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Numero do processo: 19515.720081/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado.
Numero da decisão: 3401-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 81 /2 01 3- 19 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 1001 a 1005)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3403003.306 (fls. 977 a 999), relatado pelo Cons. Luis Rogério Sawaya Batista, no qual atuei como redator designado. Alega a embargante que a decisão é omissa no que se refere à prova apresentada para tomada de créditos em relação a frete interno. Figuram ainda no presente processo recurso especial interposto pela Fazenda (fls. 1038 a 1043), com exame de admissibilidade às fls. 1045 e 1046, e contrarrazões do contribuinte (fls. 1048 a 1058). Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 1103/1104, e o processo foi a mim distribuído para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 1103/1104, passase diretamente à análise da omissão objetivamente apontada. Importante destacar que no exame de admissibilidade não se estava a verificar efetivamente se houve omissão, mas se esta havia sido objetivamente apontada. Relevante ainda informar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Como relatado, a omissão apontada se refere à prova apresentada para tomada de créditos em relação a frete interno, afirmando a embargante que tanto o voto vencido quanto o voto vencedor "fazem coro ao reconhecerem a possibilidade teórica da tomada de créditos" sobre frete interno, mas consideram que a empresa não teria apresentado prova de que este comporia o custo das mercadorias adquiridas para posterior revenda. Sustenta ainda a embargante que no curso do procedimento fiscal, além de livros fiscais e registros contábeis, trouxe aos autos planilha descritiva dos gastos relacionados a "serviços utilizados como insumos" e a "outras operações com direito a crédito", na qual constam expressamente os valores incorridos com "custeio veículo combustíveis" e "custeio veículos conserto", que compõem as despesas com frete interno, e que, em relação ao tema, Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720081/201319 Acórdão n.º 3401003.151 S3C4T1 Fl. 1.106 3 não foi solicitado nenhum documento adicional, e nem foi questionada a validade e a suficiência da documentação apresentada. Verificandose o teor do voto vencido, percebese que a motivação para o não reconhecimento do crédito foi, de fato, a carência probatória: "Contudo, fazse necessária a prova de que o frete esteve relacionado à atividade empresarial da Recorrente, mas a Recorrente, da análise do processo administrativo, não fez nenhuma prova nesse sentido. De igual maneira, fazse necessária a identificação dos veículos utilizados e dos tipos de despesas de manutenção em bens próprios e de terceiros e, ainda, a utilização do combustível pela Recorrente. Nesse aspecto, não posso deixar de ressaltar que a Recorrente deve demonstrar a formalização de sua despesa por meio de documentação adequada, porém ela não juntou nenhum documento relacionado em sua impugnação. A Recorrente alega que o custo de aquisição das mercadorias destinadas à revenda inclui o frete (artigo 289 do RIR/99), mas não há comprovação de que o frete ora discutido se refere ao frete das mercadorias destinadas à revenda." (grifo nosso) E nisso não diverge do voto vencedor, de nossa lavra. Também entendemos que a documentação carreada aos autos é insuficiente para comprovar "que o frete ora discutido se refere ao frete das mercadorias destinadas a revenda". A documentação apresentada, no máximo, dá conta de que a demanda, na verdade, seria de crédito com base no inciso II do art. 3o das leis de regência, o que não encontra guarida normativa, como destacou o julgador de piso: "21. Quanto as despesas que a impugnante alega ser de frete, na realidade referemse às contas “Custeio Veículos Combustível” e “Custeio Veículos Conserto”, conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal (fl. 535) e no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais apresentado pelo contribuinte (fl. 484). Observese que a contribuinte, em resposta a intimação da fiscalização (fls. 497 a 518), informa que as despesas das citadas contas referemse a gastos que a sociedade incorre com combustível e manutenção dos veículos utilizados na sua operação (fl. 518). 22. Portanto, não se trata de despesa com frete e sim gastos com combustível e manutenção de veículo. Os gastos com combustível e manutenção de veículos também não se enquadram em nenhuma hipóteses previstas no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Cabe novamente esclarecer que o inciso II do art. 3º não é aplicável à impugnante porque esta exerce a atividade de comércio varejista." Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 E, nesse aspecto, há nítida divergência entre voto vencedor e voto vencido. Se o voto vencido se daria por satisfeito com prova de enquadramento no inciso II do art. 3o das leis de regência, o voto vencedor expressamente declara que tal inciso é inaplicável a operações de revenda: "A mera leitura do dispositivo torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no excerto transcrito do voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. E sustentar que a lei restringiu indevidamente a não cumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF no 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Acrescentese que o fato de as mesmas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3o, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”." (grifo nosso) Então, voto vencedor e voto vencido chegam à idêntica conclusão de que "não há comprovação de que o frete ora discutido se refere ao frete das mercadorias destinadas à revenda", ainda que divergissem sobre a possibilidade de tomada de crédito com base no inciso II do art. 3o das leis de regência. E, de fato, não existe nos autos tal documentação comprobatória, mas simples registros genéricos, que não permitem identificar precisamente as despesas. E tal documentação comprobatória detalhada, digase, deveria ter sido carreada pela postulante ao crédito, independente de solicitação por parte do fisco ou do julgador, pelo simples fato de que cabe a ela, postulante, comprovar a certeza e a liquidez do direito de crédito pleiteado. Assim, o que parece buscar a embargante é rediscutir o mérito do julgado, discordando do entendimento unânime (entre voto vencido e vencedor) de que ela não se Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720081/201319 Acórdão n.º 3401003.151 S3C4T1 Fl. 1.107 5 desincumbiu de seu ônus probatório. E tal rediscussão não se encontra no universo permitido ao manejo de embargos de declaração. Pelo exposto, restou ausente na decisão embargada a omissão apontada, e os embargos de declaração, recordese, prestamse a questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Voto, portanto, no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 35466.006668/2003-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 16/09/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.
O cumprimento satisfatório de todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária para a instrução do processo de restituição transfere para a administração tributária o ônus de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 16/09/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. O cumprimento satisfatório de todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária para a instrução do processo de restituição transfere para a administração tributária o ônus de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 657 1 656 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35466.006668/200329 Recurso nº 244.934 Voluntário Acórdão nº 2401004.235 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO Recorrente ADT EMPREITEIRA S/C LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 16/09/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. O cumprimento satisfatório de todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária para a instrução do processo de restituição transfere para a administração tributária o ônus de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 6. 00 66 68 /2 00 3- 29 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Relatório Período requerido: setembro/2002 a dezembro/2002. Data do requerimento: 16/09/2003. Temse em pauta Requerimento de Restituição de Retenção, a fl. 05, protocolizado em 16/09/2003, em razão valor excedente das retenções sofridas sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviços em relação ao valor devido sobre folha de pagamento, referentes às competências de setembro/2002 a dezembro/2002. Tendo em vista o baixo percentual de mãodeobra utilizada em relação ao faturamento de serviços, e a não apresentação da escrituração contábil, a Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária – EQARP da Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT procedeu ao cálculo do Salário de Contribuição por aferição indireta, com base no inciso I do art. 473 c.c. art. 600, I, ambos da IN nº 03/2005. Assim, em razão de o valor de contribuições previdenciárias supostamente devidas, calculado internamente pela Administração Tributária por aferição indireta, ter sido superior ao valor retido, concluiuse que o pedido de restituição é improcedente, conforme despacho a fls. 421/425. Com fundamento na análise da Fiscalização aviada no Despacho a fls. 421/425, a DERATSPO indeferiu a restituição pleiteada, conforme Decisão a fl. 427. Irresignada, a Requerente apresentou impugnação a fls. 441/453. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1623.511 – 12ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 583/599, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Requerente, em razão da não comprovação do Direito Creditório do Interessado. Devidamente intimada da Decisão de 1ª Instância em 20/02/2010, a fl. 605, porém, inconformada, a Requerente interpôs recurso voluntário, a fls. 613/627, requerendo, ao fim, o deferimento do pedido de restituição. Relatados, sumariamente, os fatos de maior relevo. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 35466.006668/200329 Acórdão n.º 2401004.235 S2C4T1 Fl. 658 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/02/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 15/03/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O Instituto da retenção de contribuições previdenciárias foi introduzido no ordenamento jurídico pátrio pela Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, que conferiu nova redação ao art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, atribuindo ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a responsabilidade pela retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados naquela condição, e ao subsequente recolhimento do valor assim retido em nome do prestador correspondente. O valor retido acima mencionado deve ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço, conforme previsão legal inscrita no parágrafo 1º do mesmo dispositivo legal. Cumpre salientar, eis que pertinente ao caso sub examine, que na impossibilidade de haver compensação integral na forma acima aventada, o eventual saldo remanescente pode ser objeto de restituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). No caso dos autos, por considerar ser baixo o percentual da mãodeobra utilizada em relação ao faturamento de serviços e a não apresentação da escrituração contábil, a Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária – EQARP da Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT procedeu, interna e unilateralmente, ao cálculo do Salário de Contribuição por aferição indireta, com base no inciso I do art. 473 c.c. art. 600, I, ambos da IN nº 03/2005. Em razão de o valor aferido de contribuições previdenciárias supostamente devidas ter sido superior ao valor retido, a DERATSPO concluiu que o pedido de restituição era improcedente. Ocorre que a mera constatação de que o valor aferido do Salário de Contribuição está acima do valor retido não se configura óbice legal ao indeferimento da restituição. Equivale a dizer: não há na lei tributária impedimento legal à restituição de Contribuições Previdenciárias recolhidas a maior com o simples fundamento de o valor aferido do Salário de Contribuição pela administração tributária ser superior ao valor retido. Aditese que o §8º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, veda a restituição de valores recolhidos a maior apenas quando houver a existência de DÉBITO em nome do sujeito passivo, situação em que o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 35466.006668/200329 Acórdão n.º 2401004.235 S2C4T1 Fl. 659 5 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)9). §4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) (grifos nossos) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) No caso presente, inexiste débito constituído, nem mesmo em fase de constituição, em face do Requerente, mas, tão somente, a constatação de que o valor do Salário de Contribuição, aferido indiretamente pela Administração Tributária sem a contradita do Contribuinte, era superior ao montante retido. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Para se subsumir à hipótese vertida no §8º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, o Órgão Fazendário Federal, diante da constatação de que o valor do Salário de Contribuição aferido era superior ao montante destacado nas Nota Fiscal de Serviço e recolhido em nome do Sujeito Passivo, deveria ter procedido ao LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DA DIFERENÇA, como assim determina, expressamente, o art. 142 do CTN c.c. art. 37 da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Aliás, havendo sido constatada tal diferença, independentemente do presente processo de restituição, o lançamento do valor devido seria de observância obrigatória, em razão de ser atividade plenamente vinculada à lei, nos termos do Parágrafo Único do art. 142 do CTN. Assim, ao não se proceder ao lançamento da suposta diferença devida, houve se por excluído do Recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa. O sistema jurídico brasileiro adotou como regra geral o dogma que incumbe à parte que alegar a existência de algum fato ensejador de um direito o ônus de demonstrar sua existência. O onus probandi, é, pois, o encargo que têm os litigantes de provar, pelos meios admissíveis, a veracidade dos fatos alegados. Dessarte, a parte cujo ônus da prova lhe foi imputado sofrerá os efeitos negativos do seu não agir, caso as provas necessárias ao seu ganho de causa não estiverem presentes nos autos. Nesse esteira, a juntada aos autos de conjunto probatório viçoso que dê esteio ao direito alegado transfere à parte adversa o encargo jurídico de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal compreensão caminha no mesmo compasso das disposições expressas no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Código de Processo Civil Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 35466.006668/200329 Acórdão n.º 2401004.235 S2C4T1 Fl. 660 7 Segundo Carnelutti (in Sistemas de Direito Processual Civil, Lemos Cruz, São Paulo, 1ª Ed., 2004, p. 133) “O ônus de provar recai sobre quem tem o interesse em afirmar. Assim, não importa a posição que o indivíduo ocupe na relação processual, pois, quando fizer uma afirmação da qual decorra seu próprio direito, em razão do fato ocorrido, terá de provar sua veracidade”. Daí, a regra adotada pelo Direito Brasileiro: ao autor, caberá o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, enquanto que, à parte adversa, restará a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito daquele. Na hipótese vertida nos autos, o Recorrente protocolizou requerimento formulando pedido de restituição de contribuições previdenciárias relativa ao período de setembro a dezembro de 2002, fazendo coligir aos autos todos os documentos exigidos pela Fiscalização. Cumpre destacar, conforme já salientado alhures, que ao cumprir o Recorrente o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, promoveuse a transferência para a administração tributária o encargo jurídico de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente. Anotese que, apesar de cumpridas as exigências a que fora sucessivamente intimado, o Requerente teve o seu pedido negado com fundamento único da “não comprovação do direito creditório do Interessado”. Há no caso, todavia, uma inversão. O requerente comprovou o seu direito creditório. Quem não comprovou o seu direito creditório foi exatamente o Fisco. Isso porque o direito creditório da Fazenda Pública não se constitui com a mera constatação de que o valor retido é inferior ao valor aferido do Salário de Contribuição. O direito creditório da Fazenda Pública se constitui mediante o procedimento administrativo do LANÇAMENTO, cortejado pelo direito do Contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Conforme já salientado anteriormente, em razão da natureza plenamente vinculada da atividade fiscal, na hipótese de a fiscalização, no curso do procedimento administrativo que redundou na Decisão a fl. 427, ter, de fato, concluído pela insuficiência de recolhimentos, deveria, formalmente, constituir o Crédito Tributário da Fazenda Pública, lavrandose o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, e apurandose ex officio as contribuições previdenciárias reputadas como devidas, como assim determina o art. 37 da Lei nº 8.212/91. O procedimento descrito no parágrafo antecedente não se inclui no rol das discricionariedades da autoridade tributária. Antes, ele tem sede legal e imperativa, de acordo com os mandos inscritos no art. 37, caput, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Nessa perspectiva, os indícios sintomáticos apontados no Despacho da EQARP/DIORT/DERATSPO, a fls. 421/425, utilizados como fundamentação única para o indeferimento do pleito requerido, desacompanhadas da indispensável constituição do Crédito Tributário supostamente devido, não se conformam como motivo justo, tampouco suficiente, para obstar a restituição pretendida, eis que se encontram à calva de comprovada justa causa, não ultrapassando, tais alegações denegatórias, os frágeis limites do palpite subjetivo. Falhou em seu mister a Administração Fazendária, eis que, mesmo alegando que o valor retido/recolhido era inferior àquele determinado por aferição indireta do Salário de Contribuição, não fez deflagrar qualquer procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. De fato, não consta nos autos do processo que alguma ação fiscalizatória tenha sido promovida na empresa requerente, no sentido de se apurar o valor realmente devido e de se aplicar a penalidade cabível, abrindo se, dessa forma, a indispensável oportunidade ao Recorrente, no exercício de seu direito ao contraditório e à ampla defesa, de provar a regularidade dos seus recolhimentos. Conforme já esclarecido, nos casos de recolhimento de contribuições previdenciárias a maior que o devido, como assim se revela o presente caso, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 não impõe qualquer óbice à restituição do excesso recolhido baseado em supostos fatos geradores não convertidos em crédito tributário. Ao revés, o §8º do citado art. 89 exige a efetiva verificação de débito constituído em nome do Sujeito Passivo, o qual será compensado ex officio, total ou parcialmente, com os valores de restituição a que teria direito o Contribuinte. Avulta no caso em análise, que as alegações da Administração Tributária apoiaramse única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, visto não se apresentarem cortejadas por qualquer indício de prova material apto a obstar o direito do requerente, além de excluirlhe o direito ao contraditório e à ampla defesa. Merece ser citado que o Requerimento de Restituição de Retenção a fl. 05 houvese por protocolizado em 16/09/2003, tendo a Fiscalização tributária cerca de quatro anos para proceder ao lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias supostamente devidas. De outro eito, notese que o Despacho da EQARP/DIORT/DERATSPO, a fls. 421/425, utilizados como fundamentação única para o indeferimento do pleito requerido, houvese pro exarado em 10/11/2008, quando o direito do Fisco de constituir o suposto Crédito Tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002 já havia sido fulminado pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN c.c. Súmula 99 do CARF, haja vista a existência de recolhimentos antecipados. “QUEM DORME, DORMELHE A FAZENDA” (BOCAGE, Jose Manuel Maria Barbosa du, BOCAGE Poemas Várias, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1961) Assim, não tendo sido as supostas obrigações tributárias ora em realce convertidas em crédito tributário no prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, tais supostas omissões não representam mais óbice ao deferimento da restituição pleiteada, não procedendo Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 35466.006668/200329 Acórdão n.º 2401004.235 S2C4T1 Fl. 661 9 portanto, o indeferimento do pleito consignado na Decisão Denegatória a fl. 427, datada de 13/11/2008. Dormientibus non succurrit jus Nesse contexto, ante a carência de elementos representativos de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Recorrente, pautados em conjunto probatório palpável, perde o esteio a decisão recorrida para justificar o indeferimento do pedido em realce, não sendo suficientes para tanto as razões apresentadas a fls. 421/425. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000754/2005-19
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários
internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da
Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a
responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - Incabível a
aplicação da multa isolada (art. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso 11 do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.096
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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ementa_s : RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso 11 do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido.
