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Numero do processo: 10660.002393/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA AFASTAR A GLOSA EFETUADA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes.
O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a exigência fiscal.
DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Há que se indeferir, então, o pedido formulado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente).
Antonio Sávio Nastureles - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA AFASTAR A GLOSA EFETUADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a exigência fiscal. DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Há que se indeferir, então, o pedido formulado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente). Antonio Sávio Nastureles Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 23 93 /2 00 8- 31 Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 231 2 Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CLIMENIA ZACCARELLI DEL FRARO, contra o Acórdão de julgamento n.º 0934.396 (efls 972 e seguintes), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (4ª Turma da DRJ/JFA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: "O auto de infração de fls. 4/25 exige do sujeito passivo,já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 67.075,94 (sessenta e sete mil e setenta e cinco reais e noventa e quatro centavos), assim discriminado: R$ 29.999,09 de imposto; R$ 12.700,00 de juros de mora (calculados até 30/06/2008); R$ 22.499,31 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 1.877,54 de multa exigida isoladamente (passível de redução). Nas descrições de fls. 6/12, constaram as seguintes infrações: 1 omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, nos valores mensais de R$ 405,00 (janeiro a junho/2003), R$ 990,00 (julho a dezembro/2003), R$ 211,38 (janeiro/2004), R$ 405,00 (fevereiro a outubro/2004), R$ 423,00 (novembro/2004 a outubro/2005) e R$ 432,00 (novembro e dezembro/2005); 2 dedução indevida de despesas médicas, nos valores tributáveis de R$ 20.080,00 (anocalendário 2003), R$ 23.600,00 (anocalendário 2004) e R$ 22.765,00 (anocalendário 2005); 3 dedução indevida de despesas de Livro Caixa, nos valores tributáveis de R$ 3.200,00 (anocalendário 2003), R$ 7.941,21 (anocalendário 2004) e R$ 8.335,00 (anocalendário 2005); 4 falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão, com a aplicação da multa correspondente a 50% do imposto apurado, consideradas as omissões de rendimentos indicadas no numeral 1. A ação desenvolvida encontrase minudenciada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/40, acompanhado de seus anexos (1 a Vlll) de fls. 41/84. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 232 3 Por intermédio de procurador habilitado (instrumento de tl. 691), a interessada apresentou a impugnação de fls. 658/690, na qual, em síntese, aduziu: Dos argumentos despendidos pela Fiscalização, alusivos a suposto recibo emitido pelo profissional Rogério Rezende Reis, não consideraram a ocorrência do pagamento do respectivo imposto, por parte da contribuinte, que reconheceu o equívoco cometido quando da elaboração de sua DIRPF/2003; não se podendo estender o vício apontado às demais despesas médicas de anos subseqüentes; ::› os aluguéis tidos por omitidos pela impugnada foram lançados no campo dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas e devidamente somados aos valores recebidos em face de prestação dc serviços no consultório médico da autuada, contido nos livros caixa dos anoscalendário de 2003 a 2005 (fls. 865/868), conforme sc demonstra nos quadros de fls. 662/663 e ainda no detalhamento dos valores a tl. 664; :> em consequência, a aplicação da multa isolada não pode prosperar, já que não houve omissão de rendimentos advindos de pessoas fisicas; ademais, resta ilegal a O recorrente, diante da decisão de impugnação proferida, interpôs recurso voluntário (fls. 192/195), requerendo o cancelamento do débito fiscal, aduzindo o seguinte: Em recurso voluntário a recorrente alega as mesmas razões de primeira instância. Juntou em sede de recurso os mesmos documentos da impugnação (fls. 197/225). É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo e é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. DO PERÍODO DO LANÇAMENTO FISCAL Inicialmente, cita a recorrente que: "(...) 7. Superado este aspecto inicial, e antes de adentrarmos as razões da Recorrente, convém alertar a este Colendo Conselho que o período em discussão é referente aos anos a DIRPF de 2003 a 2005. 8. Assim, é mero erro material contido no v. acórdão o qual por engano cita a DIRPF/2004 a 2006, devendo este Egrégio Conselho apenas corrigir tal erro de digitação". Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 233 4 Entretanto, não há erro no citado Acórdão quanto ao período de apuração do imposto, uma vez que estão sendo exigidos os anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, que correspondem respectivamente aos exercícios 2004, 2005, 2006. Assim, correta está a decisão sobre os respectivos Lançamentos, não havendo erro material no Acórdão a quo. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS Referente a esse lançamento a decisão de primeira instância considerou válida as provas trazidas ao feito, e, portanto, foi acolhida pela DRJ de origem as argumentações, não remontando objeto de recurso. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DAS DESPESAS MÉDICAS: Exigiuse do contribuinte a apresentação de comprovação da efetividade dos pagamentos havidas com as despesas médicas indicadas e questionadas. Isso porque a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 234 5 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário". (grifouse). Assim, frente às diversas despesas médicas glosadas a fiscalização fez levantamento e análise dos fatos ocorridos. Conforme o termo de verificação fiscal efl. 33 e seguintes, constatase o seguinte: "DA UTILIZAÇÃO DE RECIBOS DO PROFISSIONAL ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF N° 345.652.72687, NO ANO CALENDÁRIO DE 2002. Inicialmente, necessário destacar que a Delegacia da Receita Federal em Varginha MG, na OPERAÇÃO FISCAL DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE, constatou que dezenas de pessoas físicas pleitearam nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física exercícios 2003, 2004 e 2005, anoscalendário 2002, 2003 e 2004, valores significativos a título de Despesas Médicas por serviços supostamente executados pelo dentista ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF 345.652.72687. "Eu, ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF n° 345.652.72687, Dentista, declaro para os devidos fins que o(s) recIbo(s) em anexo, no(s) valor(es) de RS 1.000,00 datado de lanelro de 2002, R$ 1.000,00 datado de fevereiro de 2002, R$ 1.000,00 datado de março de 2002, R$ 1.000,00 datado dg abril de 2002 e RS 1.000,00 datado de maio de 2002, em nome do usuário, CLIMENIA ZACCARELLI DEL FRARO RABELO, foi por mim emitido sem que tenha havido a contraprestação do serviço prestado, tendo sido por mim cobrado do(s) reclbo(s) acima o percentual de 5%. (grifos nosso)" Após todas as l fases do procedimento fiscal realizado junto ao contribuinte/profissional ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF N° 345.652.72687, Inicialmente cumpre destacar duas situações: a primeira é que esse julgador tem por praxe examinar as provas de maneira sistemática, onde o conjunto probatório possa formar convicção de que determinada situação possa ter ocorrido, ou nesse caso, que a prestação de serviços médicos tenham efetivamente prestada. A segunda é que, a informação de que o profissional Rogério Rezende Reis tenha se utilizado de suas prerrogativas médicas para emitir recibos duvidosos ou inidôneos para a recorrente não macula análise das demais provas aos autos. Assim, foram analisados todos os recibos Juntados nas efls. 887 e seguintes. Os recibos e a nota fiscal apresentados até preenchem as exigências legais, tais como: que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de quem recebeu os supostos valores pagos, inscrições nos Conselhos Profissionais indicados (e conferidos no endereço eletrônico dos respectivos Conselhos de Classe). Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 235 6 Esses elementos se ajustam com as exigências da legislação em vigor, bem como às imposições da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme a Instrução Normativa n.º 15 de 2001, da SRFB, em seu artigo 46, assim impõe: "IN SRF 15, de 2001 INSRF15, de 2001. Art.46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". No que diz respeito aos comprovantes de pagamento, cito ainda Instrução Normativa n.º 1.500, de 2014, da Receita Federal do Brasil, em que seu artigo 97, dispõe o seguinte: "Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; III data de sua emissão; e IV assinatura do prestador do serviço. Nesse sentido o contribuinte deve comprovar de forma idônea as deduções pretendidas, consoante prescreve o artigo 73 e § I o do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 236 7 Entretanto, a prova isolada da emissão dos recibos por si só, pode não convencer o julgador, uma vez que os indícios levantados no termo de verificação fiscal não corresponde a uma ordem lógica dos serviços prestados, a exemplo do seguinte: "No que tange ao Anexo VII, devese destacar que a fiscalizada “fazia” tratamento com mais de uma psicóloga, “chegando a ir”, em algumas oportunidades, em duas psicólogas no mesmo dia, conforme discriminado abaixo: (...) Pois bem, somado a isso, inexiste nos autos declaração de atendimento, fichas ou demais documentos que possam dar lastros aos serviços prestados à recorrente ou seu dependente. Esses documentos poderiam retirar o lastro de dúvida dos recibos emitidos, onde não constam exatamente para quem foi o tratamento realizado. Na busca da verdade material, princípio este vinculado ao processo administrativo fiscal, forma o julgador seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, conclusiva por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifouse. Assim, tendo em vista que não houve a comprovação por parte do contribuinte, da efetiva prestação dos serviços, há que se manter a glosa da dedução pleiteada. DA DILIGENCIA REQUERIDA Pretende a recorrente o seguinte: "37. Por outro lado, estando devidamente documentado através dos recibos médicos, necessário se faz a ocorrência de diligencia sendo que houve por parte da Recorrente tal pedido, nos termos em que permitir o Decreto n° 70.235/72, no sentido de averiguar nas declarações de rendimentos dos profissionais médicos que prestaram serviços à mesma, se houve a devida declaração de recebimentos de tais valores, a fim de verificar a verdade e idoneidade dos documentos e das alegações da lmpunante, a fim Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 237 8 de se evitar a dupla tributação bis in idem do imposto de renda sobre o mesmo fato imponível". Já a DRJ de origem concluiu: "O mero exame das declarações de rendimentos dos “profissionais” que lhe prestaram serviços não tem o dom de conferir qualquer valia às despesas medicas registradas em suas DIRPF/2004 a 2006". Nesse item, também concordo com a decisão de primeira instância. O pedido no caso deveria ser mais específico, a exemplo da solicitação de análise do fluxo de caixa dos profissionais citados, onde esses deveriam, assim, descrever todas as receitas obtidas durante o ano calendário, informando à Receita Federal o Brasil seus rendimentos, bem como comprovar com a guia de recolhimento do imposto de renda referido. A diligência solicitada, portanto, pode resultar em nenhuma informação sobre os rendimentos dos profissionais indicados, que alias, não descreveu de maneira a apontar todos os profissionais requeridos em diligência, um dos requisitos para o pedido de perícia do Processo administrativo fiscal. Ademais, a diligência só seria necessária caso o julgador tivesse alguma dúvida quanto aos fatos narrados no processo. Como dito anteriormente, a recorrente poderia ter trazido aos autos alguma declaração, ficha de atendimento com descrição dos tratamentos, ou algum outro documento emitido pelos profissionais citados que pudesse dar lastro aos tratamentos indicados. Diante da convicção formada, indeferido o pedido de diligência. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e NEGAR PROVIMENTO recurso voluntário, mantendose a exigência do crédito fiscal no que diz respeito às deduções de despesas médicas, procedendo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 238 9 Fl. 1040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727795/2016-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.649
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 95 /2 01 6- 33 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727795/201633 Acórdão n.º 3302006.649 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.694. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727795/201633 Acórdão n.º 3302006.649 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727795/201633 Acórdão n.º 3302006.649 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727795/201633 Acórdão n.º 3302006.649 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727795/201633 Acórdão n.º 3302006.649 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.903848/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
Numero da decisão: 1201-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos para a Unidade local competente para a análise do direito creditório pleiteado, retomando-se a partir do novo despacho decisório, o rito processual habitual, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos para a Unidade local competente para a análise do direito creditório pleiteado, retomando-se a partir do novo despacho decisório, o rito processual habitual, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.903848/201345 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.902 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BNY MELLON PARTICIPACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos para a Unidade local competente para a análise do direito creditório pleiteado, retomandose a partir do novo despacho decisório, o rito processual habitual, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 38 48 /2 01 3- 45 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12448.903848/201345 Acórdão n.º 1201002.902 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentando conta decisão que indeferiu a a seguinte Declaração de Compensação entregue pela contribuinte: – PER/DCOMP n 03642.97676.310113.1.3.048047, , por meio da qual compensou crédito do CSLL, do período de apuração referente ao 3º trimestre de 2012(31/03/2012), com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 54.361,13, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF de mesmo valor, recolhido em 30/04/2012. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, às fls. 07, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que: Apura seu lucro através do presumido e que no ano calendário de 2012 equivocadamente incluiu as receitas financeiras pelo regime de competência. Ressalta que a legislação, em especial o art. 37, inciso II da IN nº 93/19997 determina que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras só deverão compor a base do lucro presumido na ocasião da alienação, resgate ou cessão. A contribuinte afirma que recalculou o imposto devido e apresenta a planilha com os novos valores. Reconhece que não retificou a DCTF para demonstrar o pagamento indevido ou a maior Nestes termos, requereu que fosse acolhida a sua impugnação para homologar a compensação requerida. O Acórdão 1149.926 (fls. 60 e ss) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12448.903848/201345 Acórdão n.º 1201002.902 S1C2T1 Fl. 4 3 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Inconformado com a decisão, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 74 e ss) reiterando os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 15/05/2013 (fls. 70) e seu recurso voluntário foi juntado aos autos em 15/06/2015 (fls. 74). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. Analisando os elementos constantes dos autos, verificamos a ocorrência dos seguintes fatos: em 31/01/2013, a contribuinte transmitiu a PER/DCOMP em lide; em 03/05/2013 foi emitido o Despacho Decisório, o qual decidiu pela não homologação do PER/DCOMP em lide, tendo em vista que o crédito analisado, pelas características do DARF discriminado no PER/DCOMP, tinha sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte; a ciência da interessada do Despacho Decisório ocorreu em 13/05/2013 conforme AR; a contribuinte apresentou as seguintes DCTF, relativas ao ano calendário de 2012: CNPJ Período Data Recepção Período Inicial Período Final Número da Declaração 13.395.186/000177 mar/12 21/05/2012 01/03/2012 31/03/2012 100.201.220.121.860.000.000 13.395.186/000177 jun/12 20/08/2012 01/06/2012 30/06/2012 100.201.220.121.860.000.000 13.395.186/000177 jul/12 24/09/2012 01/07/2012 31/07/2012 100.201.220.121.810.000.000 13.395.186/000177 set/12 21/11/2012 01/09/2012 30/09/2012 100.201.220.121.830.000.000 13.395.186/000177 dez/12 22/02/2013 01/12/2012 31/12/2012 100.201.220.131.891.000.000 a contribuinte apresentou, em 21/05/2012, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF original relativa ao 1º trimestre de 2012, onde consta CSLL cód. 2372 – no valor apurado de R$ 54.361,13, a qual se encontrava ativa quando da ciência do Despacho Decisório. a contribuinte apresentou em 27/06/2013 a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ original relativa a todo o anocalendário de 2012 (fls. 114), onde constam como receitas tributáveis pelo Lucro Presumido somente os rendimentos de aplicações financeiras resgatados a cada trimestre. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 12448.903848/201345 Acórdão n.º 1201002.902 S1C2T1 Fl. 5 4 Assim, os exames da existência, ou não, do pretendido direito creditório pela DRF e pela DRJ foram feitos à luz dos elementos contidos na DCTF ativa à época, entregue pela contribuinte e constante dos sistemas de controle da RFB, sem que tenha sido considerada a informação contida na DIPJ. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou DCTF retificadora entregue em 28/05/2015 (fls. 118), na qual foi retificado o valor da CSLL devida no mês de março de 2012 para zero, isto é, após a decisão da DRJ e durante o prazo de apresentação do presente Recurso Voluntário. Segundo o regime do Lucro Presumido, pelo qual a Recorrente apurava o IRPJ e a CSLL, o contribuinte pode optar por apropriar suas receitas tributáveis pelo regime de competência ou pelo regime de caixa. Nesse sentido, as normas para apuração do Lucro Presumido com base no regime de caixa vigentes para o anocalendário de 2012 estavam previstas na Instrução Normativa SRF n. 104/98, que assim dispunha: Art. 1o A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2o Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3o Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4o O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Todavia, mesmo para as pessoas jurídicas que reconhecem as suas receitas tributáveis pelo regime de competência, há previsão de que algumas receitas devem ser Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12448.903848/201345 Acórdão n.º 1201002.902 S1C2T1 Fl. 6 5 necessariamente tributadas pelo regime de caixa. Nessa linha, é importante destacar o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. 93/97, que assim estabelecia: Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: (...) III os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável; (...) § 2o O lucro presumido será determinado pelo regime de competência. (...) Art. 37. Excetuamse da regra estabelecida no § 2o do artigo anterior: I os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa; II os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável. § 1o Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. § 2o Relativamente aos ganhos líquidos a que se refere o inciso II, o imposto de renda sobre os resultados positivos mensais apurados em cada um dos dois meses imediatamente anteriores ao do encerramento do período de apuração será determinado e pago em separado, nos termos da legislação específica, dispensado o recolhimento em separado relativamente ao terceiro mês do período de apuração. § 3o Os ganhos líquidos referidos no inciso II, relativos a todo o trimestre de apuração, serão computados na determinação do lucro presumido, e o montante do imposto pago na forma do parágrafo anterior será considerado antecipação, compensável com o imposto de renda devido no encerramento do período de apuração. Dessa forma, resta claro que ainda que a Recorrente tenha errado o cálculo trimestral do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Presumido, considerando as receitas decorrentes de aplicação financeira pelo regime de competência, ela deveria ter reconhecido tais receitas tributáveis pelo regime de caixa. Assim, agiu corretamente a Recorrente ao informar na sua DIPJ original o montante das receitas de aplicações financeiras resgatadas para todos os trimestres. E age corretamente ao retificar as DCTFs relativas aos meses em que houve recolhimento errôneo baseado em cálculo do Lucro Presumido pelo regime de competência no que tange aos rendimentos de aplicações financeiras. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 12448.903848/201345 Acórdão n.º 1201002.902 S1C2T1 Fl. 7 6 A aplicação da norma contida no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. 93/97, já constante na DIPJ original, bem como a retificação da DCTF, ainda que no curso do presente processo administrativo, demonstra que a Recorrente possui desde o início o direito creditório. Desse modo, entendo que há um grande indício de liquidez e certeza quanto ao crédito contra a Fazenda Nacional, devendo a Unidade Local Competente analisar a DCOMP à luz da DCTF retificadora, uma vez que a retificação efetuada está devidamente amparada por documentação hábil e pela base normativa do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. 93/97. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório pleiteado, retomando se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.030828/97-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995
AUSÊNCIA DE EXAME DE PEDIDO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE.
