Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.910877/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/07/2000 a 31/07/2000
RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO.
Verifica-se ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads).
Numero da decisão: 3302-006.748
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/07/2000 a 31/07/2000 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO. Verifica-se ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.910877/2011-29
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996533
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.748
nome_arquivo_s : Decisao_16327910877201129.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910877201129_5996533.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7714633
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906364932096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910877/201129 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.748 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente ALVORADA CARTOES, CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/07/2000 a 31/07/2000 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO. Verificase ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 77 /2 01 1- 29 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório, através do qual a RFB não homologou a compensação realizada através de PER/.DCOMP. Referido PER/DCOMP teve como suporte um crédito declarado a título de pagamento indevido ou a maior de PIS.. O Despacho Decisório fundamentou a não homologação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, na qual, alega em síntese que: • a autoridade administrativa deveria ter intimado o contribuinte previamente ao indeferimento da compensação, sob pena de caracterização de cerceamento do direito de defesa; • os documentos apresentados não deixam dúvida de que efetuou recolhimento a título de contribuição ao PIS calculado sobre base de cálculo diversa da constitucionalmente prevista, fazendo jus portanto à restituição do valor recolhido indevidamente a maior; • o pedido de restituição tem por fundamento o fato de o Impugnante ter efetuado o recolhimento da contribuição em questão nos termos da Lei n° 9.718/98, sendo certo que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, entendendo só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços; • o conceito de faturamento deve ser extraído da alínea “a” do § 1º do art. 1º do DL 1940/82, na redação do DL 2397/87 e LC 7/70, nele não podendo ser inseridas outras receitas, tais como as provenientes de juros sobre capital próprio, dividendos, receitas financeiras, etc; • não concorda com a conclusão expressa no Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, segundo o qual a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não atinge as receitas financeiras das instituições financeiras; • a prevalecer o entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte, a base de cálculo das contribuições ficaria sujeita a um grau de incerteza inaceitável; Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 4 3 • não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento (receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza) com a atividade principal dos contribuintes; • a questão encontrase pendente de decisão pelo STF no RE nº 609.096, reconhecido o efeito de repercussão geral; assim, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, deve ficar o presente feito sobrestado até o julgamento final do STF sobre a matéria; • mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, quando menos, mereceria ser parcialmente deferido o pedido de restituição, posto que não seriam operacionais as receitas financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios ou de terceiros; • não se questiona o fato de que integram a base de cálculo as prestações de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição; • ao final solicita seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o despacho decisório e deferir o pedido de restituição pleiteado e ainda que (sic) se o caso, após o julgamento pelo STF do RE nº 609.096. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08031.451. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário ora em apreço, tempestivamente, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida está equivocada, uma vez que tratase de pedido de restituição, e não de compensação, e no caso a legislação é expressa no sentido de que a autoridade administrativa deve intimar previamente o contribuinte a apresentar os documentos necessários à comprovação do indébito antes de decidir sobre o pedido formulado. Rebate a decisão recorrida quando essa sustenta que o crédito tributário não é líquido e certo, e a critica quanto ao entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte. Diz, ainda, que a MP n° 627/2013 introduziu um conceito de "receita bruta" semelhante ao do antigo art. 44 da Lei n° 4.506/64, mas com uma significativa alteração do inciso IV, que passou a incluir na receita bruta "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III", ou seja, criou no ordenamento jurídico o conceito de faturamento nos termos defendidos pela r. decisão recorrida. Assim, a adoção de tal base de cálculo antes da edição desta MP implicaria legislar positivamente, já que ausente qualquer fundamento legal que sustentasse a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS nestes termos. Subsidiariamente, merece ser parcialmente deferido o pedido de restituição, uma vez que não podem integrar a base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.743, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16327.909520/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.743): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO DESPACHO DECISÓRIO Em sede de manifestação de inconformidade, foi invocada nulidade do despacho decisório porque, segundo a manifestante, a Receita Federal deveria têla intimado previamente à emissão do despacho decisório. O recurso voluntário traz novamente a preliminar dizendo que a decisão recorrida está equivocada, uma vez que tratase de pedido de restituição, e não de compensação, e no caso a legislação é expressa no sentido de que a autoridade administrativa deve intimar previamente o contribuinte a apresentar os documentos necessários à comprovação do indébito antes de decidir sobre o pedido formulado. Apesar de a decisão recorrida estar, de fato, equivocada quanto à natureza do pedido restituição, e não compensação a recorrente não tem razão quanto à matéria de fundo: obrigatoriedade de intimação para apresentar documentos previamente à prolação de despacho decisório. A uma, porque toda a legislação aplicável e inclusive indicada pela própria recorrente, Instruções Normativas n°s 600/2005, 900/2008 e 1300/2012, quando trata de apresentação de documentos comprobatórios, o faz como sendo uma prerrogativa da autoridade tributária, e o verbo utilizado é sempre "poderá". A duas, porque a conjuntura do procedimento de restituição não justificava apresentação de documentos o alegado pagamento indevido constava nos sistemas da Receita Federal como totalmente utilizado para a liquidação de débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF, há mais de cinco anos, sendo que não foi em momento algum retificado, portanto operada a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 6 5 decadência do direito de retificar, de modo que a Administração detinha as informações necessárias à prolação do Despacho Decisório. Dessarte, merece ser rejeitada a preliminar de nulidade do despacho decisório. Superada a preliminar, passase ao mérito do litígio. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO A recorrente rebate a decisão recorrida quando essa sustenta que o crédito tributário não é líquido e certo, considerando que o STF ainda não se pronunciou em definitivo sobre a constitucionalidade da incidência do PIS e COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras, e a critica quanto ao entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte. Ora, a decisão recorrida simplesmente tratou de analisar a documentação trazida aos autos pela então manifestante e verificar qual o conceito de faturamento que o STF entendia aplicável às instituições financeiras, que é o caso da recorrente: No presente caso, o contribuinte alega que o pagamento indevido decorreu do fato de a contribuição haver sido recolhida com base na receita bruta, quando deveria ter sido recolhida com base no faturamento, já que o STF declarou inconstitucional o dispositivo legal que definiu a totalidade da receita bruta como base de cálculo (§ 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98). A diferença entre os valores recolhidos segundo esses dois critérios seria o pagamento a maior. De fato, não resta dúvidas de que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e que, em conseqüência dessa decisão, a base de cálculo admitida passou a ser o faturamento, tal como previsto no art. 2º da LC nº 70/91. Não resta dúvidas também de que a decisão do STF em causa atende o disposto no §5º do art. 19 da Lei nº 10.522/20025, pelo que vincula esta instância administrativa de julgamento. Contudo, a determinação do valor do pagamento a maior dependeria, no mínimo, de um levantamento comparativo entre o valor devido segundo a receita bruta e o devido segundo o faturamento, sendo necessário discriminar quais as espécies de ingressos integrariam e quais não integrariam o faturamento, tais como: receita de intermediação de operações financeiras (spread), tarifas de prestação de serviços; dividendos; juros sobre capital próprio; remuneração sobre depósitos compulsórios, etc. No presente caso, o contribuinte simplesmente “zerou” a base de cálculo, como se faturamento não tivesse auferido. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 7 6 Isso é o que se constata do demonstrativo por ele elaborado, anexo às fls. 44. Contraditoriamente, a própria manifestante admite que não questiona que integram a base de cálculo das contribuições as receitas de prestações de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, etc. Sua tese essencial é a não incidência da contribuição sobre as receitas financeiras decorrentes de intermediação financeira (spread). A esse propósito, o contribuinte invoca a alínea “a” do § 1º do art. 1º do DL 1940/826, para delimitar o conceito de faturamento. De fato, referido dispositivo define como base de calculo da contribuição “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços...”, só que se olvidou a manifestante de observar que logo em seguida, na alínea “b” do mesmo dispositivo, a lei faz incidir a contribuição sobre “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas...”, expressando a clara intenção de incluir o spread na base de cálculo do então Finsocial. Ora, é sabido, conforme reconhece a própria manifestante em sua manifestação de inconformidade, que o STF ainda não se pronunciou em definitivo sobre a constitucionalidade da incidência do PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras. A matéria está sendo discutida no RE 609096/RS, com efeito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski (concluso ao relator em 02/09/2014). Pesquisando os debates que se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, na qual se decidiu pela inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, os Ministros explicitaram entendimento no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal. Seguese breve transcrição do que afirmaram alguns Ministros acerca do tema: Ministro César Peluso: “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para "toda e qualquer receita", cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4°, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3°, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de "receita bruta de venda de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 8 7 mercadoria e de prestação de serviços", adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento ". (grifos nossos) Ministro Marco Aurélio: “O Tribunal estabeleceu a sinonímia "faturamento/receita bruta ", conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...) " (grifo nosso) Ministro Carlos Britto: A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo "faturamento ", sem a conjunção disjuntiva "ou " receita ". Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1°, "a ", assim redigido (...) : "Art. 22. ................................................................... § 1°............................................................. a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; " Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2° assim dispõe (....) ". (grifos nossos) Ministro Sepúlveda Pertence: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 9 8 Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do § 1° e o § 4° esse, então acrescentado ao art. 1° do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas : 'Art. 22 (...) Parágrafo 1° A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.' (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ149/287; "(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei n° 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição." Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC n° 1, Moreira Alves. Como se vê, além de não estar julgada no STF a questão da incidência do PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras, não é precipitado afirmar, com base nas manifestações acima, que existem reais perspectivas de que venha a ser julgada constitucional essa incidência. Nessa mesma linha de raciocínio se expressa o Parecer PGFN/CAT/N° 2.773/2007, segundo o qual, as receitas de serviços das instituições financeiras, inseridas no conceito de faturamento, abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira). A própria manifestante admite, ainda que em caráter subsidiário do entendimento principal, a possibilidade dessa interpretação, ao formular pedido alternativo no sentido de quando menos excluir da base de cálculo as receitas financeiras de aplicação de recursos próprios Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 10 9 (capital de giro) e de terceiros e da remuneração dos depósitos compulsórios junto ao BACEN. Pelas razões acima expostas, não há como se aceitar que o crédito pretendido pelo contribuinte seja líquido e certo. Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, comungo da visão da decisão recorrida, que apenas verificou haver ausência de fundamento do indébito alegado pela recorrente. Entretanto, a maioria do colegiado votou pelas conclusões, por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora. Assim, a afirmação contida no voto da DRJ de que haveria necessidade de levantamento comparativo e discriminação das espécies de ingressos integrantes da base de cálculo não se sustenta, já que a recorrente juntou o doc 06, contendo o balancete contábil, discriminando as contas de receitas operacionais, receitas não operacionais e despesas operacionais, suficientes, em princípio, para a verificação das parcelas componentes da base de cálculo a que se referiu a decisão de primeira instância. DAS ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA MP N° 627/2013 Em outro item, diz a recorrente que a MP n° 627/2013, art 2º e 49,1 introduziu um conceito de "receita bruta" 1 "Art. 2° O DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 12. A receita bruta compreende: 1 o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III. § 1° A receita líquida será a receita bruta diminuída de: 1 devoluções e vendas canceladas; II descontos concedidos incondicionalmente; III tributos sobre ela incidentes; e IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei n° 6.404, de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (...) § 4° Na receita bruta, não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5° Na receita bruta, incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei n° 6.404, de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4°." (NR)" e "Art. 49. A Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 30 O faturamento a que se refere o art. 2° compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. § 2° (...) 