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Numero do processo: 11060.721821/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2010
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Evidenciada a intenção de não dar conhecimento ao Fisco da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestá-las de forma inexata e ainda valer-se de fraude contratual, resta configurada a hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Numero da decisão: 2401-005.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2010 NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Evidenciada a intenção de não dar conhecimento ao Fisco da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestá-las de forma inexata e ainda valer-se de fraude contratual, resta configurada a hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
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CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Evidenciada a intenção de não dar conhecimento ao Fisco da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestálas de forma inexata e ainda valerse de fraude contratual, resta configurada a hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 18 21 /2 01 1- 56 Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.426 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório PROTEGE MEDICINA EMPRESARIAL E ASSISTENCIAL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.427 3 referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0732.862/2013, às efls. 1.618/1.635, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, além de multas por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/2006 a 07/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 170/189 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos Autos de Infração abaixo relatados: a) AIOA DEBCAD N° 37.342.1613 CFL 30 A empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço. b) AIOA DEBCAD N° 37.342.1605 CFL 68 A empresa deixou de informar em GFIP os segurados empregados relacionados no Anexo I, e os segurados contribuintes individuais discriminados no Anexo II e III. c) AIOA DEBCAD N° 37.342.1621 CFL 69 A fiscalizada informou incorretamente os valores das retenções sofridas, de acordo com os Anexos VI e VII. d) AIOA DEBCAD N° 37.342.1630 CFL 85 A empresa, dedente de mãodeobra, elabora a GFIP sem distinção dos tomadores/contratantes dos serviços. e) AIOP DEBCAD N° 37.348.4003 PARTE PATRONAL Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal, em relação ao segurado empregado e contribuinte individual, o exercício da atividade remunerada. Verificase que o contribuinte deixou de declarar em GFIP os fatos geradores abaixo discriminados: I. Remuneração de Contribuinte Individual Levantamento CI No Levantamento CI, desdobrado em CI1 e CI2 devido enquadramento da multa mais benéfica, estão lançadas remunerações realizadas a segurados contribuintes individuais por serviços prestados, relacionados no Anexo II, verificados nas folhas de pagamentos e recibos apresentados, fatos geradores que não foram informados em GFIP. II. Remuneração de COntribuinte Individual Levantamento CT O levantamento CT, desdobrado em levantamentos CT1 e CT2 para adequar ao enquadramento da multa mais benéfica, referese a prestação de serviços cujo os pagamentos foram feitos a título de consultas medicas, assistência contábil, serviços de terceiros, pessoas físicas e honorários. III. Remuneração de Segurados Empregados Levantamento SE O levantamento SE, desdobrado em levantamentos SE1 e SE2 para adequar ao enquadramento da multa mais benéfica, estão lançadas as remunerações dos segurados empregados relacionados na folha de pagamento da empresa, que não foram declaradas em GFIP. IV Glosa de Compensação Levantamento GL Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.428 4 O contribuinte, prestador de serviçõs por cessão de mãodeobra, teve retido as contribuições previdenciárias previstas na Lei 9.711/98, declarou em GFIP e compensouse de forma irregular conforme demonstrado no anexo VI. f) AIOP DEBCAD N° 37.342.1680 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO A empresa ou equiparado é responsável pelo recolhimento das contribuições arrecadadas mediante desconto da remuneração paga, devida ou creditada dos segurados empregados e das contribuições arrecadadas mediante desconto do respectivo salário de contreibuição do segurado contribuinte individual que lhe presta serviço. g) AIOP DEBCAD N° 37.342.1648 CONTRIBUIÇÃO DESCONTADO DO SEGURADO A contribuinte descontou, não declarou em GIFP e não recolheu as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais. h) AIOP DEBCAD N° 37.348.3996 CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS Este lançamento referese às contribuições ao SESC, SENAC, FNDE, INCRA e SEBRAE, com base na remuneração aos segurados empregados. Consoante se infere do Relatório Fiscal o objeto da sociedade fiscalizada é medicina do trabalho, engenharia e segurança do trabalhador, fonoaudiologia, fisioterapia, atendimento de serviços médicos, laboratoriais, serviços auxiliares de diagnósticos e terapêuticos, pronto socorro, policlínica, plano de saúde, serviços de emergência médica e ambulância. No período fiscalizado a empresa prestou serviços médicos, laboratoriais, pronto socorro, medicina, engenharia e segurança do trabalho, etc, tendo como clientes órgãos públicos e empresas privadas. A empresa é responsável pelo atendimento do Sistema Único de Saúde SUS do Município de Santa Maria (RS), nas unidades de pronto atendimento; A auditoria foi motivada por demanda externa requisitória, Oficio SECRIM/PRM/SM 475/2009 Ministério Público Federal e Ofício OF/PRT4/SM/n° 247/2009 Ministério Público do Trabalho, que noticiaram a possível existência de crime de sonegação e apropriação indébita de contribuição previdenciária; A empresa fiscalizada utiliza a mão de obra de outras empresas para o cumprimento do seu objeto social, sendo isso o que se depreende dos contratos de prestação de serviços apresentados, cópias anexadas aos documentos comprobatórios da fiscalização e os registros contábeis que se reportam à prestação de serviços de pessoas jurídicas. Os prestadores de serviços executam serviços nas mais diversas atividades da empresa, desde atendimento médico, psicológico, odontológico, serviços nas áreas administrativas, informática e atividades auxiliares, além de serviços de manutenção e serventes; Dado este quadro, salienta a autoridade lançadora que, no entanto, um profissional médico, odontólogo, psicólogo, etc, sócio de empresa, que presta serviços através da empresa, também pode prestar serviços na condição de pessoa física, em razão de que buscouse identificar os prestadores e a forma de prestação de serviços referentes aos lançamentos contábeis relacionados, intimando a contribuinte a esclarecer os fatos. A empresa tentou, sem sucesso, comprovar que os serviços foram prestados por pessoa jurídica, eis que não apresentou as respectivas notas fiscais ou apresentouas referindose a período posterior ao que consta dos lançamentos contábeis que registraram o pagamento dos prestadores de serviços como pessoas físicas; Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.429 5 Aduz a autoridade autuante que a convicção de que pessoas físicas, e não empresas, foram os reais prestadores de serviços à empresa fiscalizada é reforçada pelo Contrato Social da Empresa Amol Atendimento Médico e Odontológico Ltda, onde o médico Tarcísio Sangoi da Silva consta como sócio, o Contrato particular para serviços médicos entre o mesmo médico e a empresa Protege e o contrato de Prestação de Serviços da Empresa Amol e a fiscalizada; Ademais disso, relata a fiscalização que a contribuinte apresentou recibos de pagamentos e GFIP informadas e transmitidas em datas posteriores à ciência do Termo de Inicio da Fiscalização. Mais precisamente, relata a autoridade autuante que, após receber a intimação para apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis relacionados no Termo de Intimação Fiscal de 24/02/2011, a contribuinte retificou as folhas de pagamento e as GFIP correspondentes, colimando incluir as informações omitidas e flagradas pela fiscalização. A presente ação fiscal teve início em 23/08/2010 e, assim sendo, os fatos geradores informados após esta data foram considerados como omitidos na GFIP. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis/SC entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.643/1.649, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, insurgese quanto a desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços, cuja atividade é privativa do poder judiciário. Afirma que, por se tratar de pessoa jurídica, as personalidades da sociedade e dos seus sócios não se confundem, só sendo possível sua descaracterização pelo juíz em caso de abuso da personalidade jurídica. Aduz que o Sr. Auditor ao descaracterizar a natureza jurídica das PJ prestadoras de serviços, para considerar seus sócios como empregados da recorrente, incorreu em flagrante equívoco e ilegalidade. Em outro plano, no que concerne à aplicação da multa de ofício qualificada, alega que não foi comprovada de forma inequívoca conduta dolosa da impugnante, não havendo dizer que esta estava planejando dolosamente efetuar conduta ilícita quando, efetivamente, guardava documentação completa de todas as transações pertinentes à sua atividade própria, bem como de toda a relação existente com todos os prestadores de serviço (pessoas físicas e jurídicas), ao que indaga que espécie de conduta dolosa pode ser atribuída à impugnante se esta mantém um registro perfeito da real situação da empresa, disponível (como o foi encontrado) à fiscalização, na hora em que o ente arrecadador assim entendesse por averiguar; Cita a disposição contida no inciso I do art. 112 do Código tributário Nacional (CTN) e discorre sobre a diferença entre o dolo e a culpa consciente, caso em que o agente, mesmo prevendo o resultado de sua conduta, não o aceita nem assume o risco de Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.430 6 produzilo, para concluir que, na dúvida, terseá de entender pela ocorrência de culpa no caso presente, e não de dolo, em face do princípio universal de que, na dúvida, há que se decidir em favor do réu; Em face dessas considerações, reclama ser descabida a aplicação da multa de ofício qualificada e contesta também o percentual de 150% da referida penalidade sob o prisma dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, ao argumento de que a penalidade pecuniária em percentual superior ao próprio tributo tem caráter totalmente confiscatório; Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Preambularmente cabe estabelecer o correto balizamento da presente lide. Para que seja caracterizado o litígio é necessário que a pretensão da Administração Tributária, consubstanciada nos Autos de Infração, seja resistida pela Recorrente. Sem resistência expressa não há que se falar em matéria litigiosa, conforme se depreende do Decreto 70.235/72. Como relato encimado, a contribuinte teve contra si o crédito tributário lançado devido a constatação de várias infrações, dentre elas: multas por descumprimento de obrigações acessórias (CFL 30, 68, 69 e 85) e obrigações principais relativas à parte patronal, segurados e terceiros e demais constatações. Conforme observase do Recurso Voluntário a contribuinte insurgese apenas quanto a impossibilidade (ilegalidade) da desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços pelo fiscal e quanto a multa qualificada por inexistir o dolo. Da mesma forma não iremos nos posicionar acerca do DEBCAD n° 37.342.1648, por ter sido objeto de desistência do recurso (parcelamento), devidamente apartado dos autos, conforme despacho de efls. 1.673/1.674. Dito isto, vamos nos ater apenas as questões da possibilidade da descaracterização da natureza jurídica das prestadoras de serviços e da multa qualificada. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA CARACTERIZAÇÃO SEGURADO ATIVIDADE INERENTE AO FISCO A recorrente insurgese quanto a desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços, cuja atividade é privativa do poder judiciário. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.431 7 Afirma que, por se tratar de pessoa jurídica, as personalidades da sociedade e dos seus sócios não se confundem, só sendo possível sua descaracterização pelo juíz em caso de abuso da personalidade jurídica. Aduz que o Sr. Auditor ao descaracterizar a natureza jurídica das PJ prestadoras de serviços, para considerar seus sócios como empregados da recorrente, incorreu em flagrante equívoco e ilegalidade. Pois bem! Questão central na solução do presente litígio repousa na verificação da possibilidade ou não da autoridade lançadora caracterizar a contratação de empregados sob a roupagem de pessoas jurídicas ou da utilização de pessoas jurídicas para complementação da remuneração de empregados. Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister . Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.432 8 Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002Código Civil. Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.433 9 Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (grifei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. No mesmo sentido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO– DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário. EMENTA Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.434 10 Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento. Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, que assim estabelece: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização da relação laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sem razão a recorrente. MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.435 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.436 12 Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Pois bem. Ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.437 13 falta de recolhimento da contribuição devida, tampouco meros indícios; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. Com efeito, como muito bem delineado no recurso voluntário, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%. A rigor, in casu, o que torna ainda mais digno de realce, é que a nobre autoridade lançadora NÃO COMPROVOU E ESPECIFICOU SOBRE A QUALIFICAÇÃO DA MULTA QUANTO A REAL CONDUTA DOLOSA OU FRAUDULENTA Da simples análise do Relatório Fiscal constatase que a fiscalização não trata em momento algum de aludido tema, deixando, portanto, de justificar de maneira clara e fundamentada a aplicação da multa qualificada. Ora, independentemente do entendimento de cada julgador ou autoridade fazendária a respeito do mérito de aludida demanda, não se pode admitir que o Fisco atribua crime de sonegação fiscal, a partir da qualificação da multa, sem que tenha escrito sequer uma linha sobre o tema, de maneira a motivar sua conclusão, demonstrando a eventual conduta dolosa da contribuinte. E muito menos em meras suposições ou achismos. Esse procedimento, além de macular o regramento para adoção da multa imposta, representa uma verdadeira preterição do direito de defesa da contribuinte, que sequer tem conhecimento do que lhe está sendo atribuído, impossibilitando sua defesa. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a qualificadora da multa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Voto Vencedor Conselheiro Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.438 14 Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relator apresenta suas razões, pretendo demonstrar as razões da minha discordância quanto ao julgamento de mérito da matéria ora submetida. MULTA QUALIFICADA A conduta dolosa do contribuinte foi ampla e claramente descrita pela autoridade lançadora no seu Relatório Fiscal, bem como assim comprovada pelos documentos anexados ao mesmo. Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado às fls. 170, a auditoria foi motivada por demanda externa tanto do Ministério Público Federal como do Ministério Público do Trabalho que noticiam a possível existência de crime de sonegação e apropriação indébita. Às fls 174 do seu Relatório FiscalRF, a autoridade lançadora informa que a fiscalização buscou identificar os prestadores e a forma de prestação de serviços referentes aos lançamentos relacionados, mas, intimado o contribuinte não conseguiu comprovar que tais serviços foram prestados por Pessoas Jurídicas e não Pessoas Físicas. Ao contrário. O que a fiscalização conseguiu constatar é que existem profissionais que tem contrato com a fiscalizada tanto como titular de Pessoa Jurídica bem como Pessoa Física, a exemplo do médico Tarcisio Sangoi da Silva, cujo contrato particular para prestação de serviços médicos foi apresentado pela própria autuada no decorrer da ação fiscal e anexado aos autos. Às fls. 175 do seu relatório, a autoridade lançadora informa que a própria autuada admite não ter incluído trabalhadores na GFIP, devido a falta de informação do PIS (conforme seu esclarecimento 4 às fls. 225), o que, obviamente, não é justificativa para o descumprimento da lei, omitindo informações. Às fls. 176 do Relatório Fiscal, consta que, após receber a intimação para apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis indicados no Termo de Intimação Fiscal TIF de 24/02/2011, o contribuinte retificou as folhas de pagamentos e as GFIP correspondentes, visando incluir as informações omissas e flagradas pela fiscalização, deixando clara a consciência da ilicitude por parte do contribuinte. Além disso, a autoridade lançadora informa que a empresa fiscalizada deixou de informar em GFIP segurados empregados e segurados contribuintes individuais (fls 177 do Relatório Fiscal) e que os valores declarados na GFIP a título de retenção na fonte sofrida pela fiscalizada estão em desacordo com os valores da contabilidade e das Notas Fiscais de Serviço (fls. 178). Como se não bastassem tais omissões de informações bem como informações inexatas por meio da GFIP, a autoridade lançadora detectou, conforme relata às fls. 182, que a fiscalizada descontou, mas não declarou em GFIP e nem recolheu as contribuições de segurados empregados e dos contribuintes individuais. Ora, constitui obrigação da empresa recolher contribuições arrecadadas mediante desconto da remuneração paga aos segurados empregados ou contribuintes individuais, sob pena, inclusive, de incorrer em apropriação indébita. Vale ressaltar que o tipo penal de apropriação indébita, de acordo com o entendimento Superior Tribunal de Justiça STJ, prescinde de comprovação do dolo Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.439 15 específico, estando o núcleo do delito centrado no "deixar de repassar", sendo desnecessária para caracterização do delito a comprovação do fim específico de apropriarse dos valores destinados à Previdência Social (REsp 1.266.880/SE, Relatora Ministra Regina Helena Costa). E mais. No item "I Aferição Indireta", a autoridade lançadora descreve a conduta fraudulenta na simulação contratual com empresa Multi Serviço de Processamento de Dados Ltda, pois verificou, dentre outros elementos, que o contrato tem data anterior à existência da própria empresa Multi, cuja sócia administradora Sra. Maria Aracy Azevedo Ortiz declara que a sua empresa somente presta serviço a autuada e que os funcionários declarados na GFIP da Multi eram originalmente funcionários da autuada sendo transferidos para a Multi sem rescisão contratual com a empresa de origem. Há, inclusive depoimentos de funcionários que foram contratados pela autuada e demitidos pela Multi, sendo que sempre prestaram serviço a autuada. Ressaltese que, na contabilidade da Multi Serviços, empresa contratada pela autuada, não há lançamentos de despesas de luz, água, telefone, aluguéis, material de expediente, etc e que, no endereço declarado pela Multi, foi encontrada outra empresa distinta, estabelecida há mais de um ano, e que todos os contatos estabelecidos com a sócia administradora, sra. Maria Aracy, ocorreram na sede da Protege ou na RFB. No caso dos autos, portando, verificouse uma série de omissões de informações, que resultariam em base tributável, bem como a apresentação de argumentação inidônea para justificar os procedimentos adotados pelo recorrente, restando, pois, caracterizada a forma reiterada e sistemática do procedimento do contribuinte sem que tenha havido qualquer justificativa para tal procedimento por parte do mesmo. Assim, fica evidente que a autuada não tinha a intenção de dar conhecimento da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestálas de forma inexata e ainda valerse de fraude contratual. De tal sorte, entendo configurada hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada. Configurada, assim, hipótese de sonegação decorrente de fraude e omissões, legítima a penalidade aplicada, cujo objetivo é, justamente, inibir condutas dolosas do contribuinte, que age de máfé, adulterando e fraudando documentos para fins de suprimir ou reduzir tributos. Diante do exposto, agiu acertadamente a autoridade lançadora, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.440 16 Fl. 1693DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.935086/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.935086/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.335 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 86 /2 00 9- 25 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900016/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DE DECISÃO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INCOERÊNCIA.
É nula a decisão que fundamenta o indeferimento em fato que não guarda coerência com o resultado, o que caracteriza vício na sua motivação, além de prejudicar o direito a defesa.
Numero da decisão: 1302-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o Despacho Decisório e determinar a devolução dos autos para a unidade de origem para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INCOERÊNCIA. É nula a decisão que fundamenta o indeferimento em fato que não guarda coerência com o resultado, o que caracteriza vício na sua motivação, além de prejudicar o direito a defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o Despacho Decisório e determinar a devolução dos autos para a unidade de origem para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 00 16 /2 00 9- 21 Fl. 165DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 10867.74616.260808.1.7.022916, na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 25.012,69. Após análise, a DRF/BrasíliaDF, conforme Despacho Decisório de fls. 22, não homologou a declaração de compensação, em razão da impossibilidade de confirmar a apuração do crédito, uma vez que o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), de R$ 117.937,96, não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP, de R$ 25.012,69. Foi apresentada manifestação de inconformidade alegando que a diferença entre estes valores, de R$ 92.925,27, já teria sido compensado no processo administrativo nº 10116.005542/200391. Afirma que a existência do crédito é correta, ocorrendo erro no preenchimento da DCOMP, pois, onde foi informado o valor de R$ 25.012,69 deveria ter sido informado R$ 117.937,96 como saldo negativo de 2001. Em sessão do dia 20 de outubro de 2011, a 4ª Turma da DRJ/BrasíliaDF julgou improcedente a manifestação de inconformidade, lavrando o Acórdão nº 0345.556, de fls. 82/84, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2001 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. No caso, o pretenso crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ foi integralmente utilizado para quitar débito declarado e confessado. No voto condutor restou consignado que a DCOMP não foi homologada porque o saldo negativo informado na DIPJ/2002 difere do registrado na DCOMP. Ademais, o saldo negativo reconhecido no processo administrativo nº 10116.005542/200391 é de R$ 92.925,27, justamente o valor informado na DIPJ/2002, e não o valor de R$ 117.937,96 requerido pela impugnante e registrado no Despacho Decisório. A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 07/05/2012, conforme AR de fls. 87. Em 06/06/2012, o recurso voluntário foi apresentado, fls. 89/102, com as seguintes alegações: o Despacho Decisório é nulo posto que subscrito por auditor fiscal que não seria o Delegado da Receita Federal do Brasil da Delegacia de Administração Tributária, afrontando o artigo 283, inciso III da Portaria MF nº 125/09. a nulidade contamina o Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que prestigiou e manteve o aludido Despacho viciado. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10166.900016/200921 Acórdão n.º 1302003.595 S1C3T2 Fl. 166 3 a documentação comprobatória do crédito foi ignorada pela DRJ, inobservando o Princípio da Verdade Material em 27 de agosto de 2008 a recorrente transmitiu DIPJ retificadora informando que havia apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 117.937,96, sendo que dessa importância o valor de R$ 92.925,27 foi utilizada para compensação no processo administrativo nº 10116.005542/200391. o crédito de R$ 25.012,69 foi utilizado na DCOMP 10867.74616.260808.1.7.022916. ocorreu um erro no preenchimento da DCOMP no campo "VALOR DO SALDO NEGATIVO" onde foi informado o valor de R$ 25.012,69, onde deveria constar o valor de R$ 117.937,96. o valor de R$ 25.012,69 corresponde ao campo "CRÉDITO ORIGINAL NA DATA DA TRANSMISSÃO". apresenta junto ao recurso voluntário os documentos comprobatórios do crédito. bastava a DRJ ter feito o cotejo dos valores devidos, constante da tabela contida na manifestação de inconformidade da DIPJ retificadora, e o valor do IRRF que se pretende compensar, para se chegar à conclusão de que tal recolhimento se deu em excesso e que a compensação é procedente. em nome do Princípio da Verdade Material, o crédito deve ser reconhecido e homologada a compensação. caso não acolhidos os argumentos, requer que o julgamento seja convertido em diligência para que sejam verificados elementos adicionais da escrituração contábil, comprovado o crédito. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Analisando os atos administrativos aqui em comento, constato que ambos devem anulados, pelos seguintes motivos. O Despacho Decisório de fls. 22 não homologou a DCOMP usando como justificativa a impossibilidade de confirmação do crédito, pois o valor informado na Fl. 167DF CARF MF 4 DIPJ/2002, no valor de R$ 117.937,96, não corresponderia ao valor informado na DCOMP, de R$ 25.012,69. Ora, a diferença entre valores não leva à impossibilidade de apuração do crédito, mormente quando todas as informações necessárias se encontram na DCOMP, já que o recorrente informou nas Fichas todas as parcelas do crédito que seriam necessárias para apuração do saldo negativo pagamentos e IRRF. Se os valores são diferentes, caberia, no caso, um reconhecimento parcial do crédito, ou seu total indeferimento, mas em função da análise dos documentos acostados. Esclareço que são elementos do ato administrativo: (1) sujeito competente; (2) forma; (3) finalidade; (4) motivo e (5) objeto. Havendo vício em um dos elementos, necessário se faz declarar o ato nulo. No presente caso, entendo que houve vício na motivação da decisão, já que inexiste coerência com o seu resultado. Divergência entre valores não acarreta em não reconhecimento de direito creditório. E mais ainda. Essa falta de coerência prejudica inclusive a defesa, outro motivo que leva à nulidade do Despacho Decisório, em razão do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. No caso do Acórdão nº 0345.556, ele é nulo pois se baseou em fato não mais existente. De acordo com o voto condutor, com base na DIPJ/2002, o saldo negativo de IRPJ seria de R$ 92.925,27, crédito já reconhecido e utilizado em processo de compensação anterior. Como relatado pela recorrente, a DIPJ/2002 foi retificada em 27 de agosto de 2008. Sem adentrar no mérito de se tratar de uma retificação após 5 (anos) do encerramento do período (31/12/2001), o fato é que as alterações foram recepcionadas pelos sistemas da Receita Federal do Brasil, tanto que o Despacho Decisório usa valor atualizado do saldo negativo de IRPJ, de R$ 117.937,96, como parâmetro de comparação com o crédito apontado na DCOMP. Mais uma vez encontramos vício na motivação do Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, razão pela qual deve ser declarado nulo. Entretanto, para resolução do litígio instaurado, basta declarar a nulidade da decisão da unidade de jurisdição da recorrente, para que o pleito seja novamente analisado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o Despacho Decisório de fls. 22, devendo os autos serem devolvidos para a unidade de jurisdição da recorrente, para que seja proferido nova decisão na boa e devida forma. Maria Lúcia Miceli Relatora Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902410/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 10 /2 01 4- 71 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.518. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.902410/201471 Acórdão n.º 3401005.844 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008219/2008-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito - Presidente e José Alfredo Duarte Filho.