A ausência de exame das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, inclusive de ofício, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3401-005.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do Acórdão DRJ n. 16-77.370.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 AUSÊNCIA DE EXAME DE PEDIDO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, inclusive de ofício, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do Acórdão DRJ n. 1677.370. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 08 28 /9 7- 01 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.030828/9701 Acórdão n.º 3401005.996 S3C4T1 Fl. 394 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo que, por unanimidade de votos, decidiu julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório que não reconheceu o crédito pleiteado pela ausência de apresentação de documentos requeridos. 2. Transcrevo o relatório do acórdão recorrido, posto que fidedigno aos eventos transcorridos nos autos: 4. O processo deve sua origem a pedido de restituição protocolizado em 17/10/1997 (fl. 2), em que, com base em decisão judicial transitada em julgado, a contribuinte em epígrafe pleiteia créditos de Pis de uma de suas filiais relativos ao período de 04/1991 a 10/1995. 5. O sujeito passivo apresentou também diversos pedidos de compensação vinculados ao direito creditório reivindicado, os quais se convolaram em declarações de compensação com o advento da MP nº 66/2002, posteriormente convertida na lei nº 10.637/2002. 6. Em despacho decisório exarado nas fls. 125/132 em 02/10/2003, a DERAT/SPO indeferiu o pedido de restituição e negou homologação às compensações citadas, afirmando em síntese que: 6.1 desde a edição da lei nº 7.691/88, não mais subsiste o prazo de seis meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição ao Pis, conforme entendimento assente no Parecer PGFN/CAT n° 437/98; 6.2 assim, quanto ao período de 04/1991 a 08/1993, não há diferença a restituir apurada sobre o faturamento do próprio mês, visto que os recolhimentos relativos a esse período, feitos de acordo com os decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88, são inferiores ao que seria devido na sistemática da lei complementar nº 7/1970, conforme revelam as planilhas de cálculo anexas às fls. 121/124; 6.3 os valores depositados em juízo, relativos ao período de 09/1993 a 10/1995, foram trazidos indevidamente ao corpo do processo, uma vez que, estando vinculados ao deslinde da ação judicial, não podem ser considerados pagamentos; 6.4 atendendo apenas parcialmente à intimação expedida pela autoridade fiscal (fls. 106/107), a contribunte não apresentou todos os documentos necessários à apreciação do pedido. 7. Inconformada, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade anexa às fls. 151/167, na qual defende a tese da semestralidade, afirmando que, por não observála, os cálculos feitos pela autoridade a quo contrariam o teor da decisão judicial. Além disso, assinala que os depósitos judiciais foram convertidos em renda da União, de modo que a parcela excedente ao montante devido na forma da lei complementar nº 7/1970 pode ser aproveitada para fins de compensação. 8. O processo foi encaminhado a esta Turma de julgamento, cabendo a mim relatálo. 9. Em sessão realizada a 06/09/2005, aprovando o voto por mim proferido, a referida Turma, por meio do acórdão anexo às fls. 237/245, não acolheu a manifestação de inconformidade por entender que o autor do despacho decisório dera efetivo cumprimento à decisão judicial citada, interpretando a na forma mais consentânea com a legislação em vigor. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10880.030828/9701 Acórdão n.º 3401005.996 S3C4T1 Fl. 395 3 10. Subindo os autos ao antigo Segundo Conselho de Contribuintes por força de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nas fls. 252/275, a Quarta Câmara desse órgão deulhe provimento parcial por meio de acórdão proferido em 28/04/2006 (fls. 293/300), no qual admite “o direito da Recorrente aos indébitos do PIS, recolhidos com base nos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88, considerando como base de cálculo, até o mês de fevereiro de 1996, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador”. 11. O processo foi devolvido à DERAT/SPO, que, em novo despacho decisório, exarado nas fls. 314/320, indeferiu o pedido de restituição e, conseqüentemente, não homologou as compensações a ele vinculadas, afirmando que a contribuinte, não obstante intimada regularmente, não apresentara a documentação necessária à apuração do direito creditório pleiteado. 12. Tomando ciência da decisão por via postal em 12/04/2011 (fl. 322), a interessada apresentou em 10/05/2011 — tempestivamente portanto — a manifestação de inconformidade anexa às fls. 328/333, na qual alega em síntese que: a) ao apresentar o pedido de compensação em 17/10/1997, juntou aos autos cópias dos comprovantes de recolhimento do Pis relativos ao período de 04/1991 a 10/1995; b) o Conselho de Contribuintes, ao julgar seu recurso voluntário, lhe reconheceu o direito à compensação, tomando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador do tributo, sem atualização, conforme a semestralidade prevista na lei complementar n° 7/70; c) tal julgamento se deu em 28/04/2006 e em 10/02/2011, quase 5 anos depois, foi intimada, por meio do Termo de Intimação n° 45/2011, a apresentar diversos documentos que comprovassem a existência do crédito a compensar; d) como os documentos solicitados são muito antigos, alguns inclusive de 20 anos atrás, pediu prazo suplementar para o atendimento integral da intimação; e) no entanto, os documentos relativos ao crédito já foram juntados quando do pedido de compensação, em 17/10/1997; f) além disso, a existência do crédito nunca foi objeto de discussão pela Delegacia da Receita Federal, que se limitou a discutir os cálculos e a forma de atualização; g) se pretendia debater o direito de compensação do contribuinte, o Fisco deveria têlo feito há 13 anos, quando foi formulado o pedido, ficando precluso seu direito de suscitar a questão, consoante prevê o art. 473 do CPC; h) a existência do crédito já foi reconhecida pela Delegacia da Receita Federal, porquanto esta não a questionou até o momento em que a recorrente recebeu o Termo de intimação n° 45/2011; i) ademais, no despacho decisório proferido em 2003, verificase que a razão por que se indeferiu a compensação foi o cálculo de apuração do indébito, entendendo a Administração que a base de cálculo deveria ter sido atualizada; j) outrossim, não tem mais obrigação de guardar os documentos relativos aos recolhimentos efetuados nos anos de 1991 a 1995, visto que os artigos citados pela autoridade fiscal (art. 195, § único, do CTN, art. 264 do decreto n° 3.000/99 e art. 1.194 da lei n° 10.406/2002) dispõem sobre o dever de Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10880.030828/9701 Acórdão n.º 3401005.996 S3C4T1 Fl. 396 4 conservar documentos relativos a créditos tributários “enquanto não ocorrer prescrição ou decadência dos atos neles consignados”; k) se os documentos do crédito em questão são de aproximadamente 20 anos atrás, não tem mais o dever de têlos em seus arquivos, principalmente se já foram apresentados à Administração e se encontram nos autos, junto ao pedido de compensação; l) ainda que a autoridade da Receita Federal competente para decidir sobre a compensação possa solicitar ao contribuinte os documentos comprobatórios do crédito, conforme o art. 65 da IN SRF n° 900/2008, “não subsiste esse direito no presente momento, em virtude da citada preclusão, pois já reconhecida a existência do crédito pelo fisco” 3. Em 19/04/2017, a 06ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão DRJ nº 1677.370, situado às fls. 365 a 371, de relatoria do AuditorFiscal Marco Aurélio Calvão Monnerat Prado, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, comprovar por meio de documentação adequada a existência e o valor do crédito pleiteado em pedido de restituição, sob pena de indeferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte teve ciência da decisão em 13/11/2017, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 376. 5. Interpôs, em 05/12/2017, recurso voluntário, situado às fls. 379 a 390, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10880.030828/9701 Acórdão n.º 3401005.996 S3C4T1 Fl. 397 5 6. O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 7. De acordo com o acórdão proferido pela DRJ, o fundamento para o indeferimento do crédito pleiteado se deu em razão de o contribuinte não ter apresentado os documentos necessários para a comprovação do direito creditório pleiteado. Nessa linha, afirmouse: 27. Assim, caberia à recorrente ter apresentado, além dos demais documentos solicitados, o Livro Razão ou, na falta deste, qualquer outro livro contábil que permitisse aferir o valor exato das bases de cálculo do Pis nos períodos de apuração a que se refere o termo de intimação fiscal. 8. Ocorre que o despacho decisório e o acórdão recorrido desconsideram o fato de a própria fiscalização ter juntado em momento anterior (fls. 114 a 124) documentos que demonstram a base de cálculo de PIS do período em discussão. 9. Chamo a atenção para o fato de toda a discussão nos presentes autos se cingir exclusivamente a diferenças na alíquota decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos decretosleis n. 2.445/88 e 2.449/88, bem como a forma de apuração semestral prevista na legislação. 10. Dessa forma, a meu ver, os documentos juntados às fls. 114124 que demonstram a base do imposto apurado a época são o suficiente pra permitir o recálculo do imposto a partir da nova alíquota. 11. De outra forma, admitir que aquela base inicialmente utilizada não condiz com a realidade demandaria uma nova ação fiscal que fugiria do escopo do presente processo administrativo. 12. Assim sendo, uma vez que a DRJ não se manifestou acerca das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade, que apontam para a existência de documentos nos autos que comprovam a base de cálculo do PIS, deve ser declarada a nulidade do acórdão em virtude da preterição do direito de defesa veiculado pelo inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. 13. Nesse sentido a decisão proferida por esta C. Câmara na sessão de 30/01/2019, por unanimidade de votos, nos autos do processo administrativo n. 10940.904792/200973, acórdão n. 10940.904792/200973 de relatoria do Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 AUSÊNCIA DE EXAME DE PEDIDO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10880.030828/9701 Acórdão n.º 3401005.996 S3C4T1 Fl. 398 6 inclusive de ofício, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. APLICAÇÃO DO ART. 1.013, § 3º, III, C/C O ART. 15, AMBOS DO NOVO CPC (TEORIA DA CAUSA MADURA). A necessidade de realização de diligência para que, caso existente, seja oportunizada a anexação de documentos comprobatórios, demonstra que o processo não está em condições de imediato julgamento, sendo medida que se impõe sua devolução à instância de origem para que seja prolatada nova decisão. 14. Pelas razões expostas, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para declarar a nulidade do Acórdão DRJ nº 1677.370. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 398DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.900029/2008-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar o pedido de compensação, considerando a retificação documentação acostada após a emissão do Despacho Decisório, outrora desprezada pela instância a quo.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar o pedido de compensação, considerando a retificação documentação acostada após a emissão do Despacho Decisório, outrora desprezada pela instância a quo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 101 à 103) interposto contra o Acórdão n° 1235.588, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1 (efls. 97 à 99), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .9 00 02 9/ 20 08 -4 1 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 110 2 Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Santo Ângelo, através do Despacho Decisório n° 749318544 (fl. 7), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$640,91 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00. O interessado, cientificado em 18/03/2008 (fl. 9), apresentou, em 17/04/2008, manifestação de inconformidade (fls. 86/87). Nesta peça, alega, em síntese, que, como recolheu estimativas em valor superior ao apurado, possui o crédito pleiteado. A fl. 91, houve o encaminhamento para esta DRJ, em face da Portaria n° 2.132/2010. Segundo o teor de mérito, não houve lastro probatório suficiente a justificar a compensação pretendida, pois não se logrou comprovar liquidez e certeza (art. 170 do CTN). Explicitou, ainda, a impossibilidade de realizar retificações contábeis após a prolação de Despacho Decisório. Transcrevo as razões do Acórdão da DRJ: A teor do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1°. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 111 3 ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero). Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que possui o crédito pleiteado. Junta DIPJ retificadora transmitida em 26/03/2008 (fl. 10). A DIPJ deveria ter sido retificada antes da apresentação do PER/DCOMP.Registrese que o interessado já havia sido cientificado das inconsistências apuradas pela DRFe, naquela data, lhe foi dada a oportunidade de efetuar a retificação na DIPJ antes da emissão do Despacho Decisório (foi intimado, através do Termo de Intimação n° 672794451, com ciência em 15/03/2007, fls. 92/93, a retificar a DIPJ ou a apresentar PER/DCOMP retificador,no prazo de 20 dias). A retificação, porém, só ocorreu após a ciência do Despacho Decisório(18/03/2008 fl. 9). Os recolhimentos antecipados (estimativas) e as retenções na fonte constituem antecipações. Somente após encerrado o período de apuração e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL, é que pode restar caracterizado direito líquido e certo, passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. O ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo, em sede de análise, pela DRF de origem, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, podendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Cabe à DRF de origem a análise do crédito pleiteado e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação. A~ausência de informação na DIPJ, declaração própria para este fim, fez com que não houvesse a análise, pela DRF, de eventual saldo negativo (posto que não restou configurado o direito creditório pleiteado saldo negativo). Tratase, o julgamento pela DRJ, de uma instância revisional. A matéria a ser apreciada pela DRJ é tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso. Assim, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título. O Despacho Decisório deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. É o meu voto. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 112 4 O Recurso Voluntário, em sua essência, reitera os argumentos veiculados na exordial. Adicionou, ainda, a necessidade de observância de princípios constitucionais e administrativos, verbis: II DO DIREITO Em que pese o posicionamento adotado pela Secretaria da Receita Federal, vislumbramos fortes argumentos de defesa visando afastar tal restrição. Vejamos: Inicialmente, há de ser dito que o direito ao crédito tributário, como qualquer outro crédito, se incorpora ao patrimônio de seu titular, sendo, portanto, de sua propriedade. Ora, se o crédito tributário de titularidade do sujeito passivo compõe o seu patrimônio, ou melhor, é de sua propriedade, tratase, por isso, de verdadeiro direito fundamental, protegido pelo art. 5o, caput e inciso XII, da Constituição Federal, cujo exercício não pode ser restringido. Ademais, a prática comumentemente adotada pelo Poder Público de ser devedor de determinado sujeito passivo e exigir o pagamento de seus créditos ern dinheiro deste mesmo sujeito passivo, vedando a compensação, passa muito além do Princípio da Moralidade Administrativa, que é de observância obrigatória, conforme art. 37 da CF/88. Além disso, inexiste qualquer justificativa plausível para vedação à compensação estabelecida, estando a decisão recorrida desprovida de qualquer razoabilidade. Na mesma linha, a impossibilidade de realizar a compensação faz com que o Imposto de Renda passe a gravar a receita, situação que não se coaduna com a regra constitucional que autoriza a incidência desse imposto sobre a "renda", entendida como o acréscimo patrimonial verificado em determinado período. Da mesma forma, a alíquota efetivamente praticada, tendose em vista a impossibilidade de compensação, passa a ser muito maior que a legalmente prevista. O direito de compensação ainda é da própria técnica de apuração do IRPJ e da CSLL. Negar a compensação do IRPJ/CSLL pago por estimativa, assemelha se ao CONFISCO. III PEDIDO À vista de todo o exposto, REQUER, seja julgado procedente e espera a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada na PER/DCOMP. Por fim, vale destacar que restam acostados aos autos a DIPJ retificadora (efls. 13 à 84), bem como DARFs (efl. 85 à 87), todos esses documentos alusivos ao anocalendário de 2004. É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 113 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Anoto, de início, que os argumentos principais no indeferimento da compensação (na instância da DRJ) foram a ausência de liquidez e certeza do crédito, bem como a impossibilidade de se conhecer de retificações perpetradas após a emissão de Despacho Decisório. No entanto, esta 2ª Turma Extraordinária entende que busca da verdade material conduz a uma ponderação casuística frente ao formalismo extremo. Nesse cenário e seguindo também o posicionamento existente na jurisprudência deste colendo CARF opinase por acatar a alegação de erro na designação do direito creditório/preenchimento, por conta da verossimilhança dos elementos materiais acostados aos autos. Para tanto, cito o seguinte precedente ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Acórdão n° 1301003.610, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de novembro de 2018, Rel. i. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ainda na apresentação de lastro jurisprudencial, destaco a premissa das razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 114 6 Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Quanto ao mais, acrescento que a situação fática constituída também repousa na moldura da orientação normativa da CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciada no Parecer Normativo COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que externa entendimento análogo favorável à conclusão deste relator, mais adiante: ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6.º do art. 9.º da IN RFB n.º 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.º 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 115 7 compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9.ºA da IN RFB n.º 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n.º 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo n.º 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5.º do Decreto lei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP n.º 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB n.º 8, de 3 de setembro de 2014. Contudo, apenas ressalto que a vertente interpretativa adotada pela DRJ era justificável, pois a percepção da autoridade Julgadora a quo encontrava amparo na intelecção dominante do Fisco à época e nas normas vigentes. Outrossim, acatar de plano os argumentos do Contribuinte e julgar de imediato o caso, sem a prévia análise das provas pela Unidade de Origem, colmataria em inadmissível mácula na análise fática/documental. Noutro giro, negar provimento agora seria inferir que, de fato, não se admite retificação após decisão administrativa, pois que o acórdão recorrido assim se amparou nas suas conclusões. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11070.900029/200841 Resolução nº 1002000.077 S1C0T2 Fl. 116 8 O resultado da diligência solicitada demonstrará: 1) a existência do crédito pleiteado, evidenciando que, de fato, há uma verdade material a ser perseguida, o que no entender desta 2ª TE da 1ª Seção de Julgamento justifica o reconhecimento de erro em relação ao qual o pleiteante solicita retificação; ou 2) a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, circunstância que opera a favor da decisão da DRJ, sob o alcance da posição desta Turma Julgadora pela impossibilidade de retificação ou reconhecimento de erro no preenchimento das declarações quando não há verdade real que os justifique. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar o pedido de compensação, considerando a documentação acostada posteriormente ao Despacho Decisório. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720655/2014-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013
SICOBE. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. MULTA. CABIMENTO.
A multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas, aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva ou corretiva.
ALTERAÇÕES TRAZIDAS PELA LEI Nº 13.097/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO OCORRÊNCIA.