1 as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 11 10 semelhante ao do antigo art. 44 da Lei n° 4.506/64, mas com uma significativa alteração do inciso IV, que passou a incluir na receita bruta "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III", ou seja, criou no ordenamento jurídico o conceito de faturamento nos termos defendidos pela r. decisão recorrida, e a adoção de tal base de cálculo antes da edição da MP implicaria legislar positivamente, já que ausente qualquer fundamento legal que sustentasse a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS nestes termos. Com todo respeito à alegação trazida, não foi esse o conceito de faturamento defendido pela r. decisão recorrida, e sim o expresso anteriormente no item DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO deste voto, que buscou nas palavras dos ministros do STF a devida compreensão da legislação aplicável às contribuições sociais até então (Lei nº 9.718/98, art. 3º, interpretação cfe. Constituição, LC nº 70/91 e DL nº 1.940/82) PEDIDO SUBSIDIÁRIO Subsidiariamente, a recorrente pede ser parcialmente deferida a restituição, porque não podem integrar a base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Em tese, o pedido tem boa dose de razoabilidade, contudo resta prejudicado, porquanto esbarra na análise já feita em primeira instância, contrária à pretensão da então impugnante, sem que fosse contraditada de forma específica: Contudo, a determinação do valor do pagamento a maior dependeria, no mínimo, de um levantamento comparativo entre o valor devido segundo a receita bruta e o devido segundo o faturamento, sendo necessário discriminar quais as espécies de ingressos integrariam e quais não integrariam o faturamento, tais como: receita de intermediação de operações financeiras (spread), tarifas de prestação de serviços; dividendos; juros sobre capital próprio; remuneração sobre depósitos compulsórios, etc. No presente caso, o contribuinte simplesmente “zerou” a base de cálculo, como se faturamento não tivesse auferido. Isso é o que se constata do demonstrativo por ele elaborado, anexo às fls. 44. Contraditoriamente, a própria manifestante admite que não questiona que integram a § 13. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, será calculada sobre a receita apurada de acordo com os critérios de reconhecimento adotados pela legislação do imposto sobre a renda, previstos para a espécie de operação." (NR)" Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 12 11 base de cálculo das contribuições as receitas de prestações de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, etc. Sua tese essencial é a não incidência da contribuição sobre as receitas financeiras decorrentes de intermediação financeira (spread). Demais disso, nenhuma prova da existência de tais receitas financeiras (decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira) foi apontada nos autos. Neste tópico, a maioria do colegiado votou pelas conclusões, entendendo que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras, não havendo boa dose de razoabilidade no pedido. O argumento central do apelo sustentase no julgamento do RE 585.235/MG, oportunidade na qual o Pleno do STF declarou inconstitucional o §1º do artigo 3ª da Lei 9.718/1998, cuja consequência foi a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição ao PIS, porém com a manutenção das receitas operacionais da empresa, nos termos do art. 1ª, § 2º da Lei 10.637/2002. A Recorrente defende que o entendimento firmado no RE 585.235/MG aplicase também às instituições financeiras, especialmente à administradoras de cartão de crédito, quando as receitas financeiras advirem da aplicação de recursos próprios. Afirma em seu Recurso que, em razão de objeto social amplo, a aplicação de receitas próprias não configura sua atividade principal e entende pela não tributação pelo PIS receitas financeiras. É imperiosa menção do tratamento legal dado às empresas que compõem o Sistema Financeiro Nacional SNF, tais como a Recorrente. A Lei 4.595/1964 no seu artigo 17 traça as diretrizes gerais do SFN, objeto social das empresas que o integram e atividades típicas: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual (grifado). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.910877/201129 Acórdão n.º 3302006.748 S3C3T2 Fl. 13 12 A Recorrente, por ser administradora de cartões de crédito, funciona sob a égide da Lei 4.595/1964, mediante autorização do Banco Central do Brasil e tem como atividade a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do artigo 17 da Lei 4.595/1964, de maneira que independe o que é transcrito em seus atos constitutivos; vale, por império da lei, a atividade de fato exercida pela Recorrente. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.657986/2012-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 05/04/2012 a 26/06/2012
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-008.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/04/2012 a 26/06/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10880.657986/2012-21
conteudo_id_s : 6006612
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-008.419
nome_arquivo_s : Decisao_10880657986201221.pdf
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10880657986201221_6006612.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7738243
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906436235264
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-23T19:28:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: PDFArchitect; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2019-04-23T19:28:19Z; Last-Modified: 2019-04-23T19:28:19Z; dcterms:modified: 2019-04-23T19:28:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-23T19:28:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFArchitect; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2019-04-23T19:28:19Z; meta:save-date: 2019-04-23T19:28:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-23T19:28:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2019-04-23T19:28:19Z; created: 2019-04-23T19:28:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-04-23T19:28:19Z; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-23T19:28:19Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.657986/201221 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.419 – 3ª Turma Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria PRECLUSÃO. PROVAS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOUIS DREYFUS COMPANY SUCOS S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/04/2012 a 26/06/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 79 86 /2 01 2- 21 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10880.657986/201221 Acórdão n.º 9303008.419 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3302004655, de 29/08/2017, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2012 a 26/06/2012 REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. Para usufruir do benefício fiscal é necessário que todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. Eventuais inconsistências apontadas pela fiscalização deverão ser sanadas para fazer jus ao ressarcimento pleiteado. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. A insurgência da Fazenda Nacional é quanto à possibilidade de se aceitar elementos probatórios apresentados somente no recurso voluntário. O recurso especial foi admitido por despacho do presidente da 3ª Seção de Julgamento. Em contrarrazões o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, o seu improvimento. O contribuinte também apresentou recurso especial de divergência, o qual não foi conhecido por despacho do presidente da 3ª Seção de Julgamento. Às efls. 610/616, juntouse ao presente processo liminar concedida em Mandado de Segurança, datada de 11/03/2019, nos seguintes termos: Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE o pedido de liminar para determinar às autoridades coatoras que realizem o sorteio dos relatores nos PAFs nºs 10880.948972/201303 e 10880.953201/201320, para o próximo sorteio da 3ª Seção de julgamento (dias 26 a 28 de março, conforme consta das informações da impetrada fls. 142.). Em relação aos demais processos objeto desses autos (Processos n.'s 10880.945394/201345; 10880.657986/201221 e 10880.908210/201366), determino que sejam conclusos para julgamento no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10880.657986/201221 Acórdão n.º 9303008.419 CSRFT3 Fl. 4 3 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial é tempestivo, restando porém averiguar, como alega o contribuinte em contrarrazões, se houve a comprovação da divergência jurisprudencial. Situação fática e jurídica do acórdão recorrido Observe como a DRJ decidiu sobre esta infração específica no acórdão de manifestação de inconformidade: (...) No caso em tela temos que a fiscalização glosou as Notas Fiscais 1277, 1286, 1287, 1288, 1304, 1309, 1310, 1311, 1326, 1328, 1329, 1330, 482, 483, 484, 504, 505, 1155, 1188, 1189, 1190, 1191, 1213, 1218, 1220, 1221, 1222, 1245, 1246, 1247, 1248, 1249 pelo fato dos documentos indicarem NCM 2009.11.00, diferente daquele que constou nos RE, NCM 2009.19.00 A interessada reconhece a inconsistência, declara que o código correto é o requerido pela fiscalização, inclusive apresentando carta de correção em papel. Ocorre que os documentos juntados às fls. 93 e ss, apresentados pela contribuinte, não fazem prova que houve a efetiva correção das informações junto à Receita Federal. Não se tem nos documentos qualquer comprovante que os mesmos foram regularmente protocolizados junto à RFB. Entendo que razão assiste à fiscalização. Como bem informado na resposta à diligência, a interessada poderia a qualquer tempo efetivar a correção via sistema eletrônico, e não o fez, contradizendo sua justificativa de impedimento da correção eletrônica. Também não se pode aceitar a alegação de para fruição do Reintegra, seria irrelevante a indicação do código NCM, por serem ambos são beneficiários do regime. Entendo que o fato de ambos códigos serem abrangidos pelo REINTEGRA não justifica a informação incorreta do código NCM no sistema Siscomex. O benefício fiscal do ressarcimento só pode ser concedido se todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. (...) O contribuinte em manifestação de inconformidade havia corrigido as informações objeto da acusação fiscal, porém efetuou por meio de carta de correção em papel. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10880.657986/201221 Acórdão n.º 9303008.419 CSRFT3 Fl. 5 4 Como visto, a autoridade julgadora de primeira instância, entendeu insuficientes, pois a correção deveria ter sido efetuada nos sistemas eletrônicos da Receita Federal. O contribuinte então apresentou as correções por meio dos registros eletrônicos e apresentou sua comprovação junto ao seu recurso voluntário. Estes documentos foram acatados pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: (...) Segundo a fiscalização e posteriormente a DRJ, mesmo ciente da inconsistência apontada nos documentos fiscais e declaração de exportação, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar seu direito ao crédito, uma vez não ter apresentado documentos idôneos para tanto (retificação de nota fiscal em papel), nem ser possível o atendimento da alegação de que para fruição do Reintegra, seria irrelevante a indicação do código NCM, por serem ambos beneficiários do regime. Em seu recurso voluntário a contribuinte entendendo ser válido seu direito ao crédito, novamente alegou que já teria realizado a retificação dos documentos (NFs), com a conseqüente troca dos NCMs, no entanto, para que não houvesse mais dúvidas sobre a retificação das informações, carreou aos autos prova de que as teria feito na forma eletrônica (fls. 403 a 447). Ainda no recurso voluntário a contribuinte trouxe a tese sobre a observância do principio da verdade material que deve permear o processo administrativo, colacionando diversos julgados sobre o tema que corroborariam a possibilidade de fruição de seu direito ao crédito. Pois bem. Por mais que tenhamos no presente processo a juntada, tardia de documentos pela contribuinte que teriam o condão de demonstrar seu direito ao crédito, trouxe a contribuinte com sua manifestação do inconformidade, a princípio, documentos que demonstram sua intenção em retificar o equívoco cometido, qual seja, a troca dos códigos de NCM. Dessa forma os documentos dispostos nas páginas 403 a 447 do processo, demonstram a efetiva alteração dos códigos, dentro do que lhe é permitido pela legislação vigente e, ao meu sentir, permitindo a fruição do benefício fiscal. (...) Assim, o relator transcreveu parte de um acórdão proferido pela 1ª Turma da CSRF, 9101002781, de relatoria da illustre conselheira Cristiane Silva Costa, no qual defende se a aplicação no processo administrativo da formalidade moderada, assegurando ao contribuinte a produção de provas em nome do princípio da verdade material. Sustenta a aplicação do art. 38 da Lei nº 9.784/99. Abaixo trecho do voto transcrito: (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.657986/201221 Acórdão n.º 9303008.419 CSRFT3 Fl. 6 5 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Situação fática e jurídica do acórdão paradigma nº 9101002.890 Neste acórdão, os documentos que estavam em discussão não foram apresentados junto com o recurso voluntário. Foram apresentados durante a sustentação oral do contribuinte, na sessão de julgamento que os acatou. O contribuinte alegou, que após intensa e incessantes buscas em seu arquivo morto, conseguiu localizálos. O acórdão paradigma em questão deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, inadimitindo o conhecimento das provas nesta fase processual. Vejam trechos do acórdão paradigma: (...) Somente após a distribuição dos autos para elaboração do voto, marcada a data para a sessão de julgamento a ser realizada no CARF ocasião em que o relator já estava com o voto proferido pronto para ser julgado, cujo resultado não era favorável à defesa, é que a interessada, após pesquisas exaustivas, como afirmou, apresenta novos documentos que localizou em seus arquivos, como constou do relatório do acórdão recorrido: (...) Verificase, portanto, que é legalmente possível apresentar provas novas, após o prazo regulamentar para apresentação de impugnação, desde que estas se destinem a, por exemplo, contrapor fatos ou razões, posteriormente trazidos aos autos. Mas este não é o caso apresentado:não houve dedução, no acórdão da DRJ em São Paulo, de novos elementos de convicção do julgador. Volto a frisar: a acusação fiscal já estava posta desde a lavratura do Termo de Verificação Fiscal e restou mantida, sob a mesma fundamentação, pela DRJ em São Paulo/SPI e referiuse à impossibilidade de se admitir um laudo elaborado posteriormente à operação societária que deu origem ao ágio que o laudo pretendeu avaliar com base em expectativa de rentabilidade futura Tanto isso é verdade que o relator afirma, textualmente, que até o momento em que fora elaborada a primeira minuta do voto, consideravase sem comprovação a justificativa do ágio em face da ausência de documentos contemporâneos ao seu surgimento, como volto a reproduzir: (...) Portanto, constatase divergências fáticas entre o acórdão recorrido e o citado paradigma, suficientes para o não conhecimento do recurso especial. Penso até que citados acórdãos tomaram decisões no mesmo sentido, pois o acórdão paradigma até admite situações em que é possível o conhecimento de elementos de prova apresentados após a fase de impugnação. Situação fática e jurídica do acórdão paradigma nº 3403002.156 Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10880.657986/201221 Acórdão n.º 9303008.419 CSRFT3 Fl. 7 6 Neste acórdão, na verdade não são exatamente provas que não foram conhecidas. Foram planilhas apresentadas em sede de recurso voluntário inovando nas alegações que haviam sido apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Vejamos trechos do voto condutor: (...) No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: (...) As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. (...) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. (...) Observese que no acórdão recorrido, os documentos apresentados foram suficientes para a formação de convicção da turma julgadora. Com essas divergências fáticas apontadas, esse acórdão paradigma também não serve para comprovar a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 645DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007381/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA
Não há que serem acatadas as argumentações de cerceamento de direito de defesa quando os elementos constantes dos autos de conhecimento do sujeito passivo e este foi capaz de articular as razões de defesa em contraposição o lançamento fiscal, deduzindo-as de forma clara, deixando vislumbrar que era conhecedor dos fatos e fundamentos legais que lastrearam a imposição tributária.
