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Numero do processo: 10925.002581/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE.
A autoridade competente para a emissão do despacho decisório e do auto de infração é a da circunscrição da contribuinte, nos termos das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal.
DESISTÊNCIA.
É despicienda a análise quanto ao pedido de desistência, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade do auto de infração ou da decisão de primeira instância se todos os dispositivos legais foram indicados no auto de infração, não se cogitando, pois, de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE. CONFUSÃO PROCESSUAL.
Não se verifica a confusão processual, mesmo após a reunião de processos, se a recorrente pode se defender adequadamente de cada um dos autos de infração autuados sob os processos reunidos.
ADESÃO A PARCELAMENTO. MP 303/2006.
A MP nº 306/2006 não foi convertida em lei e dispositivo que não constava dela originariamente não teve eficácia para fins de caracterizar a desistência quanto a compensações declaradas.
ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. MULTAS.
O princípio da anterioridade nonagesimal não é aplicável às leis instituidoras de multas tributárias.
IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO.
Devem ser afastadas as multas aplicadas com base em legislação posterior à data da entrega das declarações de compensação.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. APLICAÇÃO.
A prestação de informação falsa no preenchimento de Declaração de Compensação Eletrônica, com o fim de forçar sua transmissão e respectiva compensação, caracteriza situação prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, o que enseja a aplicação da multa de ofício isolada qualificada no percentual definido no § 1º do inciso I do 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sobre o débito indevidamente compensado.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. EFEITOS.
Permanecendo inalterada a penalidade caracterizada no auto de infração, mesmo após as alterações promovidas na legislação de regência, é plenamente aplicável a multa imputada.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO.
Não há que se falar em cumulação entre multa isolada por prestação de informação falsa em PER/DCOMP e multa de ofício em face de débitos declarados indicados para compensação.
Numero da decisão: 1201-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
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TRANSPORTES COLETIVOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE. A autoridade competente para a emissão do despacho decisório e do auto de infração é a da circunscrição da contribuinte, nos termos das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. DESISTÊNCIA. É despicienda a análise quanto ao pedido de desistência, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do auto de infração ou da decisão de primeira instância se todos os dispositivos legais foram indicados no auto de infração, não se cogitando, pois, de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. CONFUSÃO PROCESSUAL. Não se verifica a confusão processual, mesmo após a reunião de processos, se a recorrente pode se defender adequadamente de cada um dos autos de infração autuados sob os processos reunidos. ADESÃO A PARCELAMENTO. MP 303/2006. A MP nº 306/2006 não foi convertida em lei e dispositivo que não constava dela originariamente não teve eficácia para fins de caracterizar a desistência quanto a compensações declaradas. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. MULTAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 81 /2 00 5- 69 Fl. 4926DF CARF MF 2 O princípio da anterioridade nonagesimal não é aplicável às leis instituidoras de multas tributárias. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. Devem ser afastadas as multas aplicadas com base em legislação posterior à data da entrega das declarações de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. APLICAÇÃO. A prestação de informação falsa no preenchimento de Declaração de Compensação Eletrônica, com o fim de forçar sua transmissão e respectiva compensação, caracteriza situação prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, o que enseja a aplicação da multa de ofício isolada qualificada no percentual definido no § 1º do inciso I do 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sobre o débito indevidamente compensado. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. EFEITOS. Permanecendo inalterada a penalidade caracterizada no auto de infração, mesmo após as alterações promovidas na legislação de regência, é plenamente aplicável a multa imputada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO. Não há que se falar em cumulação entre multa isolada por prestação de informação falsa em PER/DCOMP e multa de ofício em face de débitos declarados indicados para compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Fl. 4927DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 3 3 Adotase o relatório da Resolução nº 3402000.746 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, de 27 de janeiro de 2016, com os complementos necessários: Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o auto de infração de fls 60 a 138, cujo objeto é a aplicação de multa isolada em razão de compensações (PERD/COMPS) de COFINS. O processo é longo, pois além de ter sido nestes autos juntado o Processo Administrativo (“PA”) n. 10925.002585/200547 (representação para fins penais), também os Processos n. 10925.002582/200511 (multa isolada por compensação indevida de PIS) e n. 10925.002583/200558 (multa isolada por compensação indevida de IRRF) foram anexados, nos termos da Portaria SRF n. 6129 de 02/12/2005, haja vista serem exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes às multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada (fls. 1403 e 1405). Ainda, o processo foi indevidamente distribuído ao Segundo Conselho de Contribuintes, que em 19/09/2007 declinou da competência, tendo sido redirecionados os autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Já perante a autoridade julgadora supostamente competente, o processo foi baixado em diligência duas vezes, para dirimir questões referentes aos atos praticados pelo Contribuinte, inclusive pela juntada de documentos. Diante desse cenário, bem como dos numerosos fatos e provas trazidos aos autos, todos importantes para o deslinde do julgamento, proponho a seguinte resumo do caso, de acordo com os principais atos praticados no decorrer do processo: Auto de infração O auto de infração em apreço diz respeito a cobrança de multa exigida isoladamente, no valor de R$ 19.946.449, 62, cuja lavratura ocorreu em 30/11/2005 e a ciência do contribuinte em 12/12/2005. A multa isolada foi cobrada em razão de compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, com datas de 30/06/2004, 28/02/2005, 31/07/2005, 31/08/2005 e 31/10/2005, com base no artigo 18 da Lei 10.833, e sua redação dada pelo artigo 25 da Lei n. 11.051/2004. Tal multa foi aplicada com a alíquota qualificada de 150%, haja vista que a autoridade fiscal entendeu que as condutas praticadas pelo contribuinte eram fraudulentas. No Relatório de atividade fiscal (fls 78), já transcrito diversas vezes neste processo, podese encontrar com riqueza de detalhes o histórico dos atos praticados pelo contribuinte, relativamente a tentativas de compensação de tributos federais. Constatase que, num primeiro momento, foram feitas PERD/COMPs pelo Contribuinte, ora Recorrente, pelo site da Receita Federal. Tais compensações foram analisadas nos processos 10925.000973/200593, 10925.000974/200538, 10925.000976/200527 e 10925.000978/200516. Fl. 4928DF CARF MF 4 Porém, antes do início da revisão das declarações de compensação, o contribuinte apresentou declarações retificadoras, para incluir multa e juros nos débitos compensados (fls 88). Os créditos utilizados encontramse descritos nas tabelas de fls 94. Então a fiscalização passa a apontar os elementos que caracterizariam a fraude praticada pelo Contribuinte (fls 98) nesta primeira tentativa de compensação via “ativação de créditos pagos”. Valhome das palavras da Delegacia da Receita Federal, em resposta à diligência solicitada por este Conselho de fls 4733 a 4736, sobre esse ponto: Destes fatos, os quais, realço desde já, nunca foram atacados pelo Contribuinte, a fiscalização conclui no relatório de atividade fiscal, que (fls 116): Muito embora o Contribuinte não tenha em nenhum momento desmentido tais fatos, desde o início da fiscalização afirmou que efetuara pedidos de cancelamento/desistência destas compensações no dia 09/03/2005, os quais teriam sido recepcionados em papel por servidora da Agência da Receita Federal de Caçador/SC. Tal pedido de desistência tornouse o ponto nevrálgico do deslinde de presente controvérsia, como se demonstrará mais a frente. Na visão da autoridade fiscal, a afirmação da desistência das compensações em 09/03/2005 – nunca recepcionado pelos órgãos internos competentes da DRF constitui tentativa do contribuinte se eximir da responsabilidade (fls 121). Afirma então que o contribuinte foi intimado do início da Revisão de Declaração e Compensação em 31/03/2005, tendo enviado seu pedido de cancelamento de declaração de Compensação PERD/COMP somente em 06/04/2005 (fls 121). Assim não estava mais aberta a possibilidade de denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”), e mesmo que estivesse, não houve recolhimento do tributo devido e dos juros de mora. Fl. 4929DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 4 5 Pois bem. Posteriormente foi feita pelo Contribuinte a apresentação de novos pedidos eletrônicos de compensação, através de PERD/COMP, datados a partir de 25/07/2005, em relação aos débitos das declarações anteriormente “canceladas” (na visão do contribuinte) ou “consideradas não declaradas” (na visão da Receita Federal), dentre outros créditos e débitos. Ademais, a Fiscalização aponta que nessas novas compensações buscavase utilizar: i) débitos que já haviam sido enviados para Procuradoria da Fazenda Nacional (”PFN”) inscritos em dívida ativa; ii) débitos parcelados no PAES; iii) débitos não homologados nas compensações anteriores; iv) créditos de terceiros, que não se referem a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal; Estas compensações também foram consideradas não declaradas pela Receita Federal em suas decisões, com base no artigo 74, §3º, incisos III, IV, V e VI; §12, “a” e “c” da Lei 9430/96. Com relação ao item iv a autoridade fiscal aponta fraude (artigo 72 da Lei n. 4.502/64) do contribuinte (fls 129). Isto porque, muito embora tenha havido informação nas declarações do contribuinte que os créditos que possuía eram decorrentes de pagamento a maior ou indevido em processo administrativo n. 13807.0006828/200470, ele não consta como parte desse processo. Ao não colocar na declaração de compensação que o crédito era oriundo de decisão judicial, porque assim o sistema não rejeitaria automaticamente seu pedido (ele pede a data do trânsito em julgado da decisão), teria incidido em fraude. Outrossim, o contribuinte não está no polo ativo da citada ação judicial. Tudo de forma contrária ao que determinava a IN/SRF 517/2005 em seu artigo 3º. Conclui a autoridade fiscal então que o contribuinte apresentou informações falsas ao fisco, à medida que a divergência entre o conteúdo declarado e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital, e acarreta a evasão de tributo (fls 159). Assim, aplica a multa agravada do artigo 44, inciso II da Lei n. 9430/96, vale dizer, de 150% por haver evidente intuito de fraude. Razões da Impugnação (fls 1372) Basta que reste brevemente consignadas as alegações do Contribuinte em suas Impugnações, uma vez que todas foram novamente trazidas em sede de Recurso Voluntário, com alguns ajustes, e serão, portanto, devidamente analisadas mais a frente. Pois bem, com relação às primeiras declarações de compensação, o então impugnante afirmou que foram canceladas em 03/09/2005, portanto antes do início do procedimento de fiscalização. Assim, teria havido denúncia espontânea da infração, a qual não pode ser desconfigurada pelo fato de não ter havido concomitante pagamento da dívida, pois não há comando normativo nesse sentido. Já no que tange às segundas compensações, alega que i) os débitos que se pretendia compensar não estavam inscritos em dívida ativa, uma vez que tais inscrições tinham sido canceladas; ii) os débitos que encontravamse no bojo do PAES só lá estavam por erro da Receita Federal; iii) não se pode falar em débitos oriundos de compensações não homologadas, pois as compensações anteriores foram canceladas; iv) o crédito em questão não é de terceiro, mas sim próprio, uma Fl. 4930DF CARF MF 6 vez que o contribuinte configura, ao lado da empresa P&P Porciúncula Participações Ltda. como parte do processo administrativo indicado na declaração de compensação; v) os créditos utilizados na compensação (sobretaxa do Fundo Nacional de Telecomunicação) são “receitas da União” e há legislação que permite concluir pela sua restituição no âmbito da Receita Federal. Alega ainda a incompetência da autoridade que imputou a multa isolada (DRF São Paulo), que não é a mesma daquela que proferiu os despachos decisórios e competente para a apreciação das manifestações de inconformidade (DRF Joaçaba). Acórdão da DRJ n. 078.562 Em 8 de setembro de 2006, a DRJ julgou a impugnação, refutando todos os argumentos apresentados pelo contribuinte. A decisão encontrase estampada na seguinte ementa: Razões do Recurso voluntário Tendo sido integralmente mantida a multa isolada pela DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho, sob os argumentos “preliminares” de: i) Incompetência da autoridade que proferiu os despachos decisórios referentes às compensações em questão (DRF de Joaçaba/SC) e lavrou o presente auto de infração para cominação de multa isolada. Isto porque, muito embora a empresa esteja sob a jurisdição da Agência de Caçador, o Processo principal, que é o de restituição, é de São Paulo e encontrase ativo, jurisdição essa competente para todas as questões atreladas às compensações; ii) Impossibilidade de aplicação da multa isolada frente aos princípios constitucionais da irretroatividade de norma tributária e da anterioridade nonagesimal (artigo 150, inciso I e III, alíneas “a” e “b” e §6º e artigo 195 da Constituição); iii) Necessidade de aplicação de retroatividade benigna, constante do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, ao caso; iv) Da validade dos pedidos de compensação por força da aplicação do disposto no §7º, do artigo 1º, da Medida Provisória n. 303/2006; v) Da confusão processual, que levou a afronta ao direito à ampla defesa e ao contraditório; Com relação ao mérito, a Recorrente aduz que: vi) Relativamente às primeiras compensações, o pedido de desistência em papel de 03/09/2005 (sic) é válido, já que não é necessário o acompanhamento de Fl. 4931DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 5 7 pagamento para que se aperfeiçoe a denúncia espontânea nesse caso, e foi feito antes do início do procedimento de fiscalização, que tornaria nulo todo este processo administrativo; vii) Não há que se falar que as segundas compensações foram feitas com débitos inscritos em dívida ativa, pois, na realidade, tais inscrições haviam sido anuladas. Cita documentos de fls 946 e 846 que comprovariam suas alegações. viii) Tampouco é verdade que as segundas compensações dizem respeito a anteriores pedidos não homologados pela Receita Federal, haja vista que as primeiras compensações foram canceladas por desistência tempestiva; ix) Com relação às compensações serem consideradas não declaradas porque os débitos constavam do PAES, a Recorrente simplesmente afiança que a Empresa aderiu ao parcelamento, como lhe era de direito, não sendo possível aferir qualquer indício de fraude desse ato; x) No que diz respeito aos créditos das compensações serem de terceiros, afirma ser detentora dos créditos, o que se verifica por ser ela parte integrante do PA de restituição n. 13807.006828/200470, declarado na compensação como originário dos créditos próprios. Traz aos autos atestado do DERAT nesse sentido. Ainda, garante que não houve declaração no sentido dos créditos serem oriundos de ação judicial, mas sim do citado Pedido de Restituição Administrativa. xi) Sobre terem sido efetuadas compensações com crédito não oriundo de tributos administrados pela Receita Federal, repete os argumentos da impugnação; xii) Informa que aderiu ao PAEX para pagamento dos débitos que pretendia quitar com as compensações, por isso entende que há cumulação indevida de multa isolada e multa de ofício in casu; Finalmente, ressalto que a Recorrente trouxe aos autos, em 25/04/2007, parecer jurídico encomendado aos ilustres juristas Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo sobre algumas das questões atinentes ao processo, juntado aos autos em fls 4653 a 4673. O parecer acima referenciado analisa as seguintes questões: a) "É válida a aplicação da penalidade prevista no art. 18, da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 10.051/2004, no caso em que o contribuinte formulou desistência da compensação antes de ser esta apreciada pela autoridade?" b) "Qual o efeito, relativamente à multa isolada aplicada à consulente, da pretensão dela de compensar aquele mesmo débito com outro crédito (FNT)?" c) "Qual a repercussão da MP 303, de 2006, em relação à apontada penalidade?" Por meio da referida resolução, foi suscitado o conflito de competência entre a Primeira e a Terceira Seções do CARF, dirimido pelo Senhor Presidente do CARF, no sentido de que a análise da contenda é da competência da Primeira Seção de Julgamento (fls. 4.907 a 4.910). Em 26 de janeiro de 2016, foi protocolado o expediente de fls. 4.890 a 4.899, pelo qual a recorrente veicula "razões adicionais devido a fatos supervenientes (Sentença Fl. 4932DF CARF MF 8 Judicial Penal) bem como destaques de matéria de defesa, aplicável na espécie, e, que fazem parte integrante das razões do Recurso em análise". Consta desse documento, em síntese: [...] Ínclitos Conselheiros, ocorre que na data da Autuação, a legislação que fundamenta o auto de infração, Lei 10.833/03, já se encontrava revogado pela Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, em seu artigo 117, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei 10.833/2003. Portanto, com a máxima data vênia, o AUTO DE INFRAÇÃO É NULO DE PLENO DIREITO, PORQUANTO, SUSTENTADO POR LEGISLAÇÃO REVOGADA A ÉPOCA DO LANÇAMENTO. O equívoco na aplicação da Legislação ocorre novamente quando do julgamento da DRJ, inova, e aplica a Lei 11.051 de 29 de dezembro de 2.004. Legislação essa sem referencia no Auto de Infração guerreado. [...] Desta forma, a Decisão da DRJ também é nula de pleno direito, por inovar na caracterização da infração, com fundamentação diversa daquela que consta do auto de infração. [...] Quando da autuação a Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, remetia ao inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1.996, no percentual de 75%, quando as compensações foram ditas por não declaradas, ou seja, somente compensação com crédito de terceiros, com crédito prêmio de IPI, com créditos oriundos de títulos públicos, com crédito decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado ou ainda compensações que não se refiram a tributos administrados pela SRF. Assim, a aplicação correta da legislação não abrangeria todos os itens autuados, restando, pois as multas impostas em excesso, ferindo frontalmente dispositivo legal aplicável na espécie. Equívoco maior ainda, é a constatação que não é cabível a multa agravada de 150%, uma vez que não restou comprovada qualquer evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71,72, e 73 da Lei 4.502/64. Eis que a fraude ali definida não se aplica às hipóteses de compensação, posto que possui pertinência ao fato gerador ou as condições pessoais do contribuinte. Tanto que a Legislação vigente introduzida pela Lei 11.488 de 15 de junho de 2.007, retirou o evidente intuito de fraude, previsto dos artigos 71;72 e 73 da Lei 4.502/64. [...] Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 6 9 Em data de 09 de março de 2.005, a Recorrente protocolizou pedido de cancelamento das declarações de compensações junto a Agência da Receita Federal de Caçador, SC. Pedido realizado em papel. Tal pedido fora denegado pela DRJ quando do julgamento. Entretanto, por orientação da própria autoridade coatora, efetuou em 06 de abril de 2.005, os pedidos de cancelamento das declarações de compensações por meio eletrônico. Como inexistiu qualquer outro ato escrito que indicasse o procedimento fiscal dando continuidade a Ação Fiscal até o indeferimento dos pedidos de compensação decorreu mais de 60 (sessenta) dias, em 30 de agosto de 2.005, o novo pedido (eletrônico) tornouse espontâneo nos termos do art. 70 § 2º do Decreto 70.235/72. O que implica dizer que o cancelamento das primeiras PER/DCOMPs foram espontâneos. Não produzindo quaisquer efeitos contra a Empresa Reunidas. [...] Como cediço, a Sentença Penal Transitada em Julgada, faz coisa julgada no Cível e Tributário. [...] Ínclitos Julgadores, a Recorrente em face do todo narrado nestes autos, sofreu Ação Penal, proposta pelo Ministério Público Federal, Processo 500052205.2011.404.7211/SC, donde se extrai da V. Sentença: "A Denúncia baseiase na suposta elaboração e utilização de documentos inverídicos quanto a data neles anotadas. Ressalta, também, o protocolo de recebimento igualmente com data supostamente inexata." A par disso, os depoimentos reduzidos a termo no corpo do IPL, ..... Apontam, em suma, a apresentação tempestiva dos pedidos de cancelamentos das Dcomp's, com protocolos contemporâneos aos recebimentos." Ante o Exposto, REJEITO a denúncia apresentada, na forma do art. 395, III do CPP. o Processo Transitou em Julgado em data de 19 de dezembro de 2011. É o relatório. Voto Fl. 4934DF CARF MF 10 Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Preliminares. Nulidade. Auto de Infração. Decisão de primeira instância. Em documento protocolado posteriormente ao recurso voluntário, a recorrente aduz serem nulos o auto de infração e a decisão de primeira instância. O auto de infração por se sustentar em legislação revogada e a decisão por inovar aplicando legislação sem referência no lançamento: Ínclitos Conselheiros, ocorre que na data da Autuação, a legislação que fundamenta o auto de infração, Lei 10.833/03, já se encontrava revogado pela Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, em seu artigo 117, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei 10.833/2003. Portanto, com a máxima data vênia, o AUTO DE INFRAÇÃO É NULO DE PLENO DIREITO, PORQUANTO, SUSTENTADO POR LEGISLAÇÃO REVOGADA A ÉPOCA DO LANÇAMENTO. O equívoco na aplicação da Legislação ocorre novamente quando do julgamento da DRJ, inova, e aplica a Lei 11.051 de 29 de dezembro de 2.004. Legislação essa sem referencia no Auto de Infração guerreado. [...] Desta forma, a Decisão da DRJ também é nula de pleno direito, por inovar na caracterização da infração, com fundamentação diversa daquela que consta do auto de infração. Por primeiro, cumpre esclarecer que o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não foi revogado pelo artigo 117 da Lei nº 11.196/2005 que apenas deu nova redação ao § 4º e incluiu o § 5º do dispositivo legal em referência. E também não há qualquer equívoco na decisão de primeira instância ao mencionar a Lei nº 11.051/2005. Como pode ser visto nos autos de infração (fls. 62, 1.422 e 2.729), em todos eles, na parte relativa à fundamentação legal, há menção ao artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e também à Lei nº 11.051/2005. Rejeitase, pois, essa preliminar. Incompetência da autoridade. Despachos decisórios e autos de infração. Alega a recorrente a "incompetência da autoridade que proferiu os despachos decisórios referentes às compensações em questão (DRF de Joaçaba/SC) e lavrou o presente auto de infração para cominação de multa isolada". Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 7 11 Essa alegação foi abordada com proficiência pela decisão de piso, pelo que se adotam os correspondentes fundamentos como razões de decidir: Em outra questão preliminar a interessada questiona a competência da autoridade que proferiu os Despachos Decisórios pelos quais as Compensações foram consideradas Não Homologadas. A seu ver o processo principal está sob a jurisdição de São Paulo — SP, e atrelado ao mesmo encontramse suas Declarações de Compensação. Além disso, a autoridade examinadora não teria obedecido ao disposto no art. 24 do Decreto n° 70.235/72 e no art. 41 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 46012004. Ainda afirma neste tópico: • Não houve "avocação formal" pela DRF de Joaçaba, já que a competência, nestes casos é irrenunciável, conforme o art. 11 e § 1° do art. 14 da Lei n° 9.784/99; • O fato de a interessada estar sob a jurisdição da Agência de Caçador não faz presunção de competência; • Pede a remessa do processo para a autoridade examinadora do processo de restituição n° 13.807.006.828/200470. Não procede a solicitação da interessada, pois a competência para a homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF é da DRF que tenha jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo, no caso a DRF de Joaçaba, conforme determina o art. 47 da IN SRF n° 460/2004, transcrito abaixo, cujo conteúdo e numeração foram mantidos na IN SRF n° 600/2005, que passou a regrar essa matéria. Art. 47. A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (Grifei) Ressalto haver perfeita consonância entre as decisões proferidas pela DRF de Joaçaba, que têm amparo no art. 47 transcrito acima, com o disposto no art. 41 da mesma IN SRF n° 460/2004 e o disposto no art. 24 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, conforme já dito neste voto, os despachos denegatórios não estão em questão nos presentes autos, o que se discute é apenas a correção ou não da aplicação da multa isolada. Apenas a titulo de esclarecimento, acrescento que o processo de restituição n° 13807.006828/200470 mencionado tem como interessada a empresa P&P Porciúncula Participações Ltda, CNPJ n° 04.888.139/000174 e corre em outra jurisdição (DERATSP), circunstância que demonstra a falta de razoabilidade do pedido. Esse entendimento também é aplicável à lavratura dos autos de infração para a exigência da multa isolada, que é decorrência do Despacho Decisório proferido, tendose em vista ainda o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Afronta à ampla defesa e ao contraditório. Aduz a recorrente que ocorreu uma "confusão" processual, fato que leva à afronta ao direito de defesa e ao contraditório. Fl. 4936DF CARF MF 12 Cita a existência no processo de documentos de outra empresa, que foram mencionados nos despachos decisórios (fls. 886, 891, 901 e 906). Também, que no documento de consolidação do débito, após a decisão de primeira instância, o valor cobrado é de aproximadamente R$ 25 milhões, mas nas primeiras folhas do processo esse valor é da ordem de R$ 19 milhões, assim como nos DARFs que acompanharam a intimação. Quanto aos despachos decisórios relativos a Dcomps de outro contribuinte (Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A), eles constam juntados ao processo porque, como visto, o crédito relativo às Dcomps que deram origem às multas controladas neste processo eram decorrentes de um pedido de restituição protocolado por P&P Porciúncula Participações Ltda., que também foi base para Dcomps protocoladas por outras pessoas jurídicas, dentre as quais a citada. Para a verificação quanto a isso, basta a análise dos documentos de efls. 1.282 a 1.364 que dizem respeito ao processo de representação fiscal para fins penais. Contudo, para fins de lançamento, não foram considerados quaisquer valores estranhos à própria recorrente. Para essa verificação, é só se proceder ao confronto entre os autos de infração com os respectivos Relatórios de Atividade Fiscal. No que tange à alegada divergência de valores, ocorre que o processo original, antes das anexações, era relativo à multa pela compensação indevida de Cofins. Essa multa tem o valor (original) de R$ 19.946.449,62 (fl. 54). Contudo, foram anexados a estes autos aqueles dos processos nº 10925.002582/200511 e nº 10925.002583/200558, relativos às multas por compensação indevida de contribuição para o PIS/Pasep e IRRF, respectivamente. Os valores desses processos são: a) 10925.002582/200511: R$ 5.302.603,73 (fl. 1.418); b) 10925.002583/200558: R$ 30.473,44 (fl. 2.725). No total, está controlado neste processo o valor de R$ 25.279.526,79. E isso foi muito bem explicado quando da decisão de primeira instância, conforme excerto abaixo (fl. 3.791 e 3.807): Tratase de autos de infração por meio dos quais exigese Multa de Oficio Isolada, no percentual de 150%, pelo fato de a interessada ter efetuado compensação indevida de valores em declaração prestada em PER/DCOMP, apresentadas nos anos calendário 2004 e 2005, cujos valores constam no quadro abaixo: [...] Impugnação A interessada apresentou uma peça de impugnação para cada auto de infração, que constam nas fls. 921 a 933, 1895 a 1907 e 2867 a 2879, todas idênticas, instruídas com cópia de escritura pública de sua constituição; cópia de documentos de identificação de seu representante legal; cópia de expediente endereçado à Agência da Receita Federal em Caçador — SC, com protocolo de 07/05/2004 [...] Não se verifica afronta à ampla defesa e ao contraditório. Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 8 13 Adesão a parcelamento. Medida Provisória nº 303/2006. No recurso há um item denominado "Da aplicação do disposto no § 7º, do artigo 1°, da Medida Provisória n° 303, de 2006", tendo sido alegado que "em agosto de 2006, a Recorrente ingressou com o pedido de parcelamento especial instituído pela referida MP, incluindo todo o seu passivo fiscal perante a Receita Federal, inclusive os oriundos das compensações que foram alvo das multas isoladas". É aduzido ainda: A opção dada ao contribuinte para inclusão do débito corresponde a uma verdadeira reabertura dos prazos previstos na legislação tributária para que o mesmo renuncie à pretensão de compensar. Com a reabertura do prazo e com a opção exercida pela requerente, a compensação então efetuada perdeu validade, desde a sua origem, o que significa dizer que é como se não houvesse sido feita a compensação. O invocado § 7º foi redigido da seguinte forma: § 7º Relativamente aos pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte até 29 de junho de 2006 pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, os débitos que deixarem de ser compensados em decorrência do indeferimento, total ou parcial, do pedido, poderão ser, no prazo de 30 (trinta) dias, a critério do contribuinte, liquidados mediante pagamento ou incluídos no parcelamento de que trata esta Lei e parcelados pelo número de prestações que então remanescer, observadas as disposições dos arts. 1o, 8o e 9o desta Lei para determinação do número de parcelas remanescentes. Ocorre que esse dispositivo não constava do texto original da MP 303/2006. Ele veio apenas com a redação final do Projeto de Lei de Conversão. No entanto, a referida Medida Provisória não foi convertida em lei e teve vigência somente até 27 de outubro de 2006, conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 57, de 2006. Assim, tal dispositivo nunca teve aplicação. Além disso, a recorrente não trouxe aos autos nenhum documento que comprovasse a inclusão dos alegados débitos ao programa de parcelamento excepcional. Irretroatividade e anterioridade da lei tributária. Argumenta a recorrente sobre a impossibilidade de aplicação da multa isolada frente aos princípios da irretroatividade e da anterioridade nonagesimal. Em primeiro lugar, quanto à alegada necessidade de observância do princípio da anterioridade nonagesimal, dispõe o artigo 150, inciso III e § 1º, da Constituição Federal: Fl. 4938DF CARF MF 14 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) [...] § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Temse, pois, que tal princípio só é aplicável a leis instituidoras ou que majorem tributos e, mesmo assim, comportando exceções, mas não nos casos de estipulação de penalidades. No que tange ao princípio da irretroatividade, a recorrente assim se expressou: O Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento — DRJ, aponta para aplicação, de modo retroativo, da legislação tributária, quando, em seu primeiro parágrafo, remete a fatos ocorridos que ensejaram à aplicação da multa de ofício isolada: "Tratase de autos de infração por meio dos quais exigese Multa de Oficio Isolada, no percentual de 150%, pelo fato de a interessada ter efetuado compensação indevida de valores em declaração prestada em PER/DECOMP, apresentadas nos anos calendários de 2004 e 2005, (...) (...). A exigência foi embasada no disposto no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004." (Grifouse) Desnecessário tergiversar a respeito, eis que a própria autoridade aponta a aplicação retroativa da legislação tributária. Ou seja, a autoridade fiscal aplicou legislação editada em 29 de dezembro de 2004 — Lei n° 11.051, a fatos ocorridos antes de sua vigência. Nessa quadra, fazse necessária a análise quanto ao efetivo objeto da lide. Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 9 15 Como relatado, após a anexação de outros processos, passouse a tratar nestes autos, no conjunto, de lançamentos de ofício relativos a multas isoladas pela compensação indevida de Cofins (fls. 54 a 62), contribuição para o PIS/Pasep (fls. 1.418 a 1.422) e IRRF (fls. 2.727 a 2.735). Na parte final dos Relatórios de Atividade Fiscal (respectivamente fls. 77 a 168, 1.429 a 1.495 e 2.745 a 2.839), integrantes dos autos de infração, vêse que os lançamentos foram efetuados tendo como bases as seguintes Dcomps: a) 05440.91500.250705.1.3.043835, protocolo em 25 de julho de 2005 (fls. 1.101 a 1.146); b) 24729.98061.241005.1.3.040402, protocolo em 24 de outubro de 2005 (fls. 1.175 a 1.198); c) 24604.81966.220805.1.3.040988, protocolo em 22 de agosto de 2005 (fls. 1.213 a 1.226); d) 15069.42440.140205.1.3.047900, protocolo em 14 de fevereiro de 2005 (fls. 1.259 a 1.265); e) em formulário (papel), protocolo em 25 de outubro de 2002 (fl. 1.276); f) em formulário (papel), protocolo em 25 de outubro de 2002 (fl. 1.278); g) em formulário (papel), protocolo em 19 de dezembro de 2003 (fl. 1.283); h) em formulário (papel), protocolo em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284); i) em formulário (papel), protocolo em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285) e j) em formulário (papel), protocolo em 30 de setembro de 2003 (fl. 1.286). Segundo consta nos autos de infração, eles se referem a períodos dos anos de 2004 e 2005, como pode ser visto nas fls. 62, 1.422 e 2.729. Nessas mesmas folhas, verificase que as normas invocadas são: o artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na redação original e, ainda, esse mesmo artigo, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Vejase o excerto do Auto de Infração (fl. 62): Fl. 4940DF CARF MF 16 Essas datas são as de emissão dos despachos decisórios pela unidade da Receita Federal em que foram analisadas as declarações de compensação. Ocorre que, independentemente de quando foi efetuada a análise da compensação declarada, com vistas à sua homologação, para fins de aplicação da multa pela compensação indevida há que se levar em conta a data do protocolo da declaração. Assim, de plano, verificase que não poderiam ter sido incluídas nos lançamentos as Dcomps protocoladas anteriormente a 29 de dezembro de 2003, data da vigência da Lei nº 10.833/2003, pelo que se impõe a exclusão dos valores considerados para fins do lançamento da multa isolada, aqueles dos débitos das Dcomps apresentadas em formulário nas datas de 25 de outubro de 2002, 30 de setembro de 2003 e 19 de dezembro de 2003. Quanto às demais, não há que se falar em aplicação retroativa da lei, uma vez terem sido apresentadas em data posterior a 29 de dezembro de 2003. Retroatividade benigna. Alega a recorrente que há a necessidade de aplicação da retroatividade benigna, conforme dispõe o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, para fins de redução da penalidade do percentual de 150% para 50%, em face da nova redação dada ao inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, pela MP nº 303/2006. Esse assunto também é abordado no parecer dos juristas Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo. A conclusão do referido parecer foi a seguinte: A MP 303/2006, além de dispor sobre forma especial de parcelamento (PAEX), veiculou algumas alterações na legislação tributária federal. Entre elas está a redução da "multa isolada", prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, e aplicada sobre a consulente. A multa passou de 150% para 50%. Assim, se no caso presente fosse cabível a aplicação à consulente da multa a que alude o art. 18 da Lei 10.833/2003, o que demonstramos não ter ocorrido, a penalidade que lhe poderia ser exigida seria de 50% dos valores que teria pretendido compensar, e não de 150%, como lhe exige a autoridade. Consoante discriminado nos autos de infração, a multa isolada foi fundamentada no artigo 18 da Lei n.º 10.833/2003, na redação original e com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Abaixo, a redação desses dispositivos segundo os períodos correspondentes: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (redação original): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 10 17 [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. [...] Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (na redação dada pela Lei nº 11.051/2004): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A Lei nº 11.196 deu nova redação ao § 4º: Lei nº 10.833/2003: Art. 18 [...] [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 4942DF CARF MF 18 administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação da MP 303/2006): Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Posteriormente, os citados dispositivos foram novamente alterados, dessa vez pela Lei nº 11.488/2007. Essa é a redação em vigor atualmente, verbis: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 11 19 e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Muito embora possa ter havido uma alteração quanto à numeração dos dispositivos legais, o que se verifica é que, apesar das modificações promovidas, a penalidade da infração definida no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, caso dos autos, permaneceu inalterada, estando em pleno vigor atualmente nos mesmos percentuais que vigiam desde o início, ou seja, desde que editadas as leis, conforme transcrições supra. Assim, as condutas consideradas ilícitas, conforme definição contida nos dispositivos legais, não deixaram de ser tipificadas como infrações em momento algum, ou seja, a ilicitude não foi afastada do mundo jurídico, nem tampouco houve a modificação quanto aos percentuais da multa. Fl. 4944DF CARF MF 20 Ocorreu, apenas, a transferência da penalidade decorrente da prática da tipificada infração do anterior inciso II para o inciso I combinado com o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A recorrente ainda aduz ilegalidade pela aplicação da multa em excesso. No documento protocolado em 26 de janeiro de 2016, foi feita a seguinte argumentação (fl. 4.894): Quando da autuação a Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, remetia ao inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1.996, no percentual de 75%, quando as compensações foram ditas por não declaradas, ou seja, somente compensação com crédito de terceiros, com crédito prêmio de IPI, com créditos oriundos de títulos públicos, com crédito decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado ou ainda compensações que não se refiram a tributos administrados pela SRF. Assim, a aplicação correta da legislação não abrangeria todos os itens autuados, restando, pois as multas impostas em excesso, ferindo frontalmente dispositivo legal aplicável na espécie. O § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, quando da autuação, tinha o seguinte teor: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. [...] § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 12 21 administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Já o artigo § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430 tinha a seguinte redação: Lei nº 9.430/1996: Art. 74. [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Assim, o percentual de 150% está previsto na legislação e é aplicável aos casos de compensação indevida e compensação não declarada (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/1996), não havendo, em face do aspecto da legalidade, nenhum reparo a ser efetuado. A sua utilização para fins do cálculo da multa será analisado em tópico próprio infra. Mérito. Preâmbulo. No recurso voluntário não há nenhuma alegação específica quanto às Dcomps apresentadas em formulário, cujo crédito é decorrente de um pedido de restituição relativo a créditos de "Obrigação ao Portador do empréstimo compulsório à Eletrobras". Tal pedido foi autuado com o número 11831.003440/200311, e tem como interessada a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Em face disso, aplicase o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Contudo, serão adotadas as conclusões das análises relativas às matérias comuns às razões recursais relativas às demais Dcomps, fazendose menção a isso nos respectivos tópicos abaixo. Fl. 4946DF CARF MF 22 Pedido de desistência. Débitos inscritos em Dívida Ativa, informados em Dcomps anteriores não homologadas ou incluídos em programa de parcelamento especial. A recorrente afirma com veemência que é válido o pedido de desistência de compensações em papel, protocolado em 9 de março de 2005, antes portanto do início do procedimento de fiscalização: a) por não ser necessário o acompanhamento do pagamento para que se aperfeiçoe a denúncia espontânea; b) mesmo que o documento tenha sido fornecido via "facsímile" ou cópia simples, houve inquérito administrativo para a averiguação da sua existência e, nesse processo, foi anexada cópia autenticada; c) uma vez que "a empresa em ato contínuo a desistência, encaminhou o pagamento, via compensação eletrônica, das competências que ficaram em aberto, o que evidencia a figura da denúncia espontânea". Em documento protocolado em 26 de janeiro de 2016 (fls. 4.890 a 4.899), a recorrente destaca "razões adicionais devido a fatos supervenientes (Sentença Judicial Penal)", informando que foi rejeitada a denúncia oferecida em face da utilização de "documentos inverídicos quanto à data neles anotada". Tal documento seria o pedido de desistência em tela. Cópia do referido pedido de desistência consta às fls. 1.396 a 1.398. Nele está consignado: Após o texto acima transcrito vem um quadro com a relação das Dcomps. Esse ponto também foi objeto do parecer encomendado aos juristas Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo. Consta na parte relativa às respostas desse parecer: 6.1. É válida a aplicação da penalidade prevista no art. 18, da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 10.051/2004, no caso em que o contribuinte formulou desistência da compensação antes de ser esta apreciada pela autoridade? Não. Se o contribuinte desiste da compensação antes mesmo de ser ela apreciada pela autoridade, desaparece o fato que poderia configurar a infração. A penalidade, aliás, só pode ser aplicada se a autoridade, ao apreciar a comunicação do contribuinte, Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 13 23 constata a ausência do direito à compensação. Assim, a desistência anterior à apreciação torna impossível o exame pela autoridade e o indeferimento da homologação, que seria o momento para a aplicação da penalidade. 