Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.934182/2009-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.934182/2009-34
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004752
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.220
nome_arquivo_s : Decisao_11080934182200934.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 11080934182200934_6004752.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7735848
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908442161152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.934182/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.220 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente ELSTER MEDICAO DE ENERGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 41 82 /2 00 9- 34 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório EletrônicoDDE da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, emitido em 10/12/2009, fl. 238, que reconheceu em parte o direito creditório a ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI, referente ao terceiro trimestre de 2004, pleiteado através do PER/DCOMP nº 32062.05196.300306.1.3.013595. Do crédito solicitado em ressarcimento/compensação de R$ 176.683,11, foi reconhecido o valor de R$ 148.912,18, correspondente ao menor saldo credor do período posterior ao trimestre a que se refere o pedido, tendo sido exigido do contribuinte o valor principal de R$ 19.480,68, correspondente aos débitos indevidamente compensados. O deferimento parcial do pedido decorre da constatação da utilização parcial na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a apresentação do PER/DCOMP. O contribuinte, inconformado com o Despacho Decisório em referência, apresentou em 21/01/2010, manifestação de inconformidade tempestiva, fls. 02/09 considerando a ciência do Despacho Decisório em 22/12/2009, fl. 53. Alega incorreção na apuração do menor saldo credor do período posterior ao trimestre a que se refere o pedido. Elabora demonstrativo do período de 01/2003 a 02/2006, com os valores que entende devidos, fls. 04/05, onde consta como menor saldo credor do período o valor de R$ 176.683,11. Entende incorreto o valor do menor saldo credor do período posterior ao trimestre a que se refere o pedido, correspondente a R$ 148.912,18 apurado no DDE. Alega não haver sido considerado o crédito que teria direito no total de R$ 26.754,88, do período anterior a julho de 2004. Insurgese contra as glosas de R$ 93,85, R$ 733,75 e R$ 188,45, relativas a janeiro, fevereiro e março de 2005, respectivamente. Destaca que a autoridade fiscal não detalhou nem justificou suficientemente essas glosas, impedindo a sua defesa, assim como o recolhimento do débito, pois desconhece a base da cobrança. Requer seja anulado o despacho decisório e reconhecido integralmente o crédito postulado pela manifestante ou demonstrado pela autoridade fiscal, de maneira clara, a origem do débito. Aduz ter ocorrido cerceamento de defesa na medida que não consta indicativo de como e onde foi obtido o saldo credor inicial de R$ 268.836,61, do Demonstrativo de Apuração de Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 4 3 Saldo Credor Ressarcível. Afirma ter elaborado seus pedidos de ressarcimento a partir do saldo credor de R$ 295.591,49, oriundo do segundo trimestre de 2004, o qual decorre da diferença entre o saldo credor em 30/06/2004 de R$ 844.542,50 e a soma dos PER/DCOMP de R$ 548.951,01. Alega desconhecer a origem da diferença dos créditos de R$ 26.754,88, que, juntamente com as glosas do primeiro trimestre de 2005, totalizam R$ 27.770,93, não considerados no despacho decisório, não havendo como contestálo. Afirma que a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa JurídicaDIPJ do anocalendário de 2004, confirma que o saldo credor de IPI em 30/06/2004 era exatamente o valor de R$ 844.542,50 e que as compensações no total de R$ 548.951,01, encontramse comprovadas através das cópias de seis PER/DCOMP em anexo, sendo o correto a ser considerado como saldo credor do trimestre o valor de R$ 295.591,49. Quanto às glosas do primeiro trimestre de 2005, afirma não realizar operações de aquisição de produtos tributadas pelo IPI que não lhe dão direito a crédito. Requer a reforma da decisão e a conseqüente homologação dos créditos, conforme pedido de compensação, nos termos do artigo 156 do Código Tributário Nacional, de modo que seja extinto o débito e afastados os juros e a multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da manifestação de inconformidade. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. PROVAS. A simples alegação de incorreção nos valores apurados, sem especificar as razões de inconformidade e desacompanhada de provas, não é suficiente para alterar o despacho decisório. NULIDADE. Não configura o cerceamento do direito de defesa quando os valores apurados no Despacho Decisório tiveram por base as informações dos PER/DCOMP elaborados e transmitidos pelo próprio contribuinte, sem a Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 5 4 correspondente comprovação dos valores por ele considerados. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual, na essência, repisa as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 3º trimestre de 2004 foi parcialmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. Conforme informação fiscal, a parte glosada decorre da constatação da utilização parcial na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a apresentação do PER/DCOMP. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação vinculada a Pedido de Ressarcimento de IPI, conforme disposto nas normas regulamentadoras. As compensações foram homologadas parcialmente, segundo o despacho decisório inicial, pois constatouse a utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 6 5 A fundamentação da homologação parcial da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório foi insuficiente, a compensação foi parcialmente homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Conforme relatado na decisão recorrida, o sistema informatizado, ao apurar o saldo credor inicial para o primeiro período de apuração do trimestre a que se refere o pedido, tomou por base as informações prestadas pelo próprio contribuinte nos diversos PER/DCOMP por ele informados, cujo valor conforme legenda, corresponde: “Para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores.” A recorrente alega que o saldo credor em 30/06/2004 era de R$ 844.542,50, que subtraído dos valores informados nos PERDCOMP, R$ 548.951,01, resultaria num montante de R$ 295.591,49, sendo o correto a ser considerado como saldo credor do trimestre. Discorda ainda, de forma genérica, das glosas do primeiro trimestre de 2005. Embora a análise do crédito do contribuinte seja feita de forma eletrônica, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório e demonstrativos anexos, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Ademais, não há que se cogitar em nulidade do despacho decisório: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa: lembrando que a recorrente, mesmo após a decisão de primeira instância, mantevese inerte com relação à produção de argumentos e provas que pudessem refutar a apuração do direito creditório apresentada nos demonstrativos integrantes do despacho decisório. Igualmente não vislumbro a omissão aventada na decisão recorrida uma vez que o julgador não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida, bastando apenas que indique os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 7 6 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes, além das declarações sob sua responsabilidade, que pudessem comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Os demonstrativos colacionados pela recorrente com os valores que entende devidos não vieram acompanhados da documentação contábil e fiscal apta a comprovar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. A cópia de parte do Livro de Apuração do IPI, de junho de 2004, trazendo apenas o resumo das saídas de mercadorias neste mês e ao final da página a menção ao crédito de R$ 844.542,50, decorrente da dedução do débito de R$ 236.827,58 do crédito total de R$ 1.081.370,08, não comprova a origem de tais valores. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720054/2012-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR.
A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária.
A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN.
Numero da decisão: 9202-007.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.720054/2012-65
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019235
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.794
nome_arquivo_s : Decisao_19515720054201265.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 19515720054201265_6019235.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7776888
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908451598336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.720054/201265 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.794 – 2ª Turma Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JBS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindose assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 54 /2 01 2- 65 Fl. 3741DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase Auto de Infração (Debcad 37.365.6645) para cobrança de contribuições sociais relativas às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR (0,2%), devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no artigo 6º da Lei nº 9528/97, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. O período de apuração abrange 01/2007 a 12/2007. A sub rogação está fundamentada no art. 30, inciso III da Lei nº 8.212/91 (efls. 3.041). Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária negou provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento. Acórdão 2402004.967 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FALTA DE CLAREZA NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA CONTRIBUIÇÃO LANÇADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verificou a falta de clareza na fundamentação da contribuição lançada, descabendo a declaração de nulidade do lançamento. FALTA DE ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. ADOÇÃO DE CRITÉRIO RAZOÁVEL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o lançamento em que o fisco, por falta de esclarecimentos solicitados reiteradamente ao contribuinte, adota critério de apuração respeitando o princípio da razoabilidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3742DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL NÃO TRANSCORRIDO. Não se verifica a ocorrência da decadência posto que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo antes do transcurso do quinquídio previsto no CTN. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei n.° 8.212/1991. AÇÃO JUDICIAL NÃO CONTEMPLANDO A CONTRIBUIÇÃO LANÇADA. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O mandato de segurança impetrado pelo sujeito passivo não tem o condão de interferir no lançamento, posto que aquela ação não teve como objeto desobrigar o contribuinte de recolher a contribuição destina ao SENAR. MULTA E JUROS. POSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO. Corretamente aplicados às contribuições lançadas os juros e a multa previstos em lei, posto que não havia, em relação à contribuição ao SEBRAE, qualquer provimento judicial suspendendo a sua exigibilidade. Recurso Voluntário Negado. Contra decisão o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração que foram rejeitados, nos termos dos despachos de efls 3536/3540. Ato subsequente e observando o prazo processual, é interposto Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, decisão confirmada pelo despacho de fls. 3712/3721 que rejeitou o recurso de Agravo apresentado. Segundo despacho de admissibilidade, o Contribuinte devolve a este Colegiado a discussão acerca da legalidade da cobrança da Contribuição ao SENAR. O debate assume dois viés: I) Declaração de inconstitucionalidade do art 30, IV da Lei nº 8.212 pelo STF. Necessidade de aplicação por este conselho (artigo 62, § 2º, do RICARF): defende a recorrente que a responsabilidade tributária por substituição teria sido excluída por inconstitucionalidade reconhecida pelo STF, no RE 596.177/RS, do art. 30, IV, da Lei 8.212/91. (acórdãos paradigmas nº 2401003.346 e 2202003.154), e Fl. 3743DF CARF MF 4 II) subrogação ao SENAR: violação aos artigos 150, § 7º da CF e 128 do CTN. Com base no acórdão paradigma nº 2202003154, defende a Recorrente que a responsabilidade tributária se deu indevidamente por meio do Decreto 566/92, quando deveria ter sido instituída por meio de lei, conforme previsto no art. 128 do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão. Em tempo, Contribuinte junta aos autos petição comunicando acerca da publicação da Resolução do Senado Federal nº 15, que teria suspendido a execução do art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Os recurso preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Conforme destacado no relatório, a matéria objeto de recurso cingese a discussão acerca da legalidade da cobrança da contribuição devida pelo produtor rural ao SENAR, cuja responsabilidade pelo recolhimento ficaria a cargo do adquirente, pessoa jurídica, nos termos do Decreto nº 566/92. Importante destacar que o lançamento ora discutido abrange fatos geradores ocorridos já na vigência da nova redação dada, pela Lei nº 10.526/2001, ao art. 6º da Lei nº 9.528/97, e ao contrário do alegado pelo contribuinte, a responsabilidade pelo recolhimento da referida contribuição foi atribuída à Autuada com base no inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica do auto de infração lavrado. Sobre o citado dispositivo não há qualquer manifestação de inconstitucionalidade. Na verdade, há decisão do Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática da Repercussão Geral, no RE nº 718.874/RS concluindo no sentido de ser constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O julgado recebeu a seguinte ementa: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 4 5 entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Neste cenário, e considerando que as contribuições do art. 25 também são recolhidas pelo adquirente por força do mesmo art. 30, III da Lei nº 8.212/91, dispositivo cuja validade nunca foi questionada, não merecem prosperar as alegações da Recorrente. No entendimento desta Conselheira, por meio do RE 363.852/MG, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do citado inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, vício que ainda subsistiria, entretanto é notável que o presente lançamento não está baseado exclusivamente no mencionado inciso. A exigência ora discutida tem como fundamento também o inciso III do mesmo art. 30, o que por si só afastaria a argumentação de inconstitucionalidade suscitada pela Recorrente, uma vez que sobre este dispositivo o STF não faz qualquer consideração. Vale destacar que o entendimento da maioria do Colegiado vai além, entendendo pela inexistência de qualquer vício sobre o art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91. Por diversas vezes esse tema já foi submetido a apreciação desta Câmara Superior. Recentemente, por meio do acórdão nº 9202007.280, cujo lançamento envolvia o mesmo contribuinte, o Colegiado, por unanimidade, entendeu pela legalidade da cobrança do SENAR e pela previsão de regra normativa para exigência da contribuição por subrrogação. As contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991 e das contribuições instituídas a título de substituição. A Conselheira Relatora, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, após discorrer acerca das decisões proferidas pela Supremo Tribunal Federal e sobre seu entendimento acerca da abrangência da inconstitucionalidade declarada pelo STF inclusive tratando sobre o inciso IV do art. 30 concluiu pela legalidade da cobrança. Pela relevância transcrevo parte do voto proferido: SENAR CONTRIBUIÇÃO SOBRE AQUISIÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS ... A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro Fl. 3745DF CARF MF 6 de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: ... Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) É de se destacar, também, o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, parcialmente reproduzidos a seguir. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. (...) (grifos nossos) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852, como citado pelo recorrente. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Assim, importante destacar que não mais paira qualquer duvida acerca da constitucionalidade aplicável ao caso, conforme veremos a seguir. Possibilidade de exigência via subrrogação. Fl. 3746DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 5 7 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: ... Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Lei 8315 Art. 3º § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) ... Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Fl. 3747DF CARF MF 8 Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. ... Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2008 a 08/2008, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Embora já se aplicasse esse entendimento, ao apreciar apressadamente a decisão do STF tevese a idéia de que a subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, teria sido por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, essa possibilidade já foi por deveras superada nos mais diversos acórdãos deste conselho, de tribunais e por decisões posteriores do próprio STF. ... Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 2302 02.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Fl. 3748DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 6 9 Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se Fl. 3749DF CARF MF 10 filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do Fl. 3750DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 7 11 segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou, em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação Fl. 3751DF CARF MF 12 tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a sub rogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 8 13 Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. ... Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) ... Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção Fl. 3753DF CARF MF 14 devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 9 15 §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. Assim, considerando que além da menção ao art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91, o lançamento também faz menção ao inciso III do mesmo art. 30 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 216. incisos III e IV e §5º do Decreto nº 3.048/99, dispositivos que prevêem expressamente a cobrança e a responsabilidade do adquirente pelo recolhimento da contribuição devida pelo produtor rural, e considerando que, como dito, as contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991, não devem ser acolhidas as razões recursais. Fl. 3755DF CARF MF 16 Por fim, destacase que o fato do lançamento se basear no inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91 e no art. 216. incisos III e IV e §5º do Decreto nº 3.048/99, por si só afastaria a discussão sobre a Resolução nº 15/2017 do Senado Federal, de toda forma vale destacar manifestação do Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, no acórdão 2402005.994: Por fim, há que se fazer menção à Resolução do Senado Federal nº 15/2017, a qual, com base no RE nº 363.852/MG: Suspende, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. As resoluções do Senado Federal a que se refere o inciso X do art. 52 da Constituição têm por finalidade suspender a execução de leis federais declaradas inconstitucionais por decisão STF pela via do controle incidental ou difuso, quando a Corte é chamada a julgar recursos extraordinários relacionados a casos concretos. Convém ressalvar que sentença do STF que venham a considerar inconstitucional determinada norma em controle difuso possuirá efeitos tão somente inter partes e ex tunc, isto é, se a inconstitucionalidade foi verificada na via incidental, a decisão Suprema Corte alcançará tão somente as partes interessadas do processo. De outro modo, o inciso X do art. 52 da CF/88 instituiu a possibilidade de esse tipo de decisão surtir efeitos erga omnes (para todos) ao atribuir ao Senado Federal a possibilidade de, por juízo de relevância, editar resolução suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. Contudo, a resolução da Casa Legislativa não pode extrapolar os limites da decisão judicial, pois isso implicaria invadir competência precípua da Corte Suprema, conferida pela alínea “b” do inciso III do art. 102 da Carta da República. Dito isso, constatase que a Resolução do Senado Federal nº 15/2017 não trouxe qualquer inovação que possa interferir no desfecho da situação aqui analisada, visto que se refere a decisão afeta a situações anteriores à edição da Lei nº 10.256/2001 que, como dito acima, teve sua constitucionalidade reconhecida pelo STF. Diante do exposto nego provimento ao recurso e mantenho a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 19515.720054/201265 Acórdão n.º 9202007.794 CSRFT2 Fl. 10 17 Fl. 3757DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005177/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE DO CARF.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
Numero da decisão: 9202-007.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE DO CARF. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16707.005177/2009-21
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011783
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.763
nome_arquivo_s : Decisao_16707005177200921.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 16707005177200921_6011783.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7755876
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908482007040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16707.005177/200921 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.763 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTRUTORA A. GASPAR S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE DO CARF. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 51 77 /2 00 9- 21 Fl. 295DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301002.829 proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 17 de maio de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 259: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte No que se refere ao Recurso Especial interposto, fls. 270 a 279, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 281 a 283, para rediscutir a aplicação da multa de ofício após o advento da MP n.º 449/08, convertida na Lei n.º 11.941/09 (retroatividade benigna) Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; b) a redação do art. 35 A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que corresponde ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devido e não recolhido; c) no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos à multa de ofício. A multa de ofício é aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário e a multa de mora incide Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16707.005177/200921 Acórdão n.º 9202007.763 CSRFT2 Fl. 3 3 quando o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deve ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008 posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09; d) para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35 A da LOPS; e) tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; f) a NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Devidamente intimada, a Contribuinte não apresentou Contrarrazões, conforme despacho de fls. 293. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. O objeto do presente lançamento consta do Relatório às fls. 15, conforme abaixo transcrito: Este relatório é integrante Auto de Infração nº 370542991 emitido durante a auditoria fiscal previdenciária realizada na empresa Construtora Gaspar S.A, relativa às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incluindo o financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho SAT e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 297DF CARF MF 4 No referido relatório, há o apontamento de que, na mesma ação fiscal, além destes autos, foram lavrados os seguintes, fls. 20: Deixar de informar à Receita Federal todos os fatos geradores AI 37.054.2983 Crédito da parte dos segurados AI 37.054.3017 Crédito de terceiros AI 37.054.3009 Auto de Infração CFL 78 AI 37.054.2975 Após a decisão de segunda instância, a Procuradoria da Fazenda Nacional se insurgiu quanto a aplicação da multa de ofício pleiteando a comparação entre normas do art. 35, .da Lei n.º 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e do art. 35A da Lei 8.212/91, com observância da retroatividade benigna. Foi então admitida para rediscussão por essa Câmara a aplicação da retroatividade benigna, diante das alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Acerca do tema, consolidouse o entendimento, na seara administrativa, constante do enunciado de Súmula CARF n.º 119 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, em obediência ao caráter vinculante da referida súmula, saliento que assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional em seus argumentos, motivo pelo qual adoto o entendimento esposado. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial Interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16707.005177/200921 Acórdão n.º 9202007.763 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000286/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/11/2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE.