ITR — EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - EXECÍCIO DE 2001 - IMPRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, se tomou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental, ou outro capaz de supri-lo, formalizado no prazo legal.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-ia da base de cálculo para apuração do 1TR,
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-000.615
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do 1TR a área declarada de preservação permanente de 91,40 hectares e a área de reserva legal de 200,3521 hectares, nos termos do voto da Relatara
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Não há que serem acatadas as argumentações de cerceamento de direito de defesa quando os elementos constantes dos autos de conhecimento do sujeito passivo e este foi capaz de articular as razões de defesa em contraposição o lançamento fiscal, deduzindo-as de forma clara, deixando vislumbrar que era conhecedor dos fatos e fundamentos legais que lastrearam a imposição tributária. ITR — EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - EXECÍCIO DE 2001 - IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, se tomou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental, ou outro capaz de supri-lo, formalizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-ia da base de cálculo para apuração do 1TR, Recurso Provido em Parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10120.007381/2006-49
conteudo_id_s : 5995104
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.615
nome_arquivo_s : Decisao_10120007381200649.pdf
nome_relator_s : Ana Neyle Olimpio Holanda
nome_arquivo_pdf_s : 10120007381200649_5995104.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do 1TR a área declarada de preservação permanente de 91,40 hectares e a área de reserva legal de 200,3521 hectares, nos termos do voto da Relatara
dt_sessao_tdt : Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
id : 7710844
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906555772928
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:31:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:31:00Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:31:03Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:31:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8bda0bb4-7ed7-4e86-ad49-0a3f395069ea; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:31:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:31:03Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:31:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:31:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:31:00Z; created: 2010-12-21T10:31:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-12-21T10:31:00Z; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:31:00Z | Conteúdo => S2-CITI Fl. 107 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10120.007381/2006-49 Recurso n° 342.585 Voluntário Acórdão no 2101-00.615 — 1" Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2010 Matéria ITR Recorrente AGROPECUÁRIA SUCURI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Não há que serem acatadas as argumentações de cerceamento de direito de defesa quando os elementos constantes dos autos de conhecimento do sujeito passivo e este foi capaz de articular as razões de defesa em contraposição o lançamento fiscal, deduzindo-as de forma clara, deixando vislumbrar que era conhecedor dos fatos e fundamentos legais que lastrearam a imposição tributária, ITR — EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - EXECÍCIO DE 2001 - IMPRESCINDIBILIDADE, Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, se tomou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental, ou outro capaz de supri-lo, formalizado no prazo legal, ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-ia da base de cálculo para apuração do 1TR, Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, DO - PresidenteO MARCOS CAN ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do 1TR a área declarada de preservação permanente de 91,40 hectares e a área de reserva legal de 200,3521 hectares, nos termos do voto da Relatara. ,.( lh,f2,- (-jArTLA TEYLE OLImPIO HOLANDA - Relatora EDITADO EM: 2 2 GUT 20 W Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Femandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel denominado Fazenda Sucuri, localizado no município de Palmeiras de Goiás (GO), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 28.793,23, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2002, com supedâneo na Constituição da República Federativa do Brasil, Lei n° 5,172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), Lei n° 9.393, de 19/11/1996, artigo 16, § 8°, da Lei n° 4.771, de 15/09/1965, Lei n° 7.803, de 18/07/1989, Lei rf 6.938, de 31/08/1981, Lei n° 8.171, de 17/01/1991, Lei n° 10.165, de 27/12/2000, Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001, Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, Instrução Normativa SM:a n° 67, de 01/09/1997, Instrução Normativa SRF if 94, de 24/12/1997, Instrução Normativa SRF n° 73, 18/07/2000, Instrução Normativa SRF tf 256, de 11/12/2002, item 7.3 da Norma de Execução COFIS no 006, de 2004, Portaria IBAMA n° 162, de 18/12/1997, nos seguintes moldes: i) Área de Preservação Permanente -91,40 ha para 00,00 ha; ii) Área de Utilização Limitada - 267,20 ha para 0,00 ha, 2. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fis. 35 a 43, 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: 2 Processo n° 10120.007381/2006-49 S2-C1 TI Acórdão n " 2101-00.615 Fl. 108 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR Exercício: 2002 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZA ao LIM1TADA/RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do 1TR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IRAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do r equerimento do competente ADA. Lançamento Procedente 4. Intimado aos 22/12/2006, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário tempestivo (fis, 72 a 84), 5. No apelo interposto, o sujeito passivo apresenta, em síntese, os seguintes argumentos em sua defesa: I — em preliminar, cerceamento de direito de defesa, pois que, em vista de greve deflagrada pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, não teve vista aos autos; II — no mérito, não guarda qualquer nexo com a legalidade a exigência de obrigação acessória, consubstanciada na formalização do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do 1TR; III — não se vislumbra nas leis pertinentes fundamento de validade para a exigência do ADA, pois quando os diplomas tratam de declaração por parte do poder público para as áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico estão se referindo à área de especial afetação, decorrente de ato administrativo editado pelo órgão competente para tanto, que irá declarar se determinada área não se presta pata o desenvolvimento ou exploração de atividade econômica; IV - a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001, que inseriu o § 70 do artigo 10 da Lei n" 9.393, de 1996, dispensa o ADA, nas hipóteses de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de cálculo do ITR; V - as áreas preservacionistas declaradas existem efetivamente na propriedade, devendo ser observado o princípio da verdade material, o que será comprovado por laudo técnico a ser anexado aos autos, 6. Reivindica lhe seja novamente oportunizado o prazo legal de trinta dias, após efetiva vista dos autos, para interposição de novo recurso voluntário. 7. Ao final, defende o provimento do recurso para o cancelamento do auto de infração guerreado. 8. Vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo .3°, III, 3 É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do presente processo é o auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel denominado Fazenda Sucuri, localizado no município de Palmeiras de Goiás (GO), no exercício 2002, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do 1TR, a título de: i) Área de Preservação Permanente — 91,40 ha para 00,00 ha, e ii) Área de Utilização Limitada 267,20 ha para 0,00 ha. Em preliminar, alega o sujeito passivo cerceamento de direito de defesa, pois que, em vista de greve deflagrada pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, não teve vista aos autos. O princípio da ampla defesa manifesta-se através da oportunidade concedida ao sujeito passivo de se opor à pretensão fiscal, fazendo serem conhecidas e apreciadas todas as alegações de caráter processual e material, bem como as provas carreadas aos autos, que já não sejam do conhecimento daquele. Pois, a ampla defesa não é defesa ilimitada, não se restringindo o seu exercício se as provas a serem produzidas não se fizerem necessárias à elucidação do fato ou já se encontrem nos autos, ou ainda, se a matéria discutida for eminentemente de direito. Na espécie, os elementos constantes dos autos eram de conhecimento do sujeito passivo quando da interposição do recurso, vez que, lhe fora dada ciência do auto de infração e dos fatos que o ensejaram, como também da decisão de primeira instância, sendo que a recorrente não logrou comprovar o efetivo prejuízo causado pela falta de vista ao caderno processual. Por outro lado, percebe-se que a recorrente fui capaz de articular as razões de defesa em contraposição o lançamento fiscal, deduzindo-as de forma clara, deixando vislumbrar que era conhecedora dos fatos e fundamentos legais que lastrearam a imposição tributária. Com efeito, não há que ser acatada a alegação de cerceamento de direito de defesa, como também o pedido de reabertura de prazo para interposição de novo apelo, Ultrapassada a preliminar ., passamos à análise das questões de mérito. O primeiro argumento de defesa apresentado pela recorrente diz respeito à inconformação quanto à exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do URI 4 Processo rID 10120.007381/200649 S2-C1T1 Acórdão 2101-00.615 Fl. 109 A exigência da formalização do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada - assim entendidas as áreas de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, se fez valer a partir da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, em seu artigo 17-0, em seu § I', que deu nova redação à Lei ri° 6.938, de .31/01/1981, nos seguintes termos: Art. 17-O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do linposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 17']?, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao RAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. "§ IQ. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória," Sob esse pórtico, somente a partir de 10 de janeiro de 2001, o sujeito passivo está obrigado a apresentar o ADA, para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente declarada pelo sujeito passivo, no cálculo da base do ITR. Na espécie, consta de fls. 19 a 20-verso, a Averbação AV3-4.024, aos 16/01/2001, à Matricula ri.° 4.024, no Livro ri.° 2, do Registro Geral de Imóveis, do Cartório do Registro de Imóveis, da Comarca de Palmeiras de Goiás (GO), onde consta a consignação de Termo de Responsabilidade firmado com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), firmado aos 04/07/2000, para com o escopo de estabelecer o gravame de 249,6571 ha. Há o entendimento neste colegiada de que o Termo de Responsabilidade junto ao IBAMA supre a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente declarada pelo sujeito passivo, no cálculo da base do 1TR. Entretanto, como o sujeito passivo apresentou, em sua declaração de ITR, uma Área de Preservação Permanente de 91,40 ha, devendo este ser o limite para restabelecimento da exclusão da base de cálculo pelas instâncias julgadoras administrativas. No que diz respeito à Área Utilização Limitada — Reserva Legal, a sua glosa, pela falta de averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel, no cartório de registro de imóveis competente. O mandamento que determinou a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8", do artigo 16 da Lei n°4.771, de 15/09/1965 - o chamado Código Florestal, pelo artigo 1 0 da Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001, litteris: Art. 16 As .florestas e outras . formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: \ 5 1 8" A área de reserva le ai deve ser averbada à mar_em da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código, (destaques da transcrição) Conforme consta de fi. 20-verso, o sujeito passivo procedeu, aos 16/01/2001, a averbação AV3-4,024, à Matrícula n° 4,024, antes reportada, em que consta o gravame da Área de Reserva Legal de 200,3521 ha. Com efeito, na espécie, como se trata de lançamento referente ao exercício 2002, e a averbação à margem do registro do imóvel da Área de Reserva Legal se deu anteriormente à ocorrência do fato gerador, deve ser restabelecida a exclusão da base de cálculo na extensão averbada. Por oportuno, cabe ressaltar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre o imóvel, conforme determina o artigo 1.227 do Código Civil: Ar( 1.227 Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1 .245 a 1_247), salvo os casos expressos neste Código.. Ademais, que é uma peculiaridade da reserva legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, por tal, somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros. Assim, a Lei n" 4.771, de 15/09/1965, passou a exigir a averbação no registro público, o que implica que a sua utilização se submeta às limitações legais. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB, de relatoria do Ministro Moreira Alves (D1 de 28/04/2000), em que se discutiam os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária, cuja ementa a seguir se transcreve: EMENTA. Mandado de Segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. No mérito, não fizeram os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (ris. 71) é de 0905.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 2611.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96 Mandado de segurança indeferido. Em voto-vista, proferido naquele julgamento, o Ministro Sepúlveda Pertence assim se pronunciou:, 6 Processo n° 10120.007381/2006-49 S2-C1T1 Acórdão ri." 2101-00.615 F1. 110 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificada,s ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas conto aproveitadas, Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel.. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe, Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários .só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria .frustrada a proibição da mudança de sua destátação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei .florestal prescreve Estou assim em que, sem a averbaç .ão determinada pelo § 2 0 do art, 16 da Lei n° 4,771/65, não existe a reserva legal.. Nessa mesma linha, o julgamento do Mandado de Segurança n° 23370-2/GO, Relator designado Min, Sepúlveda Pertence, LM de 28/04/2000, com a seguinte ementa: EMENTA: 1 - Reforma agrária, apuração da produtividade do imóvel e reserva legal:A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser .subtraida da área total da imóvel rural, para o finz do cálculo de sua produtividade (cf L, 8,629/93, art. 10, 1V),sem que esteia identificada na sua averbação MS 22.688) 11 — Reforma agrária: desapropriação: vistoria e notificação. Ainda que na linha do entendimento majoritário do Tribunal, se empreste à 170tificação prévia da vistoria do imóvel expropriando, prevista no art.. 2', § 2', da L 8.926/93, as galas de requisito de validade da expropriação subseqüente, não se trata de direito indisponível... não pode, pois, invocar a sua falta, o proprietário que, expressamente, consentiu que, sem ela, se iniciasse a vistoria. Mandado de segurança indeferido.. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF, como no julgamento do MS n° 28,156/DF, DJ de 02/03/2007, 7 Sob esses entendimentos, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da incidência do 1TR. Forte no exposto, somos por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as exclusões na base de cálculo do ITR da Área de Preservação Permanente de 91,40 ha e da Área de Reserva Legal de 200,3521 Sala das Sessões, em 29 de julho de 2010 1-12f.5 eà 0).w4, Ana e e Olimpio-flolanna 8
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004238/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/05/2004
DIREITO ANTIDUMPING. INCIDÊNCIA DA PORTARIA MDIC/MF N° 11/99.
Permanecem inseridas no escopo da cobrança dos direitos antidumpig, nos termos da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999, as importações dos produtos Makrolon AL2447 e AL2647, pois identificados como resina de policarbonato, grau ótico, para uso em luzes/lentes automotivas, e não em CD ou lentes oftalmológicas., originárias da República da Alemanha, fabricados pela Bayer AG, não lhes aplicando a exceção que consta da letra "c" do Anexo B.
Exclui-se da medida antidumping o produto Makrolon KU1 1243, pois reconhecido tratar-se de resina de policarbonato cuja estrutura ramificada possui índice de fluidez superior ao listado na portaria (MVR 7 g/10min versus MVR 1 a 4 g/10min), não se enquadrando, portanto, nas resinas alcançadas pela Portaria MDIC/MF nº 11, de 22 de julho de 1999.
LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. DEPÓSITO PARCIAL. ARTS. 61 E 63 DA LEI Nº 9.430/96. ART. 151 DO CTN. SÚMULA CARF Nº 5.
Crédito tributário não pago no vencimento sujeita-se à incidência de juros de mora.
O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta os juros de mora sobre a parcela alcançada.
Aplicação da Súmula CARF nº 5.
