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Numero do processo: 10882.720368/2010-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada.
Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9202-007.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 03 68 /2 01 0- 43 Fl. 373DF CARF MF 2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2202002.446, proferido pela 2ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 02 a 08, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 699.396,77, relativo ao imóvel rural “Sem Denominação”, com área de 786,5 ha, NIRF 2.807.8551, localizado no município de Itapecerica da Serra/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Ambientais e Cálculo do Valor da Terra Nua; que em relação às áreas de preservação permanente o sujeito passivo na Declaração de Informação e Apuração do ITR/2006, no quadro Distribuição da área do Imóvel, informou 786,5 ha como área de Preservação Permanente, visando a exclusão da referida área da incidência do ITR. Regularmente intimado a apresentar os documentos para comprovar os dados informados na declaração, eis que transcorreu o prazo sem que o interessado se manifestasse sobre o caso. Tendo em vista a não apresentação de Laudo Técnico, Ato Declaratório Ambiental, a área de preservação permanente foi glosada e como não foi apresentado Laudo de Avaliação do imóvel, o VTN declarado foi modificado tendo por base as informações sobre preços de terras do Sistema de Preços de Terra SIPT previsto para o exercício 2006 de R$ 8.729,34/ha, para o município de localização do imóvel. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 85/103. A DRJ/SDR, às fls. 214/224, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 234/254. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 282/295 DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE LAUDO TÉCNICO ADA. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 9202007.807 CSRFT2 Fl. 10 3 São áreas de preservação permanente legalmente estipuladas as hipóteses do art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. ADA – DESNECESSIDADE – DECISÃO JUDICIAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A existência de decisão judicial reconhecendo a área de preservação permanente pode suprir a não apresentação dos documentos exigidos pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário provido Às fls. 298/309, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da APP – Área de Preservação Permanente e da ARL Área de Reserva Legal da tributação do ITR/2006. Aduziu que o acórdão recorrido, mesmo diante da ausência de requerimento tempestivo de ADA para fins de comprovação das áreas em questão, deu provimento ao recurso voluntário para excluir as áreas de utilização limitada e preservação permanente do auto de infração relativo ao ITR de 2006. Divergindo deste entendimento, a colenda Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda exige a apresentação do ato específico do órgão competente, tempestivamente, para o reconhecimento das áreas de reserva legal e preservação permanente, como é o caso dos autos. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 312/314, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação APENAS em relação à: obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da APP – Área de Preservação Permanente, excluindo da reanálise a ARL Área de Reserva Legal, por ser matéria estranha aos autos. À fl. 318, a União manifestouse ciente do Despacho de parcial provimento ao seu recurso especial. Cientificado à fl. 323, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, justificando, preliminarmente, a INTEMPESTIVIDADE de seu protocolo, em virtude de que foi intimado da decisão apenas em 18 de outubro de 2015, esgotando seu prazo apenas em 02 de novembro, prazo este que foi deslocado para o dia imediatamente posterior – 03 de novembro – em virtude do feriado nacional de Finados. Ainda, preliminarmente, aduziu ausência de divergência interpretativa entre os acórdãos paradigmas. No mérito, reiterou os argumentos anteriores e requereu o seu não provimento. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 02 a 08, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 699.396,77, relativo ao imóvel rural “Sem Denominação”, com área de 786,5 ha, NIRF 2.807.8551, localizado no município de Itapecerica da Serra/SP. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da APP – Área de Preservação Permanente. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 9202007.807 CSRFT2 Fl. 11 5 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. O acórdão recorrido assim dispôs: Como se vê, a prova da existência de área não explorada economicamente deságua, ao cabo, na decisão judicial e nas sucessivas averbações de matrícula realizadas com autorização do poder público, do qual o ADA é mera presunção. Seria ilógico exigirse o atendimento de requisito ligado à presunção quando o fato por ela presumido resta comprovado. Observo, inclusive, que a ausência de Laudo Técnico Ambiental que comprove a existência das áreas de preservação permanente decorre da impossibilidade do recorrente realizar medições e procedimentos cabíveis em razão da totalidade da área do imóvel encontrarse inserida dentro das confrontações do Parque Estadual da Serra do Mar, fato corroborado pela sentença proferida na ação de desapropriação indireta (fls.3339) que afirma que “a prova pericial trouxe a afirmação de que a área pertencente aos autores localizase, integralmente, dentro dos limites daquele Parque. Neste sentido, confirase a resposta (...) ainda à afirmação do próprio assistente técnico da ré”. (...) Constatado a existência de documentação hábil e idônea que ateste ser a totalidade da área do imóvel área de preservação permanente, e partindo da premissa acima alinhada, de que é desnecessária a apresentação de ADA para que seja reconhecida a APP quando existente documentação passível de atestála, deve ser reconhecido o direito do recorrente à exclusão desta área da base de cálculo do tributo. Fl. 377DF CARF MF 6 Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Assim quanto a área de Reserva Legal, e meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área foi eleita como ARL e tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte. (b) Já quanto a área de preservação permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. O Contribuinte declarou no imposto de renda o valor de 786,50 hectares de Área de Preservação permanente – DIAT 2006. Apresentou Decreto do Poder Público, Decreto n° 10.251, de 30 de agosto de 1977, que criou o Parque Estadual da Serra do Mar, impondo aos ocupantes e proprietários severíssimas restrições de uso e gozo fls, 29 a 31 e nas fls seguintes colaciona cópia da ação judicial que move contra o Estado pelo fato de suas terras terem sido declaradas de preservação ambiental. Analisando a documentação constante dos autos, observase que apesar da sentença da 1ª Vara da Comarca de Itapecerica da Serra/SP, Processo nº 108/1991 declarar o imóvel incorporado ao patrimônio da ré (Fazenda Pública do Estado de São Paulo), porém a entrega formal da área à expropriante ainda não foi concretizada. Tal fato está perfeitamente evidenciado na Ação Rescisória nº 377.660.5/500, cujo acordo entre as partes foi assinado em 15 de dezembro de 2005, onde ficou acordado que os espólios/expropriados ficavam responsabilizados, perante qualquer outro interessado, quer pessoa física ou jurídica, privada ou pública, por toda e qualquer obrigação de pagar ou de fazer decorrente do domínio e da posse do imóvel objeto da ação originária, até a entrega formal da área ao Instituto Florestal da Secretaria do Meio Ambiente, isentando o Estado de toda e qualquer obrigação, exceto aquela decorrente do pagamento das parcelas do precatório. No presente caso, o interessado apresentou o Ato Declaratório Ambiental – ADA de 25/09/2009, relativo ao exercício de 2009. No caso, o interessado não apresentou Laudo de Avaliação do imóvel. A discussão dos presentes autos referese a fatos geradores ocorridos em 2006, e a data de início do procedimento fiscal é 24.03.2010 termo de intimação fiscal n.º 08113/0003/2010. Neste caso observo que as provas dos autos atendem as exigências legais, pois verificada a existência da APP, por se tratar de uma condição natural e não eleita pelo contribuinte, basta que se comprove sua existência independentemente do momento de sua comprovação. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 9202007.807 CSRFT2 Fl. 12 7 Para maioria do colegiado embora indispensável a apresentação de ADA este pode ser aceito quando emitido ou protocolado até da data de início do procedimento fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920325/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 12/11/2004
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.124
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 25 /2 01 2- 10 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920325/2012-10 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920325/2012-10 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920325/2012-10 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916040/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
INSUMO. CONCEITO.
Insumo é a matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem ou serviço adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que são essenciais no sistema produtivo do Contribuinte de iure.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. Não sendo essa prova produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação a ele vinculada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-006.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso do Contribuinte, para manter as glosas no que tange à energia elétrica e alugueis de máquinas e equipamentos e por afastar as glosas no que diz respeito aos bens e serviços de Quaterna´rio de Amo^nia (Higienizac¸a~o dos caminho~es); - Soluc¸a~o de Soda Ca´ustica (Limpeza da a´rea, linhas e equipamentos); - Soluc¸a~o Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); - Graxa Food Grade (Eixos); - Ga´s GLP (Empilhadeiras); - Soluc¸a~o a´cida C500 (Limpeza dos Evaporadores); A´cidos; -Bases, - Vidrarias; - Reagentes qui´micos diversos; Bagac¸o de Cana (Gerac¸a~o vapor e energia ele´trica); - O´leo Combusti´vel (Gerac¸a~o vapor); - Lenha; - Soluc¸a~o Alcoo´lica; - Polipropileno Glicol; - Amo^nia; - Cal Virgem Micropulverizada (Correc¸a~o de pH); Nitrofos, que não foram sujeitos a alíquota zero
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem ou serviço adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que são essenciais no sistema produtivo do Contribuinte de iure. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. Não sendo essa prova produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação a ele vinculada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 770 1 769 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.916040/201393 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.135 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria PIS Recorrente LOUIS DREYFUS COMPANY SUCOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem ou serviço adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que são essenciais no sistema produtivo do Contribuinte de iure. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. Não sendo essa prova produzida nos autos, indeferese o pedido e não se homologa a compensação a ele vinculada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso do Contribuinte, para manter as glosas no que tange à energia elétrica e alugueis de máquinas e equipamentos e por afastar as glosas no que diz respeito aos bens e serviços de Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); Solucã̧o de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); Graxa Food Grade (Eixos); Gás GLP (Empilhadeiras); Solução ácida C500 (Limpeza dos Evaporadores); Ácidos; Bases, Vidrarias; Reagentes químicos diversos; Bagaço de Cana (Geração vapor e energia elétrica); Óleo Combustível (Geração vapor); Lenha; Solução Alcoólica; Polipropileno Glicol; Amônia; Cal Virgem Micropulverizada (Correção de pH); Nitrofos, que não foram sujeitos a alíquota zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 60 40 /2 01 3- 93 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 771 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 724 a 749) interposto pelo Contribuinte, em 5 de junho de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1677.498 (fls. 703 a 718), de 9 de março de 2017, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) – DRJ/SPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase do Pedido de Ressarcimento no 35066.61678.030611.1.1.086783 (fls. 92/101), no valor de R$ 540.158,72, referente a créditos na apuraca̧õ não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, auferidos no 4o trimestre de 2010, vinculados a receitas de exportação. A esse crédito a contribuinte vinculou Declarações de Compensação. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administraçaõ Tributária em São Paulo – DeratSP, por meio do despacho decisório de fl. 527, e com base na Informação Fiscal de fls. 509/526, deferiu em parte o pedido de ressarcimento, no montante de R$ 504.669,06, e em consequência homologou parcialmente a compensação declarada no PER/Dcomp 07399.44185.271211.1.3.083004. Na citada Informação Fiscal o auditor fiscal assim descreveu as análises efetuadas: BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) 17. De acordo com a descricã̧o do processo produtivo apresentado pelo contribuinte, onde relata os principais bens utilizados na produção do suco de laranja, observamos existirem bens aplicados na producã̧o que, apesar de fazerem parte do seu custo, não se enquadram no conceito de insumo previsto no art. 66, § 5°, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 247/2002 e art. 8°, § 4°, I, “a”, da Instrucã̧o Normativa SRF 404/2004, por não exercerem ação direta sobre o produto fabricado. Listamos os principais abaixo: Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 772 3 “ Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); Solução de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); Graxa Food Grade (Eixos); Gás GLP (Empilhadeiras); Solução Ácida C500 (Limpeza dos Evaporadores) Ácidos; Bases; Vidrarias; Reagentes químicos diversos; Bagaço de Cana (Geração vapor e energia elétrica); Óleo Combustível (Geracã̧o vapor); Lenha; Solução Alcoólica Propileno Glicol Amônia; Cal Virgem Micropulverizada (Correção de pH); Nitrofos” (...) 24. Neste pleito, observase que na aquisicã̧o dos produtos identificados nas planilhas intituladas “Alíquota Zero”, anexas a este processo eletrônico, não houve pagamento da Contribuição do PIS nem da Cofins, pois tais produtos estão sujeitos à alíquota zero em toda a cadeia econômica, consequentemente, essa operacã̧o não gera direito ao crédito das contribuições em exame por pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo das contribuições; ou seja, não existe crédito a ser mantido na cadeia produtiva. ENERGIA ELÉTRICA 25. Extraímos dos arquivos magnéticos de notas fiscais da IN SRF 86/2001 os valores mensais das faturas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e encontramos no meŝ de dezembro de 2010 um valor inferior ao informado no respectivo DACON. Assim sendo, consideramos como passível de crédito o montante existente nos arquivos Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 773 4 magnéticos, cujos totais se encontra anexo a este processo pela planilha “ENERGIA ELÉTRICA”. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (...) 27. Na sistemática da não cumulatividade, podem ser descontados créditos em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa. 28. Na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte confirmamos que os montantes informados na rubrica dos DACONs tiveram como base os saldos mensais das contas contábeis “48102008 Aluguel de Equipamentos” e “48121003 Alug. de Equipamentos”. Porém, analisandose o Livro Razão, identificamos despesas escrituradas nessas contas cuja natureza da despesa descrita impossibilita o enquadramento como aluguéis de máquinas e equipamentos, os quais transcrevemos os principais abaixo “ SERVICO DE INSTALACAO E MONTAGEM; SERVICO DEDETIZACAO; SERVICO FOTOCOPIA; SERVICO LOCACAO BEM IMOVEL; SERVICO LOCACAO BEM MOVEL; SERVICO LOCACAO BEM MOVEL DESPESA;” 29. Anexamos a este processo sob o título de “ALUGUÉIS MÁQ E EQPTO RAZÃO GLOSA” os valores das glosas mensais extraídos do Livro Razão. ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA 30. Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de servico̧s e na producã̧o ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX, que assim dispõem: (...) 31. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3o acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuicã̧o para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuracã̧o de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 774 5 mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Vejase o que dispõe o citado art. 15: (...) 32. Assim sendo, chegase à conclusão de que o dispositivo legal permite apenas o crédito em relacã̧o as despesas realizadas com armazenagem e frete na operação de venda, com a finalidade de colocar referidos bens mais próximos de seus clientes (compradores). Identificamos na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte despesas de fretes com materiais de uso e consumo interno da empresa no mês de outubro de 2010, sobre cujo montante efetuamos a glosa devida (anexo a este processo sob o título de “FRETES GLOSA”), por falta de previsão legal. Quanto ao mês de novembro de 2010, contatamos uma diferença de R$ 916,02 entre a memória de cálculo e o valor informado na rubrica do DACON. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO 33. O inciso VI do art. 3o das Leis no 10.833 de 2003 e 10.637 de 2002 autorizam à pessoa jurídica sujeita à apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS pelo regime nãocumulativo, que constituam crédito sobre a depreciação ou amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Vêse que a aquisicã̧o de bens para o ativo imobilizado, por si só, não gera o direito ao crédito de PIS/PASEP e COFINS. O que possibilita a tomada de créditos é a depreciacã̧o ou a amortização desses bens incorrida no mês (§ 1o inciso III do art. 3o das Leis 10.833 de 2003 e 10637 de 2002) e utilizados nas atividades de fabricação de produtos destinados à venda (indústria), na prestação de serviços, e na locacã̧o de bens a terceiros. (...) 34. De acordo com a memória de cálculo apresentada pelo contribuinte, identificamos que parte dos montantes informados na rubrica dos DACONs não são encargos de depreciação sobre bens do ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda, mas sim sobre móveis, utensílios e computadores, sobre os quais aplicamos as glosas precisas, anexas a este processo com o nome de “DEPRECIAÇÃO –RAZÃO GLOSA”. DEVOLUÇOẼS DE VENDAS 35. A apropriação de créditos sobre devolucõ̧es de vendas somente ocorre quando este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno tributado, como se depreende do art. 3° da Lei 10.833/2003: (...) 36. Para que o contribuinte possa se creditar desta devolução, os seguintes requisitos devem ser atendidos: a) que seja uma devolução de venda; Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 775 6 b) que a venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, tendo sido tributada conforme disposto na Lei respectiva contribuicã̧o. 37. Como decorren̂cia, esse cred́ito deve ser tratado a parte já que deve existir uma relacã̧o direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de crédito em mesmo montante e tipo no caso de eventual devolução desta venda. Não há, portanto, que se falar em rateio proporcional nesta rubrica. 38. Verificamos que o contribuinte distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo, incorretamente. 39. Para verificarmos a correção dos valores, segregamos dos arquivos magnéticos de notas fiscais da IN SRF 86/2001 somente as devolucõ̧es de vendas ocorridas no mercado interno (vide anexos a este processo sob o título de “DEVOLUÇOẼS DE VENDAS”) e em seguida aplicamos sobre os montantes calculados o percentual de rateio proporcional apenas das receitas do mercado interno tributadas. CRÉDITO PRESUMIDO DESCONTOS (...) 52. Pelas análises efetuadas concluímos que estão corretos os cálculos do contribuinte, que utiliza saldos suficientes de crédito presumido de períodos anteriores. CONCLUSÃO (...) 54. Considerando todo o exposto e tudo mais que no processo consta, proponho o DEFERIMENTO PARCIAL do Pedido de Ressarcimento constante do PER/DCOMP no 35066.61678.030611.1.1.086783, de LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 00.831.373/000104, referente ao saldo credor do PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA do 4° TRIMESTRE DE 2010, vinculado às receitas de exportacã̧o, no valor de R$ 504.669,06. Cientificada do despacho decisório em 11/09/2013 (fl. 529), a contribuinte apresentou manifestaca̧õ de inconformidade em 11/10/2013 (fls. 531/538), na qual, em relação à glosa de créditos utilizados como insumos alega que: · há evidente exagero na glosa de créditos utilizados como insumo, pois o auditor fiscal parte da premissa de que o direito ao desconto dos créditos está adstrito à aplicação dos bens em contato direto com os produtos resultantes do processo produtivo; · os produtos Quaternário de Amônia, Solução de Soda Cáustica e Solucã̧o Alcalina são utilizados para garantir estado de sanidade apropriado às frutas (laranja e limão) recebidas na fábrica. Após procedimentos de análise e da variedade das frutas, estas são enviadas para os silos, onde são utilizados os produtos acima referidos, para adequado armazenamento das frutas nos silos. Esse procedimento garante que as frutas armazenadas permaneçam em condições apropriadas para posterior industrialização; Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 776 7 · o bagaço de cana e óleo combustível são essenciais à cogeração de energia. Por meio da queima do bagaço de cana em caldeiras, ocorre a geração de vapor superaquecido que é enviado para uma turbina que aciona o gerador de energia, distribuindo para a fábrica. Após o acionamento da turbina o mesmo vapor também é utilizado nos controles térmicos da fábrica. No mesmo sentido, o óleo combustível e a lenha são utilizados na geração de energia; · com relaçaõ à Solucã̧o Alcoólica, Polipropileno Glicol e Amônia, estaõ ligados à etapa de resfriamento do suco produzido, bem como no resfriamento das câmaras frigoríficas (tank farm e tambores). Essa fase é essencial para que o produto final esteja em condicõ̧es hábeis de apresentação; · o gás GLP é utilizado nas empilhadeiras que fazem a elevação dos tambores onde o suco é acondicionado, para posterior comercialização; · a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de atos normativos, tem restringido indevidamente o rol de insumos para fins de desconto de créditos na apuração do PIS/Pasep no regime não cumulativo. Bens e servico̧s utilizados como insumo na fabricacã̧o de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviço são todos aqueles bens e servico̧s essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa, devendo ser entendidos todos os custos diretos ou indiretos incorridos para a produção de bens e servico̧s de produçaõ, abrangendo também outras despesas consideradas como essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa; · o Carf, por meio da 2ª Turma da 2ª Câmara decidiu no processo administrativo nº 11020.001952/200622 pelo alargamento do conceito de insumo que gera direito a créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo. Quanto à energia elétrica do período de apuração dezembro/2010, a interessada alega que o auditor fiscal não considerou todas as notas fiscais de aquisição, como, por exemplo, a nota fiscal no 483 do fornecedor Ombriras Energet, registrada sob o CNPJ 00.831.373/00295. Em relacã̧o ao aluguel de máquinas e equipamentos e ao rateio das receitas ela disse que apresentaria, no prazo de trinta dias, memórias de cálculo das diferenças, tendo em vista a dificuldade encontrada para identificar nos autos as planilhas elaboradas pelo auditor fiscal. A interessada termina sua manifestaçaõ de inconformidade requerendo, se não acolhidas suas alegações, a realização de diligência com vistas a ̀correta aferição do crédito pleiteado. Em 04/02/2014, a contribuinte apresentou complementaçaõ a sua manifestaçaõ de inconformidade (fls. 579/590), na qual, além de ratificar as alegações de sua manifestação original, alega em relaçaõ à glosa de crédito referentes a insumos que: · todos aqueles bens cuja aquisicã̧o foi considerada no cálculo do seu crédito do PIS/Pasep estão relacionados intrinsecamente com seu processo produtivo. Não é preciso grandes debates para se verificar que, por exemplo, a soluca̧õ de soda cáustica é utilizada na sanitização dos silos para garantir o adequado armazenamento das frutas adquiridas, as quais são utilizadas em seu processo produtivo; Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 777 8 · esse raciocínio vale para todos os bens adquiridos no período em questão, que foram e sempre serão utilizados no processo produtivo, ensejando, assim, o direito de considerar os respectivos custos na base de cálculo dos créditos do PIS/Pasep não cumulativo; · a fiscalizaçaõ promoveu a glosa indevida de créditos por levar em conta conceitos de insumos extraídos da legislação do IPI, assim como das Instruções Normativas SRF no 247, de 2002, e no 404, de 2004, ao desconsiderar, da base de cálculo, os montantes de R$ 1.357.486,95 no mês de outubro e R$ 410.235,17 no mês de dezembro/2010, o que, evidentemente, deve ser revisto, conforme orientação que vem sendo adotada pelo Carf, mediante diligência fiscal, a qual se prestara ́a rever, inclusive e se for o caso, o processo produtivo da requerente e a relação direta dos bens em questão dentro da sua cadeia de produção. No que tange aos créditos de aquisição de energia elétrica no período de apuração dezembro/2010, a manifestante alega que: · a divergência ocorre porque o auditor fiscal não considerou todas as notas fiscais a esse título, tal como, por exemplo, a nota fiscal de aquisição de energia elétrica no 483 (CFOP 2.252) do fornecedor Ombreiras Energética S.A, anexada aos autos. Vejase que essa nota fiscal foi emitida pelo fornecedor dentro do mês de novembro/2010, mas foi lançada dentro do mês de dezembro/2010; · ao analisar os créditos com base nos arquivos magnéticos, a fiscalização adotou como premissa o mês de emissão da nota fiscal, o que não corresponde, necessariamente, ao mês do lançamento fiscal e contábil da referida despesa. Tal fato não impede que a despesa em comento seja utilizada na apuração de créditos em dezembro/2010, pois, além de se tratar de mero dever instrumental, este não interfere em nada no reconhecimento do crédito seja em novembro, seja em dezembro; · além de a legislação de regência ser expressa no sentido de que os créditos do PIS/Pasep devem ser apurados observandose as despesas incorridas no mês – o que, de plano, demonstra a correção no lanca̧mento no Dacon no mês de assunção da despesa (dezembro de 2010) por mais que a respectiva nota fiscal tenha sido emitida no mês anterior – os referidos créditos não aproveitados em um mês, podem sêlo nos meses subsequentes, ficando, também por isso, comprovado que não será a divergência entre o mês de emissão da nota fiscal e o mês de lançamento da respectiva despesa no Dacon que impedirá o desconto de crédito; · esses fatos, por si só, justificam a conversão do julgamento do presente processo em diligência, para que se analisem os créditos aqui pleiteados de acordo com a metodologia adotada pela contribuinte, qual seja, apuração com base no mês em que a respectiva despesa foi incorrida e assumida. Quanto às glosas referentes às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, a manifestante alega que não encontrou a planilha que teria sido elaborada pelo auditor fiscal, que, se existente, denotaria os motivos que levaram à desconsideracã̧o de parte dessas despesas da base de cálculo dos créditos do PIS/Pasep, motivo pelo qual, segundo ela, mais uma vez, ficaria demonstrada a necessidade da conversão do julgamento em diligência, em prestígio aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Ela afirma ainda que, da forma como está lançada a argumentação do auditor fiscal, tornase impossível oferecer sua defesa em face da referida glosa. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 778 9 A manifestante alega ainda que o procedimento administrativo está pautado pela busca da verdade material e, no caso concreto, para que referido direito seja levado a efeito, devem ser afastadas supostas e alegadas divergências formais/procedimentais, especialmente porque está cabalmente comprovada, por exemplo, a despesa incorrida com energia elétrica, necessária ao seu processo produtivo, como demonstra a nota fiscal e planilha relativas aos lançamentos no Dacon do período em questão. Diz também que para esse direito ser levado a efeito, o auditor fiscal deve proceder à revisão de toda a documentação fiscal dela, inclusive referente a todos os insumos/serviços considerados na apuração do crédito, que são úteis e relacionados a seu processo produtivo. Com isso, reitera seu pleito de que o julgamento seja convertido em diligência. Ao final, a contribuinte, além de reiterar mais uma vez o pedido de diligência, requer que seja considerada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, solicitando ainda que, por economia processual, este processo seja analisado em conjunto com o de no 10880.916041/201338, no qual foi pleiteado ressarcimento de Cofins não cumulativa exportação, tendo em vista que se refere ao mesmo período e estão presentes as mesmas questões de direito e de fato. Conforme despacho anexado às fls. 663/664, o presente processo administrativo foi, em 15/07/2016, baixado em diligência, para que o auditor fiscal fornecesse à contribuinte as planilhas que contemplavam os valores glosados relativos às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. Ao final da diligência, o auditor fiscal, no despacho juntado à fl. 678, informa: 2. Inicialmente anexamos as planilhas fornecidas pelo contribuinte contendo a composicã̧o dos valores das bases de cálculos mensais informadas nas fichas 06A e 16A dos DACONs do 4° trimestre de 2010: a) Outubro/2010, fls. 665/668; b) Novembro/2010, fls. 670/672; c) Dezembro/2010, fls. 674/676. 3. Em seguida anexamos as planilhas contendo as glosas aplicadas por esta fiscalização, extraídas das planilhas fornecidas pelo contribuinte (item 2): a) Outubro/2010, fl. 669; b) Novembro/2010, fl. 673; c) Dezembro/2010, fl. 677 Cientificada do resultado da diligência em 02/08/2016 (fl.683), a contribuinte apresentou, em 29/08/2013 (fl. 682), a manifestação de fls. 686/689, na qual alega: 5. Ao efetuar a diligência requisitada pela DRJ, a equipe de fiscalização, apresentou seu despacho de diligência, fls. 678, por meio do qual informou às fls. em que se verificam as citadas planilhas. 6. Nesse sentido, a despeito da apresentacã̧o da relação sobre onde se deu a glosa dos valores, também não se verifica qualquer disposição sobre os motivos que levaram a d. fiscalizacã̧o a tal conclusão. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 779 10 7. Segundo se verifica dos valores em que se deram as glosas, além de constar outros elementos que não apenas locações de máquinas e equipamentos (servico̧s prestados por pessoa jurídica, locacã̧o de bem imóvel e outros), o que já demonstra, de início, parcial erro da d. fiscalizacã̧o, constam também despesas como locação de equipamentos de informática e locacã̧o de bem móvel, os quais são necessários no processo industrial da Recorrente. 8. Vejam, a locação de bem imóvel é necessária ao regular funcionamento do processo industrial da Recorrente visto que, sem referido bem, não teria as instalações necessárias para o desenvolvimento de seus processos fabris. No mesmo sentido se verifica na prestacã̧o de serviços realizada por pessoa jurídica terceira. 9. A legislação autorizativa da tomada de créditos em ponto algum veda a possibilidade de creditamento de despesas com prestacã̧o de servico̧s realizados por outra pessoa jurídica. 10. Desta forma, tendo entendido a D. fiscalização que tal despesa deve ser glosada deveria, ao menos, expor as razões que motivaram a tanto, situacã̧o não verificada in caso. 11. Com isso, inexistem razões para a glosa de tais valores, assim como, pela ausen̂cia de motivação na decisão, o cerceamento de defesa da Recorrente ainda é manifesto. 12. Assim, nesse tocante, inexistem razões para a glosa de tais valores, razão pela qual a Recorrente reitera suas razões de inconformismo. 13. De igual modo, a locação de equipamentos de informática e locação de bens móveis são despesas integralmente necessárias ao processo industrial da Recorrente. Por oportuno, vale reiterar que o processo industrial da Recorrente é quase que integralmente automatizado, se valendo de máquinas e equipamentos computadorizados para a produção de cítricos. 14. Com isso, por certo que a locação de equipamentos de informática, no que correspondente a atividade da Recorrente, implica apontar que, em verdade, se equipara a locação de máquinas do seu pátio industrial já que, sem o auxilio da informática, a industrializacã̧o da Recorrente é inerte. 15. Assim, tal como tratado com relação a despesas com prestação de serviços por terceiros e com locação de bem imóvel, a glosa de valores relativos a locação de bens móveis e equipamentos de informática também é infundada. 16. A D. Fiscalização justifica de maneira estritamente subjetiva resolve promover glosas nos valores passíveis de creditamento e se omite com relacã̧o aos motivos que a fizeram concluir pela glosa. 17. Assim, novamente, não se verificam razões que demonstrem os motivos para glosa de tais valores, razão pela qual a Recorrente reitera suas alegações expostas em sede de Manifestacã̧o de Inconformidade. 18. Desta forma, em relacã̧o às glosas mantidas pela equipe de fiscalizacã̧o, a Recorrente reitera todos os argumentos de defesa apresentados em sua Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 780 11 manifestacã̧o de inconformidade e demais manifestações apresentadas, requerendo, novamente, que esta DRJ reforme a conclusão fiscal alcanca̧da no sentido de ver reconhecida a integralidade do crédito requerido pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1677.498 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida e em análise, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. CRÉDITO. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. Gera direito a crédito na apuração do PIS/Pasep não cumulativo o aluguel de máquinas e equipamentos, desde que estes sejam utilizados nas atividades da empresa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. Não sendo essa prova produzida nos autos, indeferese o pedido e não se homologa a compensação a ele vinculada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tratase de PER/DCOMP referente a créditos na apuração da contribuição ao PIS nãocumulativo vinculados a receitas de exportação, referentes ao 4º Trimestre de 2010. A administração fiscal entendeu, bem como a DRJ, em deferir em parte o pedido de ressarcimento, homologando assim, parcialmente a compensação pleiteado pelo Contribuinte. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 781 12 A base para tal entendimento é que os bens e serviços utilizados na produção de suco de laranja não se enquadram no conceito de insumo previsto no art. 66, § 5°, I, “a”, da Instruçaõ Normativa SRF 247/2002 e art. 8°, § 4°, I, “a”, da Instruçaõ Normativa SRF 404/2004, por não exercerem ação direta sobre o produto fabricado. O Contribuinte entende que o conceito de insumo, com base na legislação acima e no entendimento de que deve exercer ação direta sobre o produto fabricado, tem restringido indevidamente a tomada de crédito referente aos insumos utilizados no sistema produtivo. Matéria essa objeto de inúmeros julgados no âmbito administrativo por este CARF, bem como, no âmbito judicial, em particular com decisões do STJ. Consoante a jurisprudência do CARF e judicial, o entendimento desta Turma, com a devida vênia a interpretações particulares e pertinentes, caminha no sentido de considerar insumos os bens e serviços essenciais envolvidos na atividade produtiva do Contribuinte de iure. Com isto posto, passarseá a análise dos insumos glosados pela administração fiscal e mantidos pela DRJ e objeto do recurso do Contribuinte. 1. Bens e serviços utilizados como insumo Assim consta no voto do acórdão ora recorrido o entendimento dos produtos – bens e serviços – considerados como insumos (fls. 714): As alegações específicas da manifestante quanto aos produtos quaternário de amônia, solução de soda cáustica, solução alcalina, bagaço de cana, óleo combustível, lenha, solução alcoólica, polipropileno glicol, amônia e GLP são todas no sentido de demonstrar que eles seriam relacionados ao seu processo produtivo. Contudo, essas alegações apenas confirmam que esses produtos não podem ser considerados como insumos, já que não agem diretamente sobre o produto em fabricação, mas dizem respeito a etapas anteriores ou posteriores à fabricação. Destarte, não há como não concluir pela correçaõ do procedimento fiscal ao glosar os créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito legal de insumo para a apuração do PIS/Pasep na sistemática não cumulativa Na Informação Fiscal (fls. 509 a 526) no que tange a aos bens e serviços utilizados como insumo, assim ficou consignado: 16. Nesse sentido, os insumos são definidos em função de sua utilização na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou seja, são os bens ou serviços efetivamente consumidos na fabricação de bens ou na prestação de serviços. 17. De acordo com a descrição do processo produtivo apresentado pelo contribuinte, onde relata os principais bens utilizados na produção do suco de laranja, observamos existirem bens aplicados na produção que, apesar de fazerem parte do seu custo, não se enquadram no conceito de insumo previsto no art. 66, § 5°, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 247/2002 e art. 8°, § 4°, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 404/2004, por não exercerem ação direta sobre o produto fabricado. Listamos os principais abaixo: “ Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 782 13 Solução de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); Graxa Food Grade (Eixos); Gás GLP (Empilhadeiras); Solução Ácida C500 (Limpeza dos Evaporadores) Ácidos; Bases; Vidrarias; Reagentes químicos diversos; Bagaço de Cana (Geração vapor e energia elétrica); Óleo Combustível (Geração vapor); Lenha; Solução Alcoólica Propileno Glicol Amônia; Cal Virgem Micropulverizada (Correção de pH); Nitrofos” 18. A fim de apurarmos a base de cálculo passível de crédito, inicialmente extraímos dos arquivo magnéticos de notas fiscais da IN SRF 86 todos os bens adquiridos para industrialização enquadrados no conceito de insumo previsto nas IN SRF 207/2002 e 404/2004, cujos montantes mensais anexamos a este processo sob o título de “INSUMOS RECONHECIDOS”. Após, excluímos desses montantes apurados os bens tributados à alíquota zero das Contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, classificados nos capítulos 31, 38.08 e 25 da NCM, os quais anexamos a este processo sob o título de “ALÍQUOTA ZERO”. Neste quesito o Contribuinte assim argumenta e fundamenta o seu pedido re reforma da decisão (fls. 744 e segtes): Neste sentido, tornase evidente não ser aplicável o entendimento de que o consumo de bens e serviços sejam apenas aqueles aplicados diretamente no processo produtivo, bastando, entretanto, que sejam considerados como essenciais à produção ou a atividade da empresa. Ora, não resta outra conclusão a não ser a que garanta a Recorrente os créditos