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Numero do processo: 12898.000183/2010-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/03/2010
NULIDADE DA AUTUAÇÃO, FALTA DE MATERIALIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO REALIZADA EM RESPEITO A TODAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MATERIALIDADE E VIOLAÇÃO AS NORMAS TRIBUTÁRIAS COMPROVADAS. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/03/2010 NULIDADE DA AUTUAÇÃO, FALTA DE MATERIALIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO REALIZADA EM RESPEITO A TODAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MATERIALIDADE E VIOLAÇÃO AS NORMAS TRIBUTÁRIAS COMPROVADAS. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 144 1 143 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000183/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.345 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria CP:AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE ENGENHARIA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2010 NULIDADE DA AUTUAÇÃO, FALTA DE MATERIALIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO REALIZADA EM RESPEITO A TODAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MATERIALIDADE E VIOLAÇÃO AS NORMAS TRIBUTÁRIAS COMPROVADAS. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 83 /2 01 0- 75 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 145 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.236.7160, objetiva o lançamento da Obrigação Acessória, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 15/03/2010, conforme AR, de fls. 62. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 28 a 36, recebida, em 08/04/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 37 a 58. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 63 e 64. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1233.556 12ª Turma da DRJ/RJI, em 30/09/2010, fls. 66 a 70, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 08/09/2011, AR, de fls. 77. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 78 a 84, recebida, em 06/10/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 85 a 103, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que o recurso é tempestivo; Mérito. · que a autuação carece de materialidade, pois necessário seria que esta ocorresse na data e hora prevista para a entrega da documentação solicitada, não emitindo o fiscal qualquer documento na data prevista no TIPF e TIF’s; · que o agente fiscal em razão da vinculação do ato administrativo estaria obrigado a emitir a autuação de imediato, caso a documentação Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 146 3 no fosse entregue, conforme consta do RPS que transcreve, na comportando o vernáculo imediato interpretações, cita o PARECER CJ 2139/2000; · que a não lavratura do auto de infração no momento da não entrega dos documentos, nos termos da IN/INSS/DAF 10/98 já resulta em nulidade; · que estando a autuação embasada em fato não ocorrido e não comprovado e em desacordo com as normas deve ser anulado, pois faltando materialidade falta motivo, cita a Lei 4.717/65 e o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello; · A recorrente requer e pede: a) declaração de improcedência deste AI. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 107. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 107. É o Relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 147 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Preliminar. A tempestividade foi reconhecida e o recurso está sendo “processado”. Mérito. Não assiste razão à recorrente quando diz que a infração não está provida de materialidade, por não ter sido emitido o auto de infração imediatamente depois do recebimento dos documentos solicitados via TIPF e TIF’s. A uma, porque o artigo 293, do RPS foi alterado pelo Decreto 6.103/2007 que exclui expressão imediato, não se aplicado esta ao caso, pois inexistente tal exigência. A duas, porque, ainda, quando vigente a expressão imediato, isso não implicava dizer que o lançamento deveria ser feito imediatamente depois do recebimento dos documentos. O imediato se referia ao momento de constatação da infração que poderia se dar bem depois ao momento do recebimento dos documentos, pois de certo que ante a gama, variedade e quantidade de documentos que se solicita em uma ação fiscal a conferência minuciosa destes não se dava e não era possível no momento da entrega, ou seja, do recebimento destes documentos pelo fisco. A três, porque com a entrada em vigor da Lei 11.457/2007 e com a autorização de antecipação de seus efeitos pelo Decreto 6.103/2007 na determinação do crédito fiscal, passouse a aplicar em concomitância com o RPS o Decreto 70.235/72 que não tem a expressão imediato. Assim, as duas normas de regência foram atendidas, sendo o vernáculo suscitado desprovido de juridicidade, assim sendo as alegações da recorrente quanto a falta de materialidade, bem como as alegações subjacentes, como a interpretação do vernáculo imediato, por não mais existir tal exigência, e, ainda, a aplicação do Parecer CJ 2.139/2000 e da IN/INSS/DAF 10/98, o que as tornam impertinentes e fora do contexto por inaplicáveis ao caso. O fato só não ocorreu como está amplamente demonstrado, basta para isso ler os termos de solicitação de documentos, ou seja, o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 14 e 15, e os Termos de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 16 a 22, bem como com os esclarecimentos e a relação de livros e documentos relacionados a contribuição previdenciária não apresentados contidos, no Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 07 a 12, item 2.2. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 148 5 Desta forma, fica afastada a alegação de ausência de motivo para autuação, bem como a aplicação da Lei 4.717/65, a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello. Todavia, não há como sustentar a aplicação da reincidência específica como consta do Relatório da Multa Aplicada, fls. 13. No item 3 deste relatório o agente fiscal diz, o que a seguir se transcreve: 3. Considerando a existência de circunstância agravante, prevista no art. 290, inc. V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e tratandose de uma reincidência específica, prevista no art. 292, inc. IV, do referido Regulamento, a multa no valor de R$ 14.107,77 (Quatorze mil, cento e sete reais e setenta e sete centavos), atualizado conforme o estabelecido no inc. VI, do art. 8º, da Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, publicada no DOU de 31/12/2009, foi elevada em três vezes perfazendo o total de R$ 42.323,31 (quatro e dois mil, trezentos e vinte e três reais e trinta e um centavos), conforme cópia do CCREDEXT, em anexo. (destaques do original). Apesar do que dito pelo agente lançador este não trouxe aos presentes autos a comprovação da existência da infração anterior, data de seu cometimento; data da sua aplicação, a data do julgamento, a data do resultado do julgamento ou do pagamento do AI, ou seja, data da consolidação do evento. A falta dos elementos citados não permitem que se configure a reincidência, observese a legislação sobre o tema: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Assim sendo, não prospera a configuração da reincidência e a majoração da multa em três vezes, devendo esta ser excluída e a multa fixada no mínimo legal. Posto isto, nego o pedido de sobrestamento deste, até porque a obrigação principal está sendo julgada em conjunto, apesar de desnecessário como explicitado. Entretanto, reconheço que a reincidência foi aplicada de forma indevida, devendo ser excluída. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 149 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908256/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3801-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso.
Declarou-se impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 95 1 94 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.908256/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.822 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CAMBARÁ S.A. PRODUTOS FLORESTAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. Declarouse impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 82 56 /2 00 9- 91 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.908256/200991 Acórdão n.º 3801001.822 S3TE01 Fl. 96 3 Relatório Tratase de pedido de compensação de COFINS que foi nãohomologada conforme despacho decisório de fls. sob o argumento de inexistência de crédito. Inconformada com a nãohomologação a Recorrente apresentou manifestação de Inconformidade alegando em síntese que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de PIS e COFINS, conforme disposição da Lei n° 9.718, de 1998, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento (utilizouse de base de cálculo errônea) e documentos que teriam sido apresentados no decorrer do presente processo. Em suma, recolheu ao Erário valores superiores aos efetivamente devidos. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela Lei referida e afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, tendo por fundamento o disposto no art. 3º, § 2, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Discorre longamente acerca da inconstitucionalidade da contribuição, e alega também que as receitas transferidas a outras pessoas jurídicas devem ser excluídas nos termos do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A DRJ de Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com base na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento de direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO VIA DECL ARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROV AÇÃO. Nos termos do art. 170 do CTN, é fundamental a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do devido encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Não concordando com a decisão da DRJ a Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário no qual aponta como fundamentos para que a compensação seja homologada que: (i) que a Recorrente não concorda com o procedimento de prévia habilitação dos créditos judiciais por entendêlo completamente contrário às normas legais norteadoras da compensação administrativa; (ii) que a Recorrente carece de uma ordem judicial para que possa efetuar a compensação portanto fez a compensação sponte propria; e, (iii) que “tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. É o relatório, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.908256/200991 Acórdão n.º 3801001.822 S3TE01 Fl. 97 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado no relatório supra os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e no presente Recurso Voluntário são distintos. Enquanto na peça vestibular a contribuinte alega que seu direito creditório advém de pagamento feito a maior decorrente da ampliação da base de cálculo da COFINS decorrente do disposto do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, no presente recurso alega que o seu crédito decorre do valor recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos 2.445/1988 e 2449/1988. Em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais o interessado inova, e agora apresente novo argumento para substanciar seu crédito. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Conforme disse o Presidente americano Abraham Lincoln “nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio”. Sendo matérias distintas, a da primeira e da presente instância, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720145/2006-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. REQUISITOS.
Incabível a manutenção do arbitramento do VTN-Valor da Terra Nua com base no SIPT-Sistema de Preços de Terras, quando não cumpridos os requisitos especificados no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1.996.
Recurso especial conhecido em parte e na parte conhecida provido.
Numero da decisão: 9202-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. REQUISITOS. Incabível a manutenção do arbitramento do VTNValor da Terra Nua com base no SIPTSistema de Preços de Terras, quando não cumpridos os requisitos especificados no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1.996. Recurso especial conhecido em parte e na parte conhecida provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 45 /2 00 6- 14 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, do ITR do exercício de 2005, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Terezinha, localizado no Município de Tabaporã/MT. Em sessão plenária de 28/07/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 344.782, prolatandose o Acórdão 2201 00.749 (fls. 92 a 96), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da, decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto n°. 70.235, de 1972. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 196 3 VALOR DA TERRA N1JA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Preliminares rejeitadas Recurso negado” Cientificado do acórdão em 30/03/2011 (AR de fls. 103), o Contribuinte interpôs, em 13/04/2011, o Recurso Especial de fls. 106 a 160, com fundamento nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: glosa da Área de Preservação Permanente; arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua, com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, por meio do Despacho 2200 00.403, de 29/06/2011 (fls. 165 a 171). Em seu apelo, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese: Do arbitramento do VTN como se verifica da simples leitura da autuação, foi atribuído como valor venal de mercado à Fazenda Santa Terezinha R$ 4.012.815,20, montante que se afigura, no mínimo, descabido e desarrazoado; na notificação, assim como nos r. Acórdãos de primeira e segunda instância administrativas, não consta uma só linha capaz de justificar esse valor, sua forma de apuração, sua determinação, ou mesmo os critérios adotados no arbitramento pela autoridade lançadora, numa total afronta ao princípio da motivação dos atos administrativos (artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999); ao contrário, como já mencionado, a autuação limitase a mencionar que o valor considerado tem por base o SIPT Sistema de Preço; de Terras da Secretaria da Receita Federal, sistema este que, além de não ser franqueado ao Recorrente, o que incorre em cerceamento de defesa, possui critérios totalmente desconhecidos para apurar o valor venal por hectare, fato que por si só invalida toda a pretensão fiscal; apesar de ter sido colocada tal questão quando da apresentação da impugnação, assim como quando da interposição do recurso voluntário, a d. decisão recorrida manteve neste aspecto intocável o lançamento apenas reiterando as razões do fisco, no que tange à utilização, para apuração do valor venal do imóvel, sem, contudo, mais uma vez, ao menos disponibilizar ao Recorrente cópia do SIPT, em manifesto cerceamento ao direito de defesa do contribuinte; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 neste ponto, mister se faz ressaltar, mais uma vez, que as informações constantes dos "sistemas de controle", da Secretaria da Receita federal além de não serem disponíveis para consulta pelos contribuintes, não foram franqueados no presente procedimento ao Recorrente, nem pela fiscalização fazendária nem tampouco pelas r. Turmas julgadoras de primeira e segunda instância, no mínimo, para que o Recorrente pudesse ao menos verificar a legalidade da utilização do valor mínimo " x " , "y" ou "z", em manifesto cerceamento do direito de defesa do contribuinte e afronta ao princípio da publicidade, conforme mais acima já demonstrado; com efeito, é evidente que se o acusado não tem acesso ao menos para aferir a legalidade da exigência fiscal que lhe está sendo imposta, não tem como verificar a exatidão dos valores que lhe esteio sendo unilateralmente opostos pela autoridade lançadora;' resta manifestamente violado, desta forma, o princípio da publicidade dos atos administrativos, previsto na Constituição Federal de 1988 em seu artigo 37 e na Lei nº 9.784, de 1999, mais especificamente em seu art. 2º , inciso V; como é sabido, a divulgação dos atos e normas emanados da autoridade pública se faz imprescindível para dar o seu conhecimento aos administrados, de quem será exigido o cumprimento das mesmas; em outras palavras, tais dispositivos só podem produzir conseqüências jurídicas, adquirindo legitimidade e executoriedade, se forem publicados, já que não tem outra finalidade a publicação das normas na imprensa oficial senão a de atribuirlhes eficácia erga omnes, razão pela qual inocorrendo sua publicação, considerase a mesma um nada no mundo jurídico, não se lhe podendo exigir o cumprimento; assim, no presente caso, no mínimo para defenderse das imputações que lhe estão sendo impostas, farseia necessário o conhecimento dos critérios e valores utilizados pela fiscalização fazendária; por outro lado, mais uma vez, restará ao Recorrente fazer ilações para poder se defender de uma acusação fiscal vazia, dúbil, e imprecisa, não tendo sequer acesso à informação utilizada como base para formalização da exigência fiscal, fato que colide com a norma inserta na Constituição Federal de 1988, de possibilitar ao acusado o direito à ampla defesa; sem ter o Recorrente pelo menos a oportunidade de verificar os critérios que levaram a d. fiscalização a atribuir determinado valor a sua terra, fica o mesmo impedido de demonstrar algum equívoco que porventura possa ter sido cometido, bem como de verificar se o terreno em questão se enquadra, realmente, nas condições e localização mencionadas na tabela; com efeito, até mesmo pela incumbência de comprovar os fatos constitutivos do seu direito, tinha o fisco por obrigação franquear ao Recorrente os critérios e valores utilizados para apuração do valor da terra nua arbitrado no caso dos autos, sob pena de manifesta afronta aos princípios da Publicidade e da Ampla Defesa, aos quais a Administração Pública encontrase adstrita; e nem se alegue que poderia o contribuinte, caso discordasse dos valores arbitrados, apresentar Laudo Técnico elaborado por profissional habilitado com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e de acordo com as normas da ABNT; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 197 5 como já mencionado, foi exatamente o que fez o Recorrente, visando demonstrar o seu bom direito e o equívoco cometido pela fiscalização quando do arbitramento do valor da terra nua do imóvel rural em questão; assim, repitase, apresentou o Recorrente o laudo de avaliação nos termos das normas da ABNT, demonstrando detalhadamente o valor da terra nua do imóvel rural autuado, levando em consideração todos os fatores e peculiaridades da região e do imóvel em si, razão pela qual devem ser considerados os valores nele informados para o valor da terra nua do imóvel rural autuado; outrossim, o preço do hectare praticado na região é absolutamente incompatível com aquele apurado de ofício, conforme se verifica na tabela de preços preferenciais de terras e imóveis rurais, fornecida pelo INCRA, que informa o valor do hectare no município é de R$ 156,00 em 2003 (SIC – na verdade, tratase do exercício de 2005, e o VTN apurado no laudo é de R$ 184,29/ha), documento anexado aos autos quando da apresentação da impugnação e, ao que parece, completamente ignorado pelas autoridades julgadoras a quo, uma vez que estas sequer mencionaram a análise de tal documento; cumpre neste ponto ressaltar não ter ocorrido na região, nem tampouco na economia nacional, nenhum fato relevante que justifique a disparidade entre o valor efetivo do hectare e aquele pretendido pela fiscalização fazendária; entretanto, para surpresa do Recorrente, como acima mencionado, nenhuma ponderação foi feita pelas d. Turmas julgadoras, no que se refere à tabela de preços apresentada pelo Recorrente, fornecida pelo INCRA; a decisão de segunda instância, para justificar a autuação, apenas se restringe a afirmar que, a ser considerada a tabela do INCRA, deveria ser considerada a tabela SIPT, cuja publicidade, repitase, foi negada ao contribuinte; além disso, o imóvel localizase em área de difícil acesso, não existindo estradas asfaltadas ou de boa qualidade, portanto o acesso ao imóvel só pode ser feito por veículos utilitários, dotados dos recursos para superar os inúmeros obstáculos constantes da "estrada", o que também contribui para a desvalorização do imóvel rural em questão; por outro lado, não há na autuação sequer um só parâmetro que permita a conclusão que o imóvel em questão deve ser avaliado em R$ 4.012.815,20, sendo esse valor manifestamente impróprio, injustificado e descabido com a realidade; neste ponto, cumpre trazer à colação, por analogia, a regra prevista no artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99, aplicado subsidiariamente ao lançamento do ITR, segundo a qual "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais" cabendo à autoridade lançadora do tributo provar a inveracidade dos fatos registrados; ora, se o contribuinte prestou sua declaração (DITR) e a autoridade lançadora não possui sequer indício que o VTN utilizado é equivocado, ou inverídico, porque motivo foi simplesmente alterado o VTN, impondose ao contribuinte o ônus de procurar demonstrar a correção de seu procedimento? Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 é evidente o equívoco contido na autuação e na decisão de primeira instância; ainda mais, em caso de equívoco no VTN informado, não bastaria apenas a desconsideração do valor declarado pelo Recorrente com a atribuição de um valor hipotético ou aleatório de ofício, conforme se verifica da redação do artigo 148 do Código Tributário Nacional CTN, ao dispor sobre o arbitramento; assim, caso a autoridade lançadora possuísse elementos suficientes à desconsideração dos valores declarados pelo Recorrente, deveria ter instaurado o devido processo fiscal de arbitramento, assegurando, através do contraditório, a ampla defesa do contribuinte, viabilizando desta forma ,a possibilidade dos valores apurados serem objetados, em procedimento racional, lógico, motivado, e com a obediência ao devido processo legal; o processo de arbitramento a ser efetivado, na via administrativa deverá contar, inexoravelmente, com a presença do contribuinte a fim de que, devidamente cientificado, possa ter a oportunidade de defenderse das imputações e alegações que lhe são impostas no procedimento expondo suas razões e provas, o que não ocorre no presente caso; ante o exposto, resta claro que não se pode admitir que seja adotado, aleatoriamente, um critério de arbitramento para fixação do valor da terra nua (VTN) de um imóvel rural de 18.218,00 ha, fundamentado exclusivamente na vontade da autoridade lançadora, com base em critérios secretos, que sequer são motivados e coerentes, restando inteiramente improcedente a exigência fiscal; por outro lado, como já acima mencionado, tendo sido apresentado pelo Recorrente o competente Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, com a Anotação de Responsabilidade Técnica, demonstrando o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, deve ser revisto o VTN do imóvel, sendo considerado como válido o constante do laudo; neste sentido é a jurisprudência desse E. Conselho de Contribuintes; assim, deve ser considerado o VTN reconhecido como correto para o imóvel rural em questão pelo Laudo Técnico apresentado pelo Recorrente. Da glosa da área de Preservação Permanente ao contrário do decidido pela C. la Turma da C. 2 Câmara da 2 Seção de Julgamentos do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, toda a área não tributável existente de fato no imóvel rural em questão, manifestamente comprovada através de foto via satélite, Ato Declaratório Ambiental e Laudo Técnico, deve ser considerada para a apuração do grau de utilização do imóvel e, consequentemente, para a determinação da alíquota a ser aplicada, haja vista que a área descrita na declaração de ITR efetivamente corresponde à parta da propriedade rural protegida legalmente contra o desmatamento; aliás, no caso dos autos, conforme se infere do Ato Declaratório Ambiental ADA retificador, protocolizado em 2006 pelo Recorrente, a área declarada no exercício de 2003 como sendo de preservação permanente é, na verdade, inferior à área de fato existente no imóvel rural, possuindo o Recorrente valores a receber da Secretaria da Receita Federal ante o pagamento a maior a título de ITR; com efeito, as áreas de "preservação permanente", assim como as de "utilização limitada", são excluídas da tributação por expressa disposição de lei; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 198 7 as áreas de "preservação permanente", nos termos da legislação ambiental pertinente, são áreas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação nativa que não podem ser utilizadas, devendo ser preservadas com o intuito de proteger os cursos d'água, lagoas, nascentes, bem como aquelas localizadas ao longo de rodovias, ou ainda as de valor científico, histórico, entre outros; em outras palavras, a área de preservação permanente compreende aquelas áreas de vegetação nativa que estão protegidas do desmatamento e que não podem sofrer exploração econômica comercial, única e exclusivamente por força da lei, independente da vontade do proprietário do imóvel; assim, visando comprovar a extensão das áreas de preservação permanente e /oj reserva legal – existentes na propriedade rural em questão – declaradas pelo Recorrente na declaração do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2003, foram acostadas aos autos as fotos via satélite do imóvel, onde se comprova a existência de fato das mencionadas áreas; somandose à comprovação da existência de fato das áreas excludentes da tributação, o Recorrente também apresentou para a d. Fiscalização o Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado no IBAMA em setembro de 1998, bem como sua retificadora, protocolizada em março de 2006 (docs. 04 e 05 anexados à impugnação), na qual consta a área de preservação permanente efetivamente existente no imóvel, com extensão de 14.574,00 ha; por fim, visando não restar qualquer dúvida quanto a extensão das áreas de preservação ambiental, o Laudo Técnico apresentado pelo Recorrente atesta a existência das áreas declaradas, sendo manifesto seu direito de ter as mesmas consideradas integralmente para o cálculo do ITR devido no exercício de 2003; e nem se alegue, como tentaram o i. fiscal autuante e a d. turma julgadora de primeira instância administrativa, que o valor averbado pelo contribuinte como de preservação permanente deveria estar, de acordo com a legislação correlata, declarado para o IBAMA, através do ato declaratório, no prazo estipulado, pelo que não poderia ser considerada a área informada pelo Recorrente; isto porque, a documentação apresentada pelo Recorrente, foi exatamente o ADA, devidamente protocolizado e cadastrado no IBAMA, o qual, repitase, já foi vistoriado por aquela autarquia; neste ponto, notese que não foi feita nenhuma alteração por aquele órgão a respeito das áreas informadas pelo Recorrente, o que demonstra, mais uma vez, a veracidade das informações por ele prestada em sua declaração; isto porque, como já dito acima, o fim último de tal norma foi atingido, qual seja, o de garantir a preservação ambiental em áreas de interesse ecológico, sendo comprovada a existência de fato das áreas excludentes da tributação e seu respaldo pelo órgão ambiental correspondente; por outro lado, a exigência de cumprimento de prazo para apresentação do ADA como requisito para assegurar a dedução da área tributável da parcela da terra declarada como de preservação permanente, nos termos pretendidos pela d. autoridade julgadora de primeira instância, fere de morte o princípio da legalidade, extrapolando o poder conferido ao Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Executivo de regulamentar ao exigir, por meio de Instruções Normativas, a expedição do ADA; agindo desse modo a Receita instituiu, em verdade, obrigação tributária acessória, violando o parágrafo 2º do artigo 113 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual dispõe que tal tipo de obrigação decorre de lei e não de ato administrativo; e nem se alegue que nos termos do artigo 17O, caput e §1º da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, estaria justificada a necessidade de apresentação do ADA e consequente manutenção do lançamento formalizado contra o Recorrente; isto porque, em que pese o dispositivo legal suso mencionado prever a necessidade de apresentação do ADA para a redução do valor a pagar a título de ITR, não menciona, com nenhuma letra, que haveria algum prazo para a protocolização de tal Ato perante o IBAMA; outrossim, a Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, ao inserir o § 7º ao art. 10 da Lei no. 9.393, de 1996, pôs uma pá de cal sobre a questão, dispensando o ADA para comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente e, ato contínuo, para o cálculo do ITR; desta forma, em tendo sido apresentado pelo contribuinte o ADA, que demonstra a existência das áreas não tributáveis a que faz jus, não interessa, nos termos da legislação vigente, a que tempo esse Ato foi protocolizado; corroborando o bom direito do Recorrente encontrase a jurisprudência do então Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, segundo a qual se reconhece que a comprovação de área de preservação permanente pode ser feita por outros documentos idôneos que não o Ato Declaratório Ambiental; neste mesmo passo é o entendimento que está se formando nos Tribunais Superiores, conforme demonstrado nos autos do Recurso Especial no. 587.429, em que a Exma. Ministra Eliana Calmon e o Exmo. Ministro Luiz Fux, ao proferirem seus votos, declararam manifeste discordância à exigência em questão, fulminando a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental, pretendida pela Secretaria da Receita Federal, com base no art. 3º da Medida Provisória nº 2.166 6712001, que alterou art. 10, §1º , II, "d", §7º da Lei nº 9.393, dispositivo este que expressamente dispensa a emissão do ADA para fins de cálculo do ITR; ainda nesse sentido é o entendimento exarado nos autos do Recurso Especial nº 665.123; assim, resta demonstrada a correta apuração das informações prestadas pelo Recorrente quando da entrega da declaração de ITR exercício de 2003, devendo, pois, ser excluída da área total do imóvel aquela referente à preservação permanente, para determinação da base de cálculo do ITR para, com o correto grau de utilização da terra, ser possível a fixação da alíquota a ser aplicada para apuração do imposto devido; em outras palavras, deduzidos os valores relativos às áreas de utilização permanente, resta improcedente a exigência fiscal. Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e o provimento do recurso. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 199 9 Cientificada do despacho acima em 12/07/2011 (fls. 172), a Fazenda Nacional ofereceu, em 26/07/2011, as ContraRazões de fls. 181, reiterando os argumentos da DRJ. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o apelo, do ITR do exercício de 2005, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Terezinha, localizado no Município de Tabaporã/MT, em que se discute a glosa da Área de Preservação Permanente e o arbitramento do VTN com base no SIPT. Quanto à primeira matéria – glosa da Área de Preservação Permanente – foram indicados como paradigmas os Acórdãos 30239.380 e CSRF/03 05.495. Antes de analisar os paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, presente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, são adotadas soluções diversas. Assim, é imprescindível a verificação das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se guardariam a necessária similitude. No caso do acórdão recorrido, a glosa da área de Preservação Permanente ocorreu porque não restou comprovada a sua efetiva existência. Assim, tratase de discussão sobre a materialidade da área, independentemente da existência de ADA – Ato Declaratório Ambiental, que inclusive consta dos autos às fls. 46/47. Os trechos abaixo, constantes do relatório e voto condutor do aresto, mostram como esta matéria foi abordada: Relatório: “A DRJCAMPO GRANDE/MS rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. (...) Quanto ao mérito, destacou que a glosa da área de preservação permanente decorreu da falta de comprovação com documentas hábeis e idôneos; que além da apresentação de ADA tempestivo, é necessário que o contribuinte faça prova, quando intimado, da efetiva existência da referida área; que não estando suficientemente especificadas as áreas de preservação permanente, pode ser exigido laudo técnico para que a fiscalização esteja convicta do teor de verdade das informações Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 constantes da DITR; que o ADA não é o único documento exigido para comprovar a área de preservação permanente, sendo necessário laudo técnico, que discrimine as áreas que possuem as características previstas na Lei n° 4.771/65 (arts. 2° e 3°), com as alterações da Lei n° 7.803/1989, haja vista que a pretendida isenção sobre áreas de preservação permanente pressupõe que as áreas assim declaradas subsumamse ao conceito legal previsto nos artigos supramencionados do Código Florestal; que, no caso, o Laudo Técnico apresentado veicula informações vagas sobre as áreas pretensamente isentas, não discriminando nem quantificando adequadamente as áreas de preservação permanente; que os mapas apresentados se limitam a distribuir a área do imóvel em polígonos, que em nada contribuem para a quantificação da área de isenção pretendida.” Ementa e Voto: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. (...) Sobre a APP, o fundamento para a glosa foi a falta de comprovação da existência efetiva da área. Entendeu a autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, que o laudo técnico apresentado pela defesa é genérico e superficial, não demonstrando tecnicamente a existência da área, rejeitando o, portanto, como elemento de prova idôneo. O Contribuinte argumenta que, além de o laudo comprovar a existência da APP, esta foi declarada em ADA. (...) Pois bem, o Laudo de Vistoria Técnica de fls. 21/32 aponta, genericamente, que as APP, no caso, seriam formadas por vegetação ciliar primária e ao longo dos rios (1.428,82 ha) e por vegetação nativa distribuída nas nascentes, cachoeiras que formam lagos e nas encostas dos morros e serras (13.193,7276 há), conforme reprodução a seguir do trecho do laudo que cuida desta matéria, a saber: (...) Uma primeira conclusão que se pode extrair daí é a de que as APP pretendidas pelo Recorrente seriam aquelas referidas no art. 2° da lei n° 4.771, de 1965. Notase, entretanto, que o laudo, além dessa referência genérica, não especifica os elementos a partir dos quais chegou a esta área. Por exemplo, não quantifica a extensão dentro da propriedade e a larguras dos tais cursos d'água, limitandose a referirse, genericamente, a diversos cursos d'água; não demonstra que áreas estariam nas tais encostas e quais estariam nos topos de serras, enfim, o laudo Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 200 11 não demonstra tecnicamente, com o mínimo de rigor, como chegou à área apontada como APP. Não é difícil perceber, pelas situações definidas no art. 2° da Lei 4.771, de 1965, que para um imóvel, com cerca de 18.000ha., ter APP de mais de 12.000ha. este deve ter características muito peculiares, como um grande rio, ou muitas áreas de montanhas e serras, áreas alagadas etc. E essas características precisariam estar claramente explicitadas no laudo, e não estão. Concluso, portanto, no mesmo sentido da decisão de primeira instância, de que o laudo apresentado pelo Contribuinte é imprestável como prova dos fatos alegados, pois não atende a requisitos técnicos mínimos que lhe confira idoneidade.” (grifei) A leitura dos trechos acima permite concluir que o acórdão recorrido não enfrentou diretamente o argumento do Contribuinte, no sentido de que se considerasse comprovada a área de Preservação Permanente, tendo em vista a apresentação do ADA. Tampouco foram opostos Embargos de Declaração pelo Contribuinte. Entretanto, considero que houve o prequestionamento, já que a menção, no voto, ao argumento do Contribuinte, combinada com a sua conclusão, no sentido de que o Fisco pode solicitar a comprovação das áreas declaradas como isentas, autoriza o entendimento no sentido de que o Relator efetivamente rechaçou a tese aventada pelo Contribuinte. Assim, passo ao exame dos paradigmas. Quanto aos paradigmas – Acórdãos 30239.380 e CSRF/0305.495 – estes retratam situações fáticas bem diversas daquela descrita no recorrido, já que não tratam da materialidade da Área de Preservação Permanente, mas sim da formalidade representada pela exigência do ADA tempestivo. No primeiro paradigma – Acórdão 30239.380 – a ausência de similitude fática em relação ao recorrido fica clara pela leitura dos seguintes trechos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR Exercício: 2001 (...). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de Ato Declaratório Ambiental hábil, não há como prosperar o lançamento a título de glosa de área de preservação permanente correspondente ao aludido exercício. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (...) Foi cumprida a exigência da averbação tempestiva da área de utilização Iimitada/reserva legal declarada, à margem da matricula do imóvel, porém, a fiscalização considerou não cumprida uma segunda exigência, de caráter geral, aplicada a Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 todas as áreas ambientais do imóvel (preservação permanente/utilização limitada), para fins de exclusão do 1T'R, que é a necessidade de tais áreas serem declaradas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão ambiental ou, pelos menos, que seja comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental – ADA, conforme relatado no relatório fiscal, fls. 45/47.Assim sendo, devo restringirme as provas das áreas glosadas trazidas aos autos. Há averbação de área de reserva , legal no Cartório de Registro de Imóveis, como bem salientou o i. relator a quo e já comentado. No entanto, a glosa das áreas de utilização limitada/reserva legal e de preservação permanente declaradas, respectivamente, com 493,6 ha e 13,9 ha, ocorreu, única e exclusivamente, por falta de comprovação dessa segunda exigência , em tempo hábil. No presente caso, a protocolização, junto ao IBAMA, do requerimento solicitando o competente Ato Declaratório Ambiental ocorreu em 10 de março de 2004, conforme doc. à fl. 14. Comungo do mesmo raciocínio desenvolvido pelo i. relator CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, no recurso voluntário de n° 137351, fazendo as devidas adaptações ao caso, transcrito abaixo: "Entendo perfeitamente as razões dos julgadores de primeiro grau para tal proceder, entretanto, com a devida vênia, interpreto o prescrito pela Lei n ° 10. 165/2000, que alterou o art. 170 da Lei nº 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e diz ser obrigatória a utilização do ADA para efeito de redução de valor a pagar do ITR, de forma diversa in casu. Como a lei não tratou de prazos para a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, entendo que o documento obtido antes do inicio da ação do fisco, em 10/03/2004, fl. 14, é hábil para os efeitos da lei apontada. Assim é que existe averbação e Ato Declaratório Ambiental hábeis para os fins colimados pela recorrente. Daí ser improcedente a glosa da referida área (reserve legal). Aqui a situação (área de preservação permanente) é a mesma, porquanto há Ato Declaratório Ambiental intempestivo para a área referida, porém anterior à ação fiscal, como se pode notar no Ato Declaratório Ambiental de fis. 14, a única diferença, é que a área de preservação permanente não necessita de averbação no registro de imóveis, e nesse sentido mostrase improcedente a glosa da área de preservação permanente.” (grifei) Como se pode constatar, diferentemente do que ocorreu no acórdão recorrido, no caso deste paradigma a glosa da área de Preservação Permanente ocorreu unicamente pela falta de apresentação tempestiva do ADA, e não pela não comprovação da existência efetiva da referida área. Nesse passo, o paradigma adotou o entendimento no sentido de que, como a lei não havia fixado prazo para a apresentação do ADA, poderia ser aceito o seu protocolo após o fato gerador, porém antes do início da ação fiscal. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 201 13 Destarte, o paradigma acima analisado não se presta a comprovar a alegada divergência, já que trata de situação diversa da retratada no recorrido. Quanto ao segundo paradigma indicado para a primeira matéria – Acórdão CSRF/0305.495 – este também trata de situação diversa da contida no acórdão recorrido, conforme se deduz dos seguintes trechos: “ITR/98. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. INTEMPESTIVIDADE.. IMPROCEDÊNCIA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto.da IN SRF n° 43 ou 67/97, não tem amparo legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. REGISTRO EFETUADO EM ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. PROVA HÁBIL. O registro de distribuição de áreas do imóvel rural concernente à área de preservação permanente e de reserva legal contidos em Ato Declaratório do Ibama, que correspondem às mesmas informações declaradas em DIAT devem ser reconhecidos para fim de cálculo do ITR/98. (...) O tema apresentado ao debate versa sobre a falta de recolhimento de ITR/98, em face da intempestividade da data de protocolo do requerimento do ADA no IBAMA (04/12/00, vide fl. 26), em detrimento da qual foram desconsideradas, por meio de glosa, 1.500,0 ha de Área de Preservação Permanente e de 2.500,0 ha de Área de Utilização Limitada. Motivo esse ensejador da lavratura de auto de infração para constituição do referido crédito tributário. VII Documentos probantes da pretensão deduzida pela ora recorrente, encontrados às fls. 24 a 27: a) certidão de averbação de termo de responsabilidade de preservação de floresta (fl. 24); b) Ato Declaratório Ambiental — ADA; c) Termo de responsabilidade de preservação de floresta, emitido pelo instituto estadual de florestas — MG. A matéria subjudice foi abordada de forma analítica e exaustiva no acórdão e 30331 340 pelo ilustre Conselheiro Zenaldo Loibman, que passou a modelar a jurisprudência deste egrégio Conselho., e tomo de empréstimo suas razões de julgar, verbìs: (...) É frágil e superficial, concentrar na averbação do ADA junto à matrícula do imóvel ou no Termo de Ajustamento de Conduta perante o IBAMA, a responsabilidade de constituição do direito de isenção. A exclusão de tais áreas do universo tributável pelo ITR, não se dá por benesse do IBAMA ou da SRF, mas exclusivamente por se tratar de área definida legalmente, em Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 termos de características ecológicas e localização específica no território nacional.. Por meio da IN SRF 60/2001, a administração tributária tentou estabelecer um vínculo entre a necessidade de averbação do ADA e o gozo da isenção. Ocorre que a averbação prevista, na Lei 4.771165, visava tãosomente a responsabilizar o proprietário e eventuais adquirentes pela conservação ambiental. Com isso o procedimento da SRF feriu de morte o princípio da legalidade. Não há base legal para tal procedimento. É até possível entender a utilidade pára um controle tributário que além de se municiar de ato declaratório do IBAMA para servir de mera sustentação à declaração do contribuinte (que se fosse só por isso seria inútil), vise, isto sim, a uma seleção de contribuintes para fiscalização . Não se pode admitir é a política de omissão em fiscalizar o ITR, assim como não se justifica a omissão do IBA.MA em termos de fiscalização ambiental. No entanto, é para isso que aponta a mencionada IN SRF, parece esperar que apenas uma providência cartorial e burocrática de declaração do IBAMA mediante informações prestadas pelo contribuinte, averbada em Cartório de Imóveis, possa ter a virtude de constituir uma exclusão tributária . Agir assim é faltar ao compromisso social de fiscalização do tributo, e, principalmente, é afastarse perigosamente do Estado de Direito. É por suas características e localização, que a área indicada se enquadra ou não na definição legal de utilização limitada ou de preservação permanente, e por esse motivo está ou não excluída de tributação, e a constatação disso assim como não deve se restringir à leitura da DITR , não deve se restringir ao ADA, esteja ou não averbado. À primeira vista nada impede a SRF de estabelecer penalidade por descumprimento de obrigação acessória , motivada pela não apresentação de ADA averbado, ou de Termo de Ajustamento de Conduta protocolado junto ao IBAMA, no prazo fixado pela própria SRF, mas apenas por que este fato pode representar um entrave ao procedimento de fiscalização, a infração ao prazo ou à averbação exigida por ato normativo expedido pela SRF não pode de forma algum ter o alcance de criar, além da lei, requisito ou condição para o gozo de isenção . Poderia, no máximo, além de motivar uma multa por descumprimento de obrigação acessória, constituir critério de prioridade para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados. Entender diferente, que um aspecto tributário importante como definir um requisito para o beneficio da isenção, mesmo se dispondo de um ambiente legal construído, específico e em vigor na Lei 9.393/96, pudesse estar transferido, injustificadamente, para outro diploma legal, cuja finalidade é absolutamente distinta da tributária, é forçar demasiadamente um raciocínio que erige um castelo de areia para explicar que o ato de averbar, neste caso do ADA, de alguma forma pudesse ser importante para a isenção do ITR.. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 202 15 Ao contrário, é da tradição tributária brasileira que, independentemente do título do rendimento, ele deve ser tributado, a renda independentemente de sua origem, é tributada. Da mesma forma no ITR , em que o proprietário, enfiteuta ou possuidor a qualquer título (inclusive usufrutuário), é contribuinte. Por outro lado, nada impede que, eventualmente, a administração tributária possa pôr em dúvida, serem as áreas declaradas efetivamente de preservação permanente ou de reserva legal, ou de servidão florestal, mesmo quando reconhecidas por via de ato declaratório ambiental do IBAMA averbado. Nesse caso cabe investigar, solicitar comprovações idôneas a demonstrar o estado da propriedade . O que não se admite é que se afirme sustentação legal no Código Florestal , inexistente, para exigir averbação das áreas isentas do ITR, como précondição, obstáculo ao reconhecimento dessas áreas como isentas no cálculo do ITR. Esse tipo de infração ao disposto no Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato, de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definição dada na Lei 4.771/65 (Código Florestal). A infração cometida quanto à Lei 4.771/65 por aquele que não obedece a limitação de uso da propriedade, é crime ambiental , não tributário, não tem o condão de desfazer a condição de área sob reserva legal, ainda que o proprietária lhe tenha dado indevidamente destinação ilícita, deve dar motivo a sanção apropriada que por certo não é de caráter tributário. A menção no § 7° do art. 10 da Lei 9 .393/96 à declaração para fim de isenção do ITR, por certo que se refere a DITR, mas também a qualquer declaração que por ventura possa ser utilizada para o fim de isenção do ITR.. Digase, a propósito, que em princípio esse não deveria ser o coso do ADA, cuja finalidade é outra, mas é fora de dúvida que se a administração tributária dele se servir com a finalidade de reconhecimento de isenção de ITR passa a estar abrangido na expressão legal mencionada. Também observo que a DITR, como também o ADA, mesmo quando averbada na matrícula do imóvel , não constituem prova definitiva do caráter de reserva legal, ou de preservação permanente. Nem um nem outro dispensam a SRF nem o IBAMA do dever de fiscalizar sendo que àquele órgão compete fiscalizar o ITR e a este , a conservação ambiental segundo parâmetros previamente definidos na lei. O ADA é, em princípio fruto de informações declaradas pelo proprietário contribuinte, tanto quanto o é a DITR.. No mais o procedimento ditado pela SRF de praticar lançamento tributário pela mera falta de averbação do ADA, é burocrático, no pior sentido da palavra, desincentiva a atividade Fl. 15DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 fiscalizadora propriamente dita e é atentatório ao princípio da legalidade. (...) Constatase a partir do texto legal exposto que a declarante não estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no art. 10 da IN/SRF nº 43/97 ou mesmo da IN/SRF n° 56/98, ficando prejudicado o argumento da intempestividade da apresentação do ADA à repartição fiscal.” (grifei) Destarte, este segundo paradigma igualmente não guarda identidade fática com o recorrido, já que também nele a motivação da glosa da área de Preservação Permanente foi a apresentação intempestiva do ADA. Ademais, longe de caracterizar divergência jurisprudencial, este paradigma encontrase em total sintonia com o recorrido. Com efeito, esse julgado trata do ITR/1998, período inclusive acobertado por súmula, no sentido da desnecessidade do ADA. Os trechos negritados mostram que esse acórdão defende a busca da verificação da efetiva existência material das áreas isentas, por meio de ação fiscal que exija comprovação idônea, independentemente da existência de ADA. E foi exatamente isto que ocorreu, no caso do acórdão recorrido, ou seja, buscouse a comprovação efetiva da existência da área de Preservação Permanente, porém o laudo apresentado pelo Contribuinte não foi considerado apto a comprovar dita área. No caso em apreço, a demonstração de divergência jurisprudencial requereria a indicação de paradigma em que, não comprovada a materialidade da Área de Preservação Permanente, ou seja, não comprovada a sua efetiva existência, tendo em vista a apresentação de laudo considerado inepto para tal, ainda assim dita área fosse mantida, simplesmente pela existência do ADA. Com efeito, não foi indicado paradigma que retratasse tal posicionamento. Muito pelo contrário, nos paradigmas colacionados o que se viu foi a relativização do ADA como elemento de prova, tanto assim que no primeiro julgado admitiuse o seu protocolo intempestivo, e no segundo pregase claramente a sua desnecessidade, em nome da verdade material, lembrandose que tal posicionamento originou a Súmula CARF nº 41. Assim, não conheço do Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, relativamente à glosa da Área de Preservação Permanente. No que tange à segunda matéria suscitada – arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua, com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras – não tenho reparos a fazer no Exame de Admissibilidade e passo a analisar o mérito. Tratase do arbitramento do VTN, com base no SIPT – Sistema Integrado de Preços de Terras, previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1° inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos Fl. 16DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.720145/200614 Acórdão n.º 9202002.699 CSRFT2 Fl. 203 17 realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Quanto ao art. 12, §1º, inciso II , da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, cabe trazêlo à colação, com a redação vigente à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel.” Assim, combinandose os dispositivos legais acima, concluise que o sistema a ser criado pela Receita Federal, para fins de arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, a saber: localização, capacidade potencial da terra e dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de TerrasSIPT da Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447, de 2002, que deve ser alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da citada Portaria). Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais acima especificadas. No caso em apreço, a tela do SIPT às fls. 56, extraída em 26/11/2008, portanto juntada aos autos somente após a apresentação da Impugnação, não deixa dúvidas, no sentido de que o arbitramento foi efetuado com base apenas na média das DITR do Município, sem considerarse a aptidão agrícola, portanto sem atender às determinações legais acima referidas. Quanto ao Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte, a Fiscalização assim se manifestou: “Valor da Terra Nua : 0 contribuinte apresentou um Laudo de Avaliação onde considerou somente a tabela do INCRA, utilizando o valor mínim , com nota agronômica 0,350, valor de Fl. 17DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 R$ 156,00/ha, para o exercício de 2003, R$ 167,75/ha para o exercício de 2004 e R$ 184,29/ha, para o exercício de 2005. 0 termo de intimação n° 01301 / 00075/2006 determinava a apresentação do laudo de avaliação conforme estabelece a NBR 14 . 653 da ABNT, com grau de fundamentação II. 0 laudo apresentado não foi elaborado em concordância com a norma da ABNT, NBR 14.653, sendo, portanto, o valor da terra nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme art. 14 da Lei 9393/96.” (grifei) Assim, no presente caso, o VTN declarado pelo Contribuinte foi de R$ 180,00 por hectare (R$ 3.279.240,00/18.218,00 ha). Intimado a comprovar dito valor, o Contribuinte apresentou Laudo de Avaliação, em que se apurou o VTN de R$ 184,29 por hectare, com base em Tabela de Preços de Terras do INCRA. Dito laudo foi desconsiderado pelo Fisco, por não ter sido elaborado conforme as normas da ABNT, procedendose ao arbitramento com base em valor constante do SIPT, o que resultou em um VTN de R$ 218,90 por hectare, considerandose apenas a média das DITR do Município, conforme tela de fls. 56. Destarte, como o arbitramento pelo SIPT não considerou a aptidão agrícola, portanto não foram respeitados os critérios legais, entendo que deve ser aceito o VTN de R$ 184,29 por hectare, que o próprio Contribuinte reconhece ser o correto e defende em suas peças de defesa. Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, doulhe provimento, para aceitar o VTN – Valor da Terra Nua de R$ 184,29 por hectare. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 18DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11065.002764/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES – DESPESAS DE CUSTEIO – LIVRO CAIXA
A dedução de despesas de custeio da atividade de profissional liberal, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso e, restringe-se aos pagamentos efetuados pelos contribuintes no ano-calendário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 10 a 13, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 9.855,07, já inclusos acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, onde alegou que os recibos juntados aos autos comprovam os valores lançados na declaração de ajuste anual. Esclareceu que as despesas com prótese dentária deveriam ser registrados no livro Caixa e não como despesas médicas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 20): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES – DESPESAS MÉDICAS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso e, restringese aos pagamentos efetuados pelos contribuintes no anocalendário, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O julgador de 1a instância entendeu que: a) Ao exame dos valores lançados como pagamentos e doações efetuados na DIRPF (fl. 17) verificase que o interessado pleiteou, indevidamente, como despesas médicas tais despesas. b) É de se manter a glosa do referido montante, não podendo o mesmo ser computado como dedução no livro Caixa, tendo em vista que implicaria em análise do inteiro teor do livro Caixa e dos documentos que serviram de base para os registros nele contidos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.002764/200867 Acórdão n.º 2101001.486 S2C1T1 Fl. 2 3 C) Quanto a glosa do restante das despesas médicas (R$ 5.275,22) o interessado não logrou comprovar mediante documentação hábil e idônea. Portanto, mantida a glosa. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 04/02/2011 (fl. 46), o Recorrente apresentou, em 25/02/2011, o recurso de fls. 47, solicitando “a verificação, juntamente com os documentos em anexo, comprovando os valores lançados indevidamente na DIRPF”. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 54, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2006, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. O julgador a quo manteve glosas relativas à determinadas despesas entendidas como não comprovadas. No voluntário, o recorrente requer verificação da DIRPF exercício 2005/2006, apresentando comprovantes do pagamento das despesas entendidas como registráveis no livro caixa. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas odontológicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Em sua peça impugnatória o contribuinte discorda do lançamento efetuado, afirmando que houve houve, por um lapso, o lançamento das despesas alusivas aos documentos carreados aos autos, no item Despesas Médicas quando deveriam ser no item Livro Caixa. É pacifico, tanto na legislação de regência como na jurisprudência, que a prova da ocorrência de erro de fato no preenchimento das declarações, cabe ao contribuinte, e pode ser efetuada mediante a comprovação da inocorrência do aporte no valor declarado ou a demonstração de como foi obtido o valor erroneamente apontado. De fato, ao se analisar as declarações apresentadas, constatase que o contribuinte é odontólogo, sendo plausível que as despesas relativas aos serviços de próteses dentárias são oriundas da atividade exercida. Ora, o estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3° e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidades essenciais, inerentes ao processo. Todos os erros ou equívocos Fl. 69DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.002764/200867 Acórdão n.º 2101001.486 S2C1T1 Fl. 3 5 devem ser reparados tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Desta forma, conjugandose as posições acima descritas, com o argumentos, fatos e provas do processo, não me restam dúvidas, que no caso em pauta, se está na presença de uma falha, decorrente de erro humano, que não tem o condão de subverter a verdadeira natureza das coisas, ainda que, frente à letra fria da lei, se incorreu em falha pela não retificação do erro pelo processo legal. Em casos análogos assim tem julgado este colegiado: Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal EXERCÍCIO: 2000 PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento de um determinado item na declaração de rendas auditada, para se restabelecer a situação correta em favor do contribuinte. (Acórdão 19600078 Sexta Turma Especial/Quinta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes). EMENTA PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL ERRO DE FATO MEIOS DE PROVA É de se admitir o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformarse à realidade fática, inclusive no caso de apresentação em duplicidade de declaração de ajuste anual. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato no preenchimento em duplicidade dos formulários da declaração de ajuste anual, é cabível a retificação do lançamento, já que a prova do erro cometido pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. (Acórdão n°. : 10420.529, Processo n°. : 13652.000108/9938). Entretanto, ainda que claro está que o dispêndio incorrido poderia ser despesa de custeio de sua atividade de odontólogo, o recorrente não logrou comprovar o efetivo desembolso, mediante apresentação de cópia de cheques ou extratos bancários, ficando prejudicada a verificação do efetivo pagamento. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.003712/2003-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Anocalendário:
2002
SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO
INDUSTRIAL.
