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Numero do processo: 13975.000212/2005-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO.
Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda,
de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para
processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não
merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO.
É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras
decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o
Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de
financiamento, não sendo possível tal aproveitamento.
Numero da decisão: 3201-000.676
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido
o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO. Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 680 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 538 a 564 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$89.777,56, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado • de Segurança n° 2006.72.05.0047318/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A partir de uma amostragem das notas fiscais de exportação, procedeuse à verificação da efetividade das exportações nos sistemas internos da RFB, tendo sido possível comprovar, por meio do confronto do Demonstrativo de Despachos de Exportação (fl. 46) com suas respectivas notas fiscais, a exportação das mercadorias informadas nas notas fiscais amostradas; d) Foi selecionada para verificação uma amostragem das notas fiscais de aquisições. Da verificação foram constatadas divergências entre os valores informados no DACON e os Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 681 3 valores informados pela interessada na documentação apresentada; e) A requerente incluiu na formação da base de cálculo dos créditos de PIS, aquisições de filtros de combustíveis, fluido de freio, discos para tacógrafos, entre outros (fl. 427 e 445). O art. 3°, II da lei 10.637/2002 estabelece que combustíveis e lubrificantes, quando enquadrados no conceito de insumo, dão direito a crédito de PIS. Não há previsão para a extensão deste critério para os itens citados, motivo pelo qual foram glosados os valores; f) As notas fiscais do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda, CNPJ 92.639.954/000167 foram emitidas com o CFOP 6.501 (remessa com fim específico de exportação) e escrituradas pela requerente com o CFOP 2.101 (compras para industrialização); g) A venda com fim específico de exportação só se' efetiva quando a mercadoria vai diretamente do estabelecimento do produtorvendedor para embarque ao exterior ou para depósito em entreposto, o que não se aplica ao caso em tela. Ocorreu a incorporação desse insumo (vidro) ao produto final; h) A aquisição desse insumo se deu sem a devida tributação quando da saída do estabelecimento fornecedor. A concessão de créditos sobre tais aquisições implicaria na inobservância ao princípio da nãocumulatividade; i) De acordo com os arts. 5°, III e 3°, § 2° da Lei 10.637/2002, as aquisições de • mercadorias com fim específico de exportação não geram direito a créditos de PIS. Foram glosadas as aquisições do referido fornecedor, conforme notas fiscais anexas às fls. 313, 394, 401, 432 e 515 a 524; j) O contribuinte não excluiu da base de cálculo dos créditos, a totalidade das devoluções de bens que seriam utilizados como insumos. A diferença apurada no valor de R$201,12 foi deduzida da base de cálculo; k) A grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) de CFOP 1.352 padecem dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente. Dentre as irregularidades destacamse as relativas à emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte; 1) Constatouse que o problema ocorreu exclusivamente com os transportes locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente e as deficiências inviabilizam a aferição da idoneidade dos documentos emitidos; m) Na memória de cálculo para os créditos referentes a serviços utilizados como insumos, a requerente incluiu, dentre outros, os CFOP 1.949 e 2.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 682 4 de serviço não especificada). Por se referirem a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens ou serviços utilizados como insumo, razão pela qual se efetuou a glosa dessas quantias; n) Constatouse da conferência das faturas de energia elétrica a inclusão no cômputo do crédito para o PIS, de valor referente à doação ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de multa, juros de mora e correção monetária decorrentes de pagamento extemporâneo. A previsão legal de desconto de créditos calculados em relação à energia elétrica não contempla tais valores, motivo pelo qual foram glosados; o) Intimada a comprovar os valores informados na linha seis (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas) da ficha quatro do DACON, a requerente apresentou cópia de contrato de locação de um caminhão e duas carrocerias reboques, de propriedade da controladora Rohden Artefatos de Madeiras Ltda e o Razão contábil que registra tal operação. Em relação aos comprovantes do efetivo pagamento, informou que a operação estava coberta por contrato de mútuo. A inclusão desta despesa evidencia um equívoco por parte da requerente, pois a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) utiliza capítulos distintos para classificar máquinas e veículos. Assim, foram glosados tais valores; p) Intimada a demonstrar a memória de cálculo dos valores informados na linha sete da ficha quatro do DACON, a interessada apresentou as contas contábeis "Fretes de exportação" — 4.236 e "Serviços de Armazenagem" — 4.271. Em relação às despesas com transporte, repetiuse a deficiência na formalização dos CTRC de CFOP 1.352 — nos mesmos termos dos fretes relativos à aquisição de insumos transcrito no item "Despesas com transporte rodoviário de cargas" do Despacho decisório. Foram aceitos os CTRC do fornecedor Transportes Victorazzi LTDA, por preencherem os requisitos legais vigentes; q) Em relação às despesas de armazenagem, a requerente incluiu na base de cálculo dos créditos as despesa com armazenagem na importação. Tais despesas, contudo, estão limitadas àquelas relacionadas com as operações de vendas, razão pela qual foi excluído no mês de novembro o montante de R$ 7.773,37; r) A conferência por amostragem das notas fiscais e dos documentos apresentados pela interessada foi o ponto de partida para a elaboração da planilha do Anexo I do despacho. O crédito de mercado interno do trimestre, bem como o remanescente do trimestre anterior foi integralmente utilizado para descontar os débitos do período, razão pela qual o saldo inicial do período subseqüente será igual a zero. Foi apurado crédito disponível para compensação ou ressarcimento no valor de R$ 89.777,56 a título de mercado externo. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 683 5 Cientificada da decisão em 12/11/2007 (fl. 574), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2007 (fls. 575 a 583), alegando, em síntese que a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Caso a intenção fosse a venda com a suspensão do PIS e da C0FlNS, na época das aquisições mesmo havendo autorização da suspensão do PIS e da COFINS pela Lei 10.865/04, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com a referida suspensão somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; O Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 684 6 manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 30, II, da Lei 10.637/02; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; k) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em "vícios formais" a ensejar a glosa. O que pode ter ocorrido, quando muito, foram meras irregularidades, conforme já explanado, que em nada prejudicou o fisco federal, porquanto não houve omissão dos valores referentes aos fretes; 1) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; m) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. PIS NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 685 7 Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 686 8 cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 687 9 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente Fl. 8DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 688 10 para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 689 11 Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade Fl. 10DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 690 12 ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida somente de dois pontos da decisão recorrida, a saber: (1) combustíveis utilizados no transporte da madeira das plantações mantidas pela recorrente para seus estabelecimentos e (2) as despesas financeiras decorrentes de Contratos de Câmbio de Compra. Não há previsão legal para o aproveitamento de crédito dos combustíveis no transporte feito da madeira para o estabelecimento da recorrente, nem houve prova nos autos da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; nem da essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, portanto, não há possibilidade de dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. No que se refere à despesa financeira, verificase que se trata de juros pagos ACC/ACE, ou seja, juros relativos a Contrato de Câmbio, que um contrato firmado entre uma instituição financeira autorizada a operar no mercado de câmbio e a recorrente, constituindo uma operação de compra e venda de moeda estrangeira. Originalmente, a Lei n° 10.637, de 2002 (oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002), em seu art. 3°, inciso V, assim dispunha: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); E, em 30 de maio de 2003, a Lei n° 10.684, alterou o texto normativo acima transcrito: V — despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Fl. 11DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000212/200534 Acórdão n.º 3201000.676 S3C2T1 Fl. 691 13 Tendo, a Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, novamente alterado o inciso V do artigo 3° da Lei 10.637/2002, que somente passou a vigorar, a partir de 1° de agosto de 2004, verbis: V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Assim, também não como prover o recurso neste particular, logo, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 12DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN
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Numero do processo: 16682.720819/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO.
Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-000.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice-Presidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 referese à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (VicePresidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1242.542 exarado pela 9ª Turma da DRJ1 no Rio de Janeiro – RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 19 /2 01 1- 66 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 303 e ss.): Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica Telemar Norte Leste S/A, para dela exigir: a) contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), no valor de R$ 12.347.348,56, acrescida da multa de ofício de 75% e dos juros de mora; e b) multa isolada no valor de R$ 6.173.674,32 (fls. 206/215). No termo de verificação fiscal de fls. 197/205, a autoridade lançadora justifica o seu trabalho da seguinte forma, in verbis: (...) Conforme registrado acima, o contribuinte foi intimado a informar a razão da não adição na apuração da base de cálculo da CSLL, A/C 2007, do valor adicionado na apuração do Lucro Real, A/C 2007, a título de "Amortização de Ágio nas Aquisições de investimentos Avaliados pelo P L" , informado na linha 11, Ficha 09A, da DIPJ2008, no montante de R$ 137.192.761,82. Este valor é referente às seguintes transações: a) Ágio decorrente da aquisição da empresa Pégasus Telecom S/A Em 27 de dezembro de 2002, a empresa Telemar adquiriu 93,27% das ações da empresa Pégasus Telecom, sendo que no decorrer do 1º Trimestre de 2003 ocorreu a aquisição dos demais 6,73%, totalizando 100% do controle acionário. Sobre esta aquisição incorreu ágio, sendo este mantido registrado em consideração às expectativas de rentabilidade futuras decorrentes de avaliações econômicofinanceiras realizadas por terceiros, as quais apontam ganhos de sinergias entre as operações da TMAR e da Pégasus. O ágio decorrente da operação acima, foi amortizado na proporção de 1/60 avos, cujas parcelas, no ano calendário 2007, atingiram o montante de R$ 84.096.095,22, conforme consta do razão da conta contábil de ativos nº 13120128 em contra partida a conta de despesa nº 41600000. b) Ágio decorrente da aquisição da empresa TNL PCS S/A Em 30 de maio de 2003, a empresa Telemar adquiriu 99,99 % da empresa TNL PCS S/A. Desta operação, o valor pago foi superior ao valor contábil, gerando um ágio justificado economicamente pela "mais valia" do ativo imobilizado, suportado por laudo de avaliação de empresa técnica especializada. Este ágio, decorrente da operação acima, foi amortizado na proporção de 1/77 avos, cujas parcelas, no ano calendário 2007, atingiram o montante de R$ Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 4 3 53.096.666,60, conforme consta do razão da conta contábil de ativos nº 13120124 em contrapartida a conta de despesa nº 41600000. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que não procedeu com a adição deste montante à base de cálculo da CSLL por não existir Lei que imponha a realização de tal ajuste. Entretanto, este não é nosso entendimento Vejamos: o ágio/deságio decorrente de aquisição de participação societária avaliada pelo Patrimônio Líquido deve ser desdobrado em parcelas distintas, dependendo da fundamentação econômica das mesmas, conforme o parágrafo 3º do artigo 385 do RIR/1999. (...) Assim, o art.391 do RIR/99 veda expressamente as contrapartidas do ágio/deságio de que trata o art. 385, impondo que, concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, seja mantido controle no Lalur, para determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. Em relação à CSLL o regramento não é diferente, de sorte que afastada a possibilidade de serem despesas/receitas efetivamente incorridas, essas amortizações constituem provisões, contempladas como ajustes por adição/exclusão conforme art. .2º, § 1, " c" , item 3, da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art.2º da Lei nº 8.034/90: (...) Outros dispositivos legais também dispõem sobre a determinação da base de cálculo da CSLL: Lei nº 8.981/95, com redação dada pela Lei nº 9.065/95: “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.” (...) 3.1 Da Multa Isolada Segundo a legislação vigente, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, alternativamente à sistemática de sua apuração trimestral, poderá optar pelo pagamento do imposto por estimativa calculada sobre a receita bruta e acréscimo se determinar o lucro real apenas ao fim do ano calendário . Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 5 4 (...) A pessoa jurídica que determinar o imposto de renda mensal a ser pago com base em balanços ou balancetes levantados para fins de suspensão ou redução, deverá efetuar o pagamento da CSLL com base no lucro líquido ajustado, apurado nos referidos balanços ou balancetes. Assim, impondo o regime de competência às adições apuradas neste procedimento, aplicamos as multas isoladas segundo dispositivos legais vigentes precitados, relativas à CSLL, conforme demonstrativo da multa isolada abaixo: (...) Cientificada do auto de infração em 22/09/2011 (fls. 205 e 207), a interessada impugnouo em 21/10/2011 (fls. 259/276). Alegou, em síntese: que “não há lei determinando a adição do ágio apurado na aquisição de participação societária na base de cálculo da CSLL, mas tãosomente do IRPJ”; que, “ao contrário do que pretendeu o Fiscal autuante”, o art. 57 da Lei nº 8.981/95 “não determina que a base de cálculo da CSLL seja idêntica à do IRPJ (Lucro Real). Ao revés, ao determinar a manutenção da base de cálculo da CSLL prevista na legislação, o art. 57 da Lei nº 8.981/95 claramente reconheceu a existência de divergências entre a base de cálculo dos dois tributos, que estão previstas na legislação de um e outro”; que, “sendo assim, à míngua de lei determinando essa adição o Fisco não poderia exigir o tributo da Impugnante, sob pena de violação ao Princípio da Estrita Legalidade Tributária”; que “não há que se falar na aplicação de multa isolada pela insuficiência no recolhimento de estimativa mensal de CSLL após o encerramento do anocalendário”; que “a incidência concomitante de multa de ofício sobre o tributo não recolhido e multa isolada sobre as estimativas mensais pagas a menor configura nítido bis in idem, vedado por nosso ordenamento jurídico”; que “a ausência de recolhimento da estimativa mensal seria infração fiscal meramente preparatória do recolhimento a menor de CSLL no final do ano”, e, assim, haveria “verdadeira consunção entre o descumprimento do dever de antecipar o tributo se o Fisco apura CSLL a pagar no final do ano calendário”. Examinadas as razões de defesa, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação, em acórdão assim ementado: Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as normas de apuração estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. As contrapartidas da amortização do ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido não serão computadas na apuração do lucro real. MULTA ISOLADA. MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. A multa de ofício aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do anocalendário, é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na impugnação (fl. 326 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Amortização do Ágio Sobre a amortização do ágio é importante, desde logo, distinguir entre as duas hipóteses previstas na legislação, a saber: a) amortização do ágio em virtude de aquisição de investimento em coligadas ou controladas, avaliado pelo método do patrimônio líquido (Decretolei º1.598/77); b) amortização do ágio em virtude da absorção do patrimônio da empresa investida, por incorporação, fusão ou cisão (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97). O caso dos autos enquadrase na hipótese descrita no item “a” retro. De fato, tratase aqui de controvérsia acerca dos efeitos, na base de cálculo da CSLL, da amortização do ágio pago pela contribuinte na aquisição de100% do capital da empresa Pégasus Telecom S/A, e na aquisição de 99,99% do capital da empresa TNSL PCS S/A. Não há, no caso, Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 7 6 incorporação ou outra absorção do patrimônio dessas duas empresas pela contribuinte, daí porque não se aplica o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Dito isso, examinemos o que estabelece o Decretolei º1.598/77 acerca do ágio decorrente de investimento em coligadas ou controladas, bem como sua amortização: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (...) Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (...) Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 8 7 financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Isso posto, conforme as normas acima transcritas, em especial o art. 25, o ágio que houver sido amortizado na contabilidade da pessoa jurídica deverá ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. No tocante à apuração da base de cálculo da CSLL o Decretolei º1.598/77 é silente, até porque, quando de sua publicação, a referida contribuição ainda não havia sido instituída. Resta investigar, então, se a legislação pertinente à contribuição social obriga a contribuinte a adicionar a amortização do ágio à sua base de cálculo. Pois bem, são dois os argumentos adotados pelo autor da ação fiscal para afirmar a obrigação da contribuinte em adicionar a amortização do ágio ao lucro líquido do ano de 2007, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Em primeiro lugar, afirma que a amortização do ágio em virtude de aquisição de investimento em coligadas ou controladas, antes que a realização, baixa ou alienação do investimento tenha ocorrido, é mera provisão que, a teor do disposto no a seguir transcrito art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, deverá ser adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (...) Em segundo lugar, valese do abaixo transcrito art. 57 da Lei nº 8.981/95 para concluir que, existindo norma determinando a adição da amortização do ágio na apuração do lucro real (art. 25 do Decretolei º1.598/77), então essa adição também é obrigatória na apuração da base de cálculo da CSLL: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988)as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (...) Examinemos, a seguir, esses dois fundamentos adotados pela autoridade fiscal. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 9 8 2.1) Do Conceito de Provisão Sobre o conceito de provisão e seu reconhecimento na contabilidade das pessoas jurídicas, o Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, assim estabelece: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. (...) No caso sob exame o auditor afirma que a amortização do ágio antes de ocorrida a realização, baixa ou alienação do investimento é mera provisão, devendo ser adicionada ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo da contribuição por força do art. 13, I, da Lei nº 9.249/95. Não me parece, todavia, que a amortização do ágio em virtude de aquisição de investimento em coligadas ou controladas, avaliado pelo método do patrimônio líquido, possa ser qualificado como provisão. Primeiro porque a conta de amortização do ágio não é uma conta de passivo, e sim uma conta redutora do ativo ao qual está vinculada, qual seja, da conta de ativo permanente representativa do ágio. Não sendo um passivo, a amortização do ágio não pode, por definição, ser conceituada como provisão. Segundo porque a amortização do ágio não ocorre em prazo ou valor incertos. De fato, o art. 14 da Instrução CVM nº 247/96, abaixo transcrito, estabelece tanto o momento quanto o montante da amortização: Art. 14 O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. § 1º O ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contábil, deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada, por depreciação, amortização, exaustão ou baixa em decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento. § 2º O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada, referido no parágrafo anterior, deverá ser amortizado da seguinte forma. a) o ágio ou o deságio decorrente de expectativa de resultado futuro no prazo, extensão e proporção dos resultados projetados, ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 10 9 devendo os resultados projetados serem objeto de verificação anual, a fim de que sejam revisados os critérios utilizados para amortização ou registrada a baixa integral do ágio; e b) o ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público no prazo estimado ou contratado de utilização, de vigência ou de perda de substância econômica, ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento. § 3º O prazo máximo para amortização do ágio previsto na letra "a" do parágrafo anterior não poderá exceder a dez anos; § 4º Quando houver deságio não justificado pelos fundamentos econômicos previstos nos parágrafos 1º e 2º, a sua amortização somente poderá ser contabilizada em caso de baixa por alienação ou perecimento do investimento. § 5º O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos, previstos nos parágrafos 1º e 2º, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no resultado do exercício, esclarecendose em nota explicativa as razões da sua existência. Isso posto, não sendo a amortização do ágio uma provisão, não incide o disposto no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95. 2.2) Da Distinção entre as Bases de Cálculo do IRPJ e da CSLL Também não está correta a tese defendida pela autoridade tributária segundo a qual são idênticas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De fato, devese notar que o art. 57 da Lei nº 8.981/95, ao estabelecer que “[a]plicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas” imediatamente ressalva que serão “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei”. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL limitase à forma de apuração eleita pelo sujeito passivo. Em assim sendo, adotada para o IRPJ o lucro real apurado trimestralmente, o sujeito passivo ficará obrigado a determinar a CSLL também trimestralmente, a partir do lucro líquido do período. Mutatis mutandis, o mesmo vale quando a forma de apuração do IRPJ eleita pelo contribuinte for o lucro real anual ou o lucro presumido. Vide, também a esse respeito, a ementa ao acórdão 10322.749 da lavra da Terceira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, verbis: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N°8.981/1995 Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 1201000.830 S1C2T1 Fl. 11 10 não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. 3) Da Multa Isolada Uma vez que a imposição da multa isolada se deu em razão da glosa da amortização do ágio, afastada essa, devese afastar, também, a penalidade em comento. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10580.723504/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE.