.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 82 19 /2 00 8- 64 Fl. 115DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito Presidente e José Alfredo Duarte Filho. . Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$13.732,66, calculado e atualizado até março de 2008. Foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$26.735,72. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que apresentou todos os documentos comprobatórios de suas despesas médicas, para os quais afirma atenderem os requisitos legais. Juntou extratos bancários dos bancos onde tinha conta corrente, e fez uma planilha correlacionando todos os saques efetuados no ano de 2006 com os recibos das despesas médicas. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => quando existe alguma duvida acerca da efetividade da despesa, cabe ao Fisco , por dever legal, tomar cautelas necessárias para preservar o interesse público implícito da defesa correta da apuração do tributo. Com base nisso, para formar a sua convicção, principalmente diante do elevado montante de despesa médica envolvida, solicitou a autoridade fiscal comprovação de pagamento de determinadas despesas. Cabe ressaltar que a despeito da alegação da Impugnante de que o fiscal estaria deixando de dar fé aos recibos médicos, sem fundamento para tal, a presunção de verdade alegada do conteúdo dos recibos pode até ser admitida, no entanto, apenas entre as partes ali consignadas; perante terceiros, contestado o fato ali relatado, cabe ao interessado na sua veracidade o ônus de provar a efetividade de sua ocorrência por meio de outras provas. => neste sentido, verificando as datas dos saques apontados pelo Contribuinte e as datas constantes dos recibos médicos apresentados, verificase que não haveria correlação entre eles. Quanto à despesa médica com a FORLUZ, evidencia que não houve de fato comprovação do pagamento no valor de R$935,72. Sendo assim, mantém a glosa de todas as despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte volta a apresentar suas razões para o reconhecimento das despesas com os profissionais Claudiara de Almeida Sicoli (R$10.000,00), Isabella de Souza Paiva (R$3.000,00), Maria das Graças de Carvalho Campos (R$800,00) e Alexandre de Souza Costa R$12.000,00. Aponta que ao se verificar os extratos, constatase a existência de saques realizados antes da emissão dos recibos, alguns deles realizados um dia antes da emissão. Ratifica, ademais, que não se furtou a fornecer toda a documentação comprobatória solicitada pela Receita Federal, demonstrando a sua boa fé e atitude colaborativa. Contudo, as autoridades fiscais desconsideraram todos os saques, por completo. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.008219/200864 Acórdão n.º 2001001.257 S2C0T1 Fl. 3 3 Além disso, relata o Recorrente que a movimentação bancária é totalmente compatível com os pagamentos e que não houve variação patrimonial considerável, tampouco pagamento de dívidas que absorvesse toda a renda do Recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Antes de adentrar no mérito vale registrar que este acórdão analisa apenas as despesas médicas com os profissionais Claudiara de Almeida Sicoli (R$10.000,00), Isabella de Souza Paiva (R$3.000,00), Maria das Graças de Carvalho Campos (R$800,00) e Alexandre de Souza Costa (R$12.000,00). Ou seja, o montante de R$25.800,00. O restante não foi mais objeto de contestação pelo Contribuinte, motivo pelo qual entendese que não resta mais em litígio. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: Fl. 117DF CARF MF 4 (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. Assim, o Recorrente apresentou todos os documentos comprobatórios de suas despesas médicas, juntou extratos bancários dos bancos onde tinha conta corrente, e fez uma planilha correlacionando todos os saques efetuados no ano de 2006 com os recibos das despesas médicas. Ratifica, ademais, que não se furtou a fornecer toda a documentação comprobatória solicitada pela Receita Federal, demonstrando a sua boa fé e atitude colaborativa. Contudo, as autoridades fiscais desconsideraram todos os saques, por completo. Além disso, relata o Recorrente que a movimentação bancária é totalmente compatível com os pagamentos e que não houve variação patrimonial considerável, tampouco pagamento de dívidas que absorvesse toda a renda do Recorrente. Aponta que ao se verificar os extratos, constatase a existência de saques realizados antes da emissão dos recibos, alguns deles realizados um dia antes da emissão. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10680.008219/200864 Acórdão n.º 2001001.257 S2C0T1 Fl. 4 5 daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na postura clara, objetiva e colaborativa do Recorrente, bem como juntada de provas que evidenciam movimentação bancária compatível com as despesas em análise, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem restabelecidas as despesas médicas no montante de R$25.800,00. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901976/2015-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SPO: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 2/6 (PER/DCOMP nº 08023.72833.310714.1.3.040125), transmitida em 31/07/2014, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (cód. receita 0220 – IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL) relativo à 2ª quota do período de apuração encerrado em 30/09/2009 (3º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 97 6/ 20 15 -1 2 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10380.901976/201512 Resolução nº 1002000.075 S1C0T2 Fl. 82 2 TRIMESTRE/2009). O valor total do DARF pago em 01/12/2009 foi de R$ 94.936,81 Pelo Despacho Decisório de fls. 7/9 (nº rastreamento 098613331) o contribuinte foi cientificado, em 18/03/2015 (fl. 10), de que: O crédito analisado está limitado ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 8.051,55 Valor do crédito original reconhecido: 0,00 A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2015. PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito Informações Complementares da Análise de Crédito Data da Consulta: 27/4/2015 15:41:49 Nome/Nome Empresarial: LIMA TRANSPORTES LTDA CPF/CNPJ: 06.890.941/000124 PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 08023.72833.310714.1.3.040125 Número do processo de crédito: 10380901.976/201512 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 31/07/2014 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 098613331 Crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.051,55 Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Observação: DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DIPJ. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 9.346,33). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/04/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 11/16, alegando, em síntese: i) que efetivamente possui crédito de R$ 24.154,70 de IRPJ referente ao “3º SEM/2009“, correspondendo a R$ 8.051,57 para cada uma das 3 (três) quotas em que foi dividido o total a pagar de R$ 255.098,63; ii) que o valor devido no '3º SEM/2009'de R$ 255.098,63, foi obtido a partir de declaração, na DIPJ/2010, do lucro real de R$ 1.081.690,34; iii) que o crédito pleiteado no presente processo, que se relaciona à PER/DCOMP nº 08023.72833.310714.1.3.040125, é o relativo ao DARF da 3ª quota; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF de setembro/2009, onde foi omitido o valor do débito de IRPJ, 'informação que apenas constou na DCTF de dezembro/2009'; v) que, '8. Realmente, apesar do próprio despacho decisório reconhecer o pagamento feito através de DARF no Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10380.901976/201512 Resolução nº 1002000.075 S1C0T2 Fl. 83 3 valor de R$ 94.936,81 (93.084,44 + SELIC), equivocadamente o sistema aponta a não utilização desse pagamento, o que se sabe não é verdade, uma vez que esse DARF foi utilizado para pagar uma das quotas do IRPJ (R$ 85.032,88 + SELIC)), conforme consta na DCTF.Não é preciso muita matemática para perceber que tratase de um erro de sistema e que essa conta resulta no saldo creditório não utilizado de R$ 8.051,55 + SELIC mas que equivocadamente não foi indicado pelo sistema em razão da divergência DIPJ x DCTF. Esse saldo de crédito original (R$ 8.051,55) foi justamente o valor utilizado na PER/DCOMP não homologada,..'; vi) que tentou retificar a DCTF de setembro/2009 mas não conseguiu, dado ao esgotamento do prazo decadencial para fazêlo; vii) cita dois acórdãos do CARF que estariam corroborando sua tese da prevalência da verdade material ante a erros cometidos; viii) ao final requer a homologação da compensação indicada na PER/DCOMP nº 08023.72833.310714.1.3.040125, e que as intimações/notificações do presente processo sejam feitas em nome de seu advogado, no endereço profissional do mesmo. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos nºs 10380.901975/201578 e 10380.901977/201567 estão sendo julgados, tendo em vista o direito creditório discutido estar relacionado a supostos pagamentos indevidos ou a maior do mesmo débito (IRPJ 3º TRIM/2009 – código de receita 0220). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, conforme acórdão n. 1678.975 (efl. 45), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 01/12/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se não há a devida correspondência deste indébito com as demais declarações oficiais (DCTF, DIPJ), e se a contribuinte não prova, com documentos e livros fiscais e contábeis, o alegado erro no pagamento e o valor correto do débito em questão. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 59), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Relata que "Como se pode ver das razões do voto condutor do acórdão que julgou a manifestação de inconformidade da recorrente improcedente, entendeuse que as retificações (DCTF e DIPJ) do período em questão, os DARFs pagos a maior, e demais elementos probatórios não foram capazes de demonstrar o real valor devido de IRPJ do 3º trimestre de 2009." Salienta que "...a divergência verificada nas declarações da recorrente tem razão de ser pelo fato de que, como se sabe, nos anos de 2007 a 2009 houve uma série de alterações nas normas contábeis, oriundas das Leis nº 11.638/2007 e 11.941/09, com o Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10380.901976/201512 Resolução nº 1002000.075 S1C0T2 Fl. 84 4 objetivo de correlacionar as normas contábeis brasileiras às normas internacionais" e que "Entre as alterações ocorridas que trouxeram impactos nos procedimentos e práticas contábeis destacouse o reconhecimento das operações de leasing ou arrendamento mercantil, através do Pronunciamento Técnico CPC nº 06 – Operações de Arrendamento Mercantil, que estabeleceu como as referidas operações passariam a ser reconhecidas e apresentadas contabilmente." Informa que "...com base nas novas normas, a sociedade passou a contabilizar os bens objeto de leasing financeiro no ativo imobilizado, e a contrapartida, no caso a dívida assumida e os juros incidentes conforme contrato foram registrados no passivo", que "Além disso foram contabilizadas no resultado a despesa de depreciação e a despesa financeira do passivo assumido" e que "Ainda em decorrência dos novos padrões adotados, passaram a ser contabilizados os créditos de PIS e COFINS sobre as contraprestações de arrendamento mercantil pagas, conforme art. 3º, inciso V, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03." Aduz que "Posteriormente, a Lei nº 11.941/09 estabeleceu em seu art. 16 que as alterações que modificassem o tratamento contábil empregado às demonstrações contábeis não teriam efeito fiscal para as empresas que aderissem ao RTT." Sustenta que "...foi necessário ajustar o lucro apurado contabilmente através do RTT, expurgandose os valores contabilizados a título de créditos de PIS e COFINS sobre arrendamento mercantil, a despesa de depreciação, e a despesa financeira, incluindose no resultado o valor da contraprestação paga, dedutível para fins de apuração do Lucro Real", que "Após revisão tributária realizada na empresa foi identificado que no 3º trimestre de 2009 o valor referente as contraprestações de leasing que não havia sido considerado como ajuste (exclusão RTT) na apuração do Lucro Real do referido trimestre" e que "Por essa razão é que foi necessário retificar a DIPJ do ano calendário de 2009 considerando o valor de R$1.446.520,87 (um milhão, quatrocentos e quarenta e seis mil, quinhentos e vinte reais e oitenta e sete centavos) referente as contraprestações leasing que não haviam sido consideradas como ajuste RTT no 3º trimestre/2009 na DIPJ original." Entende que "Os valores apontados são facilmente identificados no balancete contábil da empresa (doc. 01 – balancete – 3º trimestre de 2009), apresentados na coluna de Débitos referente aos pagamentos do leasing e encargos financeiros, e também apresentado na Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR do 3º Trimestre/2009 (doc. 02 – Parte A do LALUR– 3º Trimestre de 2009)." Junta aos autos documentos contábeis/fiscais de efls. 73 a 77. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme a seguir explicado. Vêse que a improcedência da Manifestação de Inconformidade teve como fundamento principal a falta de comprovação do crédito pretendido. Entretanto, o Recorrente Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10380.901976/201512 Resolução nº 1002000.075 S1C0T2 Fl. 85 5 juntou no Recurso Voluntário fichas isoladas de Balancete contábil e de Lalur, que, em princípio e em juízo de delibação, conferem verossimilhança a seus argumentos. A controvérsia, portanto, reduzse à questão da comprovação da liquidez e certeza do crédito vindicado mediante análise dos documentos juntados aos autos. Assim, para que seja possível a formação de juízo conclusivo a respeito da matéria e a conseqüente homologação da compensação, fazse necessária a conversão do julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem elucide se os documentos colacionados são suficientes para comprovação do alegado erro no preenchimento da DCTF. Para deslinde do caso, se necessário, a Unidade de Origem poderá intimar o Recorrente para juntar novos documentos ou prestar esclarecimentos adicionais com o objetivo de comprovar inequivocamente o direito ao crédito postulado. Diante do exposto, voto no sentido de remeter os autos em diligência à Unidade de Origem para que seja verificada a liquidez e certeza dos créditos alegados, referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão, devendo aquela Unidade: 1) elaborar Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação; 2) informar se o crédito objeto do pedido de compensação foi utilizado em outro processo de compensação; Ao final a Unidade de Origem deverá dar ciência ao Recorrente do resultado da diligência, reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao relatório produzido. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720534/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO.