O cumprimento da obrigação acessória, apresentação de declaração, fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/11/2002
INCORPORAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, quando a empresa incorporadora não comunicou tal fato, na forma determinada pela legislação, e respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo.
INTIMAÇÃO POSTAL IMPROFÍCUA. EDITAL. CIÊNCIA VÁLIDA.
Quando resultar improfícua a tentativa de ciência por via postal, a intimação poderá ser feita por edital.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 1302-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a alegação de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/11/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE. O cumprimento da obrigação acessória, apresentação de declaração, fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/11/2002 INCORPORAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, quando a empresa incorporadora não comunicou tal fato, na forma determinada pela legislação, e respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. INTIMAÇÃO POSTAL IMPROFÍCUA. EDITAL. CIÊNCIA VÁLIDA. Quando resultar improfícua a tentativa de ciência por via postal, a intimação poderá ser feita por edital. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.000286/2006-84
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004633
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.519
nome_arquivo_s : Decisao_16327000286200684.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000286200684_6004633.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a alegação de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7735250
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908498784256
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-01T17:26:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-01T17:26:17Z; Last-Modified: 2019-05-01T17:26:17Z; dcterms:modified: 2019-05-01T17:26:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; Last-Save-Date: 2019-05-01T17:26:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-01T17:26:17Z; meta:save-date: 2019-05-01T17:26:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-01T17:26:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-01T17:26:17Z; created: 2019-05-01T17:26:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-05-01T17:26:17Z; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-01T17:26:17Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 107 1 106 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000286/200684 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.519 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS MULTA POR ATRASO Recorrente BANCO ALVORADA S/A (Sucessor por incorporação de BANCOCIDADE CORR. DE VAL. MOBILIARIOS E DE CÂMBIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/11/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE. O cumprimento da obrigação acessória, apresentação de declaração, fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/11/2002 INCORPORAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, quando a empresa incorporadora não comunicou tal fato, na forma determinada pela legislação, e respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. INTIMAÇÃO POSTAL IMPROFÍCUA. EDITAL. CIÊNCIA VÁLIDA. Quando resultar improfícua a tentativa de ciência por via postal, a intimação poderá ser feita por edital. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 86 /2 00 6- 84 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16327.000286/200684 Acórdão n.º 1302003.519 S1C3T2 Fl. 108 2 motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a alegação de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 1618.624, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (fls. 46 a 51), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. SUJEIÇÃO PASSIVA. SUCESSÃO. NULIDADE. Uma vez assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora, resta prejudicada a alegação de nulidade do lançamento relativamente a auto de infração lavrado, após a formalização da incorporação, que contém a indicação da sucedida no pólo passivo da obrigação. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexistência de causa de nulidade. A autuação encontrase devidamente fundamentada na legislação tributária de regência e foi lavrada por servidor competente, não restando caracterizado nos autos o cerceamento do direito de defesa. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.000286/200684 Acórdão n.º 1302003.519 S1C3T2 Fl. 109 3 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. É devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação." O presente processo decorre de Auto de Infração relativo a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao 2º trimestre do anocalendário de 2002 (fl. 35). O Banco Alvorada S/A, na condição de sucessor por incorporação do autuado, por meio do documento de fls. 2 a 5: (i) relata que tomou ciência do Edital nº 001/2006, fixado em 26/01/2006, no qual a incorporada foi intimada a recolher débito relativo a multa por atraso na entrega de declaração; (ii) sustenta que deveria ter sido intimada, em lugar da incorporada, empresa já extinta, e que a intimação por meio de Edital somente seria possível, quando incerta ou não sabida a localização do contribuinte e após a frustração das tentativas pelo meios tradicionais, de modo que o Edital seria inválido; (iii) alega que compareceu a Unidade da Receita Federal, em busca de cópia dos documentos de lançamento, tendo sido informada de que não haveria qualquer documento; (iv) pugna pela nulidade da intimação por erro na identificação do sujeito passivo e cerceamento do direito de defesa. A decisão de primeira instância considerou que inexiste nulidade na autuação, uma vez que a operação de incorporação não foi registrada junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a Incorporadora foi cientificada e exerceu, tempestivamente, o seu direito de defesa, tendo sido suprido, portanto, o fato de constar do documento de lançamento o nome da Incorporada. Em relação à alegação de cerceamento do direito de defesa, registrou que a existência do auto de infração é inconteste pelas informações constantes do Edital e pela cópia juntada aos autos, e que o sujeito passivo não apresentou qualquer comprovação da informação relativa à suposta inexistência do documento de lançamento. Por fim, asseverou que, tendo a contribuinte apresentado intempestivamente a DCTF em questão, deve ser mantido integralmente o lançamento. Após a ciência, a Incorporadora apresentou o Recurso Voluntário de fls. 75 a 81, por meio do qual: (i) argumenta que não há nos autos prova de que houve a tentativa de intimação no endereço do sujeito passivo ou de seus representantes legais, antes da intimação via Edital; (ii) sustenta a incorreta formalização do lançamento, por meio do auto de infração, de modo que é nulo o lançamento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.000286/200684 Acórdão n.º 1302003.519 S1C3T2 Fl. 110 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O Bancocidade foi cientificado, por via postal, em 24 de dezembro de 2008 (fl. 157), na pessoa do seu responsável legal perante o CNPJ, tendo apresentado Recurso Voluntário em 26 de janeiro de 2009, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, uma vez que o termo final (25/02/2009) foi um domingo. O Recurso, apresentado por Banco Alvorada S.A. é assinado por procuradora, devidamente constituída à fl. 83. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Desta forma, concluise que o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele se toma conhecimento. II. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Como relatado, desde a Impugnação, a pessoa jurídica Banco Alvorada S.A., sucessora por incorporação da autuada, sustenta a nulidade do auto de infração, seja por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que o lançamento deveria ter sido realizado em seu nome (Incorporadora) e não no da Bancocidade, já extinta por incorporação, na ocasião do lançamento; seja por vícios na ciência, realizada por meio de Edital; seja, por fim, devido à própria formalização do lançamento. A alegação foi acertadamente rechaçada pela decisão recorrida. Em primeiro lugar, a questão da formalização e ciência do lançamento em nome da pessoa jurídica Bancocidade, que teria sido incorporada pela Banco Alvorada, conforme documentos por este juntados aos autos, decorre exclusivamente da inércia da Incorporadora em comunicar o ato à Receita Federal, como determinado pelos atos legais relativos ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Como se observa à fl. 57, mesmo após a decisão de primeira instância, a pessoa jurídica Bancocidade permanece ativa perante o CNPJ, de modo que, sendo os débitos originalmente de sua titularidade (ainda que a Incorporadora responda por eles, na condição de responsável por sucessão, nos termos do art. 132 do CTN), acertado que o lançamento fiscal tenha sido realizado em seu nome. Essa, inclusive, é a conclusão, a contrario sensu, da Súmula CARF nº 112: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.000286/200684 Acórdão n.º 1302003.519 S1C3T2 Fl. 111 5 "É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração." (Destacouse) Acolher a alegação da Recorrente seria beneficiála pela própria torpeza, algo vedado no nosso arcabouço legislativo. A Recorrente, na condição de Incorporadora, deixaria de cumprir sua obrigação de comunicar o ato de Incorporação à Administração Tributária, para, em seguida, alegar a nulidade da autuação pelo lançamento realizado na pessoa jurídica extinta pela Incorporação que ela própria não comunicou. Quanto ao fato de a ciência ter sido realizada por meio de Edital, é sabido que o Decreto nº 70.235, de 1972, permite tal forma de ciência, quando resultar improfícua a tentativa de ciência por algum dos demais modos previstos na legislação: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)" No caso em apreço, ao contrário do sustentado pela Recorrente, há prova à fl. 31 da tentativa frustrada de intimação por via postal ao Bancocidade. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.000286/200684 Acórdão n.º 1302003.519 S1C3T2 Fl. 112 6 Tal fato legitima, de forma peremptória, a ciência realizada por meio do edital de fls. 33 e 34. Também não procedem as alegações acerca do descumprimento dos requisitos legais no documento de constituição do crédito tributário. O auto de infração de fl. 35 contém todos os elementos exigidos tanto pelo art. 142 do CTN quanto pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (Destacouse) "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Por fim, como já expresso no Acórdão recorrido, não se observa qualquer prejuízo à defesa em relação à autuação fiscal, na medida em que a Incorporadora a exerceu plenamente, de modo, inclusive, que suas peças de irresignação foram apreciadas nas duas instâncias do contencioso administrativo. Isto posto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911428/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.911428/2009-04
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001723
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.783
nome_arquivo_s : Decisao_10580911428200904.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10580911428200904_6001723.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7725065
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908500881408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911428/200904 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.783 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ Recorrente SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 28 /2 00 9- 04 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.911428/200904 Acórdão n.º 1402003.783 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.005076/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a Notificação de Lançamento emitida de acordo com a lei.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na declaração de ajuste anual, legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário.
Aplicação da Súmula CARF n.° 12.
Numero da decisão: 2101-001.802
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a Notificação de Lançamento emitida de acordo com a lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na declaração de ajuste anual, legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. Aplicação da Súmula CARF n.° 12.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10730.005076/2007-15
conteudo_id_s : 6013136
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.802
nome_arquivo_s : Decisao_10730005076200715.pdf
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10730005076200715_6013136.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 7759655
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908583718912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.005076/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.802 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Rogerio Azevedo Ribeiro Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a Notificação de Lançamento emitida de acordo com a lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na declaração de ajuste anual, legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. Aplicação da Súmula CARF n.° 12. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada omissão de rendimentos do trabalho, recebidos de Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro, no anocalendário 2003, exercício 2004 (fls. 12). Em 5.7.2007, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 8). Em preliminar, propugna pela nulidade da Notificação de Lançamento em face da inexistência de justa causa para a sua lavratura, ante a inocorrência de ilicitude. No mérito, sustenta que a pessoa jurídica pagadora dos rendimentos deveria ter retido o Imposto de Renda na Fonte, porém não o fez. Não houve, portanto, erro seu, mas da Fundação de Apoio a Escola Técnica — FAETEC. Além do mais, entende que, enquanto não ocorrer a decadência, é a fonte pagadora a responsável pelo recolhimento da antecipação e do imposto que deixar de reter. A 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 2 (RJ) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1332.132, de 28 de outubro de 2010, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O lançamento é efetuado de oficio quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou devido. (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 – RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 89 a 117, no qual reitera as razões de impugnação e argumenta que o valor percebido na matrícula n° 00/0223860 era isento do imposto sobre a renda. Pontua que a Delegacia da Receita Federal em Niterói envioulhe um DARF viciado, pois que nele consta período de apuração correspondente a 1980, período diverso do que se discute. Alega que, após a fonte pagadora ter sido oficiada acerca da não retenção, a própria assumiu a responsabilidade e tentou efetuar a importação e a retificação do valor, porém o Programa da Receita Federal não aceitou. Requer, ao final: (i) a condenação da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro FAETEC para que responda pelo pagamento do crédito tributário e (ii) seja declarada a nulidade do débito fiscal e, conseqüentemente, o seu cancelamento. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005076/200715 Acórdão n.º 2101001.802 S2C1T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da preliminar de nulidade do lançamento Já na impugnação, foi alegada a nulidade da Notificação de Lançamento, em face da inexistência de justa causa para a sua lavratura, ante a inocorrência de ilicitude. A DRJ afastou a preliminar suscitada, mediante os seguintes argumentos, verbis: “Em sede de preliminar não assiste razão ao impugnante quando alega que ‘Do auto não exsurge o ânimo sancionatório, o que o marcaria de nulidade absoluta’, eis que a presente notificação de lançamento foi lavrada por pessoa competente e respeitandose o principio constitucional do contraditório e da ampla defesa (art. 5°, LV, da CF/88), estando de acordo com os artigos 2° e 50 da Lei n.° 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, obedecendo a todos os princípios e critérios estabelecidos nas normas vigentes, estando devidamente motivada com os fatos e fundamentos jurídicos. Assim, não se configuraram as hipóteses de nulidade do art. 59, do Decreto 70.235/72.” Em sua peça recursal, o contribuinte, novamente invocando o artigo 5.º, inciso II, da Constituição Federal, repisa, em preliminar, ser nula a Notificação de Lançamento, em face da sua impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, tendo em vista a inocorrência de qualquer ilicitude. O lançamento levado a efeito no presente processo e veiculado por meio da Notificação de Lançamento às fls. 10 a 12, decorreu de revisão da declaração de ajuste anual de imposto sobre a renda de pessoa física do contribuinte, nos moldes previstos no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo assim prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." No caso em análise, do confronto da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo contribuinte com os dados constantes dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos tributáveis. A partir dessa constatação, foi lançado o tributo devido e a penalidade pecuniária correspondente. O lançamento decorre de dever funcional da autoridade fiscalizadora, tal como previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966). Vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Como consequência, uma vez identificado crédito tributário, o agente da Fiscalização responsável é obrigado a proceder ao lançamento correspondente, na forma da lei. Se não o fizer, é responsabilizado pela falta de cumprimento do dever funcional, haja vista que, conforme consta do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, na função de Delegada da Receita Federal do Brasil em Niterói, RJ, ao produzir a Notificação de Lançamento integrante dos autos deste processo, às fls. 10 a 12 nada mais fez do que cumprir o dever inerente à sua função, conforme determina a lei. Corretamente emitida, portanto, a Notificação de Lançamento, da qual constam o imposto sobre a renda apurado, incidente sobre o rendimento tributável omitido e multa de lançamento de ofício, em virtude da infração cometida. Sobre o assunto, impende também pontuar terem sido cumpridos os requisitos da Notificação de Lançamento os previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, regulador do processo administrativo fiscal: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005076/200715 Acórdão n.º 2101001.802 S2C1T1 Fl. 3 5 IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento às fls. 10 a 12, lavrada por Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da função de Delegada da Receita Federal em Niterói, Rio de Janeiro (agente competente), preenche todos os demais requisitos exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal, de modo a permitir a ampla defesa. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida; o valor do crédito tributário está especificado, assim como os acréscimos legais (multa e juros) e também o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Sendo assim, cumpridos estão os requisitos legais da Notificação de Lançamento integrante deste processo. Sendo assim, não vislumbro qualquer motivo para se cogitar a nulidade da Notificação de Lançamento. 