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Numero do processo: 12326.003994/2010-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR.
Considera-se como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Considera-se como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente.
IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO
A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência.
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A..
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considera-se como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considera-se como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.. Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considerase como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 39 94 /2 01 0- 11 Fl. 68DF CARF MF 2 judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A.. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 14.397,35, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2009, anobase de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de (fls. 07/19): 1. omissão de rendimentos de pessoa jurídica, decorrente de ação trabalhista na quantia de R$ 34.316,49, com IRRF de R$ 9.215,31; 2. dedução indevida de previdência oficial no valor de R$ 11.175,37; 3. dedução indevida com dependentes no valor de R$ 6.623,52; 4. dedução indevida com despesas de instrução no valor de R$ 2.592,29; 5. dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 17.205,47; 6. dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 6.494,25; 7. compensação indevida de IRRF no valor de R$ 252,30; 8. compensação indevida de Imposto Complementar no valor de R$ 9.215,31; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 69 3 Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls. 03/04): 1. não houve omissão de rendimentos, pois os rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício e da aposentadoria do INSS são tributados na fonte; 2. o INSS não informou os rendimentos do reclamante, não podendo ser penalizado pela falta de terceiros; 3. o lançamento deve ser cancelado pois a documentação apresentada prova sua improcedência. Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em juiz de Fora, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 37/41): 1. não procede a alegação do insurgente no sentido de que referida omissão ocorreu, porque o INSS não havia informado seus rendimentos, pois tais valores foram indicados na DIRF da fonte pagadora e na DAA do impugnante, sendo a reportada omissão decorrente de ação trabalhista; 2. embora ausente manifestação contestando expressamente a glosa da dedução com dependentes, tendo em vista a apresentação das certidões de nascimento e da certidão de casamento, entendese que tal matéria foi impugnada tacitamente; 3. as certidões de nascimento apresentadas comprovam a paternidade por parte do notificado de RUDSON OLIVEIRA AMORA e de EVERTON DE OLIVEIRA AMORA. Contudo, esta não basta para estabelecer a condição de dependência, pois, dentre outros, os filhos devem estar sob a guarda daquele que pleiteia tal benefício; 4. verificase que o insurgente alega apresentar, embora não tenha sido encontrada nos autos, certidão de averbação de divórcio; 5. o impugnante informa pagamento de pensão alimentícia a RUTE MARIA DE OLIVEIRA, mãe dos aludidos dependentes, indicando como cônjuge ou companheira WANDA LEITE DE JESUS AMORA; 6. estando os pais separados, deveria comprovar a quem pertencia a guarda dos filhos no anocalendário em análise, o que não ocorreu; 7. a certidão de casamento apresentada, com RUTE MARIA DE OLIVEIRA, não faz prova da relação de dependência; 8. as demais infrações encontradas não foram objeto de impugnação por parte do notificado, restando, portanto, incontroversas nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Fl. 70DF CARF MF 4 Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls. 46): 1. concorda com a omissão de rendimentos apurada; 2. as certidões de nascimento comprovam a relação e dependência de Everton de Oliveira Amora, Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora; 3. comprova o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 8.263,16 a Rute Maria de Oliveira Amora, por meio da documentação do divórcio; 4. comprova a despesa com instrução dos dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora no valor de R$ 2.880,00. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 24/11/2014 (fls. 42), e a Peça recursal foi recebida em 12/12/2014 (fls. 46), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar no Recurso interposto, pois os argumentos dispostos no tópico qualificado como "Preliminares" são, em verdade, de mérito, os quais serão analisados na sequência. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 70 5 o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Matéria não recorrida 0 ora recorrente discorda parcialmente da Decisão recorrida, não se insurgindo contra a omissão de rendimentos apurada no valor de R$ 34.316,49, com IRRF de R$ 9.215,31. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. Mais precisamente, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo sujeito passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confirase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifo nosso) Arrematando o que está posto, conforme se vê na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciandose o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. [...] Fl. 72DF CARF MF 6 § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Como se viu no Relatório, a lide estabelecida se restringe às deduções com dependentes e pensão alimentícia judicial. Posta assim a questão, passo à análise da presente contenda. Dedução com dependentes A decisão de piso manteve a glosa sob o fundamento de que o recorrente não comprovou a relação de dependência nos termos preceituados na legislação vigente. Assim sendo, vale consignar que o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, contém o rol exaustivo dos dependentes para fins da dedução do IRPF. Confirmase: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 71 7 § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. § 5o Sem prejuízo do disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 3o da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003, a pessoa com deficiência, ou o contribuinte que tenha dependente nessa condição, tem preferência na restituição referida no inciso III do art. 4o e na alínea “c” do inciso II do art. 8o. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Oportuno ressaltar que o autuante glosou e a decisão de piso manteve a dedução com dependentes referente aos seguintes dependentes: Everton de Oliveira Amora; Ana Cláudia Leite Amora; Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus. Na impugnação, embora o contribuinte tenha comprovado a paternidade de Everton de Oliveira Amora, a decisão recorrida manteve reportada glosa, sob o fundamento de que faltou a comprovação de que referido filho estava sob a sua guarda, já que os pais estavam separados. No recurso, o recorrente junta: a certidão de casamento com a Sra. Wanda Leite de Jesus Amora e as certidões de nascimento dos filhos (fls. 47 a 53): 1. obtidos com o atual cônjuge, Sra. Wanda Leite de Jesus Amor: Ana Cláudia Leite Amora e Beatriz Leite de Jesus Amora, nascidas em 2004 e 1999 respectivamente; 2. obtido com o excônjuge, Sra. Rute Maria de Oliveira: Everton de Oliveira Amora, nascido em 1996. Diante do exposto, o recorrente logrou comprovar o preenchimento dos requisitos legais exigidos para a dedução pleiteada somente quanto aos dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. Portanto, mantémse mencionada glosa quanto ao filho Everton de Oliveira Amora,, cuja guarda ficou com o excônjuge, Sra. Rute Maria de Oliveira, beneficiária de pensão alimentícia judicial (fls. 58/65). Dedução com pensão alimentícia judicial A decisão de origem manteve a glosa integralmente, sob o fundamento de que não restaram atendidos os requisitos da comprovação do pagamento e do atendimento às normas do Direito de Família. Nesse sentido, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo Fl. 74DF CARF MF 8 homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Confirmase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Quanto a isso, é de registrar que embora o recorrente tenha atestado o cumprimento das normas do Direito de Família, faltou a comprovação do efetivo pagamento da citada pensão, pois a documentação apresentada constando o dispêndio de R$ 8.263,16 a tal título se refere ao anobase 2009, e não ao períodobase sob litígio, que é 2008 (fls. 56/65). Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso interposto, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720174/2011-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 9303-008.258
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Redator designado
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 74 /2 01 1- 97 Fl. 135470DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.451 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Redator designado (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3402002.979, 16 de março de 2016, de (fls. 135.231 a 135.250 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, alterado pelo acórdão nº 3402004.088, 27 de abril de 2017, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento protocolado pelo Contribuinte em 31.01.2008, o direito ao ressarcimento corresponderia a créditos apurados segundo o regime nãocumulativo da Cofins e estariam vinculados à receita de exportação auferida no 1º trimestre de 2005. Também foram apresentados pedidos de ressarcimento e declarações de compensação com base em crédito de mesma natureza em relação ao PIS e à própria Cofins apurado em outros períodos, compreendendo, ao fim, todos os trimestres dos anos de 2005 a 2010. Assim, abriuse procedimento fiscal com o objetivo de verificar a legitimidade do direito de crédito pleiteado e a regularidade das compensações. Os resultados do trabalho fiscal estão expostos no Parecer SEFIS/DRF/VIT n.º 303/2011. Fl. 135471DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.452 3 O citado parecer enumera uma série de irregularidades que comprometem o direito de crédito, objeto dos Pedidos de Ressarcimento e aproveitados nas Declarações de Compensação. Em suma, o parecer conclui que o Contribuinte lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo com ramificações em outros estados da Federação que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas empresas de fachada para dissimular as vendas de café de pessoa física (produtor rural/maquinista) para as empresas exportadoras, indústrias e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos de PIS/COFINS na sistemática da nãocumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis. O parecer acima mencionado foi integralmente adotado pelo titular da unidade de fiscalização, mediante Despacho Decisório nº 181/2011. Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: as provas do esquema de fraude apontado no Parecer que fundamentou o Despacho Decisório vieram como desdobramento da Operação Broca, diversas vezes referidas pela autoridade como argumento da máfé da contribuinte; no entanto, os documentos coligidos pela fiscalização não são capazes de afastar a boafé da Rio Doce Café, empresa que sequer foi citada na midiática operação Broca, não havendo tampouco formalização de denúncia contra quaisquer de seus diretores e muito menos ordem de prisão; o mercado capixaba de café é complexo, nele atuando o agricultor, que produz o café desta ou daquela qualidade, os maquinistas, personagens que detém toda a logística de armazéns e caminhões com o fim de reunir a produção de dezenas e centenas de produtores; os corretores, assim como os maquinistas conhecem os produtores rurais e aqueles que dispõem de café para venda e entram em contato com os compradores (atacadistas, exportadoras e indústrias); os atacadistas, que se multiplicaram após o advento do regime da não cumulatividade diante da possibilidade de apuração de créditos integrais de PIS e de Cofins Fl. 135472DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.453 4 no caso de aquisições de café de pessoas jurídicas, atuam como elo entre os maquinistas ou produtores e os compradores finais; ofereciam preços de compra muito superiores aos que sugeriam as exportadoras e dominaram o mercado de compra de café; por fim há os compradores finais que são a ponta da cadeia, não possuem contato direto com pequenos produtores ou maquinistas, mantendo algum contato com grandes produtores e maquinistas e contando essencialmente com o auxílio dos corretores de café; a fiscalização, mesmo sabendo desses fatos desde o final de 2007, nada fez, por muitos anos, para coibir o ato ilícito pela suspensão do CNPJ dos envolvidos; é absurdo dizer que a recorrente se beneficiou desse suposto esquema; na ausência desses atacadistas compradores com preços irresistíveis, os produtores rurais seriam obrigados a vender para as exportadoras, como sempre fizeram; não se desincumbiu o Fisco do ônus legal de reunir as provas que evidenciassem a ação dolosa da contribuinte; os documentos reunidos pela auditoria são produto unilateral de terceiros considerados fraudadores pela fiscalização e portanto, não poderiam ser usados para afastar a boafé da interessada que sequer foi citada na Operação Broca; os controles internos mantidos por atacadistas e corretores não provam o envolvimento de diretores da interessada no esquema; todas as aquisições feitas da empresa Colúmbia Comércio de Café, por exemplo, foram pagas, contabilizadas e a mercadoria foi entregue; a Colúmbia estava ativa à época das compras como comprovam os dados extraídos dos sites da Receita Federal (CNPJ) e da Fazenda Estadual (SINTEGRA); a mesma situação se verifica com todas as pessoas jurídicas de quem a contribuinte comprou café; a inaptidão cadastral das empresas citadas somente se deu posteriormente às aquisições; algumas empresas inclusive, ainda estão ativas; algumas das empresas consideradas fictícias pela fiscalização para efeito de glosar parte dos créditos apurados pela contribuinte foram, por outro lado, autuadas pela Receita Federal pelos tributos não recolhidos sobre suas operações; ora, ou as empresas operaram e são devedoras de tributo ao Fisco e devem prosseguir os processos fiscais de cobrança ou as mencionadas pessoas jurídicas são imaginárias e todos os arrolamentos, autos de infração, etc, devem ser cancelados; algumas empresas atacadistas (a contribuinte apresenta listagem juntada ao processo) – reputadas inexistentes pela fiscalização para fins de apuração de crédito pela Fl. 135473DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.454 5 contribuinte – estão sendo cobradas pelos tributos devidos nas operações de venda de café, o que demonstra incoerência da administração; há excessivo uso da presunção de máfé pela auditoria; há alguns poucos documentos vinculados a determinadas empresas, que nada provam, mas, em relação à maioria das empresas, simplesmente não há prova nenhuma; são suspeitos para fins de uso como prova, os depoimentos dos gestores das grandes atacadistas e dos corretores envolvidos na interposição de pessoas jurídicas, já que os depoentes tem interesse em imputar responsabilidade exclusiva pelas supostas fraudes às empresas exportadoras de café com o fim de encobrir suas próprias culpas; ocorreu a decadência de o Fisco exigir os créditos tributários cujos fatos geradores se deram em 2005 e 2006, por força do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN); assim, a totalidade do Imposto de Renda e da Contribuição Social dos anos de 2005 e 2006 foi alcançada pela decadência, uma vez que a recorrente tomou ciência do auto de infração em 2012; cabe ao Fisco reunir as provas do ilícito e, no case em foco, as provas reunidas pela fiscalização não são suficientes para afastar a boafé da contribuinte; ademais, os depoimentos invocados pela fiscalização não suprem a necessidade de prova dos fatos neles declarados; não há provas de que os diretores da empresa sabiam ou participavam do suposto esquema das empresas noteiras; na verdade, nenhuma empresa exportadora sabia das supostas irregularidades praticadas por corretores ou maquinistas (comerciantes) ou por atacadistas, uma vez que apenas corretores e maquinistas (comerciantes) lidavam com os produtores e com as atacadistas; de todos os depoimentos colhidos dos produtores rurais, jamais se afirma que os diretores da interessada sabiam da interposição fraudulenta de pessoas jurídicas na cadeia de comercialização de café com o fim de inflar artificialmente os créditos não cumulativos de PIS e Cofins; sobre algumas empresas não há prova nenhuma nem de boa e nem de má fé; contudo a fiscalização glosou os créditos da recorrente sem comprovar nenhum liame entre ela e essas empresas; o contribuinte não pode ser penalizado com a glosa dos créditos sobre as notas fiscais de compra em razão da inadimplência de suas fornecedoras, situação que caberia ao Fisco evitar; a contribuinte verificou à época a situação dos CNPJ e do cadastro SINTEGRA das empresas com as quais negociava, o que comprova o cuidado que Fl. 135474DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.455 6 dispensava ao negociar com os atacadistas que tinham sua situação cadastral regular; também há provas do pagamento das mercadorias e dos correspondentes registros contábeis; ademais, o direito ao crédito sobre os insumos está na base do regime da não cumulatividade; é infundada a glosa de créditos calculados sobre as aquisições de sociedades cooperativas agropecuárias; erra a autoridade fiscal quando afirma que o contribuinte se enquadra nos requisitos impostos pelo art. 4º da IN/RFB nº 660/06, para fins de obrigatoriedade da suspensão de PIS e de Cofins nas operações de venda das Cooperativas agropecuárias para as pessoas jurídicas de que trata o citado artigo; a Rio Doce não utiliza o produto adquirido das cooperativas como insumo na fabricação de produtos, porque a Rio Doce não é empresa industrial; os produtos adquiridos tem o fim de revenda e neste caso não se aplica a citada suspensão do PIS e da Cofins; nos termos da Lei nº 12.350, de 2010, em seu art 56A e parágrafos, as empresas que possuem direito a créditos presumidos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, na forma do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, podem utilizálos para a quitação de outros tributos administrados pela Receita Federal ou, em caso de sobra, requerer seu ressarcimento; caso seja mantida a glosa de créditos como definida no despacho decisório, a Administração Fiscal deve promover a apuração e restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda da pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre os créditos que, apurados pela contribuinte, influíram na base de cálculo desses tributos; isto porque, nos termos das orientações contábeis divulgadas pelo IBRACON, os créditos não cumulativos deveriam ser contabilizados como contas redutoras da receita bruta no registro das operações de venda, e como redutores dos valores das compras, reduzindo a dimensão contábil dos estoques e aumentando, por consequência, o lucro apurado; é necessária a realização de procedimento de diligência fiscal para que sejam novamente ouvidos os produtores rurais e para que respondam as perguntas formuladas às fls. 4689; as questões, basicamente, indagam dos produtores rurais a respeito da venda direta do café por eles produzido à Rio Doce; as multas propostas pela auditoria resultam em dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato gerador, situação que tem sido afastada pelo CARF; incabível a qualificação da multa, pois não há intuito de fraude, uma vez que os valores Fl. 135475DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.456 7 devidos foram incluídos em DCTF; a multa isolada de 50% sobre o crédito não ressarcido e/ou não compensado é inconstitucional por violar o exercício do livre direito de petição; no caso em tela, ainda, sua aplicação foi retroativa; as despesas com armazenagem são despesas com serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda; isto porque o blend é executado nos armazéns e porque os armazéns são os locais onde o café já selecionado aguarda o embarque; os dispêndios assim se enquadram no conceito de insumo para efeito de apuração de créditos da não cumulatividade. Ao final, o Contribuinte detalha seu pedido e informa a juntada aos autos da documentação que entendeu pertinente. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial para reverter as glosas relativas às despesas de armazenamento, que não estejam listadas na tabela de fl. 135.200., conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ¬ COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. A realização de transações com pessoas jurídicas sobre as quais pairam evidências de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de elevar a geração de créditos na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. GLOSA. As vendas de café cru por sociedades cooperativas a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuará o rebeneficiamento do grão devem Fl. 135476DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.457 8 ser feitas com suspensão da incidência de PIS e de Cofins. À adquirente cabe o direito de apurar o crédito presumido, sendo correta a glosa do crédito apropriado em desrespeito aos parâmetros legais. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. DESCONTO. Os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de café de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas só podem ser aproveitados mediante desconto da contribuição devida, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas a operações de venda. A ausência de prova do beneficiamento/rebeneficiamento em parte das despesas de armazenagem autoriza o creditamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. A realização de transações com pessoas jurídicas sobre as quais pairam evidências de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de elevar a geração de créditos na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. GLOSA. As vendas de café cru por sociedades cooperativas a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuará o rebeneficiamento do grão devem ser feitas com suspensão da incidência de PIS e de Cofins. À adquirente cabe o direito de apurar o crédito presumido, sendo correta a glosa do crédito apropriado em desrespeito aos parâmetros legais. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. DESCONTO. Fl. 135477DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.458 9 Os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de café de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas só podem ser aproveitados mediante desconto da contribuição devida, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas a operações de venda. A ausência de prova do beneficiamento/rebeneficiamento em parte das despesas de armazenagem autoriza o creditamento. Foram opostos embargos de declaração pelo Contribuinte (fls. 135.259 a 135.282) e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (135.284 a 135.286), sendo que ambos foram rejeitados, conforme despacho de fls. 135.293 a 135.295. O Contribuinte opôs novos embargos de declaração (fls. 135.308 a 135.316) em face do despacho que negou a admissibilidade dos embargos, argumentando que o acórdão embargado apresentaria omissão sobre a análise da possibilidade de manutenção pela embargante do crédito integral de PIS/COFINS de 9,5% nas aquisições de café das cooperativas. O Acórdão nº 3402004.088 (fls.135.353 a 135.359) reconheceu o direito de crédito integral nas aquisições de cooperativas de café beneficiado, conforme ementa do acórdão com efeitos infringentes in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 COFINS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ. Verificandose que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadrase a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 135478DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.459 10 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ Verificandose que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadrase a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral” O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 135.367 a 135.385) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à interpretação do artigo 23, da Lei n° 12.995/2014 (artigo 7º a da Lei nº 12.599/2012) referente a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido de modo amplo. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3102002.344. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 135.386 a 135.434. O Recurso Especial foi admitido, conforme despacho de fls. 135.439 a 135.442, sob o argumento que acórdão recorrido decidiu que a única possibilidade de aproveitamento de crédito presumido seria por meio de desconto das contribuições devidas conforme expressamente estabelecido pela IN SRF no 660/06 em seu art. 7º, §3º. Impossibilitada a extensão das possibilidades de sua utilização além dos limites impostos pela legislação, qual seja, ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu que o art. 23 da Lei no 12.995/14 ampliou as possibilidades de aproveitamento do crédito presumido, apurado em relação às aquisições do café in natura e que, neste caso, reconheceuse em favor da recorrente a possibilidade de utilizar tais créditos por meio de ressarcimento ou compensação. Fl. 135479DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.460 11 Ainda, que estaria diante de circunstâncias fáticas semelhantes relacionadas ao aproveitamento de crédito presumido oriundos da aquisição de mercadorias por sociedades exportadoras de café em períodos anteriores à edição da Lei nº 12.995/2014. Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 135.444 a 135.447 manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls. 135.439 a 135.442. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Do Mérito Fl. 135480DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.461 12 O Contribuinte suscita em sede de Recurso Especial a divergência em relação interpretação do art. 23 da Lei n.º 12.995/2014 (art. 7A da Lei n.º 12.599/2012) referente a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de modo amplo. Entende a fiscalização que não há previsão legal para o aproveitamento do crédito presumido sob as formas de compensação com outros tributos ou sob a forma de ressarcimento em dinheiro. O acordão assim decidiu: “os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de café de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas só podem ser aproveitados mediante desconto da contribuição devida, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação.” No primeiro acórdão citouse ainda a legislação antiga e afirmouse que “a única possibilidade de aproveitamento de tais créditos presumidos é por meio do desconto das contribuições devidas conforme expressamente estatuído no §3°, art. 7° da IN SRF ° 660, de 2006, texto acima transcrito, não cabendo à esfera administrativa estender as possibilidades de utilização para além dos limites impostos pela legislação.” E em sede de embargos a decisão (fl. 135294) mencionou que: “Alega o Embargante que não houve manifestação acerca da lei nº 12.995/2014 que trata da compensação e ressarcimento dos créditos presumidos de PIS e COFINS, matéria esta que foi alegada em petição avulsa posterior. Tal legislação não se aplica retroativamente ao período analisado (20052010), por não se tratar de sanção tributária, logo, não há omissão alguma no acórdão, que analisou o pedido à luz da legislação de regência das compensações.” Assim, o acórdão recorrido entendeu pela impossibilidade de aproveitamentos dos créditos presumidos, como determinado pela lei n.º 12.995/2014. Fl. 135481DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.462 13 Já o contribuinte fundamenta seu pleito no art. 7A da Lei n.º 12.599, de 23/03/2012, incluído pela Lei n.º 12.995, de 18 de junho de 2014, que garantiria o direito de aproveitar o crédito presumido sob as modalidades de compensação ou de ressarcimento. Vale ressaltar que com o passar do tempo o legislador foi aumentando o rol de setores beneficiados com a tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Em 2012 chegou à vez do setor cafeeiro, mas tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria veio acompanhada de uma ruptura do regime jurídico ao qual estavam submetidos os exportadores de café. Em 26/6/2014, foi publicada a Lei n.º 12.995/2014, que, no seu art. 23, acrescentou o art. 7A à Lei n.º 12.599/2012. O novo preceito legal ampliou as possibilidades de aproveitamento do referido crédito presumido, apurado em relação à aquisição de café in natura, que passou a poder ser utilizado, observado a legislação específica aplicável à matéria, para fins de compensação e ressarcimento, conformese infere do texto a seguir transcrito: Art. 23. A Lei nº 12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1' de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” (grifos não originais) Fl. 135482DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.463 14 Da analise do art. 7A, o dispositivo se e refere ao saldo apurado até 1º de janeiro de 2012. Em outras palavras, apenas o saldo credor que foi se acumulando na escrita até 1º de janeiro de 2012 é que pode ser aproveitado na compensação ou no ressarcimento em dinheiro e não o saldo credor existente em cada um dos trimestres calendário anteriores. Assim, verificase que os créditos presumidos reconhecidos no citado Despacho Decisório referemse ao período de 2005 a 2010, obviamente, tais créditos enquadramse nas condições fixadas no novo comando legal, logo devese reconhecer o direito de utilizar tais créditos, em compensação ou ressarcimento, em conformidade com o citado comando legal. E isso é assim porque a partir de 2012, em relação aos exportadores, o legislador vedou o aproveitamento de crédito "cheio" nas aquisições de café, uma vez que ao mesmo tempo em que instituiu a suspensão da incidência das contribuições não cumulativas sobre o café (art. 4º da Lei n.º 12.599/2012), instituiu também um novo crédito presumido específico para o setor (artigos 5º e 6º da Lei n.º 12.599/2012). Em outras palavras: em relação aos exportadores de café, a partir da Lei n.º 12.599/2012, houve uma ruptura em relação ao regime jurídico anterior, pois o legislador substituiu o crédito "cheio" de PIS e COFINS por um crédito presumido específico para o setor, autorizando a tríplice forma de aproveitamento desse novo crédito presumido e estendendo a mesma possibilidade de aproveitamento ao saldo de crédito presumido da agroindústria que estava acumulado na escrita em 01/01/2012. O dia 01/01/2012 é um marco para o setor de exportação de café, pois foi o dia em que desapareceram o crédito cheio e o crédito presumido da agroindústria e nasceu o direito ao crédito presumido específico do setor. E como consequência dessa ruptura, o legislador permitiu que o saldo de crédito presumido da agroindústria existente em 01/01/2012 fosse utilizado da mesma forma que o novo crédito presumido que acabara de criar. Destacase que o referido art. 7A não estabelece qualquer limitação quanto aos créditos presumidos passíveis de aproveitamento mediante compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. Pelo contrário, o referido dispositivo legal é claro ao afirmar se tratar do “saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012”; ou seja, referese ao saldo de crédito presumido existente em 01.01.2012. Fl. 135483DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.464 15 Esse é também, é o posicionamento que vem sendo adotado no Carf, senão vejamos: Acórdão (Visitado): 3402004.144 Número do Processo: 16366.000285/201050 Data de Publicação: 31/05/2017 Contribuinte: EXPORTADORA E IMPORTADORA MARUBENI COLORADO LTDA Relator(a): ANTONIO CARLOS ATULIM Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos credores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. Acórdão: 3301003.099 Número do Processo: 15578.000142/201090 Data de Publicação: 19/10/2016 Contribuinte: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Relator(a): VALCIR GASSEN Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. De acordo com o Art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012, incluído a Lei nº 12.995, de 18.06.2014, o saldo do crédito presumido de que trata oart. 8oda Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em Fl. 135484DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.465 16 relação à aquisição de caféin naturapoderá ser utilizado pela pessoa jurídica para compensação ou ressarcimento Acórdão (Visitado): 3102002.344 Número do Processo: 15586.720228/201114 Data de Publicação: 19/11/2015 Contribuinte: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Relator(a): JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010. CRÉDITO PRESUMIDO PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE CAFÉ IN NATURA. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO E NO RESSARCIMENTO. POSSIBILDADE. O saldo do crédito presumido proveniente da aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou mediante ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Fl. 135485DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.466 17 Ouso discordar da ilustre relatora. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da possibilidade do credito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF ou de pedido de ressarcimento. A decisão recorrida adotou os seguintes fundamentos de forma a permitir a compensação de créditos referentes ao crédito presumido das agroindústrias com outros tributos e contribuições administrados pela SRF: i) que IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 extrapolou o conteúdo da lei e, portanto, seria ilegal, não podendo servir de base para a não homologação da compensação declarada; e ii) que a compensação seria possível por se tratar de crédito referente a exportações, o que em tese se enquadraria na exceção prevista no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Em que se preze os argumentos trazidos pelo i.Relatora, entendo que os fundamentos apresentados na decisão recorrida estão equivocados e a decisão deve ser revista, conforme requer a Recorrente. O fundamento dos pedidos de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos formulados pela Recorrida é o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, Fl. 135486DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.467 18 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referemse, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004, não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Fl. 135487DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.468 19 No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Também não pode prosperar o fundamento de que a compensação pleiteada poderia ser deferida em razão da exceção contida no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, por se tratar de empresa exportadora. Em primeiro lugar, tratase de dispositivos introduzidos pelas MP 552 e 556 de 2011, portanto, em momento posterior aos fatos analisados no presente processo. Inclusive tais alterações não foram convertidas em lei, ficando sem efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados com base nos referidos atos, conforme Decreto Legislativo 247/2012. Em segundo lugar, os parágrafos §8º e 9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não ampliaram as possibilidades de compensação previstas nas normas de regência. Tratamse apenas de permissão para as empresas exportadoras utilizarem tal crédito para pagamento de PIS e COFINS não cumulativos devidos, ainda que não sofressem a incidência das contribuições. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da nãocumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial. (assinatura digital) Rodrigo da Costa Pôssas – Redator Designado Fl. 135488DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.469 20 Fl. 135489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003233/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO INDIRETO.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e ao trabalhador avulso, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. Lançamento mantido.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória..