Caracterizada a omissão do acórdão embargado, integra-se a decisão com a apreciação da matéria omissa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
BASE DE CÁLCULO. JCP. NATUREZA DE DIVIDENDOS OU JUROS. RESP 1.373.438/RS.
O Resp 1.373.438/RS, com trâmite sob o rito dos recursos repetitivos, trata da natureza dos JCP para fins societários específicos, sendo impertinente para tratar da natureza dos JCP para fins tributários, o que foi apreciado pelo Resp 1.200.492/RS, também sob o rito dos recursos repetitivos.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3201-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, a fim de incluir a distinção do presente caso ao paradigma vinculante Resp 1.373.438/RS.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício).
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Júnior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO. Caracterizada a omissão do acórdão embargado, integrase a decisão com a apreciação da matéria omissa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 BASE DE CÁLCULO. JCP. NATUREZA DE DIVIDENDOS OU JUROS. RESP 1.373.438/RS. O Resp 1.373.438/RS, com trâmite sob o rito dos recursos repetitivos, trata da natureza dos JCP para fins societários específicos, sendo impertinente para tratar da natureza dos JCP para fins tributários, o que foi apreciado pelo Resp 1.200.492/RS, também sob o rito dos recursos repetitivos. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, a fim de incluir a distinção do presente caso ao paradigma vinculante Resp 1.373.438/RS. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 34 /2 01 5- 06 Fl. 451DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Júnior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Embargos de Declaração contra o Acórdão 3201004.191, de 29/08/2018, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Não se conhece da matéria submetida ao Poder Judiciário, aplicação da Súmula Carf nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA DE RECEITAS FINANCEIRAS OU DIVIDENDOS. Os juros sobre capital próprio, para fins tributários, não têm natureza de dividendos, podendo ser incluídos na base de cálculo de Pis e Cofins nos casos em que as receitas financeiras a compõem. Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Da parte conhecida, Negado Provimento. O Despacho de Admissibilidade admitiu as alegadas omissões dos itens 1.1, 1.4 e 1.5 (fls. 441 e seguintes), os quais transcrevo: Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201005.285 S3C2T1 Fl. 3 3 1.1 Omissão quanto ao pedido de sobrestamento e à concomitância com a Ação Judicial O embargante inicialmente acusa a decisão embargada de ter sido omissa, por ter deixado de se manifestar quanto ao pedido expresso formulado em sede de Recurso Voluntário, de que "na hipótese de se entender que os JCP teriam natureza de receita financeira, o presente processo administrativo fosse sobrestado até o julgamento final da ação judicial". Mas, consoante o que sustenta o Banco, "no julgamento do Recurso Voluntário se entendeu que o JCP teria natureza de receita financeira, mas não foi apreciado o pedido de sobrestamento do feito". Confrontando o alegado pelo embargante com o que consta do voto condutor da decisão embargada e do extenso Recurso Voluntário (doc. Fls. 279 a 320) apresentado pelo Banco, vejo inicialmente que o então recorrente dividiu a sua peça recursal em quatro grandes blocos, quais sejam: 1) "II.1 Da Natureza Jurídica dos Juros Sobre o Capital Próprio Descabimento de seu Enquadramento no Rol das Receitas Financeiras" (fls. 282 e ss.); 2) "II.2 Da Não Incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS sobre os Juros Sobre o Capital Próprio Recebidos, em Razão de sua Natureza Jurídica de Dividendos" (fls. 297 e ss.) 3) "III.3 Perfil Constitucional das Contribuições ao PIS e à COFINS Panorama Jurisprudencial" (fls. 295 e ss.); 4) "II.4 Da Não Tributação de Receitas que não Compõem o Faturamento Juros Sobre o Capital Próprio Não se Enquadra nesse Conceito" (fls. 303 e ss.); 5) "II.5 Ad Argumentandum Caso se Entenda que os JCP têm Natureza de Receitas Financeiras e Estão Sujeitos à Incidência das Contribuições, requerse o Sobrestamento do Presente Processo em razão de Medida Judicial do Recorrente sobre o Tema" (fls. 310 e ss.); e 6) "II.6 Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa" (fls. 316 e ss.). A partir da análise dos elementos de defesa trazidos pela embargante, o i. Conselheiro Relator manifestou no voto condutor do Acórdão embargado o entendimento de que: (i) a base de cálculo das contribuições devidas pelas entidades financeiras foi submetida pelo recorrente ao Poder Judiciário, não devendo ser conhecido o item III.3 do Recurso Voluntário, em decorrência da concomitância; (ii) discutese nos autos a natureza jurídica das receitas de Juros sobre Capital Próprio, não sendo estes considerados dividendos para fins tributários, mas receitas financeiras; e Fl. 453DF CARF MF 4 (iii) dependendo do resultado do Mandado de Segurança impetrado pelo recorrente, caso sejam tributáveis suas receitas financeiras, os juros sobre capital próprio comporão a base de cálculo das contribuições devidas pela instituição financeira, como receita financeira. Tal entendimento se extrai dos excertos abaixo (grifos nossos); "A questão da base de cálculo das entidades financeiras, para incluir ou não as receitas financeiras, foi submetida ao Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança 2006.83.00.0125169, conforme relatado. Desse modo, o Carf não deve manifestarse sobre a matéria, conforme Súmula nº 1: Assim, toda a gama de argumentos enfeixados sob o título “III.3 – Perfil Constitucional das Contribuições ao Pis e Cofins – Panorama Jurisprudencial”, não deve ser conhecida. (...) No presente caso, se discute a natureza jurídica das receitas de Juros sobre Capital Próprio. Se forem receitas financeiras, podem ser tributadas, a depender do Mandado de Segurança impetrado. Se forem receitas de dividendos, não seriam tributáveis, nos termos do art. §2º, II do art. 3º, da Lei 9.718/98, com a redação então vigente:" (fls. 371); "Fazendo meus tais fundamentos, decorre que os Juros sobre Capital Próprio não são, para fins tributários, considerados dividendos, mas como receitas financeiras. (...) Em outras palavras, nos casos em que a receita financeira é tributada (Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e 9.718/98 para entidades financeiras), os juros sobre capital próprio são tributados. Nos casos em que a receita financeira não é tributada (Lei 9.718/98, demais entidades), os juros sobre capital próprio não são tributados, posto que não são tributadas as receitas finceiras. (...) Assim, caso sejam tributáveis as receitas financeiras da recorrente, a depender do resultado do Mandado de Segurança impetrado, os juros sobre capital próprio comporão a base de cálculo das contribuições, como receita financeira." (fls. 376 e 377). Cabe lembrar que, desde o início da vigência da Portaria MF no 545, de 2013, os Conselheiros não estão obrigados a sobrestar o julgamento de recursos, de ofício ou voluntário, cujos temas sejam objeto de repercussão geral ou recurso repetitivo pendente de decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201005.285 S3C2T1 Fl. 4 5 Há de se considerar ainda que, nos termos do que ficou decidido pela c. Turma, a solução da lide não deixa de estar condicionada ao que restar decidido na esfera judicial, haja vista que, como transcrito linhas acima, "a depender do resultado do Mandado de Segurança impetrado, os juros sobre capital próprio comporão a base de cálculo das contribuições, como receita financeira". Não obstante, apesar de todo o exposto no voto condutor, vejo especificamente que o requerimento de sobrestamento constante do pedido final feito pelo recorrente às fls. 320 do Recurso Voluntário não foi objeto de manifestação expressa pelo i. Conselheiro Relator no voto condutor. Assim, entendo presentes elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios em relação a esse tópico. A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. (...) 1.4 Omissão quanto a Argumentos Suficientes e Autônomos aplicação retroativa da MP 627/13 (Lei nº 12.973/14) Em próximo ponto, o embargante sustenta que o decisum também teria sido "omisso com relação a outro argumento suficiente e autônomo para justificar o cancelamento do crédito tributário, qual seja, a respeito da tentativa de aplicação retroativa da Medida Provisória nº 627/13 (Lei nº 12.973/14)". Aduz nesse sentido que teria demonstrado às fls. 23/24 de seu Recurso Voluntário, que o conceito adotado pela acusação fiscal de “faturamento” somente teria passado a ser previsto no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória no 627/13 (Lei no 12.973/14). Acusa, assim, que o Acórdão embargado teria sido silente sobre a questão, sustentando que (fls. 402 e 403 grifos no original): "Todavia, ainda que se admita que as receitas financeiras são parte do “objeto social” ou “típicas” do Embargante, tal forma de tributação apenas passou a existir no ordenamento jurídico após a edição da Medida Provisória n° 627/13, publicada no dia 12 de novembro de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, por meio da qual foi instituída a previsão de que a base de cálculo do PIS/COFINS abrange “as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica”. Contudo, essa nova base de cálculo não pode retroagir para alcançar supostos fatos geradores objeto do presente processos, já que ocorridos no ano de 2011, portanto, antes da entrada em vigor dos dispositivos legais." Fl. 455DF CARF MF 6 Visitando novamente o Recurso Voluntário, vejo que o então recorrente efetivamente abordou a questão do conceito de renda bruta trazido pela Medida Provisória no 627/13, convertida na Lei no 12.973, de 2014, e da impossibilidade de sua retroatividade para alcançar os fatos geradores de 2011 (fls. 306): Não obstante, tal argumento não foi abordado pelo i. Conselheiro Relator no voto condutor do julgado. Assim, vejo, também para esse item, possível a ocorrência de vício de omissão passível de saneamento pelo colegiado. 1.5 Omissão quanto à Violação ao Art. 489, § 1º, VI, do CPC Por fim, o embargante aponta sua última mácula. Sustenta que o art. 1.022, II, do CPC, determina que se considera omissa e passível de Embargos de Declaração a decisão que incorrer em alguma das hipóteses previstas no artigo 489, § 1o, do CPC, dentre as quais estaria o inciso VI, que dispõe que se considera não fundamentada a decisão que “deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento”. Segundo o Banco, "o aludido normativo introduz a noção de “distinção” no ordenamento brasileiro, que diz respeito, justamente, à necessidade de se analisar a aplicabilidade dos precedentes aos casos concretos em julgamento". Feito o intróito, aduz que "o acórdão recorrido violou tal disposição ao concluir que a aplicação do REsp. nº 1.200.492/RS (“recurso repetitivo”) ao caso concreto justificaria a manutenção da exigência fiscal". Contudo, em suas razões, o Banco defende que "a “distinção” realizada foi, com as devidas vênias, equivocada, razão pela qual são cabíveis os presentes Embargos de Declaração por violação ao artigo 489, § § 1º, VI, do CPC". Fundamenta assim suas conclusões argumentando que (fls. 404 e 405 grifos no original): "É que, na realidade, o entendimento do E. STJ é de que os JCP têm, ontologicamente, natureza jurídica lucros e dividendos, sendo considerado receita ou despesa financeira apenas por “ficção jurídica”. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201005.285 S3C2T1 Fl. 5 7 Tal distinção é importante, pois a aludida “ficção jurídica” inexiste no regime do PIS/COFINS cumulativo, razão pela qual não é extensível para o presente caso. Para que não pairem dúvidas a esse respeito, cumpre pontuar que o Min. Mauro Campbell, em aditamento ao votovogal no REsp. nº 1.200.492/RS esclareceu que o entendimento da 1ª Seção estava em consonância com o entendimento da 2ª Seção do STJ a respeito da natureza do JCP, firmado no RESP nº 1.373.438/RS (“recurso repetitivo”), no sentido de que os JCP teriam “caráter de instituto jurídico sui generis” (g.n.). Do voto condutor do julgamento do RESP nº 1.373.438/RS, transcrito pelo Min. Mauro Campbell em seu aditamento ao votovogal no REsp. nº 1.200.492/RS, se destaca a seguinte conclusão: “Na verdade, ontologicamente, os JCP são parcela do lucro a ser distribuído aos acionistas. Apenas por ficção jurídica, a lei tributária passou a considerar que os JCP tem natureza de juros. Ressaltese que o Direito Tributário não é avesso a ficções jurídicas, que alteram a natureza de institutos jurídicos” (g.n.)" Como se vê, o entendimento do STJ é de que ontologicamente os JCP têm natureza de lucro, havendo mera “ficção jurídica”, na legislação tributária, conferindo a eles o tratamento de receita financeira. Portanto, a pergunta que se coloca é a seguinte: onde está a aludida ficção jurídica na legislação tributária? Como reconhecido pelo próprio acórdão embargado, a “ficção jurídica” foi introduzida na legislação do PIS/COFINS nãocumulativo, pelo Decreto nº 5.442/05, in verbis: (...) Ocorre que o caso em questão trata de contribuinte sujeito ao regime cumulativo. (...) É por isso que no regime cumulativo os JCP não são tributados, pois abarcados pela regra de isenção prevista no artigo 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, que trata de lucros e dividendos. Tal questão foi objeto do julgamento do REsp. nº 1.200.492/RS, tanto que o Min. Mauro Campbell afirma em seu voto: Fl. 457DF CARF MF 8 “Por fim, complemento que a jurisprudência deste STJ já está pacificada contra o pleito do contribuinte, impossibilitando a exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98” (g.n.) Ao aludir à “benesse” conferida pela Lei nº 9.718/98, fica claro que o afastamento do PIS/COFINS sobre os JCP no regime cumulativo não decorre de sua natureza de receita financeiras, como asseverou o acórdão embargado, mas sim da aplicação direita da regra de isenção prevista no art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.718/98. " Conclui argumentando que (fls. 406): Conforme já dito, os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que assim dispõe: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." Por ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma se entende uma matéria suscitada em recurso, uma decisão definitiva de STF ou STJ em julgamento em recurso repetitivo, uma súmula CARF ou uma questão de ordem pública, entre outros. Novamente, considero neste item possível a ocorrência de vício de omissão passível de saneamento pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator 1.1 Omissão quanto ao pedido de sobrestamento e à concomitância com a ação judicial O acórdão embargado expressou claramente a aplicação de sua decisão no parágrafo final da divisão que tratava da matéria. Transcrevo (fl. 377): Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201005.285 S3C2T1 Fl. 6 9 “Assim, caso sejam tributáveis as receitas financeiras da recorrente, a depender do resultado do Mandado Segurança impetrado, os juros sobre capital próprio comporão a base de cálculo das contribuições, como receita financeira.” Embora não tenha utilizado expressamente o termo “sobrestamento”, resta claro que o cumprimento do acórdão dependerá do resultado do Mandado de Segurança. Assim, não há a referida omissão. 1.4 Omissão quanto a argumentos suficientes e autônomos – aplicação retroativa da MP 627/13 (Lei nº 12.973/14) A MP 627/13 (Lei 12.973/14) alterou o conceito de receita bruta do Decreto Lei 1.598/77. Especialmente, incluiu o inciso IV no art. 12: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e(Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) A matéria não poderia ter sido tratada pelo acórdão embargado porque confundese com a matéria não conhecida, isto é, o conceito de faturamento, no §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Com efeito, a tributação, pelo Pis e Cofins, das receitas da atividade principal da pessoa jurídica é exatamente a matéria que foi submetida ao Poder Judiciário, que decidirá a matéria. A vigência, no tempo, da decisão judicial sobre a matéria é argumento que deve ser aviado, se não o foi, no âmbito do próprio Mandado de Segurança 2006.83.00.0125169, não devendo ser apreciado pelo Carf. Portanto, não há omissão, pelo quê rejeito os embargos nesta parte. 1.5 Omissão quanto à violação ao art. 489, §1º, VI, do CPC Primeiro transcrevo referido dispositivo legal: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; Fl. 459DF CARF MF 10 II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Nesse tópico a embargante sustenta: 1 que acórdão embargado teria interpretado equivocadamente o teor do Resp 1.200.492/RS, que tramitou sob o rito dos recursos repetitivos, sendo, portanto, vinculante às turmas do Carf conforme art. 72 do regimento interno, e não sendo aplicável ao regime cumulativo. 2 que o Resp 1.373.438/RS, também repetitivo, teria definido a natureza de dividendos aos JCP. Transcrevo trecho de seus embargos (fl. 404) : Ocorre que a “distinção” realizada foi, com as devidas vênias, equivocada, razão pela qual são cabíveis os presentes Embargos de Declaração por violação ao artigo 489, § § 1º, VI, do CPC. É que, na realidade, o entendimento do E. STJ é de que os JCP têm, ontologicamente, natureza jurídica lucros e dividendos, sendo considerado receita ou despesa financeira apenas por “ficção jurídica”. (...) E por isso, sustenta que o acórdão embargado não teria apontado a distinção da jurisprudência aplicável ao caso. A distinção do paradigma, no caso do Resp 1.200.492/RS, não poderia ser apontada pelo acórdão embargado, porque justamente interpretou o paradigma como estabelecendo a natureza de receitas financeiras para os JCP, no âmbito tributário. Assim, não se trata de omissão do acórdão embargado, nesse ponto, mas de divergência da recorrente quanto ao que foi decidido no Resp 1.200.492/RS, o que reclama recurso próprio, no caso o Especial, e não alteração de entendimento por meio de Embargos, o que é vedado. Na alegação de omissão desse item, a embargante sustenta ainda que ao regime cumulativo não se aplicaria o referido paradigma. Copio (fl. 405): Ocorre que o caso em questão trata de contribuinte sujeito ao regime cumulativo. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201005.285 S3C2T1 Fl. 7 11 Assim sendo, se não há no regime cumulativo “ficção jurídica” equiparando os JCP à receita financeira, devese levar em consideração a natureza jurídica própria do instituto tal como encontrada no Direito Civil, conforme determinado pelo artigo 109 do Código Tributário Nacional. E, como já demonstrado, no RESP nº 1.373.438/RS (“recurso repetitivo”) a 2ª Seção consolidou entendimento no sentido de que “ontologicamente” os JCP tem natureza jurídica de lucro a ser distribuído, isto é, dividendos. É por isso que no regime cumulativo os JCP não são tributados, pois abarcados pela regra de isenção prevista no artigo 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, que trata de lucros e dividendos. Todavia, o acórdão embargado tratou do tema, de modo divergente. Transcrevo (fl. 376 e seguintes): Fazendo meus tais fundamentos [do Resp 1.200.492/RS], decorre que os Juros sobre Capital Próprio não são, para fins tributários, considerados dividendos, mas como receitas financeiras. Esclareço que a não tributação dos juros sobre capital próprio, na vigência da Lei 9.718/98, conforme referência da ementa do acórdão transcrito, se refere a empresas não financeiras, e portanto, não se aplica ao presente contexto, nos quais as receitas financeiras podem ser tributadas, a depender do resultado da ação própria, conforme relatado. Em outras palavras, nos casos em que a receita financeira é tributada (Leis 10637/2002, 10833/2003 e 9.718/98 para entidades financeiras), os juros sobre capital próprio são tributados. Nos casos em que a receita financeira não é tributada (Lei 9.718/98, demais entidades), os juros sobre capital próprio não são tributados, posto que não são tributadas as receitas financeiras. Além disso, conforme citado no acórdão, e para confirmar a exegese da natureza dos juros sobre capital próprio, no caso de contribuições não cumulativas, temse estabelecido que compõem a base de cálculo das contribuições, conforme art. 1º do Decreto 5.442/2005, então vigente: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; Fl. 461DF CARF MF 12 Mais uma vez, embora no presente caso não se trate de regime não cumulativo, a compreensão da natureza dos juros sobre capital próprio como receita financeira, para fins tributários, é adotada pelo referido Decreto, posto que prevê sua tributação no regime nãocumulativo. Quanto ao Resp 1.373.438/RS, que também tramitou sob o regime de recursos repetitivos, trata de matéria diversa à presente lide. Confirase a ementa: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. TELEFONIA. COMPLEMENTAÇÃO DE AÇÕES. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. CUMULAÇÃO COM DIVIDENDOS. CABIMENTO. PEDIDO IMPLÍCITO. DECORRÊNCIA LÓGICA DO PEDIDO DE COMPLEMENTAÇÃO DE AÇÕES. INCLUSÃO NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA SEM PREVISÃO NO TÍTULO EXECUTIVO. OFENSA À COISA JULGADA. 1. Para fins do art. 543C do CPC: 1.1. Cabimento da cumulação de dividendos e juros sobre capital próprio. 1.2. Nas demandas por complementação de ações de empresas de telefonia, admitese a condenação ao pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio independentemente de pedido expresso. 1.3. Descabimento da inclusão dos dividendos ou dos juros sobre capital próprio no cumprimento da sentença condenatória à complementação de ações sem expressa previsão no título executivo. 2. Caso concreto: 2.1. Inviabilidade de se alterar, na fase de cumprimento de sentença, o valor patrimonial da ação definido expressamente no título executivo, sob pena de ofensa à coisa julgada. 2.2. Descabimento da inclusão dos juros sobre capital próprio no cumprimento de sentença sem previsão expressa no título executivo. 2.3. Incidência do óbice da Súmula 211/STJ no que tange à alegação relativa ao termo 'ad quem' dos dividendos. 2.4. "Não são cabíveis honorários advocatícios pela rejeição da impugnação ao cumprimento de sentença". 2.5. "Apenas no caso de acolhimento da impugnação, ainda que parcial, serão arbitrados honorários em benefício do executado, com base no art. 20, § 4º, do CPC" (REsp 1.134.186/RS, rito do art. 543C). 3. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. Copio, ainda, a tese jurídica firmada: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201005.285 S3C2T1 Fl. 8 13 Cabimento da cumulação de dividendos e juros sobre capital próprio nas demandas por complementação de ações de empresas de telefonia. Descabimento da inclusão dos dividendos ou dos juros sobre capital próprio no cumprimento da sentença condenatória à complementação de ações sem expressa previsão no título executivo. Nas demandas por complementação de ações de empresas de telefonia, admitese a condenação ao pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio independentemente de pedido expresso. Não se trata, pois, da natureza dos JCP para fins tributários ou como base de cálculo de tributos, e portanto, tal Resp é impertinente à presente lide. A natureza dos JCP para fins tributários foi tratada no Resp 1.200.492/RS, que foi extensamente apreciado no acórdão embargado. Assim, considero que houve omissão do acórdão embargado quanto à suscitação de aplicação do Resp repetitivo 1.373.438/RS, o que agora é integrado pelo presente acórdão, para estabelecer que o referido Resp não tem pertinência ao presente litígio. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios, a fim de incluir a distinção do presente caso ao paradigma vinculante Resp 1.373.438/RS. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901628/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.849
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 28 /2 01 3- 65 Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16682.901628/201365 Acórdão n.º 3302006.849 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.995. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16682.901628/201365 Acórdão n.º 3302006.849 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16682.901628/201365 Acórdão n.º 3302006.849 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16682.901628/201365 Acórdão n.º 3302006.849 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16682.901628/201365 Acórdão n.º 3302006.849 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001230/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADO ALÇADO À CONDIÇÃO DE DIRETOR. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE.