Constituem infrações à legislação previdenciária a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, a apresentação de livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais.
ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Constituem infrações à legislação previdenciária a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, a apresentação de livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.467 1 1.466 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723504/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.654 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente FUNDAÇÃO ADM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Constituem infrações à legislação previdenciária a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, a apresentação de livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 04 /2 00 9- 18 Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723504/200918 Acórdão n.º 2402003.654 S2C4T2 Fl. 1.468 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal realizada em 13/07/2009 pela falta de apresentação de livros e documentos necessários para o procedimento fiscal. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Constituem infrações à legislação previdenciária a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, a apresentação de livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal traz informações seguras e detalhadas sobre a infração praticada e a respectiva fundamentação legal. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Para ter direito à isenção das contribuições sociais patronais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. A isenção não se aplica a lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. ... Consta do relato da Fiscalização (fls. 2325) que a Autuada apresentou de forma deficiente o Livro Diário nº 7, referente ao Exercício 2005, tendo em vista que a escrituração do referido livro contábil não preenche certas formalidades, previstas em leis e normas contábeis. ... Os lançamentos contábeis comprovam que o sujeito passivo deixou de apropriar remunerações de contribuintes individuais dentro do mês em que os serviços foram prestados e, conseqüentemente, também as respectivas contribuições Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 previdenciárias a recolher, descontadas dos segurados. Nos casos em que o recibo de pagamento indica o mês de prestação do serviço o fato pode ser facilmente visualizado, como os que constam na planilha do Anexo I. Os fatos relatados podem ser verificados nas contas de passivo Prestação de Serviço Pessoa Física e INSS a Recolher, dos diversos projetos, e na conta de despesa administrativa 342010053/Prestação de Serviço Pessoa Física. Em anexo cópias do Diário nº 07, contendo lançamentos, por amostragem. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: ... Registra que a Fundação é uma organização sem fins lucrativos, atuando no ramo de educação, situação esta que lhe proporciona a imunidade tributária oriunda da própria Constituição Federal, complementada pelo Código Tributário Nacional. Pontua que, no intuito de otimizar o cumprimento de seu objeto social, a Impugnante, além de ter empregados, possui serviços prestados por terceiros contratados, sem vínculo empregatício, tratandose estes de contribuintes individuais. Além disso, não se pode deixar de mencionar, também, que os empregados da Fundação Peticionária não desenvolvem atividades com grau de risco, pelo menos não com grau leve ou grave. Afirma que as contribuições previdenciárias patronais oriundas da contratação dos prestadores de serviços não declarados em GFIP e os sem desconto/retenção da contribuição previdenciária, apesar de ser discutíveis tais situações e demonstrado o contrário, foram devidamente recolhidas na forma prevista na legislação, o que poderá ser comprovado com perícia específica. Portanto, resta claro que a Impugnante direciona seus esforços para atender o interesse da comunidade, fazendo parecerias e convênios, contratando prestadores de serviços para executarem projetos e para prestarem serviços de índole eventual, não subordinada e impessoal, ou seja, não caracterizadora de vínculo empregatício. Quanto ao descumprimento da alegada obrigação acessória, afirma que o fato de existirem recibos de pagamentos e cópias de cheques com datas referentes ao mês em curso, é indicativo apenas que tais documentos eram confeccionados nas datas constantes nos mesmos, como forma de controle, mas não confirme o fato do serviço já ter sido prestado ao impugnante, tendo, por conseqüência, segundo entendimento do auditor fiscal a obrigatoriedade de transcrever no livro Diário, na data exata constante nos mesmos. Destaca que os prestadores de serviços eram contratados para a realização de trabalhos técnicos ou científicos, com data de previsão de início e término da consecução dos serviços avençados, com isso, os recibos de pagamentos, assim como os Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723504/200918 Acórdão n.º 2402003.654 S2C4T2 Fl. 1.469 5 respectivos cheques, ficavam à disposição dos prestadores dos serviços, mas apenas eram entregues aos mesmos, após o cumprimento das obrigações contratadas. Isto explica o fato de grande parte das remunerações dos prestadores de serviços terem sido apropriadas e lançadas apenas no momento do efetivo pagamento. Conclui que não há apresentação deficiente do livro Diário e pede a realização de perícia técnica. Pontua que a situação imposta à organização civil peticionaria teve o condão de violar os mais comezinhos princípios constitucionais de Direito, notadamente o devido processo legal substancial. Registrese, inclusive, que não há previsão legal para a punição em decorrência de simples amostragem, recaindo em flagrante nulidade. É o Relatório. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723504/200918 Acórdão n.º 2402003.654 S2C4T2 Fl. 1.470 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito A escrituração contábil, até prova em contrário, evidencia a realidade dos fatos. A peça acusatória do lançamento apresenta a conta contábil e os segurados beneficiários dos pagamentos. Ressaltase que a recorrente, embora tenha trazido alegações para afastar o enquadramento das pessoas físicas como prestadoras de serviço na condição de contribuinte individual e empregados, não apresentou quaisquer provas que sustentassem suas razões, tão somente uma nota explicativa de que alguns seriam professores. Ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de escriturar todas os pagamentos relacionados com as contribuições previdenciárias corretamente, de acordo com o mês em que incorreu na despesa e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. Multa Aplicada Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900085/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
Numero da decisão: 1401-000.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhê-los parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire Da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhêlos parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 00 85 /2 00 6- 25 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.921 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração aviado pela Fazenda Nacional, contrária ao entendimento firmado por este Colegiado, no sentido de que “a prestação do serviço de transporte referida teria sido suficientemente comprovada por meio das notas fiscais apresentadas”. Aduz, a Embargante, que regulamento de ICMS do Estado de Sergipe traça exigências a respeito da nota fiscal de serviço de transporte, que não estariam presentes no espécie, desnaturando a prestação de serviço dessa natureza. Requer, assim, o provimento dos embargos para que seja sanada a contradição apontada. Em se tratando de processo em que houve julgamento conjunto com processos correlatos, a decisão proferida em um feito aproveita aos demais processos, a saber: 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/2006 90, 10510.900081/200647, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/2006 38, 10510.900092/200627, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos de declaração são tempestivo e havendo imputação de contradição no julgado, deles conheço. A questão posta em debate no presente feito referese ao percentual de presunção de lucro aplicável aos serviços prestados pela Embargada. Quando do julgamento do feito, tendo em conta que a Embargada executa serviços de transporte e de guindastes, esta Corte Administrativo entendeu por fixar um critério para definir a incidência do percentual de presunção de lucro. Releiase o teor da decisão, in litteris: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.921 S1C4T1 Fl. 4 3 Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.921 S1C4T1 Fl. 5 4 Partindose desse pressuposto legal, é que foram identificadas, individualmente, as notas fiscais em que contavam serviços de transporte, bem como serviços de transporte realizados por meio de caminhões munk. Tratase, pois, de uma vinculação entre a descrição da prestação de serviços constante das notas fiscais com o direito fixado para tributação da prestação de serviços. O fato de a nota fiscal não fazer referência a se tratar de nota fiscal de prestação de serviço de transporte não desnatura a descrição e a essência do serviço prestado, conforme descrição própria no documento. Demais disso, os documentos fiscais possuem presunção de verdade com relação aos dados que apresenta, cabendo ao Fisco o ônus de desconstituílo. Vejase o entendimento deste Conselho, in verbis; IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA EXERCÍCIO 1997 IRPJ E OUTROS DESPESAS OPERACIONAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COMPROVAÇÃO A prova da efetiva da prestação de serviços pode ser realizada através da apresentação de notas fiscais e outros documentos (contratos de prestação de serviços, cópias de cheques correspondentes aos pagamentos e o registro contábil). Considerando que esses documentos não foram contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. Acórdão nº 10516058 do Processo 153740024309916 Prevalece, assim, a presunção de verdade acerca da descrição dos serviços constantes das notas fiscais. Feitos os esclarecimento supra, acolho parcialmente os embargos, sem contudo, alterar o resultado da decisão embargada. É como voto. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.921 S1C4T1 Fl. 6 5 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 11040.720262/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2007
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que os Autos de Infração
foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei não há
que se falar em nulidade.
SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE
DE CARGAS A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de
transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros
pelos fretes subcontratados.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais
da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação.
MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. Correta a aplicação da multa no
percentual de 225%, quando restar demonstrado que o Contribuinte, além de não atender as intimações elaboradas pela Fiscalização, agiu de forma dolosa,oferecendo à tributação parcela ínfima da receita auferida, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.039
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para reduzir a multa ao percentual de 75%
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei não há que se falar em nulidade. SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. Correta a aplicação da multa no percentual de 225%, quando restar demonstrado que o Contribuinte, além de não atender as intimações elaboradas pela Fiscalização, agiu de forma dolosa, oferecendo à tributação parcela ínfima da receita auferida, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal. Recurso Voluntário Negado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para reduzir a multa ao percentual de 75% (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório MASCARENHAS & AVILA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: 1 – LANÇAMENTOS Contra a pessoa jurídica acima identificada, foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – SIMPLES de fls. 11 a 17, do Programa de Integração Social – SIMPLES – de fls. 18 a 24, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – SIMPLES de fls. 25 a 31, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – SIMPLES – de fls. 32 a 38, da Contribuição para a Seguridade Social – INSS SIMPLES – de fls. 39 a 45, do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Lucro Arbitrado de fls. 51 a 57, do Programa de Integração Social de fls. 58 a 64, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social de fls. 65 a 71, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Lucro Arbitrado de fls. 72 a 77, totalizando um crédito tributário de R$ 738.861,40, em razão da omissão de receita, apurado pelo confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica – SIMPLES, período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, período de 01/07/2007 a 31/12/2007. O Contribuinte atua no transporte rodoviário de cargas, tendo apresentado no primeiro semestre de 2007, declaração simplificada pelo Simples Federal, na condição de Empresa de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 3 Pequeno Porte, e no segundo semestre do mesmo ano (01/07/2007 a 31/12/2007) declaração com base no lucro presumido. As diferenças de receitas não declaradas estão demonstradas na planilha de fl. 85 e são as seguintes: Período Receita omitida – R$ Janeiro/2007 82.564,34 Fevereiro/2007 25.316,21 Março/2007 97.444,08 Abril/2007 203.776,61 Maio/2007 141.827,62 Junho/2007 146.827,62 3º trimestre/2007 985.470,97 4º trimestre/2007 784.831,77 Além da omissão de receita, no período de janeiro a junho de 2007, em relação ao SIMPLES, foram apuradas insuficiência no recolhimento de tributos, decorrente da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. Os valores exigidos de imposto de renda e de contribuições, na modalidade do SIMPLES, por omissão de receita, estão demonstrados nas planilhas de fls. 05 a 10. Nos 3º e 4º trimestres, em razão da falta de escrituração no Livro Caixa da movimentação bancária, e também, não tendo apresentado a escrituração comercial e fiscal, a Fiscalização, com base no art. 530, inciso III, do RIR/1999, arbitrou o lucro, tomando por base a receita bruta, aplicando o percentual de 9,6%. No caso da omissão da omissão de receita, a multa aplicada foi no percentual de 225%, prevista no art. 44, inciso I, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa na conduta adotada pelo Contribuinte, e também, por ter deixado de atender intimações da Fiscalização. No caso da insuficiência de recolhimento, a multa aplicada foi de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Consta nos autos (fl. 91), que foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 11040.720263/201140. Discordando dos lançamentos, o Contribuinte, por intermédio de seu procurador, apresenta a impugnação de fls. 105 a 133, com os documentos de fls. 134 a 139, onde faz sua defesa. 2 – IMPUGNAÇÃO 2.1. Violação de princípios constitucionais Foram violados os princípios da capacidade contributiva, do nãoconfisco, da razoabilidade, da propriedade privada e da livre iniciativa, eis que a incidência da contribuição previdenciária, calculadas sobre o valor bruto do frete, excede a matriz legal constitucional das contribuições sociais e demais tributos, não atendendo o disposto no art. 145, § 1º, da Constituição Federal. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 4 2.2. Do arbitramento do lucro e da omissão de receita Na apuração do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, mediante arbitramento do lucro, foram desconsiderados pela Fiscalização os critérios regulamentares, não havendo demonstração firme da omissão de receita, bem como da imprestabilidade da documentação contábil e fiscal. Os arts. 47 da Lei nº 9.981, de 1995 e 1º da Lei nº 9.430, de 1996, que trata das hipóteses de arbitramento devem ser analisados conjuntamente com os arts. 288 e 528 do RIR/1999. Assim, apesar do Livro Caixa não conter toda a movimentação financeira, a Fiscalização tinha condições de apurar a receita bruta por intermédio das Notas Fiscais, dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário e dos depósitos bancários, fato esse que determina a improcedência do arbitramento. Sobre o assunto, cita ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho e acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O arbitramento do lucro gerou prejuízos na medida que o coeficiente foi alterado de 8% para 9,6%. Para quantificar a receita, a Fiscalização adotou os regimes de caixa e de competência, gerando dupla tributação, pois os valores reconhecidos no Livro Caixa em junho de 2007, decorrentes de CTRC emitidos em outros meses, já compuseram a receita bruta. Os vícios não se restringiram a esse ponto, tendo em vista que a partir das Notas Fiscais e dos CTRC, e das despesas incorridas, resta possível identificar a receita bruta e apurar o lucro real. O critério utilizado pela Fiscalização não pode ser o único a justificar o arbitramento do lucro. Deve estar amparado em prova robusta da imprestabilidade da escrituração fiscal para a apuração do lucro real e só deve ser aplicado quando esgotadas todas as possibilidades. No caso, as possibilidades de apuração pelo lucro real não foram esgotadas, eis que a Fiscalização apurou claramente a receita bruta mensal e trimestral, sendo possível ter apurado o lucro real, inclusive com a dedução dos custos com combustíveis e manutenção da frota, sob pena de nulidade. Foram utilizados critérios distintos de tributação (lucro arbitrado e SIMPLES), procedimento que não é aceito pelo CARF. Com base nos arts. 284 e 530 do RIR/1999, concluiu que um dos vícios que permite o arbitramento da receita é o indício de omissão de receita, mas que precisa ser comprovada pela autoridade administrativa. A prova indiciária em que se amparou a Fiscalização não prevalece, atingindo a certeza do lançamento, seja pela adoção de critérios distintos de apuração da receita, seja em virtude de equívocos na investigação dos fatos econômicos (agenciamento de fretes). A atividade desenvolvida é de agenciamento de fretes, razão pela qual o valor repassado a título de fretes deve ser excluído da receita bruta. Esse é o entendimento do Conselheiro do CARF Raimar da Silva Aguiar e de outros. 2.3. Da base de cálculo do PIS da COFINS Ocorreu agravamento da carga tributariam, eis que os custos com combustíveis e os pedágios podem ser aproveitados pelo sistema nãocumulativo de apuração do PIS e da COFINS. 2.4. Da aplicação da multa no percentual de 225% A multa no percentual de 225% deve ser excluída, eis que não desrespeitou nenhum comando legal, não existindo infração. Não existindo infração, não pode existir punição, que é o caso da multa aplicada. A multa deve ser afastada, eis que não procedeu de forma dolosa. Eventual desorganização nos registros contábeis e fiscais não autoriza a aplicação dessa multa. Somente deve ser aplicada nos casos de dolo, fraude ou simulação. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 5 Considerando que todos os elementos necessários para a lavratura do Auto de Infração foram extraídos dos próprios registros e inexistindo qualquer prática dolosa, simulatória ou sonegatória, a multa a ser aplicada, no máximo, é aquela atribuída às faltas meramente moratórias. 2.5. Do descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais A representação fiscal não tem suporte normativo em que o mero inadimplemento das contribuições não configura a tipicidade do delito para fins de representação criminal ao Ministério Público. Não merece vingar, pois o fato considerado criminoso, na verdade, encontrase desprovido dos elementares e caracteres necessários à plena configuração de qualquer tipo penal. 2.6. Do pedido Requer que seja recebida a impugnação para o fim de anular o Auto de Infração, e ainda, a comprovação dos fatos narrados mediante prova documental, e especialmente a realização de perícia técnica contábil, relativa aos lançamentos efetuados no livro caixa de junho de 2007 e o valor do custo dos pedágios e combustíveis, além dos recibos de pagamentos aos transportadores rodoviários autônomos com base no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem como objetivo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e, caso este tenha ocorrido, verificar se o lançamento esteve de acordo com a legislação aplicável. Desse modo, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar elementos constantes na impugnação relativos à Representação Fiscal para Fins Penais, já que nele não há matéria tributária envolvida, cabendo ao Ministério Público Federal, se for o caso, promover a ação penal. SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA . As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 6 SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta para apuração do imposto de renda e contribuições na sistemática do lucro arbitrado, é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro arbitrado, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS. As contribuições para o PIS e para a COFINS devem ser calculadas com base na receita bruta, assim entendida a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. MULTA NO PERCENTUAL DE 225%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 225% e a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, quando restar demonstrado que o Contribuinte, além de não atender as intimações elaboradas pela Fiscalização, agiu de forma dolosa, oferecendo à tributação parcela ínfima da receita auferida, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. Impugnação Improcedente Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 7 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de auto de infração por omissão de receitas, haja vista que o contribuinte, que exerce a atividade de transporte de cargas, optante pelo Simples no 1o. semestre de 2007, e pelo Lucro Presumido a partir de julho/2007 ofereceu a tributação apenas uma parte das receitas, conforme tabela abaixo reproduzida do Relatório de Auditoria Fiscal, à fl.82: Apesar de regularmente intimado e reitimado, o contribuinte não justificou à Fiscalização a expressiva redução das receitas tributas, bem como deixou de prestar outros esclarecimentos. A Fiscalização entendeu que houve embaraço aos trabalhos fiscais e evidente intuito de fraude, lavrando a exigência com multa de 225%. Sobreveio a impugnação e a Turma Julgadora de Primeira Instância rejeitou as manteve integramente a exigencia. No recurso voluntário o contribuinte limitouse a repisar as alegações da peça impugnatória. Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 9 (...) 1 – DO PEDIDO DE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Inicialmente, cabe esclarecer que os pressupostos legais para a validade do Auto de Infração são determinados pelo art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O mesmo decreto dispõe sobre a nulidade no processo administrativo, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisandose os autos, concluiuse que as questões suscitadas pelo Contribuinte não determinam a nulidade pretendida, pois não ocorreu nenhuma das hipóteses de nulidade, previstas nos dispositivos legais supra transcrito. Os Autos de Infração e demais termos lavrados pela Fiscalização, contemplam todos os requisitos obrigatórios previstos nos dispositivos legais supra transcritos e foram instruídos com os elementos indispensáveis à comprovação das irregularidades, não se vislumbrando nenhum vício de forma que ensejasse suas nulidades dentro das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo decreto. Não ocorreu cerceamento do direito de defesa, pois foi concedido o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, tendo a oportunidade de apresentar, tanto na fase de instrução do processo e em resposta às intimações que recebeu, quanto na fase de impugnação, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela Fiscalização, atendendo, assim, ao que dispõe o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, de 1988, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes Nos Autos de Infração e no Relatório da Ação Fiscal, os quais foram recebidos pelo Contribuinte, estão descritas as infrações cometidas, bem como os dispositivos legais infringidos. Conforme art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, se porventura houvessem irregularidades, incorreções e omissões diferentes daquelas referidas no art. 59 do mesmo decreto, e ainda, se resultassem em prejuízo para o sujeito passivo, mesmo assim os lançamentos não seriam nulos, pois poderiam ser sanados. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 10 No caso, a questão a ser analisada é se realmente o Contribuinte cometeu as infrações descritas nos Autos de Infração e no Relatório da Ação Fiscal, que mesmo na ocorrência de serem consideradas improcedentes, não levam a nulidade dos Autos de Infração, mas sim, ao cancelamento dos valores lançados. Diante do exposto, os Autos de Infração não são nulos, não merecendo acolhida as argumentações do Contribuinte. 2 – DO PEDIDO DE PERÍCIA O Contribuinte requer a realização de perícia técnica contábil, relativa aos lançamentos efetuados no livro Caixa de junho de 2007 e do custo dos pedágios e combustíveis, além dos recibos de pagamentos aos transportadores rodoviários autônomos, para que sejam expurgados da receita bruta. A respeito do pedido de perícia no curso de processo administrativo fiscal, dispõe o art. 16 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). Portanto, no caso de perícia, a lei determina que devem ser expostos os motivos que justifiquem a perícia, formulados os quesitos e nomeado o perito. Se não atender a todos esses requisitos, considerase como não formulado o pedido de perícia. No caso em tela, o Contribuinte não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, nem nomeou o seu perito, não atendendo, portanto, os requisitos determinados no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Diante do exposto, considerase como não formulado o pedido de perícia por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto ° 70.235, de 1972. 3 – DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS O Contribuinte argumenta que foram violados diversos princípios constitucionais, entre os quais o da capacidade contributiva, do nãoconfisco, da razoabilidade, da propriedade privada e da livre iniciativa. As questões que envolvem princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis não podem ser analisadas pelo julgador da esfera administrativa. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 11 Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tãosomente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo da legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Uma vez validamente editada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, cabendo lembrar que o lançamento é atividade plenamente vinculada à lei, não estando ao livre critério do agente lançar ou não lançar o crédito tributário ou escolher a oportunidade de lançálo. Os órgãos administrativos de julgamento estão obrigados a cumprir os atos normativos expedidos pelos órgãos superiores, conforme determina o inciso V do art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12/07/2011, que assim dispõe: Art. 7º São deveres do julgador: [....] V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parág. único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à alegação de que os valores exigidos estão acima da sua capacidade financeira não compete apreciação, uma vez que a capacidade contributiva é princípio dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Em relação ao confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, impede que o padrão de tributação seja insuportável ao contribuinte e é dirigida ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito, quando da feitura das leis. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, rechaçase suposta mácula. Sobre a matéria, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), já pacificou esse entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelas razões acima expostas, não há como acatar as ponderações feitas pelo Contribuinte, devendo ser afastado da análise dessa autoridade administrativa quaisquer argumentações que versem sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legais e de ofensa a princípios constitucionais. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 12 4 – DA OMISSÃO DE RECEITA A omissão de receita foi apurada pelo confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica – SIMPLES, período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (lucro presumido), período de 01/07/2007 a 31/12/2007. A alegação do Contribuinte de que não há uma demonstração firme da omissão de receita é totalmente improcedente. Está comprovado nos autos, por provas diretas e não por indícios ou presunções, que a receita oferecida à tributação foi inferior a registrada nos Livros Registro de Apuração do ICMS. Portanto, o lançamento está baseada em provas documentais consistentes, as quais demonstram efetivamente a ocorrência de omissão de receitas. Os valores escriturados nos Livros Registro de Apuração de ICMS presumese verdadeiros, cabendo ao Contribuinte provar o contrário por intermédio de documentos adequados. Caso os dados neles constantes não sejam verdadeiros, cabe ao Contribuinte demonstrar a sua imprestabilidade, e não simplesmente afirmar que não está devidamente demonstrada a omissão de receita. A Fiscalização agiu considerando fidedignas, como não poderia deixar de ser, as importâncias registradas nos livros fiscais preenchidos pelo próprio contribuinte, que indicam divergências que não foram esclarecidas, nem durante a ação fiscal, nem na impugnação. No caso, o Contribuinte foi intimado, por duas vezes, a esclarecer as referidas diferenças (fls. 93 a 95 e 97, porém nada respondeu, limitandose a solicitar prazo maior para atender os esclarecimentos solicitados pela Fiscalização. Em momento algum preocupouse em negar a sua ocorrência ou justificar o porquê da discordância entre os valores constantes dos livros fiscais supracitados. Outro argumento da defesa é que a atividade desenvolvida é de agenciamento de fretes, razão pela qual os valores repassados a título de fretes devem ser excluídos da receita bruta. Além disso, afirma que a Fiscalização tinha condições de apurar o lucro real. A regra normal de tributação é aquela na forma do lucro real, em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados a partir das demonstrações financeiras, com base em escrituração regular. Sendo, pois, o lucro real a regra geral para a tributação das pessoas jurídicas, então, por conseqüência, o lucro arbitrado, o lucro presumido e o SIMPLES, configurase uma opção oferecida quando satisfeitas determinadas condições. E, não se encontra na legislação de regência, a permissão para que, nas sistemáticas do SIMPLES, lucro arbitrado e presumido, possa ser deduzido da receita bruta, os valores repassados a terceiros a título de fretes. Tanto no SIMPLES, como no lucro arbitrado e no lucro presumido, a apuração do imposto de renda é baseada na receita bruta auferida. No caso do SIMPLES, o conceito de receita bruta é aquele previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 9.317, de 1996; no caso do lucro arbitrado e no presumido, no art. 224 do RIR/1999, que assim dispõem: § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 13 Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Verificase que o Contribuinte é uma prestadora de serviços de transporte de cargas e, nesta condição, efetua o transporte de cargas contratados em veículos de sua propriedade e de terceiros. No caso de contratar terceiros para efetuar os fretes (caminhoneiros autônomos), assume a obrigação de transportar os produtos, recebendo pelos fretes, cujo valor é repassado parcialmente para os caminhoneiros autônomos. Portanto, seu trabalho não é de simples agenciamento de fretes, recebendo comissões, mas sim, de prestação de serviços de transportes de cargas. Assim, se os serviços de transportes são realizados em nome do Contribuinte, por sua conta e risco, a receita bruta corresponde ao produto da venda dos referidos serviços. O Contribuinte optou pelo SIMPLES no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e teve o seu lucro arbitrado no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Portanto, correto o procedimento da Fiscalização em considerar como base de cálculo os valores totais dos fretes, não cabendo, por falta de previsão legal, excluir aqueles transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados. Esses valores, se comprovados, somente poderiam ser deduzidos como custos ou despesas, caso fosse adotada a forma de tributação pelo lucro real, que não é o caso do Contribuinte. E, também, não podia ser adotado o regime de tributação pelo lucro real, pois o Contribuinte, além de ter optado no 2º semestre de 2007 pela sistemática do lucro presumido, não mantinha a escrituração com observâncias das leis comerciais e fiscais, necessária para adotar a referida sistemática. Também não há nenhum impecilho do procedimento da Fiscalização em tributar a omissão de receita nas sistemáticas do SIMPLES e do lucro arbitrado dentro do mesmo anocalendário. No 1º semestre, a sistemática de tributação foi pelo SIMPLES pelo fato de que o Contribuinte fez essa opção e a Fiscalização não detectou nenhum impedimento para que fosse feita a tributação da receita omitida nesse sistema de tributação. Já, no 2º semestre, não tendo o Contribuinte obedecido os requisitos legais para a opção pelo lucro presumido, e não tendo condições de apurar o lucro real, a Fiscalização corretamente utilizou a sistemática de tributação pelo lucro arbitrado. Em relação ao argumento de que ocorreu dupla tributação em razão de que a Fiscalização utilizou, para a apuração da receita, os regimes de caixa e de competência, no mês de junho, gerando dupla tributação, constatase que o Contribuinte não trouxe as autos nenhuma prova que pudesse comprovar tal alegação. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não tem valor probante. O artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina que a impugnação deve ser formalizada por escrito e ser instruída com os documentos em que se fundamentar. No caso, cabia ao Contribuinte demonstrar quais os valores que foram tributados em duplicidade. Porém, nada demonstrou, razão pela qual os valores da omissão de receita não devem ser alterados. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 14 Diante do exposto, a omissão de receita deve ser mantida integralmente, não prosperando as alegações feitas pelo Contribuinte. 5 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES Em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada provocadas pelo acréscimo na receita bruta declarada da receita omitida, em alguns períodos, os valores declarados pelo Contribuinte no SIMPLES sofreram mudanças nos percentuais, gerando insuficiência de recolhimentos, sendo exigidas de ofício. Apesar de não constar na impugnação contestação expressa quanto à essa infração, é de se considerála implicitamente impugnada, uma vez que a exigência é conseqüência da infração referente à omissão de receita, e caso esta fosse considerada improcedente, aquela também o seria. Entretanto, como a decisão foi pela manutenção da omissão de receita, a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento deve ser mantida. 6 – ARBITRAMENTO DO LUCRO Nos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2007, em razão da falta de escrituração no Livro Caixa da movimentação bancária, e também, não tendo apresentado a escrituração comercial e fiscal, a Fiscalização, com base no art. 530, inciso III, do RIR/1999 arbitrou o lucro, tomando por base a receita bruta, aplicando o percentual de 9,6% sobre a receita bruta apurada. Os argumentos trazidos pelo Contribuinte não prosperam para afastar o arbitramento do lucro nesses dois trimestres. Como já dito antes, a regra normal de tributação é aquela na forma do lucro real, em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados a partir das demonstrações financeiras, com base em escrituração regular. Sendo, pois, o lucro real a regra geral para a tributação das empresas, então, por conseqüência, o lucro presumido e o lucro arbitrado configuramse em exceções à regra geral. No caso da pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, não há dúvidas que deve manter escrituração com observâncias das leis comerciais e fiscais, devendo abranger todas as operações do contribuinte (art. 251 e parágrafo único do RIR/1999). A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido, se não mantém escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal, deve manter obrigatoriamente o Livro Caixa, no qual deve escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Essa obrigatoriedade está prevista no art. 527, inciso I, e § único, do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 15 escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Grifei. Por isso, quando solicitado pelo Fisco, o Contribuinte deve exibir os documentos e os respectivos livros comerciais e fiscais ou o Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, em boa ordem, escriturados e em dia. O arbitramento do lucro constitui uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda, quando não se possa, por meio de outro critério, determinar corretamente o valor do lucro a ser tributado. Não restam dúvidas de que tal forma de tributação, por se caracterizar como uma medida extrema, não pode ser considerada como regra, mas, tãosomente, como uma exceção a ser aplicada quando ocorrer desobediência insanável para a apuração do lucro real ou lucro presumido, bem como se a pessoa jurídica descumprir obrigações acessórias. A autorização legal para o arbitramento do lucro, quando o Contribuinte é optante pelo lucro presumido, no caso da não apresentação do Livro Caixa devidamente escriturado, é prevista no art. 530, inciso III, do RIR/1999, a seguir é transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Analisandose os autos concluiuse que o procedimento da Fiscalização em arbitrar o lucro está correto. O Contribuinte, sendo optante pelo lucro presumido, deveria ter apresentado a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ou o Livro Caixa, no qual deveria estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Porém, devidamente intimada, não apresentou o Livro Caixa escriturado de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 527 do RIR/199, não restando à Fiscalização outra alternativa senão de arbitrar o lucro. O arbitramento do lucro foi devidamente apurado com base na receita bruta, aplicandose o percentual correto, tudo de acordo com a legislação tributária. Diante do exposto, o arbitramento do lucro deve ser mantido. 