6.2. Qual o efeito, relativamente à multa isolada aplicada à consulente, da pretensão dela de compensar aquele mesmo débito com outro crédito (FNT)? Nenhum. Sem entrar aqui no mérito da validade da compensação pretendida (que nos parece correta), a aplicação de uma penalidade não pode ter fundamento na suposta prática de outra infração, diversa da imputada pelo auto de infração, e ocorrida posteriormente. Ocorre que, muito embora nos Relatórios de Atividade Fiscal, partes integrantes dos autos de infração, tenha havido menção às primeiras Dcomps, a multa não foi aplicada tendo como único motivo a irregularidade dos créditos ou dos débitos informados nelas e que, segundo argumenta a recorrente, foram objeto da desistência por meio do documento em relevo neste tópico. Como visto supra, as Dcomps que fundamentaram a aplicação das multas são (já excluídas aquelas protocoladas antes da vigência da lei que instituiu a penalidade): a) 05440.91500.250705.1.3.043835 (fls. 1.101 a 1.146); b) 24729.98061.241005.1.3.040402 (fls. 1.175 a 1.198); c) 24604.81966.220805.1.3.040988 (fls. 1.213 a 1.226); d) 15069.42440.140205.1.3.047900 (fls. 1.259 a 1.265); e) em formulário (papel), protocolo em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284) e; f) em formulário (papel), protocolo em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285). Nos despachos decisórios relativos às Dcomps eletrônicas, com exceção da de nº 15069.42440.140205.1.3.047900, há referência às compensações mencionadas no documento de desistência em tela. Todavia, muito embora a menção a elas, não foram a única motivação para que as primeiras fossem consideradas como não declaradas. Vejase o despacho decisório relativo à Dcomp nº 05440.91500.250705.1.3.043835 (fl. 1.169 e 1.170), cujo texto consta também nos despachos decisórios relativos às Dcomps nº 24729.98061.241005.1.3.040402 (fls. 1.207 a 1.211) e nº 24604.81966.220805.1.3.040988 (fls. 1.253 a 1.257): Foram juntadas cópias dos Despachos Decisórios de indeferimento de pedido de restituição, bem assim da não declaração de compensação em relação aos processos fiscais de n° 10.925000.027/200547, 10.925000.973/200593, 10.925 000.934/200538, 10.925000.937/200527 e 10.925000.978/200516 (fls. 320/327). [...] Fl. 4948DF CARF MF 24 Com efeito, preliminarmente verificase que a grande maioria dos débitos que pretende compensar foram objeto de pedidos de restituição/compensação anteriores que foram totalmente indeferidos, dada a ausência de créditos, consoante resta expresso dos Despachos Decisórios respectivos, relativos aos processos fiscais n° 10.925000.973/200593, 10.925000.934/200538, 10.925000.937/200527 e 10.925000.978/200516 (fls. 320/324). No mesmo sentido observase que em relação aos débitos do processo fiscal n° 10.925000.027/200547, eis que já haviam sido objeto de inscrição junto a Procuradoria da Fazenda Nacional em Santa Catarina, anteriormente — vide Despacho de fls. 325/327. Em tais casos cabe a aplicação do art. 74, § 3º, VI e § 12, I da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pelas Leis n° 10.637/2002, 10.833/20,03 e 11.051/2004, abaixo transcrito, "verbis": Ocorre que os dispositivos citados são fundamentos para se considerar como não declarada a compensação, como de fato ocorreu, mas não para a aplicação da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003. Esta só pode ser aplicada se a compensação for considerada como não declarada com fundamento no artigo 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, motivação exposta nesses mesmos despachos decisórios conforme abaixo (fl. 1.171): De outra banda, se não fosse pelos aspectos acima abordados, não teria como seguir o presente pedido de restituição cumulado com Declaração de Compensação, uma vez que envolve crédito de terceiros, e ainda que o fossem, o que somente se admite para efeitos de argumentar, ainda assim não se tratam de tributos administrados pela SRF. [...] Ora, tratase, portanto de créditos de terceiros, oriundos de ação judicial em que se discute direito a restituição relativo a sobretarifa que teria sido administrada, inicialmente, pela Telebrás, não se tratando, portanto de tributo ou contribuição administrado pela SRF, resultando, ferido, portanto, o disposto no art. 74 da mencionada Lei n° 9.430/1996. [...] Cabe acrescentar que o art. 74, § 12, II , alíneas "a" e "e" também estabelece que será considerada como não declarada a compensação cujo crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, hipótese também aplicável ao presente caso. No que se refere à Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900, no despacho decisório correspondente (fls. 1.267 a 1,271) não há nenhuma alusão às Dcomps anteriores objeto do pedido de desistência multicitado. Nesse despacho está assentado que o crédito informado seria decorrente de um pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, não localizado nos sistemas da Receita Federal. Quanto às Dcomps apresentadas em formulário, protocoladas em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284) e em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285), elas indicam como crédito um pedido de restituição que foi autuado com o nº 11831.003440/200311, cujo titular era a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Esse pedido foi indeferido por se tratar de crédito decorrente de títulos da Eletrobrás (fls. 1.288 a 1.293). Assim, também quanto a essas Dcomps, a multa não foi aplicada em face daquelas que, segundo a recorrente, foram canceladas pelo pedido em destaque. Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 14 25 A recorrente também alega que não há que se falar que as segundas compensações foram feitas com débitos inscritos em dívida ativa, pois, na realidade, tais inscrições haviam sido anuladas. Cita documentos de fls 946 e 846 que comprovariam suas alegações. Nas referidas folhas trazidas pela recorrente (efls. 4.364 e 4.365) há um extrato de consulta à inscrição e uma primeira parte de um despacho/informação, ambos relativos ao processo nº 10925.002750/200480. Há ainda a argumentação de que as segundas compensações não dizem respeito a anteriores pedidos não homologados pela Receita Federal, haja vista que as primeiras compensações foram canceladas por desistência tempestiva. Com relação a débitos constantes no PAES, a recorrente simplesmente afiança que aderiu ao parcelamento, como lhe era de direito, não sendo possível aferir qualquer indício de fraude desse ato. Mais uma vez reiterase que, muito embora nos Relatórios de Atividade Fiscal, partes integrantes dos autos de infração, tenha havido menção a débitos inscritos em Dívida Ativa, relativos às primeiras Dcomps "não homologadas" e que foram incluídos no PAES, todos indicados para compensação, a multa não foi aplicada tendo como únicos motivos essas irregularidades. Como visto acima, esses fatos ensejariam que as Dcomps fossem consideradas como não declaradas, mas não dariam causa ao lançamento das multas isoladas. Todavia, houve a indicação de outras irregularidades que ensejariam tal lançamento: créditos de terceiros e não oriundos de tributos administrados pela Receita Federal. Em face do exposto, quanto ao pedido de desistência, é despicienda a análise, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas. No que tange às demais alegações, apesar do acerto delas, também não são suficientes para o afastamento das exações. Como já explanado supra, havia outros motivos para a autuação. As demais motivações do lançamento serão analisadas em tópicos abaixo. Créditos de terceiros. No que diz respeito aos créditos das compensações serem de terceiros, afirma a recorrente ser detentora dos créditos, o que se verifica por ser ela parte integrante do processo administrativo de restituição nº 13807.006828/200470, que foi informado nas Dcomps como a origem dos créditos próprios. Para comprovar o alegado, traz aos autos documento que denomina atestado da DERAT/SP. Ainda, informa que não houve declaração no sentido de os créditos serem oriundos de ação judicial, porque a origem é o citado pedido de restituição, conforme processo administrativo citado. Mais uma vez, salientase que os lançamentos das multas isoladas deramse em face das seguintes Dcomps: Fl. 4950DF CARF MF 26 a) 05440.91500.250705.1.3.043835 (fls. 1.101 a 1.146); b) 24729.98061.241005.1.3.040402 (fls. 1.175 a 1.198); c) 24604.81966.220805.1.3.040988 (fls. 1.213 a 1.226); d) 15069.42440.140205.1.3.047900 (fls. 1.259 a 1.265); e) em formulário (papel), protocolo em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284) e; f) em formulário (papel), protocolo em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285). Nas três primeiras foi informado como origem do crédito o processo nº 13807.006828/200470. Na Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900 o crédito informado é decorrente de pagamento a maior ou indevido, cujo registro não foi localizado nos bancos de dados da Receita Federal. Nas duas últimas, o crédito seria decorrente do processo nº 11831.003440/200311. Nos Relatórios de Atividade Fiscal (fls. 77 a 168, 1.429 a 1.495 e 2.745 a 2.839), o autuante menciona os dois processos de restituição. No recurso voluntário, a recorrente se limita a alegar que seria a detentora dos créditos por ser ela parte integrante do processo administrativo de restituição nº 13807.006828/200470. Não há nenhuma menção ao processo nº 11831.003440/200311. Muito embora essa omissão, que enseja considerarse a matéria como não impugnada, o fato é que ambos os processos tinham como titular a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Em face disso, a conclusão ao final deste tópico é aplicável a ambos os casos: três primeiras Dcomps eletrônicas (crédito processo nº 13807.006828/2004 70) e duas últimas Dcomps em formulário (crédito processo nº 11831.003440/200311). O "atestado" a que se refere a recorrente é uma anotação manuscrita em requerimento em que se vê um carimbo aposto por uma unidade da Receita Federal (fl. 4.577): Fl. 4951DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 15 27 Relativamente à matéria, muito bem se posicionou o relator do voto condutor da decisão de piso, cujos fundamentos se adotam como razões de decidir: Como se vê, a interessada não se insurge contra o fato de que a utilização de créditos de terceiro para fins de compensação no âmbito da SRF seja vedado, e também reconhece ter se valido de crédito objeto de pedido de restituição cujo solicitante é a empresa P&P Porciúncula Participações Ltda. A divergência reside apenas no fato de que, a seu ver, não se trata de créditos de terceiros, pois ela seria parte integrante no mencionado pedido de restituição. Os únicos documentos existentes nos autos que poderiam levar a crer que a interessada é parte no pedido de restituição tratado no processo n° 13807.006828/200470 seriam a sentença judicial n° 632/90, da Justiça Federal de Primeira Instância do Rio de Janeiro — RJ, que trata da legalidade da cobrança de sobretaxa do Fundo Nacional de Telecomunicações — FNT e a Escritura Pública pela qual teriam sido cedidos direitos relativos àqueles direitos creditórios. Na cópia da sentença n° 632/90, datada de 19/09/90, que se inicia na fl. 17601, verificase foi impetrada ação ordinária por Mário Alves e Outros (pessoas fisicas), "postulando a restituição das importâncias recolhidas a título de sobretaxa (FNT) aos cofres públicos federais, na qualidade de usuário(s) dos serviços de telefonia, ao argumento de que a sobretarifa é ilegal e inconstitucional". O julgamento é favorável e está limitado à análise do direito, não havendo menção a valores. A cópia da Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios consta nas fls. 2656 a 26592, e é datada de 21/07/05. Como cedente figura a empresa P&P Porciúncula Participações Ltda., que teria adquirido possuiria direito creditório correspondente a R$25.720.350,07, adquiridos por cessão de direitos creditórios, que na ocasião cedeu e transferiu direitos correspondentes a R$8.729.017,15 para a empresa Reunidas S/A Transportes Coletivos e outros R$16.991.332,92 para Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A. Pelos elementos citados, verificase que a interessada nunca integrou a demanda judicial relativa aos pretensos créditos relacionados ao extinto FNT. Ao que parece, pode têlos obtido após sucessivas transações, pois adquiriuos de pessoa jurídica, que não integrou lide original, que, por sua vez, foi beneficiária em cessão de direito creditório anteriormente firmada. O conceito de créditos próprios ou de terceiros utilizado pela legislação tributária diz respeito a créditos decorrentes de recolhimentos feitos pelo próprio contribuinte, ou aqueles objeto de decisão judicial em que tenha integrado o pólo ativo. Apenas quando há a interação Fisco x Contribuinte ocorre a relação direta, e os eventuais créditos daí decorrentes podem ser ditos próprios. A transferência destes a terceiros (ato que não encontra respaldo na legislação tributária), seja a que título for, não confere ao adquirente o status de contribuinte, já que nunca esteve vinculado ao fato gerador da obrigação tributária e nem mesmo promoveu o recolhimento indevido ou a maior que o devido aos cofres públicos. Ainda que estivessem em discussão créditos referentes a tributos ou contribuições administrados pela SRF, o que não é o caso, apenas ao sujeito passivo da relação tributária seria permitido requerer eventual restituição ou a compensação, pois a legislação tributária restringe a aplicação desses institutos aos casos em que se trate de créditos próprios. 1 efl. 2.419 2 efls 3.525 a 3.528 Fl. 4952DF CARF MF 28 No caso dos autos está claro que a interessada não teve relação direta com a atividade que teria gerado o suposto crédito, o pagamento de sobretaxa em favor do extinto FNT. Em verdade, está muito distante disso, pois teria adquirido tais direitos creditórios de terceiro, e nem mesmo esse teria qualquer vínculo com aqueles pagamentos ou com a ação judicial na qual teria sido reconhecido o direito creditório. Aduz a recorrente ainda que não foi indicado que o crédito seria oriundo de ação judicial, mas de um pedido de restituição anterior: processo nº 13807.006828/200470. Como já visto, o interessado nesse processo não é a recorrente, mas a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Demais disso, a informação de que o crédito era decorrente de um processo de restituição anterior (cujo interessado não é a recorrente, repitase) indica, de forma inequívoca, a intenção da recorrente de ocultar detalhes importantes relativos a esse crédito, inclusive que ele era decorrente de ação judicial. Créditos não oriundos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil Quanto a esse item, assim se manifestou a recorrente (fl. 3.894): No que tange a alegação de ser o crédito não oriundo de tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, cumpre salientar ao Julgador que a própria IN 460/2004, prevê, no seu artigo 15 a possibilidade de receita da União, mesmo não estando o mesmo a cargo da SRF, e mais, no artigo 18, VI da Lei n°: 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional está impedida de promover inscrição ou execução acerca do crédito utilizado nesta compensação (FNT), tal a certeza de sua exigibilidade por parte da empresa recorrente, além do fato de ter sido declarado, pelo STF, como inconstitucional a sua cobrança e lhe tendo sido atribuído, inclusive, status de tributo. O próprio Conselho de Contribuintes, especificamente a sua Terceira Câmara, através de sua competência residual, já julgou solicitações similares como por exemplo, o Recurso Voluntário n°: 134043. Razão pela qual, também, neste particular não procede, in totum, as razões expostas na decisão recorrida. Cumpre ressaltar, novamente, que no recurso voluntário não há nenhuma menção aos créditos decorrentes das "Obrigação ao Portador do empréstimo compulsório à Eletrobras", cujo pedido de restituição foi autuado no processo nº 11831.003440/200311, motivo do lançamento de ofício em face das Dcomps apresentadas em formulário. Nesse ponto, muito embora também essa omissão por parte da recorrente, devem ser aplicadas as conclusões abaixo, em face da similitude quanto à natureza dos créditos pleiteados (sobretarifa do FNT e Obrigações da Eletrobrás) que, segundo a recorrente, lhe dariam direito à restituição. E, quanto à restituição de quantias recolhidas ao Fundo Nacional de Telecomunicações FNT, utilizase como razão de decidir, novamente, por ser aplicável sem necessidade de adendos, fundamento do voto condutor da decisão de primeira instância: A interessada ainda rejeita o entendimento de que os pretensos créditos obtidos por meio de cessão de direitos não seriam oriundos de tributos ou contribuições administrados pela SRF. Invoca o art. 15 da IN SRF n° 460/2004 para dizer que a SRF seria responsável pela restituição de "receita da União" mesmo não estando sob sua administração. Também alega que a PFN está impedida de promover a inscrição ou a execução acerca do crédito utilizado na compensação Fl. 4953DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 16 29 (FNT), por força do art. 18, VI, da Lei n° 10.522/02. Ainda afirma que o STF declarou a inconstitucional a exigência do crédito, e que a 3' Câmara do Conselho de Contribuintes, por força de competência residual, julgou solicitações similares, citando como exemplo o Recurso Voluntário n° 134043. Inicialmente é oportuno lembrar que a compensação tributária segue determinação contida no art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] (Grifei) Como se vê pela transcrição acima, o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é claro ao limitar a compensação a créditos apurados pelo sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, que poderão ser utilizados para compensação de débitos desse mesmo sujeito passivo. Os atos normativos expedidos para regulamentar essa faculdade estão em harmonia com o dispositivo legal citado. Uma simples leitura do art. 1º da IN SRF n° 460/04, é suficiente para esclarecer que os procedimentos de restituição e de compensação estão limitados aos recolhimentos a título de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, como se vê abaixo: Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. (Grifei) Cabe apenas registrar que a Instrução Normativa SRF n.° 460/2004 estabelece, no § 2.° de seu artigo 2.° a única exceção à restituição de créditos vinculados a exações que não estejam sob administração da SRF. Essa exceção recebe tratamento no art. 15 da IN citada como segue: Art. 2° Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Fl. 4954DF CARF MF 30 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 2º A SRF promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. [...] Art. 15. O pedido de restituição de receita da União, arrecadada mediante Darf, cuja administração não esteja a cargo da SRF, deverá ser apresentado à unidade da SRF competente para promover sua restituição, que o encaminhará ao órgão ou entidade responsável pela administração da receita a fim de que este se manifeste quanto à pertinência do pedido. § 1º Reconhecido o direito creditório, o processo será devolvido à unidade da SRF competente para efetuar a restituição, que a promoverá no montante e com os acréscimos legais previstos na decisão proferida pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita, ou sem acréscimos legais quando a decisão não os previr. § 2º Previamente à restituição de receita tributária não administrada pelo SRF, a unidade da SRF competente para efetuar a restituição deverá observar o disposto nos arts. 34 a 38. Como se percebe, a regra limita a restituição a valores relativos a exações administradas pela SRF. Fora disso, apenas podem ser alcançados pleitos repetitórios de receitas recolhidas por DARF (o que não é o caso aqui tratado, pois os valores foram recolhidos via conta de telefone) e, além disso, tenham tido o direito creditório expressamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita (o que também não ocorre no presente processo). Ou seja, as únicas atribuições da SRF relativas a tais pleitos são a recepção do pedido e a implementação da restituição, única e exclusivamente por terem sido arrecadadas mediante DARF. Registrese que o fato de a Lei n° 10.522/2002, art. 18, VI, dispensar a constituição de créditos, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento de ação de execução fiscal, bem como autorizar o cancelamento dos lançamentos referentes à sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações — FNT, não exerce nenhum efeito sobre as regras de compensação tributária. Caso fosse intenção do legislador, teria sido promovida alteração na Lei n° 9.430/1996, que rege a matéria. No que tange ao recurso indicado, a recorrente não traz nenhuma ementa ou excerto pelos quais se poderia averiguar o fundamento da alegação. Além disso, as decisões anteriores deste CARF não são vinculantes quanto às posteriores sobre o mesmo assunto. Multa qualificada. Evidente intuito de fraude. Fl. 4955DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 17 31 No documento protocolado em 26 de janeiro de 2016, a recorrente assim se pronunciou: Equívoco maior ainda, é a constatação que não é cabível a multa agravada de 150%, uma vez que não restou comprovada qualquer evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71, 72, e 73 da Lei 4.502/64. Eis que a fraude ali definida não se aplica às hipóteses de compensação, posto que possui pertinência ao fato gerador ou as condições pessoais do contribuinte. Tanto que a Legislação vigente introduzida pela Lei 11.488 de 15 de junho de 2.007, retirou o evidente intuito de fraude, previsto dos artigos 71;72 e 73 da Lei 4.502/64. A alegação é extemporânea, o que indica a preclusão quanto à matéria. Em que pese essa extemporaneidade, procederseá à análise quanto a essa questão, prestigiandose os princípios da ampla defesa, contraditório e verdade material. Pelo entendimento do autuante, a indicação dos créditos nas Dcomps que geraram o auto de infração tratouse de procedimento intencional, uma vez tal ato afrontar dispositivos literais de lei e, ainda, porque nas referidas declarações há informações inverídicas, tudo com o objetivo de beneficiar a contribuinte de imediato. Conforme consta no Despacho Decisório (fls. 111 a 115) a contribuinte apresentou diversas Dcomps nas quais informa como créditos, pagamentos a maior ou indevidos pleiteados em outro processo administrativo (nº 13807.006828/200470), para compensação com débitos de PIS e COFINS relativos ao período de apuração outubro e novembro de 2005. Como se constata nos autos (fl. 9), no processo administrativo citado (n° 13807.006828/200470), o crédito era de terceiros e referiase a pedido de restituição formulado pela pessoa jurídica P & P Porciúncula Participações Ltda. (CNPJ n° 04.888.139/00174): 3 Ao consultar os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificamos que consta como interessado no processo n° 13807.006828/200470 a empresa P & P Porciúncula Participações Ltda. 4 O crédito originalmente informado no processo acima deriva de sentença judicial da Justiça Federal do Rio de Janeiro, o qual, por Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, foi inicialmente cedido e transferido de Nova República Empreendimentos e Participações S/C Ltda para Ademir Wiebbelling AJ — Administração e Participações Ltda e P & P Porciúncula Participações Ltda e, posteriormente, da P & P Porciúncula Participações Ltda para Reunidas S/A Transportes Coletivos e Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A. O objeto da referida ação judicial era a legalidade da cobrança de sobretaxa do extinto Fundo Nacional de Telecomunicações FNT. Os direitos derivados dessa ação Fl. 4956DF CARF MF 32 teriam sido transferidos à recorrente mediante a lavratura de Escritura Pública de Cessão de Direitos creditórios. Em face disso, as compensações (especificamente as Dcomps nº 05440.91500.250705.1.3.043835, nº 24729.98061.241005.1.3.040402 e nº 24604.81966.220805.1.3.040988) foram consideradas "não declaradas". Ressaltese que a própria recorrente reconheceu a impossibilidade de compensação de seus débitos com o crédito indicado (pagamento de sobretaxa da FNT) adquirido de terceiros, quando do pedido de cancelamento das Dcomps indicou como motivo “Total inexistência do crédito” (fls. 172, 173, 188 e 189). Considerou pois o autuante que esse fato, juntamente com outros indicados no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 8 a 17), comprovam que a contribuinte ao compensar indevidamente os valores de débitos declarados, realizou ação que se caracteriza como fraude (art. 72, Lei n° 4.502/64), com a consequente aplicação da multa prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, no percentual de 150%. Consta desse relatório: 9 — O inciso II, § 4°, art. 18, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, exige a aplicação do percentual de 150%, previsto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, conforme definição dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; [...]