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Recurso nO.. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 151.133 IRPF - Ex(s): 2003 ANA LÚCIA RIBEIRO DE VASCONCELOS 3a TURMAlDRJ-BRASíLlA/DF 06 de dezembro de 2006 104-22.096 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso 11 do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANA LÚCIA RIBEIRO DE VASCONCELOS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. y rvílNISI~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 -. ~~ ~~COTTAC~ PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 2 O DE Z 200b Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOíSA GUARITA SOUZA, MARIA "BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO L1AN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. ~ 2 MlNISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA ,', Processo nO. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente 14041.000754/2005-19 104-22.096 151.133 ANA LÚCIA RIBEIRO DE VASCONCELOS RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado, em 14/09/2005, pela Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF, o Auto de Infração de fls. 40 a 54, no valor de R$ 28.593,53, correspondente a Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa isolada do carnê-Ieão, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO/ONU), relativos ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento por meio de correspondência postada em 20/10/2005 (fls. 55/verso do AR), a contribuinte apresentou, em 04/11/2005, tempestivamente, a impugnação de fls. 56 a 67, cujos argumentos foram assim resumidos no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 76/77): "Inicialmente, relata que trabalhava para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, sob o regime de dedicação exclusiva, sem solução de continuidade no vínculo empregatício, com carga horária de oito horas diárias, salário mensal e período de férias anuais remuneradas pelo empregador. Além disso, suas tarefas habituais incluíam a participação em treinamentos e viagens a serviço. Então, de acordo com o previsto na Lei nO.4.506, de 1964 e em tratados e convenções internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de r 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 isenção de Imposto de Renda em virtude de ser funcionária de Organismo Internacional. . A base legal para a isenção pleiteada é o art. 5°, 11 da Lei nO.4.506, de 1964, repetido no art. 22, 11 do RIR/1999, que isenta de Imposto de Renda os rendimentos auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção. Discorda da interpretação dada ao parágrafo único do artigo supracitado que limita a isenção aos residentes no exterior e esclarece que o art. 30 da Lei nO.7.713, de 1988 reconheceu a isenção do art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964. Logo, é inócua a obrigação de recolhimento mensal do Imposto prevista nos arts. 1° a 3° e 8° da Lei nO. 7.713, de 1988, em face da isenção a que faz jus. Defende que a lei concessiva da isenção seja interpretada e aplicada nos moldes previstos nos artigos 98, 111 e 112 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nO.5.172, de 1966). Quanto aos tratados e convenções internacionais, esclarece que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nO.27.784, de 1950, dispõe na Seção 18 do artigo V, que os funcionários da ONU serão isentos de todo o imposto sobre os vencimentos e emolumentos pagos pela Organização das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nO. 52.288, de 1963, ao declarar que os funcionários gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Os privilégios e imunidades foram, por força da Resolução nO.76, de 1946, da Assembléia Geral das Nações Unidas, outorgados a todo o pessoal das Nações Unidas, excluindo somente os funcionários recrutados no local e remunerados por hora. Novamente volta ao tema da relação de trabalho havida entre ela e o Organismo Internacional, para concluir que o termo funcionário da ONU deve ser entendido como empregado da ONU a luz da ordem jurídica pátria. A interpretação adotada segue o disposto no art. 16 da Lei de Introdução ao Código Civil - LICC. Seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer Normativo CST nO.717, de 06/04/1979 e na pergunta 172 do Manual Perguntas e Respostas de 1995, transcritos. r 4 M/NIST'ÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 Transcreve, também, jurisprudência do Primeiro Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, favoráveis à sua tese. Acredita encontrar-se em situação idêntica aos contribuintes que obtiveram a isenção/imunidade reconhecida pelo Conselho de Contribuintes nos julgados transcritos na defesa, logo, de acordo com o art. 5°, 11, S 2° c/c 150, 11 da Constituição Federal, a Receita Federal não poderia fazer distinção entre os contribuintes e exigir dela Imposto de Renda sobre os rendimentos auferidos do Organismo Internacional. Em relação à multa isolada, sustenta ser incabível a cobrança em virtude da não incidência de imposto sobre os rendimentos auferidos do Organismo Internacional e, se cabível, defende a aplicação somente da multa de ofício. Para ela, a cobrança cumulativa da multa isolada e da multa de ofício constitui bis in idem. Por fim, solicita a declaração deinsubsistência do lançamento e a conseqüente inexigibilidade das multas (multa isolada e de ofício) aplicadas cumulativamente ou, alternativamente, seja aplicado o art. 112, I e 11 do CTN, para que o ônus do Imposto recaia sobre o empregador." DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 24/02/2006, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF exarou o Acórdão DRJ/BSA n°. 16.600 (fls. 75 a 86), considerando procedente o lançamento, conforme os seguintes argumentos, em síntese: - a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU corresponde a uma Agência Especializada da ONU, segundo esclarece o Artigo 1° do Decreto nO.52.288, de 1963; - a contribuinte não se enquadra na categoria de funcionários da UNESCO que gozam da isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos do Organismo, pela simples razão de não ser funcionária e sim uma técnica contratada, de acordo com as normas legais vigentes e as provas dos autos; r 5 MINIST~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 - a isenção prevista no art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, aplica-se exclusivamente aos servidores de Organismos Internacionais domiciliados no exterior, caso contrário o parágrafo único do artigo estabeleceria a tributação de outros rendimentos auferidos por pessoas domiciliadas no Brasil como residente no exterior, o que seria um contra-senso; - nenhum dos requisitos foi atendido pela contribuinte, vez que não é servidor das Agências Especializadas da ONU e tampouco reside no exterior; - todavia, a legislação brasileira reconhece que a fonte da obrigação de conceder a isenção é o tratado ou convênio internacional de que o Brasil seja signatário; - assim, mesmo a contribuinte não sendo beneficiada pela isenção prevista no art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, impõe-se a análise dos tratados e convenções internacionais vigentes a fim de saber se a contemplam, de outro modo, com a isenção de Imposto de Renda; - no caso em questão, os rendimentos foram recebidos da UNESCO, disciplinada pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto nO.59.308, de 1966; - conforme dito acordo, a UNESCO corresponde a uma Agência Especializada da ONU e, com relação aos seus funcionários, aplica-se a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agencias Especializadas das Nações Unidas, adotada em 21/11/1946, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, e recepcionada pelo direito pátrio por meio do Decreto nO.52.288, de 24/07/1963, que a promulgou; - a Convenção que rege o tema nada estabelece sobre qual deva ser o domicílio da pessoa beneficiária da isenção, mas exige que seja ela funcionária das 6 MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 Agências Especializadas e que conste na lista elaborada pela Agência, sujeita à comunicação ao Secretário Geral da ONU e, periodicamente, aos Governos dos Estados Membros; - o nome contido na lista e a sua comunicação ao Governo são requisitos para o gozo da isenção, já que nem todos os funcionários das Agências Especializadas fazem jus ao privilégio, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que necessitam de privilégios semelhantes aos agentes diplomáticos, para o bom desempenho de suas funções; - a determinação da categoria de funcionários beneficiados com os privilégios cabe às Agências Especializadas, que gozam de autonomia, inclusive para renunciar a qualquer imunidade concedida aos seus funcionários (22a Seção do Artigo 6° da Convenção); - já para os técnicos que prestam serviços às Agências Especializadas, sem vínculo empregatício, nada foi disposto na Convenção a respeito de isenção de impostos; - a IN SRF nO. 73, de 1998, reiterada pelas seguintes, confirma a interpretação feita da Convenção, isto é, os rendimentos auferidos de Organismos Internacionais pelos residentes no Brasil estão sujeitos à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório, exceto os recebidos por pessoas físicas aqui residentes relacionadas nas listas enviadas à Receita Federal pelos Organismos; - por fim, cite-se a publicação denominada "Imposto de Renda Pessoa Física - Perguntas e Respostas - 2005", editada pela Receita Federal, que esclarece acerca do tratamento tributário dos rendimentos auferidos pelos servidores do PNUD e das Agências Especializadas da ONU (perguntas nOs.137 e 138); r- 7 M'INIST~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 - conclui-se assim que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos de Organismos Internacionais é privilégio concedido exclusivamente aos funcionários, desde que atendidas certas condições, quais sejam: devem ser funcionários do Organismo Internacional, in casu, enquadrar-se como funcionário da l'.JNESCO; e seus nomes devem ser relacionados e informados à Receita Federal por tais Organismos, como integrantes das categorias por eles especificadas; - a contribuinte firmou o Contrato de Serviço com a UNESCO nO. ED08680/2001, às fls. 34 a 39, que não deixa dúvida no sentido de que ela não pertencia ao quadro efetivo da UNESCO, ou seja, não era funcionária do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção; - destarte, sua relação era apenas contratual e, portanto, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional, cabendo agora perquirir de quem é a responsabilidade pelo pagamento do tributo; - as Agências Especializadas, segundo o disposto no Artigo 2° do Decreto nO.52.288, de 1963, têm personalidade jurídica própria e, no que se refere a tributos, são exoneradas de todo imposto direto (9a Seção do Artigo 3° do citado diploma legal); - conjugando os dispositivos mencionados, vê-se que a personalidade jurídica das Agências Especializadas é diversa da de seus agentes, funcionários e prestadores de serviço e que a exoneração de tributos a elas concedida não se estende às pessoas físicas que delas participam; - por conseguinte, as Agências Especializadas não são responsáveis pelo recolhimento de tributos incidentes sobre os salários e emolumentos pagos, dado que lhes é reconhecida, por convenção internacional, a imunidade (Decreto nO.52.288, de 1963);r- 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 - em sendo devidos os tributos sobre os salários e emolumentos pagos, exonera-se a obrigação pela retenção e recolhimento pela fonte pagadora e transfere-se tal responsabilidade para o contribuinte, sujeito passivo direto da obrigação tributária, a ser feito s~-;orma de recolhimento mensal obrigatório; I - no que concerne à jurisprudência invocada, há que ser esclarecido que as decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, portanto não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; - contudo, recentemente o Conselho de Contribuintes adotou entendimento diverso sobre o tema, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. nO. CSRF/04.00.004 - Recurso nO.106-131.853); - assim, os rendimentos recebidos pelo contribuinte da UNESCO/ONU, decorrentes da prestação de serviços contratuais, não gozam de isenção do Imposto de Renda, por falta de previsão legal, estando sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-Ieão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual; - a contribuinte reclama, ainda, da aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, porém se trata de duas multas distintas, aplicadas por força do art. 44 da Lei nO.9.430, de 1996, e que não são excludentes uma da outra; - o art. 8°, da Lei n°. 7.713, de 1988, estabelece que fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei (recolhimento mensal obrigatório - carnê-Ieão), a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no Pais;f 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 - o imposto é calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês, conforme dispõe o inciso I do art. 4° da Lei nO.8.134, de 1990; - os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei nO.7.713, de 1988, além de estarem sujeitos ao recolhimento mensal, compõem, também, a base de cálculo do Imposto de Renda no ajuste anual, a ser feito por ocasião da apresentação da declaração de rendimentos; - portanto, em relação aos rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, verifica-se que a contribuinte deverá observar duas condutas: calcular e efetuar o recolhimento do Imposto de Renda mês a mês e incluir os rendimentos na declaração, apurando, se for, o caso, o saldo do Imposto a pagar; - a inobservância das obrigações legais acima constitui infração à legislação tributária e sujeita a contribuinte à aplicação de multas distintas, por meio de lançamento de ofício feito pela Autoridade Fiscal, já que duas são as infrações cometidas, quais sejam, declaração inexata e falta de pagamento do carnê-Ieão; - em face do art. 44, inciso I e S 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996, e da Instrução Normativa SRF nO.46, de 1997, depreende-se que duas são as multas de ofício aplicáveis ao lançamento, uma sobre o imposto .mensal devido e não recolhido (multa isolada), e outra sobre o imposto suplementar apurado na declaração de rendimentos, se for o caso. - logo, como a contribuinte deixou de incluir na declaração de rendimentos os valores recebidos de fontes situadas no exterior, bem como deixou de recolher, tempestivamente, o imposto devido a título de carnê-Ieão sobre os valores por ela recebidos, é cabível a aplicação das duas multas de 75%, a isolada, que deve incidir sobre o valor do imposto que deixou de ser pago em cada mês do ano-calendário, e a incidente sobre o imposto apurado no ajuste anual; f- 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 - por último, esclareça-se que o Termo de Conciliação homologado no Processo nO. 1.044/2001, da 15a Vara do Trabalho de Brasília, juntado aos autos, não obriga a fonte pagadora (Organismo Internacional) a recolher o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos. DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada do acórdão de primeira instância por meio de correspondência postada em 15/03/2006 (fls. 89/verso do AR), a contribuinte apresentou, em 30/03/2006, tempestivamente, o recurso de fls. 90 a 110, reiterando as razões contidas na impugnação. Às fls. 113, a Autoridade Preparadora informa que foi prestada a garantia recursal (arrolamento de bens). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 113 (última), que trata também do envio dos autos a este Colegiado. É o Relatório. ~ 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 VOTO Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de lançamento por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa isolada do carnê-Ieão, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO/ONU, relativos ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002. No entender da contribuinte, tais rendimentos gozariam de isenção. De plano, esclareça-se que a autuação versa sobre rendimentos recebidos de Organismo Internacional, portanto se trata de fonte no exterior, situação esta que enseja tributação específica, diversa do tratamento conferido pela legislação aos rendimentos recebidos de fonte no País. Nesse passo, a tributação dos rendimentos das pessoas físicas, sujeitos ao pagamento de Imposto de Renda à guisa de antecipação durante o ano- calendário, sem prejuízo do ajuste anual, encontra-se dividida em dois grandes grupos (arts. 7° e 8° da Lei nO.7.713, de 1988): a) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, cuja tributação antecipada é levada a cabo mediante retenção pela fonte pagadora, sem prejuízo do ajuste anual por parte do beneficiário; ~. 12 MINIS-r'ÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 b) rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior, cuja tributação antecipada é levada a cabo mediante pagamento do carnê-Ieão pelo próprio beneficiário, também sem prejuízo do ajuste anual. No caso em tela, a autuação em momento algum se refere a "rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício", como alega a contribuinte, mas sim a "rendimentos recebidos de fontes no exterior", portanto enquadrados na sistemática do item "b", acima. A contribuinte critica o acórdão de primeira instância, por não haver adotado jurisprudência do Conselho de Contribuintes aplicada a outras pessoas físicas, o que a seu ver estaria ferindo o princípio da isonomia. Em face de tal alegação, convém esclarecer que os julgados dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não possuem efeito vinculante. Ademais, dita jurisprudência não mais prestigia a tese da contribuinte, conforme será analisado no decorrer do presente voto. Tratando~se especificamente da isenção invocada, a solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a seleção de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da ultima ratio que norteia a concessão da isenção em foco. O artigo 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, reproduzido no artigo 22 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto nO.3.000, de 1999, assim determina: "Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; ~ . J 13 MINIST~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104~22.096 11 - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; 111 - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens 11e 111deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país." (grifei) Quanto aos incisos le 111, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso 11, este menciona genericamente os "servidores de organismos internacionais", nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em foco faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso 11 são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tribl1tasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que Ó inciso 11, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Fica assim demonstrado que o art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, acima transcrito, não contempla a situação da contribuinte - brasileira residente no Brasil -, conforme endereço por ela mesma fornecido no recurso (fls. 90). Ainda que o dispositivo legal ora analisado pudesse ser aplicado a um nacional residente no País - o que se admite apenas para argumentar - ele é claro ao remeter a isenção concedida a servidores de organismos internacionais ao respectivo f 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 tratado ou convênio. E nem poderia ser diferente, já que, conforme o art. 98 do Código Tributário Nacional, "os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha", portanto as Convenções que regulam a matéri~ poderiam efetivamente dispor de modo diverso da legislação pátria. Nesse passo, torna-se imprescindível o exame das avenças que regulam a matéria, a começar pelo "Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica", promulgado pelo Decreto nO.59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: "ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas'; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'." No caso em apreço, tratando-se de rendimentos pagos pela Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO, que constitui uma Agência Especializada da Organização das Nações Unidas - ONU, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades, conforme comando do artigo V.1.b, acima, devem seguir os 15 MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 ditames da "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas". Esta, por sua vez, foi promulgada pelo Decreto nO.52.288, de 24/07/1963, e assim prevê: "ARTIGO 1° Definições e Extensão 1a Seção Nesta Convenção (...) 11 - As palavras 'agências especializadas' significam: (...) c) a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; (...) ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18a Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-Ias aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados. 19a Seção Os funcionários das agências especializadas: a) Serão imunes a processo legal quanto às palavras falada ou escritas e a todos os atos por eles executados na sua qualidade oficial; f 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas; c) serão imunes, assim como seus cônjuges e parentes dependentes, restrições de imigração e de registro de estrangeiros; d) terão quanto às facilidades de câmbio, privilégios idênticos aos concedidos aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; e) terão, bem como seus cônjuges e parentes dependentes, em época de crises internacionais, facilidades de repatriação idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; f) terão direito de importar, com isenção de direitos, seus móveis e objetos, quando assumirem pela primeira vez o seu posto no país em apreço." (grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários das Agências Especializadas da ONU e encontra- se no bojo de diversas outras vantagens, a saber~ facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de categoria comparável de missões diplomáticas; facilidades de repatriação idênticas às dos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticos, em tempo de crise internacional; e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção em tela utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriação e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. r 17 MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 1Sa Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo So. Comunicá-Ias aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados." I assim ti A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de benefícios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU - e que no inciso 11, do art. 5°, da Lei nO.4.506, de 1964, é chamado de servidor - é o funcionário internacional, integrante dos quadros da Agência Especializada da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. No que tange à isenção de impostos, especificamente, recorde-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU estatui: 18 M'INISTÊRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS (...) 19a Seção Os funcionários das agências especializadas: (...) b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas;" (grifei) Nesse passo, observa-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, firmada em Londres em 13/02/1946 e promulgada pelo Decreto nO. 27.784, de 16/02/1950, é orientada pelas mesmas diretrizes, a saber: a isenção de impostos encontra-se inserida em um conjunto de benefícios e privilégios reservados apenas às categorias de funcionários determinadas pelo Secretário Geral, aprovadas em Assembléia Geral e cujos nomes dos respectivos integrantes serão comunicados aos Governos dos Membros. Confira-se: "ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: r-. 19 MfNISTÊRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo' de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos." (grifei) Assim, conclui-se que o artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, bem como o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, embora não abordem expressamente a questão da residência, harmonizam-se perfeitamente com o inciso 11, do art. 5°, da Lei nO.4.506, de 1964 (transcrito no início deste voto), já que ambas as Convenções inserem a isenção do imposto de renda em um conjunto de vantagens que somente se compatibiliza com beneficiários não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses três comandos legais (o dispositivo da Lei nO.4.506, de 1964, e os artigos das duas Convenções), conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles f 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriação e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários integram categorias de staff dentro do Organismo Internacional, que tem a sua sede no exterior, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Nesse mesmo sentido registraram G. E. do Nascimento e Silva e Hildebrando Accioly,no seu Manual de Direito Internacional Público (15a Edição, São Paulo: Saraiva, 2002, pp.216/217): "O Secretariado é (...) o órgão administrativo, por excelência, da Organização das Nações Unidas. Tem uma sede permanente, que se acha estabelecida em Nova Iorque. Compreende um Secretário-Geral, que o dirige e é auxiliado por pessoal numeroso, o qual deve ser escolhido dentro do mais amplo critério geográfico possível. O Secretário-Geral é eleito pela Assembléia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. O pessoal do Secretariado é nomeado pelo Secretário-Geral, de acordo com regras estabelecidas pela Assembléia. Como funcionários internacionais, o Secretário-Geral e os demais componentes do Secretariado são responsáveis somente perante a Organização e gozam de certas imunidades." (grifei) E ainda Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (11 a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário- geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades." (grifei) Quanto aos técnicos brasileiros, re~identes no Brasil e aqui recrutados, não. há qualquer fundamento legal, filosófico ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas f1 • • • 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 vantagens relacionadas no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU (ou no artigo V da Convenção da ONU), muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este - e somente este - a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação - à margem da legislação - de uma categoria de funcionários das Agências Especializadas da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber, os "técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda", o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: "ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas; c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; l' 22 MiNISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária; f) no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização." Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta - e nem poderia constar - da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Quanto à Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, a restrição é ainda maior, concedendo-se aos peritos apenas o privilégio do laissez-passer, específico para as situações de trânsito: "ARTIGO 8° Laissez-Passer (...) 2Sa Seção Os pedidos de visto, nos casos em que são necessários, de funcionários das agências especializadas que possuam Laissez-Passer das Nações, Unidas, quando acompanhados de um certificado de que viajam a negócio de uma agência especializada, serão despachados com a possível rapidez. Outrossim, a essas pessoas se concederão facilidades para viagem rápida. f- 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 298 Seção Facilidades semelhantes às especificadas na 288 Seção serão concedidas aos peritos e a outras pessoas que, embora não possuam Laissez-Passer das Nações Unidas, tem um certificado que atesta estarem viajando a negócios de uma agência especializada. 30a Seção Os diretores executivos, os assistentes dos diretores executivos, os diretores de departamentos e outros funcionários de categoria não inferior à de chefe de departamento das agências especializadas, que viajam. com Laissez-Passer das Nações Unidas a negócios das agências especializadas, terão facilidades de viagem idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas." (grifei) Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU e de suas Agências Especializadas, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é referendada pela melhor doutrina, aqui novamente representada por Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (...) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de f 24 MiNISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 modo permanente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (...) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (...) o funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (...) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (...) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (...) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (...) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário~Geral da" ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. r 25 MINistÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais'; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; f) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado', Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os sub- secretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'." (grifei) No trecho abaixo, ainda recorrendo a Celso D. de Albuquerque Mello, verifica-se a perfeita distinção entre os funcionários internacionais e os técnicos a serviço da ONU e de suas Agências Especializadas, no que tange aos privilégios e imunidades: "Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais'; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções'; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; f) quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos". (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos - funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo - como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostosV- 26 MINIS-rÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000754/2005-19 104-22.096 sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Resta agora determinar a qual dos dois grupos pertenceria a contribuinte, a fim de verificar se ela faria ou não jus à isenção pleiteada, desta feita sob o ângulo das Convenções Internacionais. A resposta está evidente no Contratp de Serviço juntado aos autos às fls. 34 a 39, cujas cláusulas são claras no sentido de que a contribuinte é técnica a serviço da Agência, com vínculo contratual, e não funcionária estatutária, integrante de categoria que goze de privilégios e imunidades, a saber: "I. TERMOS DE REFERÊNCIA (a) O(A) Contratado(a) exercerá suas atividades no Projeto 914BRA59 DST - AIDS PRODOC - Fase li e tem os Termos de Referência anexados a este Contrato, sujeitando-se ao cumprimento das disposições inseridas no Anexo que, independentemente de transcrição, constitui parte integrante e indissociável deste Contrato, aditando, retificando ou ratificando o que aqui está disposto; (...) 11. VIGÊNCIA DO CONTRATO O presente Contrato entra em vigor na data de 02/01/2002 e terminará na data de 31/12/2002, sujeitando-se às condições do Artigo VII abaixo. Em hipótese nenhuma, este Contrato poderá ser considerado como automaticamente renovável. 111. REMUNERAÇÃO (...) A UNESCO não assegura ao Contratado cobertura de seguro de saúde nem aposentadoria nem para seus familiares, durante a vigência deste contrato. ~ 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 O Contratado deverá estabelecer por conta própria estes seguros e a aposentadoria. V. ESTATUTO DO(A) CONTRATADO(A) Este estatuto é contratual. OCA)Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade. (...) VI. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO(A) CONTRATADO(A) Os direitos e obrigações do(a) Contratado(a) estão estritamente limitados aos dispositivos e às condições do presente Contrato. Assim, o(a) Contratado(a) não poderá se prevalecer de nenhum benefício, pagamento, subsídio, indenização ou pensão pôr parte da UNESCO, exceção feita aos pagamentos expressamente previstos neste Contrato. OCA)Contratado(a) não poderá se prevalecer do presente Contrato para fins de isenção de impostos que poderão incidir sobre pagamentos recebidos a título do mesmo." (grifei) Destarte, fica demonstrado que a contribuinte não é funcionária internacional pertencente ao quadro estatutário da UNESCO, tampouco está submetida à Convenção que rege os privilégios e imunidades, portanto obviamente não tem direito à isenção pleiteada, estando os rendimentos por ela recebidos daquele Organismo Internacional efetivamente sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Quanto às orientações emanadas da Secretaria da Receita Federal, trazidas à colação pela defesa, o acórdão recorrido bem ressalvou que não são aplicáveis à contribuinte, já que esta não é funcionária estatutária de Organismo Internacional, mas sim técnica a serviço com vínculo contratual.. De toda a sorte, torna-se inócua a discussão acerca de tais orientações, uma vez que os atos citados já foram há muito superados. Com efeito, à época de ocorrência do fato gerador, conforme bem esclarece o acórdão de primeira instância, a orientação fornecida pela Instrução Normativa SRF nO.73, de 1998, r 28 '" 'I , MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 reiterada em sua essência na Instrução Normativa SRF nO.208, de 2002, que a sucedeu, era bem clara, a saber: "Art. 22. Os rendimentos percebidos de organismos internacionais situados no Brasil ou no exterior, por residentes no Brasil, estão sujeitos à tributação na forma do recolhimento mensal obrigatório (carnê-Ieão) e na Declaração de Ajuste Anual. S 1° Estão isentos os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas.- ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - ALADI, situadas no Brasil, por funcionários aqui residentes, desde que seus nomes sejam relacionados e informados à Secretaria da Receita Federal por tais organismos, como integrantes das categorias por elas especificadas. S 2° A informação de que trata o S 1° será prestada conforme o modelo constante do Anexo IV e deverá conter o nome do organismo internacional, a relação dos funcionários abrangidos pela isenção e respectivos CPF. S 3° A informação de que trata este artigo deverá ser enviada até o último dia útil do mês de fevereiro do ano-calendário subseqüente ao do pagamento dos rendimentos à Divisão de Declarantes Domiciliados no Exterior - DIDEX, da Superintendência Regional da Receita Federal da 1a Região Fiscal." Ressalte-se que, no caso em apreço, sendo contratual o vínculo da contribuinte com a UNESCO, e encontrando-se ela fora do alcance da Convenção que rege os privilégios e imunidades - como consta claramente do citado Contrato de Serviço - obviamente que o seu nome jamais poderia figurar de eventual lista de categorias contempladas pela isenção, já que tais categorias são providas por funcionários estatutários, como estabelece a legislação de regência e reitera a melhor doutrina. A mesma orientação vem sendo exarada pelo menos desde o ano 2000, por meio da publicação "Perguntas e Respostas", cujo texto da edição de 2000, ano-calendário p1 29 MINISl"ERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 de 1999 (praticamente idêntico à do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, constante do acórdão recorrido), a seguir se transcreve: "132. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, da ONU? Os rendimentos do funcionário do PNUD, da ONU, têm o seguinte tratamento: 1- funcionário estrangeiro Sobre os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, bem como os produzidos no exterior, não incide o imposto de renda brasileiro. É contribuinte do imposto de renda brasileiro, na condição de não-residente no Brasil, quanto aos rendimentos que tenham sido produzidos no País, tais como remuneração por serviços aqui prestados e por aplicação de capital em imóveis no País, pagos ou creditados por qualquer pessoa físicaelou jurídica, quer sejam estas residentes no Brasil ou não; se residentes, estão sujeitos à tributação exclusiva à alíquota de 15% ou 25%, conforme o caso. Se receber de fonte brasileira rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracteriza-se a condição de residente. 2 - funcionário brasileiro pertencente ao quadro do PNUD Os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, não se sujeitam ao imposto de renda brasileiro, desde que o nome do funcionário conste da relação entregue à SRF na forma do anexo IV da IN SRF nO.73/98. Quaisquer outros rendimentos percebidos, quer sejam pagos ou creditados por fontes nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior, sujeitam-se à tributação. 3 - Pessoa física não pertencente ao quadro efetivo Os rendimentos de técnico que presta serviço a esses organismos, sem vínculo empregatício, são tributados consoante disponha a legislação brasileira, quer seja residente no Brasil ou não. Atenção:~ 1 30 MINlsr'ÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 (...) Para que os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - Aladi, situadas no Brasil, recebidos por funcionários aqui residentes, sejam considerados isentos, é necessário que seus nomes sejam relacionados e informados à SRF por tais organismos, como integrantes de suas categorias por elas especificadas. (...) 133. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da ONU? Os rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas estão sujeitos ao mesmo tratamento tributário determinado para os servidores do PNUD . São Agências Especializadas da ONU: (...) - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura - Unesco - Decreto nO.63.151, de 1968 (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - Unesco." No que tange à jurisprudência Uudicial e administrativa) argüida pela contribuinte, esta também já se encontra superada, em face das mais recentes decisões proferidas, citando-se como exemplo as seguintes ementas: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - AÇÃO ORDINÁRIA - IRPF - VERBAS PAGAS A CONSULTOR (TÉCNICO) DO PNUD/ONU (PRESTAÇÃO DE SERViÇOS) - CARÁTER TRIBUTÁVEL - ISENÇÃO (CONVENÇÃO DE VIENA): INAPLlCABILlDADE - APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1 - CTN (art. 108, ~2°; e art. 111,1 e 11):não se dispensa tributo ao sabor de equidade; e legislação que disponha sobre isenção reclama interpretação literal. r- 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 2 - Ainda que oriunda de atividade de relevância social manifesta, é tributável, à míngua de lei expressa noutro sentido, a remuneração paga em face da prestação de serviço de consultoria (técnico a serviço), decorrente de acordo de cooperação técnica entre a ONU/PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o governo brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Cooperação. 3 - Não se estende - consoante confessa o próprio PNUD - aos consultores a isenção tributária prevista na Convenção de Viena, destinada aos 'funcionários' (em sentido restrito) do corpo diplomático. 4 - O Decreto nO.27.784/50 estipula dúplex tratamento tributário àqueles que prestem serviços a organismo internacional ou em projeto de cooperação técnica, conforme sejam 'funcionários' (no amplo sentido) ou, noutro caso, simples 'peritos' (consultores), não sendo aos segundos (situação da autora) assegurada isenção qualquer de renda. 5 - Inaplicável o Decreto 52.288/63 (restrito à Agência Internacional de Energia Atômica e às Agências Especializadas que enumera, não se incluindo o PNUD). 6 - Apelação não provida. 7 - Peças liberadas pelo Relator, em 05/06/2006, para publicação do acórdão." (Acórdão 2002.34.00.027370-4/DF, 78 Turma do TRF da 18 Região, DJ de 16/06/2006, p. 46) "IRPF - PNUD - ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Recurso especial provido" (Acórdão CSRF/04-00.060, de 21/06/2005, da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) Uma vez demonstrado que os rendimentos em questão não são isentos de Imposto de Renda, resta perquirir sobre a responsabilidade pelo pagamento do tributo. No ~ I 32 .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 entender da contribuinte, dita responsabilidade s.eria da UNESCO, tese esta que não encontra amparo legal, conforme será demonstrado a seguir. Como já ficou assentado no presente voto, trata-se de rendimentos recebidos do exterior, cuja sistemática de tributação, no que tange ao pagamento antecipado do Imposto de Renda, difere da sistemática que rege os rendimentos do trabalho auferidos de fontes situadas no País. Com efeito, o Regulamento do Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto nO.3.000, de 1999, como base no art. 8° da Lei nO.7.713, de 1988, assim estabelece: "Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nO.7.713, de 1988, art. 8°, e Lei nO.9.430, de 1996, art. 24, ~ 2°, inciso IV): (...) 111 - os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; (...) Art. 109. Os rendimentos sujeitos à incidência mensal devem integrar a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o imposto pago será compensado com o apurado nessa declaração (Lei nO.9.250, de 1995, arts. 8°, inciso I, e 12, inciso IV). " Assim, na situação em apreço, a contribuinte estava obrigada a efetuar o recolhimento mensal denominado de "carnê-Ieão", sem prejuízo da tributação dos rendimentos por ocasião do ajuste anual. Claro está que a responsabilidade da contribuinte pelo pagamento do Imposto de Renda, inclusive no que tange ao recolhimento mensal, tem ligação direta com aI 33 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 imunidade tributária de que gozam os Organismos Internacionais, muito bem abordada no acórdão de primeira instância e reiterada no presente voto. Corroborando esse entendimento, convém trazer à colação o Parecer nO.8, de 24/06/2005, exarado pela Advocacia Geral da União - AGU e aprovado pelo Sr. Presidente da República (DOU de 23/08/2005), a respeito de contribuições previdenciárias supostamente devidas por Organismos Internacionais. Na oportunidade, a AGU rechaçou por completo qualquer pretensão no sentido de exigir-se destes Organismos o cumprimento de obrigações tributárias ou previdenciárias. O citado ato, dentre outros fundamentos, cita as conclusões de parecer do Ministério das Relações Exteriores, elaborado a pedido do PNUD. A seguir serão transcritos trechos do Parecer da AGU, deveras elucidativos, já que externam o entendimento daquele órgão acerca da imunidade tributária dos Organismos Internacionais e das obrigações que recaem sobre os técnicos brasileiros a serviço destas entidades: "1. O Ministério das Relações Exteriores - MRE solicitou a esta Advocacia- Geral da União a análise da obrigação imposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS à Agência Brasileira de Cooperação/MRE e outros órgãos públicos federais referente à prestação mensal de informações sobre os valores pagos aos consultores técnicos contratados por organismos internacionais no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional, bem como das eventuais repercussões desses pagamentos em relação ao recolhimento de contribuições previdenciárias por parte dos mesmos, com o objetivo de conferir ao assunto tratamento uniforme em todo o Governo Federal. (...) 4. O Ministério das Relações Exteriores ainda encaminhou a esta Advocacia-Geral da União parecer jurídico encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, programa da Organização das Nações Unidas - ONU responsável por parte das contratações de consultores destinados ao desempenho de atividades técnicas no âmbito dos acordos de cooperação internacional em análise. As conclusões do citado parecer são as seguintes: (...)t'. 34 M'INISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 Se o pagamento for efetuado pelo PNUD, à semelhança do que ocorre com a SRF, quem é obrigado a recolher o tributo, por conta própria, é o consultor técnico, porque além de não ser exigível de outrem o cumprimento da obrigação tributária (nem do PNUD, nem do órgão público), desconhecemos qualquer tipo de exoneração (imunidade, isenção, alíquota zero, etc.) que o exima de contribuir. Nessa medida o consultor técnico, na qualidade de contribuinte individual, só estará protegido pelos benefícios do RGPS se devidamente inscrito e se recolher, por conta própria, a' contribuição social incidente nos pagamentos recebidos de organismo oficial internacional. (...) A fim de fazer com que o Consultor Técnico recolha os valores por eles devidos, pode ser inserida, ainda, disposição no contrato com o consultor técnico, de forma a deixar claro que este não está isento da contribúição social incidente nos pagamentos efetuados por organismos oficiais internacionais e que deve, portanto, inscrever-se no RGPS e contribuir para fazer jus aos benefícios da previdência. Suas contribuições devem ser recolhidas por conta própria, na esteira do que já vem adotando a SRF no que tange ao Imposto de Renda da pessoa física, bem como o que adota o próprio INSS, no caso de serviços prestados a missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeiras. (...) 7. Analisados todos esses argumentos, passo a me manifestar acerca do tema. (...) 24. Destarte, nota-se que a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, ao contrário das missões diplomáticas e repartições consulares de carreira estrangeiras, gozam, além de imunidade de execução absoluta, de imunidade de jurisdição. E a sua imunidade tributária também é sensivelmente mais ampla, pois não abrange apenas seus bens imóveis, suas importações, os valores referentes aos serviços oficiais que executam e os rendimentos de seus agentes, incluindo ainda o próprio ente, seus ativos, rendas e outros bens, à exceção das taxas cobradas em razão da prestação de serviços públicos. Registre-se ainda que não há qualquer ~ 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 ressalva à sua imunidade tributária em relação à Previdência Social do país que as recebem. 25. Logo, quando a Lei nO.8.212/91 (art. 15, par. ún.) equiparou, para fins previdenciários, as missões diplomáticas e repartições consulares de carreira estrangeiras a empresas, e não o fez em relação aos organismos internacionais, não foi por acaso, mas em respeito à diferença de privilégios e imunidades que as normas de Direito Internacional Público, às quais o Brasil aderiu, reservam a esses sujeitos. Enquanto as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e Consulares expressamente prevêem que as missões e repartições que empregam nacionais do país acreditado, pessoas que nele possuam residência permanente ou que, em qualquer caso, não estejam cobertas por regime previdenciário diverso, devem contribuir para a Previdência Social deste país, responsabilizando-se pela çota patronal que a legislação local estabeleça, as Convenções sobre Privilégios e Imunidades dos organismos internacionais analisados conferem aos mesmos imunidade tributária ampla nessa seara, sem qualquer exceção quanto aos tributos previdenciários eventualmente existentes. 26. E não se diga que as Convenções sobre Privilégios e Imunidades dos organismos internacionais citados restringem sua imunidade tributária aos impostos propriamente ditos, e que as contribuições sociais, por serem espécie de tributo diversa, não estariam então cobertas. Uma análise dos textos das convenções, incluindo os seus originais em língua estrangeira, demonstra que as mesmas não tiveram essa preocupação técnica, até mesmo porque cada Estado membro possui definições sobre espécies de tributos distintas, e não seria possível compatibilizar toda essa diversidade em um único texto normativo com um mínimo de sistematicidade. ( ...) 27. Há que se esclarecer que, como 'o financiamento das organizações internacionais é realizado por meio de contribuições dos Estados-membros para os pagamentos das despesas da organização', 'a responsabilidade internacional das organizações possui um aspecto particular que é o de a responsabilidade repercutir nos seus Estados membros. Assim sendo, se uma organização for obrigada a pagar uma indenização, este pagamento será feito por contribuições dos Estados membros, uma vez que ela não tem independência financeira' (MELLO, Celso D. de Albuquerque. Op. cit., pp. 580 e 586). Mutatis mutandis, esse raciocínio se aplica também aos tributos devidos por essas organizações, o que justifica o tratamento distinto e extremamente favorável que as t 36 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 mesmas recebem em relação a sua imunidade tributária no Direito Internacional. 28. Vale ainda a menção ao que prevê o Código Tributário Nacional acerca das normas internacionais tributárias: Código Tributário Nacional Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 29. Ou seja, em matéria de Direito Tributário, o Direito positivo brasileiro resolveu dar primazia aos tratados e convenções internacionais em face das normas internas, que são revogadas ou modificadas pelo Direito Internacional, mas não têm o condão de tornar inaplicáveis as normas internacionais, ainda que lhes sejam posteriores, salvo, por óbvio, se o ato internacional tiver sido regularmente denunciado. 30. Por tudo que se expôs, é de se concluir que não pode subsistir o Parecer CJ/NQ 3.050/2003, editado pelo Ministério da Previdência Social, que concluiu que os organismos internacionais, no caso de contratação de consultores no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional com a Administração Federal, equiparam-se a empresas e devem recolher a contribuição previdenciária a cargo destas. Ocorre que o citado Parecer fez uma analogia entre a situação dos Estados estrangeiros e a dos organismos internacionais não autorizada pela Lei nO.8.212/91 (art. 15, par. ún.) e nem pelas normas de Direito Internacional aplicáveis à espécie, conforme fartamente demonstrado acima. 31. Inclusive os precedentes jurisprudenciais que fundamentam o citado Parecer do Ministério da Previdência Social, do Supremo Tribunal Federal, tratam apenas de questões que envolvem Estados estrangeiros, e não organismos internacionais. E a constatação de que as normas internacionais sobre privilégios e imunidades aplicáveis às missões e repartições de Estados estrangeiros são diversas das que se dirigem aos organismos internacionais, até mesmo porque aquelas não possuem sequer personalidade jurídica própria, pois integram o Estado acreditante, sendo este o verdadeiro sujeito de Direito Internacional, o qual não se beneficia de nenhuma norma internacional positivada que lhe confira imunidade de jurisdição, confere a certeza de qúe os organismos internacionais seriam tratados de forma distinta pelo STF, pois estes possuem formalmente essa imunidade. f- 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 32. Nesse sentido, a imunidade de jurisdição interna dos organismos internacionais prevista nas Convenções citadas tornaria inviável qualquer intenção do Governo brasileiro de, unilateralmente, atribuir- lhes responsabilidade tributária passiva quanto à Previdência Social do Brasil através de uma interpretação diversa dessas normas, pois isso demandaria, em última análise, a provocação da Corte Internacional de Justiça (...) 37. Como os organismos internacionais contratantes não se equiparam a empresas, a norma acima não se aplica aos mesmos; e como os pagamentos da remuneração dos consultores contratados são feitos diretamente pelo organismo internacional, não há como o órgão ou ente público fazer a retenção da contribuição a cargo do contribuinte individual para repassá-Ia à Previdência Social. Essa retenção também não pode ser feita considerando os valores que a União ou suas entidades devem repassar aos organismos internacionais a título de financiamento total ou parcial do acordo de cooperação internacional, não sendo possível qualquer analogia com a situação das empresas prestadoras de serviço, por ausência de norma legal expressa que determine essa responsabilidade para o caso em apreço, nos termos do artigo 128 do CTN. (...) 51. Diante de tudo o que se expôs, pode-se concluir que: - nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos organismos internacionais, nos termos do Decreto nO. 5.151/2004, no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional firmados com a Administração Pública Federal, a obrigação do organismo internacional se limita a exigir do futuro contratado, no momento de sua contratação, a comprovação de sua inscrição na Previdência Social, devendo o contratado, contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social, recolher espontaneamente suas contribuições, cabendo ainda ao órgão ou ente federal informar à Previdência, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, os valores pagos a esses consultores no exercício anterior;" (grifei) A contribuinte traz ainda à colação o Termo de Conciliação exarado nos autos do Processo nO.1.044, de 2001, que tramitou na 153 Vara do Trabalho de Brasília/DF (fls. 68 a 72). Embora ela própria reconheça que dito termo não obriga o Organismo Internacional a recolher o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos, argumenta que a ação "demonstra, pelo menos, que há uma situação não amparada por lei 38 . "MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000754/2005-19 104-22.096 na contratação de seus profissionais, que laboram em absoluto estado de subordinação e com vínculo empregatício e institucional, razão de reconhecer-se descabida a autuação da contribuinte, ora Recorrente" (fls. 110). Ora, se alguma ilegalidade existe na contratação de profissionais pelos Organismos Internacionais, como assevera a contribuinte, as eventuais repercussões seriam no máximo de natureza trabalhista/previdenciária, sem qualquer ligação com a incidência do Imposto de Renda, portanto não se vislumbra a utilidade de tal argumento no caso ora analisado. Ainda assim, interessante notar que o Parecer nO. 8, de 24/06/2005, exarado pela Advocacia Geral da União - AGU e aprovado pelo Sr. Presidente da República (DOU de 23/08/2005), transcrito linhas atrás, aborda o citado Termo de Conciliação, demonstrando total sintonia com o entendimento esposado no presente voto. Confira-se: "48. Por fim, vale a lembrança de que o Ministério Público do Trabalho ajuizou contra a União a Reclamatória nO. 1.044/2001, que tramitou na 15a Vara do Trabalho de Brasília/DF, e na qual se celebrou termo de conciliação com as seguintes cláusulas: Cláusula Primeira - Serão contratados ou nomeados pela União Federal os profissionais requeridos para execução de projetos de cooperação técnica internacional em funções nas quais seja ínsita a presença da subordinação jurídica para o seu desempenho. Parágrafo Primeiro - Nos projetos de cooperação técnica internacional, implementados através de acordos internacionais, os quais ostentem funções de caráter de permanência para a sua execução, a contratação ou nomeação será por tempo indeterminado, devendo o cargo ou o emprego público ser provido por certame público, a teor do art. 37, 11, da Constituição. Parágrafo Segundo - Nos projetos em que seja requerido pessoa para exercer funções temporárias, será admitida contratação temporária disciplinada pela Lei 8.745/93, comprometendo-se a União Federal a promover a alteração legislativa necessária para viabilizar juridicamente tais contratações. Parágrafo Terceiro - Fica facultada a alocação de servidores ou empregados públicos na execução dos projetos temporários a título de contrapartida nacional. f' 39 MINistÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 Cláusula Segunda - As funções meramente auxiliares, tais como de conservação, limpeza, segurança, vigilância, transportes, informática, copeiragem, recepção, reprografia, telecomunicações e manutenção de prédios, equipamentos e instalações, consoante Decreto nO. 2.271, de 7/7/1997 e outras que não estejam vinculadas diretamente com as finalidades das ações de cooperação internacional poderão ser terceirizadas, mediante a contratação de empresas de prestação de serviços idôneas, sendo terminantemente vedada a contratação de cooperativas de mão-de-obra para atividades que demandem a prestação de trabalho subordinado. Cláusula Terceira - A cláusula primeira não se aplica para a contratação de profissionais que atuem prestando consultoria técnica nos projetos de cooperação internacional, assim definidos como os profissionais de nível superior, titulados através de cursos de pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado) em matérias ligadas aos projetos nos quais sejam consultores e desde que laborem sem nenhuma característica de subordinação jurídica e em absoluto estado de autonomia e em caráter temporário, hipótese em que restará excluída a presença do vínculo empregatício ou institucional. Parágrafo único - Excepcionalmente será admitida a contratação de consultor técnico que não preencha o requisito de escolaridade mínima definido no caput desta cláusula, desde que o profissional tenha notório e reconhecido conhecimento na área a ser desenvolvida no projeto de cooperação técnica internacional. 49. Esse mesmo termo de conciliação estabeleceu prazos para o cumprimento de suas cláusulas, os quais foram repactuados. E a obrigação de ordem legislativa assumida pela União já foi cumprida, como visto, com as alterações promovidas na Lei nO. 8.745/93, pela Lei nO. 10.667/2003, quando então passou a ser permitida a contratação temporária de pessoal diretamente pela Administração Pública Federal para atuação nos acordos de cooperação técnica internacional nas hipóteses em que haja a subordinação desses profissionais para com o órgão ou entidade federal. 50. Por certo, excepcionalmente, para as contratações solicitadas por órgão .ou ente federal aos organismos internacionais após a edição da Lei nO. 10.667, publicada em 15.05.2003, e que venham a ser efetivadas por estes com supedâneo no Decreto nO. 5.151/2004, ou mesmo no Decreto nO. 3.751/2001, que precedeu aquele, mas nas quais a fiscalização previdenciária demonstre a existência de subordinação entre a pessoa contratada e a Administração Pública Federal, estando caracterizada a relação prevista no artigo 2", VI, " h" da Lei nO.8.745/93, e não aquela r 40 .' '" .MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000754/2005-19 104-22.096 disciplinada pelos referidos Decretos, deve-se considerar incidentes as disposições da Lei nO.8.745/2003, inclusive quanto as suas conseqüências previdenciárias acima expostas, lastreadas na Lei nO.8.647/93. 51. Diante de tudo o que se expôs, pode-se concluir que: - nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos organismos internacionais, nos termos do Decreto nO.5.151/2004, no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional firmados com a Administração Pública Federal, a obrigação do organismo internacional se limita a exigir do futuro contratado, no momento de sua contratação~ a comprovação de sua inscrição na Previdência Social, devendo o contratado, contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social, recolher espontaneamente suas contribuições, cabendo ainda ao órgão ou ente federal informar à Previdência, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, os valores pagos a esses consultores no exercício anterior; - nas contratações de pessoal temporário efetuadas diretamente pela Administração Federal, nos termos da Lei nO. 8.745/93, para atuação, mediante subordinação, nos acordos de cooperação técnica internacional, o contratado filia-se ao Regime Geral de Previdência Social na qualidade de segurado empregado, devendo o órgão ou ente público contratante adimplir com as obrigações previdenciárias que são próprias a essa situação." Finalmente, quanto à multa isolada, relativa ao carnê-Ieão, entendo não ser devida concomitantemente com a multa de ofício, conforme a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MUL TA ISOLADA E MULTA DE OFíCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso 111, do ~ 1°, do art. 44, da Lei nO.9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e 11, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado." (Acórdão CSRF/01-04.987, de 15/06/2004) f- 41 ~ ., MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000754/2005-19 104-22.096 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão (ar. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO. 9.430, de 1996), exigida concomitantemente com a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 06 de dezembro de 2006 _~)~~ .f6ÜJsJ.c\- )V1ARIA HELENA COTTA CARDOtÕ 42 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038 00000039 00000040 00000041 00000042
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732525/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. RESTABELECIMENTO.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Uma vez comprovado o direito à dedução, o valor glosado deve ser restabelecido.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-003.043
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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DEDUTIBILIDADE. RESTABELECIMENTO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Uma vez comprovado o direito à dedução, o valor glosado deve ser restabelecido. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 25 /2 01 3- 12 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 11080.732525/201312 Acórdão n.º 2201003.043 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0950.600 da 6 Turma, que julgou a impugnação procedente em parte determinando o restabelecimento das deduções referentes à previdência privada e à despesa médica. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: O contribuinte acima identificado insurgiuse contra o lançamento do IRPF/2011 (anocalendário 2010), consubstanciado na Notificação de Lançamento de folhas 05 a 12, da qual tomou ciência em 06/11/2013, que apurou crédito tributário total de R$ 11.164,97. Motivaram o lançamento de ofício as seguintes constatações: 1. dedução indevida de previdência privada/Fapi, no valor de R$ 4.206,27, por não ter apresentado comprovante de pagamento da dedução pleiteada com discriminação dos valores pagos por beneficiário; 2. dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 23.011,63, por não ter sido apresentada escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia; 3. dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 1.984,09, relativo à Cabergs , tendo em vista que o extrato apresentado referiase ao anocalendário 2009. Inconformado, o interessado apresentou impugnação em 20/11/2013, onde afirmou que: 1. o valor de R$ 4.206,27 referese a contribuição à previdência privada ou Fapi do contribuinte, não ultrapassando o limite de 12% dos rendimentos tributáveis; 2. o valor de R$ 23.011,63 referese a pensão alimentícia; 3. o valor de R$ 1.984,09 referese a despesas médicas do próprio contribuinte. Para instruir o pleito, anexou os documentos de folhas 04 a 20. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 · Pagou R$ 23.011,63 de pensão alimentícia ao filho Carlos Alexandre Lindemann, nascido em 16/11/1972. · As fontes pagadoras só deduziram os valores por força de determinação judicial. · Alega da incapacidade laboral do filho e afirma que "não se trata de mera liberalidade do interessado." · Anexa exame atestando que o filho é portador de síndrome de Down (não apresentado na impugnação) · Certidão da pensão alimentícia da 2ª Vara da família e Sucessões. · Ofícios às fontes pagadoras determinando a pensão É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 11080.732525/201312 Acórdão n.º 2201003.043 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontrase prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia, por dependente, de: ... Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 A Lei 5.869/73, Código de Processo Civil, por meio do artigo 1.124A, incluído pela Lei nº 11.441, de 2007, possibilita separação e divórcio consensual por meio de escritura pública, nos os casos em que não há filhos menores ou incapazes do casal. Art. 1.124A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.(Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). Também nesses casos, quando a escritura pública especifica o valor da obrigação ou discrimina os deveres em prol do beneficiário, a dedução de pensão alimentícia é admitida, conforme prevê a súmula 98 do CARF. Súmula CARF nº 98:A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 11080.732525/201312 Acórdão n.º 2201003.043 S2C2T1 Fl. 5 7 Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seus artigos 73, 78 e 83: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. ... Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). ... Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74,75,78a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Conforme as normas acima apresentadas, são requisitos para a dedutibilidade: · que o pagamento tenha a natureza de alimentos; · que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e · que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Valores entregues por liberalidade não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. A doutrina admite que o pagamento de pensão alimentícia se dê após a maioridade e até os 24 anos de idade, apenas se comprovado que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência (salvo em condições excepcionais de saúde). Também a legislação fiscal segue esse entendimento, conforme Decreto 3.000/99. Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e5º, parágrafo único(Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): Io cônjuge; IIo companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 11080.732525/201312 Acórdão n.º 2201003.043 S2C2T1 Fl. 6 9 IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IVo menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Vo irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VIos pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VIIo absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2ºOs dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). §3ºOs dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §2º). §4ºNo caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §3º). §5ºÉ vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §4º). A razão da glosa apresentada pelo fisco por ocasoã da Notificação Fiscal foi "Não apresentou "Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia ...", conforme solicitado na Termo de Intimação Fiscal 2011/729535173591275." Entendo que os documentos (exames atestando que o filho é portador de síndrome de Down, certidão da pensão alimentícia da 2ª Vara da família e Sucessões e ofícios às fontes pagadoras determinando a pensão) atestam o direito À dedução da pensão alimentícia aqui discutida. CONCLUSÃO Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 13003.000294/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO NO JULGADO. RECURSO VOLUNTÁRIO TEMPESTIVAMENTE INTERPOSTO.
É omisso o acórdão que deixa de se manifestar acerca de Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Necessário o julgamento da matéria.
MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA.
Necessária a realização de diligência fiscal para esclarecimentos de fatos essenciais ao julgamento do mérito do recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 3201-002.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade, pelo acolhimento dos embargos.