2. Do mérito Conforme anteriormente destacado, o lançamento constante do presente processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Confrontando a Declaração de Ajuste Anual de rendimentos apresentada pelo contribuinte com a Declaração de Imposto sobre a Renda na Fonte apresentada pela fonte pagadora FAETEC, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos no valor de R$ 30.782,20, tendo havido retenção na fonte de R$ 362,77 (fls. 12). Com sua impugnação, o contribuinte fez anexar aos autos os documentos às fls. 13 a 40, consistentes em contracheques emitidos, em seu nome, nas matrículas 00/02206894 e 00/02230860, pela fonte pagadora FAETEC, correspondentes a alguns meses de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, além de comprovantes anuais de rendimentos e de retenção de imposto sobre a renda na fonte do anocalendário 2004, na matrícula 00/02206894 e dos anoscalendários 2004 e 2005, na matrícula 00/02230860. Todavia, constatando divergências entre os valores informados pela fonte pagadora na Declaração de Imposto sobre a Renda na Fonte DIRF (fl. 58) e aqueles constantes dos contracheques apresentados pelo impugnante, o Presidente da 7.ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro 2 determinou a realização de diligência, a fim de que fosse confirmado, pela fonte pagadora Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro, o correto valor dos rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no anocalendário de 2003, assim como o imposto retido na fonte e a contribuição previdenciária oficial correspondentes (fls. 59). Intimada, a fonte pagadora apresentou os esclarecimentos às fls. 67 e 68. O interessado manifestouse às fls. 75 a 82. No seu recurso voluntário, o interessado não contesta o recebimento dos rendimentos do trabalho da fonte pagadora FAETEC no anocalendário 2003. Repisando os argumentos suscitados na impugnação, sustenta que a mencionada pessoa jurídica, pagadora Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 dos rendimentos, deveria ter retido o Imposto de Renda na Fonte, porém não o fez. Conclui que não houve, portanto, erro seu, mas da pessoa jurídica. Além do mais, entende que, enquanto não ocorrer a decadência, é a fonte pagadora a responsável pelo recolhimento da antecipação e do imposto que deixar de reter. Também argumenta que o valor percebido na matrícula n° 00/0223860 era isento do imposto sobre a renda. Nesse momento processual, entre outros documentos e papeis, anexa, às fls. 130 a 181, contracheques emitidos por FAETEC em seu nome, nas matrículas 00/02206894 e 00/02230860, correspondentes a alguns meses de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, além de comprovantes anuais de rendimentos e de retenção de imposto sobre a renda na fonte do ano calendário 2004, na matrícula 00/02206894 e do anocalendário 2005, na matrícula 00/02230860. Sobre os direitos e deveres do administrado, é pertinente ressaltar que a Lei n.º 9.784, de 1999, reguladora do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, prevê, em lista exemplificativa, os seguintes direitos: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Por outro lado, a mesma lei também lhe impõe deveres, tais como expor os fatos conforme a verdade e prestar as informações que lhe forem solicitadas, colaborando para o esclarecimento dos fatos. Entre outras situações, esses deveres se impõem no preenchimento das declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal, a exemplo da Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (DIRPF). O contribuinte pessoa física, sempre que enquadrado nos requisitos da legislação de regência, deve preencher, anualmente, sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda. Nela, deve informar todos os rendimentos auferidos durante o ano calendário, sejam eles tributáveis na declaração, tributados exclusivamente na fonte, isentos ou não tributáveis, independentemente do número de fontes pagadoras das quais mencionados rendimentos se originem. É dever do declarante prestar as informações conforme a verdade; são de sua responsabilidade a veracidade e a acuidade das informações prestadas. Se, após a entrega, o contribuinte verificar qualquer erro em sua declaração, pode retificála. No exercício 2004, estava obrigada à apresentação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda a pessoa física residente no Brasil que, no anocalendário Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005076/200715 Acórdão n.º 2101001.802 S2C1T1 Fl. 4 7 2003, tivesse auferido rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma fosse superior a R$ 12.696,00 (Instrução Normativa SRF n.º 393, de 2 de fevereiro de 2004, publicada no Diário Oficial da União de 4.2.2004). O recorrente estava, portanto, obrigado à apresentação da Declaração Anual de Ajuste naquele exercício, o que, de fato fez, conforme se verifica às fls. 47. No entanto, ofereceu à tributação apenas parte dos rendimentos tributáveis auferidos no anocalendário 2003. Informou rendimentos tributáveis unicamente da fonte pagadora “Tribunal Regional Eleitoral” (R$ 30.322,62, com retenção na fonte no montante de R$ 1.560,34), deixando de declarar os rendimentos tributáveis recebidos da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro — FAETEC (vide fls. 48 e 49). Não retificou espontaneamente sua declaração para incluir os rendimentos omitidos. Foi apurado, em procedimento de fiscalização, que o contribuinte, além do rendimento declarado, auferiu rendimentos tributáveis da fonte pagadora Fundação de Apoio a Escola Técnica — FAETEC, conforme comprova a Declaração de Imposto sobre a Renda na Fonte – DIRF, às fls. 58, na qual consta que a pessoa jurídica pagou ao contribuinte, no ano calendário 2003, o valor de R$ 30.782,20 e reteve na fonte imposto sobre a renda de R$ 362,77. O montante pago pela FAETEC a título de rendimentos do trabalho e não declarado pelo contribuinte foi lançado, nos termos da Notificação de Lançamento às fls. 10 a 12. O valor retido a título de imposto sobre a renda na fonte foi integralmente compensado pela Fiscalização, no lançamento (vide fls. 12). O contribuinte defendeuse do lançamento sustentando que a fonte pagadora tinha o dever legal de reter o imposto na fonte e não o fez, e que está sendo penalizado pela irresponsabilidade do empregador. No entanto, na análise do presente caso, verificase que tal argumento é totalmente descabido. Ficou comprovado nos autos que a fonte pagadora FAETEC fez a retenção do imposto sobre a renda na fonte no valor de R$ 362,77. Além disso, esse montante foi integralmente compensado na apuração do imposto suplementar lançado e ora contestado. Ainda que o argumento do recorrente fosse verdadeiro, o que não se comprovou nos autos, mesmo assim não seria suficiente para desconstituir o lançamento aqui discutido. É que este Conselho já se pronunciou sobre o assunto por meio da Súmula CARF n.° 12, emitindo o entendimento que, mesmo nos casos em que a fonte pagadora não tenha retido o imposto na fonte (o que não é o caso), constatada a omissão de rendimentos tributáveis na declaração, cabível o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa física em nome do beneficiário. Confira: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Também não socorre o recorrente a alegação que o valor percebido na matrícula n° 00/0223860 era isento do imposto sobre a renda. Mesmo considerandose que o referido rendimento, de forma isolada, encontravase, no anocalendário 2003, dentro da faixa Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 de isenção da Tabela Progressiva Mensal então vigente, o contribuinte deveria têlo informado na sua Declaração Anual de Ajuste, a fim de submetêlo à Tabela Progressiva Anual, juntamente com os demais rendimentos tributáveis percebidos, tal como determina a legislação do imposto sobre a renda. Conforme colocado anteriormente, é dever do contribuinte, sempre que para tal obrigado pela legislação reguladora da matéria, assim como na hipótese, preencher e entregar Declaração de Ajuste Anual na qual conste a integralidade dos rendimentos percebidos no anocalendário, sejam eles tributáveis na declaração, exclusivamente na fonte, isentos ou não tributáveis. Constatada a omissão de rendimentos tributáveis, cabível o lançamento de ofício. Tendo em vista ter ficado comprovado nos autos que o recorrente foi beneficiário dos rendimentos do trabalho pagos por FAETEC no anocalendário 2003 e não os informou na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício 2004, caracterizada está a omissão de rendimentos. Constatei, por outro lado, o equívoco apontado pelo recorrente no preenchimento do DARF anexado às fls. 182. De fato, verificase que o período de apuração consignado no documento de arrecadação é 8.8.1980, diverso do que se discute neste processo. No entanto, mencionado equívoco não macula o lançamento, corretamente veiculado por meio da Notificação de Lançamento às fls. 10 a 12. O erro no preenchimento do documento de arrecadação pode ser superado com o preenchimento de novo documento de arrecadação. Por fim, o contribuinte alega que, após a fonte pagadora ter sido oficiada acerca da não retenção do imposto sobre a renda na fonte, a própria assumiu a responsabilidade e tentou efetuar a importação e a retificação do valor, porém o Programa da Receita Federal não aceitou. Por conseguinte, “tanto o Recorrente quanto a Instituição que deixou de efetuar a retenção do Imposto de Renda Pessoa Física não podem ser responsabilizados por problemas técnicos enfrentados pela Secretaria da Receita Federal”. Percebese que o Recorrente se reporta às respostas oferecidas pela FAETEC ao Oficio n° 351/2009/Defis/RJO/Difis III (fls. 62), emitido para cumprir a diligência determinada pela DRJ. Tratase do Oficio PR/FAETEC n.º 905, de 5.7.2010 (fls. 67) combinado com o Oficio PR/FAETEC n.º 959, de 20.7.2010 (fls. 68), mais especificamente deste último. Nele, a fonte pagadora informa que o Programa DIRF 2010 não aceita a importação do ano 2003, e que, no Programa DIRF 2008 foi feita a importação e a retificação do valor das deduções, que passou a ser R$ 8.084,85. Isto não significa dizer, tal como pretende o Recorrente, que a alteração pretendida pela fonte pagadora não tenha sido efetivada, “por problemas técnicos”, mas apenas que foi efetivada por meio do Programa DIRF 2008, o que pode ser constatado às fls. 69 e 70 dos autos. Além do mais, a alteração feita na DIRF não tem qualquer impacto no lançamento, haja vista que, tanto os valores dos rendimentos pagos quanto a retenção do imposto sobre a renda na fonte foram mantidos. A única alteração feita pela fonte pagadora dos rendimentos foi no valor das deduções. No presente caso, tendo o contribuinte feito a opção pelo desconto simplificado, e tendo este sido aproveitado já em seu valor máximo (R$ 9.400,00, vide extrato IRPF/CONS, e Demonstrativo do Imposto Devido, às fls. 56), a alteração não o beneficia. Não há, portanto, reparos a fazer na decisão a quo. Conclusão Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005076/200715 Acórdão n.º 2101001.802 S2C1T1 Fl. 5 9 Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário . (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727770/2016-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.638
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.727770/2016-30
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996467
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.638
nome_arquivo_s : Decisao_10166727770201630.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10166727770201630_5996467.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7714375
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908629856256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727770/201630 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.638 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 70 /2 01 6- 30 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727770/201630 Acórdão n.º 3302006.638 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.683. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727770/201630 Acórdão n.º 3302006.638 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727770/201630 Acórdão n.º 3302006.638 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727770/201630 Acórdão n.º 3302006.638 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727770/201630 Acórdão n.º 3302006.638 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.901124/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa.
Diante desta concomitância aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3301-006.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa. Diante desta concomitância aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10909.901124/2008-08
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012679
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.027
nome_arquivo_s : Decisao_10909901124200808.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10909901124200808_6012679.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7758221
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908639293440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.901124/200808 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301006.027 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente TECONVI S/A TERMINAL DE CONTEINERES DO VALE DO ITAJAI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa. Diante desta concomitância aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 11 24 /2 00 8- 08 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento do contencioso referente á Declaração de Compensação onde se pleiteia a compensação de pagamento indevido ou a maior de contribuição não cumulativa com débitos próprios. Em análise dos pedidos transmitidos, foi emitido Despacho Decisório que não reconheceu o pleito na forma requerida. Contra esta decisão a recorrente apresentou suas razões de irresignação, via Manifestação de Inconformidade, onde discorda do critério de imputação adotado pela unidade de origem. Alega que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Entende que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Junta jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/FLORIANÓPOLIS exarou o Acórdão nº 0718.717, que não acolheu integralmente seu pleito. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, defendendo a tese de que, havendo a transmissão da DCOMP antes da entrega da DCTF, teria ocorrido o fenômeno da Denúncia Espontânea, portanto, a multa de mora não seria devida, pois não havendo mora, não há multa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301006.011 de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10909.900178/200848, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301006.011): "8. Em consulta ao eprocesso nº 10909.900105/2006 56, citado pela DRF/ITAJAÍ , encontramos, ás fls. 95/133, peças do MS nº 2008.72.08.0022084/SC, sendo que ás fls. 101/125 consta a petição inicial da ação judicial demandada e ás fls. 130/132 consta a sentença monocrática exarada pelo Juízo Federal da Seção Judiciária de Santa Catarina/ 2ª Vara Federal de Itajaí. 9. Da petição inicial extraímos os seguintes trechos ; A requerente é pessoa jurídica de direito privado, constituída nos termos e na forma da legislação comercial vigente e, consoante o que estabelece o Edital n° 005/2001, da Superintendência do Porto de Itajaí, "tem por objeto única e exclusivamente a administração e exploração do Terminal de Contêineres localizado dento da área Porto Organizado de Itajaí, compreendendo a movimentação e armazenagem de contêineres, cargas unitizadas e veículos", conforme art. 3 0 de seu Estatuto Social. Ocorre que a impetrante, no período compreendido entre janeiro de 2002 e junho de 2004, realizou diversos recolhimentos a maior/indevidamente, a titulo de PIS — códigos de arrecadação 8109 e 6912 e de COFINS — códigos de arrecadação 2172 c 5856. Os referidos pagamentos à maior/indevidos, realizados "em DARF", cuja comprovação foi reconhecida pelos próprios agentes fiscais do ente tributante, foram objeto de Despachos Decisórios que reconheceram a existência do direito creditário. Porém, com base em argumentação desprovida de fundamentação legal, a despeito de reconhecer o crédito (volume e origem), de reconhecer e tratarem de pagamentos à maior que o devido "em DARF" muito anterioreas aos vencimentos dos débitos compensados, tratou de propor a incidência de multa sob as compensações admitidas por terem sido objeto de regulares "Per/Dcomp" enviados via Internet para a Receita Federal do Brasil, em momento posterior ao vencimento dos débitos compensados. Primeiramente, assentemos que, com todo o respeito, com 'a devida vênia, é absurdo cogitar que, por exemplo, o valor da COFINS da competência jan/2002, recolhido à maior que o devido em 15/02/2002, que foi oferecido para a liquidação por compensação da competência 11/2002 de IRPJ, através da Per/Dcomp 30874.09986.231004.1.7.04 2853 em outubro de 2004, possa sofrer a imposição de "multa de mora" por que a "informação" ocorreu em 10/2004, cm relação a um débito vencido em 31/12/2002, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 5 4 sendo que o ENTE TRIBUTANTE JÁ TEVE INGRESSADO O RECURSO A MAIOR EM SEUS COFRES, PARA SEU USO E PROVEITO DESDE 15/02/2002. Mora de quem? …………………………………………………. Além de serem constituídos duas vezes de oficio, os referidos débitos não poderiam ser lançados antes mesmo da própria formalização do Despacho Decisório que propôs sua existência !!! Qual seria a fundamentação legal e/ou motivação técnica pará a realização de tal procedimento mediúnico, onde o débito é constituído antes de ser formalizado? Nesse sentido, mister se faz a realização do detalhamento dos processos como segue (Doc 01): 1) PA 10909.900.181/200861 — 2) PA 10909.900.168/200811 — 3) PA 10909.900.174/200860 — 4) PA 10909.900.180/200817 — 5) PA 10909.900.176/200817 — 6) PA 10909.900.170/200881 — 7) PA 10909.900.1791200892 — 8) PA 10909.900.177/200801 — 9) PA 10909.900.123/200838 — 10) PA 10909.900.105/200856 —11) PA 10909.900.184/200803 — 12) PA 10909.900.140/2008 75 — 13) PA 10909.900.182/200814 — 14) PA 10909.900.165/200879 — 15) PA 10909.900.169/2008 57 16) PA 10909.900.183/200851 — 17) PA 10909.900.178/200851 — pagamento à maior de PIS nãocumulativo em 15/05/2003 — suposto valor devido de IRPJ (2362) — 08/2003 — vencido em 30/09/2003 original de R$ 13.535 13 e IRPJ (2362) — 09/2003 — vencido em 31/10/2003 original de R$ 1.877,32 — Total de R$ 15.412 45 ciente em 0S/05/2008 impugnado em 04/06/2008 Exigibilidade Suspensa Nova cobrança PA 10909.900.356/200831 — criado do nada em 04/04/2008 — não foi dado ciência ao contribuinte — lançado indevidamente na conta corrente do contribuinte como "Débito SIEÉ" o mesmo valor de IRPJ (2362) — 08/2003 — original de R$ 13.535,13 e, IRPJ (2362)] 09/2003 original de R$ 1.877 32 — Total de R$ 15.412 45. 18) PA 10909.900.145/200860 …………………………………………………………… …………………. IV. DO PEDIDO Demonstrado o direito líquido e certo da impetrante, e a possibilidade de sofrer violação desses direitos, requer: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 6 5 • a) a concessão de liminar inaudita altera pars, • determinando a autoridade coatora, no caso o Delegado da Receita Federal em Itajai — SC, que se abstenha de promover qualquer procedimento, no sentido de promover a cobrança de valores cuja exigibilidade encontrase suspensa por impugnaçao administrativa em Manifestações de Inconformidade, ou de promover atos à inscrição de divida ativa da impetrante e mesmo a sua inscrição no CADIN, determinandose assim, a imediata emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos, vez que presentes os pressupostos delicados no art. 7° da Lei n° 1.533/51, até julgamento final do presente mandado; b) seja expedido oficio à autoridade coatora para que preste, no prazo de lei, as informações que entender cabíveis; • c) após prestadas as informações, seja ouvido o representante do Ministério Público; d) a concessão em definitivo da segurança pleiteada,reconhecendo a ilegitimidade do procedimento adotado pelo ente tribuntante para promover qualquer procedimento, no sentido de promover a cobrança de valores cuja exigibilidade encontrase suspensa por impugnação administrativa em Manifestações de Inconformidade, face às flagrantes ilegalidades sobejamente apontadas, que contrariam as prescrições legais aplicáveis a matéria. e) a concessão cm definitivo da segurança pleiteada, determinando o cancelamento dos lançamentos indevidamente administrativo pendente de julgamento, em atendimento a disposto no art. 151, III, do CTN. 12. Da sentença monocrática extraímos os trechos : Tratase de mandado de segurança postulando expedição de CND ou CPD/EN, além da declaração da impossibilidade de promoverse a cobrança de valores com exigibilidade suspensa por impugnação administrativa, bem como o cancelamento destes lançamentos fiscais. ………………………… A autoridade explicou que a impetrante teve créditos reconhecidos a seu favor, sendo que compensou estes créditos com débitos confessados (DCOMP). O sistema de processamento de dados aplicou automaticamente sistemática proporcional de quitação do débito, utilizando o crédito reconhecido para pagamento parcial do principal do débito, para pagamento parcial da multa moratória e pagamento parcial dos juros de mora. Assim, o valor do Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 7 6 débito remanescente especificado, em cada um dos 53 despachos decisórios da PER/COMP, é composto de parcela remanescente do principal, da multa de mora e dos juros de mora, que não foram quitados, impedindo a aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea). Aduziu que todos os lançamentos hostilizados no writ decorrem da compensação proporcional dos valores principal, multa e juros, sendo que os novos lançamentos representam apenas a diferença encontrada a favor do Fisco, recebendo estes créditos novos números de processo administrativo. Por fim, diz que a impetrante, quando do ajuizamento, tinha outros débitos, os quais foram quitados somente em 28/07/2008 – fis. 630/642. …………………………….. 