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Numero do processo: 13896.722525/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, o retorno dos autos à primeira instância julgadora para que seja proferida decisão complementar com análise dos argumentos apresentados em impugnação e que não foram objeto de manifestação na decisão recorrida (Conta Contábil 4.2.1.01.008 - Despesas de Viagens - Vendor Name Vazio (R$ 1.868.560,45), bem como sobre o mérito da infração não abordada no acórdão guerreado (Conta Contábil - 4.2.1.01.020 - Despesas Legais - Provisões) nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Roberto Silva Júnior. Relatório WAL MART BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14-55.990 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. E, haja vista que em tal acórdão exonerou-se crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, a turma julgadora recorreu de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 2707/2738), foi procedida ação fiscal na empresa acima identificada, relativamente ao ano-calendário de 2009. Conforme consta do referido termo fiscal, a contribuinte foi diversas vezes intimada com o intuito de se verificar a dedutibilidade dos custos e despesas operacionais, sendo orientada a apresentá-los em formato que possibilitasse conciliar os documentos com os lançamentos, fazendo referência ao número de Anexo e também ao número do documento. Da análise de tais documentos foram constatadas as seguintes irregularidades que caracterizam infração à legislação tributária: 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - NÃO COMPROVADOS Despesas não comprovadas referentes à PLANILHA 2 – ANEXO 1 - 4.2.1.01.001 DESPESAS COM SEGUROS – MTR TRANSFER, PLANILHA 5 – ANEXO 2 - 4.2.1.01.008 DESPESAS DE VIAGENS – PLANILHA 6 - ANEXO 2 - 4.2.1.01.008 DESPESAS DE VIAGENS - WEEKLY CASH REPORT, PLANILHA 7 - ANEXO 2 - 4.2.1.01.008 DESPESAS DE VIAGENS - VENDOR NAME VAZIO, PLANILHA 9 - ANEXO 5 -4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS - MTR TRANSFER, PLANILHA 14 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - VENDOR NAME VAZIO, PLANILHA 15 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - ALUGUEL INT, PLANILHA 16 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - PATRICIA, PLANILHA 18 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - WALMART E PLANILHA 22 - ANEXO 14 - 4.2.1.04.015 RELAÇÕES PÚBLICAS - WAL MART apuradas conforme relatório fiscal. 2) CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS. Despesas com contribuições e doações indedutíveis, por inobservância dos requisitos legais, referente à PLANILHA 21 - ANEXO 14 - 4.2.1.04.015 RELAÇÕES PÚBLICAS – CONTRIBUIÇÃO, conforme relatório fiscal. Despesas de brindes- RELAÇÕES PÚBLICAS - BRINDES conforme relatório fiscal. Multa por infração fiscal, indedutível por não ser de natureza compensatória, ou por ter sido imposta por infração de que resultou falta ou insuficiência de pagamento de tributo, referente à PLANILHA 10 - ANEXO 5 - 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS - DARF, PLANILHA 11 - ANEXO 5 - 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS - MULTAS FISCAIS e PLANILHA 19 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - DARF conforme relatório fiscal. Despesas não necessárias referentes à Planilha 1 Anexo 1 – 4.2.1.01.001 – Despesas com Seguros – PF, Planilha 3 – ANEXO 1 – 4.2.1.01.001 – Despesas com seguro – PF, Planilha 4- Anexo 2 – 4.2.1.008 – Despesas de viagens – Líder Táxi Aéreo – Oceanair, Planilha 12- Anexo 5 – 4.2.2.01.020 – Despesas Legais – Despesas Bancárias, apuradas conforme relatório fiscal. Provisão indedutível por não estar expressamente autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda, ou por ter sido feita em excesso ao permitido pela legislação, referente à PLANILHA 8 - ANEXO2 - 4.2.1.01.008 – DESPESAS DE VIAGENS – PROVISÃO, PLANILHA 13- ANEXO 5 - 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS – PROVISÃO PLANILHA 17- ABEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕE- PROVISÕES- ANEXO 4 - 4.2.1.01.017 DESPESAS ADMINISTRATIVAS, ANEXO 18 - 4.2.1.04.036 PROVISÃO PARA CONTINGÊCIAS, ANEXO 19 - 4.2.1.01.154 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS, ANEXO 6 – 4.2.1.01.051, RECUPERAÇÃO DESPESAS PROP. COOPERADA, ANEXO 19 – PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS, ANEXO 3 - 4.2.1.01.012 DESPESAS DIVERSAS E ANEXO 11 - 4.2.1.01.119 DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS, conforme TVF. 3) EXCLUSÕES INDEVIDAS NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL, referente ao ANEXO 3 - 4.2.1.01.012 DESPESAS DIVERSAS e ANEXO 7 - 4.2.1.01.066 PROJETOS NÃO APROVADOS, conforme relatório fiscal. Diante dessas constatações, conforme os demonstrativos elaborados pelo Fisco, anexos aos autos, foram lavrados os autos de infração de fls. 2686/2705 que exigem crédito tributário no montante de R$ 20.562.357,55 conforme a seguir discriminado: TRIBUTO Valor do tributo Juros de Mora (Cálculo válido até dez/2013) Multa de ofício (75%) Total IRPJ 6.702.590,68 2.416.283,94 5.026.943,01 14.145.817,63 CSLL 3.040.293,73 1.096.025,89 2.280.220,30 6.416.539,92 Os lançamentos foram efetuados com fulcro nas disposições legais apontadas nos respectivos autos de infração. Ciente do lançamento em 04/12/2013, a contribuinte ingressou em 03/01/2014 com a impugnação de fls. 2748/2804. Após o prazo para impugnação, solicitou a juntada de documentos que fazem as fls. 2805/16301. Em suma, refuta os lançamentos sob as seguintes alegações: IMPUGNAÇÃO A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, tendo por principal atividade o comércio varejista de mercadorias em geral (hipermercado). No regular desenvolvimento de suas atividades, a Impugnante sempre zelou pela mais rigorosa apuração e pagamento de seus tributos. Nesse contexto é de se mencionar que, conforme se aduz da análise de sua DIPJ (já juntada a estes autos) a Impugnante apurou prejuízos no ano de 2009, não havendo, portanto, imposto de renda ou CSLL a recolher no período. A Fiscalização glosou certas despesas e exclusões consideradas pela Impugnante na base de cálculo do IRPJ e CSLL apurados naquele ano (como já mencionado, tais bases foram negativas), por diversos motivos a serem detalhados posteriormente. Em decorrência do exposto, o procedimento fiscal culminou na lavratura de auto de infração contra a Impugnante, exigindo valores supostamente devidos a título de IRPJ e CSLL, sendo as supostas infrações assim descritas pela Fiscalização no TVF. 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (. . .) 0002 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS (...) 0003 PROVISÕES. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS (...) 0004 MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS. MULTAS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA NÃO DEDUTÍVEIS (...) 0005 CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS (...) 0006 DESPESAS DE PROPAGANDA E/OU BRINDES. DESPESAS DE BRINDES (...) 0007EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS (...) Em face das conclusões do Fisco, foram lavrados auto de infração para exigência do IRPJ e CSLL. Contudo, os autos de infração não poderão prevalecer, uma vez que essas conclusões padecem de equívocos insanáveis. Antes de abordar os equívocos, informa que os documentos anexos a esta impugnação serão apresentados em via eletrônica (CD ROM), tanto em razão da maior facilidade para análise, quanto em razão de seu enorme volume. Em que pese a documentação já juntada aos autos, desde já a impugnante protesta pela realização da diligência a fim de confirmar as informações que serão abaixo prestadas, tendo em vista a complexidade dos lançamentos contábeis ora descritos e o enorme volume de documentos que suportam tais lançamentos. A impugnante informa que seus funcionários estão à inteira disposição desse colegiado caso se entenda pela necessidade de realização de diligência a fim de confirmar as informações ora apresentadas. A seguir, apresentam-se os motivos pelos quais deve a presente autuação ser integralmente cancelada. Necessário se faz observar o contido no art. 299 do Decreto nº 3.000, de 1999, que traz o conceito de despesa operacional. Depreende-se do texto legal desse artigo que as despesas operacionais dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. O § 2º desse dispositivo reza que são despesas operacionais admitidas, as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tal análise, no entanto, deve ser feita com muita atenção, já que a conceituação dos termos “usuais” e “normais” definirá se a despesa será dedutível ou indedutível. Assim determinar a dedutibilidade de uma despesa requer análise da situação como um todo de maneira objetiva, levando em consideração o que o texto legal tem por propósito, quando autoriza a dedução. Não pode o auditor, com base em critérios subjetivos, determinar o que é usual e necessário à atividade dos contribuintes. Ao contrário, o próprio contribuinte é quem está familiarizado com suas atividades e, portanto, está apto a determinar quais despesas são efetivamente necessárias ao desenvolvimento de suas atividades. Assim, passa a analisar cada uma das glosas efetuadas pela autoridade fiscal, na mesma ordem adotada no TVF: I - Conta contábil 4.2.1.01.001 – Despesas com seguros Seguro da aeronave: Cabe observar que a despesa se refere ao seguro da aeronave que a empresa possuía. Para o Fisco, a despesa seria indedutível por tratar-se de aeronave de uso quase estritamente particular, desvinculada do objetivo social principal da empresa, comércio varejista, agente de comércio não se encaixaria no conceito legal de despesas operacionais e, portanto, totalmente indedutível para fins de apuração do lucro real. A efetividade da despesa questionada pela Fiscalização, dada a existência de pagamentos relativos à contratação de seguro de aeronave foi plenamente reconhecida. Dessa forma o que se discute é apenas a possibilidade dessa despesa se enquadrar no conceito de despesa operacional. Não foi apresentada pelo Fisco, prova de que a aeronave é utilizada “quase estritamente” para fins particulares. Não pode o Fisco apenas presumir, ao contrário, qualquer presunção deveria ser feita em favor da contribuinte. Não é incomum que empresa do porte da impugnante com estabelecimentos em todo o país (e controladora no exterior) possuam aviões para atender as necessidades de suas operações. A Impugnante ressalta ainda que é extremamente parcimoniosa no uso de seus recursos, o que é necessário para que suas lojas consigam manter um preço competitivo. Nesse contexto, não seria admissível adquirir uma aeronave para fins não corporativos, eis que tal fato impactaria severamente em seus preços e, consequentemente, em sua competitividade. A fim de deixar claro o equivoco fiscal, a Impugnante informa que todas as viagens efetuadas em sua aeronave deveriam ser documentadas por meio de uma "Solicitação de Viagem", na qual deve haver informações sobre todos os passageiros do avião e declaração de que a viagem se presta a motivos profissionais. A fim de documentar tal fato, a Impugnante anexa a estes autos exemplo de Solicitação de Viagem (Doe. 5). Como se verifica, a conclusão fiscal não poderia estar mais longe da verdade. Na realidade, a utilização primordial dada pela Impugnante a sua aeronave está intrinsecamente vinculada ao seu objeto social: o transporte de executivos e empregados da empresa a eventos corporativos e convenções de entidades do setor varejista. A fim de comprovar o alegado, está buscando outros documentos comprobatórios tais como as demais solicitações de viagem que compõem a integralidade das despesas glosadas. Tais documentos ainda não foram juntados em razão de seu volume e antiguidade. MTR transfer: As despesas registradas sob essa rubrica foram glosadas sob a justificativa de que não estariam suportadas por documentos hábeis e idôneos. Ocorre que os lançamentos referem-se a reclassificações contábeis efetuadas em suas contas de resultado, que passam a ser explicadas: “o valor correspondente à despesa em discussão foi registrado (juntamente a diversas outras despesas) em uma determinada conta de resultado da Impugnante, com contrapartida em uma conta patrimonial, com base em documentação hábil ("Lançamento 1"). Esta conta será doravante denominada "Conta Original". Posteriormente, a Impugnante verificou que parcela das referidas despesas (R$ 7.653,41) deveria ser alocada à outra conta de resultado: justamente a conta ora discutida, de n. 4.2.1.01.001 ("Conta Questionada") . Assim, a Impugnante reclassificou o lançamento acima descrito, por meio de um lançamento a crédito na Conta Original (eliminando o efeito da despesa questionada nessa conta). O efeito dessas reclassificações no resultado da impugnante e na base de cálculo do IRPJ e da CSLL é nulo. No entanto, a dedutibilidade da despesa questionada permanece, pois o lançamento 1 foi baseado em documentação hábil, que será juntada a estes autos com descrição minuciosa dos lançamentos contábeis e documentos comprobatórios da efetividade das despesas em questão. Mais uma vez informa que não foram juntados quando da impugnação em razão de sua antiguidade, volume de documentos e complexidade dos lançamentos. c) Despesa com seguros – Pessoas Físicas De acordo com o TVF, as despesas relativas a seguros de pessoa física seria mera liberalidade da empresa e não se adequaria ao conceito de despesas necessárias, portanto seria indedutível. Ao contrário do que afirma a Fiscalização, tais despesas são absolutamente necessárias à atividade da Impugnante. Referem-se a reembolsos e indenizações concedidos a clientes em decorrência de furtos e danos ao patrimônio, sofridos por eles nas dependências da impugnante. O fato de investir na segurança de seus clientes é, infelizmente, porque não há como evitar eventuais ocorrências de danos e furtos nas suas dependências. Nessa situação, as despesas correspondentes devem ser consideradas necessárias e usuais para sua atividade, pois a responsabilidade da impugnante perante seus clientes não pode ser afastada, tampouco deve ser considerada “mera liberalidade”. O Superior Tribunal de Justiça editou súmula sobre o tema, na qual ficou claramente consignada a responsabilidade da empresa em situações similares: Súmula STJ n. 130 A Empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento. Informa que levantará os comprovantes de pagamento relativos a tais despesas de forma a demonstrar cabalmente a efetividade de tais despesas. II - Conta contábil 4.2.1.01.008- Despesas de viagens a) -Fretamento Oceanair Táxi Aéreo Tais despesas no valor de R$ 105.062,50 foram glosadas pela Fiscalização com base na justificativa de que o fretamento de aeronave por empresa que tem por objeto social principal “comércio varejista, agentes do comércio” não se encaixa no conceito legal de despesas operacionais, e portanto seriam indedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Note-se que a efetividade da despesa não foi contestada pelo Fisco em momento algum, mas apenas a sua dedutibilidade. Para a fiscalização, o deslocamento de empregados e diretores estaria desvinculado do objeto social da empresa. A impugnante é empresa multinacional com estabelecimentos em todo o país e no exterior. É natural que numa empresa desse porte, ocasionalmente, necessite enviar empregados de uma unidade a outra unidade para visitas, reuniões de gerentes com o propósito de definir determinadas políticas e outras atividades, o que demonstra o claro enquadramento das despesas no conceito de despesa operacional. Nota-se que a fiscalização incorreu em equívoco. Embora as despesas se refiram a pagamento efetuado às empresas Oceanair Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo, elas não se referem apenas a fretamento de aeronaves. Os pagamentos efetuados à Líder, referem-se a despesas de fretamento de aeronaves, o que é plenamente dedutível. Já, os pagamentos efetuados a Oceanair referem-se a serviços por manutenção executados na aeronave então possuída pela impugnante conforme demonstram comprovantes já apresentados à Fiscalização (mencionada no tópico “seguro de aeronave”). Demonstrada a vinculação da aeronave ao objeto social da empresa, forçosa se torna a conclusão de que as despesas relativas a sua manutenção devam ser consideradas dedutíveis na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Informa que está levantando documentos que comprovem a natureza das viagens (passagens e motivos) e irá juntá-los a estes autos com a maior brevidade possível. b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio b1) MTR transfer Referidas despesas, de R$ 255.644,77, se referem à exata situação descrita no item b (reclassificação contábil sem efeito no resultado). A fim de comprovar também a efetividade dessas despesas, juntará a estes autos descrição minuciosa dos lançamentos contábeis relativos às despesas ora discutidas, bem como cópias dos documentos comprobatórios de sua efetividade. b2) Weekly Cash Report Essas despesas, no montante de R$ 3.076.979,36, se referem a gastos efetuados com recursos do caixa de cada uma das lojas da Impugnante. Mais especificamente, a reembolsos e pagamentos referentes a despesas de viagens profissionais realizadas por empregados dos estabelecimentos da Impugnante (visitas a outras lojas, deslocamentos para reuniões dentre outras situações). Como se verifica, portanto, tais despesas estão claramente relacionadas às atividades da Impugnante, nos termos já expostos em tópicos anteriores e, portanto, devem ser consideradas dedutíveis. A fim de demonstrar o exposto, a Impugnante irá levantar e juntar a estes autos informações e documentos aptos a comprovar a efetividade das despesas em questão, de forma a restar absolutamente comprovada a regularidade da conduta por ela adotada. b3)Vendor Name Vazio Referida rubrica se refere a despesas no valor de R$ 3.868.560,43, relativas à contabilização de despesas pré-operacionais incorridas por lojas em construção. Como já mencionado, a Fiscalização glosou tais despesas por entender que não estariam amparadas por documentação hábil e idônea. Ocorre, pois, que tais despesas foram integralmente revertidas por lançamentos a crédito na mesma conta questionada pela Fiscalização. Em outras palavras, tais despesas não poderiam ser glosadas em razão de um único fato: elas não produziram efeito algum no resultado da recorrente. Dessa forma, a grosso modo, a glosa dos lançamentos contábeis ora discutidos implica a tributação em duplicidade dos valores questionados. Considerações se fazem necessárias: Em consonância com a legislação fiscal e contábil aplicável até a edição da medida provisória n. 449/2008, despesas pré-operacionais podiam ser contabilizadas no ativo diferido da empresa, podendo ser amortizadas em prazo não inferior a cinco anos e não superior a dez anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios decorrentes. À época dos fatos em discussão, era exatamente esse o tratamento dado pela Impugnante às despesas ora questionadas, que, conforme informado acima, se referem a despesas pré-operacionais: registro no ativo diferido e amortização em 10 anos, iniciada a partir da inauguração da loja. Ocorre, porém, que, por questões sistêmicas, referidas despesas eram inicialmente registradas em conta de resultado como despesa para então serem reclassificadas para o ativo diferido. Explica-se. A conta contábil ora questionada (conta 4.2.1.01.008) registra todas as despesas de viagens registradas pela Impugnante (considerando todos os seus estabelecimentos). Despesas de viagens atribuídas a unidades em construção (as despesas pré-operacionais de que trata a glosa ora discutida) eram, por uma questão sistêmica, inicialmente registradas nessa mesma conta contábil. Como o estabelecimento que incorreu na despesa ainda não havia sido oficialmente inaugurado, à época dos fatos, o lançamento foi feito sob a rubrica “Vendor Name Vazio”. Posteriormente, referidos lançamentos foram reclassificados para uma conta de “ativo diferido”, mas seus sistemas contábeis não haviam sido adaptados à mudança no ano de 2009 (“encontrão” que foi resolvido atualmente). c) Provisão De acordo com a fiscalização a despesa em questão, no valor de R$ 18.621,59 possui o histórico de provisão, sendo portanto não dedutível da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Todavia, ao contrário do que afirma a fiscalização, essa despesa foi adicionada à base cálculo dos tributos. Está preparando planilha para demonstrar que as despesas foram corretamente adicionadas ao lucro líquido que será juntada aos autos tão logo esteja finalizada. III - Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020) a) MTR Transfer Essas despesas no montante de R$ 27.640,64 também tiveram reclassificações contábeis sem efeito no resultado tributável. A fim de comprovar também a efetividade das despesas levantará e juntará descrição minuciosa dos lançamentos relativos as despesas ora discutidas, bem como cópias dos documentos comprobatórios de sua efetividade. b) Darf código 1256 e Multas fiscais. A glosa refere-se a pagamento de despesa relativa a débitos fiscais no âmbito do REFIS IV (código 1256), no valor de R$ 1.254.968,96, e R$ 141.080,55 relativo a multas fiscais. De acordo com a fiscalização, a glosa se justifica com base no art. 344, § 5º do RIR de 1999. que determina não serem dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações que não resultem fala ou insuficiência de tributo. No que diz respeito ao Darf no valor de R$ 1.254.968,96 , de fato transitou pela conta 4.2.1.01.020, mas somente em razão de um equívoco da impugnante que registrou tal valor equivocadamente nesta conta. A despesa foi reclassificada não produzindo efeito na conta de resultado. Ao se analisar o razão contábil verifica-se que após a reclassificação a despesa foi efetivamente contabilizada na conta 4.2.1.01.119 que também foi objeto de glosa fiscal. Entende a despesa em questão é integralmente dedutível, pois não se refere a multas fiscais, mas sim a pagamento de tributo, conforme darf anexo, motivo pelo qual é inteiramente dedutível A multa pode ser paga à vista e liquidar multas e juros com prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. O Darf glosado, ao contrário do que argumenta a Fiscalização, não foi utilizado para pagamento das multas e juros, mas tão somente para pagamento de tributo. Se tivessem sido analisados os Darfs, não seriam glosadas as despesas, já que é clara a disposição do art. 344 do RIR de 1999, no sentido de serem dedutíveis na apuração do Lucro Real, os tributos e as contribuições. O art. 374 do RIR de 1999, assegura a dedução como custo ou despesa financeira, do valor relativo aos juros de mora pagos ou incorridos. O Parecer CST nº 174 de 2004, da mesma forma possibilita essa dedução, concluindo que os juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam-se como despesa financeira e, como tal, são dedutíveis. As razões expostas, relativamente ao Darf de R$ 141.080,55 são plenamente aplicáveis ao Darf de R$ 1.254.968, 96. Com relação às multas, o regulamento do IR permite dedução das de natureza compensatória e as impostas por infrações que não resultem em falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Assim, a análise da fiscalização esta incorreta, devendo ser cancelado o item do AI. c)Despesas Bancárias Foram glosadas despesas bancárias de R$ 828.463,40, decorrentes de contratos de prestação de fiança celebrados entre a impugnante e instituições financeiras para garantia de débitos objeto de ações judiciais sob o argumento de que não poderiam ser consideras operacionais, pois não fariam parte da apuração do lucro da empresa, sendo gastos com a estrutura do capital. Mas, a conclusão fiscal é infundada pois enquadram-se perfeitamente no conceito de despesas operacionais. Como é cediço, a maioria das empresas necessitam celebrar esses contratos de prestação de fiança para poder apresentar defesa nas ações judiciais propostas contra si, como as execuções fiscais, em que é necessário e obrigatório garantir o juízo para apresentação de embargos à execução. São portanto absolutamente necessárias usuais e normais para a empresa executar suas atividades. Portanto deve ser cancelado esse item do auto de infração. d) Provisão Aplicam-se a este item as mesmas argumentações apresentadas no item “II – c”. Esclarece que a é a conta 2.1.1.07.002 que determina quais valores deverão ser adicionados ou excluídos da base de cálculo dos tributos. Reitera que o saldo da citada conta de passivo foi integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV – Conta contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções Vendor Name Vazio As despesas registradas nessa conta no montante de R$ 506.716,41, foram glosadas pela fiscalização por entender que os lançamentos não estavam embasados em documentação hábil e idônea. Referem-se tais despesas a pagamento de cursos e seminários realizados no exterior. Apresentam-se documentos relativos a pagamento de cursos (solicitação de pagamento, contrato de cambio e faturas dos prestadores) (doc.22). Informa que está levantando maiores informações sobre os cursos em questão e eventuais documentos comprobatórios que serão devidamente juntados aos autos tão logo sejam obtidos, para mostrar a improcedência dessa glosa questionada. b) Alocação aluguel Int e Patrícia de Paula C As despesas em questão, nos montantes de R$ 453.836,32 e R$ 31.314,52, foram glosadas pela fiscalização por entender que correspondem a lançamentos não embasados em documentação hábil e idônea. b1) Alocação Aluguel Int. A impugnante informa que está levantando maiores informações e documentação comprobatória dessas despesas que serão juntadas a estes autos, ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão. b2)Patrícia de Paula C Referem-se a despesas de serviços de publicidade (mão de obra e confecção de painéis e outras mídias para comunicação) prestados pela empresa Devisu- Criação e Comunicação Visual (Patrícia de Paula Com. Visual EPP) no âmbito de eventos realizados pela impugnante. c) Provisão Em que pese a nomenclatura “provisão”, as despesas glosadas registradas nessa conta no montante de R$ 1.652,00 correspondem a efetivas despesas incorridas pela Impugnante, que esta levantando documentos aptos a comprovar tal fato. d) Wal Mart Foram glosadas as despesas contabilizadas sob essa rubrica, no montante de R$ 365.400,10, por entender que referidos lançamentos não estavam embasados em documentação hábil e idônea. Referem-se a pagamento de cursos e seminários realizados no exterior, (vide mais uma vez, o doc. 22 para documentação exemplificativa). Informa que serão juntados a estes autos tão logo sejam obtidos, ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão. e) Darf código 0473 Mais uma vez, a fiscalização glosou despesas alegando tratarem-se de multas indedutíveis, quando na verdade trata-se apenas de pagamento de imposto. Darf de R$ 33.675,33 refere-se ao pagamento de Imposto de Renda Retido na Fonte no mês de setembro de 2009, conforme atesta o Darf e DCTF ora anexados (doc.20), que são dedutíveis de acordo com o art. 344 do RIR de 1996. Portanto requer o cancelamento desse item. V- Conta contábil 4.2.1.04.015 – Auxilio Alimentação Relações Públicas a) Brindes Entendeu o fisco que as despesas incorridas pela recorrente com material promocional não seriam dedutíveis do Lucro tributável para apuração do IR e da CSLL. Todavia, essas despesas não se caracterizam como brindes, mas sim, propaganda, sendo absolutamente necessárias ao desenvolvimento da atividade social da impugnante, portanto, possibilitando a sua dedutibilidade, nos termos do art. 366 do RIR de 1999. É bastante amplo o instrumento da propaganda, na medida em que são inúmeras as formas pelas quais a marca da empresa ou um produto específico poderão ser divulgados com o fim de atrair consumidores para os seus produtos. São gastos constituídos não por mera liberalidade, mas dispêndios que tem a clara expectativa de retorno comercial. O objeto social da impugnante envolve importação, exportação, industrialização e comercialização, no atacado e no varejo de produtos em geral. Assim, tais gastos com materiais promocionais cedidos aos seus clientes têm o intuito de incrementar suas vendas. Por meio de propaganda divulga a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que coloca no mercado. Trata-se de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora do rendimento, enquadrando-se na condição prevista no art. 366 do RIR de 1999. As despesas enquadram-se perfeitamente na condição prevista no art. 366 do RIR de 1999 que permite a dedução. Além disso, o inciso VII do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 foi introduzido no ordenamento jurídico com o intuito de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes em que absolutamente nada coadunam com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto social. É o caso de despesas com brindes, que não devem ser confundidas com as despesas de propaganda. Há de se fazer distinção entre brinde e material promocional para fins de dedução da base de cálculo da CSLL. Se mantida a adição, a tributação deixará de incidir sobre o lucro da impugnante para recair sobre seu patrimônio, o que é absolutamente inconstitucional. Qualquer adição indevida à base de cálculo do IRPJ e CSLL, contraria o disposto nos arts. 153, III e 195, I da Constituição Federal, pois não se estaria tributando Renda mas representará ilegítima instituição de empréstimo compulsório, em desacordo com o disposto no art. 148 da CF. b) Contribuição e Patrocínio Foram glosadas duas despesas decorrentes de pagamentos para as empresas Difusão Editora e Valor Econômico S/A, no valor total de R$ 89.000,00. A fiscalização limitou-se a expor que o artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1996 excluiu a maioria das contribuições e doações na dedução do lucro real. Em momento algum enquadrou as despesas incorridas pela impugnante em qualquer das condutas expostas no referido art. 13. Essas enquadram-se no art. 368 do RIR de 1999, que dispõe que poderão ser deduzidos os gastos incorridos, com a formação profissional de empregados. Referem-se as despesas a cursos/seminários pagos pela impugnante aos seus funcionários, inclusive do “III Seminário Créditos de Carbono e Mudanças Climáticas”. Essas despesas são necessárias e usuais para seu negócio de maneira que são revertidas em seu próprio beneficio. c) Wal Mart As despesas contabilizadas sob essa rubrica, no montante de R$ 117.794,41, foram glosadas pela Fiscalização por ter entendido que tais despesas não estavam embasadas em documentação hábil e idônea. Informa a impugnante que tão logo sejam obtidos, os documentos necessários para comprovar tais despesas, serão devidamente juntados aos autos, ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão. VI. Despesas operacionais – Provisões a) considerações iniciais De acordo com a Fiscalização, durante o ano de 2009 foram contabilizadas diversas provisões que teriam reduzido o resultado tributável, sem ter efetuado as adições correspondentes para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal conclusão é improcedente, eis que se baseia em uma simples análise que não levou em conta peculiaridades da contabilidade da empresa. A fim de demonstrar tal fato, faz-se necessário tecer algumas considerações iniciais sobre a forma de contabilização de provisões adotada pela impugnante. A impugnante adota uma metodologia distinta: Ela efetua as adições e exclusões de valores provisionados com base nas contas de passivo (nas quais as provisões foram originalmente constituídas), em decorrência de certas limitações de seus sistemas contábeis. Tais adições e exclusões são efetuadas com base nas alterações no saldo das contas de passivo. Ou seja, se em um mesmo período há constituição e reversão de provisão a impugnante exclui ou adiciona o valor líquido das operações à base de calculo do IRPJ e da CSLL. Isso ocorre porque, muitas vezes, as contas de resultado da Impugnante registram diversos valores objeto de reclassificação contábil, que não geram efeitos no resultado da empresa e, portanto, não devem ser adicionados. Mais ainda, por vezes, tais contas de resultado registram também despesas efetivas (em que pese o fato de tais contas adotarem a nomenclatura "provisão"). Frise-se que a metodologia adotada pela Impugnante (adição/exclusão das despesas/receitas de provisão pelo saldo da conta de passivo) não diminui a base tributável apurada. Isto porque a contas contém reclassificações de contas contábeis “(despesas cujo efeito foi anulado por um crédito no mesmo valor)” e despesas efetivas, não relacionadas à constituição de provisão. Como se demonstrará, o montante que efetivamente corresponde às provisões constituídas no ano de 2009 foram integralmente adicionadas ao resultado, com base nas alterações dos saldos das contas de passivo. b) Contas 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas, 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências e 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhistas. O número Batch é de controle dos lançamentos contábeis efetuados pela impugnante sem seu sistema de contabilidade. Os lançamentos indicados na cor amarela indicam os valores que efetivamente equivalem a provisões e que foram devidamente adicionados à base de calculo do IRPJ e da CSLL. Houve reclassificações contábeis. Como exemplo reproduze-se abaixo o quadro originalmente apresentado no doc. 1023, “no qual se pode verificar que o valor de R$ 1.264.474,21, objeto de glosa fiscal, é, em parte, contrapartida de lançamento de R$ 612.490.41, que corresponde a uma efetiva provisão.” Conta 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas a) despesas de juros - despesas efetivas, passíveis de exclusão das bases de cálculo do IRPJ e CSLL; e b) Reclassificações contábeis para as contas 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.155. Note-se que os valores em questão não produziram efeito nenhum no resultado da Impugnante, eis que as despesas em questão foram anuladas por meio de créditos nas contas 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01-155. Como se verifica, parcela dos valores glosados pela Fiscalização nesta conta foi reclassificada para as contas 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.155 – sendo que a primeira foi novamente glosada (como se verá seguir) e a segunda foi integralmente aceita pela Fiscalização. Conta 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências Da análise do quadro resumo contido no Doc. 10 e abaixo transcrito, verifica-se que, o valor de R$ 1.956.905,21, objeto de glosa fiscal, é na realidade, contrapartida de lançamentos a crédito efetuados nas contas de passivo 2.2.3.02.007 e 2.2.3.02.006, que foram devidamente adicionadas às bases do IRPJ e da CSLL. Conta Conta SPED Account Name Montante 441 2.2.3.02.007 PROVISÃO P CONTINGÊNCIAS T -2.910.109,38 438 2.2.3.02.006 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS -332.712,94 937 4.2.1.04.036 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS 1.956.905,21 1083 4.2.1.02.011 DESPESAS COM JUROS 242.455,41 947 4.2.1.01.155 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS CIVIL 145.395,57 = 970 4.2.1.04.018 ACOES TRABALHISTAS 26.890,47 1051 4.2.1.04.036 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS 201.917,72 929 4.2.1.01.017 DESPESAS ADMINISTRATIVAS 669.257,94 Note-se que os lançamentos efetuados nas contas 2.2.3.02.007 e 2.2.3.02.006 que foram adicionadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL têm também contrapartida em outras contas de provisão, bem como de despesas efetivas. Destaque-se que a conta 4.2.1.04.036 apresenta registro de reversão de provisão no montante de R$ 136.979,06, sobre o qual a Impugnante deixa de comentar, eis que a exclusão da receita correspondente da base de cálculo dos tributos foi devidamente reconhecida pelo Fisco (conforme quadro na página 27 do TVF). Conta 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhista Da análise do quadro resumo abaixo transcrito, verifica-se que o valor de R$ 1.584.122,94 objeto de glosa fiscal, tem por contrapartida lançamentos a crédito efetuados na conta de passivo 2.2.3.02.007, que foram devidamente adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os valores remanescentes representam despesas efetivas de diversas naturezas (lançamentos individualizados no doc.9) reclassificados de acordo. Note-se que, mais uma vez a reclassificação se deu por meio de um crédito efetuado em outras contas de resultados que eliminou o efeito original da despesa na conta questionada pela fiscalização. Como visto, parcela significativa dos valores glosados são contrapartidas de despesas efetivas (em que pese o fato de tais despesas terem sido levadas a resultado em conta com a denominação “provisão”), ou valores reclassificados, portanto revertidos sem efeitos legais no resultado da impugnante, fato que foi ignorado pelo Fisco. O montante remanescente que efetivamente corresponde a provisões e tem por contrapartida registros feitos na conta 2.2.3.02.007 foi devidamente adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base nas alterações dos saldos das contas. A própria Fiscalização reconheceu que a Impugnante adicionou o montante de R$ 4.262.095,07. Referido montante equivale ao saldo da conta 2.2.3.02.007, na qual a Impugnante controla as provisões questionadas pela Fiscalização. Ou seja, a Impugnante adicionou o saldo da conta contábil - o qual considera tanto as despesas de constituição de provisão quanto as receitas de reversão - à base dos tributos em questão. Para demonstrar tal fato, a Impugnante apresenta o razão da conta 2.2.3.02.007 - cujo saldo foi devidamente acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (doc 12), bem como quadros contendo os lançamentos efetuados na referida conta (grifados em amarelo) (doe 13) e suas contrapartidas. Novamente, é possível fazer o cotejo entre os documentos com base nos Batch indicados. Resta, portanto, demonstrado o equívoco fiscal que glosou despesas efetivas e reclassificações contábeis, como se provisão fossem e a regularidade dos procedimentos adotados pela impugnante, que considerou tanto as despesas relativas à constituição de provisões quanto às receitas decorrentes da reversão de provisões na base de cálculo do IRPJ e da CSLL por ela devidos. Conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada Ocorre que as despesas glosadas pela fiscalização, são na realidade despesas efetivas de propaganda e publicidade, totalmente dedutíveis nos termos da legislação vigente (art. 366 do RIR de 1999) e não simples provisões, as quais são dedutíveis, respeitado o regime de competência, ou seja, a despesa se reporta a um determinado mês, deve necessariamente ser contabilizada nesse mês. É sabido que a impugnante possui diversos anunciantes e tem significativas despesas de propaganda e publicidade. A empresa registra a despesa em sua contabilidade, com base na nota fiscal do fornecedor de serviço ou material. Ocorre que durante o ano de 2009, em razão de questões sistêmicas e de um complexo fluxo de aprovação de pagamentos, as supracitadas notas fiscais somente poderiam ser inseridas nos sistemas contábeis, após o decurso temporal, muitas vezes superior a um mês. Nesse contexto, uma nota emitida em janeiro, somente poderia ser registrada em fevereiro, sem violação ao princípio de competência. Problema sanado atualmente. Assim, a impugnante passou a elaborar mensalmente uma planilha na qual registrava as notas fiscais e documentos de cobrança que deveriam ser registrados por competência em um dado mês (“planilha NF”). Com base no somatório dos valores registrados nessas planilhas, passa a registrar uma “provisão” na conta de passivo nº 2.1.1.07.007. Do ponto de vista fiscal, essa “provisão” é dedutível, reconhecida por competência no período pertinente. Tais montantes poderiam ser reconhecidos como contas a pagar, mas não o são, unicamente por questões sistêmicas. No mês imediatamente posterior à constituição da referida “provisão” as notas fiscais são registradas no sistema gerando uma nova despesa. Porém o resultado dessa despesa é nulo, tendo em vista que a provisão constituída é revertida em outra conta de resultado, tendo por contrapartida lançamentos na conta de passivo n. 2.1.1.07.007. Uma última explicação deve ser feita: Em dezembro de 2009, a Impugnante reverteu a provisão constituida em novembro do mesmo ano (contabilizando, portanto, receitas decorrentes) e constituiu provisão relativa a janeiro de 2010 (contabilizando as despesas decorrentes). Considerando que a provisão constituída pela Impugnante foi superior à reversão no montante de R$ 1.648.374,13 e que o ano se encerrava, conservadoramente, adicionou o valor em questão à base de cálculo do IRPJ e CSLL apurados em 2009. Feitas essas considerações, a impugnante passa a demonstrar o quanto alegado. Para tanto, junta a estes autos cópia das Planilhas NF mensais, que listam as notas fiscais e documentos de cobrança que embasaram a contabilização da "provisão" (que, como já mencionado, corresponde a uma despesa efetiva de publicidade, reconhecida por competência) (doe. 14). Adicionalmente, a impugnante também traz a estes autos quadros contendo os lançamentos questionados pela fiscalização e suas respectivas contrapartidas, separados por Batch (doc. 15), acompanhado de quadro resumo, a exemplo do que foi feito no item anterior. Como se verifica da análise de cada quadro, os lançamentos glosados pela Fiscalização (marcados em verde) são valores debitados na conta de resultado n° 4.2.1.01.051, que têm, como contrapartida, valores creditados na conta de passivo n° 2.1.1.07.007 (estes lançamentos representam o valor efetivo da provisão e estão indicados em amarelo escuro), bem como reclassificações gerenciais creditadas em outras contas de resultado. É de se observar que referidas reclassificações acabam por anular parte da despesa registrada na conta 4.2.1.01.051. Ora, se a Impugnante contabiliza uma despesa de R$ 100,00, tendo por contrapartida uma receita de R$ 100,00, o efeito deste lançamento é nulo. Na prática, é o que ocorre ao somar tais reclassificações. Para demonstrar o alegado foi inserido na impugnação, o quadro demonstrativo à fl. 2795, relativo ao mês de janeiro de 2009. Portanto, desconsiderando-se o montante de R$ 422.989,78, resta uma despesa de R$ 7.019.406,04 que tem como contrapartida o lançamento efetuado na conta 2.1.1.07.007 – devidamente levada a resultado. Situação similar se repete em todos os meses posteriores. Mais ainda, como se observa da análise do doc. 15, os lançamentos relativos a provisões registrados na conta 2.1.1.07.007 são efetuados mensalmente, sendo que, salvo pequenas variações observadas em alguns poucos meses, decorrentes de ajustes manuais, eles correspondem ao exato valor registrado mensalmente nas Planilhas NF. Demonstrado, portanto, que as despesas de constituição de "provisão" estão registradas na conta 2.1.1.07.007 e não na conta 4.2.1.01.051, como afirmado pela Fiscalização, sendo tais despesas, na verdade, contas a pagar que competem ao mês em que são reconhecidas contabilmente. Cabe agora demonstrar que cada valor debitado do resultado e registrado na conta 2.1.1.07.007 é revertido no mês seguinte, tendo por contrapartida um débito na referida conta de passivo e créditos em diversas contas de resultado. A partir da página 5 do Doe. 15, a Impugnante listou os lançamentos efetuados na conta 2.1.1.07.007, incluindo aqueles relativos às reversões de "provisão" (indicados em amarelo claro), bem como suas contrapartidas. Note-se que a reversão efetuada em janeiro/2009 se refere à provisão constituída em dezembro/2008. A fim de demonstrar que a reversão equivale exatamente ao valor constituído no mês anterior, a Impugnante reproduziu quadro relativo aos lançamentos de 28.2.2009 (item 279 da impugnação). A conta de passivo 2.1.1.07.007 é debitada no exato montante da provisão constituída no mês anterior, 7.019.406,04, tendo por contrapartida créditos em diversas contas de resultado (receitas de reversão). O mesmo procedimento se repete nos meses posteriores. Ainda que o fisco entenda que os montantes registrados na conta 2.1.1.07.007 devam ser adicionados ao seu lucro tributável, não se pode deixar de reconhecer que as receitas de reversão também devem ser abatidas contra as receitas decorretes das reversões retromencionadas, que devem ser excluídas do mesmo lucro tributável. Portanto, demonstrada está a necessidade do cancelamento dessas glosas. Conta 4.2.1.01.119 - Despesas não dedutíveis A conta em questão registra despesas no montante total de RS 3.332.071,86, sendo que a Fiscalização reconheceu que a Impugnante efetuou a adição de RS 1.303.882,72 ao seu lucro tributável. Nesse sentido, houve por bem o agente Fiscal adicionar a diferença apurada (RS 2.028.189,14) ao lucro tributável da Impugnante. Todavia, deixou de considerar que a referida conta de resultado registra despesas efetivas, totalmente passíveis de dedução. Como já mencionado anteriormente, o Fisco, ao analisar a conta 4.2.1.01.020, glosou despesas relativas a um Darf no montante e R$ 1.254.968,96 (código de recolhimento 1256). Ocorre que, como já demonstrado, referida despesa somente transitou por aquela conta, sendo posteriormente reclassificada para a conta 4.2.1.01.119 ora analisada. As mesmas razões justificam a dedutibilidade do valor de R$ 141.080,55. No que diz respeito aos valores remanescentes, a impugnante está buscando documentos aptos a comprovar a efetividade e dedutibilidade das despesas, que serão juntados tão logo sejam localizados. Contas 4.2.1.01.012 - Despesas diversas e 4.2.1.01.066 -Projetos não aprovados A Fiscalização houve por bem adicionar os saldos das contas contábeis -1.2.3.01.012 e 4.2.1.01-066 nos montantes, respectivamente, de RS 12.972.699,89 e RS 5.158.648,64 (total de R$ 18.131.348,53) ao lucro tributável da Impugnante, por entenderem que referidas contas eram, na realidade, meras provisões e, portanto, indedutíveis. Todavia, novamente o Fisco incorreu em equívoco, pois as contas 4.2.1.01.012 e 4.2.1.01.066 registram não apenas provisões, mas despesas efetivas. Esclarece, que a parcela dos registros das contas que efetivamente corresponde a despesas de constituição de provisões foi devidamente acrescida à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ainda, que a exemplo do que ocorre com outras contas abordadas em tópicos anteriores, a empresa controla as adições e exclusões relativas à constituição de provisões com base na variação do saldo da conta de passivo que registra a provisão. No caso em tela, essas contas abordadas em tópicos anteriores a impugnante controla as adições e exclusões relativas à constituição de provisões, com base na variação do saldo da conta de passivo que registra a provisão. A fim de demonstrar o alegado produziu quadros explicativos às fls. 2799 e 2800 da impugnação. Como se verifica, do montante de R$ 18.131.348,53 adicionados ao lucro tributável da Impugnante, o montante de R$ 11.515.701,35 já havia sido adicionado pela Impugnante, por meio da conta 2.1.1.07.002. A análise dos razões das supracitadas contas (doe. 18), por meio da consulta aos lançamentos efetuados com os Batch indicados nos referidos quadros, demonstrará cabalmente a veracidade de todo o alegado. No que diz respeito aos valores remanescentes, esclarece a Impugnante que correspondem a despesas efetivas. A Impugnante está buscando maiores informações, bem como comprovação dos pagamentos. Tais documentos serão juntados a estes autos tão logo sejam localizados. Subsidiariamente – Necessidade de consideração da base negativa de CSLL de períodos anteriores O auto de infração também merece ser cancelado em razão de erro no critério quantitativo de apuração do valor devido. Isto porque ao apurar a contribuição, o Fisco não considerou a Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores, da qual poderia compensar até 30% do lucro líquido ajustado, nos termos do art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. A jurisprudência do CARF é clara no sentido de que, ao lavrar auto de infração, a Fiscalização deve realizar de oficio a compensação dos prejuízos fiscais/base negativa de CSLL. Caso a D. Fiscalização tivesse procedido de acordo com a legislação, os valores de CSLL lançados teriam sido muito inferiores aos apurados, razão pela qual deve ser cancelado o presente auto de infração. Ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n. 9.430/96, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Assim, não há como se admitir a incidência de juros sobre a multa, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal e não foi. Isto é, o único pressuposto da cobrança dos juros decorre da não transferência voluntária e dentro do prazo legal do capital do contribuinte aos cofres públicos. Excetuando-se essa situação, qualquer incidência de juros revela-se abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, qual seja, a reposição de capital. Nesse sentido, é evidente que os juros não existem por si só e não podem ser aplicados aleatoriamente sobre qualquer evento. Decorrem, antes de tudo, de uma obrigação principal. O mesmo ocorre em relação à multa, que só será devida se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal. Os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Ademais, a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao principio constitucional do não confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada ! Portanto, deve ser integralmente cancelado o auto de infração. Em face de todo o exposto, a Impugnante requer: a) Que seja o Auto de Infração julgado totalmente improcedente, cancelando-se integralmente o crédito tributário por ele constituido. b) Subsidiariamente, caso não seja acolhido o pedido de cancelamento da autuação - o que se admite a mero titulo argumentativo - requer a Impugnante que seja afastada a incidencia de juros SELIC sobre a multa de oficio. c) Juntada de quaisquer outros documentos e informações que venham a corroborar com os fatos e argumentos descritos na presente Impugnação. d) Que todas as intimações e publicações relativas a este processo sejam efetuadas, exclusivamente, em nome das advogadas Raquel Cristina Ribeiro Novais e Daniella Zagari Gonçalves, inscritas na OAB/SP sob os n°s 76.649 e 116.343, respectivamente, com escritório localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 3144, 8o andar, São Paulo, SP. Juntou à impugnação: “Lista de documentos” (via física): DOC. 1 - Cartão do CNPJ DOC. 2 - Documentos Societários DOC. 3 - Procurações e documentos dos advogados DOC. 4 - Auto de Infração DOC. 22 - Cursos no exterior: solicitações de pagamento, contrato de câmbio e faturas dos prestadores “Lista de documentos” – CD-ROM: DOC. 5 - Exemplo de Solicitação de Viagem DOC. 6 - Razão contábil da conta 4.2.1.01.020 DOC. 7 - Cópia de notas fiscais emitidas pela empresa Devisu -Criação e Comunicação Visual (Patricia de Paula Com. Visual EPP) DOC. 8 - Planilha exemplificativa: lançamentos efetuados na conta 4.2.1.01.008 DOC. 9 - Quadros com lançamentos contábeis efetuados nas conta 2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154 DOC. 10 - Resumo des lançamentos contábeis efetuados nas conta: 2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154 DOC. 11 - Razões contábeis das contas 4.2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154 DOC. 12 - Razão contábil da conta 2.2.3.02.007 DOC. 13 - Quadro de lançamentos contábeis da conta 2.2.3.02.007 DOC.14 - Planilhas mensais listando as notas fiscais consideradas na efetivação dos lançamentos efetuados na Conta 4.2.1.01.05 DOC. 15 - Quadros com os lançamentos efetuados na Conta 4.2.1.01.051 DOC. 16 - Razões das contas 2.1.1.07.007, 4.2.1.01.051 e outras contas de resultado. DOC. 17 - Razão contábil da conta 4.2.1.01.119. DOC. 18 - Razões contábeis das contas 4.2.1.01.012 e 4.2.1.01.066 e 2.1.1.07.00. DOC. 19 - DARF Código 1256 no valor de R$ 1.254.968,96 DOC. 20 - DARF Código 0473 no valor de R$ R$ 33.675,33 DOC. 21 - Fatura de Serviços - Valor Econômico. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em análise da impugnação apresentada, julgou-a procedente em parte, tendo a decisão recebido a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. A dedutibilidade de custos e despesas na determinação da base de cálculo do imposto somente é possível se prevista na legislação e devidamente comprovada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. A dedutibilidade de custos e despesas na determinação da base de cálculo da contribuição somente é possível se prevista na legislação e devidamente comprovada. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Retifica-se o lançamento para levar a efeito no cálculo da CSLL devida a compensação de Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores efetuada pelo Fisco, mas não considerada na determinação de seu valor. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência deve ser considerado não formulado, por não ter sido regularmente formalizado, além de inexistir justificativa para sua realização. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, tem previsão legal. Em resumo, a decisão de primeira instância somente cancelou parcela de CSLL decorrente da compensação de 30% de CSLL com bases negativas de períodos anteriores não levadas em consideração pela autoridade lançadora. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de fevereiro de 2015, uma terça-feira (fls. 16.357-16.358), apresentando recurso voluntário de fls. 16.384-16.453 em 12 de março de 2015, uma quinta-feira. Aduz a Recorrente que a DRJ se limitou a analisar superficialmente as alegações contidas na impugnação, sem levar em consideração a documentação acostada aos autos em total afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em sede preliminar requer, assim, a declaração de nulidade da decisão recorrida, nos seguintes termos: - em razão da gama de documentos que necessitava para comprovar a dedutibilidade das despesas glosadas, a Recorrente anexou documentos não só na impugnação apresentada, mas também em momento posterior, mas ainda antes da prolação da decisão recorrida; - a DRJ entendeu por bem não analisar tal documentação em razão da preclusão prevista no art. 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o que estaria em total descompasso com a jurisprudência do CARF; - alega, contudo, que diversos documentos apresentados na impugnação também teriam sido absolutamente ignorados pela DRJ, uma vez que a decisão recorrida, em diversos pontos, teria mantido a glosa em razão da não apresentação de documentos por parte da Recorrente, mesmo em diversos casos em que a documentação fora apresentada em sede de impugnação; - a turma julgadora de primeira instância teria desqualificado as provas apresentadas pela Recorrente ao afirmar que “alegar genericamente e simplesmente juntar papéis ou demonstrativos não é provar”, embora a Recorrente tivesse, a seu ver, vinculado os documentos à matéria que se referiam. No mérito, em resumo, assim se manifesta a Recorrente: - Conta Contábil 4.2.1.01.001 – Despesas com Seguros a) Seguro aeronave (R$ 107.591,20): não se questiona a efetividade da despesa, mas sim se seria ou não dedutível. Aduz a Recorrente que de que a conclusão da Fiscalização e da DRJ de que o uso dos aviões seriam quase que estritamente particular, desvinulado do objeto social da empresa e de que a despesa não estaria intrinsecamente relacionada com a produção ou comercialização não estaria embasa por qualquer documentação ou informação mais detalhada contraria a jurisprudência do CARF, a qual indica que competiria ao Fisco fazer prova dessa alegação. Segundo a Recorrente do doc. 5 juntado à impugnação demonstraria o controle que possuía sobre a utilização da aeronave, que teria sido utilizada somente com fins corporativos; b) MTR Transfer (R$ 7.653,41): alega que as despesas registradas sob esta rubrica decorre de meros ajustes contábeis realizados, com subsequente crédito na conta de despesa original (eliminando a despesa inicialmente contabilizada) e débito na conta questionada. Aduz que não foi possível juntar a documentação aos autos em razão de sua antiguidade, bem como pelo envolvimento de grande volume de documentos; c) Despesas com Seguros Pessoa Física (R$ 532.167,35): referem-se a reembolsos e indenizações concedidos a clientes em decorrência de furtos e danos ao patrimônio, sofridos por eles nas dependências da Recorrente. Segundo a decisão recorrida “foram apresentados formulários internos de controle da área de contabilidade e de contas a pagar, os quais indicam em seu corpo que se referem basicamente a reembolsos por furto de veículos, CD player, estepes etc. Não apresentou durante a ação fiscal, nem no prazo para impugnação, documentos que comprovassem a necessidade dessa despesa, valor exigido por terceiro, caracterizando mera liberalidade. Assim, não se pode conceituar tal despesa como dedutível, necessária à atividade da empresa como definido no art. 299 do RIR de 1999”. Contudo, entende a Recorrente que os documentos já apresentados durante o procedimento fiscal são aptos a comprovar a dedutibilidade de tais despesas; - Conta Contábil 4.2.1.01.008 – Despesas de Viagens a) Fretamento Oceanair Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo (R$ 105.062,50): despesas pagas a Oceanair Táxi Aéreo se referem a fretamento de aeronovaves, o que seria normal para a atividade desenvolvida, em especial para o deslocamento de associados/diretores e empregados. Quanto aos valores pagos à Líder Táxi Aéreo diriam respeito a manutenção da aeronave própria, e não à fretamente, conforme alegou a Fiscalização. Alega que a DRJ manteve a glosa analisando superficialmente as provas e suas alegações, o que implicaria nulidade do lançamento. b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio - MTR Transfer (R$ 255.644,77): diria respeito à reclassificações contábeis, o que a Recorrente entende já ter demonstrado sua correição; - Weekly Cash Report (R$ 3.076.979,88): despesas se referem a gastos efetuados com recursos do caixa de cada uma das lojas da Impugnante. Diriam respeito a reembolsos e pagamentos referentes a despesas de viagens profissionais realizadas por empregados dos estabelecimentos da Impugnante (visitas a outras lojas, deslocamentos para reuniões dentre outras situações). Não houve apresentação de documentação; - Vendor Name Vazio (R$ 1.868.560,45): Recorrente alega que se trata de despesas pré-operacionais e que foram contabilizadas em conta de despesa mas teria havido créditos nos mesmos valores nessa mesma conta, sendo a contrapartida conta de ativo diferido (1.1.9.01.014 – despesas pré-operacionais). A DRJ teria baseado seu voto na ausência de apresentação de documentos, mas não teria analisado a questão dos lançamentos a crédito que anulariam os efeitos na determinação do lucro líquido do período e, consequentemente, da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; c) Provisão (R$ 18.621,59): argumenta a Recorrente que os valores em questão foram adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esclarece que seria a conta 2.1.1.07.002 que determinaria quais valores deveriam ser adicionados ou excluídos das bases de cálculo dos tributos; - Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020) a) MTR Transfer (R$ 27.640,54): diria respeito à reclassificações contábeis, o que a Recorrente entende já ter demonstrado sua correição; b) Darf código 1256 e Multas fiscais (R$ 1.254.968,96 – Refis IV- e de R$ 141.080,55 relativo a multas fiscais): para a Fiscalização e a decisão recorrida, o DARF teria sido utilizado para pagamento de multa de ofício e juros de mora no âmbito do “Refis IV”, o que implicaria ofensa ao art. 344 § 5º do RIR/99 dispõe que "não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações, salvo as de natureza compensatória e as impostas por Infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41, §5°)". Para a Recorrente, a decisão seria nula por não analisar os lançamentos realizados a crédito nesta mesma conta, em contrapartida para outra conta de despesa também glosada (4.2.1.01.119), o que implicaria dupla glosa. A comprovação dos lançamentos a crédito em tal conta teriam sido comprovadas mediante cópia dos lançamentos realizados (doc. 5 da impugnação). Relativamente à glosa de R$ 141.080,55, os motivos da DRJ para manutenção do lançamento foram os mesmos relativos ao outro DARF. Em primeiro lugar, explica a Recorrente que houve erro de contabilização, sendo debitada a conta referente a multas fiscais. Contudo, salienta a Recorrente que nesse caso ocorreu a mesma omissão no julgado relativa: creditou-se a conta de despesa e a contrapartida deu-se em outra conta de despesa também glosada pela Fiscalização, ou seja, novamente teria ocorrido a dupla glosa. A comprovação dos lançamentos a crédito em tal conta teriam sido comprovadas mediante cópia dos lançamentos realizados (doc. 5 da impugnação). Além disso, salienta que o DARF foi utilizado para pagar tributo com os benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 (“Refis IV”). Argumenta que nos termos do art. 1º, §§ 7º e 8º de que trata dessa lei, o contribuinte poderia pagar à vista seus débitos e liquidar multas e juros com prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Esclarece que a multa e os juros são extintos com utilização de prejuízos fiscais, e não por meio de pagamento de DARF. O DARF em questão teria sido utilizado para quitação do principal, ou seja, do tributo em que multa e juros teriam sido quitados com utilização de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. De toda forma, salienta que o tributo pago seria dedutível, assim como a multa e os juros de mora correspondentes; c) Despesas Bancárias: aduz a Recorrente que o gasto em contratos de fiança bancária são necessários para garantia de futuras execuções fiscais que serão alvo de embargos à execução, sendo essencial manter sua regularidade fiscal. Em razão disso se tratariam de despesas necessárias, usuais e normais em suas atividades não podendo ser mantida a glosa com base no fundamento utilizado pela DRJ no sentido de que tais despesas não devem ser classificadas como operacionais por não serem gastos com a operação e manutenção da capacidade de produção da empresa, mas gastos com a estrutura de capital; d) Provisão: a decisão recorrida não teria enfrentado a questão, sendo necessária a declaração de sua nulidade. De toda forma, argumenta a Recorrente que os valores em questão foram adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esclarece que seria a conta 2.1.1.07.002 que determinaria quais valores deveriam ser adicionados ou excluídos das bases de cálculo dos tributos; - Conta Contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções a) Vendor Name Vazio (R$ 506.716,41): segundo a Recorrente as despesas seriam decorrentes de ao pagamento de cursos e seminários realizados no exterior. A decisão recorrida informa que não foram apresentados documentos. Já a Recorrente alega que os documentos foram apresentados junto à impugnação (doc. 22); b) Alocação aluguel Int e Patrícia de Paula C (R$ 453.886,32 e R$ 31.314,52): a glosa foi realizada e mantida pela DRJ por não terem sido apresentados os documentos comprobatórios. Segundo a Recorrente, os documentos comprobatórios das despesas referentes a “Alocação Aluguel Int.” (R$ 453.886,32 ) estariam à disposição da Fiscalização caso se entenda necessária a realização de diligência. No que atine a pagamentos realizados a “Patrícia de Paula C” (R$ 31.314,52), diriam respeito a a serviços de publicidade. Alega a Recorrente que anexou à impugnação cópia de parcela significativa das notas fiscais emitidas pelo prestador de serviço (doc. 7 da impugnação), mas não teriam sido analisadas pela decisão de primeira instância. Pede a declaração de nulidade da decisão de piso, ou, se for o caso, a sua análise por este colegiado; c) Provisão (R$ 1.652,00): a Recorrente informa que os documentos estão à disposição da Fiscalização em caso de realização de diligência; d) Wal-Mart (R$ 365.400,10): segundo a Recorrente as despesas seriam decorrentes de ao pagamento de cursos e seminários realizados no exterior. A decisão recorrida informa que não foram apresentados documentos. Já a Recorrente alega que os documentos foram apresentados junto à impugnação (doc. 22); e) Darf código 0473 (R$ 33.675,33): a decisão recorrida afirma que por se tratar de recolhimento de imposto de renda retido na fonte, ou seja, recolhido na condição de responsável, tal valor não seria dedutível. Já a Recorrente afirma que o § 3º do art. 344 do RIR/99 lhe permite deduzir como despesa o imposto de renda retido na fonte; - Conta Contábil 4.2.1.104.015 – Auxílio Alimentação Relações Públicas a) Brindes (R$ 59.299,11): a decisão recorrida entende que a confecção de porta retrato, móbiles e cartas se caracterizaria como brinde, e, portanto, tais despesas seriam indedutíveis em face do disposto no inciso VII do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Já a Recorrente aduz que se tratariam de despesas de propaganda. A esse respeito, a decisão recorrida argumenta que ainda que fossem despesas de propaganda, elas não estariam destacadamente relacionadas em conta própria conforme impõe o § 3º do art. 366 do RIR/99; b) Contribuição e Patrocínio (R$ 89.000,00): a Recorrente afirma que se trata de despesa com cursos/seminários pagos para seus funcionários. A DRJ entende que não resta caracterizada tal situação, tratando-se de contribuições não compulsórias, indedutíveis por força do disposto no inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249/95; c) Wal-Mart (R$ 117.794,41): a decisão recorrida conclui que não houve apresentação de documentos que comprovassem tais despesas. Já a Recorrente, por sua vez, informa que os documentos estão à disposição da Fiscalização em caso de realização de diligência; - Despesas Operacionais - Provisões - Contas 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas, 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências e 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhistas; - Conta 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas; - Conta 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências; - Conta 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhista; - Conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada; - Conta 4.2.1.01.119 - Despesas não dedutíveis; - Contas 4.2.1.01.012 - Despesas diversas e 4.2.1.01.066 -Projetos não aprovados - para todas essas contas a DRJ concluiu que os demonstrativos elaborados pela Recorrente nada provam e que não foram apresentados no prazo de impugnação qualquer documentação que pudesse comprovar a dedutibilidade das despesas em questão, ou, ainda que parte dessas tivessem sido adicionadas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A Recorrente alega que em razão de limitações em seu sistema contábil, efetua o controle das contas de provisão pelo resultado líquido entre créditos (constituição da provisão) e débitos (reversão da provisão) realizados em determinado período, adicionando o valor líquido das operações à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além disso, vários outros valores glosados pela Fiscalização teriam sido creditados e revertidos para outras contas de despesa, ou ainda tinham como contrapartida outra conta de resultado, ou seja, seriam nulas para fim de apuração do lucro líquido. Especificamente em relação à conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada (R$ 90.809.148,98 de despesas contabilizadas e, de acordo com a Fiscalização, somente adicionados R$ 1.648.374,13), aduz a Recorrente que não se tratava de provisão, mas sim de despesas efetivas de propaganda. A esse respeito foram anexadas às fls. 16.360-16.380 petição e documentos complementares protocolados após o prazo fatal para apresentação de impugnação que comprovariam suas alegações, documentos esses não analisados pela DRJ, conforme já relatado. Em razão disso, requer a nulidade da decisão de primeira instância. - a Recorrente pugna, subsidiriamente, pela necessidade de consideração da base negativa de CSLL de períodos anteriores, matéria objeto de recurso de ofício; - questiona-se ainda a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, o retorno dos autos à primeira instância julgadora para que seja proferida decisão complementar com análise dos argumentos apresentados em impugnação e que não foram objeto de manifestação na decisão recorrida (Conta Contábil 4.2.1.01.008 - Despesas de Viagens - Vendor Name Vazio (R$ 1.868.560,45), bem como sobre o mérito da infração não abordada no acórdão guerreado (Conta Contábil - 4.2.1.01.020 - Despesas Legais - Provisões) nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Roberto Silva Júnior. Relatório WAL MART BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14-55.990 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. E, haja vista que em tal acórdão exonerou-se crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, a turma julgadora recorreu de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 2707/2738), foi procedida ação fiscal na empresa acima identificada, relativamente ao ano-calendário de 2009. Conforme consta do referido termo fiscal, a contribuinte foi diversas vezes intimada com o intuito de se verificar a dedutibilidade dos custos e despesas operacionais, sendo orientada a apresentá-los em formato que possibilitasse conciliar os documentos com os lançamentos, fazendo referência ao número de Anexo e também ao número do documento. Da análise de tais documentos foram constatadas as seguintes irregularidades que caracterizam infração à legislação tributária: 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - NÃO COMPROVADOS Despesas não comprovadas referentes à PLANILHA 2 – ANEXO 1 - 4.2.1.01.001 DESPESAS COM SEGUROS – MTR TRANSFER, PLANILHA 5 – ANEXO 2 - 4.2.1.01.008 DESPESAS DE VIAGENS – PLANILHA 6 - ANEXO 2 - 4.2.1.01.008 DESPESAS DE VIAGENS - WEEKLY CASH REPORT, PLANILHA 7 - ANEXO 2 - 4.2.1.01.008 DESPESAS DE VIAGENS - VENDOR NAME VAZIO, PLANILHA 9 - ANEXO 5 -4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS - MTR TRANSFER, PLANILHA 14 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - VENDOR NAME VAZIO, PLANILHA 15 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - ALUGUEL INT, PLANILHA 16 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - PATRICIA, PLANILHA 18 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - WALMART E PLANILHA 22 - ANEXO 14 - 4.2.1.04.015 RELAÇÕES PÚBLICAS - WAL MART apuradas conforme relatório fiscal. 2) CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS. Despesas com contribuições e doações indedutíveis, por inobservância dos requisitos legais, referente à PLANILHA 21 - ANEXO 14 - 4.2.1.04.015 RELAÇÕES PÚBLICAS – CONTRIBUIÇÃO, conforme relatório fiscal. Despesas de brindes- RELAÇÕES PÚBLICAS - BRINDES conforme relatório fiscal. Multa por infração fiscal, indedutível por não ser de natureza compensatória, ou por ter sido imposta por infração de que resultou falta ou insuficiência de pagamento de tributo, referente à PLANILHA 10 - ANEXO 5 - 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS - DARF, PLANILHA 11 - ANEXO 5 - 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS - MULTAS FISCAIS e PLANILHA 19 - ANEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES - DARF conforme relatório fiscal. Despesas não necessárias referentes à Planilha 1 Anexo 1 – 4.2.1.01.001 – Despesas com Seguros – PF, Planilha 3 – ANEXO 1 – 4.2.1.01.001 – Despesas com seguro – PF, Planilha 4- Anexo 2 – 4.2.1.008 – Despesas de viagens – Líder Táxi Aéreo – Oceanair, Planilha 12- Anexo 5 – 4.2.2.01.020 – Despesas Legais – Despesas Bancárias, apuradas conforme relatório fiscal. Provisão indedutível por não estar expressamente autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda, ou por ter sido feita em excesso ao permitido pela legislação, referente à PLANILHA 8 - ANEXO2 - 4.2.1.01.008 – DESPESAS DE VIAGENS – PROVISÃO, PLANILHA 13- ANEXO 5 - 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS – PROVISÃO PLANILHA 17- ABEXO 8 - 4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕE- PROVISÕES- ANEXO 4 - 4.2.1.01.017 DESPESAS ADMINISTRATIVAS, ANEXO 18 - 4.2.1.04.036 PROVISÃO PARA CONTINGÊCIAS, ANEXO 19 - 4.2.1.01.154 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS, ANEXO 6 – 4.2.1.01.051, RECUPERAÇÃO DESPESAS PROP. COOPERADA, ANEXO 19 – PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS, ANEXO 3 - 4.2.1.01.012 DESPESAS DIVERSAS E ANEXO 11 - 4.2.1.01.119 DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS, conforme TVF. 3) EXCLUSÕES INDEVIDAS NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL, referente ao ANEXO 3 - 4.2.1.01.012 DESPESAS DIVERSAS e ANEXO 7 - 4.2.1.01.066 PROJETOS NÃO APROVADOS, conforme relatório fiscal. Diante dessas constatações, conforme os demonstrativos elaborados pelo Fisco, anexos aos autos, foram lavrados os autos de infração de fls. 2686/2705 que exigem crédito tributário no montante de R$ 20.562.357,55 conforme a seguir discriminado: TRIBUTO Valor do tributo Juros de Mora (Cálculo válido até dez/2013) Multa de ofício (75%) Total IRPJ 6.702.590,68 2.416.283,94 5.026.943,01 14.145.817,63 CSLL 3.040.293,73 1.096.025,89 2.280.220,30 6.416.539,92 Os lançamentos foram efetuados com fulcro nas disposições legais apontadas nos respectivos autos de infração. Ciente do lançamento em 04/12/2013, a contribuinte ingressou em 03/01/2014 com a impugnação de fls. 2748/2804. Após o prazo para impugnação, solicitou a juntada de documentos que fazem as fls. 2805/16301. Em suma, refuta os lançamentos sob as seguintes alegações: IMPUGNAÇÃO A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, tendo por principal atividade o comércio varejista de mercadorias em geral (hipermercado). No regular desenvolvimento de suas atividades, a Impugnante sempre zelou pela mais rigorosa apuração e pagamento de seus tributos. Nesse contexto é de se mencionar que, conforme se aduz da análise de sua DIPJ (já juntada a estes autos) a Impugnante apurou prejuízos no ano de 2009, não havendo, portanto, imposto de renda ou CSLL a recolher no período. A Fiscalização glosou certas despesas e exclusões consideradas pela Impugnante na base de cálculo do IRPJ e CSLL apurados naquele ano (como já mencionado, tais bases foram negativas), por diversos motivos a serem detalhados posteriormente. Em decorrência do exposto, o procedimento fiscal culminou na lavratura de auto de infração contra a Impugnante, exigindo valores supostamente devidos a título de IRPJ e CSLL, sendo as supostas infrações assim descritas pela Fiscalização no TVF. 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (. . .) 0002 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS (...) 0003 PROVISÕES. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS (...) 0004 MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS. MULTAS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA NÃO DEDUTÍVEIS (...) 0005 CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS (...) 0006 DESPESAS DE PROPAGANDA E/OU BRINDES. DESPESAS DE BRINDES (...) 0007EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS (...) Em face das conclusões do Fisco, foram lavrados auto de infração para exigência do IRPJ e CSLL. Contudo, os autos de infração não poderão prevalecer, uma vez que essas conclusões padecem de equívocos insanáveis. Antes de abordar os equívocos, informa que os documentos anexos a esta impugnação serão apresentados em via eletrônica (CD ROM), tanto em razão da maior facilidade para análise, quanto em razão de seu enorme volume. Em que pese a documentação já juntada aos autos, desde já a impugnante protesta pela realização da diligência a fim de confirmar as informações que serão abaixo prestadas, tendo em vista a complexidade dos lançamentos contábeis ora descritos e o enorme volume de documentos que suportam tais lançamentos. A impugnante informa que seus funcionários estão à inteira disposição desse colegiado caso se entenda pela necessidade de realização de diligência a fim de confirmar as informações ora apresentadas. A seguir, apresentam-se os motivos pelos quais deve a presente autuação ser integralmente cancelada. Necessário se faz observar o contido no art. 299 do Decreto nº 3.000, de 1999, que traz o conceito de despesa operacional. Depreende-se do texto legal desse artigo que as despesas operacionais dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. O § 2º desse dispositivo reza que são despesas operacionais admitidas, as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tal análise, no entanto, deve ser feita com muita atenção, já que a conceituação dos termos “usuais” e “normais” definirá se a despesa será dedutível ou indedutível. Assim determinar a dedutibilidade de uma despesa requer análise da situação como um todo de maneira objetiva, levando em consideração o que o texto legal tem por propósito, quando autoriza a dedução. Não pode o auditor, com base em critérios subjetivos, determinar o que é usual e necessário à atividade dos contribuintes. Ao contrário, o próprio contribuinte é quem está familiarizado com suas atividades e, portanto, está apto a determinar quais despesas são efetivamente necessárias ao desenvolvimento de suas atividades. Assim, passa a analisar cada uma das glosas efetuadas pela autoridade fiscal, na mesma ordem adotada no TVF: I - Conta contábil 4.2.1.01.001 – Despesas com seguros Seguro da aeronave: Cabe observar que a despesa se refere ao seguro da aeronave que a empresa possuía. Para o Fisco, a despesa seria indedutível por tratar-se de aeronave de uso quase estritamente particular, desvinculada do objetivo social principal da empresa, comércio varejista, agente de comércio não se encaixaria no conceito legal de despesas operacionais e, portanto, totalmente indedutível para fins de apuração do lucro real. A efetividade da despesa questionada pela Fiscalização, dada a existência de pagamentos relativos à contratação de seguro de aeronave foi plenamente reconhecida. Dessa forma o que se discute é apenas a possibilidade dessa despesa se enquadrar no conceito de despesa operacional. Não foi apresentada pelo Fisco, prova de que a aeronave é utilizada “quase estritamente” para fins particulares. Não pode o Fisco apenas presumir, ao contrário, qualquer presunção deveria ser feita em favor da contribuinte. Não é incomum que empresa do porte da impugnante com estabelecimentos em todo o país (e controladora no exterior) possuam aviões para atender as necessidades de suas operações. A Impugnante ressalta ainda que é extremamente parcimoniosa no uso de seus recursos, o que é necessário para que suas lojas consigam manter um preço competitivo. Nesse contexto, não seria admissível adquirir uma aeronave para fins não corporativos, eis que tal fato impactaria severamente em seus preços e, consequentemente, em sua competitividade. A fim de deixar claro o equivoco fiscal, a Impugnante informa que todas as viagens efetuadas em sua aeronave deveriam ser documentadas por meio de uma "Solicitação de Viagem", na qual deve haver informações sobre todos os passageiros do avião e declaração de que a viagem se presta a motivos profissionais. A fim de documentar tal fato, a Impugnante anexa a estes autos exemplo de Solicitação de Viagem (Doe. 5). Como se verifica, a conclusão fiscal não poderia estar mais longe da verdade. Na realidade, a utilização primordial dada pela Impugnante a sua aeronave está intrinsecamente vinculada ao seu objeto social: o transporte de executivos e empregados da empresa a eventos corporativos e convenções de entidades do setor varejista. A fim de comprovar o alegado, está buscando outros documentos comprobatórios tais como as demais solicitações de viagem que compõem a integralidade das despesas glosadas. Tais documentos ainda não foram juntados em razão de seu volume e antiguidade. MTR transfer: As despesas registradas sob essa rubrica foram glosadas sob a justificativa de que não estariam suportadas por documentos hábeis e idôneos. Ocorre que os lançamentos referem-se a reclassificações contábeis efetuadas em suas contas de resultado, que passam a ser explicadas: “o valor correspondente à despesa em discussão foi registrado (juntamente a diversas outras despesas) em uma determinada conta de resultado da Impugnante, com contrapartida em uma conta patrimonial, com base em documentação hábil ("Lançamento 1"). Esta conta será doravante denominada "Conta Original". Posteriormente, a Impugnante verificou que parcela das referidas despesas (R$ 7.653,41) deveria ser alocada à outra conta de resultado: justamente a conta ora discutida, de n. 4.2.1.01.001 ("Conta Questionada") . Assim, a Impugnante reclassificou o lançamento acima descrito, por meio de um lançamento a crédito na Conta Original (eliminando o efeito da despesa questionada nessa conta). O efeito dessas reclassificações no resultado da impugnante e na base de cálculo do IRPJ e da CSLL é nulo. No entanto, a dedutibilidade da despesa questionada permanece, pois o lançamento 1 foi baseado em documentação hábil, que será juntada a estes autos com descrição minuciosa dos lançamentos contábeis e documentos comprobatórios da efetividade das despesas em questão. Mais uma vez informa que não foram juntados quando da impugnação em razão de sua antiguidade, volume de documentos e complexidade dos lançamentos. c) Despesa com seguros – Pessoas Físicas De acordo com o TVF, as despesas relativas a seguros de pessoa física seria mera liberalidade da empresa e não se adequaria ao conceito de despesas necessárias, portanto seria indedutível. Ao contrário do que afirma a Fiscalização, tais despesas são absolutamente necessárias à atividade da Impugnante. Referem-se a reembolsos e indenizações concedidos a clientes em decorrência de furtos e danos ao patrimônio, sofridos por eles nas dependências da impugnante. O fato de investir na segurança de seus clientes é, infelizmente, porque não há como evitar eventuais ocorrências de danos e furtos nas suas dependências. Nessa situação, as despesas correspondentes devem ser consideradas necessárias e usuais para sua atividade, pois a responsabilidade da impugnante perante seus clientes não pode ser afastada, tampouco deve ser considerada “mera liberalidade”. O Superior Tribunal de Justiça editou súmula sobre o tema, na qual ficou claramente consignada a responsabilidade da empresa em situações similares: Súmula STJ n. 130 A Empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento. Informa que levantará os comprovantes de pagamento relativos a tais despesas de forma a demonstrar cabalmente a efetividade de tais despesas. II - Conta contábil 4.2.1.01.008- Despesas de viagens a) -Fretamento Oceanair Táxi Aéreo Tais despesas no valor de R$ 105.062,50 foram glosadas pela Fiscalização com base na justificativa de que o fretamento de aeronave por empresa que tem por objeto social principal “comércio varejista, agentes do comércio” não se encaixa no conceito legal de despesas operacionais, e portanto seriam indedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Note-se que a efetividade da despesa não foi contestada pelo Fisco em momento algum, mas apenas a sua dedutibilidade. Para a fiscalização, o deslocamento de empregados e diretores estaria desvinculado do objeto social da empresa. A impugnante é empresa multinacional com estabelecimentos em todo o país e no exterior. É natural que numa empresa desse porte, ocasionalmente, necessite enviar empregados de uma unidade a outra unidade para visitas, reuniões de gerentes com o propósito de definir determinadas políticas e outras atividades, o que demonstra o claro enquadramento das despesas no conceito de despesa operacional. Nota-se que a fiscalização incorreu em equívoco. Embora as despesas se refiram a pagamento efetuado às empresas Oceanair Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo, elas não se referem apenas a fretamento de aeronaves. Os pagamentos efetuados à Líder, referem-se a despesas de fretamento de aeronaves, o que é plenamente dedutível. Já, os pagamentos efetuados a Oceanair referem-se a serviços por manutenção executados na aeronave então possuída pela impugnante conforme demonstram comprovantes já apresentados à Fiscalização (mencionada no tópico “seguro de aeronave”). Demonstrada a vinculação da aeronave ao objeto social da empresa, forçosa se torna a conclusão de que as despesas relativas a sua manutenção devam ser consideradas dedutíveis na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Informa que está levantando documentos que comprovem a natureza das viagens (passagens e motivos) e irá juntá-los a estes autos com a maior brevidade possível. b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio b1) MTR transfer Referidas despesas, de R$ 255.644,77, se referem à exata situação descrita no item b (reclassificação contábil sem efeito no resultado). A fim de comprovar também a efetividade dessas despesas, juntará a estes autos descrição minuciosa dos lançamentos contábeis relativos às despesas ora discutidas, bem como cópias dos documentos comprobatórios de sua efetividade. b2) Weekly Cash Report Essas despesas, no montante de R$ 3.076.979,36, se referem a gastos efetuados com recursos do caixa de cada uma das lojas da Impugnante. Mais especificamente, a reembolsos e pagamentos referentes a despesas de viagens profissionais realizadas por empregados dos estabelecimentos da Impugnante (visitas a outras lojas, deslocamentos para reuniões dentre outras situações). Como se verifica, portanto, tais despesas estão claramente relacionadas às atividades da Impugnante, nos termos já expostos em tópicos anteriores e, portanto, devem ser consideradas dedutíveis. A fim de demonstrar o exposto, a Impugnante irá levantar e juntar a estes autos informações e documentos aptos a comprovar a efetividade das despesas em questão, de forma a restar absolutamente comprovada a regularidade da conduta por ela adotada. b3)Vendor Name Vazio Referida rubrica se refere a despesas no valor de R$ 3.868.560,43, relativas à contabilização de despesas pré-operacionais incorridas por lojas em construção. Como já mencionado, a Fiscalização glosou tais despesas por entender que não estariam amparadas por documentação hábil e idônea. Ocorre, pois, que tais despesas foram integralmente revertidas por lançamentos a crédito na mesma conta questionada pela Fiscalização. Em outras palavras, tais despesas não poderiam ser glosadas em razão de um único fato: elas não produziram efeito algum no resultado da recorrente. Dessa forma, a grosso modo, a glosa dos lançamentos contábeis ora discutidos implica a tributação em duplicidade dos valores questionados. Considerações se fazem necessárias: Em consonância com a legislação fiscal e contábil aplicável até a edição da medida provisória n. 449/2008, despesas pré-operacionais podiam ser contabilizadas no ativo diferido da empresa, podendo ser amortizadas em prazo não inferior a cinco anos e não superior a dez anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios decorrentes. À época dos fatos em discussão, era exatamente esse o tratamento dado pela Impugnante às despesas ora questionadas, que, conforme informado acima, se referem a despesas pré-operacionais: registro no ativo diferido e amortização em 10 anos, iniciada a partir da inauguração da loja. Ocorre, porém, que, por questões sistêmicas, referidas despesas eram inicialmente registradas em conta de resultado como despesa para então serem reclassificadas para o ativo diferido. Explica-se. A conta contábil ora questionada (conta 4.2.1.01.008) registra todas as despesas de viagens registradas pela Impugnante (considerando todos os seus estabelecimentos). Despesas de viagens atribuídas a unidades em construção (as despesas pré-operacionais de que trata a glosa ora discutida) eram, por uma questão sistêmica, inicialmente registradas nessa mesma conta contábil. Como o estabelecimento que incorreu na despesa ainda não havia sido oficialmente inaugurado, à época dos fatos, o lançamento foi feito sob a rubrica “Vendor Name Vazio”. Posteriormente, referidos lançamentos foram reclassificados para uma conta de “ativo diferido”, mas seus sistemas contábeis não haviam sido adaptados à mudança no ano de 2009 (“encontrão” que foi resolvido atualmente). c) Provisão De acordo com a fiscalização a despesa em questão, no valor de R$ 18.621,59 possui o histórico de provisão, sendo portanto não dedutível da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Todavia, ao contrário do que afirma a fiscalização, essa despesa foi adicionada à base cálculo dos tributos. Está preparando planilha para demonstrar que as despesas foram corretamente adicionadas ao lucro líquido que será juntada aos autos tão logo esteja finalizada. III - Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020) a) MTR Transfer Essas despesas no montante de R$ 27.640,64 também tiveram reclassificações contábeis sem efeito no resultado tributável. A fim de comprovar também a efetividade das despesas levantará e juntará descrição minuciosa dos lançamentos relativos as despesas ora discutidas, bem como cópias dos documentos comprobatórios de sua efetividade. b) Darf código 1256 e Multas fiscais. A glosa refere-se a pagamento de despesa relativa a débitos fiscais no âmbito do REFIS IV (código 1256), no valor de R$ 1.254.968,96, e R$ 141.080,55 relativo a multas fiscais. De acordo com a fiscalização, a glosa se justifica com base no art. 344, § 5º do RIR de 1999. que determina não serem dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações que não resultem fala ou insuficiência de tributo. No que diz respeito ao Darf no valor de R$ 1.254.968,96 , de fato transitou pela conta 4.2.1.01.020, mas somente em razão de um equívoco da impugnante que registrou tal valor equivocadamente nesta conta. A despesa foi reclassificada não produzindo efeito na conta de resultado. Ao se analisar o razão contábil verifica-se que após a reclassificação a despesa foi efetivamente contabilizada na conta 4.2.1.01.119 que também foi objeto de glosa fiscal. Entende a despesa em questão é integralmente dedutível, pois não se refere a multas fiscais, mas sim a pagamento de tributo, conforme darf anexo, motivo pelo qual é inteiramente dedutível A multa pode ser paga à vista e liquidar multas e juros com prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. O Darf glosado, ao contrário do que argumenta a Fiscalização, não foi utilizado para pagamento das multas e juros, mas tão somente para pagamento de tributo. Se tivessem sido analisados os Darfs, não seriam glosadas as despesas, já que é clara a disposição do art. 344 do RIR de 1999, no sentido de serem dedutíveis na apuração do Lucro Real, os tributos e as contribuições. O art. 374 do RIR de 1999, assegura a dedução como custo ou despesa financeira, do valor relativo aos juros de mora pagos ou incorridos. O Parecer CST nº 174 de 2004, da mesma forma possibilita essa dedução, concluindo que os juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam-se como despesa financeira e, como tal, são dedutíveis. As razões expostas, relativamente ao Darf de R$ 141.080,55 são plenamente aplicáveis ao Darf de R$ 1.254.968, 96. Com relação às multas, o regulamento do IR permite dedução das de natureza compensatória e as impostas por infrações que não resultem em falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Assim, a análise da fiscalização esta incorreta, devendo ser cancelado o item do AI. c)Despesas Bancárias Foram glosadas despesas bancárias de R$ 828.463,40, decorrentes de contratos de prestação de fiança celebrados entre a impugnante e instituições financeiras para garantia de débitos objeto de ações judiciais sob o argumento de que não poderiam ser consideras operacionais, pois não fariam parte da apuração do lucro da empresa, sendo gastos com a estrutura do capital. Mas, a conclusão fiscal é infundada pois enquadram-se perfeitamente no conceito de despesas operacionais. Como é cediço, a maioria das empresas necessitam celebrar esses contratos de prestação de fiança para poder apresentar defesa nas ações judiciais propostas contra si, como as execuções fiscais, em que é necessário e obrigatório garantir o juízo para apresentação de embargos à execução. São portanto absolutamente necessárias usuais e normais para a empresa executar suas atividades. Portanto deve ser cancelado esse item do auto de infração. d) Provisão Aplicam-se a este item as mesmas argumentações apresentadas no item “II – c”. Esclarece que a é a conta 2.1.1.07.002 que determina quais valores deverão ser adicionados ou excluídos da base de cálculo dos tributos. Reitera que o saldo da citada conta de passivo foi integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV – Conta contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções Vendor Name Vazio As despesas registradas nessa conta no montante de R$ 506.716,41, foram glosadas pela fiscalização por entender que os lançamentos não estavam embasados em documentação hábil e idônea. Referem-se tais despesas a pagamento de cursos e seminários realizados no exterior. Apresentam-se documentos relativos a pagamento de cursos (solicitação de pagamento, contrato de cambio e faturas dos prestadores) (doc.22). Informa que está levantando maiores informações sobre os cursos em questão e eventuais documentos comprobatórios que serão devidamente juntados aos autos tão logo sejam obtidos, para mostrar a improcedência dessa glosa questionada. b) Alocação aluguel Int e Patrícia de Paula C As despesas em questão, nos montantes de R$ 453.836,32 e R$ 31.314,52, foram glosadas pela fiscalização por entender que correspondem a lançamentos não embasados em documentação hábil e idônea. b1) Alocação Aluguel Int. A impugnante informa que está levantando maiores informações e documentação comprobatória dessas despesas que serão juntadas a estes autos, ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão. b2)Patrícia de Paula C Referem-se a despesas de serviços de publicidade (mão de obra e confecção de painéis e outras mídias para comunicação) prestados pela empresa Devisu- Criação e Comunicação Visual (Patrícia de Paula Com. Visual EPP) no âmbito de eventos realizados pela impugnante. c) Provisão Em que pese a nomenclatura “provisão”, as despesas glosadas registradas nessa conta no montante de R$ 1.652,00 correspondem a efetivas despesas incorridas pela Impugnante, que esta levantando documentos aptos a comprovar tal fato. d) Wal Mart Foram glosadas as despesas contabilizadas sob essa rubrica, no montante de R$ 365.400,10, por entender que referidos lançamentos não estavam embasados em documentação hábil e idônea. Referem-se a pagamento de cursos e seminários realizados no exterior, (vide mais uma vez, o doc. 22 para documentação exemplificativa). Informa que serão juntados a estes autos tão logo sejam obtidos, ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão. e) Darf código 0473 Mais uma vez, a fiscalização glosou despesas alegando tratarem-se de multas indedutíveis, quando na verdade trata-se apenas de pagamento de imposto. Darf de R$ 33.675,33 refere-se ao pagamento de Imposto de Renda Retido na Fonte no mês de setembro de 2009, conforme atesta o Darf e DCTF ora anexados (doc.20), que são dedutíveis de acordo com o art. 344 do RIR de 1996. Portanto requer o cancelamento desse item. V- Conta contábil 4.2.1.04.015 – Auxilio Alimentação Relações Públicas a) Brindes Entendeu o fisco que as despesas incorridas pela recorrente com material promocional não seriam dedutíveis do Lucro tributável para apuração do IR e da CSLL. Todavia, essas despesas não se caracterizam como brindes, mas sim, propaganda, sendo absolutamente necessárias ao desenvolvimento da atividade social da impugnante, portanto, possibilitando a sua dedutibilidade, nos termos do art. 366 do RIR de 1999. É bastante amplo o instrumento da propaganda, na medida em que são inúmeras as formas pelas quais a marca da empresa ou um produto específico poderão ser divulgados com o fim de atrair consumidores para os seus produtos. São gastos constituídos não por mera liberalidade, mas dispêndios que tem a clara expectativa de retorno comercial. O objeto social da impugnante envolve importação, exportação, industrialização e comercialização, no atacado e no varejo de produtos em geral. Assim, tais gastos com materiais promocionais cedidos aos seus clientes têm o intuito de incrementar suas vendas. Por meio de propaganda divulga a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que coloca no mercado. Trata-se de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora do rendimento, enquadrando-se na condição prevista no art. 366 do RIR de 1999. As despesas enquadram-se perfeitamente na condição prevista no art. 366 do RIR de 1999 que permite a dedução. Além disso, o inciso VII do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 foi introduzido no ordenamento jurídico com o intuito de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes em que absolutamente nada coadunam com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto social. É o caso de despesas com brindes, que não devem ser confundidas com as despesas de propaganda. Há de se fazer distinção entre brinde e material promocional para fins de dedução da base de cálculo da CSLL. Se mantida a adição, a tributação deixará de incidir sobre o lucro da impugnante para recair sobre seu patrimônio, o que é absolutamente inconstitucional. Qualquer adição indevida à base de cálculo do IRPJ e CSLL, contraria o disposto nos arts. 153, III e 195, I da Constituição Federal, pois não se estaria tributando Renda mas representará ilegítima instituição de empréstimo compulsório, em desacordo com o disposto no art. 148 da CF. b) Contribuição e Patrocínio Foram glosadas duas despesas decorrentes de pagamentos para as empresas Difusão Editora e Valor Econômico S/A, no valor total de R$ 89.000,00. A fiscalização limitou-se a expor que o artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1996 excluiu a maioria das contribuições e doações na dedução do lucro real. Em momento algum enquadrou as despesas incorridas pela impugnante em qualquer das condutas expostas no referido art. 13. Essas enquadram-se no art. 368 do RIR de 1999, que dispõe que poderão ser deduzidos os gastos incorridos, com a formação profissional de empregados. Referem-se as despesas a cursos/seminários pagos pela impugnante aos seus funcionários, inclusive do “III Seminário Créditos de Carbono e Mudanças Climáticas”. Essas despesas são necessárias e usuais para seu negócio de maneira que são revertidas em seu próprio beneficio. c) Wal Mart As despesas contabilizadas sob essa rubrica, no montante de R$ 117.794,41, foram glosadas pela Fiscalização por ter entendido que tais despesas não estavam embasadas em documentação hábil e idônea. Informa a impugnante que tão logo sejam obtidos, os documentos necessários para comprovar tais despesas, serão devidamente juntados aos autos, ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão. VI. Despesas operacionais – Provisões a) considerações iniciais De acordo com a Fiscalização, durante o ano de 2009 foram contabilizadas diversas provisões que teriam reduzido o resultado tributável, sem ter efetuado as adições correspondentes para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal conclusão é improcedente, eis que se baseia em uma simples análise que não levou em conta peculiaridades da contabilidade da empresa. A fim de demonstrar tal fato, faz-se necessário tecer algumas considerações iniciais sobre a forma de contabilização de provisões adotada pela impugnante. A impugnante adota uma metodologia distinta: Ela efetua as adições e exclusões de valores provisionados com base nas contas de passivo (nas quais as provisões foram originalmente constituídas), em decorrência de certas limitações de seus sistemas contábeis. Tais adições e exclusões são efetuadas com base nas alterações no saldo das contas de passivo. Ou seja, se em um mesmo período há constituição e reversão de provisão a impugnante exclui ou adiciona o valor líquido das operações à base de calculo do IRPJ e da CSLL. Isso ocorre porque, muitas vezes, as contas de resultado da Impugnante registram diversos valores objeto de reclassificação contábil, que não geram efeitos no resultado da empresa e, portanto, não devem ser adicionados. Mais ainda, por vezes, tais contas de resultado registram também despesas efetivas (em que pese o fato de tais contas adotarem a nomenclatura "provisão"). Frise-se que a metodologia adotada pela Impugnante (adição/exclusão das despesas/receitas de provisão pelo saldo da conta de passivo) não diminui a base tributável apurada. Isto porque a contas contém reclassificações de contas contábeis “(despesas cujo efeito foi anulado por um crédito no mesmo valor)” e despesas efetivas, não relacionadas à constituição de provisão. Como se demonstrará, o montante que efetivamente corresponde às provisões constituídas no ano de 2009 foram integralmente adicionadas ao resultado, com base nas alterações dos saldos das contas de passivo. b) Contas 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas, 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências e 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhistas. O número Batch é de controle dos lançamentos contábeis efetuados pela impugnante sem seu sistema de contabilidade. Os lançamentos indicados na cor amarela indicam os valores que efetivamente equivalem a provisões e que foram devidamente adicionados à base de calculo do IRPJ e da CSLL. Houve reclassificações contábeis. Como exemplo reproduze-se abaixo o quadro originalmente apresentado no doc. 1023, “no qual se pode verificar que o valor de R$ 1.264.474,21, objeto de glosa fiscal, é, em parte, contrapartida de lançamento de R$ 612.490.41, que corresponde a uma efetiva provisão.” Conta 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas a) despesas de juros - despesas efetivas, passíveis de exclusão das bases de cálculo do IRPJ e CSLL; e b) Reclassificações contábeis para as contas 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.155. Note-se que os valores em questão não produziram efeito nenhum no resultado da Impugnante, eis que as despesas em questão foram anuladas por meio de créditos nas contas 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01-155. Como se verifica, parcela dos valores glosados pela Fiscalização nesta conta foi reclassificada para as contas 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.155 – sendo que a primeira foi novamente glosada (como se verá seguir) e a segunda foi integralmente aceita pela Fiscalização. Conta 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências Da análise do quadro resumo contido no Doc. 10 e abaixo transcrito, verifica-se que, o valor de R$ 1.956.905,21, objeto de glosa fiscal, é na realidade, contrapartida de lançamentos a crédito efetuados nas contas de passivo 2.2.3.02.007 e 2.2.3.02.006, que foram devidamente adicionadas às bases do IRPJ e da CSLL. Conta Conta SPED Account Name Montante 441 2.2.3.02.007 PROVISÃO P CONTINGÊNCIAS T -2.910.109,38 438 2.2.3.02.006 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS -332.712,94 937 4.2.1.04.036 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS 1.956.905,21 1083 4.2.1.02.011 DESPESAS COM JUROS 242.455,41 947 4.2.1.01.155 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS CIVIL 145.395,57 = 970 4.2.1.04.018 ACOES TRABALHISTAS 26.890,47 1051 4.2.1.04.036 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS 201.917,72 929 4.2.1.01.017 DESPESAS ADMINISTRATIVAS 669.257,94 Note-se que os lançamentos efetuados nas contas 2.2.3.02.007 e 2.2.3.02.006 que foram adicionadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL têm também contrapartida em outras contas de provisão, bem como de despesas efetivas. Destaque-se que a conta 4.2.1.04.036 apresenta registro de reversão de provisão no montante de R$ 136.979,06, sobre o qual a Impugnante deixa de comentar, eis que a exclusão da receita correspondente da base de cálculo dos tributos foi devidamente reconhecida pelo Fisco (conforme quadro na página 27 do TVF). Conta 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhista Da análise do quadro resumo abaixo transcrito, verifica-se que o valor de R$ 1.584.122,94 objeto de glosa fiscal, tem por contrapartida lançamentos a crédito efetuados na conta de passivo 2.2.3.02.007, que foram devidamente adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os valores remanescentes representam despesas efetivas de diversas naturezas (lançamentos individualizados no doc.9) reclassificados de acordo. Note-se que, mais uma vez a reclassificação se deu por meio de um crédito efetuado em outras contas de resultados que eliminou o efeito original da despesa na conta questionada pela fiscalização. Como visto, parcela significativa dos valores glosados são contrapartidas de despesas efetivas (em que pese o fato de tais despesas terem sido levadas a resultado em conta com a denominação “provisão”), ou valores reclassificados, portanto revertidos sem efeitos legais no resultado da impugnante, fato que foi ignorado pelo Fisco. O montante remanescente que efetivamente corresponde a provisões e tem por contrapartida registros feitos na conta 2.2.3.02.007 foi devidamente adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base nas alterações dos saldos das contas. A própria Fiscalização reconheceu que a Impugnante adicionou o montante de R$ 4.262.095,07. Referido montante equivale ao saldo da conta 2.2.3.02.007, na qual a Impugnante controla as provisões questionadas pela Fiscalização. Ou seja, a Impugnante adicionou o saldo da conta contábil - o qual considera tanto as despesas de constituição de provisão quanto as receitas de reversão - à base dos tributos em questão. Para demonstrar tal fato, a Impugnante apresenta o razão da conta 2.2.3.02.007 - cujo saldo foi devidamente acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (doc 12), bem como quadros contendo os lançamentos efetuados na referida conta (grifados em amarelo) (doe 13) e suas contrapartidas. Novamente, é possível fazer o cotejo entre os documentos com base nos Batch indicados. Resta, portanto, demonstrado o equívoco fiscal que glosou despesas efetivas e reclassificações contábeis, como se provisão fossem e a regularidade dos procedimentos adotados pela impugnante, que considerou tanto as despesas relativas à constituição de provisões quanto às receitas decorrentes da reversão de provisões na base de cálculo do IRPJ e da CSLL por ela devidos. Conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada Ocorre que as despesas glosadas pela fiscalização, são na realidade despesas efetivas de propaganda e publicidade, totalmente dedutíveis nos termos da legislação vigente (art. 366 do RIR de 1999) e não simples provisões, as quais são dedutíveis, respeitado o regime de competência, ou seja, a despesa se reporta a um determinado mês, deve necessariamente ser contabilizada nesse mês. É sabido que a impugnante possui diversos anunciantes e tem significativas despesas de propaganda e publicidade. A empresa registra a despesa em sua contabilidade, com base na nota fiscal do fornecedor de serviço ou material. Ocorre que durante o ano de 2009, em razão de questões sistêmicas e de um complexo fluxo de aprovação de pagamentos, as supracitadas notas fiscais somente poderiam ser inseridas nos sistemas contábeis, após o decurso temporal, muitas vezes superior a um mês. Nesse contexto, uma nota emitida em janeiro, somente poderia ser registrada em fevereiro, sem violação ao princípio de competência. Problema sanado atualmente. Assim, a impugnante passou a elaborar mensalmente uma planilha na qual registrava as notas fiscais e documentos de cobrança que deveriam ser registrados por competência em um dado mês (“planilha NF”). Com base no somatório dos valores registrados nessas planilhas, passa a registrar uma “provisão” na conta de passivo nº 2.1.1.07.007. Do ponto de vista fiscal, essa “provisão” é dedutível, reconhecida por competência no período pertinente. Tais montantes poderiam ser reconhecidos como contas a pagar, mas não o são, unicamente por questões sistêmicas. No mês imediatamente posterior à constituição da referida “provisão” as notas fiscais são registradas no sistema gerando uma nova despesa. Porém o resultado dessa despesa é nulo, tendo em vista que a provisão constituída é revertida em outra conta de resultado, tendo por contrapartida lançamentos na conta de passivo n. 2.1.1.07.007. Uma última explicação deve ser feita: Em dezembro de 2009, a Impugnante reverteu a provisão constituida em novembro do mesmo ano (contabilizando, portanto, receitas decorrentes) e constituiu provisão relativa a janeiro de 2010 (contabilizando as despesas decorrentes). Considerando que a provisão constituída pela Impugnante foi superior à reversão no montante de R$ 1.648.374,13 e que o ano se encerrava, conservadoramente, adicionou o valor em questão à base de cálculo do IRPJ e CSLL apurados em 2009. Feitas essas considerações, a impugnante passa a demonstrar o quanto alegado. Para tanto, junta a estes autos cópia das Planilhas NF mensais, que listam as notas fiscais e documentos de cobrança que embasaram a contabilização da "provisão" (que, como já mencionado, corresponde a uma despesa efetiva de publicidade, reconhecida por competência) (doe. 14). Adicionalmente, a impugnante também traz a estes autos quadros contendo os lançamentos questionados pela fiscalização e suas respectivas contrapartidas, separados por Batch (doc. 15), acompanhado de quadro resumo, a exemplo do que foi feito no item anterior. Como se verifica da análise de cada quadro, os lançamentos glosados pela Fiscalização (marcados em verde) são valores debitados na conta de resultado n° 4.2.1.01.051, que têm, como contrapartida, valores creditados na conta de passivo n° 2.1.1.07.007 (estes lançamentos representam o valor efetivo da provisão e estão indicados em amarelo escuro), bem como reclassificações gerenciais creditadas em outras contas de resultado. É de se observar que referidas reclassificações acabam por anular parte da despesa registrada na conta 4.2.1.01.051. Ora, se a Impugnante contabiliza uma despesa de R$ 100,00, tendo por contrapartida uma receita de R$ 100,00, o efeito deste lançamento é nulo. Na prática, é o que ocorre ao somar tais reclassificações. Para demonstrar o alegado foi inserido na impugnação, o quadro demonstrativo à fl. 2795, relativo ao mês de janeiro de 2009. Portanto, desconsiderando-se o montante de R$ 422.989,78, resta uma despesa de R$ 7.019.406,04 que tem como contrapartida o lançamento efetuado na conta 2.1.1.07.007 – devidamente levada a resultado. Situação similar se repete em todos os meses posteriores. Mais ainda, como se observa da análise do doc. 15, os lançamentos relativos a provisões registrados na conta 2.1.1.07.007 são efetuados mensalmente, sendo que, salvo pequenas variações observadas em alguns poucos meses, decorrentes de ajustes manuais, eles correspondem ao exato valor registrado mensalmente nas Planilhas NF. Demonstrado, portanto, que as despesas de constituição de "provisão" estão registradas na conta 2.1.1.07.007 e não na conta 4.2.1.01.051, como afirmado pela Fiscalização, sendo tais despesas, na verdade, contas a pagar que competem ao mês em que são reconhecidas contabilmente. Cabe agora demonstrar que cada valor debitado do resultado e registrado na conta 2.1.1.07.007 é revertido no mês seguinte, tendo por contrapartida um débito na referida conta de passivo e créditos em diversas contas de resultado. A partir da página 5 do Doe. 15, a Impugnante listou os lançamentos efetuados na conta 2.1.1.07.007, incluindo aqueles relativos às reversões de "provisão" (indicados em amarelo claro), bem como suas contrapartidas. Note-se que a reversão efetuada em janeiro/2009 se refere à provisão constituída em dezembro/2008. A fim de demonstrar que a reversão equivale exatamente ao valor constituído no mês anterior, a Impugnante reproduziu quadro relativo aos lançamentos de 28.2.2009 (item 279 da impugnação). A conta de passivo 2.1.1.07.007 é debitada no exato montante da provisão constituída no mês anterior, 7.019.406,04, tendo por contrapartida créditos em diversas contas de resultado (receitas de reversão). O mesmo procedimento se repete nos meses posteriores. Ainda que o fisco entenda que os montantes registrados na conta 2.1.1.07.007 devam ser adicionados ao seu lucro tributável, não se pode deixar de reconhecer que as receitas de reversão também devem ser abatidas contra as receitas decorretes das reversões retromencionadas, que devem ser excluídas do mesmo lucro tributável. Portanto, demonstrada está a necessidade do cancelamento dessas glosas. Conta 4.2.1.01.119 - Despesas não dedutíveis A conta em questão registra despesas no montante total de RS 3.332.071,86, sendo que a Fiscalização reconheceu que a Impugnante efetuou a adição de RS 1.303.882,72 ao seu lucro tributável. Nesse sentido, houve por bem o agente Fiscal adicionar a diferença apurada (RS 2.028.189,14) ao lucro tributável da Impugnante. Todavia, deixou de considerar que a referida conta de resultado registra despesas efetivas, totalmente passíveis de dedução. Como já mencionado anteriormente, o Fisco, ao analisar a conta 4.2.1.01.020, glosou despesas relativas a um Darf no montante e R$ 1.254.968,96 (código de recolhimento 1256). Ocorre que, como já demonstrado, referida despesa somente transitou por aquela conta, sendo posteriormente reclassificada para a conta 4.2.1.01.119 ora analisada. As mesmas razões justificam a dedutibilidade do valor de R$ 141.080,55. No que diz respeito aos valores remanescentes, a impugnante está buscando documentos aptos a comprovar a efetividade e dedutibilidade das despesas, que serão juntados tão logo sejam localizados. Contas 4.2.1.01.012 - Despesas diversas e 4.2.1.01.066 -Projetos não aprovados A Fiscalização houve por bem adicionar os saldos das contas contábeis -1.2.3.01.012 e 4.2.1.01-066 nos montantes, respectivamente, de RS 12.972.699,89 e RS 5.158.648,64 (total de R$ 18.131.348,53) ao lucro tributável da Impugnante, por entenderem que referidas contas eram, na realidade, meras provisões e, portanto, indedutíveis. Todavia, novamente o Fisco incorreu em equívoco, pois as contas 4.2.1.01.012 e 4.2.1.01.066 registram não apenas provisões, mas despesas efetivas. Esclarece, que a parcela dos registros das contas que efetivamente corresponde a despesas de constituição de provisões foi devidamente acrescida à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ainda, que a exemplo do que ocorre com outras contas abordadas em tópicos anteriores, a empresa controla as adições e exclusões relativas à constituição de provisões com base na variação do saldo da conta de passivo que registra a provisão. No caso em tela, essas contas abordadas em tópicos anteriores a impugnante controla as adições e exclusões relativas à constituição de provisões, com base na variação do saldo da conta de passivo que registra a provisão. A fim de demonstrar o alegado produziu quadros explicativos às fls. 2799 e 2800 da impugnação. Como se verifica, do montante de R$ 18.131.348,53 adicionados ao lucro tributável da Impugnante, o montante de R$ 11.515.701,35 já havia sido adicionado pela Impugnante, por meio da conta 2.1.1.07.002. A análise dos razões das supracitadas contas (doe. 18), por meio da consulta aos lançamentos efetuados com os Batch indicados nos referidos quadros, demonstrará cabalmente a veracidade de todo o alegado. No que diz respeito aos valores remanescentes, esclarece a Impugnante que correspondem a despesas efetivas. A Impugnante está buscando maiores informações, bem como comprovação dos pagamentos. Tais documentos serão juntados a estes autos tão logo sejam localizados. Subsidiariamente – Necessidade de consideração da base negativa de CSLL de períodos anteriores O auto de infração também merece ser cancelado em razão de erro no critério quantitativo de apuração do valor devido. Isto porque ao apurar a contribuição, o Fisco não considerou a Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores, da qual poderia compensar até 30% do lucro líquido ajustado, nos termos do art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. A jurisprudência do CARF é clara no sentido de que, ao lavrar auto de infração, a Fiscalização deve realizar de oficio a compensação dos prejuízos fiscais/base negativa de CSLL. Caso a D. Fiscalização tivesse procedido de acordo com a legislação, os valores de CSLL lançados teriam sido muito inferiores aos apurados, razão pela qual deve ser cancelado o presente auto de infração. Ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n. 9.430/96, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Assim, não há como se admitir a incidência de juros sobre a multa, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal e não foi. Isto é, o único pressuposto da cobrança dos juros decorre da não transferência voluntária e dentro do prazo legal do capital do contribuinte aos cofres públicos. Excetuando-se essa situação, qualquer incidência de juros revela-se abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, qual seja, a reposição de capital. Nesse sentido, é evidente que os juros não existem por si só e não podem ser aplicados aleatoriamente sobre qualquer evento. Decorrem, antes de tudo, de uma obrigação principal. O mesmo ocorre em relação à multa, que só será devida se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal. Os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Ademais, a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao principio constitucional do não confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada ! Portanto, deve ser integralmente cancelado o auto de infração. Em face de todo o exposto, a Impugnante requer: a) Que seja o Auto de Infração julgado totalmente improcedente, cancelando-se integralmente o crédito tributário por ele constituido. b) Subsidiariamente, caso não seja acolhido o pedido de cancelamento da autuação - o que se admite a mero titulo argumentativo - requer a Impugnante que seja afastada a incidencia de juros SELIC sobre a multa de oficio. c) Juntada de quaisquer outros documentos e informações que venham a corroborar com os fatos e argumentos descritos na presente Impugnação. d) Que todas as intimações e publicações relativas a este processo sejam efetuadas, exclusivamente, em nome das advogadas Raquel Cristina Ribeiro Novais e Daniella Zagari Gonçalves, inscritas na OAB/SP sob os n°s 76.649 e 116.343, respectivamente, com escritório localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 3144, 8o andar, São Paulo, SP. Juntou à impugnação: “Lista de documentos” (via física): DOC. 1 - Cartão do CNPJ DOC. 2 - Documentos Societários DOC. 3 - Procurações e documentos dos advogados DOC. 4 - Auto de Infração DOC. 22 - Cursos no exterior: solicitações de pagamento, contrato de câmbio e faturas dos prestadores “Lista de documentos” – CD-ROM: DOC. 5 - Exemplo de Solicitação de Viagem DOC. 6 - Razão contábil da conta 4.2.1.01.020 DOC. 7 - Cópia de notas fiscais emitidas pela empresa Devisu -Criação e Comunicação Visual (Patricia de Paula Com. Visual EPP) DOC. 8 - Planilha exemplificativa: lançamentos efetuados na conta 4.2.1.01.008 DOC. 9 - Quadros com lançamentos contábeis efetuados nas conta 2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154 DOC. 10 - Resumo des lançamentos contábeis efetuados nas conta: 2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154 DOC. 11 - Razões contábeis das contas 4.2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154 DOC. 12 - Razão contábil da conta 2.2.3.02.007 DOC. 13 - Quadro de lançamentos contábeis da conta 2.2.3.02.007 DOC.14 - Planilhas mensais listando as notas fiscais consideradas na efetivação dos lançamentos efetuados na Conta 4.2.1.01.05 DOC. 15 - Quadros com os lançamentos efetuados na Conta 4.2.1.01.051 DOC. 16 - Razões das contas 2.1.1.07.007, 4.2.1.01.051 e outras contas de resultado. DOC. 17 - Razão contábil da conta 4.2.1.01.119. DOC. 18 - Razões contábeis das contas 4.2.1.01.012 e 4.2.1.01.066 e 2.1.1.07.00. DOC. 19 - DARF Código 1256 no valor de R$ 1.254.968,96 DOC. 20 - DARF Código 0473 no valor de R$ R$ 33.675,33 DOC. 21 - Fatura de Serviços - Valor Econômico. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em análise da impugnação apresentada, julgou-a procedente em parte, tendo a decisão recebido a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. A dedutibilidade de custos e despesas na determinação da base de cálculo do imposto somente é possível se prevista na legislação e devidamente comprovada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. A dedutibilidade de custos e despesas na determinação da base de cálculo da contribuição somente é possível se prevista na legislação e devidamente comprovada. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Retifica-se o lançamento para levar a efeito no cálculo da CSLL devida a compensação de Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores efetuada pelo Fisco, mas não considerada na determinação de seu valor. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência deve ser considerado não formulado, por não ter sido regularmente formalizado, além de inexistir justificativa para sua realização. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, tem previsão legal. Em resumo, a decisão de primeira instância somente cancelou parcela de CSLL decorrente da compensação de 30% de CSLL com bases negativas de períodos anteriores não levadas em consideração pela autoridade lançadora. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de fevereiro de 2015, uma terça-feira (fls. 16.357-16.358), apresentando recurso voluntário de fls. 16.384-16.453 em 12 de março de 2015, uma quinta-feira. Aduz a Recorrente que a DRJ se limitou a analisar superficialmente as alegações contidas na impugnação, sem levar em consideração a documentação acostada aos autos em total afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em sede preliminar requer, assim, a declaração de nulidade da decisão recorrida, nos seguintes termos: - em razão da gama de documentos que necessitava para comprovar a dedutibilidade das despesas glosadas, a Recorrente anexou documentos não só na impugnação apresentada, mas também em momento posterior, mas ainda antes da prolação da decisão recorrida; - a DRJ entendeu por bem não analisar tal documentação em razão da preclusão prevista no art. 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o que estaria em total descompasso com a jurisprudência do CARF; - alega, contudo, que diversos documentos apresentados na impugnação também teriam sido absolutamente ignorados pela DRJ, uma vez que a decisão recorrida, em diversos pontos, teria mantido a glosa em razão da não apresentação de documentos por parte da Recorrente, mesmo em diversos casos em que a documentação fora apresentada em sede de impugnação; - a turma julgadora de primeira instância teria desqualificado as provas apresentadas pela Recorrente ao afirmar que “alegar genericamente e simplesmente juntar papéis ou demonstrativos não é provar”, embora a Recorrente tivesse, a seu ver, vinculado os documentos à matéria que se referiam. No mérito, em resumo, assim se manifesta a Recorrente: - Conta Contábil 4.2.1.01.001 – Despesas com Seguros a) Seguro aeronave (R$ 107.591,20): não se questiona a efetividade da despesa, mas sim se seria ou não dedutível. Aduz a Recorrente que de que a conclusão da Fiscalização e da DRJ de que o uso dos aviões seriam quase que estritamente particular, desvinulado do objeto social da empresa e de que a despesa não estaria intrinsecamente relacionada com a produção ou comercialização não estaria embasa por qualquer documentação ou informação mais detalhada contraria a jurisprudência do CARF, a qual indica que competiria ao Fisco fazer prova dessa alegação. Segundo a Recorrente do doc. 5 juntado à impugnação demonstraria o controle que possuía sobre a utilização da aeronave, que teria sido utilizada somente com fins corporativos; b) MTR Transfer (R$ 7.653,41): alega que as despesas registradas sob esta rubrica decorre de meros ajustes contábeis realizados, com subsequente crédito na conta de despesa original (eliminando a despesa inicialmente contabilizada) e débito na conta questionada. Aduz que não foi possível juntar a documentação aos autos em razão de sua antiguidade, bem como pelo envolvimento de grande volume de documentos; c) Despesas com Seguros Pessoa Física (R$ 532.167,35): referem-se a reembolsos e indenizações concedidos a clientes em decorrência de furtos e danos ao patrimônio, sofridos por eles nas dependências da Recorrente. Segundo a decisão recorrida “foram apresentados formulários internos de controle da área de contabilidade e de contas a pagar, os quais indicam em seu corpo que se referem basicamente a reembolsos por furto de veículos, CD player, estepes etc. Não apresentou durante a ação fiscal, nem no prazo para impugnação, documentos que comprovassem a necessidade dessa despesa, valor exigido por terceiro, caracterizando mera liberalidade. Assim, não se pode conceituar tal despesa como dedutível, necessária à atividade da empresa como definido no art. 299 do RIR de 1999”. Contudo, entende a Recorrente que os documentos já apresentados durante o procedimento fiscal são aptos a comprovar a dedutibilidade de tais despesas; - Conta Contábil 4.2.1.01.008 – Despesas de Viagens a) Fretamento Oceanair Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo (R$ 105.062,50): despesas pagas a Oceanair Táxi Aéreo se referem a fretamento de aeronovaves, o que seria normal para a atividade desenvolvida, em especial para o deslocamento de associados/diretores e empregados. Quanto aos valores pagos à Líder Táxi Aéreo diriam respeito a manutenção da aeronave própria, e não à fretamente, conforme alegou a Fiscalização. Alega que a DRJ manteve a glosa analisando superficialmente as provas e suas alegações, o que implicaria nulidade do lançamento. b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio - MTR Transfer (R$ 255.644,77): diria respeito à reclassificações contábeis, o que a Recorrente entende já ter demonstrado sua correição; - Weekly Cash Report (R$ 3.076.979,88): despesas se referem a gastos efetuados com recursos do caixa de cada uma das lojas da Impugnante. Diriam respeito a reembolsos e pagamentos referentes a despesas de viagens profissionais realizadas por empregados dos estabelecimentos da Impugnante (visitas a outras lojas, deslocamentos para reuniões dentre outras situações). Não houve apresentação de documentação; - Vendor Name Vazio (R$ 1.868.560,45): Recorrente alega que se trata de despesas pré-operacionais e que foram contabilizadas em conta de despesa mas teria havido créditos nos mesmos valores nessa mesma conta, sendo a contrapartida conta de ativo diferido (1.1.9.01.014 – despesas pré-operacionais). A DRJ teria baseado seu voto na ausência de apresentação de documentos, mas não teria analisado a questão dos lançamentos a crédito que anulariam os efeitos na determinação do lucro líquido do período e, consequentemente, da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; c) Provisão (R$ 18.621,59): argumenta a Recorrente que os valores em questão foram adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esclarece que seria a conta 2.1.1.07.002 que determinaria quais valores deveriam ser adicionados ou excluídos das bases de cálculo dos tributos; - Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020) a) MTR Transfer (R$ 27.640,54): diria respeito à reclassificações contábeis, o que a Recorrente entende já ter demonstrado sua correição; b) Darf código 1256 e Multas fiscais (R$ 1.254.968,96 – Refis IV- e de R$ 141.080,55 relativo a multas fiscais): para a Fiscalização e a decisão recorrida, o DARF teria sido utilizado para pagamento de multa de ofício e juros de mora no âmbito do “Refis IV”, o que implicaria ofensa ao art. 344 § 5º do RIR/99 dispõe que "não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações, salvo as de natureza compensatória e as impostas por Infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41, §5°)". Para a Recorrente, a decisão seria nula por não analisar os lançamentos realizados a crédito nesta mesma conta, em contrapartida para outra conta de despesa também glosada (4.2.1.01.119), o que implicaria dupla glosa. A comprovação dos lançamentos a crédito em tal conta teriam sido comprovadas mediante cópia dos lançamentos realizados (doc. 5 da impugnação). Relativamente à glosa de R$ 141.080,55, os motivos da DRJ para manutenção do lançamento foram os mesmos relativos ao outro DARF. Em primeiro lugar, explica a Recorrente que houve erro de contabilização, sendo debitada a conta referente a multas fiscais. Contudo, salienta a Recorrente que nesse caso ocorreu a mesma omissão no julgado relativa: creditou-se a conta de despesa e a contrapartida deu-se em outra conta de despesa também glosada pela Fiscalização, ou seja, novamente teria ocorrido a dupla glosa. A comprovação dos lançamentos a crédito em tal conta teriam sido comprovadas mediante cópia dos lançamentos realizados (doc. 5 da impugnação). Além disso, salienta que o DARF foi utilizado para pagar tributo com os benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 (“Refis IV”). Argumenta que nos termos do art. 1º, §§ 7º e 8º de que trata dessa lei, o contribuinte poderia pagar à vista seus débitos e liquidar multas e juros com prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Esclarece que a multa e os juros são extintos com utilização de prejuízos fiscais, e não por meio de pagamento de DARF. O DARF em questão teria sido utilizado para quitação do principal, ou seja, do tributo em que multa e juros teriam sido quitados com utilização de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. De toda forma, salienta que o tributo pago seria dedutível, assim como a multa e os juros de mora correspondentes; c) Despesas Bancárias: aduz a Recorrente que o gasto em contratos de fiança bancária são necessários para garantia de futuras execuções fiscais que serão alvo de embargos à execução, sendo essencial manter sua regularidade fiscal. Em razão disso se tratariam de despesas necessárias, usuais e normais em suas atividades não podendo ser mantida a glosa com base no fundamento utilizado pela DRJ no sentido de que tais despesas não devem ser classificadas como operacionais por não serem gastos com a operação e manutenção da capacidade de produção da empresa, mas gastos com a estrutura de capital; d) Provisão: a decisão recorrida não teria enfrentado a questão, sendo necessária a declaração de sua nulidade. De toda forma, argumenta a Recorrente que os valores em questão foram adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esclarece que seria a conta 2.1.1.07.002 que determinaria quais valores deveriam ser adicionados ou excluídos das bases de cálculo dos tributos; - Conta Contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções a) Vendor Name Vazio (R$ 506.716,41): segundo a Recorrente as despesas seriam decorrentes de ao pagamento de cursos e seminários realizados no exterior. A decisão recorrida informa que não foram apresentados documentos. Já a Recorrente alega que os documentos foram apresentados junto à impugnação (doc. 22); b) Alocação aluguel Int e Patrícia de Paula C (R$ 453.886,32 e R$ 31.314,52): a glosa foi realizada e mantida pela DRJ por não terem sido apresentados os documentos comprobatórios. Segundo a Recorrente, os documentos comprobatórios das despesas referentes a “Alocação Aluguel Int.” (R$ 453.886,32 ) estariam à disposição da Fiscalização caso se entenda necessária a realização de diligência. No que atine a pagamentos realizados a “Patrícia de Paula C” (R$ 31.314,52), diriam respeito a a serviços de publicidade. Alega a Recorrente que anexou à impugnação cópia de parcela significativa das notas fiscais emitidas pelo prestador de serviço (doc. 7 da impugnação), mas não teriam sido analisadas pela decisão de primeira instância. Pede a declaração de nulidade da decisão de piso, ou, se for o caso, a sua análise por este colegiado; c) Provisão (R$ 1.652,00): a Recorrente informa que os documentos estão à disposição da Fiscalização em caso de realização de diligência; d) Wal-Mart (R$ 365.400,10): segundo a Recorrente as despesas seriam decorrentes de ao pagamento de cursos e seminários realizados no exterior. A decisão recorrida informa que não foram apresentados documentos. Já a Recorrente alega que os documentos foram apresentados junto à impugnação (doc. 22); e) Darf código 0473 (R$ 33.675,33): a decisão recorrida afirma que por se tratar de recolhimento de imposto de renda retido na fonte, ou seja, recolhido na condição de responsável, tal valor não seria dedutível. Já a Recorrente afirma que o § 3º do art. 344 do RIR/99 lhe permite deduzir como despesa o imposto de renda retido na fonte; - Conta Contábil 4.2.1.104.015 – Auxílio Alimentação Relações Públicas a) Brindes (R$ 59.299,11): a decisão recorrida entende que a confecção de porta retrato, móbiles e cartas se caracterizaria como brinde, e, portanto, tais despesas seriam indedutíveis em face do disposto no inciso VII do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Já a Recorrente aduz que se tratariam de despesas de propaganda. A esse respeito, a decisão recorrida argumenta que ainda que fossem despesas de propaganda, elas não estariam destacadamente relacionadas em conta própria conforme impõe o § 3º do art. 366 do RIR/99; b) Contribuição e Patrocínio (R$ 89.000,00): a Recorrente afirma que se trata de despesa com cursos/seminários pagos para seus funcionários. A DRJ entende que não resta caracterizada tal situação, tratando-se de contribuições não compulsórias, indedutíveis por força do disposto no inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249/95; c) Wal-Mart (R$ 117.794,41): a decisão recorrida conclui que não houve apresentação de documentos que comprovassem tais despesas. Já a Recorrente, por sua vez, informa que os documentos estão à disposição da Fiscalização em caso de realização de diligência; - Despesas Operacionais - Provisões - Contas 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas, 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências e 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhistas; - Conta 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas; - Conta 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências; - Conta 4.2.1.01.154 - Provisão para contingências trabalhista; - Conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada; - Conta 4.2.1.01.119 - Despesas não dedutíveis; - Contas 4.2.1.01.012 - Despesas diversas e 4.2.1.01.066 -Projetos não aprovados - para todas essas contas a DRJ concluiu que os demonstrativos elaborados pela Recorrente nada provam e que não foram apresentados no prazo de impugnação qualquer documentação que pudesse comprovar a dedutibilidade das despesas em questão, ou, ainda que parte dessas tivessem sido adicionadas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A Recorrente alega que em razão de limitações em seu sistema contábil, efetua o controle das contas de provisão pelo resultado líquido entre créditos (constituição da provisão) e débitos (reversão da provisão) realizados em determinado período, adicionando o valor líquido das operações à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além disso, vários outros valores glosados pela Fiscalização teriam sido creditados e revertidos para outras contas de despesa, ou ainda tinham como contrapartida outra conta de resultado, ou seja, seriam nulas para fim de apuração do lucro líquido. Especificamente em relação à conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada (R$ 90.809.148,98 de despesas contabilizadas e, de acordo com a Fiscalização, somente adicionados R$ 1.648.374,13), aduz a Recorrente que não se tratava de provisão, mas sim de despesas efetivas de propaganda. A esse respeito foram anexadas às fls. 16.360-16.380 petição e documentos complementares protocolados após o prazo fatal para apresentação de impugnação que comprovariam suas alegações, documentos esses não analisados pela DRJ, conforme já relatado. Em razão disso, requer a nulidade da decisão de primeira instância. - a Recorrente pugna, subsidiriamente, pela necessidade de consideração da base negativa de CSLL de períodos anteriores, matéria objeto de recurso de ofício; - questiona-se ainda a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.539            2 Relatório  WAL MART BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do  Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a  reforma do acórdão nº 14­55.990 da 3ª Turma da  Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a impugnação  apresentada.  E,  haja  vista  que  em  tal  acórdão  exonerou­se  crédito  tributário  superior  a  R$  1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, a turma julgadora  recorreu de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972.   Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida,  complementando­o ao final:  Conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  –  TVF  (fls.  2707/2738),  foi  procedida ação fiscal na empresa acima identificada, relativamente ao ano­calendário  de  2009. Conforme  consta  do  referido  termo  fiscal,  a  contribuinte  foi  diversas  vezes  intimada  com  o  intuito  de  se  verificar  a  dedutibilidade  dos  custos  e  despesas  operacionais, sendo orientada a apresentá­los em formato que possibilitasse conciliar  os documentos com os lançamentos, fazendo referência ao número de Anexo e também  ao número do documento.  Da  análise  de  tais  documentos  foram  constatadas  as  seguintes  irregularidades que caracterizam infração à legislação tributária:  1)  CUSTOS,  DESPESAS  OPERACIONAIS  E  ENCARGOS  ­  NÃO  COMPROVADOS  · Despesas  não  comprovadas  referentes  à  PLANILHA  2  –  ANEXO  1  ­  4.2.1.01.001  DESPESAS  COM  SEGUROS  –  MTR TRANSFER, PLANILHA 5 – ANEXO 2 ­ 4.2.1.01.008  DESPESAS  DE  VIAGENS  –  PLANILHA  6  ­  ANEXO  2  ­  4.2.1.01.008 DESPESAS DE  VIAGENS  ­  WEEKLY CASH  REPORT,  PLANILHA  7  ­  ANEXO  2  ­  4.2.1.01.008  DESPESAS  DE  VIAGENS  ­  VENDOR  NAME  VAZIO,  PLANILHA  9  ­  ANEXO  5  ­4.2.1.01.020  DESPESAS  LEGAIS  ­ MTR TRANSFER, PLANILHA 14  ­ ANEXO 8  ­  4.2.1.01.075  REUNIÕES  E  CONVENÇÕES  ­  VENDOR  NAME  VAZIO,  PLANILHA  15  ­  ANEXO  8  ­  4.2.1.01.075  REUNIÕES  E  CONVENÇÕES  ­  ALUGUEL  INT,  PLANILHA  16  ­  ANEXO  8  ­  4.2.1.01.075  REUNIÕES  E  CONVENÇÕES ­ PATRICIA, PLANILHA 18 ­ ANEXO 8 ­  4.2.1.01.075 REUNIÕES E CONVENÇÕES ­ WALMART E  PLANILHA  22  ­  ANEXO  14  ­  4.2.1.04.015  RELAÇÕES  PÚBLICAS  ­  WAL  MART  apuradas  conforme  relatório  fiscal.   2)  CUSTOS/DESPESAS  OPERACIONAIS/ENCARGOS  NÃO  DEDUTÍVEIS.  Fl. 16539DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.540            3 · Despesas  com  contribuições  e  doações  indedutíveis,  por  inobservância dos requisitos legais, referente à PLANILHA  21  ­  ANEXO  14  ­  4.2.1.04.015  RELAÇÕES  PÚBLICAS  –  CONTRIBUIÇÃO, conforme relatório fiscal.  · Despesas  de  brindes­ RELAÇÕES PÚBLICAS  ­ BRINDES  conforme relatório fiscal.  · Multa  por  infração  fiscal,  indedutível  por  não  ser  de  natureza  compensatória,  ou  por  ter  sido  imposta  por  infração  de  que  resultou  falta  ou  insuficiência  de  pagamento de tributo, referente à PLANILHA 10 ­ ANEXO  5  ­  4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS  ­ DARF, PLANILHA  11  ­  ANEXO  5  ­  4.2.1.01.020  DESPESAS  LEGAIS  ­  MULTAS  FISCAIS  e  PLANILHA  19  ­  ANEXO  8  ­  4.2.1.01.075  REUNIÕES  E  CONVENÇÕES  ­  DARF  conforme relatório fiscal.  · Despesas não necessárias referentes à Planilha 1 Anexo 1 –  4.2.1.01.001  – Despesas  com  Seguros  –  PF,  Planilha  3  –  ANEXO  1  –  4.2.1.01.001  –  Despesas  com  seguro  –  PF,  Planilha  4­ Anexo  2  –  4.2.1.008  – Despesas  de  viagens  –  Líder  Táxi  Aéreo  –  Oceanair,  Planilha  12­  Anexo  5  –  4.2.2.01.020  –  Despesas  Legais  –  Despesas  Bancárias,  apuradas conforme relatório fiscal.  · Provisão  indedutível  por  não  estar  expressamente  autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda, ou por  ter  sido  feita  em  excesso  ao  permitido  pela  legislação,  referente  à  PLANILHA  8  ­  ANEXO2  ­  4.2.1.01.008  –  DESPESAS  DE  VIAGENS  –  PROVISÃO,  PLANILHA  13­  ANEXO 5 ­ 4.2.1.01.020 DESPESAS LEGAIS – PROVISÃO  PLANILHA  17­  ABEXO  8  ­  4.2.1.01.075  REUNIÕES  E  CONVENÇÕE­  PROVISÕES­  ANEXO  4  ­  4.2.1.01.017  DESPESAS ADMINISTRATIVAS, ANEXO 18 ­ 4.2.1.04.036  PROVISÃO  PARA  CONTINGÊCIAS,  ANEXO  19  ­  4.2.1.01.154  PROVISÃO  PARA  CONTINGÊNCIAS  TRABALHISTAS,  ANEXO  6  –  4.2.1.01.051,  RECUPERAÇÃO  DESPESAS  PROP.  COOPERADA,  ANEXO  19  –  PROVISÃO  PARA  CONTINGÊNCIAS  TRABALHISTAS,  ANEXO  3  ­  4.2.1.01.012  DESPESAS  DIVERSAS  E  ANEXO  11  ­  4.2.1.01.119 DESPESAS  NÃO  DEDUTÍVEIS, conforme TVF.  3) EXCLUSÕES INDEVIDAS NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE  CÁLCULO DO IRPJ E CSLL.  Valor  excluído  indevidamente  do  Lucro  Líquido  do  período,  na  determinação  do  Lucro  Real  e  Base  de  Cálculo  da  CSLL,  referente  ao  ANEXO  3  ­  Fl. 16540DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.541            4 4.2.1.01.012  DESPESAS  DIVERSAS  e  ANEXO  7  ­  4.2.1.01.066  PROJETOS  NÃO  APROVADOS, conforme relatório fiscal.   Diante  dessas  constatações,  conforme  os  demonstrativos  elaborados  pelo Fisco, anexos aos  autos,  foram  lavrados os autos de  infração de  fls.  2686/2705  que  exigem  crédito  tributário  no  montante  de  R$  20.562.357,55  conforme  a  seguir  discriminado:  TRIBUTO  Valor do  tributo  Juros de Mora  (Cálculo válido  até dez/2013)  Multa de ofício  (75%)  Total  IRPJ  6.702.590,68  2.416.283,94  5.026.943,01  14.145.817,63  CSLL  3.040.293,73  1.096.025,89  2.280.220,30  6.416.539,92  Os  lançamentos  foram  efetuados  com  fulcro  nas  disposições  legais  apontadas nos respectivos autos de infração.   Ciente  do  lançamento  em  04/12/2013,  a  contribuinte  ingressou  em  03/01/2014  com  a  impugnação  de  fls.  2748/2804.  Após  o  prazo  para  impugnação,  solicitou a juntada de documentos que fazem as fls. 2805/16301.  Em suma, refuta os lançamentos sob as seguintes alegações:  IMPUGNAÇÃO  A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado,  tendo por principal  atividade o comércio varejista de mercadorias em geral (hipermercado).  No  regular  desenvolvimento  de  suas  atividades,  a  Impugnante  sempre  zelou pela mais rigorosa apuração e pagamento de seus tributos. Nesse contexto é de  se mencionar que, conforme se aduz da análise de sua DIPJ (já juntada a estes autos) a  Impugnante apurou prejuízos no ano de 2009, não havendo, portanto, imposto de renda  ou CSLL a recolher no período.  A  Fiscalização  glosou  certas  despesas  e  exclusões  consideradas  pela  Impugnante  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL  apurados  naquele  ano  (como  já  mencionado,  tais  bases  foram  negativas),  por  diversos  motivos  a  serem  detalhados  posteriormente.  Em decorrência do exposto, o procedimento fiscal culminou na lavratura  de  auto  de  infração  contra  a  Impugnante,  exigindo  valores  supostamente  devidos  a  título de IRPJ e CSLL, sendo as supostas  infrações assim descritas pela Fiscalização  no TVF.  0001  CUSTOS,  DESPESAS  OPERACIONAIS  E  ENCARGOS  DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (. . .)  0002  CUSTOS,  DESPESAS  OPERACIONAIS  E  ENCARGOS  DESPESAS NÃO COMPROVADAS (...)  Fl. 16541DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.542            5 0003 PROVISÕES. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS (...)  0004  MULTAS  NÃO  DEDUTÍVEIS.  MULTAS  DE  NATUREZA  TRIBUTÁRIA NÃO DEDUTÍVEIS (...)  0005  CONTRIBUIÇÕES  E  DOAÇÕES.  INOBSERVÂNCIA  DOS  REQUISITOS LEGAIS (...)  0006 DESPESAS DE PROPAGANDA E/OU BRINDES. DESPESAS DE  BRINDES (...)   0007EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  NÃO  AUTORIZADAS  NA  APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS (...)  Em face das conclusões do Fisco, foram lavrados auto de infração para  exigência do IRPJ e CSLL. Contudo, os autos de infração não poderão prevalecer, uma  vez que essas conclusões padecem de equívocos insanáveis.  Antes  de  abordar  os  equívocos,  informa  que  os  documentos  anexos  a  esta impugnação serão apresentados em via eletrônica (CD ROM), tanto em razão da  maior facilidade para análise, quanto em razão de seu enorme volume.  Em  que  pese  a  documentação  já  juntada  aos  autos,  desde  já  a  impugnante protesta pela realização da diligência a  fim de confirmar as  informações  que serão abaixo prestadas, tendo em vista a complexidade dos lançamentos contábeis  ora descritos e o enorme volume de documentos que suportam tais lançamentos.  A  impugnante  informa que seus  funcionários estão à  inteira disposição  desse colegiado caso se entenda pela necessidade de realização de diligência a fim de  confirmar as informações ora apresentadas.  A seguir, apresentam­se os motivos pelos quais deve a presente autuação  ser  integralmente  cancelada.  Necessário  se  faz  observar  o  contido  no  art.  299  do  Decreto nº 3.000, de 1999, que traz o conceito de despesa operacional.  Depreende­se do  texto  legal desse artigo que as despesas operacionais  dedutíveis  são  aquelas  necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção  da  respectiva fonte produtora de receitas. O § 2º desse dispositivo reza que são despesas  operacionais  admitidas,  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa.  Tal  análise,  no  entanto,  deve  ser  feita  com muita  atenção,  já  que  a  conceituação  dos  termos  “usuais”  e  “normais”  definirá  se  a  despesa  será  dedutível  ou  indedutível.  Assim  determinar  a  dedutibilidade  de  uma  despesa  requer  análise da situação como um todo de maneira objetiva, levando em consideração o que  o texto legal tem por propósito, quando autoriza a dedução.   Não pode o auditor, com base em critérios subjetivos, determinar o que  é usual e necessário à atividade dos contribuintes. Ao contrário, o próprio contribuinte  é quem está familiarizado com suas atividades e, portanto, está apto a determinar quais  despesas  são efetivamente necessárias ao desenvolvimento de  suas atividades. Assim,  passa  a  analisar  cada  uma  das  glosas  efetuadas  pela  autoridade  fiscal,  na  mesma  ordem adotada no TVF:  Fl. 16542DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.543            6 I ­ Conta contábil 4.2.1.01.001 – Despesas com seguros  a)  Seguro da aeronave:   Cabe  observar  que  a  despesa  se  refere  ao  seguro  da  aeronave  que  a  empresa possuía. Para o Fisco, a despesa seria indedutível por tratar­se de aeronave  de  uso  quase  estritamente  particular,  desvinculada  do  objetivo  social  principal  da  empresa, comércio varejista, agente de comércio não se encaixaria no conceito  legal  de despesas operacionais e, portanto, totalmente indedutível para fins de apuração do  lucro real.  A  efetividade  da  despesa  questionada  pela  Fiscalização,  dada  a  existência  de  pagamentos  relativos  à  contratação  de  seguro  de  aeronave  foi  plenamente reconhecida. Dessa forma o que se discute é apenas a possibilidade dessa  despesa se enquadrar no conceito de despesa operacional.  Não  foi  apresentada  pelo  Fisco,  prova  de  que  a  aeronave  é  utilizada  “quase  estritamente”  para  fins  particulares.  Não  pode  o  Fisco  apenas  presumir,  ao  contrário,  qualquer  presunção  deveria  ser  feita  em  favor  da  contribuinte.  Não  é  incomum que empresa do porte da impugnante com estabelecimentos em todo o país (e  controladora  no  exterior)  possuam  aviões  para  atender  as  necessidades  de  suas  operações.  A  Impugnante  ressalta ainda que é extremamente parcimoniosa no uso  de  seus  recursos, o que  é necessário para que suas  lojas consigam manter um preço  competitivo. Nesse contexto, não seria admissível adquirir uma aeronave para fins não  corporativos,  eis  que  tal  fato  impactaria  severamente  em  seus  preços  e,  consequentemente, em sua competitividade.  A fim de deixar claro o equivoco fiscal, a Impugnante informa que todas  as  viagens  efetuadas  em  sua  aeronave  deveriam  ser  documentadas  por meio  de uma  "Solicitação de Viagem", na qual deve haver  informações sobre  todos os passageiros  do avião e declaração de que a viagem se presta a motivos profissionais.  A fim de documentar tal fato, a Impugnante anexa a estes autos exemplo  de Solicitação de Viagem (Doe. 5).  Como  se  verifica,  a  conclusão  fiscal  não  poderia  estar mais  longe  da  verdade. Na realidade, a utilização primordial dada pela Impugnante a sua aeronave  está  intrinsecamente  vinculada  ao  seu  objeto  social:  o  transporte  de  executivos  e  empregados  da  empresa  a  eventos  corporativos  e  convenções  de  entidades  do  setor  varejista.   A  fim  de  comprovar  o  alegado,  está  buscando  outros  documentos  comprobatórios  tais  como  as  demais  solicitações  de  viagem  que  compõem  a  integralidade  das  despesas  glosadas.  Tais  documentos  ainda  não  foram  juntados  em  razão de seu volume e antiguidade.  b)   MTR transfer:  Fl. 16543DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.544            7 As  despesas  registradas  sob  essa  rubrica  foram  glosadas  sob  a  justificativa de que não estariam suportadas por documentos hábeis e idôneos.   Ocorre  que  os  lançamentos  referem­se  a  reclassificações  contábeis  efetuadas  em  suas  contas  de  resultado,  que  passam  a  ser  explicadas:  “o  valor  correspondente  à  despesa  em  discussão  foi  registrado  (juntamente  a  diversas  outras  despesas) em uma determinada conta de resultado da Impugnante, com contrapartida  em uma conta patrimonial, com base em documentação hábil ("Lançamento 1"). Esta  conta  será  doravante  denominada  "Conta  Original".  Posteriormente,  a  Impugnante  verificou que parcela das referidas despesas (R$ 7.653,41) deveria ser alocada à outra  conta  de  resultado:  justamente  a  conta  ora  discutida,  de  n.  4.2.1.01.001  ("Conta  Questionada")  . Assim,  a  Impugnante  reclassificou o  lançamento acima descrito,  por  meio de um lançamento a crédito na Conta Original  (eliminando o efeito da despesa  questionada nessa conta).   O efeito dessas reclassificações no resultado da impugnante e na base de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  é  nulo.  No  entanto,  a  dedutibilidade  da  despesa  questionada permanece, pois o lançamento 1 foi baseado em documentação hábil, que  será  juntada  a  estes  autos  com  descrição  minuciosa  dos  lançamentos  contábeis  e  documentos  comprobatórios  da  efetividade  das  despesas  em  questão.  Mais  uma  vez  informa que não foram juntados quando da impugnação em razão de sua antiguidade,  volume de documentos e complexidade dos lançamentos.  c) Despesa com seguros – Pessoas Físicas   De acordo com o TVF, as despesas relativas a seguros de pessoa física  seria  mera  liberalidade  da  empresa  e  não  se  adequaria  ao  conceito  de  despesas  necessárias, portanto seria indedutível. Ao contrário do que afirma a Fiscalização, tais  despesas  são  absolutamente  necessárias  à  atividade  da  Impugnante.  Referem­se  a  reembolsos e indenizações concedidos a clientes em decorrência de furtos e danos ao  patrimônio, sofridos por eles nas dependências da impugnante.   O fato de investir na segurança de seus clientes é,  infelizmente, porque  não  há  como  evitar  eventuais  ocorrências  de  danos  e  furtos  nas  suas  dependências.  Nessa  situação,  as  despesas  correspondentes  devem  ser  consideradas  necessárias  e  usuais para sua atividade, pois a responsabilidade da impugnante perante seus clientes  não pode ser afastada, tampouco deve ser considerada “mera liberalidade”.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  editou  súmula  sobre  o  tema,  na  qual  ficou claramente consignada a responsabilidade da empresa em situações similares:   Súmula STJ n. 130   A Empresa  responde, perante o  cliente,  pela  reparação de  dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento.  Informa  que  levantará  os  comprovantes  de  pagamento  relativos  a  tais  despesas de forma a demonstrar cabalmente a efetividade de tais despesas.   II ­ Conta contábil 4.2.1.01.008­ Despesas de viagens   a) ­Fretamento Oceanair Táxi Aéreo   Fl. 16544DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.545            8 Tais  despesas  no  valor  de  R$  105.062,50  foram  glosadas  pela  Fiscalização com base na  justificativa de que o  fretamento de aeronave por empresa  que tem por objeto social principal “comércio varejista, agentes do comércio” não se  encaixa  no  conceito  legal  de  despesas  operacionais,  e  portanto  seriam  indedutíveis  para fins de apuração do IRPJ e CSLL.   Note­se que a efetividade da despesa não  foi contestada pelo Fisco em  momento algum, mas apenas a sua dedutibilidade. Para a fiscalização, o deslocamento  de  empregados  e  diretores  estaria  desvinculado  do  objeto  social  da  empresa.  A  impugnante  é  empresa  multinacional  com  estabelecimentos  em  todo  o  país  e  no  exterior.  É  natural  que  numa  empresa  desse  porte,  ocasionalmente,  necessite  enviar  empregados de uma unidade a outra unidade para visitas, reuniões de gerentes com o  propósito  de  definir  determinadas  políticas  e  outras  atividades,  o  que  demonstra  o  claro enquadramento das despesas no conceito de despesa operacional.   Nota­se que a fiscalização incorreu em equívoco. Embora as despesas se  refiram a pagamento efetuado às  empresas Oceanair Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo,  elas  não  se  referem  apenas  a  fretamento  de  aeronaves.  Os  pagamentos  efetuados  à  Líder, referem­se a despesas de fretamento de aeronaves, o que é plenamente dedutível.  Já,  os  pagamentos  efetuados  a  Oceanair  referem­se  a  serviços  por  manutenção  executados  na  aeronave  então  possuída  pela  impugnante  conforme  demonstram  comprovantes  já  apresentados  à  Fiscalização  (mencionada  no  tópico  “seguro  de  aeronave”).   Demonstrada  a  vinculação  da  aeronave  ao  objeto  social  da  empresa,  forçosa se torna a conclusão de que as despesas relativas a sua manutenção devam ser  consideradas dedutíveis na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.   Informa que está levantando documentos que comprovem a natureza das  viagens  (passagens  e  motivos)  e  irá  juntá­los  a  estes  autos  com  a  maior  brevidade  possível.   b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio   b1) MTR transfer   Referidas  despesas,  de  R$  255.644,77,  se  referem  à  exata  situação  descrita  no  item  b  (reclassificação  contábil  sem  efeito  no  resultado).  A  fim  de  comprovar  também  a  efetividade  dessas  despesas,  juntará  a  estes  autos  descrição  minuciosa dos  lançamentos contábeis relativos às despesas ora discutidas, bem como  cópias dos documentos comprobatórios de sua efetividade.   b2) Weekly Cash Report  Essas  despesas,  no montante  de  R$  3.076.979,36,  se  referem  a  gastos  efetuados  com  recursos  do  caixa  de  cada  uma  das  lojas  da  Impugnante.  Mais  especificamente,  a  reembolsos  e  pagamentos  referentes  a  despesas  de  viagens  profissionais realizadas por empregados dos estabelecimentos da Impugnante (visitas a  outras lojas, deslocamentos para reuniões dentre outras situações).  Fl. 16545DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.546            9 Como se verifica, portanto, tais despesas estão claramente relacionadas  às atividades da Impugnante, nos termos já expostos em tópicos anteriores e, portanto,  devem ser consideradas dedutíveis.  A  fim  de  demonstrar  o  exposto,  a  Impugnante  irá  levantar  e  juntar  a  estes  autos  informações  e  documentos  aptos  a  comprovar  a  efetividade  das  despesas  em questão, de  forma a restar absolutamente comprovada a regularidade da conduta  por ela adotada.  b3)Vendor Name Vazio  Referida  rubrica  se  refere  a  despesas  no  valor  de  R$  3.868.560,43,  relativas  à  contabilização  de  despesas  pré­operacionais  incorridas  por  lojas  em  construção.  Como já mencionado, a Fiscalização glosou tais despesas por entender  que não estariam amparadas por documentação hábil e idônea. Ocorre, pois, que tais  despesas  foram  integralmente  revertidas  por  lançamentos  a  crédito  na mesma  conta  questionada  pela  Fiscalização.  Em  outras  palavras,  tais  despesas  não  poderiam  ser  glosadas em razão de um único fato: elas não produziram efeito algum no resultado da  recorrente.   Dessa  forma,  a  grosso  modo,  a  glosa  dos  lançamentos  contábeis  ora  discutidos  implica  a  tributação  em  duplicidade  dos  valores  questionados.  Considerações se fazem necessárias:  Em consonância com a legislação fiscal e contábil aplicável até a edição  da  medida  provisória  n.  449/2008,  despesas  pré­operacionais  podiam  ser  contabilizadas  no  ativo diferido  da  empresa,  podendo  ser  amortizadas  em prazo  não  inferior a cinco anos e não superior a dez anos, a partir do início da operação normal  ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios decorrentes.  À época dos fatos em discussão, era exatamente esse o tratamento dado  pela  Impugnante  às  despesas  ora  questionadas,  que,  conforme  informado  acima,  se  referem a despesas pré­operacionais: registro no ativo diferido e amortização em 10  anos,  iniciada  a  partir  da  inauguração  da  loja.  Ocorre,  porém,  que,  por  questões  sistêmicas,  referidas  despesas  eram  inicialmente  registradas  em  conta  de  resultado  como despesa para então serem reclassificadas para o ativo diferido.  Explica­se.  A  conta  contábil  ora  questionada  (conta  4.2.1.01.008)  registra todas as despesas de viagens registradas pela Impugnante (considerando todos  os seus estabelecimentos).  Despesas de viagens atribuídas a unidades em construção (as despesas  pré­operacionais de que trata a glosa ora discutida) eram, por uma questão sistêmica,  inicialmente  registradas  nessa  mesma  conta  contábil.  Como  o  estabelecimento  que  incorreu na despesa ainda não havia sido oficialmente inaugurado, à época dos fatos,  o lançamento foi feito sob a rubrica “Vendor Name Vazio”. Posteriormente, referidos  lançamentos  foram  reclassificados  para  uma  conta  de  “ativo  diferido”,  mas  seus  sistemas  contábeis  não  haviam  sido  adaptados  à  mudança  no  ano  de  2009  (“encontrão” que foi resolvido atualmente).  Fl. 16546DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.547            10 c) Provisão   De  acordo  com  a  fiscalização  a  despesa  em  questão,  no  valor  de  R$  18.621,59  possui  o  histórico  de  provisão,  sendo  portanto  não  dedutível  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL.  Todavia,  ao  contrário  do  que  afirma  a  fiscalização,  essa  despesa  foi  adicionada  à  base  cálculo  dos  tributos.  Está  preparando  planilha  para  demonstrar que as despesas foram corretamente adicionadas ao lucro líquido que será  juntada aos autos tão logo esteja finalizada.   III ­ Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020)   a) MTR Transfer   Essas  despesas  no  montante  de  R$  27.640,64  também  tiveram  reclassificações  contábeis  sem  efeito  no  resultado  tributável.  A  fim  de  comprovar  também  a  efetividade  das  despesas  levantará  e  juntará  descrição  minuciosa  dos  lançamentos  relativos  as  despesas  ora  discutidas,  bem  como  cópias  dos  documentos  comprobatórios de sua efetividade.   b) Darf código 1256 e Multas fiscais.  A glosa refere­se a pagamento de despesa relativa a débitos  fiscais no  âmbito  do  REFIS  IV  (código  1256),  no  valor  de  R$  1.254.968,96,  e  R$  141.080,55  relativo a multas fiscais.  De acordo com a fiscalização, a glosa se justifica com base no art. 344,  §  5º  do  RIR  de  1999.  que  determina  não  serem  dedutíveis  como  custo  ou  despesas  operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as  impostas por infrações que não resultem fala ou insuficiência de tributo.   No  que  diz  respeito  ao  Darf  no  valor  de  R$  1.254.968,96  ,  de  fato  transitou  pela  conta  4.2.1.01.020,  mas  somente  em  razão  de  um  equívoco  da  impugnante  que  registrou  tal  valor  equivocadamente  nesta  conta.  A  despesa  foi  reclassificada  não  produzindo  efeito  na  conta  de  resultado.  Ao  se  analisar  o  razão  contábil verifica­se que após a reclassificação a despesa foi efetivamente contabilizada  na conta 4.2.1.01.119 que também foi objeto de glosa fiscal.  Entende  a  despesa  em  questão  é  integralmente  dedutível,  pois  não  se  refere a multas fiscais, mas sim a pagamento de tributo, conforme darf anexo, motivo  pelo qual é inteiramente dedutível  A multa  pode  ser  paga  à  vista  e  liquidar multas  e  juros  com  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL.  O  Darf  glosado,  ao  contrário  do  que  argumenta a Fiscalização, não  foi utilizado para pagamento das multas e  juros, mas  tão  somente  para  pagamento  de  tributo.  Se  tivessem  sido  analisados  os  Darfs,  não  seriam glosadas as despesas, já que é clara a disposição do art. 344 do RIR de 1999,  no  sentido  de  serem  dedutíveis  na  apuração  do  Lucro  Real,  os  tributos  e  as  contribuições.   O art. 374 do RIR de 1999, assegura a dedução como custo ou despesa  financeira, do valor relativo aos juros de mora pagos ou incorridos. O Parecer CST nº  Fl. 16547DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.548            11 174  de  2004,  da mesma  forma  possibilita  essa  dedução,  concluindo  que  os  juros  de  mora,  por  se  tratar  de  compensação  pelo  atraso  na  liquidação  de  débitos,  caracterizam­se como despesa financeira e, como tal, são dedutíveis.   As  razões  expostas,  relativamente  ao  Darf  de  R$  141.080,55  são  plenamente aplicáveis ao Darf de R$ 1.254.968, 96.  Com  relação  às multas,  o  regulamento  do  IR  permite  dedução  das  de  natureza  compensatória  e  as  impostas  por  infrações  que  não  resultem  em  falta  ou  insuficiência de pagamento de tributo.   Assim, a análise da fiscalização esta incorreta, devendo ser cancelado o  item do AI.   c)Despesas Bancárias  Foram  glosadas  despesas  bancárias  de R$  828.463,40,  decorrentes  de  contratos  de  prestação  de  fiança  celebrados  entre  a  impugnante  e  instituições  financeiras para garantia de débitos objeto de ações judiciais sob o argumento de que  não poderiam ser consideras operacionais, pois não fariam parte da apuração do lucro  da  empresa,  sendo  gastos  com  a  estrutura  do  capital.  Mas,  a  conclusão  fiscal  é  infundada  pois  enquadram­se  perfeitamente  no  conceito  de  despesas  operacionais.  Como  é  cediço,  a  maioria  das  empresas  necessitam  celebrar  esses  contratos  de  prestação de fiança para poder apresentar defesa nas ações judiciais propostas contra  si, como as execuções fiscais, em que é necessário e obrigatório garantir o juízo para  apresentação de embargos à execução. São portanto absolutamente necessárias usuais  e normais para a empresa executar suas atividades.   Portanto deve ser cancelado esse item do auto de infração.  d) Provisão   Aplicam­se a este item as mesmas argumentações apresentadas no item  “II – c”. Esclarece que a é a conta 2.1.1.07.002 que determina quais valores deverão  ser adicionados ou excluídos da base de cálculo dos  tributos. Reitera que o saldo da  citada conta de passivo  foi  integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ e da  CSLL.  IV – Conta contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções  a)  Vendor Name Vazio   As  despesas  registradas  nessa  conta  no  montante  de  R$  506.716,41,  foram  glosadas  pela  fiscalização  por  entender  que  os  lançamentos  não  estavam  embasados em documentação hábil e idônea. Referem­se tais despesas a pagamento de  cursos  e  seminários  realizados  no  exterior.  Apresentam­se  documentos  relativos  a  pagamento  de  cursos  (solicitação  de  pagamento,  contrato  de  cambio  e  faturas  dos  prestadores) (doc.22).  Fl. 16548DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.549            12 Informa  que  está  levantando maiores  informações  sobre  os  cursos  em  questão e  eventuais documentos comprobatórios que serão devidamente  juntados aos  autos tão logo sejam obtidos, para mostrar a improcedência dessa glosa questionada.  b) Alocação aluguel Int e Patrícia de Paula C  As  despesas  em  questão,  nos  montantes  de  R$  453.836,32  e  R$  31.314,52,  foram  glosadas  pela  fiscalização  por  entender  que  correspondem  a  lançamentos não embasados em documentação hábil e idônea.  b1) Alocação Aluguel Int.   A  impugnante  informa  que  está  levantando  maiores  informações  e  documentação  comprobatória  dessas  despesas  que  serão  juntadas  a  estes  autos,  ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão.  b2)Patrícia de Paula C  Referem­se  a  despesas  de  serviços  de  publicidade  (mão  de  obra  e  confecção  de  painéis  e  outras  mídias  para  comunicação)  prestados  pela  empresa  Devisu­  Criação  e  Comunicação  Visual  (Patrícia  de  Paula  Com.  Visual  EPP)  no  âmbito de eventos realizados pela impugnante.  c) Provisão  Em  que  pese  a  nomenclatura  “provisão”,  as  despesas  glosadas  registradas nessa conta no montante de R$ 1.652,00 correspondem a efetivas despesas  incorridas  pela  Impugnante,  que  esta  levantando  documentos  aptos  a  comprovar  tal  fato.  d) Wal Mart  Foram  glosadas  as  despesas  contabilizadas  sob  essa  rubrica,  no  montante  de  R$  365.400,10,  por  entender  que  referidos  lançamentos  não  estavam  embasados  em  documentação  hábil  e  idônea.  Referem­se  a  pagamento  de  cursos  e  seminários  realizados no exterior,  (vide mais uma vez, o doc. 22 para documentação  exemplificativa).  Informa  que  serão  juntados  a  estes  autos  tão  logo  sejam  obtidos,  ocasião em que será demonstrada a total improcedência da glosa em questão.   e) Darf código 0473   Mais uma vez,  a  fiscalização glosou despesas alegando  tratarem­se de  multas indedutíveis, quando na verdade trata­se apenas de pagamento de imposto. Darf  de R$ 33.675,33 refere­se ao pagamento de Imposto de Renda Retido na Fonte no mês  de setembro de 2009, conforme atesta o Darf e DCTF ora anexados (doc.20), que são  dedutíveis de acordo com o art. 344 do RIR de 1996. Portanto requer o cancelamento  desse item.   V­ Conta contábil 4.2.1.04.015 – Auxilio Alimentação Relações Públicas   a) Brindes  Fl. 16549DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.550            13 Entendeu  o  fisco  que  as  despesas  incorridas  pela  recorrente  com  material promocional não seriam dedutíveis do Lucro tributável para apuração do IR e  da  CSLL.  Todavia,  essas  despesas  não  se  caracterizam  como  brindes,  mas  sim,  propaganda, sendo absolutamente necessárias ao desenvolvimento da atividade social  da impugnante, portanto, possibilitando a sua dedutibilidade, nos termos do art. 366 do  RIR de 1999.  É bastante amplo o instrumento da propaganda, na medida em que são  inúmeras as formas pelas quais a marca da empresa ou um produto específico poderão  ser  divulgados  com o  fim de  atrair  consumidores  para  os  seus  produtos.  São  gastos  constituídos não por mera liberalidade, mas dispêndios que tem a clara expectativa de  retorno comercial.   O  objeto  social  da  impugnante  envolve  importação,  exportação,  industrialização  e  comercialização,  no  atacado  e  no  varejo  de  produtos  em  geral.  Assim, tais gastos com materiais promocionais cedidos aos seus clientes têm o intuito  de incrementar suas vendas. Por meio de propaganda divulga a seus potenciais clientes  a  boa  qualidade  dos  produtos  que  coloca  no  mercado.  Trata­se  de  típica  despesa  necessária  à  manutenção  da  fonte  produtora  do  rendimento,  enquadrando­se  na  condição prevista no art. 366 do RIR de 1999.  As  despesas  enquadram­se  perfeitamente  na  condição  prevista  no  art.  366 do RIR de 1999 que permite a dedução. Além disso, o inciso VII do art. 13 da Lei  nº 9.249, de 1995  foi  introduzido no ordenamento  jurídico com o  intuito de afastar a  dedutibilidade  de  gastos  incorridos  pelos  contribuintes  em  que  absolutamente  nada  coadunam com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de  seu objeto social. É o caso de despesas com brindes, que não devem ser confundidas  com  as  despesas  de  propaganda.  Há  de  se  fazer  distinção  entre  brinde  e  material  promocional para fins de dedução da base de cálculo da CSLL.   Se mantida  a  adição,  a  tributação deixará  de  incidir  sobre o  lucro  da  impugnante para recair sobre seu patrimônio, o que é absolutamente inconstitucional.  Qualquer adição indevida à base de cálculo do IRPJ e CSLL, contraria o disposto nos  arts.  153,  III  e 195,  I  da Constituição Federal, pois não  se  estaria  tributando Renda  mas representará ilegítima instituição de empréstimo compulsório, em desacordo com  o disposto no art. 148 da CF.  b) Contribuição e Patrocínio   Foram  glosadas  duas  despesas  decorrentes  de  pagamentos  para  as  empresas Difusão Editora e Valor Econômico S/A, no valor  total de R$ 89.000,00. A  fiscalização  limitou­se  a  expor  que  o  artigo  13  da  Lei  nº  9.249,  de  1996  excluiu  a  maioria  das  contribuições  e  doações  na  dedução  do  lucro  real.  Em momento  algum  enquadrou as despesas incorridas pela impugnante em qualquer das condutas expostas  no referido art. 13. Essas enquadram­se no art. 368 do RIR de 1999, que dispõe que  poderão  ser  deduzidos  os  gastos  incorridos,  com  a  formação  profissional  de  empregados. Referem­se as despesas a cursos/seminários pagos pela  impugnante aos  seus  funcionários,  inclusive  do  “III  Seminário  Créditos  de  Carbono  e  Mudanças  Climáticas”. Essas despesas são necessárias e usuais para seu negócio de maneira que  são revertidas em seu próprio beneficio.  Fl. 16550DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.551            14 c) Wal Mart  As  despesas  contabilizadas  sob  essa  rubrica,  no  montante  de  R$  117.794,41, foram glosadas pela Fiscalização por ter entendido que tais despesas não  estavam embasadas  em documentação hábil  e  idônea.  Informa a  impugnante que  tão  logo  sejam  obtidos,  os  documentos  necessários  para  comprovar  tais  despesas,  serão  devidamente  juntados  aos  autos,  ocasião  em  que  será  demonstrada  a  total  improcedência da glosa em questão.   VI. Despesas operacionais – Provisões   a) considerações iniciais   De  acordo  com  a  Fiscalização,  durante  o  ano  de  2009  foram  contabilizadas diversas provisões que  teriam  reduzido o  resultado  tributável,  sem  ter  efetuado as adições correspondentes para determinação da base de cálculo do IRPJ e  da CSLL.  Tal conclusão é improcedente, eis que se baseia em uma simples análise  que  não  levou  em  conta  peculiaridades  da  contabilidade  da  empresa.  A  fim  de  demonstrar  tal  fato,  faz­se  necessário  tecer  algumas  considerações  iniciais  sobre  a  forma de  contabilização de provisões adotada pela  impugnante. A  impugnante adota  uma metodologia distinta: Ela efetua as adições e exclusões de valores provisionados  com  base  nas  contas  de  passivo  (nas  quais  as  provisões  foram  originalmente  constituídas),  em  decorrência  de  certas  limitações  de  seus  sistemas  contábeis.  Tais  adições  e  exclusões  são  efetuadas  com  base  nas  alterações  no  saldo  das  contas  de  passivo. Ou seja,  se em um mesmo período há constituição e reversão de provisão a  impugnante exclui ou adiciona o valor líquido das operações à base de calculo do IRPJ  e da CSLL.  Isso ocorre porque, muitas vezes, as contas de resultado da Impugnante  registram diversos valores objeto de reclassificação contábil, que não geram efeitos no  resultado da empresa e, portanto, não devem ser adicionados. Mais ainda, por vezes,  tais contas de resultado registram também despesas efetivas (em que pese o fato de tais  contas adotarem a nomenclatura "provisão").  Frise­se que a metodologia adotada pela  Impugnante  (adição/exclusão  das despesas/receitas de provisão pelo saldo da conta de passivo) não diminui a base  tributável  apurada.  Isto porque a  contas  contém  reclassificações de  contas  contábeis  “(despesas  cujo  efeito  foi  anulado  por  um  crédito  no  mesmo  valor)”  e  despesas  efetivas,  não  relacionadas  à  constituição  de  provisão.  Como  se  demonstrará,  o  montante  que  efetivamente  corresponde  às  provisões  constituídas  no  ano  de  2009  foram integralmente adicionadas ao resultado, com base nas alterações dos saldos das  contas de passivo.   b)  Contas  4.2.1.01.017  –  Despesas  administrativas,  4.2.1.04.036  –  Provisão  para  contingências  e  4.2.1.01.154 ­ Provisão para contingências trabalhistas. O número Batch é de controle dos lançamentos  contábeis efetuados pela impugnante sem seu sistema de contabilidade. Os lançamentos indicados na cor  Fl. 16551DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.552            15 amarela  indicam  os  valores  que  efetivamente  equivalem  a  provisões  e  que  foram  devidamente  adicionados à base de calculo do IRPJ e da CSLL. Houve reclassificações contábeis.   Como exemplo reproduze­se abaixo o quadro originalmente apresentado  no  doc.  1023,  “no  qual  se  pode  verificar  que  o  valor  de  R$  1.264.474,21,  objeto  de  glosa  fiscal,  é,  em  parte,  contrapartida  de  lançamento  de  R$  612.490.41,  que  corresponde a uma efetiva provisão.”  Conta 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas    a)  despesas  de  juros  ­  despesas  efetivas,  passíveis  de  exclusão das bases de cálculo do IRPJ e CSLL; e  b)  Reclassificações  contábeis  para  as  contas  4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.155. Note­se que os valores em  questão não produziram efeito nenhum no resultado da  Impugnante,  eis  que  as  despesas  em  questão  foram  anuladas por meio de créditos nas contas 4.2.1.04.036  e 4.2.1.01­155.  Como se verifica, parcela dos valores glosados pela Fiscalização nesta  conta  foi  reclassificada  para  as  contas  4.2.1.04.036  e  4.2.1.01.155  –  sendo  que  a  primeira  foi  novamente  glosada  (como  se  verá  seguir)  e a  segunda  foi  integralmente  aceita pela Fiscalização.   Conta 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências  Da análise  do  quadro  resumo  contido  no Doc.  10  e  abaixo  transcrito,  verifica­se  que,  o  valor  de  R$  1.956.905,21,  objeto  de  glosa  fiscal,  é  na  realidade,  contrapartida de lançamentos a crédito efetuados nas contas de passivo 2.2.3.02.007 e  2.2.3.02.006, que foram devidamente adicionadas às bases do IRPJ e da CSLL.    Conta  Conta SPED  Account Name  Montante  441  2.2.3.02.007  PROVISÃO P CONTINGÊNCIAS T  ­2.910.109,38  438  2.2.3.02.006  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS  ­332.712,94  937  4.2.1.04.036  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS  1.956.905,21  1083  4.2.1.02.011  DESPESAS COM JUROS  242.455,41  947  4.2.1.01.155  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS CIVIL  145.395,57 =  970  4.2.1.04.018  ACOES TRABALHISTAS  26.890,47  Fl. 16552DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.553            16 1051  4.2.1.04.036  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS  201.917,72  929  4.2.1.01.017  DESPESAS ADMINISTRATIVAS  669.257,94  Note­se  que  os  lançamentos  efetuados  nas  contas  2.2.3.02.007  e  2.2.3.02.006 que foram adicionadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL têm também  contrapartida em outras contas de provisão, bem como de despesas efetivas.   Destaque­se que a conta 4.2.1.04.036 apresenta registro de reversão de  provisão no montante de R$ 136.979,06, sobre o qual a Impugnante deixa de comentar,  eis  que  a  exclusão  da  receita  correspondente  da  base  de  cálculo  dos  tributos  foi  devidamente reconhecida pelo Fisco (conforme quadro na página 27 do TVF).  Conta 4.2.1.01.154 ­ Provisão para contingências trabalhista   Da análise do quadro resumo abaixo transcrito, verifica­se que o valor  de R$ 1.584.122,94 objeto de glosa fiscal, tem por contrapartida lançamentos a crédito  efetuados  na  conta  de  passivo  2.2.3.02.007,  que  foram  devidamente  adicionados  às  bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os valores remanescentes representam despesas  efetivas de diversas naturezas (lançamentos individualizados no doc.9) reclassificados  de acordo. Note­se que, mais uma vez a reclassificação se deu por meio de um crédito  efetuado em outras contas de resultados que eliminou o efeito original da despesa na  conta questionada pela fiscalização.         Como  visto,  parcela  significativa  dos  valores  glosados  são  contrapartidas  de  despesas  efetivas  (em  que  pese  o  fato  de  tais  despesas  terem  sido  levadas  a  resultado  em  conta  com  a  denominação  “provisão”),  ou  valores  reclassificados, portanto revertidos sem efeitos legais no resultado da impugnante, fato  que foi ignorado pelo Fisco.   O montante  remanescente  que  efetivamente  corresponde  a  provisões  e  tem  por  contrapartida  registros  feitos  na  conta  2.2.3.02.007  foi  devidamente  adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base nas alterações dos saldos  das  contas.  A  própria  Fiscalização  reconheceu  que  a  Impugnante  adicionou  o  montante  de  R$  4.262.095,07.  Referido  montante  equivale  ao  saldo  da  conta  2.2.3.02.007,  na  qual  a  Impugnante  controla  as  provisões  questionadas  pela  Fiscalização.  Ou  seja,  a  Impugnante  adicionou  o  saldo  da  conta  contábil  ­  o  qual  considera tanto as despesas de constituição de provisão quanto as receitas de reversão  ­ à base dos tributos em questão. Para demonstrar tal fato, a Impugnante apresenta o  razão da conta 2.2.3.02.007 ­ cujo saldo foi devidamente acrescido à base de cálculo  do IRPJ e da CSLL (doc 12), bem como quadros contendo os lançamentos efetuados na  referida  conta  (grifados  em  amarelo)  (doe  13)  e  suas  contrapartidas.  Novamente,  é  possível fazer o cotejo entre os documentos com base nos Batch indicados.  Fl. 16553DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.554            17 Resta,  portanto,  demonstrado  o  equívoco  fiscal  que  glosou  despesas  efetivas  e  reclassificações  contábeis,  como  se  provisão  fossem  e  a  regularidade  dos  procedimentos adotados pela impugnante, que considerou tanto as despesas relativas à  constituição de provisões quanto às receitas decorrentes da reversão de provisões na  base de cálculo do IRPJ e da CSLL por ela devidos.  Conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada  Ocorre  que  as  despesas  glosadas  pela  fiscalização,  são  na  realidade  despesas  efetivas  de  propaganda  e  publicidade,  totalmente  dedutíveis  nos  termos  da  legislação  vigente  (art.  366  do  RIR  de  1999)  e  não  simples  provisões,  as  quais  são  dedutíveis,  respeitado  o  regime  de  competência,  ou  seja,  a  despesa  se  reporta  a  um  determinado mês, deve necessariamente ser contabilizada nesse mês.   É  sabido  que  a  impugnante  possui  diversos  anunciantes  e  tem  significativas despesas de propaganda e publicidade. A empresa registra a despesa em  sua  contabilidade,  com  base  na  nota  fiscal  do  fornecedor  de  serviço  ou  material.  Ocorre que durante o ano de 2009, em razão de questões sistêmicas e de um complexo  fluxo de aprovação de pagamentos, as supracitadas notas fiscais somente poderiam ser  inseridas nos sistemas contábeis, após o decurso temporal, muitas vezes superior a um  mês. Nesse contexto, uma nota emitida em janeiro, somente poderia ser registrada em  fevereiro, sem violação ao princípio de competência. Problema sanado atualmente.   Assim,  a  impugnante  passou  a  elaborar mensalmente  uma  planilha  na  qual  registrava  as  notas  fiscais  e  documentos  de  cobrança  que  deveriam  ser  registrados  por  competência  em  um  dado  mês  (“planilha  NF”).  Com  base  no  somatório dos valores registrados nessas planilhas, passa a registrar uma “provisão”  na  conta  de  passivo  nº  2.1.1.07.007.  Do  ponto  de  vista  fiscal,  essa  “provisão”  é  dedutível,  reconhecida  por  competência  no  período  pertinente.  Tais  montantes  poderiam  ser  reconhecidos  como  contas  a  pagar,  mas  não  o  são,  unicamente  por  questões sistêmicas.   No mês  imediatamente posterior à constituição da referida “provisão”  as  notas  fiscais  são  registradas  no  sistema  gerando  uma  nova  despesa.  Porém  o  resultado dessa despesa é nulo,  tendo em vista que a provisão constituída é revertida  em outra conta de resultado, tendo por contrapartida lançamentos na conta de passivo  n. 2.1.1.07.007.  Uma  última  explicação  deve  ser  feita:  Em  dezembro  de  2009,  a  Impugnante  reverteu  a  provisão  constituida  em  novembro  do  mesmo  ano  (contabilizando, portanto, receitas decorrentes) e constituiu provisão relativa a janeiro  de  2010  (contabilizando  as  despesas  decorrentes).  Considerando  que  a  provisão  constituída pela Impugnante foi superior à reversão no montante de R$ 1.648.374,13 e  que o ano se encerrava, conservadoramente, adicionou o valor em questão à base de  cálculo do IRPJ e CSLL apurados em 2009.  Feitas essas considerações, a impugnante passa a demonstrar o quanto  alegado. Para tanto, junta a estes autos cópia das Planilhas NF mensais, que listam as  notas fiscais e documentos de cobrança que embasaram a contabilização da "provisão"  (que,  como  já  mencionado,  corresponde  a  uma  despesa  efetiva  de  publicidade,  reconhecida por competência) (doe. 14).   Fl. 16554DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.555            18  Adicionalmente,  a  impugnante  também  traz  a  estes  autos  quadros  contendo  os  lançamentos  questionados  pela  fiscalização  e  suas  respectivas  contrapartidas,  separados  por  Batch  (doc.  15),  acompanhado  de  quadro  resumo,  a  exemplo do que foi feito no item anterior.   Como  se  verifica da análise de  cada quadro, os  lançamentos glosados  pela Fiscalização (marcados em verde) são valores debitados na conta de resultado n°  4.2.1.01.051, que têm, como contrapartida, valores creditados na conta de passivo n°  2.1.1.07.007  (estes  lançamentos  representam  o  valor  efetivo  da  provisão  e  estão  indicados  em  amarelo  escuro),  bem  como  reclassificações  gerenciais  creditadas  em  outras contas de resultado.  É de se observar que referidas reclassificações acabam por anular parte  da  despesa  registrada  na  conta  4.2.1.01.051. Ora,  se  a  Impugnante  contabiliza  uma  despesa de R$ 100,00, tendo por contrapartida uma receita de R$ 100,00, o efeito deste  lançamento  é  nulo.  Na  prática,  é  o  que  ocorre  ao  somar  tais  reclassificações.  Para  demonstrar o alegado foi inserido na impugnação, o quadro demonstrativo à fl. 2795,  relativo ao mês de janeiro de 2009.  Portanto, desconsiderando­se o montante de R$ 422.989,78,  resta uma  despesa  de  R$  7.019.406,04  que  tem  como  contrapartida  o  lançamento  efetuado  na  conta  2.1.1.07.007  –  devidamente  levada  a  resultado.  Situação  similar  se  repete  em  todos  os  meses  posteriores. Mais  ainda,  como  se  observa  da  análise  do  doc.  15,  os  lançamentos  relativos  a  provisões  registrados  na  conta  2.1.1.07.007  são  efetuados  mensalmente,  sendo  que,  salvo  pequenas  variações  observadas  em  alguns  poucos  meses,  decorrentes  de  ajustes manuais,  eles  correspondem  ao  exato  valor  registrado  mensalmente nas Planilhas NF.  Demonstrado,  portanto,  que  as  despesas  de  constituição  de  "provisão"  estão  registradas  na  conta  2.1.1.07.007  e  não  na  conta  4.2.1.01.051,  como afirmado  pela Fiscalização, sendo  tais despesas, na verdade, contas a pagar que competem ao  mês em que são reconhecidas contabilmente.  Cabe  agora  demonstrar  que  cada  valor  debitado  do  resultado  e  registrado na conta 2.1.1.07.007 é revertido no mês seguinte, tendo por contrapartida  um débito na referida conta de passivo e créditos em diversas contas de resultado.  A  partir  da  página  5  do Doe.  15,  a  Impugnante  listou  os  lançamentos  efetuados na conta 2.1.1.07.007, incluindo aqueles relativos às reversões de "provisão"  (indicados em amarelo claro), bem como suas contrapartidas. Note­se que a reversão  efetuada em janeiro/2009 se refere à provisão constituída em dezembro/2008.   A  fim  de  demonstrar  que  a  reversão  equivale  exatamente  ao  valor  constituído no mês anterior, a Impugnante reproduziu quadro relativo aos lançamentos  de 28.2.2009 (item 279 da impugnação). A conta de passivo 2.1.1.07.007 é debitada no  exato  montante  da  provisão  constituída  no  mês  anterior,  7.019.406,04,  tendo  por  contrapartida  créditos  em  diversas  contas  de  resultado  (receitas  de  reversão).  O  mesmo procedimento se repete nos meses posteriores.  Ainda  que  o  fisco  entenda  que  os  montantes  registrados  na  conta  2.1.1.07.007  devam  ser  adicionados  ao  seu  lucro  tributável,  não  se  pode  deixar  de  Fl. 16555DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.556            19 reconhecer que as receitas de reversão também devem ser abatidas contra as receitas  decorretes das reversões retromencionadas, que devem ser excluídas do mesmo lucro  tributável. Portanto, demonstrada está a necessidade do cancelamento dessas glosas.   Conta 4.2.1.01.119 ­ Despesas não dedutíveis    A  conta  em  questão  registra  despesas  no  montante  total  de  RS  3.332.071,86, sendo que a Fiscalização reconheceu que a Impugnante efetuou a adição  de  RS  1.303.882,72  ao  seu  lucro  tributável.  Nesse  sentido,  houve  por  bem  o  agente  Fiscal  adicionar  a  diferença  apurada  (RS  2.028.189,14)  ao  lucro  tributável  da  Impugnante. Todavia, deixou de considerar que a referida conta de resultado registra  despesas efetivas, totalmente passíveis de dedução.   Como  já  mencionado  anteriormente,  o  Fisco,  ao  analisar  a  conta  4.2.1.01.020,  glosou  despesas  relativas  a  um  Darf  no  montante  e  R$  1.254.968,96  (código  de  recolhimento  1256).  Ocorre  que,  como  já  demonstrado,  referida  despesa  somente transitou por aquela conta, sendo posteriormente reclassificada para a conta  4.2.1.01.119 ora analisada. As mesmas razões justificam a dedutibilidade do valor de  R$ 141.080,55.  No  que  diz  respeito  aos  valores  remanescentes,  a  impugnante  está  buscando documentos aptos a comprovar a efetividade e dedutibilidade das despesas,  que serão juntados tão logo sejam localizados.  Contas 4.2.1.01.012 ­ Despesas diversas e 4.2.1.01.066 ­Projetos não aprovados    A Fiscalização houve por bem adicionar os saldos das contas contábeis ­ 1.2.3.01.012 e 4.2.1.01­066 nos montantes, respectivamente, de RS 12.972.699,89 e RS  5.158.648,64  (total  de  R$  18.131.348,53)  ao  lucro  tributável  da  Impugnante,  por  entenderem  que  referidas  contas  eram,  na  realidade,  meras  provisões  e,  portanto,  indedutíveis.  Todavia,  novamente  o  Fisco  incorreu  em  equívoco,  pois  as  contas  4.2.1.01.012 e 4.2.1.01.066 registram não apenas provisões, mas despesas efetivas.   Esclarece,  que  a  parcela  dos  registros  das  contas  que  efetivamente  corresponde a despesas de constituição de provisões foi devidamente acrescida à base  de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ainda, que a exemplo do que ocorre com outras contas  abordadas em tópicos anteriores, a empresa controla as adições e exclusões relativas à  constituição  de  provisões  com  base  na  variação  do  saldo  da  conta  de  passivo  que  registra a provisão. No caso em tela, essas contas abordadas em tópicos anteriores a  impugnante controla as adições e exclusões relativas à constituição de provisões, com  base  na  variação  do  saldo  da  conta  de  passivo  que  registra  a  provisão.  A  fim  de  demonstrar  o  alegado  produziu  quadros  explicativos  às  fls.  2799  e  2800  da  impugnação.   Como  se  verifica,  do  montante  de  R$  18.131.348,53  adicionados  ao  lucro  tributável  da  Impugnante,  o  montante  de  R$  11.515.701,35  já  havia  sido  adicionado pela Impugnante, por meio da conta 2.1.1.07.002. A análise dos razões das  supracitadas contas (doe. 18), por meio da consulta aos lançamentos efetuados com os  Fl. 16556DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.557            20 Batch indicados nos referidos quadros, demonstrará cabalmente a veracidade de todo  o alegado.  No que diz respeito aos valores remanescentes, esclarece a Impugnante  que  correspondem  a  despesas  efetivas.  A  Impugnante  está  buscando  maiores  informações,  bem  como  comprovação  dos  pagamentos.  Tais  documentos  serão  juntados a estes autos tão logo sejam localizados.  Subsidiariamente – Necessidade de consideração da base negativa de CSLL de períodos anteriores  O auto de infração também merece ser cancelado em razão de erro no  critério  quantitativo  de  apuração  do  valor  devido.  Isto  porque  ao  apurar  a  contribuição,  o  Fisco  não  considerou  a  Base  de  Cálculo  Negativa  de  períodos  anteriores, da qual poderia compensar até 30% do lucro líquido ajustado, nos termos  do art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995.  A jurisprudência do CARF é clara no sentido de que, ao lavrar auto de  infração,  a  Fiscalização  deve  realizar  de  oficio  a  compensação  dos  prejuízos  fiscais/base negativa de CSLL.   Caso a D. Fiscalização  tivesse procedido de acordo com a  legislação,  os  valores  de CSLL  lançados  teriam  sido muito  inferiores  aos  apurados,  razão  pela  qual deve ser cancelado o presente auto de infração.  Ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício.  Nos  termos  do  que  estabelece  o  artigo  61  da  Lei  n.  9.430/96,  resta  evidente  que  somente  são  admitidos  os  acréscimos moratórios  referentes  aos  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  mas  não  sobre  as  penalidades  pecuniárias.  Assim, não há como se admitir a incidência de juros sobre a multa, na medida em que,  por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles  devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal e não foi.  Isto  é,  o  único  pressuposto  da  cobrança  dos  juros  decorre  da  não  transferência voluntária e dentro do prazo legal do capital do contribuinte aos cofres  públicos. Excetuando­se essa situação, qualquer incidência de juros revela­se abusiva  e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, qual seja, a reposição de capital.  Nesse sentido, é evidente que os juros não existem por si só e não podem  ser aplicados aleatoriamente sobre qualquer evento. Decorrem, antes de tudo, de uma  obrigação principal. O mesmo ocorre em relação à multa, que só será devida se existir  uma obrigação anterior não quitada no prazo legal.  Os  juros não podem  incidir  sobre a multa,  já que essa penalidade não  retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como  forma de punir o contribuinte.  Ademais,  a  aplicação  de  tal  percentual,  de  forma  ilimitada,  sobre  o  principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao principio constitucional do  não  confisco,  bem  como  viola  o  direito  de  propriedade,  já  que  faz  incidir  juros  Fl. 16557DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.558            21 exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada ! Portanto, deve  ser integralmente cancelado o auto de infração.   Em face de todo o exposto, a Impugnante requer:   a)  Que  seja  o  Auto  de  Infração  julgado  totalmente  improcedente,  cancelando­se  integralmente  o  crédito  tributário por ele constituido.  b) Subsidiariamente,  caso não  seja acolhido o pedido  de cancelamento da autuação ­ o que se admite a mero  titulo  argumentativo  ­  requer  a  Impugnante  que  seja  afastada a incidencia de juros SELIC sobre a multa de  oficio.  c)  Juntada  de  quaisquer  outros  documentos  e  informações que venham a corroborar com os  fatos e  argumentos descritos na presente Impugnação.   d) Que  todas  as  intimações  e  publicações  relativas  a  este  processo  sejam  efetuadas,  exclusivamente,  em  nome das advogadas Raquel Cristina Ribeiro Novais e  Daniella  Zagari  Gonçalves,  inscritas  na OAB/SP  sob  os  n°s  76.649  e  116.343,  respectivamente,  com  escritório  localizado  na  Av.  Brigadeiro  Faria  Lima,  3144, 8o andar, São Paulo, SP.  Juntou à impugnação:  “Lista de documentos” (via física):  DOC. 1 ­ Cartão do CNPJ   DOC. 2 ­ Documentos Societários  DOC. 3 ­ Procurações e documentos dos advogados DOC. 4 ­ Auto de Infração  DOC. 22 ­ Cursos no exterior: solicitações de pagamento, contrato de câmbio e faturas  dos prestadores    “Lista de documentos” – CD­ROM:  DOC. 5 ­ Exemplo de Solicitação de Viagem   DOC. 6 ­ Razão contábil da conta 4.2.1.01.020  DOC.  7  ­  Cópia  de  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa  Devisu  ­Criação  e  Comunicação Visual (Patricia de Paula Com. Visual EPP)  DOC. 8 ­ Planilha exemplificativa: lançamentos efetuados na conta 4.2.1.01.008  DOC.  9  ­  Quadros  com  lançamentos  contábeis  efetuados  nas  conta  2.1.01.017,  4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154  DOC.  10  ­  Resumo  des  lançamentos  contábeis  efetuados  nas  conta:  2.1.01.017,  4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154  DOC. 11 ­ Razões contábeis das contas 4.2.1.01.017, 4.2.1.04.036 e 4.2.1.01.154  DOC. 12 ­ Razão contábil da conta 2.2.3.02.007  Fl. 16558DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.559            22 DOC. 13 ­ Quadro de lançamentos contábeis da conta 2.2.3.02.007  DOC.14 ­ Planilhas mensais listando as notas fiscais consideradas na efetivação dos lançamentos  efetuados na Conta 4.2.1.01.05  DOC. 15 ­ Quadros com os lançamentos efetuados na Conta 4.2.1.01.051  DOC. 16 ­ Razões das contas 2.1.1.07.007, 4.2.1.01.051 e outras contas de resultado.  DOC. 17 ­ Razão contábil da conta 4.2.1.01.119.  DOC. 18 ­ Razões contábeis das contas 4.2.1.01.012 e 4.2.1.01.066 e 2.1.1.07.00.  DOC. 19 ­ DARF Código 1256 no valor de R$ 1.254.968,96   DOC. 20 ­ DARF Código 0473 no valor de R$ R$ 33.675,33   DOC. 21 ­ Fatura de Serviços ­ Valor Econômico.    A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em análise da impugnação apresentada,  julgou­a procedente em parte, tendo a decisão recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 2009  DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS.   A dedutibilidade de custos e despesas na determinação da base de  cálculo do imposto somente é possível se prevista na legislação e  devidamente comprovada.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO  ­  CSLL  Ano­calendário: 2009  DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS.   A dedutibilidade de custos e despesas na determinação da base de  cálculo  da  contribuição  somente  é  possível  se  prevista  na  legislação e devidamente comprovada.  COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA.  Retifica­se o lançamento para levar a efeito no cálculo da CSLL  devida a compensação de Base de Cálculo Negativa de períodos  anteriores  efetuada  pelo  Fisco,  mas  não  considerada  na  determinação de seu valor.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.   O  protesto  pela  juntada  posterior  de  documentação  não  obsta  a  apreciação  da  impugnação,  e  ela  só  é  possível  em  casos  especificados na lei.  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA.  O pedido de diligência deve ser considerado não formulado, por  não  ter  sido  regularmente  formalizado,  além  de  inexistir  justificativa para sua realização.  Fl. 16559DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.560            23 INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO.  Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se  admite domicílio especial no processo administrativo.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  INCONSTITUCIONALIDADE.  É  competência  atribuída,  em  caráter  privativo,  ao  Poder  Judiciário  pela  Constituição  Federal,  manifestar­se  sobre  a  constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar  pelo seu cumprimento.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu  vencimento, tem previsão legal.   Em resumo, a decisão de primeira instância somente cancelou parcela de CSLL  decorrente da compensação de 30% de CSLL com bases negativas de períodos anteriores não  levadas em consideração pela autoridade lançadora.  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  10  de  fevereiro  de  2015,  uma  terça­feira  (fls. 16.357­16.358),  apresentando  recurso voluntário de  fls. 16.384­16.453 em 12  de março de 2015, uma quinta­feira.  Aduz a Recorrente que a DRJ se limitou a analisar superficialmente as alegações  contidas na  impugnação,  sem  levar  em consideração  a documentação acostada  aos  autos  em  total afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório.  Em sede preliminar requer, assim, a declaração de nulidade da decisão recorrida,  nos seguintes termos:  ­  em  razão  da  gama  de  documentos  que  necessitava  para  comprovar  a  dedutibilidade das despesas glosadas, a Recorrente anexou documentos não só na impugnação  apresentada,  mas  também  em  momento  posterior,  mas  ainda  antes  da  prolação  da  decisão  recorrida;  ­ a DRJ entendeu por bem não analisar tal documentação em razão da preclusão  prevista no art. 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o que estaria em total descompasso com  a jurisprudência do CARF;   ­ alega, contudo, que diversos documentos apresentados na impugnação também  teriam sido absolutamente ignorados pela DRJ, uma vez que a decisão recorrida, em diversos  pontos,  teria  mantido  a  glosa  em  razão  da  não  apresentação  de  documentos  por  parte  da  Recorrente, mesmo em diversos  casos  em que  a documentação  fora  apresentada  em sede de  impugnação;  ­  a  turma  julgadora  de  primeira  instância  teria  desqualificado  as  provas  apresentadas  pela  Recorrente  ao  afirmar  que  “alegar  genericamente  e  simplesmente  juntar  Fl. 16560DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.561            24 papéis ou demonstrativos não é provar”, embora a Recorrente tivesse, a seu ver, vinculado os  documentos à matéria que se referiam.  No mérito, em resumo, assim se manifesta a Recorrente:  ­ Conta Contábil 4.2.1.01.001 – Despesas com Seguros  a) Seguro aeronave  (R$ 107.591,20): não se questiona a  efetividade da  despesa, mas  sim  se  seria ou não dedutível. Aduz a Recorrente que de  que a conclusão da Fiscalização e da DRJ de que o uso dos aviões seriam  quase  que  estritamente  particular,  desvinulado  do  objeto  social  da  empresa e de que a despesa não estaria intrinsecamente relacionada com  a  produção  ou  comercialização  não  estaria  embasa  por  qualquer  documentação  ou  informação mais  detalhada  contraria  a  jurisprudência  do  CARF,  a  qual  indica  que  competiria  ao  Fisco  fazer  prova  dessa  alegação.  Segundo  a  Recorrente  do  doc.  5  juntado  à  impugnação  demonstraria o controle que possuía sobre a utilização da aeronave, que  teria sido utilizada somente com fins corporativos;  b) MTR Transfer  (R$ 7.653,41):  alega  que  as  despesas  registradas  sob  esta  rubrica  decorre  de  meros  ajustes  contábeis  realizados,  com  subsequente crédito na conta de despesa original  (eliminando a despesa  inicialmente contabilizada) e débito na conta questionada. Aduz que não  foi  possível  juntar  a  documentação  aos  autos  em  razão  de  sua  antiguidade,  bem  como  pelo  envolvimento  de  grande  volume  de  documentos;  c) Despesas  com Seguros  Pessoa Física  (R$  532.167,35):  referem­se  a  reembolsos  e  indenizações  concedidos  a  clientes  em  decorrência  de  furtos  e  danos  ao  patrimônio,  sofridos  por  eles  nas  dependências  da  Recorrente.  Segundo  a  decisão  recorrida  “foram  apresentados  formulários internos de controle da área de contabilidade e de contas a  pagar,  os  quais  indicam  em  seu  corpo  que  se  referem  basicamente  a  reembolsos  por  furto  de  veículos,  CD  player,  estepes  etc.  Não  apresentou  durante  a  ação  fiscal,  nem  no  prazo  para  impugnação,  documentos  que  comprovassem  a  necessidade  dessa  despesa,  valor  exigido  por  terceiro,  caracterizando  mera  liberalidade.  Assim,  não  se  pode  conceituar  tal  despesa  como dedutível,  necessária  à  atividade da  empresa como definido no art. 299 do RIR de 1999”. Contudo, entende a  Recorrente que os  documentos  já  apresentados  durante o procedimento  fiscal são aptos a comprovar a dedutibilidade de tais despesas;  ­ Conta Contábil 4.2.1.01.008 – Despesas de Viagens  a) Fretamento Oceanair Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo (R$ 105.062,50):  despesas  pagas  a  Oceanair  Táxi  Aéreo  se  referem  a  fretamento  de  aeronovaves,  o  que  seria  normal  para  a  atividade  desenvolvida,  em  especial  para  o  deslocamento  de  associados/diretores  e  empregados.  Quanto  aos  valores  pagos  à  Líder  Táxi  Aéreo  diriam  respeito  a  manutenção da aeronave própria, e não à fretamente, conforme alegou a  Fiscalização.  Alega  que  a  DRJ  manteve  a  glosa  analisando  Fl. 16561DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.562            25 superficialmente as provas e suas alegações, o que implicaria nulidade do  lançamento.   b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio  ­ MTR Transfer (R$ 255.644,77): diria respeito à reclassificações  contábeis,  o  que  a  Recorrente  entende  já  ter  demonstrado  sua  correição;  ­ Weekly Cash Report (R$ 3.076.979,88): despesas se referem a  gastos efetuados com recursos do caixa de cada uma das lojas da  Impugnante.  Diriam  respeito  a  reembolsos  e  pagamentos  referentes  a  despesas  de  viagens  profissionais  realizadas  por  empregados dos estabelecimentos da Impugnante (visitas a outras  lojas, deslocamentos para reuniões dentre outras  situações). Não  houve apresentação de documentação;  ­ Vendor Name Vazio  (R$ 1.868.560,45): Recorrente  alega  que  se  trata de despesas pré­operacionais e que foram contabilizadas  em  conta  de  despesa  mas  teria  havido  créditos  nos  mesmos  valores nessa mesma conta, sendo a contrapartida conta de ativo  diferido (1.1.9.01.014 – despesas pré­operacionais). A DRJ  teria  baseado  seu  voto  na  ausência  de  apresentação  de  documentos,  mas não teria analisado a questão dos lançamentos a crédito que  anulariam os efeitos na determinação do lucro líquido do período  e,  consequentemente,  da  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da CSLL;  c) Provisão  (R$ 18.621,59): argumenta a Recorrente que os valores em  questão foram adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo  da  CSLL.  Esclarece  que  seria  a  conta  2.1.1.07.002  que  determinaria  quais valores deveriam ser adicionados ou excluídos das bases de cálculo  dos tributos;  ­ Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020)  a)  MTR  Transfer  (R$  27.640,54):  diria  respeito  à  reclassificações  contábeis, o que a Recorrente entende já ter demonstrado sua correição;  b) Darf código 1256 e Multas fiscais (R$ 1.254.968,96 – Refis IV­ e de  R$ 141.080,55 relativo a multas fiscais): para a Fiscalização e a decisão  recorrida, o DARF teria sido utilizado para pagamento de multa de ofício  e juros de mora no âmbito do “Refis IV”, o que implicaria ofensa ao art.  344  §  5º  do  RIR/99  dispõe  que  "não  são  dedutíveis  como  custo  ou  despesas  operacionais  as  multas  por  infrações,  salvo  as  de  natureza  compensatória e as impostas por Infrações de que não resultem falta ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo  (Lei  n°  8.981,  de  1995,  art.  41,  §5°)".  Para  a  Recorrente,  a  decisão  seria  nula  por  não  analisar  os  lançamentos  realizados  a  crédito  nesta  mesma  conta,  em  contrapartida  para  outra  conta  de  despesa  também  glosada  (4.2.1.01.119),  o  que  implicaria dupla glosa. A comprovação dos lançamentos a crédito em tal  Fl. 16562DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.563            26 conta  teriam  sido  comprovadas  mediante  cópia  dos  lançamentos  realizados  (doc.  5  da  impugnação).  Relativamente  à  glosa  de  R$  141.080,55, os motivos da DRJ para manutenção do  lançamento  foram  os  mesmos  relativos  ao  outro  DARF.  Em  primeiro  lugar,  explica  a  Recorrente  que  houve  erro  de  contabilização,  sendo  debitada  a  conta  referente a multas fiscais. Contudo, salienta a Recorrente que nesse caso  ocorreu  a  mesma  omissão  no  julgado  relativa:  creditou­se  a  conta  de  despesa  e  a  contrapartida  deu­se  em  outra  conta  de  despesa  também  glosada  pela  Fiscalização,  ou  seja,  novamente  teria  ocorrido  a  dupla  glosa.  A  comprovação  dos  lançamentos  a  crédito  em  tal  conta  teriam  sido comprovadas mediante cópia dos lançamentos realizados (doc. 5 da  impugnação). Além disso, salienta que o DARF foi utilizado para pagar  tributo com os benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 (“Refis  IV”).  Argumenta que nos termos do art. 1º, §§ 7º e 8º de que trata dessa lei, o  contribuinte poderia pagar à vista seus débitos e  liquidar multas e  juros  com prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Esclarece que  a multa e os juros são extintos com utilização de prejuízos fiscais, e não  por  meio  de  pagamento  de  DARF.  O  DARF  em  questão  teria  sido  utilizado para quitação do principal, ou seja, do  tributo em que multa e  juros  teriam  sido  quitados  com  utilização  de  prejuízo  fiscal  e  base  negativa  de  CSLL.  De  toda  forma,  salienta  que  o  tributo  pago  seria  dedutível, assim como a multa e os juros de mora correspondentes;  c) Despesas Bancárias:  aduz  a Recorrente que o gasto  em contratos de  fiança bancária são necessários para garantia de futuras execuções fiscais  que  serão  alvo  de  embargos  à  execução,  sendo  essencial  manter  sua  regularidade fiscal. Em razão disso se tratariam de despesas necessárias,  usuais  e  normais  em  suas  atividades  não  podendo  ser mantida  a  glosa  com  base  no  fundamento  utilizado  pela  DRJ  no  sentido  de  que  tais  despesas não devem ser classificadas como operacionais por não serem  gastos  com  a  operação  e  manutenção  da  capacidade  de  produção  da  empresa, mas gastos com a estrutura de capital;  d)  Provisão:  a  decisão  recorrida  não  teria  enfrentado  a  questão,  sendo  necessária  a  declaração  de  sua  nulidade.  De  toda  forma,  argumenta  a  Recorrente que os valores em questão foram adicionados na apuração do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL.  Esclarece  que  seria  a  conta  2.1.1.07.002 que determinaria quais valores deveriam ser adicionados ou  excluídos das bases de cálculo dos tributos;  ­ Conta Contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções  a)  Vendor  Name  Vazio  (R$  506.716,41):  segundo  a  Recorrente  as  despesas  seriam  decorrentes  de  ao  pagamento  de  cursos  e  seminários  realizados  no  exterior.  A  decisão  recorrida  informa  que  não  foram  apresentados  documentos.  Já  a  Recorrente  alega  que  os  documentos  foram apresentados junto à impugnação (doc. 22);  b)  Alocação  aluguel  Int  e  Patrícia  de  Paula  C  (R$  453.886,32  e  R$  31.314,52): a glosa foi realizada e mantida pela DRJ por não terem sido  Fl. 16563DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.564            27 apresentados os documentos comprobatórios. Segundo a Recorrente, os  documentos  comprobatórios  das  despesas  referentes  a  “Alocação  Aluguel  Int.”  (R$  453.886,32  )  estariam  à  disposição  da  Fiscalização  caso  se  entenda  necessária  a  realização  de  diligência.  No  que  atine  a  pagamentos  realizados  a  “Patrícia  de  Paula  C”  (R$  31.314,52),  diriam  respeito  a  a  serviços  de  publicidade. Alega  a Recorrente  que  anexou  à  impugnação cópia de parcela significativa das notas fiscais emitidas pelo  prestador  de  serviço  (doc.  7  da  impugnação),  mas  não  teriam  sido  analisadas  pela  decisão  de  primeira  instância.  Pede  a  declaração  de  nulidade  da  decisão  de  piso,  ou,  se  for  o  caso,  a  sua  análise  por  este  colegiado;   c)  Provisão  (R$  1.652,00):  a  Recorrente  informa  que  os  documentos  estão à disposição da Fiscalização em caso de realização de diligência;  d) Wal­Mart (R$ 365.400,10): segundo a Recorrente as despesas seriam  decorrentes  de  ao  pagamento  de  cursos  e  seminários  realizados  no  exterior.  A  decisão  recorrida  informa  que  não  foram  apresentados  documentos.  Já  a  Recorrente  alega  que  os  documentos  foram  apresentados junto à impugnação (doc. 22);  e) Darf código 0473 (R$ 33.675,33): a decisão recorrida afirma que por  se  tratar  de  recolhimento  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  ou  seja,  recolhido na condição de responsável, tal valor não seria dedutível. Já a  Recorrente afirma que o § 3º do art. 344 do RIR/99 lhe permite deduzir  como despesa o imposto de renda retido na fonte;  ­ Conta Contábil 4.2.1.104.015 – Auxílio Alimentação Relações Públicas  a) Brindes (R$ 59.299,11): a decisão recorrida entende que a confecção  de  porta  retrato,  móbiles  e  cartas  se  caracterizaria  como  brinde,  e,  portanto, tais despesas seriam indedutíveis em face do disposto no inciso  VII do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Já a Recorrente aduz que se tratariam  de  despesas  de  propaganda.  A  esse  respeito,  a  decisão  recorrida  argumenta  que  ainda  que  fossem  despesas  de  propaganda,  elas  não  estariam destacadamente relacionadas em conta própria conforme impõe  o § 3º do art. 366 do RIR/99;  b) Contribuição e Patrocínio (R$ 89.000,00): a Recorrente afirma que se  trata de despesa com cursos/seminários pagos para seus funcionários. A  DRJ  entende  que  não  resta  caracterizada  tal  situação,  tratando­se  de  contribuições  não  compulsórias,  indedutíveis  por  força  do  disposto  no  inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249/95;  c) Wal­Mart (R$ 117.794,41): a decisão recorrida conclui que não houve  apresentação  de  documentos  que  comprovassem  tais  despesas.  Já  a  Recorrente, por sua vez,  informa que os documentos estão à disposição  da Fiscalização em caso de realização de diligência;  ­ Despesas Operacionais ­ Provisões  Fl. 16564DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.565            28 ­  Contas  4.2.1.01.017  –  Despesas  administrativas,  4.2.1.04.036  –  Provisão  para  contingências  e  4.2.1.01.154  ­  Provisão  para  contingências trabalhistas;   ­ Conta 4.2.1.01.017 – Despesas administrativas;  ­ Conta 4.2.1.04.036 – Provisão para contingências;  ­ Conta 4.2.1.01.154 ­ Provisão para contingências trabalhista;  ­ Conta 4.2.1.01.051 – Recuperação Despesa Prop. Cooperada;  ­ Conta 4.2.1.01.119 ­ Despesas não dedutíveis;  ­ Contas 4.2.1.01.012 ­ Despesas diversas e 4.2.1.01.066 ­Projetos  não aprovados  ­  para  todas  essas  contas  a  DRJ  concluiu  que  os  demonstrativos  elaborados pela Recorrente nada provam e que não  foram apresentados  no prazo de impugnação qualquer documentação que pudesse comprovar  a  dedutibilidade  das  despesas  em  questão,  ou,  ainda  que  parte  dessas  tivessem sido adicionadas na apuração do lucro real e da base de cálculo  da CSLL. A Recorrente alega que em razão de limitações em seu sistema  contábil, efetua o controle das contas de provisão pelo resultado líquido  entre créditos (constituição da provisão) e débitos (reversão da provisão)  realizados  em  determinado  período,  adicionando  o  valor  líquido  das  operações  à  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Além  disso,  vários  outros  valores  glosados  pela  Fiscalização  teriam  sido  creditados  e  revertidos  para  outras  contas  de  despesa,  ou  ainda  tinham  como  contrapartida outra conta de resultado, ou seja, seriam nulas para fim de  apuração  do  lucro  líquido.  Especificamente  em  relação  à  conta  4.2.1.01.051  –  Recuperação  Despesa  Prop.  Cooperada  (R$  90.809.148,98  de  despesas  contabilizadas  e,  de  acordo  com  a  Fiscalização, somente adicionados R$ 1.648.374,13), aduz a Recorrente  que  não  se  tratava  de  provisão,  mas  sim  de  despesas  efetivas  de  propaganda.  A  esse  respeito  foram  anexadas  às  fls.  16.360­16.380  petição  e  documentos  complementares  protocolados  após  o  prazo  fatal  para  apresentação  de  impugnação  que  comprovariam  suas  alegações,  documentos  esses  não  analisados  pela  DRJ,  conforme  já  relatado.  Em  razão disso, requer a nulidade da decisão de primeira instância.   ­ a Recorrente pugna, subsidiriamente, pela necessidade de consideração da base  negativa de CSLL de períodos anteriores, matéria objeto de recurso de ofício;  ­ questiona­se ainda a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício.  É o relatório.  Fl. 16565DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.566            29   Voto  Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento.  Alega a Recorrente que a decisão de primeira instância seria nula.  A primeira razão em que se apoia a Recorrente  foi o fato de a decisão de piso  não ter apreciado documentos acostados após o prazo para apresentação de impugnação.  Embora, de fato, a jurisprudência dominante no CARF indique que, em face do  princípio da verdade material, os documentos deveriam ser analisados mesmo que apresentados  após  o  prazo  para  a  impugnação,  não  há  como  inquinar  de  nula  a  decisão  recorrida  por  fundamentar seu entendimento no disposto no art. 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.  Caso este colegiado entenda que os documentos devem ser apreciados, assim o  fará  o  relator,  ou,  se  for  o  caso,  a  unidade  de  origem  em  face  de  eventual  conversão  do  julgamento em diligência.  O segundo motivo que fundamenta o pedido de nulidade da decisão de primeira  instância seria a análise superficial das provas. Entendo que, uma vez feita a análise de provas,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  da  decisão.  A  decisão  pode  estar  até  incorreta,  mas  tal  conclusão  adviria  de  nova  análise,  por  este  colegiado,  do  conjunto  probatório  constante  nos  autos, ou seja, essa questão está ligada ao mérito da exigência e será analisada oportunamente.  O  terceiro  motivo  diz  respeito  à  ausência  de  análise  de  alguns  de  seus  argumentos,  relativamente  a  algumas  infrações,  ou  até  mesmo  análise  quanto  à  infração  propriamente dita. Passo a analisar cada um dos pontos indicados.  ­ Conta Contábil 4.2.1.01.008 – Despesas de Viagens  [...]  b) MTR Transfer, Weekly Cash Report e Vendor Name Vazio  ­ [...]  ­ Vendor Name Vazio  (R$ 1.868.560,45): Recorrente  alega  que  se  trata de despesas pré­operacionais e que foram contabilizadas  em  conta  de  despesa,  mas  teria  havido  créditos  nos  mesmos  valores nessa mesma conta, sendo a contrapartida conta de ativo  diferido (1.1.9.01.014 – despesas pré­operacionais). A DRJ  teria  baseado  seu  voto  na  ausência  de  apresentação  de  documentos,  mas não teria analisado a questão dos lançamentos a crédito que  anulariam os efeitos na determinação do lucro líquido do período  Fl. 16566DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.567            30 e,  consequentemente,  da  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da CSLL;  Analisando a questão, de fato, a decisão recorrida limitou­se a verificar se havia  ou não documentos que comprovassem a dedutibilidade dos valores  lançados a débito em tal  conta. Não  há  qualquer  pronunciamento  a  respeito  do  argumento  da Recorrente  de  que  não  houve  efeito  na  apuração  do  lucro  líquido  (e,  consequentemente,  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da CSLL)  em  razão  dos  lançamentos  realizados  a  crédito  dessa mesma  conta  (tendo  como  contrapartida  uma  conta  de  ativo  a  ser  amortizada  oportunamente  1.1.9.01.014  –  despesas pré­operacionais). Veja­se a decisão da DRJ em relação ao tema:  Alegou  que  se  referem  a  despesas  no  valor  de  R$  1.868.560,43,  relativas  à  contabilização  de  despesas  pré­operacionais  incorridas  por  lojas  em  construção.  A  fiscalização  efetuou  a  glosa  por  entender  que  não  estariam  amparadas  por  documentação  hábil  e  idônea,  mas  estas  teriam  sido  integralmente  revertidas  por  lançamentos  a  crédito  na  mesma  conta  questionada pela fiscalização. Não poderiam ter sido glosadas em razão de que  não  produziram  efeito  algum  no  resultado.  A  glosa  implicaria  tributação  em  duplicidade dos valores questionados. Aduziu que registrava tais despesas em  conta de resultado e depois eram reclassificadas para conta do ativo diferido.  Explicou  que  a  conta  4.2.1.01.008  registra  todas  as  despesas  de  viagens  (considerando todos os seus estabelecimentos).  Ocorre  que,  na  conta  contábil  4.2.1.01.008  ­  Despesas  de  Viagens  constam  lançamentos  cujo  histórico  se  refere  a  pagamentos  a  "MTR  Transfer"  e  "Weekly  Cash  Report",  e  também  com  históricos  ou  "Vendor  Name"  sem  a  descrição  dos  beneficiários  destes  pagamentos  referentes  a  estas  despesas  operacionais.   Nos Termos de Intimação n° 4 e n° 7, e no Termo de Constatação e Intimação  Fiscal  foram  solicitados  documentos  por  amostragem  referentes  a  estes  lançamentos  sem  discriminação,  e  não  foram  apresentados,  razão  pela  qual  foram  glosadas  as  despesas  correspondentes,  pois  conforme  legislação  em  vigor,  as  despesas  operacionais  devem  estar  devidamente  suportadas  por  documentos hábeis e  idôneos a comprovarem a sua natureza, a identidade do  beneficiário, a quantidade, o valor da operação (RIR/1999).  Os valores glosados estão demonstrados na Planilha 5 ­ Anexo 2 Despesas de  Viagens MTR Transfer, Planilha 6 ­ Anexo 2 Despesas de Viagens Weekly Cash  Report e Planilha 7 ­ Anexo 2 Despesas de Viagens Vendor Name Vazio. Por  esse motivo foram adicionados na apuração do lucro real e base de cálculo da  CSLL.  Não  apresentados  durante  a  fiscalização,  tampouco  com  a  impugnação,  os  documentos  necessários  a  comprovar  a  dedutibilidade  dessas  despesas,  deve  ser mantido o lançamento.  Conforme se observa a DRJ analisou se haveria documentos hábeis a comprovar  a dedutibilidade das despesas. Contudo, se realmente os lançamentos a débito realizados pela  Recorrente na conta de despesa foram seguidos de lançamentos a créditos nesta mesma rubrica,  nos  mesmos  valores,  para  ativação  de  despesas  pré­operacionais,  como  argumenta  a  Recorrente,  a  exigência  correspondente  não  poderia  subsistir.  A  esse  respeito,  contudo,  a  decisão recorrida é silente.  Fl. 16567DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.568            31 Por  essa  razão,  entendo  que  a  decisão  de  primeira  instância  deve  ser  parcialmente anulada, devendo a turma julgadora a quo proferir decisão complementar a fim de  analisar tal argumento entabulado pela então impugnante.  ­ Despesas Legais (conta 4.2.1.01.020)  [...]  b) Darf código 1256 e Multas fiscais (R$ 1.254.968,96 – Refis IV­ e de  R$ 141.080,55 relativo a multas fiscais): para a Fiscalização e a decisão  recorrida, o DARF teria sido utilizado para pagamento de multa de ofício  e juros de mora no âmbito do “Refis IV”, o que implicaria ofensa ao art.  344  §  5º  do  RIR/99  dispõe  que  "não  são  dedutíveis  como  custo  ou  despesas  operacionais  as  multas  por  infrações,  salvo  as  de  natureza  compensatória e as impostas por Infrações de que não resultem falta ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo  (Lei  n°  8.981,  de  1995,  art.  41,  §5°)".  Para  a  Recorrente,  a  decisão  seria  nula  por  não  analisar  os  lançamentos  realizados  a  crédito  nesta  mesma  conta,  em  contrapartida  para  outra  conta  de  despesa  também  glosada  (4.2.1.01.119),  o  que  implicaria dupla glosa. A comprovação dos lançamentos a crédito em tal  conta teria sido demonstrada mediante cópia dos lançamentos realizados  (doc.  5  da  impugnação).  Relativamente  à  glosa  de  R$  141.080,55,  os  motivos  da  DRJ  para  manutenção  do  lançamento  foram  os  mesmos  relativos  ao outro DARF. Em primeiro  lugar,  explica a Recorrente que  houve erro de contabilização, sendo debitada a conta referente a multas  fiscais. Contudo, salienta a Recorrente que nesse caso ocorreu a mesma  omissão  no  julgado  relativa:  creditou­se  a  conta  de  despesa  e  a  contrapartida  deu­se  em  outra  conta  de  despesa  também  glosada  pela  Fiscalização,  ou  seja,  novamente  teria  ocorrido  a  dupla  glosa.  A  comprovação  dos  lançamentos  a  crédito  em  tal  conta  teriam  sido  comprovadas  mediante  cópia  dos  lançamentos  realizados  (doc.  5  da  impugnação).   d)  Provisão:  a  decisão  recorrida  não  teria  enfrentado  a  questão,  sendo  necessária  a  declaração  de  sua  nulidade.  De  toda  forma,  argumenta  a  Recorrente que os valores em questão foram adicionados na apuração do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL.  Esclarece  que  seria  a  conta  2.1.1.07.002 que determinaria quais valores deveriam ser adicionados ou  excluídos das bases de cálculo dos tributos.  Veja­se a decisão da DRJ em relação à questão dos DARF:  Darf código 1256 e Multas fiscais.  A  contribuinte  contestou  a  glosa  de  despesa  relativa  aos  Darf(s)  nos  valores  de  R$  1.254.968,96  e  R$  141.080,55.  Alegou  que  os  pagamentos  foram pagos da  forma prevista na Lei nº 11.941, de 2009,  sob o  código 1256, referem­se a tributos e, portanto, seriam dedutíveis na apuração  da base de cálculo do imposto e do IRPJ e da CSLL. Teriam sido erroneamente  classificados  como  “multas  fiscais”  mas  que  teria  reclassificado  a  despesa.  Aduziu  que  o  Darf,  ao  contrário  do  que  argumenta  a  Fiscalização,  não  se  Fl. 16568DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.569            32 refere a pagamento das multas  e  juros, mas  tão  somente para pagamento de  tributo. É clara a disposição do art. 344 do RIR de 1999, no sentido de serem  dedutíveis na apuração do Lucro Real,  os  tributos e as  contribuições. Ainda,  que  o  art.  374  do RIR  de  1999,  assegura  a  dedução  como  custo  ou  despesa  financeira, do valor relativo aos juros de mora pagos ou incorridos. O Parecer  CST nº 174 de 2004, da mesma forma possibilita essa dedução, concluindo que  os juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de  débitos,  caracterizam­se como despesa  financeira e, como  tal,  são dedutíveis.  Pelas mesmas razões considerou dedutível o Darf de R$ 141.080,55.  Observe­se  que  os  documentos  de  arrecadação  com  código  1256 referem­se ao seguinte débito tributário:  RFB – Débitos Previdenciários ­ Pagamento à vista com utilização de Prejuízo  Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL para liquidar multa e juros  1256  Constam  da  conta  4.2.1.01.020  ­  Despesas  Legais  Multas  Fiscais,  o  pagamento  via  DARF  ­  Documento  de  Arrecadação  de  Tributos  Federais, código de receita 1256 ­ RFB ­ Débitos Previdenciários ­ Pagamento  à vista com utilização de Prejuízo Fiscal e base de Cálculo Negativa da CSLL  para  liquidar multa e  juros. Trata­se de expediente em que a pessoa  jurídica  que optar pelo pagamento a vista ou pelo parcelamento na forma dos artigos  1o, 2o ou 3o da Lei 11.941, de 2009, pode  liquidar valores correspondentes a  multas, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive relativos a débitos  inscritos em DAU, com a utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e  de base de cálculo negativa de CSLL próprios.   Ocorre que o artigo 344 § 5o do RIR/99 dispõe que "não são  dedutíveis  como  custo  ou  despesas  operacionais  as  multas  por  infrações,  salvo as de natureza compensatória e as impostas por Infrações de que não  resultem  falta  ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo  (Lei  n°  8.981,  de  1995, art. 41, §5°)". O Parecer Normativo CST n° 61, de 1979, determina que  multas fiscais são "aquelas impostas pela lei tributária, e quando decorrentes  de  falta  ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo  e  não  sejam  de  natureza  compensatória,  serão  indedutíveis".  Os  valores  glosados  referentes  a  estas  despesas são de R$ 1.254.968,96 (um milhão duzentos e cinqüenta e quatro mil  novecentos  e  sessenta  e  oito  reais  e  noventa  e  seis  centavos),  DARF  1256,  demonstrado na Planilha  10  ­ Anexo  5 Despesas Legais  e  de R$ 141.080,55  (cento e quarenta e um mil oitenta reais e cinqüenta e cinco centavos), Multas  Fiscais,  demonstrado  na  Planilha  11  ­  Anexo  5  Despesas  Legais  Multas  Fiscais.   De fato a Lei nº 11.941, de 2009, no § 7º do art. 1º, concede a  possibilidade de pagar multa de mora ou de ofício e juros moratórios com a  utilização  de  prejuízo  fiscal  e  de  base  de  cálculo  negativa  da  contribuição  social sobre o lucro líquido próprios. Dispõe a norma:  § 7º  As  empresas  que  optarem pelo  pagamento  ou  parcelamento  dos  débitos  nos  termos  deste  artigo  poderão  liquidar  os  valores  correspondentes  a  multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios,  inclusive  as  relativas  a  débitos  inscritos  em  dívida  ativa, com a utilização de prejuízo  fiscal e de base  de  cálculo negativa  da  contribuição  social  sobre o  lucro líquido próprios.  Fl. 16569DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.570            33 As  condições  desse  dispositivo  são  dadas  para  liquidação  de  multa  de  ofício,  de  mora  e  juros  moratórios.  Observe­se  que  os  valores  recolhidos mediante o Darf (código 1256), foram contabilizados como Débitos  Previdenciários  ­  Pagamento  à  Vista,  conforme  o  anexo  5  –  DESPESAS  LEGAIS MULTAS FISCAIS.   A respeito desse assunto, manifestou­se o 1º CC, proferindo o  seguinte acórdão:  DESPESAS COM MULTAS FISCAIS – Nos  termos  do  art.  225 § 4º  e  esclarecimentos  contidos  no PN  61/79,  as  multas  e  os  acréscimos  legais  considerados  dedutíveis  e  que  têm  natureza  compensatória  são:  as  que  decorrem  do  recolhimento  do  tributo  fora  do  prazo  legal;  os  juros  de  mora  resultantes  do  recolhimento  espontâneo  fora  do  prazo;  e  as  multas  por  apresentação  espontânea  de  declarações  fora  do  prazo. São consideradas indedutíveis as multas por  infrações  fiscais  que  diferem  daquelas  anteriormente  discriminadas  e  outras  contabilizadas sem a devida identificação.  (1º CC/  7ª  Câmara  /  Acórdão  107­05531,  em  23.021999  –  Dou de 19.05.1999).  Ocorre  que  não  foram  apresentados  documentos  que  comprovem  a  reclassificação  alegada,  e  principalmente,  que  as  parcelas  liquidadas  dessa  forma  se  refiram  a  juros  moratórios,  multa  de  natureza  compensatória  ou  impostas  por  infrações  de  que  não  resultem  falta  ou  insuficiência de pagamento de tributo. [grifo nosso]  Qualquer  dedução  efetuada  pela  contribuinte  deve  estar  amparada em norma legal e em documentos que a viabilize. Ocorre que o valor  pago  sob  o  código  1256  foi  contabilizado  como  “multas  fiscais”,  e  não  foi  comprovado  a  que  se  refere  o  valor  pago.  Assim,  considerando  o  registro  contábil,  sem  qualquer  prova  de  sua  dedutibilidade  (que  se  refiram  a  juros  moratórios e/ou outras parcelas dedutíveis) , não há como acatar a pretensão  da contribuinte, devendo ser mantida a glosa.   Compulsando  os  autos,  de  fato,  não  identifiquei  a  documentação  que  comprovaria tal reclassificação. Aliás, o citado doc. 5 da impugnação reveste­se de apenas uma  folha referente a suposta comprovação de solicitação de viagem, não tendo qualquer correlação  com os fatos ora analisados.   Assim,  rejeito  a  arguição  de  nulidade  em  relação  à  glosa  em  questão  (Darf  código 1256 e multas fiscais).  Contudo,  no  que  diz  respeito  às  provisões  relacionadas  à  conta  4.2.1.01.020  ­  Despesas Legais, de  fato, a decisão recorrida deixou de analisá­la, razão pela qual reconheço  sua nulidade parcial, devendo a  turma  julgadora a quo  também analisar  tal ponto na decisão  complementar a ser proferida.      Fl. 16570DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.571            34 ­ Conta Contábil 4.2.1.01.075 – Reuniões e Convenções  a)  Vendor  Name  Vazio  (R$  506.716,41):  segundo  a  Recorrente  as  despesas  seriam  decorrentes  de  ao  pagamento  de  cursos  e  seminários  realizados  no  exterior.  A  decisão  recorrida  informa  que  não  foram  apresentados  documentos.  Já  a  Recorrente  alega  que  os  documentos  foram apresentados junto à impugnação (doc. 22).  Em  relação  ao  tema,  compulsando  os  autos,  não  identifiquei  o  doc.  22  que  estaria  anexo  à  impugnação.  Nos  autos,  s.m.j.,  estão  anexados  documentos  numerados  até  “21”. Nesse cenário, não há omissão na decisão recorrida em relação ao tema, o que implica a  rejeição de tal arguição de nulidade.  b)  No  que  atine  a  pagamentos  realizados  a  “Patrícia  de  Paula  C”  (R$  31.314,52),  diriam  respeito  a  a  serviços  de  publicidade.  Alega  a  Recorrente que anexou à impugnação cópia de parcela significativa das  notas fiscais emitidas pelo prestador de serviço (doc. 7 da impugnação),  mas não teriam sido analisadas pela decisão de primeira instância. Pede a  declaração de nulidade da decisão de piso, ou, se for o caso, a sua análise  por este colegiado.   Analisando  a  documentação  apresentada  na  impugnação  constatei  que  o  referido  doc.  7,  na  verdade,  é  tão  somente  uma  nota  fiscal,  no  valor  de  R$  3.590,00.  Reproduzo, a seguir, excerto de tal nota fiscal (fl. 3.245):      Logo, a decisão recorrida não se mostra nula em relação ao tema.  d) Wal­Mart (R$ 365.400,10): segundo a Recorrente as despesas seriam  decorrentes  de  ao  pagamento  de  cursos  e  seminários  realizados  no  exterior.  A  decisão  recorrida  informa  que  não  foram  apresentados  documentos.  Já  a  Recorrente  alega  que  os  documentos  foram  apresentados junto à impugnação (doc. 22).   Em  relação  ao  tema,  compulsando  os  autos,  não  identifiquei  o  doc.  22  que  estaria  anexo  à  impugnação.  Nos  autos,  s.m.j.,  estão  anexados  documentos  numerados  até  “21”. Nesse cenário, não há omissão na decisão recorrida em relação ao tema, o que implica a  rejeição de tal arguição de nulidade.  Fl. 16571DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/2013­37  Resolução nº  1402­000.363  S1­C4T2  Fl. 16.572            35   CONCLUSÃO  Assim  sendo,  impõe­se  o  retorno  dos  autos  à  turma  julgadora  de  origem  para  que  analise  os  argumentos  apresentados  em  impugnação  e  que  não  foram  objeto  de  manifestação  na  decisão  recorrida  (Conta  Contábil  4.2.1.01.008  –  Despesas  de  Viagens  ­  Vendor Name Vazio (R$ 1.868.560,45), bem como sobre o mérito da infração não abordada no  acórdão guerreado (Conta Contábil  ­ 4.2.1.01.020 ­ Despesas Legais  ­ Provisões), prolatando  acórdão complementar.  Após ciência desse novo acórdão,  transcorrido o prazo para  a apresentação do  recurso  voluntário  sobre  a  matéria  e  demais  providências  cabíveis  pela  unidade  de  origem,  retornem­se os autos a este colegiado para inclusão em nova pauta de julgamentos.  É como voto.  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator  Fl. 16572DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 10120.900045/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador do indébito, conforme entendimento consolidado no STJ e na Súmula CARF nº 91. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTECEDENTE. A DCOMP - Declaração de Compensação não veicula pedido de restituição de indébito. No limite, consubstancia pedido de repetição (indireto) apenas no tocante ao valor do débito fiscal indicado no encontro de contas. Se inexistente o antecedente pedido de restituição, a apresentação da DCOMP deve observar o prazo de cinco anos a que alude o artigo 168, I, do CTN, sob pena de não homologação do encontro de contas por inexistência do direito crédito, ante a sua caducidade. Recurso voluntário negado. Não é nula a decisão que tenha analisado todos os pontos controvertidos, e da qual conste fundamentação adequada e suficiente para respaldar a conclusão nela exposta.