O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35161.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Presidente Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO NO JULGADO. RECURSO VOLUNTÁRIO TEMPESTIVAMENTE INTERPOSTO. É omisso o acórdão que deixa de se manifestar acerca de Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Necessário o julgamento da matéria. MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA. Necessária a realização de diligência fiscal para esclarecimentos de fatos essenciais ao julgamento do mérito do recurso voluntário interposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade, pelo acolhimento dos embargos. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35161. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO NO JULGADO. RECURSO VOLUNTÁRIO TEMPESTIVAMENTE INTERPOSTO. É omisso o acórdão que deixa de se manifestar acerca de Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Necessário o julgamento da matéria. MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA. Necessária a realização de diligência fiscal para esclarecimentos de fatos essenciais ao julgamento do mérito do recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade, pelo acolhimento dos embargos. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35161. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 02 94 /2 00 3- 42 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Relatório Tratase de Embargos de Declaração acolhidos pela presidência dessa Turma, conforme despacho de fls. 566/567. O referido despacho bem relatou a questão: Tratase de apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 3201001.869, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A falta de confirmação dos pagamentos informados em DCTF justifica o lançamento de oficio para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. Cancelase o lançamento de oficio para formular a exigência de imposto não pago, na proporção dos valores cujo recolhimento foi comprovado na impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 MULTAS DECORRENTES DE LANÇAMENTO “EX OFFICIO”. Em se tratando de lançamento de imposto já declarado em DCTF pelo sujeito passivo, descabe a aplicação de multa de lançamento de ofício. A Contribuinte foi cientificada desta decisão em 03/08/2015, tendo apresentado, tempestivamente, os embargos de declaração em 07/08/2015. Tratase o presente processo de Auto de Infração em que se exige o IPI referente ao quarto trimestre de 1998. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção decidiu, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, restando consignado a não apresentação de recurso voluntário por parte do Sujeito Passivo. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13003.000294/200342 Acórdão n.º 3201002.120 S3C2T1 Fl. 577 3 Apresentou o Sujeito Passivo embargos a esta decisão, alegando ter apresentado, tempestivamente, Recurso Voluntário. Em atenção ao alegado, constatase restar anexado aos autos (fls. 264) Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, não tendo o Colegiado apreciado suas razões. Constatase, desta forma, a existência de inexatidão material no acórdão embargado, devida a lapso manifesto, fazendose necessária a admissibilidade dos embargos para enfrentamento da lide, não cerceando o direito de defesa do Sujeito Passivo. Desta forma, em atenção ao disposto no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, entendo que devem ser acolhidos os embargos interpostos pela contribuinte, com o retorno do processo à pauta de julgamento, para apreciação pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Embargos de Declaração Conforme mencionado no relatório supra, cumpre verificar omissão constante do acórdão embargado, proferido em sede de Recurso de Ofício, acerca de Recurso Voluntário apresentado pelo Embargante. Restou consignado no r. acórdão, à fl. 484: Tratase de recurso de ofício interposto pelo presidente da 1ª Turma da DRJ/STM, que proferiu o Acórdão 188.453, de 07/12/2007, dando parcial provimento à impugnação da CERVEJARIA KAISER BRASIL S/A. Esta, por sua vez, não interpôs recurso voluntário. (sem destaque no original) Ocorre que, como se verifica dos autos, houve, efetivamente, a interposição de Recurso Voluntário pela Embargante (Cervejaria Kaiser Brasil S/A), juntado às fls. 264/280 (eprocesso). Logo, resta evidente a omissão incorrida pelo acórdão embargado, que deixou de se manifestar acerca do Recurso Voluntário apresentado pela Embargante. Desse modo, VOTO por ACOLHER e DAR PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, com efeitos integrativos, para sanar a omissão apontada e proceder ao julgamento do Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte. Passase ao exame do Recurso Voluntário. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 4 Recurso Voluntário Relatório de Recurso Voluntário O feito foi assim relatado por essa mesma Turma quando do julgamento do Recurso de Ofício: Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração de nº 0004621, folhas 27 e 28, para exigência de imposto, juros de mora e multa de lançamento de oficio, pela falta de recolhimento de débitos confessados, por infrações apuradas a partir de procedimentos de verificação dos dados da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 4º trimestre(s) de 1998, totalizando R$ 6.442.944,22, com base nos seguintes dispositivos legais: Do principal: art 1º (com alteração introduzida pelo art. 1º do DecretoLei nº 34, de 1966); 2º, inc. II; 5º (com a alteração introduzida pelo art. 1º do decretoLei nº 1.133; de 1970); 34; 35 (com a alteração introduzida pelo art. 31 da Lei nº 9.430, de 1996) e 36 a 39 da Lei nº 4.502, de 1964; art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979; art. 8º, § 1º; art. 4º, alínea "a", da Lei nº 7.798, de 1989; arts. 1º e 2º da Lei nº 8.850, de 1994; art. 1º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 4º do DecretoLei nº 1.199, de 1971, combinado com o Decreto n2 2.092, de 1996, com a alteração do art. 1º do Decreto nº 2.386, de 1997; arts. 1º e 3º do Decreto nº 2.501, de 1998; art. 56 e parágrafo único, do Decreto nº 2.637, de 1998; arts. 3º da Lei nº 9.493, de 1997; arts. 38 e 39, §§ 3º e 4º; art. 40 e parágrafo único, e; 43 da Lei nº 9.532, de 1997; Dos juros: art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN; art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996; Dos acréscimos legais: arts. 160 do CTN; 1º da Lei nº 9.249, de1995; arts. 43 e 61 e §§ 1 2 e 22, da Lei nº 9.430, de 1996. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), o contribuinte não teria recolhido o(s) débito(s) de IPI nº 8793945, 8793944, 8793949. Intimado da exigência em 17/07/2003 (cópia do AR na folha 81), o interessado apresentou a impugnação da(s) folha(s) 1 a 7, subscrita por representante legal devidamente habilitado nos autos (instrumento de Fl. 579DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13003.000294/200342 Acórdão n.º 3201002.120 S3C2T1 Fl. 578 5 mandato nas fo1ha 08 a 24), instruída com o(s) documento(s) da(s) folha(s) 35 a 80. Em síntese, argúi que: a) esclarece que se trata de tradicional grupo industrial nacional, detentor de ilibada reputação no mercado, cumpridor de todas as suas obrigações legais e contratuais, notadamente aquelas decorrentes das imposições fiscais tributárias e que, em realidade, a autuação ocorreu apenas por lamentável equivoco por parte da Fiscalização; b) conforme relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF, anexado a presente autuação, foram apurados os seguintes débitos: c) ao analisar a sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais do 4º Trimestre de 1998 (doc. 05), fls. 17, 18 e 21 , constatou: i. que o débito no valor de R$ 952.444,70 foi devidamente recolhido através de guia DARF, conforme comprovante anexo (doc. 06, fl. 72); ii. que os débitos no valor de R$ 958.941,58 e R$ 587.257,70 foram compensados com créditos oriundos do processo administrativo nº 13884.003820/9884; d) a autuação não pode prosperar com relação ao débito indicado no item "i", uma vez que o valor foi devidamente recolhido pela Impugnante, dentro do prazo legal; e) a autuação referente aos débitos descriminados no item "ii" ocorreu em razão de a Impugnante ter efetuado compensação administrativa de débito, nos moldes da Instrução Normativa nº 21/97, com crédito próprio conforme processo administrativo retro citado; f) com relação ao processo nº 13884.003820/9884, o impugnante possuía, em 15/12/1998, saldo credor a compensar em conformidade com a IN nº 21/97, com as alterações introduzidas pela IN nº 73/97, art. 22, inc. I, combinado com o art. 12 e parágrafos, pleiteando a compensação de crédito próprio de Imposto de Renda Pessoa Jurídica conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano base 1997, exercício 1998, no valor de R$ 7.457.920,99 (sete milhões, quatrocentos e Fl. 580DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 6 cinqüenta e sete mil, novecentos e vinte reais e noventa e nove centavos) com débitos de IPI e de PIS de outros estabelecimentos filiais (doc. 07, fl. 73); g) utilizou crédito próprio para efetuar a compensação do processo nº 13884.003820/9884 e informou a origem do crédito, sem que tenha havido, até a data da apresentação da impugnação, qualquer questionamento por parte do Fisco com relação ao valor do crédito e as condições do mesmo; Ante a demonstração da ilegalidade da autuação fiscal e da respectiva exigência, a Impugnante pleiteia a acolhida de sua Impugnação, para o efeito de anular o Auto de Infração nº 004621, datado de 13/06/2003, julgandoo totalmente improcedente e, por via de conseqüência, requer o cancelamento da exigência fiscal contida. A decisão recorrida, consubstanciada no acórdão já mencionado (efls. 473/477), restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A falta de confirmação dos pagamentos informados em DCTF justifica o lançamento de oficio para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. Cancelase o lançamento de oficio para formular a exigência de imposto não pago, na proporção dos valores cujo recolhimento foi comprovado na impugnação. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora. Lançamento Procedente em Parte O recurso de ofício foi interposto em respeito ao art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, tendo em vista que a decisão de 1ª instância exonerou parte do crédito tributário em montante superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Em sede de Recurso Voluntário (fls. 264 e seguintes), a Embargante aduziu que os débitos residuais mantidos pela DRJ foram extintos por compensação, requerendo a extinção integral do crédito tributário. Tempestividade do Recurso Voluntário Inicialmente, cumpre observar que o Recurso Voluntário é próprio e tempestivo. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13003.000294/200342 Acórdão n.º 3201002.120 S3C2T1 Fl. 579 7 A Embargante foi cientificada do acórdão proferido pela DRJ em 25/09/2008, conforme Aviso de Recebimento juntado à fl. 186. O Recurso Voluntário foi protocolado em 28/10/2008 (fl. 264). A tempestividade foi devidamente esclarecida pela Embargante às fls. 500/501: 7. Adicionalmente, é importante ressaltar que a Embargante tomou ciência do Acórdão nº 188.453 em 25.9.2008 (quinta feira), e o prazo para protocolo do Recurso Voluntário teve como termo final o dia 27.10.2008 (segundafeira). Contudo, dia 27.10.2008 foi dia do servidor público, razão pela qual não houve expediente nas repartições públicas federais (doc. nº 5). Assim, o termo final do prazo foi prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, motivo pelo qual o protocolo foi feito tempestivamente, no dia 28.10.2008 (terçafeira). O mencionado "doc. nº 5", juntado às fls. 561/562 corresponde à Portaria nº 855, de 26 de dezembro de 2007, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que, de fato, atesta que no dia 27 de outubro de 2008 foi comemorado o dia do Servidor Público, apontado como "ponto facultativo". Desse modo, uma vez aferida à tempestividade, passo ao exame do Recurso Voluntário apresentado pela Embargante. Exame do Recurso Voluntário Pois bem. Depreendese das manifestações fiscais a seguinte situação: · O Auto de Infração tem por objeto a cobrança de 3 (três) débitos de IPI, declarados pelo contribuinte (fl. 62), quais sejam: PA Valor lançado Situação 2111/1998 R$952.444,70 Pagamento não localizado 0112/1998 R$958.941,58 Crédito não reconhecido. 2112/1998 R$587.257,70 Crédito não reconhecido. · Os débitos nos valores de R$958.941,58 e R$587.257,70 foram objeto de compensação declarada nos autos do Processo 13884.003820/98 84 (fl. 58) · A DRJ, após analisar impugnação e documentos apresentados pela Embargante, concluiu pela extinção do primeiro débito no valor de R$952.444,70 e pela manutenção dos demais (Fls. 180/): Fl. 582DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 8 PA Valor lançado Situação 2111/1998 R$952.444,70 Débito extinto. DARF localizado (fl. 72) 0112/1998 R$958.941,58 Débito mantido. 2112/1998 R$587.257,70 Débito mantido. · A DRJ não acatou a alegação do contribuinte no sentido de que os débitos nos valores de R$958.941,58 e R$587.257,70 teriam sido extintos com o crédito reconhecido no processo 13884.003820/9884. De acordo com a DRJ, o crédito do processo 13884.003820/9884 teria sido utilizado apenas para a compensação de dois outros débitos não coincidentes com aqueles objeto do presente processo 13003.000294/200342 (fl. 180). Essa constatação decorreria do extrato do próprio processo 13884.003820/9884 apresentado à fl. 83, emitido em 06/10/2006 (correspondente à fl. 166 eprocesso): Fl. 583DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13003.000294/200342 Acórdão n.º 3201002.120 S3C2T1 Fl. 580 9 Diante disso, a Embargante, em seu Recurso Voluntário, alega, essencialmente, que a conclusão apresentada pelo DRJ foi equivocada, pelas seguintes razões: · Por meio do Processo 13884.003820/9884 a Embargante pleiteou o reconhecimento de crédito no valor total de R$7.457.929,99 (Pedido de Restituição). Em face desse processo de reconhecimento de crédito, foram apresentados diversos pedidos de compensação. · Considerando que o Processo 13884.003820/9884 foi apresentado no CNPJ do estabelecimento matriz da Embargante (CNPJ 19.900.000/000176), e houve a apresentação de Pedidos de Compensação vinculados tanto ao CNPJ matriz, como a CNPJs de seus estabelecimentos filiais, a RFB houve por bem desmembrar o processo original em diversos outros. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 10 · Desse modo, nos autos do Processo 13884.003820/9884, além do crédito, passaram a ser controladas exclusivamente as compensações relativas ao CNPJ da Matriz (CNPJ 19.900.000/000176), que são exatamente aquelas compensações que a DRJ afirmou serem as únicas vinculadas ao referido processo (extrato de fl. 166, acima). · Diversos outros Processos foram criados para o controle de débitos apurados por estabelecimentos filiais, todos estes vinculados ao crédito pleiteado no Processo 13884.003820/9884. · O presente processo 13003.000294/200342, portanto, controla apenas os Pedidos de Compensação vinculados a estabelecimento filial da Embargante (CNPJ 19.900.000/000508, conforme Auto de Infração de fl. 54), sendo que o crédito utilizado é aquele controlado pelo Processo 13884.003820/9884. · A DRJ, ao indeferir a compensação controlada no presente processo 13003.000294/200342, afirmando inexistir crédito vinculado, utilizouse de extrato relativo ao Processo 13884.003820/9884 emitido em 06.10.2006, sendo que, nesta data, ainda não havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão administrativa proferida no referido processo de crédito (Negado seguimento ao Recurso Especial em 26.09.2007 fl. 446). · Após o trânsito em julgado do Processo 13884.003820/9884, a totalidade do crédito nele reconhecido foi utilizado para a extinção de diversos débitos do contribuinte, inclusive aqueles objeto do presente Processo 13003.000294/200342. Estas compensações não teriam sido consideradas pela DRJ uma vez que esta se baseou em informação / documento anterior ao referido trânsito em julgado. Com efeito, às fls. 450 e seguintes, a Embargante trouxe aos autos telas emitidas pela RFB em 17/12/2007 e que demonstram a situação de diversos débitos compensados com o crédito controlado pelo Processo 13884.003820/9884 em outros processos distintos. Há demonstração de que o crédito objeto do Processo 13884.003820/9884, além de ter sido utilizado para extinguir os débitos do próprio Processo 13884.003820/9884, foi também utilizado para a extinção de débitos controlados nos Processos 13884.003274/200355 (fls. 456 e seguintes) e 13884.003992/200593 (fls. 460 e seguintes). Cumpre ressaltar que, dentre as telas apresentadas, não consta nenhuma relativa ao presente processo 13003.000294/200342. Ou seja, ao contrário do que restou afirmado pela Embargante, pelos documentos juntados aos autos não é possível inferir que, com o encerramento da discussão administrativa do Processo de crédito 13884.003820/9884, teria ocorrido a extinção, por compensação, de diversos débitos da contribuinte, inclusive aqueles controlados pelo presente processo 13003.000294/200342. Além disso, pelas cópias das peças processuais relativas ao Processo de crédito 13884.003820/9884, é possível verificar que não houve o reconhecimento da totalidade do crédito originalmente postulado no montante de R$7.457.929,99. Pelo que se Fl. 585DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13003.000294/200342 Acórdão n.º 3201002.120 S3C2T1 Fl. 581 11 conclui que é possível não ter ocorrido a suficiência de crédito para a extinção também dos débitos controlados pelo presente processo 13003.000294/200342. Lado outro, é certo que a decisão proferida pela DRJ não poderia ter afirmado que não seria cabível a extinção dos débitos com o direito creditório reconhecido nos autos do processo 13884.003820/9884, uma vez que "o extrato do processo, fl. 83, dá conta de que o mesmo está encerrado por compensação SIEF", justificando, ainda, que nenhum dos débitos nele compensados coincide com os ora em julgamento, pelo que "só se pode concluir, remanescem descobertos". A conclusão obtida pela DRJ é fragilizada pela constatação dos seguintes aspectos: (i) o documento utilizado pela DRJ como comprovação da situação de "processo encerrado" relativamente ao processo 13884.003820/9884, qual seja, "o extrato do processo, fl. 83" (fl. 166 eprocesso) é datado de 06/10/2006, ao passo que a decisão final na esfera administrativa, negando seguimento ao Recurso Especial do contribuinte, apenas veio a ser proferida em 26.09.2007 (fl. 446); (ii) não se pode afirmar que apenas os débitos listados no " extrato do processo, fl. 83" (fl. 166 eprocesso) é que teriam sido extintos por compensação com o crédito reconhecido no processo 13884.003820/9884, uma vez que as telas apresentadas pela Embargante às fls. 456 e seguintes demonstram que débitos de diversos outros processos foram extintos com aquele mesmo crédito (Processos 13884.003274/200355 e 13884.003992/200593). Diante do exposto, e visando dar segurança e certeza ao contribuinte acerca da decisão a ser proferida em sede de contencioso administrativo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade preparadora informe: 1. O julgamento do Processo 13884.003820/9884 já se encontra encerrado na esfera administrativa? 2. Caso positivo, qual o valor total do crédito reconhecido nos autos do Processo 13884.003820/9884? 3. Quais são os processos de débito vinculados ao Processo 13884.003820/9884 e seus respectivos débitos? 4. Dentre os débitos listados, quais foram extintos por compensação com o crédito reconhecido nos autos do Processo 13884.003820/9884? 5. Quais débitos remanescem em aberto após a utilização do crédito reconhecido nos autos do Processo 13884.003820/9884? 6. Existe saldo de crédito remanescente no Processo 13884.003820/98 84? Em caso positivo, qual o valor? Fl. 586DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 12 7. Se existente crédito relativo ao Processo 13884.003820/9884, este é suficiente para a extinção dos débitos controlados no presente processo 13003.000294/200342? Que seja dada vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta) dias acerca da manifestação fiscal e, após, sejam os autos remetidos à esta Turma Julgadora para apreciação do mérito do Recurso Voluntário. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 587DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 11070.001954/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/2002
PIS FATURAMENTO. EMPRESA CONSTRUTORA E INCORPORADORA DE IMÓVEIS.
As empresas de construção civil que se dedicam a construção, venda e incorporação de imóveis são consideradas comerciais, em virtude de disposição legal, sendo contribuinte da contribuição para o PIS na modalidade PIS- Faturamento
MULTA DE OFICIO.
Retroatividade Benigna. Cabimento.
A lei que inova o ordenamento jurídico, deixando de penalizar a conduta que se encontra pendente de julgamento deve ser aplicada retroativamente. Inteligência do art. 106, II, a do Código Tributário Nacional.
Recurso Provido em parte.
Numero da decisão: 9303-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a exigência do crédito tributário sem a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/2002 PIS FATURAMENTO. EMPRESA CONSTRUTORA E INCORPORADORA DE IMÓVEIS. As empresas de construção civil que se dedicam a construção, venda e incorporação de imóveis são consideradas comerciais, em virtude de disposição legal, sendo contribuinte da contribuição para o PIS na modalidade PIS Faturamento MULTA DE OFICIO. Retroatividade Benigna. Cabimento. A lei que inova o ordenamento jurídico, deixando de penalizar a conduta que se encontra pendente de julgamento deve ser aplicada retroativamente. Inteligência do art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional. Recurso Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a exigência do crédito tributário sem a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 19 54 /2 00 2- 01 Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 20219.269 (2ª Câmara do 2º CC), o qual, na parte recorrida, tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/2002 PISREPIQUE. CONSTRUÇÃO CIVIL. A Resolução Bacen nº 482/78 estabeleceu critério para distinguir entre prestadoras de serviços e empresas mercantis, assegurando tratamento adequado para as construtoras, tendo em vista a peculiaridade de sua atividade. MULTA DE OFICIO. Não há incidência de multa de oficio sobre débitos regularmente declarados. Art. 52 do DecretoLei nº 2.124/84. Recurso provido em parte. O lançamento fiscal decorre de apuração de recolhimento a menor da contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativa aos períodos de apuração entre 08/1997 e 01/2002, com acréscimo de multa de oficio de 75% e juros moratórios, decorrente da glosa de compensação de PIS com PIS no referido período, declarada em DCTF, em que o sujeito passivo utilizou saldo de créditos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988, em ação judicial transitada em julgado (Ação Declaratória nº 96.14018275). A autoridade fiscal calculou o valor devido do PIS, no período entre 08/88 e 04/96, afastando os DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, e considerando o faturamento do sexto mês anterior, com a atualização da base de cálculo, de acordo, segundo seu entendimento, com o decidido na ação judicial. Apurou, então, pela diferença entre este valor que seria devido e o valor que foi recolhido a maior pelo sujeito passivo no mesmo período, o montante a que teria direito a compensar. A turma julgadora a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário, para (i) reconhecer o direito ao indébito do PIS com base na sistemática do PIS Repique; e (ii) afastar a aplicação da multa sobre o saldo devedor remanescente. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão nº 20219.269, que teria dado à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada por outras turmas julgadoras do Conselho ao apreciarem situação semelhante a do presente processo. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Recorrente colaciona paradigmas que demonstram a divergência arguida em relação às seguintes matérias: (i) aplicação do PIS Faturamento para as empresas incorporadoras e construtoras do ramo da construção civil, julgando suas atividades como comerciais; e (ii) aplicação da multa de oficio Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11070.001954/200201 Acórdão n.º 9303003.518 CSRFT3 Fl. 1.476 3 prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 no caso de diferenças apuradas em compensação indevida e declaração inexata prestada em DCTF pelo contribuinte. A admissibilidade do Recurso Especial foi admitida conforme despacho às fls. 01 e 02. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 1409 a 1430. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pela Recorrida, a divergência jurisprudencial foi muito bem demonstrada, conforme podese verificar do cotejo a seguir. A Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias, que serão abaixo apreciadas: (i) aplicação do PIS Faturamento para as empresas incorporadoras e construtoras do ramo da construção civil; e (ii) aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 no caso de diferenças apuradas em compensação indevida e declaração inexata prestada em DCTF pelo contribuinte. No tocante à sistemática de incidência do PIS, para efeitos de apuração do crédito relativo ao indébito que o sujeito passivo compensou, se Repique ou Faturamento, o no acórdão recorrido consignouse que a Resolução Bacen nº 482/78 estabeleceu critério para distinguir entre prestadoras de serviços e empresas mercantis, assegurando tratamento adequado para as construtoras, tendo em vista a peculiaridade de sua atividade, e que, essas estariam sujeitas ao PISRepique. A seu turno, no acórdão paradigma; 20403.248, examinando matéria, absolutamente, semelhante, decidiuse em sentido, diametralmente, oposto, conforme se pode ver da ementa e de excertos transcritos abaixo: Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EMPRESA CONSTRUTORA E INCORPORADORA DE IMÓVEIS. As empresas de construção civil que se dedicam à construção, venda e incorporação de imóveis são consideradas comerciais, em virtude de disposição legal, sendo contribuinte da contribuição para o PIS na modal idade PIS Faturamento. SEMESTRALIDADE. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis fls. 