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Numero do processo: 10803.720064/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. PRÊMIO INCENTIVO. FRAUDE.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a segurados prestadores de serviços a título de prêmio incentivo, pois se tratam de parcelas de caráter remuneratório, ainda que tenham ocorrido mediante a interposição fraudulenta de pessoa jurídica.
AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE
Constatada sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, por parte da empresa ou ainda se ficar constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração de segurados a seu serviço, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, levantar de ofício importância que apurar devida, resultando no lançamento por aferição indireta, que encontra amparo nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, não havendo falar em nulidade por cerceamento de defesa face à tal procedimento.
PROVAS DOS AUTOS. DOCUMENTOS APRESENTADOS NA IMPUGNAÇÃO.
Planilhas e recibos de lavra do próprio contribuinte não são hábeis, por si sós, a infirmar as conclusões da autoridade lançadora, estando estas amparadas em livros fiscais, notas fiscais e contratos firmados pelo recorrente.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE. DECADÊNCIA PARCIAL.
Estão decaídos os lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da ciência do lançamento, contado tal prazo observando-se o art. 173, I do CTN face à fraude constatada pela autoridade lançadora.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DO ART. 173, I DO CTN.
O prazo aplicável para a verificação do decurso do prazo decadencial para lançamento de multas dado o descumprimento de obrigações acessórias rege-se pelo art. 173, I do CTN, por não comportarem elas pagamento antecipado.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES.
Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28.
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2402-005.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as nulidades suscitadas e dar-lhe parcial provimento, de modo a reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a 12/2006.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PRÊMIO INCENTIVO. FRAUDE. A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a segurados prestadores de serviços a título de prêmio incentivo, pois se tratam de parcelas de caráter remuneratório, ainda que tenham ocorrido mediante a interposição fraudulenta de pessoa jurídica. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Constatada sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, por parte da empresa ou ainda se ficar constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração de segurados a seu serviço, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, levantar de ofício importância que apurar devida, resultando no lançamento por aferição indireta, que encontra amparo nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, não havendo falar em nulidade por cerceamento de defesa face à tal procedimento. PROVAS DOS AUTOS. DOCUMENTOS APRESENTADOS NA IMPUGNAÇÃO. Planilhas e recibos de lavra do próprio contribuinte não são hábeis, por si sós, a infirmar as conclusões da autoridade lançadora, estando estas amparadas em livros fiscais, notas fiscais e contratos firmados pelo recorrente. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE. DECADÊNCIA PARCIAL. Estão decaídos os lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da ciência do lançamento, contado tal prazo observandose o art. 173, I do CTN face à fraude constatada pela autoridade lançadora. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DO ART. 173, I DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 64 /2 01 2- 81 Fl. 3774DF CARF MF 2 O prazo aplicável para a verificação do decurso do prazo decadencial para lançamento de multas dado o descumprimento de obrigações acessórias rege se pelo art. 173, I do CTN, por não comportarem elas pagamento antecipado. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES. Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3775DF CARF MF Processo nº 10803.720064/201281 Acórdão n.º 2402005.815 S2C4T2 Fl. 108 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as nulidades suscitadas e darlhe parcial provimento, de modo a reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a 12/2006. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3776DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente os seguintes autos de infração (fls. 3/209), referentes às competências de 01/2006 a 05/2008: AI DEBCAD n.º 37.359.5859, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas; AI DEBCAD n.º 37.359.5867, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas; AI DEBCAD n.º 37.359.5875, referente a contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas; AI DEBCAD n.º 37.359.5840, com código de fundamento legal 68, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, de fls. 201 a 209, traz, em síntese, as informações assim resumidas pela instância recorrida, e que se transcreve, na essência (fls. 3651/3655): • que, em decorrência de investigações desenvolvidas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, foram identificados fortes indícios da existência de uma organização criminosa envolvendo a participação de várias pessoas físicas e jurídicas com prováveis prejuízos ao erário público; • que a RFB passou a integrar os trabalhos que, em seu âmbito, recebeu o cognome de Operação Aquarela, tendo apreendido inúmeros documentos relacionados às possíveis fraudes; • que, das investigações e análise de tais documentos, apurouse que, em uma das vertentes do suposto esquema fraudulento, figurava uma certa empresa do segmento de cartões de crédito, onde o seu modus operandi tinha como objetivo oferecer serviços voltados à implementação de campanhas de incentivo, resultando em mecanismo de pagamento de prêmios a pessoas indicadas por seus clientes, mediante a distribuição dos cartões com os respectivos créditos, possibilitando a esses beneficiários sacar em espécie o montante que lhe fora atribuído; • que as constatações acima, aliada a outros fatores correntes da área de planejamento das atividades fiscais da RFB, demandaram a abertura de procedimentos de diligência e de fiscalização em empresas do citado segmento, Fl. 3777DF CARF MF Processo nº 10803.720064/201281 Acórdão n.º 2402005.815 S2C4T2 Fl. 109 5 dentre elas a EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA, CNPJ 03.069.255/000107, tendo sido apurado que o sujeito passivo em epígrafe foi um dos tomadores de serviços desta empresa; • que embora a Expertise não tenha sido alvo direto na Operação Aquarela, o conteúdo das informações levantadas naquele evento, em conjunto com outras ações potencialmente implementadas no âmbito cotidiano da RFB, tais como o cotejamento de dados dos sistemas, e as demandas advindas de outros setores da casa e de órgãos externos, foi determinante para a abertura de procedimentos fiscais junto a contribuintes que prestaram ou tomaram serviços da natureza em foco; (...) • que da análise dos documentos e informações prestadas pelo contribuinte acima identificado, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal e ao Termo de Intimação Fiscal, verificouse que o mesmo contratou a prestação dos serviços da empresa Expertise Comunicação Total Ltda., com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões de crédito fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias, conforme contrato; • que os montantes utilizados em tais operações foram pagos pelo contribuinte acima à Expertise mediante Notas Fiscais de Prestação de Serviços (doc. 12 a 24), acrescidos da respectiva taxa a título de comissão pelos serviços prestados, cujos valores foram contabilmente apropriados nas contas de Resultado “Propaganda e Publicidade” em seus diversos centros de custos, conforme Relação das Notas Fiscais da Expertise (doc.53), nos Balancetes de Verificação (doc. 40 a 42), e ainda, nas folhas dos livros Razão (doc. 43 a 52); • que, em seus registros contábeis o contribuinte omitiu os reais beneficiários dos pagamentos, ou seja, as pessoas indicadas por ele para receber os cartões e realizar os respectivos saques, embora, no atendimento parcial à fiscalização, realizado em 10/07/2012 (doc.03) tenha declarado que “... nos anoscalendário de 2006 à 2008, tomamos serviços junto à EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., tendo por finalidade o pagamento de premiação/comissão a terceiros pela venda de nossos produtos.”, e o contador e procurador, Sr. João Franchini, declarou que “...os valores pagos à Expertise não transitaram pelos controles da folha de pagamento da empresa Kitchens ...” • que, assim, restou constatado que o contribuinte deixou de incluir, em suas folhas de pagamento e respectivas GFIP's, as remunerações pagas através dos cartões emitidos, a seu pedido, pela Expertise, conforme consta em cláusula contratual, e também não identificou os reais beneficiários e os respectivos valores pagos aos mesmos; • que, os pagamentos à Expertise foram realizados através do sistema PGFOR Bradesco (doc. 25 a 38), que se ilustra, de forma aleatória, através do extrato bancário, do formulário PGFOR e das respectivas notas fiscais (doc.54), a operacionalização de tais pagamentos, assim como o critério adotado em sua contabilização (doc. 55); Fl. 3778DF CARF MF 6 • que, a partir dos fatos e evidências narrados, concluiuse que o sujeito passivo fez uso da estratégia de remunerar pessoas e ocultar tais beneficiários aos olhos do fisco, mantendo à tona apenas e tão somente as operações realizadas com a pessoa jurídica administradora dos cartões; • que não havendo identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação, mediante o uso do cartão “Exchange Card”, assim como dos valores estabelecidos a cada um dos premiados, os salários de contribuição da Previdência Social foram alcançados mediante o critério da aferição indireta, respaldado pelo art. 33, § 3º da Lei n.° 8.212/91. Dada a ausência de declaração da GFIP dos dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, foi caracterizada a infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, e ao art. 225, inciso IV, § 4º do RPS (CFL 68). Como a infração foi praticada antes do advento da MP nº 449/08, foi realizado cotejo entre a multa prevista na Lei nº 9.430/96, que corresponde a 75% sobre o valor da contribuição lançada, e a soma da multa de mora de 24%, prevista no art. 35 mais a multa estabelecida no § 5º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/91, aplicandose a mais benéfica ao sujeito passivo, no caso, o regime anterior à edição da citada medida provisória. Também foi expedida a representação fiscal para fins penais em decorrência da ausência de declaração de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, que resultou, em tese, na prática de crime de sonegação de contribuição previdenciária, conforme disposto no inciso I do art. 337 A do Código Penal. Apesar de impugnada (fls. 3150/3196), a exigência foi mantida no julgamento de primeira instância (fls. 3648/3678), o que ensejou a interposição de recurso voluntário em 8/8/2013 (fls. 3691/3737), no qual foi arguído, em síntese, que: o lançamento é nulo por cerceamento de defesa, pois não poderia ter sido utilizada aferição indireta dado que a fiscalização não esgotou os meios possíveis de realizálo diretamente ao não buscar a verdade material solicitando relação dos beneficiários dos pagamentos para intimálos com vistas a averiguar a situação; o direito do Fisco de lançar estava decaído, pois as contribuições em comento se tratam de tributo lançado por homologação, obedecendo o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN; as notas e recibos fiscais relativos aos pagamentos efetuados à empresa Expertise estão devidamente contabilizadas e registradas nos livros fiscais, frisando que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, e que foi trazida documentação por amostragem que comprova valores pagos a pessoas jurídicas incluídos naqueles pagamentos; alega que as multas impostas são concomitantes, visto que impostas relativamente ao mesmo fato gerador. Insurgese, outrossim, contra a representação fiscal para fins penais. É o relatório. Fl. 3779DF CARF MF Processo nº 10803.720064/201281 Acórdão n.