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Numero do processo: 15987.000235/2009-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 35 /2 00 9- 69 Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.966, de 27 de maio de 2014, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 4 3 O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas requerendo que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.692, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 10845.720753/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.692): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 5 4 Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boafé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 6 5 “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 7 6 Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 9 8 Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 10 9 Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 9303006.699 CSRFT3 Fl. 11 10 Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001083/2002-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/05/1997
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-006.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1997 a 31/05/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380301.287, de 01/03/2011, proferido pela 3ª Turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 10 83 /2 00 2- 13 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.001083/200213 Acórdão n.º 9303006.524 CSRFT3 Fl. 279 2 Especial da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTOS INTERNOS DE AUDITORIA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL COMPROVADO. Os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Deve ser cancelado o auto de infração quando falso o fundamento fático sobre o qual foi lavrado. Recurso Voluntário Provido." Embora na ementa acima conste COFINS, de fato, tratase de PIS e competências de janeiro a maio de 1997, conforme prova o auto de infração às fls. 28e/35e. No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, que o fundamento utilizado para o lançamento foi "a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata"; o Contribuinte entendeu o fundamento da autuação, já que suas manifestações trazem maiores informações sobre a ação judicial intentada por ele e que, a seu ver, serviria como fundamento para a compensação dos débitos, objetos do lançamento em discussão; só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, se caracterizado o óbice ao exercício do seu direito; assim, deve ser mantido o lançamento para prevenir a decadência, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Por meio do despacho às fls. 210e/212e, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo preliminarmente o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, sob o argumento da ausência de requisitos básicos de admissibilidade; e, no mérito, que seja julgado improcedente, alegando, em síntese, que, a ausência de motivação ensejadora da nulidade e, consequentemente, do cancelamento do lançamento, não foi fundada apenas no prejuízo ao direito de defesa, mas principalmente faltoulhe motivo porque descreveu hipótese de incidência não prevista na legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.001083/200213 Acórdão n.º 9303006.524 CSRFT3 Fl. 280 3 A matéria oposta nesta instância especial restringese ao cancelamento do lançamento por falta e/ ou alteração da motivação e fundamentação legal. O auto de infração em discussão decorreu da auditoria interna da DCTF do primeiro e segundo trimestres de 1997, conforme consignado às fls. 28e, onde consta: "4 Demonstrativo de Crédito Tributário"; "4.1 Contribuição (ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR"; nas fls. 29e: "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL PIS/1997". No campo intitulado "Descrição", temse "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III", "DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTADO A PAGAR, em anexo". Na sequência, consta todo o enquadramento legal. Já no "Anexo I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS", consta na coluna "OCORRÊNCIA" o fundamento "Proc. jud. não comprovado" O colegiado da Câmara baixa entendeu que a substituição da fundamentação fática não era correta, devido a alteração da motivação e falta de competência legal para sua realização, dando provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Conforme demonstrado no acórdão recorrido e se verifica do auto de infração, sua fundamentação está incompleta e equivocada. O processo judicial indicado na DCTF, Ação Ordinária nº 94.06041642, de fato existe. Se o contribuinte não pode apresentar as razões corretas para sua defesa, em ambas as instâncias administrativas, não pode a autoridade julgadora superior suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência ou modificando os argumentos, fundamentos e motivação, implicando em inovação. A motivação do ato administrativo, no ordenamento pátrio é obrigatória como pressuposto de existência ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmada por meio da norma positiva, nos termos do art. 2º da Lei nº 4.717/1965, Mas, recentemente, a Lei nº 9.784/1999, corroborou a imprescindibilidade da motivação como sustentáculo do ato administrativo, literalmente: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...). § 1ª A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Também, a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do e seu resultado, invalidao por completo. Disto resulta a teoria dos motivos determinantes. Segundo Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10830.001083/200213 Acórdão n.º 9303006.524 CSRFT3 Fl. 281 4 realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Ed. Lumen Juris, 1999, pág. 81). Assim, demonstrado e comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e que a compensação foi amparada nele, mostrase incorreto o pressuposto fático que deu suporte ao auto de infração, em relação aos débitos lançados sob o fundamento de "Proc jud não comprovado". Neste mesmo sentido, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito abaixo: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (Ac n. 9303002.326, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20/06/2013). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do crédito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso negado.”(Ac nº 9303.002914, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Maria Teresa Martínez López, unânime, sessão de 10/04/2014)." À luz do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 13771.720279/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado
DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. . COMPROVAÇÃO.
Comprovada a relação de dependência do filho, deve ser restabelecida a dedução de dependente que havia sido glosada, no lançamento de ofício, por falta de comprovação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções, associadas a Renê Henrique Fassarela, de dependente, de despesas médicas, e de instrução.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções, associadas a Renê Henrique Fassarela, de dependente, de despesas médicas, e de instrução. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
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DEPENDENTES. Recorrente REYNALDO LUIZ FASSARELLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. . COMPROVAÇÃO. Comprovada a relação de dependência do filho, deve ser restabelecida a dedução de dependente que havia sido glosada, no lançamento de ofício, por falta de comprovação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções, associadas a Renê Henrique Fassarela, de dependente, de despesas médicas, e de instrução. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 02 79 /2 01 3- 95 Fl. 124DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP): Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 05, em 25/02/2013, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do exercício 2012, anocalendário 2011, na qual se exige imposto suplementar sujeito à multa de ofício, no valor de R$ 10.900,07, além dos acréscimos legais previstos na legislação. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual, tendo sido apuradas as seguintes infrações à legislação tributária (fl. 7/12): . Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi – Glosa do valor de R$1.908,17, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes, ou ainda em virtude de adequação do valor da dedução declarada ao limite percentual de 12% dos rendimentos considerados, após alterações, na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. FUNCEF – o contribuinte não apresentou comprovante de contribuição à Previdência Privada conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. Dedução glosada por falta de comprovação. . Dedução Indevida de Dependentes – Glosa do valor de R$ 3.779,28 correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. MARIA NILCEIA ZECHINI FASSARELLA; data de nasc.: 19/03/1953;cód. 011; motivo: Não apresentou a certidão de casamento; RENE HENRIQUE FASSARELLA; data de nasc.: 20/05/1983; cód. 022; motivo: Não apresentou certidão de nascimento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13771.720279/201395 Acórdão n.º 2202004.485 S2C2T2 Fl. 113 3 . Dedução Indevida de Despesas Médicas – Glosa do valor de R$ 30.991,49, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para a sua dedução, conforme a seguir discriminado Cientificado do lançamento na data de 08/03/2013 (fl. 45), o contribuinte impugnou a exigência em 27/03/2013, por intermédio do instrumento de fl. 2/3. A impugnação se baseou, em síntese, nos seguintes argumentos: a) para a previdência privada no valor de R$ 1.908,17, segue anexa à impugnação copia do ‘comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte’ fornecido pela Caixa Econômica Federal, no qual consta o valor relativo à Contribuição à Previdência Privada; b) para os dependentes glosado, seguem em anexo a certidão de casamento de Reynaldo Luiz Fassarella e Maria Nilcéia Zechini Fassarella e a certidão de nascimento de Renê Henrique Fassarella, as quais comprovam a relação de dependência; c) para a despesa com instrução glosada, no valor de R$ 2.957,69, seguem cópias dos comprovantes de pagamento das mensalidades de janeiro a abril de 2011, no valor total de R$ 5.233,43, em nome do filho René Henrique Fassarella; d) para as despesas médicas, os recibos relativos às despesas médicas já encaminhados referemse a pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e/ou de seus dependentes, e não cobertos pelo plano de saúde; e) em alguns recibos apresentados, faltou o endereço do profissional; assim, para suprir tal falha, seguem em anexo declarações dos respectivos profissionais informando o beneficiário do serviço, bem como o endereço do profissional. Em 13/11/2013, o contribuinte apresentou complementação à impugnação anterior (fl. 58), sob o argumento de que a Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 2013, implicaria em fato novo. Nesse novo documento, alegou que: a) a IN RFB nº 1.343/2013 instruiu os contribuintes que contribuíram para previdência complementar no período de 1989 a 1995 e aposentaram entre 2008 e 2012 a retificar a DIRPF do ano da aposentadoria, a fim de não sofrer a bi tributação sobre as contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário; b) por se enquadrar na situação prevista na legislação acima, conforme documentos em anexo, o interessado teria direito a reconhecer como rendimento isento e não tributável, na DIRPF/2012, o valor de R$ 150.482,48, conforme planilha em anexo, fornecida pela Fundação dos Economiários Federais – FUNCEF; Fl. 126DF CARF MF 4 c) entretanto, como a DIRPF/2012 encontrase em análise pela Receita Federal do Brasil, não é possível realizar a transmissão de declaração retificadora; d) assim, o interessado solicita a revisão de ofício da sua declaração, em virtude do fato novo (mudança da legislação com efeito retroativo), conforme simulação em anexo, com restituição de R$ 30.977,45, após serem aceitas as despesas informadas na declaração e que foram objeto da impugnação inicial, comprovadas pelos documentos acostados no processo. O interessado solicitou prioridade no julgamento da impugnação (fl. 76), com base no art. 69A, inciso I, da Lei nº 9.784, de 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), deu parcial provimento à Impugnação (fls. 80), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais e administrativas em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. CÔNJUGE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a relação de dependência do cônjuge, deve ser restabelecida a dedução de dependente que havia sido glosada, no lançamento de ofício, por falta de comprovação. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. FILHO MAIOR ATÉ VINTE A QUATRO ANOS. CONDIÇÃO. Podem ser considerados dependentes os filho e enteados até vinte e um anos; os de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; e quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13771.720279/201395 Acórdão n.º 2202004.485 S2C2T2 Fl. 114 5 RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO. CONDIÇÃO. A retificação de ofício da declaração de ajuste anual para excluir rendimentos declarados indevidamente como tributáveis, a pedido do sujeito passivo, condicionase à comprovação das matérias de direito e de fato alegadas, sem a qual não se pode operar. Cientificado (AR fls. 94), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 96), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Declaração da Associação Educacional Vitória FAESA de que o dependente Renê Henrique Fassarela foi aluno do curso de odontologia e que as mensalidades nos anos 2010, 2011 e 2012 foi integralmente pagas. (fls. 97/99); b) Histórico escolar de Renê Henrique Fassarela emitido pela Faculdades Integradas São Pedro FAESA (fls. 100/101) c) Declaração da Gerência de Pagamento de Benefícios da Fundação dos Economiários Federais FUNCEF de creditou ao Recorrente o montante de R$ 222.273,61; (fls. 102) Em 15/02/2018 foi protocolado requerimento de desistência parcial do recurso, no qual foram formulados os seguintes pedidos: a) A desistência do Recurso Voluntário exclusivamente em relação ao pedido de revisão de ofício da declaração, no qual foi requerido o reconhecimento do tratamento jurídico trazido pela IN RFB 1.343/2013; B) A manutenção do Recurso Voluntário no que tange ao reconhecimento da relação de dependência de Rennê Henrique Fassarella e todas as despesas a ela vinculadas o que, via de conseqüência, reforma o Acórdão no tocante as despesas não acolhidas na decisão e torna a notificação de lançamento insubsistente. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida manteve as seguintes glosas: Fl. 128DF CARF MF 6 a) Dedução indevida como dependente, com instrução e despesas médicas de Renê Henrique Fassarela, por considerar não comprovada a relação de dependência; b) Impossibilidade da retificação pretendida pelo contribuinte à vista das informações conflitantes emitidas pela fonte pagadora. Analisaremos cada uma delas juntamente com as provas trazidas aos autos em fase recursal. 1) DA POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO DA PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13771.720279/201395 Acórdão n.º 2202004.485 S2C2T2 Fl. 115 7 interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Em face do exposto, conheço dos documentos juntados às fls. 97/102 2) DAS DESPESAS MÉDICAS COM DEPENDENTE, INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS DE RENÊ HENRIQUE FASSARELA Foram glosadas as despesas médicas do recorrente efetuadas em benefício próprio, da sua esposa e de seus filhos. Todavia, conforme se verifica pelo trecho da decisão recorrida abaixo transcrito, somente a glosa das despesas médicas com seu filho foram mantidas: Do confronto dos documentos e esclarecimentos apresentados na impugnação com a legislação supra, concluo o que se registra nos parágrafos seguintes. Titular Os pagamentos abaixo discriminados foram informados na declaração de ajuste anual para o titular, tendo sido glosados no lançamento sob o fundamento de que os recibos apresentados para comproválos não identificariam o nome do paciente e o endereço do beneficiário: a) R$ 3.800,00 pagos ao médico ANDERSON DE LIMA ALVES (fl. 20/21); b) R$ 1.485,00 pagos à fisioterapeuta LIA M. LORENCUTTE (fl. 22/27); c) R$ 4.000,00 pagos à dentista RENATA AP. FASSARELLA (fl. 33/35). Entretanto, a impugnação veio instruída com declaração dos signatários confirmando os respectivos valores indicados nos recibos, o titular como paciente e o endereço dos prestadores. Assim, comprovados os pagamentos e preenchidos os demais requisitos previstos na legislação, deverão ser restabelecidas as deduções vinculadas ao titular, no montante de R$ 9.285,00. Maria Nilceia Zechini Fassarella Os seguintes pagamentos informados na declaração de ajuste anual para a dependente MARIA NILCEIA ZECHINI FASSARELLA foram glosados no lançamento, sob o fundamento de os recibos apresentados para comproválos não identificarem o nome do Fl. 130DF CARF MF 8 paciente nem o endereço do prestador e/ou de o contribuinte não ter comprovado a condição de dependente de Maria Nilceia: a) R$ 660,00 pagos à fisioterapeuta LIA M. LORENCUTTE (fl. 28/30); b) R$ 250,00 pagos à clínica BRAIN HEALTH CONSULTORIO E TREINAMENTO LTDA (fl. 31); c) R$ 823,53 pagos à clínica CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (fl. 32); d) R$ 12.000,00 pagos à dentista RENATA AP. FASSARELLA (fl. 36/39). A elegibilidade de MARIA NILCEIA ZECHINI FASSARELLA à condição dedependente na declaração de ajuste anual foi comprovada na impugnação e reconhecida em tópico anterior do presente voto. Quanto à falta de discriminação do paciente e do endereço das prestadoras nos recibos emitidos por LIA M. LORENCUTTE e por RENATA AP. FASSARELLA, a impugnação, neste caso, também veio instruída com declarações firmadas pelas profissionais confirmando os valores indicados nos recibos, Maria Nilceia como beneficiária dos serviços e o endereço das signatárias. Assim, comprovados os pagamentos e preenchidos os demais requisitos previstos na legislação, deverão ser restabelecidas as deduções vinculadas à MARIA NILCEIA ZECHINI FASSARELLA, no montante de R$ 13.733,53. Renê Henrique Fassarella A glosa dos seguintes pagamentos, no montante de R$ 7.972,96, é procedente e deve ser mantida, pois eles se referem à despesa médica e com plano de saúde relativa à pessoa não dependente (o filho RENÊ HENRIQUE FASSARELLA), sendo por isso indedutíveis, por falta de previsão legal para a sua dedução: a) R$ 7.000,00 pagos à RENATA APARECIDA FASSARELLA (fl. 40/43); b) R$ 972,96 pagos a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (fl. 32). Tudo considerado, do total de R$ 30.991,49 glosados a título de despesas médicas no lançamento de ofício, deverão ser restabelecidos R$ 23.018,53, mantendose a glosa dos restantes R$ 7.972,96. A decisão recorrida manteve a glosa das despesas com o filho do Recorrente Renê Henrique Fassarela, por entender que não restou comprovada a relação de dependência pelas seguintes razões: A dedução de dependentes está regulamentada pelo art. 77 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que dispõe: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13771.720279/201395 Acórdão n.º 2202004.485 S2C2T2 Fl. 116 9 Dependentes Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). (...) No tocante a RENÊ HENRIQUE FASSARELLA, nascido em 20/05/1988, a elegibilidade à condição de dependente e, por conseguinte, a própria dedução condicionarseiam à comprovação do preenchimento simultâneo de duas condições, nos termos do art. 77, parágrafo 2º, do RIR/1999, acima transcrito, a saber: i) que é filho ou enteado do declarante; e ii) que cursou estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau no anocalendário 2011. A filiação está demonstrada pela certidão de nascimento de fl. 17. Para comprovar a condição de estudante, a instrução veio instruída com cópia de quatro boletos bancários emitidos em nome de RENÊ HENRIQUE (fl. 18/19), nos quais figura como cedente a Associação Educacional de Vitória. Entendo, entretanto, que tais documentos não são hábeis a comprovar que RENÊ HENRIQUE se enquadraria nas condições previstas no art. 77, parágrafo 2º, do RIR/1999. Primeiro, pois os boletos se referem apenas aos meses 2011/01 a 2011/04 (item referência). Depois, porque nenhum deles tem autenticação mecânica de instituição bancária ou sequer um carimbo da instituição de ensino atestando o seu pagamento, senão, unicamente, as letras “PG” De acordo com a certidão de nascimento, verificase que o filho Renê Henrique Fassarela nasceu em 1988, sendo assim, possuía 22 anos em 2011. Dessa forma, para comprovar a condição de dependente que legitimaria as mencionada deduções, era Fl. 132DF CARF MF 10 imprescindível que o contribuinte comprovasse a condição de estudante, bem como o pagamento das de todas as despesas com educação efetuada ao longo do ano. Todavia, tal deficiência foi sanada com a juntada, em fase recursal, da Declaração das Faculdades Integradas São Pedro FAESA de que o dependente Renê Henrique Fassarela foi aluno do curso de odontologia e que as mensalidades nos anos 2010, 2011 e 2012 foram integralmente pagas. (fls. 97/99), bem como pelo seu Histórico escolar (fls. 100/101). Como a manutenção das glosas com educação e despesas médicas tiveram como fundamento a ausência da comprovação da condição de dependente, uma vez comprovada tal condição, devem ser admitidas as deduções pleiteadas. B) IMPOSSIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO PRETENDIDA PELO CONTRIBUINTE À VISTA DAS INFORMAÇÕES CONFLITANTES EMITIDAS PELA FONTE PAGADORA Conforme visto no relatório, o contribuinte apresentou desistência parcial quanto a esse tópico, motivo pelo qual, não será analisado. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções, associadas a Renê Henrique Fassarela, de dependente, de despesas médicas, e de instrução. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721357/2012-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR DE IMPOSTO DE RENDA.
Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizam-se como remuneração, cabível, desta forma a incidência de contribuições sociais previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-006.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR DE IMPOSTO DE RENDA. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizam-se como remuneração, cabível, desta forma a incidência de contribuições sociais previdenciárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR DE IMPOSTO DE RENDA. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizamse como remuneração, cabível, desta forma a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 57 /2 01 2- 24 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 551 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.889, prolatado pela 1a. Turma Oridinária da 4a. Cãmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 11 de fevereiro de 2015 (efls. 427 a 452). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de Stock Options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por maioria de votos, dar provimento ao recurso, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório. Fará declaração de voto de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 30/04/2015 (efl. 453), sua Procuradoria apresentou, em 09/06/2015 (efl. 486), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 454 a 485). Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido: a) pela 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em, no âmbito do Acórdão no. 2201002.685, de 11 de fevereiro de 2015 e b) pela 2a Turma Ordinária da 3a. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 552 3 Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 03/12/2014, no âmbito do Acórdão no. 2302003.536, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2201002.685 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR DE IMPOSTO DE RENDA. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizamse como fato gerador de imposto de renda. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002, com a redação dada pelo artigo 16 da Lei nº 11.488/2007. MULTA PELA FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa, que constitui espécie do gênero crédito tributário. Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA e GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, que deram provimento integral ao recurso, inclusive relativamente à multa por falta de retenção na fonte e aos juros de mora sobre ela incidentes. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138.192 e pela Fazenda Nacional a Dra. Lívia da Silva Queiroz. As Conselheiras NATHALIA MESQUITA CEIA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO farão declaração de voto. Acórdão 2302003.536 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 30/06/2008 STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 553 4 ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c’, do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91.Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 554 5 Precedentes do STJ: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681MG, DJe 02/06/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC.Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito do lançamento, porque as vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, que votaram pelo provimento do recurso. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou pelas conclusões. A conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará Declaração de Voto. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.308.8612, CFL 68, devendo a multa aplicada ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que as multas aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.308.8620 e 37.308.8639 sejam recalculadas, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Com os novos tempos de globalização e concorrência cada vez mais acirrada, as empresas têm continuamente buscado mecanismos para atração e manutenção de bons profissionais em seu quadro, pois, deles depende o sucesso da atividade empresarial. Nesse diapasão, inúmeras são as empresas nacionais e multinacionais que oferecem uma variada gama de benefícios aos seus empregados e prestadores como forma de se tornarem mais competitivas. Os planos de opção de compra de ações ou Stock Options são uma dessas ferramentas encontradas pelas empresas. Historicamente, tratase de instituto que surgiu nos Estados Unidos na década de 50, expandindose em outras partes do mundo no auge dos anos 90. Por meio desses planos de compra de ações, as companhias conferem a seus empregados e executivos de alto nível o direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu empregado ou executivo beneficiário o direito Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 555 6 de, num determinado prazo, subscrever ações da companhia, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral. As opções de compra de ação pelos trabalhadores de uma companhia passaram, então, a compor o sistema de remuneração variável das empresas, ao lado dos sistemas tradicionais. Nos EUA, berço das Employee Stock Option, elas são corriqueiramente enumeradas como um dos componentes dos chamados Compensation Packages, que nada mais são que o conjunto dos benefícios e vantagens oferecidos aos empregados das companhias como parte da retribuição pela execução de tarefas relacionadas ao trabalho, ao lado do oferecimento de planos de saúde, de férias remuneradas, de planos de aposentadoria, de bônus e comissões; b) Em nosso ordenamento jurídico, entendese que a figura da opção de compra de ações está positivada no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404, de 1976. Observese que o referido dispositivo legal não adota a terminologia específica de Stock Options, dando apenas algumas diretrizes sobre a sua instituição no âmbito da empresa; c) Um aspecto que merece especial atenção quando se está tratando das Stock Options para empregados e administradores diz respeito ao dimensionamento do elemento risco, supostamente envolvido nas outorgas de opção de compras. Nessa seara, é de suma importância a percepção de que, no universo das pessoas comumente agraciadas com Stock Options, não estamos tratando de empregados padrão, aqueles tipicamente protegidos pela CLT, em virtude de sua hipossuficiência, subordinação e ausência de poderes de decisão quanto aos rumos da empresa, mas de diretores e executivos de alto nível, envolvidos nas decisões cotidianas que podem determinar o sucesso ou a ruína das companhias para as quais prestam seus serviços. O grau de comprometimento de tais executivos com o sucesso do empreendimento é infinitas vezes maior que o dos demais empregados e colaboradores, assim como são infinitamente maiores suas recompensas em razão dos ganhos da empresa. É da maior significância para as grandes empresas que tais executivos tenham seus interesses alinhados aos interesses da companhia e de seus acionistas para que esse binômio (comprometimento X recompensas) mantenhase sempre em perfeito funcionamento; d) Os beneficiários que adquirem ações no bojo de um plano de Stock Options não são, assim, meros investidores com os quais a companhia faz negócios em condições favorecidas, mas administradores e executivos de fundamental importância para o sucesso dos negócios, cujo grau de comprometimento com o futuro da empresa deve ser sempre alimentado, sendo as Stock Options um dos mais eficientes instrumentos nesse mister. Esse é o contexto em que o risco envolvido nas políticas de remuneração baseada em ações deve ser entendido, e não o do mero risco mercantil, de quem adquire ações em mercado de balcão ou em bolsa de valores. Imaginar uma política remuneratória baseada em ações desvinculada dos riscos da flutuação dos valores das ações, data venia, simplesmente não é possível. O risco de flutuação do valor das ações, na verdade, é desejado e conhecido por todos os agentes envolvidos em uma política remuneratória dessa natureza, pois ele atua como fator de alinhamento entre os interesses da empresa, dos acionistas e dos beneficiários contemplados com as opções de compra de ações. E esse risco, não se perca de vista, é um risco muito bem dimensionado pela empresa e pelos beneficiários dos planos de Stock Options, não podendo, até por ser imanente à política remuneratória baseada em ações, ser um elemento de descaracterização de sua natureza de remuneração. Como já demonstrado pela fiscalização as Stock Options são um dos componentes da remuneração variável dos administradores e executivos beneficiários, sendo a possibilidade de não percepção ou de percepção em patamares menores que os esperados algo intrínseco a esse tipo de remuneração; Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 556 7 e) No ano de 2002, a autuada aprovou em Assembléia Geral seu Plano para Outorga de Opções de Ações, com o objetivo “de integrar executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazo, facultando participarem das valorizações que seu trabalho e dedicação trouxerem para as ações representativas do capital da instituição”. O Plano é administrado pelo Comitê de Nomeação e Remuneração, a quem compete designar periodicamente os diretores aos quais serão outorgadas as opções, nas quantidades que especificar. O Plano não era, assim, estendido a todos os trabalhadores indistintamente, mas apenas àqueles considerados elegíveis pela empresa. Dessa feita, apenas diretores determinados nominalmente pela companhia poderiam auferir a vantagem. A concessão das opções de ação possui, assim, um caráter discricionário e retributivo, vinculado ao desempenho do profissional da empresa. Há, portanto, retribuição pela prestação de serviço. f) A propósito do citado Comitê de Nomeação e Remuneração, merece destaque a previsão contida no Estatuto Social da instituição financeira recorrente de que àquele comitê competia "definir a política de remuneração dos Diretores, compreendendo o rateio da verba global e anual fixada pela Assembléia Geral, o pagamento da participação nos lucros (item 4.2), a outorga de opções de compra de ações (item 3.2) e a concessão de benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta as responsabilidades, o tempo dedicado às funções, a competência e a reputação profissional e o valor dos serviços no Mercado. (...)" defluindose daí que a visão institucional do próprio recorrido a respeito da natureza dos planos que oferta a seus executivos é a de que as