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Numero do processo: 10480.008545/95-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PRESCRIÇÃO.
Apenas após a não homologação da compensação é que o débito passa ser considerado não liquidado, tornando-se passível de cobrança. Não há que se falar em prescrição dos valores confessados em declaração de compensação se a cobrança foi iniciada ato contínuo à não homologação da compensação.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
NEGAÇÃO GERAL. VEDAÇÃO.
A negação geral é vedada no processo administrativo fiscal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de prescrição e de prescrição intercorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Apenas após a não homologação da compensação é que o débito passa ser considerado não liquidado, tornandose passível de cobrança. Não há que se falar em prescrição dos valores confessados em declaração de compensação se a cobrança foi iniciada ato contínuo à não homologação da compensação. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). NEGAÇÃO GERAL. VEDAÇÃO. A negação geral é vedada no processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de prescrição e de prescrição intercorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 85 45 /9 5- 61 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 318 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 319 3 Relatório DAMPE ENGENHARIA LTDA – EPP recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1145.703 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Recife que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: O presente processo foi formalizado em 14 de agosto de 1995 em decorrência de pedido de parcelamento de débitos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativos ao anocalendário 1994 (fls. 03 a 11). O parcelamento foi deferido em 04 de dezembro de 1995 conforme comunicado à fl. 26. 2. Em 17 de julho de 1996 o contribuinte apresentou petição (fl. 30) solicitando a suspensão do pagamento do parcelamento em função da apresentação de uma DIRPJ/95 retificadora (fls. 31 a 50), onde apurou valores de CSLL a pagar iguais a zero, bem assim pleiteando a restituição dos valores indevidamente pagos. 3. Foi realizada diligência para validação das informações contidas na declaração retificadora, tendo sido expedida a informação fiscal às fls. 105 e 106, baseada nos documentos anexados às fls. 80 a 104, que propôs a aceitação dos valores iguais a zero da CSLL para o ano 1994 e, por conseguinte, a desconstituição dos valores originais do parcelamento. Em que pese a aceitação dos valores finais, a autoridade fiscal detectou irregularidades no preenchimento da declaração, sendo necessária nova retificação para exclusão do lucro líquido das importâncias pagas a título de antecipação do valor residual garantido em contratos de leasing e, em consequência, para redução da base de cálculo negativa da CSLL declarada. 4. Intimado a apresentar nova retificadora nos moldes da informação fiscal (fls. 117 a 119), o contribuinte apresentou a declaração juntada às fls. 124 a 142. 5. Esta nova DIRPJ retificadora foi acatada, conforme Despacho Decisório nº 563/2000, de 26 de setembro de 2000, às fls. 143 a 146, o qual, além disso, cancelou o parcelamento em questão e reconheceu o direito creditório no montante de R$ 8.617,31, referente à soma dos valores da CSLL indevidamente pagos em cumprimento ao parcelamento. 6. A ciência do despacho decisório foi providenciada em 17 de novembro de 2003 por intermédio da intimação à fl. 154, onde foi solicitada ao contribuinte a apresentação de dados bancários para o depósito da restituição. Consoante cópia do aviso de recebimento à fl. 155, a ciência ocorreu no dia 21 daquele mês. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 320 4 7. Em decorrência desta intimação, no dia 09 de dezembro de 2003 o contribuinte apresentou a petição à fl. 156, instruída com pedidos de compensação em formulário e cópias de DCTF retificadoras referentes ao ano 1997 às fls. 157 a 208. Informou ter efetuado compensações do crédito apurado no presente processo com débitos ali relacionados (conforme demonstrativo abaixo) e solicitou, ao final, restituição do crédito porventura existente após a efetivação das compensações. 8. Foi proferido o despacho decisório às fl. 252 a 254, em 20 de junho de 2008, onde foram feitas as seguintes considerações: 8.1. os débitos relacionados na petição, referente ao ano 1997, são os mesmos indicados nos formulários de compensação que instruíram a petição; 8.2. há contradição entre as informações prestadas relativas à origem do crédito utilizado nas compensações, fato este observado na representação formalizada no processo nº19647.005564/200312 (fl. 209), que destacou o seguinte: “os créditos discriminados nos pedidos de compensação são relativos a saldo negativo de IRPJ do 1º e 4º trim/97 e saldo negativo de CSLL do 1º trim/97, ou seja, distintos dos créditos solicitados nos processos nº 10480.008545/9561 e 10480.009546/95 23)”; 8.3. da leitura da petição, concluise que o contribuinte indica que utilizou apenas o crédito apurado no presente processo para compensar os débitos listados. Em vista disso, desconsideramse os formulários de pedido de compensação apresentados, considerando como Declaração de Compensação apenas a petição. Com isso, a representação feita perde seu objeto, devendo o processo 19647.005564/2003 12 ser arquivado. 8.4. operacionalizando as compensações com o crédito apurado no presente processo, conforme demonstrativos às fls. 224 a 230, tem–se que apenas parte dos débitos listados foram quitados com o crédito reconhecido. 9. Diante das considerações acima, a autoridade administrativa decidiu homologar integralmente as estimativas de CSLL referentes a fevereiro e março de 1997, homologar parcialmente a estimativa de IRPJ referente a março de 1997, e não homologar os débitos de PIS e Cofins referentes a outubro de 1997. 10. Cientificado da decisão em 29 de agosto de 2008, consoante cópia do aviso de recebimento à fl. 238, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade à fl. 243, em 26 de setembro de 2008, instruída com os documentos às fl. 244 a 254, onde argumentou o que segue: 10.1. preliminar – como o débito cobrado é de outubro de 1997, há que se considerar a prescrição quinzenal e, por conseguinte, extinguir o processo; Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 321 5 10.2. mérito – foi reconhecido crédito de R$ 8.617,31, superior ao valor ora cobrado de apenas R$ 941,91. Assim, deve ser procedida a compensação do valor cobrado. 11. Em 21 de outubro de 2013 os autos foram encaminhados a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife – PE para julgamento (fl. 282). Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 22 de maio de 2014 (fl. 294), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 297306 em 18 de junho de 2014, cujas alegações e fundamentos assim podem ser sintetizados: teria ocorrido prescrição intercorrente do direito de cobrar o crédito contestado e a afronta ao princípio da duração razoável do processo; alega que tendo apresentado manifestação de inconformidade em 26 de setembro de 2008, o julgamento em primeira instância teria ocorrido somente em 10 de abril de 2014, teria sido desrespeitado o prazo de 360 dias fixado no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 para que a decisão fosse proferida; além da afronta legal, tal demora no exame de seu recurso violaria os princípios da duração razoável do processo, da eficiência, da razoabilidade e da moralidade; aduz também a ocorrência de prescrição, uma vez que o despacho decisório que não reconheceu seu pleito, e também não homologou as compensações declaradas, somente foi proferido em 20 de julho de 2008, mas a cobrança dos créditos correspondentes somente se iniciou após 20 de julho de 2013, portanto, passados mais de 5 anos, o que implicaria a extinção dos débitos compensados em razão da prescrição; no mérito, alega que, ao contrário do que decidido pela turma julgadora de primeira instância, em sua manifestação de inconformidade teria se comprovado que faria jus aos créditos pleiteados, e não teria havido simplesmente uma negativa geral em relação ao despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 322 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2 ARGUIÇÕES DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE E DE PRESCRIÇÃO A Recorrente alega que ocorreu prescrição intercorrente em razão de ter transcorrido prazo superior a 5 anos entre a interposição de manifestação de inconformidade e a decisão da turma julgadora de primeira instância. Não lhe assiste razão. A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. A matéria, inclusive, é alvo de súmula do CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Sendo as súmulas de aplicação cogente por parte dos membros do CARF, rejeito a arguição de prescrição intercorrente. No que atine à arguição de prescrição na cobrança dos créditos, outra sorte não lhe assiste, pois além de ser matéria estranha ao contencioso administrativo fiscal, não há que se falar em prescrição enquanto o débito compensado encontrase ou extinto sob condição resolutória (entre a declaração de compensação e o despacho decisório), ou com exigibilidade suspensa em razão da apresentação de manifestação de inconformidade ou recurso voluntário. A esse respeito a turma julgadora a quo delineou bem as questões de direito aplicáveis, razão pela qual reproduzo os fundamentos do voto condutor do aresto: 15. De início é devido esclarecer que a apreciação de questão relativa à prescrição do direito de cobrar débitos cujas compensações não foram homologadas não está entre as competências deste colegiado, restringindose sua esfera de atuação a apreciar, conforme o caso, a existência ou não do crédito e/ou a correta aplicação das regras de atualização do crédito e de acréscimos moratórios aos débitos a serem compensados. No âmbito da Receita Federal, a competência para tratar de matéria relativa à cobrança é da unidade local jurisdicionante nos termos do art. 224, IX da Portaria MF nº 203, de 2012, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A cobrança é etapa de controle do crédito tributário posterior ao término do contencioso administrativo quando instaurado. 16. Não obstante isso, apenas no intuito de esclarecer o contribuinte, lembro que a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, consoante art. 74, §2º da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.637, de 2002. Segundo tal disposição, apenas após a não homologação da compensação é que o débito Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 323 7 passa ser considerado não liquidado, tornandose passível de cobrança. No caso, a cobrança foi iniciada ato contínuo ao despacho decisório que não homologou a compensação, não cabendo considerar, salvo melhor juízo da autoridade competente para se pronunciar a respeito, a prescrição dos débitos aqui tratados. Por conseguinte, rejeito também a arguição de prescrição. 3 MÉRITO Quanto ao mérito, a Recorrente parece não compreender o que fora decidido tanto pelo segundo despacho decisório proferido pela unidade de origem (nº 256/2000) quanto pela decisão de primeira instância: já lhe fora reconhecido o direito creditório, baseado na DIPJ retificadora apresentada. Vejase excerto do relatório da decisão recorrida a respeito> 5. Esta nova DIRPJ retificadora foi acatada, conforme Despacho Decisório nº 563/2000, de 26 de setembro de 2000, às fls. 143 a 146, o qual, além disso, cancelou o parcelamento em questão e reconheceu o direito creditório no montante de R$ 8.617,31, referente à soma dos valores da CSLL indevidamente pagos em cumprimento ao parcelamento. Ocorre que os pedidos de compensação apresentados superam o valor do crédito reconhecido e em razão disso não foram homologadas as compensações na parte em que os débitos que se pretendia compensar superavam o montante de crédito reconhecido. Em seu recurso voluntário a Recorrente limitase a argumentar que apresentou provas em sua manifestação de inconformidade de que possuiria direito a crédito em montante suficiente para compensar os débitos em questão, sem apresentar qualquer novo argumento ou documentação pertinente. Por essas razões, em relação à matéria, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, nos termos reproduzidos a seguir: 18. Na espécie, o contribuinte alega simplesmente que este crédito é suficiente para liquidar os débitos listados em sua petição, sem, contudo, demonstrar como. Não aponta qualquer erro nos cálculos efetuados pela autoridade fiscal nos demonstrativos que acompanham do despacho decisório às fls. 224 a 229. Tratase de uma negativa geral, não permitida no processo administrativo fiscal consoante ditame do art. 16, III do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece que a contestação deve “conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. 19. Não obstante isso, esclareço não haver no presente caso qualquer inconsistência nos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. De acordo com os demonstrativos mencionados, a autoridade fiscal considerou como data formalização do pedido de compensação o dia 09 de dezembro de 2003, que corresponde à data em que a foi protocolada a petição recebida como declaração de compensação. Assim, esta data passou a ser referência para o cálculo da atualização do crédito, bem assim, a ser considerada como data de liquidação dos débitos para fins de cálculo dos acréscimos legais (juros e Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.008545/9561 Acórdão n.º 1402002.168 S1C4T2 Fl. 324 8 multa de mora), em cumprimento ao disposto nos art. 28 e 38, I, alínea “c”, e II, alínea “b” da IN SRF nº 210, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 323, de 2003, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: [...] 20. Portanto, tendo em vista que o batimento entre crédito e débitos foi realizado pela autoridade fiscal dentro dos ditames normativos, resta considerar demonstrada a insuficiência do crédito para homologar todas as compensações pretendidas pelo contribuinte. Como consequência, em seu mérito, nego provimento ao recurso voluntário. 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de prescrição e de prescrição intercorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.722031/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS
A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente. Por outro lado, a Lei n° 10.101/00 não avança no sentido de condicionar a PLR a determinados critérios ou características a serem adotados, sendo que os critérios previstos nos incisos I e II do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00 são meramente exemplificativos e podem ou não ser utilizados nos programas de PLR. Assim, os sindicatos envolvidos ou as comissões têm liberdade para fixar os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros ou resultados. Todavia, se não há prova (i) da pactuação da condição a ser alcançada (meta, resultado e prazo); (ii) da pactuação do índice a ser alcançado; (iii) da participação dos empregados e do Sindicato na eleição de tal condição (meta, resultado e prazo) e de seu respectivo índice; e tampouco (iv) do acompanhamento do desempenho no decorrer do ano, o pagamento a título de Participação nos Lucros ou Resultados encontra-se em desacordo com a legislação de regência.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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COM. FREIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente. Por outro lado, a Lei n° 10.101/00 não avança no sentido de condicionar a PLR a determinados critérios ou características a serem adotados, sendo que os critérios previstos nos incisos I e II do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00 são meramente exemplificativos e podem ou não ser utilizados nos programas de PLR. Assim, os sindicatos envolvidos ou as comissões têm liberdade para fixar os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros ou resultados. Todavia, se não há prova (i) da pactuação da condição a ser alcançada (meta, resultado e prazo); (ii) da pactuação do índice a ser alcançado; (iii) da participação dos empregados e do Sindicato na eleição de tal condição (meta, resultado e prazo) e de seu respectivo índice; e tampouco (iv) do acompanhamento do desempenho no decorrer do ano, o pagamento a título de Participação nos Lucros ou Resultados encontrase em desacordo com a legislação de regência. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 31 /2 01 3- 29 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.722031/201329 Acórdão n.º 2401004.216 S2C4T1 Fl. 893 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. Adotamos trecho, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 447 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/44), referese aos autos de infração abaixo relacionados: Obrigação Principal: • DEBCAD 51.036.3814 no valor de R$ 142.815,81, competência 1/2009, consolidado em 18/4/2013, referente à contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); • DEBCAD 51.036.3822 no valor de R$ 50.775,34, competência 1/2009, consolidado em 18/4/2013, referente à contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição dos segurados; • DEBCAD 51.036.3830 no valor de R$ 21.422,37, competência 1/2009, referente à contribuição social destinada a outras entidades e fundos (terceiros). Constituem os fatos geradores das contribuições lançadas os pagamentos feitos pelo sujeito passivo a empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, em desacordo com a Lei 10.101/2000. Conforme Relatório Fiscal, o Acordo Coletivo de 2008 firmado entre o contribuinte e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Campinas e Região, apesar de prever o pagamento de PLR, não identificava o programa de metas a ele correspondente. O sujeito passivo, questionado sobre tal fato e intimado a apresentar o referido programa, informou que utilizava como meta um indicador de performance de qualidade intitulado de PPM, calculado através da fórmula identificada no item 30 do Relatório Fiscal, que visava monitorar o número de peças defeituosas em relação ao total de peças produzidas. Informou também que os controles eram feitos de forma manual. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 A fiscalização, após a análise do Acordo Coletivo e das considerações apresentadas pelo sujeito passivo, apontou as seguintes irregularidades no tocante ao pagamento de PLR relacionado ao exercício de 2008 (fl. 35): • O Acordo firmado com o Sindicato da categoria não continha regras claras e objetivas, quanto às metas e resultados a serem cumpridos; • A empresa não possui um plano de acompanhamento e aferição de metas que demonstre claramente o objetivo pretendido, tais como lucro e resultados financeiros ou empresariais a serem atingidos; • Os valores pagos aos empregados são fixos, isto é, será pago um adiantamento na quantia de R$ 2.600,00 (dois mil e seiscentos reais) em julho de 2008 e a complementação de R$ 800,00 (oitocentos reais) em janeiro de 2009, o que caracteriza o caráter de premiação das remunerações, pois mesmo o empregado não tendo o interesse pelo objetivo empresarial, o valor acordado seria pago, tornando ineficaz o instrumento de integração entre o capital e trabalho, objetivo principal da Lei 10.101/2000, que regula a PLR. • A empresa pagou valores a título de PLR aos seus empregados pertencentes aos cargos de supervisores, gerência, diretoria ou equivalente, conforme acordado no seu acordo de trabalho, mas, adicionalmente, também valores diferenciados, cujas metas não estavam amparadas no instrumento legal de negociação. • A empresa não apresentou no curso da fiscalização documentos que realmente comprovassem a existência de um acompanhamento sistemático de aferição de índices individuais de metas, englobando produtividade, qualidade e lucratividade. A auditoria destacou, ainda, que o Acordo Coletivo de 2008 não foi pactuado previamente ao início do exercício de 2008, já que assinado em 18/7/2008, com o pagamento do adiantamento da PLR negociado para ser efetivado 3 dias após, e que o contribuinte pagou PLR para os seus prestadores de serviços e estagiários. A multa por descumprimento de obrigação principal foi aplicada nos termos da Lei nº 8.212/1991, art. 35A c/c a Lei nº 9.430/1996, art. 44, I (75%). Obrigação Acessória • DEBCAD 51.036.3849 (CFL 35): infração à Lei nº 8.212/1991, art. 32, III e §11, c/c o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, art. 225, III, tendo em vista que o contribuinte, embora regularmente intimado e reintimado, deixou de atender a solicitação para apresentação das notas fiscais emitidas referentes à prestação Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.722031/201329 Acórdão n.º 2401004.216 S2C4T1 Fl. 894 5 de serviços efetuados pela Unimed Cooperativa de Trabalho Médico, relativas à competência 5/2008. Em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$17.173,58,com base na Lei nº 8.212/1991, artigos 92 e 102 c/c RPS, artigo 283, II, alínea “b”, e com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 15, de 10/1/2013, vigente à época da autuação. O contribuinte foi cientificado dos autos de infração em 19/4/2013 (sextafeira– fls. 6, 12, 18 e 24). Em 21/5/2013, apresentou impugnação, acompanhada de documentos (fls. 317/427) (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 464 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: não incidem contribuições previdenciárias sobre PLR, que foi pago observandose os requisitos legais. Acrescenta que as partes acordantes vincularam o pagamento a metas de qualidade dos produtos finais da empresa, sendo que o critério qualitativo foi apurado e seguido mêsamês; impossibilidade de instauração de Representação Fiscal para Fins Penais; É o relatório. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator 1. PLR. Alega a recorrente que não incidem contribuições previdenciárias sobre PLR, que foi pago observandose os requisitos legais. Acrescenta que as partes acordantes vincularam o pagamento a metas de qualidade dos produtos finais da empresa, sendo que o critério qualitativo foi apurado e seguido mêsamês. Em análise aos autos, verifico que no Acordo Coletivo consta a seguinte cláusula a respeito do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados: Segundo o Relatório Fiscal, após apresentar o acordo acima transcrito, a recorrente foi intimada a apresentar programa de metas, pois o Acordo Coletivo não continha os critérios e resultados a serem cumpridos. Em resposta, afirmaram utilizar o indicador de performance de qualidade intitulado PPM (n° de peças defeituosas, dividido pelo volume produzido no período, vezes 1.000.000). Esclareceu que o controle era feito manualmente e que o numero de peças defeituosas era apurado com base no número de reclamações dos clientes Da análise dos demais elementos e esclarecimentos prestados, a autoridade fiscal conclui que a PLR não encontrase de acordo com a Lei n° 10.101/00, pois, quanto às metas ou resultados, diante da ausência de documentos comprobatórios da versão apresentada, concluiu que (1) não se sabe se houve a pactuação da suposta condição a ser alcançada (meta qualitativa); (2) não se sabe se houve a participação dos empregados e do Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.722031/201329 Acórdão n.º 2401004.216 S2C4T1 Fl. 895 7 Sindicato na eleição do critério (meta qualitativa) e do índice a ser alcançado; (3) não se sabe se houve o acompanhamento do desempenho no decorrer do ano. A recorrente, afirma, sem fazer prova, que discutiu ao longo do primeiro semestre, com a entidade sindical e seus empregados, os resultados a serem perseguidos, definindo a vinculação ao referido índice PPM. Entretanto, o que temos de concreto é que não se fez menção do critério e do índice a ser obtido no Acordo Coletivo, sendo tal fato indício veemente da inexistência de condição para pagamento da participação nos lucros ou resultados. Com efeito, tanto na impugnação como no Recurso Voluntário, a recorrente não logrou êxito em desconstituir a acusação fiscal. É verdade que na impugnação trouxe os relatórios e tabelas de fls. 530/532 e 712/721 do processo 10830.722029/201350, que demonstram que a recorrente monitora com constância o índice de qualidade relacionado aos produtos finais da empresa (PPM). Todavia, como afirmado, não há qualquer elemento que indique que os empregados (ou Sindicato) participaram ou foram comunicados da definição da natureza das metas (qualitativa) e do índice a ser alcançado. Tampouco há provas de que puderam acompanhar o desempenho empresarial no decorrer do ano. Afora isso (metas e resultados), a autoridade fiscal considerou ainda que o programa de metas não poderia considerar apenas a performance de qualidade, sem levar em conta outros critérios, como produtividade, lucratividade da empresa, razão pela qual conclui que a parcela é vinculada apenas à prestação de serviço. Nesse aspecto, discordamos da autoridade fiscal, pois o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00 exige regras claras e objetivas, mas não avança no sentido de condicionar a PLR a determinados critérios ou características a serem adotados, sendo que os critérios previstos nos incisos I e II do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00 são meramente exemplificativos e podem ou não ser utilizados nos programas de PLR. Assim, os sindicatos envolvidos ou as comissões têm liberdade para fixar os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros ou resultados. Tampouco mostrase relevante a argumentação fiscal no sentido de que até os estagiários receberam a Participação nos Lucros ou Resultados, sendo que, para nós, tal promessa de pagamento constitui mera liberalidade da recorrente. Alega ainda a autoridade fiscal que o Acordo Coletivo previu política diferenciada de pagamento a empregados pertencentes aos cargos de supervisores, gerência, diretoria ou equivalente, mas a recorrente afirmou que "não havia política diferenciada para os mesmos e que todos eram elegíveis ao PLR, assim como os demais funcionários". A fiscalização apurou que além do adiantamento recebido por todos os funcionários, estes também receberam, em novembro de 2008, valores distintos e bem acima do que a empresa diz haver acordado. Como o Acordo traz previsão genérica a uma política diferenciada, a autoridade fiscal, considerou que tais pagamentos não atendem aos requitiso legais proprios da participação nos lucros ou resultados. Quanto ao fato de os pagamento serem em patamares diferenciados em função do cargo, não vislumbro qualquer ofensa à Lei n° 10.101/00, sendo de se destacar que inexiste previsão legal quanto à exigência de pagamento de PLR equitativo aos funcionários e diretores da empresa, até porque tal exigência não seria razoável de acordo com a própria essência do benefício fiscal, já que uma empresa com diversos setores pode estabelecer critérios distintos em observância às especificidades das áreas de atuação. Todavia, tais pagamentos ofendem a Lei n° 10.101/00 pelas mesmas razões pelas quais ofendem os pagamentos aos demais empregados: (1) não se sabe se houve a pactuação da suposta condição Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 a ser alcançada (meta qualitativa); (2) não se sabe se houve a participação dos empregados e do Sindicato na eleição do critério (meta qualitativa) e do índice a ser alcançado; (3) não se sabe se houve o acompanhamento do desempenho no decorrer do ano. Ademais, especificamente aos cargos de supervisores, gerência, diretoria ou equivalente, não se tem comprovação de que os valores foram ajustados previamente, eis que não especificados no Acordo Coletivo. Portanto, deve ser mantido integralmente o lançamento a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 2. Representação Fiscal para Fins Penais. Suscita a recorrente a impossibilidade de instauração de Representação Fiscal para Fins Penais. Todavia, quanto a tais argumentos temos a compreensão vinculada ao que estabece a Súmul CARF n° 28: Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Destarte, sem maiores delongas, concluímos que não assiste razão à recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 526DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 16832.000957/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. BASES DE CÁLCULO TRIMESTRAIS. ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II, DO CTN.
Não é erro formal, mas erro material aquele que decorre do desapreço à relevância do aspecto temporal da hipótese de incidência do PIS/PASEP e da Cofins, a redundar na apuração de bases de cálculo trimestrais e, conseqüentemente, na cobrança dos precitados tributos a partir da apreensão de realidades ampliadas para além dos limites fixados em lei de direito material, assimilando-as ao longo de intervalos trimestrais, quando se deveria compreendê-las nos extremos de cada mês do ano-calendário. Nesses casos, tais autos de infração não estão contaminados por meros vícios no procedimento ou na exteriorização do ato e, sim, por vícios insanáveis derivados da equivocada aplicação das normas de direito material que prescrevem o período de apuração e a base imponível, o que não se compatibiliza com a possibilidade de convalidação, mediante eliminação da irregularidade, pela via dos Embargos de Declaração, sob o argumento da existência de contradição entre o fundamento da decisão embargada e o cancelamento dos referidos autos de infração.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INOCORRÊNCIA.
