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Numero do processo: 13931.000730/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 11.941/09. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 11.941/09. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 11.941/09. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 07 30 /2 00 8- 15 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13931.000730/200815 Acórdão n.º 2401003.933 S2C4T1 Fl. 722 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INDÚSTRIAS JOÃO JOSÉ ZATTAR SA em face do acórdão de fls., que manteve integralmente o Auto de Infração n. 37.170.8192, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros. Consta do relatório fiscal que foram considerados como fatos geradores no presente lançamento as seguintes rubricas: a) FPG Remuneração paga a segurados Contribuintes individuais; b) FPS Remunerações pagas a segurados empregados, não registrados à época, efetuada através de recibos avulsos; c) PF2 Remuneração pagas a Transportadores Rodoviários Autônomos; d) Levantamento DAL diferença de acréscimos legais devidos sobre contribuições recolhidas à Previdência Social, através de Guia de Recolhimento, fora do prazo legal. O período apurado compreende a competência de 01/2004 a 12/2005, tendo sido o último contribuinte cientificado em 22/08/2008. Em seu recurso, sustenta que toda a documentação solicitada pela fiscalização foi apresentada e devidamente analisada e em nenhuma ocasião omitiu documentação ou se negou a apresentar alguma que fosse solicitada pela auditoria fiscal Argumenta, por conseguinte, possuir a condição de agroindústria, visto que a empresa industrializa toda sua produção que é extração de madeira, com plantio e reflorestamento das áreas exploradas, de propriedade do contribuinte, com os devidos registros no INCRA e IAP e respectivas Declarações de ITR, onde são informadas as respectivas áreas de exploração, de conhecimento da Secretaria da Receita Federal, sendo que em momento algum houve a intenção de "beneficiarse da tributação diferenciada destinada a agroindústria" como citado no referido Acórdão, visto que a empresa é uma agroindústria, pois é um produtor rural pessoa jurídica, industrializa a própria produção e desenvolve num mesmo empreendimento econômico a extração e a industrialização de sua produção. Sustenta, por fim, que que o fato de nunca ter sido questionado pela sua condição de agroindústria, tanto que não houve nenhuma solicitação de documentação comprobatória da diligência realizada pelo fisco, não constitui causa para comprovação espontânea da empresa. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações do recurso, entendo que exista situação prejudicial ao seu conhecimento a ser reconhecida. Ocorre que às fls. 706 e seguintes fora juntada comunicação da Secretaria da receita Federal do Brasil (Memorando n. 24/2012/PROT/ARFGAV/DRF PTG/SRRF09/RFB/MFPR) informando que o débito objeto do presente processo fora incluído no programa de parcelamento da Lei 11.941/09. Referida comunicação, requer, ainda manifestação deste Conselho sobre o protocolo de pedido de desistência do presente recurso. O processo fora incluído em pauta de julgamentos em virtude de que nos autos não fora apresentado pedido de desistência do recurso por parte do contribuinte, motivo pelo qual merece ser julgado o presente recurso voluntário. Todavia, em virtude da informada adesão ao parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual, a meu ver não havendo matérias de ordem pública que pudessem ser tratadas na presente assentada, tenho não mais subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente Recurso Voluntário. Sobre o assunto, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe do precedente a seguir, de relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Oliveira: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2006 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13931.000730/200815 Acórdão n.º 2401003.933 S2C4T1 Fl. 723 5 Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918882/2012-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/11/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 82 /2 01 2- 87 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918882/201287 Acórdão n.º 3801005.070 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10783.903250/2008-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 14/07/2000
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.306
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 108 1 107 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.903250/200852 Recurso nº 870.004 Voluntário Acórdão nº 310201.306 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria COFINS Recorrente TELEVISAO VITORIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/07/2000 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1328.979, proferido em 26 de abril de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903250/200852 Acórdão n.º 310201.306 S3C1T2 Fl. 109 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 75 a 77 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Este processo foi julgado juntamente com o processo nº 1078.3902206/2008 25, adotado como paradigma. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903250/200852 Acórdão n.º 310201.306 S3C1T2 Fl. 110 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903250/200852 Acórdão n.º 310201.306 S3C1T2 Fl. 111 7 Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903250/200852 Acórdão n.º 310201.306 S3C1T2 Fl. 112 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.", XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903250/200852 Acórdão n.º 310201.306 S3C1T2 Fl. 113 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903250/200852 Acórdão n.º 310201.306 S3C1T2 Fl. 114 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 10240.000985/2006-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Não havendo omissão, obscuridade ou contradição, ou ainda, erro material a ensejar a atribuição excepcionalíssima dos efeitos infringentes, os embargos de declaração não podem ser acolhidos.
Embargos conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente do julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente do julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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PRESSUPOSTOS. Não havendo omissão, obscuridade ou contradição, ou ainda, erro material a ensejar a atribuição excepcionalíssima dos efeitos infringentes, os embargos de declaração não podem ser acolhidos. Embargos conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente do julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 09 85 /2 00 6- 06 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10240.000985/200606 Acórdão n.º 3402002.660 S3C4T2 Fl. 189 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls.175/185) opostos pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO, com lastro no art. 65, §1º, V, da Portaria 256, de 22 de Junho de 2009, em face do Acórdão 340200.595, de Relatoria do Conselheiro Julio César Alves Ramos, por supostas: Contradição entre a decisão e seus fundamentos, na medida em que a ementa apresenta o seguintes: “É inadmissível a reapreciação de matéria constante de processo encerrado na instância administrativa. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à confins no fornecimento ao produtorexportador. Não havendo previsão legal para adição de juros a valores postulados em ressarcimento, não se pode deferilos por analogia ou equidade, nem sob o argumento de desnecessidade de lei por se tratar de atualização do valor do crédito. A taxa Selic não é índice de correção monetária e sim de taxa de juros prefixados. Recurso Provido em Parte.” Já o voto vencedor, ao final do Acórdão, dá provimento ao recurso voluntário. – Omissão de ponto sobre o qual deveria se pronunciar: Destacase que eram três os pedidos do contribuinte, conforme indicados no relatório do Acórdão: a) a incidência do benefício sobre aquisições demonstradas em notas fiscais que não haviam sido anteriormente apresentadas em outros processos administrativos; b) adição da taxa Selic aos valores anteriores; c) reconhecimento do mesmo benefício em relação a valores que constaram em outros processos administrativos, contra cujas decisões o contribuinte não recorrera, bem como a Selic sobre tais valores. Referido Acórdão foi exarado por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 105/1118, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) que deu, por maioria de votos, parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, concedendo o direito ao crédito presumido de IPI ainda que sobre a aquisição de pessoas físicas, sob o fundamento de que “a expressão ‘valor total’ contida no artigo 2º da Lei 9.363/96 não dá margem à qualquer exclusão pretendida pelo Fisco” pena de afronta ao art. 100, I do CTN, bem ainda, de que a exposição de motivos da MP nº 948 (posteriormente convertida na citada Lei) é clara em desonerar a carga tributária do PIS e da COFINS incidentes em cascata, nas mercadorias destinadas à exportação. O voto vencedor foi proferido pelo Conselheiro Leonardo Siade Manzam, que ementou o julgado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. É inadmissível a reapreciação de matéria constante de processo encerrado na instância administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS Excluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no fornecimento ao produtor exportador. NORMAS TRIBUTÁRIAS. RESSARCIMENTO. CÔMPUTO DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo previsão legal para a adição de juros a valores postulados em ressarcimento, não se pode deferilos por analogia ou equidade, nem sob o argumento de desnecessidade de lei por se tratar de atualização do valor do crédito. A taxa Selic não é índice de correção monetária mas sim de taxa de juros prefixados. Recurso Provido em Parte. Primeiramente a Embargante menciona a contradição entendida como existente entre o que restou consignado na ementa, e o que determinou o voto vencedor do julgado, posto que um dá provimento parcial ao mesmo, enquanto o outro, por seus termos, daria “provimento ao recurso voluntário”. Em seguida, em relação ao pedido complementar de ressarcimento de crédito presumido de IPI (referente às notas fiscais que não haviam sido apresentadas nos outros pedidos formulados pelo sujeito passivo, e, desta forma, indeferidos/glosados), a Embargante entende que houve omissão por parte do julgamento Embargado, pois que nada foi mencionado acerca do cabimento ou não a destempo do referido requerimento, salientando que os mencionados pedidos não foram impugnados pelo contribuinte, e, portanto, restavam definitivos em relação ao crédito glosado. Já quanto à correção pela Selic, o Embargante menciona que o pedido do sujeito passivo não se refere aos créditos do pedido inicial do interessado, mas sim, quanto aos valores glosados em processos administrativos anteriores (pedido complementar), omitindose também neste tocante. Por fim, os Embargos ainda consignam que “apesar de o CARF haver decidido pelo mérito da questão em favor do contribuinte no que diz respeito ao crédito presumido de IPI oriundo de aquisição de insumos adquiridos de pessoa física, em nenhum momento foi quantificado o direito creditório alegado, posto que as notas fiscais nunca foram apresentadas. Esse fato foi inclusive destacado pelo próprio contribuinte em seu recurso, quando expressou que “é motivo de alegria e satisfação para a ora recorrente que em nenhum momento, tanto a DRF/Porto Velho quanto a DRJ/Belém, questionaram ou expuseram alguma dúvida em relação ao quantum de valor constante das planilhas acostados aos autos.”. Dessa forma, entendese que seria importante que o Conselho solicitasse diligência à unidade Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10240.000985/200606 Acórdão n.º 3402002.660 S3C4T2 Fl. 190 5 preparadora afim de apurar o direito creditório alegado, mediante intimação ao contribuinte para apresentação de notas fiscais.” Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam acolhidos os embargos, para o fim de que seja sanada a contradição e omissão arguidas. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Os embargos são tempestivos, atendem os requisitos de legitimidade e aos pressupostos de desenvolvimento válido e eficaz, pelo que dele tomo conhecimento. Porém, no mérito, não merecem acolhida, ante a ausência de uma das hipóteses de aclaramento (omissão, obscuridade ou contradição), como passo a justificar. A análise do processo e especialmente do v. Acórdão embargado, dá conta de que o contribuinte, tendo contra si indeferidos pleitos de ressarcimentos de créditos relativos a períodos anteriores, mas especificamente quanto aos Exercícios de 2002, 2003 e 2004, ingressou, no ano de 2006, com novo pedido de ressarcimento corrigindo as falhas apontadas nos pedidos anteriores, acrescentando notas fiscais neles não incluídas e pleiteando a incidência da SELIC, tanto sobre os créditos pleiteados nos PAF´s anteriores, quanto sobre os créditos objeto do processo sob julgamento. Cotejando os votos vencido e vencedor, da lavra dos Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Leonardo Siade Manzan, respectivamente, verificase que ambos admitiram os recursos nos termos em que interpostos contra a decisão da DRJ, e conheceram dos mesmos, o primeiro para negar o direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e também a incidência da SELIC, e o segundo, designado para redigir o voto vencedor, para conceder o direito ao crédito e também a SELIC calculadas desde o protocolo. Consequentemente, o Conselho julgou o direito tanto a computar crédito presumido de IPI como ressarcimento de Pis e Cofins e a incidência da SELIC desde a data do protocolo do pedido, cabendo a autoridade preparadora apenas “liquidar” o julgado, aplicando o direito entregue pelo Conselho aos fatos contidos no processo, os quais deixam claro que referemse parte a períodos e pedidos anteriores (do qual esse seria complementar) e também a SELIC sobre os créditos já deferidos nos pedidos anteriores. Para tal desiderato, penso que as demais normas jurídicas aplicáveis na liquidação do julgado são ínsitas ao conteúdo do julgamento objeto dos Embargos, de modo que pelos fundamentos jurídicos e pela parte dispositiva que expressa a sua conclusão, é que deve nortear essa atividade de execução do acórdão. Nessa linha, entendendo o contexto dos autos, tenho que não restaram dúvidas (ou seja, omissão, contradição ou obscuridade) quanto ao objeto que estava em litígio, que são tanto o pleito de valores não inseridos nos pedidos anteriores (decorrentes de aquisição de pessoas físicas), como também a SELIC que não foi entregue naqueles outros processos, sendo o caso dos autos de Pedido de Ressarcimento declinado justamente porque os anteriores não foram totalmente deferidos ou não contemplaram a totalidade dos créditos possíveis (no caso, decorrente de algumas notas de aquisição de pessoas físicas). Nessa linha o julgamento “entregou” o direito, no sentido de determinar o cômputo das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido de IPI (01) e deferir a incidência de SELIC (02), sem ressalvar se apenas para esse pedido ou também para aqueles créditos que foram ressarcidos no ano de 2005. Considerando que o pleito é a incidência da Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10240.000985/200606 Acórdão n.º 3402002.660 S3C4T2 Fl. 191 7 SELIC desde o protocolo, e que este processo visava obter a SELIC também sobre os valores ressarcidos anteriormente, está claro que sobre eles também deve incidir. Da mesma forma, as normas de decadência e prescrição para o exercício do direito de pleitear o ressarcimento estão estampadas no Decreto n° 20.910/32, tanto no que tange as notas fiscais que não foram objeto dos pedidos anteriores, cujo prazo é de 05 anos após a aquisição em determinado período de apuração (no caso trimestral) – de modo que se forem Notas Fiscais não contempladas nos pedidos anteriores deve respeitar esse prazo após o encerramento do trimestre , quanto para as Notas que estavam contempladas nos pedidos anteriores, cujo prazo de prescrição restou suspenso entre a data do protocolo e o trânsito em julgado da decisão administrativa, nos termos do art. 4º, do citado Decreto. Quanto a SELIC, o fato gerador do interesse jurídico do contribuinte pleiteálo neste processo, somente surgiu quando concretizouse a não incidência da SELIC, já que antes disso, poderia a Administração computála. Se não o fez, aí surgiu o interesse em pleitear o ressarcimento, como soa constatar ter agido o contribuinte no caso em análise, de modo que sobre os créditos deferidos e ressarcidos nos processos anteriores, a decisão determinou a incidência da SELIC. Delimitadas essas questões, emerge claro que a atividade de liquidação do julgado deve respeitar o “direito que foi entregue”, e aqueles Direitos que emergem do ordenamento, não cabendo a este Conselho efetivar a prévia “liquidação” do julgado, sendo que, se o contribuinte, após referida atividade de liquidação, entender que há contrariedade ao julgado ou a Lei, lhe é facultado insurgirse por nova manifestação de inconformidade, reinstaurando o contencioso administrativo (Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 3 de agosto de 2012), agora atendose a liquidação do crédito, cuja atividade é privativa da autoridade preparadora, e não deste Conselho. Assim sendo, tenho que não há omissão, obscuridade ou contradição, estando nos autos todos os elementos necessários para aplicação do julgado, mediante a integração com as demais normas jurídicas válidas no ordenamento, aplicáveis a espécie e ao caso em apreço. E em não havendo omissão, obscuridade ou contradição, ou ainda, erro material a ensejar a atribuição excepcionalíssima dos efeitos infringentes, os embargos não merecem acolhida. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos dos fundamentos de fato e de direito antes expostos. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 13822.000131/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/2005-05 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 01 31 /2 00 5- 88 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/200505 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 123 3 DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 708DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 709DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 712DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 713DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 717DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 718DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 719DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 720DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000131/200588 Acórdão n.º 3401002.978 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 721DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 18471.002773/2003-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ERRO NO LANÇAMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO. LUCRO REAL ANUAL. NULIDADE
O artigo 3º da Lei nº 9.430/96 prescreve que a opção pelo contribuinte quanto à apuração pelo lucro real anual se dá com o pagamento do tributo correspondente ao mês de janeiro do ano calendário. No caso em análise o contribuinte declarou ser imune. Portanto, deveria o fisco apurar o IRPJ e a CSLL do ano de 1998 com base no lucro real trimestral. Não fazendo dessa forma incorre em nulidade o lançamento por erro na base de cálculo.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-001.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento fiscal por erro na apuração da base de cálculo dos tributos.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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SUSPENSÃO. ERRO NO LANÇAMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO. LUCRO REAL ANUAL. NULIDADE O artigo 3º da Lei nº 9.430/96 prescreve que a opção pelo contribuinte quanto à apuração pelo lucro real anual se dá com o pagamento do tributo correspondente ao mês de janeiro do ano calendário. No caso em análise o contribuinte declarou ser imune. Portanto, deveria o fisco apurar o IRPJ e a CSLL do ano de 1998 com base no lucro real trimestral. Não fazendo dessa forma incorre em nulidade o lançamento por erro na base de cálculo. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento fiscal por erro na apuração da base de cálculo dos tributos. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 27 73 /2 00 3- 09 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da Associação Nóbrega, entidade sem fins lucrativos, IRPJ e CSLL do ano de 1998. Vejamos a descrição das imputações feitas pela fiscalização: 001 — CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES EXCESSO EM FUNÇÃO DO LUCRO OPERACIONAL Glosa de despesas com contribuições/doações e bolsas de estudo efetuadas em virtude de exceder o limite pela legislação do Imposto de Renda, ou seja, 2% do lucro operacional. DEMONSTRATIVO Total das doações efetuadas (ASSISTÊNCIA SOCIAL) R$ 5.115.242,07 Total de bolsas de estudo (ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL)... R$ 12.155.319,89 R$ 17.270.561,96 Lucro operacional R$ 17.804.042,31 Limite R$ 356.080,44 Excesso R$ 16.914.481,12 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 16.914.481,00 0,00 002 GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE A empresa deixou de oferecer a tributação o resultado na venda de bens. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 93.117,89 0,00 003 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 1201001.166 S1C2T1 Fl. 3 3 Falta de adição ao lucro real das despesas indedutíveis, relacionadas no LALUR, conforme detalhado na infração abaixo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 725.804,85 0,00 004 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, pois a empresa neste ano calendário apresentou sua DIPJ na condição de isento. Em virtude do ATO DECLARATÓRIO Nº 05G, de 13 de maio de 2003, ter suspendido o seu beneficio de isenção tributária nos anos calendários de 1997 à 2000, lavramos o presente auto de infração parcial, para exigirmos o crédito tributário referente ao lucro de 1998 que não havia sido oferecido à tributação, com base na nova DIPJ apresentada pelo a esta fiscalização pelo contribuinte, elaborada com base no lucro real. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 17.804.042,31 0,00 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO A empresa deixou de oferecer a tributação o resultado na venda de bens. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 93.117,89 0,00 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, pois a empresa neste ano calendário apresentou sua DIPJ na condição de isento. Em virtude do ATO DECLARATORIO Nº 05G, de 13 de maio de 2003, ter suspendido o seu beneficio de isenção tributária nos anos calendários de 1997 a 2000, lavramos o presente auto de infração parcial, para exigirmos o crédito tributário referente ao lucro de 1998 que não havia sido oferecido à tributação. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 17.804.042,31 0,00 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 O auto de infração foi lavrado em 09 de dezembro de 2003, em razão da expedição de Ato Declaratório nº G/2003, expedido em 13 de maio de 2003, suspendendo a isenção da entidade quanto ao IRPJ do período de 1997 a 2000. A entidade apresentou impugnação ao lançamento, sendo que a DRJ manteve integralmente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: QUESTÃO PREJUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. A apreciação da impugnação referente ao ato declaratório de suspensão de imunidade constitui questão prejudicial à análise do mérito dos autos de infração lavrados em decorrência do referido ato. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. OBJETOS DIFERENTES. POSSIBILIDADE DE EXAME PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A concomitância entre as ações judiciais e administrativas, que importem em objetos diversos, não obsta o conhecimento da impugnação interposta em face de auto de infração lavrado contra o interessado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Declarada a suspensão da imunidade, a entidade sem fins lucrativos fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. MODIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO SUBJETIVA DO INTERESSADO A LUZ DO DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CUMPRIMENTO. A pessoa jurídica, ao ter suspensa a imunidade tributária é inserta no universo de incidência onde figuram os demais contribuintes do imposto de renda, tendo de cumprir com as obrigações principais e acessórias inerentes a tal condição, mormente no tocante a apresentação ao Fisco declaração de rendimentos, que poderá ser realizada conforme uma das formas de apuração do lucro, seja real, presumido ou arbitrado, cabendo ao Fisco fazer as verificações necessárias, enquanto não decaído seu direito, bem como proceder ao respectivo lançamento caso constate irregularidades. GLOSA DE DESPESAS. EXCESSO DE DOAÇÕES. LIMITE LEGAL ULTRAPASSADO PELO SUJEITO PASSIVO. O limite estabelecido em lei para a dedução de despesas com doações na apuração do lucro real é de 2% (dois por cento) sobre o lucro operacional antes da dedução das mesmas. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 1201001.166 S1C2T1 Fl. 4 5 Qualquer valor que ultrapasse o referido patamar deverá ser objeto de glosa fiscal e ser adicionado ao Lucro Real. GANHOS E PERDAS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO E BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. Serão computados na determinação do lucro real os valores referentes à alienação de bens do ativo permanente, caso contrário, de oficio, poderá o Fisco realizálo. ADIÇÕES ESCRITURADAS NO LALUR. VALORES TRANSPORTADOS PARA A DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O sujeito passivo, apesar de declarar os valores relativos às adições em sua DIPJ, pelo fato de sua apresentação não ter ocorrido de forma espontânea, deixa de constituir confissão de divida e passa a corroborar a exigência fiscal. RESULTADOS OPERACIONAIS DECLARADOS. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O interessado, ao apresentar sua declaração pelo lucro real, deverá oferecer a tributação o resultado positivo porventura apurado, o que torna pertinente a glosa fiscal. Ementa: TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa falece competência para apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma ou de exigência tributária, considerando que as declarações em tal sentido, mesmo em caráter incidental, são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: CSLL. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTARIA. CONDIÇÕES. As entidades beneficentes de assistência social só terão reconhecida a imunidade quanto à contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 195, § 7º, da CF/1988, quando comprovem haver atendido as condições do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Caso contrário, inaplicável se torna à espécie o respectivo instituto. CSLL. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica aplicase, no que couber, à contribuição social sobre o lucro liquido. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Lançamento Procedente em Parte Em resumo, a DRJ decidiu da seguinte forma: a) CONHECER DA IMPUGNAÇÃO, mesmo havendo ação judicial concomitante, as quais, por seu turno, possuem objetos diferentes; b) REJEITAR as arguições preliminares de que a Interessada permaneceria na condição de imune, mesmo diante da confirmação da suspensão da imunidade nos autos do processo em apenso; REJEITAR as arguições preliminares da Interessada de imunidade em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL; d) JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — 1RPJ, REDUZINDO o valor do tributo de R$ 8.860.361,51 para R$ 8.774.008,00, incidindo sobre o mesmo os juros de mora. Deve, ainda, ser ressaltada a ausência da multa de oficio em face do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/1996, em face de estar a exigibilidade do referido crédito tributário suspensa por medida liminar em mandado de segurança; e) JULGAR PROCEDENTE o lançamento relativo á Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, aplicando sobre o mesmo os juros de mora, devendo, também, aqui ser ressaltado que em face da exigibilidade encontrarse suspensa por força de liminar proferida em mandado de segurança, não há incidência da multa de oficio no presente auto de infração, conforme preceito estabelecido pela Lei n° 9.430/1996, artigo 63. Intimada da decisão em 29 de outubro de 2004, inconformada, a entidade apresentou Recurso Voluntário em 1º de dezembro de 2004, portanto dentro do prazo legal, alegando: a) o credito tributário deveria ter sido constituído tomandose por base apenas as incorreções apontadas no RELATÓRIO FISCAL, expedido pela D. Autoridade Fiscalizadora em 16/12/2002, que subsidiaram a suspensão do beneficio de isenção tributária através do ATO DECLARATÓRIO n° 05 G/03. Portanto, em face da utilização incorreta, pela D. Autoridade Fiscalizadora, de critérios e institutos inerentes e próprios das entidades lucrativas para a constituição do crédito tributário, por regra, inaplicáveis à Recorrente, resta insubsistente o Auto de Infração, razão pela qual deve ser cancelado; b) a Recorrente presta serviços educacionais e de assistência social beneficente, cumprindo integralmente os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional. Mantém escrita absolutamente regular, que demonstra a inexistência de distribuição de excedentes ou lucro; a integral aplicação de seus recursos em suas próprias atividades; a inexistência de remessa de renda para o exterior. Além disso, segundo seus estatutos, dá Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 1201001.166 S1C2T1 Fl. 5 7 se a afetação perene dos bens, renda e patrimônio da Entidade aos fins educacionais e assistenciais, como órgão de colaboração com o Estado. Tratase, pois, de uma instituição beneficente, sem fins lucrativos, educacional, filantrópica e de assistência social, que exerce função de interesse público; c) conquanto haja sido declarada a suspensão do beneficio da isenção tributária, conforme ATO DECLARATÓRIO N. 05 G/2003, tal ato administrativo não retira da Recorrente suas finalidades essenciais, quais sejam: servir ao bem comum, perseguindo objetivos públicos e promovendo o pleno desenvolvimento das pessoas, dandolhes os meios materiais e intelectuais para o exercício da cidadania. Reafirmamos que a Recorrente é, e sempre será, uma Instituição de Educação e Assistência Social sem fins lucrativos que exerce função de interesse público em colaboração com o Estado; d) é necessário que a Autoridade Autuante demonstre, nos autos, a efetiva ocorrência do fato gerador do imposto, condição, esta, necessária à constituição do crédito tributário. Meras alegações, acerca da recomposição do lucro pela Recorrente, sem que haja a devida comprovação, não podem validar o procedimento fiscal do lançamento tributário; e) a mera entrega do formulário da declaração de rendimentos retificadora, sob intimação fiscal, não constitui condição suficiente par a formalização da exigência fiscal, até porque o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ se sujeita ao lançamento por homologação, conforme entendimento desse Colendo Conselho de Contribuintes; f) a tributação do lucro real somente é cabível quando observadas todas as normas pertinentes a esse regime de tributação, especialmente no que tange à apuração dos resultados (mensal, trimestral, semestral ou anual) e aos pertinentes ajustes no lucro liquido; g) se as normas tributárias facultam a pessoa jurídica a adoção de quaisquer daqueles regimes de tributação do imposto de renda, o ato administrativo de fixar e obrigar a Recorrente à utilização de determinado regime tributário (lucro real) é contrário a lei e, por decorrência, fere ao Principio da Finalidade; h) o fato de a D. Autoridade Julgadora entender que o que foi decidido para o IRPJ vale também para a CSLL, não é condição suficiente para validar o procedimento fiscal, pois, carece seu entendimento de fatos, fundamentos jurídicos e de motivação que requer o ato administrativo; i) não há relação de causa e efeito entre as imunidades do IRPJ e CSLL uma vez são institutos distintos, regulados por prescrições constitucionais distintas e sujeitos a requisitos específicos, como demonstrou a D. Autoridade Julgadora; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 j) o ato administrativo tem eficácia e vigência dentro do limite que o circunscreve, logo, ao declarar que fica "suspenso o beneficio de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (...)", determinou, tãosomente, a suspensão da regra imunizante do IRPJ. Se o constituinte derivado e o legislador ordinário não podem ignorar as imunidades tributárias, por muito maior razão não poderá fazêlo o aplicador das leis tributárias, interpretandoas, a seu talante, de modo a costeá las. Assim, é incabível a extensão da suspensão da imunidade tributária à CSLL; k) a subsunção, como fenômeno lógico, só se opera entre iguais. Daí a necessidade da interpretação de todas as normas e buscar amoldar o fato à aquela norma que melhor sentido e alcance tenha, numa justa aplicação do Direito; l) devese anular a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse; m) as doações são instrumentos de realização dos objetivos da Recorrente, já que seu estatuto guarda estrita relação com o atendimento a demanda dos destinatários da política de assistência social, não estando tais despesas sujeitas a limites (logo, dedutíveis) por tratar se de despesas operacionais necessárias e essenciais à atividade da Recorrente; n) é para favorecer a cooperação com o Estado, auxiliandoo a promover o pleno desenvolvimento das pessoas, que a Recorrente destina parte de seus recursos para a assistência social e educacional sob a forma de gratuidade (doações) em percentuais não inferiores a 20% dos recursos obtidos anualmente, conforme prevê a legislação que rege a assistência social; o) não há como considerarmos a figura do lucro nas operações da Recorrente, por presente a indisponibilidade de riqueza nova, inexistência de capital que vocacionalmente requer remuneração e conseqüente distribuição de lucro. Logo, por inexistir a hipótese de incidência que abriga o fato gerador do IRPJ/CSLL, qual seja o lucro, inexiste, portanto, a base de calculo de mensuração do respectivo crédito tributário; p) a Recorrente não exerce atividade lucrativa sujeita a incidência do IRPJ/CSLL, e suas fontes de recursos, inclusive aquelas oriundas da venda de bens integrantes do seu ativo fixo, são instrumentos, meios, necessários à consecução de seus objetivos, quais sejam a atividade de assistência social benemerente, descaracterizado, portanto, o fato gerador de tal tributo; não há como equiparar apuração dos superavits ao lucro liquido, nem ao lucro real, conforme já se manifestou esse Egrégio Colegiado; r) sendo as normas constitucionais pertencentes à legislação tributária, não há motivo para deixálas de lado nos julgamentos do processo administrativo fiscal, cuja atividade se resume exatamente à verificação da adequação da atividade fiscal àquela legislação; Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 1201001.166 S1C2T1 Fl. 6 9 s) a lei é o único instrumento hábil para veicular normas processuais, ficando aos atos normativos infralegais o papel meramente regulamentar dos comandos legais; t) os juros SELIC não podem ser aplicados ao caso em tela, uma vez que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da Taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. A contribuinte apresenta ainda Memoriais, alegando ainda que seria nulo o lançamento fiscal quanto ao IRPJ e a CSLL, pois a fiscalização exigiu que a contribuinte apresentasse DIPJ sob o regime de apuração anual, quanto o correto segundo o artigo 1º da Lei nº 9.430/96, seria exigir a apuração do Auto de infração e a apresentação da DIPJ sob o regime trimestral, sendo que o regime anual seria uma opção do contribuinte. Nesse sentido, apresenta jurisprudência proferida por esse E. Tribunal, da 4ª Câmara, 2ª Turma, da 1ª Seção, sob a relatoria do Conselheiro Leonardo Couto (Acórdão nº 140200.033): “IRPJ e CSLL. APURAÇÃO TRIMESTRAL. Não havendo opção expressa do sujeito passivo em sentido contrário, a apuração do lucro deve ocorrer sob o regime trimestral e as irregularidades apuradas devem ser computadas no resultado do trimestre a que se refiram. Apropriação em período distinto macula o procedimento pelas distorções causadas no resultado da pessoa jurídica.” Após o ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto solicitar que a contribuinte trouxesse aos autos cópia da DIPJ do ano de 1998, a contribuinte trouxe aos autos tal documento, onde aponta a forma de apuração anual do IRPJ e da CSLL como entidade imune. Traz ainda em seu petitório descrevendo o Manual do DIPJ/99, instruções de preenchimento, constando como opção: Imune do IRPJ. Com isso, argumento que se o contribuinte opta pela modalidade imune do IRPJ, não está optando por qualquer outra modalidade de apuração do lucro. Com isso, conclui a Recorrente que jamais optou pela apuração do lucro com base no lucro real, muito menos com base no lucro real anual. Conclui ainda que ao informar se tratar de entidade imune, o sistema da Receita Federal habilitou a entidade a preencher apenas as fichas 1 a 4; 32, 33, 43, 45 a 47. Este é o Relatório! Fl. 613DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Inicialmente, cumpre destacar que há relação entre o Processo Administrativo nº 18471.000221/200277 e os presentes autos. Isso porque, a questão da suspensão da imunidade do IRPJ relativo ao ano de 1998, fora julgada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mantendo a referida suspensão. Não obstante o julgamento ocorrido nos autos do referido processo quanto à matéria imunidade, cumprenos enfrentar nesses autos o lançamento fiscal decorrente da referida suspensão. A primeira questão a ser enfrentada aqui é quanto à nulidade do lançamento fiscal relativo à autuação pelo regime do lucro real anual. Compulsando os autos, não vislumbrei nenhuma intimação ou notificação da fiscalização exigindo que o contribuinte apresentasse a apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Real anual. Contudo, ao analisar a DIPJ/1999 trazida pela entidade aos autos, constatase que a mesma fez opção pela modalidade “Imunidade do IRPJ”, que é muito diferente da modalidade Lucro Real Anual. Notese que a modalidade Lucro Real Anual trazida no artigo 3º da Lei nº 9.430/96, prescreve que: Artigo 3º. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de inicio de atividade.” Observem que a opção do contribuinte pelo lucro real anual se dá com o pagamento do imposto correspondente a janeiro do ano calendário, o que não ocorreu com a entidade que declarou ser imune ao IRPJ. Portanto, jamais a fiscalização poderia aplicar a apuração do lançamento com base no lucro real anual. Deveria ter apurado os tributos lançados com base no lucro real trimestral. Esse erro gravíssimo implica em nulidade material quanto ao critério quantitativo do lançamento. Como bem mencionado pela entidade, a jurisprudência desse Tribunal é firme no sentido da impossibilidade do lançamento ser feito em circunstâncias similares pelo lucro real anual. Foram citados os seguintes excertos: Acórdão nº 140200.033 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Relator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto; Acórdão nº 130200.820 – 3ª Câmara – 2ª Turma – Relator Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, Acórdão nº 1102 00.332 – 1ª Câmara – 1ª Turma – Relator Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 1201001.166 S1C2T1 Fl. 7 11 Nestes termos, entendo pelo cancelamento integral do lançamento. Quanto à questão do superávit apurado pela contribuinte, é claro que não podemos confundir essa questão com prejuízo ou lucro líquido. Contudo, vislumbro nos autos que a fiscalização se utilizou do superávit para considerar como lucro real para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, o que não seria correto sob o ponto de vista de apontar a correta base de cálculo para a incidência das alíquotas dos tributos. A fiscalização utilizou da DIPJ apresentada pelo contribuinte para apurar os tributos devidos no lançamento, sendo que essa declaração não traz as informações necessárias para se apontar a base de cálculo a ser tributada, o Lucro Real. Essa questão, não obstante, está superada em razão da nulidade do lançamento. Quanto à CSLL, entendo que a Recorrente tem razão quando afirma que a suspensão da imunidade foi reconhecida apenas quanto ao IRPJ nos termos do Ato Declaratório, não fazendo nenhuma menção à CSLL ou tributos decorrentes. Como sabido, o disposto no artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da CF, trata apenas dos impostos sobre o patrimônio, renda e serviços, o que não abrange a contribuição social sobre o lucro. A imunidade das contribuições sociais está atendida no artigo 195, parágrafo 7º, da CF. Não obstante, da mesma forma que há nulidade em relação ao IRPJ, a apuração da CSLL no lançamento se deu exatamente nos mesmos moldes do imposto sobre a renda, existindo nulidade material na constituição do crédito tributário em exame. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE provimento, para cancelar o lançamento fiscal por erro na apuração da base de cálculo dos tributos. É como voto! (assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 615DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 16327.001595/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia a instância administrativa. No entanto a discussão deve seguir em relação às demais matérias.
APURAÇÃO DO MONTANTE TRIBUTÁVEL DE IRPJ. DEDUÇÃO DE PIS-REPIQUE RECOLHIDO. CABIMENTO. Restou comprovado nos autos o recolhimento do PIS-REPIQUE, com o colacionamento de DARF´s, com código de receita, CNPJ, período de apuração, data do vencimento e autenticação bancário do pagamento.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITO DE MONTANTE NÃO INTEGRAL. CABIMENTO. Não se pode descaracterizar o pagamento efetuado através de depósito judicial. Porém como os depósitos foram parciais a exigência deve incidir apenas sobre os valores não abrangidos pelos depósitos.
Numero da decisão: 1302-001.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, na matéria estranha ao mandado e seguraça impetrado pela recorrente, para reconhecer a dedutibilidade da base tributável do IRPJ do PIS-Repique recolhido e limitar a incidência dos juros de mora a parcela do IRPJ não depositado em juizo. Vencido o conselheiro Alberto Pinto que mantinha a incidência dos jurosde mora inclusive sobre a parcela do IRPJ depositadoem juízo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia a instância administrativa. No entanto a discussão deve seguir em relação às demais matérias. APURAÇÃO DO MONTANTE TRIBUTÁVEL DE IRPJ. DEDUÇÃO DE PISREPIQUE RECOLHIDO. CABIMENTO. Restou comprovado nos autos o recolhimento do PISREPIQUE, com o colacionamento de DARF´s, com código de receita, CNPJ, período de apuração, data do vencimento e autenticação bancário do pagamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITO DE MONTANTE NÃO INTEGRAL. CABIMENTO. Não se pode descaracterizar o pagamento efetuado através de depósito judicial. Porém como os depósitos foram parciais a exigência deve incidir apenas sobre os valores não abrangidos pelos depósitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, na matéria estranha ao mandado e seguraça impetrado pela recorrente, para reconhecer a dedutibilidade da base tributável do IRPJ do PISRepique recolhido e limitar a incidência dos juros de mora a parcela do IRPJ não depositado em juizo. Vencido o conselheiro Alberto Pinto que mantinha a incidência dos jurosde mora inclusive sobre a parcela do IRPJ depositadoem juízo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 95 /2 01 0- 58 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302001.502 S1C3T2 Fl. 438 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ, no valor de R$ 2.359.477,95, acrescido de multa de ofício de 75% e demais encargos de juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. Segundo consta do TVF de fls. 139 e seguintes, a infração apurada foi a seguinte: para fins de determinação da base tributável do IRPJ no anocalendário de 2005, o Contribuinte deduziu indevidamente do lucro líquido os valores relativos às despesas contabilizadas a título de Pis e Cofins, que se encontravam com a exigibilidade suspensa por força de decisões judiciais. o interessado impetrou os Mandados de Segurança, nº 2001.61.00.0232536 e 2001.61.00.0232548 em 13/09/2001, que pretendiam afastar a aplicação do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995 objetivando proceder a dedução nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL dos valores relativos às despesas com as contribuições com as exigibilidades suspensas. os pedidos de liminar foram indeferidos, tendo sido julgados improcedentes os mandamus e denegada as seguranças em 18/10/2001. inconformado, o contribuinte interpôs Apelação e Medida Cautelar, que também tiveram negados seus provimentos pela Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em 25/10/2006, que manteve a decisão de 1ª instância. entendeu o colegiado que depósito judicial apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário e só o pagamento gera a sua extinção. desta decisão foram opostos Embargos de Declaração que foram conhecidos e rejeitados e interpostos Recursos Especial (STJ) e Recurso Extraordinário (STF). assim, o Contribuinte, sem respaldo judicial, efetuou em 31/01/2007 o depósito judicial dos valores relativos ao IRPJ incidente sobre as despesas de PIS e COFINS contabilizadas e deduzidas no AC/2005. as despesas do PIS e COFINS cujas exigibilidade se encntravam suspensas, foram distribuídas no AC/2005 da seguinte forma: Tributos e Contribuições C/ Exig. Suspensa Valores deduzidos em 2005 PIS R$1.319.278,00 COFINS R$8.118.633,86 TOTAL R$9.437.911,86 o art. 41 da Lei nº 8.981/95, prevê a possibilidade de dedução dos tributos e contribuições devidos na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, segundo o regime de competência, porém seu §1º é exceção e veda a aplicação desse regime para dedução dos tributos que estejam com a exigibilidade suspensa, senão vejamos: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 “Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41 ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º ).” que os arts.247 e 249 do RIR/99 e 37, 38 e 39 da IN nº 390/2004, que definem quais as adições e exclusões do lucro líquido poderão ser considerados nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. que embora a legislação tenha adotado o regime de competência para fins de dedução das despesas na determinação da base tributável do IRPJ e da CSLL, estabeleceu também a não dedução dos tributos e contribuções cuja exigibilidade esteja suspensa. que os valores objeto de depósitos judiciais não representam pagamento da obrigação, mas mera garantia, enquanto pendente a demanda judicial os valores integram o patrimônio do contribuinte. somente após a decisão final há o ingresso nos cofres públicos, se a demanda for favorável ao fisco, caso contrário, incumbe ao fisco juízo disponibilizarlhe o valor acrescido dos juros. assim, não pode ser considerada como efetiva despesa a provisão dos tributos e contribuições cujos pagamentos foram diferidos (depósito judicial). além disso, o montante depositado no MS nº 2001.61.00.0232536, relativo ao IRPJ, não correspondeu ao montante integral, contrariando o disposto no inciso II, do art. 151 do CTN, conforme demonstrado: Apuração IRPJ devido AC 2005 R$ PIS 1.319.278,00 COFINS 8.118.633,86 Base Cálculo IR 9.437.911,86 Total Devido IR 2.359.477,95 Depósito Judicial 1.866.709,27 Diferença 492.768,68 posto isto, procedeuse de ofício a constituição do crédito tributário, referente às deduções efetuadas. Inconformado, com a autuação o interessado apresentou impugnação de fls. 272/282, alegando, em síntese, o seguinte: que, de fato, nos termos do Decretolei nº 1.737/79 e do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80, a propositura de ação judicial implica na renúncia à discussão no âmbito administrativo, quando a matéria questionada em ambas as esferas for idêntica. que, porém, no caso em questão a matéria discutida no âmbito administrativo não foi abordada na esfera judicial e não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302001.502 S1C3T2 Fl. 439 5 que a presente impugnação versa somente sobre o equívoco no cálculo do IRPJ constituído no auto de infração e a não incidência de juros de mora e multa sobre os valores depositados judicialmente. que a matéria ora combatida, por não se identificar com aquela argüida em ação judicial, deve ser conhecida; conforme Súmula nº 1 do CARF. Com relação ao equívoco no cálculo do montante tributável. que, por força de decisão liminar, proferida em Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670, procedia ao recolhimento do Pis/Repique, calculado com base no Imposto de Renda devido, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar nº 07/70. que a fiscalização deixou de deduzir da base de cálculo do IRPJ as parcelas correspondentes ao Pis/Repique que haviam sido recolhidas durante o anocalendário de 2005, tendo apurado indevidamente o IRPJ. que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN, e a Autoridade Fiscal deveria proceder uma análise exaustiva da apuração do montante do crédito tributário, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, e aos princípios da moralidade, eficiência e celeridade. que devem ser deduzidos do presente crédito tributário os valores recolhidos de Pis/Repique em 2005. Com relação à inaplicabilidade dos juros de mora e da multa sobre os valores depositados judicialmente. que impetrou o Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232536 perante a 13ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pleiteando o afastamento do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995, objetivando garantir a dedução dos valores relativos às despesas contabilizadas a título de Pis e Cofins, que se encontravam com a exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a V do art. 151 do CTN. que o pedido de liminar foi indeferido e a sentença foi improcedente. que interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido apenas no efeito devolutivo. Em razão do acórdão que negou provimento à apelação, efetuou o depósito judicial do IRPJ. que, no momento da lavratura do auto de infração, a própria Autoridade Fiscal já havia reconhecido a suspensão da exigibilidade da parte do crédito tributário que havia sido depositada judicialmente, afirmando que “(...) cabe sublinhar que o depósito judicial efetuado nos autos do MS 2001.61.00.0232536 relativamente ao IRPJ não correspondeu ao montante integral devido (...)”