relativos aos bens adquiridos como insumo, quais sejam: Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); Solução de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); Graxa Food Grade (Eixos); Gás GLP (Empilhadeiras); Solução ácida C500 (Limpeza dos Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 783 14 Evaporadores); Ácidos; Bases, Vidrarias; Reagentes químicos diversos; Bagaço de Cana (Geracã̧o vapor e energia elétrica); Óleo Combustível (Geracã̧o vapor); Lenha; Solução Alcoólica; Polipropileno Glicol; Amônia; Cal Virgem Micropulverizada (Correção de pH); Nitrofos. De fato, não é difícil de se perceber que o suco de laranja produzido pela Recorrente não possui em sua composição “Soda Cáustica”. Ou seja, ela não se incorpora ao produto. Porém, em uma indústria alimentícia, limpeza consiste no maior insumo consumido pelo fabricante. Por estar sujeito a inúmeras normas fitosanitárias, devendo atender a padrões de qualidade mundiais, os gastos com limpeza se tornam primordiais para garantir padrão na fabricação, qualidade do produto e atendimento à legislaca̧õ vigente. Para efetuar a limpeza, a “Solução de Soda Cáustica” se mostra primordial. E não só ela, como vários outros insumos listados pela D. Fiscalização. Obviamente não é só na limpeza que os gastos são efetuados. Outros dispêndios elencados são extremamente necessários para a atividade da Recorrente e foram glosados pela D. Fiscalizaca̧õ em sua análise cega dos insumos consumidos. Salientese que, quando indagada, a Requerente apresentou à D. Fiscalização documento contendo análise perfunctória de todos os insumos utilizados e a sua aplicação no processo produtivo. No entanto a D. Fiscalizaçaõ passou ao largo deste documento. Assim, solicita a Requerente que o descritivo de seu processo produtivo (fls 275 a 285) seja analisado corretamente, a fim de comprovar que cada um dos itens da listagem acima é utilizado diretamente no processo produtivo da Recorrente, não correspondendo a outros dispêndios que não deveriam ser tratados como insumos, como quis bem entender a D. Fiscalizaçaõ. Conforme se verifica da leitura do descritivo do processo produtivo (não contestado em momento algum pela D. Fiscalizaçaõ, digase de passagem), os itens que deram ensejo à glosa de crédito estão ali categorizados ipsis literis, sendo certo que a glosa somente foi efetuada tendo em vista à análise rasa que a D. Fiscalizaca̧õ faz da legislação, da mesma forma como manifestado no v. Acórdão a quo. Resta claro pelo confronto entre cada um dos itens com a sua destinaca̧õ que eles necessariamente se enquadram no conceito de insumo atualmente pacificado na jurispruden̂cia judicial e administrativa existente, uma vez que essenciais para a atividade da Recorrente. Desta feita, não resta outra conclusão se não a de que o v. Acórdão recorrido é insubsistente, não devendo ser mantida a glosa dos créditos referentes a bens e utilizados como insumos. Com a devida vênia ao entendimento da autoridade administrativa, bem como da DRJ, entendo que Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); Solução de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); Graxa Food Grade (Eixos); Gás GLP (Empilhadeiras); Solução ácida C500 (Limpeza dos Evaporadores); Ácidos; Bases, Vidrarias; Reagentes químicos diversos; Bagaço de Cana (Geração vapor e energia elétrica); Óleo Combustível (Geração vapor); Lenha; Solução Alcoólica; Polipropileno Glicol; Amônia; Cal Virgem Micropulverizada Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 784 15 (Correção de pH); e, Nitrofos, são, de acordo com o demonstrado de forma técnica (fls. 217 e seguintes), essenciais no processo produtivo desenvolvido pelo Contribuinte de iure, desde que não sujeitos a alíquota zero. Portanto, neste quesito, voto por dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte e afastar as glosas em relação aos bens e serviços acima descritos que não foram submetidos a alíquota zero. 2. Energia Elétrica Em relação a energia elétrica o Contribuinte alega em seu recurso que deve ser revertida a glosa efetuada, nestes termos: II.2 DA EXCLUSÃO DE VALORES REFERENTES A DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA No que se refere à exclusão da linha de despesas com energia elétrica, os r. Julgadores destacaram que “a manifestante alega que o auditor fiscal não teria considerado todas as notas fiscais a este título e dá como exemplo a de n. 483 do fornecedor Ombreiras Energética S.A. anexada à fl. 656 doas autos, a qual foi emitida em novembro/2010”, contudo, como “foi emitida em novembro/2010, a respectiva despesa tem que ser considerada dessa competência, e não dezembro/2010, como alega ter feito a interessada” e aplicou o mesmo entendimento para às demais notas, afirmando, ainda que a Recorrente não teria comprovado a contabilização das notas no mês de pagamento. Ocorre que, mesmo que o crédito referente às notas fiscais lanca̧das no mês de pagamento fosse desconsiderado para esta competen̂cia, o respectivo montante deve ser, por óbvio, considerado no mês de emissão das respectivas notas. Para esclarecimento da questão, a Recorrente juntará, nos próximos dias, a comprovação da contabilização das notas fiscais no mês de pagamento das notas. Sobre o entendimento de que se a Recorrente teria que efetuar a retificaca̧õ do crédito nos DACONS do período de emissão e de pagamento das notas para fazer jus ao crédito, a Recorrente ressalta que tal procedimento não está previsto na legislação que rege o aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS e COFINS. Frisese: mesmo que se entenda que o crédito em comento é extemporâneo, o que se alega apenas por amor ao debate, a legislacã̧o aplicável (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e Decreto nº 20.910/32) não prevê em nenhum momento que tal procedimento deve ser adotado pelo contribuinte para a apropriação “extemporânea” dos créditos de PIS e de COFINS, mas tão somente que deve ser obedecido o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a apropriaçaõ dos créditos e que é vedada a atualizaçaõ monetária dos créditos quando da sua apropriação. Ou seja, não há como se negar o direito ao crédito de energia elétrica do 4º trimestre de 2010, pelo que a Recorrente requer o ressarcimento integral do montante discutido neste item. Na Informação Fiscal assim constou acerca dos procedimentos referentes a energia elétrica (fls. 516): ENERGIA ELÉTRICA Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 785 16 25. Extraímos dos arquivos magnéticos de notas fiscais da IN SRF 86/2001 os valores mensais das faturas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e encontramos no mês de dezembro de 2010 um valor inferior ao informado no respectivo DACON do mês. Assim sendo, consideramos como passível de crédito o montante existente nos arquivos magnéticos, cujos totais se encontram anexos a este processo pela planilha “Energia Elétrica”. Com a devida consideração aos argumentos do Contribuinte, entendo que a este não assiste razão. Cito trechos do voto do acórdão ora recorrido para bem esclarecer o entendimento e como razões para decidir: Com relação às despesas de energia elétrica, a manifestante alega que o auditor fiscal não teria considerado todas as notas fiscais a esse título, e dá como exemplo a de nº 483 do fornecedor Ombreiras Energética S.A. anexada à fl. 656 dos autos, a qual foi emitida em novembro/2010, mas teria sido lançada somente dezembro/2010. Segundo ela, o mês de emissão da nota fiscal não corresponde necessariamente ao mês do lançamento fiscal e contab́il da despesa. O art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relacã̧o a: (...) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 – grifo acrescido) A primeira consideração a ser feita é sobre o termo "incorridos". Ao contrário do que parece crer a contribuinte, esse termo tem relaca̧õ com a competência em que a obrigação correspondente ocorre. Noutras palavras, devese considerar como despesa incorrida num determinado período de apuração aquela cuja obrigação correspondente nasce nesse período, tenha ou não sido paga. Nesse sentido, vale citar aqui o Parecer Normativo CST no 58, de 1977: 7. Tais despesas, se pagas no próprio exercício em que nasceram as respectivas obrigacõ̧es, são tranqüilamente computáveis nesse mesmo exercício, e somente nele. São as despesas pagas, a que se refere o citado § 1o do artigo 162 do RIR/75. Despesas incorridas, de acordo com o mesmo dispositivo legal, e obrigatoriamente computadas como as pagas, são aquelas que, embora nascida a obrigação correspondente, o momento ajustado para pagálas, ou seu vencimento, ou circunstância qualquer, determinam que o respectivo pagamento venha a ocorrer em exercício subsequente. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 786 17 Dessa forma, como a citada nota fiscal nº 483 do fornecedor Ombreiras Energética S.A. foi emitida em novembro/2010 a respectiva despesa tem que ser considerada dessa competen̂cia, e não de dezembro/2010, como alega ter feito a interessada. Por essa razão, correto o procedimento do auditor fiscal ao extrair dos arquivos magnéticos os valores das notas fiscais consumidas em cada período de apuraca̧õ, considerando apenas estes como geradores de crédito a título de energia elétrica para apuração do ressarcimento pleiteado. Por outro lado, os documentos juntados aos autos pela manifestante nem ao menos comprovam que de fato ela teria contabilizado em dezembro/2010 essa nota fiscal ou outras emitidas em novembro/2010. E mesmo que ela tivesse realmente se equivocado nessa contabilização, deveria então ter retificado a apuração de seus créditos no Dacon, para fazer jus ao crédito. Vale destacar ainda que o ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é sempre da interessada. Não sendo essa prova produzida nos autos, só resta indeferir o pleito e não homologar eventuais compensações a ele vinculadas. Ademais, de acordo com o procedimento do auditor fiscal, se de fato a contribuinte fez a contabilização da forma equivocada que alega, os valores de energia elétrica indevidamente por ela considerados em dezembro/2010 já teriam então sido computados nos cálculos do auditor fiscal em novembro/2010. Por tudo isso, não há como acatar também essa alegaçaõ da manifestante. Desta forma, considerando que o Contribuinte, como constou em seu recurso,de que “juntará, nos próximos dias, a comprovação da contabilização das notas fiscais no mês de pagamento das notas, o que não o fez, e considerando também de que na Informação Fiscal foi considerado passível de crédito o montante existente nos arquivos magnéticos e que cujos totais se encontram anexos a este processo pela planilha “Energia Elétrica”, voto por negar provimento no que tange ao crédito referente as despesas de energia elétrica. 3. Aluguéis de Máquinas e Equipamentos As despesas com aluguéis de máquina e equipamentos foram glosadas, pois se entendeu que não se tratava de despesas a estas vinculadas. Assim tratou o Contribuinte para requerer a glosa neste ponto efetuada: (...) • Aluguéis de Máquinas e Equipamentos: Foram glosados créditos para os quais se entendeu não se tratarem de aluguel de máquinas e equipamentos, tais como os créditos relacionados a despesas com serviço de instalação e montagem; serviço dedetização; serviço fotocópia; serviço agrícola, serviço de fornecimento de mão de obra de caráter temporário. O entendimento foi o de que a própria Recorrente pode ser e equivocado ao contabilizar tais valores e deduzilos indevidamente como crédito decorrente de despesas com aluguel de maquinas e equipamentos; (...) II.3 – DA EXCLUSÃO DE VALORES REFERENTES A DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 787 18 Por não se conformar com a glosa do item ora em análise, a Recorrente apresentou, de forma tempestiva, sua manifestação de inconformidade, desenvolvendo, assim, suas razões de inconformismo. Ao analisar suas razões, a 6a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo houve por bem determinar o retorno dos autos à equipe de fiscalização para realizar diligência para que fosse fornecido ao contribuinte as planilhas que contemplem os valores glosados relativos às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. Ao efetuar a diligência requisitada pela DRJ, a equipe de fiscalização, apresentou seu despacho de diligência, por meio do qual informou às fls. em que se verificam as citadas planilhas. Nesse sentido, a despeito da apresentaçaõ da relação sobre onde se deu a glosa dos valores, também não se verifica qualquer disposição sobre os motivos que levaram a d. fiscalização a tal conclusão, nem tampouco, os itens sobre os quais o crédito foi glosado. Segundo se verifica dos valores em que se deram as glosas, além de constar outros elementos que não apenas locações de máquinas e equipamentos (serviços prestados por pessoa jurídica, locação de bem imóvel e outros), constam também despesas como locação de equipamentos de informática e locacã̧o de bem móvel, os quais são necessários no processo industrial da Recorrente. (...) Ocorre que, como é de conhecimento, a locacã̧o de equipamentos de informática e locação de bens móveis são despesas integralmente necessárias ao processo industrial da Recorrente. Por oportuno, vale reiterar que o processo industrial da Recorrente é quase que integralmente automatizado, se valendo de máquinas e equipamentos computadorizados para a produçaõ de cítricos. Com isso, por certo que a locação de equipamentos de informática, no que correspondente a atividade da Recorrente, implica apontar que, em verdade, se equipara a locaçaõ de máquinas do seu pátio industrial já que, sem o auxílio da informática, a industrialização da Recorrente é inerte. Assim, a glosa de valores relativos à locacã̧o de bens móveis e equipamentos de informática também é infundada. A Recorrente estranhou os itens indicados acima, pois, em momento algum tomou créditos de serviços na rubrica referente ao aluguel de máquinas e equipamentos. Para que não restem dúvidas, serão juntadas, nos próximos dias, planilha com o razão das contas mencionadas e notas fiscais por amostragem, comprovando que a contabilização pode (até) ter sido nomeada de forma equivocada, contudo, efetivamente se tratam de aluguéis de máquinas e equipamentos. Desta forma, em relação às glosas mantidas, a Recorrente reitera todos os argumentos de defesa apresentados em sua manifestaçaõ de inconformidade e demais manifestações apresentadas, requerendo, novamente, a reforma do v. Acórdão a quo, no sentido de ver reconhecida a integralidade do crédito requerido. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 788 19 Na Informação Fiscal esclarece o motivo da glosa de aluguéis de máquinas e equipamentos de forma precisa (fls. 517 e 518): 27. Na sistemática da não cumulatividade, podem ser descontados créditos em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa. 28. Na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte confirmamos que os montantes informados na rubrica dos DACONs tiveram como base os saldos mensais das contas contábeis “48102008 Aluguel de Equipamentos” e “48121003 Alug.de Equipamentos”. Porém, analisandose o Livro Razão, identificamos despesas escrituradas nessas contas cuja natureza da despesa descrita impossibilita o enquadramento como aluguéis de máquinas e equipamentos, os quais transcrevemos os principais abaixo “ SERVICO DE INSTALACAO E MONTAGEM; SERVICO DEDETIZACAO; SERVICO FOTOCOPIA; SERVICO LOCACAO BEM IMOVEL; SERVICO LOCACAO BEM MOVEL; SERVICO LOCACAO BEM MOVEL DESPESA;” 29. Anexamos a este processo sob o título de “ALUGUÉIS MÁQ E EQPTO – RAZÃO GLOSA” os valores das glosas mensais extraídos do Livro Razão. De acordo com esse entendimento, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: Quanto às glosas referentes às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, a primeira alegaçaõ da manifestante é que não teria encontrado a planilha que teria sido elaborada pelo auditor fiscal. Essa falta foi suprida na diligência, tendo o auditor fiscal informado: 2. Inicialmente anexamos as planilhas fornecidas pelo contribuinte contendo a composicã̧o dos valores das bases de cálculos mensais informadas nas fichas 06A e 16A dos DACONs do 4° trimestre de 2010: a) Outubro/2010, fls. 665/668; b) Novembro/2010, fls. 670/672; c) Dezembro/2010, fls. 674/676. 3. Em seguida anexamos as planilhas contendo as glosas aplicadas por esta fiscalização, extraídas das planilhas fornecidas pelo contribuinte (item 2): a) Outubro/2010, fl. 669; b) Novembro/2010, fl. 673; Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 789 20 c) Dezembro/2010, fl. 677 Além disso, o motivo da glosa efetuada está descrito pelo auditor na Informação Fiscal, ou seja, o fato de a natureza das despesas glosadas impossibilitarem o enquadramento como aluguéis de máquinas e equipamentos, por não serem estes utilizados nas atividades da empresa (fl. 516/517): 26. Na sistemática da não cumulatividade, podem ser descontados créditos em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa. 27. Na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte confirmamos que os montantes informados na rubrica dos DACONs tiveram como base os saldos mensais das contas contábeis “48102008 Aluguel de Equipamentos” e “48121003 Alug. de Equipamentos”. Porém, analisandose o Livro Razão, identificamos despesas escrituradas nessas contas cuja natureza da despesa descrita impossibilita o enquadramento como aluguéis de máquinas e equipamentos, os quais transcrevemos os principais abaixo (...) [grifos acrescidos] Portanto, não há que se falar em impedimento ao exercício do direito ao contraditório ou em cerceamento de defesa. De outra parte, a análise das descrições das despesas discriminadas nos relatórios juntados às fls. 669, 673 e 677 realmente não permite concluir que as locações glosadas seriam de máquinas e equipamentos utilizados na empresa. Aliás, algumas despesas ali incluídas nem ao menos se referem a aluguéis de máquinas e equipamentos. São elas referentes a serviço de dedetização, servico̧ de fotocópia, servico̧ prestado por pessoa jurídica, caixa pequeno, "Rec. Conf. Solicitacã̧o 11/2010", "Rec. Dolar 11/2010", serviço de instalação e montagem, "Rec. Conf. Solicitação 12/2010" e "Rec. Dolar 12/2010". Observese que, como se verifica no trecho da Informação Fiscal acima transcrito, o que o auditor fez foi tomar os dados utilizados pela contribuinte na rubrica própria do Dacon, que tiveram por base os saldos mensais das contas contábeis “48102008 Aluguel de Equipamentos” e “48121003 Alug.de Equipamentos”. A partir do Razão dessas contas contábeis, foram identificados os lançamentos que naõ se caracterizam como aluguel de máquinas e equipamentos. Logo, se houve erro, foi da contribuinte ao contabilizar tais valores equivocadamente e deduzilos indevidamente como crédito decorrente de despesas com aluguel de máquinas e equipamentos. Com isso, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte, mantendo a glosa efetuada pela administração fiscal no que tange as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. Conclusão Considerando os autos do processo e da legislação aplicável, voto por dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte para manter as glosas no que tange à energia elétrica e alugueis de máquinas e equipamentos e por afastar as glosas no que diz respeito aos bens e serviços de Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); Solução de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); Graxa Food Grade (Eixos); Gás GLP (Empilhadeiras); Solução ácida C500 Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10880.916040/201393 Acórdão n.º 3301006.135 S3C3T1 Fl. 790 21 (Limpeza dos Evaporadores); Ácidos; Bases, Vidrarias; Reagentes químicos diversos; Bagaço de Cana (Geração vapor e energia elétrica); Óleo Combustível (Geração vapor); Lenha; Solução Alcoólica; Polipropileno Glicol; Amônia; Cal Virgem Micropulverizada (Correção de pH); Nitrofos, que não foram sujeitos a alíquota zero. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909855/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica.
O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação.
A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-006.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (Recuperação de despesas), 7193000605 (Recuperação de despesas) e 7193000606 (Recuperação de multa). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação. A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (Recuperação de despesas), 7193000605 (Recuperação de despesas) e 7193000606 (Recuperação de multa). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade prestase exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação. A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 98 55 /2 01 1- 10 Fl. 188DF CARF MF 2 A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, incluise no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (“Recuperação de despesas”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”) e 7193000606 (“Recuperação de multa”). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: PORTOBENS ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10850.909855/201110 Acórdão n.º 3402006.700 S3C4T2 Fl. 197 3 Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10850721148201195, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 109 e seguintes do “processo principal” transmitida em 28/11/2008 que se refere ao recolhimento da Cofins relativo ao período de apuração de novembro/2004. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 462 e seguintes do “processo principal”, proferido em 14/6/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os preceitos e disposições da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 287 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art.65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para Fl. 190DF CARF MF 4 verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10850.909855/201110 Acórdão n.º 3402006.700 S3C4T2 Fl. 198 5 Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de repercussão geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário (Carlos Daniel), neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é recorrente aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. No caso concreto, o processo de pedido de compensação formulado pelo contribuinte, por meio de PER/DCOMPs, não foi homologado pela DRF SÃO JOSÉ DO RIO PRETO porque foi constatado que inexistia crédito disponível suficiente relativo ao DARF indicado e visto que todo o valor estaria alocado para extinguir débitos declarados na DCTF apresentada, conforme o constante do despacho decisório em anexo. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas e livro Diário que indicam, supostamente, a existência de receitas estranhas ao conceito de faturamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da Fl. 192DF CARF MF 6 natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente, que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS) por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu o Auditor Fiscal que o contribuinte concorda que devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS e do PIS as receitas referentes ao recebimento das taxas de inscrição e taxas de administração, porém, de forma divergente ao entendido pela Recorrente, afirma que nas rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis abaixo indicadas deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das referidas contribuições: Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo aquelas receitas financeiras e estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse a COFINS a pagar apurado na diligência do período de apuração de 31/07/2001 em confronto com o pagamento do período informado na Perdcomp, obtendose o valor recolhido a maior, conforme planilha juntada nas fls. 163. Por fim, apurou na mesma planilha o valor do crédito reconhecido em cada Perdcomp constante do processo em epígrafe, limitandose o reconhecimento do crédito até o valor pedido. Preliminarmente, cabe esclarecer que, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, as turmas colegiadas do CARF têm expressado o seguinte entendimento sobre essa questão, ao qual concordo: Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10850.909855/201110 Acórdão n.º 3402006.700 S3C4T2 Fl. 199 7 da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). No mérito, a Recorrente se insurge contra a inclusão das receitas constantes na tabela anteriormente indicada na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, pois, no seu entender, tais receitas são estranhas ao conceito de faturamento, não estando de acordo com o julgado do STF no RE 585.235/MG. Ressalta que, no referido Recurso Extraordinário, o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecido como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, conclui ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, notadamente os valores registrados nas contas contábeis: n. 7193000602 – “Ressarcimento desp. legais judiciais”; n. 7193000603 – “Recuperação de despesas”; n. 7193000605 – “Recuperação de despesas”; n. 7193000606 – “Recuperação de multa”; e n. 7193000607 – “Receitas Diversas”. Temse o alcance do termo faturamento ou receita bruta como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante assentado no RE nº 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Fl. 194DF CARF MF 8 Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso, Relator" No voto, o Ministro Cezar Peluso deixou consignado que: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (negrito nosso) Nesse passo, cabe a este Colegiado decidir se as rubricas contábeis citadas guardam identidade com o conceito de faturamento, entendido este como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, em sintonia com o assentado no RE nº 585.2351/MG. Inicialmente, oportuno fazer algumas considerações sobre a natureza jurídica das recuperações de despesas/custos, pois a Recorrente argui que essas rubricas contábeis sequer possuem natureza de receitas. Entendo que o conceito mais adequado para receita é como o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, diversamente ao argumentado pela Recorrente, entendo que as recuperações de custos/despesas são conceitualmente receitas, devendo compor o faturamento ou receita bruta, e sua exclusão da base de cálculo da base de cálculo das contribuições deveria ser veiculada em lei, o que não se identifica na legislação vigente. Confirmando esta natureza, transcrevo o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (negrito nosso) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10850.909855/201110 Acórdão n.