3. Dispositivo Concedo a segurança, com base no art. 138 do CTN, para anular todos os despachos decisórios emitidos contra a impetrante (relacionados na inicial e nas informações) que incluam a multa de mora (ainda que parcial) no lançamento, em face da denúncia espontânea efetuada nos débitos confessados/declarados pela impetrante através de DCOMP. Ordeno que a autoridade coatora expeça CND ou CPD EN, salvo se por outros motivos deva ser negada, na forma do art. 151,1V, do CTN. Custas na forma da Lei. Sem honorários. Espécie sujeita ao reexame necessário. Itajaí, 12 de novembro de 2008. Antonio Fernando Schenkel do Amaral e Silva Juiz Federal 13. Em pesquisa no sítio do TRF4, encontramos as seguintes informações a respeito do MS 2008.72.08.002208 4/SC: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2008.72.08.0022084/SC RELATORA: Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE APELANTE: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO: ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 8 7 APELADO: TECONVI TERMINAL DE CONTEINERES DO VALE DO ITAJAÍ ADVOGADO: Jackeline Daros Abreu de Oliveira REMETENTE: JUÍZO FEDERAL DA 02ª VF e JEF PREVIDENCIÁRIO DE ITAJÁI EMENTA TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO. PRELIMINARES REJEITADAS. CABIMENTO DE MANDADO DE SEGURNÇA. INCOMPATIBILIDADE DAS RAZÕES DO APELO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARTIGO 138, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. O mandado de segurança visa proteger direito líquido e certo, assim considerado aquele que pode ser reconhecido só pela leitura da documentação anexada à inicial do mandado de segurança. No caso dos autos, as alegadas irregularidades foram sobejamente detalhadas pela impetrante na peça vestibular, com amparo na farta documentação que a acompanhou. O Juízo acolheu a pretensão da empresa com base na inobservância do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da multa de mora dos débitos cobrados pelo Fisco, tendo a ré dirigido sua inconformidade dentro de tais parâmetros, de modo que as razões do recurso mostramse compatíveis em face da decisão de primeiro grau. A dívida não foi paga no vencimento (incidindo juros de mora), mas a compensação (entendase pagamento) deu se no momento em que remetida a DCOMP ao órgão fazendário. Daí não ser cabível a multa de mora em virtude da denúncia espontânea, já que nenhum procedimento administrativo fora até então instaurado. "[...] 4. Todavia, conforme ressalvou o eminente Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento do REsp 962.379/RS, a aplicação da Súmula 360 do STJ não é absoluta. Ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, podese configurar a denúncia espontânea, desde que concorram as demais hipóteses do art. 138 do Código Tributário Nacional. [...]" (STJ, AGEDAG nº 1009777, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJE 19/02/2010) As diferenças de principal e de juros de mora, apontadas pela Fazenda Nacional como impeditivo da denúncia espontânea, decorrem da indevida inclusão da multa Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 9 8 moratória no montante do débito atualizado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, em preliminar, rejeitar as teses de descabimento do mandado de segurança e de incompatibilidade das razões recursais e, no mérito, negar provimento ao apelo e à remessa oficial, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 26 de janeiro de 2011. Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE Relatora FASES MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2008.72.08.0022084 (SC) Data: 30/09/2010 Tipo: SUBSTABELECIMENTO Número: 10/1223191 Peticionante: APM TERMINALS ITAJAÍ S.A. Órgão atual: SCITA02 Status: Aguardando Juntada 29/03/2011 18:10 Remessa Externa Remessa Vara de origem GUIA NR.: 110042774 ORIGEM: EXPED DESTINO: 02a VF e JEF REVIDENCIÁRIO DE ITAJAÍ 29/03/2011 18:10 Recebimento 22/03/2011 15:05 Baixa Definitiva remetido a(o) GUIA NR.: 110038005 ORIGEM: ST1 DESTINO: EXPEDIÇÃO JUDICIÁRIA E ADMINISTRATIVA 22/03/2011 15:04 Trânsito em Julgado conforme certidão constante nos autos ……………………………….. 01/12/2010 19:00 Julgamento APÓS O VOTO DA DES. FEDERAL MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE NO SENTIDO DE, EM PRELIMINAR, REJEITAR AS TESES DE DESCABIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA E DE INCOMPATIBILIDADE DAS RAZÕES RECURSAIS E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO APELO E À REMESSA OFICIAL, PEDIU VISTA O DES. FEDERAL ALVARO EDUARDO JUNQUEIRA. AGUARDA A DES. FEDERAL LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. 19/11/2010 13:50 Pauta de Julgamentos Inclusão pelo Relator DO DIA 01.12.2010 SEQ.: 009 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 10 9 ……………………………….. 19/02/2009 18:40 Distribuição Ordinária por sorteio eletrônico – n. 54310 14. Verificase, no caso presente em exame, que as razões de recurso administrativo são idênticas ás causas de pedir da ação judicial impetrada pela recorrente. 15. As razões do recurso voluntário trazem á tona a questão do adimplemento da obrigação tributária principal, por compensação, antes de ser o valor da obrigação tributária principal declarado em DCTF, mesmo que em atraso o que, no entendimento da recorrente, afastaria a mora e, por consequência, multa de mora, por aplicação do instituto da denúncia espontânea, nos moldes do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 16. A ação judicial demandada, no caso, mandado de segurança contra ato do Delegado da Receita Federal em Itajaí/SC, qual seja despacho decisório eletrônico que homologou parcialmente a compensação declarada na Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida pelo sistema eletrônico PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, discute o mesmo tema, tendo tifo como resultado a sentença monocrática, confirmada em acórdão do TRF4, que teve como decisão a anulação do despacho decisório emitido. 17. Portanto, clara está a coincidência dos objetos dos pedidos, tanto na esfera administrativa, como na esfera judicial. 18. Desta forma, devese obediência ao Princípio Constitucional da Supremacia das Decisões Judiciais e da Prevalência da Esfera Judicial sobre a Administrativa, ambos insculpidos no Inciso XXXV do Artigo 5ª da Constituição Federal : Art.5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ………………………………. XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 19. Para tanto, este CARF emitiu a Súmula nº 1 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10909.901124/200808 Acórdão n.º 3301006.027 S3C3T1 Fl. 11 10 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria nº 227, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão 20. Assim, diante da coincidência de objetos entre as razões de recurso administrativo apresentado e a causa de pedir das ações judiciais impetradas, caracterizada está a concomitância entre elas e a consequente renúncia á esfera administrativa. 21. Portanto, em razão da matéria em julgamento por este CARF encontrarse contida na matéria submetida á análise do Poder Judiciário, é de se aplicar ao caso concreto em exame a Súmula CARF nº 1. 22. Quanto aos efeitos da concomitância, deixase de conhecer as alegações relativas á matéria objeto das ações judiciais, cabendo á Unidade Administrativa de origem (DRF/ITAJAÍ/SC) a verificação do atual andamento das ações judiciais e os efeitos das suas decisões sobre a matéria em questão, para seu cumprimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720485/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/05/2011
CONSTRUÇÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA OU SUB-EMPREITADA. REGIME DE APURAÇÃO. LEI 10.833/2003, ARTIGO 10, INCISO XX .
Permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativo as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. As receitas que, comprovadamente, não forem referentes á execução de obra de construção civil, como gerenciamento, devem ser submetidas ao regime da não cumulatividade, por não se enquadrarem na hipótese legal descrita no inciso XX do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA..
No caso de formalização de crédito tributário por auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
CONSTRUÇÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA OU SUB-EMPREITADA. REGIME DE APURAÇÃO. LEI 10.833/2003, ARTIGO 15, INCISO V .
Permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativo as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. As receitas que, comprovadamente, não forem referentes á execução de obra de construção civil, como gerenciamento, devem ser submetidas ao regime da não cumulatividade, por não se enquadrarem na hipótese legal descrita no inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA..
No caso de formalização de crédito tributário por auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento.
Numero da decisão: 3301-006.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que deram provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2009 a 31/05/2011 CONSTRUÇÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA OU SUB-EMPREITADA. REGIME DE APURAÇÃO. LEI 10.833/2003, ARTIGO 10, INCISO XX . Permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativo as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. As receitas que, comprovadamente, não forem referentes á execução de obra de construção civil, como gerenciamento, devem ser submetidas ao regime da não cumulatividade, por não se enquadrarem na hipótese legal descrita no inciso XX do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.. No caso de formalização de crédito tributário por auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONSTRUÇÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA OU SUB-EMPREITADA. REGIME DE APURAÇÃO. LEI 10.833/2003, ARTIGO 15, INCISO V . Permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativo as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. As receitas que, comprovadamente, não forem referentes á execução de obra de construção civil, como gerenciamento, devem ser submetidas ao regime da não cumulatividade, por não se enquadrarem na hipótese legal descrita no inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.. No caso de formalização de crédito tributário por auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10860.720485/2013-16
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6003806
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.041
nome_arquivo_s : Decisao_10860720485201316.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ARI VENDRAMINI
nome_arquivo_pdf_s : 10860720485201316_6003806.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que deram provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7733118
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908647682048
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-03T13:34:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-03T13:34:07Z; Last-Modified: 2019-05-03T13:34:07Z; dcterms:modified: 2019-05-03T13:34:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:46818d72-85d8-4f12-bd55-ce293dfb4f6a; Last-Save-Date: 2019-05-03T13:34:07Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-03T13:34:07Z; meta:save-date: 2019-05-03T13:34:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-03T13:34:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-03T13:34:07Z; created: 2019-05-03T13:34:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2019-05-03T13:34:07Z; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-03T13:34:07Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.085 1 3.084 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720485/201316 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301006.041 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS Recorrentes ALSTOM BRASIL ENERGIA E TRANSPORTE LTDA DRJ/PORTO ALEGRE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/05/2011 CONSTRUÇÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA OU SUB EMPREITADA. REGIME DE APURAÇÃO. LEI 10.833/2003, ARTIGO 10, INCISO XX . Permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativo as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. As receitas que, comprovadamente, não forem referentes á execução de obra de construção civil, como gerenciamento, devem ser submetidas ao regime da não cumulatividade, por não se enquadrarem na hipótese legal descrita no inciso XX do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DO REGIME NÃOCUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.. No caso de formalização de crédito tributário por auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONSTRUÇÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA OU SUB EMPREITADA. REGIME DE APURAÇÃO. LEI 10.833/2003, ARTIGO 15, INCISO V . Permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativo as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. As receitas que, comprovadamente, não forem referentes á execução de obra de construção civil, como gerenciamento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 04 85 /2 01 3- 16 Fl. 3085DF CARF MF 2 devem ser submetidas ao regime da não cumulatividade, por não se enquadrarem na hipótese legal descrita no inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DO REGIME NÃOCUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.. No caso de formalização de crédito tributário por auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que deram provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão DRJ/Porto Alegre nº 1052.492, exarado pela 2ª Turma daquele órgão julgador, por haver dado provimento parcial á impugnação apresentada e de recurso de ofício, interposto pelo Sr. Presidente da turma julgadora, em cumprimento ao disposto no inciso I do artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972, por haver exonerado parte do crédito tributário. 2. Referemse estes autos a créditos tributários, formalizados por autos de infração relativos 'a COFINS NÃO CUMULATIVA e 'a Contribuição ao PIS/Pasep NÃO CUMULATIVA, nos períodos de apuração de março/2009, março/2010, fevereiro/2011, março/2011 e maio/2011. 3. Adoto e reproduzo, por economia processual, e por esclarecedor dos fatos, o Relatório do Acórdão DRJ/POA combatido : Trata o presente dos lançamentos de ofício relativos à Contribuição Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.086 3 para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins não cumulativa – fls. 510 a 520) e ao Programa de Integração Social (PIS não cumulativo – fls. 521 a 531) referentes aos períodos de apuração 03/2009, 03/2010, 02/2011, 03/2011 e 05/2011. O lançamento da Cofins para os diversos períodos somou R$ 9.085.526,69 de principal, totalizando R$ 18.217.435,15, considerados os valores acompanhados de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Para o PIS os valores somaram R$ 1.972.515,67 e R$ 3.955.101,07, respectivamente. A autuada é empresa que tem como atividade principal a prestação de serviços de engenharia e comercialização de máquinas e equipamentos para uso industrial, conforme consta do cartão CNPJ anexado aos autos pela própria empresa (fl. 570). A unidade no Brasil faz parte de grande grupo internacional que atua em ramos relacionados à geração de energia. No que interessa ao presente processo, a autuada foi contratada por Thyssenkrupp CSA Companhia Siderúrgica para a construção de usina termoelétrica a ser integrada ao complexo industrial da contratante. O acordo se deu através de consórcio entre a Alstom Brasil e a Alstom Switzerland (Suíça), ficando esta responsável pela parte importada dos equipamentos, materiais e suprimentos. O Termo de Constatação e Relatório Fiscal (fls. 502 a 509) descreve o procedimento e o objeto do lançamento. A base de cálculo para os lançamentos corresponde às notas fiscais de prestação de serviços de Alstom Brasil para Thyssenkrupp (fls. 243 a 253 – a nota fiscal da fl. 242 não foi objeto de autuação, não se encontrando dentro do período abrangido). O relatório aponta ainda alguns itens do contrato e eventos verificados. Indica que foram subcontratadas as empresa Cesbe S/A Engenharia e Empreendimentos e Brafer Construções Metálicas para fornecimento de materiais e serviços para trabalhos de construção civil, cumprindo parte das tarefas acordadas entre Alstom Brasil e Thyssenkrupp. Nos contratos, constaram as previsões de tributos, sendo no primeiro na modalidade cumulativa e no segundo na não cumulativa (fls. 92 e 158). A subcontratação está prevista no contrato celebrado entre Alstom e Thyssenkrupp, inclusive a possibilidade das subcontratadas faturarem diretamente contra Thyssenkrupp, hipótese em que o valor será deduzido do valor contratual com Alstom. Também é citada consulta formulada por sucedida, Alstom Hydro Energia Brasil LTDA, na qual é perguntado se receitas de instalação, testes e integração da estrutura e equipamentos, como parte do processo de construção e instalação de usinas hidroelétricas, devem ser segregadas e tributadas pelo PIS e Cofins no regime cumulativo. Neste caso, a resposta da Superintendência da 8a Região Fiscal (Estado de São Paulo) foi no sentido da tributação pelo regime não cumulativo, se a situação for de tributação do imposto de renda pelo Fl. 3087DF CARF MF 4 lucro real. Concluiu a fiscalização que, na parte que cabe a fiscalizada, referente às notas fiscais acima mencionadas, emitidas contra Thyssenkrupp CSA Companhia Siderúrgica, as receitas deveriam ter sido tributadas no regime nãocumulativo. Portanto, tais valores foram submetidos à tributação do PIS e da Cofins nãocumulativa, sendo parcela dos valores referente a materiais e equipamentos e parte ao gerenciamento e supervisão, como consta do quadro na fl. 505. A empresa foi cientificada em 20/06/2013. Em 19/07/2013, foi apresentada impugnação ao lançamento (fls. 541 a 868), que, de início, discorre sobre as atividades da empresa e sobre o contrato firmado, objeto da autuação. Ressalta que o contrato é na modalidade que tem sido chamada de Turn Key, englobando desde o projeto até os testes finais para a entrega da usina em condições de funcionamento. Aponta que a construção por empreitada é um subtipo da construção em geral e que em projetos dessa envergadura a subcontratação é natural e necessária. Prossegue informando que os valores pagos às subcontratadas não chegam a um terço do total, ainda desconsiderados os valores para Alstom (Switzerland), e não descaracterizam o contrato como de construção civil. Argumenta que a Consulta citada na autuação é improcedente como fundamentação por ter sido formulada por pessoa jurídica diversa e por referirse a contratos distintos. Prossegue a recorrente alegando que as receitas se enquadram no art. 10, XX, da Lei 10.833/03, que mantém na sistemática cumulativa as receitas “decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil.” Cita o Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 30, da Cosit da Receita Federal, que trata das atividades com vedação para ingresso no Simples, e a IN RFB 371/09, referente à receita previdenciária, e doutrina, para concluir que a construção civil tem sentido mais amplo, o que inclui a construção de termoelétrica. Também cita Acórdão do Carf em apoio ao argumento. Alega ainda que, mesmo se mantida a autuação, ela não seria nos valores lançados. Primeiro porque não foram considerados os valores pagos pela requerente na sistemática cumulativa. Segundo, porque, sendo a apuração pelo regime nãocumulativo, deveriam ser admitidos os créditos previstos na legislação. Por fim, requer sejam julgados totalmente improcedentes os autos de infração. Alternativamente, requer seja reduzido o valor das contribuições pela apropriação dos pagamentos na sistemática cumulativa e apurados os créditos, requerendo a conversão do processo em diligência para sua apuração. A unidade de origem atesta a tempestividade da impugnação e encaminha a esta DRJ para apreciação. Com relação à segunda parte da impugnação, referente ao cálculo do PIS e Cofins e abatimento dos valores confessados/pagos pela sistemática cumulativa, bem como o desconto de créditos pela sistemática nãocumulativa, mostrouse necessário a realização de diligência. Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.087 5 A impugnante apresenta declarações entregues e alega não terem sido descontados pagamentos. No relatório fiscal, é indicado que se está procedendo a reclassificação das receitas de um regime para o outro. Também, é alegado o direito aos créditos previstos para a sistemática nãocumulativa. As planilhas apresentadas, entretanto, não serviriam, por si só, para comprovar a existência do direito, ainda de modo específico com relação ao projeto tributado, contratado por Thyssenkrupp. De modo a evitar qualquer mácula que pudesse ser alegada quanto ao pleno exercício do direito de defesa e para preservar a legalidade da cobrança, tendo em vista o direito aos créditos encontrarse previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como pelo fato de, seja em que sistemática, estarse tratando das mesmas contribuições, implicando a verificação de inexistência de dupla tributação sobre mesma base, o processo foi convertido em diligência, em conformidade com a previsão dos arts. 18 e 29 do Decreto 70.235/72 e alterações (processo administrativo fiscal) e arts. 35 a 37 do Decreto 7.574/11, que consolida a legislação sobre a matéria. O pedido constante da Resolução que encaminhou o processo em diligência (fls. 875 a 879) restou assim redigido: “ Verificar se existem valores confessados em DCTF e/ou recolhidos na sistemática cumulativa, correspondentes às receitas objeto do presente processo, por período de apuração; Intimar, a empresa, a apurar os créditos que alega possuir, especificamente relacionados ao contrato objeto de tributação nesses autos, comprovandoos por meio de documentação contábil/fiscal, em relação aos insumos ou dispêndios previstos na legislação específica e que não tenham sido objeto de nenhum outro aproveitamento como crédito; Se pronunciar sobre a existência dos créditos e a comprovação apresentada. Caso se entenda existirem créditos passíveis de aproveitamento, demonstrar a repercussão no lançamento efetuado.” No curso da diligência, o auditorfiscal designado cientificou a empresa da diligência e procedeu as intimações, solicitando as informações necessárias para o cumprimento da mesma. A empresa apresentou os seus esclarecimentos e os arquivos magnéticos com as informações que entendeu comprovar o alegado. O trabalho desenvolvido resultou no relatório fiscal das fls. 2983 a 2987, no qual é descrito o procedimento. Primeiro, concluise que não foram declarados/confessados valores de PIS e Cofins cumulativo (códigos 8109 e 2172) em DCTF. Valores apurados teriam sido compensados no próprio Dacon, exceção em fevereiro e março de 2011. Para o primeiro, foram informados valores em DCTF, quitados por declaração de compensação que aguardam homologação. Para março de 2011, os valores a pagar do Dacon não constam em DCTF. Também não há pagamentos para os cinco meses objeto da autuação. É registrado que existem faturamentos para outros clientes. Fl. 3089DF CARF MF 6 Com relação aos créditos da nãocumulatividade, é indicado que a empresa não mantém controle de custos separado, não sendo possível identificar nas planilhas e notas fiscais quais se refeririam a insumos ou produtos alocados no Projeto objeto da autuação (P.0171). Por fim, é assim resumido o relatório fiscal (fls. 2986 e 2987): “4.1) As bases de cálculos exigidas no Auto de Infração encontramse informadas nos respectivos (DACON’s) e compensadas nos mesmos, não remanescendo saldos a serem declarados em DCTF, à exceção dos meses de fevereiro e março de 2011. 4.1.1) Fevereiro de 2011 encontrase declarado em DCTF e foi compensado através de Dcomp, aguardando sua homologação. 4.1.1.1) – Março de 2011, os valores remanescentes do DACON, não foram declarados em DCTF, não foram pagos e não foram compensados. 4.2) Quanto ao crédito, que a ALSTOM BRASIL, alega possuir, conforme demonstrado, SMJ, o seu pleito tornase comprometido. 5) Em tempo, conforme também, já demonstrado, por amostragem, no Termo de Constatação / Relatório Fiscal, que faz parte do Auto de Infração, a Alstom Brasil, onerou seu resultado pelo valor Bruto as aquisições a que pretende se creditar. (...)”. Cientificada, a empresa se manifesta às fls. 2993 a 3001. Ressalta que pleiteou a diligência e o abatimento dos valores de crédito, tendo apresentado a documentação, porém entende que se tornará desnecessária em vista do provável acolhimento do mérito da manifestação. Argumenta que os documentos comprovaram que as receitas do projeto compuseram a apuração do PIS e Cofins, o que é indicado no Dacon, tendo, portanto, impactado os valores eventualmente devidos nos períodos de apuração. Explica que, exceção a março de 2009, as receitas referemse a três negócios: “Transport”, “Hydro” e “NonHydro”. O último, referente ao contrato com a Thyssenkrupp, pela planilha apresentada no corpo da manifestação, comporia grande parte da receita informada. Quanto a fevereiro de 2011, apresentou a DCTF com os valores quitados por compensação. Eventual divergência entre Dacon e DCTF não seria objeto do auto de infração, o que seria também o entendimento da DRJ ao baixar o processo em diligência. Ainda seguindo a manifestação da empresa, com relação aos créditos, a planilha e as respectivas notas fiscais comprovariam as aquisições de bens e serviços empregados como insumos. A fiscalização se ateve ao fato da fiscalizada não manter controle de custos por projeto, chegando a conclusão que considera absurda, porque levaria a impossibilidade de aproveitamento de créditos para um projeto de mais de cem milhões de reais. A não verificação e impossibilidade de aproveitar créditos viola a não cumulatividade das contribuições. De todo o modo, frisa que a execução por empreitada de obra de construção civil está submetida à sistemática cumulativa, sendo que a Solução de Divergência Cosit 11/2014 teria reconhecido, recentemente, que tal deva ser entendido de ponto de vista amplo, incluindo serviços auxiliares para a execução do contrato. Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.088 7 Após manifestação, o processo retorna a esta DRJ para julgamento. É o relatório. 4. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, conforme Acórdão que restou assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/05/2011 REGIME DE APURAÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. Estão excluídas da sistemática nãocumulativa de apuração somente as receitas comprovadas e preponderantemente decorrentes de administração por empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. Tendo a fiscalização apurado que determinadas receitas se sujeitam ao regime nãocumulativo, devem ser abatidos os valores confessados/extintos através do regime cumulativo, referentes às mesmas receitas. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. No caso de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2009 a 31/05/2011 REGIME DE APURAÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. Estão excluídas da sistemática nãocumulativa de apuração somente as receitas comprovadas e preponderantemente decorrentes de administração por empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. Tendo a fiscalização apurado que determinadas receitas se sujeitam ao regime nãocumulativo, devem ser abatidos os valores confessados/extintos através do regime cumulativo, referentes às mesmas receitas. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. No caso de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo do seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 3091DF CARF MF 8 5. Irresignada, a autuada apresenta Recurso Voluntário, onde assim discorre suas razões de defesa : TEMPESTIVIDADE defende a tempestividade da apresentação do recurso FATOS ANTECEDENTES E V. ACÓRDÃO RECORRIDO o auto de infração foi lavrado em razão de suposta indevida tributação pelo regime cumulativo das receitas auferidas pela recorrente diante de contrato celebrado com a Thyssenkrupp CSA Companhia Siderúrgica, em relação á Contribuição ao PIS/PASEP e á COFINS. a Fiscalização considerou que as receitas auferidas pela recorrente em razão de contrato celebrado com a Thyssenkrupp CSA não seriam decorrentes da execução de obra de construção civil e, portanto, deveriam ter sido tributadas no regime não cumulativo das contribuições, pois se apegou ao fato de que a recorrente subcontratou terceiros para realizar parte do projeto contratado para, então, determinar que a recorrente não teria praticado obra de construção civil, tendo a Fiscalização considerado ter havido recolhimento a menor de PIS e COFINS sobre as receitas auferidas nos meses de março/2009, março/2010, fevereiro, março e maio/2011 em decorrência do contrato firmado com a Thyssenkrupp CSA. a própria Fiscalização considerou expressamente que o contrato celebrado com a Thyssenkrupp CSA é de empreitada integral, nos exatos termos da legislação que rege a matéria, assim, todas as receitas auferidas em decorrência desse contrato devem ser tratadas como “ receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil “, tal como previsto no artigo 10, inciso XX, da Lei nº 10.833/03, de modo que devem ser tributadas pelo regime cumulativo de ambas as contribuições, como efetuado pela recorrente e, ao contrário do entendeu a Fiscalização, o fato de a recorrente ter subcontratado empresas especializadas para realização de parte do projeto de construção da usina termelétrica não descaracteriza a natureza da atividade exercida pela recorrente pois a subcontratação é um elemento absolutamente corriqueiro em um contrato de empreitada integral de uma obra dessa magnitude e complexidade. subsidiariamente a recorrente pleiteou pela reformulação do lançamento tributário, para que fossem considerados os valores relativos á Contribuição ao PIS/PASEP e á COFINS recolhidos pela recorrente no regime cumulativo sobre as receitas que geraram o lançamento tributário e considerados também os valores correspondentes aos créditos de PIS/PASEP e COFINS que a recorrente teria direito, caso se entendesse que tais receitas devessem efetivamente ser tributadas pelo regime cumulativo. diante desse pleito, a DRJ/POA determinou a realização de diligência para a verificação dos pagamentos de PIS e COFINS no regime cumulativo no período da autuação e o volume de créditos a que a recorrente teria direito caso a acusação fiscal fosse mantida. como resultado, foram trazidos ao processo administrativo inúmeros documentos e planilhas que lastrearam o Relatório Fiscal de diligência, o qual, contudo, apenas reconheceu a necessidade de redução da autuação para se considerar os valores de PIS e COFINS no regime cumulativo que foram recolhidos pela recorrente tão somente sobre as receitas auferidas com o contrato no mês de fevereiro de 2011, por este motivo, a DRJ/POA julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para afastar os argumentos de mérito atrelados á natureza do contrato de empreitada celebrado e acolher o Relatório Fiscal de diligência para determinar a redução da autuação apenas no que diz respeito aos valores de PIS e Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.089 9 COFINS apurados conforme o regime cumulativo, sobre as receitas auferidas em fevereiro/2011. o Acórdão recorrido deve ser integralmente reformado e revisto pelo CARF, uma vez que as receitas oriundas do contrato de empreitada celebrado com Thyssenkrupp CSA foram corretamente tributadas pelo PIS e COFINS no regime cumulativo e, na remota hipótese de se manter o lançamento tributário , os documentos e esclarecimentos trazidos comprovam que as receitas auferidas nos demais períodos objeto da autuação compuseram a apuração do PIS e COFINS devidos no regime cumulativo e a recorrente tem direito de aproveitar créditos relativos aos insumos adquiridos para execução do contrato, fatos que demandam a redução substancial do crédito tributário. FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO I – CONTRATO CELEBRADO COM A THYSSENKRUPP CAS : CONSTRUÇÃO CIVIL DE USINA TERMÉLETRICA (i) Atividade da recorrente e o objeto do contrato a recorrente tem como atividades principais a prestação de serviços de engenharia e a comercialização de máquinas e equipamentos para uso industrial, atua entre outros, no setor de energia e transmissão de eletricidade, tendo celebrado contrato, em consórcio com a empresa Alstom (Switzerland) Ltd. (Alstom Suiça), com a empresa Thyssenkrupp CSA, de empreitada integral para a construção de usina termoéletrica destinada a integra o complexo industrial para produção de chapas de aço no Rio de Janeiro, tendo a recorrente se comprometido, por cláusula contratual, a entregar a usina pronta e em condições de pleno funcionamento, o que não deixa dúvidas de que se trata de um contrato “turn key” no qual a recorrente era responsável pela efetivação do projeto, da construção, da montagem e dos testes finais dos equipamentos da usina. na contratação de um projeto complexo como o da construção de uma usina termoelétrica, não se espera que o contratado realize todas as etapas do projeto, para isso, para que pudesse a recorrente cumprir o seu objeto, o próprio contrato previa a possibilidade de subcontratações de empresa especializadas para atuar em diversas fases do projeto, construção e montagem da usina, tendo a recorrente contratado as empresas CESBE ENGENHARIA S.A ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS e BRAFER CONSTRUÇÕES METÁLICAS S.A para , respectivamente, a realização do projeto, fabricação e montagem das estruturas e armações metálicas da planta e construção de algumas edificações, sendo que as empresa subcontratadas deveriam emitir faturas a diretamente á Thyssenkrupp CSA, a qual, por sua vez, deduzia do valor devido á recorrente o montante pago diretamente ás subcontratadas. o fato de as subcontratadas faturarem diretamente á Thyssenkrupp CSA não tem o condão de descaracterizar o contrato de construção por empreitada integral celebrado com a recorrente, que era integralmente responsável perante a Thyssenkrupp CSA pela devida efetivação do projeto de construção das referidas edificações pelas empresas CESBE e BRAFER. (ii) conceito de construção civil não há no direito privado uma definição legal expressa do conceito de construção civil, sendo que, em linhas gerais, a doutrina define a construção civil como a atividade que consiste em agregar benfeitorias ao solo ou subsolo de maneira definitiva, sendo que para o enquadramento de uma Fl. 3093DF CARF MF 10 atividade como construção civil são necessários, cumulativamente os seguintes requisitos : que sua execução seja precedida de um projeto; que os serviços sejam efetivados fora do estabelecimento industrial e que os serviços consistam na reunião de produtos, peças ou partes de que resultem edificação, construção ou obra, inclusive complexo industrial, integrado permanentemente ao solo. Portanto, a construção de uma usina termoelétrica enquadrase perfeitamente no conceito de construção civil. a própria Receita Federal considera que a expressão “construção civil” não deve ser compreendida como a construção de edificações, comportando outros significados, como os contidos no Ato Declaratório Cosit nº 30/1999, que considera construção civil os seus serviços auxiliares e complementares, como também considera a construção de usinas termoelétricas como obra de construção civil para fins de tributação previdenciária (IN RFB nº 971/2009 e seu Anexo VII). (iii) contrato de construção por empreitada integral sendo a construção civil uma atividade, a sua realização pode ser regulada por diversos tipos de contratos, nos quais haverá a definição do objeto da obra e a distribuição das responsabilidades das partes pela sua consecução, estando entre as espécies típicas de contrato o contrato de empreitada integral no contrato de construção por empreitada, celebrado entre empreiteiro e contratante, o empreiteiro assume a obrigação de realizar a obra encomendada pelo contratante, nos termos do projeto, empregando técnica e materiais adequados e respondendo integralmente pelo seu custeio e por todos os riscos econômicos decorrentes da construção até a entrega da obra, sendo que o preço total da obra é fixado entre as partes, em valor integral ou unitário, que pode ou não ser reajustável, e desde que autorizado pelo contratante, o empreiteiro poderá subcontratar terceiros, sob sua exclusiva responsabilidade. já no contrato de empreitada integral o empreiteiro é responsável por todas as atividades do empreendimento, não só pelo projeto e aquisição dos materiais da obra, mas também pelos equipamentos que vão ditar sua funcionalidade, esses contratos são denominados pela doutrina como contratos “turn key” ou EPC (Engineering, Procurement and Construction), que são utilizados para projetos de grande porte, sendo definidos pela doutrina como “ os contratos do tipo Turnkey Lump Sum englobam o fornecimento integral do projeto executivo, dos materiais e equipamentos e da construção, montagem e colocação em operação por um único fornecedor e seu preço é global. Esses contratos são instrumentos crescentes utilizados por empresas para implantar grandes projetos. Regulam a forma de contratação, o preço é fixo e previamente estabelecido, os prazos (data de entrega da obra) predefinidos, bem como as condições técnicas e de performance. A proprietária (contratante) transfere para a contratada (chamada epecista) os riscos e a responsabilidade da entrega do projeto concluído na data contratual, em funcionamento e com a performance estabelecida no contrato. ainda a doutrina define o contrato EPC ou TurnKey como ' no EPC pode ser entendido que o epecista (contratado) desempenha complexas atividades(demandando inúmeras relações jurídicas), que poderiam qualificálo como empreiteiro por obrigarse a construir uma obra de grande porte; montador e fornecedor dos equipamentos (desenho, projeto, construção, fornecimento). o contrato entre a recorrente e a Thyssenkrupp CSA é um típico contrato de construção civil por empreitada integral na modalidade turnkey, sendo que é a recorrente quem confere substância ao contrato de empreitada , de modo Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.090 11 que a mera subcontratação de empresas para a consecução de partes do projeto não tem o condão de descaracterizar o contrato celebrado. (iv) receitas decorrentes da execução por empreitada