Não ficou comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado
(engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de
manutenção e instalação de bombas para postos de gasolina, logo, a pessoa
jurídica pode optar pela sistemática do SIMPLES.
Numero da decisão: 1202-000.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL. Não ficou comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção e instalação de bombas para postos de gasolina, logo, a pessoa jurídica pode optar pela sistemática do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 2 Cuidase de pedido de reinclusão retroativa no Simples Federal formulado por Nilutec Manutenção e Instalação de Bombas para Postos de Gasolina Ltda. (CNPJ 02.000.868/000117). Solicita sua reinclusão no benefício fiscal (fl. 1), informando que entregou suas declarações como pessoa jurídica no modelo Simplificado (de 1997 a 2001), bem como mantém adimplidas suas obrigações fiscais federais em conformidade com o Simples. Junta cópia dos pagamentos (DARFs) e de Recibos de Entrega da Declaração Anual Simplificada. Ao apreciar o pedido (fl. 72), a DRF em Campinas entendeu pelo seu indeferimento, baseado no fato de que a requerente não possuía a condição de admissibilidade para o Simples, eis que sua atividade, de prestação de serviços de “Manutenção e instalação de bombas para postos de gasolina”, nos termos do contrato social juntado ao processo (fl. 02), indica atividade vedada ao Simples Federal, por caracterizar atividade profissional de engenheiro ou assemelhados, nos termos do artigo 9º, XII, da lei 9317/96. A contribuinte foi intimada da decisão em 11.04.08 (fl. 75). Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade (fl. 77), onde informa em apertada síntese que a empresa nunca exerceu a atividade de instalação, motivo pelo qual a mesma foi excluída da razão social, bem como que a manutenção em bombas de postos de gasolina é exercida por técnicos, cabendo aos “engenheiros formados” a execução dos projetos, e aos técnicos o serviço braçal. Alega ainda que o faturamento da empresa é de onde origina seu sustento familiar, aduzindo que “hoje em dia, nenhum posto de gasolina quer contratar funcionário para a função de manutenção de bombas, pois o custo é alto em relação a quantidade do serviço a ser executado dentro de um único estabelecimento”. Por fim, requer a modificação da decisão, por não possuir condições de adimplir com as dívidas tributárias e multas. O acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/CPS (fls. 98/100), n. 0523.186, houve por bem indeferir a solicitação da contribuinte. Inicialmente, reconhece a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em relação ao mérito, analisando a atividade econômica exercida pela contribuinte, diz ser importante a análise de diferentes pontos. Assinala que os atos constitutivos (contrato social, requerimento de empresário individual), após o competente registro, gozam de status de veracidade jurídica. Assim, ao analisar a documentação da contribuinte, tem –se que, em seu nome e objeto social, há a expressão “Manutenção e Instalação de Bombas para Posto de Gasolina”, com alteração posterior para “manutenção de bombas para postos de gasolina”. Disto, conhecido e caracterizado o objeto social da empresa, informa não ser possível afirmar que a empresa prescinda de conhecimento específico técnicocientífico de profissional de engenharia para desempenhar suas funções. De outra feita, também informa que não há como provar, sem análise probatória mais profunda, que a real atividade da contribuinte interessada implica numa das vedações para permanência ou ingresso no Simples Federal. Mais, lembra que o Simples é um benefício fiscal, o que implica que aos ingressantes não é possível deixar margem para dúvida acerca do cumprimento das condições exigidas. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Processo nº 10830.003712/200312 Acórdão n.º 120200.524 S1C2T2 Fl. 122 3 Aduz que a vedação presente no artigo 9º, inciso XII, da Lei n. 9317/1996 é de ordem objetiva, não cabendo análise de eventual aspecto subjetivo, especialmente em relação à pessoa a que desempenhe determinada atividade. O que importa, de fato, é se a atividade em questão é atribuída a algum dos profissionais constantes do rol previsto no já citado artigo 9º, inciso XII, o que levaria a um impedimento para a permanência ou ingresso no Simples. Informa que a Resolução nº 218 de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (responsável por discriminar as atividades dos profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), dispõe, conforme a transcrição feita aqui do corpo do acórdão: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 4 Art. 8° Compete ao ENGENHEIRO ELETRICISTA ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETROTÉCNICA: 1 o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 10 desta Resolução, referentes à geração, transmissão, distribuição e utilização da energia elétrica; equipamentos, materiais e máquinas elétricas; sistemas de medição e controle elétricos; seus serviços afins e correlatos. Art. 9° Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO: 1 o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1° desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. [.] Art. 12 Compete ao ENGENHEIRO MECÂNICO ou ao ENGENHEIRO MECÂNICO E DE AUTOMÓVEIS ou ao ENGENHEIRO MECÂNICO E DE ARMAMENTO ou ao ENGENHEIRO DE AUTOMÓVEIS ou ao ENGENHEIRO INDUSTRIAL MODALIDADE MECÂNICA: 1 o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1° desta Resolução, referentes a processos mecânicos, máquinas em geral; instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletromecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização do calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatos.” (destacouse) Ainda, explica que não se trata de uma aderência eterna à vontade manifestada nos atos constitutivos, já que tal declaração de vontade pode ser modificada ou desconstituída por outra de igual ou superior força. Assim, entende que “Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de contrato social ou estatuto, de declaração de firma individual, notas fiscais de venda de produtos, mercadorias e/ou serviços), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituída (ou até restringida) a declaração de vontade impressa em seus atos constitutivos.” (fl. 100). O acórdão, portanto, indefere a solicitação da contribuinte. A contribuinte foi intimada em 13.10.08 (fl. 102) e apresentou Recurso Voluntário (fls. 104/106) em 07.11.08. Preliminarmente, alega que se fosse correto o entendimento recorrido, de que a atividade exercida é exclusiva de engenheiro, quando da constituição da empresa, seria exigido pelo competente cartório de registro de pessoas jurídicas para o registro o visto da entidade de classe correspondente, no caso o CREASP, citando para comprovar seu Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Processo nº 10830.003712/200312 Acórdão n.º 120200.524 S1C2T2 Fl. 123 5 entendimento o artigo 119, parágrafo único da lei 6.015/73. Indica que o cartório, à época do registro, não exigiu tal formalidade. Anexa declaração de prestação de serviço da empresa Manusetcpos Comércio e Manutenção Ltda. (CNPJ 56.848.310/000115), que se utiliza dos serviços prestados pela recorrente, indicando ali qual é a natureza dos serviços. Indica que houve equívoco por parte da DRJ em relação à interpretação da atividade exercida pela contribuinte. Aduz que a própria resolução (Resolução 218, de 29 de junho de 1973) que embasou a decisão recorrida indica que para que haja a aludida equiparação, a atividade deve ser aprovada, reconhecida e fiscalizada pela entidade correspondente, qual seja, o CREA. Para a recorrente, não há como efetuar a equiparação pretendida pelo julgador pelo Simples fato de constar do contrato social “manutenção e instalação de bombas para postos de gasolina” ou “manutenção de bombas para postos de gasolina”, se para o exercício de tais funções não ér exigido formação técnica em nível médio ou superior, ou mesmo o registro de habilitação profissional. Requer assim, a procedência do recurso para sua inclusão retroativa no Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, o presente processo trata de pedido de reinclusão retroativa no Simples Federal uma vez que não a DRF indeferiu o pedido com base no artigo 9º, XIII, da Lei nº 9317/96, isto é, a prestação de serviços profissionais cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida. O retromencionado artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996,dispõe que: "Artigo 9o Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor. ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 6 Segundo a interessada, o exercício dessas atividades não prescinde de profissional com habilitação legalmente exigida (engenheiro). Da análise da Resolução nº 218 de 29 de junho de 1973, do CONFEA Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (responsável por discriminar as atividades dos profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), entendo que não há exigência ou prérequisito legal algum para que o exercício das atividades da interessada seja feito por engenheiro. Suas atividades estão elencadas dentre aquelas descritas nos itens 15 a 17 do art. 1º da Resolução acima referida, as quais podem ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, sem a necessidade de profissional de engenharia como entendeu a DRJ. Há serviços de prestação de serviços de manutenção e reparos de máquinas industriais que até podem requerer a supervisão de engenheiro, porém, pelos elementos que compõem os autos, isto é, notas fiscais e contrato social, não parece ser o caso. Ainda, é indubitável que um engenheiro possa exercer tais atividades de supervisão, manutenção e reparos de máquinas industriais; mas nao é imprescindível que quem as execute possua a habilitação legal de engenheiro, a qual requer tão somente mão de obra técnica treinada para a execução desses serviços. Destarte, entendo que este tipo de prestação de serviços da recorrente, não representa serviço profissional de engenharia ou assemelhados, nem há necessidade de exercício por profissão legalmente regulamentada, não sendo, portanto, no meu entendimento, atividade vedada para opção pelo SIMPLES. A jurisprudência do antigo 3º Conselho de Contribuintes também vinha se posicionando no mesmo sentido defendido neste voto, conforme se pode verificar na consulta aos Acórdãos proferidos nos Recursos nºs 30333654, 30333212, 30333461, 30335334, disponível no site do CARF, na internet. Também o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 403568, também se alinha com o entendimento acima esposado, conforme ementa que se transcreve: “TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). ANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. RECURSO ESPECIAL INADMISSÍVEL SÚMULAS N.°S 5 E 7, DO STJ. "As atividades de instalação elétrica não estão abrangidas pela vedação prevista no art. 9º, § 4o, da Lei 9.317, podendo a empresa prestadora desses serviços ser optante" (Resp 380761) Ainda que assim não fosse, as próprias regras da experiência comum indicam que exploram serviços de instalação e manutenção de equipamentos elétricomecânicos não se enquadram no art. 9o, inciso XII, alínea "f" da Lei 9.317/96. Equiparar essas empresas implicaria em analogia in malam partem, num sistema tributário que, quando nada, admite em prol do contribuinte, a interpretação mais benéfica (art. 106, I, CTN). Deveras, a análise do contrato social com o escopo de aferir o objeto da empresa e suas atividades para afastar funções Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Processo nº 10830.003712/200312 Acórdão n.º 120200.524 S1C2T2 Fl. 124 7 assemelhadas, data venia, incide no mesmo veto da sindicância fáticoprobatória (Súmulas 05 e 07 do STJ).”(grifei) Por todo o acima exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reincluir a contribuinte no .SIMPLES. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT
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Numero do processo: 12466.002267/2006-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 28/07/2003 a 24/11/2004
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabe recurso de Embargos de Declaração quando houver contradição, omissão e obscuridade a sanar no Acórdão, sendo que elementos que não influenciam na solução da lide ou matéria não litigiosa não precisam ser necessariamente apreciadas pelo Acórdão.
ARBITRAMENTO DOS VALORES SUBFATURADOS.
Não houve arbitrariedade no arbitramento, pois pautou-se em critérios razoáveis e lastreados nas provas carreadas aos autos. Estando a matéria dos autos submetida a legislação especifica, art. 88 da Medida Provisória 2.158-35/2001, resta inaplicável ao caso o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA)/GATT/1994.
LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação indireta, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE.
Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional por tratarem-se de penalidades distintas.