º 2402005.815 S2C4T2 Fl. 110 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante relatado, da análise dos documentos e informações coligidos aos autos, a fiscalização constatou que o contribuinte contratou a empresa Expertise Comunicação Total Ltda. com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões de crédito fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias, conforme contratos colacionados. Vale transcrever o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal; 2.2. Da análise dos documentos e informações verificouse que contribuinte contratou a prestação dos serviços da empresa Expertise Comunicação Total Ltda – CNPJ 03.069.255/000107, com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões de crédito fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias, conforme contrato entre as partes (doc. 07 e 08). Senão vejamos, as cláusulas de obrigações então estipuladas: (...) 2.3. Os montantes de tais operações foram pagos pelo contribuinte acima à Expertise mediante Notas Fiscais de Prestação de Serviços (doc. 12 a 24),acrescidos da respectiva taxa a título de comissão pelos serviços prestados, cujos valores foram contabilmente apropriados nas contas de Resultado “Propaganda e Publicidade” em seus diversos centros de custos, conforme Relação das Notas Fiscais da Expertise (doc.53), nos Balancetes de Verificação (doc. 40 a 42), e ainda, nas folhas do livros Razão (doc. 43 a 52); 2.4. Em seus registros contábeis o contribuinte omitiu os reais beneficiários dos pagamentos, ou seja, as pessoas indicadas por ele para receber os cartões e realizar os respectivos saques, muito embora, no atendimento parcial à fiscalização, realizado em 10/07/2012 (doc.03) tenha declarado que “ com referência à intimação constante do Termo de Início de Fiscalização, acima identificado, informamos, inicialmente, que nos anoscalendário de 2006 à 2008, tomamos serviços junto à EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., tendo por finalidade o pagamento de premiação/comissão a terceiros pela venda de nossos produtos.” 2.5. Ainda no expediente acima citado (doc.3) o contribuinte, através de seu contador e procurador, Sr. João Franchini, declarou: “...os valores pagos à Expertise não transitaram pelos controles da folha de pagamento da empresa Kitchens ...” 2.6.Assim, restou constatado que o contribuinte deixou de incluir, em suas folhas de pagamento e respectivas GFIP's, as remunerações pagas através dos Fl. 3780DF CARF MF 8 cartões emitidos, a seu pedido, pela Expertise, conforme consta em cláusula contratual, e também não identificou os reais beneficiários e os respectivos valores pagos aos mesmos; 2.7.Os pagamentos à Expertise foram realizados através do sistema PGFOR Bradesco (doc. 25 a 38), que se ilustra, de forma aleatória, através do extrato bancário, do formulário PGFOR e das respectivas notas fiscais (doc.54), a operacionalização de tais pagamentos, assim como o critério adotado em sua contabilização (doc. 55); 2.8. A partir dos fatos e evidências ora narrados, concluiuse que o sujeito passivo fez uso da estratégia de remunerar pessoas e ocultar tais beneficiários aos olhos do fisco, mantendo à tona apenas e tão somente as operações realizadas com a pessoa jurídica administradora dos cartões. (...) Verificase que o contribuinte efetuava pagamentos a terceiros, mediante a utilização de interposta empresa contratada, a título de prêmios de incentivo profissional. Entretanto, escriturava tais valores em contas de resultado como despesas de "Propaganda e Publicidade", donde se evidencia a materialidade da infração, visto que a remuneração paga a segurados era impropriamente contabilizada como despesas pagas a pessoa jurídica por prestação de serviços. Mister registrar que remuneração paga a prestadores de serviços deve constar na folha de pagamento, e ser devidamente contabilizada seja como custo ou despesa com mão de obra/salário, seja como remuneração ou honorários, sendo feito o respectivo registro do desconto da contribuição devida em conta do passivo "inss a recolher" ou "previdência social a recolher", o que não se verificou na espécie. Ademais, cabe lembrar que, consoante regra o inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, com base no art. 195, I, 'a' da CF, incluemse no salário contribuição os rendimentos/remuneração pagos destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, não estando discriminados no § 9º desse dispositivo os prêmios por desempenho como exceção a essa regra. De fato, prêmios pagos a título de incentivo refletem retribuição face a resultados da prestação laboral, de ínsito caráter remuneratório. Nesse sentido, é remanso o entendimento do CARF, valendo citar os Acórdãos nos 2402004.203, j. 18/7/2014, 2302003.467, j. 5/11/2014, 2401003.919, j. 10/3/2015, 2402004.781, j. 9/12/2015 e 2401004.066, j. 28/1/2016. Diante desse quadro, se evidencia ter sido corretamente efetuada a aferição indireta das contribuições previdenciárias com respaldo nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 (redação vigente à época dos fatos): Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Fl. 3781DF CARF MF Processo nº 10803.720064/201281 Acórdão n.º 2402005.815 S2C4T2 Fl. 111 9 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Com efeito, os lançamentos em referência escriturados na contabilidade, que deveriam refletir a efetiva atividade econômica da empresa, em especial o movimento real da remuneração paga ou creditada aos segurados, restaram como instrumentos de ocultação dos tributos devidos, ao esconder os verdadeiros contemplados pelos prêmios de incentivo pagos pelo recorrente. Então foi sonegada informação ao Fisco, acarretando a aplicação do dispositivo legal encimado, sem que haja nulidade alguma em tal proceder. Ressalvese que a aferição indireta é realizada de ofício pela autoridade fiscal, no curso do procedimento de natureza inquisitória de apuração dos tributos, não havendo falar em concessão de "avaliação prévia ao contribuinte", como por este cogitado. Impende salientar que os contratos com a prestadora de serviços (fls. 275 e ss) e os livros contábeis (fls. 1878 e ss), registros do próprio contribuinte e por ele apresentados à fiscalização, serviram para mascarar a realidade subjacente. Surpreende daí que, no curso do contencioso, o recorrente apeguese ao conceito de verdade material quando, na realidade, buscou justamente ocultála da administração tributária via interposição da pessoa jurídica Expertise Comunicação Total Ltda. Destarte, a autoridade lançadora se desincumbiu adequadamente de seu ônus de demonstrar a fraude perpetrada, carreando as provas necessárias aos autos e traçando cenário fundamentado de suas conclusões. Desnecessária, consequentemente, a intimação dos beneficiários para a constituição do crédito tributário, mormente quando, perante o procedimento fiscal em curso, o contribuinte quedou inerte em discriminálos, como poderia ter feito em seu eventual proveito, à ocasião. Vale dizer, nessa toada, que o contribuinte trouxe em sua impugnação (fls. 3236/3269) alegadamente para discriminar os beneficiários e apontar que dentre eles haveriam pessoas jurídicas planilhas de origem incerta e passíveis de serem confeccionadas a qualquer tempo, bem como os "Boletim de Comissão", também de lavra própria, e nos quais não consta sequer a assinatura dos pretensos beneficiários. Documentos desse gênero, ainda que o recorrente repute que "comprovam claramente" sua versão dos fatos, tem conteúdo meramente declaratório e não se contrapõem ao valor probatório de sua contabilidade, notas fiscais juntadas e contratos firmados com Fl. 3782DF CARF MF 10 terceiros, sendo inaptos, por si sós, a justificar ulterior dilação probatória ou mesmo arguições de nulidade ou improcedência do lançamento. No tocante à arguição de decadência, temse como incontroverso serem os tributos objeto de lançamento sujeitos ao lançamento por homologação, como reza o § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (....) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Nos casos destacados, porém, aplicase a regra geral do art. 173, I, do CTN, segundo a qual o direito do Fisco de lançar o crédito tributário extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. E a situação ora examinada, como descrito, se ajusta à previsão normativa em destaque, haja vista ter sido descortinado esquema fraudulento que dissimulava remunerações a pessoas físicas prestadoras de serviço sob a aparência de pagamentos à pessoa jurídica, acarretando o não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre aqueles fatos geradores. No particular, os autos de infração de obrigação principal versam sobre fatos geradores compreendidos entre 01/2006 e 05/2008, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 24/10/2012 (fl. 3144). Por conseguinte, revelamse decaídos os lançamentos referentes aos períodos anteriores a 12/2006. E, no que tange ao lançamento referente a obrigações acessórias, DEBCAD n.º 37.359.5840, esclareçase que as multas por descumprimento desse gênero de obrigações são, necessariamente, constituídas de ofício pela fiscalização, não havendo falar em antecipação de pagamento. Submetemse, então, também à regra geral de decadência tributária, disposta no já mencionado art. 173, I do CTN. Observese, ainda, que verificada a conduta de não lançar na contabilidade os fatos geradores de contribuições previdenciárias, mesmo que relativamente à apenas uma parte do período analisado, mantémse incólume a multa aplicada. Frente a essa constatação, não há decadência a reconhecer no tocante ao lançamento por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 3783DF CARF MF Processo nº 10803.720064/201281 Acórdão n.º 2402005.815 S2C4T2 Fl. 112 11 Com referência à aventada duplicidade de penalidades ou bis in idem, não merece prosperar o arrazoado da recorrente, pois foram aplicadas sanções distintas a fatos distintos, com supedâneo em prescrições legais diferenciadas. No auto de infração nº 37.359.5840 (CFL 68) se discute a ocorrência de infração a obrigação acessória, a qual, a teor do que disciplina o art. 113, § 2º, do CTN, decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, não se perquirindo a existência de dolo ou culpa, nem se confundindo com a obrigação principal de recolher o tributo, lavrada nos demais autos veiculados neste processo. O Termo de Verificação Fiscal demonstra minuciosamente, em seu item 5, como se aplicou a multa no referido lançamento, bem como traz consignado qual o fundamento legal que lhe deu supedâneo, inexistindo qualquer reparo a ser feito também neste particular. Cada uma das infrações, repitase, possui embasamento legal próprio, correspondendo a fatos diferentes previstos nas respectivas hipóteses de incidência. Acrescentese que os acórdão do CARF trazidos à colação no recurso pelo recorrente, no intuito de amparar seus argumentos são atinentes à concomitância de multa de ofício e multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas/carnêleão sob a ótica do imposto de renda, tema bastante distinto do ora tratado. Observese, ainda, que a apreciação de pleito relativo à representação fiscal para fins penais é obstada pelo teor da Súmula CARF nº 28, c/c o art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as nulidades suscitadas, e darlhe parcial provimento, de modo a reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a 12/2006. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3784DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.003227/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto neste voto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto neste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de processo de Auto de Infração, lavrado contra a empresa CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA (doravante denominada de CHANZY), em sede de procedimento especial de fiscalização aduaneira nas Declarações de Importações registradas por sua conta e risco próprios no período de 01/01/2005 a 31/03/2007, em face de ter restado apurado a infração tipificada como “Dano ao Erário” decorrente da não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros requeridos para o seu financiamento, assim como, para a formação do seu capital social, caracterizando ilícito punível com a penalidade de perdimento das mercadorias importadas, convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro em face da impossibilidade de sua apreensão por não serem RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 03 22 7/ 20 08 -9 2 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 285 2 localizadas ou já consumidas, do que restou apurado o crédito tributário no valor de R$ 10.615,345,70 (fls. 93/97 multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias). O procedimento especial se encontra previsto pelos arts. 68 e 80 da MP 2.158 35/2001, regulado pela Instrução Normativa SRF n° 228, de 2002, que dispõe sobre o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. Seguem os dispositivos legais pertinentes ao tema, lembrando que o artigo 59 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, alterou o texto do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 07/04/1976, norma regulamentada pelo art. 618, inciso XXII e §1º, do RA/2002, e atualmente regulamentada pelo Regulamento Aduaneiro RA/2009, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Considerase ponto incontroverso a ocorrência das importações processadas no período de 01/01/2005 a 31/03/2007 pela empresa. No entanto, é ponto controvertido a procedência da pena de perdimento em função da não comprovação da real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do Capital Social e fonte do recurso inicial da empresa. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 1748.713, prolatada pela 1ª Turma da DRJ em São Paulo II (SP), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 187/200): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/04/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 10.615.345,70 (fls. 86), em face dos fatos a seguir descritos. A empresa foi cadastrada na Ficha de Procedimentos Especiais nº 07/00196501, por força do MPF 081550020070094961; A empresa foi intimada a apresentar documentos no decorrer da fiscalização; Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB foram obtidas as seguintes informações: Dossiê da empresa e dos sócios (RADAR); Relação das Declarações de Importação e dos tributos incidentes (DW/ADUANEIRO e Siscomex); Da análise dos documentos apresentados e dos dados coletados, foi verificado que a empresa não provou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do Capital Social e fonte do recurso inicial da empresa; Em várias das importações foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior; Com base no artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias importadas de 01/01/2005 a 31/03/2007; De acordo com o procedimento que concluiu não ter sido possível a comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos, foi formulada a Representação Fiscal para Fins de Inaptidão, formalizada pelo Processo nº 11042.00414/200662, com efeitos a partir de 01/01/2005; Em diligência feita à empresa, foi apurado que não havia mercadorias em estoque e que a empresa era Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 286 3 apenas uma sala; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 30/04/2008 (fls. 23 verso), O contribuinte, protocolizou impugnação tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 04/08/2006, de fls. 28 a 46, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Alega o cerceamento do direito de defesa pois, em que pese o fato de que no corpo do Relatório da Delegacia da Receita Federal constar o nome da impugnante, resta dúvida, que macula a defesa da impugnante, se tais fatos se referem a conduta da mesma empresa ou de outra, cujo nome foi consignado; O Capital Social da empresa foi integralizado como demonstrado nos autos do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728; A impugnante apresentou documentos fatos e argumentos para comprovar sua legalidade, função da própria Receita Federal do Brasil – RFB; Não há qualquer menção a tributos devidos no levantamento efetuado; A empresa efetuou suas importações em observância ao trâmite legal, recebendo valores via suas contas bancárias demonstradas à fiscalização; A ação do fisco é retro operante, baseada em conclusões incorretas, sofrendo punição retroativa em importações legitimamente efetuadas; Invoca os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade das leis; A empresa não foi pessoalmente intimada o que implica em nulidade do procedimento; São apresentadas planilhas no processo nº 10314.012292/200728, demonstrando que suas importações foram financiadas com recursos próprios, não utilizando créditos de clientes; A fiscalização inverteu as datas da referida planilha, fazendo parecer que a empresa não possuía disponibilidade financeira; Confronta a planilha apresentada pela fiscalização com uma planilha que denomina de “real”, demonstrando os pontos de divergência. As principais observações são: O valor do faturamento de um mês foi lançado em um único dia (o último do mês), quando os recebimentos ocorrem dia a dia; Refazendo o razão, espalhando as vendas realizadas dia a dia, fica claro que a empresa trabalhava com capital próprio; A fiscalização comete equívocos contábeis em relação a recursos de adiantamento de clientes que influi no resultado apurado; A planilha apresentada mostra saldo devedor na conta clientes em todos os dias que fiscalização aponta saldo credor. Destaca o extrato bancário onde foi integralizado o capital, uma operação regular; Pleiteia a juntada do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728; Invoca o “bis in iden” na medida em que o presente processo penaliza com pena de perdimento a mercadoria objeto da Declaração de Importação nº 06/10842018, referente ao Processo Administrativo Fiscal nº 11042.000412/200673, mercadoria esta que já apreendida, solicitando assim sua exclusão; Dos dispositivos de direito invocados pela fiscalização, a empresa não praticou qualquer ato capaz de penalizála com a pena de perdimento; A impugnante desconhece fato que teria cometido para ser acusada de fraude, tampouco de ocultação do real sujeito passivo, demonstrando Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 287 4 que possuía capacidade operacional para efetuar as importações; A norma invocada se aplica a empresas fantasmas, o que não é o caso da impugnante; Pugna o reconhecimento da nulidade suscitada em sede de preliminar, a juntada do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728 e a improcedência do presente auto de infração. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução nº 907, de 08/10/2009, requerendo (fls. 138): A juntada do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728; Juntada de demais provas que corroboram com as conclusões apresentadas pela fiscalização; Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 19/01/2008 (fls. 148frente), o interessado manifestouse no sentido de corroborar as alegações já feitas na impugnação, quanto a legalidade das importações, o pagamento integral dos impostos e a ausência de provas pela fiscalização. Nova diligência à autoridade preparadora foi feita através da Resolução nº 955, de 17/09/2010, requerendo (fls. 155): Conforme despacho exarado às folhas 137, retificouse o primeiro auto de infração devido a equívoco no nome do autuado, apenas. Por que motivo há uma discrepância de mais de R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais) a menor, no valor do segundo auto de infração, em relação ao primeiro auto de infração? A impugnante alega que a mercadoria objeto da Declaração de Importação nº 06/10842018, já foi penalizada no Processo Administrativo Fiscal nº 11042.000412/200673 com pena de perdimento. Esta afirmação procede? 1 Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Houve duplicidade no valor originário, em virtude de problema no sistema da auditoria fiscal; a DI apontada já foi excluída do referido AI. A impugnante assinalou que em duas oportunidades a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência para corrigir o auto de infração e que não há modo de substituílo, pugnando seu cancelamento. É o relatório Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 187/200): Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 288 5 Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/01/2005 A ação fiscal evidenciou a infração de ocultação do sujeito passivo, o que significa manter recôndito da relação tributária, dolosamente, mediante fraude, inclusive por interposição fraudulenta de terceiros. A empresa incorreu em prática de DANO AO ERÁRIO, tipificada no artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76. Em virtude da não apresentação da mercadoria decorrente de intimação e da impossibilidade de apreensão, a pena comutase em multa equivalente ao valor aduaneiro, por força do artigo 618, § 1º do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Regularmente intimada e discordando da decisão de primeira instância, a interessada, em 19/04/2011, apresentou recurso voluntário, fls. 207/245, onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau, aduz documentos e reforça com as seguintes razões, em resumo: (i) cerceamento do direito de defesa: alega que o Auto de Infração impugnado está instruído com Relatório de Diligência relativo ao MPF 08.1.55.002008000417, contudo da contribuinte MSP COMÉRCIO DE MERCADORIAS EM GERAL LTDA. CNPJ: 07.122.438/000191 (Anexo I do auto de infração). Além desse fato, vários foram os atos que cercearam a defesa da Recorrente, inclusive quando não se observa o devido enquadramento legal, e se altera o fato imponível, a base de cálculo e a autuação sem reabrir o prazo (integral), para a defesa. Espera que agora seja determinando a anulação do auto de infração recorrido. (ii) Da integralização do Capital Social aduz que o Capital Social da empresa foi integralizado, como formalmente demonstrado nos autos do processo administrativo nº 10314.012292/200728, que foi gerado pela verificação fundada na IN 228/2002, bem como todas as operações da empresa foram por ela financiadas; a integralização do Capital está provada por documentos do Banco Central do Brasil e pela contabilidade da empresa, que demonstrava claramente como eram financiadas as importações, ademais nenhuma outra prova foi produzida pelo fisco que pudesse relevar a legalidade da contabilidade da empresa; (iii) A empresa adquiriu mercadorias no mercado externo, pagou por elas, efetuou o trâmite legal de importação, vendeu as mercadorias e recebeu os valores, tudo em suas contas correntes bancárias demonstradas ao fisco; (iv) a Senhora Charlotte (sócia e representante legal da empresa) compareceu a Delegacia da Receita Federal na Capital de São Paulo, e não de Pelotas, e forneceu declarações verbais e escritas; diferentemente do que alegou e fundamentou a sua decisão, houve expressa resposta A TODAS AS INTIMAÇÕES EFETUADAS, bem como o fornecimento de todas as informações, como se depreende pela cópia das declarações prestadas em anexo, que foram recebidas pelo chefe da fiscalização em 29 de novembro 2006; Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 289 6 Informa que a diferença encontrada nas assinaturas de documentos se justifica pelo fato de a Senhora Charlotte ser portadora do Mal de Parkinson, doença degenerativa e oscilante, sendo que ela pode apresentar picos de tremor e outros de estabilidade, dependendo da forma como é medicada; (v) que houve uma suposta irregularidade constatada na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) da sócia minoritária Charlotte Maus Chiu, foi corrigida através dos meios próprios (retificação de declaração de imposto de renda), e, não devem interferir na análise de regularidade da empresa por dois motivos: (a) As irregularidades nas declarações de imposto de renda pessoa física não tem nenhuma relação direta com as operações da Pessoa Jurídica sob análise; e (b) O valor das cotas da sócia minoritária Charlotte Maus Chiu representa apenas 1% (um por cento) do capital social da empresa (R$ 6.300,00). (vi) as planilhas anexadas ao processo confrontam a apresentada pelo fisco às fls. 240/241 (processo administrativo nº 10314.012292/200728), demonstrando que o fisco alterou a forma de colher os dados (datas), o que fez parecer que a empresa não possuía disponibilidade financeira, quando, na verdade, os valores lançados em sua contabilidade foram efetuados de forma simplificada. (vii) Do direito: alega que não há fundamento que se enquadre nos atos legítimos praticados pela Recorrente, não há tributo que tenha deixado de ser pago, e não nenhuma fraude ou simulação que dê ensejo na pena de perdimento, e via de conseqüência a presente autuação efetuada. Por todo o exposto, em vista do arrazoado e de toda a documentação comprobatória já anexada ao processo, requer inicialmente o reconhecimento da nulidade suscitada em sede de preliminares, para determinar a reiteração do alegado em face da Recorrente tendo em vista as alterações efetuadas na autuação que determinam a sua nulidade e finalmente, seja declarado improcedente o presente Auto de Infração por lhe faltar justo motivo e legalidade, com a intimação da Recorrente na pessoa de seu advogado. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segundo grau (CARF). Diante do quadro acima exposto, a 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara da 3ª Seção, concluiu ser necessário aprofundar o exame da conjuntura que ensejou o lançamento, e votou pela conversão do julgamento em diligência, conforme a Resolução nº 3101000.246, de 18/07/2012 (fls. 259/266), para que a unidade lançadora, responsável pelo Auto de Infração em desfavor da recorrente, elabore Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que: (1) diga em quais declarações de importação, dentre o universo constante do Anexo II do auto de infração, foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização das operações de comércio exterior; (2) para cada uma das operações, explicite quais documentos comprovam que os recursos utilizados nas operações não eram da pessoa jurídica ora recorrente; (3) verifique na contabilidade da empresa e aponte o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 18, in fine, a 20 do recurso voluntário,2 (planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 290 7 Ato seguido, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, intime a recorrente do conteúdo do Relatório Fiscal, para manifestarse, querendo, em prazo de trinta dias. A Unidade de Origem (IRFSão Paulo), cumprindo a solicitação de diligência deste CARF, em 29/11/2013, intimou a empresa em seu endereço cadastral a apresentar documentos, conforme o Termo de Intimação e AR/Correios nº 422/2013 (fls. 275/276). Em 04/02/2014, a Recorrente foi cientificada do resultado da diligência, conforme Intimação nº 42/2014 e cópia do ARCorreios (fl. 278). Ao final, após concluir os trabalhos, procedeu a Informação Fiscal (Despacho) de fl. 273, consignado nos seguintes termos: Em atendimento ao pedido de diligência feito pela Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, referente à empresa CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA, CNPJ: 07.122.438/000191, temse que: (A) A solicitação do CARF objetivou a resposta a três quesitos, quais sejam: (...) ... (B) Devido à necessidade de documentos para a realização das análises solicitadas (notas fiscais, extratos bancários, contabilidade), a empresa foi intimada, através da Intimação 422/2013 (DOCUMENTO 1); (C) A intimação não foi atendida pela empresa; (D) Sem tais documentos, fica impossibilitada a análise dos quesitos elaborados, respeitosamente, pelo CARF. A empresa foi intimada do resultado da diligência através do DOCUMENTO 2". Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para prosseguimento do julgamento por este órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto / RESOLUÇÃO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator 1. Da admissibilidade dos recursos Passase ao exame do recurso voluntário apresentado pela CHANZY, que é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da análise dos fatos Neste processo, a imposição da multa decorrente da conversão do perdimento de bens (em virtude do consumo desses, os quais teriam sido internalizados por pessoa interposta), já foi decotada por duas vezes. A primeira, por conta de erro no sistema da auditoria fiscal, que duplicou o valor originário da multa; num segundo momento, por abarcar DI que já constava Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 291 8 de outro processo. O crédito tributário constituído, iniciouse no valor de R$ 21.364.754,46 (fl. 12), e depois de corrigido pela própria fiscalização, passou para R$ 10.615.345,70 (fl. 96). Entendo que, de fato, há fortes indícios da presença de interposição fraudulenta de terceiros nas operações praticadas pela CHANZY. No entanto, a presunção da Lei, em seu art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, requer a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, de forma organizada e cabal. Por isso, ao meu sentir, a imputação da multa, ainda está em descompasso com as provas apresentadas nos autos, pois notase que no Anexo I, do Relatório Fiscal, que descreve os fatos acoimados e infracionais, temse literalmente que, (fl. 15): "(...) Após análise dos documentos foi verificado que a empresa não comprovou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do Capital Social e fonte do recurso inicial da empresa, em várias das importações foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior" (grifei). Por outro giro, em seu recurso voluntário a Recorrente alega que (fl. 208), "(...) A empresa foi constituída regularmente, sendo seus sócios, a empresa estrangeira Chanzy Trading S/A, com 99% (noventa e nove por cento), do Capital Social, e a Senhora Charlotte Maus Chiu, com 1% (um por cento) da sociedade, como se depreende pelo contrato social constante dos presentes autos. O Capital Social da empresa foi integralizado através da remessa internacional de valores, da sócia majoritária no valor inicial equivalente a US$ 200,000.00 (Duzentos mil dólares) ou o equivalente na época a R$ 521.600,00 (Quinhentos e vinte e um mil e seiscentos reais), devidamente depositados na conta corrente da empresa, como se depreende da cópia do contrato de câmbio e extratos bancários que instruíram a Impugnação apresentada. A sociedade partiu dessa integralização, e foi este capital devidamente integralizado pela sócia estrangeira da empresa que deu início e sustentação para todas as operações da empresa". À fl. 198 da decisão a quo, restou consignado pelos julgadores que: "(...) O foco da ação fiscal foi: 1. Em decorrência da análise dos documentos apresentados e dos dados coletados, verificouse que a empresa não provou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do Capital Social e fonte do recurso inicial da empresa; 2. Em várias das importações foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior" (grifei). Pois bem. Como dito, verificase que o Capital Social da empresa autuada CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA, CNPJ 07.122.438/000191, possui a seguinte composição: CHARLOTE MAUS CHUI, 78 anos, CPF 239.279.02858 (1%) e CHANZY SOCIEDAD ANÔNIMA, pessoa jurídica sediada no Uruguai (99%), tendo CHARLOTE MAUS CHUI como sua procuradora. Consta dos autos às fls. 56 e ss, a cópia do Contrato Social e Alterações da empresa CHANZY, que consta consignado o seguinte: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 292 9 Nesse contexto, verificase à fl. 77/85, que a Recorrente juntou os seguintes documentos: extrato do Registro de Operações de Cambio Contrato de Cambio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior nº 05/007256 de 10/02/2005, no valor de 200.000,00 (Duzentos mil dólares dos Estados Unidos); o respectivo valor creditado na conta corrente da CHANZY Extrato de Conta Corrente, no valor de R$ 521.054,60 (fl. 80); e o débito no mesmo valor na Conta Banco do Brasil, registrado na contabilidade da Empresa extrato do Livro Razão (fl. 81). Da mesma forma, o registro da integralização da sócia Sra Charlotte, no valor de R$ 6.300,00 (fl. 82). Como se vê, mesmo considerando que não houve o atendimento pela CHAMZY, do Termo de Intimação para apresentação de documentos objetivando a realização da diligência (Resolução nº 3101000.246), entendo que há a real necessidade de se saber quais foram os documentos analisados para que auditoria fiscal tenha chegado à conclusão de que os recursos utilizados nas operações não eram da pessoa jurídica (Integralização do Capital Social), como também devem ser determinadas quais foram as operações de importação em que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria. Diante desse quadro, concluo ser necessário aprofundar o exame da conjuntura que ensejou o lançamento, e voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a Unidade lançadora DELEX SÃO PULO (antiga IRF São PauloSP), responsável pelo Auto de Infração em desfavor da Recorrente, para que elabore Relatório Fiscal conclusivo, informando: 1) quanto ao procedimento de Integralização do Capital social da CHANZY: informar, se os documentos de fls. 77/85 (que a Recorrente juntou aos autos), foram analisados e considerados (validados), ou não, quando da auditoria fiscal (análise de prova cabal), sendo eles: (i) o extrato do Registro de Operações de Cambio Contrato de Cambio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior nº 05/007256 de 10/02/2005, no valor de 200.000,00 (Duzentos mil dólares dos Estados Unidos); (ii) o respectivo valor creditado na conta corrente da CHANZY Extrato de Conta Corrente, no valor de R$ 521.054,60 (fl. 80), e (iii) o débito no mesmo valor na Conta do Banco do Brasil, registrado na contabilidade da empresa extrato do Livro Razão (fl. 81). (iv) Da mesma forma, o registro da integralização do Capital cota da sócia Sra. Charlotte, no valor de R$ 6.300,00 (fl. 82), e 2) considerandose os documentos acima relacionados, verifique na contabilidade da empresa e aponte o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 224/226 de seu recurso (planilhas anexadas ao processo nº 10314.012292/200728). Após instruído o processo com os esclarecimentos solicitados, deverá ser cientificada a Recorrente para manifestase, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre o resultado da diligência, se assim desejar. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Resolução nº 3402001.000 S3C4T2 Fl. 293 10 Na sequência, deverão os autos ser devolvidos a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto a presente Resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729107/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/09/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.042