. 11 — No que tange à compensação com o fim de extinguir o crédito tributário, a legislação impõe o dever instrumental aos sujeitos passivos da obrigação tributária (contribuintes ou responsáveis) de informar ao Fisco os dados dos créditos próprios, mediante entrega da declaração de compensação, para a homologação do feito no prazo qüinqüenal. Como é com base no conteúdo dessas declarações prestadas pelos contribuintes e responsáveis que são verificadas as regularidades dos créditos contrapostos para a compensação, a divergência entre o conteúdo da declaração e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital) e acarreta a evasão de um tributo. A falsidade de uma declaração consiste na deliberada inclusão de situação fática inverídica em seu conteúdo informativo, simulando a ocorrência de um fato ou de suas características (falsidade ideológica, art. 299 do Código Penal). 12 Ao ter enviado uma Declaração de Compensação à Secretaria da Receita Federal informando que o crédito não foi oriundo de ação judicial e não foi oriundo de terceiros, quando sabia ser, não há outra conclusão possível que não a de que a ausência desta informação tenha sido intencional. Quando o agente presta informações em desacordo com a realidade dos fatos e, com isso, reduz ou suprime o pagamento do tributo, tipificada está a conduta do art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.137/90: (grifos acrescidos) Pelo que se verifica nos excertos do relatório acima transcritos, ficou caracterizada a fraude, uma vez que a ação da contribuinte excluiu ou modificou as características essenciais dos fatos geradores, relativamente aos tributos compensados, pela Fl. 4957DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 18 33 redução do montante devido, além de ter evitado ou diferido o pagamento na parte indevidamente compensada, conforme definição contida no artigo 72 da Lei n° 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (Grifo acrescido) Abaixo, ementa de decisão da Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, nesse sentido: Acórdão nº 10709.007 Sessão de 26 de abril de 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE Somente o crédito apurado pelo sujeito passivo, inclusive quando haja decisão judicial com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, ou seja, crédito de natureza tributária, poderá ser utilizado para compensar débitos tributários próprios com este órgão, não tendo esse condão crédito de natureza trabalhista. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO A prestação de informação falsa no preenchimento do formulário eletrônico PER/DCOMP, com o fim de forçar sua transmissão, caracteriza evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96 sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Lançamento Procedente Essas conclusões, como explicitado acima, também são aplicáveis às Dcomps apresentadas em formulário, em face de os créditos (Obrigações da Eletrobrás) não serem oriundos de tributos administrados pela Receita Federal. Inobstante toda essa explanação, quanto à Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900, a conclusão do despacho decisório está assim redigida (fl. 1.271): No uso da competência atribuída, indefiro o pedido de restituição e em consequência considero não declarada a compensação nos termos da legislação de regência. Como pode ser visto à fl. 1.267, o crédito era decorrente de um pagamento indevido ou a maior de contribuição para o PIS/Pasep do período de apuração dezembro de 2003. No entanto, tal pagamento não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Fl. 4958DF CARF MF 34 Em face disso, considerou a autoridade administrativa ter havido fraude por prestação de informação falsa por parte da interessada na compensação. Ocorre que as hipóteses do artigo 74, § 12, da Lei nº 9.430/1996 (de natureza objetiva), que autorizam seja a compensação considerada como não declarada, não contemplam o fato apontado como motivador para tal consideração. Vêse pois que, formalmente, a multa não poderia ter sido aplicada. A uma, porque o caput do artigo 18 da Lei nº 10.833, na redação da Lei nº 11.051/2004, prevê a aplicação caso a compensação seja não homologada. A duas, porque não havia motivo para considerarse a compensação como não declarada. No despacho decisório há longo arrazoado sobre a prestação de informação falsa e ocultação de informação relevante, conforme abaixo (fl. 1.268): A contribuinte promoveu as compensações acima relacionadas. Nesta linha, portanto, não há como se homologar as compensações em questão, mesmo porque os créditos que dariam suporte a dita compensação foram criados artificialmente, ficticiamente, fraudulentamente, consoante se demonstrará adiante. De fato, resta caracterizada a participação da pessoa jurídica na tentativa de fraude engendrada. Neste sentido, mesmo diante das justificativas apresentadas, consideramos que a contribuinte prestou informação falsa nas declarações eletrônicas de compensação e, desse modo, ocultou informação relevante da autoridade administrativa. De vero, a interessada criou "ficticiamente" um crédito, uma vez que não se localizou no sistema de registro de pagamentos, o crédito apontado com as características indicadas de data de pagamento, valor pago, tributo e data de vencimento, devendose, refutálo (sic) como fictício: Neste passo, consoante comprovado — vide tela do sistema sinal às fls.13 inexiste o alegado pagamento indevido ou a maior como informado, inexistindo, portanto crédito em igual montante (1ª falsidade). Em suma, a contribuinte não é credora da fazenda nacional, mas devedora do valor em causa. Nos Perdcomp, todavia, com o intuito de burlar os sistemas eletrônicos de controle da SRF informou a existência de crédito gerado ficticiamente mediante a utilização de artifícios (2ª falsidade). [...] No que tange à compensação com fins à extinção do crédito tributário, a legislação impõe o dever instrumental aos sujeitos passivos da obrigação tributária (contribuintes ou responsáveis) de informar ao Fisco os dados dos créditos próprios, mediante entrega da declaração de compensação, para a homologação do feito no prazo qüinqüenal. Como é com base no conteúdo dessas declarações prestadas pelos contribuintes e responsáveis que são verificadas as regularidades dos créditos contrapostos para a compensação, a divergência entre o conteúdo da declaração e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital) e acarreta a evasão de um tributo. A falsidade de uma declaração consiste na deliberada inclusão de situação fática inverídica em seu conteúdo informativo, simulando a ocorrência de um fato ou de suas características (falsidade ideológica,. art. 299 do Código Penal). Fl. 4959DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 19 35 Posto isso, ao informar que, em 14/02/2005 (data da transmissão dos Perdcomp), a existência de um crédito inexistente correspondente, a contribuinte burlou a norma contido no art. 74 da Lei 9430/1996 na nova redação que lhe foi dada (Lei n° 10.833/2003). Tal conduta amoldase à hipótese de fraude dada pelo art. 72 da lei n° 4.502/1964, abaixo transcrito: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Desta forma, uma vez tendo sido a compensação efetuada com crédito "fictício" de natureza não tributária, concluise ter sido irregular o procedimento adotado pela interessada. Assim sendo, cabe a aplicação de multa isolada conforme previsão contida no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o qual assim dispõe: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No presente caso cabe o lançamento da multa isolada sobre os valores compensados indevidamente, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/1996 em razão da fraude acima referida. Neste sentido, portanto impõese, ainda, considerar como não declarada a compensação face a existência de lei específica (art.156, inciso I, do CTN), ou seja o crédito informado inexiste pois liquidaram débitos devidamente formalizados, quitados mediante pagamentos em DARFs próprios, com ofensa ao estatuído no "caput" do § 3º do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 10.833/2003, combinado com o disposto no § 12, alínea "e" do mencionado art. 74 da Lei n° 9430/1996, na redação dada pela Lei 11.051/2004. Mais uma vez, ressaltase que o caso não se subsume ao contido no disposto no artigo 74, § 12, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.430/1996: Art. 74 [...] [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: [...] Fl. 4960DF CARF MF 36 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. E, muito embora todo o arrazoado, o fato de não existir o pagamento indicado como crédito não caracteriza, por si só, uma falsidade, não havendo comprovação da prática de fraude. Cumulação de multa isolada e de ofício. A recorrente informa que aderiu ao PAEX para pagamento dos débitos que pretendia quitar com as compensações e, por isso, entende que há cumulação indevida de multa isolada e multa de ofício. Os débitos indicados para compensação são de vários períodos de apuração, como pode ser visto nos Relatórios de Atividade Fiscal. Pelo histórico do processo, foi visto que os débitos haviam sido informados em DCTFs, pelo que a multa aplicável para o pagamento em atraso é a de mora. Ademais, a multa isolada é aquela decorrente de prestação de informação falsa no preenchimento do formulário DCOMP. Também, a recorrente traz sua alegação de forma genérica sem indicar quais débitos inseridos no programa excepcional de parcelamento teriam sofrido incidência de multa de ofício. Não há, pois, como se acatar a alegação. Conclusão. Em face do exposto, conheço do recurso para DARLHE provimento parcial, exonerando as multas isoladas em face da Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900 e das Dcomps apresentadas em formulário e protocoladas em 25 de outubro de 2002, 30 de setembro de 2003 e 19 de dezembro de 2003. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 4961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.721401/2016-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 14 01 /2 01 6- 91 Fl. 75DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 49 a 55, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos, relativo a fonte pagadora Ministério dos Transportes, no valor de R$ 28.925,28, gerando assim um saldo de imposto suplementar a pagar no valor de R$ 110,07. A interessada foi cientificada da notificação em 30/05/2016 (fls.47) e apresentou impugnação em 15/06/2016 (fls. 22), instruída co documentos de fls, 03 e 21. Alega, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação e junta novo laudo, cumprindo mais uma vez as exigências legais. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. A contribuinte apresentou laudo, entretanto entende a DRJ que não está nos moldes estabelecidos na legislação acima. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10640.721401/201691 Acórdão n.º 2001000.228 S2C0T1 Fl. 3 3 Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Principalmente porque, em sede de recurso voluntário, em virtude do indeferimento do pleito pela DRJ pela falta de localização da CNES da Instituição, a Recorrente junta novo laudo pericial, com mesmo teor, assinado pela médica assistente, com o carimbo da instituição de saúde onde foi periciada, qual seja o Hospital Universitário da UFJF, CNPJ 12.126.437/002510, CNESHUJF 2218798, e referendado pelo superintendente do HU UFJF. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Fl. 77DF CARF MF 4 Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pela Contribuinte da sua condição de portadora de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portadora de moléstia grave. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917240/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não caracteriza cerceamento de defesa a disponibilização das informações complementares de análise do crédito no endereço eletrônico da Receita Federal, conforme instruções constantes do despacho decisório.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não caracteriza cerceamento de defesa a disponibilização das informações complementares de análise do crédito no endereço eletrônico da Receita Federal, conforme instruções constantes do despacho decisório. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTÊNCIA. Não caracteriza cerceamento de defesa a disponibilização das informações complementares de análise do crédito no endereço eletrônico da Receita Federal, conforme instruções constantes do despacho decisório. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 72 40 /2 01 0- 11 Fl. 372DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedidos de compensações de débitos com créditos de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativos ao 2º trimestre calendário de 2005, declarados na PER/DCOMP nº 07576.06655.200705.1.3.015163. O crédito pleiteado não foi reconhecido pelos motivos indicados nos seguintes termos no despacho decisório: " Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados Indevidos, em procedimento fiscal." (efl. 109) O termo de verificação fiscal foi disponibilizado juntamente com as planilhas de análise do crédito por meio eletrônico, conforme instruções constantes do despacho decisório (efls. 109/113). A cópia do referido termo foi juntada aos autos às efls. 327/328 elucidando as razões pelas quais foram perpetradas as glosas: "Em resultado dos elementos solicitados e documentação apresentada, verificase que: Não foi apresentada pela empresa nenhuma documentação referente ao 4º trimestre de 2003, mesmo após reiteração, obstando a Fiscalização de apurar os valores informados e a autenticidade do saldo credor do IPI declarado e ressarcimento pleiteado. A impossibilidade de verificação do saldo credor do IPI como citado no item anterior, impede o exame e a validação dos saldos subseqüentes que envolvem os demais períodos em questão 1º trim/04 a 2º trim/05. Regularmente intimada, a contribuinte simplesmente ignorou a solicitação de esclarecimento sobre a divergência que se constata entre o saldo credor inicial do 1º trim/04 constante do RAIPI R$407.336,98, com o saldo de R$706.223,79 apontado pela empresa na planilha Excel que demonstra o resumo das apurações do IPI no período de 2003 a 2009. Cabe observar também, que a contribuinte está litigando administrativamente em relação a créditos indeferidos de períodos anteriores aos que estão ora sob análise, não ficando demonstrado, todavia, se os mesmos estão inseridos nos saldos iniciais dos períodos aqui em exame, tendo em vista a não demonstração do saldo inicial do 4º trim/03. Conforme demonstrado no quadro abaixo, a contribuinte não promoveu ao estorno dos créditos nos mesmos valores dos ressarcimentos pleiteados, em absoluto desacordo ao estabelecido na Lei 9.799/99 e IN SRF 33/99. Verificase que parte das importâncias estornadas se referem a valores compensados, e outras parcelas estornadas não guardam correspondência nem com compensações efetuadas nem tampouco com os valores de ressarcimento pleiteado, como seria correto. Notese ademais, que parte dos estornos foram escriturados em períodos sem qualquer relação com a data determinada na legislação, qual seja, a da entrega (transmissão) das PERDCOMPs. Ressaltese portanto, que ao estornar valores inferiores aos dos créditos a ressarcir, a empresa desfigura os saldos credores Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10880.917240/201011 Acórdão n.º 3402004.989 S3C4T2 Fl. 373 3 consignados em seus Registros de Apuração do IPI, mantendoos, indevidamente, em valores superiores ao devido. Da conclusão Tendo em vista o aqui exposto, e com fundamento na Lei 9799/99 e IN SRF 33/99, combinados com os artigos 34, 127, 130 e 164 do Decreto 4.544 de 26 de dezembro de 2002, proponho o indeferimento total dos créditos a ressarcir pleiteados, nos valores e respectivos períodos relacionados no item 1 retro, que perfazem o montante de R$2.660.879,36, e o encaminhamento da presente Informação Fiscal à alimentação do SCC, para apreciação e providências pertinentes." (efls. 327/328) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão n.º 0955.776 da 3ª Turma da DRJ/JFA, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Ao transmitir eletronicamente uma DCOMP que contenha detalhamento do lastro creditório das compensações nela declaradas, incumbe à interessada transmitente, caso a DCOMP não seja homologada por decisão fundamentada do Fisco, o ônus de demonstrar, por meio de prova cabal, que aquele lastro creditório por ela indicado na DCOMP revestiase de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 329) Fl. 374DF CARF MF 4 Intimada desta decisão em 18/06/2015 (efl. 349), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 20/07/2015 (efl. 350/354) alegando em síntese: (i) o cerceamento do direito de defesa, vez que o despacho decisório não traz as razões pelas quais os créditos não foram homologados, indicando apenas que o valor do crédito não foi integralmente reconhecido. Sustenta a Recorrente que esse vício não teria sido sanado com a apresentação de relatório pela fiscalização após a manifestação de inconformidade, que não teria número de referência; (ii) a ausência de razão para o indeferimento dos pedidos de compensação formulados. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente, sustenta a Recorrente que teria ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa, vez que não teriam sido esclarecidas as razões para as glosas dos créditos. Contudo, conforme instruções constantes do despacho decisório (efl. 109), as informações complementares de análise do crédito, incluindo os demonstrativos do crédito e a Informação Fiscal, foram disponibilizados ao contribuinte no endereço eletrônico da Receita Federal: E como se depreende das cópias das telas do site da Receita anexadas nos presentes autos (efls. 110/113), além das planilhas de apuração do crédito de ressarcimento do IPI, constava ainda um link com o arquivo da Informação Fiscal que detalhou as razões para as glosas dos créditos, anexadas aos presentes autos às efls. 327/328 (cujos termos com os detalhes das glosas perpetradas foram transcritos no relatório deste voto): Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10880.917240/201011 Acórdão n.º 3402004.989 S3C4T2 Fl. 374 5 Cumpre salientar que em nenhum momento a Recorrente traz qualquer evidência de que não teria tido acesso a esses documentos disponibilizados no endereço eletrônico da Receita antes da apresentação do despacho decisório. Apenas afirma, de forma genérica, que as razões para as glosas do crédito não teriam sido apresentadas e que não teria sido sanada com a apresentação no processo do relatório fiscal das efls. 327/328. Ora, ao contrário do que aduz a Recorrente, desde o início do processo lhe foi disponibilizada todas as informações quanto à glosa do crédito, não tendo sido apresentado qualquer documento ou informação que pudesse afastar esse fato. A Informação Fiscal elaborada já havia sido disponibilizada eletronicamente à Recorrente antes da apresentação da Manifestação de Inconformidade, tendo sido apenas anexada às efls. 327/328 para garantir a integral instrução no presente processo. Não consta dos autos qualquer indício de que a Recorrente não teria conseguido, por qualquer motivo, acessar eletronicamente os documentos que lhe foram disponibilizados. Assim, inexiste nos autos o cerceamento ao direito de defesa suscitado pela Recorrente. Adentrando no mérito, observase que a Recorrente não trouxe nenhum elemento fático ou jurídico capaz de afastar a conclusão do despacho decisório. Ora, como já firmado por esta turma em distintas oportunidades, como no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria, em se tratando de Declarações de ressarcimento e de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 376DF CARF MF 6 Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Sua defesa apenas afirma que declarações de compensações anteriores foram homologadas, sem entrar em quaisquer das razões da glosa indicadas na Informação Fiscal e no Despacho Decisório. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 377DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.720048/2015-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
INSUFICIÊNCIA RECURSAL. DECISÃO RECORRIDA COM DOIS FUNDAMENTOS INDEPENDENTES. RECURSO DEVOLVENDO APENAS UM FUNDAMENTO.
Decisão recorrida afasta a sujeição passiva indireta com base em dois fundamentos independentes. Recurso especial enfrenta apenas o segundo fundamento, e não se pronuncia sobre o primeiro. Resta caracterizada a insuficiência recursal na medida em que o recurso, ainda que demonstre a divergência na interpretação da legislação tributária em face do segundo fundamento, não se mostra apto a afastar a responsabilização tributária, mantida com fulcro no primeiro fundamento não combatido.