Numero da decisão: 3101-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade: a) não se conheceu dos Declaratórios no tocante à alegada obscuridade do acórdão no tópico origem dos recursos; b) deu-se provimento para suprir a omissão apontada pela embargante e enfrentar as questões não analisadas no acórdão embargado; e c) negou-se provimento quanto ao critério de arbitramento dos valores aduaneiros subfaturados; e II) por voto de qualidade, negou-se provimento no tocante às questões relativas à responsabilidade da embargante e à retroatividade benigna da Lei nº 11.488/2007. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Fábia Regina Freitas, que substituiu o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva, ausente momentaneamente. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o advogado Júlio César Soares, OAB/DF nº 29.266, representante do sujeito passivo.dar provimento aos embargos, para excluir a responsabilidade solidária da Recorrente Cotia Trading S/A.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Fábia Regina Freitas (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabe recurso de Embargos de Declaração quando houver contradição, omissão e obscuridade a sanar no Acórdão, sendo que elementos que não influenciam na solução da lide ou matéria não litigiosa não precisam ser necessariamente apreciadas pelo Acórdão. ARBITRAMENTO DOS VALORES SUBFATURADOS. Não houve arbitrariedade no arbitramento, pois pautouse em critérios razoáveis e lastreados nas provas carreadas aos autos. Estando a matéria dos autos submetida a legislação especifica, art. 88 da Medida Provisória 2.158 35/2001, resta inaplicável ao caso o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA)/GATT/1994. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação indireta, por intermédio de pessoa jurídica importadora. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 22 67 /2 00 6- 47 Fl. 5908DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade: a) não se conheceu dos Declaratórios no tocante à alegada obscuridade do acórdão no tópico origem dos recursos; b) deuse provimento para suprir a omissão apontada pela embargante e enfrentar as questões não analisadas no acórdão embargado; e c) negouse provimento quanto ao critério de arbitramento dos valores aduaneiros subfaturados; e II) por voto de qualidade, negouse provimento no tocante às questões relativas à responsabilidade da embargante e à retroatividade benigna da Lei nº 11.488/2007. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Fábia Regina Freitas, que substituiu o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva, ausente momentaneamente. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o advogado Júlio César Soares, OAB/DF nº 29.266, representante do sujeito passivo.dar provimento aos embargos, para excluir a responsabilidade solidária da Recorrente Cotia Trading S/A. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Fábia Regina Freitas (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos de Contribuinte no qual alega ter havido omissão e obscuridade no Acórdão n° 310100.009, de 25 de março de 2009, cuja ementa e parte dispositiva foram assim redigidas: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/07/2003 a 24/11/2004 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ÔNUS DA PROVA. Se o contribuinte não traz provas aos autos que demonstrem que a importação foi realizada por sua conta, demonstrando as negociações de aquisição, não há como afastar as provas de que houve a interposição com base nos documentos Fl. 5909DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.250 3 obtidos pela fiscalização no exame do interessado final pelas mercadorias importadas. A prova em contrário deve ser substancial a fim de indicar que o importador era o adquirente das mercadorias importadas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1A Câmara da 1' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Alega a Embargante as seguintes omissões e obscuridades: 1) Houve omissão quanto à impossibilidade de se atribuir responsabilidade à Embargante pela pratica dos supostos atos ilícitos, bem como, ocorrência de fato superveniente, edição do art. 11, §3°, da Lei 11.281/2006 2) Houve obscuridade quanto ao fato reconhecido de que as importações foram realizadas com recursos próprios da Embargante. 3) Omissão quanto às alegações de insubsistência do alegado subfaturamento, inobservância do procedimento de valoração aduaneira e impossibilidade de presunção do subfaturamento; e 4) Aplicação retroativa da Lei nº 11.488/2077. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Conheço em parte o Recurso por se tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade. Quanto à questão da obscuridade, creio que não devam ser conhecidos os Embargos, uma vez que, quanto ao fato reconhecido de que as importações foram realizadas com recursos próprios da Embargante (alegada acerca da origem dos recursos utilizados pela Recorrente), entendo que pela linha abordada no voto embargado e no presente voto, tal circunstância não altera a dinâmica dos fatos e da aplicação do direito, haja vista que o lançamento não está embasado na presunção da capacidade de a Recorrente realizar as importações, mas em sua participação no esquema fraudulento existente entre importador e exportador. No que tange à omissão entendo que realmente ocorreu no voto condutor do Acórdão que acarretou em apreciação parcial no Acórdão dos argumentos trazidos pelo Recurso Voluntário. Fl. 5910DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Porém, antes de apreciação dos Embargos de Declaração da análise dos autos trouxe a tona vício que entendo insanável. Dentre os pressupostos de fundamento do auto de infração a fiscalização entendeu que: A Lei Complementar n ° 104, de 10 de janeiro de 2001, alterou o Código Tributário Nacional, para que, introduzindo o parágrafo único em seu artigo 116, constasse atribuição de competência A autoridade administrativa, para desconsiderar atos ou fatos jurídicos dissimuladores da ocorrência do fato gerador ou da natureza dos elementos que constituem a obrigação tributária, in verbis: "LEI N° 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966 –CODIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 116. ... Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária." A Fiscalização, ao fundamentar o exercício de sua função e desconsiderar os negócios realizados expôs o seguinte: Assim, a ocultação do sujeito passivo por intermédio da interposição fraudulenta encontrase no âmbito de aplicação da norma que se retira do parágrafo único do artigo 116, pois tal prática a ocultação tem o condão de encobrir com um véu o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, tornandoo praticamente inatingível em caso de autuação pelo fisco, pois promove, como já se disse, a transferência da sujeição passiva a contribuinte diverso daquele realmente relacionado ao fato gerador. Neste sentido, ensina Professor Alberto Xavier(XAVIER, Alberto. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo:Dialética, 2001, p. 56.)(grifamos): "Na simulação fiscal, o fenômeno enqanatório pode incidir sobre qualquer dos elementos da obriga cão tributária fato aerador, base de cálculo ou sujeito passivo. O novo parágrafo único de artigo 116 do CTN pretende descrever a amplitude do fenômeno em matéria fiscal referindose à dissimulação da 'ocorrência do fato gerador do tributo' ou `da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária:." Inobstante à consistência das provas carreadas aos autos, é interessante destacar que as simulações constatadas pelo Fisco levam em conta pressupostos fáticos a partir dos quais o Fisco resolveu desconstituir os atos jurídico com fundamento no parágrafo único do art. 116 do CTN (fls. 461 – verso), vejamos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...] Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo Fl. 5911DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.251 5 ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.[grifamos e destacamos]. Foi com base nessa fundamentação que a fiscalização desconsiderou os atos e negócios jurídicos realizados entre a Recorrente e as empresas, o que deu origem ao lançamento em tela, que adotou como premissa a dissimulação para considerar a ocultação, apesar de os documentos desde o início indicarem a atuação da Recorrente como importadora por encomenda. É de notarse, contudo, que o parágrafo único do art. 116 do CTN é expresso ao condicionar essa modalidade de desconsideração de atos e negócios jurídicos à prévia existência de procedimentos estabelecidos em lei ordinária, o que, diante da ausência de tal regulamentação legal necessária, implica na completa ilegalidade do Auto de Infração, por descumprir expressamente o art. 142, parágrafo único do CTN, que atribui ao lançamento a natureza de atividade vinculada, ou seja, estritamente submetido ao texto legal. Apenas por esse argumento já seria bastante para desconstituir a exigência. Aliás, levado a efeito essa possibilidade de o Fisco desconsiderar os negócios jurídicos praticado, a realidade que surgira seria outra, na qual os reais importadores deveriam ocupar a posição de sujeitos passivos e a intermediária apenas de responsável. Inobstante, a Embargante requer a apreciação de questão específica quanto à impossibilidade de se atribuir responsabilidade à Embargante pela pratica dos supostos atos ilícitos. Aduz que atuou na importações como trading realizando as importações por encomenda das empresas Gemini e Universal Kids. Que à época não vigia a norma que disciplinava a obrigatoriedade de incluir na declaração de importação o nome das encomendantes: O v. acórdão embargado deixou de considerar que a Embargante não pode ser responsabilizada por qualquer infração relacionada à importação, pois a simples leitura dos trechos transcritos (assim como das 70 páginas do relatório fiscal) evidencia que, se ilícito houve , foi praticado exclusivamente pelos sujeitos passivos solidários. De fato, a Embargante (importadora) limitouse a promover a importação das mercadorias, observando as condições negociais entabuladas entre as encomendantes das mercadorias e o exportador, e custeando toda a operação com recursos próprios, como reconhecido pela fiscalização. Nessas condições, houve importação por encomenda, que se concretiza exatamente quando uma pessoa jurídica importadora adquire mercadorias estrangeiras destinadas a comprador predeterminado, utilizando seus próprios recursos, participando ou não o encomendante das tratativas comerciais com os exportadores, conforme estabelecido no art. 11, §3°, da Lei 11.281/2006. Realmente, as operações ocorridas entre 28/07/2003 a 24/11/2004 ocorreram antes da alteração trazida pelo art. 11 da Lei n° 11.281/2006: Fl. 5912DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Não há dúvida que antes da disciplina trazida pelo enunciado prescritivo acima, a interposição fraudulenta no caso de importação por encomenda carecia de do arquétipo obrigacional da declaração do encomendante para conformação do tipo penal previsto no art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76, pois somente com a IN SRF 634/2006, que trouxe diversas obrigações de identificação do encomendante no momento do registro da Declaração de Importação: Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Nesse ponto, tem razão a Embargante, pois a decisão recorrida não abordou esse tema, e a partir dessa perspectiva não há como qualificar como ilícita a conduta da Recorrente. É importante trazer à baila, ainda, que após analisar as provas acerca das importações realizadas pela Recorrente o Ministério Público Federal concluiu que não houve participação da COTIA TRADING na operação fraudulenta, sendo que decidiu proceder ao Fl. 5913DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.252 7 arquivamento procedimento criminal (PAC n° 1.17.000.000601200754), em relação aos dirigentes da Recorrente, justamente por reconhecer a regularidade dos procedimentos adotados nas importações em tela e a inexistência de indícios que pudessem configurar a conivência com as infrações cometidas pela demais empresas. Da manifestação do Ministério Público Federal, destaco: “Ocorre, no entanto, que desse raciocínio de estranheza desconfiança, não se pode extrair, a nosso ver, que os prepostos de Cotia tinham consciência da fraude que estava sendo perpetrada . A própria ligação de Continental Seas com a Grupo Gemini só ficou completamente desvendada com os documentos obtidos na diligência de Busca e Apreensão. Não há indicação de que a Cotia soubesse que os valores estavam subfaturados, uma vez que ela não teve acesso físico prévio às mercadorias, nem há indicação de que soubesse da ligação Continental Seas — Grupo Gemini. Muito mais dificil seria afirmar que esta tivesse conhecimento de que houve pagamentos de frete pôr meto de doleiros. Outrossim, não parece ter havido, por parte da Cotia, omissão de qualquer informação às autoridades alfandegárias e financeiras, visto que nos contratos de câmbio efetivamente foram indicados os nomes dos beneficiários dos pagamentos no exterior na D I's, informados os números dos contratos de cambio. Em razão disso, o Ministério Público Federal promove arquivamento das peças de informação no que se refere à responsabilidade criminal dos dirigentes da Cotia, fls. 5, ressalvada, no entanto, uma diferente manifestação no caso do surgimento de provas novas, nos termos do art. 18 do CPP. (grifos do original) Ora, se a obrigação de incluir o encomendante na Declaração de Importação só veio em 2006, a ausência desse procedimento não poderia ser fundamento da aplicação da penalidade. Quanto ao arbitramento dos valores aduaneiros considerados subfaturados, a fiscalização entende que os documentos técnicos não são válidos para amparar a valoração aduaneira: Provocado sobre o tratamento aplicável aos documentos fraudulentos, o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial das Aduanas assim se pronunciou, em sua Opinião Consultiva 10.1: "O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos?" "Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 7 do Protocolo enfatizam o direito das Fl. 5914DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentado para fins de valoração aduaneira. Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional." (grifamos) Nesta situação, deve a administração aduaneira arbitrar os valores aduaneiros das mercadorias, conforme estabelece o art. 88 da MP 215835/2001, combinado com o § 1 2 do art. 144 do CTN: MP 215835/01: "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do prego efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n 2 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o principio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Código Tributário Nacional CTN "Art. 144. 0 lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 2° Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." O critério adotado para a definição da valoração aduaneira está assim fixada no lançamento: Entretanto, na apuração do esquema de fraudes aqui desnudado, foi localizado documento, que identificou o valor de transação, em um dos processos de importação em que as mercadorias foram liberadas (fls 134 a 167), e ainda considerando o subfaturamento do frete internacional, que demonstra a pratica continuada desse tipo de fraude, rejeitamos o valor de transação declarado, e arbitramos o valor das mercadorias, acrescentando o mesmo percentual de subfaturamento comprovado no processo em que foi Fl. 5915DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.253 9 comprovado o subfaturamento das mercadorias, considerando o valor do frete negociado e o valor de seguro em 0,85% do valor FOB, com base nas planilhas apresentadas as folhas 255 e 261. Esses valores arbitrados estão sendo apresentados nas folhas 79 a 81. Ou seja, o Fisco utilizou os elementos de prova colhidos na investigação em importações o que levou à identificação do subfaturamento, de modo que evidenciou por critérios razoáveis o padrão de subfaturamento efetivado nas importações objeto da fiscalização para arbitrar o valor aduaneiro. Não houve arbitrariedade no arbitramento, pois pautouse em critérios razoáveis e lastreados nas provas carreadas aos autos; o critério utilizado está previsto dentre os autorizados pelo Art. 88 da MP 2158. O mesmo entendimento é aplicável ao subfaturamento do frete, uma vez que, ainda que razoável o critério, há comprovação de que tenha havido o subfaturamento em todas as operações, no curso de dois anos. Quanto à penalidade aduaneira aplicada ressaltese que, ainda que a multa originalmente aplicada fosse cabível, posteriormente, o art. 33 da Lei n° 11.488/2007 estabeleceu penalidade específica para as empresas que cedem a terceiros seu nome, com vistas a encobrir os reais participantes das operações de comércio exterior. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior deterceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Ora, o arquétipo penal do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, ainda que tenha sido criada em substituição da declaração de inaptidão do CNPJ, como tem defendido a Procuradoria, é certo que o enunciado prescritivo se confunde com o arquétipo penal do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, de modo que para aquele que empresta o nome tem punição diversa e específica, àquela prevista para os demais partícipes. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL aos Embargos de Declaração para, com efeitos infringentes, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a responsabilidade da Recorrente. Luiz Roberto Domingo Relator Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. Fl. 5916DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 O voto vencedor reportase sobre dois pontos apontados pela embargante, referente ao acórdão 310100.009, que apresentou, conforme alegado pela embargante e acatado pelo i. Relator, omissões a serem sanadas no presente julgamento: (1) Omissão quanto à impossibilidade de se atribuir responsabilidade à Embargante pela pratica dos supostos atos ilícitos: obscuridade quanto ao fato de que as importações foram realizadas com recursos próprios da Embargante; ocorrência de fato superveniente; (2) Omissão quanto ao incabimento da multa imposta ou aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007, em observância ao principio da retroatividade benéfica. O ilustre Relator, antes da apreciação dos Embargos de Declaração, quanto da análise dos autos, trouxe a tona um vício que entendeu ser insanável: a fundamentação do lançamento com base no parágrafo único do art. 116 do CTN, que é expresso ao condicionar a desconsideração de atos e negócios jurídicos à prévia existência de procedimentos estabelecidos em lei ordinária, o que, diante da ausência de tal regulamentação legal necessária, implicaria na completa ilegalidade do Auto de Infração. Apreciando as alegações da embargante, o I. relator considerou que não houve participação da COTIA TRADING na operação fraudulenta, e que a interposição fraudulenta, no caso de importação por encomenda, carecia do arquétipo obrigacional da declaração do encomendante para conformação do tipo penal previsto no art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/76; que ainda que a multa originalmente aplicada fosse cabível, posteriormente, o art. 33 da Lei n° 11.488/2007 estabeleceu penalidade específica para as empresas que cedem a terceiros seu nome, com vistas a encobrir os reais participantes das operações de comércio exterior. Não é o nosso entendimento. Quanto à alegação de vício insanável no lançamento, por considerar que a fiscalização fundamentou seu lançamento com base no parágrafo único do art. 116 do CTN, não encontra razão o I. relator. Conforme constam às folhas 45 do presente processo, a fundamentação legal apontada pela fiscalização foi o art. 23, inciso V, e parágrafos 1 ° e 2°, do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei 10.637/02, regulamentado pelo art. 604, inciso II e 618, inciso XXII e § 5º do Decreto nº 4.543/02, arts. 94, 95, 96, inciso II do DecretoLei nº37/66; art.23, inciso V, 25 e 27 do DecretoLei nº 1.455/76, regulamentados pelos arts. 602, 603, 604, inciso II, 627 e 690 do Decreto nº 4.543/2002. Quanto à alegação de impossibilidade em se atribuir responsabilidade à Embargante pela pratica dos supostos atos ilícitos, devido ao fato de que as importações foram realizadas com recursos próprios da Embargante e ocorrência de fato superveniente, não encontra razão a Embargante. Por analisar essa questão embargada de forma completa, transcrevo o voto do i. Relator AuditorFiscal André Sualci dos Santos, no julgamento de 1ª instância (Acórdão n° 079.635 da 1ª Turma da DRJ Florianópolis, sessão de 27 de abril de 2007), adotando seus fundamentos como sendo meus para justificar minha decisão no presente caso: Assim, diante do fato de ter a Cotia Trading consignado as operações como se fossem uma importação direta, sem constar a Universal Kids nas Declarações de Importação (DIs), nem tampouco ter havido a vinculação Fl. 5917DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.254 11 entre importador e o real responsável pela operação, os autuados pretendem beneficiarse da posterioridade da edição da Lei n° 11.281, de 20/02/2006, em relação às formalidades exigidas para que a importação seja considerada por encomenda. Entretanto, a necessidade de identificação clara dos responsáveis pela operação já podia ser extraída de mandamento legal anterior à Lei n° 11.281/2006, independentemente da eleição, tanto do real adquirente, como do encomendante, para o cumprimento das obrigações Acessórias especificas que favoreçam a identificação desses, posto que a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação, mediante fraude e simulação, inclusive a interposição fraudulenta, já era apenada com o perdimento das mercadorias, conforme o disposto no anteriormente transcrito art. 23, inciso V, § 1º do DecretoLei (DL) n° 1.455/1976, com as alterações da Lei n° 10.637/2002. Conforme se depreende da análise do referido dispositivo, a ocultação de quem quer que seja já estava expressa e literalmente definida na lei como ocorrência que se considera dano ao Erário, hipótese que se aplica indubitavelmente aos autos, uma vez que o importador representava, nas operações de importação em questão, mero nome nas DIs ou nos documentos de importação, considerandose que não negociava, mas apenas custeava a importação para dissimular a caracterização da Universal Kids como equiparada a industrial. Esse é o espírito da Lei n° 10.637, a qual, já em 30/12/2002 (data anterior aos fatos ora tratados e à Lei n° 11.281/2006), pretendia, ao enumerar a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou, expressa e genericamente, do real responsável pela operação, que toda possível forma de ocultação de pessoa efetivamente vinculada à importação estivesse ali representada. Desse modo, as operações nas quais existisse um terceiro elemento, estranho operação, oculto ao que se pudesse perceber numa análise da declaração de importação e/ou dos respectivos documentos instrutivos, estavam alcançadas, desde 2002, pela explicita previsão de que tal ocorrência também constitui infração caracterizada como dano ao Erário, apenada com a pena de perdimento. 