Numero da decisão: 2202-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-10T19:13:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-10T19:13:06Z; Last-Modified: 2019-06-10T19:13:06Z; dcterms:modified: 2019-06-10T19:13:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-10T19:13:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-10T19:13:06Z; meta:save-date: 2019-06-10T19:13:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-10T19:13:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-10T19:13:06Z; created: 2019-06-10T19:13:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2019-06-10T19:13:06Z; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-10T19:13:06Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10510.003233/2007-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.245 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2019 Recorrente CASA DAS TINTAS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO INDIRETO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e ao trabalhador avulso, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. Lançamento mantido. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 32 33 /2 00 7- 42 Fl. 127DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls 113/118), interposto contra o Acórdão 15- 15.110 - 7 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA – DRJ/SDR (e-fls. 100/111), que considerou improcedente, por unanimidade de votos, Impugnação da contribuinte apresentada diante de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD que apurou contribuições previdenciárias devidas apuradas no período de 01/09/2004 a 31/05/2005, com valor principal original de R$ 115.166,93. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão da DRJ/SDR, por retratar adequadamente os fatos ocorridos. Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD n° 37.016.350-8), lavrada pela fiscalização em face da empresa Casa das Tintas Comércio e Representação Ltda, refere-se, de acordo com o Relatório Fiscal às fls. 28/31, às contribuições previdenciárias, relativas à cota patronal e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, bem como as destinadas a outras entidades (terceiros). 0 crédito foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta com base nos valores nominais das notas fiscais de serviço emitidas pela Empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda, CNPJ: 66.844.754/0001-36, e apresentadas pelo Sujeito Passivo, os quais foram confrontadas com os lançamentos contábeis no período de 09/2004 a 05/2005, registrados na contabilidade, na Conta n° 4.2.1.01.120, denominada de "Serviços de terceiros". Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados por meio do cartão de premiação, denominado "performance one". Os saques dos prêmios eram efetuados no Unibanco. 0 contrato n° 2004.92-002/185 foi celebrado, em 01 de setembro de 2004, entre a empresa contratante Casa das Tintas Comércio e Representação Ltda e a empresa contratada Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. Conforme reza o contrato, a contratante depositava na conta da contratada — CC: 131516-3 da Agência 0243 do Unibanco — o valor total a ser repassado para os funcionários premiados, com a denominação de: "reembolso referente campanha para aumento de performance e produtividade" até "48 horas antes da data estabelecida para a premiação" e, concomitantemente, a comissão para a fornecedora do cartão, denominada: "serviços de marketing", de 5,5% dos créditos concedidos a cada participante. Cada participante assinava um Termo de adesão, onde concordava em empenhar-se para "alcançar as metas estabelecidas". A condição de pagamento estabelecida no Termo de adesão era "mensal e proporcional ao atingimento de meta". 0 contrato destaca que a premiação não tem qualquer critério "baseado na sorte ou azar dos participantes". A contratante decidirá sobre ocasiões, datas, valores e indicação dos premiados". Isto é, a contratante acompanhava a produção de cada participante e a respectiva premiação, todavia, deixava a cargo da contratada o repasse desta gratificação (salário de contribuição), omitindo essas informações da Folha de pagamento e GFIP. Considera-se reembolso, expressão contida nas notas fiscais, o valor, efetivamente, destinado aos participantes como prêmio, excluindo-se, o valor da comissão destinada à empresa prestadora. Os valores foram apurados com base nas Notas Fiscais apresentadas pela empresa fiscalizada, considerando como base de cálculo da contribuição previdenciária os valores denominados de reembolso, pagos, mensalmente, através de cartão, aos beneficiários. Fl. 128DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Dessa forma, o presente crédito tributário foi apurado num montante de R$ 192.313,02 (cento e noventa e dois mil e trezentos e treze reais e dois centavos), consolidado em 17/07/2007. A empresa não informou esses fatos geradores nas Guias de Recolhimento de FGTS e Informação A Previdência Social (GFIP), acarretando a lavratura do Auto de Infração n° 37.016.352-4. Esse fato configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, tendo sido objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. (...) A autuada apresentou impugnação, em 23/08/2007, às fls. 37/42, alegando, em síntese, que: i. Tempestividade. (...). ii. Relação com outras impugnações. "Esta impugnação é apresentada juntamente com outras três, ao AI — Auto de Infração DEBCAD: 37.016.353-2, ao AI — Auto de Infração DEBCAD: 37.016.352-4 e A NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD: 37.016.351-6. Por isso, sugere-se o julgamento em conjunto, para evitar decisões conflitantes e para agilizar o trâmite administrativo, salvo melhor entendimento deste órgão". iii. Considerações iniciais. (...) Para aumentar as vendas, a impugnante contratou uma consultoria que pudesse promover uma campanha com colaboradores dela, não somente seus empregados, mas também outros com os quais mantém relacionamento, tais como arquitetos, decoradores, pintores, etc. "Os clientes da contribuinte impugnante que desta adquiriam produtos, quando o faziam por indicação de um terceiro, geravam estas compras para este terceiro um prêmio, em dinheiro, que era pago pela empresa Salles, Adan & Associados Marketing e Incentivos S/C Ltda. Os critérios utilizados para esta premiação era todos estabelecidos pela empresa contratada. A apuração, da mesma forma era esta que fazia. A entrega dos prêmios, também. Em nada interferia a contribuinte impugnante, apenas pagava à empresa contratada o valor total dos prêmios, acrescido do valor cobrado pela execução destes serviços". "Com relação aos empregados da contribuinte impugnante, o mesmo se observava, pois estes tinham o incentivo de procurar clientes que fizessem compras, o que fazia com que os funcionários recebessem prêmios, também, pagos pela empresa contratada". (...) v. Razões de mérito. "Tratou a campanha, desenvolvida pela empresa contratada, de uma prestação de serviços de criação, planejamento e implantação, por conta da contribuinte impugnante, com o objetivo de motivar e incentivar pessoas, sejam empregados da contribuinte impugnante ou colaboradores que com esta não mantêm qualquer vinculo, notadamente empregatício". "Há, portanto, duas relações jurídicas distintas, com características próprias que acarretam a submissão a regimes jurídicos também distintos. Inicialmente, a relação entre a contribuinte impugnante e a empresa contratada é relação jurídica civil, de natureza contratual (prestação de serviços). Outra relação é a que une a contribuinte impugnante e o beneficiário da campanha, relação esta intermediada pela empresa contratada, pois que esta engendra e operacionaliza a campanha, sem, contudo, integrar a dita relação". "A legislação civilista em vigor afirma que esta espécie de contrato não está sujeita as leis trabalhistas, ou seja, não se enquadra no conceito legal de trabalho. Não preenchem Fl. 129DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 os requisitos caracterizadores da relação empregatícia, por exemplo, a inexistência de subordinação, dentre outros. Por isto, mas não somente por isto, os serviços são executados livremente, prevalecendo o principio da autonomia da vontade". "Entre a contribuinte impugnante e os beneficiários da campanha, que eram funcionários ou terceiros sem qualquer vinculo, a relação jurídica é de declaração unilateral de vontade, pois ao contratar a empresa para desenvolver a campanha que premiaria algumas pessoas, comprometeu-se a contribuinte impugnante a pagar recompensas, prêmios, assim como um concurso". "No caso, é indiferente para a promessa de recompensa que a proponente, que é a contribuinte impugnante, e alguns dos beneficiários mantenham relação de emprego. Se estão presentes os elementos configuradores da promessa, tal ato obrigacional passa a submeter-se automaticamente à aplicação de regras próprias, pertinentes". "Ainda no caso, a empresa contratada, em nome da contribuinte impugnante, prometeu a quem agenciasse e possibilitasse vendas, prêmios que seriam pagos pela empresa contratada a aquelas pessoas que preenchessem as condições previstas, condições estas". "Tem-se como um verdadeiro pressuposto para incidência da contribuição a repercussão que os valores pagos ao trabalhador terão no seu futuro de beneficiário da seguridade social. Os valores percebidos pela multi citada campanha em nada repercutirão quando estiver doente ou se aposentar, por exemplo, não havendo por que se falar em contribuição, portanto. É caso, conclui-se, de não incidência fiscal". "Não havia, não houve habitualidade na percepção das verbas analisadas, pois habitual é o que ocorre repetidas vezes ao longo do tempo. Na premiação em questão, não se pode identificar qualquer liame com o futuro da proteção social a ser implementada pelo sistema previdenciário em favor do trabalhador que a este se sistema se encontra filiado". Transcreve o art. 28, § 9°, alínea e, número 7. "No caso dos empregados da contribuinte impugnante que receberam a premiação, receberam-na como incentivos conferidos por simples liberalidade daquela e tais verbas não se tratam de remuneração pelo trabalho. Como dito, trata-se de negócio unilateral, oferecido por tempo certo e condições especificas muito bem definidas, desenvolvido pela empresa contratada a mando e encomenda da contribuinte impugnante, nada mais". Transcreve jurisprudências dos tribunais trabalhistas. "Claramente, não se pode situar o prêmio dentre as bases de cálculo da contribuição social porque o legislador instituiu um tipo fechado, uma rígida catalogação das situações que dão lugar à incidência. É caso, como já dito, de não incidência. 0 poder público, mormente a autarquia responsável pela arrecadação e pela administração não podem alargar a definição, ou mesmo fixar critérios de base de cálculo, pois somente a Constituição Federal e a lei, em sentido estrito, podem fazê-lo. De outra forma, é desvio de poder". vi. Conclusões. "Os prêmios pagos foram adimplemento de promessa de recompensa, definida na lei civil, não integraram a base de calculo da contribuição previdenciária por absoluta falta de previsão, pois nenhuma das hipóteses legais se verifica tal incidência. Ao contrário, há expressa exclusão. Não havendo incidência, não ha que falar em responsabilidade, até porque não há lei que regule a matéria, também não sendo possível a responsabilização por presunção ou por analogia". "Por todos estes motivos, pede seja declarado insubsistente o auto de infração para nenhuma consequência gerar em desfavor da contribuinte impugnante". 3. Destaquem-se também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/SDR: Fl. 130DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Voto (...) Cumpre esclarecer que não há necessidade desta NFLD ser julgada em conjunto com o auto de infração n° 37.016.353-2, já que eles tratam de obrigações tributárias autônomas. Independentemente do resultado do julgamento do referido AI, persistirá a obrigação da empresa de recolher as contribuições aqui apuradas. 0 que há é a conexão do presente processo com a NFLD n° 37.016.351-6 e com o AI n° 37.016.352-4, já que o resultado do presente julgamento pode interferir no julgamento desses processos, motivo pelo qual estão sendo julgados, em conjunto, nesta sessão de julgamento. Defende a impugnante que pactuou com a empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. campanha de aumento de performance e produtividade, objetivando premiar colaboradores da contratante, não somente seus empregados, mas também outros com os quais mantém relacionamento, tais como arquitetos, decoradores, pintores, etc. Com efeito, o contrato celebrado entre a impugnante e a empresa contratada objetiva a premiar, a titulo de incentivo, os participantes da campanha de aumento de performance e produtividade. Ocorre que o pagamento do prêmio está vinculado ao alcance de metas pré-estabelecidas, conforme pode se depreender da leitura do objeto do contrato de prestação de serviços, o que caracteriza a sua natureza remuneratória, já que se destina a retribuir o trabalho, estando, portanto, sujeito à tributação previdenciária. Consta no contrato celebrado que: A contratante decidirá livremente sobre as ocasiões, datas, valores bem como sobre a indicação dos premiados. Para tanto, a contratante disponibilizará as quantias necessárias a serem enviadas para a Instituição Financeira responsável, cujo pagamento dará através de nota fiscal fatura emitida pela contratada. De modo que sejam concedidos os créditos a todos os contemplados na forma e nos prazos convencionados, sendo que nos períodos que não houver premiação, nenhum valor será devido a contratada a titulo de prestação de serviços. Percebe-se no trecho do contrato transcrito acima que a impugnante que decidia quando os prêmios deveriam ser pagos, a indicação dos premiados, as datas das premiações, bem como os valores que deveriam ser pagos, restando apenas para a empresa contratada a função de repassar tais prêmios. Dessa forma, não assiste razão à impugnante quando afirma que os critérios utilizados para a premiação eram todos estabelecidos pela empresa contratada e que em nada interferia a contribuinte impugnante Ressalta-se que o ônus probatório do fisco, no momento do lançamento, foi devidamente exercido, na medida em que foram colacionadas aos autos, a titulo de amostragem, nota fiscal, seu respectivo lançamento na contabilidade, Termo de Adesão do participante Reginaldo Sá Santos, bem como o contrato que embasou os pagamentos efetuados a titulo de cartão premiação, comprovando os fatos constitutivos de seu direito de lançar o crédito tributário. Ademais, todos os beneficiários, que assinaram o Termo de Adesão da campanha, foram considerados segurados empregados, já que trabalhavam para a contratante, conforme Folha de Pagamento e GFIP. Contudo, tentando elidir a lavratura fiscal, o contribuinte, apesar de fazer inúmeras alegações contrárias ao direito do fisco, não trouxe nenhuma prova aos autos que pudesse atestar a tese de premiação a pessoas estranhas a seu corpo funcional, tais como arquitetos, pintores, etc. Nesse sentido, com relação ao ônus probatório, coube a adoção pelo fisco da regra contida no art. 33, §§3° e 6°, da Lei n.° 8.212/91, conforme a lição dos doutrinadores Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López, na obra Processo administrativo fiscal federal comentado, Ed. Dialética: (cita doutrina no sentido de que no auto de infração a obrigação de provar o fato gerador tanto é do agente fiscal quanto do contribuinte que o contesta) A celebração do referido contrato para emissão dos cartões premiação se traduz na ocultação de fato gerador, hipótese na qual estaria configurada a evasão fiscal. Evasão esta formalizada através de uma operação simulada, entre a impugnante e a Salles, Adan Fl. 131DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda., cujo objetivo final, era a retribuição do trabalho executado pelos segurados empregados da notificada. Procedimento este refutado pela doutrina de escola, conforme leciona Luciano da Silva Amaro, em IR: Limites da Economia Fiscal. Planejamento Tributário, em Revista de Direito Tributário n.