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Numero do processo: 16327.912325/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 08/02/2006
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 08/02/2006 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 23 25 /2 00 9- 31 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Direito Creditório. Prova. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 12 3 Direito de Crédito. Regime de Retenção. Ônus Financeiro. Comprovação. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que pleiteou a compensação de crédito de CPMF (Cod. 5869), recolhidos indevidamente, com débitos do mesmo tributo. Menciona que o crédito em questão decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou retenção e o respectivo recolhimento da contribuição CPMF sobre diversas operações praticadas pelos seus clientes. Esclarece que o crédito tem como origem o estorno da CPMF de clientes que sofreram retenções indevidas. Destaca que procedeu aos estornos dos valores relativos à CPMF indevida, e assim passou a suportar o ônus tributário. Aduz que a não homologação da compensação ocorreu pela entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. No entanto, procedeu a retificação da DCTF, contemplando o crédito controvertido. Sustenta que o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida. Outrossim, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior, a assunção do encargo financeiro. Colaciona doutrina e jurisprudências administrativa e judicial. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 01/02/2006, inclusive verificasse se, de fato, o ônus financeiro recaiu sobre a instituição financeira. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e confirmou parcialmente a legitimidade do crédito, visto que a documentação apresentada em atendimento à intimação fiscal (em especial a de fls. 79 a 121, e fls. 565 a 568) comprova a cobrança indevida da CPMF dos clientes listados, bem como o estorno destes valores na conta dos clientes, no valor total de R$ 10.370,51. Esclareceu, ainda, que a interessada deixou de detalhar os valores relativos aos demais clientes em virtude do seu elevado número (2.307 conforme informado às fls. 98). Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 13 4 A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Assiste razão parcial à recorrente, conforme será demonstrado. Ao realizar a diligência e confirmar parcialmente a legitimidade do direito creditório a delegacia de origem reconheceu que é parcialmente legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 10.370,51, relativo ao recolhimento realizado em 08/02/2006, utilizado na PER/DCOMP nº 09735.27231.150206.1.3.047920. É importante frisar que o simples erro no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, como ocorreu nestes autos administrativos. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 15 6 No caso em discussão, o direito creditório se apresentou parcialmente líquido e certo nos termos da diligência fiscal, pois restou comprovado que a interessada indevidamente, na qualidade de substituto tributário, efetuou retenção e o respectivo recolhimento da contribuição CPMF sobre diversas operações praticadas pelos seus clientes, tendo procedido os respectivos estornos dos valores e suportado o ônus tributário nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, a contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da CPMF no valor do crédito original utilizado na DCOMP, R$ 10.370,51. Não se pode perder de vista que a interessada implicitamente concordou com os cálculos da autoridade fiscal, uma vez que devidamente cientificada da diligência optou por não se manifestar. Em remate, ficou caracterizado o direito creditório parcial vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003764/2007-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. CONHECIMENTO DE DOCUMENTOS PRODUZIDOS POR OCASIÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO.
Apresentados documentos por ocasião do recurso voluntário, são os mesmos conhecidos em homenagem ao princípio do formalismo moderado.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES E COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES. RELAÇÃO COMPROVADA.
Comprovada a relação de dependência, é de ser restabelecida a dedução a este título, bem como as deduções com instrução de dependentes glosadas ao exclusivo fundamento de falta de comprovação da relação de dependência.
DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO PELA DRJ DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE APÓS A AUTUAÇÃO. INCABÍVEL.
Não tendo a DRJ apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte após a autuação, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas e descrição detalhada dos serviços prestados, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso.
DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA. NECESSIDADE DE NOTA FISCAL.
Inadmissível o mero recibo para comprovação de serviços prestados por pessoa jurídica, em substituição a nota fiscal de serviços, sobretudo quando o comprovante apresentado não reúne requisitos mínimos para comprovar de forma idônea a prestação do serviço.
Recurso a que se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 2802-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com dependentes relativas a Docinea Aparecida Gonçalves, José Masson Junior e Neilor Paulo Masson; por restabelecer-se despesas de educação tal e qual declaradas pelo contribuinte, no valor total de R$ 7.378,41 (sete mil, trezentos e setenta e oito reais), observado o limite legal; e de despesas médicas no valor total de R$ 20.691,56 (vinte mil, seiscentos e noventa e um reais e cinquenta e seis centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. CONHECIMENTO DE DOCUMENTOS PRODUZIDOS POR OCASIÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO. Apresentados documentos por ocasião do recurso voluntário, são os mesmos conhecidos em homenagem ao princípio do formalismo moderado. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES E COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES. RELAÇÃO COMPROVADA. Comprovada a relação de dependência, é de ser restabelecida a dedução a este título, bem como as deduções com instrução de dependentes glosadas ao exclusivo fundamento de falta de comprovação da relação de dependência. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO PELA DRJ DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE APÓS A AUTUAÇÃO. INCABÍVEL. Não tendo a DRJ apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte após a autuação, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas e descrição detalhada dos serviços prestados, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso. DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA. NECESSIDADE DE NOTA FISCAL. Inadmissível o mero recibo para comprovação de serviços prestados por pessoa jurídica, em substituição a nota fiscal de serviços, sobretudo quando o comprovante apresentado não reúne requisitos mínimos para comprovar de forma idônea a prestação do serviço. Recurso a que se dá provimento parcial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com dependentes relativas a Docinea Aparecida Gonçalves, José Masson Junior e Neilor Paulo Masson; por restabelecer-se despesas de educação tal e qual declaradas pelo contribuinte, no valor total de R$ 7.378,41 (sete mil, trezentos e setenta e oito reais), observado o limite legal; e de despesas médicas no valor total de R$ 20.691,56 (vinte mil, seiscentos e noventa e um reais e cinquenta e seis centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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CONHECIMENTO DE DOCUMENTOS PRODUZIDOS POR OCASIÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO. Apresentados documentos por ocasião do recurso voluntário, são os mesmos conhecidos em homenagem ao princípio do formalismo moderado. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES E COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES. RELAÇÃO COMPROVADA. Comprovada a relação de dependência, é de ser restabelecida a dedução a este título, bem como as deduções com instrução de dependentes glosadas ao exclusivo fundamento de falta de comprovação da relação de dependência. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO PELA DRJ DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE APÓS A AUTUAÇÃO. INCABÍVEL. Não tendo a DRJ apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte após a autuação, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas e descrição detalhada dos serviços prestados, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso. DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA. NECESSIDADE DE NOTA FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 37 64 /2 00 7- 94 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Inadmissível o mero recibo para comprovação de serviços prestados por pessoa jurídica, em substituição a nota fiscal de serviços, sobretudo quando o comprovante apresentado não reúne requisitos mínimos para comprovar de forma idônea a prestação do serviço. Recurso a que se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com dependentes relativas a Docinea Aparecida Gonçalves, José Masson Junior e Neilor Paulo Masson; por restabelecerse despesas de educação tal e qual declaradas pelo contribuinte, no valor total de R$ 7.378,41 (sete mil, trezentos e setenta e oito reais), observado o limite legal; e de despesas médicas no valor total de R$ 20.691,56 (vinte mil, seiscentos e noventa e um reais e cinquenta e seis centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de notificação de lançamento de fls. 03/06, relativa ao exercício de 2004, nas quais foram constatadas supostas deduções indevidas a titulo de despesas médicas, dependentes e despesas com instrução, por falta de comprovação. Na impugnação oferecida, A fl. 01/53, o autuado alegou, em síntese, que: • Os dependentes citados são filhos e esposa vivendo no mesmo teto; • Anexa os comprovantes das despesas médicas, odontológicas e despesas com instrução; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10183.003764/200794 Acórdão n.º 2802002.059 S2TE02 Fl. 152 3 Em razão da impugnação foi formalizada nova intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos fl. 64, sem êxito, visto que a ECT não conseguiu localizálo após três tentativas, fl.67. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CGE, em sessão realizada no dia 21/10/2009, decidiu à unanimidade, manter o lançamento em parte aos seguintes fundamentos: (i) não houve comprovação da relação de dependência, mantendose a glosas de deduções com dependentes e de despesas de instrução de dependentes; (ii) quanto às despesas médicas, não houve prova de efetiva prestação dos serviços e de efetivo pagamento, bem como não ficou demonstrado quem foram os usuários dos serviços e não havendo a descrição dos serviços prestados; (iii) à luz disso, a fls.76 e ss. se apontam as razões para a rejeição de cada um dos comprovantes apresentados, acolhendose despesas comprovadas no valor de R$ 300,00. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 82, interpôs tempestivamente o recurso de fls.91, alegando que as relações de dependência estão comprovadas pelos documentos juntos aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, também juntando documentos que suprem dúvidas acerca das despesas médicas; que os fatos que fundamentam o lançamento não podem ser presumidos, tendo a Administração agido com excessiva discricionariedade; que é incabível a aplicação da multa de 75%, não tendo havido dedução indevida; que o percentual da penalidade aplicada a configura como confisco; que a aplicação de juros segundo a taxa SELIC é inconstitucional. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no que impugna a glosa de despesas com dependentes, de instrução e médicas, com os pedidos acessórios que contém. Preliminarmente, as impugnações recursais referentes à legalidade ou à constitucionalidade de multa e juros nos termos fixados, ultrapassam o escopo deste administrativo, em que não cabe a contestação de institutos fundados no ordenamento jurídico vigente, como é o caso. Conheço dos documentos trazidos aos autos juntamente com o recurso voluntário, em homenagem ao princípio do formalismo moderado, na esteira da jurisprudência desta Turma. No mérito, quanto à comprovação da relação de dependência quanto aos filhos do contribuinte, em nada lhe socorre a juntada dos documentos de fl.110, relativos a Erich Raphael Masson, de vez que o próprio contribuinte em sua impugnação afirma que o mesmo apresentou declaração em separado, tendo inclusive o recibo de entrega sido junto a fl.39. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Portanto, são de se acolher os documentos de fls.109 e 111, respectivamente relativos a José Masson Junior e Neilor Paulo Masson, correspondentemente com 19 anos e 21 anos, no ano calendário em questão, idade compatível, nos termos da lei, com a relação de dependência. Quanto à alegação de viver em comunhão estável com Docinea Aparecida Gonçalves, não é de exigiremse maior comprovação, de vez que é a mesma a mãe dos três filhos do contribuinte, e a própria informalidade da relação dificulta a sua comprovação por outros meios. Sendo assim, admitirseá como comprovada a relação de dependência de Docinea Aparecida Gonçalves, José Masson Junior e Neilor Paulo Masson. No que tange a despesas com instrução, tendo sido os comprovantes apresentados com a impugnação, caberia à DRJ apontar os vícios que contivessem, o que não fez, limitandose a afirmar a impossibilidade da dedução por falta da comprovação da relação de dependência, razão pela qual restabelecerei integralmente tais deduções, observado o limite legal. Quanto aos comprovantes de despesas médicas apresentados em fase de impugnação, muito embora a DRJ tenha tecido considerações genéricas quanto aos requisitos dos comprovantes e à necessidade de que as depesas tenham sido feitas em benefício do contribuinte ou de dependente, ao apontar a fls.76 e ss. os vícios que considerou presentes nos recibos expedidos pelo odontólogo João de Souza Neves, no total de R$ 16.984,00, limitouse a afirmar que não continham descrição detalhada dos serviços prestados, que seria necessária a comprovação de efetivo desembolso e declaração dos profissionais em questão atestando que os serviços foram de fato prestados, justificando tais exigências no valor elevado dos mesmos. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse a decisão da DRJ em qualquer deficiência dos mesmos. Caberia, pois, à DRJ dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontar as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Porém, de qualquer modo, o contribuinte traz com o recurso elementos como radiografias, fichas e prontuários odontológicos em seu esforço de comprovar os serviços prestados ao mesmo e a sua companheira pelo odontólogo em questão. O mesmo que acima se disse quanto aos recibos expedidos por João de Souza Neves pode aplicarse aos emitidos por Camila Falcão de Arruda (R$ 200) e Ivo Falcão de Arruda (R$ 100). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10183.003764/200794 Acórdão n.º 2802002.059 S2TE02 Fl. 153 5 Quanto à discriminação dos beneficiários dos planos de saúde relativos ao pagamentos feitos a UNIMED, os documentos de fls.121124 demonstram que o valor total de R$ 3.407,56 foram relativos ao custeio de serviços de que são beneficiários o próprio contribuinte e os dependentes acima reconhecidos, nos termos discriminados nas folhas mencionadas. Quanto aos recibos de fls.1112, de fato, como apontado pela DRJ, não se pode acolher mero recibo quando de seu cabeçalho consta nome de pessoa jurídica, que deveria portanto emitir nota fiscal de prestação se serviços, mormente quando o signatário sequer exibe qualquer registro em conselho profissional da área de saúde. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução com dependentes relativas a Docinea Aparecida Gonçalves, José Masson Junior e Neilor Paulo Masson; por restabelecerse despesas de educação tal e qual declaradas pelo contribuinte, no valor total de R$ 7.378,41, observado o limite legal; e de despesas médicas no valor total de R$ 20.691,56, nos termos dos documentos e relativamente aos profissionais citados na fundamentação supra. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000954/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa distribuir
cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de
órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento,
estando a empresa em débito com a Seguridade Social.
DECLARAÇÃO EM GFIP – CONFISSÃO DE DÍVIDA
Considerase
empresa em débito para com a Seguridade Social, aquela que
informou fatos geradores em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e
Informações à Previdência Social e não efetuou o recolhimento das
contribuições correspondentes, uma vez que as informações prestadas na
GFIP constituir-se-ão
em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento.