º 3402006.700 S3C4T2 Fl. 200 9 Dessa forma, no caso ora analisado, o fato da Recorrente aduzir que algumas das rubricas contábeis consideradas pela Fiscalização têm natureza de redução de custos/despesa, isso não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso III do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964. Nesse mesmo sentido, há decisão do CARF caracterizando como receita a recuperação de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302003.653, cuja ementa transcrevese a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. (Acórdão nº 3302003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) No presente caso, observase que todos os valores recebidos à título de recuperação de custos/despesas estão acordados em contrato padrão, abaixo reproduzido, e integram os valores pagos habitualmente à Recorrente pelos consorciados. Além disso, como bem pontuado pela Autoridade Fiscal, as administradoras de consórcios tem como receita principal a taxa de administração, mas podem também receber outros valores, desde que previstos nos contratos de adesão, inclusive recuperação de custos/despesas, multas e juros moratórios pagos pelos consorciados no caso de atraso nos pagamentos das parcelas contratadas. Em conseqüência, tais valores devem ser considerados receitas operacionais pois são habituais e típicos do negócio desenvolvido pela empresa. Abaixo, transcrevese cláusula do contrato social do contribuinte, que denota o seu objeto social, bem como, é reproduzido parcialmente o contrato padrão utilizado nos negócios do contribuinte no período analisado: Contrato Social Contrato Padrão de Negócios Fl. 196DF CARF MF 10 Dessa forma, mesmo que se afaste o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, julgado inconstitucional na sistemática dos repetitivos no RE nº 585.2351/MG, ainda assim os valores registrados nas rubricas contábeis aqui discutidas integram o faturamento da empresa, entendido este como "a soma das receitas provenientes das atividades empresariais". Ademais, para aqueles que entendem, em tese, que recuperação de custos/despesas não têm natureza jurídica de receita, oportuno aqui esclarecer que nos autos não restou comprovada esta natureza (recuperação custo/despesa) dos valores ora discutidos. O Contribuinte não demonstrou, por meio de documentos, a existência de correspondência direta entre os custos/despesas de incorridos e os reembolsos recebidos pela Empresa. Assim, as argumentações teóricas sobre o tema expostas pela Recorrente não vieram lastreadas por documentos comprobatórios suficientes, tais como as planilhas de custos/despesas incorridos em correspondência com os valores recebidos. Como se sabe, o momento adequado para apresentação da prova documental pela empresa é na impugnação, precluindo o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual, a menos em caso de impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, ou se refira a direito ou fato superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (§4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, inserido pela Lei n.° 9.532/97) , situações essas que não foram identificadas no presente processo. Por fim, tendo em vista que todas as Perdcomps do processo foram apresentadas dentro do interstício de 5(cinco)anos da data dos pagamentos, não foi observada a ocorrência de prescrição. Dessa feita, deve ser reconhecida a existência parcial de direito creditório da Recorrente do período de apuração de 31/07/2001, na forma indicada no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA COFINS e do valor do CRÉDITO PASSÍVEL DE RECONHECIMENTO elaborada pela fiscalização, constante do campo crédito reconhecido (fls. 163), devendo compor a base de cálculo da contribuição as contas abaixo relacionadas, conforme consta na Informação Fiscal (fls. 164 a 168): 7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.909855/201110 Acórdão n.º 3402006.700 S3C4T2 Fl. 201 11 7193000602 RESSARC DESP LEGAIS JUDIC 7193000603 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTA 7193000607 RECEITAS DIVERSAS Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, manifestei interesse em apresentar declaração de voto para elucidar as questões pelas quais entendo que o provimento parcial do recurso voluntário deveria ser concedido em maior extensão, para abranger as parcelas que não se enquadram no conceito de faturamento. Não obstante o I. Relator tenha buscado diferenciar os conceitos de receita e faturamento, entendo que estes conceitos ficaram mesclados em seu voto, com todo respeito. Importante, com isso, traçar uma distinção entre os conceitos de receita e faturamento.1 Como é assente, com a edição da Lei 9.718/98 e a indicação pelo legislador ordinário de que o faturamento ou receita bruta da pessoa jurídica corresponderia à “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98), foi instaurada uma extensa discussão na doutrina e na jurisprudência quanto ao conceito de faturamento indicado, à época, no art. 195, I, da CF/88, em sua redação originária, como materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias. Essa discussão ganhou ainda maior relevância com a publicação, em dezembro de 1998, da EC 20/98, pela qual foi alterada a redação do art. 195, I, CF/88 para indicar, além do faturamento, o termo receita como uma materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias no art. 195, I, ‘b’, CF/88. 1 Para maiores considerações, na seara doutrinária, vide: DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Receita como elemento de incidência do PIS e da COFINS: conceito jurídico x conceito contábil. In: MURICI, Gustavo Lanna; CARDOSO, Oscar Valente; RODRIGUES, Raphael Silva. (Org.). Estudos de direito processual e tributário em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Plácido, 2018, p. 841861. Fl. 198DF CARF MF 12 O conceito constitucional de faturamento incorporado pelo texto constitucional, depreendido do DecretoLei 2.397/87 ao definir a base de cálculo do extinto FINSOCIAL é o produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços auferidos pelas pessoas jurídicas. 2 Esse foi o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 346.084, um dos primeiros precedentes quanto à inconstitucionalidade do mencionado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, segundo o qual o conceito de faturamento, sinônimo de receita bruta, não pode ser considerado como todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica referindo se, apenas, “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”3. Posteriormente, especialmente em função da discussão envolvendo o faturamento das instituições financeiras, a expressão “totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços” passou a ser indicada na jurisprudência como “a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”4, ou seja, aquelas auferidas exclusivamente no exercício de seu objeto social. Vejase que, ao contrário do que pretende aduzir o relator em seu voto, o exercício da atividade empresarial deve guardar relevância com o objeto social da pessoa jurídica para se enquadrar no conceito de faturamento. Essa necessária correspondência com o exercício da atividade social da pessoa jurídica é depreendida, inclusive, do conceito legislativo de receita bruta introduzido pela Lei n.º 12.973/2014 que alterou o art. 12 do DecretoLei no 1.598/19775, indicando que a receita bruta é aquela auferia pela pessoa jurídica no exercício do objeto social principal, dentre as quais aquelas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, bem como as receitas auferidas em função da realização de operações de conta alheia.6 As polêmicas em torno do conceito de faturamento foram igualmente relevantes para sedimentar o conceito de receita indicado no texto constitucional, tomado como o gênero no qual se inclui o faturamento, abrangendo todos os valores recebidos, a qualquer título, pela pessoa jurídica7. Assim, os conceitos de receita e faturamento não se confundem. A manifestação de José Souto Maior Borges traz uma clara distinção entre os dois conceitos: 2 Conforme: LEÃO, Martha Toribio. A incidência das contribuições sociais sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 214, p. 97, jul. 2013. ÁVILA, Humberto. Contribuição social sobre o faturamento. Cofins. Base de cálculo. Distinção entre receita e faturamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 107, p. 104, ago. 2004. 3 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. 4 BRASIL. STF. Agravo Regimental no RE 371258, Relator Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27/10/2006. E ainda, BRASIL, STF. Agravo Regimental no RE 816363, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 05/08/2014, Pulicado em 15/08/2014. 5 “Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III.” 6 Sem adentrar nos pormenores desta inovação legislativa, o conceito constitucional de faturamento, vigente à época da promulgação da Constituição, não pode ser alterado por legislação infraconstitucional, qual seja, a soma das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Dentre outros, é criticável a previsão do art. 12, §5º, DecretoLei no 1.598/1977, que extrapolou o conceito constitucional de receita ao exigir a inclusão dos tributos sobre ela incidentes. Sobre o tema vide SANTOS, Ramon Tomazela. Notas sobre a ampliação do conceito de receita bruta pela Lei n.º 12.973/2014 e as receitas financeiras das instituições financeiras e sociedades seguradoras. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 228, p. 136154, set. 2014. 7 BRASIL, STF. RE 474132, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 12/08/2010, publicado em 30/11/2010. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.909855/201110 Acórdão n.º 3402006.700 S3C4T2 Fl. 202 13 “Faturamento e receita são pois conceitos inconfundíveis. O faturamento é um mero instrumento formal de segurança nas relações jurídicomercantis (atesta uma compra e venda ou serviço prestado). Mas a receita (totalidade dos ingressos) pode decorrer de operações não faturáveis pela empresa [...]. Tratase, pois da relação de implicação dogmática entre o gênero (todas as receitas da empresa) e a espécie (o faturamento). Faturáveis são apenas os ingressos vinculados a compra e venda mercantil e serviços prestados pelas empresas”8. Uma vez que o presente processo se refere à análise da Lei n. 9.718/98, necessário avaliar se as parcelas discutidas pelo sujeito passivo se enquadram no conceito de faturamento, e não de receita. Atentandose para as parcelas em discussão relacionadas ao ressarcimento de custos e despesas incorridas com terceiros junto aos consorciados (“Ressarcimento desp. legais judiciais”, “Ressarcimento vendas de cotas”; “Recuperação de despesas”), elas igualmente não se enquadram no conceito de faturamento, não decorrendo do exercício do objeto social da pessoa jurídica. Como elucidado na diligência fiscal realizada, esses valores se apresentam como verdadeiros reembolsos arcados pela pessoa jurídica, não configurando como receita própria de sua atividade. Tratamse de valores de titularidade de terceiro, arcada pela pessoa jurídica para repassar integralmente aos seus consorciados. Não se tratando de receita própria, essas contas contábeis não representam seja faturamento seja receita da pessoa jurídica. Não correspondem, por conseguinte, à “aquisição de direito novo”, como evidenciado no acórdão 3802001.868, de 23/07/2013: “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (grifei) Da mesma forma, as contas relacionadas à “Recuperação de multas” igualmente não refletem o exercício da atividade principal da pessoa jurídica, tratandose de receita de natureza financeira aferida em razão do descumprimento dos contratos. O objetivo social do Consórcio é remunerado pela taxa de administração, sendo que o recebimento de multas pelo descumprimento do contrato não é um objetivo por ela vislumbrado. 8 BORGES, José Souto Maior. As contribuições sociais (PIS/Cofins) e a jurisprudência do STF. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 118, p. 80, jul. 2005. Fl. 200DF CARF MF 14 Por fim, insta frisar que acompanho o relator quanto às contas contábeis 7193000606 “Receitas Diversas” em razão da ausência de provas para confirmar a natureza das receitas aferidas. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário em maior extensão, para afastar da base de cálculo das contribuições as contas às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (“Recuperação de despesas”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”) e 7193000606 (“Recuperação de multa”), e garantir o direito de crédito da contribuição equivalente, quanto às parcelas excluídas, relativas às contas indicadas no resultado deste julgamento. É como declaro meu voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001427/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROCEDÊNCIA.
São passíveis de dedução da base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas relativas ao próprio contribuinte e a seus dependentes nela informados.
Na falta de comprovação hábil e idônea da prestação dos serviços e do efetivo pagamento ao profissional habilitado, mantém-se a glosa das despesas.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL DE RETENÇÃO. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Não comprovada a retenção do imposto de renda na fonte no valor indicado na Declaração de Ajuste Anual, resta caracterizada compensação indevida, ainda que parcial.