opções de compra são um componente da remuneração dos diretores. Ainda nos termos do Plano, as opções outorgadas aos diretores beneficiários são pessoais e intransferíveis. Não há, dessa feita, possibilidade de que os executivos negociem as opções recebidas, como acontece com as Stock Options tipicamente mercantis, que são cotidianamente negociadas no chamado mercado de opções, daí sendo de se rejeitar seu caráter mercantil, ressaltandose, ainda que não eram objeto de compra e venda entre a companhia e os executivos beneficiários, sendolhes graciosamente outorgadas, o que também atua para se afaste seu caráter mercantil; g) Cita, ainda, a cláusula 5.2 do Plano de Compra de Ações, afirmando que a mera leitura da referida cláusula nos permite afirmar que as Stock Options estão diretamente vinculadas ao trabalho prestado pelo diretor para a empresa, sendo determinante na fixação da quantidade de opções a serem distribuídas a performance do executivo no ano de emissão da opção. variações do mercado de ações. Por meio de sua interpretação, podese seguramente afastar qualquer pretensão de se atribuir ao plano de opção de compras a natureza de um contrato mercantil. Seus ditames, ao contrário, refletem o compromisso da empresa de implementar a parcela da remuneração variável acordada sob o manto do contrato de opção de compra de ações. Finalmente, merece registro o fato de que, nos termos da cláusula 10.1. do Plano, metade das ações adquiridas pelos diretores mediante exercício das respectivas opções poderá ser livremente alienada pelo beneficiário. Todos esses elementos, se levados em consideração em seu conjunto, apontam claramente para a existência de uma política de remuneração diferida dos executivos beneficiários; h) Ainda, de acordo com a cláusula 7.2 do Plano, se qualquer titular da opção se desligar ou for desligado da companhia, as opções terão sua vigência extinta. Assim, a circunstância de o indivíduo estar prestando serviços à empresa e somente enquanto assim o estiver, é condição sine qua non para que ele possa se beneficiar da opção. Consoante a cláusula 9.2 do citado Plano, está estabelecido que quando se “verificar que o patamar das cotações das ações se desviou para níveis conflitantes com as finalidades deste Plano, o Comitê deliberará os mencionados ajustes quantitativos e os executará após obterem homologação pelo Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 557 8 Conselho de Administração”. Tal disposição, reflete verdadeira autorização para que a empresa intervenha nos parâmetros das opções já outorgadas, alterando inclusive os valores de exercícios, sempre que as condições de mercado, por exemplo, empurrem para baixo o valor das ações, retirando dos beneficiários o interesse em exercer as opções. Nos termos da cláusula em comento, é dado à empresa, com o fito de manter a finalidade do plano, rever para menos o valor de exercício das opções, de forma a garantir que os ganhos dos diretores beneficiários se implementem. A cláusula em comento é sintomática da existência de uma política de remuneração e de atuação voltada à eliminação de potenciais riscos quanto às variações do mercado de ações. Por meio de sua interpretação, podese seguramente afastar qualquer pretensão de se atribuir ao plano de opção de compras a natureza de um contrato mercantil. Seus ditames, ao contrário, refletem o compromisso da empresa de implementar a parcela da remuneração variável acordada sob o manto do contrato de opção de compra de ações; i) Finalmente, merece registro o fato de que, nos termos da cláusula 10.1 do Plano, metade das ações adquiridas pelos diretores mediante exercício das respectivas opções poderá ser livremente alienada pelo beneficiário. Todos esses elementos, se levados em consideração em seu conjunto, apontam claramente para a existência de uma política de remuneração diferida dos executivos beneficiários; j) E nesse ponto, não se perca de vista que, consoante a norma do art. 22, III, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, no caso de contribuintes individuais, todos os valores pagos no mês, não importa a que título, são remuneração. Em comparação com a norma do inciso I, que cuida do segurado empregado e que está sob os auspícios da minuciosa regulamentação da CLT, essa norma do inciso III, que é destinada a avenças de cunho civil, tem dicção propositadamente ampla, dada a maior liberdade de contratação que existe nesses casos e que poderia gerar manobras de toda sorte com o intuito de disfarçar a retribuição à prestação de serviços. Com efeito, tratandose de contribuintes individuais, o conceito de remuneração tem contornos ampliados, alcançando quaisquer importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. Configura remuneração qualquer vantagem econômica acrescida ao patrimônio do trabalhador decorrente da relação laboral. No caso, dissecando a hipótese de incidência da contribuição previdenciária do inciso III, temos que todos os seus elementos estão presentes, na medida em que: a) temos contribuintes individuais (diretores não empregados) b) recebendo pagamento por parte da empresa via alienação de ações a preços subsidiados, c) em decorrência do trabalho prestado, pois é condição de fruição da Stock Option que o beneficiário esteja prestando trabalho. A razão dessa promessa de alienação de ações, data venia, é a contraprestação do trabalho do beneficiado. As Stock Options para empregados não são outorgadas aos beneficiários em contrapartida do recebimento de um prêmio, como no caso das Stock Options mercantis, mas em contrapartida ao trabalho que tais beneficiários prestam e prestarão para a companhia. Todos os elementos acima mencionados, além de outros citados no relatório fiscal, conduzem à insofismável conclusão de que, de fato, as vantagens patrimoniais conferidas aos executivos da companhia por meio das Stock Options possuem natureza de remuneração. Tratase de retribuição econômica em decorrência do trabalho prestado, que, por consequência, deve sofrer os efeitos fiscais previstos na legislação tributária; k) A questão do “risco”, insistentemente levantada pelo acórdão recorrido, que defende que a opção de compra é um investimento, porquanto quando o beneficiário for vender as ações elas podem terse desvalorizado configura um claro desvio de perspectiva na análise da matéria, pois a remuneração dos beneficiários não advém da revenda das ações no mercado. A remuneração se dá no momento da aquisição das ações com deságio. É nesse Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 558 9 momento que se dá a incidência da norma previdenciária, sendo irrelevantes fatos posteriores a esse evento, ao menos para fins previdenciários. Não há que se cogitar a lógica levantada no acórdão recorrido, porquanto só haveria remuneração se e quando o empregado gastasse o salário recebido ou quando ele liquidasse o salário in natura, do que obviamente não se pode cogitar. Ou alguém imagina que, se uma empresa vender uma casa a seu diretor por um preço subsidiado, a remuneração somente se dará quando esse diretor vender a casa? Se a casa adquirida em condições favorecidas for destruída em virtude de um terremoto, será possível dizer que a remuneração não ocorreu? Por óbvio, a resposta a tais questionamento é negativa, na medida em que o fato gerador da obrigação tributária previdenciária simplesmente não se desfaz em virtude do destino dado à remuneração pelo empregado ou pelo contribuinte individual; l) Quando se fala em opção de compra de ações, há que se fazer uma separação entre as relações jurídicas existentes. A relação jurídica que se dá entre o empregador e o trabalhador vai apenas até o momento em que esse exerce o direito recebido de comprar ações. Nessa relação, não há que se falar em risco. A segunda relação, que se verifica entre o trabalhador e o mercado, não contamina a relação empresatrabalhador e os riscos dela advindos, notadamente o de desvalorização das ações, não interferem na realização do fato gerador) Eventual ganho por parte do beneficiário na revenda dessas ações no mercado dará origem a outro evento jurídicotributário, que será a existência de um ganho de capital pela pessoa física também passível de tributação, mas que em nada interfere no fato prévio de que a companhia remunerou seus diretores por meio das Stock Options; m) Por outro lado, devese destacar que, nem sob a perspectiva defendida pelo acórdão recorrido, há risco verdadeiro. Ora, como o beneficiário não paga pela opção, nem é obrigado a exercêla, o seu único risco ao celebrar o contrato é o de não ganhar nada, jamais de perder alguma coisa. Aliás, registrase que, no caso concreto, o Plano não traz qualquer tipo de óbice à imediata venda de metade das ações adquiridas pelos beneficiários, que estão, portanto, livres para liquidar o direito adquirido e realizar a diferença entre o preço de exercício e o valor de mercado das ações. As Stock Options para empregados e administradores, portanto, não são contrato mercantil, são política de remuneração variável. O empresário introduz no contrato de trabalho uma parte variável da remuneração, determinada pela entrega de ações da empresa a preço subsidiado. Essa concessão é concebida como um modelo de retribuição variável, baseada em parâmetros objetivos. Dessa maneira, temse que as Stock Options nada mais são que retribuição econômica em decorrência do trabalho prestado, que, por consequência, deve sofrer os efeitos fiscais previstos na legislação tributária; n) Quanto ao argumento de que não há renda realizada, convém lembrar que as Stock Options configuram verdadeiro salário utilidade, não se demandando que os beneficiários revendam o bem recebido para que se cogite de remuneração. O mero recebimento de um bem, que tem um valor plenamente determinável, a título gratuito, já configura acréscimo patrimonial para o beneficiário passível de tributação; o) Finalmente, convém apenas registrar que os julgados da Justiça do Trabalho que afastam a natureza salarial das Stock Options não podem servir de fundamento para a pretensão da recorrente, uma vez que ali se está tratando do conceito de salário dentro do contexto do contrato de trabalho, que é típico e detalhadamente regulamentado pela CLT. Nas decisões da Justiça Laboral, não se leva em conta o contexto jurídico das contribuições previdenciárias, em que a intenção do próprio legislador constitucional é a mais ampla possível, abarcando não apenas o salário regulado pela CLT e tutelado pela justiça trabalhista, Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 559 10 mas todos os rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física, mesmo sem vínculo empregatício. Destarte, de todo o exposto, é possível afirmar que as Stock Options são oferecidas como vantagem adicional à remuneração básica, como um atrativo para que os executivos trabalhem e continuem trabalhando na companhia, quer dizer, são oferecidas pelo trabalho. p) Por fim, colaciona jurisprudência desta CARF, onde entende haver decisão consoante seu posicionamento, ressaltando os diversos elementos de semelhança com o processo que ora se analisa, tais como: (i) o cancelamento de programas já ofertados em função de as condições de mercado terem deixado o valor de exercício acima do valor de mercado das ações, (ii) a concessão de opções em que o valor de exercício apresentavase muito abaixo do valor de mercado das ações na época da outorga, (iii) a inexistência de pagamento pela opção de compra, que era graciosamente concedida aos beneficiários, entre outros. Assim, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para para que seja reconhecida a natureza remuneratória das Stock Options, cancelese, por decorrência lógica, o acórdão recorrido, a fim de que a Turma a quo prossiga no julgamento dos demais pontos de insurgência. O pleito fazendário restou regularmente admitido, na forma de despacho de efls. 488 a 496. Após a ciência da autuada em 06/12/2016 (efl. 505), esta apresentou contrarrazões de efls. 507 a 541 e anexos, onde alega que: a) Quanto ao conhecimento do Recurso Especial: a.1) Quanto à possibilidade de utilização do primeiro paradigma (Acórdão 2201002.685) para fins de caracterização de divergência jurisprudencial, relembra que, no âmbito do processo paradigmático, o único motivo pelo qual o Recurso Especial interposto pela ora Recorrida teve seu seguimento negado foi o fato do acórdão recorrido naquele processo (Acórdão n° 2201002.685 indicado como paradigma pela Fazenda no presente caso) tratar da exigência de multa isolada pelo não recolhimento de IRRF e os acórdãos indicados como paradigmas (entre os quais o Acórdão n° 2401003.889 contra o qual a Fazenda interpõe o presente recurso especial) tratarem da exigência da Contribuição sobre Folha de Salário. Em demonstração de sua boa fé, desde logo esclarece a Recorrida que a seu ver é irrelevante no caso o fato de o acórdão recorrido tratar das contribuições previdenciárias e o paradigma de multa isolada de IRRF, pois no caso a matéria de fundo discutida em ambos é a mesma, razão pela qual em face do despacho proferido no processo n° 16327.720085/201326 a ora Recorrida impetrou o mandado de segurança n° 100921286.2016.4.01.3400, nos autos do qual foi concedida medida liminar para que fosse dado seguimento ao recurso especial da ora Recorrida também quanto ao "momento da ocorrência do fato gerador do imposto de renda nas operações de Stock Options" e à "não ocorrência do fato gerador do imposto de renda nas operações de Stock Options", matéria esta que constitui objeto do recurso especial agora interposto pela Fazenda. Todavia, não é juridicamente nem logicamente concebível que seja, por um lado, negado seguimento ao recurso especial da ora Recorrida contra acórdão pertinente a multa isolada de IRRF (Acórdão n° 2201002.685) no qual foi invocado como paradigma acórdão relativo a Contribuição sobre Folha de Salário (Acórdão n° 2401003.889 proferido no Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 560 11 caso concreto) pelo simples motivo das decisões tratarem de tributos diversos, e, por outro lado, seja dado seguimento ao recurso especial da Fazenda interposto contra o Acórdão no 2401003.889 proferido no caso concreto no qual foi indicado como paradigma o Acórdão no 2201002.685 (sendo portanto exatamente os mesmos dois acórdãos que ocupam, nos referidos recursos, as respectivas posições de acórdão recorrido ou de acórdão paradigma). a.2) Já quanto à possibilidade de conhecimento do Recurso com fulcro no segundo paradigma, alega a recorrente que muito embora a Recorrente tenha transcrito a ementa (fls. 464/467) e trechos do voto condutor (fls. 467/469) do Acórdão n° 2302003.536, nenhum ponto das passagens transcritas evidencia a sua afirmação de que "neste paradigma os planos ofertados também tinham o preço de exercício da opção de compra das ações determinado pela média dos preços das ações nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, além da fixação de um prazo para a venda das ações adquiridas". Na verdade, "data máxima venia" a leitura do inteiro teor do Acórdão n° 2302003.536 evidencia justamente o oposto do que é alegado pela Recorrente. Com efeito, muito embora afirme a Recorrente que na situação examinada no acórdão apontado como paradigma "os planos ofertados também tinham o preço de exercício da opção de compra das ações determinado pela média dos preços das ações nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo", a única informação que dele realmente consta a respeito da determinação do preço de exercício da opção é a de que "O "valor da Contribuição para Aquisição" tem valor certo e ajustado no contrato, o qual é acrescido de juros e correção monetária''' (p. 22 do acórdão), não havendo nenhuma afirmação no acórdão indicado como paradigma de que tal "valor certo e ajustado no contrato'' teria por base a média do preço das ações nos pregões da Bovespa, o que de fato ocorre no caso concreto, em que, como reconhece o v. acórdão recorrido, tal preço é "determinado pela média dos preços das ações nos premes da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data das opções (...) devidamente reajustado até o mês anterior ao do exercício da opção pelo IGPW (fl. 442, destaques. Da mesma forma, muito embora a Recorrente afirme que na situação examinada no acórdão apontado como paradigma existiria a "fixação de um prazo para a venda das ações adquiridas", a única informação que dele realmente consta a respeito da posterior venda das ações adquiridas é a de que "o beneficiário só poderá ceder, transferir de qualquer forma ou alienar as ações, bem como bonificações, desdobramentos, subscrições e outros direitos dela decorrentes, após a entrega efetiva das ações" (p. 22 do acórdão), não havendo em todo o texto do acórdão apontado como paradigma sequer uma sugestão de que as ações adquiridas ficariam indisponíveis para venda por algum tempo, como efetivamente ocorre no caso concreto e foi atestado no acórdão recorrido. Dessa forma, "data máxima venia" a Recorrente também não logrou êxito em demonstrar similitude fática entre as situações tratadas no v. acórdão recorrido e no segundo acórdão indicado como paradigma, o que impõe o não seguimento do recurso especial interposto pela Fazenda. b) Quanto ao mérito: b.1) Inicialmente alega que, especificamente, no caso concreto, em razão das peculiaridades do plano de outorga de opções de compra de ações mantido pela recorrida, os valores autuados jamais poderiam ser tidos como remuneração dos beneficiários do plano. Cita o art. artigo 168, da Lei no. 6.404, de 1976, e o constante no artigo 3o. do Estatuto Social da Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 561 12 Recorrida, com características que por si só tornam absolutamente impossível pretender assimilar a diferença entre o preço de exercício da ação na data de vencimento do prazo de carência e o valor de mercado da ação a uma remuneração sujeita à incidência de contribuição previdenciária, como pretendido pelo ilustre fiscal autuante e pela Recorrente; b) Com efeito, inicialmente é de se ter em mente que não se trata no caso de opções pelas quais decorrido certo período de tempo o beneficiário pode gratuitamente "adquirir" determinadas ações. No caso concreto, para exercício da opção o beneficiário deve pagar pelas ações a serem adquiridas um preço que corresponde à média do preço de venda das ações no período imediatamente antecedente à outorga das opções, e ainda corrigido pelo IGP M. Por outro lado, nos termos da cláusula 7.2 do plano mesmo após o decurso do prazo de carência caso não exercida a opção de compra pelo beneficiário sua vigência poderá a qualquer momento ser extinta em caso de desligamento, inclusive no caso de renúncia do cargo de diretor ou não reeleição; c) Tendo em vista o disposto nos próprios artigos 125 do Código Civil e 114, 116, inciso II e 117, inciso I do CTN, como se pretender ver auferida uma remuneração pelo simples fato de o beneficiário ter tido em um determinado momento a possibilidade de comprar (pagar) ações, se mesmo esta possibilidade (que pode ou não lhe gerar rendimentos no futuro) é absolutamente precária enquanto não exercida? Ou ainda, como se pretender dizer que a "remuneração" apurada pelo ilustre fiscal autuante é decorrente de trabalho prestado se em caso de falecimento no dia seguinte à outorga da opção de compra ela já pode imediatamente ou por todo o seu prazo de vigência ser exercida pelos herdeiros? E mais, como se pretender vislumbrar automaticamente na data de vencimento do prazo de carência uma disponibilidade de renda, se mesmo vencido aquele prazo muitas vezes pode estar vedado o exercício da opção de compra em face dos "períodos de suspensão" previstos ?; d) Por outro lado, tendo em vista a obrigatoriedade de comunicação prévia com antecedência de 48 horas ao efetivo exercício das opções, e considerando as grandes oscilações de mercado, resta novamente evidenciado o caráter aleatório do possível ganho que virá a ser auferido pelo beneficiário, sujeito às oscilações de mercado; e) Cita que, conforme cláusula 10 do plano, uma vez exercida a opção de compra o beneficiário somente pode dispor livremente de metade das ações adquiridas, ficando a outra metade indisponível pelo prazo de 02 (dois) anos. As consequências desta restrição são duas. De um lado, e tendo em vista a fundamentação invocada pelo próprio fiscal autuante quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, à luz do disposto nos artigos 125 do Código Civil e 114, 116, inciso II e 117, inciso I do CTN, já se verifica o absurdo de se pretender considerar como rendimento do beneficiário na data do vencimento do prazo de carência a diferença entre o preço do exercício e o preço de mercado da totalidade das opções que podem ser exercidas. Em segundo lugar, e principalmente, mesmo se fosse possível considerar como remuneração eventual diferença positiva quanto à parcela imediatamente disponível (o que já se demonstrou acima não ser o caso), no caso é condição para sua aferição a aquisição de igual quantidade de ações sobre as quais o beneficiário somente terá disponibilidade dois anos depois, o que poderá acabar obrigando o beneficiário a auferir um prejuízo real (se o valor da ação estiver inferior ao valor de aquisição) que poderá ser inclusive superior à diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado na data do exercício ou na data do vencimento do prazo de carência. Ora, como se pode pretender tratar como remuneração algo que pode gerar real prejuízo para o beneficiário, e ainda sem sequer se verificar se de fato a opção de compra foi ou não exercida e em que termos ? Vale salientar que tal possibilidade não se trata Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 562 13 absolutamente de hipótese cerebrina, sobretudo em tempos atuais de grandes crises mundiais e turbulência no mercado de ações. Tanto assim é que, a ocorrência dessa situação foi confirmada pela empresa de auditoria KPMG em Termo de Constatação efetuado especificamente para a Recorrida com base em dados referentes ao valor de mercado das ações por ela oferecidas e as outorgas feitas (juntado aos autos em petição datada de 25.11.2014), no qual se constatou a ocorrência de situação em que o exercício da opção e a venda das ações nas datas permitidas pelo plano geraria efetivo prejuízo para o "beneficiário", e, também, a ocorrência de situação em que durante todo o período de exercício da opção ela estaria "out of the money" impossibilitando o efetivo exercício; f) Como constatado pela KPMG, o Plano para Outorga de Opções de Ações mantido pela Recorrida expõe seus funcionários a duplo risco: um, de que passado o período de carência (vesting period) da opção ela jamais possa ser exercida caso durante todo o prazo de exercício e fique out of the money; outro, de que mesmo quando exercida por estar in the money, o bloqueio por dois anos de metade das ações para a venda termine por resultar em perda de capital para o funcionário. g) Salienta que as alegações da Recorrida e conclusões da KPMG sintetizadas no item II.2. acima foram integralmente acolhidas pelo v. acórdão recorrido. Sustenta que o fato do Plano mantido pela Recorrida não ser "estendido a todos os trabalhadores indistintamente, mas apenas àqueles considerados elegíveis pela empresa" lhe daria suposto caráter de "retribuição pela prestação de serviço" só faz sentido caso se parta da premissa, como faz a Recorrente, de que todo e qualquer plano de opções de compra de ações tenha, por sua natureza, caráter remuneratório, por ser da própria índole dos planos de opções de compra de ações seu direcionamento a apenas alguns funcionários da empresa, "caráter discricionário" previsto na própria Lei das S.A. no § 3o do seu artigo 168. Mesmo nas decisões em que este CARF tem concluído pelo caráter remuneratório de determinado plano, assim o fez porque embora reconheça a ausência da natureza remuneratória em si dos planos de opções de compra de ações, entendeu que o caráter remuneratório decorria naqueles casos do desvirtuamento do plano; h) Quanto à Cláusula 5.2: Como se vê, muito embora dos diversos elementos considerados pelo Comitê no momento de definir a quais executivos serão outorgadas opções faça parte sua performance, o item 5.2 deixa bem claro que se trata da performance "no exercício base", ou seja, no próprio exercício em que ocorrer a outorga. Nesse contexto, sendo da natureza de todo e qualquer plano de stock option que a empresa, no momento em que deliberar sobre a outorga das opções, leve em conta fundamentalmente a performance de seus funcionários, pois tem o plano por finalidade manutenção dos bons profissionais e é natural que toda empresa deseje manter os profissionais que apresentem boa performance, é óbvio que justamente para concretizar tal finalidade a empresa deve escolher como beneficiários da outorga os funcionários de alta performance, e, dentre estes, outorgar mais opções àqueles que apresentarem melhores performances à época da outorga; i) Quanto á cláusula 7.2: Com a devida vânia, considerandose mais uma vez que a finalidade de todo e qualquer plano de stock option é manter na empresa os profissionais a quem as opções sejam outorgadas, é absolutamente natural que o Plano instituído pela Recorrida estabeleça a extinção antecipada da opção caso seu funcionário dela se desligue ou seja desligado. Além disso, se é verdade que "a circunstância de o indivíduo estar prestando serviços à empresa e somente enquanto assim o estiver, é condição sine qua non para que ele possa se beneficiar da opção", também é verdade, por exemplo, que "a circunstância de o Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 563 14 indivíduo estar prestando serviços à empresa e somente enquanto assim o estiver, é condição sine qua non para que ele possa se beneficiar do programa de Participação nos Lucros e Resultados", ou "O Plano de Previdência Privada", sem que tal fato faça com que o programa de PLR ou o Plano de Previdência por tal motivo assumam natureza salarial, já que o mero fato de um profissional pertencer a uma empresa evidentemente não faz com que todos os valores dela recebidos ou benefícios por ela concedidos enquanto a ela esteja ligado tenham natureza salarial; j) Quanto à cláusula 9.2: Com efeito, como se pode facilmente perceber pela leitura dos itens 9 e 9.1 convenientemente omitidos pela Recorrente, data vênia não procede sua afirmação de que a Recorrida pode alterar "os valores, sempre que as condições de mercado, por exemplo, empurrem para baixo o valor das ações, retirando dos beneficiários o interessem em exercer as opções", já que neles fica esclarecido que tais ajustes, tanto para menos como para mais, só podem ser feitos quando se derem os eventos societários descritos ao longo do item 9.1, que por sua própria natureza causam a alteração do valor da ação independentemente das "condições de mercado" mencionadas pela Recorrente. Nesse ponto, cabe esclarecer que mesmo a previsão residual contida na letra "e" do item 9.2, ao estabelecer a possibilidade do ajuste em caso "de procedimentos outros de semelhante natureza e relevante significado", não permite ajuste em razão da alteração das "condições de mercado", tanto porque ao se referir a "procedimentos" exclui a normal flutuação do mercado (que é um "evento", jamais um "procedimento"), quanto por restringir a possibilidade dos ajustes aos procedimentos "de semelhante natureza" daqueles arrolados nas letras "a", "b", "c" e "d", que são procedimentos societários praticados pela Recorrida que por sua natureza afetem substancialmente o valor das ações; restando daí duplamente excluída a possibilidade de ajustes em função das "condições de mercado'". Por fim, cumpre ressaltar que de qualquer modo a possibilidade de modificação do preço de exercício é uma exceção à regra geral, razão pela qual mesmo que para argumentar se vislumbrasse em algum lugar do Plano estabelecido pela Recorrida uma (alegada, mas não demonstrada pela Recorrente) "autorização para que a empresa intervenha nos parâmetros das opções já outorgadas, alterando inclusive os valores, sempre que as condições de mercado, por exemplo, empurrem para baixo o valor das ações, retirando dos beneficiários o interessem em exercer as opções", seria ônus da fiscalização demonstrar no caso concreto a efetiva ocorrência dessa intervenção abusiva, o que no caso não ocorreu. Sobretudo quando se considera que a possibilidade de que o preço do exercício seja alterado é exceção, e não a regra, o que reforça a necessidade de que a ocorrência concreta de eventual adoção da exceção em lugar da regra fosse efetivamente demonstrada pela fiscalização; k) Quanto à cláusula 10.1: não bastasse o fato de que no caso concreto o critério de fixação do preço do exercício (média dos preços em bolsa de valores verificados entre um e três meses antes da outorga) conjugado com o "vesting period" (entre um e cinco anos após o fim do ano civil em que for emitida a opção) por si só garante a existência do risco de que a opção não possa ser jamais exercida (fato concretamente constatado pela KPMG), o que faz com que as opções de ação em questão não poderiam ser consideradas como salário mesmo que a totalidade das ações pudesse ser vendida imediatamente depois do exercício, o fato de metade dessas ações ficarem indisponíveis por dois anos após o exercício reforça ainda mais o risco do negócio, pois mesmo naqueles casos em que o exercício da opção se mostre inicialmente vantajoso este pode se revelar desvantajoso depois de transcorrido o prazo de indisponibilidade em questão (como também concretamente constatado pela KPMG); Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 564 15 l) Como se vê, nenhum dos quatro itens invocados pela PGFN em socorro de sua tese é indício da suposta natureza salarial por ela sustentada; m) Por fim, cabe salientar que dado o provimento integral do recurso voluntário e total cancelamento do lançamento em razão do entendimento do v. acórdão recorrido de que as opções de compra de ações outorgadas pela Recorrida não teriam natureza remuneratória, a C. Turma a quo houve por bem considerar prejudicadas outras questões que também constaram do recurso voluntário, como evidencia o trecho final do voto da Relatora. Assim, na remota hipótese de que o recurso especial interposto pela Fazenda seja conhecido e provido, deverá ser determinado por esta 2a Turma da CSRF o retorno dos autos para a Turma a quo para julgamento do recurso voluntário quanto às matérias que restaram prejudicadas, pedido, aliás, formulado pela própria Recorrente; Requer, assim, que seja negado seguimento ao Recurso Especial e caso conhecido lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator. a) Quanto ao conhecimento: Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a tais requisitos de admissibilidade. Passo, então, a enfrentar as alegações trazidas pelo contribuinte quanto à impossibilidade de conhecimento do Recurso: a.1) Quanto ao conhecimento com fulcro no primeiro paradigma (Acórdão 2201002.685): Mantenho aqui o posicionamento por mim esposado quando da apreciação, por esta mesma Turma, do Recurso Especial de iniciativa do Contribuinte no âmbito do feito 16327.720085/201326, onde alinheime ao posicionamento esposado pelo Relator, verbis: (...) Foi dado integral seguimento ao recurso especial de divergência em razão do Mandado de Segurança nº 100921286.2016.4.01.3400 (efls. 1828 a 1833), impetrado contra ato do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, sem que até o momento haja qualquer decisão que afaste sua eficácia. Extraise da efl. 1832 o teor do mandamus: Ante o exposto, defiro o pedido liminar para determinar à Autoridade Impetrada seja dado seguimento integral ao Recurso Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 565 16 Especial interposto pelo Impetrante (alíneas "a", "b" e "c") no Processo Administrativo nº 16327.720085/201326. (Sublinhei, negrito do original.) Observase que (a) o mandado de segurança foi impetrado contra ato monocrático do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais e que (b) o pedido do contribuinte, então impetrante, objetivou que fosse dado seguimento ao recurso especial interposto, em sua totalidade, conforme se pode observar no primeiro parágrafo da decisão, à efl. 1828. Em sua decisão, a magistrada expôs o seguinte argumento: Ressalto que o Presidente da Câmara Especial, em reexame de ofício, confirmou a conclusão do Presidente da Câmara recorrida, mantendo a decisão que deu seguimento apenas parcial ao Recurso Especial do impetrante, decisão contra a qual não havia previsão de recurso na via administrativa, devendo a parte interessada se valer da via judicial