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Numero do processo: 13924.000281/2002-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1992 a 31/12/1996
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, o direito do contribuinte pleitear, em 14/08/2002, restituição/compensação dos valores recolhidos a título PIS no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 não se encontra prescrito.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, negar provimento parcial ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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RESTITUIÇÃO. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, o direito do contribuinte pleitear, em 14/08/2002, restituição/compensação dos valores recolhidos a título PIS no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 não se encontra prescrito. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, negar provimento parcial ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 00 02 81 /2 00 2- 09 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 271 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para reconhecer como não prescrito o direito do contribuinte pleitear a restituição de valores de PASEP no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por entender que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade pelo STF, em controle concentrado, isto é, da ADIN nº 1.417, em 16/08/99, que afastou a incidência da contribuição para o PIS/PASEP, no período compreendido entre 1º/10/1995 a 29/02/1996, com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário com base em acórdão paradigma (Acórdão nº CSRF/0400.810) em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição de indébito é de 5 (cinco) anos a contar da data da extinção do crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça).” Argui ainda a nulidade da decisão recorrida pelo fato do contribuinte não ter postulado o seu indébito com base na inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9.715/98, sendo que em despacho de fls. 216/217, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 272 3 CARF deu seguimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional somente em razão da alegada prescrição, nos termos do que dispõe o artigo 4º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 446/2009. O contribuinte devidamente intimado apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Considerando a tempestividade do recurso extraordinário, a divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, proferidos por diferentes Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade previstos no antigo Regimento Interno, conheço do recurso interposto pelo contribuinte. A controvérsia trazida a esta esfera extraordinária cingese em definir se ocorreu ou não a prescrição do direito do contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de PASEP, considerandose como termo inicial para a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a data do julgamento da ADIN nº 1.417, em 16/08/99, que afastou a incidência da contribuição para o PIS/PASEP, no período compreendido entre 1º/10/1995 a 29/02/1996, com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98. Considerando que, segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF (cfr. Portaria MF nº 256/2009), esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que se reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05, é de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, §4º c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, do CTN, de acordo com o entendimento do STJ respaldado no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 273 4 PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 274 5 Sendo certo que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 14/08/2002, relativo aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, não se encontram prescritos. Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de negar lhe provimento. Nanci Gama Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10715.008224/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/09/2005 a 30/09/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 82 24 /2 00 9- 11 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 95.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal específica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao princípio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/09/2005 a 30/09/2005 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 5 4 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETRO ATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional e a aplicação de multa singular em virtude da continuidade delitiva. É o Relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 7 6 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 8 7 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 9 8 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 10 9 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto a alegação de aplicação de multa singular entendo que não assiste razão à recorrente uma vez que o aspecto material da penalidade é deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o que, por não estar expressamente consignado, poderia levar a interpretação de que a multa deveria ser aplicada a cada carga transportada (identificada por diferentes Declarações para Despacho de Exportação), mas que numa interpretação mais benéfica ao contribuinte entendese que a imposição da multa do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 deve ser aplicada uma única vez, por cada veículo transportador, ou seja, por viagem, conforme considerou a fiscalização, mas nunca uma aplicação de multa singular para embarques diversos, devendo ser aplicada para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo. Essa matéria já foi enfrentada em julgamentos anteriores desse conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Ano calendário:2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 11 10 IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 13 12 vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3801005.356 S3TE01 Fl. 14 13 / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pela recorrente. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.913754/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA ANTECIPATÓRIA. Não podem ser alvo de pedidos de restituição recolhimentos de estimativas após o término do exercício, haja vista a sua natureza antecipatória e a sua utilização para composição de eventual saldo negativo.
Numero da decisão: 1102-000.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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Recorrida 1ª TURMA DRJ RJI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA ANTECIPATÓRIA. Não podem ser alvo de pedidos de restituição recolhimentos de estimativas após o término do exercício, haja vista a sua natureza antecipatória e a sua utilização para composição de eventual saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma à época), João Carlos de Lima Júnior (vicepresidente), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 37 54 /2 00 8- 16 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.913754/200816 Acórdão n.º 1102000.456 S1C1T2 Fl. 167 2 Relatório A Recorrente transmitiu em 19 de agosto de 2004 Pedido de Restituição e Compensação, informando crédito de CSLL no valor de R$ 3.570,28, recolhido sob o código 2484, referente ao período de apuração de 30/04/2000, e débito do mesmo tributo referente ao período de apuração de março de 2003 (fls 02/06). O pedido foi indeferido através do Despacho Decisório de fl. 09, sob o entendimento de que o crédito informado teria sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que, apesar de possuir créditos acumulados de CSLL referentes ao período de 1995 a 1998 no valor de R$ 61.097,47, efetuou recolhimentos de antecipações em 1999, 2000, 2001 e 2002, que teriam gerado saldo de crédito remanescente em 2002 de R$ 4.583,78; a IN 210, de 30 de setembro de 2002, vigente à época, permitiria as compensações sem a elaboração de formulário; e, ainda, que o único equívoco cometido teria sido a informação de que se trataria de pagamento indevido ou a maior, ao invés de saldo negativo. Acrescenta a Recorrente que foi alvo de fiscalização pela Receita Federal e não teria sido constatada nenhuma irregularidade, além de anexar PER/DCOMP que estaria de acordo com o entendimento da Administração (fls. 52/57), e DARF`s comprobatórios dos recolhimentos efetuados (fls. 40/48) A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 62/63), considerando não infirmados os fatos apontados no Despacho Decisório, e expressando o entendimento de que inviável a apreciação de direito creditório novo, não examinado pela DERAT e, ainda, que a retificação da Declaração somente teria cabimento antes de proferido o Despacho. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, defendendo que não teria havido inovação de direito creditório, apenas com a edição da Instrução Normativa 600/05 é que os créditos decorrentes dos recolhimentos de estimativas teriam sido tratados como saldo negativo e que teria havido mera imprecisão de nomenclaturas. Por fim, assevera que a autoridade administrativa deveria exercer o seu dever de ofício de busca da verdade material para constatar que os valores efetivamente recolhidos por ela a título de antecipação superaram os valores de CSLL efetivamente apurados. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.913754/200816 Acórdão n.º 1102000.456 S1C1T2 Fl. 168 3 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Insurgese a Recorrente contra o indeferimento de PER/DCOMP, sob o entendimento de que teria se equivocado com a nomenclatura correspondente ao seu direito creditório, contudo teria efetuado, no anocalendário de 2000, recolhimentos desnecessários de estimativas da CSLL, porquanto possuiria créditos gerados por estimativas dos anos de 1996 a 2000. Para suportar a sua pretensão, a Recorrente traz à colação cópias das DIPJ’s dos exercícios de 1996 a 2002, guias DARF e planilhas (fls. 96/161), defendendo ainda que deveriam as autoridades fiscais buscar a verdade material, quando do exame do pedido de compensação. Não assiste razão à Recorrente. Primeiramente, o alegado direito creditório referese a recolhimento de estimativa da CSLL, cuja natureza é antecipatória da contribuição devida no final do exercício fiscal, não se prestando a ensejar restituição, especialmente, após o término do exercício quando utilizada para compor a base negativa. O Ato Declaratório SRF nº 003, de 07 de janeiro de 2000 disciplina a compensação do saldo negativo da CSLL, permitindo que a apuração seja feita a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente, verbis: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” Em diversas oportunidades, esta Colenda Corte rechaçou pleitos compensatórios decorrentes do recolhimento de estimativas, por entender não se enquadrar no Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.913754/200816 Acórdão n.º 1102000.456 S1C1T2 Fl. 169 4 conceito de pagamento indevido, nos termos do art. 165, do CTN, consoante evidencia esclarecedora ementa a seguir transcrita, verbis “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA DECADÊNCIA Os recolhimentos por estimativa, mera antecipação do imposto devido ao final do exercício fiscal, não se enquadra no conceito de pagamento indevido (art. 165 do CTN), não se prestando a, por si, ensejar restituição. Dispõe o contribuinte do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da formalização do pagamento, para pugnar a restituição de tributos ou contribuições recolhidas indevidamente. Recolhimentos realizados no anocalendário de 1995 não podem ser objeto de pedido de ressarcimento formulado em 2002, face o manifesto exaurimento do prazo qüinqüenal de decadência.” (Acórdão 10708863, Processo Administrativo n.º 13884.002827/200271, Julgado em 07/12/06) Não se trata, portanto, de mera impertinência da nomenclatura utilizada consoante defendido pela Recorrente, mas de recolhimentos de naturezas distintas, pois o que poderia ser pleiteado é o saldo negativo, após apuração da CSLL devida no término do exercício, jamais as estimativas. O princípio da verdade material não pode ser invocado para consertar pedidos de compensação efetuados em desacordo com as normas vigentes. Além de impertinente a postulação da Recorrente, há que ponderar que as cópias das DIPJ’s e guias DARF trazidas à colação, apesar de constituírem indício de que faria jus a Recorrente a crédito em decorrência de saldo negativo da CSLL, não podem as autoridades julgadoras acatarem como saldo negativo direito creditório declarado como estimativa. Por fim, a apresentação de novo PER/DCOMP abrangendo o recolhimento utilizado como crédito no presente processo não pode ser apreciado por esta turma julgadora, sob pena de supressão de instância. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Documento assinado digiltalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10950.004057/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA
SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS.
A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementá-lo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio
constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte
em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79).
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS.
As transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que ausentes operações de aquisição de mercadorias, conforme previsto no artigo 1º, da Lei nº 9.363/96.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.602
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Denise da S.P. de A. Costa, OAB/SC nº.10.264.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO Recorrente USINA DE AÇÚCAR SANTA TEREZINHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementálo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 40 57 /2 00 9- 49 Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.340 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. As transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que ausentes operações de “aquisição” de mercadorias, conforme previsto no artigo 1º, da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Denise da S.P. de A. Costa, OAB/SC nº.10.264. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Bruno Maurício Macedo Curi. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.341 3 Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão Preto: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado no período em destaque e não homologou as compensações declaradas, em razão dos seguintes fundamentos: l)Os recursos aplicados na formação da lavoura de cana de açúcar devem ser contabilizados no ativo permanente, pois esta não se extingue com um único corte, conforme posicionamento do Conselho de Contribuintes, com gastos dispendidos no que concerne a máquinas e equipamentos de instalações industriais, veículos rurais, veículos pás e, principalmente, às lavouras formadas de cana. 2) No cálculo original do benefício, foram aproveitados pela requerente todos os gastos na formação da lavoura canavieira: mudas, defensivos, corretivos de solos, fertilizantes, peças para máquinas, lubrificantes, energia elétrica, combustíveis para maquinários e materiais diversos. 3) Os gastos com manutenção industrial não foram comprovados e somente foram aceitas as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas com entradas correspondentes ao CFOP 1101. As aquisições de produção própria ou de filiais, não foram acolhidas, pois se trata de mera transferência de matéria prima, sem a incidência das contribuições do Pis e da Cofins; outrossim, as aquisições de pessoas físicas também não foram aceitas. Insubmissa à decisão administrativa, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em que, resumidamente, contesta o cômputo de saldo negativo período anterior; outrossim, sendo a manifestante empresa agroindustrial e que exerce atividade rural (extração e exploração vegetal e animal) os gastos com insumos na formação da lavoura, notadamente as fases de cultivo e tratos culturais (fertilizantes e defensivos agrícolas), corte e transporte, conforme laudo técnico; concorda que os gastos com insumos na fase de adequação de preparo do solo devem ser classificados no ativo imobilizado e reconhece que insumos usados na fase de plantio de cana de açúcar foram equivocadamente incluídos e devem ser excluídos oportunamente; quanto a insumos adquiridos de pessoas físicas, especificamente a cana de açúcar, o Conselho de Contribuintes reconhece o cabimento da inclusão na base de cálculo do benefício, pois a legislação não impôs restrições às aquisições de produtores rurais; créditos de produtos intermediários (insumos de uso industrial, lubrificantes para uso industrial e agrícola, materiais diversos, itens para manutenção geral, combustíveis, peças e materiais para manutenção de máquinas agrícolas) não foram considerados, apesar de autorização na Lei n° 10.276/2001, porque não haveria memória de cálculo para vinculação dos gasto (pelo que pede a nulidade do Despacho), mas há o laudo descritivo da atividade, juntado: os lubrificantes de uso agrícola, combustível, peças e materiais utilizados na Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.342 4 manutenção de máquinas agrícolas e caminhões são materiais intermediários, pois não se integram ao produto final, mas são consumidos no processo industrial, especialmente na fase de corte e transporte da cana de açúcar; é ilegal a exclusão de créditos relativos a transferências de matéria prima; ademais, deve ser deferido o ressarcimento com o acréscimo de juros calculados pela taxa Selic para que seja mantido o valor do pleito no tempo, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração, devendo ser utilizada a analogia com o instituto da restituição, nos termos de jurisprudência apontada; por fim, requer o reconhecimento dos créditos apurados e a homologação das compensações em face da lisura dos procedimentos adotados. A ementa do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto é a seguinte: Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, somente é admitida a inclusão na respectiva base de cálculo de custos de aquisição de energia elétrica,e de combustíveis utilizados no processo industrial; devem ser observadas, outrossim, as restrições preconizadas na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas ou transferidos de estabelecimentos filiais, de insumos sem comprovação documental e de bens não correspondentes à verdadeira acepção de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS OU TRANSFERIDOS DE ESTABELECIMENTOS FILIAIS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, ou a transferências de insumos de filiais, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. Somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, representam aquisições passíveis de integrar a base de cálculo do benefício fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.343 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Crédito presumido de IPI. SELIC Em relação ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, reproduzo meu voto no acórdão 3202000.471 que sintetiza meu entendimento, inclusive em relação à correção monetária pela SELIC: ... Instruções Normativas não são instrumentos normativos hábeis a inovar ou modificar o texto legal ao qual estão adstritos, mas apenas complementá lo, sem promover alteração no seu conteúdo e alcance. Ora, se a própria lei que instituiu o crédito presumido de IPI, Lei n. 9.363/1996, não excluiu da base de cálculo as aquisições de fornecedores que não são contribuintes de PIS e COFINS, não pode a Instrução Normativa fazer tal restrição. Na mesma linha caminha o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que apreciou o assunto em sede de recurso representativo da controvérsia. Vejamos o trecho da ementa do Ministro Luiz Fux, no julgamento do Recurso Especial n. 993.164 – MG, em 13/12/2010: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.344 6 Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.345 7 cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (grifamos) Vejamos, ademais, outros precedentes do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTARIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇAO AO ART. 535 DO CPC. NAOOCORRENCIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N.º 9.363/96. INSTRUÇAO NORMATIVA SRF N.º 23/97. ILEGALIDADE. 1. O incentivo cognominado crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n.º 9.363/96, revela como ratio essendi, desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. 2. Conseqüentemente, o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do crédito presumido. 3. Deveras, este ressarcimento, que por ser presumido e estimado na forma da lei, referese às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação.” (STJ, REsp 767617 / CE, Relator Ministro Luiz Fux, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 12/12/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE. 1. O crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual "o crédito presumido relativo a Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.346 8 produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS". Precedente: RESP 586.392/RN, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 06.12.2004. 2. Recurso especial a que se nega provimento.” (STJ, REsp 617733/CE, Relator Teorio Albino Zavascki, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 03/08/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. INCLUSAO NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96. PRECEDENTES. 1. "De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 2. "Mesmo quando as matériasprimas ou insumos forem comprados de quem não é obrigado a pagar as contribuições sociais para o PIS/PASEP, as empresas exportadoras devem obter o creditamento do IPI" (REsp nº 763521/PI, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 07/11/2005) 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas desta Corte. 