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Numero do processo: 10320.003565/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/08/2006, 01/01/2007 a 30/04/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - GLOSA DE COMPENSAÇÃO - DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES - LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP - AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES
O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, refere-se ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 2401-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, para afastar a nulidade declarada, devendo os autos retornarem para a primeira instância, a fim de que sejam apreciadas as matérias constantes na impugnação. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Carolina Wanderley Landim Relatora
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/08/2006, 01/01/2007 a 30/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, referese ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 35 65 /2 00 7- 64 Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, para afastar a nulidade declarada, devendo os autos retornarem para a primeira instância, a fim de que sejam apreciadas as matérias constantes na impugnação. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente. Carolina Wanderley Landim – Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.125 3 Relatório O Presidente da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, nos termos do inciso I, art. 34 do Decreto nº 70.235/72, recorre de ofício da decisão prolatada às fls. 11101115, que julgou nulo, por vício material, a Notificação Fiscal de Lançamento (NFLD) DEBCAD nº 37.069.9114, lançada em 28.09.2007 (fls.1). Conforme se depreende do relatório fiscal às fls. 164169, tratase de lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, apuradas a partir da glosa de compensações procedidas pela autuada e suas filiais, com fundamento no art. 89 da Lei nº 8.212/91 e arts. 247 a 249, 251 e 253 do Decreto nº 3048/99 (RPS), no período de 09/2005 a 10/2005, 12/2005 a 08/2006, 01/2007 a 04/2007. Ainda, de acordo com o relatório fiscal, o contribuinte utilizouse de créditos tributários provenientes de terceiros, via escritura pública de cessão de direitos creditórios (fls.168184), para compensar sua contribuição previdenciária patronal, além das retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme resta demonstrado nas GFIP colacionadas aos autos. Devidamente notificada do lançamento o contribuinte apresentou tempestiva impugnação às fls. 228249, em 30.10.2007, aduzindo em breve síntese: · A nulidade da autuação, uma vez que o lançamento teve por base artigo de Lei que não se aplica às contribuições sociais (art. 74 da Lei nº 9.430/96) e em artigo de Instrução Normativa incluído em data posterior à compensação operada pela empresa (art. 239A da IN SRP nº 3 de 2005), além da existência de pendência de análise de um processo administrativo de consulta onde se questiona a legalidade da compensação autuada, obstando desta forma qualquer início de procedimento fiscalizatório; · Ainda, alega que a presente NFLD é nula devido à ausência de base legal que autorize o lançamento, em virtude de constar no relatório de Fundamentos Legais dos Débitos FLD dispositivos desconexos com as alegações trazidas pela fiscalização na narração dos fatos. · Quanto ao mérito aduz que os créditos utilizados na compensação não são de terceiros, mas do próprio contribuinte, transferidos através de cessão de créditos. · Tais créditos são oriundos de decisão judicial transitada em julgado, presentes assim todos os requisitos necessários para garantir o direito à compensação, nos limites estabelecidos judicialmente. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao apreciar a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE julgou nulo o lançamento, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72, conforme acórdão abaixo ementado: GLOSA DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO. NULIDADE A glosa de compensação efetuada indevidamente nada mais é que contribuições a cargo da empresa devidas à Seguridade Social e que deixaram de ser recolhidas. É imprescindível que seja informado ao notificado a fundamentação legal do lançamento, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa. Assim, considerando que a decisão acima anulou a autuação exonerando integralmente o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário discutido, e uma vez que o valor da autuação supera o limite de alçada, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão supracitada. É o relatório. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.126 5 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Presente o pressuposto de admissibilidade nos termos do art. 34, I, Decreto nº 70.235/72, tomo conhecimento do recurso de ofício. Como já relatado acima, a presente autuação visa exigir o pagamento das contribuições sociais devidas ao INSS (patronal e as retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais), apuradas a partir da glosa de compensações procedidas indevidamente pela Recorrida. No entanto, o lançamento não discrimina de forma clara e precisa as contribuições que foram indevidamente compensadas e a fundamentação legal que respalda as exigências, como bem explicitou a 5ª Turma da DRJ/FOR na decisão que foi objeto do recurso de ofício ora apreciado: “De posse do Relatório de Lançamentos (RL), fls. 74/97, notase que o crédito foi constituído pelo lançamento unicamente da glosa de compensação efetuada, rubrica 19Glosa Compensação. Consequentemente, o relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), fls. 151/152, não relaciona a fundamentação legal das contribuições previdenciárias insertas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, mas apenas da compensação indevida e dos acréscimos legais. Entretanto, para apuração do crédito, deveria ter sido efetuado o lançamento de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias, inclusive o valor de compensação informado em GFIP, lançando também a glosa da compensação, caso esta seja considerada indevida. Desta forma, seria apresentada a fundamentação legal correta da contribuição apurada, visto que a glosa de compensação indevida nada mais significa do que a existência de contribuições previdenciárias previstas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, conforme o caso. (...) Tais irregularidades, acarretam cerceamento de defesa e levam a nulidade do ato, a teor do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e o artigo 53 da Lei 9.784/199, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal(...)” De fato, a autoridade fiscal, ao formalizar sua peça acusatória, não individualizou as contribuições previdenciárias exigidas, identificando os respectivos fatos geradores e suas bases de cálculo, mas se limitou apenas em exigir, por competência, o valor total compensado indevidamente, sob a rubrica 19Glosa Compensação. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Além disso, não respaldou sua autuação nos fundamentos legais que amparam a exigência das contribuições previdenciárias previstas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, mas baseou seu lançamento apenas em disposições legais que tratam do procedimento de restituição/compensação das contribuições, quais sejam: art. 89 da Lei nº 8.212/91 e arts. 247 a 249, 251 e 253 do Decreto n. 3.048/99. No entanto, como afirmou com bastante propriedade a 5ª Turma da DRJ/FOR, a glosa de compensação indevida nada mais significa do que a existência de contribuições previdenciárias previstas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, conforme for o caso. Deste modo, o lançamento aqui analisado apresenta vícios que nitidamente cercearam o direito de defesa do autuado, além de ter infringido o quanto disposto no art. 37 da Lei nº 8.212/91, que dispõe expressamente que a fiscalização deverá lavrar a notificação de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Ademais, cabe destacar, que os equívocos cometidos pela autoridade fiscal responsável pela lavratura desta autuação possuem a natureza, inequivocamente, de vícios materiais, uma vez que macularam o conteúdo do lançamento e não apenas a sua forma, pois não houve a adequada individualização das contribuições previdenciárias exigidas, além de o lançamento encontrarse baseado em fundamentação legal imprecisa, comprometendo o direito de defesa do contribuinte. Em casos análogos ao aqui tratado, a jurisprudência desse Conselho tem reconhecido a existência de vício material em equívocos dessa natureza, consoante se verifica dos julgados cujas ementas seguem abaixo transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFICIO – É nulo o ato administrativo de Lançamento formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase no caso de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.1 LANÇAMENTO – NULIDADE – VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA – Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no art. 150 §4º, do CTN.2 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de 11ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06.12.2002. 22ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 138.595 – Acórdão nº 10247201, Sessão de 10/11/2005 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.127 7 defesa e consequente nulidade devido a ocorrência de vício material.3 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO, mantendo incólume a decisão proferida pela DRJ/FOR para DECLARAR A NULIDADE da autuação, por vício material, em vista da falta da discriminação clara dos fatos geradores e ausência de correta fundamentação legal, que culminaram na preterição do direito de defesa do Recorrido, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.325/72. É como voto. Carolina Wanderley Landim 34ª Câmara da 2ª Seção do CARF Processo nº 35368.002702/200647 – Acórdão nº240201.058, Sessão 16.08.2010 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Divirjo do entendimento do ilustre relator quanto a nulidade avençada em função da ausência de descrição dos fatos geradores, bem como falta de fundamentação para o lançamento quanto ao lançamento referente a GLOSA de compensação indevida. Primeiramente, observase que o valor do lançamento referente a GLOSA tem por base valores declarados em GFIP em campo próprio de compensação. Todavia, considerou o auditor que dita compensação não foi realizada nos moldes devidos, razão porque procedeu ao lançamento dos valores. Dessa forma, entendo que a posição do relator quanto a nulidade pela ausência de descrição dos fatos geradores não deve prevalecer. O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, referese ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. Entendo que a exigência do relator não há como ser efetivada, uma vez que implicaria em nova informação de fatos geradores (digase já informados na competência própria), implicando duplicidade de informação. Não há nem mesmo como identificar quais os fatos geradores que foram compensados, para que se determinasse novo lançamento, posto que o valor da compensação é informado pelo recorrente, sendo abatido do montante da contribuição devida, tendose por base todos os fatos geradores informados e a aplicação das correspondentes alíquotas. A única coisa que fez o auditor foi lançar o valor abatido indevidamente (informado pelo recorrente no documento GFIP), devendo, portanto, descrever de forma detalhada os motivos pelos quais entendeu ser indevida a compensação realizada, como bem o fez. Notese que o relatório fiscal, conforme transcrito pelo próprio relator, demonstrou a impossibilidade de realização do procedimento de compensação nos moldes como o foi, razão porque procedeu ao lançamento Dessa forma, entendo que não existe a nulidade avençada pelo relator uma vez que os fatos geradores já foram descritos anteriormente pelo próprio recorrente no seu documento GFIP, que digase, foi o documento que consubstanciou o lançamento. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.128 9 CONCLUSÃO Face o exposto, voto por AFASTAR A NULIDADE declarada pelo julgador de Primeira instância, ratificada pelo relator, para DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902160/2012-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 60 /2 01 2- 04 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902160/201204 Acórdão n.º 3803005.256 S3TE03 Fl. 69 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da contribuição para o PIS devida em setembro de 2002, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 461,51. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição para o PIS, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902160/201204 Acórdão n.º 3803005.256 S3TE03 Fl. 70 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902160/201204 Acórdão n.º 3803005.256 S3TE03 Fl. 71 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902160/201204 Acórdão n.º 3803005.256 S3TE03 Fl. 72 5 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000088/00-95
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
Por força do disposto no art. 62-A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, a decisão exarada no Recurso Especial n° 1112524/DF (Representativo de Controvérsia) deve ser reproduzida por esta instância de julgamento, razão pela qual o direito creditório da contribuinte deve ser corrigido conforme índices estabelecidos na Tabela Única aprovada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ).
