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Numero do processo: 13161.001950/2007-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES NO TRANSPORTE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 50 /2 00 7- 35 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 3 2 PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 4 3 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.269, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 5 4 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158 35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 6 5 julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de adubos, fertilizantes, corretivos e sementes; (iii) previsão legal para a incidência da Selic. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho do Presidente da CSRF o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes)” e “correção dos créditos pela taxa Selic”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 7 6 · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.562, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001369/200713, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.562): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as três matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes); 2) correção dos créditos pela taxa SELIC Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 8 7 O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às três matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 9 8 Vale o registro de que a essa mesma conclusão, de comprovação da divergência com respeito a essas três matérias, chegou o mesmo Presidente da Terceira Câmara ao analisar diversos outros dentre aqueles 56 processos da empresa acima mencionados, cujos recursos especiais traziam, quanto a elas, os mesmos paradigmas e tinham a mesma redação. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC." Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 10 9 discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303 006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303 006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303 006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303 005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303 005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303 005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 11 10 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 12 11 restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 13 12 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 14 13 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 15 14 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 16 15 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 17 16 excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 18 17 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 19 18 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13161.001950/200735 Acórdão n.º 9303007.587 CSRFT3 Fl. 20 19 Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 677DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.731287/2013-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, decorrente de retificação de DIRPF, extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Havendo pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que no caso do imposto de renda é o dia 31 de dezembro do ano da percepção da renda.
Numero da decisão: 2001-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, decorrente de retificação de DIRPF, extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que no caso do imposto de renda é o dia 31 de dezembro do ano da percepção da renda.
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PRAZO. O direito de pleitear a restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, decorrente de retificação de DIRPF, extinguese no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que no caso do imposto de renda é o dia 31 de dezembro do ano da percepção da renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 12 87 /2 01 3- 16 Fl. 166DF CARF MF 2 Relatório Tratase de discussão sobre prazo decadencial relativo ao anocalendário de 2004, contra decisão que indeferiu pedido de restituição de IRPF, tendo em vista o reconhecimento da isenção dos rendimentos auferidos da CAPEF, por portador de cardiopatia grave, que teve a data de contração da doença atestada em laudo médico oficial, retroativa a janeiro de 2004. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da manifestação de inconformidade e do acórdão de manifestação de inconformidade, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de manifestação de inconformidade foi a seguinte: Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, decorrente de retificação de DIRPF, extinguese no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que no caso do imposto de renda é o dia 31 de dezembro do ano da percepção da renda. Relatório do acórdão de manifestação de inconformidade foi o seguinte: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade, às fls. 42/53, contra decisão que indeferiu pedido de restituição de IRPF (via retificação das DIRPF 2005, 2006 e 2007), tendo em vista o reconhecimento da isenção dos rendimentos auferidos da CAPEF, por portador de cardiopatia grave, que teve a data de contração da doença atestada em laudo médico oficial, retroativa a janeiro de 2004 (fls. 08). Verificase nos fatos descritos nos autos que em 30/08/2010, ao solicitar revisão do débito inscrito em Dívida Ativa, processo nº 10580.600276/200747, o contribuinte solicitou restituição do imposto retido nos anos calendários 2004, 2005 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 3 3 e 2006, diante da impossibilidade de retificar tais declarações e ao tentar transmitir as declarações retificadoras referentes aos exercícios 2006 e 2007, o sistema apresentou uma mensagem de erro, dizendo que a transmissão não foi concluída, em virtude de débito inscrito em Dívida Ativa, referente a estes exercícios. Em relação ao exercício 2005, o sistema apresentou a mensagem: "Esta declaração não pode ser recepcionada devido à expiração do prazo decadencial (art. 150, § 4o da Lei n° 5.172, de 1966", às fls. 10/32. Na análise do pedido, a autoridade administrativa fez a revisão de ofício do lançamento, deferindo o pedido de restituição dos valores retidos indevidamentes nos exercícios 2006 e 2007, anoscalendário 2005 e 2006, no original de R$ 29.901,47 e R$ 13.008,32, respectivamente, por está comprovada a condição de rendimentos de aposentadoria auferido por portador de moléstia grave, nos termos da Lei nº 7.713/88. Relativamente ao exercício 2005, anocalendário 2004, não se fez a revisão, face a expiração do prazo decadencial, conforme despacho decisório, às fls. 33/34. Em 02/04/2014, registrou reclamação sobre o fato de que desde a decisão que lhe foi favorável parcialmente em dezembro/2013, ainda não havia recebido os valores reconhecidos nos processos, às fls. 35. Em 13/03/2014, às fls. 42/53, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde irrresignase contra a decisão que negou seu direito de restituição sob o fundamento de decadência do prazo para pedir, de onde se destacam os seguintes argumentos: cerceamento de defesa, por entender que não foi colocado de forma clara no despacho decisório, quando inicia o término do prazo decadencial para o exercício do direito constitucional de solicitação de restituição de indébito, impossibilitando assim o contraditório e ampla defesa, princípios basilares do processo administrativo fiscal. qualquer que seja a interpretação adotada por este órgão julgador, fica evidente que não ocorreu decadência do direito uma vez que o imposto exigido indevidamente referese ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. entendendose que o início do prazo ocorre com o pagamento do imposto a ser restituído este seria em 30/04/2005, último dia para entrega das declarações referentes ao ano calendário de 2004, o que levaria o prazo final de decadência para 30/04/2010, em consonância com o entendimento dos Tribunais, Fl. 168DF CARF MF 4 citando decisão que considera o início do prazo a partir de 30/04 (data final para entrega da declaração). ocorre que em 30/04/2006, portanto no prazo legal, foi requerida a retificação da declaração do imposto do exercício de 2005 para possibilitar a restituição devida e negada através do sistema da receita com a expressão: "ERRO! Validador IRPF 2006 A TRANSMISSÃO NAÕ FOI CONCLUÍDA. E02 HÁ DÉBITOS INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA, NÃO É PERMITIDA A RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO" novamente, o contribuinte em 30/04/2007, portanto ainda no prazo decadencial, requer a retificação da declaração do exercício de 2005 para poder em seguida requerer a restituição e outra negativa no sistema da Receita: "ERRO! Validador IRPF 2007 A TRANSMISSÃO NAÕ FOI CONCLUÍDA. E02 HÁ DÉBITOSINSCRITO EM DÍVIDA ATIVA, NÃO É PERMITIDA A RETIFICAÇÃO AS DECLARAÇÃO" . tendo o contribuinte direito líquido e certo na restituição do imposto, como foi devidamente confirmada pelo órgão julgador, pretendia compensar débitos anteriores a este exercício de 2005 com os valores a ser restituído, como o sistema sempre acusava débitos impossibilitando a retificação da declaração foi forçado a promover um parcelamento para só assim conseguir requerer a restituição. Para sua surpresa outra negativa no sistema da Receita agora citando o seguinte: "ESTA DECLARAÇÃO NÃO PODE SER RECEPCIONADA DEVIDA Á EXPIRAÇÃO DO PRAZO DECADÊNCIAL (ART. 150,§4º DA LEI 5.172, DE 1966)" Diante desta última recusa em 30/08/2010, foi novamente requerido, agora através de um Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União Processo n° 10580 600276/200747. Este processo foi devidamente instruído e tramitou por todos os setores da Receita Federal, sendo encaminhado para PGFN apenas para mudar o status no sistema de "extinta por pagamento" para "extinta por cancelamento", sem nenhuma arguição quanto à decadência do direito tendo em vista que a Receita Federal, como não poderia ser diferente, considerou como válidas as solicitações por meio do sistema da Receita legalmente disponíveis aos contribuintes. não procede e configurase completamente equivocada a alegação da decadência do direito reconhecido pelo Inciso XIV do artigo 6o Lei nº 7.713/88 que assegura isenção do imposto de renda aos contribuintes portadores de cardiopatia grave, como foi devidamente reconhecida e comprovada nos autos. da mesma maneira que a Fazenda Pública possui prazos para o lançamento e cobrança dos tributos, o contribuinte que efetuou um pagamento indevido também está sujeito a prazos para buscar a restituição do indébito. Ao pagar algo indevido, aquele que pagou tornase credor junto à Fazenda Pública recebedora. Nesse momento, criase uma relação jurídica obrigacional em que a Fazenda é a devedora e o contribuinte o credor, relação obrigacional de natureza civil e não tributária. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 4 5 o valor a ser restituído não é tributo, eis que não decorre de imposição da lei tributária, mas sim do dever geral de devolver aquilo que não lhe pertence. Tanto não era devido que dá ensejo à restituição. Cabe, assim, ao contribuinte credor requerer sua restituição junto ao órgão fazendário. a decadência é matéria regulada por lei no Código Tributário Nacional, art. 168 e não no art. 150, § 4o como consta na fundamentação do despacho decisório. apesar de o prazo decadencial para a formulação do pedido de restituição ser de cinco anos, não é uniforme a sua data de início de contagem. O CTN prevê (art. 168) dois termos de início de contagem, aplicáveis a duas situações diversas, podendo ser contado do pagamento indevido (art. 168, I) ou da decisão final administrativa ou judicial que entender indevido o tributo pago (art. 168, II). o primeiro termo inicial data do pagamento indevido aplicase àqueles casos em que o sujeito passivo tenha pago indevidamente de maneira espontânea, por algum tipo de erro. Nessa situação, a lógica de o prazo fluir desde a data do pagamento indevido está no fato de o pedido ser viável desde então. Ou seja, desde que ocorreu o pagamento indevido, já era possível, ao contribuinte, requerer sua restituição junto ao órgão fazendário, eis que o valor indevido já podia ser assim considerado de pleno direito. no caso em questão, tratase da primeira hipótese do inciso I da art. 168 do CTN, tendo em vista que o imposto é lançado por homologação, quando primeiro o contribuinte declara antecipa o pagamento e depois ocorre a homologação por parte da administração tributária, sendo esta também hipótese prevista na LC nº 118/2005. no caso do não acolhimento por este Conselho das evidências apresentadas quanto à tempestividade da demanda do requerente considerando o prazo decadencial de cinco anos, o entendimento jurisprudencial já pacificou que para os pagamentos indevidos relativos a lançamentos por homologação ocorridos antes da vigência da LC n° 118/2005, em 09/06/2005. continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.”). também nesta hipótese não ocorreu a decadência porque a LC nº 118/2005, tem sua vigência a partir de 09/06/2005, portanto o fato em questão, ou seja, a declaração do exercício Fl. 170DF CARF MF 6 de 2005, ocorreu antes em 30/04/2005, passando o prazo decadencial a ser contado pela tese 5+5, cinco anos depois da extinção tácita do crédito tributário. tentemos explicar a razão de ser do art. 3o, da LC 118. Já há alguns anos, as Turmas do Superior Tribunal de Justiça competentes em matéria tributária vinham interpretando o art. 168, I, do CTN da seguinte maneira. Entendeuse que a referência ali feita à "data da extinção do crédito tributário" remete o leitor ao art. 156 do mesmo Código. Sendo assim, em se tratando do tributo submetido ao mecanismo do lançamento por homologação (a quase totalidade dos tributos, atualmente), os julgados do STJ concluíram, com base no inciso VII do art. 156, que a extinção do crédito só ocorreria com a homologação por parte do Fisco. Portanto, nos casos em que não houve homologação expressa por parte da Fazenda, darseia, pois, a homologação tácita com o decurso do prazo de cinco anos a contar do fato gerador (nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do Código). Assim segundo o raciocínio de tais julgados, nos casos de tributos submetidos a lançamento por homologação, sem que esta tenha sido procedida expressamente pelo Fisco, o quinquênio mencionado no art. 168 só começaria a contar após o término do quinquênio de que trata o art. 150, parágrafo 4o. Isso significa, nessas hipóteses, que o contribuinte teria 10 anos para requerer a devolução do que eventualmente tivesse pago a maior ou indevidamente, em se tratando de tributo submetido ao lançamento por homologação, sem que esta tenha ocorrido de modo expresso. Esse entendimento do STJ ficou conhecido como a tese do "5+5". pois bem, a LC 118 pretendeu então pacificar o tema, ao dizer que, na hipótese do art. 168, I, o prazo para pedir a restituição conta desde o "momento do pagamento antecipado". Já o art. 4o da LC 118 determina que a disposição do art. 3o significa norma legal interpretativa e, por consequência, possui efeito retroativo. o STJ, no acórdão da respectiva Corte Especial (arguição de inconstitucionalidade nos EREsp 644.736, j. 06/06/2007) que declarou inconstitucional o disposto no art. 4o da LC 118/ 2005 e fixou que o conteúdo do art. 3o só se pode aplicar aos fatos futuros, ou seja, aos pagamentos indevidos ocorridos após a vigência da LC (09/06/2005). por este motivo, espera o postulante, sejam eles apreciados por essa Egrégia Câmara, para a final, acolher as novas razões deste Recurso, reformar a decisão anterior, como medida de justiça. Em 17/07/2014, o contribuinte solicitou o pagamento das restituições reconhecidas em sede de revisão de ofício, por se tratar da parte incontroversa, tendo a DRF de origem emitido Ordens Bancárias para pagamento, arquivando o processo sem apreciação da manifestação de inconformidade, como se verifica nos documentos, às fls. 72/96. Em 09/07/2015, o contribuinte solicitou desarquivamento do proceso tendo em vista a necessidade de apreciação de seu pedido de reconsideração, que deveria ter retornado ao SECAT para análise do pedido formulado anteriormente, às fls. 98/101. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 5 7 O SECAT proferiu o despacho nº 0215/2016, às fls. 102, para que o processo fosse encaminhado à DRJ para julgamento, tendo em vista manifestação de inconformidade contra não reconhecimento de direito creditório, sem constar nos autos prova da ciência formal, razão pela qual considerou tempestiva a referida manifestação. É o relatório. O Voto do acórdão de manifestação de inconformidade dispôs o seguinte: II Da preliminar de cerceamento de defesa O contribuinte apresentou Despacho do INSS, referente Processo nº 36176001229/201249, relativo à isenção do imposto de renda, datado de 05/06/2012, onde consta que foi analisado relatório médico oficial do Dr. Marinildo de Vasconcelos Soares, corroborado por Laudo médico do Dr. Adriano Martins de Oliveira, que reconheceu ser o contribuinte portador de cardiopatia grave desde janeiro de 2004, fazendo jus à isenção do Imposto de Renda Retido na Fonte, às fls. 06. Também foi juntado Declaração da CAPEF (previdência complementar) datada de 11/07/2012, referenciando o processo nº 36176001229/201249, onde consta a declaração que a partir de janeiro de 2006 o benefício de suplementação de aposentadoria da CAPEF passou a ser isento na fonte, por ter sido a época em que foi apresentada a documentação necessária para a aplicação da referida isenção, às fls. 08. O contribuinte juntou minuta de retificação das DIRPF exercício 2005, com saldo de imposto a restituir de R$ 39.128,42, às fls. 11/20, exercício 2006, com saldo de imposto a restituir de R$ 29.901,47, às fls. 22/26, exercício 2007, com saldo de imposto a restituir de R$ 13.008,32, às fls. 28/31, a fim de ter excluídos os rendimentos recebidos da CAPEF, considerados isentos desde julho/2004 e não ter logrado êxito na transmissão das referidas retificadoras. Na análise do pedido, a autoridade administrativa fez a revisão de ofício do lançamento, deferindo integralmente o pedido do contribuinte de ter restituído os valores de imposto de renda retidos indevidamentes nos exercícios 2006 e 2007, ano calendário 2005 e 2006, no original de R$ 29.901,47 e R$ 13.008,32, respectivamente, por está comprovada a condição de rendimentos de aposentadoria auferido por portador de moléstia grave, nos termos da Lei nº 7.713/88. A controvérisa permanece quanto ao valor de R$ 39.128,42, apurado na retificação da DIRPF do exercício 2005, ano calendário 2004, relativamente ao Imposto de Renda pago na fonte sobre verbas consideradas isentas, por se tratar de Fl. 172DF CARF MF 8 rendimentos de aposentadoria auferidos por portador de moléstia grave exercício 2005, anocalendário 2004. Não obstante está fartamente demonstrado que o contribuinte atendia aos requisitos para ter reconhecida a isenção dos rendimentos auferidos no ano de 2004, não teve o pedido deferido em função do transcurso do prazo para pleitear a restituição, conforme se verifica no despacho decisório, às fls. 33/34. Preliminarmente, cabe apreciar a alegação de cerceamento de defesa. Verificase nos autos que a decisão administrativa fudamenta o indeferimento na base legal que consta na mensagem retornada ao tentar transmitir a retificadora da DIRPF do exercício 2005: “esta declaração não pode ser recepcionada devido à expiração do prazo decadencial (art. 150,§ 4º da Lei nº 5.172/66). E mais, o contribuinte apresentou seus pontos de discordância exatamente sobre as regras trazidas no citado dispositivo, a fim de têlo afastado para que seja aplicado o entendimento dos Tribunais de início da contagem do prazo com a entrega da declaração, ou ainda o entendimento anterior a LC nº 118/2005, da tese dos “5+5”. Isto posto, entendo que não há que se falar em cerceamento de defesa, por restar demonstrado pelo contribuinte que compreendeu os pontos da controvérsia quanto ao direito de ter os valores de IRPF do exercício 2005 restituídos, razão pela qual não se acolhe a preliminar de cerceamento de defesa. III Do prazo para constituição do crédito tributário e retificação da DIRPF O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre as hipóteses de extinção do crédito tributário, previstas no seu art. 156, cuida, no Capítulo IV, Seção IV, das modalidades de extinção diversas do pagamento, contemplando o instituto da decadência com as disposições contidas no art. 173: “Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” De disposição expressa de lei decorre, portanto, o estabelecimento do termo inicial para a contagem do prazo decadencial tributário, que, como regra geral, está bem definido no inciso I do transcrito artigo 173. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 6 9 Todavia, considerando que, a despeito do que determina o art. 142 do CTN, grande parte dos tributos e contribuições administrados pela SRF condicionase à sistemática de recolhimento ou pagamento em que o sujeito passivo está obrigado a satisfazer os respectivos créditos sem prévio exame da autoridade administrativa, temse por imprescindível à definição dos termos iniciais para a contagem do prazo decadencial de cada tributo ou contribuição as disposições contidas no art. 150 desse Código, em especial, o seu parágrafo 4º, que estabelece, ipsis litteris: “Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...)§ 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese pois que, na definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de se antecipar à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante do tributo ou contribuição devido e efetuar o pagamento. Dessa forma, considerando ser prerrogativa da administração o lançamento dos créditos tributários, conforme dispõe o já citado art. 142 do CTN, resta excluída a possibilidade de denominaremse auto lançamento os procedimentos adotados pelo sujeito passivo na declaração e apuração dos tributos sujeitos à homologação. Assim, entendese que a homologação efetuada pela autoridade fiscal pode recair tão somente sobre o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, eis que o lançamento propriamente dito carece ainda de formalidade legal, indispensável a sua caracterização e, ressaltese, é no mínimo inadequado falar em homologação de ato cuja prática é de competência privativa da própria autoridade homologadora. Fl. 174DF CARF MF 10 Conjugada tal ilação com o disposto no art. 150 do CTN, temos que somente sujeitamse às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. Pretendesse nosso Código Tributário um alcance extensivo para a condição de satisfação do direito da Fazenda Pública de constituir seus créditos na modalidade do lançamento por homologação, não teria eleito o pagamento como referencial da hipótese tipificada no mencionado art. 150. Teria ele simplesmente se valido da generalidade da expressão: “antecipar a extinção do tributo devido ou declinar sua exclusão nas hipóteses em que esta se opere”, em substituição à expressão “antecipar o pagamento”, cujo alcance é muito restrito no âmbito do próprio CTN, não admitindo interpretação mais elástica que lhe atribua, por analogia, sentido capaz de incorporar qualquer outra modalidade de satisfação, permanente ou transitória, do crédito tributário, tal como, entre outras, a isenção ou a suspensão da exigibilidade dos tributos. No caso específico do IRPF, o fato gerador do imposto sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada ano calendário. Por outro lado, o obrigado sofre retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolhe o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CarnêLeão. Visto que o fato gerador do IRPF só se completa em 31 de dezembro de cada anocalendário, e que as retenções efetuadas pela fonte pagadora no curso do anocalendário caracterizamse como pagamentos antecipados, sob essa perspectiva, a extinção do crédito tributário deuse pelo pagamento, segundo disposição expressa do § 1º do art. 150 do CTN, sob condição resolutória de ulterior verificação da exatidão do crédito tributário recolhido (homologação). Aplicandose o dispositivo citado, constatase que para o exercício de 2005, anocalendário de 2004, o prazo qüinqüenal para constituição de crédito tributário exauriuse em 31 de dezembro de 2009. Assim, a data de 31/12/2009 seria o termo final para que fosse efetuada qualquer alteração no lançamento, quer por iniciativa do contribuinte, via retificação da DIRPF, quer por iniciativa do Fisco, via lavratura de auto de infração. Eis o porquê da mensagem que o sistema da RFB retornou na tentativa de transmisssão da retificação da DIRPF 2005 pelo contribuinte: "Esta declaração não pode ser recepcionada devido à expiração do prazo decadencial (art. 150, § 4o da Lei n° 5.172, de 1966), às fls. 10/32. Nesse passo, estando o contribuinte pleiteando a restituição do tributo “Imposto de Renda Pessoa Física”, pago ao longo do ano de 2004, a contagem do prazo para pleitear a restituição, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 7 11 que deveria ser requerida via retificação de declaração para alterar a natureza dos rendimentos de tributáveis para isentos/nãotributáveis (com base em laudo médico oficial), observa o prazo para alteração no lançamento, conforme prescreve o art. 150, § 4º do CTN. Vale ressaltar que a retenção efetuada pela fonte pagadora é considerada antecipação de pagamento do imposto de renda, o que traz como consequência a utilização da regra da contagem do prazo decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN. Cumpre destacar, que os pedidos de restituição relativos a rendimentos isentos ou nãotributáveis, informados na DIRPF como rendimentos tributáveis, deveriam ser pleiteados mediante apresentação de DIRPF retificadora, nos termos da IN SRF nº 460 de 18/10/2004: “ Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...)” (grifei) Art. 9º Não ocorrendo a compensação prevista no art. 8º, a restituição do indébito de imposto de renda retido com fundamento em dispositivo da legislação tributária que disciplina a tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto de renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), será requerida pela pessoa física à SRF exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. IV Do prazo para pleitear restituição Quanto aos argumentos do impugnante de que no caso não se trata de tributo e que deveriam ser aplicadas regras do direito civil, cabe esclarecer que a matéria é de seara tributária (restituição de IRPF). Passase à análise dos dispositivos normativos que tratam do assunto. A possibilidade de repetição de indébito, a pedido, é reconhecida pela Administração, que entende que o direito à devolução de tributo recolhido indevidamente encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa do Estado, de Fl. 176DF CARF MF 12 modo semelhante ao que ocorre no direito privado. O próprio art. 165 do Código Tributário Nacional CTN firma esta prerrogativa do sujeito passivo: Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...)Contudo, o exercício dessa faculdade legal se sujeita a prazos extintivos, em nome do princípio basilar da segurança jurídica, uma vez que o direito não há de ficar indefinidamente sem ser exercido, o que geraria insegurança social. Assim, a restituição do indébito deve ser pleiteada no prazo legalmente assinalado no Código Tributário Nacional CTN: Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do art.165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” Por sua vez, dispõe o Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999 (expedido em face do Parecer PGFN/CAT nº 1.538, de 1999), verbis: “Dispõe sobre o prazo para repetição de indébito relativa a tributo ou contribuição pago com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no exercício dos controles difuso e concentrado. O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CAT/nº 1.538, de 1999, declara: I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). O referido Ato declaratório foi reforçado pela edição da Lei Complementar 118, de 09/02/2005, que, em seu art 3º trata da interpretação do inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional (prazo para pleitear a restituição): Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 8 13 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Os dispositivos normativos acima transcritos estabelecem que o pagamento de tributo indevido confere ao contribuinte direito à restituição e que esse direito extinguese no prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. No presente caso, o contribuinte tinha até 31/12/2009 para pleitear restituição dos valores de imposto de renda pessoa física retidos no anocalendário 2004, visto que se trata de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual (e declarados à época como tal), hipótese em que o fato gerador do IRPF se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Como está demonstrado nos autos, o pedido só ocorreu em 30/08/2010, conforme o próprio contribuinte informa em sua petição inicial (que fez o pedido de restituição na data que solicitou revisão de débitos na PFN), e nesta data estava extinto tal direito (cinco anos da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso V, do Código Tributário Nacional), não sendo mais possível ao sujeito passivo obter a devolução do valor pago, independente de ser devida ou indevida a incidência e ainda que o contribuinte tenha reconhecida a isenção retroativa a janeiro/2004. V Do pedido para aplicação da tese dos 5 + 5 O contribuinte apresenta seus pontos de discordância sobre as regras trazidas no artigo 150, § 4º do CTN, a fim de têlo afastado para que seja aplicado o entendimento dos Tribunais de início da contagem do prazo com a entrega da declaração, ou ainda o entendimento anterior a LC nº 118/2005, da tese dos “5+5”. Cabe agora analisar a linha de argumentação introduzida pelo interessado quando afirma que, mesmo à luz do art. 168 do CTN, não estaria extinto o seu direito. Parte de uma análise do lançamento por homologação, onde a constituição definitiva do crédito tributário somente ocorre no momento em que é homologado. O argumento pode ser resumido como se segue. A homologação, quando não há manifestação expressa da autoridade administrativa, ocorre de forma tácita com o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir da data do fato gerador, conforme dispõe no § 4º do artigo 150 do CTN. Somente após este prazo é que se pode cogitar em extinção do crédito tributário, pois antes o crédito sequer estava constituído. Mas a extinção do crédito tributário, segue o argumento, seria o dies a quo para a contagem do prazo de cinco anos após o qual se considera extinto o direito de pleitear a restituição. Logo, conclui, este prazo devese somar ao anterior, de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, Fl. 178DF CARF MF 14 fixado pelo artigo 173 do CTN. Como resultado, o direito do contribuinte pleitear a restituição, neste caso de homologação tácita do lançamento, extinguirseia no prazo de dez anos, se contado a partir da data do fato gerador. Mas, como se demonstra a seguir, esta interpretação, apesar de engenhosa, é insustentável. A questão resumese em definir em que momento se deve considerar extinto o crédito tributário, no caso do lançamento por homologação. Aparentemente a solução está contida, de forma suficientemente clara, no § 1º do artigo 150 do CTN: Art. 150 (...)§1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Para melhor se compreender o significado deste dispositivo, citemos a lúcida lição de ALBERTO XAVIER: (...) a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercerse desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe". Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. O que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar. (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário", Editora Forense, 1998, pag. 98/99). O pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo em que se extingue o direito de pleitear a restituição. Mas os que afirmam a tese propugnada pelo interessado procuram ver no § 4º deste mesmo artigo 150 a confirmação do seu raciocínio. Citemos: Art. 150 (...)§ 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entendem, portanto, à luz deste dispositivo, que a extinção definitiva, quando a homologação é tácita, somente ocorre com o decurso deste prazo. Mas a extinção já teria ocorrido, indubitavelmente, por força do §º 1, em virtude próprio pagamento antecipado, ainda que sob condição resolutória. Ora, a extinção do crédito é o termo inicial para o prazo fixado no artigo 168: extinção sem qualquer outro qualificativo. Não se faz distinção entre a extinção sob condição resolutória ou extinção definitiva. Não cabe distinguir onde a lei não distingue. Extinto o crédito com o pagamento antecipado, iniciase a contagem do Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 9 15 prazo em que se extingue o direito de o contribuinte pleitear a restituição. O interessado segue em sua argumentação o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça quanto a esta questão. Segundo esta tese, a constituição definitiva do crédito tributário, quando a homologação é tácita, ocorre com o decurso do prazo de cinco anos. Somente após este prazo é que se iniciaria a contagem do prazo de extinção do direito de repetição de indébito (mais cinco anos), totalizando dez anos para a Fazenda Nacional poder promover o lançamento. (Ac. 1ª T STJ, R Esp. nº 58.9185/RJ, DJU a de 19/06/95, 18.646; Ac. 1ª T STJ, R Esp. nº 63.5292/PR, DJU 1 07.08.95, 23.023; Ac. 1ª T STJ, R Esp. nº 69.308/SP, DJU 1 de 04.03.96, 5.363/4.) A interpretação da RFB sobre o prazo para exercício do direito de pleitear a restituição, previsto no art. 168 do CTN, após exaustivas discussões doutrinárias e diversas interpretações emanadas do Poder Judiciário, já se encontra consolidada, sendo a de que deve ser exercido no prazo de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário que, no caso, coincide com a data do pagamento, conforme se extrai do art. 3º da LC nº 115/2005: Lei Complementar nº 118/2005: “Art. 3o. Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei”. Vale frisar que mesmo antes de editada a Lei Complementar nº 118/2005, este já era o entendimento da Receita Federal do Brasil, espelhado no Ato Declaratório SRF nº 96/1999, o qual estabelece em seu item I que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional).” Quanto ao pedido de aplicação do entendimento jurisprudencial para os pagamentos indevidos relativos a lançamentos por homologação ocorridos antes da vigência da LC n° 118/2005, cabe dizer que são improfícuas as decisões judiciais, de que o contribuinte não faça, porque essas decisões não fazem coisa julgada sobre os demais, à exceção daquelas prolatadas pelo próprio STF sobre inconstitucionalidade da legislação e aquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417/2006. Fl. 180DF CARF MF 16 Dessa forma, considerando que o presente pedido foi formalizado em 30/08/2010, concluise em obediência aos dispositivos legais citados, pela extinção do direito de pleitear a restituição, por decurso do prazo de cinco anos, e indeferimento do pedido de restituição relativamente ao IRPF do anocalendário 2004. Destacamos a seguir passagens do Recurso Voluntário: 2. SÍNTESE FÁTICA 1 O Recorrente, é portador de cardiopatia grave, conforme prevista no art.6, inciso XIV da Lei nº 7.713/85. 2 Consoante diagnóstico médico, requer, administrativamente, em 30.04.2006, pelo sistema da Receita Federal, a restituição das retenções indevidas no seu salário do Imposto de Renda via retificação das DIRPF 2005, 2006 e 2007, não obtém êxito pois é necessário antes proceder uma “declaração retificadora” e o “sistema” da Receita não permiti acusando débito inscrito em dívida ativa; 3 Ciente dos créditos líquido e certos a receber, e impossibilitado de pagar os débitos existentes, solicita a compensação, em 30/04/2007. Mais uma vez não logrando êxito, recorre, então, a um pedido de parcelamento para finalmente poder requer seu direito líquido e certo; 4 Diante de todos estes percalços impostos pelo Sistema da Receita, quando finalmente, em 30/04/2010, conseguiu formalizar definitivamente seu pedido o sistema passou a informar que ocorreu a decadência do seu direito de pleitear a restituição; 5 Em função disto, recorre ao Pedido Administrativo nº10.580.731287/201316, somente assim foi reconhecido o direito do Recorrente a isenção do imposto e restituído das retenções indevidas dos exercícios de 2006 e 2007, anos calendários 2005 e 2006, restando o exercício de 2005, ano calendário 2004, este, segundo o entendimento da 2ª Turma da DRJ/BEL, em 23/02/2017, em despacho denegatório á Manifestação de Inconformidade suscitada pelo Recorrente, entendeu que este direito creditório tributário foi alcançado pelo prazo decadencial de 5 (cinco) anos, conforme abaixo transcrito: Acórdão 0133.740 2ª Turma da DRJ/BEL Sessão de 23 de fevereiro de 2017 Processo 10580.731287/201316 Interessado WALDECK RAMOS SILVA 3.1 DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A impossibilidade do contribuinte se defender uma vez que não foi colocado de forma clara no despacho decisório, quando inicia e termina o prazo decadencial para o Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 10 17 exercício do direito constitucional de solicitação de restituição de indébito. Impossibilitando assim o contraditório e ampla defesa, princípios basilares dos processos administrativos fiscal. 