Numero da decisão: 3201-005.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir das medidas antidumping o produto Makrolon KU1 1243.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/05/2004 DIREITO ANTIDUMPING. INCIDÊNCIA DA PORTARIA MDIC/MF N° 11/99. Permanecem inseridas no escopo da cobrança dos direitos antidumpig, nos termos da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999, as importações dos produtos Makrolon AL2447 e AL2647, pois identificados como resina de policarbonato, grau ótico, para uso em luzes/lentes automotivas, e não em CD ou lentes oftalmológicas., originárias da República da Alemanha, fabricados pela Bayer AG, não lhes aplicando a exceção que consta da letra "c" do Anexo B. Exclui-se da medida antidumping o produto Makrolon KU1 1243, pois reconhecido tratar-se de resina de policarbonato cuja estrutura ramificada possui índice de fluidez superior ao listado na portaria (MVR 7 g/10min versus MVR 1 a 4 g/10min), não se enquadrando, portanto, nas resinas alcançadas pela Portaria MDIC/MF nº 11, de 22 de julho de 1999. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. DEPÓSITO PARCIAL. ARTS. 61 E 63 DA LEI Nº 9.430/96. ART. 151 DO CTN. SÚMULA CARF Nº 5. Crédito tributário não pago no vencimento sujeita-se à incidência de juros de mora. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta os juros de mora sobre a parcela alcançada. Aplicação da Súmula CARF nº 5.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10314.004238/2004-66
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006696
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.292
nome_arquivo_s : Decisao_10314004238200466.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314004238200466_6006696.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir das medidas antidumping o produto Makrolon KU1 1243. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7738246
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906584084480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 706 1 705 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.004238/200466 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.292 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria DIREITO ANTIDUMPING Recorrente BAYER S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/05/2004 DIREITO ANTIDUMPING. INCIDÊNCIA DA PORTARIA MDIC/MF N° 11/99. Permanecem inseridas no escopo da cobrança dos direitos antidumpig, nos termos da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999, as importações dos produtos Makrolon AL2447 e AL2647, pois identificados como resina de policarbonato, grau ótico, para uso em luzes/lentes automotivas, e não em CD ou lentes oftalmológicas., originárias da República da Alemanha, fabricados pela Bayer AG, não lhes aplicando a exceção que consta da letra "c" do Anexo B. Excluise da medida antidumping o produto Makrolon KU1 1243, pois reconhecido tratarse de resina de policarbonato cuja estrutura ramificada possui índice de fluidez superior ao listado na portaria (MVR 7 g/10min versus MVR 1 a 4 g/10min), não se enquadrando, portanto, nas resinas alcançadas pela Portaria MDIC/MF nº 11, de 22 de julho de 1999. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. DEPÓSITO PARCIAL. ARTS. 61 E 63 DA LEI Nº 9.430/96. ART. 151 DO CTN. SÚMULA CARF Nº 5. Crédito tributário não pago no vencimento sujeitase à incidência de juros de mora. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta os juros de mora sobre a parcela alcançada. Aplicação da Súmula CARF nº 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 42 38 /2 00 4- 66 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 707 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir das medidas antidumping o produto Makrolon KU1 1243. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão de Turma (extinta) deste Conselho que converteu julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 15/06/2004, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de direitos antidumping e multa de oficio, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa em epígrafe, por meio das declarações de importação nº 04/05108260 (copia de fls. 08 a 13), registrada em 28/05/2004, e nº 04/05318817 (cópia de fls. 17 a 23), n° 04/05318825 (cópia de fls. 27 a 33), nº 04/05318833 (cópia de fls. 38 a 44), registradas em 03/06/2004, submeteu a despacho aduaneiro resinas de policarbonato, classificadas no código NCM 3907.40.90, não recolhendo os direitos antidumping estabelecidos na Portaria Interministerial MICT/MF nº 11, de 22/07/1999 (DOU de 26/07/1999), por força de tutela antecipada concedida em 02/02/2004, de fls. 143 a 149, nos autos da Ação Declaratória Ordinária n° 2004.61.00.0024709, impetrada na 13º Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Na antecipação de tutela acima referida, às fls. 148, o Sr. Juiz Federal assim se pronuncia: "Face ao exposto, antecipo os efeitos da tutela tão só para o fim suspender a imposição do direito antidumping, atribuído às autoras, desobrigandoas do recolhimento da sobretarifa estabelecida na Portaria Interministerial nº 11, de 22 de julho de 1999, até decisão final do presente feito." Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 708 3 Para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, na eventualidade de decisão judicial definitiva desfavorável ao contribuinte, foi lavrado o presente auto de infração, de fls. 02 a 07, exigindo da autuada o recolhimento dos direitos antidumping e da multa de oficio (de 75% sobre o valor dos direitos antidumping), no valor originário de R$ 107.906,54. Cientificado da lavratura da peça Fiscal em 10/09/2004 (fls. 02), o contribuinte, por intermédio de suas advogadas e procuradoras (Instrumento de Mandato as fls. 101), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 08/10/2004, de fls. 65 a 95. Há ainda nos autos cópia de petição às fls. 156/157, endereçada ao Juiz Federal da 13º Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, na qual o contribuinte solicita a autoridade judicial a expedição de oficio Secretaria da Receita Federal, a fim de informála do depósito judicial dos direitos antidumping e acréscimos legais relativos ao período de vigência da decisão liminar, e da conseqüente suspensão de sua exigibilidade .frente à BAYER, relativamente as declarações de importação relacionadas de fls. 159 a 161. Encaminhados os autos para julgamento, no Acórdão nº 17 17.426, de fls. 172 a 176, o presente lançamento foi julgado procedente em parte, com reconhecimento de concomitância entre o processo judicial e administrativo com relação aos direitos antidumping aplicados sobre as mercadorias importadas por meio das declarações de importação objeto deste processo e exoneração da multa da oficio, pela concessão da tutela antecipada anteriormente ao registro das declarações de importação. Cientificado da decisão de 1º instância (as fls. 177verso), a autuada apresentou embargos de declaração, fls. 191 a 195, onde alega ter havido omissão em relação a pontos levantados na impugnação que não constituem objeto de discussão judicial, destacando os seguintes: 1. a alegação de não incidência de juros de mora, uma vez que os valores lançados foram depositados nos autos do processo judicial, o que elide a mora, de acordo com reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; 2. a alegação de que as declarações de importação objeto do presente auto de infração dizem respeito a produtos que não se enquadram entre aqueles contemplados pela Portaria MDIC/MF n" 11, de 22 de julho de 1999, o que faz COM que em relação a tais DI's, todas devidamente mencionadas e anexadas a Impugnação, não exista concomitância o processo judicial, que se restringe a discutir a nulidade da mencionada Portaria. Ressalta o impugnante que anexa aos autos cópia da petição inicial da Ação Ordinária nº 2004.61.00.0024709 para que reste evidente que o objeto da ação judicial restringese a questionar a legitimidade da Portaria MDIC/MF nº 11/99, Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 709 4 enquanto a discussão administrativa limitase a questionar a inclusão indevida pela autoridade lançadora de produtos que não se encontram no âmbito da aplicação da referida Portaria. Como exemplo, cita a exigência pela autoridade fiscal de direitos antidumping de resinas de policarbonato de grau ótico que foram expressamente excluídas do âmbito de incidência daquela Portaria (no item B — "Do Produto sob Investigação", letra "e" do Anexo Portaria). Assevera o impugnante que, ainda que o Poder Judiciário julgue, ao final da ação judicial, que a Portaria MDIC/MF 11/99 é válida, isso não significa que a resina de grau ótico esteja sujeita ao pagamento de direitos antidumping. Concluindo, afirma o impugnante que, se a autoridade fiscal incluiu indevidamente produtos no rol de importações sujeitas ao pagamento de direito antidumping, estas cobranças são indevidas e são estas cobranças que a embargante pretende impugnar administrativamente, por não existir concomitância entre as esferas judicial e administrativa. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa [segue a transcrição da ementa correta]: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/05/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tutela Antecipada concedida em Ação Declaratória Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Multa de Ofício impugnação conhecida quanto à penalidade que se cancela por inaplicável sobre o crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme prevê o artigo 63 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 24/08/2001. Lançamento procedente em parte. As fls. 191/195, a ora recorrente interpôs Embargos de Declaração em face da decisão de primeira instância juntado os documentos de fls. 196/264. Em seguida, o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação (fls. 272/297). A DRJ ora recorrida conheceu dos Embargos de Declaração, proferindo nova decisão, que adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/05/2004 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 710 5 EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não acatados os Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte quanto a matéria considerada sub judice. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tutela Antecipada concedida em Ação Declaratória Não se toma conhecimento da impugnação no tocante a matéria objeto de ação judicial. Multa de Oficio cancelada pela inaplicabilidade sobre o crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme prevê o artigo 63 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Lançamento procedente em parte. Ao final desta decisão, em seu dispositivo, a DRJ determinou a intimação do contribuinte, ora recorrente, para que o mesmo ratificasse ou retificasse o recurso voluntário interposto ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Regularmente intimado, o ora recorrente ratificou suas razões de recurso. Após o recebimento do recurso voluntário, foi apresentada petição do recorrente (fls. 328/329) na qual e juntada cópia de sentença no mandado de segurança acima referido, do qual se extrai o seguinte dispositivo: Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido para determinar o recebimento dos recursos voluntários interpostos nos autos dos processos administrativos n. 10314.004238/2004 66 e n. 10314.000614/200613 para julgamento do mérito da defesa pelo Conselho de Contribuintes. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado corno relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. As matérias de mérito suscitadas em recurso são: (i) inocorrência da concomitância dos processos; (ii) não cabimento da constituição do crédito tributário para prevenir decadência quando há depósitos judiciais; (iii) não cabimento de juros de mora dada a existência dos depósitos judiciais; (iv) parte (a maior) dos valores depositados não é abrangida pelo direito antidumping; Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 711 6 (v) inaplicabilidade dos direitos antidumping em relação aos produtos objetos da presente autuação. O processo foi pautado para julgamento na 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara deste CARF, na sessão de 25/03/2009, com relatoria do Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No início do voto, o relator apontou a decisão judicial no MS 2007.61.00.0199213, prolatada em 21/09/2007, com a determinação expressa para o julgamento do mérito da defesa neste, e outro, processo. Contudo, asseverou aquele relator entender ausentes os elementos necessários à formação de seu convencimento para o julgamento, concernente à suficiência ou não do depósito judicial autorizado, decidindo, então, pela conversão do julgamento em diligência, no acórdão nº 310200.005, com a decisão a seguir: Portanto, não havendo certeza nos autos se os depósitos realizados pelo contribuinte foram integrais e suspenderam a exigibilidade do crédito na forma lei, VOTO por converter o presente julgamento em diligência para a delegacia a que está submetido o contribuinte verifique e informe a este Colegiado se os depósitos realizados pelo ora recorrente foram integrais. Prestada a informação, deverá ser intimado o contribuinte para que este se manifeste, no prazo de 10 (dez) dias, facultandolhe ainda o direito de juntar novos documentos, se entender necessário. Após, intimese a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, sobre o resultado desta diligência e retornem os autos para continuidade do julgamento. O processo retornou da unidade de origem com a informação em despacho de que os depósitos realizados pelo contribuinte foram suficientes, após a complementação efetuada em 11/09/2007, com acréscimos legais (fl. 389). Cumprida a diligência, contribuinte (fl. 391) e Procuradoria (fl. 395) foram cientificados. Submetido a apreciação neste Colegiado, o julgamento foi convertido em Diligência, por meio da Resolução nº 3201001.117, de 30/01/2018, restando vencido este Conselheiro, para que a unidade de origem verificasse se as mercadorias efetivamente importadas encontravamse ou não submetidas à cobrança de direitos antidumping de que trata a Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999. O voto vencedor da Resolução foi assim redigido: Em face de debates surgidos em sessão de julgamento, fui designada redatora da posição vencedora em decorrência de divergência aberta. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 712 7 Em exame do feito e em face de esclarecimentos prestados pelos Patronos em sede de memorial, observase que é controversa a existência de concomitância na hipótese dos autos. Com efeito, a ação judicial proposta pelo Contribuinte questiona a validade da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999. Portanto, não cabe a este Conselho adentrar a esse mérito. Contudo, aduz a Recorrente que as Declarações de Importação objeto do presente lançamento, quais sejam as Declarações de importação nº 04/05108260 (copia de fls. 08 a 13), registrada em 28/05/2004, e nº04/05318817 (cópia de fls. 17 a 23), n° 04/05318825 (cópia de fls. 27 a 33), nº 04/05318833 (cópia de fls. 38 a 44), registradas em 03/06/2004, submeteram a despacho aduaneiro mercadorias não alcançadas pela citada Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999. Em exame dos autos constatase que todas as DIs listadas pela Fiscalização indicam a importação de mercadoria com classificação tarifária "NCM 3907.40.90 (Outros Policarbonatos em formas primárias )". De acordo com os termos da citada Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999, juntada aos Autos pela Recorrente às fls, 138 e seguintes (numeração manual) e verificado no sítio da Imprensa Nacional, os produtos de NCM 3907.40.90 (Outros Policarbonatos em formas primárias) foram expressamente excluídos de sua abrangência / escopo de investigação. [...] Desse modo, uma vez que se confirme que as mercadorias importadas pelas DIs objeto da presente autuação referemse à importação de produto classificado na "NCM 3907.40.90 (Outros Policarbonatos em formas primárias )", estas, de fato, não são alcançadas pela Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999 e, portanto, sua análise não será influenciada pelos termos da decisão judicial. Diante do exposto, votase por converter o feito em diligência para que a Autoridade lançadora verifique se as mercadorias importadas por meio das Declarações de importação nº 04/05108260, nº04/05318817, n° 04/05318825 e nº 04/05318833 tratamse efetivamente de produto classificado na "NCM 3907.40.90 (Outros Policarbonatos em formas primárias )". Ou seja, pedese averiguar se os dados constantes nas DIs juntadas aos autos não foram objeto de qualquer alteração posterior, seja por retificação do contribuinte, seja por procedimento administrativo de revisão aduaneira. [...] Iniciouse o cumprimento da Resolução com a intimação para a contribuinte apresentar os catálogos das mercadorias que permitiriam identificar a aplicação do produto, sua estrutura (se ramificada ou não) e seu índice de fluidez (em g/10min). Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 713 8 A contribuinte apresentou os catálogos solicitados e reafirmou não estarem os produtos abrangidos pelas medidas antidumping da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999. Nova intimação foi expedida pela unidade de origem em razão de considerar insuficientes os elementos probatórios, especialmente quanto à natureza da estrutura (se realmente ramificada) e índice de fluidez do produto Makrolon ET 3137 que substitui (ao menos em denominação) o produto Makrolon KU1 1243. Ainda no mesmo termo a autoridade fiscal esclareceu que permanecem dúvidas quanto à classificação do produto como "resina de estrutura ramificada" ou "resina standart de uso padrão". Em resposta, a contribuinte demonstrou por meio de seus catálogos que os produtos Makrolon KU1 1243 e Makrolon ET 3137 são efetivamente os mesmos. Afirma ainda que as informações técnicas extraídas do catálogo indica tratarse de uma resina de policarbonato cuja estrutura ramificada possui índice de fluidez superior ao listado na portaria (MVR 7 g/10min versus MVR 1 a 4 g/10min), não se enquadrando, portanto, nas resinas alcançadas pela Portaria MDIC/MF nº 11, de 22 de julho de 1999, para fins de direitos antidumping. A unidade de origem concluiu a diligência com a elaboração do Termo de Ciência e Informação Fiscal DIFIS I nº 1.567/2018, com as seguintes conclusões: 1. Esclarece que a Resolução Camex nº 41/2003 (22/12/2003) alterou a Nomenclatura Comum do Mercosul transformando a antiga NCM 3907.40.00 Policarbonato (vigente quando da edição da Portaria MDIC/MF nº 11/1999), em duas distintas abrindo em subitens “.10” e “.90”, atendidas algumas características técnicas desses materiais. Assim, a consequência é que as NCMs 3907.40.10 e 3907.40.90, a partir de 22/12/2003, abrange todos policarbonatos, submetendoos aos termos da Portaria que instituiu a medida protetiva à industria nacional. 