5. Recurso nãoprovido.” (STJ, REsp 813280/SC, Relator Ministro José Delgado, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 06/04/2006) (grifamos). Ainda na mesma direção foi o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho de Contribuintes: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME, referidos no art. 1° da Lei n° 9.363/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art.2° da Lei n° 9.363/96). A lei mencionada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As IN SRF n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363/96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN SRF n° 23/97) não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante lei, pois as instruções normativas são normas complementares (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.347 9 modificar o texto das normas que complementam. Na verdade, o crédito presumido de IPI na exportação utiliza o princípio da praticibilidade, que usa a presunção como o meio mais simples e viável de se atingir o objetivo da lei, dando à administração o alívio do fardo da investigação exaustiva de cada caso isolado, dispensandoo da coleta de provas de difícil, ou até impossível, configuração. A apuração por presunção utiliza um cálculo padronizante, que abstrai o individual, o específico, o único, em favor do geral, criase uma abstração generalizante, imposta, ex dispositionis legis, ao contribuinte, desprezandose os desvios individuais.” (CSRF, Acórdão n. 0201.707, Relator Manoel Antonio Gadelha Dias, Sessão de 11.05.2004) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (CSRF, Acórdão n. 0201.653, Relator Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 10/05/2004) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.348 10 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Pelo exposto, além de entender que a Recorrente tem direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS, como é o caso das aquisições feitas de pessoas físicas e cooperativas, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Federal no Recurso Especial n. 993.164/MG deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DA TAXA SELIC A Recorrente alega que tem direito à atualização do ressarcimento dos créditos presumidos de IPI pela Taxa Selic, e como fundamento de seu pleito cita o art. 39, §4°, da Lei n. 9.250/1995 e o Decreto n. 2.138/1997, que reconheceu que os institutos jurídicos da restituição e do ressarcimento devem receber o mesmo tratamento. Entendo que razão assiste à Recorrente. Com relação ao tema, verificase também que o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Tratase do mesmo precedente anteriormente mencionado (REsp 993164/MG), cujo trecho da ementa tratando da matéria é o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. ... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.349 11 de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifamos). A decisão acima foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei n. 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. No mesmo sentido também foi proferida a decisão no REsp 1035847/RS, cuja ementa abaixo reproduzo: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.350 12 regime do artigo 543_C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. Verificase, portanto, que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, adoto o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça em relação aos créditos de IPI, para inclusão na base de cálculo dos valores referentes às aquisições de fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS, bem como em relação à aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento. Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, e para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito ... A Primeira Seção do STJ também já decidiu acerca da correção dos créditos quando do julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo n° 1.220.942, verbis: 4. Situação do crédito escritural: Devese negar ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro (sistemática ordinária de aproveitamento), ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária quando de sua utilização, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento (Súmula n. 411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima, salvo, neste último caso, declaração de inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento. 5. Situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. São utilizáveis fora da escrita fiscal. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.351 13 vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a sistemática ordinária de aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6. A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI,PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também achamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes:REsp. n. 1.122.800/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. n. 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. n.1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 7. O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. No mesmo sentido é o acórdão 3402001.967 de relatoria do ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ. A partir do julgamento, pelo STJ, do REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C), foi firmado entendimento no sentido de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora na análise do respectivo processo administrativo. Direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. Materiais aplicados na produção de canadeaçúcar A fiscalização excluiu o valor das aquisições de insumos e defensivos utilizados na formação e no cultivo da canadeaçúcar. A Recorrente aceitou a glosa das aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, mas questionou a glosa dos materiais aplicados no cultivo de canadeaçúcar própria, por se tratar de atividade agroindustrial. O § 5º, do artigo 1º, da Lei nº 10.276/2001 determinou que se aplica ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI todas as demais noras estabelecidas na Lei nº 9.363/96. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.352 14 A Lei nº 9.363/96, por sua vez, determina que: Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifamos) A matéria foi objeto de análise no acordão 3301002.406, conforme trecho abaixo: Portanto está claro que este é um benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, a qual delimitou a sua utilização. Assim, o crédito presumido de IPI é calculado sobre as aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas no processo produtivo do produto exportado, que aqui no caso é o açúcar. A própria lei determinou que os conceitos de insumos e de produção são os definidos na legislação do IPI. Por sua vez a legislação do IPI, art. 82, inc. I do Decreto nº 87.981/82, cuja redação foi mantida nos regulamentos posteriores, estabeleceu que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. O Parecer Normativo CST nº 65, de 06/11/79, colacionado no acórdão recorrido, firmou o entendimento, amplamente adotado por este órgão julgador, de que além das matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu”, também se integram no conceito, gerando direito ao crédito, aqueles que se consumirem em decorrência de uma ação direta sobre o produto em fabricação. Ou seja, o conceito de insumo na legislação do IPI é restrito às matériasprimas e produtos intermediários que se consomem de maneira direta no processo produtivo. Diante desta premissa, não há como acatar créditos decorrentes de insumos utilizados na produção própria da canadeaçúcar, por absoluta falta de previsão legal. A Lei nº 9.363/96 não autorizou crédito presumido de IPI na Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.353 15 aquisição de quaisquer insumos, não estando amparadas as aquisições de produtos não relacionados diretamente com a fabricação do produto exportado. Não se tratando o cultivo da cana de uma operação de industrialização, quer me parecer que não haveria direito de aproveitamento do crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase como muito bem apontado no acórdão 3403001.953, de relatoria do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, verbis: CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. Razão, portanto, não assiste a Recorrente em relação a este tema. Crédito presumido de produtos intermediários Analisando a manifestação de inconformidade de Recorrente é possível verificar que os itens glosados pela fiscalização dizem respeito a: LUBRIFICANTES; MATERIAIS DIVERSOS; MANUTENÇÃO GERAL E OUTROS ITENS INDUSTRIAIS; LUBRIFICANTES DE USO AGRÍCOLA; COMBUSTÍVEIS; PEÇAS E MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS. Por primeiro, a Súmula CARF n° 19 determina que “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. Diante disso, entendo que fica afastada de plano a possibilidade de crédito de combustíveis e lubrificantes. Em relação aos demais itens, é importante frisar que, no intuito de dirimir as controvérsias então existentes naquela época, a Administração Tributária baixou o Parecer Normativo CST nº 65/79, com a seguinte ementa: A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.354 16 Diante das disposições contidas nos Pareceres Normativos nºs 181/74 e 65/79, a decisão recorrida conclui no seguinte sentido: Assim sendo, nos termos dos Pareceres retro citados e em consonância com o inciso I do art. 82 do RIPI/1982, geram direito ao credito, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização, como e o caso dos produtos listados pela própria requerente, Assim, excluemse os lubrificantes e combustíveis, as pecas e materiais de manutenção industrial, e os materiais diversos. Em relação as transferências, não se trata de aquisição de insumo, e portanto, não há qualquer previsão legal para a inclusão desses valores no calculo do beneficio. Só geram, portanto, direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Transferências de insumos para filiais Em relação às transferências de insumos para filiais, a matéria já se encontra bastante discutida neste Conselho, conforme se observa nas decisões abaixo reproduzidas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: (...) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. EXTRAÇÃO MINERAL. As transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que ausentes operações de “aquisição” de mercadorias, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363/96. (...) (Acórdão nº 340301.648, de 26/06/2012, Conselheiro Relator Marcos Tranchesi Ortiz) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.355 17 As transferências de matéria prima, mediante a emissão de notas fiscais de transferência e de notas fiscais de entradas, ambas emitidas pelo próprio contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão nº 330101.414, de 24/04/2012, Conselheiro Relator José Adão Vitorino de Morais) CRÉDITO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAPRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 prevê o crédito presumido incidente nas aquisições de matériaprima. A transferência de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa não corresponde a uma aquisição, pois não há transferência de titularidade do bem. (Acórdão 3301002.406, de 19/08/2014, Conselheiro Relator Andrada Márcio Canuto Natal) Como nas transferências entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não há mudança de propriedade, não que falar em aquisição, motivo pelo qual correta foi a decisão de primeiro grau. Produtos classificados na TIPI como NT Essa matéria foi objeto de recurso especial por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, que na sessão de julgamento realizada em 15 de outubro de 2007, decidiu, por meio de acórdão da CSRF/02.02.805, no sentido de que a exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Ademais, vejase o que dispõe a Súmula n° 13, aprovada por esse Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão plenária realizada no dia 18 de setembro de 2007, verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação ás aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT No mesmo sentido é a Súmula CARF n° 20, ao dispor que: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Diante do exposto, voto no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004057/200949 Acórdão n.º 3202001.602 S3C2T2 Fl. 1.356 18 Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13888.902802/2013-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
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COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 28 02 /2 01 3- 92 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 13888.902802/201392 Acórdão n.º 3801005.191 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10711.004876/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/05/2008
EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZOS.
A conduta praticada pela Recorrente, ao prestar informações sobre a desconsolidação de carga após a data prevista no artigo 22 c/c com o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, está sujeita à multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina de Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZOS. A conduta praticada pela Recorrente, ao prestar informações sobre a desconsolidação de carga após a data prevista no artigo 22 c/c com o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, está sujeita à multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea e, do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina de Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 48 76 /2 01 0- 42 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 106 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados, no Siscomex CARGA, no prazo estabelecido pela Instrução Normativa RFB n° 800/07, da desconsolidação da carga. Conforme relatado pela fiscalização, a interessada procedeu a desconsolidação da carga descrita no Conhecimento Eletrônico Genérico n° 130.805.098.924.287 em momento posterior à atracação da embarcação CMA CGM L’ETOILE no porto, fato que caracteriza a omissão do dever de prestar informação sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (antes da atracação do veículo no porto) conforme estabelecido na norma de regência. Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, a redação do artigo 50 da Instrução Normativa RFB n° 800/07 foi alterada pela Instrução Normativa RFB n° 899/08, prorrogando a aplicação da multa, que somente será efetivada a partir de 1º de abril de 2009; Que, não deixou de prestar as informações do conhecimento de embarque, e prestou antes de qualquer início de fiscalização; Que, não houve prejuízo ou intenção de lesar o fisco com a vinculação após a atracação do navio; Que, a denúncia espontânea exclui a aplicação da penalidade; Requer seja julgada insubsistente a autuação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife – PE indeferiu o recurso do contribuinte julgando procedente o lançamento tributário. O contribuinte apresentou recurso voluntário em que repete as alegações apresentadas anteriormente. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 107 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que quanto à ocorrência dos fatos narrados na autuação não há litígio, a interessada apenas discorda quanto aos critérios de aplicação do direito. Alega que não deixou de prestar a informação prevista na norma, tendo apenas a prestado intempestivamente, e mesmo assim, antes de qualquer procedimento de fiscalização. Alega também que realizou denúncia espontânea. A embarcação chegou ao Brasil através do Porto do Rio de Janeiro/RJ, no dia 16 de maio de 2008, tendo atracado às 17:23 h. A data e hora da atracação supracitada estabeleceu o limite para que a agência de navegação prestasse as informações de sua responsabilidade sobre a carga constante a bordo da embarcação, tendo como porto de destino final o Rio de Janeiro, conforme prazo previsto nos artigos 22 e 50 da IN RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. A agência de navegação, após ter informado o Manifesto n° 1308500838070 e efetuado sua vinculação somente à escala do Rio de Janeiro/RJ, informou tempestivamente, em 13 de maio de 2008, às 14:36:59h, o Conhecimento de Carga Eletrônico. Isto posto, concluise que as informações referentes ao C.E. Mercante Genérico supracitado foram prestadas com bastante antecedência em relação à data da atracação da embarcação no primeiro porto nacional. Esse C.E. Mercante está consignado à empresa Asia Shipping Transportes Internacionais LTDA, cadastrada junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante DEFMM como agente de carga desconsolidador. Tendo em vista que o primeiro porto de atracação da embarcação no país é o próprio porto de destino da carga, a data e hora limite para que a empresa Asia Shipping Transportes Internacionais LTDA prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos artigos. 22 e 50 da IN RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008, seria a mesma da atracação efetiva da embarcação, ou seja, dia 16 de maio de 2008, às 17:23:00h. No entanto, a recorrente procedeu a desconsolidação da carga informando o C.E. Mercante Agregado somente no dia 20 de maio de 2008, às 21:29 h, restando portanto intempestiva a informação prestada, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 108 4 A presente autuação está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Observese que a Lei claramente estabeleceu que a informação deve ser prestada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, a redação dos artigos 22 (fatos geradores a partir de 01/04/2009) e 50 (fatos geradores até 31/03/2009) da Instrução Normativa RFB n° 800/07 são claros ao determinar prazos para que as informações em apreço sejam devidamente apresentadas: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. ... Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.(Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 109 5 Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Neste ponto é salutar esclarecer que, embora o caput do artigo 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07 tenha expressamente postergado a vigência do artigo 22 para 1º/04/2009 (redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 899/08), o Parágrafo único deste mesmo artigo estabeleceu prazo inequívoco, isto é, antes da atracação da embarcação em porto no País, para prestação das informações relacionadas às cargas. Portanto, embora não se aplique o prazo previsto no artigo 22 (48 horas), há que se respeitar o prazo determinado no artigo 50 (antes da atracação). No caso em tela, a informação foi prestada 4 dias depois da atracação. Importante ressaltar que o planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. O gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no Pais, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente as operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria. Considerando que a interessada prestou a informação após o prazo determinado no comando normativo, resta claro que a conduta praticada encontrase tipificada no enquadramento legal apontado pela autoridade fiscal. Em relação aos argumentos apresentados no recurso voluntário do recorrente, é impossível aplicar ao caso os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade, já que a conduta em questão está perfeitamente tipificada na lei, e na lei também está determinada a respectiva pena, não havendo espaço para qualquer interpretação discricionária que pudesse deixar margem à aplicação de tais princípios. Quanto à importância da prestação correta e tempestiva da informação relacionada a desconsolidação do Conhecimento Eletrônico, a Instrução Normativa RFB nº Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 110 6 800/07 é clara ao estabelecer que a mercadoria existente a bordo do veículo só será considerada manifestada se a carga tiver sido informada nos termos por ela definidos, também é clara ao exigir a informação da desconsolidação da carga. É o que se vislumbra dos artigos 10 e 17 do citado ato normativo: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I a informação do manifesto eletrônico; II a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV a informação da desconsolidação; e V a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. ... § 4º A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. ... Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. ... Embora seja evidente o prejuízo ao controle aduaneiro, no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, considerando o erro cometido, e a disposição legal, há que se registrar que os fatos se subsumem à hipótese legal. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 111 7 Em relação à espontaneidade suscitada pela interessada, em virtude de ter prestado a informação ainda que intempestivamente, é de se esclarecer que tal alegação não encontra abrigo na legislação invocada, visto que a espontaneidade não alcança o descumprimento de prazos para satisfação de atos de natureza essencialmente formal. O caso trata de responsabilidade acessória autônoma, não alcançada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). Ademais, a prestação da informação da desconsolidação do Conhecimento Eletrônico genérico, no sistema, fora do prazo regular, não se confunde com a denúncia espontânea da infração dela decorrente. Ainda que este não fosse o entendimento, o disposto no § 3º, do artigo 612 do Decreto nº 4.543/02 (§ 3º, do artigo 683, do Decreto nº 6.759/09) afasta a possibilidade de apresentação de denúncia espontânea para o caso dos autos: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). ... § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Incumbe ao interessado, como se sabe, ao apresentar a impugnação, trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, conforme disposto no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso o recorrente não trouxe qualquer elemento que pudesse laborar a seu favor, não trouxe à luz provas de fatos ou argumentos que pudesse excluir a sua responsabilidade nos termos da legislação. Conclusão: À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004876/201042 Acórdão n.º 3301002.554 S3C3T1 Fl. 112 8 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 18 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.006626/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE NULIDADE. REJEIÇÃO.
É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, em procedimento que foi realizado sem embaraçar o direito de defesa do autuado, que detém plena legitimidade para responder pela infração apurada.
SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Na saída de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saída de apenas um ou dois estabelecimentos, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3101-001.806
Decisão: Por maioria, afastou-se a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e José Maurício Carvalho Abreu e, no mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro,
Adolpho Bergamini, José Maurício Carvalho Abreu. O Conselheiro Adopho Bergamini fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Achiles Augustus Cavallo, OAB/SP 98.953, advogado do sujeito passivo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. REJEIÇÃO. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, em procedimento que foi realizado sem embaraçar o direito de defesa do autuado, que detém plena legitimidade para responder pela infração apurada. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na saída de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saída de apenas um ou dois estabelecimentos, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Por maioria, afastou-se a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e José Maurício Carvalho Abreu e, no mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Adolpho Bergamini, José Maurício Carvalho Abreu. O Conselheiro Adopho Bergamini fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Achiles Augustus Cavallo, OAB/SP 98.953, advogado do sujeito passivo.