3.2 DA NÃO CONFIGURAÇÃO DA DECADÊNCIA Conforme admitido no voto da relatora da turma que apreciou a Manifestação de Inconformidade, ora atacada, restou incontroverso que o peticionante é portador de cardiopatia grave desde janeiro de 2004 e portando já reunia os requisitos legais para o benefício da isenção do imposto, fato já reconhecido e restituído referente aos exercícios de 2006 e 2007, restando a controvérsia em torno do transcurso do prazo relativo ao direito á restituição das retenções do exercício de 2005, ano calendário de 2004. A controvérsia permanece quanto ao valor de R$ 39.128,42, apurado na retificação da DIRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, relativamente ao Imposto de Renda pago na fonte sobre verbas consideradas isentas, por se tratar de rendimentos de aposentadoria auferidos por portador de moléstia grave exercício 2005, ano calendário 2004. Não obstante está fartamente demonstrado que o contribuinte atendia aos requisitos para ter reconhecida a isenção dos rendimentos auferidos no ano de 2004, não teve o pedido deferido em função do transcurso do prazo para pleitear a restituição, conforme se verifica no despacho decisório, às fls. 33/34. Ora, nobres conselheiros, qualquer que seja a interpretação adotada por este Conselho, fica evidente que não ocorreu decadência do direito uma vez que o imposto exigido indevidamente referese ao exercício de 2005, ano calendário de 2004. Entendendose que o início do prazo ocorre com o pagamento do imposto a ser restituído este seria em 30.04.2005, último dia para entrega das declarações referentes ao ano calendário de 2004, o que lavaria o prazo final de decadência para 30.04.2010. Este é o entendimento dos tribunais, senão vejamos: (...) Este é o entendimento dos tribunais, A contagem do termo inicial com base no prazo final para entrega da declaração além de defendida pala doutrina e jurisprudência, fundase nas especificidades e características próprias do imposto de renda das pessoas físicas, estas devem levar em consideração todo conjunto de despesas e receitas do período de apuração, até 31 de dezembro do ano Fl. 182DF CARF MF 18 calendário, assim o imposto de renda pessoa física efetivamente devido para pagamento só é apurado após a “Declaração de Ajuste Anual” que tem como prazo legal, 30 de abril do exercício subseqüente ao declarado. Com esta declaração se apura inclusive as retenções na fonte em confronto com as deduções permitidas em lei para apuração do real pagamento devido. Portanto, retenção com posterior ajuste para pagamento não pode se confundir com pagamento definitivo antecipado, conforme preceitua o art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário e a LC nº 118/2005, art. 3º, que esta extinção, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação se dá no momento do pagamento antecipado. Conforme o entendimento do Prof. Fábio Hassem Ismael, in Revista de Doutrina do TRF4: (...) Após estas considerações doutrinarias e jurisprudenciais, passamos a análise fática dos prazos, onde ficará demonstrado que não se configura a decadência do direito creditório pleiteado. Ocorre que em 30.04.2006, portanto no prazo legal inclusive para requerer o exercício de 2005, ano calendário de 2004, foi requerida a retificação da declaração do imposto do exercício de 2006, ano calendário de 2005 para possibilitar a restituição devida, e negada através do sistema da receita com a expressão abaixo: “ERRO! Validador IRPF 2006 A TRANSMISSÃO NÃO FOI CONCLUÍDA. EO2 HÁ DÉBITOS INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA, NÃO É PERMITIDA A RETIFICAÇÃO AS DECLARAÇÃO” Ressaltese que nesta data não foi requerida a retificação da declaração do exercício de 2005, ano calendário 2004, sob análise, embora o contribuinte já reunião os requisitos legais para a isenção porque ainda não estava de posse do relatório médico conclusivo sobre o início de sua cardiopatia, 01/2004, mas se assim o tivesse ficaria impedido do mesmo jeito em pleitear no sistema da Receita esta retificadora, condição sine qua non para a restituição do indébito. Novamente, o contribuinte em 30.04.2007, portanto ainda no prazo decadencial para todos os três exercícios, (2005, 2006 e 2007), que segundo o entendimento do referido Acórdão se expirou em 31.12.2009, requer a retificação da declaração do exercício de 2007, ano calendário 2006, para poder em seguida requerer a restituição e outra negativa no sistema da receita abaixo colacionada: “ERRO! Validador IRPF 2007 A TRANSMISSÃO NÃO FOI CONCLUÍDA. EO2 HÁ DÉBITOS INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA, NÃO É PERMITIDA A RETIFICAÇÃO AS DECLARAÇÃO” . Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 11 19 Mais uma vez, mesmo que o contribuinte já dispusesse da documentação comprobatória do acometimento da cardiopatia desde 01/2004, seria impedido pelo “sistema” da Receita de requerer tal beneficio, até porque os pedidos de restituição relativos a rendimentos isentos ou nãotributáveis, informados na DIRPF como rendimentos tributáveis, deveriam ser pleiteados mediante apresentação de DIRPF retificadora, nos termos da IN SRF nº 460 de 18/10/2004:(...) Portanto é de fácil comprovação pela própria Receita Federal, através do registro dos acessos do contribuinte ao seu sistema que estas alegações são verdadeiras e de boa fé, pois acreditando tratarse de direito certo assegurado pela legislação fiscal não julgou necessário copiar as telas com as referidas mensagens de erro. Diante das tentativas frustradas de compensação dos débitos anteriores com seus créditos a serem restituídos, pois não lhe era nem mesmo possível o acesso ao sistema para solicitar a retificadora, foi forçado a promover um parcelamento, acreditando que assim, conseguiria requerer a restituição. Para sua surpresa outra negativa no sistema da receita agora citando o seguinte: “ESTA DECLARAÇÃO NÃO PODE SER RECEPCIONADA DEVIDA Á EXPIRAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL (ART. 150,§4ª DA LEI 5.172, DE 1966)” Com esta última recusa em 30.08.2010, foi novamente requerido, agora através de um Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União Processo nº 10580 600276/200747. Este processo foi devidamente instruído e tramitou por todos os setores da Receita Federal, sendo encaminhado para PGFN apenas para mudar o status no sistema de “extinta por pagamento” para “extinta por cancelamento”, sem nenhuma arguição quanto a decadência do direito tendo em vista que a Receita Federal, como não poderia ser diferente, considerou como validas as solicitações por meio do sistema da receita legalmente disponíveis aos contribuintes. Vejam nobres Conselheiros, que não procede e configura se completamente equivocada a alegação da decadência do direito reconhecido pelo Inciso XIV do artigo 6º Lei nª7.713/88, que assegura isenção do imposto de renda aos contribuintes portadores de cardiopatia grave, como foi devidamente reconhecida e comprovada nos autos. Da mesma maneira que a Fazenda Pública possui prazos para o lançamento e cobrança dos tributos, o contribuinte que efetuou um pagamento indevido também está sujeito a prazos para buscar a restituição do indébito. Ao pagar algo indevido, aquele que pagou tornase credor junto à Fl. 184DF CARF MF 20 Fazenda Pública recebedora. Nesse momento, criase uma relação jurídica obrigacional em que a Fazenda é a devedora e o contribuinte o credor, relação obrigacional de natureza civil e não tributária. O valor a ser restituído não é tributo, eis que não decorre de imposição da lei tributária, mas sim do dever geral de devolver aquilo que não lhe pertence. Tanto não era devido que dá ensejo à restituição. Cabe, assim, ao contribuinte credor requerer sua restituição junto ao órgão fazendário, e a administração fazendária não pode, sob pena de enriquecimento ilícito criar obstáculos ao contribuinte para requer seu direito assegurado em lei e já comprovado na esfera administrativa. José Mörschbächer, em brilhante estudo na obra Repetição do indébito e compensação no Direito Tributário, afirma: (...) O primeiro termo inicial – data do pagamento indevido – aplica se àqueles casos em que o sujeito passivo tenha pago indevidamente de maneira espontânea, por algum tipo de erro. Nessa situação, a lógica de o prazo fluir desde a data do pagamento indevido está no fato de o pedido ser viável desde então. Ou seja, desde que o correu o pagamento indevido, já era possível, ao contribuinte, requerer sua restituição junto ao órgão fazendário, eis que o valor indevido já podia ser assim considerado de pleno direito. No caso em questão, tratase da primeira hipótese do inciso I da art. 168 do CTN, tendo em vista que o imposto é lançado por homologação, quando primeiro o contribuinte declara antecipa o pagamento e depois ocorre a homologação por parte da administração tributária. Hipótese também prevista na LC nª 118/2005, de 09.02.2005: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 o do art. 1n50 da referida Lei. Vale aqui um raciocínio analógico. Assim como a Fazenda Pública tem cinco anos de prazo decadencial para formalizar o crédito junto ao seu devedor 3.3 DO ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL LC 118/2005 No caso do não acolhimento por este Conselho das evidências apresentadas quanto à tempestividade da demanda do requerente considerando o prazo decadencial de cinco anos, o entendimento jurisprudencial já pacificou que para os pagamentos indevidos relativos a lançamentos por homologação ocorridos antes da vigência da LC nº 118/2005, em 09/06/2005, continua observando a Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 12 21 cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual:"Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). Também nesta hipótese não ocorreu a decadência porque a LC n º 118/2005, tem sua vigência a partir de 09/06/2005, portanto o fato em questão, ou seja, a declaração do exercício de 2005, ocorreu antes em 30/04/2005, passando o prazo decadencial a ser contado pela tese 5+5, cinco anos depois da extinção tácita do crédito tributário. (...) Tentemos explicar a razão de ser do art. 3º, da LC 118. Já há alguns anos, as Turmas do Superior Tribunal de Justiça competentes em matéria tributária vinham interpretando o art. 168,1, do CTN da seguinte maneira. Entendeuse que a referência ali feita à "data da extinção do crédito tributário" remete o leitor ao art. 156 do mesmo Código. Sendo assim, em se tratando do tributo submetido ao mecanismo do lançamento por homologação (a quase totalidade dos tributos, atualmente), os julgados do STJ concluíram, com base no inciso VII do art. 156, que a extinção do crédito só ocorreria com a homologação por parte do fisco. Portanto, nos casos em que não houve homologação expressa por parte da Fazenda, darseia, pois, a homologação tácita com o decurso do prazo de cinco anos a contar do fato gerador (nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do Código). Assim segundo o raciocínio de tais julgados, nos casos de tributos submetidos a lançamento por homologação, sem que esta tenha sido procedida expressamente pelo Fisco, o quinquênio mencionado no art. 168 só começaria a contar após o término do quinquênio de que trata o art. 150, parágrafo 4º. Isso significa, nessas hipóteses, que o contribuinte teria 10 anos para requerer a devolução do que eventualmente tivesse pago a maior ou indevidamente, em se tratando de tributo submetido ao lançamento por homologação, sem que esta tenha ocorrido de modo expresso. Esse entendimento do STJ ficou conhecido como a tese do "5+5". Fl. 186DF CARF MF 22 Pois bem, a LC 118 pretendeu então pacificar o tema, ao dizer que, na hipótese do art. 168, I, o prazo para pedir a restituição conta desde o "momento do pagamento antecipado". Já o art. 4º da LC 118 determina que a disposição do art. 3º significa norma legal interpretativa e, por consequência, possui efeito retroativo. O STJ, no acórdão da respectiva Corte Especial (arguição de inconstitucionalidade nos EREsp 644.736, j. 06/06/2007) que declarou inconstitucional o disposto no art. 4º da LC 118/ 2005 e fixou que o conteúdo do art. 3º só se pode aplicar aos fatos futuros, ou seja, aos pagamentos indevidos ocorridos após a vigência da LC (09/06/2005). (...) Consoante decisão acima do STJ, foi consagrado o entendimento de que “no que concerne aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. A questão sob análise, tratase de pagamentos retidos e efetuados antes da data 09.06.05, portanto antes da vigência da LC nº 118/2005, portanto o prazo extintivo do direito de reclamar a restituição de indébitos é decenal e não qüinqüenal. Os pagamentos foram efetuados no ano calendário de 2004, e o fato gerador ocorreu em 31.12.2004, isto significa que a extinção do direito de requer a restituição de indébito só se configurou em 31.12.2014, dez anos após o fato gerador, como o Recorrente após as tentativas frustradas pelo sistema finalmente protocolou seu Pedido, portanto inquestionavelmente dentro do prazo legal. 4. DOS PEDIDOS Diante de todo exposto requer o Recorrente que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão denegatória e reconhecido o direito a restituição dos valores retidos indevidamente no exercício de 2005, ano calendário 2004. Requer que seja admitido todos os meios de provas do processo administrativo fiscal para comprovação das razoes recursais. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.731287/201316 Acórdão n.º 2001000.988 S2C0T1 Fl. 13 23 Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O contribuinte obteve reconhecimento de doença grave, que reconheceu ser portador de cardiopatia grave desde janeiro de 2004, fazendo jus à isenção do Imposto de Renda Retido na Fonte. Para o anocalendário de 2004, o prazo qüinqüenal para constituição de crédito tributário exauriuse em 31 de dezembro de 2009. Assim, a data de 31/12/2009 seria o termo final para que fosse efetuada qualquer alteração no lançamento, quer por iniciativa do contribuinte, via retificação da DIRPF, quer por iniciativa do Fisco, via lavratura de auto de infração. Como está demonstrado nos autos, o pedido de restituição ocorreu em 30/08/2010, mas nesta data já estava extinto tal direito (cinco anos da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso V, do Código Tributário Nacional), não sendo mais possível ao sujeito passivo obter a devolução do valor pago, independente de ser devida ou indevida a incidência e ainda que o contribuinte tenha reconhecida a isenção retroativa a janeiro/2004. O contribuinte não concordou com o entendimento do Despacho Decisório e do Acórdão da DRJ e reapresentou suas razões para exame em Recurso Voluntário. Pela existência do recurso, com apresentação livre de suas razões, verificase que o contribuinte exerceu seu direito de defesa. Entendemos que não houve cerceamento a esse direito. Além disso, a não indicação de prazos de decadência no Despacho Decisório, além de não ser a prática administrativa, também não afastou a possibilidade de defesa, pois indicou o prazo para que discordasse dos termos do Despacho, tendo sido apresentada impugnação. Quanto à configuração da decadência, entendemos que tanto o despacho decisório como a decisão da DRJ na impugnação, apresentaram as razões pelas quais houve a decadência do pedido; inclusive, as razões apresentadas agora no Recurso Voluntário já foram matéria de exame nesse acórdão da DRJ, razões que são as mesmas desse voto, e no relatório que antecede esse voto destacamos as partes que julgamos mais importantes. Reiteramos a concordância com as razões de decidir expressas no acórdão da DRJ e reapresentamos o texto do Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, que resume o entendimento desse voto: O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CAT/nº 1.538, de 1999, declara: I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da Fl. 188DF CARF MF 24 extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Em relação a aplicação da jurisprudência, também repetimos o acórdão de impugnação Quanto ao pedido de aplicação do entendimento jurisprudencial para os pagamentos indevidos relativos a lançamentos por homologação ocorridos antes da vigência da LC n° 118/2005, cabe dizer que são improfícuas as decisões judiciais, de que o contribuinte não faça, porque essas decisões não fazem coisa julgada sobre os demais, à exceção daquelas prolatadas pelo próprio STF sobre inconstitucionalidade da legislação e aquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417/2006. Diante das razões apresentadas, expressamos o entendimento de que o Despacho Decisório e Acórdão da DRJ expressaram com correção a ocorrência de decadência no pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.913740/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/12/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.913740/201182 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.518 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Recorrente TETRA PAK LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/12/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 37 40 /2 01 1- 82 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.913740/201182 Acórdão n.º 3301005.518 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), ante à constatação de que o indébito não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo a nulidade do despacho decisório por não oferecer detalhamento e fundamentação da análise do crédito informado, dificultando sobremaneira o exercício pleno do direito de defesa. Arguiu o então Manifestante que o pedido de restituição decorria de crédito fiscal oriundo de multa de mora paga indevidamente, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea, dado o recolhimento do tributo em atraso, devidamente acrescido dos juros de mora, anteriormente à entrega da respectiva DCTF e de qualquer procedimento fiscalizatório, nos exatos termos do art. 138 do CTN e de decisões judiciais. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14040.463, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo a caracterização da denúncia espontânea. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.913740/201182 Acórdão n.º 3301005.518 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.510, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.913719/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.510): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1440.415 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão recorrida tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/12/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO ORIGINAL. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão proferida entendeuse que não caracteriza a denúncia espontânea, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o Contribuinte declarar e recolher o tributo fora do prazo de vencimento, mesmo que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Assim explicitou o entendimento: No caso dos autos, o débito em questão venceu no dia 15/12/1999 e o pagamento intempestivo se deu no dia 16/12/1999, ou seja, antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, que ocorreu exatamente no dia 15/02/2000, dentro do prazo fixado no § 2º, do art. 2º da IN SRF nº 126/98. Nesta hipótese, não há que se falar em ocorrência de denuncia espontânea de débito pago após o vencimento, mas antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, pois não houve inovação da atividade do contribuinte passível de denúncia espontânea. (...) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.913740/201182 Acórdão n.º 3301005.518 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, do que restou examinado até agora e partindose do fato in concreto de que o contribuinte recolheu o tributo a destempo e, posteriormente, declarou, dentro do prazo regulamentar da DCTForiginal, o seu débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, a conclusão é da incidência da multa de mora. Diante de todo o exposto, Voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. No presente processo o Contribuinte efetuou o pagamento em 16/12/1999 de DARF no valor de R$ 1.364.824,54 referente à COFINS, apurada em 30/11/1999 e que tinha vencimento em 15/12/1999. O referido débito foi declarado em DCTF e transmitida em 15/02/2000. O Valor recolhido de R$ 1.364.824,54 compõese de valor principal no montante de R$ 1.360.335,44 e de multa de mora no valor de R$ 4.489,10. O Contribuinte, por entender que ocorreu a denúncia espontânea por estes atos praticados, requereu por intermédio de PER/DCOMP, ora em análise, a restituição do valor da multa de mora, ou seja, o valor de R$ 4.489,10. Este é o objeto da presente lide. O instituto da denúncia espontânea está previsto no Código Tributário Nacional da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Salientase também a Nota Técnica 01 COSIT, de 18 de janeiro de 2012, que reconhece o benefício da denúncia espontânea e assim prevê: 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Entendo que assiste razão ao Contribuinte pela caracterização da denúncia espontânea, portanto, com direito ao crédito pleiteado. Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.913740/201182 Acórdão n.º 3301005.518 S3C3T1 Fl. 6 5 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito pleiteado, em razão da caracterização da denúncia espontânea. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000579/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação ao ano-calendário de 1997 e excluindo a qualificadora da multa de ofício, reduzindo seu percentual ao patamar ordinário de 75%.
Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente MARIA SALOMÉ MARIA DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 05 79 /2 00 3- 93 Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.148 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação ao anocalendário de 1997 e excluindo a qualificadora da multa de ofício, reduzindo seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/FNS, consubstanciada no Acórdão nº 2.970 (fls. 985 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Por meio do Auto de Infração às folhas 03 a 10, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 64.962,27 (sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e dois reais e vinte e sete centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, acrescida de multa de ofício de 150 % e encargos legais devidos à época do pagamento, referente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997 a 2000. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, às folhas 04 e 05, e ao “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”, às folhas ll a 20, verificase que a autuação se deu em razão da constatação da ocorrência de omissão de receitas, como caracterizado pela existência de valores creditados em contas bancárias, cujas origens não Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.149 3 logrou o contribuinte comprovar. Assim, com fundamento no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, foi efetuado o lançamento objeto do presente processo. Formalizada a autuação, foi a exação devida exigida com a adição de multa de ofício agravada de 150%, isto em face de que a conduta da contribuinte estaria a evidenciar intuito fraudulento, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96. Em razão da presença deste pretenso intuito de fraude é que foi formalizada, também, a representação fiscal para fins penais prevista na Portaria SRF n.° 2.752/2001 (constante do processo n.° 10925000580/200318). Irresignado com o feito fiscal, encaminhou o contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 851, a impugnação às folhas 799 a 850, na qual expõe suas razões. Preliminarmente, alega o contribuinte, no item 02, as folhas 801 a 805, que à época do lançamento já não poderiam ter sido lançados os valores referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 01/05/1998, pois em relação a eles já teria se operado a decadência do direito de a Fazenda Nacional assim proceder, nos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional CTN. Como expressa de forma literal: “o lançamento de ofício foi cientificado à Impugnante somente em 02/05/2003, quando já havia expirado o prazo para a Fazenda Pública rever os lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 01/05/1998, uma vez que já estavam homologados tacitamente” (folha 802). Entre as folhas 802 e 805, junta exemplos da jurisprudência administrativa que estariam a corroborar sua tese. No item 03, às folhas 805 a 808, alega o contribuinte a “inexistência de pressuposto para a imposição da multa agravada”. Afirma que atendeu a todas as intimações fiscais e que apresentou espontaneamente todos os seus extratos bancários, não havendo, nos autos, circunstâncias que justifiquem a majoração da penalidade. Traz novos exemplos da jurisprudência administrativa dando conta de que a falta de comprovação da fraude toma inaplicável a penalidade agravada. Já no item 04, às folhas 808 a 810, contesta o contribuinte a caracterização da omissão de receitas, fazendo por via da alegação de que a situação concreta estaria dentro dos limites dos parágrafos 3º e 6º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Afirma que, como o parágrafo 3° manda desconsiderar os valores inferiores a R$ 12.000,00 quando eles não somarem R$ 80.000,00 e o parágrafo 6° manda dividir entre os titulares de contas bancárias conjuntas os valores não justificados, não teriam sido ultrapassados aqueles limites em nenhum dos anos calendário fiscalizados. Alega que o valor total não justificado, depois de dividido com sua esposa e com seu filho Fernando, que são cotitulares das contas bancárias, ficaria dentro dos limites Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.150 4 definidos na norma, razão pela qual a omissão de receitas não teria restado evidenciada. Uma vez mais, traz exemplo da jurisprudência administrativa, com o fim de ver respaldada sua afirmação. A seguir, no item 05, às folhas 810 a 844, alega o contribuinte que “possui a devida origem de recursos para todos os depósitos realizados em suas contas bancárias” (folha 810) e afirma que autoridade fiscal teria desconsiderado as seguintes origens de recursos: (a) saque de R$ 2.706,00, referente à restituição de empréstimo compulsório associado à aquisição de veículo no ano de 1986; (b) “alvarás de receifa.de clientes” (folha 810), item sob o qual estão listados valores que, à evidência, teriam sido recebidos de clientes por conta de ações judiciais propostas (documentos às folhas 903 a 907); (c) “folhas de pagamento anexa” (folhas 810 e 811), item sob o qual estão listados valores que teriam sido recebidos a título de 'salários (os contracheques que estariam a respaldar os recebimentos estão às folhas 852 a 878); (d) “benefício da Previ de SEDENIR TAVARES DIAS” (folhas 811 e 812) e “benefício previdenciário de Sedenir Tavares Dias, sacados diretamente com o cartão de benefício” (folha 812), itens sob os quais estão listados os valores que teriam sido recebidos àqueles títulos (os documentos que estariam a respaldar os recebimentos 'estão às folhas 879 a 899); (e) devolução de empréstimo por parte de Luiz Antonio Ribeiro (folhas 812 e 813), efetuada por via de vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 914, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (f) devolução de empréstimo por parte de Lar Imóveis Ltda. (folhas 813 e 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, às folhas 908 a 910, declaração da mutuária, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (g) empréstimo obtido junto a Aleodir Cavali, em junho de 2000, no valor de R$ 25.000,00 (folha 814). Junta, à folha 911, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (h) venda, em 10/03/1998, de um automóvel para Adauto Luiz Viero, por R$ 4.000,00 (folha 814). Junta, à folha 912, declaração do comprador, com o fim de comprovar a realização do negócio; (i) empréstimo obtido junto a José Bittencourt Maria, no valor de R$ 7.000,00, devolvido no mesmo ano (folha 814). Junta, ã Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.151 5 folha 913, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (j) R$ 6.700,00 relativos a depósito efetuado por Ivanor Luiz Maestri e relativo a ação judicial proposta contra a TELESC (folha 814). Junta, à folha 915, declaração do depositante, e às folhas 975 a 980, documentos relativos ã ação judicial mencionada, com o fim de comprovar a veracidade da alegação; (k) valores recebidos do Sindicato Rural de Capinzal, e que serviriam para pagamento de credores da empresa Teixeira Júnior. Os valores aparecem listados à folha 814 e estão instrumentados por declaração daquele Sindicato, à folha 924, e por demonstrativos relativos às suas composições, às folhas 925 a 940; (l) depósito no valor de R$ 15.450,00 por parte de Luiz Antonio Ribeiro, efetuado com o fim de reembolsar o contribuinte por empréstimo que este teria contraído em nome daquele. Junta, à folha 923, declaração do depositante, com o fim de comprovar a operação alegada; (m) devolução de empréstimo por parte de Odir Fontana (folha 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, ã folha 921, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (n) devolução de empréstimo por parte de Cleonir Fontana (folha 815), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 920, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (o) empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis, no valor de R$ 28.379,60 (folha 815). Junta, à folha 922, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (p) depósitos efetuados pela empresa Sedenir Tavares Dias e Cia. Ltda. nas contas bancárias fiscalizadas (folhas 815 a 821). Junta demonstrativo dos depósitos e declaração da pessoa jurídica, às folhas 941 a 949, com o fim de comprovar as operações alegadas; (q) “valores contabilizados na empresa Comércio e Transportes Alto Alegre Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folha 821); (r) “valores contabilizados na empresa Cerâmica Leal Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folhas 821 e 822); (s) “saque através de guias de retiradas ou cheques das próprias contas para depósito total ou parcial, na mesma data ou em data posterior em contas de propriedade dos impugnantes (inciso I do § 3.” da Lei 9430/96)” (folhas 822 a 844). Junta lista relativa a estas operações. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.152 6 Por fim, no item 06, às folhas 844 a 850, faz o contribuinte, com escudo em posições doutrinárias e jurisprudenciais, a defesa da tese de que a existência de depósitos bancários não é causa, por si só, para a caracterização da omissão de receitas. Elenca razões de variada ordem que não serão aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se declarará no voto deste Acórdão. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 2.970 (fls. 985 e seguintes), cuja ementa segue abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anoca1endário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa; DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para lançamentos referentes ao IRPF, deslocase da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO – O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APLICABILIDADE É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: AFIRMAÇOES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Lançamento Procedente Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.153 7 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1.007 e seguintes, reiterando os termos da impugnação apresentada. Por meio do Acórdão nº 10248.880 (fls. 1.074 e seguintes), foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 1998 Ementa: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. Nos casos de contas bancadas em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Recurso provido. Contra a referida decisão a PGFN interpôs o competente recurso especial, o qual restou provido pela CSRF, nos seguintes termos: todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, a fim de elidir autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas. In casu, houve a comprovação de que o cônjuge, respondendo desde o início a procedimento fiscal similar foi que, em sua quase totalidade responsável pela prestação de informações. Devolvase a câmara a quo para apreciação das questões não apreciadas (Acórdão nº 9202006.271, fls. 1.134 e seguintes). É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Da Decadência Aduz o Recorrente, em sede de preliminar, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente aos depósitos bancários anteriores a 01/05/1998, à luz do art. 150, § 4º do CTN. Pois bem! Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.154 8 Sobre a matéria, o CARF possui o entendimento firme de que o fato gerador do imposto sobre a renda, nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, como no caso concreto, considerase ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. Esta é, inclusive, uma matéria sumulada por este Conselho. Vejamos o teor da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, e sem mais delongas, como o caso vertente tem por objeto o IRPF referente aos AnosCalendários de 1997, 1998, 1999 e 2000, consideramse ocorridos os fatos geradores em 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000, nos termos da Súmula CARF nº 38 em destaque. Pois bem!! Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subsequente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º. No presente caso, tendo o contribuinte apurado IRRF, conforme se infere das cópias das Declarações de Ajuste Anual acostadas aos autos a partir das fls. 48, resta indubitável a aplicação do comando inserto no susodito art. 150, § 4º do CTN, pelo que resta configurada a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento objeto do presente processo, conforme tabela abaixo: Ano Calendário Fato Gerador Termo Inicial (da decadência) Termo Final (da decadência) Ciência do Lançamento¹ Decaído? 1997 31/12/1997 31/12/1997 31/12/2002 02/05/2003 Sim 1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/2003 02/05/2003 Não 1999 31/12/1999 31/12/1999 31/12/2004 02/05/2003 Não 2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2005 02/05/2003 Não ¹ AR fls. 802 Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.155 9 Assim, voto por acolher, em parte, a preliminar de decadência suscitada, declarando extinto o crédito tributário referente ao anocalendário de 1997. Do Mérito No que tange ao mérito, conforme exposto no relatório, o Recorrente, em sua peça recursal, reitera os termos da impugnação apresentada. Neste espeque, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, com exceção, apenas, da matéria referente à multa agravada, que será objeto de análise em tópico específico do presente voto: Não Caraterização da Omissão de Receitas (item 04, às folhas 808 a 810) Já no item 04, às folhas 808 a 810, contesta o contribuinte a caracterização da omissão de receitas, fazendo por via da alegação de que a situação concreta estaria dentro dos limites dos parágrafos 3º e 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Afirma que, como o parágrafo 3° manda desconsiderar os valores inferiores a R$ 12.000,00 quando eles não somarem R$ 80.000,00 e o parágrafo 6.” manda dividir entre os titulares de contas bancárias conjuntas os valores não justificados, não teriam sido ultrapassados aqueles limites em nenhum dos anos calendário fiscalizados. Alega que o valor total não justificado, depois de dividido com sua esposa e com seu filho Fernando, que são cotitulares das contas bancárias, ficaria dentro dos limites definidos na norma, razão pela qual a omissão de receitas não teria restado evidenciada. Uma vez mais, traz exemplo da jurisprudência administrativa, com o fim de ver respaldada sua afirmação. Em análise do arguido, há que se ter conta, de início, os termos dos dispositivos mencionados pelo contribuinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.156 10 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais ). (...) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se pode inferir dos termos literais dos dispositivos transcritos, é certo, por um lado, que existem os limites de R$ 12.000,00 e de R$ 80.000,00 referenciados pelo contribuinte; por outro lado, entretanto, também é certo que tais limites não são aferíveis a partir da parcela rateada, a cada cotitular das contas bancárias, dos depósitos incluídos nestas contas. A regra do parágrafo 6° só tem aplicação depois de evidenciada a omissão de receitas, ou seja, no momento em que a autoridade lançadora tem de definir a sujeição passiva do lançamento que terá de formalizar. Por um exemplo, a questão se aclara. Constatado que contas bancárias possuem dois titulares e que há nelas R$ 85.000,00 de depósitos de pequeno valor (inferiores a R$ 12.000,00), não se pode, neste momento, dividir este montante, para efeito de aferir os limites do parágrafo 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96; a aferição, aqui, é em relação às contas bancárias como um todo. A seguir, não logrando os titulares da conta bancária comprovar a origem dos R$ 85.000,00, a omissão de receitas, por via presuntiva, estará conformada, o que obriga o lançamento de ofício para a exigência dos créditos tributários inadimplidos. Neste momento, o da autuação, é que entra a regra do parágrafo 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, devendo a autoridade lançadora dividir entre os dois titulares, em autuações separadas, a responsabilidade pela infração fiscal. Em outras palavras, no parágrafo 3.”, a Lei n° 9.430/96 trata de um critério de caracterização da omissão de receitas (se ocorreu ou não); já no parágrafo 6° a Lei estabelece um critério de rateio _que pressupõe a comprovação, em etapa anterior, da omissão de receitas. Assim, ao contrário do que afirma o contribuinte, há sim base legal para a caracterização da omissão de receitas. Desconsideração de Origens de Recursos (item 05, às folhas 810 a 844) Às folhas 810 a 844, alega o contribuinte que “possui a devida origem de recursos para todos os depósitos realizados em suas Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.157 11 contas bancárias” (folha 810) e afirma que autoridade fiscal teria desconsiderado as seguintes origens de recursos: (a) saque de R$› 2.706,00, referente à restituição de empréstimo compulsório associado à aquisição de veículo no ano de 1986; (b) “alvarás de receita de clientes” (folha 810), item sob o qual estão listados valores É evidência, teriam sido recebidos de clientes por conta de ações judiciais propostas (documentos às folhas 903 a 907); (c) “folhas de pagamento anexa” (folhas 810 e 811), item sob o qual estão listados v ores que teriam sido recebidos a título de salários. (os contracheques que estariam a respaldar os recebimentos estão às folhas 852 a 878); (d) “benefício da Previ de SEDENIR TAVARES DIAS” (folhas 811 e 812) e “benefício previdenciário de Sedenir Tavares Dias, sacados diretamente com o cartão de benefício” (folha 812), itens sob os quais estão listados os valores que teriam sido recebidos àqueles títulos (os documentos que estariam a respaldar os recebimentos estão às folhas 879 a 899); (e) devolução de empréstimo por parte de Luiz Antonio Ribeiro (folhas 812 e 813), efetuada por via de vários depósitos nas contas bancárias. Junta, a folha 914, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (f) devolução de empréstimo por parte de Lar Imóveis Ltda. (folhas 813 e 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, às folhas 908 a 910, declaração da mutuária, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (g) empréstimo obtido junto a Aleodir Cavali, em junho de 2000, no valor de R$ 25.000,00 (folha 814). Junta, à folha 911, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (h) venda, em 10/03/1998, de um automóvel para Adauto Luiz Viero, por R$ 4.000,00 (folha 814). Junta, à folha 912, declaração do comprador, com o fim de comprovar a realização do negócio; (i) empréstimo obtido junto a José Bittencourt Maria, no valor de R$ 7.000,00, devolvido no mesmo ano (folha 814). Junta, à folha 913, declaração do mutuante, com o fm de comprovar a existência do empréstimo; (j) R$ 6.700,00 relativos a depósito efetuado por Ivanor Luiz Maestri e relativo a ação judicial proposta contra a TELESC (folha 814). Junta, à folha 915, declaração do depositante, e às folhas 975 a 980, documentos relativos à ação judicial mencionada, com o fim de comprovar a veracidade da alegação; Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.158 12 (k) valores recebidos do Sindicato Rural de Capinzal, e que serviriam para pagamento de credores da empresa Teixeira Júnior. Os valores aparecem listados à folha 814 e estão instrumentados por declaração daquele Sindicato, à folha 924, e por demonstrativos relativos às suas composições, às folhas 925 a 940; (l) depósito no valor de R$ 15.450,00 por parte de Luiz Antonio Ribeiro, efetuado com o fim de reembolsar o contribuinte por empréstimo que este teria contraído em nome daquele. Junta, à folha 923, declaração do depositante, com o fim de comprovar a operação alegada; (m) devolução de empréstimo por parte de Odir Fontana (folha 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 921, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (n) devolução de empréstimo por parte de Cleonir Fontana (folha 815), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, ã folha 920, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (o) empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis, no valor de R$ 28.379,60 (folha 815). Junta, à folha 922, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (p) depósitos efetuados pela empresa Sedenir Tavares Dias e Cia. Ltda. nas contas bancárias fiscalizadas (folhas 815 a 821). Junta demonstrativo dos depósitos e declaração da pessoa jurídica, às folhas 941 a 949, com o fim de comprovar as operações alegadas; (q) “valores contabilizados na empresa Comércio e Transportes Alto Alegre Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folha 821); (r) “valores contabilizados na empresa Cerâmica Leal Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folhas 821 e 822); (s) “saque através de guias de retiradas ou cheques das próprias contas para depósito total ou parcial, na mesma data ou em data posterior em contas de propriedade dos impugnantes (inciso I do § 3.” da Lei 9430/96)” (folhas 822 a 844). Junta lista relativa a estas operações. Numa análise inicialmente global das alegações postas, percebe se que elas podem ser divididas em dois grupos: * Primeiro, um composto por aquelas tendentes a demonstrar, tãosomente, que o contribuinte detinha origens de recursos suficientes para cobrir pane dos depósitos bancários, mas sem individualizar suas justificativas subitens (a), (b), (c), (d), (g), (h), (i) e (k). Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.159 13 * Segundo, um composto por aquelas destinadas a justificar, agora sim de maneira individualizada, uma outra parte dos depósitos levantados subitens (e), (f), (j), (1), (m), (n), (o), (p), (q), (r) e (s). Diante deste quadro, há que se ressaltar, desde já, qual é a responsabilidade atribuída pela lei ao contribuinte, no âmbito da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Como previsto no parágrafo 3°: “Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente [...]”, ou seja, não basta ao contribuinte, para afastar a presunção, a demonstração genérica de que detinha uma “situação econômica” compatível com os ingressos em suas contas bancárias; seu ônus vai além: precisa ele justificar, de forma individualizada, cada um dos depósitos bancários. Assim definida a responsabilidade do sujeito passivo, há que se dizer que as alegações constantes do primeiro grupo acima indicado, por se destinarem não ã comprovação individualizada de depósitos bancários, mas apenas à demonstração de que o contribuinte tinha origens de recursos em montante suficiente para cobrir as receitas omitidas aferidas por presunção legal, não serão aqui analisadas. É que mesmo que tais origens restassem devidamente demonstradas pelo sujeito passivo, mesmo assim elas não se prestariam ao cumprimento do ônus que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 atribui ao contribuinte. O que se pode fazer é analisar as alegações do segundo, dado que estas sim destinamse a justificar, individualizadamente, os ingressos nas contas bancárias. A tal tarefa destinase o restante desta parte do voto. Empréstimo de Luiz Antonio Ribeiro Alega o contribuinte a devolução de empréstimo por parte de Luiz Antonio Ribeiro (folhas 812 e 813), efetuada por via de vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 914, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções. As razoes pelas quais não se pode acatar a justificativa do contribuinte já foram muito bem expressas pela autoridade lançadora, em seu relatório fiscal, à folha 14: (a) o contribuinte não declara os valores a receber em suas DIRPF (folhas 66 a 80); (b) inexiste documento bancário confirmando o repasse do dinheiro na data da realização do contrato, bem como a devolução do valor; (c) o contrato de mútuo apresentado durante a ação fiscal (folhas 469 e 470), não está revestido das formalidades necessárias para que possa valer contra terceiros (de se lembrar que, a teor do artigo 221 do Código Civil artigo 135 do antigo Código Civil , o instrumento particular só produz efeitos em relação a terceiros depois de levado a registro público); (d) as DIRPF de Luiz Antonio Ribeiro só reconheceram a dívida nas vias retificadoras encaminhadas depois da abertura da ação fiscal. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.160 14 Por todas estas razões, não se pode acatar a alegação do empréstimo. A declaração de Luiz Antonio Ribeiro, juntada à folha 914, é tão inócua quanto o contrato de mútuo já apresentado, para fins de evidenciar minimamente o fato alegado. Empréstimo de Lar Imóveis Ltda. Alega o contribuinte a devolução de empréstimo por parte de Lar Imóveis Ltda. (folhas 813 e 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, às folhas 908 a 910, declaração da mutuária, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções. Novamente não se pode acatar a justificativa do contribuinte, e também aqui pelas razões colocadas no relatório fiscal, às folhas 13 e 14: a) o contribuinte não declara os valores a receber em suas DIRPF (folhas 66 a 80); (b) inexiste documento bancário confirmando o repasse do dinheiro na data da realização do contrato, bem como a devolução do valor; (c) o contrato de mútuo apresentado durante a ação fiscal (folhas 474 e 475), não está revestido das formalidades necessárias para que possa valer contra terceiros. Não se pode, assim, acatar a alegação do empréstimo. Depósito de Ivanor Luiz Maestri Afirma o contribuinte que os R$ 6.700,00 depositados em 29/04/1997, o foram por Ivanor Luiz Maestri, e se referem a valor vinculado a ação judicial proposta contra a TELESC (folha 814). Junta, à folha 911, declaração do depositante, e às folhas 975 a 980, documentos relativos à ação judicial mencionada, com o fim de comprovar a veracidade da alegação. Aqui, a alegação não pode ser acatada, por uma só razão: não foi apresentado qualquer documento comprobatório, nem na ação fiscal, nem na oportunidade da impugnação que ora se aprecia. Temse, assim, uma “mera alegação”, que não pode suprir o ônus que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 atribui ao sujeito passivo. A declaração do depositante, à evidência, nada prova, por tratarse de manifestação unilateral, impassível de comprovar, em relação a terceiros, fatos passados. Depósito de Luiz Antonio Ribeiro Alega o contribuinte que o depósito no valor de R$ 15.450,00, efetuado em 30/05/1997, o foi por parte de Luiz Antonio Ribeiro, com o fim de reembolsálo por empréstimo que o próprio contribuinte teria contraído em nome daquele. Junta, à folha 923, declaração do depositante, com o fim de comprovar a operação alegada. Novamente aqui, por não estar a alegação acompanhada de documentos comprobatórios, mas tãosomente de uma Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.161 15 declaração unilateral do depositante que nada prova em relação a terceiros, não se pode dar razão ao sujeito passivo. Devoluções de empréstimos por parte de Odir Fontana e Cleonir Fontana Alega o contribuinte as devoluções de empréstimo efetuadas por parte de Odir Fontana (folhas 814) e de Cleonir Fontana (folha 815), efetuadas por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 920 e 921, declarações dos mutuários, com o fim de comprovar a existência dos empréstimos e das mencionadas devoluções. Novamente aqui, não há documentação comprobatório da existência dos empréstimos e nem dos repasses de recursos paras as contas bancárias. Uma vez mais só se tem declarações unilaterais dos mutuários, que de nada valem para fins de prova no presente processo. Empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis Diz o contribuinte que o depósito de RS 28.379,60, realizado em 07/07/1998, devese a empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis (folha 815). Junta, à folha 922, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo. Uma vez mais a alegação não pode ser acatada, por absoluta falta de provas. Não há qualquer documento que comprove o empréstimo e o responsável pela transferência do valor. Como sempre, há apenas uma declaração unilateral do mutuante, que de nada serve neste âmbito. Depósitos efetuados pela empresa Sedenir Tavares e Cia. Ltda. Entre as folhas 815 a 821, elenca o contribuinte uma longa lista de depósitos que teriam sido efetuados pela empresa Sedenir Tavares Dias e Cia. Ltda. nas contas bancárias fiscalizadas. Para comprovar o que afirma, junta, às folhas 941 a 949, declaração do sóciogerente da pessoa jurídica, que é o próprio contribuinte. Como sempre, o que traz o contribuinte, além da alegação, é uma declaração unilateral de uma das partes das pretensas operações realizadas (neste caso, a declaração é dele mesmo). Ou seja, novamente não há prova identificando o conteúdo das transferências. Valores contabilizados em pessoas jurídicas Alega o contribuinte que vários dos depósitos são valores contabilizados na empresa Comércio e Transportes Alto Alegre Ltda. (folhas 821) e na empresa Cerâmica Leal Ltda. (folhas 821 e 822), não tendo sido esta circunstância considerada pela autoridade fiscal. À evidência, está aqui diante de mais uma alegação sem comprovação. A única pretensa prova juntada são duas Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.162 16 declarações, emitidas pelo marido da própria contribuinte depois de iniciada a ação fiscal (folhas 593 e 594), destinadas a formalizar retificações de dados nas declarações das duas pessoas jurídicas acima indicadas, tudo com o fim de pretensamente validar a alegação trazida com a impugnação. A inocuidade das declarações é evidente: não só não servem para formalmente retificarem DIRPJ já entregues, como também não evidenciam a materialidade das operações alegadas. Saques para depósitos em outras contas dos impugnantes Afirma o contribuinte que foram efetuados saques através de guias de retiradas ou cheques das próprias contas para depósito total ou parcial, na mesma data ou em data posterior em contas de propriedade dos impugnantes (folhas 822 a 844). Junta lista relativa a estas operações. Uma vez mais a alegação não pode ser acatada por absoluta falta de comprovação. O certo é que as transferências comprovadas durante a ação fiscal já foram expurgadas pela autoridade lançadora, e que o expurgo de outras só é possível por via de sua evidenciação documental. Inacatável, portanto, mais este argumento do contribuinte. Conclusão Em face da falta de comprovação das alegações postas neste item, há que se considerar improcedentes as razões do contribuinte relativas à matéria abordada neste item. Impossibilidade de Caracterização da Omissão de Receitas com Base nos Depósitos Bancários (item 06, às folhas 844 a 850) Às folhas 844 a 850, faz o contribuinte, com escudo em posições doutrinárias e jurisprudenciais, a defesa da tese de que a existência de depósitos bancários não é causa, por si só, para a caracterização da omissão de receitas. Em análise da arguição posta, impõe se, desde já, bem caracterizar a existência de duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira como base para a caracterização da omissão de receitas. Estas duas realidades têm como delimitadores o artigo 6° da Lei n° 8.021/90 e o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõem: Lei n ° 8.021/90 Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.163 17 Lei nº 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O que distingue uma realidade da outra, portanto, é que a partir de 01/01/1997 (data em que se tomou eficaz a Lei n° 9.430/96), a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tomouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão não existia, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do parágrafo 5° e do caput do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Percebese, deste modo, que o que aproxima as duas realidades é a circunstância de que ambas conformamse como presunções legais; o que as distingue, entretanto, é o fato de que as duas presunções legais atribuem diferenciados ônus, em termos de provas, à autoridade fiscal. Temse, de um lado, uma presunção mais sumária, a do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, uma presunção de evidenciação menos célere, a do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, que atribui ao fisco não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas. As presunções estão, desde há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário esta a cargo do contribuinte , a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção são aquelas incorporadas ao artigo 281 do RIR/99 (mas que desde há muito estão incluídas na legislação fiscal): Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.164 18 n.” 1.598, de 1977, art. 12, § 2.”, e Lei n."9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A estas hipóteses vieram se juntar aquelas já acima indicadas incluídas no artigo 6º da Lei n° 8.021/90 e no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Feitas estas digressões, e evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento de presunções legais, cumpre que se diga que em relação aos anoscalendário fiscalizados (1997 a 2000), as contestações da contribuinte mostramse despropositadas pelo simples fato de que a existência de depósitos bancários não escriturados ou com origem não comprovada é, por si só, neste anocalendário, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. A jurisprudência juntada pela contribuinte, em nada a ajudam. É que como lá se pode ver, os acórdãos, muito embora prolatados depois da edição da Lei n° 9.430/96, se referem justamente a fatos geradores ocorridos no período anterior, quando vigia a Lei n° 8.021/90. De tal sorte, tais acórdãos estão aqui descontextualizados, e nada trazem que possa macular o feito fiscal. Da Multa Qualificada A Fiscalização fundamentou a aplicação da multa qualificada nas seguintes assertivas: A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA (150%) Por tudo que foi exposto, constatamos a atitude violadora da lei adotada pelo contribuinte ao omitir rendimentos cuja comprovação dáse através da infração acima demonstrada. Com isso, deixa de pagar o tributo devido que ora se exige, com a aplicação da multa qualificada de 150%, estatuída art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, estando presente um dos casos de evidente intuito "de fraude, definido no art. 71 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964: (verbis) Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.165 19 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decreto Lei n° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Adotou a lei penal brasileira, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isto significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Há a consciência da conduta (ação ou omissão) e o consequente resultado, propiciado por esta ação ou omissão. Sendo assim, face ao exposto acima, aplicamos a multa de oficio de 150%, de acordo com o inciso II do artigo 44 da Lei n°.9.430/96. A meu ver a acusação fiscal não conseguiu demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera recusa do fisco em aceitar as provas apresentados para comprovar a origem dos depósitos não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Diante da acusação da ocorrência de sonegação e fraude, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.166 20 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Observese que os tipos acima exigem que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que, na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/posterguem a ocorrência do fato gerador. Não consigo enxergar na espécie a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na declaração baseada em documentos falsos ou situação que se comprove inexistente. De se ressaltar que a juntada de extratos bancários para comprovar o empréstimo e o seu pagamento, além dos registros contábeis apresentados, não nos permite concluir que ali tenha havido falsidade intencional ou mesmo conduta deliberada de ludibriar o fisco. É esse entendimento que tem prevalecido nas decisões do CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Trago à colação recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente esse linha interpretativa: "MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada." (Acórdão nº 9202003.82708/ 03/2016) Mesmo se verificando que os documentos apresentados não serviram para afastar a imposição fiscal, devese considerar que para haver a imposição da multa qualificada, há de se demonstrar que a conduta teve caráter doloso, como é o caso de declarações de rendimentos ínfimos em relação ao apurado pelo fisco. Não deve prevalecer a qualificação, todavia, quando o sujeito passivo apresenta justificativas plausíveis para a origem dos valores depositados, que deixam de ser acatadas pelo fisco em razão do entendimento da falta de força probatória dos elementos trazidos pelo contribuinte. É essa a situação dos autos. Diante do exposto, entendo que a multa deve ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo devido. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.167 21 Conclusão Por todo o exposto, concluo o voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para (i) acolher, em parte, a preliminar de decadência, declarando extinto o crédito tributário referente ao anocalendário de 1997 e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para desqualificar a multa aplicada, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% do tributo devido. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.720155/2015-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO.
