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Numero do processo: 10865.905677/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.792
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 56 77 /2 00 9- 66 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905677/200966 Acórdão n.º 3201004.792 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Preliminarmente, a nulidade da notificação do Despacho Decisório, por não se ter observado o disposto nos artigos 214 e 215 do Código de Processo Civil, e a correspondência não ter sido entregue diretamente ao seu representante legal e seu sócio gerente; • Para efetuar sua compensação, valeuse do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. A partir de 2003, a legislação da Receita Federal passou a obrigar que a compensação fosse efetuada por meio eletrônico. Tal exigência é descabida a luz das disposições da referida Lei, e consiste em verdadeiro óbice no aproveitamento do crédito tributário pelo contribuinte, na medida em que não consegue peticionar/esclarecer na declaração eletrônica a origem de seu crédito (declaração expressa de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal), e nem como exercer o direito de petição; • Tem direito a créditos de PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445 e 2.449, de 1988, quando se restaurou a sistemática da Lei Complementar nº 7, de 1970, e do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, que estabelecia a retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995; • Conforme entendimento da doutrina, e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para se pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente é de dez anos contados do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Nesse contexto, efetuou o pedido de restituição do PIS dentro do prazo prescricional. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14043.341. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.905677/200966 Acórdão n.º 3201004.792 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.788, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.905673/200988, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.788): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência da inconstitucionalidade da exigência do PIS com base nos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, requerendo a restituição dos valores recolhidos a maior, sem, contudo, efetuar a devida retificação das declarações de débitos transmitidas com equívocos. Aduz, ainda, que o sistema de transmissão de Pedidos de Restituição da Receita Federal do Brasil não permitia informar a origem dos créditos pleiteados (Declaração de Inconstitucionalidade pelo STF), o que levou ao despacho decisório eletrônico por insuficiência das informações, prestadas, então, em sede de Manifestação de Inconformidade. Assim, insiste, em sede recursal, que certeza e liquidez do crédito postulado decorre exclusivamente da diferença entre os valores recolhidos com base nos referidos Decretos, inconstitucionais, descrevendo minuciosamente o direito debatido quanto à tal inconstitucionalidade. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega que houve a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10865.905677/200966 Acórdão n.º 3201004.792 S3C2T1 Fl. 5 4 fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, fazendo referência exclusivamente aos DARFs que comprovariam o recolhimento, sem, contudo, apresentar qualquer documentação contábil da empresa. Sem tal prova, resta inviável se averiguar a própria certeza e, principalmente, liquidez do crédito pretendido. Afinal, como poderia a Fiscalização, apenas de posse dos DARFs, averiguar qual a base de cálculo considerada pelo contribuinte no cálculo do tributo devido? Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Acerca das alegações quanto ao prazo de restituição do tributo considerado indevido, como consignou o acórdão recorrido, não existe interesse de agir por parte da Recorrente, uma vez que não se verifica qualquer negativa de crédito fundada em eventual prescrição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.905741/2010-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE.
Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 57 41 /2 01 0- 98 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 164 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 1241.975 (efls. 103 à 112) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. O Despacho Decisório (efl. 07), de 01 de novembro de 2010, aduz que os valores informados na DCOMP (transmitida em 17/08/2006) foram utilizados integralmente para a quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos ora informados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte alegou o que segue: 1. Senhor Delegado como se vê do Despacho Decisório, o contribuinte foi penalizado, com base na seguinte alegação: "Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informada no PER/DCOMP: R$ 1.555,52. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..." 2. Não pode, data vênia, conformarse o contribuinte com essa apenação haja vista que: a) A DCTF do 4o trimestre de 2001 (Pág. 4), nos mostra que o valor principal do débito relativo à competência de outubro de 2001 é de R$ 650,35. (Doc. 1) b) No DARF datado de 31 de outubro de 2001 no valor de R$ 1.555,52 houve compensação de R$ 650,35, ficando um crédito no valor de R$ 905,17 a ser compensado, valor contabilizado no Fl. 164DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 165 3 Livro Diário No. 18 Fls. 456 e Livro Razão No. 18 Fls. 297. (Docs. 2 e 3) c) O valor de R$ 905,17 foi compensado em parte por R$ 275,41 no 4o Trimestre de 2002, conforme DCTF na página 4, permanecendo ainda o valor de R$ 629,76 a ser compensado, sendo que neste trimestre foi compensado o valor de R$ 421,70, conforme lançamento no Livro Diário No. 19 Fls. 513 e Livro Razão No. 19 Fls. 331. (Docs. 4 e 5) d) O valor de R$ 629,76, foi compensado em sua totalidade no DCTF do 3 o Trimestre de 2003, página 3, no valor de R$ 770,46, ficando a importância de R$ 140,70 a ser recolhido. (Doc. 6) 3. Portanto, o que daí se extrai, é que o PER/DCOMP foi preenchido e transmitido equivocadamente, ou seja, tanto o DARF no valor de R$ 1.555,52 quanto o débito nesse mesmo valor foram ali apontados indevidamente. (Doc. 7) 4. Ainda nessa esteira, verificase que o Pedido de Compensação teve como base o regime de apuração mensal, quando na verdade nos mostra que o regime de tributação era trimestral, conforme lançamentos no Livro Diário No. 19 Fls. 121 e 282. (Doc. 8) 5. Os valores constantes do rastreamento dos créditos informados no PER/DCOMP não fazem parte de nenhuma compensação, cujos valores foram informados indevidamente, como pode ser observado na DCTF do 3 o trimestre de 2002, bem como nos lançamentos contábeis. Com o rastreamento a empresa passou a ser BITRIBUTADA. (DCTF em anexo). 6. Cabe citar, que não foi possível reparar o equívoco espontaneamente, em vista do sistema da Receita não ter recepcionado o pedido de cancelamento do PER/DCOMP, por conta da instauração da Ação Fiscal. 7. Sabendo, porém, do espírito de justiça que norteia às decisões proferidas por V. Sa., espera que o PER/DCOMP seja cancelado quando da respectiva análise no âmbito da Receita Federal. Isto posto, inclusive por juntada de documentos cuja menção vai no bojo do presente, pede V. Sa. Se digne mandar cancelar o crédito tributário, bem como tornar sem efeito o respectivo PER/DCOMP, com base nos fatos aqui demonstrados. Como desiderato final de seu arrazoado, o Acórdão da DRJ concluiu o que segue: Conclusão 35 Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, ao declarante cabe solicitar (antes que a autoridade lançadora emita intimações ou profira decisão administrativa), Fl. 165DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 166 4 e sempre através do Programa Gerador de Per/DcompPGD Perdcomp, o cancelamento da Dcomp transmitida, inexistindo previsão para que a autoridade julgadora nele se subrogue, ou que tal se dê em sede de julgamento. 36 Se o declarante não cancela a Dcomp que ele mesmo transmitiu, as declarações nesta veiculadas se consolidam na esfera administrativa, com os efeitos que lhes são próprios, ainda mais se não comprovado que o débito objeto de compensação era indevido ou inexistente. 37 Assim, o Despacho Decisório deve ser mantido. 38 Observese, por fim, que, nesta data, estão em julgamento nesta Turma 18 (dezoito) processos (incluindo este), nos quais o interessado, em sede de MI, pede o cancelamento das respectivas Dcomps: (...) Ao longo do processo, restou ajuizada execução fiscal pela Fazenda Nacional, tendo sido proferida sentença extintiva sem julgamento de mérito. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz os seguintes aspectos: PRELIMINARMENTE Requer ao D. Julgador de 1o Instância, em sede de pressuposto de admissibilidade recursal, em conformidade com o artigo 32 c/c art. 60, ambos do Decreto 70.235/72, dispondo sobre o processo administrativo fiscal, que seja corrigida de ofício a omissão do julgado, ora recorrido, eis que na decisão atacada é mencionado que a empresa ora recorrente compensou tributo de forma indevida. (...) No caso em debate flagrante a nulidade encontrada, devendo este Colegiado decretar a mesma de ofício, posto que ainda criou a esta recorrente cerceio do direito de defesa, conforme art. 59, II do Decreto 70.235/72. Ad Argumentandum, que a Constituição da República Federativa do Brasil prevê em seu art. 5o, II que ninguém, seja pessoa jurídica e/ou física, está obrigado a cumprir determinado preceito sem previsão legal, pois o ato da autoridade Fiscal não encontra fundamento legal, que ampare o r. decisum, o qual pedimos vênia para transcrever: (...) Caso não sejam acolhidas as assertivas acima, para que seja cancelada a decisão, ora recorrida, vejamos então, preliminar abaixo sobre Prescrição e Decadência: (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 167 5 Cumprenos mencionar que no item 32 da decisão, ora recorrida, de fls. 112, o próprio julgador menciona que a compensação foi realizada há mais de 5 (cinco) anos, o que viola a legislação em regência; Bem se a compensação já por isto foi tachado como indevida, mais indevida ainda é a constituição em mora do tributo, sua cobrança, a constituição do crédito tributário, eis que já passados mais de cinco anos. Posto Isto indevida é cobrança, eis que já alcançada pela Decadência, conforme previsão do artigo 173 do Código Tributário Nacional, além ainda de estar prescrita, conforme redação do artigo 174 do CTN, como a seguir pedimos vênia para transcrever DO MÉRITO Sem nos estendermos por demais, nos comentários, eis que este D. Julgador lê pacientemente todas as questões, ora em comento, melhor sorte não assiste à D. Receita Federal, posto pelas argumentações acima expostas. Verificase claramente pelos documentos acostados aos autos que as declarações e pagamentos estão perfeitamente corretos, conforme os preceitos estipulados na Legislação em vigor, demonstrando toda a boafé da empresa. Ora, passados todos os argumentos, e ainda com a demonstração de todos os protestos acima, requer o provimento do presente recurso para que seja cancelado o débito, em cobrança, por todo exposto acima. DO PEDIDO "Ex Positis" é a presente a fim de requerer a estes Ilustres membros desta Turma Julgadora acolher " In Totun" a presente pretensão, por tudo aquilo que ficou devidamente expositado, dando provimento ao recurso, para que cancelada a cobrança, eis que a PER/DCOMP foi feita de forma equivocada, haja vista a inexistência de débito e saldo a compensar, além da Decadência e Prescrição que já alcançaram o débito, ora cobrado do Recorrente. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário. Por fim, consignase a existência de um total de 18 (dezoito) Processos Administrativos Fiscais semelhantes ao presente, sob a relatoria deste Conselheiro que ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 167DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 168 6 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço. Preliminares Conforme relatado acima, as preliminares alegadas abarcam uma série de elementos, que serão doravante rechaçados. a) Da correção da suposta omissão do julgado Segundo sustenta o Contribuinte, houve imprecisão material na Decisão de piso, eis que nesta é mencionado que se compensou tributo de forma indevida. No entanto, o Recorrente não aponta exatamente onde estaria o suposto erro material, e se utiliza de argumentos genéricos de impugnação. Sabese que, para que se proponha tal correção, é necessário exibir categoricamente a imprecisão detectada. Caso contrário, a alegação acaba esvaziada por configurar mero argumento de retórica. Portanto, afasto a preliminar de omissão. b) Do suposto cerceamento de defesa Outra preliminar aduzida foi a suposta ocorrência de cerceamento de defesa. Contudo, em momento algum o Recorrente logrou demonstrar em quais oportunidades o dito cerceamento teria se perpetrado. Novamente, notamse alegações genéricas, as quais são desprovidas de amparo fático. Vejo, ainda, que presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Logo, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. c) Da suposta prescrição e decadência Por fim, entende o Recorrente pela existência de prescrição e decadência. Sem embargo, tais fenômenos não ocorreram no presente caso. Isso porque o marco a quo do lustro tem início neste caso quando da apresentação da DCOMP, que, por seu turno, é o veículo introdutório da compensação ora pretendida. Portanto, seria uma absoluta incoerência admitir como início a contagem decadencial ou prescricional em etapa distinta, pois sequer há móvel fáticojurídico para sustentar tal intelecção. Quanto ao mais, anoto que este assunto já se encontra pacificado na jurisprudência deste e. CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 340301.376, Rel. i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito Fl. 168DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 169 7 tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 170 8 A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) Igual intelecção é adotada na prescrição, eis a inocorrência do lustro qüinqüenal na modalidade prescritiva. Rechaçadas, pois, as alegações de decadência e prescrição. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao Recorrente, conforme se observará. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430/96). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Autoridade Administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 170DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 171 9 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Dos erros de adequação instrumental para a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir equívocos em sua sistemática procedimental, notamse claros erros na via eleita para a compensação. Ao invés de requerer seu cancelamento quando da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte deveria procedêlo por iniciativa própria, conforme se extrai do texto claro da norma (IN RFB n° 900/2008). Aliás, o Acórdão a quo logrou a conferir com precisão os procedimentos que necessários, cujo arrazoado adoto desde já como parte da fundamentação do presente Voto, verbis: 14 Na forma da legislação de regência (Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008), o pedido de cancelamento da Dcomp deve ser transmitido através do programa eletrônico Per/dcomp (disponibilizado a partir de 14 de maio de 2003): CAPITULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento a RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa a data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. 15 Além disso, a sobredita Instrução Normativa dispõe que o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação — Dcomp só pode ser aceito se transmitido antes da ciência para apresentação de documentos referentes A compensação, ou, antes da decisão administrativa correspondente, sendo vejamos: Art. 86 (..) Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 172 10 16 No caso, o interessado transmitiu a Dcomp em 17.08.2006. O Despacho Decisório foi emitido em 01.11.2010. Desse modo, o pedido do interessado para cancelamento da Dcomp contraria a legislação de regência e deve, de plano, ser indeferido. 17 Da data da transmissão da Dcomp – 17.08.2006 até a emissão do Despacho Decisório, o interessado teve 4 (quatro) anos para veicular o pedido de cancelamento da dita Dcomp, porém, não o fez. Destacase, ainda, que o procedimento de DCOMP eletrônica e seu respectivo cancelamento já era há muito tempo adotado pela Receita Federal do Brasil, de modo que não se pode alegar qualquer desconhecimento dessa sistemática. Outrossim, é imperativo ressaltar que a indigitada práxis também é descrita na IN SRF n° 900/2008; e, mesmo editada posteriormente à apresentação da DCOMP, era vigente à época do Despacho Decisório (datado de 01 de novembro de 2010). Logo, o Contribuinte teve ainda mais tempo para proceder com o cancelamento de seu pedido (ainda que se admitisse tal feito após decisão administrativa). Quanto ao mais, o Recorrente não apresenta quaisquer documentos aptos a corroborar seu pleito e sua versão de regularidade contábil. De tal modo, complemento tais aspectos fáticos e normativos com a jurisprudência deste e. CARF na figura do Acórdão n° 1302002.403, Rel. i.Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa , que expõe o trâmite correto na retificação dos valores apresentados na DCOMP, bem como seus consectários: Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários .Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 173 11 Logo, sem receio de redundâncias, é fundamental destacar que os pedidos de compensação para que possam ser analisados e deferidos devem seguir os exatos trâmites delineados pela norma. Tal aspecto é que garante o escorreito deslinde petitório, devendo ser respeitado em sua totalidade, e não encarado como uma espécie de "burocracia dispensável". Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, torna se necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, também não foi possível à Administração Tributária por consectário lógico reconhecer a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, pois lhe faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Assim, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 19 Ainda que a legislação não proibisse que, após a emissão do Despacho Decisório, se intentasse o cancelamento da confissão de dívida (real natureza da Dcomp), a diversidade de informações que o interessado confessou em DCTFs (como a seguir se verá), relativamente à natureza, ao montante e aos modos de extinção do débito apurado nem se resolve com o registro contábil do pagamento, nem blinda a informação contábil de questões concernentes à sua consistência e confiabilidade. 20 Aliás, as folhas de Diário/Razão que o interessado junta aos autos nada dizem acerca das diversas mutações pelas quais passou o dito débito. 21 Com efeito, como se vê no quadro 1, o interessado, nesta Dcomp em tela, confessou débito de estimativa de IRPJ de julho e de agosto de 2002, terceiro trimestre. (...) 24 À vista da última DCTF do rol acima, e, considerando que as informações em declarações entregues à RFB têm que espelhar a informação registrada na contabilidade sob pena de desconsideração daquelas, desta ou de ambas , é lícito supor que, nos registros contábeis do interessado, vigorou pelo menos de 23.08.2006 (data de entrega da penúltima DCTF Retificadora) até 01.12.2008 (data de entrega da última DCTF Retificadora) o débito de estimativa mensal que ele agora quer cancelar. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 174 12 25 É ônus do interessado juntar não só a prova dos elementos que compuseram cada um dos diferentes valores apurados, como, também, todos os registros de lançamento e de estorno contábil que embasam tais mutações. 26 Tal está nos moldes da legislação de regência, segundo a qual, a escrituração mercantil só faz prova dos fatos nela registrados se, além de elaborada com a observância das disposições legais e dos princípios contábeis, vier instruída com os documentos em que se lastreia (art.26 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). 27 Mas, o interessado não junta aos autos os documentos correspondentes. 28 Em seu entendimento, movido pela certeza de que esta Dcomp estaria fadada ao cancelamento automático (porque foge à lógica a simultaneidade de dois regimes de apuração: anual (estimativa e trimestral), transmitiu em 01.12.2008 nova DCTF, na qual a compensação a que se refere esta Dcomp sequer existe. 29 A sobredita DCTF – que, ao final, é aquela cujas informações vigorariam, caso se acolhesse, aqui, o pedido de cancelamento desta Dcomp contém informações sobre compensações efetuadas sem a utilização do Programa Gerador de Per/dcomp, de utilização obrigatória desde maio de 2003. 30 De fato, desde a Medida Provisória (MP) nº 66, de 30 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 31 de dezembro de 2002), o procedimento de compensação exige a apresentação de Dcomp a esta Secretaria, através do PGD Per/dcomp o que, no caso, não ocorreu. 31 Ademais disso, tais “compensações”, veiculadas na última DCTF Retificadora, além de informadas sem Dcomp, estão sendo efetuadas com darfs cuja data de arrecadação ocorreu há mais 5 (cinco) anos, e, também por isso, violam a legislação de regência. 32 Com efeito, se desde a entrega da DCTF Retificadora anterior (23.08.2006), o débito estava compensado em Dcomp regularmente entregue a esta Secretaria, e, se apenas em 01.12.2008 o interessado entregou DCTF Retificadora, é essa última data que regerá o procedimento de compensação. 33 No entanto, nela, já havia decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (darfs de 2001 e darfs de 2002), de forma que tais pagamentos não poderiam mais ser objeto de restituição/compensação. 34 Temse, pois, que a última DCTF Retificadora está contrária à legislação em vigor, de modo que as informações nela veiculadas não podem substituir a da DCTF anterior. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 175 13 Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e porventura retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria; sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 176 14 Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 177 15 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo/pagamento a maior. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 178 16 Dispositivo Ante o exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720007/2015-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. PESSOAS JURÍDICAS ESTRANHAS À LIDE. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não há de se conhecer de solidariedade em face de pessoas jurídicas estranhas à lide e em relação às quais o lançamento já foi, inclusive, alcançado pela decadência.