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REJEIÇÃO. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, em procedimento que foi realizado sem embaraçar o direito de defesa do autuado, que detém plena legitimidade para responder pela infração apurada. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na saída de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saída de apenas um ou dois estabelecimentos, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão: Por maioria, afastou-se a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e José Maurício Carvalho Abreu e, no mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Adolpho Bergamini, José Maurício Carvalho Abreu. O Conselheiro Adopho Bergamini fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Achiles Augustus Cavallo, OAB/SP 98.953, advogado do sujeito passivo. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator EDITADO EM: 23/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado contra a empresa MEMPHIS S.A. INDUSTRIAL (CNPJ: 92.697.010/0004-99) para a cobrança de IPI referente aos períodos de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, em razão de alegada insuficiência de recolhimento do referido imposto por conta da inobservância do valor tributável mínimo nas saídas de produtos para empresas interdependentes. Segundo a alegação fiscal, exposta no "Relatório de Procedimentos Fiscais" (fls.547 a 550), datado de 29/09/2009, o estabelecimento equiparado a industrial promoveu a saída de produtos tributados destinados a pessoa jurídica com a qual mantinha relação de interdependência, sem utilizar o valor tributável mínimo previsto no artigo 136, inciso I, do RIPI/2002, que seria o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. No período abrangido pela ação fiscal (janeiro de 2005 e dezembro de 2006), o estabelecimento matriz industrializou diversas marcas de sabonetes, produto classificado no código 3401.11.90 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), e desodorantes, produto classificado no código 3307.20.10 da TIPI, tributados às alíquotas de 5% e de 7%, respectivamente. Em menor quantidade, também foram fabricados outros produtos de higiene e cuidados pessoais. A fiscalização constatou que, nas saídas de mercadorias emitidas pela matriz de Memphis S/A Industrial, as notas fiscais com destaque do IPI eram destinadas a somente três estabelecimentos: Distribuidora Memphis Ltda., CNPJ 04.781.843/0001-23 (matriz), localizado em Porto Alegre/ RS; Distribuidora Memphis Ltda., CNPJ 04.781.843/0003-95 (filial), localizado em Jaboatão dos Guararapes/PE; e Memphis S/A Industrial, CNPJ 92.697.010/0004-99 (filial), localizado em São Paulo/SP. A fiscalização constatou também que todas as vendas efetuadas pela filial, que seria equiparada a industrial, foram efetuadas por meio de notas fiscais com destaque do IPI destinadas aos seguintes estabelecimentos da distribuidora: Distribuidora Memphis Ltda., CNPJ 04.781.843/0002-04, localizado no mesmo endereço da filial de Memphis Industrial em Sao Paulo/SP; e Distribuidora Memphis Ltda., CNPJ 04.781.843/0005-57, localizado em Salvador/BA. Efetuando a comparação entre os valores de cada produto, a fiscalização constatou que a filial de Distribuidora Memphis destinou os produtos para terceiros, em notas Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11080.006626/2009-40 Acórdão n.º 3101-001.806 S3-C1T1 Fl. 4 3 fiscais sem destaque do IPI, por preços significativamente superiores aos das notas fiscais com destaque do IPI emitidas pela filial de Memphis Industrial para os estabelecimentos de Distribuidora Memphis. Para efeito de cálculo da média ponderada de que trata o artigo 137 do RIPI/2002, a fiscalização considerou as vendas efetuadas pelo estabelecimento da empresa interdependente da mesma praça (Distribuidora Memphis – CNPJ 04.781.843/0002-04), em negociações com empresas não interdependentes (itens 9 a 11 do "Relatório de Procedimentos Fiscais", fls. 547 a 559). Os demonstrativos elaborados pela fiscalização para apuração dos valores lançados de oficio foram descritos nos itens 17 até 21 do "Relatório de Procedimentos Fiscais" (fls. 547 a 559). Os fatos apurados relativos à matriz de Memphis S/A Industrial encontram-se no processo n° 11080.006627/2009-94, julgado pela 1º Turma ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em 25 de fevereiro de 2013, que negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade quanto às preliminares argüidas, e por voto de qualidade no mérito, mantendo a exigência fiscal (Acórdão 3201-001.204). Regularmente cientificado da lavratura do auto de infração, a interessada apresentou impugnação tempestiva, apresentando os argumentos sintetizados a seguir: (i) preliminarmente alega a incompetência do AFRFB lotado na DRF/POA, fora da jurisdição da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) responsável pela fiscalização do estabelecimento; (ii) vicio do lançamento, por não ter efetuado visita ao estabelecimento filial autuado nesse processo; (iii) ilegitimidade passiva; (iv) indevida menção feita pelo Auditor- Fiscal à Instrução Normativa SRF nº87, de 1989, no tocante inaplicabilidade do valor tributável mínimo; (v) incorreta apuração do valor tributável mínimo, feita em desacordo com o que prevê a legislação. Alega que a fiscalização utilizou da premissa equivocada de que o mercado atacadista da praça de São Paulo seria restrito às vendas realizadas pela empresa interdependente (Memphis Distribuidora) e às vendas da Recorrente para o exterior e para a Zona Franca de Manaus (ZFM), Amazônia Ocidental (AO) e Areas de Livre Comércio (ALC). A fiscalização utilizou-se de um único atacadista para o calculo. Segundo seu entendimento, o preço mínimo tributável, para fins de cálculo do IPI, nas vendas entre empresas interdependentes, deve ser entendido como o custo de produção, acrescido dos demais encargos, tratado no inciso III, do art. 136 e no inciso II do parágrafo único do art. 137 do RIPI. Em 30 de setembro de 2010, pela Resolução nº 263 da Terceira Turma de Julgamento da DRJ Porto Alegre (fls.803 a 804), este processo foi baixado em diligência, porque o impugnante, dentre outras alegações, afirmou que, na apuração da média ponderada dos pregos unitários nas vendas de produtos efetuadas pelo estabelecimento filial de Distribuidora Memphis Ltda., localizado em São Paulo/SP, vendas que serviram para determinação do valor tributável mínimo, a fiscalização teria errado, ao deixar de excluir notas fiscais canceladas, no referido levantamento. Para conferir credibilidade a essa alegação, a defesa trouxe aos autos deste processo, por cópias, amostra de notas fiscais canceladas em 2005 e em 2006, que teriam sido indevidamente incluídas na determinação do valor tributável mínimo utilizado na autuação contestada. A vista disso, o processo retornou à origem, para que o autor do procedimento fiscal informasse se as notas fiscais canceladas, foram ou não incluídas na apuração da média ponderada dos preços unitários nas vendas de produtos efetuadas pelo estabelecimento filial de Distribuidora Memphis Ltda., localizado em São Paulo/SP. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Em resposta, o AFRFB autor do procedimento elaborou a Informação Fiscal (fls. 932), consignando que efetuou as verificações necessárias, tendo constatado que as notas fiscais canceladas emitidas pela filial de Distribuidora Memphis Ltda. não foram incluídas na apuração da média ponderada de pregos unitários. A 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 10-28.935, de 9 de dezembro de 2009, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente a exigência formalizada no Auto de Infração.O referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. REJEIÇÃO. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, em procedimento que foi realizado sem embaraçar o direito de defesa do autuado, que detém plena legitimidade para responder pela infração apurada. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. A inobservância do valor tributável mínimo nas saída de produtos tributados pelo IPI, destinados a firma com a qual o remetente mantém relação de interdependência, justifica o lançamento de oficio das diferenças apuradas, tomando por base o prego corrente dos produtos no mercado atacadista da praga do remetente. PEDIDO DE PERÍCIA. INÉPCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixou de atender aos requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Porto Alegre, interpôs o Recurso Voluntário. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Em 19 de agosto de 2014, esta turma julgadora converteu o julgamento em diligencia (Resolução 3101-000.374), para manifestação da unidade de origem sobre as alegações da recorrente às fls. 1032 e seguintes, e análise das notas fiscais apresentadas, elaborando sua informação fiscal na qual expressamente manifeste-se sobre a existência de um mercado atacadista maior do que aquele considerado pela fiscalização e sobre o valor tributável mínimo apurado considerando o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11080.006626/2009-40 Acórdão n.º 3101-001.806 S3-C1T1 Fl. 5 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre elaborou Informação Fiscal às fls. 1982 a 1985, na qual informa que as alegações e elementos apresentados pela recorrente não devem alterar o valor mínimo tributável apurado no lançamento de ofício. Segundo seu entendimento, para fins de apuração do valor tributável mínimo dos produtos em questão, foi considerado que o mercado atacadista da praça de São Paulo estava restrito às vendas realizadas pelo estabelecimento da empresa interdependente Distribuidora Memphis. A Repartição de origem encaminhou novamente os autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade. A matéria controversa nos autos refere-se à apuração do valor tributável mínimo nas saídas de produtos para empresas interdependentes, conforme prevê a legislação do IPI. Das Preliminares Do Vício de Constituição – autuação por agente fiscal de outra jurisdição A recorrente alega incompetência da autoridade fiscal, tendo em vista que o AFRFB lotado em Porto Alegre realizou o lançamento em face do estabelecimento situado em São Paulo. Em matéria de jurisprudência, cumpre dizer que a lavratura de autos de infração por AFRFB de jurisdição diversa da do domicilio fiscal do sujeito passivo foi validada, sobretudo, na Súmula nº 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 27 Válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. Conclui-se, portanto, que, do ponto de vista da legitimidade do autor do procedimento fiscal, o Auto de Infração impugnado é válido, devendo ser rejeitada a preliminar correspondente. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 Da nulidade do lançamento A recorrente alega nulidade do lançamento por mencionar em seu corpo a IN 87/89, que trataria de bebidas quentes, nada relacionados com o caso em tela. Não assiste razão à recorrente. Verifica-se que o AFRFB enquadrou adequadamente os fatos à legislação própria, sem, absolutamente, embaraçar o direito de defesa do autuado. A autoridade fiscal, perfeitamente esclareceu a menção à referida Instrução Normativa, como norma interpretativa da Lei nº4.502, de 1964, feitas as ressalvas pertinentes. Desta forma, rejeito também a preliminar de nulidade do lançamento apontada pela recorrente. Da Ilegitimidade passiva Alega a recorrente sua ilegitimidade passiva, já que a responsável seria a empresa interdependente, alegando ser ilegal o Decreto n.º 1.217/94 que imputou à mesma a legitimidade. Não assiste razão à recorrente também neste ponto. Ainda que o art. 7º da Lei nº7.798, de 1989, estabeleça a equiparação como industrial dos estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou de outros estabelecimentos equiparados a industrial, e o referido anexo menciona a posição 3307 da TIPI, em que se classificam alguns dos produtos fabricados por Memphis S/A Industrial, seu artigo 8º autorizou o Poder Executivo excluir produto ou grupo de produtos da previsão de equiparação. O artigo 1º do Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994 expressamente excluiu do Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989 os produtos classificados, dentre outros, na posição 3307 da TIPI. Portanto, não pode prosperar a alegação da recorrente de que os estabelecimentos de Distribuidora Memphis Ltda. seriam equiparados a industrial, nas operações em discussão. A validade do referido Decreto não pode ser apreciada por este colegiado. Inexiste no julgamento administrativo qualquer juízo de valor atrelado a normas constantes do ordenamento jurídico pátrio. Qualquer argumento acerca da validade jurídica de normas que estão em pleno vigor deve ser levado ao Poder Judiciário, e não às instâncias administrativas. Afasto, também, a preliminar de ilegitimidade passiva apontada pela recorrente. Do Mérito Nas operações realizadas entre empresas interdependentes, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados determina que seja observado o valor tributável mínimo. O Regulamento do IPI traça parâmetros a serem seguidos na determinação de tal valor (arts. 136 e 137 do RIPI/02, in verbis): Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11080.006626/2009-40 Acórdão n.º 3101-001.806 S3-C1T1 Fl. 6 7 Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I - ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência II - a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo III - ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decreto-lei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV - a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decreto-lei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomar-se-á por base de cálculo: Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 I - no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II - no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. A interdependência das empresas, com base no art. 520, I, do RIPI/02, foi demonstrada pela autoridade fiscal, ao constatar que a empresa Memphis S.A. Industrial tem participação superior a 99% do capital social de Distribuidora Memphis, fato este incontroverso. Constata-se também que o valor tributável utilizado pela empresa Memphis S/A Industrial para cálculo do IPI nas notas fiscais é significativamente inferior aos preços praticados pela firma interdependente Distribuidora Memphis nas saídas para terceiros, ocorridas por meio de notas fiscais sem lançamento do IPI. A autoridade fiscal aponta que os valores tributáveis estariam inferiores ao Valor Tributável Mínimo, determinado como sendo o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, calculado com base na média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês antecedente ao da saída do estabelecimento remetente ou ao mês imediatamente anterior. Ainda que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, responsável pela primeira distribuição das mercadorias, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 136, I do RIPI. No presente caso, trata-se de produto industrializado por Memphis Industrial, possuindo características específicas, identificados por códigos próprios, de forma a distingui- los de produtos de marcas fabricadas por outras empresas do mesmo setor. Neste caso, estando a primeira distribuição destes bens restrita às empresas comerciais interdependentes, não alcançando pessoas jurídicas independentes, há mercado atacadista e o Valor Tributável Mínimo será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, cujo trecho relevante segue transcrito: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11080.006626/2009-40 Acórdão n.º 3101-001.806 S3-C1T1 Fl. 7 9 Assim, restando demonstrado que os estabelecimentos interdependentes da autuada eram os únicos responsáveis pela primeira distribuição no atacado dos produtos, o que foi feito pela fiscalização, e levando-se em conta que o “universo das vendas” representa as vendas de produtos perfeitamente identificáveis, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas de uma mesma firma, localizadas na praça da remetente, correto o lançamento. Recentemente, em julgamento pela Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção, em que a interessada era também a empresa MEMPHIS S.A. INDUSTRIAL, negou-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, interposto nos autos do Processo nº 11080.006627/2009-94 (Acórdão 3201-001-204), sob o fundamento de que existe, sim, preço corrente no mercado atacadista da remetente, ainda que se trate de um mercado monopolista, quando então, o preço praticado pela distribuidora interdependente nas vendas para terceiros independentes, equivale ao preço de mercado, por abranger os custos do produto. O relator designado para elaborar o voto vencedor concluiu que no caso do estabelecimento matriz de Memphis Industrial, considerou-se, corretamente, o mercado atacadista em relação às vendas efetuadas pelo estabelecimento de Distribuidora Memphis da mesma praça, para empresas que não fossem interdependentes: i) Em momento algum a fiscalização desconsiderou atos e negócios jurídicos; ii) O sujeito passivo foi autuado por não ter observado o Valor Tributável Mínimo (VTM); iii) Existe preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente.O fato de ser um mercado monopolista ou oligopolista não impede o seu uso; iv) Os preços praticados pela Memphis S/A Industrial e Distribuidora Memphis Ltda., atacadista interdependente, além de serem suficientes para o cálculo do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, equivalem ao preço de mercado, porque abrangem o custo de fabricação, demais custos financeiros, de vendas,administrativos e de publicidade, lucro normal e demais parcelas que devam será adicionadas ao preço da operação; v) Conforme Parecer Normativo CST nº 89/1970, o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente é o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento a terceiros não interdependentes; ... Conforme relatório da decisão recorrida, repetido neste acórdão, a autoridade fiscal afirma que “a legislação determina que o mercado atacadista de determinado produto deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam na localidade,não importando se este mercado, em relação aos vendedores, tenha uma estrutura monopolista, oligopolista ou competitiva.” ... Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 Ao contrário do que afirmam a recorrente e o Conselheiro Relator, a norma não diz que a base de cálculo a ser utilizada, se inexistente o preço corrente no mercado atacadista, deve ser o custo de fabricação, mas este acrescido dos custos financeiros, de venda,administração e publicidade, do lucro normal e demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. ... Assim, ainda que se considerasse necessário aplicar o art. 137, parágrafo único, II, do RIPI, os preços praticados pela Distribuidora Memphis Ltda. e pela matriz da Memphis S/A Industrial, que serviram para o cálculo da exigência do auto de infração, atenderiam à sua exigência, pois equivalem ao valor obtido segundo o preceito acima, conforme bem explicado no acórdão recorrido. A recorrente alega que o mercado atacadista dos produtos por ela fabricados não se restringiria às vendas realizadas pela empresa interdependente (Memphis Distribuidora), e que tal fato não foi considerado pela fiscalização na apuração do Valor Tributável Mínimo. Não assiste razão à recorrente. A autoridade fiscal constatou que cada código de produto industrializado pela Memphis Industrial possuía características específicas, não sendo possível a comparação com preços de marcas fabricadas por outras empresas do mesmo setor, e que não seria correto que no cálculo do Valor Tributável Mínimo fossem considerados preços praticados por empresas que adquiriram produtos de Distribuidora Memphis. Constata-se, também, que nenhum dos atacadistas não interdependentes referidos nos documentos que a empresa juntou aos autos adquiria os produtos em questão diretamente de Memphis Industrial, conforme comprovado pela análise das notas fiscais de saída. Segundo seu entendimento, a utilização de preços praticados por atacadistas que adquiriram produtos de Distribuidora Memphis seria prejudicial à recorrente, por acrescer ao preço que pagaram para a Distribuidora Memphis seus custos e sua margem de lucro. Desta forma, entendo que o Valor Tributável Mínimo apurado pela autoridade fiscal não merece reparos, por considerar no cálculo do mercado atacadista da praça de São Paulo, para os produtos em questão, apenas as vendas realizadas pelo estabelecimento da empresa interdependente Distribuidora Memphis. O cálculo do Valor Tributável Mínimo considerando os preços praticados por empresas que adquiriram produtos de Distribuidora Memphis seria prejudicial à Recorrente, aumentando o referido valor. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das sessões, em 24 de fevereiro de 2015. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11080.006626/2009-40 Acórdão n.º 3101-001.806 S3-C1T1 Fl. 8 11 Declaração de Voto Conselheiro Adolpho Bergamini Pedi vista para melhor analisar e me manifestar com mais demorada reflexão acerca do valor mínimo tributável previsto nos artigos 136 e 137 do RIPI/02. Da leitura dos citados dispositivos legais vigentes à época da autuação fiscal, verifica-se claramente que havia duas possibilidades excludentes de definição do valor tributável mínimo nas operações entre empresas interdependentes: (i) ou seria o preço corrente do produto no mercado atacadista da praça do remetente, a ser apurado pela média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele (artigo 137, caput, do RIPI); (ii) ou seria, na impossibilidade de se fazer essa verificação, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação (artigo 137, parágrafo único, inciso II, também do RIPI). Segue a transcrição do dispositivo: Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomar-se-á por base de cálculo: [...] II - no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Não havia, e não há, demais alternativas legais, tampouco ajustes normativos, que pudessem readequar as citadas disposições do RIPI. Pois bem.Segundo penso, para a aplicação das disposições do artigo 137, caput, para se obter a média ponderada lá mencionada, é necessário que sejam considerados os preços de cada produto praticados pelo próprio estabelecimento (no presente caso, a Recorrente) em operações com outras empresas que não sejam interdependentes. Admitir o contrário, ou mesmo que seria necessário considerar outros preços que não os do próprio estabelecimento, seria retirar a possibilidade de o contribuinte agir conforme a legislação de modo espontâneo, se assim o quisesse. Realmente, a interpretação ao artigo 137, na forma como colocada pelo Fisco (no sentido de que o preço médio é aquele aferido a partir dos preços praticados por outras empresas no mercado atacadista), é factível quando se está diante de uma autuação. Afinal, em Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 um processo administrativo é dado às partes juntar laudos, estudos técnicos, entre outras, com a finalidade de se estabelecer o preço médio do mercado atacadista praticado por outras empresas, que não o próprio contribuinte. Mas, se o contribuinte, por sua própria iniciativa, pretender agir conforme a legislação, jamais poderia fazê-lo no momento da operação. Isto porque, pode não ter à mão todos os dados mercadológicos de seus concorrentes, ou, ainda, se ver diante de restrições comerciais, como eventuais sigilos. Dito de outro modo, a interpretação quista pelo Fisco Federal, e que serviu de base à presente autuação, colocaria os contribuintes em geral em uma eterna situação de ilicitude, porquanto os elementos ao cálculo do valor mínimo de IPI, segundo o método sugerido, não estão ao alcance e/ou à livre disposição do contribuinte. A norma, em si própria, teria sido construída apenas e tão somente para ao final apenar. Daí a razão para, no meu sentir, a melhor interpretação a ser dada ao artigo 137, caput, é a de que a média ponderada dos preços deve ser feita a partir dos valores das operações praticadas, pelo próprio estabelecimento, em relação a outras saídas que venham a ser dadas para empresas não interdependentes. Esses elementos estão à disposição do contribuinte para que possa compor a base de cálculo mínima nas saídas que vier a dar para interdependentes. E, caso não haja outras saídas a não interdependentes, o próprio dispositivo dá a alternativa. Segundo o artigo 137, parágrafo único, inciso II, também do RIPI, “inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomar-se-á por base de cálculo [...] no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado”. Note-se, portanto, que o artigo 137 do RIPI apresenta os meios à fixação da base de cálculo do imposto em seu caput e, no parágrafo único, a alternativa na hipótese de não ser possível adotar os procedimentos do caput. Diante dessa situação, somente seria possível apurar o valor mínimo tributável através do custo de produção de que trata o artigo 137, II do RIPI/02, mas não foi o que ocorreu. A própria fiscalização afirma, às fls. 330, que o valor mínimo apurado na acusação fiscal sofreu um “ajuste conceitual” para que as disposições do artigo 136 fossem atendidas. Preferiu-se, portanto, à margem da lei, adotar como “preço do mercado atacadista” os valores praticados pela própria empresa interdependente da Recorrente. Vejamos: “No caso da filial de Memphis Industrial, que não efetuou vendas para empresas que não fossem interdependentes em notas de sua própria emissão, o mercado atacadista deve ser considerado somente em relação às vendas efetuadas pelo estabelecimento de Distribuidora Memphis da mesma praça (CNPJ 04.781.843/0002-04).” (grifei) Entendo que o referido “ajuste conceitual” não está de acordo com a legislação e, muito por isso, não há de ser aceito. Nem mesmo alegar que, no presente caso, a Recorrente conhece os preços do atacadista, por lhe ser interdependente, é suficiente ao ajuste pretendido. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11080.006626/2009-40 Acórdão n.º 3101-001.806 S3-C1T1 Fl. 9 13 A questão posta demanda, necessariamente, alteração de legislação, não de flexão dos ditames legais existentes ao tempo do fato gerador por meio de interpretações que superam e transpõem os limites legais. E, aqui, em função dos debates havidos na sessão de julgamento do dia 24/02/15, penso ser relevante um apontamento sobre a interpretação a ser dada ao mencionado artigo 137, II, do RIPI/02, às operações da Recorrente, que comercializa mercadorias apenas com seus interdependentes. Embora o modelo de negócio ora em julgamento (comercialização de produtos industrializados através de distribuidoras interdependentes) seja relativamente novo, criado e introduzido com o advento da tributação concentrada de PIS e COFINS, ele (o modelo) experimentou um vertiginoso crescimento a partir de 2007 com disseminação do regime de substituição tributária do ICMS a vários setores, inclusive o da Recorrente. Mas, nem por isso é dado à Receita Federal, através de suas Soluções de Consulta, inovar e dispor de novos critérios de apuração do valor mínimo tributável se a legislação do IPI, por outro lado, não o fez e não deixou qualquer lacuna quanto à sua apuração. Cumpre ser frisado mais uma vez: mais do que algo afeto à interpretação, o ponto parece ser de legislação. Tanto o é que, recentemente, foi editado o Decreto nº 8.393/15, que equiparou o atacadista interdependente à condição de contribuinte do IPI para alguns produtos como cosméticos e, com isso, mitigou os efeitos financeiros do planejamento tributário em questão. Aliás, a confirmação de que a tentativa de vedação ao planejamento tributário em questão passa, antes, por alteração da legislação se confirma na medida em que se verifica que, desde há muito, o Fisco Federal vem tentando inibi-lo. Tenha-se em conta, por exemplo, o artigo 22 da Medida Provisória nº 497/2010, por meio do qual, para efeitos de PIS e COFINS monofásicos, se estabeleceu a equiparação a produtor ou fabricante a pessoa jurídica comercial atacadista que adquirir, de pessoa jurídica com a qual mantenha relação de interdependência, produtos por esta produzidos, fabricados ou importados. Em outras palavras, é fato que o Fisco busca inibir a constituição dessas estruturas operacionais elegendo, através de norma específica e para determinados segmentos, a empresa interdependente como equiparada a industrial. Não se faz, aqui, qualquer juízo de valor (positivo ou negativo) quanto a esse intento. Mas, enquanto não há normas específicas a isso, não é dado que sejam ignoradas as disposições existentes no ordenamento para prevalecer as orientações proferidas através de Solução de Consulta acerca da base de cálculo do imposto. E, da análise dos autos, resta evidenciado que não há mercado atacadista na praça da Recorrente, considerando que a comercialização dos produtos é feita através de distribuidora-interdependente. Nessa medida, em observância ao princípio da legalidade, a base de cálculo do IPI deve ser composta pelo custo de produção e demais acréscimos previstos no artigo 137, II do RIPI/02. Sendo assim, DOU PROVIMENTO ao Recurso do contribuinte exonerando o crédito tributário constituído. É como voto. Adolpho Bergamini Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 05/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 23/04/2015 po r ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13804.004435/99-97
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1989 a 31/07/1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário da Fazenda parcialmente provido.
Numero da decisão: 9900-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário da Fazenda parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 44 35 /9 9- 97 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso extraordinário fazendário interposto contra decisão da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por unanimidade, negou provimento a recurso especial em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercícios: 1989, 1994 NORMAS PROCESSUAIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, com posterior Resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado n° 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abrese ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. SEMESTRALIDADE DA BASE DE CÁLCULO. O julgador não pode ignorar a lei, assim como não pode eximirse de julgar sob pretexto de sua omissão, porque se isto ocorrer (omissão) terá que julgar com base nos princípios gerais de direito, nos costumes e na analogia. Não há preclusão o que está na lei. Recurso especial negado Em breve resumo, o cerne da questão trazida ao debate gira em torno do termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF. A decisão recorrida determinou que a data a partir da qual se inicia a contagem do prazo prescricional é a data da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a execução da referida Lei. Já a Fazenda Nacional pugna pela aplicação dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, qual seja, a data do pagamento indevido é que deveria ser o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, juntando paradigma da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (efls. 192 a 205) Exame de admissibilidade do recurso extraordinário às efls. 187 e 188. Contrarrazões da contribuinte às efls. 209 a 217. É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.004435/9997 Acórdão n.º 9900000.955 CSRFPL Fl. 220 3 Voto Conselheiro Joel Miyazaki O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria aqui trazida ao debate pelo recurso fazendário diz respeito à prescrição/decadência do direito à repetição de indébito no caso da Contribuição para o PIS. Esta matéria se encontra pacificada no STF (RE 566.621 – Relatora Min Ellen Gracie) que definiu que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já nas ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo de 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). A decisão deixou claro que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, desse modo, aqueles que ajuizaram ação judicial de repetição de indébito em período anterior a essa data gozavam do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Tendo sido atribuída repercussão geral à decisão, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar essa decisão. Consultando os autos, verificase que os créditos pleiteados referemse ao período compreendido entre 01/11/1989 a 31/07/1994. Como o pedido foi protocolado em 13 de dezembro de 1999, aplicase o prazo decenal, logo, encontramse prescritos/decaídos os valores a restituir referentes a fatos geradores anteriores a 13 de dezembro de 1989. Assim, parte dos valores pleiteados foram alcançados pela prescrição. Desse modo, dou parcial provimento ao recurso extraordinário fazendário para declarar prescritos os créditos a restituir cujos fatos geradores sejam anteriores a 13 de dezembro de 1989, devendo a autoridade preparadora examinar as demais questões referentes à materialidade dos créditos pleiteados. Joel Miyazaki Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.721396/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 10/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 10/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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Recorrentes ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 10/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Relatório e Voto ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA, sucessora de ARCELOMITTAL FLORESTAS LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o acórdão n° 0240.588 (fls. 1191/1212), de 25/09/2012, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 39 6/ 20 12 -1 6 Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.294 2 Julgamento em Belo Horizonte (MG), recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Tratase de autos de infração lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para exigência dos tributos, abaixo relacionados, e dos respectivos acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora), totalizando o crédito tributário de R$ 21.258.094,26. Período de apuração: anocalendário 2008 e 2009. Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)............................R$ 16.531.664,08 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)...............R$ 4.726.430,18 Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I. 2 – DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – TVF (FLS. 14/21 E 33/39). I. 2. 1 – IRPJ. Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. Nos anoscalendário de 2008 e 2009 a Fiscalizada, bem como a incorporada Arcelormittal Florestas Ltda, CNPJ20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda) adotaram como forma de tributação do lucro real anual. Em 17/11/2011 o contribuinte complementa a resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 1, apresentando documentação relativa ao processo administrativo nº 10680.020725/200741 (IRPJ e reflexo CSLL) que se refere ao auto de infração de infração de período anterior (ano 2002) e que poderia impactar os trabalhos do presente procedimento de fiscalização. Cabe ressaltar que esses lançamentos foram efetuados na empresa CAF Santa Bárbara Ltda – CNPJ – 20.771.747/000150, a qual, posteriormente ao lançamento, alterou sua denominação social para Arcelormittal Floresta Ltda (“AMF”). Em 01/07/2009 a empresa AMF é incorporada pela Arcelormittal Energética Jequitinhonha Ltda (“AMJ”), a qual, na mesma data, altera sua denominação social para Arcelormittal Bio Energia Ltda, que a partir desta data passa a responder por todos os eventuais débitos da sucedida AMF sendo a Fiscalizada, neste caso, sujeito passivo da obrigação tributária na condição de responsável pelas obrigações da sucedida. Em 24/01/2012, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 2, solicitando o LALUR dos períodos de 1988 a 2009 da empresa Arcelormittal Florestas Ltda afim de que o Fisco pudesse identificar as possíveis divergências entre os saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL utilizados pelo contribuinte nos anos calendário de 2008 e 2009 daqueles constantes do Sistema de Acompanhamento Interno da SRFB dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.295 3 Recebida a documentação solicitada e após sua análise, o Fisco elaborou em 10/02/2012, o Termo de Intimação Fiscal nº 3, no qual solicitou esclarecimentos sobre lançamentos efetuados no LALUR 4 e 5, com o seguinte teor: Com relação à empresa ARCELORMITTAL FLORESTAS LTDA – CNPJ – 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara), a qual foi incorporada pelo sujeito passivo em 01/07/2009: Esclarecer o lançamento no valor de R$ 1.419.312,46 efetuado na parte B, página 109 do LALUR nº 4 (período 1998 a 2000), onde houve a compensação do Lucro Real da Atividade Rural do anocalendário de 1999 com a utilização de saldo da conta Incentivo à Atividade Rural e não da conta de prejuízos fiscais de exercícios anteriores como seria o esperado e como está inclusive escrito na página 71 – parte A deste mesmo LALUR nº 4. Esclarecer o lançamento no valor de R$ 247.876,76 efetuado na parte B, página 198 do LALUR nº 5 (período 2001 a 2006) onde consta a inclusão deste valor no saldo de prejuízos fiscais da Atividade Rural relativamente ao prejuízo fiscal da Atividade Rural do ano calendário de 2003, uma vez que neste ano o contribuinte obteve um Lucro Real na Atividade Rural no valor de R$ 247.876,76 e não um prejuízo, como inclusive pode ser constatado na página 107 – parte A deste mesmo LALUR nº 5. O valor esperado para alimentar o saldo de prejuízos fiscais neste ano, com relação à atividade Rural seria zero e não R$ 247.876,76. Em 27/02/2012, o contribuinte apresentou resposta informando, com relação ao item “b”, que o valor de R$ 247.876,76, será retificado no LALUR, ou seja, a Fiscalizada admitiu o erro de incluir este valor no saldo de prejuízos fiscais. Quanto ao item “a”, em resposta de 14/03/2012, informou que o lançamento do valor de R$1.419.312,46 na conta Incentivo à Atividade Rural (parte “B” do LALUR), ao invés de lançar (dar baixa) na conta de saldo de prejuízos fiscais, foi devido ao Mandado de Segurança 92.00070701. Analisando esta ação e as decisões encontradas no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o Fisco verificou que o objeto da referida ação judicial não tem congruência com a matéria aqui tratada. Um dos pedidos do Mandado de Segurança era: “... b)utilizar o saldo do benefício fiscal à atividade rural agrícola existente em 31 de dezembro de 1989, sem a limitação temporal do art. 15 da Lei 8.023/90”. Esclarecer que: Ora, o artigo 15 da Lei 8.023/90 trata do excesso de redução da base de cálculo do Imposto sobre a Renda que deveria ser adicionado ao resultado da atividade rural para compor a base de cálculo dos anos subsequentes àquele em que o benefício fiscal da redução fosse utilizado, conforme artigos 9 e 12 da mesma Lei. Tal imposição obrigaria a fiscalizada a adicionar este excesso de redução em até três anosbase seguintes e o que impetrante pleiteia é a não limitação desse prazo. Referida disposição legal em nenhum momento autorizou a compensação do Lucro Real com saldo da conta de incentivo à Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.296 4 atividade rural, muito pelo contrário, ela obriga os contribuintes a adicionar o excesso de redução ao resultado da atividade rural para compor a base de cálculo dos anos subsequentes aquele em que o beneficio fiscal da redução foi utilizado. Além disso, não há nenhuma decisão judicial relativa ao Mandado de Segurança nº 92.00070701 que esteja amparando qualquer pedido do impetrante com relação à compensação de prejuízo fiscal. Sendo assim, a falta do lançamento do valor de R$ 1.419.312,46 na conta que controla o saldo de prejuízo fiscais da empresa Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ – 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda) acabou por contribuir para a insuficiência de saldo de prejuízos fiscais utilizados pela empresa. Os valores apurados por esta fiscalização estão demonstrados mais adiante. Analisando o LALUR da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda, verificou as seguintes inconsistências: a) O valor de R$ 1.409.312,46 utilizado como compensação de prejuízos anteriores com o lucro real obtido no anocalendário de 1999 não foi debitado na conta de prejuízos fiscais acumulados tendo sido referido valor debitado da conta Incentivo à Atividade Rural. Intimado a esclarecer este fato, a Fiscalizada não logrou êxito em demonstrar o fundamento desse lançamento, conforme item 12 deste Termo. Dessa forma, levado o valor de R$ 1.409.312,46 a débito no LALUR – Parte “B” na conta correta, ou seja, prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores, nenhum saldo restaria nesta conta em 1999 e muito menos em 2000, ano no qual a empresa teve um lucro real, e não prejuízo. As utilizações indevidas de prejuízos fiscais nos anos calendário de 1999 e 2000 ensejariam um lançamento pelas infrações cometidas, porém são períodos já atingidos pela decadência. Não obstante, a constatação importante que se obtém do acima exposto é que em 31/12/2000 o saldo dos prejuízos fiscais acumulados era 0 (“zero”). Somente em 31/12/2001 é que começa a ser formado um novo estoque de prejuízos fiscais passíveis de utilização futura. b) No ano calendário de 2002 o Prejuízo Fiscal da Atividade Rural lançado no LALUR – Parte “B” foi de R$ 5.674.444,33 e o Prejuízo Fiscal das demais atividades lançado no LALUR – Parte “B” foi de R$ 3.429.868,99, porém referidos prejuízos foram retificados para 0 (“zero”) em virtude de fiscalização que arbitrou o lucro através do lançamento que originou o processo administrativo nº 10680.020725/200741 (IRPJ e reflexo CSLL). Embora ciente desse procedimento fiscal, conforme item 9 deste Termo, o sujeito passivo não procedeu a nenhum ajuste no LALUR com relação ao prejuízo fiscal do anocalendário de 2002 alterado pela Fiscalização. Cabe ressaltar que o processo administrativo mencionado encontrase atualmente em sede de Recurso Especial no CARF. c) No anocalendário de 2003 o Prejuízo Fiscal da Atividade Rural lançado no LALUR – Parte “b” foi de R$ 247.876,76, porém tal inclusão de prejuízo fiscal na parte “B” do LALUR na conta de prejuízos fiscais foi um erro do sujeito passivo. Intimado a esclarecer o Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.297 5 fato através do Termo de Intimação nº 3, a Fiscalizada reconhece o erro cometido em resposta entregue no dia 27/02/2012. Referido prejuízo não existe. O que houve nesse período foi um lucro desse valor nas atividades rurais que, por equívoco, foi lançado pelo sujeito passivo como prejuízo fiscal na parte “B” do LALUR. d) No anocalendário de 2006 o Prejuízo Fiscal da Atividade Rural lançado no LALUR foi de R$ 24.306.491,66, porém referido prejuízo fiscal foi retificado para R$ 2.241.467,74, em virtude de fiscalização que diminuiu o prejuízo fiscal através do lançamento que originou o processo administrativo nº 15504.726266/201143. Embora ciente desse procedimento fiscal, o sujeito passivo não procedeu a nenhum ajuste no LALUR com relação ao prejuízo fiscal do anocalendário de 2006 alterado pela Fiscalização. Cabe ressaltar que o processo administrativo mencionado encontrase atualmente em sede de julgamento na DRJ/BHE. e) No anocalendário de 2007, a CAF Santa Bárbara apurou um Lucro Real no valor de R$8.787.052,11, o qual foi compensado com prejuízos fiscais de períodos anteriores da seguinte forma: i) Prejuízo Fiscal Compensado em 2007 – Demais Atividades R$2.636.115,63; e ii) Prejuízo Fiscal Compensado em 2007 – Atividade Rural R$6.150.936,48. Do valor de R$ 6.150.936,48, a Fiscalizada lançou R$ 5.500.241,44 na conta de prejuízos fiscais acumulados sobre a Atividade Rural (página 07 do LALUR 06), enquanto que a diferença, R$ 650.695,04 foi lançada em duas parcelas, uma no valor de R$ 318.762,88 na conta de prejuízos fiscais acumulados sobre a Atividade Rural apurado no ano calendário de 1993 – ref. mês de abril/93 (conforme página 5 do LALUR 06) e outra parcela no valor de R$ 331.932,16 na conta de prejuízos fiscais acumulados sobre a Atividade Rural apurado no ano calendário de 1994 – ref. mês março/94 (conforme página 6 do LALUR 06). Desta forma esta Fiscalização considerou em seus cálculos, conforme se verá na planilha adiante, o valor integral da compensação de prejuízos fiscais acumulados sobre a Atividade Rural no valor de R$ 6.150.936,48 do saldo de prejuízos fiscais que começou a ser formado a partir do anocalendário de 2001. f) Nos anoscalendário de 2001, 2004, 2005, 2008 e 2009 os valores encontrados por esta Fiscalização dos prejuízos fiscais e das compensações dos prejuízos fiscais coincidem com os lançados pelo sujeito passivo em seu LALUR – Parte “B”. Em virtude do acima exposto, recompusemos os saldos de prejuízos fiscais acumulados da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda), conforme quadro abaixo: Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.298 6 Com o objetivo de facilitar o entendimento dos cálculos e para efeitos comparativos das alterações realizadas por esta Fiscalização, reproduzimos abaixo os saldos de prejuízos fiscais acumulados da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda), de acordo com os valores escriturados pela Fiscalizada nos LALUR apresentados: Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.299 7 Após a recomposição dos saldos de prejuízos fiscais da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ – 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda), verificase claramente que no anocalendário de 2008 a Fiscalizada compensou valores de prejuízos fiscais superiores aos saldos existentes. A compensação do prejuízo fiscal excedente aos saldos existentes em 2008 foi a seguinte: a) R$27.853.055,50 referente ao Prejuízo Fiscal com a Atividade Rural; e b) R$3.429.868,99 referente ao Prejuízo Fiscal com as Demais Atividades. Portanto, a compensação de prejuízos fiscais total indevida, por absoluta insuficiência desses saldos, atingiu o montante de R$31.282.924,49. Já no anocalendário de 2009 verificamos que a compensação de prejuízos fiscais excedente ao saldo existente atingiu o montante de R$784.984,55. Sendo assim, verificadas que as compensações de prejuízos fiscais excederam os saldos existentes nos montantes de R$31.282.924,49 no anocalendário de 2008 e de R$784.984,55 no anocalendário de 2009, esta Fiscalização procedeu à glosa desses valores de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores na apuração do IRPJ devido e procedeu ao lançamento através d Auto de Infração próprio, do qual este Termo de Verificação de Infração é parte integrante e indissociável. I. 2. 1 – CSLL. Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. (...) Analisando o LALUR da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda), verificamos que a base de cálculo negativa da CSLL em 31/12/2000 era 0 (“zero”), ou seja, somente em 31/12/2001 é que começa a ser formado um estoque de base de cálculo negativa da CSLL passível de utilização futura. Além disso, verificamos as seguintes inconsistências: a) No anocalendário de 2002 a Base Negativa da CSLL Atividade Rural lançada no LALUR – Parte “B” foi de R$ 6.516.376,03 e a Base de Cálculo Negativa da CSLL das demais atividades lançada no LALUR – Parte “B” foi de R$ 3.623.651,03, porém referidas bases de cálculo negativas foram retificadas para 0 (“zero”) em virtude de fiscalização que arbitrou o lucro através do lançamento que originou o processo administrativo nº 10680.020725/200741 (IRPJ e reflexo CSLL). Embora ciente desse procedimento fiscal, conforme item 9 deste Termo, o sujeito passivo não procedeu a nenhum ajuste no LALUR com relação à base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2002 Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.300 8 alterada pela Fiscalização. Cabe ressaltar que o processo administrativo mencionado encontrase atualmente em sede de Recurso Especial no CARF. b) No anocalendário de 2006 a Base de Cálculo Negativa da CSLL Atividade Rural lançada no LALUR – Parte “B” foi de R$ 24.871.709,54, porém referida base de cálculo foi retificada para R$ 2.806.685,62, em virtude de fiscalização que diminuiu a base de cálculo negativa da CSLL através do lançamento que originou o processo administrativo nº 15504.726266/201143. Embora ciente desse procedimento fiscal, o sujeito passivo não procedeu a nenhum ajuste no LALUR com relação à base negativa da CSLL do ano calendário de 2006 alterada pela Fiscalização. Cabe ressaltar que o processo administrativo mencionado encontrase atualmente em sede de julgamento na DRJ/BHE. d) Nos anoscalendário de 2001, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008 e 2009 os valores encontrados por esta Fiscalização das bases negativas da CSLL coincidem com os lançados pelo sujeito passivo em seu LALUR – Parte “B”. Em virtude do acima exposto, recompusemos os saldos das bases negativas da CSLL acumuladas da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda), conforme quadro abaixo: Com o objetivo de facilitar o entendimento dos cálculos e para efeitos comparativos das alterações realizadas por esta Fiscalização, reproduzimos abaixo os saldos das bases de cálculo negativas da CSLL acumulados da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.301 9 Bárbara Ltda), de acordo com os valores escriturados pela Fiscalizada nos LALUR apresentados: Após a recomposição dos saldos das bases de cálculo negativas da CSLL da incorporada Arcelormittal Florestas Ltda (“AMF”) CNPJ – 20.771.747/000150 (anteriormente denominada CAF Santa Bárbara Ltda), verificase claramente que no anocalendário de 2008 a Fiscalizada compensou valores de bases negativas da CSLL superiores aos saldos existentes. A compensação das bases de cálculo negativas da CSLL excedentes aos saldos existentes em 2008 foram as seguintes: a) R$ 20.929.002,99 referente à Base Negativa da CSLL Atividade Rural; e b) R$ 3.623.651,03 referente à Base de Cálculo Negativa da CSLL Demais Atividades. Portanto, a compensação total de bases de cálculo negativas da CSLL indevida, por absoluta insuficiência desses saldos, atingiu o montante de R$ 24.552.654,02. Já no anocalendário de 2009 verificamos que a compensação de base de cálculo negativa da CSLL excedente ao saldo existente atingiu o montante de R$ 800.103,46. Sendo assim, verificadas que as compensações das bases de cálculo negativas da CSLL excederam os saldos existentes nos montantes de R$ 24.552.654,02 no anocalendário de 2008 e de R$ 800.103,46 no ano calendário de 2009, esta Fiscalização procedeu à glosa desses valores de bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores na apuração da CSLL devida e procedeu ao lançamento através d Auto de Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.302 10 Infração próprio, do qual este Termo de Verificação de Infração é parte integrante e indissociável. A recorrente tomou ciência dos autos de infração em 11/04/2012 (fl. 4 e 31). Inconformada, a recorrente apresentou impugnação em 11/05/2012 (fls. 938/964), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ/RJI, nestes termos: PRELIMINAR. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO RECOMPOR PREJUÍZO FISCAL APURADO EM 1999, 2000 E 2003. Alega, apesar de admitir não poder autuar o valor de IRPJ referente à compensação supostamente a maior realizada no ano de 2000, a Fiscalização, em decorrência da constatação anterior zera o saldo de prejuízo fiscal em 31.12.2000. Além desta competência, desconsiderou o prejuízo fiscal lançado no LALUR referente ao anocalendário de 2003. Salienta, além de contraditório, o procedimento adotado pelo Fisco encontrase equivocado, quanto às referidas competências que tiveram seu saldo de prejuízo fiscal retificado no presente processo (anos calendário 1999, 2000 e 2003), posto que precluso o direito do Fisco de reapuração das bases tributáveis. Assevera, a conseqüência disto é a de que, passado o prazo decadencial de cinco anos previsto no §4º do art. 150 do CTN, as bases apuradas e informadas pelo contribuinte em sua declaração fiscal tornamse imutáveis, para todos os fins. Haverá, assim, uma situação jurídica consolidada, referente a período já alcançado pela decadência. Conclui, como a ciência do lançamento se deu em 11.04.2012, encontrase invariavelmente atingido pela decadência a possibilidade de reapuração das bases tributáveis referentes aos anoscalendário de 2000 e 2003, conforme procedimento adotado pela Fiscalização no presente processo. DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 92.00070701. DA UTILIZAÇÃO DO SALDO DO BENEFÍCIO FISCAL À ATIVIDADE RURAL AGRÍCOLA EM 31.12.1989. DA CONSIDERAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL EM 31.12.2000. Alega, ainda que não se entenda que se encontra precluso o direito do Fisco reapurar as bases tributáveis anteriores à 11.04.2007, a retificação do saldo de prejuízo fiscal realizada no anocalendário de 2000, não merece prosperar. Isso porque, como informado em resposta à intimação o procedimento adotado (lançamento no valor de R$ 1.419.312,46 efetuado na parte B, do LALUR nº 4 – período de 1998 a 2000) o foi em consonância com o pleito do Mandado de Segurança nº 92.00070701. Explica, em abril/1992, a CAF Santa Bárbara Ltda, antiga denominação da Arcelormittal Florestas Ltda, que foi incorporada em 01.07.2009 pela Arcelormittal Bioenergia Ltda, impetrou Mandado de Segurança, com pedido de liminar, cadastrado sob o nº 9200070701 (doc. 05 – certidão de inteiro teor), objetivando, em síntese, o direito de utilizar o saldo do benefício fiscal à atividade agrícola existente em Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.303 11 31.12.1989, sem a limitação temporal do art. 15 da Lei nº 8.023/90. Atualmente, o processo encontrase pendente de julgamento perante o TRF da primeira região, conforme podese verificar do andamento processual em anexo (doc. 06). Alega, ocorre que, como a empresa exerce atividade rural, gozava do incentivo fiscal instituído pelo Decretolei nº 902/69, que lhe dava o direito à dedução do lucro real de investimentos incentivados especificados. Com o advento da Lei nº 8.023/90, a utilização deste incentivo não seria permitida após o períodobase de 1992. Todavia, conforme demonstrado no referido MS, o aludido art. 15 representou uma violação ao direito adquirido da Impugnante, resguardado pelo texto constitucional (art. 5º, XXXVI). Conclui, justificado o procedimento adotado pelo contribuinte e demonstrada a similitude entre os valores autuados e o objeto discutido no referido MS, a autuação neste ponto deve ser suspensa até o julgamento final da matéria. DA RECOMPOSIÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL/BASE NEGATIVA RELATIVA AOS ANOSCALENDÁRIO 2002 (PTA 10680.0207725/200741) E 2006 (15504.726266/201143). Diz, a Fiscalização entendeu pela necessidade de retificação do Prejuízo Fiscal/Base Negativa apurados nos anoscalendário de 2002 e 2006, tendo em vista a existência de autuações anteriores que determinaram retificações no LALUR com relação aos referidos períodos. Inicialmente, apresenta análise acerca do estágio atual de cada uma das autuações que retificaram o prejuízo fiscal nos anos de 2002 e 2006: 1. Processo nº 10680.020725/200741. Neste Auto de Infração, em síntese, a Fiscalização entendeu por desconsiderar todas as informações contábeis da empresa e assim procedeu à apuração do resultado do período (2002) com base no Lucro Arbitrado, e conseqüentemente foi zerado o prejuízo fiscal/base negativa anteriormente apurado com relação a este anocalendário. Cientificada desse lançamento em 27.12.2007, apresentou impugnação em 28.01.2008. Tal impugnação foi julgada improcedente em primeira instância administrativa, acórdão de 17.03.2009, e atualmente, o recurso voluntário apresentado encontrase pendente de julgamento perante o CARF. 2. Processo nº 15504.726266/201143. Neste Auto de Infração, em síntese, a Fiscalização apurou um suposto ajuste na base de cálculo no montante de R$22.195.775,49, e assim intimou a empresa que cumprisse o ajuste, em conformidade com os demonstrativos anexados ao AI ou impugnasse a exigência no prazo de 30 dias. Cientificada em 12.12.2011, apresentou impugnação em 12.01.2012, a qual encontrase pendente de julgamento perante a DRJ. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.304 12 Esclarece, independentemente do objeto de cada uma das autuações utilizadas pelo Fisco para realizar a recomposição do saldo de prejuízo fiscal/base negativa nos anoscalendário de 2002 e 2006, o fato é que ambos os processos foram tempestivamente impugnados, tendo em vista que a empresa não concorda com nenhuma das duas exigências e atualmente encontramse pendentes de julgamento na instância administrativa. E enquanto pendentes de julgamento definitivo, os créditos tributários estão com exigibilidade suspensa, CTN, art. 150, III. Observa, os três processos encontramse entrelaçados atualmente. Caso o lançamento seja julgado improcedente ou parcialmente procedente em algum dos PTA’s que retificam o prejuízo fiscal/base negativa em 2002 e 2006, o crédito deste PTA será necessariamente retificado. Isto posto, requer a reunião dos PTA’s para que sejam julgados concomitantemente ou a suspensão do presente processo até o julgamento final dos outros PTA’s. Argumentando, caso não se entenda pela reunião ou suspensão do presente processo até o julgamento final dos processos 10680.020725/200741 e 15504.726266/201143, a Impugnante apresenta alegações de mérito que levam à insubsistência dos referidos PTA’s que ensejariam a reformulação do saldo de prejuízo fiscal/base negativa dos anoscalendário de 2002 e 2006. DO PEDIDO DE PERÍCIA. – Indicando perito e citando quesitos, a Impugnantes postula pela realização de perícia contábil. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte / MG manteve parcialmente o crédito tributário exigido, proferindo o acórdão n° 0240.588 (fls. 1191/1212), de 25/09/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Decadência. Regra geral. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Restando constatado, entre a data da ciência do auto de infração e a data do fato gerador, prazo menor do que cinco anos, não há falar em decadência. Processos Conexos. Exigências que se Comunicam. Considerando que a exigência contida neste processo se comunica com a do de nº 15504.726266/201143, na medida em que as recomposições dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores feitas naquele redundou em crédito tributário exigido neste processo, cabe ajustar a presente exigência em função do resultado daquele julgamento, Acórdão 0240.633 2ª Turma da DRJ/BHE, de Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.305 13 25 de setembro de 2012, que considerou procedente em parte aquela impugnação apresentada pelo contribuinte. Tributação Reflexa. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese ao reflexo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância, por via postal, em 08/10/2012 (fl. 1223), tendo interposto o presente recurso voluntário em 06/11/2012 (fls. 1231/1291), basicamente repisando as argumentações da impugnação, excluindo apenas o tópico “Mandado de Segurança n. 92.00070701 – Da utilização do saldo do benefício fiscal à atividade rural agrícola em 31.12.1989 – Da consideração do prejuízo fiscal em 31.12.2000” de suas alegações. É o Relatório. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.306 14 Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Primeiramente, o AFRFB verificou que houve compensações de prejuízos fiscais excedentes aos saldos existentes nos montantes de R$ 31.282.924,49 (anocalendário de 2008) e de R$ 784.984,55 (anocalendário de 2009), consequentemente glosou os valores de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores na apuração do IRPJ, realizando o lançamento tributário por intermédio de auto de infração (fls. 3/12). Ademais, o AFRFB verificou que houve compensações das bases de cálculo negativas da CSLL excedentes aos saldos existentes nos montantes de R$ 24.552.654,02 (ano calendário de 2008) e de R$ 800.103,46 (anocalendário de 2009), consequentemente glosou os valores de compensação das bases de cálculo negativas do CSLL de períodos anteriores na apuração da CSLL, realizando o lançamento tributário por intermédio de auto de infração (fls. 22/32). Para tanto, o AFRFB recompôs os saldos de prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL da empresa incorporada (Arcelormittal Florestas Ltda), tendo como período de apuração os anoscalendário de 2000 a 2009. Bem, no anocalendário de 2002, em virtude de fiscalização, a Receita Federal do Brasil arbitrou o lucro da recorrente, que originou o processo administrativo fiscal n. 10680.020725/200741 (IRPJ e reflexo CSLL). E, no anocalendário de 2006, em virtude de fiscalização, a Receita Federal do Brasil retificou o prejuízo fiscal apurado pela recorrente (Prejuízo Fiscal da Atividade Rural: de R$ 24.306.496,66 para R$ 2.241.467,74), que originou o processo administrativo fiscal n. 15504.726266/201143. Por decorrência das autuações acima expostas, anocalendário de 2002 e 2006, o AFRFB entendeu que a recorrente deveria ter ajustado o LALUR. Todavia, a recorrente apresentou defesa administrativa em ambos os processos administrativos fiscais (10680.020725/200741 e 15504.726266/201143) e não ajustou o LALUR com relação aos anoscalendário de 2002 e 2006, razão pela qual o AFRFB recompôs os saldos de prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas de CSLL. Atualmente, insta salientar que os processos administrativos fiscais (10680.020725/200741 e 15504.726266/201143) encontramse pendentes de decisão final, vejase: * 10680.020725/200741: houve o julgamento do recurso voluntário no CARF, sendo que a 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento acolheu a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores até 30/09/2002, e no mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, atualmente, o processo administrativo fiscal encontrase pendente de julgamento de recurso especial: Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.307 15 * 15504.726266/201143: atualmente, o processo administrativo fiscal encontrase pendente de julgamento de recurso voluntário: Ademais, como muito bem fundamentou a 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (MG), o mérito das autuações dos processos administrativos fiscais (10680.020725/200741 e 15504.726266/201143) não pode ser discutido no presente processo administrativo fiscal, “dado que se tratam de relações processuais distintas, cada qual envolvendo lançamento próprio, os quais restaram devidamente impugnados, [...]”. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.308 16 E, novamente, como muito bem fundamentou a 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (MG), “muito embora sejam distintas as relações processuais, é evidente a conexão existente entre este e os mencionados processos, uma vez que a manutenção das recomposições feitas na presente autuação, notadamente, nos anoscalendário de 2002 e 2006, depende diretamente do julgamento final das lides postas naqueles processos”. No âmbito administrativo, verificase que é plenamente possível o sobrestamento de um processo administrativo fiscal até a decisão final de outros processos administrativos fiscais, sendo aplicado, de forma subsidiária, o art. 265, inciso IV, do Código de Processo Civil: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO — Pendência de decisão judicial que influencia nos fundamentos do lançamento do crédito tributário, enseja o sobrestamento do julgamento administrativo com fulcro no artigo 265 do Código de Processo Civil. (Acórdão n. 10614.776 – 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator José Ribamar Barros Penha, sessão de 06 de julho de 2005). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO SOBRESTAMENTO DA APRECIAÇÃO DO LITÍGIO – Com fundamento no inciso IV, do artigo 265, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, suspendese o processo, quando a apreciação do mérito do litígio depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. (Acórdão n. 10514.270 – 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator Luis Gonzaga Medeiros Nobrega, sessão de 03 de dezembro de 2003). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — Pendência de decisão judicial que influencia nos fundamentos da autuação. Sobrestamento do feito até julgamento do processo judicial com fulcro no artigo 265 do Código de Processo Civil. COMPETÊNCIA EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE SENTENÇA JUDICIAL — Diante da decisão judicial não definitiva, sujeita a reexame em instância superior, cabe à esfera judicial a tutela jurisdicional sobre a forma, ritos e procedimentos atinentes à execução provisória da sentença. (Acórdão n. 10613.913 – 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator José Ribamar Barros Penha, sessão de 14 de abril de 2004). Pois bem. Tenho por certo, assim: a) Que o presente processo administrativo depende diretamente do julgamento final dos processos administrativos fiscais n. 10680.020725/200741 e n. 15504.726266/201143; b) O processo administrativo fiscal n. 10680.020725/200741 encontrase pendente de julgamento de Recurso Especial; c) O processo administrativo fiscal n. 15504.726266/201143, encontramse pendente de julgamento de Recurso Voluntário; Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10680.721396/201216 Resolução nº 1302000.231 S1C3T2 Fl. 1.309 17 Considero, pois, plenamente atendidas as condições para o sobrestamento de processo administrativo fiscal até a decisão final de outro processo administrativo fiscal. Ante o exposto, julgo pelo sobrestamento do julgamento do recurso voluntário do presente processo administrativo até decisão final dos processos administrativos fiscais n. 10680.020725/200741 e n. 15504.726266/201143, nos termos do entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aplicandose de forma subsidiária o art. 265, inciso IV, do Código de Processo Civil. Após o julgamento dos processos prejudiciais, que sejam juntadas as respectivas decisões a este feito e devolvido à esta Turma para que seja novamente levado à julgamento. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 19515.722399/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE.DESCABIMENTO.
É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72.
MULTA ISOLADA.
É devida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DIVERSOS.
Descabe, em sede de Lançamento, discutir assunto próprio de processo de restituição e/ou compensação.
Numero da decisão: 1402-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário quanto à compensação não declarada e, na parte conhecida, negar-lhe provimento em relação à multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. MULTA ISOLADA. É devida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DIVERSOS. Descabe, em sede de Lançamento, discutir assunto próprio de processo de restituição e/ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário quanto à compensação não declarada e, na parte conhecida, negar-lhe provimento em relação à multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. MULTA ISOLADA. É devida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DIVERSOS. Descabe, em sede de Lançamento, discutir assunto próprio de processo de restituição e/ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário quanto à compensação não declarada e, na parte conhecida, negarlhe provimento em relação à multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 99 /2 01 1- 72 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 668 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 669 3 Relatório Pado S.A. Industrial, Comercial e Importadora recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 9ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento de Multa Regulamentar, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 435/439, respeitante aos anoscalendário de 2008, 2009, 2010 e 2011 . O crédito apurado perfaz o total equivalente a R$ 8.591.693,46 (oito milhões, quinhentos e noventa e um mil, seiscentos e noventa e três reais e quarenta e seis centavos). Pelo TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 426/428 registra a Autoridade Fiscal, em síntese, que: a Contribuinte apresentou Declarações de Compensação através de processos administrativos nos quais buscou a utilização de suposto crédito oriundo de título denominado Obrigações do Reaparelhamento Econômico, objeto do pedido de restituição no processo 13804.002755/200981, para compensação de débitos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS REGIME NÃO CUMULATIVO código 6912), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO código 5856) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI código 5123); as compensações foram consideradas NÃO DECLARADAS pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SPO, conforme decisão contida em cada processo administrativo discriminado em Demonstrativo anexo e que, conforme apontamento da Autoridade Lançadora, tiveram por ementa: " COMPENSAÇÃO. SUPOSTO CRÉDITO ORIUNDO DE OBRIGAÇÕES DO REAPARELHAMENTO ECONÔMICO. CONSIDERADA NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO. É considerada não declarada a compensação em que o crédito oferecido se refira a título público ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela RFB (Lei no. 9.430/96, art. 74, § 12, II, c,e; na redação da Lei no. 11.051/2001). COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO FORMULÁRIO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. CONSIDERADA NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO. A declaração de compensação somente pode ser efetuada em formulário pelo contribuinte, em vez de gerada eletronicamente a partir do programa PER/DCOMP e transmitida à RFB pela Internet, à exceção das hipóteses mencionadas na legislação, fora das quais é considerada não declarada a compensação Fl. 669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 670 4 (IN/SRF no. 598/2005, art. 2°., V; IN/RFB no. 900/2008, art. 39, §1°., alterado pela IN/RFB no. 973/2009). " (grifo da Autoridade Lançadora) as compensações foram enquadradas no inciso II, c, e, do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96; as decisões administrativas proferidas implicam na nulidade de todos os efeitos das declarações de compensação apresentadas através de formulário, não se mantendo os efeitos de confissão de dívida das Declarações de Compensação, no entanto, a Contribuinte declarou os referidos débitos em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); os débitos, objetos das compensações requeridas, referemse aos valores devidos pela Contribuinte e apresentados nas Declarações de Compensação em formulário, não tendo a Contribuinte gerado eletronicamente PERD/COMP vinculados aos débitos dos processos administrativos em referência; são débitos relativos ao PIS regime não cumulativo (código 6912); á COFINS regime não cumulativo (código 5856) e IPI (CÓDIGO 5123); os lançamentos das multas isoladas relacionadas a cada tributo se darão em Autos de Infração específicos; os Despachos Decisórios proferidos pela DIORT/DERAT/SPO é no sentido de que inexiste o direito ao crédito oriundo de título denominado Obrigações do Reaparelhamento Econômico, por não ser tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal do Brasil e, portanto, incabível a restituição ou ressarcimento, à luz do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002; nos termos do parágrafo 12, inciso II, letra " c " e " e " , do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a nova redação da Lei n° 11.051/2004, será considerada NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO que se refira a título público e que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; também será considerada não declarada a compensação feita em formulário papel, quando não demonstrado pelo contribuinte a impossibilidade da utilização do programa Perdcomp e da transmissão da declaração á RFB por internet dadas as hipóteses da IN/SRF 598/2005, art. 2°, V; IN/RFB 900/2008, art. 39, § 1º, alterado pela IN/RFB 973/2009); demonstrativo anexo apresenta os débitos não compensados e ajustados pelos acréscimos legais, em razão da não observação da data do vencimento de alguns tributos, assim como da composição da base de cálculo das multas isoladas de que trata a Lei 10.833/2003, Art. 18, § 4º; ainda que ao amparo da súmula CARF 46, onde o lançamento de ofício poderia ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Fiscalização dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o contribuinte foi intimado a comprovar eventuais recolhimentos relacionados aos débitos em questão, anteriores aos pedidos de compensação, os quais poderiam surtir ainda que parcialmente, a extinção de determinados créditos tributários; no entanto, não houve manifestação neste sentido. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 671 5 o crédito oferecido pela Contribuinte para fins de compensação é de natureza não tributária, conforme tipificado pelo art. 74, § 12, II, c, e, da Lei 9.430/1996 com redação da Lei no. 11.051/2004, com as conseqüências estabelecidas no § 13 do mesmo artigo e sujeitas à multa isolada prevista no art. 18, §4°, da Lei 10.833/2003; a base de cálculo para as multas isoladas lançadas é o montante correspondente aos valores indevidamente compensados, ajustados pelos acréscimos legais, quando o pedido de compensação for posterior á data de vencimento do respectivo tributo, ou seja, é o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos dos artigos 36, 37, 38 e 39 da IN RFB 900/2008, alterada pelas IN RFB 973/2009; 981/2009; 1067/2010; e a multa isolada será de 75 % incidente sobre o valor total do débito, nos moldes do art. 18, § 4°, da Lei 10.833/2003, art. 39, § 6°, inciso I, da IN RFB 900/2008 e art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Contra o Lançamento das multas foi apresentada Impugnação, fls. 467/495, na qual se alega e discorre, em síntese, no sentido: de que, conforme consta do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, bem como Termo de Constatação Fiscal – Multa Isolada, a Autoridade fiscal, descreve que a origem de tais Termos foram as compensações efetuadas pela recorrente nos períodos ali demonstrados, que foram consideradas "não declaradas" pelo DERAT, e enumera diversos processos relativos as mesmas; de que a Autoridade Fiscal não atentou para o fato de que vários processos ali descritos, possuem Manifestação de Inconformidade das decisões, e outros com Recurso Hierárquico no mesmo sentido, ou seja, não houve ainda trânsito em julgado dos processos administrativos ali enumerados e essa simples análise e constatação dos fatos é suficiente para que o Auto de Infração seja anulado em todos os seus termos; de que a base legal usada para a lavratura do Auto de Infração é bem clara no que diz respeito à imposição de multa isolada, sendo que a Autoridade Fiscal, deixou de verificar quais os processos que estariam com Manifestação de Inconformidade ou não, pois a lei determina que quando existir Manifestação de Inconformidade, as peças deverão compor só um processo para julgamento simultâneo, ou seja, houve patente descumprimento da lei (parágrafo terceiro do artigo 18 da Lei 10.833/2003); de que a Requerente em momento algum praticou qualquer ato que pudesse ser considerado como falso, uma vez que para proceder às compensações se utilizou de ativos próprios, bem como amparou suas declarações em pareceres jurídicos de juristas renomados, como o do renomado jurista Dr. José Souto Maior Borges, especifico para o caso em tela, com trabalhos reconhecidos em todos os Tribunais deste Pais, inclusive em nossa Corte Suprema; de que não se pode olvidar que o Estado Democrático de Direito caracterizase pela existência de um sistema cercado de garantias previamente estabelecidas cujo objetivo é assegurar que a aplicação do direito se faça de maneiraformalmente igual para todos, garante o império da lei e não da vontade do detentor do poder, que a ela também se submete, sendo que o instrumento que garante esse "desiderátum" é o processo e por meio dele, sempre que se verifique um litigio, o julgador aplica as regras préexistentes no ordenamento pondo termo ao conflito, estando ele próprio Fl. 671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 672 6 julgador vinculado a um sistema de garantias que atua contra todos, inclusive contra o juiz; de que uma dessas regras está inserta nos incisos LIV e LV do art. 5º da CF; de que tratase, na verdade, de uma norma que deriva do principio da isonomia, segundo o qual todos são iguais perante a lei e consagrado no caput do mesmo artigo, sendo, entretanto, bastante salutar que o legislador constituinte tenha explicitado na dicção do inciso LV a garantia da ampla defesa e do contraditório; de que, como ensina Celso Ribeiro Bastos, por ampla defesa devese entender o asseguramento ao réu de condições que lhe possibilitam trazer ao processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade; isso implica que ao acusado se possibilite a colocação da questão debatida sob um prisma conveniente evidenciando sua versão, motivo pelo qual a ampla defesa assume um caráter necessariamente contraditório: nada pode ter valor inquestionável ou irrebatível; a tudo tem de ser assegurado o direito da outra parte de contraditar, contradizer, enfim, contraagir processualmente; de que, com razão, afirma o eminente constitucionalista que o contraditório é a exteriorização da própria defesa, assegurando que a todo ato produzido cabe igual direito da outra parte de oporselhe ou de darlhe a verão que lhe convenha, ou ainda de fornecer uma interpretação jurídica diversa daquela feita pela outra parte; de que, sublinhando a relevância dessa garantia constitucional, Vicente Greco alerta: "A efetividade do contraditório, portanto, não pode ser postergada. Autor e réu devem ser intimados de todos os atos do processo, devendolhes ser facultado pronunciamento sobre os documentos e provas produzidos pela parte contrária, bem como os recursos contra a decisão que tenha causado gravame"; de que, do mesmo modo, o poder conferido às autoridades fiscais não pode ser tanto a ponto de ultrapassar diversos principios constitucionais, como os do art. 37 da CF; de que, cotejando as lições exaradas até aqui com o caso em apreço, verificase que o tão fustigado principio do devido processo legal acabou novamente subvertido em prol da sanha destrutiva do Fisco, que se olvida que antes de tudo deve servir à sociedade; de que tendo o Fisco expedido CartaCobrança sem a garantia de sua defesa, conforme foi demonstrado, tornase o ato da presente cobrança nula, o qual pode ser perfeitamente declarado nulo pela própria administração pública, seguindo a orientação que dimana das Súmulas 34 6 e 473 do Colendo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL; de que não se confere à Administração mera faculdade ou qualquer poder para deliberar acerca da oportunidade e conveniência da anulação; a ela se impõe o dever de declarar nulo o ato praticado em desconformidade com a norma, desconstituindo, em seguida, os efeitos que então foram gerados; de que o Decreto n° 73.687, de 08 de fevereiro de 1974, atribuiu competência exclusiva ao Ministério da Fazenda para instituir modelos visando à padronização de documentos de arrecadação de receitas federais e, mesmo após a padronização acima referenciada, foram instituidos empréstimos compulsórios onde o recolhimento não se deu mediante DARF, sendo que o empréstimo compulsório Fl. 672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 673 7 destinado a suprir o Fundo Nacional de Desenvolvimento, devido pelos consumidores de gasolina e álcool carburante, foi pago quando do abastecimento dos veículos nos postos de gasolina; de que no que se refere a esse empréstimo compulsório cujo recolhimento não se deu mediante DARF, o Conselho de Contribuintes julgando o Recurso n° 124905, tendo como recorrida a DRJ de Ribeirão Preto, assim decidiu: "EMENTA: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIORESTITUIÇÃO. A Secretaria da Receita Federal é competente para apreciar pedido de restituição do Empréstimo Compulsório instituído pelo Decretolei 2.288/1986. Inteligência dos arts. 106 e 110, do CTN, c/c o art. 18, inciso II, § 4º , da Lei n°. 10.522, dos arts. 13 e 34 da IN 210 e do art. 9º , inciso XIX do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes; PROCESSO "HMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Não havendo análise do pedido de restituição, anulase a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição. ANULADA A DECISÃO DE PRIEMIRA INSTÂNCIA" (Número do Recurso: 124905 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Processo n°. 10825.0017 82/9968 Matéria: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO Data da Sessão: 02/12/2003 08:00:00 Relator: IRINEU BIANCHI Decisão: Acórdão 30331089 Resultado: ADR ANULADO A PARTIR DA DECISÃO RECORRIDA Texto da Decisão: Por unanimidade de votos declarouse a nulidade da decisão recorrida) de que, como as decisões do Conselho de Contribuintes não se submetem às normas interpretativas da Receita Federal, qualquer tentativa de impedir o rito processual até aquela instância caracteriza cerceamento de defesa, não podendo uma instrução normativa restringir direitos assegurados pela Constituição Federal; de que para ser obtido o direito ora pleiteado não é necessário interpretarse extensivamente a norma tributária, posto que não se trata de concessão ou supressão de beneficios fiscais; também não se pode falar no dever de interpretar literalmente e restritivamente a IN/SRF n.° 900/08, pois como norma tributária de caráter infralegal ela não cria nem restringe direitos, sob pena de ser ilegal se o fizer; de que as tentativas de fugir da discussão de mérito do pedido de restituição somente se justificam pelo desconhecimento da matéria ou pela deliberada intenção de não cumprir o rito previsto na instrução normativa acima referida, uma vez que não se pode restringir direitos sob a alegação de não se referir a tributos e contribuições administrados pela RFB, apenas pelo fato do mesmo não ter sido arrecadado na forma que a administração considera para tal; de que, de forma equivocada, juízes e tribunais passaram a autorizar compensações de dívidas tributárias com quaisquer créditos que o contribuinte pudesse ter contra a União; essas decisões comprometeram e ainda comprometem a realização das receitas tributárias; os tribunais autorizaram a compensação de débitos com "créditos prêmios à exportação" quando esses créditos não possuíam natureza tributária, mas natureza financeira; no mesmo sentido foram autorizadas compensações de dívidas tributárias com créditos financeiros representados por títulos públicos; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 674 8 de que, em tese, os títulos públicos decorrem de operações de crédito efetuadas entre o poder público e pessoas físicas e jurídicas mediante oferta e compra voluntária; esse tema foi, com muita propriedade, abordado no trabalho A DÍVIDA INTERNA PÚBLICA, de Antonio Augusto Carneiro Leão, ProcuradorSeccional da Fazenda Nacional em Petrolina, que a Receita Federal fez divulgar no seu site como alerta contra as tentativas de compensação de dividas tributárias com títulos públicos; de que o Estado, como pessoa jurídica de direito público, pode realizar operações de crédito, sob as mais variadas formas; o crédito público pode revestir qualquer forma jurídica lícita, que o gênio humano inventivo engendra: titulos, compras a prazo, contrato de abertura de crédito, aceite de duplicatas, confissão de dividas, etc.; o crédito público pode ser também interno ou externo; os manuais de ciência das finanças apresentam diversas classificações dos créditos públicos, segundo os mais variados critérios; no entanto, existe uma tendência geral e de longa data a classificar o débito público interno em divida interna fundada e dívida interna flutuante; a classificação tem um conteúdo econômicofinanceiro, mais do que um conteúdo jurídico, pois ambas são obrigações contraídas pelo Estado; de que a dívida interna flutuante tem como características o curto prazo e a antecipação de receitas para suprir problemas de caixa; a dívida interna fundada tem como característica o prazo médio ou longo e o objetivo de cobrir desequilíbrios orçamentários ou financiar obras e serviços públicos; de que Alberto Deodato conceitua assim a dívida fundada (Manual de Ciência das Finanças,10ª ed., São Paulo, Saraiva, 1967, p. 227) : “A dívida pública consolidada ou fundada ou inscrita é a que resulta de um contrato de crédito estipulado em prazos longos ou sem obrigação de resgate, com o pagamento de juros e prestações ou só de juros, inscrito no Grande Livro da Dívida Pública, autorizado pelo Poder Competente"; de que, por sua vez, Aliomar Baleeiro explica o conceito de dívida flutuante (Uma Introdução à Ciência das Finanças, 4ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 1968, p. 491 e 492: "Por isso, parece mais racional o critério que considera flutuante a dívida contraída para suprir embaraços de tesouraria: a) para cobrir déficit; b) porque as receitas só ingressam no Tesouro em época posterior à necessidade de realização de despesas prementes ou com vencimento em data fixada na lei. Neste último caso, temos crédito por antecipação de receitas"; de que a dívida pública representada por títulos públicos é a que resulta de um contrato de crédito, portanto da manifestação de vontade do adquirente; o governo emite o titulo e o público decide livremente por sua aquisição; os títulos públicos expressam a dívida pública interna, voluntária, fundada e perpétua; os títulos públicos expressam a divida pública porque o Estado, valendose do crédito público, obteve o empréstimo público, e, com isso, o numerário necessário seu intento que representa débito contraído; no mesmo sentido expressa divida pública interna porque tem como credor o cidadão do próprio pais devedor; de que os titulos públicos expressam divida voluntária porque não é receita originária, ou seja, produto do rendimento dos próprios bens públicos, nem é receita derivada considerada como tal a que resulta de atividade que atinge o patrimônio dos particulares com a tributação; “Se de um lado empréstimo compulsório é tributação, de outro o empréstimo voluntário, que não é receita e que compõem a divida flutuante infundada da nação” (fl. 476); Fl. 674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 675 9 de que as obrigações do reaparelhamento econômico não foram emitidas para serem subscritas por qualquer cidadão, mas para serem compulsoriamente entregues como garantia de devolução do empréstimo compulsório cobrados a titulo de adicional dos contribuintes do imposto de renda, portanto receita derivada e não voluntária de que se reveste os titulos públicos em geral; de que, à data da instituição do empréstimo compulsório em questão, dúvidas ainda existiam se os empréstimos de natureza compulsória eram regidos por regras de direito financeiro ou por regras de direito tributário; de que a Constituição de 1946 e anteriores eram silentes em relação a empréstimos compulsórios que até então nunca foram tentados no Brasil até a Segunda Guerra Mundial; havia aqui a mesma repugnância norteamericana a essa técnica financeira vetusta e característica de paises de pouco crédito; foi a partir de 1951 que surgiram os empréstimos forçados quando o crédito nacional se arruinou por efeito da inflação; a adoção pela União de empréstimos compulsórios, como regra de direito financeiro, foi logo imitada pelos Estados Membros, Paraná e Minas Gerais, com a adoção de adicionais restituiveis, o que originou as disposições limitativas do art. 4º da Emenda Constitucional n° 18, de 1 de dezembro de 1965, reproduzidas no art. 15 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional); no § 4º do art. 19 da Constituição Federal de 1967 e no § 4º do art. 18 da Emenda Constitucional n° 1, de 17 de outubro de 1969, determinando que somente a União, em casos excepcionais definidos em lei, é que poderia instituir empréstimos Compulsórios; de que, em que pese ter perdurado por algum tempo posições doutrinárias e jurisprudenciais divergentes acerca da natureza tributária dos empréstimos compulsórios, a questão ficou pacificada quando o Pleno do Supremo Tribunal Federal, julgando o Recurso Extraordinário n°. 111.9543PR, reconheceu que tais exigências compulsórias possuem a natureza de tributo, posição esta adotada de forma interativa pelo Superior Tribunal de Justiça; de que as Obrigações de que trata a presente demanda, mesmo antes de ter sido pacificada a questão de sua natureza tributária, sempre foram excluidas das regras que implicaram no enxugamento da divida interna pública, mediante a substituição dos titulos públicos em circulação por outros; isso pode ser plenamente observado nos textos legais que cita em fls. 477/479 (trechos da LEI 4.069 e do DECRETO 1.392, DE 13 DE SETEMBRO DE 1962); de que as Obrigações ao Portador do Reaparelhamento Econômico sempre foram excluidas das consolidações da Dívida Pública Interna Fundada, porque não possuíam a natureza financeira dos demais títulos, visto que não foram adquiridas no mercado, mas compulsoriamente entregues como garantia de pagamento de empréstimo compulsório, espécie de tributo, e, portanto, possui a natureza do crédito que lhe deu origem; de que o art. 3º do Decretolei n°. 263/67, dispôs: "Art. 3º Será de seis meses contados da data do inicio da execução efetiva dos respectivos serviços a ser divulgada em edital publicado pelo Banco Central da República do Brasil o prazo de apresentação dos títulos para resgate, findo o qual será a dívida, inclusive juros, considerada prescrita." Fl. 675DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 676 10 de que, com espeque nessa norma, o Banco Central do Brasil fez publicar no DOU de 04 de julho de 1968, Seção I, parte II, pág. 1443, o edital que lhe incumbia; no mencionado edital ficou estatuído que: "IV) O prazo para apresentação dos títulos será: 1º julho1968 à (sic) 1º janeiro1969 (...) (fl. 479) de que, quando por expressa autorização do Decretolei n° 263/67, o Banco Central do Brasil, que assumiu as atribuições da Caixa de Amortização, convocou por edital publicado no Diário Oficial da União, em 04 de julho de 1968, os portadores de titulos públicos sob pena de decadência de direito, visto a autorização contida no Decretolei 263/67 para o resgate de titulos da divida publica interna fundada federal, mais uma vez as Obrigações do Reaparelhamento Econômico não foram incluídas, porque nunca puderam ser substituídas pelos titulos de recuperação financeira por expressa vedação contida na Lei n° 4.069, de 11 de julho de 1962, vedação essa, acima explicitada, portanto com esses titulos não se confundido, visto representarem obrigações de natureza tributária, ainda não vencidas; de que, além disso, é de se observar na alinea "b" do edital do Banco Central do Brasil que só poderiam ser apresentados para resgate os titulos emitidos antes de 1962 que não tivessem sido substituídos pelos titulos de recuperação financeira; como as obrigações do reaparelhamento econômico por expressa vedação legal não puderam ser substituídos pelos de recuperação financeira e, portanto não foram chamados para resgate a conclusão se impõe: não são titulos públicos porque se assim o fosse teriam sido emitidos para nunca terem sido pagos; na verdade são obrigações que expressam o dever moral da União em devolver os valores subtraídos compulsoriamente dos devedores do imposto de renda; expressa a obrigação de devolver tributo; de que, mesmo com previsão legal de compensação prevista em decretolei, insistiu a União através da Secretaria da Receita Federal em não autorizar a compensação prevista sob o argumento de falta de regulamentação da autorização legal; de que a Companhia Geral de Motores do Brasil (General Motors do Brasil S.A) ingressou na justiça para valer o seu direito de compensação e após decisões favoráveis em todas as instâncias foi seu direito objeto de recurso extraordinário formulado pela União perante o Supremo Tribunal Federal por decisão da egrégia Primeira Turma daquele Tribunal o recurso da União não foi conhecido garantindo se assim o direito de compensação do empréstimo compulsório instituído pela Lei n.° 1.474/51.(Decisão do STF RE 87.045); de que mais do que caracterizado o direito a compensar tributo com tributo, não possuindo nenhuma lógica a limitação que se poderia impor aos portadores das Obrigações do Reaparelhamento Econômico tratandoos de forma diversa daqueles que recolheram o empréstimo compulsório a partir de 1958 até 1964, quando foi extinto; de que os valores do empréstimo compulsório formaram o Fundo de Reaparelhamento Econômico administrado pelo recém criado BNDE; até o exercício financeiro de 1973 constava do Balanço do BNDS na rubrica passiva "adicional do imposto de renda Lei n°. 