O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado como empregado, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, nem tenha seu contrato de trabalho declarado como suspenso, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, pode receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendo-se observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando o diretor empregado como contribuinte individual, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que o diretor estatutário possui poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregado, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Estatutário Segurado Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação, caracterizador do vínculo de emprego.
Numero da decisão: 2202-005.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson (relator) e Ricardo Chiavegaetto de Lima, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrente BANCO SOFISA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADO ALÇADO À CONDIÇÃO DE DIRETOR. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado como empregado, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, nem tenha seu contrato de trabalho declarado como suspenso, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, pode receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendose observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando o diretor empregado como contribuinte individual, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que o diretor estatutário possui poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregado, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Estatutário Segurado Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação, caracterizador do vínculo de emprego. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 30 /2 01 0- 23 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 375 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson (relator) e Ricardo Chiavegaetto de Lima, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente lançamento de contribuição patronal devida à Seguridade Social e da contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho; incidente sobre os valores pagos ou creditados, pela sociedade empresária, ou assemelhada, aos segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP e não recolhidas. A autuação (fls. 2/13 c/c fls. 90/103) deuse tendo em vista que a fiscalização verificou que a rubrica Participação nos Lucros de Administradores foi paga e/ou creditada a administradores, diretores não empregados, sendo que nesse caso a rubrica passaria a integrar o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária, por não estar em conformidade com a legislação, tendo sido também constatada a existência de diferenças em valores pagos a autônomos, o que motivou parte do lançamento, o qual no específico, contudo, não foi contestado. Não obstante impugnado (fls. 105/113), o lançamento foi mantido no julgamento de primeiro grau (fls. 219/228), cuja ementa a seguir se transcreve; SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 376 3 REMUNERAÇÃO EMPREGADO E PARCELAS NÃO INTEGRANTES A remuneração auferida de uma ou mais sociedades empresárias, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título ao segurado empregado, integram o saláriodecontribuição.As parcelas não integrantes estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Incide contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas, sem vínculo empregatício, independentemente da natureza dos serviços prestados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. As parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a lei 10.101/2000 integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. As parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a lei 10.101/2000 integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/91. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Devese considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência. Em 25/08/2014 (fls. 232/233), a autuada informou sua adesão parcial ao parcelamento regido pela Lei nº 12.996/14, desistindo expressamente da discussão administrativa acerca da exigência das contribuições incidentes sobre pagamento de remunerações aos diretores não empregados, persistindo na lide quanto aos valores pagos a André Jefferian Neto, por ser esse seu empregado. Nesse rumo, foi interposto recurso voluntário em 26/10/2015 (fls. 353/357), no qual foi arguído, em síntese, que: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 377 4 a autuação considerou os diretores como não empregados, porém, conforme Carteira de Trabalho e Relação de Trabalhadores Constantes no Arquivo Sefip, do Ministério da Previdência Social, docs. entregues com a impugnação, André Jefferian Neto é empregado da recorrente; acordo coletivo celebrado com o sindicato da categoria estipula que a PLR abrange também os diretores empregados, o que é harmônico com o princípio da isonomia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da participação nos lucros ou resultados de diretor empregado Cingese a controvérsia à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a André Jefferian Neto, diretor da recorrente. O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal (CF) preconiza que dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, temse a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Ressaltese que os direitos dos trabalhadores explicitados nos incisos do art. 7º da CF não contemplam sem restrições, todos os trabalhadores. A quase totalidade deles, tais como o décimo terceiro salário e a licençapaternidade é voltada aos trabalhadores com vínculo de subordinação, sem que seja sequer cogitada 'discriminação' pelos não alcançados pelas normas ali contidas, como profissionais liberais, para citarse apenas um dentre os vários exemplos possíveis. Diante desse quadro, descortinase, como decorrência lógica, que diretores não empregados não estão sob abrigo do instituto regrado pelo inciso XI do art. 7º, norma de eficácia limitada que passou a adquirir seus contornos mais definitivos com o advento da MP nº 794/1994. Por sua vez, o art. 2º da Lei nº 10.101/00, que a partir de sua edição passou a regrar a participação nos lucros e resultados constitucionalmente prevista, restringe, em consonância com o acima explicado, esse benefício apenas aos empregados. No caso concreto, contudo, estáse diante de diretor que mantém dois tipos de vínculos com a pessoa jurídica: o empregatício, atestado pelas respectivas anotações na carteira de trabalho, e o estatutário. Tratase, então, de funcionário da pessoa jurídica que foi alçado à condição de diretor por força do estatuto social. A respeito do tema, e após o exame de reiterados casos similares ao enfrentado, a justiça laboral editou o seguinte enunciado sumular via Tribunal Superior do Trabalho: Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 378 5 Súmula TST nº 269: O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. A conclusão do TST, então, é que nesses casos em geral prepondera o vínculo estatutário, estando o contrato de trabalho suspenso, preservandose o liame empregatício sob o aspecto meramente formal. Isso porque, sendo o empregado eleito diretor, passa a deter poderes subordinantes, confundindose com a figura do empregador, o qual detém, consoante art. 2º da CLT, o poder de dirigir a prestação de serviços dos trabalhadores de hierarquia inferior na empresa, com autonomia e independência. Costuma ser, inclusive responsável por traçar metas e planos relativos a suas respectivas áreas de competência e atuação, e definir a contratação e demissão dos funcionários necessários. Por seu turno, a RFB, na Solução de Consulta Cosit nº 368, de 18/12/2014 (de caráter vinculante para aquele órgão, exvi do art. 9º da IN RFB nº 1.396/13), já firmou o seguinte posicionamento acerca das questões no presente debatidas: “SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembléia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias.” (grifei) Temse, portanto, que existe uma presunção, forte no enunciado sumular do TST, de que o empregado eleito para o cargo de diretor tem o contrato de trabalho suspenso, preponderando o vínculo estatutário frente ao laboral, e a condição de segurado obrigatório da previdência na qualidade de contribuinte individual, salvo restem mantidas as características inerentes à relação de emprego, dentre as quais sobressai a subordinação jurídica, situação na qual permanece na qualidade de empregado, para fins previdenciários. Tal entendimento está de acordo com os preceitos do § 3º do art. 9º do Decreto nº 3.048/99, leiase: Decreto nº 3.048/99 Dos Segurados Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999)) f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 379 6 (…) § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. No caso concreto, o que se verifica é que o recorrente apegase a questões precipuamente formais para defender a qualidade de empregado do precitado diretor, remetendo à existência de Carteira de Trabalho e de registros junto ao MPS. Conforme salientado pela decisão a quo, porém, o estatuto da sociedade empresária assim consigna (fls. 26/71): CAPÍTULO V ADMINISTRAÇÃO SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 12 A Sociedade será administrada por um Conselho de Administração e uma Diretoria, na forma da Lei e deste Estatuto Social. (...) III DIRETORIA Artigo 19 A Sociedade será administrada por uma Diretoria, composta de, no mínimo, 4 (quatro) e, no máximo, 10 (dez) membros, destituiveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração, residentes no Brasil, acionistas ou não, eleitos pelo Conselho de Administração, com mandato de 2 (dois) anos, permitida a reeleição. Parágrafo 1.° A Diretoria terá 1 (um) cargo de Diretor Presidente, 2 (dois)cargos de Diretor VicePresidente, 1 (um) cargo de Diretor de Relações com Investidores, e até 6 (seis) cargos de Diretor sem designação especifica, com as atribuições definidas neste Estatuto Social e as conferidas em reunião do Conselho de Administração, permitida a cumulação de funções por um mesmo Diretor. (…) Art. 20. … Parágrafo 1.° As deliberações da Diretoria serão tomadas por maioria de votos, cabendo ao Diretor Presidente, além do voto pessoal, o de qualidade. (...) Artigo 21 Compete à Diretoria a direção dos negócios da Sociedade e a prática dos atos necessários ao seu funcionamento, cabendolhe, alem das atribuições legais: (…) Artigo 22 Compete ao Diretor Presidente: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 380 7 a) presidir as reuniões da Diretoria; b) orientar as atividades dos demais Diretores; c) delegar poderes â Diretoria para a prática de atos administrativos de sua competência; e d) submeter à Assembléia Geral Ordinária relatório sobre a gestão da Diretoria acompanhado de pareceres do Conselho Fiscal, quando convocado, e do Comitê de Auditoria e da auditoria independente, na forma do Artigo 35 abaixo e da regulamentação em vigor. (...) Artigo 25 Compete aos Diretores: a) representar a Sociedade ativa e passivamente, na forma do artigo 26 abaixo, em Juízo e fora dele, podendo, para tal fim, constituir procuradores com poderes específicos, inclusive para prestar depoimento pessoal em Juízo e designar prepostos; b) exercer as funções que lhes forem atribuídas pelo Conselho de Administração, bem como cumprir as atribuições específicas que lhes forem outorgadas em reunião da Diretoria; c) conduzir os negócios e serviços da Sociedade dentro das áreas de autuação que lhes forem atribuídas, particularmente quanto ao planejamento, administração, controles e atividades financeiras. (...) (grifei) Deveras difícil de sustentar a tese de permanência de relação subordinada, típica do vínculo empregatício, frente a atribuição de responsabilidades tais como as espelhadas no Estatuto da pessoa jurídica, em especial as supra negritadas, que evidenciam nítido poder subordinante sobre os demais trabalhadores da empresa. Mister registrar, aliás, que, conforme o relator do RR nº 18.731/98 julgado pela 2ª Turma do TST "A subordinação jurídica que vincula o empregado ao empregador não é a mesma que vincula o diretor eleito de um banco ao seu dono". Dessa feita, a observância estatutária ao diretor presidente não se confunde, nem tampouco evidencia, como parece defender o recorrente, com a relação laboral. Anotese, aliás, ser irrelevante para fins de incidência das contribuições previdenciárias eventual estipulação em negociação coletiva de que os diretores empregados seriam beneficiados com participação nos lucros, considerando o disposto no art. 123 do CTN. Tampouco há que se cogitar de violação do princípio da isonomia, o que ocorreria justamente se diretor que tivesse o poder de planejar, controlar, administrar a empresa perdendo, na prática, seu caráter subordinado para assumir a faceta subordinante na relação empregatícia fosse equiparado aos demais empregados da empresa, para fins de incidência de contribuição previdenciária em valores vinculados a programa de participação em lucros e resultados. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 381 8 Não comprovando o recorrente que com a condução do multicitado funcionário à condição de diretor estatutário tenham restado firmes os liames laborais, notadamente no que tange às suas feições subordinativas, é de rigor manter a decisão contestada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros Redator Designado Congratulo o Ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson pela técnica com que expôs e fundamentou seu voto, sempre muito bem ilustrado e didático. No entanto, respeitosamente, contribuindo com o debate jurídico que é intrínseco aos julgamentos colegiados, peço vênia para, desta vez, divergir de seu posicionamento, filiandome a linha de pensamento diversa, por isso passo a apresentar minhas razões de decidir. Pois bem. Compulsando os autos, observo que a controvérsia que remanesce no processo é pontual cuidando do específico ponto do auto de infração que trata da exigência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de "participação nos lucros" a pessoa de "André Jefferian Neto", o qual teria participado do "Conselho de Administração" da recorrente à época dos fatos e foi tido pela fiscalização como "diretor não empregado", estando o crédito apurado dentro do levantamento “PL — Participação nos Lucros ou Resultados”, período de lançamento fevereiro e julho do ano 2008 (efl. 82). A tributação decorreria do pagamento efetivado ao citado diretor/conselheiro de administração e qualificado, pela fiscalização, como contribuinte individual, aplicandose como fundamento legal do lançamento o art. 22, inciso III, da Lei 8.212. Dentro do levantamento do mencionado crédito, na rubrica “PL — Participação nos Lucros ou Resultados”, constam parcelas que não mais se controverte (conferir efl. 82, já que a controvérsia é somente nos pagamentos ao Senhor "André Jefferian"), inclusive tendo o contribuinte aderido a parcelamento para as parcelas que não quer mais discutir, tendo sido consignado nos autos pelo recorrente que (efls. 232/233): De fato, a impugnante desiste, expressamente, da discussão administrativa acerca da exigência da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento de remunerações aos diretores não empregados que participam do conselho de administração da impugnante, a título de participação nos lucros, nos termos do artigo 152, § 1.