Incabível embargos de declaração quando o acórdão embargado se pronunciou sobre todas as questões decididas e contrárias aos interesses da Fazenda Nacional. Inexiste omissão a ser sanada
Numero da decisão: 1301-002.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos embargos, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator), Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram do julgamento Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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PIS/PASEP. COFINS. BASES DE CÁLCULO TRIMESTRAIS. ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II, DO CTN. Não é erro formal, mas erro material aquele que decorre do desapreço à relevância do aspecto temporal da hipótese de incidência do PIS/PASEP e da Cofins, a redundar na apuração de bases de cálculo trimestrais e, conseqüentemente, na cobrança dos precitados tributos a partir da apreensão de realidades ampliadas para além dos limites fixados em lei de direito material, assimilandoas ao longo de intervalos trimestrais, quando se deveria compreendêlas nos extremos de cada mês do anocalendário. Nesses casos, tais autos de infração não estão contaminados por meros vícios no procedimento ou na exteriorização do ato e, sim, por vícios insanáveis derivados da equivocada aplicação das normas de direito material que prescrevem o período de apuração e a base imponível, o que não se compatibiliza com a possibilidade de convalidação, mediante eliminação da irregularidade, pela via dos Embargos de Declaração, sob o argumento da existência de contradição entre o fundamento da decisão embargada e o cancelamento dos referidos autos de infração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. Incabível embargos de declaração quando o acórdão embargado se pronunciou sobre todas as questões decididas e contrárias aos interesses da Fazenda Nacional. Inexiste omissão a ser sanada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 09 57 /2 00 9- 40 Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.382 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos embargos, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator), Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram do julgamento Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face de Bian Fashion Confecções Ltda ME. Sustenta a Embargante que esta Turma Ordinária incorreu em contradição, no Acórdão nº 1301001.778, ao negar provimento ao recurso de ofício que confirmou o cancelamento dos autos de infração de PIS/PASEP e COFINS, em virtude de vício no método de apuração dos valores cobrados. Segundo a Embargante, o vício em referência caracteriza violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e ao artigo 10, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que só poderia implicar decretação de nulidade por vício formal, ao invés de cancelamento. Em outro norte, a Embargante manifesta a ocorrência de omissão, no mesmo Acórdão, que não apreciou, ou não afastou expressamente, a inexistência de pressupostos que autorizam a apreciação de matéria que, não sendo de ordem pública, sequer fora objeto de contestação. Tal omissão estaria localizada na exclusão do agravamento da multa previsto no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a despeito de não haver sido devidamente impugnado pela Recorrente. Do contrário afirma – bastaria ao impugnante dizer: “impugno tudo o que for contrário ao ordenamento jurídico”, para legitimar este Conselho a decidir sobre qualquer tema do processo, independentemente da formulação de tese lançada em oposição ao libelo acusatório, tornando letra morta os artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.383 3 Em face do exposto, requer o conhecimento e o provimento do recurso para que a Turma sane (i) a contradição existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão, na parte relativa aos autos de infração de PIS/PASEP e COFINS; e (ii) a ausência de justificativa para se apreciar matéria não impugnada. É o relatório. Voto Vencido Embargos de Declaração opostos no interregno estipulado no artigo 7º, § 5 º da Portaria MF nº 527, de 2010. Em primeiro lugar, a Embargante aponta a existência de contradição entre o erro cometido com o emprego de metodologia para a determinação do tributo e a consequência que se impôs à Fazenda Pública pelo indigitado erro: o cancelamento dos autos de infração. De acordo com esse entendimento, os atos citados são suscetíveis a saneamento, desde que eliminada a irregularidade. Tenhase em conta, antes de tudo, que a Fazenda Pública delimitou os Embargos, quanto à questão em exame, fixandose no erro cometido no julgamento do recurso de oficio contra decisão da DRJ que anulou autos de infração de PIS/PASEP e COFINS. Portanto, estão fora do objeto dos presentes Embargos, no que afeta este item, os autos de infração de IRPJ e CSLL. Para tal conclusão, destacamse as seguintes linhas da petição dos Embargos, à fl. 3.358: “Pela análise do acórdão 1301001.778, verificase que a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso de ofício para cancelar o auto de infração de PIS e Cofins, em virtude de vício no método de apuração dos valores cobrados.” (grifei) Postas, assim, as necessárias diretrizes, passase ao fundamento da invalidação dos precitados autos de infração de PIS/PASEP e COFINS, nas palavras do próprio relator, à fl. 3.356: “Finalmente, o terceiro ponto a ser analisado é o cancelamento das exigências relativas ao PIS e à COFINS. Mais uma vez incensurável a decisão da DRJ no Rio de Janeiro, uma vez que a autoridade fiscal incorreu em erro ao praticar o ato administrativo de lançamento, por inobservância do critério temporal previsto em lei. Qualquer que seja o sistema de apuração do lucro para fins de IRPJ e CSLL (real, presumido ou arbitrado), o período de apuração para o PIS e para a COFINS é sempre mensal, fato esse não observado pela autoridade lançadora, que utilizou períodos trimestrais.” O erro constatado pelas autoridades julgadoras surgiu do desapreço à relevância do aspecto temporal da hipótese de incidência, a redundar na apuração de bases de cálculo trimestrais e, consequentemente, na cobrança dos precitados tributos a partir da Fl. 3383DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.384 4 apreensão de realidades ampliadas para além dos limites fixados em lei, assimilandoas ao longo de intervalos trimestrais, quando se deveria compreendêlas nos extremos de cada mês do anocalendário. Como se pode ver – e é intuitivo o desprezo ao aspecto temporal da hipótese de incidência invariavelmente compromete a apuração da base calculada. Em singela anotação, Leandro Paulsen1 explica que “os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Aqui, atenhome à importante circunstância de que as bases calculadas estão conectadas à prévia e errônea imputação de fatos captados no curso de uma abrangência temporal maior do que aquela que fora estabelecida em ato legal. Isso não é mero erro formal, mas erro derivado da incorreta aplicação das normas de direito material que prescrevem o período de apuração e a base imponível (sempre delimitada àquele período), que serve de apoio para a definição do quantum debeatur. No caso do PIS/PASEP, a norma afrontada pela Fiscalização é o artigo 2º, inciso I, da Lei nº 9.715, de 1998, verbis: “Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês;” Por sua vez, no caso da COFINS, a norma violada pela Fiscalização é o artigo 2º da Lei Complementar n 70, de 1991, verbis: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tais argumentos convergem para não acolher os Embargos, no tocante à questão aduzida, pois o desprovimento do recurso de ofício, in casu, é simples decorrência de erro na aplicação do direito material, o que não se compatibiliza com a possibilidade de convalidação, mediante eliminação da irregularidade, pela via dos Embargos de Declaração. Isso porque não há contradição entre o fundamento e o cancelamento do auto de infração, como concluiu a DRJ. A questão remanescente referese à omissão sediada na exclusão do agravamento da multa prevista no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sem que a Recorrente houvesse impugnado a matéria excluída. Com efeito, o acórdão da DRJ constitui uma agressão aos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto n° 70.235/1972, ao exonerar a então impugnante da majorante de cinquenta por cento, incidente sobre a multa qualificada de 150%, a despeito de não ter havido contestação específica, como bem revelado pelo próprio AuditorFiscal incumbido da relatoria, à fl. 3.246: 1 Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 11ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009, p. 1.186. Fl. 3384DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.385 5 “Embora não tenha sido contestada pela interessada, em sua peça de defesa, acerca da penalidade da multa de 225% sobre o Principal e os seus decorrentes, penso, e acho não me enganar, que o agravamento em 50% da multa de ofício por conta do não atendimento à intimação, é desnecessária, ainda que [...]” Ao seu turno, o relator do julgamento do recurso de ofício não deu atenção ao fato de inexistir impugnação à referida majorante, consoante o exposto à fl. 3.355, verbis: “Para justificar o agravamento da multa a autoridade fiscal lembra que o contribuinte deixou de apresentar elementos e respostas a diversos itens das intimações a ele enviadas, como por exemplo, não apresentou os livros, não informou qual a origem dos depósitos bancários, não apresentou documentos que demonstrassem a transferência de cotas das reais sócias para as sócias laranjas. Penso que, também nesse aspecto, deve ser mantida a decisão recorrida que, a esse respeito, assentou: (...) o agravamento em 50% da multa de ofício por conta do não atendimento à intimação, é desnecessária, ainda que os autos comprovam que o contribuinte deixou de apresentar elementos e respostas a diversos itens das intimações a ele enviadas, não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de tais informações já possui seu efeito próprio definido em lei, como é o caso da presunção de omissão de receitas associada aos depósitos bancários de origem não comprovada, no âmbito da qual o silêncio do sujeito passivo, como aqui se apresenta, já torna juridicamente caracterizada, repito, a citada omissão de receitas. Lembro que a não apresentação de livros e documentos também tem efeito próprio definido na lei, que é o arbitramento do lucro.” Poderia o AuditorFiscal incumbido da relatoria, no julgamento da impugnação, entender que o agravamento de 50% sobre a multa de 150% era injusto. Todavia, o processo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, não é uma via aberta sem regras de acesso, sem demarcação de limites, sem interdições à entrada de qualquer elemento em qualquer momento, sem contenções à atuação judicante. É cristalino que, dentre as interdições, está a regra que disciplina a matéria cognoscível pelo julgador, à luz do disposto no artigo 17 do mencionado Decreto 70.235/1972. No ponto, vale colher o magistério de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López2: “Assim, se o contribuinte não questiona item por item a exigência fiscal, de forma direta e objetiva, corre o risco de ver sua pretensão indeferida por não estar instaurado o litígio. Impende observar que a matéria devolvida à instância julgadora é apenas aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que está evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. É preciso, portanto, demonstrar a intenção de impugnar. Não 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 190. Fl. 3385DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.386 6 bastando contestar, de forma genérica, a autuação (negação geral) e pedir o cancelamento do lançamento.” Convém, neste momento, trazer à tona que a presunção de constitucionalidade das leis fundamenta3 a cláusula de reserva de plenário do artigo 97 da Carta Magna de 1988. Coube ao Supremo Tribunal Federal reverenciála na Súmula Vinculante nº 10, de acordo com a qual “viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.” Por força da presunção de constitucionalidade das leis, não pode o CARF, por seus órgãos fracionários, negar vigência aos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972. Essa diretriz de respeito às instâncias políticorepresentativas, ou representativo democráticas, está impregnada no preceito do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, o qual prescreve que os órgãos de julgamento não podem afastar ou deixar de observar lei, decreto ou tratado, ao fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo rumo, o artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, repete a proibição do dispositivo legal do Decreto nº 70.235/1972, assim como o artigo 62 do Regimento Interno vigente na data do julgamento do recurso de ofício, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Também não se deve perder de vista que os artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972 não foram revogados ou objeto de súmula vinculante ou de decisão do STF em controle concentrado de constitucionalidade, ou de julgamento realizado sob a sistemática da repercussão geral de que trata o artigo 543B do Código de Processo Civil de 1973 (CPC/1973), ou de decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento submetido ao rito dos recursos repetitivos, na forma do artigo 543C do CPC/1973. Ademais, não se conhece resolução4 do Senado que lhes tenha suspendido a eficácia, ou súmula da AdvocaciaGeral da União (AGU), consoante o artigo 43 da Lei Complementar n° 73/19935, que já tenha tratado do tema, reconhecendo a perda de eficácia ou a revogação dos citados dispositivos legais, como também não há, a tal respeito, parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, conforme §§ 1º e 2º do artigo 40 da Lei Complementar n° 73/19936. Em vista do exposto, o julgador da DRJ não estava investido de autoridade para alterar a exigência inscrita no auto de infração, quanto à matéria preclusa. Portanto, ao relator do julgamento no CARF cabia prover o recurso de ofício, tendo em conta o obstáculo intransponível ao julgador da DRJ, que não devia se exceder no julgamento, chamando para si o poder judicante que a lei não lhe concedera, ao atuar com desprezo à autoridade dos atos normativos que voluntariamente deixou de aplicar. 3 "[...] 8. A cláusula constitucional de reserva de plenário, insculpida no art. 97 da Constituição Federal, fundada na presunção de constitucionalidade das leis, [...]" Segundo Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 636.539/AP, Plenário. DJe nº 224, de 25/11/2011. 4 CRFB/1988, artigo 52, X. 5 Art. 43. A Súmula da AdvocaciaGeral da União tem caráter obrigatório quanto a todos os órgãos jurídicos enumerados nos arts. 2º e 17 desta lei complementar. 6 Artigo 40: “Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. § 2º O parecer aprovado, mas não publicado, obriga apenas as repartições interessadas, a partir do momento em que dele tenham ciência. Fl. 3386DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.387 7 Na situação em exame, mostrase indispensável enfatizar que a diretriz aqui proposta tem suporte legitimador no princípio da legalidade, que constitui importante vetor condicionante da validade dos atos estatais. Como é cediço, o referido princípio obriga a administração pública a agir, no exercício de sua atividade funcional, nos exatos limites da lei. Transplantandose tal ideia para o caso corrente, é certo dizer que os artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972 representam uma barreira à cognição do julgador, impedindoo de se manifestar sobre o que não for suscitado pelo litigante. Ressaltase dos votos do relator da DRJ e do relator do recurso de ofício a inexistência de argumentos que tivessem a aptidão para conferir legitimação democrática às decisões que foram tomadas em cada um desses planos. Isso porque a sanção democrática das decisões proferidas por instâncias judicantes, ocupadas por autoridades públicas não escolhidas em processo eleitoral, sejam elas do Executivo ou do Judiciário, é dependente de consistente argumentação jurídica para a superação da regra estabelecida pelo Parlamento e aprovada pelo Presidente da República, pois, “ao contrário do que se crê, a escolha democráticolegislativa pela regra jurídica robustece sua insuperabilidade prima facie” 7. Daí a exigência de um significativo ônus argumentativo, e, mais além, que os argumentos conservem a “pretensão de que um número representativo de cidadãos os considere aceitáveis, corretos” 8 Ademais, prevalece, em tais circunstâncias, a presunção de que o produtor institucional do ato normativo exerce, quando do processo legislativo, a necessária ponderação entre os diversos valores que se entrecruzam, a exemplo do que se sucedeu quando da edição do Decreto nº 70.235/1972. Podese asseverar, no tocante aos artigos 16, inciso III, e 17 desse Decreto, em face da presunção de racionalidade, que o produtor institucional soube dosar a medida de equilíbrio para contrabalançar a justiça, a razoável duração do processo e a eficiência administrativa. Ao final, ponderados os valores, aprovouse o texto dos artigos 16, III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972, que veicula o sentido normativo consistente com a limitação da cognição da autoridade julgadora às matérias que forem impugnadas. Uma vez fixada a atenção no quadro anteriormente delineado, podese ressaltar, daí, que o julgador da DRJ, no presente processo, tomou as rédeas da ponderação para impor seu critério pessoal, no julgamento, desconsiderando os parâmetros de equilíbrio aprovados no âmbito da produção normativa. Em outras palavras, a DRJ rejeitou a racionalidade do produtor institucional, adotando aquela que lhe pareceu adequada. Tudo isso sem o devido corretivo do julgador da instância ad quem. Quanto ao relator do julgamento do recurso de ofício, sua função, na espécie, era a de um revisor guardião do princípio da legalidade, tendo que considerar, em sua atuação judicante, afora a Constituição, as regras de direito material e as regras de direito processual, dentre as últimas as regras que prescrevem os ônus das partes e os limites que se impõem aos litigantes e aos julgadores. No caso em apreço, o relator do recurso de ofício não deu importância ao fato de que o julgador da DRJ estava despido de autoridade para alterar a exigência não contestada. Por isso, ao invés de prover o recurso, acolheu a decisão da DRJ, negando provimento. Em suma, o relator do recurso de ofício deixou de apreciar os pressupostos necessários a superar os limites de cognoscibilidade impostos aos julgadores pela lei, mais 7 SEPULVEDA, Antonio Guimarães. Déficit de argumentação nas decisões do CARF: Princípio da Verdade Material versus Regra Preclusiva. Revista Quaestio Juris (no prelo) 8 Idem . Fl. 3387DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.388 8 precisamente pelos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, sou da opinião de que esses embargos são cabíveis, uma vez que a presunção de constitucionalidade das leis é um argumento implícito a ser vencido no discurso, quando se decide por não se aplicar norma legal vigente e válida. Nesse sentido, CONHEÇO dos Embargos, para, no mérito, DARLHES PROVIMENTO PARCIAL, suprindo a omissão, com efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Voto Vencedor Em que pese o entendimento esposado pelo ilustre relator, passo a redigir o presente voto que expressa o entendimento majoritário da Turma, quanto à alegação de ter ocorrido omissão na decisão recorrida ao manter o afastamento do agravamento da multa prevista no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Alega o embargante que a decisão recorrida incorreu em julgamento extra petita, porque se pronunciou sobre fatos não impugnados na impugnação, e não se tratar de matéria de ordem pública. Segundo a embargante, tal omissão estaria localizada na manutenção da decisão de primeira instância quando ela excluiu o agravamento da multa previsto no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a despeito de não ter se insurgido sobre a matéria quando apresentou a impugnação ao DRJ, infringindo, assim, os artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não vejo como prosperar a apontada alegação de omissão. Isso porque não há qualquer omissão na decisão embargada, pois só haveria a sobredita omissão acaso a decisão guerreada não se pronunciasse sobre todas as questões de fato e de direito relevantes mencionadas pelas partes e necessárias ao julgamento. No caso, incontroverso que ela apreciou o que deveria ter sido apreciado, pois quando a DRJ decidiu sobre a questão "agravamento da multa" e recorreu de ofício a este Conselho, devolveu as matérias nas questões decididas pela primeira instância. Desta forma, encontrase o pedido do recurso de ofício devidamente formulado e certo ante a decisão proferida pela DRJ, devendo haver, nesse rumo, pronunciamento do CARF sobre as matérias decididas e contrárias aos interesses da Fazenda Nacional, exatamente na forma em que ocorreu. Assim, entendo não prosperar a apontada alegação de omissão com fundamento em julgamento extra petita. Vejase, por seu turno, que resta inegável que a decisão embargada se manifestou sobre a matéria "agravamento da multa", confirase: Fl. 3388DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301002.089 S1C3T1 Fl. 3.389 9 Para justificar o agravamento da multa a autoridade fiscal lembra que o contribuinte deixou de apresentar elementos e respostas a diversos itens das intimações a ele enviadas, como por exemplo, não apresentou os livros, não informou qual a origem dos depósitos bancários, não apresentou documentos que demonstrassem a transferência de cotas das reais sócias para as sócias laranjas. Penso que, também nesse aspecto, deve ser mantida a decisão recorrida que, a esse respeito, assentou: (...) o agravamento em 50% da multa de ofício por conta do não atendimento à intimação, é desnecessária, ainda que os autos comprovam que o contribuinte deixou de apresentar elementos e respostas a diversos itens das intimações a ele enviadas, não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de tais informações já possui seu efeito próprio definido em lei, como é o caso da presunção de omissão de receitas associada aos depósitos bancários de origem não comprovada, no âmbito da qual o silêncio do sujeito passivo, como aqui se apresenta, já torna juridicamente caracterizada, repito, a citada omissão de receitas.” (grifei) Ora, o trecho do voto condutor do acórdão embargado, acima transcrito, deixa claro que o Colegiado decidiu manter a exclusão do agravamento da multa aplicada porque entendeu que ela não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de tais informações já possui seu efeito próprio definido em lei, como é o caso da presunção de omissão de receitas associada aos depósitos bancários de origem não comprovada. CONCLUSÃO Em conclusão, pelo exposto, voto por conhecer dos embargos e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 3389DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORRE A, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10855.722649/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS DE PENSÃO RECEBIDOS PELOS PORTADORES DE DOENÇA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. TÍTULO DE PENSÃO CONCEDIDA EM DATA ANTERIOR A CONSTATAÇÃO DA DOENÇA. ISENÇÃO. ALEGAÇÕES EM PRELIMINAR.
Estão isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão recebidos por portador de doença grave. Assim, estando comprovado nos autos que a beneficiária passou a preencher os requisitos legais exigidos, ou seja, ser portadora de doença grave (cardiopatia grave), comprovada mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída, é de se declarar como sendo isentos tais rendimentos.
Alega-se em preliminar matéria de ordem pública, como por exemplo decadência ou prescrição, e, notadamente aquelas previstas no artigo 301 do CPC, então vigente (atual art. 317 do CPC de 2015), as quais são ocorrências ou eventos que, inclusive, podem ser apreciados de ofício, e, uma vez constados podem ser uma prejudicial impeditiva ao exame de mérito do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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CARDIOPATIA GRAVE. TÍTULO DE PENSÃO CONCEDIDA EM DATA ANTERIOR A CONSTATAÇÃO DA DOENÇA. ISENÇÃO. ALEGAÇÕES EM PRELIMINAR. Estão isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão recebidos por portador de doença grave. Assim, estando comprovado nos autos que a beneficiária passou a preencher os requisitos legais exigidos, ou seja, ser portadora de doença grave (cardiopatia grave), comprovada mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída, é de se declarar como sendo isentos tais rendimentos. Alegase em preliminar matéria de ordem pública, como por exemplo decadência ou prescrição, e, notadamente aquelas previstas no artigo 301 do CPC, então vigente (atual art. 317 do CPC de 2015), as quais são ocorrências ou eventos que, inclusive, podem ser apreciados de ofício, e, uma vez constados podem ser uma prejudicial impeditiva ao exame de mérito do processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 26 49 /2 01 2- 20 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 54 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 55 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por RAQUEL GOMES MARCONDES ROSSI, em face do acórdão n° 1641.225, proferido pela 18ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, em sessão de 20 de setembro de 2012, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. 2. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim apontou: "(...). A contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento de fl. 18, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, que lhe exige crédito tributário no montante de RS 7.647,78 correspondente a imposto suplementar, multa de oficio e juros de mora. O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, creditados pelas seguintes fontes pagadoras: Fonte Pagadora Rendimento Instituto Nac. do Seguro Social INSS 23.841,52 Fundação Cesgranrio 6.020,00 Secretaria da Fazenda 60.420,61 Em sua impugnação a contribuinte requer a retificação do lançamento alegando, em síntese, que os rendimentos pagos pelo INSS e pela Secretaria da Fazenda não foram omitidos, mas declarados como rendimentos isentos recebidos por portador de doença grave, conforme laudo pericial que anexa à fl. 03. Quanto ao rendimento recebido da Fundação Cesgranrio, afirma que "o valor declarado foi indevido, confundido com outro documento que não se refere a declaração". 3. Analisada a defesa apresentada pela contribuinte, em decisão proferida em 20/09/2012, entendeu o julgador de primeira instância pela improcedência da peça impugnatória, cuja decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRA VE. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 56 4 Para fazer jus à isenção prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento deverá comprovar ser portador de uma das moléstias ali elencadas mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção restringese aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portador de moléstia grave, não alcançando rendimentos de qualquer outra natureza. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." 4. A recorrente foi regularmente notificada, em 08/10/2015, da decisão proferida pelo julgador a quo (fls. 34/39), e, para demonstrar seu inconformismo, tempestivamente, em 05/11/2012, interpôs recurso voluntário (fls. 96/97), onde, em síntese, alega, em preliminar, que a AFRF procedeu o indeferimento da solicitação de SRL, baseada na declaração do INSS, e não na análise e conhecimentos dos médicos. No mérito, sustenta que tem seus direitos vedados pela AFRF, em uma análise sem critérios, baseados em manual de perícia ditado pelo INSS, razões pelas quais requer o cancelamento do lançamento tributário 5. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 57 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos – Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. PRELIMINAR 2. Em preliminar, genericamente, sustenta a recorrente que a autoridade fiscal procedeu o "indeferimento da solicitação de SRL, baseada na declaração do INSS, e não na analise e conhecimentos dos médicos," sem especificar e demonstrar a que declaração se refere, a qual, eventualmente, poderia tornar sem efeito a relação processual e assim constituir se numa prejudicial ao exame de mérito. 3. Não obstante essas ponderações iniciais, observo que, processualmente, em regra, alegase em preliminar matéria de ordem pública, como por exemplo decadência ou prescrição, e, notadamente aquelas previstas no artigo 301 do CPC, então vigente (atual art. 317 do CPC de 2015), as quais são ocorrências ou eventos que, inclusive, podem ser apreciados de ofício, e, uma vez constados podem ser uma prejudicial impeditiva ao exame de mérito do processo. 4. Assim, rejeito a alegação da recorrente apresentada em sede de preliminar, pois entendo que não se trata de matéria de ordem pública, tampouco incluída entre aquelas previstas no art. 301 do CPC, portanto, incapaz de invalidar ou afetar o presente PAF. DO LANÇAMENTO 5. O lançamento em análise, no montante de R$ 7.647,78, devidamente atualizado (fl. 18), originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA)/2011 retificadora, às fls. 11/16, tendo a fiscalização apurado a omissão de rendimentos no total de R$ 90.282,13, conforme demonstrativo de cálculo que, integra o lançamento (fl.20), como segue: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Descrição Valores em‐Reais l) TOTAL DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS 0,00 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA 90.282,13 3) TOTAL DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS APURADOS (1+2) 90.282,13 4} DESCONTO SIMPLIFICADO (UNHA 3X0,2, LIMITADA A R$13.916,36) 13.317,09 5) BASE DE CÁLCULO APURADA (34) 76.965,04 6) IMP. APURADO APÓS ALTERAÇÕES (CALC. P/TABELA PROGR. ANUAL) 12.852,03 7) TOTAL DE IMPOSTO PAGO DECLARADO 8.741,20 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 58 6 8) GLOSA DE IMPOSTO PAGO 0,00 9) IRRF SOBRE INFRAÇÃO E/OU CARNÊLEÃO PAGO 0,00 l0) SALDO DO IMP. A PAGAR APURADO APÓS ALTERAÇÕES (6+ 7+89) 4.110,83 } l) IMPOSTO A RESTITUIR DECLARADO 8.741,20 12) IMPOSTO JÁ RESTITUÍDO 0,00 13) IMPOSTO SUPLEMENTAR 4.110,83 6. O julgador a quo, ao analisar a impugnação oferecida pela recorrente, manteve o lançamento do imposto suplementar apurado, argumentando para tanto, em síntese, que(fl.38): "(...) os portadores de cardiopatia grau II somente serão considerados portadores de cardiopatia grave quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários, circunstância essa não descrita taxativamente no documento de fl. 03." 7. O benefício isentivo que busca a recorrente tem por fundamento legal o previsto nos incisos XIV e XXI do art. 6o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, in verbis: "Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...). XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...). XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão." 8. Adicionalmente ao regramento supra, vejase que o art. 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: "Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 59 7 XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1° O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. §2° Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)." 9. Notese que, com supedâneo nos dispositivos colacionados, é necessário que se verifique o cumprimento, cumulativo, de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, quais sejam: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. 10. Tendo em conta a documentação juntada aos autos, às fls. 06/08, comprovamse que os rendimentos auferidos pela recorrente junto as fontes pagadoras INSS, Secretaria da Fazenda e Banco do Brasil reportamse à aposentaria e sua complementação. Já os valores recebidos da Fundação Cesgranrio correspondem a remuneração do trabalho sem vínculo empregatício (fls. 05 e 33). 11. Com objetivo de justificar o direito à isenção do imposto de renda a recorrente juntou na defesa inicial atestado médico, datado de 03/10/2011, do Hospital Estadual de Sorocaba SP, firmado pela médica cardiologista Patrícia Antunes Vasques, CRJV1 96.554, a qual atesta que a interessada, desde julho de 2003 tem diagnóstico de CARDIOPATIA GRAVE II, representada por: (i) insuficiência obstrutiva (CID 101248) e (ii) miocardia isquêmica grave (CID 101255). 12. Assim, importa registrar que das considerações precedentes, a discussão gira em torno da avaliação apenas se a recorrente está ou não isenta do imposto de renda, dada a sua condição de portadora de CARDIOPATIA GRAVE II de acordo com o atestado (fl. 03) anexados aos autos. 13.Para o deslinde da controvérsia, e, por se tratar de tema recorrente neste colegiado que tem decidido no mesmo sentido, tomo a liberdade de adotar parcialmente o voto proferido pelo Conselheiro Ronnie Soares Anderson, então integrante da 2a Turma Especial, da Segunda Seção de Julgamento, quando relator do processo n° 10120.002669/200899, tendo assim se pronunciado: "Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 60 8 § 1° O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. §2° Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)." No entanto, essa doença não se encontra no rol das moléstias discriminadas no inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7.713/88, o qual faz referência, isto sim, à condição de portador de cardiopatia grave. A respeito do tema, não vislumbro razões para dissentir do entendimento já consolidado nesta Turma no acórdão de n° 2802001.976 (j. 18/10/2012) e em outros do mesmo jaez, segundo o qual nem toda doença grave do coração é uma cardiopatia grave para efeitos legais. Do minucioso voto de lavra do Presidente deste Colegiado, Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso, colho as seguintes passagens: Tomese como exemplo a patologia infarto agudo do miocárdio que para o leigo e para o paciente é uma doença do coração grave, o que permitiria considerála uma cardiopatia grave. Possivelmente, um cardiologista clínico também a considere uma doença do coração grave, portanto uma cardiopatia grave sob um critério estritamente médico. A II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave descreve os tópicos importantes que precisam ser valorados para que um infarto agudo do miocárdio forma aguda da cardiopatia isquémica seja considerado uma cardiopatia grave. Isso evidencia que nem todo infarto agudo do miocárdio é uma cardiopatia grave. No mesmo sentido é a lição extraída do Consenso Nacional Sobre Cardiopatia Grave, com a participação de 40 cardiologistas, em Angra dos Reis, de 02 a 04 de Abril de 1993, no sentido de que as cardiopatias agudas, habitualmente rápidas em sua evolução, podem tornarse crônicas, passando ou não, a caracterizar uma cardiopatia grave, ou evoluir para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como Cardiopatia Grave, com todas as injunções legais. (Disponível em Acesso em 07 Out. 2010.) (...). No mesmo caminho é a orientação do cardiologista Dr. Reinaldo Mano, ao explicar que possuir uma doença cardíaca não significa obrigatoriamente que o paciente tenha uma cardiopatia grave na forma da lei, especialmente porque com o avanço da tecnologia, dos métodos diagnósticos e dos tratamentos, diversas condições cardiológicas antes reconhecidamente causadoras de morte e invalidez, hoje são passíveis de cura, assim, depende do cardiologista a emissão de laudos baseados em escalas objetivas, atualmente Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 61 9 constantes de Diretrizes da SBC, tanto para evitar excessos em relação a aposentadorias e benefícios de portadores de cardiopatia, que já se encontram potencialmente tratadas e controladas, quanto para dar amparo a caracterização da cardiopatia grave (Anamnese Cardiológica Situação Laborativa do Paciente, de 13/11/2004, Disponível em Acessoem07Out.2010)." 14. Observese que, não há dissonância entre o apontado no voto proferido nos autos do processo n° 10120.002669/200899 e o que foi decido em primeira instância quando o julgador a quo registra que: "(...). Ocorre que, diversamente de outras moléstias elencadas no art. 6°, incisoXIV, da Lei n° 7.713/88, tais como neoplasia maligna ou doença de Parkinson, por exemplo, não existe uma patologia específica denominada cardiopatia grave. Desta forma, fazse necessário estabelecer critérios e procedimentos para avaliar se determinada patologia pode ser considerada cardiopatia grave. A II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave, circunscrita nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia Volume 87 n° 2 agosto/2006, conceitua em sua conclusão o seguinte: É correta a afirmativa de Besser de que "E preciso não confundir gravidade de uma cardiopatia com Cardiopatia Grave, uma entidade médicopericial". Essencialmente, a classificação de uma Cardiopatia Grave não é baseada em dados que caracterizam uma entidade clínica, e sim, nos aspectos de gravidade das cardiopatias, colocados em perspectiva com a capacidade de exercer as funções laborativas e suas relações como prognóstico de longo prazo e a sobrevivência do individuo. (...). Sabemos, também, que, num grande número de pacientes, a cirurgia ou o procedimento intervencionista alteram efetivamente a história natural da doença para melhor, modificando radicalmente a evolução de muitas doenças e, conseqüentemente, a categoria da gravidade da cardiopatia, pelo menos no momento da avaliação. (...). De qualquer forma, nunca devemos achar, de antemão, que pacientes submetidos a quaisquer das intervenções mencionadas têm a condição médicopericial de Cardiopatia Grave, como erroneamente interpretado por muitos. Considerase um servidor (ativo ou inativo) como portador de Cardiopatia Grave, quando existir uma doença cardíaca que acarrete o total e definitivo impedimento das condições laborativas, existindo, implicitamente, uma expectativa de Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 62 10 vida reduzida ou diminuída, baseandose o avaliador na documentação e no diagnóstico da cardiopatia. O Manual de Avaliação das Doenças do Instituto Nacional do Seguro Social, que tem por finalidade conceituar as doenças especificadas nos diplomas legais e padronizar os procedimentos da Perícia Médica, ao tratar de Cardiopatia Grave, assim dispõe: 4. CONCEITUAÇÃO: 4.1 Para o entendimento de cardiopatia grave tornase necessário englobaremse no conceito todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. (...) 4.4 A avaliação da capacidade funcional do coração permite a distribuição dos pacientes em Classes ou Graus, assim descritos: GRAU I Pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação para a atividade física. A atividade física normal não provoca sintomas de fadiga acentuada, nem palpitações, nem dispnéias, nem angina de peito; GRAU II Pacientes portadores de doença cardíaca com leve limitação vara a atividade física. Estes pacientes sentemse bem em repouso, porém os grandes esforços provocam fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito (Grifei); GRAU III Pacientes portadores de doença cardíaca com nítida limitação para a atividade física. Estes pacientes sentemse bem em repouso, embora acusem fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito, quando efetuam pequenos esforços; GRAUIV Pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilitam de qualquer atividade física. Estes pacientes, mesmo em repouso, apresentam dispnéia, palpitações, fadiga ou angina de peito. (...) 6. NORMAS DE PROCEDIMENTO: 6.1 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus III ou IV da avaliação funcional descrita no item 4.4 destas Normas serão considerados como portadores de Cardiopatia Grave. 6.2 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus I e II da avaliação funcional do item 4.4 destas Normas, e que puderem desempenhar tarefas compatíveis com a eficiência funcional, somente serão considerados incapazes por Cardiopatia Grave, quando, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10855.722649/201220 Acórdão n.º 2402005.369 S2C4T2 Fl. 63 11 fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários, (grifouse) Como se pode observar, os portadores de cardiopatias de graus III ou IV são considerados portadores de cardiopatia grave. Já os portadores de cardiopatia grau II somente serão considerados portadores de cardiopatia grave quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários, circunstância essa não descrita taxativamente no documento de fl. 03." 15. Do até aqui articulado, entendo que o acórdão recorrido não merece reparo, haja vista que o benefício pleiteado não se aplica aos casos diagnosticados como CARDIOPATIA GRAVE II. 16. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, para manter o lançamento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003464/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 20/10/2005 a 30/03/2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado.