para buscar o resguardo do direito reputado líquido e certo. Atualmente, o art. 71 da RICARF foi alterado para admitir a interposição de Agravo pela parte prejudicada pela negativa de seguimento do recurso especial. E conforme bem explicado pela impetrante, a alteração teve por finalidade oportunizar ao interessado a explanação de suas razões para ver revista a decisão obstativa do seguimento do recurso especial, já que a anterior previsão era de reexame de ofício, em que a parte não tinha a faculdade de explanar seus argumentos. Assim, cumprida a decisão judicial, e tendo sido afastado o óbice de ver devolvida a este colegiado a competência para apreciar o integralmente o recurso especial, inicio aqui sua análise. Pois bem, assim como na apreciação de qualquer recurso especial admitido, inicio a análise deste recurso pelo conhecimento de suas matérias, com base no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente até 09/06/2015, data da interposição do referido recurso. Salientese que, não houve qualquer provimento jurisdicional que impedisse o colegiado de analisar o conhecimento do recurso. Com efeito, apenas foi afastada a decisão monocrática do Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais e determinado o seguimento do recurso em sua totalidade. Assim, apresento ao colegiado meu entendimento sobre a questão, nos termos a seguir. No presente caso, foram enfrentadas, pelo colegiado ora recorrido, as questões (a) da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, no caso de remuneração por stock option e (b) do momento da ocorrência desse fato gerador. Entretanto, os acórdãos trazidos ao processo, a título de paradigma, pelo contribuinte, trataram das matérias: (a) Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 566 17 momento da ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias nas operações de Stock Options e (b) não ocorrência do fato gerador dessas contribuições previdenciárias nas operações de Stock Options. Ora, os fatos geradores de Imposto de Renda e de Contribuições Previdenciárias têm por base legislações específicas e diferentes, não se configurando em hipótese alguma norma geral de direito tributário. Sem dúvida, existe similitude fática, quanto aos negócios e procedimentos realizados, afinal de contas, todos os processos tratavam de remuneração por Stock Options. Entretanto, a questão é que os processos, envolvendo tributos distintos, analisam os fatos à luz de legislações distintas. Repita se, os paradigmas tratam de questões atinentes à contribuição social previdenciária, enquanto o recorrido trata de multa por falta de retenção de imposto de renda pela fonte. Para que haja infração no acórdão a quo, haveria a obrigação da realização da retenção de imposto de renda na fonte. Ainda que as contribuições sociais incidam sobre remuneração decorrente da contraprestação de serviços, e essa possa ser sujeita ao imposto de renda, o alcance deste tributo é maior que daquele, abrangendo até mesmo variações patrimoniais, que não decorram da percepção de remuneração pela contraprestação laboral. Portanto, tratandose de tributos distintos, a legislação, evidentemente, não é a mesma. Os fatos que se subsumem às normas podem até, eventualmente, ser idênticos, mas as normas não o são. Situações equivalentes a essa já foram apreciadas por este colegiado, que entendeu por não conhecer de recursos quando, apesar de o procedimento discutido ser similar, a legislação aplicável ao recorrido fosse diferente daquela aplicável ao paradigma. Nesse sentido, cabe referir o caso de recurso especial da Fazenda Nacional contra decisão que julgou improcedente a exigência de multa isolada por falta de recolhimento da antecipação mensal da pessoa física (denominada carnê leão), concomitantemente com o lançamento do tributo e da multa referentes à declaração de ajuste do IRPF. Compre referir que, nesse caso, a Fazenda Nacional havia apresentado, como paradigmas, decisões que julgaram procedente a exigência de multa isolada por falta de recolhimento da antecipação mensal da pessoa jurídica (denominada estimativa sobre a receita bruta e acréscimos), concomitantemente com o lançamento do tributo e da multa referentes à declaração de ajuste do IRPJ/CSLL. Frente a essa situação, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em que pese a total semelhança dos procedimentos de antecipação mensal e ajuste de final de período, para pessoas físicas e jurídicas, pelo fato de os procedimentos estarem baseados em legislações diversas, não foi conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional. Para ilustração do caso, cabe Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 567 18 referência ao acórdão n° 9202003.434, cuja ementa e dispositivo encontramse a seguir reproduzidos: (...) A decisão acima ilustra o fato de que o caput e o § 1º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, publicada no D.O.U de 10/06/2015, exige comprovação de interpretação diversa da legislação tributária, nos seguintes termos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (Sublinhei.) Como o recurso especial foi protocolado em 08/06/2015, cabe a análise de sua admissibilidade pelo mesmo artigo 67 do Anexo II, mas do regimento anterior, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente até a data em que ele foi interposto, onde se dispunha exatamente no mesmo sentido, conforme a seguir reproduzido: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. ... § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 568 19 ... § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...) (Sublinhei.) Ou seja, considerandose tanto o regimento atual quanto o regimento então vigente, as divergências arguidas teriam que ser demonstradas com base na interpretação da legislação aplicável a fatos semelhantes. Assim, os fatos devem ser similares a ponto de atrairem a mesma legislação para seu tratamento fiscal. Aliás, o Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial dessa casa, em sua versão 2.0 de maio de 2016, quando trata de análise de divergências, já orientava, à sua pág. 45, nesse sentido, conforme a seguir: A divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária. (Destaquei.) Além disso, há nesse manual orientação específica para o tratamento de incidência tributária diversa da que orientou o recorrido, fundamentandose a negativa de seguimento ao recurso, à pág. 46: 4.1.2 Paradigma que trata de incidência tributária diversa da que orientou o recorrido É possível a demonstração de divergência jurisprudencial mediante o cotejo de acórdãos que, embora tratem de espécies de incidências diversas (ex.: o recorrido trata de IRPJ e o paradigma de ITR), a matéria suscitada diga respeito a normas gerais (ex.: necessidade de pagamento antecipado, para aplicação da decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN). Entretanto, mesmo sem tratarse de normas gerais, é comum a indicação de paradigma que cuida de incidência tributária diversa daquela retratada no recorrido, o que de forma alguma caracteriza divergência jurisprudencial. Com efeito, não há que se falar em interpretação divergente, quando estão em confronto incidências diversas, regidas por legislações específicas, cada qual com suas características e nuances. (Destaquei.) Ou seja, admitirseia tratar de paradigmas com incidências tributárias distintas, mas somente se a matéria de divergência disser respeito a normas gerais; não é esse o caso aqui debatido. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 569 20 O manual salienta em nota que a alteração do regimento a partir de 10/06/2015, com a publicação da Portaria MF nº 343, simplesmente tornou mais patente esse entendimento, conforme dispõe em seu § 1º, determinando que não se conheça de tais recursos. Dessa forma, mantendo a coerência da jurisprudência deste colegiado e não tendo sido declarada a inconstitucionalidade ou ilegalidade, seja de forma incidental, seja de forma direta, das Portarias que se aplicam ao procedimento a ser seguido nessa casa, tendo em vista que a legislação base dos paradigmas e do recorrido são distintas, até porque se referem a distintos tributos, e não tendo o recorrente arguido matéria de norma geral, voto por não conhecer o RE no tocante a essas matérias, por não atender aos pressupostos regimentais. Destarte, ao observar que se está a tratar, no presente caso, de situação exatamente simétrica à acima, no que diz respeito a Acórdãos recorrido e paradigmático e mantendo o posicionamento acima, rejeito a caracterização de divergência interpretativa com base no primeiro paradigma, por se estar diante de incidências tributárias diversas. Passo, assim, à análise do segundo paradigma colacionado pela Fazenda Nacional quanto ao conhecimento do Recurso. a.2) Quanto ao conhecimento com fulcro no segundo paradigma (Acórdão 2302003.536): Inicialmente, observandose que. aqui, tratam Acórdão recorrido e paradigmático da mesma incidência tributária, inaplicável as restrições levantadas no item a.1 supra. Ainda, com relação às objeções levantadas pela autuada em sede de contrarrazões, tenho leitura diversa do Acórdão Recorrido acerca da matéria aqui sob litígio (natureza remuneratória do plano de Stock Options). Entendo, contrariamente à contraarrazoante, que a nãomenção mais detalhada no que diz respeito à especificidades do Plano ali analisado quanto à: a) fixação do preço de exercício e/ou b) período de limitação temporal de venda das ações objeto de exercício pelos participantes do plano (lockup period) se deu justamente pelo fato de tais variáveis configurarem diferenças acidentais entre Acórdão e Recorrido e paradigma, ou seja, se constituíam em variáveis irrelevantes para a convicção do Colegiado paradigmático acerca da natureza remuneratória dos planos de Stock Options em Geral, que, assim, se manteria, mesmo quando da existência de eventuais diferenças quanto a tais variáveis entre recorrido e paradigmático. É o que se depreende do teor do Acórdão paradigmático, que assim, conclui, em suas razões de decidir abaixo, plenamente aplicáveis ao caso, e, notese, de forma totalmente independente das duas variáveis supra, expressis verbis: (...) Encontrase à calva de fundamento fático e principiológico o discurso recursal de que as vantagens auferidas pelos beneficiários das Stock Options não teriam natureza remuneratória. A própria empresa reconhece em seus Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 570 21 documentos de gestão que adota modelo de composição da remuneração que concentra uma parcela significativa da remuneração total de servidores de alto escalão em componentes variáveis de longo prazo baseados em ações. (...) Não procede o argumento de que os Stock Options plans têm natureza mercantil, pois seriam onerosos, trazendo riscos aos beneficiários, e proporcionando ganhos eventuais e não habituais. A suposta natureza mercantil poderia até ter sua primazia aferida caso as referidas opções fossem oferecidas, nas mesmas condições,à toda a sociedade, numa operação de mercado,ou mesmo,se fossem oferecidas aos empregados em foco nas mesmas condições (...)" Assim, fato é que, quanto à matéria litigada, se pode extrair clara divergência interpretativa do paradigma em relação ao recorrido, ao se perceber que, enquanto o Acórdão recorrido rejeita a natureza remuneratória dos Planos de Compras de Ações, o Acórdão paradigmático é claro em aceder à sua natureza remuneratória, independentemente das especificidades levantadas pela contrarrazoante. Entendo que, realizado o teste de aderência, concluiria o Colegiado paradigmático de forma oposta em relação ao Recorrido quanto à referida natureza, e, assim, entendo como caracterizada a divergência interpretativa. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo à sua análise de mérito. b) Quanto ao mérito do Recurso Já tive oportunidade de me debruçar sobre a matéria inclusive especificamente no caso da recorrente, no âmbito do Processo 16327.721362/201237. Faço notar que, ainda que se tratasse, ali, de discussão quanto à incidência de IRRF, a matéria da natureza remuneratória também restou admitida à apreciação, por não haver óbice a tal seguimento em sede de instância ordinária, uma vez tendo deduzido o recorrente (a autuada do presente caso), ali, a argumentação de não incidência de IRRF por força de se tratar, em seu entendimento, de verba de natureza nãoremuneratória. Assim, quanto ao mérito limitome a adaptar as razões de decidir ali expostas ao presente caso, verbis: 1. Quanto à natureza societária (mercantil) e ao caráter não salarial ou remuneratório dos planos de opção de compras de ações. Pertinente, a meu ver, que se reproduza novamente o quanto afirmado pela recorrente no formulário 20F arquivado junto à Securities and Exchange Comission (USA) em 2009, aqui adotado como elemento esclarecedor, orientador acerca da natureza do plano de opções de compra instituído pela Companhia (efls. 61/62 e 70/71), verbis: 6B. Honorários Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 571 22 No exercício findo em 31 de dezembro de 2009, o total dos honorários pagos por nós, de forma agregada, em benefícios de todos os membros de nosso conselho de administração e diretores executivos e diretores executivos de nossas controladas, por serviços prestados naquele ano, em qualquer qualidade, foi de aproximadamente R$ 195,3 milhões. Esta cifra inclui salários no montante aproximado de R$ 147,3 milhões, participação em planos de gestão e divisão de lucros no montante aproximado de R$ 47,8 milhões e contribuições a planos de aposentadoria patrocinados por nossa instituição no montante aproximado de R$ 105,3 mil. Exceto pelos honorários mais altos e mais baixos por órgão sem identificação das pessoas físicas, a legislação não exige e nossa instituição não divulga o montante da remuneração de nossos conselheiros, diretores e membros dos órgãos de administração, supervisão ou gestão, em bases individuais. Os diretores executivos e os membros do conselho de administração recebem também benefícios adicionais concedidos em geral aos nossos funcionários, como assistência médica e odontológica e plano de previdência privada, no valor de R$ 9,0 milhões. Foi instituído um plano de participação nos lucros ou de remuneração de nossa alta administração, incluindo de nossos diretores executivos. O programa e seu regulamento foram aprovados pelo conselho de administração. O programa prevê, para cada membro da administração (incluindo nossos diretores executivos) participante do plano, a atribuição de um valor base para cálculo do plano de participação nos lucros, sendo que os pagamentos são realizados semestralmente a título de adiantamento. O montante final do pagamento de participação nos lucros a uma pessoa é apurado multiplicandose o valor base por um índice aplicável a todos os participantes. Tal índice depende de específico nível de retorno sobre o patrimônio líquido medido com base nas informações derivadas dos montantes de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Os membros do conselho fiscal e os membros suplentes recebem uma remuneração mensal de R$ 10.000 e R$ 4.000, respectivamente. A partir da assembleia geral extraordinária realizada em 24 de abril de 2009, os membros do conselho fiscal e os membros suplentes passaram a ter direito a receber uma remuneração mensal de R$ 12.000 e R$ 5.000, respectivamente. Concedemos também aos diretores executivos opções no âmbito do plano descrito no “Item 6E. Propriedade de ações – Plano de opção de compra de ações.” Cada opção dá a seu detentor o direito de comprar uma ação preferencial. Quando as opções são exercidas, podemos emitir novas ações ou transferir ações em tesouraria para o detentor da opção. Consulte o “Item 6E – Propriedade de ações – Plano de opção de compra de ações” para informações sobre o plano de opção de compra de ações e Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 572 23 as alterações aprovadas na assembleia geral extraordinária realizada em 24 de abril de 2009.(grifei) (...) Plano de opção de compra de ações Emitimos opção de compra de ações como forma de remuneração desde 1995. Consequentemente, parte da remuneração variável da nossa administração é feita na forma de opção de compra de ações (grifei), pois acreditamos que isso aumenta o comprometimento com o nosso desempenho. Nosso plano de opção foi instituído com o objetivo de integrar os executivos ao nosso desenvolvimento de médio e longo prazo. Nas assembleias gerais extraordinárias, realizadas em 24 de abril de 2009 e em 26 de abril de 2010, nossos acionistas incluíram o conselho de administração, os funcionários do Itaú Unibanco Holding e os funcionários e membros da administração das suas controladas entre os beneficiários do plano. Acreditamos que isto lhes permitirá participar do valor agregado por seus trabalhos às ações do Itaú Unibanco Holding. Nosso plano de opção de compra de ações foi elaborado para reter os serviços dos membros da administração e do conselho de administração e atrair funcionários altamente capacitados. O plano de opção de compra de ações é administrado pelo comitê de pessoas, cujos membros são nomeados por nosso conselho de administração. Este comitê de pessoas periodicamente indica os membros da nossa administração a quem as opções de compra de ações devem ser outorgadas nas quantidades especificadas. Nosso conselho de administração pode modificar as decisões do comitê de pessoas na primeira reunião subsequente à data em que as opções foram outorgadas. Se não houver modificações, as opções outorgadas pelo comitê de pessoas são consideradas confirmadas. O comitê de pessoas somente pode outorgar opções se os lucros forem suficientes para permitir a distribuição do dividendo obrigatório de acordo com a legislação societária brasileira. A quantidade de opções outorgadas em qualquer ano não pode ultrapassar 0,5% do total de nossas ações no fim do exercício em questão. Se, em um determinado exercício, a quantidade de opções de compra de ações outorgadas for inferior ao limite máximo de 0,5% da quantidade total de ações, a diferença poderá ser acrescida às opções outorgadas em qualquer um dos sete exercícios seguintes. As opções têm um prazo de exercício de cinco a dez anos a partir da data de sua emissão; no entanto, somente podem ser exercidas após um período de carência estipulado pelo comitê de pessoas e fora de determinados períodos de suspensão. O período de carência varia, a critério do comitê de pessoas, de um a sete anos a partir da data de emissão das opções. Os períodos de suspensão são aqueles em que a CVM proíbe a administração de negociar ações da sociedade à qual são Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 573 24 filiados e nos quais, portanto, não há possibilidade de exercício de opções. O preço de exercício de uma opção é determinado pelo comitê de pessoas à época da outorga e pode ser corrigido até o mês anterior ao exercício da opção. Quando da determinação do preço de exercício, o comitê de pessoas considera os preços médios de nossas ações preferenciais nos dias em que a BM&FBOVESPA estiver aberta para negócios, por um período de, no mínimo, um e, no máximo, três meses antes da emissão da opção. Um ajuste de até 20% acima ou abaixo do preço médio é permitido. Conforme decidido por nossos acionistas na assembléia geral extraordinária realizada em 26 de abril de 2010, a disponibilidade das ações que os beneficiários subscreverão por meio do exercício da opção poderá estar sujeita a restrições adicionais, de acordo com as deliberações do comitê de pessoas (imposição de períodos de manutenção). Adicionalmente, na assembleia geral extraordinária realizada em 24 de abril de 2009, os acionistas também criaram um novo mecanismo para a outorga de opções aos beneficiários cujo desempenho tenha sido considerado extraordinário e tenham potencial, de acordo com os critérios estabelecidos pelo comitê de pessoas e através do uso das ferramentas de avaliação de desempenho e liderança. O comitê de pessoas pode outorgar opções cujo preço de exercício é pago por meio da obrigação do beneficiário de investir 20% da parcela do bônus atrelado a participação nos lucros e resultados em ações do Itaú Unibanco Holding. Os diretores a quem essas opções forem dadas devem manter a propriedade das ações inalterada e sem ônus de qualquer tipo desde a data em que a opção for outorgada até o exercício da opção de compra. Este mecanismo foi ampliado na assembléia geral extraordinária realizada em 26 de abril de 2010, para: (i) permitir que uma parte ou a totalidade do valor líquido do bônus possa ser investida e (ii) permitir que o comitê de pessoas imponha condições adicionais para o exercício das ações. Como os beneficiários são incentivados a investir os seus próprios bônus em ações, eles participam da valorização das ações e por isso acreditamos que eles se tornem mais comprometidos com o nosso desempenho, que é o principal objetivo do plano de opção de ações. A assembleia geral extraordinária realizada em 24 de abril de 2009 também aprovou a assunção, pelo Itaú Unibanco Holding, de todos os direitos e obrigações que o Unibanco e a Unibanco Holdings S.A. tinham sob seus respectivos planos de opção de compra de ações. Depois dessa assunção, as opções detidas pelos beneficiários para adquirir ações emitidas pelo Unibanco e Unibanco Holdings foram trocadas por opções de substituição de prêmios para adquirir ações do Itaú Unibanco Holding, utilizando a mesma relação de troca adotada para a Associação. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 574 25 Para mais informações sobre a emissão de nossas opções de compra de ações, consulte o “Item 6B. Remuneração”. Para mais informações sobre nossos planos de opção de compra de ações, consulte a Nota 26 às demonstrações financeiras consolidadas. (...)" Ainda, também as próprias atas de reuniões do Comitê de Opções de Companhia, posteriormente denominado como Comitê de Nomeação e Remuneração (efls. 99 e ss., 106 e ss. 110 e ss., 114 e ss.) admitem a outorga de opções como parcela de remuneração variável, atribuível exclusivamente a Conselheiros, Diretores e Membros do Conselho de Administração, ou seja, exclusivamente atribuível a titulares que possuem vínculo de efetiva prestação de serviço à outorgante. Caracterizada, ainda, na forma de efls. 72 a 77, o caráter pessoal e intransferível das opções outorgadas e a necessidade de não desligamento e manutenção das atribuições executivas durante determinado período de carência para fins de direito ao exercício durante sua vigência (salvo exceções), evitandose, assim, sua extinção, consoante itens 2.2, 7.2 e 8 do Plano. Já em situação diametralmente oposta se encontram as opções de ações comumente negociadas em mercados de renda variável organizados (bolsa de valores), impessoais, visto que disponíveis a qualquer investidor, não havendo, aqui, qualquer vínculo de natureza laboral entre as figuras do lançador e titular. Adicionalmente, as opções adquiridas em mercado podem ser livremente exercidas e negociadas com terceiros participantes do mercado imediatamente após sua aquisição, ou seja são plenamente transferíveis até a data de expiração. Assim, somente a este último grupo de opções (que não abrangem as opções sob análise no feito), em meu entendimento, poderia haver caracterização de operação ou negócio de natureza societária (mercantil), nãolaboral. Ao levar em conta tais elementos, resta plena a convicção deste Conselheiro no sentido de que as opções de compra decorrentes do Plano de efls. 72 a 77 são instrumentos remuneratórios, respaldada, de forma mais detalhada, tal conclusão, inclusive, pelo melhor conceito sobre o instituto, de Greenspan (2002), verbis: " (...) concessão unilateral de valor por parte dos acionistas para um empregado. É uma transferência feita pela companhia de parte da capitalização de mercado detida pelos acionistas. A concessão é feita para adquirir os serviços do empregado, e presumivelmente tem valor equivalente ao dinheiro ou outra compensação que teria sido necessária para obter esses serviços (...)" Ainda, entendo que, para fins de melhor esclarecimento, se deva fazer clara distinção entre: a) a etapa desde a outorga até a plena titularidade das opções (ativo com valor econômico) pelo participante (após o vencimento do prazo de carência), contraprestação recebida pelo desempenho de sua atividade laboral e b) a etapa posterior de manutenção das opções de compra (ativos anteriormente recebidos, possuidores de valor econômico) e/ou do exercício das referidas opções pelo trabalhador, com eventual alienação das ações recebidas. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 575 26 Segregandose o "risco do negócio", alegado pelo contribuinte como motivação para elidir a característica remuneratória das opções outorgadas nos referidos intervalos acima, o que se tem é: a) O risco de mercado decorrente de flutuações no preço do ativoobjeto desde a outorga das opções até o vencimento da carência (associado à obrigação de permanecer na empresa por certo tempo): Incapaz, em meu entendimento, referido risco de descaracterizar a natureza remuneratória das opções uma vez que se permite, no âmbito do referido plano, ajustes quantitativos (envolvendo quantidade e preço de exercício) nas opções outorgadas, fazendo com que a companhia possa, caso deseje, eliminar integralmente o risco citado (vide item 9.2 de efl. 76), verbis: Quando verificar que o patamar das cotações das ações se desviou para níveis conflitantes com as finalidades deste Plano, o Comitê deliberará os mencionados ajustes quantitativos e os executará após obterem homologação pelo Conselho de Administração. Aqui, em que pese a argumentação da autuada em sede de contrarrazões, com a devida vênia, o item aparece no referido Regulamento do plano de forma totalmente desvinculada de seu item 9.1, destinado este útimo, sim, a permitir os ajustes quantitativos comuns de natureza societária (exemplificativamente, splits e grupamentos, dentre outros) perfeitamente cabível assim, que ajustes decorrentes de motivos outros, que não eventos de natureza societária (tais como uma depreciação do valor dos ativos em bolsa, de forma que o preço de mercado se torne inferior ao preço de exercício), pudessem utilizar tal dispositivo para ajuste, mantendo assim, o plano sua característica de remuneração variável concedida; b) O risco de mercado decorrente de flutuações no preço do ativoobjeto após o vencimento da carência e até o momento de eventual exercício: Tratase de risco de mercado associado à manutenção voluntária das opções após vencida a condição suspensiva (prazo de carência) e/ou ao exercício das mesmas e posterior manutenção voluntária das ações subjacentes. Tal risco (assumido, notese, pelo outorgado após a entrega da contraprestação pelo contratante sob a forma de opções, ativo de valor positivo) não guarda qualquer relação com a matéria que se discute aqui. Acerca desta última etapa, entendo, a propósito, que eventuais acréscimos ou decréscimos patrimoniais, agora já auferidos no período após a incorporação das opções (ativo de valor econômico positivo) ao patrimônio do contribuinte (que se dá no vesting period), assim decorrentes: a) da dependência do valor destas opções em relação a seu ativo objeto (ações do Banco Itaú Holding Financeira), bem como, alternativamente, b) de eventual exercício e posterior manutenção/alienação das ações subjacentes devem ser objeto de tratamento tributário próprio aplicável aos mercados de liquidação futura e renda variável (fora de bolsa no caso), repetindose, todavia, não estarem tais acréscimos ou decréscimos abrangidos no âmbito do presente lançamento, revestindose, sim, em meu entendimento em etapas de eventual perda patrimonial após o recebimento do montante remuneratório em opções (repitase, ativo de valor econômico positivo, incorporado pelo contribuinte como forma de recebimento remuneratório, após o vesting period). Assim, diante do exposto, rechaço a argumentação do contribuinte no sentido de se tratarem os rendimentos objeto de lançamento de rendimentos de natureza societária, não Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 576 27 salarial ou remuneratória, mantendose incólume o lançamento quanto à matéria por se entender se tratarem de remuneração. 2. Quanto ao risco decorrente do lockup period Finalmente, quanto à existência de ações subjacentes (ativoobjeto) que sofrem restrição de venda por dois anos, como já me manifestei também anteriormente, entendo que o instituto influencia tão somente o quantum remuneratório auferido, ou seja, a apuração da base de cálculo feita pela autoridade autuante, sendo esta, em meu entendimento, a seara onde a referida restrição à venda poderia influir no presente lançamento, ou seja, através da discussão do valor efetivamente remunerado através de opções, ou seja da base tributável (e não na eventual descaracterização das opções recebidas como verba de natureza remuneratória por risco de mercado esta, sim, tratandose da única matérias sob litígio). Atendome à matéria litigada, entendo que na presente hipótese há verba remuneratória paga, esclarecendose que uma opção outorgada com ativoobjeto sujeito a lockup é também ativo possuidor de valor econômico positivo no momento em que transcorrido o vesting period, apenas possuindo valor econômico menor que uma opção cujo underlying é um ativo sem restrições. Ou seja, tratase, assim, tal restrição à venda, de matéria não correlacionável à matéria em litígio (que, repito, não abrange a base de cálculo do imposto) e, assim, abstraio me, aqui de tecer considerações acerca da valoração (apreçamento) realizada pela autoridade para os 50% de opções incorporadas com ativo subjacente contendo restrição de venda (também realizada no lançamento, pelo valor intrínseco). Finalmente, ressalto que a mesma consideração é de se aplicar quanto à eventual discussão do momento de ocorrência do fato gerador, também aqui estranho à lide. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a natureza remuneratória dos planos de Stock Options em questão, acedendose, ainda, ao pleito comum da Recorrente e da autuada, no sentido de necessidade de retorno do feito ao Colegiado a quo, para apreciação das matérias que restaram prejudicadas por força do reconhecimento da natureza não remuneratória dos planos de ações, aqui revertido. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 577 28 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Considerando já ter me manifestado nos presentes autos, quando do julgamento pela Câmara a quo, apenas reforço pontos já adotados pelo relator, trazendo outros que entendo serem pertinentes para acolher a pretensão da Fazenda Nacional, para definição da natureza remuneratória do Plano de Stock Options. Da Definição do Stock Options Doutrinariamente, Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrarse na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor pré determinado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro ao final desse prazo. Configuração da Natureza Remuneratória do Stock Options Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu, inicialmente, caráter mercantil. Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação de que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato, mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. Vimos, no decorrer dos últimos anos o nascimento e disseminação de diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como idéias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento estratégico, muito presente nos dias atuais, tanto na contratação de trabalhadores, como organização das empresas, impulsiona os empresários a buscar formas de vencer no mercado, com a conseqüente diminuição de custos e aumento da eficiência. Não condeno essa prática, mas, não podemos entender que o simples uso de uma nomenclatura seja capaz de excluir determinado benefício do conceito de remuneração, afastando o seu nítido caráter contra prestativo sem identificar realmente qual a sua verdadeira natureza, seu propósito. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 578 29 Ademais, não é a simples nomenclatura atribuída pelo sujeito passivo que afasta a natureza remuneratória de uma verba, devendo a autoridade fiscal e órgão julgador verificar se na essência o pagamento cumpriu sua premissa básica, aquela na qual originalmente encontravase consubstanciado. Assim, não interessa se a nomenclatura atribuída a verba conferelhe caráter indenizatório, se o pagamento da mesma, consubstanciase em verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa, uma possibilidade de remuneração indireta. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho prestado ou o tempo a disposição do empregador, fornecido a qualquer título, nos termos do art. 28, III da lei 8212/91. Quanto a alegação de que não teria caráter remuneratório, pois representaria um risco, na medida que as flutuações de mercado não garantiriam o ganho do trabalhador, quando fosse vender as ações posteriormente, entendo que não seja uma interpretação acertada. Acredito que o aspecto do risco só poderia servir como argumento para que a opção de compra de ações se afastasse da natureza remuneratória, caso estivéssemos falando de um plano de stock options com cobrança de um valor atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. Ou seja, só seria cabível trazer o conceito mercantil de oferta de ações para os casos de stock options ofertados aos trabalhadores nas empresas, como no presente caso, se representasse um risco desde a sua concepção. Essa discussão poderia ser suscitada se, já no momento da Outorga do plano, fosse estabelecido um prêmio de adesão ao stock options, valor esse que não seria restituído ao trabalhador sob qualquer aspecto. Ou seja, o risco de pagar um determinado valor, para ter o direito de participar do plano e comprar ações posteriormente seria arcado pelo trabalhador, sem qualquer certeza da compra futura das mesmas, após o prazo de carência. Isso poderia ser entedido como risco, o que nada se assemelha ao presente caso, onde, pelos pontos trazidos no relatórios fiscal, resta nítida a feição remuneratória. Mas, vale destacar que, mesmo que se falasse no estabelecimento desse prêmio de assinatura, ainda assim, farseia necessário averiguar as condições/requisitos para a outorga. No caso, se o plano ofertado promovesse ações com vistas a mitigar o risco, com concessão de empréstimos para pagamento do prêmio de assinatura ou mesmo a possibilidade de ressarcimento sob qualquer forma, ou a ingerência no plano de forma a alterar os valores previamente fixados, já resta caracterizado o caráter salarial/remuneratório, na medida que não existe qualquer risco de perda. Na verdade o objetivo é ganhar ou ganhar. Quando tive a oportunidade de enfrentar a questão, na qualidade de relatora em processo semelhante acórdão n.s 2401003.044, deixei claro meu posicionamento de que, nos planos de stock options devemos não nos ater simplesmente aos elementos conceituais das criação dos stock options (como muito trazido pelos recorrentes para defender possuírem os planos natureza mercantil), mas verificar a forma como as empresas vem se utilizando deste instituto, na prática, conferindolhes verdadeira forma indireta de remunerar os trabalhadores. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 579 30 Aliás, esse fato foi inclusive trazido na declaração de voto de minha autoria no acórdão recorrido.Vejamos trecho da declaração ali posta: Primeiramente discordo de trecho trazido pela relatora de que essa turma já se debruçou e firmou convicção nos acordãos acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045), de que se trataria de típico contrato mercantil. Vejamos trecho do seu voto: Esta Turma já se debruçou sobre esse tema e já manifestou o seu entendimento de que a aquisição de ações através de planos de stock options tratase, em regra, de típico contrato mercantil, oneroso, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias (acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045). A onerosidade do contrato decorre do pagamento, pelo trabalhador, do preço de exercício estipulado. E essa onerosidade está diretamente atrelada ao elemento risco inerente a esse tipo de operação, já que, se não fosse oneroso, a entrega pelo empregador das ações ofertadas ao trabalhador poderia ser caracterizada como remuneração. De fato, sendo, via de regra, a opção de comprar ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a aquisição das ações por meio dos contratos de opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador e pagamento de preço– prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. Na verdade nos citados acordãos, por maioria, entendeuse que os planos ali ofertados constituiriam sim, salário de contribuição. Contudo, enquanto relatora iniciei meu voto fazendo uma abordagem téorica sobre o tema, indicando que em sua concepção originária os stock options constituiriam contrato mercantil, mas, destaquei, que, é claro que não é a mera nomenclatura elemento suficiente para excluir uma verba do conceito de remuneração; restando naquele caso, demonstrado pela autoridade fiscal, que o plano de stock options possuía sim natureza salarial, posto que no intuito de remunerar indiretamente os trabalhador, já que não ofertava qualquer tipo de risco. Acrescento além do ponto transcrito pela relatora outros trechos que ajudam a refletir a minha posição apresentada naquele voto: Entendo que ao contrário dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options (conceitualmente falando) o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 580 31 afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “STOCK OPTIONS”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento, ou seja, sobre a efetiva natureza salarial do plano de outorga ora apresentado, merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontra se em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, afastandose a natureza remuneratória, conforme argumentado pelo recorrente. Outros aspectos, inclusive citados nos acórdãos de minha relatoria, tais como estipulação de valor de ações inferiores aos ofertados ao público, alterações do próprio plano no decorrer de sua implementação, com vistas a tornar vantajosa a sua aquisição em momentos ruins de mercado, a possibilidade de venda das ações sem nem mesmo o implemento de todo o período de carência, dentro muitos outros artifícios para que a outorga de opção de ações represente sempre uma vantagem para o trabalhador, torna claro o caráter eminentemente remuneratório do plano de stock options. Cito trecho do relatório fiscal que corrobora essa premissa: No exercício 2008, na Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 16 (dezesseis) Patrimônio Líquido, em seu item "e" Plano para Outorga de Opções de Ações 1 ITAÚ HOLDING, verificamos as seguintes informações, reproduzidas literalmente abaixo: "Visa integrar executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo, prazos, através da outorga de opções de ações, pessoais e intransferíveis, que concedem o direito de subscrição de uma ação do capital autorizado, ou, a critério da administração, de compra de uma ação em tesouraria adquirida para recolocação. Somente podem ser outorgadas opções em exercícios com lucros suficientes para permitir a distribuição do dividendo obrigatório aos acionistas e em quantidade que não ultrapasse o limite de 0,5% (meio por cento) da totalidade das ações possuídas pelos acionistas na data do balanço de encerramento no exercício. Compete ao Comitê de Remuneração ITAÚ UNIBANCO a definição da quantidade total de opções a serem outorgadas, diretores aos quais serão outorgadas, quantidade destinada a cada um, o prazo de vigência das séries de opções, o "período de carência" e os "períodos de suspensão" para o exercício das opções? Podem ser outorgadas opções a funcionários categorizados do ITAÚ UNIBANCO ou a diretores^e funcionários de instituições controladas, desde que justificadas por razões excepcionais e relevantes', e na contratação de pessoas altamente qualificadas. O preço de exercício de cada série é fixado considerandose a média dos preços verificados para as ações nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de um a três meses anteriores à data de emissão das opções facultado, ainda, um ajuste de até 20% para mais ou para menos, no ato da outorga Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 581 32 da opção e reajustado, pelo IGPM, até o mês anterior ao exercício daopção.I Conforme prevê o regulamento do Plano, até o presente, nos exercícios das opções outorgadas, foram vendidas ações preferenciais mantidas em tesouraria. Os registros contábeis relativos ao plano ocorrem no exercício das opções, quando o montante recebido relativo ao preço de exercício das opções de ações é refletido no Patrimônio Líquido. O percentual de diluição de participação dos atuais acionistas, considerandose o exercício ao final do prazo de carência de todas as opções já outorgadas e ainda não exercidas, seria de 0,10% em 2008, 0,20% em 2009, 0,21% em 2010, 0,25% em 2011, 0,24% em 2012 e 0,26% em 2013." [...] A seguir, no item 6E, temos informações sobre o Plano de Opção de Compra de Ações: ■ "6E. Propriedade de AçõesI Plano de Opção de Compra de Ações ' Somos uma das poucas empresas brasileiras a remunerar os executivos com planos.de opção de compra de ações desde 1995. Consequentemente, parte da remuneração variável da nossa gerência é feita na forma de opção de compra de ações, gerando comprometimento com o nosso desempenho. Nosso plano de opção de compra de ações, ou o Plano, foi oficializado e encontrase . disponível no nosso website de relações com investidores desde 2002. O Plano tem por objetivo reter os serviços de nossos diretores e obter funcionários altamente capacitados. Cada opção dá a seu detentor o direito a uma ação preferencial. Quando as opções são exercidas, emitimos novas ações ou transferimos ações em tesouraria para o detentor da opção. 5.5 DO PLANO PARA OUTORGA DE OPÇÕES Da análise do Plano para Outorga de Opções de Ações, aprovado pela Assembléia Geral de 01.11.2002, alterado pelas Assembléias Gerais de 28.04.2004, 27.04.2005 e 26.04.2006 e aprimorado e consolidado pela Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 23.04.2008, temos o seguinte: Objetivo: integrar os executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazo, facultando participarem das valorizações que seu trabalho e dedicação trouxerem para as ações representativas do capital da instituição; Beneficiários: O Comitê de Nomeação e Remuneração tem a competência para designar os diretores aos quais serão outorgadas as opções, nas quantidades que especificar. As opções serão pessoais e intransferíveis. Adicionalmente, as opções poderão ser outorgadas a diretores de instituições coligadas ou a funcionários categorizados do Itau ou das mencionadas instituições e, também, a pessoas altamente Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 582 33 qualificadas no ato de sua contratação para o Itau ou instituições J controladas; Quantificação: O Comitê poderá segmentar em séries o lote total de opções a serem outorgadas, estabelecendo as características e condicionamento de cada série, especialmente o preço de exercício, o prazo de vigência e o período de carência das correspondentes opções; Rateio:.O Comitê selecionará os executivos aos quais serão outorgadas e fixará as quantidades de opções de cada série que caberão a cada executivo selecionado. Efetuará as designações e rateios ponderando, a seu exclusivo critério, a performance dos elegíveis no exercíciobase, as remunerações já auferidas nesse exercício e avaliações outras que entender aplicáveis; Preço de Exercício: É o valor que deverá ser pago ao Banco pela subscrição de cada ação, em decorrência do exercício de opção que haja sido outorgada. Para a fixação do preço é considerada a média dos preços verificados para as ações do Banco nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data de emissão das opções, a critério do Comitê, facultado ainda um ajuste de 20% (vinte por cento), para mais ou para menos; Prazo de Vigência: As opções terão vigência pelo prazo que o Comitê fixar ao outorgalas, ficando automaticamente extintas no término desse prazo. O prazo de vigência de cada série de opções terá início na data em que essa série houver sido emitida e o respectivo término recairá no final de um período que poderá variar entre o mínimo de AE+5 anos e o máximo de AE+10 anos, entendose por AE (Ano da Emissão) o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Terão sua vigência extinta antecipadamente as opções cujos titulares se desligarem ou forem desligados do Banco e deixarem de ter atribuições executivas. As opções de diretores se extinguirão na data em que deixarem o exercício do cargo, seja por renúncia, seja por iniciativa do órgão que os elegeu. Em se tratando de funcionário, a extinção ocorrerá na data em que se rescindir o contrato de trabalho. Exercício das Opções: Os titulares das opções outorgadas poderão exercêlas subscrevendo as ações a que tiverem direito. As opções só poderão ser exercidas após o decurso de um "período de carência" e fora dos "períodos de suspensão" estabelecidos pelo Comitê;\ Período de Carência: O período de carência de cada série de opções será fixado pelo Comitê ao emitilas, podendo a respectiva duração variar entre os prazos de AE+1 e AE+5 anos, sendo AE o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Esse período se extinguirá antecipadamente se ocorrer o desligamento do diretor em razão de não reeleição, ou se ocorrer o falecimento do titular, caso em que os sucessores poderão exercêla; Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 583 34 Período de Suspensão: Serão determinados pelo Comitê quando se justificarem, seja para ordenar os trabalhos de subscrição, seja para impedir subscrições nos períodos em que a CVM veda aos diretores negociarem ações da empresa que dirigem; Disponibilidade das Ações: o titular da opção poderá dispor livremente da metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. A outra metade ficará indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir da data do exercício da opção. 6.1 OPÇÕES DE AÇÕES COMUNS X OPÇÕES DE AÇÕES PARA TRABALHADORES As Opções de Ações Comuns são operações nas quais é negociado o direito,, de compra de ações de determinada companhia por um preço preestabelecido, direito este que deve ser exercido em um prazo definido. Exemplificativamente, uma companhia cuja ação atualmente tenha valor de mercado de R$ 70,00 (Setenta reais) pode comercializar opções de compra por R$ 5,00 (Cinco reais), fixando o preço futuro de suas ações na Bolsa de Valores em R$ 50,00 (Cinqüenta reais), com prazo máximo de exercício de 1 (um) ano. Nesta operação, o comprador (conhecido como titular da opção de compra) deve pagar R$ 5,00 para ter o direito de comprar as ações da companhia dentro de um ano por R$ 50,00. Ao término deste prazo, caso a ação esteja valendo, por exemplo, R$.70,00, o titular pode exercer seu direito de compra por R$ 50,00, auferindo resultado de R$ 15,00 (70 50 5). Caso a ação valha menos do que R$ 50,00, a opção não é exercida, ficando o seu titular com o prejuízo de seu investimento inicial, isto é, R$ 5,00. As Opções de Ações Comuns são operações realizadas entre partes iguais, conhecedoras de seus direitos e deveres e a valor de mercado. Entretanto, com algumas modificações, é possível que tais operações sejam realizadas entre uma companhia e seus trabalhadores. Estas operações são denominadas de Opções de Ações para Trabalhadores. A principal modificação é que o trabalhador não paga nada pelo direito de comprar as ações da empresa. Aproveitando o exemplo numérico , acima, a companhia abre mão de receber R$ 5,00. Ao abrir mão desse valor, esta operação já não é mais a valor de mercado, dado que, em bolsa ou balcão, ela poderia obtêlo. Mantendo iguais os demais dados do exemplo acima, caso a ação estivesse a R$ 70,00, o trabalhador poderia exercer a opção, embolsando o valor de R$ 20,00 (70 50). Caso a ação esteja no .mercado com valor menor do que R$ 50,00, a opção não é exercida, mas neste caso, como não pagou nada pelo direito, o trabalhador nada perde. E esta é uma das principais diferenças entre as Opções de Ações Comuns e as Opções de Ações pa,ra Trabalhadores. O trabalhador (titular da opção) só corre o risco de ganhar; não corre o risco de perder. Caso a ação esteja abaixo de R$ 50,00, o trabalhador nada perde; acima, sempre ganha. Os planos de opções de ações para trabalhadores são opções de compra dadas por uma companhia aos seus trabalhadores como Fl. 583DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 584 35 remuneração do trabalho. As ações subjacentes das opções são as da companhia empregadora ou de uma empresa com ela estreitamente relacionada. Além do aspecto de remuneração, as opções visam também, habitualmente, preparar a participação dos empregados no capital e nos resultados das empresas. Em muitos casos, os que recebem essas opções de ações são membros dos escalões superiores de gestão. Embora a lógica financeira de base dos planos de opções de ações para trabalhadores seja a mesma que a dos planos de opções de ações comuns, há várias coisas que as tornam especiais.Uma diferença central é o fato de as opções de ações transacionadas publicamente' serem thabitualmente instrumentos financeiros padronizados. Por outro lado os planos de opções de açõespara trabalhadores estão sujeitos a regras que podem ser ajustadas às necessidades específicas da companhia.' Em geral, os planos de opções de ações para trabalhadores não são transacionáveis nem podem ser objeto de cessão por qualquer outra forma. Além das restrições à possibilidade de transferência, o detentor das opções também não está geralmente autorizado a realizar operações que reduzam .ou minimizem o risco financeiro da opção (por exemplo, vendendo opções de venda correspondentes). A razão para isto é que as empresas pretendem usar as opções como um incentivo 'para o trabalho e o efeito de incentivo estaria reduzido se os detentores pudessem esquivarse do sriscos das opções.■}. A maturidade ou período durante o qual é válido um plano de opções de. ações para trabalhadores é geralmente muito mais longo do que o prazo para planos de opções comuns. Além disso, os planos de opções de ações para trabalhadores não permitem, em regra, adquirir os direitos\ no momento da concessão, ou seja, o empregado não pode exercer a opção imediatamente, ante^s tem de esperar, em muitos casos, vários anos. Estas regras visam, sobretudo, reforçar a ligação entra empresa e o trabalhador. O efeito "algemas de ouro" dos planos de opções de ações para trabalhadores é também reforçado por disposições segundo as quais um trabalhador que deixe a empresa contra a vontade dos seus empregadores pode deixar de ter a possibilidade de exercer as suas opções ou de as exercer apenas durante um período limitado e/ou apenas até certo limite. 6.2 DO VÍNCULO ENTRE O TRABALHADOR E A EMPRESA E SEUS REFLEXOS SOBRE AS OPÇÕES DE AÇÕES PARA TRABALHADORES O vínculo que une o trabalhador à empresa e viceversa pode ser representado da seguinte forma: a empresa precisa dos serviços prestados pelo trabalhador; este precisa da remuneração paga por aquela. Se os serviços prestados não são de interesse da empresa, o trabalhador é demitido ou nem sequer contratado. Se a remuneração não for suficiente ao trabalhador, ele se demite ou nem sequer aceita ser contratado. Se a única coisa que os une Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 585 36 é a prestação de serviço, todo ou qualquer fluxo de caixa entre os dois se deve a esta relação de trabalho. Existe a alegação de que um outro fluxo de caixa pode acontecer entre os dois: o caixa de uma transação comercial. Se um funcionário compra uma televisão na empresa em que trabalha, por exemplo, uma loja de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, esta transação é uma operação comercial faz parte dos objetivos desta loja vender televisão. Mas se esta empresa não as vendesse, mas comprasse televisões para vender com subsídios a seus trabalhadores, esta operação não seria meramente comercial. Instituições financeiras não têm como objetivo a venda de opções de ações. Muito menos ainda têm como objetivo a venda de opções que, conforme demonstrado acima, lhes trará perda como é o caso das Opções de Ações para Trabalhadores. As instituições financeiras podem até negociar Opções de Ações Comuns, mas nestes casos visam a proteger a si e a seus clientes de variações indesejadas de preços. Então, os lançamentos de Opções de Ações para Trabalhadores não são operações comerciais até porque os objetivos da empresa ao lançálas não são, definitivamente, comerciais, isto é, não têm por finalidade a obtenção de lucro. Então, quais são os objetivos das instituições financeiras ao lançar as opções para trabalhadores? São vários e todos, sem exceção, dependem de que os trabalhadores sejam bem remunerados para que possam ser alcançados. Vejamos: · Motivar.trabalhadores a alcançar performance de alto nível; · Reter trabalhadores e permitir a contratação de novos talentos; · Vincular a remuneração de trabalhadores à performance da empresa; · Diminuir os conflitos, ao alinhar os interesses dos trabalhadores aos da empresa, principalmente no longo prazo; · Estabelecer critérios de avaliação sobre as quais os trabalhadores têm controle, como a lucratividade da empresa e dos acionistas. Os planos de opções de ações para trabalhadores criam um sentido mais forte desenvolvimento por parte desses trabalhadores, tornamnos mais interessados no valor e no bem estar da empresa e levaos a trabalhar mais, melhorando o fluxo de informações e contribuindo para desenvolver um espírito empresarial.I Provavelmente mais importante do que o seu papel como incentivo geral para os trabalhadores é o papel que os planos de opções de ações têm para atrair e reter pessoal chave. Os planos de opções de ações para trabalhadores têm o efeito de reter o pessoal na empresa, uma vez que, habitualmente, a aquisição de direitos apenas de verifica após vários anos e esses Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 586 37 direitos são freqüentemente anulados se um trabalhador deixar a companhia contra a vontade dela. Mesmo que as opções de ações não se anulem com a saída da empresa, mas apenas tenham que ser exercidas pouco depois do momento da saída, elas podem ter um efeito "algemas de ouro", se houver uma concessão repetida (por exemplo, anualmente) de opções. Os planos de opções de ações não são concedidos apenas para reter certos profissionais difíceis de substituir. São também usados para proteger o investimento em capital humano. Além disso, serão oferecidos a trabalhadores potenciais que a companhia pretende atrair, especialment pessoal altamente qualificado. Atualmente, os profissionais muito procurados ou os gestores de topo esperam freqüentemente receber planos de opções de ações para trabalhadores como parte do seu salário variável e as empresas que não os oferecem estão em desvantagem ao concorrerem para conseguir esse tipo de pessoal. Os planos de opções de ações para trabalhadores são a eles oferecidos como recompensa pelo seu trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, tratase de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmio), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. [...] 6.4 DA INTEGRAÇÃO DAS OPÇÕES DE AÇÕES PARA TRABALHADORES AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃOf Diante de tudo o que foi exposto, e que será relacionado resumidamente a seguir, no caso em análise referente ao sujeito passivo Itaú Unibanco Holding S/A, a outorga de opções de compra de ações para administradores tem caráter salarial, sendo uma espécie de remuneração a longo prazo, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Portanto, as opções de ações concedidas aos administradores devem integrar o salário de contribuição pois: •De acordo com o artigo 6° do Estatuto Social reproduzido anteriormente, compete ao Comitê de Nomeação e Remuneração definir a política de remuneração dos Diretores, compreendendo, entre outros, a outorga de opções de compra de ações, tendo em conta as responsabilidades, o tempo dedicado às funções, a competência e reputação profissional e o valor dos serviços no mercado. •A Nota Explicativa n° 16 às Demonstrações Contábeis referentes ao exercício de 2009 Patrimônio Líquido, em seu item " Plano para Outorga de Opções de Ações, reproduzida anteriormente, afirma que a companhia visa integrar seus Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 587 38 executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazos,através da outorga de opções de ações, pessoais e intransferíveis, que também podem ser outorgadas a funcionários categorizados do ITAÚ HOLDING ou a diretores e funcionários de instituições controladas, •No Formulário 20F, item 6B, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo categoriza a outorga de opções de compra de ações como honorários do Conselho^de Administração. Diretoria e Funcionários. •No Formulário 20F, item 6C, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo nos diz que existe nos seus órgãos estatutários o Comitê de pessoas, responsável pela definição de modelos de remuneração para os funcionários do Itaú Unibanco Holding (inclusive o estabelecimento de pacotes de remuneração para os CEO, vice presidentes e diretores, sujeitos à aprovação do Conselho de Administração). Esse comitê também é responsável pela definição de opções de compra de ações, recrutando, treinamento, assessoria e retenção dos funcionários talentosos. •No Formulário 20:F, item 6E, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo afirma emitir opções de compra de ações como forma de remunerar os executivos com planos de opções de compra de ações, pois acredita que isso aumenta o comprometimento com o desempenho da empresa. Afirma ainda que o Plano de Opção de Compra de Ações tem por objetivo reter os serviços dos membros da administração e do conselho de administração e atrair funcionários altamente capacitados para a companhia. •Ainda no item 6E do Formulário 20F, reproduzido anteriormente, o contribuinte utiliza a seguinte expressão "Para mais informações sobre a emissão de nossas opções de compra de ações, consulte o "Item 6B. Remuneração". •Em resposta aos Termos de Intimação, o contribuinte afirma que o Plano para Outorga de Opções de Ações é um instrumento para atração, estímulo e principalmente a retenção de grandes profissionais que são violentamente disputados pelas grandes empresas.| •O Plano para Outorga de Opções de Ações, com trechos reproduzidos anteriormente, estabelece que o Comitê selecionará os executivos aos quais serão outorgadas e fixará as quantidades de opções de cada série que caberão a cada executivo selecionado e efetuará as designações e rateios ponderando, a seu exclusivo critério, a performance dos elegíveis no exercíciobase, as remunerações já auferidas nesse exercício e avaliações outras que entender aplicáveis. Com relação ao período de carência de cada série de opções, ele será fixado pelo Comitê ao emitilas, podendo a respectiva duração variar entre os prazos de AE+1 e AE+5 anos, sendo AE o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Com relação ao preço de exercício da opção, é facultado um Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 588 39 abatimento de 20% sobre o valor calculado com base na métrica definida. Com relação à perda do direito, afirma que terão sua vigência extinta antecipadamente as opções cujos titulares se desligarem ou forem desligados do Banco e deixarem de ter atribuições executivas. As opções de diretores se extinguirão na data em que deixarem o exercício do cargo, seja por renúncia, seja por iniciativa do órgão que os elegeu. •Na Ata de Reunião do Comitê de Remuneração de 20 de fevereiro de 2006, é definido que a remuneração dos diretores compreende a somatória dos honorários mensais e especiais, as participações semestrais nos lucros, a outorga de opções de compra de ações, a concesão de benefícios de qualquer natureza e as verbas de representações. •Na Ata de Reunião do Comitê de Nomeação e Remuneração de 11 de fevereiro de 2008 é decidido que a remuneração total dos executivos deve ser composta por quatro elementos: (i) remuneração mensal fixa, (ii) remuneração variável dinheiro, (iü) remuneração variável opção, e (iv) benefícios; e que a remuneração em opções deve seguir relação direta à remuneração variável paga em dinheiro, na seguinte proporção: (i) VicePresidentes: 85%,: (ii) Diretores Executivos: 85%, (iii) Diretores Gerentes: 50%. Afirma ainda que o valor da remuneração originado pelas opções deve ser calculado pela multiplicação da quantidade de opções outorgadas pelo prêmio (valor) da opção, que por sua vez é calculado pela metodologia Black & Scholes. Verificase, portanto, que o próprio sujeito passivo, em diversos documentos, societários e informativos, reconhece o caráter remuneratório que norteia a outorga de opção de ações aos seus diretores, cuja finalidade principal é a retenção de determinados profissionais e a contratação de outros, ao determinar que o Comitê de Remuneração é o órgão responsável pela definição da remuneração dos diretores, inclusive pela outorga de opções, quantificando as opções outorgadas diretamente com o desempenho dos diretores, bem como com a sua reputação profissional, com o valor dòs seus serviços e com a performance de cada um dentro do período base. Além dos fatos mencionados, a outorga de opções de ações deve integrar o salário de contribuição por ser algo concedido aos diretores pelo fato de trabalharem e continuarem trabalhando para o contribuinte (pois, como descrito anteriormente, as opções são extintas caso o diretor deixe o exercício do cargo, seja por renúncia seja por iniciativa do órgão que o elegeu), em função dos • serviços que prestaram e como contraprestação a eles, e, ainda, sem custo. Dessa forma, fica afastado o risco de q diretor perder capital com a opção de compra de ações. Excluise, assim, qualquer natureza mercantil dessa operação, pois se verifica que ela possui, integralmente, natureza salarial, remuneratória. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 589 40 A indicação dos trabalhadores que poderão efetivar a outorga, como dito anteriormente, tem na sua concepção a manutenção de profissionais, contudo, após essa escolha, ainda condicionar os pagamento a desempenho faz com que, nitidamente, o benefício esteja condicionado ao exercício profissional. Não há qualquer prêmio no momento da assinatura da opção que demonstre qualquer espécie de risco. O risco alegado pela empresa de que no momento que for vender a ação pode ter prejuízo, face as incertezas do mercado não possui qualquer relação com o fato gerador de contribuições ora analisado que nasce do fato da utilidade "ação" fornecida pelo simples trabalho. Ou seja, da titularidade da ação obtida que integra o patrimônio do trabalhador, pois constitui uma forma de remuneração indireta nos termos do art. 22 e 28 da lei 8.212/91. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o A venda das ações no mercado, posteriormente, pode ou não dar enseja a outro fato gerador, qual seja ganho de capital a ser tributado pela Legislação do Imposto de Renda, mas essa discussão só nasce porque o trabalhador recebeu o direito de ter as ações, ou seja, foi remunerado indiretamente. Da mesma forma, alegar que o fato de existir cláusula lock up, traduziria uma espécie de risco, também não merece guarida, já que o trabalhador tem um prazo para permanecer com as ações, mas não está obrigado a vendêlas ao fim desse prazo. Na verdade, é de sua livre escolha, após o prazo estipulado a escolha do momento de mercado mais oportuno para vendêlas. Não há que se falar em qualquer risco. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 590 41 Assim, ao condicionar a opção de compras de ações a condições relacionadas ao desempenho profissional mais evidente se torna que em momento algum tratase de plano mercantil, pelo contrário, o plano de Stock Options ofertado pelo sujeito passivo, nada mais é do que uma retribuição pelo serviços prestado, possuindo nítida feição salarial, assemelhando se a concessão a de um mero prêmio, vez que acaba vinculando o seu pagamento ao implemento da prestação de serviços. Aqui ressalto, questão abordada no início deste voto, qual seja, não devemos nos ater apenas a nomenclatura utilizada pelo contribuinte para definição do salário de contribuição, mas identificar como, na prática davase a concessão do benefício. Conforme já apresentado, não é a nomenclatura que define a natureza, sendo assim, apenas com a apreciação pontual de cada caso submetido a este Conselho é que é possível ter convicção para definir a natureza do plano. Face ao exposto, assim como interpretou o ilustre relator, restou configurada a natureza remuneratória do plano de stock options da empresa autuada. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 591 42 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o excelente voto do relator peço vênia para registrar meu entendimento pessoal no que se refere ao item Incidência de Contribuição Previdenciária sobre a stock options. O Relator afirma que a remuneração baseada em ações, pelas denominadas employee stock options, nos termos antes abordados, pelo menos até o momento em que o empregado ou administrador recebe um instrumento financeiro por seus serviços prestados, possuem natureza bastante diversa das operações de mercado, revestindose de características muito mais próximas da remuneração de serviços, e neste ponto específico acredito ser cabível uma série de ponderações. A meu ver atualmente o comportamento da Administração Pública face ao conceito de salário de contribuição tem demonstrado uma insistente tentativa de alargamento forçado da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Stock Options, devam sofrer tal incidência. Isso por que as Stock Options possuem relação intrínseca com remuneração do capital. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a opção de compra de ações oferecida ao empregado ou prestador de serviço de uma empresa determinada. Para melhor compreender do que se trata a referida verba é importante entender o que diz a Justiça do Trabalho sobre ela, já que a discussão central é se ela compõe ou não o salário de contribuição dos segurados. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 592 43 Seria estranho acreditar que a Justiça do trabalho com viés nitidamente social e protetivo ao trabalhador, o qual é muitas vezes criticado pela sociedade, desconsidere a natureza remuneratória de uma verba sem elementos legais para tanto. Dessa forma, o que vemos é que a jurisprudência majoritária dos Tribunais do Trabalho não atribui natureza salarial a stock options, conforme se vê das seguintes ementas: “STOCK OPTIONS – INCENTIVO AO EMPREGADO – CARÁTER NÃO SALARIAL. Tratandose as denominadas stock options de incentivo ao empregado no desenvolvimento de seus misteres, condicionado, porém, a regras estabelecidas e não sendo gratuito, visto que sujeito a preço, embora com desconto, temse que não guardam tais opções de compra da empresa caráter salarial. Recurso Ordinário obreiro a que se nega provimento, no aspecto” (TRT 2ª Região – 42364200290202002 ROAc.20030636234 – 7ª T – Relª Juíza Anélia Li Chum – DOESP 5.12.2003) OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES ("STOCK OPTION"). REMUNERAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os lucros decorrentes de opções de compra de ações (stock options) não configuram remuneração, nos termos do artigo 457 ou do artigo 458, da Consolidação das Leis do Trabalho. Embora normalmente resultem em acréscimo patrimonial, não visam a remunerar o trabalho, mas a incentivar a obtenção de um melhor desempenho da companhia empregadora, o que as aproxima da participação nos lucros ou resultados. Por outro lado, a aquisição não é obrigatória e, sim, opcional, e as ações são transferidas a título oneroso, o que exclui a hipótese de constituirse salárioutilidade. Além do mais, tais opções implicam risco para o empregado adquirente, uma vez que as ações adquiridas podem valorizarse ou desvalorizarse, circunstância que a distingue do salário "stricto sensu", cujo caráter "forfetário" é conhecido. TRT 15ª Reg. (Campinas/SP), RO 0387200304515857, (Ac. 31971/07PATE, 3ªC.), Rel. Juiz Ricardo Regis Laraia. DJSP 13.7.07, p.76) “STOCK OPTIONS. NATUREZA JURÍDICA. Não se tratando de parcela destinada a contraprestação pelos serviços prestados,os Planos de Opção de Compra de Ações (Stock Option Plan) não ostentam natureza salarial, não integrando a remuneração do empregado nos termos definidos pelos artigos 457 e 458 da CLT.(TRT 15ª Região, RO 0212520071091500 2, Ac 80161/08 PATR 1ªC, DOE 05.12.08, p.54, Luiz Antonio Lazarim) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. Compra de ações vinculada ao contrato de trabalho. Stock options. Natureza não salarial. Exame de matéria fática para compreensão das regras de aquisição. Limites da Súmula nº 126/TST. As stock options, regra geral, são parcelas econômicas vinculadas ao risco empresarial e aos lucros e resultados do empreendimento. Nesta medida, melhor se enquadram na categoria não remuneratória da participação em lucros e Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 593 44 resultados (art. 7º, XI, da CF) do que no conceito, ainda que amplo, de salário ou remuneração. De par com isso, a circunstância de serem fortemente suportadas pelo próprio empregado, ainda que com preço diferenciado fornecido pela empresa, mais ainda afasta a novel figura da natureza salarial prevista na CLT e na Constituição. De todo modo, tornase inviável o reconhecimento de natureza salarial decorrente da possibilidade de compra de ações a preço reduzido pelos empregados para posterior revenda, ou a própria validade e extensão do direito de compra, se a admissibilidade do recurso de revista pressupõe o exame de prova documental O que encontra óbice na Súmula nº 126/TST. Agravo de instrumento desprovido. (TST; AIRR 85740 33.2009.5.03.0023; Sexta Turma; Rel. Min. Mauricio Godinho Delgado; DEJT 04/02/2011; Pág. 2143) PRELIMINAR DE NÃOCONHECIMENTO DO RECURSO DE REVISTA ARGUIDA EM CONTRARAZÕES. I. (...) STOCK OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL. Não se configura a natureza salarial da parcela quando a vantagem percebida está desvinculada da força de trabalho disponibilizada e se insere no poder deliberativo do empregado, não se visualizando as ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT. (...). (TST; RR 3273/199806402 00; Quarta Turma; Rel. Min. Antônio José de Barros Levenhagen; Julg. 15/03/2006; DJU 31/03/2006) Este entendimento não nasceu pronto, ele veio sendo construído ao longo do tempo pela doutrina e jurisprudência. Para o desembargador Sérgio Pinto Martins, no plano de ‘stock options’ o empregado aceita os riscos inerentes ao negócio que lhe é oferecido e às condições contratualmente estabelecidas, pois não há garantia alguma contra perdas decorrentes das flutuações do preço das ações, que são negociadas na Bolsa, o que afasta qualquer natureza salarial: “Stock option plano. Natureza comercial. O exercício da opção de compra de ações pelo empregado envolve riscos, pois ele tanto poderá ganhar como perder na operação. Tratase, portanto, de operação financeira no mercado de ações e não de salário. Não há pagamento pelo empregador ao empregado em decorrência de prestação de serviço, mas risco do negócio. Logo, não pode ser considerada salarial a prestação" (TRT 2ª R. (20030145141) 3ª T Rel. Sérgio Pinto Martins DOESP 08.04.2003). Em decisão ainda mais recente o Tribunal Superior do Trabalho no RR 20100002.2008.5.15.0140, manteve este posicionamento, não entendendo pela natureza remuneratória: (...) PLANO DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Em que pese a possibilidade da compra e venda de ações decorrer do contrato de trabalho, o trabalhador não possui garantia de obtenção de lucro, podendo este ocorrer ou não, por consequência das variações do mercado acionário, Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 594 45 consubstanciandose em vantagem eminentemente mercantil. Dessa forma, o referido direito não se encontra atrelado à força laboral, pois não possui natureza de contraprestação, não havendo se falar, assim,em natureza salarial. Precedente. Recurso de revista de que não se conhece. Alegações de que o que é considerado pela Justiça do Trabalho não impactam naquilo que é compreendido pela Fazenda Nacional no momento de tributar o Contribuinte não podem prosperar. Repiso aqui meu próprio entendimento já registrado no Processo 10680.722449/201054, que embora trate de situações bem diversas aproveita na discussão central. Sendo a meu ver inadmissível para a segurança jurídica que o mesmo fato seja considerado de diferentes formas para o Estado ao mesmo tempo, ou seja, que para a Justiça do Trabalho não seja reconhecida natureza remuneratória de uma verba e para a Receita Federal o seja, unicamente com a finalidade de cobrar contribuição previdenciária O mesmo fato não pode ser considerado de forma distinta quando aplicado sobre a ele a mesma lei. Para cobrar contribuição previdenciária é necessário que seja reconhecida a relação de emprego ou a natureza da verba havida nesta relação, dentro das hipóteses de prestação de serviço previstas em lei que o tomador é o responsável tributário. Nesta seara, a manifestação da Justiça do Trabalho se mostra mais específica, pois é de sua competência o reconhecimento destas relações. Entendo que vínculo de emprego deve ser vínculo de emprego ou a natureza da verba deve ser a mesma sob as mesmas circunstancias seja para o direito do trabalho seja para o tributário. Fato é que, em havendo sua comprovação aí sim, gera efeitos reflexos tributários que estão previstos na legislação previdenciária/tributária. As decisões judiciais que negam natureza salarial as ‘stock options’ fundamentamse no fato destas operações financeiras serem onerosas, porque os empregados compram as ações da empresa pelo preço ajustado previamente, não as recebendo do empregador a título gratuito (doação), e o ganho financeiro obtido pelos trabalhadores resulta da valorização do valor das ações da empresa no momento da alienação, que ocorre muito após a outorga da opção de compra, não caracterizando, portanto, natureza remuneratória, pois, em que pese a possibilidade da compra e venda de ações decorrer do contrato de trabalho, o trabalhador não possui garantia de obtenção de lucro. Desse modo, não há que se falar em incidência de Contribuição Previdenciária sobre tais verbas, ainda que se falasse em tributação, a discussão poderia girar em torno do ganho de capital para tributação de imposto de renda pessoa física. Diante do exposto voto por conhecer o Recurso Especial da Contribuinte e no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 595 46 Declaração de Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Peço licença ao ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior para divergir do seu entendimento quanto a natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações, afastando no caso o caráter remuneratório das verbas. Stock Option Plans são os planos de incentivos a empregados, administradores ou prestadores de serviço baseados em opções para aquisição de ações da própria companhia ou de outra empresa do mesmo grupo (a controladora final, ou holding, por exemplo) em que o profissional trabalha. Nesses planos, é dada opção de compra de ações para determinados profissionais a um preço prefixado, cujo exercício será realizado em data futura predeterminada. Importante citar que embora a previsão de uso de Stock Option esteja no art. 168, §3º da Lei das Sociedade Anônimas, Lei nº 9.604/76, o mesmo dispositivo não nos traz qualquer elemento de definição acerca da natureza jurídica do instituto: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. ... § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. E quanto a este ponto entendo que na essência tais planos possuem natureza mercantil, onerosa, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois decorrem de contrato particular firmado entre as partes e por meio do qual a empresa se obriga a, implementadas as condições, vender ao beneficiário parte de suas ações. Nem toda vantagem ofertada ao empregado ou contribuinte individual pode ser classificada como remuneratória, tal característica somente estará presente se de fato o beneficio assumir caráter primordial de retribuição pelo trabalho, e nos planos de opção de compras de ações não é isso que ocorre. Para o Professor André Mendes Moreira (in Plano de Stock Optins. 'Análise sob o prisma da não incidência de Contribuições Sociais', Revista Dialética de Direito Tributário nº 214) o objetivo perseguido pela empresa é incentivar seus empregados ou prestadores de serviços a aumentar os índices de desempenho da companhia, bem como fomentar o compromisso e a lealdade à empresa. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 596 47 Corroborando com o entendimento acima, cito o jurista Fábio Ulhoa Coelho, que em sua obra intitulada Curso de Direito Comercial (volume 2, p. 170/171, 6ª edição) nos apresenta alguns elementos essenciais deste instrumento: As companhias muitas vezes buscam motivar seus administradores (diretores e membros do Conselho de Administração) e executivos de elevado nível, concedendolhes a oportunidade de participarem dele como acionistas. Quando assumem a condição de sócio, eles passam a ter interesse na distribuição dos lucros, e, por via de conseqüência, nos resultados da companhia. Os administradores e executivos que são também acionistas da sociedade presumivelmente se encontram mais motivados com as tarefas correspondentes às suas funções e cargos. É, assim, comum que as sociedades anônimas outorguem aos membros da administração superior opção de compra de ações. Tratase de negócio jurídico, pelo qual a companhia se obriga, a partir da declaração de vontade do executivo beneficiário (exercício da opção) e pagamento por este do preço, a entregarlhe ações de sua emissão, em quantidade e espécie previamente definidas no instrumento de opção. Além do aspecto citado, ainda há na Stock Optins particularidades que no entender desta Relatora afastam, em regra, o caráter remuneratório do benefício ofertado. Para melhor compreensão citamos os momentos temporais envolvidos no instituto: 1) Aprovação do plano de opção de compras de ações: nos termos art. 168, §3º da nº 9.604/76, a outorga de opção de compra ao empregado ou prestador de serviço exige prévia autorização estatutária, com aprovação, em Assembléia Geral, de um Plano de Concessão e capital autorizado. Considerando que os requisitos acima são prévios a celebração do 'contrato de opção de compra', podem ocorrer casos e que os mesmo são definidos em data posterior a contratação do beneficiado, ou seja, estaríamos diante de vantagem não considerada pelo contratado quando da assinatura do respectivo contrato de trabalho ou de prestação de serviços. No mais, entendo que é nesta etapa que se tornam públicos e delimitados os critérios e condições que compõem o Plano de Concessão e portanto estamos diante de critérios objetivos e desvinculados do serviço prestado. Feita a eleição daquele a quem poderá ser outorgada a opção de compra de ações, não mais se exige o cumprimento de condições vinculadas exclusivamente aos trabalhos desempenhados pela parte envolvida. O que quero dizer é que se há análise de desempenho pessoal essa é feita como condição para oferta do benefício e não para fruição desse, considerando neste último caso o momento do exercício de compra das ações. 2) Celebração do contrato de outorga de opção de compra: neste momento firmase o contrato mercantil por meio da qual a empresa se compromete, mediante pagamento em pecúnia realizado pelo empregado/prestador, a vender determinado número de ações. Fixamse as condições do contrato como número de ações disponibilizadas, valor de cada ação, prazo para o exercício do direito de compra e carência. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 597 48 Considerando os elementos, em especial o temporal (vesting), o que temos até aqui é o mero surgimento de uma expectativa de direito condicionada a evento futuro e incerto para pessoa contratada pela empresa. Assim, vejo um conflito entre a essência de uma parcela tida como remuneratória com o fato de o contrato prever a necessidade de pagamento para o exercício desse direto e ainda o risco de, ao final, não existir qualquer ganho ao empregado/prestador seja pela não implementação de uma condição seja pela própria variação do mercado que leve decisão pela não efetivação da compra. E aqui cabe um apontamento acerca do argumento de que o caráter remuneratório seria reforçado por cláusula que prevê a perda de direito nos casos de desligamento do empregado antes de encerrado o prazo de carência. Ora, se o direito decorrente da stock option assumisse feição de remuneração pelo serviço prestado deverseia reconhecer, nessas circunstâncias, ao beneficiado direito a parcela proporcional ao período trabalhado. 3) Da aquisição (ou não) das ações: aqui iniciase a discussão acerca de eventual ganho ao empregado/prestador. Implementadas as condições do contrato de outorga nasce para o empregado o direito de adquirir as ações. Essa aquisição é facultativa e depende exclusivamente da vontade do empregado. Em regra o valor de aquisição das ações é fixado no contrato de outorga e levase em consideração o valor médio de mercado dos títulos quando da celebração daquele instrumento. Assim, pode ocorrer que na data da opção de compra, o valor das ações esteja avaliado pelo mercado em patamares inferiores ou superiores ao preço pactuado. No primeiro caso poderia haver um ganho ao empregado/prestador, em contrapartida estando o valor abaixo do pactuado deixará de obter qualquer vantagem com a operação. É comum haver nos contratos desta natureza cláusula que mitiga a propriedade do colaborador sobre os títulos, é a denominada cláusula 'lock up'. Nestes casos ainda que feita a opção pela compra das ações o colaborador não assume a total disponibilidade dos títulos ficando impedido de ceder, transferir ou alienar este direito por determinado período, assim, embora em um primeiro momento possa parecer ter havido um ganho, esse pode simplesmente desaparecer quando da implementação dessa condição temporal suspensiva. Importante destacar mais uma vez que, para fazer a opção pela compra da ação, necessariamente deverá haver a contraprestação consubstanciada no pagamento em pecúnia da parte assumida pelo adquirente (empregado/contribuinte individual), ou seja, não representa a stock option uma liberalidade do empregador. O empregador não está retribuindo eventual trabalho realizado, ao contrário, por força contratual, havendo o pagamento ele se obriga a transferir as ações ao novo sócio, caso contrário extinguese a oferta objeto daquele contrato (ainda que tenha havido a efetiva prestação de serviços). No mais, a empresa independente de qualquer movimento não consegue interferir no mercado a ponto de assegurar que o empregado ao final do vesting e cumpridas as demais condições realizará um ganho, ou seja, ainda que se tenha ofertado no passado suposto benefício de adquirir a preço prédeterminado ações no futuro, tal benefício não pode assumir Fl. 597DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 598 49 caráter remuneratório pelo simples fato de não assegurar um ganho ao envolvido quando da sua contratação. Como dizer que remunera trabalho se para receber o empregado tem que pagar pelas quotas e se ainda pode ocorrer situações em que tal remuneração simplesmente não venha existir? Neste ultimo caso, se fosse remuneração pelo trabalho, entendo que mais uma vez deveria ser reconhecido o direito de recebimento de indenização pela perda registrada, afinal o labor deve ser remunerado. Assim, no caso das stock options, diante da sua natureza não remuneratória seria desnecessário que o art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 nos trouxesse exceção expressa em relação as essas verbas, pois estamos diante de hipótese de não incidência da contribuição previdenciária haja vista o disposto no art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; O legislador infraconstitucional ao regulamentar a Contribuição, por meio da Lei nº 8.212/91, reproduziu no art. 22 a essencialidade das verbas que compõe o fato gerador: total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Entendo que o citado §9º do art. 28, observando as limitações legislativas impostas pode ampliar as hipóteses nas quais dispensará o recolhimento do tributo, mas jamais pode utilizar essa norma para fazer incluir na base de cálculo do fato gerador o recebimento de verba que não foi paga ou creditada em razão do trabalho. Ao delimitar a base de cálculo a Lei nº 8.212/91 e a Constituição Federal abarcam apenas as verbas que atendam, cumulativamente, os requisitos da retributividade e o da habitualidade, os quais como dito não estão presentes nos planos em questão. Sobre o ponto acima, o Jurista Fábio Zambitte no artigo "Stock Options e contribuição previdenciária" (disponível em: <http://www.fabiozambitte.com.br/pt/artigos/85 stockoptionsecontribuicaoprevidenciaria> acesso em: 19 set. 2017), em resposta ao questionamento se haveria incidência da contribuição previdenciária sobre toda e qualquer vantagem fornecida a empregados, esclarece: Fl. 598DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 599 50 Tal aspecto é relevante, pois, não raramente, confundemse as bases previdenciárias e do imposto de renda. Esta, ao contrário da primeira, alcança toda sorte de rendimentos, do trabalho ou do capital, desde que viabilizem incremento patrimonial (renda líquida). A contribuição previdenciária, por sua vez, como instrumento de financiamento de prestações previdenciárias, substituidoras do rendimento do trabalho de segurados, não possui qualquer liame com rendimentos do capital, haja vista a irrelevância dos mesmos para a proteção social. ... Não podemos estabelecer uma sinonímia entre rendimentos do trabalho e pagamentos derivados do contrato de trabalho. Somente os primeiros, por possuírem natureza contraprestacional, podem ser objeto de incidência previdenciária. Nem toda vantagem fornecida a empregados terá, como finalidade, remunerálos pela prestação do serviço. Tal aspecto é ainda mais relevante em planos de ações, quando empregados são estimulados a aderir como forma de fidelização da mãodeobra, comprometimento profissional e alinhamento com acionistas. A lei 8.212/91 não destoa de tais premissas, ao expor que, independente da denominação, somente parcelas remuneratórias devem ser tributadas. A remuneração, em sua acepção jurídica – e não econômica ou contábil – possui delimitação tradicionalmente reconhecida, seja pela doutrina ou jurisprudência. O alargamento artificial de tais fronteiras em nada ajudará o combalido sistema protetivo brasileiro. Vale destacar que, embora entenda pela natureza eminentemente mercantil desses planos, não podemos aplicála indistintamente, pois é comum que empresas objetivando reduzir os reflexos decorrentes deste utilizem mecanismos para camuflar pagamentos diretamente relacionados com o contrato de trabalho, aqui adotado no sentido amplo. No caso de a empresa descumprir os requisitos legais e contratuais fixados, por exemplo subsidiando o valor das ações, aplicando formas de se evitar qualquer desembolso efetivo do empregado/prestador, simulando situações para eliminar prejuízo aos beneficiários, deverá sim ser atribuída natureza remuneratória a tais vantagens. Estaríamos diante de abuso de forma que deve ser veemente combatido. Neste sentido se faz essencial, para fins de incidência da contribuição previdenciária, analisar se no caso concreto o programa ofertado pela empresa cumpriu ou não a finalidade e os requisitos essenciais da stock option. E aqui, embora o lançamento tenha feito uma extensa explanação dos motivos que levaram a desconsideração dos planos atribuindolhe efeito remuneratório, alguns pontos merecem destaque: 1) comprovação de tratarse de opção onerosa ao adquirente das ações, exigindose o pagamento (desembolso efetivo) do valor corresponde aos títulos adquiridos. Relevante mencionar a previsão de que uma vez exercida a opção o respectivo titular deverá pagar o preço do exercício em prazo igual ao vigente para liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo Cláusula 6.2 do Plano. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16327.721357/201224 Acórdão n.º 9202006.628 CSRFT2 Fl. 600 51 2) Valor de aquisição não foi subsidiado: a definição do preço de aquisição levava em consideração a média do valor de mercado das ações de no mínimo um e no máximo três meses anteriores a data da emissão das opções, podendo sofrer um ajuste de 20% e ainda estavam sujeitas a incidência de juros e correção monetária pelo IGPM. Inexistiu cessão gratuita ou subsidiada quando da oferta ou aquisição dos títulos. 3) Cláusula lock up: mesmo após o exercício da opção de compra o beneficiário não adquiria a propriedade plena de todas as ações, era necessário o cumprimento de um novo prazo de carência para que as ações pudessem ser negociadas pelo adquirente, ou seja, o risco da obtenção de vantagens pelo trabalhador era maximizado após a compra das ações. Vale mencionar que o Contribuinte junta aos autos "Termo de Constatação" elaborado pela KPMG (empresa de auditoria independente) o qual demonstra que nas situações simuladas pela empresa restou comprovado que o beneficiário não experimentou ganhos ou, quando este ocorreu, diante da clausula de lock up, foi em proporção bem menor do que o esperado, o que deixa claro o risco da operação. Assim, havendo nos autos a comprovação de elementos/requisitos que afastam a caracterização das verbas apuradas como remuneração, devese concluir pela improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.686569/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
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Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 65 69 /2 00 9- 91 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.686569/200991 Acórdão n.º 1302002.737 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (DERAT), o pedido de compensação anteriormente transmitido pelo contribuinte não foi homologado, uma vez que, nos termos constates do Despacho exarado, contatouse que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, preliminarmente, que o crédito não foi identificado, uma vez que houve um erro interno, já que, uma vez identificado o pagamento indevido ou a maior, olvidou se de retificar as suas DCTF's. Assim, segundo alega, esta ausência de retificação impossibilitou a fiscalização de identificar o crédito apontado em seu pedido de compensação. Afirma que retificou as DCTF's após o recebimento dos despachos decisórios, que acabaram por não homologar os diversos pedidos de compensação apresentados no período. Alegou, ainda, que o seu direito creditório decorre da interpretação da Receita Federal do Brasil, exarada na resposta de consulta de nº 07/2009, em que restou definido que "a venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para uso (de prateleira, standard) é classificada como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é de oito por cento". Com essa nova interpretação, alegou, o Recorrente, que identificou o erro na apuração do IRPJ e da CSLL, resultando em um recolhimento indevido ou a maior destes tributos. E exatamente por conta desses recolhimentos a maior é que apresentou os pedidos de compensação, utilizando os créditos originados do pagamento indevido ou a maior (resultantes da interpretação exarada pela Receita Federal do Brasil), para pagar débitos próprios, nos termos e contornos exigidos pela legislação. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente. Como fundamento da decisão, o acórdão considerou (i) a impossibilidade de se analisar as DCTF's retificadas após o início do procedimento fiscal e (ii) que o contribuinte não comprovou que fabrica software prontos para o uso (de prateleira). Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. No que tange às retificações das DCTF's, o Recorrente alega que mesmo tendo sido as retificações realizadas após o procedimento fiscal, são elas as DCTF's retificadas que comprovam a realidade das suas operações e que, por isso, não podem ser desprezadas pelos órgãos judicantes. Por outro lado, anexa aos autos documento em que detalha o seu processo de produção, para concluir que produz softwares prateleira e, por isso, teria o direito de se valer da Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.686569/200991 Acórdão n.º 1302002.737 S1C3T2 Fl. 4 3 forma de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos exarados pela Receita Federal do Brasil, através de solução de consulta. Junta aos autos, ainda, planilha em que segrega suas vendas, com arrimo na DIPJ, que também anexa aos autos. Assim, pede provimento ao Recurso Voluntário e o consequente reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.731, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.686567/200900, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302 002.731): "[...] Aqui, vejam bem, existem dois motivos para entender que, ainda que o direito ao crédito seja plausível, semelhante plausibilidade somente alçaria ares de verdade absoluta a partir da prova de que: a) as DCTFs retificadas contemplavam informações corretas e acompanhadas de documentos que lhes comprovavam a veracidade; b) tendo origem em classificação equivocada da atividade desenvolvida, mormente quanto ao tipo de software que seria objeto de venda ou cessão, trouxesse o contribuinte a prova de que, efetivamente, seus programas de computador seriam aqueles considerados como de prateleira (isto é, softwares fechados, sem transferência de código fonte). O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes dois fatos, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.686569/200991 Acórdão n.º 1302002.737 S1C3T2 Fl. 5 4 com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, e no caso presente, como as premissas do pleito compensatório eram, num primeiro momento, a existência do crédito a partir da retificação de DCTFs e, num segundo momento, o erro de classificação da atividade do contribuinte (que, digase, resultou, justamente, na retificação da declaração anteriormente citada), competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, nos estritos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.2351, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. E nem se diga que ao caso se aplicaria a exceção descrita na alínea "c", acima, já que o próprio contribuinte cuidou de informar que a origem dos créditos objetos deste feito seria a já citada reclassificação de sua atividade (de prestação de serviços para comercialização de produtos/mercadorias); ou seja, a natureza dos softwares, a parcela da receita a que se referiria a venda destes softwares, e a veracidade das informações contidas nas DCTFs retificadoras não são questões novas, surgidas apenas a partir do julgamento realizado pela DRJ; foram, desde logo, suscitadas pelo recorrente (conforme se extrai especificamente da alegação constante de efls. e, digase, não demonstradas. Não podemos, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, por fundamentos metajurídicos2, e ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou a própria DRJ, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido 1 A que está sujeito procedimento instaurado a partir da oposição da manifestação de inconformidade, por força de previsão explicita contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. 2 Ainda que me condoa do contribuinte e ainda que, aparentemente, haja uma "fumaça de bom direito" em sua tese, a prova de sua efetiva existência tinha que ter sido produzida no momento oportuno. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.686569/200991 Acórdão n.º 1302002.737 S1C3T2 Fl. 6 5 concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Insisto, não encontro óbices para considerar as informações prestadas mediante declaração retificadora após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo já aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas. Como não se verificam, no concreto, a ocorrência das situações descritas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235 e, lado outro, como o contribuinte não produziu as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto anteriormente invocado, como, também, e como já dito, o princípio da isonomia. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.958206/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
ACÓRDÃO. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
E nulo o acórdão que apresenta como razão de decidir fundamento ainda não trazido ao processo, diferente do que embasou o Despacho Decisório, suprimindo instância e cerceando o direito pleno de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 1302-002.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão recorrido e determinar o seu retorno à DRJ para novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 ACÓRDÃO. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. E nulo o acórdão que apresenta como razão de decidir fundamento ainda não trazido ao processo, diferente do que embasou o Despacho Decisório, suprimindo instância e cerceando o direito pleno de defesa do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão recorrido e determinar o seu retorno à DRJ para novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Flávio Machado Vilhena Dias.