A revogação do art. 58-T da Lei 10.833/2003 pelo art. 169, II, b, da Lei nº 13.097/2015 apenas alterou a gama de produtos sujeitos ao controle de produção por meio de obrigação acessória idêntica, estabelecida pelo seu art. 35, cominando, inclusive, a mesma penalidade prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/07, não havendo que se falar, portanto, em nenhuma das hipóteses de retroatividade benigna previstas no art. 106 do CTN.
Numero da decisão: 9303-008.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. MULTA. CABIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas, aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva ou corretiva. ALTERAÇÕES TRAZIDAS PELA LEI Nº 13.097/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO OCORRÊNCIA. A revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003 pelo art. 169, II, “b”, da Lei nº 13.097/2015 apenas alterou a gama de produtos sujeitos ao controle de produção por meio de obrigação acessória idêntica, estabelecida pelo seu art. 35, cominando, inclusive, a mesma penalidade prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/07, não havendo que se falar, portanto, em nenhuma das hipóteses de retroatividade benigna previstas no art. 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 06 55 /2 01 4- 81 Fl. 791DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 516 a 518, lavrado por AuditorFiscal da DRF em Marília SP, relativo às multas por ação ou por omissão tendente a prejudicar o funcionamento do Sicobe Sistema de Controle de Produção de Bebidas. A autuação abrangeu os períodos de apuração de 01/05/2013 a 31/12/2013, e a descrição dos fatos consta do Relatório Fiscal às efls. 519 a 524, sendo a contribuinte cientificada de tudo em 28/03/2014. A contribuinte apresentou impugnação, às efls. 538 a 541. Já a 3ª Turma da DRJ/POA, em 16/10/2014, apreciou a contestação da contribuinte, resultando no acórdão nº 1052.278, às efls. 568 a 571, no qual, por unanimidade, julgoua improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ao CARF, às efls. 577 a 580, no qual, em apertado resumo, argumenta ser indevida a multa de 100% sobre o valor comercial da mercadoria produzida, por ter natureza confiscatória, em contrariedade ao art. 150, inciso IV da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, na sessão de 27/04/2016, apreciou o recurso voluntário da contribuinte, prolatando o acórdão nº 3402003.033, às efls. 597 a 601, que lhe deu provimento, com a seguinte ementa: MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O voto da relatora, apesar de reconhecer a incompetência do CARF para se pronunciar sobre a constitucionalidade da lei tributária, invoca questão de ordem pública para reformar o acórdão de piso recorrido. Informa que posteriormente à decisão recorrida teria Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 9303008.526 CSRFT3 Fl. 792 3 entrado em vigor o art. 169, inc. III, da Lei nº 13.097/2015 que revogou o artigo 58T da Lei nº 10.833/2003, definidor da obrigação acessória infringida pela contribuinte e que deu origem à penalidade aplicada. Por essa razão, e com base no art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" da Lei nº 5.172/1966 CTN, haveria que se cancelar a multa aplicada. Embargos da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3402003.033, em 24/05/2016 (efl. 603), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração às efls. 604 a 606, em 21/06/2016. Afirma existir contradição, haja vista que além do art. 58T da Lei nº 10.833/2003, o art. 30 da Lei nº 11.488, ainda em vigor, seria base para manutenção do lançamento da multa. e o art. 106 do CTN somente seria aplicável caso revogado este e não aquele. Os embargos foram apreciados no despacho do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 25/07/2016, às efls. 609 a 613, que os rejeitou, ao amparo do art. 65, § 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015 – RICARF, por não reconhecer a existência da contradição alegada. Embargos da unidade preparadora Em 29/07/2016 (efl. 615), foi solicitada a juntada aos autos do documento de efls. 616 e 617, também manejando embargos de declaração ao acórdão nº 3402003.033, por parte do Delegado da DRF em Marília SP. De início, informa que teve ciência do referido acórdão em consulta ao eprocesso, apesar de não haver movimentação formal do processo àquela delegacia. Na sequência, justifica seu embargo com base em erro de direito havido no referido acórdão, haja vista que, ao fundamentar a decisão na revogação do art. 58T da Lei nº 10.833/2003 que determinava a obrigatoriedade de instalação do Sicobe pelo art. 169, inc. III, alínea "b", da Lei nº 13.097/2015, deixou de considerar que o art. 35 da mesma Lei também determinava a obrigatoriedade de instalação do Sicobe. Mantida a obrigatoriedade, haveria erro de direito no acórdão que justificaria o provimento dos embargos com efeitos modificativos no acórdão. Em razão dos embargos, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento entendeu, no despacho de efls. 648 a 650, que haveria omissão no acórdão embargado relativamente a matéria sobre a qual deveria terse pronunciado: a aplicação do art. 35 da Lei nº 13.097/2015. Por essa razão, em 04/09/2017, encaminhou o processo para a relatora a fim de que este fosse apreciado pela Turma. Em 16/12/2017, o PresidenteSubstituto da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, às efls. 652 e 653, tendo em vista que o eventual acolhimento as pretensão do embargante poderia, em tese, modificar o acórdão embargado, propôs que se intimasse a contribuinte para sua eventual manifestação em face dos embargos opostos. Efetuada a intimação em 28/03/2018 (efl. 656), a contribuinte veio aos autos em 02/04/2018 (efl. 658), pronunciandose através do documento de efls. 660 a 670. Nessa manifestação, inicia alegando a impossibilidade dos embargos por parte do DRF em Marília, pois, no seu entender ele somente teria legitimidade para esclarecimentos em razão de questões relativas à liquidação e à execução do acórdão e não sobre seu mérito. Fl. 793DF CARF MF 4 Adicionalmente, inexistiria qualquer erro de direito no aresto embargado, pois houve a revogação do art. 58T da Lei nº 10.833/2003, não era possível a aplicação do art. 35 da Lei nº 13.097/2015 retroativamente e teria havido a suspensão do Sicobe pelo Ato Declaratório Executivo ADE nº 75/2016. Por essas razões, pleiteia o não provimento dos embargos. A Turma apreciou os embargos admitidos também à luz da manifestação da contribuinte para prolatar o acórdão de nº 3402005.281, às efls. 672 a 678, em 24/05/2018. A apreciação resultou no acolhimento dos embargos para sanear a omissão apontada pela DRF em Marília, com a ementa a seguir: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada omissão no acórdão embargado relativamente a ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o Colegiado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração. MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo (art. 106, II, "b" do CTN). Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional já houvera apresentado recurso especial (efls. 620 a 631) em 11/08/2016, em face da rejeição de seus embargos de declaração sendo ele apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que lhe deu seguimento, no acórdão de efls. 639 a 641, em 11/05/2017. Contudo, tendo em vista os desdobramentos posteriores, decorrentes dos embargos de declaração da DRF em Marília, o acórdão agora integrado pelo de nº 3402005.281, relativo aos embargos, foi a ela cientificado em 15/06/2018 (efl. 680), resultando na interposição de novo recurso especial de divergência, em 18/07/2018, às efls. 681 a 698. Em seu recurso especial, a Procuradora indica os acórdãos nº 3302003.094 e nº 3301004.137, como paradigmas para a divergência. Argumenta que tais paradigmas, sob circunstâncias fáticas semelhantes, decidiram em sentido oposto ao acórdão, no qual se entendeu por bem fazer retroagir a desobrigação de manutenção do Sicobe aos períodos de apuração 01/01/2013 a 30/11/2013 e cancelou a aplicação da multa respectiva; o paradigma 3302003.094, analisando penalidade aplicada relativamente aos períodos de apuração, ocorridos entre 01/04/2013 a 30/09/2013, mesmo considerando a disposição do art. 169, inc. III, alínea “b”, da Lei nº 13.097/2015, Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 9303008.526 CSRFT3 Fl. 793 5 defendeu haver base legal para a aplicação da penalidade. Ainda, a decisão recorrida igualmente destoa do paradigma 3301004.137, que rechaçou a possibilidade de retroação benigna porque a obrigação acessória remanesceu, mesmo sendo posterior à publicação do ADE Cofis nº 94/2016, citado pelo recorrido. Em 02/08/2018, na condição de Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciei o recurso especial de divergência da Procuradora, no despacho de efls. 702 a 707, em 02/08/2018, e deilhe seguimento, com base nos arts. 67 e 68 do RICARF. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte teve ciência (efl. 712) do despacho de sua admissibilidade de efls. 702 a 707, em 31/08/2018, e apresentou contrarrazões, às efls. 766 a 788, em 14/09/2018. Aponta erro no quadro sinótico ao apresentar a situação fática do acórdão recorrido e tratar de períodos de apuração que não fazem parte da autuação, pretendendo assim demonstra que não há similitude fática entre ele e os paradigmas, estando ainda ausentes quaisquer menções aos ADE Cofis nº 75/2016 e nº 94/2016 e ao Art. 106 do CTN. Argumenta pelo não conhecimento do recurso especial de divergência da Fazenda, tendo em vista que não se pode falar em interpretação divergente de dispositivos da legislação tributária, quando o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas sequer trataram das mesmas normas. Isso porque os acórdãos paradigmas nº 3301004.137 e nº 3302003.094 em nenhum momento trataram da dispensa de instalação do Sicobe pela RFB por meio do ADE Cofis n.º 75, de 17/10/2016, e do ADE Cofis n.º 94, de 12/12/2016, conforme autorizado pelo art. 36, caput, §1º, inciso II, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e da necessidade de aplicação da retroatividade benigna do art. 106, II, “b”, do CTN, como fez o acórdão a quo. Assim sendo, o recurso especial da Procuradora teria deixado de indicar a divergência de interpretação para a seguinte legislação que fundamentou o entendimento do acórdão recorrido: (i) art. 106, II, “b”, do CTN; (ii) do Ato Declaratório Executivo Cofis n.º 75, de 17/10/2016; (iii) do Ato Declaratório Executivo Cofis n.º 94 de 12/12/2016; e (iv) o art. 36, caput, §1º, inciso II, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. No que toca ao mérito, reafirma a posição do acórdão recorrido, de que a revogação do art. 58T da Lei nº 10.833/2003 afastaria a penalidade aplicada, sendo impossível a utilização do art. 35 da Lei nº 13.097/2015, pois as normas teriam vigência em momentos distintos. Esta teria vigência a partir do 1º dia do 4º mês subsequente à publicação da Lei, não podendo retroagir para fundamentar o auto de infração lavrado em 27/03/2014, exigindo multas por anormalidades do Sicob para competências de 05/2013 a 12/2013. Além disso, os ADE Cofis nº 75/2016 e nº 94/2016, que desobrigaram empresas da utilização do Sicobe criaram a condição de incidência do art. 106, inc. II, alínea "b" do CTN. Ao final, requer que não seja conhecido o recurso especial da fazenda e alternativamente que lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Fl. 795DF CARF MF 6 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento Quanto ao conhecimento do recurso, em que pesem as considerações apresentadas em sede de contrarrazões pelo Sujeito Passivo, como relator mantenho a conclusão da análise antes por mim realizada na qualidade de Presidente de Câmara, quando identifiquei a divergência alegada e dei seguimento ao recurso. Com efeito, as situações fáticas enfrentadas no acórdão paradigma n° 3301 004.137 e no recorrido são em essência equivalentes, o que se extrai da leitura deles, independentemente da existência de eventual erro de fato na tabela comparativa apresentada no recurso, ao descrever a situação fática do recorrido, uma vez que esta está perfeitamente posta no processo. A realidade é que a discussão versa sobre o tratamento tributário relativo ao Sicobe. É bem verdade que, a retroatividade benigna invocada no acórdão recorrido deuse com fulcro nos ADE Cofis nº 75/2016 e nº 94/2016, não é sequer citada nos acórdãos paradigmas. Entretanto, é justamente a aplicabilidade desses Atos às situações equivalentes que caracteriza a divergência arguída no presente recurso. Todavia essa ausência de referência expressa não implica que a questão jurídica esteja sendo apenas invocada implicitamente. Na verdade essa é a caracterização da própria divergência, pois: os fatos ocorridos são equivalentes, pois (a) os fatos geradores são anteriores aos ADE Cofis nº 75/2016 e nº 94/2016 e (b) as decisões, recorrida e o paradigma n° 3301004.137, são posteriores aos referidos atos; porém, no caso do recorrido, foi aplicada a retroatividade benigna, com base nos atos referidos e, no paradigma, essa retroatividade não foi aplicada. Por essa razão, confirmo meu entendimento já exposto quando da análise de admissibilidade do recurso especial de divergência, e conheço do recurso. Mérito Quanto ao mérito, a matéria em litígio já foi objeto de recente apreciação por esta 3ª Turma, em 18/10/2018, quando, para o processo nº 13971.720831/201470, foi prolatado o acórdão unânime, de nº 9303007.548, confirmando o entendimento do acórdão paradigma nº 3301004.137, com voto da lavra do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujas razões de decidir aqui adoto e por isso peço vênia para reproduzilo. (...) No mérito, a discussão cingese à aplicação ou não da “retroatividade benigna”, no caso da multa aplicada quando constatada anormalidade, a que o contribuinte deu causa, no funcionamento do SICOBE – Sistema de Controle de Produção de Bebidas, isto em razão da revogação do artigo 58T da Lei 10.833/2003, que, originalmente, instituiu esta obrigação acessória, pelo art. 169 da Lei 13.097/2015. Se fosse uma simples revogação, dúvida não há que seria aplicável o art. 106 do Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 9303008.526 CSRFT3 Fl. 794 7 ................... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que a lei nova criou obrigação idêntica, remetendo inclusive à mesma lei quanto às penalidades aplicáveis. Senão, vejamos: Lei nº 10.833/2003: Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) Lei nº 13.097/2015: Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. ................... Art. 169. Ficam revogados: ................... III a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: ................... b) os incisos VII a IX do § 1º do art. 2º, e os arts. 51, 53, 54 e 58A a 58V da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Lei nº 11.488/2007: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo Fl. 797DF CARF MF 8 da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; ................... § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. E qual a razão desta mudança ?? Foi alterada a gama de produtos sujeitos ao controle, o que não tem qualquer influência no caso concreto. Assim, a obrigação acessória permaneceu a mesma e as penalidades também, não havendo, portanto, que se falar em retroatividade benigna. E nem se diga que seria aplicável o inciso “b” do inciso I do art. 106 do CTN (“quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão”) com “o fim do SICOBE”, determinado pelo Atos Declaratórios Executivos Cofis nos 75 e 94/2016. Transcrevo parte deste último: Art. 1º Em complemento ao ADE Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º As pessoas jurídicas obrigadas ao Sicobe e que, porventura, não estiverem relacionadas neste ato, ou naquele supramencionado, estão igualmente desobrigadas a partir da data constante no art. 1º. Em relação às obrigações acessórias e as penalidades aplicáveis pelo seu descumprimento, o CTN prevê o seguinte: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 9303008.526 CSRFT3 Fl. 795 9 E, quando a norma geral tributária fala em “legislação tributária”, está ela a se referir também aos atos administrativos, não havendo, portanto, qualquer óbice a que uma obrigação acessória seja extinta por um ato infralegal. As obrigações acessórias surgem, são extintas, substituídas por outras, nada de incomum nisto (pelo contrário). Antes do SICOBE, mesmo, havia o SMV – Sistema Medidor de Vazão. Não existe mais a DIPIBebidas, a DIPJ, o DACON, e assim por diante. Quais as razões destas mudanças ?? Principalmente, em função da evolução tecnológica (hoje, por exemplo, temos as escriturações contábil e fiscal digitais), e por razões operacionais: um controle mostrase mais adequado, com melhor custobenefício, etc. Isto significa que não se pode mais aplicar penalidades, por exemplo, pela falta ou atraso na entrega dos DACON ?? Por óbvio que não. Enquanto ele existia, tinha que ser entregue, no prazo, e, se não o foi, observado o prazo decadencial, perfeitamente cabível a aplicação da penalidade pertinente, pois, a teor do art. 97, I, do CTN, somente norma legal pode estabelecêla e, por conseguinte, revogála: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; (destaques do original) No mesmo sentido, foi o julgado do acórdão nº 9303007.463, da sessão de 20/09/2018, esse pelo voto de qualidade, redigido pelo i. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que ainda traz a seguinte abordagem quanto aos ADE, também invocados como fulcros para a retroatividade afastada: E, com muito menos razão haveria porque se falar em revogação da exigência contida em lei em razão da edição dos Atos Declaratórios Executivos nºs 75 e 94 de 2016. De imediato, há que se sublinhar que nenhum ato declaratório editado no âmbito da Secretaria da Receita Federal pode ter por finalidade a derrogação de disposição legal acerca de determinada matéria. Como a ninguém é dado desconhecer, tratamse de normas de diferente hierarquia, do que resulta, por si só, inadmissível que se cogite que os ADEs tenham revogado exigência determinada em Lei. Assim, não há como cogitar a aplicação do art. 106 do Código Tributário Nacional em razão da edição dos ADEs supracitados. Se a exigência está prevista em lei, somente a lei pode revogála. Fl. 799DF CARF MF 10 Ademais, tratamse de atos executivos e não interpretativos. Têm por escopo ordenar a forma e os critérios de execução da exigência especificada em lei e não interpretála. No caso, determinaram que, a partir de 13 de dezembro de 2016, os estabelecimentos industriais envazadores de bebidas estavam desobrigados da utilização do Sistema de Controle da Produção de Bebidas – Sicobe. Ou seja, os Atos Declaratórios apenas alteraram o sistema de controle de produção nesse segmento de mercado específico. Ora, alterações de sistemas e critérios do controle exercido pela Secretaria da Receita Federal sobre as operações de mercado são extremamente comuns e decorrem das mais diversas razões e eventos. No caso concreto sabese que, a partir de determinado momento, levantaramse questionamentos acerca da conformidade do Sicobe às necessidades da Secretaria para o controle das operações processadas nesse segmento de mercado. Por conta disso, foi editada a Portaria nº 638, de 10 de agosto de 2015. Transcrevemse excertos do texto extraído do Diário Oficial da União do dia 11/08/2015. Art. 1º Instituir Comissão Especial destinada a proceder à análise econômicofinanceira, bem como avaliar a conformidade das informações de interesse fiscal do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), integrada pelos seguintes servidores: (…) Art. 2º A Comissão Especial deverá apresentar relatório final abrangendo os seguintes aspectos. I – resultado da arrecadação federal antes e após a instalação do Sicobe; II – avaliação do custobenefício do serviço Sicobe; III – sugestões de racionalização dos atuais custos e resultados auferidos com a utilização do sistema; IV – sugestões de racionalização dos atuais requisitos e funcionalidade do Sicobe que garantam o controle fiscal com menores custos administrativos com a utilização do sistema ou com outras ferramentas alternativas de controle fiscal no âmbito do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped); V – cumprimento dos requisitos de funcionalidade do Sicobe, previstos no art. 2º, § 2º, da IN RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, e no Ato Declaratório Executivo Cofis nº 45, de 10 de junho de 2015; VI – avaliação da operação do Sicobe, em especial de suas funcionalidades de registro e de transmissão de dados para a RFB; VII – revisão dos atos infralegais editados pela RFB relacionados ao Sicobe; Fl. 800DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 9303008.526 CSRFT3 Fl. 796 11 VIII – quaisquer outros assuntos que a comissão julgar pertinente em relação ao tema. (…) A Comissão chegou à conclusão de que o Sicobe não atendia às necessidades de controle desse segmento de mercado. Em decorrência disso, foram editados os Atos Declaratórios Executivos nºs 75 e 94 de 2016. O controle da produção dos estabelecimentos industriais envazadores de bebidas voltou a ser feito por meio de selagem. Como se vê, não há qualquer razão para que se avente a possibilidade de que os Atos Declaratórios Executivos nºs 75 e 94 de 2016 tenham deixado de considerar o ato como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, atraindo, por conta disso, o disposto na alínea “b” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Eles tiveram por finalidade, exclusivamente, adequar o sistema de controle da Secretaria da Receita Federal às necessidades das partes envolvidas. Eles apenas alteraram o modo de controle do setor de bebidas. Ora, isso é pra lá de comum. É de se perguntar: se importação de determinada mercadoria passa a ser dispensada de licenciamento de importação a partir de determinado momento é possível dizer que isso se aplica retroativamente? Óbvio que não. Os controles são definidos para o momento. (destaques do original) CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 801DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.001027/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
CARF. COMPETÊNCIA.