º, da Lei n.º 6.404/76. Por outro lado, esclarece a impugnante a sua NÃO adesão aos benefícios da Lei n.º 12.996/2014, com relação à exigência da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos realizados ao Sr. André Jefferian Neto, visto que referida pessoa é, efetivamente, empregado da impugnante, conforme restou comprovado nos autos, devendo, assim, Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 382 9 prosseguir a discussão administrativa sobre tais glosas, reiterando a impugnante todos os argumentos constantes em sua Impugnação, com relação à não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao Sr. André Jefferian Neto. Consta do "RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS AIOP, DEBCAD n. 37.234.0237" (efls. 91/102, em especial efls. 93/99) que: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 4. Levantamento PL. 4.1 Na auditoria fiscal realizada, foi constatado o pagamento de remuneração aos diretores não empregados que participam do conselho de administração da empresa a título de "participação nos lucros" nos termos do art. 152, § 1.º, da Lei n.º 6.404/76. (...) 28. Da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas): A empresa é uma sociedade anônima e paga participação nos lucros aos diretores com base na Lei n.º 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações. Em virtude disso, vamos esclarecer alguns pontos desse diploma legal. 29. Através do art. 145, notamos que a referida Lei trata os conselheiros e os diretores como administradores: "Art. 145. As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores." 30. De acordo com o art. 146, os administradores poderão ser acionistas ou não: "Art. 146. Poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei 10.194/01)". 31. O art. 152 trata da remuneração dos administradores: "Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei 9.457/97) § 1.º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2.º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202". 32. Esse dispositivo apenas faculta a Companhia que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro líquido e o atribuir aos acionistas pagar participação nos lucros aos administradores, desde que observado o limite. Não desvincula da remuneração tal verba e não cita que sobre ela não haverá incidência de contribuição Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 383 10 previdenciária, pois não é o diploma legal que regulamentou a CF/88 e a Lei n.º 8.212/91. 33. Utilizandose dessa faculdade a empresa pagou participação nos lucros diretores não empregados, denominados administradores pela Lei das S/A. (...) 38. DA INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO: Diante de todo o exposto, podese observar que a CF/88 desvinculou da remuneração, por meio de norma constitucional de eficácia limitada, a participação nos lucros ou resultados somente dos empregados. 39. A partir da regulamentação patrocinada pela MP n.º 794, de 29/12/94, o dispositivo constitucional passou a ser aplicado, assim como a Lei n.º 8.212/91 (art. 28, § 9.º, alínea "j") e o Decreto n.º 3.048/99 (art. 214, § 9.º, inciso X). 40. Nesse sentido, a Lei n.º 6.404, de 15/12/76, não é a lei específica que regulamentou essas normas. Em seu art.152, § 1.º, apenas faculta a empresa pagar participação nos lucros aos administradores sem desvincular essa verba da remuneração. 41. Dessa forma, o pagamento de participação nos lucros somente estará desvinculado da remuneração e, consequentemente, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, quando pago de acordo com os termos e requisitos da MP n.º 794/94 convertida na Lei n.º 10.101/2000. 42. Logo, a participação nos lucros paga aos diretores não empregados integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Por conseguinte, é fato e extraise da leitura acima e dos fólios processuais que as razões da autuação em relação aos pagamentos feitos a pessoa de "André Jefferian Neto" decorrem do enquadramento deste, pela fiscalização, como contribuinte individual, aplicandose o art. 22, inciso III, da Lei 8.212, bem como em razão dos tais pagamentos terem sido feitos, conforme fiscalização, com base na Lei 6.404. Ocorre que, não consta dos autos provas de que os pagamentos tenham se dado com base na Lei n.º 6.404 e o contribuinte, inclusive, nega essa circunstância, cabendo, neste caso, o ônus à fiscalização, uma vez que, além de se tratar de lançamento de ofício, que, em regra, já impõe à administração tributária o dever de provar os fatos constitutivos do crédito tributário que objetiva constituir, é noção cediça que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais" (DecretoLei 1.598, art. 9.º, § 1.º; art. 967 do Decreto 9.580, de 2018), cabendo à "autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos" nela registrados (art. 9.º, § 2.º; art. 968 do Decreto 9.580, de 2018). Portanto, não pode a administração tributária apenas alegar que os pagamentos foram efetivados com base na Lei 6.404, teria que fazer essa demonstração, o que, data venia, não se verifica nos autos. Por outro lado, ainda que os pagamentos tivessem sido efetivados com base na Lei 6.404, o lançamento, em relação a pessoa de "André Jefferian Neto", se operou com fulcro no art. 22, inciso III, da Lei 8.212, enquadrandoo como "contribuinte individual", todavia constam nos autos provas da qualidade de "empregado" deste (efls. 179/188, CTPS e Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 384 11 nome constante da Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP), logo se se cuida de "segurado empregado" o lançamento é defeituoso, já que motivado na figura do "contribuinte individual". O fundamento legal não se sustenta. Para legitimar o lançamento como "contribuinte individual" precisaria a fiscalização demonstrar a ausência do vínculo de subordinação, tendo competência para isto, sendo cediço que a autoridade da administração tributária tem ampla competência, tanto para reconhecer, como para afastar vínculo de subordinação, caracterizador do vínculo de emprego. Não podemos olvidar que é até bem comum se observarem lançamentos atestando a competência da autoridade administrativa para reconhecer vínculo de emprego. Malgrado, não seja tão comum quanto as hipóteses de reconhecimento, a descaracterização do vínculo também deve estar no âmbito de competência da autoridade fiscal. Por outro lado, data maxima venia, não é crível que a mera alegação de que a referida pessoa era diretor ou de que era membro do conselho de administração, por si só, seja suficiente para descaracterizar o vínculo de emprego. Ao meu ver, com o devido respeito aos entendimentos em contrário, é preciso algo mais para afastar o vínculo de emprego, não sendo suficiente apenas asseverar uma posição estatutária de direção. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levavam a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego. Observo, inclusive, que a fiscalização em nenhum momento se aprofundou sobre o vínculo de emprego ou emitiu intimação para a contribuinte prestar algum esclarecimento sobre o assunto (efls. 14/17, as intimações não fazem questionamentos diretos quanto a eventual vínculo de emprego do diretor estatutário). De mais a mais, o tema (diretor empregado) conta com vários precedentes no CARF, autorizadores do pagamento de PLR sem incidência previdenciária, a teor dos Acórdãos ns.º 2202004.712, de 09/08/2018; 2201004.565, de 06/06/2018; 2401005.847, de 07/11/2018; 2401005.676, de 07/08/2018; 2401004.795, 10/05/2017. Cito, em especial, o Acórdão n.º 2201003.655, 06/06/2017, este tratando de Conselho de Administração. O raciocínio destes precedentes é que não havendo provas suficientes para atestar a ausência ou mitigação substancial da subordinação jurídica, prevalece para o diretor empregado ou para o membro do conselho de administração empregado o vínculo laboral tal como formalmente estabelecido. Ao meu ver, não é suficiente alegar que se trata de diretor ou de conselheiro do Conselho de Administração e, por si só, afastar o vínculo jurídico da relação empregatícia. É preciso que a fiscalização aponte um algo a mais, descaracterize o vínculo da relação de emprego. Além disto, temse, outrossim, a Solução de Consulta Cosit n.º 16, de 14 de março de 2018, que prevê a figura do diretor estatutário "segurado empregado", nestes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EMENTA : DIRETOR DE SOCIEDADE ANÔNIMA. CONDIÇÃO DE SEGURADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI N.º 10.101, DE 2000. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 385 12 por assembleia geral de acionistas para o cargo de direção de sociedade anônima, que não mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de contribuinte individual, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei n.º 10.101, de 2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei n.º 10.101, de 2000, não integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT N.º 368, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2014. Dispositivos Legais: Lei n.º 8.212, de 1991, art. 12, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2.º, e art. 28, incisos I e III, e § 9.º, alínea “f”; Lei n.º 10.101, de 2000, arts. 1.º a 3.º; Decreto n.º 3.048, de 1999, art. 9.º, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2.º e 3.º. Ora, se a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, na citada solução de consulta, prevê a possibilidade de existir o diretor estatutário "segurado empregado", não poderia a fiscalização unicamente afirmar que esta figura é qualificável como "contribuinte individual" pela só circunstância de ser diretor ou membro de conselho de administração, sem um "plus", sem um "algo a mais", caso contrário, estaria sendo contraditória. Neste pensar, em realidade, a figura do "diretor empregado" nunca existiria para a finalidade indicada na dita solução de consulta ou seria demasiadamente árduo comprovála, invertendose o ônus da prova contra o contribuinte sem lei que o estabeleça. Existir a referida solução de consulta e haver atitudes da administração tributária contrárias a ela ou que criem mecanismos e interpretações complexas para aplicação da famigerada solução de consulta é comportamento contraditório e considerado proibido sob o prisma da ordem jurídica vigente (nemo potest venire contra factum proprium). Portanto, o fato é que, para autuar como "contribuinte individual", precisava haver a desqualificação do vínculo de emprego, pela fiscalização, o que inexiste nos autos de uma forma mais objetiva e concreta, para além do apontar poderes de alta gestão indicados no Estatuto Social. Aliás, no caderno processual também não consta que tenha ocorrido suspensão do contrato de trabalho, a CTPS colacionada aos autos não aponta tal anotação, tampouco outros documentos juntados ao processo, pelo que entendo, respeitosamente, que a Súmula TST n.º 269, em verdade, tangencia o caso concreto no sentido de que permanece a "subordinação jurídica inerente à relação de emprego" e caberia a fiscalização fazer prova concreta e objetiva em contrário, não sendo suficiente, ao meu pensar, transcrever disposições estatutárias que dão poder ao diretor ou membro do conselho de administração. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16327.001230/201023 Acórdão n.º 2202005.189 S2C2T2 Fl. 386 13 Penso, inclusive, que muitas daquelas cláusulas estatutárias se direcionam mais a regular os aspectos societários da pessoa jurídica e não necessariamente controlar, afastar ou sobrepor o vínculo decorrente da relação de emprego. O fato de um empregado dirigir, gerenciar ou coordenar outros, por si só, não afasta o vínculo de subordinação que guarda para com o seu Empregador. Não se pode, permissa venia, trabalhar com a presunção de que o empregado alçado à condição de diretor por força de estatuto, por si só, perca as características inerentes à relação laboral. Se a fiscalização entender que isso ocorreu e sendo negado pelo contribuinte, é preciso que a autoridade fiscal faça a prova concreta de suas alegações para constituir o fato jurídico que dará ensejo ao lançamento, eis que o lançamento de ofício impõe a prova pela autoridade fiscal. Penso que, desde a Solução de Consulta Cosit n.º 368, de 18 de dezembro de 2014, gerouse nos administrados legítima expectativa quanto a possibilidade de existir o chamado "diretor empregado" ou o "Diretor Estatutário Segurado Empregado" elegível ao recebimento de PLR na forma da Lei n.º 10.101, especialmente sob a ótica da boafé objetiva, no âmbito da tutela da confiança na relação fiscocontribuinte. Ainda que os fatos geradores sejam anteriores a solução de consulta em comento, não vejo óbices a sua invocação para tutelar o caso em apreço, sendo o entendimento mais atual da administração tributária. Neste sentido, o dever de agir conforme a boafé, evitandose a prática de comportamentos contraditórios, contrários ao direito positivo em seu amplo referencial normativo, também é exigido da Administração Tributária e é imprescindível para a concepção de estabilidade e de segurança jurídica no viés hodierno da análise do Direito. Desde idos de 1956, com decisão inovadora do Superior Tribunal Administrativo de Berlim propagavase, de forma inédita no mundo, a aplicação do princípio de proteção da confiança na relação com os administrados, objetivandose assegurar estabilidade nas relações jurídicas exsurgidas com legítima expectativa do administrado por condutas da Administração. Neste contexto, é oportuno consignar que o direito brasileiro agiu bem ao adotar a proteção da confiança legítima, especialmente para garantir segurança jurídica as relações tuteladas pelo Estado, inclusive o Parecer PGFN/CDA n.º 2.025/2011 já teve a oportunidade de confirmar que se aplica a teoria dos atos próprios ao Fisco, vedandose o comportamento contraditório da Administração Pública. Sendo assim, com a devida vênia ao bem exposto voto do relator, divirjo por entender que assiste razão ao recorrente. Dispositivo Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900055/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF.
Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
Numero da decisão: 3302-006.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado (Presidente).
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AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado (Presidente). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, relativo ao terceiro trimestre de 2003, cumulado com declarações de compensação, parcialmente indeferido, em razão da utilização de crédito indevido por entrada de produtos isentos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou cerceamento de defesa, a regularidade da tomada de créditos em aquisições isentas em consequência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 00 55 /2 00 6- 49 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 3 2 princípio da nãocumulatividade, que cumpriu a legislação quanto às devoluções e retornos e que apresentaria a documentação que corroboraria o creditamento, além de requerer a atualização dos créditos pela taxa Selic. A 3º Turma da DRJ em Belém julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PAF. ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, bem como na compensação dos referidos créditos, ante a ausência de previsão normativa para tanto. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações concernentes ao cerceamento de defesa, à regular tomada de créditos sobre aquisições isentas e a incidência da taxa Selic como fator de atualização dos créditos. Houve pedido de retirada de pauta às efls. 593 e ss. Na forma regimental, o processo foi a este relator distribuído. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Da alegação de cerceamento do direito de defesa A recorrente pugnou, tanto em manifestação de inconformidade quanto em recurso voluntário, pela nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa. Alegou que, embora o Termo de Verificação Fiscal tenha glosado R$ 354.353,84, o valor de glosa proposto pela fiscalização foi de R$ 518.880,11, mencionando que a simples referência à tabela fls. 338 (efl. 364) não é elemento suficiente à produção da defesa, pois não é possível extrair quais critérios foram utilizados pela fiscalização. Sobre o valor a ser glosado de R$ 518.880,11, a fiscalização assim se pronunciou (efl. 377): "Todos valores a serem glosados foram, então, transportados para a Tabela I, fl. 338, que é a reconstituição do Livro de Registro e Apuração do IPI da empresa em tela. Vale ressaltar que o segundo trimestre do anocalendário de 2.003 foi objeto de análise por intermédio da PER/DCOMP if 15043.82043.160703.1.1.014395, que foi processada eletronicamente após a informação do resultado da fiscalização, gerando os resultados demonstrados na referida reconstituição. 0 valor pleiteado em ressarcimento no segundo trimestre de 2.003 originalmente era de R$ 5.286.207,32 e o saldo credor contido na escrita do contribuinte era de R$ 5.768.207,32, o que gerava um saldo credor remanescente de R$ 500.000,00. Entretanto, verificase na Tabela I, fl. 338, que com a efetivação das glosas, o valor total do saldo credor do segundo trimestre foi pago em ressarcimento, não havendo, dessa forma, saldo credor remanescente." Verificase, assim, que o valor de R$ 518.880,11 resultou da diferença entre o pedido de ressarcimento de R$ 3.147.192,29 (constante do pedido de ressarcimento pleiteado efl. 4) e o valor disponível para ressarcimento ao final do terceiro trimestre de RS 2.628.312,18 (constante da planilha de efl. 364, que se trata da reconstituição da escrita fiscal do IPI. Constatase que o saldo credor inicial do terceiro trimestre é zero, pois o valor de R$ 4.922.695,20 foi totalmente ressarcido na análise do PER/DCOMP nº 15043.82043.160703.1.1.014395. Ora, as razões para a glosa ocorrida na referida análise estão no processo que tratou daquele PER/DCOMP, referente ao segundo trimestre de 2003, cujo reflexo se dá aqui mediante a reconstituição da escrita fiscal, o que explica a inexistência do saldo credor zerado no início do terceiro trimestre de 2003. A pretensão da recorrente de se reiterar a motivação de glosas ocorridas em análises de períodos anteriores é descabida, pois que tais análises foram submetidas ao contraditório e ampla defesa, em seus respectivos processos, não cabendo Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 5 4 explicitálas em processos posteriores, dos quais o saldo credor é meramente decorrente. Caso o valor adotado pela fiscalização correspondente a zero fosse inverídico, caberia à recorrente explicitar o valor correto decorrente da análise outrora realizada e não simplesmente alegar desconhecimento de fatos já analisados em outros procedimentos. Afasto, portanto, a preliminar arguida. Da aquisição de produtos isentos O principal litígio diz respeito ao creditamento de insumos adquiridos com isenção de IPI de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus. Defendeu que a vedação ao creditamento na aquisição de produtos isentos afronta o princípio da nãocumulatividade do IPI, conforme jurisprudência do STF (RE nº 212.484/RS) e jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes, informando, ainda, que a matéria está sujeita à apreciação pelo STF do RE nº 592.891/SP, de repercussão geral reconhecida. Relativamente à matéria, os princípios da nãocumulatividade e o da seletividade do IPI estão assim expostos na Constituição Federal de 1988: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). Por sua vez, o Código Tributário Nacional estabeleceu a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, nos seguintes termos: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Nesta direção, o principio constitucional da nãocumulatividade teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia: Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (grifos acrescidos). Por seu turno, o Regulamento do IPI RIPI 2002 (Decreto nº 4.544/2002), em seu art. 163 (equivalente ao art. 225 do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010) estabeleceu: CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178.” CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Das Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 225. A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2o Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem como os resultantes das situações indicadas no art. 240. Pelos dispositivos constitucionais e legais acima expostos verificase que a sistemática de nãocumulatividade adotada pelo o Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio do encontro entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos insumos onerados, apurandose a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor agregado pelo o contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas na diferença do confronto entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Como a sistemática da não cumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos desoneradas por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando lei específica o autorize expressamente na condição de um benefício. É que a Constituição da República proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da Carta Magna, cujo texto se transcreve a seguir, o que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. Seção II Das Limitações do Poder de Tributar Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...); § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (Alterado pela EC000.0031993). Destarte, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados,a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Jurisprudencialmente, a matéria está pacificada no STJ, mediante a prolação do julgado no REsp nº 1.134.903, submetido ao regime do artigo 543C do anterior CPC, cuja ementa abaixo transcrevese: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 8 7 PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 9 8 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Tal decisão deve ser obrigatoriamente adotada nos julgados deste Conselho, a teor do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Já o STF também pacificou a impossibilidade de creditamento na aquisição de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nos julgamentos dos RREE º 370.682, nº 398.365 e nº 566.819. Salientase que o RE nº 398.365 foi submetido à repercussão geral, ainda não definitivamente julgado, mas cuja ementa assim dispôs: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Destacase, ainda, que a CSRF decidiu pela impossibilidade de creditamento na aquisição de produtos isentos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 930301.274: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 IPI. JURISPRUDÊNCIA. As decisões do Supremo Tribunal Federal STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 10 9 Administração Pública Federal direta e indireta, nos termas do Decreto n° 2.346, de 10.10.97. CRÉDITOS DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS. Conforme decisão do STF RE n° 566.819, há de negar direito ao creditamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acórdão nº 9303005.571: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF. Especificamente sobre a possibilidade de tomada de créditos sobre aquisições isentas oriundas da ZFM por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, esta turma já se pronunciou conforme Acórdãos nº 3302002.673, de 24/07/2014, proferido pela Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó no processo nº 11080.727828/201143, nº 3302 003.741, de 29/03/2017, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no processo nº 13839.002752/200274 e o de nº 3302004.410, proferido pelo Conselheiro Walker Araújo no processo nº 10384.720215/201360. Pontuese que a matéria está sob julgamento do STF, com repercussão geral reconhecida, no RE nº 592.891/SP e que o decidido no RE nº 212.484/RS não abordou especificamente a aplicação do artigo 40 do ADCT, mas sim o princípio da nãocumulatividade do IPI, restando superado por decisões posteriores como as proferidas nos RE nº 370.682, nº 398.365 e nº 566.819, já mencionados Em adição, transcrevese parte do voto do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410, o qual adoto como razão de decidir, complementarmente, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/1999: "A respeito de todas as matérias levantadas pela Recorrente neste tópico, a saber: (i) isenção concedida pelo SUFRAMA; (ii) reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT; e (iii) e do direito ao crédito previsto no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, pego emprestado as considerações apresentada pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim ao analisar caso idêntico ao aqui tratado (acórdão 3402002.927), o qual adoto como fundamento de decidir: "Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002, por não Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 11 10 terem sido elaborados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, bem como no fato de que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. [...] A defesa invocou a isenção prevista no art. 9° do DecretoLei n° 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito ao dispensar tratamento diferenciado aos produtos produzidos na Zona Franca, não podendo o fisco aplicar à espécie o regime jurídico normal dos créditos de IPI. No que tange à isenção do art. 9° do DL n° 288/67, o referido diploma legal não estabeleceu de forma expressa o direito dos adquirentes aos créditos fictos do imposto. O art. 9° do DecretoLei n° 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2° do RIPI/2002. Se o regulamento do IPI não contemplou com o direito de crédito os produtos adquiridos com isenção (exceção feita ao art. 175, do RIPI/2002), então, no âmbito do julgamento administrativo, não há como reconhecer o direito pleiteado pela recorrente, sob pena de ofensa ao art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que vincula a atuação deste colegiado à observância e cumprimento de dispositivos com hierarquia igual ou superior a decreto. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE n° 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. [...] Sendo assim, devem ser mantidas as glosas dos créditos incentivados nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização."" Destarte, não é permitida, em regra, a tomada de créditos sobre aquisições de produtos isentos, ainda que adquiridos da Zona Franca de Manaus. Quanto à subsunção do pedido de compensação ao disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, a matéria restou prejudicada em razão da inexistência de créditos a serem ressarcidos. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 12 11 Da atualização dos créditos pela taxa Selic A recorrente pleiteou a atualização dos créditos pedidos em ressarcimento pela taxa Selic desde seu protocolo. Acerca da matéria, transcrevo voto vencedor proferido pelo Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão nº 9303005.425: "A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 13 12 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 14 13 Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividem se em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção daria se somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 15 14 referente à incidênca da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 16 15 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 17 16 Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10860.900055/200649 Acórdão n.º 3302006.785 S3C3T2 Fl. 18 17 Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento." Destarte, a incidência da taxa Selic pressupõe a oposição estatal ilegítima, o que não ocorreu para os créditos deferidos e, para os créditos indeferidos, a análise resta prejudicada, já que inexistentes. No que tange ao pedido de retirada de pauta, tal apreciação é de competência do presidente da turma, tendo sido negada em procedimento próprio, conforme artigo 56 do Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 626DF CARF MF
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