Numero da decisão: 9900-000.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso extraordinário da contribuinte, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13678.000088/0095 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.298 – Pleno Sessão de 8 de dezembro de 2011 Matéria Repetição de indébito. Recorrente Cia. Agro Pastoril Rio Grande Recorrida Fazenda Nacional REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Por força do disposto no art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, a decisão exarada no Recurso Especial n° 1112524/DF (Representativo de Controvérsia) deve ser reproduzida por esta instância de julgamento, razão pela qual o direito creditório da contribuinte deve ser corrigido conforme índices estabelecidos na Tabela Única aprovada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso extraordinário da contribuinte, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior – Relator (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moisés Gioacomelli Nunes da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte (doc. a fls. 209 a 217), com fundamento no art. 4° 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 02 02.954, no qual, a Segunda Turma da CSRF negou provimento ao Recurso Especial da contribuinte, afastando a aplicação de índices decorrentes do expurgo inflacionário na atualização do valor do direito creditório a que faz jus a recorrente. Em breve síntese, a recorrente teve reconhecido seu direito creditório, pelo Acórdão n° 20215.505 (doc. a fls. 103), da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, referente à Contribuic ão para o PIS paga sob a forma dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, vez que devidos com a incide ncia da Lei Complementar nº 7, de 1970, considerandose que a base de cálculo é o faturamento do sexto me s anterior àquele em que ocorreu o fato gerador. Segundo tal decisão, o valor do direito creditório deveria ser atualizado com os índices admitidos pela Administração Tributária. A contribuinte interpõe recurso especial (doc. a fls. 121), no qual requer seja aplicada a correção plena sobre a restituição pleiteada, mediante a inclusão nos cálculos dos expurgos inflacionários reconhecidos e autorizados pelo Poder Judiciário. O recurso especial foi improvido, se não vejamos como dispõe a ementa do Acórdão recorrido: “CORREC ÃO MONETÁRIA. A atualizac ão monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execuc ão Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4% da Lei n° 9.250/95. Incabível a atualizac ão do indébito tributário pelos expurgos inflacionários, por ause ncia de previsão legal.” No recurso extraordinário interposto, a recorrente apresenta os seguintes acórdãos paradigmas: “CORREC ÃO MONETÁRIA RESTITUIC ÃO E COMPENSAC ÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO PRINCÍPIO DA MORALIDADE CONSTITUIC ÃO FEDERAL, ARTIGO 37 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS ST1 1990 IPC PRECEDENTES Na vige ncia de sistemática legal geral de correc ão monetária, a correc ão de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicacão dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adocão de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado Recurso negado." (Acórdão n° CSRF/0104.456, 1° Turma da Ca mara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 25.02.2003, publicado em 11.08.2003, Relator Mario Junqueira Franco Júnior)” “IRPJ RESTITUIC ÃO CORREC ÃO MONETÁRIA Seja em face do tributo ser uma obrigac ão de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por forca do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprude ncia mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13678.000088/0095 Acórdão n.º 9900000.298 CSRFPL Fl. 2 3 de contribuirão paga indevidamente impõese a sua devolucão com correção monetária. Por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho. (Acórdão n° CSRF/0103.087, 1') Turma da Ca mara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 11.09.2000, publicac ão em 25.06.2001, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) Além de sustentar a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, a recorrente alega: a) que para não haver ofensa ao princípio da moralidade e também para não levar ao enriquecimento ilícito do Estado, a correc ão do indébito tributário há de ser plena, mediante aplicac ão dos índices representativos da real perda do valor da moeda nacional; b) que a aplicac ão de tais expurgos foi expressamente admitida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, consoante os termos do Ato Declaratório PGFN n° 10, de 1 1de dezembro de 2008; e c) alfim, requer seja conhecido e provido o recurso extraordinário, a fim de se admitir a aplicac ão dos expurgos inflacionários na atualizac ão dos indébitos tributários e, consequentemente, reconhecer plenamente o direito à restituic ão/compensac ão objeto do presente feito.O Presidente da CSRF, por meio do despacho a fls. 242 e 243, deu seguimento ao recurso extraordinário da contribuinte, por entender que era tempestivo e que restou demonstrada a divergência. Cientificada do recurso extraordinário da contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (doc. a fls. 245 a 252), na qual alega sucintamente que o recurso extraordinário não deve ser conhecido, pois não foi pleiteado os índices de correção decorrentes dos expurgos inflacionários no recurso voluntário, questão só levanta em sede de recurso especial, logo, evidenciando a manifesta preclusão. Todavia, se conhecido o recurso extraordinário, a recorrida sutenta que deve ser negado provimento, pois os expurgos inflacionários são produtos de mera corrente jurisprudencial sem base legal. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. São pressupostos de admissibilidade do recurso extraordinário, previsto no art. 9º e 43 do Anexo II da Portaria MF nº 147/07, a tempestividade e a demonstração da divergência entre decisões das turmas da CSRF ou entre decisão de Turma da CSRF e decisão do Pleno. Tais pressupostos restam devidamente demonstrados nos autos, razão pela qual deve ser conhecido o recurso extraordinário da contribuinte. No mérito, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, de forma que passo a reproduzir o disposto na decisão do Recurso Especial n° 1112524/DF (Representativo de Controvérsia), cuja ementa assim dispõe: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 REsp 1112524 / DF Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data do Julgamento 01/09/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 30/09/2010 DECTRAB vol. 196 p. 32; DECTRAB vol. 197 p. 47 Ementa: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13678.000088/0095 Acórdão n.º 9900000.298 CSRFPL Fl. 3 5 pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, reproduzindo a decisão acima transcrita, concluise que os valores a restituir/compensar devem ser corrigidos conforme Tabela Única aprovada pela Primeira Seção do STJ (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ), a qual enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário da contribuinte, nos termos do voto acima exarado, para que o valor do direito creditório, reconhecido no Acórdão n° 20215.505 (doc. a fls. 103 e segs.), seja corrigido conforme índices estabelecidos na Tabela Única aprovada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13678.000088/0095 Acórdão n.º 9900000.298 CSRFPL Fl. 4 7 ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 0/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 10580.727299/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO HETERÔNOMA. IMPOSSIBILIDADE.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, quando retido na fonte, se destine ao próprio Estado.
URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR.
As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração.
RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário.
JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, restringiu-se aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em erro no preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda das pessoas físicas, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora. Súmula CARF nº 73.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO HETERÔNOMA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, quando retido na fonte, se destine ao próprio Estado. URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, restringiu-se aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em erro no preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda das pessoas físicas, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora. Súmula CARF nº 73. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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IMPOSSIBILIDADE. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, quando retido na fonte, se destine ao próprio Estado. URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, restringiuse aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 99 /2 00 9- 60 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 182 2 Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em erro no preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda das pessoas físicas, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora. Súmula CARF nº 73. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto as seguintes partes do Relatório, que complemento ao final, elaborado pela Autoridade julgadora de 1ª instância: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 29.206,15, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 183 3 conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O Auto de Infração encontrase na fl. 3 e seguintes, tendo sido lavrado em 05/11/2009 e cientificado ao contribuinte em 19/11/2009. O demonstrativo de apuração do imposto encontrase na fl. 11 e traz as seguintes considerações, efetuadas pelos Auditores Fiscais: “Observações: 1) Total do IR devido corresponde à soma do IR devido no período de abril de 1994 a julho de 2001; 2) IR devido em 2004, 2005 e 2006 corresponde ao valor do imposto total devido dividido por 3 (três), já que toda a diferença salarial devida a título de URV foi efetivamente paga ao longo desses 3 anos (janeiro de 2004 a dezembro de 2006). 3) Os valores lançados na coluna "diferença salarial devida URV" foram extraídos da planilha apresentada pelo sujeito passivo 4) A definição da alíquota aplicada levou em consideração o valor total da remuneração recebida em cada mês mais a diferença salarial recebida a título de variação da URV no mesmo período”. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação que foi conhecida e tratada pela Autoridade julgadora a quo, em resumo, nos seguintes termos: Primeiramente, cabe observar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que em seu art. 3º dispõe sobre “diferenças decorrentes do erro na conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 184 4 pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. (...) Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. (...) Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN. (...) Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora .... (...) Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Em razão das citadas diferenças terem sido recebidas acumuladamente, o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 185 5 referiam tais rendimentos, conforme depusera o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Assim, sendo, deuse o julgamento, na esteira do Voto do Relator, para considerar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido. Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 13/10/2011, conforme AR na fl. 179 e apresentou recurso voluntário em 20/10/2011, conforme fl. 76. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: o Acórdão de 1ª instância contraria o entendimento dos tribunais pátrios por: a) desconsiderar a natureza indenizatória da URV, já confirmada pelo STF; b) não ter levado em conta o caráter uno da justiça brasileira e c) manter a multa de 75% em desconsideração a Parecer do Ministro da Fazenda; alega que a responsabilidade pela infração seria do Estado da Bahia que, ao lhe pagar os rendimentos, informou que se tratava de verba indenizatória isenta de Imposto de Renda. Seria, portanto, um erro escusável do contribuinte que seguiu as orientações da fonte pagadora, com uma lei estadual vigente, no mesmo sentido; diz que em resposta a consulta, efetuada no rito legal, pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, o Ministro da Fazenda manifestouse pela inaplicabilidade da multa de oficio e essa consulta teria efeitos vinculantes; diz que a constituição do crédito tributário foi feita de forma inadequada, no que se refere a sua base de cálculo, isso porque a Fiscalização deveria ter refeito as três DIRPF do contribuinte para apurar o imposto devido, mês a mês, juntamente com os salários auferidos; pugna pela não incidência do IR sobre os juros moratórios, sendo que a Fiscalização autuante levou em consideração o valor da diferença de URV mais juros e atualização, na constituição do crédito. Acrescenta que conforme despacho do Presidente do Conselho Nacional de Justiça, os juros da URV pagos em atraso teriam natureza indenizatória; Citando entendimentos vários sobre a natureza indenizatória da URV, entende que esta tributação in casu fere o princípio da isonomia; Entende que a União não é parte legítima para a exigência do imposto de renda em comento, uma vez que o produto da arrecadação pertence ao Estado da Bahia; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 186 6 Isso posto, requer o Recorrente o reconhecimento da improcedência do crédito tributário constituído, pela “indubitável” natureza indenizatória da URV e dos juros, bem como pela ilegitimidade ativa da União para exigilo. Caso se entenda pela manutenção da exigência, requer a exclusão da multa de 75% haja vista não restar comprovada qualquer infração cometida pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Este caso de lançamento de ofício sobre verbas recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em razão de diferenças da conversão de moedas, no período de 1994 a 2001, tendo sido pagas diferenças, posteriormente, em 36 parcelas, nos anos de 2004, 2005 e 2006 não é matéria nova que se põe à análise deste Colegiado. DA NATUREZA DA VERBA RECEBIDA. Quanto ao cerne da controvérsia, sobre a qualificação dos rendimentos como isentos ou não, o que se observa nos Acórdãos 2801002.748, 2801002.648, 2801002.742 e 2801002.871, dentre outros, é que há uma convergência de entendimentos, no seguinte sentido: Acórdão 2801002.748, de 17/10/2012: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. No Voto condutor do Acórdão 2801002.871, da lavra do ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, destaco o seguinte, em relação a este aspecto do Recurso aqui interposto: NATUREZA REMUNERATÓRIA DOS VALORES PAGOS Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 187 7 Acrescento que os valores pagos a servidores em decorrência de diferenças de URV não recebidas em época oportuna constituem verdadeiros acréscimos patrimoniais, que se afiguram de caráter remuneratório, razão pela qual se justifica a incidência do imposto de renda, em consonância com o disposto no art. 43, inc. II, do CTN. Noutros termos: as diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, motivo pelo qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. Ademais, é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que as diferenças de URV têm natureza remuneratória. À guisa de exemplos, multifários precedentes: (...) TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. PARCELAS RECEBIDAS ADMINISTRATIVAMENTE COM ATRASO. ÍNDICE DE 11,98%, URV. VERBA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESOLUÇÃO 245/STF. INAPLICABILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que os valores recebidos pelos servidores públicos, oriundos de pagamento de diferença da URV, não têm natureza indenizatória, mas sim salarial, pois incorporamse ao seu patrimônio, constituindose, assim, em fato gerador da incidência do Imposto de Renda, nos moldes do art. 43 do CTN. 2. A Resolução Administrativa 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável ao caso. A mencionada norma faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/1998, e não à parcela correspondente aos 11,98% em favor dos servidores públicos estaduais. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RMS 27.614/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2008, DJe 13/03/2009). Assim, concluímos também que as verbas recebidas, que deram causa ao lançamento aqui questionado, não têm natureza indenizatória, submetendose, portanto, como verdadeiros acréscimos patrimoniais, à incidência do Imposto sobre a Renda. DA ISENÇÃO HETERÔNOMA. Quanto à possibilidade de que uma Lei do Estado da Bahia concedesse isenções de tributo de competência da União, também já me parece ponto indiscutível neste Colegiado, sobre o qual trago, a guisa de exemplo, o Acórdão 2801002.684, de 19 de setembro de 2012: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 188 8 (...) COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. As chamadas isenções heterônomas são vedadas pelo próprio texto Constitucional, conforme art 151, III. Se é vedado à União conceder isenção de tributos de competência estadual e municipal, não se pode supor que o Estado poderia conceder isenção de imposto de competência federal. Também, cabe citar que o Código Tributário Nacional já tratou de esclarecer que a repartição de receitas tributárias não afeta a indelegável competência constitucional do ente tributante, não podendo outro, por deter o produto da arrecadação ou parte dela, conferirlhe contorno diverso. Assim a “repartição” do poder de tributar, através da atribuição constitucional de competências exclusivas a cada um dos entes políticos, não se confunde, de modo algum, com a repartição de receitas tributárias, prevista a partir do art. 157 da CF. Daí dispor o parágrafo único do art. 6º do CTN: “§ único “Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos”. Portanto, lei estadual não pode adentrar na competência legislativa, de cunho constitucional, da União para dispor sobre o Imposto de Renda, ainda que parte da receita deva pertencer ao Estado. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO AO LANÇAMENTO. Neste aspecto, em particular, também já se orientou não somente o entendimento desta 1ª Turma Especial como também o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a edição da Súmula CARF nº 73, cujo teor transcrevo: “Súmula CARF nº 73 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.” Neste caso, considerando a Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 e os próprios comprovantes de rendimentos emitidos pelo Tribunal de Justiça, nas fls. 20 a 23, é de se concluir que o Recorrente foi conduzido à prática de erro, que se pode reputar escusável. Presumiu o declarante pela validade da Lei Estadual e das informações administrativas prestadas pelo Tribunal, fonte pagadora das rendimentos. Assim, manifesto meu entendimento de que, quando inequívoca a existência da interferência da fonte pagadora a induzir o declarante a erro, e aqui demonstrase isso documentalmente, seja indevido o lançamento da multa de ofício, aplicandose a Súmula administrativa, conforme o Regimento Interno deste CARF. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 189 9 DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELA RETENÇÃO. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e seu não cumprimento, no caso, não exclui aquela do contribuinte declarante. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. Assim, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, sua omissão não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. ((REsp 383.309/SC,Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06) No mesmo sentido, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade da fonte pagadora extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” (...) Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. ... Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 190 10 exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, ... (sublinhei) Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) DA APURAÇÃO DO IMPOSTO. Observase aqui que o imposto foi calculado em consonância com a sistemática estabelecida no Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, que dispôs sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, por força do Despacho do Ministro da Fazenda, publicado no Diário Oficial da União de 11 de maio de 2009, que aprovou o mencionado parecer. Desta feita, consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 5/6, o seguinte: “Para apuração do imposto devido consideramos os valores das diferenças salariais devidas (URV), incluindo atualização e os juros, mensalmente distribuída no período de abril de 1994 a julho de 2001, conforme planilha de cálculo apresentada pelo sujeito passivo denominada "Cálculo da diferença de URV Abril de 1994 a Julho de 2001", levandoos à tributação com base na alíquota vigente à época, apurando o valor total do imposto devido, que foi divido pelos 3 (três) anos em que ocorreu o recebimento, janeiro de 2004 a dezembro de 2006, já que toda a diferença salarial devida a título de URV foi efetivamente recebida ao longo desses 3 (três) anos. Não foram considerados para apuração do imposto devido as diferenças salariais devidas que tinham como origem o 13º salário, por serem de tributação e responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, e as diferenças salariais com origem no abono de férias (conversão de férias), que apesar de tributáveis, não poderá ter o seu crédito tributário correspondente constituído por força do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, combinado com o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprova o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2140/2006”.(sublinhei) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 191 11 O cálculo do imposto devido encontrase no “Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado”, à fl. 11. Os valores das diferenças de remuneração foram distribuídos pelo quantitativo de meses (maio de 1999 a julho de 2001), aplicandose as alíquotas vigentes às épocas respectivas. O total do imposto apurado foi dividido pelos três anos em que ocorreram os recebimentos (janeiro de 2004 a dezembro de 2006). Informam as Autoridades lançadoras, no tópico “Observações” do referido “Demonstrativo”, que os valores lançados na coluna “Diferença Salarial Devida – URV” foram extraídos de planilha apresentada pelo próprio contribuinte e que, na definição da alíquota a ser aplicada, considerouse o valor total da remuneração recebida em cada mês mais a diferença de remuneração recebida a título de variação da URV no mesmo período. Verificase ainda que adicionar o valor apurado de ofício aos valores já declarados e apurados pelo contribuinte nas DIRPF 2004, 2005 e 2006, seria tributar, acumuladamente, rendimentos que se referem a competências diversas. No caso, a apuração do imposto deve ser feita, como se deu, de forma separada, não se tributando no ajuste anual, acumuladamente, os rendimentos da URV que se referem a diversas competências onde as alíquotas eram diferentes. Assim, entendo improcedentes as alegações do Recorrente, nesse sentido. QUANTO À INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS. Neste ponto, irretocáveis as considerações efetuadas no Voto condutor do Acórdão 2801002.871, que transcrevo parcialmente: No concernente aos juros moratórios, relevante observar que no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido pela não incidência de imposto de renda sobre os valores pagos a esse título, em acórdão assim ementado: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ocorre que o Egrégio Tribunal acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela União para explicitar que o tema de mérito discutido no recurso especial circunscrevese à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, o que não se amolda ao presente caso. (...) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 192 12 Em julgado recente, o STJ confirmou que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543 C do CPC se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". Na mesma linha de raciocínio, entendo que a natureza dos juros segue a da verba principal, aqui já entendida como tributável e não indenizatória. Desta feita, trago os seguintes entendimentos, grifados, para concluir pela não exclusão dos juros da incidência do imposto de renda aqui em discussão: RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO JUROS DE MORA DECORRENTES DE DIFERENÇAS SALARIAIS RECEBIDAS EM RAZÃO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA NATUREZA TRIBUTÁVEL INCIDÊNCIA DO IMPOSTO Os juros recebidos em razão de decisão judicial que reconheceu o direito ao recebimento de diferenças salariais têm natureza tributável. Não encontra amparo legal a pretensão de equiparar tais valores a uma indenização. A verba acessória tem a mesma natureza da principal e ambas acrescem o patrimônio do sujeito passivo, sendo tributáveis por ocasião de sua disponibilidade. 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10419.323 em 17/04/2003. Publicado no DOU em: 11.08.2003. (grifei) Em sentido contrário, mas com a mesma conclusão: IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS MORATÓRIOS VERBAS INDENIZATÓRIAS DECORRENTES DE CONDENAÇÃO EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA NÃO INCIDÊNCIA O imposto de renda somente incide sobre juros moratórios se o principal também for sujeito a tributação, pois o acessório segue a sorte do principal. Precedentes desta Corte. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.727299/200960 Acórdão n.º 2801003.314 S2TE01 Fl. 193 13 Hipótese em que os juros moratórios são oriundos de pagamento de verbas indenizatórias decorrentes de condenação em reclamatória trabalhista. Por isso, indevida a incidência do imposto de renda. (STJ, Resp. nº 200800504383, processo nº 1.037.967, Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 15/05/2008).(grifei) ISONOMIA. INTERPRETAÇÃO DA ISENÇÃO. Por fim, quanto ao princípio da isonomia, citado, lembro que as normas que concedem isenção devem ser interpretadas sempre literalmente, conforme art. 111 do CTN, sendo vedado o emprego da analogia ou de interpretações extensivas, para alcançar sujeitos passivos em situação que se considere análoga. Assim, não é aplicável a Resolução nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal STF, que conferiu natureza indenizatória ao abono pago aos magistrados federais em razão das diferenças de URV. O Recorrente não faz parte dos quadros da Magistratura Federal, pertencendo à Magistratura do Estado da Bahia, não podendo a Resolução do STF ser estendida às verbas a ele pagas, pois que isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. CONCLUSÕES. Pelas razões aqui expendidas, entendo que sejam improcedentes as alegações e o pedido do Recorrente, no que tange ao imposto sobre a renda, devendo ser reformado o lançamento apenas para cancelar a exigência da multa de ofício no percentual de 75%. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 19515.001603/2002-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em contade sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em contade sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado