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Crédito Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 20/10/2005 a 30/03/2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Crédito Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Crédito Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 34 64 /2 01 0- 60 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003464/201060 Acórdão n.º 3302003.161 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e HLA DIAGNÓSTICO LTDA, como real adquirente. Na sessão de 23/02/2016, esta turma proferiu o acórdão nº 3302003.065, com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 20/10/2005 a 30/03/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na infração punida com a multa lavrada (interposição fraudulenta na importação), o que levaria à aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, observando julgamento do STJ sob a sistemática de recursos repetitivos e as Súmulas CARF nº 72 e 101, os quais foram admitidos. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003464/201060 Acórdão n.º 3302003.161 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A Fazenda Nacional alegou omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na interposição fraudulenta, o que levaria à aplicação do artigo 173, inciso I do CTN e das Súmulas CARF nº 72 e 101. De fato, a DRJ entendeu que a ocorrência de fraude levaria o prazo decadencial para o artigo 173, I do CTN. Entretanto, este não é o posicionamento deste Conselho, nem da própria Receita Federal. A pena de perdimento decorrente do dano ao erário possui natureza administrativa, cujo bem tutelado não se restringe à arrecadação tributária, mas referese ao próprio controle aduaneiro, evitando a burla ao controle da habilitação para operar no comércio exterior, a blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante etc, e é aplicada ainda que não haja tributos devidos numa importação com interposição fraudulenta. Assim, as disposições do Decretolei n º 37/1966 são específicas em relação à Lei nº 5.172/1966. Observase que o DL nº 37/1966, publicado em 21/11/1966, posterior à Lei nº 5.172/1966, publicada em 27/10/1966, previu no artigo 139 o prazo decadencial de cinco anos a contar da data da infração para o direito de impor penalidade. Por sua vez, o Decretolei nº 2.472/1988 alterou a redação do artigo 138, adequando ao comando do artigo 173, inciso I e ao artigo 150, §4º do CTN, evidenciando a diferença entre os prazos decadenciais para constituição de crédito tributário e para imposição de penalidade. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. A Receita Federal reconheceu este entendimento com a edição da Solução de Consulta nº 32/2013, cuja ementa dispôs: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. PRAZO O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. A natureza administrativotributária das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações permite que a elas se apliquem regras tributárias de constituição Fl. 795DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003464/201060 Acórdão n.º 3302003.161 S3C3T2 Fl. 5 4 e cobrança do respectivo crédito, inclusive o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), mas não a regra de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois a norma aplicável à espécie, pelo critério da especialidade, é o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 4º, 113 e 173; Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 78 e 83; DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, arts. 94, 96, 138 e 139; Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, art. 704; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De outro lado, não houve declaração de inconstitucionalidade do artigo 139 do Decretolei nº 37/1966, mas, pelo contrário, o Superior Tribunal de Justiça afirmou a validade do artigo 139 nos julgamentos dos Recursos Especiais nº 1.379.708CE, julgado em 05/12/2015, e nº 643.185SC, julgado em 15/03/2007, cuja ementa deste último transcrevese: EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. PERDIMENTO DOS BENS. EXPORTAÇÃO CLANDESTINA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: EDcl no AgRg no EREsp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; EDcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; EDcl no AgRg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, é de cinco anos o prazo decadencial para a imposição das penalidades nele previstas. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Destacase, ainda, que o HC nº 70.379/RS, julgado em 06/08/2009, ao tratar sob a incursão em crimes de descaminho, reafirmou a natureza administrativa da pena de perdimento, conforme ementa abaixo: EMENTA PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS . 1. DESCAMINHO. PENA DE PERDIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO Fl. 796DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003464/201060 Acórdão n.º 3302003.161 S3C3T2 Fl. 6 5 PAGAMENTO DO TRIBUTO E ACESSÓRIOS. 2. ILEGITIMIDADE PASSIVA DE UMA DAS ACUSADAS. QUESTÕES DE FUNDO. VIA ANGUSTA. INCURSÃO FÁTICOPROBATÓRIA. COGNIÇÃO VEDADA. 3. ORDEM DENEGADA. 1. A pena de perdimento caracteriza sanção de natureza administrativa, que não obsta a perseguição do crime de descaminho, diante da omissão no recolhimento do imposto devido, que muitas vezes se revela superior ao preço da própria mercadoria. 2. Não é lícito a esta Corte Superior ingressar em questionamentos acerca de matéria de fundo da ação penal. Tais aspectos devem ser examinados na via ordinária, em que a dialética processual terá lugar com toda a amplitude que lhe é conatural. 3. Ordem denegada. Assim, o artigo 139 não traz nenhuma dissonância com o artigo 173 do CTN. Salientase, ainda, que este Conselho já se posicionou em diversos acórdãos sobre a matéria, a saber: Acórdão nº 3402002.989, de 17/03/2016: DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DA INFRAÇÃO. TERMO INICIAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº. 37/66. Tratandose de penalidade devida em face da interposição fraudulenta na importação (DL nº 1.455, art. 23, V), sujeitase à decadência ao cabo do prazo de cinco anos, cujo termo inicial é a prática da infração na data de registro da declaração de importação. Acórdão nº 3202001.588: SUBFATURAMENTO. MULTAS ADMINISTRATIVAS.DECADÊNCIA. Tratandose de imposição de multa, previstas no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/ 01, para o II, e no art. 83, I, da Lei nº 4.502/1964., para o IPI, por se cuidarem de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial, na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco)anos tem seu curso iniciado na data da infração. Precedentes. Acórdão nº 3201001.884, de 25/02/2015: Fl. 797DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003464/201060 Acórdão n.º 3302003.161 S3C3T2 Fl. 7 6 DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Acórdão nº 3401002.807, de 11/11/2014: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Acórdão nº 3403003.225, de 16/09/2014: AUTO DE INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. DECADÊNCIA. O direito de aplicação de penalidade relacionada à interposição fraudulenta de pessoa em operações de importação extinguese em cinco anos contados da data do registro da Declaração de Importação. Quanto à suposta inobservância das Súmulas nº 72 e nº 101, ressaltase que todos os paradigmas destas súmulas versaram sobre constituição de crédito tributário e não sobre imposição de penalidade aduaneira, restando, portanto, inaplicáveis a este processo. Diante do exposto, voto para acolher os embargos opostos, para sanar a omissão alegada, sem, contudo, aplicarlhes efeitos infringentes, ratificando o Acórdão nº 3302003.065. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 798DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003464/201060 Acórdão n.º 3302003.161 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10835.720016/2014-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Ementa:
DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIMINUIÇÃO DO PASSIVO. RECEITA.
Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins o valor decorrente da extinção de obrigação no Passivo (IPI a pagar) em face da decadência do IPI, sem a correspondente diminuição no Ativo, pois representa um acréscimo patrimonial. As contas de tributos a pagar tratam-se de obrigações legais de valor e prazo certos, que não são consideradas provisões, devendo ser registradas como obrigações no passivo pelo regime de competência.
CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
No caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admite-se o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da cana-de-açúcar que lhes serve de insumo.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à questão da tributação dos valores baixados a título de IPI a pagar. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro apresentaram declaração de voto em conjunto; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas em relação aos insumos "óleos e graxas" e "serviços agrícolas" discriminados no voto. Vencido, nesta parte, o Conselheiro Jorge Freire. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto acompanharam a relatora pelas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP nº 83.755.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIMINUIÇÃO DO PASSIVO. RECEITA. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins o valor decorrente da extinção de obrigação no Passivo (IPI a pagar) em face da decadência do IPI, sem a correspondente diminuição no Ativo, pois representa um acréscimo patrimonial. As contas de tributos a pagar tratam-se de obrigações legais de valor e prazo certos, que não são consideradas provisões, devendo ser registradas como obrigações no passivo pelo regime de competência. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admite-se o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da cana-de-açúcar que lhes serve de insumo. Recurso Voluntário provido em parte
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIMINUIÇÃO DO PASSIVO. RECEITA. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins o valor decorrente da extinção de obrigação no Passivo (IPI a pagar) em face da decadência do IPI, sem a correspondente diminuição no Ativo, pois representa um acréscimo patrimonial. As contas de tributos a pagar tratamse de obrigações legais de valor e prazo certos, que não são consideradas provisões, devendo ser registradas como obrigações no passivo pelo regime de competência. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admitese o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da canadeaçúcar que lhes serve de insumo. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à questão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 16 /2 01 4- 87 Fl. 12616DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 2 da tributação dos valores baixados a título de IPI a pagar. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro apresentaram declaração de voto em conjunto; (ii) por maioria de votos, deuse provimento para reverter as glosas em relação aos insumos "óleos e graxas" e "serviços agrícolas" discriminados no voto. Vencido, nesta parte, o Conselheiro Jorge Freire. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto acompanharam a relatora pelas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP nº 83.755. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Tratase de Autos de Infração para a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/01/2014, no montante total de R$ 18.568.357,55. A autuação decorreu de: (0001) omissão de receita sujeita à incidência de PIS/Pasep e Cofins; (0002) créditos descontados indevidamente créditos da não cumulatividade no período de apuração 06/2009 que foram utilizados de ofício no período de apuração 05/2009, ocasionando contribuição a pagar relativamente àquele período; e (0003) créditos descontados indevidamente em relação à aquisição de serviços no cultivo da canadeaçúcar. Conforme consta no Relatório de Fiscalização, a autuação deuse, em síntese, sob os seguintes fatos e fundamentos: (...) a) Não oferecimento à tributação das baixas de dívidas de IPI A fiscalizada não ofereceu à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, contabilizadas em conta de passivo no grupo de obrigação Fl. 12617DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.617 3 tributária sob o título de "IPI (a partir de 17/11/1997)", por perda do direito do fisco em cobrálas (decadência). (...) Verificase que interessada registrava contabilmente em conta do passivo o IPI a pagar decorrente da venda de açúcar de produção própria, conta nº 22030201, nome da conta "IPI (a partir de 17/11/1997)" (vide Anexo IV do Relatório de Fiscalização), contudo não o declarava nem o recolhia. À medida que acontecia a perda do direito do Fisco de fazer a cobrança dos débitos de IPI contabilizados, a fiscalizada sistematicamente realizava a baixa das obrigações tributárias não pagas, sucessivamente ano após ano, conforme representado nos lançamentos dos Anexos I, II e III do Relatório de Fiscalização. A contabilização pelo contribuinte do IPI incidente na venda de açúcar, no ano de 2003, era feito debitandose o IPI em conta de resultado, sob o título "() IPI s/Açúcar" (vide Anexo V do Relatório de Fiscalização), e creditandose a conta de IPI a recolher do passivo "IPI (a partir de 17/11/1997)" (vide Anexo IV do Relatório de Fiscalização). Portanto, o IPI incidente na venda de açúcar foi deduzido na apuração do lucro líquido e não foi adicionado na determinação do lucro real, conforme se depreende do exame da Demonstração do Lucro Real constante da DIPJ anocalendário 2003 às fls. 12014 a 12017, ficando demonstrado não se tratar de provisão, mas de uma verdadeira obrigação de IPI perante o fisco. Além disso, cumpre ressaltar que o saldo contábil das obrigações de IPI a recolher era atualizado pelo contribuinte com juros calculados com a taxa SELIC, que é aplicável no pagamento de tributos federais, conforme se verifica nos demonstrativos de composição de saldo às fls. 561 a 564, às fls. 11415 a 11417 e Anexos II e III do Relatório de Fiscalização . As receitas obtidas com a baixa das obrigações do IPI a pagar deveriam ter sido oferecidas à tributação das contribuições para o PIS e COFINS assim como foram oferecidas à tributação do IRPJ, como se verifica da análise da DRE representada a seguir. No presente caso, há extinção de um passivo (obrigação) sem o desaparecimento concomitante de um ativo, de igual ou superior valor, constituindo um acréscimo patrimonial. Logo, a baixa da dívida há de ser reconhecida como nova receita. Fl. 12618DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 4 Quando ocorre a baixa da dívida, é inegável que há um acréscimo patrimonial por parte da devedora, pois desaparece tãosomente um passivo (obrigação). Por certo, a contrapartida do lançamento contábil em que ocorre a baixa da obrigação é uma conta de resultado credora (receita operacional), como se depreende dos lançamentos contábeis do SPED detalhados do Anexo I do Relatório de Fiscalização (anos 2008 a 2012) ou os lançamentos resumidos a seguir do ano fiscalizado de 2009: (...) Somente a partir do período de apuração abril de 2008 a fiscalizada começou a discutir judicialmente o IPI incidente sobre o açúcar comercializado por meio do Processo nº 2008.61.12.0048048, protocolizado em 17/04/2008, na Justiça Federal de Presidente Prudente SP, suspendendo a exigibilidade do crédito tributária pelo depósito judicial. A fiscalizada discute a inconstitucionalidade da fixação da alíquota de 5% de IPI para o açúcar vendido no varejo, por violação aos princípios da seletividade, igualdade, proporcionalidade e legalidade, e pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pelo depósito e a declaração da inconstitucionalidade e da ilegalidade da fixação de alíquota de IPI para o açúcar em percentual incompatível com a essencialidade do produto. Anteriormente ao período de apuração de abril de 2008, a fiscalizada reconhecia e contabilizava mensalmente o IPI devido, conforme já explanado, entretanto não o declarava nem recolhia. Desta forma, é irrefutável o acréscimo patrimonial (renda proveniente de disponibilidade, no caso econômica) por parte da devedora (fiscalizada), do qual há o inexorável surgimento de capacidade contributiva objetiva. (...) (...) b) Glosa de créditos calculados sobre dispêndios no cultivo da canadeaçúcar A fiscalizada aproveitou indevidamente créditos das contribuições para o PIS e COFINS calculados sobre dispêndios relativos ao cultivo da canadeaçúcar destinada à produção própria de açúcar e álcool. Estes dispêndios referemse à aquisição de: a) óleo diesel, outros óleos e graxa (vide Anexo VI do Relatório de Fiscalização); b) serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizado, mecânica agrícola diversa, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises (vide Anexo VII do Relatório de Fiscalização). (...) O direito ao abatimento do valor de aquisição de insumos somente existe se o bem ou o serviço adquiridos integrarem o processo de produção dos bens a serem vendidos. Verificase, pois, que dispêndios indiretos, embora de alguma forma relacionados com a realização da atividade, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos de Cofins e de contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo. Fl. 12619DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.618 5 A plantação de canadeaçúcar é considerada cultura permanente, ou seja, aquela que se mantém vinculada ao solo e proporciona mais de uma colheita ou produção, durando, mais de um ano, e os custos necessários para a formação de plantação desta natureza devem compor o valor do ativo imobilizado da pessoa jurídica. Assim os gastos com bens e serviços necessários para o cultivo da canadeaçúcar acabam sendo incorporados ao valor da plantação e, em consequência, registrados no ativo imobilizado. Esses gastos com formação de lavoura de cana de açúcar serão objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados), conforme pergunta 019 do Capítulo XII (Atividade Rural) do Perguntas e Respostas da DIPJ 2013, in verbis. (...) Com isso, em se tratando de ativo imobilizado, por óbvio que os bens e serviços adquiridos pelo contribuinte para serem utilizados na formação e manutenção da lavoura de canade açúcar, cuja planta será posteriormente utilizada como matéria prima para a fabricação de açúcar e álcool, não podem ser considerados insumos, nos termos da legislação que rege o PIS e a COFINS. (...) Vejamos com mais atenção, por se tratarem operações de maior valor, as atividades ligadas à lavoura de canadeaçúcar em que foram empregadas o óleo diesel objeto das glosas de créditos. Observase pelo quadro abaixo que os dispêndios de óleo diesel são realizados principalmente nas atividades de colheita mecanizada, transporte, preparo do solo, mecanização do solo, aplicação de vinhaça, plantio, conservação de estradas, manutenção e abastecimento agrícola, adubação, passagem de herbicida, oficina mecânica agrícola, apoio de mãodeobra, transporte de suprimentos, asfalto, almoxarifado agrícola etc., deixando claro que não se trata de atividades de fabricação de álcool e açúcar. (...) Para efeitos de aproveitamento de crédito, foram considerados como legítimos os gastos com óleos e graxas empregados diretamente na atividade de produção industrial do açúcar e álcool, consoante observação do Anexo VI do Relatório de Fiscalização. (...) Da mesma forma, os serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida com trator, desmanche/confecção cerca/transporte, dessecação tratorizado, mecânica agrícola, transporte de canadeaçúcar para plantio e transporte de canadeaçúcar para moagem por não serem aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e álcool, não se caracterizam, para fins de apuração de créditos na forma do art.3º, II, das Leis nº10.637/2002 e nº 10.833/2003, como insumos utilizados na atividade de fabricação de açúcar e álcool. Assim, os dispêndios com óleo diesel, óleos em geral e graxa no cultivo da canadeaçúcar, bem como com serviços atinentes ao cultivo de canadeaçúcar, não ensejam apuração de créditos de PIS e Cofins, por não caracterizarem como dispêndios com Fl. 12620DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 6 insumos da fabricação de açúcar e álcool, tendo em vista a atividade do cultivo da canadeaçúcar em nada se confundir com a atividade de fabricação de açúcar e de álcool, que são os produtos resultantes do processamento no estabelecimento fabril da cana colhida na lavoura. (...) Diante do exposto, é cabível a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados sobre a aquisição de óleo diesel, óleos em geral e graxa (vide Anexo VI do Relatório de Fiscalização); e serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizado, serviços mecânicos diversos, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises (vide Anexo VII do Relatório de Fiscalização); todos dispêndios da cultura da canadeaçúcar, cabendo o lançamento de ofício das diferenças das contribuições do PIS e COFINS devidas decorrentes das glosas efetuadas. (...) Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: Os registros acerca da baixa de provisão, após decorrido o prazo decadencial do direito de o Fisco promover o lançamento de IPI, não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. Ainda que o registro contábil do IPI não constituísse provisão, a sua baixa não pode ser entendida como receita. Na agroindústria de canadeaçúcar, o processo produtivo se inicia na lavoura, com a formação e cultivo do canavial, e finda com a produção do açúcar, do álcool e energia destinados ao consumo, após o processamento no seu parque industrial. A única condição imposta pelo legislador para apuração de créditos do PIS e da Cofins foi de que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, sendo irrelevantes que sejam consumidos ou que tenham sofrido desgaste pelo contato direto com o produto produzido, tal como ocorre com o IPI. Mediante o Acórdão nº 1452.034 14ª Turma da DRJ/RPO, de 28 de julho de 2014, a DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. EXTINÇÃO DE PASSIVO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa a receita decorrente da extinção de item do Passivo sem a correspondente extinção de item do Ativo. O registro de obrigações tributárias no Passivo não constitui Provisão, na medida em que não há incerteza acerca da constituição, tempo ou dimensão do débito. CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. Consideramse insumos, para fins de apuração de créditos da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas Fl. 12621DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.619 7 jurídicas, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso de bens, para que estes possam ser considerados insumos, é necessário que sejam consumidos ou sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado ou sobre o bem ou produto que está sendo fabricado. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 (...) A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 23/08/2014, pelo decurso de prazo da sua disponibilização na caixa postal no módulo e CAC. Em 19/09/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: Da não incidência da Cofins e contribuição para o PIS sobre os valores de reversão do IPI contabilizados sobre as saídas de açúcar As Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 estabelecem, expressamente, que não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS receitas referentes a "reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas". Ocorre que, apesar de não destacar o IPI em suas notas fiscais de venda de açúcar, a Recorrente, de forma conservadora, atendendo a determinação da auditoria, contabilizava o IPI como forma de provisionar recursos para uma possível saída de caixa no futuro, caso não prevaleça seu entendimento sobre a não incidência do imposto. Esse registro representa uma provisão contábil, tendo em vista que a Recorrente não sabe se terá que empenhar recursos para fazer face a esta suposta obrigação que, como mencionado, não reconhece como devida. No entanto, uma vez que aqueles registros não poderão mais ser declarados como devidos, visto que não foram objeto de questionamento pelas autoridades fiscais e, dessa forma, não poderão ser considerados como obrigação para a empresa, em eventual insucesso em sua discussão judicial, outra não poderia ser a providência senão a sua reversão, segundo as normas contábeis. (...) não é todo registro contábil credor no resultado que pode ser considerado receita para fins de incidência da contribuição Fl. 12622DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 8 para o PIS e da COFINS. São receitas apenas aqueles registros que representem um ingresso de recursos novos para a empresa. Ocorre que, como demonstrado, a Recorrente estava obrigada a contabilizar o IPI que poderia vir a ser exigido, no futuro, a fim de atender aos princípios e normas contábeis, notadamente o do conservadorismo. Deveras, a contabilização do IPI era procedimento necessário, que não implicava, e nem poderia implicar, no reconhecimento da dívida. Pelo contrário, sem o lançamento, o IPI em questão nunca foi devido pela Recorrente, porque, até 2008, não se estabeleceu a relação jurídico tributária que o tornasse devido, na forma prescrita no artigo 142 do Código Tributário Nacional. (...) se o mero registro contábil do IPI não o tornou exigível, porque não constituída a dívida, é consequência lógica que a sua baixa não pode ser concebida como um ingresso de receita. Permissa vênia, beira o absurdo a afirmação de que a baixa contábil teria constituído um acréscimo patrimonial, tendose em conta que o mero registro contábil em nada modificou a situação patrimonial da Recorrente. Como se observa nos exemplos citados pelo Conselho Federal de Contabilidade [Resolução CFC n° 774/1994], a realização da receita, quando não decorrente da venda de bens e serviços, pressupõe a extinção de uma exigibilidade. Ora, sem dúvida, não é essa a hipótese do caso em tela, porque os valores contabilizados como IPI incidente sobre a venda de açúcar nunca se tornaram exigíveis. Dos créditos de PIS e COFINS sobre dispêndios no cultivo de canadeaçúcar O processo agroindustrial desenvolvido pela Recorrente é, pois, uma atividade verticalizada, pois realiza a produção de canadeaçúcar para processamento industrial, transformando o produto de origem vegetal (canadeaçúcar) em açúcar, álcool e energia elétrica (derivada do bagaço), que são os produtos comercializados no mercado. Dessa forma, fica evidente que seu processo produtivo se inicia na lavoura com a formação e cultivo do canavial e finda com a produção do açúcar, do álcool e energia destinados ao consumo, após o processamento no seu parque industrial. (...) i) são distintas a sistemática da não cumulatividade do IPI e a sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, de modo que o conceito de insumo legalmente previsto para aquele imposto não pode ser aplicado para essas contribuições; ii) para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS devem ser considerados insumos todos os bens e serviços utilizados na produção, independentemente do contato direto com o produto final, de se desgastarem ou serem consumidos no processo produtivo; iii) a contribuição para o PIS e a COFINS incidem sobre a receita bruta, o que autoriza, na sua sistemática própria de não cumulatividade, a apuração de créditos sobre todos os bens e serviços formadores do custo de produção, porque empregados na consecução dessa receita; e iv) os insumos sobre os quais a Recorrente apurou créditos atendem ao critério da Fl. 12623DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.620 9 essencialidade, porque necessários e úteis ao seu processo produtivo de açúcar e álcool. (...) apenas os gastos com a formação da lavoura de canade açúcar (até a cobertura das mudas no solo) são registrados na contabilidade como ativo imobilizado. Ao depois, os dispêndios para manutenção e tratamento da lavoura, bem como aqueles relativos ao corte, carregamento e transporte, da canade açúcar são registrados contabilmente como custos agrícolas e alocados ao custo de produção do açúcar e álcool, pois conforme já demonstrado, devem ser considerados como insumos do processo produtivo da Recorrente. Na véspera da sessão de julgamento do presente processo, em 17/05/2016, o patrono da contribuinte anexou memoriais com o novo argumento de que haveria bis in idem sobre a exigência de PIS/Cofins sobre a extinção da obrigação de IPI a pagar em face da decadência, vez que essa parcela já haveria sido tributada juntamente com a receita sobre venda de açúcar. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Da incidência da Cofins e contribuição para o PIS sobre os valores de reversão do IPI contabilizados sobre as saídas de açúcar Alega a recorrente que os registros contábeis referentes à obrigações de IPI seriam de provisões no passivo, vez que não destacou o IPI nas suas vendas e nem o declarou em DCTF, e, sendo assim, as baixas posteriores desses valores em face da decadência do tributo, seriam reversões dessas provisões, que não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins, eis que as Lei nºs 10.637/02 e 10.833/03 expressamente excluem receitas referentes a "reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas". Entende a fiscalização que as receitas obtidas com a baixa das obrigações do IPI a pagar deveriam ter sido oferecidas pela recorrente à tributação das contribuições para o PIS e COFINS, assim como o foram em relação ao IRPJ, eis que houve a extinção de um passivo (obrigação) sem o desaparecimento concomitante de um ativo, de igual ou superior valor, constituindo um acréscimo patrimonial. Argumenta que a contrapartida do lançamento contábil em que ocorre a baixa da obrigação é uma conta de resultado credora (receita operacional). A fiscalização não acata a tese da contribuinte, pois a seu ver, os registros contábeis não seriam constituições de provisões, mas obrigações a pagar registradas no passivo, vez que: Fl. 12624DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 10 (...) o IPI incidente na venda de açúcar foi deduzido na apuração do lucro líquido e não foi adicionado na determinação do lucro real, conforme se depreende do exame da Demonstração do Lucro Real constante da DIPJ anocalendário 2003 às fls. 12014 a 12017, ficando demonstrado não se tratar de provisão, mas de uma verdadeira obrigação de IPI perante o fisco. (...) o saldo contábil das obrigações de IPI a recolher era atualizado pelo contribuinte com juros calculados com a taxa SELIC, que é aplicável no pagamento de tributos federais, conforme se verifica nos demonstrativos de composição de saldo às fls. 561 a 564, às fls. 11415 a 11417 e Anexos II e III do Relatório de Fiscalização . As receitas obtidas com a baixa das obrigações do IPI a pagar deveriam ter sido oferecidas à tributação das contribuições para o PIS e COFINS assim como foram oferecidas à tributação do IRPJ, como se verifica da análise da DRE representada a seguir. Em que pese as alegações da recorrente de que seus registros seriam constituições de provisões e, posteriormente, suas correspondentes reversões, conforme se depreende da análise da fiscalização acima efetuada na contabilidade da contribuinte, no ano calendário de 2003, a contribuinte concedeu à situação o tratamento contábil de uma obrigação de IPI a pagar registrada no passivo e não da constituição de uma provisão. Ademais, a pretensão da contribuinte de constituir provisão para uma obrigação legal de pagamento de tributos de valor e prazos certos não encontraria amparo nas normas de contabilidade, conforme se demonstra abaixo. O Conselho Federal de Contabilidade, no exercício de suas atribuições legais e regimentais, mediante a Resolução CFC nº 1.066/05, aprovou a NBC T 19.7 – Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, que apresenta as seguintes definições: 19.7.2.1.2 Provisões Derivadas de Apropriações por Competência são passivos por mercadorias ou serviços que foram recebidos ou fornecidos, mas que não foram faturados ou acordados formalmente com o fornecedor, incluindo montantes devidos a empregados (por exemplo, os montantes relativos à provisão para férias), os devidos pela atualização de obrigações na data do balanço, entre outros. Embora, às vezes, seja necessário estimar o valor ou o tempo das provisões derivadas de apropriações por competência – o que poderia assemelharse conceitualmente a uma provisão – a diferença básica está no fato de que as provisões derivadas de apropriações por competência são obrigações já existentes, registradas no período de competência, sendo muito menor o grau de incerteza que as envolve. 19.7.2.1.3 Provisão é um passivo de prazo ou valor incerto. O termo provisão também tem sido usado no contexto de contas retificadoras, como depreciações acumuladas, desvalorização de Fl. 12625DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.621 11 ativos e ajustes de valores a receber. Esses ajustes aos valores contábeis de ativos não são abordados nesta Norma. (...) 19.7.2.1.5. Passivo é uma obrigação presente da entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. 19.7.2.1.6. Obrigação Legal é aquela que deriva de um contrato, por meio de termos explícitos ou implícitos, de lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. 19.7.2.1.7. Obrigação Nãoformalizada é aquela que surge quando a entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso, assume um compromisso. 19.7.2.1.8 Contingência Passiva é: a) uma possível obrigação presente cuja existência será confirmada somente pela ocorrência, ou não, de um ou mais eventos futuros, que não estejam totalmente sob o controle da entidade; ou b) uma obrigação presente que surge de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: b.1) é improvável que a entidade tenha de liquidála; ou b.2) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente segurança. 19.7.2.1.9. Contingência Ativa é um possível ativo, decorrente de eventos passados, cuja existência será confirmada somente pela ocorrência, ou não, de um ou mais eventos futuros, que não estejam totalmente sob o controle da entidade. (...) 19.7.3. PROVISÕES E OUTROS PASSIVOS 19.7.3.1. As provisões podem ser distinguidas de outros passivos, tais como contas a pagar a fornecedores e provisões derivadas de apropriações por competência, porque há incertezas sobre o tempo ou o valor dos desembolsos futuros exigidos na liquidação. Contas a pagar a fornecedores são passivos a pagar por mercadorias ou serviços fornecidos, faturadas pelo fornecedor ou, formalmente, acordadas com este. 19.7.3.2. As Provisões Derivadas de Apropriações por Competência são, normalmente, classificadas como contas a pagar a fornecedores ou outras contas a pagar, conforme a natureza do item a que estiverem relacionadas. As demais provisões devem ser apresentadas separadamente. (...) Anexo II EXEMPLOS DE TRATAMENTO A SER DADO ENVOLVENDO CONTINGÊNCIAS ATIVAS E CONTINGÊNCIAS PASSIVAS (...) Fl. 12626DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 12 4. Tributos a) A administração da entidade entende que determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, ajuizou ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de provisão ou de contingência passiva, considerando os conceitos da norma. Em etapa posterior, o advogado comunica que a ação foi julgada procedente em determinada instância. Mesmo que haja tendência de ganho, e ainda que o advogado julgue como provável o ganho de causa em definitivo, pelo fato de que ainda cabe recurso por parte do credor (a União), a situação não é ainda considerada praticamente certa, e, portanto, o ganho não deve ser registrado. É de se ressaltar que a situação avaliada é de contingência ativa, e não de contingência passiva a ser revertida, pois o passivo, como dito no item anterior, é obrigação legal e, não, provisão ou contingência passiva. (...) Assim, mesmo que a contribuinte entenda inconstitucional a norma instituidora do tributo e não pretenda pagálo, sem um provimento judicial definitivo em sentido contrário, não pode se furtar a contabilizar a obrigação legal respectiva no passivo pelo regime da competência ao tempo do fato gerador. Assim, como a recorrente não constituiu a provisão na sua contabilidade, conforme apurado pela fiscalização, e nem poderia em face das normas contábeis acima transcritas, não há que se falar em sua posterior reversão para exclusão base da cálculo das contribuições não cumulativas. De outra parte, também não pode prosperar a alegação da recorrente de que a baixa dos valores das obrigações tributárias de IPI em face da decadência não representaria ingressos de recursos novos tributáveis pelo PIS e pela Cofins. A decadência do tributo, tal como o perdão de uma dívida, representa um acréscimo patrimonial para o devedor, cuja consequência é o nascimento da capacidade contributiva. A extinção do crédito tributário pela decadência constitui uma receita, que não pode ser qualificada como financeira, vez que não decorre de ganho em face da disponibilidade de recursos para terceiros em certo período de tempo, o que a caracteriza como uma receita tributável pela Cofins e pelo PIS. Nesse sentido, a Cosit CoordenaçãoGeral de Tributação já manifestou entendimento de que a remissão de dívida representa uma receita operacional, tributável pelo IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 17, DE 27 DE ABRIL DE 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 12627DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.622 13 EMENTA: REMISSÃO DE DÍVIDA. INCIDÊNCIA DE IRPJ, CSLL, PIS/PASEP E COFINS. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. DISPOSITIVOS LEGAIS: art.9º, § 3º, II da Resolução CFC No 750, de 1993; PARECER CT/CFC N o 11, de 2004; art.187 da Lei N o 6.404, de 1976; arts. 373 e 374 do RIR, de 1999; art.3º da Lei N o 9.718, de 1998; art. 1º, § 3º, V, "b" da Lei N o 10.833, de 2003; , art. 1º, § 3º, V, "b", da Lei N o 10.637/2002; art.53 da Lei N o 9.430, de 1996; arts. 2º e 3º do Ato Declaratório Interpretativo SRF N o 25, de 2003; art. 111, II do CTN. A questão do perdão de dívida já foi apreciada, no âmbito do IRPJ, pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (1º CC), na 1ª Câmara, mediante o Acórdão 10197.057, de 16/12/2008, Relatora Sandra Maria Faroni, com a seguinte ementa: "PERDÃO DE DÍVIDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita tributável o valor correspondente ao perdão de dívida concedido à empresa". Também a 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF manifestouse no mesmo sentido sobre o perdão de juros de mora, classificandoo como "outras receitas operacionais", tributáveis pelo IRPJ, CSLL e PIS/Cofins, conforme ementa abaixo: Processo nº 10245.003784/200874 Acórdão nº 1401001.113– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Relator: Antonio Bezerra Neto Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO. O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais já foi ratificado o entendimento de que o perdão de juros produz acréscimo patrimonial tributável pelo IRPJ, exceto no que concerne ao lucro presumido, conforme trechos abaixo extraído do Voto Condutor do Acórdão: Fl. 12628DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 14 Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão nº 9101002.052– 1ª Turma Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria: Lucro Presumido. Perdão de dívida de juros. Relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO (...) 13. Na ciência contábil, temse que o desaparecimento de uma obrigação, sem o surgimento de outro passivo, ou o desaparecimento de um ativo de igual ou maior valor caracteriza a realização de uma receita. Com efeito, é o que se extrai da Resolução CFC nº 750, de 29/12/1993, no dispositivo a seguir transcrito: "Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. ... § 3º As receitas consideramse realizadas: ... II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior;..." 14. No mesmo sentido a Resolução CFC nº 7746, de 16/12/1994: "2.6.3 – Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade ... Embora esta seja a forma mais usual de geração de receita, também há uma segunda possibilidade, materializada na extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como no caso do perdão de multa fiscal, da anistia total ou parcial de uma dívida, da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor, pelo ganho de causa em ação em que se discutia uma dívida ou o seu montante, já devidamente provisionado, ou outras circunstâncias semelhantes. ..." 15. In casu, vêse claramente que quando há extinção de uma obrigação (passivo), sem o desaparecimento concomitante de um bem ou direito (ativo), de igual ou superior valor, é inegável a ocorrência de um acréscimo patrimonial. Logo, a remissão da dívida há de ser reconhecida como receita, o que repercute no lucro líquido positivamente. 15.1. A tal fato dáse o nome de “insubsistência do passivo” ou “insubsistência ativa” (desaparecimento de uma obrigação), que é um fato modificativo aumentativo do patrimônio (aumento de disponibilidade de recursos – acréscimo patrimonial – sem obrigação comutativa). Ou seja, o perdão de um passivo importa em aumento do patrimônio líquido da empresa agraciada. O lançamento contábil é o seguinte: D Juros a pagar (conta de passivo extinção da dívida) C Insubsistência ativa (conta de resultado receita em “sentido amplo”) 15.2. Sobre o conceito de Insubsistência Ativa, ensina Ricardo J. Ferreira o seguinte: Fl. 12629DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.623 15 13.7 Insubsistências e superveniências Insubsistência Passiva “Insubsistência” é a condição de algo que deixa de existir, que desaparece. O vocábulo “passiva” tem o sentido de “negativa” ou “que causa efeito negativo", que não se confunde com a expressão “do passivo" (das obrigações, do passivo exigível). Logo, a insubsistência passiva é relativa àquilo que, ao deixar de existir, provoca efeito negativo sobre o patrimônio. A mercadoria perdida em um incêndio, por exemplo, é uma insubsistência passiva. Não se trata, porém, de uma insubsistência do passivo. Como o que deixou de existir foi um bem, com a perda da mercadoria, houve insubsistência do ativo. Portanto, a conta Insubsistências Passivas é de despesa (de natureza devedora). Insubsistência Ativa Por analogia, “insubsistência ativa” é quando algo que deixou de existir provoca o aumento do patrimônio, vale dizer, significa “o efeito positivo de algo que deixou de existir". Exemplo: a prescrição de uma dívida, que é uma insubsistência do passivo. A conta Insubsistências Ativas é de receita (de natureza credora). (...) 16. Uma vez que tal acréscimo patrimonial advém de uma receita, depreendese que foi concretizado um fato que influenciará na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois houve aumento do lucro líquido (ou redução do prejuízo contábil). 16.1. Perdoada a dívida sem o pagamento dos juros, tal valor ficará disponível à empresa, que poderá empregálo da forma que melhor lhe aprouver. A disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial é fato gerador do imposto de renda, tal como previsto no art. 43, II, do CTN, in verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...) 16.2. Destarte, é irrefutável o acréscimo patrimonial (renda proveniente de disponibilidade) por parte da devedora, que é a presente recorrente, do qual há o inexorável surgimento de capacidade contributiva objetiva. Isso posto, o perdão de uma dívida de juros é fato gerador do imposto de renda. 17. Pelo entendimento como receita, encontramse os seguintes pronunciamentos da RFB: Solução de Consulta nº 17 SRRF01/ Disit "REMISSÃO DE DÍVIDA. INCIDÊNCIA DE IRPJ, CSLL, PIS/PASEP E COFINS. Fl. 12630DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 16 A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente." DECISÃO Nº 297 de 21/12/2000 SRRF06 EMENTA: INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À baixa de valor registrado no passivo, por insubsistência da obrigação de pagar (insubsistência passiva) corresponde uma receita tributável, no momento desta baixa. Solução de Consulta nº 306 SRRF09/ Disit O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como “outras receitas operacionais”. Solução de Consulta nº 31 SRRF10/ Disit "LUCRO REAL. PERDÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO DE SÓCIO. Constitui receita da pessoa jurídica devedora a importância correspondente ao perdão de dívida, não havendo previsão legal para sua exclusão do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real." (...) Assim, com base nos argumentos citados acima, entendo que a extinção das obrigações tributárias de IPI da recorrente em face da decadência representam receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins. Com relação ao novo argumento juntado ao processo pelo patrono da contribuinte na véspera do presente julgamento, de que haveria bis in idem na exigência de PIS/Cofins sobre os valores decaídos de IPI, que já teriam sido, conforme alega, oferecidos à tributação juntamente com a receita bruta, além da sua gritante intempestividade e da necessidade de eventual apuração do alegado na escrituração da contribuinte pela fiscalização, o mérito do argumento da contribuinte também não merece acolhida neste processo. Há que se esclarecer que, por ocasião da venda dos produtos sobre os quais incidia o IPI (não destacado, nem declarado pela contribuinte), ainda não havia ocorrido a materialidade do PIS/Cofins objeto do presente auto de infração, o que somente veio a ocorrer após a extinção da obrigação do passivo (IPI a pagar) com a decadência do IPI, que representou o acréscimo da riqueza tributável. Assim, o alegado recolhimento maior que o devido de PIS/Cofins sobre a receita na venda de açúcar é matéria estranha ao presente processo, o qual trata somente da exigência dessas contribuições em momento bem posterior, quando ocorreu a extinção da obrigação legal de pagar o IPI. Nessa linha, eventual pleito da contribuinte de restituição ou compensação decorrente de pagamento indevido deveria ter sido formulado em outro processo administrativo, em consonância com os prazos, forma e condições previstos na legislação tributária para os referidos institutos. Dessa forma, o novo argumento da contribuinte apresentado em memoriais em nada muda o entendimento mais acima exarado por esta Relatora, de que é legítima a exigência de PIS/Cofins sobre a extinção da obrigação legal de pagar o IPI em face da sua decadência, vez que representa riqueza nova no patrimônio da contribuinte. Fl. 12631DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.624 17 Dos créditos de PIS e Cofins sobre dispêndios no cultivo de canade açúcar Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) A tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar como parâmetro para o conceito de insumo o custo de produção, quando não haja vedação nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º dessas Leis integrarem o custo de produção, esse critério oferece maior segurança jurídica tanto ao Fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda1. 1 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). Fl. 12632DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 18 Nessa linha de raciocínio, este Colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/992. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Conforme já decidido por este CARF, mediante o Acórdão nº 3403002.824, de 24 de fevereiro de 2014, a fase agrícola da agroindústria também integra o seu processo produtivo para fins de aproveitamento de crédito das contribuições sociais não cumulativas, conforme se vê no voto condutor do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, abaixo transcrito: (...) Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime não cumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação "de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar","dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota" transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase 2 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 12633DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.625 19 agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art.1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária,"agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. (...) Também a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em julgamento de recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, no Acórdão nº 9303003.069, da 3ª Turma, sessão de julgamento de 13/08/2014, ratifica o entendimento acima, conforme conclusão do voto condutor do Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda abaixo: (...) Em suma, a legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios quanto à conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. (...) No caso das indústrias de celulose, isso implica admitir não só os gastos incorridos na produção direta da celulose, mas também na própria produção da madeira que lhe serve de insumo. Assim, todos os gastos incorridos como “insumos dos insumos”, que no caso são aqueles necessários para a produção da madeira, devem ser considerados para atendimento da sistemática não cumulativa. Não faz sentido permitir o creditamento quando se compra a madeira e impedilo quando se incorre em gastos, por exemplo, no planejamento de plantio e investimento em tecnologia de produção da madeira, sendo que todos eles têm como objetivo incrementar a produção de celulose. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 12634DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 20 Assim, no presente caso, devem ser analisadas se as seguintes glosas da fase agrícola estão em conformidade com o conceito de insumo exposto no presente Voto: a) óleo diesel, outros óleos e graxa (vide Anexo VI do Relatório de Fiscalização); b) serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizado, mecânica agrícola diversa, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises (vide Anexo VII do Relatório de Fiscalização). Com relação às glosas sobre aquisições de óleos e graxas, consta no Anexo VI, na fl. 12.194, o rateio percentual desses dispêndios por aplicação na atividade da contribuinte, na seguinte forma: Diante da ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de que seriam vinculadas e essenciais ao cultivo da canadeaçúcar, entendo que devem ser mantidas as seguintes glosas das aquisições de óleos e graxas de aplicação sob os códigos: 30701, 30702 e 30703 (Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos), 40100 (Gestão Gestão), 40300 (Gestão Recursos Humanos), 41000 (Gestão Área Administrativa), 41306 (Gestão Serviços Sociais Diversos). As demais glosas de óleos e graxas listadas acima Fl. 12635DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.626 21 devem ser revertidas, eis que em conformidade com o conceito de insumo exposto neste Voto. Nesse sentido, também foi decidido no Processo nº 10840.002778/200538, Acórdão nº 3402001.987 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29 de janeiro de 2013, para uma empresa do setor sucroalcooleiro, conforme trecho do Voto do Relator João Carlos Cassuli Junior abaixo: (...) Voltando a atenção ao caso em concreto, analisando efetivamente os dispêndios cujo desconto de créditos fora obstado pela Autoridade Fiscal (Combustível, Transporte de trabalhadores e Transporte da Cana de Açúcar), está comprovado que referidos gastos estão contabilizados como “custo de produção” (ou gastos gerais de produção), e assim, alocadas na fase anterior (e indispensável) à geração da receita de venda, não transitando pelo resultado enquanto “despesa” (diretamente), e sim, no CPV (custo de produtos vendidos). Portanto, tais gastos não são “lançados” diretamente como despesa na Demonstração do Resultado, mas antes compõem os Estoques, apenas vindo a ser registrados no “resultado” através do CPV – Custo dos Produtos Vendidos. Assim sendo, entendo que referidos itens são indispensáveis ao processo produtivo do contribuinte, e são efetivamente, aplicados na produção dos produtos que são posteriormente destinados a venda. Se não participam “fisicamente”, em contato direto com o produto em fabricação do produto acabado (açúcar e álcool), não quer isso significar que não sejam insumos, para os fins de PIS e COFINS. Em sentido análogo, já decidiu esse Conselho: (...) Assim sendo, considerando que os dispêndios com combustíveis (expressamente permitidos), transportes de trabalhadores e no transporte de cana de açúcar, efetivamente são parte indissociável do processo produtivo da Recorrente, sem os quais não poderia levar a cabo sua atividade (a menos que adquirisse os insumos todos prontos – e teria, então direito ao crédito enquanto matériaprima), entendo que assistelhe o direito ao desconto de créditos sobre aludidos insumos, merecendo provimento o recurso nesse particular. (...) No que concerne aos serviços agrícolas especificados no Anexo VII ao Relatório de Fiscalização, quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises; todas as glosas correspondentes devem ser revertidas, eis que tais serviços são essenciais e pertinentes ao Fl. 12636DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 22 cultivo da canadeaçúcar conforme suas especificações no Relatório de Fiscalização nas fls. 12.157/12.158. Assim, em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar parcialmente o crédito tributário na parcela correspondente à reversão das seguintes glosas: a) óleos e graxas listadas Anexo VI, na fl. 12.194, com exceção daquelas de aplicação sob os códigos: 30701, 30702 e 30703 (Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos), 40100 (Gestão Gestão), 40300 (Gestão Recursos Humanos), 41000 (Gestão Área Administrativa), 41306 (Gestão Serviços Sociais Diversos). b) serviços agrícolas especificados no Anexo VII ao Relatório de Fiscalização, quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 12637DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 3402003.076 S3C4T2 Fl. 12.627 23 Declaração de Voto Inicialmente, frisese que a presente declaração de voto se refere apenas à parcela do mérito que versa sobre a incidência da Cofins e contribuição para o PIS sobre os valores de reversão do IPI contabilizados sobre as saídas de açúcar. A Recorrente adotara a prática de não destacar o IPI nas notas fiscais de saída do açúcar, por entender que a exigência seria inconstitucional, optando por provisionar o valor devido a título do imposto não pago como uma passivo. Posteriormente, ultrapassado o prazo decadencial do tributo, a Recorrente operava a reversão desses passivos em sua escrituração contábil, entendendo o Fisco tratarse essa reversão de receita tributável pelo PIS e a COFINS. Entende a fiscalização que as receitas obtidas com a baixa das obrigações do IPI a pagar deveriam ter sido oferecidas pela recorrente à tributação das contribuições para o PIS e COFINS, assim como o foram em relação ao IRPJ, eis que houve a extinção de um passivo (obrigação) sem o desaparecimento concomitante de um ativo, de igual ou superior valor, constituindo um acréscimo patrimonial. Argumenta que a contrapartida do lançamento contábil em que ocorre a baixa da obrigação é uma conta de resultado credora (receita operacional). A fiscalização não acata a tese da contribuinte, pois a seu ver, os registros contábeis não seriam constituições de provisões, mas obrigações a pagar registradas no passivo. Parecenos ser indiscutível a natureza de receita dos valores decorrentes da reversão do passivo afastando de resto a discussão sobre a caracterização enquanto provisão ou obrigação a pagar. A questão fulcral aqui é o oferecimento ou não desses valores à tributação do PIS e da COFINS no momento da saída do açúcar, o que configuraria um bis in idem a sua cobrança posteriormente, com a reversão. Analisando os demonstrativos de apuração de PIS e Cofins de fls. 11423 11470, o que se verifica é que o cálculo das contribuições levou em consideração a integralidade da receita para compor a base de cálculo, excluindo apenas os valores do ICMS ST, mas mantendo na base os valores a título de IPI, ainda que não efetivamente pagos. Da mesma forma, ao se analisar as DACONs do período, verificase que a receita integral da venda de açúcar compôs o valor declarado como receita decorrente das vendas no mercado interno, caracterizando a base de cálculo das contribuições ao PIS e a Cofins, sem exclusão dos valores do IPI. Isso indica claramente que os valores não pagos de IPI, registrados como provisões, já haviam sido oferecidos à tributação do PIS e da COFINS no momento da realização das operações, de modo pretender tributar a reversão desses valores após o transcurso do prazo decadencial, pelas mesmas contribuições, consiste em inescapável bis in idem. O mesmo dinheiro (o valor do IPI não pago) estaria sendo sujeito às mesmas contribuições duas vezes: a primeira no oferecimento do valor integral da receita de venda dos bens, sem desconto do IPI não pago (conforme farta documentação dos autos), e a segunda no momento da reversão da provisão desse mesmo valor. Fl. 12638DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO 24 Em razão disso, entendemos ser equivocada a cobrança, pelo que damos integral provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte no tocante a esse tópico do mérito em análise. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Fl. 12639DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por DIEGO DINIZ R IBEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720035/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa:
MPF. PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. ENTREGA. NULIDADE. NÃO CONFIGURADA.