° 71): (cita doutrina que diferencia economia de imposto e evasão) A impugnante argumenta que os valores objeto do levantamento não estão incluídos no conceito de remuneração e de salário de contribuição, pois, não são ganhos habituais, sendo concedidos em função do cumprimento de metas, tratando-se de incentivo produtividade. Transcreve o art. 28, §9°, alínea "e", numero 7. Insta salientar que a Constituição da República de 1988 dispõe, em seu art. 195, as fontes de financiamento para a seguridade social. Dentre elas, temos a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, bem como, no art. 201, § 11, estabelece que os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. Por seu turno, a Lei n° 8.212/91, que trata do custeio da seguridade social, em seu inciso I do art. 22, prescreve a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. Já o art. 28, inciso I, do mesmo diploma legal n° 8.212/91 define o salário-de-contribuição, in fine: "Art. 28— Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" Como pode ser observado, a legislação previdenciária ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou, para o conceito de salário-de- contribuição, um critério amplo, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados, a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Dada a sua natureza retributiva ou contraprestacional, in casu, os pagamentos efetuados pela impugnante por meio do cartão premiação integram a base de cálculo das contribuições por ela devidas à Seguridade Social. Não resta dúvida de que os pagamentos efetuados por meio de "Cartão de Premiação" revestem-se de habitualidade, já que foram pagos por meses consecutivos, conforme Discriminativo Analítico de Débito (DAD) as fls. 04/05, que abrange as competências 09/2004 a 05/2005. Ficando comprovado que a impugnante utilizou tais pagamentos para oferecer uma vantagem econômica aos seus segurados empregados através de prêmios habituais, não havendo previsão na legislação previdenciária de exclusão de tais pagamentos da base de cálculo das contribuições (hipóteses taxativas previstas no §9°, do artigo 28, da Lei no 8.212/91), estando caracterizados, portanto, como incluídos no conceito legal de salário-de-contribuição acima transcrito. Não assiste razão A impugnante ao afirmar que o prêmio pago pela campanha não integra a remuneração, conforme art. 28, §9°, alínea "e", número 7. Os prêmios pagos não são ganhos eventuais, conforme já demonstrado, nem muito menos abonos expressamente desvinculados do salário. 0 valor pago mediante o cartão premiação constitui uma forma de incentivo e de participação, enquanto de um lado, estimula o trabalhador a fornecer uma maior quantidade e/ou uma melhor qualidade de trabalho, de outro lado, interessa ao bom andamento da gestão empresarial, tendo natureza salarial. Assim, estes valores pagos Fl. 132DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 integram o contrato de trabalho dos segurados empregados, não podendo ser suprimidos, segundo inteligência do art. 444, da Consolidação das Leis do Trabalho. Cabe transcrever o magistério do juslaboralista Mauricio Godinho Delgado sobre a diferença entre a gratificação e o prêmio (Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Ed. LTR, 2005, págs. 739/742 e 747/749): (transcreve doutrina esclarecendo a diferença entre gratificações, que possuem caráter objetivo, mesmo unilateral, e prêmios, com caráter subjetivo e salarial) Por fim, cabe ressaltar o Parecer n.° 1.797/1999, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, concluindo que os prêmios possuem natureza salarial e integram o salário-de-contribuição, vinculando, desta forma, este julgador, à tese jurídica fixada, nos termos do art. 36, parágrafo único, da Portaria n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que regulamenta o contencioso administrativo fiscal relativo as contribuições sociais de que tratam os art. 2° e 3°, da Lei n.° 11.457/2007. Transcreve-se, abaixo, ementa deste parecer, in fine: "Parecer/Cj/MPAS/N . 1797, aprovado em 21/06/1999 EMENTA .DIREITO PREVIDENCIÁRIO E DO TRABALHO. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. 1. Os prêmios terão natureza salarial e integrarão o salário-de-contribuição, desde que remunerem um trabalho executado e sejam pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada (...)." No mesmo sentido, as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ): (transcreve jurisprudência indicando o sustentado) Assim, conclui-se que os valores pagos aos segurados empregados através do "Cartão de Premiação", retribuem efetivamente um trabalho prestado, constitui ganho efetivo dos empregados, integrando o conceito de remuneração para fins da legislação previdenciária, portanto, sendo base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do disposto nos art. 22, inciso I e art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. Conseqüentemente, verifica-se a total obediência ao comando do art. 142, do Código Tributário Nacional, uma vez que outra atitude não poderia ser adotada por parte do Auditor Fiscal, pois, a atividade tributária, relação jurídica e não simples relação de poder, nos moldes do Estado Democrático de Direito, é vinculada ao principio da legalidade. Em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, rejeito as alegações suscitadas na peça de Impugnação e concluo que o presente crédito tributário, consubstanciado na NFLD, n° 37.016.350-8, foi corretamente lavrado, votando no sentido de sua PROCEDÊNCIA. Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu recurso, basicamente repisando seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, os quais são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - apresenta apertada síntese dos fatos ocorridos, acima já expostos, e não apresenta questionamentos preliminares; - em suas razões de mérito, inicia sustentando que premiou pessoas empregadas ou mesmo sem vínculo empregatício que se destacaram em atividades distintas das que são desenvolvidas com habitualidade, com o objetivo de motivá-las e incentivá-las; - indica a existência de duas relações jurídicas distintas; uma prestação de serviços de natureza contratual, entre a recorrente e a empresa contratada, e outra relação que une a contribuinte recorrente e o beneficiário da campanha, relação esta intermediada pela empresa contratada; Fl. 133DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 - defende que esta espécie de contrato não está sujeita às leis trabalhistas, não preenche os requisitos caracterizadores da relação empregatícia, inexiste subordinação, os serviços são executados livremente, prevalecendo o principio da autonomia da vontade; - para a recorrente, a relação jurídica seria de declaração unilateral de vontade, pois comprometeu-se a pagar recompensas, prêmios, assim como um concurso (cita doutrina sobre recompensa e o artigo 854 do Novo Código Civil); - aduz que sua promessa dirige-se as pessoas indeterminadas, que podem manter com a proponente um vinculo, de amizade, de colaboração, de contrato regido pelo direito civil, de emprego, etc; - assim, para a recorrente seria indiferente que alguns dos beneficiários mantivessem relação de emprego e presentes os elementos configuradores da promessa, tal ato obrigacional passa a submeter-se automaticamente à aplicação de regras próprias, e o vinculo obrigacional estabelecido entre si e o beneficiário da campanha, intermediado pela contratada, assume a característica de adimplemento de recompensa, o que não seria fato gerador de contribuição previdenciária; - considera que custear benefícios substitutivos da remuneração é característica fundamental da contribuição previdenciária, e assim sendo, esta não pode tomar por base valores que, pela sua natureza essencialmente transitória, e que não possuem qualquer liame com o futuro da proteção social, não se incorporam aos ganhos do trabalhador; - entende, por consequência, que a recompensa é caso de não incidência fiscal; - discorre sobre remuneração, destacando a habitualidade, através de doutrina em do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho, e afirma que não houve habitualidade na percepção das verbas analisadas; - sustenta ser base legal de seu entendimento sobre o premio pago não compor o salário de contribuição a Lei n. 8.212/91, artigo 28, § 9 o , alínea e, número 7 (ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário) e cita jurisprudência do TRT e do TST; - sustenta ainda que o legislador instituiu uma rígida catalogação das situações que dão lugar à incidência, e assim, a autarquia responsável pela arrecadação não pode alargar a definição da base de cálculo, pois somente a Constituição Federal e a lei, em sentido estrito, podem fazê-lo, sob pena de desvio de poder; - conclui que os prêmios pagos foram adimplemento de promessa de recompensa, definida na lei civil, e assim não integrariam a base de cálculo da contribuição previdenciária por absoluta falta de previsão, e, ao contrário, haveria expressa exclusão; e - complementa indicando que, não havendo incidência, não há que falar em responsabilidade, até porque não há lei que regule a matéria, também não sendo possível a responsabilização por presunção ou por analogia. 5. Seu pedido final é para que seja declarada insubsistente a notificação fiscal de lançamento de débito, a fim de que nenhuma consequência seja gerada em seu desfavor. 6. Foi lavrada representação fiscal para fins penais, uma vez que a empresa não informou os fatos geradores em pauta nas Guias de Recolhimento de FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP), fato que configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária. 7. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 9. A impugnante argumenta que os valores objeto do levantamento não estão incluídos no conceito de remuneração e de salário de contribuição, pois não são ganhos habituais, sendo concedidos em função do cumprimento de metas, tratando-se de incentivo produtividade. Transcreve o art. 28, §9°, alínea "e", numero 7, da Lei n. 8.212/91. Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) 9 o Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, (...) 10. Mas não se pode deixar de destacar que a Constituição Federal de 1988 dispõe, em seu art. 195, as fontes de financiamento para a seguridade social, e entre elas tem-se a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, bem como, no art. 201, § 11, estabelece que os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. 11. E também a Lei n° 8.212/91 (Lei de custeio da Seguridade Social), em seu inciso I do art. 22, prescreve a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. Já o art. 28, inciso I, do mesmo diploma legal n° 8.212/91, define o salário-de-contribuição da seguinte forma: "Art. 28— Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;"(grifei) 12. Para que não haja incidência, a verba remuneratória deve constar no rol taxativo do art. 28, §9°, da Lei n. 8.212/91: se não estiver relacionada em tal rol, não há que se falar em exclusão da base de cálculo, como o caso dos prêmios à época do lançamento. Por outro lado, o Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) faz expressa previsão em relação Fl. 135DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 a incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor total recebido pelo trabalhador, senão vejamos: Art.214. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; 13. Como pode ser observado, a legislação previdenciária definiu a base de cálculo das contribuições sociais através de um conceito de salário-de-contribuição com critério amplo, e não restrito, ao contrário do que sustenta a recursante, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados, a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Assim, dada a sua natureza retributiva ou contraprestacional, os pagamentos efetuados pela recursante por meio do cartão premiação devem integrar a base de cálculo das contribuições por ela devidas à Seguridade Social, como veremos a seguir. 14. Como bem ressaltado no Relatório Fiscal e no Acórdão da DRJ, não resta dúvida de que os pagamentos efetuados por meio de "Cartão de Premiação" revestem-se de habitualidade, já que foram pagos por meses consecutivos, abrangendo as competências 09/2004 a 05/2005. Ficando comprovado que a impugnante utilizou tais pagamentos para oferecer uma vantagem econômica aos seus segurados empregados através de prêmios habituais, não havendo previsão na legislação previdenciária de exclusão de tais pagamentos da base de cálculo das contribuições (as hipóteses de exclusão são taxativas e previstas no §9°, do artigo 28, da Lei n o 8.212/91; são hipóteses restritas, também ao contrario do sentido amplo de exclusão sustentado pela ora recorrente), estando caracterizados, portanto, como incluídos no conceito legal de salário-de-contribuição acima transcrito. 15. Não assiste razão à impugnante ao afirmar que o prêmio pago pela campanha promovida não integra a remuneração conforme o definido no art. 28, §9°, alínea "e", número 7, da Lei n o 8.212/91. Isso porque os prêmios pagos não foram ganhos eventuais, conforme já demonstrado, uma vez que foram pagos ao longo de todo o período, e não foram pago com desvinculação total do salário. Embora alegado que o prêmio seria para qualquer interessado, a contribuinte não demonstra nos autos ter pago tais prêmios a nenhum beneficiário que não fosse seu empregado. 16. Como destacado ainda pela DRJ/SDR, o valor pago mediante o cartão premiação constitui uma forma de incentivo e de participação, enquanto de um lado, estimula o trabalhador a fornecer uma maior quantidade e/ou uma melhor qualidade de trabalho, de outro lado, interessa ao bom andamento da gestão empresarial, tendo natureza salarial. Assim, estes valores pagos, após assinatura de "termo de adesão" (exemplo à e-fl. 27) pelos funcionários interessados, integram o contrato de trabalho dos segurados empregados, não podendo ser suprimidos, segundo inteligência do caput do artigo 444, da Consolidação das Leis do Trabalho. Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. Fl. 136DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 17. Do relatório fiscal extraem-se claramente os aspectos que trazem a certeza da consideração de tais pagamentos como integrantes do salário de contribuição: i) a condição de pagamento estabelecida no Termo de adesão era "mensal e proporcional ao atingimento de meta"; ii) o contrato de prestação de serviço assinado pela autuada como contratante destaca que a premiação não tem qualquer critério "baseado na sorte ou azar dos participantes" e "a contratante decidirá sobre ocasiões, datas, valores e indicação dos premiados", iii) a contratante acompanhava a produção de cada participante e a respectiva premiação, pagava à prestadora os valores dos prêmios a serem repassados e o da prestação de serviço, de forma proporcional, e deixava a cargo da contratada apenas o repasse dos prêmios, omitindo essas informações da folha de pagamento e da GFIP. 18. Sem o devido atendimento às solicitações das intimações da Fiscalização, já que não foi apresentado pela contribuinte claro detalhamento dos valores pagos a cada beneficiário, e sem esclarecimento documental dos critérios de cálculo das premiações, o Agente Fiscal considerou então como Base de Cálculo da contribuição previdenciária o valor informado em cada Nota Fiscal com a denominação de reembolso, pagos mensalmente através de cartão, aos beneficiários. Ou seja, houve necessidade de arbitramento através de informações prestadas por terceiros. 19. Quanto à Jurisprudência consolidada sobre o tema neste Conselho, como bem observado no Acórdão 2301-005.194, Seção de 20/03/2018, nas palavras do Relator, o i. Conselheiro João Maurício Vital, "Essa modalidade de remuneração já foi, reiteradas vezes, objeto de análise no CARF, que coleciona vasta jurisprudência (a exemplo dos acórdãos nº 9201003.044, 2401003.921 e 2301004.955) no sentido de considerar os cartões de premiação, exatamente como na espécie dos autos, como componente do salário-de-contribuição e, portanto, como elemento da base de cálculo da contribuição previdenciária, porquanto tratam- se de rendimentos auferidos pelo trabalho, compondo, assim, a remuneração do empregado." 20. Assim, diante do exposto, entende-se que os créditos em discussão foram pagos aos segurados, com habitualidade, no período de 09/2004 a 05/2005, em função do resultado do trabalho de seus empregados junto à interessada, sendo evidente que não se tratou de distribuição de premiação sem causa, mas sim de pagamentos com caráter tipicamente remuneratório, formalizados impropriamente por intermédio de cartões de incentivo, devendo sujeitar-se então à incidência de contribuição previdenciária. 21. Para aquilatar a construção do convencimento deste julgador, pode-se ainda citar inúmeros Acórdãos do Conselho no mesmo sentido, conforme ementas colacionadas a seguir. (...) SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÕES. Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades se atingidas determinadas condições, a título de incentivo ao aumento da produtividade. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contra prestativo e integra o salário de contribuição por possuir natureza remuneratória. (Acórdão 2201-004.579, Seção de 03/07/2018, Conselheiro Redator Designado Daniel Melo Mendes Bezerra) (...) SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a Fl. 137DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. (Acórdão 2202-004.635, Seção de 05/07/2018, Conselheira Redadora designada Rosy Adriane de Silva Redatora) (...) SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho. (Acórdão 2202-004.718, Seção de 09/08/2018, Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto) (...) SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. NÃO EVENTUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. Logo, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. (Acórdão 2301-005.609, Seção de 12/09/2018, Conselheiro Presidente e Relator João Bellini Júnior) 22. Indispensável torna-se destacar que o acima referido Acórdão 2202-004.635, de redatoria da i. Conselheira Rosy Adriane de Silva, envolve justamente idêntica situação de pagamento de funcionários através de cartões de premiação emitidos pela mesma empresa prestadora de serviços. Colacionemos o excerto a seguir: (...) Arrazoa o i. Relator que esses benefícios não foram pagos com habitualidade o que configura sua eventualidade e que a autoridade fiscal não indicou que houvesse vinculação dessa verba à contraprestação ou a trabalho dos segurados empregados. Nesse ponto tenho que discordar, pois a descrição da auditoria, no próprio trecho transcrito pelo i.. Relator, é clara ao afirmar que a premiação se trata de espécie remuneratória, em cujas notas fiscais emitidas pela empresa Salles Adan, consta a descrição “reembolso referente campanha para aumento de desempenho e produtividade". Ora, resta claro que referida verba foi paga aos segurados empregados, em função de sua relação de emprego com a recorrente, e como incentivo ao desempenho e produtividade. Quanto à questão de não ter sido paga com habitualidade e por isso ser eventual, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044, que explica com acerto, a confusão que tem sido feita entre os conceitos de não eventualidade e habitualidade para fundamentar, a meu ver erroneamente, a não incidência de contribuição previdenciária: (...) Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,1 da Lei n° 8.212/91 e do art. 201, § 1o do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao "salário in natura", por incluir, expressamente, no conceito de remuneração, os "ganhos habituais sob a forma de utilidades", sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontram-se: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, Fl. 138DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura) Pode-se, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9o , alínea "e", item "7" prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: "Não integram o salário-de-contribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...)" Assim sendo, pode-se afirmar que "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho ", independentemente de serem ou não habituais, encontram-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais " encontram-se excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: i) Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. ii) Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: i) Habitualidade. De habitual, entende-se a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. ii) Eventualidade. De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o salário-de- contribuição, diz respeito a freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9o , alínea "e", item "7", ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. (...) Portanto, por entender que o requisito da habitualidade não se aplica a pagamentos ocorridos em razão do trabalho, e/ou não efetuados in natura, como no caso da verba em discussão, não há que se discutir se houve ou não habitualidade. Assim, o lançamento deve ser mantido nessa parte. 23. Não deve ser desprezado o fato de que já ocorreu novação legal sobre o tema, conforme recente reforma trabalhista, e pode ser verificada a abordagem dobre o tema em recentíssimos Acórdãos com razões de decidir notadamente similares, como o de número 2301- 005.636, Seção de 12/09/2018, da i. Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato, e o de número 2402-006.820, Seção de 05/12/2018, do i. Conselheiro Relator Jamed Abdul Nasser Feitoza, dos quais colaciono as respectivas ementas: (...) PAGAMENTOS HABITUAIS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO PRÊMIO. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados, mesmo que habituais, à título de prêmio, não incide contribuição previdenciária, conforme modificação da legislação, sendo necessário, entretanto, que a Contribuinte especifique, de forma antecedente, como se caracteriza o desempenho acima do regularmente esperado. Não comprovado. Lançamento mantido. (...) Fl. 139DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 PRÊMIO. HABITUALIDADE. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Verbas pagas a título de prêmio, com habitualidade e em retribuição pelo trabalho prestado integram o salário de contribuição. (...) 24. Verifica-se em ambos o permeio à alteração legal, mas, além da não vigência legal à época de lavratura do Auto de Infração em análise, verifica-se a falta de condição fática para beneficio, qual seja, a prova documental, antes do ocorrido, da forma como seria computado e trabalhado o acompanhamento do direito e do pagamento do prêmio. Muito esclarecedora a transcrição de trechos de interesse do acima referenciado Acórdão 2301-005.636, por mais antigo, com pedido de licença à i. Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato. (...) Como a empresa não indicou a lista dos beneficiários, apesar de intimada e reintimada e, sendo o valor pago bem superior à folha de pagamento, podendo ser ainda, os beneficiários, conforme citado na cláusula primeira do contrato, qualquer pessoa física ou jurídica indicada pela contratante, a fiscalização considerou que os pagamentos foram realizados a autônomos que prestaram serviço a Contribuinte. Na cláusula primeira dos contratos firmados (...), constata-se que o produto a ser utilizado pela contratada para premiação das pessoas físicas e jurídicas indicadas pela contratante (...), consistente em um cartão magnético com crédito em dinheiro a ser fornecido aos indicados (...), para saques de valores a título de prêmio de incentivo junto à rede credenciada ou para efetuar compras (...). De acordo com a Clausula segunda, o contrato tem o seguinte objeto: "objeto desse contrato decorre das considerações iniciais (Cláusula primeira), segundo os critérios regulamentares estabelecidos pela CONTRATANTE, que não poderão ter por fundamento sorteio e/ou jogos de sorte ou azar, mas, desempenho, esforço e outras características pessoais do premiado em relação à CONTRATANTE". Sobre o tema, destaca-se a modificação da legislação trabalhista e previdenciária sobre a não incidência de Contribuição Previdenciária aos Prêmios pagos, mesmo com habitualidade. Antes da modificação da legislação, que será vista adiante, este Conselho tinha e ainda têm as seguintes jurisprudências consolidadas no que consiste o pagamento de prêmios aos segurados: PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91. Acórdão nº 9202003.880 – Sessão de 12 de abril de 2016 (...) SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Acórdão nº 2301004.222, Sessão de 06 de novembro de 2014. A reforma trabalhista estipulada pela Lei n. 13.467/2017 trouxe nova redação ao artigo 457 da CLT, restando a seguinte previsão legislativa: Art. 457 Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber: Fl. 140DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 § 2º As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio- alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. § 4º Consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. A Legislação Previdenciária (Lei 8.212/1991) também modificou, sendo que o Art. 28, §9º, inciso “z” fez questão de incluir os prêmios como não incidentes de contribuição previdenciária: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: z) os prêmios e os abonos Portanto, com a reforma trabalhista e a inclusão desta (alínea) na legislação previdenciária, retirou(-se) dos prêmios a incidência de contribuição previdenciária. Assim sendo, segundo entendimento literal da legislação os valores pagos aos empregados, mesmo que habitualmente e mesmo que em dinheiro, serão considerados prêmios e não incorporam o salário contribuição, desde que o pagamento se dê diante de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. Trata-se de modificação legislativa, cujo entendimento deste Conselho também deverá ser modificado, visto que as Jurisprudências consolidadas, trazidas acima, identificam a habitualidade para a incidência da contribuição. A nova legislação é clara ao determinar que os prêmios podem ser pagos habitualmente. Entretanto, esta não era a exigência da legislação na época em que se lavrou o Auto de Infração analisado nestes Autos, sendo que o pagamento habitual era considerado salário indireto e enseja a incidência de contribuição previdenciária. Portanto descabida a pretensão da Contribuinte, sendo devida a exigência do tributo lançado. Mesmo que se fosse aplicada a nova legislação trabalhista/previdenciária, constata-se que a Contribuinte não faria jus a reforma do lançamento, visto que não restou comprovado que os valores pagos faziam parte da política de prêmios da mesma, sendo os pagamentos efetuados em desrespeito à legislação. Isto, pois a nova legislação trouxe como único requisito para a caracterização do prêmio e, conseqüentemente não incidência de contribuição previdenciária, a necessidade de identificar que os pagamentos, mesmo que habituais, são a retribuição ao empregado pelo desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. Desta feita, mesmo se fosse aplicada a nova legislação trabalhista/previdenciária, a Contribuinte deveria ter comprovado nos autos que os supostos prêmios pagos (...) são de fato prêmios e não salário indireto, ou seja, deveria ter comprovado qual a forma que a empresa utiliza para constatar quando o empregado teve desempenho superior ao ordinariamente esperado. Como não há entendimento jurisprudencial consolidado deste Conselho sobre prêmios depois da ocorrência da modificação legislativa, entendo pela utilização do entendimento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), em que as regras para desempenho superior ao ordinariamente esperado devem ser claras e prévias ao contrato de trabalho, da mesma forma como se exige da PLR para não incidência da contribuição previdenciária: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. MOMENTO DA CIÊNCIA DOS EMPREGADOS. As regras claras e objetivas às quais se refere a Lei 10.101/2000 devem ser conhecidas pelo empregado antes dos pagamentos relativos ao exercício ao qual se referem. Precedentes da Câmara Superior. Acórdão: 9202- 003.638 01/06/2015 (...) Fl. 141DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J, LEI 8212. NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra-se o mesmo rito para sua formalização, que é a trabalhadores na composição desses critérios. Acórdão nº 2401003.487, Sessão de 15 de abril de 2014. (...) Não se sabe como se davam os pagamentos tidos como premiações. Não se sabe quem era os contemplados, nem como se dava a apuração do desempenho superior ao ordinariamente esperado. Há apenas a comprovação de que houve o pagamento. A contribuinte foi intimada para apresentar a lista dos beneficiários, a forma como supostamente premiava os mesmos, mas se manteve inerte. Diante de sua omissão, necessária a permanência do lançamento diante da constatação do fato gerador, visto que os pagamentos efetuados foram de fato salário indireto. 25. Prosseguindo à análise do feito, percebe-se que a contribuinte, em seu recurso, claramente confunde e inverte a natureza da legislação que define a base de cálculo com a natureza da legislação que concede a isenção. A legislação previdenciária, ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou um critério amplo para o conceito de salário-de-contribuição, considerando como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados, a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Dada a sua natureza retributiva ou contraprestacional, neste caso, os pagamentos efetuados pela recursante por meio do cartão premiação integram a base de cálculo das contribuições por ela devidas à Seguridade Social. 26. Tais pagamentos revestem-se de habitualidade, já que foram pagos por meses consecutivos, abrangendo as competências de 09/2004 a 05/2005. E fica deveras comprovado que a autuada utilizou tais pagamentos para oferecer uma vantagem econômica habitual aos seus empregados, não havendo previsão na legislação previdenciária vigente à época da exclusão de tais pagamentos da base de cálculo, já que as hipóteses de exclusão consideradas eram taxativas e previstas no §9°, do artigo 28, da Lei no 8.212/91). Dessa forma, não ocorreu alargamento da definição da base de cálculo, legalmente embasada, e portanto, afasta-se qualquer alusão a desvio de poder. 27. Da identificação do fato gerador na conduta da autuada, caracterizada também está sua responsabilidade da pela omissão no recolhimento da contribuição. Há claríssima subsunção de tais pagamentos à previsão legal, a fim de integrarem a base de cálculo da contribuição previdenciária, e com a identificação da conduta omissiva, não há como a responsabilidade legal da recursante ser afastada. Fl. 142DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 28. Neste diapasão, justifica-se o entendimento e a postura da Autoridade Autuante ao verificar a omissão e a responsabilidade, uma vez que seus atos são adstritos à legalidade, como também determina o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, em seu artigo 142, caput e § único, abaixo transcrito: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 29. Já foi ressaltado anteriormente que a empresa não comprova ter pago prêmios a pessoas que não sejam seus funcionários. Mas mesmo que tal hipótese se confirmasse, em nada alteraria a incidência de contribuição previdenciária sobre tais pagamentos. Enquanto o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, aplica-se tanto para o empregado quanto para o trabalhador avulso, para os trabalhadores contribuintes individuais será o art. 28, III, da mesma referida lei, que dispõe que o salário-de-contribuição para o contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo. Ou seja, a definição de "prêmios" dada pela recorrente se coaduna com a de parcelas pagas em razão do exercício de atividades, tanto ao empregado quanto ao não empregado. 30. Neste sentido, os prêmios adquirem caráter estritamente contraprestativo, em função do alcance de metas e resultados. Mesmo que fruto de uma vontade unilateral da fonte pagadora, não têm por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas sim atribuir um incentivo ao empregado, e assim compõem a base de cálculo da contribuição devida. 31. A legislação previdenciária vigente à época dos fatos é clara quando destaca, em seu art. 28, §9°, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial e apenas estas não comporão o cálculo futuro de um eventual benefício previdenciário. E não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. O texto legal como um todo não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. 32. Não vislumbro portanto razões para reforma do Acórdão da DRJ e deve permanecer subsistente a notificação fiscal de lançamento de débito. Conclusão 33. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 143DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.927908/2016-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/07/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.458