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TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em contade sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 03 /2 00 2- 27 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 155 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 213.268,20, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, exercício 1999, omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira em relação à qual o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 67/68 deste processo digital, que: A presente ação fiscal foi aberta com respaldo na quebra de sigilo bancário concedida pelo Exmo. Sr. Juiz Federal Terceira Vara Criminal Federal de São Paulo, através do Procedimento Criminal Diverso nº 2002.61.81.0000748. O procedimento administrativo corresponde a uma nova ação fiscal de outra anteriormente autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0813400 2001 00755 6, que havia sido suspensa em face de liminar obtida, pela contribuinte, em sede de Mandado de Segurança. Com base nos extratos do Banco Itaú S/A, encaminhados pelo Sr. Juiz Federal, foram elaborados os demonstrativos referentes à incidência e pagamentos da CPMF de 1998 e dos depósitos efetuados no mesmo ano, nos quais foram apurados, respectivamente, totais de R$ 1.182,78 e R$ 367.410,07. A autorização para o procedimento foi concedida por intermédio do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0819000 2002 03723 7, em 12/09/2002. No desenvolvimento da ação fiscal foi elaborado o quadro final de demonstrativo dos depósitos efetuados no anocalendário de 1998, que totalizou R$ 364.557,61. A contribuinte foi devidamente intimada a comprovar as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários através do Termo de Intimação Fiscal de fl. 45 deste processo digital, com ciência à contribuinte em 25/09/2002 (Aviso de Recebimento – AR à fl. 55 deste processo digital). Em 09/11/2002, a contribuinte, através de documento de fl. 59 deste processo digital, informou que não logrou êxito em localizar a documentação hábil e idônea possível de comprovar as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários, segundo motivos descritos naquele documento. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 156 3 Diante dos fatos acima, ficou expressamente constada a não comprovação das origens dos depósitos creditados, em 1998, na conta da contribuinte, restando, assim, os depósitos caracterizados como omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi elaborado o quadro demonstrativo dos depósitos, deduzindo as devoluções dos cheques depositados em 1998 na conta da contribuinte. Apurouse o total de R$ 346.520,36, que corresponde aos depósitos/créditos cujas origens não foram comprovadas e que serão objeto do lançamento de oficio. Após a apresentação da impugnação de fls. 79/89 deste processo digital, o lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 116/123, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. SIGILO BANCÁRIO. Não há quebra de sigilo no repasse de informações e documentos pela própria Justiça Federal, mediante solicitação de extensão da quebra de sigilo decretada judicialmente. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 157 4 As decisões judiciais, à exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/12/2007, a Interessada interpôs, em 21/12/2007, o recurso de fls. 137/144. Na peça recursal aduz, em síntese, que: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – MPF EXTINTO O auto de infração foi lavrado com fulcro em Mandado de Procedimento Fiscal MPF ineficaz, uma vez que já extinto em virtude do decurso de seu prazo de validade. O caput do artigo 10 do Decreto n° 70.235/1972 exige, como condição primeira para validade do Auto de Infração, que o agente da administração responsável por sua lavratura tenha competência administrativa para tanto. A Portaria SRF nº 1.295, de 22 de novembro de 1999, estabelece que o mesmo AuditorFiscal não poderá ser indicado para a execução de MPF extinto. O Mandado de Procedimento Fiscal original (MPFF n° 0813400 2001 0075567), que deu azo ao Auto de Infração, tinha prazo de validade até 27/01/2002. Todavia, somente em 12/09/2002 o MPFF foi prorrogado pela emissão do MPF nº 0819000 2002 03723, com a indicação do mesmo AFRF para a execução dos trabalhos de fiscalização. Portanto, estando extinto pelo decurso do prazo, o Mandado originalmente emitido não surtia mais efeitos e, em decorrência, a competência específica por ele atribuída ao Auditor Fiscal também não mais prevalecia. Sendo este o caso concreto, uma vez que o MPF se extinguiu pelo decurso de seu prazo de validade, o Auto de Infração lavrado em face da Recorrente é nulo de pleno direito, à vista do disposto no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – QUEBRA DO SIGILO BANCÀRIO O procedimento do Fisco Federal, ao se valer do cruzamento da CPMF para "deduzir" disponibilidade econômica incompatível com a renda declarada, e daí instaurar um feito preliminar na Vara Criminal Federal de São Paulo, caracteriza a produção de prova ilícita. A jurisprudência considera contaminadas todas as demais provas que tenha como ponto de partida prova ilícita ou prova obtida por meios inidôneos. É a denominada "teoria da árvore envenenada". O sigilo bancário da Recorrente estava protegido por liminar obtida junto à 13ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Assim, a quebra do sigilo somente poderia ocorrer por ordem judicial devidamente fundamentada e para fins de investigação criminal ou instrução em processo penal, mas desde que existissem indícios suficientes para autorizar o sacrifício de tão relevante garantia constitucional. INEXISTÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 158 5 Cabe à fiscalização a efetiva prova de omissão de receitas, não sendo elemento bastante e suficiente à configuração do ilícito o simples cotejo entre a declaração e/ou informações prestadas pelo contribuinte. A exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, porque estes, por si sós, não constituem fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o artigo 43 do Código Tributário Nacional CTN. É ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. PEDIDO Após elencar diversas ementas de acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes no sentido de que depósitos bancários não legitimam a tributação, pugna pelo acolhimento do recurso e pela reforma da decisão recorrida, cancelandose o lançamento fiscal e determinando o arquivamento do processo administrativo. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator OBSERVAÇÃO INICIAL As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração do processo físico. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O despacho de fl. 146, que afirma a intempestividade do presente recurso voluntário, está em dissonância com a realidade fática evidenciada nos autos. As três tentativas de intimação postal restaram infrutíferas (Aviso de Recebimento à fl. 126). A Interessada somente foi intimada do teor da decisão de piso em 07/12/2007 (Termo de Ciência e Recebimento de Intimação à fl. 134). O recurso foi protocolizado em 21/12/2007 (fl. 137) e veio acompanhado de procuração (fl. 145) outorgando poderes ao patrono da Recorrente. Nesse contexto, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. PRELIMINARES NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA Validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Ao contrário do afirmado pela Recorrente, o MPF que determinou o início do procedimento de fiscalização não estava com o prazo de validade extinto na data da lavratura do Auto de Infração. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 159 6 O que ocorreu, de fato, foi que a fiscalização iniciada em 29/03/2001 (Termo de Início de Fiscalização à fl. 91) teve o seu curso obstado por conta da liminar deferida pelo Exmo. Juiz Federal da 13ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo (fls. 102/104), vindo a ser encerrada em 10/01/2002. Posteriormente, a Justiça Federal determinou a quebra do sigilo bancário da contribuinte e encaminhou os extratos de fls. 9/35 à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, que, ato contínuo, por intermédio da Autoridade competente, emitiu a autorização para a realização de nova ação fiscal em face da Recorrente, nos seguintes termos (fl. 46): AUTORIZAÇÃO Autorizo a realização de uma nova ação fiscal junto ao contribuinte IRENE VALLADÃO CANNALONGA, CPF 261.229.29859, correspondente ao Período Referência: 00/1998, tributo: 210 IRPF, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n.° 3.000, de 26/03/99 (Leis nºs 2.354/54, artigo 7º, parágrafo 2º e 3.470/58, artigo 34). A presente autorização de segundo exame se refere à ação fiscal encerrada em 10/01/2002, Tributo: 210 Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, RPF nº 2001.027745. Em decorrência, foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0819000 2002 03723 7 (fl. 4) que determinou a execução de novo procedimento fiscal, iniciado com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização TIF de fls. 47/48, datado de 20/09/2002. Registro, ainda, por oportuno, que a hipótese ventilada nos artigos 15 e 16 da Portaria SRF nº 1.295/1999 referese à impossibilidade de indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado, não se aplicando à abertura de nova fiscalização. Confira: Art. 15.O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13; Art. 16.A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Observo, por fim, apenas a título de argumentação, que as normas que regulamentam o MPF são normas interna corporis, de modo que eventuais vícios na sua emissão e execução, acaso existentes, só maculam o lançamento se houver prejuízo ao contribuinte, o que não ocorreu na hipótese vertente. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 160 7 Inexistência de quebra de sigilo bancário por parte da Autoridade Administrativa Registro, nesse capítulo, que tanto a apuração dos valores de CPMF (fls. 37/38), quanto do montante de depósitos efetuados na contacorrente da Interessada (fls. 39/44), foi feita com base nos extratos de fls. 9/35, encaminhados à Receita pela Justiça Federal de São Paulo, que os obteve no bojo do Procedimento Criminal Diverso n° 2002.61.81.0000748. Assim, a constituição do crédito tributário se revela legítima, haja vista que a utilização, pelo Fisco, dos referidos extratos bancários, foi realizada de forma lícita, não havendo, de conseguinte, qualquer irregularidade que comprometa o lançamento. Em outras palavras: não se vislumbra qualquer ilegalidade na quebra do sigilo bancário da Recorrente, porquanto autorizada judicialmente, de maneira que todos os atos praticados no procedimento fiscal, a partir da quebra, mostramse lícitos, sendo inaplicável, à espécie, a alegada “teoria dos frutos da árvore envenenada”, que pressupõe a utilização de provas ilícitas. MÉRITO TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Nesse cenário, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. No caso concreto, a Recorrente não explica a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, se limitando a “informar que não logrou êxito em localizar a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.001603/200227 Acórdão n.º 2801003.345 S2TE01 Fl. 161 8 documentação hábil e idônea possível de comprovar as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários relacionados à presente” e justificando a impossibilidade de localizar os documentos “pelo fato de serem relativos ao exercício de 1998, ou seja, que se deram a mais de 4 anos”. Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Ressalto, ainda, por importante, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova material que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram na conta corrente da Interessada no período, mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Quanto às ementas elencadas na peça recursal, de acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes, registro que são anteriores à edição da Lei nº 9.430/1996, de forma que não se prestam a combater o presente lançamento fiscal. Face ao exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 19515.000207/2004-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercício: 2000
Ementa: CSLL CUSTOS REFERENTES A PARCELA DA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF — BAIXA DE BEM IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE — O resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, assim como a parcela dos custos do bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença, no período de 1990, de correção monetária pelo IPC e pelo BTNF no poderão ser excluídos do lucro líquido na determinação da base de cálculo da CSLL (art.3°, I, Lei n° 8.200/91, arts. .38,1, 39 e 41, §2°, do Decreto n°332/1991).