A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal trata-se de mero instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização, que mesmo irregular, não teria o condão de inquinar de nulidade o despacho decisório ou o lançamento efetuados em conformidade com a lei.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais à obtenção do produto final ou à prestação do serviço, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou produto final resultante, nos termos delimitados pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, assim considerados aqueles que integram o custo de produção e que não sejam passíveis de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: MPF. PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. ENTREGA. NULIDADE. NÃO CONFIGURADA. A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal trata-se de mero instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização, que mesmo irregular, não teria o condão de inquinar de nulidade o despacho decisório ou o lançamento efetuados em conformidade com a lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais à obtenção do produto final ou à prestação do serviço, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou produto final resultante, nos termos delimitados pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, assim considerados aqueles que integram o custo de produção e que não sejam passíveis de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Recurso Voluntário negado.
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PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. ENTREGA. NULIDADE. NÃO CONFIGURADA. A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal tratase de mero instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização, que mesmo irregular, não teria o condão de inquinar de nulidade o despacho decisório ou o lançamento efetuados em conformidade com a lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais à obtenção do produto final ou à prestação do serviço, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou produto final resultante, nos termos delimitados pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, assim considerados aqueles que integram o custo de produção e que não sejam passíveis de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 35 /2 00 7- 31 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de Brasília, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de PER/Dcomp's, mediante as quais a contribuinte pleiteou o ressarcimento de crédito de PIS do 1º trimestre/2005 mercado interno, com incidência não cumulativa, no valor de R$ 1.958.946,94, apurado com base na Lei n° 10.637/2002, bem como a sua compensação com débitos tributários da contribuição para o PIS apurados em jul/99, abr/03 e mai/03, nos valores de R$ 1.000,00, R$ 1.000,00 e R$ 13.000,00, respectivamente, controlados no processo 10120.007205/200615, juntado a este por apensação. No despacho decisório, a autoridade fiscal competente, acatando as informações prestadas no relatório fiscal de diligência, decidiu deferir parcialmente o crédito, no valor de R$ 110.644,33; homologar as compensações realizadas e autorizar o ressarcimento a favor da contribuinte no valor de R$ 82.868,53. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em face do despacho decisório, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) em preliminar, em resumo, argúi a nulidade do despacho decisório e apresenta os seguintes argumentos de defesa, assim sintetizados: Do MPF o MPF de 08/05/2008, com prazo para execução até 05/09/2009, não colacionado aos autos pela autoridade fiscal, já caracteriza nulidade processual (art. 2º do Decreto 3.724, de 10/01/2001 c/c 59 do Decreto n°. 72.235/1972); após duas prorrogações, para 04/11/2008 e 03/01/2009, das quais não foi intimada, em total afronta às disposições dos art. 23 c/c art. 8º. do Decreto n°. 70.235, de 1972 e art. 247 e 618 do CPC, o referido MPF foi encerrado, com as conclusões que serão oportunamente combatidas; além disso, só foi notificada do despacho decisório mais de um ano após o encerramento do MPF, contrariando as orientações da própria RFB que dispõe que o MPF é ato administrativo que permite a instauração de procedimento fiscal, conforme esclarece o artigo 2º da Portaria RFB n° 4.066 de 02/05/2007; Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.166 3 as incorreções ou omissões do MPF são causa de nulidade do mesmo, porquanto afrontam de forma cabal e definitiva dispositivos legais e princípios mencionados, pois o ato administrativo contrário à lei não gera nenhum direito. Logo, requer a nulidade por ausência da peça inicial essencial o MPF bem como pelo decurso de prazo processual, em nome dos princípios da vinculação e da legalidade do ato administrativo, previstos no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Do cerceamento ao direito de defesa o procedimento afronta às disposições do § 4°. do art. 9 do Decreto n°. 70.235/1972, pois nas laudas lhe enviadas, inexistem planilhas identificando quais são as operações, bem como qualquer fundamentação legal sobre as razões que levaram os Auditores Fiscais e reduzir o montante do crédito apurado e declarado pela manifestante; nos mais comezinhos princípios de processo, seja judicial ou administrativo, é assegurado o contraditório e a ampla defesa, mas é lógico que somente será possível exercer esses direitos até constitucionalmente assegurados se sabido o que contraditar ou do que se defender; o despacho decisório é extemporâneo e nulo de pleno direito, porquanto fundamentado em MPF encerrado após o prazo estipulado inicialmente, prorrogados em completa desatenção às formalidades previstas na legislação que rege o processo tributário; Do mérito. a Lei n°. 10.865/2004 impôs às sociedades cooperativas agropecuárias a nãocumulatividade, a partir do dia 1°. de maio de 2004. A Lei n°. 10.892/2004, concedeu, aquelas cooperativas que não observaram obrigações assessórias, a opção de retroagir ou não a data de inclusão, sem contudo ter o condão de prejudicar direitos tributários adquiridos, em face dos art. 101 c/c 106 do CTN; o Auditor Fiscal citou várias vezes (fls. 772) a IN SRF nº 600, de 2005, como utilizada para homologar ou não créditos e compensações, bem como reduzir o valor; no entanto, na fundamentação legal, afirmase a aplicação da IN FRB nº 900 de 2009, muito posterior às datas dos créditos e das compensações pleiteadas; segundo o art. 101 c/c 106, do Código Tributário Nacional, os efeitos da lei fiscal não podem retroagir, senão em favor do contribuinte. Assim, os créditos de PIS apurados por ela devem ser analisados sob a égide das Instruções e demais dispositivos legais vigentes nos respectivos períodos de apuração e não naqueles editados dois anos após o fato gerador, a menos que estes venham a favorecêla. Só isso, já impõe a revisão dos conceitos e cálculos efetuados, bem como a o restabelecimento do crédito declarado. DAS IMPROPRIEDADES NA DENEGAÇÃO PARCIAL. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 o relatório as "fls. 757 a 760", não trouxe as demonstrações dos cálculos efetuados pela Fiscalização, (fls. 99 a 101, 102 a 144, 145/152, 599/604, entre outras), indispensáveis para ela identificar os créditos indeferidos, contrariando as disposições do art. 9º do Decreto n°. 70.235, de 1972, preferindo termos genéricos, limitandose a citar folhas do processo onde, inferese porque não se tem certeza, estão as operações, o que passa a combater; o relatório não especifica a fundamentação legal para denegar total ou parcialmente o direito a créditos, tampouco onde (fl, 754) foi reduzida a base de crédito. Limitase a apresentar valores a serem apostos nas linhas do DACON sem identificar quais as notas fiscais foram acatadas e quais foram descartadas em completa contradição ao art. 142 do CTN, o que determina o direito da manutenção do crédito, conforme art. 165, II, do CODEX; as operações das folhas 102 a 144, 218 a 262 e 398/445, tratamse de aquisições de leite in natura recebido de associados e não associados, destinados à produção de lácteos e/ou para comercialização no mercado. Destarte, não se pode ter certeza que as tenha considerado vendas com suspensão prevista no art. 9º. da Lei n°. 10.925/2004; a fiscalização não comprovou se as condições impostas pela SRF foram ou não cumpridas pelos adquirentes das mercadorias porque realmente não o foram razão pela qual não se aplica a suspensão supostamente arguida, mas a integra do disposto no art. 8º. da Lei n°. 10.925/2004; conforme o item 21 do Relatório da Fiscalização (fls.776), com base no art. 17 da Lei n°. 11.033/2004, tem direito de manter o crédito presumido das operações com leite in natura, conforme definido nos art. 8°. e 9°. da Lei n°. 10.925/2004, com as alterações posteriores, o que, desde já se requer; repete o vício de nulidade caracterizado pela ausência da delimitação da matéria tributária e das razões da glosa do crédito. Novamente infere que se trata de aquisições de peças e implementos agrícolas para fornecimento aos associados, destacadas nas folhas 145 a 152, 263 a 271, 446 a 459, 599 a 619; a fiscalização esqueceu que as sociedades cooperativas podem excluir da base de apuração ingressos inerentes ao fornecimento de bens e serviços aos associados e que nos produtos de tributação monofásica está inclusa a parcela de contribuição devida pelo comerciante varejista, indevida pelas sociedades cooperativas agropecuárias. Foi esta parcela, que ela se creditou e tem direito, conforme os arts. 3º. da Lei 10.833 c/c 165, I, do CTN; a sua principal atividade é o esmagamento e a industrialização de soja e derivados, fabricação de rações e demais produtos destinados à alimentação humana e animal, conforme relatado no item 3 (fls.757). A fiscalização quando manteve o crédito presumido das aquisições citadas nas fls.153 a 181, 272 a 349 e 460 a 354, conforme o art. 8o. da Lei n°. 10.925/2004, andou bem. Porém, exclui indevidamente do valor restituível, crédito Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.167 5 inerente às exportações, contraria disposição legal e orientação da própria RFB; a compensação e o ressarcimento estão limitados aos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação devendo ser feito o rateio proporcional ou apropriação direta, em relação aos custos, despesas e encargos comuns a receitas de exportação e de venda no mercado interno. A decisão contraria ainda decisões de outras delegacias; os créditos presumidos referentes às aquisições de matérias primas e produtos agrícolas destinados aos mercados interno e externo, devem ser restabelecidos, pois se manteve os créditos sobre as mesmas operações (fls. 153 a 181), requer o restabelecimento do crédito registrado relativo à glosa das aquisições de soja; os produtos elencados às fls. 183 são matériasprimas que, misturadas, vão integrar produto sujeito à alíquota zero. Contudo, individualmente e a granel são aquisições, produtos que escavem sujeitos às alíquotas normais. Consoante o art. 3º. da Lei n°. 10.833/2003 são créditos devidos e básicos, inexistindo qualquer vedação aos seus registros, manutenção e restituição; ao contrário do que infere a fiscalização, a legislação tributária em vigor (IN 247/2002, art. 66) permitia o crédito de tais aquisições, quando destinadas à manutenção da atividade e utilizadas como custos de produção (NFs fls. 187/217, 362 a 397, e 545 a 598); as aquisições de insumos e materiais secundários aplicados nos meios de produção, embora não se incorporem fisicamente ao produto acabado, são parte da estrutura de custos e devem ter seus créditos mantidos, conforme o art. 20 da LC n°. 87, de 1996, cujos conceitos são aplicáveis ao caso, a própria fiscalização reconhece; as peças de reposição são aplicadas em substituição a outras, no processo industrial. Da mesma forma, os óleos, lubrificantes, materiais de limpeza, são indispensáveis para o funcionamento da indústria e sofrem alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas. Assim, a glosa não encontra fundamento, ao contrário, os dispositivos legais citados pela fiscalização são a própria base da manutenção dos créditos; DO DIREITO DE MANUTENÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS nada mais fez senão seguir a legislação que rege a não cumulatividade tributária, aplicando os conceitos previstos na norma legal (Art. 66 da IN 247/2002 c/c art. 8º. da IN SRF 404/2004), e na melhor doutrina, conforme ensina Martins, 2003, p. 41 e 429, de modo que requer o restabelecimento do crédito, no valor total de R$ 1.848.303,61, reduzido pela fiscalização sem qualquer arrazoado técnico, legal e/ou doutrinário; DO CRÉDITO PRESUMIDO DOS ESTOQUES DE ABERTURA as sociedades cooperativas somente passaram não Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 cumulatividade a partir de maio de 2004, com a Lei n°. 10.865, de 2004, que alterou o art. 10 da Lei n°. 10.833, de 2002. Nesta data seus estoques estavam tributados a alíquota de 1,65%. Assim, não se pode aplicar o percentual original, previsto na lei, sob pena de ter sua tributação elevada sem autorização legal e quebrando o princípio da nãocumulatividade; o Superior Tribunal de Justiça, já se manifestou denegando aplicação da alíquota de 7,6% nos estoques existentes em 01 de fevereiro de 2004. A decisão do STJ impede a aplicação de alíquota majorada (1,65%) sobre os estoques na data de vigência da Lei (01/02/2004), porquanto estes foram tributados pela alíquota vigente na cumulatividade (0,65%) e sua aplicação caracterizaria enriquecimento sem causa do contribuinte; seguindo a lógica da decisão do STJ, manter o crédito em 0,65% sobre os estoques iniciais, causa enriquecimento sem causa do fisco e aumento tributário desautorizado por lei, visto que seus estoques são produtos agrícolas, peças de reposição, materiais de embalagem, adubos e fertilizantes, entre outros, adquiridos com tributação de 1,65%, haja vista todas as compras ocorreram entre março e julho de 2004, em plena vigência das Leis n°. 10.833/2002 e n°. 10.865/2004, que tributavam as operações pela alíquota máxima; o art. 11 da Lei n°. 10.637, de 2002, não seleciona as aquisições, manda aplicar simplesmente o percentual sobre o valor dos estoques existentes em 31/01/2004, não autorizando a RFB fazer tal distinção; é seu direito, creditarse de 1,65% sobre os valores de estoques em 31 de julho de 2004, data em que ingressou na não cumulatividade, de modo que requer restauração e homologação do crédito (R$530.762,58) relativo à diferença de alíquota aplicada sobre os estoques existentes em 31/07/2004, bem como ajustes nos DACON e PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ Brasília, entretanto, por meio do Acórdão n° 3401001.791 (fls. 1015/1028), da 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, foi declarada a nulidade da referida decisão, para que a Delegacia de Julgamento se pronunciasse também sobre a alíquota a ser empregada no cálculo do crédito presumido do estoque existente antes do ingresso no regime da não cumulativo do PIS, conforme ementa abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA DO CRÉDITO NO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DIFERENTE DA REQUERIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO DE DIREITO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de direito presentes na manifestação de inconformidade, a omissão relativa à alegação Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.168 7 de que a alíquota do crédito presumido do PIS não cumulativo, decorrente do estoque existente antes do ingresso no regime não cumulativo, determinado para as sociedades cooperativas de produção agropecuária pela Lei n° 10.865, de 30/04/2004, deve ser calculado à alíquota de 1,65%, em vez de à alíquota de 0,65% utilizada pelo contribuinte no pedido de ressarcimento. Apesar de o contribuinte ter aplicado no pedido de ressarcimento a alíquota que lhe é desfavorável, o direito ou não ao crédito presumido sobre o estoque anterior ao ingresso no regime não cumulativo, a ser calculado com a base de cálculo e a ali determinadas na legislação de regência, integra o litígio por haver manifestação expressa na manifestação de inconformidade contra a alíquota inicialmente empregada. A 4a Turma da DRJ/BSA proferiu nova decisão, objeto do Acórdão nº 03 49.334, de 20/09/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE PIS CRÉDITO PRESUMIDO Há condição imposta pela legislação tributária para o aproveitamento de crédito gerado por insumos. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tãosomente, aqueles bens, serviços, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica e serviços de manutenção, que sejam efetivamente aplicados/consumidos na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviço. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. Nos termo da legislação tributária de regência, as alíquotas para o cálculo do crédito presumido sobre o estoque existente em 31 de julho de 2004 são de 0,65% para a Contribuição para o PIS/PASEP e de 3% para a Cofins. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância pela abertura do arquivo correspondente no eprocesso em 23/10/2012. A ciência por decurso de prazo deuse em 06/11/2012. No novo Recurso Voluntário (fls. 1056/1106), apresentado em 12/11/2012, a contribuinte alega, em síntese: DO VÍCIO FORMAL DO ACÓRDÃO 0349.334 4a Turma da DRJ/BSB (...) na hipótese de se tratar exclusivamente de uma questão formal, que ocasionou na anulação do julgamento anterior, era necessário que os Ilustres Membros da 4a Turma do DRJ/BSB enfrentassem novamente toda a matéria, pois pressupõe que tudo aquilo que fora abordado, discutido e decidido tornouse nulo, não bastando apenas consignar no voto que somente seria Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 apreciada a alegação da ora Recorrente relativa à diferença de crédito presumido sobre estoque existente em 31/07/2004, sob pena de caracterizar novamente ofensa ao artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72 (...) Logo, o presente acórdão padece de nulidade, pois está preterindo o direito de defesa da recorrente, haja vista que era dever do colegiado enfrentar novamente toda a matéria, pois o julgamento foi bastante claro ao afirmar que demandou anulação do acórdão recorrido para que outro fosse produzido com apreciação de todas as razões de direito presentes na manifestação de inconformidade, o que não ocorreu. DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE APLICADO AO REGIME DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Os ilustres Membros da Quarta Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, na transcrição do acórdão ora recorrido, não enfrentaram toda a matéria ventilada na manifestação de inconformidade, principalmente quanto as razões que levaram ao indeferimento do direito da Recorrente ao ressarcimento do crédito presumido de PIS do 1° Trimestre de 2005. (...) o acórdão não enfrentou a matéria trazida pela Recorrente, quando se afirma que a autoridade fiscal que denegou o ressarcimento do crédito pleiteado não verificou ou deixou de verificar as demonstrações dos cálculos efetuados pela Fiscalização, (fls. 99 a 101, 102 a 144, 145/152, 599/604, entre outras), indispensáveis para o contribuinte identificar os créditos indeferidos, contrariando as disposições do art. 9o. Do decreto 70.235/2002. O simples fato do ilustre auditor fiscal não ter realizado a diligência para se buscar a verdade dos fatos alegados, apesar de ter havido expressa solicitação nesse sentido, poderá esta ser debatida em segunda instância se considerada excessiva nos termos apresentados pelo Recorrente, em face do princípio da razoabilidade que norteia o processo administrativo fiscal. Da Nulidade Absoluta Muito embora as razões descritas na manifestação de inconformidade tenham explicitado que o despacho decisório proferido pela autoridade fiscal estava eivado de nulidades, principalmente no que se refere a insuficiência na descrição dos fatos e na descrição genérica dos dispositivos legais para justificar a negativa quanto ao ressarcimento de crédito pleiteado pela Recorrente, o acórdão que ora é objeto de recurso seguiu a mesma sorte. (...) além do relatório e a fundamentação apresentado pelo Agente Fiscal que do denegou o direito ao ressarcimento do crédito presumido, bem como o acórdão que infelizmente seguiu no mesmo sentido, não ilustra de fato a realidade de que se sucedeu nos pedidos de ressarcimento e compensação. Assim, mantendose o que já foi debatido na manifestação de inconformidade, é imperioso seja o presente acórdão decisório Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.169 9 reformado na sua integralidade, pois não houve a descrição exata dos fatos, bem como a indicação do dispositivo legal que embasa o mesmo é genérica, conforme amplamente relatado, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, devendo ser homologado os pedidos de ressarcimento na exata forma requerida pelo Recorrente. DECURSO DE PRAZO DO MPF E VÍCIOS NA INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE (...) com base no Mandado de Procedimento Fiscal MPF 01.2.01.002008005764 de 08 de maio de 2008, com prazo para execução até 05 de setembro de 2009, não colacionado aos autos pela Autoridade Fiscalizadora, o que já caracterizaria nulidade processual (art. 2o. do Decreto 3.724, c/c , de 10 de janeiro de 2001 c/c 59 do Decreto N°. 72.235/1972) a Recorrente foi intimada (fls. 93) para apresentar comprovantes e livros contábeis e fiscais à Autoridade Fiscal, visando a homologação dos lançamentos efetuados, que integram os autos em epígrafe. Após duas prorrogações, para 04 de novembro de 2008 e 03 de janeiro de 2009, das quais a Recorrente não foi intimada, em total afronta às disposições dos art. 23 c/c art. 8o. do Decreto n°. 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 247 e 618 do CPC, referido MPF foi encerrado, com as conclusões que serão oportunamente combatidas. Além disso, somente no dia 11 de janeiro de 2.010, mais de um ano após o encerramento do MPF, foi expedido o Ofício 033/2010RFB/DRFGOI/SEORT, comunicando o Despacho Decisório 1.181 de 07 de dezembro de 2009, reduzindo o crédito para R$ 110.644,33, contrariando as orientações exaradas pela própria RFB em sua página eletrônica (...) (...) as incorreções ou omissões do Mandado de Procedimento Fiscal são causa de nulidade do mesmo, porquanto afrontam de forma cabal e definitiva os dispositivos legais e princípios mencionados, pois o ato administrativo contrário à Lei não gera nenhum direito. Assim caracterizadas, desde já se requer o reconhecimento das nulidades por ausência da peça inicial essencial o MPF bem como pelo decurso de prazo processual, em nome dos princípios da vinculação e da legalidade do ato administrativo, previstos no art. 37 da Constituição Federal de 1988. DO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA O procedimento afronta às disposições do § 4o, do art. 9o. do Decreto 70.235/1972, pois nas laudas enviadas à Recorrente, inexistem planilhas identificando quais são as operações, bem como qualquer fundamentação legal sobre as razões que levaram os Auditores Fiscais e reduzir o montante do crédito apurado e declarado pela Recorrente. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 A omissão da fundamentação legal e da apresentação de informações "indispensáveis para a comprovação do ilícito" (art. 9o.) que determinou a redução dos créditos se caracterizam verdadeiro CERCEAMENTO AO DIREITO DE AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO, CARACTERIZADA PELAS OMISSÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS E REDUÇÃO DO PRAZO ÚTIL PARA SUA ELABORAÇÃO, objetivo maior da citada disposição processual, em consonância com o art. 5o., LV, da Constituição Federal do Brasil. Além disso, contraria as condições de lançamento do crédito tributário, previstas no art. 142 do CTN, ao não identificar a matéria tributável, bem como calcular o montante do tributo, no caso o pseudo crédito indevido. Também apresenta informações insuficientes para permitir à Contribuinte, tomar ciência das razões de fato e de direito, que levaram a fiscalização a reduzir os créditos apurados e comprovados pelos documentos acostados aos autos. DA SOCIEDADE COOPERATIVA E DA EVOLUÇÃO TEMPORAL DAS LEIS A Lei não concedeu opção, mas impôs às sociedades cooperativas agropecuárias a não cumulatividade, a partir do dia 1° de maio de 2004. Entretanto, a Lei 10.892/2004, vem conceder, para aquelas que não observaram obrigações assessórias, a opção de retroagir ou não a data de inclusão, sem contudo ter o condão de prejudicar direitos tributários adquiridos, em face dos art. 101 c/c 106 do CTN. Somente em 28 de dezembro de 2005, a SRF editou IN 600, tratando especificamente das sociedades cooperativas, Instrução esta, várias vezes confessada como utilizada pelo Auditor Fiscal (por exemplo, fls. 772 dispositivos legais), e mantida pelo acórdão recorrido, como referência para homologar ou não créditos e compensações, bem como reduzir o valor daqueles, o que se combaterá nos momento e forma oportunos. Além disso, na fundamentação legal e mantida no acórdão recorrido, afirmase a aplicação da Instrução Normativa 900/2008, muito posterior às datas dos créditos e das compensações pleiteadas. Segundo as disposições dos Art. 101 c/c 106, do Código Tributário Nacional, os efeitos da lei fiscal não podem retroagir, senão em favor do contribuinte. Assim, os créditos de PIS apurados pela Recorrente devem ser analisados sob a égide das Instruções e demais dispositivos legais vigentes nos respectivos períodos de apuração e não naqueles editados dois anos após o fato gerador, a menos que estes venham a favorecêla. Só isso já impõe a revisão dos conceitos e cálculos efetuados, bem como a o restabelecimento do crédito declarado, o que desde já se requer. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.170 11 DAS IMPROPRIEDADES NA DENEGAÇÃO PARCIAL DOS CRÉDITOS PELA FISCALIZAÇÃO E MANTIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO Créditos básicos e presumidos regulares (bens adquiridos para industrialização, revenda e/ou como insumos) O relatório não especifica a fundamentação legal para denegar total ou parcialmente o direito a créditos, tampouco onde, nas fls. 754, foi reduzida a base de crédito. Limitase a apresentar valores a serem apostos nas linhas do DACON Documento de Apuração de Contribuições Sociais sem identificar quais as notas fiscais foram acatadas e quais foram descartadas em completa contradição ao art. 142 do CTN, o que determina o direito da manutenção do crédito, conforme art. 165, II, do CODEX. Por outro lado, as operações das folhas 102 a 144, 218 a 262 e 398/445 se tratam de aquisições de leite in natura recebido de associados e não associados, destinados à produção de lácteos e/ou para comercialização no mercado e, destarte, se infere porque não se pode ter certeza que as tenha considerado vendas com suspensão prevista no art. 9o. da lei 10.925/2004. Vale lembrar que a fiscalização não comprovou se as condições impostas pela SRF foram ou não CUMPRIDAS PELOS ADQUIRENTES DAS MERCADORIAS porque realmente não o foram razão pela qual não se aplica a suspensão supostamente arguida, mas a integra do disposto no art. 8o. da lei 10.925/2004 (...) Assim, conforme o item 21 do próprio Relatório da Fiscalização (fls.776), com base no art. 17 da Lei 11.033/2004, a Recorrente tem direito de manter o crédito presumido das corações com leite in natura, conforme definido nos art. 8o. e 9o. da Lei 10.925/2004, com as alterações posteriores, o que, desde já se requer. Aquisição, para revenda, de produtos sujeitos a alíquota zero ou a cobrança monofásica do PIS/Pasep, CFOP 1102 e 2102, sem direito a crédito Repetese o vício de nulidade caracterizado pela ausência da delimitação da matéria tributária e das razões da glosa do crédito. Contudo, por amor ao debate, novamente inferimos que se tratam das aquisições de peças e implementos agrícolas para fornecimento aos associados, destacadas nas folhas 145 a 152, 263 a 271, 446 a 459, 599 a 619. Entretanto, esqueceuse a fiscalização, bem como os ilustres membros da 4a Turma de Julgamento que, de acordo com as disposições do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, as sociedades cooperativas podem excluir da base de apuração os ingressos inerentes ao fornecimento de bens e serviços aos associados. Assim, nos produtos de tributação monofásica, está inclusa parcela de contribuição devida pelo comerciante Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 varejista e indevida pelas sociedades cooperativas agropecuárias. Foi esta parcela, que a Recorrente se creditou e dela tem direito, conforme os arts. 3o. da Lei 10.833 c/c 165,1, do CTN. Compras destinadas a produção de alimentos, de soja e milho em grãos junto à pessoa física CFOP 1101, com direito apenas ao credito presumido da agroindústria A principal atividade da Recorrente é o esmagamento e a industrialização de soja e derivados, fabricação de rações e demais produtos destinados a alimentação humana e animal, conforme relatado no item 3 (fls.757). Assim, andou bem a fiscalização quando manteve o crédito presumido das aquisições citadas nas fls.153 a 181, 272 a 349 e 460 a 354, conforme o art. 8o. da Lei 10.925/2004. Entretanto, exclui indevidamente dos valores homologados e restituíveis, crédito inerente às exportações, contrariando expressa disposição legal e orientação da própria RFB. Destarte, devem ser restabelecidos os créditos presumidos referentes às aquisições de matérias primas e produtos agrícolas destinados aos mercados interno e externo. Compras junto à pessoa física de insumos aplicados na produção de produtos não destinados a alimentação humana ou animal, CFOP 1101, sem direito a credito Aqui o paradoxo fiscal. Se nas folhas 153 a 181 manteve os créditos sobre as mesmas operações, aqui glosa as aquisições de soja. Assim se requer o restabelecimento do crédito anteriormente registrado. Compras de insumos sujeitos a alíquota zero de PIS/Pasep, CFOP 1101 e 2101, notas fiscais relacionadas à folha n°183, no valor total de R$ 386.878,10, sem direito credito; Novamente o vício de não fundamentar a glosa ao direito de crédito. Os produtos elencados às fls. 183 são matériasprimas que, misturadas, realmente vão integrar produto sujeito à alíquota zero. Contudo individualmente e a granel, conforme são as aquisições da Recorrente, os produtos estavam sujeitos às alíquotas normais. Assim, em conformidade com o art. 3o. da Lei 10.833/2003 referidos créditos são devidos e básicos, inexistindo qualquer vedação aos seus registro, manutenção e restituição. Aquisição de material para uso ou consumo e de outros produtos que não se enquadram no conceito de insumo CFOP 1556 e 2556, notas fiscais relacionadas às folhas no 187/217, no valor total de R$ 1.604.803,63, sem direito a credito; Ao contrário do que infere a fiscalização e o acórdão recorrido, a legislação em vigor, em especial a IN 247/2002, art. 66, permitia o crédito de tais aquisições, quando destinadas à manutenção da atividade e utilizadas como custos de produção (notas fiscais às fls. 187/217, 362 a 397, e 545 a 598). Destarte, muito claro que as aquisições de insumos e materiais secundários aplicados nos meios de produção, embora não se Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.171 13 incorporem fisicamente ao produto acabado, é parte da estrutura de custos e devem ter seus créditos mantidos, em harmonia ao que dispõe o art. 20 da LEI COMPLEMENTAR N°. 