7 – MULTA NO PERCENTUAL DE 225% Entende o Contribuinte que a multa deve ser afastada, eis que não existe infração, nem prática dolosa, simulatório ou sonegatória. No caso dos autos, foram aplicadas as seguintes multas: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 16 1 – 75% sobre as insuficiências nos recolhimentos do imposto de renda e das contribuições sociais, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. 2 – 225% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I, e parágrafos 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada) e pelo não atendimentos das intimações para prestar esclarecimento (multa agravada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; [....] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 17 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como está expresso, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), tem aplicação sempre que em ação fiscal constatase a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subseqüente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No presente caso, o Contribuinte declarou a menor expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2007 a 31/12/2007 e não escriturou no Livro Caixa a sua movimentação bancária, no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Esses procedimentos configuram, sem dúvida, a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, enquadrandose na hipótese prevista nos art. 71 (sonegação) da Lei nº 4.502, de 1964. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerados meros erros de ordem material, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo Contribuinte em todos os meses do anocalendário de 2007. Não é razoável supor que a contribuinte tenha, inadvertidamente, se equivocado em não oferecer à tributação a totalidade das receitas auferidas em todos os meses do anocalendário de 2007. A enorme discrepância entre o que ofereceu à tributação nas suas declarações e o que estava escriturado nos Livros de Registro e Apuração do ICMS, demonstra a absoluta impossibilidade do mero equívoco, do simples erro material de pequena monta. No caso, a receita oferecida à tributação foi de apenas 15,70%. Portanto, existiu a vontade de praticar uma ação dolosa Em relação ao aumento no percentual de 150% para 225% (art. 44, § 2º Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), entendese que deve ser mantido, eis que o Contribuinte deixou de atender as intimações elaboradas pela Fiscalização, deixando de prestar os esclarecimentos solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fls. 93 a 95 e no Termo de Reintimação Fiscal nº 0001 de fl. 97. Diante do exposto, a multa aplicada no percentual de 225% deve ser mantida, não podendo ser afastada ou reclassificada para a de natureza moratória. 8 – LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social – SIMPLES – de fls. 18 a 24, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – SIMPLES de fls. 25 a 31, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – SIMPLES – de fls. 32 a 38, da Contribuição para a Seguridade Social – INSS SIMPLES – de fls. 39 a 45, do Programa de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 18 Integração Social de fls. 58 a 64, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social de fls. 65 a 71, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Lucro Arbitrado de fls. 72 a 77, foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão de receita foi mantida (item 4 desse voto) e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo do SIMPLES, da CSLL, PIS e COFINS, conforme art. 18 da Lei nº 9.317, de 1996 (SIMPLES) e § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995. Art. 18 da Lei nº 9.317, de 1996: Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Cabe esclarecer que com a edição da Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º, a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Existem exclusões, porém não aquelas pleiteadas pelo Contribuinte (repasses para terceiros e pedágios). Em relação ao argumento que ocorreu um agravo na carga tributária, em razão de que os custos com combustíveis e os pedágios não podem ser aproveitados pelo sistema nãocumulativo, cabe esclarecer que pela sistemática de apuração dos tributos pelo SIMPLES ou pelo lucro arbitrado, não é permitido esse procedimento. Diante do exposto, os lançamentos decorrentes devem ser mantidos integralmente. 9 – DA JURISPRUDÊNCIA CITADA Quanto à jurisprudência administrativa citada pelo Contribuinte, cabe esclarecer que a mesma não vincula o julgador administrativo, constituindo tão somente elemento adicional na formação do convencimento, não podendo ser estendida administrativamente. A autoridade administrativa não pode ir além do que a lei lhe determina que seja exigido, como também não pode conceder benefícios que ultrapassem o legalmente previsto. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 19 Quanto à jurisprudência judicial, esclareçase que não sendo parte nos litígios objetos das sentenças citadas, não pode o Contribuinte usufruir dos efeitos nelas contidas. 10 – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS No que se refere à Representação Fiscal para Fins Penais ou ação penal, é de ser registrado que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, têm a função de examinar a coerência dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciarse a propósito de cancelamento ou suspensão de ação penal, lhes falecendo competência, também, para se manifestar acerca da validade ou não de instauração do processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Relativamente às alegações do contribuinte quanto a esta matéria, cabe trazer citar o disposto na Portaria SRF nº 326, de 2005, cujo arts. 1º e 8º, assim preceituam: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou Inspetor da Receita Federal responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no curso de ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, ou no art. 334 do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. [....] Art. 8º O servidor que descumprir o dever de formular representação, nos termos estabelecidos nesta Portaria, fica sujeito às sanções disciplinares previstas na Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, sem prejuízo do disposto na legislação criminal. Vêse, portanto, que a legislação prevê que os Auditores Fiscais formalizem processo contendo Representação Fiscal para Fins Penais sempre que no curso da ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, ou no art. 334 do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. É importante salientar, ademais, que o Auditor Fiscal tem o dever de ofício de formalizar a representação fiscal para fins penais, sob pena de sofrer as sanções. Os desdobramentos que o processo de representação virá a ter no âmbito do Poder Judiciário fogem inteiramente da esfera da competência regimental da Secretaria da Receita Federal, pois a competência para promover a ação penal, quando for o caso, é do Ministério Público Federal. Com relação ao cabimento ou não da representação de que se trata, cabe destacar que os processos de representação fiscal para fins penais seguem rito próprio (Portaria SRF nº 326, de 2005), não acompanhando o rito previsto no Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Logo, este órgão colegiado não tem competência para examinar a argumentação exposta em sede de impugnação ao lançamento do crédito tributário. No momento próprio, se for o caso, poderá o Contribuinte oferecer suas razões de defesa perante o Ministério Público Federal, a quem competirá propor a ação penal, se entender cabível. Desse modo, não se deve tomar conhecimento, em sede de impugnação, das alegações acerca do cabimento ou não da representação fiscal para fins penais. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11040.720262/201103 Acórdão n.º 140201.039 S1C4T2 Fl. 0 20 Conclusão Pois bem, (i) diante das provas patentes e incontestes da pratica de omissão de receitas pelo contribuinte, apurada em seus próprios livros fiscais, (ii) da flagrante tentativa de ocultar o conhecimento do Fisco dos valores efetivamente auferidos, mediante declarações eivadas de idoneidade (DSPJ, DIPJ e DCTF), (iii) bem como ter deixado de prestar os esclarecimentos e informações, e documentação solicitados durante a auditoria, limitandose a pedir prorrogação e não cumprir os prazos, concluo que o procedimento fiscal não merece reforma, sendo que o não atendimento às intimação potencializou o evidente intuito de fraude. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 19647.020860/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO
No que tange à ciência da prorrogação do procedimento fiscal, possui jurisprudência reiterada no sentido de que meras irregularidades do procedimento fiscal e sua prorrogação não são suficientes para anular o lançamento.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES. AQUISIÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL. DOAÇÃO. PROVA.
Sem a comprovação da idoneidade do Livro Diário, não há como considera-lo prova suficiente para fundamentar o provimento deste recurso. Este é o entendimento já seguido em outras situações por esta Turma.
A mera apresentação de Declarações de Imposto de Renda não constitui prova quanto à efetiva ocorrência da doação, sendo exigida a apresentação do respectivo documento no qual esteja retratado o respectivo ato/fato jurídico.
RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL. DESQUALIFICAÇÃO.
Quando não há prova da receita rural obtida pelo contribuinte, a Fiscalização pode requalificar a parcela 20% da receita bruta da atividade rural já oferecida à tributação pela sistemática do art. 5º Lei nº 8.023/90, considerando-os como origem de natureza genérica para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto.
Numero da decisão: 2202-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor das despesas médicas no montante de R$60,00.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO No que tange à ciência da prorrogação do procedimento fiscal, possui jurisprudência reiterada no sentido de que meras irregularidades do procedimento fiscal e sua prorrogação não são suficientes para anular o lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES. AQUISIÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL. DOAÇÃO. PROVA. Sem a comprovação da idoneidade do Livro Diário, não há como considera-lo prova suficiente para fundamentar o provimento deste recurso. Este é o entendimento já seguido em outras situações por esta Turma. A mera apresentação de Declarações de Imposto de Renda não constitui prova quanto à efetiva ocorrência da doação, sendo exigida a apresentação do respectivo documento no qual esteja retratado o respectivo ato/fato jurídico. RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL. DESQUALIFICAÇÃO. Quando não há prova da receita rural obtida pelo contribuinte, a Fiscalização pode requalificar a parcela 20% da receita bruta da atividade rural já oferecida à tributação pela sistemática do art. 5º Lei nº 8.023/90, considerando-os como origem de natureza genérica para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor das despesas médicas no montante de R$60,00. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.012 1 1.011 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.020860/200858 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.279 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ ROBERTO DIAS GOMES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO No que tange à ciência da prorrogação do procedimento fiscal, possui jurisprudência reiterada no sentido de que meras irregularidades do procedimento fiscal e sua prorrogação não são suficientes para anular o lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES. AQUISIÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL. DOAÇÃO. PROVA. Sem a comprovação da idoneidade do Livro Diário, não há como considera lo prova suficiente para fundamentar o provimento deste recurso. Este é o entendimento já seguido em outras situações por esta Turma. A mera apresentação de Declarações de Imposto de Renda não constitui prova quanto à efetiva ocorrência da doação, sendo exigida a apresentação do respectivo documento no qual esteja retratado o respectivo ato/fato jurídico. RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL. DESQUALIFICAÇÃO. Quando não há prova da receita rural obtida pelo contribuinte, a Fiscalização pode requalificar a parcela 20% da receita bruta da atividade rural já oferecida à tributação pela sistemática do art. 5º Lei nº 8.023/90, considerandoos como origem de natureza genérica para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 08 60 /2 00 8- 58 Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor das despesas médicas no montante de R$60,00. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.013 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em razão de requerimento apresentado pela Juíza Federal Silvia Maria Rocha, foi iniciado procedimento de fiscalização em nome do recorrente (fls. 3739), ocasião em que foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua movimentação bancária durante os anos calendários 2003 e 2004. Notificado em 26/02/07 (fl. 40), o recorrente ofereceu resposta (fls. 4142), informando que estava domiciliado em Recife e solicitou que a Fiscalização fosse transferida para sua nova residência com a concessão de novo prazo para entrega dos documentos solicitados. Verificada a veracidade dos fatos, o procedimento fiscal foi transferido para a DRF/RECIFE (fls. 4829). Em 27/06/07 o recorrente foi intimado, agora em Recife, para apresentar, em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004: a) documentação comprobatória, com discriminação mensal, de todos os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos e seus dependentes; b) documentação comprobatória, com discriminação mensal, da receita da atividade rural; c) documentação comprobatória do efetivo recebimento do rendimento isento e não tributável declarado, relativo à doação recebida da Sra. Ana Paula D. G. Barbosa, no valor de R$ 869.461,17; d) Informes de Rendimentos Financeiros fornecidos pelas instituições financeiras para efeito de elaboração da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física; e) documentação comprobatória da aquisição de bens ou direitos discriminados em lista anexa (fls. 6364). Ciente em 02/07/07, e após solicitação de novo prazo (fl. 67), foi novamente intimado (fls. 7072). Nesta oportunidade o recorrente juntou os seguintes documentos em relação aos anos calendário 2003 (fls. 74219) e 2004 (fls. 220342): a) recibo de entrega de Declaração de Ajuste Anual Completa (fls.7684); b) comprovantes de rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte em 2003 (fls. 85178) e 2004 (fls. 220 276 e 279307); c) receitas da Atividade Rural em 2004 (fls. 277278); d) comprovantes de rendimentos financeiros de instituições financeiras em 2003 (fls. 179180) e 2004 (fls. 307308); e) comprovantes de aquisição de bens ou direitos em 2003 (fls. 181219); e.1) aquisição de um Jeep Cherokee; e.2) aquisição de quotas de capital; e.3) subscrição e integralização de 298.000 quotas de capital e declaração de ajuste anual. f) comprovantes de aquisições de bens e direitos em 2004: f.1) subscrição de 700 quotas de capital (fls. 309317); f.2) aquisição de apartamento no edifício dona izabel (fls. 318320); f.3) aquisição de ações nominativas (fls. 320323); Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 4 f.4) crédito de Club Finacap de Investimentos (fls. 342325); f.5) consórcio Rodobens (fls. 326342). Em 14/09/07 o recorrente foi novamente intimado para apresentar (fls. 343 344), em relação aos anos calendários 2003 e 2004: a) documentação comprobatória, com discriminação mensal, das receitas e despesas da atividade rural; b) em relação às doações recebidas da Sra. Ana Paula Dias Gomes Barbosa, documentação comprobatória do recebimento bem como guia de arrecadação de ITCD; c) documentação comprobatória da aquisição dos seguintes bens ou direitos listados; d) documentação comprobatória dos pagamentos e doações efetuados relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual. Notificado em 21/09/07 (fl. 345), o recorrente apresentou declaração alegando ter ocorrido incêndio na propriedade onde estavam arquivados os documentos da atividade rural declarada em DIRPF nos anos calendários 2003 e 2004. Acrescentou, quanto à solicitação de comprovação de pagamento de ITCD, que o tributo não foi pago em razão do desconhecimento de sua exigência (fl. 346). Por fim, anexou (fls. 347452) a) Boletim de Ocorrência (fls. 347348); b) Comprovantes de Pagamentos e Doações dos anos 2003 e 2004 (fls. 350 452) Em 10/03/08 (fls. 453454), o recorrente foi intimado para apresentar, em relação ao ano calendário de 2004: a) documentação comprobatória dos rendimentos isentos e não tributáveis recebidos a título Lucros e Dividendos no montante de R$ 631.951,53, conforme informado em sua Declaração de Ajuste Anual; b) os comprovantes dos meses de novembro e dezembro da despesa com instrução de dependente Luiza Guimarães Gomes; c) comprovantes de pagamentos mensais (faturas/extratos mensais) efetuados a título de gastos com cartões de crédito, de titularidade de V.Sa. e de seus dependentes. d) Livro Diário da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ 02.909.530/000182. Ciente em 13/03/08, o recorrente ofereceu resposta (fl. 456) arguindo que houve erro escritural nas declarações de IRPF dos anos calendário entre 1999 e 2004, referentes aos pagamentos realizados nos consórcios para compra de Jeep Cherokee. Sustentou ter solicitado comprovantes do pagamento de parcelas de despesa de instrução da dependente Luíza Guimarães, assim como os demais documentos do procedimento fiscal. Juntou comprovantes referentes à aquisição de veículo, cópia de faturas de cartão de crédito e cópia de extrato de mútuo firmado em 2003, fruto de empréstimo realizado pelo Sr. José Osmar Alves (fls. 457567). O Fisco intimou novamente o recorrente (fls. 568569), em 30/05/08, para juntar ao procedimento de fiscalização, em relação ao ano calendário de 2003: a) em relação à empresa Gêneses Importadora e Exportadora Ltda, Considerando que a integralização de capital realizada informada em sua Declaração de Ajuste Anual foi no montante de R$ 200.040,00, e foram Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.014 5 anexadas folhas do Diário da empresa com lançamentos de integralização de quotas que atingem o montante de R$ 162.258,67, apresentar documentação comprobatória hábil e idônea da diferença observada; b) apresentar todos os demais comprovantes de pagamentos mensais (faturas/extratos mensais) efetuados a título de gastos com cartões de crédito, de titularidade de V.Sa. e de seus dependentes, além dos já entregues por meio do Protocolo de Entrega de Documentos datado de 02/04/2008 e recebidos por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil nessa mesma data; c) apresentar o Livro Diário da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ 02.909.530/000182; Notificado da intimação em 05/06/08, o recorrente apresentou manifestação em 18/06/08 (fl. 571817), sustentando, em síntese, que houve um equivoco na elaboração da DIRPF AnoCalendário 2002, na Declaração de Bens e Direitos, desse modo, juntou esquema de como a declaração deveria ter sido feita. Anexou, ainda, em relação ao ano calendário 2004, extratos bancários e folhas do Diário onde consta o registro da distribuição na Federal Petróleo e recibos e comprovantes dos meses de novembro e dezembro de 2004 da dependente Luiza Gomes Guimarães. Relata que sua filha e dependente esteve doente por determinada período no qual não houve pagamento à escola. Por fim, juntou comprovantes de pagamentos mensais de cartão de crédito. Em 08/10/08 (fls.818850), recorrente juntou ao processo: a) cópia da certidão de casamento; b) cópia da escritura do imóvel situado na Rua Real da Torre, n° 1450, tendo como comprador a empresa Padrão Comércio e Incorporação de Imóveis Ltda; c) extrato do Credícard do período de março/2003 e dezembro/2003. Em 16/10/08 (fls. 852855): a) cópia de declaração emitida pela Queiroz Galvão Empreendimentos S/A, referente ao contrato firmado de compra e venda do Apartamento n° 801, do Edifício Dona Izabel, situado na Av. Boa Viagem, n° 1196, em 22 de julho de 2004, com o Sr José Roberto dias Gomes da Silva e sua esposa, Cristiana Barbosa Guimarães; b) cópia de declaração emitida pela Sra Ana Paula Dias Gomes Barbosa, referente a transferência a título de doação de quotas da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Ltda para seus irmãos; José Roberto Dias Gomes da Silva e José Romero dias Gomes da Silva em 07/03/2004. Em 28/10/08 (fls. 866869): a) cópia de Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios e outros Pactos. Cedente: Padrão Comércio e Incorporação de Imóveis Ltda; Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 6 b) cópia de Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios e outros Pactos: Cedente: José Romero Dias Gomes. Cedente: José Romero Dias Gomes; c) cópia de Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios e outros Pactos. Cedente: José Romero Dias Gomes. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 04/12/2008 (fls. 134), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anos calendários 2003 e 2004, apurando crédito tributário no montante de R$ 418.350,45, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. As infrações imputadas foram (a) acréscimo patrimonial a descoberto (b) dedução de base de cálculo pleiteada indevidamente (c) dedução indevida com despesa de instrução. 3 Impugnação Ciente em 06/12/08, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 894895), esgrimindo os seguintes argumentos: a) na época do procedimento e da lavratura do auto de infração, estava em vigor a Portaria RFB nº 1.265/99, a qual determinava que procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal somente seriam instaurados mediante ordem específica de autoridade hierarquicamente superior, denominada de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; b) de acordo com a Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007 e suas posteriores alterações, vigentes à época, existem requisitos essenciais a serem observados quando da expedição do MPF, para que o respectivo procedimento fiscal por ele instaurado seja válido, sob pena da decretação da sua nulidade; c) claramente se pode constatar que vários atos administrativos que compuseram o procedimento fiscal deixaram de obedecer aos requisitos essenciais da legislação tributária, imprescindíveis ao respeito ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à perfectibilidade e exigidos para a validade dos mesmos, o que resulta em tornar nulo o ato de lançamento e a respectiva exigência; d) no momento da autuação faltava o requisito da competência, em razão da inexistência de ordem de autoridade hierarquicamente superior; e) tanto a Portaria que regulamentava a emissão de MPF no início do procedimento, na Delegacia da RFB em Recife, quanto a Portaria que a regulamentava ao momento da Lavratura do Auto de Infração, dispunham que o respectivo instrumento deveria conter seu prazo de duração, e que o sujeito passivo deveria ser cientificado da expedição e de todas as prorrogações do MPF. Mesmo na hipótese de a prorrogação ser realizada via Internet, ainda assim, a fim de convalidar o procedimento, ao primeiro ato de ofício praticado pela autoridade, o sujeito passivo deverá ser cientificado. Não foi o que ocorreu no caso. Portanto, o procedimento fiscal deuse com total afronta aos princípios da legalidade, do devido processo Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.015 7 legal, do contraditório, da ampla defesa, da moralidade, da eficiência e da segurança jurídica; f) quanto à imputação de acréscimo patrimonial a descoberto, o auditor fiscal considerou como data efetiva da subscrição, integralização das 298.000 quotas e data de pagamento, a data de Agosto de 2003, constante no Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Sociedade Comercial Limitada e no recibo de pagamento por essa aquisição. No entanto, o Impugnante só teve recursos para tanto em novembro em 2003. Assim a data que deve constar como de aquisição das quotas é a 24/11/03, ocasião em que o Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Sociedade Comercial Limitada foi registrado na Junta Comercial, consoante fazem prova os documentos em anexo (docs. 03 e 04). Esta também é a data do registro contábil do pagamento no Livro Diário da empresa, conforme cópias das folhas do Livro Diário apresentadas (fls. 446 a 449 do Auto de Infração). O fato de constar recibo de pagamento com data anterior demonstra um mero equívoco por parte da Sociedade Empresária; g) o Instrumento Particular de Alteração e Consolidação da Sociedade somente produziu efeitos jurídicos a partir do seu arquivamento na Junta comercial do Estado de Pernambuco em 24 de novembro de 2003, data do efetivo pagamento e aquisição das quotas; h) quanto às quotas da Empresa Federal de Petróleo, houve um erro por parte do responsável pela elaboração do Instrumento Particular de Alteração Contratual, uma vez que as quotas foram transferidas a título de doação, consoante prova o Recibo de Doação (fl. 439), Declaração de Doação (fl. 855) a Declaração de Imposto de Renda da Sra. Ana Paula Dias Gomes Barbosa (Doe. 05) e a Declaração de Imposto de Renda do Impugnante (fl. 60). Assim, não há acréscimo patrimonial a descoberto no mês de março de 2004, da mesma forma como não haveria nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, por existir saldo disponível para tanto; i) em não sendo suficientes os argumentos apresentados, temse que o impugnante sempre possuiu disponibilidade de recursos suficientes para cobrir os seus dispêndios com aquisição de bens e direitos, em face dos recursos obtidos com a atividade rural desenvolvida na Fazenda Boa Vista (Maragogi/AL). j) quanto às deduções indevidas com despesas médicas, a Lei n° 9.250/95 não faz distinção quanto ao serviço prestado ou bem adquirido, desse modo, para a formação da base de cálculo do imposto interessa tão somente que os gastos tenham sido realizados mediante pagamentos efetuados a hospitais. Por fim, anexou: a) instrumento Particular de Alteração e Consolidação do Contrato de Sociedade Comercial Limitada, sob a denominação de PADRÃO NEGÓCIOS E INVESTIMENTOS LTDA (fls. 921923). Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 8 b) consolidação Do Estatuto Social Da Gênesis Distribuidora De Petróleo LTDA (fls. 924927); c) declaração de Ajuste Anual em nome de Ana Paula Dias Gomes Barbosa (fls. 930936). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 2ª Turma da DRJ/REC (fls.949967), mantendo o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados, em síntese, os seguintes fundamentos: a) eventuais falhas no MPF, ou até mesmo a sua ausência, podem suscitar responsabilidade administrativa do Auditor Fiscal, nunca, porém, terão força para retirar deste a competência para efetuar o lançamento ou para inutilizar o ato por ele validamente efetivado, pois as referidas Portarias não abordam aspectos relacionados com a competência para constituição do crédito tributário pelo lançamento. E nem poderia fazêlo, pois, consoante o Princípio da Hierarquia das Normas, ato inferior à lei não pode contrariar, restringir ou ampliar suas disposições, já que as atribuições da autoridade administrativa fiscal para efetuar o lançamento, estão devidamente definidas no art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, sendo o MPF um elemento de controle da administração tributária, não tem ele o poder de influir na legitimidade do lançamento tributário; b) o lançamento tributário em questão não foi lavrado por pessoa incompetente, ou com restrição ao direito de defesa, causas de nulidade de que tratam os incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235\72. Os atos e termos foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, pessoa legalmente habilitada para sua prática, respeitando os comandos previstos no art. 10 daquele decreto, em rigorosa obediência ao princípio do devido processo legal. É somente em face da demonstração de prejuízos causados à parte que as irregularidades processuais podem acarretar a nulidade de determinado ato, do contrário seria sobrepor as formalidades processuais ao seu real objetivo; c) a jurisprudência administrativa é pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado, conforme Acórdãos emanados do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; d) a lei estabelece que o registro contábil, para fazer prova dos fatos nele escriturados, deverá ser mantido com observância de determinados parâmetros e comprovado por documentos hábeis. No plano formal, verificase que o fiscalizado apenas apresentou cópias das folhas do Livro Diário Geral (fl. 00059) e do Razão Analítico, sem os respectivos Termos de Abertura e Encerramento, providência que permitiria afastar qualquer dúvida acerca da idoneidade dos mesmos. Contudo, o impugnante não trouxe aos autos qualquer outra prova que permitisse demonstrar, de forma hábil, que o aporte de capital relativo à integralização de R$ 298.000,00 ocorreu no dia 24/11/2003; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.016 9 e) sobre o recibo à fl. 210, é conveniente aduzir, a princípio, que se refere a uma prova que levanta indícios de que a integralização das quotas ocorrera em agosto de 2003, segundo nele consta escrito. Este documento institui vínculo entre as partes, mas para ter eficácia perante terceiros carecem de complementação. Desta forma, esta prova é complementada pelas informações contidas no instrumento de alteração contratual mencionado (fls. 203209), o qual é dotado de fé pública, tendo em vista o seu registro na Junta Comercial do Estado de Pernambuco. Com efeito, neste instrumento de alteração de contratual consta a informação de que a integralização de quotas ocorreu no dia 12/08/2003. f) é oportuno frisar que as informações prestadas na DIRPF devem ser, a critério da autoridade fiscal, comprovadas pelo sujeito passivo por meio de documentação hábil e idônea, o que equivale a dizer que o fato de existir a informação na DIRPF não exime o seu declarante de comprová la. As provas juntadas pelo impugnante (recibo e declaração) carecem de complementação e/ou cumprimento de formalidades legais para terem a eficácia suficiente para comprovar, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a aquisição das 6.000 quotas ocorreu a título gratuito (doação). g) o próprio impugnante ao optar pelo tratamento tributário privilegiado correspondente a 20% do rendimento bruto mensal informado na DIRPF, abriu mão da apuração do imposto de renda pela diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas de custeio e dos investimentos pagos no ano calendário. Assim, a parcela não tributada é considerada consumida, não podendo justificar acréscimo patrimonial. Além deste aspecto, o acatamento da justificativa do impugnante, no sentido de apurar o resultado da atividade rural pela diferença citada (receita menos despesas) implicaria a retificação da sua DIRPF, o que é defeso ao contribuinte após iniciado o procedimento fiscal. h) a dedução com vacinas pleiteada não encontra amparo no conceito de despesa médicas, por falta de previsão legal. Tal entendimento é homologado pelo então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. i) a fiscalização glosou parte da dedução com despesa com instrução da dependente Luíza Guimarães Gomes. O autuado não faz nenhuma menção expressa em sua impugnação relativamente a esta glosa, o que permite presumir a sua aceitação tácita em relação a esta parte do lançamento. 5 Recurso Voluntário O recorrente interpôs, tempestivamente (fl. 1009), recurso voluntário, em 29/07/2011 (fls. 971989), repisando os argumentos da impugnação e acrescentando que, de acordo com a citada Portaria RBF n° 4.066, de 2 de maio de 2007 e suas posteriores alterações, vigentes à época da autuação sob açoite, existem requisitos essenciais a serem observados quando da expedição de MPF, pela Administração Tributária, para que o respectivo procedimento fiscal, por ele instaurado, seja válido, sob pena da decretação da sua nulidade. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 10 Constatase que vários atos administrativos que compuseram o procedimento fiscal deixaram de obedecer aos requisitos essenciais da legislação tributária, imprescindíveis ao respeito ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à perfectibilidade e exigidos para a validade dos mesmos o que resulta em tornar nulo o ato de lançamento e a respectiva exigência. Portanto, o procedimento fiscal deuse com total afronta aos princípios da legalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, da moralidade, da eficiência e da segurança jurídica, pois, na data da expedição do Auto de Infração a autoridade fiscal que procedeu à respectiva lavratura não detinha mais qualquer competência legal para lançar crédito tributário contra o impugnante em decorrência do MPF original. É o relatório. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.017 11 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A controvérsia pode ser dividida em três pontos questionados pelo recorrente: (a) nulidade de procedimento de fiscalização; (b) acréscimo patrimonial a descoberto; (c) deduções indevidas. Oportuno se faz, portanto, análise tópica dos requerimentos. 1 Da Nulidade do Procedimento de Fiscalização Cumpre juntar ao voto criteriosa análise feita pela 2ª a Turma da DRJ/REC (fls. 956947) quanto ao procedimento fiscal: “Pelas pesquisas de fls. 944948, constatase que o MPF 04.1.01.002007006790 foi emitido em 05/06/2007 e a ciência ao fiscalizado ocorreu em 02/07/2007 por meio da intimação de fl. 66. Este MPF teve suas prorrogações sucessivas em 28/08/2007, 27/10/2007, 26/12/2007 e 24/02/2008, sendo que esta última prorrogação teve validade até 24/04/2008. Para o cumprimento destes mandados foram designados os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) Ricardo Monteiro de Araújo e Renata Ribeiro Aragão, esta última incumbida da supervisão da fiscalização. Na seqüência foi expedido novo MPF, n2 04.1.002008002453, sendo observada a permanência do AFRFB Ricardo Monteiro de Araújo, e substituição da supervisão, a qual passou a ser exercida pelo AFRFB Maurício de Andrade Lima. Este MPF foi emitido em 07/03/2008, e as suas prorrogações ocorreram sucessivamente em 05/07/2008, 03/09/2008 e 02/11/2008, sendo que esta última prorrogação teve validade até 01/01/2009. À fl. 455 está a intimação onde consta a informação da alteração do MPF nº 2 04.1.01.002007 006790 pelo de nº 04.1.01.002008002453, quando ocorreu a modificação da supervisão da fiscalização em exame. Cabe apontar que as prorrogações dos MPF foram efetuadas observandose o prazo máximo previsto nos artigos 12 e 13 acima referenciados (Portaria RFB n11.371, de 12 de dezembro de 2007). No entanto, não foram localizadas nos autos as ciências das prorrogações dos MPF, conforme previsto na Portaria RFB 11.371, de 2007. A respeito desta falta de comunicação, cumpre repisar que o MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade da ação fiscal as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, conforme discorrido alhures. Convém mencionar que o auto de Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 12 infração foi efetuado em 04/12/2008 e a sua ciência ocorreu em 06/12/2008 por meio da intimação de fl. 891. Tal fato permite concluir que no momento do lançamento o AFRF autuante dispunha de mandado vigente. Ademais, não procede a alegação da imprescindibilidade de autorização específica e expressa do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois no caso em tela não se verificou início de novo procedimento fiscal para um mesmo contribuinte, com relação a período já anteriormente fiscalizado, conforme apontado pelo impugnante.” (grifo nosso) Concordo com a análise efetuada e com o resultado alcançado pela DRJ, pelos motivos que passo a expor. Existiram, no caso, dois Procedimentos de Fiscalização, compostos por três Mandados de Procedimento Fiscal. O início da fiscalização ocorreu em São Paulo, com MPF nº 08.1.90.002007003420, datado de 13/02/07, (fls. 3739). Em resposta, o recorrente comprovou estar domiciliado na cidade de Recife, e solicitou a transferência da investigação para essa cidade. Deferido o requerimento (fls. 4849), foi enviado dossiê à DRF/RECIFE para que tomasse as devidas providências, encerrandose a investigação na DRF São Paulo. Analisados os autos, a DRF/RECIFE iniciou investigação fiscal, emitindo MPF nº 04.1.01.00 2007006790, ocasião em que o recorrente restou intimado a prestar esclarecimentos (fls. 63 65). O último MPF foi lavrado em (453455), com objetivo de ampliar a competência da investigação, de acordo com Relatório de Fiscalização (fls. 1234). Conforme trecho acima colacionado do acórdão da DRJ, todos os prazos para prorrogação e cumprimento dos Mandados de Procedimento Fiscal foram respeitados. Quanto à alegação de incompetência do AFRFB, tal argumento não procede. O art. 16 da Portaria RFB nº 4.066/07 determina o seguinte: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. Ocorre que, no caso, houve decurso do prazo de 120 dias, mas a fiscalização realizou sucessivas prorrogações do MPF (fls. 944945), utilizandose da prerrogativa a ela estendida pelo art. 13. Assim, vez que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.01.002008 002453 foi emitido durante investigação vigente, não há necessidade de substituição do Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.018 13 auditor responsável pela execução do procedimento. Não há que se falar, portanto, em incompetência para lançar tributo devido. Ante o exposto, não vislumbro qualquer irregularidade capaz de anular o Auto de Infração. Cumpre salientar, por fim, que o CARF, no que tange à ciência da prorrogação do procedimento fiscal, possui jurisprudência reiterada no sentido de que meras irregularidades do procedimento fiscal e sua prorrogação não são suficientes para anular o lançamento, vejase: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. (CSRF, 2ª Turma, acórdão nº 9202002.519, Rel. Luiz Eduardo De Oliveira Santos,13 /03/2013) Merece destaque, nesse sentido, precedente do Conselho que destaca a prorrogação de prazo para Mandado de Procedimento Fiscal não demanda intimação pessoal, já que os atos da fiscalização podem ser verificados via internet. Junto o precedente: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. REGISTRO ELETRÔNICO NA INTERNET. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. As prorrogações do MPF serão efetuadas pela respectiva autoridade outorgante, procedidas por intermédio de registro eletrônico no mesmo endereço indicado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, as quais permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. (CARF, 2ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma, acórdão nº 2302 002.063, Rel. Arlindo da Costa e Silva, 18/09/2012). 2 Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto Conforme Demonstrativo de Variação Patrimonial (fls. 825839), em relação ao ano calendário de 2003, foi apurado Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos meses de abril Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 14 e agosto, nos valores R$ 8.854,03 e R$ 286.105,55, respectivamente. Em relação ao ano calendário de 2004, foi apurado Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos meses de março (R$ 235.657,91), outubro (R$ 1.4877,75), novembro (R$ 21.719,16) e dezembro (R$ 105.422,48). Nos termos do art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713/88, a constatação de acréscimo patrimonial desprovida de rendimentos que lhe sirvam de esteio constitui fato suficiente à exigência do respectivo Imposto sobre a Renda. Cabe ao contribuinte demonstrar que detinha capacidade econômica para cobrir os dispêndios comprovados pela Fiscalização. Assim, para melhor clareza do voto, analiso os argumentos do recorrente topicamente. 3 Da subscrição e integralização de quotas de capital na empresa Gênesis Distribuidora de Petróleo, no valor de R$ 298.000,00: Conforme consolidação do Estatuto Social da Genêsis Distribuidora de Petróleo LTDA (fl. 204), o recorrente subscreveu e integralizou o valor equivalente a 298.000 quotas na empresa, pelo valor de R$ 298.000,00. Esse documento é datado de 12/08/03, tendo sido registrado na junta comercial em 24/11/03. O recorrente sustenta que deve ser considerada como efetiva data da integralização o dia 24 de novembro de 2003, momento em que o Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Sociedade Comercial Limitada foi registrado na Junta Comercial. Anexou, como comprovante, partes do Livro Diário da empresa (fl. 446449). Por fim, aduz que em novembro possuiria recursos para tal operação. Não merece, contudo, guarida esse argumento. O recorrente anexou recibo datado de 12/08/03, no qual os demais sócios da empresa, José Gomes da Silva e José Romero Dias Gomes da Silva (fls. 210), declaram ter recebido do recorrente, no dia 12/08/13, o valor de R$ 298.000,00, em moeda corrente e legal do país, correspondente a subscrição e integralização de 298.000 (duzentos e noventa e oito mil) quotas de capital da firma Gênesis Distribuidora de Petróleo Ltda. Essa data confere com a data do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Sociedade Comercial Limitada (fls. 927) e Estatuto Social da Gênesis Distribuidora de Petróleo LTDA (fl. 204). O recibo juntado comprova a existência de relação jurídica interpartes, convalidando o recebimento de valores por um dos componentes. Para infirmar tal prova, o recorrente deveria apresentar elementos substanciais de que os valores foram repassados efetivamente em novembro. Contudo, isso não ocorreu. O recorrente não trouxe aos autos outros elementos de prova capazes de comprovar que a movimentação financeira em novembro, quando teria recursos para tanto. Quanto ao Livro Diário juntado, é possível identificar o registro contábil datado em 24/11/03 (fl. 446), registrando aporte de capital em nome do recorrente, no valor de R$ 298.000,00. Quanto ao valor probatório de registros contábeis, assim prescreve o art. art. 923 do Decreto nº 3.000/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Com relação às disposições legais exigidas, o art. 1.181 do CC prevê: Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.019 15 Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Não foi juntada ao processo cópia completa do Livro Diário do ano de 2003, somente folhas de meses separados, bem como não foi anexada a capa do Livro contendo o Registro Público exigido pelo Código, o que o infirma enquanto prova. Assim, sem a comprovação da idoneidade do Livro Diário juntado, não há como consideralo prova suficiente para fundamentar o provimento deste recurso. Cumpre salientar que este é o entendimento já seguido em outras situações por esta Turma, conforme ementa abaixo: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. EXCLUSÃO DE VALORES INFERIORES A R$ 1.000,00. PRÁTICA REITERADA. “Ocorre que os Livros Diário e Razão juntados não possuem autenticação prévia à abertura, o que os infirma enquanto prova, diante dos requisitos exigidos pelo art. 1.181, do Código Civil. A autenticação presente nos livros foi realizada em 17 de setembro de 2010, muito após o encerramento do ano fiscal de 2003,” (CARF, 2ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma, acórdão nº2202002.122, Rel. Rafael Pandolfo, 11/01/2013) Por fim, o recorrente, ao invés de trazer documentos que comprovassem que o pagamento ocorreu em novembro de 2003, fez o contrário, juntando ele próprio declarações de seus sócios afirmando o recebimento do valor referente à subscrição e integralização das quotas em agosto, data que, como já dito, coincide com a data da assinatura do contrato. 4 Da aquisição de 6000 quotas de capital da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Colaciono trecho do Instrumento de Instrumento Particular de Alteração e Conciliação do Contrato de Sociedade Limitada, sob a denominação de FEDERAL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, datado de 07/03/04 (fl. 282), vejase: CLAUSULA PRIMEIRA: A sócia Ana Paula Dias Gomes Barbosa é titular e I possuidora de 18.000 (dezoito mil) quotas do capital social no valor de R$ 100,0 reais), cada uma, importando em R$ 1.800.000,00 (um milhão e oitocentos mil) totalmente integralizada e com a anuência expressa do sócio Roberto Abraham Abrahamían Asfbra, cede e transfere 6.000 (seis mil) quotas sociais, para o novo contratante JOSÉ ROMERO DIAS GOMES DA SILVA, pelo preço certo e ajustado de R$600.000,00 (seiscentos mil reais), pagos neste ato em moeda legal e corrente do país, bem como também com a anuência expressa do sócio Roberto Abraham Abrahamían Asfora, a sócia Ana Paula Dias Gomes Barbosa cede e transfere 6.000 (seis mil) quotas sociais, para o novo contratante JOSÉ ROBERTO DIAS GOMES DA SILVA, pelo preço certo e ajustado de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), pagos neste ato em moeda legal e corrente do país; Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 16 O contrato possui registro público (fl. 289), guardando, pois, fé pública e constituindo prova contra terceiros. O recorrente sustenta que a aquisição das 6.000 cotas se deu por meio de doação efetuada por Ana Paula Dias Gomes Barbosa, no valor de R$ 600.000,00, em seu benefício. Juntou para comprovar a sua alegação Recibo de Doação (fl. 439), a Declaração de Doação (fl. 855), a Declaração de Imposto de Renda da Sra. Ana Paula Dias Gomes Barbosa (fls. 855) e a Declaração de Imposto de Renda do Impugnante (fl. 60). Nesse quesito, do mesmo modo, as provas apresentadas não se mostram suficientes para infirmar a natureza da operação descrita no que conferiu a titularidade das quotas ao recorrente. Cumpre salientar, a mera apresentação de Declarações de Imposto de Renda não constitui prova quanto à efetiva ocorrência da doação, sendo exigida a apresentação do respectivo documento no qual esteja retratado o respectivo ato/fato jurídico. Essa a correta linha na qual caminha a jurisprudência desse Conselho: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Recurso voluntário negado.” Grifamos. (CARF, 6ª Câmara, Turma Ordinária, Acórdão nº 10617200, Rel. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, 17/12/2008) IRPF Exercício: 2005 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO EM CAIXA. Havendo questionamento por parte da autoridade fiscalizadora acerca dos valores informados na declaração de bens e direitos, da declaração de ajuste anual de IRPF, a título de “numerário em caixa”, para que tais quantias possam ser consideradas na apuração da variação patrimonial, é necessário que o contribuinte apresente elementos de prova aptos a permitirem a convicção de que o dado declarado corresponde à realidade. DOAÇÃO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.020 17 Havendo dúvidas quanto à veracidade das operações de mútuo e doação, informadas na declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem que o numerário efetivamente ingressou no patrimônio do beneficiário. Na ausência de tais elementos, legítima a descaraterização dessas operações. OPERAÇÕES DESCRITAS EM DOCUMENTO PARTICULAR. VALIDADE. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário, não sendo válidas contra terceiros. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão: 2801002.715, Rel. Walter Reinaldo Falcão Lima, data 16/10/2012) 5 Dos Rendimentos da atividade rural O recorrente sustenta que auferiu rendimentos rurais suficientes para excluir a imputação de acréscimo patrimonial a descoberto em relação ao mês de abril de 2003. Alegou que não foram considerados os valores não tributáveis nos montantes de R$ 159.105,88 (2003) e R$ 175.669,13 (2004), conforme Declarações de Ajuste Anual dos anos calendários 2003 e 2004 (fls. 5362). Aduz que toda documentação referente à atividade rural foi perdida em incêndio ocorrido em sua propriedade conforme ocorrência policial de fls. 347. O valor que o recorrente pleiteia como origem corresponde à diferença entre o resultado da atividade rural declarado em sua DIRPF (fls. 57 e 62) e o valor considerado como origem a partir do arbitramento do resultado da atividade rural à razão de 20% da receita da atividade rural, conforme tabela abaixo: Ou seja, o pedido do recorrente é no sentido de considerar como origem o verdadeiro resultado da atividade rural declarado em DIRPF, ao invés de somente os 20% considerados para fins de tributação, na sistemática da Lei nº 8.023/90: Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Da análise do Termo de Variação de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fls. 875879), depreendese que a Fiscalização e a decisão recorrida (fl. 965 e 979 do e processo) entenderam que, mesmo tendo o contribuinte optado pela forma privilegiada de tributação da atividade rural (20% da receita bruta do anocalendário), a parcela não tributada dos rendimentos da atividade rural (80% dos rendimentos) deveria ser considerada consumida, não podendo justificar o acréscimo patrimonial. Anocalendário 2003 2004 Receita Bruta R$ 231.738,06 R$ 243.825,82 Arbitramento R$ 72.632,18 R$ 68.156,69 Resultado R$ 159.105,88 R$ 175.669,13 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 18 Assim, a Fiscalização entendeu que não poderia ser considerada a receita bruta como renda da atividade rural. Contudo, como o recorrente já havia submetido 20% da receita bruta declarada como de atividade rural à tributação, a Fazenda requalificou esta parcela como rendimentos genéricos, e os lançou na tabela de variação patrimonial, a fim de justificar o acréscimo patrimonial do recorrente. Esta Turma entende que a legislação de Imposto de Renda, ao determinar que é considerada tributável 20% da receita da atividade rural, não estipula um regime de lucro presumido para a atividade rural, mas sim um benefício que isenta 80% da receita da atividade rural. Tal posicionamento, inclusive, implica no entendimento de que 20% da receita da atividade rural é o limite da tributação, mesmo que na apuração das despesas a Fiscalização chegue à conclusão de que os custos são inferiores a 80% da receita, podendo, no entanto, serem tributados menos de 20% caso seja comprovado que o lucro da atividade é inferior a este percentual. O dever de fiscalização e busca da verdade material inerente ao princípio da legalidade que rege o procedimento de lançamento demanda que os lançamentos à tabela de variação patrimonial sejam efetuados da forma receita/origem x despesa/dispêndio. Sendo assim, entendo que em razão da inexistência de comprovação da receita da atividade rural o valor correspondente ao arbitramento de 20%, reconhecido pelo contribuinte para fins de tributação, foi requalificado, passando a ser rendimento de outra natureza. Foi esse o procedimento adotado pelo Fisco no lançamento, de forma que os valores resultantes do arbitramento foram, corretamente, somados aos demais rendimentos do contribuinte para apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. Desse modo, deve ser mantido o valor de 20% da receita bruta da atividade rural já lançado como origem na Tabela de Variação Patrimonial. 6 Das deduções indevidas O recorrente deduziu da base de cálculo do imposto de renda despesas com pagamento de vacinas e raiox (fls. 380384). O art. 8º da Lei 9.250 determina que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas com saúde, definidas como “pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias”. Ao contrário do que afirma o recorrente, podem ser deduzidas, em relação aos pagamentos efetuados a hospitais, despesas relativas a internações – conforme orientação da Receita Federal (IRPFinformações 2013). No caso, contudo, não foi prestado serviço de internação, mas sim aplicação de vacina, cuja possibilidade de dedução não está prevista em lei. Esse é o entendimento consolidado do CARF: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. (...) DESPESAS MÉDICAS. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.279 S2C2T2 Fl. 1.021 19 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. As despesas médicas devem, no mínimo, ser comprovadas com documentos (recibos ou notas fiscais) que indiquem o nome, endereço e CPF/CNPJ do prestador de serviço, bem como especifiquem o serviço prestado e o beneficiário do tratamento. Hipótese em que o recorrente pretendeu comprovar suas deduções com documentos que, em sua maior parte, não traziam o endereço do prestador de serviço, e, em sua totalidade, não indicavam o beneficiário do tratamento. Para a despesa com plano de saúde, não havia a indicação dos beneficiários. Além disso, uma das deduções se referia à despesa com vacinação, para a qual não existe previsão legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 2ª Seção, 1ª Câmara, 1ª turma, acórdão nº 2101 002.049, Rel. Jose Evande Carvalho Araújo, 11/03/2013) Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE – CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO –DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – VACINAS – IMPOSSIBILIDADE – RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO GLOSA São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. (CARF, 6ª Câmara, acórdão nº 10616977, Rel. Giovanni Christian Nunes Campos, 26/06/2008) Quanto à despesa com exames de raio–x, esse se enquadra dentro da hipótese normativa de prestação de serviço radiológico, elencado no art. 8º da referida lei. Assim, o valor gasto com raiox, qual seja, R$ 60,00, (fls. 384) deve ser excluído do auto de infração. Ante o exposto, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o recurso, para permitir a dedução de despesas com serviços radiológicos no ano calendário de 2003, no valor de R$ 60,00. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A 20 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A
score : 1.0
Numero do processo: 13884.909533/2009-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 95 33 /2 00 9- 49 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp nº 21009.55921.281207.1.3.043205, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 12.343,53. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 848685522, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alegou, em síntese, a ocorrência de erro na DCTF vigente à época da transmissão do PER/DComp, o que o levou a ratificar o Dacon. Esclarece que também procedeu à retificação da DCTF em 04/06/2009, antes da ciência do despacho decisório atacado, o que não foi levado em conta no DDE. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05038.274, de 21 de junho de 2012, fls. 92 a 96, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/CPS7ª Turma. O arrazoado de fls. 104 a 116, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repete a explicação sobre a origem do crédito oposto na compensação ora sub judice, e, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida por transgressão do princípio da verdade material, sobre o qual disserta. Entende que, em nome do princípio, a autoridade julgadora de primeira instância estava constrangida a conhecer e valorar as informações contidas nas declarações retificadora, transmitidas antes do Despacho Decisório. No mérito, lembra que a DCTF retificadora possui o mesmo valor probante da DCTF original e as informações nela constantes, que porventura tenham alterado informações originalmente prestadas, devem necessariamente ser analisadas para fins da determinação dos débitos e créditos dos contribuintes. Refere o § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008. Apresenta planilha com o demonstrativo dos valores para o período abrangido pelo Despacho. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para detalhada análise e a consequente confirmação da composição dos valores efetivamente devidos a título de Contribuição Social. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.909533/200949 Acórdão n.º 3403002.229 S3C4T3 Fl. 194 3 Conclui, requerendo “...sob o enfoque da verdade material, requer seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, tendo em vista que as dd. autoridades julgadoras concluíram pela não homologação da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente sem ter analisado qualquer documento relativo a composição da base de cálculo e apuração da contribuição em tela. Alternativa e sucessivamente, a Recorrente requer que o julgamento do presente caso seja convertido em diligência para que seja comprovado o direito creditório da.” O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 104 a 116 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ27ª Turma nº 05038.274, de 21 de junho de 2012. A decisão recorrida dá conta de que a DCTF retificadora foi transmitida em 04/06/2009, antes da ciência do DDE nº 848685522, em 16/10/2009. Nada obstante, manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF antes da prolação do Despacho Decisório, à época da transmissão da DComp o pagamento estaria todos alocado na quitação de débitos confessados e que seria necessário apresentar prova do recolhimento indevido. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.909533/200949 Acórdão n.º 3403002.229 S3C4T3 Fl. 195 5 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10410.724434/2011-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE DEPENDENTES. RECURSO EM QUE SE PRETENDE DISCUTIR VALORES DE REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM CASO DE PARCELAMENTO. IMPROVIMENTO