Caracterizada falta de interesse recursal, não há de se conhecer da matéria alegada pelo contribuinte em face de pessoas jurídicas estranhas à lide.
VALE-GÁS. SALÁRIO UTILIDADE. FUNDAMENTO NA RELAÇÃO DE EMPREGO. HABITUALIDADE. COMUTATIVIDADE. GRATUIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
O salário-utilidade consubstanciado no Vale-Gás com fundamento na relação de emprego, caracterizado pela habitualidade, comutatividade, gratuidade, e não enquadrado nas exceções elencadas no art. 28, § 9°., da Lei n. 8.212/1991, nem nas proibições estabelecidas no art. 458, in fine, da CLT.
BÔNUS POR DESEMPENHO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O Bônus de Desempenho tem caráter remuneratório, constituindo-se remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante, o fato de ser pago em parcela única por ato de liberalidade do empregador.
O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que o diretor estatutário não empregado recebe o Bônus de Desempenho dentro do mesmo exercício contábil/fiscal, e sim à continuidade da política do sistema de recompensa a se repetir a cada exercício ao longo do seu mandato.
INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. . REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O incentivo à participação acionária tem caráter remuneratório, constituindo-se remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante que se dê apenas no momento da oferta de varejo.
O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que ao diretor estatutário não empregado é disponibilizado o desconto na aquisição das ações, e sim à política em si do incentivo à participação acionária, vinculada ao único requisito de ser trabalhador do Sistema Petrobrás, ainda que na condição de segurado contribuinte individual, e materializado em desconto de 15% creditado na conta do trabalhador do referido sistema, inclusive segurados contribuintes individuais.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO 108 DE SÚMULA CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que deu provimento ao recurso em relação ao vale-gás e ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás; vencida a Conselheira Renata Toratti Cassini que deu provimento ao recurso apenas em relação ao vale-gás; e vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso em relação ao vale-gás, ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás e em relação ao incentivo à participação acionária.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. PESSOAS JURÍDICAS ESTRANHAS À LIDE. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não há de se conhecer de solidariedade em face de pessoas jurídicas estranhas à lide e em relação às quais o lançamento já foi, inclusive, alcançado pela decadência. Caracterizada falta de interesse recursal, não há de se conhecer da matéria alegada pelo contribuinte em face de pessoas jurídicas estranhas à lide. VALEGÁS. SALÁRIO UTILIDADE. FUNDAMENTO NA RELAÇÃO DE EMPREGO. HABITUALIDADE. COMUTATIVIDADE. GRATUIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. O salárioutilidade consubstanciado no ValeGás com fundamento na relação de emprego, caracterizado pela habitualidade, comutatividade, gratuidade, e não enquadrado nas exceções elencadas no art. 28, § 9°., da Lei n. 8.212/1991, nem nas proibições estabelecidas no art. 458, in fine, da CLT. BÔNUS POR DESEMPENHO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Bônus de Desempenho tem caráter remuneratório, constituindose remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante, o fato de ser pago em parcela única por ato de liberalidade do empregador. O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que o diretor estatutário não empregado recebe o Bônus de Desempenho dentro do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 07 /2 01 5- 64 Fl. 55047DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.048 2 mesmo exercício contábil/fiscal, e sim à continuidade da política do sistema de recompensa a se repetir a cada exercício ao longo do seu mandato. INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. . REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O incentivo à participação acionária tem caráter remuneratório, constituindo se remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante que se dê apenas no momento da oferta de varejo. O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que ao diretor estatutário não empregado é disponibilizado o desconto na aquisição das ações, e sim à política em si do incentivo à participação acionária, vinculada ao único requisito de ser trabalhador do Sistema Petrobrás, ainda que na condição de segurado contribuinte individual, e materializado em desconto de 15% creditado na conta do trabalhador do referido sistema, inclusive segurados contribuintes individuais. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO 108 DE SÚMULA CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que deu provimento ao recurso em relação ao vale gás e ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás; vencida a Conselheira Renata Toratti Cassini que deu provimento ao recurso apenas em relação ao valegás; e vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso em relação ao valegás, ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás e em relação ao incentivo à participação acionária. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Fl. 55048DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.049 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 54979/55016) em face do Acórdão n. 1055.690 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 54938/54954) que julgou improcedente a impugnação (efls. 54718/54909) e manteve os lançamentos lavrados em 20/01/2015 e constituídos em 28/01/2015 (efl. 54712), consignados nos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.015.4826 (antigo 51.015.4620) no valor total de R$ 1.451.142,51 com fulcro em i) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados empregados, nas competências janeiro de 2010 a dezembro de 2010; e (ii) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados contribuintes individuais (diretores estatutários não empregados), nas competências janeiro de 2010 a dezembro de 2010 e DEBCAD n. 51.015.4834 (antigo 51.015.4638) no valor total de R$ 81.466,72 com fulcro em contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados empregados, nas competências janeiro de 2010 a dezembro de 2010 (efls. 54662/54684), conforme especificado no Relatório Fiscal (efls. 54.685/54711). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 54718/54909) em 06/03/2015 (observandose reabertura de prazo concedida pela autoridade lançadora em 04/02/2015 efl. 54715), julgada improcedente pela DRJ/POA, nos termos do Acórdão n. 1055.690 (54938/54954), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROVA DOCUMENTAL. É de nenhum efeito o prévio protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas, inclusive a documental. SUSTENTAÇÃO ORAL. A legislação que disciplina o julgamento administrativo de primeira instância não autoriza a realização de sustentação oral. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser endereçadas ao domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 55049DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.050 4 O saláriodecontribuição, tanto para o segurado empregado quanto para o segurado contribuinte individual, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por eles auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o saláriode contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 JUROS. TAXA SELIC. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de juros equivalentes à taxa Selic, calculados sobre o valor originário das contribuições apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 1055.690 (54938/54954) em 13/04/2016 (efls. 54977), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 54979/55016) na data de 12/05/2016 (efl. 54978), esgrimindo os seguintes argumentos: i) ilegitimidade da inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias; ii) pagamentos efetuados aos diretores estatutários; iii) caráter eventual do bônus por desempenho e do incentivo à participação acionária; e iv) ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 54979/55016) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Todavia, dele CONHEÇO PARCIALMENTE, uma vez que não é passível de conhecimento, por falta de interesse recursal, as alegações relativas à inclusão no polo passivo da lide em apreço, com espeque no instituto da solidariedade, de pessoas jurídicas estranhas a este processo e em relação às quais o lançamento já foi alcançado pela decadência. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato o Relatório Fiscal (efls. 54.685/54711), no essencial: [...] PARTE A AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.015.4620 Fl. 55050DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.051 5 DO PAGAMENTO DO VALEGÁS 5. Na análise da escrituração contábil da empresa fiscalizada, obtida através da Requisição de Cópia de Escrituração Contábil Digital n.° a005ff8b5c1a475eb6553a9a8b7ac2c8, mais especificamente na conta de despesa "3101040001Benefício Adicional" constatamos o pagamento, no período de janeiro a dezembro/2010, do subsídio do ValeGás a seus empregados. (grifei) 5.1. Tal subsídio foi estabelecido através de Convenção Coletiva de Trabalho entre a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivativos de Petróleo e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo, em anexo. 5.2. Tratase de oferecimento de uma carga de gás em botijão de 13 Quilos (P13) pela empresa, mensalmente, a todos os seus empregados que não tiverem faltas injustificadas e que não residam em área abastecida por gás canalizado. O empregado que faz jus a este benefício, podem retirar sua carga de gás, tão somente no transcorrer do mês autorizado, em um dos estabelecimentos operacionais da sua empregadora, incluindo parques, filiais, depósitos e postos de revenda próprios, ou em caminhões de entrega domiciliar da mesma Empresa, sendo vedado acumular com as cargas devidas nos meses subseqüentes, mediante o pagamento de R$ 3,00 (três reais), descontado na folha de pagamento. 5.3. Indagada sobre o oferecimento deste benefício no salário de contribuição da Previdência Social, a fiscalizada em 05/09/2014, informou que o valegás não integrou a base de cálculo das contribuições previdenciárias e que os valores envolvidos estão consignados na folha de pagamento nas seguintes rubricas: 5.3.1. A fiscalizada apresentou planilha discriminando por mês os beneficiários dos valegás, contida no Anexo 1 do presente relatório fiscal, indicando o custo da empresa e do empregado. 6. Diferentemente do entendimento da fiscalizada, o benefício do valegás está contido nas hipóteses de incidência de contribuição previdenciária, e deveria integrar a base de cálculo desta contribuição, pois se trata de uma espécie de salário in natura, pago em utilidade que não o dinheiro. 6.1. O salário de utilidade quando é condição para o exercício de qualquer trabalho, não integra o salário, porque funciona a título de indenização; mas, os que não forem para esse fim, são vantagens e como tais, incorporamse ao salário para todos os efeitos, inclusive integrando as contribuições previdenciárias e o FGTS, como é o caso do valegás. Fl. 55051DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.052 6 [...] 6.4. No caso em questão, o benefício denominado "valegás" concedido mensalmente pela fiscalizada a seus funcionários possui natureza salarial, pois é habitual e gratuito, eis que apenas uma pequena parte é descontada do empregado (R$ 3,00); o restante, é custo da empresa. Neste diapasão deve integrar a base de Cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária, como dispõe o inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91, a seguir transcrito: (grifei) [...] 6.4.1. Não obstante, o subsídio do valegás não se encontra dentre as hipóteses de isenção previstas no art. 28, § 9° da Lei 8.212/91. 6.5. Em linhas gerais, todas as vantagens pecuniárias recebidas pelos empregados com habitualidade, desde que não excluídas expressamente pela legislação regente, constituem o salário de contribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária. [...] DA REMUNERAÇÃO DE DIRETORES NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO 8. Da análise das divergências entre a DIRF e a GFIP constatamos que os diretores abaixo não estavam informados nesta última declaração. 8.1. Questionada sobre a divergência a fiscalizada informou que tratavam de diretores requisitados da empresa Petrobrás. Nesta seara, intimamos o contribuinte, através do termo de intimação de 27/08/2014, a esclarecer o tratamento tributário adotado para os citados administradores, fornecendo os comprovantes de pagamentos das remunerações a eles concedidos, indicando qual a empresa que de fato realizou tais pagamentos, indicando qual (is) a(s) empresa(s) estavam vinculados, apresentando, ainda, a ata de nomeação de diretoria ou registro em carteira, se empregados fossem. (grifei) 8.1.1. Em 03/12/2014, lavramos o Termo de Intimação Fiscal, remetido por via postal (Aviso de Recebimento n.° JG609942688BR), intimando o contribuinte a apresentar a fundamentação legal detalhada a respeito do tratamento tributário adotado para o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos diretores acima descritos, bem como a natureza da relação Fl. 55052DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.053 7 trabalhista, (diretor não empregado com direito a FGTS, diretor não empregado sem direito a FGTS ou diretor empregado, etc). 8.1.1. Em 12/12/2014, a fiscalizada informou que independente do tratamento tributário adotado pelas empresas de origem desses dirigentes (Petróleo Brasileiro S/A e Petrobrás Distribuidora S/A), as contribuições previdenciárias são regularmente recolhidas, conforme pode ser auferido nas relações dos trabalhadores constantes nos arquivos SEFIP's, anexas ao esclarecimento; 8.1.2. Informou que a própria legislação de regência da Seguridade Social afirma a possibilidade de se impor responsabilidade solidária no cumprimento da obrigação tributária pertinente às contribuições previdenciárias, nos termos do art. 30 da lei 8.212/91, in verbis: [...] 8.1.3. Desta forma, reafirma que os diretores são empregados das empresas Petróleo Brasileiro S/A (Celso da Frota Braga) e da Petrobrás Distribuidora S/A (Antonio Rubens Silva Silvino, Paulo César Chaves Furlanetto e Thomaz Lucchini Coutinho), com honorários pagos pela empresa em que atuam como diretores (Liquigas Distribuidora S/A). Considerando que tais empresas respondem solidariamente entre si, os encargos de INSS e FGTS são realizados pela Petrobrás, ficando por conta da Liquigás, apenas o IRRF 8.2. Como veremos tal procedimento, além de ser contraditório, também não tem amparo legal, visto que, conforme os Demonstrativos de Pagamento disponibilizados, a remuneração percebida pelos diretores é efetuada diretamente pela Fiscalizada, em retribuição aos serviços prestados, nascendo neste momento o fato gerador, com descreve o inciso I do art. 22 da lei 8.212/91, in verbis:(verbis) [...] 8.3. É notório que os mencionados diretores estatutários auferem remuneração em decorrência da prestação de serviço na Fiscalizada, que ao fazer tais pagamentos, tornase sujeito passivo responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como, das demais obrigações acessórias,dispostas no art. 32 da Lei 8.212/91, como segue: (grifei) [...] 8.5. Haveria a regularidade no recolhimento, caso as empresas de origem dos diretores, fizessem o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas em Guia de Recolhimento (GPS) com a identificação do CNPJ da Fiscalizada, e esta, os incluíssem em sua GFIP. Fl. 55053DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.054 8 8.6. Ademais, a luz da Súmula 269 do Tribunal Superior do Trabalho TST, os mencionados administradores, em razão da nomeação do cargo de diretor estatutário, têm o contrato de trabalho de empregado suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego, o que não se verifica na relação trabalhista em apreço. 8.6.1. Assim, a inclusão deles na GFIP das empresas de origem, na categoria de empregado, quando de fato trabalham na empresa cedida (Liquigás), na condição de Diretores Estatutários, é irregular, não representando a relação jurídica trabalhista existente. (grifei) 8.6.2. Enganase a fiscalizada ao alegar que o recolhimento adimplido por empresa do mesmo grupo, não acarreta nenhum prejuízo ao Erário Público, pois, a empresa ao recolher tributo em que não realizou a materialidade descrita na norma tributária de outra empresa, sem as formalidades legais, poderá a vir no futuro solicitar compensação ou restituição. 8.6. Com isso, a Fiscalizada não logrou êxito em suas alegações, pois não apresentou fundamentos que pudesse afastar sua responsabilidade direta nos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes nos pagamentos aos diretores estatutários cedidos das empresas Petróleo Brasileiro S/A e Petrobrás Distribuidora S/A. Também, não apresentou documentos hábeis que vinculasse o recolhimento das contribuições (GPS) e prestação de informações (GFIP) em seu próprio CNPJ com a remuneração dos citados diretores. (grifei) DA BASE DE CÁLCULO DA REMUNERAÇÕES DIRETORES NÃO INCLUÍDA EM GFIP 9. Pelas razões trazidas, apuramos as contribuições reputadas devidas pela fiscalizada, não recolhidas e declaradas em GFIP, extraída da folha de pagamento disponibilizada pela autuada, de acordo com a planilha abaixo, vinculada ao código de lançamento "DR DIRETORES REQUISITADOS": Fl. 55054DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.055 9 DOS PAGAMENTO AOS DIRETORES NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO 10. Foi detectado, ainda, o não oferecimento à tributação de verbas remuneratórias concedidas pela fiscalizada a seus diretores estatutários não empregados, integrantes do Conselho de Administração, considerados, portanto, contribuinte individual, nos termos da alínea "f", do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212/91. 10.1. As verbas que não foram inclusas na base de cálculo das contribuições previdenciárias referemse, inicialmente, ao Bônus por Desempenho (Honorário), constantes na folha de pagamento dos administradores, sob as rubricas 52012 e 534204, como segue: 10.2. Além dessas verbas, a fiscalizada, também deixou de incluir na base de cálculo das contribuições previdenciárias a remuneração discriminada na verba 50408 Incentivo à Participação Acionária, a seguir discriminada: 10.2.1. O Incentivo à Participação Acionária (Dir), referese a um crédito 15% do investimento direto de trabalhadores o Sistema Petrobrás na aquisição de ações (Oferta de Varejo da Petrobrás), como previsto pelo Programa de Incentivo publicado nas páginas 82 e 83 da Seção 1 do DOU n° 179 de 17/09/2010. 