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INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. E nulo o acórdão que apresenta como razão de decidir fundamento ainda não trazido ao processo, diferente do que embasou o Despacho Decisório, suprimindo instância e cerceando o direito pleno de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão recorrido e determinar o seu retorno à DRJ para novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 82 06 /2 01 3- 49 Fl. 3711DF CARF MF 2 Reproduzo relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos: A Interessada transmitiu Declarações de Compensação (DCOMP) em que aponta crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL (SNCSLL), relativo ao anocalendário (AC) de 2009, no montante de R$73.185.995,69. A DCOMP com demonstrativo do crédito é a de nº 18632.76799.161211.1.7.030044. Foram transmitidas outras DCOMP referentes ao mesmo crédito. 2. A DERAT/SP exarou Despacho Decisório, em 04/03/2014, em que não foi reconhecido direito creditório, relativo ao SNCSLL apurado no AC 2009, e não homologadas as compensações pleiteadas nas DCOMP apresentadas, visto que o valor do saldo negativo disponível apurado foi zero. 2.1. No Despacho Decisório foi relatado que: “Analisadas as informações prestadas ... e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: (...) CSLL devida: R$153.932.661,78 (...) Valor do saldo negativo disponível: R$0,00 (...)”. Obs.: Estim. Com. SNPA = Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores. 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório, em 14/03/2014 (AR; fl. 48), e dele recorreu a esta DRJ, em 03/04/2014, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 56 a 79): I DO DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS 3.1. Após a análise dos créditos referentes ao SNCSLL informado nos PER/DCOMPS, a Receita Federal do Brasil – RFB entendeu que a prova do imposto pago no exterior sobre o lucro disponibilizado pelas controladas dos anos de 2008 (crédito transportado do AC 2008 para 2009 em razão do prejuízo fiscal apurado nos termos do art. 14, §§ 15 a 17 da IN SRF n° 213, de 07/10/2002) e 2009 atendia apenas parcialmente à legislação, excluindo tais valores da composição do saldo negativo da CSLL (crédito compensado). 3.2. Igualmente, também não foram reconhecidos na composição do SNCSLL montantes decorrentes de “compensações de estimativas com saldo de períodos anteriores através de Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.712 3 DCOMPS”, no valor de R$7.202.802,64 (R$9.433.063,66 R$2.230.261,02). Os valores confirmados e os não confirmados no Despacho Decisório estão descritos na tabela abaixo: (...) 3.3. Na análise dos PER/DCOMPS de compensação, a Fiscalização intimou a Impugnante para apresentar informações e documentos pertinentes ao aproveitamento do crédito de imposto pago no exterior ora relacionados: (a) comprovantes do Imposto pago no exterior no valor de R$117.105.822,58; (b) demonstrativo de conversão em moeda Nacional do imposto pago no exterior; (c) demonstrativo de inclusão do lucro e rendimentos na base do imposto no Brasil, com a indicação na DIPJ e indicação dos documentos contábeis; e (d) demonstrativo dos cálculos dos valores compensados de IR do exterior, individualizados por filial, sucursal, controlada ou coligada, com a observância dos limites legais. 3.4. Em atendimento à intimação, a Impugnante apresentou a integralidade dos documentos solicitados, bem como prestou informações nos seguintes termos: Quesitos “A” e “D”: "O valor de R$117.105.822,58 tem origem de pagamento de imposto sobre renda referente a lucros auferidos pelas empresas Quinsa S.A. e Labatt Aps e empresas nas quais elas detém participação societária. O valor do imposto pago no exterior e compensado pela intimada de R$117.105.822,58 foi calculado nos termos da legislação de regência, conforme detalhamento abaixo: 1. Levantamento dos pagamentos de imposto sobre a renda realizados pelas empresas Quinsa e Labatt e empresas nas quais elas detém participação societária, nos anos de 2008 e 2009 (Doc.01)" (Planilhas com a composição do imposto pago, retido e compensado no exterior dos anos de 2008 e 2009) "A intimada anexa a árvore societária correspondente às empresas no exterior acima referidas para permitir o confronto do imposto pago no exterior por essa Delegacia (Doc. 02). Importante notar que a Intimada não utilizou a totalidade dos pagamentos acima, vez que respeitou as regras de cálculo e limites constantes da Instrução Normativa SRF 213/2012, da seguinte forma:" (Planilhas de cálculo do imposto passível de compensação dos anos de 2008 e 2009 com a observação de que em 2008 o crédito do imposto pago no exterior não foi utilizado em razão do prejuízo fiscal apurado) "Desta forma, resta demonstrado a origem do valor de R$117.105.822,58." Fl. 3713DF CARF MF 4 Quesito "B": “2. Demonstrativo da conversão em reais do IR pago no exterior, conforme art. 26, §2° da Lei 9.249/1995. A intimada apresenta planilha enumerando todos os pagamentos, compensações e retenções efetuadas no exterior pelas empresas Labatt Aps e Quinsa S.A. e empresas nas quais elas detêm participação, contendo as demonstrações de cálculo e taxas de conversão para reais (Doc. 03).” Quesito "C": 3. Demonstrativo de quando os lucros, rendimentos ou ganhos de capital correspondentes foram computados na base de cálculo do imposto, inclusive especificando a Ficha e linha DIPJ nas quais foram declarados, acompanhado da escrituração contábil comprobatória, em conformidade com o art. 25 e parágrafos 1º e 6º da Lei 9.249/1995 e art. 6o e parágrafos 1º a 7º da Instrução Normativa SRF 213, de 2002. Os valores constantes na memória de cálculo do item 1(11) acima, quais sejam, os lucros auferidos pelas empresas Quinsa S.A. e Labatt Aps, os quais incluem os resultados auferidos pelas empresas nas quais elas detém participação, foram computados na base de cálculo do IRPJ/CSLL pela Intimada nos anos de 2008 e 2009, conforme comprovase pelas DIPJs dos AC 2008 e 2009 (DOC. 04), lançados da seguinte maneira: (planilha com os lançamentos de 2008 e 2009 do lucro declarado por empresa) Importante ressaltar que estes lucros gerados pelas empresas Quinsa e Labatt foram disponibilizados nas Demonstrações Financeiras das mesmas nos anos de 2008 e 2009 (DOC. 05). Assim, a Intimada ofereceu à tributação tais rendimentos nos anos de 2008 e 2009, uma vez que, nos termos do artigo 2o da IN 213/2002, a disponibilização dos lucros nos balanços das empresas coligadas e controladas já são fatos geradores para a tributação dos mesmos. Resta comprovado, assim, a adequação da Intimada às determinações legais." 3.5. Não obstante os documentos juntados e as informações prestadas, sobreveio despacho decisório não homologando as compensações declaradas, pelas seguintes razões: A) Crédito de imposto pago no exterior: o Auditor Fiscal não reconheceu o crédito declarado de R$117.105.822,58 em razão da documentação apresentada atender parcialmente a legislação. Nas suas razões, conforme justificativa apresentada no processo administrativo n° 16692.720089/201346, a não confirmação do crédito devese exclusivamente pela ausência de apresentação dos comprovantes devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira. B) Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores, com Processo Administrativo, Processo Judicial ou DCOMP: No que se refere ao crédito de estimativas compensadas, o Auditor fiscal, através do detalhamento do Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.713 5 crédito analisado, apresentou relação de 2 (duas)PER/ DCOMPS em que supostamente as compensações não teriam sido homologadas. Por esse motivo, o Auditor Fiscal afastou o crédito de R$ 7.202.802,64 da composição do saldo negativo de CSLL do período. 3.6. Sobre o crédito não confirmado decorrente da ausência de apresentação dos comprovantes devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira, que representa R$117.105.822,58, é fundamental ressaltar que todos os demais requisitos para validação do crédito foram tidos como atendidos pela Fiscalização. Dessa forma, a Impugnante procedeu em total observância às disposições do art. 14 da IN SRF n° 213, de 07/10/2012, o que significa: (i) a conversão do imposto pago no exterior para moeda Nacional; (ii) o cálculo do limite do crédito passível de compensação; (iii) a demonstração da inclusão dos lucros no exterior na DIPJ; e (iv) as demais formalidades contábeis e fiscais exigidas. 3.7. Precisamente sobre a demonstração da inclusão do IR pago no exterior na DIPJ 2010, o crédito total de R$117.105.822.58 é composto pela soma dos seguintes montantes: (a) O valor de R$46.009.221,46 (Ficha 16 linha 06 pág. 19 Imp. Pago no Ext. s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital): Mês de dezembro. (b) O valor de R$71.096.601,12 (Ficha 17 linha 69 Imp. Pago no Ext. s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital): Linha 76: CSLL a Pagar = R$73.185.995,69 3.8. Já sobre a parcela do saldo negativo decorrente de compensações de estimativas não confirmadas (não homologação das DCOMPS), deve ser suspensa a presente ação (sic) até que sejam proferidas decisões administrativas definitivas envolvendo tais compensações. 3.9. Confiramse, pois, as razões para a total procedência desta Manifestação de Inconformidade. II DAS RAZÕES PARA RECONHECIMENTO DO SALDO NEGATIVO DO ANOCALENDÁRIO DE 2009 DECLARADO EM DIPJ A) DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR DESNECESSIDADE DE CONSULARIZAÇÃO DAS GUIAS R$117.105.822,58 Fl. 3715DF CARF MF 6 3.10. Nos termos da justificativa do Auditor Fiscal, o não reconhecimento do crédito de R$117.105.822,58 decorre da ausência de apresentação dos comprovantes de pagamento reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da embaixada Brasileira. A justificativa está formalizada no processo administrativo n° 16692.720089/201346, fls. 2521/2522: De acordo com a legislação acima citada, os documentos apresentados pelo contribuinte não serão admitidos para a comprovação do valor utilizado como dedução a título de IR pago no exterior da CSLL devida no anocalendário 2009, pois o contribuinte não apresentou os respectivos comprovantes devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira. 3.11. A legislação referida pelo representante do FISCO faz referência à exigência disposta na justificativa, todavia também prevê a dispensa legal da consularização quando comprovada a incidência do imposto no exterior através de documento de arrecadação apresentado, razão pela qual a Impugnante não trouxe à Fiscalização as guias consularizadas. Vejase o teor do art. 16 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, também citado pelo Auditor Fiscal: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: (...) § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: (...) II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2° do art. 26 da Lei n° 9.249. de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. 3.12. A previsão contida na norma citada é clara e objetiva, já que dispensa a apresentação da consularização quando comprovada a incidência do imposto no exterior através da apresentação das guias de recolhimento. 3.13. Ressaltase, no tópico, que a prova apta para a comprovação dos pagamentos, em razão da dispensa legal de consularização, são as respectivas guias apresentadas na forma do art. 16, § 2o, II, da Lei n. 9.430/96 e da Solução de Consulta da RFB: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 54 de 19 de Agosto de 2011 Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.714 7 EMENTA: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES. Para efeito de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A pessoa jurídica fica dispensada dessa obrigação quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. DOCUMENTOS EXPEDIDOS NA ARGENTINA. No caso de documentos expedidos na Argentina, aplicase, no que couber, o disposto no Acordo, por troca de notas, sobre Simplificação de Legalizações em Documentos Públicos, de 16 de outubro de 2003, publicado no Diário Oficial da União em 23 de abril. 3.14. Portanto, a interpretação dada pelo Fiscal diverge da orientação adotada pela própria RFB através da Solução de Consulta acima transcrita, bem como contraria jurisprudência do CARF sobre a questão. Vejase ementa de julgado da 2a Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através do acórdão n° 10249058 , de 28/05/2008, referente ao processo administrativo n° 10768.009918/200195, nesse sentido: IRPF. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. O imposto pago no exterior é dedutível quando há reciprocidade de tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento através da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado. Não se exige do sujeito passivo a demonstração da não compensação ou da não restituição do tributo no país de origem dos rendimentos. Recurso provido. 3.15. Conforme razões de julgamento expostas no acórdão referido, que acompanha a presente Manifestação de Inconformidade (doc. 03), o Conselho de Contribuintes, com fundamento na legislação atual, considera suficiente a simples tradução juramentada das referidas guias para aproveitamento do crédito do imposto pago no exterior. Segue trecho da decisão em que apreciada a questão: Quanto aos comprovantes de pagamento do imposto na Argentina, a Recorrente anexou ao seu recurso a tradução feita por tradutor juramentado, que tem sido considerada suficiente pela jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes Fl. 3717DF CARF MF 8 para provar o pagamento do tributo no exterior. É o que se extrai dos acórdãos que tiveram as seguintes ementas: IRPF IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR Pode ser deduzido do imposto apurado na declaração de ajuste anual o valor equivalente ao imposto pago no exterior, desde que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil ou, ainda, nos casos de acordo ou convenção fumado com o pais de origem dos rendimento». O ordenamento jurídico pátrio exige, inda, para a produção de efeitos de documentos redigidos em língua estrangeira, que sejam acompanhados de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Recurso parcialmente provido." (Recurso 140.080, 6ª Câmara, Relator Gonçalo Bonet Allage, j. 11.08.2005, m. v.) "IRPF • IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR Os valores relativos a imposto pago no exterior poderá ser deduzido do imposto apurado na Declaração Anual, observadas as regras fixadas nos acordos firmados com o país de origem dos rendimentos, desde que acompanhados pela documentação pertinente e a respectiva indução formalizada por tradutor juramentado. Recurso provido." (Recurso 136.335, 6ª Câmara, Relator Romeu Bueno de Camargo, j. 09.07.2004, v.u.) 3.16. Portanto, em razão da dispensa legal de consularização das guias do imposto pago no exterior para fins de compensação do crédito no Brasil na forma do art. 16, § 2o, II, da Lei n. 9.430/96, deve ser reconhecido o crédito com base nas guias apresentadas à Fiscalização, homologandose as compensações declaradas na integralidade. 3.17. Contudo, acaso ignorada a dispensa contida no artigo de Lei supra citado para reconhecimento das guias do exterior, bem como no caso de divergirem da orientação da RFB e CARF, sobre a questão, a Impugnante apresentará, em complementação, os documentos devidamente consularizados e traduzidos conforme exigência prevista no art. 26, § 2o da Lei 9.249/1995. 3.18. Não obstante, indo adiante, não é demais reafirmar que todos os pagamentos no exterior foram discriminados mês a mês, com a respectiva conversão para moeda nacional na data dos pagamentos e oferecidos à tributação na DIPJ 2010 (Ficha 16 linha 06 pág. 19 e ficha 17 linha 69). Foram também elaborados os cálculos para aproveitamento do crédito de CSLL após a compensação do IRPJ, com a consequente limitação pela alíquota incidente no Brasil que observou o percentual de 9%, Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.715 9 resultando no crédito que compôs o saldo negativo de CSLL compensado. 3.19. Com efeito, a prova da regularidade da compensação, com os cálculos legais antes referidos e demonstração da inclusão dos lucros e demais receitas nas respectivas declarações fiscais e livros contábeis dos anos de 2008 e 2009 foram feitas ainda em fase de fiscalização, estas devidamente homologadas pelo Auditor Fiscal responsável (fls. 2.079 até 2.520 do processo de fiscalização). 3.20. Diante disso, requer a homologação das compensações, admitindose os comprovantes de pagamento do imposto no exterior na forma do art. 16, § 2o, II, da Lei n. 9.430/96, reconhecendo assim a validade das guias apresentadas em sede de fiscalização ou, entendendo de modo diverso, que ao menos possibilitem a consularização das guias necessárias durante o curso da presente irresignação, nos termos do art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, já que necessárias diligências adicionais perante Embaixadas do Brasil no exterior para esse fim. B) DO CRÉDITO DE COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS R$7.202.802,64 3.21. Em relação às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, estas não foram homologadas pelo fundamento de que estão vinculadas a processos de análise de crédito não homologados. 3.22. Nos casos de compensação não homologados, nos quais existem despachos decisórios não reconhecendo o crédito declarado, importante registrar que sua existência e suficiência está sendo discutida administrativamente nos processos administrativos abaixo descritos (docs. 04 e 05): 3.23. Para estes pedidos de compensação, que compõem o crédito de SNCSLL AC 2009, exercício de 2010, os despachos decisórios não são definitivos, pois discutidos através de recursos dotados de efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III do CTN. 3.24. Isso quer dizer que, mesmo que não reconhecidos no primeiro momento (Despacho Decisório), esses créditos estão em discussão e as decisões neles repercutirão diretamente sobre o crédito aqui defendido, motivo pelo qual as discussões devem ser apensadas para evitar decisões conflitantes sobre o mesmo direito creditório. Fl. 3719DF CARF MF 10 3.25. Não obstante, no caso em que V. Sas. decidam pela apreciação desses créditos neste processo, ratifica a Impugnante todos os termos das Manifestações de Inconformidade e Recursos administrativos pendentes de julgamento, que acompanham, em cópia (Docs. 4 e 5), a presente impugnação. 3.26. Por todo o exposto, em relação a todos os créditos relacionados com as compensações de estimativas, o julgamento deve ficar suspenso até sejam proferidas decisões administrativas definitivas naqueles processos vinculados a tais parcelas de crédito que compõem o SNCSLL AC 2009, exercício de 2010. III DOS PEDIDOS 3.27. Ante o exposto, requer o provimento desta Manifestação de Inconformidade para que sejam homologadas as compensações referentes aos PER/DCOMPS n°s. 38138.25319.251013.1.3.03 6175, 18632.76799.161211.1.7.030044, 20013.28847.041010.1.3.031624, 12102.01827.221010.1.3.03 4044, 34374.16648.281212.1.7.037207, 14501.16288.281212.1.7.030121, 32712.73904.281212.1.7.03 2315 e 34772.40780.281212.1.3.038480, diante dos fundamentos de fato e de direito expostos ao longo desta, e dos documentos que se façam necessários complementar oportunamente. 3.28. Já no que diz respeito às parcelas do saldo negativo vinculadas às estimativas compensadas pendentes de decisão administrativa, requer a suspensão da apreciação destas parcelas até que sejam proferidas as decisões administrativas definitivas nos respectivos processos que envolvem as DCOMP's pelas quais tais estimativas foram compensadas. 3.29. Reitera, nos termos do art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, o pedido de juntada de documentos complementares que entendam Vossas Senhorias indispensáveis para reconhecimento do crédito. 4. Em 11/07/2014, a Recorrente peticiona a juntada de documentos, nos seguintes termos, sinteticamente (fls. ): 4.1. Requer a juntada de cópia das guias devidamente consularizadas e traduzidas da empresa LABATT BREWING COMPANY TD recolhidas no Canadá, conforme postulado em sede de Manifestação de Inconformidade. 4.2. As guias apresentadas nesta manifestação estão discriminadas na planilha abaixo e perfazem o valor de R$511.702.090,84; (...). 4.2.1. Observase que nada foi trazido, em relação à empresa Quinsa S.A., com sede em Luxemburgo. 4.3. Quanto às demais guias referentes aos créditos de imposto pago no exterior, a Recorrente informa que está providenciando a devida consularização perante os países de origem, embora, segundo ela, não exista obrigação legal para tanto, e as apresentará oportunamente nos autos. Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.716 11 4.4. Pugna pela juntada dos documentos, declara que são autênticas as cópias acostadas e informa que as originais foram apresentadas no PA 10880.958205/201302. Julgando o litígio, a 4ª Turma da DRJ de São Paulo decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo, contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 IR PAGO NO EXTERIOR. NÃO ATENDIMENTO DOS QUESITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado o atendimento dos quesitos legais que autorizam a dedução do IR que teria sido pago no exterior, glosase os valores deduzidos a tal título na apuração da CSLL a pagar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. PEDIDO DE SUSPENSÃO DO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há como sobrestar o exame do presente processo até decisão a ser tomada em relação ao outros processos administrativos por falta de previsão legal e em atendimento ao princípio da oficialidade. Notar que eventual sucesso nos referidos processos será insuficiente para gerar direito creditório em favor da Recorrente. Em sua decisão a Turma da DRJ considerou que o imposto de renda pago no exterior não foi confirmado porque a "documentação apresentada pelo contribuinte não atende à legislação". Assim, transcrevendo toda a legislação pertinente, concluiu que para compensar imposto pago no exterior há necessidade de atendimento a diversos requisitos, destacando: 9.1.3.1.1. os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente tenham sido computados no lucro líquido (lucro real), até o final do segundo AC subsequente ao de sua apuração; Fl. 3721DF CARF MF 12 9.1.3.1.2. em relação aos lucros, a pessoa jurídica apresente à RFB as demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior (que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil), e as transcreva ou copie no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil; 9.1.3.1.3. o documento relativo ao IR pago no exterior tenha sido reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que devido o imposto (ou, alternativamente, se comprove que a legislação do país de origem do lucro preveja a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado); 9.1.3.1.4. o imposto a ser compensado tenha sido convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio fixada pelo Banco Central do Brasil, para venda, na data em que o imposto foi pago; 9.1.3.1.5. tenha sido calculado o limite compensável, conforme previsto nos §§ 9º a 11, do artigo 14, da IN SRF 213/2002; e 9.1.3.1.6. in casu, o imposto pago no exterior no AC 2008 e não compensado naquele ano em face da Recorrente nele ter apurado prejuízo fiscal – deveria ter seu valor controlado na Parte B do LALUR. E continua o voto condutor do acórdão recorrido, informando que foi aceita, em nome do princípio da verdade material, a juntada dos comprovantes de pagamento relativos à LABATT BREWING XOMPANY LTD, com a devida consularização, atestando que, aparentemente, atendem às exigências estabelecidas no § 2º do artigo 395 do RIR/99, embora seja uma apresentação parcial de provas. Afirma, no entanto, que o fato de a autoridade administrativa ter fundamentado sua não aceitação do imposto pago do exterior na falta de atendimento ao previsto no § 2º do artigo 395 do RIR/99 não significa que as demais condições legais tenham sido atendidas. E continua: 9.1.9. E compulsando o PA 16692.720089/201346, não se observa: (i) a apresentação das demonstrações financeiras levantadas pelas controladas no exterior, individualizadamente, que devem ser mantidas em boa guarda à disposição da RFB e transcritas ou copiadas no Livro Diário, o que também não restou comprovado (RIR/99, artigos 394, §§ 5º, inciso I e 10 e 395, § 4º; IN SRF 213/2002, artigo 6º, §§ 1º, 5º e 6º solicitado no item 3 do TIF; subitem 9.1.4.1.); e (ii) a apresentação dos cálculos especificados nos §§ 9º a 11, do artigo 14, da IN SRF 213/2002 (com e sem a inclusão dos lucros/tributos obtidos/pagos no exterior, sob exame solicitado no item 4 do TIF). Além disso, não consta comprovação da contabilização na Parte B do LALUR do imposto pago no exterior no AC 2008 (IN SRF 213/2002 , art. 14, §§ 15 e 16; subitem 9.1.3.1.6.). 9.1.9.1. Em relação à apresentação das demonstrações financeiras, importa reproduzir Solução de Consulta nº 316, de Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.717 13 03/09/2009, exarada pela SRRF da 8ª Região Fiscal, assim ementada: “ATIVIDADES EXERCIDAS NO EXTERIOR As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração das demonstrações financeiras no país de domicílio, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. As demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil, deverão ser mantidas em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o transcurso do prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir crédito tributário com base nessas demonstrações, devendo as referidas demonstrações serem transcritas no livro "Diário” da pessoa jurídica no Brasil.” Por fim, cita os artigos 15 e 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, e diz que as provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, "precluindo o direito do Recorrente fazêlo em outro momento processual, sendo ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui. Com isso, conclui que as alegações da empresa não estão comprovadas, de modo que o imposto informado como pago no exterior não pode ser incluído na apuração do saldo negativo de CSLL. Mantém o decidido no despacho decisório no que se refere à estimativa cuja DComp foi considerada nãohomologada. Considera improcedente a manifestação de inconformidade. Não satisfeita com o decidido, a AMBEV apresentou Recurso Voluntário alegando, resumidamente: a) nulidade da decisão pela utilização de critério diverso do praticado no despacho decisório: enquanto o despacho decisório informou o descumprimento de um único requisito, qual seja, a ausência de circularização e tradução das guias adimplidas no exterior, a decisão da DRJ, embora reconheça a apresentação parcial daquelas guias em conformidade com a lei, deixou de considerálas por entender que outros requisitos não haviam sido atendidos, tais como (i) a apresentação das demonstrações financeiras levantadas pelas controladas no exterior, individualizadamente, que devem ser mantidas em boa guarda à disposição da RFB e transcritas no livro Diário; (ii) a apresentação dos cálculos especificados nos §§ 9º a 11 do artigo 14 da In SRF nº 213/2002; e, a comprovação da contabilização na Parte B do Lalur do imposto pago no exterior. Isto implica negativa de vigência aos artigos 142 e 146 do CTN, na medida em que a autoridade fiscal não apresentou no despacho decisório a ausência de registros fiscais e contábeis como critério jurídico para o indeferimento, não podendo a DRJ fazer tal correção de critério jurídico. Cita jurisprudência. Fl. 3723DF CARF MF 14 b) do preenchimento dos requisitos necessários para a validação do crédito: A conclusão do relator do acórdão recorrido é de que o crédito não poderia ser deferido pela ausência dos seguintes documentos/informações no processo de fiscalização: As demonstrações financeiras das empresas do exterior transcritas no livro Diário da Recorrente requisitadas pelo julgador não foram apresentadas pelo simples fato de que as receitas oriundas daquelas foram tributadas, coforme demonstrado e comprovado pelo Lalur e DIPJ. Esta obrigação acessória instituída pela IN 213/2002, de transcrever no livro Diário as demonstrações financeiras, é apenas uma forma de fiscalização sobre a tributação das receitas, o que restou comprovado por outras obrigações acessórias observadas pela Recorrente. A presunção, criada pelo julgador, que havia sido afastada pelo Auditor Fiscal que firmou o despacho decisório, é rechaçada pelo Conselho de Contribuintes (transcreve ementa). Sobre os cálculos também solicitados pelo Relator, ambos foram apresentados às folhas 2079 a 2084 do processo de fiscalização sob o n~umero 16692.720089/201346. Já sobre a contabilização não Parte B do Lalur do imposto pago no exterior no AC de 2008, seguem em anexo, também, as cópias que demonstram que o valor utilizado decorrente do prejuízo fiscal apurado naquele período foram devidamente registrados. c) da dispensa de consularização e tradução: Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.718 15 Cita o inciso II do § 2º do artigo 16 da Lei nº 9.430, de 1996, afirmando que basta a comprovação da incidência do imposto no exterior por meio das guias de recolhimento. Diz que o Conselho de Contribuintes considera suficiente apenas a tradução juramentada das guias de recolhimento para o aproveitamento do crédito relativo a imposto pago no exterior. d) da complementação da consularização e tradução das guias adimplidas no exterior. Caso a consularização seja considerada necessária, a Recorrente complementará os documentos apresentados em 11 de julho de 2014. Regustra que parcela dos documentos acompanham o presente recurso e os demais serão juntados anteriormente ao seu julgamento. e) do critério das estimativas da suspensão da exigibilidade prevista no art. 151 do CTN Solicita a apensação dos processos para a apreciação em conjunto, ou então reconhecidos os créditos pela necessidade de ser considerado o pagamento consequente do indeferimento como parcela de composição do saldo negativo do ano calendário de 2009. Requer a homologação das compensações pleiteadas. É o relatório. Voto Não existe no processo nenhum documento que indique a data da ciência do acórdão recorrido por parte da Recorrente, assim sendo, há que ser considerado tempestivo o recurso. Presentes os demais requisitos, dele conheço. A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, foi intimada para apresentar documentos e, após analisados, a autoridade administrativa exarou Despacho Decisório não reconhecendo parte do crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2009 relativos à totalidade do imposto pago no exterior e de parte das estimativas compensadas, conforme quadros abaixo: Fl. 3725DF CARF MF 16 Os documentos e a análise realizada pela autoridade fiscal foram reservados no processo nº 16692.720089/201346, onde consta um documento intitulado "Justificativa do Indeferimento" e, nele, constatase o seguinte fundamento de fato para a negativa de crédito, ipsis litteris: De acordo com a legislação acima citada, os documento apresentados pelo contribuinte não serão admitidos para a comprovação do valor utilizado como dedução a título de IR pago no exterior da CSLL devida no AnoCalendário 2009, pois o contribuinte não apresentou os respectivos comprovantes de devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira.(negrito do original) Em sua manifestação de inconformidade a Empresa juntou parcialmente os comprovantes de quitação do imposto no exterior consularizados, tendo a autoridade julgadora considerado que os documentos, aparentemente, satisfariam os requisitos legais. No acórdão, todavia, alegou vários outros motivos, que não o que fundamentou a negativa constante do Despacho Decisório, para manter o indeferimento do pedido de compensação. Assim, declarou improcedente a manifestação de inconformidade, no que se refere ao imposto pago no exterior, pelos seguintes motivos: 9.1.9. E compulsando o PA 16692.720089/201346, não se observa: (i) a apresentação das demonstrações financeiras levantadas pelas controladas no exterior, individualizadamente, que devem ser mantidas em boa guarda à disposição da RFB e transcritas ou copiadas no Livro Diário, o que também não restou comprovado (RIR/99, artigos 394, §§ 5º, inciso I e 10 e 395, § 4º; IN SRF 213/2002, artigo 6º, §§ 1º, 5º e 6º solicitado no item 3 do TIF; subitem 9.1.4.1.); e (ii) a apresentação dos cálculos especificados nos §§ 9º a 11, do artigo 14, da IN SRF 213/2002 (com e sem a inclusão dos lucros/tributos obtidos/pagos no exterior, sob exame solicitado no item 4 do TIF). Além disso, não consta comprovação da contabilização na Parte B do LALUR do imposto pago no exterior no AC 2008 (IN SRF 213/2002 , art. 14, §§ 15 e 16; subitem 9.1.3.1.6.). Afirmou, também, que precluiu o direito de apresentar provas no processo. Manteve, também, o acórdão recorrido no que se refere às estimativas compensadas e que não foram homologados por DD. O acórdão recorrido, no que trata do julgamento do imposto pago no exterior, agride o direito sob todos os ângulos possíveis e, certamente, não tratarei de todos esses ângulos. Inicialmente temos o limite do efeito devolutivo da Manifestação de Inconformidade. Quando é estabelecido o litígio, a matéria devolvida não é toda a análise feita pela autoridade que assina o Despacho Decisório, mas apenas aquela onde está presente lide, exatamente aquela que determinou prejuízo à Recorrente e da qual ela discorda, exceção feita às matérias de ordem pública e aos erros materiais evidentes. E não poderia ser diferente, pois o próprio conceito jurídico de processo tem raiz na sua finalidade maior, que é a prestação jurisdicional. Seguindo este objetivo maior, o sentido teleológico do processo, a relação jurídica não pode ser submetida a um looping Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 10880.958206/201349 Acórdão n.º 1302002.716 S1C3T2 Fl. 3.719 17 contínuo, para, a cada vez que a Empresa vê seu direito negado apresente sua defesa processual e tenha o motivo, a fundamentação da negativa renovada e tenha que se defender novamente. E, na verdade, nem seria assim, haja vista que, no presente caso, os motivos se renovam, mas o processo continua seu curso, operandose supressão de instância, inovação, desrespeito ao direito de ampla defesa, desrespeito ao contraditório, ao devido processo legal, e outros princípios básicos de direito. Em verdade é indubitável que a primeira análise realizada pela autoridade administrativa avalia todos os aspectos do direito requerido, salvo se nenhum documento for apresentado ou a apresentação seja parcial e, neste último caso, tenha sido requerida a complementação sem sucesso. Neste caso a fundamentação, além dos motivos identificáveis, deverá incluir a ausência dos documentos considerados essenciais. Além de tudo a DRJ estaria usurpando a competência do Delegado da Receita Federal, posto que estaria realizando a análise originária do direito creditório o que, regimentalmente, cabe àquele. Tal fato também ensejaria nulidade por incompetência da autoridade que exarou a decisão denegatória. Neste processo, a apresentação dos documentos de quitação do imposto no exterior com as formalidades requeridas pela autoridade fiscal que assina o Despacho Decisório seria suficiente para reformar a decisão exarada e atribuir o direito ao Recorrente. Ao decidir por ampliar os motivos sequer cogitados pela citada autoridade, o acórdão recorrido mostrouse nulo, pois subtraiu claramente o direito de defesa do Recorrente, como bem aponta o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ante a nulidade parcial reconhecida fica prejudicado o julgamento da parcela de estimativas compensadas, devendo ser decidido quando do retorno do processo ao CARF para novo julgamento. Feitas essas considerações, conheço do Recurso Voluntário e acato a preliminar de nulidade parcial, considerando nulo o acórdão na parte em que inovou os motivos para o indeferimento da compensação de imposto pago no exterior, retornando o processo à DRJ São Paulo para novo julgamento e reabertura de prazo para Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 3727DF CARF MF 18 Fl. 3728DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720173/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE DA DECISÃO ARGÜIDA. ACOLHIMENTO. NECESSIDADE.
Necessário o acolhimento dos embargos de declaração que investem contra decisão colegiada que, partindo de premissas fáticas equivocadas, prolata acórdão completamente dissonante dos fatos albergados no processo, eis que inquinado de obscuridade.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA.
Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil (art. 373, I do CPC/15), então vigente, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, incumbe ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito invocado, ônus atribuído ao contribuinte nas hipóteses de repetição de indébito ou ressarcimento.
ELEMENTOS DE PROVA. CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO DE FATO. EXIGÊNCIA.
A alegação de inclusão de vendas de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, na apuração do tributo, deve vir acompanhada de elementos hábeis, do ponto de vista fiscal ou contábil, que demonstrem cabalmente essa situação de fato, não sendo suficiente a mera remissão à existência de lançamentos nos livros próprios ou documentos sem valor fiscal para esse desiderato.
CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO NO TRANSCURSO TEMPORAL. EFEITOS SUPERVENIENTES.
A modificação verificada no quadro judicial tributário, decorrente da cassação de liminar que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, tem o condão de restabelecer o status quo ante e tornar devido o tributo suspenso, impedindo que o contribuinte, ainda que na condição de terceiro obrigado ao cumprimento de ordem judicial, possa reaver valor recolhido a maior pela inobservância da causa suspensiva então vigente, mas já revista por ocasião do pleito de restituição.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-005.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e dar parcial provimento ao recurso voluntário, admitindo in totum o resultado da diligência realizada, que reconheceu o direito à repetição do indébito sobre a parcela de vendas relativas a gasolina de aviação e propeno incorretamente tributadas e devidamente comprovada pela apresentação das notas fiscais de saída.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE DA DECISÃO ARGÜIDA. ACOLHIMENTO. NECESSIDADE. Necessário o acolhimento dos embargos de declaração que investem contra decisão colegiada que, partindo de premissas fáticas equivocadas, prolata acórdão completamente dissonante dos fatos albergados no processo, eis que inquinado de obscuridade. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil (art. 373, I do CPC/15), então vigente, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, incumbe ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito invocado, ônus atribuído ao contribuinte nas hipóteses de repetição de indébito ou ressarcimento. ELEMENTOS DE PROVA. CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO DE FATO. EXIGÊNCIA. A alegação de inclusão de vendas de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, na apuração do tributo, deve vir acompanhada de elementos hábeis, do ponto de vista fiscal ou contábil, que demonstrem cabalmente essa situação de fato, não sendo suficiente a mera remissão à existência de lançamentos nos livros próprios ou documentos sem valor fiscal para esse desiderato. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO NO TRANSCURSO TEMPORAL. EFEITOS SUPERVENIENTES. A modificação verificada no quadro judicial tributário, decorrente da cassação de liminar que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, tem o condão de restabelecer o status quo ante e tornar devido o tributo suspenso, impedindo que o contribuinte, ainda que na condição de terceiro obrigado ao cumprimento de ordem judicial, possa reaver valor recolhido a maior pela inobservância da causa suspensiva então vigente, mas já revista por ocasião do pleito de restituição. Embargos acolhidos.
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OBSCURIDADE DA DECISÃO ARGÜIDA. ACOLHIMENTO. NECESSIDADE. Necessário o acolhimento dos embargos de declaração que investem contra decisão colegiada que, partindo de premissas fáticas equivocadas, prolata acórdão completamente dissonante dos fatos albergados no processo, eis que inquinado de obscuridade. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil (art. 373, I do CPC/15), então vigente, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, incumbe ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito invocado, ônus atribuído ao contribuinte nas hipóteses de repetição de indébito ou ressarcimento. ELEMENTOS DE PROVA. CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO DE FATO. EXIGÊNCIA. A alegação de inclusão de vendas de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, na apuração do tributo, deve vir acompanhada de elementos hábeis, do ponto de vista fiscal ou contábil, que demonstrem cabalmente essa situação de fato, não sendo suficiente a mera remissão à existência de lançamentos nos livros próprios ou documentos sem valor fiscal para esse desiderato. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO NO TRANSCURSO TEMPORAL. EFEITOS SUPERVENIENTES. A modificação verificada no quadro judicial tributário, decorrente da cassação de liminar que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, tem o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 73 /2 00 7- 12Fl. 4428DF CARF MF 2 condão de restabelecer o status quo ante e tornar devido o tributo suspenso, impedindo que o contribuinte, ainda que na condição de terceiro obrigado ao cumprimento de ordem judicial, possa reaver valor recolhido a maior pela inobservância da causa suspensiva então vigente, mas já revista por ocasião do pleito de restituição. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e dar parcial provimento ao recurso voluntário, admitindo in totum o resultado da diligência realizada, que reconheceu o direito à repetição do indébito sobre a parcela de vendas relativas a gasolina de aviação e propeno incorretamente tributadas e devidamente comprovada pela apresentação das notas fiscais de saída. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de embargo de declaração interposto em face do Acórdão 3401 001.749, exarado em 20/03/2012, que negou provimento (rectius não conhecimento) ao recurso voluntário por vislumbrar renúncia às instâncias administrativas, com aplicação da Súmula CARF nº 1. O contribuinte argüiu o julgado asseverando que houve adoção de premissa equivocada, uma vez que não realizou qualquer compensação fundada em provimento judicial, mas sim, que estava obrigado, na condição de responsável tributário, a dar cumprimento a ordem judicial em ações promovidas por terceiros, de maneira que seria inaplicável a renúncia à discussão administrativa. O processo em epígrafe alberga declaração de compensação de Cofins, período de apuração agosto/2005, com direito creditório do mesmo tributo apurado em novembro/2003. Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401005.057 S3C4T1 Fl. 4.429 3 A Demac/RJO/Diort não homologou a compensação por constatar erro na apuração do direito creditório, ao passo que o contribuinte havia excluído da base de apuração valores relativos a vendas para clientes beneficiados com medidas judiciais que afastavam a incidência do tributo, o que não encontraria respaldo na legislação, devendo o contribuinte indicar esta situação nas DCTFs, com exigibilidade suspensa. Em manifestação de inconformidade sustentouse erro na apuração realizada pela RFB, porquanto não foram excluídas as seguintes parcelas: i) das vendas de gasolina – as vendas de gasolina de aviação, submetidas a alíquota diferenciada; ii) das vendas de diesel – a revenda de óleo diesel adquirido da REFAP, sujeito à tributação monofásica; iii) das vendas de GLP – as vendas de propano/butano. Quanto às deduções das vendas da parcela correspondente a empresas com liminar, alegou que se cuidaria de ato jurídico sujeito a condição suspensiva, de modo que o imposto só será devido quando sobrevier o evento futuro e incerto, que é a manifestação definitiva do Poder Judiciário, razão porque tais glosas deveriam ser revisadas. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou o recurso improcedente mediante decisão assim ementada: “IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” O recurso voluntário, grosso modo, reprisou os argumentos da manifestação vestibular, destacando que as vendas a empresas detentoras de liminares envolvem óleo diesel e gasolina, bem assim, que a exclusão das vendas de GLP referese à comercialização de propeno, cujo código NCM é 2901.22.00, de modo que sujeitarseia à alíquota geral e não diferenciada, como o propano/butano. Na oportunidade foram juntadas cópias de notas fiscais que demonstrariam a procedência das razões recursais. Na sessão de 16/10/2014, através da Resolução 3401000.841, uma vez confirmado o equívoco da decisão embargada, no tocante à suposta concomitância, e diante da impossibilidade de decidir o processo no estado em que se encontrava, converteuse o julgamento em diligência para que fosse averiguado o registro dos documentos fiscais apresentados, a procedência das alegações de fato e a juntada de documentos relativos às medidas judiciais que amparariam as saídas com suspensão da exigibilidade, com redução a termo das verificações efetuadas. Fl. 4430DF CARF MF 4 O relatório fiscal destacou, relativamente às exclusões de gasolina de aviação e “propeno grau polímero (NCM 2901.22.00)”, que considerou apenas como tais as vendas indevidamente incluídas nas rubricas referentes a “Gasolina” e “GLP”, respectivamente, para as quais foram apresentadas cópias das notas fiscais, não acatando aquelas cuja prova se fez apenas pelo “espelho” da nota fiscal; quanto às vendas a empresas detentoras de medidas judiciais, que todas as ações indicadas transitaram em julgado ao longo de 2011, desfavoravelmente aos contribuintes, além do que, a partir de 2000, o regime de substituição tributária foi sucedido pelo regime monofásico de tributação, de maneira que a distribuidora deveria informar a suspensão da exigibilidade do crédito na DCTF, ao invés de deixar de oferecer ditos montantes à tributação; e, tocante à exclusão da revenda de óleo adquirido da REFAP, sujeito à incidência monofásica, aduziu que o próprio recorrente, ainda durante a fiscalização, reconhecera a improcedência do abatimento. Cientificado destas conclusões o contribuinte asseverou que, mesmo que os “espelhos” de notas fiscais não possuam efeitos fiscais, deveriam ser confrontados com os livros fiscais e contábeis, o que confirmaria a existência do lançamento e convalidaria a exclusão pretendida; que a exclusão das vendas a beneficiários de liminares encontra abrigo na IN SRF 104/200(?), Parecer Cosit nº 1/200(?) e art. 811 do CPC/73; e, que a revenda de óleo já submetido a tributação não enseja nova incidência, sob pena de vilipêndio ao regime monofásico. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Preambularmente, colaciono excerto do Acórdão 3401000.841, de 16/10/2014, que examinou o cabimento do aclaratório e o vício de declaração que inquinou o Acórdão 3401001.749, de 20/03/2012, consoante legislação então vigente: “O presente embargo de declaração foi distribuído com fulcro nos arts. 49, § 7º e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09. Neste passo, aludida peça recursal é tempestiva e preenche aos demais pressupostos de admissibilidade. Revendo os autos concluí que assiste razão ao reclamante quando alega equívoco na premissa adotada pelo aresto, tendo em conta que a existência de provimentos judiciais não conduz necessariamente à renúncia ao contencioso administrativo, mormente quando o recorrente encontrase na condição de terceiro atingido pelos seus efeitos, apenas obrigado ao seu cumprimento. No caso vertente é inconteste a inaplicabilidade da Súmula CARF nº 1, como defendido pelo recorrente.” Destarte, mostrouse equivocada a premissa adotada pelo aresto questionado, ao concluir que o recorrente optara pela discussão judicial, com renúncia ao contencioso administrativo, pois, como se viu, as ações judiciais eram tituladas por terceiros, clientes do recorrente, figurando este como simples terceiro obrigado ao cumprimento das medidas judiciais lá exaradas e sujeito aos seus efeitos, de modo que a decisão primeva deste sodalício Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401005.057 S3C4T1 Fl. 4.430 5 incorreu em obscuridade, razão pela qual acolho o embargo de declaração interposto e lhe confiro efeito infringente. Vencida a questão preliminar – conhecimento do aclaratório – passo ao mérito do recurso voluntário. Das exclusões de vendas de gasolina de aviação e propeno O ponto controvertido nesse tópico é exclusivamente factual, uma vez que não discrepam o recorrente e as autoridades administrativas quanto ao direito de crédito em si, consistente na sujeição da gasolina de aviação e propeno a alíquotas distintas daquelas aplicáveis à gasolina e ao propano/butano, restando incontroverso, também, que ditas vendas (gasolina de aviação e propeno) foram tributadas, pelo recorrente, de forma incorreta. A decisão de primeiro grau administrativo já se manifestara, ainda que enviesadamente, sobre o direito à repetição, todavia, não o reconhecera pela ausência de elementos de prova a respaldar as alegações recursais. O agente fiscal diligenciante, em seu relatório, destacou que intimou o contribuinte a apresentar os documentos fiscais válidos que explicitassem a inserção de notas fiscais de vendas de gasolina de aviação e propeno nas rubricas “Gasolina” e “GLP”, do demonstrativo de apuração da Cofins, período novembro/2003 (efl. 600), rechaçando a possibilidade de reconhecer a procedência da alegação exclusivamente com base nos “espelhos” desses documentos, ante a informação aposta em seu corpo: “não vale como documento fiscal”. O contribuinte, por seu turno, apresentou apenas parcela dos documentos fiscais requisitados, o que redundou no reconhecimento do direito de crédito em relação a ela, por parte da fiscalização, quando da recomposição da base de cálculo. Quanto aos demais documentos, mesmo admitindo a ausência de validade fiscal, sustentou que o Livro Registro de Saídas continha o lançamento dessas operações, constituindo então prova suficiente ao deferimento de seu pleito. Em que pese reconhecer que, de fato, os registros do livro fiscal em tela apontam a escrituração dos documentos faltantes, ainda que não apresentados à fiscalização, não posso olvidar que o indeferimento do direito de crédito não se baseou na falta de registro nos livros pertinentes, mas na ausência do documento fiscal, mais especificamente, a via da nota fiscal que deve permanecer em poder do emitente, isso porque, segundo a legislação fiscal, os livros são escriturados à vista dos documentos que lhe conferem legitimidade. Por outro lado, ainda que admitidos exclusivamente os registros fiscais como válidos para o fim probatório desejado, a sua aferição apenas indica a existência de uma operação de venda, sem que haja qualquer especificação que se trate de comercialização de “gasolina de aviação” ou “propeno” submetidas a tributação diferenciada, como aduz o recorrente, porquanto essa informação não consta dos lançamentos realizados no Livro Registro de Saída ou mesmo do Livro Razão, ambos apresentados durante a diligência. Talvez, a depender do histórico de lançamento adotado, o Livro Diário pudesse esclarecer essa circunstância, entretanto, não foi apresentado ou mesmo colacionado Fl. 4432DF CARF MF 6 aos autos, de modo que não vislumbro outro elemento de prova, ressalvada a própria nota fiscal de venda válida, passível de fazer a demonstração pretendida pelo recorrente. O busílis da questão é justamente a ausência de um documento fiscal válido que permita identificar a inclusão de vendas de gasolina de aviação e propeno na tributação incorreta, como sustenta o recorrente, permanecendo não provada tal ocorrência. Tocante à validade jurídica do “espelho” de nota fiscal, o próprio recorrente concorda que não possui efeito fiscal algum, de maneira que não se contesta essa condição dos documentos. Por oportuno, consoante disposições do art. 333 do Código de Processo Civil (1973) – atual art. 373, I, do CPC/15 – e art. 36 da Lei nº 9.784/99, ambos utilizados subsidiariamente no processo administrativo fiscal, cabe acentuar que seria incumbência do contribuinte, ora recorrente, a demonstração e prova do direito alegado, eis que, segundo aludido dispositivo, o ônus de provar o fato constitutivo do direito pertence ao autor, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, a União. Nestes autos, o encargo da prova caberia então ao requerente, que não se desvencilhou adequadamente de produzila, não se prestando as diligências e perícias a suprir uma obrigação que seria sua, ao passo que tais procedimentos não tem por escopo a produção de prova, seja para a Administração Tributária, seja para o contribuinte. Assim, à mingua de acervo probatório robusto, que demonstrasse a indevida inclusão de vendas de gasolina de aviação e propeno no grupo “Gasolina” e “GLP”, como alegado em recurso, dou parcial provimento para que sejam excluídas apenas aquelas operações para as quais foram apresentadas as cópias das notas fiscais de venda, como averbado no relatório de diligência. Da exclusão de revenda de diesel adquirido da REFAP – incidência monofásica A esse respeito, defende o recorrente que houve indevida inclusão, na rubrica “Diesel” (demonstrativo de apuração de efl. 600), sujeito a tributação monofásica da Cofins, conforme Lei nº 9.718/98, operação de revenda de produto adquirido da REFAP e, nessa condição, já submetida à incidência da contribuição. A fiscalização, por seu turno, aduziu que a própria empresa já havia reconhecido a improcedência do abatimento em questão, ainda durante o procedimento fiscal inicial. De fato, compulsando os autos verifiquei a existência de questionamento efetuado pela fiscalização sobre o montante, apontando inconsistência na informação prestada, uma vez que não foram demonstrados os lançamentos dessa receita, ao que o contribuinte respondeu ser aludida exclusão improcedente, como se verifica da seguinte resposta enviada por meio telemático (efl. 96): Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401005.057 S3C4T1 Fl. 4.431 7 A indagação acerca desse valor decorreu de sua inclusão em rubrica específica, denominada “Revenda Diesel”, constante do demonstrativo de vendas de produtos com isenção e/ou alíquota zero encaminhado pelo contribuinte em 20/02/2009, através da correspondência Tributário/Rfisco/RFF nº 0060/2009 (efls. 28/29) Como se vê, há uma contradição na postura do recorrente, quando simultaneamente reconhece a improcedência da exclusão e contesta a impossibilidade de seu abatimento. Ainda que se seja plausível a argumentação jurídica deduzida pelo contribuinte, quanto ao descabimento de nova incidência tributária sobre produtos sujeitos ao regime monofásico de tributação, é inafastável a necessidade de prova que tal situação jurídica tenha efetivamente ocorrido, não bastando a discussão do direito em tese. Nesses autos, o recorrente afirma que efetuou revenda de diesel e a ofereceu novamente à tributação, contudo, não indica sequer a nota fiscal respectiva, o momento de seu registro nos livros contábeis e fiscais, não apresentando qualquer elemento de prova que ampare sua irresignação, valendo aqui tudo o que foi anteriormente dito sobre a distribuição do ônus probatório. Por esse motivo, mais uma vez, concordo com as conclusões do relatório de diligência fiscal e não acato a exclusão pleiteada. Das vendas a detentores de medida judicial suspensiva Nesse ponto reside o debate mais acalorado do recurso, onde o contribuinte aduz não ser possível concordar com a impossibilidade de exclusão, da base de apuração da Cofins, das receitas relativas a vendas a empresas possuidoras de liminares que obstam a incidência da contribuição, sob pena de violação ao princípio da razoabilidade, inserto no art. 2º da Lei nº 9.784/99. Cuidandose de pedido de restituição de Cofins, combinado com compensação, decorrente de recolhimento a maior constatado no período novembro/2003, o contribuinte inadvertidamente, segundo sua acepção, incluiu na base de apuração o valor dessas vendas e as ofereceu à tributação normalmente, como se devido fosse o tributo. Fl. 4434DF CARF MF 8 A diligência realizada amealhou as cópias dessas decisões liminares e as apensou ao processo, relatando os levantamentos até então realizados, dando conta do trânsito em julgado de todas