. que os valores depositados encontramse com exigibilidade suspensa, razão pela qual é indevido o cômputo de juros de mora sobre estes valores; cita jurisprudência do Carf. que, existindo depósito judicial deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a parcela do crédito tributário correspondente aos valores depositados. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 que, ao final da ação judicial caso a Impugnante tenha seu pleito denegado, os valores depositados, serão convertidos para a União com os devidos acréscimos. que, comprovado que parte do crédito tributário está com a exigibilidade suspensa, imperiosa a exclusão da multa de ofício sobre tais valores; cita jurisprudência do Carf. que a impossibilidade da exigência de juros de mora e de multa sobre os valores depositados é evidente, tendo em vista não apenas a suspensão da exigibilidade, como também por ausência de infração e inadimplemento. A 7ª Turma da DRJ/RJ1, pelo Acórdão nº 1237.357, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE TRIBUTÁVEL DE IRPJ. PIS E COFINS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual, versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, relativamente à matéria que foi levada a juízo. A discussão prossegue apenas quanto às matérias não discutidas em ações judiciais. APURAÇÃO DO MONTANTE TRIBUTÁVEL DE IRPJ. DEDUÇÃO DE PISREPIQUE RECOLHIDO NO ANOCALENDÁRIO DE 2005. DESCABIMENTO. Descabe a dedução de PISRepique do montante tributável de IRPJ apurado em procedimento de ofício, posto que, além de não estar comprovado que o interessado tenha recolhido o PISRepique específico sobre a parcela de IRPJ que deixou de ser recolhida, também, na data do lançamento de ofício, o contribuinte não mais estava amparado por decisão judicial. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ. DEPÓSITO DE MONTANTE NÃO INTEGRAL. CABIMENTO. É devida a multa de ofício, uma vez que o depósito judicial de IRPJ não foi efetuado em montante integral (art. 151, inciso II, do CTN). JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos sempre, seja qual for o motivo determinante de sua falta, tendo em vista o disposto no caput do art. 161 do Código Tributário Naciona (CTN). Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302001.502 S1C3T2 Fl. 440 7 Cientificado do resultado da decisão da DRJ, em 02/06/11, o Interessado apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 04/07/11, alegando em apertada síntese o seguinte: que a DRJ manteve o lançamento por entender ser indevida a dedução do PISRepique da base de cálculo do IRPJ, porque, à época do lançamento de ofício, a Recorrente não mais estaria amparada por decisão judicial. que, ao contrário do que afirma a D. Autoridade Julgadora, a Recorrente comprovou o recolhimento do PISRepique no anocalendário de 2005 ao colacionar as cópias dos DARF´s do período. que tendo sido comprovado o recolhimento do PISRepique, deveria a DRJ ter reconhecido o pagamento e deduzido os valores da base de cálculo do IRPJ. que apesar de decisão judicial desfavorável no MS n° 2001.61.00.0213670, foram interpostos Recursos Especial e Extraordinário em face do acórdão do TRF da 3a Região. uma vez que a discussão judicial relativa à cobrança do PIS ainda não foi encerrada, aplicase o entendimento esposado pela Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta n° 95 de 23 de maio de 2001, a seguir reproduzida, no sentido de que os tributos pagos são dedutíveis do IRPJ: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 95 de 23 de Maio de 2001 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Não têm sua exigibilidade suspensa, e portanto podem ser considerados como dedutíveis na determinação do lucro real, os valores correspondentes a tributos e contribuições efetivamente recolhidos ao Tesouro, ainda que sua cobrança esteja sendo contestada judicialmente. no presente caso, a própria DRJ reconheceu a existência de contestação judicial no bojo do MS n° 2001.61.00.0213670 e, como demonstrado acima e comprovado pelas guias colacionadas aos autos, houve o devido recolhimento do PISRepique. asim, com a cessação da suspensão da exigibilidade, o crédito tributário a ser exigido será calculado excluindose, por óbvio, os valores que já recolhidos da seguinte forma: BC IRPJ AIIM 9.437.911,86 PISREPIQUE 468.768,70 BC CORRETA 8.969.143,16 IRPJ CORRETO 2.242.285,79 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 IRPJ AIIM 2.359.477,97 DIFERENÇA 117.192,18 portanto, ao deixar de excluir da base de cálculo o PISRepique recolhido no anocalendário de 2005, a D. Autoridade Julgadora procedeu o lançamento de IRPJ em valor R$ 117.192,18 superior ao devido. que ao glosar as deduções do PIS, deveria a Autoridade Fiscal ter excluído os valores que foram efetivamente recolhidos, eis que estes não se encontravam com sua exigibilidade suspensa, mas extintos em razão do pagamento. Inclusive, vale ressaltar que a liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0213670 determinou o recolhimento do PIS nos termos da Lei Complementar n° 07/70 (Doe. 02). que a suspensão da exigibilidade, neste caso abrangeria apenas a diferença entre o PIS apurado nos termos das Le n°s 9.701/98 e 9.718/98 e o tributo apurado nos termos da Le Complementar n° 07/70 (PISRepique). que tendo em vista que o lançamento visa a constituir o crédito de IRPJ incidente sobre o PIS cuja exigibilidade se encontrava suspensa, deveria ter efetuado a dedução PISRepique, em consonância com a decisão que havia deferido a liminar no suscitado Mandado de Segurança que não merece guarida a afirmação da D. Autoridade Julgadora de que a Recorrente "(...) poderia sim ter deduzido os valores do PisRepique do resultado do IRPJ apurado e declarado por ele mesmo no anocalendário de 2005. Se não o fez à época, não tem fundamento pleitear que a fiscalização o faça em lançamento de ofício efetuado no ano de 2010 (...)". que deve ser realizada uma investigação exauriente verificando todos os elementos necessários à determinação do correto valor do tributo. A ausência de dedução do PISRepique no próprio anocalendário de 2005 não impede que esta seja realizada posteriormente, no momento do lançamento de ofício. que é dever da Autoridade Fiscal proceder a dedução, como determina o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário NacionaL. que em respeito ao princípio da verdade material e segurança jurídica, incumbia à D. Autoridade Fiscal proceder a uma análise exaustiva de todos os elementos que influenciam na apuração da matéria e do montante tributário. que a Receita Federal tem acesso a todas as declarações do contribuinte, bem como aos DARF's de recolhimento dos tributos, razão pela qual poderia ter verificado a ocorrência de recolhimento do PISRepique referente ao ano; calendário de 2005 que os princípios constitucionais tributários levantados, ao contrário do que propugna a DRJ, devem ser observados pela autoridade administrativa. que sob qualquer prisma que se analise a questão, devem ser deduzidos do crédito tributário constituído no presente auto de infração os valores recolhidos pela Interessada a título de PISRepique no anocalendário de 2005. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302001.502 S1C3T2 Fl. 441 9 que no que tange ao depósito judicial realizado, no MS, afirma que não foi integral, motivo pelo qual não foi reconhecida a suspensão da exigibilidade. que deduzida da base de cálculo do IRPJ os valores de PISRepique recolhidos, a diferença entre o valor depositado judicialmente e o IRPJ calculado pela D. Autoridade Julgadora está incorreto. que o IRPJ que não se encontra depositado judicialmente corresponde à diferença entre o imposto apurado com a base de cálculo deduzindose o PlSRepique e o valor depositado judicialmente, conforme se verifica na planilha abaixo: IRPJ C/ Dedução do PIS/REPIQUE 8.969.143,16 Depósito 1.866.709,27 IRPJ S/Depósito 375.576,52 que existindo o depósito judicial de parcela do débito, deve ser afastada a incidência dos juros de mora em relação a este montante. que tendo em vista a existência de depósito judicial, mesmo que não seja reconhecida a suspensão da exigibilidade, sobre o montante principal autuado não devem incidir juros de mora. . que corroborando o acima aludido, verificase o entendimento predominante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a impossibilidade da incidência de juros moratórios na constituição do crédito tributário, quando houver depósito judicial MULTADE OFÍCIO E JUROS DE MORA EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIANTE DEPÓSITO. O depósito do valor do crédito exclui a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora até a força do montante depositado. "Segundo Conselho de Contribuintes. 5a Câmara. Turma Ordinária Acórdão n° 20500247 do Processo 35345000870200666 12/02/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/11/2002 a 30/04/2005. DEPÓSITO JUDICIAL JUROS E MULTA MORATÓRIA. FLUÃSNCIA. SUSPENSÃO. Os depósitos judiciais à disposição da União suspendem a fluência da multa e dos juros moratórios a partir de sua realização. Recurso Voluntário Parcialmente Provido." resta evidente, pois, a impossibilidade da exigência dos juros de mora sobre os valores que foram depositados judicialmente, tendo em vista a correção dos seus valores pela Taxa SELIC que requer seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformada o v. acórdão para reduzir o montante do crédito tributário em razão da Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 dedutibilidade do PISRepique pago e a exclusão do juros de mora em relação aos valores depositados judicialmente. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302001.502 S1C3T2 Fl. 442 11 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso voluntário, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque deles conheço. Da concomitância do processo administrativo e do processo judicial. Analisando o presente processo administrativo, verificase que, para fins de determinação da base tributável de IRPJ, no anocalendário de 2005, o Recorrente procedeu a dedução dos valores relativos às despesas contabilizadas a título de Pis e Cofins, os quais se encontravam com a exigibilidade suspensa. O interessado impetrou Mandado de Segurança, em 13/09/2001 (nº 2001.61.00.0232536 – 13ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo), onde requereu o afastamento da aplicação do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995, objetivando proceder a dedução dos valores relativos às despesas contabilizadas a título de Pis e Cofins, os quais se encontravam com a exigibilidade suspensa. O pedido de liminar foi indeferido, foi denegada a segurança em 1ª instância e foi negado recurso de apelação e medida cautelar interpostos pelo interessado pela Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Foram interpostos Recursos Especial (STJ) e Recurso Extraordinário (STF) pelo interessado que, de acordo com consulta processual no site dos referidos Tribunais Superiores, ainda tramitam, estando, portanto, pendentes de decisão judicial. Assim, resta claro a concomitância já que o objeto do processo judicial e do presente processo administrativo são exatamente os mesmos, o que impede a apreciação das matérias levadas a juízo. Diante do exposto, me abstenho de pronunciar sobre a matéria levada a juízo, relativa à dedução dos valores relativos às despesas contabilizadas a título de Pis e Cofins, os quais se encontravam com a exigibilidade suspensa (§ 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995). Isto porque, cabe ao Poder Judiciário dizer, em caráter definitivo, o direito aplicável à espécie, razão pela qual devese, apenas, zelar pelo cumprimento da decisão judicial definitiva a ser proferida no âmbito judicial. No entanto, a discussão deve prosseguir quanto às matérias não discutidas na ação judicial, como, aliás, pretende o Recorrente. Da apuração do montante tributável. O Recorrente alega que, por força de decisão liminar, proferida no Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670, procedia ao recolhimento do PisRepique, calculado com base no Imposto de Renda devido, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar nº 07/70. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Argumenta que a fiscalização, ao deixar de deduzir da base de cálculo do IRPJ as parcelas correspondentes ao PisRepique que haviam sido recolhidas durante o anocalendário de 2005, teria apurado indevidamente o IRPJ. Defende que deveriam ser deduzidos do presente crédito tributário os valores recolhidos de PisRepique em 2005. Entendo que neste ponto, assiste razão ao Recorrente. A fiscalização deveria ter deduzido da base de cálculo do IRPJ os valores correspondentes ao PisRepique recolhidos no anocalendário de 2005. A DRJ manteve o lançamento por entender ter sido indevida a dedução do PIS Repique da base de cálculo do IRPJ, nos seguintes termos: "(...) A fiscalização agiu bem em não deduzir da base de cálculo do IRPJ ou do crédito tributário do presente lançamento os valores correspondentes ao PISRepique que teriam sido recolhidos pelo interessado no anocalendário de 2005. De início, cabe esclarecer que, se o interessado estava, como alega, amparado em decisão liminar proferida no Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0213670, poderia, s.m.j., ter deduzido os valores de PisRepique do resultado do IRPJ apurado e declarado por ele mesmo no anocalendário de 2005. Se não o fez à época, não tem fundamento pleitear que a fiscalização o faça em lançamento de ofício efetuado no ano de 2010. Ressaltese, ainda, que o interessado, tampouco, comprovou que tenha apurado e recolhido o PisRepique que seria exigível em decorrência da apuração do IRPJ lançado de ofício no presente auto de infração. (...) Em consulta processual nos sites da Justiça Federal e do Tribunal Regional Federal da 3a Região, é possível verificar que o referido Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0213670 foi julgado improcedente e ao recurso de apelação interposto pelo interessado foi negado provimento. Portanto, na data da constituição do crédito tributário de IRPJ (08/12/2010), o interessado não mais estava amparado por decisão judicial, já que esta lhe era desfavorável. (...)" Ao contrário do que afirmou a DRJ, a Recorrente comprovou o recolhimento do PISRepique no anocalendário de 2005 ao colacionar na Impugnação as cópias dos DARF´s, com o Código de Receita do PISRepique (8205), o CNPJ da empresa, o período de apuração, a data de vencimento e a autenticação bancária do pagamento. Sendo assim, restou comprovado o recolhimento do PisRepique que seria exigível em decorrência da apuração do IRPJ lançado de ofício no presente auto de infração, devendo ser reconhecidos os pagamentos e deduzidos os valores da base de cálculo do IRPJ, em respeito ao princípio da verdade material e da segurança jurídica. Apesar da decisão judicial desfavorável ao Recorrente no Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0213670, foram interpostos Recursos Especial e Extraordinário em face do acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região que julgou improcedente a apelação interposta no referido mandamus. Sendo assim, entendo que, uma vez que a discussão judicial relativa à cobrança do PISRepique ainda não foi encerrada, não há como descaracterizar o pagamento efetuado que tem o condão de extinguir o crédito tributário nos termos do art. 156 do CTN. Razão porque deve ser efetuada a dedução de PisRepique pleiteada pelo Recorrente. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302001.502 S1C3T2 Fl. 443 13 Da multa e dos juros de mora. O Recorrente alega que, no momento da lavratura do auto de infração, a Autoridade Fiscal já teria reconhecido a suspensão da exigibilidade da parte do crédito tributário que havia sido depositada judicialmente, ao afirmar que “(...) cabe sublinhar que o depósito judicial efetuado nos autos do MS 2001.61.00.0232536 relativamente ao IRPJ não correspondeu ao montante integral devido (...)”. Aduz que os valores devidamente depositados encontramse com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, razão pela qual seria indevido o cômputo da multa e dos juros de mora sobre estes valores. Entendimento que existindo depósito judicial deve ser suspensa a exigibilidade e afastada a incidência da multa e dos juros de mora sobre a parcela do crédito tributário correspondente aos valores depositados. Conforme demonstrado no tópico anterior, deve ser deduzida da base de cálculo do IRPJ os valores de PISRepique recolhidos no anocalendário de 2005. Assim, a diferença entre o valor depositado judicialmente e o IRPJ calculado pela D. Autoridade Julgadora está incorreto, pois foi realizado utilizandose de base de cálculo superior à devida. Assim, o IRPJ que não se encontra depositado judicialmente corresponde à diferença entre o imposto apurado com a base de cálculo deduzindose o PlSRepique e o valor depositado judicialmente, conforme se verifica na planilha abaixo: IRPJ C/ DEDUÇÃO DO PIS‐REPIQUE 8.969.143,16 DEPÓSITO 1.866.709,27 IRPJ S/ DEPÓSITO 375.576,52 Existindo o depósito judicial de parcela do débito, deve ser afastada a incidência dos juros de mora em relação a este montante, pois sobre o valor depositado incide remuneração própria Em relação à suspensão da exigibilidade em vista dos depósitos judiciais, imperiosa é a exclusão da multa e dos juros sobre tais valores, se tivessem sido integrais, conforme prevê o inciso II do art. 151do CTN. Porém os depósitos foram parciais e assim devem a multa e os juros de mora, incidir apenas sobre os valores que não foram depositados judicialmente, tendo em vista, não apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como também a ausência de infração ou de inadimplemento. Assim, sendo, voto no sentio de reconhecer a concomitancia parcial e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 12898.001519/2009-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 15 19 /2 00 9- 83 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Lido o Relatório de Primeira Instância, tendo corroborado o relatado, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra: Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD correspondentes à parte da empresa, tendo sido o presente lançamento lavrado em substituição àqueles feito através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 35.442.2774, anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 001326/2005, prolatado pela 2a CAJ Câmara de Julgamento, em 23/05/2005, sob a alegação de vício formal, acarretado pela omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias através de aferição indireta. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 142.451,70, consolidado em 17/09/2009. 3. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 22/27, a apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil pela empresa. CERISA CONSTRUÇÕES E ENGENHARIA LTDA, CNPJ 34.145.029/000183, uma vez. que; a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados, incluídas em notas fiscais e/ou faturas correspondentes aos serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária. ; 4. Explica o autuante que, utilizando a prerrogativa contida nos parágrafos 3 o e 6 o do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor das Notas Fiscais emitidas pela prestadora, adotandose o percentual de 40% determinado pela Instrução Normativa n° 03/2005. 5. Esclarece também o Auditor Fiscal que, por se tratar de lançamento substitutivo de contribuições lançadas em procedimento fiscal anterior, foram considerados todos os documentos apresentados tanto no decorrer da ação fiscal, como no curso do procedimento administrativo de julgamento, tendo sido já consideradas as retificações Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 anteriormente feitas durante o julgamento administrativo do processo anulado. 6. Informa também o Auditor Fiscal que foi aplicada a alíquota mínima sobre os saláriosdecontribuição apurados. Da impugnação da TELEMAR 7. Notificada pessoalmente em 18/09/2009, sextafeira, a notificada apresentou impugnação em 19/10/2010, logo, dentro do prazo regulamentar, através do instrumento de fls. 72/85, no qual apresenta os argumentos a seguir reproduzidos, em síntese: 7.1. Uma análise cuidadosa da legislação aponta que a existência de solidariedade pressupõe a aferição da efetiva existência do débito cobrado, primeiramente, fiscalizando o devedor principal (contratado). No presente caso, a lógica está invertida. Somente após a constatação de que a contratada deixou de recolher as contribuições é que se poderia exigir da impugnante o tributo devido. 7.2. O interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN é aquele existente entre o sujeito e o fato gerador, o vínculo jurídico. Não se trata, contudo, de qualquer vínculo, mas apenas do vínculo ab origine que os une. 7.3. Cita exemplos, colaciona excertos doutrinários e arestos em abono de suas teses. 7.4. A responsabilidade solidária imputada por aferição indireta somente é cabível como medida excepcional quando a fiscalização constatar que a contabilidade da empresa prestadora não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço.O Fisco nem mesmo se deu ao trabalho de procurar as folhas de pagamento junto áprestadora de serviços. 7.5. Inexiste solidariedade para o caso dos autos pois os serviços prestados pela CERISA à Impugnante são de fornecimento e montagem de máquinas na área de telefonia, e não de construção civil ou cessão de mãode obra. Outrossim, o caso é ainda de empreitada global, não havendo solidariedade. 7.6. Afirma que a prestadora recolheu regularmente todos os tributos devidos no período autuado, sendo a prova da quitação do período contido na NFLD suficiente para afastar a exigência. Alega ser inadmissível que se exija novamente do responsável solidário as contribuições já pagas, sendo também ilegítimo o arbitramento efetuado. 7.7. Entende que, como o Auto de Infração foi lavrado após a edição da MP n° 449/08, o caso é de aplicação da multa Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 4 5 prevista na Lei n° 7 9.430/96, no valor de 0,33 ao dia até o limite de 20% do valor do débito. 7.8. Por fim, pede a procedência da impugnação, protestando por prova pericial e juntada posterior de documentos que eventualmente se façam necessários. 8. Regularmente notificada do lançamento, conforme se verifica às fls. 57 e 62, a contratada deixou transcorrer in albis o prazo de defesa. 9. E o Relatório. " DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA No Acórdão n° 1236.784 às fls.137, de 18 de abril de 2011 a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio d e Janeiro I DRJ/RJO I, manteve o débito e referindose ao valor principal R$ 47.410,91 decidiu conforme abaixo: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.224.3967), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor de R$ 47.410,91, acrescido de juros e multa de mora a serem calculados na data da liquidação." DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme documento de fls. 255, a autuada interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO e reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que se reveste dos pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento DAS PREJUDICIAIS DE MÉRITO DOS CONTRATOS E DAS NOTAS FISCAIS Embora na condução do voto, item 24, o i. Julgador tenha afirmado que os contratos e as notas fiscais não foram apresentados , às fls 29, no ANEXO 1 DISCRIMINATIVO DE NOTAS FISCAIS, a autoridade autuante registra pautou toda a sua planilha com base no contrato e nas notas fiscais designando o contrato pelo código cap/int/de 19960833. De fato, às fls 215, colacionaramse o sobredito contrato , que assinado em 13 de dezembro de 1996 sob o referido código n 96/833, deu suporte aos serviços Abaixo a manifestação da condução do voto de primeira instânci : "24. Como a contratante não apresentou à fiscalização os documentos referidos, assim como os contratos e notas fiscais correspondentes aos serviços executados, foi arbitrada a base de cálculo a partir da técnica de aferição indireta, procedimento que tem amparo no art. 33, §3° da Lei 8212/91, não havendo, portanto, qualquer violação ao princípio da verdade material." A planilha de fls. 29 confeccionada pela autoridade autuante registrou os valores obtidos das notas fiscais de fls. 218/236 que não distinguem mãodeobra e material utilizado. Retornando o foco para o contrato, os serviços prestados CONSTRUÇÃO DE REDE EXTERNA DUTO na forma do Edital na Lei 8.666/93 foram acertados por preço total não fazendo separação de material utilizado . DOS RECOLHIMENTOS DA CONTRATADA Às fls. 