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO –
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal
sejam julgadas em conjunto
MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL –
JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE
Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que
levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da
Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar,
executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à
fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições
sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento
oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte
CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO –
ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato
de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se
durante a
fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo
e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da
espécie
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório
Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a
origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA
DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE
Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da
empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva
lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se
formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode
se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com
comprovação de recebimento
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE
ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado
pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica
nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão
demonstrando as razões de sua convicção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa distribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando a empresa em débito com a Seguridade Social. DECLARAÇÃO EM GFIP – CONFISSÃO DE DÍVIDA Considerase empresa em débito para com a Seguridade Social, aquela que informou fatos geradores em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e não efetuou o recolhimento das contribuições correspondentes, uma vez que as informações prestadas na GFIP constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado
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DECLARAÇÃO EM GFIP – CONFISSÃO DE DÍVIDA Considerase empresa em débito para com a Seguridade Social, aquela que informou fatos geradores em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e não efetuou o recolhimento das contribuições correspondentes, uma vez que as informações prestadas na GFIP constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestarse durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000954/201090 Acórdão n.º 2402002.649 S2C4T2 Fl. 167 3 Relatório Tratase de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 52 inciso II da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 280 inciso II do Decreto nº 3.048/1999 que consiste na distribuição de cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando a empresa em débito com a Seguridade Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 26/30), foi apurado na contabilidade que a autuada efetuou distribuição de lucros aos sócios no período de 08/2005 a 12/2008. O débito em questão referese às contribuições não recolhidas, porém declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social nas competências de 01/2005 a 12/2008. A auditoria fiscal informa que a multa aplicada mais benéfica ao contribuinte foi a correspondente a 50% do valor do débito, conforme dispõe o art. 32, § 1º, inciso I e § 2º da Lei nº 4.357/1964, por força do artigo 52 da Lei nº 8.212/1991, na redação data pela Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. A autuada teve ciência do lançamento em 01/03/2010 e apresentou defesa (fls. 75/95), onde solicita julgamento conjunto de diversos autos de infração, sob o argumento de que os relatórios que acompanhariam os mesmos, trariam a descrição do mesmo fato gerador ou de fatos geradores semelhantes e interrelacionados. Tece considerações a respeito da conduta da empresa e informa que além da ação fiscal sofrida, ainda estaria enfrentando ação judicial com o objetivo de garantir a moralidade na administração da empresa em razão de práticas criminosas de um de seus sócios com poder de gerência. Questiona a abertura do procedimento fiscal, a qual teria coincidido com questões policiais e judiciais enfrentadas pela empresa o que teria levado a transparecer que a motivação para a ação fiscal seria estas questões. Apresenta suas suspeitas de que as causas para o levantamento se prendeu a denúncias contidas nas ações judiciais. No entanto, entende que tais motivos não poderiam ser considerados para tal mister. Argumenta que sempre atendeu a auditoria fiscal de forma célere e que após longa ação fiscal foi surpreendida com várias autuações sem que tivesse havido qualquer discussão prévia da matéria. Considera que a autoridade fiscal incorreu em vários equívocos. Apresenta considerações doutrinárias sobre o lançamento e invoca princípios dentre os quais o da audiência do interessado, a fim de se respeitar o direito ao contraditório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Quanto à distribuição de lucros, argumenta que a lei prevê como impedimento a existência de débitos à época da efetiva distribuição de lucros e não na data da verificação fiscal. Considera que o débito só existe após a formalização do lançamento e afirma que a auditoria não relacionou quais os débitos existentes à época da ocorrência da distribuição de lucros a sócios. Argumenta que foram considerados débitos os valores apurados nesta ação fiscal e arbitrados pela auditoria, os quais estariam sendo contestados. Menciona outros princípios que entende aplicáveis à situação e considera que o lançamento seria nulo pela ausência de descrição clara e precisa dos fatos geradores. Irresignase pelo fato da atividade fiscal não ter sido exercida nas dependências da empresa, situação em que considera que a interpretação dada aos relatórios e informações, por parte da auditoria fiscal, seria completamente diferente. Solicita que lhe seja facultada a apresentação de documentos e informações complementares mesmo após o vencimento do prazo legal tendo em vista a não disponibilização de cópia de documentos integrantes da autuação solicitadas. Solicita ainda que os autos sejam encaminhados em diligência para saneamento dos erros apontados, bem como solicita a realização de perícia. Pelo Acórdão nº 0341.024 (fls. 121/131), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 134/154) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000954/201090 Acórdão n.º 2402002.649 S2C4T2 Fl. 168 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto à solicitação da recorrente de julgamento em conjunto de diversas autuações, vale dizer que não existe previsão legal que obrigue a tal procedimento. No entanto, cabe esclarecer que o presente recurso é um dos derradeiros a serem julgados. Embora não seja obrigatório o julgamento conjunto, verificase que o julgamento do auto de infração que tem por objeto a aplicação de multa pela distribuição e lucros aos sócios em razão de a empresa estar em débito para com a Seguridade Social não apresenta qualquer correlação com as demais autuações. A recorrente considera que o que motivou o início da ação fiscal teriam sido questões policiais e judiciais enfrentadas pela recorrente à época. Entende que tais questões não poderiam levar à instauração do procedimento fiscal. Cumpre dizer que não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à decisão de se instaurar um procedimento fiscal frente a este contribuinte. Valendose da competência legal prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil decidir o momento oportuno para iniciar uma ação fiscal, uma vez que tal dispositivo determina que compete ao citado órgão planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 da mesma lei das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. A recorrente manifesta seu inconformismo por ter sido autuada no final da ação fiscal sem que lhe tivesse sido oportunizado inteirarse como também manifestarse a respeito dos trabalhos da auditoria fiscal que resultou nos lançamentos. O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de defesa. O trabalho da auditoria fiscal junto ao contribuinte para apurar eventuais contribuições não recolhidas ou descumprimento de obrigações acessórias se dá na chamada fase oficiosa do lançamento. A fase oficiosa se encerra com o efetivo lançamento e, a partir de então, iniciase a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação. O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender, haja vista a ausência de lançamento. A recorrente alega que não houve a descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não pode ser acolhido. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de distribuir lucros aos sócios estando em débito para com a Seguridade Social. Além disso, toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica na folha de rosto do presente auto de infração. A auditoria fiscal ainda elaborou planilhas contendo os valores distribuídos mês a mês, bem como informou as contas contábeis de onde tais valores foram retirados e as competências em que foram informados em GFIP fatos geradores cujas contribuições não foram recolhidas em sua integralidade. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da autuação. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de os trabalhos de auditoria terem sido efetuados fora do estabelecimento da empresa, uma vez que considera que se assim não tivesse ocorrido as conclusões da auditoria fiscal poderiam ser diferentes. Tal alegação não merece melhor sorte. Não há qualquer obrigatoriedade em que os trabalhos de auditoria fiscal ocorram no estabelecimento do sujeito passivo. Asseverese que esta matéria é, inclusive, objeto de súmula emitida pelo CARF, especificamente, a Súmula nº 06, aprovada pela Portaria CARF nº 49/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 07/12/2010, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. A recorrente alega que a decisão recorrida foi homologatória onde reafirmou os procedimentos utilizados pelo auditor fiscal para o cálculo dos tributos lançados, sem, contudo, contraditar as diversas alegações e ilegalidades feitas na defesa. A decisão recorrida não merece reparo. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000954/201090 Acórdão n.º 2402002.649 S2C4T2 Fl. 169 7 “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” No mérito, a recorrente alega que a lei prevê como impedimento a existência de débitos à época da efetiva distribuição de lucros e não na data da verificação fiscal. Ora, da análise das planilhas elaboradas pela auditoria fiscal, tanto da distribuição de lucros quanto das competências em que a recorrente declarou fatos geradores em GFIP e não recolheu as contribuições correspondentes em sua integralidade, verificase que a alegação da recorrente é desprovida de fundamento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A auditoria fiscal apurou divergências entre os valores informados em GFIP e os efetivamente recolhidos no período compreendido entre 01/2005 a 12/2008. Já a distribuição de lucros aos sócios foi verificada entre nas competências de 08/2005 a 12/2008. Assim, resta claro que quando houve o pagamento de lucros aos sócios a empresa já estava em débito com a Seguridade Social. Quanto ao argumento de que se considera que o débito só existe após a formalização do lançamento e que a auditoria não teria relacionado quais os débitos existentes à época da ocorrência da distribuição de lucros a sócios, tratase de outra alegação desprovida de fundamento. Como já argüido, a auditoria fiscal informou a origem dos débitos existentes, quais sejam, contribuições cujos fatos geradores foram declarados em GFIP e não foram recolhidas em sua integralidade, além disso, a auditoria fiscal informou mês a mês quais os valores não teriam sido recolhidos, conforme se verifica na planilha de folhas 39/43. Também não confiro razão à recorrente quando esta alega que só há que se falar em existência de débito após a formalização por meio de lançamento. Basta observar o que dispõe o art. 33 § 7º da Lei nº 8.212/1991, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte (g.n.) Observase que durante o período em que efetuou a distribuição de lucros aos sócios a recorrente declarou em GFIP fatos geradores cujas contribuições correspondentes não foram integralmente recolhidas. Não custa relembrar o que dispõe o § 1º do art. 225 do Decreto nº 3.048/1999 a respeito da conseqüência da entrega da GFIP, verbis: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. (g.n.) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000954/201090 Acórdão n.º 2402002.649 S2C4T2 Fl. 170 9 Assim, muito embora a recorrente alegue que os débitos em questão não se encontravam constituídos, não se pode olvidar que ao declarar em GFIP os fatos geradores e não efetuar o recolhimento das contribuições correspondentes, a recorrente confessou dever à Seguridade Social, portanto, não poderia distribuir lucros enquanto deixava de recolher as contribuições devidas. De igual sorte, afasto a alegação de que a auditoria fiscal teria se valido como pretexto para a autuação as demais autuações lavradas na mesma ação fiscal. Na ação fiscal que resultou na presente autuação não foram lançados valores cujos fatos geradores haviam sido declarados em GFIP, ao contrário, os lançamentos compreenderam fatos geradores não declarados, alguns lançamentos por aferição indireta. Nesse sentido, entendo que a autuação deve prevalecer A recorrente ainda solicita que os autos sejam baixados em diligência para saneamento dos vícios apontados, bem como a realização de perícia contábil. Não se verifica qualquer necessidade de saneamento. Os argumentos apresentados pela recorrente não demonstram a existência de vícios que ensejassem a necessidade de diligência para o seu saneamento. Quanto à perícia, sua necessidade para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável, o que não se verifica. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10675.903023/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do
PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como
a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de
qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.718
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 29 de novembro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de dezembro de 2001. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903023/200935 Acórdão n.º 3402001.718 S3C4T2 Fl. 2 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903023/200935 Acórdão n.º 3402001.718 S3C4T2 Fl. 3 5 não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903023/200935 Acórdão n.º 3402001.718 S3C4T2 Fl. 4 7 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.014883/2002-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DA ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO. AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A decisão de primeira instância que se restringe a articular os fundamentos fáticos e jurídicos do auto de infração com as razões da impugnação não inova o lançamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCEÇÃO DE PARCELAMENTO. ANUÊNCIA TÁCITA.