elas ao longo de 2011, com desfecho desfavorável aos interessados, bem assim, relacionando as notas fiscais correspondentes. As decisões judiciais foram anexadas às efls. 1.054/1.058, 1.059, 4.328/4.332 e 4.333, sendo que todas elas aparentemente questionam a incidência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE (Combustíveis), criada pela Lei nº 10.336/2001, sendo que algumas delas, como as liminares deferidas nas Ações Cautelares nºs 2003.03.00.0619205 e 2003.03.00.0558952, averbam que a “impetração objetiva afastar a exigibilidade do PIS e da COFINS destacados no Art. 8º da Lei nº 10.336/01” (efls. 1.059 e 4.333), enquanto a decisão liminar proferida no MS 2003.61.00.0171362, apresentada incompleta, defere o seguinte: “Assim, DEFIRO A MEDIDA LIMINAR pleiteada , nos termos do art. 151, IV, do CTN, para suspender a exigibilidade do crédito tributário, no que concerne aos valores referentes ao PIS e a COFINS, na forma como vem sendo atualmente recolhidos, retidos e/ou compensados, nos moldes do art. 8°, da Lei nº 10.336/01, aplicandose a partir desta data a tais operações o disposto nas Leis 07/70 e 70/91, quando da aquisição mensal de produtos, nos termos do que fora previamente contratado, (...)” Ocorre que o art. 8º da Lei nº 10.336/01 não trata da tributação do PIS/Pasep e Cofins, mas sim, da previsão de possibilidade de abatimento e limitação, da base de cálculo dessas contribuições, da CIDE paga na importação ou na comercialização dos produtos que relaciona, verbis: Art. 8o O contribuinte poderá, ainda, deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 5o, até o limite de, respectivamente: (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) (Vide Decreto nº 5.060, de 2004) I – R$ 49,90 e R$ 230,10 por m³, no caso de gasolinas; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) II – R$ 30,30 e R$ 139,70 por m³, no caso de diesel; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) III – R$ 16,30 e R$ 75,80 por m³, no caso de querosene de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) IV – R$ 16,30 e R$ 75,80 por m³, no caso dos demais querosenes; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) V – R$ 14,50 e R$ 26,40 por t, no caso de óleos combustíveis com alto teor de enxofre; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) VI – R$ 14,50 e R$ 26,40 por t, no caso de óleos combustíveis com baixo teor de enxofre; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401005.057 S3C4T1 Fl. 4.432 9 VII – R$ 44,40 e R$ 205,60 por t, no caso de gás liqüefeito de petróleo, inclusive derivado de gás natural e de nafta; (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) VIII – R$ 13,20 e R$ 24,00 por m³, no caso de álcool etílico combustível. (Incluído pela Lei nº 10.636, de 2002) § 1o A dedução a que se refere este artigo aplicase às contribuições relativas a um mesmo período de apuração ou posteriores. § 2o As parcelas da Cide deduzidas na forma deste artigo serão contabilizadas, no âmbito do Tesouro Nacional, a crédito da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e a débito da própria Cide, conforme normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Essa situação merece detido exame, como será retomado adiante, entretanto, por ora, independente disso e das observações de direito assinaladas pela autoridade diligenciante, colijo consulta ao sítio virtual da Seção Judiciária de São Paulo (www.jfsp.jus.br) e do Tribunal Regional Federal – 3ª Região (www.trf3.jus.br), em 13/11/2017, relativa à tramitação das sobreditas ações judiciais: · AUTO POSTO GUILHERME SÃO PAULO LTDA. – MS 2002.61.00.025213 8 (002521351.2002.4.03.6100) – julgado extinto o processo, sem exame de mérito, com decisão publicada em 22/10/2003. Medida Cautelar nº 2003.03.00.0619205, aviada perante o TRF3ª Região, com liminar deferida em 13/09/2003 e revogada em 12/11/2003, com ciência à Petrobrás, via fax, em 13/11/2003. Esse processo cautelar foi extinto, com base no art. 267, VI, do CPC/73 em 25/11/2010 – Vigência apurada da liminar: 13/09/2003 a 13/11/2003 – Vendas a esse contribuinte através das NFs 101850 (10/11/2003), 101880 (11/11/2003), 181716 (05/11/2003) e 101846 (10/11/2003); · T. M. DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. – MS 2003.61.00.0079822 – Segundo a cópia da decisão fornecida pelo contribuinte, a liminar foi deferida em 27/03/2003, indicação esta (existência da medida) confirmada em decisão interlocutória datada de 09/04/2003. Em que pese a interposição de vários agravos de instrumento, não foi localizada qualquer decisão que cassasse a eficácia da liminar, que somente foi revista com a prolação de sentença extintiva do feito, nos termos do art. 267, IV do CPC/73, ocorrida em 25/09/2004, de maneira que, pelo que foi possível apurar, a liminar vigorou entre 27/03/2003 e 25/09/2004 – Vendas a esse contribuinte através da NF 101821 (07/11/2003); · AUTO POSTO RODOVIAS LTDA. – MS 2002.61.00.0273178 – Na primeira instância houve indeferimento da liminar requerida, ocasionando a interposição de Ação Cautelar (2003.03.00.0558952) e Agravo de Instrumento (2003.03.00.0054822), sendo que a movimentação desses últimos processos noticia o deferimento da liminar, porém, em datas distintas, não sendo possível aferir a data efetiva da concessão, todavia, a cópia da decisão apresentada pelo contribuinte, deferida no bojo da cautelar (2003.03.00.0558952), está datada de 19/09/2003, sendo que a sentença extintiva da ação, com fundamento no art. 267, IV do CPC/73, foi exarada em 22/07/2003. O agravo de instrumento teve o seguimento negado, pela superveniência da sentença, em 30/10/2003, com Fl. 4436DF CARF MF 10 publicação em 11/11/2003, enquanto a cautelar teve a sua liminar revogada em 13/02/2004. A partir do exame dessas datas e das decisões prolatadas verificase que a decisão liminar deflagrou efeitos no período 19/09/2003 a 13/02/2004 – Vendas a esse contribuinte através das NFs 181718 (05/11/2003), 101821 (07/11/2003), 101845 (10/11/2003) e 101849 (10/11/2003); · POSTO DE SERVIÇOS LÓTUS LTDA. – MS 2003.61.000171362 – A cópia da decisão apresentada pelo contribuinte dá conta do deferimento da liminar em 08/07/2003, com sentença concessiva da ordem e confirmação da liminar em 03/10/2003, com publicação em 24/11/2003. Houve interposição de Agravo de Instrumento (2003.03.00.00442469), sendo que a movimentação processual indica a existência de uma decisão revogatória da liminar, datada de 27/11/2003. Houve, também, Ação Cautelar (2004.03.00.0068229), patrocinada pela União, porém já no transcurso de 2004. As informações disponíveis não são adequadamente suficientes para se fixar o interregno eficacial da liminar, entretanto, aparenta corresponder ao intervalo entre 08/07/2003 e 27/11/2003 – Vendas para esse contribuinte através das NFs 101881 (11/11/2003), 101906 (12/11/2003), 181717 (05/11/2003), 101847 (10/11/2003), 101877 (11/11/2003), 101924 (13/11/2003) e 101945 (14/11/2003). As planilhas fornecidas pelo recorrente, apensadas como documentos não pagináveis no eprocesso, indicam como adquirente dos combustíveis nessa condição – tributação suspensa por medida judicial – apenas a pessoa jurídica T. M. Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ 00.429.406/000194 – , no entanto, isso provavelmente se deva ao fato que, tratandose de tributação monofásica, essa empresa, na qualidade de distribuidora, também deva figurar como terceiro obrigado ao cumprimento de decisões judiciais em relação aos postos de combustíveis a quem fornece, esses os titulares das ações, ainda que seja ela própria patrocinadora de ação específica sobre a CIDECombustíveis. Do exame das decisões judiciais exaradas dessumese que, teoricamente, assistiria razão ao recorrente quando se insurge contra a exclusão dessa parcela de vendas, do cálculo da Cofins devida. Com efeito, encontrandose o crédito tributário com a exigibilidade suspensa, abstraído o erro de preenchimento da DCTF, onde o contribuinte deveria informar o montante abrangido por essa circunstância jurídica, não faria sentido a sua inclusão na apuração, como se devido fosse, com conseqüente recolhimento da contribuição. Contudo, a análise que emerge dos autos não conduz a essa conclusão deveras simplista, erigindose dois obstáculos à sua configuração: o teor e alcance das decisões judiciais e a alteração do quadro jurídico pela fluência do tempo naqueles feitos, sob o ângulo do recolhimento, em tese, indevido e o pleito de restituição/compensação. O primeiro óbice decorre, como tangenciado anteriormente, das ordens emanadas dos magistrados, que em momento algum determinam a não incidência da Cofins sobre as operações sub examine. Destarte, a liminar deferida no MS 2002.61.00.0079822 (TM DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA) determina a abstenção da exigência da CIDE Combustíveis criada pela Lei nº 10.336/2001, de maneira que não guarda relação direta com a Cofins, implicando a inexistência de qualquer causa suspensiva de sua exigibilidade, como apregoa o recorrente. Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401005.057 S3C4T1 Fl. 4.433 11 Já em relação às Cautelares 2003.03.00.0619205 (MS 2002.61.00.025213), de AUTO POSTO GUILHERME SÃO PAULO LTDA, e 2003.03.00.0558952 (MS 2002.61.00.0273178), de AUTO POSTO RODOVIAS LTDA, as liminares, isoladamente consideradas, são inexequíveis, pois se limitam a “afastar a exigibilidade do PIS e da COFINS destacados no Art. 8º da Lei nº 10.336/01”, sendo que indigitado dispositivo não trata da incidência da Cofins, mas dispõe apenas que, do seu valor, poderá ser abatida a CIDE Combustíveis devida pela importação ou comercialização no mercado interno, dentro dos limites fixados, podendo a ordem ser interpretada no sentido de afastar as limitações do preceptivo, o que parece mais plausível, se confrontado com a outra alternativa, que seria o recolhimento integral, sem qualquer abatimento. Ocorre que não houve esclarecimento algum ao longo do processo, por parte do recorrente, do porquê de excluir essa parcela das vendas da base de apuração da Cofins, ou mesmo qual o cálculo por ele levado a efeito para concluir pela não incidência, limitandose a afirmar que havia ordem judicial para suspender a exigência do crédito, o que se mostrou improcedente. Quanto ao MS 2003.61.00.0171362, mesmo que não apresentado o seu inteiro teor, há ordem para afastar a sistemática definida no art. 8º da Lei nº 10.336/01, com aplicação do disposto na Lei Complementar nº 70/91, relativamente à Cofins. Ou seja, não foi deferida a nãoincidência tributária, mas apenas a tributação plurifásica, em detrimento ao regime monofásico aplicado aos combustíveis. Portanto, mais uma vez inexiste razão para a exclusão pura e simples requerida, mormente porque também não houve qualquer demonstração da apuração da Cofins, para as vendas acobertadas por essa última liminar, na forma determinada pelo magistrado, com aplicação da LC 70/91. Na seqüência, o segundo óbice consiste na mudança da situação jurídica havida entre o pretenso recolhimento a maior, 15/12/2003, e a formulação do pedido de restituição, mediante transmissão de PERDCOMP eletrônico (09563.21208.150905.1.3.04 1540), em 15/09/05, uma vez que nessa data não mais havia qualquer medida liminar em vigor que justificasse a suspensão do crédito tributário. Nesse ponto, oportuno revisitar as características da liminar, que é decisão cautelar de natureza provisória, fundada em exame perfunctório, a partir do preenchimento dos requisitos do periculum in mora e fumus bonis iuris, em contraponto à sentença, decisão definitiva de análise exauriente dos fatos e do direito invocado. Diante desse caráter precário, a verificação superveniente da ausência de um dos pressupostos ou a prolação de sentença denegatória implica a sua cassação, com cessação de eficácia e retorno ao status quo ante, com revigoração dos atos administrativos obstados, como se nunca houvesse suspensão de sua validade jurídica, segundo ensinamentos de Hely Lopes Meirelles1 e Lúcia Valle Figueiredo2 Nesse passo, admitida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo às operações realizadas com pessoa jurídicas detentoras de liminares – o que, como 1 Mandado de segurança, ação popular, ação civil pública, mandado de injunção, "habeas data". 19ª edição atualizada por Arnold Wald. Malheiros Editores. São Paulo, 1998: 69/77. 2 Mandado de Segurança. 4ª edição revista, atualizada e aumentada. Malheiros Editores. São Paulo, 2002: 157/159. Fl. 4438DF CARF MF 12 visto, é bastante discutível – , por ocasião da apuração do tributo, mostravase procedente o seu não oferecimento à tributação, com o necessário destaque dessa circunstância na DCTF correspondente. Contudo, por lapso, liberalidade ou qualquer outra razão que não importa aqui perscrutar, naquele momento, o contribuinte, ora recorrente, provavelmente comercializou o produto pelo custo desonerado da tributação respectiva, no entanto, quando do recolhimento, inadvertidamente incluiu essas operações na base de cálculo e recolheu o tributo integralmente, como se não houvesse causa suspensiva vigente. Pois bem, ocorre que, quando detectado o suposto equívoco, em 15/09/2005, não mais vigorava qualquer liminar que suspendesse o crédito tributário em debate, de tal sorte que, nessa data, o tributo a seu tempo recolhido era devido, como resultado da cessação dos efeitos da medida de acautelamento e a recuperação do status quo ante, motivo pelo qual mostrase correto o indeferimento do pedido de restituição. A mudança de cenário ocorrida impede que o contribuinte possa se valer ulteriormente de uma situação jurídica que foi revista e já não mais subsiste, uma vez que a revogação da ordem judicial que propiciou a sua existência espraiou efeitos ex tunc, isto é, com eficácia retroativa. Demais disso, como averbado pela diligência, todas as ações judiciais alhures citadas transitaram em julgado desfavoravelmente aos seus patrocinadores em 2011, não fazendo sentido que hodiernamente se reconheça a existência de uma causa de suspensão de exigibilidade de crédito tributário já exaurida no tempo e se defira a restituição de algo que no momento presente é devido, valendo repisar que toda essa situação foi desencadeada pelo próprio recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, deve ser admitido in totum o resultado da diligência realizada, que reconheceu o direito à repetição do indébito sobre a parcela de vendas relativas a gasolina de aviação e propeno incorretamente tributadas e devidamente comprovada pela apresentação das notas fiscais de saída. Com essas considerações, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário manobrado. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 4439DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.728718/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO. GFIP. GLOSA DOS VALORE COMPENSADOS.
Considerada indevida a compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, e consistindo esta em instrumento de confissão de dívida, proceder-se-á à imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação.
No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, segue-se o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata.
Numero da decisão: 2202-004.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para os autos retornarem à primeira instância para apreciação da impugnação.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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GFIP. GLOSA DOS VALORE COMPENSADOS. Considerada indevida a compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, e consistindo esta em instrumento de confissão de dívida, procederseá à imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação. No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, seguese o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para os autos retornarem à primeira instância para apreciação da impugnação. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 87 18 /2 01 4- 41 Fl. 200DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC): Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 2 a 21) lavrado contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.604.952,28 (DEBCAD 51.055.6728), valor esse já acrescido de multa e juros moratórios, relativamente aos períodos de apuração de junho a dezembro de 2011. Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 25 a 27), o lançamento das contribuições cumuladas com os mencionados consectários legais referese, mais precisamente, ao seguinte: a) DEBCAD 51.055.6728: Contribuições previdenciárias a cargo da empresa, cuja compensação, por meio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência – GFIP (competências 06/2011 a 12/2011), foi efetuada indevidamente pela contribuinte antes do trânsito em julgado das ações judiciais em que se discutia o direito creditório. Mais precisamente, ainda, relata a autoridade autuante que a contribuinte fiscalizada, à época em que foi realizada a ação fiscal em comento, figurava como requerente nas seguintes ações judiciais: I) Processo Eletrônico E – Proc. V2 TRF n°. 501055363 2010.404.7100/RS (Mandado de Segurança) em que foi deferida em parte a tutela vindicada, mas que se encontrava à época da ação fiscal no Supremo Tribunal Federal (STF), na situação suspensa/sobrestado. Segundo a autoridade autuante referida ação foi ajuizada pela contribuinte com o intuito de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração creditada pela impetrante aos seus empregados, das parcelas relativas a 1/3 de férias e respectivas férias, quando indenizadas, além de aviso prévio indenizado. No ponto, esclarece, ainda, a fiscalização que a contribuinte colimava que o Poder Judiciário declarasse o direito da Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11080.728718/201441 Acórdão n.º 2202004.375 S2C2T2 Fl. 201 3 impetrante à compensação dos valores indevidamente recolhidos, porém, a sentença prolatada pelo Juízo deixou claro que a impetrante tem direito à compensação do indébito, após o trânsito em julgado da sentença, observado o disposto na Lei n° 8.383, de 1991 (art. 66, caput), e na Lei n.º 11.457, de 2007 (art. 26, parágrafo único). II) Processos Eletrônicos E Proc V2 TRF (1) n°. 500211672 2011.404.7108/RS (Tutela deferida); Mandado de Segurança (2) n° 5002116722011.404.7100/RS (Tutela deferida) e Apelação / Reexame Necessário (3) n° 5002074 572010.404.7108/RS (Tutela Não Requerida), e que se encontravam, à época da ação fiscal, no STF, na situação suspensa/sobrestados. Segundo a autoridade autuante referidas ações foram ajuizadas pela contribuinte com o intuito de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração creditada pela impetrante aos seus empregados, das parcelas relativas a 1/3 de férias e verbas indenizatórias. Em razão do exposto, relata a autoridade autuante ter efetuado a glosa das compensações que haviam sido realizadas pela contribuinte, por meio de GFIP, antes da ocorrência do trânsito em julgado das mencionadas ações judiciais, e, por via de consequência, realizado o lançamento do crédito tributário exigível. Inconformada com o lançamento, a contribuinte juntou a documentação colacionada às fls 138 a 166 e apresentou a impugnação de fls. 128 a 137, onde, em síntese: Alega que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu em sede do Recurso Especial n° 1.230.957/RS, recurso este processado segundo o regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que é inexigível a contribuição social previdenciária incidente sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), adicional de 1/3 (um terço) de férias e aviso prévio indenizado; Noticia que no âmbito daquele processo o STJ rejeitou os embargos de declaração que haviam sido opostos pela Fazenda Nacional, e, portanto, mantida na íntegra a decisão colegiada, esta decisão tem aplicação imediata, isto é, não pairam mais dúvidas quanto à ilegalidade da cobrança da contribuição social previdenciária patronal incidente sobre os valores pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente), terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado com o respectivo 13° salário proporcional; Dado este quadro, argumenta que o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) torna obrigatória a aplicação pelos seus Conselheiros das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de demandas Fl. 202DF CARF MF 4 submetidas ao regime da Repercussão Geral e pelo Superior Tribunal de Justiça, nos casos submetidos ao regime dos Recursos Repetitivos, pelo que, a seu ver, assim como cabe ao CARF, órgão judicante máximo no âmbito administrativo fiscal, observar e aplicar os entendimentos proferidos pelas Cortes Superiores, cabe a toda Administração Pública, ao decidir questões fiscais e recursos dos contribuintes, se pautar e orientar de forma geral, pela jurisprudência emanada dos Tribunais, com o objetivo precípuo de evitar danos irreversíveis aos contribuintes e, no futuro, poupar o Erário do pagamento de altíssimos valores a título de ressarcimento e indenizações; Nesse rumo, alega que, em recente julgamento (PAF n° 10972.720024/201114 Acórdão n° 2302003.133), a Terceira Câmara da Segunda Turma do CARF julgou insubsistente o Auto de Infração por meio do qual havia sido glosada a compensação das verbas em comento, em outras palavras, restou mantida a compensação de tais verbas realizada pelo contribuinte antes do trânsito em julgado da ação judicial, em função da decisão proferida pelo STJ, em sede do Recurso Representativo da Controvérsia (Resp n° 1.230.957); Em razão disso, requer o reconhecimento do crédito tributário (sic) utilizado na compensação em relevo, com relação às verbas reconhecidas em decisão prolatada pelo Superior Tribunal de justiça; Em outro plano, em tópico que intitula de “Inaplicabilidade do art. 170A no Mandado de Segurança”, alega que o mencionado dispositivo do Código Tributário Nacional (CTN) não se enquadra na sistemática do procedimento do Mandado de Segurança, ao argumento de que a sentença prolatada em sede a ação mandamental há de ser cumprida de forma imediata, nos termos do § 3°, do Art. 14, da Lei n.º 12.016, de 2009, visto que não há efeito suspensivo na apelação; No ponto, alega que este foi, aliás, o entendimento adotado pelo CARF em decisão prolatada em sede do PAF n.º 11020.000297/200181, pelo que, a seu ver, a Administração Tributária não pode vincular a compensação sob apreço ao trânsito em julgado de sentença proferida em sede de mandado de segurança; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis deu provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. DÉBITO CONFESSADO. É incabível a formalização, por meio de lançamento, de crédito tributário já confessado, visto que tal procedimento não é condizente com a disciplina normativa vertida pela legislação de regência cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.728718/201441 Acórdão n.º 2202004.375 S2C2T2 Fl. 202 5 Tendo em vista o montante do crédito tributário exonerado o processo foi submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora A decisão recorrida concluiu pela prejudicialidade da impugnação apresentada, uma vez que, nos termos da Consulta Interna Cosit nº 3, de 05 de fevereiro de 2013, os valores declarados em GFIP dispensam a constituição do crédito tributário, uma vez que esta constitui instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário: É dizer, dado que o crédito tributário sob apreço já fora constituído por meio da GFIP, o presente lançamento, além de incorrer em evidente duplicidade, não condiz com o regramento jurídico que, disciplinando os casos de compensação indevida informada por meio da citada guia, determina a imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação de regência. Entendo incorretas as alegações da decisão recorrida. Isso porque, conforme será demonstrado, a própria solução de consulta utilizada como fundamento da decisão demonstra que a situação dos autos é hipótese de lançamento de ofício. Com efeito, a GFIP é instrumento hábil e suficiente à constituição do crédito tributário. Sendo assim, se o contribuinte declara em GFIP que deve o valor de X à título de contribuições previdenciárias e não efetua o pagamento dos valores declarados, a Receita Federal, desde que concorde com os referidos valores está dispensada de fazer o lançamento, uma vez que a declaração possui os mesmos efeitos de uma confissão de dívida. Todavia, qual o teor da declaração prestada pelo contribuinte na hipótese dos autos? O que foi "confessado"? O contribuinte declarou que possuía créditos decorrente de recolhimentos efetuados à título de 1/3 de férias, férias indenizadas e verbas indenizatórias. Todavia, tais valores estavam pendentes de decisão transitada em julgada à época do lançamento, motivo pelo qual a compensação foi glosada. Em outras palavras justificase o lançamento de ofício exatamente porque o valores declarados como créditos não poderiam ser utilizados para compensação. Nesse caso, a própria Solução de Consulta utilizada como fundamento da decisão deixa claro que deverá ser efetuado o lançamento de ofício, conforme se verifica pelos trechos transcritos abaixo: 16. Isto posto, adentrando no questionamento apresentado quanto aos procedimentos a serem adotados na análise da compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, no caso de ser a compensação considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos Fl. 204DF CARF MF 6 valores nela informados (inseridos em campo próprio do SEFIP versão 8.4), glosálos total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. 16.1. Assim, o procedimento adotado é semelhante ao da análise da DCTF, ou seja, considerada indevida a compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, e consistindo esta em instrumento de confissão de dívida, procederseá à imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação. 17. No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, seguese o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. (...) 18. Neste ponto, cumpre esclarecer que a vedação imposta pelo parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457, de 2007, relativa à não aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (compensação declarada em DComp e sujeição ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972), à compensação de contribuições previdenciárias, foi superada pelas disposições do § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, que estipula o emprego daquele rito aos processos de restituição das exações em tela. Conforme já explicitado, não faria sentido dispensar tratamento diverso ao contencioso decorrente de compensação em GFIP tida por indevida. No caso de ser a compensação de contribuições previdenciárias através da GFIP considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosálos total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento ao recurso de ofício, devendo os autos retornarem à primeira instância para apreciação da impugnação. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11080.728718/201441 Acórdão n.º 2202004.375 S2C2T2 Fl. 203 7 Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694841/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 84 1/ 20 09 -1 4 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.694841/200914 Resolução nº 1201000.379 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 29/08/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.694841/200914 Resolução nº 1201000.379 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000100/2008-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 01 00 /2 00 8- 77 Fl. 139DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração (f. 100/104), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige crédito tributário do exercício de 2003, ano calendário de 2002, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 52.100,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/03), julgada mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 124/128, que manteve integralmente a glosa das despesas médicas. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 133/137. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15922.000100/200877 Acórdão n.º 2001000.085 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 141DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15922.000100/200877 Acórdão n.º 2001000.085 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 143DF CARF MF
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