2. As DIs nºs. 04/05108260, 04/05318817, 04/05318825 e 04/05318833 não foram objeto de reclassificação fiscal. 3. Sobre o produto Makrolon KU1 1243, expressamente afirma "nada temos a acrescentar em relação ao declarado pela BAYER". 4. Quanto aos produtos Makrolon AL2447 e AL2647, sustenta que todos os documentos e esclarecimentos prestados pela contribuinte não deixam dúvidas de que se tratam de lentes óticas de aplicação em faróis de veículos não contemplada na lista de exceções da referida Portaria pois não se trata de " resinas de grau ótico, classe CD e oftálmicas" (alínea "c" da Lista de exceção). 5. Conclui a autoridade fiscal : "Assim, por não serem resinas de grau ótico para aplicação em CD ou em lentes oftálmicas, os produtos MAKROLON AL2447 e AL2647, importados pela BAYER, não estão excluídos da incidência dos direitos antidumping." Oportunizada a manifestação da contribuinte, aduziu em resposta: a. A fiscalização extrapola o que se determinou na diligência, que solicitou apenas a confirmação da classificação fiscal dos produtos importados na NCM 3907.40.90 e se as DIs foram objeto de retificações. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 714 9 b. Conquanto houvera o reconhecimento fiscal de que a classificação fiscal está correta, a tentativa é de enquadrar tais resinas em outras classificações e dar interpretações distintas ao que o foi solicitado. c. Entende que a Fiscalização está fazendo o retrabalho de apuração de provas e documentos até então não exigidos, o que apenas evidencia a precariedade do AI, maculando o lançamento. d. Afirma que a interpretação fiscal para restringir a lista de exclusão da medida antidumping apenas a policarbonato de grau ótico aplicado na fabricação de CD em produtos oftálmicos é incorreta. e. Devese atentar aos exatos termos pretendidos pela Resolução que pretendeu reiterar a correta classificação das resinas, por meio da NCM 3907.40.90, e destaca que as DIs não foram alvos de retificação, tudo conforme já atestado pela Fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Recebo o recurso, conforme determinação judicial de folhas. 339/342. Há de se iniciar este voto pontuando a motivação para a conversão do julgamento anterior em diligência e, em segundo plano, a providência determinada para busca da verdade dos fatos. No julgamento do recurso em sessão de 30/01/2018 foi reforçado em memoriais os argumentos que já constavam da impugnação e do recurso no tocante à alegação da contribuinte de que as mercadorias importadas e declaradas nas DIs, objeto de auto de infração lavrado para exigência de direito antidumping, encontramse dentre a lista de exclusão da medida. Reproduzo os excerto do Anexo da Portaria MDIC/MF nº 11/1999 que indicam os produtos incluídos e os excluídos da exigência de antidumping: B DO PRODUTO SOB INVESTIGAÇÃO O produto objeto da investigação compreende as resinas de policarbonato, na forma de pó, flocos ou grânulos, não reforçadas com fibra de vidro ou que contenham qualquer outra carga, compreendendo: I resinas standards, de uso geral (indice de fluidez = 3 a 19 g/10 min), não aditivadas, ou adicionadas de agente desmoldante ou protetor de radiação ultravioleta (UV), podendo atender às especificações da Food and Drug Administration para aplicações em contato com alimentos ou a caracteristicas de resistência à hidrólise; Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 715 10 II resinas de alta fluidez (índice de fluidez = 20 a 30 g/10 min) aditivadas com agente desmoldante, ou com estabilizador de UV; e III resinas de estrutura ramificada, viscosidade estrutural, (índice de fluidez = 1 a 4 g/10 min), aplicadas a processos de moldagem por sopro, que atendam às especificações da normas técnicas para aplicações em contato com alimentos. Estão excluídas do escopo da investigação as resinas especiais não produzidas pela indústria doméstica, especificamente, os seguintes tipos: a) resinas reforçadas com fibra de vidro ou contendo qualquer outra carga; b) resinas classe retardante de chama, UL 94 VO e UL 94 5V; c) resinas grau ótico, classe CD e oftálmicas; d) resinas de qualidade superior quanto a fluxo e alta resistência a impacto; e e) resinas mistas, de policarbonato com outro termoplâstíco (ABS, PET, PBT), mesmo que classificadas na subposição 3907.40 da NCM/SH. Na impugnação suscitouse a exclusão da incidência do direito antidumping sob o fundamento de que as mercadorias importadas tratamse de resina grau ótico, que segundo entendimento da Bayer está expressamente excluído pela letra "c" do Anexo B. Os mesmos fundamentos foram repisados em recurso voluntário. Ressaltase que não houve enfrentamento da matéria no julgamento de 1ª instância, que não conheceu da impugnação no tocante aos direitos antidumping, mas apenas enfrentou a exigência de multa de ofício (exonerada na decisão) e os juros de mora. Constatase que em momento alguma a recorrente sustenta a exclusão do atidumping em razão de se tratar de resinas mistas de policarbonato com outro termoplástico ou devida à classificação na subposição 3907.40 da NCM/SH. Ou seja, não apontou como fundamento da exclusão a letra "e" do Anexo B. Assim, a confirmação da classificação em qualquer dos subitens 3907.40.10 ou 3907.40.90 em nada influenciará a conclusão de que as mercadorias sujeitamse ou não à medida protetiva. Ao meu sentir, restou despiciendo a verificação da classificação fiscal, porquanto não é determinante da propriedade que a exclui do antidumping o grau ótico. O cerne do debate é pois compreender se a mercadoria declarada nas DIs são aquelas sujeitas à incidência dos direitos antidumping de que tratam os incisos I a III do Anexo B da Portaria MDIC/MF nº 11/1999 ou, ao contrário, estão entre as exceções especificamente relacionadas nas letras "a" a "c" do referido Anexo. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 716 11 É inconteste a natureza de grau ótico dos produtos importados, pois fiscalização e recorrente o reconhece. A divergência estabelece na expressão que se segue após a identificação de um dos produtos que especificamente está excluído da incidência do direito exigido. Entendo que se intenção da Portaria era excluir da medida todas resinas de grau ótico não acrescentaria qualquer especificidade, qualificação ou aplicação a ser dada ao produto caracterizado como "resinas grau ótico". Se o fez, o sentido foi de restringir quais resinas estão excluídas da Portaria no universo daquelas que comportam a mesma natureza (grau ótico). Assim, resinas de grau ótico cuja aplicação é na fabricação de CD daí denotar como uma classe e oftálmicas estarão excluídas do exigência de antidumping. Isto é, a letra "c" do Anexo B restringiu a exclusão das resinas grau ótico a apenas dois grupos: classe CD e oftálmicas. Por conseguinte, para as demais mantevese a exigência. Nos autos constam que os produtos MAKROLON AL2447 e AL2647 são resinas grau ótico, para uso em luzes/lentes automotivas, e não em CD ou lentes oftalmológicas. A resposta à intimação nº 1.163/2018 (fl. 454) traz o quadro sintético com a identificação e descrição dos 3 produtos em análise: Nos catálogos (fls. 466/552) estão especificadas as resinas de grau ótico utilizadas na fabricação de dispositivo de armazenagem ótico CD/DVD (optical storage media), de lentes oftálmicas (optical lenses) e luzes/lentes automotivas (Automotive lighting). Às fls. 478 estão descritas as resinas MAKROLON AL2447 e AL2647: Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 717 12 Refutase a acusação da contribuinte de que a fiscalização extrapolou os limites da Resolução CARF nº 3201001.117 que determinava apenas a confirmação da classificação fiscal e estaria realizando o retrabalho de apuração de provas e documentos até então não exigidos, o que apenas evidencia a precariedade do AI, maculando o lançamento. Sem razão a contribuinte em seus argumentos. A determinação da diligência visou apurar a verdade dos fatos no tocante a assertiva de que as mercadorias importadas não se encontravam incluídas na exação do antidumping. O trabalho realizado em sede de diligência teve o objetivo de identificar perfeitamente a mercadoria importada o que se fez não pelo código numérico de sua classificação na NCM/SH, mas com a obtenção de sua descrição nos catálogos do fabricante e esclarecimentos da contribuinte e o confronto com o texto da Portaria MDIC/MF nº 11/1999 com fins à verificação da inclusão ou exclusão dos direitos antidumping nela previsto. Não se pode confundir a efetivação do princípio da verdade material com a oportunização à autoridade fiscal de suprir provas deficientes. A autoridade fiscal foi fiel no cumprimento de seu mister ao buscar a perfeita identificação dos produtos importados pela recorrente e sua exata correlação com os termos (texto) da norma de incidência da medida de antidumping. Em relação ao produto Makrolon KU1 1243, improcedente a exigência do direito antidumping pois comprovado, e reconhecido na diligência, tratarse de resina de policarbonato cuja estrutura ramificada possui índice de fluidez superior ao listado na portaria (MVR 7 g/10min versus MVR 1 a 4 g/10min), não se enquadrando, portanto, nas resinas alcançadas pela Portaria MDIC/MF nº 11, de 22 de julho de 1999, para fins de direitos antidumping. Concluise, pois, após a perfeita identificação da mercadoria importada por meio dos esclarecimentos e catálogos do fabricante, que as resinas MAKROLON AL2447 e AL2647 estavam abarcadas pelo direito antidumping, enquanto vigente, instituído pela Portaria MDIC/MF nº 11/1999. Concomitância afastada por sentença em Mandado de Segurança nos Autos nº 2007.61.00.0199213 Conforme se verificou no tópico acima, apenas os produtos identificados como MAKROLON AL2447 e AL2647 são alcançados pela cobrança de direitos antidumping Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 718 13 nas importações brasileiras de resina de policarbonato grau ótico, excluídos os da classe CD e oftálmicos, originárias da República da Alemanha, especificamente da Bayer AG. Assim, as importações da contribuinte desses dois tipos de resina, por se tratar de produtos que se amoldam às prescrições da referida Portaria Interministerial é devido o direito antidumping mediante o adicional de 9%, além da alíquota prevista para o imposto de importação na TEC. Na petição inicial do processo 2003.61.00.0382142 (fls. 210/271) a recorrente além do pedido específico quanto ao não pagamento do direito antidumping, postulou a inexigibilidade de toda e qualquer eventual cobrança que venha a ser ou possa ser determinada em função do Processo que tramita no MDIC/Secex ou com base na legislação vigente, até que venha a ser editada Lei Complementar nos termos da Emenda Constitucional nº 42/03, conforme excerto transcrito: (...) Como provimento final, as Autoras pedem que (i) seja declarada inexigível a cobrança às Autoras do direito antidumping fixado pela Portaria n° 11, assim como inexigível toda e qualquer eventual cobrança às Autoras que venha a ser ou possa ser determinada em função do Processo n° MDIC/SECEX — RJ 52100.012428/200321, atualmente em trâmite perante o DECOM; (ii) seja declarado que o Processo n° MDIC/SECEX — RJ 52100.012428/200321 não é apto a produzir, de forma definitiva, quaisquer efeitos em relação às Autoras; (iii) seja declarada inexigível toda e qualquer cobrança às Autoras de direito antidumping fixado com base na legislação vigente, até que venha a ser editada Lei Complementar nos termos da recente Emenda Constitucional 42/03(...) (...) Vêse que o objetivo da contribuinte é claro: não se submeter à cobrança do direito antidumping com base (i) na Portaria, (ii) no processo que tramita no MDIC/Secex ou (iii) na legislação vigente. Assim, entendo que a autuação fiscal versada no presente processo que exigiu a cobrança de direito antidumping com base na referida Portaria estará inserida no escopo do objeto de que trata a ação judicial, em relação ao MAKROLON AL2447 e AL2647. Dessa forma, entendo restaria caracterizada a concomitância de objeto, porquanto simultaneamente discutido em nas esferas administrativa e judicial . Não obstante, a sentença proferida em Mandado de Segurança nos autos nº 2007.61.00.0199213 (fls. 339/342) determinou o julgamento de mérito do Recurso Voluntário. Quanto à alegação de que a maior parte dos valores depositados não estão abrangidos pelo direito antidumping, de fato apenas aqueles depósitos realizados em face dos produto Makrolon KU1 1243 não devem compor o depósito judicial, se efetiva e corretamente calculados e depositados. Todavia, em se tratando de valores depositados perante o Juízo é prerrogativa do Poder Judiciário qualquer decisão a respeito. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 719 14 Lançamento para prevenção de decadência e juros de mora Argui a recorrente a impossibilidade da constituição do crédito tributário para prevenir a decadência pois havia realizado depósitos judiciais do qual decorria inexistir fundamento para a cobrança de juros de mora. Duplamente sem razão a recorrente. O crédito tributário não pago no vencimento sujeitase à incidência de juros de mora, conforme prescreve o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96, e terá sua exigibilidade suspensa, no tocante ao depósito, somente quando em seu montante integral, nos termos do art. 151, inciso II do CTN. Esta norma, construída a partir da literalidade dos textos legais, encontrase pacificada no âmbito do CARF, com a edição da Súmula nº 5: " São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Na constituição do crédito tributário destinado à prevenção da decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por concessão de medida liminar ou antecipação de tutela, somente a aplicação de multa de ofício estará afastada, por força do art. 63 da Lei nº 9.430/96; nada dispõe a Lei acerca dos juros de mora, que é devido a partir da data do vencimento do tributo. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência do depósito (judicial) é modalidade distinta das concessões de medida judicial e encontrase amparo no art. 151, II do CTN. In casu, a contribuinte teve o crédito tributário lançado no auto de infração que trata o presente processo com a exigibilidade suspensa enquanto perdurou a tutela antecipada proferida em sede de primeira instância na Justiça Federal e, na ausência de qualquer depósito, foramlhes acrescidos os juros de mora, como consta do auto de infração (fl. 53). Revertida a decisão judicial em sede de Tribunal Regional Federal, o crédito lançado passou a ser exigido, por não mais subsistir os efeitos do inciso IV do art. 151 do CTN. Providenciou então a contribuinte, com a aquiescência do Poder Judiciário, o depósito judicial, contudo, não em seu montante integral o que não confere a suspensão da exigibilidade no todo, mas apenas da parcela depositada. Tal providência restou consignada na descrição dos fatos do auto de infração, atualizado (antes da ciência ao contribuinte, em 10/09/2004) à folha 53, conforme transcrição: O credito tributário lançado através da presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força da Ação Declaratória Ordinária n°. 2004.00.0024709 (art. 151, incisos II e IV, do CTN), que concedeu antecipação da tutela possibilitando que a empresa obtivesse o aval do Poder Judiciária para suspender a imposição do direito antidumping estabelecido pela portaria n° 11 de 22 de julho de 1 999 Agora, apontando as datas dos eventos narrados. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10314.004238/200466 Acórdão n.º 3201005.292 S3C2T1 Fl. 720 15 O provimento judicial foi concedido em 02/02/2004, a autuação fiscal, em 15/06/2004, com exigência da multa de ofício, exonerada na decisão da DRJ. Na Apelação Cível, com ciência em 29/06/2004, foi revogada a tutela. O depósito foi realizado em 29/07/2004, em montante não integral. A complementação do depósito deuse em 11/09/2007. Portanto, crédito tributário não pago no vencimento sujeitouse à incidência de juros de mora; e teve sua exigibilidade suspensa, no tocante e a partir ao depósito judicial, somente na parcela efetuada. Conclusão (i) Permanecem inseridas no escopo da cobrança dos direitos antidumpig, nos termos da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 11/1999, as importações dos produtos Makrolon AL2447 e AL2647, pois identificados como resina de policarbonato, grau ótico, para uso em luzes/lentes automotivas, e não em CD ou lentes oftalmológicas., originárias da República da Alemanha, fabricados pela Bayer AG, não lhes aplicando a exceção que consta da letra "c" do Anexo B da referida Portaria; (ii) Excluise da medida antidumping o produto Makrolon KU1 1243, pois reconhecido tratarse de resina de policarbonato cuja estrutura ramificada possui índice de fluidez superior ao listado na portaria (MVR 7 g/10min versus MVR 1 a 4 g/10min), não se enquadrando, portanto, nas resinas alcançadas pela Portaria MDIC/MF nº 11/1999; (iii) O crédito tributário não pago no vencimento sujeitase à incidência de juros de mora; e terá sua exigibilidade suspensa, no tocante ao depósito judicial, somente na parcela efetuada. (iv) A Unidade de Origem deverá observar o que restar definitivamente julgado pelo Poder Judiciário em matéria que afete o presente processo. Ante todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, apenas para excluir das medidas antidumping o produto Makrolon KU1 1243. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911412/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.911412/2009-93
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001713
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.773
nome_arquivo_s : Decisao_10580911412200993.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10580911412200993_6001713.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7725044
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906609250304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911412/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.773 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ Recorrente SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 12 /2 00 9- 93 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911412/200993 Acórdão n.º 1402003.773 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003066/2010-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF.