10.3. Questionada sobre a natureza jurídica das citadas verbas e sobre a não inclusão delas na basedecálculo das contribuições previdenciárias, através do Termos de Intimação Fiscal lavrados em 03/12/2014 e 18/11/2014, a Fiscalizada em 12/12/2014, argumentou que o Bônus por Desempenho (rubricas 052012 e 534204) tratase de uma premiação concedida pela empresa que faz parte de um programa de incentivo de curto prazo, baseado em resultados atrelados a indicadores físicos e financeiros, tornandose importante fator de retribuição pelo resultado e Fl. 55055DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.056 10 desempenho e importante aliado na retenção de gestores e profissionais, além de enfatizar a rentabilidade do negócio e responsabilidade socioambiental. 10.3.1. Já, a rubrica 50408 Incentivo à Participação Acionária da Diretoria, esclareceu que é um estimulo da empresa a seus empregados para a aquisição de ações da empregadora negociadas na bolsa de valores, que não se enquadrava na hipótese de incidência tributária prevista na lei 8.212/91, uma vez que a disponibilidade econômica não decorre do trabalho realizado ou tempo de disposição do empregador. Sendo eventual, não compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária. [...] 11.9. Além disso, o Bônus por Desempenho, conforme afirma a própria Fiscalizada, tratase de premiação pelo desempenho da empresa, e como tal revestese de natureza remuneratória, devendo integrar o salário de contribuição. Na mesma toada, segue o Incentivo à Participação Acionária, que diferentemente do alegado da empresa, advém da relação de trabalho, pois tal benefício é concedido apenas aos trabalhadores do sistema Petrobrás. Assim, a afirmação da empresa seria válida se o incentivo à participação acionária fosse estendida a todo o mercado. A condição portanto é ser funcionário. Neste termo, o valor reembolsado de 15% sobre o preço pago pelas ações é um bônus, que não tem isenção tributária. (grifei) PARTE B AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.015.4638 Da Contribuição por Reflexo: 15. O presente lançamento fiscal consiste na apuração das contribuições previdenciárias destinadas às Outras Entidades conveniadas denominadas de Terceiros SALARIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE, incidentes sobre o custo efetivo do Vale Gás, consignado nos itens 5,6 e 7 do presente relatório, por tributação reflexiva. Das Contribuições Apuradas: 15.1. Considerando a atividade principal da empresa, ou seja, o comércio atacadista de gás liquefeito de petróleo (GLP), enquadrada no código do Fundo da Previdência e Assistência Social FPAS 515, sobre as bases de cálculo apuradas no "subitem 7.1" acima, foram aplicadas as seguintes alíquotas fixadas pela legislação vigente à época dos fatos geradores: Fl. 55056DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.057 11 A decisão recorrida, ao apreciar a matéria em sede de impugnação, conclui pelo caráter contraprestacional do ValeGás argumentando, em apertada síntese: Quanto ao caráter contraprestacional da verba, observese que o seu recebimento, pelo segurado empregado, está expressamente vinculado à inexistência de faltas injustificadas ao trabalho (causa imediata) – de onde se infere que, na ocorrência de falta não justificada, o segurado empregado deixa de receber a remuneração correspondente ao período em que faltou (período não trabalhado) e o Valegás do mês em que tal fato ocorreu. Também não se pode deixar de considerar que o pagamento do Valegás tem como causa mediata a condição de segurado empregado a serviço da impugnante. Inexistindo a condição de segurado empregado, não há que se falar no pagamento da verba em apreço. No que diz respeito aos pagamentos aos diretores estatutários não empregados, a instância de piso assim se posiciona: Nos termos do artigo 28, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999, combinado com o artigo 214, inciso III, do RPS, na redação dada pelo Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, o saláriodecontribuição, para os segurados contribuintes individuais – dentre os quais fazem número os diretores não empregados, conforme artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Lei n.º 9.876/99 –, corresponde à “remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria”. [...] A autoridade lançadora, no subitem 8.2 do Relatório Fiscal, registra que a remuneração percebida pelos diretores é efetuada diretamente pela empresa fiscalizada, em retribuição aos serviços a ela prestados – o que atrai, para a impugnante, de uma parte, a obrigatoriedade de recolhimento da contribuição previdenciária patronal de 20%, incidente sobre os valores de remuneração por ela pagos aos diretores estatutários não empregados a seu serviço – obrigação tributária principal, a teor do artigo 113, parágrafo 1.º, do CTN, consubstanciada no artigo 30, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 8.212/91, com as alterações da Lei n.º 11.933/2009; e, de outra parte, a obrigatoriedade de incluir tais trabalhadores em suas folhas de pagamento e em suas GFIPs – obrigações tributárias acessórias, nos termos do artigo 113, parágrafo 2.º, do CTN, estabelecidas no artigo 32, incisos I e IV, da Lei n.º 8.212/91, com as alterações da Lei n.º 11.941/2009, combinado com o artigo 225, incisos I e II, e seus parágrafos, do RPS. Em assim sendo, no caso em tela, em que constatados, por um lado, a prestação de serviços pelos diretores estatutários não Fl. 55057DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.058 12 empregados à impugnante, e, por outro, em contrapartida, o pagamento da correspondente remuneração (honorários) pela impugnante a esses mesmos diretores, não há que se discutir a condição de contribuinte, da Liquigás Distribuidora S.A., no tocante às contribuições previdenciárias patronais, objeto do AI n.º DEBCAD 51.063.4826, Levantamento DR Diretores Requisitados. Não colhem, no caso, as alegações da impugnante acerca da condição de responsáveis solidárias das empresas Petróleo Brasileiro S/A (quanto à remuneração do diretor Celso da Frota Braga) e Petrobrás Distribuidora S/A (quanto às remunerações dos diretores Antonio Rubens Silva Silvino, Paulo César Chaves Furlanetto e Thomaz Lucchini Coutinho), em relação às quais esses diretores manteriam a condição de segurados empregados, assim constando nas GFIPs daquelas empresas. E isto porque, primeiro, inexiste, do ponto de vista da legislação tributárioprevidenciária, impedimento a que tais trabalhadores possam ser segurados empregados, como diretores empregados da Petróleo Brasileiro S/A e da Petrobrás Distribuidora S/A, sendo por isso remunerados por essas empresas, e, simultaneamente, sejam também segurados contribuintes individuais, como diretores não empregados da impugnante, sendo por esta igualmente remunerados. Segundo, porque estando tais diretores a serviço da impugnante, e sendo por esta remunerados, donde decorre a sua condição de contribuinte em relação às exações previdenciárias incidentes sobre a remuneração desses trabalhadores, não se justifica a sua substituição – em prejuízo da peça de autuação, bem assim do lançamento nela consubstanciado – por outras empresas, detentoras estas tãosomente da condição de responsáveis pelo pagamento do tributo, e que poderão, mesmo sem a desconstituição do auto de infração, ser chamadas a adimplir as contribuições porventura impagas. Quanto à questão da ocorrência, ou não, de prejuízo ao Erário, cumpre observar, tãosomente, que tal questão não diz respeito nem à ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, situação prevista em lei e suficiente para o nascimento da obrigação tributária, nem tampouco é requisito para a realização do lançamento dessas exações, atividade também estabelecida em lei, e vinculada para a autoridade administrativa. Com relação ao Bônus por Desempenho e do Incentivo à Participação Acionária, a DRJ/POA entendeu pela não eventualidade dos pagamentos, conforme segue: Em relação ao Bônus por Desempenho e ao Incentivo à Participação Acionária, ambos pagos aos diretores não empregados a serviço da impugnante, valem as mesmas observações já feitas no tocante aos segurados empregados beneficiários do Valegás, especialmente no que pertine à incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração Fl. 55058DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.059 13 total do segurado a serviço da empresa, excluídas tãosomente as hipóteses de isenção definidas em lei, de forma expressa e exaustiva. [...] O Bônus por Desempenho, segundo a impugnante, referese a uma gratificação paga aos seus diretores em 2010, em decorrência de haver sido alcançado expressivo montante no faturamento da empresa. Esse pagamento foi realizado em uma única parcela, no momento em que alcançada a meta nos resultados obtidos nesse exercício. Já o Incentivo à Participação Acionária referese ao desconto de um crédito de 15% do investimento dos trabalhadores do Sistema Petrobrás na aquisição de ações da Petrobrás na Oferta de Varejo, como previsto no Programa de Incentivo publicado no DOU de 17 de setembro de 2010. A autoridade lançadora aduz que, conforme a empresa, tratase de um estímulo a seus empregados, para a aquisição de ações da empregadora negociadas na bolsa de valores. Examinadas as hipóteses elencadas no parágrafo 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, bem assim aquelas discriminadas no parágrafo 9.º do artigo 214 do RPS e no artigo 58 da IN RFB n.º 971/2009, verificase que, dentre elas, não se encontram nem o Bônus por Desempenho nem o Incentivo à Participação Acionária. Notese que o disposto no artigo 28, parágrafo 9.º, alínea “e”, n.º 7, da Lei n.º 8.212/91, redação dada pela Lei n.º 9.711, de 20 de novembro de 1998, referido pela impugnante, menciona, especificamente, às importâncias “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.” (Grifouse.) Tal exclusão da base de cálculo das exações previdenciárias referese, portanto, especificamente aos salários, forma de remuneração própria dos segurados empregados, que não se confunde com aquela concernente aos segurados contribuintes individuais (honorários). Notese, ainda, quanto à alegada eventualidade dos pagamentos do Bônus por Desempenho e ao Incentivo à Participação Acionária, que tal circunstância mostrase compatível com a natureza do vínculo previdenciário estabelecido entre as empresas e os segurados contribuintes individuais, que tem na eventualidade da prestação do trabalho uma de suas características principais. Quanto à suposta isenção “concedida” pela autoridade fiscal, no tocante aos valores do Incentivo à Participação Acionária pagos aos empregados da impugnante, nada há a examinar haja vista que o presente processo – e por via de conseqüência a impugnação interposta pela empresa referese às contribuições lançadas, objeto dos AIs n.º DEBCAD 51.063.4826 e Fl. 55059DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.060 14 51.063.4834, não havendo que se perquirir acerca de exações não incluídas nos lançamentos consubstanciados nas peças de autuação. Não há, portanto, que se falar no caráter eventual dos pagamentos do Bônus por Desempenho ou do Incentivo à Participação Acionária. Conforme já relatado, a Recorrente enfrenta a decisão de piso alegando, em apertada síntese, i) ilegitimidade da inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias; ii) pagamentos efetuados aos diretores estatutários; iii) caráter eventual do bônus por desempenho e do incentivo à participação acionária; e iv) ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. No que diz respeito à inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias, a Recorrente alega que não se caracteriza salário in natura, oportunidade em que colaciona diversas decisões de tribunais do trabalho que reforçam a sua tese. Quanto aos pagamentos efetuados aos diretores estatutários, a Recorrente reclama pela imputação de responsabilidade solidária da Petrobrás e da BR Distribuidora em face do crédito em lide, e que não houve prejuízo ao erário em virtude dos recolhimentos de contribuições previdenciárias afetas aos referidos diretores, procedidos por aquelas empresas. Com relação ao caráter eventual do bônus por desempenho e do incentivo à participação acionária, a Recorrente esclarece: [...] Fl. 55060DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.061 15 [...] [...] [...] Fl. 55061DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.062 16 [...] Por fim, a Recorrente reclama pela ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Muito bem. Inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias O salário utilidade é o benefício ou a utilidade que o empregado recebe ou usufrui deste pelo trabalho e não para o trabalho. Na espécie, verificase que tratase de um subsídio, estabelecido através de Convenção Coletiva de Trabalho entre a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivativos de Petróleo e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo CCT 2009/2010 Cláusula Vigésima Sexta e CCT 2010/2011 Cláusula Vigésima Quinta (efls. 54433/54435), consubstanciado em fornecimento de uma carga de gás em botijão de 13 Quilos (P13) pela Recorrente, mensalmente, a todos os seus empregados que não tiverem faltas injustificadas e que não residam em área abastecida por gás canalizado. O empregado que faz jus a este benefício, pode retirar sua carga de gás, tão somente no transcorrer do mês autorizado, em um dos estabelecimentos operacionais da sua empregadora, incluindo parques, filiais, depósitos e postos de revenda próprios, ou em caminhões de entrega domiciliar da Recorrente, sendo vedado acumular com as cargas devidas nos meses subseqüentes, mediante o pagamento de R$ 3,00 (três reais), descontado na folha de pagamento. Na forma como pactuado, o ValeGás tem como fundamento a relação de emprego, caracterizase pela habitualidade, comutatividade (é pelo trabalho), gratuidade (contrapartida por preço irrisório), e não se enquadra nas exceções elencadas no art. 28, § 9°., da Lei n. 8.212/1991, nem nas proibições estabelecidas no art. 458, in fine, da CLT. É cediço que não há um rol taxativo de rubricas integrantes do saláriode contribuição, vez que quaisquer valores revestidos de natureza remuneratória, via de regra, compõem o saláriodecontribuição, havendo, a legislação, todavia, enumerado algumas verbas de forma expressa. Nessa perspectiva, constatase, de plano, que o benefício ValeGás, por seu fundamento e suas características, amoldase ao tipo legal consignado no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, verbis: Fl. 55062DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.063 17 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...](grifei) Nesse sentido, é oportuno colacionar entendimento do STJ abrigado no AgRg no REsp n. 1.479.931/RJ, julgado em 28/04/2015: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBAS PAGA AO EMPREGADO. VALEGÁS. BENEFÍCIO DE NATUREZA SALARIAL. HABITUALIDADE E GRATUIDADE. ART. 28, § 9º, DA LEI N. 8.212/91. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. COMPOSIÇÃO. 1. Cingese a controvérsia trazida a esta Corte à possibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre o benefício denominado "valegás", pago mensalmente pela empresa a seus funcionários. 2. O Tribunal de origem considerou que a verba em apreço possui natureza salarial e, portanto, integra a base de cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária, pois não se encontra entre as hipóteses de isenção previstas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91. 3. É assente nesta Corte que incide contribuição previdenciária sobre o "total da remuneração" paga ou creditada aos trabalhadores, a qualquer título, exceto as verbas listadas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/1991. 4. Na espécie, cuidase de pagamento feito com habitualidade pela empresa a título de valegás, hipótese que não está arrolada entre as exceções legais, além de estar prevista em Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato respectivo, de modo a atrair a incidência da contribuição previdenciária.(grifei) Agravo regimental improvido. Isto posto, o salário utilidade consubstanciado no ValeGás deve integrar a base de Cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 55063DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.064 18 Pagamentos efetuados aos diretores estatutários não empregados Resta fartamente evidenciado nos autos, inclusive reconhecido pela própria Recorrente, que os diretores empregados das empresas Petróleo Brasileiro S/A (Celso da Frota Braga) e da Petrobrás Distribuidora S/A (Antonio Rubens Silva Silvino, Paulo César Chaves Furlanetto e Thomaz Lucchini Coutinho) foram remunerados pela Recorrente em decorrência de seus préstimos laborais, o que, per si, atrai a obrigatoriedade de recolhimento da contribuição previdenciária patronal de 20%, incidente sobre os valores de remuneração por ela pagos aos diretores estatutários não empregados a seu serviço (contribuintes individuais art. 12, V, alínea “f”, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela Lei n. 9.876/99) obrigação tributária principal, a teor do art. 113, § 1°., do CTN c/c art. 30, I, alínea “b”, da Lei n. 8.212/1991, com as alterações da Lei n. 11.933/2009, bem assim a obrigatoriedade de incluir tais trabalhadores em suas folhas de pagamento e em suas GFIPs obrigações tributárias acessórias, nos termos do art. 113, § 2º., do CTN c/c art. 32, I e IV, da Lei n. 8.212/1991, com as alterações da Lei n. 11.941/2009, e art. 225, I e II, e parágrafos, do Decreto n. 