0 fato de a legislação especifica relativa ao encomendante ter sido editada posteriormente, não impede que a existência, na operação de importação, de terceiro efetivamente responsável pela operação, a qualquer titulo, ocultado mediante interposição fraudulenta, venha a caracterizar o dano ao Erário que o legislador, ao elaborar a Lei n° 10.637/2002, pretendeu evitar e, portanto, apenar com a pena de perdimento. Assim, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada a identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao Fl. 5918DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta, sendo irrelevante, ao contrário do que equivocadamente alegam os interessados, a questão do custeamento, num primeiro momento, pelo importador, a fim de afastar a responsabilidade do terceiro oculto e furtarse aos reflexos da equiparação a industrial, necessariamente decorrente da verdadeira operação. Tendo, portanto, o inciso V do art. 23 do DL n° 1.455/1976, com a redação alterada pela Lei n° 10.637/2002 que prevê como infração a ocultação do sujeito passivo, do real adquirente e do real responsável pela operação, trancando todas as portas para a ocultação de terceiro vinculado a qualquer titulo à importação , expressamente fundamentado o lançamento em questão, não há que se falar em insubsistência da autuação. Destarte, não há proveito em se discutir a propriedade na titulação de real adquirente empregada administrativamente, já que consta da aludida fundamentação legal que ampara o feito a eleição do real responsável pela operação, termo genérico e residual que abrange, além do sujeito passivo e do real adquirente, qualquer forma que venha a surgir para a atuação no comércio exterior, na qual haja um terceiro envolvido, que desencadeie e negocie efetivamente a importação e se oculte ao fisco, mediante interposição fraudulenta, como comprovadamente consta no Auto de Infração objeto do presente. Além disso, não há como limitar a participação da Embargante apenas como Importadora por Encomenda, de acordo com as provas apresentadas pela fiscalização, ainda que a legislação à época dos fatos permitisse tal caracterização, conforme relatado no julgamento de 1ª instância administrativa, verbis: Cumpre assinalar, outrossim, que a Universal Kids Ltda. não pode ser caracterizada como encomendante, haja vista os diversos fatos, episódios e declarações que, mediante procedimento investigatório, vieram ao conhecimento do fisco, revelando que a participação da referida empresa foi muito além de meramente encomendar a mercadoria pretendida à importadora nacional. A negociação com a importadora Cotia Trading S.A. consistiu, na verdade, somente na utilização do nome e do numerário desta, visto que a real transação internacional deuse entre o Grupo Gemini (do qual faz parte a Universal Kids) e o fornecedor no exterior, na contramão do que dispõe a nova legislação acerca da atribuição da "efetiva aquisição" ao importador, quando das importações por encomenda predeterminada. No caso dos autos, é notória a ocultação de terceiro que verdadeiramente realizou a transação internacional. A operação que materializaria a encomenda de mercadoria não se conforma com a atuação do Grupo Gemini, cuja negociação deveria se limitar ao mercado interno com a importadora. Todavia, não era isso que ocorria: o citado Grupo negociava com os fornecedores externos e enviava A. importadora toda a documentação necessária à nacionalização das mercadorias, na qual seu nome não aparecia, mas, tãosomente, o nome da Cotia Trading S.A. Fl. 5919DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.255 13 Portanto, não merece reparo o auto de infração quanto à atribuição de responsabilidade da Embargante pela pratica dos atos ilícitos, por estar perfeitamente caracterizada a ocultação do sujeito passivo, do real adquirente e do real responsável pela operação. Quanto à alegação de incabimento da multa imposta ou aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007, em observância ao principio da retroatividade benéfica, também não encontra razão a Embargante. O art. 23 do DL n° 1.455/1976, com a redação alterada pela Lei n° 10.637/2002, prevê a aplicação da pena de perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro, pela ocorrência de dano ao erário, relativo às mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação. No presente caso, a ocultação do real comprador das mercadorias e responsável pelas operações ficou comprovado, sendo perfeitamente cabível a aplicação da penalidade prevista nos parágrafos 1º e 3º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por caracterizar dano ao erário. Com o advento da Lei nº 11.488/2007, a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, ficou sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, conforme dispôs seu artigo 33. Não se trata de derrogação daquele dispositivo legal, mas apenas uma penalidade específica para a infração tipificada como cessão de nome com vistas no acobertamento dos reais intervenientes na operação de comércio exterior, anteriormente apenada com a inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81 da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 34, III e 41, III, da IN SRF n.º 568/2005), sem nenhum reflexo na aplicação da penalidade prevista no art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Essa turma de julgamento assim se manifestou sobre o tema, em sua composição anterior: Acórdão nº 310100431, 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária Sessão de 25/05/2010 Redator Tarásio Campelo Borges O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da lei 11.488, de 2007, substitutiva da inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas. Mesmo após o advento da Lei nº 11.488/2007, o importador ostensivo deve responder pela multa substitutiva do perdimento de mercadoria prevista no art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Não houve derrogação deste dispositivo legal, sendo certo que tal regra convive harmonicamente com a disposição do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 5920DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 Não se aplica ao presente caso o princípio da retroatividade benigna, quanto à aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 em substituição à multa de conversão do perdimento. A jurisprudência da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em diversas turmas de julgamento, aponta nesse sentido: Acórdão 310200.662 — lª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2010 Relator Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro [...] REFLEXO DO ART. 33 DA LEI N° 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART.23 DO DECRETOLEI N° 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva a. hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Acórdão no 320200.275 — 2ª Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 7 de abril de 2011 Relator Conselheiro José Luiz Novo Rossari [...] CEDÊNCIA DE NOME PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. CONCOMITÂNCIA DE PENALIDADES. A partir da vigência do art. 33 da Lei n 11.488/2007 a cedência de nome, por parte do importador ostensivo, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com intuito de acobertar os reais intervenientes ou beneficiários passou a ser penalizada com a multa de 10% do valor da operação, em substituição á. declaração de inaptidão do CNPJ de que trata o art. 81 da Lei ri 9 9.430/1996. A multa instituída pela Lei n' 11.488/2007, quando cabível, não prejudica a pena de perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa, aplicável A. pessoa jurídica que ceder seu nome. Acórdão nº 3102001.744 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2013 Relator Conselheiro Ricardo Paulo Rosa [...] CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. No mesmo sentido, acórdão nº 3102001.703, da 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária (sessão de 29 de janeiro de 2013), e acórdão nº 3202000.634, da 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária (sessão de 26 de fevereiro de 2013). Também cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao Fl. 5921DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002267/200647 Acórdão n.º 3101001.371 S3C1T1 Fl. 3.256 15 acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). [...] § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Portanto, também não merece reparos o auto de infração quanto à aplicação da multa substitutiva do perdimento de que trata o art. 23, V, §§ 1.º e 3.º do DecretoLei n.º 1.455/76. Por todo o exposto, voto por negar provimento aos Embargos de declaração, no tocante às questões relativas à responsabilidade da embargante e à retroatividade benigna da Lei nº 11.488/2007. Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 5922DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900676/2009-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 76 /2 00 9- 39 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório ASSESSORTEC ASSISTÊNCIA FISCO CONTÁBIL LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 12.08.2006. mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 93,63 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 05), asseverou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 08/05/2009 (fl. 06) a interessada apresentou, tempestivamente, em 22/05/2009, manifestação de inconformidade (fls.07/08) na qual, em síntese que: a)"Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF's (...)"; b)"Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários — DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos." Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. A DRJ BELÉM (PA) através do acórdão nº 0120.459, de 25 de janeiro de 2011 (fls. 37/39v), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900676/200939 Acórdão n.º 1803001.724 S1TE03 Fl. 80 3 Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Ciente da decisão em 23/03/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 41), apresentou o recurso voluntário em 19/04/2011 fls. 46/52, onde reafirma seu direito à repetição do pagamento a maior no ano calendário. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP utilizando direito créditório decorrente de estimativa de IRPJ recolhida em 30/11/2004 e relativa ao fato gerador 31/10/2004. Alega a recorrente que apurou saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2004, sendo que o pagamento indevido ou a maior da estimativa integra o saldo negativo de IRPJ do ano calendário, devendo a este título ser considerado. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, conforme planilha demonstrativa constante do recurso voluntário (fls. 51/52) a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2004, fato este indicador de que detém em tese direito creditório a ser compensado com quaisquer outros débitos nos períodos subseqüentes. Por outro lado, o óbice apontando pela Delegacia de Julgamento de que estimativas não podem ser objeto de pedidos de restituição/compensação restou afastado conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando no entanto, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13603.000787/2002-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000
VEREADOR. RESSARCIMENTO DE DESPESAS DECORRENTES DA ATIVIDADE EXTERNA DE APOIO AO GABINETE. VERBA INDENIZATÓRIA DE GABINETE. VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL.
É entendimento consolidado na 2ª Turma da CSRF que o imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 VEREADOR. RESSARCIMENTO DE DESPESAS DECORRENTES DA ATIVIDADE EXTERNA DE APOIO AO GABINETE. VERBA INDENIZATÓRIA DE GABINETE. VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. É entendimento consolidado na 2ª Turma da CSRF que o imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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RESSARCIMENTO DE DESPESAS DECORRENTES DA ATIVIDADE EXTERNA DE APOIO AO GABINETE. VERBA INDENIZATÓRIA DE GABINETE. VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. É entendimento consolidado na 2ª Turma da CSRF que o imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 07 87 /2 00 2- 32 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório O processo retorna da Unidade Preparadora com resultado da diligência determinada pela Resolução 280000.123, de 13/01/2013, com o seguinte teor: Resolvem os membros do Colegiado determinar a realização de diligência para que a Unidade Preparadora informe se houve pagamento e/ou parcelamento dos débitos em litígio neste processo e instrua o processo com petição inicial e decisões (sentenças e acórdãos) referentes aos processos judiciais em curso na Justiça Estadual de Minas Gerais (0079.08.4214901 e 2006.38.00.012.869.6 este último originário da Justiça Federal) que demonstrem não se tratar do mesmo objeto em litígio na instância administrativa, nos termos do voto do relator. A Unidade Preparadora informou que (a) o recorrente não se pronunciou acerca da intimação para apresentar comprovação de pagamento ou parcelamento, bem peças das ações judiciais supramencionadas, (b) não consta pagamento ou parcelamento nos sistemas da Receita Federal e (c) não foi possível obter informação sobre os processos judiciais nos sítios do TRF1 e o TJ/MG. O caso houvera sido relatado no corpo da Resolução da seguinte forma: Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) dos exercícios 1998 a 2000 , anoscalendário 1997 a 1999, respectivamente, (fls. 3/17) por duas razões: a) glosa de deduções de incentivos por estarem em desacordo com o art. 12 da Lei 9.250/1995; e b) não oferecimento à tributação de rendimentos recebidos da Câmara de Vereadores de Contagem sob a rubrica “Verba Indenizatória de Gabinete”, regulados pela Resolução 288/96 (fls. 50/51), na qual está disposto o seguinte. “Art. 1º. O Vereador à Câmara Municipal de Contagem fará jus, mensalmente, por despesas decorrentes da atividade externa de apoio ao seu Gabinete, de verba indenizatória de R$2.919,00 (dois mil novecentos e dezenove reais), correspondentes a 75% (setenta e cinco por cento) do que recebe a mesmo título o Deputado à Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, reajustável pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, a partir de 1º de janeiro de 1997.” No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/17) consta a fundamentação da autuação, especialmente que: a) a verba foi criada exclusivamente para custear despesas inerentes ao múnus público de vereador, administradas pelo seu Gabinete; b) sua natureza tributável está prevista no inciso X do art. 45 do RIR1999; c) não se trata da Ajuda de Custo mencionada no inciso I do art. 40 do RIR1999 conforme Acórdão 10417.178/ 99 deste Conselho; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13603.000787/200232 Acórdão n.º 2802002.436 S2TE02 Fl. 517 3 d) a Câmara Municipal incidiu em erro ao não fazer a retenção e não informar nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte e nas respectivas DIRF, entretanto este fato não autoriza o contribuinte a deixar de tributálos; e e) aplicamse inciso VI do art. 97, inciso I do art. 175 e art. 176 do CTN, incisos I e II do art. 118 e incisos I e II e art. 136 todos do CTN e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988. A glosa de dedução de incentivo não foi contestada pelo contribuinte. Na impugnação, com menção de doutrina e precedentes administrativos e judiciais, o contribuinte sustenta, em síntese: a) que a verba em questão possui natureza indenizatória, não configura acréscimo patrimonial ou renda e que, portanto, não configura fato gerador do imposto de renda; b) que tem a mesma natureza da Ajuda de Custo (art. 51, I da Lei 8.112/1990) c) que é tratada pela legislação federal como isenta e que a lei tributária não pode alterar definições, conteúdo ou conceitos e formas do direito privado d) que a autoridade fiscal empregou interpretação extensiva, pois o inciso X do art. 45 do RIR1999 não trata de indenizações; e) que mandato parlamentar não se confunde com emprego, cargo ou função; f) que o Senado Federal reconhece as ajudas de custo como verbas indenizatórias, o mesmo que ocorrido em acórdãos deste Conselho, entre os quais há menção à Ajuda de Gabinete; e g) que não detinha o Legislativo Municipal de Contagem uma visão específica dos gastos dos gabinetes, tendo que arcar com gastos de manutenção de veículos, combustível, postagem de correspondências, material gráfico, etc, então, com a Resolução 288/1996, criou a Verba Indenizatória de Gabinete para assegurar maior economicidade e transparência à Administração Pública, instituindo o ressarcimento de despesas decorrente da atividade externa de apoio ao gabinete de vereador. A DRJ Belo Horizonte julgou procedente o lançamento, em resumo, porque: a) nem toda indenização é não tributável (ex.: lucros cessantes), tanto que há dispositivos legais concedendo isenção a verbas indenizatórias (art. 6º da lei 7.713/1988); b) a incidência do imposto de renda independe da denominação dada pela Câmara de Vereadores, que na qualidade de fonte pagadora, não possui competência para definir os efeitos tributários sobre os valores que paga aos vereadores,; c) o recebimento de verbas de custeio inerentes ao mandato parlamentar configura hipótese de incidência do imposto de renda (art. 43 CTN c/c art. 45 do Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 RIR 1999, caput e incisos I a X), sendo improcedente a diferenciação que o contribuinte faz entre o conceito de mandato parlamentar e de cargo, emprego ou função, posto que o vereador ocupa um cargo (cargo eletivo), ficando afastada a tese de que houve interpretação extensiva; d) não há lei que exclui as verbas em comento da tributação; e) a verba em litígio não se confunde com a ajuda de custo mencionada no inciso XX do art. 6º da Lei 7.713/1988; f) menciona decisões deste Conselho; e g) não foi contestada a glosa de dedução de incentivos nem juntado qualquer documentos comprobatório. Ciente da decisão de primeira instância em 22/08/2002, o recorrente apresentou recurso voluntário em 11/09/2002, por meio do qual reproduz os mesmo argumentos da impugnação. Foi negado seguimento ao recurso voluntário por falta do depósito prévio. O contribuinte impetrou mandado de segurança para obter o seguimento do recurso voluntário independente do depósito prévio, cuja segurança foi denegada com trânsito em julgado (fls. 440/443). Ocorreu a inscrição em dívida ativa e execução fiscal (fls. 429 e 445). A execução fiscal foi processada na 2ª Vara de Fazenda/Falência da Comarca de Contagem/MG. Os Embargos foram rejeitados por intempestividade (fls. 466/468). O contribuinte ajuizou Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Obrigacional c/c Ação Anulatória de Débito Fiscal com pedido de antecipação de tutela para retirada do nome do contribuinte do CADIN. Na decisão que concedeu a tutela antecipatória, a magistrada consignou que a União alegou a existência de litispendência pois antes da propositura da ação ordinária já foram opostos embargos à execução fiscal que se encontravam no TRF da 1ª Região e ausência de interesse de agir pois fora realizado pagamento parcial do débito a configurar reconhecimento da dívida e que na refutação das alegações da União o contribuinte sustentou que na peça contestatória a União apresentou os documentos comprobatórios da efetiva realização do parcelamento. A ação foi redistribuída da Justiça Federal para a Justiça Estadual (fls. 472), processo 0079.08.4214901 e declarada nulidade da decisão que concedeu a antecipação de tutela. Com a edição da Súmula Vinculante nº 21 que reconheceu a inconstitucionalidade da exigência de depósito prévio e com base em disposições contidas nos Pareceres PGFN/CRJ nº 897/2010 e PGFN/CRJ nº 1.973/2010, a PGFN cancelou a inscrição em dívida ativa (fls. 482). Referidos pareceres determinavam o cancelamento da inscrição em dívida ativa para realização de novo juízo de admissibilidade dos recursos cujo seguimento fora negado pela falta do depósito prévio. Então o recurso chega a este Colegiado para apreciação. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13603.000787/200232 Acórdão n.º 2802002.436 S2TE02 Fl. 518 5 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Com o silêncio do recorrente na fase de diligência, não faz mas sentido cogitar de pagamento e ou parcelamento. Por outro lado, a resposta da Unidade Preparadora quanto à possibilidade de concomitância entre via administrativa e judicial implica considerar sua inexistência com conseqüente prosseguimento do julgamento. A matéria em discussão é a natureza tributável ou não das verbas recebidas pelos Vereadores do Município de Contagem denominadas “Verbas Indenizatórias de Gabinete”. Independentemente do nome atribuído à verba ou à classificação como indenizatória dada pela própria fonte pagadora, o que se analisa é o recebimento de uma verba, mensalmente, para suportar despesas decorrentes da atividade externa de apoio ao Gabinete do Vereador. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/17), a autoridade lançadora descreveu que a verba foi criada exclusivamente para custear despesas inerentes ao múnus público de vereador, administradas pelo seu Gabinete. Essencialmente a discussão é a mesma travada neste Conselho em relação à verbas de idêntica natureza e finalidade pagas por Assembléias Legislativas Estaduais. O entendimento pessoal deste relator foi exposto no Acórdão 280200.412, de 18/08/2010., em cuja ementa consta o excerto abaixo: (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E DE HOSPEDAGEM PAGOS A PARLAMENTAR. Não sendo comprovada a efetiva utilização de verbas recebidas a título de “auxílioencargos gerais de gabinete e de hospedagem” para o fim a que se propõem, devem ser tomadas como rendimento tributável. (...)(280200.412, de 18/08/2010). Não obstante a convicção pessoal deste relator, tem prevalecido outro entendimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais como demonstrado abaixo: DEPUTADO ESTADUAL. VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE "AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE" E DE "AUXÍLIO HOSPEDAGEM".VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 As ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. RECURSO ESPECIAL PREJUDICADO. Excluídas as referidas verbas da base da cálculo da incidência, resta prejudicado o recurso da Fazenda Nacional que pretendia ver restabelecida a multa afastada sobre a base de cálculo excluída. Recursos especiais do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido.(Acórdão da 2ª Turma da CSRF nº 9202002.518, de 31/01/2013) A seguir a fundamentação adotada no voto condutor desse acórdão mais recente da CSRF. É entendimento consolidado desta 2ª Turma da CSRF que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN, como demonstram as ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. RECURSO ESPECIAL PREJUDICADO. Excluídas as referidas verbas da base da cálculo da incidência, resta prejudicado o recurso da Fazenda Nacional que pretendia ver restabelecida a multa afastada sobre a base de cálculo excluída. Recursos especiais do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. (Acórdão 920201.387, 2ª Turma da CSRF, relator Elias Sampaio Freire, 11/04/2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 IRPF DEPUTADO ESTADUAL VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE "AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE" E DE "AUXÍLIOHOSPEDAGEM" CRÉDITO TRIBUTÁRIO INSUBSISTENTE Os valores recebidos por parlamentares a Fl. 521DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13603.000787/200232 Acórdão n.º 2802002.436 S2TE02 Fl. 519 7 título de "verbas de gabinete", que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto na artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN. Ademais, a jurisprudência deste Colegiada é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão no 920200.05.3). Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. (Acórdão 920200.972, 2ª Turma da CSRF, relator Gonçalo Bonet Allage, 17/08/2010) VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos paia o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso Especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado” (Acórdão 920200.690, 2ª Turma da CSRF, relator Moises Giacomelli Nunes da Silva, 13/04/2010) Igualmente relevante, foi a aprovação pela 2ª Turma da CSRF do enunciado de Súmula de nº 87, em dezembro de 2012. Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 No casos destes autos, a fiscalização identificou que a verba é paga com a natureza de “Ressarcimento de Despesas Decorrente da Atividade Externa de Apoio ao Gabinete”, também denominada “Verba Indenizatória de Gabinete”, regulada pela Resolução nº 288/96 (fls. 13), porém a fiscalização não apurou a utilização dos recursos. Devese portanto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$39.534,00 (no anocalendário 1997) e R$43.128,00 (nos ano calendário 1998 e 1999) referente à denominada Verba Indenizatória de Gabinete. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 523DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003016/2010-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008
Ementa:
ISENÇÃO.