Numero da decisão: 9101-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INTERESSE COMUM Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PPL PARTICIPAÇÕES LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INSUFICIÊNCIA RECURSAL. DECISÃO RECORRIDA COM DOIS FUNDAMENTOS INDEPENDENTES. RECURSO DEVOLVENDO APENAS UM FUNDAMENTO. Decisão recorrida afasta a sujeição passiva indireta com base em dois fundamentos independentes. Recurso especial enfrenta apenas o segundo fundamento, e não se pronuncia sobre o primeiro. Resta caracterizada a insuficiência recursal na medida em que o recurso, ainda que demonstre a divergência na interpretação da legislação tributária em face do segundo fundamento, não se mostra apto a afastar a responsabilização tributária, mantida com fulcro no primeiro fundamento não combatido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 00 48 /2 01 5- 39 Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.884 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 2238 e segs.) interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402.001.237, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, em sessão realizada em 11/8/2016 (efls. 2201 e segs.), que negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo indireto para excluir a responsabilidade solidária. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 1004/1022 e 1095/1145) tratou de exigência de IRPJ, PIS/PASEP, COFINS, CSLL e IRRF, relativos ao anocalendário de 2003, relativa às infrações: (i) omissão de receitas caracterizada por pagamentos de despesas efetuados com recursos estranhos à contabilidade; (ii) omissão de receitas caracterizada por exigibilidades não documentadas ou cuja origem não pode ser determinada ou cuja aplicação em atividades operacionais de empresas do Grupo Parmalat instaladas no Brasil não ficou comprovada; (iii) custos ou despesas não comprovadas e glosa de despesas desnecessárias, que são as despesas bancárias e com juros não comprovadas ou relativas a empréstimos que não ingressaram no Brasil para aplicação nas atividades operacionais de empresas do Grupo Parmalat, além de juros passivos contabilizados a maior, referente a divida convertida em capital; (iv) redução indevida do lucro real em virtude da exclusão de valor não comprovado, referente a variações cambiais passivas de operações liquidadas; (v) não adição de parcela de juros recebidos decorrentes de mútuo com pessoa vinculada no exterior (preços de transferência) e (vi) multas isoladas, por falta de recolhimento de estimativa mensais. A exigência de IRRF se deu sobre pagamentos a beneficiários não identificados. Foi atribuída a responsabilidade solidária, por interesse comum, à empresa PADMA INDUSTRIA DE ALIMENTOS S.A, nova denominação de PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS, CNPJ 89.940.878/000110 ("PADMA"). O sujeito passivo direto não apresentou impugnação. O sujeito passivo indireto PADMA apresentou impugnação (efls. 1167/1207), mas não ofereceu razões de defesa contra o mérito da autuação, limitandose a deduzir, em preliminares, a nulidade dos lançamentos e a decadência das exigências, e no mérito, a impossibilidade de sua responsabilização por débitos da PPL. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI (efls. 1496/1550), apenas para exonerar parte das exigências de PIS e COFINS, em razão da decadência. Foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício) em razão do crédito tributário exonerado. Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.885 3 O sujeito passivo indireto interpôs recurso voluntário (efls. 1720/1824). A 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF (efls. 2201/2230) decidiu negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa isolada por estimativas mensais e excluir a responsabilidade solidária. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 2238 e segs.) para protestar da exclusão da responsabilidade solidária, que foi admitido pelo despacho de exame de admissibilidade de efls. 2.860/2.863. Às efls. 2.998 do processo apenso nº 16561.000193/200849, consta despacho da DERAT/SP informando que foi formalizado o presente processo de nº 16151.720048/201539, para receber o litígio em relação à atribuição de responsabilidade solidária de PADMA, em face da interposição do Recurso Especial da PFN, permanecendo nos autos do processo nº 16561.000193/200849, o crédito tributário definitivamente constituído em face do contribuinte PPL. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal Foram formalizados autos de infração de IRPJ, PIS/PASEP, COFINS, CSLL e IRRF, relativos ao anocalendário de 2003, pela constatação das seguintes infrações: (i) omissão de receitas caracterizada por pagamentos de despesas efetuados com recursos estranhos à contabilidade, conforme planilha que constitui o anexo 1; (ii) omissão de receitas caracterizada por exigibilidades não documentadas ou cuja origem não pode ser determinada ou cuja aplicação em atividades operacionais de empresas do Grupo Parmalat instaladas no Brasil não ficou comprovada, conforme anexo 2; (iii) custos ou despesas não comprovadas e glosa de despesas desnecessárias, que são as despesas bancárias e com juros não comprovadas ou relativas a empréstimos que não ingressaram no Brasil para aplicação nas atividades operacionais de empresas do Grupo Parmalat, conforme planilha que constitui o anexo 3, além de juros passivos contabilizados a maior, referente A divida convertida em capital (anexo 4); (iv) redução indevida do lucro real em virtude da exclusão de valor não comprovado, referente a variações cambiais passivas de operações liquidadas; (v) não adição de parcela de juros recebidos decorrentes de mútuo com pessoa vinculada no exterior (preços de transferência); (vi) multas isoladas, por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução (o anexo 6 totaliza por mês os valores relacionados nos anexos 1 e 2; tais valores foram somados no anexo 7 as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, para calculo das multas incidentes sobre as estimativas não pagas) (vii) IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados. Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.886 4 Foi atribuída como sujeito passivo indireto, na condição de responsável solidária, a pessoa jurídica PADMA, fundamentada, em resumo, sobre os seguintes pontos: a) mesmo controle societário na época da ocorrência dos fatos geradores; b) revezamento das mesmas pessoas no comando das empresas do Grupo Parmalat no Brasil, inclusive na administração da PPL; c) o fato de que a PPL está inscrita no CNPJ como “holding” e, portanto, não possui receitas próprias; e: d) a configuração de uma sociedade de fato entre a PPL e a PADMA, em função da dependência financeira da primeira. Da Fase Contenciosa. O sujeito passivo direto PPL não apresentou impugnação. O sujeito passivo indireto PADMA apresentou impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO I, para exonerar parte das exigências de PIS e COFINS em razão da decadência, nos termos do Acórdão nº 1622.863, conforme ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorreram as situações previstas nos incisos I e II do art. 59 e, portanto, nada há nos autos que dê causa a declaração de nulidade, pois a impugnação demonstra que a imputação de responsabilidade tributária solidária e suas causas foram compreendidas. Preliminar indeferida. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial de 5 anos é contado do 10 dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, pois não houve pagamento antecipado. Preliminar indeferida. PAGAMENTO ANTECIPADO. PIS. COFINS. ERRO. DECADÊNCIA. Ocorreu erro no critério temporal ao se lançar o PIS e a COFINS em 31 de dezembro, alcançando valores referentes ao período de janeiro a dezembro, quando o período de apuração dessas contribuições é mensal. Assim, devem ser expurgados do lançamento os valores referentes ao período de janeiro a novembro, em face de ter ocorrido a decadência. MULTAS ISOLADAS SOBRE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. Por se tratarem de penalidades, a regra de decadência aplicável é a mesma que rege o imposto e a contribuição dos quais decorrem. Preliminar indeferida. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.887 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÕES DE RECEITAS. CUSTOS OU DESPESAS NÂO COMPROVADAS E GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS DE OPERAÇÕES LIQUIDADAS NÃO COMPROVADAS. JUROS RECEBIDOS DE MÚTUO COM PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Matérias não impugnadas. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDARIA. PARMALAT. A confusão de patrimônio, de localização física, de gestão, de negócios, etc. configura o interesse comum referido no artigo 124, inciso I, do CTN, que autoriza a atribuição de responsabilidade tributária solidária. AUTO REFLEXO. CSLL. O voto referente ao IRPJ aplicase ao seu reflexo. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. O voto referente ao IRPJ aplicase aos seus reflexos, quanto às omissões de receitas de dezembro. IRRF. Matéria não impugnada. MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Mantémse a multa aplicada, dada expressa previsão na legislação vigente Foi efetuada remessa necessária e a PADMA apresentou Recurso Voluntário. A 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, decidiu negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do coobrigado para exonerar a imputação da responsabilidade solidária e cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do Acórdão nº 1402001.237, com ementa na sequência: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.888 6 prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a multa isolada, quando há concomitância com a multa de ofício proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dada pela Lei nº 11.488/2007. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Recurso de Ofício Negado Provimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. A FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial no qual alega que o Acórdão nº 1402001.237, conferiu interpretação divergente à legislação tributária, no tocante à atribuição da responsabilidade solidária pelo interesse comum. No mérito, em relação à responsabilidade tributária, aduz que "a Fiscalização logrou demonstrar a pertinência da aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional para que a Parmalat Brasil Industria de Alimentos respondesse solidariamente pelas dívidas tributárias objeto do presente feito, demonstrandose inequivocamente, a existência de interesse comum entre as empresas ali envolvidas. Transcreve, do Termo de Constatação, as razões que levaram a auditoria à imputar a responsabilidade solidária por interesse comum à PADMA. Cita jurisprudência administrativa que, segundo alega, traria entendimento no sentido de que os elementos fáticos que caracterizam o interesse comum estariam presentes no caso, uma vez que foram constatadas condutas fraudulentas, confusão patrimonial, mesmo controle societário, identidade de endereços, e ausência de receita própria da PADMA, além de contabilidade irregular. Aduz que o interesse comum a que se refere a norma não é revelado apenas pelo interesse econômico no resultado ou no da situação que constitua o fato gerador, mas pelo interesse jurídico que diz respeito à realização conjunta ou comum da situação que constitua o fato gerador. Aponta a existência de grupo econômico entre as empresas que estaria configurado pelos seguintes elementos: (i) composição de entidades estruturadas como empresas e, (ii) que entre elas haja um nexo relacional, passando a enumerar, novamente, os Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.889 7 fatos apurados que comprovariam o nexo relacional e, assim, a existência de grupo econômico. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial. Requer, ao final, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reforma da decisão recorrida, restabelecendose integralmente a decisão de primeira instância, de forma que seja mantida a totalidade do lançamento. O Despacho de Exame de Admissibilidade de fls. 2.860/2.863 deu seguimento ao recurso. O sujeito passivo indireto não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. O recurso especial interposto pela PGFN é tempestivo, contudo, há que se apreciar outros requisitos processuais em relação à admissibilidade. Tratase da insuficiência recursal do recurso especial. Fato é que a decisão recorrida (voto do relator Leonardo de Andrade Couto, na parte em que foi vencedor) amparouse em dois fundamentos, autônomos e independentes, para afastar a responsabilidade tributária do sujeito passivo indireto. Primeiro, discorre que a recorrente ingressou com pedido de recuperação judicial, e dentre as medidas estava relacionada a alteração do seu controle acionário, o que ocorreu com a alienação da participação societária para a pessoa jurídica Lácteos do Brasil S/A. A adquirente, por sua vez, obteve declaração judicial no sentido de que não se encontraria suscetível à responsabilização por obrigações de terceiros, com fulcro no art. 60 da Lei nº 11.101, de 2005. Diante de tal situação, entendeu a decisão recorrida que a sucessora não poderia ser responsabilizada por dívidas tributárias da autuada. Vale transcrever excerto da decisão: Além de questionar a aplicabilidade ao presente caso do art. 124, inciso I, do CTN; utilizado pela autoridade fiscal como base legal para estabelecer a sujeição passiva da recorrente, a interessada suscita que a não sujeição da impugnante a débitos de titularidade da autuada teria sido decretada judicialmente. Os documentos apresentados pela interessada e que demonstrariam suas alegações foram analisados perfunctoriamente pela decisão recorrida que, sem qualquer comentário adicional, simplesmente afirmou: "Os documentos Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.890 8 apresentados não provam que a decisão transitou em julgado e não demonstram que não pode ser atribuída responsabilidade tributária solidária impugnante. Argumento improcedente." A recorrente ingressou com pedido de recuperação judicial e dentre as medidas previstas no respectivo Plano encontravase a alteração do seu controle acionário, detido então pela PPL (também em recuperação judicial), que seria alienado judicialmente a terceiros, dentro do processo judicial. Tal operação foi efetivada em abril de 2006, tendo sido o controle acionário da Impugnante alienado à sociedade Lácteos do Brasil S/A. Essa última requereu, junto ao respectivo Juízo, a declaração incidental no sentido de que a empresa recuperanda recorrente não se encontraria suscetível à responsabilização por obrigações de terceiros. Após manifestação inicial, objeto de embargos de declaração, o magistrado decidiu nos seguintes termos (destaque acrescido): Acolho os embargos de declaração especificando que decisão embargada ao acolher o pedido, teve por finalidade declarar que a LÁCTEOS e as unidades que adquiriu não são sucessoras, da vendedora, de quaisquer ônus decorrentes de quaisquer obrigação, nos termos do art. 61, "caput" e parágrafo único, da Lei n. 11.101/05 e evidentemente que não dela mesma. O art. 60, da Lei n° 11.101/05 (e não o art. 61, mencionado por lapso) estabelece: Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1" do art. 141 desta Lei. Do até aqui exposto, em sentido diverso ao pronunciamento da decisão recorrida entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de abrigo judicial para não ser responsabilizada por dívidas tributárias da autuada. (Grifei) Como se pode observar, o voto foi no sentido de que, por si só, o art. 60 da Lei nº 11.101, de 2005 já seria suficiente para afastar a responsabilização tributária. Em seguida, o voto discorre sobre um segundo fundamento, tratando diretamente da incidência ao art.124, inciso I, do CTN. Ocorre que a recurso especial da PGFN só enfrentou o segundo fundamento. Nada disse sobre o primeiro, referente a interpretação do Colegiado sobre a aplicabilidade do art. 60 da Lei nº 11.101, de 2005, ao caso concreto. Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 16151.720048/201539 Acórdão n.º 9101003.380 CSRFT1 Fl. 2.891 9 Nesse sentido, restou caracterizada a insuficiência recursal. Isso porque, ainda que se entendesse demonstrada a divergência em relação ao art. 124, inciso I do CTN, remanesceria fundamento autônomo que a decisão recorrida entendeu ser suficiente para o afastamento da sujeição passiva indireta, o art. 60 da Lei nº 11.101, de 2005. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2891DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12457.734421/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 14/08/2012
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O DO DECRETO-LEI 1455/77
Ocorre a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. Hipótese em que as declarações de importação mencionam importação direta, mas a contabilidade, extratos bancários e planilhas encontradas na sede do contribuinte, demonstravam importações pro conta e ordem de terceiro.
Numero da decisão: 3201-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 14/08/2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O DO DECRETO-LEI 1455/77 Ocorre a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. Hipótese em que as declarações de importação mencionam importação direta, mas a contabilidade, extratos bancários e planilhas encontradas na sede do contribuinte, demonstravam importações pro conta e ordem de terceiro.
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E ESTILO CEREAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/08/2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O DO DECRETOLEI 1455/77 Ocorre a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. Hipótese em que as declarações de importação mencionam importação direta, mas a contabilidade, extratos bancários e planilhas encontradas na sede do contribuinte, demonstravam importações pro conta e ordem de terceiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 73 44 21 /2 01 2- 09 Fl. 1232DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade. Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, e multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de lançamento da multa capitulada no art. 23, inciso V e seus parágrafos, do Decretolei n° 1.455, de 07/04/76, com a redação alterada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de dezembro de 20021, no valor total de R$ 750.824,16, inerente à conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro, conforme tabela abaixo. [...] Segundo a descrição dos fatos constante no relatório fiscal a empresa EXPORTADORA DE ARMARINHOS LÍDER LTDA (doravante denominada LÍDER) seria pessoa interposta fraudulentamente uma vez que a fiscalização teria reunido indícios suficientes para apontar a ESTILO CEREAIS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ Nº 05.865.323/000161 (doravante denominada ESTILO) como uma das reais adquirentes das mercadorias importadas pela primeira, conforme quadro abaixo. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 94 3 O quadro reflete o fluxo de todas as mercadorias importadas pela LÍDER durante o período auditado, não se restringindo à empresa solidária neste lançamento, mas a todos os REAIS ADQUIRENTES das mercadorias, destacados em azul. São dezoito adquirentes no total autuados em processos administrativos distintos. As setas em vermelho indicam o fluxo contábil das mercadorias (aquele obtido pelo cotejamento entre os dados da DI e os dados das Notas Fiscais de Entrada e de Saída). Por outro lado, as setas em azul indicam o real fluxo das mercadorias, já que em todos os casos as mercadorias foram enviadas aos reais adquirentes sem nem passar pelos estoques da LÍDER. A motivação fiscal fundamentouse essencialmente nos seguintes fatos: 1 o resultado da análise da capacidade econômicofinanceira fornecidos pela empresa para habilitação ordinária no Siscomex só lhe permitiu importar em 2008 até o limite semestral de US$ 1.800.000,00 FOB, inclusive com indeferimento do pedido realizado em agosto de 2009 para aumento desse limite. No entanto, consta em documento apresentado pela sua contabilidade que entre dezembro/2007 a dezembro/2008 a empresa importou em torno de US$ 30.000.000,00; 2 a incompatibilidade entre a movimentação bancária e a capacidade financeira da empresa e dos sócios cujo patrimônio se manteve estável nos anos de 2007, 2008 e 2009, inexistindo para estes a reversão do lucro comercial que se espera em face da repentina elevação do movimento bancário e comercial da empresa nesse período. Fato que apontaria para outro beneficiário do resultado desta movimentação comercial, responsável pelo fornecimento dos recursos financeiro; 3 a diligência realizada na empresa em 23/01/2012, foi constatada a existência de um galpão com cerca de 300m² e apenas um funcionário registrado como carregador no período fiscalizado e sem despesa de carga e descarga. A mercadoria seria entregue diretamente ao adquirente sem passar por este depósito, conforme Livro Registro de Inventário de Estoque, onde em 2008 consta o estoque de apenas 1,35 toneladas de feijão; 3.1 o quadro abaixo mostra que as Notas Fiscais de Entrada e respectivas Notas Fiscais de Saída foram emitidas no mesmo dia ou dia próximo. Fl. 1234DF CARF MF 4 4 a existência de planilhas de custo real preparadas pela LÍDER e direcionadas aos reais adquirentes das mercadorias, apresentando: o custo da operação (inclusive uma distinção entre um “custo REAL” e outro “meramente contábil”); qual seria a comissão que a LÍDER receberia; o ganho ou prejuízo cambial repassado ao adquirente; um saldo favorável ou desfavorável a adquirente, em relação ao valor “REAL” e aquele “meramente contábil”; e, também, um valor referente a Imposto de Renda – IR e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – que deveria ser repassado pela adquirente à LÍDER, conforme exemplos abaixo. [...] 4.1 Verificase nas planilhas que a primeira frase destacada em amarelo informa que os dados são das IMPORTAÇÕES SOLICITADAS. A frase intermediária atribui às notas fiscal valor meramente contábil, dissociada da realidade financeira, e a última frase indica que a diferença entre o valor depositado e aquele que posteriormente se verificou como sendo o custo real para o adquirente, deveria ser paga ou restituída por fora; 5 – a existência de duas planilhas específicas em nome da ESTILO, conforme abaixo. 5.1 Chama a atenção para os campos em amarelos incluindo os saldos “contábil” e “Extra”, LÍDER, CPMF e Câmbio; 6 o quadro abaixo relativo às DI da ESTILO, formado a partir dos extratos bancários, Livro Diário e dos contratos de câmbio encaminhados pela LÍDER, onde a fiscalização aponta Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 95 5 transferências oriundas da ESTILO no mesmo dia do fechamento do Contrato de Câmbio para pagamento da importação registrada na correspondente DI e conclui que sem o oportuno crédito dos adquirentes a LÍDER não disporia de recursos suficientes para a liquidação do contrato de câmbio: [...] Fl. 1236DF CARF MF 6 7 a ESTILO respondeu a Termo de Intimação, apresentando breves explicações sobre o assunto e disse que houve uma grande enchente que danificou vários documentos, entretanto não apresentou Boletim de Ocorrência. Também afirmou que a negociação foi realizada através de corretores que lhe apresentaram amostra do feijão, mas não apresentou nenhum contrato. 7.1 a Fiscalização também junta, como demonstração do modus operandi, contratos preparados pela corretora IBÉRICA para outras duas empresas, conforme abaixo. [...] Por fim, após transcrever o DL nº 37/66, art. 95, incisos I e V2, a fiscalização concluiu que “no caso vertente, restou por comprovado que tanto a fiscalizada como a empresa ESTILO concorreram e se beneficiaram da prática da infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002; logo ambas devem figurar no pólo passivo da presente atuação, a fiscalizada na figura de contribuinte e a empresa ESTILO na figura de responsável solidária”. Impugnação da LÍDER Cientificada do lançamento pessoalmente em 09/11/2012 (fls. 1015) a LÍDER apresentou impugnação em 07/12/2012 (fls.10231038) alegando em síntese que: foi desmotivado o indeferimento do seu pedido de habilitação para aumentar o valor limite das importações; a fiscalização teria sustentado que a empresa não possuía recursos para o volume de operações que realizou, entretanto, no próprio corpo do auto de infração (relatório) ela afirma que “No presente caso não estaremos, necessariamente, evidenciando a capacidade financeira estrita da LÍDER, mas estaremos, sim, calculandoa no contexto das regras estabelecidas pela RFB quanto à habilitação para operar no Siscomex”; em 2008 trabalharam várias pessoas no depósito da impugnante de forma autônoma, embora as diárias pagas não tivessem sido contabilizadas em sua maior parte; Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 96 7 não haveria impedimento para a autuada, visando evitar gastos desnecessários, fazer entrega direta ao cliente quando a totalidade da carga importada a ele se destinava; o mercado estava ávido por produtos alimentícios, mas já começava a ficar inadimplente com a autuada, inclusive a empresa MÁXIMO já possuía uma dívida aproximada de R$ 900.000,00, o que a levou a exigência de solicitar, em regra, depósito antecipado às vendas (no pedido) apesar de adquirir a prazo dos seus fornecedores argentinos, ou seja, somente depois de confirmado o pagamento o produto era encaminhado ao cliente. Em alguns casos o depósito era efetuado quando da proximidade do fechamento do contrato de câmbio; a empresa tem crédito consolidado junto aos seus fornecedores, o que é suficiente para demonstrar sua capacidade econômico financeira em operar no comércio exterior; os valores adiantados pelos seus clientes no ato do pedido eram utilizados para pagamento de contratos de câmbio referentes a outras operações anteriores realizadas a prazo cuja mercadoria nem sempre era daquele mesmo cliente; no caso concreto, o contrato de câmbio referente ao pedido da ESTILO foi fechado com recursos recebidos de outros clientes; os recursos de outros clientes foram depositados nos mesmos dias dos depósitos efetuados pela ESTILO logo o fechamento do câmbio não teria ocorrido com recursos exclusivos desta e tampouco a mercadoria era destinada exclusivamente a ela; a autuada operava às claras, emitia nota fiscal de saída vinculada DI, o que é perfeitamente normal e contabilmente correto, e o valor da “comissão” nada mais era que uma pequena margem de lucro, conforme consta nos livros contábeis; A autuada indaga se há proibição de recebimento antecipado de seus clientes ou de vender uma carga fechada diretamente a um só cliente e finalmente requer a procedência da impugnação por falta de provas de que a autuada operou por conta e ordem da empresa ESTILO. Impugnação da ESTILO Cientificada do lançamento em 28/11/2012 por edital (fl. 1019) a ESTILO apresentou impugnação em 24/12/2012 (fls. 10531083 e 1096). A impugnante reconhece que fora intimada por AR em 23/11/2012 (sextafeira) e alega em síntese que: 1. tempestividade da impugnação e sinopse do auto de infração. 2. esforço histórico: a impugnante é sociedade empresária, sediada na cidade de São Paulo, cuja atividade primordial é a compra e venda por atacado de cereais e grãos. Seu estabelecimento situase na região do Brás, na capital paulista, onde se aglomeram os Fl. 1238DF CARF MF 8 comerciantes do gênero alimentício que abastecem o mercado de grande parte do Brasil; a impugnante celebrou com a EXPORTADORA DE ARMARINHOS LTDA, doravante referida apenas como LÍDER, negócio de compra e venda feijão, destinadas a serem revendidas para seus clientes. as vendas foram intermediadas por um corretor de cereais que levou amostra do produto ao estabelecimento da impugnante e propôs o negócio pela modalidade de entrega futura, bastante utilizada no mercado das commodities. Por ser o corretor de confiança, realizou o negócio verbalmente; as amostras da mercadoria só foram extraídas após estarem em poder da empresa LÍDER no exterior, o que evidencia que a venda foi feita depois de iniciado o processo de importação. Nesse contexto depois de iniciado o processo, se a impugnante não aprovasse as amostras, não ia existir negócio jurídico entre ela e a LÍDER que teria que, naquele momento, angariar outro comprador para as mercadorias. o pagamento antecipado à entrega da mercadoria reduz o preço de compra da mercadoria, permitindo maior lucratividade; em relação ao alienante, consegue realizar a operação ainda que descapitalizado, com lucros menores, mas, em contrapartida, garante cobrir os custos de sua atividade garantindo a venda do estoque; outra vantagem da modalidade é a garantia para ambas as partes de manutenção do preço da mercadoria, ainda que haja variação brusca no mercado, o que poderia prejudicar os ganhos de uma ou de outra parte. Com o preço fixado e pago anteriormente, é assegurado o ganho de um lucro mínimo. esse foi o elemento motivador do negócio. Ao apresentar as amostras, o corretor afirmou que o importador não tinha como cobrir os custos do desembaraço aduaneiro, e necessitava de pagamento do preço antecipado para liberar as mercadorias na alfândega. 