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 79 08 /2 01 6- 80 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.927908/201680 Acórdão n.º 3401006.458 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 50DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.927908/201680 Acórdão n.º 3401006.458 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 52DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904976/2011-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3003-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 49 76 /2 01 1- 74 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Reproduzo o relatório proferido pela DRJ na oportunidade em que apreciou a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o ressarcimento e, conseqüentemente, nãohomologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP, em decorrência de o valor do saldo credor de IPI do período ter sido integralmente utilizado em período posterior. Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, em preliminar, a nulidade do despacho decisório, pela falta de clareza na descrição dos fatos, o que não permitiu à manifestante ter o conhecimento exato das infrações supostamente cometidas. Do recurso houve julgamento com o acórdão N.º 1441.956 2ª Turma DRJ/RPO cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraramse plenamente assegurados. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ao tomar ciência do Acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário juntando provas que antes não haviam sido apresentadas. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Compulsando os autos, verifico que o despacho decisório não homologo ao pedido de ressarcimento requerido pela Recorrente, conforme tela. Vejamos: Prosseguindo e analisando a documentação acostada ao processo, vejo que há o extrato de pedido de ressarcimento (efls 2 a 54), anexados pela Recorrente junto com a Manifestação de inconformidade (efls 61 a 91). Ao proferir o seu julgamento, a DRJ relata que por ausência de saldo suficiente e por adequada decisão da autoridade fiscal, deixa de dar provimento a Manifestação de inconformidade porque, segundo o relator, o valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao protocolização do pedido. Vejamos o voto: (...) A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste tanto no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 5 4 calendário a que se refere o pedido como na verificação se esse saldo se mantém na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral do saldo credor existente no final do trimestre em período posterior, indeferese o ressarcimento. O fundamento para tal procedimento está baseado do sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido (vide planilha anexa ao despacho eletrônico). Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Tendo o saldo credor, objeto da presente PER/DCOMP, sido consumido no abatimento de débitos de períodos posteriores, não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando correta a decisão da delegacia de origem. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto do pela improcedência da manifestação de inconformidade. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 6 5 Embora o Recurso Voluntário relate que "o demonstrativo da apuração após o período de ressarcimento apresentado pela RFB esta totalmente equivocado, razão pela qual não há motivos para o indeferimento do ressarcimento", as provas somente foram acostadas no Recurso Voluntário, quando na verdade deveriam ter sido juntadas a Manifestação de inconformidade. Analisando os autos, observase que a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente o Pedido de Compensação e alegações. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie, no momento adequado. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 7 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) De igual forma é o entendimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 1302003.394, nos seguintes termos: Este colegiado têm decidido, reiteradamente, por não conhecer de novos argumentos e provas acostadas aos autos depois da impugnação, tendo em vista nos termos do art. 16 e 17 do PAF, que estabelecem para aquele momento o prazo preclusivo para apresentar os pontos de discordância e as documentos para corroborar suas alegações, salvo se, comprovadamente, reste demonstrada fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 1302002.347, de 22/11/2018 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. Acórdão nº 1302002.159, de 16/10/2018 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos (hábeis e idôneos) com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábilfiscal seria indispensável para um convencimento. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito1, assim leciona: 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 8 7 Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequencias do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda2: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900986/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 97 1 96 S3C2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.900986/200695 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201002.053 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de abril de 2019 Assunto PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente DOBREVE PARTICIPACOES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 07.21.893, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — Per/Dcomp, transmitida em 15/09/2003, onde foi verificado que o valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 98 6/ 20 06 -9 5 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 98 2 contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação com os débitos informados. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual aduz que o Per/Dcomp objeto do Despacho Decisório, foi preenchido incorretamente, tendo faltado a informação nos campos "Informado em Processo Administrativo Anterior" e "Número do Processo" (n°. 13973.000286/200329). Informa, ainda, que a DCTF do período de apuração foi preenchida incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação n°. 73/2008 do referido processo. Termina por afirmar que estão anexadas as fotocópias do Despacho Decisório do Processo n°. 13973.000286/200329 e da intimação n°. 73/2008, protocolada em 22/02/2008, e que resta demonstrado o erro no preenchimento e a suficiência de saldo. Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assumo: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e distribuídos por sorteio à então Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim. Em primeiro exame do feito, esta Turma Julgadora deliberou, por maioria, pela conversão do feito em diligência, tendo sito esta Conselheira designada para a redação do voto vencedor, nos seguintes termos: Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos realizados pela Recorrente, mas integralmente utilizados para quitação de débitos dela própria, não restando, assim, crédito disponível para compensação. Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei n.º 9.784, de 1999, que Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 99 3 rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF por força do disposto em seu art. 69, determina que o administrado tem, entre outros direitos perante a Administração Pública, o de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão competente (inciso III do art. 3º). Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para determinar que a unidade de origem promova a intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários e, sendo o caso, profira novo Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados. A Contribuinte, intimada, reiterou os argumentos de defesa apresentados, notadamente quanto ao Despacho Decisório proferido no Processo n°. 13973000287/200373, reconhecendo a totalidade do crédito postulado. .É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Em exame do feito, observo que a Resolução anterior redigida por esta Relatora não se mostrou suficientemente clara para que a Autoridade Preparadora efetuasse o adequado exame das questões a serem apuradas em diligência. Isso porque, ao afirmar que a Recorrente não foi intimada a prestar esclarecimentos sobre pedido formulado, diz respeito ao Processo nº 13973.000287/200373, em sede do qual apresentou petição esclarecendo o cometimento de equívoco no preenchimento da DCTF relativa ao período do crédito postulado. Esclareceu, nessa mesma oportunidade, que ao crédito lá controlado, foram vinculados diversos Pedidos de Compensação, dentre os quais aquele analisado no presente feito. Como se verifica pelo relato dos fatos tratase, basicamente, de Declaração de Compensação não homologada em decorrência da constatação de insuficiência do crédito informado. De acordo com a DRF e a DRJ, "o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados." No PER/DCOMP examinado a Recorrente indicou como "Valor Original do Crédito Inicial" o montante de R$119.976,00 (fl. 3), oriundo de DARF no valor de R$532.393,50, Código de Receita 2172, PA 30/11/2002, Vencimento e recolhimento em 12/12/2002. (fl. 4) O despacho decisório de fl. 7 informa a não homologação da compensação uma vez que, segundo constava nos sistemas da RFB, o valor originário do DARF (R$532.393,50) havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito em igual montante. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 100 4 Pois bem, em sua impugnação a Recorrente informa a ocorrência de 2 equívocos que ocasionaram o não reconhecimento do crédito, quais sejam: (i) Deixou de informar no PER/DCOMP enviado que o crédito ali pleiteado havia sido informado em Processo Administrativo Anterior, que seria o Processo nº 13973.000287/200373; (ii) Que em sua DCTF relativa ao Período de Apuração 30/11/2002 (PA do crédito utilizado) teria informado o valor equivocado do débito apurado a título de COFINS. Que, embora tenha originariamente informado um débito no valor de R$532.393,50, vinculando a este o pagamento do DARF, também no valor de R$532.393,50, posteriormente efetuou a retificação da DCTF para registrar um débito de COFINS no período no montante de R$ 413.412,48., sendo esta diferença, portanto, a origem do valor do crédito informado no PER/DCOMP de R$119.976,00. Na impugnação junta cópias de petições protocoladas nos autos do referido Processo inicial nº 13973.000287/200373, por meio das quais esclarecia os erros cometidos, informando estarem ali anexados os documentos comprobatórios dos equívocos cometidos, tanto da DCTF, quando no PER/DCOMP, bem como acosta cópia da DCTF retificadora. É incontroverso que a apresentação da DCTF retificadora, por meio da qual ocorreu a "liberação" do crédito postulado pela Recorrente, foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório. E foi esse fato que acarretou a prolação de decisão negativa pela DRJ e que também fundamente o voto proferido pela d. Relatora original do feito. Trago o seguinte trecho do acórdão DRJ: Em que pese o fato da interessada ter retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do .Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. ' Como se constata nos autos, a contribuinte retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuia a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Não se trata aqui de invalidar as retificações efetuadas pela contribuinte tanto em sua forma quanto em seu conteúdo mas simplesmente de afirmar que a compensação ora pleiteada so poderia ser validada no caso em que, à data da apresentação do Per/Dcomp sob análise, já tivesse a contribuinte retificado a DCTF e, com isso, conformada juridicamente a existência do pagamento indevido. Ou seja, nem a DRJ, e tampouco a d. Relatora sorteada chegam a adentrar ao mérito no que diz respeito à existência ou não do crédito, mas, apenas, invalidam o procedimento de correção das informações prestadas pretendido pela Recorrente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 101 5 Todavia, reputo necessário o exame das alegações trazidas pelo Recorrente quanto à existência de erro manifesto no preenchimento de suas declarações. A jurisprudência deste CARF e especialmente desta turma é tranqüila no sentido de afirmar que a correção de erros no preenchimento de declarações pelos contribuintes é possível em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, quando devidamente comprovado o direito pelo contribuinte. Tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto em em seu Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou cópias do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, que demonstram que o crédito utilizado pela Recorrente no valor original de R$119.976,00 foi devidamente reconhecido pela Receita Federal do Brasil. Tratase da Intimação nº 74/2008 de 06/02/2008 (fl. 68) e do Despacho Decisório datado de 24/06/2008 (fls. 69/71), cuja decisão transcrevo: DECISÃO De acordo com o parecer retro, que aprovo, no uso da competência definida pelo artigo 243, II do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n“ 95/2007, e delegada pelo art. 4° da Portaria DRF/Joinville n“ 48/2007, DECIDO deferir o pedido, reconhecendo o direito creditório no valor originário do R 119.976,00 (cento e dezenove mil, novecentos e setenta e seis reais centavos), correspondente ao recolhimento além do devido de COFINS, efetuado em 13/l 2/2002 (fl. 18), acrescido de juros, nos termos do art. 52, § 1°, III, “c", da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, bem como homologando, até o limite deste crédito, a Declaração de Compensação, nos moldes do anexo VI da IN SRF 210/2002, entregue cm 05/05/2003 (fls. 01/02) e retificada em 19/03/2003 (fls. 03 a 05) e as Declarações Eletrônicas de Compensação listadas na primeira folha do presente despacho decisório. Ou seja, pelas cópias apresentadas, me parece incontroverso que a própria Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte houve por bem acatar a integralidade do crédito informado pela Recorrente em seu PER/DCOMP, e que seria decorrente da retificação do erro no preenchimento de sua DCTF, não havendo falar em ausência de liquidez do crédito pleiteado. Nesse sentido, trago à colação os termos do Parecer Normativo COSIT nº 8, de 3 de setembro de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 102 6 desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Lado outro, é certo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não detêm competência para examinar a suficiência do crédito informado para a quitação da totalidade dos débitos declarados, sendo inviável, assim, o julgamento de procedência do Recurso Voluntário apresentado, também consoante citado Parecer COSIT nº 8/2014: COMPETÊNCIA PARA EFETUAR A REVISÃO DE OFÍCIO. Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as hipóteses de tributação previdenciária. REVISÃO DE OFÍCIO – ATO INSTRUMENTO DA REVISÃO. O despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada. Logo, ao deslinde da presente controvérsia, basta averiguar, diante do crédito já reconhecido nos autos do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, se tal montante é suficiente para a extinção dos débitos declarados nos presentes autos (10920.900006/200816), assim como dos demais processos analisados conjuntamente (10920.900010/200884; 10920.900018/200841; 10920.900028/200886; 10920.900986/200695 e 10920.900988/200684). E, em caso positivo, efetuar a devida vinculação entre crédito reconhecido e débitos declarados. Desse modo, fazse necessário o retorno dos presentes autos ao órgão de origem para que sejam realizadas as providências de verificação do crédito reconhecido no Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, bem como a suficiência deste para a extinção dos débitos controlados pelos Processos 10920.900006/200816, 10920.900010/200884; 10920.900018/200841; 10920.900028/200886; 10920.900986/200695 e 10920.900988/200684). Poderão ser solicitados ao contribuinte demais documentos reputados necessários. Pedese, ainda, a anexação de cópia do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373 aos presentes autos. Ao final, seja proferido relatório conclusivo, do qual deve ser dado vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 dias. Concluído, retornemse os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.001543/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000, 2001
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem ser deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Numero da decisão: 2201-005.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000, 2001 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem ser deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