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória n° 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Ao examinar a questão, a relatora Nayra Bastos Manatta, consignou que: A questão a ser enfrentada nestes autos diz respeito, em apertada síntese, a analise acerca de se as empresas construtoras são contribuintes da contribuição na modalidade de PISRepique ou na modalidade PISFaturamento, e, para a solução da questão que se apresenta, é preciso caracterizar se imóveis são considerados mercadorias ou não. 0 Poder Judiciário entende que os imóveis são considerados como mercadorias. Nesse sentido, vale trazer a ementa do Mandado de Segurança n° 95.01.112934/DF, em 27/06/95, da Colenda 2 Seção, do Egrégio TRF da 1 a Região: As empresas dedicadas a construção e comercialização de imóveis estão sujeitas ao seu pagamento, como prestadoras de serviço (a comercialização de imóveis), e mesmo porque os imóveis, como objeto da sua atividade econômica, constituem também mercadoria. Mercadoria não é somente a coisa móvel que esteja no comércio, mas à questão a ser enfrentada nestes autos diz respeito, em apertada, a analise acerca de se as empresas construtoras são contribuintes da contribuição na modalidade de PISRepique ou na modalidade PISFaturamento, e, para a solução da questão que se apresenta, é preciso caracterizar se imóveis são considerados mercadorias ou não. 0 Poder Judiciário entende que os imóveis são considerados como mercadorias. Nesse sentido, vale trazer a ementa do Mandado de Segurança n° 95.01.112934/DF, em 27/06/95, da Colenda 2ª Seção, do Egrégio TRF da 1ª a Região: As empresas dedicadas a construção e comercialização de imóveis estão sujeitas ao seu pagamento, como prestadoras de serviço (a comercialização de imóveis), e mesmo porque os imóveis, como objeto da sua atividade econômica, constituem também mercadoria. Mercadoria não é somente a coisa móvel que esteja no comércio, mas tudo aquilo que, tendo valor econômico, seja objeto da mercancia. A Lei n°. 4.951, de 16/12/64, define como comerciais as atividades negociais praticadas pelo incorporador, pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, promotor ou não da construção, que aliene total ou parcialmente imóvel ainda em construção, e do vendedor, proprietário ou não, que Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11070.001954/200201 Acórdão n.º 9303003.518 CSRFT3 Fl. 1.477 5 habitualmente aliene prédio, decorrente de obra já concluída, ou terreno fora do regime condominial, sendo que o que caracteriza esses atos como mercantis, em ambos os casos, e o que diferencia dos atos de natureza simplesmente civil, é a atividade empresarial com o intuito de lucro. A Lei n° 4.068, de 09 de junho de 1962, declara comerciais as empresas de construção. É de se observar que imóvel é um bem suscetível de transação comercial, pelo que se insere no conceito de mercadoria, as empresas construtoras de imóveis efetuam negócios jurídicos com tais bens, de modo habitual, constituindo de mercadorias que são oferecidas aos clientes compradores No caso concreto é de se verificar que a recorrente é empresa construtora e incorporadora de imóveis, prestando outros serviços relativos A área de construção civil e afins. .................................................................................................. No tocante à multa de ofício, os acórdãos recorrido e paradigma tratam da mesma situação fática, mas dissentiram no resultado, o que demonstra, insofismavelmente, a divergência jurisprudencial. Tanto é que a recorrida não contesta a admissibilidade, nesta parte. Assim, considerando a tempestividade, o préquestionamento da matéria e o dissenso jurisprudencial, entendo atendido os requisitos de admissibilidade do recurso, razão que me faz dele conhecer. Do regime de PIS aplicável às empresas de construção civil e sua natureza comercial Na decisão recorrida, o voto condutor, de lavra da i. Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, reconheceu e reiterou o entendimento que fora exarado na Resolução 20201.102 proferida pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 28/02/2007, a qual esclareceu a sistemática de apuração do PIS à qual se submeteria o contribuinte, PISRepique, por verificar que a empresa atuaria como prestadora de serviços no ramo da construção civil (empreiteira), aplicando o disposto no item VI, alíneas “a” e “b”, da Resolução 482/78 do BACEN, in verbis: VI A empresa que executar, por administração, empreitada, subempreitada, ou por conta própria, obras hidráulicas, de construção civil, de demolição, conservação e reparação de edifícios, estradas, pontes e congêneres e outras semelhantes, ou que realizar a incorporação imobiliária disciplinada na Lei n° 4.591, de 16.12.64, contribuirá para a execução do Programa de Integração Social – PIS com duas parcelas: a) a primeira será calculada na proporção de 5% (cinco por cento) sobre o valor do Imposto de Renda devido, ou como se devido fosse, e deduzida do mesmo Imposto de Renda, observados os §§ 1°, alínea 'a', 2°, 3 0, 4° e 5° do art. 4° do Regulamento anexo Resolução n° 174, de 25.02.71, com as modificações introduzidas pela Resolução n° 409, de 23.12.76; b) a segunda, de valor igual ao que for apurado na forma da alínea anterior, com recursos próprios. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 Já a recorrente alega o equívoco cometido no acórdão recorrido quando determina a apuração do indébito tributário invocado pela recorrida com base na sistemática do PISRepique, entendendo ser aplicável a sistemática do PISFaturamento, mesmo sendo empresa incorporadora e construtora do ramo da construção civil, por também exercer atividade comercial. Em seu entendimento, a apuração pela sistemática do PISRepique apenas seria permitida às pessoas jurídicas que não realizam vendas de mercadorias. Como regra geral, a apuração do PIS pelo faturamento seria aplicável com fundamento na mesma Resolução Bacen 482/78: I — A contribuição com recursos próprios a que se refere a alínea "b" do artigo 30 da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, acrescida do adicional previsto no artigo 1°, e seu parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, perfazendo o percentual de 0,75% (setenta e cinco centésimos por cento), será calculada sobre a receita bruta, assim definida no artigo 12 do DecretoLei n" 1.598, de 26.12.77, compreendendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o dos serviços prestados. [...] IV A empresa cuja atividade preponderante for a de prestação de serviços contribuirá para a execução do Programa de Integração Social PIS com duas parcelas: a) a primeira será calculada na proporção de 5% (cinco por cento) sobre o valor do Imposto de Renda devido, ou como se devido fosse, e deduzida do mesmo Imposto de Renda, observados os §§ 1° 2, alínea "a", 2°, 3°, 4° e 5° do art. 42 do Regulamento anexo a Resolução n° 174, de 25.02.71, com as modificações introduzidas pela Resolução n° 409, de 23.12.76; b) a segunda, de valor igual ao que for apurado na forma da alínea anterior, com recursos próprios. V — A atividade de prestação de serviços será considerada preponderante, para os fins previstos nesta Resolução, se a receita correspondente for superior a 90% (noventa por cento) da receita apurada de conformidade com os itens I e II. De fato, conforme se observa do Item II do Contrato Social da empresa recorrida (fls.506), em vigor durante o período do indébito alegado, constatase a previsão de atividade comercial entre seus objetivos sociais: “O Objetivo de sociedade será de Projetos e Construções de Casas e Edifícios residenciais para revenda como compra de materiais para a construção, ou por conta de terceiros na condição de Empreiteira." Destaquese que o julgador a quo não considerou, em sua decisão, tal objeto societário, visto que expressamente não identificou o contrato em vigor à época, mas apenas aquele datado de 1997, no qual não constava a atividade de revenda de imóveis. Transcrevo trecho do voto condutor do acórdão recorrido (fls.1276), que remete ao voto da Resolução 202 01.102: “Embora não conste dos autos o contrato social vigente no período entre 08/88 e 04/96, há contrato social datado de 1997, a título de consolidação, onde consta que ‘O Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11070.001954/200201 Acórdão n.º 9303003.518 CSRFT3 Fl. 1.478 7 Objeto Social da Sociedade é a construção civil, Edificações de prédios residenciais, comerciais e industriais, prestação de serviços por empreitada e engenharia’." A distribuição do faturamento da empresa autuada no período correspondente aos créditos alegados, estava configurada da seguinte forma, de acordo com as informações constantes de sua DIPJ, considerando as atividades de serviço e venda de unidades imobiliárias: A.C. REC.SERVIÇOS % total REC. UN.IMOB. VENDIDA % total TOTAL fls. Proc. 1988 155.141.041 97% 4.217.136 3% 159.358.177,00 803 1989 1.689.374 81% 385.411 19% 2.074.785,00 818 1990 58.675.968 76% 18.651.243 24% 77.327.211,00 830 1991 129.278.532 41% 183.871.760 59% 313.150.292,00 842 1992 10.179.154.468 88% 1.329.383.494 12% 11.508.537.962,00 855 1993 186.021.852 87% 28.079.371 13% 214.101.223,00 876 1994 826.275 85% 147.136 15% 973.411,00 899 1995 566.903 52% 513.958 48% 1.080.861,00 909 1996 2.897.556 70% 1.270.575 30% 4.168.131,00 926 Portanto, constatase que a atividade de prestação de serviço somente poderia ser considerada preponderante para o anocalendário de 1988, conforme determinava o item V da Resolução Bacen 482/78. Para os demais anos, a receita de prestação de serviços foi inferior a 90% (noventa por cento) da receita apurada. O STJ tem entendimento consolidado no sentido de que as empresas construtoras e incorporadoras da construção civil recolhem o PIS com base no faturamento ou na receita bruta resultante da comercialização dos imóveis, que, para esse fim, recebem o tratamento próprio de mercadoria. RECURSO ESPECIAL Nº 707.323 MG RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VÍCIOS INEXISTENTES. PIS. DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS "5+5". INCORPORADORAS E CONSTRUTORAS. EMPRESAS DO RAMO DA CONSTRUÇÃO CIVIL. RECOLHIMENTO SOBRE O FATURAMENTO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA NATUREZA (LEI 8.383/91). CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. CABIMENTO. [...] 4. As empresas incorporadoras e construtoras (do ramo da construção civil) recolhem o PIS com base no faturamento ou na receita bruta resultante da comercialização dos imóveis. RECURSO ESPECIAL Nº 547.847PE RELATOR : MINISTRO FRANCISCO PEÇANHA MARTINS Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. EMPRESA CONSTRUTORA E INCORPORADORA, COMERCIALIZAÇÃO DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. ART. 2º DA LEI N. 70/91 [...] É firme a orientação do STJ de que o PIS incide sobre o faturamento ou sobre a receita bruta de empresas que comercializam imóveis. RECURSO ESPECIAL Nº 256922BA RELATOR MINISTRO JOÃO OTÁVIO NORONHA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. DISSENSO PRETORIANO. TESES JURÍDICAS DISTINTAS. NÃODEMONSTRAÇÃO. PIS. VENDA DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. [...] 2. É firme a orientação deste Tribunal de que a contribuição para os PIS incide sobre a comercialização de imóveis conforme disposto no art. 3°, § 2°, da LC n. 7/70, ainda que eles não estejam inseridos no conceito de mercadoria. ....................................................................................................... Esse entendimento fundamentase na constatação de que o imóvel é um bem suscetível de transação comercial, similar ao conceito de mercadorias, pelo qual empresas construtoras de imóveis efetuam negócios jurídicos com tais bens, de modo habitual, constituindo de mercadorias que são oferecidas aos clientes compradores. No caso concreto é de se verificar que a recorrente é sociedade empresária construtora e incorporadora de imóveis, prestando outros serviços relativos à área de construção civil e afins, e que sua receita de prestação de serviços não foi superior a 90% do total, não sendo considerada como preponderante. Também nesse sentido, a interpretação conjunta dos arts. 1°, 2°, 3°, a e § 2°, da Lei Complementar 07/70, fixam as condições para inclusão de pessoa jurídica na sistemática do PISRepique de forma residual, referindose a outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias. (destacouse), vejase: Art. 1.° É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. Art. 2° O Programa de que trata o artigo anterior será executado mediante Fundo de Participação, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal. Art. 3° 0 Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1° deste artigo, processandose o seu Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11070.001954/200201 Acórdão n.º 9303003.518 CSRFT3 Fl. 1.479 9 recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; (...) § 2.° As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Dessa maneira, demonstradas as razões que impõem a apuração do indébito tributário pela sistemática do PISFaturamento, já que a contribuinte não atendia, à época, os requisitos para enquadramento na sistemática do PISRepique, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional neste ponto. Da multa de oficio Quanto ao afastamento da multa de ofício lançada afastada pelo julgador a quo, por entender que o §2º do art. 52 do DecretoLei nº 2.124/84 exoneraria sua imposição sobre débitos regularmente declarados em DCTF, entendo que, por outros fundamentos, que passo a expor, deve ser mantida a decisão recorrida. No caso em questão, a autuação teve por base diferenças do PIS, decorrentes de compensação glosada pela fiscalização a partir de informações prestadas pela recorrida em sede de DCTF, de onde se depreende não se aplicar à presente hipótese a disposição do § 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84, incidente apenas nos casos em que desnecessário o lançamento de oficio. A multa de oficio lançada teve por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, já que decorrente de declaração inexata prestada pela contribuinte em DCTF, de onde se apurou falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido, verificado a partir de glosa de compensação. Com efeito, dispõe o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 (redação vigente à época dos fatos): Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 04.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 10 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;" (destacouse). Ocorre que, com a edição da Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento que tivesse como pressuposto a apuração de diferenças em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, limitarseia à imposição de multa de ofício isolada e, ainda assim, quando constatada compensação indevida em razão da configuração de alguma das três hipóteses enumeradas no dispositivo. Confirase a nova redação. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A partir do dispositivo novel não mais havia espaço para a imposição da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Foi instituída penalidade específica para tais hipóteses em que o contribuinte promove compensação indevida, que só poderia ser aplicada se configurada uma das seguintes circunstâncias: a) o crédito ou débito não ser passível de compensação, por expressa disposição legal; b) pleitearse a compensação a partir de créditos de natureza nãotributária; e c) ficar caracterizada uma das qualificadoras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. O direito creditório que respalda a compensação debatida no presente processo, esclareçase, decorre de crédito presumido do IPI, para o qual não há qualquer vedação. Por outro lado, não foi formulada acusação da prática de conduta que pudesse se subsumir aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Assim, imagino, mesmo se confirmadas as acusações da recorrente e, consequentemente, configurada a irregularidade da compensação, não há espaço para a manutenção da multa de ofício, por força da aplicação do instituto da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "a", do CTN. Acrescentese, finalmente, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da CoordenaçãoGeral de Tributação expediu a Solução de Consulta Interna nº 3/2004, cujo seguinte trecho da ementa é por demais esclarecedor: No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11070.001954/200201 Acórdão n.º 9303003.518 CSRFT3 Fl. 1.480 11 Desta feita, à multa deve ser excluída. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer o lançamento de ofício, mas sem a multa lançada. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 11080.729814/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011
CHATÃO.
Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas chatão, classificam-se no código NCM 7018.10.20.
CORRENTE DE LATÃO.
Corrente de metal comum, contendo engastadas ao longo da corrente imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, utilizadas em calçados, vestuários e seus acessórios, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas corrente de latão, classificam-se no código NCM 7018.90.00.
PEDRAS ACRÍLICAS.
Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de acrílico (plástico), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas pedras acrílicas, classificam-se no código NCM 3926.90.90.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011
SUSPENSÃO DO IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.
A suspensão do IPI de que trata o artigo 29 da Lei nº 10.637/02 não se estende às saídas de produtos industrializados promovidas por estabelecimento equiparado à industrial.
Numero da decisão: 3201-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que dava provimento parcial ao recurso, por entender correta a classificação adotada pela Recorrente quanto ao produto denominado "correntes de latão", e o conselheiro Cássio Schappo, que dava provimento, por entender inexigível, no caso, o IPI equiparado. Este último apresentará declaração de voto.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011 CHATÃO. Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas chatão, classificam-se no código NCM 7018.10.20. CORRENTE DE LATÃO. Corrente de metal comum, contendo engastadas ao longo da corrente imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, utilizadas em calçados, vestuários e seus acessórios, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas corrente de latão, classificam-se no código NCM 7018.90.00. PEDRAS ACRÍLICAS. Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de acrílico (plástico), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas pedras acrílicas, classificam-se no código NCM 3926.90.90. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011 SUSPENSÃO DO IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. A suspensão do IPI de que trata o artigo 29 da Lei nº 10.637/02 não se estende às saídas de produtos industrializados promovidas por estabelecimento equiparado à industrial.
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Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas “chatão”, classificamse no código NCM 7018.10.20. CORRENTE DE LATÃO. Corrente de metal comum, contendo engastadas ao longo da corrente imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, utilizadas em calçados, vestuários e seus acessórios, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas “corrente de latão”, classificamse no código NCM 7018.90.00. PEDRAS ACRÍLICAS. Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de acrílico (plástico), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas “pedras acrílicas”, classificamse no código NCM 3926.90.90. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011 SUSPENSÃO DO IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 14 /2 01 2- 45 Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.329 2 A suspensão do IPI de que trata o artigo 29 da Lei nº 10.637/02 não se estende às saídas de produtos industrializados promovidas por estabelecimento equiparado à industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que dava provimento parcial ao recurso, por entender correta a classificação adotada pela Recorrente quanto ao produto denominado "correntes de latão", e o conselheiro Cássio Schappo, que dava provimento, por entender inexigível, no caso, o IPI equiparado. Este último apresentará declaração de voto. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 751/755, lavrado em 31/08/2012, totalizando o crédito tributário de R$ 8.003.833,61. De acordo com a descrição dos fatos de fl. 753 e o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fls. 756/771, houve falta de lançamento de IPI na saída de produtos tributados, nos anos de 2008 a 2011. Segundo consta, a autuada acima identificada deu saída a produtos tributados com erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota e a produtos sem lançamento do IPI devido à utilização indevida de suspensão. O procedimento fiscal realizado no estabelecimento da contribuinte, relatado detalhadamente no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fls. 756/771, pode ser assim sintetizado: a) Nas notas fiscais de saída dos produtos identificados como “chatão”, o contribuinte registrou o código de classificação Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.330 3 fiscal 7104.20.90 da TIPI – Tabela de Incidência do IPI, tributado à alíquota de 12%. Na Solução de Consulta n° 4 SRRF 10/Diana, de 2010, foi definido que o código correto para o produto em questão é o 7018.10.20, próprio para imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de vidro, cuja alíquota é de 20%. b) Nas notas fiscais de saída dos produtos identificados como “corrente de latão”, o contribuinte registrou o código de classificação fiscal 7116.20.90 ou 7117.19.00, ambos tributados à alíquota de 12%. Na Solução de Consulta n° 5 SRRF 10/Diana, de 2010, foi definido que o código correto para o produto em questão é o 7018.90.00, próprio para obras de imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de vidro, cuja alíquota é de 20%. c) Nas notas fiscais de saída dos produtos identificados como “pedra acrílica”, o contribuinte registrou o código de classificação fiscal 3926.90.90, tributado à alíquota de 15%. Verificouse que também foi utilizado o código de classificação fiscal 7104.20.90, tributado à alíquota de 12%, e que mesmo em notas em que consta o código 3926.90.90 foi aplicada a alíquota de 12%. Na Solução de Consulta n° 6 SRRF 10/Diana, de 2010, foi definido que o código correto para o produto em questão é o 3926.90.90, tributado à alíquota de 15%. d) A partir de 2009, a maior parte dos produtos comercializados pelo contribuinte passou a ser identificada nas notas fiscais de saída como “acessórios para calçados”, com a utilização do código de classificação fiscal 6406.10.00 (“partes superiores de calçados e seus componentes, exceto contrafortes e biqueiras rígidas”), cuja alíquota é 0%. Verificouse que para os “acessórios para calçados” integrantes da planilha apresentada pelo contribuinte (item 12 do Termo), que em decorrência das operações de industrialização a que foram submetidos passaram a ter características específicas de objetos de adorno pessoal, classificamse no código 7117.19.00, sujeitandose à alíquota de 12%. Os produtos comercializados por meio de notas fiscais que não integram a listagem de produtos submetidos a processos de industrialização, por sua vez, classificamse no código 7018.90.00, sujeitandose à alíquota de 20%, pois em geral correspondem a “correntes de latão” objeto de simples revenda. e) Em parte das notas fiscais de saída não houve o destaque do IPI em virtude da suspensão prevista no art. 29, da Lei 10.637/2002, todavia, não poderia ter sido utilizada a suspensão pois ela abrange somente saídas de estabelecimentos industriais. A IN SRF n° 429/2004 e a IN RFB n° 948/2009, que disciplinaram o beneficio, explicitaram a regra de que a Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.331 4 suspensão não pode ser aplicada para saídas de estabelecimentos equiparados a industrial. Como o estabelecimento foi considerado equiparado a industrial, conforme art. 9o, inciso I, do RIPI/2002, e art. 9o, inciso I, do RIPI/2010 (estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos), ou conforme art. 9º, inciso IV, do RIPI/2002, e art. 9º, inciso IV, do RIPI/2010 (estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou terceiro, mediante a remessa, por ele efetuada, de matérias primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos), ou conforme art. 9o, § 4o, do RIPI/2002, e art. 9o, § 6o, do RIPI/2010 (estabelecimentos industriais que derem saída a matériaprima adquirida de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda), não atendeu a regra de que a suspensão só poderia ser aplicada nas saídas de estabelecimento industrial. f) Conseqüentemente, foi apurado o imposto que deixou de ser lançado, conforme “Demonstrativo de Cálculo do IPI a Lançar” de fls. 264/709 e reconstituição da escrita fiscal de fl. 740. Regularmente cientificada em 31/08/2012, a autuada apresentou a impugnação de fls. 774/854, instruída com os documentos de fls. 855/1164, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Toda e qualquer interpretação que se faça em torno da classificação dos produtos importados, revendidos ou industrializados pela Impugnante deve partir da idéia de que suas atividades estão voltadas essencialmente ao mercado de bens de uso pessoal, notadamente o mercado de calçados, vestuário e bijuterias. 2) Na aquisição de mercadorias a Impugnante franqueou às Autoridades responsáveis pelo desembaraço aduaneiro o contato com os produtos internalizados, o que permitiu a essa mesma Autoridade fazer uma avaliação do produto importado com a descrição contida na Declaração de Importação (DI). Esse mesmo produto já internalizado, recebe agora uma nova classificação fiscal, a partir de análise exclusivamente contábil. Não fosse suficiente a insegurança jurídica de um sistema de classificação sobremaneira complexo, a Impugnante convive ainda pela instabilidade e falta de segurança, evidenciada pela mudança de critérios jurídicos a partir da adoção – em um mesmo produto – de códigos distintos para operações de aquisição e revenda. 3) Conforme orientação do Conselho de Contribuinte, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os critérios de classificação fiscal de mercadorias/produtos estão regulados pelas Regras Gerais de Interpretação (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e, subsidiariamente, pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.332 5 Mercadorias – NESH. Porém, há uma orientação firmada pela jurisprudência do CARF no sentido de que a posição mais específica de um produto prevalece sobre a mais genérica e os produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição específica devem ser classificados pela finalidade, sem desconsiderar, também, destinação, característica, composição (material). Qualquer conclusão ou linha de entendimento em desacordo com essas regras implica em permitir dose de discricionariedade na classificação dos produtos não compatível com a atividade administrativa na seara tributária. 4) Nas classificações adotadas para os produtos chatão, corrente de latão e pedra acrílica, a Autoridade Administrativa desconsiderou os critérios de classificação que levam em consideração a destinação, finalidade, característica, composição (material) das mercadorias adquiridas e revendidas. 