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social). Assim, ante a irrefutabilidade dos fatos, a Recorrente limitase a reclamar pela solidariedade das empresas Petróleo Brasileiro S/A e da Petrobrás Distribuidora S/A, com as quais os diretores em tela mantêm vínculos empregatícios, ao amparo do art. 124 do CTN c/c art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, bem assim a inexistência de prejuízo ao erário decorrente de recolhimentos de contribuições previdenciárias relacionadas aos diretores cedidos à Recorrente efetuados pelas empresas de origem. Nesse aspecto, consoante já informado quando do juízo de admissibilidade do recurso voluntário no início deste voto, não há de se conhecer das alegações da Recorrente em virtude de falta de interesse recursal, tendo em vista que as pessoas jurídicas citadas sequer fazem parte da presente lide, observandose ainda que o lançamento em apreço já foi alcançado pela decadência em face daquelas. Nessa esteira, resta prejudicada a pretensão da Recorrente no sentido de serem deduzidos do lançamento em litígio os recolhimentos eventualmente efetuados por aquelas empresas a título de contribuições previdenciárias patronais vinculados aos diretores disponibilizados à Recorrente. Caráter eventual do bônus por desempenho e incentivo à participação acionária Conforme já relatado, o Incentivo à Participação Acionária referese a um crédito de 15% do investimento direto de trabalhadores o Sistema Petrobrás na aquisição de ações (Oferta de Varejo da Petrobrás), como previsto pelo Programa de Incentivo publicado nas páginas 82 e 83 da Seção 1 do DOU n. 179 de 17/09/2010. De acordo com a Recorrente, tratase de um estimulo da empresa a seus empregados para a aquisição de ações da empregadora negociadas na bolsa de valores, que não se enquadra na hipótese de incidência tributária prevista na Lei n. 8.212/91, uma vez que a disponibilidade econômica não decorre do trabalho realizado ou tempo de disposição do empregador, revestindo, assim, de um caráter eventual, não compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária. Por usa vez, o Bônus por Desempenho, pago aos diretores estatutários não empregados, tratase de uma premiação concedida pela empresa, no contexto de um programa de incentivo de curto prazo, baseado em resultados atrelados a indicadores físicos e financeiros (metas), tornandose importante fator de retribuição pelo resultado e desempenho e importante aliado na retenção de gestores e profissionais, além de enfatizar a rentabilidade do negócio e Fl. 55064DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.065 19 responsabilidade socioambiental. Segundo a Recorrente, esse pagamento foi realizado em uma única parcela, no momento em que alcançada a meta nos resultados obtidos nesse exercício. Muito bem. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente amparase na eventualidade dos pagamentos a título de Bônus por Desempenho e de Incentivo à Participação Acionária, como escudo a elidir a incidência de contribuições previdenciárias sobre essas verbas. No tocante ao Bônus por Desempenho pago aos diretores estatutários não empregados, verificase, de plano, que decorre da relação de trabalho estabelecida entre aqueles, e apenas aqueles, e a Recorrente, e tem como base de cálculo os resultados atrelados a indicadores físicos e financeiros (metas) estabelecidos em Plano Anual de Negócios (PAN). É dizer, não se trata de participação nos lucros e resultados (PLR) prevista no art. 7°., XI, da CF/88 c/c art. 28, § 9°., alínea "j", da Lei n. 8.212/1991, vez que é restrito àqueles diretores, não envolvendo negociação com sindicatos, sua periodicidade de pagamento é livremente estabelecida pela empresa, e tem natureza de gratificação pela boa gestão e os resultados trazidos para a empresa. De se observar que no Bônus de Desempenho o que se integra à remuneração é a sua própria política, vez que os diretores estatutários não empregados sempre terão a possibilidade de ser recompensados financeiramente, desde que alcançados os resultados e o desempenho de lucratividade da empresa. No caso concreto, os referidos ganhos somente são apurados ao fim de cada exercício contábil/fiscal, vez que são atrelados à lucratividade obtida pela empresa no referido período (no caso concreto, 2010) consignadas nas respectivas demonstrações financeiras. É dizer, a Recorrente estabeleceu que a periodicidade para o pagamento do Bônus de Desempenho é anual ao longo do mandato dos diretores estatutários não empregados. Decorre então que, por óbvio, o pagamento se dar em parcela única em cada exercício contábil/fiscal, o que não desnatura o seu caráter habitual, vez que se repete a cada exercício durante o mandato daqueles diretores (3 anos, permitida uma recondução, podendo totalizar, portanto, um período de 6 anos efl. 75). Nessa perspectiva, o requisito "habitualidade" não se refere ao número de vezes ou parcelas que o diretor estatutário não empregado recebe a verba dentro do mesmo exercício contábil/fiscal, e sim à continuidade da política do sistema de recompensa, a se repetir a cada exercício ao longo do seu mandato, que pode chegar a um período de 6 (seis) anos, incluindo as reconduções. Nesse aspecto, é bastante elucidativo o esclarecimento da Recorrente: É dizer, a expectativa de fruição do Bônus de Desempenho está diretamente vinculada à lucratividade da Recorrente, que só é apurada ao fim de cada exercício contábil/fiscal. Ou seja, na duração do mandato, os diretores estatutários não empregados recebem valores a título de Bônus de Desempenho em decorrência da continuidade da política Fl. 55065DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.066 20 do sistema de recompensa, que se constitui prática reiterada pela Recorrente, conforme ela mesma afirma: Na espécie, a Recorrente elabora Planos Anuais de Negócios (PAN) nos quais estabelece metas de resultados e de desempenho a serem alcançados para cada exercício contábil/fiscal, que permitem aferir o montante do Bônus de Desempenho a ser pago aos diretores estatutários não empregados. Especificamente para o ano de 2010, a Recorrente estipulou as seguintes metas: Nesse contexto, não socorre a Recorrente o disposto no art. 201, § 11 da CF/88 que se destina especificamente aos empregados, que não é o caso que ora se analisa, vez que tratase de diretores estatutários não empregados, cedidos pelas empresas Petrobrás e Petrobrás Distribuidoras, enquadrados, portanto, no conceito de contribuintes individuais. Vejamos: Art. 201. (omissis) [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...](grifei) Outrossim, também não se aplica a exceção prevista no art. 28, § 9°., alínea "e", item 7, da Lei n. 8.212/1991, tendo em vista que não se trata de ganhos eventuais, mas sim habituais, ano após ano, exercício a exercício, conforme já relatado. Fl. 55066DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.067 21 Reforça o entendimento aqui esposado, recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignadas no AgREsp 655644/RJ 2015/00136339 (excertos abaixo transcritos), que sinalizam, de forma inequívoca, no sentido do caráter remuneratório dessa verba, com a consequente incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de ser pago em parcela única ou de tratarse de liberalidade do empregador: [...] Com relação à verba denominada "prêmio de produtividade", há diversos precedentes nessa Corte que reconhecem o seu caráter salarial, e consequentemente, a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DE "PRÊMIO DE DESEMPENHO". VERBA DE NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INTERPRETAÇÃO DO ACORDO COLETIVO. REVISÃO DA PROVA ANALISADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULAS 5 E 7/STJ. ALÍNEA C. NÃODEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. 1. Controvertese a respeito da incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de "Prêmio de Desempenho", previsto em Acordo Coletivo de Trabalho. 2. O Tribunal a quo se reportou ao instrumento de avença para consignar que a quantia controvertida é equiparável ao conceito de comissão, previsto no art. 457 da CLT, razão pela qual, por se amoldar à definição de salário, está sujeita à incidência tributária. 3. A pretensão recursal de enquadrála no conceito de abono único, mesmo que pago em mais de uma prestação, demanda revolvimento do acervo probatório dos autos, bem como interpretação dos termos que integram a Convenção Coletiva. Aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ. 4. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizandose o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1254233/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2011, DJe 08/09/2011) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. "PRÊMIO DESEMPENHO". CARÁTER REMUNERATÓRIO. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. 1. Cuidase de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região que negou provimento ao apelo autoral ao concluir que a Lei n. 5.890/73 é taxativa e impõe a incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer parcela paga ao Fl. 55067DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.068 22 empregado. A recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 535, II, do CPC, 76 da Lei n. 3.807/60, 173 do Decreto n. 60501/67, 223 do Decreto n. 72771/73 e 457 da CLT, além de divergência jurisprudencial. Em suas razões, sustenta, em síntese, que: a) embora devidamente suscitado no recurso integrativo, não houve pronunciamento acerca do conceito de remuneração e saláriodecontribuição previsto nos Decretos n. 60.501/67 e 72.771/73 e na CLT; b) as parcelas recebidas pelos empregados a título de "prêmiodesempenho" foram pagas eventualmente sem nenhuma contraprestação, logo não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição. 2. Se o Tribunal de origem adota entendimento diverso do pretendido pela parte analisando a questão sob o prisma que julga pertinente à lide de forma motivada e fundamentada, não há violação do art. 535, II, do CPC. 3. A legislação vigente à época dos débitos em discussão (08/1973 a 02/1974), Lei n. 3.807/60, art. 76, bem como o entendimento do egrégio STF, assinalado na Súmula n. 241, reconhecia que as parcelas recebidas pelo empregado, pagas a qualquer título, integravam o saláriode contribuição. 4. Na espécie, diante das circunstâncias fáticas apresentadas em juízo destacou o Tribunal de Origem: "O caso é que o"bônus"ou"prêmio desempenho"tem caráter remuneratório, sendo irrelevante, o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador." (fl. 120). 5. Recurso especial nãoprovido. (REsp 910.214/ES, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 293) (grifei) [...] Isto posto, concluise que o Bônus de Desempenho tratase, de fato, de salário indireto passível de incidência de contribuições previdenciárias. Com relação ao incentivo à participação acionária, verificase que tratase de desconto de um crédito de 15% do investimento dos trabalhadores do Sistema Petrobrás na aquisição de ações da Petrobrás na Oferta de Varejo, como previsto no Programa de Incentivo publicado no DOU de 17 de setembro de 2010, caracterizado, em sua essência, como remuneração variável. De se observar que a presente lide, objeto dos AIOP DEBCAD n. 51.015.4826 (antigo 51.015.4620) e DEBCAD n. 51.015.4834 (antigo 51.015.4638), cingese à caracterização, ou não, dos valores pagos como incentivo à participação acionária aos diretores não empregados com natureza de salário de contribuição, passível, portanto, de incidência de contribuições previdenciárias, Na espécie, verificase que o incentivo à participação acionária é, na sua essência, pagamento pelo trabalho que integrase ao patrimônio dos trabalhadores do Sistema Petrobrás, e apenas a estes. Com efeito, a significativa vantagem, consubstanciada no desconto de um crédito de 15% do investimento, é restrita àquele universo de trabalhadores, não sendo oferecida aos demais adquirentes do mercado. É dizer, é fundamental a condição do vínculo laboral com o Sistema Petrobrás, incluídos os diretores não empregados não empregados (contribuintes individuais). Fl. 55068DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.069 23 Verificase, da mesma forma que nos pagamentos a título de Bônus de Desempenho, a Recorrente amparase na eventualidade dos pagamentos a título de Incentivo à Participação Acionária, como escudo a elidir a incidência de contribuições previdenciárias sobre essas verbas. Todavia, é de se observar que, conforme já destacado para o Bônus de Desempenho, o que se integra à remuneração, no caso do Incentivo à Participação Acionária, é a sua própria política, vez que os diretores estatutários não empregados têm a possibilidade de obter o desconto de um crédito de 15% do investimento direto na aquisição de ações (Oferta de Varejo da Petrobrás), conforme estipulado no Programa de Incentivo (publicado nas páginas 82 e 83 da Seção 1 do DOU n. 179 de 17/09/2010), bastando, tãosomente que atendam ao único requisito de serem trabalhadores do Sistema Petrobrás. Na espécie, os diretores estatutários não empregados, apesar de se enquadrarem na condição de segurados contribuintes individuais para a Recorrente, são empregados do referido sistema, ves que, na origem, têm vínculos laborais com a Petrobrás S/A e com a Petrobrás Distribuidora S/A. Nessa perspectiva, o requisito "habitualidade" não guarda relação com o número de vezes em que ao diretor estatutário não empregado é disponibilizado o desconto em apreço, sendo irrelevante que se dê apenas no momento da oferta de varejo, e sim à política em si do incentivo à participação acionária consolidada em plano específico e com percentual definido de desconto a ser creditado na conta dos trabalhadores do Sistema Petrobrás (no caso concreto, 15%). Neste ponto, é oportuno resgatar os esclarecimentos da Recorrente: Noutro giro, transcrevo a íntegra da Ata da Reunião n. 1.338, do Conselho dde Administração da Petrobrás S/A, realizada em 01/09/2010 e publicada no DOU n. 179, de 17/09/2010 (Seção 1, p. 8283), que guarda pertinência com a matéria em apreço: Fl. 55069DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.070 24 Fl. 55070DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.071 25 Fl. 55071DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.072 26 Fl. 55072DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.073 27 Observase, da Ata da Reunião n. 1.338 (acima reproduzida), bem assim do próprio relato da Recorrente, o caráter pessoal (diretores e funcionários ativos da Petrobrás S/A e administradores e funcionários ativos das Sociedades do Sistema Petrobrás), bem assim a impossibilidade de transferência, a qualquer título, das ações adquiridas sob o manto do referido plano de incentivo pelo prazo de 365 dias, limitandose o recebimento do crédito (incentivo) ao valor máximo de R$ 300.000,00 a ser creditado em conta corrente do empregado Fl. 55073DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.074 28 da Petrobrás no prazo de até 30 dias da data em que ocorrer o efetivo pagamento da subscrição das ações. Tais condições não se estendem às ofertas de ações da Petrobrás comumente negociadas em mercados de renda variável organizados (bolsas de valores), caracterizados pela impessoalidade, vez que disponíveis a qualquer investidor, sem qualquer vínculo laboral e qualquer incentivo, na forma de desconto no investimento, podendo ser livremente exercidas e negociadas com terceiros participantes do mercado imediatamente após a sua aquisição, sem qualquer restrição. É dizer, o incentivo à participação acionária em apreço, caracterizado no Programa de Incentivo e consubstanciado no desconto de 15 % limitado ao valor máximo de R$ 300.000,00, tratase, sem sombra de dúvidas, de remuneração indireta aos diretores estatutários não empregados cedidos à Recorrente a atrair as contribuições sociais previdenciárias, na forma como procedeu a autoridade lançadora, vez que não se enquadram nas exceções do art. 28, § 9°., alínea "e", item 7, da Lei n. 8.212/1991. Juros sobre multa de ofício Essa matéria, bastante recorrente neste Colegiado, é objeto do Enunciado n. 108 de Súmula CARF, dispensandose assim considerações adicionais: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.(grifei) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 54979/55016), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 55074DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000319/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000319/201014 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.350 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente ARLIQUIDO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 19 /2 01 0- 14 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.630, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 277DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.956039/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2402-006.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 60 39 /2 00 8- 34 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 93 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra o Despacho Decisório Eletrônico nº 808283485 proferido pela DERAT/SP, que não reconheceu o direito creditório do recorrente e, por conseguinte, não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos. O contribuinte transmitiu, em 15.9.04, Declaração de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO nº data valor CÓD REC pa vencimento dt recolhimento 24328.60914.150904.1.3.047555 15.09.2004 313.463,20 0588 12.05.2001 15.05.2001 15.05.2001 Em 22.12.08, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade sustentando, em suma (12/14), que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (Código 0588), na medida em que parte do DARF em questão, a saber, R$ 126.617,27, deveria ter sido utilizado para liquidar débito sob o código de 0473, o que o levou a, em 28.2.02, efetuar novos recolhimentos para esse código (R$ 51.205,00 e R$ 74.412,27). Como já dito, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 38/40). Em seu Recurso Voluntário de fls 43/59, a recorrente aduz: Que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (Código 0588), na medida em que parte do DARF em questão, a saber, R$ 126.617,27, deveria ter sido utilizado para liquidar débito sob o código de 0473, o que o levou a, em 28.02.2002, efetuar novos recolhimentos para esse código (R$ 51.205,00 e R$ 75.412,27). Nesse sentido, haveria pagamento duplicado, da seguinte forma: R$ 126.617,27, que integra o DARF de 313.463,20 de 12.05.2001 e R$ 126.617,27, resultante da soma dos DARF de R$ 51.205,00 e R$ 75.412,27, ambos de 28.02.2002. Que teria havido erro de fato no preenchimento de sua DCTF. Subsidiariamente, que deve haver a relevação da multa, com base no artigo 4º, incisos I e II do DL 1.042/69. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 20.1.11, consoante se denota de fls. 42 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 21.2.11 (fls. 43). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 94 3 A fundamentação para a não homologação do crédito foi no sentido de que a integralidade do DARF no valor de R$ 313.463,20 havia sido utilizada no respectivo débito. Já em sua Manifestação de Inconformidade, o sujeito passivo sustentou que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (Código 0588), na medida em que parte do DARF em questão, a saber, R$ 126.617,27, deveria ter sido utilizado para liquidar débito sob o código de 0473, o que o levou a, em 28.2.02, efetuar novos recolhimentos para esse código (R$ 51.205,00 e R$ 74.412,27). Em função dessas razões de defesa, a DRJ centrou sua análise na questão atinente à natureza de instrumento de Confissão de Dívida da DCTF, bem como no fato de não ter sido comprovado que os DARF de R$ 51.205,00 (cód 0473) e R$ 75.412,57 (cód 0473) estariam contemplados no de R$ 313.463,20, recolhido sob o código 0588. Confirase: À seu turno, o contribuinte em várias laudas passou a ser mais contundente em seu Recurso Voluntário, dedicando vários parágrafos à discussão acerca da natureza de confissão de dívida da DCTF. Pois bem. O que pretende a recorrente é que seja promovida a retificação e aceitação das informações que constaram em sua DCTF ativa à época do Despacho Decisório, com vistas a evidenciar a sobra que pretende utilizar nesta compensação, por meio da redução do débito originalmente declarado. Não há impedimento na legislação para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 482/2004. 