Numero da decisão: 1201-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.900045/2011­34  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­001.369  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  1 de março de 2016  Matéria  DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.  Recorrente  NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002  PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA.  Perícias e diligências são  instrumentos postos à disposição do  julgador para  auxiliá­lo  na  formação  do  seu  livre  convencimento,  se  entendê­las  necessárias  ou  imprescindíveis  para  a  elucidação  de  pontos  duvidosos.  O  pressuposto  para  realização  de  perícia  é  a  insuficiência  de  conhecimento  técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio, o que  não ocorre no caso concreto.  DESPACHO  DECISÓRIO.  INTIMAÇÃO  PRÉVIA.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários para decidir sobre  a  homologação  ou  não  da  compensação,  nenhum  óbice  há  para  que  a  autoridade fiscal profira a sua decisão. Não há na lei comando que obrigue a  autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes da prolação  do despacho decisório. Não é nulo o despacho do qual constem claramente as  razões da não homologação da compensação pretendida.  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  FUNDAMENTAÇÃO.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não é nula a decisão que tenha analisado todos os pontos controvertidos, e da  qual conste fundamentação adequada e suficiente para respaldar a conclusão  nela exposta.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2002  PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.  O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005  aplica­se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 00 45 /2 01 1- 34 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 3          2 vacatio  legis de 120 dias, ou seja,  a partir de 9 de  junho de 2005  (STF/RE  566.621/RS,  sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de  restituição  formalizados  antes  daquela  data,  aplica­se  o  prazo  de  dez  anos  com  termo  inicial  na  data  do  fato  gerador  do  indébito,  conforme  entendimento consolidado no STJ e na Súmula CARF nº 91.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE  RESTITUIÇÃO ANTECEDENTE.  A DCOMP ­ Declaração de Compensação não veicula pedido de restituição  de  indébito. No  limite,  consubstancia  pedido  de  repetição  (indireto)  apenas  no  tocante  ao  valor  do  débito  fiscal  indicado  no  encontro  de  contas.  Se  inexistente  o  antecedente  pedido  de  restituição,  a  apresentação  da DCOMP  deve observar o prazo de cinco anos a que alude o artigo 168, I, do CTN, sob  pena de não homologação do encontro de contas por  inexistência do direito  crédito, ante a sua caducidade.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.  Documento assinado digitalmente.  Marcelo Cuba Netto ­ Presidente.  Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator.    Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Marcelo  Cuba  Netto,  João  Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João  Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  NAVESA  NACIONAL  DE  VEÍCULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília­ DF, cuja ementa a seguir se transcreve:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário: 2002  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 4          3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional  para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.  A compensação de  créditos  tributários  (débitos do  contribuinte)  só pode  ser  efetuada com crédito  líquido e certo do sujeito passivo,  sendo que a compensação  somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no  caso, o crédito pleiteado é inexistente.  PRAZO PRESCRICIONAL. COMPENSAÇÃO  O direito de pleitear a compensação extingue­se com o decurso do prazo de 5  (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário.  APLICAÇÃO DA TESE CINCO MAIS CINCO. IMPOSSIBILIDADE.  No âmbito da administração tributária, não se aplica o prazo prescricional de  dez  anos  previsto  na  LC  nº  118/2005,  tanto  para  o  contribuinte  que  pleiteou  administrativamente a restituição, como para aquele que optou diretamente pela via  judicial.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido.”  O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo:  “Tratam  os  autos  das  Declarações  de  Compensação  (DCOMP)  de  nº  21700.11043.311007.1.3.02­5984  e  10057.25846.010908.1.3.02­8815,  transmitidas  eletronicamente  com  base  em  créditos  decorrentes  de  saldo  negativo  de  Imposto  sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (exercício 2003 ­ 01/01/2002 a 31/12/2002).  Analisadas as informações prestadas e considerando que a soma das parcelas  de  composição  do  crédito  informadas  no  PER/DCOMP  deve  ser  suficiente  para  comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, não ficou  demonstrada  a  existência  de  crédito  suficiente  para  ser  utilizado  na  compensação  integral dos débitos confessados na Declaração de Compensação.  Assim, em 14/02/2011, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl.  51),  cuja  decisão  homologou  integralmente  a  DCOMP  nº  21700.11043.311007.1.3.02­5984  e  não  homologou  a  DCOMP  n°  10057.25846.010908.1.3.02­8815. O valor do principal correspondente aos débitos  informados é de R$ 477.407,98.  Relatório emitido pela Delegacia de Goiânia em 25/11/2010 (fls. 173 a 175),  esclarece  que  a  análise  do  PER/DCOMP  nº  21700.11043.311007.1.3.02­5984  foi  iniciada  eletronicamente,  porém,  a  validação  de  parte  do  crédito  pleiteado  foi  direcionada  pelo  Sistema  de  Controle  de  Crédito  –  SCC  para  análise  do  usuário,  tendo  sido  detectadas  inconsistências  referentes  às  antecipações  “fonte”,  “pagamentos” e “compensações”. A análise feita chegou às seguinte conclusões:  •  Pagamentos:  foram  localizados  e  confirmados  nos  sistemas  Sief­Fiscel  e  Sinal;  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 5          4 •  Fonte:  a  retenção  na  fonte  no  valor  de R$ 688,08 não  foi  confirmada  em  pesquisa às Dirf emitidas em nome da contribuinte;  •  Compensações:  foi  glosada  a  compensação  da  estimativa  do  IRPJ  de  dezembro de 2002, no valor de R$ 455.941,64.  A  contribuinte  foi  intimada  a  prestar  informações  por  meio  do  Termo  de  Intimação  n°  651/2010,  de  06/10/2010,  do  qual  tomou  conhecimento  em  13/10/2010.  Em  resposta,  informou  que  o  referido  valor  seria  formado  pelo  saldo  negativo do IRPJ do exercício 2001 (R$ 387.508,62), atualizado pela taxa Selic (R$  68.434,02).  O  somatório  desses  valores  foi  transportado  para  a  Dcomp  como  se  fosse o débito da  estimativa do  IRPJ  apurada  em dezembro de 2002,  compensada  com o saldo negativo do ano­calendário 2001. A interessada declarou na Dcomp em  análise  a  compensação  do  débito  da  estimativa  do  IRPJ  apurada  em dezembro  de  2002, no valor de R$ 455.942,64, com o saldo negativo do IRPJ do exercício 2001.  Entretanto, o débito de estimativa do IRPJ de dezembro de 2002 não foi declarado  na D1PJ e nem na DCTF. Por outro lado, a partir de outubro de 2002 era obrigatório  o  processo  administrativo  para  fazer  a  compensação.  Por  esse  motivo,  a  compensação  da  estimativa  do  IRPJ  de  dezembro  de  2002,  no  valor  de  R$  455.942,64, foi glosada.  Cientificado, via postal, dessa decisão em 22/02/2011 (fl. 57), bem como da  cobrança  dos  débitos  declarados  na  Dcomp,  o  sujeito  passivo  apresentou  em  24/03/2011,  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  2  a  6,  acrescida  de  documentação anexa.  Em síntese, após fazer considerações sobre o saldo negativo de Imposto sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  IRPJ,  a  contribuinte  argumenta  que  a  utilização  dos  créditos pleiteados estaria amparada pelas regras de transição estabelecidas pela Lei  Complementar nº 118, de 2005. Dessa forma, apresenta o seguinte entendimento:  a)  Os  recolhimentos  efetuados  até  08/06/2000  (cinco  antes  do  início  da  vigência LC 1118/2005) aplica­se a regra dos “cinco anos mais cinco”;  b) Para recolhimentos efetuados entre 09/06/2000 a 08/06/2005 a prescrição  ocorreu em 08/06/2010 (cinco anos a contar da vigência da LC 118/2005;  c) para recolhimentos efetuados a partir de 09/06/2005 (início de vigência da  LC  118/2005)  aplica­se  a  prescrição  qüinqüenal  contada  da  data  do  pagamento.  Apresenta posicionamento do STJ sobre a questão.  Acrescenta, que a Receita Federal não se pronunciou sobre o PER/DCOMP n°  10057.25846.010908.1.3.02­8815,  afirmando que cada declaração de  compensação  transmitida deve ter o Despacho Decisório Individualizado.  Ao final, requer que seja apreciada a documentação dos autos, afim de se que  comprovem  as  informação  presentes  no  PER/DCOMP, DIPJ  e DCTF,  bem  como  julgar  procedente  a  presente  manifestação  de  inconformidade,  declarando  homologado o crédito compensado.”  A  DRJ  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  pelos  fundamentos  sinteticamente  expostos  na  ementa  ao  norte  transcrita.  Em  síntese,  ratificou  os  dois motivos expostos no despacho decisório pelos quais não foi homologada a compensação  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 6          5 contida na DCOMP 10057.25846.010908.1.3.02­8815, quais  sejam: a  inexistência do  crédito  alegado,  em  face  de  não  ter  sido  comprovada  a  compensação  da  estimativa  do  IRPJ  de  dezembro de 2002, e a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a repetição do indébito.  Em  sede  de  recurso,  o  contribuinte  renova  seus  argumentos  com  vistas  à  obtenção  da  homologação  da  compensação  pretendida,  aduzindo  em  síntese,  o  seguinte:  (i)  nulidade  do  despacho  decisório  por  vício  formal,  em  razão  da  falta  de  intimação  prévia  da  recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito detido que se pretendia compensar; (ii)  nulidade  do  acórdão  recorrido  por  cerceamento  de  defesa,  em  razão  de  sua  fundamentação  deficiente; (iii) efetiva existência do crédito (saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002),  plenamente demonstrada nos documentos apresentados, vez que  fruto de acúmulos de  saldos  negativos  de  períodos  anteriores,  que  com  este  foi  somado  para  fins  de  apuração  do  saldo  credor;  (iv)  mesmo  que  se  entenda  que  tenha  havido  erro  na  transmissão  das  informações  relativas  ao  crédito  em  questão,  este  não  pode  ser  óbice  ao  reconhecimento  do  crédito  e  do  direito  da  recorrente  à  sua  fruição;  (v)  observância,  para  efeito  do  prazo  para  pleitear  a  repetição  do  indébito,  da  “tese dos  5+5”;  (vi)  no  caso  de  superação  de  todos  os  argumentos  acima discorridos, que seja realizada perícia técnica contábil a fim de se confirmar a existência  e liquidez dos créditos em questão, para cujos fins indica perito e quesitos a serem respondidos.  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  dele  tomo conhecimento.    Nulidade do despacho decisório  A  recorrente  requer  a  declaração  de  nulidade  do  despacho  decisório,  tendo  em vista a falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito  que pretendia compensar.  Noutro  giro,  sustenta  que  a  autoridade  fiscal  competente,  antes  de  se  manifestar  sobre  a  compensação  materializada  através  das  Per/Dcomps  constantes  do  Despacho  Decisório  atacado,  proceda  à  necessária  investigação  do  débito  e  crédito  apresentados pela recorrente.  Sem razão a recorrente.  Não  há  na  lei  comando  que  obrigue  a  autoridade  fiscal  a  efetuar  prévia  intimação  do  contribuinte  antes  de  proferir  o  seu  despacho  decisório.  A  própria  recorrente  transcreve na sua peça recursal apenas um artigo de ato normativo do órgão fazendário (art. 65  da  Instrução  Normativa  RFB  no  900/2008),  o  qual  apenas  menciona  a  possibilidade  de  a  fiscalização empreender diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, ou então de  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 7          6 intimar  o  sujeito  passivo  para  que  apresente  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  antes de decidir. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários, nenhum óbice há  para que a autoridade fiscal profira sua decisão.  Por outro lado, sequer se pode compreender a inconformidade da recorrente,  uma vez que, no caso concreto, o contribuinte foi previamente intimado para a apresentação de  documentos e esclarecimentos relativos ao crédito (fls. 115­116). O fato de os esclarecimentos  não  terem  sido  suficientes  para  comprovar  o  crédito  alegado  reflete  apenas  uma decorrência  natural  (uma das consequências possíveis) do processo de análise do crédito alegado, à vista  desses esclarecimentos e das demais circunstâncias e peculiaridades do caso concreto.  Ademais,  as  razões  da  não  homologação  da  compensação  pretendida  estão  perfeitamente delineadas no despacho decisório exarado, que não padece, portanto, de qualquer  vício.    Nulidade da decisão recorrida  A  recorrente  requer  a declaração  de  nulidade  da decisão  recorrida,  por  não  propiciar  à  Recorrente  os  elementos  concretos  que  formaram  a  sua  convicção,  mas  apenas  lançar mão de dispositivos de lei genéricos, que não permitem concluir quais os reais motivos  do julgamento de improcedência da impugnação apresentada, o que caracteriza o cerceamento  do direito de defesa.  Sem razão a recorrente.  A exemplo do despacho decisório, também a decisão recorrida explicitou as  razões da não homologação da compensação pretendida, que foram duas.  Neste sentido, transcrevo os seguintes excertos do voto condutor do acórdão  recorrido:  “Um dos motivos da não homologação foi a glosa de R$ 455.942,64 referente  a compensação da estimativa do IRPJ de dezembro de 2002, pelo fato de não terem  sido conformadas as estimativas compensadas na contabilidade com saldo negativo  de  período  anteriores.  Segundo  Relatório  emitido  pela  Delegacia  de  Goiânia  em  25/11/2010 (fls. 174), a contribuinte declarou no PER/DCOMP débito da estimativa  do  IRPJ  apurada  em dezembro  de  2002, no  valor  de R$ 455.942,64,  com o  saldo  negativo  do  IRPJ  do  exercício  2001.  Entretanto,  tal  compensação  não  consta  da  DCTF/2002, nem da DIPJ. Além disso, a partir de outubro de 2002 era obrigatório  formalizar a compensação por meio de processo administrativo fiscal.  (...)  Como  a  contribuinte  não  formalizou  a  compensação  declarada  por meio  do  processo administrativo fiscal, nem trouxe aos autos documentos que comprovassem  a certeza e liquidez do crédito pleiteado, a glosa efetuada é mantida.  Outro motivo foi que parte do saldo negativo disponível foi considerado valor  não passível de restituição,  tendo em vista que a Declaração de Compensação não  foi  transmitida  no  prazo  legal  de  5  anos,  estabelecido  no  at.  168  do  Código  Tributário Nacional – CTN.  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 8          7 (...)  No  caso  em  análise,  o  direito  creditório  pleiteado  tem  origem  no  saldo  negativo de IRPJ, referente ao ano­calendário de 2002. Pela sistemática da apuração  do imposto de renda pelo lucro real, considera­se que o direito creditório foi apurado  em  31/12/2002,  de  forma  que  o  termo  final  do  prazo  prescricional  para  a  contribuinte pleitear a repetição do indébito se deu 31/12/2007.”  Sem  qualquer  procedência,  portanto,  o  pleito  de  nulidade  do  acórdão  recorrido por suposta fundamentação deficiente.    Perícia técnica contábil  A  recorrente  requer  a  realização  de  perícia  técnica  contábil  para  que  se  confirme  a  existência  e  liquidez  dos  créditos  em  questão,  indicando  perito  e  formulando  os  quesitos que pretende ver respondidos.  A realização de perícia é desnecessária.  O pressuposto  para  realização  de perícia  é  a  insuficiência  de  conhecimento  técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio. Tal não ocorre no caso  concreto.  Perícias e diligências são  instrumentos postos à disposição do  julgador para  auxiliá­lo  na  formação  do  seu  livre  convencimento,  se  entendê­las  necessárias  ou  imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos.  Conforme se verá a seguir, os autos estão devidamente consubstanciados com  todos os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador.  Indefiro, portanto, o pedido.    Saldo negativo de IRPJ.  Alega  a  recorrente  que  não  houve  uma  efetiva  análise  dos  documentos  e  esclarecimentos prestados, os quais, se corretamente analisados, demonstrariam de modo claro  a efetiva existência do crédito.  Entretanto,  não  se  pode  deixar  de  registrar  que  os  documentos  e  esclarecimentos apresentados pela recorrente, no limite, somente teriam alguma serventia para  o propósito genérico de tentar demonstrar a existência de algum crédito, mas certamente não a  existência do crédito que aqui se discute.  Nada  obstante  a  existência  de  sólida  jurisprudência  no  CARF,  inclusive  precedentes  de  minha  própria  relatoria,  no  sentido  de  reconhecer,  em  certas  situações,  a  possibilidade  de  o  crédito  ser  analisado  sob  uma  ótica  distinta  da  que  foi  apresentada  na  DCOMP (por exemplo, efetuando a análise do crédito como saldo negativo, quando o pedido  foi de repetição de imposto de renda retido na fonte, ou, então, redirecionando a análise para  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 9          8 outro período de apuração, ante o erro de fato devidamente comprovado, entre outros casos já  julgados por este relator), o fato é que, no caso, a recorrente sequer deixou claro qual teria sido  exatamente  o  erro  ou  equívoco  que  teria  ocorrido,  limitando­se  apenas  a  argumentar  que  eventuais erros no preenchimento de declarações não lhe poderiam retirar o legítimo direito à  fruição do crédito.  No  caso,  o  crédito  alegado  é  de  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano  calendário  2002.  A recorrente apresentou duas declarações de compensação para aproveitar o  referido crédito: a DCOMP nº 21700.11043.311007.1.3.02­5984, apresentada em 31/10/2007,  e  integralmente  homologada,  e  a  DCOMP  n°  10057.25846.010908.1.3.02­8815,  apresentada  em 01/09/2008, não homologada.  Esta  segunda DCOMP  foi  inteiramente  não  homologada,  a  despeito  de  ter  sido  reconhecido,  pelo  despacho  decisório,  que  haveria  um  crédito  remanescente  (ainda  não  utilizado) de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, no montante de R$ 4.354,31. A  não  homologação  se  deu  porque,  no  caso,  o  referido  crédito  não  seria  mais  passível  de  utilização,  em  face da  caducidade  do  direito  do  contribuinte  de pleitear  a  sua  repetição,  nos  termos do art. 168, I, do CTN.  De  fato,  o  crédito  teria  surgido  em 31/12/2002,  e  somente  foi  utilizado em  01/09/2008, quando passados, portanto, mais de cinco anos.  A  recorrente  tece  diversas  considerações  sobre  a  correta  interpretação  da  chamada “tese dos 5 + 5”, pela qual o prazo referido no art. 168, I, do CTN, restou “estendido”  para dez anos, sob o fundamento de que a extinção do crédito tributário estaria condicionada à  homologação expressa ou tácita do pagamento, e não ao próprio pagamento.  Contudo, a jurisprudência do CARF consolidou­se no sentido de que o prazo  de  dez  anos  somente  é  aplicável  aos  pedidos  administrativos  de  repetição  de  indébito  apresentados antes de 9 de junho de 2005.  Neste sentido, o seguinte precedente:  PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.  O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005  aplica­se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da  vacatio  legis de 120 dias, ou seja,  a partir de 9 de  junho de 2005  (STF/RE  566.621/RS,  sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de  restituição  formalizados  antes  daquela  data,  aplica­se  o  prazo  de  dez  anos  com  termo  inicial  na  data  do  fato  gerador  do  indébito,  conforme  entendimento consolidado no STJ. (Acórdão 1102­001.028, sessão de 13 de  fevereiro de 2014)  Mais  recentemente,  este  entendimento  restou  definitivamente  assentado  na  esfera administrativa, por meio da Súmula CARF nº 91:  “Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 10          9 lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado do fato gerador.”  No caso concreto, a DCOMP foi apresentada em 01/09/2008, logo, a ela não  se  aplica  o  prazo  decenal.  Irrelevante  o  fato  de  o  saldo  negativo  reclamado  ser  de  período  anterior a 9 de junho de 2005.  É  verdade  que  a  DCOMP  em  questão  faz  referência  à  DCOMP  anterior  (aquela  apresentada  em  31/10/2007),  nos  seguintes  campos  da  declaração  que  abaixo  transcrevo:  “Crédito Saldo Negativo de IRPJ  Informado em Outro PER/DCOMP: SIM  N° do PER/DCOMP Inicial: 21700.11043.311007.1.3.02­5984”  Alguém  poderia  questionar,  então,  se  o  fato  de  o  pedido  anterior  (tempestivamente  apresentado  em  31/10/2007)  não  seria  suficiente  para  afastar  de  vez  a  hipótese de prescrição, uma vez que se trata do mesmo crédito.  Para responder a esta questão, é necessário responder a outra: se a declaração  de compensação (ou o pedido de compensação nela transformado por força do artigo 49 da Lei  nº 10.637/2002) encerra ou não pretensão repetitória.  E  para  responder  a  esta  segunda  questão,  sirvo­me  dos  ensinamentos  do  ilustre conselheiro José Sérgio Gomes, contidos no voto proferido na sessão de 07 de abril de  2010, no acórdão 1102­00.175:  “Não  pairam  dúvidas  que  a  Dcomp  consubstancia  pedido  de  repetição  (indireto) no que diz respeito ao valor, melhor dizendo, até o valor, do débito fiscal  indicado no encontro de contas. Todavia, tenho que o mesmo não ocorre no tocante  à parcela que a este excede.  É que o regime jurídico da compensação tributária em vigor a partir da Lei nº  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003,  as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996,  requisita  iniciativa  do  contribuinte  que, mediante  o  instrumento  da Dcomp,  diz  ao  Fisco  que  já  efetuou  o  encontro  de  contas,  inclusive  com  o  efeito  de  extinção  do  débito  fiscal  nela  indicado,  incumbido  ao  sujeito  ativo,  no  prazo  de  cinco  anos,  homologar  o  ato  compensatório  por  ele  praticado,  findo  o  qual,  não  efetivada  qualquer  apreciação,  a  compensação  se  resolve  pelo  evento  da  homologação tácita, a ver:  (...)  Como  visto,  a  Dcomp  sequer  veicula  pedido  de  compensação,  nem  muito  menos pedido de restituição, mas sim formaliza a utilização de direito creditório na  compensação com débitos próprios. Noutras palavras: nada se pede; declara­se que o  encontro de contas já foi feito.  (...)  Portanto,  inexistindo  anterior  pedido  de  restituição  tem­se  que  eventual  Dcomp  há  de  observar,  em  relação  ao  pretendido  crédito  nela  indicado,  o  prazo  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 11          10 decadencial de cinco anos, sob pena de não homologação do encontro de contas por  inexistência do  crédito,  fulminado pela decadência  a que  alude o  artigo 168,  I,  do  CTN.”  Portanto,  extinto  estava,  em  01/09/2008,  o  direito  de  a  recorrente  repetir  o  indébito relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2002.  Neste mesmo  sentido,  transcrevo  o  seguinte  precedente  do CARF,  de  cujo  julgamento também participei:  COMPENSAÇÃO  DE  CRÉDITO  APÓS  EXTINTO  O  DIREITO  DE  PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. UTILIZAÇÃO DO EXCESSO DE CRÉDITO EM  DCOMP ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.  O  contribuinte  só  pode  se  utilizar,  em  declarações  de  compensação,  de  créditos relativos a pagamentos indevidos realizados há menos de cinco anos. Caso  deseje aproveitar o indébito por prazo superior, deve apresentar pedido de restituição  dentro do prazo quinquenal, e realizar as compensações a partir desse pedido.  O excesso de crédito apresentado em declaração de compensação tempestiva  não  converte  o  documento  em  pedido  de  restituição,  e  não  pode  ser  utilizado  em  compensação posterior, enviada após o prazo de cinco anos do pagamento indevido.  (Acórdão  1102­001.097,  sessão  de  10  de  abril  de  2014,  relator  José  Evande  Carvalho Araujo)  Neste contexto, torna­se de fato irrelevante discutir qual seria o montante do  crédito eventualmente remanescente.  De  qualquer  sorte,  verifico  ainda  que  a  recorrente  em  nenhum  momento  contestou o motivo principal, na questão de mérito, para a não homologação da compensação  pretendida,  qual  seja,  a  falta  de  comprovação  de  que  teria  efetivamente  compensado  a  estimativa de dezembro de 2002, no valor de R$ 455.942,64, com saldo negativo de período  anterior.  No  caso,  a  defesa  apresentada  deu­se  apenas  no  sentido  de  que  o  saldo  negativo reclamado seria “fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que  com este foi somado para fins de apuração do saldo credor TOTAL”, postura esta que revela  ou o completo desconhecimento, ou então um total descompromisso para com as normas que  regem a compensação tributária, o que, em qualquer caso, não pode ser aceito.  Se a intenção da recorrente era alegar tratar­se de mero erro de fato, há que se  registrar que este há de ser, em primeiro lugar, adequadamente demonstrado. Ademais, o erro  de  fato,  via de  regra,  é  facilmente  perceptível,  e  fica  caracterizado  quando  se  verifica  que o  interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, mas não  quando o contribuinte simplesmente formula pedido ou declaração em total desconformidade  com as normas de regência, como é o caso dos autos.  Em linha com o aqui exposto, os seguintes precedentes:  CSLL.  FINSOCIAL.  TÍTULO  JUDICIAL  TRANSITADO EM  JULGADO.  AUSÊNCIA DE REGISTRO DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO.  A  existência  de  incontroverso  direito  creditório  decorrente  do  recolhimento  indevido  a  título  de FINSOCIAL não  é  suficiente  para  comprovar  a  realização  de  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.900045/2011­34  Acórdão n.º 1201­001.369  S1­C2T1  Fl. 12          11 procedimentos compensatórios, haja vista a necessidade de prévia declaração com a  individualização dos períodos de competência abrangidos. (Acórdão 1102­000.464,  sessão de 30 de junho de 2011, relatora Silvana Rescigno Guerra Barretto)  ERRO MATERIAL.  Ocorre  erro  material  suscetível  de  retificação  quando  há  divergência  facilmente  perceptível  entre  o  que  foi  escrito  e  aquilo  que  se  queria  ter  escrito,  normalmente  revelada  no  próprio  contexto  da  declaração  ou  através  das  circunstâncias  em  que  a  declaração  é  feita.  Hipótese  inocorrente  nesses  autos.  (Acórdão 1102­000.970, sessão de 07 de novembro de 2013, relator João Carlos  de Figueiredo Neto)  ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.  É  ônus  do  sujeito  passivo,  na  condição  de  autor  do  feito,  provar  o  direito  creditório  que  alega  possuir  nos  processos  que  envolvem  restituição  ou  compensação de tributos. (Acórdão 1102­001.109, sessão de 08 de maio de 2014,  relator Ricardo Marozzi Gregorio)  Por  qualquer  ótica  que  se  analise,  portanto,  nenhuma  razão  assiste  ao  recorrente.    Conclusão  Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade do despacho decisório e da  decisão  recorrida,  indefiro  o  pedido  de  perícia,  e,  no  mérito,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.    Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                                Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 10680.007049/2001-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003 DOCUMENTO APRESENTADO APÓS A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se há de reconhecer qualquer nulidade do acórdão recorrido por cercamento ao direito à ampla defesa quando aquela decisão não se manifesta acerca de documento apresentado pelo contribuinte em data posterior ao julgamento mas anterior à ciência da decisão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI CIVIL. A compensação tributária se rege por leis próprias. Inaplicáveis as disposições do Código Civil sobre essa matéria. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISCIPLINA. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. DECLARAÇÕES APRESENTADAS ATÉ 27/05/2003. DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DO CRÉDITO. A Receita Federal possui competência, outorgada por lei, para disciplinar a compensação tributária. Para os Pedidos ou Declarações de Compensação apresentados até 27/05/2003, a compensação deverá ser efetuada considerando-se a data do pagamento indevido ou a maior que o devido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICADORA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O prazo para o fisco homologar compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data de sua entrega. Se antes da emissão do despacho decisório, houver a substituição da declaração original mediante apresentação de declaração retificadora, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a partir da data da apresentação da declaração de compensação retificadora.
Numero da decisão: 1301-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 343          1 342  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.007049/2001­24  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­002.059  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de junho de 2016  Matéria  Compensação  Recorrente  ECONOMIA CRÉDITO IMOBILIÁRIO S/A ­ ECONOMISA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2003  DOCUMENTO  APRESENTADO  APÓS  A  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  Não  se  há  de  reconhecer  qualquer  nulidade  do  acórdão  recorrido  por  cercamento ao direito à ampla defesa quando aquela decisão não se manifesta  acerca  de  documento  apresentado  pelo  contribuinte  em  data  posterior  ao  julgamento mas anterior à ciência da decisão.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2003  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI CIVIL.  A  compensação  tributária  se  rege  por  leis  próprias.  Inaplicáveis  as  disposições do Código Civil sobre essa matéria.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  DISCIPLINA.  COMPETÊNCIA  DA  RECEITA  FEDERAL.  DECLARAÇÕES  APRESENTADAS  ATÉ  27/05/2003. DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DO CRÉDITO.  A Receita Federal possui competência, outorgada por  lei, para disciplinar  a  compensação  tributária.  Para  os  Pedidos  ou  Declarações  de  Compensação  apresentados  até  27/05/2003,  a  compensação  deverá  ser  efetuada  considerando­se a data do pagamento indevido ou a maior que o devido.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  RETIFICADORA.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.   O prazo para o fisco homologar compensação declarada pelo sujeito passivo  é  de  cinco  anos,  contado  da  data  de  sua  entrega.  Se  antes  da  emissão  do  despacho  decisório,  houver  a  substituição  da  declaração  original  mediante  apresentação de declaração retificadora, o termo inicial da contagem do prazo     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 70 49 /2 00 1- 24 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 344          2 para  homologação  será  a  partir  da  data  da  apresentação  da  declaração  de  compensação retificadora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos,  em NEGAR  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  proferidos  pelo  relator,  vencido  o  Conselheiro  José Eduardo Dornelas Souza. Ausente, momentaneamente,  o  conselheiro Hélio  Eduardo de Paiva Araújo.  (assinado digitalmente)  Wilson Fernandes Guimarães ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Waldir Veiga Rocha,  Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza,  Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.    Relatório  ECONOMIA  CRÉDITO  IMOBILIÁRIO  S/A  ­  ECONOMISA,  já  devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  que  indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra  a decisão da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito.  Trata­se  de  Pedido  de  Restituição  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte,  originado de aplicações financeiras ocorridas durante o ano calendário de 1996, no  valor de R$ 1.014.214,77, protocolizado através do documento anexado à fl. 01, aos  09/07/2001.  2.     O contribuinte solicitou ainda a utilização do crédito pleiteado  na  extinção  de  débitos  pela  compensação,  através  dos  Pedidos  de  Compensação  anexados ao processo:  PPEEDDIIDDOOSS  DDEE  CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO   Data  Débito              Receita  Valor  Vencimento  Observações  09/07/2001  2319  R$ 24.335,95  29/06/01  fl. 02  09/07/2001  7987  R$ 26.562,33  15/06/01  fl. 03  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 345          3 PPEEDDIIDDOOSS  DDEE  CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO   Data  Débito              Receita  Valor  Vencimento  Observações  09/07/2001  4574  R$ 5.755,17  15/06/01  fl. 04  09/07/2001  2469  R$ 9.480,94  29/06/01  fl. 05  23/08/2001  3426  R$ 5.515,17  15/08/01  fl. 69    7987  R$ 25.454,65  15/08/01  fl. 69    2469  R$ 10.107,99  31/08/01  fl. 69    2319  R$ 26.077,75  31/08/01  fl. 69  23/08/2001  4574  R$ 8.457,35  13/07/01  fl. 70    7987  R$ 39.033,93  13/07/01  fl. 70    2469  R$ 13.678,63  31/07/01  fl. 70    2319  R$ 35.996,22  31/07/01  fl. 70  08/10/2001  4574  R$ 6.410,52  14/09/01  fl. 71    7987  R$ 29.587,00  14/09/01  fl. 71    2469  R$ 7.200,97  28/09/01  fl. 71    2319  R$ 26.077,75  28/09/01  fl. 71  27/11/2001  2319  R$ 19.114,41  30/11/01  fl. 72     2469  R$ 7.601,87  30/11/01  fl. 72     4547  R$ 6.365,59  14/11/01  fl. 72     7987  R$ 29.379,62  14/11/01  fl. 72  27/11/2001  2319  R$ 48.803,83  31/10/01  fl. 73    2469  R$ 18.289,38  31/10/01  fl. 73    4574  R$ 5.316,41  15/10/01  fl. 73    7987  R$ 25.537,28  15/10/01  fl. 73  27/11/2001  2319  R$ 18.077,75  28/09/01  fl. 74    2469  R$ 7.200,97  28/09/01  fl. 74    4574  R$ 6.410,52  14/09/01  fl. 74    7987  R$ 29.587,00  14/09/01  fl. 74  20/01/2002  2319  R$ 195.150,01  31/01/02  fl. 75    2469  R$ 70.974,00  31/01/02  fl. 75    4574  R$ 11.754,91  14/01/02  fl. 75    7987  R$ 54.253,45  14/01/02  fl. 75  20/01/2002  2319  R$ 36.310,41  28/12/01  fl. 76    2469  R$ 13.791,74  28/12/01  fl. 76     4574  R$ 4.704,74  14/12/01  fl. 76     7987  R$ 21.714,18  14/12/01  fl. 76  01/03/2002  4574  R$ 5.572,58  15/02/02  fl. 77     7987  R$ 25.719,58  15/02/02  fl. 77     2469  R$ 12.867,14  28/02/02  fl. 77     2319  R$ 33.742,04  28/02/02  fl. 77  30/04/2002  4574  R$ 6.371,47  15/04/02  fl. 78    7987  R$ 29.406,88  15/04/02  fl. 78    2469  R$ 7.901,54  30/04/02  fl. 78    2319  R$ 19.948,73  30/04/02  fl. 78  02/04/2002  4574  R$ 5.158,56  15/03/02  fl. 79    7987  R$ 23.808,73  15/03/02  fl. 79    2469  R$ 9.338,05  28/03/02  fl. 79    2319  R$ 25.338,05  28/03/02  fl. 79  29/05/2002  4574  R$ 5.090,04  15/05/02  fl. 80    7987  R$ 23.492,50  15/05/02  fl. 80    2469  R$ 6.147,04  31/05/02  fl. 80    2319  R$ 15.075,13  31/05/02  fl. 80  25/11/2002  4574  R$ 5.158,56  15/03/02  fl. 81    7987  R$ 23.808,73  15/03/02  fl. 81  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 346          4 PPEEDDIIDDOOSS  DDEE  CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO   Data  Débito              Receita  Valor  Vencimento  Observações     2469  R$ 9.841,70  28/03/02  fl. 81     2319  R$ 25.338,05  28/03/02  fl. 81        R$ 1.249.195,49        3.     Em  análise  às  solicitações  do  contribuinte,  a  DRF/Belo  Horizonte­MG  emite  em  06/11/2007  o Despacho Decisório  anexado  às  fls.  165  a  167, concluindo:  “reconheço ao contribuinte o direito ao crédito sobre o importe  de  R$487.332,74  em  02/01/1997,  o  qual  deverá  ser  utilizado  para  extinguir  por  compensação  os  débitos  objeto  dos  pedidos/declarações de compensação, desde já homologadas até  o limite do crédito reconhecido”.  A  DRF  reconheceu  parcialmente  o  crédito  pleiteado,  considerando  que  o  saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  no  ano  calendário  de  1996,  no  valor  de  R$  580.846,76  foi  parcialmente  utilizado  na  compensação  informada  em  DCTF  no  período de agosto/2000 a abril/2001.  4.     Efetuado  o  “encontro  de  contas”,  ou  seja,  operacionalizada  a  compensação,  apurou­se  que  o  crédito  reconhecido  foi  insuficiente  para  extinguir  todos  os  débitos  indicados  pelo  contribuinte  nos  pedidos  de  compensação.  Os  débitos  remanescentes  deste  encontro  de  contas  encontram­se  discriminados  à  fl.  169.  5.     O contribuinte foi cientificado do procedimento, bem como da  cobrança dos débitos  remanescentes,  aos 12/11/2007, conforme ateste pessoal à  fl.  175.  Irresignado,  apresenta  a  manifestação  de  inconformidade  aos  12/12/2007,  anexada às fls. 179 a 190, nos seguintes termos:  · “Com  a  devida  vênia,  apesar  de  reconhecer  o  direito  creditório  originário,  o  despacho decisório  em  foco  deixou  de  decretar  a  homologação  tácita  de  várias  compensações  feitas.  Ele  não  observou,  também,  os  critérios  legais  de  imputação dos pagamentos”.  · “Como  os  pedidos  de  compensação  (...)  foram  “transformados” em declarações de compensação por força  da Lei nº 10.637/2002, e a Lei nº 10.833/2003 definiu que o  fisco  possui  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  de  protocolo  dos  requerimentos,  para  se  insurgir  contra  a  compensação declarada, não  resta a menor dúvida de que,  no  presente  caso,  ocorreu  a  homologação  tácita  das  doze  compensações  feitas.”  Ilustra  com  Acórdão  da  DRJ  e  do  Conselho de Contribuintes.  · “A  auditoria  fiscal  deflacionou  o  débito  objeto  de  compensação, apurando o valor correspondente no momento  em  que  nasceu  o  crédito  do  contribuinte  e  efetuando,  em  seguida a subtração respectiva”. O impugnante discorda do  procedimento executado, invocando em seu auxílio o art. 37  da IN SRF nº 600, de 2005 e artigos do Código Civil. Busca  amparo para seu entendimento em Acórdão do Conselho de  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 347          5 Contribuintes  e  em  pronunciamentos  do  Tribunal  Regional  Federal da 4ª Região e do Superior Tribunal de Justiça.  6.     Por fim, propugna pela reforma do Despacho Decisório emitido  pela DRF,  com o  reconhecimento do direito  creditório pretendido, a  alteração dos  critérios  de  utilização  do  crédito  e  a  homologação  expressa  ou  tácita  das  compensações  declaradas.  Requer  ainda  a  juntada  posterior  de  documentos,  especialmente a planilha de cálculos com a “adequada imputação”.  A  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e,  mediante  o  Acórdão  nº  02­17.320,  de  27/02/2008  (fls.  279/294),  deferiu  parcialmente  a  solicitação, conforme ementa a seguir transcrita:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 1996   HOMOLOGAÇÃO TÁCITA   Somente  será  considerada  tacitamente  homologada,  a  compensação dos débitos constantes de pedido de compensação,  convertido em declaração de compensação, não apreciada pela  SRF,  no  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  protocolização do pedido,  independentemente da procedência e  do montante do crédito utilizado.  A parte dispositiva restou assim redigida:  Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  nos  termos do voto da relatora, parte  integrante deste Acórdão, em  INDEFERIR a  juntada  de  novos  documentos  e,  no  mérito  DEFERIR  PARCIALMENTE  a  solicitação do contribuinte para:  · INDEFERIR a utilização de qualquer direito creditório além do já reconhecido  pela DRF de origem, já totalmente consumido nas compensações efetuadas.  · CONSIDERAR  HOMOLOGADAS  TACITAMENTE  as  compensações  de  débitos declaradas nos pedidos de compensação protocolizados até 29/05/2002,  a saber:  Data  Receita  Valor  Vencimento  Obs.    30/04/2002  2469  R$ 7.901,54  30/04/02  fl. 78  COMPENSAÇÃO TACITAMENTE HOMOLOGADA    2319  R$ 19.948,73  30/04/02  fl. 78  COMPENSAÇÃO TACITAMENTE HOMOLOGADA  29/05/2002  4574  R$ 5.090,04  15/05/02  fl. 80  COMPENSAÇÃO TACITAMENTE HOMOLOGADA    7987  R$ 23.492,50  15/05/02  fl. 80  COMPENSAÇÃO TACITAMENTE HOMOLOGADA    2469  R$ 6.147,04  31/05/02  fl. 80  COMPENSAÇÃO TACITAMENTE HOMOLOGADA    2319  R$ 15.075,13  31/05/02  fl. 80  COMPENSAÇÃO TACITAMENTE HOMOLOGADA  · NÃO  HOMOLOGAR  as  compensações  de  débitos  declaradas  na  DCOMP  protocolizada em 25/11/2002, a saber:  Data  Receita  Valor  Vencimento  Obs.    25/11/2002  4574  R$ 5.158,56  15/03/02  fl. 81  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA    7987  R$ 23.808,73  15/03/02  fl. 81  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA    2469  R$ 9.841,70  28/03/02  fl. 81  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA    2319  R$ 25.338,05  28/03/02  fl. 81  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 348          6 Em  11/03/2008,  após  o  julgamento  de  primeira  instância,  mas  antes  que  houvesse  ocorrido  a  ciência  daquela  decisão,  a  interessada  solicitou  a  juntada  aos  autos  da  planilha de fls. 295/297, alegando “impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de  força maior” (fl. 295). Com essa planilha, a interessada pretende demonstrar os cálculos que, a  seu ver, seriam os corretos para fins da compensação discutida nos autos.  Ciente da decisão de primeira instância em 14/03/2008, conforme documento  de  fl. 300, e com ela  inconformada, a empresa apresentou  recurso voluntário em 15/04/2008  (registro de recepção à fl. 301, razões de recurso às fls. 301/316). Após historiar o ocorrido e a  decisão  de  primeira  instância,  sob  sua  ótica,  a  interessada  traz  os  argumentos  a  seguir  sintetizados, conforme os tópicos em que se divide a peça recursal.  · II  —  NÃO  APRECIAÇÃO  DE  DOCUMENTO  JUNTADO  PELA  RECORRENTE  ­  CERCEAMENTO DE DEFESA E NULIDADE DA DECISÃO DA DECISÃO DA DRJ  A recorrente se reporta à planilha apresentada em 11/03/2008. Reclama que  seus  cálculos  não  teriam  sido  analisados  pela  autoridade  julgadora,  que  a  planilha  somente  poderia  ter  sido  rejeitada  por  decisão  fundamentada  e  que  seu  objetivo  seria  evidenciar  a  verdade  material,  inexistindo  qualquer  óbice  à  sua  juntada  posterior.  Considera  não  haver  dúvidas de que houve cerceamento de defesa, pelo que pede a nulidade do acórdão recorrido e  o retorno dos autos à DRJ de origem para nova decisão, com manifestação expressa sobre sues  cálculos.  · III — DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PROTOCOLADA EM 02/04/2002. NÃO  ALTERAÇÃO DO PIS, DA COFINS E DO  IRPJ NELA INDICADOS PELA OUTRA  ENTREGUE EM 25/11/2002  A recorrente se  reporta a um dos pedidos de compensação, especificamente  aquele  protocolizado  em  02/04/2002,  contendo  quatro  diferentes  débitos.  Afirma  que,  em  25/11/2002, teria entregue outra declaração de compensação, em substituição à anterior, diante  de erro de digitação no valor do tributo de código 2469. Acrescenta que:  Analisando  a  questão,  a  DRJ  entendeu  que  a  declaração  acima  seria  retificadora e, assim, contou o prazo de cinco anos para a homologação tácita não  de 02/04/2002, mas de 25/11/2002. Como a intimação contestando as compensações  ocorreu em 12/11/2007, a autoridade julgadora concluiu que o PIS, a COFINS e o  IRPJ informados em 02/04/2002 e repetidos em 25/11/2002 teriam sido glosados em  tempo hábil, razão pela qual permaneceriam exigíveis.  A interessada sustenta que a declaração entregue em 25/11/2002 não poderia  ser considera  “retificadora”,  visto que  tal  situação não estava prevista na  IN SRF 210/2002,  então vigente. Não se poderia aplicar ao caso disposição de instrução normativa de 2005.  Além disso, ainda que se considerasse a nova declaração como retificadora,  isso somente seria aplicável àquilo que foi modificado, nunca em relação ao PIS, COFINS e  IRPJ, tributos para os quais nada se alterou na nova declaração.  A  interessada conclui  com o pedido de que sejam consideradas  tacitamente  homologadas as compensações de PIS, COFINS e IRPJ requeridas em 02/04/2002 e que sejam  declarados extintos os débitos ali indicados.  Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 349          7 · IV —  IMPUTAÇÃO  DE  PAGAMENTOS  NA  COMPENSAÇÃO —  PRIMEIRO  OS  JUROS E SÓ DEPOIS O CAPITAL  A  recorrente  se  insurge  contra  os  critérios  de  cálculo  empregados  (regra  prevista  na  IN  SRF  nº  600/2005,  encontro  de  contas  na  data  do  pagamento  indevido  ou  a  maior, com deflação do débito até essa data), e afirma que tal critério não encontra respaldo em  lei.  A seu ver, o critério legal seria aquele previsto no art. 993 do Código Civil de  1916 e no art. 354 do Código Civil de 2002. Colaciona jurisprudência do Poder Judiciário que  entende suportar sua tese e pede que seja acolhida sua planilha (fls. 295/297).  · V — SEGUNDO O ART. 49 DA MP Nº 66/2002, MANTIDO NA LEI Nº 10.637/2002,  O  ENCONTRO  DE  CONTAS  DEVE  SER  FEITO  NA  DATA  DA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Nas palavras da recorrente:  Um  último  ponto  a  abordar  diz  respeito  às  "declarações  de  compensação"  apresentadas entre outubro e dezembro de 2002. Apesar de a decisão recorrida  ter  deflacionado o débito e promovido o acerto na data do pagamento indevido/a maior,  a partir de 01/10/2002, o artigo 49 da MP nº 66/2002 (convertido no art. 49 da Lei nº  10.637/02) determinou que o "encontro de contas" será feito na data da entrega da  respectiva declaração de compensação:  [...]  Ora,  tendo  em  vista  que,  mesmo  depois  de  01/10/2002,  a  autoridade  administrativa continuou levando o débito compensado (valor presente) ao momento  do  pagamento  indevido  ou  a  maior  (valor  passado)  e  não  o  contrário  (trazer  o  pagamento  indevido, com juros, até o momento de efetuar a compensação), o que,  evidentemente, impacta na imputação dos pagamentos (reduz o principal que, assim,  produz menos juros), conclui­se que houve desobediência à metodologia prevista em  lei, razão pela qual as glosas de compensações posteriores a outubro/2002 devem ser  prontamente afastadas.  · PETIÇÃO DATADA DE 25/04/2008  Às  fls.  317/318,  encontro  petição,  recebida  pela  repartição  fiscal  em  25/04/2008, mediante  a  qual  a  interessada  busca  esclarecer  (por  sua  ótica)  que  o  critério  de  imputação de pagamentos previsto na Lei Civil seria perfeitamente aplicável ao caso dos autos.   A  base  de  seu  raciocínio  é  o  art.  374  do  Código  Civil  de  2002,  que  teve  vigência  entre  11/01/2003  e  22/05/2003. No  entender  da  interessada,  tal  dispositivo  seria  de  cunho esclarecedor e interpretativo, com nítido efeito retroativo. Seria, então, aplicável a todas  as  compensações  anteriores  a  23/05/2003,  alcançando  todas  as  compensações  dos  presentes  autos.  · DESISTÊNCIA PARCIAL  À  fl.  322  encontro  “requerimento  de  desistência”,  mediante  o  qual  a  interessada  comunica  a  desistência  parcial  do  recurso,  exclusivamente  no  que  se  refere  ao  Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 350          8 débito  de  código  2469,  PA  fev/2002,  no  valor  de R$  9.841,70.  Informa,  ainda,  que  já  teria  quitado, à vista, o débito correspondente a essa parte  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O recurso é tempestivo e dele conheço.  Em  preliminares,  a  recorrente  pede  a  nulidade  da  decisão  recorrida,  por  cerceamento  ao  seu  direito  de  defesa.  Isso  teria  ocorrido  porque  os  cálculos  constantes  da  planilha de fls. 295/297, apresentada em 11/03/2008, não teriam sido considerados.  Não assiste razão à recorrente.  Em  primeiro  lugar,  porque  a  referida  planilha  foi  apresentada  à  repartição  fiscal  em  11/03/2008,  após  a  decisão  de  primeira  instância  (datada  de  27/02/2008),  embora  antes  do  ato  de  ciência  dessa decisão. Não há  qualquer  sentido  em pensar  que  a  decisão  de  primeira instância devesse se manifestar sobre documento que sequer existia nos autos na data  em que proferida.   Em segundo lugar, porque a planilha tão somente reflete, numericamente, os  argumentos  trazidos  em  sede de manifestação  de  inconformidade  acerca  dos  critérios  para  a  compensação  tributária  (aplicabilidade,  ou  não,  da  Lei  Civil).  E  tais  argumentos,  tempestivamente aduzidos, foram enfrentados e fundamentadamente rejeitados pelo julgador a  quo, decidindo­se que a compensação tributária se rege pelas regras específicas declinadas no  voto condutor do acórdão recorrido. Rejeitado o argumento jurídico, os cálculos feitos segundo  esse argumento afastado se mostram irrelevantes.  Rejeito, pois, a arguição de nulidade do acórdão recorrido.  O  próximo  argumento  da  recorrente,  a  ser  apreciado,  diz  respeito  à  aplicabilidade,  ou  não,  da Lei Civil  à  compensação  tributária,  especificamente o  art.  993  do  Código Civil de 1916 e o art. 354 do Código Civil de 2002.  A decisão  recorrida  já havia deixado bastante claro que a  compensação  em  matéria  tributária  se  rege  por  regras  específicas,  mas,  a  espancar  quaisquer  dúvidas  remanescentes, considero oportuna a  transcrição do breve histórico que constou de meu voto  no acórdão nº 1301­00.386, de 02/09/2010:  A  compensação  em  matéria  tributária  rege­se  por  disposições  específicas,  diversas  daquelas  aplicáveis  à  compensação  na  esfera  civil.  Aqui,  vigora  o  artigo  170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN):  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 351          9 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a  lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu  montante,  não  podendo,  porém,  cominar  redução  maior  que  a  correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo  a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.  Em cumprimento da faculdade outorgada pelo supracitado art. 170 do CTN,  foi promulgada a Lei nº 9.430/1996, cujo artigo 74 tinha, originalmente, a redação  abaixo:  Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da  Receita  Federal,  atendendo  a  requerimento  do  contribuinte,  poderá  autorizar  a  utilização  de  créditos  a  serem  a  ele  restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos  e contribuições sob sua administração.  A Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (DOU de 31/12/2002), alterou essa redação,  que passou a ser a seguinte:  Artigo  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.  § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.  §  3º  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de  cada  tributo  ou  contribuição,  não  poderão  ser  objeto  de  compensação:  I ­ o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do  Imposto de Renda da Pessoa Física;  II  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  devidos  no  registro da Declaração de Importação.   § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela  autoridade  administrativa  serão  considerados  declaração  de  compensação,  desde  o  seu  protocolo,  para  os  efeitos  previstos  neste artigo.  §  5º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  disciplinará  o  disposto  neste artigo.  Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 352          10 Em havendo  lei  específica  a disciplinar a compensação  tributária, prevendo  expressamente “condições e garantias” e, ainda, permitindo a delegação da estipulação de tais  condições  e garantias  à Autoridade Administrativa, não se há de cogitar da  aplicação da Lei  Civil. Esse raciocínio é, a meu ver, reforçado pela breve vigência do art. 374 do Código Civil  de  2002.  Por  certo  que  houve,  por  parte  do  legislador,  a  intenção  de  estender  os  efeitos  da  compensação civil à compensação tributária mas, tão logo identificada a impropriedade de tal  extensão, o artigo foi prontamente revogado. Não vejo como atribuir a sua breve existência um  efeito interpretativo e retroativo, como deseja a recorrente.  Na sequência, é de se observar que a autorização para que a então Secretaria  da Receita Federal disciplinasse os procedimentos de compensação, seja na redação original do  art.  74  (“a  Secretaria  da  Receita  Federal,  [...],  poderá  autorizar  [...]”),  seja  expressamente  pelo § 5º do dispositivo,  introduzido pela Lei nº 10.637/2002,  levou à edição de normativos  adequados e conformes à legislação vigente em cada momento.  Em destaque, o art. 28 da IN SRF 210/2002, com sua redação original:  Art.  28.  A  compensação  deverá  ser  efetuada  considerando­se  as  seguintes  datas:  I  ­ do pagamento  indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição,  ressalvadas as hipóteses seguintes;  [...]  Foi  com  base  nessa  disciplina  que  a  Autoridade  Tributária  procedeu  aos  cálculos  das  compensações  no  presente  processo,  visto  que  as  alterações  nessa  sistemática  somente passaram a ter vigência com o advento da IN SRF nº 323/2003 (DOU de 28/05/2003).  Ao contrário do que sustenta a recorrente, não foi a MP 66/2002, posteriormente convertida na  Lei  nº  10.637/2002  que  alterou  esse  critério. As  importantes modificações  introduzidas  pela  MP  convertida  em  lei  foram  a  criação  do  instrumento  declaratório  (Declaração  de  Compensação).  Mas  a  data  do  encontro  de  contas  (data  da  compensação)  somente  foi  modificada pela IN SRF 323/2003.   Transcrevo, a seguir, a nova redação do art. 28 da IN SRF nº 210/2002, com  as alterações introduzidas pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, DOU 28/05/2003:  Art.  28.  Na  compensação  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  os  créditos  serão  acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos  sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência,  até a data da entrega da Declaração de Compensação.  [...]  No caso concreto sob exame, todos os pedidos de compensação, convertidos  em declarações de compensação, foram apresentados em data anterior a 28/05/2003, pelo que  inaplicáveis as disposições da IN 323/2003. Aliás, é exatamente o que está previsto nas regras  de transição do art. 63 da posterior IN SRF nº 600/2005, mencionada pela Turma Julgadora em  primeira instância.   Com  esses  fundamentos,  rejeito  os  argumentos  da  recorrente  sobre  a  aplicabilidade da Lei Civil à compensação tributária e de que, no caso concreto, o “encontro de  contas” deveria ser feito na data da entrega da declaração de compensação.  Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 353          11 Resta, finalmente, apreciar os argumentos contrários ao não reconhecimento  da  homologação  tácita  das  compensações  objeto  da  Declaração  de  Compensação  de  fl.  99,  entregue em 25/11/2002. Essa declaração indica expressamente ser “em substituição ao Pedido  de Compensação anterior, protocolado em 02/04/02, por motivo de erro de digitação no valor  do imposto de cód. 2469”.   Do  Pedido  de  Compensação  “substituído”,  datado  de  02/04/2002  (fl.  97),  consta:  Código  P.A.  Vcto.  Valor  4574  02/02  15/03/02  5.158,56  7987  02/02  15/03/02  23.808,73  2469  02/02  28/03/02  9.338,05  2319  02/02  28/03/02  25.338,05  Da  Declaração  de  Compensação  apresentada  “em  substituição”,  datada  de  25/11/2002 (fl. 99), consta:  Código  P.A.  Vcto.  Valor  4574  02/02  15/03/02  5.158,56  7987  02/02  15/03/02  23.808,73  2469  02/02  28/03/02  9.841,70  2319  02/02  28/03/02  25.338,05  O acórdão recorrido entendeu que a segunda declaração seria retificadora da  primeira e, com base no art. 60 da IN SRF nº 600/2005, considerou como termo inicial para a  contagem  do  prazo  para  a  homologação  tácita  a  data  da  entrega  da  declaração  retificadora.  Como consequência, não reconheceu a homologação tácita sobre essas compensações.  De  plano,  registre­se  que  a  interessada  desistiu  do  litígio  acerca  da  compensação de código 2469, permanecendo a discussão acerca das outras três (códigos 4574,  7987 e 2319).  O  primeiro  argumento  da  interessada  é  de  que  a  segunda  declaração  não  poderia ser considerada “retificadora” da primeira, visto que tal situação não estava prevista na  então  vigente  IN  SRF  nº  210/2002.  O  dispositivo  invocado  pela  Autoridade  Julgadora  em  primeira  instância  (art.  60  da  IN SRF  nº  600/2005)  não  seria  aplicável,  por  ser  posterior  às  declarações aqui discutidas.  Há que se considerar que, à época, grandes eram as novidades no campo da  compensação tributária, com a criação da declaração de compensação e, logo a seguir, com a  transformação  desse  instrumento  declaratório  em  declaração  eletrônica  (PER/DCOMP). Não  tenho dúvidas de que, de  fato, a  segunda declaração acima  referida  se propunha a  retificar  a  primeira, substituindo­a integralmente, não obstante a retificação não estivesse regulamentada.  De fato, a retificação ocorreu. Resta investigar quais efeitos podem ser a ela atribuídos.  A  lei  tributária  não  fazia  qualquer  referência  à  retificação  do  novo  instrumento  declaratório,  nem  sua  modalidade  eletrônica.  De  modo  genérico,  aplicável  à  “retificação de declaração de  impostos e  contribuições”, de  se  registrar o art. 18 da Medida  Provisória nº 2.189­49/2001:  Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses  em  que  admitida,  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 354          12 originariamente apresentada, independentemente de autorização  pela autoridade administrativa.  Parágrafo  único. A  Secretaria da Receita Federal  estabelecerá  as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à  retificação de declaração.  Mas,  também  aqui,  carentes  de  regulamentação  as  hipóteses  de  admissibilidade e os procedimentos aplicáveis.  A regulamentação da retificação da declaração de compensação e seus efeitos  somente veio a  lume com os artigos 55 a 60 da  Instrução Normativa SRF nº 460/2004. Tais  disposições  foram  repetidas  nos  artigos  56  a  61  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  600/2005  (grifos não constam do original):  Art.  56.  A  retificação  do  Pedido  de  Restituição,  do  Pedido  de  Ressarcimento  e  da  Declaração  de  Compensação  gerados  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  deverá  ser  requerida  pelo  sujeito  passivo mediante  a  apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do  referido Programa.  Parágrafo  único.  A  retificação  do  Pedido  de  Restituição,  do  Pedido  de  Ressarcimento  e  da  Declaração  de  Compensação  apresentados  em  formulário  (papel),  nas  hipóteses  em  que  admitida,  deverá  ser  requerida  pelo  sujeito  passivo mediante  a  apresentação  à  SRF  de  formulário  retificador,  o  qual  será  juntado  ao  processo  administrativo  de  restituição,  de  ressarcimento  ou  de  compensação  para  posterior  exame  pela  autoridade competente da SRF.  Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a  Declaração  de  Compensação  somente  poderão  ser  retificados  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontrem  pendentes  de  decisão  administrativa  à  data  do  envio  do  documento  retificador  e,  no  que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado  o disposto nos arts. 58 e 59.  Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou  elaborada  mediante  utilização  de  formulário  (papel)  somente  será  admitida  na  hipótese de  inexatidões materiais  verificadas no  preenchimento  do  referido  documento  e,  ainda,  da  inocorrência  da  hipótese  prevista no art. 59.  Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou  elaborada  mediante  utilização de  formulário (papel) não será admitida quanto tiver  por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do  débito  compensado mediante a apresentação da Declaração de  Compensação à SRF.  Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo  que  desejar  compensar  o  novo  débito  ou  a  diferença  de  débito  deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação.  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 355          13 Art. 60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação,  o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29  será  a  data  da  apresentação  da  Declaração  de  Compensação  retificadora.  Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera  a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo  a  data  da  apresentação  da  Declaração  de  Compensação  original.  Observe­se  que  essa  regulamentação  guarda  conformidade  com  as  disposições legais então vigentes: estabelece as hipóteses em que será admitida a retificação e  disciplina seus procedimentos e efeitos.  Quanto às hipóteses de admissibilidade, tenho que não são relevantes para o  caso  sob  análise.  É  que,  conforme  ressaltado,  a  retificação  ocorreu  de  fato,  mostrando­se  despiciendo  cogitar  se  poderia,  ou  não,  ter  sido  a  retificação  aceita  pela  Autoridade  Administrativa.  Quanto aos efeitos de tal retificação, a situação é diferente. Observe­se que a  regulamentação (arts. 60 e 61 da IN, acima transcritos), busca preservar os direitos de ambas as  partes. Pelo  lado do contribuinte,  a data de valoração permanece sendo a data da declaração  original.  Vale  dizer,  não  se  há  de  imputar  multa  moratória  se,  entre  a  data  da  declaração  original e a data da retificadora, vier a ocorrer o vencimento do tributo compensado. Pelo lado  do  Fisco,  preserva­se  o  prazo  adequado  à  análise  criteriosa  da  compensação  declarada,  com  vistas a sua homologação, ao considerar que o prazo para homologação tácita será contado a  partir da entrega da declaração retificadora.  Observe­se que não se trata, como sustenta a recorrente, da possibilidade de  “eternização” do litígio, com sucessivas reaberturas de prazo para análise. Se tais reaberturas  de  prazo  ocorrerem,  isso  se  deverá  exclusivamente  à  iniciativa  do  contribuinte  ao  promover  sucessivas retificações das compensações declaradas.  Concluo, assim, que a normatização dos efeitos da retificação da declaração  de compensação, de que tratam os arts. 59 e 60 da IN SRF nº 460/2004 (arts. 60 e 61 da IN  SRF nº 600/2005), não cria qualquer restrição não prevista em lei aos direitos do contribuinte  que deseja se utilizar da compensação tributária. Na verdade, tais disposições nada mais fazem  do  que  integrar  e  interpretar  a  legislação  então  vigente,  sendo  correta  sua  aplicação  a  compensações declaradas em 2002, quando tais efeitos ainda não se encontravam positivados  em normativos infralegais.  A recorrente acrescenta, como segundo argumento, que, ainda que a segunda  declaração possa ser tida como retificadora da primeira, isso somente seria válido para o débito  de código 2469 (para o qual, lembro, não mais existe litígio). Para os tributos de códigos 4574,  7987 e 2319 não teria havido qualquer alteração entre a primeira e a segunda declarações, pelo  que seria descabido se cogitar de retificação.  Também aqui não lhe assiste razão.  A  jurisprudência  administrativa  é  pacífica  no  sentido  de  que  a  declaração  retificadora, quando admitida, substitui a original em todos os seus valores e efeitos.  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.007049/2001­24  Acórdão n.º 1301­002.059  S1­C3T1  Fl. 356          14 Já me manifestei, acima, no sentido de que a segunda declaração aqui tratada  retificou,  de  fato,  a  primeira.  Em  assim  sendo,  toda  a  primeira  declaração  (e  não  apenas  algumas  de  suas  informações)  foi  substituída  pela  retificadora.  Não  se  pode  cogitar  atribuir  determinados  efeitos  a  alguns  dos  débitos  na  declaração  original  e  outros  efeitos  a  outros  débitos na declaração  retificadora. A declaração  retificada, como um  todo, deixa de produzir  efeitos, pelo que, também aqui, o pleito da recorrente não pode ser atendido.  Em conclusão, por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade  do acórdão recorrido e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 10932.720169/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. IPI. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída do produto. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação (preço de venda), nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com a sua inclusão. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC paratítulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário, por concomitância de matéria na esfera judicial, quanto ao creditamento do IPI sobre a aquisição de bens do ativo permanente. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais matérias, exceto quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que ficaram vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Elias Fernandes Eufrásio e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento ao recurso. Ausente justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. IPI. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída do produto. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação (preço de venda), nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com a sua inclusão. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC paratítulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário, por concomitância de matéria na esfera judicial, quanto ao creditamento do IPI sobre a aquisição de bens do ativo permanente. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais matérias, exceto quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que ficaram vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Elias Fernandes Eufrásio e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento ao recurso. Ausente justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC paratítulos federais.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO   No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende  o  valor  do  tributo  e  da multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a multa  por  lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  se  conhecer  do  recurso  voluntário,  por  concomitância  de matéria  na  esfera  judicial,  quanto  ao  creditamento do IPI sobre a aquisição de bens do ativo permanente. Por unanimidade de votos,  negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais matérias, exceto quanto à incidência  dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que ficaram vencidos os Conselheiros Tatiana  Josefovicz Belisário, Elias Fernandes Eufrásio e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam  provimento  ao  recurso.  Ausente  justificadamente,  a  Conselheira  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos Araújo.     Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.    Winderley Morais Pereira ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais  Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento  e Silva Pinto  e Tatiana  Josefovicz Belisario.      Relatório    Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.    "Trata­se de impugnação tempestiva ao Auto de Infração das fls.  16689  a  16691,  lavrado  pela  fiscalização  da  Delegacia  da  Fl. 16904DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10932.720169/2013­45  Acórdão n.º 3201­002.131  S3­C2T1  Fl. 16.904          3 Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP, para  formalizar  a  exigência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI,  acrescido  de  juros  de  mora  e  multa  de  ofício no percentual de 75%, totalizando o crédito tributário R$  13.540.201,15, à data da autuação.  Conforme  a  descrição  dos  fatos,  o  estabelecimento  industrial  deixou  de  recolher  o  imposto  por  ter  escriturado  e  utilizado  créditos indevidos decorrentes: da aquisição de bens destinados  ao ativo permanente, de materiais intermediários, partes e peças  para máquinas; e sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo  do IPI.  A  fiscalização  procedeu  a  glosa  dos  referidos  créditos,  reconstituindo  a  escrita  fiscal  do  estabelecimento,  conforme  demonstrativo das fls. 16706 a 16708, tendo emergido os saldos  devedores que ora estão sendo exigidos.  O  enquadramento  legal  das  infrações  consta  das  fls.  16690  e  16691,  e da multa  de ofício  e  dos  juros  de mora  no  respectivo  demonstrativo às 16698 a 16699.  Irresignado  o  contribuinte  vem  contestar  a  exigência  pelo  arrazoado das fls. 16714 a 16764, alegando o que segue.  “I  ­  DO DIREITO  AO  CRÉDITO  REFERENTE  AQUISIÇÕES  MERCADORIAS DESTINADAS AO PROCESSO PRODUTIVO  A  Impugnante  é  empresa  industrial  tendo  por  objetivo  social  a  fabricação  de  peças  e  acessórios  para  veículos  automotores,  sendo no desempenho de suas atividades contribuinte do IPI.  (...)  Preambularmente,  nota­se  que  não  há  demonstração  clara  e  precisa que as mercadorias objeto dos créditos impugnados pelo  Fisco,  não  são  consumidas  no  processo  de  industrialização  da  empresa,  bem  como,  não  há  qualquer  explicação  ou  demonstração do critério técnico de como se chegou à conclusão  que  tais  produtos  não  são  consumidos  no  processo  produtivo,  não restando provada a ilegitimidade dos créditos glosados pela  fiscalização.  Com isso vê­se que a motivação da glosa sem a análise técnica  para  alegar  que  os  mesmos  não  participam  do  processo  produtivo,  valendo­se apenas do disposto nos artigos 164,  I  do  Decreto  n°  4.544/02  ­  RIP1/2002  e  do  art.  226,  I  do  Decreto  7.212/2010, diga­se de passagem, pela leitura dos mencionados  dispositivos  legais,  não  se  encontra  vedação  aos  créditos  escriturados pela Impugnante.  Desta  feita,  a  prova da  ocorrência  do  fato  jurídico prevista  na  norma  legal,  deve  ser  juridicamente  constituída  através  das  provas colhidas pela autoridade fiscal, e não por mera dedução  do  agente  fiscalizador,  como  se  apresenta  no  presente Auto  de  Infração.  Imprescindível haver a prova da relação de causalidade entre os  fatos  jurídicos  constantes  no  lançamento,  descabendo  a  incidência  na  norma  sancionatória  em  caso  de  haver  mera  presunção do agente fiscalizador.  (...)  Constata­se,  desta  feita,  que  a  presunção  de  validade  dos  atos  administrativos,  não  exime  a  administração  do  dever  de  comprovar  a  ocorrência  do  fato  jurídico,  bem  como  as  Fl. 16905DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     4 circunstâncias em que esse ocorreu,  tendo em vista que os atos  de  lançamento  da administração  são  vinculados  e  regidos  pela  estrita  legalidade  e  tipicidade,  dependendo,  portanto,  de  cabal  demonstração  da  ocorrência  dos  motivos  que  ensejaram  a  autuação.  (...)  Os  princípios  da  legalidade  e  da  tipicidade  na  esfera  da  tributação,  exigem  que  as  relações  obrigacionais  e  sancionatórias  sejam  desencadeadas  apenas  se  efetivamente  verificados  os  fatos  conotativamente  descritos  nas  correspondentes  hipóteses  normativas,  não  bastando  o  simples  relato do motivo.  É que a  suposta  conduta  irregular da ora  Impugnante  tem que  estar pautada em provas, o que não ocorre no auto de infração  em debate.  (...)  Permissa  vênia,  a  Impugnante  não  concorda  com  as  glosas  realizadas, posto que não se encontra vedação legal aos créditos  foram  escriturados  por  força  do  disposto  no  REGULAMENTO  DO  I.P.I.,  que  autoriza  o  creditamento,  dos  materiais  intermediários  consumidos  no  processo de  industrialização dos  produtos  de  sua  fabricação,  ou  seja,  são  indispensáveis  no  processo produtivo, inexistindo qualquer explicação técnica dos  motivos  pelos  quais  os  créditos  não  foram  aceitos,  razão  pela  qual não se justifica a autuação.  (...)  Nesse  sentido,  os  denominados  Produtos  Intermediários,  definição de amplitude abrangente de  forma que sejam  todos  e  quaisquer  produtos  que  venham  a  ser  aplicados  no  processo  produtivo  e  dele  resultem  consumidos.  E,  consumidos,  no  significado  de  desgastados,  corroídos,  destruídos,  obviamente,  sem a necessidade de serem­no de imediato ou integralmente.   (...)  Durante  muito  tempo  a  interpretação  Administrativa  e  Jurisprudencial  do  que  fosse  "PRODUTO  INTERMEDIÁRIO"  limitava­se  àqueles  bens  que  fossem  CONSUMIDOS  imediatamente,  numa  única  fase  da  produção,  restringindo­se,  pois,  o  Direito  ao  Crédito,  nas  aquisições  de  inúmeros  componentes  físicos  indispensáveis  e  utilizados  no  processo  de  fabricação como elemento essencial.  Portanto,  para  o  pretendido  fim,  são  PRODUTOS  INTERMEDIÁRIOS:  Todos  e  quaisquer  componentes  físicos  e  químicos  que,  em  virtude de sua PERMANENTE E NECESSÁRIA participação no  processo  de  industrialização  se  desgastem,  inutilizem,  percam  suas  propriedades  físicas  ou  químicas  originais,  ou  cujo  dano  impossibilite seu reaproveitamento, bastando que tal ocorra com  certa regularidade.  (...)  II  ­  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  REFERENTE  AQUISIÇÕES  DE PARTES E PEÇAS PARA MÁQUINAS E BENS DO ATIVO  PERMANENTE  (...)  Preambularmente,  nota­se  que  não  há  demonstração  clara  e  precisa  que  as  mercadorias  que  foram  objeto  dos  créditos  impugnados pelo Fisco, não há  indicação nem a demonstração  de quais partes e peças para máquinas e de quais mercadorias  Fl. 16906DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10932.720169/2013­45  Acórdão n.º 3201­002.131  S3­C2T1  Fl. 16.905          5 são  bens  do  ativo  permanente,  bem  como,  não  há  qualquer  explicação  ou  demonstração  do  critério  técnico  de  como  se  chegou à conclusão que os produtos são de destinação exclusiva  do ativo permanente, não restando provada a  ilegitimidade dos  créditos em questão.  Com isso vê­se que a motivação da glosa sem a análise técnica  para  alegar  que  os  mesmos  não  participam  do  processo  produtivo,  valendo­se apenas do disposto nos artigos 164,  I  do  Decreto  n°  4.544/02  ­  RIPI/2002  e  do  art.  226,  I  do  Decreto  7.212/2010, não é o suficiente para amparar a autuação, sendo,  portanto,  nulo  o  lançamento  fiscal,  como  demonstrado  no  item  precedente,  por  violação  ao  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional.  Contudo,  ocorre  que  para  um  bem  ser  considerado  do  ativo  permanente,  de  acordo  com  a  legislação  do  imposto  de  renda  artigo 301, §§ l° e 2° ­ Decreto 3.000/99 ­ RIR e do Parecer CST  n°  2/84,  "as  contas  que  registrem  recursos  aplicados  na  aquisição  de  partes,  peças,  máquinas  e  equipamentos  de  reposição  de  bens  do  imobilizado,  quando  referidas  partes  e  peças  tiverem  vida  útil  superiores  há  um  ano  devem  ser  classificadas no ativo imobilizado", (...)  Como  a  vida  útil  das  peças  e  materiais  diversos  para  a  manutenção de máquinas  e  equipamentos  são  inferiores  há  um  ano, nos termos do artigo 301, §2° do RIR, tais mercadorias não  podem ser escrituradas como bens do ativo permanente, vez que,  como  visto  existem  critérios  e  regras  contábeis  a  serem  observadas,  sob  pena  de  incorrer  em  irregularidade  na  apuração do imposto de renda.  (...)  Logo, o mesmo critério há de ser observado para fins de crédito  de IPI, posto que para fins de Imposto de Renda não podem ser  considerados  como  bens  do  ativo  permanente,  mas  sim,  como  materiais de consumo da produção.   (...)  De  qualquer  sorte,  mesmo  se  as  aquisições  que  geraram  os  créditos  escriturados  pela  Impugnante  fossem  caracterizadas  como  sendo do ativo permanente de acordo com as normas do  Imposto  de  Renda,  o  direito  de  creditar­se  do  IPI  quando  anteriormente  cobrado  em  operações  que  resultam  em  entrada  de  mercadoria,  em  seu  Estabelecimento,  destinadas  ao  Ativo  Permanente,  encontra  amparo  legal  face  o  impostergável  princípio da não cumulatividade estabelecido no Art. 153 § 3º, II  da MAGNA CARTA, (...)  Desse Diploma (art. 49 de CTN) também se extrai a irrelevância  da  espécie/tipo  ou  destinação  das  mercadorias/produtos  para  efeito de crédito do imposto; dai concluirmos que a Constituição  Federal foi bem interpretada, pois a compensação será efetuada  entre o valor global das operações realizadas.  A Carta da República no inciso II, do §3°, Artigo 153, arrogou­ se  na  competência  para,  com  segura  precisão,  definir  o  mecanismo  da  compensação,  justamente  porque  se  trata  de  definição. E é exatamente por esse fato que a nãocumulatividade  erigida  à  categoria  de  princípio,  esgota­se  no  Texto  Supremo,  vale dizer, nenhum diploma legal poderia ampliar, restringir ou  Fl. 16907DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     6 mesmo  suprimir  o  direito  à  compensação  do  IPI  tal  como  lá  conceituado.  Portanto,  a  efetivação  da  técnica  da  não­cumulatividade  só  é  possível  cotejando­se  operações  com  operações,  núcleo  do  aspecto material da hipótese de incidência do IPI; aspecto esse  fundamental para a identificação da ocorrência do fato descrito  na norma, aliados aos conceitos constitucionais de compensação  e operações, com desprezo da qualificação da mercadoria ou seu  destino.   (...)  Nesse sentido, o regime não cumulativo do ICMS, PIS e COFINS  atualmente permite o creditamento das aquisições de ativo, não  havendo  motivação  para  que  tal  possibilidade  não  se  estenda  também ao IPI, em homenagem ao Princípio da Isonomia e em  observância  ao  Princípio  da  não­cumulatividade  que  rege  igualmente todos esses tributos, (...)  III  ­  DO  DIREITO  DO  CRÉDITO  SOBRE  A  EXCLUSÃO  DA  PARCELA DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IPI  Os créditos referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do  IPI foram apropriados com base na interpretação da legislação  de regência do  tributo, pois os valores do ICMS incidentes nas  vendas dos produtos industrializados, por não corresponder aos  gastos  de  produção  e  por  se  tratar  de  parcela  absolutamente  estranha ao valor da operação não deve ser incluído na base de  cálculo,  conforme  decisões  proferidas  pelo  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça  e  do  Conselho  de  Contribuinte,  senão  vejamos.  (...)  Nos  termos  dos  artigos  supra  transcritos,  vê­se  que  nas  operações  relativas  à  saída  de  produtos  industrializados  do  estabelecimento, a base de cálculo é o valor da operação de que  decorrer  a  saída  da  mercadoria",  sendo  certo  que  o  VALOR  dessa  operação  refere­se  aos  valores  decorrentes  dos  gastos  inerentes  e  indispensáveis  ao  processo  de  industrialização  dos  produtos,  tais  como,  insumos,  mão­de­obra  e  despesas  acessórias,  sem  os  quais  não  se  industrializa  o  produto  final  vendido pela Impugnante, (...)  Portanto,  a Base  de Cálculo  do  IPI  só  poderá  ser  relativa  aos  valores representativos dos gastos de produção, ou seja, aqueles  decorrentes da industrialização do produto.  (...)  Por outro lado, sabidamente, a parcela correspondente ao ICMS  não  é  componente  da  produção,  MAS  SIM  recurso  financeiro  que  APENAS  "TRANSITA"  em  caráter  temporário  pela  posse/detenção do sujeito passivo o qual  tem a obrigação  legal  de, em dado momento posterior, repassar  tais  importes a quem  de  direito  pertencerem  posto  constituírem  receita  própria  destinada  a  integrar  patrimônio/cofres  "DE  OUTREM".  (cujo  montante  embora  esteja  incluído  no  preço  das  mercadorias  e  seja  recebido  pelo  contribuinte  "de  jure”  quando  este  realiza  vendas, deve por este ­ sujeito passivo ­ ser repassado/recolhido  aos  cofres  estaduais  em  momento  posterior  por  força  de  obrigação  que  lhe  é  legalmente  imposta  nesse  sentido)  visto  tratar­se  tal  valor de  inequívoca RECEITA PÚBLICA privativa  dos ESTADOS Federativos destinada a  integrar exclusivamente  o erário/patrimônio estatal desses referidos Entes Tributantes.  (...)  Fl. 16908DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10932.720169/2013­45  Acórdão n.º 3201­002.131  S3­C2T1  Fl. 16.906          7 Nesse pensar, conclui­se que a  lei ao determinar a  inclusão do  valor  correspondente  ao  ICMS,  na  base  de  cálculo  do  IPI  é  ilegal por afrontar o artigo 47 Código Tributário Nacional, vez  que inexistiu a operação elemento sem o qual não há como aferir  a base de cálculo do  imposto porque alterou a base de cálculo  definida pelo CTN, violando o artigo 146, III, "a" da CF/88.  (...)  IV­  DA  DESPROPORCIONALIDADE  E  CONFISCATORIEDADE DA MULTA APLICADA  Conforme  demonstrado  os  créditos  escriturados  pela  Impugnante  são  legítimos,  contudo,  cabe  salientar  que  é  inaplicável a multa de 75% sobre o creditamento efetuado, por  ser desproporcional e confiscatória.  "Ad  argumentandum  tantum"  ainda  que  a  Impugnante  seja  devedora do valor autuado,  é de  se observar que a designação  do  montante  de  multa  é  totalmente  elevada,  afrontando  o  determinado na legislação fiscal.  Não  existe,  pois,  fundamento  jurídico  ou moral  que  legitime  a  manutenção de uma sanção dessa natureza, de 75%.  É  certo,  que  a  sanção  tributária,  como  qualquer  outra  sanção  jurídica, possui a  finalidade de desestimular o possível devedor  de descumprir a obrigação tributária a que está sujeito e, desta  forma  estimular  o  correto  e  pontual  pagamento  dos  tributos.  Desta forma, a multa fiscal não pode ser usada como expediente  ou técnica de arrecadação, constituindo um ônus equiparável ou  superior ao tributo.  A  suposta  falta  de  pagamento  do  IPI,  não  poderá  restringir  o  DIREITO  DE  PROPRIEDADE,  isto  porque,  a  Constituição  Federal assegura a todos o direito de propriedade em seu artigo  5o, XXII. Desta forma, é inconstitucional qualquer manifestação  legal no sentido de reduzir o patrimônio do contribuinte.  Veja  que  configura­se,  também,  enriquecimento  sem  causa  do  poder  público,  visto  tal  enriquecimento  acarreta  um  desequilíbrio  patrimonial,  pois,  acresce  injustificadamente  um  patrimônio,  no  caso  do  Estado,  em  detrimento  de  outro,  do  contribuinte, e esse enriquecimento está estritamente ligado com  o empobrecimento, numa relação de causa e efeito.  Resta  assim  claro,  que  o montante  da multa  aplicada  de  75%,  fere  sobremaneira  o  princípio  de  direito  que  proíbe  o  enriquecimento sem causa, que é aplicável ao Direito Tributário  pela regra do artigo 108, inciso III do CTN.  Além  do  direito  de  propriedade  estar  consagrado  na  Constituição  Federal  como  bem  intangível  (artigo  5o,  inciso  XXII) ­ respeitadas as exceções legais ­ há, no âmbito do sistema  tributário nacional, dentro das limitações ao poder de tributar, a  proibição de que o tributo seja utilizado, com efeito, de confisco  (artigo 150, inciso IV).  A doutrina e a jurisprudência já firmaram entendimento de que  as  multas  não  podem  assumir  caráter  confiscatório,  sendo  imperiosa a suas redução, a fim de que se preserve o artigo 150,  IV da Constituição Federal, que assevera ser vedada a utilização  de tributo, com efeito, de confisco.  (...)  Fl. 16909DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     8 V ­ DA NÃO INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA  DE OFÍCIO  Conforme  demonstrado  os  créditos  escriturados  pela  Impugnante são legítimos, razão pela qual é inaplicável a multa  de  ofício  sobre  o  creditamento  efetuado,  contudo,  cabe  demonstrar  que  caso  seja  mantido  o  lançamento  fiscal,  o  que  discorda  em  absoluto,  como  cediço  o  Fisco  Federal  aplica  ilegalmente juros sobre a multa de ofício.  Nesse sentido, cabe salientar que a cobrança de juros selic sobre  o  valor  da  multa  de  ofício  calculado  a  partir  do  30°  dia  da  lavratura  do  auto  de  infração  é  ilegal,  pois,  não  encontra  respaldo na legislação ordinária inexistindo previsão para a sua  incidência, (...)”  O impugnante colaciona, a fim de amparar suas teses, posições  da doutrina e arestos de julgados administrativos e judiciais.  Encerra,  requerendo,  a  improcedência  do  lançamento,  reconhecendo­se o direito aos créditos efetuados e que se torne  sem efeito a reconstituição da escrita fiscal, com o conseqüente  cancelamento dos débitos decorrentes."      A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  manteve  integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada:    “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  OPÇÃO  PELA  VIA  JUDICIAL.  A  propositura  pelo  contribuinte  de  ação  judicial  de  qualquer  espécie  contra  a  Fazenda  Pública  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo  fiscal  implica  renúncia  às  instâncias  administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer  espécie interposto.  BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.  A base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que  decorrer a saída do produto. O ICMS, por ser tributo calculado  por dentro do valor da operação (preço de venda), nele já está  inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser  compreendida com a sua inclusão.  IMPOSTO  LANÇADO  E  NÃO  RECOLHIDO.  MULTA  DE  OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.  A  falta  de  recolhimento  do  imposto  lançado  impõe  a  exigência  da  multa  de  ofício  no  percentual  de  75%  sobre  o  valor  que  deixou de ser recolhido, nos termos da legislação de regência.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.”    Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações  apresentadas na impugnação.    Fl. 16910DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10932.720169/2013­45  Acórdão n.º 3201­002.131  S3­C2T1  Fl. 16.907          9 É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    A  teor do  relatado, as discussões quanto à utilização de créditos do  IPI nas  aquisições de partes e peças para bens do ativo restam prejudicadas, em razão da Ação Judicial  nº  98.15.06601­3  ajuizada  na  2ª  Vara  Federal  de  São  Bernardo  do  Campo/SP,  que  discute  matéria  idêntica  e  na  primeira  instância,  a  decisão  foi  contra  as  pretensões  da  Recorrente.  Sentença  que  posteriormente  foi  confirmada  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  3ª  Região,  conforme consta da Certidão de Objeto e Pé às fls. 223 e 224.  O  código  Tributário  Nacional  exclui  da  apreciação  dos  tribunais  administrativos, a matéria objeto de ação  judicial,  em obediência ao principio da unidade de  jurisdição,  prevalente  no  País,  em  que  decisões  judiciais  são  soberanas  e  afastam  a  possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa.   No  caso  em  tela,  tratando­se  da  mesma  matéria.  A  propositura  de  ação  judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi  objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009.    “Súmula CARF nº 1   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.”    Portanto, quanto a esta matéria o recurso não pode ser conhecido em razão da  concomitância.  Quanto  as  demais  matérias,  o  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecidas.  A  Recorrente  questiona  a  metodologia  e  os  conceitos  utilizados  pela  Fiscalização para definir as matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem  utilizados para apurar o IPI e que configuram as diferenças apuradas no presente lançamento.  Alega a Recorrente que a Fiscalização ao proceder a glosa dos créditos não provou de forma  clara e evidente, que tais produtos não estariam incluídos nos conceitos necessários a legislação  para aproveitamento do crédito.  Apesar da longa e extensa discussão no recurso voluntário, não assiste razão  a Recorrente. As informações das glosas realizadas pela Fiscalização estão bem detalhadas no  Fl. 16911DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     10 Termo  de  Verificação  Fiscal  (capítulo  "C  ­  DA  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO").  A  Recorrente  se  insurge  de  forma  genérica  sobre  o  conceito  de  insumo  definido  na  legislação  do  IPI,  sem  questionar  as  glosas  efetivamente  realizadas  pela  Fiscalização.  A  Recorrente  em  resumo,  questiona  o  conceito  utilizado  pela  Fiscalização  na  apuração dos creditados de IPI, previstos no art. 226, I do Decreto nº 7.212/2010.     Art. 226.  Os  estabelecimentos  industriais  e  os  que  lhes  são  equiparados poderão creditar­se:  I ­ do imposto relativo a matéria­prima, produto intermediário e  material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se,  entre  as  matérias­primas  e  os  produtos  intermediários,  aqueles  que,  embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os  bens do ativo permanente;    A Recorrente  foi  cientificada da decisão da primeira  instância  e apresentou  seu recurso voluntário, ou seja, cientificada da exigência  fiscal e  já com o conhecimento das  conclusões  da  Fiscalização  e  da  decisão  da  primeira  instância,  apresentou  seu  recurso  voluntário  trazendo em  linhas gerais,  as mesmas  alegações  já  apresentadas na  impugnação  e  não  trouxe nenhum questionamento objetivo que pudesse  levantar qualquer dúvida quanto as  conclusões do  trabalho  fiscal,  atacando o conceito de matéria­prima, produto  intermediário e  material de embalagem, utilizado pela apurar o IPI.   Quanto a discussão sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI não  procede  as  pretensões  do  recurso.  O  ICMS,  cujo  cálculo  é  "por  dentro",  compõe  a  base  de  cálculo do IPI, nos termos previstos no Decreto­Lei nº 406/68.  A matéria já foi objeto de manifestação deste Conselho em diversos julgados  e também já foi enfrentada por esta Turma no Acórdão 3201­001.920 julgado na sessão de 18  de março de 2015, com relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, por  concordar inteiramente com a posição adotada naquele julgado, peço vênia para incluir no meu  voto e dele também fazer minhas razões para decidir.    "Depreende­se  dos  autos  que  a  Recorrente  destacou  o  IPI  nas  notas fiscais de saída, escriturou os referidos débitos no RAIPI e  apurou  saldo  devedor  do  IPI  nos  períodos  de  apuração  em  análise,  que  ,  todavia  não  foram  constituídos,  pois  alega  que  direito creditório de R$ 9.093.993,10, decorrente da exclusão da  base de cálculo do IPI, dos valores referentes ao ICMS, ao PIS e  à Cofins.  Não assiste razão à Recorrente, pois a  inclusão do  ICMS, cujo  cálculo  é  “por  dentro”,  compõe  a  base  de  cálculo  do  IPI,  por  disposição expressa do Decreto­Lei nº 406, de 1968, art. 2º  , §  7º.  Com relação à  inclusão do PIS e da Cofins na base de cálculo  do  IPI,  não  há  previsão  de  que  referidas  contribuições  componham  a  base  de  cálculo  do  IPI,  pois  incidem  sobre  o  faturamento. Por outro lado, não há qualquer demonstrativo de  Fl. 16912DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10932.720169/2013­45  Acórdão n.º 3201­002.131  S3­C2T1  Fl. 16.908          11 cálculos  para  que  se  demonstrasse  como  a  Recorrente  apurou  esses créditos.  No que tange à multa de ofício, veiculada no art. 80, caput, da  Lei  nº  4.502/64,  com  a  redação  dada  pelo  art.  13  da  Lei  nº  11.488/07,  é  aplicável  na  hipótese  de  falta  de  recolhimento  do  imposto, de maneira que, não reconhecido o direito creditório e  apurado saldo devedor de IPI, incide a penalidade.  Finalmente, destaque­se que as questões abordadas no presente  processo esbarram na Súmula n. 2, que determina que o CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Em  face  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  (Acórdão  3201­001.920,  Relator  Ana  Clarissa  Masuko dos Santos Araujo, 18/03/2015)    Quanto  a multa de ofício no valor de 75% (setenta e  cinco por  cento),  não  assiste razão a recorrente, a multa está prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo  aplicada nos lançamentos de ofício para exigência de tributos.   “Art.44 Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  –  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;”    No caso em tela foi realizado o lançamento de ofício, formalizado por meio  do Auto de Infração e, portanto, torna­se obrigatória a exigência da multa de ofício no valor de  75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o valor do tributo exigido.  O  contribuinte  também  se  insurge  contra  a  cobrança  de  juros  de  mora  e  utilização  da  taxa  SELIC.  Também  nesta  matéria  não  assiste  razão  a  recorrente,  os  juros  moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os  valores devidos, sem se configurar em penalidade.   A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código  Tributário Nacional.  “Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.   § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.   §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.”  Fl. 16913DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     12   Depreende­se da leitura do § 1º que a cobrança de um por cento fica afastada  no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores  de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do Decreto­Lei 1.736/79,  alterado pelo artigo 16 do Decreto­Lei 2.32387 com redação dada pelo artigo 6º do Decreto­Lei  2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91.   Quanto ao cabimento da cobrança de juros de mora, utilizando a taxa SELIC.  O CARF editou a súmula nº 4, publicada no DOU de 22/12/2009.  “Súmula CARF nº 4     A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais”.     Alega ainda a Recorrente, suposta  ilegalidade na exigência de juros sobre a  multa de ofício. Também quanto a esta matéria não assiste razão ao recurso. A multa de ofício  é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento,  a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz  jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora,  o  crédito não  integralmente pago no vencimento,  não  existindo nenhuma determinação  legal  para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há  como separar a multa de ofício do total do crédito exigido.  A matéria já foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da Câmara Superior de  Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão nº 9101­001.350, na sessão do dia 15 de maio de 2012,  quando foi decidido pela  incidência dos  juros de mora sobre a multa de ofício. A ementa do  citado acórdão ficou assim redigida.     "JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  No  lançamento  de  ofício,  o  valor  originário  do  crédito  tributário  compreende  o  valor  do  tributo  e  da  multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a  multa  por  lançamento  de  oficio  não  paga  no  vencimento  incidem  juros  de  mora.  Em  se  tratando  de  débitos  relacionados  com  tributos  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício  incidem,  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  juros  de  mora  calculados segundo a taxa Selic, ex­vi dos arts.29 e 30, da Lei n°  10.522, de 19 de julho de 2002."    Por  fim,  consta  do  recurso,  diversas  alegações  de  ofensa  a  princípios  constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da  emissão  da  súmula  nº  2  do  CARF,  publicada  no  DOU  de  22/12/2009,  que  veda  o  pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária.    Fl. 16914DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10932.720169/2013­45  Acórdão n.º 3201­002.131  S3­C2T1  Fl. 16.909          13 “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”    Diante do exposto, voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário,  por  concomitância  de  matéria  na  esfera  judicial,  quanto  ao  creditamento  do  IPI  sobre  a  aquisição  de  bens  do  ativo  permanente  e  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  quanto  às  demais matérias.  Winderley Morais Pereira                               Fl. 16915DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA

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Numero do processo: 14337.000026/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2003 DE´BITO REGULARMENTE LAVRADO. FORMALIDADES LEGAIS ATENDIDAS. Cre´dito previdenciário constitui´do dentro das te´cnicas fiscais e atendendo à legislac¸a~o previdenciária vigente e´ plenamente regular, em conformidade com o art. 37, da Lei n° 8.212/91 e alterac¸o~es posteriores. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo incólume os termos do v. Acórdão no 01-12.868 - 5ª Turma da DRJ/BEL. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS     2    Relatório  Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2003  Data de emissão da NFLD: 18/06/2007  Data de ciência da NFLD: 21/06/2007  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa  de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belém (PA), que julgou PROCEDENTE EM PARTE o  lançamento  constituído  pela  NFLD  DEBCAD  no  37.074.685­6,  originado  de  contribuições  sociais  não  recolhidas  destinadas  à  Seguridade  Social  arrecadadas,  mediante  desconto  do  empregador, dos segurados que lhe prestaram serviços.  O montante original do crédito previdenciário contra o sujeito passivo acima  identificado foi no valor de R$ 354.594,71 (trezentos e cinquenta e quatro mil e quinhentos e  noventa e quatro reais e setenta e um centavos).  O  contribuinte  apresentou  impugnação,  que  foi  acolhida  em  parte  para  reconhecer  a  decadência  quinquenal  para  as  competências  09/2001  a  11/2001,  13/2001,  02/2002, 03/2002, 04/2002 e 05/2002.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  julgador  a  quo,  foi  interposto  o  Recurso  Voluntário  de  fls.  215/217,  ratificando  parte  de  suas  alegações  anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade, sob as seguintes alegações:  ­  que o lançamento descrito na NFLD DEBCAD n° 37.074.685­6 refere­se  a divergências de 09/2002 a 13/2006 e os valores recolhidos em GPS e o  período  constante  do  referido  Acórdão  01­12.868,  juntado  às  fls.  188/197,  refere­se  a  apuração  de  01/09/2001  a  30/06/2003,  logo  desconexo dos dados  lançados no  relatório  acima descrito no parágrafo  anterior;  ­  que  assim,  estaria demonstrado  que  o  v. Acórdão  recorrido  encontra­se  “desconexo com o Relatório de fls. 88”;  ­  que  pelo  princípio  da  razoabilidade  e  economicidade,  foi  aplicado  corretamente  a  prescrição  dos  períodos  descritos  no  acórdão  recorrido,  entretanto,  a  decisão  de  1ª  instância  vai  de  encontro  com  os  dados  constantes  dos  autos,  devendo  ser  anulado  em parte  o  processo,  pois  o  débito  remanescente se encontra devidamente quitado; ao final  requer a  manutenção do provimento parcial dado pela 1ª Instância e a anulação da  parte que versa sobre a manutenção do lançamento.  Após,  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da Fazenda Nacional,  subiram  os  autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 14337.000026/2007­45  Acórdão n.º 2401­004.005  S2­C4T1  Fl. 3          3    Voto               Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora      1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    1.1. DA TEMPESTIVIDADE  O  Recorrente  foi  cientificado  da  r.  decisão  em  debate  no  dia  11/03/2009,  conforme  AR  juntado  às  fl.  121,  e  o  presente  Recurso  Voluntário  foi  apresentado,  TEMPESTIVAMENTE,  no  dia  13/04/2009,  razão  pela  qual  CONHEÇO DO  RECURSO  já  que presentes os requisitos de admissibilidade.    2. DO MÉRITO  A  fiscalização  previdenciária  abrangeu  o  período  de  01/2000  a  12/2006  (inclusive  13°),  com  período  de  apuração  relativo  às  seguintes  competências:  09/2001  a  06/2003 (fl. 87).  A DRJ  reconheceu a decadência para as  competências compreendidas entre  09/2001 a 11/2001, 13/2001, 02/2002, 03/2002, 04/2002 e 05/2002, promovendo a retificação  do lançamento, conforme consta do item 16 do v. Acórdão recorrido (fl. 194).  O  crédito  previdenciário, mantido  em  parte  após  o  julgamento  de  primeiro  grau, teve sua higidez analisada no v. Acórdão recorrido, sendo que os períodos constantes do  DADR  ­  DISCRIMINATIVO  ANALÍTICO  DO  DEBITO  RETIFICADO  está  em  absoluta  consonância  com  as  competências  não  abrangidas  pela  decadência,  apontadas  como  crédito  residual a ser recolhido pelo contribuinte.  O Recurso Voluntário ataca os períodos da Notificação Fiscal de Lançamento  de  Débito  e  do  Relatório  Fiscal,  em  confronto  com  o  v.  Acórdão  recorrido.  Segundo  o  Recorrente, “O lançamento descrito na NFLD DEBCAD n° 37.074.685­6, as fls. 88, constante  do  Relatório  Fiscal  da  NFDL,  traz  em  seu  bojo  que  o  período  constante  da  referida  Notificação refere­se a divergências de 09/2002 a 13/2006 e os valores recolhidos em GPS” e  “o período constante do referido Acórdão 01­12.868 as fls. 188 a 197, refere­se a apuração de  01/09/2001 a 30/06/2003,  logo desconexo dos dados  lançados no  relatório acima descrito”.  Essa argumentação não merece prosperar.  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS     4  O período  da  fiscalização  abrangeu  as  competências  de  01/2000  a  12/2006  (inclusive  13°),  com  período  de  apuração  relativo  às  seguintes  competências:  09/2001  a  06/2003 (fl. 87). Desse interregno, foi reconhecida a decadência apenas para as competências  compreendidas entre 09/2001 a 11/2001, 13/2001, 02/2002, 03/2002, 04/2002 e 05/2002. Não  há,  portanto,  qualquer  divergência  de  data.  O  Relatório  Fiscal  da  NLFD,  juntado  à  fl.  84,  delimita o período da fiscalização e o período da apuração, não havendo qualquer divergência  que possa acoimar de vício o procedimento fiscalizatório.  Note­se  que  a  i.  Autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  inclusive,  analisou o período de apuração, mês a mês, promovendo a exclusão dos montantes atingidos  pela decadência, não havendo nada para se retificar nesta instância recursal.  Cumpre ainda esclarecer quanto a alegação do Recorrente de que as Listas de  Ordem  Bancárias  (Fls.  117/162),  estariam  a  comprovar  o  efetivo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  referentes  aos  servidores  comissionados,  é  totalmente  improcedente. Note­se que o sujeito passivo não colacionou aos autos nenhum documento apto  a  comprovar  que  as  Listas  Bancárias  juntadas  às  fls.  98/116,  possuem  relação  com  outro  processo de parcelamento, abrangendo o mesmo fato gerador e período de que trata a presente  autuação.  Ressalte­se ainda que, em Consulta ao Extrato do Devedor (fl. 184), além dos  créditos  previdenciários  levantados  na  presente  ação  fiscal,  somente  constam  para  o  sujeito  passivo a NFLD DEBCAD n° 35.498.976­6 e o LDC n° 35.498.975­8, créditos previdenciários  lançados  em  30/04/2002,  que  foram  incluídos  em  Parcelamento  Especial,  o  que  pode  ser  comprovado  ao  exame  da Consulta  Dados  Identificadores  de  Processo  (fl.  186/187),  logo  a  alegação lançada não restou comprovada.  Os sobreditos  lançamentos referem­se a créditos apurados nas competências  compreendidas  entre  01/1992  a  13/1998  (NFLD  DECAD  n.  °  35.498.976­6)  e  01/1999  a  06/2001  (LDC  n.  °  35.498.975­8),  ou  seja,  não  abrange  o  mesmo  período  do  lançamento  impugnado (competências 09/2001 a 06/2003).  Não  havendo  prova  do  pagamento  dos  valores  relativos  aos  períodos  de  apuração  ora  examinados,  o  crédito  previdenciário  constituído  por meio  da  NFLD  deve  ser  mantido, conforme acertadamente decidiu a instância inferior.  Por  fim, é  importante consignar que a Fazenda Nacional deixou de recorrer  de ofício a este Eg. Conselho, nos termos do art. 366, inciso I e §§ 2° e 3°, do Regulamento da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3.048/99,  com  a  redação  dada  pelo  Decreto  n°  6.224/07, tend em vista que o valor exonerado não ultrapassou o valor de alçada, de que trata o  art. 1° da Portaria/MF n° 03, de 03/01/2008.   Logo,  o  pedido  formulado  no Recurso Voluntário  para manter  a  decisão  a  quo na parte do reconhecimento da decadência não merece ser conhecido, por falta de interesse  recursal nessa matéria.  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 14337.000026/2007­45  Acórdão n.º 2401­004.005  S2­C4T1  Fl. 4          5    3. CONCLUSÃO  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado.   É como voto.    Luciana Matos Pereira Barbosa.                              Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS

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6414149 #
Numero do processo: 10183.006121/92-55
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 1994
Ementa: PROCESSO FISCAL PRAZOS - REVELIA IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Intimado o contribuinte por AR sem divergência de identificação e domicílio fiscal, satisfeita a exigência do artigo 23,, II do Decreto no 70 „235/72,, independentemente de quem tenha firmado o respectivo Aviso de Recebimento,, Prece d ente s d o Conselho de Contribuintes Recurso não conhecido por falta de objeto.