87, DE 13 DE SETEMBRO DE 1996, cujos conceitos são aplicáveis ao caso, conforme muito bem reconhece a própria fiscalização. Ora, as peças de reposição são aplicadas em substituição à outra, consumida no processo industrial. Da mesma forma os óleos, lubrificantes, materiais de limpeza industrial, são indispensáveis para adequado funcionamento da indústria e sofrem "alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas" no processo produtivo. Assim, a glosa não encontra fundamento, mas, ao contrário, os dispositivos legais citados pela fiscalização são a própria base da manutenção dos créditos da Recorrente. DO DIREITO DE MANUTENÇÃO INTEGRAL AOS CRÉDITOS DECLARADOS Conforme se verifica, a Recorrente nada mais fez senão seguir as disposições legais que regem a não cumulatividade tributária, aplicando os conceitos previstos na legislação, em especial os art. 66 da IN 247/2002 c/c art. 8o. da IN SRF 404/2004, de12 de março de 2004, e na melhor doutrina contábil, conforme ensina Martins, 2003, p. 41 e 42, com nossos destaques: É relativamente comum a existência de separação entre custos e despesas de venda. A regra é simples, bastando definirse o momento em que o produto está pronto para a venda. Até ai, todos os gastos são custos. A partir deste momento, despesas. São custos de produção os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços destinados à venda, e somente eles. Não se incluem neste grupo, as despesas financeiras, as de administração e as de venda... As impropriedades e os critérios de glosa são observados para os meses de janeiro a março de 2005, servindo os argumentos retrodescritos para contraditar a redução para todo o trimestre. Destarte, desde já se requer o restabelecimento dos créditos líquidos e certos da Recorrente, no valor total de R$ 1.848.303,61 (hum milhão, oitocentos e quarenta e oito mil, trezentos e três reais e sessenta e um centavos) reduzido pela fiscalização sem qualquer arrazoado técnico, legal e/ou doutrinário. DO CRÉDITO PRESUMIDO DOS ESTOQUES DE ABERTURA O Regime de não cumulatividade da PIS foi instituído pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e seus artigos 1o. a 6o. E 8o a 11 retroagiram seus efeitos a 01 de dezembro de 2002. Até esta oportunidade, as operações de compra e venda de mercadorias e produtos eram tributadas pela alíquota fixa de Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 0,65%, não se permitindo o crédito dos pagamentos das transações anteriores. Com a não cumulatividade, a alíquota passou a 1,65% do faturamento; e o princípio mudou permitindose que fossem descontados do valor das contribuições originadas nas vendas, as importâncias pagas nas operações anteriores, denominadas de créditos ordinários, para diferenciálos do presumido, concedido ao agronegócio e determinadas atividades econômicas. Para ajustar e evitar tributação desautorizada por lei foi concedido crédito presumido sobre os estoques de produtos e mercadorias existentes na data de alteração de regime. Naquela oportunidade, todas as mercadorias em estoque eram tributadas unicamente a 0,65%, sendo esta a alíquota disposta na Lei, como aplicável sobre o saldo dos estoques, para fins de apurar o crédito presumido. Entretanto, as sociedades cooperativas somente passaram à nãocumulatividade a partir de 1o. de maio de 2004, com o advento da lei 10.865, de 30 de abril de 2004, que alterou o art. 10 da Lei 10.833/2002. Nesta data seus estoques já estavam tributados a 1,65%. Assim, não se pode aplicar o percentual original, previsto na Lei, sob pena de terem sua tributação elevada sem autorização legal e quebrando o princípio da não cumulatividade. (...) manter o crédito em 0,65% sobre os estoques iniciais, causará enriquecimento sem causa do fisco e aumento tributário desautorizado por lei, visto que os estoques da Recorrente são produtos agrícolas, peças de reposição, materiais de embalagem, adubos e fertilizantes, entre outros, adquiridos já com tributação de 1,65%, pois todas as compras ocorreram entre março e julho de 2004, em plena vigência das Leis 10.833/2002 e 10.865/2004, que tributavam as operações pela alíquota máxima. Vale, ainda, destacar que o art. 11 da Lei 10.637/2002, não seleciona as aquisições. Simplesmente manda aplicar o percentual sobre o valor dos estoques existentes em 31 de janeiro de 2004, não autorizando a RFB e seus Auditores, fazer tal distinção. Assim, é direito da Recorrente se creditar de 1,65% sobre os valores de estoques em 31 de julho de 2004, data em que ingressou na não cumulatividade. Também necessário refletirmos que os membros da Quarta Câmara/1a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento ao apreciar recurso voluntário da ora Recorrente manifestou favorável entendimento ao exposto neste tópico afirmando categoricamente que deve ser calculado à alíquota de 1,65%, em vez de à alíquota de 0,65%. Destarte, desde já se requer restauração e homologação dos créditos no valor de R$ 530.762,58 (quinhentos e trinta mil, setecentos e sessenta e dois reais e cinqüenta e oito centavos) referente à diferença de alíquota aplicados sobre os estoques existentes em 31 de julho de 2004, bem como a realização dos Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.172 15 respectivos ajustes nas contas correntes da RFB e nos DACON e PERDCOMP. DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DA IGUALDADE DE TRATAMENTO AO ADMINISTRADO/CONTRIBUINTE As jurisprudências colacionadas e combatidas pelos membros da 4a. Turma de Julgamento, embora somente vinculem as partes do processo, devem ser consideradas pela Autoridade Julgadora, exatamente para atender ao princípio da isonomia, não se podendo admitir que o Contribuinte subordinado às outras Delegacias, possa ter tratamento diferenciado daqueles administrados pela DRF de Brasília. O conceito da nãocumulatividade do PIS e da COFINS não é o mesmo que se tem acatado para o ICMS e o IPI, é muito maior, pois abrange todos os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, inerentes aos gastos efetivamente necessários para manter e desenvolver a atividade da Entidade. Assim já se posicionou o CARF ao aprovar, por unanimidade, o voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, bem como recentemente a 1a Turma do Tribunal Federal da 4a. Região1, ao dar a verdadeira dimensão do conceito, não aceitando o obtuso adotado pela Receita Federal do Brasil que leva a fiscalização a entender: "que eles não se enquadram nos conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ou de quaisquer outros bens que sofram alterações". DA CORREÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Nas decisões supracitadas é possível verificar que tanto o STJ como o TRF da 4ª Região, em respeito ao disposto no § 4o., do art. 39, da Lei n.° 9.250, determinam a aplicação da taxa de juros SELIC para a correção de créditos tributários dos contribuintes. Defender o contrário ofenderia o princípio da isonomia, pois a Fazenda Pública e o próprio INSS a utilizam para corrigir seus créditos. Por outro lado, tão certa é a aplicação da referida taxa que o § 4o., do art. 39, da Lei n°. 9.250, de 26/12/95, determina expressamente sua utilização. (...) A jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia n°. 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ n.° 08/2008, reconheceu a possibilidade de correção monetária sobre créditos escriturais quando o seu aproveitamento pelo 1 TRF4a.Região, Ap. Cível N° 002904040.2008.404.7100/RS, 1a.Turma, Des. Fed. Relator JOEL ILAN PACIORNIK, D.E 21/07/2011 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 contribuinte sofre demora em razão de resistência surgida de ato administrativo ou normativo ilegítimo do Fisco. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Relatora O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Passase a analisálo segundo seus próprios tópicos. "DO VÍCIO FORMAL DO ACÓRDÃO 0349.334 4a Turma da DRJ/BSB" Não há que se falar em nulidade por vício formal do acórdão recorrido, eis que o julgador pronunciouse sobre todos os temas objeto da manifestação de inconformidade, inclusive sobre a questão da alíquota a ser empregada no cálculo do crédito presumido do estoque existente antes do ingresso no regime da não cumulativo do PIS, que havia ensejado a nulidade do acórdão anterior de primeira instância. É natural que o novo acórdão emitido tenha o mesmo conteúdo do anterior acrescido da matéria demandada pelo CARF, vez que se trata de decisão emitida pelo mesmo órgão julgador e relativamente à análise da mesma manifestação de inconformidade. "DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE APLICADO AO REGIME DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL" Não procede a alegação da recorrente de que o julgador de primeira instância não teria analisado o argumento de que a fiscalização não lhe teria entregue todos os documentos necessários a sua defesa, em lesão ao art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Conforme se vê abaixo, em trecho da decisão recorrida, sobre essa questão a manifestante foi esclarecida que teria direito à vista e à extração de cópias do processo, do que efetivamente usufruiu, não obstante todos os documentos que embasam o decisão tenham sido enviados a ela por ocasião da ciência: (...) A Lei nº 9.784, de 1999, cujos preceitos, aplicamse subsidiariamente aos processos administrativos específicos, regidos por lei própria (por força do seu art. 69) regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e determina no art. 46 que os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. No presente caso, todos os documentos que embasam a decisão proferida no despacho decisório estão no processo, tendo inclusive a recorrente recebido cópias de folhas do processo, cuja solicitação, DARF e recibo constam fls. 924 a 926. Além disso, o processo permaneceu na DRF/GOI, aguardando a Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.173 17 impugnação apresentada no prazo regulamentar (fls. 809 a 847), que está sendo apreciada. Convém ressaltar que o contraditório se traduz na faculdade da parte de manifestar sua posição sobre fatos ou documentos trazidos pela outra parte. É o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e reagir contra esses. Ampla defesa, nos dizeres do eminente jurista Hugo de Brito Machado, citado pela empresa manifestante, “quer dizer que as partes tudo podem alegar que seja útil na defesa da pretensão posta em Juízo. Todos os meios lícitos de prova podem ser utilizados.” O motivo que levou a autoridade administrativa a reconhecer parcialmente o crédito pleiteado está plenamente demonstrado nos autos do processo, permitindo, inclusive, à contribuinte exercer o seu amplo direito de defesa assegurado na Constituição Federal, por meio da sua manifestação de inconformidade. (...) Assim, entendeu o julgador de primeira instância que a eventual necessidade da manifestante de pedir vista ou cópias do processo não caracteriza cerceamento do seu direito de defesa, não se tornando necessária a realização de diligência, a qual não foi sequer requerida pela manifestante, no que nada há a reparar por este Colegiado. "Da Nulidade Absoluta" Improcede a alegação da recorrente de insuficiência, no acórdão recorrido e no despacho decisório, na descrição dos fatos e na descrição genérica dos dispositivos legais para justificar a negativa quanto ao ressarcimento de crédito pleiteado. Conforme se vê no trecho abaixo Relatório Fiscal (fls. 757 a 760), bem como nos demonstrativos de apuração do crédito, os fatos e fundamentos da decisão que analisou o pleito de ressarcimento da recorrente estão suficientemente descritos e possibilitaram a sua defesa sem qualquer cerceamento: (...) 2. Com a finalidade de verificar a legitimidade do pleito do contribuinte, iniciamos ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento FiscalMPF n° 2008/00576, sendo a fiscalizada intimada, no dia 16/05/2008, a apresentar os livros fiscais e contábeis, as notas fiscais originais de aquisição dos insumos e as relativas aos produtos exportados, bem como documentos e outras informações relativas às operações envolvidas no cálculo do crédito solicitado, (docs. fls. 93/95). 3. Na análise dos livros, documentos e das informações prestadas, bem como observado o setor de produção da pessoa jurídica, constatamos que a mesma atua no ramo da industrialização de cereais, sementes e frutos oleaginosos; no comércio, secagem, padronização de cereais, de sementes e de frutos oleaginosos; na prestação de serviços e de recebimento de matéria prima, prélimpeza, secagem, beneficiamento, Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 industrialização e acondicionamento; na fabricação de alimentos para humanos e animais, inclusive rações e ingredientes; na fabricação de fertilizantes e adubos; na degerminação, moagem, extração e refinação de óleos vegetais; na comercialização de produtos dos setores de autopeças e agropecuários e exportação grãos. 4. Na conferência das aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados no cálculo do crédito solicitado, conforme Demonstrativo denominado Resumo Geral elaborado pelo contribuinte (fls. 99/101), foi auditado arquivo magnético contendo detalhamento das notas fiscais de aquisição para industrialização e para revenda, quando constatamos a inclusão de compras que não fazem jus a quaisquer dos créditos do Pis/Pasep não cumulativo previstos na Lei nº 10.637/02, ou fazem jus apenas ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8o da Lei n° 10.925/04, com a redação dada pela Lei nº 11.051/04, tais como: Período: janeiro/2005 Compras de produto junto a pessoa física para revenda, CFOP 1102, notas fiscais relacionadas às folhas n° 102/144, no valor total de R$ 1.531.025,23, sem direito a crédito; Aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à alíquota zero ou à cobrança monofásica do PIS/Pasep, CFOP 1102 e 2102, notas fiscais relacionadas às folhas n° 145/152 e n° 599/604, no valor total de R$ 2.296.994,87, sem direito a crédito; Compras, destinadas à produção de alimentos, de soja em grãos junto a pessoa física; CFOP 1101, notas fiscais relacionadas às folhas n° 153/180, no valor total de RS 1.096.032,30, com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria; Compras, destinadas à produção de alimentos, de milho em grãos junto a pessoa tísica. CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha n° 181, no valor total de R$ 208.822,43. com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria; Compras junto a pessoa física de insumos aplicados na produção de produtos não destinados à alimentação humana ou animal, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha nº 182, no valor total de R$ 1.517.448,42, sem direito a crédito; Compras de insumos sujeitos a alíquota zero de Pis/Pasep, CFOP 1101 e 2101, notas fiscais relacionadas à folha n° 183, no valor total de R$ 386.878,10, sem direito a crédito; Transferência de insumos entre estabelecimentos, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha n° 184, no valor total de R$ 5.572,32, sem direito a crédito; ... Aquisição de serviço de transporte junto a pessoa física, CFOP 1353, notas fiscais relacionadas às folhas n° 185/186, no valor total de R$ 446,00, sem direito a crédito; Aquisição de material para uso ou consumo e de outros produtos que não se enquadram nos conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ou de quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (Instrução Normativa SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º). CFOP 1556 e 2556, notas fiscais relacionadas às folhas n° Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.174 19 187/217, no valor total de RS 1.604.803,63, sem direito a crédito; Período: fevereiro/2005 (...) Também o acórdão recorrido analisou todos os argumentos da manifestante e apresentou os fatos e fundamentos de sua decisão. Pelo que não há que prosperar a preliminar de "nulidade absoluta". "DECURSO DE PRAZO DO MPF E VÍCIOS NA INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE" Conforme informa a própria recorrente, ela foi intimada do Mandado de Procedimento Fiscal MPF01.2.01.002008005764, de 08 de maio de 2008, com prazo para execução até 05 de setembro de 2009, de forma que a sua ausência física nos autos não lhe causou qualquer prejuízo, não havendo em que se falar em nulidade por isso. Reclama também a recorrente que não foi intimada das prorrogações do MPF e que teve ciência do despacho decisório após o encerramento da validade do MPF. No entanto, como já bem esclareceu a decisão recorrida, nos termos art. 7º, inciso VII da Portaria RFB nº 4.066/2007, vigente à época, o MPF contém "o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF", de forma que a recorrente tinha, com o código que recebeu na emissão do MPF, acesso a todas as informações sobre o procedimento fiscal. Ademais, em conformidade com o art. 13, §1º dessa mesma Portaria, a prorrogação pode "ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII". Também o fato de a recorrente ter sido cientificada do despacho decisório após expirado o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal em nada o macula. Conforme definido na referida Portaria, diligência são "ações que tenham por objeto a coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual", assim, o que não se permite após o prazo de validade do MPF é o prosseguimento nos atos tendentes à coleta de dados, não havendo qualquer irregularidade na ciência do despacho decisório após o encerramento do procedimento fiscal de diligência. De outra parte, trata o Mandado de Procedimento Fiscal de mero instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização, que mesmo se fosse irregular, não teria o condão de inquinar de nulidade um despacho decisório emitido em conformidade com a lei. Os precedentes deste CARF, cujas ementas seguem abaixo, estão no sentido de que incabível a nulidade do auto de infração em face de situações como as apontadas pela recorrente em relação ao MPF: Acórdão nº 2403002.956 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária/2ª Seção Relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2008 a 31/05/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado em momento posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. O MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. (...) Acórdão nº 1801002.276 1ª Turma Especial/ 1ª Seção Relatora: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. MPF. PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA ENTREGA. A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado, sobretudo porque o contribuinte tem acesso a este pela internet. (...) Assim, nada há a reformar na decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar da ora recorrente de nulidade em face do Mandado de Procedimento Fiscal. "DO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA" Conforme já exposto neste Voto, a recorrente tem direito de vista aos autos e extração de cópias, do que, inclusive, usufruiu, além do que o despacho decisório contém todos os fatos e fundamentos que embasaram a decisão. O despacho decisório não se trata de um lançamento para atender ao disposto no art. 142 do CTN, como quer a recorrente, mas contém todas razões de fato e de direito para indeferir parcialmente o ressarcimento pleiteado. Também, como se observa, efetivamente, do conteúdo da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a recorrente pode muito bem se defender quanto a todos os pontos do seu pleito que foram denegados, não havendo que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. "DA SOCIEDADE COOPERATIVA E DA EVOLUÇÃO TEMPORAL DAS LEIS" Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.175 21 Insurgese a recorrente em face da aplicação das Instruções Normativas nº 600/2005 e nº 900/2008, ainda não vigentes no período de apuração, mas não esclarece o prejuízo que haveria com a alegada retroatividade. No entanto, nos casos de ressarcimento, restituição e compensação aplicam se as normas materiais vigentes à data de protocolização do pedido, e não do período de apuração, como crê a recorrente. E quanto às normas procedimentais, à semelhança da lei processual, aplicamse aquelas vigentes na data da prática de cada ato. O PER/DCOMP nº 05027.73059.130407.1.3.105394 foi transmitido em 13/04/2007 e o DCOMP 10190.27235.260407.1.3.101147 em 26/04/2007, portanto, na vigência da Instrução Normativa nº 600/2005. Assim, conforme já ressaltado pela autoridade fiscal, embora o pleito da recorrente tenha sido transmitido na vigência da Instrução Normativa nº 600/2005, naquele momento da análise do pleito, tais procedimentos estavam regulados pela Instrução Normativa nº 900/2005: (...) 28. Informese, por oportuno que o Pedido de Ressarcimento (PER) e a Declaração de Compensação (DCOMP), ora analisados, foram transmitidos na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2007. 29. Atualmente, os procedimentos administrativos atinentes à restituição, ao ressarcimento e à compensação dos tributos federais encontramse disciplinados na Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, dentre outros atos normativos vigentes. 30. No que tange ao Pedido de Cancelamento da DCOMP de n° 05027.73059.130407.1.3.105394, pelo documento de n° 42162.58254.020507.1.8.104071, cumpre destacar que o mesmo será acatado, posto que o cancelamento foi feito nos termos e limites da legislação vigente. 31. Para efeito do disposto nos arts. 57 e 63 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que fixa competência, para fins de ressarcimento e/ou compensação da Contribuição para o PIS/Pasep, o documento de fl. 771 confirma o domicílio fiscal da empresa na jurisdição da DRF/Goiânia (GO). (...) De outra parte, a recorrente não demonstrou o efetivo prejuízo que teria havido com essa regra de resolução do conflito das normas no tempo. Pelo que entendo que não cabe qualquer reforma no despacho decisório nesta matéria. "DAS IMPROPRIEDADES NA DENEGAÇÃO PARCIAL DOS CRÉDITOS PELA FISCALIZAÇÃO E MANTIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO" Créditos básicos e presumidos regulares (bens adquiridos para industrialização, revenda e/ou como insumos) Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 Quanto ao alegado descumprimento do art. 142 do CTN, cabe, novamente, lembrar que o despacho decisório não se trata de lançamento, mas de uma decisão acerca do pleito da recorrente, tendo sido devidamente motivada. Em relação às "aquisições de leite in natura recebido de associados e não associados, destinados à produção de lácteos e/ou para comercialização no mercado", relativamente às operações das folhas 102/144, 218/262 e 398/445, referemse às "compras de pessoas físicas destinadas a revenda" relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, para as quais a fiscalização não concedeu o crédito básico, obviamente, porque somente seria cabível nas aquisições de pessoas jurídicas, nos termos do art. 3º, §2º, I da Lei n° 10.637/2002. Também não seria o caso de concessão do crédito presumido sobre essas aquisições com base no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, vez que se tratam de bens adquiridos para revenda, mas não "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002, a que se referem o dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) [grifos da Relatora] Portanto, o pleito da recorrente de crédito presumido sobre bens adquiridos para revenda também não merece prosperar. Aquisição, para revenda, de produtos sujeitos a alíquota zero ou a cobrança monofásica do PIS/Pasep, CFOP 1102 e 2102, sem direito a crédito A recorrente alega, também, que de acordo com as disposições do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, as sociedades cooperativas podem excluir da base de apuração os ingressos inerentes ao fornecimento de bens e serviços aos associados. Assim, nos produtos de tributação monofásica, estaria inclusa parcela de contribuição devida pelo comerciante varejista e indevida pelas sociedades cooperativas agropecuárias. Sobre esta parcela entende que faz jus ao creditamento, conforme os arts. 3º da Lei 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002 c/c 165, I, do CTN. No entanto, além de o art. 3º da Lei nº 10.637/2002 não trazer, de forma expressa, a possibilidade de apuração de créditos por parte das cooperativas sobre os valores por elas repassados aos seus associados decorrentes da comercialização de produto por eles Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.176 23 entregue às mesmas, no próprio §2º, II desse dispositivo, há norma que impede a apuração de créditos sobre as aquisições de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De forma que, na hipótese de exclusão das receitas em razão do repasse aos cooperados, não cabe a apuração de crédito não cumulativo sobre essas parcelas por parte das cooperativas por impedimento legal, não havendo nada a modificar na decisão da fiscalização. Compras destinadas a produção de alimentos, de soja e milho em grãos junto à pessoa física CFOP 1101, com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria Reclama a recorrente da exclusão dos valores homologados e restituíveis, crédito inerente às exportações, contrariando expressa disposição legal e orientação da própria RFB. No entanto, não consta menção, no relatório fiscal ou no despacho decisório, às referidas exclusões, tampouco a recorrente forneceu maiores detalhes do fato contestado. Pelo que há de ser mantida a decisão da autoridade fiscal nesta parte. Compras junto à pessoa física de insumos aplicados na produção de produtos não destinados a alimentação humana ou animal, CFOP 1101, sem direito a crédito Reclama a recorrente que a fiscalização glosou esses valores, mas, nas fls. 153/181, manteve os créditos sobre as mesmas operações. No entanto, por disposição expressa do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, somente faz jus ao crédito presumido as aquisições "destinadas à alimentação humana ou animal", de forma que foi correta a fiscalização ao excluir aquelas que não tinham essa finalidade. De outra parte, a recorrente não apresentou qualquer elemento que pudesse modificar essa decisão. Compras de insumos sujeitos a alíquota zero de PIS/Pasep, CFOP 1101 e 2101, notas fiscais relacionadas à folha n° 183, no valor total de R$ 386.878,10, sem direito a crédito; Insurgese a recorrente em face das glosas de créditos básicos dos itens calcário, calcário calcítico, ureia pecuária, ureia agrícola, nitrocarbo/amireia e zinco granulado (fl. 183), que seriam matériasprimas que, misturadas, iriam integrar produto sujeito à alíquota Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 24 zero, contudo, individualmente e a granel, conforme são as aquisições da Recorrente, os produtos estariam sujeitos às alíquotas normais. Como a recorrente não comprova o alegado, prossegue válido o argumento da fiscalização de que tais produtos são sujeitos à alíquota zero do PIS/Pasep, nos termos do art. 1º, I e IV da Lei nº 10.925/2004: Art. 1ºFicam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; (...) IV corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; Aquisição de material para uso ou consumo e de outros produtos que não se enquadram no conceito de insumo CFOP 1556 e 2556, notas fiscais relacionadas às folhas no 187/217, no valor total de R$ 1.604.803,63, sem direito a crédito; Contesta a recorrente as glosas das "aquisições de insumos e materiais secundários aplicados nos meios de produção" (fls. 187/217, 362 a 397, e 545 a 598), os quais, embora não se incorporem fisicamente ao produto acabado, seriam parte da estrutura de custos e devem ter seus créditos mantidos, em harmonia ao que dispõe o art. 20 da Lei Complementar nº 87/96, conforme muito bem reconheceria a própria fiscalização. Tratamse as glosas dos mais variados produtos tais como: materiais de papelaria, frutas, legumes, carnes e outros alimentos, produtos químicos, porcas, parafusos e outras peças, etc. Este Colegiado não tem aceitado a interpretação restrita disposta nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 para o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, nem tão amplo, como o da legislação do Imposto de Renda, e tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais à obtenção do produto final ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente. Não obstante isso, a recorrente, que tem o ônus da prova das suas alegações, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99, não trouxe aos autos a comprovação de que cada item glosado seria pertinente e essencial à obtenção do produto final. "DO DIREITO DE MANUTENÇÃO INTEGRAL AOS CRÉDITOS DECLARADOS" Alega neste tópico a recorrente que nada mais fez senão seguir as disposições legais que regem a não cumulatividade tributária, aplicando os conceitos previstos na legislação, em especial os art. 66 da IN 247/2002 c/c art. 8o da IN SRF 404/2004, de 12 de março de 2004, e na melhor doutrina contábil, pelo que requer o reconhecimento do crédito reduzido pela fiscalização. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.177 25 No entanto, da mesma forma acima, a recorrente não trouxe aos autos a comprovação de que cada item glosado seria um bem ou serviço pertinente e essencial à obtenção do produto final, devendo as glosas decorrentes do não enquadramento no conceito de insumo serem mantidas. "DO CRÉDITO PRESUMIDO DOS ESTOQUES DE ABERTURA" Acredita a recorrente que teria direito a creditarse de 1,65% sobre os valores de estoques existentes em 31 de julho de 2004, data em que ingressou na sistemática da não cumulatividade, ao invés da alíquota de 0,65%. Conforme já esclareceu a decisão recorrida, a fiscalização não efetuou qualquer ajuste nos valores informados pela contribuinte, tendo sido o pleito nesta parte deferido tal como requerido. De forma que não se cogita de alterar, em sede de julgamento de recurso voluntário ou de manifestação de inconformidade, o pedido original. A matéria que não foi objeto de pedido original da contribuinte e, consequentemente, também não foi objeto de análise pela autoridade fiscal, não integra o presente litígio. Ademais, a regra prevista no parágrafo 1º do artigo 11 da Lei nº 10.637, de 2002, é taxativa ao determinar que crédito presumido apurado sobre o estoque de abertura será calculado à alíquota de 0,65% e não 1,65%, como pretende a recorrente. Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1ode dezembro de 2002. Produção de efeito § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. (...) Desta forma, o pleito posterior da recorrente de alteração de percentual do estoque de abertura há, segundo entendo, de ser indeferido. "DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DA IGUALDADE DE TRATAMENTO AO ADMINISTRADO/CONTRIBUINTE" As jurisprudências colacionadas não vinculam o julgamento deste Colegiado, e a isonomia e a igualdade não são hábeis a afastar o seu livre convencimento. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais à obtenção do produto final ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 26 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) O direito ao crédito da contribuições sociais não cumulativas não é tão abrangente como quer a recorrente, e deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias, dispostas nos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/2003 e demais normas aplicáveis à espécie. Com efeito, incumbe a este Colegiado analisar as glosas e demais matérias expressamente contestadas no recurso voluntário, dentro da lide delimitada na manifestação de inconformidade, segundo o seu próprio entendimento acerca do direito ao crédito dessas contribuições. "DA CORREÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO" Argumenta a recorrente que a jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia n° 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ n.° 08/2008, reconheceu a possibilidade de correção monetária sobre créditos escriturais quando o seu aproveitamento pelo contribuinte sofre demora em razão de resistência surgida de ato administrativo ou normativo ilegítimo do Fisco. No caso, além de não haver valor a ser ressarcido sobre o qual pudesse incidir a taxa Selic, não havendo ato administrativo ilegítimo a ser eventualmente reparado, o referido recurso especial, que trata de créditos de IPI, não poderia ser estendido para o ressarcimento do PIS/Pasep, conforme já decidido recentemente por este Colegiado: Processo nº 13052.000032/200726 Acórdão nº 3402002.832– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3402003.128 S3C4T2 Fl. 1.178 27 RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. ORIENTAÇÃO DO STJ PARA O IPI. INAPLICÁVEL. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da Cofins apuradas pelo regime não cumulativo, o ressarcimento de saldos credores não se sujeita à remuneração pela Taxa Selic em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, sob o rito do artigo 543C do CPC, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há a vedação de atualização monetária expressa em lei ordinária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado É que, para as contribuições sociais não cumulativas, devese seguir a determinação expressa do art. 13 da Lei nº 10.833/2003, também aplicável ao PIS/Pasep por determinação do art. 15 dessa Lei, de que o aproveitamento do crédito dessas contribuições não ensejará atualização monetária ou incidência de juros: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2ºdo art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.000402/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/1999, 30/07/1999, 30/08/1999, 30/09/1999
EMENTA. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NÃO CABIMENTO.