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Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem ser deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 15 43 /2 00 6- 01 Fl. 429DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 327/339) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (fls.114/127), Exercício 2001 e 2002, Ano-Calendário 2000 e 2001, lavrado em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas, assim como multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê leão, no valor total de R$ 23.644,33, incluindo imposto, multa de oficio de 75% e juros de mora. O contribuinte, inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 11/04/2006 (fl.132), apresentou impugnação em 09/05/2006 (fls. 134/142), alegando, em síntese, que: a) Não se pode e nem se deve silenciar diante do importante fato de a ilustre e honrada Fiscalização, no caso presente, data venia, ter feito o indevido uso de um Auto de Infração (AINF), ao invés de uma Notificação Fiscal de Lançamento (NFL), ainda mais quando essa mesma Fiscalização declara expressamente em uma das peças por ela mesma lavrada, que, para o preparo das suas peças, buscava arrimo nos arts. 50, 15°, 16° e 170, do Dec. n° 70.235/72 (Código de Processo Administrativo Fiscal), consideradas as alterações que lhe foram introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e n° 9.532/97; b) Pela forma do procedimento da honrada Fiscalização autuante, fica suficientemente claro que todo o seu trabalho deu-se no recinto da própria repartição em que trabalha e, portanto, provavelmente, sem a presença do Contribuinte, impossibilitando de ser feita a intimação pessoal do Contribuinte (própria e necessária para um Auto de Infração), foi de imediato para a remessa da sua documentação dentro de um envelope entregue ao Correio, com A.R., sabendo-se que o Auto de Infração deve ser lavrado diante do autuado e com intimação pessoal; se houver recusa da assinatura do autuado, caberia a obtenção de duas testemunhas e só se não conseguir esse testemunho é que, então, recorre-se ao encaminhamento postal e com A.R.; c) O AINF aqui impugnado e os demais atos praticados pela il. Fiscalização autuante constituem, inquestionavelmente, um ato jurídico, mas despido de qualquer valor jurídico, quanto A. pretensão de punir o Autuado, isto porque as próprias Autuantes permissa máxima venha, agiram sem atenção e observância aos ditames legais; não se submeteram ao sagrado princípio do "ato vinculado", agiram, portanto, completamente livres do indispensável respeito As exigências que a Lei lhes impunha nesse mesmo trabalho. Felizmente, hoje vivemos num Estado de Direito; d) Todavia e como um autêntico "pára-raios", nos distantes idos de 2.000 (21.03.00) e com informações que desciam ao final do século p.p., o Autuado, depois de muitas outras idas ao Escritório do seu advogado, por orientação deste, firmou um instrumento jurídico intitulado de "Declaração Unilateral da Vontade" (v. cópia xerografada anexa - Fl. 430DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 doc.03), em cujo documento relatou problemas de incompatibilidades de personalidades entre o Autuado e o seu então sócio na empresa denominada "Casa Francesa Ltda.", o que acarretava para o agora Autuado, a mais completa e total impossibilidade de interferir nas operações que o seu então sócio praticava com inteira liberdade de agir, evidenciando a clara ausência da "affectio societatis" - sem a qual não terá longa existência qualquer sociedade empresarial. Diante do exposto, requer a improcedência do auto de infração impugnado. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte de acordo com decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Lançamento Procedente em Parte. 03 – A turma de piso entendeu que houve decadência do crédito tributário lançado em relação ao ano-calendário de 2000 e portanto, em vista do valor ser abaixo da alçada para encaminhamento a esse E. Sodalício, houve a consolidação da decisão da I. DRJ em relação a esse ponto, sendo que o que está em debate nesse caso é apenas o ano-calendário de 2001, conforme abaixo indicado no dispositivo do acórdão guerreado: Da conclusão Do exposto, voto no sentido de julgar o lançamento procedente em parte, ficando Fl. 431DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 04 - Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls. 353/389 e documentos às fls. 391/425, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 05 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 06 – Existem algumas matérias preliminares arguidas pelo contribuinte quanto a nulidade do lançamento em decorrência de prorrogações dos mandados de procedimento fiscal juntando os documentos de fls. 391/419 que são cópias das Portarias RFB 4.328/2005 e SRF 6.087/2005 que tratam do planejamentos das atividades fiscais e normas de execução de procedimentos fiscais, para demonstrar suas assertivas, e quanto ao mérito o contribuinte inova em parte em suas alegações de defesa alegando em síntese, após inúmeras alegações quanto aos documentos que: Fato marcante é o uso que foi feito da assinatura do ora Recorrente aposta em alguns documentos citados pela i. Fiscalização, assinaturas essas que, por sinal, já foram declaradas falsificadas em exame grafotécnico a que foram submetidas. Este episódio reforça o argumento do Recorrente, na mais pura verdade, de que não são suas tais assinaturas, afora esses documentos terem sido forjados, conforme conclusão a que chegaram os peritos criminais, ainda assim tais documentos não são sequer indícios de que o Recorrente tenha realizado quaisquer supostas transferências/remessas/movimentações financeiras. E, ainda que tais documentos pudessem sugerir qualquer suposta movimentação financeira, no período descrito pelos peritos que elaboraram o Laudo Econômico Financeiro, qual seja - 1997 e 2002, fls. 60- 64 dos autos, constata-se que nesse período o Recorrente já não mais fazia parte da Empresa - Casa Francesa. Com essa explanação, pode-se afirmar que as assinaturas que constam dos documentos contestados pelo Recorrente foram produzidas através de falsificação de documentos forjados, mas não pelo Recorrente. Fl. 432DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 07 – Na segunda parte do recurso o contribuinte alega outros pontos que foram discutidos em defesa e portanto, tratados na decisão de piso a que o recurso pretende ser reformada e é o que está em discussão por esse Colegiado, (as razões e fundamentos utilizados na decisão da DRJ para manutenção do lançamento com base nas alegações de defesa). 08 – Em relação à preliminar aventada de nulidade do lançamento em decorrência das inúmeras prorrogações do mandado de procedimento fiscal, entendo que deve não deve ser conhecida a matéria, pois além de não ser matéria de ordem pública, o contribuinte inova em suas alegações recursais em tema que sequer foi debatido e portanto, não fora objeto de análise pelo colegiado a quo, ocorrendo supressão de instância e ainda, a questão da preclusão temporal de acordo com os termos do Decreto 70.235/72 que diz em seu art. 17: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 09 – Tanto é real que juntou aos autos em seu recurso as Portarias de fls. 391/419 indicadas alhures. Portanto, entendo como não contestada essa matéria, e mesmo que na eventualidade fosse conhecida, é matéria pacificada em diversas Turmas do CARF que essa prorrogação em nada invalida o procedimento de lançamento do crédito tributário, a teor de alguns julgados a seguir colacionados, sendo reproduzido apenas parte da ementa que trata do assunto dos Ac. 2003-000.058 j. 24/04/2019, Ac 2401-006.194 j. 11/04/2019 e Ac. 2202- 004.944 j 12/02/2019, respectivamente: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Ainda que houvessem irregularidades em sua emissão ou prorrogação não seriam motivos suficientes para anular o lançamento. (omissis) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INOCORRÊNCIA. Fl. 433DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 O Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal da autoridade tributária para fiscalizar os impostos e contribuições federais e realizar o lançamento de ofício, constituindo-se em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória. Eventuais irregularidades na sua prorrogação não legitimam a anulação do lançamento, mesmo porque o descumprimento de determinada formalidade não causou prejuízo concreto à parte, que lhe tenha obstaculizado o direito de defesa. NULIDADE. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. Não há que se falar em decretação da nulidade do auto de infração quando o ato administrativo encontra-se revestido dos requisitos exigidos para o lançamento. (omissis) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO Inexistindo atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. (omissis) 10 – Portanto, por essas razões, afasto a preliminar de nulidade. 11 – Quanto ao mérito o contribuinte, como dito alhures, inova em parte em suas razões recursais, alegando matéria que não foi controvertida na defesa e junta documento de fls. 421/425 intitulado Laudo de Exame Documentoscópico (Grafotécnico) elaborado pelo Departamento da Polícia Federal. 12 – Nas razões recursais o contribuinte inova nas matérias questionando os documentos utilizados pela fiscalização da seguinte forma: Quanto ao documento de fls. 39-51 dos autos, Ofício n° 944/04-PF/ST/SR/DPF/PR, de 27/05/2004, supostamente expedido pelo Delegado da Polícia Federal - Dr. Paulo Fl. 434DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Roberto Falcão Ribeiro para o Juiz da 2o Vara Federal do Paraná, apesar de tecer 12 (doze) páginas de uma longa explanação sobre a apuração realizada na Beacon Hill, o documento não se encontra assinado e nem rubricado, portanto, não há como atribuir qualquer existência a esse documento e demais anexos trazidos pelo mesmo a fim de instruir o Procedimento Fiscal de que se trata, porquanto, a ilustre auditora fiscal tenha fundamentado a sua autuação sobre tal documento e o tenha juntado aos autos do processo fiscal, tal documento e respectivos anexos devem ser considerados inexistentes para qualquer efeito jurídico. Agir de forma contrária a esse entendimento, como tenta a i. fiscalização autuante, seria um total desrespeito aos atos administrativos e, conseqüentemente, ao processo administrativo fiscal. Dessa forma, vem o Recorrente requerer a exclusão de tais documentos dos autos do processo administrativo fiscal movido contra o mesmo, quais sejam: - "Representação" do Delegado de Policia Federal do Paraná e respectivos anexos (fls. 39-75 dos autos), constantes do Of 944/04-PF-FT-SR-DPF-PR, posto que, o suposto signatário não chegou sequer a assiná-lo e assim não se pode afirmar que tais documentos chegaram a ter existência ou se não passaram apenas de simples rascunhos. Com isso, tem-se que o "Laudo de Exame Econômico-Financeiro", de n° 1310/2004- INC, datado de 25/05/2004, como anexo do 'Ofício acima citado, também deve ser desconsiderado e desentranhado dos autos em questão, mesmo porque tal documento só contém rubricas não identificadas, está incompleto em sua conclusão e não contém assinatura do seu emissor, conforme se pode comprovar às fls. 60-64 dos autos. Portanto, todos os documentos anexos e vinculados ao Ofício n° 944/04 (fls. 39-75 dos autos), por serem anexos da inexistente "Representação" do Delegado da Policia Federal, também devem ser retirados do referido processo pois, ainda que se pudesse atribuir alguma existência e validade aos ditos documentos, pelo que se observa dos autos, não há nenhum documento comprobatório de qualquer rendimento recebido pelo Recorrido e omitido ao Fisco Federal. O que se leva a concluir assim que as i. auditoras presumiram a ocorrência de um suposto "fato gerador" que, todavia, não restou configurado nos autos dessa ação fiscal. Ademais, no Direito Tributário não cabe a presunção como base para a constituição do crédito tributário. Vê-se, nos autos, portanto, que o Recorrente não assinou tais documentos, bem como que os mesmos não demonstram qualquer tipo de movimentação pelo Recorrente nessas supostas contas/subcontas, bem como de qualquer suposta remessa de valores, muito menos de recebimento de remuneração que, porventura, pudesse ter sido omitida para o fisco. 13 – Chega a inovar na matéria recursal alegando por exemplo que não é titular de nenhuma das contas indicadas pela Fiscalização, tal como indicado no item 6 do acórdão. 14 – Contudo, entendo que não deve ser conhecida essa matéria trazida pelo contribuinte apenas nessa fase recursal, porquanto, além de preclusa a teor do já indicado art. 17 do Decreto 70.235/72, em relação ao documento de fls. 421/425 não há a devida justificativa de não tê-lo juntado na defesa a teor do disposto no art. 16, III e § 4º, “a”, “b” e “c” do Decreto 70.235/72. 1 1 Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 435DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 15 – Veja, que nenhum dos motivos acima indicados na norma são aplicáveis ao presente caso, posto que de acordo com o que fora bem destacado na decisão de piso, o contribuinte em nenhum momento de sua defesa questiona tais documentos ou diz que não é titular de tais rendimentos, verbis: Das Infrações O impugnante esclareceu que se encontrava afastado da prática de qualquer ato de gestão da Casa Francesa desde 1996, portanto não pode e nem deve ser responsabilizado por atos e negócios que, se efetivamente realizados, o foram por outras pessoas. No entanto, não descaracteriza os documentos assinados por ele, apontados no Laudo de Exame Econômico — Financeiro, emitido pelo Departamento de Policia Federal e anexados aos autos as fls. 60/75. Também não contesta expressamente o lançamento tributário, mantendo-se, dessa forma, o credito tributário para o ano — calendário 2001, no valor de R$272,34, acrescido da multa de oficio de 75% e demais acréscimos legais. (sem grifos no original) 16 – Não se pode também falar, nesse caso, que há de se observar o princípio da verdade material, pois este nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro no art.16 do Decreto 70.235/72. 17 - Por conseguinte, entendo que esses argumentos, trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não teve oportunidade de conhecer e de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância, não podem ser apreciados por este colegiado em grau de recurso, dada a ocorrência de preclusão consumativa e a supressão de instância. 18 - Nesse sentido, inúmeros são os precedentes deste tribunal no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido submetida à apreciação e julgamento de primeira instância, dos quais cito apenas alguns, ilustrativamente: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2008 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 436DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. CLASSIFICAÇÃO POR RAMO. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. EDUCACIONAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A classificação por ramo assue caráter didático e não se presta a excluir a incidência tributaria, tão pouco impede a investigação da verdade sobre a operação. Cooperativa educacional é exemplo típico de cooperativas de produção para fins previdenciários, é espécie de cooperativa que, por qualquer forma, detém os meios de produção e seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens ou serviços. Assim a cooperativa é equiparada a empresa para fins previdenciários, sujeitando-se ao recolhimento de contribuições sociais quando do crédito de importâncias, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF N°02. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2. Relator(a) RENATA TORATTI CASSINI 07/08/2018 AC.2402-006.482 19 - Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos, razão pela qual não se conhece de tais argumentos. 20 – No mérito, naquilo que foi objeto de defesa e decisão da instância a quo, ou seja, apenas a matéria indicada em sua defesa nos itens 10 e 12 no contexto relacionado a “non affectio societatis” entendo que não merece ser reformado o V.Acórdão, uma vez tratar-se de matéria comprobatória e o contribuinte em suas alegações apenas traz argumentos relacionados a problemas internos entre os sócios que em nada modificam o lançamento do crédito tributário, inclusive não questionando de forma específica as razões do lançamento. 21 – Quanto as declarações juntadas pelo contribuinte é de se aplicar no caso os termos do art. 123 do CTN que assim dispõe: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Fl. 437DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 22 – Outrossim, de acordo com o relatório fiscal, foi dado por diversas vezes ao contribuinte a possibilidade de entregar a documentação para comprovação e esclarecimentos de valores, contudo, em diversas oportunidades as respostas do contribuinte foram prolixas, não esclarecendo em nada o assunto. 23 - O julgador não pode ser visto como patrono do contribuinte ou do Fisco, nem seu assistente técnico, motivo pelo qual não lhe cabe pesquisar, nos autos, dentre inúmeros documentos juntados apenas na fase recursal, os dados que poderiam, em tese, ser favoráveis a ele. E sendo do contribuinte tal ônus, cabe ao mesmo comprovar por meio de documentos a origem dos depósitos tomados pela Fiscalização, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 373 do Novo Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. 24 - Dessa forma, é imperioso, que na segunda instância, que se ofereçam razões ou contra argumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento ou o indeferimento de solicitação, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. 