Numero da decisão: 201-69.280
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, POR FALTA DE OBJETO, EM FACE DA INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer

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Numero do processo: 10280.720475/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ITR. SUJEITO PASSIVO. TÍTULO ILEGAL. INVASÃO. O cancelamento do título de propriedade do imóvel rural com efeitos ex-tunc, alidado à configuração do esbulho, de forma continuada, caso dos autos, descaracteriza o sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10280.720475/2010­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.372  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Recorrente  BORBA GATO AGROPECUÁRIA SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2007  ITR. SUJEITO PASSIVO. TÍTULO  ILEGAL.  INVASÃO. O cancelamento  do  título  de  propriedade  do  imóvel  rural  com  efeitos  ex­tunc,  alidado  à  configuração do esbulho, de forma continuada, caso dos autos, descaracteriza  o sujeito passivo da obrigação tributária.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário e, no mérito, dar­lhe provimento.     Maria Cleci Coti Martins  Presidente e Relatora      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Cleci  Coti  Martins,  Carlos  Alexandre  Tortato, Miriam Denise  Xavier  Lazarini,  Cleberson  Alex  Friess,  Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa,  Rayd Santana Ferreira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 04 75 /2 01 0- 51 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     2    Relatório  O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 04­33.131  ­ 1ª Turma da DRJ/CGE, que manteve integralmente o lançamento tributário de ITR no imóvel  rural denominado Fazenda Borba Gato, NIRF 6.540.867­5, localizada no município de Acará­ PA, com área total de 8.712,0ha. A certidão carreada aos autos refere­se a uma propriedade no  município  de  Tomé­Açu,  Estado  do  Pará.  A  propriedade  está  registrada  no  CAFIR  como  localizada no distrito Tome­Açu, município Acará.   A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 17/09/2013. A interposição  do Recurso Voluntário deu­se em 15/10/2013.  A decisão a quo está assim ementada.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR   Exercício: 2007   ÁREA  INVADIDA  ­  REINTEGRAÇÃO  DE  POSSE  ­  ALEGAÇÃO DE NÃO EXECUÇÃO   O  Mandado  de  Reintegração  de  Posse  de  propriedade  rural  invadida,  expedida  pela  justiça  na  forma  requerida  pelo interessado, consolida a titularidade da propriedade e  a  concretização  dos  direitos  do  proprietário.  Mera  alegação de recusa do Estado para execução do respectivo  Mandado,  por  si  só,  desacompanhada  de  certidão  ou  documento  que ateste  essa  negativa,  não  descaracteriza  a  condição  de  proprietário  do  imóvel  e  nem  possibilita  excluir  sua  responsabilidade  tributária  sobre  a  propriedade,  tal  como  a  regularização  documental  para  fins de isenção.   ÁREAS DE FLORESTAS PRESERVADAS  ­  REQUISITOS  DE ISENÇÃO   A  concessão  de  isenção  de  ITR  para  as  Áreas  de  Preservação  Permanente  ­  APP,  cobertas  por  Florestas  Nativas  ­  AFN  ou  Área  de  Reserva  Legal  ­  ARL,  está  vinculada  à  comprovação  de  sua  existência,  como  laudo  técnico específico e averbação na matrícula até a data do  fato gerador, respectivamente, e de sua regularização junto  aos  órgãos  ambientais  competentes,  como  o  Ato  Declaratório Ambiental ­ ADA, cujo requerimento deve ser  protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos  Recursos Naturais Renováveis ­ IBAMA, em até seis meses  após o prazo  final para entrega da Declaração do  ITR. A  prova de uma não exclui a da outra.   ISENÇÃO ­ HERMENÊUTICA   Fl. 718DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10280.720475/2010­51  Acórdão n.º 2401­004.372  S2­C4T1  Fl. 3          3  A  legislação  tributária  para  concessão  de  benefício  fiscal  deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos  os requisitos  legais para a isenção, a mesma não deve ser  concedida.   O contribuinte alega que a cobrança do tributo é ilegítima pois desde antes de  1999 não detém a posse e uso do imóvel, e que em 09/09/2010 teve averbado o cancelamento  da matrícula  do  imóvel  em  cumprimento  à  decisão  do  Corregedor  Nacional  de  Justiça,  por  intermédio  da  decisão  proferida  em  16/08/2010,  no  Pedido  de  Providências  n.  0001943­ 67.2009.2.00.0000 (efls. 188 a 198).  No recurso o contribuinte apresenta o histórico de ocupação da propriedade,  conforme a seguir.  1. Exerceu atividades agrícolas, florestais e agropecuárias entre 1970 e 1999.   2. A propriedade foi invadida pelo Movimento dos Sem Terra, que ocupam a  propriedade há 13 anos, quando não mais exerceu atividade econômica no imóvel.  3. A situação de perpetuidade da invasão do imóvel rural está reconhecida e  legitimada  pelo  Estado,  através  da  Portaria  INCRA  161,  de  11/11/2009,  que  reconhece  o  assentamento rural para 126 famílias na propriedade em questão.  3. Apesar de Ação de Reintegração de Posse (Processo 5111/00) com decisão  liminar favorável, a decisão nunca foi levada a efeito tendo em vista um incêndio criminoso no  fórum local, conforme documento acostado aos autos.  4. Mesmo não tendo acesso ao imóvel, tampouco a posse e uso, formalizou a  entrega de DITR ao fisco em 2006, tendo em vista salvaguardar os próprios interesses e evitar  exigências fiscais. Declarou a existência de reserva legal e de área de preservação permanente.  Contudo, tendo em vista o esbulho sofrido na propriedade, não teria como indicar com precisão  o quantitativo dessas áreas.  5. O lançamento de ofício sobreveio devido à falta de apresentação de ADA e  de averbação da reserva legal.   6. Apresentou impugnação tempestiva argumentando que não detinha a posse  e uso do imóvel e que o imóvel estava em litígio, ocupado pelo Movimento dos Sem Terra.  7. Juntou documentos : a) Certidão atual de Matrícula do Imóvel Rural com  averbação de cancelamento(doc. 4); b) Certidão emitida pelo Cartório da Vara de Tomé Açu,  no Pará sobre a ocorrência do incêndio criminoso (doc. 05); c) Portarias e Decretos relativos à  criação do Assentamento denominado Borba Gato (doc. 06); d) Certidão emitida pela Polícia  Civil da comarca de Tomé Açu, que demonstram a continuidade do processo de invasão (doc.  7); e)Decisão no pedido de providências n. 0001943­67.2009.2.0.0000 pelo CNJ.  Entende  que  o  título  de  propriedade  está  esvaziado,  visto  que  não  detém  a  posse, nem o domínio, nem o uso, e, a partir de 2010, nem a propriedade. O cancelamento do  título  de propriedade  teria  efeitos  ex­tunc  e  lastreou­se  nos  arts.  8­A  e  8­B da Lei  6.739/79,  dispositivos  que  outorgam  à  União,  Estados,  Municípios  e  Distrito  Federal  a  faculdade  de  promover, por via administrativa, a retificação das matrículas do registro ou da averbação feita,  Fl. 719DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     4  quando  a  alteração  da  área  ou  dos  limites  do  imóvel  importar  em  transferência  de  terras  públicas, conforme segue:  Art.  8oB  Verificado  que  terras  públicas  foram  objeto  de  apropriação  indevida  por  quaisquer  meios,  inclusive  decisões  judiciais, a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município  prejudicado,  bem  como  seus  respectivos  órgãos  ou  entidades  competentes, poderão, à vista de prova da nulidade identificada,  requerer  o  cancelamento  da  matrícula  e  do  registro  na  forma  prevista  nesta  Lei,  caso  não  aplicável  o  procedimento  estabelecido  no  art.  8oA.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.267,  de  28.8.2001)  Colaciona decisões judiciais e deste Conselho sobre situações similares.  Argumenta que a concessão de isenção de ITR independe da apresentação de  ADA pelo contribuinte.   Afirma que  a  existência  de  reserva  legal  em  imóvel  rural  é  uma presunção  legal  ,  cujas  dimensões  variam  conforme  a  região  territorial,  e,  portanto,  não  podem  ser  desconsideradas sem prova ao contrário de sua preservação. (art. 3 e 12 da lei 12651/12).  Insiste que a  falta de capacidade contributiva do recorrente para suportar as  cobranças  do  ITR,  tendo  em  vista  a  ausência  de  posse  que  inviabiliza  o  uso  doméstico  ou  comercial do imóvel, viola o princípio da vedação da utilização de impostos com o efeito de  confisco, conforme art. 145 da Carta Magna de 1988.  Por  fim,  conclui  que  em  não  sendo  detentor  do  imóvel  rural  (posse  ou  domínio útil) e agora com o cancelamento do título de propriedade, não existe fato gerador do  tributo.  Pugna pela anulação da exigência do ITR motivo do processo administrativo  fiscal.  Em  4/11/2014,  a  Turma  decidiu  transformar  o  julgamento  em  diligência  esclarecimento de questões de fato, sobre a localização da Fazenda Borba Gato e a localização  do assentamento Borba Gato.     É o relatório.  Fl. 720DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10280.720475/2010­51  Acórdão n.º 2401­004.372  S2­C4T1  Fl. 4          5    Voto             Conselheira Maria Cleci Coti Martins ­ Relatora  O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço.  Preliminarmente,  têm­se que analisar a  titularidade do  imóvel. O  recorrente  alega que não mais detém posse, domínio, uso ou propriedade do imóvel.   Relativamente à propriedade, os documentos acostados aos autos confirmam  que  a  propriedade  do  imóvel  estaria  sendo  exercida  pelo  recorrente  ao  arrepio  da  lei.  O  recorrente  nunca  teria  sido  o  proprietário  legal  das  terras,  pois  não  teve  um  título  de  propriedade concedido originariamente pelo Senado Federal, tanto que o título de propriedade  foi  cancelado. Conforme  a Constituição  Federal  de  1946,  com  a  redação  dada  pela Emenda  Constitucional n. 10 de 1964, a seguir transcrita, o título da propriedade em questão era ilegal,  e por isso foi cancelado.   Art  156  ­  A  lei  facilitará  a  fixação  do  homem  no  campo,  estabelecendo  planos  de  colonização  e  de  aproveitamento  das  terras  pública.  Para  esse  fim,  serão  preferidos  os  nacionais  e,  dentre  eles,  os  habitantes  das  zonas  empobrecidas  e  os  desempregados.   § 1º Os Estados assegurarão aos posseiros de terras devolutas que  tenham  morada  habitual,  preferência  para  aquisição  até  cem  hectares.  (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional  nº  10,  de  1964)  §  2º  Sem  prévia  autorização  do  Senado  Federal,  não  se  fará  qualquer  alienação  ou  concessão  de  terras  públicas,  com  área  superior a três mil hectares, salvo quando se tratar de execução de  planos de colonização aprovados pelo Govêrno Federal. (Redação  dada pela Emenda Constitucional nº 10, de 1964)  O documento autorizador do cancelamento da matrícula do imóvel determina  que  devem  ser  cancelados  os  registros  inequivocamente  incompatíveis  com  a  legislação  constitucional e infraconstitucional, ainda que não individualmente identificados. Prossegue o  documento (fls.190) relacionando os critérios para a definição dos títulos a serem cancelados  nos cartórios de registro de imóveis:  "  Nesses  limites,  devem  ser  cancelados  todos  os  registros,  com  averbações  necessárias  em  todos  os  atos  e  transferências  subsequentes,  encerrando­se  a matrícula  respectiva,  nos Cartórios  de  Registros  de  Imóveis  do  interior  do  Estado  do  Pará  de  sua  situação,  referentes  aos  imóveis  rurais  atribuídos  a  particulares  pessoas  físicas  o  jurídicas  e,  originariamente  desmembrados  do  patrimônio público estadual por ato da Administração que configure  concessão,  cessão  legitimação,  usucapião,  compra  e  venda  ou  qualquer tipo de alienação onerosa ou não, e que, sem autorização  do Senado ou do Congresso:  Fl. 721DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     6  ...  ­ tenham sido lançados, no período de 9 de novembro de 1964 a 4 de  outubro de 1988, com área superior a 3.000 (três mil) hectares; .."  A  certidão  de  registro  do  imóvel  em  questão,  do  Registro  de  Imóveis  da  Comarca de Tomé­Açu, Estado do Pará, relaciona todos os possuidores/proprietários do imóvel  rural. O documento está registrado no livro 3­A, folhas 43, transcrição 887. O título inicial de  propriedade da terra­ duas glebas de terras, sem denominação especial ­ da primeira gleba teria  sido  emitido  pelo  Governo  do  Estado  do  Pará,  em  15/02/1968,  transcrito  no  Registro  de  Imóveis sob n. 276, fls. 73, livro 3, nas notas do Cartório de Registro da Cidade de Acará; da  segunda gleba ­ título de aquisição inicial do Governo do Estado do Pará, aquisição n. 274, fls.  73,  livro  3,  nas  notas  do  livro  de  registro  de  imóveis  da  cidade  de  Acará.  A  localidade  de  Tomé­Açu  era  distrito  de  Acará  até  1959.  Ao  final  do  documento,  está  registrado  primeiramente  o  bloqueio  da matrícula  em  07/07/2006  e,  posteriormente,  em  25/10/2010,  o  cancelamento  da  matrícula,  em  cumprimento  à  decisão  do  Corregedor  Nacional  de  Justiça,  Ministro Gilson Dipp, nos autos do Pedido de Providências n. 0001942.67.2009.2.00.0000.   Observa­se  que  o  documento  autorizador  do  cancelamento  da matrícula  do  imóvel (e­fls. 179­189) inclui um procedimento anterior, de bloqueio da matrícula, para que o  titular  do  imóvel  prove  a  legalidade  do  título  de  propriedade.  O  mesmo  documento  delega  poderes  aos  Juízes  de  Direito  das  Varas  Agrárias  do  Estado  do  Pará  para  determinar  o  desbloqueio  das  matrículas,  desde  que  requerido  pelo  interessado  e  atendidos  os  requisitos  legais,  tendo  em  vista  efetuar  a  regularização  das  áreas.  Dessa  decisão  caberia  recurso  administrativo, sem efeito suspensivo à Corregedoria. Isso quer dizer que foi dado o direito de  ampla defesa aos interessados para que regularizassem o título. De acordo com o documento, o  bloqueio dos  registros "tem o efeito de  sustar outras operações derivadas e o  significado de  divulgar  publicamente  a  pendência,  a  dúvida  ou  a  impugnação  sobre  o  assunto".  Adicionalmente, o referido provimento garante o direito daqueles que exercem regularmente a  posse com base no título afetado, o que não é o caso dos autos.  Pelas  razões:  a)  vício  na  origem  da  concessão  do  título  de  propriedade;  b)  cancelamento do título, podendo ter havido uma simples suspensão para que o titular do direito  se defendesse; c) não existência, nos autos, de qualquer documento atestando a legalidade da  origem do título de propriedade do recorrente; e d) prazo decorrido desde o cancelamento do  título (2010), entendo que o cancelamento do  título de propriedade é definitivo e tem efeitos  ex­tunc, ou seja, a propriedade do imóvel rural nunca pertenceu ao recorrente.   Relativamente à posse, o  recorrente  também carreou aos autos, documentos  comprobatórios de que não mais detém a posse do imóvel rural desde 1999. Conforme certidão  expedida pelo Delegado de Polícia Civil do município de Tomé­Açu, Pará, em 07/10/2013, a  empresa  do  recorrente  é  desconhecida  na  localidade.  O  Delegado  certifica  a  existências  de  diversas famílias em um assentamento rural de fato, existente há mais de 10 anos no perímetro  da Fazenda Borba Gato Agropecuária, situada às margens do rio Acará­Grande. Não informa,  contudo o município  a  que  pertence  a  fazenda  vistoriada. O  rio Acará  corta  o município  de  Acará ao meio e não passa perto do município de Tomé­Açu.  Os  documentos  de  fls.  179  a  185  comprovam  a  criação  do  Assentamento  Sustentável  denominado  BORBA  GATO,  no  município  de  Tailândia,  com  área  de  8.514ha50a98ca(  oito  mil,  quinhentos  e  quatorze  hectares,  cinquenta  ares  e  noventa  e  oito  centiares), com o objetivo de regularizar a ocupação de  terras cultivadas por 126 famílias de  agricultores da  localidade delimitada no documento,  no município de TAILÂNDIA  (no  sítio  http://www.iterpa.pa.gov.br/SiteIterpa/ProjetoAssentamentoConsulta2.jsf  consta  o  assentamento com área de 8.510,5098 ha). Observa­se que no  registro da propriedade consta  Fl. 722DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10280.720475/2010­51  Acórdão n.º 2401­004.372  S2­C4T1  Fl. 5          7  área  total  de  8.712,0ha  e  localiza­se  no  município  de  Acará­PA.  O  município  de  Acará  é  vizinho dos municípios de Tomé­Açu e Tailândia. Assim, antes da diligência, não era possível  concluir  com  certeza  se  o Assentamento  criado  estaria  dentro  da  propriedade  do  recorrente.  Conforme a enciclopédia eletrônica Wikipedia, Tomé­Açu era um distrito de Acará até 1959,  quando foi emancipado. A diligência esclareceu o motivo da confusão existente e, não restam  dúvidas de que o assentamento utilizou o imóvel objeto deste processo (efls. 219 a 235).  A Lei 9.393/96 assim define o fato gerador do tributo:   Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR, de  apuração anual,  tem como fato gerador a propriedade, o domínio  útil  ou  a  posse  de  imóvel  por  natureza,  localizado  fora  da  zona  urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.  § 1º O ITR incide  inclusive sobre o  imóvel declarado de  interesse  social  para  fins  de  reforma  agrária,  enquanto  não  transferida  a  propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse.  Apesar  do  imóvel  rural  ter  sido  utilizado  para  fins  de  assentamento  rural,  observa­se que a matrícula  foi cancelada porque o  título originário da propriedade era  ilegal.  Contudo,  verifica­se  que,  mesmo  com  o  título  ilegal,  mas  estando  o  recorrente  na  posse  e  domínio útil do imóvel rural, teria ele que arcar com o tributo.   Conforme o art. 4o. da Lei 9.393/96, o sujeito passivo da obrigação tributária  é  o  proprietário de  imóvel  rural,  o  titular  de  seu domínio  útil  ou  o  seu possuidor  a  qualquer  título.  Tendo em vista o cancelamento do  título de propriedade por vício na origem, entendo que o  cancelamento  tem  efeitos  ex­tunc,  e  que  a  posse  e  o  domínio  útil  da  propriedade  não  se  encontram com o recorrente há pelo menos 10 anos, conforme documentos dos autos, voto por  prover integralmente o recurso voluntário considerando o lançamento tributário improcedente  por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Nesse sentido, decisão do  STJ no REsp 1144982 PR 2009/0114749­3, a seguir colacionada.  TRIBUTÁRIO.  ITR.  INCIDÊNCIA  SOBRE  IMÓVEL.  INVASÃO DO  MOVIMENTO  "SEM  TERRA".  PERDA  DO  DOMÍNIO  E  DOS  DIREITOS  INERENTES  À  PROPRIEDADE.  IMPOSSIBILIDADE  DA  SUBSISTÊNCIA  DA  EXAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  PRINCÍPIO  DA  PROPORCIONALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO.  1. Conforme salientado no acórdão recorrido, o Tribunal a quo, no  exame da matéria fática e probatória constante nos autos, explicitou  que  a  recorrida  não  se  encontraria  na  posse  dos  bens  de  sua  propriedade desde 1987. 2. Verifica­se que houve a efetiva violação  ao  dever  constitucional  do  Estado  em  garantir  a  propriedade  da  impetrante,  configurando­se  uma  grave  omissão  do  seu  dever  de  garantir a observância dos direitos fundamentais da Constituição. 3.  Ofende os princípios básicos da razoabilidade e da justiça o fato do  Estado  violar  o  direito  de  garantia  de  propriedade  e,  concomitantemente,  exercer  a  sua  prerrogativa  de  constituir  ônus  tributário  sobre  imóvel  expropriado  por  particulares  (proibição  do  venire contra factum proprium). 4. A propriedade plena pressupõe o  domínio,  que  se  subdivide  nos  poderes  de  usar,  gozar,  dispor  e  reinvidicar  a  coisa.  Em  que  pese  ser  a  propriedade  um  dos  fatos  geradores  do  ITR,  essa  propriedade  não  é  plena  quando  o  imóvel  encontra­se  invadido,  pois  o  proprietário  é  tolhido  das  faculdades  Fl. 723DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     8  inerentes ao domínio sobre o imóvel. 5. Com a invasão do movimento  "sem  terra",  o  direito  da  recorrida  ficou  tolhido  de  praticamente  todos  seus  elementos:  não  há  mais  posse,  possibilidade  de  uso  ou  fruição  do  bem;  consequentemente,  não  havendo  a  exploração  do  imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou  de benefícios para a proprietária. 6. Ocorre que a função social da  propriedade  se  caracteriza  pelo  fato  do  proprietário  condicionar  o  uso  e  a  exploração  do  imóvel  não  só  de  acordo  com  os  seus  interesses  particulares  e  egoísticos,  mas  pressupõe  o  condicionamento do direito de propriedade à satisfação de objetivos  para  com  a  sociedade,  tais  como  a  obtenção  de  um  grau  de  produtividade,  o  respeito  ao  meio  ambiente,  o  pagamento  de  impostos etc. 7. Sobreleva nesse ponto, desde o advento da Emenda  Constitucional  n.  42/2003,  o  pagamento  do  ITR  como  questão  inerente à função social da propriedade. O proprietário, por possuir  o  domínio  sobre  o  imóvel,  deve  atender  aos  objetivos  da  função  social  da  propriedade;  por  conseguinte,  se  não  há  um  efetivo  exercício de domínio, não seria razoável exigir desse proprietário o  cumprimento da sua função social, o que se inclui aí a exigência de  pagamento dos impostos reais. 8. Na peculiar situação dos autos, ao  considerar­se a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos  elementos  de  propriedade  sem  o  devido  êxito  do  processo  de  desapropriação,  é  inexigível  o  ITR  diante  do  desaparecimento  da  base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios  da propriedade, da função social e da proporcionalidade. 9. Recurso  especial não provido.  Com relação à possibilidade da posse no ano 2007, observo que documentos  dos  autos  (efls.  472/506),  emitido  pelo  Instituto  de  Terras  do  Pará,  dão  conta  de  que  a  propriedade fora ocupada por trabalhadores sem terra em 1999, lá permanecendo desde então.  Está claro no documento às efls. 219/235, que o  recorrente não detém posse, propriedade ou  uso do imóvel sob análise.   As  questões  sobre  a  obrigatoriedade  de  ADA  (Área  de  Preservação  Permanente  e Área de Reserva Legal) e averbação  tempestivos(Área de Reserva  legal)  estão  devidamente consideradas no acórdão de impugnação e nada há a acrescentar. Os motivos do  provimento do Recurso Voluntário independem da re­análise desses pontos.    Maria Cleci Coti Martins.                              Fl. 724DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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Numero do processo: 10803.000071/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 IMPORTAÇÃO COM RECURSOS DE TERCEIROS. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRESUNÇÃO DA OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM. POSSIBILIDADE. Para fins de equiparação a estabelecimento industrial, presume-se por conta e ordem a operação de importação realizada com recursos de terceiro oculto mediante interposição fraudulenta. CONTRIBUINTE DO IPI. REAL IMPORTADOR. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DISSIMULADA. POSSIBILIDADE. Se comprovado que a operação de importação por conta e ordem foi dissimulada, mediante utilização de interposta pessoa, o real importador assume a condição de contribuinte do IPI, por equiparação a estabelecimento industrial. IMPORTADOR EQUIPARADO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. OBRIGATORIEDADE. Na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento, o contribuinte do IPI equiparado a estabelecimento industrial está sujeito ao cumprimento da obrigação principal, consistente no pagamento do tributo devido, e das obrigações acessórias, especialmente, a emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e a escrituração de livros fiscais. CRÉDITO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. APROPRIAÇÃO PELO REAL IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por força do princípio da não cumulatividade, na apuração do IPI a pagar, o real importador pode apropriar como crédito o valor de IPI pago no desembaraço aduaneiro, para fim de dedução do valor do IPI devido na operação de saída do produto importado por conta e ordem do seu estabelecimento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO E A INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se comprovada a existência de fraude ou simulação e a inexistência de pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. POSSIBILIDADE. As pessoas físicas e jurídicas que, informalmente, tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário lançado em nome contribuinte formal pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA DE ATOS FRAUDULENTOS. CABIMENTO. 1. Uma vez comprovado nos autos que as pessoas físicas, ausentes do contrato social da pessoa jurídica autuada, eram seus verdadeiros controladores, dirigentes e beneficiários do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos pela pessoa jurídica, porque caracterizado interesse direto nas operações econômicas que geram as respectivas obrigações tributárias. 2. O interesse comum dos responsáveis solidários fica evidente quando se verifica que eles exerciam o controle de todas as operações gerenciais/comerciais/financeiras efetuadas pela sociedade empresária autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até os procedimentos de importação das mercadorias e venda dessas no mercado nacional e percebiam o lucro advindo desta atividade. SOLIDARIEDADE PASSIVA POR INFRAÇÃO. CONCURSO NA PRÁTICA E NOS BENEFÍCIOS. POSSIBILIDADE. A pessoa física ou jurídica que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). MULTA QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE MEDIANTE SIMULAÇÃO E CONLUIO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE. Se comprova a fraude mediante simulação e conluio é devida aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade a decisão primeira instância em que apreciada todas as razões de defesa suscitadas pelos impugnantes contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DADOS INTERNOS SUFICIENTES. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos do processo administrativo fiscal extraída de escuta telefônica se a coleta e o repasse à fiscalização da RFB foram judicialmente autorizados. ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE. Somente os diálogos telefônicos regularmente interceptados por autorização judicial relevantes para a instrução probatória devem ser reproduzidos e coligidos aos autos do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se os elementos probatórios coligidos aos autos revelam-se suficientes para formação da convicção do julgador acerca das questões fáticas, a realização de diligência ou a produção de prova pericial torna-se prescindível. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário do Sr. Luiz Scarpelli Filho. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas pelas Recorrentes e o pedido de diligência apresentado, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a nulidade do Auto de Infração em face da invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer o direito da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. de deduzir, do valor do crédito tributário constituído no Auto de Infração, o valor do IPI destacado na nota fiscal de venda do importador, parcialmente vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento ao Recurso; o Conselheiro Walker Araújo, que, além do provido, excluía do polo passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda. e o Sr. Carlos Roberto Carnevali; o Conselheiro Domingos de Sá, que, além do provido, excluía pólo do passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda., o Sr. Carlos Roberto Carnevali e o Sr. Marcílio Palhares Lemos e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas; e a Conselheira Sarah Linhares que, além do provido, afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa Prado se declarou impedida. O Conselheiro Domingos de Sá fará declaração de voto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral: o Dr. Paulo Sehn - OAB 108.361/SP; o Dr. Flávio Eduardo Carvalho - OAB 20.720/DF; o Dr. Mário Franco - OAB 140.284/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante - AOB 19.135/CE. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário do Sr. Luiz Scarpelli Filho. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas pelas Recorrentes e o pedido de diligência apresentado, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a nulidade do Auto de Infração em face da invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer o direito da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. de deduzir, do valor do crédito tributário constituído no Auto de Infração, o valor do IPI destacado na nota fiscal de venda do importador, parcialmente vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento ao Recurso; o Conselheiro Walker Araújo, que, além do provido, excluía do polo passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda. e o Sr. Carlos Roberto Carnevali; o Conselheiro Domingos de Sá, que, além do provido, excluía pólo do passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda., o Sr. Carlos Roberto Carnevali e o Sr. Marcílio Palhares Lemos e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas; e a Conselheira Sarah Linhares que, além do provido, afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa Prado se declarou impedida. O Conselheiro Domingos de Sá fará declaração de voto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral: o Dr. Paulo Sehn - OAB 108.361/SP; o Dr. Flávio Eduardo Carvalho - OAB 20.720/DF; o Dr. Mário Franco - OAB 140.284/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante - AOB 19.135/CE. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 IMPORTAÇÃO COM RECURSOS DE TERCEIROS. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRESUNÇÃO DA OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM. POSSIBILIDADE. Para fins de equiparação a estabelecimento industrial, presume-se por conta e ordem a operação de importação realizada com recursos de terceiro oculto mediante interposição fraudulenta. CONTRIBUINTE DO IPI. REAL IMPORTADOR. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DISSIMULADA. POSSIBILIDADE. Se comprovado que a operação de importação por conta e ordem foi dissimulada, mediante utilização de interposta pessoa, o real importador assume a condição de contribuinte do IPI, por equiparação a estabelecimento industrial. IMPORTADOR EQUIPARADO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. OBRIGATORIEDADE. Na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento, o contribuinte do IPI equiparado a estabelecimento industrial está sujeito ao cumprimento da obrigação principal, consistente no pagamento do tributo devido, e das obrigações acessórias, especialmente, a emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e a escrituração de livros fiscais. CRÉDITO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. APROPRIAÇÃO PELO REAL IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por força do princípio da não cumulatividade, na apuração do IPI a pagar, o real importador pode apropriar como crédito o valor de IPI pago no desembaraço aduaneiro, para fim de dedução do valor do IPI devido na operação de saída do produto importado por conta e ordem do seu estabelecimento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO E A INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se comprovada a existência de fraude ou simulação e a inexistência de pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. POSSIBILIDADE. As pessoas físicas e jurídicas que, informalmente, tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário lançado em nome contribuinte formal pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA DE ATOS FRAUDULENTOS. CABIMENTO. 1. Uma vez comprovado nos autos que as pessoas físicas, ausentes do contrato social da pessoa jurídica autuada, eram seus verdadeiros controladores, dirigentes e beneficiários do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos pela pessoa jurídica, porque caracterizado interesse direto nas operações econômicas que geram as respectivas obrigações tributárias. 2. O interesse comum dos responsáveis solidários fica evidente quando se verifica que eles exerciam o controle de todas as operações gerenciais/comerciais/financeiras efetuadas pela sociedade empresária autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até os procedimentos de importação das mercadorias e venda dessas no mercado nacional e percebiam o lucro advindo desta atividade. SOLIDARIEDADE PASSIVA POR INFRAÇÃO. CONCURSO NA PRÁTICA E NOS BENEFÍCIOS. POSSIBILIDADE. A pessoa física ou jurídica que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). MULTA QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE MEDIANTE SIMULAÇÃO E CONLUIO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE. Se comprova a fraude mediante simulação e conluio é devida aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade a decisão primeira instância em que apreciada todas as razões de defesa suscitadas pelos impugnantes contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DADOS INTERNOS SUFICIENTES. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos do processo administrativo fiscal extraída de escuta telefônica se a coleta e o repasse à fiscalização da RFB foram judicialmente autorizados. ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE. Somente os diálogos telefônicos regularmente interceptados por autorização judicial relevantes para a instrução probatória devem ser reproduzidos e coligidos aos autos do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se os elementos probatórios coligidos aos autos revelam-se suficientes para formação da convicção do julgador acerca das questões fáticas, a realização de diligência ou a produção de prova pericial torna-se prescindível. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   2 operação  de  saída  do  produto  importado  por  conta  e  ordem  do  seu  estabelecimento.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007  PRAZO DECADENCIAL.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  COMPROVADA A  EXISTÊNCIA DE  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO  E  A  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  TERMO INICIAL.  Em  relação  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  se  comprovada  a  existência  de  fraude  ou  simulação  e  a  inexistência  de  pagamento  antecipado,  a  contagem  do  prazo  quinquenal  de  decadência  do  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  tem  início  no  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS PELA PESSOA  JURÍDICA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM  DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. POSSIBILIDADE.  As pessoas  físicas  e  jurídicas que,  informalmente,  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  são  solidariamente obrigadas  em  relação  ao  crédito  tributário  lançado em nome  contribuinte formal pessoa jurídica.  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  INTERESSE  COMUM  DAS  PESSOAS  FÍSICAS  QUE  COMANDAM,  DE  FATO,  A  PESSOA  JURÍDICA. PRÁTICA DE ATOS FRAUDULENTOS. CABIMENTO.  1.  Uma  vez  comprovado  nos  autos  que  as  pessoas  físicas,  ausentes  do  contrato  social  da  pessoa  jurídica  autuada,  eram  seus  verdadeiros  controladores,  dirigentes  e  beneficiários  do  resultado  econômico,  correta  a  determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos  pela  pessoa  jurídica,  porque  caracterizado  interesse  direto  nas  operações  econômicas que geram as respectivas obrigações tributárias.  2.  O  interesse  comum  dos  responsáveis  solidários  fica  evidente  quando  se  verifica  que  eles  exerciam  o  controle  de  todas  as  operações  gerenciais/comerciais/financeiras  efetuadas  pela  sociedade  empresária  autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até os procedimentos  de  importação  das  mercadorias  e  venda  dessas  no  mercado  nacional  e  percebiam o lucro advindo desta atividade.  SOLIDARIEDADE  PASSIVA  POR  INFRAÇÃO.  CONCURSO  NA  PRÁTICA E NOS BENEFÍCIOS. POSSIBILIDADE.  A pessoa física ou jurídica que concorra, de alguma forma, para a prática de  atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito  tributário decorrente.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE.  Após  o  vencimento,  os  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios,  calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4).  Fl. 52516DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.515          3 MULTA  QUALIFICADA.  COMPROVADA  A  FRAUDE  MEDIANTE  SIMULAÇÃO E CONLUIO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU  DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE.  Se  comprova  a  fraude mediante  simulação  e  conluio  é  devida  aplicação  da  multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a  totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização.  JUROS DE MORA.  INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA  DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE.  A multa  de  oficio  incide  sobre  o  valor  do  crédito  tributário  devido  e  não  pago,  acrescido  dos  juros  moratórios,  calculados  com  base  na  variação  da  taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida  multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007  NULIDADE.  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  INOCORRÊNCIA  DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade  a  decisão  primeira  instância  em  que  apreciada  todas  as  razões  de  defesa  suscitadas  pelos  impugnantes  contra  todas  as  exigências  consignadas  no  auto  de  infração  de  forma  fundamentada  e  motivada.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ATENDIMENTO  DOS  REQUISITOS  LEGAIS.  NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade,  o  Auto  de  Infração  lavrado  por  autoridade  competente,  com  observância  dos  requisitos  legais  e  ciência  regular  do  sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa.  NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA.  SUJEITOS  PASSIVOS  SOLIDÁRIOS  REGULARMENTE  CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  cerceamento  do  direito  de  defesa,  se  após  a  conclusão  do  procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de  defesa por todos os sujeitos passivos solidários.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  DADOS  INTERNOS  SUFICIENTES.  INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE.  O  lançamento  de  ofício  pode  ser  realizado  sem prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos  suficientes  à  constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).  PROVA  EMPRESTADA.  DIÁLOGOS  DE  ESCUTA  TELEFÔNICA.  COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE.  É válida a prova carreada aos autos do processo administrativo fiscal extraída  de  escuta  telefônica  se  a  coleta  e  o  repasse  à  fiscalização  da  RFB  foram  judicialmente autorizados.  Fl. 52517DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   4 ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS.  DESNECESSIDADE.  Somente os diálogos  telefônicos regularmente  interceptados por autorização  judicial  relevantes  para  a  instrução  probatória  devem  ser  reproduzidos  e  coligidos aos autos do processo administrativo fiscal.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  REALIZAÇÃO  PRESCINDÍVEL.  INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.  Se os elementos probatórios coligidos  aos autos  revelam­se suficientes para  formação da convicção do julgador acerca das questões fáticas, a realização  de diligência ou a produção de prova pericial torna­se prescindível.  Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não  conhecer o Recurso Voluntário do Sr. Luiz Scarpelli Filho. Por maioria de votos, em rejeitar as  preliminares  arguídas  pelas  Recorrentes  e  o  pedido  de  diligência  apresentado,  vencido  o  Conselheiro  Domingos  de  Sá,  que  reconhecia  a  nulidade  do  Auto  de  Infração  em  face  da  invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em dar parcial provimento  ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer o direito da empresa Mude Comércio e Serviços  Ltda. de deduzir, do valor do crédito tributário constituído no Auto de Infração, o valor do IPI  destacado na nota fiscal de venda do importador, parcialmente vencido o Conselheiro Ricardo  Paulo Rosa, que negava provimento ao Recurso; o Conselheiro Walker Araújo, que, além do  provido,  excluía  do  polo  passivo  a  empresa  Cisco  do  Brasil  Ltda.  e  o  Sr.  Carlos  Roberto  Carnevali;  o Conselheiro Domingos  de Sá,  que,  além do  provido,  excluía  pólo  do  passivo  a  empresa Cisco do Brasil Ltda., o Sr. Carlos Roberto Carnevali e o Sr. Marcílio Palhares Lemos  e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas; e a Conselheira Sarah Linhares que,  além do provido, afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa  Prado  se  declarou  impedida.  O  Conselheiro  Domingos  de  Sá  fará  declaração  de  voto.  Por  unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral: o Dr.  Paulo Sehn ­ OAB 108.361/SP; o Dr. Flávio Eduardo Carvalho ­ OAB 20.720/DF; o Dr. Mário  Franco ­ OAB 140.284/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante ­ AOB 19.135/CE.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  José  Luiz  Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.  Relatório  Trata­se de auto de infração (fls. 1529/1563), em que formalizada a cobrança  do crédito tributário no valor total de R$ 2.642.340.486,49, correspondente a exigência (i) do  Fl. 52518DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.516          5 IPI do período 01/01/2004 a 31/10/2007, que, acrescido de multa de ofício qualificada de 150%  (cento  e  cinquenta  por  cento)  e  juros  moratórios  calculados  até  30/11/2008,  resultou  na  importância de R$ 888.822.267,20, e (ii) da multa regulamentar de 100% (cem por cento) do  valor das mercadorias, por entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado  irregular ou fraudulentamente, no valor de R$ 1.753.518.219,29.  Por  falta  de  competência  da  DRJ  Ribeirão  Preto/PB,  para  julgamento  da  referida multa regulamentar, por meio do Termo de Transferência de Crédito Tributário de fl.  47394,  a  respectiva  parcela  do  crédito  foi  transferida  para  os  autos  do  processo  nº  16151.720.068/2011­86.  Como  permaneceu  nestes  autos  apenas  a  cobrança  do  IPI  e  respectivos  consectários  legais,  o  presente  julgamento  se  restringirá  ao  litígio  concernente  à  matéria remanescente.  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  494/1085,  o  procedimento  fiscal  em  apreço  decorreu  do  trabalho  realizado  pelo Escritório  de  Pesquisa  e  Investigação da Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, desenvolvido no âmbito  do Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.009285­1, instaurado perante a 4ª Vara Federal  Criminal  da  1ª  Subseção  Judiciária  de  São  Paulo/SP,  com  o  objetivo  de  investigar  a  regularidade  da  “a  logística  de  importação  e  distribuição  de  produtos  eletro­eletrônicos  e  de  telecomunicações da empresa norte­americana CISCO SYSTEM INC”.  Além  da  contribuinte  Mude  Comércio  e  Serviços  Ltda.,  doravante  denominada  de  MUDE,  forma  incluídos  no  polo  passivo  da  autuação  como  responsáveis  solidários,  a  pessoa  jurídica  Cisco  do  Brasil  Ltda.,  as  seguintes  pessoas  físicas:  Fernando  Machado Grecco; Marcelo Naoki  Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio,  Hélio  Benetti  Pedreira;  Gustavo  Henrique  Castellari  Procópio;  José  Roberto  Pernomian  Rodrigues;  Luiz  Scarpelli  Filho;  Pedro  Luis  Alves  Costa;  Reinaldo  de  Paiva  Grillo;  Carlos  Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel.  Segundo  a  fiscalização,  as  referidas  pessoas  físicas  e  pessoa  jurídica,  integrantes do Grupo CISCO/MUDE, foram consideradas responsáveis solidárias porque, nos  termos do  art.  124,  I,  do CTN,  elas  tinham  interesse  comum na  situação que  constitutiva do  fato  gerador  do  IPI  cobrado,  em  razão  dos  fatos  apurados  no  curso  das  investigações  promovidas no âmbito da Operação Persona (Relatório RFB/IPEI BA 2007.0005) e do presente  procedimento  fiscal,  em  que  ficou  comprovado  que:  a)  os  citados  responsáveis  solidários  tinham conhecimento da interposição fraudulenta; b) houve conluio entre os componentes do  grupo, com o objetivo de sonegação fiscal;  c) as citadas pessoas  físicas eram sócios  reais ou  ocultos da MUDE; e d) todos os integrantes do grupo contribuíram para o sucesso da fraude e  obtiveram ganhos ilícitos significativos.  O  modus  operandi  do  esquema  de  fraude  nas  operações  de  importação  planejado e  implementado pelo “Grupo MUDE”  foi descrito pela  fiscalização com seguintes  dizeres, in verbis:  No  comando  do  esquema  operacional  de  importações,  encontram­se os principais dirigentes das empresas CISCO DO  BRASIL  LTDA  e  da  sua  distribuidora,  MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA  e  ainda,  juntando­se  a  estes,  outras  pessoas  físicas  e  jurídicas  especificadas  ao  longo  deste  Termo  Fiscal,  notadamente  no  capítulo  III,  que  montaram  uma  seqüência  de  operações  para  ocultação  do  real  importador,  simulando  a  Fl. 52519DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   6 ocorrência  de  importação  direta  ou  própria  em  nome  das  terceiras  pessoas  jurídicas  interpostas,  quando,  na  verdade,  as  importações  ocorriam  por  conta  e  ordem  da  própria  MUDE  COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.  Através  deste  esquema,  atingiam­se  os  objetivos  nas  metas  de  vendas na América Latina da empresa norte­americana CISCO  SYSTEM INC.,  colocando  seus produtos  eletro­eletrônicos  e de  telecomunicações no mercado nacional, reduzindo drasticamente  e  ilegalmente  a  tributação  do  IPI  e  demais  tributos  federais  e  estaduais  incidentes.  Desta  forma,  indiscutível  a  grande  vantagem  na  competitividade  comercial,  além,  é  obvio,  da  subtração de recursos ao erário público.  Conforme  já  explicitado,  as  fraudes  visavam  a  ocultação  dos  reais  adquirentes  e  beneficiários  das  operações  de  comércio  exterior, MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA e CISCO DO  BRASIL LTDA, através da estrutura de importação fraudulenta  baseada na  criação  de empresas  interpostas entre  os  extremos  da  cadeia  logística  (fabricante/real  exportador  e  real  importador/adquirente).  Obscurecendo­se  ainda  mais  os  fatos  reais,  o  grupo  optou  por  criar  o  chamado  "duplo  grau  de  blindagem",  ou  seja,  além  da  criação  do  importador  e  exportador  interpostos,  o  grupo  também  criou  distribuidores  interpostos no Brasil e nos Estados Unidos.  Essas  empresas  interpostas,  normalmente  tinham  seus  quadros  societários  compostos  por  empresas  offshore  (sediadas  em  paraísos  fiscais)  e/ou  pessoas  desprovidas  de  recursos  econômicos  ­  vulgarmente  denominadas  "laranjas",  como  pedreiros,  ambulantes,  operadores  de  telemarketing,  auxiliares  de  escritório,  ferramenteiros  etc.,  conforme  será  exposto  ao  longo do presente Termo.  O  modelo  de  interposição  utilizado  pelo  grupo  CISCO/MUDE  permitiu  a  eles  (reais  importadores  e  adquirentes)  atuarem  no  comércio  exterior  sem  sujeitar­se  a  qualquer  controle  exercido  pela Receita Federal do Brasil ­ RFB. Todas as nacionalizações  foram  declaradas  ao  Fisco  como  importações  realizadas  por  conta  própria  das  importadoras  interpostas,  quando  na  realidade  são  operações  por  conta  e  ordem  de  terceiros  (MUDE/CISCO).  O  real  importador  e  adquirente,  portanto,  permanecia oculto ao Fisco. (grifos do original)  O lançamento do IPI e consectários legais em apreço foi realizado com base  nos seguintes fundamentos:  a)  as  operações  de  compra  dos  produtos  importados  no  mercado  interno  foram simuladas, com  finalidade de ocultar  as  reais operações de  importação  realizadas pela  MUDE por intermédio de interpostas pessoas em situação irregular;  b)  a  contribuinte  MUDE  foi  equiparada  a  estabelecimento  industrial,  nos  termos  do  art.  9º,  I,  do  Decreto  4.544/2002  (RIPI/2002),  por  ser  a  real  importadora  das  mercadorias,  uma  vez  que  incidira  nas  condutas  definidas  no  art.  27  da  Lei  10.637/2002,  combinado com o art. 79 da Medida Provisório 2.158­35/2001; e  Fl. 52520DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.517          7 c)  comprovada  a  fraude, mediante  interposição  fraudulenta  na  operação  de  importação, e não lançados e recolhidos IPI devido na operação de saída/revenda dos produtos  no mercado interno, a multa de ofício aplicada foi qualificada de 150% (cento e cinqüenta por  cento), prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/1996.  Cientificados  da  autuação,  em  sede  de  impugnação,  a  autuada  e  os  responsáveis solidários apresentaram impugnações, cujas razões de defesa foram resumidas no  relatório encartado na decisão de primeiro grau, nos termos que seguem transcritos:  1. IMPUGNAÇÃO. MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA  Regularmente  cientificada  da  autuação,  em  21/12/2009,  conforme  consta  do  auto  de  infração  (fls.  1543),  a  empresa  ingressou  com  impugnação  na  qual,  após  explanação  sobre  o  modelo de negócio adotado, alegou, em preliminar, que o fato de  a empresa ter sido alvo de operação policial, com interceptação  de  ligações  telefônicas  e  de  mensagens  telemáticas,  não  pode  influenciar a análise da  impugnação, que deve  ser  julgada nos  moldes  da  legislação  aplicável,  o  que  certamente  acarretará  a  declaração de insubsistência do auto de infração. Alertou, ainda,  que  a  ausência  dos  elementos  da  impessoalidade  e  da  imparcialidade  nos  atos  administrativos  (auto  de  infração  e  decisão administrativa) acarreta sua nulidade.  Em  síntese,  também  em  preliminar,  fez  as  seguintes  considerações:  1.1 CERCEAMENTO DEFESA:  A empresa alegou cerceamento de seu direito de defesa, por ter  solicitado cópias dos autos (documentos) e estas não terem sido  disponibilizadas até a data da impugnação.  Acrescentou que recebeu simultaneamente a ciência de diversos  autos  de  infração,  nos  últimos  dias  do  ano  fiscal,  com  prazos  para  impugnação praticamente idênticos e esse  fato juntamente  com  a  obtenção  de  cópias  do  processo  que  continha  17  mil  páginas  de  documentos  impediu  o  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  na  medida  em  que  a  empresa  não  pode  confrontar as acusações do Termo de Verificação Fiscal com os  documentos que compõe o auto. E que, as provas que sustentam  as  acusações  de  fraude,  simulação  e  conluio  são  justamente  aquelas  que  foram  indevidamente  utilizadas  no  processo  administrativo fiscal, de modo que a contestação somente poderá  ocorrer com a devida análise do conjunto probatório.  1.2 NULIDADE DAS PROVAS:   Alegou  que  as  provas  que  fundamentaram  a  autuação  foram  colhidas  nos  autos  do  procedimento  criminal  no  âmbito  da  operação policial deflagrada em conjunto com a Receita Federal  do  Brasil  e,  sendo  assim,  por  terem  sido  obtidas  com  o  único  objetivo  de  instruir  ação  criminal,  jamais  poderiam  ser  utilizadas no processo administrativo fiscal, violando o artigo 5º  da  Constituição  Federal,  incisos  X,  XI  e  XII,  devendo  a  D.  Fl. 52521DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   8 Turma  Julgadora  determinar  a  desconstituição  do  crédito  tributário.  A quebra do sigilo das informações pessoais somente poderá ser  admitida por ordem judicial e para fins de investigação criminal  ou  instrução  processual  penal  (Lei  nº  9.296/96).  A  indevida  utilização  dessas  provas  implica  considerar  também  os  mecanismos  à  disposição  da  defesa  no  âmbito  criminal,  transportando­se  aquele  contraditório  especialíssimo  para  o  bojo do procedimento fiscal, o que se mostra totalmente inviável.   Por  conseguinte,  a  D.  Turma  Julgadora  deve  deixar  de  reconhecer  a  validade  das  provas  colhidas  no  âmbito  criminal  no presente processo administrativo reconhecendo, assim, que o  auto de infração carece de “fundamentação fático­probatória” e  determinando­se seu cancelamento.  1.3  AUSÊNCIA  DE  RELAÇÃO  ENTRE  AS  PROVAS  E  O  LANÇAMENTO:   Suscitou  que  as  provas  colecionadas  nos  autos  referem­se  a  períodos  diferentes  daqueles  tratados  no  auto  de  infração  (janeiro de 2004 a outubro de 2007), porquanto as ligações e e­ mails coletados para comprovação do “esquema fraudulento de  importações”, ocorreram no ano de 2007, sem qualquer relação  com os fatos geradores do presente auto. É princípio basilar de  direito que as provas devam ter relação direta com os fatos tidos  como infracionais, não se admitindo que tais documentos sejam  base para  a  constituição  do  crédito  tributário do  ano  de  2003,  nem para a aplicação da multa agravada.  1.4  AUTUAÇÃO  COM  BASE  EM  SUPOSIÇÕES  ­  NULIDADE DO PROCEDIMENTO:  Argumentou  que,  de  acordo  com  a  doutrina,  para  que  haja  o  lançamento tributário se faz necessário que a descrição do fato  contido no auto de infração seja bastante clara e objetiva, não se  admitindo presunções, de forma que não pairem dúvidas acerca  da  ocorrência  do  fato  e  que  haja  a  completa  subsunção  desse  fato  à  norma  jurídico­tributária,  sob  pena  de  nulidade  do  lançamento, não se permitindo aplicar qualquer tipo de punição  com base em presunções.  E que sendo assim, a aplicação de sanções depende de prova que  deve  ser  exaustivamente  promovida  pelo  fisco,  de  forma  a  convencer,  por  meios  não  indiciários,  mas  diretos,  o  julgador  quanto  da  procedência  do  alegado.  Trata­se  de  uma  proteção  estabelecida  em  favor  da  liberdade  e  do  patrimônio  do  contribuinte, que não pode ser punido com base em presunções.  Portanto,  comete  a  fiscalização  uma  ilegalidade  ao  exigir  da  impugnante  tributos  e multas  sobre um  fato  jurídico presumido  (supostas  irregularidades nos processos de  importação do ano­ base de 2003) e não provado, mormente quando se verifica que a  impugnante jamais antecipou valores às importadoras.  Necessário  para  que  o  auto  de  infração  possa  subsistir  que  a  fiscalização  comprove,  documentalmente,  por  meios  diretos  e  não indiretos (presuntivos) a alegada intenção de ocultar o real  adquirente das mercadorias, ante toda a documentação que lhe  Fl. 52522DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.518          9 foi apresentada, ou ainda, que tivesse comprovado a ocorrência  da  realização  de  atos  simulados,  o  que  também  não  foi  feito,  pois,  ao  contrário,  o  que  se  verificou  foi  que  nenhum  dos  atos  praticados poderia ser considerado ilícito ou ilegal.  1.5  IMPOSSIBILIDADE  DE  UTILIZAÇÃO  DE  PROVA  EMPRESTADA:  O auto de infração foi lavrado com base em prova emprestada,  produzida  no  âmbito  criminal,  o  que  não  é  admitido,  já  que  a  fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que  regem a administração pública, dentre os quais destaca­se o da  motivação  e  o  da  legalidade.  Sendo  assim,  os  agentes  fiscais  jamais poderiam lavrar os autos sem fazer levantamento e exame  completo  de  toda  a  documentação  contábil  das  empresa  que  participaram da fiscalização.  O  Conselho  de  Contribuinte  tem  entendimento  de  que  não  se  pode  utilizar  prova  emprestada,  cancelando  o  lançamento  lavrado nessa situação.  1.6  DA  NULIDADE  DA  TRANSCRIÇÃO  DAS  PROVAS  NO  TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL:  Fácil notar a absoluta manipulação dos supostos meios de prova  que,  além  de  muitas  vezes  serem  objeto  de  conclusões  sem  qualquer fundamento ou relação com o documento a que se faz  referência,  nunca  são  transcritos  em  sua  totalidade.  Na  quase  totalidade  das  transcrições  a  fiscalização  sequer  transcreveu  o  diálogo, utilizando­se,  como meio de prova, mera descrição ou  resumo  da  conversa  a  partir  das  impressões  dos  próprios  Auditores Fiscais. Impossível não notar a facilidade com que se  pode manipular  esse  procedimento  “probatório”,  configurando  claro e evidente cerceamento do direito à ampla defesa.  1.7  INSUBSISTÊNCIA  DAS  ALEGAÇÕES  DE  IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA:  A  alegação  de  prática  de  uma  série  de  operações  comerciais  simuladas com objetivo de fraudar o fisco não possui a mínima  fundamentação,  seja  porque  (i)  nem  a  impugnante,  nem  os  importadores  operavam  exclusivamente  com  produtos  da  CISCO, de modo não fazer qualquer sentido a acusação de que  se  tratava  de  uma  organização  sob  comando  único;  (ii)  a  simulação, além de não existir e, por conseqüência, não ter sido  documentalmente  comprovada,  seria  relativa  a  períodos  diferentes  daqueles  que  foram  autuados  e  (iii)  não  existe  qualquer  fraude  ao  Fisco,  já  que  não  houve  prova  de  que  as  operações  comerciais  realizadas  pela  impugnante  geraram  redução  de  carga  tributária  (haveria  a  necessidade  de  considerar que o importador, na forma como realmente ocorreu  a operação, recolheu o PIS e a Cofins sobre o total das vendas  realizadas, ao passo que, na hipótese de importação por conta e  ordem,  a  base  de  cálculo  das  operações  do  importador  seria  simplesmente o preço do serviço).  Fl. 52523DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   10 Acrescentou que as acusações sobre o suposto adiantamento de  valores,  bem  como  o  suposto  acompanhamento  da  cadeia  por  parte  da  impugnante,  como  justificativas  da  interdependência,  nada mais  são  que  frutos  de  uma  visão  equivocada do modelo  just in time, o qual se funda na intensa e rápida interação entre  os membros da cadeia produtiva e, em ultima hipótese, se fosse  possível dizer que um ou mais agentes controlavam a cadeia de  distribuição,  sem  dúvida  tais  agentes  somente  poderiam  ser  o  fabricante  ou  o  usuário  final,  pois  são  esses  agentes  que  “empurram e puxam” a cadeia produtiva.  Outro  ponto  que  demonstra  a  improcedência  das  acusações  refere­se às acusações de que as  importações  foram realizadas  por  empresas  offshore ou desprovidas  de  recursos  econômicos,  pois  cada  importação  realizada  convalida  a  existência  das  empresas  importadoras,  já  que  a Receita Federal  autorizava  o  desembaraço  aduaneiro  sem  qualquer  óbice  à  operação.  Também é de se observar que utilizando o critério adotado pela  Fiscalização,  a  maioria  das  empresas  poderiam  ser  caracterizadas como interpostas, pois é sabido que uma empresa  com grande volume de operação não precisa,  necessariamente,  ter sócios de grande poder aquisitivo.  Ademais,  a  prova  sobre  a  existência  regular  dos  importadores  cumpre a eles (importadores) e não à impugnante.  Questão  relevante  também  diz  respeito  à  contabilidade  da  impugnante.  Por  um  lado  o  Fisco  afirma  que  se  trata  de  contabilidade  imprestável, que não espelha verdadeiramente os  fatos  contábeis  ocorridos,  registrando  apenas  a  simulação  das  operações, mas  por  outro,  aproveita  os  valores  das  saídas  das  mercadorias, constantes das notas fiscais, para exigir o IPI e a  multa  objeto  do  AI,  sem  efetuar  o  arbitramento  previsto  no  artigo 138 do Regulamento do IPI.  O  questionamento  que  se  faz  é  se  faria  sentido  estruturar  uma  operação  com  suposto  objetivo  de  economizar  tributos  se,  por  outro  lado,  haveria  tantas  outras  incidências  tributárias  (PIS,  Cofins,  etc...).  O  preço  das  mercadorias  vendidas  pela  impugnante  é  maior  do  que  o  praticado  pelos  concorrentes,  fazendo  a  diferença  dos  serviços  a  velocidade  e  a  segurança  oferecidas pela impugnante.  1.8  DA  DESMISTIFICAÇÃO  DA  LINGUAGEM  COLOQUIAL  UTILIZADA  NAS  MENSAGENS  TELEMÁTICAS E CONVERSAS TELEFÔNICAS.  A  expressão“antecipação  de  pagamentos”,  que  aos  olhos  da  Fiscalização trata de antecipação de recursos aos importadores,  na  realidade  nada  mais  é  do  que  o  pagamento  antecipado  de  faturas a vencer, mas de mercadorias  já entregues, recebidas e  com o pagamento em aberto.  Ressalte­se,  uma  vez mais,  que nunca  houve  financiamento das  importações por parte da impugnante.   Outra  interpretação  incorreta  diz  respeito  ao  verbete  “comissão”  que  não  se  trata  de  remuneração  paga  aos  importadores  pelos  serviços  prestados  aos  reais  adquirentes,  Fl. 52524DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.519          11 conforme  entendeu  a  Fiscalização,  mas  ao  percentual  de  adicional  de  preço  praticado  por  cada  fornecedor  de  mercadorias.  As  alegações  de  MÉRITO  são  transcritas  resumidamente  a  seguir:  1.9  DA  INEXISTÊNCIA  DE  ANTECIPAÇÃO  DE  RECURSOS  E  DA  INDEVIDA  EQUIPARAÇÃO  A  ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL:  Jamais  poderia  prevalecer  a  acusação  de  antecipação  de  recursos  aos  Importadores  tendo  em  vista  que  não  houve,  por  parte  da  Fiscalização  um  levantamento  individualizado  da  movimentação  de  recursos  para  pagamento  da  aquisição  de  mercadorias CISCO. Analisando a planilha elaborada pelo fisco  no  intuito  de  demonstrar  a  antecipação  de  recursos,  não  se  verifica  nenhuma  coluna  dedicada  à  operação  de  compra  e  venda de mercadorias,  tampouco à  sua aquisição e  entrada no  estabelecimento.  Ademias  constata­se  que  não  houve  qualquer  antecipação de recursos,  já que a operação se deu num mesmo  dia  (14/04/2003).  Também  é  fato  de  que  o  trabalho  fiscal  não  poderia  se  ater  à  verificação  de  uma  única  operação  de  aquisição de mercadorias feita pela impugnante, necessário que  fosse  produzida  prova material  individualizada  para  cada  uma  as  operações  de  compra  praticada  pela  impugnante,  demonstrando  a  ocorrência  das  supostas  irregularidades.  Ademais, se fosse válido tal documento ele faria prova em favor  da impugnante já que o total das despesas do fornecedor (até o  dia 10 de setembro de 2003) soma R$ 2.002.193, ao passo que,  em 25/09/2003 a  impugnante  teria  depositado  a  quantia  de R$  1.685.255,95,  o  que  demonstraria  que  não  ocorreu  qualquer  antecipação  de  recursos  e  que  o  fornecedor  tinha  recursos  próprios para arcar com suas operações.  Nos  termos  do  artigo  276  do  RIR/99,  a  escrituração  mantida  com observância das disposições legais FAZ PROVA A FAVOR  DO CONTRIBUINTE dos fatos nela registrados e comprovados  por  documentos  hábeis.  Assim,  a  declaração  de  vontade  consubstanciada  nos  documentos  emitidos  pelas  importadoras,  devidamente registrados na contabilidade como compra e venda  de mercadorias, não havendo impedimento para tanto e sendo os  agentes capazes e lícito o objeto é hábil para comprovar o fato.  A  principal  prova  da  antecipação  de  recursos  é  uma  planilha  apócrifa  e  alterada pela d.  fiscalização. Esse  documento não é  hábil e idôneo para justificar a autuação, uma vez que o direito  não pode se pautar em suposições.   Os  importadores  figuram  como  legítimos  compradores  dos  produtos CISCO pois  a  operação  foi  realizada  com obediência  ao Ato Declaratório Interpretativo nº 07/02 – legitima compra de  mercadorias  nacionalizadas.  Caso  não  tivessem  agido  desta  forma, estariam sujeitos ao PIS e a Cofins sobre a totalidade das  operações  com o  acréscimo de  juros  de multa de  até  150% do  valor do tributo lançado. Por conseguinte, não se pode aplicar à  Fl. 52525DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   12 impugnante  qualquer  penalidade,  já  que  ela  e  os  importadores  trataram  as  suas  operações  em  conformidade  com  ato  administrativo válido. Mudanças de posicionamento do Fisco em  razão de determinada matéria não pode acarretar a autuação do  Contribuinte  quando  este  seguiu  à  risca  as  instruções  daquele  órgão.  1.10 DEMONSTRAÇÃO DOS PAGAMENTOS:  A  impugnante  realizou  minucioso  levantamento  em  sua  contabilidade considerando a data de  entrada das mercadorias  adquiridas em 2003, o dia em que foi emitida a cobrança e o que  em que realmente foi quitada a operação de compra e venda, no  qual  restou  constatado  que  NUNCA  HOUVE  ANTECIPAÇÃO  DE  RECURSOS  POR  PARTE  DA  IMPUGNANTE  PARA  FINANCIAR O IMPORTADOR, mas tão­somente pagamentos de  faturas antes do vencimento (doc. 08).  A  impugnante  solicitou  realização  de  PERÍCIA  contábil,  conforme laudo em anexo (doc. 09), que afirmou não ter havido  antecipação de recursos aos fornecedores.  1.11 DA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO PRÓPRIO (IN/SRF Nº  228/02)  PARA  A  CONSTATAÇÃO  DE  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA:  A  legislação  estabeleceu  procedimento  específico  para  a  verificação da origem dos recursos utilizados nas operações com  do  comércio  exterior,  a Portaria MF nº  350/2002  e  IN SRF nº  228/2002,  esta  estabelecendo  instauração  de  procedimento  especial de verificação da origem dos recursos sem a qual o auto  é  nulo.  Tal  procedimento  prévio  não  foi  praticado  pelas  autoridades fiscais, não podendo subsistir a autuação lavrada.  Ao  analisar  o  cadastro  das  empresas  mencionadas  na  peça  fazendária  como  sendo  as  importadoras  e  distribuidoras,  verifica­se  três  situações  distintas:  (i)  inaptidão  do  CNPJ  da  BRASTEC  em  14/01/2008;  (ii)  suspensão  do  CNPJ  da  ABC  Industrial da Bahia Ltda. em 16/03/2009; e (iii) todos os demais  CNPJ estão ativos.  Fato  é  que,  à  época  das  aquisições,  não  havia  qualquer  declaração de inaptidão ou de suspensão, não podendo o Fisco  considerar  que  aquelas  operações  teriam  sido  praticadas  de  forma irregular.  Todos  os  importadores  detinham  o  “RADAR”  e  todas  as  importações foram objeto de registro das respectivas DI.  1.12  DA  IMPROCEDÊNCIA  DA  ALEGAÇÃO  DE  QUE  AS  IMPORTADORAS E AS DISTRIBUIDORAS SÃO EMPRESAS DE  “FACHADA”  A  impugnante  procurou  as  empresas  envolvidas  para  obter  elementos  que  corroborassem  sua  convicção  acerca  da  idoneidade de seus fornecedores, trazendo aos autos documentos  que comprovam a regularidade de suas atividades.  Fl. 52526DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.520          13 1.13 DA  ILEGALIDADE DA  INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A  MULTA  DE  OFÍCIO  AGRAVADA  E  SOBRE  A  MULTA  EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS.  Não  pode  prosperar  a  incidência  de  juros  sobre  as  multas  lançadas no presente auto, pois a partir do vencimento do prazo  para  recolhimento  do  crédito  tributário  apurado  no  AI,  as  autoridades fiscais certamente computarão juros de mora sobre  a  multa  de  ofício  e  sobre  a  multa  de  100%  do  valor  das  mercadorias, não obstante os juros que já incidem sobre o valor  da obrigação principal. Tal procedimento é ilegal.  1.14 DA INEXISTÊNCIA DE CONTROLE ­ ACOMPANHAMENTO  NATURAL  DE  MERCADO  PARA  QUALQUER  CADEIA  DE  COMÉRCIO.  As acusações acerca do suposto acompanhamento da cadeia de  negócios  por  parte  da  impugnante,  como  justificativas  da  interdependência,  nada  mais  é  do  uma  visão  equivocada  do  modelo  just  in  time,  o  qual  se  funda  na  intensa  e  rápida  interação  entre  os  membros  da  cadeia  produtiva  e,  em  ultima  hipótese,  se  fosse  possível  dizer  que  um  ou  mais  agentes  controlavam  a  cadeia  de  distribuição,  sem  dúvida  tais  agentes  somente poderiam ser o  fabricante ou o usuário  final, pois são  esses agentes que “empurram e puxam” a cadeia produtiva.  1.15  NÃO  COMPROVAÇÃO  DE  SUBFATURAMENTO  ­  BANALIZAÇÃO DO CRIME.  A  fiscalização  não  perdeu  a  oportunidade  de  acusar  a  impugnante  de  promover  o  subfaturamento  nas  operações  de  importação, como se ela fosse a real  importadora dos produtos  comprados  de  seus  distribuidores  e  verdadeira  chefe  de  uma  quadrilha de criminosos, unidos para fraudar o Fisco. Para este  fato  a  fiscalização  desrespeitou  a  personalidade  jurídica  de  incontáveis  empresas,  taxando­as  de  interpostas  e,  seus  sócios,  de  “laranjas”.  Não  pode  a  fiscalização  agir  com  tamanha  irresponsabilidade  e  despreparo,  com  acusações  infundadas,  feitas  sem qualquer prova ou por meio de provas manipuladas.  Obvio que este tipo de procedimento macula a autuação de vício  insanável e a torna absolutamente nula.  1.16  DA  AUSÊNCIA  DE  FRAUDE,  SIMULAÇÃO  E  CONLUIO  ­  INAPLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA DE 150%:  A matriz legal da multa agravada foi revogada pelo artigo 40 da  Lei nº 11.488/2007 de modo que não poderá prevalecer qualquer  cobrança  com  fundamento  legal  em  dispositivo  revogado  expressamente.  Ainda que houvesse alguma simulação nas operações realizadas  pela impugnante, esta não configuraria, por si só, a hipótese de  aplicação  da multa  agravada,  pois,  para  que  esta multa  possa  ser  exigida  é  necessário  que  a  fiscalização  demonstre  que  as  operações foram feitas com evidente intuito de fraude, conforme  definido nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ou seja, que  Fl. 52527DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   14 a empresa intencionalmente adotou uma conduta com o objetivo  de fraudar.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  fiscalização  sequer  mencionou  ter  havido  dolo  e  má­fé,  não  se  preocupando  em  provar o fato.  1.17  DA  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  CONSTITUIR  CRÉDITOS DE IPI.  Como  não  se  pode  falar  em  fraude,  simulação  ou  conluio,  verifica­se que parte do crédito  tributário constituído nos autos  (ano  de  2004)  foi  atingida  pela  decadência,  prevista  no  artigo  150, § 4º, do Código Tributário Nacional.  1.18 VALOR TRIBUTÁVEL  A impugnante também argumentou quanto à obrigatoriedade de  o  fisco  em  arbitrar  o  valor  tributável  do  IPI  e  o  valor  das  mercadorias para fins de apuração dos  tributos na  importação,  ao  constatar  a  suposta  idoneidade  dos  documentos  fiscais  e  a  interposição  fraudulenta  nas  operações  de  importação,  fato  previsto no artigo 148 do CTN, aplicável sempre que o valor ou  o  preço  de  bens,  direitos  ou  serviços  sejam  omitidos  ou  não  mereçam  fé  das  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados  pelo sujeito passivo, ou os documentos emitidos por este ou por  terceiro legalmente obrigado.  1.19  ERRO  NA  SUJEIÇÃO  PASSIVA.  ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO.  Ao  exigir  do  impugnante  o  pagamento  do  IPI  e  das  multas,  o  Fisco  identificou  incorretamente  o  sujeito  passivo,  o  que  acarreta a nulidade do auto de infração.  No entendimento consolidado no E. Conselho, nos casos em que  houver operação por conta e ordem, o estabelecimento que será  equiparado  a  industrial  será  aquele  que  realmente  financiar  a  operação.   Em  sendo  assim,  no  caso  de  prevalecer  o  entendimento  que  houve  importação  por  conta  e  ordem,  jamais  poderia  ser  equiparada a industrial a impugnante, pois, em última análise, a  fiscalização  entendeu  que  quem  financiava  a  operação  com  produtos Cisco System INC., seja diretamente, seja pela CISCO  Capital ou GE Capital, era a CISCO.  Por  outro  lado,  a  situação  abordada  nos  autos  é  exatamente  igual à  tratada no caso da empresa TELECON. No entanto, no  caso  presente,  o  Fisco  lavrou  o  auto  de  infração  contra  a  impugnante  (equiparando­a  a  industrial)  e,  no  caso  da  TELECON, o auto de infração foi lavrado contra o destinatário  final das mercadorias.  1.20 DA AUSÊNCIA DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO  IPI.  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  NÃO­ CUMULATIVIDADE:  O  Fisco,  para  exigência  do  tributo  devido,  equiparou  a  impugnante a estabelecimento industrial e exigiu­lhe o IPI sobre  Fl. 52528DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.521          15 o  valor  total  das  mercadorias  vendidas,  considerando  como  crédito  apenas  as  entradas  à  titulo  de  devolução,  não  considerando  como  crédito  o  montante  do  IPI  pago  nas  operações anteriores, devidamente lançados nas notas fiscais de  aquisição,  em  clara  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade do imposto. Caso a fiscalização tivesse utilizado  os  créditos  de  IPI  na  entrada,  o  valor  deste  crédito  seria  de  cerca  de  R$  28.053.185,52,  o  que  resultariam  um  IPI  supostamente devido de R$ 216.503,48.  Tal  ato  se  deu  sob  a  alegação  de  que  tais  créditos  foram  considerados como custo na apuração do IRPJ e da CSLL, fato  sequer provado nos autos.  E  mesmo  que  houvesse  esta  demonstração,  caberia  a  fiscalização  “demonstrar  que  o  reflexo  tributário  desse  procedimento é  exatamente o mesmo do que o creditamento do  IPI”  e  o  lançamento  da  diferença  destes  impostos  e  contribuições e não desconsiderar o crédito do IPI.  1.21 ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC:  Não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a  utilização da  taxa selic,  já que sua  fixação visa a remuneração  do investidor e não para ser aplicada como sanção por atraso no  cumprimento de uma obrigação. Ademais, deve­se ressaltar que  a  referida  taxa  não  foi  criada  e  definida  em  lei,  mas  por  Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio  constitucional  da  legalidade,  bem  como  ao  disposto  no  artigo  161, § 1º, do CTN.  1.22 PEDIDO DE PERÍCIA E PEDIDO DE DILIGÊNCIA.  Por fim, com respaldo no disposto no artigo 16, IV, do Decreto  nº  70.235/72  e  no  artigo  11  da  Portaria  RFB  nº  10.875/2007,  solicitou realização de perícia para que se comprovem todos os  argumentos anteriormente delineados, nomeando como perito o  Sr.  Luiz  Fernando  Lyra  Magalhães,  contador  e  indicando  quesitos:  a) se houve adiantamento de recursos;  b)  apurar  os  créditos  de  IPI  nas  operações  anteriores  as  praticadas  pela  impugnante  e  calcular  o  montante  que  seria  devido a título de IPI considerando tais créditos;  c) esclarecer se, de  fato, havia o endividamento da  impugnante  frente  a  seus  fornecedores  e  como  se  registrou  esse  endividamento.  Também  solicitou  a  realização  de  diligência,  para  que  se  comprovem  todos  os  argumentos  anteriores,  solicitando  às  autoridades fiscais que respondam aos seguintes quesitos:  a) verificar, perante a WHAT´S UP, mediante análise, se houve,  durante  o  período  compreendido  pela  autuação,  algum  pagamento da impugnante para tal empresa;  Fl. 52529DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   16 b)  averiguar  contra  quem  a  WHAT´S  UP,  no  período  compreendido no AI, emitia suas faturas e qual era o serviço por  ela prestado e,  c)  elaborar  relação  identificando  os  nomes  dos  adquirentes  finais  das  mercadorias  CISCO  e  respectivos  valores.Após,  identificar  nas  notas  fiscais  de  saída  emitidas  pela  impugnante  as  vendas  dos  produtos  encomendados  por  intermédio  das  purchase  orders  .  Por  fim  diligenciar  junto  aos  encomendantes  para  que  eles  relacionem  as  notas  fiscais  de  saída  para  os  usuários finais.  Em  06/05/2010,  a  empresa  encaminhou  os  documentos  de  fls.  27.905 a 28.202, solicitando , com fulcro no artigo 16, § 4º, a e §  5º  do Decreto  nº  70.235/72,  a  juntada  do  anexo:  Relatório  de  Análise  de  Créditos  de  IPI  2007  (doc.  02),  elaborado  pela  empresa  M/Legate  Soluções  Empresariais,  relativamente  aos  créditos do IPI de 2007, que comprova créditos no montante de  R$ 75.962.547,95  Em  19/10/2010  a  empresa  encaminhou  os  documentos  de  fls  28.297 a 28.804 solicitando, com fulcro no artigo 16, § 4º, a e §  5º do Decreto nº 70.235/72, a juntado de provas que contradizem  a  alegação  do  Fisco  que  as  empresas  envolvidas  eram  “tudo  uma  coisa  só”  e  comprovam  a  existência  das  importadoras,  inclusive,  demonstrando  sua  personalidade  jurídica  respeitada  pelo próprio Fisco em autuações aduaneiras.  Na  mesma  data  juntou  Pareceres  dos  professores  Paulo  de  Barros Carvalho e Eurico Marcos Diniz de Santi, analisando o  modelo de negócio adotado pela empresa.  2. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS  2.1 CISCO DO BRASIL.  A  empresa CISCO  apresentou,  em  26/01/2010,  impugnação  ao  Termo de Sujeição Passiva Solidária, protestando pela posterior  juntada  de  elementos  de  prova.  Fez,  em  resumo,  as  seguintes  considerações:  2.1.1 DO MODELO NEGOCIAL DA CISCO:  A  CdB,  ora  impugnante,  é  uma  subsidiária  da  CSI  e  foi  constituída  em  1994  para  desenvolver,  basicamente,  atividades  de  suporte  de  pré­venda,  serviços  relativos  à  geração  de  demanda e fornecimento de partes para reposição em virtude de  garantia.   O modelo  de  negócios,  padrão  do  grupo Cisco  em mais  de  80  países  e  também  adotado  pela  maioria  de  seus  concorrentes,  consiste  basicamente  em  um  sistema  de  vendas  indiretas  (“channel  partiner  program”  ou  “canais  de  distribuição”),  segundo o  qual  os  produtos  de  sua  fabricação  são distribuídos  por terceiros não­relacionados (parceiros). As vendas realizadas  nos  USA  de  forma  transparente  e  segundo  as  regras  do  “Incoterms”.  O  preço  de  venda  dos  produtos  Cisco  era  determinado  em  total  consistência  com  a  política  global  de  descontos  do  grupo  (que  geralmente  concede  abatimentos  Fl. 52530DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.522          17 relevantes  em  torno  de  30%  a  60%  dependendo  dos  níveis  de  certificação)  e,  em  2003,  o  nível  de  descontos  praticado  para  todos os distribuidores na América Latina era da ordem de 40%,  podendo ser maior em grandes transações, negócios estratégicos  e  distribuidores  aptos  à  prestação  de  serviços  de alto  nível  em  seus territórios.  Referidos parceiros são empresas multinacionais, as quais ficam  responsáveis  pelo  gerenciamento  de  estoque,  pela  logística  internacional  (inclusive  no  tocante  a  todos  os  trâmites  aduaneiros) e pela revenda de produtos Cisco, não se  tratando  de  esquema  para  redução  de  carga  tributária,  mas  sim  de  prática  negocial  lícita  e  usual  no  setor  de  tecnologia  da  informação (TI).  O  modelo  “one­tier”,  os  parceiros  adquirem  os  produtos  diretamente  da  CSI  para  revenda  de  seus  usuários  finais.  Referidos  integradores de  sistema  são,  em sua grande maioria,  empresas  de  grande  porte,  como,  por  exemplo,  a  IBM  e  Telefônica.  O modelo “two­tier” o distribuidor não­relacionado  localizado  nos USA adquire os produtos da CSI e exporta para os parceiros  não­relacionados  no Brasil,  os  quais,  por  sua  vez,  revendem  o  produto  localmente.  Por  regra,  os  distribuidores  não­ relacionados nos USA são contratualmente proibidos de vender  diretamente  aos  consumidores  finais  e  normalmente  possuem  estoques de produtos.  Em  ambos  os  modelos,  os  parceiros  efetuam  as  compras  no  exterior  e  são  responsáveis  pela  importação  e  pelos  procedimentos  relativos  ao  desembaraço  aduaneiro  dos  equipamentos  no  Brasil,  bem  como  pela  revenda  para  os  consumidores  finais  e  são  os  responsáveis  por  estabelecer  os  preços  aplicáveis  na  revenda,  assim  como  quaisquer  outros  termos e condições – exceto em condições específicas previstas  na política de descontos do grupo Cisco.  A  impugnante,  portanto,  não  importa  produtos  para  revenda,  mas  apenas  para  uso  próprio  (ativo  fixo) ou  partes  e  peças  de  reposição para fornecimento aos adquirentes dos produtos Cisco  em virtude de garantia.   Inclui­se  na  atividade  de  suporte  de  pré­venda  a  :  i)  demonstração  de  produtos,  ii)  a  apresentação  de  seminários  técnicos e o treinamento para os engenheiros de seus parceiros;  iii) a apresentação de seminários de vendas e treinamento para  os  executivos  do  departamento  de  vendas  dos  parceiros;  iv)  visitas aos clientes juntamente com os parceiros; v) a revisão de  propostas  técnicas  e  vi)  a  solicitação  de  desconto  junto  à CSI,  dentro dos limites da referida política de descontos estabelecida  pelo grupo.  É  de  se  enfatizar  que  constitui  prática  normal  a  busca  de  maiores descontos possíveis pelos parceiros da CSI  e,  de  igual  sorte,  o  envolvimento  dos  funcionários  da  impugnante  nesse  Fl. 52531DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   18 processo  é  igualmente  regular  e  corriqueiro,  constituindo,  na  verdade,  uma  das  atividades  previstas  contratualmente,  pela  qual a impugnante é remunerada pela CSI, além dos serviços de  suporte  de  marketing  e  vendas  e  assistência  técnica  e  treinamento.  2.1.2 DAS PROVAS:  Nenhuma  das  provas  colididas  pela  fiscalização  demonstra  qualquer fundamento para invocar a sujeição passiva solidária e  tampouco qualquer conhecimento por esta quanto aos alegados  fatos  fraudulentos  que  teriam  sido  cometido  pela  Mude.  A  maioria das provas coligidas se refere à Mude e a terceiros, não  à impugnante e tampouco se refere ao período autuado;  Invalidade das provas emprestadas e do cerceamento de defesa  decorrente  da  violação  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  na  formação da prova;  O procedimento criminal nº 2005.61.81.009285­1 foi instaurado  exclusivamente em desfavor das pessoas físicas investigadas, não  havendo  evidências  de  contraditório  envolvendo  as  pessoas  jurídicas  envolvidas.  Não  foi  concedido  à  impugnante,  no  processo criminal a oportunidade de examinar formalmente, em  juízo, o conteúdo das gravações, alegar incoerências, requerer a  verificação de sua autenticidade, entre outros, como ocorreria se  parte  ela  fosse  de  tal  procedimento.  Com  a  transferência  irregular  das  mencionadas  “provas  emprestadas”  (falta  de  identidade  entre  as  partes),  de  cuja  produção  da  impugnante  jamais tomou parte, restou violado o princípio constitucional do  devido  processo  legal,  com  as  suas  inerentes  e  fundamentais  garantias, quais sejam: o contraditório e a ampla defesa, o que  representa claro cerceamento de defesa. As provas, evidências e  indícios  daí  obtidos  serão  necessariamente  inválidos  e  não  podem embasar uma medida de sanção contra a empresa. Sendo  assim,  a  prova  emprestada  na  presente  ação  fiscal  não  pode  embasar a solidariedade da impugnante, a quem se quer imputar  uma gravíssima sanção sem que tenha contraditado devidamente  a  principal  prova,  que  contra  ela  não  foi  produzida  no  âmbito  criminal.  Mesmo se as provas coletadas  fossem válidas, não demonstram  qualquer  responsabilidade  da  impugnante  com  relação  às  alegadas  condutas  ilícitas  da  improcedência  das  acusações  feitas contra a impugnante;   ­ Da improcedência das acusações feitas contra a impugnante  A fiscalização não parece haver atentado para o fato de que nem  sempre provas atuais refletem com exatidão situações pretéritas  além  de  não  demonstrarem  qualquer  conduta  ilícita  da  impugnante ou da CSI.  A prova de estreita relação comercial entre o grupo Cisco e seus  distribuidores,  comprovada  por  diversos  ângulos  ao  longo  do  TSPS não só era de se esperar como, principalmente, não prova  que  a  impugnante  teria  conhecimento  e/ou  participação  em  eventuais  fraudes  que  estariam  sendo  cometidas  pela  empresa  Mude e demais partes envolvidas na investigação. Vale lembrar  Fl. 52532DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.523          19 que  as  atividades  comerciais  efetivas  realizadas  pelo  grupo  Cisco  consistiam  na  venda,  formalizada  em  contratos  reais  e  perfeitamente idôneos e o relacionamento comercial com a Mude  não  prova  que  a  CdB  ou  a  CSI  tenham  se  beneficiado  de  qualquer  forma  pela  eventual  prática  das  atividades  fraudulentas imputadas a terceiros.  Na eventualidade de o seu então administrador, Carlos Roberto  Carnevali, haver participado, em alguma extensão, das  fraudes  de que a Mude e as demais empresas auditadas são acusadas, é  importante mencionar que a impugnante nunca permitiu, tomou  conhecimento  ou  chancelou  tal  prática.  A  política  interna  da  Cisco  é  severa  com  relação  a  esse  tipo  de  assunto,  sendo  imediatamente  rechaçadas  atitudes  que  atentem  contra  os  princípios éticos e normas legais que regem as suas atividades.  ­ Das investigações realizadas pela CSI:  Em  razão  de  denúncia  anônima,  em  2004,  a  CSI  iniciou  investigação  interna  para  apurar  a  veracidade  de  acusações  feitas contra a empresa Mude e Carlos Roberto Carnevali, bem  como  sobre  a  alegada  vinculação  de  ambos,  razão  pela  qual  formalizou “acordo de não revelação de informações”para que  pudesse  ter  acesso  aos  atos  constitutivos  das  empresas  “offshore”  sócias  da  empresa  Mude  e  ver  se  a  denúncia  era  procedente,  não havendo por parte da CSI  intuito de burlar as  leis  brasileiras,  tampouco  menosprezo  por  parte  da  empresa  americana  com  relação  às  atividades  da  Receita  Federal  do  Brasil. O que queria a CSI era detectar a suposta vinculação do  então  presidente  da  empresa  do  grupo  no  Brasil  com  o  distribuidor Mude.  O Código de Conduta interna da Cisco proíbe de forma expressa  que  seus  funcionários  em  todos  os  níveis  tenham  interesses  financeiros  ou  de  qualquer  outra  ordem  com  empresas  com  as  quais  transaciona  –  ao  qual  voluntariamente  se  submetera  o  referido  dirigente  ­  é  renovado  formalmente  a  cada  ano  (doc.  13).  Nem  se  diga  que  o  resultado  obtido  pela  CSI  –  o  de  que  não  haviam  provas  suficientes  a  embasar  a  denúncia  anônima  efetuada  contra  a  Mude  e  Roberto  Carlos  Carnevali  –  autorizaria  a  fiscalização  federal  a  concluir  que  a  CSI  teria  conhecimento ou participação no alegado esquema  fraudulento  apontado  na  chamada  “operação  persona”,  a  uma,  porque  o  Relatório  IPEI BA  2008  006  é  de  se  questionar  se a CSI  teria  meios  para  chegar  a  um  resultado  diverso  daquele  obtido  na  mencionada  investigação; a duas,  porque o  simples acesso aos  atos  constitutivos  nas  “offshore”  não  permitiria  que  a  CSI  vislumbrasse o alegado esquema de interposição fraudulenta de  empresas;  a  três,  porque  a  CSI  não  está  sujeita  às  leis  Brasileiras e a quatro, porque a acusação é carente de provas.  ­ Da definição do preço e das condições do negócio:  Fl. 52533DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   20 O TSPS traz e­mails trocados entre funcionários da impugnante  e da CSI no que diz respeito a desconto concedido em compra de  produtos  Cisco  efetuada  pela  empresa  TAM  e  Telefônica,  na  qual  é  fornecido  o  preço  total  dos  equipamentos  que  seriam  comprados por  essa ultima. Esses dois negócios  são anteriores  ao  período  abrangido  no  TSPS  e,  portanto,  imprestáveis  para  embasar as conclusões do Fisco.  Quanto ao exemplo da TAM, deve­se ressaltar que a fiscalização  aparentemente  confundiu­se  acerca  de  qual  seria  o  cliente  da  CSI,  o  qual,  neste  caso,  era  a Fulfill,  que  solicitada  à CSI  um  desconto maior. E, de acordo com o procedimento de aprovação  de  descontos  então  vigente,  a  concordância  prévia  da  impugnante era necessária antes que a CSI o aceitasse.  No que diz respeito à Telefônica, esta, na condição de Provedora  de Serviços, poderia comprar diretamente da CSI ou por via de  um parceiro selecionado pela própria empresa. Uma das funções  da  impugnante  no  Brasil  é  justamente  a  revisão  de  propostas  técnicas  e  a  solicitação  de  descontos  junto  à  CSI,  dentro  dos  limites  da  referida  política  de  descontos  estabelecida  pela  empresa e, mesmo nessas ocasiões específicas previstas, são os  parceiros  responsáveis  pela  importação  e  pelos  procedimentos  relativos  ao  desembaraço  aduaneiro  dos  equipamentos  no  Brasil, bem domo pela revenda para os destinatários.  Seja  por  qual  ângulo  se  examine,  vê­se  que  as  operações  realizadas pela Mude com a CSI efetivamente ocorreram dentro  de  um dos modelos  de  distribuição  adotados  pela Cisco, “two­ tier”,  de  acordo  com  o  qual  o  distribuidor  não­relacionado  localizado nos USA adquiriu os produtos CSI e os exportou para  o Brasil,  sendo então revendido o produto localmente em  linha  com a política de preços e desconto da Cisco. Não é por outro  motivo que, no documento relativo à aquisição de produtos pela  empresa TAM, se lê que o autor daquela ordem de compra havia  sido a Fulfill Holding Company, que à época era a empresa que  adquiria os produtos Cisco nos USA para posterior exportação  para  o  Brasil,  que  posteriormente  foi  substituída  pela  Mude  USA. A Fulfill estava solicitando da CSI um desconto maior do  que 62% na compra.  O mesmo pode ser encontrado na carta emitida pela impugnante  à empresa Telefônica, na qual se lê claramente que “... o valor  mencionado acima deverá ser pago pela Telefônica ao parceiro  Cisco  selecionado. O  faturamento  poderá  ser  feito  diretamente  pelo distribuidor autorizado Cisco para a Telefônica nos termos  do contrato a ser celebrado com o parceiro Cisco selecionado”.  Nos  dois  documentos  seguintes  (págs.  13  a  16  do  TSPS)  vê­se  que os produtos Cisco vendidos seriam faturados contra a Mude  USA  e  enviados  pelo  agente  exportador  LOGCIS  e  entregues  diretamente  ao  seu  comprador  final,  no  caso  as  empresas  de  telefonia  Brasil  Telecom  e  Telefônica.  O  envolvimento  da  CSI  ocorreria somente na venda para a Mude USA.  A afirmação de que a participação da  impugnante no  esquema  de  importação  fraudulenta  seria  comprovada  pela  fato  de  o  representante da empresa, na época, Pedro Ripper, mencionar a  separação  (split)  de  software  e  hardware  que  estaria  sendo  Fl. 52534DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.524          21 efetuada  pela  Mude,  já  que  as  importações  individualizadas  estariam  sendo realizadas por  interpostas pessoas  é  inverídica.  A leitura cuidadosa da transcrição da escuta telefônica, contudo,  traz que do início ao  fim, seus  interlocutores mencionam que o  referido “split”  seria efetuado pela Mude e,  jamais, por outras  empresas  interpostas  e  não  autoriza  o  fisco  a  concluir  que  a  impugnante teria conhecimento dessas outras empresas.  E,  com  relação  à  alegação  específica  acerca  da  separação  do  valor relativo a software e hardware, a política da Cisco sempre  foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado  como  hardware,  de  modo  que  o  preço  cobrado  pela  CSI  na  venda dos seus produtos inclui o valor do software. Além disso,  considerando  que  nem  a  CSI  exporta  diretamente  e  nem  a  impugnante importa produtos para revenda, não lhe cabe decidir  acerca  do  tratamento  que  será  dado  aos  produtos  importados  para o Brasil e seus efeitos fiscais.  2.1.3 DA VINCULAÇÃO CISCO/MUDE:  A empresa Mude não é o setor de importação da impugnante no  país  e  todas  as  provas  levantadas  pela  própria  fiscalização  comprovam  tal  fato,  já  que  a  Mude  não  é  uma  empresa  de  fachada, bem como a impugnante não importa produtos Cisco a  não ser aqueles destinados a reparos e substituição em garantia.  A CSI ou a  impugnante não  tinham qualquer  interesse  jurídico  ou  titularidade  econômica  ou  societária  em  qualquer  das  empresas  alegadamente  interpostas  e  nas  operações  de  importação e revenda no Brasil. Todas as transações realizadas  diretamente pela CSI ou pela impugnante foram e são regulares.  Como  já  dito,  o  grupo  Cisco  opera  por  intermédio  de  distribuidores,  sendo  que  a  empresa  Mude  era  a  principal  distribuidora de seus produtos no ano auditado.  No  período  da  autuação  e  em  quanto  perdurou  a  relação  comercial  da  empresa  Mude  com  a  impugnante  e  a  sua  controladora no exterior  (CSI), a Mude sempre atuou de forma  independente  e  por  sua  conta  e  risco,  sendo  certo que  também  comercializava outros produtos, fabricados por outras empresas  e a CSI também vendia para duas outras empresas estabelecidas  no Brasil (Ingram Micro e Techdata), as quais seguem atuando  nessa condição até hoje.  Cabia  à  Mude  no  Brasil  proceder  à  importação  dos  produtos  fabricados  e  vendidos pela CSI nos USA a preços de mercado,  tal como o grupo Cisco procede em relação a centenas de outros  adquirentes dos seus produtos. Cabia, ainda, à Mude proceder à  distribuição  desses  produtos  no  Brasil,  conforme  o  já  citado  modelo de negócios do grupo Cisco.  2.1.4 DO FINANCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES:  A concessão de linhas de crédito para os distribuidores é um dos  itens do programa de recompensa criado pelo grupo Cisco para  Fl. 52535DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   22 o desenvolvimento de suas vendas por intermédio dos chamados  “parceiros”. Além de  linhas de crédito há, ainda, o acesso aos  melhores  produtos  e  serviços  de  cada  linha,  suporte  técnico,  ferramentas  de  produtividade,  treinamento on­line,  recursos  de  marketing e promoção de vendas, benefícios esses concedidos de  acordo com o nível de certificação de cada parceiro.  A  concessão  de  linhas  de  crédito  à  Mude,  portanto,  constitui  medida  comum  entre  a  CSI  e  seus  parceiros,  inclusive  para  determinadas  categorias  de  distribuidores. Representa,  de  fato,  uma  vinculação  comercial  existente  entre  as  empresas,  mas  jamais, o financiamento de supostas fraudes.  2.1.5  DAS  PESSOAS  QUE  EFETIVAMENTE  DIRIGEM  A  EMPRESA.  As  acusações  da  fiscalização  de  ser  a  impugnante  a  grande  beneficiária do esquema de interposição fraudulenta investigado  demonstram  seu  desconhecimento  sobre  o  modelo  de  negócios  adotado pela empresa, aliado ao intuito velado de trazer o grupo  Cisco  para  perto  das  fraudes  apontadas.  No  entanto,  a  fiscalização  limita­se a provar o óbvio: a  existência de  vínculo  entre  o  fabricante  e  seu  distribuidor, mas  falha  em  comprovar  que  a  impugnante  teria  conhecimento  e/ou  tomado  parte  do  esquema  fraudulento  impingindo  à  empresa  Mude,  ou  mesmo  dele se beneficiado concretamente e por liame causal adequado  a tal comprovação.  2.1.6  DA  INEXISTÊNCIA  DE  INTERESSE  COMUM  NA  SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DO IPI:  O  interesse  comum,  previsto  no  artigo  124,  do CTN  pressupõe  que  duas  ou  mais  partes  sejam  igualmente  obrigadas  ao  pagamento de um determinado tributo, podendo o erário exigir a  satisfação  integral  de  seu  crédito  contra  qualquer  uma  delas,  sem  que  se  obedeça  a  qualquer  benefício  de  ordem,  como  se  fossem  apenas  um  devedor,  tratando­se,  portanto,  da  transferência da  responsabilidade  tributária a  terceiros  e exige  que as partes tidas por solidárias estejam igualmente ligadas ao  fato  que  deu  ensejo  ao  nascimento  da  relação  jurídica  cujo  resultado é o pagamento do tributo previsto em lei.  Portanto, só há que se falar na solidariedade tributária prevista  no  dispositivo  em  questão  quando  os  sujeitos  passivos  derem  causa  a  uma  única  obrigação  tributária  decorrente  da  efetivação,  por  todos,  de  um  só  fato  gerador,  o  que  permite,  conseqüentemente,  que  o  erário  os  considere  como  um  só  devedor.  Tais elementos, contudo, não podem ser encontrados no caso em  exame,  no  qual  a  autoridade  fiscal,  calcada  em  conclusões  equivocadas  e  distorcidas  sobre  o  modelo  negocial  do  grupo  Cisco, procura  trazer  para  dentro  da  relação  jurídica  tendente  ao  pagamento  do  IPI  ,  a  impugnante,  que  tal  como  expressamente  reconhecido  pelo  próprio  fisco,  não  importou,  por sua conta e ordem ou qualquer outro modelo de importação  existente e, conseqüentemente, não deu saída às mercadorias de  propriedade da Mude.  Fl. 52536DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.525          23 É  fato  inconteste  que  a  impugnante  jamais  foi  acusada  de  importar,  por  qualquer modalidade  existente,  ou  dar  saída  das  mercadorias  de  procedência  estrangeira  objeto  da  fiscalização  em exame. A conseqüência direta e indelegável desse fato é que,  independentemente  de  todos  os  outros  fatos  que  permeiam  o  caso,  o  próprio  fisco  federal  declara  reconhecer  que  a  impugnante  jamais  foi  a  importadora  ou  revendedora  das  mercadorias,  jamais  ocupando  o  pólo  passivo  da  relação  obrigacional  tendente  ao  pagamento  do  IPI  sobre  tais  mercadorias, não havendo como aplicar a solidariedade passiva  prevista no art. 124,I, do CTN.  Ainda mais  evidenciada  fica  a  impossibilidade  dessa  cobrança  em  se  tratando  não  da  exigência  de  imposto  (IPI)  por  solidariedade, mas sim de penalidade, caso em que não se aplica  a  solidariedade  pelo  caráter  personalíssimo  que  decorre  da  sanção  por  ato  ilícito,  conforme  a  melhor  doutrina  e  jurisprudência.   2.2 PESSOAS FÍSICAS  Constam, também do processo, impugnações apresentadas pelas  seguintes pessoas  físicas: Fernando Machado Grecco; Marcelo  Naoki  Ikeda;  Marcílio  Palhares  Lemos;  Moacyr  Álvaro  Sampaio,  Hélio  Benetti  Pedreira;  Gustavo Henrique  Castellari  Procópio;  José  Roberto  Pernomian  Rodrigues;  Luiz  Scarpelli  Filho; Pedro Luis Alves Costa; Reinaldo de Paiva Grillo; Carlos  Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel.   2.2.1  Fernando  Machado  Grecco;  Marcelo  Naoki  Ikeda;  Marcílio  Palhares  Lemos;  Moacyr  Álvaro  Sampaio;  Hélio  Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e  José  Roberto  Pernomian  Rodrigues,  representados  pelo  escritório  Souza  Schineider  e  Pugliese  Advogados,  apresentaram  impugnações semelhantes quanto ao termo de sujeição passiva e  à autuação, alegando em síntese, o que se segue:  a)  Cerceamento  do  Direito  de  Defesa  decorrente  da  falta  de  obtenção  de  cópia  dos  documentos  que  instruem  o  Auto  de  Infração,  o  que  torna  impossível  não  só  rebater  as  acusações,  como  também  impede  a  correta  contextualização  destas  acusações;  b)  Nulidade  das  provas:  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  foi  fundamentado  por  documentos  obtidos  para  instruir  ação  criminal  e  jamais  poderiam  ter  sido  utilizados  no  processo  administrativo fiscal;  c) Ausência de relação entre as provas e os fatos que ensejam a  responsabilidade solidária; pois as provas colhidas referem­se ao  ano de 2006 e 2007 e não ao ano de 2003;  d) Ausência de procedimento fiscal em face dos impugnantes: O  Fisco,  mesmo  sem  direcionar  qualquer  intimação  aos  impugnantes  durante  o  procedimento  fiscalizatório,  considerou­ Fl. 52537DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   24 os  sujeitos  passivos  da  obrigação  tributária,  exigindo­lhes  o  crédito constituído contra a MUDE;  e) Na  hipótese  de  terem  agido  os  sócios  com  infração  à  lei  ou  estatuto,  dando  causa  a  situação  que  tenham  gerado  atos  tributários  cujas  obrigações  fiscais  não  tenham  sido  cumpridas,  cabe  a  aplicação  da  responsabilidade  pessoal  (e  não  solidária)  prevista  no  artigo  135  do  CTN,  o  que  implica  outra  forma  e  fundamento de lançamento. Para figurar como obrigado solidário  com base no artigo 124,  I, a pessoa teria de estar numa posição  em  que  poderia  ser  considerada  contribuinte,  ainda  que  em  relação  a  apenas  uma  parte  da  obrigação.  A  sujeição  passiva  solidária  decorreria  da  impossibilidade  de  divisão,  dado  o  interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada  um  ou  mesmo  da  opção  do  legislador,  no  caso  de  interesse  comum, de  atribuir  responsabilidade  solidária,  sem  interferir  na  divisão entre os co­obrigados da parcela de cada um. Não basta,  para  ser  apontado  como  responsável  solidário,  nos  termos  do  artigo 124, I, do CTN, que a pessoa concorra para a realização do  fato  gerador,  que  participe  de  ações  que  culminem  com  a  ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar  do  fato  gerador,  o  realize,  ao  lado  de  outras  pessoas,  que  envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como  necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade  de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc.;  f) O primeiro aspecto que macula o Termo de Sujeição Passiva  Solidária é a falta de prova que pudesse comprovar a antecipação  de recursos por parte das interessadas, já que não participaram da  operação de compra e venda de mercadorias CISCO pela MUDE  e,  por  esse  motivo,  jamais  poderiam  ser  responsabilizadas  solidariamente  pelo  crédito  tributário  constituído.  Também  não  podem ser equiparados a estabelecimento industrial, por não ser  atacadista  ou  varejista,  já  que  são  pessoas  físicas,  e  jamais  poderiam ser contribuintes do IPI;  g) A multa exigida no auto de infração, no montante de 150% do  valor  do  IPI  apurado,  não  poderá  ser  imputada  ,  por  solidariedade,  pois,  como  é  cediço,  a  multa  imputada  possui  caráter  personalíssimo,  não  podendo  ser  cobrada  dos  responsáveis  solidários.  Neste  sentido  somente  o  agente  da  infração poderá ser apenado com a cobrança de multa de ofício e  o  próprio  artigo  124,  I,  do  CTN,  prevê  que  o  instituto  da  solidariedade é restrito À cobrança da obrigação principal;  Quanto  ao  crédito  tributário  levantaram os mesmos argumentos  desenvolvidos pela empresa Mude em sua peça impugnatória.  Por  fim,  protestaram  pela  possibilidade  de  juntar  novos  documentos tão logo tenham a possibilidade de retirar cópias do  processo, bem como de analisá­las adequadamente.  2.2.2  Luiz  Scarpelli  Filho,  representado  pelo  escritório  Amato  Filho  Advogados,  apresentou  sua  impugnação  ao  auto  de  infração  alegando,  em  preliminar,  a  decadência  preconizada  no  artigo  150,  §4º  do  Código  Tributário  Nacional  para  os  fatos  geradores havidos entre  janeiro  e novembro de 2004,  já que ao  impugnante não fora imputada conduta ilícita.  Fl. 52538DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.526          25 No mérito,  alegou em suma, que prestava  serviços  (engenharia,  informática,  administração  de  empresas  e  de  pessoas)  para  a  empresa  MUDE,  por  meio  da  pessoa  jurídica  MANUS  ASSESSORIA LTDA., da qual era diretor,  e não  teve qualquer  participação em esquema fraudulento, apesar de ter , por força do  trabalho realizado, contato direto com fornecedores e clientes da  empresa, mas com objetivo único que ordenar  informações para  otimizar  os  trabalhos  na MUDE,  sem  qualquer  interferência  na  área comercial da empresa.  Em  meados  de  2003,  teve  pequena  participação  societária  na  MUDE,  tendo  a  empresa  lhe  conferido  como  bônus,  com  o  objetivo  para  que  deixasse  de  prestar  serviços  por meio  de  sua  empresa e atuar de maneira mais próxima, a fim de implementar  plano de crescimento.  A  existência  pura  e  simples  de  empresas  offshore  ou  internacionais  não  pode  servir,  por  si  só,  como  presunção  de  ilegalidade ou atividade ilícita, como transparece o entendimento  do ente fiscalizador.  A  falsa  equiparação  da  MUDE  à  industria,  reportando­se  à  impugnação da empresa que se encontra munida de documentos  a  demonstrar  que  as  operações  realizadas  pela  Mude  eram  comerciais e de serviços;  Da mesma  forma,  reportando à  impugnação da Mude,  alegou a  ausência de antecipação de recursos;  Quanto à sujeição passiva solidária, argumentou que nem mesmo  a  ação  penal  sofrida  no  processo  criminal 2005.61.81.009285­1  arrolou  o  impugnante  como  parte  do  esquema  fraudulento,  deixando­o  de  fora  da  denúncia  e  que  a  responsabilidade  fiscal  dos sócios restringe­se à prática de atos que configurem abuso de  poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto da sociedade.  Com relação às provas acostadas aos autos, argumentou que, por  serem  provas  emprestadas,  não  são  suficientes  por  si  só  para  provar  o  faro  jurídico  ou  o  ilícito  tributário  e  que  os  apontamentos  dos  autos  fazem  referência  a  supostas  transações  havidas após o ano de 2003 ou desvirtuadas do contexto, além de  não  conterem  datas,  fato  que  as  invalidam  como  prova  de  suposto excesso de poder.  2.2.3  Pedro  Luis  Alves  Costa,  representado  pelo  escritório  Camargo  &  Araújo  Advogados  Associados,  apresentou  sua  impugnação quanto ao auto de infração e a imposição de multa,  alegando em preliminar cerceamento de defesa, vez que cabia ao  fisco  notificar  o  interessado  para  que  apresentasse  esclarecimentos,  documentos  e  demais  informações  que  comprovassem ou, de outra forma, o absolvesse sumariamente da  responsabilidade solidária a que está sujeito.  Também em preliminar, argumentou que as provas carreadas aos  autos  não  fazem  menção  ao  ano  de  2003,  2004  e  2005  pois  obtidas nos anos de 2006 e 2007, não havendo como admiti­las  Fl. 52539DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   26 sem  qualquer  vínculo  temporal  com  o  suposto  ilícito  tributário  imputado a MUDE.  Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, argumentou que  o artigo 124, I, do CTN não pode ser interpretado isoladamente,  devendo ser analisado juntamente com o artigo 135, inciso III do  mesmo diploma legal e que faz­se necessário que a pessoa física  responsabilizada solidariamente tenha praticado atos de gerência  e de administração em relação à empresa fiscalizada ou, que de  qualquer  modo,  tenha  refletido  na  atividade  geradora  do  fato  imponível. O “interesse comum”, a que se refere o artigo 124, I,  do CTN, não se resume em interesse econômico, devendo existir  para  que  se  configure  a  solidariedade  passiva  tributária  o  interesse  jurídico  na  realização  da  situação  que  deu  origem  ao  fato  gerador  do  tributo.  Toda  a  ação  fiscal  foi  calcada  em  presunções,  não  havendo  qualquer  prova  de  que  Pedro  Luís  Alves costa tenha se beneficiado do suposto  ilícito  tributário ou  tenha  contribuído  na  execução  do  mesmo  ou  tenha  qualquer  ligação com o fato gerador  Acrescentou  que  toda  a  ação  fiscal  foi  calcada  em  presunções,  não  havendo  qualquer  prova  de  que  Pedro  Luís  Alves  Costa  tenha  se  beneficiado  do  suposto  ilícito  tributário,  tenha  contribuído  na  execução  do  mesmo  ou  tenha  qualquer  ligação  com o fato gerador. Argumentou ainda que cabe ao fisco a prova  de que o impugnante praticou atos de administração ou gerência  em nome da Mude e com intuito de fraude.  Alegou,  ainda,  que  a  responsabilidade  por multa  decorrente  de  infração tributária não pode ser repassada ao impugnante, já que  o artigo 124 do CTN faz referência somente a solidariedade em  relação à obrigação principal gerada pelo fato imponível.  2.2.4 Reinaldo  de Paiva Grillo,  representado  por  seu  advogado  (Sr.Guilherme  de  Azevedo  Camargo)  apresentou  impugnação  alegando,  em  preliminar,  decadência  sobre  todo  o  período  autuado e cerceamento de defesa configurado pela falta de acesso  aos  autos,  além de  alegações  totalmente  insubsistentes  e provas  precárias.  Sustentou  que  a  imputação  de  co­responsabilidade  é  totalmente  indevida,  pois  nunca  participou  do  contrato  social  da  empresa  autuada,  nem  da  respectiva  administração  ou  negócios,  limitando­se  apenas  à  prestação  de  serviços  de  logística,  sendo  nula sua inclusão no pólo passivo da presente exação.  Acrescentou  que  a  inexistência  de  sua  relação  com  os  fatos  imputados  na  autuação  corrobora­se  pela  absoluta  ausência  de  provas concretas de qualquer participação sua no fato danoso e as  provas utilizadas ofendem os preceitos constitucionais dispostos  no  artigo 5º da Constituição Federal. E que, no  ano de 2003,  a  empresa What´s  Up  Business  sequer  existia,  tendo  sido  aberta  somente  em 2005. Acrescentou  que  a  jurisprudência dominante  tem  entendido  que  a  responsabilidade  é  subjetiva,  devendo  ser  comprovada  cabalmente  a  intenção  do  agente  em  suprimir  tributos, omitir declarações e deixar de pagá­los pontualmente.   Quanto ao auto de infração, alegou cerceamento de seu direito de  defesa,  por  ter  a  fiscalização  mencionado  diversos  “áudios  Fl. 52540DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.527          27 obtidos”, mas  não  se  preocupando  em  transcrevê­los  nos  autos,  nem juntar a autorização judicial para comprovar a legalidade da  prova.  Tal  fato,  corroborado  pela  impossibilidade  de  vista  dos  autos,  negada  pela  autoridade  fiscal,  prejudica  de  forma  inexorável  a  elaboração  da  defesa  do  autuado. Alegou  também  haver  equívoco de  interpretação dos  fatos pelo Fisco  e que não  há provas no processo que a impugnante à empresa Mude.   2.2.5  Carlos  Roberto  Carnevali,  representado  pelo  escritório  Martins  Chamon  e  Franco  Advogados,  apresentou  sua  impugnação  quanto  ao  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  alegando  que  não  existe  qualquer  prova  que  demonstre  que  o  impugnante  foi  (ou  é)  sócio,  ou  se  beneficiou  pelas  supostas  operações  simuladas  praticadas  pela  Mude,  tampouco  que  comprove  qualquer  participação  na  administração  da  autuada  e  que sua vinculação não passa daquelas pertinentes à sua função  profissional como funcionário da empresa Cisco do Brasil Ltda.   Defendeu haver evidente violação do princípio da ampla defesa e  do  contraditório  na  imposição  de  sujeição  passiva,  porque  embora tenha sido notificado de sua inclusão no pólo passivo da  autuação no dia 19/12/2008, somente lhe foi concedido o direito  de vista dos autos em 09/01/2009, apenas 11 dias para o término  do prazo de defesa. Também protestou pela violação do princípio  da  verdade  material,  alegando  que  a  autoridade  fiscal  não  procedeu a investigação minuciosa para verificar se efetivamente  teria  responsabilidade  solidária  sobre  o  valor  exigido  na  autuação, baseando­se em meras suposições e ilações de que teria  interesse comum na importação supostamente fraudulenta.  Teceu breve histórico de sua carreira profissional argumentando  que  sempre  teve  conduta  digna  na  condução  das  empresas  que  presidiu  e  alegou  que  a  imputação  do  artigo  124,  I,  do CTN  é  incompatível com os fatos narrados, pois os sujeitos que possuem  interesse comum na situação que constitua o fato gerador sempre  se  revestem  da  qualidade  de  contribuintes,  assim  como  os  co­ proprietários e condôminos em relação aos tributos imobiliários e  nem  mesmo  a  inverídica  alegação  da  sua  condição  de  sócio  poderia  levar  a  autuação,  ainda  que  de  sócio  se  tratasse  (o  que  não é verdade),  pois  a  sua  eventual  responsabilidade  repousaria  em outra fundamentação jurídica, a do artigo 135 do CTN.  No  mérito,  argumentou  que  a  fiscalização  tentou  embasar  a  acusação  de  que  o  impugnante  teria  vínculo  com  a  empresa  autuada por meio de interpretações distorcidas e equivocadas dos  e­mails  e  conversas  telefônicas mantidas  com  os  executivos  da  Mude (transcritas no termo de sujeição passiva), que na verdade  demonstram  apenas  o  interesse  empresarial  condizente  com  a  função  e  cargo  de  presidente  que  ocupava  no  Brasil.  Contudo,  nenhum destes diálogos constituem indícios de que o impugnante  exercia  atos  executórios  ou  de  coordenação  do  gerenciamento  dos  negócios  realizados  pela  Mude.  A  atribuição  de  responsabilidade  solidária  pela  fiscalização  decorre  de  meras  ilações baseadas em: 1) fatos circunstanciais, 2) documentos que  não constituem nexo causal para  imputação da  sujeição passiva  Fl. 52541DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   28 solidária  e  3)  e­mails  que  apenas  demonstram  a  relação  de  amizade  entre  o  executivo  da  Mude  (Hélio  Pedreira)  e  o  impugnante,  comprovada,  inclusive  pela  linguagem  coloquial  utilizada pelos interlocutores aos se comunicarem. E que, embora  evidente  a  existência  de  um  vínculo  de  amizade  entre  o  impugnante  e  o Sr. Hélio,  tal  fato  não  pode  ser  utilizado  como  premissa  ou  indício  de  que  o  impugnante  atuava  como  sócio  oculto da Mude. A fiscalização não conseguiu demonstrar o nexo  de causalidade entre os supostos indícios apurados e o fato que se  desejou demonstrar.  Alegou  que  a  União  Digital  somente  passou  a  revender  os  produtos da Cisco no Brasil em razão da incorporação pela Cisco  norte­americana  da  empresa  Newport.  A  União  Digital  era  a  principal  revendedora  dos  produtos  da  Newport  no  Brasil,  tornando­se  parceira  da  Cisco  por  um  fato  aleatório  e  circunstancial,  ou  seja,  não houve um planejamento arquitetado  pelo impugnante e pelo Sr. Hélio para que a União Digital fosse  constituída  e  se  tornasse  a  principal  revendedora  dos  produtos  Cisco no país e antes mesmo da constituição da cisco do Brasil a  União  Digital  já  comercializava  equipamentos  de  telecomunicações,  distribuindo  produtos  da  Newport.  Acrescentou  que  a  União  Digital  foi  constituída  em  1992,  enquanto o impugnante somente ingressou na Cisco do Brasil em  1994.  Acrescentou  que  o  impugnante  era  sócio  da  empresa  Storm  Ventures  com  sede  nos  USA  e  durante  muito  tempo  realizou  aporte  de  capital  para  investir  em  empreendimentos  de  sua  titularidade.  Em  razão  do  lucro  que  vinha  sendo  auferido  pela  empresa,  o  Sr.  Hélio  Pedreira  se  interessou  em  adquirir  participações  para  tornar­se  sócio  do  empreendimento,  mas  jamais  houve  aporte  de  capital  por  parte  do  impugnante  na  empresa JDTC.   Continuou  alegando  que  também  não  merece  prosperar  a  interpretação  da  fiscalização  quanto  aos  e­mail  transcritos  às  paginas 13, 14 e 15, do termo de sujeição passiva, pois tratam de  aspectos  relativos  ao  investimento  e  administração  da  empresa  TORNADO, que nada tem a ver com a Mude.  Sustentou que estava afastado das operações diárias da Cisco do  Brasil  à  época  dos  fatos,  já  que  em  2002  assumiu  a  vice­ presidência da Cisco na América Latina, função encarregada por  desenvolver  novos  mercados  e  não mais  teve  qualquer  relação  com os denominados “canais” implementados pela Cisco Inc. e,  a partir de 2007, afastou­se quase que definitivamente da Cisco  do Brasil,  iniciando um novo ciclo em sua carreira profissional,  prestando  consultoria  a  diversas  empresas,  entre  elas  a  Mude  que,  no  caso,  objetivava  a  possível  venda  da  empresa  ou  a  realização  de  abertura  de  capital.  Alegou  que,  o  organograma  utilizado  como  meio  de  prova  pela  fiscalização  para  imputar  responsabilidade  tributária  ao  impugnante  decorre  exatamente  desta  época  em  que  estudava  várias  propostas  para  voltar  ao  mercado  de  trabalho,  inclusive  a  de  integrar  o  Conselho  de  Administração  da  Mude.  Destacou,  ainda,  que  no  termo  de  verificação,  no  capítulo  intitulado  “PESSOAS  QUE  EFETIVAMENTE  DIRIGEM  A  MUDE  COMÉRCIO  E  Fl. 52542DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.528          29 SERVIÇOS LTDA.” não se menciona a pessoa do  impugnante,  embora sejam citados todos os demais executivos do grupo.  Com o corolário do princípio da legalidade, o auto de infração (e  o  processo  administrativo  dele  decorrente)  tem  de  se  pautar  também no princípio da verdade material, ou seja, a realidade dos  fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não  do  fato  gerador  do  tributo  e  a  correta  identificação  do  sujeito  passivo, o que evidentemente não se verificou no presente caso,  tendo  em  vista  que  a  fiscalização  preferiu  partir  de  suposições  não autorizadas para imputação da responsabilidade tributária.  Por fim, esclareceu que deixa de manifestar­se quanto ao mérito  da  autuação  em  si,  por  profundo  desconhecimento  de  qualquer  questão  operacional  das  autuadas,  protestando  por  provar  por  todos os meios de provas  admitidos  e pela posterior  juntada de  documentos que se fizerem necessários.  2.2.6 Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel, representados  pelo  escritório  Dias  de  Souza  Advogados  Associados,  apresentaram  impugnações  similares  quanto  ao  Termo  de  Sujeição Passiva Solidária, alegando sua nulidade na medida em  que  não  atenderia  aos  preceitos  constitucionais  e  legais  necessários a atividade fiscal de lançamento e de constituição de  créditos tributários.  A  impugnação,  em  resumo,  sustentou  que  todos  os  elementos  fundamentadores  da  autuação  foram  obtidos  exclusivamente  no  âmbito  da  investigação  em  curso  nos  autos  do  procedimento  criminal nº 2005.61.009285­1 o que é vedado, já que a utilização  de  prova  emprestada  do  processo  criminal,  destinadas  exclusivamente  a  fins  penais,  não  pode  substituir  os  procedimentos de fiscalização que são próprios da administração,  além de violar os princípios constitucionais da ampla defesa e do  contraditório.  Afirmou  ser  incabível  a  responsabilização  solidária,  na medida  em  que  o  impugnante  sequer  em  tese  teria  participado  das  operações  no  mercado  interno,  objeto  da  autuação  originária,  inexistindo o  requisito do “interesse comum” previsto no artigo  124, I, do CTN e que os indícios colacionados pela fiscalização,  a  par  de  não  serem  dotados  de  clareza,  precisão  e  de  concordância, não demonstram que o impugnante seria sócio das  empresas importadoras.  Quanto ao auto de infração, defendeu que este seria nulo, por ter  também  se  baseado  em  provas  emprestadas,  destinadas  exclusivamente  a  fins  penais,  sendo  imprestáveis  os  indícios  e  presunções apontados pela fiscalização.   Sustentou  que  a  importadora  D´Luck  Com.  Imp.  e  Exportação  Ltda.  teve  sua  regularidade  fiscal  comprovada  no  bojo  do  procedimento fiscal previsto na IN nº 228/2002, sendo vedada a  alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do artigo  146  do  CTN  e  os  indícios  colacionados  pela  fiscalização  não  Fl. 52543DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   30 demonstram  a  ocorrência  de  importação  por  conta  e  ordem  de  terceiros.  Defendeu, ainda, que os valores relativos aos períodos anteriores  a  29/12/2004  foram  atingidos  pela  decadência,  nos  termos  dos  artigos 150, § 4º, c/c art. 156, VII, do CTN.  Na Sessão de 8 de fevereiro de 2011, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ de  Ribeirão Preto/SP decidiu:  a)  não  se  manifestar  sobre  às  questões  atinentes  ao  lançamento  da  multa  regulamentar, por consumo de mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestina  ou irregularmente no País, prevista no art. 490, I, do RIPI/2002, com base no argumento de que  a competência para o julgamento dessa matéria era da DRJ em São Paulo/SP II;  b) que fossem apartados dos autos os valores da multa regulamentar aplicada  e a remessa dos novos autos apartados à DRJ SP II para julgamento desta matéria;  c)  não  se  manifestar  quanto  às  impugnações  dos  solidários,  com  base  no  entendimento de que a solidariedade se aplicava somente quando da execução do débito fiscal,  ficando  a  cargo  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  decidir  sobre  esta matéria  quando  da  execução fiscal dos débitos; e  d)  pela  improcedência  da  impugnação  apresentada  pela MUDE  e manteve  integralmente o lançamento.  Cientificados  do  referido  acórdão  (fls.  47412/47489),  a  contribuinte  e  os  responsáveis solidários apresentaram os recursos voluntários de fls. 47498/49547 e a Fazenda  Nacional as contrarrazões de fls. 49940/49993.  Na Sessão de 23 de maio de 2013, por meio do acórdão nº 3102­001.872 (fls.  50011/50038),  os  membros  da  extinta  2ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara  desta  3ª  Seção,  decidiram, por unanimidade de votos,  em dar parcial provimento ao  recurso voluntário, para  anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, sob o fundamento de que  a Turma  de  Julgamento  de  primeiro  grau  não  havia  apreciado  as  impugnações  apresentadas  pelos responsáveis solidários. O enunciado da ementa do referido julgado, segue transcrito:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007  MATÉRIA  IMPUGNADA  E  NÃO  APRECIADA  NO  JULGAMENTO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  ANULAÇÃO  DA  DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.  Comprovado que existiu matéria  impugnada que não  foi objeto  de  manifestação  no  julgamento  de  primeira  instância,  deve­se  anular o  julgamento para que a autoridade a quo  realize novo  julgamento, apreciando todas as impugnações apresentadas.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Cientificada do referido acórdão, por meio da petição de fl. 50041, a Fazenda  Nacional informou que não interporia recurso perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais  Fl. 52544DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.529          31 (CSRF).  Por  sua  vez,  cientificados  do  referido  acórdão  (fls.  50048/50077),  não  houve  manifestação por parte da contribuinte e dos responsáveis solidários.  