Falece competência ao CARF para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário por decretos, os quais sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual o CARF é parte integrante.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PIS/PASEP E COFINS. VEDAÇÃO LEGAL.
Não se admite a compensação do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com as contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e àquelas instituídas a título de substituição.
Numero da decisão: 2301-005.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) CARF. COMPETÊNCIA. Falece competência ao CARF para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário por decretos, os quais sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual o CARF é parte integrante. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PIS/PASEP E COFINS. VEDAÇÃO LEGAL. Não se admite a compensação do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com as contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e àquelas instituídas a título de substituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Presidente Substituto e Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 10 27 /2 01 0- 57 Fl. 508DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 456/504) interposto em face do Acórdão nº 0644.818 (efls 436/444) exarado pela DRJ Curitiba na sessão de julgamento de 17/12/2013, ao julgar improcedente a impugnação (efls. 387/412) apresentada em face do auto de infração (efls 02/32) lavrado pela DRF Presidente Prudente. 2. Para a compreensão do litígio devolvido, fazse a transcrição do Relatório contido no acórdão recorrido: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 0644.818 O presente processo tem por objeto impugnação apresentada pela empresa COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA, acima identificada, contra o Auto de Infração n° 37.068.4125 (fls. 02/32), referente às contribuições sociais a cargo da empresa decorrentes de compensações efetuadas indevidamente em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs (tendo apresentado Declarações de Compensações, conforme Anexo VII da IN RFB n° 900, de 2008, consideradas não declaradas), eis que lastreadas em créditos relativos a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (Cofins Não Cumulativa Exportação, solicitado por meio de vários Pedidos de Ressarcimento, nos quais a compensação restou considerada como não declarada), no período de 03/2009 a 12/2009 e valor total de R$ 3.385.837,26, incluídos multa de mora de 20% e juros, consolidado em 30/11/2010. 2. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados, bem como a fundamentação legal, estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 240/245) e nos demais anexos dos Autos de Infração e documentos constantes dos autos (fls. 33/239 e 246/381). 3. Cientificada dos lançamentos em 13/12/2010 (fls. 382), a empresa apresentou em 07/01/2011 (fls. 387), impugnação (fls. 387/412) acolhidas como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 435), acompanhadas dos documentos de fls. 413/433, alegando, em síntese, que: a) Da nulidade. Não há nexo lógico na acusação, na documentação e na conclusão que se pretende alcançar. Não há correta descrição das infrações e demonstração documental em relação aos dispositivos apontados como infringidos, acarretando cerceamento do direito de defesa. Além disso, não há Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15940.001027/201057 Acórdão n.º 2301005.915 S2C3T1 Fl. 509 3 que se falar em presunção, pois isso não existe em Direito Público, ou há ou não há. Os dispositivos legais invocados como infringidos são totalmente vagos e imprecisos, não descrevendo no plano jurídico normativo a situação fática que entende a Fiscalização como caracterizada. Há inépcia da acusação, na medida em que, embora se pretenda a desclassificação de receitas rurais, a Fiscalização apenas invocou dispositivos genéricos atinentes a receitas de natureza diversa. Aflora a pessoalidade desenvolvida pela auditoriafiscal no levantamento em questão, bem como a absoluta discricionariedade no trato da coisa pública, fazendo do procedimento fiscal um trabalho de repleto silogismo e presunção fiscal. A Administração Pública deve observar os princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal, bem como o princípio da legalidade e da tipicidade tributária (CTN, arts. 97 e 112), além de não obstacularizar o direito de defesa e o contraditório (Constituição, art. 5o, LV). Assim, diante da total incoerência entre a descrição das infrações, a enumeração dos dispositivos tidos por infringidos e a capitulação da multa, ao que se soma a utilização de presunções destituídas de fundamento legal e de elementos indiciários mínimos a suportar as conclusões, a infração é formalmente nula, sendo totalmente improcedente, já que não alcança a presunção de validade que lhe é característica. b) O art. 34 da IN RFB n° 900, de 2008, não cria qualquer exceção em relação ao direito material de compensação, mas em relação ao procedimento para compensação. Por se tratar de instrumento infralegal, o art. 34 da IN RFB n° 900, de 2008, não pode, em qualquer hipótese, exorbitar o comando dos arts. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e 16 da Lei n° 11.116, de 2005. Esses artigos dispõem que qualquer crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB pode ser utilizado na compensação de débito relativo a qualquer tributo administrado pela RFB. Assim, a IN RFB n° 900, de 2008, não estabelece as restrições apontadas pela fiscalização, limitandose a determinar que para as contribuições previdenciárias aplicase o procedimento específico do art. 34. Ao tratar de vedações à compensação, a IN o fez de forma expressa e literal, consoante denota seu o art. 44, § 6°. c) Arts. 2° e 26 da Lei n° 11.457, de 2007. Os "créditos" utilizados na compensação glosada decorrem de contribuições ao PIS e COFINS em virtude de atividade exportadora, acumulados nos termos do inciso I e § 1.° do art. 5.° da Lei n° 10.637, de 2002 e do inciso I e § 1.° do art. 6° da Lei n° 10.833, de2003. O caput do artigo 26 da Lei n° 11.457, de 2007, valida a possibilidade de compensação do PIS/COFINS decorrente da atividade exportadora da Fl. 510DF CARF MF 4 empresa com as contribuições previdenciárias. O parágrafo único veda apenas a compensação de "créditos" previdenciários com "débitos" de tributos federais. Corrobora esse entendimento, o fato de que o valor do débito extinto mediante compensação, segundo o dispositivo em comento, "será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis". Assim, a RFB deve creditar o produto da arrecadação previdenciária ao Fundo Regime Geral de Previdência Social, nos termos do § 1° do artigo 2o da Lei n° 11.457, de 2007, e não existe previsão para o contrário. A legislação ainda traz previsão de que o repasse do valor ao Fundo deve ocorrer "(...) após a data (...) em que for deferido o respectivo requerimento". Essa transferência de valores somente pode se dar em virtude de "requerimento de compensação", tal como procedido pela autuada. Portanto, o caput do art. 26 assegura a compensação de créditos de tributos e contribuições federais o PIS e a COFINS , com débitos de todos os tributos administrados pela RFB, dentre eles os débitos de contribuições previdenciárias, inclusive com a regulamentação específica de que o produto dos tributos compensados seja repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social. d) Ressarcimento e compensação. A IN RFB n° 900, de 2008, disciplina que o procedimento de ressarcimento deve ser feito por meio eletrônico, utilizandose da PER/DCOMP, assim como a compensação dos créditos de PIS/COFINS com Impostos Federais também devem ser feitas pela PER/DCOMP. Contudo, quanto à compensação dos créditos de PIS/COFINS com contribuições previdenciárias, este procedimento ainda não possui disponibilidade por meio eletrônico de Declaração de Compensação DCOMP. Entretanto, não obstante existir a ressalva sublinhada acima, existe formulário específico para tanto (IN RFB n° 900, de 2008, art. 98, VII e § 2°). Segundo se denota do Discriminativo do Débito DD, do Relatório de documentos apresentados RDA, do Relatório de apropriação de documentos apresentados RADA e do Relatório de Lançamentos RL; a compensação foi efetivada somente com as contribuições devidas pela empresa à seguridade social, efetuandose os pagamentos por meio de GPS dos valores devidos a título de SAT/RAT, Terceiros e rural. Ou seja, somente efetuou as compensações com os tributos administrados pela Receita Federal. Não havendo vedação legal à compensação em tela, aplicase o § 2o do artigo 98 da IN RFB n°900, de 2008, impondose a utilização do formulário do anexo VII da IN para as compensações que não puderem ser realizadas por PER/DCOMP, sendo esse o procedimento adotado pela defendente. e) Da compensação de oficio. Por outro lado, existindo em curso um processo de ressarcimento e um débito em aberto, deve ser garantida a liquidação, de ofício, do tributo. A verificação da existência de débitos informada acima também engloba as contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15940.001027/201057 Acórdão n.º 2301005.915 S2C3T1 Fl. 510 5 parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como as contribuições instituídas a título de substituição e em relação à Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, antes de se indeferir a compensação, previamente, deveria ter se respeitado o disposto no art. 7° do DecretoLei n° 2.287, de 1986, na redação do art. 114 da Lei n° 11.196, de 2005 (e Portaria Interministerial n° 23, de 2006), e realizado de ofício a compensação destes débitos com os créditos a serem ressarcidos, comunicando o contribuinte acerca deste procedimento. A interpretação levada a efeito pela fiscalização viola não só os dispositivos legais citados anteriormente, mas o princípio constitucional da isonomia, pois segundo esse entendimento somente seria autorizada a compensação "de ofício", ou seja, somente a autoridade fiscal poderia proceder a compensação entre débitos de contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. f) Da inexistência de coresponsabilidade do sócio. Embora não conste no IPC Instruções para o Contribuinte e nem na FLD Fundamentação Legal do Débito qualquer menção a dispositivo legal que sustente a pretensão de incluir como coresponsáveis à presente autuação as pessoas constantes no Relatório de Vínculos, deduzse que a autoridade fiscal pretendeu ampararse no art. 135 da Lei n° 5.172, de 1966, ou no art. 13 da Lei n° 8.620, de 1993. Contudo, este artigo foi revogado pela Lei n° 11.941, de 2009 (não sendo possível a disciplina da matéria por mera lei ordinária), e aquele exige a demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses legais de responsabilização pessoal (inexistente nos autos). Além disso, a indicação das pessoas no Relatório de Vínculos tem cunho meramente formal para fins cadastrais, sendo indevida a imputação de responsabilidade direta às pessoas ali indicadas, segundo entendimento consolidado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim, é de se afastar a coresponsabilidade das pessoas indicadas no Relatório de Vínculos do presente auto de infração. g) Pedidos. Por fim, requer o deferimento do direito de posterior juntada de documentos, da produção da prova pericial, com indicação de assistente técnico, e testemunhal; o acolhimento das preliminares de nulidade e, no mérito, a improcedência do lançamento, bem como protesta pela sustentação oral. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 0644.818 2.1. Fazse a transcrição da ementa contida no acórdão recorrido: COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PIS/PASEP E COFINS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 512DF CARF MF 6 Não se admite a compensação do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com as contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e àquelas instituídas a título de substituição. RELATÓRIO VÍNCULOS. NATUREZA. O Relatório “VÍNCULOS Relação de Vínculos” apenas lista as pessoas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não. 3. Nas razões recursais (efls 456/479) são deduzidas, em síntese, as mesmas alegações produzidas ao tempo da impugnação, conforme subdivisão apresentada a seguir: I. INTRÓITO. RATIFICAÇÃO DE ARGUMENTO DE CUNHO PROCESSUAL. AUTO DE INFRAÇÃO FORMALMENTE NULO. AUSÊNCIA DE NEXO ENTRE A ACUSAÇÃO, A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA E A DECISÃO PELA MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. (efls 458) II. LÓGICA E PRATICIDADE DO INSTITUTO DA COMPENSAÇÃO. INSTITUTO ADOTADO POR TODO O ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO E PREVISTO NO PRÓPRIO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL E NA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. (efls 459/461) III. ANTIJURIDICIDADE DA LEI 11.457/2007 E DA CORRESPONDENTE INSTRUÇÃO NORMATIVA 900/2008 VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ISONOMIA E DA RAZOABILIDADE. PRECEDENTES. (efls 462/478) 3.1. Fazse a transcrição do pedido (efls 479), Ex positis, requer se digne este Nobre Conselho a acatar o presente Recurso, tornando sem efeito o auto de infração em epígrafe, por ser nulo de pleno direito, consoante restou amplamente demonstrado pelas retro citadas Razões, tendo em vista a AUSÊNCIA DE NEXO ENTRE A ACUSAÇÃO, A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA E A DECISÃO PELA MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL; tendo em vista ainda a ANTIJURIDICIDADE DA LEI 11.457/2007 E DA CORRESPONDENTE INSTRUÇÃO NORMATIVA 900/2008, PRINCIPALMENTE POR VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ISONOMIA E DA RAZOABILIDADE, NA MEDIDA EM QUE VEDAM A COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS E DÉBITOS DA MESMA NATUREZA, ISTO É, NATUREZA TRIBUTÁRIA, OU SEJA, ENTRE CRÉDITOS DE COFINS EXPORTAÇÃO COM DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15940.001027/201057 Acórdão n.º 2301005.915 S2C3T1 Fl. 511 7 4. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ AANNTTIIJJUURRIIDDIICCIIDDAADDEE DDAA LLEEII 1111..445577//22000077 EE DDAA CCOORRRREESSPPOONNDDEENNTTEE IINNSSTTRRUUÇÇÃÃOO NNOORRMMAATTIIVVAA 990000//22000088 VVIIOOLLAAÇÇÃÃOO AAOOSS PPRRIINNCCÍÍPPIIOOSS CCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAAIISS DDAA IISSOONNOOMMIIAA EE DDAA RRAAZZOOAABBIILLIIDDAADDEE.. PPRREECCEEDDEENNTTEESS 5. No que respeita à argumentação deduzida às efls 462/478), não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre as questões ali apresentadas. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 6. Concernente às demais questões suscitadas no recurso, e diante dos termos do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do voto condutor: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 0644.818 5. Da preliminar de nulidade. O Relatório Fiscal narra de forma clara e precisa os fatos ocorridos e verificados no procedimento fiscal e que motivaram os lançamentos. 5.1. A fiscalização apresentou provas para lastrear a autuação, possibilitando o exercício do direito de defesa. A alegação genérica de incorreção na demonstração documental em relação aos dispositivos apontados como infringidos não tem o condão de gerar cerceamento do direito de defesa. 5.2. O enquadramento legal guarda relação de pertinência com os fatos narrados e com o lançamento efetuado, tendo sido exaustivamente exposto no relatório “FLD Fundamentos Legais do Débito” e no Relatório Fiscal, decorrendo sua extensão e complexidade da própria natureza da legislação previdenciária. 5.3. Ressaltese que os lançamentos não se lastrearam em presunção, mas na constatação de que as compensações efetuadas pela empresa em suas GFIPs são indevidas, tendose constituído o crédito tributário com base nas próprias declarações da empresa veiculadas nas GFIPs, uma vez efetuada a glosa das compensações. 5.4. Nesse contexto, não se verifica incoerência lógica ou qualquer outro vício capaz de configurar a inépcia do Relatório Fiscal ou dos demais anexos dos Autos Fl. 514DF CARF MF 8 de Infração, não se detectando nos autos qualquer indício de pessoalidade ou discricionariedade na atuação da fiscalização ou de violação a princípios constitucionais. 5.5. A leitura da impugnação revela que a autuada exerceu efetivamente seu direito de defesa, contestando tanto aspectos formais como materiais do lançamento. 5.6. Não prospera, destarte, a preliminar de nulidade. 6. Inviabilidade da compensação postulada. Os arts. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e 16 da Lei n° 11.116, de 2005 não autorizam que qualquer crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB possa ser utilizado na compensação de débito relativo a qualquer tributo administrado pela RFB. 6.1. De plano, ressaltese que a própria redação da parte final do inciso I do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, revela que a compensação do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve observar a legislação específica aplicável (o mesmo se aplicando ao pedido de ressarcimento em dinheiro, inciso II), in verbis: Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 6.2. Nesse ponto, destaquese que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins constituise em valor escriturário e de destinação constitucional diversa das contribuições previdenciárias, destinadas a financiar apenas a Previdência Social. 6.3. O art. 26 da Lei nº 11.457, de 2007, afasta expressamente a aplicabilidade do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e àquelas instituídas a título de substituição, como podemos observar: Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15940.001027/201057 Acórdão n.º 2301005.915 S2C3T1 Fl. 512 9 Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. 6.4. Frisese que o art. 26 da Lei n° 11.457, de 2007, não valida a compensação dos valores escriturários postulada pela impugnante, pois o caput determina que as receitas necessárias ao atendimento aos benefícios sejam creditadas diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no prazo máximo de dois dias úteis e o parágrafo único afastada a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 6.5. Além disso, o art. 66, § 1°, da Lei n° 8.383, de 1991, expressamente determina que: Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. 6.6. A impossibilidade da compensação postulada pela impugnante se mantém desde os tempos do Instituto Nacional do Seguro Social: Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89 (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009) 6.7. O entendimento esposado encontra respaldo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA ANTIGA RECEITA FEDERAL COM CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VEDAÇÃO DO ART. 26 DA LEI Nº 11.457/07. 1. "É ilegítima a compensação de créditos tributários administrados pela antiga Receita Federal (PIS e COFINS decorrentes de exportação) com débitos de natureza previdenciária antes administrados pelo INSS (art. 11 da Lei n. 8.212/91), ante a vedação legal estabelecida no art. 26 da Lei n. 11.457/07. Precedentes." (REsp 1.243.162/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 28/03/2012) 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1276552/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/10/2013, DJe 29/10/2013) Fl. 516DF CARF MF 10 RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA ANTIGA RECEITA FEDERAL (CRÉDITOS DE PIS E COFINS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO) COM CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 26 DA LEI Nº 11.457/07. PRECEDENTES. 1. É ilegítima a compensação de créditos tributários administrados pela antiga Receita Federal (PIS e COFINS decorrentes de exportação) com débitos de natureza previdenciária antes administrados pelo INSS (art. 11 da Lei n. 8.212/91), ante a vedação legal estabelecida no art. 26 da Lei n. 11.457/07. Precedentes. 2. O art. 170 do CTN é claro ao submeter o regime de compensação à expressa previsão legal. Em outras palavras, é ilegítima a compensação não prevista em lei. No caso, há regra expressa no ordenamento jurídico, especificamente o art. 26 da Lei 11.457/07, a impedir a compensação pretendida pela recorrente. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1243162/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/03/2012, DJe 28/03/2012) 6.8. Portanto, não prospera a interpretação contra legem efetivada pela impugnante dos arts. 34 e 44, § 6°, da IN RFB n° 900, de 2008, e nem sua leitura do art. 26 da Lei n° 11.457, de 2007. 7. Do ressarcimento e compensação via formulário anexo VII da IN RFB n° 900, de 2008. Houve lançamento por glosa de indevida compensação informada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, tendo a fiscalização noticiado que Pedidos de Ressarcimento (COFINS – Não Cumulativa Exportação) efetivados por meio do formulário anexo VII da IN RFB n° 900, de 2008, foram considerados não declarados. 7.2. Logo, as alegações pertinentes ao cabimento da utilização do formulário do anexo VII da IN RFB n° 900, de 2008, em pedido de ressarcimento são estranhas ao objeto do presente lançamento fiscal, além disso partem da já rechaçada premissa de ser possível a compensação defendida pela impugnante. 8. Da compensação de ofício. Não há possibilidade de compensação de ofício, uma vez que a legislação veda a compensação pretendida. Além disso, a prova carreada aos autos pela fiscalização revela que os Pedidos de Ressarcimento via formulário – anexo VII da IN RFB n° 900, de 2008, resultaram na nãodeclaração da compensação (fls. 246/381). Assim, de plano, afastase a alegação de violação do princípio da isonomia. 9. Da suposta coresponsabilidade. O Relatório “VÍNCULOS – Relação de Vínculos” apenas lista as pessoas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, não havendo, até o presente momento, imputação de coresponsabilidade. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 0644.818 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15940.001027/201057 Acórdão n.º 2301005.915 S2C3T1 Fl. 513 11 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000344/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. FISCALIZAÇÃO REALIZADA EM LOCAL DIVERSO AO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DA CONTRIBUINTE. DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA O DOMÍCILIO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE RECONHECIDA POR VÍCIO FORMAL.
Deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, por vício formal, em razão do procedimento de fiscalização ter sido procedido em local diverso ao domicílio tributário da contribuinte, ocasionando cerceamento ao direito de defesa da contribuinte.
Numero da decisão: 2202-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício formal, vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles (relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson e Thiago Duca Amone (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. FISCALIZAÇÃO REALIZADA EM LOCAL DIVERSO AO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DA CONTRIBUINTE. DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA O DOMÍCILIO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE RECONHECIDA POR VÍCIO FORMAL. Deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, por vício formal, em razão do procedimento de fiscalização ter sido procedido em local diverso ao domicílio tributário da contribuinte, ocasionando cerceamento ao direito de defesa da contribuinte.
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MONTREAL INFORMÁTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. FISCALIZAÇÃO REALIZADA EM LOCAL DIVERSO AO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DA CONTRIBUINTE. DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA O DOMÍCILIO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE RECONHECIDA POR VÍCIO FORMAL. Deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, por vício formal, em razão do procedimento de fiscalização ter sido procedido em local diverso ao domicílio tributário da contribuinte, ocasionando cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício formal, vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles (relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 44 /2 00 8- 32 Fl. 2903DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson e Thiago Duca Amone (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra DecisãoNotificação n. 17.401.4/0819/2006 (efls. 1484 e ss) da então Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro, que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório da DecisãoNotificação recorrida, na parte anterior à decisão: DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito previdenciário relativo às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados, correspondentes à parte da Empresa. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 7.758.957,72 (sete milhões, setecentos e cinquenta e oito mil, novecentos e cinquenta e sete reais e setenta e dois centavos), consolidado em 24/08/2006. 3. Mandados de Procedimento Fiscal regularmente emitidos, compatíveis com os períodos de fiscalização e apuração do crédito, com a devida ciência do contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO 4. Notificada do lançamento em 25/08/2006, por meio dos Correios, conforme comprova Aviso de Recebimento, de fls. 1267, a empresa impetrou defesa tempestiva, de fls. 1269/1303, juntando os documentos de fls. 1304/1392, que comprovam a capacidade postulatória dos advogados que assinam a peça e trazendo as alegações a seguir, reproduzidas em síntese: Das preliminares Da ausência de fiscalização 5.1. o principal fundamento utilizado pela fiscalização para imputar débitos à impugnante foi a desconsideração dos seus atos negociais, partindo do pressuposto de que estes atos revelam a existência de fatos geradores; 5.2. em nenhum momento, a fiscalização examinou a materialidade destes contratos e destas despesas e, em nenhum momento, o fato gerador foi efetivamente examinado; 5.3. em um ano e dois meses da presença fiscal na empresa, nenhum dos fiscais que permaneceram lá buscou informações acerca da existência ou não desses contratos de trabalho através de abordagem dos trabalhadores; Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.904 3 5.4. esta intencional rejeição à realidade vicia de forma irremediável toda a atuação fiscal, a qual deve se pautar pela primazia da realidade, pela verdade material e não meramente por aparências; 5.5. a fiscalização que permaneceu nas dependências da impugnante não possuía competência para realizar este procedimento, pois a sede da empresa está localizada na Rua Capitão Soares, n° 04 Rio das Flores, Rio de janeiro, não estando portanto na abrangência desta Delegacia Previdenciária, sendo o ato nulo de pleno direito; Do cerceamento de defesa 5.6. diversos documentos foram solicitados nos dias que antecederam o termo final da fiscalização e como o volume corresponde a mais de uma sala, estes somente poderiam ser apresentados paulatinamente, o que foi feito pela empresa, ressaltando que a fiscalização recusouse a dar recibo de entrega de qualquer informação; 5.7. por este motivo, a impugnante enviou mensagens de correio eletrônico confirmando a apresentação dos documentos requeridos, os quais a maioria das vezes sequer foram respondidos; 5.8. a empresa nunca se recusou a fornecer qualquer documento ou tentou sonegar informações, somandose a isso que os documentos encontravamse na sede da impugnante em Rio das Flores; 5.9. foi cerceado o direito de defesa da empresa, tendose lavrado autuação que não reflete a realidade, revelandose não razoável e desproporcional à sua capacidade econômica, tendo a NFLD por base fatos inverídicos, sem que fosse dada oportunidade à empresa de fazer prova em contrário; 5.10. foi solenemente ignorado o art. 29 da Lei 9784/99, pois ao impor prazos e locais para apresentação de documentos , a fiscalização deveria ter se guiado pela regra do artigo citado proporcionando uma defesa concreta e menos onerosa para a impugnante; Da inexistência de descrição precisa dos fatos geradores 5.11. o art. 37 da Lei 8212/91 e art. 5o, LV, da Constituição da República, foram solenemente ignorados pela fiscalização, precisamente no que se refere à lavratura da NFLD, pois a fiscalização limitouse a descrever em tese os fundamentos legais do débito, mencionando apenas o período onde supostamente haveria débitos; 5.12. em nenhum momento, está indicado o fato gerador ou a base de cálculo exata, nem há identificação dos segurados empregados ou contribuintes individuais constantes das folhas de Fl. 2905DF CARF MF 4 pagamento em relação aos quais não teria havido o recolhimento previdenciário; 5.13. em toda NFLD só há indicação dos valores devidos, sem que haja informação sobre a base de cálculo ou alíquotas utilizadas, estando prejudicado o direito de defesa da empresa pela absoluta falta de discriminação clara e precisa dos débitos, reproduzindo doutrina em favor de sua tese; 5.14. deve ser reconhecida a nulidade do lançamento em razão das omissões transcritas; Do não aproveitamento da documentação obrigatória e da utilização ilegal de documentos secundários 5.15. como prevê o art. 33, § 2o, da Lei 8212/91, a fiscalização deve se ater aos livros comerciais dos contribuintes, posto que estes são suficientes para verificação do fato gerador, no entanto a fiscalização não levou em conta esta documentação e optou sem justificativa alguma pelo arquivo digital denominado FOPAG.TXT; 5.16. é flagrante a ilegalidade da conduta fiscal, que ignorou a existência de livros fiscais, mas não lavrou autodeinfração fundamentando e declarando a imprestabilidade de referida documentação; 5.17. a fiscalização utilizou dados desprovidos de qualquer formalidade legal, procedendo a um arbitramento ilegal, posto que utilizou fonte secundária; Da inequívoca ocorrência de decadência dos débitos anteriores a julho de 2001 5.18. a teor do § 4o do art. 150 do CTN, e considerando que a sistemática de cobrança das contribuições previdenciárias obedece à modalidade de lançamento por homologação, decorridos 05 anos da data de ocorrência do fato gerador sem que a competente autoridade tenha se pronunciado a respeito da validade do recolhimento da contribuição, extinguese o respectivo crédito tributário. 5.19. Assim, o direito de o INSS exigir os créditos tributários com fatos geradores até julho de 2001 encontrase extinto pela decadência. 5.20. no caso presente, o que se busca não é a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, mas sim a correta interpretação da Constituição Federal e, com isso, a aplicação da norma que melhor reflete seu espírito, ou seja, o § 4o do art. 150 do CTN. Do direito Do vício de vontade dos auditores previdenciários durante a fiscalização 5.21. Em que pesem todos os fundamentos lançados no relatório fiscal, fica evidente que a fiscalização não se preocupou em verificar o desajuste entre os fatos e a norma. Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.905 5 5.22. Partindo da premissa de que os contratos de prestação de serviços analisados eram mera simulação de uma relação de trabalho, os fiscais buscaram elementos neste mesmo contrato considerado simulado para fundamentar seus procedimentos. 5.23. Ao verificarem que diversas empresas prestadoras de serviço possuíam o mesmo contador e o mesmo endereço na Secretaria da Receita Federal, os auditores deveriam ter ido até o local verificar, não se podendo esperar que a impugnante tenha que explicar os motivos desse fato. 5.24. Em momento algum do relatório fiscal, há uma citação que demonstre a iniciativa dos fiscais em fazer perguntas, observar o movimento e verificar o trabalho das pessoas. Da desconsideração da personalidade jurídica feita por órgão não competente 5.25. A teor do art. 50 do Código Civil, o Poder Judiciário é o único legitimado para desconsiderar a personalidade de pessoa jurídica. 5.26. A única desconsideração que o fiscal de contribuições previdenciárias está apto a fazer é a que existe entre a empresa e seus prestadores pessoas físicas, como se depreende dos arts. 9o e 229 § 2o do Decreto 3.048/99. 5.27. não existe o menor indício de fraude nos contratos de prestação de serviço firmados pela impugnante. Da inexistência de vínculo empregatício 5.28. a fiscalização demonstra seu total despreparo ao cunhar a inédita expressão "pessoas físicas de fato". 5.29. os auditores faltam com a verdade quando afirmam que o termo "contratada", constante dos contratos, se refere a pessoas físicas, pois em nenhum deles é citado o nome da pessoa que irá prestar os serviços. 5.30. mesmo que assim não fosse, é evidente que, ao firmar um contrato de prestação de serviço técnico ou intelectual, a impugnante pudesse escolher quem efetivamente prestaria aqueles serviços. 5.31. mesmo tendo passado mais de um ano nas dependências da impugnante, os três auditores nunca se preocuparam em analisar as características do ambiente de trabalho que os cercava. 5.32. a autuação chega ao extremo de considerar a existência do elemento pessoalidade sem ao menos indicar o nome das pessoas que supostamente trabalhariam para a impugnante. 5.33. a impugnante anexa declarações de empresas no que diz respeito ao seu número de funcionários e certidões de regularidade previdenciária. Fl. 2907DF CARF MF 6 5.34. os auditores confundem exclusividade de prestação de serviços entre empresas com a exclusividade do empregado com seu empregador. 5.35. ainda que assim não fosse, os poucos contratos que possuem cláusula de exclusividade são aqueles cuja estratégia de atuação recomenda tal característica. 5.36. quanto à eventualidade, é evidente que, ao celebrar um contrato de prestação de serviço, a empresa contratante especifique os dias e horários em que esse serviço será prestado, sempre de acordo com suas conveniências, sem que isso configure qualquer relação ou vínculo empregatício. 5.37. a remuneração fixa em todos os contratos de prestação de serviço não é suficiente para configurar relação de trabalho. 5.38. não há subordinação jurídica entre a impugnante e os sócios/funcionários das empresas contratadas, mas apenas supervisão. 5.39. outrossim, é evidente que a impugnante não poderia aplicar sanções disciplinares aos sócios das empresas contratadas, ficando limitada à rescisão do contrato. 5.40. a Justiça trabalhista não reconheceu vínculo empregatício tido como existente pela fiscalização. 5.41. diversas empresas que prestam serviços à impugnante foram constituídas anos antes da celebração dos contratos. 5.42. não foi respeitada a regra primária da limitação da base de cálculo incidente ao limite legalmente estabelecido de 10 salários de contribuição (art. 20 c/c 28 § 5o da Lei 8.212/91), o que caracteriza o crime de excesso de exação. 5.43. tece considerações sobre o mercado de tecnologia da informação e a necessidade de união de empresas menores para enfrentar a concorrência das grandes corporações. Da necessidade de realização de diligência 5.44. como o direito de defesa restou prejudicado, só a baixa do feito em diligência poderá comprovar fatos fundamentais, a fim de que a fiscalização analise atentamente a documentação fornecida pela impugnante que foi ignorada quando da lavratura da NFLD; 5.45 como está assentado na doutrina, o processo administrativo fiscal busca a5 verdade material, sendo admitida a apresentação de novos documentos no curso do processo e devendo ser acolhido o pedido de diligência; 5.46. a não realização da diligência impedirá que o julgador conheça as verdadeiras razões de defesa da impugnante, o que induvidosamente acarretará a nulidade da autuação; 6. Por fim, solicita o contribuinte que seja declarada a nulidade, com base nas preliminares apresentadas; que seja declarada a extinção dos débitos cujos fatos geradores são anteriores a julho Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.906 7 de 2001, face à decadência quinquenal; que, se não acolhidos os pedidos acima, seja declarada a insubsistência do lançamento; e por fim, pugna pela realização de diligência com o escopo de analisar a documentação que está à disposição da fiscalização, protestando, ainda, pela apresentação superveniente de provas. O lançamento foi julgado procedente. A decisão teve a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. O sujeito passivo descumpriu obrigação principal, deixando de recolher as contribuições a seu cargo, conforme dispõe o art. 30, I da Lei 8212/91, constituindose um crédito para o INSS, decorrente do lançamento. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1520 e ss), repisando em grande parte os termos da impugnação, em apertada síntese: uma decisão liminar considerou legítimo o arrolamento da totalidade dos bens do ativo permanente da Recorrente, para os fins da garantia de instância, possibilitando, assim, o conhecimento do presente recurso voluntário; pugnase pela juntada dos documentos acostado ao presente, bem como os que venha posteriormente venham a ser juntadas, tendo em vista o princípio da verdade material; da decadência dos débitos anteriores a julho de 2001 os auditores partiram de seu entendimento subjetivo, de que a contratação de microempresas prestadoras de serviço é um expediente utilizado para mascarar relações de trabalho e, assim, fraudar a Previdência Social; passaram então a criar situações que comprovassem esses absurdos, contrariando todas as normas e princípios que devem guiar os atos da administração pública; a fiscalização partiu de verdades/indícios criados por eles e buscaram fatos para embasálos, sendo que essa conduta não se pode denominar de fiscalização, pois se eximiu dos fatos concretos; a autoridade administrativa teve como ponto de partida a conclusão, seguido pelo exame parcial da base documental que em tese a fundamentaria, desprezando completamente os fatos e todos os demais documentos e provas que evidenciam o contrário; a presunção é um meio de prova lógico, utilizado apenas quando existirem indícios de irregularidades e não se puder conhecer a questão de fato por outros meios, sendo que a fiscalização não encontrou nenhum indício de irregularidade nas atividades da Recorrente, o que ocorreu foram opiniões pessoais sobre a contratação de empresas prestadoras de serviço; existem diversas empresas que prestaram serviços à Recorrente e foram constituídas anos antes da celebração do contrato presumidamente fraudulento, Fl. 2909DF CARF MF 8 os fatos comprovam que os contratos foram formados com o propósito de possibilitar a prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas; tece considerações sobre o mercado de tecnologia da informação, com uma grande quantidade de atividades necessárias ao seu desenvolvimento, o gera a necessidade da contratação de serviços de outras pessoas jurídicas, as quais sejam especializadas em determinados ramos específicos, devido ao alto grau de complexidade e especialização, seria difícil imaginar que existe subordinação da Recorrente sobre os funcionários das empresas prestadoras de serviço, pelo simples fato de que a primeira não possui conhecimento técnico necessário para isso; o que existe é a fiscalização do cumprimento do contrato, ou seja, do "produto" apresentado e não da pessoa do profissional; as empresas que prestam serviço a Recorrente, por muitas vezes, possuem atividades econômicas distintas e que nem de perto se confundem com a atividadefim da Recorrente; somente o Judiciário teria a prerrogativa de desconsiderar a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas, conforme consta do art. 50 do Código Civil; inexiste o elemento pessoalidade nos contratos de prestação de serviços, diferente do entendimento da fiscalização; em nenhum contrato analisado pela fiscalização consta o nome da pessoa que irá prestar os serviços, o que se tem de fato é um contrato de prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas; ao firmar um contrato de serviço técnico e/ou intelectual é normal que a contratante verifique se a empresa contratada possui funcionários habilitados para aquela função, o que explica os currículos e diplomas encontrados pela fiscalização; como se pode reconhecer uma relação de trabalho sem ao menos ter ido até o local da prestação do serviço, uma vez que muitas empresas que prestam serviço à Recorrente estarem situadas em outros estados brasileiros; alguns contratos prevêem a alocação de mais de um profissional para a prestação do serviço, como poderia coexistir a pessoalidade com a pluralidade de pessoas; os auditores confundem exclusividade de prestação de serviços entre empresas com a exclusividade do empregado com seu empregador; ainda que assim não fosse, os poucos contratos que possuem cláusula de exclusividade são aqueles cuja estratégia de atuação recomenda tal característica; quanto à nãoeventualidade, o simples fato do objeto de alguns contratos referirse a "serviços de informática", não leva a conclusão feita pela fiscalização de que se trata de serviços relacionados ao objeto social da Recorrente, uma vez que a expressão "serviços" de informática engloba um enorme números de atividades completamente distintas uma das outras; Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.907 9 os documentos ora juntados, comprovam que as pessoas jurídicas desconstituídas pela fiscalização prestam uma infinidade de serviços, sendo impossível concluir, sem a análise concreta dos fatos, que estes coincidem com a atividade fim da Recorrente; no que se refere à remuneração, esclarece que remuneração fixa nos contratos de prestação de serviço não é suficiente para configurar relação de trabalho; o reajuste dos contratos por índices determinados não permite concluir por indício de fraude, a livre negociação entre as partes em um contrato particular firmado por duas pessoas jurídicas, permite que se estipule qualquer índice oficial como parâmetro; não há subordinação jurídica entre a impugnante e os sócios/funcionários das empresas contratadas, mas apenas supervisão; a prestação dos serviços intelectuais em exame se desenvolveu em completa autonomia e independência; que a autoridade