3. ilegitimidade da impugnante para figurar como devedor: Segundo se recolhe do relatório fiscal que acompanha o auto de infração, a impugnante concorreu e se beneficiou da prática da infração tributária, incorrendo nas previsões de responsabilização solidária do art. 95 do Decretolei nº 37/1966, e do art. 124 do Código Tributário Nacional. no entanto, as presunções do Fisco não merecem prosperar, pois em nada a impugnante influiu no procedimento de nacionalização da mercadoria, não guardando qualquer relação como fato gerador da sanção pecuniária em questão; Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 97 9 3.1. impossibilidade de se reconhecer a impugnante como encomendante ou que se tenha comprado por sua conta e ordem: não estão presentes a circunstancias fáticas que pressupõem a revenda a encomendante predeterminado ou venda por conta e ordem de terceiro nos termos da legislação aduaneira vigente; a impugnante não mandou a LÍDER realizar a importação, muito menos incumbiu esta de realizar a importação, não fez pedidos, e nem encomendou mercadorias, esta assumiu todos os riscos da operação, inclusive o de não encontrar comprador, o qual foi encontrado no meio do processo de importação, portanto não seria a impugnante uma encomendante predeterminada; como bem afirmaram os auditores fiscais, com base no parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa nº 634/2006, da SRF, não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente; portanto, o fato de a impugnante arcar previamente com parte dos custos da importação, único fato a ela atribuível presente nas extensas laudas da fiscalização a ela pertinente, de acordo com a Lei, não é suficiente para caracterizar a operação de revenda a encomendante predeterminado previsto na Instrução Normativa nº 634/2006 da SRF, muito menos caracterizar ORDEM de terceiro; os auditores fiscais não demonstraram em sequer uma linha a existência de elementos que caracterizem a encomenda das mercadorias pela impugnante, tais como indicação de fornecedor, quantidade, qualidade etc, em momento anterior ao início do procedimento de importação; 3.2. relação estritamente comercial: não há liame subjetivo entre as partes que configura em ânimo delas de concorrerem para prática de infração, o que seria pressuposto para ser imputada responsabilidade solidária entre ambas; NÃO HÁ COMO ARQUITETAR TAMANHA E COMPLEXA FRAUDE FISCAL ENTRE DUAS EMPRESAS QUE NÃO DETÉM QUALQUER LIGAÇÃO OU RELAÇÃO DE CONTROLE; a indagação que se faz é como iriam arquitetar a fraude e projetar a interposição fraudulenta se sequer os representantes das duas se conheciam ou se falavam? Não há indícios de conluio. 3.3. inexistência de motivos para a Estilo importar e se ocultar Fl. 1240DF CARF MF 10 a impugnante tem boa saúde financeira, não apresentou qualquer irregularidade contábil ou fiscal e sendo fiel cumpridora de suas obrigações tributária estaria apta a se habilitar no Siscomex; QUAL O MOTIVO DE SE OCULTAR ATRÁS DE UMA EMPRESA MAIS DESORGANIZADA E COM CAPACIDADE FINANCEIRA PIOR, SE ISSO SERIA PREJUDICIAL NA CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS? 3.4. inexistência de responsabilidade solidária: a impugnante apenas comprou as mercadorias por meio de um corretor, e não tinha ciência dos procedimentos de importação, desembaraço aduaneiro e demais atos da logística da transferência da mercadoria, razão pela qual não participou do processo que os auditores mencionam ter sido fraudulento; As penas a serem aplicadas à importadora não podem ser aplicadas na mesma proporção à impugnante, posto não ter concorrido com a fiscalizada para realizar a importação. Não há provas nesse sentido colhidas pela fiscalização.; 3.5. PRELIMINAR impossibilidade da imputação de responsabilidade pela fiscalização – competência exclusiva da PGFN em sede de Execução fiscal: o ato de atribuição de responsabilidade de terceiros não integrantes da relação fiscocontribuinte não é de competência da fiscalização, isto porque a responsabilização pessoal no direito tributário pátrio tem como pressuposto o exercício de gestão fraudulenta, circunstância fática que para ser demonstrada e aplicada às particularidades do caso concreto necessita de dilação probatória por via própria, a qual só poderá ser obtida pelas vias judiciais, sob o crivo dos princípios do contraditório e da ampla defesa; conforme o Acórdão nº 10196.791, de 25 de junho de 2008,: PESSOAS ARROLADAS COMO RESPONSÁVEIS PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário é matéria de execução, da esfera de competência da d. Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), devendose anular os atos de atribuição de responsabilidade lavrados pela fiscalização e desconhecer as razões de recurso vinculadas ao tema. No das outras questões suscitadas, diversas da atribuição de tornase imprescindível como forma de assegurar aos recorrentes o direito à ampla defesa e ao no âmbito processual regulado pelo Decreto 70.235/72. 4. PRELIMINAR princípios norteadores do processo administrativo – do princípio do devido processo legal (contraditório e ampla defesa) – da falta de intimação do impugnante – do cerceamento de defesa – da nulidade absoluta: Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 98 11 iniciada em 2008, somente agora, em dezembro de 2010 (sic), a impugnante teve ciência do lançamento; sem que tivesse sido intimado a acompanhar/responder sobre qualquer fato demonstrado no Termo de Constatação Fiscal; mesmo na fase inquisitorial, não pode ser negado o direito de acesso a todos os documentos e provas colhidas na investigação, seja do próprio contribuinte ou de terceiros; não obstante o Fisco Federal possuir os indícios relatados no Termo de Constatação da Ação Fiscal, quedouse omisso em intimar a impugnante para, pelo menos, apresentar suas razões, antes que o procedimento fiscalizatório fosse encerrado; a administração deve agir com transparência e boafé, assegurando ao contribuinte a não surpresa na ação administrativa; a chamada “colheita de prova” deve ser precedida de autorização judicial segundo o rito da legalidade previsto na Lei nº 9.430/96; a Lei nº 9.784/99 LGAPF garante o direito do administrado ter ciência da tramitação do processo em que tenha interesse, para que, dentre outros princípios ocorra o devido processo legal; Ninguém pode ser processado ou condenado sem que tenha ciência da acusação que se lhe faz, das alegações da parte das provas produzidas e das decisões exaradas nos autos, em âmbito administrativo ou judicial. Essa ciência ao suposto responsável tributário é feita através da intimação em procedimento fiscal, em que se cientifica o acusado da imputação. 5. questões de mérito. 5.1. ausência de dano ao Erário, efetivo ou em potencial. não houve qualquer dano efetivo ao erário, pois todos os tributos e obrigações tributárias acessórias foram adimplidos pelo importador, assim como todos os tributos incidentes sobre as transferências de propriedade da mercadoria da LÍDER para a impugnante foram quitados, como registrado na contabilidade de ambas as sociedades e constatado pelos agentes da fiscalização. vislumbrase do vasto rol de documentos colhidos pela fiscalização que não houve sequer potencial dano ao Erário; 5.1 (sic). dever de prova do Fisco no que tange aos fatos que culminaram no lançamento. Fl. 1242DF CARF MF 12 há falar que verificados supostos indícios ou presunções que indicam fatos tributáveis haveria a transferência do ônus da prova para o contribuinte, para que fizesse a demonstração e justificação dessas presunções; em face dos princípios da legalidade e da motivação, o estado não tem o ônus (processual) de provar a ocorrência dos suportes fáticos que desencadearam sua ação, o qual admite inversão, mas sim o dever jurídico (material) de proválos, o que é insuscetível de inversão; Não há nos autos qualquer demonstração de prova nesse sentido, revelandose apenas meros indícios e presunções que certamente são imprestáveis a sustentar a atividade fiscal; nem se pode alegar que caberia ao contribuinte o ônus de desfazer as presunções e indícios apontados pela Fiscalização, para desmontar a autuação em comento, tendo em vista que em nenhum momento participou do feito fiscal; Nesse diapasão, mister invocar a doutrina do eminente processualista, Professor Humberto Theodoro Júnior, no que se refere ao ônus da prova: Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito. Actore non probante absolvitur réus. Nos casos de abuso da utilização das presunções, há um nítido comprometimento quanto à legalidade e segurança na instância administrativa. Dos pedidos Diante do exposto, requer que V. Exa. dignese a: a) RECEBER a presente Impugnação, eis que regular e tempestiva, na forma da legislação já invocada; b) ACOLHER A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA invocada, excluindo do processo como coobrigado a impugnante, por ser absolutamente ilegal a coobrigação a ela imputada; c) ACOLHER A PRELIMINAR de nulidade do procedimento fiscal, por desrespeito às suas formalidades pelo agente por ele responsável, o qual não intimou o impugnante a acompanhar os trabalhos fiscais contra si processados, o que torna nulo o lançamento/trabalho fiscal; d) Apreciar as razões de mérito, se não acolhidas as preliminares, DECLARANDO A IMPROCEDÊNCIA da apuração fiscal, e extinguindose o crédito tributário, com o conseqüente arquivamento deste processo; Das provas Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 99 13 Requer a produção de todos os meios de provas em direito admitidos, principalmente a prova testemunhal, consistente no depoimento do corretor que intermediou o negócio entre as partes e documental suplementar. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/12/2007, 06/12/2007, 12/12/2007, 19/12/2007, 21/12/2007, 24/12/2007, 31/12/2007, 10/01/2008, 30/01/2008, 31/01/2008, 02/05/2008 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. PRESUNÇÕES LEGAIS Presumese importação por conta e ordem de terceiro a realizada com utilização de recursos por este fornecidos, ainda que parcialmente. Também se presume importação por conta e ordem de terceiro a realizada para encomendante predeterminado sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. As operações de comércio exterior realizadas pela autuada por conta e ordem de terceiros, sem atender às condições da legislação de regência, caracterizam a ocultação do real adquirente das mercadorias. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real adquirente das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SOLIDARIEDADE DO REAL ADQUIRENTE Responde conjunta ou isoladamente pela infração de dano ao Erário o real adquirente da importação realizada por sua conta e ordem (DL 37/66, art. 95, incisos I e V). IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE TERCEIRO PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado o fato que o subsume à norma de responsabilidade solidária de terceiro, a fiscalização deve desde logo apontar fundamentadamente tal situação para fins de cobrança e inclusão de todos os responsáveis solidários na Dívida Ativa mediante os trâmites e formalidades legais. Fl. 1244DF CARF MF 14 PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A ciência do Auto de Infração tomada por qualquer um dos sujeitos passivos solidários indicados na descrição dos fatos aperfeiçoa o lançamento em relação aos demais e poderá evitar a decadência, ainda que se tenha utilizado para ciência primeiramente o Termo de Sujeição Passiva Solidária com o Auto de Infração em anexo. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de cinco anos, contados da data da infração, portanto, seu quinto aniversário encerra o período permissivo (SCI nº 32, de 2013 Cosit). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA COLETA DE PROVAS. PRESCINDIBILIDADE. A coleta de provas mediante intimação ou livre acesso ao estabelecimento do sujeito passivo em horário comercial prescinde de autorização judicial. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. OPORTUNIDADE. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Será indeferido o pedido de diligência quando os elementos que integram os autos demonstrarem ser suficientes para a plena fundamentação da convicção do julgador. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. Improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Na aplicação subsidiária da Lei nº 9.784, de 1999, não se considera cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo a ausência de nova ciência sobre fatos do seu interesse, inclusive em tramitação processual de terceiro, se após a última ciência não exercitou, espontaneamente, seus direitos previstos no art. 3º da citada lei. Impugnação Improcedente Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 100 15 Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Os presentes recursos preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Inicialmente, algumas questões preambulares devem ser postas. A legislação aduaneira brasileira conta, atualmente, com três modalidades de importação: a direta, por "conta e ordem" e "por encomenda". Na importação direta, também conhecida como por “conta própria” as mercadorias são adquiridas pelo importador, com recursos próprios. A “importação por conta e ordem” é modalidade de importação que existe ao lado da “importação por encomenda”, que implica a terceirização das operações de importação. Com efeito, conforme esclarecimento veiculado na página da Receita Federal na internet, muitas empresas hoje necessitam realizar operações de importação as quais, como é notório, pressupõem conhecimentos profundos atinentes à legislação tributária e aos controles administrativos. Por essa razão, é vantajosa, estrategicamente, a terceirização dessa atividade a empresas especializadas em comércio exterior, como as tradings companies ou comercial exportadoras, para que as empresas possam envidar esforços no desenvolvimento do foco de seu objeto social. Contudo, para a preservação da segurança pública e garantia do crédito tributário, evitandose situações de interposição fraudulenta ou utilização de “laranjas” na importação, a legislação detalha minuciosamente a forma como devem se configurar essas operações, de maneira que a empresa que efetiva a operação de importação, ou seja,que realiza o negócio jurídico de fundo, de compra e venda internacional, seja perfeitamente identificada, além de estabelecer obrigação solidária pelo crédito tributário originado da operação. Assim, na importação por conta e ordem, uma empresa – a adquirente – interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços – a importadora por conta e ordem – para que esta, utilizando os recursos originários da contratante, providencie, dentre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente. A INSRF 225/2002, assim estabelece que: Fl. 1246DF CARF MF 16 Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 . Por outro lado, a INSRF 247/2002, no capítulo “Importação por Conta e Ordem de Terceiros”, nos arts. 86 a 88, discorrem minuciosamente sobre a estruturação jurídica e sobre obrigações acessórias. Diz o art. 86: Art. 86. O disposto no art. 12 aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II – os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; e III – a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1 º Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. § 2 º A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência das contribuições com base no valor da operação. II – registrar na sua escrituração contábil, em conta específica, Depreendese dos dispositivos que disciplinam a operação, que na importação por conta e ordem, o importador vende ao adquirente das mercadoria apenas a prestação de serviços, sendo a transmissão da propriedade das mercadorias feita diretamente do exportador ao adquirente. Vislumbramse, portanto, duas relações jurídicas: uma de prestação de serviços e outra, de compra e venda internacional. Por outro lado, a importação por encomenda configurase quando uma empresa (encomendante predeterminada) contrata uma empresa importadora, para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante, no mercado interno. Nessa categoria, ocorrerá, da mesma forma, duas relações jurídicas distintas, porém, ambas de compra e venda: uma internacional (importação) e, outra, no mercado interno, após a nacionalização das mercadorias. Determina a Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 101 17 a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1 o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3º Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007) A Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006, por sua vez, determina: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Enquanto as regras da importação por conta e ordem, em sua letra, prescrevem que há presunção de sua ocorrência, no caso de utilização de recursos financeiros de terceiros, a legislação da importação por encomenda, afirma, incondicionalmente, que esta se configura na hipótese de “importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”. Conforme se verificou, a interposição nas operações de importação, por si só, não é evento vedado pela legislação; ao contrário, a legislação, especialmente por questões de logística, erigiuse no sentido de disciplinar as formas legítimas de interposição no comércio exterior. A interposição associada ao predicado de “fraudulenta”, coibida pelo ordenamento jurídico, é aquela, segundo a legislação, na qual não se comprova a origem, Fl. 1248DF CARF MF 18 disponibilidade e transferência dos recursos empregados, como prescreve o Decretolei n. 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Ocultase o sujeito que adquiriu a mercadoria, figurando em seu lugar, outro sujeito, que se utiliza de recursos financeiros do primeiro, simulandose ser este parte contratante na compra e venda. Com esse tipo de artifício, é possível tornarem opacas ao Fisco e das autoridades públicas em geral, situações em que os recursos financeiros tenham origem em ilícitos e que não tenham sido oferecidos à tributação, operações com empresas vinculadas, a quebra da cadeia do IPI, dentre outras situações. No caso em apreço, o início de fiscalização originouse de procedimento de revisão de valores para a empresa LÍDER operar no comércio exterior, na modalidade ordinária, em janeiro de 2008, com limites semestrais para Importações (CIF US$) e Exportações (FOB US$) de US$ 1.800.000,00. A empresa pleiteou um aumento do seu limite de importação para US$ 6.000.000,00 (seis milhões de dólares americanos), sendo que, nos termos do artigo 5º da IN 650/2006, a pessoa jurídica requerente de habilitação no Siscomex deve ser submetida à análise fiscal, devendo ser avaliada a capacidade financeira para suportar as transações internacionais pretendidas. A partir desse procedimento de habilitação no Siscomex, a fiscalização constatou que a movimentação bancária anual da LÍDER, entre 2007 e 2009, quando se constatou que do primeiro para o segundo período aumentara em 2.800%, ao passo que o patrimônio dos sócios ou se manteve constante ou decaiu, de acordo com tabela elaborada pela fiscalização, constante do TVF: Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 102 19 Em vista de enorme discrepância entre a movimentação financeira da LÍDER em relação ao seu patrimônio e dos sócios, prosseguiramse as investigações, até se chegar a diversas operações que supostamente teriam sido valendose do expediente da interposição fraudulenta, não só com a empresa solidária no presente caso, a ESTILO, como com diversas outras empresas. Especificamente no que tange às operações com a ESTILO, nas DIs objeto do presente processo, a LÍDER figura como importador direto, conforme demonstrado no TVF, contudo, de acordo com minucioso levantamento feito pela fiscalização, que inclui análise da contabilidade e planilhas encontradas junto à autuada, todas as operações foram efetuadas com recursos da ESTILO, mediante cobrança de comissão e repasse de todos os custos, inclusive referentes a imposto sobre a renda e CSLL. Nesse contexto, vale transcrever alguns excertos do TVF que demonstram como as operações eram realizadas: As planilhas comprovam as suspeitas levantadas no início do Auto, de que a LÍDER operava POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS, conforme se observa nos trechos destacados em amarelo. Nos três primeiros quadros, observase que a LÍDER enviava aos seus adquirentes os CUSTOS REAIS (Reais, porque as Notas Fiscais emitidas são “meramente Contábeis”, conforme destacado nas mesmas planilhas. Assim, a Líder emitia as Notas, mas exigia valor diferente do declarado, já que incluía neste valor o lucro/prejuízo cambial, seus custos tributários com faturamento/Receita de Vendas, e a sua comissão pelo serviço prestado). É bastante relevante observar a primeira frase destacada em amarelo nas três primeiras planilhas, quando o sócio administrador da LÍDER, envia planilha informando os dados de: “IMPORTAÇÕES SOLICITADAS”. Ou seja, os adquirentes solicitavam que a LIDER realizasse em seu nome suas importações (“por ordem”), enquanto que as antecipações de recursos para fechamento do contrato de câmbio, conforme serão demonstradas nos tópicos de auditoria das Declarações de Importação abaixo, demonstram que a disponibilidade financeira vinha de terceiros (“por conta”). Outro ponto importante de se observar é a última frase destacada em amarelo, nas três primeiras planilhas, indicando que a diferença entre o já depositado pela real adquirente para garantir a importação e aquilo que a LÍDER posteriormente verificou como sendo o REAL custo da operação (já que ela incluía/excluía a variação cambial, sua comissão, seus custos tributários, etc), deveriam ser pagos “POR FORA”, certamente com o intuito de tentar fugir da fiscalização da Receita Federal do Brasil. Isto já demonstra de forma inequívoca o intuito dolos da LÍDER e das REAIS ADQUIRENTES. Já nas três últimas planilhas, todas em nome da própria ESTILO, podese observar que a LÍDER, já incluía o nome do Comprador (ESTILO, a Real Adquirente) das mercadorias, discriminando seus custos e sua comissão sobre a importação Fl. 1250DF CARF MF 20 das mercadorias. Ora, quem cobra comissão, não realiza vendas, mas sim prestação de serviços; neste caso o serviço de realizar a importação de mercadorias por conta e ordem de terceiros. O dolo também pode ser visto nesta planilha, já que nas duas últimas linhas dela, são lançados valores contábeis a favor da LÍDER e um valor “EXTRA” a ser repassado a ela. A LIDER repassa, também, os custos com CPMF e Câmbio nas duas últimas planilhas. Ou seja, a LIDER não auferia “lucros”, ela registrava importações solicitadas por outras empresas e repassava os custos para que eles antecipassem os recursos e lhe pagassem uma comissão pelo serviço de intermediação comercial. [...] Os registros contábeis da LÍDER comprovam o exposto no quadro acima, já que a empresa só possuía um funcionário registrado para realizar a função de carregador no período fiscalizado. Não há registro contábil de despesas com carga e descarga de mercadorias no seu estabelecimento. Como é possível uma empresa importar aproximadamente 10.000 toneladas de feijão e possuir apenas um funcionário, contratado para trabalhar meio período? Só é possível se esta empresa já revender as mercadorias sem que as mesmas passem por seu estoque. Este fato é comprovado pela análise do Livro Fiscal de Registro de Inventário de Estoques, em que consta apenas 1,35 tonelada de feijão estocado durante todo o ano de 2008. Tanto o registro do empregado, como o Livro de Registro de Inventário encontramse anexo a este Auto. [...] Importante destacar o fato descrito no parágrafo anterior e visualizado na tabela acima, que demonstra que a LÍDER emitia Notas Fiscais de entrada e saída apenas para fins de fraudar sua contabilidade e tentar ludibriar a fiscalização federal, já que a mercadoria já tinha um cliente predeterminado. Assim, a fiscalizada emitia uma NF de Entrada e logo em seguida Notas de saída que, pela numeração, percebese que foram feitas em seqüência, normalmente com a mesma data de emissão das Notas de Entrada. Esse fato não é irrelevante; não se trata de fato meramente formal. Tratase de fraude, pois a LÍDER, além de declarar ao Fisco que era a Adquirente das mercadorias, também declarava nos MIC´s – Manifesto Internacional de Cargas –que o endereço de entrega da mercadoria seria em sua própria sede, mas por outro lado, emitia Notas Fiscais de Saída no mesmo instante em que emitia Notas Fiscais de Entrada, com o intuito de enviar as mercadorias diretamente para o Real Adquirente. A Recorrente ESTILO, por sua vez, intimada a prestar esclarecimentos sobre as operações, inclusive a entregar "cópias, devidamente assinadas e datadas por sócio responsável, de todos os documentos bancários hábeis e idôneos comprobatórios do efetivo pagamento das transações comerciais refletidas pelas notas fiscais relacionadas no “item 2”(guias de depósitos, de transferências bancárias, TED’s, DOC’s, cópias de cheques etc), Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 12457.734421/201209 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 103 21 efetuandose a vinculação entre cada documento e a nota fiscal respectiva.”, respondeu à fiscalização que "havia ocorrido uma GRANDE ENCHENTE que danificou vários documentos no qual não teve como recuperálos. Entretanto, não apresentou nenhum laudo ou Boletim de Ocorrência que comprovasse o fato. Apresentou, cópia de algumas das Notas Fiscais de Saída, referentes às compras das mercadorias e alguns comprovantes de depósito, que confirmam a antecipação de recursos para pagamento do Contrato de Câmbio das Importações realizadas pela LIDER." Contudo, pelos extratos bancários da Líder pode ser constatado que transferências da ESTILO, no mesmo dia do fechamento dos Contratos de Câmbio para pagamento das DIs, conforme retrata a contabilidade da LÍDER. Nesse ponto, é de se observar que para cada uma das DIs englobadas pela presente autuação, 07/16759726, 07/16988261, 07/16988318, 07/16988334, 07/16988644, 07/17335474, 07/17342934, 07/17730870, 07/17866933, 07/17893779, 07/18115621, 07/18115630, 08/00502935, 08/01562818, 08/01637524, 08/06393950, a fiscalização demonstrou, por meio de extratos bancários, Razão e contrato de câmbio, que a ESTILO supria os recursos para acobertála. Ainda, apontese para o fato de que a ESTILO não é habilitada para operar no comércio exterior. No recurso voluntário apresentado pela LÍDER, de forma geral, descreve o modus operandi de sua atividade comercial, para demonstrar a sua legitimidade, a sua capacidade financeira, dentre outros argumentos, porém, não enfrentou a questão basilar, que estribou a autuação, que foram as planilhas, documentos contábeis e extratos bancários. A ESTILO, por sua vez, guerreou aspectos do tipo legal da interposição fraudulenta, como a solidariedade do adquirente, a inexistência de dano ao Erário, dentre outros tópicos, que apenas poderiam ser acolhidos, no caso de declaração de inconstitucionalidade do art. 23, V e § 2º, do Decretolei n. 1455/76, o que refoge aos limites do contencioso administrativo fiscal. Em face das provas incontrastáveis dos autos, entendese que restou configurada a interposição fraudulenta nas operações de importação da empresa LÍDER com a empresa ESTILO. Assim, voto pela improcedência dos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1252DF CARF MF 22 Fl. 1253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13831.000495/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007
AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória submete-se a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. MANUTENÇÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
Numero da decisão: 2401-005.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para o recálculo da multa, com fulcro no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007 AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória submete-se a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. MANUTENÇÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para o recálculo da multa, com fulcro no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