Numero da decisão: 1803-00.204
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercício: 2000 Ementa: CSLL CUSTOS REFERENTES A PARCELA DA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF — BAIXA DE BEM IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE — 0 resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, assim como a parcela dos custos do bem baixado a qualquer titulo, que corresponder 6, diferença, no período de 1990, de correção monetária pelo IPC e pelo BTNF no poderão ser excluídos do lucro liquido na determinação da base de cálculo da CSLL (art.3°, I, Lei n° 8.200/91, arts. .38,1, 39 e 41, §2°, do Decreto n°332/1991). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. o Júnior - Relator 2 NOV 2010 Participaram dasessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benicio Junior, Luciano Inocencio dos Santos, Marcos Antonio Pires. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Lavinia Mor aes de Almeida Nogueira Junqueira. Benedict), Celso EDITA60 E O Processo no 19515.00020712004-44 S 1 -TE03 Acórao n ° 1803-00.204 fl 2 Relatório 0 contribuinte foi submetido a procedimento fiscal. Após os trabalhos de auditoria, a fiscalização verificou que o interessado deixou de adicionar a base de cálculo da CSLL a parcela do custo de desapropriação de bens do ativo permanente decorrente da correção monetária complementar IPC/BTNF, no ano-calendário de 1999, conforme descrição contida no Termo de Verificação de fls. 21/23. Em decorrência da falta apurada, foi lavrado, em 09/02/04, auto de infração, no importe de R$ 55.678,62, incluídos o tributo (CSLL), a multa e os juros de mora. Fundamento legal citado a fl. 30. O contribuinte apresentou defesa de fls. 33/35, em 10/03/04, alegando, em síntese, que: - a autuação esta relacionada aquela constante do processo n° 19515.000206/2004-08, no bojo do qual o interessado defende que o resultado auferido na desapropriação do imóvel não deveria ser tributado; - em razão da intributabilidade deste resultado, não caberia, igualmente, a exigência relativa à correção monetária IPC/BTNF, sendo insubsistente a autuação. Ao analisar os argumentos da impugnação apresentada pelo contribuinte, a 7' TURMA — DRJ EM SÃO PAULO — SP I manteve integralmente o lançamento, arguindo, textualmente, que: "No ano-calendário de 1999, o contribuinte efetuou a baixa de imóvel do ativo permanente, sendo que o custo referente à parcela da correção monetária IPC/BTNI; reduziu a base de cálculo da CSLL, conforme se verifica nos documentos dells.. 24, 25 e 69. Ocorre que a legislação de regência, Lei n° 8.200/91, artigo 3°, permitia esta dedução apenas para fins de apuração do IRPJ, in verbis: Art. 3 0 A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder ci diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do indice de Preços ao Consumidor gpq e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I - Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anos- calendário, a partir de 1993, a razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. (Redação dada pela Lei n'8.682, de 1993) - será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Portanto, não havia permissivo legal para a dedução da parcela de correção monetária referente a diferença IPC/BTN, da base de cálculo da CSLL. (- ) O contribuinte alega que a baixa do ativo permanente decorre de desapropriação de imóvel, matéria esta que não deveria ser tributada. Assim, se a receita oriunda de desapropria cão não deveria ser tributada, muito menos a correção monetária relativa a este evento. Processo n° 19515.000207/2004-44 81-TE03 Acórd5o 11 0 1803-00.204 FL 3 Esta matéria, tributação de desapropriação de imóvel, foi abordada no processo le 1951.5.000206/2004-08. Nos autos deste processo esta turma de julgamento julgou por unanimidade de votos, fly. 971117, que deveria haver tributação sobre a receita oriunda da desapropriação de imóvel. Ocorre que fosse qual fosse a decisão tomada acerca desta matéria não haveria interferência no presente julgamento. Senão vejamos. Se for considerado devida a tributação sobre rendimentos auferidos na desapropriação de imóvel, não seria possível a dedução da base de cálculo da CSLL do custo referente ei parcela da correção monetária 1PC/BT1Vf tendo em vista que inexiste permissivo leal que faculte a dedução da base de cálculo da CSLL do custo referente à parcela da corre cão monetária IPC/BTNf, incidente sobre imóvel do ativo permanente baixado. Por outro lado, mesmo que ,fosse considerada indevida a tributação sobre rendimentos auferidos na desapropriação de imóvel, continuará sendo indedutivel a dedução da base de cálculo da CSLL do custo referente ez parcela da correção monetária IPC/BTNI por falta de previsão Em face do exposto, VOTO pela manutenção do lançamento." Cientificado do acórdão em 15/01/2008, o contribuinte apresentou Recurso a este Conselho, em 11/02/2008, arguindo, em síntese, que: - entre o custo do imóvel desapropriado e o valor da indenização foi apurado lucro contábil, que a recorrente, no processo n° 19515.000206/2004-08, sustenta não estar sujeito As incidências do fRPJ e da CSLL; - assim, é inadmissível, em face da impossibilidade de tributação, que seja mantido o entendimento da indedutibilidade do custo referente A parcela da correção monetária IPC/BTNF; - o presente processo deve ser apreciado junto com aquele outro, acima citado . Em todo caso, deve ser considerada, alternativamente e por si só, insustentável a autuação ora guerreada. o relatório do essencial. Voto Dele conheço. Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu segmento. Para determinação da base de calculo da CSLL, adicionam-se ao lucro liquido do período todos os custos, despesas ou encargos que não sejam, por expressa autorização legislativa, passíveis de dedução. Especificamente no que tange ao presente caso, a parcela dos custos de baixa de bem imóvel do ativo permanente, derivada da diferença da correção monetária IPC/BTNF, deve necessariamente ser adicionada A base imponivel da contribuição. Assim é porque, nos termos do artigo 3' da Lei n° 8,200/91, adiante reproduzido, só se faz possível a dedução da parcela dos custos de correção monetária 1PC/BTNF quando se cuida de base de cálculo (lucro real) do 1RPJ, e não da CSLL: Processo e 19515,000207/2004-44 SI -F E03 Ft 4 Acbrao n.° 1803-00.204 "Art. 3° A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder a diferenga verificada no ano de 1990 entra a variação do Lidice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal; I - Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anos-calendário, a partir de 1993, it razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. (Redação dada pela Lei n°8.682, de 1993) II - será computada na deternzinagão do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor." Igual entendimento deflui da leitura conjunta dos artigos 38, inciso I, 39 e 41, do Decreto n° 332/91, assim formatados: "Art. 38. 0 resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, que correspOnder à diferença verificada no período-base de 1990, entre a variação do IPC e o 13 TN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal; poderá ser excluído do lucro liquido na determinação do lucro real, em quatro períodos-base consecutivos, a partir do período-base de 1993 até o de 1996, a razão de vinte e cinco por cento por período-base, quando se tratar de saldo devedor; "Art. 39. Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciagdo, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer titulo, que corresponder a diferença de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal somente poderá ser deduzida a partir do exercício ,financeiro de 1994, período-base de 1993. § 1" Os valores a que se refere este artigo, computados em conta de resultado anteriormente ao período-base de 1993, deverão ser adicionados • ao lucro liquido, para determinação do lucro real. § 2° As quantias adicionadas serão controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real, para exclusão a partir do exercício financeiro de 1994, corrigidas monetariamente com base no INPC" "Art. 41. 0 resultado da correção monetária de que trata este Capitulo não influirá na base de calculo da contribuição social (Lei n° 7.689/88) e do imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido (Lei n° 7.713/88, art. 35.). Processo n 0 19515.000207/2004-44 S1-1E03 Acórdao n.° 1803-00.204 Fl. 5 § 2" Os valores a que se refere o art. 39. , computados em conta de resultado, deverão ser adicionados ao lucro liquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689/88) e do imposto sobre o lucro liquido (Lei n° 7.713/88, art. 3.5)." Fica claro, por conseguinte, que a falta de permissivo legal especifico impede que o contribuinte deixe de adicionar h. base de cálculo da CSLL os custos decorrentes da diferença da correção monetária IPC/BTNF. Este entendimento em nada é alterado pela circunstância de o bem imóvel ter sido objeto de desapropriação. Independentemente do titulo que embasa a baixa dos bens do ativo permanente, nada legitima a conduta praticada pelo contribuinte. Na mesma direção, totalmente dispensável se mostra, para fins de análise do presente pleito, a conclusão do processo n° 19515.000206/2004-08, seja porquanto os argumentos ora expostos se sustentam por si próprios, seja porque este colegiada já decidiu, em outras oportunidades, pela incidência da CSLL sobre o lucro advindo da indenização pela desapropriação de imóveis do ativo permanente dos contribuintes . Todo o quanto aventado até o momento encontra respaldo em profusas decisões deste colegiado. Exemplificativamente: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL - EXERCÍCIO - 1996 - CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/B77VF 1990. BASE DE CALCULO - O resultado da correção monetária das demonstrações ,financeiras, assim como a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão ou custo do bem baixado a qualquer titulo, que corresponder à diferença, no período de 1990, de correção monetária pelo IPC e pelo B7'NF Fiscal poderão, como favor fiscal ditado por opção política legislativa, ser excluídos do lucro líquido na determinação da base de cálculo do 1RPJ, mas não na da CSLL (art.3°, Lei n" 8.200/91, arts. 38,1, 39 e 41, §2°, do Decreto n° 332/1991.). (Ac. 1°. CC 105-16.313/07)" "CSLL ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO - DIFERENÇA IPC/BTNF. Os encargos de depreciação, amortização, exaustão ou custo do bem baixado a qualquer titulo, que corresponder à diferença, no período de 1990, de correção monetária IPC/BTNF, deduzidos no ano-calendário 1992, deverão ser adicionados ao lucro liquido na determinação da base de aikido da Contribuição Social. (Ac. I°. CC - 107- 09.217/07)" Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, , . , Benedi o Cels • Berner() Junior