de obras de construção civil : regime cumulativo de PIS e COFINS. uma vez estabelecido o tipo de contrato celebrado pela recorrente, é evidente que as receitas dele decorrentes se enquadram na disposição literal da lei de receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil (artigo 10, inciso XX e artigo 15, inciso V da lei nº 10.833/2003), devendo ser tributadas pelo regime cumulativo de PIS e COFINS. o CARF já decidiu que as receitas decorrentes de execução por empreitada global de obras de construção civil devem ser tributadas pelo regime cumulativo da COFINS (Acórdão nº 3401001.937, de 22/07/2012) importante notar que o citado dispositivo legal não exige que as receitas correspondam á construção de edificações, e muito menos que toda a construção civil tenha que ser realizada pela própria pessoa jurídica que aufere as receitas, pelo contrário, o dispositivo prevê que são sujeitas ao regime cumulativo as receitas decorrentes de contratos de construção civil por empreitada, portanto, resta claro que as receitas auferidas pela recorrente foram corretamente tributadas pelo regime cumulativo de PIS e COFINS, o que enseja a reforma do Acórdão DRJ e o cancelamento integral da autuação. II – PEDIDO SUBSIDIÁRIO : VALORES PAGOS NO REGIME CUMULATIVO E CRÉDITOS A SEREM RECONHECIDOS NO REGIME NÃO CUMULATIVO no caso de se entender que as receitas deveriam ser tributadas no regime não cumulativo, o crédito tributário deve ser reformulado e reduzido porque a Fiscalização e o Acórdão DRJ desconsideraram que as receitas auferidas no período de autuação (exceto fevereiro/2011) foram devidamente submetidas á tributação pelo regime cumulativo do PIS e da COFINS e que a recorrente trouxe aos autos documentos suficientes para comprovar o seu direito ao aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS no regime não cumulativo (i) tributação das receitas por PIS e COFINS no regime cumulativo foram apresentados documentos que comprovam que as contribuições no regime cumulativo, objeto da autuação, foram devidamente computadas na apuração fiscal da recorrente e , assim, devidamente informadas nas respectivas declarações atinentes a PIS e COFINS, podendo ser verificado nos DACONS trazidos em diligência aos autos que as receitas auferidas a partir do contrato com a Thyssenkrupp CSA compuseram a apuração de PIS e COFINS pra aquele período tendo impactado nos valores devidos, sendo estes valores oriundos de três unidades de negócio distintas, internamente denominadas TRANSPORT , HYDRO e NONHYDRO, por conta disso, as receitas submetidas á tributação por PIS e COFINS na sistemática cumulativa informada nas DACON dos meses de março/2010, fevereiro,março e maio/2011 decorrem de serviços prestados e mercadorias vendidas no contexto das operações dessas tres unidades de negócio. a recorrente apresentou planilhas preparadas internamente que serviram de base para as informações prestadas nos DACON, que permitem identificar a Fl. 3095DF CARF MF 12 composição dos valores que foram informados e tornam evidente que as receitas auferidas foram submetidas á tributação na sistemática cumulativa. logo não há dúvidas de que as receitas que deram origem ao lançamento tributário foram devidamente tributadas e que os valores correspondentes de PIS e COFINS devem ser considerados de modo a reduzir o valor que eventualmente remanesça. o fato de a recorrente ter declarado em DCTF saldo devedor de PIS e COFINS apenas para o mês de fevereiro/2011 não significa que as receitas auferidas nos demais períodos não tenham sido tributadas e, assim, não tenham impacto na apuração das contribuições, esse fato deve ser levado em consideração no julgamento do auto de infração, sob pena de se admitir que as mesmas receitas comporiam a apuração do PIS e da COFINS nos dois regimes, o que resulta em hipótese de bis in idem. (ii) aquisições de serviços e bens que dão direito a crédito em relação á liquidez dos créditos de PIS e COFINS a que tem direito caso a acusação fiscal seja mantida, a recorrente esclarece que apresentou planilhas que listaram detalhadamente todas as aquisições de serviços e bens que foram empregados como insumos para fins de creditamento do contrato celebrado, tal planilha apresenta a composição dos valores que devem ser considerados a título de créditos de PIS e COFINS para fins de abatimento dos valores tidos como devidos a título das contribuições no regime não cumulativo, apresentando também cópias das notas fiscais que comprovam as aquisições dos insumos e serviços empregados pela recorrente na execução do contrato celebrado, de modo a não deixar dúvidas sobre o direito dos créditos a despeito destes documentos foi concluído que tais documentos seriam insuficientes para comprovar a legitimidade do crédito de PIS e COFINS, sendo que o Acórdão DRJ se ateve ao fato de que a recorrente não mantém controle de custos por projeto celebrado, para suscitar sua suposta ausência de direito a créditos, sendo que tal conclusão é absurda e se fosse considerada levaria á circunstância de a recorrente simplesmente não poder aproveitar os créditos de PIS e COFINS sobre um contrato celebrado no contexto de suas atividades e que gerou receitas superiores a R$ 100 milhões. ainda assim, na hipótese de se verificar que ainda não há elementos suficientes para a conclusão da liquidez dos créditos de PIS e COFINS a serem aproveitados, a recorrente pleiteia a conversão do julgamento em nova diligência para que sejam novamente analisados os documentos necessários, de modo a apurar os créditos a que faz jus no período autuado. CONCLUSÃO E PEDIDO deve ser reformado o Acórdão DRJ e considerado improcedente o auto de infração pois o contrato celebrado entre a recorrente e a Thyssenkrupp CSA é de construção civil por empreitada integral e, portanto, as receitas dele decorrentes se enquadram perfeitamente no conceito previsto no artigo 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, de modo que devem ser tributadas pelo regime cumulativo das contribuições e o fato de a recorrente ter subcontratado empresas especializadas para realização de parte do projeto da usina não descaracteriza a natureza da empreitada assumida pela recorrente, ao contrário, a subcontratação é elemento absolutamente corriqueiro em um contrato de empreitada integral de uma obra dessa magnitude e complexidade. mesmo que se entenda que acusação fiscal é procedente , deve ser retificado o lançamento para considerar que as receitas em questão foram submetidas á tributação por PIS e COFINS no regime cumulativo. Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.091 13 mesmo que se considere que as receitas auferidas pela recorrente deveriam ter sido submetidas ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, deve ser reconhecido o direito ao aproveitamento dos respectivos créditos com base nos documentos apresentados. a recorrente pleiteia que seja dado integral provimento ao recurso voluntário , para que seja parcialmente reformado o acórdão recorrido de modo a reconhecer a integral improcedência dos lançamentos consignados no auto de infração, com o cancelamento das exigências de PIS e COFINS, além da multa de ofício e dos juros. subsidiariamente, caso não seja acolhido este pedido, a recorrente pleiteia seja dado provimento ao recurso volunta´rio para que seja reduzido o crédito tributário tendo em vista que a recorrente comprovou que as receitas auferidas compuseram a apuração do PIS e COFINS nos meses objeto da autuação e não só fevereiro de 2011, para que tais valores sejam descontados daqueles que estão sendo exigidos. ainda subsidiariamente e sem prejuízo do pedido anterior, se prevalecer o entendimento de que as receitas auferidas pela recorrente deveriam ser tributadas pelo regime não cumulativo, a recorrente pleiteia seja dado provimento ao recurso voluntário de modo que seja reconhecido o direito ao aproveitamento dos respectivos créditos a que faz jus com base nos documentos apresentados no curso do processo administrativo. caso se entenda necessário, a recorrente pleiteia novamente a conversão do julgamento em diligência para que sejam efetivamente apurados os créditos que deveriam ter sido lançados na apuração, de modo que esse valor possa ser deduzido do crédito tributário exigido na autuação fiscal. 6. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, por tais razões dele o conheço. 8. Quanto ao Recurso de Ofício, não o conheço por se referir a valor de exoneração, veiculado pelo Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE, inferior ao limite alçada de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), determinado pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que revogou a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. 9. Assim se mostram os valores : TRIBUTO VALOR PRINCIPAL R$ VALOR MULTA 75% R$ TOTAL EXONERADO R$ COFINS ANTES EXONERAÇÃO 4.722.989,39 3.542.242,04 VALOR EXONERADO 701.414,63 526.060,97 COFINS APÓS EXONERAÇÃO 4.021.574.76 3.016.181,07 1.227.475,60 Fl. 3097DF CARF MF 14 PIS ANTES EXONERAÇÃO 1.025.385,85 769.039,39 VALOR EXONERADO 151.973,19 113.979,89 265.953,08 PIS APÓS EXONERAÇÃO 873.412,66 655.059,50 1.493.428,68 10. Passemos a análise das razões apresentadas no Recurso Voluntário. 11. Relevante ressaltar o resultado do julgamento feito pela DRJ/PORTO ALEGRE, conforme a conclusão do voto do ilustre Julgador, que aqui reproduzo : Concluise que deve ser mantida a tributação dos valores recebidos pela contribuinte de Thyssenkrupp pela modalidade nãocumulativa do PIS e da Cofins. Realizada a diligência, concluiuse pelo provimento parcial, para manter os valores lançados, com redução do valor referente ao mês de fevereiro de 2011, que passa a ser o constante do Quadro abaixo, com a manutenção da multa de 75 % de forma proporcional: Período de Apuração Valor Lançado COFINS (R$) Valor Mantido COFINS (R$) Valor Lançado PIS (R$) Valor Mantido PIS (R$) Fevereiro de 2011 4.722.989,39 4.021.574,76 1.025.385,85 873.412,66 Assim, VOTO por julgar procedente em parte a impugnação, para manter todos os valores lançados de PIS e Cofins, exceto os valores de fevereiro de 2011, mantidos conforme o Quadro acima. Salientese que diante das parcelas eximidas, a decisão deve ser objeto de RECURSO DE OFÍCIO, em conformidade com o art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/1972. 12. Portanto, foram exonerados os valores lançados de PIS NÃO CUMULATIVA e COFINS NÃO CUMULATIVA referentes ao mês de fevereiro de 2011 em função de o valor estar declarado em DCTF e ter sido compensado por DCOMP, a qual aguarda sua homologação, portanto, nos dizeres do voto, ás fls. 3.029 dos autos digitais: “assim, confessado o débito, deverá ser procedida a cobrança, se não for homologada a compensação. Até lá, está extinto o débito, no montante confessado Dessa forma, os valores lançados de PIS e COFINS para fevereiro deverão ser reduzidos até o valor informado em DCTF, no caso em R$ 151.973,19 e R$ 701.414,63.” 13. Preliminarmente, e para delimitar a discussão nestes autos, há que nos determos na origem da controvérsia instaurada, que nasceu no destaque, pela Fiscalização, dentre a análise de todos os pontos constantes do Relatório Fiscal de fls. 502/509 dos autos digitais, das receitas auferidas pela recorrente, consubstanciadas nas Notas Fiscais que se encontram ás fls. 243 a 253 destes autos digitais. 14. Estão tais Notas Fiscais discriminadas no item 5 do Relatório Fiscal ; Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.092 15 15. Devese notar que a Nota Fiscal de nº 261, de 20/03/2008 não foi considerada na autuação. 16. Como se pode verificar os documentos são Notas Fiscais Eletrônicas de Serviços – NFe, tendo como prestador de serviço a recorrente ALSTOM BRASIL ENERGIA E TRANSPORTE LTDA e como tomador do serviço a empresa THYSSENKRUPP CSA COMPNANHIA SIDERÚRGICA, sendo a discriminação dos serviços assim redigidas no corpo das referidas NF : “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GERENCIAMENTO E SUPERVISÃO DE OBRA CIVIL DA TERMÉLETRICA DA THYSSENKRUPP CSA COMPANHIA SIDERURGICA”, constando em todas o código de serviço 01023 – execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil e congêneres. BREVES CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS CONTRATOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL 17. Como bem esclarecido pela recorrente, não há definição legal para o termo construção civil, entretanto a doutrina e a jurisprudência pátrias adotaram a definição utilizada no Direito Previdenciário. 18. A definição de construção civil se confunde com a definição de obra de construção civil, e os Srs Juízes Federais Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari assim definiram tal conceito : O conceito de obra de construção civil é bastante amplo e compreende a construção, a demolição, a reforma ou a ampliação de edificação, de instalação ou de qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo (….) em síntese, poderseia afirmar que a obra de construção civil é aquela que se presta a realizar alterações na propriedade imóvel, seja pra edificar – de forma originária ou em ampliação á edificação já existente – seja para demolir, seja para realizar serviços de instalações de qualquer natureza em imóvel e ,a inda, em caso de reforma do edifício já construído(…) assim, conceituase como construção civil “ a técnica industrial primária em que a matériaprima, modificada ou não, utilizada geralmente por Fl. 3099DF CARF MF 16 agregação, com o emprego de diversos materiais ou de diversos processos, dará origem a imóvel.” (autores citados, in MANUAL DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO, 8ª edição, Editorial Conceito, fls. 247) . 19. Para a consecução da obra de construção civil, o elemento fundamental é o contrato de execução da obra, que definirá as balizas comportamentais dos envolvidos, os contratos de construção civil podem ser delimitados nas seguintes espécies : 1 PREÇO FECHADO ou EMPREITADA POR PREÇO GLOBAL – neste contrato, o contratante realiza o pagamento de um valor fixo, prédeterminado, e o contratado executa a obra completa, desde o seu início até o seu acabamento, sendo importante que o objetofim e os procedimentos a serem adotados estejam bem delineados no contrato, evitando ajustes. 2 PREÇO DE CUSTO ou CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO – é o contrato utilizado quando se tem idéia definida do projeto como um todo, uma ideía macro do projeto – o projeto básico, entretanto os detalhes da execução ainda não estão definidos e o serão no decorrer da execução da obra, para isso o contratado executa a obra tendo como contraprestação uma taxa mensal – a taxa de administração – que pode ser uma remuneração fixa ou cobrada por um percentual calculado sobre os custos de material e mãode obra. Também denominado “ contrato de custo” e “contrato de construção por administração”. 3 – PREÇO MÁXIMO GARANTIDO (PMG) este contrato se caracteriza por ser um híbrido entre o contrato de preço fechado e o contrato por administração. Neste contrato, a contratada elabora um orçamento aberto e estima uma taxa de administração, se o contratante concordar com os termos, o contrato é firmado. 4 – TOMADA DE PREÇOS ou EMPREITADA POR PREÇO UNITÁRIO – neste contrato, cada serviço executado para construir a obra tem um preço predeterminado , portanto, o preço final da obra é a soma dos preços dos serviços executados multiplicada pela quantidade realizada. 20. O que nos interessa para a matéria em exame nos presentes autos é o contrato de empreitada, sendo este um contrato que gera obrigação de entrega da obra para o contratado, denominado empreiteiro, e de pagamento do valor avençado, pelo contratante, denominado proprietário, portanto é um contrato consensual, comutativo e oneroso, distinguindose do contrato de prestação de serviços em virtude de a ) objeto do contrato o objeto do contrato de prestação de serviços resumese na atividade do contratado (prestador) sendo a sua remuneração proporcional ao tempo gasto na execução do serviço, já o contrato de empreitada tem como objeto a própria obra e não atividade nela despendida, permanecendo inalterada a remuneração, qualquer que seja o tempo gasto para a sua execução, b ) fiscalização da execução do contrato – no contrato de prestação de serviços a execução é dirigida e fiscalizada pelo contratante, ao qual fica diretamente subordinado o contratado (prestador), já no contrato de empreitada a direção e fiscalização da execução do contrato compete ao próprio contratado, o empreiteiro; Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.093 17 c) riscos – no contrato de prestação de serviços os riscos são assumidos pelo contratante, já no contrato de empreitada os riscos são assumidos pelo contratado (o empreiteiro), sem subordinação ao contratante. 21. O conceito de contrato de empreitada nos é fornecido por MARIA HELENA DINIZ quando afirma que : Contrato de empreitada é aquele pelo qual um dos contratantes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação, a realizar, pessoalmente, ou por meio de terceiro, certa obra, para outro (o dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração determinada ou proporcional ao trabalho executado. Autora citada, in CÓDIGO CIVIL ANOTADO, 14ª edição, 2009, Editora Saraiva. 22. Quanto ás espécies de contrato de empreitada, assim podemos classificálas ; 1 – empreitada de mão de obra ou de lavor : o empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho (artigo 610 da Lei nº 10.406/2002 – Código Civil) 2 empreitada mista : o empreiteiro de uma obra pode contribuir para uma obra com o seu trabalho e os materiais (artigo 610 da Lei nº 10.406/2002 – Código Civil) 3 – empreitada propriamente dita : o empreiteiro assume os encargos técnicos da obra e os riscos econômicos custeando a construção por prelo fixado de início. 4 – empreitada sob administração : o empreiteiro se encarrega da execução de um projeto, mediante remuneração fixa ou percentual sobre o custo da obra, sendo do proprietário o encargo econômico do empreendimento, ou seja, a obra é impulsionada á medida em que o proprietário oferece os recursos necessários. 5 – empreitada a preço fixo ou global : onde a obra é ajustada por preço invariável, fixado antecipadamente e insuscetível de alteração (artigo 6º, VIII, “a', da Lei nº 8.663/1993). 6 – empreitada por preço por medida ou por etapas : a fixação do preço é feita de acordo com as fases de execução da obra (artigo 6º, VIII, 'b”, da Lei nº 8.663/1993) 7 – empreitada integral : quando se contata um empreendimento em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até a sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com as características adequadas às finalidades para que foi contratada. (artigo 6º, VIII, “e”, da Lei nº 8.663/1993). Fl. 3101DF CARF MF 18 23. Quanto á empreitada integral, a doutrina a considera uma espécie da empreitada por preço global, utilizada em obras de maior complexidade, com integração entre determinados equipamentos, sendo especificamente indicada para a implantação de projetos complexos, que exigem conhecimentos e tecnologias que não estão disponíveis a uma única empresa. O proprietário geralmente contrata o projeto global com uma empresa “integradora” e recebe o projeto concluído, pronto para operação. 24. Nos últimos anos têm se torando frequentes, sobretudo nas áreas de infraestrutura, concessão de serviços públicos ou concessão de óleo e gás, os contratos denominados EPC – Engineering, Procurement and Construction, ou Engenharia, Suprimentos e Construção, compreendendo em um só instrumento o projeto, a construção, a montagem e a compra de equipamentos para uma determinada obra. Na procura de uma capitulação jurídica para esse tipo de contrato, muitos doutrinadores já o enxergam como uma espécie de empreitada, tratada nos artigos 610 e seguintes do Código Civil, seria a chamada empreitada global, onde o empreiteiro se responsabiliza pelos materiais, equipamentos e mão de obra necessários á execução da obra. Entretanto, tal espécie contratual abrange mais de que um simples ajuste de materiais e mão de obra, mas um conjunto completo de obrigações do contratado, desde o projeto até a supervisão da montagem, passando pelas obras civis, mecânicas, elétricas e incluindo a procura e compra dos equipamentos necessários. Por isso, alguns doutrinadores tal tipo contratual como “TURN KEY”, expressão do direito norte americano, significando que o contratado deve entregar a obra totalmente pronta para que o contratante possa, apenas e simplesmente, ligar a chave do empreendimento. 