As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO.
A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 2402-006.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior.
Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO. A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 01 55 /2 01 5- 66 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 302 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de fls. 2 a 10, referente aos anoscalendário de 2009 a 2013, cuja ciência ao contribuinte se deu em 7/7/15, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 209. Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcrevemos os seguintes excertos do Acórdão nº 0267.073, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 256 a 268: De acordo com o Auto de Infração, fls. 02/208, o motivo da autuação foi o recebimento de lucros de empresa em débito não garantido perante o Fisco Federal e/ou Previdência Social (INSS), por falta de recolhimento de tributo no prazo legal. A distribuição de lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ) e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). Consta das fls. 14 a 27 dos autos, Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária – Grupo econômico – Fato gerador comum – Infração à lei – Lucros fictícios, onde a fiscalização detalha os passos seguidos e informa que durante os procedimentos de auditoria interna de DCTF previstos na IN RFB 1.110/2010, art. 8º, § 1º, realizados no contribuinte CBS (CNPJ 57.170.375/000117), verificouse que esse constitui uma única unidade administrativa e produtiva, sendo na realidade a mesma pessoa jurídica, ou ao menos levando a solidariedade à pessoa jurídica ELOS (CNPJ 04.868.082/000141). [...] O termo acostado às fls. 204 a 208 detalha a forma de aplicação da multa, legislação aplicável e cálculos efetuados para se chegar a seu montante e demais informações do procedimento realizado. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 210 a 234, alegando, em síntese que: Vício no auto de infração por inexistência de notificação para que o contribuinte prestasse esclarecimentos antes da autuação; Nulidade pela ausência de requisitos mínimos da autuação; Inexistência de repasse de valores; Possibilidade de realizar distribuição de capital pelo impugnante; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 303 3 Caráter confiscatório da multa aplicada. Ao julgar a impugnação, a DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, consignando a seguinte ementa em sua decisão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em DÉBITO, não GARANTIDO, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que houverem recebido as importâncias indevidas. INTIMAÇÃO PARA PRESENÇA DE PROCURADORES NO JULGAMENTO. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para a intimação para presença de procuradores em sessão de julgamento de primeira instância. A legislação de regência do processo administrativo fiscal não prevê a sustentação oral como meio de prova, ao contrário, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Cientificado da decisão de primeira instância, em 18/12/15, segundo o AR de fl. 272, o contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fls. 235 e 236), interpôs o recurso voluntário de fls. 274 a 293, em 15/1/16, no qual apenas repete e reforça argumentos da sua impugnação, nos seguintes termos, em síntese: DA INEXISTÊNCIA DE REPASSSE DE VALORES A AutoridadeFiscal autuou o Recorrente, todavia, não observou fatos que delineiam a não incidência na norma sob comento, notadamente em razão da falta de transferência de valores. O Recorrente por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo. Em razão da movimentação contábil, onde houve a transferência somente do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 304 4 realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. [...] Por meio dos argumentos lançados, verificamos que não houve a incidência do fato determinado pela lei, eis que o substrato fático necessário não se fez presente. A finalidade da lei é coibir a transferência de valores aos sócios em prejuízo ao ente tributante (União), fato que não ocorreu, determinando a insubsistência do auto. DA POSSIBILIDADE DE REALIZAR DISTRIBUIÇÃO DE CAPITAL PELO RECORRENTE [...] Quando pensamos na hipótese de incidência da norma, devemos observar que o lucro distribuído deve ser aquele do período do qual há o débito, não sendo cabível a imposição da multa, quando há distribuição de lucro anteriormente auferido pela pessoa jurídica que realizou a distribuição de lucro, como ocorreu no presente caso. Com isso, chegamos à conclusão de que a distribuição do lucro que foi obtido em momento anterior a existência do débito, não pode determinar a imposição de multa, porquanto o que se distribui é lucro pretérito, do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa. Quando aplicamos o entendimento acima apresentado, observamos que o ato jurídico perfeito está sendo respeitado, porque o direito já existia anteriormente, somente foi utilizado no momento ao qual o titular do direito entendeu ser melhor, como ocorreu no presente caso. [...] Os próprios débitos constituídos que determinam a aplicação da multa conforme consta do auto de infração são posteriores ao ano de 2011, o que por si só já determina a minoração da multa nos termos apresentados. Não bastasse isso, observamos que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal que preferiu impor a multa ao Recorrente. [...] Outro ponto que não foi observado para a imposição da multa é de que a ELOS não possuía qualquer débito para que o lucro não pudesse ser distribuído, o que retira da mesma forma a ilegalidade. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 305 5 A proibição legal quanto à distribuição de lucro é determinada pela lei, onde não há possibilidade de analogia ou interpretação extensiva para a aplicação da punição, onde a pena deve estar restrita ao agente não podendo passar da esfera desta. DO PERCENTUAL DA MULTA APLICADA O § 2º do Artigo 32 a Lei 4.357/1964, determina a imposição da multa limitada a 50% (cinquenta por cento) do débito não garantido, onde não houve qualquer critério para a aplicação da multa sob comento. De primeiro é necessário observar que a multa aplicada não observou os critérios objetivos da lei, porquanto não foi observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Ademais, os lucros distribuídos foram realizados pela importância de R$ 3.734.836,60 (Três Milhões, Setecentos e Trinta e Quatro Mil, Oitocentos e Trinta e Seis Reais e Sessenta Centavos), sendo que a multa aplicada somente ao Recorrente é superior ao dobro. Com a alegação acima formulada observamos o caráter de confisco da imposição da multa que é superior ao lucro transferido, o que determina desproporcionalidade da mesma. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada inexistência de repasse de valores Segundo o Recorrente, por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo, havendo, pois, somente a transferência do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. Em primeiro grau de julgamento, assim discorreu a DRJ quanto a alegada inexistência de repasses: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 306 6 Na peça de defesa, o contribuinte não questiona a caracterização do grupo econômico. Ele alega que não houve repasse de valores sendo que a empresa realizou somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo para o seu patrimônio passivo a longo prazo. No entanto, não são apresentadas provas cabais dessa alegação tais como cópias de livros Diário e Razão, acompanhados de toda a documentação que deu suporte às movimentações, de todas as empresas do grupo ou outros elementos suficientes a demonstrar a alegação. Junto a peça de defesa do processo principal, foram trazidos apenas balanços patrimoniais de vários anos da empresa Elos, onde fica demonstrado que essa empresa teve lucros significativos em todos os anos. Não foram trazidos os balanços das outras empresas do grupo econômico para permitir a análise completa do grupo. Os lucros recebidos foram declarados pelos sócios em suas declarações de ajuste anual. Assim, descabida a alegação de que não houve repasse e sim movimentação de um campo contábil para outro. Da transcrição acima, temse que o Recorrente não carreou aos autos, junto com sua impugnação, elementos de prova necessários para demonstrar sua alegação, tais como livros Diário e Razão de todas as empresas do grupo econômico, com os documentos das movimentações, ou outros elementos capazes de fazer a demonstração. Agora, com seu recurso voluntário, além de não fazer qualquer complementação probatória, o Recorrente se limita a repetir as alegações de sua impugnação. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu no presente caso. Ademais, com base nos documentos constantes dos autos, constatase que a empresa ELOS teve lucro nos anoscalendário sob exame e que o Recorrente declarou, em suas DAAs, fls. 28 a 71, ter recebido lucros dessa empresa. Sendo assim, mantemos a decisão de primeira instância quanto a esse item do recurso voluntário. Da alegada possibilidade de distribuição de capital Segundo o Recorrente, o lucro distribuído corresponde a lucro pretérito (2003 a 2008), do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa, uma vez que na época não tinha débito. Aduz, ainda, que o débito em questão diz respeito à empresa CBS e não deveria passar da esfera dessa. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 307 7 Pois bem, tendo em vista que o Recorrente repete as alegações recursais, sem trazer qualquer razão nova, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, transcreveremos, no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: A auditoria fiscal fundamentou o lançamento da multa regulamentar pela distribuição de lucros por pessoa jurídica em débito não garantido por falta de recolhimento de imposto no prazo legal nos artigos 889 e 975 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, os quais têm como matriz legal o artigo 32 da Lei nº 4.357, de 1964, alterado pela Lei nº 11.051, de 2004: [...] Notese que a condição legal que determina a aplicação da multa regulamentar consiste na existência de débito não garantido, que no caso concreto foi demonstrada pela autoridade fiscal que salienta na fl. 03 dos autos que a Distribuição dos lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ), e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). É importante esclarecer que a norma instituidora da citada multa dispõe que a pessoa jurídica estará impedida de distribuir lucro enquanto estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, de modo que a conduta vedada se aperfeiçoa no momento em que são distribuídos os lucros aos sócios, no caso, os anoscalendário 2009 a 2013. Quanto à expressão “débito não garantido”, temse que na legislação tributária federal, como regra, não exige garantia, ressalvadas algumas garantias previstas na legislação aduaneira e o depósito administrativo, que é uma faculdade do contribuinte, de forma que tendo o sujeito passivo efetuado o depósito ou prestado garantia por exigência da legislação tributária, estaria eximido da aplicação da penalidade de que se trata. Assim, deveria a pessoa jurídica, previamente à distribuição de lucros, procurar a Repartição Fazendária para prestar a garantia do débito de modo espontâneo, a fim de que não lhe fosse imputada ou a um de seus diretores, a penalidade de que ora se trata. Observase que a fiscalização realizou uma minuciosa pesquisa interna da situação cadastral, social e econômica das empresas do grupo e das atividades de industrialização desenvolvidas entre elas, demonstrando por meio do Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária, a união entre as empresas ali citadas. Os débitos das empresas estão descritos no referido termo, fls. 22/25, inclusive constando ali depoimentos dos próprios sócios Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 308 8 afirmando que a empresa DR recebe valores referentes a Elos e CBS (pé da fl. 24). Da leitura atenta desse termo, fica patente que as referidas empresas trabalham em uníssono e constituem um verdadeiro grupo econômico, sendo que os débitos para com a União ficam centralizados em uma empresa, enquanto se distribui os lucros aos sócios, por meio de outra. [...] A defesa alega também que para valer a norma essa deveria incidir sobre a distribuição do lucro que ocorre no período para o qual há débito e que por isso a distribuição de lucro obtido em momento anterior a existência do débito não pode determinar a imposição de multa. Afirma que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal. Também essa alegação não se sustenta. A interpretação da lei em comento é de que a empresa ou o grupo não pode distribuir lucros aos sócios estando, no momento dessa distribuição, com débitos não garantidos perante a União. Na lei não há referência sobre o momento da obtenção dos referidos lucros. A definição desses momentos (obtenção e distribuição) é uma prerrogativa da própria empresa e de seus sócios que definem essas datas de acordo com seu plano estratégico de administração e com sua conveniência. As meras alegações do impugnante a respeito das datas de distribuição dos lucros e dos valores que ainda teria a distribuir trazidos na peça de defesa, não tem o condão de modificar o lançamento aqui em análise que é conclusivo de que houve distribuição de lucros havendo débitos do grupo econômico não garantidos junto à União. Do percentual da multa aplicada O Recorrente alega que a multa aplicada não teria observado os critérios objetivos da lei”, porquanto não teria sido observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Alega, também, que teria sido aplicada multa em relação ao Recorrente em valor “superior ao dobro”, com caráter de confisco, o que determinaria a sua desproporcionalidade. Em que pese a defesa, aqui também não procedem as alegações recursais. Primeiramente, vajamos o que dispõe a Lei 4.357, de 16/7/64, com redação dada pela Lei 11.051, de 29/12/04, a respeito da multa ora em análise: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 309 9 Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: [...] b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº11.051, de 2004) [...] II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme se observa nos dispositivos acima, a multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros realizada em desacordo com o art. 32, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e seria desproporcional, impende ressaltar que o princípio do nãoconfisco, estabelecido na Constituição Federal de 1988, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico, por inconstitucional. Além do mais, independente do seu quantum, a multa, ora em análise, decorre de lei e deve ser aplicada, pela autoridade tributária, sempre que for identificada a subsunção da conduta à norma punitiva, haja vista o disposto no art. 142, § único, do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sendo assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade tributária aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos dela decorrentes. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa aplicada. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.003019/2010-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza por si só a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 9202-007.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza por si só a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