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 91 07 /2 01 3- 46 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.485. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11128.729107/201346 Acórdão n.º 3302004.042 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.002710/2007-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 27 10 /2 00 7- 74 Fl. 394DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 240300.699, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração n° 37.103.7719, às fls. 01, decorrente de descumprimento de obrigação acessória, por apresentação da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 09/2007, sendo o valor da multa aplicada de R$ 7.079,17 (sete mil, setenta e nove reais e dezessete centavos), conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13 a 15. A multa foi apurada por competência, sendo seu valor total a soma dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. No período de 01/2006 a 09/2007 a empresa tinha entre 101 a 500 segurados, sendo que nessas competências a multa foi limitada a 10 (dez) vezes o valor mínimo, conforme Art. 32 parágrafo 40 da Lei 8.212 de 24.07.91 e Art. 284, inc. I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06.05.99. Em nenhuma competência o valor da multa aplicada ultrapassou o valor mínimo, conforme previsto no art. 284, inc. I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06.05.99. Outrossim, a multa aplicada correspondeu a 100% (cem por cento) da contribuição devida, que está demonstrada por competência, levandose em consideração o valor da contribuição devida, apurada com base no Salário de Contribuição dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais (Administradores, Autônomos) e na Contribuição Descontada dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais, conforme o Relatório anexo. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 27 a 59, com Anexos às fls. 60 a 64. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, fls. 67/80, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão n° 0712.581. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 10 3 O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 83/115, onde alegou em apertada síntese: preliminarmente, dentre outros, nulidade do AI; vício da intimação; inexigibilidade da multa, e no mérito, ausência de Infração; duplicidade da cobrança; gradação da multa; relevação da multa; e não aplicação da multa. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 310/331, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA – NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Fl. 396DF CARF MF 4 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI N° 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32 A, LEI N° 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA – ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 335/342, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação multa mais benéfica ao contribuinte. Consignou, inicialmente, que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se lavrou NFLDs em decorrência da mesma ação fiscal. Naquela ocorrência, consignouse que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações cm que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 345/347, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o cálculo da multa. O Contribuinte foi devidamente citado às fls. 351, apresentando Contrarrazões às fls. 354/358, alegando, inicialmente, não servir o acórdão utilizado pela União como paradigma por não haver similitude fática entre ele e o acórdão recorrido. Alegou, ainda, caráter confiscatório e intensão do Fisco que “fossem abatidos da multa isolada os valores exigidos a título de multa lançados em NFLD apartada”. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 11 5 Às fls. 364/375, o Contribuinte apresentou Recurso Especial, alegando estarem prequestionadas as seguintes matérias: nulidade de intimação por vícios formais – ausência de entrega pessoal; excesso de multa e inexigibilidade da multa. Às fls. 3386, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, NEGANDO SEGUIMENTO ao recurso, pois não foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7º a 9º do artigo 67 do RICARF. Consignou que o recorrente sequer apresentou divergências entre o aresto atacado e outras decisões prolatadas no âmbito do CARF para análise. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Contribuinte arguiu em sede de contrarrazões o não preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso fazendário, por entender que os paradigmas trazidos pela União não guardam identidade com a matéria do acórdão, sendo o primeiro acórdão com entendimento ao acórdão recorrido, e o segundo paradigma utilizando o mesmo raciocínio adotado no acórdão a quo, devendo aplicar a multa calculada como mais benéfica ao contribuinte. Compulsando o Exame de admissibilidade, observo que as diferenças de conteúdo fático são meramente acidentais, sendo a questão central do debate, e essencial, é a tese jurídica de aplicação da multa de acordo com a Retroatividade Benigna. A divergência nitidamente fica por conta da aplicação e interpretação da legislação ordinária no que compete ser e como aplicar a Retroatividade Benigna prevista no CTN. Observo que no caso em tela o Recurso da Procuradoria logrou êxito em comprovas os requisitos exigidos no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Sendo assim, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de Auto de Infração n° 37.103.7719, às fls. 01, decorrente de descumprimento de obrigação acessória, por apresentação da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 09/2007, sendo o valor da multa aplicada de R$ 7.079,17 (sete mil, Fl. 398DF CARF MF 6 setenta e nove reais e dezessete centavos), conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13 a 15. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao Contribuinte. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 12 7 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 400DF CARF MF 8 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 13 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 402DF CARF MF 10 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 14 11 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 404DF CARF MF 12 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.003488/2007-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Numero da decisão: 9202-005.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF N° 101. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLUBE DE CAMPO FAZENDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 34 88 /2 00 7- 09 Fl. 314DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI NFLD DEBCAD nº 37.032.7624, à efl. 02, cientificado à contribuinte acima qualificada, em 29/08/2007, com relatório fiscal às efls. 35 a 40. O lançamento visou à constituição de créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, decorrentes de retenções previdenciárias, efetuadas pela Sociedade na condição de tomador de serviços, incidentes, à razão de 11%, sobre o valor das notas fiscais de prestadores de serviços. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 114.757,54, consolidado na data de 27/08/2007, para o período de apuração de 01/02/1999 a 31/12/2002. A NFLD foi impugnada, às efls. 43 a 56, em 28/09/2007. Já a 12ª Turma da DRJ/SPOI, no acórdão nº 1617.264, prolatado em 27/05/2008, às efls. 112 a 119, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 10/07/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 123 a 137, argumentando, em síntese que: § haveria extinção dos créditos tributários exigidos em face da decadência do direito de o fisco constituílos, tomando por base a regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN; § extintos os créditos tributários lançados, deve ser determinado o arquivamento da representação para fins penais a eles correspondente. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento em 29/09/2011, resultando no acórdão 280301.208, às efls. 205 a 212, que tem a seguinte ementa: LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA SOBRE PARTE DO LANÇAMENTO. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização relativamente às competências de 02/1999 até 12/2001, inclusive. 3. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e / ou Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13839.003488/200709 Acórdão n.º 9202005.375 CSRFT2 Fl. 315 3 empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Estão decadentes as competências de 02/1999 até 12/2001, inclusive, restando íntegras para o lançamento, as competências de 01/2002 até 12/2002, tudo em conformidade com as disposições contidas no inciso I do art. 173 do CTN. RE da Fazenda Nacional Intimada, em 26/10/2011 (efl. 214), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs, às efls. 215 a 234, recurso especial de divergência RE ao citado acórdão, em 24/11/2011, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF no tocante à decadência, com efeito sobre a competência de 12/2001. Diverge o recorrido em não proceder à contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, entendimento exposto nos acórdãos paradigmas nº 2401 01.759 e nº 2302001.180 que levariam à manutenção do período de apuração de 12/2001 entre os alcançados pela fiscalização. Em sua fundamentação, a Procuradora reafirma a contagem do prazo decadencial pelo art. 173, inc. I, do CTN, seja pela prévia falta de pagamento de contribuições, seja pela existência de prática, em tese, do ilícito fiscal de apropriação previdenciária nos termos do art. 168A do Código Penal, haja vista que as contribuições lançadas são referentes a retenções, pela alíquota de 11%, efetuadas pela Sociedade sobre a base de cálculo das notas fiscais dos prestadores de serviços e que não foram recolhidas até o encerramento da ação fiscal. Por fim, requer que o RE seja conhecido e provido para que seja reformado o acórdão para que siga o entendimento esposado no paradigma, mantendose a integralidade do lançamento, sobretudo da competência de dezembro de 2001. O RE da Procuradora foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300294/2013, às efls. 266 a 269, em 23/04/2013. entendendo ele por lhe dar seguimento, no tocante à divergência exposta, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 271) do acórdão nº 280301.208, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste, em 13/06/2014 (efl. 272), tendo apresentado contrarrazões em 24/06/2014, às efls. 274 a 278. Fl. 316DF CARF MF 4 Em seu contraarrazoado, argumenta que o acórdão recorrido atendeu à Súmula Vinculante nº 08 do STF, a qual vincula as decisões do CARF, e que também descabe recurso especial de divergência contra acórdão que aplique Súmula do CARF ou com base em paradigma cuja tese haja sido superada quando da sua interposição. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. De início, cabe ressaltar que o contraarrazoado da contribuinte não trouxe argumentos suficientes para que não se aprecie o RE da Fazenda, pois a Súmula Vinculante nº 08 do STF não trata da contagem do prazo decadencial do art. 173 do CTN, mas sim da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que definia como decenal prazo decadencial para a exigência de créditos relativos à previdência social. Além disso, os paradigmas citados no RE não se encontram superados e inexiste menção a qualquer súmula do CARF que trate de decadência no acórdão recorrido. A discussão sobre a decadência cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fazendo com que não tenha havido decadência relativamente ao período de apuração de dezembro de 2001. Conclusão Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13839.003488/200709 Acórdão n.º 9202005.375 CSRFT2 Fl. 316 5 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para que se reforme o acórdão recorrido, considerando não decaído o direito de constituição do crédito tributário relativo aos fatos ocorridos em dezembro de 2001. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.906411/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 64 11 /2 00 9- 61 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902790/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 27 90 /2 01 2- 36 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.001. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.005801/2003-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a .31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESTINADO À ACRESCENTAR FUNDAMENTAÇÃO SOBRE PONTO OMITIDO NO ACÓRDÃO N° 3301-00.311, DE 20 DE OUTUBRO DE 2009, SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO, CUJA EMENTA SERÁ ASSIM REDIGIDA:
"PIS E COFINS. ISENÇÃO - RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS As
receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cofins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000.
PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP), PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei nº 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e
compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Normativa regulamentadora impor tal exigência, sob pena declarar o pedido como não declarado.
REPETIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Cofins
apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente"
Numero da decisão: 3301-000.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, a fim de acrescentar à fundamentação do acórdão n" 3301-00.311, julgado na sessão de 20 de outubro de 2009, sobre ponto que teria sido omitido no acórdão,
incluindo-o, inclusive na ementa, sem alteração do resultado, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ISENÇÃO - RECEITAS.. ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cotins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/1.2/2000. PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP), PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL..A Lei n" 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituiçã compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatorianunte fbrmuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Norma .• regulamentadora impor tal exigência, sob pena declarar o pedido comi 01" 4,‘ declarado. REPETIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Colins apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado, Recurso Voluntéu io Provido Parcialmente" Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, a fim de acrescentar à fundamentação do acórdão n" 3301-00.311, .julgado na sessão de 20 de outubro de 2009, sobre ponto que teria sido omitido no acórdão, incluindo-o, inclusive na ementa, sem alteração do resultado, nos termos do voto do relator. Wbdrigo o ta Possas - Presidente .-- #NPA tono rdos P"o Lisboa tear- ) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relatar), José Adão Vitorino de Morais, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuida-se de embargos de declaração em face do acórdão n" 3301-00..3i desta 1" Turma Ordinária da 3" Câmara do CARF, referente ao pedido de restituição \ PIS/COHNS incidentes sobre as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, tendo colegiado provido parcialmente o recurso, nos termos da ementa é a seguir transcrita: "Assunto Normas. de Administração Tributária Período de apuração 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa PIS e COFINS ISENÇÃO — RECEITAS ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cotins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a parti, de 22/12/2000 .REPETIÇÃO. DCOMP, HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Coibis apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compen.sação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a 3 Processo n" 10875 005801/2003-87 S3-C3TI Adm.% n "3301-00.648 Fl 494 compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado. Recurso Voluntário Provido Parcialmente." De acordo com os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional, com fulcro nos arts. 64, inciso I e 65 e seguintes do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n" 256, de 22/06/2009, o acórdão teria sido omisso quanto à formalização do pedido de restituição formulado pela embargada, pois, de acordo com a DRF houve descumprimento do disposto nos arts.. 20 e 30 da IN SRF n° .360, de 24.09.200.3, que "Será considerado não . fbrmulado o pedido de restituição e não declarada a compensação". Da mesma forma concluiu a DM (fls, 446/451): "8. Portanto, tendo em conta que a contribuinte não observou a .fbrina prevista na legislação aplicável, nem justificou a não- apresentação do Pedido Eletrônico relativa aos recolhimentos posteriores a 19 de dezembro de 1998, considera-se não- fbrinulado o Pedido de Restituição apresentado, relativo aos recolhimentos efetuadas posteriormente àquela data, conforme consta no Parecer da DRF de origem. 9. Destaque-se que a inobservância da forma fixada enseja a não-apreciação do pedido de restituição. Ou seja, ao considerar como não-formulado o pedido, deixa-se de apreciar o correspondente pleito, ainda que se trata de contribuição administrada pela Secretaria da Receita Federal 10. Dessa fornza, a petição interposta contra o Despacho da DRF de origem que indeferiu o pleito da contribuinte, não inaugura o contencioso administrativo, no que se refere aos créditos relativos aos recolhimentos posteriores a 19 de dezembro de 1998, na medida em que esta Delegacia de Julgamento não tem competência para apreciá-los. Nesse contexto, em relação àqueles fatos geradores, a petição apresentada pela contribuinte submete-se ao rito processual previsto na Lei n" 9,784, de 1999. Desta forma, apesar do julgado fazer referência à DCOMP, apresentação desse documento, e, apesar da recorrente ter argumentado em seu esse ponto, o acórdão omitiu a apreciação do mesmo. É o relatório, ive a— sobre Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os embargos foram opostos tempestivamente, bem como atendidas as demais condições de admissibilidade previstas nos arts, 64 e 65 do RI/CARF, por este motivo o mesmo deve ser conhecido. Demonstrada a omissão, vez que o acórdão não se pronunciou sobre à formalização do pedido de restituição/compensação, devendo ser acrescentado ao mesmos os seguintes fundamentos: Em relação à não utilização de Formulário PER/DCOMP, a recorrente assim se manifestou em seu recurso (fl. 459): "O que se pretende, com as informações acima, é esclarecer os motivos da não utilização do Formulário PER/DCOMP 1 1, alegado no r. Acórdão. Tratava-se, na ocasião, de direito de crédito da ora recorrente, pacifico na sua ótica, todavia submetido à revogação por instrumento inadequado, Medida Provisória Tendo em vista tal "revogação" sucederam-se ações judiciais de várias empresas e, em especial Ação Direta de Inconstitucionalidade (2.348-9 DF) com vistas à Declaração de Inconstitucionalidade dos dispositivos da Medida Provisória em questão. Tratando-se de questão polêmica, necessariamente deveria submeter-se à análise de matéria de direito, o que torna inaplicável o pedido via PER/DC(1'UP. A decisão ressalva aplicação ao caso da lei 9 784 e esclarece que o rito processual a que a petição se submete é o deste diploma legal. A ora Recorrente invoca a aplicação, também, dos dispositivos do Decreto 70.235/72 e dos Regimentos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior . de Recursos Fiscais." Portanto, claro está que o pedido de restituição/compensação não o ser formulados vis sistema eletrônico PER-DCOMP, pois, os créditos aqui discutidos nã. e -.4n1 pacíficos, devendo a matéria de direito ser submetida à análise e apreciação da Administra'''. Desta forma, a questão que se coloca é sobre a possibilidade do contribuinte fazer o Pedido de Restituição em formulário de papel, ao invés de se valer do sistema eletrônico "PERD/COMP", conforme arts. 2" e 3' da N SRF n" 360, de 24.09.2003, que "Será considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação". Como sabido, a atual sistemática de repetição de indébito, incluída tanto a restituição como a compensação, é hoje disciplinada pela Lei n" 9.430/96, que no seu art.. 74 estabelece o procedimento para se apurar tal direito do contribuinte, (Jo Processo n" 10875 00580112003-87 S3-C3T1 Acórdão n " 3301-00,6 ,18 Fl. 495 No tocante a forma com tal direito há de se pleitear, o § 1" do art, 74 apenas estabelece que a pretensão será efetuada mediante "a entrega, pelo sujeito passivo, de declatação", nos seguintes termos: "Ar! 74. O .sujeito passivo que apurar crédito, inclusive as judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.. § 1 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão ialbrinações relativas aos créditos utilizados e aos respectivas débitos compensados." Como se vê, a lei regente não determina a obrigatoriedade do pedido administrativo ser feito pela via eletrônica, não obstante o enorme ganho de agilidade que tal dispositivo propicia. Conseqüentemente, ao meu ver, não poderia a Instrução Normativa regulamentadora da matéria, restringir onde a lei não o fez, obrigando o contribuinte a expressar sua pretensão através dum único meio. Mas a IN não vilipendia apenas o basilar direito de petição. Ela vai mais além. Os Pedidos de Restituição não formulados via PERDCOMP para a IN e a decisão recorrida serão considerados "pedidos não formulados", ou seja, não sujeitos ao Processo Administrativo Tributário Federal, Mais uma vez o alargamento dos termos da lei é gritante, pois para a Lei n° 9,430/96 apenas nas hipóteses previstas no seu § 12° é que a restituição/compensação deve ser declarada como "não formulada", ali não constando com hipótese legal a formulação em papel da pretensão. Portanto, acolhem-se os embargos opostos pela Fazenda Nacional, devendo os fundamentos acima expendidos serem acrescidos aos fundamentos do acórdão embargado, sem alteração do resultado, bem como para que seja acrescentada à ementa o seguinte: "PROCESSO TRIBUTÁRIO OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL.A Lei n" 9,430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e compensaçi -, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente .fol nul pelo meio elen &leo, não podendo a Instrução N regulamentadora impor tal exigência, sob pena .4".•• () pedido como "não declarado" 5
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000850/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada apenas quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202-004.022 - CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201- 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente".