25 - Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso faça a revisão necessária. Conclusão 26 - Diante do exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso na forma da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 438DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915098/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 1639.80211ª Turma da DRJ/SP1 (fls 132/139): DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 31689.83572.311008.1.3.040250, transmitida em 31/10/2008, que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 09 8/ 20 09 -3 3 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 301 2 indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS – código 2172, ocorrido em 20/02/2008, no montante de R$ 124.704,81 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/01/2008, com débito próprio de IRPJ – código 2430, com vencimento em 30/09/2008, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 610.963,05. DO DESPACHO DECISÓRIO 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu em 23/10/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 849890012, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 124.704,81 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. Devidamente cientificada do despacho decisório acima, em 06/11/2009 a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade, acompanhada dos seguintes documentos, procuração pública, contrato social, cópia do documento de identificação do advogado, DCTF original, DCTF e DACON retificadores, e demonstrativo de apuração, onde expõe em síntese pelo seguinte: 3.1. Em janeiro de 2008, apurou débito de COFINS no total de R$ 1.387.848,04, o qual foi quitado em 20.2.2008 e posteriormente informado à Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual foi entregue eletronicamente, no dia 7/3/2008. 3.2. Após, alguns dias da aludida entrega, ao rever a exatidão do citado pagamento, verificou ter ocorrido erro no cálculo do tributo, por força do qual se recolheu valor a maior do que o realmente devido, que correspondia a R$ 735.691,18. 3.3. Assim sendo, a requerente detinha crédito frente ao fisco, resultante da diferença do valor levado aos cofres públicos, menos o valor efetivamente devido. Parte deste crédito foi utilizada para a compensação de débito de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica, que somava R$ R$ 118.102,61, em 30/09/2008. 3.4. Cabe esclarecer que, a vista do erro na apuração da COFINS devida, em 04/08/2009, a requerente encaminhou a RFB retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), além da respectiva DCTF retificadora, transmitida em 16/10/2009, para fazer constar o verdadeiro valor do débito. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 302 3 3.5. A fiscalização, todavia, ao analisar a compensação da requerente, emitiu o despacho decisório ora impugnado, glosando o crédito nela utilizado, sob a alegação de que os pagamentos realizados pela requerente foram "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3.6. Esse aparente desconhecimento da fiscalização poderia ter sido superado com simples intimação, por meio da qual fossem solicitados os esclarecimentos que o pelo Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil julgasse necessários. A falta de qualquer verificação fiscal nesse sentido indica que, até o presente momento, a verdade material foi desprestigiada neste processo. 3.7. Diante do exposto, requer seja reconhecida a nulidade do despacho decisório impugnado, por manifesta ausência de investigação dos fatos pela fiscalização e consequente ofensa ao principio da verdade material, e, em não se acatando tal argumento da, seja cancelada a glosa fiscal em questão, pois o crédito compensado está devidamente comprovado e decorre de equivoco na apuração do total devido no período em referencia. 3.8. Por fim, protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. No caso de apresentação de DCOMP (Declaração de Compensação) com indicação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, não há a previsão de emissão de termo de intimação, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para sanear eventual erro de preenchimento de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 303 4 Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF e DACON, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 142/172), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Defende a Recorrente que há impropriedade do procedimento levado a efeito pela fiscalização e há incoerência nas razões apresentadas pela DRJ para manter o despacho decisório. Assevera que a base legal citada é genérica e padrão para esse tipo de despacho decisório eletrônico, o que não permite quaisquer inferências sobre por qual motivo o crédito foi glosado. Afirma que o enquadramento legal do despacho decisório referese aos arts. 165 e 170 do Código Tributário Nacional, os quais trazem normas gerais autorizando a restituição e compensação dos pagamentos indevidos e o art. 74 da Lei n. 9430, de 27.12.2006, que veicula as regras para a concretização da restituição ou compensação. Ressalta que não há quaisquer indícios das razões que motivaram o indeferimento do crédito. Defende também que a Fiscalização não deveria se limitar a analisar sua declaração de compensação, que errou a não considerar que o pagamento não era devido. Defende também que a Recorrente deveria ter sido intimada para saneamento de eventual erro de preenchimento de DCTF. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 304 5 Diante da conclusão constante da decisão recorrida de que as provas juntadas pela recorrente seriam insuficientes para amparar o crédito por ela pleiteado, a Recorrente junta mais documentos, conforme indica: Desse modo, os documentos contábeis foram apresentados juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, tendo em conta o princípio da verdade material, entendese que tais documentos devem ser objeto de análise. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000322/2010-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.844
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que por unanimidade de votos, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição, conforme Ementa abaixo: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 32 2/ 20 10 -3 8 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 3 2 PIS/PASEP. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Consoante manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, proferida nos termos do § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, as contribuições devidas ao PIS e à Cofins devem incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência as receitas não operacionais. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo a reforma parcial da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito integral à restituição da contribuição PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, bem como diante de alegada liquidez e certeza do direito creditório. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) Ao analisar o montante pleiteado, o v. acórdão manteve parcialmente o indeferimento do despacho decisório, sob a alegação de que as "receitas diversas", as "receitas de comissões" e as "receitas com indenizações" não podem ser excluídas da tributação da contribuição ao PIS e da COFINS; iii) Não há controvérsia acerca do mérito do direito creditório pleiteado relativo inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, restando controvertido somente o cálculo apresentado, única parcela cuja reforma se pretende. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.829, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 16349.000306/201045. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.829): "1. Pressupostos legais de admissibilidade Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 4 3 Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio 2.1. Conforme relatado, a decisão recorrida aplicou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, afastando o fundamento do despacho decisório, reconhecendo o direito postulado e quantificando o valor que teria sido recolhido a maior com base na documentação acostada aos autos até aquele momento. Para tanto, considerou a planilha de fls. 76/79, pela qual foi demonstrado que o valor recolhido a maior é decorrente do cálculo do PIS/COFINS sobre as seguintes receitas: Todavia, a Autoridade Julgadora a quo não aceitou a totalidade dos valores apresentados pela Contribuinte por concluir como receitas não operacionais as “Receitas Diversas”, “Receitas de Comissões” e “Receitas com Indenizações”, as quais foram excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS. Não obstante as demais receitas contestadas pela Contribuinte, com relação às "Receitas Diversas", o ilustre Julgador de Primeira Instância concluiu que "pela análise do Livro Razão Acumulado, não é possível se saber, em específico, a que tipo de receita elas se referem, razão pela qual não é possível avaliar se são operacionais ou não." Para demonstrar seu direito creditório, a Recorrente argumenta em defesa que os valores em referência são decorrentes de contratos de fornecimentos pactuados com as empresas Mineração Serra de Fortaleza ("MSF") e Celpav Celulose e Papel Ltda. ("Celpav"), os quais detém a cláusula de demanda obrigatória, pela qual a contratante deve pagar um valor mínimo a título de compensação da pessoa jurídica responsável pelo fornecimento do produto por ocasião da dispensabilidade parcial da quantidade previamente estabelecida pela contratante, como forma de suprir os investimentos necessários. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 5 4 Alega que tais valores não se revestem da natureza operacional inerente às receitas passíveis de oferecimento à tributação pela contribuição ao PIS e COFINS, visto que não advém de prestação de serviços ou venda de mercadorias. Da análise do processo, em especial dos documentos de fls. 285 a 360, constatase que foram trazidos aos autos em sede recursal os Contratos de Fornecimento dos Gases Industriais informados pela defesa, os quais têm por previsão a cláusula de demanda obrigatória, denominadas de "Cláusulas Taky or Pay". Cabe observar pela possibilidade de recepção de tais documentos, uma vez configurar a previsão do artigo 16, § 4º, alínea "c" e § 6º do Decreto nº 70.235/721, bem como em razão da necessária busca pela verdade material diante do indício do direito invocado. O princípio da verdade material determina que as decisões tenham por base os fatos tais como se apresentam na realidade, devendo ser carreados para o processo todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem limitação às provas colacionadas pelos sujeitos. Para tanto, o Decreto 70.235/72 prevê a liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador no processo administrativo, conforme prescrevem os artigos 18 e 29. Vejamos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por sua vez, impera reiterar que o único fundamento utilizado em despacho decisório para indeferir o pedido de restituição foi sobre a ausência de competência do Auditor Fiscal para apreciar a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, sem qualquer menção sobre as receitas que deram origem ao crédito pleiteado pela Contribuinte. 2.2. Considerando que o despacho decisório não analisou a origem dos respectivos créditos, bem como em razão dos documentos trazidos pela Recorrente em fase recursal para comprovar as receitas não acatadas pela DRJ e, para possibilitar melhor conclusão deste Colegiado acerca do direito creditório pleiteado neste processo, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto nº 1 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 6 5 70.235/72 e artigo 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do Pedido de Restituição (PER) de nº 40920.38117.130606.1.2.04 2078; b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas através do Acórdão nº 0657.011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do presente Pedido de Restituição (PER); b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 7 6 c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16542.001236/2007-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
Numero da decisão: 2002-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ALCENI FRANCISCO LUCAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 12 36 /2 00 7- 51 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 16542.001236/200751 Acórdão n.º 2002001.094 S2C0T2 Fl. 88 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 14/24), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.650,96 para saldo de imposto a restituir de R$776,51. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$8.100,00, do Comando do Exército (fl.16). Impugnação Cientificado ao contribuinte em 22/8/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 20/9/2007, às fls. 3/36 dos autos, assim sintetizada pela decisão recorrida: Na impugnação de fls. 02/06, inicialmente, o contribuinte coloca conceitos sobre rendimentos do trabalho assalariado e vantagens. Após, remete A Lei n°. 8.852 de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 10 ., III, alínea "n", para alegar que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. Na seqüência, argumenta que o Decreto n°. 3.000 de 26 de março de 1999— RIR199, em seu art. 43, em momento algum se reporta A tributação do adicional por tempo de serviço; que este estabelece a tributação sobre a remuneração do trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, mas que a Lei n°. 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração. Alega, em síntese, que, a Lei n°. 8.852/94 se sobrepõe A Lei n°. 7.713/88; que a referida lei, além de regulamentar os artigos 37 e 39 da Constituição, enfatiza a exclusão dos adicionais da remuneração dos funcionários públicos, não podendo os mesmos serem tributados. Cita, ainda, alguns dispositivos da Lei n°. 8.134/90, a Lei n°. 9.532/97, a Lei n°. 9.887/99 e a Lei n°. 9.532/97, para arrematar que os fundamentos esposados pelo Ministério da Fazenda são inconsistentes por não tratarem do fundamento da discussão, ou seja, a nãotributação sobre os adicionais. A seguir, desenvolve a tese de que o adicional por tempo de serviço, no caso dos funcionários públicos, não se constitui em acréscimo patrimonial, conforme o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), mas sim em indenização paga pelo Estado em virtude das vedações impostas ao servidor pela Lei n°. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16542.001236/200751 Acórdão n.º 2002001.094 S2C0T2 Fl. 89 3 11.094/2005 e Lei n°. 8.112/90, as quais dispõem sobre o Regime Jurídico de Servidor Público. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente (fls. 44/47). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 25/6/2009 (fl. 52), o contribuinte, em 17/7/2009 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/83, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando, em especial, que os valores recebidos a título de "adicional por tempo de serviço" seriam isentos a teor da Lei nº 8.852, de 1994. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente do Comando do Exército, os quais ele alega seriam isentos, fundamentando sua pretensão na Lei nº 8.852, de 1994. Não há reparos a se fazer à decisão de piso. A teor dos artigos 4º e 43, do CTN, todos os rendimentos, abstraindose de sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não elencados no rol das isenções. A classificação dos rendimentos, para efeitos fiscais, será definida por sua natureza jurídica confrontada com a legislação tributária. As verbas isentas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física são aquelas expressamente previstas no art. 39 do RIR/1999, então vigente. Ainda, segundo os arts. 111, inciso II, e 176, do CTN, a isenção é sempre decorrente de lei, que deve ser interpretada literalmente. Daí resulta, como já dito, que todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções. Diante de tais normas e em se tratando a isenção de uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que devem ser sempre decorrentes de lei e de interpretação literal e restritiva, quaisquer outros rendimentos devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação. Nesse aspecto, é certo que o adicional por tempo de serviço não está incluído entre as verbas isentas. Por seu turno, diferentemente do alegado pelo recorrente, a Lei nº 8.852, de 1994, dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16542.001236/200751 Acórdão n.º 2002001.094 S2C0T2 Fl. 90 4 Nesse sentido, cabe trazer a Súmula CARF nº 68, de observância obrigatória por este Colegiado: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Ao final de sua defesa, o recorrente alega que o crédito estaria prescrito desde 31/12/2007. Essa matéria também já se encontra sumulada, sendo de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Portanto, afastase tal argumento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 90DF CARF MF
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