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MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza por si só a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 30 19 /2 01 0- 08 Fl. 705DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220201.502, proferido pela 2ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase Auto de Infração, de fls. 456/478, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física suplementar, acrescido de juros de mora, multa proporcional e multa isolada no valor total de R$ 328.420,81, calculados até 31/08/2010, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente aos exercícios 2006, 2007, 2008, 2009, anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008. O lançamento de crédito tributário foi apurado com base nos seguintes elementos: a) Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; b) Dedução indevida de dependente, c) Dedução indevida de despesas médicas, d) Falta de recolhimento do IRPF devido à título de carnêleão. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 481/489. A DRJ/SDR, às fls. 532/537, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 544/553. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 564/596, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 GLOSA DE DEDUÇÕES. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores lançados a título deduções do imposto de renda na Fl. 706DF CARF MF Processo nº 11060.003019/201008 Acórdão n.º 9202007.456 CSRFT2 Fl. 10 3 Declaração de Ajuste Anual, a exemplo de contribuições à previdência, dependentes, despesas com instrução, despesas médicas, pensão alimentícia judicial e livro caixa, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS INFORMAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DEVER DO CONTRIBUINTE – É dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. Desta forma, os rendimentos comprovadamente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO. IMPOSTO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnêleão), previsto no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA – É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações divergentes de dados levantados pela fiscalização e a simples falta de inclusão de rendimentos ou a inclusão indevida de deduções na Declaração de Ajuste Anual, mesmo que de forma reiterada e em grande monta, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Fl. 707DF CARF MF 4 A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso parcialmente provido. Às fls. 600/608, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: IRPF – desqualificação da multa de ofício. O acórdão a quo decidiu desqualificar a multa aplicada, por entender que a prestação de informações divergentes de dados levantados pela fiscalização e a simples falta de inclusão de rendimentos ou a inclusão indevida de deduções na Declaração de Ajuste Anual, mesmo que de forma reiterada e em grande monta, por si só, não caracterizaria evidente intuito de fraude a justificar a imposição de multa qualificada de 150%, prevista no §1º do artigo 44, da Lei n. 9.430/1996, pois não haveria conduta material suficiente para sua caracterização. O acórdão paradigma, em caso análogo ao presente, decidiu em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, por entender evidente o intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de omissão reiterada de receitas / rendimentos (prática sucessiva por mais de um anocalendário). Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 630/634, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: desqualificação da multa de ofício. Cientificado à fl. 638, o Contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração, às fls. 642/654, fundamentando seu pedido na redação do § 3º do art. 37 do Decreto 70.235, de 1972 À fl. 658, através de Despacho de Encaminhamento, restou informado: “Senhor Chefe de Equipe, Há documento em anexo neste processo denominado ‘Pedido de Reconsideração’, que não é uma possibilidade do Decreto 70.235/72 e do regimento interno do CARF. Desta forma, optamos por incluilo como contrarrazões, e proponho o seu envio ao CARF.” À fl. 661, foi remetido ao Contribuinte comunicado de débito, que, uma vez não regularizado no prazo informado, importaria em inclusão do contribuinte no Cadastro Informativo dos Créditos não quitados do Setor Público Federal – CADIN. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 11060.003019/201008 Acórdão n.º 9202007.456 CSRFT2 Fl. 11 5 Às fls. 663/664, o Contribuinte peticionou a fim de notificar a Secretaria da Receita Federal que, caso efetivasse as medidas contidas na notificação enviada, seria responsabilizado civilmente pela ilícita medida, com as penalidades cabíveis, requerendo ao final fosse o teor da notificação desconsiderada. À fl. 686, em novo Despacho de Encaminhamento, a Secretaria da Receita Federal dispôs: “O presente processo apresenta pendência de julgamento de Recurso Especial do Procurador da Fazenda. Retornou do CARF para saneamento quanto a débitos que estavam devedores. Verificase no processo que o interessado entrou com pedido de reconsideração, e que foi anexado ao processo como contrarrazões ao RE da PFN. Ocorre que o protocolo de referido pedido ocorreu fora do prazo legal de 15 dias para Apresentação de Contrarrazões e Recurso Especial. Considerando a intempestividade e baseado no RI do CARF onde em seu art 64, parágrafo único, que dispõe que das decisões do CARF não cabe pedido de reconsideração, efetuamos o desmembramento dos débitos mantidos pelo acórdão do recurso voluntário e estamos devolvendo o presente processo àquele órgão, para apreciação do RE do Procurador.” Às fls. 688/692, a 2ª Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao realizar o Exame de Admissibilidade do Pedido de Reconsideração apresentado pelo Contribuinte, NEGOU SEGUIMENTO ao Pedido, por absoluta falta de previsão legal, pois a atual redação do art. 37, do Decreto 70.235, de 1972, que estava em vigor quando do Pedido realizado pelo Contribuinte é a mesma que hoje vigora, porém, não contempla mais o Pedido de Reconsideração. Além disso, também não pôde ser conhecido como Recurso Especial, pois este deveria ter sido interposto no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ciência do Acórdão de Recurso Voluntário, o que não aconteceu. Desta decisão, o Contribuinte foi cientificado à fl. 701, vindo os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase Auto de Infração, de fls. 456/478, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física suplementar, acrescido de juros de mora, multa proporcional e multa isolada no valor total de R$ 328.420,81, calculados até 31/08/2010, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente aos exercícios 2006, 2007, 2008, 2009, anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008. O lançamento de crédito tributário foi apurado com base nos seguintes elementos: a) Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; b) Dedução indevida de dependente, c) Dedução indevida de despesas médicas, d) Falta de recolhimento do IRPF devido à título de carnêleão. Fl. 709DF CARF MF 6 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: desqualificação da multa de ofício. Todavia o acórdão recorrido enfrentou muito bem a matéria no tocante a existência ou não da fraude, analisando as provas constantes dos autos, afirmando que da análise dos autos do processo, é cristalina a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, unicamente pela alegação de que o contribuinte teria deixado de informar seus rendimentos corretos em vários exercícios seguidos, ou seja reiterada conduta. Contudo, cabe assinalar que multa é um tipo de penalidade. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, temse que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto é, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada livremente pelo fisco, pois este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, não logrou êxito em comprovar a inexistência do crédito em favor da Receita Federal. Todavia, tendo havido a imputação do débito e realizada a defesa por parte do contribuinte cabe a autoridade lançadora considerar ou desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova), e desconsiderandoas constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que para o relator a quo, que eu concordo, caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de rendimentos (depósitos bancários não justificados). Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou que não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, deve desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável no anocalendário questionado. Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 11060.003019/201008 Acórdão n.º 9202007.456 CSRFT2 Fl. 12 7 Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Pensar diferente levaria a ideia de que toda omissão de rendimentos seria caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta “omissão de rendimentos” não caracteriza o intuito de fraudar. E ainda, como bem salientou o acórdão recorrido, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das Declarações de Ajuste Anual, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. E aqui peço vênia para me utilizar dos exemplos utilizados pelo relator do Acórdão 210201.296, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o qual exemplifica que "não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada, tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, que justifique a imposição de multa qualificada". Isso ocorre por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, e até mesmo desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a exemplo da simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; da classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; da falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da simples glosa de despesas por falta de comprovação ou da falta de declaração de Fl. 711DF CARF MF 8 algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Assim, tomando como base os dispositivos legais atinentes a fraude fiscal, tenho que salientar que foi escorreito o acórdão recorrido ao citar que seu conceito esta delineado na leitura conjunta da Lei 4.502/64 nos arts 71,72 e 73, Lei 9430/96 em seu artigo 44, e Decreto 3000/99, art. 957. Disso se depreende que juridicamente, entendese por máfé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. E ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” (grifo nosso) Tomando o art. 112 do CTN como diretriz da aplicação de penalidades tributárias, insta salientar que a aplicação da multa agravada não deve ser tida como regra, mas sim como exceção nos casos de exclusiva comprovação fraude. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 11060.003019/201008 Acórdão n.º 9202007.456 CSRFT2 Fl. 13 9 Portanto, no caso em tela não há nos autos prova de que o contribuinte tenha de fato cometido fraude, o que fica nítido é que omitiu seus rendimentos desrespeitando assim o disposto na Lei que regulamenta o IRPF, e embora tenha ocorrido de forma repetida, considero que a simples reiteração não é suficiente para majoração da multa e o fato da contribuinte não apresentar novas provas não significa que tenha agido a fim de prejudicar o trabalho da fiscalização. Contudo não tendo sido comprovada a fraude, está correto o enquadramento legal aplicado ao caso pelo acórdão recorrido, devendo, portanto, ser mantido o lançamento de ofício realizado pela Receita Federal com exclusão tão somente da aplicação da multa qualificada, devendo ser reduzida a multa de 150% para 75%, nos termos legais. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 713DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.000869/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DIMOB. ANO-CALENDÁRIO 2005. MULTA POR ATRASO. IMÓVEIS PRÓPRIOS. INEXIGIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Não estavam obrigadas à apresentação da DIMOB do ano-calendário de 2005 as pessoa jurídica dedicadas à administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, sendo incumbência da fiscalização o ônus da prova quanto à existência de imóveis constantes da referida DIMOB pertencentes a terceiros. Não havendo tal comprovação, deve-se cancelar a exigência fiscal em debate.
Além do mais, pelo exame das provas existentes nos autos, verifica-se, de fato, que os imóveis relacionados na DIMOB/2005 são de propriedade da recorrente.
Numero da decisão: 1301-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa aplicada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Recorrente COLONIAL ADMINISTRADORA E PARTICIPAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DIMOB. ANOCALENDÁRIO 2005. MULTA POR ATRASO. IMÓVEIS PRÓPRIOS. INEXIGIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Não estavam obrigadas à apresentação da DIMOB do anocalendário de 2005 as pessoa jurídica dedicadas à administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, sendo incumbência da fiscalização o ônus da prova quanto à existência de imóveis constantes da referida DIMOB pertencentes a terceiros. Não havendo tal comprovação, devese cancelar a exigência fiscal em debate. Além do mais, pelo exame das provas existentes nos autos, verificase, de fato, que os imóveis relacionados na DIMOB/2005 são de propriedade da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa aplicada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 08 69 /2 00 7- 70 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10320.000869/200770 Acórdão n.º 1301003.645 S1C3T1 Fl. 226 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0827.313, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Tratase de notificação de lançamento através da qual foi exigida multa por atraso na apresentação da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do ano calendário 2005, obrigação acessória apresentada a destempo, em face do que veio a lume o lançamento da penalidade pecuniária neste processo tratada, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), fl. 13. Em 23/05/2007, o sujeito passivo impugnou o lançamento sob o argumento de que, em razão da atividade exercida, até o ano calendário 2005 não se encontrava obrigado à apresentação da declaração. Segundo a defendente, regendo os eventos ocorridos em 2005 encontravase em vigor a Instrução Normativa SRF n° 576, de 01/12/2005, que não previa tal obrigatoriedade. Referido norma foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 694, de 13/12/2006, aplicável a partir do anocalendário 2006, dispositivo legal que tornou obrigatória a apresentação da DIMOB para as pessoas jurídicas constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, hipótese em que se enquadrava a requerente que, dessa forma, passou a se sujeitar à apresentação da declaração. Ainda consoante a defesa, a transmissão da DIMOB do ano calendário 2005 deuse em razão de orientação contida na versão 2.0 do PGD, fl. 17, disponibilizada para a apresentação da declaração do anocalendário 2006. Assim, além da declaração do anocalendário 2006, elaborou e transmitiu também a do anocalendário 2005, objeto da notificação de lançamento em apreciação. O processo foi colocado em pauta em sessão realizada em 04 de maio de 2012. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10320.000869/200770 Acórdão n.º 1301003.645 S1C3T1 Fl. 227 3 Na ocasião, deuse a conversão do julgamento em diligência, editandose a Resolução nº 08002.376, determinandose o encaminhamento do processo à DRF São Luís/MA, de modo que fosse investigada a titularidade dos imóveis constantes da DIMOB do anocalendário 2005, fls. 25/34, devendo a Unidade Local informar se alguma das unidades locadas pela pessoa jurídica autuada pertenceria a terceiros. Ao final dos trabalhos deveria ser apresentado relatório conclusivo, com a possibilidade de serem acrescentadas outras informações consideradas relevantes para o deslinde da questão. Objetivando o atendimento da demanda, a chefia da Seção de Controle e Acompanhamento do Crédito Tributário (SACAT/DRF/SLS) elaborou correspondência, fl. 42, em que solicitou à COLONIAL ADMINISTRADORA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 07.087.281/000100, a apresentação da documentação comprobatória da propriedade dos imóveis relacionados na DIMOB em questão. Em resposta, a demandada apresentou correspondência, fls. 44/45, relacionando os documentos àquela oportunidade disponibilizados à Administração Tributária, os quais, a seu ver, seriam suficientes para a comprovação de que as locações objeto da DIMOB referemse a imóveis próprios. Foram apresentadas cópias dos seguintes documentos: • 5º Aditivo ao Contrato Social, datado de 20/09/1994, com a especificação do objeto social da empresa, em vigor até 21/12/2007, data a partir da qual foi ampliado, conforme registrado no 15º Aditivo ao Contrato Social, fls. 57/58; • certidão da propriedade do imóvel situado à Rua Oswaldo Cruz, 415, São Luís/MA, um Shopping Center cujas unidades imobiliárias teriam sido locadas a terceiros, fls. 47/56; e • documentos de arrecadação do IPTU, expedidos pela Prefeitura Municipal de São Luís em nome da impugnante, referentes às unidades do Shopping Center objeto das locações, fls. 59/65 e 67/109. Após promover a juntada dos documentos ao processo, em 11/04/2013 a SACAT/DRF/SLS devolveu o processo à esta DRJ Fortaleza, para conhecimento e prosseguimento. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a impugnação, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10320.000869/200770 Acórdão n.º 1301003.645 S1C3T1 Fl. 228 4 DIMOB. ANOCALENDÁRIO 2005. MULTA POR ATRASO. IMÓVEIS PRÓPRIOS. INEXIGIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Não estavam obrigadas à apresentação da DIMOB do ano calendário de 2005 as pessoa jurídica dedicadas à administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, situação suscitada pela defesa. Sabendose, contudo, ser incumbência da parte acusada o ônus da prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alegado pelo autor e não tendo sido apresentada documentação comprobatória suficiente para a comprovação do afirmado, deve ser mantida a exigência fiscal em debate. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento em duas ocasiões, ambas, via correios, e recebidas pela Sra. Ailda Moura de Sousa. A primeira ocorreu em 06/01/2014 (fl. 130) e a segunda na data de 14/02/2014 (fl. 221). O recurso voluntário foi apresentado em 14/03/2014, o que motivou a lavratura de Termo de Perempção de fl. 218, sem, contudo, conter registro de data e assinatura. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Tempestividade Com referência à tempestividade, considero que a intimação do contribuinte acerca do resultado do julgamento de primeira instância ocorreu na data de 14/02/2014 (fl. 221). Sendo o recurso protocolizado em 14/03/2014 (fl. 216), devese considerar o recurso tempestivo. Como atende aos demais pressupostos regimentais de admissibilidade, conheço do recurso e passo a apreciar suas razões. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatado, tratase da notificação de lançamento de fl. 13, através da qual exigese multa por atraso na apresentação da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário 2005, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) Analisando o conteúdo do recurso voluntário e os termos da decisão recorrida, verifico que ambos concordam com a assertiva de as pessoas jurídicas que realizem atividades de construção, administração, locação ou alienação de imóveis próprios não estão obrigadas à apresentação da DIMOB para os eventos verificados no anocalendário 2005. Logo, o cerne da discussão está na insuficiência de documentação que comprove a titularidade dos imóveis constantes da DIMOB relativa ao anocalendário de 2005, se são próprios da recorrente ou pertencem a terceiros, e, ao meu ver, quem possui o ônus de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10320.000869/200770 Acórdão n.º 1301003.645 S1C3T1 Fl. 229 5 prova a respeito dessa titularidade, posto que a pretensão do contribuinte de cancelamento da multa aplicada só foi indeferida por ausência de provas quanto à propriedade dos imóveis relacionados na citada DIMOB. Transcrevese, neste particular, o ponto da decisão recorrida: É sabido ser incumbência da parte acusada o ônus da prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alegado pelo autor (art. 333, inc. II da Lei nº 5.869, de 1973, o Código de Processo Civil). Também é sabido que a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (art. 16, inc. III do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal – PAF). Assim, não basta alegar serem próprios os imóveis elencados na DIMOB objeto da autuação fiscal. Além do direito suscitado, é dever da impugnante a apresentação de provas documentais que se mostrem suficientes para elidir qualquer dúvida quanto à propriedade dos imóveis relacionados na DIMOB do anocalendário 2005 o que, como demonstrado, não se faz presente no caso em julgamento. Conclusão Ante o exposto, observados os fatos e a legislação apresentados, VOTO pela improcedência da impugnação. Compulsando os autos, em especial parte da DIMOB em referência, ficha 02 (fls. 25/34), os imóveis relacionados são todos situados na Rua Oswaldo Cruz, nº 415, São Luis/MA. Não encontro nenhuma prova produzida pela Administração Fazendária, no sentido de apontar indício de que estes imóveis pertencem a terceiros. Aliás, foi com este propósito, que o julgamento em primeira instância foi convertido em diligência, com retorno à Unidade de Origem, para que fosse investigado, ou seja, até aquele não se tinha prova produzida nesse sentido, a titularidade dos imóveis constantes na DIMOB em referência, inclusive com expresso pedido de que fosse informado se algumas das propriedades locadas pertenciam a terceiros. Confirase os termos da conclusão da Resolução nº 08002.376, de 04 de maio de 2012: Conclusão 13. Ante o exposto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, VOTO pela conversão do julgamento em diligência, com o retorno dos autos à DRF SLS/MA, de modo que seja investigada a titularidade dos imóveis constantes da DIMOB do anocalendário 2005, fls._25/34, informando se alguma das propriedades locadas pertence a terceiro. Ao final dos trabalhos, deve ser apresentado relatório conclusivo, podendo serem acrescentadas outras informações consideradas relevantes para o deslinde da questão. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10320.000869/200770 Acórdão n.º 1301003.645 S1C3T1 Fl. 230 6 Objetivando o atendimento da demanda, ao invés de dar efetividade à solicitação, no sentido de investigar a propriedade dos citados imóveis, cujos endereços encontram consignados no documento, a autoridade diligenciante elaborou correspondência de fl; 42, em que solicitou à autuada a apresentação comprobatória da propriedade dos bens imóveis relacionados. Em resposta, foi apresentado os documentos que se entendeu, pelo menos nos olhos da autuada, suficientes para comprovar a propriedade dos citados imóveis, ou seja, todos eles pertenciam ao contribuinte. Não sei se com tal iniciativa, pretendia a fiscalização, com o devido respeito, "encurtar" o seu trabalho de investigação, porém, o fato é que não se provou que tais imóveis pertenceriam a terceiros, o que, a meu ver, já seria suficiente para cancelar a multa aplicada. Mas não é só. Pelo exame das provas existentes nos autos, os imóveis relacionados na DIMOB/2005, referemse a lojas inseridas dentro de um único centro comercial (shopping center), situado na Rua Osvaldo Cruz, nº 415, cidade de São Luis/MA, de propriedade da recorrente. A prova de propriedade do referido imóvel está consubstanciada na matrícula do imóvel acostada aos autos, matrícula nº 43.579, expedida pela 1º Cartório de Imóvel da cidade de São Luis/MA, onde consta no Registro nº 01 Incorporação ( fl.57) que o imóvel pertence à recorrente desde 13/09/1996, ou seja, bem antes do período fiscalizado em análise. (...) Portanto, não há que prevalecer o entendimento da decisão recorrida, que desconsiderou a matrícula de registro do imóvel, em face do simples fato da averbação da obra do prédio comercial e habitese possuírem data de 11/07/2012 e 04/06/2012, respectivamente. Ora, o fato do habitese ou da averbação terem sido realizados eventualmente em momento posterior ao registro da propriedade do imóvel, em nada altera a titularidade dos aludidos imóveis, pois tratase de mera regularização da construção, vez que o habitese nada Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10320.000869/200770 Acórdão n.º 1301003.645 S1C3T1 Fl. 231 7 mais é que um documento que comprova que um empreendimento ou imóvel foi construído seguindose as exigências do código de posturas local. Uma outra conclusão equivocada e que deve ser afastada, diz respeito à atividade da recorrente. Em suas razões, conclui a DRJ que houve ampliação da atividade da recorrente, com divisões de CNAE, e que somente em 2007 começouse a explorar as atividades de imóveis próprios. Contudo, não é isso que se vê pelo exame do contrato social da recorrente, alterado em 20/09/1994, e que previa em seu objeto social a administração de patrimônio próprio (fls. 47/48). A Clausula 2ª do 5º Aditivo Social assim dispunha: "Administração de imóveis em geral, inclusive Shopping Center e ou Centros Comerciais, de condomínios, de bens próprios, e assessoria técnica e financeira empresarial". Ressaltese que, de acordo com a informação da recorrente, não contestada, o objeto social acima descrito vigorou de 20/09/1994 até 21/12/2007, quando, a partir de então, começou a vigorar o 15º Aditivo ao Contrato Social (fls. 50/56). Portanto, por ambos fundamentos, cancelase a multa aplicada. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa aplicada. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.905150/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ATP CONSTRUTORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 51 50 /2 00 9- 28 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10580.905150/200928 Acórdão n.º 3201004.456 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP com lastro em pagamento indevido ou a maior de PIS. A DRF/Salvador emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débito declarado da empresa, não restando direito creditório disponível. Após ser cientificado do referido despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Alegou, em síntese, que: a) o recolhimento a maior da contribuição decorre do fato de a variação monetária passiva ter sido maior que a receita; b) o Dacon e a DCTF retificadores indicam o valor real da apuração das contribuições, restando comprovada a existência do crédito; c) não efetuou a errata informando a transmissão da retificadora, porque o sistema da RFB não aceita proceder à retificação de Per/Dcomp que já tenha sido objeto de decisão administrativa; d) em respeito ao princípio da verdade material, não se pode negar a existência do direito creditório comprovado por Dacon/DCTF retificadores, que indicam todos os recolhimentos efetuados e os débitos do período para compor o saldo; e) existem nos autos elementos de prova que demonstram o erro cometido pela contribuinte em sua declaração. Após exame da defesa apresentada a DRJ/Belo Horizonte proferiu o acórdão 02058.191, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10580.905150/200928 Acórdão n.º 3201004.456 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.446, de 27/11/2018, proferido no julgamento do processo 10580.905139/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.446): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência de variação monetária passiva superior à receita do período. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, constatou a inexistência do referido débito e apresentou DACON e DCTF retificadoras. Assim, insiste, em sede recursal, que as declarações retificadoras são prova fidedigna do erro incorrido, devendo as informações nelas constantes serem tidas por verdadeiras na análise do indébito. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Como se verifica pelo exame dos autos, a retificação da DCTF foi promovida pela Recorrente posteriormente à ciência do despacho decisório que deixou de reconhecer o crédito postulado. Desse modo, compete à Recorrente fazer prova do direito postulado. Não se nega, a rigor, que o erro no preenchimento de declarações ao Fisco podem ser corrigidos em sede de contencioso administrativo, em face do que propugna o princípio da verdade material. Contudo, tal correção imprescinde de comprovação do erro alegado, devendo esta ser feita por meio dos documentos contábeis do contribuinte e não meramente pela retificação das declarações prestadas. E, na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado. Ademais, ressalta a decisão DRJ que, não obstante a retificação da DCTF e da DACON realizadas posteriormente à ciência do despacho decisório, a DIPJ retificadora apresentada informações divergentes. Logo, nem mesmo a DIPJ do contribuinte poderia ser invocada como comprovação do erro incorrido. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.905150/200928 Acórdão n.º 3201004.456 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. A título informativo, cumpre esclarecer que não seria possível a informação da transmissão das declarações retificadoras em Per/Dcomp retificador. Como o contribuinte retificou suas declarações somente após a ciência do despacho decisório segundo afirma, para informar a correta apuração da contribuição , cabia a ele, conforme já exaustivamente exposto, trazer aos autos os documentos que demonstrassem e comprovassem a nova apuração. Pelo exposto, não obstante a alegação de erro no preenchimento das declarações prestadas à RFB, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917928/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2000
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente MULTI OPTICA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2000 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 79 28 /2 00 9- 09 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 3 2 As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado anteriormente identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de PIS que teria sido recolhido a maior. A Derat/RJO, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF pelo contribuinte. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (...), na qual alega que: Incluiu no cômputo da receita bruta auferida (...) valores auferidos com vendas para a Zona Franca de Manaus. Foi justamente a quantia recolhida indevidamente, levandose em conta as vendas para a Zona Franca de Manaus, que a Requerente utilizou para fins de compensação com o débito indicado no PER/DCOMP. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos contribuintes que porventura recolhem tributos indevidos ou a maior, há a possibilidade de reaverem esses valores por meio da repetição do indébito, de acordo com o art. 165, caput e inciso I, do CTN. O referido pagamento a maior devese, inicialmente, ao erro cometido pela Requerente ao pagar indevidamente o DARF para o recolhimento do tributo. Quanto às notas fiscais de venda, a Requerente pugna pela posterior juntada aos autos, uma vez que o exíguo prazo a impede de fazer a anexação nesse momento. O Código Tributário Nacional positiva expressamente a regra segundo a qual devem ser devolvidos ao contribuinte os valores por este pagos em virtude de pagamento a maior de tributos. A restituição constitui uma obrigação por parte de quem recebeu o pagamento indevido, e se impõe à Administração Tributária sempre que o contribuinte pagar a maior ou indevidamente um determinado tributo, de acordo com o estabelecido nos artigos 165 e seguintes do CTN. O direito de restituir o tributo pago de forma indevida é imperativo não só do CTN, mas também da Constituição da República. O direito do contribuinte de ressarcimento do indébito tributário, seja via restituição, seja via compensação, fundase em sólidas raízes constitucionais, sendo um corolário dos direitos à propriedade e ao devido processo legal, bem como dos princípios da legalidade e da moralidade. No que tange ao direito material propriamente dito, não recolhimento de PIS e COFINS nas saídas para a Zona Franca de Manaus é importante salientar tratarse de área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos especiais, estabelecidas com a finalidade de criar no interior do Estado do Amazonas um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento. Para implementação e manutenção do projeto na Zona Franca de Manaus, foi determinado que a "exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro." (artigo 4°, do DecretoLei n.° 288, de 28.02.67). Tais características permaneceram mesmo sob a égide da Nova Carta, uma vez que, consoante o artigo 40, do ADCT, a Zona Franca de Manaus ficou mantida como área de livre comercio e de incentivos fiscais. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 5 4 Vale dizer que as saídas de produtos destinados a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, consideradas exportação. Concluise, desta forma, as saídas destinadas à Zona Franca de Manaus recebem igual tratamento tributário dispensado as vendas ao exterior. Ou seja, sobre as saídas destinadas à ZFM, não há que se falar em tributação pelas contribuições PIS e COFINS. A legislação evoluiu de tal forma que a considerar isentas do PIS e da COFINS as saídas para a Zona Franca de Manaus. Isto porque, inicialmente tentouse por meio da Medida Provisória n.° 1.8586, excluir da isenção da COFINS e da Contribuição ao PIS estas operações. A teor do disposto no artigo 14 da MP 1.8586, as receitas auferidas com base nas vendas de mercadorias para o exterior não seriam isentas da Contribuição ao PIS. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 07.12.2000, deferiu Medida Cautelar nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 2.348, para o fim de suspender deste dispositivo legal a expressão que excluía da isenção do PIS, as receitas oriundas das vendas para estabelecimentos na Zona Franca de Manaus. Portanto, como nos termos do Decreto n.° 2.346/97, as decisões do Supremo Tribunal Federal que expressamente declarem a inconstitucionalidade de norma legal deverão ser observadas por toda a Administração Pública Federal. Em decorrência, foi editada a MP n°2.15835 que assim prevê: "Art. 14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) 2° As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)" Logo, a aplicação da legislação vigente, MP n° 2.15835, é categoricamente no sentido segundo o qual as saídas para a ZFM não são tributadas pela COFINS e pelo PIS. Destarte, é patentemente obrigatória e devida, por todos os motivos demonstrados, a repetição do indébito ora requerida. Aos valores indevidamente pagos, os quais ora requerse sejam repetidos, deve incidir a correção pela taxa SELIC, nos termos da Norma Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 07.06.97. A Autoridade Prolatora do Despacho Decisório cuja reforma se pretende baseouse apenas na DCTF. Mas, como mencionado anteriormente, o direito ao crédito é inegável, não se podendo Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 6 5 negálo apenas e tão somente porque na DCTF encontrase a informação de pagamento realizado como exigido à época de sua entrega. Houve mudança de regramento e, portanto, neste cenário, as peculiaridades do caso devem ser analisadas consideradas, não se podendo exigir retificação da DCTF, até porque a Requerente não mais pode fazêlo, haja vista o transcurso do prazo. Ante todo o exposto, requere o acolhimento da preliminar de nulidade da decisão atacada. Ultrapassada a preliminar antes referida, no mérito, seja acolhida a manifestação de inconformidade, para reformar parcialmente a decisão combatida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 12051.179, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.700, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.917927/200956, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.700): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 8 7 Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem, constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 9 8 preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 10 9 documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 11 10 proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.932411/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 11 /2 00 9- 70 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10980.932411/200970 Acórdão n.º 3301005.462 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.285, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10980.932411/200970 Acórdão n.º 3301005.462 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 464DF CARF MF
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