1 1 PARECER NORMATIVO COSIT Nº 2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 95 4 Todavia, há de ser demonstrado o erro que dera azo à pretendida retificação. Nesse ponto, insta destacar que o recorrente acostou, somente agora em seu Recurso Voluntário, documentos que, segundo ele, demonstrariam seu crédito compensável. Reforçando, o que sustenta a recorrente é que parte do DARF recolhido sob o código 0588, que se refere a rendimento do trabalho sem vínculo empregatício auferido por residentes no Brasil, estaria contemplando o IRRF sob o código 0473, que diz respeito a renda e proventos de qualquer natureza auferidos por não residentes no Brasil. Nesse contexto, a comprovação a cargo do recorrente, que recairia em evidenciar que o total dos seus débitos relacionados ao código 0588 era, tão somente, da ordem de R$ 186.845,93 (R$ 313.463,20 R$ 126.617,27) naquele período de apuração (semana de 06 a 12 de maio/2001) afigurase, ao meu ver, de fácil tarefa. A rigor, o recolhimento sob o código 0588 (IRRF Rendimento do Trabalho Sem Vínculo Empregatício) deve espelhar o valor declarado em DIRF, na qual deve constar, nome a nome, os trabalhadores que sofreram a retenção. O cotejo desses trabalhadores e respectivos valores, relacionados ao mês de maio/2001, com o razão analítico da conta em que se contabilizou tais retenções a recolher (0588) naquele mês, seria o primeiro passo para demonstrar a integralidade dos débitos a recolher, a esse título (0588), com fato gerador na semana de 06 a 12 de maior de 2001. Nesse sentido, forçoso reconhecer, à semelhança do que concluiu a instância de piso, que o contribuinte não logrou demonstrar, de forma cabal, que os DARF de R$ 51.205,00 (cód 0473) e R$ 75.412,57 (cód 0473) estariam contemplados no de R$ 313.463,20, recolhido sob o código 0588. Para que se comprove a existência do crédito líquido e certo não basta, necessariamente, que se evidencie matematicamente valor recolhido maior do que aquele declarado em DCTF, máxime nos casos em que tal circunstância passa a se mostrar aparente somente após a retificação da DCTF na qual houvera a redução e/ou o cancelamento do débito anteriormente declarado/confessado. Como já dito, trata o caso de compensação promovida pelo recorrente valendose de direito creditório que alega possuir. Por sua vez, o artigo 170 do CTN é textual ao prescreve que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Em outras palavras, o crédito oferecido em compensação precisa ostentar indubitavelmente os prérequisitos de liquidez e certeza, cabendo ao titular desse direito, o ônus de sua comprovação, 2 o que, digase, penso não ter sido feito. No que toca à temática da multa aplicada no Despacho Decisório, cumpre destacar que a mesma decorreu de expressa disposição legal (art. 61 da lei 9.430/96 3), de 2 Art 333 do CPC/73 Art 373 do NCPC Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 96 5 observância obrigatória pelos Conselheiros deste Colegiado. Ademais, a relevação requerida, ao suposto amparo do artigo 4º do DL 1.042/69, foge ao âmbito da competência deste Colegiado, consoante se observa da literalidade do dispositivo invocado. Verbis. Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; Il A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui. Quanto ao pleito de conversão do julgamento em diligência com vistas a realização de fiscalização específica para análise do presente caso concreto, em prol da observância do princípio da verdade material, tenhoo por inoportuno, na medida em que caberia ao recorrente a apresentação, ainda em sua impugnação, de toda a documentação que tendesse a demonstrar indevido o recolhimento de R$ 126.617,27, por supostamente relacionarse a pagamento fundado em erro no preenchimento de sua DCTF, em função de relacionarse a débito com distinto fato gerador. Indefiroo, pois. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado, INDEFERIR o pleito de diligência e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.731192/2017-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2016
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Havendo decisão judicial transitada em julgado não se reconhece a concomitância no específico ponto da coisa julgada.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa.
Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento de ofício com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei.
TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL - TDPF. SUCESSOR DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O TDPF, que sucedeu o MPF, é mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, portanto, ainda que houvesse eventual irregularidade em sua emissão ou em sua prorrogação, não se constituiria motivo suficiente para anular o lançamento. Despicienda a ciência pessoal das prorrogações do TDPF/MPF, dado que o interessado pode acompanhá-las na rede mundial de computadores com o respectivo código de acesso, fornecido no início do procedimento fiscal, sendo válida a prorrogação efetuada eletronicamente pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte. Inexistindo demonstração de prejuízo ou de preterição ao direito de defesa não se cogita em nulidade.
DILIGÊNCIA.
O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motivá-lo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2016
GFIP. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE.
Para a aplicação da multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), por declaração falsa em GFIP (Guia de recolhimento do Fundo de garantia do tempo de serviço e Informações à Previdência Social) relacionada a compensação, não é mister que se demonstre a intenção do agente - se dolosa, de má fé ou decorrente de logro -, bastando, nos exatos termos da lei, que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
A vedação de compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de ação judicial, antes do trânsito em julgado, quando descumprida, inclusive quando afronta a própria determinação judicial que impõe a efetivação de eventual compensação somente para o momento posterior à coisa julgada, implica em reconhecimento de falsidade da declaração de compensação posta em GFIP. Também, implica no reconhecimento de falsidade da declaração, quando, após se analisar os documentos relacionados ao suposto direito creditório, não se constata a liquidez e a certeza aptas a autorizar à compensação.
Numero da decisão: 2202-005.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto e Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Havendo decisão judicial transitada em julgado não se reconhece a concomitância no específico ponto da coisa julgada. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento de ofício com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindolhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL TDPF. SUCESSOR DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 11 92 /2 01 7- 82 Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.362 2 O TDPF, que sucedeu o MPF, é mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, portanto, ainda que houvesse eventual irregularidade em sua emissão ou em sua prorrogação, não se constituiria motivo suficiente para anular o lançamento. Despicienda a ciência pessoal das prorrogações do TDPF/MPF, dado que o interessado pode acompanhálas na rede mundial de computadores com o respectivo código de acesso, fornecido no início do procedimento fiscal, sendo válida a prorrogação efetuada eletronicamente pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte. Inexistindo demonstração de prejuízo ou de preterição ao direito de defesa não se cogita em nulidade. DILIGÊNCIA. O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motiválo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2016 GFIP. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Para a aplicação da multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), por declaração falsa em GFIP (Guia de recolhimento do Fundo de garantia do tempo de serviço e Informações à Previdência Social) relacionada a compensação, não é mister que se demonstre a intenção do agente se dolosa, de má fé ou decorrente de logro , bastando, nos exatos termos da lei, que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A vedação de compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de ação judicial, antes do trânsito em julgado, quando descumprida, inclusive quando afronta a própria determinação judicial que impõe a efetivação de eventual compensação somente para o momento posterior à coisa julgada, implica em reconhecimento de falsidade da declaração de compensação posta em GFIP. Também, implica no reconhecimento de falsidade da declaração, quando, após se analisar os documentos relacionados ao suposto direito creditório, não se constata a liquidez e a certeza aptas a autorizar à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto e Thiago Duca Amoni. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.363 3 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 1.337/1.351), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 1.326/1.332), proferida em sessão de 23/08/2018, consubstanciada no Acórdão n.º 11060.521, da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação (efls. 1.270/1.315), mantendo integralmente o crédito tributário lançado de R$ 19.906.165,48 (efls. 02/08), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2016 DECLARAÇÃO. FALSIDADE. MULTA. APLICABILIDADE. Para a aplicação da multa isolada não é mister que se demonstre a intenção do agente se dolosa, de má fé ou decorrente de logro , bastando, nos exatos termos da lei, que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2013 a 01/03/2016 TDPF/MPF. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. Despicienda a ciência pessoal das prorrogações do TDPF/MPF, dado que o interessado pode acompanhálas na rede mundial de computadores com o respectivo código de acesso, fornecido no início do procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2013 a 31/03/2016 DEFESA. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. Presentes, nos autos, os elementos essenciais ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se acolher as preliminares de cerceamento. VIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. EFEITOS. A propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.364 4 renúncia ao contencioso na esfera administrativa, no tocante à matéria em litígio na Justiça. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. PRECLUSÃO Sob pena de preclusão do direito, as provas, que o sujeito passivo deseja produzir, devem ser trazidas no momento da impugnação, salvo nos casos autorizados por lei, que não restaram evidenciados nos autos. PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Por expressa disposição legal, considerase não formulado o pedido de perícia entabulado sem quesitos a serem respondidos, nem indicação de assistente técnico da requerente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 0310100.2017.00035, decorrente de aplicação de multas previdenciárias (multa isolada) em face de procedimento de análise de compensação declarada de per si pelo sujeito passivo, com fatos geradores ocorridos entre 01/03/2013 a 31/03/2016, na qual não se reconheceu a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado para validar a compensação, efetivandose auto de infração em 26/01/2018 (efls. 02/08), notificado o destinatário em 30/01/2018 (efls. 1.235/1.238, contribuinte; e efls. 1.239/1.242, responsável solidária), cujo crédito tributário total constituído foi de R$ 19.906.165,48 (efl. 2), com relatório fiscal plenamente juntado aos autos (efls. 12/28), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Cuidase de multa isolada, no valor de R$ 19.906.165,48, aplicada em decorrência de declaração falsa nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência – GFIP, relativamente ao períodos de 03/2013 a 03/2016. Segundo relatório fiscal (fls. 12/28), a empresa acima identificada entabulou compensações, nas referidas competências, consoante declarações nas supracitadas guias, cujos direitos creditórios são objetos de ações judiciais, a saber: Mandados de Segurança n.º 000430867.2011.4.05.8100, n.º 001255826.2010.4.05.8100, n.º 000534248.2009.4.05.8100 e n.º 000643427.2010.4.05.8100. O fisco assinala, ainda, que referidas ações, à exceção da primeira elencada, não transitaram em julgado e, no tocante ao MS n.º 000430867.2011.4.05.8100, não houve a comprovação de recolhimentos indevidos por parte da empresa, mesmo porque a auditoria da Receita Federal do Brasil identificou que, nas folhas de pagamento respectivas, o sujeito passivo sequer incluiu o vale transporte pago em pecúnia nas bases de cálculo das contribuições a serem vertidas à Previdência Social. A fiscalização, então, conclui que não se poderia falar em crédito líquido e certo para fins de compensações, glosandoas no processo n.º 10380.731068/201717, tendo sido lançada a presente multa isolada, com fulcro no § 10, do art. 89, da Lei n.º 8.212/91. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.365 5 Foi, também, responsabilizada solidariamente a empresária Marília Lopes Cruz Rolim, nos termos do art. 135, III, do CTN. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 01/03/2018 (efls. 1.270/1.315), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: Cientificados do lançamento em 30/1/18, tanto o contribuinte (fls. 1.235/8), quanto a responsável solidária (fls. 1.239/42), apenas o primeiro interpôs impugnação (fls. 1.270/1.315), em 1/3/2018 (cf. fl. 1252), onde, em síntese, alega: I cerceamento de defesa por: a) falta de especificação da situação definida em lei como fato gerador e dos fundamentos legais; b) obrigações tributárias inexistentes; c) exiguidade de prazo para o contraditório; II múltiplas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, sem ciência ao sujeito passivo; III inexistência de dolo, máfé ou logro para caracterizar fraude, sonegação, conluio, com objetivo de sonegar tributo; IV ter direito líquido e certo à compensação das contribuições sociais incidentes sobre as rubricas auxílio doença e acidente; terço de férias; aviso prévio indenizado; plano de saúde e vale transporte em pecúnia, que discute em juízo. Requer, ainda, perícia e juntada posterior de provas. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: Da matéria não impugnada Não houve qualquer manifestação acerca da responsabilidade solidária da empresária Marília Lopes Cruz Rolim, tornando a matéria preclusa no âmbito do contencioso administrativo. Das Preliminares de Nulidade I do alegado cerceamento de defesa: O impugnante alega cerceamento de defesa por falta de indicação do fato gerador e dos fundamentos legais. A acusação, entretanto, não procede, dado que, em seu relatório (fls. 12/28), o fisco foi claro tanto na motivação da penalidade, quanto no fundamento legal para aplicála, consoante excertos a seguir transcritos da citada peça: 19. Após análise dos documentos exibidos vinculados as ações judiciais impetradas pelo contribuinte, constatouse a inexistência do trânsito em julgado nas referidas ações ajuizadas, com exceção do processo n.º 000430867.2011.4.05.8100, cujo trânsito em julgado ocorreu em 21/05/2014, tendo autorizado apenas a compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre o fornecimento de valetransporte em espécie. Entretanto, conforme já relatado anteriormente pela auditoria, não houve recolhimento Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.366 6 indevido de contribuição sobre a verba "VALE TRANSPORTE", passível de realização de compensação por parte da empresa. 20. Além disso, não foi constatado, na análise dos processos judiciais em curso, qualquer autorização judicial expressa para realização das compensações de contribuições previdenciárias, do período de 01/2013 a 12/2015, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial. Pelo contrário, observase, nas decisões judiciais dos processos n.º 000534248.2009.4.05.8100, n.º 000643427.2010.4.05.8100 e n.º 001255826.2010.4.05.8100, que o contribuinte, ora fiscalizado, deveria aguardar o trânsito em julgado da própria ação judicial para efetuar as compensações, nos termos do art. 170A da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (CTN). 21. Cabe ressaltar que, em se tratando de direito creditório objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua compensação antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer este direito, conforme estabelece o art. 170A do CTN, citado acima. Sendo assim, o contribuinte que ajuizou ações contra a Fazenda Pública pleiteando direitos creditórios deverá aguardar o trânsito em julgado da sua própria ação para realizar as compensações tributárias. (...) 46. Portanto, como o sujeito passivo declarou nas GFIP diretos creditórios inexistentes, a auditoria efetuou o lançamento da multa isolada de 150% calculada sobre o valor indevidamente compensado de contribuições previdenciárias, tendo em vista a constatação da falsidade nas GFIP apresentadas. Neste caso, constatouse a ocorrência da infração praticada pelo contribuinte prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991 (na redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009), abaixo transcrito: Lei 8.212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n.º 11.941, de 2009). Logo, restou evidente que o fato gerador para aplicação da multa em questão foi a declaração falsa em GFIP de direitos creditórios inexistentes, dado que, em razão do art. 170A do CTN, não está a empresa, que litiga em juízo, autorizada a proceder a compensação antes do trânsito em julgado da correspondente ação, e, ainda que esgotada a via judicial, cabe lhe demonstrar os recolhimentos indevidos das contribuições sociais, ônus do qual não se desvencilhou. Outrossim, também, claro e expresso o substrato legal para imputação da penalidade. De igual sorte, também, não prospera o argumento de que inexistiu obrigação tributária. O caso em apreço tem conexão com a obrigação de fazer, qual seja, a de prestar informações à RFB, relativas às contribuições sociais, ex vi do disposto no art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/91: Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.367 7 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009) (Vide Lei n.