cabendo à Recorrente o estabelecimento de metas gerais e específicas nesse prestação de serviços. A razão para que a Recorrente fizesse esse tipo de contrato era principalmente o fato do parque tecnológico de radiologia e imagem estar profundamente desfasado, exigindo investimentos expressivos, que eram impossíveis em razão da falta de capacidade de endividamento da sociedade, que não tinha recursos próprios e que ostentava resultados financeiros decrescentes nessa área. Daí justificada a contratação da DELFIN, sociedade integrada por especialistas, aos quais se juntaram os antigos médicos empregados do Recorrente, que para tanto se demitiram antes, passando essa sociedade a se responsabilizar por todos os investimentos necessários ao seu funcionamento em nível de excelência (cf. doc. nº 15 da impugnação, fls. 3.460/3.468). A fiscalização se apegou à forma de remuneração de fato bastante complexa para aduzir que houvera uma cessão gratuita do espaço e que havia uma forma de distribuição de resultados quando, em rigor, ao Recorrente foi assegurada uma parcela de 10% na receita, preservada uma remuneração mensal mínima igual à média histórica de receita que até então obtinha com a atividade: R$ 114.000,00/mês, recebendo também R$ 800.000,00 a título de antecipação de receitas. Em contrapartida à receita prometida, o Recorrente cedeu o espaço que já era destinado a tais serviços, bem como a mão de obra responsável pelos serviços gerais (limpeza, etc.), que já os executava no restante das suas dependências. Como se pode ver, não se trata de cessão gratuita, portanto. Na prática, o faturamento dos serviços prestados é feito em nome e por conta e ordem do Recorrente, seja para convênio, particular ou SUS, englobando na composição do preço todos os custos e despesas envolvidos na prestação do serviço, bem como na manutenção e operação do espaço. Em relação aos custos que ficam a cargo do Recorrente (e não da DELFIN), como água e energia, há o reembolso mediante desconto no pagamento das faturas emitidas pela DELFIN, a título de recuperação de custos. Quanto à remuneração dos serviços, ela é feita com base na receita operacional líquida dos serviços prestados pela DELFIN, aplicandose o percentual de 85%, que será objeto de emissão de nota fiscal, pela DELFIN, contra o Recorrente. Fl. 4904DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.905 17 Não havia uma distribuição de resultados, mas sim uma alocação de expressivos riscos na DELFIN, com a manutenção de investimentos e de rendimentos para o Recorrente, em contraprestação de uma remuneração calculada sobre o total de receitas líquidas auferidas com a prestação dos serviços por esse grupo de prestados, inclusive com a retenção dos tributos devidos (IRRF, PIS, COFINS, CSLL) e com o desconto da recuperação de custos, que em 2009 foi equivalente a 12% da o valor faturado, e em 2010, 10%, conforme planilha: Como se pode ver, nas planilhas abaixo, o contrato com a DELFIN gerou incremento substancial de receitas (57% em cinco anos) e aumento na quantidade de atendimentos: Fl. 4905DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.906 18 Além do aumento inegável do fluxo de caixa do Recorrente, o DELFIN fez investimentos no montante de quase R$ 11 milhões, em aparelhos de última geração, para viabilizar a prestação de serviços médicos com grau de excelência. Esse contrato, portanto, não comprometeu a renda do Recorrente, ao passo que lhe deu vantagens econômicas comprovadas e elevou a qualidade na sua prestação de serviços, incrementando qualitativamente a sua atividade. Quanto ao CENTRO DE HEMATOLOGIA, foi realizado contrato semelhante àquele com o DELFIN, mas que foi denunciando unilateralmente pelo Recorrente em razão de não alcançar os resultados previstos originalmente: A própria denúncia já "depõe" em favor da Recorrente, demonstrando que havia o interesse real de implementação de uma terceirização de serviços, mas que, diante do insucesso, foi cessada (doc. nº 21 da impugnação, fls. 3.564/3.587). Em ambos os casos, não há distribuição de resultados, mas sim contraprestação dos serviços prestados, com a vantagem para a Recorrente de esvaziar o risco do seu negócio, garantindo um fluxo de caixa constante para a persecução de suas finalidades institucionais. Quanto à alegação de transferência de recursos aos diretores, parecenos haver um problema de ordem formal. A suspensão da imunidade se deu em relação a fatos ocorridos entre janeiro de dezembro de 2010, ou seja, caberia à fiscalização indicar, nos termos do art. 32 da Lei nº 12.101/2009, fatos relativos ao período correspondente que justificassem a suspensação. A fiscalização constrói toda uma argumentação (fls. 2854 e ss.) do TVF, no sentido de que o Recorrente remunerou diretores, como justificativa para a suspensão da imunidade: Fl. 4906DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.907 19 Entretanto, tanto o Sr. Andrea Garziera (cujas atividades junto à Recorrente se iniciaram em 2003 e se encerraram em 2009) e o Sr. Sigevaldo Santana de Jesus (que se tornou diretor da entidade apenas em maio de 2011) não ocupavam qualquer cargo de direção durante o período no qual as infrações deveriam ter sido verificadas. Por outro lado, em relação ao Sr Eduardo Jorge, este era diretor durante o ano de 2009, e