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Numero do processo: 10680.720734/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Portanto, o arbitramento do VTN, apurado com base no SIPT, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, apurado com base no SIPT, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 07 34 /2 01 0- 31 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Tratase de processo de autuação contra a contribuinte acima qualificada, para cobrança de Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR, exercício 2007, no qual a interessada foi intimada do início do procedimento fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 06101/00188/2010 (fls. 05/06), para apresentação dos documentos relacionados abaixo, conforme se extraí do próprio “Termo de Intimação Fiscal”: “Apresentar cópias autenticadas ou cópias simples, acompanhadas dos originais, dos documentos discriminados a seguir: Identificação do contribuinte. Matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural. Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do INCRA. [...] Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2007: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1 o de janeiro de 2007, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1 o de janeiro de 2007 no valor de R$: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720734/201031 Acórdão n.º 2102002.822 S2C1T2 Fl. 124 3 Valor do VTN para o Município R$ 1.726,72.” Contra a interessada foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 06101/00045/2010 e respectivos demonstrativos de fls. 01/04, por meio do qual fora exigido o pagamento do ITR do Exercício 2007, acrescido multa de ofício e juros moratórios, totalizando o crédito tributário em R$ 729.147,48, relativo ao imóvel rural denominado Fundão do Capivary/Morro Grande, com área declarada de 4.166,5 ha, NIRF 4.412.3183, localizado no município de Santa Bárbara, MG. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02), a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou o valor da terra nua declarado, e que no Documento de Informação e Apuração do ITR, o valor da terra nua foi arbitrado conforme informações constantes do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2007 em R$1.726,72/ha, perfazendo um total de R$7.194.378,88. No presente processo os valores declarados e as retificações de ofício da declaração do ITR exercício 2007 constam na fl. 03, os quais apresentam o seguinte histórico: ITR PeríodoBase 2007 Declarado, fl. 03 Retificação de ofício 20. Valor Total do Imóvel R$ 125.000,00 R$ 7.194.378,88 21. Valor das Benfeitorias 0,00 0,00 23. Valor da Terra Nua R$ 125.000,00 R$ 7.194.378,88 24. Valor da Terra Nua Tributável R$ 74.237,50 R$ 4.272.741,61 26. Imposto Devido R$ 6.384,42 R$ 367.455,77 Diferença de Imposto (Apurado – Declarado) R$ 361.071,35 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento lavrado pelo fisco, a contribuinte apresentou impugnação em 18/05/2010 (fls. 13/23), acompanhada dos documentos de fls. 24 e seguintes, quais sejam, Laudo de Avaliação do VTN referente à 2007 (fls. 42/71), o qual apurou o valor médio do imóvel de R$ 2.528.080,88 (fl. 57), Laudo Técnico referente às Áreas Protegidas de Interesse Ecológico e Preservação Permanente (fls. 60/65), Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 67/69), bem como Certidão do imóvel (fls. 70/79). Em síntese, a interessada alegou o que segue: • que a apuração do valor da terra nua, no caso em apreço, baseouse em critérios subjetivos, quais sejam, "os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF n° 447 de 28.03.02", sistema este supostamente estabelecido com base no ordenamento do artigo 14 da Lei 9.393/96 para "fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural"; • cita o que dispõe os artigos 2° e 3° da Portaria SRF n° 447/02, concluindo que da leitura do supracitado dispositivo que o sistema utilizado pela Receita Federal do Brasil para arbitrar o valor do imóvel rural não possibilita Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 ao contribuinte o acesso aos dados nele inseridos, de forma a inviabilizarlhe a discordância das informações levantadas e dos cálculos efetuados pelo Fisco; • assevera que pelo fato de não serem divulgados os parâmetros e diretrizes adotados pela Receita Federal do Brasil para o estabelecimento do quantum debeatur do Imposto Territorial Rural, fica o contribuinte à mercê da forma de apuração que melhor aproveita ao Fisco, que, não está adstrita aos contornos das Leis 8.629/93 e 9.393/96, restando patente a afronta ao principio da estrita legalidade; • informa que a Lei n.° 9.393 fez referência à redação original da Lei n.° 8.629/93 e transcreve o seu art. 12, concluindo que não há garantia de que os critérios tenham sido efetivamente observados quando da avaliação fiscal; • diz que a utilização do SlPT, nos moldes em que é realizada, ampliou o leque de discricionariedade da Receita Federal do Brasil, possibilitando alterações constantes no sistema, através da "alimentação", indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis), de forma a interferir nos critérios de quantificação tributária; • alega que a outorga concedida à Receita Federal do Brasil, para proceder ao lançamento de oficio do tributo, nos casos especificados em Lei, por meio de "sistema por ela instituído", acabou por permitir que o órgão administrativo furtese de obedecer ao regramento estatuído na Lei; • diz que nos termos do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento é vinculada ("a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória"); • que a natureza vinculada do lançamento o sujeita à estrita observância da lei, especificamente, no caso, aos elementos que compõe a hipótese de incidência tributária; • assevera que a utilização indiscriminada do Sistema de Preços de Terras SIPT, tal qual ocorre no caso em apreço, caracteriza flagrante cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que não lhe possibilita, o acesso as informações nele inseridas, utilizadas para lastrear o lançamento; • considerando que (i) não há garantias de que os critérios estabelecidos pela Lei n° 8.629/1993 tenham sido efetivamente observados para a apuração do VTN no presente caso; (ii) a "alimentação" indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis) no Sistema de Preços de terra SIPT interfere nos critérios de quantificação tributária; (iii) a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo ser regida pelos estritos contornos dos princípios da legalidade e da motivação, e (iv) não é disponibilizado ao contribuinte o acesso as Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720734/201031 Acórdão n.º 2102002.822 S2C1T2 Fl. 125 5 informações lançadas no SIPT para o cômputo do valor da terra nua, caracterizando afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, é inconteste a nulidade da autuação vergastada; • os valores apontados no Auto de Infração superam o montante que, efetivamente, representa o valor de mercado do imóvel, conforme se infere do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, realizado por empresa técnica especializada, contratada pela Impugnante; • o valor venal do imóvel objeto desta avaliação é R$ 2.528.080,88 (dois milhões, quinhentos e vinte e oito mil, oitenta reais e oitenta e oito centavos); • o Laudo de Avaliação do imóvel, em anexo, é documento hábil a revelar o desacerto do arbitramento promovido pelo Fisco, e tendo em conta o disposto no aludido artigo 148, não há como prevalecer o montante do ITR estipulado no auto de infração referente a esta parcela, devendo, quando muito, prosseguir a cobrança com base no valor de mercado da terra nua, indicado no supracitado Laudo, em consonância com o disposto no artigo 12 da Lei n.°.8.629/93; DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação da contribuinte proferiu a seguinte decisão (excertos), fls. 83/91: “Da Nulidade do Procedimento Fiscal A contribuinte pretende a nulidade do procedimento fiscal por entender que houve cerceamento do direito de a Impugnante se defender, por não ter a Fiscalização fornecido as informações utilizadas para o arbitramento do valor da terra nua do imóvel objeto da autuação. [...] No presente caso, a notificação de lançamento identificou a irregularidade apurada (subavaliação do VTN declarado) e motivou, de conformidade com a legislação aplicada à matéria, o arbitramento de novo VTN, com base no SIPT, o que foi feito de forma clara, como se pode observar na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 02, em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Nesse diapasão, em se tratando do arbitramento do VTN, consta devidamente registrado que o valor declarado foi considerado subavaliado por encontrarse abaixo do valor de mercado, obtido com base no menor VTN/ha, apontado no Sistema de Preços de Terras – SIPT, para o município onde se localiza o Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 imóvel, nos termos do art. 14 (caput) e seu § 1º, da Lei nº 9.393/1996, conforme apresentado na Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (ais). Portanto, comprovase tanto a origem dos valores de preços, qual seja, o SIPT, quanto a sua previsão legal. [...] Vale considerar ainda que, tendo sido intimada a apresentar Laudo Técnico de Avaliação demonstrando de maneira inequívoca o valor fundiário do imóvel, a preços daquela época, conforme fls. 05/06, a requerente não se manifestou, não comprovando, assim, o VTN. Nesse sentido, o arbitramento justificase plenamente, uma vez não foram apresentados documentos probatórios confirmando o VTN informado na declaração. A tela de fls. 09 do SIPT, indicando o VTN de R$ 1.726,72/ha utilizado pela fiscalização, esclarece quanto à origem dos valores arbitrados pela autoridade fiscal para apuração do VTN, e, em caso de dúvida quanto à sua existência, também poderia ter sido obtida a qualquer momento pela requerente junto às unidades locais da Receita Federal. Em relação à alegação de que o SIPT foi aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, e sua utilização é restrita aos funcionários da Receita Federal do Brasil, tratase de acesso aos sistemas internos da RFB que estão submetidas a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica a publicidade das informações armazenadas no sistema, tanto que ela está anexada aos autos às fls 09. [...] Do Valor da Terra Nua – VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua – VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96, razão pela qual o VTN do imóvel foi aumentado de R$ 125.000,00 (R$ 30,00/ha), para o arbitrado de R$ 7.194.378,88 (equivalente a R$ 1.726,72/ha), correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2006, para o citado Município, tela de fls. 09. Por sua vez, a Requerente apresenta, nesta fase, o “Laudo de Avaliação”, doc. de fls. 35/59, elaborado pelos engenheiros Ricardo Ambrósio de Campos (Civil) e Paulo Raele (Agrônomo), sem ART’s, devidamente anotadas no CREA/MG, onde se concluiu que o valor da terra nua do imóvel é de R$ 2.528.080,88 (R$ 663,71/ha) e solicita o seu acolhimento. Ocorre que, constatase, de imediato, que não foi apresentada a Anotação de Responsabilidade Técnica ART que, de acordo com o CREA, “é o instrumento através do qual o profissional registra as atividades técnicas solicitadas através de contratos (escritos ou verbais) para o qual o mesmo foi contratado”. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720734/201031 Acórdão n.º 2102002.822 S2C1T2 Fl. 126 7 [...] Portanto, a falta da necessária ART devidamente anotada no CREA/MG já é, por si só, motivo suficiente para descaracterizar o laudo de avaliação apresentado, como documento hábil, para comprovação do VTN do imóvel avaliado, pois é com a ART devidamente anotada no CREA que se considera concluído e acabado o “Laudo de Avaliação” e por se tratar de documento eminentemente técnico, somente com a ART apresentada ao órgão de classe que o laudo se considera consumado e então, o profissional identificado passa a ser responsabilizado pelo trabalho por ele realizado. Assim, não há como acatar a pretendida revisão do VTN arbitrado, pois o laudo de fls. 35/59, desacompanhado na necessária ART, devidamente anotada no CREA/MG, não constitui documento hábil, para comprovar o VTN do imóvel avaliado. Desta forma, cabe manter a tributação do imóvel denominado “Fundão do Capivary/Morro Grande” com base no VTN arbitrado de R$ 7.194.378,88 (equivalente a R$ 1.726,72/ha). [...]” DAS RAZÕES RECURSAIS A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0344.890 da 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/10/2011 (fl. 96). Sobreveio Recurso Voluntário em 16/11/2011 (fls. 97/109), acompanhado dos documentos de fl. 110 e seguintes, quais sejam, Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 110/113), e demais documentos. Em síntese, a Recorrente reprisou as alegações da impugnação e no mérito acrescentou que logrou produzir Laudo Técnico, traduzindo o valor de mercado efetivo da terra nua, relativamente ao imóvel objeto de autuação. Aduz que no tocante às Anotações de Responsabilidade Técnica – ART, esta foi apresentada anexa ao presente Recurso, restando atendido o requisito formal do art. 1º da Lei 6.496/77. Neste aspecto, sustenta que o simples fato de não ter sido apresentada na Impugnação a cópia da ART, não é capaz de infirmar a conclusão do laudo, isso porque, a teor do artigo 38 da Lei 9.784/99, o interessado poderá promover a juntada de provas e documentos até a prolação da decisão, o que segundo o Recorrente, se aplica no presente recurso, até que seja realizado o julgamento. Assevera que o Laudo Técnico é primordial para se confirmar ou não o Valor da Terra Nua, e que toda a atividade administrativa é guiada pelo princípio da verdade material, o qual impele os órgãos julgadores a considerar, no processamento de defesas e recursos, todos os elementos de fato inerentes à configuração da hipótese de incidência e da suposta infração verificada, ainda que eventualmente não trazidos aos autos pelas partes. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Sustenta que na hipótese de não ser acolhida as alegações supra, deve ainda ser provido o presente recurso, por nulidade da decisão recorrida em razão de cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório, quando da busca pela verdade material. Diz que no caso em espécie, a autoridade tributária simplesmente se esquivou de conhecer e apreciar o Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, sem sequer darlhe oportunidade para comprovar a procedência do estudo realizado, optando por uma solução que, coincidentemente, parece ser menos trabalhosa e mais oportuna ao Fisco. Requer quanto as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa que seja declarada a nulidade do acórdão da DRJ, devolvendo os autos para a Turma julgadora prolatar nova decisão, se pronunciando sobre a ART relativamente à alegação de impropriedade do VTN arbitrado. Finalmente, requereu que o presente Recurso seja provido e decretada a total insubsistência da autuação, ante a ilegitimidade do método arbitrado, subsidiariamente, que seja admitido o Laudo de Avaliação do imóvel, e reduzido o crédito tributário, em conformidade com o VTN ali contido, ou sucessivamente que seja decretada a nulidade da decisão da DRJ e devolvidos os autos para que seja prolatada nova decisão, pronunciandose, a respeito da ART ora juntada e da consequente admissibilidade do Laudo em questão. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia do Valor da Terra Nua, arbitrado pela Receita Federal, com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT. Inicialmente, passo à análise da preliminar de ilegitimidade do método arbitrado pela Receita Federal para apurar o Valor da Terra Nua – VTN. Quanto a preliminar suscitada, entendo que não merece prosperar, tendo em vista que a tela de fl. 09 do Sistema de Preços de Terras (SIPT), indica o VTN de R$ 1.726,72/ha, que foi utilizado pela fiscalização, e esclarece quanto a origem dos valores arbitrados para apuração do VTN, e inclusive, havendo dúvida quanto à sua existência, também poderia ter sido obtida a qualquer momento pela interessada junto às unidades locais da Receita Federal. Nesse sentido, com acerto a decisão a quo referiu que: “Em relação à alegação de que o SIPT foi aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, e sua utilização é restrita aos funcionários da Receita Federal do Brasil, tratase de acesso aos sistemas internos da RFB que estão submetidas a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica a Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720734/201031 Acórdão n.º 2102002.822 S2C1T2 Fl. 127 9 publicidade das informações armazenadas no sistema, tanto que ela está anexada aos autos às fls 09.” Assim, rejeito as preliminares e passo à análise do mérito. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja, o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: §1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, foi oportunizada a Recorrente acostar Laudo Técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente anotada no CREA. Compulsando os autos, verificase que por ocasião da Impugnação a Recorrente acostou Laudo de Avaliação do VTN referente à 2007 (fls. 35/59), no qual apurou o valor médio do imóvel em R$ 2.528.080,88 (fl. 57), e quando do presente Recurso, acostou documento de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 110/113). Constase que a Decisão “a quo” deixou de analisar o Laudo por ter constatado de imediato que não havia sido apresentada a Anotação de Responsabilidade Técnica ART. Portanto, a falta da ART por si só, foi motivo suficiente para descaracterizar o laudo de avaliação, sem análise dos demais dados. Embora esta conselheira aceite o Laudo Técnico, por ser um documento específico de comprovação, portanto capaz de se contrapor ao valor do SIPT, que é um valor médio, o mesmo deve trazer informações específicas do VTN que está sendo avaliada. Da análise do referido Laudo, vislumbrase que este foi realizado por empresa técnica especializada (Avalicon), no entanto, não se mostra como documento hábil para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização por não atender aos requisitos da NBR 14.6533 da ABNT. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$ 30,00/ha (valor total do imóvel declarado R$ 125.000,00) encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN média, por hectare, de R$ 1.726,72 (fl. 10), apurado no universo das DITR/2007 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Santa Bárbara, MG. Esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR exercício 2007, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Santa Bárbara, MG, correspondendo, portanto, à média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas suas DITR/2007. Para contestar o VTN arbitrado para o ITR/2007, a impugnante apresentou "Laudo de Avaliação", doc. de fls. 35/59, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Paulo Reale, com ART anotada no CREA, documentos de fls. 110/113, com um Valor Venal do Imóvel de R$ 2.528.080,88 (fl. 57). No presente caso, não haveria como restabelecer o VTN declarado pela contribuinte, ou mesmo acatar o valor apontado nesse Laudo, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a totalidade das normas da ABNT, não demonstrando o valor fundiário do imóvel à época da entrega do Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT/2007 (01.01.2007), conforme preceitua o art. 8º, §2º, da Lei 9.393/1996, nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha, abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no valor apontado no SIPT. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720734/201031 Acórdão n.º 2102002.822 S2C1T2 Fl. 128 11 Inicialmente, é de se ressaltar que a autoridade fiscal solicitou na intimação inicial, que o laudo de avaliação demonstrasse, para efeito de prova documental, o Valor da Terra Nua (valor fundiário), e não o valor total do imóvel (valor venal), pois a diferença entre estes conceitos é de natureza técnica, ou seja, para demonstrar o valor da terra nua é necessário partir do valor total do imóvel e retirar os valores das benfeitorias e demais bens passíveis de valoração econômica nela inseridos. Tais benfeitorias e demais bens deveriam ser objeto de avaliação por parte dos peritos, pois eles também necessitam de critérios técnicos e legais de aferição, também definidos na NBR 14.6533 da ABNT, o que não foi feito, conforme se constata no descrito no subitem 6.1. — Benfeitorias não reprodutivas do Laudo, à fl. 39, que não foram objeto de avaliação. Importante destacar que, quanto as amostras apresentadas no Laudo, não obstante totalizarem o número de 157, chama a atenção o fato de 60 fontes dessas amostras serem referentes a contratos com a própria impugnante e 68 fontes serem de opiniões de pessoas identificadas apenas pelo nome sem a especificação de suas qualificações como dispõe o item 7.4.3.8 da NBR 14.6533 da ABNT, in verbis: "7.4.3.8 Somente são aceitos os seguintes dados de mercado: () c) opiniões de engenheiro de avaliações ligados ao setor imobiliário rural; d) opiniões de profissionais ligados ao setor imobiliário rural; Outro fato que destaco é que as 157 amostras utilizadas no Laudo são iguais às amostras apresentadas em Laudo constante nos autos do Processo n° 10680.720313/2009 76, julgado na Sessão anterior de 20.11.2013, bem como nos Processos nºs 10680.720507/201013, 10680.720735/201085, 10680.722407/201013, 10680.722412/2010 26, todos processos da impugnante, não obstante os municípios de localização dos imóveis serem diversos: Santa Bárbara, Barão de Cocais e Catas Altas. Além do exposto, o Valor Venal do Imóvel constante do Laudo, a exemplo do VTN/ha originariamente declarado, também se encontra abaixo do VTN relacionado no SIPT (fl. 10), que é o VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs, de R$ 1.726,72, referentes aos imóveis localizados no município de Santa Bárbara, MG, para o exercício de 2007, de forma que o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu, no meu entendimento. Há que se ressaltar que essa comparação é realizada como subsidio para demonstrar que o VTN apontado no Laudo de Avaliação, por ser inferior ao VTN médio por hectare apurado pelos próprios contribuintes do município, não estaria condizente com a realidade dos preços de mercado praticados na região, salvo apresentação de prova inequívoca da inferioridade do imóvel em relação aos imóveis da região. Nesse sentido, é de se ressaltar, ainda, que no item 3 do Laudo (Pressupostos, ressalvas e fatores limitantes), à fl. 37, os avaliadores afirmam que "O imóvel avaliado não possui impedimentos aparentes que possam limitar sua utilização", corroborando o fato de que o VTN do imóvel não pode ser inferior a média dos VTN apurados pelos contribuintes do mesmo município de sua localização, como exposto anteriormente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Ademais, os autores do trabalho não fizeram, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão do VTN arbitrado, ressaltando que tais características gerais já são levadas em consideração quando da definição dos valores incluídos no SIPT. Reiterase que a apuração do VTN a preço de mercado é disposição expressa do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.393/1996, in verbis: “§2° O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado." Caberia, portanto, a Recorrente apresentar um "Laudo de Avaliação" que atendesse a totalidade dos requisitos da ABNT NBR 146533, sem a supressão dos aspectos constantes do item 5 (Classificação dos bens, seus frutos e direitos), principalmente o subitem 5.2. (Classificação dos componentes dos imóveis rurais), inclusive os recursos naturais previstos no subitem 5.2.6, como os minerais, no caso de a exploração do imóvel for de mineração, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, em 1° de janeiro de 2007, que contivesse fundamentação e grau de precisão II, com sua demonstração inequívoca, de acordo com o subitem 9.2.2.2. da Norma, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no valor SIPT. Não tendo sido apresentado Laudo de Avaliação, de acordo com as normas da ABNT, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preço de 1°.1.2007, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não caberia alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Ante o exposto, entendo que, a luz da legislação citada, não cabe revisar o VTN arbitrado, com o acatamento do valor venal do imóvel apresentado no Laudo de Avaliação, posto que esse documento não atende aos requisitos da ABNT NBR 146533 além de não apresentar um valor compatível com o preço de mercado da região, o que acarreta a manutenção do arbitramento do VTN efetuado pela autoridade fiscal, com base no valor apontado no SIPT. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720734/201031 Acórdão n.