Em novo julgamento, realizado em 5 de novembro de 2013, o órgão julgador  de primeira instância proferiu o acórdão de fls. 50091/50170, em que decidiu, por unanimidade  de  votos,  em  preliminar,  excluir  a  responsabilidade  dos  Srs.  CID  GUARDIA  FILHO  e  ERNÂNI BERTINO MACIEL e, no mérito,  julgar a  impugnação  improcedente, mantendo o  crédito  tributário exigido, com base nos  fundamentos resumidos nos enunciados das ementas  que seguem transcritos:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  CERCEAMENTO  DO DIREITO DE DEFESA  Não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  o  conhecimento dos atos processuais, pelo acusado, e o seu direito  de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados.  Mesmo não tendo recebido em tempo hábil as cópias de todas as  peças que  fundamentam o auto de  infração, é  facultada a vista  ao  processo,  na  repartição  competente,  durante  o  prazo  legal  para  a  impugnação,  sendo  inaceitável  a  invocação  de  preterimento de defesa, ainda mais se demonstrada a inércia do  impugnante  em  fazer  o  pedido  em  tempo  hábil  suficiente  e  se  restar demonstrado o conhecimento integral da imputação.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FASE  FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA.  Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes  de  iniciado  o  prazo  para  a  impugnação  do  lançamento,  haja  vista  que,  no  decurso  da  ação  fiscal,  inexiste  litígio  ou  contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972.  PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE  É  lícito ao Fisco Federal  valer­se de  informações  colhidas por  outras  autoridades  fiscais,  administrativas  ou  judiciais  para  efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com  os fatos cuja prova se pretenda oferecer.  Descabe  a  alegação  de  ilicitude  na  obtenção  de  prova  ou  de  quebra  de  sigilo,  quando  as  informações  e  documentos  que  instruem  processo  criminal  são  compartilhados  em  processo  administrativo fiscal, por expressa autorização Judicial.  CONTRADITÓRIO. INÍCIO.  Somente com a impugnação inicia­se o litígio, quando devem ser  observados os princípios da ampla defesa e do contraditório.  PROVAS INDICIÁRIAS.  Fl. 52545DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   32 A comprovação material  de uma dada  situação  fática pode  ser  feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única,  direta,  concludente  por  si  só;  ou  por  um  conjunto  de  elementos/indícios  que,  se  isoladamente  nada  atestam,  agrupados  têm  o  condão  de  estabelecer  a  certeza  daquela  matéria de fato.  JUNTADA  POSTERIOR  DE  DOCUMENTAÇÃO.  IMPEDIMENTO  DE  APRECIAÇÃO  DA  IMPUGNAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a  apreciação  da  impugnação,  e  ela  só  é  possível  em  casos  especificados na lei.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE.  Nos lançamentos por homologação, o prazo decadencial começa  a  fluir  a  partir  do  fato  gerador.  Porém,  na  hipótese  de  comprovada  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  a  contagem  do  referido  prazo  se  inicia  no  primeiro  dia  do  exercício seguinte ao do fato gerador.  EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.  O  estabelecimento  importador  de  produtos  de  procedência  estrangeira  que  dá  saída  a  esses  produtos  equipara­se  a  estabelecimento  industrial,  estando  sujeito  à  obrigação  principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações  acessórias,  consistentes,  por  exemplo,  na  emissão  de  notas  fiscais  com  o  lançamento  do  IPI  e  na  escrituração  de  livros  fiscais.  SAÍDA DE PRODUTO TRIBUTADO DE ESTABELECIMENTO  EQUIPARADO A INDUSTRIAL.  Ocorre  o  fato  gerador  do  IPI  na  saída,  a  qualquer  título,  inclusive  transferência,  de  produtos  do  estabelecimento  que  os  tenha importado.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS  PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA  JURÍDICA.  Evidenciado que pessoas físicas, ausentes do contrato social da  empresa,  são  seus  verdadeiros  controladores,  correta  a  determinação  de  responsabilidade  solidária  às  mesmas  pelos  tributos  devidos  pela  empresa,  vez  que  caracterizado  que  estas  pessoas  físicas  possuem  interesse  direto  nas  operações  econômicas  que  geram  as  obrigações  tributárias  insertas  nos  autos.  Fl. 52546DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.530          33 O  interesse  comum  dos  responsáveis  solidários  fica  evidente  quando  se  verifica  que  eles  exerciam  o  controle  de  todas  as  operações  gerenciais/comerciais/financeiras  efetuadas  pela  sociedade  empresária  autuada,  desde  as  operações  desenvolvidas  no  exterior  até  os  procedimentos  de  importação  das  mercadorias  e  venda  dessas  no  mercado  nacional  e  percebiam o lucro advindo desta atividade.  JUROS DE MORA. SELIC.  A  cobrança  de  juros  de  mora  com  base  no  valor  acumulado  mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal.  MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.  Mantém­se  a  multa  por  infração  qualificada  quando  reste  inequivocamente comprovada a simulação.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu  vencimento, tem previsão legal.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Em  face  da  exclusão  do  polo  passivo  dos  responsáveis  solidário  CID  GUARDIA  FILHO  e  ERNÂNI  BERTINO  MACIEL,  o  Colegiado  prolator  do  acórdão  recorrido interposto recurso de ofício perante este Conselho, em cumprimento ao disposto no  art. 34 do Decreto 70.235/1972, e alterações introduzidas pela Lei 9.532/1997, e Portaria MF nº  3, de 3 de janeiro de 2008.  Em 8/1/2014, a contribuinte MUDE foi cientificada do referido acórdão (fls.  50187 e 50206). Em 7/2/2014,  apresentou o  recurso voluntário de  fls.  51765/51845,  em que  reafirmou a preliminar nulidade do  auto de  infração,  em  razão do procedimento  fiscal  ter  se  baseado  em meras  suposições,  e  no  mérito  reprisou  as  razões  de  defesa  suscitadas  na  peça  impugnatória.  Adicionalmente,  em  preliminar,  alegou  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por cerceamento do direito de defesa, baseada nos seguintes argumentos:  a)  o  desmembramento  do  julgamento  da  multa  regulamentar  era  uma  manobra do órgão  julgador de primeiro grau, para que os mesmos fatos  fossem julgados por  turmas  distintas  deste  Conselho,  com  a  real  possibilidade  de  desfechos  distintos  para  uma  mesma autuação fiscal; e  b) o indeferimento da produção da prova pericial e da realização da diligência  requeridas  impedira  a  verificação  se  efetivamente  houve  a  alegada  antecipação  de  recursos  financeiros;  A  pessoa  jurídica  e  responsável  solidária  Cisco  do  Brasil  Ltda.,  em  8/1/2014, foi cientificada do referido acórdão. Em 6/2/2014, apresentou o recurso voluntário de  fls.  50516/50635,  em  que  reafirmou  as  razões  de  defesa  suscitadas  na  peça  impugnatória.  Adicionalmente,  em  preliminar,  alegou  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  por  Fl. 52547DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   34 carência de motivação, sob o argumento de que o Colegiado julgador a quo não se pronunciara  sobre a maior parte dos argumentos e documentos apresentados nos autos, o que resultara na  inobservância dos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.  As  pessoas  físicas  responsáveis  solidárias  foram  cientificadas:  a)  em  8/1/2014: Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki  Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Hélio  Benetti  Pedreira;  José  Roberto  Pernomian  Rodrigues;  Luiz  Scarpelli  Filho;  Carlos  Roberto  Carnevali;  Cid  Guardia  Filho  e  Ernani  Bertino  Maciel;  b)  em  9/1/2014:  Moacyr  Álvaro  Sampaio, Gustavo Henrique Castellari Procópio e Pedro Luis Alves Costa; e c) em 16/1/2014:  Reinaldo de Paiva Grillo.  As  pessoas  físicas  responsáveis  solidárias,  a  seguir  mencionadas,  apresentaram recurso voluntário nas seguintes datas: a) em 5/2/2014: Carlos Roberto Carnevali  (fls.  50281  e  ss.);  b)  em  7/1/2014:  José  Roberto  Pernomian  Rodrigues  (fls.  50845  e  ss.);  Marcílio Palhares Lemos (fls. 50976 e ss.); Hélio Benetti Pedreira (fls. 51106 e ss.); Fernando  Machado Grecco  (fls.  51242 e  ss.); Gustavo Henrique Castellari Procópio  (fls.  51372 e  ss.);  Moacyr Álvaro  Sampaio  (fls.  51506  e  ss.)  e Marcelo Naoki  Ikeda  (fls.  51636  e  ss.);  c)  em  10/2/2014: Pedro Luis Alves Costa (fls. 50756 e ss.) e Luiz Scarpelli Filho (fls. 50800 e ss.); e  d)  em  14/2/2014: Reinaldo  de  Paiva Grillo. Os  responsáveis  solidários  Cid Guardia  Filho  e  Ernani Bertino Maciel não apresentaram recurso voluntário.  Os responsáveis solidários Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda;  Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio; Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique  Castellari  Procópio  e  José  Roberto  Pernomian  Rodrigues,  representados  pelos  mesmos  patronos,  apresentaram  recurso  voluntário  em  que  reafirmam  as  razões  de  defesa  quanto  a  insubsistência  dos  respectivos Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  com  base  nos mesmos  argumentos  apresentados  na  peça  impugnatória.  Em  aditamento,  os  responsáveis  solidários  Hélio  Benetti  Pedreira  e  Gustavo  Henrique  Castellari  Procópio  informaram  que  foram  absolvidos por sentença proferida pelo Juiz da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo/SP, nos  autos do Processo Criminal nº 0005827­49.2003.403.6181, o que evidenciava a precariedade  das acusações de solidariedade passiva a eles atribuídas, ancoradas em meras ilações, pois as  lavraturas do auto de infração e dos termos de sujeição passiva decorreram de fiscalização que  se embasou nas provas colhidas nos autos do citado processo criminal.  Os  sujeitos  passivos  solidários  Luiz  Scarpelli  Filho  e  Reinaldo  de  Paiva  Grillo reafirmaram as razões de defesas suscitadas na peça impugnatória.  O  sujeito  passivo  solidário  Pedro  Luis Alves Costa  reafirmou  as  razões  de  defesa apresentada na impugnação e, em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida,  sob o argumento de que houve omissão quanto ao julgamento da sua impugnação.  O  responsável  solidário  Carlos  Roberto  Carnevali  reafirmou  as  razões  de  defesa apresentadas na impugnação e, em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida,  sob o argumento de que a Turma de Julgamento de primeiro grau não apreciara a legalidade da  citada multa regulamentar, descumprindo determinação deste Conselho no sentido de que fosse  a  este  apensado  o  processo  nº  16515.720068/2011­86,  ilegal  e  indevidamente  desmembrado  deste. Informou ainda que fora absolvido da acusação de sócio oculto da MUDE, por sentença  do Juiz da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo/SP, proferida nos autos do Processo Criminal  nº 0005827­49.2003.403.6181, do qual foram colhidas as provas que embasaram a autuação e a  imputação de sujeição passiva solidária, ancoradas em meras ilações.  Fl. 52548DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.531          35 Cientificada  do  acórdão  recorrido,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  as  contrarrazões  de  fls.  52135/52186,  em  que  propugnou  pelo  não  provimento  dos  recursos  voluntários e a manutenção da decisão recorrida, baseada nos seguintes argumentos:  1) Em relação ao recurso voluntário da MUDE:  a) o desmembramento da multa regulamentar pela DRJ Ribeirão Preto/SP e o  seu  julgamento  pela  DRJ  São  Paulo/SP  estava  em  conformidade  com  o  que  determinava  a  Portaria RFB 1.006/2013, portanto não havia qualquer ilegalidade no procedimento;  b) eram legais as provas utilizadas no procedimento fiscal, pois a quebra do  sigilo de correspondência, de dados fiscais, bancários, contábeis etc. foi deferida judicialmente  para  investigação  criminal  ou  instrução  processual  penal  em  razão  de  indícios  de  crimes  de  descaminho e outros contra a ordem tributária; e houve autorização  judicial para o acesso da  fiscalização a tais;  c)  as  gravações  e  correspondências  eletrônicas  transcritas  no  TVF  apenas  demonstravam  o  modus  operandi  da  organização,  que  fora  corroborado  pelos  documentos  colhidos  nas  diligências  efetuadas  junto  a  cada  uma  das  empresas  envolvidas  no  esquema  fraudulento;  d) o STF já decidira pela desnecessidade da degravação integral das escutas  telefônicas,  bastando  que  fossem  degravados  os  trechos  necessários  ao  embasamento  da  denúncia;  e)  em  algumas  das  transcrições  acostadas  aos  autos,  os  participantes  confessaram a existência do esquema e o repasse dos recursos, afirmando que a pessoa jurídica  MUDE  estava  com  problemas  de  fluxo  de  caixa,  por  ter  antecipado  impostos  e  taxas  para  liberação  de  cargas,  confirmando,  assim,  a  cadeia  de  importação  fraudulenta.  Ademais,  os  valores  antecipados,  coincidam  ou  eram  muito  próximos  dos  subsequentes  desembaraços  realizados pelas importadoras recebedoras dos recursos;  f) com base na análise de livros contábeis e fiscais, notas fiscais de entradas e  saídas  de mercadorias,  contratos  de  câmbio,  declarações  de  importação  e  extratos  bancários,  referente ao período fiscalizado, de cada uma das empresas que figuravam como importadoras  ou  como  distribuidoras  interpostas,  a  fiscalização  comprovara  o  suprimento  de  recursos  por  parte da MUDE e a completa inexistência de capacidade operacional de boa parte das referidas  empresas;  g) sequer era controverso que a MUDE era quem realizava os pedidos junto à  CISCO  USA;  que  os  produtos  sequer  transitavam  pelos  estabelecimentos  das  supostas  importadoras ou distribuidoras; que as empresas importadoras, em regra, existiam apenas para  realizar demandas da MUDE;  e  todas  essas  características  estavam usualmente presentes  em  casos de interposição fraudulenta;  h)  tantas  evidências,  conjuntamente  analisadas,  não  podiam  ser  encaradas  como  mera  coincidência,  ou  apenas  como  decorrência  “natural”  do  modelo  de  negócios  adotado  pela  recorrente. A  não  ser  que  se  reconhecesse  que  o modelo  de  negócios  adotado  consistisse justamente em realizar importações por meio de interpostas pessoas, o que não era  possível, pelo menos dentro da legalidade;  Fl. 52549DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   36 i) a recorrente não podia alegar que desconhecia os riscos do seu “modelo de  negócios”, o Relatório de Auditoria colacionado aos autos (Anexo IV, volume 1, fls. 41348 e  ss.), apreendido no curso da operação de busca e apreensão realizada na MUDE, representava  prova  cabal  e  irrefutável  de  que  a  contribuinte  desempenhava  sua  atividade  de  forma  fraudulenta  e  estava  plenamente  ciente  das  graves  consequências  tributárias  que  ela  poderia  acarretar;  j) os comentários sobre o risco de equiparação da MUDE a estabelecimento  industrial,  apresentados  no Relatório de Auditoria do mês de dezembro  de 2004  (Anexo  IV,  volume 1,  fls. 41424 e ss.),  revelam que, pelo menos desde do ano de 2003, a MUDE já era  alertada  sobre  a  impropriedade  do  seu modus  operandi,  de  forma  semelhante  à  advertência  feita no Relatório no citado na alínea anterior;  h) em relação ao alerta da empresa de auditoria, o comentário da MUDE foi  no sentido de que, para o exercício de 2004, ela não mais adquiria diretamente das  tradings,  mas sim de distribuidores nacionais (2004 foi o ano a partir do qual se instituiu o duplo grau de  blindagem). Esse relatório vem a se somar às demais provas dos autos, para não deixar dúvidas  de que o modus operandi revelado com mais ênfase a partir do ano de 2007, era praticado pelo  menos desde 2003;  l)  o  não  reconhecimento  dos  créditos  de  IPI  na  aquisição  das  mercadorias  revendidas  não  implicou  ofensa  ao  princípio  da  não  cumulatividade,  tendo  em  vista  que  a  MUDE  escriturou  o  valor  do  referido  imposto  como  custo,  nos  livros  contábeis,  o  que  impossibilitava, no  lançamento de ofício, a utilização de  eventuais  créditos do  imposto, para  fim de compensação com o IPI devido nas saídas dos produtos revendidos;  m) o auto de infração não era passível de nulidade por falta de instauração do  procedimento  especial  previsto  na  Instrução Normativa  SRF  228/2002,  porque  tratava­se  de  uma  possibilidade  aberta  à  fiscalização,  um  instrumento  a  sua  disposição,  mas  não  se  vislumbrava  a  obrigatoriedade  da  instauração  deste  procedimento  para  que  se  constatasse  a  interposição  fraudulenta de  terceiros,  até porque o procedimento  levado a efeito nestes autos  cumpriu as mesmas finalidades, sem ofender nenhum direito da contribuinte;  n) o valor  faturado nas  suas notas  fiscais de saída poderia  sim ser utilizado  como base de cálculo do IPI  lançado, em vez do arbitramento do valor  tributável previsto no  art. 88 da Medida Provisória 2.158­35/2001, pois, para o presente lançamento não importava o  preço  praticado  na  importação,  mas  o  preço  praticado  na  saída  de  mercadorias  de  estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do artigo 79 da citada MP;  o) não houve a alegada decadência, porque, nos termos do art. 150, § 4º, do  CTN, em havendo fraude, como comprovado nos autos, era afastada a regra de contagem do  prazo  decadencial  a  partir  do  fato  gerador,  prevista  para  o  lançamento  por  homologação,  e  aplicada a regra geral do artigo 173, I, do CTN, que tem como termo inicial o primeiro dia o  exercício seguinte aquele em que lançamento poderia ser efetuado;  p)  a  Lei  11.488  não  revogou  a  multa  qualificada,  apenas  deu­lhe  nova  configuração topográfica, que passou a ser  tipificada no § 6º do art. 80 da Lei 4.502/1964. E  todo o arcabouço probatórios resultante das apreensões realizadas e do minucioso cruzamento  de dados mostrava à exaustão o  intuito doloso de fraudar o Fisco, que orientava as ações do  grupo econômico, o que era suficiente para demonstrar o dolo específico de fraudar o Fisco. As  mesmas considerações aplicavam­se a multa isolada;  Fl. 52550DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.532          37 q)  por  ser  a multa  de  ofício  obrigação  principal,  certamente,  ela  integra  o  crédito tributário, logo, assim como tributo (principal), sobre deve incidir os juros moratórios,  como determina o § 1º do art. 161 do CTN, calculado com base na variação da taxa Selic;  2) Em relação ao recurso voluntário da CISCO:  a)  a CISCO  tinha  a  plena  ciência  acerca  dos  procedimentos  de  importação  realizados pela MUDE e as provas colacionadas aos autos demonstram não só o seu interesse  comum no fato gerador das  importações fraudulentas, como também a sua participação ativa  no sentido de colaborar com as importações, sabidamente fraudadas;  b)  a  CISCO  tinha  interesse  em  todo  o  fluxo  das  mercadorias  e  as  acompanhava  de  perto.  Ao  fazer  a  venda  para  a  FULFILL  ou MUDE  USA  (distribuidoras  interpostas  nos  EUA),  tanto  a  CISCO  INC.  quanto  a  CISCO  do  Brasil  sabiam  de  antemão  quem era o end user e sabiam inclusive o preço pelo qual a mercadoria havia de chegar até ele,  preço  esse  negociado  e  definido  pela  CISCO  Brasil.  Portanto,  obviamente  que  era  do  seu  interesse não só o fluxo das mercadorias como também os custos inerentes a esse processo, em  particular os tributários;  c) a CISCO, por meio de sua matriz americana, colaborou ativamente com a  operação  da MUDE,  não  obstante  conhecesse  do  seu  caráter  ilícito.  Neste  sentido,  assinou  acordo de confidencialidade, se comprometendo a não revelar informações sobre as empresas  estrangeiras do grupo MUDE a qualquer autoridade brasileira  (A5V14,  fls. 2720/2722), bem  como  intermediou  e  foi  garante  de  linhas  de  créditos  para  empresas  do  esquema  “FULFILL/MUDE”  (fls. 2729 em diante), não obstante,  repita­se,  estivesse “por dentro” das  irregularidades e dos riscos do modelo de importações da MUDE;  d) a participação da CISCO no esquema ficava ainda mais evidente quando  se  tinha  em  conta  que  seu  presidente,  CARLOS  CARNEVALI,  era  sócio  oculto  do  Grupo  JDTC­MUDE. Tantas evidências deixam claro que a participação de CARNEVALI no grupo  não se restringia à condição de sócio oculto, mas também de participante ativo, tanto do lado  da  CISCO,  onde  era  presidente,  quanto  da  MUDE,  como  sócio  oculto.  Por  todas  essas  evidências não havia como  infirmar a sujeição passiva  solidária,  seja da CISCO, seja de  seu  então presidente;  e) As provas dos autos,  já exploradas nestas razões, demonstram o interesse  tanto econômico quanto jurídico da CISCO na situação que constituiu o fato gerador da multa,  atraindo  para  a  hipótese  a  incidência  do  artigo  124,  I,  do  CTN.  O  proceder  da  CISCO  a  classifica  como  verdadeira  partícipe  das  fraudes  perpetradas,  enquanto  demandante  e  financiadora,  em  que  pese  a  notável  consciência  do  ilícito  e  da  redução  ilegal  da  carga  tributária. Portanto, trata­se de um imperativo de direito seu arrolamento em termo de sujeição  passiva solidária, não merecendo qualquer reparo o auto de infração lavrado; e  3) Em relação aos  recursos voluntários das pessoas  físicas  responsáveis  solidárias:  a)  havia  provas  suficientes  da  plena  ciência  que  todos  os  arrolados  tinham  sobre  o  esquema  fraudulento  de  importações,  bem  como  a  colaboração  de  cada  um  para  viabilizá­lo,  evidenciando  o  interesse  comum  na  situação  que  ensejou  a  imposição  da  penalidade. Tais provas encontravam­se reunidas no anexo V do processo;  Fl. 52551DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   38 b) era inegável a contribuição de cada uma das pessoas arroladas nos termos  de  sujeição  passiva  solidária  para  que  o  esquema  de  importações  fraudulentas  fosse  desenvolvido com sucesso. As provas declinadas nos respectivos termos demonstram que cada  um  deles  detinha  plena  consciência  das  irregularidades  perpetradas  pelo  grupo,  bem  como  demonstram a participação, muitas vezes oculta, de cada um deles na distribuição disfarçada de  lucros que as empresas promoviam;  c)  os  documentos  que  instruem  os  autos  comprovavam,  que,  desde  2004,  todos  os  responsáveis  solidários,  cada  um  a  sua maneira,  desempenhavam  tarefas­chave  nas  empresas  integrantes  do  esquema,  seja  pela  titularidade  de  cargos  administrativos  ou  de  direção,  seja  pelo  controle  de  fato  das  empresas  utilizadas  no  esquema  ou  das  sociedades  controladoras destas. Foram, inclusive, demonstrados os meios oblíquos pelos quais recebiam  os polpudos resultados financeiros das empresas envolvidas;  d)  não  havia  como  negar  o  interesse  comum  na  prática  das  fraudes,  nem  tampouco a singular contribuição de cada qual para que o esquema se efetivasse durante tantos  anos, apesar da plena ciência da  sua  ilicitude, confirmada,  entre outros  elementos  já  citados,  pela  existência  de  relatórios  desenvolvidos  por  escritório  de  advocacia,  expondo  os  riscos  fiscais a que aquele modus operandi expunha a operação;  e) esse tipo de envolvimento dos responsáveis solidários com o fato gerador  atraía  a  aplicação  do  artigo  124,  I,  do CTN. Alguns  dos  autuados,  inclusive,  já  tinham  sido  condenados em primeira instância pela 4ª Vara Federal de São Paulo por crimes relacionados à  infração apurada nestes autos; e  f) não obstante a absolvição de algumas pessoas processo judicial, as provas  que  constavam  dos  termos  de  sujeição  passiva  deixavam  claro  que  todos  os  co­ responsabilizados  agiram  conscientemente  direcionados  a  contribuir  com  o  esquema  fraudulento de importações, o que, no entender Fazenda Nacional, atraía com ainda mais força  a incidência da norma do artigo 124, I, do CTN, principalmente quando demonstrado que todos  participaram dos frutos da fraude, por meio da distribuição de lucros através de offshores.  Em  19/11/2014,  a  autuada  e  recorrente Mude  Comercio  e  Serviços  Ltda.,  protocolou  a  petição  de  fls.  52215/52219,  endereçada  ao  Presidente  desta  3ª  Seção,  em  que  requereu, com fundamento no artigo 49, § 8º, do RICARF na época vigente, a redistribuição do  presente processo ao Conselheiro Winderley Morais Pereira, que, na referida data, compunha a  Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara desta Terceira Seção; e caso entendesse que não  existiam fundamentos jurídicos regimentais suficientemente claros para que este processo fosse  remetido  ao  citado  Conselheiro,  o  que  admitia  apenas  por  amor  ao  debate,  que  aplicasse  o  disposto no artigo 3º, XI, do Anexo I do citado RICARF, e remetesse os autos ao Presidente  deste  Conselho,  pois  se  estaria  diante  de  omissão  ou  dúvida  suscitada  na  aplicação  do  RICARF,  o  que  exigia  a  manifestação  do  Presidente  do  CARF,  para  que  a  omissão  fosse  sanada e a dúvida esclarecida.  No requerimento em destaque, a peticionaria apresentou como justificativa o  fato de o Conselheiro Winderley Morais Pereira ter mudado de Turma e Câmara dentro dessa  Terceira Seção não impedia que o citado processo permanecesse sob sua relatoria, pois, assim  determinava o art. 49, § 8º, do RICARF na época vigente.  Por  meio  do  despacho  de  fls.  52234/52238,  o  Presidente  desta  3ª  Seção  indeferiu o pedido de redistribuição formulado, por falta de amparo regimental, respaldado nas  conclusões exaradas no referido despacho por este Conselheiro, a seguir transcritas:  Fl. 52552DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.533          39 No entendimento deste Conselheiro,  o pleito da requerente não  merece prosperar, porque o disposto no art. 49, § 8º, do RICARF  na  época  vigente  aplica­se  apenas  aos  processos  já  sorteados,  inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem  de diligência. No caso em tela, embora na primeira estada neste  Conselho,  este  processo  tenha  sido  distribuído  ao  nobre  Conselheiro  Winderley  Morais  Pereira,  inequivocamente,  o  julgamento  sob  sua  relatoria  foi  concluído  pelo  Colegiado  (a  extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara) na Sessão 23 de maio  de 2013, conforme acórdão nº 3102­001.873 (fls. 50011/50038),  que anulou a primeira decisão a quo.  Assim,  com  citado  julgamento  concluído  no  âmbito  deste  Conselho, obviamente, este processo retornou a fase de primeiro  grau, dando ensejo a nova decisão e, em decorrência, uma nova  fase  recursal,  que  se  iniciou  com  a  apresentação  dos  novos  recursos voluntários de fls. 50845 e ss.  Dessa forma, fica demonstrado que, ao contrário do que alegou  a  requerente,  o  julgamento  dos  recursos  interpostos  contra  a  primeira  decisão,  foi  devidamente  concluído,  no  âmbito  deste  Conselho,  logo,  o  retorno  dos  autos,  para  o  julgamento  dos  novos  recursos  interpostos  contra  a  segunda  decisão  da  instância a quo, induvidosamente, não se enquadra nas situações  estabelecidas  no  art.  49,  §  8º,  do  RICARF  na  época  vigente,  portanto, não merece acolhimento o pleito em tela.  Além  disso,  diante  da  clareza  do  preceito  regimental  em  destaque,  também  não  merece  acatamento  o  pedido  de  envio  deste processo ao Sr. Presidente deste Conselho.  Regularmente  cientificada  referido  despacho  (fl.  52246),  a  interessado  MUDE  não  se  manifestou  a  respeito  e  os  autos  foram  devolvidos  a  este  Conselho  para  prosseguimento do julgamento.  Em 28/9/2015, o  responsável solidário Carlos Roberto Carnevali  juntou aos  autos  a  petição  de  fls.  52248/52250,  em  que  requereu  que  fosse  analisado,  para  fim  de  dar  provimento ao seu recurso voluntário colacionado aos autos e cancelado o Termo de Sujeição  Passiva Solidária  lavrado em seu nome, o  fato novo consistente na prolação do acórdão pela  Primeira  Turma  do  TRF  da  3ª  Região,  nos  autos  da  Apelação  Criminal  nº  0005827­ 49.2003.4.03.618 (fls. 52252/52257), que manteve a sua absolvição na esfera penal.  Em  4/10/2015,  novamente  o  sujeito  passivo  solidário  Carlos  Roberto  Carnevali  juntou  aos  autos  a  petição  de  fls.  52260/52261,  na  qual  comunicou  o  trânsito  em  julgado da referida decisão da Primeira Turma do TRF da 3ª Região, com base no fato de que o  Ministério Público Federal havia desistido da interposição de recurso especial, nos termos da  petição de fl. 52271.  Enfim,  8/6/2016,  por  meio  da  petição  de  fls.  52297/52299,  os  sujeitos  passivos solidários Hélio Benetti Pedreira e Gustavo Henrique Castellari Procópio informaram  que a sentença absolutória, proferida no âmbito da referida ação criminal, fora confirmada pelo  TRF da 3ª Região e transitara em julgado em 10/6/2015. Assim, devidamente demonstrado, no  caso em apreço, a inocorrência do fato delituoso por meio do trânsito em julgado da decisão de  Fl. 52553DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   40 absolvição, a ratio decidendi alcançada no âmbito da esfera penal atingia, instantaneamente, a  esfera civil e administrativa. À vista dessas considerações, não havia dúvidas quanto ao fato de  que nenhum ato praticado pelos peticionários fora considerado pelo Poder Judiciário ilícito, de  modo que não era possível que eles fossem considerados responsáveis por qualquer infração à  legislação  tributária  ou  aduaneira,  logo,  por  mais  esse  motivo,  devia  ser  integralmente  cancelado os respectivos Termos de Sujeição Passiva Salidária lavrados em face deles.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator.  Com  exceção  do  recurso  voluntário  apresentado  pelo  responsável  solidário  Luiz  Scarpelli  Filho,  os  demais  recursos  voluntários  foram  apresentados  tempestivamente  e  atendem os demais pressupostos regimentais, portanto devem ser conhecidos.  O  recurso  de  ofício  também  deve  ser  conhecido,  porque  interposto  em  conformidade com o disposto no o art. 34 do Decreto 70.235/1972, e alterações  introduzidas  pela Lei 9.532/1997, e está dentro dos parâmetros estabelecidos na Portaria MF nº 3, de 3 de  janeiro de 2008.  O  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo  solidário  Luiz  Scarpelli  Filho  não  será conhecido, porque foi apresentado fora do prazo recursal de 30 (trinta) dias, fixado no art.  33 do Decreto 70.235/1972. Com efeito,  cientificado do acórdão  recorrido  em 8/1/2014  (fls.  50200 e 50213), o recorrente protocolou o seu recurso voluntário em 10/2/2014 (fls. 50800 e  ss.), ou seja, no 33º (trigésimo terceiro) dia, quando já expirado o prazo recursal, encerrado em  7/2/2014 (sexta­feira), dia de expediente normal na unidade preparadora da Receita Federal.  Em  relação  aos  pedidos  e  documentos  do  recorrente  Carlos  Roberto  Carnevali,  apresentados  em  24/9/2015  e  6/10/2015,  portanto,  após  o  prazo  recursal,  por  se  tratar de fato superveniente, em consonância com o disposto no art. 16, § 4º, “b”, do Decreto  70.235/1972, serão levados em consideração na apreciação do seu recurso voluntário.  Cabe esclarecer que o presente julgamento restringe­se às questões atinentes  à cobrança do IPI não lançado do período de janeiro de 2004 a outubro de 2007, acompanhado  de  multa  de  ofício  qualificada  e  dos  juros  moratórios,  uma  vez  que  a  parcela  do  crédito  referente  à  da  multa  regulamentar,  por  entrega  a  consumo  de  produto  de  procedência  estrangeira importado irregular ou fraudulentamente, foi transferida para os autos do processo  nº  16151.720.068/2011­86,  com  tramitação  independente  deste.  Em  consulta  ao  sítio  deste  Conselho, realizada no dia 20/6/2016, verificou­se que o referido processo encontra­se pautado  para julgamento pelo 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção, na Sessão de 23/6/2016.  Da leitura das robustas peças recursais colacionadas aos autos, verifica­se que  há  identidade ou  similaridade  em  relação a maior parte das  razões de defesa nelas  aduzidas.  Dessa  forma,  com  vistas  a  conferir  racionalidade,  objetividade  e  evitar  repetições  desnecessárias,  as  razões  de  defesa  idênticas  ou  semelhantes  serão  analisadas  em  conjunto,  contudo,  caso  algumas  delas  estejam  baseadas  em  argumentos  distintos,  se  relevantes,  serão  destacados e abordados em separado.  A) DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS  Fl. 52554DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.534          41 Nos  recursos  voluntários  apresentados  pela  contribuinte  MUDE  e  pelos  sujeitos  passivos  solidários  foram  suscitadas  questões  preliminares  e  de  mérito,  a  seguir  analisadas.  A.1) DAS PRELIMINARES DE NULIDADE  Em preliminar, os  recorrentes alegaram a nulidade (i) do acórdão recorrido,  (ii) de parte das provas colacionadas aos autos pela fiscalização e (iii) do procedimento fiscal.  I Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância  Em preliminar, a recorrente MUDE alegou a nulidade da decisão de primeira  instância, por cerceamento do direito de defesa, com base nos argumentos a seguir analisados.  Segundo  a  recorrente,  o  desmembramento  do  julgamento  da  multa  regulamentar fora uma manobra do órgão julgador de primeiro grau, para que os mesmos fatos  fossem  julgados  por  turmas  distintas  deste  Conselho,  com  a  real  possibilidade  de  desfechos  distintos para uma mesma autuação fiscal.  Trata­se  de  alegação  desprovida  de  fundamento.  A  formalização  dos  autos  apartados,  para  fim  de  cobrança  do  crédito  tributário  relativo  a  citada  multa  regulamentar,  capitulada  no  art.  470,  I,  do  Decreto  4.544/2002  (RIPI/2002),  foi  motivada  por  falta  de  competência da DRJ Ribeirão Preto para apreciação do contencioso concernente à  imposição  da referida multa. No caso, de acordo o Anexo I da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de  2013,  o  órgão  julgador  de  primeiro  grau  competente  para  o  julgamento  da  referida  multa  regulamentar é a DRJ São Paulo.  Portanto, ao contrário do alegado, trata­se de procedimento que foi realizado  em cumprimento ao disposto na referida Portaria, logo, decidiu com acerto a DRJ de Ribeirão  Preto ao julgar apenas as questões controvertidas atinentes ao lançamento do IPI nas saídas de  produtos  do  estabelecimento  equiparado  à  industrial  e  determinar  a  formalização  de  autos  apartados, para o  julgamento do contencioso sobre a  referida multa  fosse realizado pela DRJ  São Paulo, órgão julgador competente para julgar a questão, nos termos da referida portaria.  Pelas  mesmas  razões,  também  revela­se  improcedente  a  alegação  do  responsável solidário Carlos Roberto Carnevali, de que a decisão recorrida padecia de vício de  nulidade,  porque  não  apreciara  a  legalidade  da  multa  regulamentar,  descumprindo  determinação  deste  Conselho  no  sentido  de  que  fosse  a  este  apensado  o  processo  nº  16515.720068/2011­86,  que  fora  ilegal  e  indevidamente  desmembrado  deste. Especialmente,  tendo  em  conta  que  não  houve  a  alegada  determinação  deste  Conselho  para  que  o  citado  processo fosse apensado a este.  Também não procede o argumento suscitado pela recorrente MUDE de que o  indeferimento  da  produção  da  prova  pericial  e  da  realização  da  diligência  requeridas  impossibilitara  de  verificar  se  efetivamente  houve  a  alegada  antecipação  de  recursos  financeiros.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  o  destinatário  da  prova  é  autoridade julgador, nos termos do art. 29 do Decreto 70.235/1972. Logo, se na apreciação das  provas  coligidas  aos  autos  a  autoridade  julgadora  entende  que  elas  são  suficientes  para  formação  da  sua  convicção  não  cabe  qualquer  apreciação  a  respeito  dessa  decisão,  Fl. 52555DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   42 especialmente, quando devida e corretamente motivada, como ocorreu acórdão recorrido, em  que  consignado  que  a  produção  de  prova  pericial  era  despicienda,  porque  não  havia  necessidade do pronunciamento por parte de técnico especializado, haja vista que se tratava de  matéria de conhecimento do julgador, logo, o pedido de perícia, nos termos propostos, em nada  contribuiria  para  o  deslinde  da  controvérsia,  pois  tratava­se  de  simple  exame  de  registros  contábeis.  A  realização  da  diligência  também  era  dispensável,  porque  não  havia  necessidade, para a elucidação das questões  suscitadas na  impugnação, posto que constavam  dos autos  todas as  informações necessárias para  formação de convicção do referido órgão de  julgamento.  Não se pode olvidar, que, nos  termos do art. 18 do Decreto 70.235/1972, a  realização de perícia ou  diligência,  seja de ofício ou  a  requerimento da  interessada,  somente  será  determinada  se  autoridade  julgadora  entender  que  a  produção  de  tais  provas  revela­se  necessária para a formação da sua convicção sobre os fatos controvertidos.  No caso, entendeu o Colegiado  julgador de primeiro grau que os elementos  probatórios  colacionados  aos  autos  eram  suficientes  para  a  formação  de  convicção  sobre  a  matéria fática objeto da lide.  Pelas  razões  aduzidas  no  voto  condutor  do  julgado  recorrido,  este  Relator  também  entende  que  a  referida  documentação  é  suficiente  para  demonstrar  que  os  recursos  financeiros utilizados nas referidas operações de importação foram antecipados pela MUDE às  demais pessoas jurídicas interpostas (importadoras e distribuidoras), a exemplo das planilhas e  documentos  apreendidos  no  âmbito  da  “Operação Persona”  e  nas  diligências  realizadas  pela  fiscalização  nos  estabelecimentos  das  empresas  integrantes  do  esquema,  que  se  encontram  colacionados nos Anexos III e IV (fls. 35502 e ss.).  Também não procede  a  alegação de nulidade da  referida decisão,  suscitada  pelo  sujeito  passivo  solidário  Pedro  Luis Alves  Costa,  baseada  no  argumento  de  que  houve  omissão quanto ao  julgamento da  sua  impugnação. A uma, porque o  recorrente não apontou  quais pontos da sua impugnação não foram apreciados no julgamento de primeiro grau. A duas,  porque a leitura do voto condutor do julgado recorrido, especialmente dos trechos do subitem  6.1.3  do  citado  voto,  revela  que  as  alegações  relevantes  suscitadas  pelo  recorrente  foram  devidamente analisadas.  Por fim, a recorrente CISCO alegou nulidade da decisão de primeira instância  por  carência  de  motivação,  sob  o  argumento  de  que  o  Colegiado  julgador  a  quo  não  se  pronunciara sobre a maior parte dos argumentos e documentos apresentados nos autos, o que  resultara  na  inobservância  dos  princípios  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo legal.  Sem  razão  à  recorrente,  pois,  além  de  se  tratar  de  alegação  genérica,  diferentemente  do  alegado,  extrai­se  da  leitura  do  voto  condutor  julgado,  que  todas  as  alegações relevantes suscitadas pela recorrente CISCO foram devidamente apreciadas. O fato  de  a  turma  julgadora  de  primeiro  grau  não  ter  se  pronunciado  sobre  a  totalidade  dos  argumentos e documentos apresentados recorrente, por si só, não macula a decisão recorrida.  A propósito, cabe ressaltar que o dever de fundamentação fixado no art. 93,  IX,  da  CF/1988,  combinado  com  disposto  no  art.  31  do  Decreto  70.235/1972,  exige  que  a  autoridade julgadora ou órgão julgador se manifeste, de forma fundamentado, sobre as razões  de  defesa  das  partes,  sem,  contudo,  determinar  que  o  julgador  examine,  completa  e  Fl. 52556DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.535          43 pormenorizadamente,  cada uma das  alegações  ou  provas  apresentadas  pelas  partes,  nem que  seja correto os fundamentos por ele aduzidos.  No  mesmo  sentido,  o  entendimento  consolidado  na  jurisprudência  do  Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do que fora externado no julgamento do AgRg  no RE nos EDcl no AgRg no AREsp 268.238/SP, cujo enunciado da ementa segue transcrito:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  INCIDÊNCIA  DO  ISSQN.  REGISTRO  PÚBLICOS,  CARTORÁRIOS  E  NOTARIAIS.  ADI  3.089/DF.  POSSIBILIDADE.  BASE  DE  CÁLCULO  DO  ISSQN  DEVIDO  PELOS TABELIÃES. PREÇO FIXO OU PREÇO DO SERVIÇO.  AUSÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO  GERAL.  INDEFERIMENTO  LIMINAR. ART. 543­A, § 5º, DO CPC. ART 5º, XXXV E ART. 93,  IX,  AMBOS  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL.  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  RECURSO  PREJUDICADO. AGRAVO DESPROVIDO.  [...]  III.  A  Corte  Suprema,  nos  autos  do  AI­RG­QO  791.292/PE,  julgado  sob  o  regime  da  repercussão  geral,  reafirmou  a  sua  jurisprudência no sentido de que o art. 93, IX, da Constituição  Federal  exigem  que  o  acórdão  ou  decisão  sejam  fundamentados,  ainda  que  sucintamente,  sem  determinar,  contudo,  o  exame  pormenorizado  de  cada  uma  das  alegações  ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão.  IV ­ Agravo regimental desprovido.1 (grifos não originais)  Da mesma forma, tem trilhado a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal  (STF),  conforme  bem  ilustra  o  julgamento  realizado  sob  regime  de  repercussão  geral,  cujo  enunciado da ementa segue transcrito:  Questão  de  ordem.  Agravo  de  Instrumento.  Conversão  em  recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação  de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art.  93  da Constituição Federal.  Inocorrência. 3. O art.  93,  IX,  da  Constituição  Federal  exige  que  o  acórdão  ou  decisão  sejam  fundamentados,  ainda  que  sucintamente,  sem  determinar,  contudo,  o  exame  pormenorizado  de  cada  uma  das  alegações  ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão.  4.  Questão  de  ordem  acolhida  para  reconhecer  a  repercussão  geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento  ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados  à repercussão geral.2 (grifos não originais)                                                              1  BRASIL. STJ.   CORTE ESPECIAL. AgRg  no RE  nos  EDcl  no AgRg  no AREsp 268.238/SP, Rel. Ministro  GILSON DIPP, julgado em 18/12/2013, DJe 03/02/2014)  2 BRASIL. STF. PLENÁRIO. AI 791292 QO­RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010,  DJe­149 DIVULG 12­08­2010 PUBLIC 13­08­2010 EMENT VOL­02410­06 PP­01289 RDECTRAB v.  18, n.  203, 2011, p. 113­118 )   Fl. 52557DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   44 Por  todas  essas  razões,  fica  demonstrado  que  não  existem,  na  decisão  recorrida,  as  máculas  apontadas  pelos  recorrentes,  logo,  rejeita­se  todas  as  preliminares  de  nulidade suscitadas.  II Da Nulidade das Provas Emprestadas  A recorrente MUDE, com base no Parecer de fls. 47644/47712, da lavra dos  renomados Professores Ada Pellegrini Grinover  e Flávio Luiz Yarshell,  alegou nulidade  das  provas colhidas no âmbito do Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.009285­1, com base  no argumento de que, como o referido procedimento criminal  fora instaurado com finalidade  exclusivamente penal, por conseguinte as provas nele colhidas não poderia ser compartilhada  pela fiscalização, porque não havia autorização judicial nem legal para tal finalidade.  Com  a  devida  vênia,  não  procede  esse  argumento,  pois,  diferentemente  do  alegado, o referido procedimento criminal foi instaurado para investigar o esquema de fraude  na  importação  dos  equipamentos  eletroeletrônicos  e  de  telecomunicações  da marca  CISCO,  importados por conta e ordem da recorrente MUDE. Ademais, ele foi realizado a pedido e com  base  nos  fortes  indícios  de  fraude  colhidos  pela  fiscalização  da  RFB.  Inclusive,  a  força  da  tarefa  de  investigação  da  Polícia  Federal  contou  com  a  participação  ativa  e  direta  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  (AFRFB),  que  atuaram  na  condição  de  assistentes técnicos.  Nesse  sentido,  a  quebra  do  sigilo  de  correspondência,  de  dados  fiscais,  bancários e contábeis foi autorizada judicialmente, para fim de investigação dos fortes indícios  de crimes “de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários”. Além disso, o  magistrado que autorizou a captação dos questionados dados/informações também autorizou a  sua utilização deles por parte da fiscalização da RFB, conforme documentos de fls. 342/346,  enviados por meio do Oficio nº 3693/2008 ­ S.7 ­ SVZ, de onde se extrai o elucidativo excerto  que segue transcrito:  A legal obtenção da prova para apuração de crimes, mesmo no  caso  de  interceptações  telefônicas,  não  inviabiliza  a  posterior  utilização  dessas  provas  para  outros  fins  judiciais  ou  administrativos.  O  que  precisa  ficar  devidamente  comprovado  é  que  a  interceptação  foi  originalmente  solicitada  e  deferida  visando  efetivamente  sua  utilização  em  apuração  de  crimes  e  isso,  inegavelmente, é o caso dos autos. As interceptações telefônicas  e telemáticas, bem como as demais quebras de sigilo de dados,  foram  regularmente  deferidas  para  apuração  de  crimes  de  quadrilha,  falsidade  documental,  descaminho  e  crimes  tributários.  Com  isso,  perfeitamente  cabível,  em  um  segundo  plano,  que  esses  elementos  possam  ser  utilizados  como  provas  em  outros  procedimentos, mesmo que administrativos (prova emprestada).  (grifos não originais)  Dado esse escopo, certamente, além da apuração dos crimes praticados pelos  lideres do “Grupo MUDE”, a investigação também visou a obtenção de provas do sofisticado  esquema de  fraude,  para  fim de  instrução  dos  autos  de  cobrança dos  tributos  sonegados  nas  operações de importação fraudulentas e imposição das penalidades previstas para as infrações  cometidas,  como  forma  de  inibir  ou  cessar  as  práticas  ilícitas  de  importação  praticadas  pelo  Fl. 52558DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.536          45 citado grupo. Logo,  resta evidenciada a  licitude da utilização das  referidas provas que  foram  coligidas aos autos.  E  o  entendimento  aqui  esposado,  está  em  perfeita  consonância  com  a  jurisprudência deste Conselho. A título de exemplo, cita­se o acordo nº 3403­002.434, da lavra  da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, cujo enunciado da ementa segue transcrito:  ESCUTA  TELEFÔNICA.  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL.  VALIDADE.  É  válida  a  prova  carreada  aos  autos  decorrente  de  escuta  telefônica  se  a  coleta  e  o  repasse  à  RFB  das  informações  derivadas da escuta forem judicialmente autorizados.3  A  propósito  do  assunto,  cabe  ainda  consignar  que  o  Plenário  do  STF,  no  recente  julgamento do Recurso Extraordinário  (RE) 601.314, da  relatoria  do Ministro Edson  Fachin, e das Ação Direta de Inconstitucionalidade 2859, 2390, 2386 e 2397, concluiu que era  constitucional os dispositivos da Lei Complementar  (LC) 105/2001, que permitem à Receita  Federal  receber  dados  bancários  de  contribuintes  fornecidos  diretamente  pelos  bancos,  sem  prévia  autorização  judicial,  sob  o  entendimento de  que  a  norma não  resultava  em quebra de  sigilo  bancário,  mas  sim  em  transferência  de  sigilo  da  órbita  bancária  para  a  fiscal,  ambas  protegidas contra o acesso de terceiros.  Também  não  procede  o  argumento  da  recorrente MUDE de  que  a  falta  de  transcrição  integral  das  escutas  telefônicas  e  dos  arquivos  telemáticos,  bem  como  o  uso  de  documento  em  língua  estrangeira  sem  tradução  juramentada,  implicava  na  nulidade  das  respectivas provas utilizadas pela fiscalização.  Em  relação  ao  assunto,  há  expressa  determinação  no  art.  9º  da  Lei  9.296/1996, no sentido de que somente os dados regularmente interceptados que interessarem à  instrução  probatória  devem  ser  reproduzidos  e  coligidos  aos  autos,  enquanto  que  os  demais  sem interesse para investigação devem ser inutilizados. Portanto, diferentemente do alegado, o  procedimento em questão foi realizado em perfeita sintonia com a referida determinação legal.  Assim,  em  conformidade  com  o  que  determina  do  citado  preceito  legal,  a  fiscalização  trouxe  à  colação  dos  autos  somente  os  trechos  dos  diálogos  telefônicos  e  das  mensagens eletrônicas relevantes para instrução probatória da questionada autuação. Portanto,  fica demonstrada a licitude do procedimento adotado pela fiscalização.  No  mesmo  sentido,  o  entendimento  manifestado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  julgamento  do  Hábeas  Corpus  91207/MC,  de  que  era  desnecessária  a  degravação  integral  das  escutas  telefônicas,  bastando que  fossem degravados  e coligidos  aos  autos os excertos necessários ao embasamento da denúncia, conforme esposado no enunciado  da ementa que segue transcrito:  EMENTA:  HABEAS  CORPUS.  MEDIDA  CAUTELAR.  PROCESSUAL  PENAL.  PEDIDO  DE  LIMINAR  PARA  GARANTIR  À  DEFESA  DO  PACIENTE  O  ACESSO  À  TRANSCRIÇÃO  INTEGRAL  DAS  ESCUTAS  TELEFÔNICAS  REALIZADAS NO INQUÉRITO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO                                                              3 BRASIL. CARF. 3ª Seção. 4ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. 3403­002.434, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j.  24.set.2013.  Fl. 52559DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   46 PRINCÍPIO DO DEVIDO  PROCESSO  LEGAL  (ART.  5º,  INC.  LV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA): INOCORRÊNCIA:  LIMINAR INDEFERIDA.  1.  É  desnecessária  a  juntada  do  conteúdo  integral  das  degravações  das  escutas  telefônicas  realizadas  nos  autos  do  inquérito no qual são investigados os ora Pacientes, pois bastam  que  se  tenham  degravados  os  excertos  necessários  ao  embasamento  da  denúncia  oferecida,  não  configurando,  essa  restrição, ofensa ao princípio do devido processo  legal  (art. 5º,  inc. LV, da Constituição da República). 2. Liminar indeferida.4  Em relação aos documentos em língua estrangeira sem tradução juramentada,  além da recorrente não indicar quais os documentos que prejudicaram a sua defesa, com base  nas  poucas  peças  ou  conversas  não  traduzidas  para  o  vernáculo,  colacionadas  aos  autos,  observa­se que elas não  tinham o condão de causar qualquer embaraço ou dificuldade para a  defesa  dos  recorrentes,  especialmente,  tendo  em  conta  que  os  documentos  relevantes  para  o  embasamento  da  autuação  foram  todos  traduzidos  para  vernáculo  nos  ofícios  e  laudos  da  Polícia Federal, bem como no âmbito do procedimento administrativo.  Além disso, se há nos autos expressa autorização judicial (fls. 307/310) para  utilização das provas produzidas no âmbito citado Inquérito Policial e uma vez comprovada a  participação  de  todos  os  recorrentes  no  citado  esquema  de  fraude,  consequentemente,  não  existe  qualquer  ilicitude  na  utilização  das  referidas  provas,  para  fim  de  comprovação  das  infrações  tributárias  e  ao  controle  administrativo das  importações,  que  foram  imputadas pela  fiscalização aos recorrentes.   Com base nesse entendimento, também fica afasta a alegação de ilicitude das  referidas provas, suscitada pela recorrente CISCO, em razão de não ter integrado a relação dos  investigados no âmbito do citado inquérito policial.  A recorrente CISCO alegou ainda que, na formação da prova, houve violação  ao contraditório e ao direito de defesa, sob o argumento de que não lhe fora dada oportunidade  de intervir ou participar do referido procedimento criminal.  Sem  razão  a  recorrente.  Ora,  se  o  referido  procedimento  criminal  fora  instaurado  exclusivamente  para  apurar  as  possíveis  condutas  delitivas  das  pessoas  físicas  integrantes do “Grupo MUDE”, obviamente, não havia justificativa plausível para a recorrente  CISCO,  na  condição  pessoa  jurídica,  interviesse  ou  participasse  do  citado  procedimento,  examinando ou questionando as provas colhidas.  Além  disso,  por  ser  regido  pelo  princípio  da  inquisitoriedade,  a  fase  do  procedimento  criminal,  assim  como  a  fase  do  procedimento  fiscal,  sabidamente,  não  é  o  momento propício para o exercício do contraditório e do amplo direito de defesa.  No caso, com a ciência da recorrente da conclusão do procedimento fiscal em  apreço, o contraditório e o pleno exercício do direito de defesa foi­lhe assegurado e plenamente  exercido, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, conforme bem demonstram as  robustas peças defensivas colacionadas aos autos. E nesta fase, cabia a recorrente contestar as  provas colhidas no âmbito do citado procedimento criminal e coligidas aos presentes autos, o  que foi feito oportuna e adequadamente pela recorrente CISCO.                                                              4 BRASIL. STF. HC 91207 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN  LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 11/06/2007, DJe­106 DIVULG­20­09­2007 PUBLIC­21­09­2007 DJ 21­09­ 2007 PP­00020 EMENT VOL­02290­02 PP­00325.  Fl. 52560DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.537          47 Com  base  nessas  considerações,  demonstra­se  a  total  higidez  das  provas  colhidas no âmbito procedimento criminal e coligidas aos autos, em especial, aquelas obtidas  no  curso  do  citado  procedimento  criminal,  que  foram  disponibilizadas  à  fiscalização,  por  expressa autorização judicial.  Assim, demonstrada que foram obtidas de forma lícita as provas colacionadas  autos e utilizadas pela fiscalização para demonstrar os fatos imputados aos recorrentes, rejeita­ se a presente preliminar de nulidade.  III Da Nulidade do Procedimento Fiscal e da Necessidade de Diligência  A  recorrente  MUDE  alegou  nulidade  do  procedimento  fiscal,  sob  o  argumento  de  que  houve  desobediência  ao  art.  142  do  CTN,  que  impunha  à  fiscalização  o  dever  de  averiguar  a  ocorrência  do  fato  concreto,  previsto  na  norma  geral  e  abstrata,  individualizando­o  e  tipificando­o,  tudo mediante  prova  concreta  e  material,  e  não  somente  proceder  o  lançamento  com  base  em  presunções.  Segundo  a  recorrente,  a  presente  autuação  não  poderia  prosperar,  pois  não  ficara  comprovada  a  antecipação  de  recursos  que  poderia  ensejar a aplicação da presunção legal de importação por conta e ordem.  Sem razão à recorrente. O presente procedimento fiscal não foi realizado com  base  em  meras  presunções,  mas  embasado  em  robusto  acervo  probatório,  que  se  encontra  colacionado aos autos.  Diferentemente do alegado pela recorrente, há nos autos provas documentais,  distribuídas nos vários volumes deste processo, em especial os que constam dos Anexos II e III  (fls.  31722  e  ss.),  que  foram  elaborados  e  colhidos  pela  fiscalização  no  curso  das  várias  diligências  fiscais  realizadas  nos  estabelecimentos  da  MUDE  e  das  demais  empresas  que  atuaram de forma ativa no esquema de importação fraudulenta em referência.  Os  documentos  do  período  de  janeiro  de  2004  a  outubro  de  2007,  que  embasaram a autuação, dentre outros,  foram os seguintes: a) escrituração contábil e  fiscal das  respectivas  empresas;  b)  notas  fiscais  de  entradas  e  saídas  de  mercadorias;  c)  contratos  de  câmbio; d) declarações de importações, e d) extratos bancários.  Essa documentação, inequivocamente, infirmam a alegação da recorrente MUDE  e dos demais  recorrentes de que  a  fiscalização havia  se utilizado documentos do ano 2003, para  comprovar os fatos motivadores da presente autuação.  Além  do  referido  acervo  probatório,  entregue  ou  apreendido  no  curso  das  referidas  diligências,  subsidiariamente,  a  fiscalização  utilizou  os  documentos  e  arquivos  magnéticos apreendidos no âmbito da “Operação Persona”, que integram os Anexos I e IV dos  presentes autos (fls. 29805/31721 e 42553/44022), que, de forma congruente, corroboraram os  ilícitos cometidos pelos integrantes do esquema fraudulento em destaque.  E  com  base  nos  referidos  documentos,  ao  contrário  do  que  alegou  a  recorrente, a fiscalização comprovou que: a) a real operação de importação fora realizada entre  a fabricante dos equipamentos da marca CISCO, sediada nos EUA (a CISCO SYSTEM INC.)  e  a MUDE,  a  real  importadora  e  adquirente  dos  referidos  produtos;  b)  todas  as  operações  intermediárias  foram  simuladas,  para  aparentar  legalidade  às  operações  de  compra  e  venda  realizadas no mercado interno, dissimular ou acobertar a real operação de operação, com vistas  fraudar o controle aduaneiro e evitar ou reduzir a carga tributária; c) a real importadora MUDE  Fl. 52561DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   48 repassava  os  recursos  para  a  distribuidora  interposta  que,  por  sua  vez,  os  repassava  à  importadora interposta; e d) as empresas interpostas (importadoras e distribuidoras) não tinha  disponibilidade  econômico­financeira  nem  estrutura  operacional,  para  realizar  as  referidas  importações.  O  fornecimento  dos  recursos  financeiros  pela  MUDE  às  empresas  importadoras  e  distribuidoras  encontra­se  minuciosamente  demonstrado  no  Capítulo  IV  do  TVF  (  fls.  719  e  ss.). Os dados  apresentados nos vários  demonstrativos/planilhas  elaborados  pela  fiscalização,  detalhado  por  empresa  importadora  e  distribuidora,  corroborados  pelos  documentos  coligidos  autos,  comprovam que  as  empresas  que  aparecem  como  importadoras  diretas, bem como as distribuidoras, foram utilizadas para ocultar a real  importadora MUDE,  mediante  simulação  da  operação  de  aquisição  das  mercadorias  de  origem  estrangeira  já  nacionalizadas, e assim excluindo a MUDE do processo direto de importação, de modo a evitar  a  sua  equiparação  a  estabelecimento  industrial  e,  em  decorrência,  excluí­lo  da  condição  de  contribuinte do IPI.  Em  suma,  a  comprovação  da  transferência  dos  recursos  financeiros  da  recorrente MUDE às referidas empresas importadoras, por força da presunção, determinada no  disposto no  art.  275  da Lei 10.627/2002,  além de  equiparar  as  correspondentes operações de  compra no exterior dos equipamentos da marca CISCO à operação de importação por conta e  ordem da MUDE, também equiparava esta empresa a condição de estabelecimento industrial,  nos  termos  do  art.  796  da  Medida  Provisória  2.158­35/2001.  Todas  essas  questões  serão  analisadas, em detalhe, a seguir, por ocasião da apreciação das questões de mérito.  Assim,  resta demonstrado que o procedimento fiscal encontra­se  respaldado  em fartos elementos probatórios e que as operações de importação, por presunção legal relativa  (juris  tantum),  foram  consideradas  por  conta  e  ordem,  em  razão  da  comprovação  de  que  as  empresas  importadoras  utilizaram  os  recursos  financeiros  da  real  importadora MUDE,  para  custear a totalidade das importações realizadas no período da autuação.  Dada  essa  configuração,  cabia  a  recorrente  MUDE  infirmar  as  robustas  provas colacionadas aos autos pela fiscalização, com base em elementos probatórios hábeis e  idôneos. No entanto, em vez de tentar contraditar o teor das mencionadas provas, sem qualquer  respaldo  em  elementos  adequados  de  prova,  a  recorrente  preferiu  o  caminho  fácil  de  retoricamente  alegar  que  não  havia  documento  “capaz  de  provar  a  alegada  antecipação  de  recursos”.  Os  recorrentes  responsáveis  solidários  também  alegaram  nulidade  do  procedimento  fiscal  e  dos  respectivos  TSPS  por  ofensa  aos  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  sob  o  argumento  de  que  não  foram  submetidos  a  prévio  procedimento  fiscal,  visando  o  levantamento  das  informações  e  documentos  relacionados  ao  fato  jurídico  infracional.  Sem  razão  os  recorrentes.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  de  exigência  de  crédito  tributário,  a  fase  do  contraditório  tem  início  com  a  ciência  do  auto  de  infração pelo  contribuinte  e  sujeitos passivos  solidários,  o que  foi  feito, de  forma  regular no  caso em tela.                                                              5 "Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume­se por  conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no2.158­35, de 24  de agosto de 2001."  6  "Art.  79.  Equiparam­se  a  estabelecimento  industrial  os  estabelecimentos,  atacadistas  ou  varejistas,  que  adquirirem  produtos  de  procedência  estrangeira,  importados  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica importadora."  Fl. 52562DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.538          49 Além  disso,  com  a  regular  ciência  de  todos  os  responsáveis  solidários  foi  facultada a possibilidade deles impugnarem a exigência fiscal, o que foi regulamente exercido  por  todos.  E,  no  caso,  tanto  as  robustas  peças  impugnatórias,  quanto  os  extensos  recursos  voluntários  apresentados  pelos  recorrentes,  representam  provas  incontestes  de  que  o  contraditório e o direito de defesa foram assegurados aos sujeitos passivos solidários em toda  sua  plenitude,  inclusive  a  faculdade  de  apresentar  as  provas  que  entendessem  adequadas  e  pertinentes com vistas à comprovação das aduzidas razões de defesas.  No mesmo sentido, consolidou­se a jurisprudência deste Conselho, conforme  se infere do enunciado da Súmula CARF nº 46, que segue transcrito: “O lançamento de ofício  pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser  de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.”  Portanto,  revela­se de  todo descabida a  alegação de mácula dos  respectivos  TSPS,  em  razão  da  necessidade  de  prévio  procedimento  fiscal  contra  as  pessoas  físicas  arroladas como sujeitos passivos solidários.  No caso, o questionado auto de infração atende todos os requisitos do art. 10  do  Decreto  70.235/1972.  E  o  TVF  que  o  integra  contém  todos  os  dados  e  informações  necessários  e  suficientes  para  o  perfeito  conhecimento  das  irregularidade  tributárias  e  aduaneiras imputadas ao sujeitos passivos principal e solidários.  E na fase de instrução ou inquisitorial do procedimento fiscal, sabidamente,  não há qualquer determinação legal no sentido de obrigar a fiscalização instaurar procedimento  contra cada um dos responsáveis solidários, ou até mesmo cientificar todos eles da instauração  e do curso do procedimento realizado contra o contribuinte fiscalizado. Tais medidas somente  serão  adotadas,  se  curso  do  procedimento  elas  se  revelarem  indispensáveis,  para  fins  de  instrução processual, o que não ocorreu na autuação em apreço.  Por essas razões, diferentemente do alegado, não há que falar em prejuízo ao  direito defesa e tampouco em vulneração do contraditório, no curso da fase de procedimental  ou de instrução. Em decorrência, revela­se de todo inapropriado alegar cerceamento do direito  de  defesa  antes  de  iniciado  o  prazo  para  a  impugnação  do  lançamento,  que,  se  apresentada  tempestivamente pelo autuado,  instaura a fase litigiosa do processo, nos termos do art. 14 do  Decreto 70.235/1972.  Também  revela­se  descabido  o  desafio  lançado  pela  recorrente  a  este  Conselho,  com  vista  a  demonstrar  que  houve  a  alegada  antecipação  de  recursos  financeiros,  inclusive, mediante solicitação de toda e qualquer diligência que entendesse necessária.  Sabidamente,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  por  força  do  disposto  caput  dos  arts.  9º  e  15  do Decreto  70.235/1972,  ônus  probatório  cabe  a  autoridade  fiscal incumbido da autuação e ao impugnante que discorda do procedimento. De outra parte, à  autoridade ou ao órgão julgador só cabe demandar a produção de provas, se na apreciação dos  fatos for constatada deficiência probatória e a prova a ser produzida revelar­se imprescindível  para  formação  da  sua  convicção,  com  respaldo  no  art.  18  do  Decreto  70.235/1972,  o  que  poderá ser  feito de ofício ou a requerimento das partes, mediante a conversão do  julgamento  em diligência, inclusive para produção de produção pericial.  Entretanto, no caso em tela a realização de diligência ou perícia, revela­se de  todo  desnecessária,  porque  a  fiscalização  apresentou  a  documentação  comprobatória  das  Fl. 52563DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   50 operações de antecipação de recursos financeiros, que deveria ter sido contestada ou infirmada  pela recorrente, com base em elementos probatórios idôneos, o que não ocorreu.  Assim,  como  os  referidos  elementos  probatórios  coligidos  aos  autos  pela  fiscalização  são  suficientes  para  formação  da  convicção  deste  julgador  acerca  dos  fatos  controvertidos, em conformidade com o disposto no art. 29 do Decreto 70.235/1972, no caso  em  tela,  revela­se  de  todo  prescindível  a  realização  de  qualquer  diligência  ou  realização  de  perícia, para o deslinde de controvérsia.  Por  todas  essas  razões,  rejeita­se  a preliminar de nulidade do procedimento  fiscal,  bem  como  o  pedido  de  realização  de  diligência  ou  perícia,  por  se  revelar  totalmente  desnecessária para o deslinde do contencioso.  A.2) DAS QUESTÕES DE MÉRITO  No  mérito,  a  controvérsia  gira  em  torno  da  legitimidade  da  cobrança  dos  débitos do  IPI do período de 01/01/2004 a 31/10/2007 e consectários  legais  (multa de ofício  qualificada  e  juros  moratórios),  bem  como  da  legitimidade  passiva  das  pessoas  físicas  e  jurídica arroladas como sujeitos passivos solidários.  Novamente,  ressalta­se  que,  por  não mais  integrar  os  presentes  autos,  aqui  não  será  analisada  as  questões  atinentes  a  legitimidade  da  imposição  da  multa  isolada  regulamentar de 100%  (cem por cento) do valor das mercadorias, por entrega  a consumo de  produto  de  procedência  estrangeira  importado  fraudulentamente,  objeto  do  processo  nº  16151.720.068/2011­86,  que  se  encontra  na  pauta  de  julgamento  de  outra  Turma  Ordinária  desta 3ª Seção, conforme informado anteriormente.  I DA LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO  Os principais questionamentos  acerca da  legitimidade da  cobrança do  IPI  e  respectivos  consectários  legais  foram  suscitadas  pela  recorrente MUDE. Assim,  neste  tópico  serão  analisadas,  com  primazia,  as  razões  de  defesa  por  ela  suscitadas.  Porém,  para  evitar  repetição  desnecessária,  se  existir  argumentos  relevantes  e  distintos  sobre  a mesma  questão,  apresentada por qualquer dos sujeitos passivos solidários, eles também serão analisados neste  tópico.  Inicialmente, para  fim de definição dos contornos da  lide,  revela­se de  todo  oportuno apresentar o motivo da cobrança crédito tributário objeto da presente autuação, que,  se encontra resumido no excerto extraído do questionado auto de infração, que segue transcrito:  A  presente  tributação  no  sujeito  passivo,  como  equiparado  a  estabelecimento  industrial,  foi  efetuada  com base  no  inciso  IX,  c/c com o parágrafo 2°, ambos do artigo 9° do DECRETO N °  4.544,  DE  26/12/2002,  e  decorreu  da  constatação  de  que  o  autuado  incidiu  na  conduta  tipificada  no  artigo  27  da  Lei  n°  10.637,  de 30/12/2002,  combinado  com o  artigo  79 da Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24/08/2001 [...].  Os referidos preceitos  legais, que  tipificam a conduta atribuída à  recorrente  MUDE, têm a seguinte redação, in verbis:  Art.  27.  A  operação  de  comércio  exterior  realizada  mediante  utilização de recursos de terceiro presume­se por conta e ordem  deste,  para  fins  de  aplicação  do  disposto  nos  arts.  77  a  81  da  Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001.  Fl. 52564DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.539          51 Art.  79.  Equiparam­se  a  estabelecimento  industrial  os  estabelecimentos,  atacadistas  ou  varejistas,  que  adquirirem  produtos de procedência estrangeira,  importados por sua conta  e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.  Da  leitura  combinada  dos  textos  transcritos,  extrai­se  que,  para  fins  de  equiparação  à  estabelecimento  industrial,  a  operação  de  importação  “realizada  mediante  utilização de  recursos  de  terceiro presume­se por  conta  e ordem” do  terceiro  fornecedor dos  recursos.  I.1 Da Equiparação a Estabelecimento Industrial  No  caso  em  tela,  a  presunção  legal  de  equiparação  a  estabelecimento  industrial, que serviu de fundamento para a cobrança do IPI objeto do lançamento em questão,  foi  fundamentada  na  prova  da  utilização  de  recursos  da  recorrente  MUDE  pelas  empresas  importadoras dos produtos da marca CISCO.  Dada essa configuração, ressalta­se que a presunção prevista no art. 237, § 2º,  do Decreto­lei 1.455/1976, incluído pela Lei 10.637/2002, alegado pela recorrente MUDE, não  foi  apresentada  como  fundamento  do  lançamento  em  apreço.  Portanto,  trata­se  de  matéria  estranha aos fundamentos da cobrança dos débitos do IPI, objeto da questionada autuação. Por  essa razão, a referida presunção não será aqui analisada.  Com  efeito,  o  referido  preceito  legal  trata  da  presunção  da  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio  exterior,  que  exige  a  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados,  para  fim  de  aplicação  da  pena  de  perdimento ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, quando  a mercadoria  não  for  localizada,  ou  tiver  sido  consumida  ou  revendida. Os  presentes  autos,  inequivocamente, não tratam da imposição da referida penalidade, portanto, trata­se de matéria  estranha aos autos.  Assim,  a  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos empregados não representa condição necessária, para fim de aplicação da presunção  de equiparação a estabelecimento industrial, que exige como condição necessária e suficiente,  conforme  já  demonstrado,  a  comprovação  do  fornecimento  dos  recursos  financeiros  ao  importador pelo estabelecimento equiparado a industrial.  Aqui  também  não  será  objeto  de  análise  eventual  divergência  de  entendimento  manifestada  nas  diferentes  decisões  de  primeiro  grau  proferidas  nos  diversos  processos  que  tratam de  autuações  contra a  recorrente MUDE. Tais  argumentos,  certamente,  servem  de  fundamento  para  as  respectivas  decisões,  porém  não  tem  o  condão  de  alterar  ou  aperfeiçoar  o  fundamento  do  lançamento  em  apreço,  cuja  legalidade  cabe  a  este  Colegiado  analisar e decidir a respeito.                                                              7 "Art 23. Consideram­se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias:  [...]  V ­ estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real  vendedor,  comprador  ou  de  responsável  pela  operação, mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)  [...]  §  2º  Presume­se  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio  exterior  a  não­comprovação  da  origem,  disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)  [...]"  Fl. 52565DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   52 Assim,  o  ponto  central  da  controvérsia  cinge­se  à  comprovação  do  fato  presuntivo,  consistente  na  utilização  dos  recursos  financeiros  da  recorrente  MUDE  pelas  empresas importadoras dos produtos da marca CISCO. Portanto, dada essa característica, tem­ se  que  o  deslinde  da  controvérsia  envolve  questão  de  natureza,  eminentemente,  fático  probatória, ou seja,  se  as  importações objeto da  tributação em questão  foram realizadas com  recursos das próprias importadoras ou com recursos fornecidos pela recorrente MUDE.  Definida  a  questão  relevante  para  o  deslinde  da  controvérsia,  passa­se  a  analisar as razões apresentadas pela fiscalização para o lançamento em cotejo com as razões de  defesa apresentadas pelos recorrentes, com destaque para as alegações da recorrente MUDE.  Da  transferência  de  recursos  financeiros:  elementos  probatórios  apresentados pela fiscalização.  Previamente  à  análise  dos  elementos  probatórios,  que  foram  apresentados  pela  fiscalização,  para  demonstrar  as  transferências  dos  recursos  financeiros  da  recorrente  MUDE para as empresas importadoras/distribuidoras e, assim, facilitar a compreensão do fluxo  financeiro entre as empresas do “Grupo MUDE” e as demais empresas integrantes da logística  operacional  de  importação  do  grupo,  reproduz­se  a  seguir  o  quadro  resumo  da  logística  de  importação dos produtos da marca CISCO, extraído do TVF (fls. 500/501), em que destacado o  fluxo das mercadorias e fluxo dos recursos financeiros:  Fl. 52566DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.540          53   DESIGNAÇÃO DAS FUNÇÕES:  A = Fabricante: CISCO SYSTEM INC.  B = Distribuidoras interpostas ­ USA:  MUDE USA; e  FULFILL HOLDING LTDA.  C = Exportadoras Interpostas ­ USA  3TECH INTERNATIONAL;  LATAM TECHNOLOGY CORP.;  SUPERKIT INTERNATIONAL IND.;  ROMFORD TRADING CORP.;  LOGCIS EXPORT LLC e  GSD TECHNOLOGIES  D = Importadoras interpostas ­ Brasil:  Fl. 52567DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   54 PRIME TECNOLOGIA IND. E COM. LTDA;  D'LUCK COM. IMP. EXP. LTDA;  ARCO EQUIPAMENTOS LTDA;  BRASTEC TECNOLOGIA e INFORMÁTICA LTDA;  ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA;  WAYTEC TECNOLOGIA EM COMUNICAÇÃO LTDA;  WAYTEC COMERCIAL LTDA;  TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA;  LIVON IND. E TECNOLOGIA EM ELETRÔNICA DA BAHIA;  PI ­ PROPRIEDADE INTLECTUAL COM. REPRES. LIDA.;  MICROTEC SISTEMAS IND. COM. S/ª; e  KELOW INFORMÁTICA LTDA.  E = Distribuidoras Interpostas ­ Brasil:  TECNOSUL DIST. PROD ELETRO­ELETRÔNICO E INFORM. LTDA.;  NACIONAL DISTRIBUIDORA DE PROD. ELETRÔNICOS LTDA.;  SPCOM PRESTAÇÃO DE SERV. EM INFORMÁTICA LTDA.; e  CONTEC COM. E DISTR. PROD. ELETRO­ELETRÔNICOS LTDA.  F = Real importador e adquirente oculto:  MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.  G = Comprador no mercado interno: são os clientes do “Grupo MUDE”.  A logística das importações do denominado “Grupo MUDE” foi descrita pela  fiscalização, nos trechos do TVF (fls. 502/503), a seguir transcritos:  A  CISCO  DO  BRASIL  é  o  escritório  comercial  do  fabricante  americano  no  Brasil  e  controla  todas  as  vendas  dos  produtos  CISCO no Brasil, possuindo inclusive metas de vendas definidas  pela matriz  norte  ­americana. Ela negocia  com  seus  clientes  o  valor  dos  produtos  a  serem  fabricados  nos  Estados  Unidos,  inclusive em relação a descontos concedidos, prazos de entrega,  enfim, toda a parte comercial.  Após  o  recebimento  do  pedido  feito  pelo  comprador  final  no  Brasil,  a  CISCO  indica  um  revendedor  de  seus  produtos  (MUDE) que  faz  o  pedido  junto  a CISCO USA,  repassando ao  comprador  final  todos  os  descontos  que  foram  anteriormente  negociados com a CISCO BRASIL.  O  fabricante  produz  os  equipamentos  com  pleno  conhecimento  de  que  após  a  importação  dos  produtos,  os  mesmos  serão  revendidos  ao  comprador  final  no  Brasil  ("G").  A  Cisco  não  realiza  as  importações  diretamente  de  sua  matriz,  mas  "terceiriza" o serviço de importação através da MUDE. Esta, por  sua vez, contacta o  importador  interposto para a realização das  importações.  A CISCO  (EUA)  também não vende diretamente para o Brasil.  Ela vende a um distribuidor interposto ("B"), que revende a um  exportador  interposto  ("C"),  que  exporta  para  o  Brasil.  Na  venda para o distribuidor, a CISCO EUA concede descontos que  variam entre 40 a 70% do valor da mercadoria.  Fl. 52568DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.541          55 Na  venda  da  distribuidora  para  a  exportadora,  o  valor  dos  produtos, que já possuíam um desconto de 40 a 70%, sofre mais  uma redução, com o objetivo de pagar menos tributos incidentes  na importação na entrada no Brasil.  Esta  variação  ocorre  pela  redução  do  valor  do  hardware,  compensando­se com um aumento do valor do software.  A  operação  de  comércio  exterior,  então,  se  processa  entre  as  empresas interpostas "C" e "D", controladas pelo grupo. Toda a  documentação  aduaneira  é  instruída  em  nome  do  importador  ("D"),  que  recebe  em  seu  nome  a mercadoria  e  as  nacionaliza  como se fosse seu real adquirente. Para o registro da declaração  de  importação,  momento  no  qual  ocorre  o  recolhimento  dos  tributos, e para o  fechamento do  contrato de câmbio  (remessa  ao  exterior pelo paqamento dos produtos), o  real  importador  e  adquirente  ("F")  envia  os  recursos  para  a  distribuidora  interposta  ("E"),  que  por  sua  vez  repassa  os  recursos  à  importadora  interposta  ("D").  O  repasse  dos  recursos  é  feito  devido ao fato de que, nem a  importadora, nem a distribuidora  no Brasil, disporem de capacidade econômico­financeira para a  realização  das  importações  (empresas  laranjas).  O  envio  dos  recursos  também  tipifica,  por  força  de  disposição  legal,  as  importações  como  sendo "por  conta  e  ordem  de  terceiro",  no  caso a MUDE.  Posteriormente, em uma operação de compra e venda simulada,  a  importadora  interposta  ("D")  transfere  para  a  distribuidora  interposta  ("E")  que,  NO  MESMO  DIA,  simula  uma  venda  para  o  real  importador  e  adquirente  ("F").  Na  maioria  dos  casos,  as  mercadorias  seguem  do  local  de  desembaraço  aduaneiro diretamente para o cliente  final  ("G"), ocorrendo no  caminho  apenas  a  troca  de  notas  fiscais.  A  distribuidora  interposta  tem  o  papel  de  "blindar"  o  real  adquirente  de  eventuais cobranças de tributos devidos nestas operações, como,  por exemplo, o ICMS que seria devido ao Estado de São Paulo  em  relação  ao  benefício  concedido  no  local  da  importação  (Bahia),  quando  utilizado  indevidamente,  como  é  o  caso,  bem  como  colocar  mais  uma  empresa  entre  o  importador  e  o  real  adquirente, tornando mais nebulosa suas relações e dificultando  assim a atuação dos fiscos federal e estadual.  Quanto  ao  fluxo  financeiro,  o  real  importador  ("F")  remete  os  recursos  ao  distribuidor  interposto  ("E"),  que  por  sua  vez  o  repassa ao importador interposto ("D"), cabendo a este último, a  liquidação  do  câmbio  ao  exportador  nos  EUA  ("C"),  pelo  pagamento das importações realizadas.  Assim, a operação de comércio exterior, de fato, ocorre entre a  fabricante  nos  EUA  ­  CISCO  SYSTEM  CO.  ("A")  e  o  real  importador e adquirente  ­ MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS  LTDA.  ("F"),  sendo  todas  as  operações  intermediárias  SIMULADAS  e  criadas  apenas  para  dar  uma  aparência  de  legalidade à operação, e, em conseqüência, usufruir ilegalmente  das reduções tributárias descritas. (grifos do original)  Fl. 52569DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   56 Da  leitura do  texto  transcrito,  infere­se que o  esquema  fraudulento  relatado  envolvia dupla tentativa de esconder das autoridades brasileiras a real exportadora e fabricante  (“dupla  blindagem”),  a  multinacional  estadunidense  CISCO  SISTEMS  INC.,  e  a  real  adquirente e importadora, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., pois, interpostos entre  as  duas  havia,  respectivamente,  uma  distribuidora  e  uma  exportadora  nos  Estados Unidos  e  uma importadora e uma distribuidora no Brasil.  Quanto  ao  fluxo  financeiro,  as  importadoras  interpostas,  após  receber,  por  meio das distribuidoras interpostas, os recursos provenientes do real adquirente e ora recorrente  MUDE,  remetia­os,  em  dólar  americano,  ao  exportador  interposto  (GSD),  a  título  de  pagamento  das  importações  realizadas.  Por  fim,  nos  Estados  Unidos,  os  valores  em  dólar  americano eram destinados ao distribuidor estrangeiro (MUDE USA) que, em última instância,  repassava­os ao real importador e fabricante dos produtos, a CISCO SISTEMS INC., fechando  o  ciclo  financeiro  da  real  operação  comercial  celebrada  entre  a  real  exportadora  e  real  importadora.  Além da referida logística de importação, no Capítulo III do citado TVF (fls.  503/718),  respaldada  em  documentos  e  planilhas  extraídas  dos  arquivos  magnéticos  apreendidos  no  âmbito  da  “Operação  Persona”  (Anexo  I  ­  fls.  29805  e  ss.),  a  fiscalização  apresentou  o  rol  de  todas  as  empresas  vinculadas  ao  esquema  de  importação  do  “Grupo  MUDE”,  nos  EUA  e  no  Brasil,  bem  como  descreveu  a  função  que  cada  uma  delas  desempenhava  no  esquema  importação  em  destaque,  o  grupo  empresarial  a  que  pertencia,  o  quadro societário de direito e de  fato, os  reais dirigentes,  a capacidade econômico  financeira  das empresas etc.  Dentre os grupos descritos pela fiscalização, pela relevância para o caso em  preço, merece  destaque  o  “GRUPO KIKO/ERNANI  (K/E)”,  controlado  pelos  solidários Cid  Guardia  Filho,  conhecido  como  “KIKO”  e  Ernani  Bertino  Maciel,  doravante  denominado  “GRUPO K/E”.  A composição e função do referido grupo no esquema de fraude em destaque  foi assim descrito pela fiscalização:  O  GRUPO  K/E  era  responsável  pelas  IMPORTADORAS  E  DISTRIBUIDORAS  INTERPOSTAS  sediadas  no  Brasil.  Estas  empresas  tinham  como  função  (I)  ocultar  o  REAL  ADQUIRENTE  (e  beneficiário)  MUDE  LTDA  e  o  beneficiário  CISCO BRASIL),  (II)  propiciar  redução  ilícita do  recolhimento  de tributos, notadamente do IPI e ICMS.  Este  GRUPO  participava  da  parte  operacional  do  esquema,  atuando  também  após  a  nacionalização  das  mercadorias  importadas por suas empresas, na distribuição das mesmas até a  sua  entrada  na  MUDE  LTDA,  em  uma  série  de  operações  simuladas de compra e venda. Referidas empresas agiam como  verdadeiras  fábricas  de  emissão  de  notas  fiscais,  vez  que  não  possuíam atividade comercial verdadeira, sendo suas operações  comerciais  meras  simulações  com  objetivo  de  ocultação  da  verdadeira responsável pelas operações de comércio exterior, a  empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.  Por  constituírem  parte  visível  do  esquema,  tais  empresas,  notadamente  as  IMPORTADORAS  INTERPOSTAS,  vinham  sendo alvo constante de autuações por parte da Receita Federal  do Brasil.  Fl. 52570DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.542          57 Mas,  na  medida  em  que  a  Receita  Federal  do  Brasil  atuava  sobre  quaisquer  das  empresas  do  GRUPO  K/E,  no  sentido  de  investigar  sua  real  condição  econômica,  financeira  ou  fiscal,  este GRUPO  prontamente  criava  outra  pessoa  jurídica,  com  o  fim de substituir a empresa  investigada, de modo a promover a  continuidade do esquema fraudulento.  Compõem este grupo as seguintes empresas:  a) IMPORTADORAS INTERPOSTAS ­ BRASTEC, PRIME, ABC,  D'LUCK, LI VON e ARCO EQUIPAMENTOS;  b)  DISTRIBUIDORAS  INTERPOSTAS  ­  TECNOSUL  e  NACIONAL;  [...]. (grifos do original).  As  principais  características  das  empresas  pertencentes  ao  “GRUPO K/E”,  segundo a  fiscalização,  eram as  seguintes: a) quadros  societários constituídos por  interpostas  pessoas, em geral pessoas sem capacidade econômico­financeira ou empresas offshore sediadas  em paraísos fiscais; b) número reduzido de funcionários; c) operação em imóveis alugados; d)  ausência de estoque de mercadorias; e e) reduzidos investimentos em ativo imobilizado.  No Capítulo IV do TVF (fls. 719 e ss.), a fiscalização apresentou o resultado  das  diligências  fiscais  realizadas  nas  principais  empresas  que  operavam  o  esquema  de  importações  do  “Grupo MUDE”,  no  período  da  autuação,  com  o  objetivo  de  colher  provas  complementares às que foram obtidas no âmbito “Operação Persona”, para fim de demonstrar  que as operações de importação do período foram realizadas por conta e ordem da recorrente  MUDE,  por  intermédio  das  interpostas  empresas  importadoras  e  distribuidoras  do  “GRUPO  K/E”.  O grande  acervo documental,  colhido ou  apreendido no curso das  referidas  diligências fiscais, consta dos vários volumes que integram os Anexos III e  IV dos presentes  autos  (fls.  35502/44022),  dentre  os  quais  merecem  destaque  os  documentos  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  as  notas  fiscais  de  entrada  e  saída,  as  duplicatas/faturas  emitidas,  as  declarações de importação, os contratos de câmbio, os extratos bancários etc.  Para  confirmar  as  transferências  dos  recursos  financeiros  da  recorrente  MUDE  para  custear  as  importações  realizadas  pelas  referidas  empresas  importadoras  interpostas,  a  fiscalização  analisou  os  extratos  bancários  das  empresas  envolvidas  nas  respectivas  operações  de  importação,  os  pagamentos  das  duplicatas/faturas  realizada  pela  MUDE  (transferências  de  recursos  entre  contas­correntes  bancárias),  a  escrituração  das  respectivas  empresas  e  as  datas  dos  vencimentos  dos  contratos  de  câmbio  das  importações  informadas nas respectivas declarações de importação etc.  Após  a  compilação  de  todos  os  dados  extraídos  da  referida  documentação,  apreendida ou fornecida pelas empresas importadoras e distribuidoras e pela MUDE, e o cotejo  dos  dados  compilados  com  os  registrados  nas  planilhas  contidas  nos  arquivos  magnéticos,  apreendidos no estabelecimento da MUDE e das outras empresas do “Grupo MUDE” ou a ele  vinculado, a  fiscalização elaborou, para cada empresa  importadora e  respectiva distribuidora,  uma planilha com o fluxo diário das transferência de numerário da MUDE para a distribuidora  e  desta  para  a  importadora,  de  modo  que  restou  demonstrado  que,  nas  mesmas  datas,  os  recursos  financeiros  transitavam,  no  mínimo,  por  três  contas  bancárias  diferentes  Fl. 52571DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   58 (MUDE/distribuidora/importadora), e sempre por ocasião dos desembaraços das mercadorias ou  liquidação  do  câmbio.  Também  ficou  demonstrado  que  a MUDE  enviava,  no  mesmo  dia,  a  quantia exata ou muito próxima de dinheiro suficiente para cobrir as despesas da  importação  das mercadorias, incluindo os tributos, as despesas de desembaraço e a liquidação do câmbio.  As referidas remessas eram sempre feita a título de antecipação de pagamentos de duplicatas já  emitidas,  que  eram  pagas  conjuntamente  e,  inclusive,  algumas  duplicatas  eram  pagas  parcialmente.  O fluxo das mercadorias e o fluxo financeiro entre importadora, distribuidora  e  a  MUDE  corroboram  tal  conclusão.  Segundo  a  fiscalização,  os  produtos  da  CISCO  desembaraçados  pela  importadora  iam  parar  na  MUDE,  sempre  por  intermédio  de  uma  empresa distribuidora. Esta adquiria os produtos da importadora e os faturava para a MUDE.  Coincidentemente,  nas  datas  em  que  a  distribuidora  precisava  honrar  os  compromissos  financeiros relativos às despesas de desembaraço (tributárias, portuárias etc.) e à liquidação do  câmbio, a distribuidora liquidava “supostos” saldos de faturas contra ela emitidas, mediante a  utilização de recursos financeiros que foram encaminhados pela empresa MUDE e, na maioria  das vezes, eram integralmente repassados para a importadora.   Em  suma,  a  fiscalização  concluiu  que  a  logística  IMPORTADOR  =>  DISTRIBUIDOR => MUDE era realizada em um ou dois dias e tratava­se de meras emissões de  notas fiscais, de maneira a dar aparência legal às respectivas operações comerciais.  Tais  informações  podem  ser  conferidas  na  “Planilha  1  ­  Origem  de  Recursos”, “Planilha 2 ­ Fluxo das Mercadorias” e “Planilha 3 ­ Pagamento das Importações”  (fls. 1086 e ss.), elaboradas para determinadas importadoras e distribuidoras.  Para  as  importadoras  e  distribuidoras  que  dispunham  de  contabilidade  regular, a fiscalização elaborou ainda as planilhas “ANÁLISE RECURSOS” (fls. 1178/1526),  em  que  se  encontram  consolidados  os  dados  extraídos  dos  registros  contábeis  e  dos  correspondentes extratos bancários das próprias empresas.  Portanto,  trata­se de documentação hábil e idônea, para comprovar como os  recursos  financeiros  eram,  simultaneamente,  transferidos  da MUDE  para  as  distribuidoras  e  destas  para  as  importadoras. Nas  referidas  planilhas,  pode­se  verificar o  caminho percorrido  pelo numerário originário da MUDE até chegar na importadora interposta.  Segundo  a  fiscalização,  embora  a  quase  totalidade  desse  numerário  fosse  transferida  da  distribuidora  para  a  importadora,  os  valores  naquela  remanescentes  foram  utilizados para pagamento dos  impostos devidos. Já na importadora, dos recursos financeiros  ingressados, parte era destinada aos pagamentos dos encargos das importações (despesas com  desembaraço  e  liquidação  de  câmbio),  parte  relevante  para  antecipações  de  lucros  para  os  sócios da  importadora,  especialmente,  para  as  empresas offshores  sócias das  importadoras,  e  uma a menor parcela para a liquidação de impostos e despesas operacionais.  Com  base  nessas  informações,  a  fiscalização  chegou  a  conclusão,  que  as  vendas das mercadorias efetuadas pelas distribuidoras, provenientes das importações realizadas  pelas importadoras, não eram originárias de importações diretas (importação por conta e risco  do importador ­ sem clientela definida), mas sim, importações por conta e ordem da MUDE.  Os  extratos  bancários,  os  documentos  e  livros  fiscais,  além  da  escrituração  contábil  das  empresas  importadoras,  distribuidoras  e da MUDE comprovam, de  forma cabal,  que  cabia  a  MUDE,  predominantemente,  o  controle  administrativo  e  operacional  sobre  as  operações  de  importação,  e,  fundamentalmente,  o  suprimento  dos  recursos  financeiros  (via  distribuidoras)  Fl. 52572DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.543          59 aos importadores, necessários aos pagamentos das  importações, por ocasião do desembaraço da  mercadoria e da liquidação do câmbio correspondente.  Outras  irregularidades  relevantes  foram  imputadas  ao  “Grupo MUDE” pela  fiscalização, a saber:  a)  algumas  empresas  importadoras  destacavam  o  IPI, manualmente,  apenas  nas  vias  das  notas  fiscais  que  ficavam  em  seu  poder.  Nas  vias  das  notas  fiscais  faturas  encaminhadas  às  empresas  distribuidoras,  os  valores  do  IPI  não  eram  destacados.  Em  decorrência,  os  valores  do  IPI  eram  registrados  somente  nos  livros  de  Registro  de  Saídas,  Apuração do IPI e escrituração contábil das importadoras;  b) as empresas  importadoras  (de  fachada ou “laranja”)  supervalorizavam os  preços nas vendas para as distribuidoras, enquanto estas revendiam para a MUDE quase pelo  mesmo preço (a título de exemplo, cita­se as planilhas de fls. 46612/46613, contendo os dados  da  movimentação  financeira  da  importadora  BRASTEX  e  da  respectiva  distribuidora  TECNOSUL). E, finalmente, a MUDE revendia os produtos com baixíssima margem de preço  em  relação  ao  preço  de  compra  (a  taxa  de  lucro  da MUDE  foi  inferior  a  1%,  no  período  fiscalizado).  Segundo  a  fiscalização  (fls.  30375/30376),  “a MUDE  não  precisaria  dar  lucro,  apenas seus dirigentes é que precisariam ser bem remunerados”, via empresas offshores sócias  das importadoras.  c)  essas  modalidades  de  super  e  subfaturamento  tinham  por  finalidade  concentrar  a  maior  parte  dos  encargos  tributários  das  operações  de  importação  nas  importadoras (empresas de fachada), que não cumpriam, na integralidade ou na maior parte, as  obrigações  tributárias  e,  por  não  terem  capacidade  econômico­financeira  nem  patrimônio,  também inviabilizavam a cobrança dos tributos devidos e não pagos;  d)  os  recursos  transferidos  para  as  importadoras  eram  utilizados  para  pagamento  das  despesas  com  desembaraço  aduaneiro  e  no  fechamento  do  cambio  das  importações  e  a  grande  parte  remanescente  era  transferida  para  a  empresa  offshore  sócia  da  respectiva importadora, situada em paraíso fiscais, a título de distribuição antecipada de lucros  etc.;  e) no exterior, tais recursos financeiros eram livremente movimentados. Parte  era usada para o pagamento de fornecedores estrangeiros, em situações de subfaturamento de  operações  de  importação,  e  parte  considerável  remanescente  eram,  de  imediato,  transferidos  para  as  offshores  sócias  da  MUDE  ou  dos  seus  controladores  e  colaboradores.  Assim,  as  divisas  que  saíam  do  país,  a  titulo  de  suposta  distribuição  de  lucros  para  as  offshores  pertencentes às respectivas empresas importadoras, eram transferidas, de imediato, às referidas  offshores da MUDE ou de seus reais sócios, de modo que parte significativa dos lucros obtidos  no  País,  com  o  esquema  fraudulento  de  importação  e  distribuição  de  produtos  da  marca  CISCO,  ao  final,  eram  apropriados  pelas  citadas  offshores.  Uma  parcela  desses  recursos  retornavam ao País, geralmente para a integralização de capital de empresas administradoras de  ativos,  fechando  o  ciclo  da  operação  de  apropriação  dos  resultados  auferidos  nas  referidas  operações de importação; e  f)  segundo  o  subitem  3.5.9  do  Relatório  RFB/IPEI  n°  BA20070005  (fls.  30419/30432),  os  principais  dirigentes  da  MUDE  tinham  vinculação  com  o  escritório  panamenho ALEMAN, CORDERO, GALINDO & LEE, especializado na criação de empresas  offshores.  E  a  existência  de  operações  financeiras  no  exterior,  possivelmente  simuladas,  Fl. 52573DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   60 envolvia  pessoas  da  MUDE,  empresas  offshores  e  funcionários  do  banco  de  investimentos  americano MERRILL LYNCH.  Diante de  tais  fatos,  comprovados com farta documentação colacionada aos  autos, especialmente, em relação a distribuidora TECNOSUL, extensível às demais importadas  e  distribuidoras  interpostas,  a  fiscalização  chegou  a  seguinte  conclusão,  extraída  do  referido  TVF (fls. 805/806), que segue transcrito:  A  TECNOSUL,  assim  como  as  demais  importadoras  e  distribuidoras,  integram  um  bem  urdido  esquema  de  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA,  que  age  na  importação  de  produtos  eletro­eletrônicos  e  de  telecomunicações,  para  abastecer o mercado nacional, concentrado em São Paulo/SP. O  objetivo  é  ocultar  os  reais  importadores  destes  produtos,  mediante o uso de empresas interpostas, envolvendo a prática de  diversos  ilícitos  fiscais,  tais  como:  sonegação  de  tributos;  subfaturamento  das  importações;  remessa  de  divisas  para  o  exterior,  sob  a  forma  de  pagamento  de  importações  e  distribuição  de  lucros;  crédito  indevido  de  ICMS,  entre  outros,  que estariam lesando os cofres públicos. Trata­se da etapa mais  visível do esquema, e, portanto, a mais vulnerável, razão por que  as empresas que dela fazem parte foram constituídas em nome de  interpostas  pessoas  ("laranjas"  ou  testas­de­ferro)  e  offshores,  tendo  sido,  previsivelmente,  alvo  de  constantes  autuações  por  parte da Receita Federal do Brasil.  Esta  cadeia  de  interposição  busca  esconder,  a  principio,  a  empresa MUDE, para a qual se destina a quase  totalidade das  importações  efetuadas  pelas  importadoras  interpostas  e  distribuídas  pela  TECNOSUL,  tornando­a  uma  grande  distribuidora  nacional  de  produtos  de  informática  e  eletro­ eletrônicos,  em  quase  sua  totalidade  de  fabricação  CISCO,  mesmo  sem  ter  realizado  praticamente  nenhuma  importação  desde janeiro de 2004.  Em  suma,  portanto,  a  TECNOSUL,  na  função  de  distribuidora  interposta,  dentro  da  seqüência  da  cadeia  engendrada  é  quem  aparece como fornecedora direta da real importadora, a MUDE  COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.  Verificamos que o dinheiro não é enviado diretamente da conta  da MUDE  BRASIL  para  a  conta  da  importadora  interposta,  e  sim  por  uma  empresa  que  se  interpõe  na  operação  comercial.  Esta ocultação  do  real  importador  através  de  duas  empresas  é  chamada de "duplo grau de blindagem".  Apesar  de  ser  mais  oneroso,  o  custo  compensa  a  segurança  proporcionada ao  real  importador,  que  neste  caso movimentou  milhões de reais anuais entre 2004 e 2007.  [...]  Conforme quadro acima as importadoras interpostas BRASTEC,  PRIME,  WAYTEC,  LIVON  e  TDC  simulam  vendas  para  a  distribuidora  TECNOSUL,  enquanto  a  importadora  interposta  ABC  simula  vendas  para  a  empresa  NACIONAL.  Das  distribuidoras  as  mercadorias  seguem  diretamente  para  a  MUDE  BRASIL.  A  cadeia  logística  IMPORTADOR  =>  Fl. 52574DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.544          61 DISTRIBUIDOR => MUDE BRASIL é realizada em um ou dois  dias e trata­se de meras emissões de notas fiscais, de maneira a  dar uma aparência legal a operação comercial.  Assim,  respaldada  em  robusto  acervo  probatório,  a  fiscalização  chegou  as  seguintes conclusões:  a)  toda  a  cadeia  de  interposição  tinha  como objetivo  “blindar”  a  recorrente  CISCO  (beneficiária)  e  a  recorrente MUDE  (real  adquirente),  esta  última  o  sujeito  passivo  oculto e verdadeira responsável pelas operações de comércio exterior realizadas;  b)  todas  as  etapas  do  processo  de  importação  eram  controladas  pela  recorrente MUDE, que  repassava,  antecipadamente,  às distribuidoras  interpostas,  os  recursos  necessários à realização das importações registradas pelas importadoras interpostas; e   c) a comprovação de que a recorrente MUDE fornecera os recursos utilizados  pelas importadoras, implicava presunção da sua equiparação a estabelecimento industrial, nos  termos do art. 79 da Medida Provisória 2.158­35/2001.  Da  transferência  de  recursos  financeiros:  elementos  probatórios  apresentados pela recorrente MUDE.  Por se tratar de presunção relativa (juris tantum), cabia a recorrente infirmar  as conclusões apresentadas pela fiscalização, mediante prova em contrário.  Inicialmente, cabe esclarecer que as planilhas previamente citadas no recurso  (fls. 1086 e ss.) foram elaboradas pela fiscalização, com base na documentação contábil, fiscal  e bancária da MUDE e das empresas importadoras e distribuidoras.  E a denominada “planilha fluxo­dia”,  referenciada no  recurso voluntário da  recorrente MUDE,  foi  extraída  dos  arquivos  magnéticos  encontrados  no  computador  do  Sr.  Marcílio  Palhares  Lemos,  gerente  do  departamento  financeiro  da  MUDE,  regulamente  apreendido no curso da “Operação Persona”. Logo, diferentemente do alegado, a citada planilha  não  se  trata  de  documento  apócrifo, mas  de  documento  elaborado  com  os  dados  contábeis,  fiscais e bancários extraídos da escrituração da própria recorrente MUDE e que se encontrava  no computador utilizado pelo citado gerente,  responsável pelo controle  financeiro do “Grupo  JTDC/MUDE”.  Além disso,  cabe  esclarecer,  que,  no  lançamento  em apreço,  tal  documento  foi  utilizado  apenas  como  fonte  subsidiária  de  informação,  para  fim  de  corroborar  os  dados  colhidos  na  documentação  da  referida  empresa,  para  fim  de  comprovar  a  transferência  dos  recursos financeiros da MUDE para as empresas importadoras e distribuidoras interpostas. E os  dados  nela  apresentados  não  destoam  dos  dados  apresentados  nas  planilhas  elaboradas  pela  fiscalização, para embasar a questionada autuação, conforme explicitado no exceto extraído do  TVF (fl. 723), que segue transcrito:  Muito  ampla  esta  planilha  se  destinava  ao  controle  do  fluxo  financeiro  em  geral,  no  que  dizia  respeito  aos  desembaraços  aduaneiros,  pagamentos  dos  contratos  de  câmbio,  despesas  bancárias,  gastos  com  seguros  e  despachantes,  remessas  de  lucros,  etc.  Embora  se  refira  a  várias  outras  empresas  do  esquema,  neste  sub­capítulo  será  tratado  somente  o  fluxo  Fl. 52575DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   62 mantido  com a PRIME no ano  calendário  de  2004. Nela  estão  detalhadas  os  processos  de  importação  (DI’s)  ­  com  a  numeração  interna  de  controle  atribuída  pela  MUDE  ­  os  recursos  enviados  para  os  sócios  à  titulo  de  adiantamento  de  lucros,  os  recursos  financeiros  recebidos  da TECNOSUL  ­  que  são  tratados  como  transferência  da  TECNOSUL  ­  os  desembolsos  havidos  por  ocasião  dos  desembaraços,  os  gastos  com tarifas bancárias, seguros, etc. Estes valores estão refletidos  nos  extratos  bancários  e  na  contabilidade  da  PRIME,  o  que  atesta  a  veracidade  das  informações  contidas  nesta  planilha.  Com  relação  as  transferências  advindas  da  TECNOSUL,  verificamos que os dados são coincidentes e datas e valores com  aqueles contidos na contabilidade e extratos da TECNOSUL.  Para  contraditar  a  conclusão  da  fiscalização,  baseada  no  robusto  acervo  probatório  colacionado  aos  autos,  a  recorrente  MUDE  alegou  que  contratara  empresa  de  auditoria  especializada,  que  elaborara minucioso  levantamento  acerca  da  sua movimentação  financeira  e  contábil.  E  com  base  nesse  levantamento,  asseverou  a  recorrente  que  foram  elaborados os laudos de “PERÍCIA CONTÁBIL” de fls. 47.822/47.868, em que apresentada a  conclusão de que, nos anos de 2004 a 2007, não houve antecipação de recursos financeiros aos  fornecedores ou esta antecipação foi insignificante.  No caso, o que  a  recorrente denomina de  “laudo de perícia  contábil”  são 4  (quatro) Relatórios de Análise de Pagamentos  a Fornecedores,  elaborado pelo  contador  João  Carlos Castilho Garcia,  referente  aos pagamentos  realizados pela  recorrente MUDE aos  seus  fornecedores nos de 2004 a 2007.  Tais relatórios, além de não atender os requisitos mínimos do “Laudo Pericial  Contábil”,  estabelecidos  na  Norma  Brasileira  de  Contabilidade  T  13.6,  aprovada  pela  Resolução  Conselho  Federal  de  Contabilidade  (CFC)  nº  1.041/2005,  contêm  apenas  dados  financeiros  genéricos,  sem  respaldado  em  qualquer  documento,  e  conclusões  sobre  os  pagamentos realizados nos anos de 2004 e 2007 pela recorrente MUDE, que não têm o condão  de  infirmar  as  conclusões da  fiscalização apresentadas no  tópico precedente,  respaldadas  em  documentos fartos documentos e na escrituração contábil e fiscal da própria recorrente.  Além  disso,  ainda  que  válida  fosse  as  conclusões  de  que  “os  valores  dos  pagamentos  foram  efetuados  após  a  data  de  emissão  das  notas  fiscais  dos  fornecedores”,  induvidosamente,  elas  não  seria  suficiente  para  comprovar  que  não  houve  a  transferência  e  utilização  de  recursos  financeiros  da  recorrente  MUDE,  para  as  empresas  importadoras,  especialmente  tendo  em  conta  que  a  totalidade  dos  recursos  financeiros  utilizados  pelas  importadoras  foram  fornecidos  pela  recorrente,  por  intermédio das  interpostas distribuidoras.  Assim, não tem qualquer relevância o fato de tais recursos terem sido fornecidos antes ou após  a emissão das notas fiscais e respectivas faturas, posto que, a condição necessária e suficiente  para  a  presunção  em  apreço,  consiste  na  simples  utilização  de  recursos  de  terceiros  nas  operações de importação, conforme dispõe o art. 27 da Lei 10.637/2002. E essa condição foi  devidamente comprovada nos autos pela fiscalização.  Também  sem  qualquer  valor  probatório,  o  Parecer  de  fls.  52009/52015,  apresentado nesta fase recursal, emitido pela empresa Ernst & Young, que além de não atender  as  condições  excepcionais  do  art.  16,  §  4º,  do  Decreto  70.235/1972,  limitou­se  apenas  em  ratificar  as  conclusões  apresentadas  nos  citados  “Relatórios  de  Análise  de  Pagamentos  a  Fornecedores”, sem respaldo em qualquer elemento probatório.  Fl. 52576DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.545          63 Ainda alegou a  recorrente que “encomendou pareceres dos mais  renomados  juristas e estudiosos do Direito Tributário, que analisaram o presente caso concreto e o modelo  de negócio praticado, proferindo conclusões de grande relevância para o deslinde da presente  demanda.”  De  fato,  na  fase  impugnatória,  a  recorrente  trouxe  à  colação  dos  autos  os  citados pareceres, que foram colacionados (fls. 47870 e ss.).  No  Parecer  de  fls.  47870/47929,  o  ilustre  Prof.  Paulo  de  Barros  Carvalho,  após  informar,  preambularmente,  que  fora  submetido  a  sua  apreciação  “problema  jurídico­ tributário  relativo  à  legalidade  e  à  constitucionalidade  da  estrutura  negocial”  adotada  pela  recorrente MUDE, passou a discorrer magistralmente, como é do seu feitio, sobre os seguintes  assuntos:  a)  a  disciplina  da  elisão  e  da  evasão  e  o  conceito  de  fraude,  dolo  e  simulação  no  direito brasileiro; b) requisitos sobre aplicação de sanções; c) regra­matriz de incidência do IPI;  d)  critérios  distintivos  entre  importação  por  conta própria,  importação  por  conta  e  ordem de  terceiro  e  importação  por  encomenda;  e)  considerações  sobre  a  chamada  “guerra  fiscal”  no  âmbito do ICMS; f) os requisitos necessários para a configuração do crime de descaminho. No  final, em resposta aos quesitos formulados pela consulente, o eminente jurista apresentou, em  síntese,  as  seguintes  conclusões:  a)  no  modelo  negocial  que  lhe  fora  apresentado,  todas  as  operações  ocorreram  na  forma  prescrita  em  lei;  b)  na  estrutura  negocial  adotada  pela  recorrente, não se verificava, em momento algum, o não pagamento dos tributos devidos nas  operações  de  revenda  dos  produtos,  porque  não  havia  configuração  importação  por  conta  e  ordem ou por encomenda; e c) era lícito “o emprego de meios autorizados pela lei para escapar  da percussão tributária”.  Já  no  Parecer  de  fls.  47930/47971,  o  também  douto  Prof.  Eurico  Marcos  Diniz de Santi discorreu com brilhantismo sobre extrativismo fiscal,  limites da legalidade do  IPI  nas operações de  importação e  a  ameaça do  planejamento  tributário  às  avessas,  para,  no  final,  concluir  que  “entre  o  BEM  e  o  MAL,  o  CERTO  e  o  ERRADO,  entre  ANJOS  e  DEMÔNIOS, em meio às chamadas ardentes do maniqueísmo fiscal, pouco espaço sobra para  reflexão, para a legalidade e para o direito.”  Enquanto no Parecer de fls. 47972/48038, o eminente Prof. Celso Fernandes  Campilongo  examinou  a  legalidade  do  modelo  econômico  de  negócio  desenvolvido  pela  recorrente MUDE e, ao final, concluiu que “o modelo não apenas foi, e é, lícito, como também  é típico, mundial e característico do atual estágio jurídico e econômico do campo empresarial”.  E na fase  recursal, a  recorrente  trouxe à colação dos autos o Parecer de  fls.  52038/52110, elaborado pelo renomado Professor Ivo Teixeira Gico Jr., que também examinou  o modelo de negócios da  recorrente  e  concluiu,  sob ótica do Direito Concorrencial,  que não  existia por parte da MUDE ou da CISCO  (i)  qualquer dado ou  informação que permitisse  a  caracterização  de  prática  de  concorrência  desleal,  (ii)  qualquer  indício  de  prática  de  preço  predatório e (iii) qualquer indício de prática dumping.  Em que pese a profundidade e o rigor teórico­científico, com a devida vênia,  os  referidos  pareceres  não  trouxeram  elementos  relevantes,  com  vista  a  contraditar  os  fatos  comprovados nos autos pela fiscalização, que demonstram, de forma inequívoca, a existência  do  esquema  fraudulento  ocorrido  nas  importações  realizadas  pelo  “Grupo  MUDE”  e  a  utilização  pelas  importadoras  interpostas  dos  recursos  financeiros  fornecidos  pela  recorrente  MUDE.  Fl. 52577DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   64 As  profundas  análises  jurídicas  e  bem  fundamentadas  conclusões  apresentadas nos citados pareceres sobre o modelo negócio da recorrente MUDE também não  agregaram contribuição relevante para o deslinde da controvérsia, haja vista que, na autuação  em  apreço,  não  houve  questionamento  sobre  legalidade  ou  imputação  de  irregularidade  ao  propalado modelo de negócio.  Com  efeito,  no  presente  procedimento  fiscal,  o  que  foi  questionado  foi  legalidade  da  forma  como  o  referido  modelo  de  negócio  e,  em  especial,  as  operações  de  importação  dos  produtos  da marca CISCO  foram operacionalizadas,  em  razão  dos  evidentes  descumprimentos das normas tributárias e de controle aduaneiro do País, mediante simulação  das  operações  de  importação  por  conta  própria,  com  o  nítido  propósito  quebrar  a  cadeia  incidência  do  IPI  e,  assim,  evitar  que  a  recorrente MUDE  fosse  considerada  contribuinte  do  imposto, por equiparação a estabelecimento industrial.  Portanto, nestes autos, o que está em questão não é o modelo de negócio da  recorrente  MUDE  ou  da  sua  fornecedora  e  parceira  CISCO,  mas  as  fraudes  que  foram  cometidas no âmbito das referidas operações de importação, com o claro propósito de burlar o  controle aduaneiro e de eximir a recorrente MUDE do pagamento do IPI. Em suma, o que está  em  questão  não  é  o  modelo  de  negócio  da  recorrente,  mas  o  seu  modelo  fraudulento  de  importação.  Entretanto,  embora  irrelevante  para  o  deslinde  controvérsia,  cabe  ressaltar  que o modelo de negócio Just in Time, tão decantado pela recorrente MUDE, revela­se de todo  incompatível com o referenciado esquema de fraude. Pois, se a característica do citado modelo  de negócio é a existência de único fornecedor e único comprador na cadeia de negócio, com a  consequente  eliminação  de  intermediários  e  operações,  como  justificar  a  existência  das  diversas  empresas  e  operações  comerciais  interpostas  entre  a  real  exportadora  e  a  real  importadora ou compradora.  A única justificativa plausível e sensata para inserção de tão grande número  de  empresas  na  cadeia  de  comercialização  dos  citados  produtos  foi,  induvidosamente,  o  propósito deliberado de ocultar os reais intervenientes nas operações de importação, mediante a  produção  de  documentos  não  representativos  da  realidade  negocial  subjacente.  Ou  seja,  mediante  simulação  de  operações  de  importação  por  conta  própria  inexistentes  e,  simultaneamente, dissimulação da real operação de exportação e de importação praticada pela  real exportadora CISCO SISTEMS INC. e pela real importadora, a recorrente MUDE. Logo, se  a recorrente adotou ou utilizou o decantado modelo de negócio Just in Time, certamente, não  há  qualquer  evidência  que  ele  tenha  sido  adotado  em  relação  às  importações  dos  produtos  objeto das presentes autuações.  Também  não  corresponde  aos  fatos  comprovados  nos  autos,  a  alegação  da  recorrente que não teve qualquer ganho concorrencial ou de mercado, pois, diferentemente do  alegado,  no  período  de  funcionamento  do  esquema  de  fraude  em  referência,  os  produtos  da  marca CISCO detinham parte relevante do mercado nacional, a MUDE foi premiada por ser 4ª  maior vendedora de produtos CISCO no mundo e a líder de venda no Brasil e em toda América  Latina.  Entretanto,  conforme  demonstrado  anteriormente,  o  ponto  central  da  controvérsia, cinge­se à comprovação do fato presuntivo, consistente na utilização dos recursos  financeiros  fornecidos pala  recorrente MUDE para  as empresas  importadoras  (de  fachada ou  “laranja”)  dos  produtos  da marca  CISCO.  Assim,  dada  essa  característica,  para  deslinde  da  controvérsia, a recorrente teria eficazmente contribuído se tivesse trazido à colação dos autos,  em  vez  dos  robustos  argumentos  retóricos,  corroborados  pelas  conclusões  apresentadas  nos  Fl. 52578DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.546          65 brilhantes  pareceres,  provas  documentais  hábeis  e  idôneas  que  comprovassem  a  origem  dos  recursos utilizados pelas importadoras e distribuidoras interpostas.  Além  disso,  os  referidos  pareceres,  certamente,  teriam  contribuído  para  deslinde  da  controvérsia  se,  além  da  abordagem  do  decantado  modelo  de  negócio,  tivesse  esclarecido ou justificado a participação das empresas importadoras inidôneas (de fachada ou  “laranja”) no referido “modelo de negócio”, especialmente, as razões porque:  a) o quadro de sócios das referidas empresas era formado por pessoas físicas  sem capacidade gerencial e econômico­financeira (“laranjas” ou “testa de ferro”) e por empresa  offshore,  situada  em  paraíso  fiscal,  e  gerenciadas  ou  administradas  por  procuradores,  com  poderes  ilimitados,  normalmente,  pessoas  físicas  colaboradoras  e  vinculadas  ao  “Grupo  MUDE”;  b) os preços praticados no País eram superfaturados nas  referidas empresas  importadoras  inidôneas  e  revendidos  com  baixíssima  margem  de  preço  nas  operações  de  revenda seguintes feitas pelas distribuidoras interpostas e, ao final, pela recorrente MUDE; e  c) eram utilizadas tão grande quantidade de empresas offshores, sediadas em  paraísos fiscais, administradas por procuradores, geralmente, as pessoas físicas arroladas como  sujeitos passivos solidários, conforme relação de fls. 44159/44161.  Da conclusão parcial.  Pelas  razões  anteriormente  expostas,  ficou  evidenciado  que  a  recorrente  MUDE não logrou comprovar outra origem para os volumosos recursos financeiros utilizados  pelas importadoras interpostas, que não aquela proveniente da recorrente MUDE.  De outra parte,  as provas coligidas aos autos pela  fiscalização demonstram,  de forma inequívoca, que as empresas distribuidoras e  importadoras interpostas  tinham como  características  comuns:  (a)  quadros  societários  constituídos  por  interpostas  pessoas,  sem  capacidade econômico­financeira, e/ou offshores  (sediadas em “paraísos fiscais”); (b) número  reduzido  de  funcionários.;  (c)  imóveis  alugados;  e  (d)  recursos  patrimoniais  inexistentes  ou  insignificantes.  As provas colacionadas aos autos pela fiscalização também comprovam que  as empresas  importadoras simularam vendas para as empresas distribuidoras, com a evidente  propósito de “blindar” a recorrente MUDE das exigências atinentes ao controle aduaneiro e dos  encargos  tributários  decorrentes  da  sua  equiparação  a  estabelecimento  industrial,  especialmente,  em  relação  à  cobrança  do  IPI  devido  na  operação  de  saída  dos  referidos  produtos do estabelecimento da recorrente, objeto da presente autuação.  Enfim, os dados consolidados nas planilhas elaboradas pela fiscalização (fls.  1086/1526),  comprovam  que  os  recursos  financeiros  utilizados  pelas  importadoras  foram  transferidos/fornecidos  integralmente  pela  MUDE,  por  intermédio  das  distribuidoras  interpostas.  Com  base  nessas  considerações,  fica  demonstrada  que  a  recorrente MUDE  atuou como real  importadora dos produtos da marca CISCO e, por  força dessa atuação, agiu  com acerto a fiscalização ao equipará­la a estabelecimento industrial e proceder a cobrança dos  Fl. 52579DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   66 valores do IPI devidos nas correspondentes operações de revenda/saída dos referidos produtos  do seu estabelecimento, ocorridas período de janeiro de 2004 a outubro de 2007.  I.2 Da Ofensa ao Princípio da Não Cumulatividade Por Falta de Desconto dos Créditos  do IPI nas Operações Entradas  A  recorrente MUDE alegou que, na  apuração do valor do  tributo devido,  a  fiscalização  havia  lhe  equiparado  a  estabelecimento  industrial  e  exigido­lhe  o  valor  do  IPI  calculado  sobre  o  valor  total  das  mercadorias  vendidas,  contudo  havia  deduzido  apenas  os  crédito  calculados  sobre  as  entradas  a  titulo  de  devolução  e  desconsiderado  a  totalidade dos  créditos relativo aos valores do IPI pagos nas operações anteriores, devidamente lançados nas  notas  fiscais de aquisição, em clara ofensa ao princípio constitucional da não cumulatividade  do imposto.  De acordo com referido TVF, a fiscalização atribuiu a recorrente a condição  de  real  adquirente  ou  importadora  dos  produtos  da marca CISCO,  conforme  explicitado,  no  excerto que segue transcrito:  Em  conclusão,  de  todo  o  exposto  no  presente  capitulo,  das  investigações  desenvolvidas,  dos  documentos  anexados,  bem  como  os  áudios  e  e­mails  citados  ao  longo  deste  relatório,  demonstram  que  as  operações  realizadas  pela  MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA  não  configuravam  aquisição  de  produtos  no mercado  interno,  como poderia  parecer.  Todas  as  etapas  do  processo  de  importação  eram  controladas  e  financiadas pela MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, que  era,  na  verdade,  a  REAL  ADQUIRENTE  dos  produtos  importados.  E na condição de real importadora, a recorrente MUDE, nos termos do art. 79  da  Medida  Provisória  2.158­35/2001,  foi  equiparada  a  estabelecimento  industrial  e  nesta  condição ela fazia jus ao crédito do valor do IPI destacado na nota fiscal de venda dos produtos  importados  pelo  importador  aparente  (por  conta  e  ordem),  nos  termos  do  art.  164,  VIII,  do  RIPI/2002, a seguir transcrito:  Art.  164.  Os  estabelecimentos  industriais,  e  os  que  lhes  são  equiparados,  poderão  creditar­se  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  25):  [...]  VIII  ­  do  imposto  relativo  aos  produtos  recebidos  pelos  estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes,  estejam  sujeitos  ao  imposto,  nos  demais  casos  não  compreendidos nos incisos V a VII;  [...]  No caso, se na condição de contribuinte, por equiparação a estabelecimento  industrial, os produtos revendidos/saídos do estabelecimento estavam sujeito ao pagamento do  IPI,  sob  pena  afronta  do  princípio  da  não  cumulatividade  do  imposto,  na  condição  de  real  importadora, a recorrente fazia jus ao crédito do valor do IPI destacado na nota fiscal emitida  pela empresa importadora por sua conta e ordem.  O fato de a contribuinte ter contabilizado o referido imposto como custos dos  produtos revendidos, ainda que tenha repercussão na apuração da base de cálculo do IRPJ e da  Fl. 52580DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.547          67 CSLL, por certo, tal circunstância não tem o condão de afastar o direito de a recorrente deduzir  o valor do imposto destacado na nota fiscal emitida pelo estabelecimento  importador por sua  conta  e  ordem,  por  se  tratar  de  direito  expressamente  assegurado  no  art.  164,  VIII,  do  RIPI/2002.  Assim,  fica  demonstrador  que,  além  de  contrariar  o  princípio  da  não  cumulatividade, não há razoabilidade no critério de atribuir à recorrente MUDE a condição de  contribuinte do IPI, para fim de cobrança do imposto, e, simultaneamente, não lhe reconhecer a  mesma condição, para fim de lhe reconhecer o direito à dedução do crédito do imposto pago na  correspondente operação de entrada do produto no estabelecimento.  Com  base  nessas  considerações,  reconhece­se  o  direito  da  recorrente  de  deduzir do valor do IPI lançado o valor do IPI destacado na nota fiscal de venda do importador  por sua conta e ordem, nos respectivos períodos de apuração.  I.3 Do Arbitramento do Valor Tributável.  A recorrente MUDE alegou que a fiscalização não poderia calcular o valor do  IPI  lançado  com  base  nas  notas  fiscais  de  saída  por  ela  emitidas  no  período  da  autuação,  porque tais notas fiscais seriam inidôneas e não representariam o real valor ou preço de venda  das mercadorias.  Sem razão à recorrente, pois, não há nos autos qualquer acusação por parte da  fiscalização  de  que  as  notas  fiscais  de  saída  por  ela  emitidas  eram  inidôneas.  A  única  irregularidade atribuída pela  fiscalização aos referidos documentos  foi a  falta de destaque do  valor do IPI devido na correspondente operação.  Dessa forma, se em relação ao valor da operação de venda, as referidas notas  não  apresentavam  nenhuma  irregularidade,  inequivocamente,  procedeu  com  acerto  a  fiscalização ao utilizar os referidos valores como base de cálculo, na apuração dos valores do  IPI devidos, conforme estabelecido nas planilhas colacionadas aos autos (fls. 31739 e ss.). E tal  procedimento está em consonância com o disposto art. 131, I, “b”, RIPI/2002.  Também não  procede  a  alegação  da  recorrente MUDE de  que,  no  caso  em  tela, o procedimento correto seria o arbitramento do valor tributável, nos termos do artigo 138  do RIPI/2002, porque, sabidamente, tal arbitramento somente se aplica quando os documentos  emitidos pelo contribuinte forem omissos ou não mereçam fé, condição que não se vislumbra  no procedimento fiscal em apreço.  Assim, resta demonstrado que procedimento de cálculo do imposto, realizado  pela fiscalização, foi feito em consonância com disposto no art. 131, I, “b”, RIPI/2002, o que  afasta a alegada ofensa aos arts. 142 e 148 do CTN.  I.4 Da Decadência do Direito de Lançar.  Em caráter principal, a recorrente MUDE alegou que, por força do art. 150, §  4º,  do  CTN,  todos  os  fatos  geradores,  ocorridos  antes  20/12/2004,  foram  atingidos  pela  decadência,  pois  a  recorrente  foi  intimada do auto de  infração no dia 21/12/2009, quando  já  havia transcorrido prazo quinquenal de decadência.  Fl. 52581DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   68 Sem razão à  recorrente. No caso, duas situações afastam aplicação da regra  de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. A primeira consiste  na  comprovação  da  ocorrência  de  fraude  e  simulação.  A  segunda  consiste  na  ausência  de  pagamento do imposto no período.  