verificouse a remuneração indireta por meio de uma empresa, como corretamente apontado pelo voto do Relator: Em relação à controvérsia, diz a recorrente: O Sr. EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ JÚNIOR era sócio da empresa TODAY CONSULTORIA DE NEGÓCIOS, contratada em 01/08/2003 pelo Recorrente para realizar o diagnóstico econômico financeiro da instituição (doc. n° 27 da impugnação, fls. 4.081/4.085). Somente em 11/2008, o Recorrente optou por contratar o SR. EDUARDO como Diretor Administrativo e Financeiro, quando este passou a exercer funções de macrogestão da instituição, sem confundirse com os trabalhos de consultor na TODAY. O fato de terem sido renegociados para baixo os honorários pagos à TODAY, a partir da nomeação do SR. EDUARDO à diretoria do Recorrente, afasta qualquer pecha simulatória que poderia pairar sobre os fatos. (fl. 4.612) A propósito do serviços prestados pela Today Consultoria de Negócios, vale reproduzir a informação que consta do Termo de Verificação FiscalTVF (fls. 2.837 a 2.876): No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. (fls. 2.855) Na contratação de Eduardo Jorge há uma redundância de atribuições do diretor e da empresa, bem como ausência de funcionários, indicando existência meramente como instrumento para remunerar esse diretor. Quanto aos demais pontos, especialmente as operações realizadas com imóveis, verificase que elas se deram entre 1994 e 2004, e por isso não podem gerar a lavratura de auto de infração, como observado pelo Relator em seu voto. Desse modo, à guisa de conclusão, os fundamentos determinantes para a negativa de provimento do Recurso Voluntário são dois: a) O indeferimentos da renovação do CEBAS; Fl. 4907DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.908 20 b) A comprovação de remuneração indireta ao diretor Eduardo Jorge Marinho, por meio da empresa Today Consultoria de Negócios. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 4908DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002578/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
PRELIMINAR. NULIDADE INEXISTÊNCIA
Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69.
Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
Numero da decisão: 2401-006.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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NULIDADE INEXISTÊNCIA Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 78 /2 00 9- 75 Fl. 473DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1752.477 (fls. 97/101): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. OBRIGATORIEDADE EM RAZÃO DO TOTAL DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. Aplicase multa por falta de entrega de declaração de ajuste anual ao contribuinte que deixa de fazêlo, embora obrigado. Legitima a utilização de imposto apurado em lançamento decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando o contribuinte não afasta a presunção legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 29/30), lavrado contra a Contribuinte em 25/09/2009, relativo aos exercícios 2006, 2007, por falta/atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, com imposto devido, no qual é exigido o recolhimento da Multa Regulamentar no valor de R$ 15.823,16, relativo à 2006, e R$ 37.810,50, relativo à 2007, não passível de redução. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 22/26): 1. A Fiscalização foi realizada com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006, com a análise da movimentação financeira da Contribuinte; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19515.002578/200975 Acórdão n.º 2401006.121 S2C4T1 Fl. 3 3 2. Da análise da movimentação financeira apurouse omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o que resultou na lavratura, em 07/07/2009, do Auto de Infração (Processo nº 19515.002549/200912) que apurou Imposto devido no montante de R$ 544.951,16 (fls. 08/20); 3. Em virtude da Contribuinte, embora obrigada, não apresentou a Declaração de Ajuste Anual nos exercícios 2006 e2007, foi lavrado o Auto de Infração, objeto desse Processo, onde foi lançada a Multa Regulamentar equivalente a 20% do valor do Imposto apurado em decorrência da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 29/09/2009 (AR fl. 32) e, em 28/10/2009, apresentou sua Impugnação de fls. 34/48, instruída com os documentos nas fls. 49/94. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1752.477, em 20/07/2011 a 10ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido.. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio, em 16/01/2014 (AR fl. 106) e, inconformado com a decisão prolatada, em 17/02/2014, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 108/131, instruída com os documentos nas fls. 132/466, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese: 1. Fala da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado (Item I fl. 109); 2. Preliminarmente, pleiteia a nulidade do Auto de Infração por inexistência de justa causa para sua lavratura e inocorrência de ilicitude; 3. Se insurge sobre diversos aspectos do Processo nº 19515.002549/2009 12, decorrente da mesma Ação Fiscal relativa às movimentações financeiras em sua conta; 4. Discorre sobre a origem dos recursos movimentados em sua conta e fala sobre as movimentações ocorridas nos exercícios subsequentes ao depósito da indenização trabalhista; 5. Fala sobre a absoluta ausência de sinais exteriores de riqueza e sobre sua capacidade contributiva; 6. Traz os fundamentos que considera relevantes à desconstrução da autuação; Conclui seu Recurso Voluntário Dizendo que a penalização pelo atraso das entregas das declarações não se sustentam porque a própria tributação de Imposto de Renda Complementar não tem razão de ser, e suplica pela suspensão da tramitação destes autos até que sobrevenha decisão definitiva nos autos do Mandado de Segurança nº 0011950 Fl. 475DF CARF MF 4 68.2010.4036100, que pleiteia o processamento do Recurso Voluntário manobrado no Processo 19515.002549/200912, que pode influenciar diretamente no resultado desse processo. Finaliza requerendo que, no caso de não se entender pelo sobrestamento do processo, seja integralmente reformada a decisão de 1ª instância a fim de cancelar a autuação fiscal e extinto o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Pleiteia a contribuinte a nulidade do auto de infração por inexistência de justa causa para a sua lavratura, tendo em vista a inocorrência de qualquer ilicitude. Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular nos moldes insculpidos na legislação tributária. Não cabe ao CARF o pronunciamento sobre questões relativas à inconstitucionalidade, conforme verbete da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19515.002578/200975 Acórdão n.º 2401006.121 S2C4T1 Fl. 4 5 Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Mérito O presente lançamento trata de multa por falta de entrega da DIRPF, correspondente a 20% do imposto devido apurado na ação fiscal. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte se insurge contra diversos aspectos relacionados ao Processo n° 19515.002549/200912, decorrente de ação fiscal relativa à movimentação financeira incompatível, alega que ocorreu erro na base de cálculo, sem trazer razões especificas contra o lançamento da multa regulamentar por falta de entrega da declaração. Em nenhum momento o contribuinte nega que deixou de entregar a declaração de rendimento correspondente ao anocalendário 2005. Pois bem. A previsão legal para a imposição da penalidade tem sede no art. 88, I da Lei nº 8.981/1995 e do art. 27 da Lei nº 9.532/1997, a seguir transcritos: Lei n.º 8.981/1995 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º. O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Lei n.º 9.532/1997 Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Destaquese ainda os termos estabelecidos na Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Fl. 477DF CARF MF 6 Assim, não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares apontadas e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900021/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior, que afastaram a preclusão, mas reconheceram a não comprovação do crédito.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior, que afastaram a preclusão, mas reconheceram a não comprovação do crédito. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 00 21 /2 00 8- 20 Fl. 38DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 23/29, de n. 21140.66518.281004.1.7.020803, de 28/10/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de Crédito Saldo Negativo de IRPJ, 3° Trimestre / 2002, no valor de R$ 759,92. O contribuinte foi previamente intimado (Termo de Intimação n. 621319799, efl. 08, de 31/08/2006), com orientação de que retificasse a DIPJ em questão tendose em vista que o valor informado em DIRPJ de Saldo Negativo de IRPJ não correspondia ao valor do crédito requerido. Em seqüência o pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 749307229 (efl. 09), que analisou as informações e concluiu que não foi confirmado o crédito na respectiva DIPJ. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi assim resumida pelo Relatório da decisão de primeira instância (Acórdão 0928.383 1ª Turma da DRJ/JFA, efls. 17/20). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: A requerente apresenta Manifestação de Inconformidade (fl. 9), na qual alega que a empresa verificou em sua contabilidade saldo negativo, correspondente ao IRRF no valor de R$3.728,24, informado na sua DIPJ 2003/2002 (3° trimestre de 2002), objeto da presente Dcomp. Informa que estão anexados à manifestação de inconformidade os seguintes documentos: cópia das notas fiscais usadas no PER/Dcomp, cópia da declaração de compensação. cópia da procuração e documentos de procurador. Dentre os documentos mencionados, não constam as cópias das notas fiscais. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe material probatório que comprovasse o crédito requerido. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/05/2010 (efl. 27) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/06/2010 (efl. 28), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de compensação declarada e não homologada porque o crédito objeto da declaração de compensação não foi comprovado. Tal crédito, equivalente a saldo negativo de IRPJ deveria estar acompanhada de documentos fiscais e contábeis que o Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10630.900021/200820 Acórdão n.