Pretendendo o recurso voluntário tão somente questionar percentuais de redução de multas aplicadas na hipótese de pagamento mediante parcelamento, o qual deve ser objeto de requerimento específico à Receita Federal, é de negar-se provimento ao mesmo, mantendo-se o lançamento.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE DEPENDENTES. RECURSO EM QUE SE PRETENDE DISCUTIR VALORES DE REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM CASO DE PARCELAMENTO. IMPROVIMENTO Pretendendo o recurso voluntário tão somente questionar percentuais de redução de multas aplicadas na hipótese de pagamento mediante parcelamento, o qual deve ser objeto de requerimento específico à Receita Federal, é de negar-se provimento ao mesmo, mantendo-se o lançamento. Recurso improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE DEPENDENTES. RECURSO EM QUE SE PRETENDE DISCUTIR VALORES DE REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM CASO DE PARCELAMENTO. IMPROVIMENTO Pretendendo o recurso voluntário tão somente questionar percentuais de redução de multas aplicadas na hipótese de pagamento mediante parcelamento, o qual deve ser objeto de requerimento específico à Receita Federal, é de negarse provimento ao mesmo, mantendose o lançamento. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 44 34 /2 01 1- 91 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte, foi alvo de ação fiscal em razão de decisão judicial (fl.06; 26), foi lavrado o auto de infração de fls. 35 a 54, referente ao imposto de renda pessoa física, anocalendário 2006, exercício 2007, em razão das seguintes supostas irregularidades: dedução indevida de dependente, de despesas médicas e de despesas com instrução, estas por falta de comprovação e aplicada multa por informação falsa sobre imposto retido na fonte (multa de 300%, nos termos do art.86 da Lei 8.981/95). Foi aplicada ainda multa agravada no percentual de 112,5% sobre as glosas das deduções pleiteadas por não ter o contribuinte comparecido para prestar esclarecimentos e apresentar os documentos necessários (art.44 da Lei 9.430/96). Foi elaborada representação fiscal para fins penais, processo nº10410.724616/201162 (fls. 57). Consta, ainda, do processo, o relatório de dados financeiros extraídos do laudo pericial nº 1728/2008INC/DITEC/DPF de 16/06/2008 relativo aos funcionários da Assembleia Legislativa de Alagoas, entre eles o autuado (fls. 2 a 5). Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 59 60, juntamente com cópia do auto de infração e dos documentos de fls. 63 a 66, alegando, em síntese: a) ter 69 (sessenta e nove) anos de idade e nunca ter entrado numa Delegacia nem para ser testemunha do que quer que seja; b) no dia 06 (seis) de dezembro de 2007 foi acordado as cinco horas da manhã pela guarnição da Polícia Federal e conduzido a sua sede; c) naquela época, já não estava bem de saúde pois há 27 e 26 anos respectivos já sofria do mal de diabetes e pressão arterial, tendo sido conduzido pela polícia às 00:00 horas do dia 07 ao Hospital onde permaneceu horas em observação; d) que é aposentado com isenção de imposto em função de várias moléstias conforme Laudo Pericial enviado à Receita por junta médica; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10410.724434/201191 Acórdão n.º 2802002.293 S2TE02 Fl. 101 3 e) mesmo sendo isento do pagamento do Imposto de Renda recebeu um levantamento de suas contas do Banco do Brasil e Bradesco com um lançamento em 2009 para pagamento do imposto sobre rendas no valor aproximado de R$ 71.000,00 (setenta e um mil reais) cujo valor paga hoje para liquidação em 180 meses depois de cumprir todas as exigências da Lei 11.941; Tal valor não consegui detectar esperando fazelo em futuro, se ainda conseguir chegar. f) agora recebe o presente Auto de Infração para pagamento no valor de R$ 47.465,08. g) que pede desculpas por não ter atendido ao chamamento do auditor fiscal para prestar esclarecimentos; h) que a partir de exame realizado no dia 21 de janeiro de 2011 e exames subsequentes, foi diagnosticado portador de HEPATOCARCINOMA (CÂNCER DO FÍGADO), tendo se submetido a tratamento cirúrgico com continuação em tratamento clínico; i) que diante da necessidade de medicamentos de alto custo, teve de recorrer à Justiça para que fossem fornecidos pelo Estado; j) que impugna totalmente as multas constantes do já referido Auto de Infração por considerar ser um débito recente para um contribuinte já isento do pagamento do IRPF desde 2009. Em julgamento da 1a Turma da DRJ/REC, em sessão de 27/04/12, julgou procedente em parte o lançamento, aos fundamentos de que o contribuinte não trouxe com sua impugnação quaisquer esclarecimentos sobre deduções de despesas médicas, de dependentes e de instrução; que trouxe aos autos declaração de junta médica da Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas (fl.63) informando ser o contribuinte portador de cardiopatia grave desde 27/05/2009; que os documentos de fls. 6465, relativos a condição de portador de hepatocarcinoma, são posteriores ao acima indicado; que não se aplica aos valores discutidos nos presentes autos, referentes ao anocalendário 2006, isenção com base em condição patológica de origem comprovada a partir do ano de 2009 ou de outras condições ainda a esta posteriores; que fica reduzido para 75% o percentual da multa de ofício, antes aplicado na razão de 112,50% em razão das diversas circunstâncias trazidas aos autos pelo contribuinte, que dificultaram a prestação de informações ao Fisco; que mantémse a multa 300% em razão da prestação de informações falsas acerca de rendimentos e de IRRF, pois não contesta o contribuinte a falsidade das informações e o benefício que da mesma resultou. Intimado (fl.82), apresentou o recurso voluntário de fl.83, discutindo percentuais de redução em caso de pagamento mediante parcelamento. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator Em se tratando de requerimento que pretende discutir tão somente eventuais percentuais de redução do crédito tributário em caso de parcelamento e tratandose de matéria estranha aos autos, que deve ser objeto de requerimento específico à Receita Federal, é de se negar provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello . Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 12268.000208/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 01/08/2006
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD.
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS
SEGURADOS PARTE PATRONAL SAT
TERCEIROS.
PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. EXISTENTE. RECURSO
RECEBIDO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECONHECIDA.
AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. RECUSA E AUSÊNCIA DE
FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS. CONTABILIDADE
DESCONEXA COM A REALIDADE. BASE DE CÁLCULO.
INCONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA. TERCEIROS.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. ELISÃO DA
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.402
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em razão da exclusão da
rubrica terceiros e da aplicação da multa moratória do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, na
redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais benéfica ao contribuinte recorrente.
Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra, quanto a
comparação da multa que entendem ser pelo art. 35-A
da Lei 8.212/91.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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DE ARAÚJO S/A MADEIRAS, AGRICULTURA, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 01/08/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS PARTE PATRONAL SAT TERCEIROS. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. EXISTENTE. RECURSO RECEBIDO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECONHECIDA. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. RECUSA E AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS. CONTABILIDADE DESCONEXA COM A REALIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA. TERCEIROS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em razão da exclusão da rubrica terceiros e da aplicação da multa moratória do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais benéfica ao contribuinte recorrente. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra, quanto a comparação da multa que entendem ser pelo art. 35A da Lei 8.212/91. (Assinado digitalmente). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 259 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 260 3 . Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 37.132.4950, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de segurados empregados, destinadas à Previdência Social e a outras entidades e fundos Terceiros, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 84 a 97, com período de apuração de 01/1998 a 07/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 60 e 61. A NFLD é composta de um levantamento denominado D07 – OBRA ESTAÇÃO TRATAM EFLUENTES, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DAD, de fls. 04 a 06. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/12/2007, AR, de fls. 115. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 120 a 145, recebida, em 14/01/2008, sendo acompanhada dos documentos, de fls. 146 a 182. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 183 e 184. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0619.260 6ª, Turma, em 19/09/2008, fls. 189 a 202. No qual o lançamento foi considerado procedente em parte. O lançamento foi retificado, conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 185 a 188, em razão da decadência. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/10/2008, CCADPRO, de fls. 207. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 208 a 224, recebida, em19/11/2008, acompanhado dos documentos, de fls. 225 a 237, as teses recursais sintetizadas são as seguintes. Mérito. • Que a recorrente não tem responsabilidade solidária, porém subsidiária — nulidade do lançamento — ausência de demonstração de incapacidade econômica do responsável direto, bem como da prévia demonstração do inadimplemento da empreiteira. Não há prova alguma de que se tenha feito a exigência as empresas prestadoras de serviços e qualquer cobrança de tributo deve ser precedida de regular lançamento (art. 142 CTN), notificando o sujeito passivo que são, no caso, as empresas prestadoras de serviços e não a Impugnante, invoca Jurisprudência do Egrégio TRF da 4a Região; • Que há nulidade da exigência — inexistência de verificação da efetiva ocorrência do fato gerador e do montante do tributo efetivamente Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 261 4 devido — negativa de vigência ao art. 142 do CTN — pressuposto da responsabilidade solidária. A Fiscalização não efetuou verificação nos livros e documentos das empresas construtoras, sequer verificou os livros e documentos contábeis da recorrente, somente após esses exames e sendo constatada a efetiva insuficiência de recolhimentos da devedora principal e que pode o Fisco exigilos do responsável solidário sem o beneficio de ordem; • Que há falta de instauração do processo de arbitramento da base de cálculo. Não havendo base legal na forma procedida pela fiscalização, o lançamento tornase nulo por não restarem satisfeitos os artigos 5°, LV, da CF c/c o 148 do CTN, devendo ser cancelado; • Que não ocorreu situação excepcional que demande arbitramento. Não estando demonstrada a necessidade de aplicação da hipótese excepcional que justificaria a aferição indireta, a exigência fiscal deve ser cancelada; • Que não há possibilidade da exigência das contribuições a terceiras entidades por responsabilidade solidária. No art. 30, VI, da Lei no 8.212/1991 não estão abrangidas as contribuições sociais devidas para terceiras entidades (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), ofendendo a exigência fiscal, nesse aspecto, o principio da legalidade, insculpido no art. 5º, XXXIX e 150, ambos da CF/1988 e no art. 97 do CTN; • Que a base de cálculo prédeterminada em percentuais do valor bruto da nota fiscal — ausência de previsão em lei — inconstitucionalidade. O procedimento adotado só encontra suporte em normas de serviço internas expedidas pela Diretoria de Arrecadação e Fiscalização do INSS e em Instruções Normativas. Como a definição da base de cálculo é matéria reservada a lei, forçoso é concluir que o lançamento fiscal carece de amparo constitucional e legal; • Que ocorreu ofensa ao principio da capacidade contributiva previsto no artigo 145, § 1°, da Constituição Federal, pois exigir tributo de quem não participou da ocorrência do fato típico (relação empregador/empregado; pagamento da folha de salários) não é mais que violar o referido principio; • Que há outros erros na determinação da base de cálculo, sendo que o Relatório Fiscal não demonstra qualquer investigação acerca da natureza do contrato e das atividades especificas a serem realizadas, como utilização de meios mecânicos ou serviços de concreto preparado, havendo fixação de percentuais diferenciados e inferiores a serem aplicados, as faturas e notas fiscais de prestação de serviços, com o que deve ser aplicado o percentual de 20% e não de 40%, como considerado no lançamento; • Que ocorreu elisão da responsabilidade solidária em face da retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal. Conforme a própria Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 262 5 Fiscalização, a recorrente efetuou retenção em algumas notas fiscais, cujos valores foram utilizados para diminuir os valores notificados. No entanto, deveriam ser utilizados também para elidir a responsabilidade da recorrente, merecendo o presente recurso o decreto da procedência; • Requer por fim: que o recurso seja recebido, conhecido e provido, cancelandose o Auto de Infração em razão de sua improcedência. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 238 e 240. Os autos subiram ao 2º Conselho de Contribuintes, fls. 240. A empresa recorrente apresentou nova petição, as fls. 242 a 244, recebida, em 22/02/2010, onde requer a aplicação da legislação mais benéfica, no que tange a multa moratória. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 263 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, conforme se pode verificar, as fls. 206, AR, recebido, em 20/10/2008, e, peça vestibular recursal, as fls. 208, com recepção, em 19/11/2008. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade dos recursos, 238 e 240. Pressupostos de admissibilidade vencido passo ao mérito. O artigo 30, VI, da Lei 8.212/61 c/c o artigo 220 do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 são cristalinos ao dizer que o proprietário e o dono são solidários, excluindo o benefício de ordem, bem como não exigem que a fiscalização primeiro fiscalize ou tome qualquer outra medida em vista do executor para só depois poder imputar responsabilidade solidária a outrem. E isto ocorre desta forma porque o RPS admite no parágrafo 3º, do citado artigo, que a responsabilidade seja elidida, porém para tal o responsável deve adotar uma das alternativas dos incisos I; II ou III. Entretanto, no presente caso, nada vez o responsável. A jurisprudência do TRF4 não se aplica, a uma, porque não se amolda ao presente caso, pois aqui se tem proprietário ou dono da obra com o e construtor, na jurisprudência suscitada temse subempreiteiro. A duas, porque a decisão só se aplica interpartes. A empresa fiscalizada ora recorrente foi intimada por intermédio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls. 67 a 72, a apresentar diversos de seus documentos, inclusive, contabilidade em meio digital e livros fiscais Diário e Razão. Porém, a fiscalização identificou a seguinte situação. A contabilidade da empresa está em desconformidade com a legislação previdenciária, com relação As demais obras, visto que os lançamentos contábeis não foram efetuados de forma individualizados, por obra, mas, em mesmas contas de obras em andamento, de forma agrupada, os custos de diversas obras, impossibilitando a visualização, em sua contabilidade, de mão deobra em cada empreendimento. A conta "obras em andamento" engloba, em muitas ocasiões, mais de uma obra e é subdividida em edificações, instalações e instalações gerais, o que dificulta entendimento e que não permite a identificação do custo de cada obra. A empresa responsável pela obra de construção civil deve escriturar os lançamentos contábeis em centros de custos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 264 7 distintos para cada obra, em contas individualizadas, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições sociais. Esclarecido ficou alhures que o fisco não precisa adotar nenhuma providência na construtora para fiscalizar o responsável, pois este pode elidir a responsabilidade dentro das formas autorizadas na legislação. O fisco não precisa instaurar procedimento específico em apartado do levantamento fiscal para utilizar a aferição indireta o artigo 33, parágrafo 3º; 4º e 6º da Lei 8.212/91 não traz tal exigência. O artigo 148 do CTN não se aplica, pois há regramento próprio na legislação previdenciária, bem como no caso concreto não se está a arbitrar valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, mas apenas a remuneração em razão da área construída. Observese, o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DA EMPRESA. AFERIÇÃO INDIRETA (ART. 33 DA LEI 8.212/91). IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07 DO STJ. 1. O artigo 33, da Lei 8.212/91, nos casos em que ausente prova regular e formalizada, admite que o órgão arrecadador competente obtenha o montante dos salários pagos pela execução de mãodeobra mediante o cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co responsável o ônus da prova em contrário (§ 4º). 2. Aresto recorrido fundado na legalidade da aferição indireta dos valores devidos a título de contribuição previdenciária, posto inexistente escrituração contábil regular, verbis: "Os procedimentos fiscalizatórios, de regra, devem se ater à escrita contábil e demais documentos apresentados pela empresa. Convém lembrar, entretanto, que a lei atribui ao INSS a prerrogativa de apurar, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, constatar que "a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço", ou houver sonegação ou recusa de apresentação de documentos, ou, ainda, a desconsideração do material por erro ou irregularidade insanável. Nessas situações, pode o Fisco proceder ao arbitramento do valor devido (art. 33 da lei nº 8.212, à semelhança do que dispunha o art. 141, § 2° da CLPS (Decreto n° 89.312, de 23.01.84)), à míngua de elementos concretos e confiáveis para a apuração do débito. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em contrário (art. 33 , §§ 1º e 6º), exigência que se coaduna com a existência de contabilidade formalizada (ou seja, um sistema de informação e avaliação idôneo para o registro de atos e fatos relativos ao empreendimento). Também relevante notar que a norma do art. 33 da Lei nº 8.212 , que, em seu § 4º, refere a "prova regular e formalizada", deve ser interpretada sistematicamente com o disposto no § 6º, do mesmo dispositivo legal, o qual menciona "exame da escrituração contábil" do contribuinte. Escrituração contábil, enfatizese, pressupõe o registro feito por profissional Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 265 8 da área contábil de todos os atos e fatos que afetam a situação patrimonial de determinada pessoa física ou jurídica, escriturados em ordem cronológica de datas em livro diário (arts. 10, 11, 12 e 15 do Código Comercial). (...) Não nos é dado desprezar as ponderações feitas pelo expert no tocante à repercussão das irregularidades apuradas pelo Fisco e por ele próprio na contabilidade da empresa na apuração dos débitos a ela imputados. Como vimos anteriormente, o laudo pericial, ao mesmo tempo que atesta erros e omissões na escrita contábil e fiscal da embargante, afirma a existência de documentação suficiente para a apuração de eventuais diferenças ainda devidas a título de contribuição previdenciária. Em sendo assim, é desarrazoado desconsiderála por completo, para esse fim, lançando mão de critério substitutivo (aferição indireta baseada em metragem ou área construída) em detrimento da utilização de bases reais. Não olvidemos que, a teor da legislação de regência (art. 33 da Lei nº 8.212), o arbitramento somente se justifica diante da absoluta ausência ou imprestabilidade da documentação contábil e fiscal da empresa (irregularidade insanável). Ademais, os recolhimentos efetuados pelo CGC da empresa, ao invés do CEI das respectivas obras, não foram considerados pela fiscalização. Por tais razões, e sobretudo diante das conclusões do laudo pericial produzido nos autos, é de ser acolhida a pretensão da embargante à desconstituição da CDA, por conter valores incorretamente lançados. Ressalvese, contudo, a possibilidade de serem revistos os lançamentos fiscais, com base na documentação fiscal e contábil da empresa." 3. A aferição das irregularidades que deram ensejo ao arbitramento do quantum pelo INSS e o eventual equívoco na fiscalização tornam indispensável o reexame das circunstâncias fáticas da causa, vedado em sede de recurso especial, ante o disposto na Súmula n.º 07 do STJ. 4. Agravo regimental desprovido. (grifo meu). O agente fiscal notificante deixou claro em seu Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 84 a 97, os motivos pelos quais se utilizou da aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme a seguir transcrevo. A notificada não apresentou nenhum contrato de prestação de serviço firmado com as empresas executoras, nem mesmo as GFIP's emitidas pelas contratadas com vinculação à obra. A falta de apresentação de contratos não nos permitiu a verificação se houve fornecimento de materiais, máquinas e equipamentos na execução de serviços, bem como, impedindo, dessa forma, que pudéssemos efetuar análise de cláusulas contratuais como condições em que deu a prestação de serviços, objetivos da prestação de serviços, forma de contratação e execução, valor, período e de outras informações relevantes relativas a cada prestador de serviços. Em algumas notas fiscais há discriminação de utilização de máquinas e equipamentos, como os contratos não foram Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 266 9 apresentados, utilizamos o valor bruto da nota fiscal para fins de aferição. Não apresentação de GFIP impossibilitou identificar a mãode obra empregada na construção de estação de tratamento de efluentes a partir de documentos de emissão das contratadas, consequentemente, efetuamos aferição indireta com base no valor dos serviços de notas fiscais de prestação de serviços. A contabilidade da empresa está em desconformidade com a legislação previdenciária, com relação As demais obras, visto que os lançamentos contábeis não foram efetuados de forma individualizados, por obra, mas, em mesmas contas de obras em andamento, de forma agrupada, os custos de diversas obras, impossibilitando a visualização, em sua contabilidade, de mão deobra em cada empreendimento. Além dos fatos mencionados, a empresa não apresentou todos os documentos relativos As obras, solicitados através de TIAS' s, fazendoo de forma deficiente, ensejando lavratura de Auto de Infração debcad n.o. 37.132.4866 por ter infringido o dispositivo legal previsto no artigo 32, inciso III da Lei n.o. 8212/,de, 24/07/1991. Estes documentos relacionados As obras como alvarás de licença para construção, projetos aprovados pelas Prefeituras Municipais, memorial descritivo, demonstrativo estatístico do projeto, certificado de conclusão, além de contratos e aditivos de execução de obras, GFIP' s da empresas construtoras ou de prestadoras de serviços. Apresentação de documentos de forma deficiente impossibilitou a verificação de metragem correta de obra, dados, suas características e padrão de construção, dificultando, em muito, os trabalhos de identificação de mãodeobra utilizada em cada edificação, obrigandonos a efetuar aferição indireta. As metragens de cada edificação, bem como, os dados das obras e informações de cada obra, foram obtidos exclusivamente dos registros contábeis das contas de obras em andamento e/ou nas contas do imobilizado. Esses foram os motivos pelos quais a base de cálculo teve que ser aferida e tal situação decorre exclusivamente da omissão da empresa fiscalizada e pelo seu desrespeito a lei tributária. Assiste razão à empresa ao dizer que as contribuições para outras entidades de fundos – Terceiros – não podem ser atribuídos por responsabilidade solidária e isso se infere do texto do artigo 30, VI, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 220, caput, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, ao dizerem “pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social”, aliás, as IN/INSS/DC Nº 100/2003 – artigo 187; IN/SRP Nº 03/2005 – artigo 178 e IN/RFB Nº 971/2009 – artigo 151, estabelecem, o que segue. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 267 10 IN/INSS 100/2003. Art. 187. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. § 2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos; IN/SRP 03/2005 Art. 178. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. § 2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos; IN/RFB 971/2009 Art. 151. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. § 2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; (grifos meus). Assim sendo, as contribuições para terceiros mantidas na decisão recorrida, devem ser excluídas do presente crédito. A inconstitucionalidade é questão que não pode ser apreciada na órbita administrativa, conforme consta no artigo 26A, do Decreto 70.235/72; artigo 62 da PT MF 256/2009 RICARF e da Súmula 2 do CARF, como demonstro. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 268 11 Entretanto, entendo que não há a suscitada inconstitucionalidade na possibilidade de determinação da base de cálculo diferenciada das contribuições por ato administrativo. A uma, porque o artigo 100, I, da Lei 5.172/66 admite atos administrativos como normas complementares na área tributária. A duas, porque o artigo 33, parágrafo 4º da Lei 8.212/91 autoriza a utilização da aferição indireta no caso de sonegação de documentos ou de contabilidade que não reflita o real movimento da empresa e no caso em análise os dois ocorreram como descrito pelo agente lançador. Logo, este deve se utilizar de critérios lógicos, matemáticos e objetivos para determinar a base de cálculo da contribuição previdenciária, que nos termos do artigo 195, I “a” e “b” da CRFB/88 só pode ser o valor que vise retribuir os serviços prestados por pessoas físicas e nada mais. Daí, no caso de construção civil e outras atividades especiais ocorrer a possibilidade de que na determinação da base de cálculo da contribuição se considere a utilização de máquinas, equipamentos e matérias, que não autorização a cobrança de contribuição e assim ocorrer a natural redução da base de cálculo da nota fiscal para contemplar apenas a atividade exercida por pessoa física, tivesse a empresa apresentado sua documentação e estivesse sua contabilidade em ordem, tal sistemática não seria necessária. Aliás, no que tange a técnica de retenção de 11% do valor da nota ou futura que, também, envolve serviços de construção civil e que o Supremo Tribunal Federal – STF entendeu como constitucional e legal –RE 603.191 – MT, rel. min. Ellen Gracie, 01/08/2011 – a legislação, também, prevê as tais reduções da base de cálculo pelos motivos declinados anteriormente. O princípio da capacidade contribuição não se aplica ao caso, pois a empresa deve contribuir sobre a mão que obra que toma. Além do que, tal princípio só encontra aplicação em razão dos impostos e não das contribuições previdenciárias, que são tributos absolutamente distintos, salvo os casos constitucionalmente previstos. O CRFB/88 não traz só o empregador ou a relação empregatícia como contribuinte para o Regime Geral da Previdência Social – RGPS, basta ler o artigo 195, I, ao dizer: “do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei,...”. A recorrente se encaixa perfeitamente na definição de empresa, pois ela mesma admite que é a tomadora dos serviços, assim, ela é empresa tomadora dos serviços, ligação direta e estreita com o fato gerador. Alegar que o relatório fiscal não faz qualquer alusão ao tipo de contrato, atividades desenvolvidas e se empregado meios mecânicos ou concreto preparado é abusivo por parte da recorrente. A uma, porque ela – recorrente – não disponibilizou os contratos como dito pelo agente notificante, não podendo este se pronunciar sobre o que não viu. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 269 12 A notificada não apresentou nenhum contrato de prestação de serviço firmado com as empresas executoras, nem mesmo as GFIP's emitidas pelas contratadas com vinculação à obra A falta de apresentação de contratos não nos permitiu a verificação se houve fornecimento de materiais, máquinas e equipamentos na execução de serviços, bem como, impedindo, dessa forma, que pudéssemos efetuar análise de cláusulas contratuais como condições em que deu a prestação de serviços, objetivos da prestação de serviços, forma de contratação e execução, valor, período e de outras informações relevantes relativas a cada prestador de serviços. Em algumas notas fiscais há discriminação de utilização de máquinas e equipamentos, como os contratos não foram apresentados, utilizamos o valor bruto da nota fiscal para fins de aferição.(grifos meus). A duas, porque apesar de não ter tido acesso aos contratos que lhes foram negados pela recorrente o fiscal dentro daquilo que lhe foi possível observar, ainda, deduziu da base de cálculo os valores de retenção constantes da notas fiscais e a utilização de argamassa usinada. Das notas fiscais de prestação de serviços objeto da NFLD DEBCAD Nº 37.132.4947, relacionadas no quadro "Nota Fiscal Obras e Serviços — Apropriação Mão de Obra Retenção" anexo, tiveram o valor da retenção de 11% convertido, na forma da legislação aplicável, em salário de contribuição, que foi deduzido da base de cálculo desta obra ETE, diminuindo, consequentemente, os valores notificados,... ARGAMASSA Argamassa usinada correspondente a 5% do valor da nota fiscal de aquisição de argamassa utilizada na construção, conforme quadro "Argamassa". Todos os recolhimentos apresentados com vinculação inequívoca As obras e que estavam em conformidade com as instruções vigentes, foram aproveitados para dedução da base de cálculo da aferição. As deduções foram efetuadas competência a competência, de acordo com os serviços prestados pelos executores. O agente notificante utilizou o percentual de quarenta por cento (40%) do valor da nota para obter a base de cálculo reduzida, pois assim determina a legislação o porcentual desejado pelo contribuinte só se aplica ao caso de obra de drenagem e isto não é caso do presente crédito. As notas fiscais que tinham retenção de 11% destacadas em seu corpo e que puderam ser inequivocamente ligadas à obra da ETE foram consideradas como contribuição e deduzidas do lançamento fiscal realizado, pois para que pudesse haver a elisão da responsabilidade solidária como alega a recorrente necessário seria que esta provasse que os Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000208/200751 Acórdão n.º 280301.402 S2TE03 Fl. 270 13 valores destacados foram devidamente, recolhidos artigo 33, 3º; 4º e 6º da Lei 8.212/91 c/c o artigo 333, II, da lei 5.869/73. No que tange a aplicação da multa moratória mais benéfica a recorrente tem razão em seu reclamo, pois o artigo 106, II, “c” da Lei 5.172/66 determina a aplicação de lei que fixe penalidade menos severa é este o caso. Desta forma, deve incidir no caso desde que mais favorável a recorrente a regra da multa moratória do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. Assim, com esses esclarecimentos acolho parcialmente as teses recursais para reconhecer a exclusão do crédito da rubrica TERCEIROS, bem como pela aplicação da multa moratória mais benéfica. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, em razão da exclusão da rubrica terceiros e da aplicação da multa moratória do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, desde mais benéfica ao contribuinte recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13502.000331/2008-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1995 a 30/04/1995, 01/09/1995 a 30/11/1995
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.
No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN.
Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir.
Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelam-se incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal.
Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado.
Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformar-se materialmente com o lançamento anulado. Fazendo-se necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente.
O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituí-lo.
Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 23/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 23/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 31 /2 00 8- 04 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 23/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000331/200804 Acórdão n.º 9202002.727 CSRFT2 Fl. 8 3 Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão n.º 230200.167, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 28 de setembro de 2009, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há beneficio de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.” Afirma que o entendimento do aresto recorrido não pode prosperar tendo em vista que a NFLD discutida é substitutiva da NFLD anterior, que foi anulada em decorrência de vicio material pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), Explica que, tendo em vista que a ora Recorrente tomou ciência da lavratura da NFLD analisada em 30/12/2005, e que o período de apuração sobre o qual versa a cobrança corresponde ao período de 04/95 a 11/95, é de se observar a impossibilidade de o Fisco exigir o tributo em razão da decadência do seu direito de lançar tributo. Nesse ponto, entende que o aresto atacado diverge dos paradigmas que apresenta: Paradigma 230100.502 “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA. VICIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. A falta de caracterização dos fatos geradores constitui vicio material, do que resulta, em caso de prejuízo à defesa, nulidade do lançamento; portanto, inaplicável a regra do artigo 173, Il do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.” Paradigma 10247.894 “LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL FALTA DE DESCRIÇÃO DAS IRREGULAR/DES PRAZO PARA LAVRATURA DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO 0 prazo estabelecido no art.173, inciso II, do CTN, somente é aplicável Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 quando a nulidade do lançamento de oficio original for declarada em virtude de vicio formal. A falta de descrição dos fatos ou irregularidades é vicio material e não formal, haja vista que acarreta cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Neste caso o fisco deve retificar o lançamento de oficio antes do transcurso do prazo decadencial. Decadência acolhida. Recurso provido” Considera que, não havendo qualquer indicio de prova da existência de cessão de mãodeobra, fato reconhecido pelo acórdão que anula o primeiro lançamento, não pode a Autoridade Administrativa deixar de reconhecer a total inexistência da referida cessão de mãodeobra. Observa que a falta de descrição dos fatos ou irregularidades caracteriza vício material e não formal, haja vista que atinge a substância do ato administrativo, não apenas acarreta cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mas tornao imprestável para seus fins, no caso, formalizar o lançamento do crédito tributário. Neste caso, pois, a autoridade administrativa deve retificar o lançamento antes do transcurso do prazo decadencial. Salienta que, sob o pretexto de corrigir o vicio formal detectado, decorrente de uma malfadada aplicação do art. 173, II, do Código Tributário Nacional, não pode o Fisco intentar atos para buscar informações ou documentos tendentes a apurar a matéria tributável, conforme se pretendeu no caso em voga. Frisa que o simples fato de inexistir documento hábil para comprovar a responsabilidade tributaria decorrente do instituto da cessão de mão de obra na primeira NFLD anulada, por única desídia do ente Fiscal, caracteriza notório e indiscutível vicio de estrutura ou da essência do ato praticado, ensejando a aplicação da regra contida no inciso I do artigo 173 do CTN. Ao final, requer o provimento do seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 2300280/2012, foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões. Afirma que a decisão tomada pelo CRPS acerca do tipo de vício que atingia a NFLD originária – formal – já fez coisa julgada administrativa. Entende que, no caso dos autos, ocorreu a preclusão "pro judicado" que impede o órgão julgador de decidir novamente a matéria já julgada, nos termos do art. 471, do CPC. Explica que, diante do caráter definitivo da decisão em comento, haja vista a inexistência de insurgência das partes quanto ao julgamento, ocorreu a chamada coisa julgada administrativa. Frisa que o CARF não pode reanalisar a natureza do vicio que ensejou a nulidade do lançamento original, pois já existe decisão administrativa definitiva sobre a matéria que entendeu pela ocorrência de vicio formal no lançamento original. Conclui pelo acerto da decisão recorrida, que afastou a decadência, com base no art. 173, II, do CTN, norma incidente à espécie, tendo em vista a nítida natureza formal do vicio apontado pela CRPS quando anulou o primeiro lançamento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000331/200804 Acórdão n.º 9202002.727 CSRFT2 Fl. 9 5 Ao final, requer o não provimento do recurso do contribuinte. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial. A discussão gira em torno da apreciação da decadência de lançamento realizado para sanear lançamento anterior anulado. Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de recompor documentos de constituição de créditos anulados pelo CRPS. Salientese que, no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a fiscalização intima o contribuinte a apresentar livro diário, razão, contratos, notas fiscais e outros documentos referentes à prestação de serviços realizados pelas empresas prestadoras de serviços relacionadas em anexo que detalha as NFLD anuladas e os respectivos prestadores de serviços. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000331/200804 Acórdão n.º 9202002.727 CSRFT2 Fl. 10 7 momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte, para declarar a decadência do lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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