238/249, registram guias de recolhimento GRPS da contratada efetuadas para pagamento no período autuado. A autuada reclama de que não houve aproveitamento dos valores e que o arbitramento de crédito tributário em face da Recorrente deve ser revisto em razão da existência de recolhimento prévio pela CERISA. De fato, voltando a observar a manifestação de primeira instância , na condução do voto, item 25 , na seqüência do que dissera sobre os contratos e notas fiscais, o i. Julgador assim procedeu: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 5 7 "25. Em relação aos documentos trazidos aos autos, verificase que os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias acostados pela impugnante (fls. 110/128) não são específicos, como requer a legislação. Ademais, informa o Auditor Fiscal que o presente Auto de Infração já contempla todas as retificações efetuadas em função da apresentação de documentos no julgamento do processo administrativo anulado, motivo pelo qual tornase dispensável a reanálise dos documentos. Outrossim, a Decisão Notificação proferida nos autos da NFLD 35.442.2774 é expressa no sentido de indeferir a retificação com base nos documentos apresentados pela defendente. Assim, em nenhum momento ficou comprovado nos autos que houve o pagamento das contribuições previdenciárias referentes às remunerações dos obreiros que prestaram serviço no cumprimento do objeto do contrato em análise, documento em que se registra a prestação de serviços. " Cumpre notar que embora no item 24 tenha sido afirmado que a autuada não apresentara os contratos, no item 25, parte final, se afirma o contrário ao destacar que o contrato foi motivo de análise. Neste ponto, convém se abrir parênteses para destacar que os recolhimentos mediante as GRPS da contratada não foram considerados nem para redução do crédito e tampouco para ilidir a responsabilidade do solidário. DA ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998 Na condução do voto, no item 30 às fls. 217, o i. Julgador, corroborando o que dissera no relatório fiscal a autoridade autuante, registra que sua motivação teria suporte no item 16 da Ordem de Serviço INSS/DAF N° 165, de 11/07/1997 que entendeu vigente à época dos fatos geradores , verbis: "30. A matéria é regulada no item 16 da ORDEM DE SERVIÇO registrou que : INSS/DAF N° 165, de 11/07/1997, vigente à época dos fatos geradores, nos seguintes termos:" Cumpre destacar o equívoco, posto que por ocasião dos fatos geradores a OS supra havia sido alterada pela nova redação dada pela ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998, cujo art. 21 tratava da elisão da responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil, podendo ser elidida à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa, ou mediante a consulta ao contacorrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço, não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2, verbis: " ASSUNTO: Altera a ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF n °165, de 11 d julho de 1997, que estabelece critérios e rotinas para a fiscalização de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica e construção em nome coletivo. (...) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 21 A responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no Anexo I poderá ser elidida à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa, ou mediante a consulta ao contacorrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço, não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2." Como visto alhures, o período autuado constituiu créditos sobre os fatos geradores ocorridos nas competências 01 a 07/1998, na vigência pois da ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998. O contrato código cap/int/de19960833, colacionado às fls 215, aduz que trataramse de serviços prestados para construção de rede externa duto sem detalhar como se construiriam estes dutos. Não houve aprofundamento na ação fiscal para se obter informações sobre se os serviços estariam ou não enquadrados no rol descrito no Anexo I abaixo transcrito, da OS/INSS/DAF Nº 165 alterado pela OS/INSS/DAF N 185/98. : "Anexo I da os/inss/daf nº 165, de 11/07/97, alterado pela os/inss/daf nº , de 31/03/98 Atividades não sujeitas a exigibilidade de GRPS específica para isenção de responsabilidade solidária (GRPS GENÉRICA) a) instalação de estrutura metálica; b) instalação de estrutura de concreto armado (prémoldada); c) jateamento de areia; d) impermeabilização; e) obras complementares, em edificações, de: ajardinamento. recreação; terraplenagem; urbanização; f) fundações especiais (exceto lajes de fundação “radiers”); g) instalações de: antena; aquecedor; arcondicionado; bomba de recalque; calefação; elevador; equipamento de garagem; equipamentos de segurança e contraincêndio; esquadrias de alumínio; fogão; incineração; playground; sistema de aquecimento a energia solar; telefone interno; ventilação e exaustão. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 6 9 h) colocação de gradis; i) perfuração de poço artesiano; j) sondagem de solo; l) controle de qualidade de materiais; m) montagem de torres; n) locação de equipamentos; o) serviços de topografia. " DA AFERIÇÃO INDIRETA A autoridade autuante revela no item 6 e 6.1 de seu Relatório Fiscal que procedeu lançamento por aferição indireta com respaldo nos § § 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91, verbis: "6 Apuração das bases de cálculo dos valores lançados: 6.1 Considerando o disposto nos subitens 5.1 a 5.4, esta fiscalização usou da prerrogativa contida no parágrafo 3° e 6° do artigo 33 da Lei Na 8.212/91, transcrito abaixo, efetuando lançamento do débito por arbitramento, sendo as bases de cálculo das contribuições devidas apuradas tendo como critério a aferição indireta: "Art. 33. § 3a Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário" Cabe ressaltar que embora a autoridade autuante tenha registrado que o lançamento por aferição indireta teve fulcro , também, no 6° do artigo 33 da Lei Na 8.212/91, colacionou apenas o comando previsto no 3°. Aduz que na forma do preceituado no § 6º a aferição indireta é procedimento previsto para hipótese de no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento. Na leitura do Relatório Fiscal não se encontra registro desconsiderando a contabilidade ou a autenticidade de qualquer outro documento que tenha tido acesso., verbis:" § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário " DAS INSTRUÇÕES SUPERVENIENTES Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 No item 6.2 do Relatório Fiscal a autoridade autuante registra que aferiu as remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos com base no art. 600 da Instrução Normativa IN SRP n° 03, de 14/07/05. Assim, tendo presente que a autuação referese aos fatos geradores compreendidos no período 01 a 10 de 1998 , a instrução é claramente superveniente., verbis: "6.2 As remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre o valor total das notas fiscais/faturas/recibos, dos percentuais previstos no inciso I do art. 600 da Instrução Normativa IN SRP n° 03, de 14/07/05, da Secretaria da Receita Previdenciária, abaixo transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório. IN SRP n° 03. de 14/07/05: "Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da maodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;" " DA NECESSIDADE DE AUDITORIA FISCAL NA CONTRATADA Enfrentando a questão em epígrafe, na condução do voto, o i. Julgador exortando a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, ressaltese, instrução superveniente aos fatos geradores, sublinhou que ali se determina que o auditor deveria ter verificado as informações relativas a empresa contratada, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto. Na oportunidade a instância a quo citando a decisão que anulou a NFLD substituta afirmou que não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora : "20. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007 Anexo II, item 8.4.3, o auditor deverá analisar as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. 21. Conforme as informações constantes da decisão anterior, não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora, o que, por si só, considerando a inexistência de benefício de ordem na solidariedade, autoriza o procedimento na empresa tomadora, tendo em vista restar afastada a possibilidade de lançamento em duplicidade. 22. Assim, restou comprovado que não houve extinção do crédito pelo pagamento ou sua inexigibilidade decorrente de outro lançamento com o mesmo objeto. " Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 7 11 A decisão a qual o i. Julgador se refere no item 22 encimado, consta colacionada às fls. 29/33 e tratase do Acórdão 0001326 que , em 23/05/2005, anulou a NFLD substituída dando origem ao lançamento em comento. Salvo melhor aferição, no sobredito acórdão não há registro algum de que a contratada tenha sido fiscalizada com ou sem exame da contabilidade no período anulado. Tivesse havido ou não a fiscalização, mesmos nos dias presentes, nos sistemas conteria registros possíveis de serem copiados e colacionados nos autos para efeito de provas. Anterior a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, a que se refere o i. Julgador , com o mesmo propósito, a portaria SRP/DEFIS nº 018, de 10 de outubro de 2006, embora também superveniente, por conservadorismo, para evitar a nulidade dos lançamentos do gênero em comento, a Administração já houvera determinado que nas ações fiscais as autoridades autuantes verificassem se foram analisadas as informações disponíveis relativas ao devedor solidário, de que não houve ação fiscal com exame de contabilidade contra este e que os créditos referentes a prestação de serviço então tributada não foram objeto de lançamento anterior e ainda que tal cumprimento devesse constar do Relatório Fiscal, vide anexo IV, item 11.4.3 da referida Portaria A essência do que fora determinado na Portaria revela diligente preocupação da Administração e não traz nada de original posto que tal procedimento deveria ter sido sempre praticado. Aduz que não consta do Relatório Fiscal que tais aspectos tivessem sido observados na ação fiscal em comento. DA JURISPRUDÊNCIA Não tendo havido registro nos autos das providências supracitadas , a jurisprudência deste Conselho concorre para concluir pela nulidade do lançamento, senão vejamos : “ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 11330.000934/200749 Recurso n° 150.621 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão 20601.551 Sessão de 06 de novembro de 2008 Recorrente DRJ RIO DE JANEIRO Interessado PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/05/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFICIO NOTIFICAÇÃO FISCAL E LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. ( grifos do Relator) Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIREPresidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ” “ Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601550 do Processo 11330000897200731 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÍCIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601548 do Processo 11330000889200794 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÃ CIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 8 13 DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601702 do Processo 11330000890200719 04/12/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/03/1996 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não cabe o lançamento por solidariedade na contratante de serviços com cessão de mãodeobra quando constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa prestadora, com exame de contabilidade por todo o período abrangido pelo lançamento. Recurso de Ofício Negado.” DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL SUPERVENIENTE Às fls.09, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD restou consolidado no item 061 a motivação legal POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL onde se utilizaram da Lei 10.256, de 09.07.2001, também posterior aos fatos geradores : " 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL 061.03 Competências : 01/1998 a 07/1998 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3., 4. e 6.; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, artigos 50, 52, 53 e 54; " DA ADMINISTRAÇÃO E DA REVISÃO DOS ATOS O dever de a Administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, está expresso no artigo 53, da Lei 9.784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 permite constatar que a nulidade do ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação . DO ART. 142 DO CTN Aduz que no comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN , o legislador determinou cumprir com clareza a motivação do lançamento, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2403002.883 S2C4T3 Fl. 9 15 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Em razão de tudo que foi exposto, não há como corroborar sustentável o lançamento posto que eivado de VÍCIOS INSANÁVEIS. Desse modo , por economia processual, sequer adentro o mérito. CONCLUSÃO Desse modo, conheço do Recurso para em PRELIMINAR determinar a nulidade por VÍCIO MATERIAL . É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908231/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 31 /2 01 1- 12 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 80 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 09335.29624.190106.1.2.047800, em 19.01.2006, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de novembro de 2001, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 8.607,70 , não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 81 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.232, de 22/08/2013, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 82 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 09335.29624.190106.1.2.04 7800 não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/09/2001, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 83 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 84 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 85 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 86 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 87 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 88 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 89 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908231/201112 Acórdão n.