A inclusão, em programa de parcelamento, de débitos objeto de lançamento de ofício anterior implica a tácita anuência para com a exação, tornando definitiva, na esfera administrativa, a sua exigência.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DA ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO. AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que se restringe a articular os fundamentos fáticos e jurídicos do auto de infração com as razões da impugnação não inova o lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCEÇÃO DE PARCELAMENTO. ANUÊNCIA TÁCITA. A inclusão, em programa de parcelamento, de débitos objeto de lançamento de ofício anterior implica a tácita anuência para com a exação, tornando definitiva, na esfera administrativa, a sua exigência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 83 /2 00 2- 43 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração, decorrente de procedimento de auditoria eletrônica da DCTF do 3º e 4º trimestre(s) de 1997, em que o declarante, ora recorrente, informou que seus débitos de Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de julho a dezembro daquele ano, nos valores de R$ 13.476,24, R$ 12.177,97, R$ 16.956,67, R$ 14.406,93, R$ 174,63 e R$ 380,76, haviam sido compensados com créditos reconhecidos pela sentença que transitou em julgado nos autos do processo judicial nº 96.03.0360929. Sob o fundamento “Proc. jud não comprovad” (Anexo I – DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, fl(s). 26 a 28), o Fisco não acolheu a exceção de Exigibilidade Suspensa e lançou de ofício os referidos débitos, com os consectários de praxe, formalizando a exigência constante do Auto de Infração nº 00034774, fls. 24 e 25 e anexos. A exação totalizou R$ 154.751,06. O feito foi impugnado (fls. 1 a 3). O autuado alegou que Autoridade Fiscal não considerou o fato de o contribuinte ter impetrado, em 10/04/96, Mandado de Segurança, distribuído à 20ª Vara Cível Federal de São Paulo, sob nº 96.00099650, com pedido de liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximirse do recolhimento do PIS nos moldes da Medida Provisória nº 1.286, de 12 janeiro de 1996, e suas reedições, conforme demonstra a Certidão de Objeto e Pé, anexada à peça de impugnação. Aduz que, em 21 de maio 1996, o MS foi julgado procedente, obtendo a segurança requerida, para fim de garantir à Impetrante o direito ao pagamento do PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e não nos da MP nº 1.212, de 1996, e suas reedições, conforme a Certidão já referida. Conclui que, em relação ao crédito tributário a pagar para o primeiro semestre de 1997, estava amparado em decisão judicial, o que impedia que se procedesse à lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a ser apurada. Destaca que Autoridade Administrativa tinha conhecimento da Medida Liminar, porque fora referida pelo contribuinte em sua DCTF, para sustentar o não pagamento da Contribuição, não bastasse ser parte na referida ação. No julgamento em primeira instância, a DRJ/SP19ª Turma houve por bem em julgar o lançamento parcialmente procedente, apenas para cancelar a aplicação da multa de lançamento de ofício, por retroação de norma penal mais benigna, tudo na forma do Acórdão nº 1634.096, de 6 de outubro de 2011, fls. 117 a 129, que teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PIS DECISÃO JUDICIAL APLICASE A MP 1212/1995. Foi decido pelo STF no Mandado de Segurança impetrado pelo Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei nº 9.715/98, que terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11610.014883/200243 Acórdão n.º 3403002.251 S3C4T3 Fl. 160 3 Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõe o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 133 a 149, após síntese dos fatos relacionados com a lide, combate o lançamento com argumentos assim resumidos pelo próprio recorrente: Em relação ao principal: a) como os débitos ora exigidos foram incluídos no PAES e esse parcelamento foi totalmente adimplido, resta patente a inexigibilidade dos referidos débitos; b) a decisão combatida cancela o auto de infração tal como originalmente lançado, pois admite a existência de mandado de segurança no qual foi concedida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário; c) tendo cancelado o auto de infração, a decisão combatida inovou no mérito do processo administrativo; d) a referida inovação caracteriza a tentativa de lançamento por meio de decisão, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; e ainda que fosse permitido o lançamento por decisão, tal ato deveria obedecer o prazo decadencial, o qual decorreu há mais de 14 anos. Em relação à multa de mora constante do DARF que instrui a cartacobrança, anexa à intimação do resultado do julgamento de primeira instância: a) não há possibilidade da cobrança de multa de mora no presente caso, haja vista que o crédito tributário sempre esteve suspenso (inicialmente Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 por medida liminar e posteriormente pela defesa administrativa apresentada, sem que houvesse interrupção na suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o presente momento) e, portanto, a Recorrente nunca incorreu em mora no decorrer do presente processo; b) ainda que fosse possível a exigência da multa de mora, essa exigiria regular constituição pelo ato de lançamento tributário, por meio de autoridade competente para tanto, não podendo ser simplesmente na presente autuação por ato da Autoridade Julgadora de primeira instância; e, c) a cobrança de multa de mora não é possível no presente caso, pois para tanto seria necessário um novo lançamento para constituir o crédito tributário, o qual não seria válido tendo em vista que os fatos geradores do tributo ocorreram no período entre janeiro e junho de 1997, ou seja, período claramente já atingido pela decadência. Conclui, requerendo o conhecimento e o provimento integral do recurso, para reformar a decisão combatida, cancelandose o auto de infração e declarandose a extinção do crédito tributário. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 133 a 149 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP19ª Turma nº 1634.096, de 6 de outubro de 2011. Preliminar de nulidade da decisão recorrida, por agravamento1 do lançamento O agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência por autoridade julgadora quedou definitivamente vedado com a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, operada pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Nada obstante, não vislumbrei modificação qualquer modificação na fundamentação jurídica do lançamento na decisão recorrida. Em sua DCTF, o contribuinte, ora recorrente, havia indicado informado o processo judicial nº 96.03.0360929 como a origem da tutela que lhe assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos de julho a dezembro de 1997. A autuação teve como fundamento fático a falta de comprovação de que esse processo judicial 1 O termo agravar, na acepção do Decreto nº 70.235, de 1972, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa,mas compreende também a modificação dos rgumentos que suportam os seus fundamentos, a exempli do requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, nos termos do art. 18, § 3º. (Arruda, Luiz Henrique Barros de. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Resenha Tributária, 1994, 2ª ed. p. 55. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11610.014883/200243 Acórdão n.º 3403002.251 S3C4T3 Fl. 161 5 asseguraria tal direito (na lacônica afirmação “proc jud não comprovad”). Veio então o impugnante ao autos, e retificou a informação, afirmando tratarse, não do processo 96.03.0360929, mas do MS nº 96.00099650. Como se percebe, o fundamento fático do lançamento foi absolutamente procedente, pois o processo 96.03.0360929 não suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Tocou à autoridade julgadora de primeira instância analisar a tutela que foi deferida ao contribuinte na ação judicial referida na peça de impugnação. Rechaço a preliminar. Mérito principal No mérito, o lançamento de ofício dos débitos de PIS dos PAs de janeiro a junho de 1997 é procedente. Prova está no fato de o autuado afirmar têlos inscrito em programa de parcelamento, o que representa sua tácita anuência com a exação, como vaticina o art. 26 da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, a seguir: Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. À autoridade administrativa incumbida da execução desta decisão tocará velar para que o crédito tributário seja cobrado (e, eventualmente, parcelado) segundo a tutela deferida ao contribuinte na decisão que transitou em julgado nos autos do MS nº 96.00099650. Mérito – multa de mora Nos termos do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, a competência para julgamento dos órgãos julgadores do CARF restringese, no que pertine aos recursos voluntários, àqueles opostos contra decisões de primeira instância. Ora, como o próprio recorrente reconhece, a matéria não foi objeto do lançamento e, muito menos, da decisão recorrida, escapando, portanto, da competência para julgamento regimentalmente deferida. Ao recorrente resta a possibilidade de discutira matéria no âmbito do recurso hierárquico, autorizado pelo art. 56 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13896.002439/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que votou pela apreciação dos recursos voluntários apresentados pelos coobrigados
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinada digitalmente)
Carlos Pelá Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que votou pela apreciação dos recursos voluntários apresentados pelos coobrigados (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 02 43 9/ 20 10 -6 1 Fl. 18273DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Este processo foi formado originalmente em papel e depois digitalizado. Com isso, a numeração das páginas apostas no papel não coincide necessariamente com a numeração do documento digitalizado. Além disso, algumas peças só receberam a numeração do documento digitalizado. Assim, nas referências que faço à numeração de páginas utilizarei tanto a numeração do documento digitalizado (com a designação “fls.X”) quanto a numeração das páginas apostas no papel (com a designação “autos fls.X”). Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (autos fls. 827/890), cumulados de juros e multa de ofício de 225%, calculados sob a sistemática do Lucro Presumido, referentes a fatos geradores dos anoscalendário de 2005 a 2007, lavrados em razão da suposta omissão de receitas apurada pela fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal às fls. 2962/2989 (autos fls. 765/792 Vol. 4B). Os autos de infração foram acompanhados dos Termos de Sujeição Passiva Solidária (autos fls. 894/913, Vol 5) em nome das pessoas físicas: Paulo Roberto Murray, Alberto Murray Neto, José Luiz Cabello Campos, Tatiana Guimarães Erhardt, Edson Mazieiro, Patrícia Goldberg e Edson Sesma. Ainda, em decorrência da mesma ação fiscal, foi formalizado o processo administrativo nº. 13896.002440/201096, para cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em virtude de supostos pagamentos a beneficiários não identificados. O Termo de Verificação Fiscal detalha o desenvolvimento da ação fiscal (item 2), as ações de investigação praticadas pela Fiscalização (item 3), o local da sede do sujeito passivo (item 4), a reorganização societária praticada (item 5), a ausência de suposta espontaneidade do sujeito passivo (item 6), a escrituração contábil (item 7) para, então, descrever, as infrações apuradas (item 8), os motivos do agravamento da multa (item 9), da lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária (item 10) e suas considerações finais (item 11). Acompanham o Termo de Verificação: Anexo I em que é discriminada a Receita Apurada (Volumes 4 B e 5, autos fls. 793/815), Anexo II em que estão relacionados os Pagamentos cujo Beneficiário não se pode identificar (Volume 5, autos fls. 816/818), Anexo III com apuração da tributação exclusiva na fonte (Volume 5, autos fls. 819/821), Anexo IV Duplicatas a Receber (Volume 5, autos fls. 822/824). Consta dos autos, também, a formalização de processos de arrolamento de bens, de representação fiscal para fins penais e de representação fiscal com propositura de medida cautelar fiscal. A pessoa jurídica apresentou suas razões de defesa na peça impugnatória de fls. 3159/3198 (autos fls. 961/1000). Da mesma forma, fizeram as pessoas físicas responsabilizadas solidariamente, nas peças de defesa localizadas às seguintes folhas: Paulo Roberto Murray, 3230/3269 (autos fls. 1020/1059); Alberto Murray Neto, 3275/3311 (autos fls. 1063/1099); José Luiz Cabello Campos, 3318/3354 (autos fls. 1106/1142); Tatiana Guimarães Erhardt, 3361/3397 (autos fls. 1149/1185); Edson Mazieiro, 3406/3442 (autos fls. 1194/1230); Patrícia Goldberg, 3449/3485 (autos fls. 1237/1273) e Edson Sesma, 3492/3528 (autos fls. 1280/1316). Fl. 18274DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 4 3 O acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/CPS encontrase às fls. 1356/1396. Irresignada com o resultado do julgamento, a pessoa jurídica, cientificada da decisão em 22/02/2012, apresentou recurso voluntário tempestivo em 19/03/2012 às fls. 189/260. Da mesma forma fizeram, tempestivamente, as pessoas físicas responsabilizadas solidariamente, conforme recursos voluntários às seguintes folhas: Paulo Roberto Murray, fls. 262/312; Alberto Murray Neto, fls.663/706; José Luiz Cabello Campos, fls.1666/1704; Tatiana Guimarães Erhardt, fls. 468/503; Edson Mazieiro, fls.1192/1233; Patrícia Goldberg, fls. 1860/1909 e Edson Sesma, fls. 1420/1462. DA APURAÇÃO FISCAL Em 19/03/2003, a fiscalização tentou localizar a contribuinte no seu endereço do Largo Domingos Jorge Velho (endereço que constava no cadastro da RFB) e no seu endereço da Rua Japão (que constava na 23ª alteração contratual), ambos no Município de Santana do Parnaíba, não logrando êxito. Assim, intimou o sócio majoritário Sr. Paulo Roberto Murray (fls. 15/16), com ciência em 26/03/2009 (AR à fl. 17). No mesmo dia, a contribuinte, protocolou pedido de dilação de prazo para atendimento das exigências. Diante da dificuldade em encontrar a contribuinte, com intuito de intimála e dar início ao procedimento fiscal, afastando sua espontaneidade, foi afixado, em 30/03/2009, o Edital n°. 026/2009 (fl. 043). Ao mesmo tempo, foi enviado ao Sócio Majoritário Sr. Paulo Roberto Murray, correspondência onde se explicitava o descabimento do pedido de prorrogação, com ciência em 01/04/2009, através do AR de fl. 46. Em 07/05/2009, compareceu, então, à Delegacia o representante legal do sujeito passivo que esclareceu que o pedido de dilação protocolado em 26/03/2009 referiase à correspondência enviada à Rua Japão, em 19/02/2009, efetivamente recebida pela contribuinte (fl. 260). Ressaltese que tais esclarecimentos só foram feitos após a afixação do Edital n°. 