Aliás,  esse  último  entendimento  foi  pacificado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  julgamento  do  Recurso  Especial  no  973.733/SC,  sob  regime  do  recurso  repetitivo,  disciplinado  no  art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  de  adoção  obrigatória pelos integrantes deste Conselho, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II  do Regimento  Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015. O enunciado da  ementa do referido julgado ficou assim redigido, in verbis:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua  o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado" corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  Fl. 52582DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.548          69 a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).   [...]  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.8 (Grifos  não originais)  Na autuação em questão, como não houve pagamento antecipado, aplica­se a  regra de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 173, I, do CTN. Dessa forma, em  relação  aos  fatos  geradores  do  IPI,  ocorridos  no  ano  de  2004,  o  termo  inicial  do  prazo  de  decadência teve início no dia 1o de janeiro de 2005,  tendo expirado o prazo para constituir o  crédito tributário somente em 1o de janeiro de 2010.  Assim,  considerando  que  a  recorrente  MUDE  tomou  ciência  do  auto  de  infração em 21 de dezembro de 2009  (fl. 1543),  inequivocamente, não se consumou o prazo  decadencial, para nenhum período de apuração do imposto.  Com base nesse entendimento, também fica afastada a alegação da recorrente  MUDE de que, em relação ao IPI, o termo inicial de contagem do prazo fixado no art. 173, I,  do CTN,  seria o 1º dia  do período de  apuração  seguinte  e não do exercício  seguinte. Para  a  citada recorrente, como até o final do ano de 2004 o período de apuração do IPI era decendial e  a partir do ano de 2005 passou a ser mensal, o dies a quo do prazo decadencial não seria o 1o  dia do  ano  seguinte  ao  fato gerador, mas o 1o  dia do decêndio/mês  seguinte  ao  fato  jurídico  tributário, para os respectivos anos.  Em  suma,  afastadas  todas  as  alegações  suscitadas  pela  recorrente  MUDE,  chega­se a conclusão de que não houve alegada decadência na autuação em apreço.  I.5 Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada.  A  recorrente  MUDE  alegou  que  a  multa  de  ofício  qualificada,  imposta  com  fundamento art. 488, II, do RIPI/2002, teve sua matriz legal (o art. 80, II, da Lei 4.502/1964 e  art.  45  da  Lei  9.430/1996)  revogada  pelo  art.  40  da  Lei  11.488/2007,  logo  não  poderia  prevalecer  qualquer  cobrança  com  fundamento  no  referido  dispositivo  legal  expressamente  revogado.  Não assiste razão à recorrente, porque, ao contrário do alegado, o art. 40 da  Lei  11.488/2007  não  revogou  a  referida  matriz  legal  da  multa  qualificada,  mas  apenas  conferiu­lhe nova redação ao tipificá­la no § 6 do artigo 80 da Lei 4.502/1964. Portanto não há  qualquer alteração  legislativa que beneficie a contribuinte quanto à multa a ser aplicada, não  havendo  razão  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  prevista  no  artigo  106,  II,  “a”,  do  CTN.                                                              8 BRASIL. STJ. PRIMEIRA SEÇÃO. REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, julgado em 12/08/2009, DJe  18/09/2009.  Fl. 52583DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   70 A  recorrente  alegou  ainda  que,  para  que  fosse  caracterizada  a  fraude,  a  simulação  ou  o  conluio,  era  necessário  que  a  fiscalização  demonstrasse,  por  intermédio  da  apresentação  de  provas  inequívocas,  que  as  operações  foram  feitas  com  evidente  intuito  de  fraude, conforme definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, o que exigia a comprovação  do dolo específico, ou seja, que a contribuinte tinha a real intenção de fraudar o Fisco.  Mais uma vez, sem razão a recorrente.  Seja nos termos do art. 68, § 2º, da Lei 4.502/1964, vigente na data dos fatos  objeto das presentes autuações, ou seja segundo disposto no art. 80, § 6º, II, do mesmo diploma  legal, atualmente vigente, as circunstâncias qualificativas da multa de ofício são a sonegação, a  fraude e o conluio, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964.  O  acervo  de  documentos  coligidos  aos  autos  comprovam  que  a  recorrente  MUDE  utilizou­se  de  interpostas  pessoas,  as  empresas  importadoras  e  distribuidoras,  geralmente empresas inidôneas (de fachada ou laranja), para se ocultar da fiscalização e assim  se  eximir  dos  controles  aduaneiros,  da  equiparação  a  estabelecimento  industrial  e,  por  conseguinte,  do  pagamento  do  IPI  devido  na  operação  de  saída  do  seu  estabelecimento  dos  produtos importados fraudulentamente.  Assim, o cometimento da fraude, mediante interposição de pessoas, encontra­ se  demonstrado  nos  autos.  Os  fartos  elementos  probatórios  colacionados  aos  autos  levam  a  confirmação de que as referidas empresas importadoras interpostas apresentaram­se como real  adquirentes  das mercadorias  da marca  CISCO,  mas,  de  fato  atuavam  por  conta  e  ordem  da  recorrente MUDE, cabendo a esta todo o gerenciamento e controle da logística de importação e  do  fornecimento  dos  recursos  financeiros  necessários  ao  custeamento  das  importações  realizadas.  Também não procede a alegação da recorrente MUDE de que procedera de  acordo com o Ato Declaratório Interpretativo SRF (ADI/SRF) nº 7, de 2002, haja vista que o  citado ADI dispõe sobre a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nas operações  em que a pessoa jurídica comercial importadora ­ empresa comercial importadora ­ atue apenas  como prestadora de serviços, nos termos das Instruções Normativas SRF 75/2001 e 98/2001, e  fixa as condições para que a  referida operação seja caracterizada com sendo de aquisição da  propriedade das mercadorias importadas. Para melhor compreensão, seguem transcritos os arts.  1º e 2º do referido ADI:  Art. 1º As disposições das Instruções Normativas nº 75, de 2001,  e  nº  98,  de  2001,  aplicam­se  somente  às  operações  em  que  a  pessoa  jurídica  comercial  importadora  ­  empresa  comercial  importadora ­ atue apenas como prestadora de serviços.  Parágrafo  único. A  empresa  comercial  importadora atua  como  prestadora  de  serviços  somente  na  hipótese  em  que  ela  não  adquira a propriedade das mercadorias importadas.  Art.  2º  Para  que  se  caracterize  a  aquisição,  pela  empresa  comercial  importadora,  da  propriedade  das  mercadorias  importadas, é suficiente que ocorra uma das seguintes hipóteses  em que a referida empresa:  I ­ conste como adquirente no contrato de câmbio;  II ­ conste como adquirente na fatura internacional (invoice);  Fl. 52584DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.549          71 III ­ emita nota fiscal de entrada ou de saída a título de compra  ou venda; ou  IV ­ contabilize a entrada ou a saída da mercadoria  importada  como compra ou venda.  Parágrafo único. Na hipótese de a empresa não ter escrituração  comercial  regular,  o aferimento da  condição prevista no  inciso  IV  far­se­á  com  base  na  natureza  da  operação  efetivada,  constante de notas fiscais.  No caso, é evidente que a recorrente descumpriu o disposto nos incisos III e  IV do art. 2º do citado ADI, pois, a documentação fiscal coligida aos autos confirmam que ela  (ii)  emitiu  nota  fiscal  de  saída  a  título  de  venda  e  (ii)  contabilizou  a  entrada  e  a  saída  da  mercadoria importada como compra e venda. Portanto, contrariamente ao alegado, a recorrente  não  se  enquadra  como  importadora  por  conta  e  ordem  de  terceiro,  ao  contrário,  conforme  anteriormente  demonstrado,  a  recorrente  atuou  como  a  real  adquirente  e  importadora  dos  equipamentos importados por conta ordem das importadoras interpostas.  Há  ainda  provas  nos  autos  que  demonstram  ter  havido  conluio  entre  a  recorrente MUDE e a recorrente CISCO e todas as pessoas físicas arroladas como responsáveis  solidários,  que  operaram  o  esquema  de  fraude,  com  o  nítido  objetivo  de  obterem  elevados  ganhos financeiros.  Também ficou comprovado nos autos o dolo específico da recorrente MUDE.  Os  relatórios  de  auditoria  fiscal  de  fls.  41347/41451,  apreendidos  no  curso  da  “Operação  Persona”,  elaboradas  a  pedido  da MUDE,  deixam  evidente  que  a  dita  empresa  tinha  pleno  conhecimento das fraudes cometidas e procurava assessoria tributária e contábil, com vistas a  enfrentar eventual atuação do fiscalização.  No  relatório  de  assessoria  tributária  (fls.  41349/41401),  elaborado  por  um  renomado escritório de  advocacia do País, merece destaque a conclusão de que  a  fiscalizada  encontrava­se “exposta” a um risco tributário da ordem de 1,04 bilhões de reais nas áreas do  ICMS e IPI e, incluindo as demais contingências, a dívida chegaria ao total de 1,064 bilhões de  reais. Ainda do referido relatório, por relevantes, cabe transcrever os seguintes excertos:  Ocorre  o  fato  gerador  do  IPI  no  desembaraço  aduaneiro  de  produto  industrializado, bem como na  saída do bem  importado  do estabelecimento importador (RIPI, art. 34, I e II).  Equiparam­se  a  estabelecimentos  industriais  os  atacadistas  ou  varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira,  importados  por  encomenda  ou  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora,  devendo  efetuar  o  destaque do IPI, por ocasião da saída destes produtos, conforme  estabelece o artigo 13 da Lei n° 11.281/06.  Dependendo  das margens  de  lucro  aplicadas  por  cada  um  dos  elos da cadeia, a não­incidência do IPI poderá representar uma  economia  fiscal  significativa,  uma  vez  que  os  produtos  de  comercialização da Sociedade seriam tributados a alíquotas que  variam entre 5% e 25%.  Fl. 52585DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   72 Em uma eventual fiscalização, o Fisco Federal poderá entender  que  a  essa  Sociedade  é  o  verdadeiro  importador  das  mercadorias que comercializa e aplicar as multas pela  falta de  destaque do IPI e pela falta de pagamento do imposto.  Indícios  que  poderão  ser  encontrados  pela  Receita  Federal  e  pela Fazenda do Estado de Silo Paulo para justificar a cobrança  dos  impostos.  Entendemos  que  alguns  indícios  abordados  a  seguir  poderão  levar  os  Fiscos  Federal  e  do  Estado  de  São  Paulo a rastrear as operações da Sociedade.  Uma  pesquisa  na  internet  revela  que  essa  Sociedade  é  um  dos  maiores  distribuidores  dos  produtos  fabricados  pela  Cisco;  entretanto,  os  parceiros  Brastec,  Waytec,  ABC  Industrial,  Nacional  e  Tecnosul,  não  são  encontrados,  na  rede  de  computadores, como parceiros da Cisco.  As  referidas  empresas  (exceto  a  Cisco)  têm  as  suas  operações  totalmente comprometidas com o atendimento da demanda dessa  Sociedade,  o  que  denota  a  existência  de  um  acordo  de  exclusividade vinculando  toda a cadeia de comercialização dos  equipamentos importados.  Outro  ponto  de  destaque  é  que  desde  o  momento  do  desembarque  das  mercadorias  até  a  efetiva  venda  final  a  essa  Sociedade  (ou  seja,  importação/desembaraço  aduaneiro,  venda  os  distribuidores  e  revenda  à  Sociedade),  são  transcorridos  aproximadamente 04 (quatro) dias, o que pode sugerir que tanto  o  importador  quanto  o  distribuidor  não  têm  estrutura  física  (depósito)  para  abrigar  as  mercadorias  cuja  real  importadora  seria essa Sociedade.  Corrobora  esse  entendimento  o  fato  de  que  o  transporte  das  mercadorias  no  território  nacional  é  realizado  pela  mesma  transportadora,  desde  o  desembaraço  aduaneiro,  seja  este  praticado  pelos  importadores  Brastec,  Waytec,  ou  ABC,  até  a  revenda  final  à  Sociedade,  seja  esta  realizada  pelos  distribuidores Tecnosul ou Nacional.  Dessa  forma, a Receita Federal e a Fazenda do Estado de São  Paulo  poderão  autuar  a  Sociedade  sob  a  alegação  de  que  as  operações  mencionadas  teriam  como  finalidade  ocultar  o  real  importador, qual seja, essa Sociedade.  Nesta hipótese a Receita Federal poderá alegar a “interposição  fraudulenta de pessoas”, figura penal que requer crime conexo,  qual  seja,  crime  de  lavagem  ou  ocultação  de  bens,  direitos  e  valores,  em  que  pese,  para  esta  hipótese,  ser  necessária  a  existência  de  fortes  indícios  de que os  recursos  utilizados  para  pagamento  das  importações  têm  origem  ilícita  ou  que  a  importação  realizada  pela  empresa  importadora,  com  recursos  de terceiros.  Nesta  análise,  a  Receita  Federal  irá  verificar  a  capacidade  econômica  e  financeira  do  estabelecimento  importador.  Assim,  sendo revelados indícios de incompatibilidade entre os volumes  transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica  e  financeira  do  importador,  este  ficará  sujeito  a  procedimento  especial de  fiscalização, nos termos da Instrução Normativa da  Fl. 52586DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.550          73 Secretaria da Receita Federal n° 228/02, podendo ter o CNPJ e /  ou  RADAR  suspensos  o  que,  por  si,  já  se  constitui  em  enorme  inconveniente.  A  capacidade  econômica  da  empresa  importadora  pode  ser  comprovada através de documentos contábeis que demonstrem a  origem dos recursos utilizados para pagamento das importações.  No  relatório  seguinte  (fls.  41.402/41451),  elaborado  por  uma  conhecida  empresa  de  auditoria,  há  expressa  menção  ao  Relatório  de  Comentários  e  Recomendações  sobre o serviço de auditoria anteriormente prestados, em que analisado as operações comerciais  da recorrente MUDE, referentes ao ano de 2004. No relatório em referência, merece atenção o  tópico  sobre  os  “pontos  já  apresentados  em  relatórios  anteriores”.  Nele  são  apresentados  comentários  sobre  o  risco  de  equiparação  da  recorrente MUDE a  estabelecimento  industrial.  Em relação esse alerta, a MUDE comentou que, a partir do ano de 2004, não mais adquiria os  produtos  da marca  CISCO  diretamente  das  tradings,  mas  das  distribuidoras  nacionais.  Essa  informação  ratifica  a  informação  da  fiscalização  de  que,  a  partir  do  citado  ano,  a  recorrente  passou a adotar o denominado “duplo grau de blindagem”, com vistas a dificultar a descoberta  do esquema de interposição fraudulenta pela fiscalização da Receita Federal.  Induvidosamente, o conteúdo dos citados relatórios revelam que, desde o ano  de 2003, a recorrente MUDE já tinha pleno conhecimento das impropriedades existentes no seu  modelo  de  negócios  com  os  produtos  da  marca  CISCO,  bem  como  das  ilicitude  do modus  operandi das importações dos referidos produtos, realizadas com a participação de interpostas  pessoas  desprovidas  de  capacidade  econômico­financeira.  No  mesmo  sentido,  em  2007,  o  referido relatório de consultoria  tributária  também advertiu a  recorrente MUDE de que o seu  modelo de negócio,  com os  citados produtos,  ainda  apresentava  fragilidades,  de modo que a  fiscalização da Receita Federal poderia caracterizar tais operações como sendo realizadas por  “interposição fraudulenta de pessoas” e atribuir­lhe a condição da “verdadeiro importador das  mercadorias que comercializa e aplicar as multas pela falta de destaque do IPI e pela falta de  pagamento do imposto.” E tal profecia se concretizou, em toda sua plenitude.  Além  disso,  no  item  que  trata  da  evolução  do  esquema  de  interposição  fraudulenta  em  comento  (fls.  29896/29912),  a  fiscalização  informou  que  o  esquema  de  importação  fraudulenta  em apreço  iniciou­se no  ano de 2001. Em 30 de  janeiro de 2003, na  jurisdição da Delegacia da Receita Federal em Ilhéus/BA, foi deflagrada a primeira operação  de fiscalização de combate à interposição fraudulenta envolvendo a importação de produtos da  marca  CISCO.  Porém,  em  vez  de  cessar  as  importações  fraudulentas,  o  “Grupo  MUDE”  ampliou e adotou procedimentos mais sofisticados de fraude, o que resultou na deflagração, em  setembro de 2005, de uma segunda operação de fiscalização. Mais uma vez, o Grupo também  não cessou as práticas fraudulentas, ao contrário, sofisticou ainda mais, porém mudou a central  de  operação  do  esquema  para  a  cidade  de  São  Paulo/SP  e  passou  atuar  na  jurisdição  da  Inspetoria  da  Receita  Federal  em  São  Paulo,  até  a  deflagração  da  operação  “Persona”  em  16/10/2007.  Por  todas  essas  considerações,  fica  demonstrado  que  a  recorrente,  não  só  participou do esquema fraudulento em referência, como o planejou, aperfeiçoou e o executou  com o claro propósito de fugir dos controles aduaneiros e não se enquadrar na condição de real  importadora e contribuinte do IPI, por equiparação a estabelecimento industrial. Portanto, agiu  de  forma  dolosa  e  deve  responder  pela  multa  ofício  qualificada,  conforme  aplicada  pela  fiscalização.  Fl. 52587DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   74 I.6 Da Não Incidência dos Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício  Em relação a esse ponto, a recorrente MUDE alegou que, na remota hipótese  de prevalecer a cobrança da multa de ofício, o que se admitia apenas a  título argumentativo,  não poderia incidir sobre ela os juros de mora, por ser flagrantemente ilegal a sua cobrança, por  ausência de previsão legal. Para recorrente, os juros não podiam incidir sobre a referida multa,  na medida em que ela não retratava a obrigação principal, mas sim encargo que se agregava ao  valor da dívida, como forma de punir o devedor.  Sem razão a recorrente.  A  cobrança  dos  juros  moratórios  sobre  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições  encontra­se  prevista  no  art.  61,  §  3º,  enquanto  que  a  cobrança  do  referido  gravame sobre multa  isolada encontra­se estabelecida, expressamente, no parágrafo único do  art. 43 do mesmo diploma legal, a seguir transcritos:  Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento. (grifos não originais)  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  (...).  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do art. 5º, a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (grifos não originais)  Trata­se  de  preceitos  legais  constantes  do  mesmo  diploma  legal,  o  que  demonstra  que  o  legislador,  deliberada  e  intencionalmente,  conferiu  tratamento  distinto  para  ambas as  situações, mas com o objetivo de conferir  tratamento  isonômico, ou seja,  cobrança  dos juros moratórios em ambas os casos.  E  a  justificativa para  esse  tratamento  isonômico  está no  fato de  a multa  de  ofício incidir sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios. Assim, na data do  pagamento,  tal  gravame,  automaticamente,  também  integrará  o  valor  da  multa  de  ofício,  calculada proporcionalmente ao valor do tributo devido. Dito de outra forma: não são os juros  moratórios  que  incidem  sobre  a  multa  de  ofício,  mas  a  multa  que  incide  sobre  o  crédito  tributário acrescido de juros moratórios.  Logo, no âmbito do lançamento de ofício, por força do disposto no art. 80 da  Lei 4.502/1964, com as alterações posteriores, os juros moratórios sempre comporão o valor da  Fl. 52588DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.551          75 multa  ofício,  qualificada  ou  não,  cujo  valor  é  calculado  proporcionalmente  ao  “valor  do  imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”, acrescido do valor dos juros moratórios.  De toda sorte, independente da cobrança da multa ser feita de forma isolada  ou proporcional ao valor do imposto, os  juros moratórios sempre serão devidos. No primeiro  caso, o valor dos juros é calculado de forma direta, mediante aplicação do percentual dos juros  sobre o valor da multa aplicada, enquanto que no segundo caso, o valor dos juros é calculado  de forma indireta, mediante aplicação do percentual da multa sobre o valor do tributo devido,  acrescido da dos juros moratórios.  No mesmo sentido, o entendimento explicitado no enunciado da ementa do  julgado que segue transcrito:  JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto  no  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  deverá  incidir  sobre  o  crédito  tributário  não  pago,  consistente  na  diferença  entre  o  tributo  devido e aquilo que  fora recolhido. Não procede ao argumento  de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n°  9.430/96  é  que  poderá  incidir  juros  de  mora  sobre  a  multa  aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere­se  à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada  mais  lógico  que  venha  dispositivo  legal  expresso  para  fazer  incidir  os  juros  sobre  a  multa  que  não  toma  como  base  de  incidência  valores  de  crédito  tributário  sujeitos  à  incidência  ordinária da multa. 9  Com  base  nessas  considerações,  fica  demonstrada  a  improcedência  da  alegação  da  recorrente  MUDE  de  que  não  havia  amparo  legal  para  a  cobrança  dos  juros  moratórios sobre o valor da referida multa de ofício.  II DAS SUJEIÇÕES PASSIVAS SOLIDÁRIAS  No  Capítulo  IX  do  TVF  (fls.  1076/1081),  a  fiscalização  incluiu  no  polo  passivo da autuação 13 (treze pessoas físicas) e uma pessoa jurídica, com respaldo no art. 124,  I, do CTN, a seguir transcrito:  124, I, do CTN, a seguir transcrito:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  [...] (grifos não originais)  Segundo  a  fiscalização,  os  fatos  apurados  e  comprovados  no  curso  da  “Operação Persona”  e  do  procedimento  fiscal  em  apreço  revelaram  que  as  referidas  pessoas  tinham interesse comum nas operações constitutivas dos fatos geradores do crédito  tributário  objeto das presentes autuações, pelas seguintes razões, que seguem transcritas:                                                              9  CARF.  1ª  Seção.  4ª  Câmara.  1ª  Turma  Ordinária,  Ac.  1401­00.155,  j.  28.01.2010,  rel.  Alexandre  Antônio  Allcmim Teixeira.  Fl. 52589DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   76 A  ­  que  as  pessoas  físicas  e  pessoa  jurídica  (grupo)  abaixo  relacionados tinham conhecimento da interposição fraudulenta e  também tinham interesse comum na situação que constitua o fato  gerador da obrigação principal;  B ­ fraude ou conluio entre os componentes do grupo (na fraude  ou conluio, o  interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste  entre  as  partes,  almejando  a  sonegação).  A  solidariedade  passiva  no  pagamento  de  tributos  por  aqueles  que  agiram  fraudulentamente, ou que concorreram para tal, é pacifica;  C  ­  que  as  pessoas  físicas  relacionadas  são  sócios  reais  ou  ocultos da MUDE;  D ­ que os elementos do grupo participaram para o sucesso da  fraude;  E  ­  que  os  elementos  do  grupo  obtiveram  ganhos  ilícitos  significativos.  Para  evidenciar  a  participação  de  cada  um  dos  sujeitos  passivos  solidários  pessoas  físicas,  vinculadas  formal  ou  informalmente  ao  “Grupo MUDE”,  cabe  transcrever  o  seguinte excerto extraído TVF, que trata do quadro societário da recorrente MUDE:  O  seu  quadro  societário  atual  é  composto  por  FERNANDO  MACHADO GRECCO,  [...],  sócio  administrativo  com  75%  do  capital  social,  e HÉLIO BENETTI PEDREIRA,  [...],  sócio  com  25% do capital social, ambos ingressos em 07 de julho de 2006.  Já  fizeram  parte  da  sociedade  JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN  RODRIGUES,  [...],  como  sócio  gerente  (5%),  ingresso  em  15/01/2002,  excluído  em  12/03/2003;  MARCÍLIO  PALHARES  LEMOS,  [...],  como  administrador  (0%),  incluído  em  15/01/2002,  excluído  em  07/01/2004;  e  LUIZ  SCARPELLI  FILHO,  [...],  como  sócio  (0,16%),  ingresso  em  07/01/2004,  excluído em 07/07/2006.  Todas  estas  pessoas  têm  atuação  bem  definida  no  esquema,  e  serão objeto de análise especifica no presente relatório.  Também  constam  como  ex­sócias  as  empresas  estrangeiras:  FULFILL  HOLDING  LTD  (ILHAS  VIRGENS  BRITÂNICAS),  [...], ingressa em 15/01/2002 (99,84%), excluída em 07/01/2004,  cujo  responsável  perante  a  Receita  Federal  é  o  contador  do  grupo  LENIVALDO  FERNANDES  DOS  SANTOS,  e  o  procurador é MARCÍLIO PALHARES LEMOS; e NORDSTROM  TRADING S.A.  (REPUBLICA DO PANAMA), [...],  ingressa em  07/01/2004 (99,84%), excluída em 07/07/2006, cujo responsável  é  GUSTAVO  HENRIQUE  CASTELLARI  PROCÓPIO,  [...].  ANDRES MAXIMINO SANCHEZ e JOHN BENJAMIN FOSTER  constam  como  diretores  de  ambas  as  empresas.  MYRNA  DE  NAVARRO  também  consta  como  diretora  da  NORDSTROM.  Estas  pessoas,  de  origem panamenha,  são  interpostas  pessoas  do  escritório de advocacia ALEMAN, CORDERO, GALINDO  &  LEE,  especializado  em  direito  financeiro  e  na  criação  e  administração  de  empresas  offshore,  com  sede  no  Panamá,  e  filiais  em  Luxemburgo,  Bahamas,  Belize  e  Ilhas  Virgens  Britânicas,  e  que,  segundo  seu  site  www.alcogal.com  ,  possui  entre seus clientes, a CISCO SYSTEM INC.  Fl. 52590DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.552          77 No  entanto,  as  investigações  demonstraram  que  o  quadro  societário da MUDE seria uma farsa. (grifos não originais)  Em suas peças recursais, os sujeitos passivos solidários recorrentes contestam  os motivos da autuação e pedem a insubsistência dos respectivos Termos de Sujeição Passiva  Solidária (TSPS), com base nas alegações que serão a seguir analisadas.  II.1 Das Preliminares de Insubsistência dos TSPS.  Os motivos  pelos  quais  os  responsáveis  solidários  foram  incluídos  no  polo  passivo da autuação em apreço encontram­se explicitados nos respectivos TSPS, que integram  os 14 volumes do Anexo V dos presentes autos (fls. 44023 e ss.).  Em  relação  a  esse  ponto,  a  maioria  dos  recursos  voluntários  apresentam  razões  de  defesa  idênticas  ou  semelhantes.  Assim,  para  evitar  repetições  desnecessárias,  quando possível, elas serão apreciadas em conjunto.  Das alegações comuns dos recorrentes pessoas físicas.  A  grande  parte  das  pessoas  físicas  solidárias  passivas  alegaram  a  insubsistência dos respectivos TSPS, sob alegação de não era possível a utilização de provas  emprestadas,  produzidas  no  âmbito  de  procedimento  criminal,  para  fim  instrução  do  procedimento  fiscal, matéria  já  anteriormente  analisada  e,  pelas mesmas  razões  lá  aduzidas,  rejeita tais alegações.  Ainda alegaram que a fiscalização não havia indicado o fato e o fundamento  legal que deram ensejo à sujeição passiva solidária dos recorrentes, o que havia gerado prejuízo  para elaboração das respectivas peças de defesa.  Essa  alegação  não  procede,  pois,  conforme  precedentemente  exposto,  além  de  mencionar  o  motivo  que  ensejaram  a  inclusão  dos  recorrentes  no  polo  passivo  do  questionado  auto  de  infração  (“interesse  comum na  situação  constitutiva do  fato  gerador  das  obrigações  tributárias”),  há  menção  expressa  ao  fundamento  legal  que  deu  suporte  a  imputação  da  solidariedade  em  destaque.  Ademais,  nos  respectivos  TSPS,  encontra­se  mencionado  o  art.  124,  I,  do  CTN,  bem  como  apresentados  os  fatos,  acompanhado  das  respectivas  provas,  que  motivaram  a  inclusão  das  referidas  pessoas  no  polo  passivo  da  autuação. Todos essas referências demonstram que tanto o enquadramento legal da imputação,  quanto  o  fato  que  deu  ensejo  a  sujeição  passiva  solidária,  foram  adequada  e  expressamente  consignados pela fiscalização na autuação em apreço.  Além  disso,  ao  contrário  do  alegado,  o  teor  das  robustas  peças  de  defesa  colacionadas aos autos revela que os recorrentes não só compreenderam como se defenderam  adequada  e  suficientemente  da  fundamentação  fática  e  jurídica  da  questionada  atribuição  de  sujeição passiva solidária.  Das alegações da recorrente CISCO.  A  recorrente  CISCO  alegou  que  o  TSPS  contra  ela  lavrado  era  inválido,  porque fora baseado em provas obtidas por meio de  interceptação  telefônica, exclusivamente  destinada ao âmbito criminal, e sem que ela  tivesse participado do contraditório e exercido o  direito de defesa no âmbito citado procedimento criminal.  Fl. 52591DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   78 Tais  alegações  foram  anteriormente  analisadas  e  restou  demonstrado  a  improcedência,  pois  não  existia  a  alegada  vedação  legal  de  que  a  prova,  de  qualquer  tipo,  produzida  no  âmbito  do  processo  criminal,  fosse  utilizada  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  inclusive  em  relação  às  pessoas  estranhas  ao  rol  de  investigados,  especialmente,  se  restar  comprovado,  com  base  nas  provas  colhidas  no  curso  procedimento  investigatório, que os imputados cometeram ilícitos de natureza administrativa.  Por  essas  razões,  rejeita­se  as  presentes  alegações  de  insubsistência  dos  respectivos TSPS.  II.2 Da Sujeição Passiva Solidária por Interesse Comum.  Na  autuação  em  apreço,  conforme  já  mencionado,  os  recorrentes  foram  considerados sujeitos passivos solidários por interesse comum, com fundamento no art. 124, I,  do CTN.  A sujeição passiva solidária por interesse comum trata­se de assunto que tem  suscitado forte dissenso no âmbito da jurisprudência e da doutrina do País, de onde é possível  extrair duas correntes com posições opostas.  A primeira  corrente,  defendida por  parte  relevante da  doutrina  e  endossada  por parte da jurisprudência administrativa e judicial, defende que somente há solidariedade por  interesse  comum  se  houver  interesse  jurídico  (comum),  consistente  na  realização  do  fato  jurídico tributário pelo solidário (solidariedade entre contribuintes). No seio dessa corrente,  há os que defendem uma forma híbrida de solidariedade, com a seguinte característica: a uma  parte  da  obrigação  tributária  determinado  sujeito  passivo  solidário  figuraria  na  condição  de  contribuinte e na parte restante ele figuraria como responsável, com se fosse possível dividir o  fato  jurídico em pedaços e  imputar a determinado sujeito passivo a condição de contribuinte  em relação a determinada fatia do fato gerador por ele realizado e a condição de responsável  em  relação  a  outra  fatia  do  fato  jurídico  tributável  realizada  pelos  demais  solidários  (solidariedade como contribuinte e solidariedade como responsável).  A segunda corrente, capitaneada pelas autoridades fiscais,  representantes da  Fazenda  Nacional,  parte  da  jurisprudência  e  parte  minoritária  da  doutrina,  defende  que  há  solidariedade  passiva  por  interesse  comum  se  houver  interesse  econômico  (comum),  que  consiste  no  fato  de  o  solidário  ser  beneficiário  da  operação  que deu  origem à  tributação,  ou  seja, tenha tido algum proveito material ou econômico da transação ou negócio subjacente ao  evento jurídico tributário.   Uma vez  definida,  em  apertada  síntese,  o  ponto  considerado  essencial  para  cada corrente, passa­se a analisar, o entendimento esposado por cada delas.  De  início,  cabe  consignar  que  o  entendimento,  apresentado  pela  primeira  corrente,  esvazia  por  completo  o  conteúdo  jurídico  da  norma  em  comento,  tornando­a  sem  qualquer efeito jurídico, haja vista que, na condição de contribuinte, em face da indivisibilidade  do fato jurídico tributário, todo contribuinte, necessariamente, é considerado sujeito passivo de  o  todo  débito  tributário  e  não  apenas  de  parte  dele  como  entendem  os  defensores  da  solidariedade  mista.  Ao  passo  que  o  entendimento  esposado  pela  segunda,  confere  alcance  demasiado amplo, de modo que poderia  ser  incluído no polo passivo da obrigação  tributário  pessoas  sem,  de  fato,  revelar  interesse  comum  na  situação  constitutiva  do  fato  gerador  da  respectiva obrigação.  Fl. 52592DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.553          79 O  significado  e  alcance  da  referida  norma,  com  a  devida  vênia  aos  entendimentos  distintos,  pode  ser  extraído  da  expressão  interesse  comum,  de  conteúdo  indeterminado,  sem  lhe  atribuir  qualquer  qualificativo,  que  não  seja  aquele  atribuído  pelo  próprio  texto  legal,  ou  seja,  “interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação principal”. E qual é a situação constitutiva do fato gerador?  Nos  termos  do  art.  116  do  CTN,  pode  ser  uma  situação  de  fato  ou  uma  situação jurídica, integrante de uma relação jurídica de direito privado, caracterizada pela nota  da  bilateralidade  de  fatos,  ou  de  uma  situação  jurídica  isolada,  marcada  pela  nota  da  unilateralidade.  Com base nessa premissa, pode­se inferir que o interesse comum de que trata  o citado preceito legal vincula­se ao fato gerador do tributo (o fato imediato). De outra parte,  fica  excluído  da  possibilidade  de  participar  do  polo  passivo  da  obrigação  tributária,  na  condição de sujeito passivo solidário, toda pessoa que não manifeste interesse direto e imediato  pelo  fato  eleito  como gerador  da obrigação  tributária,  em  comum com  a pessoa  eleita  como  contribuinte.  Com base nesse critério, a expressão “interesse comum”,  isoladamente, não  representa  dado  satisfatório  ou  roteiro  seguro  para  a  identificação  do  nexo  de  solidariedade  tributária  passiva,  porém,  quando  relacionada  com  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária  do  respectivo tributo, agrega elementos seguros para se verificar a existência ou não de interesse  comum entre o contribuinte e os solidários pelo crédito tributário devido. Com a ressaltava de  que,  em  relação  a determinados  tipos  de  tributos,  especialmente,  aqueles  caracterizados  pela  bilateralidade, maior dificuldade existe para se  identificar o  interesse comum revelados pelas  pessoas  intervenientes. No entanto, anda neste caso, se a análise  for baseada no fato  jurídico  tributário, é possível vislumbrar quem, de  fato,  tem  interesse na situação constituinte do fato  gerador da obrigação tributária principal.  Em relação aos  tributos que  tem como materialidade uma situação  jurídica,  caracterizada pela unilateralidade,  a exemplo dos  tributos  sobre  a propriedade  (IPTU,  IPVA,  ITR etc.), tal dificuldade revela­se quase inexiste, pois, para esses tipos de impostos, as únicas  pessoas  que  têm  interesse  comum  no  fato  gerador  são  os  coproprietários  dos  bens  alvo  da  tributação.  Portanto,  uma  vez  comprovada  a  propriedade  em  comum,  todos  os  copartícipes,  passam  integrar  o  polo  passivo  da  respectiva  obrigação  tributária,  na  condição  de  sujeitos  passivos solidários.  De  outra  parte,  como  já mencionado,  há maior  dificuldade,  para  a  referida  identificação,  em  relação  aos  tributos,  cuja  materialidade  definida  na  Constituição  Federal  consiste  numa  situação  caracterizada  pela  bilateralidade  factual. Nesta  hipótese,  o  legislador  ordinário  tem a opção de eleger qualquer dos  fatos da  relação  jurídica como fato gerador do  tributo,  como  se  dá  com  os  impostos  sobre  transmissão  da  propriedade  imobiliária  e  os  impostos sobre a produção e circulação. Em relação a esses impostos, sabidamente, por força  do disposto nos arts. 42 e 66 do CTN, o fato gerador da obrigação tributária pode ser qualquer  dos fatos que compõem a operação ou negócio bilateral, como dispuser a lei específica de cada  imposto.  A  título  de  exemplo,  cita­se  o  ITBI,  nos  casos  em  que  há  dois  ou  mais  compradores.  O  mesmo  se  aplica  ao  IPI,  quando  dois  ou  mais  forem  os  comerciantes  vendedores.  Fl. 52593DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   80 Outro  dado  relevante  para o  deslinde  da  controvérsia,  consiste  em  saber  se  existe  interesse  comum  nos  casos  de  conluio,  com  vistas  a  realização  de  fraude  tributária,  especialmente,  nos  casos  de  fraude  mediante  simulação.  Por  óbvio,  nessas  hipóteses  a  verificação da existência do interesse comum não será analisado em relação ao fato simulado,  mas relativamente ao fato jurídico tributário dissimulado e se provado que houve benefício ou  proveito  comum  com  a  prática  deste  último,  certamente,  todos  os  beneficiários  diretos  e  imediatos serão arrolados como sujeito passivo solidário do contribuinte formal, ou seja, aquele  que praticou o fato jurídico tributário em nome e em benefício de todos.  A  análise  da  inclusão  de  cada  um  dos  sujeitos  passivos  solidários  no  polo  passivo  da  presente  autuação,  por  revelar  interesse  comum  com  a  contribuinte MUDE,  será  aqui  analisada  com base  nesse  critério,  ou  seja,  se havia  interesse de  cada um  deles  no  fato  jurídico  tributário  constituinte da obrigação de pagar o  IPI devido nas operações de  revenda  dos produtos da marca CISCO pela contribuinte MUDE.  II.3 Das Alegações Comuns dos Recorrentes Pessoas Físicas e da CISCO.  De  modo  geral,  os  recorrentes  pessoas  físicas  alegaram  que  não  podiam  prevalecer  os  correspondentes  TSPS,  com  base  no  argumento  de  que  não  tinham  interesse  jurídico na ocorrência do fato gerador, pois não haviam preenchido qualquer DI, não efetuaram  em qualquer desembaraço aduaneiro, tampouco calcularam os valores dos tributos devidos nas  operações, que foram atividades praticadas pelos importadores.  Para  os  recorrentes,  a  responsabilidade  solidária  prevista  no  art.  124,  I,  do  CTN,  somente  se  aplicava  aos  contribuintes  (art.  121,  parágrafo  único,  I,  do  CTN),  “assim  considerados aqueles que efetivamente praticaram o verbo do critério material da hipótese de  incidência”. Como exemplo, eles citaram a copropriedade de imóvel urbano, com participação  igual de dois condôminos, em que, por força do regime de solidariedade, previsto no referido  preceito legal, cada um seria responsável por toda dívida tributária do imóvel.  Sem razão os recorrentes.  O  entendimento  por  eles  esposado,  com  a  devida  vênia,  além  de  não  representar  a  melhor  exegese  do  enunciado  normativo  veiculado  no  art.  124,  I,  do  CTN,  conforme anteriormente demonstrado, excluiria do polo passivo da obrigação  tributária  todas  as  pessoas  que  não  se  enquadrassem  na  condição  de  contribuinte  formal,  inclusive,  os  contribuintes de fato, que (i) se utilizassem da simulação e da fraude, com vistas a se eximir da  condição  de  contribuinte,  (ii)  se  beneficiassem  de  forma  direta  ou  indireta  dos  ilícitos  praticados e (iii) revelassem interesse no fato jurídico tributário, na mesma intensidade ou até  mais do que o contribuinte que, formalmente, aparecesse e assumisse toda a responsabilidade  tributária.  Há prevalecer esse entendimento, o que se admite apenas para argumentar, o  conteúdo normativo veiculado no art. 124,  I, do CTN não  teria qualquer efeito e  tornar­se­ia  letra­morta. Em decorrência estaria estabelecido o melhor dos mundos para os  fraudadores e  demais  pessoas  que  agem  e  atuam  a margem  da  lei.  E  a  Administração  tributária  não  teria  instrumento jurídico algum para combater tais ilícitos contra Erário.  Assim, como o direito não se presta como instrumento de incentivo ao ilícito,  o entendimento que melhor confere significado e sentido ao disposto no art. 124, I, do CTN, é  aquele que lhe atribui o efeito normativo de incorporar ao polo passivo da obrigação tributária  todas as pessoas que demonstrem interesse comum na situação constituinte do fato gerador da  obrigação  tributária  principal,  ainda  que,  aparentemente,  em  face  da  simulação  ou  de  outro  Fl. 52594DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.554          81 meio  fraudulento  empregado,  não  tenham  manifestado,  de  forma  direta  ou  imediata,  participação  e  interesse  nos  fatos  fraudados  ou  simulados. Mas,  uma vez  retirado  o  véu  que  encobre  as  condutas  fraudulentamente  dissimuladas,  emergem  os  fatos  reais  que  foram  ocultados,  em  relação  aos  quais,  da  mesma  forma  que  o  contribuinte  aparente,  ficam  evidenciados o real interesse das pessoas ocultas no fato jurídico­tributário dissimulado.  No caso em tela,  restou devidamente comprovado nos autos que as pessoas  físicas integrantes do “Grupo MUDE” (sócios formais ou de fato, controladores, colaboradores  etc.), arrolados no polo passivo da presente autuação, agiram como uma sociedade de fato, com  o  evidente  intuito de evitar a  equiparação da  recorrente MUDE a estabelecimento  industrial,  mediante  interposição  fraudulenta  de  pessoas.  Também  restou  demonstrado  nos  autos  o  proveito  comum de  todos  os  sujeitos  passivos  solidários  nos  vultosos  ganhos  obtidos  com o  esquema de  fraude  em  comento,  seja  sob  a  forma de  recebimento  disfarçados  de  lucros,  via  empresas offshores  particulares,  seja  sob  a  forma de ganhos  adicionais  elevados no  aumento  das vendas etc.  O  caso  hipotético  de  cometimento  de  ilícito  tributário,  por  parte  de  pessoa  jurídica  ativa  e  operacional,  que,  comprovadamente,  tenha  ocultado  ou  registrado  indevidamente negócios  jurídicos  realizados  em parceria  com  terceiros  (sócios ocultos),  para  fim  de  benefício  comum,  foi  analisada  pelo  ex­conselheiro  Marcus  Vinicius  Neder,  com  seguintes termos, in verbis:  Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas,  mas  em  sociedade  comum  ou  de  fato,  pois  não  é  possível  distinguir  a  sociedade  de  fato  de  seus  integrantes  (pessoas  físicas  e  jurídicas).  Diante  dessas  condições,  é  perfeitamente  possível  evidenciar  solidariedade  entre  as  pessoas  que  compõem  a  sociedade  de  fato,  eis  que,  além  do  patrimônio  comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos  negócios  jurídicos  realizados  em  benefício  dos  envolvidos.10  (grifos não originais)   No caso em tela, é evidente a participação de todos os responsáveis solidários  nas operações de importação objeto das presentes autuação, formalmente, realizadas por conta  das  mencionadas  importadoras  interpostas,  mas,  de  fato,  realizadas  por  conta  e  ordem  da  recorrente MUDE.  Com  efeito,  as  provas  coligidas  aos  autos  confirmam  a  união  informal  e  clandestina de esforços da recorrente MUDE e dos recorrentes pessoas físicas e da recorrente  CISCO, com o evidente intuito de fraudar o controle aduaneiro, cambial e administrativo, bem  como o pagamento dos tributos incidentes nas operações de importação, especialmente, o valor  do  IPI  devido  pela  real  importadora  MUDE,  em  razão  da  equiparação  a  estabelecimento  industrial.  E  com  esse  procedimento,  os  sujeitos  passivos  solidários  visaram  se  eximir,  da  mesma  forma  que  a  recorrente  MUDE,  de  qualquer  responsabilidade  tributária,  mediante  ocultação dos reais responsáveis pelas operações de importação e beneficiários dos resultados  econômicos obtidos com tais operações fraudulentas.  Trata­se,  portanto,  de  ato  antijurídico  praticado  sob  a  forma  de  coautoria,  situação a que a doutrina civilista denomina de causalidade comum, que se caracteriza pela                                                              10 NEDER, Marcos Vinicius. Solidariedade de direito e de fato ­ reflexões acerca de seu conceito. FERRAGUT,  Maria Rita; NEDER, Marcos Vinicius (Coord.). Responsabilidade tributária. 2007. São Paulo: Dialética, p. 46  Fl. 52595DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   82 existência  de  um  único  fato  causador  (unicidade  de  causa)  ­  no  caso,  a  dissimulação  da  condição  de  real  importador  da  MUDE  ­,  mas  com  a  participação  de  diversas  pessoas  (pluralidade  de  autores)  ­  no  caso,  a  contribuinte MUDE  e  todos  os  responsáveis  solidários  integrantes do “Grupo MUDE”, incluindo seus sócios ostensivos e ocultos.  O entendimento aqui esposado não discrepa daquele que foi apresentado pela  ilustre Prof. Maria Rita Ferragut,  em brilhante parecer  colacionado aos  autos pela  recorrente  MUDE, no sentido de que “na solidariedade fundada na fraude, é condição necessária para sua  aplicação  a  prova  de  que  o  sujeito  tenha  concorrido  para  o  ilícito.”  E,  no  caso  em  tela,  tal  condição  foi  plenamente  atendida,  porque,  conforme a  seguir demonstrado,  todos os  sujeitos  passivos  solidários  recorrentes,  não  só  concorreram  para  fraude,  como  dela  tiraram  proveito  comum.  Com  base  nesse  entendimento,  passa­se  analisar  as  alegações  comuns  relevantes suscitadas pelos recorrentes sobre a inexistência de interesse comum entre eles e a  contribuinte MUDE.  Os  recorrente  alegaram  que  a  sujeição  passiva  solidária  somente  existia  se  comprovada existência de interesse jurídico entre as partes, ou seja, quando as mesmas pessoas  concorressem  para  prática  do  mesmo  fato  jurídico  tributário  e,  em  decorrência,  houvesse  coincidência do dever jurídico entre eles.  Induvidosamente,  os  recorrentes  referem­se  à  forma  de  sujeição  passiva  solidária  decorrente  da  condição  de  contribuintes  (contribuintes  formais),  definida  no  art.  121, parágrafo único, I, do CTN. E o exemplo de sujeição passiva solidária relativa ao IPTU,  caracterizada pela existência da copropriedade sobre o mesmo imóvel, ratifica o entendimento  de  que,  neste  caso,  todos  os  coproprietários  são  solidários  passivos  por  se  enquadrarem  na  condição de contribuintes (formais).  Essa  hipótese  é  totalmente  distinta  do  caso  concreto  objeto  da  presente  autuação, em que as pessoas físicas e jurídica foram arroladas como sujeitos passivos solidários  da  contribuinte  MUDE,  por  terem  concorrido,  mediante  conluio,  para  a  prática  dos  atos  fraudulentos  dissimuladores  da  equiparação  da  MUDE  a  estabelecimento  industrial  e,  por  conseguinte, dos fatos geradores do IPI. Assim, por revelarem interesse direto e imediato sobre  tais  fatos  constitutivos  da  respectiva  obrigação  tributária,  informalmente,  todos  eles  são  considerados contribuintes (contribuintes informais)11.  No caso, a alegação de nulidade dos respectivos TSPS, por falta de prova que  demonstrasse a antecipação de recursos por parte dos solidários, não procede, porque esse não  foi o motivo da integração dos solidários ao polo passivo das autuações, mas da contribuinte  formal  MUDE,  conforme  anteriormente  demonstrado.  O  motivo  da  atribuição  da  sujeição  passiva solidária em questão, cita­se novamente,  foi a demonstração do interesse comum dos  solidários  nas  operações  constitutivas  dos  fatos  geradores  do  crédito  tributário  objeto  das  presentes autuações.  Os  recorrente  alegaram  ainda  que  a  referida  sujeição  passiva  não  era  extensível  à  multa  de  ofício  qualificada  aplicada.  Essa  alegação  também  não  procede,  haja  vista que a solidariedade definida no art. 124, I, do CTN, refere­se a “situação que constitua o                                                              11 Da analise das duas situações, fica evidenciado que a solidariedade passiva dos integrantes de um mesmo grupo  econômico  está  condicionada  a  que  fique  devidamente  comprovado:  a)  a  existência  de  interesse  imediato  e  comum nos resultados dos fatos geradores constitutivos da obrigação tributária principal (contribuintes formais);  ou  b)  a  existência  do  interesse  imediato  e  comum  na  fraude  ou  no  conluio,  com  o  objetivo  de  se  eximir  do  pagamento de tributos (contribuintes informais).  Fl. 52596DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.555          83 fato gerador da obrigação principal”, logo, abrange o tributo e as multas de natureza tributária,  conforme estabelecido no art. 113, § 1º, do CTN.  Com  base  nessas  conclusões,  rejeita­se  todas  as  alegações  comuns  anteriormente explicitadas e passa­se a análise das razões da sujeição passiva solidária de cada  recorrente.  II.4 Das Razões da Sujeição Passiva Solidária e Alegações Específicas dos Recorrentes.  Neste  tópico,  serão  apresentadas  as  razões  porque  os  sujeitos  passivos  solidários  foram  incorporados  ao polo passivo da  autuação  e  as  razões de defesa  específicas  suscitadas por cada um deles.  Da sujeição passiva solidária da recorrente CISCO.  De acordo com TSPS colacionado aos  autos  (fls. 46710 e  ss.),  a  recorrente  CISCO foi incluída no polo passivo da autuação, na condição de sujeito passivo solidário, por  ter  concebido  e  executado,  por  intermédio  do  seu  então  Presidente  para  a  América  Latina,  Carlos Roberto Carnevali,  juntamente com Helio Benetti Pedreira e demais  sujeitos passivos  solidários integrantes do “Grupo MUDE”, o referenciado esquema de importação fraudulenta,  conforme  explicitado  no Relatório RFB/IPEI  n° BA20070005,  que  integra o Anexo  I  destes  autos (fls. 29805 e ss.).  A recorrente CISCO, constituída em 8/8/1994, atuava como representante, no  Pais, da empresa norte­americana CISCO SYSTEM INC. Em face dessa condição, segundo a  fiscalização,  era  esperado  que  esta  empresa  apresentasse  um  volume  de  importação  de  mercadorias compatível com a condição de líder mundial na área de tecnologia de informação.  No entanto, grande parte das operações de comércio exterior realizada pela recorrente CISCO  referia­se a serviços e mercadorias para substituição de equipamentos em garantia.  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  MUDE  era  quem  se  encarregava  de  operacionalizar as  importações da quase  totalidade dos produtos e  serviços da marca CISCO  para o País, por  intermédio da rede de  interposição  fraudulenta  já mencionada, e segundo as  condições  previamente  estabelecidas  pela  CISCO  DO  BRASIL.  No  período  da  autuação,  a  fiscalização apurou que:  a)  as  principais  mercadorias  estrangeiras  comercializadas  pela MUDE  (em  torno de 90% do total) eram os produtos acabados, fabricados pela CISCO na Califórnia/USA,  que  não  necessitavam de  nenhuma  industrialização  para  o  consumo  final,  tais  como:  chaves  (switches), roteadores, módulos para roteadores/switch, cabos e distribuidores;  b) os clientes brasileiros interessados nos produtos da marca CISCO faziam  contato inicialmente com a recorrente CISCO, que definia o preço e as condições do negócio,  que eram repassadas à recorrente MUDE, que fazia o pedido diretamente a CISCO SYSTEM  INC. (Califórnia/USA);  c)  nos  registros  e  documentos  oficiais,  entretanto,  a  exportação  não  era  realizada diretamente pela CISCO americana, nem a importação diretamente pela MUDE, mas  pelas  empresas  importadoras  interpostas,  que  tinham  como  sócios,  pessoas  físicas  sem  capacidade  econômico­financeira  e,  geralmente,  uma  empresa  offshore,  situada  em  paraísos  fiscais; e  Fl. 52597DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   84 d) no exterior, a CISCO simulava a venda dos produtos, como se fosse uma  operação interna nos Estados Unidos, para uma empresa do grupo MUDE, no caso a FULFILL  HOLDING  (Califórnia/USA),  ou,  em  operações  mais  recentes,  MUDE  USA  LCC  (Miami/USA). Essas empresas, que representavam mais um nível de blindagem, atuavam entre  a CISCO SYSTEM  INC.  e as  exportadoras do  esquema  (3TECH, LATAM, GSD, LOGCIS,  SUPERKIT),  integrantes do “Grupo JDTC/MUDE”, que revendiam os produtos,  também em  operações simuladas, para importadoras interpostas (BRASTEC, ABC, PRIME e WAYTEC).  Com  base  nessas  informações,  corroboradas  com  documentos  idôneos,  a  fiscalização  chegou  a  conclusão  que  a  recorrente  MUDE  atuava  como  verdadeiro  setor  de  importação da recorrente CISCO e, da essa condição, ela era a grande beneficiário do esquema  de interposição fraudulenta criado para fugir aos controles fiscais e tributários nacionais.  As  provas  colhidas  no  curso  da  “Operação  Persona”,  em  especial,  as  transcrições  dos  diálogos  telefônicos  e  das  mensagens  eletrônicas  de  fls.  46728/46741,  demonstram que  era  a CISCO quem definia o preço e as condições dos negócios celebrados  entre a MUDE e seus clientes finais.  Nas mensagens, transcrições dos diálogos e planilhas eletrônicas, apreendidas  na “Operação Persona”, colacionadas aos autos (fls. 46743/46757), comprovam que: a) havia  estreita vinculação comercial  entre a  recorrente CISCO e a MUDE, b)  a CISCO  tinha pleno  conhecimento  do  esquema  de  importação  fraudulenta,  planejado  e  executado  pelo  “Grupo  MUDE” e,  de  forma pró­ativa,  contribuía  para  que  ele  fosse  implementado;  e  c)  os maiores  ganhos era obtidos com a separação (split) 30% para hardware e 70% para software.  Outro aspecto relevante para compreensão do forte vínculo entre a MUDE e a  CISCO  era  a  forma  de  financiamento  das  importações  do  “Grupo  MUDE”  e  os  agentes  financeiros  responsáveis  pelo  financiamento.  Nesse  sentido,  os  documentos  de  fls.  46760/46769  (mensagens  eletrônicas,  relatórios,  atas  de  reunião,  contratos  financiamentos  etc.),  revelam  que  as  operações  da  MUDE  de  aquisição  de  mercadorias  junto  à  CISCO  SYSTEM INC., nos Estados Unidos, baseavam­se na obtenção de linhas de crédito perante os  seguintes  agentes  financeiros  americanos:  CISCO  CAPITAL,  GE  COMMERCIAL  DISTRIBUTION FINANCE CORPORATION e o Banco CITIBANK.  A  empresa  CISCO  CAPITAL  era  uma  empresa  financeira  pertencente  diretamente  ao  “Grupo  CISCO”  e  principal  financiadora  das  operações  de  importação  da  MUDE. Em 2006, havia concedido a MUDE uma linha de crédito em torno de U$ 53 milhões.  A  GE  COMMERCIAL,  braço  comercial  financeiro  do  grupo  GENERAL  ELETRIC,  teria  concedido  ao  “Grupo MUDE” um  crédito  em  torno  de U$ 30 milhões,  garantido,  em parte,  pelos  estoques  do  grupo MUDE nos Estados Unidos. A  concessão  de  créditos  junto  a  estas  instituições teria sempre o respaldo da própria CISCO SYSTEM INC., o que vincula, de forma  significativa, a recorrente CISCO ao esquema de importação fraudulento do “Grupo MUDE”.  Em  suma,  o  financiamento  das  compras  da  MUDE  perante  a  CISCO  SYSTEM  INC.,  era  lastreado em créditos obtidos perante os agentes financeiros GE COMMERCIAL FINANCE,  CITIBANK e à própria CISCO (através de sua subsidiária CISCO CAPITAL). E a obtenção ou  aumento de crédito tinha sempre o respaldo da própria CISCO SYSTEM INC.  Há  ainda  nos  autos,  um  ACORDO  DE  NÃO  REVELAÇÃO  (NON  DISCLOSURE AGREEMENT) (fls. 46757/46759), celebrado entre a MUDE, representada pela  seu Diretor Operações,  com  a matriz  americana CISCO SYSTEMS  INC.,  representada  pelo  seu Gerente do Programa de Auditoria, por meio do qual esta empresa compromete­se a não  revelar  as  informações  confidenciais  a  qualquer  terceiro  que  não  fossem  funcionários  da  Fl. 52598DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.556          85 CISCO  e  empreiteiros  que  tinham  uma  necessidade  de  ter  acesso  ao  conhecimento  e  à  informação confidencial exclusivamente para fins internos da CISCO.  Cabe  ainda  consignar  que,  ao  utilizar  o  referido  esquema  de  importação  fraudulento,  a  recorrente  CISCO  abastecia  o  mercado  nacional  com  preços  abaixo  dos  de  mercado, reduzia indevidamente a carga tributária que incidente sobre suas atividades e ainda  evitava  o  controle  da  fiscalização  sobre  os  “Preços  de Transferência  e  Tributação  em Bases  Universais”, a que estaria sujeita, caso realizasse as operações de importação por conta própria  ou por conta e ordem de terceiro regularmente habilitado.  Com  base  nessas  informações,  confirmadas  por  documentação  colacionada  aos autos,  fica demonstrada a  improcedência das alegações da  recorrente CISCO de que não  era beneficiária do  esquema das operações de  importação  realizadas pela MUDE, nem  tinha  conhecimento do esquema de importação fraudulenta e das empresas envolvidas.  Também não merece guarida as alegações da recorrente CISCO no sentido de  desqualificar as robustas provas regularmente colhidas e coligidas aos autos pela fiscalização,  com autorização judicial.  A recorrente ainda transcreve em seus recursos diversos trechos extraídos de  diferentes relatórios elaborados pela fiscalização sobre o esquema de fraude em destaque, que,  por estarem fora de contexto, não  refletem as  firmes conclusões a que chegou a  fiscalização  sobre a participação da recorrente no referido esquema de fraude.  Em relação ao modelo negócio utilizado para na venda dos seus produtos no  Brasil,  a  recorrente  alegou  que  houve  interpretação  equivocada  e  tendenciosa  por  parte  da  fiscalização.  Com devida vênia, diferentemente do alegado, a fiscalização não interpretou  e tampouco questionou o suposto modelo de negócio da recorrente CISCO, mas o esquema de  fraude nas importações dos referidos produtos para o Brasil. Portanto, sem relevância, para o  deslinde da controvérsia essa alegação, por se tratar de fato estranho ao objeto das autuações.  Diante dos fatos devidamente comprovados nos autos, também não se revela  crível a alegação da recorrente de que atuava somente no suporte de pré­venda (demonstração  de produtos, apresentação de seminários etc.) e no fornecimento de partes para  reposição em  virtude de garantia.  Diferentemente  do  alegado,  as  referidas  informações  prestadas  pela  fiscalização, respaldadas por documentação adequada, revelam que a recorrente CISCO não só  tinha  pleno  conhecimento  das  importações  fraudulentas,  como  foi  uma  das  criadoras  do  esquema fraudulento em referência e colaboradoras da operacionalização e funcionamento do  referido esquema. E financeiramente foi muito bem recompensada pelo esquema. Os seguintes  fatos, relatados no TSPS e corroborados por documentos, ratificam essa conclusão:  a) antes da existência da MUDE, relatou a  fiscalização, que Carlos Roberto  Carnevali  e Hélio Benetti Pedreira,  juntamente com a recorrente CISCO, na segunda metade  dos anos de 1990 e início dos anos 2000 (até 2002), montaram uma pareceria estratégica com a  UNIÃO DIGITAL”, empresa de Hélio Benetti Pedreira. Em pouco tempo, a UNIÃO DIGITAL  se tornou a maior revendedora CISCO do País e da América Latina;  Fl. 52599DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   86 b) a UNIÃO DIGITAL foi sucedida pela recorrente MUDE, no final do ano  2002, e continuou a atividade de revendedora dos produtos da marca CISCO. Quando, além de  Hélio Benetti Pedreira, os demais responsáveis solidários pessoas físicas passaram a integrar o  “Grupo  MUDE”,  que  se  transformou  na  quarta  maior  distribuidora  dos  produtos  da  marca  CISCO  do  mundo  e  a  melhor  distribuidora  da  América  Latina,  nos  últimos  7  (sete)  anos  anteriores a deflagração da “Operação Persona”;  c)  as  mensagens  eletrônicas  e  os  diálogos  dos  executivos  e  gerentes  da  CISCO,  extraído  das  interceptações  telefônicas,  confirmam  a  participação  ativa  e  efetiva  da  empresa  no  esquema  de  importação  com  interposição  fraudulenta  operacionalizado  pelo  “Grupo MUDE”; e  d)  o  oferecimento  das  condições  para  separação,  apenas  documental,  entre  software  e  hardware,  para  eximir  as  importadoras  interpostas  do  pagamento  dos  tributos  incidentes  na  operação  de  importação,  em  relação  ao  valor  do  software  (em  torno  de  70%)  integrado aos equipamentos importados.  Por todas essas considerações, fica demonstrado que, ao contrário do alegado,  a recorrente CISCO tinha pleno conhecimento e, ao lado MUDE e de seus sócios aparentes e  ocultos, foi uma das beneficiárias do esquema de fraude em comento, pois obtivera expressivos  ganhos econômico­financeiros com as importações subfaturadas e o domínio de fatia relevante  do mercador nacional.  Em face dessa condição, a dita recorrente revela interesse comum na situação  que constituía o fatos geradores das obrigações tributária dos tributos lançados, nos termos do  art.  124,  I,  do  CTN,  portanto,  deve  ser  mantida  no  polo  passivo  da  autuação,  na  forma  estabelecida no respectivo TSPS.  Da sujeição passiva solidária de Fernando Machado Grecco.  De  acordo  com  o  TSPS  nº  001  (fls.  44024/44052),  o  recorrente  Fernando  Machado Grecco era, no período da autuação, o seu sócio formal majoritário (75% do capital  social). O restante do capital social pertencia, formalmente, a Hélio Benetti Pedreira (25%).  Na data da autuação, era sócio, ou ex­sócio, de diversas empresas do “Grupo  JDTC/MUDE”.  No  “Grupo  JDTC”,  holding  controladora  da  MUDE,  ele  participava  com  3,41% do capital social, segundo levantamento feito pela fiscalização.  Na MUDE, segundo a fiscalização, o recorrente tinha destacada atuação. No  período  da  autuação,  ocupava  o  cargo  de  Diretor  de Marketing  e  Produtos.  Também  atuou  como procurador da offshore operacional do  “Grupo MUDE”, CANSONS  INVESTMENTS.  Assumiu  uma  dívida  com  a  offshore  operacional  NORDSTROM,  sediada  no  Panamá,  controlada pelo “Grupo JDTC”, para enviar recursos ao exterior de maneira disfarçada.  A  posição  ocupada  pelo  recorrente  nos  cargos  de  gerência  e  de  direção  da  MUDE,  segundo  a  fiscalização,  permitia  inferir  que  ele  tinha  pleno  conhecimento  e  colaborava,  de  forma  ativa  e  efetiva,  para  a  prática  dos  fatos  fraudulentos  praticados  pelo  “Grupo MUDE”.  Os  documentos  apreendidos  no  curso  da  “Operação  Persona”  (fls.  44065/44174) comprovam a sua participação no esquema de fraude e o recebimento do “Grupo  MUDE”  de  elevadas  quantias  em  dinheiro,  de  forma  direta  ou  indireta  (via  empresa  ORPHEUS, por serviços não prestados ­ fls. 44053/44055), que confirmam que ele era um dos  Fl. 52600DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.557          87 principais beneficiários dos resultados econômico­financeiros angariados pelo esquema fraude  em apreço.  Há documentos acostados aos autos (fls. 44044/44049), que comprovam que  o  recorrente:  a)  recebeu  vultosos  depósitos  nas  contas  bancárias  da  sua  offshore  particular  BOYNTON  (administrada,  no  Brasil,  por  sua  irmã  por  procuração),  localizada  nas  Ilhas  Virgens Britânicas, decorrentes de pagamento de proventos e  lucros distribuídos, certamente,  auferidos  com as  atividades  irregulares praticadas pelo  “Grupo MUDE”; b) em seguida,  tais  recursos financeiros foram remetidos de volta para o País, a título de integralização de capital  social  da  empresa  ECOSSISTEMA  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  (participação no capital social: 99% da offshore BOYNTON e 1% da irmã do recorrente); e, c)  por fim, a referida empresa nacional utilizou tais recursos para aquisição de imóveis de valores  elevados no País.  Cabe  ressaltar  ainda  que,  após  a  deflagração  da  “Operação  Persona”,  o  recorrente  assumiu  a  propriedade  da  referida  offshore,  mediante  retificações  das  suas  declarações de  IRPF  (DIRPF). Esse procedimento  ratifica o  entendimento da  fiscalização de  que  o  recorrente  era  o  controlador,  de  fato,  da  empresa ECOSSISTEMAS,  e  que os  recursos  financeiros  introduzidos  no  País,  para  integralização  de  99%  do  capital  social  da  citada  empresa,  representavam  parte  dos  recursos  financeiros  remetidos  ao  exterior  pelo  “Grupo  MUDE” em favor da offshore do recorrente.  Em  relação  a  essas  gravíssimas  imputações  e  respectivos  documentos,  que  as  corroboram,  nada  de  relevante  foi  alegado  pelo  recorrente  ou  apresentado  qualquer  documento  idôneo que informassem as provas coligidas aos autos pela fiscalização.  Por  todas  essas  razões,  não  subsiste  qualquer  dúvida  da  configuração  do  interesse  comum  do  citado  recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários  objeto  da  autuação  em  questão,  logo,  deve  ser mantido  no  polo  passivo  da  autuação,  conforme  proposto  no  citado  TSPS.  Da sujeição passiva solidária de Marcelo Naoki Ikeda.  Segundo  o  TSPS  nº  002  (fls.  44175/44215),  o  recorrente  Marcelo  Naoki  Ikeda  tinha  participação  ativa  no Grupo  JTDC/MUDE. De  acordo  com  os  organogramas  do  grupo,  apreendidos  no  âmbito  da  “Operação  Persona”,  ele  ocupava  a  posição  de  Diretor  Comercial  da  MUDE,  posição  que,  certamente,  propiciou­lhe  pleno  conhecimento  e  ampla  coloração para implementação do esquema de fraude em destaque.  Após a deflagração da referida operação, retificou suas DIRPF, para declarar  que  era  proprietário  da  offshore  CORDELL,  por  meio  da  qual  recebia  vultosas  quantias  depositadas pelas empresas offshores operacionais do “Grupo MUDE”, a título de pagamentos  de proventos e distribuição de  lucros, auferidos com as atividades  irregulares praticadas pelo  grupo.  Alguns  depósitos  eram  proveniente  das  pessoas  jurídicas  interpostas  utilizadas  pelo  grupo MUDE.  Os  documentos  apreendidos  com  os  integrantes  do  “Grupo  MUDE”  comprovam  a  venda  de  75%  da  MUDE  pelo  Grupo  JDTC.  Após  essa  venda,  segundo  levantamento da fiscalização, o recorrente, em conjunto com Fernando Machado Grecco e Luiz  Scarpelli Filho (Grupo LIG), passaram a deter 75% e o Grupo JDTC 25% de participação na  MUDE.  Fl. 52601DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   88 Tais  depósitos  comprovam  que  o  recorrente  foi  um  dos  principais  beneficiários dos  resultados  financeiros obtidos  das  importações  fraudulentos  realizadas pelo  “Grupo MUDE”.  Em  relação  a  essas  gravíssimas  imputações  e  respectivos  documentos,  que  as  corroboram,  nada  de  relevante  foi  alegado  pelo  recorrente  ou  apresentado  qualquer  documento  idôneo que informassem as provas coligidas aos autos pela fiscalização.  Por  todos  esses  fatos,  restou  demonstrado  o  interesse  comum  do  citado  recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação em apreço, logo, deve ser mantido  no polo passivo das autuações, conforme proposto no correspondente TSPS.  Da sujeição passiva solidária de Marcílio Palhares Lemos  De acordo com o TSPS nº 003 (fls. 44384/44497), na época da autuação, o  recorrente Marcílio Palhares Lemos era sócio e possuía vínculo com as  seguintes e empresas  do Grupo JDTC/MUDE: PLCON (90%); CBFM (56%); MUDE (ex­administrador) e PHASE2  (ex­administrador).  Ele é contador, ex­administrador da MUDE e, na época dos fatos, exercia o  cargo  de  Diretor  Financeiro  da  MUDE.  Era  o  responsável  pelo  controle  de  todo  o  fluxo  financeiro do esquema de importação realizado pelo “Grupo MUDE”, inclusive das empresas  estrangeiras  exportadoras  e  distribuidoras  e  das  empresas  offshores  operacionais  do  “Grupo  JDTC/MUDE”.  Os  documentos  apreendidos  no  curso  da  “Operação  Persona”  (fls.  44390  e  ss.) comprovam que ele acompanhava e controlava todos os custos envolvidos nos processos  de importação realizados pelas importadoras interpostas, bem como monitorava, em relação a  cada  operação  de  importação:  o  valor  das  compras  e  despesas  internacionais,  bem  como  os  valores de importação (frete, seguro, armazenagem, capatazia, despesa com agentes, impostos  aduaneiros,  comissão  da  importadora  interposta  etc.).  Também  participava  da  definição  do  preço de venda da importadora para a distribuidora e do preço de venda desta para a MUDE, o  que  comprova  que  a  real  importadora  era  a  MUDE,  e  as  operações  de  compra  e  venda  realizadas entre as empresas eram simuladas para acobertar a real importadora.  Ele também controlava as remessas de recursos financeiros, realizadas para a  FULFILL HOLDING, que administrava por procuração, com amplos poderes de gestão, e para  as  offshores  operacionais  do  “Grupo  MUDE”,  NORDSTROM  e  RAYWELL.  As  remessas  eram  feitas  de  duas  formas  distintas:  via  “IMPORTAÇÃO”  (sob  a  forma  de  pagamento  de  fornecedores) e via “CABO” (por meio de doleiro).  Ele  também  era  responsável  pelo  controle  das  contas  correntes  abertas  em  instituições financeiras do exterior, em nome da FULFILL HOLDING. Por estas contas eram  pagos  os  fornecedores,  dentre  os  quais  a  CISCO  SYSTEM  INC.,  bem  como  realizadas  transferências  para  as  offshores  operacionais  do  grupo  e  offshores  particulares  dos  sócios  formais  e  informais  do  grupo.  A  partir  de  setembro  de  2006,  a  FULFILL  HOLDING  foi  substituída pela MUDE USA na função de distribuidora interposta nos Estados e de “adquirir”  as  mercadorias  junto  à  CISCO  SYSTEM  INC.  para  “revendê­las”  para  os  exportadores  interpostos.  As  investigações  demonstraram  ainda  que  o  recorrente  era  a  pessoa  responsável  pelas  transferências  internacionais,  através  de  ordens  dadas  a  LEO CORADINI  (funcionário  do  Banco  MERRILL  LYNCH),  para  pagamento  de  serviços  prestados  pelo  escritório de advocacia panamenho ALEMAN, CORDERO, GALINDO & LEE ­ ALCOGAL.  Fl. 52602DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.558          89 Ele  participava  formalmente  da  organização,  compondo  o  chamado  grupo  dos  seis  (G­6),  os  chamados  “sócios  minoritários”,  com  uma  participação  de  1,5%  cada  (totalizando 6 x 1,5% = 9%) nos resultados da empresa MUDE.  Por  tudo  isso,  o  recorrente  revela­se  ser  um  dos  principais  participantes  do  esquema interposição fraudulento operacionalizado pelo “Grupo MUDE”. A sua participação  nesse esquema de importação fraudulenta vai além do cargo de Diretor Financeiro da MUDE.  De fato, ele era um dos sócios ocultos de um grupo ainda maior denominado JDTC, sendo a  MUDE um dos seus investimentos no País, estando cabalmente provado que se beneficiou do  esquema de fraude em referência.  Em razão dessa condição, fica demonstrado o interesse comum do recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários objeto da  autuação,  em decorrência,  deve ser mantido no polo  passivo das autuações, conforme proposto no TSPS lavrado em seu nome.  Da sujeição passiva solidária de Moacyr Álvaro Sampaio.  De  acordo  com  o TSPS  nº  004  (fls.  44498  e  ss.),  na  época  da  autuação,  o  recorrente Moacyr Álvaro Sampaio era sócio de diversas empresas do “Grupo JDTC/MUDE”.  Na  época  dos  fatos,  na  MUDE,  ocupava  o  cargo  de  Chief  Executive  Officer  (CEO),  considerado o mais elevado cargo da empresa.  Segundo  apurou  a  fiscalização,  ao  lado  de Hélio  Benetti  Pedreira  e Carlos  Carnevali, ele era um dos  três sócios majoritário do “Grupo JDTC”, holding controladora da  MUDE, com participação de 27,98% no capital social.  Apesar  de  não  constar  formalmente  do  quadro  societário  da  MUDE,  documentos  apreendidos  comprovam  que  ele  era  um  dos  principais  colabores  do  esquema  fraudulento de importação em comento. Participava ainda do quadro societário da MUDE USA  e de uma exportadora interposta, a “LOGCIS”.  Após a deflagração da “Operação Persona”,  também retificou, várias vezes,  suas DIRPF, para  reconhecer participação  em várias  empresas offshores,  por meio das quais  recebia  distribuição  disfarçada  de  lucros,  provenientes  dos  negócios  fraudulentos  do  “Grupo  MUDE”..  Ele  utilizava  tais  offshores,  para  envio  de  recursos  ao  exterior  e  posterior  retorno  ao  País,  em  geral,  sob  a  forma  de  investimentos  estrangeiros,  em  empresas  patrimoniais,  administradas  por  procuradores,  com  amplos  poderes  gerenciais.  Segundo  a  fiscalização, tais condutas caracterizavam, em tese, crimes de evasão de divisas e de “lavagem”  dinheiro  ou  ocultação  de  bens,  direitos  ou  valores,  tipificados,  respectivamente,  nas  Leis  7.492/1986 e 9.613/1998.  Era o proprietário da offshore patrimonial APRIL HOLDINGS OVERSEAS,  utilizada  para  receber  os  depósitos  dos  lucros  distribuídos  disfarçadamente  pelo  grupo.  O  retorno desses  recursos ao País se materializava por meio de remessas a empresas nacionais,  vinculadas  diretamente  a  referida  offshore,  sob  a  forma  de  investimentos  de  empresas  estrangeiras no País. Em geral, são empresas patrimoniais, como a MOMA, cuja única função  era  ocultar  a  origem  dos  recursos  utilizados  na  construção  do  patrimônio  pessoal  de  cada  “sócio”.  Fl. 52603DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   90 Assim, provado que ele conhecia, participava e se beneficiou do referenciado  esquema  fraudulento,  resta  configurado  o  interesse  comum do  recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários objeto da autuação, portanto, deve ser mantido no polo passivo, conforme proposto  no respectivo TSPS.  Da sujeição passiva solidária de José Roberto Pernomian Rodrigues.  De  acordo  do  TSPS  nº  007  (fls.  45069  e  ss.),  na  data  da  autuação,  o  recorrente José Roberto Pernomian Rodrigues era sócio ou ex­sócio de diversas empresas do  “Grupo  JDTC/MUDE”  e  responsável  por  empresas  estrangeiras.  Ele  ocupava  o  cargo  de  Diretor Operacional e de Finanças do “Grupo MUDE”.  Ele foi um dos colabores e mentores do esquema de interposição fraudulenta  e subfaturamento das importações dos produtos da marca CISCO. Entre os diretores do grupo,  era o mais atuante. Sua jurisdição se estende a outras empresas do grupo, além da MUDE.  A  apreensão  de  planilhas  e  de  outros  documentos  no  curso  da  “Operação  Persona”, na sua residência e no seu escritório, comprovam que tinha o controle da estrutura e  das movimentações financeiras da organização.  Dada  essa  condição,  induvidosamente,  ele  tinha  pleno  conhecimento  das  operações do grupo no exterior e no Brasil e era um dos principais beneficiários do esquema de  fraude em comento.  Em razão dessa condição, fica demonstrado o interesse comum do recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários  objeto  da  autuação,  logo,  deve  ser  mantido  no  polo  passivo,  conforme proposto no TSPS lavrado em seu nome.  Da  sujeição  passiva  solidária  de  Hélio  Benetti  Pedreira,  Gustavo  Henrique Castellari Procópio e Carlos Roberto Carnevali: alegações comuns.  Os recorrentes Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio  e  Carlos  Roberto  Carnevali  alegaram  que,  por  meio  da  sentença  proferida  nos  autos  do  Processo Criminal nº 000582749.2003.403.6181, que tramitou na 4ª Vara Criminal Federal em  São  Paulo/SP  (fls.  50362/50512),  foram  absolvidos  dos  crimes  objeto  da  denúncia  do MPF.  Essa decisão foi mantida pelo acórdão de fls. 52252/52257, proferido pela Primeira Turma do  TRF  da  3ª Região,  no  julgamento  da  Apelação  Criminal  nº  0005827­49.2003.4.03.618,  que  transito em julgado em 10/6/2015.  De acordo com o dispositivo da referida Sentença, os referidos responsáveis  solidários  foram  absolvidos  da  acusação  dos  delitos  referentes  ao  uso  de  documentos  ideologicamente  falsos,  com  fulcro  no  art.  386,  III,  do CPP,  e da  prática dos  demais  crimes  imputados  na  inicial,  nos  termos  do  art.  386,  V,  do  CPP.  E  essa  decisão  foi  integralmente  confirmada  no  referido  acórdão,  prolatado  pela  Primeira  Turma  do  TRF  da  3ª  Região,  inclusive, com trânsito em julgado, conforme relatado.  Em  face  da  referida  absolvição,  os  citados  recorrentes  pleitearam  o  cancelamento  dos  respectivos  TSPS,  sob  o  argumento  de  que  a  decisão  prolatada  na  esfera  criminal devia ser aplicada, ao caso em tela, uma vez que as provas utilizadas pela fiscalização,  para  lhes  imputar  responsabilidade  tributária  solidária,  eram  as  mesmas  utilizadas  no  Juízo  criminal.  Os recorrentes Hélio Benetti Pedreira e Gustavo Henrique Castellari Procópio  alegaram  ainda  que  havia  independência  relativa  entre  as  esferas  civil,  criminal  e  Fl. 52604DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.559          91 administrativa no caso de absolvição por motivo formal, ao passo que seria meramente relativa,  quanto a decisão criminal que negasse autoria do crime imputado ao acusado, o que, segundo  eles, ocorrera no caso em tela.  Da sujeição passiva solidária de Carlos Roberto Carnevali.  De  acordo  com  o  TSPS  nº  011  (fls.  46042/46085), na  data  da  autuação,  o  recorrente Carlos Roberto Carnevali  era  sócio ou  ex­sócio de  empresas  do  “Grupo CISCO”.  Ele foi  incluído no polo passivo por ser o responsável pelos negócios no “Grupo CISCO” no  Brasil e sócio oculto do “Grupo JDTC/MUDE”. Neste grupo, ele  fazia parte do Conselho de  Administração12 e participava ativamente da gestão das empresas do grupo.  No “Grupo CISCO”, segundo o seu currículo extraído do sitio da CISCO (fls.  46047/46048), o recorrente fez parte do Conselho de Organização mundial de vendas, na área  de estratégia e planejamento. Segundo o próprio recorrente, por seu excelente desempenho, a  partir de 2004, passou a ser o responsável não apenas por todas as regiões da América Latina,  como também pelas atividades do grupo Cisco no México, América Central e Caribe.  O ingresso do recorrente no “Grupo CISCO” aconteceu no ano de 1994, com  a missão de assessorar a  implantação da subsidiária brasileira do  referido grupo, CISCO DO  BRASIL  LTDA.,  a  primeira  empresa  do  grupo  em  operação  na  América  Latina.  Nessa  empresa,  ele  permaneceu  até  a  deflagração  da  “Operação  Persona”,  em  setembro  de  2007,  quando foi demitido do cargo de vice­presidente para a América Latina.  Com  tanto  prestígio  e  influência  perante  o  “Grupo  CISCO”,  não  há  explicação plausível, a não ser os enormes ganhos com a referida fraude, porque, durante mais  treze  anos,  o  recorrente  não  tenha  implantado  a  fábrica  de  componentes  da CISCO no País,  conforme alegou em sua defesa e que foi um dos argumento apresentados na referida Sentença  para isentá­lo da acusação de sócio oculto da MUDE.  Essa alegação, sem suporte em qualquer documento idôneo, mas apenas em  depoimentos  do  próprio  recorrente,  confirmado  por  pessoas  integrantes  do  “Grupo MUDE”,  contraria  provas  cabais  coligidas  aos  autos,  em  especial,  os  diálogos  extraídos  das  interceptações  telefônicas  que,  em  conjunto  e  de  forma  congruente  com  as  demais  provas  colacionadas  aos  autos,  demonstram  que,  em  vez  de  defensor  de  instalação  de  fábrica  no  Brasil, na verdade, o recorrente fora um dos principais mentores e executores do esquema de  fraude em questão, cumprindo a função de sustentáculo do esquema perante a real exportadora  CISCO SISTEMS INC., até a deflagração da “Operação Persona”, quando afastado do “Grupo  CISCO”.  Assim, não foi por mero acaso, que a partir do momento em que o esquema  de  importação  fraudulento  em  referência  foi  debelado,  com  a  prisão  dos  seus  principais  mentores e líderes, o recorrente foi, imediatamente, afastado do Grupo CISCO.  Com  base  nas  razões  de  decidir  esposadas  na  referida  decisão  judicial,  verifica­se que, em relação ao recorrente, foram apresentados, adicionalmente, os argumentos a  seguir analisados.                                                              12 Dcumento SP02IT13­12  ­ E­mail  no qual HÉLIO PEDREIRA resume uma série de diretrizes decididas pelo  Conselho  de  Administração  ("Board"),  citando,  inclusive,  função  específica  para  CARLOS  ROBERTO  CARNEVALI.  Fl. 52605DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   92 Em depoimento, o recorrente negara que nunca dirigiu a empresa COSELE,  nem  fora  sócio  de  Hélio  Benetti  Pedreira  na  referida  empresa,  e  que,  apesar  de  haver  trabalhado  na  referida  empresa  com  ele,  tal  convívio  fora  interrompido  por  anos,  sendo  retomado somente em 1995 ou 1996, quando a mais de dois anos já era presidente da CISCO  DO  BRASIL  LTDA.,  época  em  que  a  empresa  UNIÃO  DIGITAL,  atual  MUDE,  vendia  produtos  para  a  empresa  NEW  PORT,  adquirida  pela  CISCO;  e  que  tal  informação  fora  confirmada, em depoimento, por Hélio Benetti Pedreira.  Tais  fatos  referem­se a segunda metade dos anos de 1990 e início dos anos  2000 (até o final de 2002). E diferentemente do alegado pelo recorrente, a parceria entre ele e  Hélio Benetti Pedreira, proprietário da empresa UNIÃO DIGITAL, que, na época se tornou a  maior  revendedora CISCO do País e da América Latina, não  terminou com a desativação da  referida empresa, em razão das elevadas autuações fiscais do ICMS, realizada pela fiscalização  da SEFAZ/SP.  Ao contrário do  alegado,  a partir  do  ano de 2002,  com criação da  empresa  MUDE,  que  substituiu  a  empresa  UNIÃO  DIGITAL,  a  parceria  entre  o  recorrente  e  Hélio  Benetti Pedreira ganhou nova dimensão e se expandiu com a incorporação de novos sócios ao  grupo,  também  relacionados  como  sujeitos  passivos  solidários,  que  deu  origem  a  uma  nova  parceria,  duradoura  e  muito  lucrativa,  entre  o  novo  “Grupo  JDTC/MUDE”  e  o  “Grupo  CISCO”, com vistas a implementação das operações de importação e distribuição dos produtos  da marca CISCO no País.  Em  depoimento,  o  recorrente  negou  que  era  sócio  oculto  do  “Grupo  JDTC/MUDE”  e  que  no  diálogo  com  Moacyr  Alvaro  Sampaio  buscava  informações  da  MUDE,  pois  estava  sendo  sondado  para  participar  da  referida  empresa,  na  medida  em  que  estava em vias de ser demitido da CISCO, versão que foi confirmada pelos demais integrantes  do “Grupo MUDE”.  Além de não  ter  apresentado qualquer  elemento  idôneo que comprovasse o  que  alegara,  os  documentos  colacionados  aos  autos,  apreendidos  no  curso  da  “Operação  Persona”  demonstram  que  ele  (i)  teve  participação  na  venda  de  75%  do  “Grupo  MUDE”,  conforme  planilhas  de  fls.  46058/46059,  (ii)  fez  um  aporte  de  capital  para  a  JDTC  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  mediante  aplicação  em  um  fundo  da  empresa  americana  STORM VENTURES,  (iii)  fez  transferência  de  numerário  para  o  fundo  STORM  VENTURES  FUND  II,  LLC,  por  intermédio  da  sua  offshore  HARBORSIDE  LTD.,  (iv)  participou  ativamente  na  gestão  de  novos  projetos  do  grupo,  (v)  diversos  documentos  do  “Grupo  JDTC/MUDE  foram  encontrados  na  sua  residência,  que  demonstram  que,  de  forma  oculta, ele integrava e participava do grupo.  Além disso, mensagens eletrônicas apreendidas no âmbito da citada operação  (fls. 46056/46057) revelam a preocupação que os demais parceiros/sócios do grupo tinham no  sentido  de  não  mencionar  o  nome  do  recorrente  Carlos  Roberto  Carnevali  como  sócio  do  grupo, em razão dele exercer um cargo de direção na CISCO SYSTEMS INC.  Ainda foram encontrados e apreendidos na residência do recorrente diversos  documentos  (fls.  46061  e  ss.)  que  comprovam  que  ele  era  proprietário  de  várias  empresas  offshores  em  distintos  paraísos  fiscais  (Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas  etc.). De  todas  as  empresas  offshores,  merece  destaque  especial  a  PULLMAN  OVERSEAS  CORP.,  por  intermédio  da  qual  o  recorrente  recebia  os  recursos  financeiros  originários  das  práticas  de  interposição  fraudulentas  do  “Grupo  JDTC/MUDE”,  depositados  por  intermédio  da  offshore  operacional do “Grupo JDTC/MUDE”, de doleiro e do sócio Hélio Benetti Pedreira, conforme  documentos de fls. 46072/46074.  Fl. 52606DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.560          93 Assim,  em  cotejo  com  as  provas  documentais  coligidas  aos  autos,  entende  este  Relator  que  as  referidas  provas  documentais  colacionadas  aos  autos  revelam­se  mais  consistentes e verossímeis do que as simples provas testemunhais, confirmadas pelos próprios  envolvidos no  esquema de  fraude  e  também acusados da prática dos mesmos  ilícitos penais,  que serviram de fundamento da referida decisão  judicial. Especialmente,  tendo em conta que  na esfera cível são impedidos e suspeitos de atuar como testemunha, respectivamente, a pessoa  que é parte na causa e a que tem interesse no litígio, conforme expressamente dispõem o inciso  II do § 2º e o inciso do IV do § 3º do art. 40513 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao PAF.  Assim,  fica  demonstrado  que,  ao  contrário  do  que  alegou  o  recorrente,  as  provas utilizadas no Juízo criminal, para motivar a sua absolvição, inequivocamente, não foram  as  mesmas  colacionadas  aos  autos  pela  fiscalização,  para  lhe  imputar  a  sujeição  passiva  solidária em questão. Aliás, tais provas testemunhais sequer constam dos autos.  Além  disso,  por  força  do  disposto  no  art.  93514  do  Código  Civil,  o  fundamento  da  referida  decisão  absolutória,  não  vincula  a  decisão  a  ser  proferida  nesta  instância administrativa. Tal vinculação somente ocorre, nos casos de absolvição do acusado na  esfera penal por inexistência do fato ou negativa de autoria, nos termos do artigo 386, I e IV,  do CPP, respectivamente.  No caso, o motivo da absolvição do recorrente foi (i) por não constituir o fato  infração penal, em relação aos delitos de uso de documentos ideologicamente falsos, e (ii) por  existir  circunstância  que  excluía  o  crime  ou  isentava  o  réu  de  pena,  em  relação  aos  demais  crimes imputados na inicial, condições absolutórias previstas, respectivamente, no art. 386, III  e V, do CPP, na época dos fatos vigente.  Dada essa circunstância, este Relator entende que, por resultar em conclusão  distinta,  não  se  aplica  ao  caso  em  tela  as  razões  de  decidir  consignadas  na  referida  decisão  judicial.  Nos  pressentes  autos,  os  fatos  apurados  pela  fiscalização,  corroborados  por  provas adequadas, demonstram de forma  irrefutável, que o  recorrente,  juntamente com Hélio  Benetti Pedreira, foi um dos fundadores do esquema fraudulento e, durante todo o período da  implementação  da  fraude,  ele  foi  uma  das  pessoas  chave  na  organização  e  execução  do  esquema  fraudulento,  ao  promover  a  integração  e  colaboração  entre  o  “Grupo  CISCO”  e  o  “Grupo JDTC/MUDE”. Ele foi ainda um dos grandes beneficiários do esquema, haja vista que,  por  intermédio de suas empresas offshores,  recebeu vultosos recursos financeiros no exterior,  provenientes  dos  resultados  auferidos  com  os  ilícitos  aduaneiros  e  tributários  cometido  pela  contribuinte MUDE.                                                              13  Art.  405  ­  Podem  depor  como  testemunhas  todas  as  pessoas,  exceto  as  incapazes,  impedidas  ou  suspeitas.  (Alterado pela L­005.925­1973)  [...]  § 2º­ São impedidos: (Alterado pela L­005.925­1973)  [...]  II ­ o que é parte na causa;  [...]  § 3º ­ São suspeitos: (Alterado pela L­005.925­1973)  [...]  IV ­ o que tiver interesse no litígio."  14  Art.  935.  A  responsabilidade  civil  é  independente  da  criminal,  não  se  podendo  questionar  mais  sobre  a  existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.  Fl. 52607DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   94 Por  todas  essas  razões,  resta  configurado  o  interesse  comum  do  recorrente  nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação, portanto deve ser mantido no polo passivo,  conforme proposto no respectivo TSPS.  Da sujeição passiva solidária de Hélio Benetti Pedreira  De acordo com o TSPS nº 005 (fls. 45563 e ss.), o sujeito passivo solidário  Hélio  Benetti  Pedreira,  na  data  autuação,  era  sócio,  ou  ex­sócio,  de  diversas  empresas  vinculadas  ao  “Grupo MUDE”. Ele  participa do  esquema de  fraude,  juntamente  com Carlos  Roberto Carnevali,  desde  seus  primórdios.  Inicialmente,  por  intermédio  da  empresa UNIÃO  DIGITAL, e a partir do ano 2002, com a recorrente MUDE, inclusive, integrando o seu quadro  societário, com 25% do capital social.  Por  essa  razão,  ele  e  Carlos  Roberto  Carnevali  foram  apontados  pela  fiscalização como os mentores e fundadores do esquema fraudulento em comento. Somente a  partir da criação da MUDE, os demais sujeitos passivos solidários se integraram ao esquema  fraudulento.  Com  base  em  planilhas  apreendidas  no  curso  da  “Operação  Persona”  (fls.  45565/45568),  a  fiscalização  apurou  que,  assim  como  Carlos  Roberto  Carnevali  e  Moacyr  Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira  era um dos  sócios majoritários  informal  (oculto) do  “Grupo JDTC”, com participação de 27,98% do capital social.  Outros  documentos  (planilhas,  mensagens,  carta  de  autorização  de  crédito  etc.) apreendidos no curso da referida operação (fls. 45568 e ss.) comprovam que o recorrente  tinha pleno conhecimento, praticava atos de gestão e se beneficiava do esquema de logística de  importação e distribuição de produtos da marca CISCO no País. A título de exemplo, cita­se a  planilha referente a distribuição de lucros da JDTC, no ano de 2007, em que o recorrente foi  contemplado com a quantia de U$ 1.164.369,94, e distribuição de lucros da MUDE, no ano de  2006, contendo os valores distribuídos para cada um dos sócios, formais ou oculto, dentre eles  o recorrente.  Ainda  foram  encontrados  e  apreendidos  no  curso  da  citada  operação  (fls.  45577 e ss.) documentos que comprovam que ele era proprietário de várias empresas offshores  em distintos paraísos  fiscais  (Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas etc.), utilizadas para  receber  recursos  financeiros  do  esquema  no  exterior  e  também  participar  do  quadro  societário  de  empresas patrimoniais no Brasil, com vista à ocultação do patrimônio pessoal do recorrente.  Cabe  ainda  ressaltar  que  essas  empresas,  como  outras  offshores  utilizadas  pelo “Grupo JDTC/MUDE”, possuem em seu quadro diretivo interpostas pessoas (“laranjas”),  vinculadas  ao  já  referenciado escritório de  advocacia ALEMAN, CORDERO, GALINDO &  LEE (ALCOGAL), com sede no Panamá.  Por  intermédio  dessas  empresas  offshores,  o  recorrente  recebia  os  recursos  financeiros  originários  das  práticas  de  interposição  fraudulentas  do  “Grupo  JDTC/MUDE”,  depositados  por  intermédio  da  offshore  operacional  do  “Grupo  JDTC/MUDE”  e  de  doleiro,  conforme documentos de fls. 45596/45597.  Entretanto, apesar das referidas provas demonstrarem o contrário, na referida  decisão judicial, que o absolveu do delito de descaminho, as razões apresentadas foram que nos  autos do processo criminal (i) havia elementos que indicavam que o recorrente não participara  da  administração  da  MUDE  e  (ii)  não  havia  comprovação  de  que  o  recorrente  tivesse  participado dos fatos ilícitos praticados pela MUDE. Segundo o MM. Juiz “a responsabilidade  Fl. 52608DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.561          95 penal é subjetiva, não podendo haver condenação de quem quer que seja somente por figurar  no contrato social de empresa.”  Além disso, a decisão absolutória do recorrente  foi fundamentada na versão  explicitada  no  seu  depoimento,  confirmada  por  testemunhos  dos  próprios  envolvidos  no  esquema de fraude e também acusados da prática dos mesmos ilícitos penais.  Portanto, as provas utilizadas no Juízo criminal, para isentá­lo de culpa, não  foram  as  mesmas  colacionadas  aos  autos  pela  fiscalização,  para  lhe  imputar  a  sujeição  tributária solidária em questão.  De  outra  parte,  segundo  a  fiscalização,  o  recorrente  não  participava,  formalmente,  dos  negócios  do  grupo,  mas,  de  fato,  ele  era  um  dos  principais  mentores,  executores e beneficiários da fraude em questão. Os fartos elementos de provas apreendidos no  curso  da  “Operação  Persona”,  em  especial  as  planilhas,  os  documentos  bancários,  as  transcrições  de  interceptações  telefônicas,  extratos  de  aplicações  financeiras  no  Brasil  e  no  exterior etc., acima referenciados, corroboram tais conclusões apresentadas pela fiscalização.  Com base  nessas  informações,  resta  evidenciado  que  não  se  aplica  ao  caso  em  tela  as  razões  de  decidir  consignadas  na  referida  decisão  judicial.  Em  decorrência,  fica  demonstrada a improcedência da alegação do recorrente de que, em face da citada absolvição  no processo criminal, as pretensas provas colacionadas a estes autos não podiam ser utilizadas  para imputar­lhe solidariedade passiva em questão.  Também não se aplica ao caso em tela, a alegação do recorrente de que, no  caso, não havia que se falar em independência das esferas cível, criminal e administrativa, uma  vez  que  a  sua  absolvição  foi  por  suposta  negativa  de  autoria  dos  crimes  que  lhe  foram  imputados.  Não procede  a  alegação do  recorrente,  porque a  sua  absolvição não  foi por  negativa de autoria, mas, (i) por não constituir o fato infração penal, nos termos do art. 386, III,  do CPP, em relação aos delitos de uso de documentos ideologicamente falsos, e (ii) por existir  circunstância que  exclui  o  crime ou  isente o  réu  de pena,  na  forma do  art.  386, V,  do CPP,  conforme expressamente consignado no dispositivo da Sentença.  E por esse motivo, por força do disposto no art. 935 do Código Civil, não há  vinculação  da  instância  administrativa  ao  que decidido  na  instância  criminal. Tal  vinculação  somente ocorre, nos casos absolvição penal por inexistência do fato ou negativa de autoria,  nos termos do artigo 386, I e IV, do CPP.  Nesse  sentido,  tem  se  manifestado  a  jurisprudência  do  STF  e  do  STJ,  conforme se infere da leitura dos enunciados das ementas dos julgados, a seguir transcritos:  DIREITO  PROCESSUAL  PENAL.  RECURSO  EM  HABEAS  CORPUS. MATÉRIA ELEITORAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA  DE  JUSTA  CAUSA.  INDEPENDÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS.  AÇÃO DE  IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO E AÇÃO  PENAL. IMPROVIMENTO.   [...]  Fl. 52609DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   96 3. O tema envolve a relativa independência das instâncias (civil  e  criminal),  não  sendo  matéria  desconhecida  no  Direito  brasileiro.  De  acordo  com  o  sistema  jurídico  brasileiro,  é  possível que de um mesmo fato (aí  incluída a conduta humana)  possa  decorrer  efeitos  jurídicos  diversos,  inclusive  em  setores  distintos  do  universo  jurídico.  Logo,  um  comportamento  pode  ser,  simultaneamente,  considerado  ilícito  civil,  penal  e  administrativo, mas também pode repercutir em apenas uma das  instâncias, daí a relativa independência.  [...]  5.  Somente  haveria  impossibilidade  de  questionamento  em  outra  instância  caso  o  juízo  criminal  houvesse  deliberado  categoricamente a respeito da inexistência do fato ou acerca da  negativa de autoria (ou participação), o que evidencia a relativa  independência das instâncias (Código Civil, art. 935).   [...]  8. Recurso  ordinário  improvido.  (RHC 91110, Relator(a): Min.  ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 05/08/2008, DJe­ 157 DIVULG 21­08­2008 PUBLIC 22­08­2008)  ADMINISTRATIVO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  DISCIPLINAR.  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA TAMBÉM TIPIFICADA COMO CRIME DE  CONCUSSÃO.  PRESCRIÇÃO.  NÃO­OCORRÊNCIA.  INTERRUPÇÃO DO PRAZO. DEMISSÃO. ESFERA CRIMINAL.  ABSOLVIÇÃO.  INSUFICIÊNCIA  DE  PROVAS.  INDEPENDÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.  [...]  3.  Tendo  em  vista  a  independência  das  instâncias  administrativa e penal, a sentença criminal somente afastará a  punição administrativa se reconhecer a não­ocorrência do fato  ou  a  negativa  de  autoria,  hipóteses  inexistentes  na  espécie.  Precedentes.  4. Segurança denegada. (MS 9772/DF, Rel. Ministra LAURITA  VAZ,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  14/09/2005,  DJ  26/10/2005, p. 73)  RECURSO  ESPECIAL.  ADMINISTRATIVO.  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL.  COTEJO  ANALÍTICO.  INEXISTÊNCIA.  SIMILITUDE  FÁTICA.  DEMISSÃO.  SENTENÇA  PENAL  ABSOLUTÓRIA.  FALTA  RESIDUAL.  AUSÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO.  SÚMULA 18/STF. PRESCRIÇÃO.  TERMO A  QUO. SÚMULA 07/STJ. PUBLICAÇÃO. ATO DEMISSÓRIO.  [...]  3. Prevalece no direito brasileiro a regra da independência das  instâncias  penal,  civil  e  disciplinar,  ressalvadas  algumas  exceções,  v.g,  em  que  a  decisão  proferida  no  juízo  penal  fará  coisa julgada na seara cível e administrativa.  4. Neste sentido, a responsabilidade administrativa do servidor  será  afastada  no  caso  de  absolvição  criminal  que  negue  a  Fl. 52610DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.562          97 existência do fato ou sua autoria, nos termos do art. 126 da Lei  n.º 8.112/90, exceto se verificada falta disciplinar residual, não  englobada  pela  sentença  penal  absolutória.  Inteligência  da  Súmula 18/STF.  [...]  7. Recurso  especial parcialmente  conhecido e, nesta parte,  não  provido.  (REsp  1199083/SP,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 08/09/2010)  Ainda na  tentativa  justificar a sua alegação, o  recorrente ainda cometeu um  erro grosseiro, mas que não deixa de ser relevante. Trata­se da transcrição do inciso V do artigo  386 do CPP, não com a sua redação, mas com a  redação do  inciso  IV, vigente na época dos  fatos15, conforme se observa nos textos a seguir transcritos:  Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte  dispositiva, desde que reconheça:  I ­ estar provada a inexistência do fato;  II ­ não haver prova da existência do fato;  III ­ não constituir o fato infração penal;  IV ­ não existir prova de ter o réu concorrido para a  infração  penal;  V ­ existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de  pena (arts. 17, 18, 19,22e24, §1o, do Código Penal);  VI ­ não existir prova suficiente para a condenação.  [...] (grifos não originais)  Da  simples  comparando  das  duas  redações  em  destaque,  verifica­se  que  a  transcrição do inciso V, feita no recurso em apreço (fl. 51115), corresponde a redação do inciso  IV, o que comprova o mencionado equívoco.  Nos  pressentes  autos,  os  fatos  apurados  pela  fiscalização,  corroborados  por  provas adequadas, demonstram de forma irrefutável, que o recorrente, juntamente com Carlos  Roberto Carnevali, foi um dos fundadores do esquema fraudulento e, durante todo o período da  implementação  da  fraude,  participou  e  colaborou  e  foi  um  dos  beneficiários  do  esquema de  fraude  em  referência,  haja  vista  que,  por  intermédio  de  suas  empresas  offshores,  recebeu  vultosos recursos financeiros no exterior, provenientes dos resultados auferidos com os ilícitos  aduaneiros e tributários cometido pela contribuinte MUDE.                                                              15 A partir da vigência da  Lei nº 11.690, de 2008, os incisos IV a VI passaram a ter a seguinte redação:  "IV ­ estar provado que o réu não concorreu para a infração penal;(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)  V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)  VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23,26e§ 1º do art.  28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;(Redação dada pela Lei nº  11.690, de 2008)"    Fl. 52611DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   98 Por  todas  essas  razões,  resta  configurado  o  interesse  comum  do  recorrente  nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação, portanto, deve ser mantido no polo passivo,  conforme proposto no respectivo TSPS.  Da sujeição passiva solidária de Gustavo Henrique Castellari Procópio  De  acordo  com  o  TSPS  nº  006  (fls.  45306/45339),  o  recorrente  Gustavo  Henrique Castellari Procópio pertenceu ao “Grupo MUDE” desde a sua constituição. Ele era o  advogado da MUDE e procurador das empresas offshore operacionais pertencente ao grupo e  chegou a ocupar o cargo de Gerente de Operações. Nessa condição, ele tinha interesse comum  nos fatos jurídicos tributários objeto do lançamento em apreço.  Ele  atuava  nas  empresas  do  grupo,  sempre  por  meio  de  procurações  com  plenos  poderes  de  gestão.  Seja  na  constituição  de  empresas  envolvidas  no  esquema  de  importação fraudulento, seja na administração delas, os conhecimentos jurídicos do recorrente  foram fundamentais para implementação e manutenção do esquema fraudulento em destaque.  Ele atuava como sócio oculto da empresa MUDE.  Segundo a fiscalização, cabia ao recorrente “realizar o controle dos aspectos  jurídicos que envolviam todas as empresas do grupo JDTC/MUDE no Brasil e no exterior. Esta  atuação  tem  um  alcance  estendido  também  às  empresas  patrimoniais  dos  sócios  ocultos  da  MUDE, em especial de MOACYR SAMPAIO.”  De acordo com os documentos apreendidos no curso da “Operação Persona”  (fls. 45325/45326), o recorrente recebia participação nos resultados da MUDE, por intermédio  da sua empresa CASTELLARI PROCÓPIO ADVOGADOS.  Por sua vez, o motivo consignado na referida decisão judicial, para absolvê­lo  do  delito  de  descaminho  foi  baseado  no  fato  de  que,  nos  autos  do  processo  criminal,  havia  provas  que  indicavam  que  ele  possivelmente  tinha  conhecimento  do  esquema, mas  que  não  participava  da  direção  da MUDE  nem  das  importações  fraudulentas.  Segundo  o MM.  Juiz,  apenas o conhecimento do esquema fraudulento, o qual não restou totalmente comprovado, não  era suficiente para responsabilizá­lo criminalmente.  Além  disso,  a  absolvição  do  recorrente  foi  fundamentada  na  versão  explicitada  no  seu  depoimento,  confirmada  por  testemunhos  dos  próprios  envolvidos  no  esquema de fraude e também acusados da prática dos mesmos ilícitos penais.  Portanto, as provas utilizadas no Juízo criminal, para isentá­lo de culpa, não  foram  as  mesmas  colacionadas  aos  autos  pela  fiscalização,  para  lhe  imputar  a  sujeição  tributária solidária em questão.  Com  base  nos  relatos  da  fiscalização,  fica  demonstrado  que  o  recorrente,  embora  não  participasse,  formalmente,  da  direção  do  Grupo,  de  fato,  ele  participava  diretamente dos seus negócios e era um dos principais mentores, executores e beneficiários da  fraude em questão.  Assim,  resta  evidenciado  que  não  se  aplica  ao  caso  em  tela  as  razões  de  decidir consignadas na referida Sentença. Em decorrência,  fica demonstrada a  improcedência  da  alegação  do  recorrente  de  que,  em  face  da  citada  absolvição  no  processo  criminal,  as  pretensas  provas  colacionadas  a  estes  autos  não  podiam  ser  utilizadas  para  imputar­lhe  a  solidariedade tributária passiva em questão.  Fl. 52612DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.563          99 Também  não  se  aplica  ao  caso  em  tela  a  alegação  do  recorrente  de  inexistência  de  independência  das  esferas  cível,  criminal  e  administrativa,  posto  que  a  sua  absolvição  fora  por  suposta  negativa  de  autoria  dos  crimes  que  lhe  foram  imputados  na  denúncia do MPF. A uma, porque a sua absolvição não foi por negativa de autoria, mas, (i) por  não constituir o fato infração penal, nos termos do art. 386, III, do CPP, em relação aos delitos  de  uso  de  documentos  ideologicamente  falsos,  e  (ii)  por  existir  circunstância  que  excluía  o  crime ou  isentava o  réu de pena, na  forma do art. 386, V, do CPP, conforme expressamente  consignado no Dispositivo da Sentença.  A duas, porque encontra­se consolidado na jurisprudência do STF e do STJ o  entendimento de que somente nos casos em que há absolvição penal por inexistência do fato  ou negativa de autoria, nos termos do artigo 386, I e IV, do CPP, é que, excepcionalmente, há  vinculação das demais instância ao que decido no âmbito do processo criminal. Nesse sentido,  confira o teor dos julgados anteriormente transcritos.  A três, porque, na tentativa justificar a sua pretensão, o recorrente cometera o  mesmo equívoco da troca da redação do inciso IV pela do inciso V do artigo 386 do CPP (fl.  6.144), anteriormente referenciada.  Nos  pressentes  autos,  os  fatos  apurados  pela  fiscalização,  corroborados  por  provas  adequadas,  demonstram de  forma  irrefutável,  que  o  recorrente  conhecia,  participou  e  colaborou e foi um dos beneficiários do esquema de fraude em referência, haja vista que, por  intermédio  de  sua  empresa  de  advocacia,  recebeu  recursos  financeiros,  provenientes  dos  resultados auferidos com os ilícitos aduaneiros e tributários cometido pela contribuinte MUDE.  Por  todas  essas  razões,  resta  configurado  o  interesse  comum  do  recorrente  nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação, deve ser mantido no polo passivo, conforme  proposto no respectivo TSPS.  Com  base  nessas  considerações,  fica  demonstrado  o  interesse  comum  do  recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários  objeto  das  autuações,  devendo  ser mantido  no  polo  passivo das autuações, conforme proposto no TSPS.  Da sujeição passiva solidária de Reinaldo de Paiva Grillo.  De acordo com o TSPS nº 010 (fls. 45993/, o  recorrente Reinaldo de Paiva  Grillo foi incluído no polo passivo da autuação, porque atuava nas empresas do Grupo MUDE  por procuração, com plenos poderes de gestão. Esse fato contradiz a alegação do recorrente de  que era mero prestador de serviços ao “Grupo MUDE”.  Os  documentos  colacionados  aos  autos  demonstram que,  além de  ter  pleno  conhecimento do esquema fraudulento, ele contribuiu para o sucesso do grupo na fraude e dela  era  um  dos  beneficiários.  Era  ele  quem  controlava  e  operacionalizava  toda  a  logística  de  importação dos produtos da marca CISCO.  Segundo a fiscalização, ele comandava a empresa WHAT'S UP, responsável  por  supervisionar  e  controlar  todos  os  procedimentos  de  compra,  importação  e  entrega  de  produtos  para  a  empresa  MUDE.  Os  elementos  obtidos  demonstram  que  a  WHATS'  UP,  chefiada pelo recorrente era o verdadeiro setor de importação da MUDE, tendo, inclusive, seus  funcionários  remunerados  como  empregados  desta,  e  sendo  incluída  no  organograma  da  MUDE como seu setor de logística.  Fl. 52613DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   100 Como integrante da organização desde os seus primórdios, o recorrente tinha  uma  função  importante na  administração das offshores  operacionais do  grupo  JDTC/MUDE.  Ele atuava como procurador de algumas destas empresas, com plenos poderes para a prática de  atos de gestão.  Por  todas  essas  razões,  fica  demonstrado  o  interesse  comum  do  recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários objeto das  autuações,  devendo  ser mantido no polo passivo da  autuação, conforme proposto no TSPS lavrado em seu nome.  Da sujeição passiva solidária de Pedro Luis Alves Costa.  Segundo  o  TSPS  nº  009  (fls.  45821/,  o  recorrente  foi  um  dos  principais  responsável  e  beneficiário  das  operações  fraudulentas  do  “Grupo  MUDE”.  Os  documentos  acostados  aos  autos  confirmam que  ele  tinha  participação  direta  na  administração  do Grupo  JDTC/MUDE  e  foi  contemplado  por  vultosa  participação  nos  resultados  econômico­ financeiros auferidos das atividades fraudulentas pelo referido grupo.  As  empresas  offshores  da  sua  propriedade,  ostensivas  ou  ocultas,  movimentaram elevadas quantias  financeiras  repassadas pelo  esquema  fraudulento do  grupo,  provenientes  da  distribuição  de  bônus  pelas  empresas  importadoras  de  fachada.  Essas  atividades  demonstram  que  recorrente  tinha  participantes  direto  e  um  dos  principais  beneficiários dos referidos econômico­financeiros do esquema de fraude em comento.  Portanto,  diferentemente  do  alegado  pelo  recorrente,  há  provas  abundantes  nos autos que comprovam a sua participação nos resultados do “Grupo MUDE”, a exemplo ,  das  planilhas  de  fls.  45836/45838,  apreendidas  no  curso  da  “Operação  Persona”,  que  comprovam  que  os  valores  recebidos  pelo  recorrente,  em  função  de  sua  participação  nas  atividades  fraudulentas  do  grupo,  eram  remetidos  para  suas  offshores,  dentre  as  quais,  a  offshore ZENROSS.  Por  todas  essas  razões,  fica  demonstrado  o  interesse  comum  do  recorrente  nos  fatos  jurídicos  tributários objeto das  autuações,  devendo  ser mantido no polo passivo da  autuação, conforme proposto no TSPS lavrado em seu nome.  B) DO RECURSO DE OFÍCIO  O motivo da interposição do presente recurso de oficio foi a exclusão do polo  passivo  da  autuação  das  pessoas  físicas  Cid  Guardia  Filho  (conhecido  por  Kiko)  e  Ernâni  Bertino Maciel, ambas arroladas como sujeitos passivos solidário. Para tal exclusão, as razões  apresentadas pela Turma de Julgamento de primeiro foram as seguintes:  a)  que  não  restara  comprovado  que  os  citados  sujeitos  passivos  solidários  tivessem poder de comando, ou atuassem efetivamente na MUDE ou fizessem parte do “Grupo  MUDE” como sócios, administradores, prepostos ou mandatários; e  b) que não restara caracterizado que eles beneficiaram­se financeiramente do  esquema,  mediante  o  recebimento  de  lucros  advindos  das  operações  simuladas,  ou  que  tivessem ligação jurídica com o fato gerador do IPI devido nas operações de saída dos produtos  da marca CISO do estabelecimento da recorrente MUDE.  De acordo com o TSPS nº 012 (fls. 46348 e ss.) e o TSPS nº 013 (fls. 46610 e  ss.),  os  recorridos,  assim  como  os  sócios  da  MUDE,  eram  considerados  os  mentores  da  estrutura  de  importação  fraudulenta  dos  produtos  da  marca  CISCO,  montada  pelo  grupo  JDTC/MUDE.  Fl. 52614DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.564          101 Além  integrarem  formalmente  o  quadro  societários  de  outras  empresas,  os  recorridos  eram os  controladores do denominado “Grupo KIKO/ERNANI  (K/E)” ou  “Grupo  K/E”, a quem pertenciam (i) as importadoras interpostas ABC, PRIME e BRASTEC e (ii) as  distribuidoras interpostas NACIONAL e TECNOSUL. Essas foram as principais importadoras  e distribuidoras interpostas utilizadas pelo esquema de interposição fraudulenta no período da  autuação.  A  documentação  colacionada  aos  autos,  comprovam  que  essas  empresas  (importadoras  e  distribuidoras)  eram  responsáveis  por  parte  da  cadeia  da  logística  de  importação  fraudulenta  do  “Grupo  JDTC/MUDE”.  E  os  seus  controladores  ocultos,  ora  recorridos, recebiam uma porcentagem sobre o valor das mercadorias que passavam por suas  empresas interpostas (de “fachada”).  As  duas  primeiras  empresas  importadoras  interpostas  (ABC  e  PRIME),  formalmente,  tinham  como  sócios  uma  pessoa  física,  sem  capacidade  econômico­financeira  (“laranja”), com participação, respectivamente, de 5% e 30% no capital social, e uma empresa  offshore  sediada,  respectivamente, no Panamá e Bahamas  (paraísos  fiscais). A administração  das referidas empresas era feita, por procuração com amplos poderes, por pessoa estranha ao  quadro  societário,  vinculada  aos  reais  controladores.  O  perfil  operacional  dessas  empresas  mostra que elas foram criadas para simular operações de importação por conta própria e ocultar  o  real  importador,  em  especial,  a  recorrente  MUDE.  Além  disso,  supervalorizavam  as  mercadorias vendidas para as referidas distribuidoras e não pagavam os tributos devidos.  Por  sua  vez,  a  empresa  importadora  BRASTEC  tinha  como  sócio  duas  pessoas  físicas  sem  capacidade  econômico­financeira  (“laranja”),  sendo  um  ambulante/pedreiro  (95%  do  capital  social)  e  o  outro  auxiliar  administrativo  (5%  do  capital  social).  Assim,  como  as  duas  primeiras,  a  administração  da  referida  empresa  era  feita  por  procuração,  pessoa  estranha  ao  quadro  societário,  vinculada  aos  reais  controladores  (Kiko  e  Ernani). O perfil da empresa mostra que ela foi criada para simular operações de importação  por conta própria e ocultar o real importador, no caso a MUDE.  As duas empresas distribuidoras interpostas tinham como sócios duas pessoas  físicas  sem  capacidade  econômico­financeira  (“laranjas”)  ­  ferramenteiro,  operadora  de  telemarketing etc. Elas tinham a função de simular as compras das importadoras e as revendas  para a MUDE, conforme demonstrado nos autos.  Segundo  a  fiscalização,  os  documentos  apreendidos  em  meio  magnético  demonstravam: a) a estreita vinculação do “Grupo K/E” com o “Grupo JDTC/MUDE”, apesar  deste  não  parecer  ser  o  seu  único  cliente;  e  b)  a  existência  do  esquema  de  importação  fraudulenta do grupo JDTC/MUDE, por meio das  importadoras e distribuidoras pertencentes  ao “Grupo K/E”.  Na planilha eletrônica “Fluxodia­Outra Atual.xls” (fl. 46379), apreendida no  curso da “Operação Persona”, na residência de Marcílio Palhares Lemos, gerente financeiro da  MUDE, continha informações do fluxo financeiro das pessoas jurídicas interpostas vinculadas  ao  “Grupo K/E”,. Dela  foram  extraídos  dados  referentes  ao  recebimento  de  valores  por Cid  Guardia  Filho,  oriundos  de  sua  participação  no  esquema  de  importações  irregulares  capitaneada pelo “Grupo JDTC/MUDE”.  Nos extratos bancários (fls. 46383/46384), apreendidos em meio magnético,  na residência de Marcílio Palhares Lemos, constavam depósitos de elevados valores em contas  Fl. 52615DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A   102 bancárias de empresas pertencentes ao “Grupo JDTC/MUDE”, provenientes das offshores do  “Grupo K/E”,  controladas  por meio  de  procuração  pelos  citados  recorridos. Os  depoimentos  prestados na Polícia Federal, por pessoas vinculadas ao “Grupo K/E”, ratificam essa condição.  Os  elementos  apreendidos  comprovam  que  os  recorridos  participavam  ativamente  do  procedimento  de  importação  fraudulenta  em  comento,  onde  apareciam  como  importadoras e distribuidoras para o “Grupo JDTC/MUDE” as empresas por eles criadas, cujos  sócios eram interpostas pessoas e empresas offshores sediadas em paraísos fiscais, controladas  por procuração, com amplo e ilimitados poderes, pelos recorridos.  Os  dados  da  planilha  eletrônica  “Kiko  Maio.xls”  (fls.  30030/30032),  apreendida no curso da “Operação Persona”, comprovam que a  remuneração dos serviços de  interposição  fraudulenta  prestados  pelas  referidas  importadoras  e  distribuidoras  do  “Grupo  K/E” eram feita sob forma de comissão, calculada sobre o valor das mercadorias importadas. E  de  acordo  com  as  conversas  telefônicas  (fls.  30034/30040),  interceptadas  com  autorização  judicial,  os  percentuais  de  comissão  eram  os  seguintes:  a)  3,0%  para  as  importadoras  nos  processos  de  importação  comerciais;  b)  4,0%  para  as  importadoras  nos  processos  de  importação industriais, e c) 0,5% para as distribuidoras.  Os referidos dados ainda comprovam que a real importadora MUDE, além da  comissão,  reembolsava  os  valores  dos  tributos  pagos  pelas  referidas  empresas,  incluindo  a  CPMF. As  conversas  telefônicas  dos  integrantes,  interceptadas  no  curso  da  citada  operação,  ratificam tais informações.  E  os  recorridos,  na  condição  de  sócios  controladores  ocultos  das  referidas  empresas, eram os principais beneficiados pelos resultados obtidos pelas referidas empresas.  Dessa  forma,  embora  suficientes  para  demonstrar  o  interesse  comum  dos  recorridos na situação constitutiva dos fatos geradores da obrigação principal, praticados pelas  referidas  empresas  importadoras  e  distribuidoras  do  “Grupo  K/E”,  o  mesmo  não  pode  ser  inferido  em  relação  a  situação  constitutiva  dos  fatos  geradores  do  IPI  objeto  da  presente  autuação, realizada contra a contribuinte MUDE.  Assim, embora  tenha ficado evidente que os  recorridos atuaram em conluio  com o  “Grupo MUDE”,  não  restou  comprovado o  interesse  comum deles  na prática do  fato  gerador do tributo objeto da presente autuação.  Com  base  nessas  considerações,  na  parte  que  excluiu  a  sujeição  passiva  solidária  dos  recorrentes  Cid  Guardia  Filho  e  Ernâni  Bertino  Maciel,  não  merece  reparo  a  decisão  de  primeiro  grau,  logo  os  recorridos  devem  ser  mantidos  fora  do  polo  passivo  da  presente autuação.  C) DA CONCLUSÃO GERAL  Por  todo  o  exposto,  vota­se  pela  rejeição  das  preliminares  e  pelo  indeferimento  do  pedido  de diligência/perícia  e,  no mérito,  por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso  de  ofício  e DAR PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  da MUDE,  para  reconhecer  o  direito  de  deduzir  do  valor  do  IPI  lançado  o  valor  do  IPI  destacado  nas  notas  fiscais de venda emitidas pelas empresas importadoras interpostas.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento  Fl. 52616DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000071/2009­67  Acórdão n.º 3302­003.225  S3­C3T2  Fl. 52.565          103                             Fl. 52617DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A