º 1803002.631 S1TE03 Fl. 90 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.721877/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3201-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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TELESP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 18 77 /2 01 0- 11 Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.721877/201011 Acórdão n.º 3201001.914 S3C2T1 Fl. 1.059 2 Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, não mais compõe o Colegiado. Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: 4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 822 a 825), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 22.12.2010 (fl. 849), constituindo crédito tributário no valor total de R$ 15.724.589,65, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.11.2010, referente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior (CIDE Remessas ao Exterior) dos meses de 03.2006, 04.2006, 06.2006 a 11.2006, com enquadramento legal exposto às fls. 821 e 825. 5. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 829 a 845) a autoridade fiscal autuante informa, em síntese, que: i) O fiscalizado foi intimado a esclarecer se alguma importância foi paga, creditada, entregue, empregada ou remetida a não residente no país (pessoa física ou jurídica), a título de royalties, de qualquer natureza, ou de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica e administrativa e semelhantes, realizadas nos anos calendários de 2005 e 2006. Em 23.02.2010 o contribuinte apresentou planilha contendo todas as remessas a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados e apresentou também as cópias dos respectivos contratos de câmbio referentes aos anos calendários de 2005 e 2006; ii) Feita a depuração dessa planilha, com a exclusão das remessas sobre operações denominadas “Longa Distância”, que foram objeto de auto de infração formalizado sob o nº 10880.721878/201058, foram analisados os contratos de câmbio encaminhados, onde se destacam os identificados no Demonstrativo 01 (fls. 831/832); iii) Analisando a documentação referente às remessas identificadas no Demonstrativo 01, excetuandose as de nº 244 e 246 que serão tratadas em separado, verificouse que todas tiveram como motivação remunerar a prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes. Neste sentido, não há qualquer controvérsia quanto à incidência da CIDE nas remessas em questão conforme o §2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.332/2001 e nº 11.452/2007. O contribuinte admite ser responsável pelo recolhimento da CIDE e que referido recolhimento não está sendo realizado em razão da Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.721877/201011 Acórdão n.º 3201001.914 S3C2T1 Fl. 1.060 3 existência de medida judicial que suspende a exigibilidade deste tributo; iv) Nas situações aqui examinadas é aplicável a norma veiculada pelo art. 3º da Lei nº 9.816/99 para a determinação das bases de cálculo tanto do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) quanto da CIDE, porquanto esta também se reveste de natureza tributária. Para o cálculo do IRRF devido em cada remessa, devese efetuar o reajustamento para a apuração de sua base de cálculo, levandose em consideração a alíquota de 15% e os valores pactuados entre as partes, nos termos do art. 725 do RIR/99. Adotandose tal sistemática, foi elaborado o Demonstrativo 02 que apura a base de cálculo do IRRF (fls. 838); v) As bases de cálculo da CIDE em cada uma das remessas ora abordadas coincidem com as correspondentes bases de cálculo do IRRF apuradas no Demonstrativo 02. Nos Demonstrativos 03 e 04 (fl. 839) são apontados os montantes que serão objeto do presente lançamento de ofício de CIDE incidente sobre remessas ao Exterior a título de pagamento de serviços técnicos de consultoria, publicidade, assistência técnica e outros serviços técnicos profissionais; vi) Levandose em conta que a CIDE é devida, a qualquer tempo, nos pagamentos de direitos autorais sobre programa de computador que envolvam a transferência de tecnologia, foi elaborado o Demonstrativo 05 (fl. 841) com as remessas de nº 244 e nº 246. O fiscalizado, ao ter efetuado o recolhimento do IRRF sobre tais operações, corrobora a conclusão de que não se trata da aquisição de meros softwares de prateleira. O próprio fiscalizado admite a ocorrência do fato gerador da CIDE nessas operações, tanto que calcula o seu valor na planilha enviada a este fiscalização. Também foi analisado o Termo de Aceitação, no qual o contribuinte afirma ter recebido os códigos executáveis e a documentação técnica prevista. O contribuinte admite ser responsável pelo recolhimento da CIDE e que referido recolhimento não está sendo realizado em razão da existência de medida judicial que suspende a exigibilidade deste tributo. Nos Demonstrativos 07 e 08 (fl. 843) são apontados os valores de CIDE incidente sobre Remessas ao Exterior a título de pagamentos de direitos autorais sobre programas de computador; vii) Em 13/11/02 o fiscalizado impetrou ação ordinária nº 2002.61.00.0262211 contra a Fazenda Nacional, com pedido de tutela antecipada, objetivando a declaração de inexistência de vínculo jurídico com a ré no tocante ao recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, sobre remessas de valores a título de remuneração de contratos firmados com residentes no exterior, para a aquisição de tecnologia, prestação de serviços técnicos, assistência administrativa e afins. O pedido de antecipação dos efeitos da tutela, para o fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário em questão foi deferido. Em 11/06/08 foi proferida Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.721877/201011 Acórdão n.º 3201001.914 S3C2T1 Fl. 1.061 4 sentença julgando improcedente a ação, cassando expressamente a tutela anteriormente concedida. Em 04/07/08 a autora impetrou recurso de apelação, tendo sido recebia em ambos os efeitos. Os autos estão conclusos ao Juiz; viii) Desta forma, o crédito tributário destinado a prevenir a decadência foi constituído com lançamento de multa de ofício. 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação em 21.01.2011 (fls. 878 a 885), acompanhada de documentos de fls. 886 a 949, onde alega, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, alega a necessidade de suspensão do processo administrativo até o julgamento final da Ação Declaratória n° 2002.61.00.0262211. A Ação Declaratória n° 2002.61.00.0262211 objetiva afastar a exigência da CIDE incidente sobre remuneração por aquisição de tecnologia, prestação de serviços técnicos, assistência administrativa e outros. Que o deslinde do referido processo judicial impactará diretamente o auto de infração ora impugnado; Que a CIDE prevista no art. 2º da Lei n° 10.168/2000 constitui verdadeiro adicional ao imposto de renda, gerando bis in idem vedado pelo art. 154, I, da Constituição Federal; A Constituição Federal exige lei complementar prévia para a instituição de CIDE, que ainda não foi editada (art. 146, III da CF); O tributo previsto no art. 2º da Lei n° 10.168/2000, por se tratar de uma contribuição de intervenção no domínio econômico, não pode ser instituído para atuação na área social. A CIDE é um tributo que se caracteriza, não pela sua materialidade, mas pela finalidade pretendida pelo legislador constitucional. O Programa de Estimulo a Interação UniversidadeEmpresa para o apoio à Inovação, financiado pela CIDE em tela, objetiva incrementar o desenvolvimento tecnológico nacional. Ocorre que o desenvolvimento tecnológico é disciplinado pelo art. 218 da Constituição, que consta do Titulo VIII desta, dedicado à Ordem Social e não à Ordem Econômica. Clara, assim, a afronta ao art. 149 da Constituição, que vincula de modo expresso as CIDEs à intervenção da União na Ordem Econômica. Não há qualquer referibilidade entre a atuação estatal e o pagamento da referida CIDE, que visa a custear o desenvolvimento tecnológico, em benefício de toda a sociedade, e não dos sujeitos passivos. O desenvolvimento tecnológico beneficia toda a sociedade (o que justifica, de resto, a sua disciplina no Título da Ordem Social), não guardando qualquer vinculação específica com o universo dos contribuintes do tributo em exame. Dessa forma, inequívoca é a ausência de beneficio específico e de proporcionalidade na cobrança da CIDE das empresas signatárias de contratos que impliquem transferência de tecnologia. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.721877/201011 Acórdão n.º 3201001.914 S3C2T1 Fl. 1.062 5 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo não conheceu em face de concomitância: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/03/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/11/2006 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. Por força do princípio da oficialidade, não pode ser sobrestado o julgamento das questões não levadas ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 822 a 825), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 22.12.2010 (fl. 849), constituindo crédito tributário no valor total de R$ 15.724.589,65, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.11.2010, referente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior (CIDE Remessas ao Exterior) dos meses de 03.2006, 04.2006, 06.2006 a 11.2006, com enquadramento legal exposto às fls. 821 e 825.A decisão recorrida não conheceu do recurso por concomitância do debate com o processo judicial n.º 2004.50.01.0052060, onde também é discutida a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação. A decisão proferida não conheceu da defesa em face de concomitância com processo judicial: Segundo consta nos autos do presente processo, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com o Ação Ordinária Declaratório nº 2002.61.00.0262211 para assegurar o direito de não recolher a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, instituída pela lei nº 10.168/2000, com Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.721877/201011 Acórdão n.º 3201001.914 S3C2T1 Fl. 1.063 6 redação dada pela lei nº 10.332/2001, sob alegação de inconstitucionalidade da exigência da referida contribuição. Conforme Certidão de Objeto e Pé de fls. 216/217, foi proferida sentença julgando improcedente a ação, cassando expressamente a tutela anteriormente concedida, e que a apelação da autora está pendente de julgamento no Egrégio TRF da 3ª Região. Correta a decisão, já que a discussão travada é a mesma., o que impede a análise do recurso interposto, em face da Súmula n. 05 desta Corte: Súmula n. 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Por fim, descabida a pretensão de suspensão do feito, por inexistência de previsão legal. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI
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