1.471/51"; a partir de 1974, essa rubrica foi retirada do balanço; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 677 11 de que em reposta a consulta formulada perante a auditoria interna daquele banco para esclarecer o destino daqueles recursos, o chefe daquela auditoria informou que a partir de 1975 e exercícios subseqüentes o controle desses recursos passou a ser feito na rubrica "Outras". Exigibilidades; como os recursos do PIS passaram a ser administrados por aquele banco, os recursos do adicional perderam expressão, contudo informa aquela auditoria que tais recursos não foram incorporados ao banco, mas devolvidos ao Tesouro Nacional, mediante compensações por ele efetuadas; de que o Tesouro Nacional permite compensação com recursos pertencentes à sociedade, mediante seqüestro compulsório de renda; não é justo, portanto, negar a essa mesma sociedade que suportou o empréstimo o direito de compensar tais créditos tributários; acredita a Recorrente que esse fato possa contribuir para o esclarecimento da matéria; de que o crédito ofertado é crédito tributário, exigido compulsoriamente do contribuinte e não crédito decorrente da subscrição voluntária: titulos públicos; somente a créditos de natureza tributária se aplica o disposto da Instrução Normativa SRF n° 900/2008; o empréstimo compulsório exigido como adicional do imposto de renda foi administrado Secretaria da Receita Federal e deve o pleito ser apreciado por esse órgão; de que a Secretaria da Receita Federal assumiu como sucessora todas as atribuições da antiga DireçãoGeral da Fazenda Nacional a quem cabia a administração desses adicionais (cita o Decreto n° 63.659, de 20 de novembro de 1968, art. 1º); além disso, administrou tais empréstimo desde sua criação até o ano de 1974 em cumprimento do disposto no Decretolei n° 349/68, como sucessora das atribuições da extinta DireçãoGeral da Fazenda Nacional; de que o “justo receio de prejuízo para a concessão de efeito suspensivo se presente não pode deixar de ser considerado e se o for, o recebimento da presente peça sem tal efeito implicará em ato arbitrário e, portanto, sujeito a demanda judicial em rito próprio Mandado de Segurança com o objetivo de garantir o legitimo direito de defesa e o curso regular do processo inibindo a prática pela Administração do arbítrio, sem prejuízo de outras medidas judiciais cabíveis” (fl. 492); de que a Requerente fez uso de formulário em sua Declaração de Compensação, da mesma forma que o fez no Pedido de Restituição, com respeito ao devido processo legal e as normas editadas pela RFB (art. 98 da IN RFB n° 900/2008); ao aprovar os formulários e seu uso, a RFB tinha pleno conhecimento de que algumas restituições e compensações não estavam contempladas no programa PER/DCOMP, se assim não fosse, por que aprovar tais formulários? de que no programa PER/DCOMP não há uma "tela" em que o contribuinte possa requerer restituição de seu crédito de Empréstimo Compulsório na modalidade por ele requerida, e nem tão pouco disponibiliza a compensação para esse fim; de que, assim, se a requerente usasse o programa PER/DCOMP, como sugere o Auditorfiscal em seu despacho, nos moldes em que o mesmo se apresenta, para pleitear seus direitos a restituição e compensação de seus créditos, estaria induzindo o Fisco em erro; a RFB fez diversos alertas quanto ao uso indiscriminado e indevido do programa PER/DCOMP, considerando tais atos como fraude, aplicando aos infratores todas as sanções administrativas cabíveis; e Fl. 677DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 678 12 de que a Requerente, sempre pautada no cumprimento do dever legal, requer a restituição e compensação de seus créditos utilizando os formulários aprovados pela RFB conforme determina o Parágrafo 2º do artigo 98 da IN RFB n° 900/2008. Por fim, pleiteia: “1. Em SEDE DE PRELIMINAR, considerando que houve patente descumprimento de dispositivos legais, rogase à Vossas Senhorias declarem a nulidade do auto de infração que hora impugnase, desobrigando o contribuinte de qualquer exigência fiscal, relativa ao mesmo. 2. Caso não seja anulado o Auto de Infração atacado, o que não se espera, dêse ao mesmo efeito suspensivo, até o transito em julgado de todos os recursos dos processos numerados no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, que embasou o presente auto. 3. Que a Receita Federal do Brasil se abstenha de enviar os créditos descritos no Auto de Infração, para cobrança final, inscrição em divida ativa, bem como encaminhar o processo para a PGFN para cobrança executiva, devendo ser respeitado os ditames do processo administrativo fiscal a fim de garantir á Impugnante o Contraditório e a Ampla Defesa; 4. Requer, ainda mais, seja á Impugnante intimado para apresentar todos e quaisquer documentos necessários para comprovação de todo alegado;” (fl. 494) É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 47.185 (fls. 562580) de 29/05/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. MULTA ISOLADA. É devida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DIVERSOS. Descabe, em sede de Lançamento, discutir assunto próprio de processo de restituição e/ou compensação.” Fl. 678DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 679 13 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/10/2013 (termo de fl. 587) a interessada interpôs recurso voluntário em 25/11/2013 (fls. 588623) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 680 14 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme reportado, tratam os autos de ação fiscal que culminou com a aplicação de multa regulamentar, para os anoscalendário de 2008, 2009, 2010 e 2011, decorrentes de compensações que foram consideradas não declaradas pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SPO. Nessa esteira, há que se consignar, em primeiro lugar, que, contra decisões administrativas que consideram nãodeclaradas as compensações, cabe Recurso Hierárquico, o qual não tem efeito suspensivo. Não se cuida, assim, da Manifestação de Inconformidade prevista no art. 74 da Lei 9.430/96, com efeito suspensivo, pautada pelo Decreto 70.235, mas de Recurso Hierárquico, sem igual efeito, pautado pela Lei 9.784 (Lei Geral do Processo Administrativo Federal). De fato, não cabe manifestação de inconformidade da decisão que considera a compensação não declarada, conforme preceitua o § 13, do art. 74, da Lei 9.430/1996. Reparese: Art. 74. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 681 15 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Em relação às peças não comporem um só um processo para julgamento simultâneo, com suposto descumprimento do parágrafo terceiro do artigo 18 da Lei 10.833/2003), vejase o que diz a norma em questão: Art. 18. (...) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (...) Como se verifica, o § 3o do art. 18 da Lei 10.833/2003 determina a reunião dos processos quando há manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, visando a decisão simultânea da impugnação contra o Auto de Infração de Multa Isolada e da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, até porque ambas as peças – impugnação e manifestação de inconformidade – sujeitamse ao mesmo rito processual e às mesmas autoridades julgadoras. Todavia, a norma não se amolda ao caso destes autos, pois não se cuida de manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, mas de recurso hierárquico contra decisão que considerou nãodeclarada a compensação, recurso este que é, a propósito, decidido em esfera diversa – Superintendência Regional da Receita Federal – daquela que decide em 1ª instância a impugnação contra o lançamentos da multa (Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ). Impossível as peças serem decididas simultaneamente, no caso em exame, já que sujeitamse a autoridades diferentes e a ritos diversos. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 682 16 A única manifestação de inconformidade relacionada ao caso foi aquela facultada à Contribuinte na ocasião do indeferimento do seu pedido de restituição. Ocorre que as multas lançadas não tem como fato gerador o indeferimento de pedido de restituição. De qualquer modo, cabe ressaltar que a Autoridade Lançadora discriminou em fls. 429/430 todos os processos para os quais se voltaram as autuações questionadas e ajuntou entre fls. 68 e 283 cópias das decisões adminstrativas proferidas nesses processos, as quais consideraram nãodeclaradas as compensações, demonstrando que foi verificada a situação desses processos. No tocante à suspensão da exigibilidade de créditos tributários (uma vez que a defendente propugna por referida suspensão; notar fl. 492), cumpre esclarecer que dentro da sistemática e da organização administrativa federal tributária, é a controvérsia com relação ao Lançamento que deve ser apreciada na esfera do julgamento, não outros assuntos paralelos, como suspensão do crédito tributário. Inexiste em tal sistemática administrativa o preceito da instância julgadora receber – ou não – a impugnação com efeito suspensivo. Convém lembrar que a citada suspensão pode decorrer da impugnação do Lançamento (ou de manifestação de inconformidade). Posto que suspendem a exigibilidade do crédito tributário “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo” (art. 151, III, do CTN), a suspensão da exigibilidade, quando cabível nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, é mera consequência do contencioso relativo ao Lançamento. Dessa maneira, no âmbito de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ e do CARF descabe tratar da suspensão da exigibilidade do crédito tributário (que não deve e não pode ser confundida com a suspensão de imposto prevista em legislação ordinária e/ou decreto regulamentar, como é o caso, por exemplo, da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei 10.637/2002), dado ser matéria atinente a unidades administrativas não julgadoras, assim como, nesse mesmo passo, cabe a unidades administrativas não julgadoras pronunciarse sobre irresignação dos contribuintes em relação a avisos e cartas de cobrança, entre outros assuntos, que seguem seu próprio trâmite. Quanto à alegação de que a Requerente em momento algum praticou qualquer ato que pudesse ser considerado como falso, cabe salientar que jamais a Fiscalização imputou qualquer falsidade à Contribuinte. É certo que o caput do art. 18 da Lei 10.833 determinada o imposição diante de comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Reparese: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 682DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 683 17 Contudo, o mesmo art. 18 da Lei 10.833, em seu § 4o, também prescreve a multa isolada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que as Multas em análise foram enquadradas justamente neste último dispositivo – art. 18 da Lei 10.833, § 4o –, o qual aplicase independentemente de falsidade, bastando que a compensação seja considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para que haja sua aplicação: Art. 18 (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Apenas para lembrar, o inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao qual o dispositivo em destaque faz remissão, determina, em sua alínea “c”, considerar não declarada a compensação, na hipótese, entre outras, em que o crédito alegado não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Reparese: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 683DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 684 18 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O § 4o do art. 18 da Lei 10.833, então, estabelece dois pontos distintos: a) a base de cálculo da multa isolada, que é o valor total do débito indevidamente compensado; e b) a hipótese de sua incidência, qual seja, a compensação ser considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nesse passo, o fato gerador da multa é haver compensação considerada não declarada, não é o crédito ser de natureza não tributária, não ser administrado pela RFB ou a compensação ser apresentada em papel/formulário impresso (matérias discutidas em processos de restituição e/ou compensação). Posta a questão nesse cenário, concluise que foi observado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa e nenhum dos princípios discriminados no art. 37 da Constituição resultou comprovadamente afetado, certamente tendo sido, a propósito, franqueado à Autuada o direito à interposição de impugnação contra os Lançamentos levados a efeito. Quanto à alegação contra a expedição de CartaCobrança sem a garantia de sua defesa, cumpre repetir que a ampla defesa foi observada conforme demonstrado, da qual a maior prova é a existência da Impugnação facultada à Contribuinte, que ora se aprecia. Mas não é só, pois neste processo de Auto de Infração, encontrandose ainda em fase recursal, não foi expedida Carta de Cobrança, ao contrário do quer fazer crer a defendente. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 685 19 Quanto à alegação de que o(a) contribuinte tem direito à compensação e/ou restituição de seus créditos, calha registrar que esta matéria estabeleceuse como objeto de outros processos administrativos, razão porque não cabe em sede de Lançamento, como já visto ou acenado, discutir o mesmo assunto já enfrentado e decidido em sede de restituição e/ou compensação. O liame entre os diversos processos é evidente e, por isso mesmo, não cabe discutir em um deles matéria de outro. Assim, não se discute neste a questão das compensações terem sido consideradas não declaradas. A própria defendente reconhece a dependência deste em relação à matéria dos processos de compensação, dado que requer a reunião dos processos, a qual não é deferida pelas já razões expostas. Ao longo da peça de defesa, a Contribuinte renova seu posicionamento em favor do compensação e da liquidez e certeza dos créditos que entende ser detentora. Desta forma, este assunto não pode ser apreciado novamente neste processo administrativo de lançamento de crédito tributário. Pensar do contrário seria subverter a lógica do Direito Processual porque não se pode modificar, ainda que enviesadamente, um determinado assunto decidido em um processo através de outro processo que decorreu daquele, fazendo com que os processos não tenham identidade própria. Por consectário, não cabe apreciar, nos presentes autos, os argumentos com os quais a interessada manifesta irresignação contra a compensação não declarada, de forma que o único aspecto cabível de apreciação por este órgão julgador circunscrevese à sanção imposta no auto de infração, à luz do que estabelece a legislação aplicável. Em suma, falece competência a este órgão julgador para apreciar, direta ou indiretamente, questões atinentes a compensações nãodeclaradas, com rito processual próprio. É totalmente descabido, no processo fiscal de exigência de multa isolada, o litígio contra a decisão que considerou não formulada a compensação, razão pela qual não se toma conhecimento das alegações da interessada relativas à natureza das Obrigações do Reaparelhamento Econômico e/ou da entrega em papel das declarações de compensação. Mas, ainda que a Contribuinte tivesse integral razão no mérito e que este mérito quanto ao direito de compensar pudesse ser aqui reconhecido, isto em nada a beneficaria a Contribuinte por um único e simples motivo: o fato gerador da multa é a compensação ser considerada não declarada. Assim, mesmo que tivesse razão a defendente (com relação às Obrigações do Reaparelhamento Econômico e ao direito de compensar seus alegados créditos), a multa teria de ser mantida até ser anulada, reformada, cancelada ou de algum modo desconstituída a decisão proferida nos processos de compensação. Em verdade, o legislador, na medida em que conferiu ao contribuinte a prerrogativa de adotar os procedimentos inerentes à compensação, por meio de declaração própria, estabeleceu, em contrapartida, situações para as quais, em desconformidade com o Fl. 685DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 686 20 direito subjetivo que assistiria ao sujeito passivo do tributo/contribuição, incorrerseia em infração à lei, punível com a multa de ofício isolada. Assim, verificase, de plano, improcedente a alegação da defesa, uma vez que, considerada nãodeclarada a compensação (neste caso por se tratar de pretensão acerca de crédito não administrado pela Secretaria da Receita Federal), presente está o pressuposto do lançamento de multa isolada. Relativamente ao Pedido de Restituição (não se trata agora de Declaração de Compensação) e à manifestação de inconformidade interposta em seu respectivo processo, cumpre lembrar que não condicionam a aplicação da penalidade em análise, visto que esta diz respeito unicamente à “declaração de compensação considerada nãodeclarada”, que é a espécie que deu azo ao lançamento da multa isolada. No caso, junto ao Processo 13804.002755/200981, que trata do Pedido de Restituição (ver decisão em fl. 68/70), foi interposto Recurso Voluntário não examinado ou pendente de decisão pelo CARF. Como, ressalvados os casos especiais, o lançamento decorrente de uma decisão colhe a mesma sorte dela em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos, a exigência da multa lançada deve prosperar, na medida em que os autos dão conta de decisões considerando nãodeclaradas as compensações. Em suma, por impossibilidade legal e processual, não cabe nova análise de documento de compensação ou de pedido de restituição deliberado em outro processo administrativo, visto ser este um processo de lançamento fiscal, com identidade própria, ainda que tenha liame com declarações de compensação. No mais, a defendente não contesta a multa isolada enquanto tal, mas apenas a sua inaplicabilidade ao caso vertente por conta dos seus alegados créditos. Da análise dos dispositivos transcritos constatase que a lei expressamente autoriza e determina constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício, na forma de multa isolada. Tendo sido a compensação considerada não declarada, determina a lei a aplicação da penalidade lançada no auto de infração, não cabendo à autoridade administrativa adentrar na linha argumentativa a respeito da existência de créditos compensáveis. Ante o exposto, voto por não conhecer das argüições da defesa no tocante à compensação não declarada e no sentido de negar provimento quanto à multa isolada. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722399/201172 Acórdão n.º 1402001.945 S1C4T2 Fl. 687 21 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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