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GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. MANUTENÇÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 00 04 95 /2 00 7- 11 Fl. 104DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para o recálculo da multa, com fulcro no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório B & L ASSESSORIA E COMÉRCIO EM INFORMÁTICA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1419.401/2008, às fls. 59/69, que julgou procedente o lançamento fiscal, referentes a constatação que a Autuada apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas as competências 01/02 a 05/07, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores, de acordo com o explanado no Relatório Fiscal da Infração, deixando de informar a remuneração de contribuinte individual— sócios administradores, o que constitui infração as disposições contidas no art. 32, inc. IV, da Lei n°8.212, de 24/07/91, com a redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97, conforme Relatório Fiscal, às efls.05/08, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: AI DEBCAD nº 37.076.7969, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3°, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 02 e seguintes, no decorrer do procedimento fiscal, foi constatado que a empresa deixou de informar nas GF1P's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as remunerações dos contribuintes individuais, Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, período 01/2002 a 05/2007 e Anibal Ventura Gonçalves Almeida, período 01/2006 a 05/2007, ambos sócios administradores da empresa, conforme contrato social e alteração contratual. Desta forma, a empresa deixou de informar corretamente todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei n° 8.212 de 24/07/91, também acrescentado pela Lei n° 9.528 de 10/12/97 combinado com o art. 225, IV, § 4 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06.05.99. Como a empresa não informou as remunerações dos sócios nas GFIP's, folhas de pagamento e também não exibiu a contabilidade, as remunerações dos segurados contribuintes individuais foram arbitradas conforme prescreve o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212 de 24/07/1991; o artigo 233 do Decreto n° 3.048 de 07/05/1999 e a Instrução Normativa n°03, de 14/07/2005, artigos 596 e 597. No período de 01/2002 a 12/2003, para apurar a remuneração de Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, foram considerados os rendimentos atribuídos A sócia, informados na Declaração Anual Simplificada PJ , exercício 2002 e na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003. No período de 01/2004 a 05/2007, na ausência de outros elementos, foi considerada para a base de cálculo, a maior remuneração paga a empregados da empresa, verificada nas folhas de pagamento. Desta forma foi apurada também a remuneração do sócio Anibal Ventura Gonçalves Almeida, no período de 01/2006 a 05/2007. Os empregados que receberam as maiores remunerações e que serviram de parâmetro para a apuração das contribuições devidas Fl. 106DF CARF MF 4 foram: Junio César Ferreira, período 01/2004 a 09/2004 e Dirceu Carvalho Ramon , período 10/2004 a 05/2007. A empresa fez opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES em 21/12/1998, data de sua constituição. Em 01/01/2002 foi excluída do sistema, dado este, verificado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 15/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/10/2007. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 73/76, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, suscitando preliminarmente a decretação da decadência em observância ao prazo quiquenal, estando fulminado a pretensão arrecadatória. Aduz que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732,de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade da presente, por encontrarse embasada em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais. Portanto, nulificado o ato, deixase, conseqüência, de existir a obrigação tributária exigida em tela, posto que os seus efeitos somente poderão atingir os atos futuros, à partir da nova decisão administrativa ou do novo ato declaratório excluindo a recorrente do SIMPLES, e estando a empresa inativa há mais de anos, nada mais deve ao Fisco em sede de obrigação principal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Regular processamento do feito, o processo foi pautado para julgamento no dia 18 de fevereiro de 2014 pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, antiga integrante desta Colenda Turma, onde naquela oportunidade o Colegiado, por unanimidade, decidiu por transformar o julgamento em diligência nos termos da Resolução n° 2401000.342, in verbis: (...) DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente auto de infração está ligado à sorte dos AI de Obrigação Principal lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, mas, os quais não foi possível identificar a correlação direta com o presente AI, quais sejam: DEBCAD Nº Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 4 5 37.076.7985, 37.076.8000, 37.076.8027, 37.076.8035 e 37.076.8051, conforme descrito do TEAF, sendo que não se identificou decisão final a respeito da mesma nos sistemas do CARF. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado da referida NFLD Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca das AIOP conexo(s). Caso as referidas AIOP já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas definitivamente deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto de cada AI, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto de infração de obrigação acessória em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vista ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. Em resposta a diligência encimada, foram anexados ao processo os documentos de efls. 90/93, contendo o seguinte termo de resposta, in verbis: 1. Em atenção a Solicitação de Diligência contida na Resolução acima referenciada, de fls. 82/86, vimos informar que o AIOP conexo a este AIOA é a NFLD 37.076.8051 que se constituiu no processo nº 13831.000507/200715. 2. Referido AIOP se encontra pendente de julgamento do recurso voluntário junto ao CARF, conforme constam das consultas realizadas, cujas telas juntamos às fls. 90/92. 3. Assim sendo e considerando a finalidade da Diligência, propomos o retorno do presente processo ao CARF, sem vista ao recorrente em razão de ausência de fatos novos. (...) Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos retornaram a minha relatoría e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DECADÊNCIA A contribuinte suscita preliminarmente a decretação da decadência em observância ao prazo quiquenal, estando fulminado a pretensão arrecadatória. Quanto à alegação encimada, sem maiores discussões, por ser jurisprudência pacificada deste Tribunal, merece ser observado não prosperar no caso a alegação de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I do CTN. MÉRITO O lançamento fiscal é referente a constatação de que a autuada apresentou GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas às competências 01/2002 à 05/2007, com informações incorretas ou omissas, quais sejam, as remunerações pagas aos sócios administradores (contribuinte individual), conforme Auto de Infração, às efls.05/08, e demais documentos que instruem o processo. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sustentando que multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732,de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade da presente, por encontrarse embasada em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais. Portanto, nulificado o ato, deixase, conseqüência, de existir a obrigação tributária exigida em tela, posto que os seus efeitos somente poderão atingir os atos futuros, à partir da nova decisão administrativa ou do novo ato declaratório excluindo a recorrente do SIMPLES, e estando a empresa inativa há mais de anos, nada mais deve ao Fisco em sede de obrigação principal. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 5 7 Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar a exclusão do Simples da autuação fiscal correlata e fazendo alegações genéricas. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou explicitado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, contrariando o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação da penalidade calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS. Ocorre que, julgado na mesma sessão, o lançamento conexo foi mantido em sua integralidade, nos termos do Acórdão n°2401005.287 , conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 31/05/2007 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA OBJETO DE PROCESSO DIVERSO JÁ JULGADO. Estando definitiva a decisão que excluiu a contribuinte da sistemática do SIMPLES, não cabe a rediscussão da referida matéria no processo administrativo cujo objeto é o lançamento de créditos decorrentes de tal exclusão. Referido processo de lançamento de créditos pode ter seu trâmite em concomitância com o processo em que se discute a exclusão do SIMPLES, uma vez que é dever da autoridade fiscal realizar o lançamento a fim Fl. 110DF CARF MF 8 de evitar a decadência. Matéria sumulada pelo CARF (Súmula nº 77). Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à manutenção do lançamento retomencionado, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal principal, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, na forma que pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 6 9 § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 112DF CARF MF 10 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifamos) Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 7 11 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Júlio César Vieira Gomes se manifestou com muita propriedade, conforme se depreende do excerto do Voto condutor do Acórdão n° 2402001.895, exarado nos autos do processo n° 15983.000199/200892, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: [...] O recorrente já se beneficiou do direito à relevação de parte da multa aplicada pela correção parcial da falta, mas ainda não quanto à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao exame desse direito. Seguem transcrições: [...] Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; Fl. 114DF CARF MF 12 d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 8 13 Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao Fl. 116DF CARF MF 14 vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13831.000495/200711 Acórdão n.º 2401005.287 S2C4T1 Fl. 9 15 caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ressaltase que a verificação da regra mais benéfica deve ser em relação ao Fl. 118DF CARF MF 16 valor da multa aplicada no autodeinfração, anteriormente à qualquer outra redução em face da correção parcial da falta ou outro motivo. Isto porque a retroatividade benéfica do artigo 106 do CTN se opera no plano da subsunção do fato à nova regra jurídica. A relevação de parte da multa pela correção parcial da falta do decorrer do processo deve ser realizada após a incidência da nova regra. Melhor explicando: devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor; após, a relevação de parte da multa remanescente na proporção da correção parcial da infração. [...] Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência do lançamento em relação ao mérito, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em parcial consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.902693/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA
Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 26 93 /2 01 2- 50 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10320.902693/201250 Acórdão n.º 1302002.672 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte, Equatorial Soluções SA, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 41440.69796.200712.1.3.044098), com a qual pretendia utilizar um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ para quitar débitos próprios de tributos federais. Contudo, em despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Luiz, o crédito indicado no mencionado PER/DCOMP não foi reconhecido e, por consequência, a compensação não foi homologada. O Recorrente foi devidamente intimado do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Contudo, ao apresentar sua Manifestação de Inconformidade, com as alegações acerca da suposta legitimidade do crédito indicado na PER/DCOMP, o fez após ultrapassados os 30 dias estipulados na legislação em vigor para manejo do recurso administrativo. Desta feita, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), demonstrando aquela intempestividade, proferiu acórdão, no qual não conheceu do apelo do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito indicado no pedido de compensação só ocorreu por um "erro da administração", uma vez que, pela análise detida das declarações do contribuinte, o direito creditório deveria ser reconhecido. Assim, independentemente da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, requereu que o Recurso Voluntário fosse conhecido e provido, para, ao final, ser reconhecido o crédito utilizado para o pagamento de débitos próprios do contribuinte, como indicado no pedido de compensação apresentado. Este é o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.902693/201250 Acórdão n.º 1302002.672 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.668, de 16.03.2018, proferido no julgamento do processo nº 10320.901811/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.668): A questão posta em análise é simples e não demanda maiores divagações. . Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Como é sabido, o art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96 (redação dada pela Lei n.º 10.833/2003), determina que, nos casos de pedidos de compensação, em que não houver a homologação pela autoridade fiscal ou que se esta homologação for parcial, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento do despacho denegatório. Confirase a redação do dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.902693/201250 Acórdão n.º 1302002.672 S1C3T2 Fl. 5 4 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. E mais: o artigo 14 do referido Decreto aduz que a apresentação da Impugnação da exigência fiscal, que, mutatis mutandis, tem a mesma função da Manifestação de Inconformidade, instaura "a fase litigiosa do procedimento". Assim, não restam dúvidas, pela interpretação sistemática do ordenamento, em especial daqueles dispositivos que regem o processo administrativo em âmbito federal, que a não apresentação ou a apresentação fora do prazo previsto em lei de Impugnação/Manifestação de Inconformidade afasta a instauração da fase litigiosa administrativa, tornando, por consequência, a autuação fiscal definitiva (pelo menos em âmbito administrativo). Esta é, inclusive, a orientação do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996. Vejase: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Despacho Decisório lavrado pela autoridade fiscal. Assim, é preclusa a matéria apresentada no Recurso Voluntário, uma vez que, repitase, não foi instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem inúmeros julgados nesse sentido. Como exemplo, citase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção QUARTA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402003.473 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10320.902693/201250 Acórdão n.º 1302002.672 S1C3T2 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que não atacou em específico a declaração de intempestividade do acórdão recorrido, à luz do que determina os preceitos do art. 17 e 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. No presente processo, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 21/01/2013, sendo o dia o 20/02/2013 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/02/2013, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000221/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1994 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 21 /2 00 7- 47 Fl. 1488DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 11330.000221/200747 Acórdão n.º 2201004.051 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 1490DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 11330.000221/200747 Acórdão n.º 2201004.051 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 1492DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1493DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.014169/00-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA.
O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Uma vez afastada a decadência contra o Fisco, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado RIGESA DO NORDESTE INDUSTRIA DE EMBALAGENS S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Uma vez afastada a decadência contra o Fisco, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 41 69 /0 0- 74 Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.765 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 180101.024 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Especial (doravante “Turma a quo”), tendo como interessada RIGESA DO NORDESTE S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrida”). O acórdão apresenta a seguinte síntese dos fatos relevantes ao caso (efls. 932 e seg.): “Tratase de pedido de restituica̧õ do saldo negativo de IRPJ de 31/12/1999, no valor de R$ 126.859,32. Este valor foi atualizado pelo contribuinte para R$ 140.623,56, na data de protocolização do pedido em 03.08.2000. Foi juntado por anexaçaõ o processo de n° 10380.014648/0027, que trata de pedido de compensaca̧õ, fls. 73, vinculado ao crédito em análise. Por meio do Despacho Decisório de fls. 339/341, proferido pelo Serviço de Orientaçaõ e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza CE (SEORT/DRF/Fortaleza) foi indeferida a solicitação da Recorrente, haja vista que o Sefis emitiu o relatório de fls. 121 a 126, concluindo ser indevido o saldo de imposto de renda a restituir declarado no valor de R$ 126.859,32 (Linha 18/Ficha 13A) na DIPJ 2000. Ressaltando que em vez de restituicã̧o, resultou após a diligência saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 31.100,51, não exigido em razão da decadência do direito do fisco promover o lançamento do crédito tributário. O interessado, em 26/09/2005, manifestou sua inconformidade às fls. 348/366. O acórdão recorrido restou assim ementado: Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.766 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administraçaõ Tributária tem cinco anos para exercer o poderdever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazêlo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituicã̧o. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos constitutivos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O pedido de restituição de IRRF em valor que impacta o saldo negativo de IRPJ pode ser considerado como pedido de restituição do saldo negativo, parcial ou total. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. O deferimento do pedido de restituica̧õ que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condicõ̧es: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte. A PFN interpôs recurso especial (efls. 949 e seg.), requerendo a reforma do acórdão recorrido quanto à decadência. O despacho de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial interposto (efls. 961 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (efls. 967 e seg.) pela manutenção do acórdão recorrido. O recorrido não se opôs ao conhecimento do recurso especial. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto quanto ao tema da decadência, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Quanto ao mérito, após refletir detidamente sobre a questão e revendo julgados anteriores deste Tribunal, passei a compreender que assiste razão ao contribuinte em casos como esse. A questão envolve o tema da decadência. Na clara lição de Paulo de Barros Carvalho, “a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo”. O valor prestigiado pelas normas de decadência é a segurança jurídica. Realizado um determinado ato pelo contribuinte, o Direito positivo prescreve um lapso temporal para a atuação da administração fiscal. Transcorrido in albis o prazo decadencial Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.767 4 previsto em lei complementar (Constituição, art. 146; Sumula Vinculante STF n. 8), tornase definitivo o status decorrente daquele ato praticado pelo contribuinte. É pressuposto da norma de decadência a existência de marcos iniciais e finais claramente definidos pelo legislador competente. Em face da escolha pela segurança jurídica, a consequência jurídica da inércia da administração fiscal até o instante definido como termo final é a extinção da competência da administração para questionar os respectivos fatos jurídicotributários. No caso, o contribuinte teria apurado saldo negativo do IRPJ, correspondente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1999. Aplicandose a regra do art. 150 do CTN, o prazo decadencial teria início findaria em 31/12/2004. Em 2005, quando foi proferido despacho que indeferiu os referidos pedidos/declarações de compensação, os lançamentos em questão, que se reportam 31/12/1999, bem como os créditos em questão, já possuíam a nota da definitividade, gozando o contribuinte de segurança jurídica plena quanto à sua imutabilidade de sua situação. Os pedidos de compensação/restituição apresentados pelo contribuinte não interferiram na fruição do direito da administração fiscal para fiscalizar e glosar, por meio de competente lançamento de ofício, os referidos saldos negativos (CTN, art. 142 e 150). Não se trata de causa de suspensão ou interrupção da contagem do prazo decadencial. Se a revisão do saldo negativo não poderia mais ser realizada por via do formal procedimento de lançamento tributário, em razão de indubutável decadência, da mesma forma não pode essa revisão ser realizada mediante simples glosa em procedimento de compensação fiscal. Não se pode deixar de considerar a preocupação suscitada no Colegiado de que tal entendimento poderia vir a favorecer atos fraudulentos, de contribuintes maliciosos que poderiam requerer compensações indevidas. No entanto, compreendo que não se pode analisar o caso da recorrente sob a perspectiva de patologias que não lhe dizem respeito. Não há nos autos nenhuma evidência de atos máfé do contribuinte. Além disso, também considero determinante a inexistência de qualquer enunciado positivado pelo legislador competente capaz de resguardar um prazo indefinido para que a administração fiscal se oponha aos atos do contribuinte, na hipótese deste pleitear a restituição ou compensação de tributos. Na verdade, por ter raízes profundas no princípio da segurança jurídica, a norma de decadência prescrita pelo legislador brasileiro não dá lugar a deslocamentos ou mesmo desconsideração de prazos finais, o que tornaria permanentemente indefinidas as relações jurídicas. Por todo o exposto, voto para CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.768 5 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto ao entendimento de que o Fisco não poderia mais indeferir a compensação pleiteada pela contribuinte, por motivo de decadência. Primeiramente, é importante registrar que o direito creditório discutido nestes autos, correspondente a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999, foi analisado sob mais de um aspecto, e que a matéria objeto do presente recurso especial abrange apenas o item referente à glosa de despesas financeiras referentes a juros passivos e correção monetária, o que justificou a alteração do resultado apurado pela contribuinte no referido período e motivou o não reconhecimento do direito creditório pela Delegacia de origem. O que já foi decidido sobre o reconhecimento e aproveitamento de IR FONTE para fins de composição do referido saldo negativo não guarda relação com o tema da decadência, e, portanto, não é objeto do presente recurso especial. Tratando especificamente da matéria que interessa ao recurso especial sob exame, o acórdão recorrido entendeu que em 12/09/2005, data da ciência do despacho decisório que indeferiu o pleito da contribuinte (vol. 2, efls. 162), a Autoridade a quo não poderia mais realizar uma verdadeira fiscalização na empresa, para fins de verificar a sua contabilidade e modificar a apuração do IRPJ devido, relativo ao anocalendário de 1999, porque esse período já estaria alcançado pela decadência. Seguindo esses mesmo passos, o relator do presente recurso especial, para fins de também reconhecer a decadência, fez a seguinte afirmação no final de seu voto: "também considero determinante a inexistência de qualquer enunciado positivado pelo legislador competente capaz de resguardar um prazo indefinido para que a administração fiscal se oponha aos atos do contribuinte, na hipótese deste pleitear a restituição ou compensação de tributos." Realmente, não há nenhum enunciado legal que garanta um prazo indefinido à administração fiscal para o exame das compensações tributárias. Ao contrário, há um prazo legal para que isso seja feito, e esse prazo está previsto especificamente no art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.769 6 [...] §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. É esse prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" que é dado à Receita Federal para que ela verifique a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. Transcrevo abaixo as bem fundamentadas razões do voto proferido pelo conselheiro Wilson Fernandes Guimarães em julgamento de recurso voluntário apresentado em outro processo (Processo nº 13804.006429/200277, Acórdão nº 130200.613, exarado pela então 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 30/06/2011), onde se examinou essa mesma questão: Há muito tenho me pronunciado no sentido de rejeitar a tese de que os procedimentos relacionados à aferição da certeza e liquidez dos créditos apontados em pedidos de compensação representam, como quer crer a Recorrente, atividade de lançamento ou de sua revisão. Isto porque os referidos pedidos (de compensação) encontramse disciplinados no ordenamento jurídicotributário por um feixe próprio de normas, não lhes sendo aplicável, à evidência, as disposições que tratam do LANÇAMENTO tributário. Nesse sentido, destaco que a COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, forma extintiva do crédito tributário, muito embora constasse do Código Tributário Nacional desde a sua edição (25 de outubro de 1966, DOU de 27 de outubro de 1966), só foi regulamentada, no âmbito dos tributos e contribuições federais, em 1991 (Lei nº 8.383), e, mesmo assim, com significativas limitações. Hoje, a COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA encontrase disciplinada basicamente pela Lei nº 9.430, de 1996. A análise da legislação em referência nos conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar, como pretende a Recorrente, as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.770 7 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); A legislação referenciada nos itens precedentes deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que tange à competência para a apreciação dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. No que diz respeito à competência para a apreciação dos pedidos de compensação, não se pode olvidar que a aferição da certeza e liquidez do crédito indicado pelo requerente constitui providência inafastável, eis que representa condição estabelecida de forma expressa pela lei. Dizse que é necessário aferir a certeza e liquidez do crédito porque só se pode ter convicção em relação a tais atributos a partir de uma investigação criteriosa acerca da sua origem. Em termos jurídicos, o crédito é CERTO quando não se tem dúvida de sua exatidão e de sua procedência; e líquido quando insuscetível de qualquer modificação. Não se pode admitir que a autoridade administrativa competente homologue pedidos de compensação sem que promova verificação acerca da exatidão e da procedência do crédito indicado para o encontro de contas, eis que tal exigência decorre, como já dito, de disposição expressa da lei. Partindo de premissa equivocada, qual seja, a de que, à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, são aplicáveis as normas que tratam da CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, a Recorrente, por decorrência lógica, esposa conclusões da mesma forma equivocadas. Impróprias, portanto, as considerações da Recorrente acerca da inexistência de prazo para que a autoridade administrativa revise o lançamento, eis que não estamos diante de tal atividade, mas, sim, de homologação de pedido de compensação, regida, no que diz respeito a prazo, pelo disposto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 9101003.306 CSRFT1 Fl. 1.771 8 Ressalto que acolher a tese da Recorrente representaria, em última análise, afirmar que as disposições normativas que tratam da COMPENSAÇÃO, em especial as relacionadas ao prazo que tem a Administração Tributária para homologar as compensações declaradas, são absolutamente inúteis, pois, qualquer procedimento que tem por objetivo aferir a liquidez e certeza do crédito indicado para compensação, representará, à luz do raciocínio da contribuinte, atividade de lançamento, sujeita às disposições legais a ela inerentes. Observese, por exemplo, o contribuinte que no último dia para apresentação tempestiva do seu pedido de restituição entrega uma PER/DCOMP. Pelo raciocínio da ora Recorrente, o crédito trazido para fins de compensação não mais poderia ser aferido pela autoridade administrativa, haja vista que, consideradas as disposições do art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, e do art. 150 do Código Tributário Nacional (parágrafo 4º), tal direito teria desaparecido em razão de caducidade. [...] No caso sob exame, o pedido de compensação foi apresentado em 12/09/2000 (vol. 1, efls. 75), e o despacho decisório que indeferiu esse pedido foi cientificado à contribuinte em 12/09/2005 (vol. 2, efls. 162), dentro ainda do prazo para que a Receita Federal examinasse a compensação pleiteada. Não houve lançamento de tributo. O que ocorreu foi a verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação por ela pretendida, em razão do não reconhecimento daquele direito. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Vale observar que há questões no recurso voluntário atinentes ao mérito da glosa das despesas financeiras, e também em relação a outras matérias (multa de ofício e juros selic), cujo exame restou prejudicado naquela fase processual, porque foi reconhecida a decadência contra o Fisco. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, determinando que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para o exame das matérias suscitadas no recurso voluntário e não apreciadas naquela fase processual em razão do que lá foi decidido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1060DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.000579/2002-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2000
SOCIEDADE COOPERATIVA. OPERAÇÕES COM ASSOCIADOS E TERCEIROS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
As exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, previstas no art. 15 da Medida Provisória 1.858-7/1999 (atual Medida Provisória 2.158-35/2001), aplicam-se apenas às operações realizadas entre cooperativas e cooperados ou cooperativas associadas. Por não serem atos cooperativos, tais deduções não são permitidas para as receitas provenientes das operações realizadas pela sociedade cooperativa com terceiros ou com outras sociedades cooperativas não associadas.