25. Não havendo no Brasil um comando legal específico, sem dúvida o ajuste teria como regras a ele aplicáveis aquelas da empreitada (artigos 610 e seguintes do Código Civil), da compra e venda (artigos 481 e seguintes do Código Civil) e, ainda, as da prestação de serviços (artigos 593 e seguintes do Código Civil), para abranger todas as obrigações pactuadas. 26. Recentemente foi publicada a Lei nº 12.462/2011 que, dentre outras providências, estabeleceu um regime diferenciado de contratações públicas aplicável ás licitações e contratos relacionados com os eventos esportivos que seriam realizados no país em 2013 (Copa das Confederações), 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Olimpíadas), bem como pra as obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os aeroportos das capitais dos Estados da Federação distantes até 350 Km das cidades sedes. Para a execução de tais obras e serviços de engenharia destinados aos eventos, o dispositivo legal previu a possibilidade de a Administração se valer de diversos regimes de execução indireta de tais obras, a modelo da Lei nº 8.663/1993. Nos termos do inciso I do artigo 2º da Lei nº 12.462/2011, a empreitada integral é a contratação de um empreendimento em sua integralidade. 27. Por ser um contato de empreitada global, a preço fixo, a doutrina e o mercado adotaram para tais contratos de empreitada integral a denominação de CONTRATOS DE EMPREITADA GLOBAL OU INTEGRAL NA MODALIDADE EPC (Engineering, Procurement and Construction – Engenharia, Suprimento e Construção) TURN KEY (a virar a chave) LUMP SUM (montante fixo). 28. Esta modalidade contratual de EPC TURN KEY LUMP SUM foi originalmente utilizada na nova estrutura adotada pelo Setor Elétrico Brasileiro, na década de 1980, por ocasião da criação do Programa Nuclear Brasileiro, na implantação da Usina de Angra I e na reestruturação do setor elétrico, por absoluta falta de domínio da engenharia brasileira da tecnologia e pela segurança deste tipo de contrato, uma vez que nessa modalidade contratual há uma maior mitigação dos riscos que podem surgir nas diversas interfaces do empreendimento, por ser de grande porte e alta complexidade, assim como pela maior aceitação, á época, dos Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.094 19 bancos de fomento, para apoio ao financiamento de tal investimento. No final da década de 1990 e início da década de 2000, por ocasião da implantação do Programa de Privatização do Setor Elétrico, visando a reestruturação e modernização do Sistema Elétrico Brasileiro e uma nova alternativa para a matriz energética brasileira, foram construídas as primeiras usinas hidrelétricas pela iniciativa privada, entre elas as usinas de Itá, Machadinho, Barra Grande e Dona Francisca, as quais utilizaram esta modalidade de contratação. 29. Por fim, é relevante notar que, em consonância com a Lei nº 8.987, de 13/02/1995, a lei Geral de Concessões ou Regime de Concessões de Serviços Públicos – RCSP, foi regulamentado o início da reestruturação do setor elétrico com a publicação da Lei nº 9.074, de 07/07/1995, dispositivo legal que permitiu a formação de consórcios entre empresas estatais e privadas. Dentro desse novel cenário, as empresas privadas vislumbraram uma oportunidade e, individualmente ou em grupos de empresas passaram a contratar todas as atividades relacionadas ao projeto e implantação de empreendimentos, concentrando seus esforços na produção e comercialização de energia elétrica, nas suas variáveis. 30. Ainda se faz útil para a compreensão das peculiaridades de tais contratos a observação de que muitas são as modalidades utilizadas para a contratação de empreendimentos de grande porte como a designbidbuild (DBB) ( onde é alocado ao proprietário o risco maior do empreendimento), a designbuild (DB) (onde sá contratados o projeto e sua construção), a engineeratrisk (EAR) ( onde o risco é quase que totalmente assumido pelo contratante, a designbuildoperate (DBO) ( onde o proprietário contrta o projeto, a construção e a operação), a buildowneroperatetransfer (BOOT) ( onde ao vencer uma licitação, a empresa projeta, constrói, opera e vende ao agente certo produto, por tarifa e preços definidos) e a engineerprocurementconstruction (EPC). O CASO EM EXAME 31. Com se verifica ás fls. 8/89 dos autos digitais, e já esclarecido no Relatório Fiscal e na decisão de piso, a recorrente formou um consórcio empreiteiro com a empresa ALSTOM (SWITZERLAND) LTDA., consórcio este que firmou contrato de empreitada global com a empresa THYSSENKRUPP CSA COMPANHIA SIDERURGICA para construção de usina termoelétrica nas proximidades de Sepetiba, distrito de Santa Cruz, no Estado do Rio de Janeiro, sendo que no consórcio contratado, sem personalidade jurídica, a ALSTOM (SWITZERLAND) LTD é responsável pela parte importada dos equipamentos e a recorrente, ALSTOM BRASIL ENERGIA E TRANSPORTE LTDA é responsável pela parte local dos equipamentos, materiais e suprimentos e serviços associados, sendo possível a subcontratação de empresas, que serão indicadas pela contratada e efetivarão o faturamento diretamente á contratante/proprietária, cujo valor será abatido do valor do contrato devida á contratada. 32. Destacamse os seguintes itens do contrato : item 1.1.17 (fls. 13 dos autos digitais) – subcontratadas designadas significam as subcontratadas da contratada, que estão sujeitas ao faturamento direto segundo o Artigo 11.4 e o ANEXO K1; item 1.1.18 (fls. 13 dos autos digitais) – faturamento direto significa o procedimento realizado por determinadas subcontratadas, relacionadas no Anexo K1, que devem emitir Fl. 3103DF CARF MF 20 suas faturas diretamente á proprietária pelo trabalho prestado segundo os subcontratos celebrados pela contrtada; item 2.1.1 (fls. 19 dos autos digitais) a contratada fornecerá todos os equipamentos, serviços e suprimentos necessários para o desenho, aquisição, construção, montagem e comissionamento da funcionalidade totalmente operável da usina; item 2.5. (fls. 24 dos autos digitais) – obras civis para a construção (inclusive engenharia) item 2.5.1 ( fls24 dos autos digitais) – a contratada fornecerá os serviços de engenharia básica e detalhadas para as obras civis de construção, bem como toda a documentação como definido na especificação técnica; item 2.5.3 (fls. 25 dos autos digitais) – a contratada realizará as obras de construção civil da usina em total conformidade com o contrato (….) as obras civis de construção incluirão o fornecimento de barricadas, guardas, acesso temporário, passeios, sinais de aviso, iluminação, vigilância, tráfego, embandeiramento, roupas de proteção, remoção de obstruções causadas pela contratada e proteção dos serviços; item 11.1.2 (fls. 42 dos autos digitais) (….) os trabalhos de construção civil (inclusive engenharia básica e detalhada) e outros trabalhos serão faturados pelas subcontratadas designadas conforme o Artigo 11.4 e o Anexo K1; item 11.4 ( fls. 48 dos autos digitais) – faturamento direto – as subcontratadas designadas faturarão diretamente á proprietária pelo trabalho realizado mediante os subcontratos celebrados pela contratada; item 11.4.3 (fls. 49 dos autos digitais) – a totalidade dos desembolsos da proprietária para o pagamento das faturas emitidas diretamente pelas subcontratadas designadas á proprietária, segundo as disposições deste artigo 11.4 (mas excluindo os impostos de saída mencionados no artigo 12.2, que serão de responsabilidade da proprietária) serão totalmente deduzidos do preço do contrato. 33. A recorrente, e não o consórcio, contratou duas empresas, com base na autorização contratual para subcontratação, da seguinte forma : CESBE ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS, cujo contrato se encontra ás fls. 90/155 dos autos digitais, de onde destacamos : “ considerando que a empresa (contratante) deseja que determinados trabalhos sejam realizados pela contratada, nomeadamente Principais Obras Civis e reparo e quaisquer defeitos que surjam (…) em contraprestação dos pagamentos a serem feitos pela empresa (contratante) á contratada(…) por meio deste instrumento, pactua com a empresa (contratante) a execução e a conclusão das obras e reparo de quaisquer defeitos daí decorrentes em conformidade com todas os aspectos das disposições do contrato. A EMPRESA (contratante) concorda em pagar á contratada através do faturamento direto á Thyssenkrupp CSA Companhia Siderurgica, Rio de Janeiro, em contraprestação da execução e a conclusão das obras e reparo de quaisquer defeitos daí decorrentes, o preço do contrato(...)item 1.1. Detalhes do Projeto (…) a empresa deseja celebrar um contrato com a contratada estipulando as condições em que esta realizará o trabalho. A contratada reconhece que a execução pronta e Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.095 21 adequada de suas obrigações decorrentes deste documento são essenciais para permitir que a empresa cumpra o contrato EPC. A contratada ainda reconhece que determinados aspectos do contrato estão ligados aos deveres e obrigações da empresa decorrentes do contrato EPC . BRAFER CONSTRUÇÕES METÁLICAS S/A, cujo contrato se encontra ás fls. 156/221 dos autos digitais, de onde destacamos : “ considerando que a empresa (contratante) deseja que determinados trabalhos sejam realizados pela contratada, nomeadamente trabalhos de armação metálica e revestimento e o reparo de quaisquer defeitos ali contidos (…) volume três – condições gerais para as principais obras civis(…) volume quatro – parte A – escopo do fornecimento e serviços para as principais obras civis, parte B – especificação geral para as principais obras civis, parte C – especificação técnica para as principais obras civis(…) em contraprestação dos pagamentos a serem feitos pela empresa (contratante) á contratada(…) por meio deste instrumento, pactua com a empresa (contratante) a execução e a conclusão das obras e reparo de quaisquer defeitos daí decorrentes em conformidade com todas os aspectos das disposições do contrato. A EMPRESA (contratante) concorda em pagar á contratada através do faturamento direto á Thyssenkrupp CSA Companhia Siderurgica, Rio de Janeiro, em contraprestação da execução e a conclusão das obras e reparo de quaisquer defeitos daí decorrentes, o preço do contrato(...)item 1.1. Detalhes do Projeto (…) a empresa deseja celebrar um contrato com a contratada estipulando as condições em que esta realizará o trabalho. A contratada reconhece que a execução pronta e adequada de suas obrigações decorrentes deste documento são essenciais para permitir que a empresa cumpra o contrato EPC. A contratada ainda reconhece que determinados aspectos do contrato estão ligados aos deveres e obrigações da empresa decorrentes do contrato EPC(…) as condições previstas abaixo são extrato do contrato principal entre a Thyssenkrupp CSA COMPNHIA SIDERUGICA, como o primeira parte (proprietária) e a ALSTOM Brasil Energia e Transporte, como segunda parte (contratada)(…) no contexto deste contrato, fica entendido que que a contratada significa a contratada para o contrato principal das obras civis e a proprietária significa a empresa para o contrato principal das obras civis. 34. O que se pode verificar é que a recorrente, para dar cumprimento ao contrato de empreitada, contratou estas empresas para executar as obras civis da obra contratada, ou seja, a execução do contrato de empreitada, nesses pontos contratados, passou a ser das subcontratadas, que, por sinal, deveriam faturar tais valores diretamente á proprietária Thyssenkrupp CSA , e tais valores seriam deduzidos do valor global do contrato feito com a recorrente. 35. Concluíse, desta forma, que as receitas de execução do contrato de empreitada, nestes pontos contratados, pertencem ás subcontratadas, e não á recorrente. Fl. 3105DF CARF MF 22 36. As Notas Fiscais listadas ás fls. 243/253 se referem a serviços de gerenciamento e supervisão de obra civil e não a serviços de execução por empreitada de obra de construção civil, e se referem á receitas da recorrente, referentes ao contrato celebrado com a Thyssenkrupp CSA. 37. Estamos realmente diante de um contrato de empreitada global na modalidade turn key lump sum, por suas características já delineadas, e a subcontratação não o desnatura, não modifica a sua natureza jurídica, entretanto, a própria recorrente, no item 25 de seu recurso afirma que “25. Nos termos do contrato, a Recorrente era integralmente responsável, perante á Thyssenkrupp CSA pela devida efetivação do projeto de construção das referidas edificações pelas empresa CESBE e BRAFER. Isso significa, portanto, que a Thyssenkrupp CSA acionaria a Recorrente por qualquer equívoco na execução do projeto de construção dessas edificações pelas referidas empresas subcontratadas. No texto do Contrato, não havia qualquer relação comercial entre Thyssenkrupp CSA e Cesbe e Brafer.”, portanto, a própria recorrente admite que qualquer falha cometida na execução da obra seria sua responsabilidade, por força do contrato firmado, mas que a execução era, na realidade, de responsabilidade das subcontratadas. 38. Portanto, as receitas decorrentes da execução da obra, nos pontos contratados, pertenciam ás subcontratadas, e a receita por supervisão e gerenciamento pertencia á recorrente. A TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS PELA COFINS E PELA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP 39. Está em questão, diante deste quadro fático, a classificação das receitas citadas dentro do disposto no inciso XX do artigo 10 e no inciso V do artigo 15, todos da Lei nº 10.833/2003, que assim dispõem : Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (…) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (…) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto : (…) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei 40. De acordo com este dispositivo legal, as receitas obtidas com a atividade de de execução, por empreitada, de obras de construção civil, permanecem sujeitas ao regime cumulativo de apuração de COFINS e PIS/PASEP. 41. A Secretaria da Receita Federal tem se manifestado, por atos normativos, como citado pela recorrente, como a Solução de Divergência COSIT nº 11/2014, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30/1999, e muitas outras Soluções de Consulta com base nos fundamentos externados pelo atos citados, para definir quais atividades seriam consideradas obras de construção civil ou não, para a sua insersão no dispositivo legal citado, a definição da forma de apuração de apuração das contribuições. Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.096 23 42. Entretanto, no caso em exame nestes autos, não se está a discutir quais atividades seriam ou não típicas de construção civil, e sim está se avaliando a quem pertence a receita de execução da atividade, portanto, tais atos normativos não se aplicam ao caso concreto aqui veiculado. 43. Portanto, o que se conclui é que as receitas decorrentes da execução, por empreitada, de obras de construção civil, permanecem tributadas pelo regime cumulativo da COFINS e do PIS/PASEP, outras receitas, que não se enquadrem neste conceito, devem ser tributadas pelo regime não cumulativo. 44. As receitas alvo da autuação fiscal, retratadas nas Notas Fiscais de fls. 243/253 dos autos digitais, por referiremse á receitas oriundas de prestação de serviços de gerenciamento e supervisão de obra civil, não se enquadram no conceito descrito, por não serem decorrentes de execução de obra civil, e sim de supervisão e gerenciamento, devendo, portanto, ser tributadas no regime não cumulativo das contribuições (PIS/PASEP e COFINS). 45. De todo o exposto, correta a autuação fiscal, e o Acórdão DRJ, os quais mantenho, negando provimento ao recurso voluntário neste quesito. PEDIDOS SUBSIDIÁRIOS – DESCONTO DE VALORES, APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS E PEDIDO DE PERÍCIA 46. A recorrente, de modo alternativo, em caso de manutenção da autuação, requer que sejam considerados recolhimentos feitos, no período da autuação, na sistemática cumulativa a serem abatidos do valor da autuação e, ainda, mantida a apuração pela sistemática da não cumulatividade, traz aos autos, em função da diligência realizada pela unidade de origem, Notas Fiscais e planilhas, demonstrando as aquisições de insumos para que seja autorizado o aproveitamento de créditos que tais aquisições demandariam. Por último, caso se considere necessário, “que seja convertido o julgamento em diligência para que sejam efetivamente apurados os créditos que deveriam ter sido lançados na apuração, de modo que esse valor possa ser deduzido do crédito tributário exigido na autuação fiscal”. 48. A análise de tais pedidos já foi feita com muita acuidade e precisão pela DRJ, na decisão de piso, da qual extraímos os seguintes trechos que elucidam a questão e respondem ao solicitado. 49. Quanto aos pagamentos/ extinções efetuados : Quanto aos alegados pagamentos/extinções já efetivadas na sistemática cumulativa, entendese que seria procedente o abatimento de valores pagos. A própria autoridade fiscal indicou que houve reclassificação das receitas declaradas como submetidas ao regime cumulativo para o regime não cumulativo(…) Entretanto, apenas se constatou, na auditoria fiscal, que as receitas eram informadas no Dacon como submetidas à sistemática cumulativa. Nada foi abatido, não se localizando pagamento. Se havia valores pagos a considerar, caberia à empresa, em conjunto com a apresentação de suas alegações, na impugnação, apresentar os documentos de arrecadação ou, de qualquer modo, comprovar a extinção de Fl. 3107DF CARF MF 24 valores que julga deveriam ter sido considerados. Deveras, a empresa informou os valores recebidos de Thyssenkrupp no Dacon. Porém, nada foi informado na DCTF. O primeiro é um demonstrativo de apuração, já a DCTF é a declaração obrigatória que possui o caráter de confissão de dívida, consoante DecretoLei 2.124/1984. Na DCTF, nada foi informado, com exceção de valor parcial para fevereiro de 2011, considerado mais adiante. Tampouco foram efetuados pagamentos, conforme alegado na impugnação, o que restou confirmado na diligência, para os cinco meses correspondentes à autuação. Sobre especificamente os pagamentos, a empresa se limitou a indicar que a contribuição compôs o Dacon e teria sido regularizada, além de argumentar que eventual divergência entre Dacon e DCTF não foi o objeto do auto de infração. Entretanto, não se está aqui tratando da infração, mas da existência de pagamentos ou outra forma de extinção do crédito tributário que justificasse a redução do valor de PIS e Cofins que deveria ter sido lançado. Importa indicar que no relatório fiscal decorrente da diligência, sobre o mês de março de 2011, chamouse a atenção para a existência de valores devidos apurados no próprio Dacon, mas sem correspondência na DCTF. Porém, nada foi acrescentado, e nem poderia, em cobrança ao presente processo (…) Os valores de Cofins e PIS decorrentes dos recebimentos de Thyssenkrupp já foram objeto de lançamento pela sistemática nãocumulativa, o que se entendeu correto, conforme abordado no item anterior. Agora se está discutindo apenas a existência e comprovação de extinções que deveriam ter sido abatidas dos débitos. Não é possível admitir a simples informação no Dacon de retenções na fonte de pessoas jurídicas de direito privado, para as quais não há nenhuma comprovação, nem mesmo foi detalhada a forma como a empresa teria “regularizado” no Dacon, também a princípio nada consta que Thyssenkrupp tenha retido na fonte e declarado à receita federal, ou comprovante apresentado pela impugnante ou ainda informações de como se obteve tal montante bastante elevado de retenções de pessoa jurídica de direito privado. 