O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
Numero da decisão: 9202-007.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11060.003066/2010-43
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011820
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.809
nome_arquivo_s : Decisao_11060003066201043.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11060003066201043_6011820.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7756061
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906762342400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 411 1 410 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11060.003066/201043 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.809 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF ISENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GLEISA DE ALMEIDA STRAUSS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 30 66 /2 01 0- 43 Fl. 411DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 339/347, contra o acórdão nº 2201004.126, julgado na sessão do dia 06 de fevereiro de 2018 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 NORMA ISENTIVA. MODIFICABILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. CABIMENTO. O Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Tal posicionamento foi reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que por meio da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, que dispensa seus Procuradores de contestar e recorrer nas ações que versem sobre esse tema. Necessidade de aplicação de tal entendimento no processo administrativo tributário, em busca da celeridade processual e solução definitiva dos conflitos. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Valores recebidos a título de correção monetária, não aplicação da multa. Valor do principal isento sendo que o acessório deve seguir a mesma sorte. Como descrito pela Câmara a quo: “Em procedimento para verificação do cumprimento de obrigações tributárias pela contribuinte acima qualificada foi apurada omissão de rendimentos obtidos na alienação da sua participação societária na empresa EXPRESSO SÃO PEDRO LTDA. GLEISA DE ALMEIDA STRAUSS (a contribuinte) e seu ex marido ANECIO MAFFINI (CPF 008.146.01049) eram titulares de 22,222% do capital da empresa EXPRESSO SÃO PEDRO LTDA. Por decisão judicial referente à separação do casal, cada cônjuge ficou com 50% destas quotas. Ambos alienaram suas participações societárias (de 11,111% cada), individualmente, mediante contratos firmados diretamente com a empresa DEREEKS PARTICIPAÇÕES LTDA, em datas e valores distintos. Conforme documento intitulado Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Participação Societária firmado em 11.10.2006, às fls. 35/40, a contribuinte alienou à empresa DEREEKS sua participação na EXPRESSO SÃO PEDRO, correspondente a 11,111% do capital social, pelo valor de R$ 826.000,00, a serem pagos ao longo de 2006 a 2008. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 9202007.809 CSRFT2 Fl. 412 3 Posteriormente, em 28.12.2006, ela firmou o Acordo Extrajudicial (fls. 50) com ANECIO MAFFINI acertando a cedência a ele das quotas na empresa e, em 29.12.2006, emitiu Notificação Extrajudicial (fls. 48/49), arquivada no Serviço Registral de Títulos e Documentos de Santa Maria – RS, pelo qual informou à empresa do acordo e da cedência das quotas. Evidentemente, na data da cedência, a contribuinte não tinha mais a propriedade da participação societária. O que se pode concluir é que o Termo de Acordo Extrajudicial e a Notificação Extrajudicial foram lavrados para acertos na formalização da composição societária da EXPRESSO SÃO PEDRO. Em 25.05.2007, a empresa DEREEKS transferiu as quotas adquiridas para DORENI ISAIAS CARAMORI. Os pagamentos foram efetuados pela DEREEKS à GLEISA, inicialmente em seu nome e posteriormente em nome de DORENI, no período de outubro/2006 a novembro/2008, nos valores acordados em 11.10.2006, sem que tenha sofrido qualquer alteração em decorrência do termo de cedência. Os valores recebidos por GLEISA estão demonstrados no Anexo I, às fls. 127. O presente processo trata do Auto de Infração, às fls. 139/171 com o correspondente relatório, no qual a fiscalização apurou a omissão dos rendimentos referentes ao ganho de capital na alienação da participação societária da contribuinte na EXPRESSO SÃO PEDRO, bem como dos rendimentos decorrentes da atualização das parcelas recebidas nos anoscalendário 2007 e 2008, em parte recebida de pessoa jurídica (DEREEKS) e em outra, recebida de pessoa física (DORENI) – esta sujeita ao carnêleão. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, efls. 339/347, requerendo a reforma do acórdão, alegando que à época em que o Contribuinte vendeu sua participação acionária, a isenção instituída pelo DecretoLei nº 1.510/1976 já havia sido revogada pelo art. 58 da Lei nº 7.713/1988. Apresenta como paradigma os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 9202004.507 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Fl. 413DF CARF MF 4 Acórdão n.º 2202003.962 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. A incorporação de participação societária constituise em uma forma de alienação de ações, caracterizandose pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e como contrapartida o recebimento de quotas da nova sociedade proporcionalmente ao valor subscrito. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM AÇÕES. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago. No caso de integralização de capital com ações, o custo de aquisição será o valor atribuído às ações utilizadas na integralização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Negado Conforme despacho de efls. 391/393, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Com relação a este paradigma, da mesma forma, constatase a similitude fática com o acórdão recorrido: ambos os julgados enfrentaram a questão do direito adquirido à isenção de que trata o art. 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, no caso de alienação de participação societária realizada após a revogação do referido dispositivo, porém se posicionam em sentido contrário quanto ao direito adquirido. O segundo paradigma, portanto, também demonstra a divergência de interpretação. Os paradigmas analisados constam do sítio do CARF na Internet e até o momento não foram reformados. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 9202007.809 CSRFT2 Fl. 413 5 Diante do exposto, com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria n.º 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, admitindo a rediscussão da interpretação do art. 4º, “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1.976, quanto ao direito adquirido à isenção prevista no referido dispositivo, no caso de alienação de participações societárias realizada após sua revogação, pela Lei nº 7.713, de 1988. Intimada, a Contribuinte não apresentou Contrarrazões É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos pela o seu conhecimento, conforme despacho de efls. 391/393. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria em discussão isenção de ganho de capital na alienação de participação societária decretolei n.º 1.510/76. Este tema já é de conhecimento do Colegiado, conforme os acórdãos 9202 007.514 e 9202007.541, proferidos na sessão de 31 de janeiro de 2019, ambos de relatoria da Ilma. Conselheira Ana Paula Fernandes. Aponto abaixo os fundamento do voto da Ilma Conselheira no acórdão nº 9202007.541: O Contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, cingese a discussão acerca do direito a não incidência do IRPF, se este já estava consagrado e fazia parte do patrimônio jurídico do contribuinte. E se a garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. O Contribuinte recorre do seguinte trecho do acórdão recorrido: Portanto, de acordo com a legislação vigente à época da alienação da participação societária, o ganho de capital sujeita se à tributação, sendo incabível a alegação de direito adquirido à isenção que foi expressamente revogada em legislação posterior. Fl. 415DF CARF MF 6 Em oportunidades anteriores inclusive, manifestei meu posicionamento contrário ao pleito do Contribuinte, por entender que embora injusto, as isenções tributárias possuem uma conotação temporal imediata, nos seguintes termos: No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: (...) Todavia, como muito bem ressaltado em julgamento recente neste colegiado, em voto da relatoria da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, proferida nos autos 10830.723738/201352, o Superior Tribunal de Justiça ao manifestarse sobre a matéria em sede de julgamento de repetitivo de controvérsia aponta entendimento diverso, totalmente favorável ao Contribuinte. Tal entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: (...) O Ato Declaratório em questão altera significativamente o deslinde da questão, agora em favor dos Contribuinte, no sentido de que este quando detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária Registrese que tal parecer quando assinado pelo Ministro de Estado vincula os Conselheiros deste colegiado, conforme RICARF, art. 62. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 9202007.809 CSRFT2 Fl. 414 7 Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Contribuinte para no mérito darhe provimento nos limites do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. Assim, diante do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 assinado pelo Ministro de Estado e conforme art 62 do RICARF, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e no mérito em negarlhe provimento nos limites do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000944/2003-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
Por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, a contagem do prazo qüinqüenal decadencial de que a Fazenda Nacional dispõe para constituição de créditos tributário deve ser efetuada, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, para os casos em que houve antecipação de pagamentos por conta das parcelas lançadas e exigidas; e, nos termos do inciso I do art. 173, desse mesmo Código, para os casos em que não houve antecipação.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/07/1998
DÉBITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO. COMPENSAÇÃO. DCTF. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo.