REGRA DA NOVENTENA. ART. 15 DA MEDIDA PROVISÓRIA 1858-7/1999. VIGÊNCIA.
Em razão da regra da noventena, as exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, originariamente instituídas no art. 15 da Medida provisória 1.858-7/1999, foram permitidas somente para os fatos geradores ocorridos a partir do início do mês de novembro de 1999, data que entrou em vigor o referido preceito legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a apuração da base de cálculo em relação: a) ao ano 1997, mediante aplicação do percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita brutal total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos; e b) ao período de 11/1999 a 7/2000, mediante aplicação do resultado da diligência, consignado no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 709/710.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2000 SOCIEDADE COOPERATIVA. OPERAÇÕES COM ASSOCIADOS E TERCEIROS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. As exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, previstas no art. 15 da Medida Provisória 1.8587/1999 (atual Medida Provisória 2.15835/2001), aplicamse apenas às operações realizadas entre cooperativas e cooperados ou cooperativas associadas. Por não serem atos cooperativos, tais deduções não são permitidas para as receitas provenientes das operações realizadas pela sociedade cooperativa com terceiros ou com outras sociedades cooperativas não associadas. REGRA DA NOVENTENA. ART. 15 DA MEDIDA PROVISÓRIA 1858 7/1999. VIGÊNCIA. Em razão da regra da noventena, as exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, originariamente instituídas no art. 15 da Medida provisória 1.8587/1999, foram permitidas somente para os fatos geradores ocorridos a partir do início do mês de novembro de 1999, data que entrou em vigor o referido preceito legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a apuração da base de cálculo em relação: a) ao ano 1997, mediante aplicação do percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita brutal total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos; e b) ao período AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 05 79 /2 00 2- 40 Fl. 714DF CARF MF 2 de 11/1999 a 7/2000, mediante aplicação do resultado da diligência, consignado no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 709/710. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a Resolução nº 1101000154 (fls. 638/641), que segue transcrito: A contribuinte supra identificada foi autuada por ter a fiscalização apontado que verificou ter ocorrido a falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social PIS referente aos períodos de apuração de 01/01/1997 a 31/07/2000, conforme constou do Auto de Infração que se encontra as fls. 04 a 07. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal que se encontra as fls. 08 a 23, a fiscalização tributou todas as receitas de vendas de mercadorias do setor de "Mercado", por falta de identificação dos adquirentes. A fiscalização informa, também no referido termo, que a contribuinte recebia dos associados e adquiria de terceiros Cevada, Feijão e Milho, que contabilizava separadamente, e os revendia no mercado interno para não associados, entretanto nenhuma receita foi tributada pela contribuinte, o que fez com que a fiscalização apurasse ao valor das receitas decorrentes das operações com terceiros a partir da proporção das aquisições de terceiros em relação as entradas totais desses produtos. De acordo com o que relatou a fiscalização, essa forma de apuração foi aplicada somente para os fatos geradores ocorridos no ano de 1997; no período de janeiro de 1998 a setembro de 1999 foram tributadas somente as receitas correspondentes as vendas dos “Mercados”. No mês de outubro de 1999, foi tributada toda a receita bruta operacional auferida, com as exclusões previstas no art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. Para os períodos de apuração ocorridos a partir do Mês de novembro de 1999, a base de cálculo foi apurada a partir da receita bruta mensal, acrescida das outras receitas operacionais, com a exclusão dos valores previstos no art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.8587, de 29 de julho de 1999. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302005.313 S3C3T2 Fl. 715 3 A contribuinte impugnou a exigência, conforme documentos que se encontram as fls. 306 a 426. Seus argumentos de defesa podem ser assim resumidos: 1. A cooperativa possui uma pequena Seção de Consumo e, dentro dela, uma subseção denominada "Mercado", que só opera com seus associados. Como é uma atividade que representa menos de dez por cento de seu faturamento total, e como demandaria recursos consideráveis a implantação de um sistema informatizado de controle de vendas, de moldes a registrar a identificação do adquirente (já que todos os associados são conhecidos dos funcionários), a apresentação da identificação por parte dos associados é exigida somente quando a venda é realizada a prazo. 2. Mesmo considerando que tivessem ocorrido operações com não associados, poderseia considerar como vendas a terceiros o percentual máximo de 30% das vendas totais do mercado, em vista da Resolução do Conselho Nacional de Cooperativismo CNC no 01/1972, que regulamentou o art. 86 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. 3. A consolidação dos valores apurados pela fiscalização como venda para terceiros, no ano de 1997 foi elaborada com equívocos, conforme segue: 3.1. Em relação às compras de milho, foi apurada uma absurda margem operacional de 108%, decorrente da forma de cálculo, que considerou a relação percentual entre os recebimentos de terceiros e os recebimentos totais do produto e aplicoua sobre as vendas mensais. Além desse fato, ao transportar os valores das vendas para o Demonstrativo das Vendas com Terceiros Apuradas pela Fiscalização 1997, foram lançados os valores em cada mês (janeiro, março e abril) e o somatório de tais valores foi lançado no mês dezembro, duplicando o valor da receita apurada. 3.2. Essa metodologia equivocada determinou que uma compra de feijão gerasse prejuízo e a compra de milho produzisse um lucro absurdamente elevado. Tais equívocos comprometem todo o demonstrativo de fl. 297, repercutindose em todas as demais apurações de tributos que constaram dos autos de infração. 4. Ainda com relação As compras de milho, foram incluídas como compras de terceiros, as realizadas de outras cooperativas associadas, no ano de 1997, no valor de R$ 15.011,60, por terem sido lançadas por equivoco na contabilidade como compras de terceiros, quando, consoante o disposto no art. 79, da Lei n° 5.764, de 1971, tais compras são operações típicas do ato cooperativo. 5. Também com relação às aquisições de feijão no ano de 1997, do total de R$ 573.754,29, inúmeras aquisições, no valor de R$ 241.403,39, foram realizadas junto a cooperativas associadas e lançadas por equivoco como compras de terceiros, quando são operações típicas do ato cooperativo. Fl. 716DF CARF MF 4 6. Com base nos argumentos anteriormente resumidos, a impugnante elaborou novos demonstrativos de receitas, dentro da mesma metodologia adotada pelos fiscais autuantes, que apresenta no anexo n° 02. 7. Apesar de ter sido intimada para apresentar planilha com os valores repassados aos associados no período de novembro de 1999 a dezembro de 2000, a contribuinte laborou em erro, em razão da lacônica intimação, informando apenas os repasses decorrentes da comercialização de produtos agrícolas, deixando de informar os repasses dos produtos pecuários (leite in natura, matrizes e rebanhos suínos, etc.), e, no caso das receitas de venda de bens e mercadorias a associados, deixou de computar os fornecimentos de rações, de medicamentos veterinários, de suínos de terminação, etc., o que resultou em deduções da base de cálculo inferiores à efetivamente passíveis de dedução. 8. Com base nos novos demonstrativos elaborados pela impugnante, a conclusão é de que o débito que pode ser reconhecido, com os encargos de multa de 75% e juros com base na taxa Selic, com os quais a impugnante não concorda, seria somente em relação ao ano de 1997, e no valor total de R$ 6.682,68. 9. As fls. 311 a 320, a impugnante tece considerações acerca de suas relações operacionais com seus associados. 10. A multa de 75% é confiscatória, não devendo seu percentual ser maior que 30%. 11. A imposição da taxa Selic como juros de mora vem ferir diversos princípios constitucionais tributários, dentre eles, o da proporcionalidade A. capacidade contributiva, o da isonomia e o da proibição da cobrança de tributo com efeito confiscatório. 12. De acordo com o art. 79, da Lei n° 5.764, de 1971, as sociedades cooperativas não realizam venda em seus atos cooperativos, portanto o PIS não incidia sobre eles, além disso, a própria Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970, em seu art. 3°, § 4°, estatuiu que as entidades em fins lucrativos não contribuíam para o PIS tendo como base de cálculo o seu faturamento e sim sobre a folha de pagamento, inferindose dai, que a alteração legislativa levada a cabo pela MP n° 1.858 e suas "n" reedições absolutamente em nada alterou esse entendimento. Requer a impugnante que a autuação seja tornada insubsistente; que lhe seja parcelado o débito no valor de R$ 6.682,68, que reconhece ser devido; que a multa de oficio seja reduzida para 30% e que os juros sejam calculados no percentual de 1% ao mês. A impugnante apresentou o anexo 01 (fls. 336 a 394), com cópia do Razão Analítico e das notas fiscais de aquisições de outras cooperativas; o anexo n° 02 (fls. 395 a 418), com os mapas de apuração das bases de cálculo que considera corretas; o anexo n° 03 (fls. 419 a 424), com copia de parte de acórdão do Superior Tribunal de Justiça no REsp n° 215.881 PR; e o anexo n° 04 (fls. 425 e 426), com copia do Termo de Intimação fiscal, Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302005.313 S3C3T2 Fl. 716 5 cuja cópia já se encontrava à fl. 26 A DRJ em Santa Maria RS julgou procedente, em parte, o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/STM nº 1.723, de 11/07/2003. Ciente da referida decisão no dia 20/08/2003, a Cooperativa ingressou, no dia 19/09/2003, com Recurso Voluntário no qual repisa os argumentos da impugnação, naquilo que foi vencida. Alegando a existência de fato novo, no dia 09/06/2006 a Recorrente solicita a realização de diligência para que se avalie todas as exclusões e deduções previstas na IN SRF nº 635, editada em 24/03/2006, que veio disciplinar os procedimentos de apuração do PIS e da Cofins, devido pelas sociedades cooperativas em geral, sendo que as exclusões e deduções aplicamse a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999 (§ 4º, do art. 11). Por meio da referida Resolução, o julgamento foi convertido em diligência, para que “a Fiscalização da DRF Passo Fundo/RS calcular o valor devido da exação considerando todas a exclusões e deduções previstas na IN nº 635/06 para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/11/1999.” Em resposta ao que fora solicitado na referida diligência, a fiscalização da unidade de origem prestou os seguinte esclarecimentos: Desta forma, informamos que os valores lançados pela recorrente em sua contabilidade, no período de novembro de 1999 a dezembro de 2000, devem compor as aquisições de mercadorias de associados, por equívoco de registro na contábil de aquisição de associados lançadas na conta de aquisição de não associados. Diante disso, a planilha apresentada pela requerente, nas fls. 489 e 490 do PAF, Volume 3, corresponde às bases de cálculo (BC) mensais apuradas para o PIS Programa de Integração Social. Dessa forma, restaram apenas as seguintes BC positivas na referida planilha: Abril de 2000 BC de R$369.184,15 Junho de 2000 BC de R$ 246.556,12 Julho de 2000 BC de R$ 124.175,38 Em 31/3/2016, a recorrente foi cientificada do resultado da diligência, porém, esgotou o prazo que lhe fora concedido e não se manifestou a respeito. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 718DF CARF MF 6 O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio remanescente cingese a três pontos: a) a metodologia utilizada pela fiscalização na apuração da receita tributável, relativa às “operações com terceiros em relação aos produtos cevada, feijão e milho”, realizadas no ano de 1997, e os valores das aquisições de terceiros de milho e feijão no citado ano; b) a apuração da base de cálculo da contribuição no mês de outubro de 1999; e c) a apuração da base de cálculo da contribuição no período de novembro de 1999 a julho de 2000. Da metodologia utilizada na apuração da receita tributável e os valores das aquisições de terceiros de milho e feijão relativa ao ano de 1997 No recurso em apreço, a recorrente insistiu com a alegação de que houve equívoco na apuração da receita bruta tributável, auferida no ano de 1997, na venda dos citados produtos adquiridos de terceiros, com base nos seguintes argumentos, in verbis: as compras de milho ocorreram nos meses de fevereiro, abril e maio de 1.997 e totalizaram R$ 37.025,60 (fl. 282) a titulo de vendas, apuraram um valor de R$ 77.145,26. Comparandose este valor com o valor das compras, obtémse uma MARGEM OPERACIONAL ABSURDA DE 108%, DENTRO DO PRÓPRIO MÊS. Tal equivoco decorre do fato de ter sido usado o percentual obtido da relação de recebimento de terceiros em relação ao recebimento total do produto, também em relação à venda mensal ocorrida. Estes equívocos comprometem todo o demonstrativo de fl. 297, repercutindose em todas as demais apurações de tributos que constaram dos autos de infração (PIS Faturamento, COFINS, IRPJ). Ainda sobre o critério de cálculo adotado pela fiscalização, recorrente alegou que, ao contrário do afirmado na decisão de primeiro grau, ela contabilizava sim, e de forma identificada, as suas operações com não associados, nas contas do código contábil “1.1.2.30.03.03 COMPRAS DE TERCEIROS”. E foi com base nesta rubrica que a fiscalização apurou os valores das aquisições atípicas. No entendimento da fiscalizada, para apurarse a base de cálculo das operações com terceiros, deveria a fiscalização tomar como base o valor das compras que estava demonstrado contabilmente e agregar a margem comercial que a cooperativa operava, a qual também estava evidenciada em seus balancetes mensais, e era obtida da comparação entre o CMV e a Venda Liquida (descontado o ICMS), que era em torno de 12%. De outra parte, de acordo com Termo de Verificação Fiscal (TVF) colacionado aos autos, o critério de cálculo utilizado pela fiscalização para apuração ao valor das receitas decorrentes das operações com terceiros foi o seguinte: o valor da receita tributável foi obtido mediante a aplicação do percentual obtido a partir da proporção entre o valor das aquisições de terceiros do produto e o valor das aquisições totais (de terceiros e de associados) do respectivo produto. No caso, resta evidenciado que o critério de rateio utilizado pela fiscalização não guarda relação direta com o valor da base de cálculo (receita bruta) relativas às operações Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302005.313 S3C3T2 Fl. 717 7 com terceiros, em decorrência, não se revela adequado e razoável. De outra parte, o critério de rateio pleiteado pela recorrente também não se revela adequado, vez que também não tem relação direta com o valor da base de cálculo da contribuição, que é a receita bruta e não a receita a líquida. No entendimento deste Relator, o critério de rateio adequado e razoável e que tem relação direta com a base de cálculo, inequivocamente, é o percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita brutal total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos. Com relação às operações com terceiros, referentes às aquisições de milho e feijão no ano de 1.997, respectivamente, no valor total de R$ 37.025,00 e R$ 573.754,29, apurado pela fiscalização, segundo a recorrente, R$ 15.011,60 e R$ 241.403,39 foram adquiridas de cooperativas associadas, consideradas operações típicas, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, não sujeitas a cobrança das referidas contribuições. De fato, segundo o art. 791 da Lei 5.764/1971, são considerados “atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Assim, em relação aos atos praticados entre si, para que sejam considerados atos cooperativos, as cooperativas devem ser associadas para a consecução dos objetivos sociais. Acontece que, no caso em tela, a recorrente não comprovou que as operações comerciais por ela realizadas foram celebrados com cooperativas dela associadas para consecução dos seus objetivos sociais. E na ausência da comprovação dessa condição necessária tais operações não se qualificam como atos cooperativos, em decorrência, as receitas decorrentes de tais operações devem ser tratadas como auferidas de operações com terceiros e, nessa condição, integram a base de cálculo da contribuição. Da apuração da base de cálculo do mês de outubro de 1999 Em relação à apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 1999, a recorrente alegou que fazia jus a todas as exclusões instituídos no art. 15 da Medida Provisória nº 1.8587, de 29 de julho de 1999, mesmo que nas edições anteriores da citada MP não estivessem previstas tais exclusões. O que pretende a recorrente é a aplicação retroativa dos efeitos normativos da citada MP antes do transcurso do prazo de 90 (noventa) contado da sua vigência, que ocorreu no dia 30/7/1999, data de sua publicação. O citado preceito legal, que veio ao mundo jurídico somente na sétima edição da referida MP, tinha a seguinte redação, in verbis: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto no art. 66 da Lei nº 9.430, de 1996, excluir da base de cálculo da COFINS: 1 "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Fl. 720DF CARF MF 8 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º As operações referidas no parágrafo anterior serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com identificação do adquirente, do valor da operação, da espécie de bem ou mercadoria e quantidades vendidas. Acontece que, em razão do princípio da noventena, fixado no art. 195, § 6º, da CF/1988, tais disposições somente entraram em vigor a partir de 1º de novembro de 1999. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela SRF por meio do Ato Declaratório SRF n° 88, de 17 de novembro de 1999, que segue transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto na Medida provisória no 1.858, de 1999, declara que as contribuições para o PIS/Pasep e para financiamento da seguridade social Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida provisória n° 1.8587, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de mês de novembro de 1999. Por essas razões, no mês de 10/1999, a base de cálculo da contribuição era a receita bruta mensal, com as exclusões previstas no art. 3º da Lei 9.718/1998, acrescida das outras receitas operacionais auferidas no período, conforme corretamente apurou a fiscalização. Da apuração da base de cálculo do período de 11/1999 a 7/2000 Em relação à apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do período de 11/1999 a 7/2000, atendendo a pedido da recorrente, os autos foram convertidos em diligência perante a unidade de origem da RFB, para calcular o valor devido da exação considerando todas a exclusões e deduções previstas na Instrução Normativa SRF 635/2006. Após a realização da diligência, a fiscalização apurou que a planilha apresentada pela recorrente (fls. 493/494), corresponde às bases de cálculo (BC) mensais apuradas para a Contribuição para o PIS/Pasep. Dessa forma, restaram apenas as seguintes BC positivas informadas na referida planilha: a) abril de 2000 BC de R$ 369.184,15; b) junho de 2000 BC de R$ 246.556,12; e c) julho de 2000 BC de R$ 124.175,38. Em 31/3/2016, a recorrente foi cientificada do resultado da diligência e não se manifestou a respeito. Com base nessas considerações, adotase o resultado da diligência em relação ao período de 11/1999 a 7/2000. Da conclusão Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302005.313 S3C3T2 Fl. 718 9 Por todo exposto, votase pelo provimento parcial do recurso, para determinar à apuração da base de cálculo em relação: a) ao ano 1997, mediante aplicação do percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita brutal total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos; e b) ao período de 11/1999 a 7/2000, mediante aplicação do resultado da diligência, consignado no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 709/710. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 722DF CARF MF
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