administrativa partiu tão somente da análise de alguns contratos para declarar a existência de subordinação jurídica, sem que para tanto tenha investigado como a prestação dos serviços se desenvolvia no diaadia, ou seja, se "esqueceu" da realidade; sem a comprovação de que os serviços prestados eram, em verdade, comandados pela tomadora, inadmissível é a configuração de vínculo empregatício; a relação de emprego não pode ser presumida, deve ser evidenciada em cada relação jurídica distinta pela presença de todos os elementos que caracterizam o vínculo trabalhista; colaciona decisões judiciais e Pareceres para embasar suas alegações; anexa alguns documentos de seus prestadoras de serviços, no intuito de comprovar sua alegações; protesta pela apresentação superveniente de novas provas, dada a exiguidade do prazo legal para o exercício efetivo de direito à ampla defesa, tendo em vista que a bizarra ação fiscal à qual foi submetida durou mais de um ano. requer, por fim, a reforma da DecisãoNotificação, com a consequente anulação integral do débito lançado. Em 06/03/2007, o Serviço de Contencioso Administrativo (efls. 2.767), encaminhou o presente processo ao Serviço de Fiscalização, para análise dos documentos juntados aos autos (fls. 1486/2098), junto com o Recurso apresentado, onde o Recorrente tenta provar a condição de Pessoa Jurídica relativa a cinco empresas. Em 21 de novembro de 2007, foi emitida Informação Fiscal (efls. 2.770/2;773), com os seguintes esclarecimentos: · A documentação apresentada referente às empresas VP IMPRESSOS LASER LTDA..CPS CONSULTORIA PROCESSAMENTO E Fl. 2911DF CARF MF 10 SISTEMAS LTDA, ARCEL CONTABILIDADE, ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA., ANDRÔMEDA INFORMÁTICA LTDA, ALTERNATIVA INFORMÁTICA LTDA. (fls. 1567 a 2057) não foi analisada visto que tais empresas não constam no levantamento objeto desta NFLD. · A MI Montreal apresentou na peça do recurso declaração da prestadora TECRIO BRASIL ENGENHARIA DE SOFTWARE informando que nenhum sócio, colaborador ou empregado podem ser caracterizados como empregados de seus clientes (no caso, Ml Montreal). A MI Montreal também alega que nunca houve vínculo empregatício dos sócios das empresas prestadoras de serviço com a MI Montreal. No entanto, destaquese, por oportuno, que o sócio LUIZ CARLOS PAIXÃO (CPF: 731.303.54700) da empresa TECRIO BRASIL ENGENHARIA DE SOFTWARE Ltda (CNPJ; 01.862.743/000133) consta na RAIS Relações Anuais de Informações Sociais (período 01/1996 a 01/2002) e Folhas de Pagamento da MI Montreal, (período 01/2001 a 01/2002) além de receber remuneração sob a forma de "Pessoa Jurídica" conforme demonstrado no quadro comparativo constate da Informação Fiscal; · a MI Montreal apresentou na peça do recurso várias notas da empresa TECRIO BRASIL ENGENHARIA DE SOFTWARE, sendo que a esmagadora maioria delas são de notas fiscais emitidas pela empresa ON LINE PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, sediada no mesmo endereço da MI Montreal e seu cadastro indica o mesmo sócio da MI Montreal Paulo Sérgio Assumpção; · Conclui então "Considerando que o conjunto das evidências já elencadas no Relatório Fiscal e corroboradas pelos novos documentos anexados à peça do recurso acaba por caracterizar, de forma irrefutável, a existência da relação de emprego com a MI Montreal nos serviços prestados através de pessoas jurídicas, esta Fiscalização conclui pela manutenção da totalidade do crédito previdenciário apurado, sem qualquer retificação". Em 14 de maio de 2013 (efls. 2.782), a Recorrente requer a juntada: (i) do Laudo Técnico Pericial acerca do arquivo utilizado pela fiscalização; (ii) do acórdão com certidão de trânsito em julgado proferido em demanda própria reconhecendo como domicílio fiscal da Empresa Município diverso daquele em que foi procedida a fiscalização, bem como (iii) de documentos que comprovam que outras fiscalizações foram realizadas no domicílio fiscal da Empresa, em Rio das Flores Volta Redonda/RJ). Em 11 de fevereiro de 2015, foi proferido o Acórdão n. 2302003.643 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer da preliminar argüida em plenário, frente à preclusão, na forma do inciso III, do artigo 16, do Decreto n.° 70.235/72. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo a desconsideração dos serviços prestados por interpostas pessoas jurídicas, para considerálos como prestados por segurados Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.908 11 empregados. Fez sustentação oral: Diogo Pedro de Farias Ourique OAB/RJ 139.059. O voto do conselheiro relator ficou consignado da seguinte forma, in verbis: Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou regno istrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por não conhecer da preliminar argüida em plenário, frente à preclusão, na forma do inciso III, do artigo 16, do Decreto n.° 70.235/72 e em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo a desconsideração dos serviços prestados por interpostas pessoas jurídicas, para considerálos como prestados por segurados empregados. Em 19 de novembro de 2015, o contribuinte tomou ciência da decisão emanada pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, tendo apresentado Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando, em apertada síntese, a inexistência do Acórdão, por não conter os requisitos mínimos necessários de uma decisão, devendo por consequencia ser declarado sua nulidade. Em 03 de junho de 2016, no momento do Exame de Admissibilidade do Recurso Especial (efls. 2.885 e ss), constatouse ter ocorrido evidente erro material do Acórdão n. 2302003.643, de 11/02/2015, devendo o mesmo ser revisto. Em 05 de junho de 2018, foi proferido o Acórdão n. 2202004.495 pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados com efeitos infringentes, para reconhecer a nulidade do acórdão embargado. Após a ciência desta decisão aos interessados, o processo deverá ser redistribuído para novo julgamento do recurso voluntário. Em 28/11/2018, o presente processo foi encaminhado para novo julgamento, tendo em vista a anulação do Acórdão. Durante a sessão de julgamento, o Patrono da Contribuinte, em sua sustentação oral em tribuna, solicita a declaração da nulidade material do lançamento, uma vez que com base na decisão judicial transitada em julgado do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ficou decidido que o domicílio tributário do contribuinte seria Rua Capitão Jorge Soares n. 04, Centro Município de Rio das Flores RJ (efls. 2786 e ss) e não onde foi realizada Fl. 2913DF CARF MF 12 a fiscalização. Por consequencia, entende o Recorrente que houve um cerceamento do seu direito de defesa, em razão da fiscalização ter sido realizada fora de sua domicílio tributário. É o relatório. Voto Vencido Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Da Nulidade do Lançamento Primeiramente, cabe destacar que a Recorrente não havia solicitado em seu recurso voluntário esta preliminar de nulidade. Durante a sessão de julgamento, o Patrono da Contribuinte, em sua sustentação oral em tribuna, solicita a declaração da nulidade material do lançamento, uma vez que com base na decisão judicial transitada em julgado do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, processo n. 2003.51010224300, ficou decidido que o domicílio tributário do contribuinte seria Rua Capitão Jorge Soares n. 04, Centro Município de Rio das Flores RJ (efls. 2786 e ss) e não onde foi realizada a fiscalização. Por consequencia, entende o Recorrente que houve um cerceamento do seu direito de defesa, em razão da fiscalização ter sido realizada fora de sua domicílio tributário. Analisando o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (processo n. 2003.51010224300), constatase que o mesmo foi proferido em 15 de agosto de 2007, sendo que o seu recurso voluntário foi apresentado em dezembro de 2006, logo este documento deve ser analisado por esta Turma de Julgamento, por se tratar da exceção prevista no inciso II, parágrafo quatro, do art. 16, do Decreto 70.235/72. Passamos então analisar o argumento de cerceamento de direito de defesa alegado pelo Recorrente. De fato a fiscalização ocorreu no endereço Rua São José n. 90 7ª Andar Centro/Rio de Janeiro, conforme se verifica no Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF (efls. 35), diferente do domicílio tributário determinado pela decisão judicial do TRF 2ª Região, decisão esta de 15 de agosto de 2007, qual seja Rua Capitão Jorge Soares n. 04, Centro Município de Rio das Flores RJ. A fiscalização teve início em 30/05/2005, conforme se constata do Mandado de Procedimento Fiscal n. 09241334 (efls. 36), tendo sido encerrada em 24/08/2006, segundo Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (efls. 284/288), com a devida ciência da Contribuinte em 25/08/2006. Constatase ainda (efls. 628/629) que a fiscalização à época devida solicitou o devido esclarecimento junto à ProcuradoriaGeral Federal quanto domicílio fiscal do contribuinte, onde deveria ser realizada a fiscalização, tendo sido apresentada a seguinte conclusão no Parecer da Procuradoria, em 18/06/2005: Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.909 13 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. Em 21 de julho de 2005, com o Parecer da Procuradoria, foi que o Delegado da Receita Previdenciária (efls. 630) decidiu pelo prosseguimento da ação fiscal na Rua São José n. 90 7ª Andar Centro/Rio de Janeiro. Tais informações constam dentro do item 11 DAS CONSIDERAÇÕES GERAIS, mais especificamente item 11.1 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (efls. 308/309). Compulsando os autos, consta a decisão judicial emitida pelo Juiz Federal responsável pela 19 Vara Federal do Rio de Janeiro (processo n. 2003.51010224300) que julgou improcedente o pedido da Contribuinte, tendo considerado justificada a recusa do INSS a aceitar o domicílio eleito (efls. 619/623), decisão esta de 28/04/2004. A Contribuinte entrou ainda com uma Medida Cautelar Inominada, junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (efls. 624/627 processo n. 2005.02.01.00553337), com pedido de liminar, visando à declaração de que o domicílio fiscal da requerente e sua sede no município de Rio das Flores, e não aquele existente no município do Rio de Janeiro, pretensão que restou repelida no primeiro grau de jurisdição em sentença prolatada nos autos principais pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, tendo sido a petição inicial indeferida em 21 de junho de 2005. Constatase então que somente em 15 de agosto de 2007 que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região deu provimento ao recurso de apelação para "(...) reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ (...)", logo durante todo procedimento fiscal entre 30/05/2005 a 25/08/2006, existia uma decisão judicial de primeira instância que considerava o domicílio tributário da Contribuinte, onde foi realizada a fiscalização. Com isso, entendo não ter ocorrido o cerceamento de defesa pleiteada pela Recorrente, rejeito então a preliminar de nulidade. Da Decadência Alega o Recorrente que a teor do art. 150 do CTN, e considerando que a sistemática de cobrança das contribuições previdenciárias obedece à modalidade de lançamento por homologação, logo parte do crédito tributário lançado estaria decadente. O presente crédito previdenciário referese ao lançamento de obrigação tributária principal, abrangendo as competências 01/2001 até 05/2005, e foi efetuado em 25/08/2006 (efls. 1325/1326), com a ciência do contribuinte da NFLD. É necessário observar que o Código Tributário Nacional (CTN) trata da decadência como regra geral no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 2915DF CARF MF 14 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação e como regra especial, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.) Tem sido, entretanto, entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Nesse caminhar, se o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.910 15 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa'–, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) ......................................................................................................... .......................... "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.(...) 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Extraíse desse contexto jurídico que, na hipótese de lançamento por homologação com a ocorrência de pagamento antecipado (parcial), a sistemática adotada pelo CTN, para a aplicação da regra decadencial contida no inciso I do art. 173, exige a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (parte final do § 4º do art. 150 do CTN). Fl. 2917DF CARF MF 16 Sendo assim, no julgamento do presente recurso de ofício, precisa ser verificado se houve, efetivamente, o pagamento antecipado de contribuições e se, realmente, não ocorreu dolo, fraude ou simulação. No caso das contribuições previdenciárias, inclusive já foi sumulado pelo CARF que "caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração" Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o. do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Notese que tal súmula está a tratar de salário indireto, ou seja, de verbas recebidas pelo empregado, mas não incluídas, pelo empregador, na base de cálculo das contribuições, como ocorre quando o empregado recebe, por exemplo, participação nos lucros, previdência privada, auxílio educação, etc, porém, pagas em desconformidade com a legislação, e a fiscalização enquadra tais verbas com salário. Dessa forma, tendo a empresa recolhido as contribuições normais em relação ao salário do empregado, temse por caracterizada a antecipação de pagamento em relação ao salário indireto pago. Segue nessa linha a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto do voto condutor do Acórdão n° 9202005.177, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): De imediato, refuto a tese do acórdão recorrido de que aplicável, ao caso concreto, a súmula CARF n° 99. A referida súmula teve por objetivo pacificar entendimento nos casos de salários indiretos, em que ocorrem lançamentos de diversas rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será aplicável, unicamente, aos lançamentos que envolvam salários indiretos, tais como: PLR, vale alimentação, fornecimento de educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que podem constituir salários indiretos, quando fornecidos fora das hipóteses de exclusão do conceito de salário de contribuição, previstas no art. 28, § 9o da Lei 8212/91. Fica fácil essa constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula CARF n° 99. Todavia, não é o que ocorre no caso em análise, uma vez que a base de cálculo, apurada pela fiscalização, diz respeito a segurados que sequer tinham sido considerados como empregados pela Recorrente, mas sim pessoas jurídicas contratadas. Logo, mesmo que a Recorrente tenha efetuado recolhimento em relação à sua folha normal de salários, tais recolhimentos não se amoldam à antecipação prevista no art. 150, do CTN, em relação aos prestadores "pejotizados", motivo pelo qual deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma. Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.911 17 B) Da ocorrência de dolo, fraude ou simulação Analisando o Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (efls.288 e ss), o que vislumbro no caso em questão seria uma fraude objetiva nas relações empregatícias, pois ocorrendo a presença material dos requisitos da relação de emprego, a fiscalização desconsiderou (reclassificou) o vínculo associativo pactuado e efetuou o respectivo enquadramento para o segurado na qualidade de empregado, conforme preconiza o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. Com isso, no meu entendimento, a fiscalização não se aprofundou em demonstrar a fraude subjetiva por parte do contribuinte, a qual demonstraria uma ato volitivo de vontade por parte do contribuinte. Diante do quadro que se apresenta, considero não ter ocorrido recolhimentos que se amoldam à antecipação prevista no art. 150 do CTN, a fim de autorizar a contagem do prazo decadencial a partir dos fatos geradores. Sendo assim, o dies a quo da contagem corresponderá ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 171 inciso I do CTN. Dessa forma, tendo o lançamento ocorrido em 25/08/2006, concluise então que nenhuma das competências do presente lançamento, 01/2001 até 05/2005, estão sujeitas ao instituto da decadência, nos termos do art. 173 inciso I do CTN. Da Juntada de Provas no Curso do Processo Administrativo Alega o Recorrente que em respeito ao princípio da verdade material, todas as provas e fatos de que se tenha conhecimento devem ser considerados na análise do processo em questão, sendo permitido determinar a produção até mesmo de novas provas, quando elas forem capazes de influenciar na decisão. Solicita então o Recorrente a juntada dos documentos acostados ao Recurso, bem como os que posteriormente venham a ser juntados, visto que necessários ao deslinde da questão. A este respeito, assim dispõe o Decreto 70.235/72 que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: Art.16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou Fl. 2919DF CARF MF 18 III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O princípio do ônus da prova é inerente a todo ordenamento jurídico, sendo que deve ser obedecido também na esfera administrativa. Assim, incumbe ao impugnante apresentar tempestivamente, ou seja, junto com a impugnação/recurso, as provas em direito admitidas, pois o ônus da prova cabe a quem alega, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assim, concluise pela preclusão do direito de apresentação de novos documentos, salvo nas hipóteses previstas na legislação. Desse modo, só serão analisados por esta decisão os documentos juntados pela Recorrente no momento de sua impugnação, salvo ficar demonstrado nos autos de forma clara por parte do Recorrente uma das situações previstas na legislação acima. Quanto aos documentos juntados pelo Recorrente (efls. 1.570/ 2.760), em sede de recurso voluntário, já foram aceitos, pelo Serviço de Contencioso Administrativo (efls. 2.767), em 06/03/2007, tendo inclusive sido objeto de diligência fiscal. O resultado da diligência fiscal foi efetivada por meio da Informação Fiscal (efls. 2.770/2.773). Por outro lado, a Recorrente, em 14 de maio de 2013 (efls. 2.782), requer a juntada (efls. 2.784/2.816): (i) do Laudo Técnico Pericial acerca do arquivo utilizado pela fiscalização; (ii) do acórdão com certidão de trânsito em julgado proferido em demanda própria reconhecendo como domicílio fiscal da Empresa Município diverso daquele em que foi procedida a fiscalização, bem como (iii) de documentos que comprovam que outras fiscalizações foram realizadas no domicílio fiscal da Empresa, em Rio das Flores (Volta Redonda/RJ). Quanto ao documento constante do item (ii), o mesmo já foi objeto análise na preliminar de nulidade. Os demais documentos não serão objeto de análise desta decisão, uma vez que a impugnação foi apresentada em setembro de 2006 (efls. 1.328), sendo que tais documentos foram juntados aos autos em maio de 2013, sem constar nenhuma justificativa por parte do Recorrente, dentre aquelas previstas nos incisos I, II e II, parágrafo quarto, do artigo 16, do Decreto 70.235/72 que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Ressaltese que o recurso voluntário foi apresentado em dezembro de 2006 Esclareçase ainda que no pedido de juntada dos documentos emitido pelo Recorrente (efls. 2.782) não foi elaborada nenhuma ligação entre os documentos juntados e o recurso voluntário apresentados aos autos. Indeferese, também, de plano a produção de novas provas nos autos. DO MÉRITO A Recorrente alega que somente o Judiciário teria a prerrogativa de desconsiderar a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas, conforme consta do art. 50 do Código Civil. No caso presente, onde o serviço prestado tem natureza intelectual, destacase o art. 129, da Lei n. 11.196/05, tal lei prevê a contratação de pessoas jurídicas para a Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.912 19 prestação de serviço de natureza intelectual, como também dispõe que esse tipo de contratação será regido pela legislação pertinente às pessoas jurídicas. Essa alegação não será acolhida, já que a legislação permite e determina que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil1 (Fisco) desconsidere (reclassifique) vínculos pactuados inicialmente e os caracterize como segurados empregados, desde que as premissas que os configurem como segurados empregados estejam presentes e sejam demonstradas pela Fiscalização, a teor do artigo 9o c/c o § 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Em outras palavras, para configurar a relação empregatícia e permitir a reclassificação do vínculo pactuado inicialmente, o Fisco deve verificar e demonstrar que o serviço era prestado de forma pessoal, realizado por pessoa física, possuindo natureza não eventual em relação à atividade da empresa, prestado em regime de subordinação e oneroso, mediante remuneração. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 9º. São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (g.n.) Assim, ao considerar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte (autuada) entendia não haver, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, nem tampouco está desobedecendo à regra estampada no art. 129 da Lei 11.196/2005 –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito trabalhista e ao direito civil, mas sim ao cumprimento 1 Lei 11.467/2007: Art. 10. Ficam transformados: I em cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 5º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, com a redação conferida pelo art. 9º desta Lei, os cargos efetivos, ocupados e vagos de AuditorFiscal da Receita Federal da Carreira Auditoria da Receita Federal prevista na redação original do art. 5º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, e de AuditorFiscal da Previdência Social da Carreira Auditoria Fiscal da Previdência Social, de que trata o art. 7º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002; Fl. 2921DF CARF MF 20 fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo legal no artigo 229, § 2°, do Decreto 3.048/1999 e no parágrafo único do artigo 142 do CTN2, que dispõe como caráter vinculado e obrigatório, e não discricionário, a atividade administrativa de lançamento, restando a auditoria fiscal somente a aplicação dos dispositivos da legislação tributária. Inexiste, em decorrência, qualquer mácula na ação fiscal tanto no tocante à competência para o reconhecimento, seja da existência de relações jurídicas aptas a atrair a incidência das contribuições previdenciárias, seja de eventual fraude envolvendo tais relações, não havendo falar, nessa linha, em violação de atribuição exclusiva do judiciário, ou mesmo em afronta ao princípio constitucional da livre iniciativa, face às normas de regência acima referidas. Dos fatos examinados e da autuação. Passamos a analisar em bloco as seguintes alegações do Recorrente, uma vez que cada uma delas estão interligadas entre si, quais sejam: os auditores partiram de seu entendimento subjetivo, de que a contratação de microempresas prestadoras de serviço é um expediente utilizado para mascarar relações de trabalho e, assim, fraudar a Previdência Social; passaram então a criar situações que comprovassem esses absurdos, contrariando todas as normas e princípios que devem guiar os atos da administração pública; a fiscalização partiu de verdades/indícios criados por eles e buscaram fatos para embasálos, sendo que essa conduta não se pode denominar de fiscalização, pois se eximiu dos fatos concretos; a autoridade administrativa teve como ponto de partida a conclusão, seguido pelo exame parcial da base documental que em tese a fundamentaria, desprezando completamente os fatos e todos os demais documentos e provas que evidenciam o contrário; a presunção é um meio de prova lógico, utilizado apenas quando existirem indícios de irregularidades e não se puder conhecer a questão de fato por outros meios, sendo que a fiscalização não encontrou nenhum indício de irregularidade nas atividades da Recorrente, o que ocorreu foram opiniões pessoais sobre a contratação de empresas prestadoras de serviço. existem diversas empresas que prestaram serviços à Recorrente e foram constituídas anos antes da celebração do contrato presumidamente fraudulento. os fatos comprovam que os contratos foram formados com o propósito de possibilitar a prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas; tece considerações sobre o mercado de tecnologia da informação, com uma grande quantidade de atividades necessárias ao seu desenvolvimento, o gera a necessidade da contratação de serviços de outras pessoas jurídicas, as quais sejam especializadas em determinados ramos específicos, devido ao alto grau de complexidade e especialização, seria difícil imaginar que existe subordinação da Recorrente sobre os funcionários das empresas prestadoras de 2 CTN: Art. 142. (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.913 21 serviço, pelo simples fato de que a primeira não possui conhecimento técnico necessário para isso; o que existe é a fiscalização do cumprimento do contrato, ou seja, do "produto" apresentado e não da pessoa do profissional; as empresas que prestam serviço a Recorrente, por muitas vezes, possuem atividades econômicas distintas e que nem de perto se confundem com a atividadefim da Recorrente. Primeiro, fazse necessário traçar um breve histórico de como foi realizada a fiscalização na Recorrente, vejamos. Apesar de intimada a apresentar os contratos celebrados com as empresas contratadas, por meio de diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's), a empresa se eximiu de tal responsabilidade, conforme consta no Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (REFISC), in verbis: (...) 1.8. Auditoria Fiscal anterior e CRPS É oportuno registrar que, apesar de intimada, através de diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's), a apresentar os contratos celebrados com as empresas contratadas que são objeto da presente notificação, apenas 13 (treze) contratos, de um total de 63 (sessenta e três) contratos, foram apresentados pela MI Montreal. O restante dos 50 (cinqüenta) contratos foram obtidos mediante pedido formal da DRP RJ/Centro ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que atualmente julga notificações de débito da mesma natureza, relativos inclusive às mesmas empresas contratadas pela Ml Montreal. Tais notificações de débito foram apuradas na Auditoria Fiscal MPF n9 0036509, iniciada em 04/09/2000 e concluída em 28/08/2001, que verificou a regularidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e de terceiros (outras entidades e fundos) ocorridos na Ml Montreal no período de 01/1996 a 04/2001, com cobertura dos Livros Diários até 1272000. (...) 3.DOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos, através de notas fiscais de serviço, a trabalhadores caracterizados como segurados empregados por esta Fiscalização, tidos pela contratante MI Montreal como sócios de empresas, contratadas por ela, uma vez que foram verificados para estes trabalhadores,os requisitos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8.212/91, ou seja, prestam serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal, subordinada e Fl. 2923DF CARF MF 22 exclusiva à notificada. Tais fatos geradores, consubstanciados nos valores pagos, através das notas fiscais de serviços, estão lançados na contabilidade da MI Montreal e estão demonstrados de forma detalhada no ANEXO I EMPRESA (PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS SOB À FORMA DE PESSOAS JURÍDICAS CONTABILIZADOS NO GRUPO DE CONTAS 2.1.2.00 (FORNECEDORES)) a este REFISC. (...) 4.3. Por deixar a MI Montreal de: 4.3.1. apresentar os Contratos/Aditivos de Prestação de Serviços celebrados ;entre empresas prestadoras de serviços e a;,empresa MI Montreal que cobrissem o período de faturamento efetuado e identificado na empresa (na contabilidade e no cadastro de NFS); 4.3.2. apresentar as Notas Fiscais/Faturas/Recibos (NFS) de prestação de serviços emitidos pelas empresas prestadoras de serviços contra a empresa MI Montreal, evidenciando a identificação dos respectivos lançamentos contábeis das notas fiscais das empresas contratadas; 4.3.3. esta Fiscalização lavrou o Auto de Infração Nº 37.004.9039, de 24/08/2006. A documentação acima foi solicitada especificamente através dos TIAD's datados de: • 13/02/2006 (parágrafo 02 do TIAD 13); 13/03/2006 (parágrafo 02 do TIAD 15); • 12/04/2006 (parágrafo 02 do TIAD 16); • 23/05/2006 (parágrafo 02 do TIAD 18) 4.4 Serviços prestados por trabalhadores pessoas físicas contratados sob a forma de pessoa jurídica (PJ), conforme terminologia utilizada pela MI Montreal e constante em sua documentação (modalidade PJ). Por deixar a MI Montreal de: 4.4.1. apresentar a relação das contas contábeis, respectivas descrições das contas, CNPJ's/MF e Razões Sociais das empresas prestadoras de serviços contratadas na modalidade PJ; 44.2. apresentar os Contratos/Aditivos de Prestação de Serviços celebrados entre as empresas PJ's e a empresa MI Montreal, que cubram o período de faturamento efetuado e identificado na empresa (na contabilidade e no cadastro de NFS), bem como os respectivos documentos que os compõe, tais como os relatórios mensais das atividades, demonstrativos de horas trabalhadas, as ordens de serviços etc; 4.4.3. apresentar a documentação acessória, exigida pela empresa Ml Montreal junto a empresa contratada na modalidade PJ, tais como Cadastro de Fornecedor Ficha Cadastral (com os Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.914 23 dados do trabalhador PJ), Curriculum Vitae do trabalhador PJ, Histórico Escolar do trabalhador PJ, Contrato Social/Alteração da empresa contratada na modalidade PJ, Comunicação de Aviso Prévio (tanto por parte da Ml Montreal quanto por parte da empresa contratada na modalidade PJ) etc; 4.4.4. apresentar as Notas Fiscais/Faturas/Recibos (NFS) de prestação de serviços emitidos pelas empresas prestadoras de serviços, contratadas na modalidade PJ, contra a empresa Ml Montreal, evidenciando a identificação dos lançamentos contábeis das mesmas; 4.4.5. fornecer a totalidade das Fichas Registro de Empregados (FRE) dos trabalhadores contratados sob a forma de pessoa jurídica (modalidade PJ), tanto em meio papel quanto em meio digital, vinculando a matrícula do trabalhador PJ, constante da FRE, com a(s) conta(s) contábeis de sua(s) respectiva(s) empresa(s) contratada(s); 4.4.6. correlacionar as FRE dos trabalhadores PJ's identificadas por esta Fiscalização, com as respectivas contas contábeis de suas empresas; 4.4.7. identificar os trabalhadores contratados na modalidade PJ e que, concomitantemente, exerçam também atividades na empresa Ml Montreal como segurados empregados e contribuintes individuais (empresários, autônomos e demais pessoas físicas que constem na folha de pagamento entregue pela empresa a esta Fiscalização; 4.4.8. identificar os trabalhadores contratados na modalidade PJ que exerçam na empresa Ml Montreal atividades próprias de segurados empregados e contribuintes individuais (empresários/diretores, autônomos e demais pessoas físicas que não estejam relacionados na folha de pagamento entregue pela empresa a esta Fiscalização). 4.4.9. esta Fiscalização lavrou o Auto de Infração N 37.004.9039, de 24/08/2006. A documentação acima foi solicitada especificamente através do TIAD datado de 29/06/2006 (parágrafo 02doT1AD 19). 4.5. Por apresentar os arquivos digitais, definidos:'no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), aprovado pela Portaria MPS/SRP N°058, de 28/01/2005, Diário Oficial da União (DOU) de 31/01/2005, com formatos e conteúdos incompatíveis com aqueles exigidos no referido manual, esta Fiscalização lavrou o Auto de Infração N 37.004.9012, de 24/08/2006. 4.6. Considerando o disposto nos subitens 4.1 a 4.5 esta Fiscalização se utilizou da prerrogativa contida no parágrafo 3o do artigo 33 da Lei N° 8.212/91, transcrito abaixo, efetuando o lançamento do crédito previdenciário por arbitramento, sendo as bases de cálculo' das contribuições previdenciárias devidas apuradas pelo critério da aferição indireta. Fl. 2925DF CARF MF 24 "Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicaras sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 9.7.2001) I § 1o É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código. Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2o A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, (...)" (grifo nosso) 1 4.7. Dessa forma, aplicouse o critério da aferição indireta, da forma descrita abaixo: 47.1. Contabilidade A empresa MI Montreal apresentou sua contabilidade à Fiscalização disponibilizando os Livros Diários, devidamente autenticados pela JUCERJA, compreendendo o período de 01/2001 a 05/2005. A empresa MI Montreal entregou, também, conforme pedido nos TIADvs 1 e2, os arquivos digitais relativos aos seus Registros Contábeis previstos no item 4.1 da PORTARIA INSS/DIREP N 42 (Portaria 42), de 24/06/2003, nos formatos nela previstos. Ou seja, foram entregues os arquivos digitais de Lançamentos Contábeis (item 4.1.1 da Portaria 42) e Saldos Mensais (item 4.1.2 da Portaria 42) como também os arquivos digitais contendo os Centros^de Custos e Plano de Contas de. sua contabilidade, todos com informações relativas ao período de 01/2001 a 05/2005. Tais arquivos digitais foram devidamente autenticados pelo representante legal da empresa, Sr. Paulo Sérgio de Assumpção, conforme consta no ANEXO "AUTENTICAÇÃO ARQUIVOS DIGITAIS" a este REFISC (CD022 e CD024). 4.7.2. Foram extraídos da contabilidade da MI Montreal todos os lançamentos contábeis relativos aos pagamentos das notas Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.915 25 fiscais emitidas pelas empresas contratadas na modalidade PJ, cujos sócios foram caracterizados como segurados empregados por esta Fiscalização. Os lançamentos contábeis das referidas notas fiscais, agrupadas por empresa PJ, e por competência do lançamento contábil ANOMÊS (AAAAMM) da data dos respectivos lançamentos contábeis, estão detalhados no ANEXO I EMPRESA (PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS SOB: A FORMA DE PESSOAS JURÍDICAS CONTABILIZADOS NO GRUPO DE CONTAS 2.1.2.00 (FORNECEDORES)). 4.7.3. Sobre os valores detalhados por empresa, e por competência, descritos acima, aplicouse uma consolidação única por competência para se obter o total dos lançamentos contábeis dos pagamentos das notas fiscais. Estes valores totais, por competência ANOMÊS (AAAAMM) da data dos respectivos lançamentos contábeis representam as bases de cálculo das contribuições devidas e estão demonstrados na coluna Base de cálculo do ANEXO XIV EMPRESA (CONSOLIDAÇÃO POR COMPETÊNCIA DOS PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS SOB A FORMA DE PESSOAS JURÍDICAS CONTABILIZADOS NO GRUPO DE CONTAS 2.1.2.00 (FORNECEDORES) RELACIONADOS NO ANEXO l). 4.7.4. Estes valores das bases de cálculo, apurados por competência, foram apropriados no Sistema de Auditoria Fiscal (SAFIS) através do levantamentoSAFIS identificado pelo código P10. 4.7.5. A documentação obtida na empresa e no CRPS, relativa a cada empresa contratada, objeto da presente notificação, está organizada no ANEXO CONTRATOS, FICHAS REGISTRO DE EMPREGADOS (PJ), DOCUMENTAÇÃO ACESSÓRIA (CURRICULUM VITAE, CONTRATOS SOCIAIS, FICHAS REGISTRO DE PJ"s), inclusive as Fichas Registro de Empregados relativa a cada trabalhador PJ, sócio da empresa contratada, contendo as informações típicas de segurados empregados de uma empresa, onde destacamos aquelas relativas a Férias. Com isso, constatase que, na verdade, a fiscalização buscou junto ao contribuinte, em diversas oportunidades, os esclarecimentos devidos quanto aos pagamentos das notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas na modalidade pessoa jurídica, sendo que o Contribuinte se eximiu de dar os devidos esclarecimentos. Chegouse ao ponto da fiscalização solicitar, por meio da DRPRJ/Centro ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), os contratos de prestação de serviços das pessoas jurídicas, uma vez que esse Conselho estava julgando notificações de débito da mesma natureza, relativos inclusive às mesmas empresas contratadas pela MI Montreal. De um total de 63 (sessenta e três) contratos, apenas 13 (treze) contratos, foram apresentados pela MI Montreal, os outros 50 (cinquenta) restantes foram conseguidos juntos ao CRPS. Fl. 2927DF CARF MF 26 Concluise então que são infundadas as alegações do Recorrente de que a fiscalização partiu de verdades/indícios criados por eles e buscaram fatos para embasálos, no intuito de se eximir dos fatos concretos. Com relação à caracterização da relação jurídica material dos prestadores de serviços como segurados empregados, constatase que o Fisco reclassificou para fins tributários o pacto civil firmado entre as empresas prestadoras de serviços e a Recorrente, e considerou o vínculo como relação de emprego. Tais requisitos estão de acordo com o determinado no art. 12, I, aliena "a" da Lei 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço [pessoalidade] de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual [habitualidade], sob sua subordinação e mediante remuneração [onerosidade], inclusive como diretor empregado; (grifos e notas pessoais acrescidas) Nesse sentido, coletou os seguintes elementos de prova, dentre outros: · anexa Fichas Registro de Empregados, contendo as informações típicas de segurados empregados de uma empresa, onde destacamos aquelas relativas a Férias, Horário de Trabalho, Afastamentos, dentre outras, colacionamos como exemplos (efls. 769/770, 797/798, 814, 841, 849, 874, 894, 911/913, 970); · A empresa, intimada a apresentar a totalidade das Fichas de Registro dos trabalhadores contratados sob a forma de pessoa jurídica (PJ), informou à Fiscalização, através do Sr. JOSE FLÁVIO STURMER (Gerente de Recursos Humanos), que as Fichas de Registro de Empregados, contendo as informações de trabalhadores contratados sob a forma de PJ, foram indevidamente entregues a Auditoria Fiscal, uma vez que o banco de dados utilizado para armazenar as Fichas de Registro de Empregados havia sido inadvertidamente utilizado pela MI Montreal para cadastrar e organizar uma lista dos trabalhadores PJ contratados pela Ml Montreal no intuito de se organizar convites para uma confraternização de final de ano; · Pagamentos efetuados a segurados contratados sob a forma de pessoas jurídicas que também receberam remuneração em folha de pagamento (efls. 480/489); · Existem ainda pessoas físicas contratadas sob a forma de pessoas jurídicas que exercem cargos cujas características remetem a cargo de direção na empresa MI Montreal, tendo sido destacado: Paulo Arthur Duarte Bordalo e Meri Toledano. Foram localizados diversos documentos de uso exclusivo da empresa MI Montreal, tais como: bilhetes com timbre da MI Montreal, Avisos de Rescisão de Contrato Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.916 27 de Prestação de Serviço, contrato, onde estes trabalhadores, sem vínculo empregatício com a MI Montreal, assinam pela MI Montreal; · Foram anexados depoimentos de alguns trabalhadores das prestadores de serviços na Justiça do Trabalho, AVZ Consultoria e Serviços e LRM Informática e Treinamento, no intuito de demonstrar o modus operandi da empresa MI Montreal, onde constatouse que além do salário contratual, os reclamantes recebiam "por fora" mensalmente um valor a título de comissões, sendo que tais valores eram recebidos por meio de notas fiscais emitidas pelas empresas prestadora de serviços(efls. 294/295); · Existia a obrigatoriedade de emissão de relatórios mensais de atividades e demonstrativos de horas trabalhadas, conforme se verificou em grande parte dos contratos apresentados, sendo que os mesmos não foram entregues a fiscalização, colacionamos como exemplos (efls. 800, 816, 818); · As despesas realizadas pelos prestadores de serviços como: viagens à serviço da Recorrente abrangendo transporte, hospedagem, refeições, tarifas telefônicas, eram reembolsadas por ela, vide exemplos: efls. 816, 818, 844; · A utilização dos índices estabelecidos pelo dissídio da categoria de informática como critério de reajuste dos contratos; · Várias das empresas prestadoras dos serviços possuem o mesmo endereço de sua sede, conforme consta do Anexo II. Cita como exemplo o endereço Rua Floriano Peixoto, 115 Conj 114 Parte CentroMunicípio de Cachoeiro de Macacau/RJ, onde constam 11 (onze) empresas. Pelo contrário do afirmado na peça de defesa, compulsando os autos do presente processo, verificamse os seguintes elementos fáticoprobatórios que caracterizam a relação empregatícia, inclusive a subordinação entre a Impugnante e os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados para fins tributários: 1. pessoalidade; várias das pessoas físicas dos sócios das empresas em questão recebiam pagamentos efetuados a segurados contratados sob a forma de pessoas jurídicas e também receberam remuneração em folha de pagamento; existência das Fichas Registro de Empregados, contendo as informações típicas de segurados empregados de uma empresa e a obrigatoriedade de emissão de relatórios mensais de atividades e horas trabalhadas. 