º 13.097, de 2015) Mencionadas declarações se processam por meio da GFIP, consoante art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Por seu turno, o impugnante, ao entabular nas citadas guias, compensações sem comprovação de correspondentes créditos para fazêlo, reduziu, indevidamente, as contribuições sociais, maculando, com seu comportamento, a referida obrigação de fazer e infringindo seu dever de lealdade com o fisco, autorizando, assim, a aplicação da penalidade em testilha, como discutiremos em tópico específico do presente voto. No pertinente à arguição de exiguidade do trintídio para impugnação, mister destacar que o mesmo deflui de comando legal, qual seja, o art. 15 do Decreto n.º 70.235/72, cogente e vigente, não sendo dado à Administração Fazendária alterálo ao seu talante. Sequer houve, por parte do impugnante, qualquer prova de empecilho ao pleno exercício de seu direito de defesa no citado prazo. Diante do exposto, nada restando a acolher das preliminares suscitadas, é de se rejeitar a arguição de cerceamento de defesa. Passemos, então, as demais questões suscitadas na impugnação. Das prejudiciais: do pedido de perícia e de produção de provas É de se destacar que todos os elementos probatórios, que a empresa deseja produzir, devem ser trazidos juntamente com a impugnação, salvo nos casos previstos no § 4.º do art. 16, do Decreto n.º 70.235/72, cuja ocorrência não restou evidenciada nos autos, motivo por que resulta indeferido o pleito, por preclusão do direito em fazêlo extemporaneamente. Também, é de se declarar não conhecido, com base no disposto no § 1.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, o pedido de perícia entabulado sem formulação de quesitos, nem indicação do correspondente perito (assistente técnico). Do MPF/TDPF O queixume da impugnante se dirige, neste ponto, às múltiplas prorrogações do MPF (na verdade, Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF, na nomenclatura adotada na Portaria RFB n.º 1.687/2014, vigente no período da ação fiscal, e posteriores), acusando a ausência de ciência das mesmas. Ocorre que, no início do procedimento fiscal, consoante termo de fl. 111, a empresa é cientificada do respectivo "código de acesso", a ser utilizado na rede mundial de computadores, com o fito de acompanhar, na página eletrônica da RFB, todo o desenrolar da ação fiscal, sendo despicienda a requestada ciência das referidas prorrogações do termo de distribuição de Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.368 8 procedimento fiscal (exMPF), ainda que múltiplas, dado que o sujeito passivo pode, perfeitamente, acessálas no mencionado sítio eletrônico. Improcedente, portanto, a insatisfação da impugnante, também na matéria. Da falsidade da declaração Para a aplicação da multa isolada, objeto do presente processo, não é mister que se demonstre a intenção do agente se dolosa, de máfé ou decorrente de logro , bastando, nos exatos termos do § 10, do art. 89, da Lei n.º 8.212/91, que "se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". E isto restou patente nos autos: a empresa não poderia se compensar de contribuições que ainda discute em juízo e que sequer demonstrou haver, de fato, recolhido indevidamente. Assim, ao entabular, nas citadas GFIP, compensações de maneira contrária à lei (art. 170A do CTN e art. 89, da Lei 8.212/91) e sem provas de ser detentora dos créditos respectivos, cristalizou a reclamada falsidade, atraindo para si a imputação da penalidade em comento. Da concomitância No que diz respeito às questões suscitadas quanto à natureza das rubricas envolvidas e de seu direito à compensação, é mister salientar que a discussão já foi carreada para o âmbito judicial e, como nosso sistema pátrio é da unicidade de jurisdição, há de prevalecer o que o Judiciário definir ao fim e ao cabo. Em consequência, é de se declarar, nos termos do art. 126, § 3.º da Lei n.º 8.213/91, a renúncia ao contencioso administrativo, em favor do que vier a ser decido sobre o tema na via judicial. De ressaltar que, no concernente ao processo 0004308 67.2011.4.05.8100, apesar de já haver findada a discussão judicial, com resultado favorável à compensação pela empresa relativamente ao "vale transporte em pecúnia", não houve, quer na ocasião da inspeção, quer agora na impugnação, prova de que, de fato, a empresa houvesse recolhido contribuições sociais sobre referida rubrica, a autorizar a compensação, motivo por que se mantém inalterada a exação em comento. Conclusão Isto posto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito constituído. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 03/10/2018 (efls. 1.337/1.351), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula o provimento para tornar insubsistentes os lançamentos, por absoluta falta de fundamentação; tornar nulo o auto de infração por invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal; homologar os valores compensados resultantes da não incidência do auxíliodoença e auxílio acidente (primeiros quinze dias) e 1/3 constitucional, incidente sobre os valores pagos a título aviso prévio indenizado, plano de saúde e sobre vale transporte pago em pecúnia; afastar as hipóteses de fraude, sonegação e conluio. Postula, ainda, a produção de provas, principalmente perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.369 9 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. Observo nos autos que consta termo de apensação certificando ter sido apensado a este caderno processual o Processo n.º 10380.720667/201896 (efls. 1.250), que trata da lavratura de representação para fins penais, no entanto, neste particular, conforme dispõe a Súmula CARF n.º 28, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Consta, ainda, dos autos que não houve requisição para apresentação de contrarrazões pela PGFN (efl. 1.360). É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade De início, afirmo que o Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, sendo caso de conhecimento parcial, de toda sorte, antes de analisálos, antecipo que os pressupostos de admissibilidade extrínsecos, relativos ao exercício do direito de recorrer, estão atendidos. Pois bem. Neste ponto, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 05/09/2018, efl. 1.334, e protocolo recursal em 03/10/2018, efls. 1.335/1.337), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Porém, quanto aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, reconheço fato impeditivo e mesmo extintivo do direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso, o que enseja o conhecimento apenas parcial do recurso. Explico. Da Concomitância com ação judicial Consta nos autos prova de que o recorrente judicializou a temática da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxíliodoença e sobre o auxílio acidente pagos nos primeiros quinze dias de afastamento, bem como sobre o 1/3 constitucional, sobre os valores pagos a título aviso prévio indenizado, sobre os valores pagos a título de plano de saúde e sobre os valores pagos a título de vale transporte pago em pecúnia, de modo que a discussão deste processo administrativo fica limitada, exceto quanto a coisa julgada. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.370 10 De toda sorte, também, é bom pontuar que o objeto dos autos é, em verdade, o lançamento da multa isolada, mas que foi aplicada pela compensação baseada nos supostos direitos creditórios vindicados decorrentes das rubricas acima mencionadas. Registro, para fins de aclaramento, que pesquisando sobre os processos judiciais no site da Justiça Federal do Ceará observo que os Processos ns.º 0005342 48.2009.4.05.8100, 000643427.2010.4.05.8100 e 001255826.2010.4.05.8100 não transitaram em julgado. Apenas o Processo n.º 000430867.2011.4.05.8100 transitou em julgado em 09/05/2014, tendo feito coisa julgada a declaração de "inexistência de relação jurídica que obrigue a parte impetrante ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia". Só este ponto pode ser conhecido. Consigno, outrossim, que efetivei a consulta no mês 04/2019, no portal da internet da Seção Judiciária do Ceará (http://www.jfce.jus.br/consultaProcessual/cons_procs.asp). Quanto ao não conhecimento da matéria concomitante, para os processos não transitados em julgado, aplicase o disposto no art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que, dentre outras temáticas, regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, e de outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consolidando normas do Processo Administrativo Fiscal regulado no Decreto n.º 70.235, de 1972, bem como o parágrafo único do art. 38 da Lei n.º 6.830, de 1981, e, de igual modo, o art. 126, § 3.º, da Lei n.º 8.213, de 1991. No mesmo sentido, também, o art. 78, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, e a Súmula CARF (vinculante) n.º 1, está dispondo, verbo ad verbum: Súmula CARF n.º 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De mais a mais, mister apresentar a conclusão do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) n.º 7, de 2014, que trata da concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, ipsis litteris: 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.371 11 Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; (...) k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.372 12 da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n.º 70.235, de 1972; (...) Por tais razões, resta evidente que a invocação do Poder Judiciário para a apreciação judicialjurisdicional de matéria tributária ceifa a competência deste Egrégio Conselho para a solução estatal nãojurisdicional de conflitos tributários de mesmo objeto. Logo, a concomitância caracteriza fato impeditivo e mesmo extintivo do direito de recorrer. Sendo assim, declaro a concomitância para os processos não transitados em julgado, pontuo que os efeitos da concomitância se estendem sobre a discussão quanto a temática da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxíliodoença e sobre o auxílio acidente pagos nos primeiros quinze dias de afastamento, bem como sobre o 1/3 constitucional, sobre os valores pagos a título aviso prévio indenizado e sobre os valores pagos a título de plano de saúde, de modo que a discussão deste processo administrativo fica limitada nestes pontos, ressalvado o conhecimento e apropriação da tese fixada em juízo, por força da coisa julgada, quanto a não incidência de valores pagos a título de vale transporte pago em pecúnia. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito Nulidade do procedimento e da decisão hostilizada Antes de adentrar no mérito, analiso o pedido de nulidade. A defesa advoga, com vários argumentos, que a decisão é nula e o procedimento são nulas, diz que se constata absoluta inconsistência no relatório fiscal, sustenta que o contencioso administrativo é composto de auditores do próprio fisco, colegas de trabalho do autuante, e, por isso, tendenciosamente se desconsideram todas as alegações relativas a linha de defesa. Sustenta que não há como exercer o direito de defesa. Aduz que houve latente voracidade do fisco, com fiscalização de diversos exercícios e que o auditor demandou diversos meses para apurar o contexto fático, enquanto o autuado tem que se defender em apenas 30 (trinta) dias. Diz que se violou o prazo do mandado de procedimento fiscal. Pois bem. Não verifico a alegada nulidade. O relatório fiscal detalhou todo o contexto da fiscalização, explicou acerca das compensações efetivadas de per si pelo contribuinte, bem como justificou, motivadamente, o lançamento, indicou os fundamentos de fato e de direito para o lançamento realizado de ofício. Eventual inconformismo é caso de debate no mérito. O fato é que inexiste nulidade no despacho decisório, não há cerceamento de defesa ou violação ao devido processo legal. Demais disto, não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal. Aliás, a autuação e o acórdão de impugnação convergem para um aspecto comum, a falta de certeza e de liquidez do direito creditório utilizado para efetivar as compensações. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e o recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendoos, a tempo e modo. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.373 13 Discordar dos fundamentos, das razões de decidir, não torna o ato nulo, mas sim passível de recurso para enfrentamento do mérito. Por fim, na forma consignada pela DRJ, afastase os outros argumentos da defesa, conforme razões bem postas a seguir, com as quais concordo, litteris: No pertinente à arguição de exiguidade do trintídio para impugnação, mister destacar que o mesmo deflui de comando legal, qual seja, o art. 15 do Decreto n.º 70.235/72, cogente e vigente, não sendo dado à Administração Fazendária alterálo ao seu talante. Sequer houve, por parte do impugnante, qualquer prova de empecilho ao pleno exercício de seu direito de defesa no citado prazo. (...) Do MPF/TDPF O queixume da impugnante se dirige, neste ponto, às múltiplas prorrogações do MPF (na verdade, Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF, na nomenclatura adotada na Portaria RFB n.º 1.687/2014, vigente no período da ação fiscal, e posteriores), acusando a ausência de ciência das mesmas. Ocorre que, no início do procedimento fiscal, consoante termo de fl. 111, a empresa é cientificada do respectivo "código de acesso", a ser utilizado na rede mundial de computadores, com o fito de acompanhar, na página eletrônica da RFB, todo o desenrolar da ação fiscal, sendo despicienda a requestada ciência das referidas prorrogações do termo de distribuição de procedimento fiscal (exMPF), ainda que múltiplas, dado que o sujeito passivo pode, perfeitamente, acessálas no mencionado sítio eletrônico. Improcedente, portanto, a insatisfação da impugnante, também na matéria. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. Apreciação de prejudicial antecedente a análise do mérito Requerimento de diligência para realização de perícia Antes de adentrar no mérito analiso o requerimento de diligência para realização de perícia, formulado na conclusão do recurso voluntário. Pois bem. Entendo que não pode ser acolhido o requerimento de perícia. Explico. O contribuinte pleiteia prova técnica para apurar se estão corretos os cálculos, mas não apresenta quesitação para orientar os exames que seriam efetivados, tampouco apresenta o nome de seu expert, o qual acompanharia eventual prova pericial. O contribuinte não explica de forma objetiva a razão para tal requerimento. Vejase, o contribuinte sequer apresenta quesitação para orientar os exames que seriam efetivados na sua sugerida perícia, quesitos estes que, também, embasariam a análise do pleito, caso demonstrassem pertinência. Somado a isto, o caso é Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.374 14 de lançamento de multa isolada por causa de compensações tidas por ilegítimas, de forma que, falandose em compensações, é importante que se diga, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado a legitimar a compensação. Vale dizer, o sujeito passivo precisa demonstrar de forma nítida, clara, o crédito líquido e certo que sustenta ser titular. Ora, importante consignar que o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulamenta os requisitos obrigatórios para possibilitar a efetivação de diligências, sendo que a inobservância deles acarreta no não acolhimento do requerimento. A matéria está posta no disciplinamento da impugnação, enquanto instrumento de defesa do contribuinte, mas é aplicável na fase recursal por se tratar de norma geral do processo administrativo fiscal. Vejase: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1.º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Ademais, a realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos autos. Destaquese, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a autoridade julgadora de primeira instância determinará ou deferirá a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Sendo assim, indefiro o requerimento de perícia. Mérito Quanto ao juízo de mérito, para as matérias que são conhecidas, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor. Cuida o presente caso de lançamento de ofício constitutivo de multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), na forma do art. 89, § 10, da Lei n.º 8.212, de 1991, decorrente de procedimento administrativofiscal, aplicada em razão de compensações indevidas em razão de falsidade da declaração constante na GFIP. O procedimento de autuação foi instruído com Relatório Fiscal (efls. 12/28), robustecendo o relato das constatações da fiscalização, resultando ao final na lavratura de auto de infração (efls. 02/08) e na notificação do recorrente quanto a constituição do crédito tributário. O contribuinte, no pedido do recurso voluntário, requer a homologação dos valores compensados resultantes da alegada não incidência do auxíliodoença e do auxílio acidente (primeiros quinze dias), do terço constitucional, dos valores pagos a título aviso prévio indenizado, dos valores pagos para plano de saúde e de vale transporte pago Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.375 15 em pecúnia, no entanto, como dito, o lançamento deste caderno processual é apenas quanto a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), na forma do art. 89, § 10, da Lei n.º 8.212, de 1991, não cabendo se falar em homologação dos valores compensados, mas, sim, decidir se a multa aplicada foi, ou não, correta. De mais a mais, a análise secundária quanto a não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxíliodoença e sobre o auxílio acidente pagos nos primeiros quinze dias de afastamento, bem como sobre o terço constitucional, sobre os valores pagos a título aviso prévio indenizado e sobre os valores pagos a título de plano de saúde, não é conhecida por concomitância com a esfera judicial, conforme consignado na admissibilidade. Em continuidade, o contribuinte requer o afastamento da multa isolada, sob o argumento de que inexiste hipóteses de fraude, de sonegação ou de conluio. Esta é a análise pertinente ao recurso. Pois bem. Diversamente da multa qualificada prevista no § 1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, a qual exige a cabal demonstração, pela administração tributária, de sonegação, de fraude ou de conluio praticado pelo sujeito passivo, na forma em que estas figuras estão disciplinadas nos arts. 71, 72 e 73, respectivamente, da Lei n.º 4.502, de 1964, a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) do art. 89, § 10, da Lei n.º 8.212, de 1991, calculada sobre o valor indevidamente compensado, exige apenas a comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte. Logo, não exige a demonstração de dolo para se efetivar a subsunção dos fatos à norma jurídica em comento. Dito isto, observo que resta claro que o contribuinte efetuou compensações a partir de supostos direitos creditórios que não se apresentavam de forma líquida e certa, sobre os quais constavam processos judiciais de teor declaratório quanto a não incidência tributária, que sequer estavam quantificados e sobre os quais não havia, no momento das compensações, qualquer decisão judicial transitada em julgado. Deste modo, ao indicar, como líquido e certo, créditos ainda controversos, findou por falsear a declaração posta na GFIP. Aliás, numa das ações judiciais consultadas, ainda não transitada em julgado (Processo n.