Numero da decisão: 2402-007.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROCEDÊNCIA. São passíveis de dedução da base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas relativas ao próprio contribuinte e a seus dependentes nela informados. Na falta de comprovação hábil e idônea da prestação dos serviços e do efetivo pagamento ao profissional habilitado, mantémse a glosa das despesas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL DE RETENÇÃO. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Não comprovada a retenção do imposto de renda na fonte no valor indicado na Declaração de Ajuste Anual, resta caracterizada compensação indevida, ainda que parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 14 27 /2 00 7- 99 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11543.001427/200799 Acórdão n.º 2402007.354 S2C4T2 Fl. 72 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 56/57) em face do Acórdão n. 03 32.270 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB (efls. 46/50), que julgou parcialmente procedente a impugnação (efls. 02/04), apresentada em 15/06/2007, mantendo em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 18/05/2007 (efl. 41) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2005/607450162734063 no total de R$ 10.703,12 (efls. 05/09) com fulcro em dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado do teor do Acórdão n. 0332.270 em 23/11/2009 (efl. 55), o impugnante, agora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário na data de 21/12/2009 alegando, em linhas gerais, a improcedência daS acusações fiscais em virtude de comprovação. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele conheço. Ao apreciar a impugnação, a instância de piso assim manifestou: [...] Relativamente à glosa do valor R$ de 151,99 resultante da diferença entre o valor informado na Declaração de Imposto de Renda Retido na FonteDIRF e o valor informado no comprovante de rendimentos, verificase que a Sociedade Educacional do Espírito Santo entregou em 07/02/2008 ( fl. 43) uma DIRF retificadora informando como rendimento pago a Carlos Simões Fonseca o valor de R$ 42.748,59 e como imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 5.363,86. Como se trata de declaração retificadora entregue em data posterior à do comprovante de rendimentos, oriento meu voto no sentido de manter a glosa do referido valor utilizado para compensação do imposto devido. [...] Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11543.001427/200799 Acórdão n.º 2402007.354 S2C4T2 Fl. 73 3 Analisando os recibos de pagamentos constantes de fls 10 a 17, observase que não atendem aos requisitos do inciso II e III do parágrafo 2° acima, não se revestindo, das formalidades capazes de assegurar a sua legitimidade, não podendo, pois, ser aceitos como comprovantes das despesas neles indicadas. Os referidos recibos apenas provam que houve pagamento do impugnante aos beneficiários neles citados, sem indicar relação desses pagamentos com tratamento médico ou odontológico do defendente (ou dependente), condição essa exigida pelo inciso II do parágrafo 2° do art 8° da lei acima transcrita, ou seja, os serviços devem ser prestados ao contribuinte ou seus dependentes, o que não está especificado no comprovante, motivo pelo qual mantémse a glosa dos valores de R$ 450,00 pago a Patrícia Rocon Biachi e de R$ 150,00 pago a Vera Lúcia F. Vieira. No que tange aos recibos de pagamentos ao beneficiário Eduardo Gómez Perez, preocupouse o impugnante em atender ao requisito da especificação, anexando à fl.8, declaração do beneficiário em que comprova que os serviços foram prestados à própria pessoa que arcou com as despesas. Relativamente à dedução de R$ 860,00, mantémse a glosa por não haver qualquer comprovante da despesa, bem como ter sido declarado pelo próprio impugnante que foi uma dedução indevida. Assim sendo, VOTO pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, cujos novos cálculos são a seguir demonstrados: [...] De plano, verificase a procedência da glosa de IRRF no valor de R$ 151,99, vez que resta comprovada, mediante DIRF retificadora emitida em 07/02/2008 pela fonte pagadora SOCIEDADE EDUCACIONAL DO ESPÍRITO SANTO CNPJ 27.067.651/0001 55 retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 5.363,86 em face de rendimentos tributáveis de R$ 42.748,59 (efl. 45). Quanto às deduções de despesas médicas, não merece reparo a decisão recorrida, razão pela qual a confirmo e a adoto pelas razões de decidir, vez que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância (art.57, § 3°., do RICARF). Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900007/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratando-se de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9303-008.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratando-se de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratandose de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 00 07 /2 00 9- 11 Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10680.900007/200911 Acórdão n.º 9303008.455 CSRFT3 Fl. 525 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 475 a 484), contra o Acórdão 3403002.014, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 461 a 468), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 FORMULÁRIO. PER/DCOMP. AUTORIA. Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DCOMP cuja autoria é negada, concluise que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 498 a 508), o contribuinte, em apertada síntese, suscita a nulidade do Acórdão recorrido, por “infringência aos princípios da ampla defesa de da verdade material – indeferimento de perícia” e alega, afirmando que existem de indícios suficientes para acolher suas alegações, “a inexistência da autoria das PER/DCOMP's, que por sua vez, fez gerar o crédito tributário indevidamente, vez que anteriormente a Empresa já havia declarado o montante correto através da DCTF's original (e não retificadora, pois também de origem contestada)”. Argumenta que, “se apresentou DCTF's, inclusive a ponto de realizar pagamentos parciais dos tributos declarados, qual seria o motivo aparente que justificasse tal conduta da Empresa, ao emitir DCTF's retificadoras e PER/DCOMP's para compensar crédito inexistentes ?”, o que “passa pelo crivo da prova pericial, que não contábil, mas técnica em segurança de software, para dizer quem realmente efetuou declarações em nome da Recorrente”. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 510 a 522) pedindo, em caráter preliminar, o não conhecimento do recurso, pois "o recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório". É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto ao conhecimento, entendo que assiste razão à PGFN. Não é esta Corte uma 3ª instância de julgamento (a tratar de discussões de fato), competindo a ela, conforme art. 67 do RICARF, exclusivamente “julgar recurso especial interposto contra Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10680.900007/200911 Acórdão n.º 9303008.455 CSRFT3 Fl. 526 3 decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Neste caso, tanto a DRJ quanto a Turma a quo, mais que embasaram, em detalhes, a negativa do pedido de perícia, por ser totalmente descabida, enquanto o primeiro Acórdão paradigma (fls. 482) fala em indeferimento “sem a devida motivação” e o segundo (fls. 483), além de versar sobre recusa de apreciação conjunta de processos, é absolutamente genérico, fixandose tãosomente no fato de o contribuinte ter formulado os quesitos e indicado o perito de sua confiança (como se isto, por si só, fosse suficiente). São situações fáticas distintas, que impedem qualquer cotejo analítico. À vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 526DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.936533/2016-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/03/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/03/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 65 33 /2 01 6- 49 Fl. 46DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10680.936533/201649 Acórdão n.º 3401006.477 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 48DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.936533/201649 Acórdão n.º 3401006.477 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 50DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000357/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 20/08/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Somente se considera espontânea a denúncia quando apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL.
Sempre que o Auditor-Fiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá elaborar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário
Numero da decisão: 2301-006.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação acerca da representação fiscal para fins penais (Súmula Carf nº 28) e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
João Mauricio Vital - Presidente.
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (presidente), Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/08/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Somente se considera espontânea a denúncia quando apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o Auditor-Fiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá elaborar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação acerca da representação fiscal para fins penais (Súmula Carf nº 28) e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. João Mauricio Vital - Presidente. Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (presidente), Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Somente se considera espontânea a denúncia quando apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá elaborar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação acerca da representação fiscal para fins penais (Súmula Carf nº 28) e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. João Mauricio Vital Presidente. Cleber Ferreira Nunes Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (presidente), Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza, Cleber AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 03 57 /2 01 0- 62 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10872.000357/201062 Acórdão n.º 2301006.182 S2C3T1 Fl. 360 2 Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por HARD ROCK CAFÉ RJ LTDA, contra o acórdão de julgamento n.º 0650.314, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (6ª Turma da DRJ/CTA), no qual os membros daquele colegiado julgaram improcedente a impugnação apresentada, referente ao auto de infração Nº 37.289.5743. Conforme se constata dos documentos de fiscalização, das descrições dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre da seguinte infração: A empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, a totalidade das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais. Nos termos do Acórdão recorrido, verificase as seguintes circunstâncias: Segundo o relatório de fls. 16 a 22, o procedimento fiscal teve por finalidade verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias relativas ao período de 01 a 12/2006 e esclarece, ainda, que: Por ocasião da ação fiscal foi verificado que o contribuinte deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a totalidade das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme discriminado no anexo I deste Al. Tal omissão constitui infração ao art. 32, inciso IV, §§ 3º e 5º da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. A infração foi constatada ao se comparar as informações declaradas na GFIP com as folhas de pagamento do contribuinte e os lançamentos registrados na escrituração contábil(arquivos magnéticos) nas seguintes contas: 611.02.04.09 Serviços Prestados PF Música e entretenimento; 611.02.04.02 Serviços Prestados PF Em razão da infração acima descrita, foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, ratificando em essência as razões do pedido expedidas na Manifestação de Inconformidade, de que o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória não pode prosperar pelas razões na forma resumida abaixo: Que os débitos declarados foram incluídos em parcelamento especial Que declarou os débitos e os incluiu em parcelamento especial antes de qualquer procedimento da fiscalização (Denuncia espontânea) Desta forma crer ser indevida a Representação Fiscal para Fins Penais Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10872.000357/201062 Acórdão n.º 2301006.182 S2C3T1 Fl. 361 3 Que não houve descumprimento de obrigação acessória, uma vez que os débitos foram confessados e parcelados, antes do procedimento fiscal. Requer, por estes motivos, o cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais o do auto de infração Nº 37.289.5743 É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite Relator DO MÉRITO No recurso, o recorrente repete os argumentos consubstanciados na impugnação, que foi considerada improcedente. Concordamos com as conclusões da Delegacia de Julgamento ao analisar os argumentos do recorrente na impugnação, novamente apresentados no recurso e concluo, portanto, que não assiste razão ao recorrente, conforme aqui transcrevo resumidamente: Conforme tela do Sistema de Cobrança Sicob, o débito do período incluído na fiscalização, não consta no parcelamento especial. Portanto, improcedente o argumento do parcelamento A Fiscalização anota que as GFIP analisadas das competências 01/2006 a 12/2006, foram as que já constavam como enviadas pelo sistema, posto que enviadas em época própria, embora sem os fatos geradores objetos da autuação. Portanto, em relação a estes fatos geradores não há a denuncia espontânea do artigo 138 do CTN. Quanto a Representação Fiscal para Fins Penais, não cabe a este órgão administrativo proceder qualquer análise nesta seara, devendo o presente voto limitarse às alegações relacionadas à exigência de crédito tributário, inclusive já objeto de sumula emitida pelo CARF: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Portanto, a multa aplicada por descumprimento da legislação, que obriga, que sejam informados todos os fatos geradores da contribuição previdenciária na GFIP, inclusive os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais é legitima, própria do oficio da fiscalização e deve ser mantida. CONCLUSÃO Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10872.000357/201062 Acórdão n.º 2301006.182 S2C3T1 Fl. 362 4 Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer da controvérsia acerca do Processo administrativo de Representação Fiscal para fins Penais e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. Cleber Ferreira Nunes Leite Relator Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10872.000357/201062 Acórdão n.º 2301006.182 S2C3T1 Fl. 363 5 Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.922788/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2012
CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
De acordo com o art. 373 do CPC, o ônus de comprovar a legitimidade do direito, é de quem alega detê-lo. Assim, não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não traz os comprovantes aos autos.