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a excluíram. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões em relação à multa isolada do carnê leão.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada apenas quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202-004.022 - CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201- 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a excluíram. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões em relação à multa isolada do carnê leão. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 08 50 /2 00 8- 35 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 537 2 A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada apenas quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a excluíram. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões em relação à multa isolada do carnê leão. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 538 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de fls. 258 e seguintes, exigindolhe o imposto de renda das pessoas físicas no valor de R$ 2.965.399,66, acrescido de multa de ofício proporcional de 75% e de 150%, dependendo da infração capitulada, multa exigida isoladamente e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Aponta o Auditor Fiscal que constatou duas infrações: I omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnê leão, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, aplicandolhe a multa qualificada, de 150%, e II omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, enquadrandoa, basicamente, no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicando a multa de 75%. Além disso, foi lançada a multa isolada pela falta de antecipação/recolhimento do imposto, a título de carnêleão. No Relatório Fiscal (fl. 279), anexo ao Auto de Infração, a autoridade competente, em resumo, descreve que: a) a base de cálculo para a infração "omissão de rendimentos decorrentes de recebimentos de pessoas físicas" corresponde ao informado pelo contribuinte em DIRPF relativas aos exercícios de 2004 e 2005, apresentadas em 30/09/2008, já sob ação fiscal iniciada; b) havendo a perda da espontaneidade, cabe a cobrança de multa de ofício sobre os rendimentos informados, que deve ser qualificada com base na reiteração da conduta, ausência de outras DIRPF, altos valores movimentados em conta corrente, conhecimento e vontade consciente em eximirse da obrigação tributária, citando o artigo 71 da Lei nº 4.502/64; c) a base de cálculo da infração decorrente de "depósitos bancários com origem não comprovada" provém da análise de extratos bancários, do Banco Bradesco. O contribuinte alega que a origem dos depósitos seria o desconto de cheques, apresentando planilhas, porém desacompanhadas de documentação comprobatória; d) os valores declarados em DIRPF, que correspondem à primeira infração, foram descontados mês a mês do total de depósitos bancários apurados, na consideração da segunda infração; e) a conta bancária era individual e observouse limites mínimos previstos nos parágrafos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para a pessoa física; Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 539 4 f) foi utilizado o expediente da RMF pois o contribuinte apresentou apenas os extratos da conta corrente, não o fazendo, voluntariamente, em relação à conta poupança vinculada. Cientificado da exigência fiscal, o contribuinte apresentou Impugnação nas fls. 306 e ss. Ao analisar sua manifestação de inconformidade, a DRJ em São Paulo II/SP, decidiu manter integralmente o lançamento, em resumo dispondo que: não se vislumbra nos autos qualquer vício que possa comprometer o lançamento; a lei 9.430/96 dá suporte à infração relativa à omissão caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; constituem base de cálculo do imposto de renda os rendimentos recebidos de pessoas físicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, conforme lei 7.713/88; é cabível o lançamento de multa isolada sobre a falta de recolhimento do carnê leão, concomitante com a multa de ofício; a multa de ofício foi corretamente qualificada; as multas de ofício não têm natureza confiscatória e correta a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora. Cientificado dessa decisão em 08/04/2009, conforme Aviso de Recebimento na fl. 359, o contribuinte apresentou recurso voluntário, conforme protocolo na fl. 369, em 04/05/2009. Em sede de recurso, sustenta, em suma, que: a) a fiscalização não embasou clara e corretamente a imposição tributária, caracterizandose cerceamento de defesa. b) trata da presunção aplicada aos depósitos bancários. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) a penalidade aplicada tem efeitos confiscatórios. d) incabível ao caso a aplicação da penalidade qualificada. e) ilegítima a exigência das multas isolada e de ofício, concomitantemente. f) inaplicáveis os juros moratórios sobre a multa, cabendo aplicálos apenas sobre o valor principal. PEDE que seu recurso seja conhecido e reformado o Acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) NULIDADE DA AUTUAÇÃO Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 540 5 Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. Importante manifestar o entendimento da “instrumentalidade das formas”, pelo que transcrevo o seguinte: “Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) No recurso foi transcrito o artigo 10 do PAF sem apontar exatamente qual requisito formal deixouse de observar na autuação. A alegação de nulidade é genérica. Diz ainda que o auto de infração contém "uma série de dispositivos legais" que criaram obstáculos a seu entendimento. A infração referente aos rendimentos recebidos de pessoas físicas pela trabalho sem vínculo empregatício está enquadrada nas Leis nº 7.713/88 e 8.134/90 e em quatro artigos do RIR/1999. Essa sequer foi discutida no recurso. A infração relativa aos depósitos bancários está enquadrada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e em um artigo do RIR/1999. As multas aplicadas estão enquadradas na Lei nº 7.713/88 e no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com alteração posterior, além de uma referência ao artigo 106 do CTN. Não vejo qualquer confusão ou inviabilidade do pleno exercício de defesa, sem considerar que existe um Relatório Fiscal, anexo, que descreve toda a ação, os enquadramentos, os valores, com planilhas, e as conclusões. Rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. MÉRITO Conforme se procurou relatar, existem duas infrações no auto de infração. Em relação aos rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, o recorrente não faz nenhuma alusão, mesmo porque, os valores foram retirados de DIRPF relativas aos exercícios de 2004 e 2005 (fls. 06 e 11), entregues por ele em 30/09/2008, já sob ação fiscal, que fora iniciada em 18/10/2007, como se observa na ciência do MPF, fl. 04. Importante citar a Súmula CARF nº 33: Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 541 6 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, os valores foram lançados de ofício, com a aplicação de multa. Em relação aos depósitos bancários sem origem comprovada, a fiscalização consignou em seu relatório que apesar do contribuinte alegar que eram decorrentes de operações de descontos de cheques, entregando uma planilha (fl. 185 e ss.) onde procurava vincular os depósitos com cheques e "taxas de juros", nenhum documento, nem mesmo os cheques, fora apresentado. De fato, a partir dessa planilha não se pode ter certeza da veracidade das informações, pois nada comprova qual era a taxa de juros do negócio, se 3% e não 4% ou 5%, e qual foi o "valor negociado", uma vez que, repito, nenhum documento foi apresentado. No recurso alegase que não seria possível fazer lançamento baseado apenas em presunção, a partir de depósitos bancários. O lançamento foi lastreado no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. A partir dos extratos bancários, o Auditor Fiscal intimou o contribuinte a justificar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Havendo resposta, porém desacompanhada de qualquer documentação, foi feito o lançamento com base na presunção estabelecida no dispositivo legal. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 542 7 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (grifei) Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, fundada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos (fls. 419 e ss.) são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegações genéricas ou desacompanhadas de documentação comprobatória não podem ilidir a presunção legalmente estabelecida. Se efetuava operações comerciais de desconto de cheques o contribuinte deveria manter cópias dos contratos celebrados e dos cheques descontados, para comprovar a origem dos depósitos. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da CSRF, citada, está superada, como se observa na Súmula acima transcrita. Ademais vejamos: Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 543 8 Acórdão 9202004.279 – 2ª Turma Sessão de 19 de julho de 2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. É claro o artigo 42, acima transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Destaco que ao totalizar mensalmente os depósitos bancários, a fiscalização excluiu do montante os valores que foram tributados como rendimentos recebidos de pessoas físicas (planilha, fl. 282). Citese: Nas planilhas abaixo demonstramos os valores que devem compor a infração OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, correspondendo à diferença entre o total de depósitos bancários não comprovados e os rendimentos informados na DIRPFs 2004 e 2005. DA MULTA DE OFÍCIO. 75%. O Contribuinte questiona a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, reputandoa inconstitucional e confiscatória. Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Bem, a fundamentação legal está clara no Auto de Infração, fl. 276, de onde transcrevo "Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. Fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150%. Art. 44, inciso II, da Lei nº 9.439/96". Constatadas as infrações à legislação tributária, aplicamse as multas legalmente previstas. No caso, como expressamente indicado, aplicouse a multa prevista no dispositivo legal transcrito. A atividade administrativa de lançamento de tributos é vinculada à lei, não cabendo às autoridades administrativas aplicarem outros percentuais, não previstos na lei tributária. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 544 9 Quanto ao cabimento da legislação tributária federal e sua compatibilidade com a Constituição de 1988, citese: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. 150%. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) A motivação para a qualificação da multa foi a seguinte, conforme Relatório Fiscal (fl. 281): Em relação aos rendimentos recebidos de pessoa física, informados em declaração após o início do procedimento fiscal, justificase a majoração da multa, nos termos do art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda. A reiteração da conduta ..., os altos valores movimentados em sua conta corrente e declarados posteriormente, demonstram conhecimento da obrigação e a vontade consciente de eximirse... Vejamos que a multa foi qualificada apenas em relação a uma das infrações. Em relação aos depósitos bancários aplicouse a multa de 75%. Mas o Auditor usou como um dos motivos "os altos valores movimentados". Não faz sentido. Também não faz sentido que do montante dos depósitos mensais tenha excluído os valores de rendimentos voluntariamente declarados e sobre eles aplique a multa qualificada. E se o contribuinte não declarasse? Tudo seria tributado como depósitos com origem não comprovada e a multa seria a de 75%. Como ele declarou, aplicouse a multa mais gravosa sobre a parcela declarada. Declarar, no caso, serviu para dobrar a penalidade. Ainda, reiteração não é argumento para qualificação de multa. O contribuinte pode acreditar, sem dolo, ter direito a determinada isenção ou dedução. Decorridos vários exercícios, o Fisco atua de ofício e reclassifica os rendimentos declarados como isentos ou glosa a dedução. Não se demonstra qualquer conduta dolosa ou fraude. Nesse exemplo, não Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 545 10 haveria porque qualificar a multa, ainda que a infração fosse observada em quatro ou cinco anos seguidos. Dessa feita, entendo pela desqualificação da multa, sobre a infração capitulada como "omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício", por discordar dos motivos apresentados pela fiscalização. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO O entendimento que vinha expressando, neste aspecto, era no sentido de ser preciso contextualizar a situação analisada, para se verificar as conseqüências e sanções a serem aplicadas, dentre as previstas no nosso ordenamento jurídico. A ausência de declaração de um rendimento, ou seu reconhecimento a menor, demanda a constituição da respectiva obrigação tributária pelo Fisco, mediante lançamento de ofício, e traz como corolário direto a aplicação da multa de 75%, chamada “multa de ofício”, que encontra sua legitimidade no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A conduta realizada pelo contribuinte, pelo que do processo consta, evidencia contraditório exigirse dele, nesse contexto, o recolhimento do IRPF antecipado (carnê leão). Embora pudesse ser, hipoteticamente, desdobrada em etapas, a conduta do contribuinte possui indissociável unidade lógica. Assim, sua segmentação, para fins de aplicação de penalidade, implicaria em injustificável bis in idem, pois significaria a aplicação de duas sanções sobre o mesmo suporte fático. Outrossim, tendo em vista que a interpretação do regime de aplicação de penalidade tributária é regida pelos preceitos contidos no art. 112 do CTN, dispositivo abaixo reproduzido: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Entendia que não se pode, desse modo, interpretar literalmente cada enunciado, desprezando a análise sistemática e sua implicação sobre o mesmo contexto fático. Da mesma forma a natureza punitiva do vínculo estabelecido pela autoridade fiscal exige que, dentre as alternativas de interpretação possíveis, seja acolhida aquela mais favorável ao contribuinte. Registrava que a alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 546 11 percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida no decorrer do ano calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê leão ou de estimativas, e a segunda quando verificada omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Desta feita, encerrado o ano calendário, não haveria o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnê leão devido durante o ano calendário. Nada obstante, esse era o entendimento já assentado no âmbito deste Conselho. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício 2003, 2004, 2005 (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]” (Processo n.º 10909.000897/200786; Acórdão n.º 210100.281, 2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário provido. (Processo n.º 18471.000571/200586; Acórdão n.º 2802002.160, 2013) MULTA ISOLADA – DUPLA INCIDÊNCIA – A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas deve ser punida com a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. Indevida sua exigência conjunta com a multa de ofício por declaração inexata, com a mesma base de Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 547 12 cálculo.(CSRF/0400105,de 22/09/2005, da 4ª Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.( CSRF/0400832, de 04/03/2008 da 4ª Turma, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e CSRF/0104987, de 15/06/2004 da 1 Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) Contudo, em recente Acórdão, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no seguinte sentido: Acórdão 9202004.022 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2016 MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas. Nesse Acórdão, entendeuse que a Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, não deixa dúvidas, no sentido de que estão tipificadas duas multas: uma pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual, e outra, isolada, pela falta do pagamento mensal, a título de antecipação. Ainda, que a "vasta jurisprudência do CARF", dizia respeito a exigências anteriores à legislação ora aplicada, ou seja, a "fatos geradores anteriores a 2007, proferidos à luz da redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". Dessa feita, ressalvado meu entendimento pessoal, é mister curvarme ao expressado pela Câmara Superior, em solução de divergência, como medida de eficiência, economicidade, segurança e confiança nos julgamentos administrativos. Não obstante, se reconhecido que havia dúvidas quanto à aplicação das duas multas, para fatos geradores ocorridos antes da alteração promovida no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, como é o caso aqui em análise, cujos fatos geradores ocorreram em 2003 e 2004, a aplicação de penalidades deve ser da forma menos gravosa ao contribuinte. No Acórdão acima transcrito, inclusive, foi citado o seguinte Acórdão, como paradigma: Acórdão nº 2201002.718, de 09/12/2015: "MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 548 13 multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual."(destaquei) Em suma, considerando as datas dos fatos geradores aqui em análise, anteriores a 2007, indevida a exigência da multa isolada por falta de recolhimento mensal do carnê leão, concomitantemente com a multa de ofício. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Entendo que obrigação e crédito tributário são duas faces da mesma moeda, sendo que o crédito nada mais é que a própria obrigação, tornada líquida, certa e exigível, pelo lançamento. Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Enquanto as obrigações acessórias tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer), a obrigação principal constituise sempre em "dar" uma importância em moeda. Mesmo sabendo que "multa" não é tributo, conforme conceito disposto em seu artigo 3º, o legislador quis que a obrigação de dar, ou seja, aquela dita principal, tivesse como objeto tanto o tributo quanto a multa, dita "penalidade pecuniária". Está escrito no § 1º do artigo 113. Assim, "crédito tributário", que tem a mesma natureza da obrigação que o precede, também conforme o CTN, no artigo 139, engloba tanto o tributo quanto a multa, que a ele se vincula. E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o tributo quanto a multa, será acrescido de juros de mora, quando não pago no vencimento, como também está expresso no artigo 161. A única diferença reside no termo a quo para aplicação dos juros. Sobre o tributo, desde o seu vencimento, na forma da lei; sobre a multa, desde a constituição do crédito, pelo lançamento, com a lavratura do auto de infração. Não é possível que o valor da multa fique congelado no tempo. Assim, concluise que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, conforme estabelecido em Súmula, de observância obrigatória. Vejamos: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 549 14 Súmula CARF nº 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Pelo todo acima exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício sobre a infração capitulada como "omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício" para 75% e cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento de carnê leão. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722157/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 22 15 7/ 20 15 -9 3 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10730.722157/201593 Resolução nº 2201000.270 S2C2T1 Fl. 3 2 Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: 1. O presente processo trata de Notificação de Lançamento, lavrada em face do contribuinte acima identificado, cópia às folhas 6 e seguintes, em decorrência da revisão da sua declaração de ajuste anual, exercício 2013, ano calendário 2012, que implicou apuração de Imposto de Renda Pessoa Física (receita 0211) no montante R$ 3.823,62, sujeito à multa de mora (20%) e juros legais, em face da constatação da infração de Compensação Indevida do IRRF, no montante de R$ 4.262,13, relativos à fonte pagadora Fell Confecções e Serviços Ltda. 2. Cientificada, em 20 de junho de 2015, AR às folhas 25, a interessada apresentou impugnação, em 20 de julho de 2015, às folhas 2 e seguintes, por intermédio de procurador, mandato as folhas 13, contestando a exigência, conforme se segue: · Alega que a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte deve ser mantida. Não obstante, requer sejam excluídos os respectivos rendimentos por pertencerem ao cônjuge. · Aduz que apresentou declaração do Imposto de Renda Original apurando imposto apagar de R$ 13.607,98, devidamente quitado, de modo que, feitos os ajustes, teria direito à restituição de imposto, e não imposto a pagar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. A alegação de erro no preenchimento da DIRPF revisada, desacompanhada de elementos probatórios, não autoriza a exclusão de rendimentos de aluguéis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do prazo legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e, em síntese, dispôs que: a) a mesma cobrança está sendo efetuada de seu cônjuge, por meio da Notificação de Lançamento n.º 2013/679530585755637; b) na mesma data do protocolo do recurso sob análise, foi realizado pedido nos autos do referido processo no sentido de assumir a totalidade dos rendimentos referente ao contrato de locação em questão; c) em 31/08/2012, conforme estipulado no contrato, findouse a locação do imóvel e o Sr. Odilon percebeu, naquele ano, oito meses de aluguel mensal de R$ 4.459,93, totalizando o valor de R$ 35.679,44; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10730.722157/201593 Resolução nº 2201000.270 S2C2T1 Fl. 4 3 d) apesar de o aditivo não ter sido firmado, a locatária se mostrou intransigente e insistiu com o envio de informes de rendimentos errados; e) como a soma dos valores percebidos pelo impugnante estavam corretos, a DAA original, anocalendário 2012, foi preenchida levandose em consideração o Informe de Rendimentos Disponibilizado pela empresa ITWSPE, doc. 05; f) verificase erro na digitação na DAA tanto do nome da empresa "LTWSPE" quanto no total dos rendimentos tributáveis R$ 35.879,44, quando o valor correto seria R$ 35.679,44, por ser o resultado da multiplicação simples de oito meses de aluguel de R$ 4.459,93; g) requer a exclusão dos rendimentos e IRRF correspondente à Fonte Pagadora 04.929.701/00160 FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA OU BOB STORE CONFECÇÕES LTDA, bem como as respectivas retenções, por estar sendo objeto de cobrança em duplicidade de imposto. É o relatório. A contribuinte apresentou Contrato de locação comercial , fls. 57 e seguintes; Contrato de prestação de serviços e de administração de bens, fls. 68 e seguintes; Aditivo de Contrato de locação, fls. 71 e seguintes; 4ª Alteração do Contrato Social da LTWSPE Confecções LTDA, fls. 78 e seguintes; Comprovante de Rendimentos pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte da LTWSPE em nome de Odilon Lima (cônjuge da recorrente), fls. 83 e seguintes; Informações apresentadas em DIRF do anocalendário 2012 Fontes pagadoras, fls. 86 e seguintes; Relação anual dos alugueres recebidos ano de 2012, fls. 88 e seguintes; Cópia da petição protocolizada nos outros autos, fls. 90 e seguintes; Cópia da Notificação de Lançamento relativa ao cônjuge, fls. 95 e seguintes. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Consoante narrado, os presentes autos tratam da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte referente à Fell Confecções e serviços LTDA. Na Descrição dos fatos e enquadramento legal consta que "a contribuinte não apresentou todos os documentos e, em relação à fonte pagadora declarada com o CNPJ 04.929.701/000160, solicitados pelo Termo de Intimação, a DIRF apresentada por esta fonte pagadora não consta o contribuinte como beneficiário do IRRF, desta forma foi efetuada a glosa do valor declarado do IRRF". Aduz a recorrente que os rendimentos que ensejaram a retenção na fonte foram recebidos pelo seu esposo, Odilon, e decorreram de um Contrato de Locação Comercial do bem acima descrito com a Locatária BOB Store Confecções LTDA, CNPJ 04.929.701/000160 e, na mesma ocasião, firmou Contrato de Prestação de Serviços de Administração de Bens com Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10730.722157/201593 Resolução nº 2201000.270 S2C2T1 Fl. 5 4 o Sr. Jorge N. Neiva Lordelo, cujo o objeto era a administração daquele contrato. Restou acordado um aluguel no valor de R$ 4.000,00. Posteriormente, após a assinatura do contrato de locação, a locatária alterou sua razão social para Fell Confecções e Serviços LTDA, mantendo a mesma inscrição no CNPJ. Em 01/02/2012, de forma unilateral, o representante da locatária enviou para a Administradora um Aditivo ao Contrato de Locação original, substituindo a locatária Bob Store Confecções LTDA (ou FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA) pela ITWSPE CONFECÇÕES LTDA, CPNJ 14.310.322/000141, fls. 71 e seguintes. Esclarece a contribuinte que a Fell Confecções é a única sócia da nova locatária ITWSPE Confecções, conforme se verifica da 4ª Alteração Contratual, fls. 78 e seguintes. Em 31/08/2012, conforme estipulado no contrato, findouse a locação do imóvel e o Sr. Odilon percebeu, naquele ano, oito meses de alugueres mensais de R$ 4.459,93, totalizando o valor de R$ 35.679,44. Acrescentou também a contribuinte que foram cometidos vários erros, nos informes de rendimentos, pela fonte pagadora, inclusive erro de digitação na DAA tanto no nome da empresa "LTWSPE", quanto no total dos rendimentos tributáveis R$ 35.879,44, mas não resta dúvida de que o valor correto é R$ 35.679,44, por ser a multiplicação simples dos oito meses de aluguel de R$ 4.459,93. Destaca a recorrente, além disso, que o seu cônjuge, conforme petição anexa, assumiu, em seu CPF, a totalidade dos rendimentos referente ao Contrato de Locação em questão. Nesse contexto, tendo em vista que está sendo realizada a mesma cobrança de seu cônjuge, com relação aos rendimentos dos alugueres do mesmo imóvel, no exercício de 2013, requer a contribuinte a completa exclusão de rendimentos declarados indevidamente e o respectivo IRRF daquela fonte pagadora. Reiterase que o esposo da recorrente foi também Notificado em razão da omissão de rendimentos de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas, fls. 96, bem como da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, fls. 97, referente à mesma fonte e ao mesmo anocalendário sob análise. Convém destacar que a contribuinte é uma senhora de 89 anos, portadora do Mal de Alzheimer e seu marido um senhor de 90 anos de idade. Diante do exposto, considerando a possibilidade de duplicidade da exigência, converto o julgamento em diligência para a análise conjunta dos presentes autos com a Notificação de Lançamento n.º 2013/679530585755637. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 110DF CARF MF
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