Somente com o deferimento do pedido de isenção é que as empresas fazem
jus à isenção de contribuições sociais.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC
para títulos federais.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT.
REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto
do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes
a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando
lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.171
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por voto de qualidade reconhecer o
vínculo empregatício. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de
Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. No mérito por maioria de votos em dar provimento parcial
ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35,
caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96),
prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício
Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008 Ementa: ISENÇÃO. Somente com o deferimento do pedido de isenção é que as empresas fazem jus à isenção de contribuições sociais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Matéria CONTRIBUÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO DO HOMEM DE AMANHÃ DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008 Ementa: ISENÇÃO. Somente com o deferimento do pedido de isenção é que as empresas fazem jus à isenção de contribuições sociais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por voto de qualidade reconhecer o vínculo empregatício. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. No mérito por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 2403001.171 S2C4T3 Fl. 971 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1432.199 da 9ª Turma, que julgou a Impugnação Improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado (DEBCAD n° 37.229.4294), consolidado em 07/10/2010, no valor de R$ 493.265,05 (quatrocentos e noventa e três mil duzentos e sessenta e cinco reais e cinco centavos), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pela empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. A auditoria fiscal teve início em 18/12/2009, motivado com o pedido de isenção da cota patronal previdenciária, protocolado em 30/07/2008, para a verificação de requisitos de entidades beneficentes de assistência social e auditoria básica na remuneração de empregados e de contribuintes individuais. Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas, no período de 01/2005 a 07/2008, aos adolescentes agregados pela entidade autuada e colocados a disposição de empresas e órgãos públicos municipais como guardinhas/estagiários do ensino médio regular. As remunerações foram arbitradas como sendo as mesmas apuradas através dos lançamentos contábeis e listagem de pagamentos. A atividade de intermediação de adolescentes foi considerada irregular e caracterizada como "exploração do trabalho infanto juvenil"(cf. Termos de Audiência e Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta firmados pelo Ministério Público do Trabalho), ensejando que eles fossem contratados pelas tomadoras de seus serviços, uma vez que não se enquadravam como "estágio curricular'". Para o período em que houve a intermediação dos serviços prestados pelos adolescentes, estes foram considerados como segurados empregados da entidade autuada. Sob o pretexto do artigo 6o do Decreto n° 87.497/92', nos "Termos de Compromisso de Estágio" consta a informação de que o estágio não acarretará vínculo empregatício de qualquer Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 natureza entre o estagiário/aprendiz e a empresa colaboradora. Contudo, o artigo 9o de referido Decreto dispõe que este não se aplica ao menor aprendiz, sujeito a formação profissional metódica do ofício em que exerça seu trabalho e vinculado à empresa por contrato de aprendizagem, nos termos da legislação trabalhista, A situação do aprendiz está regulada pela Lei n° 10.097/00, que em seu artigo 431 dispõe que a contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa onde se realizará a aprendizagem ou pelas entidades sem fins lucrativos, caso em que não gera vínculo empregatício com a empresa tomadora dos serviços. No mesmo sentido foi editado o Decreto 5.598/05, que regulamenta a contratação de aprendizes. A Instrução Normativa RFB n° 971/09, repetindo o teor da IN que revoga em substituição, enquadra os aprendizes como segurados obrigatórios da Previdência Social, e como tal contribuintes do sistema (art. 6o . II da IN). Haja vista que a Medida Provisória n° 449, em vigor desde 04/12/2008. convertida na Lei n° 11.941/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas, aplicouse a multa de 75%, por ser a mais benéficas ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II, "'c"). No pedido de isenção da cota patronal previdenciária, protocolado em 30/07/08, a entidade comprova os demais requisitos de filantropia com fundamentos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, restando observar as novas disposições da Lei n° 12.101/09, regulamentada pelo Decreto n° 7.237/10, e os débitos apurados no procedimento fiscal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Apresente as ações desenvolvidas pela entidade. • Informa que desde meados de 2008, em razão da postura do Ministério do Trabalho e da RFB, não mais está efetuando a colocação de jovens no mercado de trabalho. • Ocorre relação jurídica de estágio entre a Associação e os adolescentes atendidos. • Como não há vínculo empregatício, não ocorreu fato gerador. • Os adolescente relacionados como empregados realizavam estágio de natureza pedagógicosocial, atividade admitida pelo artigo 68 da Lei 8.069/90 (estatuto da Criança e do Adolescente). Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 2403001.171 S2C4T3 Fl. 972 5 • O programa assegura ao adolescente capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. • As atividades exercidas pelos jovens em empresas e órgãos públicos são de natureza educacional e não podem ser entendidas como atividades de menor aprendiz • Como complemento do curso teórico proporcionado nas instalações educacionais, o adolescente era submetido a um estágio no ambiente de trabalho, onde participava das condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. A tais atividades, por falta de disposição legal expressa, aplicase a Lei n° 6.494/77, considerandose a atividade como de estágio curricular, segundo disposto no artigo 2o do Decreto n° 87.497/82. • É imune, conforme artigo 195 CF, cumprindo inclusive todos requisitos exigidos pelo artigo 55 da Lei 8.212/91. • Multa. • SELIC. • Representação Fiscal para Fins Penais. • SAT. É o relatório. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PROGRAMA GUARDINHAS/ESTAGIÁROS – VÍNCULO DE EMPREGO O lançamento referese à tributação incidente sobre a remuneração de “guardinhas/estagiários”, caracterizados pela fiscalização como segurados empregados. A recorrente afirma que a relação era de estágio, não tributada. Com fundamento no Relatório Fiscal ficará evidenciado que não cabe razão à recorrente. O Relatório Fiscal cita a Peça de Informação nº 26582/200609 do Ministério Público do Trabalho, que investigou a existência de exploração do trabalho infantojuvenil e apresenta Termos de Audiência e Termo De Compromisso De Ajustamento De Conduta, onde fica evidenciada a irregularidade na intermediação feita pela Entidade junto às empresas contratantes de adolescentes. 5. Até julho de 2008 a A.E.H.A, intermediou a colocação de jovens assistidos em diversas empresas privadas, inclusive em Órgãos Públicos e Autarquias do Município de São João da Boa Vista, a titulo de "guardinhas/estagiários" do ensino médio regular, caracterizando "exploração do trabalho infanto juvenil", comprovado através dos Termos de Audiência e Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, firmados com o Ministério Público do Trabalho Procuradoria Regional do Trabalho 15a Região Campinas/SP, cópia anexa de fls. 65 a 75, as quais foram extraídas do Pt. 13841.000439/200848, de 30/07/2008, de pedido de isenção de quota patronal previdenciária, que tramita na Receita Federal do Brasil. 5.3 A irregularidade e ilegalidade da situação fora colocada e comprovada pela Procuradoria do Trabalho, nos Termos de Audiência anexados conforme item 5 acima, ensejando que os mesmos fossem contratados pelas tomadoras de seus serviços, uma vez que não se enquadram como "estagiário curricular". Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 2403001.171 S2C4T3 Fl. 973 7 Termo de Audiência de 24/09/2007 – Folha 67 Pela Procuradora oficiante foi explanado sobre a irregularidade na intermediação feita pela Entidade às empresas contratantes de adolescentes estagiários, assim como a ilegalidade da manutenção dos jovens em jornadas de trabalho de 8 horas diárias e o exercício de em Órgãos da Administração Pública Direta e Autarquias Pelo I. Subdelegado foi manifestado que a ilegalidade não poderia continuar, sendo necessário o registro de todos os adolescentes e a retirada dos jovens dos trabalhos no Município e na Câmara Municipal. Termo de Audiência de 31/10/2007 – Folha 69 Também deferese a juntada da proposta pela entidade para redução do quadro de estagiários, encaminhados sem registro na ÇTPS às empresas e Órgãos Públicos parceiros. Finalmente a entidade informou que foram extintas todas as inscrições para os programas de estágioaprendizagem e todos os encaminhamentos dos jovens ao mercado de trabalho. Pela Procuradora oficiante, verificada a inicialização de um regramento legal dos projetos de atendimento dos jovens pela entidade, em atendimento aos ditames constitucionais do Artigo 37, inciso II, Artigo 7ºo , inciso XXXIII, e Lei 10.097/2000 e respectivo decreto regulamentador, foi deferido parcialmente o pedido de adequação paulatina da conduta, porém os prazos estipulados pela entidade fogem da razoabilidade, motivo pelo qual fica designada nova audiência para tratativas sobre a regularização e "assinatura de um termo de compromisso. Oficiese ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Infância e juventude do Estado de São Paulo, noticiando que foi constatado o encaminhamento de adolescentes a título de estagiários, do ensino médio regular, ao Fórum da Comarca de São João da Boa Termo De Compromisso De Ajustamento De Conduta N° 3954/2008 1. Comprometese a continuar abstendose de admitir, inserir ou cadastrar adolescentes na entidade para a finalidade de intermediar, encaminhar e/ou recomendar mãodeobra dos adolescentes participantes, cadastrados ou egressos da Entidade às empresas, indústrias ou estabelecimentos de qualquer natureza, à exceção dos jovens já incluídos e inseridos no mercado de trabalho conforme relação nominal em anexo; Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 2. Comprometese a elaborar e apresentar perante esta Procuradoria, em audiência administrativa, o cronograma de encerramento do estágio com relação ao jovens mencionados no item 01 acima, conforme relação nominal em anexo, na data de 18 de agosto de 2008, as 13h30, da qual sai ciente e notificada; O artigo 28. §9°. " i " da Lei n" 8.212/91 estabelece que a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n" 6.494/77, não integram o saláriodeeontribuição. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Entendo que pelo Ministério Público do trabalho ficou evidenciada a irregularidade dos procedimentos da recorrente e que não se tratava de estágio regular. Disso decorre a correta tributação da remuneração do trabalho. IMUNIDADE/ISENÇÃO Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 2403001.171 S2C4T3 Fl. 974 9 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. No caso deste processo, a recorrente teve o seu pedido de reconhecimento de isenção deferido, através do Ato Declaratório n° 563 de 22/11/2010. com efeitos a partir de 01/10/2010 (data do reconhecimento da isenção). O lançamento referese a período anterior, 01/205 a 07/2008, quando não gozava da isenção. SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. SAT Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 2403001.171 S2C4T3 Fl. 975 11 concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 2403001.171 S2C4T3 Fl. 976 13 Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. MULTA DE MORA Conforme consta do acórdão recorrido, a multa aplicada foi de 75% por ser mais benéfica ao contribuinte e que uma vez que a multa de mora. pela sua natureza, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica ao sujeito passivo, sem prejuízo da comparação já efetuada quando da lavratura do presente auto de infração, será realizada novamente no momento do pagamento ou do parcelamento Haja vista que a Medida Provisória n° 449. em vigor desde 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falia de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas, aplicouse a multa de 75%. por ser a mais benéficas ao sujeito passivo (CTN. art. 106. II. "c"). Considerando que a multa de mora. pela sua natureza, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica ao sujeito passivo, sem prejuízo da comparação já efetuada quando da lavratura do presente auto de infração, será realizada novamente no momento do pagamento ou do parcelamento (artigo 2o . §4° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14 de 04/12/2009). Entendo que a alteração trazida pela Lei 11.941/2009 estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11516.003984/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2006
SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Súmula CARF nº 02
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 20.