Numero da decisão: 3301-006.151
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2012 CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. De acordo com o art. 373 do CPC, o ônus de comprovar a legitimidade do direito, é de quem alega detê-lo. Assim, não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não traz os comprovantes aos autos.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2012 CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. De acordo com o art. 373 do CPC, o ônus de comprovar a legitimidade do direito, é de quem alega detê-lo. Assim, não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não traz os comprovantes aos autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de solicitação de compensação de créditos referentes ao recolhimento indevido de COFINS, formulada por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/DCOMP). Tal solicitação foi submetida a análise eletrônica que resultou na emissão de Despacho Decisório no qual concluiu-se que, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 27 88 /2 01 3- 25 Fl. 203DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.151 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.922788/2013-25 informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que o valor evidenciado no Dacon e na DCTF entregues originariamente perdeu a conexão com a correta base tributável apurada pela requerente. Após constatar o equívoco, apresentou declarações retificadoras que demonstrariam a liquidez e certeza do crédito informado no PER/DCOMP. Informa que a exatidão da base de cálculo de COFINS do período de apuração pode ser verificada pela própria Receita Federal do Brasil por meio do cruzamento com o Sped Contábil da requerente que lhe foi enviado tempestivamente, e, portanto, consta em seu banco de dados. Defende que comprovado o erro de fato, o despacho decisório deve ser revisto e a compensação homologada. Apresenta acórdãos do CARF com esse entendimentos. Advoga que o simples equívoco no preenchimento de uma obrigação acessória não possui o condão de fazer surgir o fato gerador do tributo. Defende o cabimento de diligência fiscal, nos termos dos artigos 35, 36, c/c o artigo 56, IV, do Decreto 7.574/11, por meio da qual, a partir da análise dos elementos fiscais e contábeis que compõem o crédito fiscal aqui debatido, o julgamento seria justo e técnico, eliminando qualquer dúvida relativa ao crédito apontado pela requerente. Por fim, requer a reavaliação do Despacho Decisório. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, alegando que não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações contidas na manifestação de inconformidade. Além disso, pleiteia que o presente processo seja julgado em conjunto os demais que tratam de créditos de COFINS utilizados em compensações efetuadas ao longo dos anos de 2010 a 2012, o que, segundo seu entendimento, faria deles processo conexos. Requer, ainda, declaração de nulidade da decisão recorrida, que não teria motivado a decisão de indeferir o pedido de diligência, único meio hábil de comprovar o erro de fato. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.140, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.922776/2013-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 204DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.151 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.922788/2013-25 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.140): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. PRELIMINARES "DA NECESSIDADE DE JULGAMENTO CONJUNTO" Requer que o presente seja julgado em conjunto com os listados no relatório, posto que tratam dos demais créditos de COFINS utilizados em compensações efetuadas ao longo dos anos de 2010 a 2012, o que, segundo seu entendimento, faria deles processo conexos. Nenhum outro elemento acerca dos citados processos foi trazido aos autos. Assim dispõe o inciso II do § 1° do art. 6° da Portaria MF n° 343/15 (Regimento Interno do CARF - RICARF): "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (. . .)" A interpretação do dispositivo regimental usualmente adotada é a de que, para que compensações sejam tidas como conexas, é necessário que digam respeito ao mesmo direito creditório. Contudo, não há nos autos informação que conduza a tal conclusão. Com efeito, de acordo com os elementos disponíveis para exame, o alegado crédito teria sido integralmente utilizado na DCOMP em questão. Portanto, afasto a preliminar. "DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO: DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA, ÚNICO MEIO HÁBIL PARA SE COMPROVAR O ERRO DE FATO" A DRJ, indeferiu a diligência, pelos seguintes motivos: i) o pedido foi realizado de forma genérica, sem terem sido apresentados os motivos e quesitos (§ 1° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72); e ii) a diligência se presta para esclarecer dúvidas ou omissões e não para produzir provas, a qual deve ser realizada em sede de impugnação, precluindo o direito de fazê-la depois, salvo nos casos excepcionais, previstos nas alíneas "a" a "c" do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70235/72. Aduz a recorrente que a decisão de piso seria nula, pois não teria motivado o indeferimento da diligência, que seria o único meio hábil para comprovar que a DCTF original havia sido preenchida de forma incorreta e, portanto, que realmente havia direito creditório passível de compensação. A DRJ teria ignorado a DCTF retificadora que evidenciaria a existência do direito creditório, consistente em pagamento a maior de COFINS. A RFB poderia ter examinado a DCTF retificadora e validado o crédito, à luz das informações constantes do SPED Fiscal que possui em seus arquivos. Teria de ter sido intimada a apresentar os documentos necessários à comprovação do crédito. Por fim, em razão dos fatos que expôs, denunciou a ocorrência de violação do direito constitucional de defesa, previsto no inciso II do Decreto n° 7.574/11. Fl. 205DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.151 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.922788/2013-25 Examino as alegações acima juntamente com o novo pedido de diligência efetuado por meio do tópico "DA CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA", que se encontra entre as razões de mérito. Desta feita, contudo, trouxe os seguintes quesitos (fl. 88): "(. . .) (1) indicar a origem do crédito com base no SPED Fiscal e nas notas fiscais apresentadas; (ii) indicar o valor total e a composição do crédito informado na DCTF retificadora, bem como no SPED Fiscal, haja vista os elementos acima citados, inclusive os lançamentos reportados nos Livros Diário e Razão; (iu) confirmar a suficiência do crédito informado na DCTF retificadora, bem como no SPED Fiscal, nas notas fiscais apresentadas, para fins de compensação do débito de PIS de janeiro de 2013; e (iv) confirmar a existência do crédito citado na DCTF retificadora e, por consequência, acerca da clara regularidade da compensação. (. . .)" Os pleitos da recorrente não têm fundamento. Inicio, consignando que o ônus de comprovar a existência do direito creditório - pagamento a maior da COFINS do período de apuração de setembro de 2010 - é da recorrente, que alega detê-lo (inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 - Código de Processo Civil). Assim sendo, não obstante o laconismo próprio dos despachos decisórios eletrônicos, deveria ter trazido aos autos provas da legitimidade do crédito que alega deter e não remeter a tarefa à RFB, que também não tinha o dever de intimá-la a apresentar os comprovantes da existência do direito. Destaque-se ainda que, caso os tivesse anexado ao recurso voluntário, tal qual procedeu em outras ocasiões, esta turma seguramente converteria o processo em diligência para validação dos créditos, em homenagem ao "Princípio da Verdade Material". E listo o que foi juntado aos autos, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, e que julguei insuficiente para motivar a conversão do processo em diligência: cópias de PER/DCOMP, DCTF Retificadora de setembro de 2010, guia de recolhimento e balancetes do período de julho a dezembro de 2010. E o que seria bastante? Cópias dos livros contábeis e demonstrativo de apuração da COFINS do período em que alegou ter ocorrido o pagamento a maior, devidamente conciliados, cujo valor devido apurado seria comparado com o efetivamente pago, não restando dúvidas acerca da existência ou não do crédito. Estas informações, somadas as que se encontram nos autos (guia de pagamento, DCOMP e DCTF original e retificadora), formariam o conjunto probatório. E minha interpretação sistemática do Decreto n° 70.235/72 e da Lei n° 9.784/99 é idêntica à da DRJ, qual seja, a de que a diligência não se presta para produzir provas, porém esclarecer dúvidas. E, com os quesitos acima reproduzidos, fica nítido que o objetivo da diligência seria justamente o de produzir as provas da legitimidade do créditos que já deveriam ter sido carreadas aos autos. Por fim, consigno que a DRJ motivou adequadamente a decisão de indeferir o pedido de diligência, haja vista que, além de não apresentar motivos consistentes para sua realização, sequer apresentou quesitos, exigência prevista no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Em síntese: i) a decisão da DRJ foi devidamente motivada; ii) não houve violação do direito de defesa; iii) a DCTF retificadora não era suficiente para comprovação da liquidez e certeza do direito; iv) não cabia à RFB, a partir dos elementos de que dispõe em seus arquivos, realizar o cálculo do crédito para validar a compensação efetuada; e v) não cabe às instâncias julgadoras deferir pedidos de diligência, para que o Fl. 206DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.151 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.922788/2013-25 contribuinte produza as provas que deveria ter trazido juntamente com as peças de defesa. Assim, afasto a preliminar, que pleiteou a declaração de nulidade da decisão de piso, e nego o pedido de diligência, encaminhado juntamente com as demais razões de mérito. MÉRITO "DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO" "DA CORRETA APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO COSIT No 2/2015" A recorrente relata que efetuou o pagamento da COFINS do mês de setembro de 2010 por um valor maior do que o devido - pagou R$ 296.309,75, quando o correto seria R$ 196.524,79. Ao identificar o fato, utilizou a diferença (R$ 99.784,96), acrescida de juros Selic, para liquidar o PIS relativo ao mês de janeiro de 2013 (R$ 122;286,47). Que somente retificou a DCTF do mês de setembro de 2010, para declarar o valor correto da COFINS e, assim, evidenciar que fora pago valor a maior, após a ciência do Despacho Decisório. Contudo, o erro formal não tem o condão de impedir a utilização do crédito. Que a DCTF Retificadora substituiu integralmente a original. Que a IN RFB n° 1.300/12, vigente quando da preparação do recurso, não contém qualquer impedimento à retificação de DCTF. E que a IN RFB n° 1.110/10, em vigor à época da retificação da DCTF, trazia restrições, porém não aplicáveis ao caso em tela - i) débito inscrito na dívida ativa da União; ii) débito apurado em auditoria interna, já enviado à PGFN para inscrição na dívida; ou iii) débito resultante de exame em procedimento de fiscalização. Colaciona decisões do CARF, em que os créditos foram admitidos, apesar de a DCTF correspondente ter sido retificada após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. Que não há dúvida acerca da existência do crédito, conforme cruzamento de dados entre SPED Fiscal (doc. 04), DCTF original e retificadora e notas fiscais. Que a RFB deveria confirmar a legitimidade do crédito, utilizando os meios de que dispõe. Traz outras decisões do CARF, no sentido de que erros em obrigações acessórias não prejudicam a utilização de crédito comprovado por outros elementos contábeis e fiscais, atendendo ao "Princípio da Verdade Material". E contesta a interpretação da DRJ do PN COSIT n° 02/15. Segundo a DRJ, a apresentação de PER/DCOMP, antes da retificação de DCTF, gera ônus de comprovar o crédito. Contudo, a seu ver, o ato normativo teve como objetivos centrais os de admitir que a DCTF seja retificada após a edição do despacho decisório e orientar as delegacias de Julgamento a acolher a manifestação de inconformidade do contribuinte, quando apenas se tratar de erro de fato. Não há dúvida que erros formais não comprometem o direito à utilização de crédito formado por pagamento a maior de tributo. A DCTF poderia sequer ter sido retificada, que não hesitaria em confirmar os créditos, caso devidamente comprovados. Contudo, conforme mencionei no segundo tópico das "Preliminares", a recorrente não trouxe aos autos os elementos necessários à comprovação da legitimidade dos créditos, quais sejam, cópias dos livros contábeis e demonstrativo de apuração da COFINS do período em que alegou ter ocorrido o pagamento a maior, devidamente conciliados, cujo valor devido apurado seria comparado com o efetivamente pago, para a determinação do crédito. Estas informações, somadas as que se encontram nos autos (guia de pagamento, DCOMP e DCTF original e retificadora), formariam o conjunto probatório. Fl. 207DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.151 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.922788/2013-25 Isto posto, nego provimento aos argumentos. CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 208DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.906543/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.080
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 54 3/ 20 12 -1 0 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13819.906543/201210 Resolução nº 3402002.080 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13819.906543/201210 Resolução nº 3402002.080 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13819.906543/201210 Resolução nº 3402002.080 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13819.906543/201210 Resolução nº 3402002.080 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 211DF CARF MF
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