º 2102002.822 S2C1T2 Fl. 129 13 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000065/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 114 1 113 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13678.000065/200981 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.272 – 1ª Turma Especial Data 19 de novembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ANTONIO MARIOSA MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 30), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento acostada às fls. 10/15, relativa ao imposto de renda pessoa física (IRPF) exercício 2007, que lhe exige o crédito tributário no valor de R$ 13.162,69, assim discriminado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 78 .0 00 06 5/ 20 09 -8 1 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Resolução nº 2801000.272 S2TE01 Fl. 115 2 imposto suplementar (2904) R$ 6.709,50 multa de ofício R$ 5.032,12 juros de mora (calculado até R$ 1.421,07 Total R$13.162,69 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 12/13, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos no total de R$42.596,05 e da compensação indevida de imposto de renda no valor de R$1.463,76. Segundo a autoridade lançadora o contribuinte não declarou os rendimentos recebidos da empresa Companhia Cimento Portland Itaú, CNPJ 24.030.025/0001¬04, no valor de R$12.797,14, e declarou a menor R$29.798,91 do total de R$54.655,10 recebido da Votorantin Cimentos Ltda, CNPJ 01.637.895/000132. Ainda, compensou em sua declaração de ajuste anual o valor de R$4.869,87, ao invés de R$3.406,11, a título de imposto de renda retido pela Votorantim Cimentos Brasil S. A., CNPJ 96.824.594/000124. Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/08, onde aduz, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, pugna pela nulidade do lançamento sob o argumento de preterição do direito de defesa. Ressalta que foram feitas alterações em sua declaração de ajuste anual sem comprovação de onde foram extraídos os valores que ensejaram esse procedimento. Salienta que a Receita dispõe de dados obtidos por meio de Dirf Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte entregues pelas empresas que retiveram Imposto de Renda de seus empregados e/ou fornecedores. Esse documento, porém, por ser elaborado apenas pela empresa, é unilateral. Seus beneficiários desconhecem totalmente o valor declarado pela empresa. Qualquer equívoco por parte dela na informação prestada causalhes prejuízo e cerceia o direito deles contraditar tais valores. Diz que a Administração Pública é obrigada a propiciar ao contribuinte o direito à ampla defesa explicitando, de forma pormenorizada, os motivos do lançamento fiscal, o que não ocorreu, pois não há qualquer informação do fisco sobre a origem dos valores glosados e daqueles acrescentados na Notificação de Lançamento. No mérito, esclarece que a Companhia Cimento Portland Itaú CNPJ 24.030.025/000104, foi incorporada pela Votorantim Cimentos Ltda e, posteriormente seus ativos foram transferidos para a Votorantim Cimentos Brasil Ltda. Afirma que os serviços foram prestados, portanto, para uma única empresa, não tendo, as sucessões administrativas, alterado em nada a relação jurídica de tais prestações. Aduz que a maioria dos Recibos de Pagamentos a Autônomos foram emitidos em nome da Companhia Cimento Portland Itaú e os Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Resolução nº 2801000.272 S2TE01 Fl. 116 3 comprovantes de rendimentos fornecidos somente pelas empresas Votorantim Cimentos Ltda e Votorantim Cimentos Brasil Ltda., já que a Companhia Cimento Portland Itaú foi incorporada por estas duas primeiras. Assim, não há qualquer vínculo com a empresa incorporada. Elabora demonstrativo (fl.4) dos valores de rendimentos efetivamente recebidos mensalmente e do imposto retido, totalizando o montante de R$66.415,00 e R$9.294,06, respectivamente. Esclarece que " inicialmente a empresa é quem fazia os próprios cálculos do Imposto de Renda Retido, porém, a partir de abril de 2006 exigiu que os RPA's apresentassem individualmente o valor do IRRF a ser retido do valor do pagamento'" e informa a juntada dos Recibos de Pagamento a Autônomo, com os quais pretende comprovar os rendimentos de fato recebidos. Ressalta que o valor de imposto informado pela fonte pagadora está equivocado pois, conforme seus cálculos mensais, a retenção teria que ser maior que o declarado pela empresa e, mesmo de posse dessa informação, utilizouse da compensação de tão somente R$4.869,87, conforme declarado. Insurgese contra a aplicação da multa no importe de 75%, considerandoa um verdadeiro confisco tributário e alegando que o Código Tributário não estabelece o seu percentual. Assim, a lei ordinária que o determina não tem eficácia jurídica por flagrante violação à Lei Complementar n° 95/98, que disciplina sobre a feitura de lei. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Somente o imposto comprovadamente pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto devido apurado, com vistas a determinar o imposto suplementar a pagar ou a ser restituído na declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Resolução nº 2801000.272 S2TE01 Fl. 117 4 Cientificado em 08/08/2011 (Fls. 37), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/08/2011 (fls. 38 a 48), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação, e informando em sua introdução: (...) Ademais, é tempestivo, eis que o Recorrente foi intimado da decisão combatida em 08/08/2011 (segundafeira), de modo que o prazo de 30 (trinta) dias para recurso encerrarseia em 07/09/2011 (quartafeira), passando a terminar em 08/09/2011 (quintafeira) em virtude do feriado nacional. (...) É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que o contribuinte, desde sua impugnação, afirma que não se sabe com base em que documentos a RFB chegou aos valores do lançamento. Verifico que, de fato, não constam nos autos qualquer documento relativo a prova da existência de diferenças de IRRF e a omissão de rendimentos. Por seu turno, o Decreto 70.235/72 estabelece que os autos do lançamento devem conter todos os elementos de prova do ilícito; in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ao que parece, a omissão de rendimentos e a glosa de IRRF foi detectada através de DIRF’S apresentadas pelas fontes pagadoras. Contudo, tenho o entendimento de que é fundamental que conste nos autos a prova da omissão dos rendimentos e da origem das diferenças de IRRF. Portanto, é necessário converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a unidade administrativa competente junte aos autos todas as provas que dispuser acerca dos objetos do lançamento. Ante o acima exposto, e tudo o que constam nos autos, voto por converter o julgamento em diligência, com retorno dos autos à DRFB de origem, para que a autoridade preparadora junte aos autos a DIRF e as provas que dispuser acerca dos objetos do lançamento; Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Resolução nº 2801000.272 S2TE01 Fl. 118 5 devendo, após, o contribuinte ser intimado para manifestação sobre o resultado da diligência ora determinada. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10940.903164/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2001
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS inclui-se na base de cálculo da contribuição.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2001 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 64 /2 00 9- 71 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 12844.93000.091006.1.3.048104 devido à inexistência de crédito de R$ 226,06 para efetuar a compensação pretendida de R$ 678,16, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (código 8109), efetuado em 15/10/2001, teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS. Ressalta que pela nova sistemática de apuração dessas contribuições (Lei nº 9.718, de 1998, para o sistema cumulativo e Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para o nãocumulativo) mantiveram a obrigatoriedade da inclusão do ICMS em suas bases de cálculo, em contradição à Constituição Federal, isso porque os valores pagos a tal título, inclusos nas operações por ela realizadas, não correspondem a faturamento, nem tampouco à receita. Cita entendimento de ministros do Supremo Tribunal Federal e lição de doutrinadores, a respeito. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requereu que fosse reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 12 3 incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea (sic). É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. De imediato desconsiderase o pedido da recorrente que é dissociado da fundamentação do recurso voluntário. O recurso voluntário tem por objeto a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, enquanto o pedido faz referência ao direito de deduzir da base de cálculo da contribuição a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Em atenção ao amplo direito de defesa e do contraditório apreciase as razões do recurso voluntário. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172 ou 8109, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 14 5 valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 15 6 c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 16 7 II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral o ICMS não faz parte desse rol, logo não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento e não prevê esta exclusão. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Cabe, mais, acrescentar que a Lei estabelece que a exclusão do ICMS somente é permitida quando ele é cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento nos termos da Súmulas 68 e 94. Súmula 68 A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. (Súmula 68, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775) Súmula 94 A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (Súmula 94, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/1994, DJ 28/02/1994) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 17 8 Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal está apreciando está matéria na ADC nº 18, no RE nº 240.785 e no RE nº 574.706/PR (sistemática de repercussão geral), salientando que não há uma decisão em definitivo sobre a questão. De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição/compensação dos valores de PIS e Cofins, visto que o ICMS integra a base de cálculo da contribuição em referência. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante .assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903164/200971 Acórdão n.º 3801002.594 S3TE01 Fl. 18 9 Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.906820/2011-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 68 20 /2 01 1- 59 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 176 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 177 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 41026.24268.300810.1.1.014601, transmitido em 30/08/2010, no valor de R$ 30.687,42, relativo ao 1º trimestre de 2007, o qual, todavia, foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial e não homologação das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 34.158,09, à data da emissão do citado DDE Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Esclarece que as diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 178 4 tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), às fls. 118/126, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 179 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 130 a 152, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 180 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 1º trimestre de 2007 foi integralmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 49, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 181 7 A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 182 8 possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 183 9 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 184 10 Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 185 11 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906820/201159 Acórdão n.º 3801002.295 S3TE01 Fl. 186 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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