º 1201002.842 S1C2T1 Fl. 39 3 corroborasse, conforme prescrito no § 1º do art. 147 do CTN. E tal comprovação não se deu nestes autos quando da apresentação do primeiro recurso (à DRJ). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. Observo que não cabe nesta segunda instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito trazidos pela primeira vez aos autos. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 40DF CARF MF 4 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10630.900021/200820 Acórdão n.º 1201002.842 S1C2T1 Fl. 40 5 salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Observo ainda, por oportuno, que nesta fase recursal não foi apresentado qualquer documento contábil de apuração do crédito tributário. As provas anexadas resumiram se a notas fiscais ilegíveis (efls. 31/36). Por fim cabe ressaltar que a jurisprudência apresentada não tem caráter de vinculante, como previsto no art. 72 do Regimento Interno do CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900023/2011-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2006
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2006 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 00 23 /2 01 1- 18 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10835.900023/201118 Acórdão n.º 1003000.471 S1C0T3 Fl. 93 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 45/52) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que homologou parcialmente a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior. A recorrente, às folhas 59/62, em síntese, alega erro no preenchimento da DCOMP, na qual equivocadamente informou como crédito o valor total do DARF pago a maior de CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL (código de receita 6012) relativa ao primeiro trimestre de 2006, e como débito o próprio montante declarado em DCTF e DIPJ a este título. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Na DCOMP nº 13956.37445.130910.1.7.049040 (folhas 02/06) constam, como origem do crédito, o DARF de período de apuração 31/03/2006, código de receita 6012, data de arrecadação 30/06/2006 e valor principal de R$ 6.360,13 juros de R$ 145,01 e valor total de R$ 6.505,14 (folha 04), bem como débito de código de receita 601201, período de apuração 1º Trimestre de 2006, data de vencimento 30/06/2006 e valor principal de R$ 4.536,08, juros de R$ 103,42 e valor total de 4.639,50 (folha 05). Observase, de pronto, tratarem, débito e crédito, de mesmo código de receita e período de apuração, com data de vencimento coincidente com a de arrecadação. Na DIPJ 2007 Ano Calendário 2006, transmitida em 13/06/2007 (folha 73), Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral (folha 74), cujos valores em nenhum momento foram contestados por fiscalização, consta como CSLL (linha 49) o montante de R$ 13.608,23, valor correspondente ao débito de CSLL do 1º trimestre de 2006 (folha 79) informado na DCTF relativa ao primeiro semestre de 2006 transmitida em 06/10/2006 (folha 78), dividido em 3 quotas de R$ 4.536,08 mais juros (folhas 80/82), sendo a 3ª quota (folha 82) no valor do débito informado como a compensar na DCOMP (R$ 4.639,50), cuja diferença de R$ 1.865,64 em relação ao DARF informado como origem do crédito (3ª quota, arrecadação em 30/06/2006) corresponde ao crédito reconhecido no despacho decisório.à folha 07 O pagamento informado como crédito é, portanto, o valor total do DARF pago a maior relativo ao próprio débito informado como objeto de compensação na DCOMP. Fica evidente, assim, o erro de preenchimento na DCOMP, pois não faz sentido que a contribuinte pretenda compensar o débito que foi extinto pelo pagamento efetuado mediante o próprio DARF informado como crédito. O crédito disponível no DARF, Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10835.900023/201118 Acórdão n.º 1003000.471 S1C0T3 Fl. 94 3 na verdade, corresponde à diferença entre o valor do DARF e o valor do débito informado, no exato valor do crédito reconhecido no mencionado despacho decisório. Devese, portanto, manter o reconhecimento do crédito referente ao pagamento indevido ou a maior efetuado, bem como cancelar a cobrança indevida do débito, informado na DCOMP por erro de fato e já extinto por pagamento. É o que pretende a contribuinte ao solicitar o "cancelamento" da DCOMP: ver reconhecidos o crédito correspondente ao pagamento indevido ou a maior, bem como a extinção, por pagamento, do débito indevidamente informado na DCOMP. Em relação às demais DCOMP mencionadas pela recorrente, que, segundo ela, utilizam o mesmo crédito, cabe apenas registrar que devem ser tratadas em seus respectivos processos administrativos fiscais, devendo a Unidade de Origem ou instância julgadora que eventualmente analisar as referidas compensações atentar para o impedimento da eventual utilização dos créditos aqui reconhecidos em duplicidade. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para manter o reconhecimento do crédito original, de 30/06/2006, no valor de R$ 1.865,64, ressaltando que o débito de CSLL, código de receita 601201, período de apuração primeiro trimestre de 2006, data de vencimento 30/06/2006 e valor total de 4.639,50, encontrase extinto por pagamento efetuado com o próprio DARF origem do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 94DF CARF MF
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