026/2009. Intimada, a pessoa jurídica apresentou a DIPJ dos anoscalendário 2005 a 2007, Livros Diário e Razão. Muito embora os livros não cumprissem as exigências legais quanto às formalidades extrínsecas, foram analisados pela fiscalização. Assim, em seus registros contábeis foram verificadas discrepâncias quanto aos valores da Receita Bruta mensal registrada e as informações prestadas em suas DIPJ’s. Além disso, os valores contabilizados também eram bastante diferentes das declarações de terceiros que estavam contidas nos sistemas informatizados da RFB, razão pela qual, foi aberta diligência junto aos tomadores de serviços do sujeito passivo, exigindo desses a comprovação dos pagamentos feitos à contribuinte. Intimada e reintimada, a contribuinte apresentou, entre outros documentos, uma planilha de composição de valores informados em DIPJ (fl. 318/345), cópias de Notas de Honorários emitidas a seus clientes nos anos de 2005 a 2007 e arquivos magnéticos de sua contabilidade, a partir dos quais se verificou valores de receita operacional não registrados em sua contabilidade. Fl. 18275DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 5 4 Os valores discrepantes foram inseridos pela fiscalização na planilha “apuração de receita bruta”. Intimada e reintimada por diversas vezes a prestar esclarecimentos sobre as divergências apuradas pela fiscalização, a contribuinte limitouse a dizer que todas as suas receitas foram escrituradas e oferecidas à tributação. Alegou, ainda, que as diferenças entre os valores apurados pela fiscalização em suas DIPJ’s seriam de pouca relevância, pois a prática omissiva já havia sido saneada através da retificação “espontânea” de suas DCTF, em 14/12/2009. Como o contribuinte estava ciente, desde 19/02/2009 do seu impedimento em praticar tal ato, a fiscalização considerou as retificações não espontâneas. Acrescenta que, a simples verificação da data de recebimento do AR à fl. 425 demonstra que o sujeito passivo não estava espontâneo em 14/12/2009. Intimada e reintimada por diversas vezes, a contribuinte não (i) informou os beneficiários de pagamentos por ela efetuados e registrados na conta contábil “163 – Adiantamento de Lucros” (fl n° 681/685), haja vista que através do histórico dos pagamentos em seus Livros contábeis a fiscalização não conseguiu identificar os beneficiários (Vide Anexo V); e (ii) não justificou porque os valores pagos aos sócios se mostravam discrepantes da distribuição de lucros informada nas DIPJ dos anoscalendário de 2005 a 2007. Em paralelo, foram instauradas diligências para solicitar aos sócios da contribuinte que se manifestassem sobre os valores registrados nos assentamentos contábeis da fiscalizada como lucros a eles distribuídos e que se mostravam diversos das informações por eles exibida em suas DIRPF dos anoscalendário 2005 a 2007 (Anexo III). Atendendo as intimações, o sócioadministrador Paulo Roberto Murray apresentou resposta confirmando o recebimento dos valores apontados nos registros contábeis da fiscalizada a título de Lucros e Dividendos a ele distribuído. Além disso, apresentou planilha informando o recebimento de outros valores mais vultosos, que nem ele, nem a empresa, comprovaram, através de documentação hábil e idônea, a efetiva transferência dos valores ao Sr. Paulo Roberto Murray, muito menos a apuração de tal lucro em balanço o que os enquadraria na isenção regulamentada no art.48 da IN/SRF n° 93/97. Os demais sócios, informaram nunca terem possuído poderes de administração da sociedade, não negaram o recebimento dos valores extraídos da contabilidade da empresa e apontados pela fiscalização, mas alguns sócios que haviam apontado valores maiores em suas DIRPF, apresentaram Informe de Rendimentos emitidos pela empresa Paulo Roberto Murray Advogados (antigo nome da fiscalizada), onde se informava que o valor pago não era apenas o informado na contabilidade, mas valor maior já declarado por eles em suas DIRPF. A fiscalização desconsiderou os Informes de Rendimento porque não estavam assinados e porque não possuíam marcas de manipulação (dobras, furos, etc). Alguns sócios também informaram o recebimento de outros valores que nem eles, nem a empresa, comprovaram terem sido transferidos aos mesmos. Intimados e reintimados a prestar esclarecimentos, apresentaram, tão somente, planilha indicando dias e valores recebidos sem qualquer outra documentação comprobatória. Em 29/07/2010 o sujeito passivo foi comunicado da prorrogação do MPF n°.0812800 2009 000235. Fl. 18276DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 6 5 Consta, ainda, que em 08/10/2007 a fiscalizada transformouse na empresa “Paulo Roberto Murray – Serviços Paralegais Ltda”, alterando seu objeto social para passar a prestar serviços de apoio. Nessa ocasião, a fiscalizada sofreu a retirada de quase todos os advogados que compunham seu quadro societário, com exceção dos Sr. Paulo Roberto Murray e Alberto Murray Neto, sendo que esse último retirouse alguns meses depois, em março de 2008. Sete meses depois, todos os sócios constituíram nova sociedade de advogados com Razão Social “Paulo Roberto Murray Sociedade de Advogados” (CNPJ n° 10.197.578/000133), com objeto social e quadro societário idêntico ao da fiscalizada. Após isso, em julho de 2009, encerrarem a atividade da nova sociedade e efetuam nova reorganização societária na fiscalizada, retornandoa à condição de sociedade de advogados, com objeto social de prestar serviços advocatícios, reintegrando vários dos sócios da época e assumindo o nome de Paulo Roberto Murray – Sociedade de Advogados. Questionada quanto aos motivos da reorganização, a fiscalizada afirmou que pretendia atender a interesses comerciais ligados a estratégias de crescimento da empresa, passando a prestar serviços vinculados à área jurídica (serviços paralegais). Afirma, ainda, que a nova sociedade de advogados aberta (CNPJ n° 10.197.578/000133), nunca contraiu direitos ou obrigações permanecendo inativa por 1 (um) ano e sendo encerrada em 26/05/2009 por liquidação voluntária. Quanto à alteração de domicilio esclareceu que havia a intenção de mudar, devido a projeto de Lei Municipal que majorava o ISS para as sociedades de advogados e por mero esquecimento deixou de proceder à regularização cadastral junto a RFB. Esclarece que tem endereço certo há mais de 10 anos, sendo esse a Av. Paulista, no município de São Paulo. A partir de tais esclarecimentos, entendeu a fiscalização, que a alteração de endereço era ficta, já que a fiscalizada nunca pretendeu deixar de prestar serviços na Avenida Paulista. A fiscalizada deixou de responder ao questionamento sobre quem seria a pessoa natural responsável pela prática dos atos ilícitos, suscitando questões como a suposta re aquisição da espontaneidade tributária. Intimado, o sócioadministrador apresentou os mesmos esclarecimentos já fornecidos pela fiscalizada. Os demais sócios, de forma, coordenada, não trouxeram qualquer informação nova, restringindose a dizer que não cabia a eles informar as alterações de endereço da empresa, bem como não tinham conhecimento sobre os motivos da reorganização societária e da alteração do endereço da fiscalizada para Santana do Parnaíba. Entendeu a fiscalização que os sócios envolvidos praticaram atos que instrumentalizaram a transformação da fiscalizada em empresa comercial e continuaram prestando seus serviços advocatícios através de Contratos contraídos por uma sociedade empresarial de responsabilidade limitada onde, em tese, resguardariam seu patrimônio pessoal de eventuais execuções, já que não responderiam subsidiaria e ilimitadamente pelos danos causados a quem quer que fosse, inclusive ao Erário como acontece dentro de uma sociedade de pessoas, inclusive a de advogados. É de se ressaltar que, em suas DIRPF/2009 alguns sócios informam o recebimento de proventos e Lucros da nova sociedade (CNPJ n° 10.197.578/000133), que como apurado, jamais funcionou. Corrobora a informação de inatividade desta nova sociedade Fl. 18277DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 7 6 a DIPJ/2009, que não aponta o recebimento de qualquer Receita, nem o pagamento de proventos ou distribuição de qualquer Lucro. Além disso, outros sócios informaram o recebimento de proventos e Lucros da sociedade fiscalizada, o que, ao menos no tocante a parcela referente aos Lucros, não faz qualquer sentido, pois eles não compunham o quadro societário da fiscalizada para perceber tal tipo de remuneração do capital. Logo, a fiscalização entendeu não ser possível que tais valores tenham natureza isenta em seus rendimentos, indicando que tais sócios serão oportunamente convidados pelo Fisco a recolher os tributos por eles devidos. Essa informação foi confirmada na DIPJ/2009 da fiscalizada que não aponta tais pagamentos, seja a título de remuneração ou de distribuição de lucros. A fiscalização expõe, ainda, o fato de que cada um dos sócios foi cientificado da ocorrência dos ilícitos praticados dentro da sociedade da qual fazem parte, de forma que possuindo ou não poderes de administração, se estivessem de boafé, poderiam ter inquirido os responsáveis e obtido as informações necessárias para contestar os fatos apontados na Certidão datada de 30/08/2010, emitida após a prorrogação do MPF, com resumo do que havia sido até então apurado. Como os sócios preferiram continuar agindo de forma coordenada, ocultando as irregularidades praticadas dentro da Sociedade, entendeu claro o interesse pessoal e comum de todos, sócios e fiscalizada, na realização conjunta dos atos ilícitos praticados dentro da sociedade e apurados durante a fiscalização. Afirma a fiscalização que a contribuinte optou pela tributação com base no Lucro Presumido nos anos de 2005 a 2007 estando obrigada apenas a escrituração do Livro Caixa. No entanto, optou por efetuar sua escrituração comercial regular em suas DIPJ’s, o que se confirma através da apresentação de Livros Diário e Razão. Diante dessa opção, entendeu estar a contribuinte sujeita às mesmas obrigações das pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real, sendo, com isso, necessário que o livro Diário fosse registrado e autenticado, no caso de sociedade de advogados, na OAB, o que não se verificou. Foi observada a ausência do registro de receitas de prestação de serviços que alguns tomadores demonstraram ter pagado ao sujeito passivo e a ausência de registro da conta bancária n° 016.2317 da agência 021 do Banco Safra, onde foram depositados os valores pagos por vários tomadores de serviços. Entendendo comprovada a omissão, a fiscalização constituiu o crédito tributário, tributando os valores devidos como omissão de receitas. Consigna que a reiteração da conduta da contribuinte comprova que se não tivesse sido selecionado para verificação o sujeito passivo teria continuado a agir de forma a ocultar os valores realmente recebidos de seus clientes nos anoscalendário fiscalizados até a homologação tácita de suas declarações, pois mesmo na retificação das DCTF efetuada no curso da fiscalização de forma não espontânea, o sujeito passivo não confessa o total devido nem recolhe qualquer valor. Assim, para justificar a qualificação e o agravamento da multa de ofício (225%), a fiscalização apresenta uma lista de ações da contribuinte que, a seu ver, demonstram a intenção da contribuinte de esconder, enganar e ocultar fatos, causando dano ao Erário e à Fl. 18278DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 8 7 apuração fiscal, bem como retardando o conhecimento dos fatos geradores ocorridos dentro da empresa fiscalizada, tais como: (i) a prática reiterada de oferecer à tributação nas DIPJ’s apenas parcela reduzida da receita auferida em três anoscalendário consecutivos; (ii) inserir elementos inexatos ou omitir operações vultosas nas DIPJ dos exercícios 2006 a 2008; (iii) prestar informação falsa à OAB e à JUCESP, registrando nesses órgãos alterações de seu Contrato Social indicando endereço onde jamais esteve sediada; (iv) utilizar Contrato Social e/ou Contrato de Sublocação com informação inverídica para alterar seu domicílio de eleição junto ao CNPJ, no curso da ação fiscal; (v) demonstrou, ao responder ao Termo de Início de Fiscalização datado de 19/02/2009, que possuía alguma espécie de acordo para o redirecionamento, à sua sede, da correspondência enviada à Rua Japão, no município de Santana de Parnaíba/SP, onde jamais exerceu qualquer atividade; (vi) demorou meses para apresentar seus Livros e documentos contábeis e só o fez após tomar ciência, através de seus clientes, de procedimento efetuado pela fiscalização junto a eles para a obtenção de informações que o sujeito passivo se negava a apresentar; (vii) apresentou livros contábeis com várias irregularidades; (viii) efetuou, com a ajuda e conivência de seus sócios, reorganização societária transformando a Sociedade de Advogados numa sociedade empresarial de responsabilidade limitada na qual os sócios, mesmo dissidentes, continuaram a prestar serviços advocatícios e a contrair obrigações junto a terceiros com resguardo de seu patrimônio pessoal, mesmo sabendo tal procedimento estar vedado a advogados que prestem seus serviços dentro de sociedades mercantis. Além disso, ao tomarem conhecimento de que essa fiscalização teve ciência de tal manobra, reestruturaram a sociedade retornandoa à condição de Sociedade de Advogados e reintegrando os sócios dissidentes; (ix) a pessoa física que na saída dos sócios ocupou o lugar de sócio minoritário da fiscalizada, Sr. Eduardo Silva de Oliveira, é funcionário da empresa e nunca recebeu lucros dessa. Ao contrário, os lucros do anocalendário de 2008, época em que apenas ele e o Sr. Paulo Murray faziam parte do quadro societário da empresa, continuaram a ser retirados por antigos sócios que haviam constituído a nova sociedade (CNPJ n° 10.197.578/000133) e não possuíam qualquer relação com a fiscalizada para ter o direito de serem remunerados com seus Lucros. O Sr. Eduardo Silva de Oliveira, embora intimado, nunca respondeu aos questionamentos dessa fiscalização. Conforme registros nos sistemas da RFB aparenta ser pessoa desprovida de posses, não tendo sequer rendimentos suficientes para se enquadrar nas condições de obrigatoriedade de apresentação de Declaração Anual de Ajuste do IRPF (apenas apresenta declarações de isento e tem retenção de rendimento do trabalho assalariado 0561 pela empresa fiscalizada); (x) a contribuinte utilizase de artifício no repasse de valores a seus sócios, usando conta "Distribuição Antecipada de Lucros" para encaminhar valores aos sócios em vários dias do ano, antes mesmo da apuração do Lucro do sujeito passivo, que no caso das Fl. 18279DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 9 8 empresas tributadas pelo lucro presumido, ocorre trimestralmente. Também não tem escrituração contábil que atenda a todos os requisitos legais e que lhe permitiria a distribuição ao final de cada mês. A conta funciona como uma espécie de empréstimo não remunerado aos sócios que nunca é devolvido, pois ao fim do período é abatido dos Lucros a serem distribuídos; (xi) a contribuinte e seus sócios confrontados com o questionamento sobre a distribuição de Lucros a pessoas que através de sua contabilidade não se podia identificar retificaram suas DIRPF e/ou atribuíram para si valores que, conforme demonstrado, jamais comprovaram receber; e (xii) confessou em resposta datada de 09/09/2010 (autos fl. 717) a intenção de colocar em prática planejamento tributário irregular contra o Fisco Municipal, alterando artificialmente seus registros e evitando, dessa forma, a majoração do ISS que se encontrava em projeto de Lei que acabou por não ser aprovado. Tal se deu no afã de justificar a informação inverídica quanto à mudança de sua sede para o Município de Santana de Parnaíba que constou de várias de suas Alterações Contratuais e no Cadastro CNPJ da RFB. Além disso, a fiscalização esclarece que as intimações datadas de 16/02/2009 (AR, autos fl. 010), 06/08/2009 (AR, autos fl. 419), 01/10/2009 (AR, autos fl. 421), 06/11/2009 (AR, autos fl. 425), 22/12/2009 (AR, autos fl. 455), 28/01/2010(AR, autos fl. 490), 05/03/2010, (AR, autos fl. 527), 07/04/2010 (AR, autos fl. 679), 20/05/2010 (AR, autos fl. 686), 01/06/2010 (AR, autos fl. 688), e 29/06/2010 (AR, autos fl. 294) nunca foram atendidas. Finalmente, pelos atos praticados, a fiscalização lavrou os Termos de Sujeição Passiva, tendo como base, no caso do sócio administrador o art. 135, inc. III do CTN e no caso dos demais sócios o art. 124, inc. I do CTN. DAS IMPUGNAÇÕES Nesse ponto, por razões de economia processual, adoto o resumo elaborado pela DRJ: Em preliminar, sob o título prolegômenos, reconhece ter ocorrido erro quando da apresentação das DIPJ dos anoscalendário em questão, mas atribuiu o relato desenvolvido pelo Fisco à “revanche”, em razão de em outro Processo nº 10882.000579/200841, ter o Fisco pleno conhecimento de onde se localizava a empresa sob enfoque, bem como à necessidade de justificar a qualificação e agravamento da multa, além de tentar dar amparo ao lançamento do IRRF. Questiona a duração da ação fiscal, alegando que poderia estar concluída em não mais do que 6 (seis) meses; o desconhecimento pelo Fisco da sede da Impugnante, dada a juntada, em 19/03/2009, de consulta ao site do escritório fiscalizado onde constava o seu endereço, telefones e email; bem como a intimação do início da ação por Edital, fazendo menção a reintimação do sócio da empresa em sua residência, ocorrida em 30/03/2009. (...). Fl. 18280DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 10 9 Reportase a Termo de Retenção de Livros e Documentos, datado de 23/04/2009, às fls. 192, alegando contrariar a afirmação, de 27/04/2009, às fls. 193, de que a empresa não foi encontrada, e denotar que tudo foi desenvolvido para justificar a aplicação de multa qualificada e agravada. Entende que o procedimento de omissão de receitas, por ter num primeiro momento o sujeito passivo declarado menos do que deveria ter ofertado à tributação, tem menor grau de contundência do que o vender sem emissão de notas fiscais, acarretando multa de 75% e não se 225%. Acrescenta que a venda sem emissão de notas fiscais, por não deixar rastros tem sua apuração dificultada, enquanto que no caso em exame, tudo se apresentava documentado. A Fiscalização tratou de ficar intimando e intimando a Impugnante quando já tinha assegurado o fato com as devidas provas. Buscou com as repetidas intimações criar a desobediência que lhe autorizaria a agravar a multa. Questiona a atribuição de responsabilidade a sócios minoritários pelo Fisco, mesmo tendo conhecimento de que Paulo Roberto Murray era o sócio com 99,97% das quotas de capital da sociedade autuada.