50. Portanto, não havendo comprovação de recolhimentos ou valores de outra origem, com retenções na fonte, que pudessem ser abatidos do valor da autuação, não assiste razão á recorrente, neste quesito, para o qual nego provimento. 51. Quanto aos créditos da não cumulatividade a serem aproveitados, bem escalreceu a decisão de piso : Já com relação aos créditos da nãocumulatividade, não há o que prover. A impugnante pleiteia, também alternativamente, o aproveitamento de créditos. Já havia sido intimada pelo auditorfiscal a apresentar comprovação dos créditos a que julga ter direito. Após, foi novamente intimada quando da realização da diligência. Em resposta, apresentou planilha com lista das aquisições de bens e serviços que teriam sido empregados como insumo para fins de cumprimento do contrato, tendo anexado também notas fiscais comprobatórias dos gastos. Se insurge contra a conclusão da fiscalização, que Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.097 25 entendeu insuficiente a comprovação, indicando que a mesma se ateve ao fato da fiscalizada não manter controle de custos por projeto. Indica que tal abordagem poderia levar a conclusão absurda de que nada poderia ser aproveitado de crédito em um projeto de mais de cem milhões. Na fl 2976 dos autos, foram juntadas diversas planilhas em arquivos não pagináveis, com apresentação de dispêndios variados, como por exemplo, privilegiando alguns de valores mais relevantes, descritos como prestação de serviços de montagem, serviços de armazenagem, construção e montagem elétrica e mecânica, adicional de greve, mão de obra terceirizada, instalação e montagem de serviços de climatização, entre outros. Também, nas páginas anteriores, constam do processo inúmeras notas fiscais. Um primeiro aspecto a abordar é que não são todas as despesas ou custos que podem ser apropriados como crédito, mas sim aqueles que possam ser caracterizados como insumos, consumidos no processo ou prestação, ou que estejam listados na lei de regência (…) Assim, de se observar que a mãode obra, em regra, assim como gastos com despesas de adicional de greve, não dão direito a crédito. Tampouco gastos gerenciais ou administrativos(…) O encaminhamento do processo em diligência possibilitou nova oportunidade à empresa para a comprovação do crédito junto à fiscalização da unidade de jurisdição. Deveria, a empresa, apresentar os documentos contábeis/fiscais e demais comprovações que ofereçam certeza e liquidez ao crédito, de modo que se permita a sua integração e abatimento. Como é possível verificar nos Dacons já anexados aos autos (como por exemplo nas fls. 2844 em diante) ou naquele que foi anexado por esta DRJ (fl. 3009), o contribuinte já fez ampla utilização de créditos. Além das receitas referentes ao projeto em exame nesse processo, a empresa possuía receitas na sistemática nãocumulativa, receitas tributadas à alíquota zero, receitas com suspensão e decorrentes de exportação. No caso da sistemática nãocumulativa, por regra, os créditos foram suficientes para abater a grande maioria do PIS e Cofins devido, sendo o restante deduzido no demonstrativo de apuração em função de retenções na fonte. Para confrontar com o Dacon, seria necessário a especificação por item, com indicação do que já foi deduzido ou aproveitado nos Dacons entregues. Para tanto, seria importante a segregação por projetos, permitindo a identificação dos valores ainda passíveis de aproveitamento de acordo com a legislação. No cumprimento da diligência, o auditorfiscal concluiu que “... a ALSTOM BRASIL não mantendo controle individualizado por centro de custos, não se consegue visualizar que os produtos e ou serviços tenham sido incorporados ao Projeto P.0171”. Ainda, que “Quanto ao crédito, que a ALSTOM BRASIL, alega possuir, conforme demonstrado, SMJ, o seu pleito tornase comprometido” (fl. 2986 e 2987). Em sua manifestação posterior, não foram trazidas novidades neste aspecto. Com efeito, não é possível extrair outra conclusão sobre a Fl. 3109DF CARF MF 26 certeza quanto a existência de créditos ainda passíveis de aproveitamento neste julgamento. É necessário que a empresa demonstrasse com informações passíveis de confrontação e verificação que o direito alegado encontrase adequado para a situação. Uma vez comprovada a existência de receitas não devidamente submetidas à tributação, é ônus da interessada provar o que alega, no caso os créditos da nãocumulatividade, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil. 52. Assim, como descrito, a falta de segregação das receitas por projeto, pela recorrente, impede a visualização dos dispêndios relativos ao objeto da autuação, o contrato celebrado pra construção da usina termoelétrica, além da mera juntada aos autos de documentos como planilhas de gastos e compras de denominados insumos, e ainda Notas Fiscais de com´pras de denominados insumos, não permitem a análise de tais dispêndios á luz da novel sistemática de classificação dos insumos como aqueles essenciais e relevantes para a percepção da receita da atividade, tal procedimento, de autorizar aproveitamento de créditos nesta decisão transformaria este julgamento em uma fiscalização efetiva, o que não cabe neste caso. 53, Por todo o exposto, não há como reconhecer o aproveitamento de créditos da não cumulatividade, diante dos elementos acostados aos presentes autos e, portanto, nego provimento ao recurso neste quesito. 54. Por fim, quanto á conversão do julgamento em diligência, não vejo necessidade, pois diligência já foi efetuada para verificação da existência de créditos da não cumulatividade e da existência de pagamentos efetuados na sistemática da cumulatividade, sendo o relatório da diligência muito detalhado e sem reparos, constante das fls. 2.983/2.987 dos autos digitais. 55. Assim, não vendo necessidade de novas diligências, indefiro o pedido de realização de conversão do julgamento em diligência, e nego provimento ao recurso neste quesito. Conclusão 56. Por todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a autuação e o Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE em suas totalidades. É o meu voto. assinado digitalmente Conselheiro Ari Vendramini Relator Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 10860.720485/201316 Acórdão n.º 3301006.041 S3C3T1 Fl. 3.098 27 Fl. 3111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900876/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.900876/2012-11
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6005452
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.735
nome_arquivo_s : Decisao_13888900876201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 13888900876201211_6005452.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7736499
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051908657119232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 279 1 278 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900876/201211 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.735 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de abril de 2019 Assunto IRPJ Lucro Presumido Recorrente CPA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo tratase de pedido de compensação transmitido pelo contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda., ora Recorrente, no qual pretende pagar débitos próprios com créditos de IRPJ, que foram objeto de anterior pedido de restituição formulado através do PER nº 07198.52146.130404.1.2.049632. Em despacho decisório proferido pela DRF de origem, a compensação pretendida não foi homologada, sob o fundamento de que " foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 00 87 6/ 20 12 -1 1 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 280 2 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Não concordando com a decisão proferida, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual demonstrou que o seu direito creditório decorreria do fato de ter considerado, na apuração da base de cálculo do lucro presumido, o equivocado percentual de 32% (trinta e dois por cento), "quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do benefício fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a consequente utilização de alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo". Para comprovar que o seu objeto social se enquadra no conceito de "serviços hospitalares", o Recorrente acostou aos autos farta documentação. Por outro lado, também demonstrou que, à época em que o pedido de restituição do indébito, promoveu a retificação de sua DIPJ, considerando aquele percentual de 8%, nos termos que determina a legislação. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem negar provimento ao apelo do contribuinte. Em seu longo arrazoado, em um primeiro momento, aquela DRJ invocou uma suposta decadência do direito creditório do Recorrente. Ademais, mesmo tendo levantado a referida preliminar de ofício, os julgadores a quo, com base, em especial, em normativos internos da Receita Federal, consideraram que os serviços prestados pelo Recorrente não estariam englobados no conceito de "serviços hospitalares" definidos pela legislação, o que imporia no indeferimento do pleito do contribuinte. Vejase, neste sentido, a ementa do acórdão proferido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender aos requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005 e sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 281 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Recorrente apresentou Recuso Voluntário, no qual, em síntese, rebate todos os argumentos apresentados no acórdão recorrido, junta documentos para combater alegações daquela DRJ e, ao final, pede o reconhecimento do seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação apresentada. Posteriormente, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 18/10/2013, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/11/2013, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA LEVANTADA PELA DRJ. Antes de se enfrentar o mérito da discussão, importante demonstrar que não subsiste a preliminar de decadência levantada de ofício no acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP). Em seu longo arrazoado, após discorrer sobre o processo de compensação e os dispositivos legais que regulam o instituto, em especial os que determinam o ônus da prova para comprovar o direito creditório, aquela DRJ alega que " se esvai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de recolhimento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". Aliado a este entendimento, a DRJ, mesmo citando o precedente do STF (RE 566.621/RS) que afasta o caráter interpretativo da Lei Complementar 118/05 e aplica o prazo Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 282 4 de 10 anos para os pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da nova imposição legislativa, afirma que o precedente da mais alta Corte de Justiça no Brasil não se aplica aos pedidos administrativos de restituição do indébito tributário. Com base nestas premissas, a DRJ alega que o pedido de restituição do contribuinte foi formulado fora do prazo de 05 anos e, por isso, o direito creditório estaria fulminado pela decadência. Neste sentido, vejase a conclusão contida no acórdão recorrido: Portanto, tendo alegado direito creditório surgido em 31/7/2000 (data da extinção do crédito tributário do IRPJ), excluindose tal dia da contagem do prazo (dia de início da contagem), o prazo para se pedir restituição se extinguiu cinco anos após a data, ou seja, cinco anos após o pagamento dito indevido. Conseqüentemente, tendo a contribuinte apresentado o Pedido de Restituição em 23/10/2009, inferese que o seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório para fins de restituição ou de compensação estava extinto pelo decurso do prazo decadencial. Contudo, com toda vênia, é patente o equívoco da DRJ. Explicase. Como se observa da documentação acostada aos autos, no pedido de compensação apresentando pelo contribuinte (PER/Dcomp de nº 29018.44299.231009.1.3.04 0150 transmitida em 23/10/2009), este indica como direito creditório aquele objeto do pedido de restituição consubstanciado na PER/DComp de nº 07198.52146.130404.1.2.049632, que foi transmitido no dia 14/04/2004. Ora, se o direito creditório surgiu em 31/07/2000 (data de pagamento do indébito), como a própria DRJ afirma e pelo o que se depreende da documentação em análise, e sendo o pedido de restituição formulado em 13/04/2004, não se tem dúvidas de que não se aplica, no presente caso, a decadência alegada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), uma vez que o pedido de restituição foi feito dentro do prazo de 05 anos. Não se rebaterá, neste voto, a afirmação do julgador a quo de que o entendimento do STF, consubstanciado no RE 566.621/RS, não se aplica aos pedidos administrativos de repetição do indébito feitos administrativamente pelos contribuintes, até mesmo porque o CARF já pacificou essa discussão, quando da edição da Súmula nº 91 que tem a seguinte redação: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Como o pedido de restituição formulado pelo Recorrente (transmissão da PER/Dcomp em 14/04/2004, reiterese) foi realizado dentro do prazo de 05 anos, contados do pagamento indevido ao a maior (31/07/2000), o afastamento da decadência levantada pela DRJ é medida que se impõe ao presente caso. DO DIREITO CREDITÓRIO DO RECORRENTE. DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA O JULGAMENTO. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 283 5 Ao proferir o acórdão recorrido, a DRJ de Ribeirão Preto, em caráter subsidiário, uma vez que entendia pela decadência do direito creditório, alegou que o Recorrente não faria jus à aplicação do percentual de 8% na apuração da base de cálculo do lucro presumido, como determina a Lei nº 9.249/95. Para fundamentar a negativa, aquela Turma Julgadora argumenta que os normativos internos da Receita Federal do Brasil, que interpretaram o alcance do disposto no artigo 15, § 1º, III, a), da Lei nº 9.249/95, são todos no sentido de que "não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos". Prosseguindo, após citar diversos normativos internos da RFB e alegando que a "discussão sobre incompatibilidade de atos normativos expedidos no âmbito da RFB com demais dispositivos legais e/ou regulamentares, é matéria que extrapola a esfera de competência do julgador administrativo de 1ª instância", o julgador a quo elenca os requisitos que, ao seu sentir, devem ser cumpridos pelos contribuintes, para que possa aplicar o percentual de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Vejase quais seriam esses requisitos: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto. Ocorre que, a par de toda a discussão acerca da legalidade dos normativos internos da Receita Federal e sua aplicação em detrimento do que determina a legislação, a discussão em comento ganhou novos contornos, quando chegou ao Poder Judiciário, culminado em julgamento proferido pelo STJ, afetado pela sistemática dos Recursos Repetitivos. O denominado Tribunal da Cidadania entendeu, em síntese, que os serviços hospitalares "se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 284 6 do estabelecimento hospitalar". Vejase a ementa que recebeu o julgado proferido nos autos do RE nº 1.116.399/BA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 285 7 desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) (destacouse) E as decisões preferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive desta Turma de Julgamento, vão ao encontro, como não poderia deixar de ser, tendo em vista o caráter vinculante do precedente, do que decidiu o STJ. Confirase a ementa de dois julgados, sendo que um deles, proferido pela CSRF, tem como parte o próprio Recorrente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. (Acórdão nº 9101003.329 CSRF Contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda. Julgamento em 17/01/2018). ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindose os fundamentos do não reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 LUCRO Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 286 8 PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES.Enquadrandose a Recorrente no conceito legal de "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%. (Acórdão nº 1302002.979 2ª Turma, da 3ª Câmara, da 1ª Seção Julgamento em 26/07/2018) No que tange ao Recorrente em específico, não restam dúvidas, pelo conjunto probatório acostados aos autos, que ele cumpre os requisitos elencados pelo STJ para que possa se valer do percentual de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ no lucro presumido. Como relatado alhures, a sociedade é constituída na forma de "sociedade limitada", tendo como sócios médicos, devidamente inscritos no CRM. O objeto social, por sua vez, é o de "Prestação de serviços radiológicos em geral", sendo para a prestação dos serviços depende de qualificação, pessoal e maquinário especializado e de alto custo. Consta dos autos a comprovação dos CNAE's da Matriz e da Filial do Recorrente, em que se pode observar que ele presta serviços "de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante – exceto tomografia" (CNAE Principal 86.40205) e “de tomografia” (CNAE Secundário nº 86.40204) e "radioterapia” (CNAE Secundário nº 86.40 211). Ainda, o Recorrente apresentou alvará de autorização de funcionamento emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP), em que se depreende sua atividade econômica como sendo de "Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares". Como se não bastasse, o Recorrente também apresentou cópia do livro razão, que comprova a prestação de serviços, nos termos do seu objeto social. Ressaltase, neste ponto, que o STJ, no precedente acima citado, classifica como "serviços hospitalares" aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto ao local de prestação, a Corte afirma que são prestados dentro dos hospitais, em regra, mas não necessariamente. Por fim, não se pode deixar de mencionar que o Recorrente retificou sua DIPJ (acostada aos autos) antes de ser proferido o despacho decisório combatido. E naquela retificação, o Recorrente apurou o IRPJ devido com base no percentual de 8%, como determina a legislação. Assim, é patente que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas e, por isso, deve apurar a base de cálculo do IRPJ no lucro presumido com base no percentual de 8%, nos termos autorizados pela Lei nº 9.249/95. Tendo em vista, contudo, a impossibilidade de confrontar a documentação acostada aos autos, em especial a DIPJ original e a retificadora, para se ter certeza de que os cálculos (redução do percentual de 32% para 8% para fins de mensuração da base de cálculo do lucro presumido) estão corretos, entendese pela conversão do julgamento em diligência. Há de se ressaltar que, ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, o contribuinte acabou por concorrer com para a primeira negativa da compensação pleiteada. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13888.900876/201211 Resolução nº 1302000.735 S1C3T2 Fl. 287 9 Contudo, essa ausência de retificação, aliada ao fato de o Recorrente ter retificado sua DIPJ e, principalmente, pelo o que restou decidido pelo STJ, não pode lhe retirar o direito de ver restituídos os tributos pagos a maior ou indevidamente. Assim, a conversão do julgamento seria apenas e tão somente para confirmar (i) se os cálculos elaborados pelo contribuinte, quando da retificação da sua DIPJ, estão corretos e (ii) para se ter certeza que o direito creditório pleiteado não foi utilizado e consumido em outros pedidos de compensação eventualmente elaborados pelo próprio contribuinte. Para que se tenha certeza sobre esses pontos, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada. 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. É como encaminho o julgamento. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