Numero da decisão: 9303-008.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional exigir as parcelas do crédito tributário correspondentes às competências de janeiro a maio de 1998 e manter a exigência correspondente à competência de julho de 1998, cabendo à autoridade administrativa competente apurar os indébitos do Finsocial e seu montante e convalidar a compensação do débito da Cofins lançada e exigida, para aquela competência, até o montante do limite do crédito financeiro do Finsocial disponível para repetição/compensação, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, a contagem do prazo qüinqüenal decadencial de que a Fazenda Nacional dispõe para constituição de créditos tributário deve ser efetuada, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, para os casos em que houve antecipação de pagamentos por conta das parcelas lançadas e exigidas; e, nos termos do inciso I do art. 173, desse mesmo Código, para os casos em que não houve antecipação. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/1998 DÉBITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO. COMPENSAÇÃO. DCTF. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10630.000944/2003-75
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001638
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.227
nome_arquivo_s : Decisao_10630000944200375.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10630000944200375_6001638.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional exigir as parcelas do crédito tributário correspondentes às competências de janeiro a maio de 1998 e manter a exigência correspondente à competência de julho de 1998, cabendo à autoridade administrativa competente apurar os indébitos do Finsocial e seu montante e convalidar a compensação do débito da Cofins lançada e exigida, para aquela competência, até o montante do limite do crédito financeiro do Finsocial disponível para repetição/compensação, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7724646
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906837839872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 273 1 272 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10630.000944/200375 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.227 – 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria COFINS AI Recorrente GUANAUPE GUANHAES AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, a contagem do prazo qüinqüenal decadencial de que a Fazenda Nacional dispõe para constituição de créditos tributário deve ser efetuada, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, para os casos em que houve antecipação de pagamentos por conta das parcelas lançadas e exigidas; e, nos termos do inciso I do art. 173, desse mesmo Código, para os casos em que não houve antecipação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/1998 DÉBITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO. COMPENSAÇÃO. DCTF. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 09 44 /2 00 3- 75 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10630.000944/200375 Acórdão n.º 9303008.227 CSRFT3 Fl. 274 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional exigir as parcelas do crédito tributário correspondentes às competências de janeiro a maio de 1998 e manter a exigência correspondente à competência de julho de 1998, cabendo à autoridade administrativa competente apurar os indébitos do Finsocial e seu montante e convalidar a compensação do débito da Cofins lançada e exigida, para aquela competência, até o montante do limite do crédito financeiro do Finsocial disponível para repetição/compensação, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 380100.386, de 28/04/2010, proferido pela Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Terceira Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, afastando a decadência defendida pelo contribuinte e não reconhecendo o seu direito à compensação de crédito financeiro em discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva ação, nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 Ementa: IMPOSSÍVEL A COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE PROCESSO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO NAQUELE FEITO. Não havendo noticias do transito em julgado de processo mencionado nos autos, concluise que o tributo ainda não foi pago, procedendo o lançamento que tratase de atividade vinculada.” Intimado desse acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto à decadência e ao direito à compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional em discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão. Em relação às competências de 31/01/1998 a 31/05/1998, alegou a decadência do direito de a Fazenda Nacional exigir o correspondente crédito tributário, defendendo a contagem do quinquênio, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; quanto à competência de julho de 1998, não atingida pela decadência, alegou que efetuou sua compensação com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior do Finsocial; alegou ainda que o disposto no art. 170A do CTN, que veda a compensação de crédito financeiro em discussão judicial, não se Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10630.000944/200375 Acórdão n.º 9303008.227 CSRFT3 Fl. 275 3 aplica ao seu caso, pelo fato de esse dispositivo ter sido inserido no ordenamento jurídico somente em 2001, por meio da LC nº 104/2001. Por meio do despacho às fls. 253e/255e, o Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade, Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão recorrida pelos seus fundamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso apresentado pelo contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Inicialmente cabe esclarecer que o lançamento em discussão decorreu do não reconhecimento da compensação dos débitos da Cofins, com créditos financeiros de Finsocial, objetos de discussão judicial pendente de trânsito em julgado, realizada pelo contribuinte e declarada nas respectivas DCTF. Assim, as alegações do contribuinte, quanto ao seu direito de compensar indébitos do PIS decorrentes de pagamentos a maior dessa mesma contribuição, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, com os débitos da Cofins, objetos do lançamento em discussão, expendidas em seu recurso voluntário, não serão enfrentadas por se tratar de matérias estranha à lide. A decadência do direito de se constituir créditos tributários está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10630.000944/200375 Acórdão n.º 9303008.227 CSRFT3 Fl. 276 4 de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. Consoante os dispositivos citados e transcritos acima, para os casos em que há antecipação de pagamento, por conta das parcelas da contribuição (tributo) devida, a contagem do prazo quinquenal decadencial deve ser efetuada nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da data do respectivo fato gerador; já para os casos em que o contribuinte não efetua quaisquer antecipações, a contagem deve ser efetuada nos termos do art. 173, inciso I, desse mesmo Código, ou seja, seja a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, para as competências de janeiro a maio de 1998, o contribuinte antecipou pagamentos por contas das parcelas devidas, conforme provam as cópias dos DARF às fls. 32e/36e. Assim, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 973.733/SC, a contagem do prazo quinquenal decadencial deve ser feita nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Levandose em conta as antecipações de pagamentos, na data de constituição do crédito tributário, em 09/07/2003, o direito de a Fazenda Nacional exigir as parcelas lançadas para as competências de janeiro a maio de 1998 já havia decaído. O prazo limite para a competência mais recente referente a esse período, maio de 1998, expirou em 31/05/2003, contudo, conforme já demonstrado, o crédito foi constituído em 09/07/2003. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10630.000944/200375 Acórdão n.º 9303008.227 CSRFT3 Fl. 277 5 Quanto à parcela remanescente, fato gerador ocorrido em 31/07/1998, não atingida pela decadência, a vedação de sua compensação com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de ação judicial não transitada em julgado, não se aplica ao presente caso, conforme já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.164.452/MG, em 25/08/2010, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (grifouse) Assim, por força do disposto no art. 62A do RICARF, deve ser adotada para o presente caso, a mesma decisão do STJ, no julgamento daquele recurso especial, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o débito tributário vencido, correspondente à Cofins lançada e exigida para a competência de julho de 1998, declarado na DCTF, com créditos financeiros decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior do Finsocial, objetos de discussão judicial. Como, em momento algum dos autos, foi demonstrada a certeza e liquidez dos créditos (indébitos do Finsocial) financeiros utilizados na compensação, a Autoridade Administrativa deverá apurar os valores mensais e seu montante, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive, com relação à atualização monetária, verificar o valor disponível para repetição/compensação e convalidar a compensação do débito lançado e exigido para a competência de julho de 1998. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recursos especial do contribuinte, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional exigir as parcelas do crédito tributário correspondentes às competências de janeiro a maio de 1998 e manter a exigência correspondente à competência de julho de 1998, cabendo à autoridade administrativa competente apurar os indébitos do Finsocial e seu montante e convalidar a Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10630.000944/200375 Acórdão n.º 9303008.227 CSRFT3 Fl. 278 6 compensação do débito da Cofins lançada e exigida, para aquela competência, até o montante do limite do crédito financeiro do Finsocial disponível para repetição/compensação. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900008/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.900008/2014-90
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6005507
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.815
nome_arquivo_s : Decisao_16682900008201490.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 16682900008201490_6005507.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7736554
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906840985600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 143 1 142 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900008/201490 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.815 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente INTERLIG TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 08 /2 01 4- 90 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16682.900008/201490 Acórdão n.º 3302006.815 S3C3T2 Fl. 144 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER) nº 12712.55392.060813.1.2.046751, transmitido em 06/08/2013 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS, código de receita nº 8109, no valor de R$ 30.464,66, referente ao período de apuração 03/2013, recolhida em 25/04/2013. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ), o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese: • O pagamento a maior ora pleiteado decorre da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante; • Caso tivesse ocorrido a regular intimação da Manifestante para apresentação de documentos comprobatórios de seu crédito, oriundo de pagamento indevido ou a maior de PIS, teria sido aquela prontamente atendida, inclusive com a apresentação dos documentos pertinentes ao direito creditório; • (...) requer o reconhecimento da nulidade do despacho decisório, em virtude da afronta à regra do art. 76 da IN RFB n° 1.300/2012, preceito ao qual a autoridade administrativa está plenamente vinculada; • (...) revendo a sua apuração do PIS cumulativo do mês de março de 2013, a Manifestante verificou que inclui, equivocadamente, na base de cálculo da contribuição ingressos na monta de R$ 4.574.496,75 que não representam receita da sociedade (planilha de reapuração anexa doc. 05), gerando o recolhimento indevido daquele tributo no valor de R$.29.734,00. Houve, ainda, um pagamento a maior da ordem de R$ 730,43, oriundo de retenção na fonte, o qual somado ao valor de R$ 29.734,00, geraram o crédito de R$ 30.464,66, ora pleiteado; • (...) tendo procedido regulamente a quitação dos valores indevidamente apurados, inconteste a existência de pagamento indevido ou a maior a ensejar o presente pedido de restituição; Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16682.900008/201490 Acórdão n.º 3302006.815 S3C3T2 Fl. 145 3 • A Lei n° 9.472/97 (Lei Geral das Telecomunicações – LGT) define no art. 146, § único que "Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicarse com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis”. • Sustenta, que os valores correspondentes aos montantes repassados pela Manifestante às demais operadoras a título de tarifa de interconexão, pela prestação de serviços que essas operadoras exerceram em suas áreas de concessão, não pode ser configurado como receita da Manifestante. Seriam valores transitórios, que não incrementam o patrimônio da empresa. • Pugna ainda, pela realização de diligência ou perícia, nos termos do inciso IV, do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72, caso restem dúvidas sobre seu direito creditório. A 17ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1288.960, de 04 de julho de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2013 DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do despacho decisório quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que embasaram a decisão, em conformidade com a legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, sendo cabível apenas a apreciação pelo Órgão de julgamento administrativo de matéria distinta daquela constante do processo judicial. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16682.900008/201490 Acórdão n.º 3302006.815 S3C3T2 Fl. 146 4 valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16682.900008/201490 Acórdão n.º 3302006.815 S3C3T2 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 0024185 79.2013.4.02.5101, assim decidiu: Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16682.900008/201490 Acórdão n.º 3302006.815 S3C3T2 Fl. 148 6 Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 0024185 79.2013.4.02.5101 ou não Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16682.900008/201490 Acórdão n.º 3302006.815 S3C3T2 Fl. 149 7 Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722524/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/01/2011
MULTA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS.
Tendo sido constatado que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária, impõe-se a aplicação da multa prevista §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03.
MULTA QUALIFICADA
Deve-se manter a qualificada da multa em 150%, quando restar demonstrado que o Contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de excluir ou modificar as suas características.
Numero da decisão: 1302-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/01/2011 MULTA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Tendo sido constatado que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária, impõe-se a aplicação da multa prevista §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03. MULTA QUALIFICADA Deve-se manter a qualificada da multa em 150%, quando restar demonstrado que o Contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de excluir ou modificar as suas características.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.722524/2011-02
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004642
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.496
nome_arquivo_s : Decisao_11020722524201102.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 11020722524201102_6004642.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7735282
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907068526592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 224 1 223 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.722524/201102 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.496 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria MULTA COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS Recorrente CHOCOLATE CASEIRO MERCOSUL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/01/2011 MULTA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Tendo sido constatado que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária, impõese a aplicação da multa prevista §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03. MULTA QUALIFICADA Devese manter a qualificada da multa em 150%, quando restar demonstrado que o Contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de excluir ou modificar as suas características. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 25 24 /2 01 1- 02 Fl. 224DF CARF MF 2 Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo tratase de Auto de Infração (fls. 02 e seguintes) lavrado em face do contribuinte Chocolate Caseiro Mercosul Ltda., ora Recorrente, em que foi aplicada multa isolada, nos termos do §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03, tendo em vista a constatação de que o contribuinte apresentou pedido de compensações administrativas que foram consideradas não declaradas pela administração tributária, nos termos §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. O despacho que considerou como não declaradas as compensações apresentadas pelo Recorrente foi proferido no bojo do processo administrativo de nº 11020.720161/201162, que não é objeto da presente discussão. Ademais, como se verifica do Relatório Fiscal de fls. 09 e seguintes dos autos, o percentual da multa isolada aplicada foi duplicado, uma vez que a fiscalização apontou o dolo do contribuinte, que, mesmo havendo expressa vedação na legislação, apontou, nos pedidos de compensação, créditos de terceiro e Títulos da Dívida Agrária para quitação de débitos próprios. Para justificar a qualificação da multa, a fiscalização demonstrou que, antes do envio do pedido de compensação, que deu origem à multa ora em análise, já haviam sido proferidos despachos decisórios considerando como não declaradas compensações anteriormente apresentadas pelo Recorrente. Nestas compensações foram utilizados créditos da mesma natureza dos que foram indicados no processo administrativo de nº 11020.720161/201162. Vejase trecho daquele Relatório Fiscal neste sentido: Ao apresentarse como possuidora de crédito oponível a débitos tributários, a interessada buscou impedir (ou retardar) que a autoridade fazendária tivesse conhecimento de sua real condição de devedora, já que os créditos alegados tinham sua utilização vedada para efeitos de compensação tributária. À época do protocolo do processo nº 11020.720161/201162 ( em 19/01/2011), já era de pleno conhecimento do contribuinte de que não era possível a utilização de crédito de terceiros ou título público na compensação de tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Tal afirmação é corroborada pelo fato de que os pedidos de compensação semelhantes ao presente protocolizados nos processos nº 11020.720799/201012, 11020.720800/201017 e 11020.720978/201050 também foram considerados como não declaradas, e ainda foram objeto de multa isolada no processo nº 11020.720485/201109. A data da ciência dos despachos decisórios dos referidos processos é anterior à data do protocolo do processo nº 11020.720161/201162, ou seja, o contribuinte insiste em tentar utilizarse de crédito de terceiros e/ou título público. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11020.722524/201102 Acórdão n.