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Numero do processo: 19515.003576/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO DECORRENTE DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ. Quando o lançamento para exigência do IPI tem origem em fatos apurados na fiscalização de IRPJ, deve-se declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF. Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso de ofício e declinar a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.893          1 1.892  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.003576/2005­70  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3201­002.206  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de maio de 2016  Matéria  IPI  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  LOUSANO INDÚSTRIA DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA.    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003, 2004  DECLINAÇÃO  DE  COMPETÊNCIA.  LANÇAMENTO  DECORRENTE  DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ.   Quando o lançamento para exigência do IPI tem origem em fatos apurados na  fiscalização  de  IRPJ,  deve­se  declinar  a  competência  do  julgamento  para  a  Primeira Seção do CARF.  Recurso de Ofício Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  se  conhecer do recurso de ofício e declinar a competência de julgamento para a Primeira Seção de  Julgamento. Ausentes,  justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.     Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.    Winderley Morais Pereira ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  José  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  Cassio  Shappo,  Winderley  Morais  Pereira,  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz  Belisario.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 76 /2 00 5- 70 Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     2   Relatório    Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.    "Com  fulcro  no  Regulamento  do  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados,  aprovado  pelo  Decreto  n°  4.544,  de  26  de  dezembro  de  2002,  foi  lavrado o  auto de  infração de  fl.  1.789,  pelo AFRF Massanori Monobe, para exigir R$ 5.183.779,56 de  Imposto sobre Produtos  Industrializados (IPI), R$ 1.860.760,90  de  juros de mora calculados até 31/01/2006 e R$ 3.887.834,61  de multa proporcional ao valor do  imposto, o que representa o  crédito tributário consolidado de R$ 10.932.375,07.  Consoante a descrição dos  fatos, de  fls. 1.790/1.791, e o  termo  de verificação e constatação, de fls. 1.780/1.782, a contribuinte  recolheu  a  menor  o  imposto  lançado;  no  que  concerne  ao  período  de  abril  de 2003 a  agosto  de  2004,  foram  constatadas  diferenças  entre  os  valores  de  faturamento  constantes  da  GIA  (Guia de Informação e Apuração do ICMS) e do  livro Registro  de Saídas, e os valores da DIPJ e DCTF, correspondentes à base  de  cálculo  do  imposto,  de  acordo  com  o  demonstrativo  de  fls.  1.780 e 1.781.  O  lançamento  de  ofício  decorreu  do  cotejo  entre  os  valores  informados  nas  referidas  declarações,  tendo  sido  aplicada  a  alíquota  de  8%  sobre  a  base  de  cálculo  do  tributo,  a  mais  elevada  das  alíquotas  praticadas  pelo  sujeito  passivo,  ex  vi  do  RIPI/98, art. 423, §§ 1° e 2°.  Regularmente cientificado em 24/02/2006 pelo mandatário Luiz  Manuel  Fittipaldi  Ramos  de  Oliveira,  advogado  (cópia  da  procuração  de  fl.  43),  apresentou  o  sujeito  passivo  a  impugnação  de  fls.  1.795/1.817  em  28/03/2006,  subscrita  pelo  mesmo procurador já mencionado (cópia da procuração também  à fl. 1.818).  A peça  impugnatória apresentada pela pessoa  jurídica autuada  tem, em suma, os seguintes pontos a ser arrostados:  1.  Preliminarmente,  é  demonstrada  a  tempestividade  da  impugnação;  2. A aplicação apenas da alíquota de 8%, sem levar em conta os  reais  percentuais  aplicáveis  a  cada  operação  (inclusive  ope  ações  não  tributáveis),  provoca  uma  superavaliação  do  valor  total  do  auto  de  infração,  com  violação  dos  princípios  da  essencialidade  e  da  seletividade  que  regem  o  IPI;  no  próprio  auto  de  infração  há  o  reconhecimento  de  que  a  impugnante  promove  saídas  de  produtos  com  alíquota  de  5%;  pelas  inconstitucionalidades  indicadas,  o  lançamento  deve  ser  anulado;  3.  A  multa  aplicada  representa  uma  ofensa  aos  princípios  da  razoabilidade e da proporcionalidade, não sendo razoável , nem  proporcional,  sujeitar  a  impugnante  à  multa  de  75%  sobre  o  suposto crédito tributário, ou seja, em valores tão exacerbados;  Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.003576/2005­70  Acórdão n.º 3201­002.206  S3­C2T1  Fl. 1.894          3 também deve ser mencionado o mandamento constitucional que  veda o confisco (CF, art. 150, IV);  4. Há, ademais, ilegalidade e inconstitucionalidade na aplicação  de  juros  de  mora  baseados  na  taxa  Selic,  que,  instituída  pelo  Banco  Central  e  tendo  em  vista  a  natureza  eminentemente  remuneratória e não moratória, somente poderia ser utilizada no  caso  de  obrigações  privadas,  nos  termos  de  julgado  do  STJ;  a  prerrogativa  do  Banco  Central  de  aumentar  a  taxa  Selic  a  qualquer  tempo acarreta majoração  ilegítima de  tributo,  sendo  que  existe  o  limite  posto  pelo  CTN  (art.  161,  §  1°),  de  1%  ao  mês;  o  princípio  constitucional  do  não­confisco  também  é  violado;  5.  Como  foi  concedida  concordata  preventiva  nos  autos  do  processo n° 711.482/1998, ajuizado perante a 19 Vara Cível da  Comarca  de  São  Paulo,  Capital,  deve  ser  afastada  a  sanção  imposta, uma vez que o período de apuração está compreendido  naquele  em  que  operavam  os  efeitos  da  concordata  preventiva  (anteriormente ao advento da Lei n° 11.101, de 2005, que regula  a recuperação judicial), pois a lei deve ser aplicada de maneira  mais  favorável  ao  sujeito  passivo  (CTN,  art.  112),  conforme  pronunciamento judicial trazido à baila;  6. Por derradeiro, deve ser dado provimento à impugnação, com  a  anulação  do  auto  de  infração,  por  ser  este  baseado  em  alíquota máxima,  sem  distinção  das  operações  praticadas  pela  contribuinte,  o  que  é  uma  violação  constitucional;  outrossim,  deve  ser  anulada  a multa  aplicada  e  afastada  a  taxa  Selic;  as  intimações de despachos e de decisões devem ser encaminhadas  aos procuradores da empresa."        A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento as  alegações  da  recorrente,  cancelando  integralmente  o  lançamento.  A  decisão  foi  assim  ementada:    “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2003, 2004  NULIDADE. VÍCIO FORMAL.  A  ausência  ou  deficiência  de  requisito  nuclear  do  auto  de  infração,  notadamente  a  descrição  dos  fatos,  dá  azo  à  declaração  de  nulidade  do  feito,  de  oficio,  por  vício  formal,  ressalvada  a  possibilidade  de  renovação  do  ato  administrativo  dentro do prazo decadencial previsto em lei.  Lançamento Nulo.”    Sendo  o  valor  exonerado  superior  ao  valor  de  alçada,  foi  proposto  o  competente recurso de ofício.    Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     4 É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    A  teor  do  relatado,  os  fatos  que  ensejaram  o  lançamento  tiveram  origem  em  procedimento  anterior  de  fiscalização  do  IRPJ,  sendo  o  auto  de  infração,  controlado  no  presente processo, decorrente daquela  fiscalização. Tal posição é confirmada pela decisão da  DRJ. Transcrevo abaixo trecho do voto condutor da decisão de piso, que analisou o mérito do  presente lançamento. (fl. 1872)     Do exame percuciente do auto de infração e suas circunstâncias,  a seguinte constatação pode ser explicitada:  1. Houve  lançamento de ofício na órbita do  IRPJ,  entre outras  hipóteses, pela caracterização de omissão de receita em virtude  de  divergências  apuradas  entre  os  valores  relativos  aos  faturamentos mensais, informados aos fiscos estadual e federal,  sendo  que  estes  se  apresentam  em  valores  inferiores  àqueles  (processo n° 19515.003578/2005­69; Acórdão DRJ/SPOI n° 16­ 10.068, de 17/08/2006);  2. Foram  juntadas  aos  autos,  pela  autoridade  fiscal,  cópias  do  livro Registro de Saídas (em que constam operações com débito  de IPI), às  fls. 48/1.624, e de Guias de Informação e Apuração  do ICMS (GIA), às fls. 1.625/1.775; todavia, não foram anexadas  cópias  do  livro  Registro  de  Apuração  do  IPI,  não  obstante  a  empresa  ser  estabelecimento  industrial  e  este  ser  um  livro  de  escrituração  obrigatória,  em  que  é  empreendida  a  apuração  periódica do imposto;  3.  Os  montantes  apurados  em  ambos  os  documentos  acima  aludidos  não  apresentam  divergências  comparáveis  àquelas  existentes  entre  os  valores  registrados  em  GIA  e  em  DIPJ/DCTF:  p.  ex.  ­  abril/2003,  Registro  de  Saídas  (valor  contábil: R$ 3.904.817,02; base de cálculo: R$ 3.619.897,11) e  GIA  (valor  contábil:  R$  3.799.721,59;  base  de  cálculo:  R$3.799.721,59);  outubro/2003,  Registro  de  Saídas  (valor  contábil: R$ 5.078.099,37; base de cálculo: R$ 4.840.569,03) e  GIA  (valor  contábil:  R$  4.940.335,89;  base  de  cálculo:  R$4.676.275,28);."      Ao analisar a competência desta Seção para apreciar o recurso em questão, faz­ se  necessária  acatar  a  determinação  do Regimento  Interno  do CARF,  que  define  à  Primeira  Seção  a  competência  para  julgar  recursos  de  oficio  e  voluntário,  dos  tributos  conexos,  decorrentes ou reflexos, cuja exigência esteja  lastreada em fatos apurados em fiscalização do  IRPJ,  conforme  previsto  art.  2º,  inciso  IV  do  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com as alterações promovidas pela  Portaria MF nº 151, de 03 maio de 2016, transcrito abaixo.     Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.003576/2005­70  Acórdão n.º 3201­002.206  S3­C2T1  Fl. 1.895          5 “Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de 1ª  (primeira) instância que  versem sobre aplicação da legislação relativa a:  I ­ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);  II ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);  III ­ Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se  tratar de antecipação do IRPJ;  IV  ­  CSLL,  IRRF,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  Contribuição  Previdenciária  sobre  a  Receita  Bruta  (CPRB),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos  mesmos  elementos de prova;.”    A  conexão  o  presente  processo  com  o  lançamento  de  IRPJ  foi  objeto  de  despacho que já tinha declinado a competência do julgamento a Primeira Seção do CARF (fl.  1889).  Entretanto,  o  processo  retornou  para  esta  Terceira Seção,  sendo  sorteado  para minha  relatoria. Acredito que o fato decorra das alterações dos regimentos internos do CARF, que a  partir  da  edição  da  Portaria  MF  nº  343/2015  excluiu  a  competência  do  julgamento  dos  processos  de  IPI  reflexos  de  IRPJ  pela  Primeira  Seção  do  CARF.  Porém,  com  a  edição  da  Portaria MF nº 151/2016  foi  restaurada  a  competência da Primeira Seção para o  julgamento  destes processos que tratam de lançamento de IPI reflexos de fiscalização de IRPJ.   No case em tela, confirmado que a exigência do IPI decorre de fatos apurados  em fiscalização de IRPJ, voto no sentido de não conhecer do recurso e declinar a competência  do julgamento à Primeira Seção do CARF.     Winderley Morais Pereira                               Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA

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Numero do processo: 16561.720053/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Provido em Parte. Se determinada despesa dedutível era dedutível do lucro real apurado pela holding, se esta vem a ser incorporada pela investida, a despesa antes dedutível assim permanecerá sendo na sucessora. Inteligência do disposto no caput do art. 227 da Lei nº 6.404/76. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. RESTABELECIMENTO DO SALDO GLOSADO. Tendo sido restabelecida a dedutibilidade de despesas glosadas no lançamento, restabelecem-se também os saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL. Constatado que o saldo restabelecido é superior à insuficiência de saldo apontada no lançamento, cancela-se também a infração correspondente. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
Numero da decisão: 1402-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial nos seguintes termos: i) por unanimidade de votos, para cancelar a exigência referente à glosa de despesas financeiras e determinar a reconstituição do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL como decorrência desse entendimento; e ii) por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Paulo Mateus Ciccone, que votaram por manter a multa no percentual em que foi aplicada. Os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei votaram por cancelar a exigência da multa isolada que foi mantida por voto de qualidade. . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Provido em Parte. Se determinada despesa dedutível era dedutível do lucro real apurado pela holding, se esta vem a ser incorporada pela investida, a despesa antes dedutível assim permanecerá sendo na sucessora. Inteligência do disposto no caput do art. 227 da Lei nº 6.404/76. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. RESTABELECIMENTO DO SALDO GLOSADO. Tendo sido restabelecida a dedutibilidade de despesas glosadas no lançamento, restabelecem-se também os saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL. Constatado que o saldo restabelecido é superior à insuficiência de saldo apontada no lançamento, cancela-se também a infração correspondente. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial nos seguintes termos: i) por unanimidade de votos, para cancelar a exigência referente à glosa de despesas financeiras e determinar a reconstituição do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL como decorrência desse entendimento; e ii) por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Paulo Mateus Ciccone, que votaram por manter a multa no percentual em que foi aplicada. Os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei votaram por cancelar a exigência da multa isolada que foi mantida por voto de qualidade. . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     2 Se  determinada  despesa  dedutível  era  dedutível  do  lucro  real  apurado  pela  holding,  se  esta  vem  a  ser  incorporada  pela  investida,  a  despesa  antes  dedutível assim permanecerá sendo na sucessora. Inteligência do disposto no  caput do art. 227 da Lei nº 6.404/76.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  PAGAMENTO  DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL   Os  juros  sobre  capital  próprio  que  são  dedutíveis  na  apuração  do  resultado  tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a  cada  titular,  sócio  ou  acionista  a  título  de  remuneração  do  capital.  Não  se  enquadram  como  tal  e  são  indedutíveis  os  juros  pagos  ou  creditados  que  excederem ao que beneficiário  teria direito de  acordo com sua participação  no capital social da empresa.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZO  FISCAL.  RESTABELECIMENTO  DO  SALDO GLOSADO.   Tendo  sido  restabelecida  a  dedutibilidade  de  despesas  glosadas  no  lançamento,  restabelecem­se  também os  saldos  de  prejuízo  fiscal  e de  base  negativa de CSLL.   Constatado  que  o  saldo  restabelecido  é  superior  à  insuficiência  de  saldo  apontada no lançamento, cancela­se também a infração correspondente.  LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL  Dada  a  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  aplica­se  ao  lançamento  reflexo  o  decidido no principal.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010, 2011  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.   A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de mora,  devidos  à  taxa  SELIC.  Precedentes  das  três  turmas da Câmara Superior ­ Acórdãos 9101­001.863, 9202­003.150 e 9303­ 002.400.  Precedentes  do  STJ  ­  AgRg  no  REsp  1.335.688­PR,  REsp  1.492.246­RS e REsp 1.510.603­CE.  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  MULTA  DE  OFÍCIO  PELA  FALTA  OU  INSUFICIÊNCIA  DE  TRIBUTO.  MATERIALIDADES  DISTINTAS.  NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP  351/2007. APLICÁVEL À  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DAS  ESTIMATIVAS  A  PARTIR  DA  COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.  A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa  isolada  passa  a  incidir  sobre  o  valor  não  recolhido  da  estimativa  mensal  independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou  insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São  Fl. 17270DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.270          3 duas materialidades distintas, uma refere­se ao ressarcimento ao Estado pela  não  entrada  de  recursos  no  tempo  determinado  e  a  outra  pelo  não  oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  dar  provimento  parcial  nos  seguintes  termos:  i) por unanimidade de votos, para cancelar a exigência referente à glosa de despesas  financeiras  e  determinar  a  reconstituição  do  saldo  de  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  como  decorrência  desse  entendimento;  e  ii)  por  maioria  de  votos,  para  reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a  integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e  Paulo Mateus Ciccone, que votaram por manter a multa no percentual em que foi aplicada. Os  Conselheiros  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar  e  Demetrius Nichele Macei votaram por cancelar a exigência da multa  isolada que foi mantida  por voto de qualidade.  .  (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Demetrius  Nichele  Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de  Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.   Fl. 17271DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     4     Relatório  ATACADÃO DISTRIBUIÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA recorre  a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do  acórdão nº 02­53.006 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou  improcedente a impugnação apresentada.  Por  bem  refletir  o  litígio  até  aquela  fase,  adoto  excertos  do  relatório  da  decisão recorrida, complementando­o ao final:  Descrição das infrações imputadas  Auto de infração de IRPJ  O autuante,  fazendo referência ao  termo de verificação fiscal anexado a folhas  15.473 a 15.535, atribui à autuada o cometimento das infrações de cuja descrição adiante se faz  uma síntese.   1A.  DESPESAS  FINANCEIRAS  NÃO  DEDUTÍVEIS  –  Despesas  financeiras  indedutíveis,  em decorrência de empréstimo utilizado na sua própria aquisição. [...]   1B. DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS – Despesas financeiras indedutíveis, em  decorrência de pagamento de  juros  sobre o  capital próprio  em desacordo com a participação  societária. [...]  2.  ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO  LUCRO REAL  –  CUSTO OU  DESPESA  INDEDUTÍVEL  ­ Valor  relativo  à  amortização  de  ágio  não  adicionado  ao  lucro  líquido para a determinação do lucro real. [...]  3.  SALDO  INSUFICIENTE  –  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  PREJUÍZO  OPERACIONAL  COM  RESULTADO  DA  ATIVIDADE  GERAL  –  Compensação  de  prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, [...]  4.  MULTA  ISOLADA  –  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRPJ  SOBRE  BASE  DE  CÁLCULO  ESTIMADA  –  Falta  de  pagamento  do  IRPJ  incidente  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  em  função  de  balanço  de  suspensão  ou  redução,  conforme  demonstrativo  anexo.  Períodos de apuração: todos os meses de entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011. [...]  Auto de infração de CSLL   O autuante,  fazendo referência ao  termo de verificação fiscal anexado a folhas  15.473 a 15.535, atribui à autuada o cometimento das infrações de cuja descrição adiante se faz  uma síntese.   1. CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS   Valor relativo à amortização de ágio não adicionado ao lucro líquido para a determinação do  lucro real. [...]   Fl. 17272DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.271          5 Despesas  financeiras  indedutíveis,  em  decorrência  de  empréstimo  utilizado  na  sua  própria  aquisição. [...]   Despesas  financeiras  indedutíveis,  em  decorrência  de  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  próprio em desacordo com a participação societária. [...]   2.  SALDO  INSUFICIENTE  –  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA – Compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores em montante  superior ao saldo existente, [...]  3.  MULTA  ISOLADA  –  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CSLL  SOBRE  BASE  DE  CÁLCULO ESTIMADA  –  Falta  de  pagamento  do CSLL  incidente  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  em  função  de  balanço  de  suspensão  ou  redução,  conforme  demonstrativo  anexo.  Períodos de apuração: todos os meses de entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011. [...]     Termo de verificação fiscal  No termo de verificação fiscal a folhas 15.473 a 15.535 o autuante apresenta  a  motivação  dos  lançamentos.  Dele  extraem­se  as  observações  e  argumentos  resumidos  adiante.   · Trata­se  de  planejamento  tributário  em  que  negócios  simples  são  revestidos  de  características  complexas,  algumas  das  quais  surgem  com  o  único  propósito  de  justificar  ganhos tributários indevidos. Houve uma simples operação de compra e venda de participação  societária,  tendo de um  lado, como comprador,  o Carrefour Nederland B.V.  (Carrefour BV),  sediado nos Países Baixos, e de outro, como vendedores, as pessoas físicas então controladoras  do Atacadão.  · A  complexidade  começa  porque  a  relação  Carrefour  BV  e  pessoas  físicas  controladoras  não  aparece  diretamente,  mas  é  intermediada  por  empresas  de  que  os  interessados  participam.  Do  lado  do  comprador,  acham­se  Carrefour  BV,  Korcula  Participações  Ltda  (Korcula),  Brepa  Comércio  e  Participações  Ltda  (Brepa)  e  Carrefour  Comércio e Indústria Ltda (Carrefour); do lado dos vendedores, a pessoa física Farid Curi e as  pessoas  jurídicas  Primart  Empreendimentos  Participações  e  Administração  Ltda  (Primart),  representando  a  família  Lima;  Loly  Administração,  Empreendimentos  Agropecuários  e  Participações Ltda (Loly), controlada pela família Schmeil.  · Outro complicador é que o pagamento da  aquisição pelo Carrefour BV não aparece  com  esse nome, pois cerca da metade do valor ao final transferido aos vendedores chegou ao Brasil  como  se  fosse  aumento  de  capital;  a  outra  metade,  também  ao  fim  e  ao  cabo  paga  aos  vendedores, foi remetida pelo investidor estrangeiro sob a forma de empréstimo.  · As  formas  assumidas  pelo  pagamento  provocaram  ganhos  tributários  indevidos:  amortização pelo Atacadão do ágio apurado na sua própria aquisição pelo grupo Carrefour, que  para  isso  internalizou  o  ágio  desembolsado  pelo  Carrefour  BV  e  se  valeu  de  operações  de  reorganização societária em sequencia, sem nenhum interesse negocial [grifo nosso], buscando  pretenso enquadramento nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97; despesas financeiras decorrentes  do pagamento travestido de empréstimo; pagamento de juros sobre capital próprio em valores  inflados  por  patrimônio  líquido  inexistente  e  pagos  em  desacordo  com  a  participação  societária.  Fl. 17273DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     6 · A empresa Atacadão é atacadista do ramo de alimentação e integrante do grupo Carrefour,  e em 31/01/2008, incorporou sua controladora Korcula.  · O contrato de compra e venda de quotas do Atacadão foi assinado em 30 de março de 2007.  O capital social totalmente integralizado estava assim dividido:    Sócios  Quotas  Valor ­ RS  Participação  Primart Participações Ltda  215.946.411  215.946.411,00  45,50%  Loly Participações Ltda  154.247.436  154.247.436,00  32,50%  Farid Curi  104.413.649  104.413.649,00  22,00%  Total  474.607.496  474.607.496,00  100,00%  · A empresa Korcula, "holding" de instituições não financeiras, foi constituída em fevereiro  de 2007 pelos  sócios Onivaldo Antonio Chechetto e  Ivo Pereira de Freitas Filho. Seu objeto  social  previa  a  participação  em  outras  sociedades,  a  administração  de  bens  próprios  e  a  representação  de  sociedade  nacional  ou  estrangeira.  O  capital  da  sociedade,  totalmente  subscrito, era de R$ 100,00.  · Os sócios resolveram, em 10 de abril de 2007, ceder e transferir a totalidade de suas quotas  às  empresas  Brepa  e  Carrefour,  ficando  os  novos  sócios  com  99%  e  1%  de  participação,  respectivamente.  · A  Brepa  é  uma  holding  de  instituições  não­financeiras  que  controla  o  Carrefour  com  97,49% da participação. Por sua vez, é controlada pela empresa Carrefour BV, com 97,26 % de  participação no capital.   · A sede da Korcula passou para o mesmo prédio onde as novas sócias estavam instaladas.  · Nova  alteração  do  contrato  social  foi  efetuada  ainda  no  mês  de  abril  de  2007.  Em  30/04/2007, a sócia Brepa, com o consentimento da sócia Carrefour,  integralizou, em moeda  corrente  nacional,  o  aumento  que  promoveu  no  capital  social  da  Korcula,  que  passou  de  R$100,00 para R$ 1.137.810.898,00, divididos  em quotas no valor nominal de R$1,00 cada,  permanecendo a sócia Carrefour com uma quota.  · Em 27/04/2007, três dias antes, os sócios da Brepa deliberaram pelo aumento de seu capital  social de valor quase que exatamente o mesmo que do aumento de capital da Korcula. O valor  de R$ 1.137.810.798,17 foi integralizado pela sócia Carrefour BV, em moeda corrente nacional  proveniente de ordem de pagamento do exterior.  · Os percentuais de participação na Korcula ficaram assim:  Sócios  Quotas  Valor em RS  Participação  Brepa Com. Part. Ltda  1.137.810.897  1.137.810.897,00  99,9999999%  Carrefour Com. Ind. Ltda  1  1,00  0,0000001%  Total  1.137.810.898  1.137.810.898,00  100,00%  · Quinze dias após o aumento de capital promovido pela Brepa, em 15/05/2007, o Carrefour  integralizou  e  aumentou  o  capital  social  da  Korcula  em mais  R$  12.507.285,00,  em moeda  corrente, representando novas quotas no valor nominal de R$ 1,00 cada.  · A aquisição da empresa Atacadão pelo grupo Carrefour teve início em 20/04/2007, com a  assinatura do Contrato de Venda e Compra de Quotas do Atacadão. O contrato foi celebrado  entre as pessoas  físicas  sócias da Primart  II,  referidas  como  família Lima,  as pessoas  físicas  sócias  da Loly  II,  referidas  como  família Schmeil,  e  Farid Curi  ­  como vendedores,  e  como  comprador a Korcula.  Fl. 17274DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.272          7 · Apesar  de  a  Korcula  figurar  como  compradora,  o  contrato  previa  que  as  notificações  decorrentes das obrigações  aí  assumidas deveriam ser  enviadas  à Brepa, como garantidora  e  principal pagadora das obrigações da compradora.  · Note­se também que no momento da assinatura do Contrato de Venda e Compra de Quotas  nem  a Korcula nem  a Brepa dispunham dos  recursos  necessários  para  efetivar  a  compra  do  Atacadão, e tampouco houve qualquer movimento dessas empresas para obter esses recursos.  Os recursos para a compra vieram do exterior, da empresa Carrefour BV, na véspera do efetivo  pagamento aos vendedores.  · Com esses recursos a Korcula comprou as quotas da Primart II, da Loly II e de Farid Curi,  passando a deter o controle total do Atacadão, direta ou indiretamente.   · O  preço  de  venda  acertado  entre  as  partes  foi  de  R$  1.016.215.200,00  pelas  quotas  da  Primart  II,  R$  725.868.000,00  pelas  quotas  da  Loly  II  e  R$  491.356.800,00  pelas  quotas  detidas por Farid Curi, totalizando R$ 2.233.440.000,00.  · O dia 30/04/2007 foi definido para o fechamento do negócio, com o pagamento do preço de  aquisição  combinado,  e  foram  transferidos  os  valores  mediante  remessas  do  Banco  ABN  AMRO.   · Foram  pagos  pelo  controle  de  100%  da  participação  societária  do  Atacadão  foi  R$2.233.440.000,00. Entretanto,  a Korcula detinha  apenas R$1.137.810.898,00, provenientes  do aumento de capital promovido pela Brepa. O restante foi obtido mediante empréstimo direto  do Carrefour BV à Korcula, no montante de R$ 1.095.629.201,83. Ou seja, o Carrefour BV foi  a  origem  dos  recursos  para  a  compra  do  Atacadão,  seja  através  de  aumento  de  capital  que  passou pela Brepa, seja através de empréstimo direto para a Korcula.  · A incorporação da Korcula pelo Atacadão foi precedida pela incorporação da Primart II e  Loly II pela Korcula.  · Consta nas atas de reuniões de sócios ocorridas nas empresas Primart, Loly e Korcula no  dia 17/09/2007, que as duas primeiras empresas seriam incorporadas pela Korcula e para isso  seria  celebrado  Protocolo  e  Justificativa  de  Incorporação  e  seriam  elaborados  laudos  de  avaliação pela empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes.  · Consta no  referido Protocolo  e  Justificativa de  Incorporação que  era do  real  interesse de  todas  as  sociedades  as  incorporações  da  Primart  II  e  Loly  II,  pois  isso  proporcionaria  uma  maior  sinergia  com  o  desenvolvimento  de  outras  atividades  afins,  além  da  economia  operacional e administrativa com a concentração das atividades administrativas em uma única  unidade.  Foram  estimados  os  valores  de  patrimônio  líquido  das  empresas  que  seriam  incorporadas, Primart II ­ R$ 230 milhões e Loly II ­ R$ 160 milhões.  · As empresas Primart II e Loly II deixaram de figurar no organograma do grupo Carrefour  em dezembro de 2007, aparecendo a Korcula como única acionista da fiscalizada, visto que a  aquisição direta e indireta da totalidade das quotas já havia ocorrido em abril de 2007.  · Na  seqüência,  como  consta  em  Ata  de  Reunião  de  Sócios  ocorrida  em  30/01/2008,  a  Korcula, única sócia da fiscalizada, autorizou a sua própria incorporação e nomeou a empresa  de  auditoria  Deloitte  Touche  Tohmatsu  Auditores  Independentes  para  avaliar  o  patrimônio  líquido da sociedade a ser incorporada.  · Reunião semelhante ocorreu na Korcula, em que os sócios Brepa e Carrefour aprovaram a  incorporação da controladora Korcula pela controlada Atacadão. Nesta reunião foi aprovado o  laudo de avaliação elaborado pela Deloitte que fixou o valor do patrimônio líquido da Korcula  Fl. 17275DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     8 em R$ 1.232.902.648,01, com data base de 31/12/2007. Também foi determinado que o capital  da incorporadora seria aumentado em R$ 675.238.682,84.  · Nota­se divergência entre as datas do laudo e do protocolo de justificativa de incorporação,  pois embora conste que o laudo foi elaborado conforme o definido no protocolo, o laudo tem  data  de  31/01/2008,  e  o  protocolo  de  15/02/2008.  Então,  o  protocolo  tratou  de  uma  incorporação já ocorrida.   · O  trecho  desse  documento  que  contém  a  justificativa  da  incorporação  é  o  mesmo  encontrado nos protocolos de incorporação da Primart II e Loly II, ambas pela Korcula.  · Foi  promovida  alteração  no  Contrato  Social  da  Atacadão,  em  31/01/2008,  finalizando  a  incorporação  da  Korcula.  O  capital  social  passou  de  R$474.607.496,00  para  R$1.149.846.178,84. Portanto, a empresa Atacadão passou a ser controlada direta da Brepa e  do Carrefour.  · Com a incorporação da Korcula pelo Atacadão, completa­se o planejamento  tributário de  aquisição  do Atacadão pelo Carrefour BV, ao  fazer  com que  o  próprio  adquirido  suporte  as  despesas  de  sua  aquisição.  O  ágio  apurado  e  o  empréstimo  contraído  passaram  a  ser  de  responsabilidade do Atacadão.  · Como  consta  do  Laudo  de  Avaliação  a  Valores  Contábeis,  em  31/12/2007,  do  acervo  líquido  da  Korcula,  os  principais  valores  a  serem  incorporados  eram  o  ágio  decorrente  do  investimento no Atacadão, que estava registrado por R$ 1.710.121.686,25, e no passivo a conta  de empréstimos que registrava o valor de R$ 1.085.266.000,00.  · Os  valores  pagos  pela  Korcula  estavam  acima  dos  valores  patrimoniais.  O  patrimônio  líquido  do  Atacadão  em  30/04/2007  era  de  R$  438.125.000,00.  Assim,  o  ágio  pago  na  aquisição  das  três  participações  chegou  a R$ 1.780.738.273,26. Após  os  ajustes  no  valor  da  aquisição,  decorrentes  de  compromissos  existentes  no  Atacadão  anteriores  à  data  de  fechamento e de responsabilidade dos vendedores conforme o Contrato de Venda e Compra de  Quotas, o valor efetivo do ágio apurado na operação atinge R$1.702.116.571,3642.  · A partir  de  fevereiro  de  2008,  após  a  incorporação  reversa  da Korcula  pelo Atacadão,  a  fiscalizada  iniciou  a  contabilização  da  despesa  com  amortização  do  ágio,  a  razão  de  um  sessenta  avos  por  mês,  no  valor  mensal  de  R$  28.368.609,52,  de  maneira  que  foram  amortizados os seguintes valores na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL:  ANO  VALOR  2008  312.054.704,75  2009  340.423.314,27  2010  340.423.314,27  2011  340.423.314,27  Total  1.333.324.647,56  · O  ágio  surge  na  aquisição  de  investimento  avaliado  pelo  método  da  equivalência  patrimonial  e  corresponde  à  diferença  a  maior  entre  o  preço  de  aquisição  e  o  valor  do  patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida. Integra o custo de aquisição da  participação  societária  para  fins  de  determinação  de  eventual  ganho  de  capital  quando  da  alienação do investimento. Cabe ao investidor segregar na contabilidade o preço total do custo  em duas subcontas distintas, ou seja, o valor do patrimônio líquido da investida numa subconta  e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta.  · Assim,  a  aquisição  de  participação  societária  com  ágio  ou  deságio  é  uma  transação  de  capital, entre sócios, que não envolve as atividades normais da empresa e, portanto, não deve  influenciar o seu resultado.  · O  resultado  da  adquirida,  transmitido  para  a  sua  controladora  pelo  mecanismo  da  equivalência  patrimonial,  não  é  tributado  nessa  controladora.  A  equivalência  patrimonial  Fl. 17276DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.273          9 recebida pode ser excluída na apuração do lucro real dessa controladora. Da mesma forma, o  ágio  apurado  e  registrado  pela  controladora  que  for  amortizado  contabilmente  deve  ser  adicionado na apuração do Lucro Real. Essas operações de capital não influenciam o resultado  tributável.  · Mesmo  no  caso  de  que  a  participação  societária  seja  vendida  posteriormente,  a  controladora pode adicionar o valor do ágio apurado quando da aquisição ao valor contábil da  controlada que está sendo vendida para fins de apuração do ganho ou perda de capital.  · A separação da transação societária das atividades normais da empresa só não se mantém  se houver uma situação de extinção dessa participação societária. No caso de haver uma fusão,  incorporação  ou  cisão  dessa  controlada  com  a  controladora,  os  resultados  das  atividades  da  controlada  e da controladora passam a ser apurados dentro da mesma empresa, não havendo  mais  transmissão  de  resultados  de  uma  empresa  para  outra  pelo mecanismo  da  equivalência  patrimonial. Nesta situação, o patrimônio da controladora e o patrimônio da controlada tornam­ se um só, havendo uma confusão patrimonial. Da mesma forma, os resultados das atividades  normais e os resultados das atividades de capital estão no mesmo patrimônio.  · Além  disso,  nesse  caso  também  já  não  é  mais  haver  a  venda  da  participação  societária  como tal e, portanto, não é possível a adição do valor do ágio apurado quando da aquisição ao  valor contábil de uma controlada que estivesse sendo vendida. Dessa forma, quando ocorre a  situação  de  confusão  patrimonial,  o  valor  do  ágio  que  for  amortizado  pode  ser  deduzido  na  apuração do lucro real, no prazo mínimo de 60 meses e desde que a sua constituição tenha se  dado em função de rentabilidade de resultados futuros. É. o que determina a legislação a seguir,  base legal de diversos artigos do RIR/99.  · Embora  o  ágio  deva  ser  segregado  em  uma  subconta  distinta,  a  contrapartida  da  sua  amortização  contábil  não  pode  gerar  efeitos  no  lucro  real,  de  acordo  com  o  parágrafo  único  do art. 23 do Decreto­lei n° 1.598/77.  · O art. 33 do mesmo diploma legal dispõe que o ágio apurado na aquisição do investimento  comporá  o  valor  contábil  para  fins  de  determinar  se  houve  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação desse mesmo investimento, ainda que o ágio tenha sido amortizado na escrituração  do contribuinte.  · Além da situação de alienação ou liquidação do investimento anteriormente adquirido com  ágio, o Decreto­lei n° 1.598/77 também disciplinou a situação de fusão, incorporação ou cisão  de  participações  societárias. De  acordo  com  o  art.  34,  no  caso  de  extinção  da  participação  societária  por  fusão,  incorporação  ou  cisão,  o  ganho  de  capital  deveria  ser  computado  na  apuração do lucro real e somente poderia ser diferida a parte do ganho de capital decorrente de  bens do ativo permanente, ao passo que a perda de capital poderia ser deduzida para fins fiscais  imediatamente ou diferida em até 10 anos.  · Posteriormente, com o objetivo de estabelecer condições para a dedutibilidade dos encargos  de amortização do ágio, de forma a coibir alguns abusos que eram cometidos em virtude desse  tratamento dispensado pelo art. 34 do Decreto­lei n° 1.598/77, o legislador definiu as situações  em  que  os  encargos  dessa  amortização  podem  ser  deduzidos  para  a  apuração  das  bases  de  cálculo do IRPJ e da CSLL.  · Esse  entendimento  consta  do  parágrafo  11  da  Exposição  de  Motivos  n°  644/MF,  relacionada à Medida Provisória n° 1.602, que por sua vez foi convertida na Lei n° 9.532/97 (o  art. 8º citado no parágrafo 11 passou a ser o art. 7º quando da conversão da medida provisória  em lei).  Fl. 17277DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     10 · Os denominados ganhos de natureza tributária a que fez referência a exposição de motivos  baseavam­se na baixa integral do ágio autorizada pelo art. 34 do Decreto­lei n° 1.598/77.  · O ganho tributário visado pelos tais planejamentos estava centrado na comparação entre o  valor  contábil  e  o  de  mercado  da  participação  societária  extinta.  O  art.  34  fazia  menção  à  extinção da participação societária pela qual se pagara um valor maior (valor contábil) do que o  seu  acervo  líquido  (valor  de  mercado)  no  momento  em  que  desaparecia  o  investimento.  O  inciso I, que deve ser interpretado em consonância com o caput do art. 34, mencionava que a  parte  dedutível  como  perda  era  a  diferença  entre  o  valor  contábil  e  o  valor  do  PL  extinto  avaliado a valor de mercado. Portanto, a baixa do ágio só tinha sentido se extinta a participação  paga com ágio. Esse artigo foi objeto do Parecer Normativo CST n° 51/79 que tratou de ganhos  e  perdas  de  capital  em  casos  de  incorporação,  fusão  e  cisão  de  sociedades,  quando  esses  eventos correspondem à extinção de ações ou quotas de capital da participação societária.  · A  Lei  n°  9.532/97  veio  estabelecer  novo  tratamento  fiscal  para  o  ágio  ou  deságio  na  aquisição  de  investimento  em  outras  empresas,  de  forma  a  somente  permitir  a  apuração  da  perda ou ganho de capital para os casos de extinção do investimento por incorporação, fusão ou  cisão das sociedades, não no momento do evento, mas num prazo de amortização não inferior a  60 meses. A possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da  CSLL  está  restrita  ao  caso  de  rentabilidade  futura,  como  previsto  no  inciso  III,  art.  386,  do  RIR/99.  · A legislação tributária, especificamente no comando do art. 386 do RIR/99, para permitir a  dedutibilidade da amortização do ágio, tem sua inteligência fundamentada na efetiva extinção  do  investimento  através  dos  institutos  da  incorporação,  fusão  e  cisão  entre  empresas  (investidora e investida), ou seja, a legislação tributária instituiu uma disciplina para tributação  do  resultado  (ganho/perda)  de  um  negócio  jurídico  particular  que  culmina  numa  confusão  patrimonial.  Impõe­se,  portanto,  a  absorção  do  patrimônio  da  incorporada,  fusionada  ou  cindida,  pois,  de  outra  forma  (permanecendo  a  existir  o  investimento)  não  se  caracteriza  a  situação  prevista na  norma,  que  é  exatamente  o  de  estabelecer  uma  regra de  tributação  para  quando acontece a confusão patrimonial do investimento.  · De  acordo  com  o  artigo  426  do  RIR/99,  com  base  legal  no  art.  33  do  Decreto­lei  n°  1.598/77,  se  a  participação  societária  for  alienada,  o  ágio  verificado  na  aquisição  do  investimento  faz  parte  do  valor  contábil  para  a  determinação  do  ganho  (tributável)  ou  perda  (dedutível) de capital. Esse artigo perderia o sentido se fosse admitida a amortização do ágio  transferido sem a extinção do investimento.  · Essa situação se dá nos casos em que o investimento é transferido para uma nova sociedade  controladora  (empresa  veículo)  que  é  incorporada,  ou  incorpora,  o  investimento  original.  A  antiga  sociedade  controladora  permanece  com  o  valor  do  investimento  representado  pela  participação na empresa veículo. O valor do ágio é registrado na empresa veículo e permanece  na antiga controladora, ou seja, o investimento não é extinto.  · De acordo com os dispositivos legais citados, uma condição obrigatória para a garantia da  dedutibilidade fiscal da amortização do ágio registrado em uma pessoa jurídica é o encontro da  participação societária adquirida e do ágio pago por tal participação em um mesmo patrimônio  (confusão patrimonial).  · No caso em análise, o ágio contabilizado  foi baseado no valor da rentabilidade  futura da  empresa adquirida. Tal fundamento foi justificado por diversos demonstrativos e tabelas, várias  em francês, sem nenhuma identificação, que foram apresentados à fiscalização como sendo a  Avaliação Econômico­Financeira do Atacadão que teria sido feita pela Korcula. É de se notar a  rapidez com que a Korcula conseguiu elaborar uma avaliação de rentabilidade futura, uma vez  que  passou  a  fazer  parte  do  grupo  Carrefour  somente  em  10/04/2007  e,  em  30/04/2007,  já  Fl. 17278DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.274          11 estava  adquirindo  a  empresa  objeto  da  avaliação.  E mais,  sem  ter  despesa  alguma  seja  com  empregados ou com prestadores de serviço.  · Em 20/09/2007 a empresa KPMG Corporate Finance apresentou o resultado da revisão da  Avaliação Econômico­Financeiro da empresa Atacadão que teria sido efetuada pela Korcula.  · A  data­base  da  avaliação  foi  30/04/2007  e  foram  utilizadas  informações  gerenciais  dos  exercícios  de  2005  e  2006,  orçamento  de  2007  e  plano  de  longo  prazo  de  2008  a  2015.  A  empresa  KPMG  concluiu  seu  relatório  informando  "que  o  valor  econômico­financeiro  do  Atacadão em 30 de abril de 2007 calculado pela Korcula de R$ 3.739 milhões foi, em linhas  gerais, calculado de forma coerente e dentro de práticas adotadas normalmente para a avaliação  de empresas."  · Questiona­se o cabimento da dedutibilidade, na apuração do IRPJ e da CSLL, da despesa  de amortização de um ágio transferido entre entidades do mesmo grupo econômico, em que a  empresa Korcula registrou o ágio gerado na aquisição da empresa Atacadão pelo Carrefour BV  e, desta maneira, o ágio gerado nesta aquisição é um ativo do Carrefour BV.  · O Carrefour BV foi a real adquirente do Atacadão, tendo não só fornecido a totalidade dos  recursos  financeiros  (via  aumento  de  capital  social  e  empréstimo),  que  fizeram  uma  rápida  passagem  pela  Brepa  e  pela  Korcula  antes  de  serem  transferidos  para  os  vendedores  do  Atacadão, como provavelmente foi o centro decisório da aquisição.  · Embora questionados  diversas  vezes,  desde  julho  de  2012,  nem  a  fiscalizada  (Atacadão)  nem  a  sua  suposta  controladora  (Brepa),  lograram  apresentar,  até  o  presente  momento,  qualquer documento societário em que a decisão da aquisição do Atacadão foi tomada.  · Em  resposta  protocolada  em  29/11/2012,  a  Brepa  parece  confirmar  que  a  decisão  pela  compra do Atacadão foi mesmo tomada no exterior: A fiscalizada esclarece que até a presente  data não foi possível localizar a documentação solicitada no prazo concedido. Não obstante,  vale  ressaltar  que,  conforme  prática  comum  nas  companhias  multinacionais,  as  decisões  empresariais  relacionadas  à  estratégia  de  crescimento  da  sua  atividade  são  tomadas  pelo  grupo Carrefour como um todo, com a participação de todas as empresas envolvidas, levando  em consideração os aspectos locais e internacionais das suas atividades.  · A passagem desses recursos pela Brepa e pela Korcula foi de apenas algumas horas, visto  que  foram  recebidos  em  30/04/2007  e  transferidos  para  os  vendedores  no  mesmo  dia  30/04/2007. Essa rápida passagem serviu apenas para dar a aparência formal ao negócio. E na  seqüência,  a  subsidiária Atacadão  incorporou  sua  controladora  formal Korcula, em operação  denominada de "incorporação às avessas", para dar aparência de extinção do investimento.  · A incorporação às avessas está prevista no § 4º do art. 264 da Lei 6.404/1976, porém esta  previsão não afasta a relevância das circunstâncias que podem cercar o caso concreto, visto que  a operação reversa pode estar sendo realizada abusivamente ou como negócio indireto com o  intuito de ludibriar a lei, não só a lei societária, mas também a lei tributária.  · A empresa Carrefour BV, empresa sediada na Holanda, através da Brepa, controladora do  grupo Carrefour  no Brasil,  adquiriu  a  empresa Atacadão  com  ágio  de R$  1.702.116.571,36,  utilizando a empresa Korcula, que foi inserida no grupo exclusivamente para aquisição do novo  investimento, com expectativa de curta existência, funcionando apenas como empresa veículo.  Como  era  previsível,  logo  foi  extinta  por  incorporação,  restando  claro  o  objetivo  de  obter  a  redução  de  tributos  pela  amortização  do  ágio  acima  citado.  Em  síntese,  a  Korcula  serviu  unicamente  para  a  passagem  dos  recursos  financeiros,  para  o  registro  do  ativo  adquirido  (especialmente o ágio), além do registro do empréstimo contraído.  Fl. 17279DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     12 · Apesar  dessa  constatação,  a  fiscalizada  foi  intimada  a  justificar  os  motivos  e  fins  da  existência  da  sociedade  Korcula,  destacando  os  benefícios  esperados.  Em  resposta  foi  informado  que:  (...) Como  se  tratava  de  um  novo  negócio,  sobre  o  qual  o  grupo Carrefour  ainda não tinha certeza dos resultados que iria alcançar, foi feita a opção por desenvolver a  nova  atividade  em  empresa  autônoma,  desvinculada  das  empresas  que  já  existiam  e  se  dedicavam ao mercado varejista. (...) após um período de adaptação, a existência da empresa  Korcula  Participações  Ltda  passou  a  ser  desnecessária.  Assim,  foi  feito  um  projeto  de  reestruturação  societária  do  grupo  Carrefour  no  Brasil,  com  o  objetivo  de  integrar  essa  sociedade e as demais empresas antes pertencentes ao Atacadão, ao grupo Carrefour. Com a  reorganização  das  empresas,  conseguiu­se  reduzir  os  custos  totais  de  manutenção  das  estruturas,  bem  como  foram  verificados  ganhos  de  eficiência  operacional,  administrativa  e  financeira.  · Confrontando­se  a  justificativa  supra  com  a  justificativa  dada  para  a  incorporação  da  Korcula,  observa­se  que  o  que  era  um  novo  negócio  sobre  o  qual  não  se  tinha  certeza  dos  resultados,  tornou­se uma atividade afim, a qual é conveniente que seja concentrada em uma  única unidade, acarretando considerável economia operacional e administrativa. Não se pode  deixar de destacar que a atividade era "afim" desde a aquisição do Atacadão, e que a economia  resultante da incorporação da Korcula não foi muito considerável, visto que não tinha custos,  as  despesas  eram  aquelas  decorrentes  da operação  com  o Atacadão, assim  como  as  receitas.  Ainda  de  acordo  com  as  informações  da DIPJ  2008,  ano­calendário  2007,  era  uma  empresa  sem empregados.  · Tais  alegações  demonstram  mais  ainda  a  artificialidade  das  operações.  Todos  esses  eventuais  custos  administrativos  com  diversas  empresas  que  precisaram  ser  incorporadas  teriam  sido  evitados  se  a  operação  real  tivesse  ocorrido,  ou  seja,  a  compra  do  Atacadão  diretamente pelo Carrefour BV. Esse é o  real negócio que  foi  realizado. No caso de haver o  interesse em concentrar todos os negócios na holding brasileira, a Brepa compraria diretamente  o Atacadão.  · Na verdade, o real motivo para que a operação em análise se efetuasse com a utilização de  uma empresa veículo foi  informado na resposta  transcrita a seguir, em que foram solicitados  esclarecimentos detalhados de quais  teriam sido as providências e os atos desenvolvidos pela  Korcula  e  que  não  poderiam  ter  sido  desenvolvidos  pela  Brepa  sem  afetar  as  atividades  normais de varejo:   · Além do intuito de desenvolver atividade no negócio de atacado por meio de uma empresa  autônoma,  a  Fiscalizada  esclarece  que  o  pagamento  do  preço  de  aquisição  das  quotas  das  sociedades  adquiridas,  conforme  acertado  negocialmente  pelas  partes,  só  seria  possível  mediante  a  contratação  de  uma  dívida  em montante  relevante,  por  conta  da  falta  de  caixa  suficiente nas sociedades do grupo Carrefour no Brasil. Essa dívida foi tomada pela Korcula,  no valor de RS 1.095.629.201,83 (um bilhão, noventa e cinco milhões, seiscentos e vinte e nove  mil,  duzentos  e  um  reais  e  oitenta  e  três  centavos),  diretamente  da  sociedade  Carrefour  Nederland  BV.  Posteriormente,  a  Korcula  tomou  novo  empréstimo  para  quitar  a  dívida  original com o Carrefour Nederland BV, tendo a dívida migrado para o Atacadão no momento  da incorporação da Korcula.  · A Fiscalizada esclarece ainda que a intenção do grupo Carrefour sempre foi transferir a  referida dívida para a própria  sociedade operacional adquirida, ou  seja,  transferir a dívida  para  o  Atacadão,  de  forma  que  a  dívida  fosse  paga  pelas  próprias  atividades  econômicas  daquela sociedade.  · Assim,  ao  tempo  da  aquisição,  seria  inconveniente,  do  ponto  de  vista  de  uma  administração  societária  eficiente,  utilizar  a  Brepa  para  a  aquisição  do  novo  investimento,  Fl. 17280DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.275          13 tendo em vista que essa sociedade sempre foi, e ainda é, utilizada como a sociedade holding  centralizadora das atividades do grupo Carrefour no Brasil.  · Isso  significa  que  a  utilização  da  Brepa  como  sociedade  adquirente  do  investimento  no  Atacadão,  ou  qualquer  outra  sociedade  do  grupo  Carrefour,  não  teria  permitido  o  preenchimento de condicionantes fundamentais da aquisição, tais como: (i) o desenvolvimento  do negócio de atacado por meio de uma sociedade autônoma; e (ii) a contratação da dívida no  valor R$ 1.095.629.201,83 a ser transferida para a sociedade operacional.  · Nesta resposta fica claro o real motivo para a existência da empresa veículo Korcula, que  não  estava  explicitado  ainda:  transferir  a  dívida  da  aquisição  do  Atacadão  para  a  própria  sociedade  operacional  adquirida,  de  forma que  a  dívida  fosse  paga  pelas  próprias  atividades  econômicas do Atacadão  · Embora  não  seja  explicitamente mencionado  nessa  resposta,  o mesmo  se  aplica  ao  ágio  apurado nessa aquisição.  · Para não deixar nenhuma dúvida quanto a esse propósito, na resposta apresentada ao item 9  do  Termo  de  Intimação  n°  20,  em  que  foi  solicitado  ao  contribuinte  que  demonstrasse  e  quantificasse  claramente  a  redução  dos  custos  de manutenção  das  estruturas  e  os  ganhos  de  eficiência operacional, administrativa e financeira obtidos com a incorporação da Korcula, diz­ se que o principal benefício gerado pela  incorporação  reversa da Korcula pelo Atacadão  é  a  transferência do passivo relacionado com a aquisição do Atacadão para o próprio Atacadão.  · Há  um  outro  aspecto  bastante  engenhoso  nesta  operação,  que  é  o  pagamento  de  parte  da  aquisição  com  empréstimo.  O  empréstimo  concedido  pelo  Carrefour  BV  à  empresa  Korcula  representou  49% do  pagamento  aos  vendedores,  portanto,  49% do  ágio  apurado  no  negócio.  · Da  concessão  do  empréstimo,  em  30/04/2007,  até  a  incorporação  pelo  Atacadão,  em  janeiro de 2008, a Korcula não pagou juros nem nenhum valor do principal. Em 18/01/2008,  pouco  antes  da  sua  incorporação,  a Korcula  tomou um novo empréstimo  com o  grupo BNP  Paribas, através de venda de títulos de sua emissão, representativos de quotas de capital, com  prazo para  recompra. Com a  incorporação  reversa, esse empréstimo passou a  ser encargo do  próprio Atacadão.  · O  ágio  é  um  ativo  de  quem  paga  o  investimento.  Neste  caso,  é  o  Carrefour  BV,  empresa  sediada  no  exterior,  o  local  de  decisão  da  operação  e  a  provedora  dos  recursos  necessários para a sua execução, é a ela que pertencem o investimento e o ágio decorrente. E  por  estar  no  exterior  a  fonte  dos  recursos,  por  conseguinte,  o  ágio  não  tem  como  ser  amortizado aqui no Brasil.  · E  ainda  que  se  admita  que  o  adquirente  fosse  a  holding  do  grupo  no  Brasil,  a  Brepa,  ou  que  o  Carrefour  BV  transferisse  o  controle  do Atacadão  para  a  Brepa  após  a  aquisição,  também  não  haveria  como  amortizar  o  ágio.  Nas  próprias  respostas  apresentadas  pela  fiscalizada,  admite­se  que  o  grupo  Carrefour  nunca  pretendeu,  ou  não  podia,  incorporar  a  Brepa  ou  o  Atacadão.  E  sem  a  ocorrência  dessa  operação  de  incorporação  não  há  como  amortizar ágio, visto que a amortização prevista no art. 386 do RIR/99  requer a extinção do  investimento, o que de fato não ocorreu no presente caso.  · Para comprovar o fato de que o investimento não foi extinto, obteve­se o Razão contábil da  Brepa  que  registra  os  seus  investimentos  em  participações  societárias.  Constatou­se  que  a  Brepa contabiliza o valor do investimento no Atacadão pelo mesmo valor que contabilizou o  investimento  na  Korcula,  simplesmente  trocando  o  nome  da  empresa  investida.  Ou  seja,  a  Fl. 17281DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     14 Brepa detém, atualmente, o investimento no Atacadão em seu ativo pelo equivalente ao valor  do patrimônio liquido, à época da aquisição, mais ágio apurado com os recursos aportados (o  aumento de capital na Korcula). Se o investimento no Atacadão permanece no ativo da Brepa é  porque o investimento não foi extinto.  · Não  cabe  aqui  avaliar  as  razões  empresariais  apresentadas,  porém  nenhuma  das  razões  exige  a  criação  de  uma  terceira  empresa,  pois  todas  as  alegações  apresentadas  poderiam  ser  atendidas perfeitamente se a empresa Atacadão permanecesse como controlada direta da Brepa  e do Carrefour. Aliás, é essa a situação da empresa Atacadão hoje: controlada direta das citadas  empresas  e  inserida  no  grupo  Carrefour.  Porém,  amortizando  despesas  de  ágio  surgido  por  ocasião de sua própria aquisição e reduzindo o total de tributos a pagar.  · O  problema  é  que  ao  lado  desse  interesse  empresarial  de  manter  as  empresas  independentes,  houve  também  o  interesse  em  se  beneficiar  tributariamente,  melhorando  as  condições  financeiras  da  aquisição.  Para  isso  foi  criada  a  Korcula,  para  forjar  um  pretenso  enquadramento  nas  condições  do  art.  386  do  RIR/99.  Assim,  o  grupo  Carrefour  pretendeu  atender o seu interesse empresarial e com a vantagem da dedução da despesa de amortização.  Se  a  aquisição  do  Atacadão  tivesse  sido  efetuada  pela  Brepa  ou  pelo  Carrefour,  ou  outra  empresa  do  grupo,  e  nela  permanecesse,  somente  seria  atendido  um  dos  interesses:  ou  o  empresarial de ficar com a holding e o Atacadão, tal como estão, ou a redução tributária.  · Em  reorganizações  societárias  que  envolvam  um  conjunto  de  etapas  sucessivas  e  que  tenham como objetivo a redução da carga tributária há de se conhecer o todo, pois o fato a ser  enquadrado é o conjunto e não apenas etapas isoladas.   · O elemento relevante quando se analisa a existência de uma pessoa jurídica não é apenas a  sua  existência  formal,  mas  também  a  identificação  do  empreendimento  que  justifique  a  sua  existência. A  constituição  de  uma  empresa  só  tem  sentido  na medida  em que  corresponda à  vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional.  · É  preciso  levar  em  conta  as  definições  legais  trazidas  pela  Lei  n°  10.406,  de  2002,  o  Código Civil (CC), em seu artigo 44, inciso II, artigo 45, artigo 46, incisos I a VI, artigos 50,  966, 967, 968, 981 e 985.   · Apesar  de  todos  os  atos  de  constituição  da  pessoa  jurídica  serem  atos  que  requerem  a  adoção de formalidades específicas, o reconhecimento da autonomia pessoal e patrimonial da  pessoa  jurídica  não  se  esgota  na  verificação  da  adoção  das  formalidades  previstas  em  lei  (registro dos atos constitutivos nos órgãos competentes).  · Cumpre verificar se a pessoa jurídica foi de fato constituída para fins específicos (em regra,  destinada à atividade empresarial especificamente definida no objeto do contrato social), ou se,  ao  contrário,  apesar  de  contratualmente  constituída  para  o  desempenho  de  uma  atividade  empresarial,  é  utilizada  apenas  para  abrigar  determinadas  operações  e  evitar  a  incidência  de  tributos.  · Um pressuposto fático de existência da sociedade comercial é a affectio societatis, que diz  respeito à disposição dos sócios de lucrar ou suportar prejuízos em decorrência da exploração  do negócio  comum. Sem essa disposição não haverá  a conjugação de  esforços necessária  ao  desenvolvimento da empresa,  em conformidade  com o art.  981 do Código Civil. Esse  artigo  dispõe  que  celebram  contrato  de  sociedade  as  pessoas  que  reciprocamente  se  obrigam  a  contribuir,  com  bens  ou  serviços,  para  o  exercício  de  atividade  econômica  e  para  partilhar,  entre  si,  os  resultados  obtidos,  podendo  realizar  atividades  de  um  ou  mais  negócios  determinados. E o art. 982 do Código Civil dispõe que, salvo as exceções expressas, considera­ se empresária a sociedade que  tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário  sujeito a registro.  Fl. 17282DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.276          15 · Assim,  a  finalidade precípua  é  a  realização  de  negócios  que  caracterizam o  exercício  de  atividade econômica. No caso específico da sociedade empresária, pelo teor do art. 966 do CC,  é  empresário  quem  exerce  profissionalmente  atividade  econômica  visando  a  produção  ou  a  circulação  de  bens  ou  de  serviços.  Portanto,  a  atividade  econômica  é  materializada  pela  produção e circulação de bens e serviços mediante organização de fatores de produção (capital,  trabalho, matéria­prima etc).  · A  formação  de  ambas  as  sociedades,  empresária  e  simples,  está  adstrita  ao  ânimo  do  exercício de atividade econômica e se este não existir fica caracterizada a ausência de propósito  societário,  não  originando,  assim,  a  motivação  para  a  própria  celebração  do  contrato  de  sociedade.  Subsidiariamente,  neste  caso,  deve­se  ponderar  que  não  haveria  nem  mesmo  quaisquer resultados a serem partilhados.  · Neste  contexto,  pergunta­se  qual  é  o  papel  da  Korcula  e  qual  atividade  econômica  ela  exerceu durante o seu curto período de existência. Serviu apenas para transferência do ágio e  do empréstimo para a fiscalizada.  · Em  estudos  sobre  planejamento  tributário,  são  citadas  situações  que  são  perfeitamente  aplicáveis  ao  caso  sob  exame.  Uma  delas  é  a  que  se  chama  de  empresa  veículo  ou  de  passagem, que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem  de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto.  Trata­se de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado  recurso.  · Outro  exemplo  de  sociedade  é  a  denominada  sociedade  efêmera  ou  empresa  de  curta  duração que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada  operação.  · Assim,  algumas  vezes,  no  planejamento,  uma  sociedade  é  criada  para  participar  de  determinado  negócio  ou  receber  determinado  patrimônio  em  trânsito  para  outra  pessoa  jurídica eventualmente  ligada à  figura do ágio. Feito  isto, a empresa pode desaparecer. Foi o  que ocorreu com a empresa Korcula, desapareceu.  · Sobre  esse  tipo  de  operação,  incorporação  reversa  e  sem  propósito  negocial,  com  utilização  de  empresa  veículo,  cita­se  julgado  no  Conselho  de  Contribuintes,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  Carf,  em  que  as  empresas  Brepa  e  Carrefour foram partes em operação semelhante.   · A operação em análise parece ser um aprimoramento daquela operação citada no acórdão  referido. Aqui,  em  vez  de  a  Brepa  apurar  o  ágio  para  depois  transferi­lo  para  uma  empresa  veículo, a empresa veículo já nasceu recebendo o capital que lhe permitiria registrar o ágio.  · Além do acórdão mencionado, citam­se outros  sobre esse  tipo de operação,  incorporação  reversa  e  sem  propósito  negocial  com  a  utilização  de  empresa  veículo,  resultados  de  julgamentos de processos no Conselho de Contribuintes, atual Carf.  · O  lucro  real  é  o  lucro  contábil  (apurado  de  acordo  com  as  leis  comerciais)  ajustado  por  adições e exclusões, e se o lucro contábil está contaminado por uma despesa artificial, também  o lucro real estará.  · No  tocante  à  CSLL,  há  de  se  analisar  o  que  diz  o  art.  2º  da  Lei  n°  7.689/88  (com  as  alterações promovidas pela Lei n° 8.034/90), que instituiu a CSLL e também o art. 57 da Lei n°  8.981/95, com redação dada pela Lei n° 9.065/95.  Fl. 17283DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     16 · E,  ao  regulamentar  as  leis  que  disciplinaram  a  CSLL,  a  IN  SRF  n°  390/2004  consolidou  a  regra  prevista  no  dispositivo  mencionado.  Seu  artigo  75  tratou,  exclusivamente, do  investimento em sociedades  coligadas ou controladas avaliado pelo valor  de patrimônio líquido, nos casos de incorporação, fusão ou cisão.   · Assim,  a  determinação  da  base  de  cálculo  da CSLL  inicia­se  no  resultado  apurado  com  base na legislação comercial, como já visto para o IRPJ.  · Por  todo  o  exposto,  não  cabe  a  redução  da  base  de  cálculo  tributável  pela  despesa  de  amortização do ágio,  visto que a utilização da via  indireta  (constituição de  empresa veículo)  teve como único objetivo contornar a  restrição da  legislação  tributária para operacionalizar a  amortização do ágio, buscando, assim, os benefícios de se pagar menos tributos.  · Ademais,  a  suposta  reestruturação  societária  não  resultou  em  concentração  das  empresas  envolvidas ou mesmo liquidação do investimento. Tudo continuou como o previsto e desejável  e a empresa investidora (Carrefour BV) não deixou de existir, assim como a holding Brepa não  deixou de existir, nem a empresa adquirida ­ Atacadão. As operações realizadas em seqüência  revelaram­se meramente formais e desprovidas de finalidade econômica, tendo como objetivo  a transferência do ágio da empresa veículo para dentro da própria adquirida com a finalidade  de  criar  uma  aparente  absorção  ou  extinção  do  investimento  (artigos  7º  e  8º  da  Lei  n°  9.532/1997), para na seqüência dar início à redução da carga tributária.  Contratação de empréstimo com controladora estrangeira e despesa financeira  · A aquisição do Atacadão foi efetuada com recursos provenientes da empresa Carrefour BV,  situada  na Holanda. A aquisição  foi  feita  por R$ 2.233.440.000,00,  repassados  pela  empresa  holandesa  à  empresa  Korcula  de  duas  formas,  mediante  aumento  de  capital  e  através  da  concessão  de  empréstimo.  Até  a  sua  quitação  não  houve  pagamento  de  principal  nem  de  encargos para o Carrefour BV.  · Em 18/01/2008, o empréstimo foi quitado pela Korcula, que tomou novo empréstimo para  quitar a dívida original com a controladora holandesa Carrefour BV. A dívida migrou para a  empresa adquirida Atacadão, no momento da incorporação reversa da Korcula.  · Esse  novo  empréstimo  está  lastreado  em  um  "Contrato  de  Agência  para  Pagamentos  e  Conversão", firmado entre a Korcula e o BNP Paribas Securities Services, em que a Korcula  emitiu 400  títulos conversíveis em ações ou quotas no valor de 400 milhões de euros. Esses  títulos são valores mobiliários que dão direito a subscrição de ações ou cotas do capital e são  regidos  pelo  Código  Comercial  da  França.  Os  documentos  apresentados  indicam  apenas  a  instituição responsável pela guarda e controle dos títulos, o BNP Paribas Securities Services.  · Com  a  incorporação  reversa,  em  30/01/2008,  os  400  títulos  de  emissão  Korcula  foram  substituídos por 400  títulos do Atacadão. O "Detentor dos Títulos", na denominação adotada  nos  "Termos  e  Condições  dos  Títulos",  é  uma  empresa  denominada  FIDUPAR,  sediada  em  Luxemburgo, conforme o Bond Certificate, e integrante do grupo BNP Paribas, de acordo com  as informações da fiscalizada.  · O primeiro questionamento que surge é  se esses empréstimos  (o original e o novo) eram  realmente  imprescindíveis  para  a  condução  das  atividades  da  empresa Atacadão. Os  valores  para  o  empréstimo  e  para  o  aumento  de  capital  foram  disponibilizados  pelo  Carrefour  BV  praticamente na mesma data. Assim, não  se pode dizer que o  empréstimo era  essencial  para  efetivação  da  aquisição  do  Atacadão,  pois  não  houve  outra  fonte  de  recursos,  ou  seja,  o  adquirente  do  exterior  possuía  a  totalidade  dos  recursos.  A  origem  dos  dois  aportes  foi  a  mesma: a controladora estrangeira Carrefour BV.  · Da mesma  forma  que  disponibilizou  parte  dos  recursos  por meio  de  aumento  de  capital  poderia fazê­lo para a totalidade dos recursos. No entanto, a opção foi pelo empréstimo a ser  Fl. 17284DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.277          17 suportado pela adquirida. Note­se que não houve pagamento algum, seja de principal seja de  juros, enquanto o empréstimo estava nominalmente de responsabilidade da Korcula. Com a sua  incorporação  pelo Atacadão, os  recursos  foram  ressarcidos  ao Carrefour BV pela venda  dos  títulos citados anteriormente, e, então, o Atacadão passa a arcar com o pagamento de juros e do  principal.  · Esses encargos passaram a gerar despesas financeiras a serem deduzidas da base tributária  pela  fiscalizada  desde  a  incorporação  reversa  da  Korcula  (além  da  dedução  da  despesa  de  amortização  de  ágio),  reduzindo  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  mediante  o  endividamento realizado.  · Frise­se  que  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  exterior,  ao  adquirir  subsidiária  no  País  ­ Atacadão, subscreveu e  integralizou apenas parte do capital social, visto que parte do capital  foi  substituída  pelo  empréstimo,  que  gera  juros  que  reduzem  os  resultados  da  subsidiária  brasileira.  · O  segundo  questionamento  que  surge  é  se  as  despesas  incorridas  com  o  empréstimo  (suportadas  pelo Atacadão)  são  necessárias  às  atividades  da  empresa  recém  adquirida,  visto  que por liberalidade do controlador residente no exterior adotou­se a forma de empréstimo em  detrimento  da  conversão  deste  recurso  em  capital  social.  Liberalidade não  se  confunde  com  necessidade.  · Se não fosse a controladora no exterior a detentora da Brepa (98,29% de participação), que  por  sua  vez  era  detentora  da  Korcula  (98,91%  de  participação),  certamente  não  haveria  tal  empréstimo, pois não haveria a garantia de que a dívida seria honrada. Ou seja, em qualquer  outra situação no mundo dos negócios este empréstimo seria cercado de diversas garantias, se é  que  viesse  a  ser  concedido,  visto  que  a  Korcula  era,  naquela  época,  uma  empresa  recém­ constituída  e  desprovida  de  bens  e  com  poucos  reais  registrado  em  seu  capital  social  (R$100,00).  · Considera­se  que  a  decisão  entre  contrair  empréstimos  ou  capitalizar  possa  ser  uma  conveniência  de  contribuintes,  mas  não  se  pode  afirmar  que  as  despesas  advindas  do  empréstimo  em  tela  eram  necessárias  para  que  a  fiscalizada  operasse,  pois  o  recurso  foi  utilizado integralmente para a aquisição da fiscalizada, ou seja, foi imediatamente repassado a  terceiros (antigos donos do Atacadão).  · Despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real são aquelas que, pela previsão  legal, enquadram­se na observância de que os gastos efetuados sejam estritamente necessários  à atividade da pessoa jurídica, além de usuais, normais e compatíveis com o tipo de transação,  operação,  ou  atividade  produtora  e  geradora  de  receita.  Para  as  despesas  financeiras  serem  consideradas dedutíveis, devem ser necessárias para a realização das transações ou operações  exigidas pela atividade da empresa.  · O  conceito  de  despesas  necessárias  foi  trazido  pelo  artigo  47,  da  Lei  n°  4.506/64,  e  foi  consolidado no artigo 299 do RIR 1999.  · O  art.  374  do  RIR  1999  traz  as  condições  para  que  os  juros  pagos  possam  ser  considerados  como  despesa.  Nele  os  juros  e  encargos  pagos  pelo  Atacadão  pelo  empréstimo com o BNP Paribas não se enquadram.   · O Atacadão é uma empresa constituída por quotas de  responsabilidade  limitada, portanto  regida pela Lei n° 3.708/1919,  e  tem como objeto  social:  a)  distribuição,  comércio,  atacado,  indústria,  importação e exportação de artigos, materiais, produtos e/ou mercadorias em geral,  primários  e  industrializados;  b)  exploração  de  supermercados  e  lojas  de  departamentos,  Fl. 17285DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     18 restaurantes e lanchonetes; c) prestação de serviços fitossanitários, de auxiliares do comércio e  de  transporte;  e  d)  participação  em  outras  empresas,  no  País  ou  no  exterior,  quer  como  acionista, quer como sócia quotista.  · Não  há  relação  entre  a  motivação  do  empréstimo  e  as  atividades  desenvolvidas  pelo  Atacadão. A atividade que mais se aproxima é a de participação em outras empresas, que, por  evidente,  não  se  confunde  com  a  participação  na  própria  empresa,  e  muito  menos  o  que  aconteceu  no  presente  caso,  financiamento  de  sua  própria  aquisição.  Para  o  Atacadão  esse  empréstimo  não  tem  necessidade  alguma,  é  um  passivo  que  não  representou  a  entrada  de  qualquer ativo em troca.  · A empresa Atacadão não precisa dessa despesa financeira para continuar a gerar resultados.  Pelo contrário, os seus resultados seriam melhores sem essa despesa.  · Em agosto de 2009, em análise de caso semelhante a Câmara Superior de Recursos Fiscais  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  Carf  considerou  como  desnecessárias  as  despesas  de  juros  e  variações  cambiais  relativas  a  empréstimo  de  sócia  em  detrimento  à  integralização de capital (Acórdão n° 9101­00.287, de 24 de agosto de 2009).  · Portanto,  os  valores  das  despesas  financeiras  devem  ser  adicionados  na  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL  por  ser  o  empréstimo  que  lhe  deu  origem  e  as  despesas  financeiras  decorrentes  desnecessárias  às  atividades  da  empresa,  nos  termos  dos  artigos 299 e 374, do RIR 1999.  Pagamento de juros sobre o capital próprio  · O pagamento de  juros  sobre o  capital  próprio  foi  feito  em desacordo com a participação  societária  de  cada  um  dos  sócios  e  por  um  valor  superior  ao  correto,  em  decorrência  da  aquisição do Atacadão ter passado por uma empresa veículo.  · Os pagamentos deveriam ter sido efetuados a seus sócios de acordo com o capital próprio  empregado por cada um deles. Os sócios do Atacadão a partir de 2008 são a Brepa Comércio e  Participação Ltda., com 98,91% de participação, e o Carrefour Comércio e Indústria Ltda, com  1,09%  de  participação.  O  percentual  de  participação  societária  de  cada  um  dos  sócios  se  manteve o mesmo ao longo do período de 2008 a 2011, com a mesma quantidade de capital e  de quotas.  · Porém, o pagamento de juros sobre capital próprio foi efetuado em percentuais  invertidos  em relação à participação societária e, portanto, em relação ao reconhecimento da equivalência  patrimonial. A Brepa, que detém 98,91% do capital, recebeu 1,09% dos  juros sobre o capital  próprio, e o Carrefour, que detém 1,09% do capital, recebeu 98,91% dos juros sobre o capital  próprio.   · O  fato  de  as  sócias  pertencerem  ao  mesmo  grupo  econômico,  longe  de  justificar  essa  inversão nos percentuais de pagamento, é o que  confirma o motivo para que os  JCP  tenham  sido  pagos  dessa  forma.  A  motivação  é  clara  quando  se  verificam  os  resultados  das  duas  empresas sócias pelas suas DIPJ, na ficha 09A. Enquanto a Brepa teria um resultado tributável  positivo com o recebimento de juros sobre o capital próprio no montante que lhe corresponde,  o Carrefour pode absorver essa receita e permanecer com o resultado negativo. Veja­se o Lucro  Real declarado pelas sócias, considerando a receita de JCP:  DIPJ / Ano­calendário  Lucro Real (R$) BREPA  Lucro Real (R$) CARREFOUR  2010/2009  2011/2010  2012/2011  539.321.979,15  ­613.111,78  ­1.360.273,82  220.620,74  ­378.514.320,22  ­198.903.749,12  · Dessa  forma,  obtém­se  uma  economia  tributária  correspondente  aos  valores  dos  tributos  que a Brepa deveria pagar em função dessa receita de JCP.  Fl. 17286DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.278          19 · Ocorre  que  o  valor  de  juros  sobre  o  capital  próprio  pago  em  excesso  à  participação  societária não se enquadra no conceito de juros sobre o capital próprio. O art. 347 do RIR/99  disciplina a matéria.  · A lei fala em juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  ou  seja,  a  limitação  do  pagamento  de  JCP  à  participação  societária  é  intrínseca  à  definição  do  instituto.  Se  o  que  se  paga  aos  sócios  ou  acionistas é a remuneração do capital por eles investido na empresa, é óbvio que a remuneração  de cada um, a esse título, deve corresponder à aplicação da taxa sobre a sua respectiva parcela  do capital, do contrário, haveria remuneração também pelo capital aplicado por terceiros.  · Nada  impede  que  a  interessada,  por  força  de  convenção  particular,  lhes  credite  valor  superior  àquele  que  corresponderia  à  remuneração  da  sua  parcela  do  capital.  Porém,  o  excedente  não  pode  ser  caracterizado  como  juros  sobre  o  capital  próprio,  nem  aproveitar  a  dedutibilidade a eles concedida pela lei.  · Esse  é  o  entendimento  também  do  Carf,  expresso  no  Acórdão  n°  1301­00.480,  da  3ª  Câmara, na sessão de 27 de janeiro de 2011.  · Mas,  ainda  que  os  JCP  tivessem  sido  pagos  na  proporção  da  participação  societária,  estariam sendo deduzidos em excesso, em virtude de a aquisição do Atacadão ter passado por  uma empresa veículo.  · Como  conseqüência  da  incorporação  da  empresa  veículo,  o  Atacadão  teve  um  aumento do seu  capital  social, que passou a ser parte da base de cálculo para os  juros  sobre  capital  próprio.  O  aumento  de  capital  social  no  Atacadão  por  ocasião  da  incorporação  da  Korcula foi de R$ 675.238.682,84, correspondente ao seu ativo líquido.  · Se  a  operação  tivesse  ocorrido  diretamente,  sem  o  uso  de  empresa  veículo,  o  ágio  não  poderia  estar  sendo  amortizado  pelo Atacadão,  e  o  seu  capital  social  também não  teria  sido  aumentado em R$ 675.238.682,84. Calculando­se os juros sobre o capital próprio sem o efeito  da incorporação da Korcula, obtém­se:    2009  2010  2011      Cálculo da  fiscalizada  Cálculo sem  Incorporação da  Veículo  Cálculo da  fiscalizada  Cálculo sem  Incorporação da  Veículo  Cálculo da  fiscalizada  Cálculo sem  Incorporação da  Veículo  Capital Subscrito de  Domiciliados e  Residentes no País  1.149.846.178,84  474.607.496,00  1.149.846.178,84  474.607.496,00  1.149.846.178,84  474.607.496,00  Reservas de Lucros  27.459.713,23  27.459.713,23  27.459.713,23  27.459.713,23  27.459.713,23  27.459.713,23  Lucros Acum. e/ou  Saldo à Dispos.  Assembléia  ­152.281.149,06  ­152.281.149,06  245.364.862,77  245.364.862,77  562.611.845,44  562.611.845,44  PL  1.025.024.743,01  349.786.060,17  1.422.670.754,84  747.432.072,00  1.739.917.737,51  1.064.679.054,67  TJLP  6,124%  6,1249%  6,0000%  6,0000%  6,0000 %  6,0000%  JCP  62.782.011,09  21.424.046,40  85.360.245,29  44.845.924,32  104.395.064,25  63.880.743,28  · Observa­se que, apesar dos valores calculados pela fiscalizada, o Atacadão teve, em 2009,  despesas  efetivas  de R$ 30.186.796,18  a  título  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  em 2010  as  despesas  efetivas  de  JCP  foram  de  R$  85.419.779,39  e,  em  2011,  foram  de  R$  104.4677.725,99.  · Assim,  mesmo  que  o  pagamento  dos  JCP  tivesse  sido  efetuado  na  proporção  das  participações societário, haveria uma glosa de despesa indedutível nos seguintes valores:  Ano­calendário  Valor JCP pago  Valor JCP dedutível  Valor que seria glosado  2009  30.186.796,18  21.424.046,40  8.762.749,78  Fl. 17287DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     20 2010  85.419.779,39  44.845.924,32  40.573.855,07  2011  104.467.725,99  63.880.743,28  40.586.982,71  · Porém, como o pagamento de  juros sobre o capital próprio foi  feito em desacordo com a  participação societária de cada um dos sócios e, assim, o excedente não pode ser caracterizado  como  juros  sobre o capital próprio, nem aproveitar a dedutibilidade a ele concedida pela  lei,  sua dedução será glosada.   Lançamento do crédito tributário   · Comprovada a falta de respaldo legal para a dedução das despesas de amortização do ágio  na apuração do IRPJ e da CSLL, será efetuada a glosa dos valores da dedução das despesas de  amortização no período de 2008 a 2011.  · Comprovada  a  falta  de  necessidade  das  despesas  financeiras  (por  não  serem  usuais,  normais e compatíveis com o tipo de transação, operação ou atividade produtora e geradora de  receita,  nos  termos  do  artigo  299  combinado  com  artigo  374  do  RIR/99)  decorrentes  do  empréstimo  tomado  pela  controladora,  já  incorporada,  para  pagar  pela  aquisição  da  própria  fiscalizada, será efetuada a adição na apuração do IRPJ e da CSLL dos valores respectivos.  · Comprovado que o pagamento de juros sobre o capital próprio foi feito em desacordo com  a participação societária de cada um dos sócios,  e que o excedente não pode ser aproveitado  como despesa para dedução do lucro real e da base de cálculo da CSLL, serão glosados nesta  fiscalização os valores respectivos.  · No  2º  trimestre  do  ano  calendário  2008,  a  contribuinte  apurou  prejuízo  fiscal  no  valor  de  R$  15.740.849,29  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  no  valor  de  R$  15.740.849,29,  valores compensados no próprio período pela fiscalização em vista do lançamento efetuado.  · No  3º  trimestre  de  2008,  a  contribuinte  apurou  prejuízo  fiscal  no  valor  de  R$  7.198.811,89  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  no  valor  de  ­R$  7.198.811,89,  valores  compensados no próprio período pela fiscalização em vista do lançamento efetuado.  · Parte  desses  prejuízos  fiscais,  R$  2.808.338,80,  e  das  bases  de  cálculo  negativas  da  CSLL, R$ 2.808.338,80, apurados pela contribuinte no 2o e 3o trimestre de 2008, foi utilizado  pela contribuinte para compensar 30% dos resultados positivos obtidos no 4o trimestre do ano  calendário de 2008.  · No ano calendário 2009, a contribuinte apurou prejuízo fiscal no valor de R$119.068,40 e  base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 119.068,40. Os valores de prejuízo fiscal e  base de cálculo negativa de CSLL foram compensados no próprio período pela fiscalização em  vista do lançamento efetuado.  · No  ano­calendário  2010,  a  contribuinte  utilizou  parte  dos  prejuízos  fiscais,  R$19.531.088,40, e das bases de cálculo negativas da CSLL, R$ 18.944.822,10, apurados no 2º  e 3º trimestre de 2008, para compensar 30% dos resultados positivos obtidos.  · Já  no  ano­calendário  2011,  a  contribuinte  utilizou  o  restante  dos  prejuízos  fiscais,  R$719.302,18, e das bases de cálculo negativas da CSLL, R$1.305.568,48, apurados no 2º e 3º  trimestre de 2008, para compensar parcialmente os resultados positivos obtidos.  · Em  conseqüência  das  infrações  apuradas  pela  fiscalização,  os  valores  compensados  pelo  sujeito passivo no 4° trimestre do ano calendário de 2008 e nos anos­calendário de 2010 e 2011  são indevidos, por não existir saldo de prejuízo fiscal ou saldo negativo de base de cálculo de  CSLL a compensar e, portanto, também serão lançados de ofício, de acordo com a Planilha de  Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ e a Planilha de Compensação de Base Negativa da  CSLL.  Multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa  Fl. 17288DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.279          21 · No período  de 2009  a  2011,  a  fiscalizada  apurou  estimativa mensal  de  IRPJ  e de CSLL  com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução.  · A dedução de despesas de amortização de ágio e despesas financeiras relativas ao contrato  com  o  BNP  Paribas  levou  a  fiscalizada  a  apurar  uma  receita  mensal  menor  do  que  a  real,  calculando a estimativa de IRPJ e CSLL a menor em todo o período sob fiscalização. O mesmo  efeito teve a dedução dos pagamentos de juros sobre o capital próprio no mês de dezembro dos  anos de 2009 a 2011.  · O  art.  44  da  Lei  n°  9.430/95  dispõe  claramente  que  deverá  ser  lançada multa  de  ofício  isolada de 50% sobre o valor não recolhido da estimativa.  · Nos cálculos das estimativas os valores apurados relativos à glosa das despesas deduzidas  serão  acrescidos  às  bases  de  cálculos  mensais  do  IRPJ  e  da  CSLL  ­  das  respectivas  DIPJ.  Assim,  serão  apuradas  nesta  fiscalização  as  multas  isoladas  pelo  não  recolhimento  das  estimativas devidas.  · Verificou­se nos Lalur desses períodos exclusões indevidas na apuração da base de cálculo  do IRPJ mensal, relativas às amortizações de ágio no valor mensal de R$28.368.609,52, além  de  deduções  de  despesas  financeiras  não  necessárias  e  de  despesas  de  juros  sobre  o  capital  próprio indedutíveis na apuração do lucro líquido, os quais foram adicionadas na apuração do  lucro real.  · Para o IRPJ, nos anos­calendário de 2009 a 2011, o contribuinte apurou a estimativa com  base em balanço de suspensão ou redução, calculando o IR à alíquota de 15% e adicional.  · Assim, procedeu­se a apuração das estimativas devidas e apresentadas no Demonstrativo de  Apuração  de Estimativas  de  IRPJ.  Serão  lançadas multas  isoladas  pelo  não  recolhimento  de  estimativa de IRPJ em todo o período, nos meses de janeiro de 2009 a dezembro de 2011.  · No caso da CSLL, nos anos­calendário de 2009 a 2011, o contribuinte apurou a estimativa  com base em balanço de suspensão ou redução, calculando a CSLL à alíquota de 9%. Foram  verificados  os  controles  da  contribuinte  denominados  Encadernação  da  Contribuição  Social  Real  em  2009,  Livro  de  Apuração  da  Contribuição  Social  Real,  em  2010,  e  Cálculo  da  Contribuição Social sobre Lucro Líquido ­ 2011 (Lucro Real Anual), e exclusões indevidas na  apuração da base de cálculo da CSLL mensal, com respeito às amortizações de ágio no valor  mensal de R$ 28.368.609,52, além das deduções de despesas financeiras não necessárias e as  despesas  com  juros  sobre  o  capital  próprio  não  dedutíveis  na  apuração  do  lucro  líquido.  Procedeu­se,  então,  a  apuração  das  estimativas  devidas  e  apresentadas  no Demonstrativo  de  Apuração de Estimativas de CSLL.  · Dessa forma, serão lançadas multas isoladas pelo não recolhimento de estimativa de CSLL  nos meses de janeiro de 2009 a dezembro de 2011.  Qualificação da multa de ofício decorrente da amortização indevida de ágio  · O art. 72 da Lei n° 4.502/64 define fraude e é citado no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  Os  procedimentos  adotados  pela  fiscalizada  estão  compreendidos  na  hipótese  prevista  nessa  norma.  · Não  cabe  à  empresa  invocar  desconhecimento  ou  prática  de  erro  escusável.  A  reorganização societária não foi feita ao acaso. Toda a reestruturação societária promovida teve  o  objetivo  de  gerar  despesas  de  amortização  de  ágio.  Para  isso,  foram  realizadas  diversas  operações  que,  analisadas  isoladamente,  não  violavam  nenhuma  norma  legal.  Porém,  o  Fl. 17289DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     22 resultado da reorganização proporcionou ao sujeito passivo os melhores efeitos tributários que  não seriam possíveis legalmente.  · A Korcula  foi  inserida  no  grupo Carrefour  com  o  objetivo  certo  de  forçar  uma  situação  formal para transferência do ágio ao Atacadão ­ empresa objeto da negociação. Assim, o real  adquirente  ­  Carrefour  BV  obteria  vantagens  fiscais  pela  dedução  da  amortização  do  ágio,  reduzindo significativamente, então, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  · Se não houvesse  toda a  reorganização societária, o Carrefour BV seria a controladora do  Atacadão,  mas  o  ágio  ficaria  registrado  na  sua  contabilidade,  sem  possibilidade  de  ser  aproveitado na configuração atual das empresas. Não seria possível a dedução das despesas de  amortização de ágio porque a lei não permite.  · A  situação  permanece  inalterada  se  o  entendimento  for  pelo  ágio  no  Brasil,  visto  que  a  Brepa  seria  e  é,  ainda,  a  controladora  do Atacadão.  E  como  o  investimento  não  foi  extinto  pela simples reorganização societária (permanecendo na controladora Brepa), não se configura  a situação prevista nos artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97.  · A  contribuinte  estava  perfeitamente  consciente  da  falta  de  propósito  negocial  ou  societário na incorporação realizada à luz do art. 966 do Código Civil, ficando caracterizada a  utilização  da  incorporada  como  mera  empresa  veículo  para  transferência  do  ágio  a  incorporadora ­ Atacadão (momento da incorporação reversa), apenas com o fim almejado de  redução do valor tributável pela amortização do ágio.  · A  Korcula  em  seu  curto  período  ativo  não  incorreu  em  custos,  despesas  ou  receitas,  apresentando apenas a movimentação decorrente do pretenso investimento no Atacadão e seu  ágio  e  o  empréstimo  para  aquisição  do  investimento.  Ou  seja,  a  sociedade  formalizada  produziu  apenas  documentos  (atas,  estatutos,  livros  contábeis,  entre  outros)  utilizados  para  movimentar  contabilmente  recursos  de  outras  empresas  do  grupo Carrefour. O planejamento  tributário,  a  aparência  de  legalidade  e  a  publicidade  dessa  aparente  legalidade  é  um  aspecto  imprescindível de toda a operação.  · Para  buscar  guarida  e  enquadramento  na  legislação  que  lhe  permitisse  obter  a  redução  fiscal, com certeza não bastaria excluir um valor qualquer que lhe aprouvesse na apuração das  bases  de  cálculo  dos  tributos,  sem  justificativa.  É  imprescindível  mascarar  a  origem  dessa  exclusão com a aparência da legalidade e da normalidade.   · Assim,  através  de  um processo  de  reorganização  societária,  com  várias  etapas  artificiais,  apesar de formalmente legais, quando vistas isoladamente, procurou­se esconder o objetivo de  obter a redução dos tributos devidos, mesmo sabendo­se que essa redução era ilegal. Admitir  essa situação como válida seria admitir que a lei permite a sua própria burla.  · Por  todo  o  exposto,  fica  patente  a  caracterização  do  intuito  fraudulento,  justificando­se  plenamente a aplicação da multa qualificada.  · Em face do disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, foi formalizada  a representação fiscal para fins penais.  · Haja  vista  o  disposto  na  Instrução Normativa RFB  n°  1.171,  de  7  de  julho  de  2011,  foi  também formalizado o processo administrativo visando ao arrolamento de bens e direitos para  acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo.  · O sujeito passivo foi intimado a efetuar as devidas retificações em seu Lalur e nos controles  de bases de cálculo negativa da CSLL dos anos­calendário envolvidos.  Impugnação do lançamento  Fl. 17290DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.280          23 Conforme atesta assinatura aposta no corpo dos autos de  infração, o sujeito  passivo  foi  cientificado  das  exigências  fiscais  pessoalmente,  em 11.06.2013. Em 03.07.2013  foi  apresentada  uma  só  impugnação  de  ambos  os  lançamentos,  a  qual  foi  juntada  a  folhas  15.659 a 15.771. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo.  Tempestividade  · A ciência do auto de infração se deu em 11.6.2013 (doc. n° 4). A contagem do prazo teve  início  em  12.6.2013  (quarta­feira)  e  terminou  em  11.7.2013  (quinta­feira).  Portanto,  fica  demonstrada a tempestividade da impugnação.  O auto de infração  · A premissa adotada pela fiscalização é equivocada e comprometeu toda a sua análise dos  fatos.  · A  primeira  suposta  infração  cometida  pela  requerente  está  relacionada  à  dedução  de  despesas de  amortização  fiscal  de ágio. O argumento  central  trazido pela  fiscalização é  a de  que a Korcula, adquirente da requerente, configuraria o que se chama de empresa veículo, que  teria como único propósito transportar o ágio pago para torná­lo dedutível para fins fiscais. No  equivocado  entender  da  fiscalização,  o  ágio  seria  um  ativo  da  Carrefour  Nederland  BV  (Carrefour BV), sociedade holandesa controladora do grupo Carrefour no Brasil.  · Por  desconsiderar  a Korcula  como  adquirente  do  investimento,  a  fiscalização  considerou  que  o  investimento  (e  o  ágio)  foi  incorrido  pela  Carrefour  BV,  sociedade  não  residente  no  Brasil. Por conseqüência desse entendimento equivocado, as autoridades fiscais alegaram que o  ágio  não  poderia  ter  sido  amortizado  após  a  incorporação  da  Korcula  ao  patrimônio  da  requerente,  tendo  em  vista  que,  supostamente,  o  ágio  pago  por  sociedade  estrangeira  não  poderia ser amortizado no Brasil.  · Tendo  em  vista  que  o  ágio  pago  (registrado  pela  Korcula)  e  o  investimento  (a  própria  requerente)  foram  consolidados  em  uma  única  pessoa  jurídica  por meio  da  incorporação  da  investidora (a Korcula) na requerente (o investimento) ­ denominada no auto de infração como  incorporação invertida ­, a fiscalização considerou que a reorganização societária não resultou  em  concentração  do  ágio  e  do  investimento  em  uma  mesma  pessoa  jurídica  ou  mesmo  na  extinção do investimento adquirido pela compradora.  · A fim de tentar fundamentar a sua alegação de que a Korcula teria servido como empresa­ veículo,  sem  propósito  negocial,  a  fiscalização  cita  ainda  jurisprudência  antiga  do  extinto  Primeiro Conselho de Contribuintes. Além de essa  jurisprudência não ser aplicável aos  fatos  discutidos nesses autos, ela já foi completamente superada pela jurisprudência atual do Carf.  · A segunda infração supostamente cometida pela requerente está relacionada à contratação  de dívida pela Korcula, que, por sucessão, foi transferida à requerente após a incorporação das  sociedades.  · A fiscalização alega, com base em meras presunções, que a dívida contraída pela Korcula  não  era  imprescindível  para  tornar  possível  a  aquisição  do  investimento  no  capital  da  requerente. Isso porque, tanto o valor aportado via aumento de capital, quanto o valor aportado  via  empréstimo,  tiveram  a mesma origem:  a  controladora  estrangeira  do  grupo Carrefour  no  Brasil,  a Carrefour BV. No entendimento da  fiscalização, o  empréstimo  teria  servido  apenas  para gerar despesas financeiras na requerente, após a absorção do patrimônio da Korcula.  Fl. 17291DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     24 · A fiscalização questiona a necessidade das despesas de juros para a atividade da requerente,  pelo fato de que, além de considerar o empréstimo como um ato de liberalidade da Carrefour  BV, considerou que a dívida foi tomada para financiar a sua própria aquisição.   · As autoridades fiscais questionaram a dedutibilidade das despesas de JCP incorridas pela  requerente  pelo  fato  de  que  os  JCP  foram  pagos  ou  creditados  aos  seus  sócios  de  forma  desproporcional à participação no seu capital social. Além disso, a fiscalização presumiu que a  distribuição  desproporcional  de  valores  a  título de  JCP  foi  feita  apenas  para  gerar  economia  tributária aos sócios da requerente.  · A fiscalização equivocou­se claramente em sua análise dos fatos e todas as suas alegações  são  improcedentes,  de  forma  que  essa  exigência  fiscal  deve  ser  integralmente  cancelada,  juntamente com as indevidas e excessivas penalidades.  Fatos   · A  requerente  é  rede  brasileira  de  supermercados  do  atacado  e  do  varejo,  atuante  no  comércio de mercadorias em geral e foi fundada na década de 1960. No desempenho de suas  atividades,  a  requerente  atua  com  dois  tipos  de  lojas:  as  lojas  denominadas  de  autosserviço,  destinadas a consumidores em geral e pequenos e médios comerciantes; e as lojas denominadas  central de distribuição, destinadas a grandes empresas, comerciantes e grandes lojistas.  · Em momento imediatamente anterior aos fatos objeto do presente processo administrativo,  o  capital  da  requerente  era  detido  diretamente  por  duas  pessoas  jurídicas  brasileiras  e  uma  pessoa  física  residente  no Brasil:  a Primart  II  Participações Ltda,  que detinha 45,5% do  seu  capital  social;  a  Loly  II  Participações  Ltda,  que  detinha  32,5%  do  seu  capital  social;  e,  finalmente Farid Curi, que detinha os 22% remanescentes.  · Embora  tenha  se  iniciado  como  uma  empresa  de  origem  familiar,  a  fórmula  de  sucesso  aplicada  pelos  administradores  da  requerente  passou  a  atrair  o  interesse  de  diversos  agentes  atuantes no setor varejista do mercado brasileiro. Esse interesse pode ser justificado pelo valor  do faturamento da requerente à época: aproximadamente R$ 4 bilhões por ano.  · Em 2007, o interesse dos concorrentes em adquirir a requerente estava em harmonia com o  interesse  dos  seus  sócios  em  aproveitar  a  oportunidade  de  negócio  e,  com  isso,  obter  alta  liquidez do investimento aportado nas atividades da sociedade durante anos.  · Também  naquele  momento,  o  grupo  Carrefour,  de  origem  francesa,  já  tinha  atingido  consolidação de sua marca no mercado brasileiro. O grupo Carrefour atua em mais de 30 países  nas Américas, na Europa e na Ásia, essencialmente no comércio varejista de supermercados e  hipermercados e em atividades de apoio logístico às suas atividades principais.  · A partir da década de 1990, parte da estratégia do grupo Carrefour passou a ser ampliar e  incrementar as suas atividades no mercado brasileiro, apontado como uma de suas prioridades  nos mercados emergentes.  · A partir dos anos 2000, a disputa no mercado de supermercados do Brasil  acirrou­se. Na  época,  em  termos  de  faturamento,  o  grupo  Carrefour  já  se  encontrava  em  segundo  lugar  (a  primeira  posição  passou  a  ser  ocupada  pelo  grupo  Pão  de Açúcar).  Em  2006,  a  rede  norte­ americana Wal­Mart ultrapassou o grupo Carrefour e assumiu a segunda colocação.  · Foi nesse contexto que o grupo Carrefour implementou um plano de reestruturação de suas  atividades  no  País,  o  qual  resultou  na  oportunidade  de  aquisição  da  requerente.  Pelas  particularidades dos serviços oferecidos pela requerente, o grupo Carrefour não tinha dúvidas  de  que o  novo  investimento  complementaria  o  seu  portifólio  de  serviços,  agregando  às  suas  operações  lojas  de  diferentes  formatos  e  localizadas  em  regiões  em  que  o  grupo  ainda  não  atuava.  Fl. 17292DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.281          25 · A aquisição da  requerente,  além de  garantir  ao  grupo Carrefour no Brasil  a  liderança no  setor,  serviria  para  diversificar  as  atividades  do  grupo  no  País,  na  medida  em  que  o  desempenho das atividades da requerente sempre foi baseado em princípios diversos daqueles  aplicados pelo grupo Carrefour no Brasil: baixo custo nas suas operações e foco nas classes de  baixa renda.  · A Korcula foi constituída em 2.2.2007 e tinha como objeto social a participação em outras  sociedades,  administração  de  bens  próprios  e  representação  de  sociedade  nacional  ou  estrangeira  (doc. n° 5). Em 10.4.2007, a Korcula passou a fazer parte do grupo Carrefour no  Brasil, tendo como quotistas a Brepa Comércio e Participações Ltda (Brepa), que detinha 99%  do seu capital, e a Carrefour Comércio e Indústria Ltda (Carrefour Brasil), que detinha 1% do  seu capital (doc. n° 6).  · A Brepa é sociedade holding que centraliza os investimentos do grupo Carrefour no Brasil  e é controlada pela sociedade holandesa do grupo Carrefour, a Carrefour BV (doc. n° 7).  · A aquisição da requerente pela Korcula era a estrutura mais conveniente do ponto de vista  administrativo, gerencial e econômico. Como as atividades da requerente eram, de certa forma,  diversas da atividade desenvolvida pelo grupo Carrefour no Brasil, o grupo investidor entendeu  ser mais  seguro  e  eficiente  ter  o  desenvolvimento  do  novo  investimento  em  uma  sociedade  autônoma, desvinculada das empresas que já existiam e se dedicavam puramente ao mercado  varejista.  Em  razão  das  diferenças  de  atuação  e  dos  princípios  adotados,  era  necessário  um  tempo razoável de adaptação do novo investimento ao grupo Carrefour.  · Além disso, a aquisição do novo investimento pelo grupo Carrefour no Brasil dependia da  tomada de empréstimo para pagamento do preço  total exigido pelos vendedores. O desejo da  administração  dos  investidores  era  que  essa  dívida  fosse  transferida  às  próprias  atividades  desenvolvidas pela atividade adquirida.  · Com base nessas premissas, no dia 20.4.2007, foi assinado o contrato de Venda e Compra  de Quotas do Atacadão. O objeto do contrato era a  totalidade das quotas detidas pela família  Lima no capital da Primart II, a totalidade das quotas detidas pela família Schmeil no capital da  Loly II e a totalidade das quotas detidas pelo Sr. Farid Curi no capital da requerente.  · Como  a  Korcula  não  detinha  os  recursos  necessários  para  efetuar  a  aquisição  do  novo  investimento, a Brepa, com o consentimento da Carrefour Brasil, contribuiu para o aumento de  seu capital com a quantia de R$ 1.137.810.798,00. O valor aportado pela Brepa em aumento de  capital  da Korcula  havia  sido  previamente  aportado  pela Carrefour BV,  em  aumento  do  seu  capital.  · Além disso,  também em 30.4.2007,  a Korcula  tomou  empréstimo do  exterior,  concedido  pela  Carrefour  BV  em  seu  favor,  no  valor  de  R$  1.095.629.201,83.  A  Carrefour  BV  é  sociedade  controladora  do  grupo  Carrefour,  de  forma  que  faz  parte  das  suas  atividades  a  tomada de dívidas no exterior para financiar as atividades do grupo como um todo.   · A  requerente  era  detida  por  grupo  completamente  distinto  do  grupo  a  que  pertencia  a  Korcula (adquirente do novo investimento). Os quotistas do seu capital, diretos e indiretos, não  possuíam qualquer relação com a Korcula ou seus sócios, de forma que as partes não poderiam,  em  hipótese  alguma,  serem  consideradas  partes  relacionadas  ou  integrantes  de  um  mesmo  grupo econômico.  · Em 30.4.2007, a Korcula adquiriu efetivamente as participações societárias discriminadas  no contrato de aquisição, pagando o preço total de R$ 2.233.440.000. Para comprovar o efetivo  Fl. 17293DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     26 pagamento do preço, junta­se à impugnação as cópias de solicitação de transferência de valores  (TED), assinadas pela Korcula e cópia de extrato bancário do dia 30.4.2007 (doc. n° 15).  · Assim, o preço da aquisição do investimento foi efetivamente incorrido pela Korcula. Ao  contrário do que  alega a  fiscalização, o preço não  foi  incorrido pela Carrefour BV, mas  sim  pela Korcula. A  interpretação da  fiscalização não pode ser aplicada, pois  seria o mesmo que  admitir  que,  quando  uma  pessoa  jurídica  toma  um  empréstimo  bancário  para  adquirir  determinado  bem,  o  adquirente  desse  bem  seria  a  instituição  financeira  que  concedeu  o  empréstimo, e não o tomador dos recursos que efetivamente transferiu os recursos ao vendedor  e passou a ter a propriedade do bem.  · O preço efetivamente pago pela Korcula para adquirir, direta e indiretamente, a totalidade  do capital da Requerente foi superior ao valor de patrimônio líquido das sociedades adquiridas.  A Korcula passou a ser legalmente obrigada, nos termos do artigo 20 do Decreto­lei 1.598, de  1977, a avaliar seu investimento nas sociedades adquiridas segundo o método da equivalência  patrimonial, isto é, desdobrando seu valor total em: valor de patrimônio líquido da Primart II,  da Loly II e da Requerente; e ágio ou deságio.  · Seguindo, portanto, a  legislação fiscal e societária em vigor,  a Korcula passou a  registrar  ágio no valor de R$ 1.780.738.273,26. O valor efetivo do ágio apurado na aquisição efetuada  pela  Korcula  foi  de  R$  1.702.116.571,36,  após  os  ajustes  decorrentes  de  compromissos  existentes  na  requerente  antes  da  data  de  fechamento  e  de  responsabilidade  dos  vendedores  (doc. n° 19). Esse ágio foi integralmente fundamentado na expectativa de rentabilidade futura  da participação societária adquirida pela Korcula.  · Como contrapartida do reconhecimento do ágio pela Korcula, o ganho de capital apurado  pelos vendedores pessoas físicas residentes no Brasil foi submetido à tributação pelo imposto  sobre a renda das pessoas físicas (IRPF), conforme comprovam os respectivos documentos de  arrecadação (Darf) anexos (doc. n° 20). A operação ensejou também o recolhimento de outros  tributos aplicáveis.  · O ágio resultou de operação efetiva de compra e venda entre empresas brasileiras, praticada  entre partes  independentes, e somente foi apurado em razão de o valor de mercado estimado  para essas participações societárias, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado,  resultarem  em  valores  significativamente  superiores  ao  seu  patrimônio  líquido  à  época. Não  houve nada de artificial, simulado ou fraudulento.  · É  anexado  aos  autos  o  laudo  de  avaliação  econômica  elaborado  pela  KPMG,  empresa  independente e notoriamente especializada nesse tipo de avaliação, em favor da Korcula (doc.  n°  21). O  laudo  confirma  expressamente  o  fundamento  econômico  do  ágio,  com  base  em  estimativas de rentabilidade futura, apuradas segundo o método de fluxo de caixa descontado.  · Esse laudo, bem como o fundamento econômico do ágio, não foram, em nenhum momento,  questionados pela fiscalização.  · A  operação  de  aquisição  da  requerente  pela  Korcula  foi  analisada  pelo  Conselho  Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na ocasião, o Cade aprovou a operação, apenas  com a  ressalva de  que  a  restrição  geográfica da  cláusula  de  não  concorrência  fosse  ajustada  (doc. n° 22).  · No  âmbito  da  análise  da  operação  pelo  CADE,  a  transação  sempre  foi  descrita  como  aquisição de todas as cotas representativas do capital social do Atacadão pela Korcula, no setor  de  supermercados  e  hipermercados. Ou  seja,  ao  contrário  do  que  alega  a  fiscalização,  em  nenhum  momento  o  Cade  considerou  que  o  real  adquirente  do  investimento  teria  sido  a  Carrefour BV.  Fl. 17294DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.282          27 · Muito pelo contrário, a adquirente do novo investimento sempre foi considerada a Korcula,  de maneira a enquadrar a transação como uma operação puramente brasileira. Parecer emitido  pela Secretaria de Acompanhamento Econômico chega a afirmar que se trata de uma operação  nacional, tendo sido notificada apenas às autoridades antitruste brasileiras.   · O grupo Carrefour não tinha nenhum interesse em manter as sociedades holding adquiridas  (a Primart  II  e a Loly  II). Essas holdings  eram utilizadas apenas pelos antigos quotistas para  centralizarem os investimentos de cada família na requerente. Assim, em 30.9.2007, ambas as  sociedades foram incorporadas, a valor de livros, ao patrimônio da Korcula (doc. n° 23). Como  conseqüência, o capital da requerente passou a ser detido única e exclusivamente pela Korcula.  · Com  este  passo,  o  objetivo  maior  da  operação  ­  aquisição  da  requerente  pelo  grupo  Carrefour  no  Brasil  ­  estava  concluído.  Não  obstante,  ainda  havia  procedimentos  a  serem  cumpridos,  tendo em vista, principalmente, o  fato de que grande parte do preço de aquisição  pago pela Korcula havia sido financiada por meio da dívida tomada pela sociedade adquirente.  · Ainda  que  a  integralidade  dos  recursos  tenha  tido  a mesma origem,  ou  seja,  a Carrefour  BV, no  final da operação,  a dívida  tomada pela Korcula  foi  convertida  em empréstimo com  terceiro que não fazia parte do seu grupo econômico. Em 18.1.2008, o empréstimo tomado pela  Korcula frente ao Carrefour BV foi quitado, mediante novo empréstimo tomado por meio de  contrato  firmado  com  o  BNP  Paribas  Securities  Services  (doc.  n°  24). A  requerente  anexa  também o contrato de  câmbio  (doc. n° 25)  e o  registro da operação  financeira  relacionada  a  essa operação (doc. n° 26).   · Portanto, ao contrário do que foi alegado pela fiscalização, ao final das operações, a dívida  foi  efetivamente  contraída  pela  adquirente  (a Korcula)  perante  uma  sociedade  independente  (doc. n° 27). Essa dívida foi essencial para  tornar possível a aquisição do novo  investimento  pelo grupo Carrefour no Brasil.  · O fato de que parte dos recursos necessários à aquisição foi aportada na Korcula por via de  aumento de capital e parte via dívida está relacionado à estratégia de financiamento do grupo  Carrefour  para  adquirir  o  novo  e  relevante  investimento.  A  parte  aportada  mediante  empréstimo dizia respeito a  investimento de curto prazo, que logo deveria ser devolvido pela  sociedade brasileira à sociedade estrangeira (como de fato, foi).  · Visando  a  cumprir  os  demais  procedimentos  necessários,  em  30.1.2008,  a  requerente  incorporou  a  sociedade  Korcula,  a  valores  contábeis,  ocasionando  a  extinção  da  sociedade  adquirente do investimento (doc. n° 28). Com a incorporação da Korcula, a requerente sucedeu  essa  sociedade  em  todos  os  seus  direitos  e  obrigações,  inclusive  na  obrigação  de  liquidar  a  dívida contraída frente ao BNP Paribas.  · Na  incorporação,  as  quotas  representativas  do  capital  social  da Korcula  foram  extintas  e  substituídas por ações da requerente. Assim, em vez de participação direta na Korcula, a Brepa  e  o  Carrefour  Brasil  passaram  a  deter  participação  societária  direta  na  requerente,  tudo  conforme a legislação fiscal e societária em vigor à época dos fatos.  · Com  incorporação  da  Korcula,  o  ágio  foi  convertido  em  ativo  diferido  na  requerente,  amortizável para fins fiscais nos exatos termos do artigo 7º, inciso III, e artigo 8º da Lei 9.532,  de 10.12.1997, tendo em vista que esse ágio tinha como justificativa econômica a expectativa  de rentabilidade futura da sociedade adquirida.  · Também  com  a  incorporação  da Korcula,  a  dívida  assumida  pela  sociedade  incorporada  passou a ser amortizada pela requerente.   Fl. 17295DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     28 · O  pagamento  da  dívida  pela  requerente  é  mera  conseqüência  da  sucessão  societária  decorrente da  incorporação das sociedades. Com isso, as despesas  financeiras  incorridas pela  requerente passaram a ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, assim como tais  despesas financeiras seriam deduzidas pela Korcula caso não tivesse havido sua extinção.  · Esse  último  passo  da  operação  ressalta  a  importância  da  Korcula  para  a  estrutura  de  aquisição  da  requerente  pelo  grupo  Carrefour  no  Brasil.  A  verdade  é  que  a  existência  da  Korcula,  além de possibilitar  a  segregação do novo  investimento  feito pelo grupo Carrefour,  permitiu que a parcela do endividamento tomado pelo grupo Carrefour pudesse ser transferida  para a requerente, sociedade operacional.  · É  do  conhecimento  de  todos  que  os  investidores  em  geral  captam  recursos  no mercado  financeiro  para  investimento  em  empresas  dos  mais  variados  ramos.  Além  disso,  a  melhor  prática  contábil  e  financeira  é  a  de  que  o  financiamento  obtido  seja  amortizado  diretamente  pelas atividades operacionais que justificaram o referido financiamento.  · Além de ser a melhor prática financeira e contábil, esse tipo de operação é usual e normal  no contexto de aquisições de empresas. Se determinado financiamento foi obtido para permitir  a aquisição de uma linha de negócios específica, nada mais razoável do que fazer com que ele  seja  amortizado  especificamente  pelas  atividades  operacionais  dela  decorrentes.  De  fato,  somente  se  a  atividade  operacional  for  capaz  de  amortizar  o  financiamento  é  que  o  investimento será rentável para o investidor.  · Pelo exposto, são incabíveis as alegações fiscais de que a existência da Korcula teve como  único propósito criar um ágio artificial na transação.  · Ainda que se admita que a Korcula não  teve outras  razões empresariais, o que se admite  apenas para argumentar, a verdade é que sua utilização na operação não gerou para as partes  nenhum  benefício  fiscal  artificial  ou  a  que  elas  não  tivessem  o  devido  direito,  até  porque,  repita­se, o ágio foi efetivamente pago e incorrido pela adquirente (domiciliada no Brasil) do  investimento, e se originou de efetiva operação de compra e venda celebrada entre partes não  relacionadas. Este caso, portanto, jamais pode ser visto como qualquer forma de planejamento  tributário abusivo, mas sim, e meramente, como a adoção de uma opção legalmente disponível  no ordenamento jurídico para a estruturação da mesma operação, sem nenhum prejuízo para o  fisco.  · Na essência, é inegável que o propósito negocial da operação foi a aquisição de um novo  investimento pelo grupo Carrefour no Brasil.  Ilustra­se a afirmação com a citação das  razões  declaradas pelas partes como "razões decisivas para a realização do ato ou contrato notificado",  no âmbito do Ato de Concentração n° 08012.006940/2007­60 julgado pelo Cade.  · Não há como admitir que a transação foi efetuada para gerar despesas de amortização fiscal  de  ágio. A  transação  teve  como  propósito  econômico  e  principal  a  aquisição  de  um  novo  e  importante  investimento  para  o  grupo  Carrefour  no  Brasil.  Não  houve  nenhum  ato  doloso,  fraudulento  ou  simulado  realizado  pelo  grupo  Carrefour  ou  pela  requerente  nas  operações.  Cada  uma  de  suas  etapas  está  fartamente  suportada  em  documentação  hábil  e  idônea,  devidamente registrada nos órgãos oficiais conforme a regulamentação em vigor. Apenas deu­ se instrumentalidade ao propósito econômico final e maior que era a compra da requerente pelo  grupo Carrefour.  · Não  há  qualquer  indício  ou  comprovação  de  que  os  atos  praticados  foram  realizados  de  forma a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento pelas autoridades fiscais de qualquer dos  atos  envolvidos  na  operação  ou  até  mesmo  da  intenção  do  grupo  Carrefour  de  aproveitar  fiscalmente  o  ágio  pago  na  aquisição  da  Requerente,  até  porque,  não  haveria  motivos  para  encobrir a utilização de benefício fiscal previsto expressamente na legislação tributária.  Fl. 17296DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.283          29 · É  também possível concluir que não se  trata de planejamento  tributário em que negócios  simples são revestidos de características complexas, tal como alegado pela fiscalização. O que  houve foi mera reestruturação societária para adquirir participação societária na requerente, a  fim de expandir as atividades do grupo Carrefour no Brasil.  · Quando do anúncio da transação ao mercado, o grupo Carrefour comunicou que a aquisição  fazia  parte  da  estratégia  do Carrefour de  reforçar  sua presença  em mercados  de  crescimento  importante por melo de uma abordagem de formato diversificado (doc. n° 30).  · Portanto,  houve  um  claro  excesso  cometido  nesta  autuação,  que  deve  ser  prontamente  corrigido pela autoridade julgadora, sob pena de frontal violação à legislação e jurisprudência  aplicáveis.  · Esse  excesso  também  foi  cometido  pelas  autoridades  fiscais  ao  glosarem  as  despesas  financeiras  incorridas  em  decorrência  da  sucessão  da  dívida  originariamente  tomada  pela  Korcula, e ao glosarem as despesas de JCP.  O direito relacionado à amortização fiscal do ágio   · A aquisição, pela Korcula da  totalidade do capital da Requerente apresentou as seguintes  características:  a  transação  de  compra  de  participação  societária  foi  realizada  entre  partes  independentes,  envolvendo  grupos  econômicos  não  relacionados;  a  fiscalização,  em  nenhum  momento,  alega  que  a  operação  teria  sido  realizada  entre  partes  relacionadas;  houve  efetivo  pagamento  do  preço  (e  do  ágio)  firmado  entre  as  partes,  preço  este  incorrido  por  sociedade  brasileira para adquirir  investimento em outra  sociedade brasileira; o  fundamento econômico  do ágio pago ­ a expectativa de rentabilidade futura ­ estava embasado em laudo de avaliação  preparado pela KPMG, que nem sequer  foi  questionado pela  fiscalização; o preço pago pela  adquirente, e o valor do ágio reconhecido, nem sequer foram questionados pela fiscalização; o  ganho de capital  apurado pelos vendedores  (antigos quotistas da  requerente)  foi  submetido  à  tributação pelo IRPF, ocasionando recolhimento de tributo aos cofres públicos em alto valor; e  a aquisição foi seguida da incorporação da sociedade adquirente ao patrimônio da adquirida, de  forma  que  o  ágio  pago  e  o  seu  fundamento  econômico  foram  consolidados  em  uma  única  pessoa jurídica.  · Essas  características  representam  as  premissas  que  devem  ser  adotadas  para  fins  do  julgamento da legitimidade da amortização fiscal do ágio.  · Nos termos do artigo 248 da Lei n° 6.404, de 15.12.1976, os investimentos permanentes em  sociedades  coligadas  ou  controladas  devem  ser  avaliados  pelo  método  da  equivalência  patrimonial. A  aquisição  da  requerente  pela Korcula  fez  com  que  essa  sociedade  passasse  a  deter  um  investimento  relevante  em  seu  ativo,  de  modo  que  a  aplicação  do  método  de  equivalência patrimonial tornou­se obrigatória.  · A pessoa jurídica que adquirir investimento sujeito ao método de equivalência patrimonial  deve desdobrar  o  custo  de  aquisição  desse  investimento  em:  valor  de  patrimônio  líquido  na  época da aquisição; e ágio (ou deságio) apurado na operação.  · O  ágio,  para  fins  fiscais,  poderá  ter  os  seguintes  fundamentos  econômicos:  valor  de  mercado  dos  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade; valor da coligada ou controlada, com base em previsão de resultados futuros; e  fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  · A Korcula, ao adquirir o novo investimento, procedeu exatamente como determina o artigo  20 do Decreto­lei 1.598/77 e 385 do RIR/99, e desdobrou, em sua escrituração contábil e fiscal,  Fl. 17297DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     30 o custo de aquisição do investimento que passou a deter na Primart II, Loly II e Requerente em:  valor de patrimônio líquido desses investimentos; e ágio.  · Esse ágio, conforme o laudo de avaliação preparado pela KPMG, estava fundamentado na  expectativa de rentabilidade futura do novo investimento, calculado com base na projeção do  seu  fluxo  de  caixa  descontado.  Como  conseqüência  disso,  é  inquestionável  que  esse  ágio  enquadra­se exatamente na hipótese do artigo 20, § 2º, letra "b" do Decreto­lei 1.598/77.  · Da leitura do disposto no artigo 7º, inciso III, e artigo 8º da Lei 9.532/97, conclui­se que se  uma  pessoa  jurídica  que  detenha  participação  societária  registrada  com  ágio,  com  base  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  sociedade  investida,  for  incorporada  à  sociedade  investida, ou vice­versa, esse ágio passará a ser  tratado como um ativo amortizável para  fins  fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de cinco anos.  · Com  a  incorporação  da  Korcula  na  requerente,  o  ágio  antes  registrado  pela  Korcula  foi  convertido  para  fins  fiscais  em  ativo  diferido  na  requerente,  de  forma  que  esses  valores  se  tornaram amortizáveis à razão máxima de 1/60 por mês.  · Portanto, o ágio em questão  foi  gerado de  acordo com a  correta e  racional aplicação das  regras contábeis e fiscais em vigor, nos exatos termos do artigo 20 do Decreto­lei 1.598/77, dos  artigos  7º  e  8º  da  Lei  9.532/97,  e  artigos  385  e  386  do  RIR/99.  Não  cabe,  portanto,  à  fiscalização pretender  lançar quaisquer dúvidas sobre a sua legitimidade, sobretudo com base  em premissas equivocadas como as que motivaram o auto de infração.  · Embora  tenham  sido  originalmente  editados  no  contexto  do  Plano  Nacional  de  Desestatização,  esses  dispositivos  são  igualmente  aplicáveis  e  válidos  para  incentivar  operações de compra e venda de empresas entre partes privadas. Em abono do argumento, cita­ se passagem atribuída a Ricardo Mariz de Oliveira.   · A lógica que ainda fundamenta a aplicação desses dispositivos é a de incentivar operações  de fusões e aquisições de empresas também entre partes privadas.  · Logo, nas operações sujeitas aos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, percebe­se que o ponto de  preocupação do legislador não é a forma como o preço que gerou o ágio tenha sido pago, mas  sim  se  esse  preço  foi  acordado  entre  as  partes  independentes  com  base  na  expectativa  de  rentabilidade futura da sociedade adquirida.  · Desde  que  essas  condições  sejam  atendidas,  a  amortização  fiscal  de  ágio  ajusta­se  perfeitamente à finalidade das normas que regem a matéria. Nesse cenário, não há motivos para  se questionar a validade do ágio  apenas pelo  fato de que o  seu pagamento  foi  feito por uma  sociedade holding pura, tal como ocorreu no presente caso.  · Na  essência,  a  finalidade  do  benefício  fiscal  de  amortização  do  ágio  previsto  na  Lei  9.532/97 está intrinsecamente associada à busca pelo fortalecimento da economia nacional por  meio de investimentos em outras empresas e reorganizações societárias.  · Essa finalidade, tal como explicada de forma pormenorizada no voto do Acórdão n° 1301­ 000.711,  julgado  pelo  Carf,  foi  plenamente  atendida  no  caso  concreto,  na  medida  em  que  resultou  na  aquisição,  pela  Korcula,  das  quotas  da  requerente.  Esse  entendimento  foi  corroborado pelo Conselheiro Relator Antônio José Praga de Souza, também do Carf, quando  do julgamento do Acórdão n° 1402­00.802.  · Comprovado que a aquisição da requerente pela Korcula atende à finalidade prevista na Lei  9.532/97  para  os  fins  de  amortização  fiscal  do  ágio,  é  evidente  que  o  auto  de  infração  não  merece prosperar.  · A  utilização  da  Korcula  como  adquirente  do  investimento  também  estava  revestida  de  efetivos propósitos negociais que ultrapassam a mera economia tributária da operação.  Fl. 17298DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.284          31 · Em primeiro  lugar, deve ser mencionado o propósito negocial primordial da operação. A  causa jurídica da operação em exame foi a aquisição da totalidade do capital da requerente pela  Korcula. A  causa  jurídica  da  operação  não  era  a  amortização  fiscal  do  ágio  incorrido  pela  adquirente.  Esse  benefício  fiscal  expressamente  previsto  na  legislação  tributária  é  mera  conseqüência dessa causa jurídica verdadeira e legítima da operação: a expansão das atividades  do grupo Carrefour no Brasil.  · Conforme estabelece a própria jurisprudência atual do Carf, não há qualquer ilícito quando  a  motivação  do  negócio  jurídico  está  relacionada  à  obtenção  de  vantagem  fiscal.  O  ilícito  ocorre quando a causa do negócio jurídico (a aquisição da participação societária) está apenas  ligada à obtenção de um benefício fiscal. Definitivamente, não se está diante de caso em que a  causa do negócio jurídico era a obtenção de benefício fiscal.   · Em  segundo  lugar,  o  negócio  adquirido  pelo  grupo Carrefour  apresentava  características  específicas que, de certa forma, divergiam das atividades desempenhadas pela investidora até  então.  As  atividades  desempenhadas  pela  requerente  tinham  como  princípios  o  foco  nos  consumidores  de  baixa  renda,  sem  grande  diversidade  de  produtos  e  o  baixo  custo  nas  suas  atividades.  Isso  sem  contar  que  a  requerente  também  exercia  atividades  típicas  do mercado  atacadista.  · A  atividade  desempenhada  pela  requerente  era  algo  novo  para  o  grupo Carrefour,  grupo  que  sempre  atuou  no  mercado  varejista.  Por  essas  razões,  a  opção  da  administração  foi  desenvolver  esse  novo  negócio  em  sociedade  autônoma,  desvinculada  das  outras  empresas  integrantes do grupo Carrefour no Brasil. A utilização da Korcula na aquisição atendeu a essa  necessidade do grupo investidor.  · Ainda mais  relevante,  a utilização da Korcula  tornou possível a aquisição em si do novo  investimento pelo grupo Carrefour. Em razão do valor de mercado das quotas da requerente, os  recursos disponíveis para investimento de longo prazo do grupo Carrefour não eram suficientes  para que o grupo se tornasse detentor de tão disputado investimento.  · A única maneira do grupo Carrefour no Brasil adquirir as quotas da requerente seria pela  obtenção  de  empréstimo  de  recursos  de  terceiros.  A  obtenção  do  empréstimo,  somado  aos  recursos próprios do grupo, representava medida imprescindível para a aquisição desejada.  · E  essa  medida  imprescindível  só  seria  possível  por  meio  da  utilização  da  sociedade  Korcula.  Isso  porque,  conforme  efetivamente  ocorreu  ao  final  da  operação,  o  cenário  idealizado  pelos  investidores  seria  a  transferência  da  dívida  tomada  para  as  atividades  da  própria requerente, tendo em vista que essa é a melhor prática contábil e financeira adotada no  mercado.  Os  investidores,  na  maioria  das  vezes,  procuram  fazer  com  que  o  financiamento  obtido  para  aquisição  de  uma  linha  de  negócios  seja  amortizado  por  essa  própria  linha  de  negócios.  · A utilização da Korcula não só gerou economia tributária decorrente da amortização fiscal  do  ágio, mas,  principalmente,  tornou possível  a própria operação de aquisição das quotas da  requerente pelo grupo Carrefour no Brasil.  · E nem se diga que, pelo fato do empréstimo tomado pela Korcula ter sido primeiramente  concedido  pela  Carrefour  BV,  a  dívida  não  era  necessária  para  o  investimento.  Isso  é mera  presunção adotada pela  fiscalização sem comprovação. Tanto é assim que, em menos de um  ano,  esse  empréstimo  intragrupo  foi  quitado, mediante  a  obtenção  de  novo  empréstimo pela  Korcula  (frente  ao BNP Paribas).  Isso  significa  que,  ao  final,  o  empréstimo  foi  tomado com  terceiro,  tendo  em  vista  que  o  grupo  Carrefour  não  tinha  disponibilidade  de  recursos  financeiros para serem aplicados em investimentos de longo prazo.  Fl. 17299DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     32 · Essas  razões  empresariais  para  a  utilização  da  Korcula  foram,  inclusive,  indicadas  pela  requerente durante o procedimento de fiscalização.   · A  própria  fiscalização  reconhece  no  termo  de  verificação  fiscal  que  a  transferência  da  dívida assumida para as atividades da requerente era um dos propósitos dos investidores.  · A afirmação da fiscalização, no sentido de que essas razões empresariais apresentadas pela  requerente  poderiam  ser  atendidas  perfeitamente  se  a  requerente  permanecesse  como  controlada direta da Brepa e do Carrefour Brasil (sem necessidade de utilizar a Korcula), não  procede. Essas duas sociedades citadas pela fiscalização, por razões econômicas e gerenciais,  não poderiam ser incorporadas na requerente (o que permitiria a transferência da dívida para as  atividades da requerente).  · O  Carrefour  Brasil  é  sociedade  operacional,  que  desenvolve  atividades  distintas  da  requerente.  Do  ponto  de  vista  empresarial,  nem  o  mais  imprudente  dos  administradores  procederia à incorporação de uma sociedade pela outra. Tanto isso é verdade que, até os dias  atuais, as duas sociedades continuam separadas.  · Já a Brepa é sociedade holding do grupo Carrefour no Brasil, que centraliza praticamente  todos os investimentos do grupo no País. Assim, também não seria eficiente, do ponto de vista  empresarial  e  societário,  incorporar  a  Brepa  ao  patrimônio  da  Requerente  para  o  fim  de  transferir a dívida necessária à aquisição do novo investimento.  · Portanto, a utilização da Korcula foi a melhor alternativa encontrada pela administração do  grupo Carrefour. Não cabe à fiscalização fazer juízo sobre a administração da sociedade, muito  menos quando as decisões tomadas pela administração provocam efeitos fiscais expressamente  previstos na legislação tributária. A economia tributária decorrente dessa operação de aquisição  foi mera conseqüência da transação e decorre da própria legislação fiscal em vigor.  · E,  ainda  que  não  se  admitissem  as  teses  expostas,  o  que  se  afirma  apenas  a  título  de  argumentação,  a  fiscalização  não  poderia  pretender  desconstituir  uma operação  realizada  em  absoluta conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das suas motivações  econômicas.  