º 001255826.2010.4.05.8100), consta em dispositivo decisório que a compensação só poderá ser efetuada após o trânsito em julgado, inclusive por causa do disposto em norma cogente do CTN, ex vi do art. 170A. De mais a mais, observase dos processos que o contribuinte não vem ganhando in totum tudo que postulou. Aliás, não se confunde as compensações solicitadas nas ações judiciais com supostas compensações relativas a valores alegados recolhidos indevidamente após decisões liminares. A questão é que, igualmente, não resta demonstrado quaisquer créditos. Como bem destacou a decisão de piso, litteris: Logo, restou evidente que o fato gerador para aplicação da multa em questão foi a declaração falsa em GFIP de direitos creditórios inexistentes, dado que, em razão do art. 170A do CTN, não está a empresa, que litiga em juízo, autorizada a proceder a compensação antes do trânsito em julgado da correspondente ação, e, ainda que Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.376 16 esgotada a via judicial, cabelhe demonstrar os recolhimentos indevidos das contribuições sociais, ônus do qual não se desvencilhou. Outrossim, também, claro e expresso o substrato legal para imputação da penalidade. O relatório fiscal (efls. 12/28) deixa o assunto ainda mais elucidativo, pelo que passo a adotálo, de forma exemplificativa: 22. Ademais, mesmo que porventura a empresa tivesse obtido na justiça o direito de realizar compensação em relação as demais verbas pleiteadas, a fiscalização constatou que as informações prestadas nas planilhas apresentadas inicialmente como memória de cálculo eram insuficientes para averiguar a regularidade nas compensações efetuadas nas GFIP do período de 01/2013 a 12/2015. Sendo assim, através do Termo de Intimação Fiscal n.º 5, de 26/10/2017, a auditoria solicitou a apresentação de novos demonstrativos de memória de cálculo dos créditos compensados contendo as seguintes informações: (a) competência; (b) base de cálculo (discriminada por rubricas); (c) total da base de cálculo; (d) nome do tributo recolhido indevidamente; (e) alíquotas aplicadas; (f) valor originário; (g) data do recolhimento; (h) valor dos juros; (i) taxa de juros; (j) valor atualizado; (l) valor compensado; (m) mês da compensação; (n) valor a compensar; (o) critérios de atualização utilizados; e (p) número do processo judicial vinculado ao crédito. 23. Em resposta a intimação realizada pela auditoria, o contribuinte apresentou as seguintes planilhas que seguem anexas, relativas as compensações realizadas em GFIP: I) Contribuição previdenciária sobre convênios médicos; II) 13.º Salário e Valetransporte – 60 primeiros meses; III) Tabelas de cálculos debatidas em Juízo 13.º Salário; IV) Tabelas de créditos – Contribuição previdenciária sobre auxíliodoença, acidente, saláriomaternidade, férias e 1/3 de férias; V) Tabelas de cálculos estimados debatidos em Juízo – contribuição previdenciária sobre aviso prévio indenizado, 13.º salários, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência. 24. Ocorre que as novas planilhas apresentadas continuam incompletas, faltando diversas informações imprescindíveis, tais como: (a) data do recolhimento indevido; (b) valor compensado; (c) mês da compensação; (d) valor a compensar; e (e) Número do processo judicial vinculado ao crédito. A bem da verdade, as novas planilhas apresentadas pelo contribuinte são quase idênticas as primeiras, diferenciandose apenas pelas seguintes informações prestadas no final de cada planilha: I) A compensação das rubricas (apuração) estão destacadas na 1.ª Coluna – Mês Base; II) A base de cálculo da rubrica está destacada na 2.ª Coluna; III) A base de total das rubricas por período estão na 3.ª coluna – base de cálculo; IV) O tributo é a contribuição patronal 20% + RAT 2% + 5,8% sobre as Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.377 17 rubricas destacadas, 4.ª coluna – tributos recolhidos – valor originário; e V) Taxa de juros (SELIC) – Valores de juros e valor atualizado já destacado em memoriais, respectivamente nas colunas 5, 6 e 7. 25. O certo é que as novas planilhas apresentadas pela empresa também continuam incompletas. Desta maneira, concluise que as informações prestadas pelo contribuinte, de forma parcial, por intermédio das planilhas (anexas), não permitem a fiscalização uma análise detalhada das origens dos direitos creditórios compensados, uma vez que os demonstrativos, contendo a memória de cálculo das compensações efetuadas, foram apresentados de forma deficiente. 26. As planilhas exibidas como demonstrativo da memória de cálculo das compensações foram desconsideradas pela auditoria fiscal em razão de sua apresentação deficiente, ausência de vinculação do direito creditório ao processo judicial e inexistência da comprovação do trânsito em julgado de cada ação ajuizada. Observase ainda que, neste caso, não cabe o reconhecimento do crédito compensado, tendo em vista que o contribuinte não demonstrou a existência de direitos creditórios necessários para fazer frente a compensação realizada. Consignese, pela oportunidade, que tais constatações não são enfrentadas e infirmadas no recurso voluntário ou na impugnação. Outro ponto elucidativo do relatório fiscal (efls. 12/28) referese ao detalhamento das conclusões para cada ação judicial, litteris: 14. Nos itens abaixo, são analisados detalhadamente cada um dos processos judiciais impetrados pela empresa que, supostamente, lhe daria direito a compensação previdenciária informada em GFIP. Os processos estão identificados pelo número recebido no Tribunal Regional Federal da 5.ª Região (TRF5). Depois, com base nas peças processuais e demais documentos apresentados, concluiremos pela procedência ou não das compensações realizadas. 15. Processo Judicial n.º 000534248.2009.4.05.8100 (Mandado Segurança). (...) 15.3. Conclusão da auditoria: A empresa realizou compensação indevida, não respeitando as decisões existentes no processo, ou seja, realizou compensação antes do trânsito em julgado da ação. Ademais, realizou compensação em relação a todas as verbas pleiteadas, apesar de ter decisão parcial favorável apenas em relação as verbas pagas relativas aos quinze primeiros dias dos auxílios doença e acidente. Analisandose as planilhas (doc. anexos) desta ação judicial, elaboradas a título de memória de cálculo da compensação realizada, percebese claramente que essa compensação é indevida, uma vez que a empresa se compensou de contribuições incidentes sobre Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.378 18 verbas remuneratórias (férias e saláriomaternidade) sobre as quais a decisão judicial lhe foi desfavorável, além de não ter aguardado o trânsito em julgado da ação. Notase ainda que nas referidas planilhas, elaboradas pela própria empresa, não existe nenhum valor pago a título de auxílio doença e auxílioacidente no período de 01/2013 a 12/2015, passível de uma compensação futura, posteriormente autorizada por uma eventual decisão final favorável. 16. Processo Judicial n.º 000643427.2010.4.05.8100 (Mandado Segurança). (...) 16.3. Conclusão da auditoria: A compensação realizada pela empresa é indevida, primeiro porque foi efetuada antes do trânsito em julgado do processo, desrespeitando as decisões judiciais, e em segundo lugar porque a empresa não demonstrou o efetivo recolhimento indevido de contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados a título de plano de saúde. Analisando as folhas de pagamento mensais da empresa (cópias anexas), percebese que os valores gastos a título de plano de saúde dos empregados não compôs a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que estes valores estão registrados apenas como “descontos” das remunerações dos empregados, e não com “vantagens”, tão pouco são adicionados às bases de cálculo das contribuições sociais destinadas a Seguridade Social. Portanto, não houve recolhimento indevido de contribuição passível de compensação. 17. Processo Judicial n.º 001255826.2010.4.05.8100 (Mandado Segurança). (...) 17.3. Conclusão da auditoria: A compensação realizada pela empresa é indevida, primeiramente por abranger verbas cuja compensação não foi autorizada (horasextras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade), segundo por ter sido realizada antes do trânsito em julgado da ação judicial, no que diz respeito das verbas avisoprévio e décimo terceiro salário sobre aviso prévio, desrespeitando acintosamente as decisões judiciais existentes no processo. Ainda assim, analisando as planilhas elaboradas pela empresa (doc. anexos), relativas a esse processo, não existe nenhuma prova do efetivo recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as verbas “aviso prévio indenizado e o respectivo décimo terceiro salário”, uma vez que a base de cálculo do INSS demonstrada nas folhas de pagamento entregues à fiscalização não contempla estas verbas. Os documentos em anexos (Anexo 10_Resumo das Folhas de Pagamento06/2002 até 12/2015), demonstram que o avisoprévio indenizado não foi incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Desta forma, restou constatado novamente que o contribuinte realizou compensação indevida. 18. Processo Judicial n.º 000430867.2011.4.05.8100 (Mandado Segurança). Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.379 19 (...) 18.3. Conclusão da auditoria: Analisando as planilhas anexas elaboradas pela empresa que, em seu entender, funcionavam como memória de cálculo desta ação judicial, percebese que a impetrante não realizou compensações sobre contribuições incidentes sobre os pagamentos de Vale Transporte. Até aqui tudo bem, pois conforme se verifica nas folhas de pagamento mensais (cópias anexas), os valores gastos a título de “VALE TRANSPORTE” para os empregados não compôs a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que estes valores estão registrados apenas como “descontos” das remunerações dos empregados e não com “vantagens”, tão pouco são adicionados às bases de cálculo das contribuições sociais. Portanto, não houve recolhimento indevido sobre essa verba passível de realização de compensação por parte da empresa. Entretanto, apesar de não ter autorização nas referidas decisões judiciais prolatadas, a empresa realizou indevidamente compensação em relação as contribuições incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de décimo terceiro salário, conforme demonstrado nas referidas planilhas anexas. Essa compensação é indevida pois a impetrante não teve esse direito reconhecido referente as contribuições incidentes sobre a rubrica décimoterceiro salário. Além de não ter o direito reconhecido, a empresa não foi capaz de demonstrar o efetivo recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos de décimo terceiro salário, senão vejamos: I) No ano de 2006, na planilha elaborada pela empresa esta afirma ter recolhido a título de 13.º salário em 13/2006 R$ 80.223,13, contudo, o valor correto constante dos sistemas informatizados da Receita Federal é de R$ 597,49. Assim é porque a empresa possui apenas três GPS pagas nesta competência, contudo duas delas, nos valores de R$ 8.008,83 e R$ 10.100,00 não podem ser objeto de compensação com as contribuições previdenciárias, posto que são contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (código de recolhimento 2119). Assim, apenas a GPS código 2100 no valor de R$ 965,85 tem recolhimentos destinados ao INSS e ainda assim R$ 358,80 e 9,56 se destinam, respectivamente, a outras entidades e fundos e atualização monetária; II) Para a competência 13/2007, o contribuinte afirma ter recolhido de forma indevida R$ 116.443,53, quando na verdade não houve nenhum recolhimento destinando ao INSS, tendo em vista que nesta competência a empresa recolheu apenas contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; III) Na competência 13/2008, a empresa recolheu apenas R$ 409,13 e não R$ 173.976,88 como afirma em sua planilha, visto possui apenas uma GPS código 2100 com recolhimentos para o INSS e ainda assim no total de R$ 831,98, R$ 338,86 e R$ 83,99 se destinam, respectivamente, a outras entidades e fundos e atualização monetária; IV) Na competência 13/2009, a empresa recolheu contribuições destinadas ao Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.380 20 INSS apenas no valor de R$ 2.098,45 (composto por R$ 787,38, da GPS de total R$ 54.711,81; R$ 1.162,10 da GPS de total de R$ 14.747,59 e R$ 148,97 da GPS de total 244,29), e não R$ 276.514,23, como indica na planilha apresentada; V) Na competência 13/2010, o contribuinte também não possui direito à compensação, visto que o único recolhimento existente é destinado a outras entidades e fundos. Assim sendo, mesmo que a justiça tivesse dado ganho de causa em relação a rubrica décimo terceiro salário, a compensação realizada estaria irregular, eivada de erros. Portanto, restou concluído que a compensação realizada é indevida, uma vez que a empresa se compensou de contribuições incidentes sobre verba remuneratória (13.º Salário) sobre a qual a decisão judicial lhe foi desfavorável. Estes detalhados apontamentos não são objeto de irresignação específica no recurso voluntário ou na impugnação. Dito isto, para a aplicação da multa isolada, objeto da análise, não é mister que se demonstre a intenção do agente se dolosa, de máfé ou decorrente de logro , bastando, nos exatos termos do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Neste ponto, observase a subsunção normativa, pois o recorrente não poderia se compensar de contribuições que ainda discutia em juízo e que, na verdade, não as demonstrou a contento, ainda que se autorizasse a compensação antes da coisa julgada. Logo, ao entabular, nas citadas GFIP's, compensações de maneira contrária à lei (CTN, art. 170A; e Lei 8.212, art. 89, caput), inexistindo prova de liquidez e certeza quanto aos créditos respectivos declarados como tais, cristalizouse a falsidade, atraindo para si a imputação da penalidade em comento, ainda mais quando sabedora do conteúdo de cada respectiva ação judicial e da pendência do trânsito em julgado. Aliás, no caso concreto, podese dizer que o contribuinte descumpriu a própria decisão judicial ao proceder com compensação antes do trânsito em julgado e sobre valores com natureza salarial, conforme as decisões judiciais, ainda que não esteja sob o efeito da coisa julgada, indicando tal conduta em nítida falsidade de declaração ao informar crédito inexistente em GFIP, de modo a diminuir a contribuição devida. Quanto a única ação judicial transitada em julgada, que definiu a tese de que não ocorre a incidência de valores pagos a título de vale transporte pago em pecúnia, tal como já definido na Súmula CARF n.º 89, matéria que conheço, já que não há mais que se falar em concomitância de instâncias face ao trânsito em julgado, é importante dizer que, após análise dos autos, resta claro que, a despeito da tese, o contribuinte não comprovou haver, de fato, o recolhimento indevido, pois não demonstrou que efetivamente tenha recolhido contribuições sociais previdenciárias sobre base de cálculo do vale transporte. Deveras, a auditoria efetivada pela autoridade fiscal identificou que, nas folhas de pagamento respectivas, o sujeito passivo sequer incluiu o vale transporte pago em pecúnia nas bases de cálculo das contribuições a serem vertidas à Previdência Social. Com relação a tal afirmativa o contribuinte não apresenta qualquer elemento de prova para refutála e demonstrar o contrário. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.381 21 Importante consignar que em se tratando, no plano de fundo, de compensações o procedimento é iniciado pelo próprio sujeito passivo, o qual fica na obrigação de comprovar possuir crédito líquido e certo (direito creditório) contra a Administração Tributária. O regime jurídico da compensação tributária tem fundamento no art. 170 do CTN dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte para com o Fisco) com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (débitos do Fisco para com o contribuinte). No âmbito previdenciário a compensação está embasada no art. 89 da Lei 8.212, de 1991, quando reza que as contribuições sociais previdenciárias poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No mais, as normas regulamentares apontam para a necessidade do contribuinte apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal, inclusive em arquivos magnéticos, aptas a comprovação de direito creditório. Para que a compensação seja homologada tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu alegado crédito é líquido e certo, que seu crédito efetivamente existe e é oponível ao Fisco. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a homologação da compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. Neste mister, replico um trecho das razões de decidir da decisão hostilizada, por concordância com este fundamento, pelo que peço vênia para, com base no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.° do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o RICARF, apresentar o trecho que ora destaco, litteris: De ressaltar que, no concernente ao processo 0004308 67.2011.4.05.8100, apesar de já haver findada a discussão judicial, com resultado favorável à compensação pela empresa relativamente ao "vale transporte em pecúnia", não houve, quer na ocasião da inspeção, quer agora na impugnação, prova de que, de fato, a empresa houvesse recolhido contribuições sociais sobre referida rubrica, a autorizar a compensação, motivo por que se mantém inalterada a exação em comento. No recurso voluntário, também, não se observa ter sido demonstrado ou citado qualquer elemento que comprovaria o recolhimento a fundamentar o crédito, sequer se refuta este ponto da decisão. Deveras, não observo nos autos nenhuma comprovação quanto aos alegados créditos líquidos e certos para que se entenda que não houve falsidade na declaração posta na GFIP. Sendo assim, igualmente, sem razão o recorrente. Conclusão quanto ao mérito do Recurso Voluntário Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10380.731192/201782 Acórdão n.º 2202005.097 S2C2T2 Fl. 1.382 22 Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter íntegra a decisão recorrida, conhecendo em parte do recurso voluntário, rejeitando a preliminar de nulidade e, na parte conhecida, negando provimento ao recurso. Dispositivo Ante o exposto, conheço em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 1382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915918/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.780