5) A mercadoria que assume a forma de chatão pode se apresentar com a composição química de vidro, acrílico ou plástico. A classificação pretendida pela Autoridade Administrativa no código 7018.10.20 implica em vincular exclusivamente o produto que se apresenta com forma de chatão à composição química de vidro, o que não se mostra verdadeiro. Analisando contextualmente a realidade dos fatos é possível verificar que o produto identificado como chatão, na hipótese dos autos, tem finalidade específica de ser um acessório de bijuteria, empregado exclusivamente em adornos de uso pessoal. Portanto, em atenção ao Despacho Homologatório do DINON 86/04, trazido pela própria fiscalização em seu relatório, que classificou os adornos para calçados, adornos para roupas e correntes como bijuterias, não há como admitir que o produto identificado como chatão possa ter uma classificação que não seja do capítulo 71. A Solução de Consulta nº 4 – SRRF10/Diana, de 2010, além de não compreender a totalidade do período fiscalizado, seria aplicada apenas em relação ao chatão cuja composição química é o vidro, muito embora, mesmo em relação ao chatão de vidro, seguindo a própria orientação do DINON acima citada, esse produto se apresenta como um acessório para bijuteria do que uma obra de vidro. Os clientes da Impugnante, fabricantes de calçados, vestuários e bijuterias, não adquirem o produto como a finalidade de ser uma obra de vidro, mas sim como um acessório de bijuterias, conforme revelam as fotografias anexadas que demonstram exemplos do uso da pedra identificada como chatão, de diferentes composição química, no setor de bijuteria, vestuário e calçadista. 6) A Impugnante não concorda com a classificação pretendida pela Autoridade Administrativa, porquanto isso somente seria possível se considerássemos as correntes de latão/metal com pedras como verdadeiras obras de vidro, o que não pode ser admitido porquanto esse produto corresponde a uma bijuteria acabada/inacabada ou ainda um adorno de uso pessoal, e que Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.333 6 na hipótese em questão é utilizado para a confecção de bijuterias e no segmento calçadista e de vestuário. A irresignação da Impugnante quanto a classificação adotada pela Autoridade Administrativa tem uma razão de ser, qual seja, o fato de que capítulo 7018 exclui expressamente as bijuterias ou seja, não foi intenção do legislador incluir as bijuterias e produtos de adorno pessoal no código 7018. Além disso, atenção ao Despacho Homologatório do DINON 86/04, trazido pela própria fiscalização em seu relatório, que classificou os adornos para calçados, adornos para roupas e correntes como bijuterias, não há como admitir que as correntes de latão/metal com pedras possa ter uma classificação que não seja do capítulo 71, ou seja, como verdadeiras bijuterias. A OMA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DAS ADUANAS, seguindo essa mesma linha tem essa mesma posição em relação aos adornos de uso pessoal, classificandoos como bijuterias. Não se pode deixar de considerar, ainda, que a inclusão da pedra de vidro constitui apenas um acessório, porquanto esse mesmo adorno pessoal se apresenta com pedras de acrílico, sintética ou plástica. Nessas hipóteses seria ilógico classificar correntes de latão/metal com pedras como uma obra de vidro. A própria fiscalização reconhece que as correntes de latão/metal com pedras quando submetida a trabalhos (ex. terminais que permitem a fixação do bem comercializado ao produto que se destinam vide item 6.2 e 6.4 do relatório de fiscalização)acabam assumindo a condição de verdadeiras bijuterias, n o entanto, a inserção de terminais em nada altera a natureza do produto que permanece com sua mesma composição e estrutura. Portanto, com ou sem terminais as correntes de latão/metal com pedras se constituem em acessórios de bijuterias, adornos para ser utilizados em vestuário ou confecções. Jamais podem ser consideradas uma obra de vidro. Fotografias que são trazidas com a peça de impugnação evidenciam que muitas vezes o produto é afixado em vestuários e calçados sem a presença de terminal, sem que com isso o produto sofra alterações em sua destinação, finalidade, característica, composição (material). 7) O produto identificado como pedra acrílica tem finalidade específica de ser um acessório de bijuteria, empregado exclusivamente em adornos de uso pessoal. Dessa forma, tem aplicação nesse item o Despacho Homologatório do DINON 86/04, trazido pela própria fiscalização em seu relatório, que classificou os adornos para calçados, adornos para roupas e correntes como bijuterias. Logo, não há como admitir que o produto identificado como pedra acrílica possa ter uma classificação que não seja do capítulo 71, porquanto consiste um verdadeiro acessório para bijuteria, não havendo justificativa para incluir em “outras obras de plástico”. 8) Não admitida as classificações pretendidas pela Impugnante, mesmo assim, se requer seja afastado o efeito retroativo das Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.334 7 Soluções de Consulta de nºs 4, 5 e 6 – SRRF10/Diana, de 2010, em relação as operações realizadas pela Impugnante com os produtos identificados como chatão, correntes de latão/metal e pedra acrílica, devendo prevalecer as mesmas classificações adotadas quando da aquisição e revenda dos produtos. 9) Não reconhecido o direito da Impugnante em se utilizar dos códigos apontados para o produto identificado como chatão, correntes de latão/metal com pedras e pedras acrílicas, mesmo assim, se impõe que seja desconstituído o auto de lançamento na parte em que constituiu o crédito tributário da diferença de IPI decorrente da reclassificação do produto identificado como chatão, correntes de latão/metal com pedras e pedras acrílicas quando esses produtos foram revendidos como o mesmo códigos da TIPI em que desembaraçados, devendo prevalecer a segurança jurídica de modo a não permitir a mudança de critério jurídico, conforme a linha de argumentos trazidos no item 6 da peça de impugnação. 10) Seja reconhecido a Impugnante, nas hipóteses em que for equiparada a industrial, na forma do artigo 9, incisos I e IV do Decreto n° 7.212/2010, se valer do benefício da suspensão do IPI, conforme dispõe o artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, sem prejuízo da manutenção do respectivo crédito. A restrição imposta pela IN RFB nº 429/2004, posteriormente, a IN RFB nº 948/2009, extrapola os limites impostos da Lei n° 10.637/2002, ferindo os princípios da legalidade e da segurança jurídica. 11) Seja determinado um redimensionamento das bases de calculo das infrações indicadas no quadro de fl. 12 do termo fiscal (fl. 767), nos seguintes termos: 11.1) Na listagem das correntes de latão/metal com pedras devem ser excluídos os produtos catalogados apenas como correntes, justamente por não ter em sua estrutura a afixação de pedras. A listagem DOC 06 (fls. 957/959) arrola as notas fiscais de venda de produtos que constituem apenas correntes desacompanhadas de qualquer tipo de pedra. 11.2) Admitido o benefício da suspensão na forma defendida, redimensionar a base de cálculo das notas fiscais de venda de produtos cujos destinatários permite o benefício da suspensão na forma do art. 29 da Lei n° 10.637/2002, conforme relações de notas fiscais de venda apresentadas: DOC 07 (fls. 960/973), DOC 08 (fls. 974/976), DOC 09 (fls. 977/981) e DOC 11 (fls. 990/1063). 11.3) Subtrair da base de cálculo o valor correspondente a notas fiscais de venda de produtos identificados como clx, cost, cab, ace, fiv e pass, já que conforme entendimento da própria fiscalização esses produtos devem ser classificados no código 8308.90.10 ou 9606.29.00, conforme listagem DOC 10 (fls. 982/989) e DOC 12 (fls.1064/1066). 12) Ao final, considerando a complexidade das questões debatidas, requer que seja deferido prazo de 30 (trinta) dias Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.335 8 para juntada de documentação complementar para justificar os argumentos de fato e de direito trazidos na peça de impugnação. Posteriormente, em 31 de janeiro de 2013, a Impugnante apresentou documentos e informações adicionais em relação aos documentos já juntados aos autos (fls.1175/1199). Sobreveio decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011 CHATÃO. Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas “chatão”, classificamse no código NCM 7018.10.20. CORRENTE DE LATÃO. Corrente de metal comum, contendo engastadas ao longo da corrente imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, utilizadas em calçados, vestuários e seus acessórios, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas “corrente de latão”, classificamse no código NCM 7018.90.00. PEDRAS ACRÍLICAS. Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de acrílico (plástico), de formatos variados, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas para diversos fins, como confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas e fabricação de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominadas “pedras acrílicas”, classificamse no código NCM 3926.90.90. PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS DE SUA SOLUÇÃO. As soluções em processo de consulta têm efeito vinculante relativamente ao consulente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.336 9 Em se tratando de classificação fiscal, a adoção de critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN, ocorre no ato do lançamento e não do desembaraço da mercadoria. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011 SAÍDA COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. INAPLICABILIDADE. A saída com suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, só é aplicável às saídas promovidas por estabelecimento industrial, não alcançando as operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS E DOCUMENTOS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Sustenta ainda a impossibilidade de mudança de critério jurídico em relação à classificação fiscal do produto quando de sua importação. É o relatório. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.337 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Da classificação fiscal A recorrente contesta a utilização neste auto de infração, referente ao IPI devido em decorrência da revenda de um produto importado, de classificação fiscal distinta da utilizada em suas declarações de importação, apresentadas no momento da aquisição do mesmo produto. Esclarecese a recorrente que deve ser adotada, sempre, a correta classificação fiscal para os produtos, seja na importação, seja na revenda dos produtos importados. O fato de as importações dos produtos terem sido formalizadas e tributadas em determinada classificação fiscal não vincula as hipóteses de incidência tributárias futuras decorrentes da revenda destes produtos. Desta forma, mostrase correto o procedimento fiscal em utilizarse da classificação fiscal que entende como adequada ao produto, independente de os documentos que acobertaram a sua importação terem adotado classificação diferente. Ressaltese que, no lançamento em questão, não se trata de revisão de lançamento decorrente de mudança de critério jurídico, como alude a recorrente, mas sim procedimento de verificação da regularidade fiscal da contribuinte, que encontrou equívocos em sua escrituração fiscal, notadamente na classificação fiscal adotada em relação a três espécies de produtos importados e revendidos, quais sejam chatão, corrente de latão e pedra acrílica. Esta verificação efetivada pela RFB teve embasamento em três soluções de consulta apresentadas pela recorrente, que definiu que os produtos citados classificamse em posições diferentes das utilizadas até então por esta. A recorrente contesta a utilização destas soluções de consulta de forma retroativa, para abarcar o período objeto do lançamento fiscal. Entendo, contudo, que tal procedimento não encontra óbice na legislação fiscal, tendo em vista que o período já atingido pela decadência foi respeitado. Ressalto que não se trata de revisão de lançamento já efetuado, mas sim de lançamento de ofício de crédito tributário original, não previamente constituído. A recorrente junta jurisprudência que não lhe aproveita, tendo em vista restringiremse a análise da mudança de critérios classificatórios que franquearam a importação da mercadoria no momento do desembaraço aduaneiro. Desta forma, entendo que o procedimento fiscal e a decisão recorrida, que manteve o lançamento, atenderam a legislação tributária, não apresentando vícios. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.338 11 Passase, então, a análise da classificação fiscal dos produtos. Constato que as Soluções de Consulta apresentadas pela Diana da 10ª SRRF foram precisas e analisaram a classificação fiscal das mercadorias com muita propriedade, razão pela qual as transcrevo abaixo, adotandoas como razão de decidir. LATÃO Solução de Consulta n° 4 SRRF 10/Diana, de 2010 Assunto: Classificação de Mercadorias Código TEC: 7018.10.20 Mercadoria: Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, incolores ou coradas, com a face interior revestida com camada metálica refletora, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas, por exemplo, na ornamentação de fivelas e na confecção de bijuterias, comercialmente denominadas "Strass em grosa" Dispositivos Legais: RGI 1 (texto da posição 70.18) e 6 (texto da subposição 7018.10), e RGC 1 (texto do item 7018.10.20), da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006 Relatório O interessado indagou sobre a classificação fiscal, na Tarifa Externa Comum (TEC) vigente, do produto de sua importação denominado “Strass em grosa", oriundo principalmente de Hong Kong (Lian Industrial Co. Ltd.) ou da Tchecoslováquia (Preciosa Ltd.). O interessado as descreve como "pedras sintéticas", imitação de pedra cristal com banho de níquel ou de ouro na parte de trás a fim de gerar maior brilho da pedra, cujas facetas imitam uma pedra preciosa ou semipreciosa. Pode ser fabricada tanto na cor cristal (incolor) quanto com cores de pedras preciosas ou semipreciosas naturais. Apresentamse soltas, ou seja, não montadas nem engastadas em outros materiais. São utilizadas na confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos. O consulente anexou amostras ("pedras" redondas com a parte da frente facetada e a de trás plana, diâmetro de 5mm) e catálogo do fabricante Lian onde consta ser especialista na fabricação de manufaturas de cristal. Ao final informa que pretende classificar o produto no código 7104.20.90. Fundamentos 2. De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI 1), a classificação de mercadorias na Tarifa Externa Comum (TEC) é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. 3. A posição 71.04, pretendida pelo consulente, compreende as "pedras sintéticas ou reconstituídas, mesmo trabalhadas ou combinadas, mas não enfiadas, nem montadas, nem engastadas". Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.339 12 4. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992 e com seu texto atualizado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008 (Suplemento ao Diário Oficial da União de 7 de fevereiro de 2008), relativas às pedras sintéticas ou reconstituídas dessa posição 71.04, assim são definidas: A) Pedras denominadas sintéticas. Este termo compreende um conjunto de pedras obtidas por síntese que: têm essencialmente a mesma composição química e a mesma estrutura cristalina que as pedras preciosas ou semipreciosas extraídas da crosta terrestre (rubis, safiras, esmeraldas, diamantes industriais, quartzo piezelétrico, por exemplo); ou em virtude de sua cor, brilho, inalterabilidade e dureza, são utilizadas em joalharia ou ourivesaria para substituir as pedras preciosas ou semipreciosas naturais, apesar de não possuírem a mesma constituição química e a mesma estrutura cristalina que as pedras naturais às quais se assemelham (por exemplo, a granada de alumínio e ítrio e a zircônia sintética cúbica, ambas utilizadas como imitações de diamante). Quando em bruto, as pedras sintéticas apresentamse geralmente em formas de pequenos cilindros ou pequenas esferas piriformes conhecidas como boules que, em geral, são submetidas a uma divisão longitudinal ou serradas em forma de lamelas. B) Pedras denominadas reconstituídas, obtidas artificialmente por qualquer processo (quase sempre por aglomeração e prensagem ou fusão ao maçarico), a partir de resíduos de pedras preciosas ou semipreciosas naturais, previamente pulverizadas. As pedras sintéticas e as pedras reconstituídas podem, em certos casos, distinguirse das pedras preciosas ou semipreciosas naturais por exame microscópico (de preferência, em meio diferente do ar), devido à presença, no seu interior, de bolhas gasosas redondas e, às vezes, de estrias curvas, que não se encontram nas pedras preciosas ou semipreciosas naturais. 5. As pedras objeto desta consulta não possuem a mesma composição química nem a mesma estrutura cristalina das pedras naturais imitadas, nem sequer são utilizadas em joalharia ou ourivesaria. Também não são pedras reconstituídas. 5.1 Assim sendo, incabível classificar as pedras em questão, de cristal, na pretendida posição 71.04. 6. Já a posição 70.18 compreende, entre outros produtos, as imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de vidro. 7. As NESH, agora referentes aos produtos da posição 70.18, dizem que essa posição engloba um conjunto de artefatos de Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.340 13 vidro de aparência muito diversa, mas cuja característica essencial é a de servirem, na quase totalidade dos casos, diretamente ou depois de transformados, para decoração ou ornamentação. Também explicam as características dessas imitações, transcritas a seguir: As imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, que não devem ser confundidas com as pedras sintéticas ou reconstituídas da posição 71.04 (ver a este respeito a Nota Explicativa correspondente) e que são constituídas por um vidro especial (por exemplo, o strass), muito denso e refringente, incolor ou diretamente corado por meio de óxidos metálicos. As pedras desta natureza são geralmente obtidas por corte nos blocos de vidro de fragmentos do tamanho dos objetos que se desejam; estes fragmentos colocamse em seguida sobre uma chapa de folha de ferro recoberta de tripoli, que se introduz em um forno. Pela ação do calor, as arestas dos fragmentos arredondamse. Por fim, se for o caso, procedese à lapidação (em brilhante, em rosa, etc.) ou à gravura (imitação de camafeus ou de entalhes). Também se podem obter estas pedras por moldação direta (no caso, por exemplo, de pedras de certo formato para berloques). Muitas vezes, revestese a face interior de uma camada de tinta metálica refletora (acabamento para imitar pedras preciosas). 8. Verificase que as características das pedras objeto desta consulta combinam perfeitamente com a descrição constante dessas NESH da posição 70.18: são de strass (vidro especial), destinamse a decoração e ornamentação, são incolores ou coradas diretamente na massa, e são revestidas na face inferior com camada metálica refletora. Portanto, as pedras em análise classificamse nessa posição 70.18. 9. No âmbito dessa posição 70.18, as imitações de pedras preciosas ou semipreciosas enquadramse na subposição 7018.10 (aplicação da RGI 6), e mais precisamente no item 7018.10.20 (aplicação da Regra Geral Complementar RGC 1). Conclusão 10. Em face do exposto, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1 (texto da posição 70.18) e 6 (texto da subposição 7018.10), e Regra Geral Complementar (RGC) 1 (texto do item 7018.10.20), e com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, SOLUCIONO A CONSULTA, no uso da competência conferida pelo art. 48, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no sentido de que a mercadoria objeto da consulta se classifica no código 7018.10.20 da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 22 de dezembro de 2006 (publicada no DOU de 26 de dezembro de 2006). (grifo nosso) Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.341 14 CORRENTE DE LATÃO Solução de Consulta n° 5 SRRF 10/Diana, de 2010: Assunto: Classificação de Mercadorias Código TEC: 7018.90.00 Mercadoria: Corrente de metal comum, mesmo revestida a fim de imitar metal precioso, contendo engastadas ao longo da corrente imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de strass (vidro especial), de formatos variados, incolores ou coradas, com a face interior revestida com camada metálica refletora, apresentada em rolos, utilizada na ornamentação de calçados, vestuários e acessórios de vestuário, e na confecção de bijuterias e outros ornamentos, comercialmente denominada "Strass em metro" ou "Metal Cup Chain with Rhinestones" Dispositivos Legais: RGI 1 (texto da posição 70.18) e 6 (texto da subposição 7018.90), da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006 Relatório O interessado indagou sobre a classificação fiscal, na Tarifa Externa Comum (TEC) vigente, do produto de sua importação denominado “Strass em metro" ou "Corrente de latão com pedra sintética", oriundo principalmente de Hong Kong (Lian Industrial Co. Ltd.) ou da Tchecoslováquia (Preciosa Ltd.). O interessado as descreve como "pedras sintéticas", imitação de pedra cristal com banho de níquel ou de ouro na parte de trás a fim de gerar maior brilho da pedra, cujas facetas imitam uma pedra preciosa ou semipreciosa, e engastadas em corrente de latão (liga de cobrezinco). A corrente pode ser revestida de forma a imitar ouro, níquel, prata, grafite ou cobre. As pedras podem ser fabricadas tanto na cor cristal (incolor) quanto com cores de pedras preciosas ou semipreciosas naturais. São utilizadas em calçados, vestuários e seus acessórios, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos. As pedras das correntes possuem diâmetros variando de 2mm até 9,2mm. Apresentamse em rolos com comprimento variando de 10m a 100m, conforme os diâmetros das pedras. O consulente anexou folha com amostras ("Metal Cup Chains with Rhinestones") e catálogo, ambos do fabricante Lian, empresa especialista na fabricação de manufaturas de cristal. Ao final informa que pretende classificar o produto no código 7116.20.90. Fundamentos 2. De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI 1), a classificação de mercadorias na Tarifa Externa Comum (TEC) é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. 3. A posição 71.16, pretendida pelo consulente, compreende as "Obras de pérolas naturais ou cultivadas, de pedras preciosas Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.342 15 ou semipreciosas ou de pedras sintéticas ou reconstituídas". Tal pretensão baseiase na interpretação do consulente que as pedras que compõe a corrente são sintéticas. 4. Para sabermos se tais pedras, que são fabricadas de strass (vidro especial), são consideradas pela Nomenclatura do Sistema Harmonizado como pedras sintéticas, nos socorreremos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992 e com seu texto atualizado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008 (Suplemento ao Diário Oficial da União de 7 de fevereiro de 2008), relativas à posição 71.04, que compreende as pedras sintéticas e as reconstituídas, e que são assim definidas: A) Pedras denominadas sintéticas. Este termo compreende um conjunto de pedras obtidas por síntese que: têm essencialmente a mesma composição química e a mesma estrutura cristalina que as pedras preciosas ou semipreciosas extraídas da crosta terrestre (rubis, safiras, esmeraldas, diamantes industriais, quartzo piezelétrico, por exemplo); ou em virtude de sua cor, brilho, inalterabilidade e dureza, são utilizadas em joalharia ou ourivesaria para substituir as pedras preciosas ou semipreciosas naturais, apesar de não possuírem a mesma constituição química e a mesma estrutura cristalina que as pedras naturais às quais se assemelham (por exemplo, a granada de alumínio e ítrio e a zircônia sintética cúbica, ambas utilizadas como imitações de diamante). Quando em bruto, as pedras sintéticas apresentamse geralmente em formas de pequenos cilindros ou pequenas esferas piriformes conhecidas como boules que, em geral, são submetidas a uma divisão longitudinal ou serradas em forma de lamelas. B) Pedras denominadas reconstituídas, obtidas artificialmente por qualquer processo (quase sempre por aglomeração e prensagem ou fusão ao maçarico), a partir de resíduos de pedras preciosas ou semipreciosas naturais, previamente pulverizadas. As pedras sintéticas e as pedras reconstituídas podem, em certos casos, distinguirse das pedras preciosas ou semipreciosas naturais por exame microscópico (de preferência, em meio diferente do ar), devido à presença, no seu interior, de bolhas gasosas redondas e, às vezes, de estrias curvas, que não se encontram nas pedras preciosas ou semipreciosas naturais. 5. As pedras utilizadas nas correntes em análise não possuem a mesma composição química nem a mesma estrutura cristalina das pedras naturais imitadas, nem sequer são utilizadas em joalharia ou ourivesaria. Também não são pedras reconstituídas. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.343 16 5.1 Assim sendo, incabível classificar as correntes em questão, de pedras de strass, na pretendida posição 71.16, visto não tratarse de obra de pedra sintética nem de outra matéria descrita nessa posição 71.16. 6. Já a posição 70.18 compreende, entre outros produtos, as imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de vidro, e suas obras, exceto bijuterias. 7. As NESH, agora referentes aos produtos da posição 70.18, dizem que essa posição engloba um conjunto de artefatos de vidro de aparência muito diversa, mas cuja característica essencial é a de servirem, na quase totalidade dos casos, diretamente ou depois de transformados, para decoração ou ornamentação. Também explicam as características dessas imitações, transcritas a seguir: As imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, que não devem ser confundidas com as pedras sintéticas ou reconstituídas da posição 71.04 (ver a este respeito a Nota Explicativa correspondente) e que são constituídas por um vidro especial (por exemplo, o strass), muito denso e refringente, incolor ou diretamente corado por meio de óxidos metálicos. As pedras desta natureza são geralmente obtidas por corte nos blocos de vidro de fragmentos do tamanho dos objetos que se desejam; estes fragmentos colocamse em seguida sobre uma chapa de folha de ferro recoberta de tripoli, que se introduz em um forno. Pela ação do calor, as arestas dos fragmentos arredondamse. Por fim, se for o caso, procedese à lapidação (em brilhante, em rosa, etc.) ou à gravura (imitação de camafeus ou de entalhes). Também se podem obter estas pedras por moldação direta (no caso, por exemplo, de pedras de certo formato para berloques). Muitas vezes, revestese a face interior de uma camada de tinta metálica refletora (acabamento para imitar pedras preciosas). 8. Verificase que as características das pedras objeto desta consulta combinam perfeitamente com a descrição constante dessas NESH da posição 70.18: são de strass (vidro especial), destinamse a decoração e ornamentação, são incolores ou coradas diretamente na massa, e são revestidas na face inferior com camada metálica refletora. Portanto, as pedras que compõe as correntes em tela, quando apresentadas isoladamente, classificamse nessa posição 70.18. 8.1 Assim, as correntes objeto desta consulta, que são obras de strass (vidro especial) mas não são bijuterias, também se classificam na posição 70.18, visto que essa posição também compreende as obras de imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de vidro. 9. No âmbito dessa posição 70.18, as obras de imitações de pedras preciosas ou semipreciosas enquadramse na subposição 7018.90 (aplicação da RGI 6). Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.344 17 Conclusão 10. Em face do exposto, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1 (texto da posição 70.18) e 6 (texto da subposição 7018.90), e com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, SOLUCIONO A CONSULTA, no uso da competência conferida pelo art. 48, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no sentido de que a mercadoria objeto da consulta se classifica no código 7018.90.00 da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 22 de dezembro de 2006 (publicada no DOU de 26 de dezembro de 2006). (grifo nosso) PEDRA ACRÍLICA Solução de Consulta n° 6 SRRF 10/Diana, de 2010 Assunto: Classificação de Mercadorias Código TEC: 3926.90.90 Mercadoria: Imitações de pedras preciosas ou semipreciosas, de acrílico (plástico), de formatos variados, incolores ou coradas, com a face interior revestida com camada metálica refletora, não montadas nem engastadas em outros materiais, utilizadas, por exemplo, na ornamentação de fivelas e na confecção de bijuterias, comercialmente denominadas "Pedras acrílicas" Dispositivos Legais: RGI 1 (texto da posição 39.26) e 6 (texto da subposição 3926.90), e RGC 1 (texto do item 3926.90.90), da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006 Relatório O interessado indagou sobre a classificação fiscal, na Tarifa Externa Comum (TEC) vigente, do produto de sua importação denominado “Pedra acrílica", oriundo de Taiwan (Hwa Tien Enterprise Co., Ltd.). O interessado a descreve como "pedra sintética", fabricadas com plástico transparente (acrílico), imitação de pedra cristal com banho de níquel ou de ouro na parte de trás a fim de gerar maior brilho da pedra, cujas facetas imitam uma pedra preciosa. Pode ser fabricada tanto na cor cristal (incolor) quanto com cores de pedras preciosas ou semipreciosas naturais. Apresentamse soltas, ou seja, não montadas nem engastadas em outros materiais. São utilizadas na confecção de fivelas e acessórios de metal em metalúrgicas, assim como na fabricação de bijuterias e outros ornamentos. O consulente anexou amostras ("pedras" de diversos formatos e dimensões, desde 6 x 6mm até 30 x 30mm). Ao final informa que pretende classificar o produto no código 7104.20.90. Fundamentos Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.345 18 2. De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI 1), a classificação de mercadorias na Tarifa Externa Comum (TEC) é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. 3. A posição 71.04, pretendida pelo consulente, compreende as "pedras sintéticas ou reconstituídas, mesmo trabalhadas ou combinadas, mas não enfiadas, nem montadas, nem engastadas". 4. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992 e com seu texto atualizado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008 (Suplemento ao Diário Oficial da União de 7 de fevereiro de 2008), relativas às pedras sintéticas ou reconstituídas dessa posição 71.04, assim são definidas: A) Pedras denominadas sintéticas. Este termo compreende um conjunto de pedras obtidas por síntese que: têm essencialmente a mesma composição química e a mesma estrutura cristalina que as pedras preciosas ou semipreciosas extraídas da crosta terrestre (rubis, safiras, esmeraldas, diamantes industriais, quartzo piezelétrico, por exemplo); ou em virtude de sua cor, brilho, inalterabilidade e dureza, são utilizadas em joalharia ou ourivesaria para substituir as pedras preciosas ou semipreciosas naturais, apesar de não possuírem a mesma constituição química e a mesma estrutura cristalina que as pedras naturais às quais se assemelham (por exemplo, a granada de alumínio e ítrio e a zircônia sintética cúbica, ambas utilizadas como imitações de diamante). Quando em bruto, as pedras sintéticas apresentamse geralmente em formas de pequenos cilindros ou pequenas esferas piriformes conhecidas como boules que, em geral, são submetidas a uma divisão longitudinal ou serradas em forma de lamelas. B) Pedras denominadas reconstituídas, obtidas artificialmente por qualquer processo (quase sempre por aglomeração e prensagem ou fusão ao maçarico), a partir de resíduos de pedras preciosas ou semipreciosas naturais, previamente pulverizadas. As pedras sintéticas e as pedras reconstituídas podem, em certos casos, distinguirse das pedras preciosas ou semipreciosas naturais por exame microscópico (de preferência, em meio diferente do ar), devido à presença, no seu interior, de bolhas gasosas redondas e, às vezes, de estrias curvas, que não se encontram nas pedras preciosas ou semipreciosas naturais. 5. As pedras objeto desta consulta não possuem a mesma composição química nem a mesma estrutura cristalina das pedras naturais imitadas, nem sequer são utilizadas em joalharia ou ourivesaria. Também não são pedras reconstituídas. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.346 19 5.1 Assim sendo, incabível classificar as pedras em questão, de acrílico, na pretendida posição 71.04. 6. Inexiste, na Nomenclatura, posição específica que abarque o produto em tela. A sua classificação é dada, por conseguinte, pela sua matéria constitutiva. 7. As imitações de pedra, de acrílico (plástico), classificamse, portanto, na posição 39.26 como "Outras obras de plásticos", por inexistir posição específica para esse tipo de produto na Nomenclatura. 8. No âmbito da posição 39.26, inexistindo subposição específica para as imitações de pedras, estas se classificam na subposição residual 3926.90 (aplicação da RGI 6); igualmente inexistindo item específico nessa subposição, o produto classificase no item residual 3926.90.90 (aplicação da Regra Geral Complementar RGC 1). Conclusão 9. Em face do exposto, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1 (texto da posição 39.26) e 6 (texto da subposição 3926.90), e Regra Geral Complementar (RGC) 1 (texto do item 3926.90.90), e com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, SOLUCIONO A CONSULTA, no uso da competência conferida pelo art. 48, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no sentido de que a mercadoria objeto da consulta se classifica no código 3926.90.90 da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 22 de dezembro de 2006 (publicada no DOU de 26 de dezembro de 2006). (grifo nosso) Acrescento, ainda, que os referidos produtos não correspondem ao conceito de bijuterias. Tratamse de pedras soltas, não montadas, e correntes dispostas em rolos com comprimento variando de 10m a 100m. As bijuterias encontramse na posição 71.17: 71.17 Bijuterias. 7117.1 De metais comuns, mesmo prateados, dourados ou platinados: 7117.11 Abotoaduras (botões de punho*) e artefatos semelhantes 7117.19 Outras 7117.90 Outras A nota 11 do Capítulo em questão considera: Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.347 20 [...] bijuterias os artefatos da mesma natureza dos definidos na alínea a) da Nota 9 (exceto botões e outros artefatos da posição 96.06, pentes, travessas e semelhantes, assim como os grampos (alfinetes*) para cabelo, da posição 96.15), não contendo pérolas naturais ou cultivadas, pedras preciosas ou semipreciosas, pedras sintéticas ou reconstituídas, ou só contendo metais preciosos ou metais folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê) como guarnições ou acessórios de mínima importância. A citada Nota 9 assim dispõe: 9. Na acepção da posição 71.13 consideramse artefatos de joalheria: a) os pequenos objetos de adorno pessoal (por exemplo, anéis, braceletes ou pulseiras, colares, broches, brincos, correntes de relógio, berloques, pendentes, alfinetes ou pregadores de gravata, abotoaduras (botões de punho*) e artefatos semelhantes, medalhas e insígnias religiosas ou outras); Concluise, desta forma, que bijuterias correspondem a pequenos objetos de adorno pessoal que não contenham pérolas naturais ou cultivadas, pedras preciosas ou semipreciosas, pedras sintéticas ou reconstituídas. A recorrente sustenta seu entendimento na Nota Explicativa da subposição 71.17, abaixo transcrita: Incluemse também na presente posição os artefatos de bijuterias não acabados ou incompletos (brincos, braceletes ou pulseiras, colares, etc.), tais como: a) Argolas abertas semiacabadas constituídas por fio de alumínio anodizado, em geral, entrançado ou trabalhado à superfície, com ou sem fechos rudimentares, às vezes utilizadas como brincos; b) Motivos decorativos, de metais comuns, mesmo polidos, reunidos por meio de pequenos elos ou malhas, apresentandose em tiras de comprimento indeterminado. Observo, contudo, pedras soltas, não montadas, e correntes dispostas em rolos com comprimento variando de 10m a 100m não podem ser consideradas como artefatos de bijuterias não acabados ou incompletos, mas sim como matérias primas para a confecção destas, como devidamente descrito pela recorrente. Da suspensão do IPI A recorrente contesta ainda o lançamento afirmando possuir direito ao benefício fiscal da suspensão do IPI previsto no artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, decorrente da revenda de produtos importados para empresas do setor calçadista. O dispositivo citado assim dispõe: Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.348 21 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto.(Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. Segundo esta norma, a saída de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimento industrial destinado a estabelecimento que se dedique à elaboração de determinados produtos, entre eles os calçados, tem suspensão do IPI devido. A questão controvertida resumese em saber se a regra de suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 alcança as operações realizadas por estabelecimentos equiparados a industrial. De pronto, entendo haver vedação legal para a utilização do benefício pela recorrente, qual seja o artigo 111 do Código Tributário Nacional, que determina que a interpretação de normas que regem benefícios fiscais deve ser literal, não dando espaço a qualquer interpretação extensiva. Como visto, a lei que instituiu o mencionado benefício da suspensão não prevê a inclusão dos estabelecimentos equiparados a industrial O art. 29 da Lei nº 10.637/02 só autorizou os estabelecimentos industriais a darem as saídas com suspensão do IPI. Assim, se a lei omitiu a menção aos equiparados, não se pode estender o benefício a estes. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.349 22 Percebase ainda que o artigo 4º, inciso I, da Lei nº 4.502/64, ao equiparar os importadores a estabelecimento produtor, restringiu a equiparação aos efeitos "desta lei", não alargando para os demais dispositivos normativos que regem o IPI: Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Não se trata, portanto, de uma restrição infralegal, criada por ato interno da RFB, mas sim de uma ausência de previsão legal concedendo o benefício aos equiparados a industrial. Correto, portanto, o entendimento fiscal. Do redimensionamento das bases de cálculo das infrações apuradas A recorrente sustenta neste tópico, inicialmente, uma nulidade do acórdão recorrido, devido a não ter enfrentado as questões postas a este respeito em sua peça impugnatória. A impugnação apresenta os seguintes questionamentos: As correntes de latão sem a afixação de pedras devem ser classificadas apenas como correntes; As notas fiscais com benefício de suspensão devem ser excluídas do lançamento; As notas fiscais de venda de produtos identiFicados como Clx, cost, cab, ace e pass devem ser classificados no código 8308.90.10 ou 9606.29.00. Pois bem, a decisão recorrida, neste tópico, apresenta as seguintes ponderações: Alega ainda a Impugnante que há erros na quantificação do crédito tributário lançado, ao qual devese determinar um redimensionamento da base de cálculo do auto de lançamento, nas seguintes situações: na listagem das correntes de latão/metal com pedras devem ser excluídos os produtos catalogados apenas como correntes, justamente por não ter em sua estrutura a afixação de pedras; subtrair da base de cálculo o valor correspondente a notas fiscais de venda de produtos identificados como clx, cost, cab, ace, fiv e pass, já que conforme entendimento da própria fiscalização esses produtos devem ser classificados no código 8308.90.10 ou 9606.29.00. Conforme esclarecido anteriormente, os art. 339, inciso IV, e art. 353, inciso II, ambos do RIPI/2002, dispõem sobre Nota Fiscal o seguinte: Art. 339. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.350 23 (...) IV – no quadro “Dados do Produto”: a) o código adotado pelo estabelecimento para identificação do produto; b) a descrição dos produtos, compreendendo: nome, marca, tipo modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; (...) Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei n° 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei n° 34, de 1966, art. 2o, alteração 15a): (...) II não contiverem, dentre as indicações exigidas nas alíneas b, f até h, j, e l, do quadro "Dados do Produto", de que trata o inciso IV do art. 339, e nas alíneas e, i, e j, do quadro "Cálculo do Imposto", de que trata o inciso V do mesmo artigo, as necessárias à identificação e classificação do produto e ao cálculo do imposto devido (Lei n° 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei n° 34, de 1966, art. 2°, alteração 15a); Assim, em observância às disposições acima, estabeleceuse a obrigação de identificação da mercadoria na nota fiscal de saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. No entanto, a Impugnante assim não procedeu, conforme esclarece o autuante no relatório fiscal (fl. 764): 15.1 Como as notas fiscais emitidas pelo estabelecimento não possuem elementos que permitam a perfeita identificação dos produtos, foram dadas várias oportunidades ao contribuinte para que apresentasse dados complementares, mas a empresa não conseguiu sanar as deficiências de seus sistemas de controle. Cabe ressaltar que em 07/08/2012, foi lavrado Termo de Constatação (fls. 239/248) com os fatos apurados, com extensa referência a problemas na descrição dos produtos nas notas fiscais de saída. A Impugnante não apresentou informações complementares em resposta ao termo, permanecendose inerte. Observase que os fatos apurados e considerados pela fiscalização foram aqueles registrados pelo sujeito passivo em seus documentos fiscais, constituindose estes em provas suficientes para o lançamento do crédito tributário, a ela cabendo o ônus da prova para que possam ser retificadas. Das alegações e documentos apresentados pela impugnante não se constata nenhum que possa melhor identificar os produtos descritos nas notas fiscais de saídas. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.729814/201245 Acórdão n.º 3201002.230 S3C2T1 Fl. 1.351 24 Deste modo, tendo em vista que não se comprovam os equívocos alegados pela Impugnante, pois as notas fiscais de saída possuem denominações genéricas, tais como, “acessórios para calçados” ou “corrente de latão”, inexiste reparo a ser feito no lançamento. De fato, conforme se verifica na análise nas respostas as intimações apresentadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal, bem como em sede de contencioso administrativo, a recorrente não formalizou suas atividades de forma a permitir que se proceda com as alterações que alega. Constatase ainda que a decisão recorrida enfrentou a questão posta, inexistindo qualquer mácula ao ato administrativo. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/07/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.025345/88-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1985, 1986, 1987
RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA.
Não merece ser conhecido o recurso voluntário que, abandonando os elementos propulsores da autuação, bem como os fundamentos do ato decisório que pretendeu contestar, limita-se a sustentar a extinção, por pagamento, dos valores objeto de discussão em âmbito administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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INÉPCIA. Não merece ser conhecido o recurso voluntário que, abandonando os elementos propulsores da autuação, bem como os fundamentos do ato decisório que pretendeu contestar, limitase a sustentar a extinção, por pagamento, dos valores objeto de discussão em âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 53 45 /8 8- 59 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.025345/8859 Acórdão n.º 1301002.034 S1C3T1 Fl. 583 2 Relatório BANCO REAL S/A, já devidamente qualificado nos autos, inconformado com a decisão prolatada pela então Delegacia da Receita Federal em São Paulo SUL, São Paulo, que manteve o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o processo de exigência de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativa aos anos de 1984 e 1985, formalizada em virtude de autuação promovida em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (tributação reflexa), objeto do processo administrativo nº 10880.025346/8811. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 19/21. A referida Delegacia da Receita Federal em São Paulo SUL, apreciando as razões trazidas em sede de defesa inaugural, julgou procedente o lançamento tributário (DECISÃO nº 70/94 EQPPJ), fls. 57/59. A decisão em referência foi assim ementada: PIS/DEDUÇÃO DO IRPJ EXS. 1985 e 1986 REFLEXO: A procedência do lançamento fiscal efetuado no processomatriz de IRPJ, implica a manutenção da exigência fiscal dele decorrente. Ação Fiscal Procedente. Às fls. 76/78, consta RECURSO, por meio do qual a contribuinte expõe os fatos e, adiante, traz considerações no sentido de que efetuou o recolhimento dos montantes discutidos. Adita que, caso remanesçam dúvidas, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL confirme o referido recolhimento. É o Relatório. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.025345/8859 Acórdão n.º 1301002.034 S1C3T1 Fl. 584 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Trata a lide de exigência de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativa aos anos de 1984 e 1985, formalizada em virtude de autuação promovida em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (tributação reflexa), objeto do processo administrativo nº 10880.025346/8811. Em sua peça recursal, após historiar os fatos, a contribuinte assinala: [...] II. DAS RAZÕES DE REFORMA DA R. DECISÃO 7. Conforme salientado anteriormente, o Recorrente recolheu, efetivamente, os pagamentos ora discutidos, conforme comprovam cabalmente os Documentos de Arrecadação do PIS DAR/PIS, nos montantes de Cz$ 202.827.52, Cz$ 984.836,58 e Cz$ 717.875.83, em 12 de agosto de 1988 (fls. 31/33). 8. Não se pode valer a Recorrida, no entanto, de uma informação interna e equivocada, que se contrapõe à uma prova documental e idônea trazida pelo Recorrente e que, por si só, já se constitui, apropriadamente, em presunção "juris tantum" de que os referidos valores foram efetivamente recolhidos. 9. Nesse sentido, se ainda restar alguma dúvida acerca do recebimento dos valores ora discutidos, deverseá, converter o julgamento em diligência, oficiando se a Caixa Econômica Federal para informar e confirmar o recolhimento desses valores. III. CONCLUSÕES 10. Ante todo o exposto, requer seja o presente RECURSO conhecido e provido, para o fim de reformarse a r. decisão recorrida, considerandose que os valores ora discutidos (fls. 31 a 33) foram, efetivamente, recolhidos. 11. Se assim não for, requer seja convertido o julgamento em diligência, oficiandose a Caixa Econômica Federal para informar e confirmar o recolhimento e repasse desses valores. 1. Assim decidindo, esse C. Conselho estará agindo com inteira Justiça! Notase, pois, que inexiste matéria a ser apreciada no âmbito deste Conselho Administrativo, eis que a discussão travada em sede de recurso limitase à comprovação do recolhimento da exação devida, questão que se insere nas atribuições dos órgãos integrantes da estrutura da Receita Federal do Brasil responsáveis pelo controle do crédito tributário. Pelas razões expostas, por entender inepto, deixo de conhecer o recurso voluntário interposto. “documento assinado digitalmente” Fl. 594DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.025345/8859 Acórdão n.º 1301002.034 S1C3T1 Fl. 585 4 Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13884.721320/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF.
Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2201-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ- Relatora.
Assinado digitalmente.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em exercício. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ- Relatora. Assinado digitalmente. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em exercício. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. Assinado digitalmente. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 13 20 /2 01 4- 54 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 26/05/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, anocalendário 2009, na qual foi constatado que os rendimentos da contribuinte foram indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave ou da sua condição de aposentada, pensionista ou reformada. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pela contribuinte, foi juntado aos autos laudo pericial oficial emitido pela Junta Superior de Saúde do Comando da Aeronáutica (serviço médico oficial) dispondo que a contribuinte era portadora de alienação mental. O mencionado laudo, datado de 04/09/2013, expressamente dispôs que a sua validade retroagiria à data do Parecer da Psiquiatria do GIASJ, em 11/12/2012, estando, assim, abrangidos pela isenção apenas os rendimentos recebidos a partir dessa data. Inconformado com a notificação apresentada, que se refere a período anterior a 11/12/2012, o espólio da contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise são isentos e que não foram considerados os documentos apresentados em 16 de maio de 2014. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o crédito tributário em parte, determinando o cancelamento da multa de 75% e mantendo o imposto suplementar acrescido de multa de mora de 10% e juros legais, com a seguintes considerações: a) embora o sujeito passivo do presente lançamento seja o espólio e não o "de cujus" identificado na autuação, pois a contribuinte era falecida, quando da notificação de lançamento, o vício foi sanado pela inexistência de prejuízo para a defesa, que, tempestivamente, apresentou impugnação, afastando a nulidade do ato; b) a multa aplicável é a prevista no art. 49 do DecretoLei n.º 5.844/1943, que fixa o percentual de 10%, e não a multa do art. 44 da Lei 9.430/1996; c) em razão da alienação mental da contribuinte diagnosticada no Laudo Médico Pericial emitido por serviço médico oficial, datado de 20/02/2013, com data retroativa a dezembro de 2012, e, paralelamente a isso, por não ter havido à época a interdição da interessada, em face da doença (alienação mental), resta concluir que não ficou evidenciada a condição de alienada mental antes de dezembro de 2012, sendo, portanto, tributáveis os rendimentos recebidos a título de pensão. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13884.721320/201454 Acórdão n.º 2201002.822 S2C2T1 Fl. 89 3 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o espólio da contribuinte alegou que a contribuinte havia sido diagnosticada como portadora de alienação mental, em 11/12/2012, conforme exames, mas a doença tinha se manifestado há mais de cinco anos, como demonstram os atestados e exames acostados aos autos (atestados médicos datados de 25/10/2010, de 04/12/2010 e de 24/01/2013; certidão de óbito de 21/03/2014 e demais laudos médicos, fls 70 a 73). Além disso, sustentou o espólio que, diante do fato de a doença ser degenerativa, evidentemente a contribuinte já estava acometida há vários anos, razão pela qual foi retificada a declaração de imposto de renda referente ao exercício 2010 para a solicitação de restituição do imposto. É o relatório. Voto Conselheiro ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 76.300,00 (setenta e seis mil e trezentos reais), recebidos de Pessoa Jurídica indevidamente declarados como isentos ou nãotributáveis, em razão de a contribuinte não ter comprovado ser portadora de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentada, pensionista ou reformada, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca da natureza dos rendimentos percebidos pela contribuinte (pensão), fazse necessário analisar o aspecto relativo à caracterização da patologia. Verificase que o cerne da controvérsia em questão é a possibilidade de comprovação da alienação mental da contribuinte falecida, por meio de atestados médicos e demais laudos não oficiais, anteriores a 12/2012, que foi o marco inicial do reconhecimento da moléstia grave, mediante a apresentação do laudo médico oficial, conforme a legislação regente da matéria. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13884.721320/201454 Acórdão n.º 2201002.822 S2C2T1 Fl. 90 5 Cumpre esclarecer que, embora os atestados médicos particulares datados de períodos anteriores a 12/2012 (25/10/2010, 04/12/2010 e 24/01/2013) indiquem indícios da existência da patologia grave, não há laudo pericial oficial referente ao período pleiteado pelo espólio, pois o laudo oficial declara expressamente a sua retroatividade para 12/2012. Assim, considerando a ausência de apresentação do laudo oficial referente ao período pleiteado, resta descumprido o requisito formal necessário ao reconhecimento jurídico da doença, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Observando a legislação de regência, bem como a mencionada súmula, tem se a seguinte jurisprudência desse Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2003 IRPF. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Conforme se denota do teor da Súmula Vinculante nº 63, havendo laudo médico pericial, elaborado por peritos oficiais, reconhecendo a moléstia grave a decorrendo o provento de pensão ou aposentadoria, faz jus o contribuinte à isenção do Imposto sobre a Renda. Preliminar rejeitada e Recurso Provido. (CARF, 1ª Turma Especial, Acórdão n.º 2801002.428, de 15 de maio de 2012, Rel. Sandro Machado dos Reis.) Desse modo, em obediência ao disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e ao conteúdo do Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, por ausência do cumprimento do requisito legal de apresentação do laudo pericial oficial referente ano calendário objeto da autuação, impõese a manutenção do lançamento. Tais as razões expendidas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19814.000315/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2006
LEI 11.457/2007. DECISÕES. PRAZO PARA QUE SEJAM PROFERIDAS. TREZENTOS E SESSENTA DIAS. INOBSERVÂNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O descumprimento do disposto no art 24 da Lei nº 11.457/2007, que delimita em 360 dias o prazo para que a autoridade administrativa profira decisão sobre petições, defesas e recursos do contribuinte, não acarreta a decadência do crédito tributário constituído em auto de infração.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/03/2006
IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS DEFEITUOSAS. SUBSTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. LAUDO TÉCNICO. CONDIÇÃO.