2. onerosidade, as pessoas físicas receberam remuneração de forma habitual, já que houve pagamentos, efetuados pela empresa autuada, aos sócios das empresas, em razão dos serviços prestados por estes, conforme verificado pelo Fisco em sua contabilidade. Fl. 2929DF CARF MF 28 3. caráter não eventual, é aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Ficou demonstrado que os segurados executaram serviços de informática que é o objeto social da empresa contratante. 4. subordinação, a necessidade de emissão de relatórios mensais de atividades e demonstrativos de horas trabalhadas demonstra que os prestadores de serviços não agiam com autonomia, mas estavam submetidos ao direcionamento e ao comando da empresa autuada, não havendo, assim, dúvidas em relação à subordinação jurídica. Logo, demonstrada a fraude objetiva por meio da “pejotização” de empregados, reconhecese imediatamente a relação de emprego entre as partes para fins previdenciários. Nesse passo, dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citando se, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171) Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). Vejamos também decisões de nossos tribunais sobre o fenômeno da “pejotização” no âmbito da relação empregatícia. “FRAUDE. PJ. SERVIÇOS PESSOAIS E SUBORDINADOS, SOB A ROUPAGEM DE PESSOA JURÍDICA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO. Restou evidenciado nos autos que, para as atividades nas quais atuou o reclamante, necessitava a reclamada de um empregado típico, ou seja, não eventual, subordinado a horário, e que prestasse serviços habituais e pessoais. E foi isto exatamente o que fez a ré: contratou um autêntico empregado, ainda que sob a roupagem de "PJ" (pessoa jurídica). Ocorre que o pacto de trabalho é um contrato realidade, configurandose do desdobramento da Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.917 29 realidade fática que envolve toda a prestação de serviços, independentemente do rótulo contratual formal. Prestigiase assim, a decisão de origem que, em face da presença dos elementos tipificadores dos artigos 2º e 3º da CLT, reconheceu o vínculo empregatício. Recurso patronal a que se nega provimento.” (TRT 2ª Região, RO, Proc. 01588.2006.070.02.00.2, 4ª T., Rel. Juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros, j. 12.2.2008, p. 22.2.2008). ......................................................................................................... “VÍNCULO DE EMPREGO. Atuação de empregado por intermédio de pessoa jurídica. Fraude caracterizada. Num contexto em que o empregado atua em serviço inerente à atividade normal da contratante, com pessoalidade, subordinação, não eventualidade, ainda que por intermédio de "pessoa jurídica" condição imposta para a continuidade da prestação do serviço fica estampada a fraude. Incidência da regra de proteção contida no art. 9º do mesmo Estatuto. Vínculo de emprego configurado. Recurso a que se dá provimento.” (TRT 2ª Região, RO – Proc. 02014.2005.067.02.00.8, Acórdão 20080868538, 10ª T., Rel. Juíza Marta Casadei Momezzo, J. 30.9.2008, p. 14.10.2008). (g.n.) Portanto, no lançamento fiscal ora analisado, o Fisco verificou as características de segurado empregado na relação jurídica material estabelecida inicialmente entre os supostos sócios das empresas prestadoras de serviços de informática e a Recorrente, desconsiderou (reclassificou) o vínculo associativo pactuado e efetuou o respectivo enquadramento para o segurado na qualidade de empregado, conforme preconiza o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. Dessa forma, ao contrário do alegado pela Recorrente, impõese afirmar que foram demonstrados os elementos suficientes para a caracterização do vínculo empregatício descritos pela auditoria fiscal, qualificando os segurados como empregados para fins tributários. No caso em questão, cabe esclarecer que o lançamento do crédito tributário foi realizado por aferição indireta, uma vez que o Contribuinte não prestou os devidos esclarecimentos dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas, conforme solicitações feitas por TIAD's, em consonância com o previsto no art. 33 da Lei N° 8.212/91, vigente à época, in verbis: "Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicaras sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 9.7.2001) Fl. 2931DF CARF MF 30 § 1o É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código. Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitadas. § 2o A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, (...)" (grifo nosso) 1 Desse modo, por óbvio, que não competia à fiscalização ter efetuado uma análise individualizada e pormenorizada, por prestador de serviço, da existência de vínculo empregatício, por se tratar de uma lançamento por aferição indireta. Assim, constatados os requisitos autorizadores exigidos na lei, configurase legítimo o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal, invertendose o ônus da prova para o contribuinte, em face da presunção juris tantum estabelecida nos §§ 3o e 6o do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Em sede de recurso, a Recorrente questiona de forma individualizada, por meio de provas, os seguintes prestadores de serviços: Vp Impressos Laser Ltda, Cps Consultoria Processamento e Sistemas Ltda, Arcel Contabilidade, Assessoria e Consultoria Ltda., Andrômeda Informática Ltda e Alternativa Informática Ltda, contudo tais empresas não constam no levantamento objeto do presente lançamento, conforme consta na Informação Fiscal (efls. 2.770/2.773) É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação empregatícia não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude na constituição das empresas associadas ao sujeito passivo. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.918 31 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia ao ilustre Conselheiro Relator para divergir de seu voto em relação a alegação de nulidade do lançamento. Conforme muito bem mencionado pelo Conselheiro Relator, em análise do Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (processo n. 2003.51010224300), constatase que o mesmo foi proferido em 15 de agosto de 2007, sendo que o seu recurso voluntário foi apresentado em dezembro de 2006, logo este documento deve ser analisado por esta Turma de Julgamento, por se tratar da exceção prevista no inciso II, parágrafo quatro, do art. 16, do Decreto 70.235/72. Transcrevo, por oportuno, parte do voto do Conselheiro Relator, quanto aos fatos, que bem sintetizou o caso ora em análise: "A fiscalização ocorreu no endereço Rua São José n. 90 7ª Andar Centro/Rio de Janeiro, conforme se verifica no Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF (efls. 35), diferente do domicílio tributário determinado pela decisão judicial do TRF 2ª Região, decisão esta de 15 de agosto de 2007, qual seja Rua Capitão Jorge Soares n. 04, Centro Município de Rio das Flores RJ. A fiscalização teve início em 30/05/2005, conforme se constata do Mandado de Procedimento Fiscal n. 09241334 (efls. 36), tendo sido encerrada em 24/08/2006, segundo Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (efls. 284/288), com a devida ciência da Contribuinte em 25/08/2006. Constatase ainda (efls. 628/629) que a fiscalização à época devida solicitou o devido esclarecimento junto à Procuradoria Geral Federal quanto domicílio fiscal do contribuinte, onde deveria ser realizada a fiscalização, tendo sido apresentada a seguinte conclusão no Parecer da Procuradoria, em 18/06/2005: 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Fl. 2933DF CARF MF 32 Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. Em 21 de julho de 2005, com o Parecer da Procuradoria, foi que o Delegado da Receita Previdenciária (efls. 630) decidiu pelo prosseguimento da ação fiscal na Rua São José n. 90 7ª Andar Centro/Rio de Janeiro. Tais informações constam dentro do item 11 DAS CONSIDERAÇÕES GERAIS, mais especificamente item 11.1 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (efls. 308/309). Compulsando os autos, consta a decisão judicial emitida pelo Juiz Federal responsável pela 19 Vara Federal do Rio de Janeiro (processo n. 2003.51010224300) que julgou improcedente o pedido da Contribuinte, tendo considerado justificada a recusa do INSS a aceitar o domicílio eleito (efls. 619/623), decisão esta de 28/04/2004. A Contribuinte entrou ainda com uma Medida Cautelar Inominada, junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (efls. 624/627 processo n. 2005.02.01.00553337), com pedido de liminar, visando à declaração de que o domicílio fiscal da requerente e sua sede no município de Rio das Flores, e não aquele existente no município do Rio de Janeiro, pretensão que restou repelida no primeiro grau de jurisdição em sentença prolatada nos autos principais pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, tendo sido a petição inicial indeferida em 21 de junho de 2005. Constatase então que somente em 15 de agosto de 2007 que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região deu provimento ao recurso de apelação para "(...) reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ (...)", logo durante todo procedimento fiscal entre 30/05/2005 a 25/08/2006, existia uma decisão judicial de primeira instância que considerava o domicílio tributário da Contribuinte, onde foi realizada a fiscalização." Portanto, tendo o Tribunal Regional Federal da 2ª Região declarado que o domicílio tributário da contribuinte é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, tendo tal decisão já transitada em julgado, entendo que há nulidade do lançamento, por vício formal, em razão do procedimento de fiscalização ter sido procedido em local diverso ao domicílio tributário da contribuinte, ocasionando cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Assim, muito embora a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região tenha sido posterior a realização do procedimento fiscal (30/05/2005 a 25/08/2006), esta declara qual é o domicílio tributário da contribuinte, sendo este em local diverso ao que foi realizada a fiscalização. Deste modo, a conclusão que se chega é que o procedimento fiscal desrespeitou o correto domicílio tributário, ainda que somente declarado pelo Judiciário após o encerramento deste. Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2202005.085 S2C2T2 Fl. 2.919 33 Por tais razões, diante do evidente cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, entendo que deve ser acolhida a preliminar de nulidade, por vício formal. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício formal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Fl. 2935DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908284/2012-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 28 4/ 20 12 -3 0 Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13888.908284/201230 Resolução nº 3001000.205 S3C0T1 Fl. 3 2 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035389 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 24290.56734.201211.1.3.040730. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$1.561,26, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/07/2011. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13888.908284/201230 Resolução nº 3001000.205 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13888.908284/201230 Resolução nº 3001000.205 S3C0T1 Fl. 5 4 obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1200). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13888.908284/201230 Resolução nº 3001000.205 S3C0T1 Fl. 6 5 empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13888.908284/201230 Resolução nº 3001000.205 S3C0T1 Fl. 7 6 Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13888.908284/201230 Resolução nº 3001000.205 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 1166DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908393/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Numero da decisão: 3201-005.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 83 93 /2 01 1- 13 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 364 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 95, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: "O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 038/039, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição nº 11497.19864.221205.1.2.046676 (fls. 002/004), protocolado em 22/12/2005, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 120,66. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 02/12/2011, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 365 3 do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2011 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 20/01/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.908391/201116, nº 10850.908392/201161, nº 10850.908393/201113, nº 10850.908394/201150, nº 10850.908395/201102, nº 10850.908396/201149,nº 10850.908397/201193, nº 10850.908398/201138, nº 10850.908399/201182, nº 10850.908400/201179 e nº 10850.908401/201113, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 366 4 especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 120,66, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 367 5 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 247) para que a autoridade de origem considerasse a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. A diligência foi atendida, conforme pode ser verificado nas fls. 336 (informação fiscal) e fls. 346 (manifestação do contribuinte à informação fiscal). Em resumo, após a diligência, a fiscalização considerou as receitas financeiras e concordou com sua exclusão da base de cálculo da contribuições e reconheceu parcialmente o crédito solicitado. O contribuinte se manifestou sobre as linhas contábeis que não foram reconhecidas pela fiscalização: ressarcimento de despesas legais judiciais, multas e recuperação de despesas. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 368 6 Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em fls. 336, a fiscalização reconheceu a maioria do crédito solicitado pelo contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir: "Conclusão 18. Por conseguinte, devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins do contribuinte as receitas operacionais registras nas seguintes contas do plano de contas do contribuinte no periodo em análise: 7193000602 RESSARCIMENTO DESP LEGAIS JUDICIAIS 7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTAS 19. Refazendo a apuração do PIS e da COFINS dos períodos de apuração de nov/2000 a abr/2001 e de jun/2001 a set/2001, com base nos demonstrativos e registros contábeis que constam dos autos, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, temos a seguinte apuração: 20. Comparando o PIS apurada na diligência com o valor do DARF apontado no PER nº 11497.19864.221205.1.2.046676, aqui em análise, e tendo em vista que o reconhecimento do crédito se limita ao valor pedido pelo contribuinte, concluo pelo RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório no valor de R$ 120,66, referente ao PIS do período de apuração de Dez/00." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo das contribuições, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), o conceito de receita bruta não tem mais valia., foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 369 7 interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Portanto, receitas financeiras realmente não configuram faturamento e todos os pagamentos indevidos sobre tais receitas devem ser reconhecidos como tais. A presente lide, contudo, permaneceu sobre algumas linhas contábeis, conforme trecho da Informação Fiscal reproduzido acima. Em Manifestação à Informação Fiscal o contribuinte alegou que as linhas contábeis, objeto de resolução (ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas), não configuram faturamento. O contribuinte juntou documentos e registros contábeis de fls 265 e seguintes (memória de cálculo, balancete, contrato de consórcios e apuração), o que é suficiente para concluir que não são receitas operacionais. Como já mencionado, a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Como registrado nos leading cases, "faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços". Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Contudo, ao analisar os documentos, contabilidade e escrita fiscal presente nos autos, é possível verificar que existem linhas contábeis que não foram analisadas pela mencionada diligência, ou seja, a lide não se limita ao resultado da diligência. Logo, o recurso merece provimento parcial, considerando os moldes propostos na informação fiscal de fls, mas também merece provimento nas demais linhas contábeis, exceto as seguintes: "7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502 TAXA DE INSCRIÇÃO 7173500502 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.8337173500505 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.833." Em observação ao princípio da verdade material, que tem aplicação no processo administrativo fiscal, é igualmente importante observar que estas taxas de administração e inscrição devem ser cobradas inclusive se estiverem incluídas dentro da conta 7399900705 “outras resultados financeiros”. Tais taxas representam receitas operacionais e, além disto, não foram suficientemente rebatidas pelo contribuinte em suas argumentações. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Acórdão n.º 3201005.340 S3C2T1 Fl. 370 8 Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 369DF CARF MF
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