Numero da decisão: 3402-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
EDITADO EM: 01/08/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 20. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 84 /2 00 6- 91 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 296 2 EDITADO EM: 01/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados, em 14 de Dezembro de 2006, dois Autos de Infração, com Aviso de Recebimento RB 743517034 BR, datado em 26 de Dezembro de 2006: um representado pelo crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 195.872,09, fls. 148 a 153, Fato Gerador 30/09/2001 a 30/06/2006; e outro da Contribuição para o PIS/Pasep de R$ 42.438,15, fls. 167 a 172, Fato Gerador 31/09/2001 a 30/06/2006, em razão de insuficiência de declaração das contribuições devidas, não declaradas em DCTF, conforme explicitado no Termo de Encerramento e Verificação Fiscal fls. 129/136. 2. As incorreções foram fundamentadas da seguinte forma. PIS/Pasep: art. 1º e 3º da Lei Complementar n° 7/70, arts. 2º , Inciso I, 8º , Inciso I e 9º , da Lei n° 9.715/98, arts. 2º , 3º, 8º e 69 da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99, e suas reedições; arts. 2º , Inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02, Medida Provisória n° 2.151/2001, art. 15, Lei n° 10.676, de 2003, Lei n° 10.684, de 2003, art. 17, IN SRF n° 247 , de 2002, arts. 23 e 33, alterada pela IN SRF n° 358, de 2003; COFINS: art. 1º da Lei Complementar nº 7/70, arts. 2º , 3º , 8º , 69, da Lei n° 9.718/98, com alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99, e suas reedições; arts. 2º, Inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002, Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001, art. 15, Lei n° 10.676, de 2003, Lei n° 10.684, de 2003, art. 17, IN SRF n° 247, de 2002, arts. 23 e 33, alterada pela IN SRF n° 358, de 2003. 3. No Termo de Encerramento e Verificação Fiscal, o autor do procedimento fiscal conduz a descrição dos fatos imputados como irregulares conforme a seguir: 3.1 Foi constatado que a sociedade cooperativa somente recolheu PIS sobre a Folha de Pagamento, ficando os demais Fl. 394DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 297 3 valores faturados a margem da tributação e, também, não declarados em DCTF; 3.2 Aduz no termo que, com o advento da Lei n° 9.718, de 1998 e da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999 e reedições posteriores, as sociedades cooperativas de maneira geral passaram a contribuir para a COFINS com base na receita bruta, ou seja, independente da classificação contábil e do tipo de atividade exercida, no caso em tela, a base de cálculo passou a ser o total de prestação de serviços somadas as receitas financeiras; 3.3 Ademais, a partir de 1º de Novembro de 1999, as sociedades cooperativas passaram a ficar sujeitas a Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, de acordo com a sistemática introduzida pela Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições. A isenção relativa aos atos cooperativos foi expressamente revogada pelo art. 23 da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, permitindo as exclusões de valores referentes aos atos cooperativos próprios deste tipo societário. Estas regras foram disciplinadas pela Instrução Normativa SRF n° 145, de 1999, e as deduções específicas foram introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, e Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 358, de 2003; 3.4 Importa acrescentar que a sociedade cooperativa impetrou o Mandado de Segurança, como litisconsorte, em ação de n° 99.80.02951, em 15 de outubro de 1999, na Seção Judiciária da Cidade de Criciúma SC. Em 18 de outubro de 1999, por aquela Seção Judiciária julgouse incompetente, sendo que o processo foi remetido ao Juízo Federal da 3ª Vara Federal de Florianópolis onde tramitou sob o número 99.00.093674. Em 10 de fevereiro de 2000 foi indeferido o pedido de liminar, e em 15 de agosto de 2001, foi prolatada a sentença que denegou a segurança. Portanto, além da impetrante não ter sido beneficiada por decisão que amparasse a sua pretensão de ver afastada a cobrança da COFINS, regulamentada pela Lei n° 9.718, de 1998 e da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, ficou confirmado que a mesma contribuinte da referida contribuição; 3.5 Fundamenta o procedimento fiscal trazendo os dispositivos legais infringidos sobre a matéria questionada, que são fontes referenciais para a constituição do crédito tributário das contribuições sociais para o PIS/Pasep e da COFINS, com a multa de ofício e juros de mora regulamentares sobre os valores não declarados e não recolhidos; DA IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO 4. Inconformada com a exigência fiscal apresentou, em 25 de Janeiro de 2007, por intermédio de seu representante legal (fls.61 e 213), a impugnação (fls. 178 a 213), instruída com os documentos e a jurisprudência administrativa e judicial (fls. 215 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 298 4 a 326). A Defesa, após sínteses dos fatos relacionados, combate a exação fiscal com as razões discriminadas na continuação; 4.1. A Defesa resume o procedimento fiscal. De início apresenta os argumentos de cerceamento de defesa por não saber como o procedimento fiscal apurou o "'demonstrativo de receita tributável", assim como, indaga aonde foram buscados os "custos" que servem de exclusão para tributação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS. Questiona a Defesa por que não foram incluídas as contas (custos) do setor administrativo, do setor de pessoal, e ainda, pelo demonstrativo não saberia dizer se foi observado o art. 17 da Lei n° 10.685, de 2003, que manda descontar "os valores repassados ao associado", sem distinção; 4.2 Argui a Defesa o tratamento tributário adequado ao ato cooperativo, nos termos e condições previstas no art. 146, Inciso III da Constituição Federal, com a citação de vários doutrinadores, concluindo que a sociedade cooperativa de eletrificação rural restringese a prestar serviços, não possuem resultados e não têm receitas, logo, não auferem renda, nem faturam, nem obtém receita para si, todos os ingressos se incorporam ao patrimônio dos próprios cooperados; 4.3 A sociedade cooperativa de eletrificação rural desenvolvendo suas atividades de distribuição e comercialização de energia elétrica, nos termos da Lei n° 5.764, de 1971, Decreto n° 62.655, de 1968 e Lei n° 9.074, de 1995, é caracterizada como um grupo de pessoas que reciprocamente se obrigam em contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro permissionárias de Serviço Público Federal; 4.4 Assinala que é uma sociedade cooperativa e é regida igualmente por legislação do setor cooperativo e elétrico no ramo da infraestrutura, ou seja, são cooperativas que têm por função primordial prestar coletivamente serviços, e o quadro social necessita (luz, telefone, água — infraestrutura), sem objetivo de lucro, acompanhado da prestação de serviço público de energia elétrica a consumidores urbanos e rurais, através dos serviços de distribuição, administração e comercialização; 4.5 Colaciona ampla disposição da jurisprudência sobre a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incluindo a posição do STF no julgamento do REs n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, onde foi apreciada a questão da abrangência do conceito de faturamento; 4.6 A Defesa afirma que não há base material, nem legal para imposição do ato infracional pelo fisco às sociedades cooperativas de eletrificação rural, pela inaplicabilidade do conceito de faturamento receita ao ato cooperativo; primeiro, porque se trata do ato cooperativo art. 79, da Lei n° 5.764, de 1971; segundo, pela jurisprudência do STJ sobre o conceito de receita faturamento; terceiro, pelo caráter nãolucrativo das Fl. 396DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 299 5 sociedades cooperativas art. 4 o da Lei n° 5.764, de 1971; quarto, os chamados atos nãocooperativos, previstos na Lei n° 5.764, de 1971, arts. 85, 86 e 87, não se enquadram nesses conceitos e são tributados, normalmente, conforme a detenção do art. 111, e os ingressos adquirem uma nova feição e padrão; e quinto, a Lei Complementar n° 70, de 1971, deu tratamento, adequado, via lei complementar, ao ato cooperativo; 4.7 A Defesa conclui pela não aplicabilidade sobre a base imponível da contribuição para o PJS/Pasep e da COFINS, em face das peculiaridades e amparadas na Lei n° 10.684, de 2003, Instruções Normativas n°s. 358, de 2003 (247, de 2002) e 635, de 2006. Reputa como importante as atividades de distribuição, administração e comercialização de energia para definição do custo do serviço prestados; 4.8 Traça considerações sobre a interpretação da Instrução Normativa SRF n° 635, de 2006, principalmente, no tocante aos custos dos serviços prestados, e procura diferenciar as terminologias empregadas no texto normativo de "valores" repassados e de "custos" tomando como referência a apuração da base de cálculo das contribuições sociais as sociedades cooperativas agropecuárias, contempladas no mesmo dispositivo legal; 4.9 Acrescenta nos argumentos a indagação de como são repassados aos associados os valores dos serviços prestados numa sociedade cooperativa de eletrificação rural, identificando como uma questão legal. Repete que na sociedade cooperativa não haverá o lucro como objetivo e, sim, cálculos de custos que formarão o preço do serviço, materializado na fatura de energia elétrica; 4.10 Diante de todos os argumentos apresentados o contribuinte, preliminarmente, solicita que seja julgado nulo o Auto de Infração, ante o cerceamento de defesa presente no "Demonstrativo de Receita Tributável", e ainda, se o entendimento seja diverso, requer, sucessivamente: a) julgada procedente a impugnação na totalidade para que seja declarada nulidade do Auto de Infração, ante a não incidência sobre o ato cooperativo, por ausência de faturamento ou receita bruta, que constituem a base imponível das contribuições sociais (PIS/Pasep e COFINS), nas operações de comercialização de Energia Elétrica a associado; b) excluídos todos os valores ingressos oriundos da cobrança de tarifa energia elétrica, levantados na "Demonstrativo da Receita Tributável", anexo ao Auto de Infração; c) nulidade do ato fiscal por erro na base de cálculo da contribuição do PIS/Pasep e da COFINS, por não atender as disposições das Instruções Normativas SRF n° 145, de 1999, 358 de 2003 e 635 de 2006, por contemplar algumas reduções de custos, e outros não, conforme critérios aleatórios; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 300 6 d) sejam aplicados os Pareceres Normativos CST n° 77 de 1976 e 66 de 1986, para excluir da base de cálculo os valores advindos do ato cooperativo, como elucidam os referidos atos da própria Receita Federal, que levaria a exclusão dos ingressos da tarifa de energia elétrica tanto para o PIS/Pasep como para a COFINS; e) sejam excluídas as vendas de bens a associados, vinculados às atividades destes, art. 12, II da Instrução Normativa SRF n° 635, de 2006, através da chamada "Receita Fornecimento de Energia", ante a conceituação legal (art. 83 do CC) que classifica a energia elétrica como bem imóvel, por disposição legal; f) seja aplicado ao Auto de Infração o entendimento contido na Solução de Consulta n° 352, de 2004, da 9º Região Fiscal que interpretando o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003 e Instrução Normativa SRF n° 358 de 2003, determina a exclusão da base imponível do PIS e COFINS os custos relativos às áreas de recursos humanos, financeira, comercialização, compras, centro de processamento de dados, contabilidade, jurídica , assistência técnica, etc. Este foi o relatório da Delegacia de Julgamento de São Paulo, que julgou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 1628.470, de 13 de dezembro de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo, in verbis: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há fundamento na alegação de impossibilidade de identificação das contas contábeis consideradas na base de cálculo, quando basta examinar os balancetes fornecidos pela própria autuada para verificar que os valores que serviram de base para a autuação foram dali extraídos. INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. A contribuição para o PIS/Pasep devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada com base no faturamento mensal, que corresponde à receita bruta conforme definida no art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, permitindose, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época dos fatos geradores. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 398DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 301 7 Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, alegando, em síntese, que: a) Há vício formal na Medida Provisória nº 1.8586/1999, que alterou as regras relativas a isenção das sociedades cooperativas. Na sua opinião, a medida provisória não é instrumento adequado para produzir efeitos sobre lei complementar, cuja natureza jurídica se caracteriza pela maior rigidez quanto propostas de alterações. Neste passo, entende que a Administração pode afastar a Medida Provisória sob o fundamento de inconstitucionalidade por vício formal; b) A teor do art. 79 da Lei nº 5.764/71 e art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, não há tributação sobre os atos cooperativos, em razão de não implica operação de mercado e nem mesmo, contrato de venda de produtos ou mercadoria. Ademais, todas as receitas revertemse em favor dos cooperados, assim como todas as despesas da sociedade dão rateadas proporcionalmente entre si. As sobras não são objetivo da cooperativa, mas resultado positivo das operações por elas praticadas, em nome do sócio que não podem ser equiparadas ao lucro. Neste passo, como não há operação mercantil entre cooperativa e cooperados, também não há incidência de PIS e de Cofins nestas operações; e c) Seja pela ótica da isenção em face da ineficácia da medida provisória ante a lei complementar ou pela ausência de hipótese de incidência, não poderia a fazenda pública constituir o crédito tributário reclamado nestes autos. Termina sua petição recursal requerendo que o recurso seja recebido e processado para determinar a reforma do acórdão vergastado e declarar provimento ao recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Isenção das Cooperativas Quanto a essa matéria, identifico a existência de uma demanda judicial com a mesma causa de pedir e pedido da instância administrativa. Entendo que há concomitância Fl. 399DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 302 8 entre a discussão travada nestes autos e a matéria levada ao Poder Judiciário pela impetração do Mandado de Segurança nº 99.00.093674 (fls. 68/91), senão vejamos: Reproduzo partes da fundamentação jurídica e o pedido da exordial apresentada pelo recorrente ao Poder Judiciário, in verbis: Fundamentação Jurídica (...) As cooperativas, dada a natureza jurídica com que se revestem, não visam ao lucro e não desempenham atividades mercantis com os seus associados, daí porque não pode haver incidência tributária sobre os atos cooperados praticados pelas cooperativas,(...) (...) que as cooperativas não vendem ou revendem serviços aos seus associados, ou produtos que adquirem de seus fornecedores. Há mera distribuição de bens ou serviços autorizada pela participação que tem o associado no capital da cooperativa. Tanto assim é que, ao término do exercício, as eventuais "sobras" verificadas (não confundir com lucros) são devolvidas para os associados na proporção do seu movimento com a cooperativa (e não na proporção de sua quantidade de quotas). (...) Por outro lado, a Medida Provisória 1858/99, cria uma nova exação tributária, definindo apenas sua incidência sobre as operações da cooperativa. Em assim sendo, como efetivamente é, não poderia aquela exação ser instituída por lei ordinária, uma vez que o inciso I, do artigo 154, da Constituição Federal, estabelece que qualquer imposto a ser criado e que não tenha previsão constitucional, reclama sua instituição por lei complementar (...) Pedido 1. A concessão de medida liminar inaudita altera partes, com base no artigo 151, IV, do Código Tributário Nacional, a fim de que a autoridade coatora se abstenha de cobrar as somas relativas à COFINS ilegalmente atribuída às impetrantes pela Medida Provisória 1858 e sua sucessivas reedições. 2. Que, em caso de indeferimento do pedido de medida liminar, seja concedido o direito às impetrantes de depositar em conta corrente à disposição deste juízo os valores do tributo em questão até decisão definitiva, nos termos do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional. 3. Que seja notificada a autoridade coatora para, querendo, prestar as informações.que.julgar necessárias. 4. Que seja concedida a segurança ao final da ação, impedindo, definitivamente, que a autoridade coatora exija o pagamento do tributo em questão, ou determinando a diminuição da alíquota e da base de cálculo do tributo, alterados ilegalmente pela Lei 9718/98. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 303 9 Retornando aos autos, reproduzo a fundamentação jurídica apresentada pela recorrente em sua peça recursal no âmbito administrativo: a) Há vício formal na Medida Provisória nº 1.8586/1999, que alterou as regras relativas a isenção das sociedades cooperativas. Na sua opinião, a medida provisória não é instrumento adequado para produzir efeitos sobre lei complementar, cuja natureza jurídica se caracteriza pela maior rigidez quanto propostas de alterações. Neste passo, entende que a Administração pode afastar a Medida Provisória sob o fundamento de inconstitucionalidade por vício formal; b) A teor do art. 79 da Lei nº 5.764/71 e art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, não há tributação sobre os atos cooperativos, em razão de não implica operação de mercado e nem mesmo, contrato de venda de produtos ou mercadoria. Ademais, todas as receitas revertemse em favor dos cooperados, assim como todas as despesas da sociedade dão rateadas proporcionalmente entre si. As sobras não são objetivo da cooperativa, mas resultado positivo das operações por elas praticadas, em nome do sócio que não podem ser equiparadas ao lucro. Neste passo, como não há operação mercantil entre cooperativa e cooperados, também não há incidência de PIS e de Cofins nestas operações; e c) Seja pela ótica da isenção em face da ineficácia da medida provisória ante a lei complementar ou pela ausência de hipótese de incidência, não poderia a fazenda pública constituir o crédito tributário reclamado nestes autos. Ao analisar as razões jurídicas apresentadas na peça recursal e cotejar com a fundamentação jurídica do MS nº 99.00.093674, fico convencido da identidade entre as demandas administrativa e judicial. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Sabemos que o objetivo de determinar a renúncia administrativa nestes casos é para respeitar o modelo da jurisdição una, que rege o ordenamento jurídico pátrio. Processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 401DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 304 10 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. O direito a recorrer está sujeito à observância de requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Retornando aos autos, como dito alhures, o recorrente optou pela discussão na via judicial, o que leva a renúncia ao direito de discutir a mesma matéria na via administrativa. Sabemos que a renúncia é um fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso. Posta assim a questão, entendo que este Colegiado não pode apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula CARF nº 01. Análise de Inconstitucionalidade Nesta matéria, todos os requisitos de admissibilidades estão presentes, viabilizando a análise do mérito, de sorte que conheço desta matéria e passo apreciála. O recorrente alega que o órgão julgado da Administração Pública pode declarar nulo um ato administrativo sob o fundamento de inconstitucionalidade da lei que o ampara. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 305 11 Ledo engano, consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não tem competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, não se pode olvidar que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Na linha do entendimento exporto, não conheço da matéria submetida ao clivo do Poder Judiciário, e na parte conhecida, nego a possibilidade de afastar aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 403DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003984/200691 Acórdão n.º 3402001.741 S3C4T2 Fl. 306 12 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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