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 18 /2 01 3- 73 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.377 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915918/201373 Acórdão n.º 3301005.780 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002130/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Ano-calendário: 2005
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta-corrente que não forem comprovados quanto a sua origem, mediante documentação hábil e idônea, presumem-se
advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
Numero da decisão: 1101-000.777
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anocalendário: 2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente que não forem comprovados quanto a sua origem, mediante documentação hábil e idônea, presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Tratase de autos de infração, cientificados ao contribuinte em 17.06.2009, por meio dos quais foram constituídos créditos tributários referentes ao IRPJ, à PIS, à COFINS e à CSLL, todos do anocalendário de 2005, abaixo descritos: Tributo Nº de fls. dos autos Crédito tributário em R$ (com juros de mora até 29/05/2009 e multa de ofício de 75%) IRPJ 242/250 20.632.988,38 PIS 251/258 1.373.891,22 COFINS 259/266 6.328.226,98 CSLL 267/272 7.447.048,37 Total do crédito tributário 35.782.154,95 A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil constatou a ocorrência de omissão de receitas, apurada a partir de depósitos bancários efetuados na conta corrente nº 37.4008, mantida pelo contribuinte na agência nº 14311 do Banco Bradesco (cópias no Anexo I deste processo). As origens dos recursos não foram demonstradas por meio de documentação hábil e idônea, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. No curso da ação fiscal, o contribuinte apresentou DIPJ do ano calendário de 2005, com apuração do resultado na forma do Lucro Presumido (quando, anteriormente, já havia apresentado Declaração de Inatividade), não aceita pela autoridade fiscal, tendo em vista a perda da espontaneidade. Intimada, por 05 (cinco) vezes, a apresentar documentação comprobatória da origem dos recursos creditados, no ano de 2005, junto à conta bancária acima referida, a empresa limitouse a alegar que apenas fazia a intermediação das transações entre empresas vendedoras e compradoras, não possuindo as respectivas Fl. 531DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 19515.002130/200951 Acórdão n.º 110100.777 S1C1T1 Fl. 2 3 notas, que teriam sido “enviadas diretamente às empresas que efetivamente compraram” das empresas por ela representadas. Foi então intimada, por 02 (duas) vezes, a identificar os depositantes e os beneficiários dos recursos movimentados em sua conta bancária, bem como a apresentar documentação que demonstrasse os repasses dos valores, como correspondências, listas de pedidos e outras, de maneira a comprovar a efetividade dos valores negociados e a consequente intermediação de negócios, além das notas fiscais relativas aos serviços prestados, a título de intermediação de negócios ou qualquer outro. Respondendo parcialmente, indicou como beneficiárias dos depósitos as empresas Bandeirante Química Ltda. (CNPJ/MF nº 47.854.831/000194), Lubrotec do Brasil Produtos Químicos e Serviços Ltda. (CNPJ/MF nº 04.674.738/000195) e Euroquímica Ltda. ME (CNPJ/MF nº 05.109.565/000125). Não identificou os depositantes, instando a Fiscalização a obter tais informações diretamente da Euroquímica e da Lubrotec, por serem seus clientes. Afirmou que os valores repassados à Bandeirante Química encontravamse escriturados no Livro Razão, não dispondo de outros documentos. Também afirmou não disponibilizar de talonário de notas fiscais, juntando apenas, ao final, cópia da DIPJ do anocalendário de 2005, transmitida em 19.12.2008, afirmando que ali constavam os informes sobre a movimentação da empresa. A AuditoraFiscal, em seguida, intimou as empresas supostamente beneficiárias dos depósitos, para que esclarecessem sua relação com a fiscalizada, com a identificação das transações efetuadas por seu intermédio e dos valores pagos a ela, tendo obtido resposta apenas da Bandeirante Química e da Euroquímica, ambas negando qualquer relação comercial com a autuada. A empresa Lubrotec não foi encontrada no endereço, retornando a correspondência enviada com a informação de “inexistente”. Com base nas informações contidas nos extratos bancários, a AuditoraFiscal identificou os depositantes dos valores questionados, como sendo os seguintes: DBS Transportes Ltda. (CNPJ/MF nº 06.346.976/000105), Auto Posto Joara Ltda. (CNPJ/MF nº 44.142.933/000199), Auto Posto Santo Amaro Ltda. (CNPJ/MF nº 61.162.400/000198), Auto Posto Unibel Ltda. (CNPJ/MF nº 43.174.408/000192), Centro Sul Distribuidora de Petróleo Ltda. (CNPJ/MF nº 01.767.111/000190), Tower Participações S/C Ltda. (CNPJ/MF nº 03.882.251/000135) e West Oil Brasileira de Petróleo Ltda. (CNPJ/MF nº 05.362.367/000179). Enviou o Fisco intimações àquelas empresas, por via postal (utilizando o endereço constante nos cadastros da RFB), para que justificassem os pagamentos à recorrente, recebendo como resposta, das quatro primeiras, que não haviam efetuado qualquer operação com a fiscalizada. Quanto às demais, as correspondências retornaram com informação “mudouse” ou “desconhecido”. Às fls. 198/199 e 202/207, constam cópias do Termo de Abertura do Livro Diário, da Demonstração de Resultado do ano de 2005 (constando Lucro de R$ 465.989,96), do Balanço Patrimonial do ano de 2005, do Termo de Encerramento do Livro Diário e dos Termos de Abertura e Encerramento do Livro Razão, todos referentes à interessada. À fl. 212, consta Termo de Devolução, lavrado pela autuante, dos seguintes livros e documentos: Livro Diário n° 01, contendo 104 folhas, encadernado e Fl. 532DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 sem registro na JUCESP; Cópia do Livro Diário n° 01, não encadernado; e Livro Razão n° 01, contendo 207 folhas, não encadernado. Concluiu a Fiscalização que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos recursos depositados em sua contacorrente, lançando de ofício o IRPJ e, por reflexo, a PIS, a COFINS e a CSLL, computados sobre a receita omitida (Termo de Verificação às fls. 214 /241, incluindose demonstrativo da movimentação financeira não comprovada do anocalendário de 2005). A autuante deixou consignado que, por terem sido apresentados os Livros Diário e Razão, com as informações relativas às operações mercantis realizadas no ano de 2005, considerou que o resultado operacional de R$ 465.989,86 (quatrocentos e sessenta e cinco mil, novecentos e oitenta e nove reais e oitenta e seis centavos) estava contido na movimentação financeira, evitando o lançamento em duplicidade desses valores. Por meio de impugnação protocolada em 17.07.2009, a interessada contestou os lançamentos, colacionando os argumentos a seguir reproduzidos: apresentouse toda a documentação que lhe foi solicitada pela Fiscalização, que, apesar disso, achou por bem acatar as declarações das empresas que efetuaram a movimentação dos valores por meio de sua contacorrente, no sentido de que não conheciam a impugnante e nunca formalizaram negócios com ela, ainda que não tenham apresentado documento algum para comprovar tais alegações; a partir do anocalendário de 2005, passou a empresa a prestar serviços de intermediação financeira à Bandeirante Química Ltda., recebendo, em sua conta bancária, os depósitos efetuados pelos clientes daquela empresa e repassando os valores a esta, mediante emissão de cheques, retendo cerca de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) a título de remuneração pelos serviços prestados.; tal realidade estaria retratada nas cópias dos Livros Diário e Razão, apresentadas à Fiscalização, sem que tenham sido levados em conta ditos elementos; a não apresentação das notas fiscais das transações se justifica pelo fato de tais documentos serem enviados diretamente à Bandeirante Química, real destinatária dos valores depositados em sua conta corrente; para comprovar o alegado, juntaramse, por amostragem, cópias microfilmadas de cheques nominais à Bandeirantes Química Ltda., emitidos no ano de 2005, esclarecendose não ter a autuada condições financeiras de solicitar todas as cópias ao banco. Além disso, autorizouse a quebra de seu sigilo bancário, relativo à conta n° 37.400, da agência 14311 do Banco Bradesco, para que a RFB pudesse obter cópias dos demais cheques de repasse de valores à Bandeirantes Química Ltda.; aplicável ao caso o § 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, por ser da empresa Bandeirante Química Ltda. a responsabilidade tributária pelos valores descritos no termo impugnado, devendo a ação fiscal estenderse a ela e seus clientes; invocouse a aplicação do princípio da primazia da realidade, no sentido de que, caso haja divergência entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, deverse dar preferência ao que sucede no terreno dos fatos, ou seja, deverse observar a realidade dos fatos, em detrimento dos aspectos formais; Fl. 533DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 19515.002130/200951 Acórdão n.º 110100.777 S1C1T1 Fl. 3 5 requereuse, com base no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, que fossem realizadas diligências para demonstrar os reais favorecidos dos recursos objeto da fiscalização, especificamente: i) a intimação das empresas Bandeirante Química Ltda., Lubrotec do Brasil Produtos Químicos e Serviços Ltda. e Euroquímica Ltda. ME, para apresentarem os extratos, tocantes ao anocalendário de 2005, de suas contas bancárias, visando à comprovação da entrada dos valores descritos no quadro anexo do Termo de Verificação impugnado; ii) a solicitação, junto ao Banco Bradesco, de todos os cheques emitidos da contacorrente n° 37.4008, da agência n° 1431–1, no ano de 2005; iii) a intimação da Bandeirante Química, da Lubrotec do Brasil e da Euroquímica, para que apresentassem à RFB seus livros contábeis do ano calendário de 2005, para elucidação da origem dos valores que passaram pela conta bancária da impugnante. A 7ª TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO – SP I, ao julgar a impugnação protocolada, houve por manter incólumes os lançamentos oficiosos, consoante aresto (fls. 368/375) assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada desse acórdão em 05.03.2010 (fl. 390v), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 400/414), em 05.04.2010, reiterando os argumentos ventilados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Cuidase de autos infracionais voltados a exigir, da recorrente, cifras de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, apuradas em razão da aferição de receitas bancárias presumidamente omitidas. Segundo relato incrustado ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/04) apurou o Fisco, por meio de informações prestadas pela instituição financeira competente, relativas à extinta CPMF, os montantes das transações bancárias realizadas no bojo da conta corrente de titularidade da recorrente, durante o anobase de 2005. O Fisco intimou o contribuinte, então, por sucessivas vezes, a explanar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos financeiros em questão, sob pena de aplicação de presunção de omissão de receitas, nos exatos moldes do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos Fl. 535DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 19515.002130/200951 Acórdão n.º 110100.777 S1C1T1 Fl. 4 7 rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” Nas respostas formuladas à Fiscalização, o sujeito passivo se limitou a asseverar que os trânsitos em sua conta bancária correspondiam a valores de terceiros, eis que a atividade principal por ela desenvolvida, no anobase de 2005, corresponderia à intermediação financeira de operações alheias de compra e venda. Assim, todos os importes indagados seriam recebidos de clientes de pessoas jurídicas para as quais a peticionária prestava serviços, retendo comissão. Ao longo dos autos – e no próprio remédio recursal –, a postulante asseverou ter entregado toda a documentação dela exigida – inclusive os livros de sua escrituração contábilfiscal. Afirmou, ainda, que não se poderia acatar, sumariamente, as declarações dos depositantes e dos destinatários dos valores creditados, informativas de total desconhecimento quanto à existência da recorrente e dos negócios jurídicos debatidos. Sucede, contudo, que não existem documentos que comprovem as alegações apresentadas pela interessada. Esta não logrou juntar cópias, por exemplo, dos documentos que acobertavam aquelas operações comerciais – que, supostamente, eram financeiramente intermediadas. Justificouse essa falta, retoricamente, com fulcro no aventado fato de tais notas terem sido encaminhadas a terceiros, creditantes ou destinatários dos recursos. Outrossim, sequer foram trazidas a lume cópias de contratos de prestação de serviços de intermediação financeira, com os respectivos documentos encampadores do desconto de comissões. Identicamente, faltou elucidação da correspondência entre os ingressos de receitas e os asseverados egressos de importâncias. Tudo o que o contribuinte foi capaz de fazer foi juntar, por amostragem, cópias de cheques variados, emitidos em proveito da Bandeirante Química Ltda. Segundo arguições da peticionária, isto seria suficiente a ilustrar a veracidade de suas alegações, mediante confronto com o demonstrativo de valores creditados, eis que estes guardariam alguma relação quantitativa e temporal com os títulos microfilmados. Nada, porém, é mais inverossímil. Os cheques coligidos, de forma alguma, servem a comprovar a origem dos rendimentos, como manda o indigitado artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Por si sós, eles não confirmam a versão recursal – quer em razão de não ser possível entender a causa econômica destes repasses, quer, ainda, frente à completa falta de identificação das fontes de procedência dos valores debatidos. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 O contribuinte, assim, não conseguiu, de forma minimamente satisfatória, mostrar a ascendência dos depósitos bancários apurados. Fez, com sua inércia, aperfeiçoarse a omissão de receitas presumida por lei. O ônus da prova, invertido por expressa determinação da norma, incumbia ao sujeito passivo; sendo este incapaz de elucidar a origem dos créditos em conta corrente, não há como se discutir a conclusão de que as receitas foram sonegadas. Impossível é, à recorrente, postular a realização de diligências de elastecimento probatório, uma vez que esse dever instrutório era exclusivamente seu. Similarmente, inviável a tentativa de cominação da regra do § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, alhures copiado, face à ausência de provas que denotem ser as receitas constatadas, em realidade, pertencentes a terceiros. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 537DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720349/2015-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. COMPROVAÇÃO
Os rendimentos recebidos acumuladamente, comprovados por documentação adequada, podem ser tributados na forma do art. 12-A da Lei nº 7.713, de 1988.
Numero da decisão: 2001-001.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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COMPROVAÇÃO Os rendimentos recebidos acumuladamente, comprovados por documentação adequada, podem ser tributados na forma do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de pedido de revisão de lançamento de imposto de renda pessoa física referente a lançamento de omissão de rendimentos. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os demais documentos do processo. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 03 49 /2 01 5- 04 Fl. 193DF CARF MF 2 presente acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A DRJ/POA retirou parte dos rendimentos lançados da base de cálculo ao constatar que o contribuinte é portador de doença grave. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos referentes a aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portador de moléstia grave, atestada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. O contribuinte apresentou documentos demonstrando que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente. Solicita que sejam acatados os cálculos apresentados. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão relativa a rendimentos recebidos acumuladamente. O contribuinte recebeu rendimentos em ação trabalhista, fls. 165 e seguintes, que descontados dos honorários advocatícios, perfazem o total de R$ 18.367,90. Pela documentação apresentada podem ser tributados na forma do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. A MP nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010, acrescentou, à Lei nº 7.713, de 1998, o art. 12A, a seguir transcrito em sua íntegra: “Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Com essa alteração apurase imposto a restituir, na declaração, de R$ 1.654,79. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11040.720349/201504 Acórdão n.º 2001001.069 S2C0T1 Fl. 3 3 A declaração original do contribuinte apurou imposto a pagar, que foi pago. O contribuinte retificou e no recurso, embora de maneira inusual, mas dentro do prazo do prazo de 5 anos, solicitou restituição dos valores pagos nessa declaração original. Consta no recurso: Ao apreciar o litígio instaurado contra a infração lançada, o julgador pode se deparar com pedidos de retificação de declaração, ou pedido de restituição, trazidos na impugnação ou no recurso voluntário, que tenham relação com a infração objeto do lançamento. A competência para exame, processamento de pedido de retificação é da DRF, mas diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não se vê objeção ao julgador dar seguimento à solicitação. Considerando a vinculação ao litígio, pois a definição sobre o imposto da declaração original depende da apuração após os recursos, entendemos pela restituição também do valor pago para a declaração original. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915942/2008-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
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ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 42 /2 00 8- 45 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10880.915942/200845 Acórdão n.º 9303007.758 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.400, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente ao reconhecimento de direito creditório de PIS, negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.744, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.744): Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10880.915942/200845 Acórdão n.º 9303007.758 CSRFT3 Fl. 4 3 "O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10880.915942/200845 Acórdão n.º 9303007.758 CSRFT3 Fl. 5 4 empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 482DF CARF MF
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