É cabível o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado anteriormente em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ.
Tendo pacificado o Supremo Tribunal Federal o entendimento de que o prazo para apuração e cobrança de todas as contribuições de Seguridade Social deve guardar observância às disposições do CTN, inexistindo a constituição do lançamento através de instrumento de confissão de dívida, operou-se a decadência visto que o lançamento foi efetuado quando ultrapassado o prazo quiquenal.
Numero da decisão: 3302-003.145
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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COFINS Recorrente REIPLAS IND COM MAT ELÉTRICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1999, 30/07/1999, 30/08/1999, 30/09/1999 EMENTA. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NÃO CABIMENTO. É cabível o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado anteriormente em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ. Tendo pacificado o Supremo Tribunal Federal o entendimento de que o prazo para apuração e cobrança de todas as contribuições de Seguridade Social deve guardar observância às disposições do CTN, inexistindo a constituição do lançamento através de instrumento de confissão de dívida, operouse a decadência visto que o lançamento foi efetuado quando ultrapassado o prazo quiquenal. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 02 /2 00 6- 36 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de auto de infração lavrado após ação fiscal direta realizada no contribuinte interessado, tendo sido constituído o crédito tributário de COFINS CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL, no valor principal de R$ 493.792,95, além de multa de ofício vinculada de 75% e juros de mora calculados até 31/01/2006, totalizando o valor de R$ 1.409.676,56. Expõe a fiscalização que (fls.23/24): Em decorrência do Processo Administrativo Fiscal 13804.002705/0002, cujo objeto referiase ao Pedido de Ressarcimento de R$ 613.306,72 e Compensação de R$ 605.104,33 relativo aos débitos da COFINS constantes do demonstrativo a seguir, solicitado pelo contribuinte em 14/11/2000, foi emitido o RPFD 2004009354 para análise do referido pedido. (...) Após análise das informações obtidas junto ao contribuinte, a fiscalização informou, dentre outros, no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal que: ... 4 Em 26/07/2004, o contribuinte, por meio de sua representante legal, Sra. Ana Regina Oliver Massa, apresentou Pedido de Desistência do Ressarcimento de Créditos de IPI e da Compensação com Débitos da COFINS (fls.37 dos autos) requerida por meio do Processo MF n° 13804.002705/0002 (fls. 1,2 dos autos); 5 Destarte, em face da perda de objeto do processo MF n° 13804.0002705/0002, proponho, SMJ, o encerramento da presente Diligência, e o lançamento de ofício dos débitos de COFINS referentes aos períodos de apuração de 06/99 a 09/99 e 04/2000 discriminados às fls. 02 dos autos e não declarados em DCTF, nos termos da Nota Técnica Conjunta SRRF08/DIFIS/DIVAT/DISIT n° 01/2004...." Em consulta ao SISTEMA GERENCIAL DA DCTF, verificamos que o contribuinte: 1) Não informou na DCTF referente ao 2º trimestre de 1999 o débito da COFINS relativo a JUN/1999, no valor de R$ 116.854,54, constante do citado Pedido de Compensação; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19515.000402/200636 Acórdão n.º 3302003.145 S3C3T2 Fl. 193 3 2) Não informou na DCTF referente ao 3º trimestre de 1999 os débitos da COFINS relativos a JUL/1999, AGO/1999 e SET/1999, nos valores de R$ 143.274,48, R$ 138.062,38 e R$ 95.601,55, respectivamente, constantes do citado Pedido de Compensação; 3) Informou na DCTF referente ao 2º trimestre de 2000 o débito da COFINS relativo a ABR/2000, no valor de R$ 111.311,38, constante do citado Pedido de Compensação, bem valor idêntico sob a rubrica "Créditos vinculados ". Considerando os termos da Nota Técnica citada pela fiscalização e constante do item 5 do seu Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal, os valores da contribuição não informados em DCTF devem ser objeto de lançamento de ofício, mediante a lavratura do competente Auto de Infração, objetivando sua constituição e exigência. Considerando que o débito da contribuição referente a ABR/2000 foi devidamente informado na respectiva DCTF, porém, compensado com "Créditos Vinculados " relativos ao pedido de compensação, do qual o contribuinte solicitou desistência, resultando SALDO A PAGAR nulo, esta fiscalização formalizará Representação Fiscal dirigida a DIORT/DERAT/SPO, a fim de que se proceda à exclusão do valor informado sob a rubrica "Créditos Vinculados " e se inicie a cobrança do débito declarado. O demonstrativo a seguir indica a situação dos débitos constantes do pedido de Compensação: Em razão de tal constatação foi lavrado o auto de infração de fls.25/29, constituindo o crédito tributário correspondente, com fundamento no art. 1º da LC n° 70/91; arts. 2°,3° e 8º , da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1858/99 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO Ciente da exigência fiscal em 25 de fevereiro de 2006, conforme Avisto de Recebimento Postal de fls.30, o interessado apresenta impugnação, em 28 de março de 2006, com os argumentos de fls. 32 a 73, acompanhados dos documentos de fls. 74 a 91. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 Alega a requerente nulidade da exigência pela: 1) falta de intimação prévia da impugnante para prestar esclarecimentos ou quitar o suposto débito, nos termos do art. 844 do RIR/99; 2) falta de fundamentação probatória, e por se basear em procedimento administrativo irregular, em desrespeito ao direito de defesa da impugnante, bem como por conter dúvida quanto à efetiva ocorrência do fato gerador; 3) cobrança em duplicidade, na medida em que os valores objeto do lançamento já haviam sido confessados espontaneamente pela impugnante através da entrega de sua DIPJ e DCTF do anocalendário de 1999, que per si já constituíram os créditos, nos termos do art. 5º do DecretoLei n° 2.124/84. Alega, ainda, a requerente a extinção do crédito tributário em razão da decadência, nos termos do art. 156, inciso V, do Código Tributário Nacional. Requer sejam refeitos os cálculos referentes ao lançamento, para que sejam excluídas da base de cálculo da contribuição todas as demais receitas que não se afeiçoam ao estrito conceito de "faturamento", dada a inconstitucionalidade declarada do artigo 3º , § 1º , da Lei n° 9.718/98. Pede o afastamento da imposição da multa de ofício, no percentual de 75%, e seja, ao revés, aplicada a multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96, no limite de 20% do valor do crédito, bem como seja afastada a aplicação da Taxa Selic, para que sejam utilizados os juros de 1% conforme previsto no art. 161, do CTN. Protesta pela juntada de novos documentos e declarações não colacionados nesta oportunidade, em função da exigüidade do tempo e do volume envolvido, bem como pela produção de outras provas, como perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências, tudo em atendimento ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário. DA PETIÇÃO ADITIVA A IMPUGNAÇÃO Através de Petição apresentada em 26 de setembro de 2006, requer o interessado a juntada das declarações que anexa, a fim de comprovar que os créditos tributários foram lançados em duplicidade, uma vez que o próprio contribuinte alega que já os havia declarado através da entrega de suas DIPJ (docs. 01/09) e DCTF do anocalendário de 1999 (docs. 10/11). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19515.000402/200636 Acórdão n.º 3302003.145 S3C3T2 Fl. 194 5 Data do fato gerador: 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. A descrição dos fatos relatados pela fiscalização, acompanhada da motivação de fato e de direito, no auto de infração, permitiram ao interessado a ampla defesa quanto à exigência de ofício conforme se depreende do conteúdo da peça impugnatória. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA DO PRINCIPAL. A afirmação na peça impugnatória de prévia confissão espontânea dos valores autuados implica validade do lançamento, pois inegável a ocorrência do fato gerador do tributo. MULTA DE OFICIO. DESCABIMENTO. Por força da afirmação na peça impugnatória de anterior confissão espontânea, indevida é a multa vinculada de 75% prevista pela legislação nos lançamentos de ofício. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CALCULO. Alegações de inconstitucionalidade devem ser levadas ao Poder Judiciário, pois falece competência para tal apreciação à esfera administrativa. DOS JUROS DE MORA. CABIMENTO Os juros de mora são devidos, qualquer que seja o motivo determinante da falta, calculados com base na Taxa Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 06/08/2010, conforme AR de fl. 121, apresenta tempestivamente em 01/09/2010, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme fls. 124/156 e documentos de fls. 157/170, onde reitera os argumentos já aduzidos em primeira instância, destacando porém que ainda que não se confira o efeito constitutivodeclaratório à DIPJ, ao menos deve ser afastado o crédito confessado atavés da DCTF, referente ao período de junho/99. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Para a apreciação da matéria posta é importante repisar em face dos fundamentos da autuação, dos argumentos que ensejaram a lide administrativa e das provas dos autos os seguintes dados: 1 os débitos objeto do presente lançamento se referem a um Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI dos meses de janeiro a março de 1999 e de compensação destes Créditos com Débitos de COFINS dos meses de junho a setembro de 1999 e abril de 2000, conforme apurado no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal, fls.16/17; 2 Informa a fiscalização fl.18 que em consulta ao SISTEMA GERENCIAL DA DCTF, fl.20, o valor lançado de R$ 116.854,54, correspondente a jun/1999 não foi informado em DCTF, porém constatase às fls.106/107, cópia de DCTF, acostada aos autos pelo contribuinte que (segundo informação constante do documento foi transmitida à então SRF em 09/11/2000, às 16:56:37, com o Nº de Controle: 30.94.99.77.89) referido valor está informado ; 3 todos os valores lançados foram declarados na DIPJ/2000 (01/01/1999 a 31/12/1999), conforme fls.97/105; 4 em 26/07/2004 o contribuinte, por meio de sua representante legal, Sra. Ana Regina Oliver Massa, apresentou Pedido de Desistência do Ressarcimento de Créditos de IPI e da Compensação com Débitos de COFINS (fls. 37 dos autos) requerida por meio do Processo MF n° 13804.002705/0002 (fls. 01/02 dos autos); 5 a ciência do Auto de Infração ocorreu em 25/02/2006 (sábado). Os valores lançados estão a seguir demonstrados: COFINS VALORES LANÇADOS FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL TRIBUTO DEVIDO 30/06/1999 3.895.151,34 116.854,54 30/07/1999 4.775.816,00 143.274,48 30/08/1999 4.602.079,34 138.062,38 30/09/1999 3.186.718,34 95.601,55 Natureza dos Pedidos de Compensação Realinhada a situação fática, examinase a seguir a natureza jurídica dos débitos lançados: se estão constituídos em instrumentos de confissão de dívida, e em caso negativo, se passíveis de lançamento e se o foram no curso do prazo decadencial. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19515.000402/200636 Acórdão n.º 3302003.145 S3C3T2 Fl. 195 7 É importante assinalar que no âmbito do Direito Tributário, a decadência atinge o direito de constituir o crédito tributário, enquanto a prescrição extingue o direito de exigir o crédito tributário definitivamente constituído. Nesse sentido, o marco divisor entre os dois institutos é, portanto, o lançamento, de modo que até o momento da notificação do lançamento ao sujeito passivo, corre o prazo decadencial. A partir deste, até o escoamento dos prazos recursais ou a prolação de decisão administrativa irreformável, não flui qualquer prazo, nem de decadência, nem de prescrição. A partir da constituição definitiva do crédito, iniciase o prazo prescricional. Assim no âmbito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência ocorre quando o contribuinte não confessa o tributo por meio de declaração (exemplo: DIRPF, DCTF, GFIP, DASN) e a Fazenda Pública não efetua o lançamento dentro do prazo previsto no CTN. Destaquese por oportuno, que, na hipótese de o contribuinte confessar a dívida, não se fala mais em decadência (em relação à parte confessada), uma vez que a declaração por parte do contribuinte constitui o crédito tributário. Nesse sentido é a Súmula 436/STJ. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Estabelecidos os pressupostos acima, verificase do Relatório Fiscal, fls.18/19: Em decorrência do Processo Administrativa cujo objeto referia se ao Pedido de Ressarcimento de R$ 613.306,72 e Compensação de R$ 605.104,33 relativo aos débitos da COFINS constantes do demonstrativo a seguir, solicitado pelo contribuinte em 14/11/2000, foi emitido o RPFD 2004009354 para análise do referido pedido. Prescreve a Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). Já o PARECER PGFN/CDA/CAT Nº 1.499/05 assim dispõe: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 VIII – DCOMP COMO CONFISSÃO DE DÍVIDA E APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO 91.Outro aspecto importante a ser tratado diz respeito ao § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pela MP nº 135/03), que atribui à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, devese esclarecer se os créditos vinculados a pedidos de compensação (convertidos em DCOMPS) e a DCOMPS apresentados antes da entrada em vigor da sobredita MP, desde que posteriormente não homologados, podem ser exigidos de modo “direto”, ou dependem de prévio procedimento de lançamento.(grifei). 92.Para atender ao quesito sub examine, importa ressaltar as alterações promovidas pelo art. 17 da MP nº 135/03, que, dando nova redação ao art. 74, da Lei nº 9.430/96, acrescentoulhe, entre outros, o § 6º, que assim dispõe: “§ 6º. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”. Indagase, a partir desse ponto, se a edição da MP nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03, a qual, modificando o art. 74 da Lei nº 9.430/96, atribuiu à declaração de compensação (DCOMP) o caráter de “confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”, tem aplicação retroativa, alcançando as DCOMPS apresentadas antes da entrada em vigor da sobredita medida provisória, além dos “pedidos de compensação” convertidos em “declarações de compensação”. Pois bem, tendo em conta os fundamentos aduzidos no tópico VII, retro, que tratou das manifestações de inconformidade pendentes de apreciação, temse que se deve seguir o disposto na Solução de Consulta Interna COSIT nº 03, de 08 de janeiro de 2004, no sentido de que apenas as declarações de compensação (DCOMPS) apresentadas à Secretaria da Receita Federal após 31/10/2003 (data da publicação e entrada em vigor da MP nº 135/2003) constituemse confissões de dívida e instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Antes da referida norma, o crédito teria de ser constituído por outra modalidade (ex: DCTF).(grifos do original). Constatase do entendimento firmado acima que somente as declarações de compensação (DCOMPS) apresentadas à então Secretaria da Receita Federal após 31/10/2003 (data da publicação e entrada em vigor da MP nº 135/2003) constituemse em confissões de dívida e instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Verificase do caso sub examine que o Pedido de Ressarcimento de IPI, no valor de R$ 613.306,72 cumulado com o pedido de Compensação de R$ 605.104,33 relativo aos débitos da COFINS, solicitado pelo contribuinte em 14/11/2000, teve a desistência formulada pelo representante legal do sujeito passivo em 26/07/2004, não se constituindo em Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19515.000402/200636 Acórdão n.º 3302003.145 S3C3T2 Fl. 196 9 confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Examinase a seguir a natureza da DIPJ, visto que todos os débitos estão nela declarados, conforme cópias acostada aos autos pelo Recorrente. Observase da dicção do DecretoLei nº 2.124, de 1984: Art. 5º (...). § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no§ 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.(grifei). Ocorre que a Instrução Normativa IN SRF nº 127, de 30/10/1998 ao extinguir Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica DIRPJ que possuía o status normativo de instrumento de confissão de dívida se enquadrando no regramento dos §§1º e 2º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, instituiu Declaração a Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ que passou a ter o caráter meramente informativo. A matéria em tela foi examinada pelo PARECER PGFN/CAT Nº 632/2011, nos seguintes termos: A competência para dispor sobre obrigações acessórias relativas a tributos administrados pela RFB foi originalmente conferida ao Ministro da Fazenda, pelo caput do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, posteriorme revogado pelo art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que transferiu tal atribuição à então Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Os §§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, permanecem vigentes e disciplinam a regulamentação das declarações sobre débitos tributários a serem informados pelo contribuinte, nos seguintes termos: A combinação dos aludidos dispositivos resulta na competência da RFB para estabelecer as normas pertinentes às obrigações acessórias e definir seu conteúdo, por meio do qual será possível estabelecer a respectiva natureza da declaração. A declaração constitutiva do crédito tributário substitui o lançamento. Uma vez apresentada, a formalização do débito prescinde de qualquer ato adicional do Fisco. Dessa forma, não se opera a decadência, que consiste na "perda do direito de constituir o crédito tributário (ou seja, de lançar) pelo decurso Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 de prazo. Por óbvio, não há como perder o direito de constituir algo que já está constituído. (...) Definidos esses parâmetros, resta examinar se a DIPJ reúne os requisitos necessários para se caracterizar como confissão de dívida. Primeiramente, devese verificar se o documento em que se baseia a execução é mesmo DIPJ ou se trata de DIRPJ, a qual, até a sua extinção, conforme mencionado alhures, era considerada confissão de dívida.Neste caso, não há falar em decadência dada a regular constituição do crédito. Caso se trate de DIPJ emitida após o ano de 1999, é necessário checar a existência de DCTFs anteriores referentes ao débito posto em execução. Existindo, podese fazer constar o fato nos autos da execução fiscal, procedendose à substituição da CDA, se for o caso, observado o disposto no art. 203 do CTN. Não existindo, se o prazo decadencial não houver se esvaído, é possível comunicar à RFB o ocorrido, a fim de se proceder ao lançamento. Ultrapassado o prazo para a constituição operase a decadência. Na mesma linha de raciocínio decidiu o Acórdão nº 3403003.003, de 29/05/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007 DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A teor do DecretoLei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ.(grifei). Concluise portanto que embora argua o sujeito passivo que os débitos estavam declarados em DIPJ, como se verificou acima, referida declaração não era instrumento de confissão de dívida, hábil e suficiente para a exigência dos referidos débitos. Quanto ao o débito referente ao fato gerador de 30/06/1999 está constituído em DCTF, fl.106/107 como afirma o contribuinte, constatase do referido documento que trata se de declaração complementar (utilizada para declarar novos débitos ou acréscimos aos valores de débitos já informados, após encerrado o prazo para a entrega da respectiva declaração original) e inexistindo nos autos comprovação que a alteração ocorreu por mero erro de fato, considerase válida a prova trazida pela fiscalização que em consulta ao SISTEMA GERENCIAL DA DCTF, fl.20, constatou que o valor lançado de R$ 116.854,54, correspondente a jun/1999 não foi informado em DCTF. A respeito da matéria colacionase o julgado a seguir ementado: COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19515.000402/200636 Acórdão n.º 3302003.145 S3C3T2 Fl. 197 11 INDÉBITO COMPROVADO. Comprovados, com documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhese a compensação declarada pelo contribuinte.(Acórdão nº 3803004.250, Rel. Cons. Hélcio Lafeta Reis, Sessão de 25/06/2013). Dos fundamentos acima constatase que todos os débitos já destacados não estavam constituídos em DCTF, instrumento hábil à época, como confissão de dívida já que a DIPJ não tinha essa característica, assim analisase o prazo decadencial. COFINS VALORES LANÇADOS CIÊNCIA AI 30/06/1999 3.895.151,34 116.854,54 30/07/1999 4.775.816,00 143.274,48 30/08/1999 4.602.079,34 138.062,38 30/09/1999 3.186.718,34 95.601,55 25/02/2006 Tendo em vista que pacificou o Supremo Tribunal Federal o entendimento de que o prazo para apuração e cobrança de todas as contribuições de Seguridade Social deve guardar observância às disposições do CTN, artigo 173, I ou artigo 150, § 4º, caso existam pagamentos antecipados, cujo lapso temporal é lapso de 5 (cinco) anos para a efetivação do lançamento, constatandose que a ciência do auto de infração foi efetivada em 25/02/2006, sem a existência de antecipação de pagamentos, incide portanto a regra disposta no 1artigo 173, I do CTN, concluindose que todos os lançamentos correspondentes aos fatos geradores de junho/1999 a setembro/1999 ocorrerem quando já escoados o prazo decadencial para a formulação da exigência fiscal. Em face da constatação do decurso do prazo decadencial para os lançamentos em lide, deixase de apreciar as demais questões suscitadas na peça recursal. Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 13748.720643/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 06 43 /2 01 1- 42 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 156 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 81), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: LANÇAMENTO Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de notificação de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa física (fls. 05/10), resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2008, anocalendário 2007, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 40.724,89, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CÓD DARF VALORES EM REAIS Imposto sobre a renda da pessoa física suplementar – sujeito a multa de ofício 2904 20.039,81 Multa de ofício passível de redução 15.029,85 Juros de mora calculados até 31/01/2011 5.665,23 Imposto sobre a renda da pessoa física – sujeito a multa de mora 0211 0,00 Multa de mora – não passível de redução 0,00 Juros de mora calculados até 30/09/2009 0,00 Valor do crédito tributário apurado 40.724,89 Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 06/08), foi feito o lançamento de ofício do imposto sobre a renda, com o acréscimo de multa e juros, em decorrência das seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física CPF nº 740.089.517/68, no valor de R$ 10.027,17, decorrente da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da RFB; dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 62.844,89, por falta de comprovação. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 157 3 A contribuinte foi cientificada do lançamento pessoalmente em 06/12/2011 (fl. 05). IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 08/12/2011 (fls. 02/03), por meio da qual a interessada, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa, acompanhada de cópia de documentos pessoais (fl. 04) e de outros documentos (fls. 12/48), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: não houve omissão de rendimentos pois foi recebido apenas o valor declarado, conforme informe de rendimentos de Maision House Ltda., com valor bruto de R$ 11.467,17, do qual foi deduzida a taxa de administração de R$ 1.440,00 e que gera o líquido declarado de R$ 10.027,17; o valor das despesas médicas referese a despesas do próprio contribuinte e foi comprovado através de recibos com identificação do paciente, valor dos serviços, nome do pagador, nome do profissional, endereço, CPF, CRM, telefone, tipo de tratamento realizado; o valor declarado de R$ 7.531,89 da UNIMED Rio está no comprovante dos valores pagos pela usuária Maria de Lourdes da Graça Assad; anexa os documentos que relaciona, tendo recebido a notificação somente em 06/12/2011 devido a mudança de endereço, já comunicada através do ajuste anual de 2011. Ao final, solicita prioridade na análise da impugnação, de acordo com o artigo 71 do Estatuto do Idoso. Em 06/01/2012 a contribuinte solicitou que fosse anexado ao presente processo uma declaração de um dos médicos sobre o tratamento ao qual foi submetida ao longo do ano de 2007, em decorrência de acidente sofrido no seu ombro (fls. 74/80). Passo adiante, 3ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Comprovado o erro de fato na indicação da fonte pagadora, deve ser corrigido o lançamento correspondente à omissão destes rendimentos. DESPESAS MÉDICAS A dedução das despesas médicas deve ser efetuada mediante documentação hábil e idônea, acompanhada de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Cientificada em 13/03/2012 (Fls. 90), a Recorrente interpôs RecuR$o Voluntário em 12/04/2012 (fls. 63 a 74), argumentando em síntese: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 158 4 (...) 10. No que se refere à dedução da despesa médica referente ao tratamento realizado com o Dr. Sérgio Danillo Iung, declarada na sua DAA/08, no valor de R$ 20.000,00, a Recorrente informa que optou pelo pagamento do débito de IRPF decorrente da glosa de tal despesa, no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida, aproveitandose, assim, do benefício da redução de 30% da multa de ofício aplicada, nos termos do artigo 6o, inciso III, da Lei n° 8.218.91. 