(...). Argúi nada ter de especial o caso em questão, pois nem sempre foi encontrada a empresa, quando quis intimou o Fisco os seus sócios, existente um endereço aferível pela INTERNET, conhecidos os seus telefones, email, etc. Se declarou a Impugnante um valor de receita menor que a devida, apurado através dos documentos emitidos, a hipótese se apresenta comum, onde cabe à fiscalização apurar, como se dá às dezenas segundo lançamentos diários em todo o país. Classifica o caso em tela como de simples solução, mas eleito pelo Fisco como de grande complexidade. Questiona a competência para autuação expondo que: Interessante se apresenta a circunstância de que tendo o Fisco buscado demonstrar a inexistência de fato da Impugnante em Santana de Parnaíba, Estado de São Paulo, endereço este que lhe legitimava competência tributária para agir no exercício de sua atividade fiscal (geográfica), não cuidou da mesma (competência) declinar a favor de São Paulo. Isto porque ao que se sabe a Av. Paulista 1499 encontrase na Capital, daí sendo lógico, então, caber ao Fisco Federal local exercer a atividade funcional. Entende contraditória a posição do Fisco e que lhe teria faltado a imprescindível imparcialidade para agir, ao transformar uma operação de rotina em um caso de grande monta. Por certo de grande valor estatístico para a repartição local Delegacia de Barueri. (...). Reitera que embora possa merecer, quanto aos seus possíveis erros, reprimenda ou meditação o seu agir, não negando ao Fisco Federal o dever de fiscalizar, apurar e reclamar por omissão de receita, tal situação não pode justificar as conclusões fiscais. Não se pode transformar a busca de pagamento menor de ISS, como a trama desenhada. Fl. 18281DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 11 10 Retoma a questão endereço Santana de Paranaíba ou Av. Paulista, alegando que não pode levar a confusão de inexistência da Impugnante, que jamais deixou de existir, que jamais teve ausente o sócio administrador exclusivo, detentor de 99,97% do capital social. Por isso não pode aceitar o TVF nos termos postos, que embora bem apresentado, merece a devida depuração, aproveitandose o essencial e descartandose o supérfluo. Reprisa que o Fisco transformou omissão de receitas, de fácil aferição, desde logo apurado como: intimação dos clientes quanto aos pagamentos, respostas, comparação com o declarado, valor reclamado, em um fato de proporções gigantescas. Levou quase dois (2) anos para lançar o que desde há muito tinha conhecimento. As diversas planilhas apresentadas demonstram o quão fácil foi o seu trabalho. Sob o título da espontaneidade, defende a sua reaquisição, alegando que diante do prolongar da ação do Fisco, que já possuindo os dados para lançar ficou estendose sem justifica plausível, tendo tomado conhecimento a empresa de seus enganos, cuidou a mesma de retificar as suas DCTF (fls. 671 e 720), aderindo ao disposto na Lei 11.941/09, isto porque cuidou aquele, ao que parece de forma proposital, de não concluir o seu trabalho até 11/09, para evitar a adesão. De nada valeram os apelos de término em razão do pretendido REFIS (4). Reproduz trecho do Termo de Verificação em que relacionadas datas dos atos de ofício e argumenta que o documento de fls. 423 apontado pelo Fisco, que daria sustentação à sua tese, nunca foi recebido pela Impugnante, já que o seu receptor nunca teve mandato para tanto. (...). Aborda a atribuição de solidariedade a sócios da impugnante, alegando que: os sócios minoritários possuíam 0,3% do capital social, sem gerencia, e eram em verdade empregados subordinados ao majoritário, não tendo o Fisco aceito o argumento de que a qualidade de sócios minoritários se dera por questões trabalhistas. Este fato em particular bem demonstra o animus do Fisco. não satisfeito o Fisco com a "descoberta" da omissão de receita, presente em centena senão milhares de processos anualmente, eis que ao amparo de legislação que cita, passa a justificar a solidariedade pelos motivos expostos no Termo de Verificação que reproduz em parte. Discorda da adoção do interesse comum pela Fiscalização, alegando corresponder a um insulto ao saudoso Rubens Gomes de Souza. Discorre acerca da sujeição passiva indireta e sua classificação em duas espécies: transferência e substituição, elaborando quadro sinótico para concluir que: “38. Atribui o Fisco ao caso presente a figura da sujeição passiva por transferência solidária, segundo o previsto no artigo 124, I, do CTN, aos sócios minoritários. 39. Encontrase estabelecido nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, que respondem Fl. 18282DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 12 11 solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões havidas, o responsável. 40. Destarte, considerando que a eleição dos sujeitos passivos (contribuintes e responsáveis) é de exclusiva alçada da lei ordinária da entidade detentora da competência tributária para a instituição do tributo (CTN, art. 97 e incisos), resta concluir que, à míngua de lei ordinária federal, não indicada no AI, resta impossível a pretendida responsabilização. 41. Não podem ser os sócios, com especial atenção aos minoritários, os responsáveis pelo reclamado. Estes jamais fizeram qualquer acordo. Ainda que se apresente possível ou verdadeira a acusação do Fisco quanto à omissão de receita declaração inexata da DCTF, ainda assim tal fato não pode envolver solidariedade, na medida em que, por si, o débito seria da pessoa jurídica que tem personalidade própria não confundível com as das pessoas jurídicas de seus sócios (NCC). 42. Interesse comum é termo largo, dependente de lei ordinária para delimitalo.” Reportase a decisão judicial (Acórdão exarado em grau de recurso de apelação em Porto Alegre datada de 19/08/1999) e a excerto doutrinário, para defender no caso em espécie tinha o Fisco que demonstrar onde e como se beneficiaram os sócios, já que tributa e penaliza a empresa Impugnante – sujeito passivo contribuinte. Reitera que a solidariedade é matéria de absoluta reserva de lei (CTN, art. 124), ou seja, apenas pode ser tratada por diploma de caráter primário. Aliás, nem lei ordinária poderia alterar esse quadro, para dispor de forma diversa daquela estabelecida pela legislação complementar, transcrevendo doutrina e julgados do STJ e STF. (...). Na seqüência, reportandose ao valor lançado no presente processo a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e mais aquele IRRF objeto do processo 13896.002440/201096, perfazendo o total de R$ 132.312.309,72, argumenta refletir a existência de confisco, que expõe ser vedado pela Constituição e repudiado pela doutrina. Aborda, então o IRRF, questionando como chamar de pagamento a beneficiário não identificado, quando a contabilidade (Livro Diário) entregue aponta o pagamento de lucro a sócio e o mesmo confirma o recebimento. Reportase a ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes e a doutrina do Prof. José Antonio Minatel para defender sua tese e concluir que: “Como visto a omissão de receita reclamada deu ensejo a tributação, assim nada se encontra distribuído, cabendo fazer a prova da distribuição do que a rigor se encontra tributado.” Opõese à multa qualificada e agravada, alegando que: “ 63. Cuidou a Impugnante de demonstrar quando sob enfoque a questão TVF, toda a trajetória do Fisco no sentido de criar um clima agravado de sonegação. Buscou transformar uma questão corriqueira de omissão de receita não declarada em DCTF, Fl. 18283DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 13 12 em algo gigantesco, sem precedente, de crime organizado, quanto tudo se apresentava de fácil aferição. Cuidou o Fisco ainda de ser abundante quanto às intimações sempre respondidas, muitas repetitivas e desnecessárias. 64. Então, tudo para justificar a qualificadora e agravante. 65. É certo que a Lei 9430/96 em seu artigo 44, inciso II impõe a aplicação de multa equivalente a 150% do valor do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude, remetendo aos arts. 7 1 . 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Por outro lado o §2° do mesmo dispositivo ainda prevê o agravamento das multas previstas nos incisos I e II, impondo sanções de 112,5% e 225%. Estas quando não atendida alguma intimação. 66. Fixa a lei n. 10.852/04 [10892] no seu artigo 2°, que as multas a que se referem os incisos I e II do art. 44 da Lei no 9.430/96, serão de 150% e de 300% respectivamente, nos casos de utilização diversa da prevista na legislação das contas correntes de depósito sujeitas ao benefício da alíquota zero de que trata o art. 8° da Lei no 9.311/96.” Cita ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes relativa a depósitos de origem não comprovada. Argúi a ocorrência de cerceamento de defesa, alegando obtenção de cópia de apenas parte do processo antes do prazo de impugnação, reportandose a agendamento para prazo além do estabelecido para a impugnação, protestando por complemento. Com relação aos lançamentos reflexos, estende os mesmo argumentos de defesa. Ainda, como causas de ofensa ao contraditório, alega a impugnante que: o desenvolvimento do procedimento fiscalizatório e a lavratura dos autos de infração ocorreram em Barueri, o que teria dificultado o seu acompanhamento; durante a fluência do prazo recursal, os autos ficaram indisponíveis, pois estavam em trânsito para a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, e somente em 10/11/2010 teve acesso a eles, configurandose cerceamento de defesa quando o Fisco só disponibiliza a cópia dos processos em 23/11/2010 (PAF n° 13896002440/201096 último dia do prazo fatal) e em 30/11/2010 (PAF n° 13896.002439/201063 depois do prazo para interposição da impugnação). Também argúi a ocorrência de decadência dado o decurso do prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 150, § 4º, do CTN para as exigências de IRPJ e CSLL dos 3 (três) primeiro trimestres de 2005 e de PIS, Cofins e IRRF de janeiro a setembro/2005, por ter sido cientificada das autuações em 23/10/2010. Sob o título Dos Valores Declarados, argumenta ter o Fisco tentado, apenas, colocar uma névoa na verdade dos fatos, para justificar um procedimento tão desproporcional e rigoroso, mas ressalta haver fatos que podem ser afastados, por mais que o Fisco se esforce, destacando: Fl. 18284DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 14 13 “a) Todos os recebimentos da Impugnante estavam escorados por respectivas notas de honorários; b) Em todas as notas de honorários era procedida a retenção na fonte dos tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), de acordo com a tabela de fonte, tanto é assim que, depois da rigorosa checagem, não foi encontrado um único recebimento, sem a devida retenção; c) Os recebimentos da Impugnante eram declarados na DIRF, pelas fontes pagadoras; d) Mesmo quando não havia retenção na fonte dos tributos federais, ou por não atingir o limite mínimo legal para tanto, ou porque pago por pessoa física, os recebimentos estavam devidamente declarados na contabilidade; e) A fiscalização abriu diligências fiscais em face de todos os clientes da Impugnante (na qualidade de fontes pagadoras), para confirmar os pagamentos que teriam sido realizados, momento em que ficaram obrigadas a exibir contratos, recibos, cópias de DOC e TEC, entre outros documentos; f) Todo o faturamento que havia sido apresentado pela Impugnante, no início da ação fiscal, foi confirmado pelos clientes. Não se tem notícia de nenhum recebimento que não estava declarado na contabilidade ou que deixou de ser informado à Fiscalização, já no primeiro atendimento. 78. Por essa razão, não há de se falar que a Impugnante teria agido de forma a dificultar o conhecimento de qualquer fato gerador, pois jamais simulou qualquer negócio jurídico. 79. Vale dizer que, com a retenção dos tributos na fonte, o Fisco teve conhecimento da ocorrência do fato gerador desde seu nascimento. Note bem, não há nos autos: a) nada sobre a existência de eventuais notas de honorários sem retenção dos tributos federais; b) nenhuma referência sobre valores percebidos pela Impugnante que não tenham sido declarados, salvo aqueles decorrentes de erro de conta/critério pela Fiscalização que será abordado adiante; c) total silêncio quanto a eventuais montantes retidos na fonte que não tenham sido recolhidos pelas fontes pagadoras (clientes) ou não declarados nas respectivas DIRF. 80. Esse incontestável fato, além de determinarem o início do prazo decadencial, já derruba qualquer possibilidade de se aplicar a multa majorada, e demonstra como o Fisco não se preocupou com a verdade material, ou em respeitar o princípio da legalidade, pois agiu de forma desproporcional e desmedida.” Aponta erro de cálculo na apuração da parcela tributável pela fiscalização, alegando que, considerando que a ação fiscal se estendeu por quase 2 (dois) anos, é Fl. 18285DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 15 14 inconcebível que não se tenha determinado, de forma precisa, o fato oponível, quando: a) São apresentados todos os recibos de honorários; b) Os recibos, por ato desnecessário, são confirmados junto às fontes pagadoras; c) O mesmo valor é refletido na contabilidade, que aponta todos os recebimentos. E continua: “O que não se entende é o fato de ainda haverem erros, ainda mais quando o regime tributário da Impugnante (Lucro Presumido) é, em síntese, o acúmulo desses pagamentos (que podem ser conferidos de diversas formas, conforme descrito nos itens "a", " b " e " c " acima) com a aplicação de um índice/alíquota, nada mais”. Do valor apurado, deduz os tributos retidos. Alega como base de cálculo: Base de cálculo / faturamento Ano de 2005 ........................ R$ 15.946.649,75 Ano de 2006 ........................ R$ 15.645.074,54 Ano de 2008 ........................ R$ 18.299.475,18 Reprisa que como não teve acesso aos autos, tem como cerceado o seu direito ao contraditório e ampla defesa. Acrescenta que a diferença reclamada é, em verdade, mais do que o dobro do que a efetivamente percebida. Em que se pese que a fiscalização intimou todos os clientes da Impugnante. A imprecisão do cálculo do Fisco tem uma única origem: duplicidade de lançamento. Reportase a registros no Livro Diário, citando, a título de exemplo, o mês de janeiro/2007, para o qual apresenta relação de “notas de honorários”, contendo indicação de “data”, “histórico padrão”, “cliente”, “conta” e “receita”, e registro final, em 31/01/2007, como segue: (...). Acerca do referido registro, esclarece: “Todas as notas de honorários que não estavam descritas, de forma detalhada, nos dias anteriores eram incluídas, por lote, no dia 31/01/2007, pois percebidas/faturadas no mês. Independente de lote ter sido detalhado a fiscalização (relação de faturamento), os valores poderiam ser auferidos pela somatória nas notas de honorários que estavam em poder da fiscalização. 93. Percebese que a fiscalização abateu de seu controle as Notas de Honorários que estavam destacadas, lançando tanto as notas de honorários que foram encaminhadas pela Impugnante e o registro contábil "honorários no mês", que se referem ao mesmo fato gerador e representam a mesma receita. Fl. 18286DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 16 15 94. Ora, com essa prática, todos os valores em que a Impugnante registrou contabilmente como "honorários do mês" estariam em duplicidade. O mesmo fenômeno se verifica em todos os períodos. 95. Por essa razão que a Impugnante insistentemente pedia para que a fiscalização apontasse qualquer nota de honorários eventualmente não declarada. De fato, não teve resposta. 96. O que se estranha é o fato da Fiscalização, apesar de estar lançando um recebimento em duplicidade, não ter cometido o "mesmo erro", em relação aos tributos que seriam retidos na fonte! Em que se pese que todos os pagamentos havia retenções de tributos.” Por fim, quanto a atendimento a intimações, alega a Impugnante que tudo que solicitado foi atendido. Conclui que o Fisco desrespeitou por diversas vezes o princípio da tipicidade cerrada, ferindo, ainda, o da legalidade e do contraditório, cerceando o direito de defesa, por meio de ação desproporcional e ilegal, em nítida conduta de confisco, pelo que requer seja declarado nulo o lançamento. Em nome da pessoa física Paulo Roberto Murray, foi apresentada impugnação com as razões de defesa a seguir sintetizadas. ... Em preliminar, argúi erro quanto à eleição do sujeito passivo, já que a pessoa jurídica de direito privado e as pessoas de seus sócios são distintas. (...). Quanto às demais questões, pede vênia o Impugnante para, lhe tendo sido enviado eletronicamente as Impugnações da Sociedade, copiar e colar uma delas IRPJ e reflexos, onde o tema IRRF também é abordado, juntando a impugnação contra esta por cópia papel, como parte integrante no que aproveitar, para demonstrar o absurdo da pretensão constante do lançamento que agora se impugna. Transcreve, então, as razões apresentadas pela pessoa jurídica, acima relatadas, alterando a ordem de alguns itens e acrescentando no tópico Da presunção de distribuição ou pagamento não identificado, os seguintes aspectos: (...). Em nome das pessoas físicas Alberto Murray Neto, José Luiz Cabello Campos, Tatiana Guimarães Erhardt, Edson Mazieiro, Patrícia Goldberg, Edson Sesma, foram apresentadas impugnações individuais em que também é feita referência às exigências de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, transcritos Termos de Sujeição Passiva Solidária, bem como reproduzidas, em parte, razões de defesa apresentadas pela pessoa jurídica e pela pessoa física Paulo Roberto Murray, inovando, apenas, na preliminar nos termos a seguir: Fl. 18287DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 17 16 “5. A Impugnante não pode ser sujeito passivo solidário pela simples razão de que nunca, em tempo algum, jamais dirigiu a sociedade PAULO ROBERTO MURRAY ADVOGADOS, exercendo tão só a sua atividade de advogada assalariada. A circunstância de comparecer com 1 (uma) quota do capital social se deve a questões trabalhistas. É comum nos escritórios de pequeno porte tal situação. Ao invés de ser registrado o profissional da advocacia como empregado, a condição é a de que seja "sócio" quanto ao trabalho, mas não com relação aos resultados. 6. O fato administração exclusiva da sociedade, conforme TFV, foi esclarecido e comprovado ao Fisco. Melhor do que dissertações valem os documentos. Fazem prova do afirmado pela Impugnante os valores recebidos apontados na impugnação da pessoa jurídica, as reiteradas intimações ao Dr. Paulo Roberto Murray, as suas afirmações de administrador exclusivo, sócio majoritário com mais de 99% do capital social. 7. Indaga a Impugnante: quem, com exclusividade operava o caixa da sociedade? Resposta: tão só o Dr. Paulo Roberto Murray, ninguém mais.” DA DECISÃO DA DRJ A 5ª Turma da DRJ/CPS entendeu por bem, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação apresentada em nome de Patrícia Goldberg, por irregularidade na representação processual, receber as impugnações em nome da pessoa jurídica e demais pessoas físicas e considerálas improcedentes, rejeitando as argüições de cerceamento de defesa, nulidade e de decadência e, no mérito, mantendo o crédito tributário lançado relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, objeto do presente processo 13896.002439/201061, bem como manter a atribuição de responsabilidade solidária às pessoas físicas indicadas na autuação e nos Termos e Sujeição Passiva Solidária, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, incorporado pelo Decreto 7.574, de 29/09/2011, não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. O procedimento fiscal tem caráter inquisitório e, aos particulares, cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida, não se justificando questionamentos acerca de sua duração, da quantidade de intimações formuladas e do local de sua realização, sobretudo se regularmente amparado Fl. 18288DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 18 17 em Mandado de Procedimento Fiscal. Ademais, no processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos relacionados a cerceamento de defesa durante o procedimento administrativo de fiscalização, por dificuldades para acompanhalo. COMPETÊNCIA. UNIDADE DE LAVRATURA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, sendo incabíveis questionamentos quanto a este aspecto, mormente se a realização do procedimento fiscal, e a conseqüente formalização do Auto de Infração, em jurisdição diversa daquela a que pertence o atual domicílio tributário da pessoa jurídica decorreu do incorreto endereço por ela própria informado para fins cadastrais à Receita Federal, informação esta que somente veio a ser corrigida após o início do procedimento administrativo de fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A alegação de dificuldades na obtenção de cópia integral do processo não configura cerceamento de defesa se (1) a pessoa jurídica e seus sócios foram regularmente cientificados dos autos de infração e seus anexos, deles recebendo cópia e, em relação às demais peças do processo, seu conteúdo já era de conhecimento dos interessados, por terem sido a eles dirigidas por via postal, ou por eles apresentadas, ou, quando apresentadas por terceiros, os correspondentes dados foram consolidados em planilhas e encaminhados em anexo a intimações, além de terem sido disponibilizadas para vistas, no curso do procedimento fiscal; (2) as cópias requeridas não foram procuradas pelos interessados na data em que disponibilizadas e, quando de posse delas, defesa complementar alguma foi apresentada que suscitasse análise das condições previstas no art. 16 do Decreto 70.235/72, e, (3) nas impugnações, os interessados demonstram pleno conhecimento de todos os detalhes da autuação e das infrações que lhes foram imputadas, a elas se opondo e fazendo referência de forma minuciosa. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, não surtindo qualquer efeito sobre o lançamento de ofício a DCTF retificadora entregue durante a ação fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas Fl. 18289DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 19 18 omitidas apuradas com base em documentação obtida junto a clientes da pessoa jurídica. ALEGAÇÃO DE ERRO NA BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação de que valores de receitas teriam sido considerados em duplicidade na apuração da base de cálculo apurada porque estariam contemplados em lançamentos contábeis efetuados de forma conjunta e resumida, não é hábil a alterar o auto de infração se ausentes registros auxiliares e prova documental que permitam a identificação e comprovação dos valores que teriam sido duplicados. RETENÇÕES NA FONTE. Não comprovadas retenções na fonte além daquelas já consideradas pela Fiscalização, tanto a título de imposto de renda como de contribuições, em função do que discriminado nas notas de honorários, não há como reduzir os valores lançados, pois meras alegações de outras retenções desacompanhadas das correspondentes provas documentais não são hábeis a alterar o lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do decorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARGÜIÇÕES RELATIVAS A INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DECADÊNCIA. Do texto do caput do art. 150 do CTN e seu parágrafo 4º, observase que o legislador elegeu, como condição essencial ao lançamento por homologação, além da antecipação do pagamento pelo sujeito passivo, decorrente de apuração regular, a existência de boafé. Ausentes tais circunstâncias, nos casos em que apurado dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial permanece na regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Evidenciadas pela fiscalização circunstâncias que denotam intuito de fraude, regular a qualificação da multa. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO NO PRAZO MARCADO. Mantémse o percentual de 225% nos casos em que o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos. Fl. 18290DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 20 19 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. Descritas pela Fiscalização circunstâncias que evidenciam a participação comum ou conjunta dos sócios na situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados, permitindo, através de suas ações ou omissões, a prática de ilícitos, tributários ou não, resta configurado o interesse comum, caracterizador da responsabilidade solidária de fato dos sócios. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS O recurso interposto pela contribuinte repisa os argumentos de sua peça impugnatória, acrescentando tópico preliminar para discutir a discriminação criada pelas autoridades autuantes, uma vez que à época dos fatos, conforme contrato social, existiam em seus quadros outros 3 sócios minoritários que não foram relacionados como sujeitos passivos solidários, sem qualquer justificativa ou motivo aparente. Ressalta, ainda, nesse ponto, que tais sócios minoritários foram, inclusive, intimados a prestar esclarecimentos durante a fiscalização. Adicionalmente, a peça recursal traz em detalhes os cálculos e a apuração de receita tributável que entende devida, indicando as correspondentes folhas dos livros onde estariam escrituradas todas as operações. O recurso voluntário do sócioadministrador Paulo Roberto Murray repisa os argumentos do recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica e os argumentos de sua peça impugnatória. Acrescenta, ainda, novos argumentos sustentando, em breve síntese, que (i) mera falta de pagamento de imposto não pode ser considerada ato ilegal ou infração de lei; e (ii) o sócioadministrador só pode ser responsabilizado pelos débitos tributários da sociedade na hipótese de ter praticado atos com excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatutos. Os demais sujeitos passivos solidários apresentaram recurso voluntário (i) repisando a preliminar apresentada pela pessoa jurídica a respeito da discriminação criada em relação aos sócios minoritários não indicados como sujeitos passivos solidários, (ii) repisando os argumentos de suas peças impugnatórias; e (iii) anexando novos documentos que entendem serem capazes de reforçar o argumento de que eram sócios apenas de fato da pessoa jurídica, sendo hoje, empregados celetistas, obedecendo à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, DecretoLei nº 5.452 de 1943), conforme cópias anexadas da 27ª Alteração Contratual da pessoa jurídica, Carteiras de Trabalho, Holerites, Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Físicas, etc. Os sujeitos passivos também anexaram cópia do recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica neste processo e no processo nº. 13896.002.440/201096. Fl. 18291DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 21 20 No caso específico de Patrícia Goldberg, que teve sua impugnação não conhecida, os argumentos preliminares foram os seguintes: (i) a impugnação estava acompanhada da procuração no momento do seu protocolo no CAC, sendo certo que deve ter sido extraviada na confusão em ordenar o processo e as inúmeras peças que estavam sendo protocolizadas; (ii) a falta de instrumento procuratório é vício sanável. Logo, deveria a recorrente ter sido intimada para corrigir a falha apontada; (iii) o não conhecimento é nulo, devendo os autos retornar para a DRJ para nova decisão, devendo a recorrente ser intimada para sanar o defeito; (iv) a procuração outorgada ao advogado constituído para sua defesa, foi indicada no quadro às fls. 3024, onde consta como encontrável às fls. 1274/1279, volume nº.07. A recorrente Patrícia Goldberg apresenta, ainda, suas razões de defesa, nos mesmos termos das razões expostas pelos demais sujeitos passivos solidários, inclusive, apresentando novos documentos. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Os recursos voluntários atendem a todos os pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Recurso Voluntário da Pessoa Jurídica De plano, cumpre tecer alguns esclarecimentos iniciais. Primeiro, fazse mister pontuar que a Contribuinte, desde o início da ação fiscal, reconhece o fato de que existem receitas não declaradas em suas DIPJ’s e registradas em seus livros contábeis. Alega, entretanto, que as divergências teriam sido sanadas através da retificação de suas DCTF’s (autos fl. 671 e 720). Sem adentrar o mérito da suposta reaquisição de espontaneidade quando da apresentação de DCTF Retificadora, consta do relatório fiscal que a denúncia/retificação não foi acompanhada de qualquer pagamento de tributo ou juros de mora, conforme exige o artigo 138 do CTN, razão pela qual, não merece ser tida em conta para na solução do caso sub judice. Segundo, tendo em vista que a Recorrente tece inúmeras considerações sobre o montante supostamente confiscatório dos valores exigidos, questionando a validade das disposições legais que fundamentam o lançamento, esclareço que tal análise descabe ao julgador administrativo, conforme preconiza o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 18292DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 22 21 Além disso, consigno, desde já, que as questões suscitadas pela Contribuinte tais como a suposta perseguição da fiscalização, a desnecessidade e irrazoabilidade de certos procedimentos realizados, a morosidade na conclusão dos trabalhos, etc, assim como as alegações fiscais sobre a suposta prática de atos simulados, pela Contribuinte, com intuito de lesar o Fisco Municipal, não serem aqui enfrentadas, posto que desnecessárias ao deslindo do mérito. Nesse contexto, cabe pontuar, sem delongas, que o lançamento atende aos requisitos do art. 142 do CTN e que não verifiquei qualquer vício capaz de macular o lançamento. Finalizando, cabe registrar que as questões atinentes ao lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRFF) sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, não serão tratadas aqui, já que se encontram em discussão no PA nº. 13896.002440/201096. Pois bem. Superados tais pontos, os demais argumentos da Recorrente se resumem em contestar: a aplicação da multa qualificada e gravada, a base de cálculo utilizada pela fiscalização para cobrança dos tributos devidos, a decadência de parte deles e a imputação de responsabilidade tributária solidária a seus sócios. É o que passo a analisar. Multa qualificada Consta dos autos que a Recorrente efetuou registros contábeis acusando o recebimento de receita de prestação de serviços advocatícios em valores muito superiores aos informados em suas DIPJ, o que aconteceu, reiteradamente, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. O fato é incontroverso nos autos, o que se verifica por ter a contribuinte confessado a omissão de receitas e retificado suas DCTF’s. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata não autorizam, por si sós, a qualificação da multa de lançamento de oficio, já que tais são hipótese de incidência da multa de 75%, conforme art. 44, inciso I, da Lei nº. 9430/96. No entanto, uma vez que foi apurada a existência de débitos não declarados, não pagos e não contabilizados, e, mais do que isso, como visto, foram confessados débitos não declarados, não pagos e contabilizados, prática que se mostrou reiterada, está evidenciado de forma cristalina o dolo da Recorrente em sonegar tributos. A inexatidão ou omissão dolosa do contribuinte, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, pretende manter o Fisco em erro até que se ultime o prazo de cinco anos. O fato de ter a Recorrente reiteradamente apresentado declarações inexatas e de tê las retificado somente após o início da ação fiscal, corrobora a assertiva de que, não fosse isso, o erro persistiria. Com efeito, se os fatos apurados pela autoridade fiscal e confessados pela Recorrente permitem demonstram o seu intuito deliberado de subtrair valores à tributação, é Fl. 18293DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 23 22 cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Multa agravada Muito embora a contribuinte defenda que só deixou de atender as últimas intimações fiscais pois já havia prestado todas as informações e entregue todos os documentos solicitados ao Fisco, aguardando a lavratura do auto de infração para que pudesse exercer o seu direito de defesa, está consignado nos autos que a Recorrente deixou de atender à diversas intimações fiscais. Consoante informações do relatório fiscal, as intimações datadas de 16/02/2009 (AR, autos fl. 010), 06/08/2009 (AR, autos fl. 419), 01/10/2009 (AR, autos fl. 421), 06/11/2009 (AR, autos fl. 425), 22/12/2009 (AR, autos fl. 455), 28/01/2010(AR, autos fl. 490), 05/03/2010, (AR, autos fl. 527), 07/04/2010 (AR, autos fl. 679), 20/05/2010 (AR, autos fl. 686), 01/06/2010 (AR, autos fl. 688), e 29/06/2010 (AR, autos fl. 294) nunca foram atendidas. Com efeito, deixar de atender às intimações fiscais para prestar esclarecimentos no prazo marcado, enseja o agravamento da multa e 150% para 225%, nos termos do inciso I, § 2º do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, portanto, é de se manter o agravamento. Nesse ponto, vale repisar a decisão recorrida quando esclarece que “a majoração do percentual da multa não comporta juízo de valor acerca do conteúdo dos esclarecimentos solicitados”. Decadência Uma vez comprovada a ocorrência de dolo, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme interpretação conjunta dos artigos 150, § 4º e 173, inciso I do CTN. Considerando que o fato gerador mais remoto abrangido pela autuação ocorreu em 31/01/2005, o prazo decadencial, na forma do art. 173, inciso I, começou a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01/01/2006, podendo o fisco constituir o crédito tributário até 1º/01/2011. Como o lançamento foi cientificado à Recorrente em 28/10/2010 (AR fl. 3090), deve ser afastada a hipótese de decadência parcial dos créditos tributários lançados. Elevação da base de cálculo A Recorrente sustenta, ainda, a suposta elevação da base de cálculo dos tributos lançados, uma vez que a fiscalização teria considerado inúmeros lançamentos do seu Livro Razão em duplicidade. Explica que a fiscalização considerou os valores das notas de honorários lançados de forma agrupada, sem individualização, em seu Livro Razão (denominados “honorários do mês” no Livro Razão e correspondentes aos lançamentos denominados “duplicatas a receber” da planilha fiscal fl. 2774/2805) e os valores das notas de honorários fornecidas pela Recorrente e pelos tomadores de serviços, sendo que essas últimas já estariam contidas nos valores lançados de forma agrupada como “honorários do mês”. Fl. 18294DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 24 23 Assim, os valores lançados a título de “honorários do mês” (recebimentos diversos), estariam contemplados nas notas de honorários que também teriam composto a receita apurada, gerando a duplicidade argüida. Nesse passo, o lançamento fiscal teria somado: (i) valores de faturamento lançados de forma individualiza na contabilidade; (ii) valores de faturamento informados pelos clientes (recibos e notas de honorários), excluindo os que se encontravam listados de forma individualizada na contabilidade; e (iii) valores de faturamento lançados de forma não individualizados na contabilidade (lançados de forma agrupada, com a denominação “honorários do mês”), sem considerar que esse montante envolvia valores do item (ii). Como prova, a Recorrente apresenta, em seu recurso voluntário, planilhas (fl. 226/236) com os valores das notas de honorários que agrupadas seriam correspondentes aos valores lançados em sua contabilidade como “honorários do mês”. Aqui, merece razão a Recorrente. Da atenta apuração dos valores indicados nas tabelas produzidas pela Recorrente em seu recurso voluntário (fls. 226/236), é possível verificar que várias notas de honorários que somadas perfazem os valores lançados pela Recorrente em sua contabilidade como “honorários do mês”, foram também consideradas individualizadamente no lançamento fiscal, demonstrando haverem indícios de que várias notas de honorários estariam sendo consideradas em duplicidade na apuração de sua receita bruta. Além disso, também verifiquei que nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, os valores de “honorários do mês” parecem ter sido lançados em duplicidade na apuração fiscal, com as identificações “Duplicatas a receber” e “Duplicatas a receber (tomador não inform.)”, com a mesma data, mesmo valor e a indicação das mesmas folhas no Livro Razão. Em virtude disso, encaminho meu voto, nesta parte, para propor a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que essa: (i) verifique a coerência das planilhas apresentadas pela Recorrente às fls. 226/236 do Recurso Voluntário; (ii) verifique a soma dos valores de faturamento lançados pela Recorrente de forma individualiza em sua contabilidade (Livros Razão); (iii) verifique a soma dos valores de faturamento informados pelos tomadores de serviço da Recorrente (recibos e notas de honorários); (iv) verifique a soma dos valores de faturamento lançados de forma não individualizada na contabilidade da Recorrente (ou seja, aqueles Fl. 18295DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13896.002439/201061 Resolução nº 1402000.149 S1C4T2 Fl. 25 24 lançados de forma agrupada, sob a denominação genérica de “honorários do mês”); (v) verifique se os valores totais das notas de honorários indicadas na contabilidade da Recorrente correspondem exatamente ou aproximadamente à soma dos valores do item (ii) e do item (iii); (vi) verifique se a soma dos valores do item (iii) é igual ou aproximada à soma dos valores do item (iv), como sustenta a Recorrente em sua peça recursal; (vii) verifique se existem valores de faturamento informados pelos tomadores de serviço da Recorrente (recibos e notas de honorários) que não estejam descriminados individualizadamente nas planilhas do recurso voluntário (fls. 226/236) como lançamentos formadores dos valores denominados “honorários do mês”; Ressalto que o resultado da diligência deverá ser encaminhado a esse Colegiado pelo Chefe da Repartição Preparadora, para que seja possível concluir sobre a alegada elevação da base de cálculo. Verificada a elevação da base de cálculo, esse Colegiado solicitará a exclusão dos valores em duplicidade e a apuração de nova base de cálculo, sobre a qual deverão ser novamente descontados os valores já declarados e recolhidos pela Recorrente e os impostos que tenham sido retido pelas fontes pagadoras. Recurso Voluntário do sócioadministrador e dos sócios minoritários. Embora fosse possível o julgamento da responsabilidade dos sócios, assim não entendeu o colegiado, que decidiu ver solucionadas as questões objeto da diligência antes de julgar a responsabilidade dos sócios. Posto isso, Sr. Presidente, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que seja apurada a existência de valores lançados em duplicidade, conforme quesitos indicados acima, tornando possível determinar o valor do crédito tributário devido pela pessoa jurídica e, solidariamente, por seu sócioadministrador. Concluída a diligência, deve ser dada ciência ao Contribuinte para manifestar se, se quiser, sobre seu resultado. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 18296DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10820.000348/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.862
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea. Relatório Reproduzo vez o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 04/08, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF nº 71, de 24 de agosto de 2001, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 03 48 /2 00 5- 10 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10820.000348/200510 Acórdão n.º 3102001.862 S3C1T2 Fl. 186 2 instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao período compreendido entre o quarto trimestre de 2003 e o segundo trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 24.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 505 c/c art. 212 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 1º, 10, 11 e 12 da IN SRF nº 71, de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.02.002005000501 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIFsPapel Imune relativas ao período acima relatado, ou apresentar os respectivos comprovantes de entrega (fl. 10). A intimada, após solicitar prorrogação de 30 dias no prazo concedido na intimação fiscal (fl. 12), respondeu à referida intimação anexando os respectivos comprovantes de entrega (fls. 13/16), sendo que uma das entregas, embora intempestiva, ocorreu antes de iniciada a ação fiscal. As outras duas ocorreram em razão da intimação fiscal. O sujeito passivo foi cientificado por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 14/03/2005 (fl. 19), tendo protocolado sua impugnação em 12/04/2005, conforme peça de fls. 22/25 e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: que a empresa regularizou sua situação fiscal dentro do prazo concedido pela Receita Federal, tendo em vista que apresentou os comprovantes de entrega em 11/02/2005, antes, portanto, de exaurida a prorrogação de prazo concedida tacitamente; que a empresa se encontra extinta desde 28/05/2004, como faz prova a cópia do cartão do CNPJ anexada a sua peça impugnatória. Outrossim, já tinha encerrado suas atividades antes disto, sendo irrisória a movimentação referente ao 4º trimestre de 2003; que a penalidade aplicada, se devida, deveria ser de R$ 5.000,00 “por mês calendário em que as pessoas jurídicas deixarem de fornecer as informações ou esclarecimento solicitados”. Entretanto, “os auditores fiscais impuseram multas em quantias infinitamente superiores. Basta que se diga que houve autuação em R$ 13.500,00 (30/04/04)”; que não há que se cogitar da aplicação do inciso II do art. 57 da MP nº 2.158 34, para justificar a majoração da multa aplicada, porquanto “desde o 4º trimestre de 2003, apresentava movimentação irrisória. Nos outros dois trimestres sequer movimentação teve”; que o Conselho de Contribuintes já decidiu em caso análogo, relativo à entrega do Dacon, “pela aplicação, em processo não julgado definitivamente, da penalidade menos gravosa”, concluindo pela redução da multa de R$ 5.000,00 para 10% deste valor. “Assim, cabe requerer seja aplicado ao presente caso a mesma redução concedida naquele, sob pena de cabal afronta ao princípio constitucional da isonomia”. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10820.000348/200510 Acórdão n.º 3102001.862 S3C1T2 Fl. 187 3 Conclui a impugnante pedindo pela desconstituição da multa “injustamente imposta à recorrente”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mês de atraso, independentemente ter havido movimento no período. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2004, 30/04/2004 PRINCÍPIO DA ISONOMIA. DESCABIMENTO. Descabe falar em isonomia diante de situações absolutamente diferentes. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIF Papel Imune A falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enseja a aplicação de multa fixa para cada período no qual a apresentação for feita em atraso. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROAÇÃO. Tratandose de caso não definitivamente julgado, a lei aplicase a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Comparece, agora, a Recorrente, para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Lembra que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa no valor total de R$ 6.250,00. Contudo, relata, “ao apresentar a guia DARF para o Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10820.000348/200510 Acórdão n.º 3102001.862 S3C1T2 Fl. 188 4 pagamento do débito, a Receita Federal, além de não conceder os descontos para o pagamento voluntário, ainda fez constar o valor com juros ou encargo, o que é indevido. E, neste ponto, é omissa a decisão aqui proferida, eis que nada tratou a respeito do assunto”. Por esse motivo, requer seja aclarada a decisão proferida para que se faça constar a data inicial para o cômputo dos juros e encargos, assim como a aplicação ou não, no vertente caso, dos descontos previstos para o pagamento voluntário da dívida. É o Relatório. Voto Os Embargos sob exame estão destinados ao esclarecimento de duas questões sobre as quais o Acórdão terseia omitido: a incidência de juros sobre o débito mantido pela decisão embargada, inclusive em relação à data a partir de quando esse encargo deveria ser calculado, e a concessão de desconto pelo pagamento voluntário da dívida. Relendo o teor do Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado, resta incontroverso que nenhuma dessas duas questões foi contraditada quando da sua interposição. É claro, haverá a Embargante de questionar como poderia cogitar do pré questionamento da matéria se o entrave somente aconteceu após o julgamento proferido no âmbito deste Colegiado. Contudo, é exatamente neste ponto que falha a compreensão da parte sobre o expediente do qual decidiu lançar mão. Os Embargos de Declaração prestamse a esclarecer a decisão proferida no Acórdão, quando este tiver se omitido acerca de alguma das questões suscitadas pela defesa, contiver algum tipo de obscuridade em seu texto ou quando houver contradição entre seus fundamentos e a sentença. É assim que disciplina a Portaria nº. 256, de 22 de junho de 2009, Regimento Interno deste Conselho. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) O Recurso neste veiculado se assemelha a um embargo à execução do Acórdão e não ao seu conteúdo. A Solução de Consulta Interna nº. 18, de 03 de agosto de 2012, da Coordenação Geral de Tributação – Cosit versa sobre o direito ao contraditório na execução de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO.RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF.CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10820.000348/200510 Acórdão n.º 3102001.862 S3C1T2 Fl. 189 5 Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 151, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66. Com efeito, se direito assiste à Embargante no que concerne ao pleito neste formulado, ele deve seguir a tramitação prevista no Decreto 70.235/72 e alterações e não atalharse sob a forma de Embargos de Declaração a uma decisão que não foi nem omissa, nem contraditória e nem obscura. VOTO POR REJEITAR os Embargos interpostos. Sala das Sessões, 22 de maio de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900679/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 79 /2 00 9- 72 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório ASSESSORTEC ASSISTÊNCIA FISCO CONTÁBIL LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 11.10.2006. mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 28,34 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 05), asseverou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nt PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 08/05/2009 (fl. 06) a interessada apresentou, tempestivamente, em 22/05/2009, manifestação de inconformidade (fls.07/08) na qual, em síntese que: a)"Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício(sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009procedemos a retificação das referidas DCTF's (...)"; b)"Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários — DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos." Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. A DRJ BELÉM (PA) através do acórdão nº 0120.462, de 25 de janeiro de 2011(fls. 30/31v), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900679/200972 Acórdão n.º 1803001.727 S1TE03 Fl. 75 3 Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Ciente da decisão em 23/03/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 39), apresentou o recurso voluntário em 19/04/2011 fls. 43/47, onde reafirma seu direito à repetição do pagamento a maior no ano calendário. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP utilizando direito créditório decorrente de estimativa de IRPJ recolhida em 30/11/2004 e relativa ao fato gerador 31/10/2004. Alega a recorrente que apurou saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2004, sendo que o pagamento indevido ou a maior da estimativa integra o saldo negativo de IRPJ do ano calendário, devendo a este título ser considerado. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, conforme planilha demonstrativa constante do recurso voluntário (fls. 45/46) a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2004, fato este indicador de que detém em tese direito creditório a ser compensado com quaisquer outros débitos nos períodos subseqüentes. Por outro lado, o óbice apontando pela Delegacia de Julgamento de que estimativas não podem ser objeto de pedidos de restituição/compensação restou afastado conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Considerando no entanto, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 16537.000995/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000
Ementa:
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 Ementa: AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
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Fatos Geradores Recorrente CIPLA INDÚSTRIA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 09 95 /2 01 1- 51 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 2302002.476 S2C3T2 Fl. 107 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 30/03/2001, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência na mesma data, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 05/2000 a 12/2000, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais, conforme discriminativo Relatório de Fatos Geradores de fls. 04. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls. 42/44, julgou a autuação procedente e excluiu da relação de coresponsáveis a sóciacotista Eliseth Hansen Batschauer. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) a improcedência da cobrança da multa porque o fiscal apenas narrou o fato ocorrido sem haver prova que confirme a incidência da norma legal que comina a penalidade; b) o caráter confiscatório da multa aplicada, que é excessiva pois sobrepassa a capacidade econômica do contribuinte; c) por fim, requer o provimento do recurso, anulando ou reformando a decisão monocrática e declarando improcedente a autuação. O recurso apresentado não foi acompanhado do depósito recursal, o que levou à inscrição do crédito, posteriormente cancelada em vista da Súmula Vinculante n.º 21, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a exigibilidade do depósito recursal. O crédito retornou à esfera administrativa para exame do recurso de fls. 62/67. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à recorrente, nas competências 05/2000 a 12/2000. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 2302002.476 S2C3T2 Fl. 108 5 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. É inócua a assertiva da recorrente quanto à falta de subsunção do fato à norma legal, pois o relatório fiscal traz de forma explícita que as remunerações dos Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 contribuintes individuais relacionados às fls. 04, não foram informadas em GFIP, fato que a recorrente em nenhum momento negou ou se contrapôs. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 2302002.476 S2C3T2 Fl. 109 7 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, caso se mostre mais benéfica ao contribuinte. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15586.001578/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/07/2008
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/07/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 78 /2 00 8- 82 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.001578/200882 Acórdão n.º 3302002.168 S3C3T2 Fl. 565 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 524 a 561) apresentado em 06 de janeiro de 2012 contra o Acórdão no 0932.877, de 13 de dezembro de 2010, da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 198 a 202), cientificado em 22 de dezembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de 10 de julho de 2008, não tomou conhecimento da impugnação apresentada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/07/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A matéria objeto de discussão travada na via administrativa de modo concomitante com a via judicial implica a renúncia àquela via, reputandose definitivamente constituído o crédito tributário na esfera administrativa. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 18 de novembro de 2008, de acordo com o termo de fls. 09 a 14. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Com base no termo de apreensão de fls. 03/10, no termo de verificação de infração de fls. 12/17 e nos demonstrativos de fls. 18/21, foi lavrado o auto de infração de fls. 22/25 contra o sujeito passivo em epígrafe, exigindolhe o crédito tributário no valor de R$302.299,31, composto pelos seguintes itens: ITEM 001) Produtos (relógios) sem selo ou com selo reutilizado ou cedido falta de recolhimento do imposto venda de produtos (relógios) sem o selo de controle: R$44.567,20 relativo ao imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescido de multa de ofício proporcional (75%), passível de redução, no valor de R$33.425,40, e de juros de mora que. até a data de 31/10/2008, perfaziam R$1.470,71. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.001578/200882 Acórdão n.º 3302002.168 S3C3T2 Fl. 566 3 Enquadramento legal (fl. 52): “Arts. 25, inciso V, 34, inciso II, 122, 123, inciso! alínea 'b' e inciso II, alínea 'c \ 125, inciso II, 127, 130, 131, 199, 200, inciso III, 202, inciso III. 223, 224, 243, 253, 266 caput e § 3o, do Decreto n” 4.544/02 (RIP1/02) e IN SRF n° 30/99”. Os enquadramentos legais atinentes à multa de ofício e aos juros de mora estão na fl. 20: “MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 75,00% Art. 80, caput, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei n” 11.488, de 15.06.2007. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3” da Lei n”9.430/96”. ITEM 002) Produtos (relógios) sem o selo ou com selo reutilizado venda ou exposição à venda de produtos (relógios) sem o selo de controle: R$222.836.00 de multa regulamentar (passível de redução) igual ao valor comercial dos produtos (valores indicados no termo de apreensão de fls. 03/10), não inferior a R$1.000,00. Enquadramento legal (fl. 21): 'Art. 333, inciso I, do Decretolei n° 1.593/77, com a alteração dada pelo art. 52 da Lei n° 10.637/02 “. Segundo informado à fl. 15, os relógios em questão sujeitavamse à pena de perdimento nos termos do inciso III do art. 514 do R1PI/2002 e do art. 61 da Lei n° 11.196. de 2005, tendo sido lavrado o auto de infração de perdimento objeto do processo administrativo n° 12466.004035/200895. Além isso, consta que, em face das infrações detectadas pelo Fisco houve formalização de representação fiscal para fins penais contra o contribuinte em questão por meio do processo administrativo n° 15586.001619/200831. Cientificado do lançamento de ofício consignado no presente processo pela via postal em 18/11/2008 (conforme o AR afixado à fl. 64), a autuada apresentou em 18/12/2009. por meio de procurador constituído pelo instrumento de mandato de cópia à fl. 78, a impugnação de fls. 66/77, na qual requeria a improcedência integral do auto de infração sob a alegação, em síntese, de que: a Alfândega do Porto de Vitória/ES apreendera 95 (noventa e cmcò) relógios que estavam no cofre e na vitrine da impugnante, tendo esta, em sua defesa prévia, apresentado notas fiscais referentes à aquisição no mercado interno de 55 (cinquenta e cinco) relógios, sendo que tais notas não foram aceitas pelo Fisco como elemento de comprovação da origem, posicionamento este que se chocava com a orientação dada pelos arts. Io e 13 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 30, de 1999, e com o teor do art. 514, dentre outros, do Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/02), que apontavam ser a nota fiscal emitida por empresa idônea, e não o selo de controle, o documento fiscal comprobatório da origem; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.001578/200882 Acórdão n.º 3302002.168 S3C3T2 Fl. 567 4 possuindo as notas fiscais, a impugnante poderia, inclusive, regularizar os relógios por meio da compra dos selos, conforme previsto no art. 13 da IN SRF n° 30, de 1999; o Fisco deveria ter realizado procedimento de ''circularização” para verificar a idoneidade das notas fiscais apresentadas, da realização de anterior selagem e do recolhimento dos tributos; além da apreensão dos relógios, foi cobrado da impugnante o IPI, cuja obrigação tributária, entretanto, recaía apenas sobre os contribuintes ou responsáveis citados nos arts. 24 ou 25 do RIPI/02, restando excluído o comerciante vendedor, pois senão haveria uma dupla tributação. “[....] a responsabilidade, quanto aos selos, só recairia sobre o comerciante se ficasse provado que as notas fiscais eram impróprias ou inidôneas”, o que não ocorrera. Assim, o IPI já havia sido tributado “pois a fábrica Já pagou o imposto devido”, restando flagrante a ocorrência de dupla tributação ou até de uma tripla penalização se o auto de infração prosperasse, pois se estaria exigindo o IPI do fabricante e do lojista, além de ter sido apreendida a mercadoria lastreada por notas fiscais idôneas; quanto aos 40 (quarenta) relógios que estavam no cofre da impugnante, tratavam de modelos antigos, fora de linha, apesar do estado de novo. contando com média de seis anos, pelo que, à luz do art. 173 do Código Tributário Nacional, já se encontrava extinto pela decadência o direito de o Fisco solicitar informações e constituir crédito tributário. Em consulta de fls. 141/142 feita por este relator ao sistema COMPROT da Receita Federal do Brasil, verificouse: i) a existência de ação judicial ordinária interposta pela autuada perante a Justiça Federal Seção Judiciária do Espírito Santo, objeto do processo judicial n0 2009.50.01.0054235; ii) em razão da ação judicial, houve a formalização do processo administrativo de acompanhamento (PAJ) n° 11557.003592/200998. Por solicitação deste relator, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) no Espírito Santo enviou por malote postal à DRJJuiz de Fora, para juntada ao presente processo, os documentos de fls. 143/175, dentre os quais se destaca a cópia (contrafé) da petição inicial elaborada pela parte autora (a autuada no presente processo administrativo) na ação judicial supracitada (fis. 144/152). Do teor dos documentos acima bem como da consulta de fls. 176/196 feita ao sítio do TRF2a Região na internet sobre o andamento da referida ação judicial, observase que foi proferida sentença de mérito em Io grau desfavorável à autora, tendo esta interposto recurso de apelação sem que tenha havido o julgamento de 2o grau até a presente data, revelandose, assim, a ausência de trânsito em julgado. No recurso, a Interessada alegou não haver concomitância de processos como considerou a Primeira Instância. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.001578/200882 Acórdão n.º 3302002.168 S3C3T2 Fl. 568 5 Afirma que o art. 62 do Decreto n. 70.235, de 1972, foi alterado e que sua redação somente permitiria a caracterização da concomitância entre ações idênticas. Dessa forma, segundo a Interessada, não haveria concomitância se o pedido ou a causa de pedir fossem diferentes. Citou, a seguir, opinião da doutrina e analisou as diferenças entres as ações administrativas e judiciais. Passou a tratar do mérito da questão, requerendo o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Não tem razão a Interessada em seu recurso, no que concerne à concomitância de processos. Esclareçase que não se poderia utilizar o critério da identidade de ações para caracterizar a concomitância, uma vez que nunca haveria concomitância, pois “ação”, a rigor, só há a judicial. É preciso, portanto, interpretar a lei adequadamente a seus propósitos, que é a supremacia da decisão judicial sobre a administrativa. Nesse contexto, a jurisprudência administrativa consolidouse a ponto de o Carf haver aprovado a Súmula n. 1 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 569DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.001578/200882 Acórdão n.º 3302002.168 S3C3T2 Fl. 569 6 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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