º 1302003.496 S1C3T2 Fl. 225 3 Assim, entendeuse que a conduta reiterada do contribuinte, ao insistir na apresentação de pedidos de compensação, sem qualquer amparo na legislação, seria motivo para qualificação da multa, uma vez que a conduta praticada se enquadraria no que dispõe artigo 71, I, da Lei nº 4.502/64. Devidamente intimado dos termos da autuação lavrada, o Recorrente apresentou Impugnação Administrativa, cujos argumentos foram assim sintetizados pelo acórdão proferido pela DRJ de Porto Alegre (RS): Esclarece que tendo apresentado a impugnação, os débitos discutidos estão com a sua exigibilidade suspensa, não podendo a Receita Federal promover a inscrição em dívida ativa e que o sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Argumenta que a aplicação da multa isolada é incabível. No caso, verificase que o pedido sequer foi elaborado eletronicamente, sendo a aplicação da multa isolada medida extrema, visto que em caso de discordância desse órgão em relação ao pedido, bastaria, apenas, a não homologação ou o indeferimento do pedido e não a aplicação de multa em patamar elevado. Transcreve o art. 34, e parágrafos da Instrução Normativa nº 900, de 2008. Entende que a multa aplicada é inconstitucional e tem efeito confiscatório. O estabelecimento de multas fiscais não pode induzir a violação ao princípio do não confisco, Segundo o Contribuinte, a multa por atraso não pode ser superior a 20%. Cita decisões do Superior Tribunal Federal e do Supremo Tribunal Federal. Destaca que a multa tem efeito confiscatório guardando, estreita relação com o princípio da capacidade contributiva e da proporcionalidade, porquanto sua imposição em patamares elevados e irracionais gera impossibilidade ou grande dificuldade de desembolso pecuniário por parte do Contribuinte, afetando ainda a proporcionalidade que deve permear toda a atuação fazendária. Esclarece que a doutrina e a jurisprudência fixaram entendimento no sentido de que ato não definitivamente julgado é aquele que se encontra pendente de decisão definitiva na esfera administrativa ou na esfera judicial. Assim, é de se concluir que aplicase para os casos de débitos fiscais discutidos em sede de ação ordinária, bem como em sede de embargos à execução. No caso, continua o Contribuinte, a Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu novo percentual da multa, mas benéfico para as multas decorrentes do não recolhimento dos tributos no prazo legal. A jurisprudência é no sentido de que a multa pela mora no pagamento de tributo, mesmo com relação a fatos ocorridos antes do advento da Lei nº 9.430, de 1996, seja reduzida para o Fl. 226DF CARF MF 4 percentual de 20%, tendo em vista o que dispõe o art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Concluiu que a multa em percentual superior a 20% é confiscatória, ferindo o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Entende que para que fosse aplicada a referida multa, deveria ter formalizado a compensação no Pedido de Compensação, onde seria informado o código do tributo/compensação, a competência, o vencimento e o valor. Porém, o que ocorreu foi um simples pedido administrativo de compensação, de maneira informal, não em PER/DCOMP como a legislação exige, sendo inaplicável a aplicação da multa isolada para esse caso. Destaca que o Poder Judiciário tem afastado a concomitância da multa isolada com multa punitiva, aplicadas sobre o mesmo fato e sobre a mesma base de cálculo, por considerar a ocorrência de dupla penalização. Finalizando, requer o afastamento da multa isolada. Em análise ao apelo do Recorrente, a DRJ de Porto Alegre entendeu por bem negar provimento à Impugnação Administrativa, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/01/2011 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE Cabível a aplicação da multa isolada prevista no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, quando for considerada não declaradas as compensações efetuadas pelo sujeito passivo, em razão da pretensão de utilização de crédito vedado pela legislação tributária (título público). MULTA QUALIFICADA DE 150% Justificase a aplicação da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o Contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com decisão proferida, ao ser intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, endereçado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11020.722524/201102 Acórdão n.º 1302003.496 S1C3T2 Fl. 226 5 Em seu longo arrazoado, o contribuinte, basicamente, repisa os argumentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa, alegando, em sínteses, o caráter confiscatório da multa, a necessidade de aplicação de multa menos gravosa, que supostamente foi instituída pelo artigo 61, § 2º da Lei nº 9.430/96 e a impossibilidade de concomitância da multa isolada com a multa punitiva. Ao dar entrada no CARF, inicialmente os autos foram distribuídos para julgamento na 2ª Seção deste Conselho. Contudo, como se depreende da decisão de fl. 201 e seguintes, foi reconhecida a competência, in casu, da 1ª Seção de Julgamento para apreciar o feito, tendo em vista a matéria em debate. Assim, posteriormente, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 06/10/2011 (AR de fls. 174), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2011 (comprovante às fl. 193), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA CORRETA APLICAÇÃO DA MULTA APLICADA. Como demonstrado no relatório alhures, a presente autuação versa sobre aplicação de multa isolada, nos termos do §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03, tendo em vista a constatação de que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária. Primeiramente, importante ressaltar que, em que pese constar no Recurso Voluntário dois pedidos expressos do contribuinte para que seja (i) "concedido e reconhecido o direito líquido e certo da contribuinte de compensar a importância reconhecida indevidamente" e (ii) "bem como ainda, seja reconhecido o direito creditório da mesma e para que seja homologada a compensação objeto do presente", não se está discutindo aqui, nestes autos, as compensações que foram consideradas como não declaradas pela fiscalização. A decisão neste sentido encontrase nos autos do processo administrativo de nº 11020.720161/201162. Fl. 228DF CARF MF 6 Ainda, a este julgador soa estranho tais pedidos, uma vez que, como se depreender das razões recursais apresentadas, em nenhum momento o Recorrente defende o seu direito creditório e o motivo pelo qual as compensações não poderiam ser consideradas como não declaradas. Assim, afastase, de pronto, os pedidos indevidamente formulados na peça recursal. E no que tange ao mérito do Recurso Voluntário, não assiste razão ao Recorrente. Não se pode dar guarida aos argumentos lançados no apelo do Recorrente, no sentido de que a multa aplicada seria inconstitucional, por ter um caráter confiscatório. Como sabido, existe um limite nos julgamentos no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que é justamente a legislação em vigor. Não é permitido ao órgão administrativo, que é vinculado ao Poder Executivo, declarar a inconstitucionalidade de lei válida e vigente no ordenamento jurídico pátrio. Este papel é do Poder Judiciário. Neste sentido, a redação da Súmula CARF nº 02 não deixa dúvidas em suas interpretação, quando diz que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Portanto, não se rebaterá, aqui, todos os argumentos do Recorrente, que insiste pela desproporção da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade, por ser supostamente confiscatória. Por outro lado, também não assiste razão ao Recorrente, quando argumenta pela necessidade de aplicação de penalidade menos gravosa, uma vez que, a princípio, posteriormente aos fatos analisados, o legislador teria instituído penalidade, cujo percentual seria menor ao que foi aplicado pela fiscalização no Auto de Infração combatido. Com toda vênia e respeito ao contribuinte, parece que este não entendeu a motivação da aplicação da multa e o enquadramento legal desta, que foi, insistase, corretamente aplicada pela fiscalização e nos termos fixados pela legislação em vigor. Como se depreende do relatório fiscal, a multa em discussão está prevista no §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03 e só foi aplicada porque verificouse que compensações apresentadas pelo contribuinte foram consideradas como não declaradas pela fiscalização. Tratase de uma multa isolada, que visa, justamente, repelir a prática de condutas danosas à administração tributária. Em seu apelo, ao pedir a aplicação do instituto da retroatividade benigna, o Recorrente pede a aplicação da multa pela mora no atraso do adimplemento das obrigações tributárias, que está prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, sendo que o parágrafo 2º deste dispositivo legal limita em 20% o percentual da penalidade. Ora, não se discute, no presente processo, a mora no atraso das obrigações tributárias e, sim, reiterese, a conduta do contribuinte que apresentou pedidos de compensações, que foram considerados não declarados. Por este motivo, houve a aplicação da penalidade. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11020.722524/201102 Acórdão n.º 1302003.496 S1C3T2 Fl. 227 7 A retroatividade benigna só seria aplicável, caso o legislador, posteriormente aos fatos geradores, tivesse instituído penalidade menos gravosa para a conduta praticada pelo contribuinte, o que não é o caso dos presentes autos. Por fim, também como se depreende do relatório acima, houve a qualificação da multa. A fiscalização entendeu que a conduta reiterada do contribuinte em apresentar pedidos de compensação sabidamente indevidos, caracterizaria o dolo, uma vez que esse "buscou impedir (ou retardar) que a autoridade fazendária tivesse conhecimento de sua real condição de devedora, já que os créditos alegados tinham sua utilização vedada para efeitos de compensação tributária". No Recurso Voluntário apresentado, contudo, o Recorrente não traz qualquer defesa quanto a esta acusação da fiscalização, limitandose a discorrer apenas sobre o caráter confiscatório da penalidade e da necessidade de aplicação de multa menos gravosa. Assim, por o Recorrente não ter demonstrado que a acusação fiscal estaria equivocada e sendo esta acusação factível, na medida em que demonstrou que, antes do envio das compensações consideradas não declaradas e que deram origem à multa ora em análise, o contribuinte já havia recebido despachos decisórios em que foi constatada a impossibilidade de utilização dos créditos indicados nos pedidos de compensação, devese manter o percentual qualificado da multa, que, reiterese, se deu de acordo com a legislação em vigor. Neste sentido, são precisas as considerações do acórdão recorrido, in verbis: A multa foi qualificada (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007) de 150%, deve ser mantida, eis que o Contribuinte ao utilizouse de um pretenso crédito que era vedado pela legislação tributária para a compensação de débitos tributários. Com esse procedimento, o Contribuinte impediu ou retardou que a autoridade fazendária tivesse conhecimento de sua real condição de devedora de débitos tributários. Tinha pleno conhecimento de que não era possível a utilização de título público na compensação de tributos ou contribuições administrados pela RFB, pois em pedidos semelhantes (processos 11020.720485/201012, 11020.720800/201017 e 11020.720161/201050), também as compensações foram consideradas não declaradas. Ficou demonstrada que a conduta praticada pelo Contribuinte teve o intuito consciente de não pagar tributos, existindo a vontade de praticar uma ação dolosa, que foi de forma reiterada, se enquadrando como sonegação (art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964). Assim, por todo exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a aplicação da multa isolada qualificada, pela apresentação de compensações que foram consideradas como não declaradas pela fiscalização. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 230DF CARF MF 8 Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.906461/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE.
O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste.
REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão-somente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.906461/2012-18
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004731
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.300
nome_arquivo_s : Decisao_10580906461201218.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10580906461201218_6004731.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão-somente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7735800
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907376807936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.906461/201218 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.300 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria PER/DComp; IRPJ Recorrente CENTENÁRIO TINTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 64 61 /2 01 2- 18 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de Declaração de Compensação, por meio da qual o contribuinte pretende compensar pagamento indevido ou a maior de Simples (código de receita 6106) com débitos vencidos ou vincendos. A DComp que declara a compensação foi apresentada em 2010. Segundo as informações prestadas nessa declaração, o pagamento a maior ou indevido teria ocorrido em 2004 e o PER/DComp formalizando o crédito do contribuinte perante a Fazenda Nacional teria sido apresentado tempestivamente em 2005. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação porque, na data da transmissão da DComp já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação e a data da transmissão. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, em síntese, alega que (i) apresentou tempestivamente o PER/DComp por meio do qual formalizou o crédito e compensou parcialmente com débitos; (ii) como o saldo não lhe foi restituído, teria direito a usálo, ainda que em 2010; (iii) ainda que não se homologue a compensação, há de se reconhecer a prescrição dos débitos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Em seu entendimento, não é possível homologar compensações efetuadas após extinto o direito de pleitear a restituição do pagamento indevido ou a maior, nos termos do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional. Em relação à alegação do contribuinte de que teria transmitido PER/DComp formalizando o crédito dentro do prazo prescricional, a DRJ argumentou que o primeiro PER/DComp transmitido pelo contribuinte não tinha natureza de "Pedido de Compensação", mas de "Declaração de Compensação". Assim, o crédito agora sob exame somente teria sido objeto de Pedido de Restituição em 2010. Quanto ao pedido do contribuinte para que se reconheça a prescrição dos débitos indevidamente compensados, a DRJ argumentou que a apresentação de DCTF em 2008 constituiu os créditos tributários. E a apresentação da DComp, ora submetida ao contencioso fiscal no rito do Decreto nº 70.235/72, suspenderia o prazo prescricional. Inconformado com o indeferimento de seus pedidos, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reitera as razões da Manifestação de Inconformidade. Resumidamente, era o que havia a relatar. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.293, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10580.906454/2012 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.293): À partida, neste voto, é preciso delinear a questão à qual cinge se o presente feito. Está sob análise tãosomente a homologação da compensação declarada pelo contribuinte em 2010. Não integra a presente lide o exame da liquidez e certeza do crédito formalizado no PER/DComp apresentado pelo contribuinte em 2005. E, no que diz respeito à compensação declarada, tenho que a decisão a quo deve ser reformada, conforme passo a expor. Inicialmente, impende destacar que o Despacho Decisório da DRF baseou a decisão de não homologar a declaração de compensação exclusivamente na extinção do direito a utilizar o crédito em função do exaurimento do prazo prescricional quinquenal. A DRF não trouxe nenhuma análise de que não houvesse o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido. Destarte, o ponto central a ser analisado é se, em 2010, havia sido extinto o direito do contribuinte de efetuar a compensação de débitos com o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido em 2004 e formalizado em 2005. O direito à repetição de indébito, no caso de pagamento indevido ou a maior, é previsto no artigo 165 do CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 5 4 na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O exercício do direito à repetição do indébito tem limitação temporal determinada pelo artigo 168 do CTN nos seguintes termos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Para fins de contagem do prazo quinquenal, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 determinou que, no caso de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, o termo a quo das hipóteses previstas no artigo 168, I, do CTN seria o momento do pagamento antecipado. A mudança do critério jurídico por meio da LC nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 6 5 verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso em tela, o PER com a formalização do crédito foi transmitido em 2005 e, portanto, era tempestivo, de acordo com a norma aplicável. É mister destacar, no entanto, que o prazo do artigo 168 do CTN referese ao Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso (PER). Não se deve confundir com a Declaração de Compensação (DComp). Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 7 6 A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme artigo 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; O prazo quiquenal de que trata o artigo 168 do CTN não se refere à compensação. Mas, é preciso que o PER tenha sido formalizado antes desse prazo. Essa é a inteligência do artigo 34, § 10, da IN RFB nº 900/2008, que era vigente no momento em que foi transmitida a DComp ora sob análise: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Então, no momento da transmissão da DComp, 2010, não havia sido extinto o direito de utilizar o crédito formalizado tempestivamente (2005) para efetuar a compensação pleiteada. Mas, há que se observar a parte final do dispositivo, que requer a observação das condições postas no parágrafo 5º do mesmo dispositivo. O parágrafo 5º mencionado diz: § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Como dito anteriormente, o crédito que foi formalizado no PER original (transmitido em 2005) não se encontra sob exame neste Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 8 7 feito. Mas, a homologação da compensação somente pode darse no limite das forças do crédito reconhecido naquele PER. A DRJ menciona que o crédito utilizado na DComp em comento não foi formalizado no PER transmitido em 2005. Mas, não há nenhum elemento probatório nos autos que permita chegar a essa conclusão. Ademais, descaberia o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito formalizado em 2005 pelas autoridades julgadores, como se pode depreender da lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) De outra banda, é possível à autoridade administrativa na Delegacia da Receita Federal do Brasil efetuar a revisão de Despacho Decisório que não tenha homologado a compensação declarada, nos termos do nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Nestes termos, afastada a incidência da prescrição, que foi o motivo alegado pela autoridade administrativa no Despacho Decisório que não homologou a compensação, a DRF pode Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.906461/201218 Acórdão n.º 1401003.300 S1C4T1 Fl. 9 8 proceder à revisão deste Despacho e homologar a compensação, no limite das forças do crédito formalizado tempestivamente. Conclusão. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