11 Na planilha abaixo, a Recorrente apresenta a apuração do IRPF devido em razão do reconhecimento da glosa da despesa médica no valor de R$ 20.000,00. Vale observar que, no cálculo do IRPF devido, foi considerada como correta dedução das despesas médicas relativas ao plano de saúde e à Dra. Márcia Cirne Oliveira, respectivamente, nos valores de R$ 7.531,89 e R$ 250,00, que foram aceitas pela autoridade julgadora, e das despesas médicas, no valor total de R$ 35.063,00, pagas aos Drs. Paulo de Oliveira e Mareio Kollenz Carrascosa, cuja glosa é questionada no presente recurso. DESPESAS MÉDICAS ANO CALENDÁRIO 2007 (Exercício 2008) Linhas da Declaração Valores Declarados Valores apurados após a decisão de primeira instância Defesa Rendimentos Tributáveis PJ R$ 320.554,50 R$310.527,33 R$ 310.527,33 Rendimentos Tributáveis PF R$ 0,00 R$ 10.027,17 R$ 10.027,17 Total Rendimentos Tributáveis R$ 320.554,50 R$ 320.554,50 R$ 320.554,50 Contribuição Previdenciária Oficial R$ 4.291,68 R$ 4.291,68 R$ 4.291,68 Contribuição Previdenciária Privada R$ 18.000,00 R$ 18.000,00 R$ 18,000,00 Despesas Médicas R$ 62.844,89 R$ 7.781,89 R$ 42.844,89 Total de Deduções R$ 85.136,57 R$ 30.073,57 R$ 65.136,57 Base de Cálculo R$235.417,93 R$ 290.480,93 R$ 255.417,93 Alíquota 27,50% 27,50% 27,50% Parcela a Deduzir R$ 6.302,32 R$ 6.302,32 1« 6 302 32 Imposto Calculado R$ 58437,61 R$ 73.579.94 R$ 63.937,61 Conlrib. Prev. Empregado Doméstico R$ 532,80 R$ 532,80 R$ 532,80 Imposto Devido R$ 57.904,81 R$ 73.047,14 R$ 63.404,81 IRRF R$ 50.276,94 R$ 50.276,94 R$ 50.276,94 Saldo dn Imposto a Pagar R$ 7.627,87 R$ 22.770,20 R$ 13.127,87 Imposto Suplementar R$ 15.142,33 R$ 5.500,00 Exercício Vencimento Valor Principal de IRPF Multa de Oficio com Redução de 30% Juros Juros sobre a Multa Total 2008 30.04.2008 R$ 5.500,00 R$ 2887.50 R$ 2.249,50 R$ 345,92 R$ 10.982,92 (…) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 159 5 16. Ao analisar a matéria, apesar da apresentação dos recibos emitidos pelos médicos que prestaram os serviços referentes às despesas glosadas, a autoridade julgadora manifestouse no sentido de que: (a) houve comprovação dos valores pagos à UN1MED RIO e a Dra. Márcia Cirne Oliveira, confirmando a dedutibilidade de tais despesas, respectivamente, nos valores de R$ 7.531,89 e RS 250,00; e (b) não seria possível aceitar a dedução de parte dessas despesas médicas, no valor de R$ 35.063,00, pela falta de elementos adicionais que comprovem à efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. (...) 18. Acerca dessas alegações, inicialmente, vale esclarecer que os acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais citados na decisão recorrida exigem a apresentação de elementos adicionais para a dedutibilidade da despesa médica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados. 19. No presente caso, contudo, o auto de infração não traz qualquer referência à suposta inidoneidade da documentação apresentada. Portanto, não poderia a decisão recorrida alegar a inidoneidade desses recibos, exigindo elementos adicionais nesse momento, inclusive, sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente. (...) 25. No que se refere ao fato de que foram realizados pagamentos de despesas médicas em valores elevados a três profissionais, esse ponto está vinculado ao anterior. 26. A Recorrente quando selecionava os médicos que iriam atendêla dava preferência àqueles credenciados a seu plano de saúde. No entanto, em situações específicas, quando julgava necessária a priorizaçâo de sua saúde, a Recorrente contratava médicos particulares desvinculados de seu plano de saúde. 27. Como também é de conhecimento notório, os profissionais de saúde com boa qualificação e reputação são bem remunerados, de modo que o custo de suas consultas corresponde a um valor elevado. 28. Sendo assim, conforme razões acima expostas, não há qualquer irrazoabilidade no fato de a Recorrente ter contratado três profissionais desvinculados de seu plano de saúde e no fato de terem sido efetuados pagamentos considerados elevados a esses profissionais durante o anocalendário de 2007. (...) 32. De qualquer forma, para que não reste qualquer dúvida acerca da efetividade de tais despesas médicas, a Recorrente apresenta, novamente, os recibos emitidos pelos Drs. Paulo de Oliveira e Mareio Kollenz Carrascosa (doc. 02), que comprovam Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 160 6 e discriminam cuidadosamente os valores cobrados pelos serviços médicos prestados com clara identificação de que a Recorrente passou por tais tratamentos médicos, os quais são pertinentes para pessoas de idade elevada, como é o seu caso, bem como apresenta declarações prestadas por esses profissionais, que também confirmam a efetividade da prestação dos serviços (doc. 03). (...) 36. O Banco Itaú prontamente atendeu a sua solicitação, de modo que a Recorrente anexa ao presente recurso cópia desses extratos, que confirmam a realização de saques mensais de valor bastante significativo, para pagamento de suas despesas (doc. 04). 37. A Recorrente reconhece que os saques realizados de sua conta bancária mantida no Banco Itaú não são suficientes para pagamento de todas as despesas médicas, mas esclarece que isso se deve ao fato de que os valores mais relevantes eram sacados de sua conta bancária mantida na Caixa Econômica Federal. 38. Ocorre, todavia, que a Recorrente não teve a mesma sorte com a Caixa Econômica Federal, sendo certo que, apesar da sua solicitação (doc. 05), até o momento da interposição do presente recurso, não lhe foram disponibilizados os extratos bancários referentes ao anocalendário de 2007. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inicialmente verificase que trata o litígio de omissão de rendimentos de aluguéis e dedução indevida de despesas médicas. Ocorreu que, por ocasião de seu julgamento, a DRJ entendeu que não houve omissão de rendimentos de aluguéis, tendo sido o valor relativo à este erroneamente incluído na DIRPF pela contribuinte como recebido de pessoa jurídica, caracterizando apenas um erro de fato no preenchimento, por outro lado, manteve a glosa das despesas médicas. Por ocasião de seu recurso, a contribuinte confessou que realmente eram devidas parte das despesas médicas glosadas, no valor de R$20.000,00. Desta feita, observase que permanece em litígio apenas a glosa relativa à despesas médicas não comprovadas com os profissionais Ana Camargo Pinheiro(psicóloga), no valor de R$15.130,00 e Marcio Kollenz Carrascosa(dentista), no valor de R$5.965,00. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 161 7 Observo ainda que o litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a fiscalização fundamenta no fato de a contribuinte, após regular intimação, não ter sequer se manifestado acerca das despesas médicas questionadas. Vejo ainda, que a DRJ, primeira autoridade a examinar a documentação relativa as deduções com despesas médicas, entendeu que haveria a necessidade da comprovação do efetivo pagamento e da prestação do serviço. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Neste mesmo sentido tem sido o entendimento da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS: DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão nº 9202003.159 Data da Decisão 06/05/2014 Data de Publicação 13/08/2014). Por esta razão, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e a decisão da DRJ, e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, há nos autos a evidência de que a contribuinte, apesar de possuir plano de saúde, realizou despesas médicas de valores consideravelmente elevados. Logo, entendo que há nos autos elementos que permitam a fiscalização, e a DRJ, afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos e da prestação dos serviços. Ao ser solicitada pela DRJ a comprovação dos efetivos pagamentos, a contribuinte fez juntar aos autos cópia de seu extrato bancário à fls. 90 à 96. Ocorre que a mesma não discriminou de qualquer forma quais saques foram efetuados para a satisfação dos referidos pagamentos, devendo ainda ressaltarse que os saques Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720643/201142 Acórdão n.º 2201002.785 S2C2T1 Fl. 162 8 constantes dos extratos apresentam valores inferiores e, portanto, insuficientes para a realização dos supostos pagamentos. Quanto a efetiva prestação dos serviços, a contribuinte permanece silente, nada apresentando. Portanto, como não constam nos autos documentos capazes de comprovar a realização dos efetivos pagamentos, nem a realização da prestação dos serviços, as glosas devem ser mantidas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10314.013716/2006-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006
CESSÃO DE NOME. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA.
A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.388
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 CESSÃO DE NOME. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 713 1 712 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10314.013716/200691 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.388 – 3ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria II Multa subsitutiva perdimento Recorrente JABUR COMERCIAL E IMPORTADORA DE PNEUS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 CESSÃO DE NOME. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 37 16 /2 00 6- 91 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pelo contribuinte acima, em face do acórdão n° 310200.662, de 15/009/2014, do qual resultou a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração "de mera conduta", que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Descabida, por outro lado, a pretensão de condicionar a caracterização da infração à conclusão do processo administrativo de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica apontada como responsável pela ocultação. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas aquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI N° 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI N° 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10314.013716/200691 Acórdão n.º 9303003.388 CSRFT3 Fl. 714 3 Recursos de Oficio Provido e Voluntário Negado. A recorrente suscitou divergência quanto à interpretação do art. 33 da Lei nº 11.488/07 c/c art. 23, V, do Dec. Lei 1455/76, em situação onde tanto o sujeito "prestanome" quanto o sujeito oculto tenham sido identificados pela Fiscalização, tal como ocorreu no presente caso. Nesta situação, o recorrente sustenta que a lei tributária imporia que a multa de 10% do valor aduaneiro prevista no art. 33 da Lei 11.488/07 seja aplicada em face do sujeito que cedeu seu nome (ora recorrente), enquanto a pena de perdimento obrigatoriamente deveria recair apenas sobre o sujeito oculto, proprietário da mercadoria que se furtou à fiscalização. Foi admitido o recurso especial. A recorrente trouxe o seguinte paradigma: Acórdão nº 320100.846 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006 Ementa: OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº 11.488/2007, aplicase o artigo 33, retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento. Nas contrarazões, a Fazenda Nacional sustenta que a Egrégia Turma, acertadamente, entendeu que a legislação utilizada como parâmetro para aplicação do instituto da retroatividade benigna (art. 33 da Lei n º 11.488/2007) não se relaciona com a multa aplicada aos autos no patamar de 100% do valor aduaneiro. Ao final, requer negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório Voto Fl. 853DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 4 O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. As duas teses vêm se digladiando há algum tempo nas Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e agora têm oportunidade de serem cotejadas nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sustenta a recorrente que: (...) em uma operação onde haja interposição fraudulenta para ocultação do real adquirente de mercadorias importadas existem dois sujeitos: (i) o que "cede seu nome", e (ii) o "sujeito oculto" (proprietário das mercadorias). Quanto àquele que cedeu seu nome para acobertar o real proprietário da mercadoria, o art. 33 da Lei nº 11.488/07 prevê a aplicação de multa no valor de 10% da operação acobertada. Já o sujeito oculto, real adquirente da mercadoria, deverá sofrer a pena de perdimento dos bens importados com fulcro no art. 23, V do DL nº 1.455/76, (...) A despeito de haver previsão de sanções distintas conforme a posição ocupada em operações fraudulentas, a fiscalização aplicou a pena de perdimento apenas em face da ora Recorrente, apesar do real adquirente ser conhecido. Tal maneira de proceder é absolutamente equivocada. O correto seria aplicar ao sujeito oculto a pena de perdimento e à pessoa jurídica que cede o nome, multa de 10%. Como se sabe, o perdimento se caracteriza pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio bem ou direito que nunca o compôs. Merecem reprodução os dispositivos invocados, respectivamente: Lei nº 11.488/07 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Decretolei nº 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 854DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10314.013716/200691 Acórdão n.º 9303003.388 CSRFT3 Fl. 715 5 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1 º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. De outra banda, a decisão recorrida explica: Reflexo do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007 sobre o inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.475, de 1976 Matéria que recentemente tem sido trazida a consideração deste colegiado é o cabimento da aplicação retroativa do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007 que, segundo defendido, teria derrogado tacitamente o inciso V do art. 23 do DL 1.455, de 1976 e impondo penalidade mais branda. A conduta descrita no ato derrogado atrairia a aplicação do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. Sustentase, equivocadamente, a meu ver, que, a partir da vigência do dispositivo novel, não mais seria possível aplicar a pena de perdimento às mercadorias alvo de operação maculadas pela ocultação das partes envolvidas. Tais conclusão, sinteticamente, estariam apoiadas na convicção de que, interpretandose tal dispositivo à luz do critério da mens legislatoris, chegarseia à conclusão de que a infração tipificada no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007 corresponderia materialmente à capitulada no 23, V do Decretolei n° 1.455, de 1976, diferenciandose exclusivamente no que se refere à individualização do infrator, já que a contida no dispositivo mais recente teria como agente apenas o importador ou exportador ostensivo. A se configurar tal identidade, a aplicação concomitante de duas penalidades implicaria violação ao principio constitucional do non bis in idem, dogmatizado no art. 99 Decretolei n° 37, de 1966. Apesar da convicção com que essa conclusão foi repudiada, inclusive em acórdãos de primeira instancia alvo de recurso de oficio, a pena instituída no art. 33 da Lei 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Fl. 855DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 6 Para se chegar a tal convicção, fazse necessário realizar uma análise da legislação que dispõe sobre a inaptidão da inscrição no (CNPJ), especialmente na hipótese em que se configura sua inexistência de fato. Diz o art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Como se observa, a legislação tributária, na esteira do consignado no novo Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002), em seu art. 966, que distingue a pessoa jurídica da empresa, atribui consequencias à inscrição da contribuinte que, apesar de regularmente constituída junto aos órgãos de registro e da obtenção de número de cadastro junto ao Fisco, não preenche as condições para seu enquadramento como "existente de fato", ou seja, que detenha os meios para a realização das operações comerciais que declarou ter realizado. Importante relembrar os contornos desse elemento distintivo da empresa, assim sintetizado pela professora Rachel Sztajn Organização parece ser o elemento central, essencial, necessário e suficiente, para determinar a existência da empresa, porque gera o aparato produtivo estável, estruturado por pessoas, bens e recursos, coordena os meios para atingir o resultado visado. Nessa esteira, diferenciando empresa de pessoa jurídica, esclarece o Des. Sérgio Campinho: Da inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis resulta a presunção de se ter alguém dedicado a exercer atividade própria de empresário. É uma prova prima facie, mas que pode ser elidida por prova mais robusta em sentido contrário. Desse modo, se determinadas pessoas celebram contrato de sociedade, tendo por objeto o exercício de atividade própria de empresário, promovendo o arquivamento do respectivo instrumento na Junta Comercial, estará a sociedade, enquanto pessoa jurídica, constituída. Todavia, somente passará a ostentar a condição de empresária se efetivamente iniciar a exploração de seu objeto, abdicando da inatividade. Enquanto não entrar em operação o seu objeto, teremos a pessoa jurídica, a sociedade constituída, mas não uma sociedade empresária. Por outro lado, acerca dos efeitos da verificação da inexistência de fato, fixa o art. 82 da Lei 9.430, de 1996, responsável pela instituição desse status cadastral: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10314.013716/200691 Acórdão n.º 9303003.388 CSRFT3 Fl. 716 7 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos: casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Ou seja, da mesma forma em que, se verificado que a sociedade não reúne os elementos caracterizadores da empresa, perde a sua escrituração comercial a presunção estabelecida no art. 226 do mesmo Código Civil, se não apresenta condições mínimas de funcionamento, seus documentos fiscais perdem o poder de provar, por si só, a realização de um serviço ou a comercialização da mercadoria. Evidentemente, a atribuição de tal status à inscrição impõe um ônus significativo para o sujeito passivo, de sorte que a sua aplicação em dissonância com o que preceitua a norma que a instituiu, mais do que ilegal, afronta os princípios, implícitos e explícitos, norteadores da atuação da administração pública, gizados na Constituição Federal de 1988. De fato, a pretexto de fazer uso da delegação contida no caput do já transcrito art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, fixou o Fisco no art. 37, III da Instrução Normativa SRF 200, de 13 de setembro de 2002: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: (...) III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; Seguindose tal ato ao pé da letra, bastaria que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que, apesar de possuir todos os meios para a realização de suas atividades, lhe ser atribuído o mesmo tratamento dispensado à pessoa jurídica que não reunia condições para enquadramento nos contornos do que a Lei Civil classificou de sociedade empresária. Além de desproporcional, tal dispositivo encontravase maculado de vicio formal, pois foise muito além da delegação contida na lei que instituiu a inaptidão da inscrição, violando, por consequência, o princípio da legalidade, gizado no art. 37 da Carta Política de 1988. Com efeito, o já transcrito art. 81 somente autorizou o Ministro da Fazenda a disciplinar os termos e condições em que se dará a declaração de inaptidão, jamais a equiparar, por meio de presunção, a cessão do nome a inexistência de fato. Sabidamente, a instituição de tal ficção jurídica exigiria lei em sentido formal. Tal explicação é fundamental para que se estabeleça a verdadeira mens legislatoris que orientou a redação do recente Fl. 857DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 8 art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, mais facilmente compreendida após sua leitura: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, a hipótese descrita no art. 33 da Lei n° 11.488 é exatamente a mesma do inciso III art. 37 da IN SRF n° 200, de 2002: ceder seu nome, inclusive mediante disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações, com vistas ao acobertamento de determinada pessoa. Tal convicção é reforçada com a leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória n° 351/2007 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei nº 11.488, de 2007, seu relator, que também responde pela autoria do dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente renumerado para 33, quando da conversão definitiva: "Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. "(grifo nosso) Ora, tanto o âmbito de aplicação do dispositivo novel é a inaptidão cadastral que fez questão de inserir a ressalva do par. único: quem cede o nome, mas tem meios para a realização de sua atividade societária, sujeitase à multa de 10%. Caso contrário, à inaptidão cadastral. Essa é a adequação de que fala o legislador. Admitindo que a exegese baseada na mens legislatoris não fosse suficiente para demonstrar a ausência de sobreposição de infrações, não se poderia falar, no presente, de violação do principio do non bis in idem, implícito no subsistema jurídico penal norteado pela Constituição de 1988. Trazendo tal sobrenorma para o plano das regras jurídicas, diz o art. 99 do Decretolei n° 37, de 1966: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Duas ou mais infrações, portanto, devem dar ensejo a duas ou mais penalidades, salvo se tais infrações se revelarem idênticas. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10314.013716/200691 Acórdão n.º 9303003.388 CSRFT3 Fl. 717 9 Tal identidade, como é cediço, não se revela exclusivamente pela semelhança ou unicidade da conduta. Ou seja, pelo menos no plano do direito aduaneiro, é legalmente possível que uma única ação viole mais de uma regra e seja apenada com mais de uma sanção. Para demonstrar esse raciocínio, relembro hipótese constantemente trazida a este Colegiado, materializada nas circunstâncias em que o sujeito passivo, ao se equivocar na informação do código da NCM comete duas infrações, uma que tutela a exatidão do recolhimento dos tributos incidentes na importação, capitulada no art. 44,1 da Lei nº 9.430, de 1996 e outra que zela pela exatidão das informações prestadas na declaração, com vistas à efetividade do controle aduaneiro, capitulada no art. 84 da Medida Provisória 2.158, de 2001. Com efeito, a declaração inexata, quando o item declarado é a classificação fiscal, impõe a aplicação de duas penalidades diversas, eis que a mesma ação infringe mais de uma norma. Especificamente no âmbito do que se discute no presente recurso, a recorrente, ao ceder seu nome para a prática da atos por terceiros e, ao mesmo tempo, inserir informações falsas nas declarações prestadas ao Fisco, amparada em documento, no mínimo, ideologicamente falso, já que não reflete as partes envolvidas na transação comercial, infringe, igualmente, os dois dispositivos. Ou seja, assim como ocorre no plano do direito penal, é possível que, com uma única conduta, sejam violadas duas ou mais regras. No âmbito daquele ramo, aplicase a cláusula de aumento da pena prevista no art. 70 do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 1940); no direito aduaneiro, cada uma das penalidades correspondentes à cada norma infringida, nos termos do já transcrito art. 99 do DL nº 37/66. Finalmente, tal convicção é reforçada quando se observa a regulamentação do art. 33 no recente Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Vejase o que diz o seu art. 727: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Não custa destacar que o parágrafo 3° acima transcrito possui conteúdo evidentemente interpretativo, a reclamar a aplicação Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 10 do inciso I, do art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), máxime em função de que, no presente processo, não se discute a inclusão da multa recéminstituída. Forçoso é concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e, nessa condição poderiam ser aplicadas, concomitantemente, as penas a ela correspondentes a fatos que, a partir da entrada em vigor da lei n° 11.488, incidirem na hipótese descrita no seu art. 33. Expostas as duas teses, releva dizer que no âmbito do Poder Judiciário solidificase, cada vez mais, o entendimento de que a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome, e não prejudica a hipótese de dano ao erário, como mostra esse aresto do TRF da 3ª Região: AÇÃO ORDINÁRIA. ADUANEIRO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. CESSÃO DE NOME. INAPTIDÃO DO CNPJ. SUPERVENIÊNCIA DE LEI MAIS BENÉFICA. ART. 106, II, c, CTN. MULTA. 1. Compulsandose os autos, verificase ter a Secretaria da Receita Federal, por meio do Serviço de Fiscalização Aduaneira, concluiu ter havido a cessão do nome da empresa apelada para a realização de operações de terceiros, motivo pelo qual foi proposta a representação para fins de inaptidão do seu CNPJ desde 24/09/04 (fls. 120/122), situação que se amolda perfeitamente à situação descrita no artigo acima transcrito. 2. Assim, a análise da legislação que rege a matéria leva à conclusão de que a interposição fraudulenta, ainda que continue configurando hipótese de dano ao erário, não mais enseja a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, por expressa vedação do parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488/07. 3. Há que se dizer, ainda, que a referida Lei nº 11.488/07 tem aplicação retroativa, na forma do que estabelece o art. 106, II, "c" do CTN. 4. Apelação a que se nega provimento. APELREEX 00187660820064036100 DES. CECILIA MARCONDES eDJF3 Judicial 1 DATA:18/10/2010 PÁG: 279 No bojo do voto supra, a e. relatora aponta jurisprudência: "DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ DE EMPRESA ENVOLVIDA EM INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO EM ATIVIDADE DE COMÉRCIO EXTERIOR. PREVISÃO EXPRESSA DA LEI Nº 11.488/04 SUBSTITUINDO A PENA DE INAPTIDÃO DO CNPJ POR MULTA. Nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/07, a interposição fraudulenta de pessoa jurídica em operação de comércio exterior, embora continue sendo hipótese de dano ao erário e conseqüente perdimento das mercadorias transacionadas, já não enseja a inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica envolvida, mas a pena de Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10314.013716/200691 Acórdão n.º 9303003.388 CSRFT3 Fl. 718 11 multa" (TRF4, 2ª Turma, AC 2006.72.05.0060360, relatora Desembargadora Federal Luciane Amaral Corrêa Münch, j. 13/05/09). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL INAPTIDÃO DA SOCIEDADE NO CADASTRO NACIONAL DE PESSOAS JURÍDICASCNPJ LEI Nº 9.430/96, ART. 81, § 1º LEI Nº 11.488/2007, ART. 33, PARÁGRAFO ÚNICO LEI POSTERIOR PENALIDADE MENOS SEVERA MULTA APLICABILIDADE CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, ART. 106, II, "C" ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA POSSIBILIDADE VEROSSIMILHANÇA E FUNDADO RECEIO DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO COMPROVADOS. 1 A situação da pessoa jurídica que cede seu nome para que terceiros realizem operações de comércio exterior foi equiparada à de empresa que não comprova capacidade financeira para amparar suas operações de importação, sujeitandose à penalidade de MULTA por ser menos severa, não mais à de INAPTIDÃO do seu registro no Cadastro Nacional de Pessoas JurídicasCNPJ. 2 Merece reparo a decisão que indeferira pedido de antecipação dos efeitos da tutela ao fundamento de ausência de verossimilhança do direito invocado porque, após o advento da Lei nº 11.488/2007, a infração atribuída à Agravante é passível de penalidade menos severa, MULTA, não mais INAPTIDÃO da sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas JurídicasCNPJ. (Lei nº 9.430/96, art. 81, § 1º; Lei nº 11.488/2007, art 33, parágrafo único; Código Tributário Nacional, art. 106, II, "c".) 3 Agravo de Instrumento provido.4 Decisão reformada" (TRF 1, 7ª Turma, AG 2008.01.00.0000593, relator Desembargador Federal Catão Alves, j. 02/09/08). Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida não merece qualquer reparo, pois além de bem fundamentada está em consonância com a jurisprudência dos tribunais federais. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 861DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 12 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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