A não incidência do Imposto de Importação na reposição de mercadoria importada que, após o despacho aduaneiro, se revele defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, está condicionada à comprovação do defeito ou imprestabilidade por meio de laudo técnico fornecido por instituição idônea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Prado, que dava provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2006 LEI 11.457/2007. DECISÕES. PRAZO PARA QUE SEJAM PROFERIDAS. TREZENTOS E SESSENTA DIAS. INOBSERVÂNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O descumprimento do disposto no art 24 da Lei nº 11.457/2007, que delimita em 360 dias o prazo para que a autoridade administrativa profira decisão sobre petições, defesas e recursos do contribuinte, não acarreta a decadência do crédito tributário constituído em auto de infração. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 15/03/2006 IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS DEFEITUOSAS. SUBSTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. LAUDO TÉCNICO. CONDIÇÃO. A não incidência do Imposto de Importação na reposição de mercadoria importada que, após o despacho aduaneiro, se revele defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, está condicionada à comprovação do defeito ou imprestabilidade por meio de laudo técnico fornecido por instituição idônea. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Prado, que dava provimento ao Recurso. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 14/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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DECISÕES. PRAZO PARA QUE SEJAM PROFERIDAS. TREZENTOS E SESSENTA DIAS. INOBSERVÂNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O descumprimento do disposto no art 24 da Lei nº 11.457/2007, que delimita em 360 dias o prazo para que a autoridade administrativa profira decisão sobre petições, defesas e recursos do contribuinte, não acarreta a decadência do crédito tributário constituído em auto de infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/03/2006 IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS DEFEITUOSAS. SUBSTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. LAUDO TÉCNICO. CONDIÇÃO. A não incidência do Imposto de Importação na reposição de mercadoria importada que, após o despacho aduaneiro, se revele defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, está condicionada à comprovação do defeito ou imprestabilidade por meio de laudo técnico fornecido por instituição idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Prado, que dava provimento ao Recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 03 15 /2 00 6- 12 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, em ato de conferência aduaneira a que se refere o artigo 504 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 e, à vista do que determina a Portaria MF nº 150/82, entende a fiscalização que o Importador não faz jus aos direitos pleiteados, para importação dos bens objetos da DI de nº 06/03001267, vide fls. 06/07, registrada em 15/03/2006, fls. 88/96 sem a incidência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, na forma do disposto no artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, pelas razões a seguir. O importador submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos nos R.E.s de fls. 26/34, fundamentando sua petição inicial na Portaria MF n° 150/82, modificada pelas Portarias MF n's 326/83 e 240/86. Destacou a fiscalização que a Portaria MF nº 150/82, trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Analisando os autos, não consta laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma da Portaria MF n° 150/82, que comprove a imprestabilidade da mercadoria substituída. Embora o interessado tenha especificado, no Campo 25, dos REs — Observações do Exportador a DI de Nacionalização, na análise da referida DI, fls. 50/52, podemos observar que não foram importados os Amplificadores destacados nos REs. As folhas 58/62 do presente processo encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77996/2005, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01 (um) amplificador de potência 40w 800MHz, Part Nurnber TTF1580A e 01 (um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o amplificador de potência Part Number TTF1580A e o amplificador P/N CLF 1772F", e que "de acordo com os resultados de inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N T7F1580A e o amplificador PN CLF 1772F". Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000315/200612 Acórdão n.º 3102003.243 S3C1T2 Fl. 13 3 As L.I.s foram deferidas sem a apresentação do necessário laudo técnico, conforme podemos observar nos próprios documentos, os termos: NÃO EXISTE LAUDO TÉCNICO PARA ESTA ANUÊNCIA, portanto, contrários ao que determina a Portaria MF n° 150/82. Segundo entendimento da fiscalização, na alteração do Part Number da mercadoria, principalmente tratando de bens de informática e telecomunicações, tais como: placas, disco rígido, amplificador de potência, o novo bem traz consigo inovações tecnológicas, face a rapidez nas evoluções tecnológica dessa área, tanto em software quanto em hardware, impondo uma depreciação acelerada tendo em vista da sua obsolescência. Os equipamentos importados em substituição com novo Part Number, vem com tecnologia atualizada, mais avançada, ou também poderão vir bem recondicionados ou manufaturados, como material, impossível de ser analisado no ato do desembaraço, visto não dispormos do País, de Laboratórios de Análise que possa detectar defeitos em componentes eletrônicos de placas, discos rígidos e outros bens da área de informática e telecomunicações. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitido pela SGS com a alegação de que: "O amplificador de potência 40w 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A e por isso, está sendo substituído pelo Part Number CLF1772F", de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82, mercadoria idêntica. Quanto ao contrato, entende a fiscalização que entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o beneficio de não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL). Isso porque, tratase de Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores e, conserto definido do módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento". Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. Através da Petição, protocolada em 16/03/2006, fls. 87, a interessada solicita a "REIMPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS OBJETOS DA D.I. nº 06/03001267, SEM A INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS" fundamentando seu pedido nos artigos 74, inciso II e 409 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002. Os dispositivos legais citados tratam somente de exportação temporária, em nenhum momento fala de substituição de mercadorias nos termos da Portaria MF n° 150/82. Por fim, cabe destacar que, conforme citado pela fiscalização, em recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo n° 10831.008937/200355, ficou constatado, através de documentos da própria empresa, "Packing List" com valor FOB das mercadorias, encontrados no interior dos respectivos volumes", trazendo com isso, valores muito superiores aos declarados nas importações, cujas mercadorias, naquele momento estavam sendo despachadas em regime de exportação temporária para conserto, levando a fiscalização a detectar fortes indícios de subfaturamento nas importações, conforme demonstrado às fls. 04/05 do Auto de Infração. Entre outros, conforme fls. 03 do Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Auto de Infração, encontravase no Packing List, o preço do Amplificador de Potência de 40W, no valor de US$ 15.473,00. (negritei) E mais: ficou constatado que os valores dos referidos Amplificadores de Potência de 40w, declarados nos referidos documentos, tinham os mesmos valores declarados na D.I. n° 02/10497607, fls, 160/170, de 26/11/2002, ou seja, US$ 15.473,00, cujos valores eram divergentes dos declarados nos R.E.s de fls. 26/34 (US$ 2.914,00). Em vista disso, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 01 a 22, para a cobrança do Imposto sobre a Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados na importação e multas de ofício. Ciente do Auto e Infração em 31/05/2006 (fl. 01); em 30/06/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 211/222, onde em síntese alegou: o procedimento adotado pela Impugnante na exportação para substituição dos equipamentos insertos nas DIs foi analisado pela fiscalização aduaneira, concluindo erroneamente que a Impugnante não faz jus ao beneficio consistente no não recolhimento do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, ante os seguintes argumentos: (i) ausência de laudo técnico a amparar as exportações para substituição; (ii) que o contrato de garantia celebrado entre a Impugnante e o fabricante dos equipamentos sujeitos a reparo não ampara a substituição de peças e equipamentos sem a incidência de tributos; (iii) que a mera alteração de Part Number dos equipamentos implica na inovação tecnológica dos mesmos; e (iv) diferença de valores entre os equipamentos objeto da presente autuação fiscal e outros importados anteriormente pela Impugnante; forçoso concluir que o conjunto da autuação levada a efeito, não se sustenta, possivelmente pela especificidade da matéria em comento. É o que se passa a demonstrar; todos os requisitos previstos na Portaria MF n° 150/82, foram cumpridos, o que torna insubsistente e sem nenhum proveito 'econômico para a Impugnante qualquer tentativa de promover a cobrança dos impostos incidentes na reposição de tais equipamentos; alega a fiscalização que as exportações para substituição procedidas pela Impugnante foram feitas sem o respaldo de laudo técnico, exigido pela Portaria MF n° 150/82; a Impugnante apresentou laudo técnico, elaborado pela empresa SGS do Brasil Ltda. Multinacional de renome mundial, presente em mais de 136 países e de idoneidade incontestável; referido laudo, denominado Relatório e Inspeção, teve por objetivo apresentar o resultado da inspeção realizada pela empresa nos equipamentos defeituosos embarcados para substituição ser promovida pela Motorola Inc., com o fito de identificar defeitos ou imprestabilidade ao fim a que se destina, concluindo se que "a partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam. " (Doc. 02) grifou; o laudo técnico foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma (fls.215); Fl. 423DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000315/200612 Acórdão n.º 3102003.243 S3C1T2 Fl. 14 5 o laudo técnico emitido pela empresa SGS do Brasil Ltda., no qual atesta a imprestabilidade dos equipamentos remetidos para substituição mediante exportação prevista na Portaria MF n° 150/82 faz parte integrante do referido processo de exportação para substituição; a Portaria n° 150/82, não exige descrição detalhada da mercadoria, Part Number e número de série, país de origem, etc; ainda que assim não fosse, é certo que os equipamentos exportados pela Impugnante para substituição tiveram suas descrições detalhadas no referido laudo, o que torna inconteste a possibilidade da fiscalização aduaneira identificar os equipamentos imprestáveis para uso e sujeitos à substituição; além do laudo, a Impugnante requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos; isso porque, alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição tiveram alterado o número de seu Part Number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos, (Doc. 03); a alteração de Part Number não traz qualquer inovação funcional e tecnológica nos equipamentos, que mantém a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos; a Portaria que disciplina a exportação de equipamentos para substituição foi publicada no ano de 1982, época em que a tecnologia era incipiente; a Impugnante possui com a empresa fabricante dos equipamentos substituídos Motorola Inc. contrato de garantia o que torna sem sentido, em termos comerciais, que a fabricante incremente a tecnologia de equipamentos suportados por garantia sem a cobrança de qualquer contraprestação; os equipamentos defeituosos foram substituídos por outros de mesma capacidade e função; para justificar o alegado subfaturamento, pautase na existência de um "packing list" cujo valor declarado é superior àqueles declarados nas importações ora analisadas. Tais argumentos, todavia, são desprovidos de qualquer fundamento fático e legal, (cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes); o método de valoração aduaneira adotado pela Impugnante, cumulado com o acordo comercial estabelecido entre as partes pressupõe que a empresa autuada deverá considerar o preço efetivamente praticado na importação dos equipamentos e não aquele relacionado no referido "packing list", o que afasta integralmente o alegado subfaturamento e das mercadorias; não se pode deixar de mencionar que a Impugnante, até os dias atuais, á a única empresa que opera com referida tecnologia no Brasil, o que a coloca na condição de empresa importadora de grande quantidade dos equipamentos objeto da inspeção aduaneira e autuação fiscal aqui combatidas. (Doc. 05); a fiscalização aduaneira não possui sequer parâmetros de comparação dos preços praticados pela Impugnante com outras empresas do ramo de telecomunicações a amparar qualquer alegação de subfaturamento; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 nos casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia, não há prazo estipulado pra a exportação das mercadorias imprestáveis ao fim a que se destinam, razão pela qual, à vista do contrato de garantia dos equipamentos importados, o direito da Impugnante à exportação para substituição daqueles imprestáveis para uso, se, cobertura cambial, está garantido pela Portaria MF n° 150/82; requer o cancelamento das cobranças intentadas, com o conseqüente arquivamento dos autos deste contencioso administrativo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/03/2006 NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS. Provado que a importação efetuada não atende às condições estabelecidas pela Portaria MF n° 150/82, com modificação da Portaria MF n° 240/86, é cabível as exigências do Imposto sobre a Importação e Imposto sobre Produtos Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. Acrescenta que houve descumprimento do disposto no art 24 da Lei nº 11.457/2007, que restringe em 360 dias o prazo para que a autoridade administrativa profira decisão sobre petições, defesas e recursos do contribuinte. Contesta contra a incidência de juros sobre multa de ofício constituída no Auto de Infração controvertido. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tendo em vista o lapso temporal entre a impugnação e a data em que foi proferida a decisão recorrida, a Reclamante, em sede preliminar, entende que a Fazenda Publica Federal perdeu o direito de constituir definitivamente o crédito tributário litigado, pelo descumprimento do prazo de 360 dias para que a autoridade administrativa profira decisões sobre petições, defesas e recursos do contribuinte, conforme estabeleceu o art 24 da Lei n° 11.457/2007, nos seguintes termos: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000315/200612 Acórdão n.º 3102003.243 S3C1T2 Fl. 15 7 É incontroverso que a disposição legal em comento aplicase ao caso concreto, já que estáse diante de uma defesa apresentada pelo contribuinte, no caso, a impugnação ao lançamento. E é fato que o escopo da Lei é claro: dispõe sobre a Administração Tributária Federal (...) e dá outras providências. O problema é o efeito que o contribuinte pretende dar à inobservância do prazo, qual seja, a perda do direito à constituição definitiva do crédito tributário. Em primeiro lugar, segundo entendo, o crédito tributário é constituído no momento da lavratura do auto de infração, sujeito à revisão com base nas decisões proferidas no processo administrativo fiscal. Com efeito, são muitas as disposições do Código Tributário Nacional a esse respeito. Em um primeiro momento, o artigo 142 do Código, ao atribuir à autoridade administrativa a competência para o lançamento, deixa claro que é por meio desse procedimento que o crédito tributário é constituído, sem que seja feita nenhuma menção a qualquer tipo de condição resolutiva ou de temporalidade. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A seguir, as disposições contidas no Código deixam claro que o lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo só se altera pelas decisões de primeira e segunda instâncias administrativas de julgamento. Essas, conforme artigo 151, suspendem a exigibilidade do crédito e, ao final, podem extinguilo, total ou parcialmente. Em nenhum momento fazse qualquer menção à constituição do crédito. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 E, de fato, como poderseia conceber a ideia de que as reclamações suspendem a exigibilidade do crédito tributário e as decisões correspondentes extinguemno, se ele ainda não estivesse formalmente constituído? Fosse isso verdade, e o próprio pagamento do valor exigido em auto de infração deveria ser reconhecido como o fato jurídico que constitui o crédito, pois, se a constituição depende da decisão definitiva, seria necessário aguardar a renúncia ao direito de discutilo para considerálo constituído. O fato é que o lançamento, procedimento por meio do qual é constituído o crédito tributário, pode ser apenas alterado por uma das iniciativas previstas no artigo 145. Não se está falando em convalidação do procedimento em si, mas da possibilidade de modificação daquilo que está, desde o início, definitivamente constituído. Mais uma evidência de que a interpretação proposta está correta, é o fato de que, nos termos do art. 173 do CTN, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido realizado1. Imaginese qual haveria de ser a consequência de admitir que crédito só estivesse definitivamente constituído depois da decisão administrativa irreformável. Com efeito, a expressão contida no artigo 1742 do Código não pode ser interpretada como deseja a Recorrente. Não há como imaginar que o legislador, ao empregar a expressão constituição definitiva pretendia que a instauração do litígio reconduzisse o crédito tributário constituído em auto de infração ao status anterior de obrigação tributária dependente de constituição formal, fazendo ressurgir, inclusive, a possibilidade de decadência do direito da Fazenda de transmutar, pelo lançamento, a obrigação em crédito. A vocábulo definitiva, neste caso, expressa a condição de imutabilidade do quantum devido. Não guarda nenhuma relação com o ato jurídico que constitui a obrigação préexistente. Esse, enquanto procedimento necessário à prevenção da decadência, encontrase pronto e acabado desde o momento da ciência do auto de infração. Se houvesse algo passível de reclamação no âmbito do processo administrativo fiscal nos casos de descumprimento do disposto no artigo 24 da Lei n° 11.457/2007, seria a hipótese de prescrição de cobrança do crédito constituído. Contudo, como é de sabença, não há que ser falar em prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal, a teor da Súmula CARF nº 11, conforme abaixo. Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Há precedentes do CARF neste sentido, conforme segue. PRAZO DE 360 DIAS. JULGAMENTO. ART. 24 DA LEI N. 11.457/07 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O art. 24 da Lei n. 11.457/07 não impõe à Administração Pública a perda de seu poderdever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece sobre a Lei n. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 2 Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000315/200612 Acórdão n.º 3102003.243 S3C1T2 Fl. 16 9 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo e procedimento administrativos federais. Precedentes. Acórdão nº 1801002.315, de 04/03/2015. Relator Alexandre Fernandes Limiro. PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário sobrevinda de decisão administrativa proferida em prazo superior a 360 dias. Acórdão: 1301001.697, de 23/10/2014. Relator Paulo Jakson da Silva Lucas. APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. EFEITO. O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. Acórdão: 2102003.031, de 17/07/2014. Relatora: Nubia Matos Moura. No mérito, a Recorrente argumenta que a decisão de piso fundamentouse no descumprimento de dois requisitos para a fruição do benefício pleiteado: (i) o prazo para remessa dos equipamentos imprestáveis para substituição no exterior e (ii) a não apresentação de laudo técnico que demonstrasse o defeito ou a imprestabilidade das peças que se pretendia repor. Em sua defesa, sustenta que, nos casos de equipamentos amparados por contrato de garantia, o prazo supostamente descumprido não é definido pela Portaria 150/82 e que o laudo técnico teria sido apresentado antes do despacho aduaneiro de exportação. E de fato, depreendese incontroverso da decisão recorrida o entendimento de que, uma vez que a importação das mercadorias "defeituosas" ocorreu há mais de sete anos da importação objeto da lide3, tal solicitação não deveria ter sido atendida. Ou seja, as mercadorias ora importadas não deveriam ter sido reexportadas nos termos da Portaria nº 150/82. Neste particular, segundo me parece, é possível que assista, pelo menos em parte, razão à Recorrente. Salvo engano, a Norma concessiva, Portaria MF 150/82, não deixa dúvidas de que os prazos nela estipulados não alcançam os casos de reposição de mercadoria comprovadamente amparados em contrato de garantia, se não vejamos. 3. O pedido de guia de exportação e de importação vinculadas, nos termos desta Portaria, deverá ser apresentado à CACEX, sob pena de indeferimento, no prazo de 90 (noventa) dias, cujo termo inicial será a data do desembaraço aduaneiro da mercadoria a ser restituída. 3.1. Em casos especiais, justificados, poderá a CACEX acolher pedidos decorrido prazo maior, não superior a 180 (cento e oitenta) dias. 3 Os Registro de Exportação informam que as mercadorias defeituosas ou imprestáveis foram importadas em 1998. A importação das mercadorias para reposição ocorreu por meio da DI de n° 06/02926224 e 06/02938290 , registrada em 14/03/2006. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 3.2. Excetuamse da exigibilidade do atendimento dos prazos fixados neste item, a critério exclusivo da Cacex, os casos de reposição de mercadoria, comprovadamente amparados em contrato de garantia. (grifos meus) De se observar que, talvez por entender que já houvessem razões suficientes para o indeferimento do pleito, essa questão em particular não foi abordada na decisão de piso. Já a Fiscalização Federal, por seu turno, explica no Relatório do Auto de Infração as razões porque considerou que o contrato firmado entre as partes não amparava a substituição de peças e equipamentos com o benefício da não incidência tributária. Transcrevo, a seguir, excerto extraído do Auto. Entendo, s.m.j., que tal contrato entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL Imp BRASIL S/A como Contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício da não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL), senão vejamos: a) Tratase de um Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores; Conserto definido do Módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento b) relacionado ao Sistema de Alimentação de energia CC, dentre eles: amplificadores, dupliexadores, circuladores,...; c) o que é fornecido ............................ todos os módulos de substituição fornecidos terão um novo número de série. Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor; d) Embora a Motorola e seus vendedores OEM (sic) tentem na maioria dos casos consertar as placas com defeitos, este programa não garante que todas as placas serão consertadas. Nesses casos, o programa fornecerá à Motorola e ao vendedor OEM substituições (placas recondicionadas) para essas placas com defeito; (g.n..) De todo o fragmento acima transcrito, não enxergo, a priori, nada que, do ponto de vista legal, descaracterize o contrato como sendo um contrato de garantia. De fato, o que talvez se perceba é uma questão de natureza factual que merece ser apreciada. Como acima pode ser lido, estava previsto no contrato que todos os módulos de substituição fornecidos terão um novo número de série. Depreendese, assim, conforme a própria Fiscalização interpretou e apontou, que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. E, de fato, a leitura dos autos não deixa margem de dúvida de que as mercadorias importadas para substituição das defeituosas/imprestáveis tinham um part number distinto daquele que identificava as mercadorias substituídas. A evidência de que o negócio ocorreu nestas circunstâncias, além de atestar uma relevante distinção entre os termos nos quais a operação estava prevista no contrato de garantia e aqueles nos quais ele efetivamente foi executado, pode, sem dúvida, oporse aos Fl. 429DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000315/200612 Acórdão n.º 3102003.243 S3C1T2 Fl. 17 11 próprios critérios definidos na norma legal para a importação sem pagamento de Impostos, na medida em que não tratarseiam, bens substitutos e substituídos, de mercadorias idênticas, de igual quantidade e valor4. O contribuinte, contudo, apresenta suas explicações para isso tenha ocorrido. Afirma: Referido laudo trouxe em seu bojo a descrição detalhada dos mencionados equipamentos objeto de análise na presente autuação fiscal e concluiu, ao final, que "de acordo com os resultados da inspeção retro transcrita, foi possível constatar o que foi alegado pelo cliente. O amplificador de potência CLF 1772F tem a mesma forma, ajuste e funcionalidade do amplificador TTF1580A",conforme atestado pelo Doc. 04 juntado à Impugnação. A conclusão ora transcrita nos remete à seguinte constatação: a mera alteração de part number dos equipamentos tem por único escopo permitir o rastreamento do produto em função da modificação da relação de materiais/fornecedores que compõem o seu módulo, fazendose necessário esclarecer tratarse de mero procedimento interno de controle da fabricante dos equipamentos que estão sendo fiscalizados. E aduz que, ao contrário de como entendeu a Fiscalização, a alteração do part number não traduz inovação tecnológica ou funcional, e que as disposições da Portaria MF 150/82 devem ser interpretadas levandose em consideração que, à época, a tecnologia desses equipamentos estava em fase incipiente. Há também, conforme consta no próprio Relatório do Auto de Infração, informação pericial dando conta de que os equipamentos só não são idênticos por conta do tempo transcorrido e da evolução tecnológico decorrente desse lapso temporal. Observese. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitido pela SGS com a alegação de que: "O amplificador de potência 40W 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A, de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82, mercadoria idêntica. Creio que, de fato, tratese de uma questão deveras instigante. Se, por um lado, são de todo razoáveis as explicações apresentadas pelo contribuinte, de outro, o fato é que a operação levada a efeito não estava prevista na norma legal, que referiuse textualmente a mercadorias idênticas, em igual quantidade e valor, não fazendo qualquer menção às alterações decorrentes da evolução tecnológica, que, faço aqui o registro, à época já era prevista e conhecida. Quanto a isso, não será demais lembrar que se está diante de uma regra de exceção, que, por assim sêlo, exige interpretação restritiva. Penso, contudo, que seja interessante, antes de qualquer decisão definitiva a esse respeito, examinar as demais questões opostas pela Fiscalização ao desgravamento da operação. 4 Portaria 150/82. Após considerandos, resolve: "Fica autorizada a reposição de mercadoria importada que se revele, após o seu despacho aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, por mercadoria idêntica, em igual quantidade e valor". Fl. 430DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Um dos problemas identificados está relacionado ao preço das mercadorias. Não com a diferença de preço que decorre da precitada evolução tecnológica, mas com a ocorrência de subfaturamento das importações realizadas. A esse respeito, conforme entendimento que já tive oportunidade expressar no corpo do acórdão nº 310201.558, de 18 de julho de 2012, a existência de um paking list encontrado pela Fiscalização em uma operação de exportação atrelada a uma importação que ocorreu em momento distante da que se discute nos autos não pode sustentar, por si só, a interpretação de que todas as importações realizadas dali para frente serão ou foram subfaturadas, especialmente quando não se demonstra a equivalência dos preços praticados nas diversas operações5. Por outro lado, não me parece que o subfaturamento do preço seja uma questão nevrálgica na solução da vertente lide. De tudo o que se disse nos autos, é fácil compreender que a controvérsia gira em torno da identidade das mercadorias exportadas e importadas, essa sim, uma das condições para a fruição do benefício fiscal. Embora o preço efetivamente pago seja um dos elementos passíveis de serem considerados na formação de juízo a esse respeito, preços manipulados não têm nenhuma utilidade para este fim. Postas estas questão, passo ao exame de outro dos requisitos estabelecidos na legislação e que, segundo o Fisco, não foi atendido. Tratase da obrigatoriedade de comprovação do defeito ou imprestabilidade da mercadoria por meio de laudo técnico fornecido por instituição idônea. O texto legal é o seguinte. 2. A autorização condicionase à observância dos seguintes requisitos e condições: (...) b) o defeito ou imprestabilidade da mercadoria deve ser comprovado mediante laudo técnico, fornecido por instituição idônea, a juízo da CACEX; Às folhas 264 e seguintes, encontrase o Relatório de Inspeção N° IS 77 1093/2004B, emitido pela SGS do Brasil Ltda. Vêse que não se trata de um laudo técnico propriamente dito, mas, como o próprio nome diz, de um Relatório de Inspeção das mercadorias. Inobstante, à margem dessa questão, importa transcrever e interpretar relevantes considerações presentes no corpo do documento, com o fito de atestar ou não sua prestabilidade ou não aos fins a que se destina. Reproduzo, a seguir, fragmento do Relatório. 5. RESULTADOS DA INSPEÇÃO 5.1 Análise de Documentação 5 Assim me manifestei na ocasião: Sopesando todas essas circunstâncias, é preciso que se diga que, no caso concreto, pelo teor da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, a acusação de subfaturamento do preço está respaldada, exclusivamente, em um paking list encontrado pela Fiscalização em uma operação de exportação cuja importação correspondente ocorrera cinco anos antes da importação objeto da presente autuação, e nada mais. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000315/200612 Acórdão n.º 3102003.243 S3C1T2 Fl. 18 13 Baseandose nas informações recebidas da MARK NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA, foi possível constatar que os equipamentos inspecionados tratamse dos objetos referenciados nas documentações analisadas. A NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA disponibilizou os relatórios dos testes executados nos equipamentos, com base na análise destes relatórios foi constatada a presença dos defeitos alegados pelo importador. 5.2 Exame Visual De acordo com os resultados da inspeção visual, não foi possível constatar os defeitos alegados. 5.3 Acompanhamento de Testes Não foram executados testes durante a inspeção dos equipamentos. No entanto, os relatórios dos testes executados pelo importador, NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA, foram disponibilizados. 5.4 Condições de Armazenagem No momento da inspeção os equipamentos estavam armazenados em local coberto, com boas condições de conservação. 5.5 Cobertura Fotográfica Ver ANEXO deste relatório (02 páginas 08 fotos) 6. CONCLUSÃO A partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam. Ao final, o Relatório emitido pela SGS do Brasil Ltda encerra com as seguintes conclusões. 7. TERMO DE ENCERRAMENTO 7.1 O presente laudo é composto por 04 páginas, sendo essa página datada e assinada por profissional devidamente habilitado e qualificado, observados os itens abaixo: 7.2 ASGS do Brasit Ltda assume como verdadeiro que a NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA é o legítimo proprietário do objeto da inspeção, assim como a confiabilidade dos dados fornecidos a nós, pelas fontes de informação. 7.3 A SGS do Brasil Ltda. não assume responsabilidade por alterações físicas do material inspecionado após a data da inspeção que venham a comprometer o teor do laudo. 7.4 Em todas as etapas de elaboração deste laudo e após sua emissão final, nossa empresa mantém sigilo profissional absoluto, só fornecendo cópias ou informações a terceiros mediante autorização do cliente e/ou solicitação da Justiça. 7.5 Este relatório evidencia e relata nossas verificações no local e data de inspeção, não isentando compradores e vendedores de suas obrigações contratuais Fl. 432DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 14 e não possuindo o intuito de prejudicar os direitos do comprador quanto ao vendedor, no que se refere a defeitos aparentes ou encobertos não detectados durante a inspeção aleatória que venham a aparecer após a data de realização da mesma. São Paulo, 15 de dezembro de 2004. Sem margem para dúvidas, não há como extrair uma só palavra do Relatório de Inspeção emitido pela SGS que, nos termos da Portaria 150/82, comprove o defeito ou a imprestabilidade das mercadorias. O que se observa, não é mais do que a constatação de que os defeitos alegados pelo importador, à luz dos relatórios dos testes executados nos equipamentos pela Nextel Telecomunicação Ltda, existem. E, isso, porque a ASGS do Brasil assumiu como verdadeira a confiabilidade dos dados fornecidos. Não foram executados testes durante a inspeção dos equipamentos e, de acordo com os resultados da inspeção visual, não foi possível constatar os defeitos alegados. Ora, o Relatório de Inspeção carreado aos autos, com o qual a Recorrente pretende comprovar o adimplemento da obrigação de emitir um laudo de análise que ateste o defeito das mercadorias, é um pouco mais do que uma declaração de que a emitente confia na informação prestada pela autuada quando a última afirma que a peças são defeituosas. Ainda que as informações prestadas pela Nextel sejam reconhecidas como precisas, exatas e confiáveis, o que a Norma regulamentar exige é a emissão de um laudo técnico que comprove o defeito ou imprestabilidade das mercadorias, não que o próprio importador execute testes que identifiquem esses defeitos e, mais tarde, eles sejam cartorialmente corroborados por um relatório de inspeção que sequer esclarece os critérios de aferição e o tipo de informação na qual se baseou. Por todas as razões até aqui declinadas, entendo que é possível determinar o resultado da lide, independentemente da observância ou não do prazo para exportação das mercadorias. VOTO pela rejeição da preliminar arguída e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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