A  aplicação  da  chamada  teoria  da  substância  econômica  passou  a  ser  adotada  pelas autoridades  fiscais a partir da edição da Lei Complementar n° 104, de 10.01.2001, que  alterou o  artigo 116, parágrafo único, do CTN. No entanto,  além de  esse dispositivo não  ter  sido  expressamente  citado  pela  fiscalização  no  auto  de  infração,  a  parte  final  do  dispositivo  deixa expresso que ele não é auto­aplicável, mas depende de regulamentação por lei ordinária,  a qual não ocorreu até o presente momento.  · Portanto,  ainda  que  não  se  entenda  que  houve  efetivo  propósito  negocial  e  verdadeira  substância econômica na operação, não é dado à fiscalização desconsiderar negócios jurídicos  existentes,  válidos  e  eficazes  apenas  com  base  em  uma  suposta  interpretação  da  substância  econômica envolvendo a operação.  · Não obstante,  caso seja válida a exigência da  fiscalização de que o negócio  tenha outros  objetivos além da simples economia tributária, a requerente demonstrou e comprovou as razões  empresariais  envolvidas  na  utilização  da  Korcula  como  adquirente  do  investimento.  Desse  modo,  as  alegações  da  fiscalização  a  esse  respeito  são  completamente  improcedentes,  ainda  que a exigência de propósitos negociais seja válida.  · Só  é  possível  falar  em  empresa  veículo  quando  a  sociedade  não  tem  absolutamente  nenhuma outra função na estrutura que não a de propiciar uma economia fiscal  indevida, em  um contexto  que  é  necessariamente  desprovido  de  qualquer  propósito  negocial  ou  societário  efetivo.  · Mesmo  que  não  houvesse  qualquer  razão  empresarial  para  a  utilização  da  Korcula  pelo  grupo Carrefour no Brasil,  o que  se admite apenas para  argumentar,  a  amortização  fiscal  do  Fl. 17300DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.285          33 ágio  reconhecido  na  transação  seria  legítima. Uma  sociedade  holding  pura não  é  constituída  para  ter  empregados  ou  quaisquer  outros  ativos  além  de  unicamente  participações  societárias.  Edmar  Oliveira  Andrade  Filho  discorre  magistralmente  sobre  o  assunto  para  esclarecer que uma sociedade holding pode ser constituída meramente para deter participação  societária, já que o seu propósito negocial típico é justamente esse.   · A possibilidade de existência de uma sociedade cujo objeto social seja a mera detenção de  outra sociedade está expressamente prevista no artigo 2º, § 3º, da Lei das S. A.  · O artigo 31 da Lei 11.727, de 23.07.2008 reconhece a holding pura como uma sociedade ao  dispor  que  a  holding  pura  poderá  diferir  o  reconhecimento  das  despesas  com  juros  de  empréstimos contraídos para financiamentos de investimentos em sociedades controladas.  · A existência de uma sociedade holding pura independe da existência de empregados, ou da  geração  de  despesas  ou  receitas  próprias.  A  possibilidade  de  uma  sociedade  ter  por  função  eminentemente  participar  de  outras  sociedades  está  expressamente  amparada  por  lei  e  é  largamente reconhecida na doutrina. Ainda assim, ao contrário do que alega a fiscalização, a  Korcula incorreu em despesas com prestadores de serviços (doc. n° 31).  · Como  a  Korcula  teve  o  propósito  específico  de  efetuar  a  aquisição  das  quotas  da  requerente,  não  se  descaracteriza  a  existência de  tal  empresa  por  falta  de  empregados  ou  de  receitas  ou  despesas  próprias,  já  que  tudo  isso  não  seria  sequer  condizente  com  sua  função  primordial, que era a de ser meramente uma sociedade holding.  · Por fim, cita­se ainda a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho para demonstrar que o  prazo de duração de uma sociedade holding também não pode ser utilizado como requisito de  sua validade, a teor do artigo 981, parágrafo único do Código Civil.  · No entanto, ainda que não houvesse as razões empresariais mencionadas, o que se admite  apenas para argumentar, a Korcula não poderia ser desconsiderada pela fiscalização.  · A amortização fiscal do ágio é legítima pelo simples fato de que a operação de aquisição do  novo investimento pelo grupo Carrefour no Brasil: representou operação de compra e venda de  participação  societária  que  teve  como  adquirente  e  vendedor  empresas  brasileiras,  independentes e não relacionadas entre si; foi feita a valores justos de mercado, com o efetivo  desembolso  do  preço  pela  adquirente;  envolveu  o  pagamento  de  um  ágio  no  valor  de  R$1.702.116.571,36,  que  teve  como  justificativa  a  expectativa  de  rentabilidade  futura  do  investimento, baseada em laudo de avaliação que nem sequer foi questionado pela fiscalização;  e teve como passo final a incorporação da Korcula ao patrimônio da requerente, preenchendo  os requisitos estabelecidos pelos artigos 7º e 8° da Lei 9.532/97 para possibilitar a amortização  fiscal do ágio.  · O Carf , ao julgar casos com fatos e circunstâncias em que havia sociedades veículo (o que  não  ocorre  no  presente  caso),  reconheceu  a  legitimidade da  amortização  fiscal  do  ágio  pago  pelos  contribuintes,  desde  que  a  transação  que  gerou  o  ágio  tenha  sido  feita  entre  partes  independentes, tenha havido efetivo pagamento do preço pelo comprador e que o fundamento  econômico do ágio esteja baseado em avaliação (o que ocorreu no presente caso).  · Os  casos  julgados  pelo  Carf  e  que  são  abordados  em  maiores  detalhes  na  defesa  da  impugnante,  com  transcrição  de  trechos  dos  votos,  são:  Acórdão  1402­00.802;  Acórdão  1301.000.711;  Acórdão  1402­00.993;  Acórdão  1201­00.689;  Acórdão  1402­001.310;  e  Acórdão 1102­000.875 (doc. n° 32).  · Todos  esses  casos  envolvem  elementos  importantes  e,  em  alguma  medida,  similares  ao  caso em análise: o pagamento efetivo de ágio pela adquirente do investimento; a participação  Fl. 17301DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     34 de partes não relacionadas na transação original de compra e venda de participação societária; e  a  amortização  fiscal  de  ágio  após  a  incorporação  da  sociedade  adquirente  (nesses  casos,  chamadas  de  "empresa­veículo")  na  sociedade  alvo  da  aquisição.  E  todos  esses  casos  foram  julgados a  favor do contribuinte,  tendo o Carf afastado a infundada alegação das autoridades  fiscais de que a utilização de sociedade veículo invalidaria a amortização fiscal de ágio. Note­ se que a requerente não está dizendo aqui que o presente caso tem uma sociedade veículo. O  que se quer deixar claro é que mesmo se fosse aceita a absurda alegação de que haveria uma  sociedade  veículo,  isto  por  si  só,  não  seria  suficiente  para  questionar ou  afastar  o  direito  da  requerente de utilizar benefício fiscal expressamente estabelecido pela legislação tributária.  · A impugnante, em abono de seus argumentos, transcreve as conclusões apresentadas pelo  Relator  Antônio  José  Praga  de  Souza,  no  julgamento  do  caso  Santander,  para  os  fins  de  reconhecer a legitimidade na amortização fiscal do ágio pelos contribuintes.  · Também  no  caso  Santander,  o  Conselheiro  Moises  Giacomelli,  em  sua  declaração  de  voto  concluiu  que  a  utilização  de  "empresas  veículos"  não  tem  o  condão  de  descaracterizar uma operação da qual  se originaram parcelas de ágio,  se  esses valores  foram  válida e legitimamente apurados pelo adquirente do investimento.  · No caso Santander, uma das principais alegações das autoridades fiscais era de que o ágio  tinha sido pago por sociedade não residente no Brasil (domiciliada na Espanha). E de fato foi.  Posteriormente,  a  participação  societária  adquirida  com  ágio  foi  contribuída  em  sociedade  holding  brasileira,  que  passou  a  registrar  o  ágio  no  Brasil.  Trata­se  de  questionamento muito  semelhante  ao  do  presente  processo  administrativo.  Todavia,  os  fatos  são muito diferentes. No caso aqui analisado a adquirente foi empresa brasileira.  · O  caso  Santander  foi  julgado  pelo  Carf  favoravelmente  aos  contribuintes,  de  forma  unânime. No entanto, os fatos envolvidos no presente caso e no caso Santander possuem uma  diferença  relevante.  No  caso  da  requerente,  o  ágio  e  o  preço  foram  pagos  por  sociedade  domiciliada no Brasil, a Korcula. Portanto, ainda com mais razão, o questionamento fiscal deve  ser afastado. Do contrário, haveria manifesta divergência com a atual jurisprudência do Carf.  · E nem se diga que esses conceitos e conclusões só seriam aplicáveis para casos envolvendo  privatizações. No Acórdão 1402­001.310, o Carf adotou exatamente os mesmos fundamentos  para julgar como legítima a amortização fiscal de ágio envolvendo apenas partes privadas, com  o uso de empresa veículo. O Acórdão proferido deixa claro que, aos casos que não envolvam  privatização, devem ser aplicados os mesmos conceitos e conclusões do caso Santander.  · Por fim, o caso Columbian também julgado em favor do contribuinte ­  também envolveu  questionamento  muito  semelhante  ao  do  presente  processo  administrativo,  porque  o  contribuinte  foi  autuado  por  conta  do  uso  de  empresa  veículo,  que  teria  tido  como  único  objetivo  internalizar  um  ágio  que  foi  pago  por  não  residente.  Aqui  também  prevaleceu  o  entendimento  de  que  o  uso  de  sociedade holding  não  vicia  a dedutibilidade das  despesas  de  amortização fiscal de ágio, desde que o ágio tenha sido efetivamente pago, em uma operação  conduzida entre partes  independentes,  e com fundamento na  rentabilidade futura da  coligada  ou controlada.  · Quanto  ao  caso  Columbian,  é  interessante  notar  também  que  um  dos  propósitos  empresariais  mencionados  pelo  contribuinte  autuado  é  muito  semelhante  ao  do  presente  processo  administrativo:  tornar possível o pagamento da dívida  tomada pelo  investidor pelas  atividades operacionais da investida.  · Todos  esses  casos mostram que o  posicionamento  atual  do Carf  é  admitir  a  amortização  fiscal de ágio na hipótese em que uma sociedade holding pura (investidora) é incorporada pela  sociedade operacional, exatamente como no caso discutido nesses autos.  Fl. 17302DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.286          35 · Esses recentes julgamentos do Carf estabeleceram conclusões importantes para a análise do  presente caso: o ágio possui três premissas básicas para fins de amortização fiscal: (a) ter sido  efetivamente incorrido pelo adquirente do investimento; (b) a transação ter sido realizada entre  partes independentes; e (c) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem  como  a  expectativa  de  rentabilidade  futura;  a  Lei  9.532/97  induz  os  contribuintes  a  implementarem  reorganizações  societárias  que  possibilitem  a  amortização  fiscal  do  ágio  gerado,  desde  que  referido  ágio  seja  resultante  de  operação  entre  partes  não  vinculadas  na  sua  origem;  não  há  ilícito  quando  a  motivação  do  negócio  jurídico  está  relacionada  à  obtenção de vantagem fiscal; o ilícito ocorre quando a causa do negócio jurídico (a aquisição  da participação societária) está apenas ligada à obtenção de um benefício fiscal; só se poderia  falar de ilícito na utilização de sociedade veículo se essa utilização resultar no aparecimento de  novo ágio ou de ágio maior do que aquele que seria reconhecido sem a sua utilização.  · A  adoção  de  todas  as  conclusões  mencionadas  acima  leva  a  que  o  questionamento  da  fiscalização seja declarado completamente improcedente, na medida em que: o ágio pago pela  Korcula  preenche  as  3  premissas  básicas  mencionadas,  na  medida  em  que  a  Korcula  efetivamente  desembolsou  o  preço  de  aquisição  das  quotas;  a  transação  foi  realizada  entre  partes  independentes;  e  a  justificativa  do  fundamento  econômico  do  ágio  estava  baseada  em  laudo de avaliação preparado por empresa especializada, que nem sequer foi questionado pela  fiscalização;  o  ágio  pago  pela  Korcula  está  sendo  amortizado  fiscalmente  com  base  no  benefício fiscal estabelecido pela Lei 9.532/97; a causa do negócio jurídico foi a aquisição da  totalidade das quotas da  requerente;  a amortização  fiscal decorrente desse negócio  jurídico é  mera  conseqüência,  mera  motivação  fiscal  lícita,  prevista  expressamente  na  legislação  em  vigor;  e  a  utilização  da  Korcula  na  operação  não  provocou  o  surgimento  de  novo  ágio  e  não  gerou  o  reconhecimento  de  ágio  em maior  valor  do  que  seria  reconhecido  caso  ela  não  existisse; caso a aquisição tivesse sido feita pela Brepa ou pelo Carrefour Brasil, o ágio teria  sido exatamente o mesmo.  · Por fim, na maioria dos casos julgados pelo Carf, todos decididos em favor do contribuinte,  as sociedades holdings ­ que também haviam sido tratadas pelo fisco como empresas veículo ­  nem haviam sido  as  adquirentes originais dos  investimentos, mas os  receberam por meio de  contribuições em aumento de capital.  · A utilização da Korcula pelo grupo Carrefour não  trouxe vantagens ou benefícios  fiscais  superiores  àqueles  a  que  a  requerente  teria  direito.  A  aquisição  da  requerente  pelo  grupo  Carrefour no Brasil,  seguida da  incorporação da adquirente na  requerente, não gerou para as  partes qualquer benefício fiscal artificial ou a que elas não tivessem o devido direito.  · Este caso, portanto, jamais pode ser visto como qualquer forma de planejamento tributário  abusivo,  mas  sim,  e  meramente,  como  a  adoção  de  uma  opção  legalmente  disponível  no  ordenamento  jurídico  para  a  estruturação  da mesma  operação,  sem  nenhum  prejuízo  para  o  fisco.  · Diferentemente dos chamados planejamentos tributários, nas opções fiscais, o contribuinte  não se aproveita de nenhuma lacuna da  lei ou da construção de diversos dispositivos para se  contornar uma regra proibitiva. Diante de regra legal expressa, e sem jamais alterar a essência  econômica  de  seus  atos,  o  contribuinte  opta  por  um  caminho  plenamente  regulado  para  estruturar suas operações conforme lhe pareça mais conveniente do ponto de vista negocial e  empresarial, com possíveis conseqüências fiscais, como foi o caso destes autos.  · Por tudo isso, está demonstrada a completa insubsistência das alegações fiscais em relação  à suposta ocorrência de fraude, assim como o absoluto descabimento da acusação de a Korcula  ser considerada como uma suposta empresa veículo ilegítima.  Fl. 17303DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     36 · Nenhum dos precedentes mencionados pelos autuantes é aplicável ao caso em exame.  · O Acórdão 103­23.290, que até envolve sociedades do grupo Carrefour no Brasil, nem trata  de questão de amortização fiscal de ágio. Nele, o que estava em discussão era a possibilidade  de computar o ágio pela investidora em seu custo de aquisição, para fins de apuração de ganho  de  capital  decorrente da  alienação de  estabelecimentos  comerciais. Portanto,  trata­se de  caso  substancialmente diverso.  · O Acórdão 101­95.537 também não trata de amortização fiscal de ágio. Ele analisou uma  operação  que  ficou  conhecida  no mercado  como  "casa  e  separa",  em  que,  visando  afastar  a  tributação sobre ganho de capital na alienação direta de investimento, é admitido novo sócio na  empresa  a  ser  adquirida  (mediante  subscrição  de  ações  com  pagamento  de  ágio),  com  a  posterior  retirada  do  sócio  antigo,  que  leva  os  valores  monetários  envolvidos  na  transação  (enquanto o novo sócio permanece com as ações que originalmente pretendia adquirir). É caso  de apuração de ganho de capital e que, de forma alguma pode ser confundido com os fatos do  presente processo administrativo.  · O  Acórdão  101­96.724,  embora  envolva  julgamento  de  amortização  fiscal  de  ágio,  apresenta  premissas  fáticas  completamente  diversas. Nele,  o  contribuinte  passou  a  amortizar  fiscalmente  um  ágio  decorrente  da  contribuição  em  aumento  de  capital  de  uma  sociedade  holding pura.  · Além disso, ainda que os precedentes trazidos pelos autuantes fossem aplicáveis, o que se  admite apenas para argumentar, ficou claro que a atual jurisprudência do Carf é completamente  favorável às operações efetuadas pelo grupo Carrefour.  · É equivocada a premissa adotada pela fiscalização, segundo a qual a amortização de ágio  teria  sido  indevida  porque  a  incorporação  teria  sido  realizada  de  forma  invertida.  A  amortização fiscal do ágio é possível no presente caso devido à existência de expressa previsão  legal,  e  constitui  posição  validada  igualmente  pela  doutrina  e  pela  jurisprudência  administrativa.  · O artigo  7º  da Lei  9.532/97  determina que  a pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio  justificado com base na rentabilidade futura da empresa adquirida poderá amortizar o valor de  referido ágio.   · A Exposição de Motivos da Lei 9.532/97 deixa claro que se pretendeu eliminar benefício  fiscal  existente  antes  da  publicação  desta  norma  e  não  introduzir  um  novo  benefício  fiscal.  Logo, não há qualquer restrição determinando que a incorporadora deveria deter participação  societária na incorporada. Ao contrário, para dirimir eventuais dúvidas de interpretação é que o  legislador introduziu o artigo 8° na mesma Lei.  · O  artigo  8º  estabelece  expressamente  que  o  tratamento  previsto  no  artigo  7°  da  Lei  9.532/97  também  é  aplicável  quando  a  empresa  incorporada  for  aquela  que  detinha  a  propriedade da participação societária, ou seja, que o mesmo tratamento é aplicável quando a  controlada (adquirida) incorpora a controladora (adquirente).  · O  artigo  386,  §  6º  do  RIR/99,  que  reproduz  o  artigo  8º  da  Lei  9.532/97,  garante  expressamente o direito à amortização do ágio para as situações em que a sociedade controlada  incorpora a sociedade controladora, tal como ocorreu no presente caso. Ainda sobre o assunto,  confira­se a redação dos artigos 1º e 3º da Instrução Normativa SRF n° 11, de 10.2.1999.  · Se há lei, decreto e  instrução normativa estabelecendo expressamente que o ágio pago na  aquisição de sociedade em decorrência da expectativa de rentabilidade futura da adquirida pode  ser  amortizado  após  a  incorporação  da  adquirente  pela  adquirida,  não  há  qualquer  plausibilidade no argumento das autoridades fiscais. O fato de a requerente (a investida) não ter  Fl. 17304DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.287          37 sido extinta não é relevante para fins da aplicação do benefício fiscal do ágio. O relevante é que  o ágio e o seu fundamento econômico sejam consolidados em uma única pessoa jurídica. E isso  ocorre, da mesma forma, nos casos em que a controlada incorpora a controladora.  · A  doutrina  deixa  claro  que  o  importante  é  a  unificação  dos  patrimônios  das  sociedades  envolvidas na operação (a adquirente e a adquirida), não a ordem da incorporação. Em abono  da afirmação, cita­se passagem atribuída a Ricardo Mariz de Oliveira. No texto citado, o autor  sustenta a irrelevância da direção da incorporação, ou seja, de quem seja a incorporadora e de  quem  seja  a  incorporada,  a  controladora  ou  controlada,  pois  o  que  importa  é  que  ocorra  a  união de seus patrimônios.  · As  regras  relativas  à  amortização  fiscal  do  ágio  não  têm  a  abrangência  estrita  que  fiscalização tenta lhe emprestar. As operações em exame estão acolhidas pelas disposições dos  artigos  7º  e  8°  da  Lei  9.532/97  (reproduzidos  nos  artigos  385  e  386  do  RIR/99).  A  premissa  adotada  pela  fiscalização,  no  sentido  de  que  a  operação  de  incorporação  de  controladora  pela  controlada  não  possui  o  condão  de  autorizar  a  amortização  do  ágio,  é  manifestamente equivocada e não pode prosperar. A impugnante ilustra sua argumentação com  a citação de precedentes atribuídos ao Carf.   · A solução do caso da requerente é muito mais simples, uma vez que o artigo 8º da Lei n°  9.532/97  permite  expressamente  a  amortização  do  ágio  pela  incorporadora  inclusive  na  situação em que a incorporada é a investidora.   · A  própria  jurisprudência  administrativa  de  primeira  instância  também  tem  adotado  o  mesmo entendimento, conforme precedentes transcritos na impugnação.   · Dessa  forma,  fica comprovado o entendimento exposto pela  requerente, o que, mais uma  vez, demonstra a flagrante improcedência das alegações trazidas pelo fisco.  O direito relacionado à segunda infração  · A estrutura de aquisição da totalidade do capital da requerente pelo grupo Carrefour, com a  utilização  da  Korcula  e  a  tomada  de  dívida  relevante  em  relação  ao  preço  total  pago  aos  vendedores, é comum e normal no contexto de investimentos e aquisições de empresas. Essa  prática  ficou  conhecida  no  mercado  como  "compra  alavancada",  ou,  no  inglês,  "leveraged  buyout" (LBO), e se tornou popular a partir da década de 1980.  · A compra alavancada consiste em adquirir o controle societário de determinada empresa e  financiar  uma  parcela  significativa  do  preço  incorrido  por  meio  de  dívida  tomada  pelo  comprador.  A  estratégia  da  compra  alavancada  geralmente  consiste  na  criação  de  empresa  específica  que,  com  determinada  parcela  de  capital  próprio,  toma  dívida  em  valor  relevante  para  realizar o  investimento e, após a aquisição, o veículo e a empresa­alvo são fundidas em  uma só empresa, de  forma que a empresa adquirida acaba por assumir  a dívida  tomada pelo  investidor.  É  prática  conhecida  no  mercado,  usual  e  normal  no  contexto  de  aquisição  de  empresas.  · O  autor  Lawrence  J. Gitman,  em  seu  livro  clássico  de  finanças  corporativas  esclarece  o  conceito  de  compra  alavancada,  indicando  também  as  características  principais  que  uma  empresa  deve  ter para  ser  considerada  como  "candidata"  nesse  tipo  de  estrutura.  Portanto,  a  estrutura  de  aquisição  adotada  pelo  grupo  Carrefour  não  consistiu  em  qualquer  estrutura  abusiva ou mesmo "estranha" ao tipo de negócio que se pretendia implementar.  · A  operação  de  tomada  de  dívida  pela Korcula  apresentou  as  seguintes  características:  a  dívida tomada pela Korcula frente ao Carrefour BV existiu e foi devidamente comprovada pela  requerente,  de  forma  que  a  fiscalização,  em  nenhum momento,  lança  dúvidas  quanto  à  sua  Fl. 17305DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     38 existência e comprovação; a dívida tomada pela Korcula frente ao BNP Paribas, para quitar a  dívida original e, posteriormente, assumida pela requerente também existiu e foi devidamente  comprovada pela requerente; a fiscalização também não lançou devida em relação à existência  e comprovação dessa dívida; ao contrário do que pretende fazer crer fiscalização, a dívida final  assumida  pela  Korcula  e  assumida  pela  requerente  não  foi  com  o  Carrefour  BV,  mas  foi  tomada com terceiro, parte não relacionada à Korcula ou à requerente; as despesas financeiras  incorridas pela requerente também existiram e foram devidamente comprovadas, sem qualquer  contestação  das  autoridades  fiscais;  a  aquisição  da  totalidade  do  capital  da  requerente  pela  Korcula  existiu  e  foi  devidamente  comprovada;  ou  seja,  o motivo  principal  que  justificou  a  tomada da dívida pela Korcula era verdadeiro, lícito e, na realidade dos fatos, foi efetivamente  realizado; não há contestação da fiscalização quanto à existência e comprovação da aquisição  do  capital  da  requerente  pela  Korcula,  de  forma  que  o motivo  apresentado  para  justificar  a  dívida tomada consiste em motivo real e verdadeiro; e o empréstimo tomado pela Korcula não  foi, em nenhum momento, repassado a pessoas a ela ligada com cobrança de juros menores do  que aqueles contratados quando da tomada da dívida; a dívida em questão, cujo credor é parte  não  relacionada  (BNP  Paribas),  foi  assumida  pela  requerente  por  decorrência  de  obrigação  legal, tendo em vista a extinção da Korcula após a incorporação.   · A Korcula precisou  tomar  a dívida para  ter os  recursos necessários para  adquirir o novo  investimento, sendo este endividamento necessário para a consecução do seu objetivo.  · Essas  despesas  eram  necessárias  tanto  à  Korcula  quanto  à  requerente.  A  dedução  das  despesas financeiras pela requerente não afrontou nenhum dos limites possivelmente aplicáveis  ao caso sob análise.  · Nos  termos  da  legislação  tributária,  exceto  em  algumas  situações  específicas,  toda  a  despesa incorrida pela pessoa jurídica ­ ou toda a despesa assumida ­ para aquisição de bens,  serviços ou utilidades deve ser considerada como dedutível da base de cálculo do  IRPJ e da  CSLL, desde que incorrida com o propósito de manter em funcionamento a fonte produtora dos  rendimentos.  · As regras gerais que condicionam a dedutibilidade de determinada despesa se encontram no  artigo 47 da Lei 4.506, de 30.11.1964, base legal do artigo 299 do RIR 1999. Somente serão  admitidas  como  dedutíveis  as  despesas  consideradas  necessárias,  usuais  e  normais  à  manutenção  da  atividade  econômica  da  pessoa  jurídica.  Adicionalmente,  para  serem  admitidas  como  dedutíveis,  as  despesas  devem  estar  efetivamente  suportadas  por  documentação idônea e hábil a comprovar a natureza do desembolso realizado pela empresa e  sua vinculação à fonte produtora dos rendimentos.  · O Parecer Normativo CST n° 32, de 17.8.1981, esclarece que despesa necessária é aquela  essencial às transações exigidas para a exploração das atividades, principais ou acessórias, da  sociedade que estejam vinculadas à continuidade da fonte produtora dos rendimentos. Por sua  vez,  despesa  normal  seria  aquela  cujo  valor  se  verifica  comumente  no  tipo  de  operação  ou  transação  efetuada  e  que,  na  realização  do  negócio,  se  apresenta  de  forma  costumeira  ou  ordinária. Por fim, despesa usual seria aquela habitual para o tipo de negócio de que se trata.  · O  requisito  da  necessidade  é  mais  importante  para  autorizar  a  dedutibilidade  de  determinada despesa. Como conseqüência disso, pode­se afirmar que despesa dedutível é toda  aquela  feita no  interesse da pessoa  jurídica, ou seja,  toda a despesa que  traz benefícios à sua  atividade.  · Também devem ser consideradas como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a  realização  das  transações  e  operações  exigidas  pela  atividade  da  empresa,  ainda  que  não  tenham ligação direta com a fonte material de produção de suas receitas.  Fl. 17306DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.288          39 · Os contribuintes têm liberdade de escolha sobre os bens e serviços que pretendem adquirir  no  desempenho de  sua  atividade  econômica. O Carf,  no Acórdão  107­09.419,  de 25.6.2008,  levou em consideração a  liberdade e discricionariedade dos administradores das empresas ao  afastar a glosa fiscal de despesas.  · Como se nota nos precedentes do Carf citados, em decorrência da garantia de liberdade de  escolha,  as  autoridades  fiscais  não  têm  o  direito  de  contestar  as  despesas  incorridas  pelas  pessoas  jurídicas  com base em meros  juízos de valor. Por  isso, as autoridades  fiscais podem  glosar somente as despesas incorridas pelas pessoas jurídicas quando estas configuram meros  atos de liberalidade do contribuinte. Ou seja, quando a pessoa jurídica incorre em despesas que  não lhe trazem benefícios e foram tomadas por sua própria opção. Os atos de liberalidade são  os atos efetuados pelos contribuintes de forma graciosa, por sua própria opção, sem resultar em  qualquer benefício às pessoas jurídicas.  · De  uma  forma  geral,  salvo  disposição  expressa  em  contrário,  as  despesas  com  juros  e  variação  cambial  derivadas  de  empréstimos  tomados  pelas  pessoas  jurídicas  são  consideradas  como necessárias e,  portanto,  dedutíveis. As  despesas de  juros de  empréstimos  incorridas  pelas  pessoas  jurídicas  são  dedutíveis  sob  o  pressuposto  de  que  são  tomadas em seu benefício e estão vinculadas aos objetivos empresariais da pessoa jurídica.  · Essa  pressuposição  está  relacionada  à  premissa  de  que  é  atribuição  do  administrador  da  empresa a decisão de custear as operações da sociedade por meio de recursos próprios ou de  terceiros, seara na qual não cabe ingerência das autoridades fiscais.  · Por  isso,  o  artigo  17,  parágrafo  único,  do  Decreto­lei  1.598/77,  estabelece  que  os  juros  pagos ou incorridos pelo contribuinte serão dedutíveis como custo ou despesa operacional. A  legislação estabelece que as despesas de juros são dedutíveis e impõe limites apenas quanto ao  período em que tais despesas poderão ser apropriadas pelos contribuintes em casos específicos.  · Ainda quanto a essa questão, e mais diretamente relacionado ao caso em análise, o artigo  31  da  Lei  11.727/08  estabelece  regime  tributário  específico  para  as  despesas  financeiras  vinculadas  à  aquisição de  investimentos por  sociedades holdings. Essa norma  reforça que  as  despesas  de  juros  incorridas  pelas  sociedades  holdings,  em  decorrência  de  empréstimos  tomados para financiamento de investimentos em outras sociedades, serão dedutíveis para fins  fiscais. Ainda, referido dispositivo estabelece a possibilidade de a sociedade holding diferir a  dedução  dessas  despesas  de  juros  para  o momento  em  que  ocorrer  a  eventual  alienação  ou  liquidação  de  investimentos  adquiridos,  a  fim  de  evitar  a  formação  de  prejuízos  fiscais  cuja  compensação é limitada pela trava de 30% estabelecida pela legislação tributária.  · Fica inequívoca a possibilidade de a requerente deduzir as despesas financeiras assumidas  após a incorporação da Korcula. Além do artigo 17, parágrafo único, do Decreto­lei 1.598/77,  também  o  artigo  31  da  Lei  11.727/08  estabelece  a  possibilidade  de  dedução  das  despesas  financeiras.  · A  dedução  das  despesas  financeiras  incorridas  pela  requerente  também  não  afrontou  os  limites historicamente determinados pela jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes,  atual Carf. Apesar de a legislação tributária presumir que as despesas de juros incorridas pelas  sociedades  são  dedutíveis  para  fins  fiscais,  a  jurisprudência  administrativa,  há muito  tempo,  estabelece dois limites a essa dedutibilidade: os juros dos empréstimos devem ser devidamente  comprovados pelo contribuinte; e o empréstimo tomado pela empresa não pode ser repassado à  pessoa a  ela  ligada  com cobrança de  juros menores do que  aqueles  incidentes na  tomada do  empréstimo original.  Fl. 17307DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     40 · O primeiro desses limites é decorrência da própria obrigação de ter a dedução de despesas  suportadas por documentação hábil e idônea.   · O segundo  limite diz  respeito à hipótese em que a sociedade capta empréstimo e repassa  esses valores a  empresa  ligada com encargos de  juros menores do que aqueles  incidentes na  captação  original  do  empréstimo.  Nessa  hipótese  específica,  a  jurisprudência  administrativa  entende que a diferença da  taxa de  juros na captação e no repasse não seria dedutível para a  pessoa jurídica repassadora dos valores, por considerar que o excesso das despesas financeiras  não seria necessário à sua atividade.  · Na operação em análise, a dívida e os juros incorridos foram comprovados pela requerente,  sem qualquer questionamento da fiscalização; e os valores captados via empréstimo não foram  transferidos  a  pessoas  ligadas,  muito  menos  com  cobrança  de  juros  menores,  hipótese  que  também nem foi suscitada pela fiscalização. Portanto, a dedução dos juros incorridos está em  completa  consonância  com  o  que  estabelece  a  legislação  tributária  e  atual  jurisprudência  do  Carf.  · A primeira alegação da fiscalização é que a  totalidade dos recursos financeiros utilizados  para a aquisição teria a mesma origem (a Carrefour BV). Com base nisso, a fiscalização alega  que o empréstimo teria servido apenas para gerar despesas financeiras na requerente, o que não  ocorreria  caso  a  totalidade  dos  recursos  financeiros  tivesse  sido  aportado  via  aumento  de  capital da Korcula.  · Ora,  essa  alegação  não  possui  base  legal.  Ainda  pior,  essa  alegação  afronta  as  próprias  regras  válidas  à  época  relativas  à  dedutibilidade  de  despesas  financeiras  incorridas  frente  a  pessoas ligadas domiciliadas no exterior.  · Em  primeiro  lugar,  se  equivoca  a  fiscalização.  Ainda  que  a  dívida  original  tenha  sido  contratada com parte relacionada no exterior (a Carrefour BV), no final da operação, a dívida  foi  tomada com  terceiro  (o BNP Paribas). Aliás, no momento da  incorporação da Korcula,  a  dívida  original  já  havia  sido  quitada,  de  forma  que  a  requerente  assumiu  diretamente  uma  dívida com terceiro não relacionado (o BNP Paribas).  · Enquanto o empréstimo entre Korcula e Carrefour BV não foi quitado, não houve nenhuma  despesa de juros que pudesse reduzir efetivamente o lucro tributável. Essas despesas de juros  foram  reconhecidas  pela  Korcula  por  competência  e  formaram  saldo  de  prejuízo  fiscal  da  sociedade. No entanto, esse saldo de prejuízo fiscal foi perdido no momento da incorporação  da sociedade ao patrimônio da requerente (por conta da vedação estabelecida pelo artigo 514  do  IR  1999),  sem  produzir  efeito  fiscal.  A  dedução  dos  juros  do  empréstimo,  com  efetivos  efeitos fiscais, só passou a ocorrer após a incorporação da Korcula, momento em que a dívida  registrada consistia em dívida com terceiros (o BNP Paribas).  · A  alegação  de  que  a  parte  aportada  pelo  Carrefour  BV  na  Korcula  como  empréstimo  poderia ter sido feita via aumento de capital não corresponde à realidade dos fatos.  · Não obstante, caso a realidade dos fatos pudesse ser desconsiderada no presente caso, o que  se admite apenas para argumentar, ainda assim, as alegações fiscais não seriam procedentes. A  opção  da  controladora  em  financiar  a  aquisição  da  requerente  por  empréstimo,  em  vez  de  aumento de capital, é ato completamente normal à gestão de atividades empresariais. Foi opção  que é induzida pelo próprio ordenamento jurídico brasileiro.  · Á  época  dos  fatos,  a  possibilidade  de  celebração  de  empréstimo  entre  controladora  e  controlada,  além  de  não  ser  vedada  pela  legislação  tributária  (tal  como  ainda  não  é),  era  regulada  de  forma  expressa  pela  Lei  9.430,  de  1996.  Quando  da  tomada  da  dívida  pela  Korcula,  seu  artigo  22  da  Lei  9.430,  de  1996  impunha  expressamente  limites  à  dedução  de  despesas  com  juros  de  empréstimos  devidos  a  pessoas  consideradas  como  vinculadas  no  exterior. Para os  contratos que não se encontravam registrados no BACEN, as despesas com  Fl. 17308DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.289          41 juros  não  podiam  exceder  à  resultante  da  taxa  libor para  depósitos  em dólares  por  6 meses,  acrescida de 3% a título de spread.  · Caso fosse considerado que a dívida foi efetivamente tomada do Carrefour BV, a dedução  das despesas de  juros  incorridas no caso em exame só estariam sujeitas aos  limites  impostos  pelas regras de preços de transferência (Lei 9.430, de 1996).  · Se a operação foi completamente efetuada de acordo com as regras que vigoravam à aquela  época, não poderia a fiscalização exigir ou obrigar que a Korcula ou a requerente adotassem a  prática que elas entendem que resultaria em maior pagamento de tributo.  · O  questionamento  fiscal  também  não  se  sustenta  se  for  considerado  que,  embora  o  empréstimo  resulte  em despesas  dedutíveis  para  a pessoa  jurídica  tomadora  dos  recursos,  os  juros  pagos  em  favor  da  sociedade mutuante  estão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  sobre  a  renda retido na fonte. No caso do aumento de capital, ainda que os dividendos não possam ser  deduzidos pela investida, eles também não estão sujeitos a qualquer tributação no momento de  pagamento aos sócios da empresa (artigo 10 da Lei 9.249, de 1995).  · À  época  dos  fatos,  o  Brasil  não  coibia  a  subcapitalização  (ou  thin  capitalization),  caracterizada  quando  o  capital  social  de  uma  empresa  é  irrelevante  se  comparado  com  o  passivo mantido frente aos seus sócios. Naquela época, muitos países já adotavam as regras de  subcapitalização  e  estabeleciam  os  coeficientes  acima  dos  quais  o  endividamento  com  os  sócios seria considerado como capital para fins tributários.  · No  entanto,  ao  que  tudo  indica,  o  Brasil  preferia  apenas  adotar  formas  de  remunerar  o  capital  próprio,  equiparando­o  ao  de  terceiros  para  fins  tributários,  em  vez  de  coibir  a  subcapitalização. É exatamente por isso que foi instituída a figura dos JCP (vigente a partir do  ano­calendário de 1995) e o efeito que decorria da aplicação da correção monetária de balanço  (vigente até o ano­calendário de 1995).   · Apenas  a  partir  de  15.12.2009,  com  a  edição  da  Medida  Provisória  n°  472,  de  2009  é  que  o  ordenamento  jurídico  brasileiro  passou  a  prever  regras  para  coibir  a  subcapitalização. A finalidade dessas normas, introduzidas apenas após os fatos analisados no  presente  processo  administrativo,  era  justamente  controlar  o  endividamento  abusivo  das  empresas  brasileiras  e  evitar  a  geração  artificial  de  juros,  conforme  consta  da  Exposição  de  Motivos da MP 472, de 2009.  · É evidente que, à época dos fatos envolvidos no presente processo administrativo, além das  regras de preços de transferência, não havia norma que limitasse ou proibisse a contratação de  empréstimo com pessoa ligada, tal como efetuado pela Korcula.  · A dívida tomada pela Korcula foi feita de acordo com as regras de preços de transferência  vigentes à época (o que nem é mencionado pela fiscalização) e não estavam sujeitas às recentes  regras  de  subcapitalização.  Ainda  assim,  caso  as  regras  de  subcapitalização  hoje  existentes  estivessem em vigor, as partes também as teriam obedecido.  · Portanto,  ainda  que  se  considerasse  que  a  dívida  tomada  pela Korcula  fosse  dívida  com  parte  ligada  (o que,  como  já  se demonstrou, não  corresponde à  realidade dos  fatos),  o único  argumento  utilizado  pela  fiscalização  foi  feito  com  base  em mero  juízo  de  valor  acerca  da  decisão da sociedade controladora de efetuar empréstimo à sua controlada, em vez de realizar  aumento de capital. Não houve desrespeito às regras de preços de transferência, e nem mesmo  às recentes regras de subcapitalização (que nem eram vigentes à época dos fatos).  · Não  há  dúvidas  de  que  os  recursos  financeiros  foram  empregados  na  aquisição  da  totalidade do capital da requerente, negócio lícito e que trouxe efetivos benefícios econômicos  Fl. 17309DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     42 ao grupo Carrefour no Brasil. A Korcula foi a efetiva beneficiária e empregou os recursos em  transação real e comprovada, extremamente relevante para a estratégia do grupo Carrefour no  Brasil. O objetivo maior  de  toda  a  operação  foi  efetivamente  alcançado  no  presente  caso:  o  grupo Carrefour no Brasil efetivamente adquiriu a totalidade do capital da requerente.  ·  A  fiscalização  questiona  a  necessidade  de  tais  despesas,  pelo  fato  de  que,  além  de  considerar empréstimo como um ato de liberalidade da Carrefour BV (a sociedade holandesa),  considerou que a dívida foi tomada para financiar a própria aquisição da requerente.   · A  opção  por  empréstimo,  em  vez  de  aumento  de  capital,  é  colocada  à  disposição  pelo  ordenamento jurídico brasileiro. Esta opção cabe única e exclusivamente aos administradores  da sociedade, e não fica sujeita a juízo de valor das autoridades fiscais. Portanto, em nenhuma  hipótese,  a  operação  de  empréstimo  poderia  ser  considerada  um  ato  de  liberalidade  da  controladora estrangeira, até porque a Carrefour BV tinha motivos empresariais para financiar  parte da aquisição por via de empréstimo.  · A  aquisição  de  participações  societárias  é,  sem  dúvida  alguma,  transação  necessária  ao  desempenho da  atividade  empresarial. A aquisição da  requerente  fazia parte da  estratégia de  crescimento do grupo Carrefour no País, além de  ter sido realizada em momento sensível do  mercado brasileiro  (naquele momento, o grupo Carrefour  se encontrava em  terceiro  lugar no  ranking de faturamento do setor).  · É  inegável  que  a  aquisição  trouxe  benefícios  econômicos  efetivos  ao  grupo,  e  foi  até  noticiada em importantes meios de comunicação especializados no assunto (doc. n° 33).  · É também inquestionável que as despesas financeiras decorrentes de empréstimos tomados  para  aquisição  de  participações  societárias  configuram  despesas  necessárias  às  atividades  de  todas as pessoas  jurídicas. As aquisições de participações societárias, com o crescimento dos  investimentos  das  empresas,  visam  à  conservação  e  o  crescimento  da  fonte  produtora.  A  possibilidade de  a Korcula deduzir  as despesas  de  juros decorre do próprio  artigo 31 da Lei  11.727/08. Com o mesmo  entendimento  é  a  doutrina  de Edmar Oliveira Andrade  Filho,  um  trecho da qual é transcrita na impugnação.   · O objeto  social  da Korcula,  a  tomadora  original  da dívida,  consistia  em  participação  em  outras sociedades como sócia, acionista ou quotista, e administração de bens próprios.  · O Carf, por diversas vezes,  já manifestou o  entendimento de que as despesas  financeiras  relacionadas  a  empréstimos  tomados  para  adquirir  participações  societárias  configuram  despesas necessárias aos contribuintes. Em abono da afirmação, transcreve­se a ementa de dois  acórdãos.  · Se  tais  despesas  financeiras  seriam  dedutíveis  para  a Korcula,  não  faz  sentido  que  essas  mesmas despesas financeiras sejam indedutíveis quando incorridas pela requerente.  · As despesas  foram incorridas pela requerente em simples decorrência da  incorporação da  Korcula. Dessa forma, essas despesas financeiras devem manter a mesma natureza jurídica que  apresentavam  antes  da  incorporação  societária.  Se  tais  despesas  eram  consideradas  como  despesas necessárias (e dedutíveis) à Korcula, não há dúvidas de que o requisito da necessidade  continua inerente a esses dispêndios, ainda que incorridas pela sociedade incorporadora.  · A requerente não incorreu nas despesas financeiras em questão por ato de liberalidade, mas  em  decorrência  de  obrigação  legal. O  artigo  1.116  do  Código  Civil  de  2002,  é  expresso  e  mandatório  ao  estabelecer  que  a  empresa  que  absorveu  a  outra,  em  uma  incorporação  societária, lhe sucede em todos os direitos e obrigações. Abona­se a afirmação com passagem  atribuída a Maria Helena Diniz.   · A  incorporação  nada  mais  é  que  um  processo  de  sucessão.  Na  sucessão  havida  por  incorporação, a sucedida se torna proprietária de todos os bens e direitos, assim como devedora  Fl. 17310DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.290          43 de todos os passivos, da sucessora. Na incorporação, por conta da extinção da pessoa jurídica  sucedida, a sucessão é universal, de forma a abranger todos os direitos e obrigações da pessoa  jurídica incorporada. A requerente não tinha qualquer opção.   · Na  medida  em  que  essas  despesas  financeiras  eram  dedutíveis  para  a  pessoa  jurídica  incorporada, não há dúvidas de que elas devem também ser dedutíveis para a incorporadora.  · As  despesas  financeiras  incorridas  pela  requerente  também  trouxeram  benefícios  a  ela  própria.  Como  a  dívida  foi  imprescindível  para  a  operação  de  compra  da  requerente  pela  Korcula,  é  conseqüência  lógica  que  a  essa mesma  dívida  foi  necessária  para  a mudança  do  controle  societário  da  requerente.  Ou  seja,  a  tomada  da  dívida  fez  com  que  o  capital  da  requerente  fosse  transferido  da  família  Lima,  família  Schmeil  e  do  sr.  Farid  Curi  ao  grupo  Carrefour.  · Com a transferência das quotas do capital, a requerente passou a ser detida por grupo com  sólida reputação não só no mercado brasileiro, mas também no mercado mundial. A requerente  passou  a  ter  gestão  completamente  profissionalizada,  que  geraram  ganhos  indispensáveis  ao  crescimento dos seus resultados financeiros.  · É  inegável que,  a partir  do momento  em que  a  requerente passou a  fazer parte do grupo  Carrefour,  as  suas  receitas  tiveram crescimento  constante,  conforme se  depreende do quadro  constante da impugnação, elaborado com base nas demonstrações financeiras (doc. n° 34).  · Ao  fazer  parte  do  grupo  Carrefour,  a  marca  da  requerente  também  se  tornou  mais  conhecida no Brasil e no mundo. Isso sem contar que, após a aquisição da Requerente, o grupo  Carrefour  passou  a  expandir  a  atividade  da  requerente,  com  inauguração  de novas  lojas,  em  novas localidades, até planejando levar as atividades exercidas pela requerente ao exterior.  · A jurisprudência indicada para questionar a dedutibilidade das despesas financeiras não se  aplica ao caso em exame. O caso tem como pano de fundo uma operação em que o contribuinte  autuado  recebeu  apenas  recursos  de  sua  controladora  no  exterior  e  que,  sem  que  tivesse  passado por suas contas bancárias, foram repassados a uma sociedade controlada no exterior.  Tais recursos foram utilizados pela sociedade controlada do contribuinte autuado para adquirir  participação societária de empresa domiciliada no Brasil.  · Embora  a  essa  autuação  tenha  tido  fundamento  parecido  com  o  do  presente  processo  administrativo,  os  fatos  envolvidos  possuem  diferenças  sensíveis.  No  caso  discutido  no  presente processo administrativo: não houve qualquer questionamento quanto à veracidade do  empréstimo; o empréstimo tomado pela Korcula foi, ao final da operação, tomado com terceiro  não  relacionado;  e  os  valores  tomados  pela  Korcula  não  foram,  em  momento  algum,  repassados por ela a pessoas ligadas.   · Diante  de  todo  o  exposto,  demonstrou­se  a  legitimidade  da  dedução  das  despesas  financeiras. Portanto, o questionamento deve ser integralmente afastado.  O direito relacionado à terceira infração  · O questionamento fiscal não tem nenhum efeito prático. Mesmo que a distribuição de JCP  tivesse sido feita de forma proporcional ao capital social, os valores que seriam dedutíveis pela  sociedade seriam exatamente os mesmos. O fato não produz nenhum efeito fiscal adverso para  fins de apuração de IRPJ e de CSLL.  · O pagamento desproporcional de JCP só produziria efeitos fiscais prejudiciais ao fisco no  nível  dos  sócios  que  deliberaram  e  auferiram  a  remuneração  de  JCP  desproporcional.  No  entanto, a requerente configura mera distribuidora de JCP, e não beneficiária.  Fl. 17311DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     44 · Portanto,  preliminarmente,  já  fica  demonstrada  a  completa  improcedência  da  terceira  infração imputada.  · Os JCP são disciplinados pela Lei n° 9.249, de 26.12.1995 e pela Lei 9.430/96. De acordo  com  tais dispositivos  legais,  o  JCP  é calculado  sobre  as  contas de patrimônio  líquido,  sendo  limitado à variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).  · O  efetivo  pagamento  ou  crédito  do  JCP  está  condicionado  à  existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reserva  de  lucros,  em  montante  igual  ou  superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem  pagos  ou  creditados.  Adicionalmente, o valor do JCP pago ou creditado pela pessoa jurídica poderá ser imputado ao  valor do dividendo obrigatório. O cálculo do montante dos JCP é efetuado mediante aplicação  da TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, com os ajustes devidos.  · Os  aspectos  societários  do  pagamento  de  JCP  levam  importante  corrente  da  doutrina  a  considerar que a natureza jurídica dos JCP é equiparável à dos dividendos, hipótese em que o  artigo  9º  da  Lei  9.249/95  teria  meramente  instituído  tratamento  fiscal  específico  para  o  pagamento  de  tais  valores.  Abona­se  o  argumento  com  a  citação  de  passagens  atribuída  a  Modesto Carvalhosa e a Bulhões Pedreira, assim como precedente de decisão judicial atribuída  ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.  · Essa também é a posição da Comissão de Valores Mobiliários, contida na Deliberação n°  207, de 13.12.1996, segundo a qual, para fins societários e contábeis, os JCP têm natureza de  dividendos. Nos termos dessa deliberação, a remuneração do capital próprio, paga ou creditada  aos  acionistas  configura  distribuição  de  resultado  e  não  despesa,  deve  ser  contabilizada  diretamente  à  conta  de  lucros  acumulados  (sem  afetar  o  resultado  do  exercício),  deve  ser  detalhadamente descrita em notas explicativas às demonstrações financeiras e às  informações  trimestrais.  · Tanto é assim que, para corroborar tal posicionamento, prevê a Deliberação CVM 207/96  que  os  JCP  pagos  aos  acionistas  devem  ser  imputados  como  dividendo mínimo  obrigatório  pelo valor líquido do IRF. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, ao considerar apenas o  juro  líquido  recebido,  a  intenção é  justamente  evitar que o  acionista  receba menos do que o  dividendo mínimo obrigatório assegurado pela lei societária.  · Por  essa  razão,  a  equiparação  dos  JCP  à  distribuição  de  lucros  não  afronta  qualquer  dispositivo  legal,  e,  conseqüentemente,  as  pessoas  jurídicas  têm  a  liberdade para  destinar  ao  pagamento  dos  JCP  o  mesmo  tratamento  contábil  e  jurídico  destinado  à  distribuição  de  dividendos a seus acionistas e atualmente previsto no Código Civil de 2002 e na Lei das S.A.  · O artigo 1.007 do Código Civil de 2002 expressamente dispõe que os sócios podem optar  pela distribuição desproporcional de lucros, tal como passou a prever, em dezembro de 2009 o  artigo 9º do contrato social da requerente. Essa faculdade da requerente é ainda reforçada pelo  fato de que ela possui a natureza de sociedade limitada, de forma que prevalece o princípio da  autonomia da vontade dos seus sócios.  · Aplicando­se as regras das sociedades simples às sociedades limitadas, também se mostra  plenamente  possível  a  distribuição  desproporcional  de  lucros  em  razão  do  que  dispõem  os  artigos 997, inciso VIII, e artigo 1.054 do Código Civil de 2002.  · À luz da natureza jurídica dos JCP (análoga à dos dividendos), é plenamente possível a sua  distribuição  de  forma  desproporcional  com  base  no  Código  Civil  de  2002  e  com  base  na  própria vontade dos seus sócios (manifestada por meio do seu contrato social).  · Essa  possibilidade  fica  ainda  mais  evidente  quando  se  verifica  que  a  distribuição  desproporcional  de  JCP  não  ocasiona  qualquer  efeito  fiscal  adverso  para  a  sociedade  que  distribui tais valores aos seus sócios. Não só o valor deduzido da base de cálculo do IRPJ e da  Fl. 17312DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.291          45 CSLL apurados pela sociedade seria exatamente o mesmo, como também, da mesma forma, os  valores de JCP distribuídos continuam sujeitos à incidência do IRF no mesmo montante, ainda  que pagos de forma desproporcional.  · A terceira infração também deve ser afastada tendo em vista que as autoridades fiscais se  equivocaram em seus fundamentos.  · Por  fim,  qualquer  tentativa  de  invalidar  o  valor  do  patrimônio  líquido  da  requerente  (utilizado  como  base  para  distribuição  de  JCP)  não merece  prosperar,  na medida  em  que  a  incorporação da Korcula ao seu patrimônio (bem como a geração do ágio pago e reconhecido  pela  Korcula  no  momento  da  aquisição)  preencheu  todos  os  requisitos  estabelecidos  na  legislação societária e fiscal.  O descabimento da multa qualificada  · Ainda  que  fosse  admitida  a  exigência  do  principal,  não  poderia  ser  aplicada  a  multa  qualificada de 150%, pois não ocorreu nenhuma conduta  simulada, dolosa ou  fraudulenta. É  pacífico  o  entendimento  da  doutrina,  bem  como  da  atual  jurisprudência  administrativa  e  judicial, de não cabe multa qualificada nesse caso.  · Nos termos do artigo 44, §1° da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n°  11.488,  de  2007,  a  aplicação  de multa  qualificada  no  valor  de  150%  da  exigência  principal  somente  pode  ocorrer  nas  hipóteses  descritas  pelos  artigos  71  a  73  da  Lei  4.502/64.  Além  disso, as autoridades fiscais devem trazer provas inequívocas da ocorrência desses vícios.  · A fiscalização argumenta, com base em alegações genéricas, que as operações teriam sido  fraudulentas, tendo em vista que a reestruturação societária promovida teve o objetivo de gerar  despesas de amortização de ágio.  · É  imprescindível  ressaltar que  a  fraude  tem uma definição precisa. Apenas  se ocorrida  e  comprovada  da  forma  expressamente  prevista  na  legislação,  o  que  somente  se  dá  em  casos  extremos, estaria autorizada a imposição de multa agravada de 150%. O conceito de fraude se  baseia essencialmente na prática de ato lesivo a interesses de terceiros. O sujeito que atua de  forma fraudulenta é aquele que tem a clara intenção de frustrar regras e deveres legais.  · A caracterização da fraude ainda depende da comprovação da intenção dolosa de mascarar  ou disfarçar a ocorrência do fato gerador. Desse modo, a fraude à lei se constata nos casos em  que o contribuinte se vale de meios muitas vezes ilícitos para evitar a tributação ou reduzir o  montante  devido,  como  ocorre  nos  casos  de  falsificação  de  documentos,  declarações  falsas,  contabilização de notas fiscais em duplicidade etc.  · No  caso  analisado,  não  se  verifica  a  ocorrência  de  fraude  à  lei  tributária,  tampouco  de  abuso  de  direito  ou  simulação.  Em  momento  algum  a  requerente  pretendeu  realizar  atos  societários para driblar as normas tributárias buscando a redução dos tributos devidos.  · A jurisprudência administrativa é pacífica ao determinar que a fiscalização tem o ônus de  comprovar, de  forma  inequívoca, o dolo na conduta do contribuinte para que seja aplicada a  multa agravada. Tal é o entendimento já consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais,  conforme ementas transcritas na impugnação.   · No  presente  caso,  não  existe  qualquer  espaço  para  a  aplicação  de multa  qualificada. As  operações praticadas pela Korcula, bem como as operações de incorporação da Korcula, foram  reais, efetuadas com terceiros independentes, além de serem também devidamente registradas  nos órgãos públicos competentes e contabilizadas nos livros fiscais e contábeis das sociedades  Fl. 17313DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     46 envolvidas.  Mais  que  tudo,  tais  operações  tiveram  razões  empresariais  e  não  tributárias  legítimas para ocorrer.  · Os elementos de prova aqui apresentados, analisados à luz das explicações anteriores, não  permitem que se cogite de uma suspeita minimamente racional de fraude ou de qualquer tipo  de conduta dolosa por parte da requerente. Então é lógico que não se pode falar em evidente  intuito de fraude. O antigo Primeiro Conselho de Contribuintes chegou a editar a Súmula n° 14,  segundo a qual a multa qualificada de 150% somente pode ser aplicada em caso de evidente  intuito de fraude.  · As alegações da fiscalização para tentar forçosamente caracterizar a conduta da requerente  como artificial não se sustentam ao primeiro exame. Esse caso nem sequer pode ser chamado  de planejamento tributário, uma vez que se tratou de uma simples aquisição de empresa entre  partes  independentes,  feita  a  valor  justo  de mercado. A  aquisição  da  requerente  foi  também  motivada por razões empresariais verdadeiras e não tributárias.  · E, ainda que assim não se entendesse, o que se admite apenas para argumentar, transcreve­ se trecho de decisão atribuída ao Carf que consignou que, mesmo na ocorrência de simulação,  não caberia a aplicação de multa qualificada.  · Além  de  registrar  todos  os  seus  atos  nos  estritos  termos  da  legislação  em  vigor,  a  requerente portou­se de forma exemplar durante a fase de fiscalização e disponibilizou todas as  informações e documentos solicitados, sem jamais omitir ou ocultar qualquer coisa.  · Ficou decidido no caso Santander,  já citado, que se o contribuinte é transparente em seus  atos  e  contribui  com  a  fiscalização,  apresentando  também  todos  os  lançamentos  contábeis  pertinentes, não se pode aplicar a multa de 150%.   · Os julgamentos do caso Santander e também do caso Telemar foram unânimes em afastar a  aplicação de multa agravada antes mesmo do exame de mérito, justamente por não ter havido  qualquer  tipo de  conduta  fraudulenta por parte  desses  contribuintes no  sentido de ocultar ou  tentar ludibriar a fiscalização, tal como no presente caso.  · Em  recentes  julgamentos  envolvendo  a  dedução  de  valores  de  ágio  originados  de  transações entre partes relacionadas (o que não é o caso ora tratado), o Carf também afastou a  aplicação  da  multa  qualificada  de  150%,  conforme  ementas  transcritas  ou  referidas  na  impugnação.   · Ora, se nos casos envolvendo amortização fiscal de ágio gerado entre partes relacionadas (o  que, repita­se, não é o caso em exame no presente processo administrativo) a multa qualificada  de  150%  foi  afastada,  ainda  com  mais  razão  a  penalidade  deve  ser  reduzida  nos  casos  envolvendo ágios gerados entre partes não relacionadas (tal como no presente caso).  · Ainda que as autoridades julgadoras não entendessem que houve excesso da fiscalização, o  que se admite apenas para argumentar, o artigo 112 do CTN dispõe expressamente que a norma  tributária que comine penalidades deverá ser interpretada e aplicada da maneira mais favorável  ao contribuinte em casos de dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das  circunstâncias materiais do fato.   · Na realidade, no pior cenário, o presente caso deveria ser tratado como um mero conflito  entre interpretações dadas pela fiscalização e pela requerente a um mesmo conjunto fático, de  forma que a multa qualificada deve ser integralmente cancelada, ou, no mínimo, reduzida para  75%, dadas as disposições contidas do artigo 112, incisos I e II do CTN.  · Pela  análise  dos  recentes  casos  julgados  pelo  Carf  (Santander,  Telemar,  Cosern,  Celpe,  Biosintética  e  Columbian),  as  operações  autuadas  no  presente  processo  estão  sendo  reconhecidas  pela  atual  jurisprudência  administrativa. Assim,  não  se  pode  argüir  simulação,  fraude  ou  dolo.  Quando  muito  se  poderia  falar  em  erro  de  proibição,  pois,  se  é  que  havia  Fl. 17314DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.292          47 qualquer  ilicitude nas operações examinadas, o que se admite para argumentar, não havia ao  menos conhecimento por parte da requerente acerca dessa suposta ilicitude do negócio. É nesse  sentido que tem decidido a jurisprudência administrativa, conforme exemplificam as ementas  transcritas na impugnação.   · O artigo 76, inciso II, alínea "a", da Lei 4.502/64 veda a aplicação de penalidades enquanto  houver  interpretação  jurisprudencial  administrativa  irrecorrível  dando  determinada  interpretação a uma situação jurídica, mesmo que o interessado não tenha sido parte no caso.   · Ora,  se  as  operações  em  exame,  na  forma  como  estruturadas,  eram  (e  continuam  a  ser)  acolhidas pela jurisprudência, fica patente que a  requerente agiu de boa­fé, sendo incabível a  aplicação de penalidades, nos termos do artigo 76, inciso II, alínea "a" da Lei 4.502/64.  · Qualquer mudança posterior de interpretação sobre a matéria é uma afronta ao princípio da  segurança jurídica e, em última instância, uma ameaça ao próprio sistema jurídico.  · A  aplicação  de  sanções  deve  sempre  seguir  o  princípio  da  razoabilidade  e  proporcionalidade, conforme o artigo 2º, parágrafo único, inciso VI, da Lei 9.784, de 1999, que  rege supletivamente o processo administrativo fiscal.  · E  o  artigo  142  do  CTN  dispõe  que  no  ato  do  lançamento,  a  autoridade  administrativa,  sendo o  caso,  poderá  propor a  aplicação  da penalidade  cabível. O  termo deve  ser  entendido  como a competência dada à autoridade fiscal para ponderar as situações objetivas e subjetivas  da  conduta  praticada  pelo  contribuinte,  de modo que possa  ser  feito  um verdadeiro  juízo  de  pertinência e de adequação da aplicação da penalidade, se for o caso.  · Num  recente  julgamento,  cuja  ementa  é  transcrita  na  impugnação,  o  Supremo  Tribunal  Federal, por unanimidade de votos, confirmou a redução do percentual da multa originalmente  fixada em 60% do valor principal em discussão para 30%, corroborando a aplicação da teoria  da proporcionalidade ao caso concreto.   · Por todas as razões expostas, está demonstrado o total descabimento da aplicação da multa  qualificada de 150%, razão pela qual se pleiteia seu imediato cancelamento.  A inaplicabilidade da multa isolada por falta de antecipação das estimativas mensais  · Ainda que se entendesse que a requerente recolheu valores a menor em razão das infrações  apontadas no auto de infração, o que se admite tão somente para argumentar, a multa isolada de  50% não tem qualquer cabimento, caracterizando um verdadeiro abuso.  · É  totalmente  improcedente  a  exigência  de  multa,  seja  ela  punitiva  ou  isolada,  pois  os  tributos ora questionados não são devidos. Ainda assim, o auto de  infração visa cobrar  tanto  valores a título de multa punitiva quanto de multa isolada.  · Se fosse admitida a possibilidade de cobrança da multa, somente poderia ser exigida uma  única vez e não duas.  · Não há  dúvidas  de  que  a  fiscalização  extrapolou  os  limites  previstos  na Lei  9.430/96  ao  exigir a dupla cobrança de multa, devendo ser imediatamente cancelada a exigência da multa  isolada.  Esse  é  o  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  e  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementas de decisões transcritas na impugnação.   · Os pagamentos mensais  antecipados  pelo  contribuinte  não  têm o  condão  de  extinguir  de  imediato o crédito tributário, o que só ocorrerá quando encerrado o exercício fiscal, ou seja, no  último  dia  de  cada  ano.  É  nessa  data  que  ocorre  o  fato  gerador  do  tributo  e  que  é  possível  Fl. 17315DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     48 apurar o montante  efetivamente devido, bem como  se houve ou não pagamento  a maior por  meio das estimativas mensais antecipadas.  · Desse  modo,  constatando­se  eventual  insuficiência  da  estimativa  do  imposto,  o  fisco  apenas  poderia  apurar  o  tributo  devido  após  o  encerramento  dos  períodos­base  e  constituir  eventual  diferença  do  crédito  tributário.  A  jurisprudência  rechaça  a  cobrança  mediante  lançamento  de  ofício  após  o  término  do  ano­calendário,  tendo  em  vista  que  uma  vez  concretizado  o  aspecto  temporal  do  fato  gerador,  não  há  razão  para  a  autoridade  fiscal  demandar  outra  base  de  cálculo  que  não  aquela  estritamente  definida  pela  norma  que  estabelece a hipótese de incidência.   · Diante disso,  não  há  falar  em multa  isolada  ou  falta  de pagamento  de  IRPJ  e CSLL por  estimativa, após o encerramento do período­base com a apuração da base de cálculo. Também  é indevida a exigência de multa isolada em conjunto com a multa de ofício.  A improcedência dos juros de mora  · Após  a  lavratura  dos  autos  de  infração,  as  multas  de  ofício  passam  a  ser  mensalmente  atualizadas com base na taxa de juros SELIC.  · Essa atualização não é realizada com amparo na lei, mas com base no Parecer MF n° 28, de  02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit). Tal Parecer usa  como base o artigo 61 da Lei 9.430/96. Contudo, tal dispositivo trata tão somente da incidência  de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às  multas de ofício aplicadas pela RFB.  · A Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do Recurso de Divergência nº 202­ 131351, reconheceu, no âmbito federal, a ilegalidade da incidência dos juros moratórios (seja a  Taxa SELIC ou o percentual de 1% ao mês) sobre a multa de ofício.  · No  que  tange  aos  juros  de mora,  não  obstante  a  posição  sumulada  pelo  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  e  tendo  em  vista  a  real  possibilidade  de  a  taxa  SELIC  vir  a  ser  considerada  inconstitucional  para  fins  tributários  pelo  Poder  Judiciário,  contesta­se  sua  aplicação e requer­se sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal, de modo  que os juros de mora sejam calculados com base no artigo 161, § 1º, do CTN.  CSLL  · Á CSLL são aplicadas as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o  IRPJ, observada a legislação específica quanto à alíquota e base de cálculo (artigo 57 da Lei n°  8.981/1995 e artigo 28 da Lei n° 9.430/1996).  · Assim sendo,  são válidos os  argumentos de  fato  e de direito  apresentados  anteriormente,  que  justificam a  legalidade do procedimento adotado pela requerente  também para efeitos de  recolhimento da CSLL. Dessa forma, tendo sido demonstrada a improcedência da autuação de  IRPJ, torna­se, também, improcedente a exigência relativa à CSLL.  Necessidade de recomposição do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL  · Uma vez demonstrada a  total  improcedência do auto de  infração, deve ser determinada a  recomposição  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  da CSLL  indevidamente  compensadas  pela fiscalização.  Conclusões e pedido  · A impugnação é tempestiva e deve ser integralmente apreciada e acolhida em suas razões  de fato e de direito, que demonstram a total improcedência da exigência fiscal.  · Foi  equivocada  a  premissa  adotada  pela  fiscalização,  tendo  em  vista  que  a  utilização  da  Korcula  pelo  grupo  Carrefour  estava  baseada  em  efetivos  propósitos  negociais  que  Fl. 17316DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.293          49 ultrapassam a mera economia tributária da operação. A utilização da Korcula tornou possível a  própria operação de aquisição da requerente, principalmente pelo fato de que foi a sociedade  que  permitiu  o  pagamento  do  preço  pelas  quotas  da  requerente,  já  que  proporcionou  a  amortização da dívida através dos negócios da requerente.  · Mesmo que não se entenda que houve efetivo propósito negocial e verdadeira substância  econômica  na  utilização  da Korcula,  foi  demonstrado  que  o  ordenamento  jurídico  brasileiro  não  permite  à  fiscalização  desconsiderar  negócios  jurídicos  existentes,  válidos  e  eficazes   apenas com base em uma suposta interpretação da sua substância econômica.  · É  infundada  a  alegação  de  empresa  veículo,  na  medida  em  que  o  ordenamento  jurídico  prevê especificamente a possibilidade de utlização das chamadas sociedades holdings puras, ou  seja, aquelas que existem não para terem empregados ou atividades próprias, mas apenas para  deter  participações  societárias;  não  existe  nenhuma  exigência  legal  de  que  as  sociedades  holdings tenham empregados ou outros ativos próprios para serem consideradas legítimas.  · Recentemente,  o Carf  julgou  os  casos  Santander,  Telemar, Cosern, Celpe, Biosintética  e   Columbian,  todos envolvendo os mesmos elementos do caso discutido nesses autos. E todos  esses  casos  foram  julgados  a  favor  do  contribuinte,  tendo  sido  afastada  a  alegação  de  que  a  utilização de sociedade­veículo invalidaria a amortização fiscal de ágio.  · A adoção das conclusões de todos esses recentes julgamentos do Carf faz o questionamento  da  fiscalização  ser  declarado  completamente  improcedente,  na medida  em  que:  o  ágio  pago  pela Korcula preenche as 3 premissas básicas mencionadas naqueles julgamentos; o ágio pago  pela Korcula está sendo amortizado fiscalmente com base na Lei 9.532, de 1997; a causa do  negócio jurídico discutido no presente processo foi a aquisição, pela Korcula, da totalidade do  capital da requerente (sendo a amortização fiscal do ágio mera motivação fiscal da transação);  e a utilização da Korcula na operação não fez surgir novo ágio e não gerou o reconhecimento  de ágio em maior valor do que seria reconhecido caso ela não existisse.  · Os  casos  Santander  e  Columbian  envolvem  questionamento  específico  ainda  mais  semelhante ao do presente processo, na medida em que, naqueles casos, o fisco também acusou  o contribuinte de ter internalizado ágio pago do exterior. Em ambos os casos, o Carf julgou que  a amortização do ágio foi legítima. No caso Santander, julgado de forma unânime em favor do  contribuinte, o preço  (e o ágio)  foi pago diretamente por empresa sediada no exterior, o que  torna ainda mais clara a improcedência do presente lançamento. O preço e o ágio, no presente  caso, foram pagos diretamente por empresa domiciliada no Brasil.  · Toda a estrutura de aquisição da requerente não consistiu em nenhum tipo de planejamento  tributário, mas sim em uma mera opção legal, passível de adoção pelo grupo Carrefour entre as  diversas  opções  legais  possíveis  para  aquele  mesmo  negócio.  A  requerente  não  obteve  benefício a que já não teria direito pela legislação em vigor; a discussão relativa à aquisição da  requerente pela Brepa, ou pela Carrefour Brasil, dizia respeito tão somente às razões puramente  empresariais e não tributárias da operação.  · A  requerente  demonstrou,  com  base  na  legislação  tributária  (artigo  8º  da  Lei  9.532,  de  1997), na doutrina e na jurisprudência aplicável, que é permitida a amortização fiscal de ágio  nas  situações  em  que  a  adquirida  incorpora  a  adquirente,  ou  seja,  nos  casos  em  que  a  incorporação societária é realizada de forma invertida.  · A estrutura adotada pelo grupo Carrefour para adquirir a totalidade do capital da requerente  ­ compra alavancada ­ corresponde a prática conhecida no mercado, usual e normal no contexto  de aquisições de empresas.  Fl. 17317DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     50 · As  despesas  financeiras  incorridas  são  consideradas  como  necessárias  e,  portanto,  dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A possibilidade de deduzir essas despesas  financeiras  está  prevista  no  artigo  17,  parágrafo  único,  do  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  e  também no artigo 31 da Lei 11.727, de 2008.  · A  dedução  das  despesas  financeiras  não  afrontou  nenhuma  das  hipóteses  limitadoras  estabelecidas  historicamente  pela  jurisprudência  administrativa.  A  dívida  e  os  juros  foram  comprovados, sem questionamento da fiscalização nesse aspecto. Os valores captados por via  de empréstimo não foram transferidos a pessoas ligadas, muito menos com cobrança de juros  menores, hipótese que também nem foi suscitada pela fiscalização .  · Foi  demonstrado  o  equívoco  cometido  pela  fiscalização  na  interpretação  dos  fatos,  na  medida  em  que,  ainda  que  a  dívida  original  tenha  sido  contratada  pela  Korcula  com  parte  relacionada  no  exterior  (a  Carrefour  BV),  no  final  da  operação,  a  dívida  foi  tomada  com  terceiro (o BNP Paribas). No momento da incorporação da Korcula, a dívida questionada pelo  fisco  já havia  sido quitada,  de  forma que a  requerente  assumiu diretamente uma dívida  com  terceiro não relacionado (o BNP Paribas). O equívoco já demonstra, de imediato, a completa  improcedência de suas alegações quanto à dedutibilidade das despesas financeiras.   · Enquanto o empréstimo entre Korcula e Carrefour BV permaneceu em aberto, não houve  pagamento de juros que pudesse reduzir efetivamente o lucro tributável da Korcula. A alegação  de que a parte aportada pelo Carrefour BV na Korcula como empréstimo poderia ter sido feita  por via de aumento de capital não corresponde à realidade dos fatos, pelo simples fato de que,  ao final, a dívida foi tomada com terceiros.  · Ainda que assim não tivesse ocorrido, a opção da controladora em financiar a aquisição por  empréstimo  é  ato  completamente  normal  na  gestão  de  atividades  empresariais.  A  opção  do  empréstimo  foi  feita  justamente  porque  o  grupo  Carrefour  não  detinha  recursos  disponíveis  para  investimento de  longo prazo. Foi opção  tomada pela controladora, a qual é até  induzida  pelo próprio ordenamento jurídico.   · Caso fosse considerado que a dívida foi efetivamente tomada do Carrefour BV, a dedução  dos  juros  incorridas  só  estaria  sujeita  aos  limites  impostos  pelas  regras  de  preços  de  transferência  (Lei  9.430/96),  regras  que  foram  plenamente  observadas  pela  Korcula  e  pela  requerente. É hipótese regulada de forma expressa pela legislação tributária em vigor. Assim,  se  a operação  foi  completamente  efetuada de  acordo  com as  regras  que  vigoravam à  aquela  época, não poderia a fiscalização exigir ou obrigar que a Korcula ou a requerente adotassem a  prática que elas entendem que resultaria em maior pagamento de tributo.  · À época dos fatos, o Brasil não coibia a subcapitalização. Portanto, a dívida  tomada pela  Korcula  foi  feita de acordo com as regras de preços de transferência vigentes à época (o que  nem  é  mencionado  pela  fiscalização)  e  não  estavam  sujeitas  às  recentes  regras  de  subcapitalização. Mesmo assim, caso as regras de subcapitalização hoje existentes (instituídas  pela MP  472,  de  2009)  fossem  aplicáveis  ao  caso,  as  partes  também  teriam  obedecido  aos  limites impostos por tais regras.  · Os recursos financeiros foram empregados na aquisição da requerente, negócio lícito e que  trouxe efetivos benefícios econômicos ao grupo Carrefour no Brasil. A Korcula  foi a efetiva  beneficiária  dos  valores  aportados  e  os  empregou  em  transação  real  e  comprovada,  extremamente relevante para a estratégia do grupo Carrefour no Brasil.  · As despesas  financeiras  só  foram  incorridas  pela  requerente  por  conta  de  uma obrigação  legal expressa ­ o artigo 1.116 do Código Civil de 2002 ­, que determina a assunção da dívida.  A dívida não foi assumida por conta de uma opção livre e espontânea. Assim, por decorrência  lógica  e  jurídica,  se  as  despesas  financeiras  eram  dedutíveis  pela  Korcula  (por  serem  necessárias a essa sociedade no contexto de aquisição da requerente), não há dúvidas de que  Fl. 17318DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.294          51 elas  também  devem  ser  consideradas  como  dedutíveis  para  a  requerente,  sociedade  que  sucedeu a Korcula em todos os seus direitos e obrigações.   · Ao contrário da alegação da fiscalização, ainda que fosse necessário indagar a respeito de  um  efetivo  benefício  para  a  requerente,  a  fim  de  tornar  as  despesas  financeiras  dedutíveis  também para ela, não há dúvidas de que a dívida também lhe trouxe benefícios. A mudança do  seu controle societário fez suas receitas crescer, suas atividades expandirem e sua gestão passar  de  uma  estrutura  familiar  para  uma  estrutura  profissional  típica  dos  grandes  grupos  empresariais.  · O pagamento  desproporcional  de  JCP  não  produziu  efeito  fiscal  adverso  que  poderia  ter  favorecido  a  requerente,  ou  seja,  mesmo  que  a  distribuição  de  JCP  às  sócias  da  requerente  tivesse sido feito de forma proporcional ao seu capital social, os valores que seriam dedutíveis  pela sociedade seriam exatamente os mesmos. Eventualmente, o pagamento desproporcional de  JCP  só  produziria  efeitos  fiscais  prejudiciais  ao  fisco  no  nível  dos  sócios  que  deliberaram  e  auferiram a remuneração de JCP desproporcional.  · A remuneração do acionista a título de JCP se caracteriza como uma efetiva distribuição de  lucros,  ou  seja,  como  dividendo  (com  tratamento  tributário  especial).  Se  os  JCP  possuem  a  mesma  natureza  jurídica  dos  dividendos,  a  esse  tipo  de  remuneração  também  é  aplicável  o  artigo 1.007 do Código Civil de 2002, de forma que os JCP também podem ser distribuídos de  forma  desproporcional  à  participação  dos  sócios.  A  única  condição  para  tornar  possível  o  pagamento  desproporcional  de  JCP  é  a  disposição  expressa  no  contrato  social  da  sociedade  pagadora (tal como passou a prever o artigo 9º do contrato social da requerente).  · A severa multa de 150% também deve ser prontamente afastada, pois somente poderia ser  imposta nos casos de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, e quando ficar provada  pelo fisco a inequívoca intenção do contribuinte de enganar, esconder ou iludir. Porém, é claro  que  este  não  é  um  caso  de  fraude,  sonegação  ou  conluio.  Ainda  que  se  entenda  que  as  operações praticadas pela requerente não lhe davam o direito de proceder como procedeu, não  se  pode  falar  em  qualquer  tipo  de  fraude.  A  requerente  jamais  falsificou  documentos  ou  maquiou  livros  contábeis  ou  fiscais,  ao  contrário,  sempre  registrou,  às  claras,  todas  as  operações  em  sua  contabilidade.  A  requerente  registrou  todos  os  seus  atos  nas  Juntas  Comerciais  e  demais  órgãos  públicos  cabíveis  e  sempre  recebeu  a  fiscalização  com  total  transparência  e  atendeu  a  todas  as  suas  solicitações  com  clareza  e  prontidão.  Na  pior  das  hipóteses, portanto, a  fiscalização pode alegar que discorda dos efeitos  jurídicos e  legais das  operações praticadas, mas isso jamais poderia servir de base para se pressupor a falta de boa­fé  da requerente e acusá­la de ter incorrido em fraude.  · A multa isolada de 50% sobre os mesmos supostos fatos geradores é mais um excesso que  deve ser imediatamente cancelado. A multa isolada aplica­se somente aos casos em que, ao fim  do período­base, o contribuinte paga regularmente os valores de IRPJ e CSLL, mas deixa de  fazer  as  antecipações mensais. Nesses  casos,  a multa  pode  ser  aplicada  isoladamente,  sem  a  exigência do tributo, daí a sua denominação. Porém, quando o fisco entende que o contribuinte  deixou de pagar valores de IRPJ e CSLL ao fim do período­base e efetua o lançamento desses  valores juntamente com uma penalidade aplicada de ofício, não há falar em multa isolada. Já  está  amplamente  pacificado  na  jurisprudência  que  a  multa  isolada  não  pode  ser  exigida  cumulativamente com a penalidade  imposta de ofício,  de modo que  a multa  isolada  também  deve ser integralmente cancelada.  · A taxa Selic não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só  poderá incidir sobre o crédito tributário principal, e não pode recair sobre o valor da multa de  ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária.  Fl. 17319DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     52 · Todos  os  argumentos  de  fato  e  de  direito  apresentados  justificam  a  legalidade  do  procedimento adotado pela requerente também para efeitos de recolhimento da CSLL.  · Tendo sido demonstrada a total improcedência do auto de infração, deve ser determinada a  recomposição  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  da CSLL  indevidamente  compensadas  pela fiscalização.  · Pleiteia­se  o  acolhimento  integral  da  impugnação  e  o  imediato  cancelamento  integral  do  auto  de  infração  em  tela  (principal,  multas  e  juros),  com  o  conseqüente  arquivamento  do  processo administrativo.   · Protesta­se  ainda  pela  juntada  posterior  de  documentos  que  se  fizerem  necessários,  nos  termos do artigo 16, § 4º, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade  material que orienta o processo administrativo fiscal.  A  2ª  Turma  da  DRJ  em  Curitiba,  em  análise  da  impugnação  apresentada,  julgou­a improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010, 2011  ÁGIO  FUNDAMENTADO  EM  EXPECTATIVA  DE  RESULTADOS  FUTUROS ­ DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  sua  controladora,  a  qual  tinha  desdobrado o valor da participação em seu capital  em valor patrimonial e em  ágio, somente poderá deduzir a despesa com a amortização desse ágio se, além  de  cumprir  as demais  exigências  legais,  comprovar: que o  ágio  fora pago em  virtude  da  expectativa  de  resultados  futuros  como  exclusivo  fundamento  econômico do ágio; a existência de substância econômica e propósito negocial  nas operações de reorganização societária; que houve a reunião numa só pessoa  jurídica do patrimônio que tiver sofrido o encargo do ágio e o patrimônio que  presumivelmente gerará os lucros que justificaram o seu pagamento, mediante  efetiva incorporação, cisão ou fusão.   FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL  Verificada  a  falta  de  pagamento  de  antecipação  mensal  por  estimativa  cabe  exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido.  DESPESA  DESNECESSÁRIA  ­  ENCARGOS  FINANCEIROS  SOBRE  EMPRÉSTIMO  CONTRAÍDO  PARA  FINANCIAR  A  PRÓPRIA  AQUISIÇÃO   Em virtude de não ser necessário para a realização das transações ou operações  exigidas pela atividade da empresa, nem contribuir para a manutenção de  sua  fonte  produtora,  o  empréstimo  que  tiver  sido  contraído  pelos  seus  novos  controladores  para  financiar  sua  própria  aquisição,  os  encargos  financeiros  gerados  por  semelhante  empréstimo  não  constituem  despesa  dedutível  na  determinação do resultado tributável.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  ­  PAGAMENTO  DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL   Os  juros  sobre  capital  próprio  que  são  dedutíveis  na  apuração  do  resultado  tributável são somente os que são pagos ou creditados  individualizadamente a  cada  titular,  sócio  ou  acionista  a  título  de  remuneração  do  capital.  Não  se  enquadram  como  tal  e  são  indedutíveis  os  juros  pagos  ou  creditados  que  excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no  capital social da empresa.  COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL ­ GLOSA FISCAL  Fl. 17320DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.295          53 O  prejuízo  fiscal  que  tiver  sido  usado  para  compensar  diferença  tributária  apurada  em  virtude  de  ação  fiscal  será,  paralelamente,  objeto  de  glosa  fiscal  caso tenha sido compensado em períodos de apuração subseqüente.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010, 2011  ÁGIO  FUNDAMENTADO  EM  EXPECTATIVA  DE  RESULTADOS  FUTUROS ­ DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  sua  controladora,  a  qual  tinha  desdobrado o valor da participação em seu capital  em valor patrimonial e em  ágio, somente poderá deduzir a despesa com a amortização desse ágio se, além  de  cumprir  as demais  exigências  legais,  comprovar: que o  ágio  fora pago em  virtude  da  expectativa  de  resultados  futuros  como  exclusivo  fundamento  econômico do ágio; a existência de substância econômica e propósito negocial  nas operações de reorganização societária; que houve a reunião numa só pessoa  jurídica do patrimônio que tiver sofrido o encargo do ágio e o patrimônio que  presumivelmente gerará os lucros que justificaram o seu pagamento, mediante  efetiva incorporação, cisão ou fusão.  FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL  Verificada  a  falta  de  pagamento  de  antecipação  mensal  por  estimativa  cabe  exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido.  DESPESA  DESNECESSÁRIA  ­  ENCARGOS  FINANCEIROS  SOBRE  EMPRÉSTIMO  CONTRAÍDO  PARA  FINANCIAR  A  PRÓPRIA  AQUISIÇÃO   Em virtude de não ser necessário para a realização das transações ou operações  exigidas pela atividade da empresa, nem contribuir para a manutenção de  sua  fonte  produtora,  o  empréstimo  que  tiver  sido  contraído  pelos  seus  novos  controladores  para  financiar  sua  própria  aquisição,  os  encargos  financeiros  gerados  por  semelhante  empréstimo  não  constituem  despesa  dedutível  na  determinação do resultado tributável.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  ­  PAGAMENTO  DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL   Os  juros  sobre  capital  próprio  que  são  dedutíveis  na  apuração  do  resultado  tributável são somente os que são pagos ou creditados  individualizadamente a  cada  titular,  sócio  ou  acionista  a  título  de  remuneração  do  capital.  Não  se  enquadram  como  tal  e  são  indedutíveis  os  juros  pagos  ou  creditados  que  excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no  capital social da empresa.   COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA ­ GLOSA FISCAL  A  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  que  tiver  sido  usada  para  compensar  diferença  tributária  apurada  em  virtude  de  ação  fiscal  será,  paralelamente,  objeto  de  glosa  fiscal  caso  tenha  sido  compensada  em  períodos  de  apuração  subsequente.  Conforme  despacho  de  fl.  17.155,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  28/02/2014  (fls.  16917­17020)  antes  de  ser  intimado,  suprindo  assim  necessidade de intimação formal do acórdão, nos termos do art. 26 da Lei nº 9.784/99.  Em  síntese,  a  recorrente  repisa  seus  argumentos  apresentados  em  impugnação,  requerendo  a  reforma  da  decisão  recorrida,  e  o  consequente  cancelamento  do  Fl. 17321DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     54 crédito em litígio. Alguns pontos específicos tratados em seu recurso merecem ser reforçado.  Para tanto, reproduzo as conclusões e os pedidos constantes do recurso:  (A)  Conclusão  quanto  à  Primeira  Infração  imputada  contra  a  Recorrente  (i)  Foi  equivocada  a  premissa  adotada  pela  D.  Fiscalização  e  pela  r.  Decisão  recorrida,  tendo  em  vista  que  a  utilização  da  Korcula  pelo  Grupo  Carrefour  estava  baseada  em  efetivos  propósitos  negociais  que  ultrapassam  a  mera  economia  tributária  da  operação.  A  utilização  da  Korcula  tornou  possível  a  própria  operação  de  aquisição  da  Recorrente,  principalmente  pelo  fato  de  que  foi  a  sociedade  que  tornou  possível  o  pagamento  do  preço  pelas  quotas  da  Recorrente,  já  que  tornou  possível  a  amortização  da  dívida  através  dos  negócios  da Recorrente;  (ii)  Mesmo  que  não  se  entenda  que  houve  efetivo  propósito  negocial  e  verdadeira  substância  econômica  na  utilização  da  Korcula,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  foi  demonstrado  que  o  ordenamento  jurídico  brasileiro  não  permite  à  D.  Fiscalização  desconsiderar  negócios  jurídicos  existentes,  válidos  e  eficazes  (como  de  fato  foi  a  aquisição  da  Recorrente  pela  Korcula)  apenas  com  base  em  uma  suposta  interpretação  da  "substância  econômica"  envolvendo  a  operação;  (iii)  No  caso  em  análise,  ao  contrário  do  que  dispõe  a  r.  Decisão  recorrida,  houve  cumprimento  efetivo  dos  requisitos  e  do  espírito  dos  artigos  7  0  e  8  0  da Lei  9.532/97.  Isso  porque,  no  caso  em  que  o  ágio  pago_esteja  fundamentado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  do  investimento  adquirido,  a  Lei  9.532/97  exige  que  as  despesas  geradas  pela  amortização  do  ágio  sejam  abatidas  contras  as  receitas  geradas  pelo  investimento  que  representa  o  fundamento  econômico  desse  mesmo  ágio,  justamente  para  evitar  que  o  ágio  seja  abatido  contra  receitas  que  não  tem  vinculação  com  o  seu  fundamento  econômico.  No  presente  caso,  as  despesas  geradas  pela  amortização  fiscal  do  ágio  resultante  da  aquisição  da  Recorrente  pela  Korcula  foram  abatidas  contras  as  receitas  geradas  pelas  atividades  econômicas  da  própria  Recorrente,  em  completa  consonância  com os artigos 7º e 8° da Lei 9.532/97;  (iv)  É  infundada  a  alegação  de  "empresa­veículo",  na  medida  em  que  o  ordenamento  jurídico  brasileiro  prevê  especificamente  a  possibilidade  de  utilização  das  chamadas  sociedades  holdings  puras,  ou  seja,  aquelas  que  existem,  não  para  terem  empregados  ou  atividades  próprias,  mas  apenas  para  deter  participações  societárias,  não  existindo  qualquer  exigência  legal  de  que  tais  sociedades  holdings  tenham  empregados  ou  outros  ativos  próprios  para  serem  consideradas  legítimas;  (v) Recentemente, o CARF julgou o Caso Santander, Caso Telemar, Caso Cosem, Caso  CELPE, Caso Biosintética, Caso Columbian, Caso Energisa, Caso Santa Tereza, Caso  Geoplan,  Caso  Multiplan,  Caso  Dufry,  Caso  Usina  Moema,  Caso  Scipione,  Caso  Johnson Controls etc., todos envolvendo os mesmos elementos do caso discutido nesses  autos  (pagamento  efetivo  de  ágio  pela  adquirente  do  investimento,  a  utilização  de  "empresa­veículo",  a  participação  de  partes  não  relacionadas  na  transação  original  de  compra  e  venda  de  participação  societária  e  a  amortização  fiscal  de  ágio  após  a  incorporação  da  "empresa  veículo"  na  sociedade  alvo  da  aquisição).  E todos esses casos foram julgados a favor do contribuinte,  tendo o CARF afastado a  alegação das autoridades fiscais de que a utilização de "empresa veículo" invalidaria a  amortização fiscal de ágio;  (vi)  No  presente  caso,  a  adoção  das  conclusões  de  todos  esses  recentes  julgamentos  do  CARF  faz  com  que  o  atual  questionamento  da  D.  Fiscalização  seja  Fl. 17322DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.296          55 declarado  completamente  improcedente,  na  medida  em  que:  (a)  o  ágio  pago  pela  Korcula para adquirir a Recorrente preenche as 3 (três) premissas básicas mencionadas  naqueles julgamentos; (b) o ágio pago pela Korcula está sendo amortizado fiscalmente  com  base  na  Lei  9.532/97,  e  está  sendo  abatido  contra  as  receitas  geradas  na  própria  Recorrente;  (c)  a  causa  do  negócio  jurídico  discutido  no  presente  processo  administrativo  foi  a  aquisição,  pela  Korcula,  da  totalidade  do  capital  da  Recorrente  (sendo  a  amortização  fiscal  do  ágio  mera  motivação  fiscal  da  transação);  e  (d)  a  utilização  da  Korcula  na  operação  não  fez  com  que  surgisse  novo  ágio  e  não  gerou  o  reconhecimento  de  ágio  em  maior  valor  do  que  seria  reconhecido caso ela não existisse;     (vii)  O  Caso  Santander  e  o  Caso  Columbian  envolvem  questionamento  específico  ainda  mais  semelhante  ao  do  presente  processo  administrativo,  na  medida  em  que,  naqueles  casos,  o  Fisco  também  acusou  o  contribuinte  autuado  de ter "internalizado" ágio pago do exterior. Em ambos os casos, o CARF julgou que a  amortização  fiscal  do  ágio  foi  legítima.  Aliás,  no  Caso  Santander,  julgado  de  forma  unânime em favor do contribuinte, o preço (e o ágio) foi pago diretamente por empresa  sediada  no  exterior,  o  que  torna  ainda  mais  claro  a  improcedência  do  presente  questionannento  contra  a  Recorrente.  Tal  como  demonstrado  à  exaustão,  o  preço  e  o  ágio,  no  presente  processo  administrativo,  foram  pagos  diretamente  por  empresa  domiciliada no Brasil;  (viii)  Toda  a  estrutura  de  aquisição  da  Recorrente  pela  Korcula  não  consistiu  em  nenhum  tipo  de  "planejamento  tributário",  mas  sim  em  uma  mera  "opção  legal",  passível  de  adoção  pelo  Grupo  Carrefour,  dentre  as  diversas  opções  legais  possíveis  para  aquele  mesmo  negócio.  A  Recorrente  não  obteve  qualquer  benefício  a  que  já  não  teria  direito  pela  legislação  em  vigor,  sendo  que  a  discussão  relativa  à  aquisição  da  Recorrente  pela  Brepa,  ou  pela  Carrefour  Brasil,  dizia  respeito  tão  somente  às  razões  puramente  empresariais  e  não  tributárias  da operação;  (ix)  A  Recorrente  demonstrou,  com  base  na  legislação  tributária  (artigo  8º  da  Lei  9.532/97),  na  doutrina  e  na  jurisprudência  aplicável,  que  é  permitida  a  amortização  fiscal  de  ágio  nas  situações  em  que  a  Adquirida  incorpora  a  Adquirente,  ou  seja,  nos  casos  em  que  a  incorporação  societária  é  realizada  de  forma "invertida".    (B)  Conclusão  quanto  à  Segunda  Infração  imputada  contra  a  Recorrente    (i)  A  estrutura  adotada  pelo  Grupo  Carrefour  para  adquirir  a  totalidade  do  capital  da  Recorrente  ­  compra  alavancada  ­  corresponde  a  prática  conhecida  no  mercado,  usual  e  normal  no  contexto  de  aquisições  de  empresas;  (ii)  As  despesas  financeiras  incorridas  pela  Recorrente,  derivadas  de  empréstimo  tomado  para  efetuar  a  transação  em  exame  nesse  processo  administrativo,  são  consideradas  como  necessárias  e,  portanto,  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  IRRJ/CSL.  A  possibilidade  de  a  Recorrente  deduzir  essas  despesas  financeiras  está  prevista  no  artigo  17,  parágrafo  único,  do  Decreto­lei  1.598/77, e também o artigo 31 da Lei 11.727/08;  (iii)  A  dedução  das  despesas  financeiras  incorridas  pela  Recorrente  não  afrontou  nenhuma  das  hipóteses  limitadoras  estabelecidas  historicamente  pela  Fl. 17323DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     56 jurisprudência  administrativa.  Na  operação  em  análise  no  presente  processo  administrativo  (a)  a  dívida  e  os  juros  incorridos  foram  devidamente  comprovados  pela  Recorrente,  sem  qualquer  questionamento  da  D.  Fiscalização  nesse  ponto;  e  (b)  os  valores  captados  via  empréstimo  não  foram  transferidos  a  pessoas  ligadas,  muito  menos  com  cobrança  de  juros  menores,  hipótese  que  também  nem  foi  suscitada  pela  D.  Fiscalização  na  lavratura  do  Auto  de  Infração  que deu origem a esse processo administrativo;  (iv)  A  Recorrente  deixou  muito  claro  o  equívoco  cometido  pela  D.  Fiscalização  na  interpretação  dos  fatos  envolvidos  no  presente  processo  administrativo,  na  medida  em  que,  ainda  que  a  dívida  original  tenha  sido  contratada  pela  Korcula  com  parte  relacionada  no  exterior  (a  Carrefour  BV),  no  final  da  operação,  a  dívida  foi  tomada  com  terceiro  (o  BNP  Paribas).  No  momento  da  incorporação  da  Korcula  ao  patrimônio  da  Recorrente,  a  dívida  questionada  pela  D.  Fiscalização  (Korcula  x  Carrefour  BV)  já  havia  sido  quitada,  de  forma  que  a  Recorrente  assumiu  diretamente  uma  dívida  com  terceiro  não  relacionado  (o  BNP  Paribas);  (v)  Este  equívoco  cometido  pela  D.  Fiscalização  já  demonstra,  de  imediato,  a  completa  improcedência  de  suas  alegações  quanto  à  dedutibilidade  das  despesas  financeiras  incorridas  pela  Recorrente.  A  dívida  foi  tomada  com  terceiros,  e  não  com  parte  relacionada.  Enquanto  o  empréstimo  entre  Korcula  e  Carrefour  BV  permaneceu  em  aberto,  não  houve  qualquer  pagamento  de  juros  que  pudesse  reduzir  efetivamente  o  lucro  tributável  da  Korcula.  A  alegação  de  que  a  parte  aportada  pelo  Carrefour  BV  na  Korcula  como  empréstimo  poderia  ter  sido  feita  via  aumento  de  capital  não  corresponde  à  realidade  dos  fatos,  pelo  simples  fato  de  que,  ao  final,  a  dívida  foi  tomada  com  terceiros;  (vi)  Ainda  que  assim  não  tivesse  ocorrido,  a  opção  da  controladora  em  financiar  a  aquisição  da  Recorrente  por  empréstimo,  em  vez  de  aumento  de  capital,  é  ato  completamente  normal  à  gestão  de  atividades  empresariais.  A  opção  do  empréstimo  foi  feita  justamente  porque  o  Grupo  Carrefour  não  detinha  recursos  disponíveis  para  investimento  de  longo  prazo  (capital).  Foi  opção  tomada  pela  controladora,  inclusive,  opção  esta  induzida  pelo  próprio  ordenamento jurídico brasileiro;  (vii)  Caso  fosse  considerado  que  a  dívida  foi  efetivamente  tomada  face  ao  Carrefour  BV,  o  que,  repita­se,  não  foi  o  que  ocorreu  no  presente  caso,  a  dedução  das  ­despesas  de  juros  incorridas  no  caso  em  exame  só  estariam  sujeitas  aos  limites  impostos  pelas  regras  de  preços  de  transferência  (Lei  9.430/96),  regras  que  foram  plenamente  observadas  pela  Korcula  e  pela  Recorrente.  É  hipótese  regulada  de  forma  expressa  pela  legislação  tributária  em  vigor.  Assim,  se  a  operação  foi  completamente  efetuada  de  acordo  com  as  regras  que  vigoravam  à  aquela  época,  não  poderia  a  D.  Fiscalização  exigir  ou  obrigar  que  a  Korcula  ou  a  Recorrente  adotassem  a  prática  que  elas  entendem  que  resultaria em maior pagamento de tributo;  (viii)  À  época  dos  fatos  envolvidos  no  presente  processo  administrativo,  o  Brasil  não  coibia  a  subcapitalização  (ou  thin  capitalization),  caracterizada  quando  o  capital  social  de  uma  empresa  é  irrelevante  se  comparado  com  o  passivo  mantido frente aos seus sócios;  (ix)  Portanto,  a  dívida  tomada  pela  Korcula  foi  feita  de  acordo  com  as  regras  de  preços  de  transferência  vigentes  à  época  (o  que  nem  é  mencionado  pela  D.  Fiscalização)  e  não  estavam  sujeitas  às  recentes  regras  de  subcapitalização.  Mesmo  assim,  caso  as  regras  de  subcapitalização  hoje  existentes  (instituídas  pela  MP  472/09)  fossem  aplicáveis  ao  caso  em  análise,  as  partes  também  teriam  obedecido  aos  limites  impostos  por  tais  regras;  (x)  Os  recursos  financeiros  captados  pela  Korcula  foram  empregados  na  Fl. 17324DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.297          57 aquisição  da  Recorrente,  negócio  lícito  e  que  trouxe  efetivos  benefícios  econômicos  ao  Grupo  Carrefour  no  Brasil.  A  Korcula  foi  a  efetiva  beneficiária  dos  valores  aportados  via  dívida  e  empregou  tais  valores  em  transação  real  e  comprovada,  extremamente  relevante  para  a  estratégia  do  Grupo  Carrefour  no  Brasil;  (xi)  As  despesas  financeiras  em  questão  só  foram  incorridas  pela  Recorrente  por  conta  de  uma  obripacão  legal  expressa  ­  o  artigo  1.116  do  Código  Civil  de  2002  ­,  que  determina  a  assunção  da  dívida  pela  Recorrente.  A  dívida  não  foi  assumida  pela  Recorrente  por  conta  de  uma  opção  livre  e  espontânea.  Assim,  por  decorrência  lógica  e  jurídica,  se  as  despesas  financeiras  eram  dedutíveis  na  ótica  da  Korcula  (por  serem  necessárias  à  essa  sociedade  no  contexto  de  aquisição  da  Recorrente,  como  foi  reconhecido  pela  própria  r.  Decisão  recorrida)  não  há  dúvidas  de  que  elas  também  devem  ser  consideradas  como  dedutíveis  para  a  Recorrente,  sociedade  que  sucedeu  a  Korcula  em  todos  os  seus  direitos e obrigações; e  (xii)  Por  fim,  ao  contrário  da  alegação  da  D.  Fiscalização  e  da  r.  Decisão  recorrida,  ainda  que  fosse  necessário  indagar  a  respeito  de  um  efetivo  benefício  para  a  Recorrente,  a  fim  de  tornar  as  despesas  financeiras  dedutíveis  também  para  ela,  não  há  dúvidas  de  que  a  dívida  tomada  pela  Korcula  também  trouxe  benefícios à própria Recorrente. Isso porque, a mudança do seu controle societário fez  com  que  suas  receitas  crescessem,  suas  atividades  fossem  expandidas  e  sua  gestão  passasse  de  uma  estrutura  familiar  para  uma  estrutura  profissional típica dos grandes grupos empresariais.    (C)  Conclusão  quanto  à  Terceira  Infração  imputada  contra  a  Recorrente    (i)  O  pagamento  desproporcional  de  3CP  não  produziu  qualquer  efeito  fiscal  adverso  que  poderia  ter  favorecido  a  Recorrente,  ou  seja,  mesmo  que  a  distribuição  de  JCP  às  sócias  da  Recorrente  tivesse  sido  feito  de  forma  proporcional  ao  seu  capital  social,  os  valores  que  seriam  dedutíveis  pela  sociedade  seriam  exatamente  os  mesmos.  Eventualmente,  o  pagamento  desproporcional  de  JCP  só  produziria  efeitos  fiscais  prejudiciais  ao  Fisco  no  nível  dos  sócios  que  deliberaram  e  auferiram  a  remuneração  de  JCP  desproporcional;  (ii)  A  remuneração  do  acionista  a  título  de  JCP  se  caracteriza  como  uma  efetiva  distribuição  de  lucros,  ou  seja,  como  dividendo  (com  tratamento  tributário  especial).  Se  os  JCP  possuem  a  mesma  natureza  jurídica  dos  dividendos,  a  esse  tipo  de  remuneração  também  é  aplicável  o  artigo  1.007  do  Código  Civil  de  2002,  de  forma  que  os  JCP  também  podem  ser  distribuídos  de  forma  desproporcional  à  participação  dos  sócios.  A  única  condição  para  tornar  possível  o  pagamento  desproporcional  de  JCP  é  a  disposição  expressa  no  contrato  social  da  sociedade  pagadora  (tal  como  passou  a  prever  o  artigo  9º  do  contrato social da Recorrente).    (D)  A  inadequação  das  multas,  dos  juros  de  mora  e  outros  esclarecimentos    (i)  A  severa  multa  de  150%  aplicada  pela  D.  Fiscalização,  indevidamente  mantida  pela  r.  Decisão  recorrida,  também  deve  ser  prontamente  afastada,  pois,  Fl. 17325DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     58 como  se  sabe,  essa  penalidade  somente  poderia  ser  imposta  a  casos  de  evidente  intuito  de  fraude,  sonegação  ou  conluio,  quando  restar  provada  pelo  Fisco  a  inequívoca  intenção  do  contribuinte  de  enganar,  esconder  ou  iludir.  Porém,  é  claro  que  este  não  é  um  caso  de  fraude,  sonegação  ou  conluio.  Ainda  que  se  entenda  que  as  operações  praticadas  pela  Recorrente  não  lhe  davam  o  direito  de  proceder  como  procedeu,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  não  se  pode  falar  em  qualquer  tipo  de  fraude.  A  Recorrente  jamais  falsificou  documentos  ou  "maquiou"  livros  contábeis  ou  fiscais,  ao  contrário,  sempre  registrou,  às  claras,  todas  as  operações  em  sua  contabilidade.  A  Recorrente  registrou  todos  os  seus  atos  nas  Juntas  Comerciais  e  demais  órgãos  públicos  cabíveis  e  sempre  recebeu  ­  a  D.  Fiscalização  com  total  transparência  e  atendeu  a  todas  as  suas  solicitações  com clareza e prontidão. Na pior das hipóteses, portanto, a D. Fiscalização pode alegar  que  discorda  dos  efeitos  jurídicos  e  legais  das  operações  praticadas  pela  Recorrente,  mas  isso  jamais  poderia  servir  de  base  para  se  pressupor  a  falta  de  boa fé da Recorrente e acusá­la de ter incorrido em fraude;  (ii)  a  D.  Fiscalização  aplicou  também  uma  multa  isolada  de  50%  sobre  os  mesmos  supostos  fatos  geradores  que  motivaram  a  lavratura  deste  Auto  de  Infração.  Trata­se  de  mais  um  excesso  que  deve  ser  imediatamente  cancelado.  A  multa  isolada  aplica­se  somente  aos  casos  em  que,  ao  fim  do  período­base,  o  contribuinte  paga  regularmente  os  valores  de  IRPJ/CSL,  mas  deixa  de  fazer  as  antecipações  mensais.  Nesses  casos,  a  multa  pode  ser  aplicada  isoladamente,  sem  a  exigência  do  tributo,  daí  a  sua  denominação.  Porém,  quando  o  fisco  entende  que  o  contribuinte  deixou  de  pagar  valores  de  IRPJ/CSL  ao  fim  do  período­base  e  efetua  o  lançamento  desses  valores  juntamente  com  uma  penalidade  aplicada  de  ofício,  não  há  que  se  falar  em  multa  isolada.  Já  está  amplamente  pacificado  na  jurisprudência  que  a  multa  isolada  não  pode  ser  exigida  cumulativamente  com  a  penalidade  imposta  de  ofício,  de  modo  que  a  multa  isolada  também  deve  ser  integralmente  cancelada.  Constitui  claro  excesso  a  cobrança  de  dupla  penalidade  nessa  situação,  o  que  também  afronta  o  princípio  da  consunção,  conforme  já  pacificado pela CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS;  (iii) A  taxa SELIC não pode ser aplicada aos  créditos  tributários  e,  se admitida a sua  aplicação,  só  poderá  incidir  sobre  o  crédito  tributário  principal,  não  podendo  recair  sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária;  (iv)  Todos  os  argumentos  de  fato  e  de  Direito  apresentados  neste  Recurso  Voluntário  justificam  a  legalidade  do  procedimento  adotado  pela  Recorrente  também para efeitos de recolhimento da CSL; e  (v)  Tendo  sido  demonstrada  a  total  improcedência  do  Auto  de  Infração  objeto  do  presente  processo  administrativo,  deve  ser  determinada  a  recomposição  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  da  CSL  indevidamente  compensadas  pela  D.  Fiscalização, quando da apuração do crédito tributário em discussão.    (E) O Pedido    351.  Pelo  exposto,  a  Recorrente  tem  por  comprovada  a  exatidão  dos  procedimentos  adotados  e  a  total  improcedência  do  Auto  de  Infração,  bem  como  o  equívoco  cometido  pela  r.  Decisão  recorrida,  que  manteve  o  lançamento  tributário,  ao  interpretar  os  fatos  e  o  Direito  aplicáveis  ao  caso.  352.  Dessa  forma,  requer­se  seja  o  presente  Recurso  Voluntário  integralmente  provido, com o objetivo de reformar a r. Decisão recorrida e cancelar  integralmente o  Auto de Infração, juntamente com as penalidades e juros aplicados, com o consequente  arquivamento do processo administrativo.    Fl. 17326DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.298          59 A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de  fls.  11.455­11.491, pugnando pela manutenção da exigência em sua integralidade.  Às  fls.  17213­17266  encontra­se  ainda  Parecer  anexado  pela  Recoorente  e  elaborado pelo Ilustre doutrinador Dr. Ricardo Mariz de Oliveira.   É o relatório.  Fl. 17327DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     60 Voto             Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  Conforme relatado, o contribuinte apresentou recurso voluntário antes mesmo  de sua intimação formal.  De toda forma, constata­se que a decisão recorrida se deu em sessão realizada  em  29/01/2014,  uma  quarta­feira.  A  recorrente  anexou  print  do  "Histórico  do  Processo"  retirado  do  sítio  da  RFB  (e­CAC),  no  qual  consta  que  em  31/01/2014  (sexta­feira)  houve  ordem da DRJ de Belo Horizonte  (MG) para  que  a Recorrente  fosse  informada/intimada  do  julgamento. Nessa mesma data a Recorrente acessou o e­CAC, tendo acesso ao inteiro teor de  tal decisão. Ainda que se considere esta a data da ciência, o início da contagem do prazo se deu  no  primeiro  dia  útil  subsequente,  no  caso,  dia  03/02/2014  (segunda­feira),  o  que  implicaria  como data fatal de apresentação do recurso o dia 04/03/2014 (terça­feira).   Considerando­se que  o  recurso  voluntário  foi  interposto  em 28/02/2014  (fl.  16918), o mesmo mostra­se tempestivo.  Preenchidos  os  demais  pressupostos  legais  para  sua  admissibilidade,  dele,  portanto, tomo conhecimento.    2 MÉRITO  2.1 DA AMORTIZAÇÃO/EXCLUSÃO DO ÁGIO  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal,  o  ágio  deduzido  pela  Recorrente seria  indedutível das bases de cálculo de  IRPJ e de CSLL em razão da utilização  fraudulenta de uma “empresa veículo” (KORCULA) a fim de, artificialmente, gerar a extinção  do  investimento  adquirido  com  ágio  e  possibilitar  sua  amortização/exclusão  desse  ágio  das  bases de cálculo desses tributos (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97).  Para a Fiscalização, CARREFOUR BV, sediado nos Países Baixos, teria feito  uma simples operação de aquisição de participação societária de ATACADÃO.  Constata­se  que,  inicialmente  CARREFOUR  BV  era  controladora  de  BREPA, sediada no Brasil. Essa, por sua vez, controlava CARREFOUR,  também sediada no  Brasil.  O  negócio  entabulado  para  aquisição  de  ATACADÃO  foi  realizado  tendo  como  adquirente  KORCULA,  empresa  controlada  por  BREPA,  constituída  em  fevereiro  de  2007  e  com capital  de R$ 100,00. Dois meses  após,  os  sócios  de KORCULA cederam  suas  quotas  à BREPA  (99%)  e CARREFOUR  (1%). Em  seguida, KORCULA passou  a ocupar o  Fl. 17328DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.299          61 mesmo prédio onde  já  se  encontravam os novos  sócios. O quadro  elaborado pela  autoridade  fiscal (fl. 15477) ilustra bem o organograma do grupo em 30/04/2007:    De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação,  outros  atos  foram  realizados  em  sequência:  ­  Em  27/04/2007  sócio  de  BREPA  (CARREFOUR  BV)  aumenta  em  R$  1.137.810.798,17 o capital de KORCULA;  ­ Três dias depois (30/04/2007), BREPA utiliza praticamente o mesmo valor  (R$ 1.137.810.898,00, diferença de R$ 10,00) para aumentar o capital em KORCULA, com a  anuência do outro sócio (CARREFOUR);  ­  Quinze  dias  após  o  aumento  de  capital  promovido  pela  BREPA,  em  15/05/2007, CARREFOUR integralizou e aumentou o capital  social da KORCULA em mais  R$ 12.507.285,00;  ­  Aquisição  de  ATACADÃO  iniciou­se  antes  do  aumento  de  capital  de  BREPA.  PRIMART  II  e  LOLY  II  detinham  as  ações  de ATACADÃO.  Em  20/04/2007  foi  celebrado contrato tendo como vendedores as pessoas físicas sócias de PRIMART II (“família  Lima”),  as  pessoas  físicas  sócias  de  LOLY  II  (“família  Schmeil”)  e  Farid  Curi,  e,  como  compradora, KORCULA;  ­  Apesar de KORCULA figurar como compradora, o contrato previa que  as  notificações  decorrentes  das  obrigações  aí  assumidas  deveriam  ser  enviadas  à  BREPA,  como garantidora e principal pagadora das obrigações da compradora.  Fl. 17329DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     62 ­  No momento da assinatura do Contrato de Venda e Compra de Quotas  tanto  KORCULA  quanto  BREPA  não  dispunham  dos  recursos  necessários  para  efetivar  a  compra  de  ATACADÃO.  Os  recursos  para  a  compra  vieram  do  exterior,  da  empresa  CARREFOUR BV, na véspera do efetivo pagamento aos vendedores;  ­ Naquela ocasião, o controle de ATACADÃO era assim composto (quadro à  fl. 15475):    ­ Com os recursos obtidos, KORCULA adquiriu as quotas de PRIMART II,  de  LOLY  II  e  de  Farid  Curi,  passando  a  deter  o  controle  total  do  ATACADÃO,  direta  ou  indiretamente;  ­  O  valor  total  da  aquisição  foi  de  R$  2.233.440.000,00.  KORCULA,  contudo,  no  momento  do  fechamento  do  negócio  (30/04/2007),  somente  dispunha  de  R$1.137.810.898,00 oriundos do aumento de capital promovido pela BREPA;  ­ O restante  foi obtido mediante empréstimo direto do CARREFOUR BV a  KORCULA, no montante de R$ 1.095.629.201,83. Constata­se, assim, que os recursos para a  compra de ATACADÃO tiveram origem em CARREFOUR BV, quer por meio de aumento de  capital  que  somente  transitou  por  BREPA,  quer  por  meio  de  empréstimo  direto  para  KORCULA, conforme elucida quadro à fl. 15480:  Fl. 17330DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.300          63   ­ A passagem desses recursos pela BREPA e pela KORCULA foi de apenas  algumas horas, visto que foram recebidos em 30/04/2007 e transferidos para os vendedores no  mesmo dia 30/04/2007;  ­ O ágio  pago  por KORCULA na  aquisição  de ATACADÃO chegou  a R$  1.780.738.273,26;  ­  A  incorporação  da  KORCULA  por  ATACADÃO  foi  precedida  pela  incorporação da PRIMART II e LOLY II pela KORCULA;  ­  Assim,  em  dezembro  de  2007,  ATACADÃO  passou  a  ser  subsidiária  integral de KORCULA;  ­ Os  controladores de KORCULA (BREPA E CARREFOUR) aprovaram a  incorporação de KORCULA por sua controlada ATACADÃO;  ­  Foi  promovida  alteração  no  Contrato  Social  da  ATACADÃO,  em  31/01/2008,  finalizando  a  incorporação  de  KORCULA.  O  capital  social  passou  de  R$474.607.496,00 para R$1.149.846.178,84. Portanto,  a  empresa ATACADÃO passou a  ser  controlada direta da BREPA e do CARREFOUR;  ­ O ágio advindo da aquisição de KORCULA (R$ 1.780.738.273,26), após os  ajustes  no  valor  da  aquisição  ­  decorrentes  de  compromissos  existentes  no  ATACADÃO  anteriores à data de fechamento e de responsabilidade dos vendedores ­, o valor efetivo do ágio  apurado na operação atinge R$1.702.116.571,36;  Fl. 17331DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     64 ­ Após a incorporação reversa de KORCULA por ATACADÃO, iniciou­se a  amortização do ágio.  Analisando o caso concreto, não tenho dúvidas de que estamos diante de uma  operação artificial, com utilização de empresa veículo, cujo objetivo do desenho da operação  foi permitir a amortização do ágio.  Segundo a RECORRENTE, a utilização de empresas veículos, por si só, não  é  suficiente  para  determinar  os  efeitos  fiscais  de  determinada  operação.  Aduz  ainda  que  a  utilização  de  KORCULA  buscava  manter  separadas  as  atuações  de  CARREFOUR  e  ATACADÃO.   Embora concorde que não se pode determinar a existência de patologia fiscal  simplesmente pela utilização de  empresas veículos,  no  caso  concreto,  não me  resta qualquer  sombra  de  dúvida  que  as  operações,  da  forma  como  foram  arquitetadas,  visaram  a  driblar  a  legislação  de  regência,  buscando  posicionar  a  RECORRENTE  artificialmente  perante  as  normas que permitem a amortização do ágio em operações societárias.  Não  se  pode  confundir  o  direito  a  contabilização  do  ágio  com  as  condições para amortização em termos fiscais.  Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que  rege a matéria:  Amortização do Ágio ou Deságio  Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o  art. 385 não serão computadas na determinação do  lucro real, ressalvado o  disposto no art. 426 (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 25, e Decreto­Lei  nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III).   Parágrafo  único.  Concomitantemente  com  a  amortização,  na  escrituração  comercial,  do  ágio  ou  deságio  a  que  se  refere  este  artigo,  será  mantido  controle,  no  LALUR,  para  efeito  de  determinação  do  ganho  ou  perda  de  capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso]  Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido  Art.426.  O  valor  contábil  para  efeito  de  determinar  o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação  de  investimento  em  coligada  ou  controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma  algébrica  dos  seguintes  valores  (Decreto­Lei  nº1.598,  de  1977,  art.  33,  e  Decreto­Lei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V):  I­valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na  contabilidade do contribuinte;  II­ágio  ou  deságio  na  aquisição  do  investimento,  ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos  os  computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do  lucro real;  III­provisão  para  perdas  que  tiver  sido  computada,  como  dedução,  na  determinação  do  lucro  real,  observado  o  disposto  no  parágrafo  único  do  artigo anterior. [grifos nossos]  Constata­se, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado  como  custo  somente  no  momento  da  alienação  do  investimento,  obviamente  se  essa  vier  a  ocorrer, o que, frise­se, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso  concreto.  Fl. 17332DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.301          65 Nesse  sentido,  compulsando  os  autos,  percebe­se  claramente  que  o  investimento  realizado  (aquisição  das  ações  da  RECORRENTE),  e  adquirido  com  ágio,  comporia o ativo da então adquirente, provavelmente, por  tempo  indeterminado, haja vista a  continuidade das operações, em seu próprio nome, por parte da RECORRENTE.  Assim, caso a aquisição fosse realizada pela holding que efetivamente atuava  (BREPA), ou qualquer outra empresa operacional do grupo Carrefour no Brasil, não haveria  qualquer  extinção  do  investimento,  haja  vista  a  continuidade  das  operações  da  RECORRENTE.  A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas  imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a RECORRENTE diante  de  normas  de  contorno,  quais  sejam,  o  art.  386,  III,  e  seu  §  6º,  II,  do RIR/99,  transcritas  a  seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais:  Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  artigo  anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  [...]  III­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o  inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;   [...]  §6º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  quando  (Lei  nº  9.532,  de  1997, art. 8º):  [...]  II­  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que  detinha  a  propriedade da participação societária. [grifos nossos]  Isso porque o  fato de  a  formação do  ágio  ter  cumprido os  requisitos  legais  estabelecidos,  em  especial  aqueles  em  que  essa  turma  firmou  entendimento  necessários  (o  efetivo  pagamento  do  custo  total  de  aquisição,  inclusive  o  ágio;  a  realização  das  operações  originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida,  bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra  geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de  apuração de ganho de capital  em eventual alienação  (inteligência do art. 391 c/c art. 426,  II,  ambos do RIR/99).  A meu  ver,  independentemente  do  desenho  das  operações  e  dos  eventuais  propósitos negociais na utilização de empresas veículo, não havendo extinção do investimento  adquirido com ágio mediante confusão patrimonial entre investida e investidora, não há que se  falar em dedutibilidade do ágio.  Desde o julgamento do processo nº 16561.720026/2011­13 (“Caso Bunge” –  acórdão nº 1402­001.460), no qual fui designado redator do voto vencedor, esta  turma, ainda  que por voto de qualidade, passou a adotar tal posicionamento.  Fixou­se  o  entendimento  que,  em  regra,  o  ágio  efetivamente  pago  ­  em  operação  entre  empresas  não  ligadas  e  calcadas  em  laudo  que  comprove  a  expectativa  de  Fl. 17333DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     66 rentabilidade  futura  ­  deve  compor  o  custo  do  investimento,  sendo  dedutível  somente  no  momento da alienação de  tal  investimento  (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99  ­ Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). A amortização do ágio seria exceção.  Por decorrência, incluiu­se nova premissa para que a amortização do ágio por  rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção  do patrimônio da  investidora pela  investida,  ou  vice­versa,  conforme prevê o  art.  386,  e  seu  inciso III, do RIR/99.  Naquele  caso,  semelhante  à  operação  ora  em  análise,  a  hipótese  também  tratava  da  utilização  de  empresa  veículo  cujo  único  objetivo  foi  possibilitar,  mediante  reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio.   Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa  compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do  investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição ­, ou mediante amortização, desde  que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III),  ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II), em outras palavras, a extinção do investimento  em razão da confusão patrimonial entre investida e investidora.  Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão  ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária  adquirida  com  ágio,  cujo  fundamento  seja  a  rentabilidade  futura,  poderá  amortizá­lo  nos  balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99.  Contudo, o alcance do disposto no art. 386 do RIR/99, cuja base legal são os  artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 não possui o alcance que a RECORRENTE entende possuir.  Não há, por assim dizer, um direito natural à amortização do ágio, uma vez  que a regra geral é que o ágio componha o custo de aquisição do investimento.  Também  não  há  que  se  falar  que  os  artigos  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97  estabeleceram  um benefício  fiscal  (à  época,  visando  às  operações  de  privatização),  uma  vez  que, na realidade, tais dispositivos legais foram editados com viés antielisivo, uma vez que, na  legislação então vigente, com a extinção do investimento, bastaria à pessoa jurídica avaliar o  acervo  líquido  recebido  a  preços  de mercado,  e  toda  a  diferença  entre  este  acervo  e o  valor  contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido  como  perda,  para  fins  fiscais,  qualquer  que  fosse  o  fundamento  daquele  ágio  (art.  34  do  Decreto­Lei nº 1.598/77).  Após  a  Lei  no  9.532/97,  nos  casos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  o  ágio  fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda,  senão  de  forma  “parcelada”  em,  no mínimo,  cinco  anos;  o  ágio  fundamentado  na  diferença  entre  o  valor  contábil  e  o  valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  não  mais  pode  ser  deduzido  imediatamente  como  perda,  senão  de  forma  também  “parcelada”,  acompanhando  a  depreciação,  amortização,  ou  exaustão  normal  do  bem;  e  o  ágio  baseado  em  outros  fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda,  como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo.  A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente antielisivo. Não somente  pelo  seu  próprio  conteúdo  normativo,  já  que  a  partir  de  sua  edição  foram  sensivelmente  Fl. 17334DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.302          67 restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela  própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97,  posteriormente convertido no art. 7° da Lei no 9.532/97, verbis:  “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da  aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada pelo método da equivalência patrimonial.   Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto,  diversas  empresas,  utilizando  dos  já  referidos  "planejamentos  tributários",  vêm  utilizando  o  expediente  de  adquirir  empresas  deficitárias,  pagando  ágio  pela  participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante  o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária.   Com  as  normas  previstas  no  Projeto,  esses  procedimentos  não  deixarão  de  acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais,  tendo em  vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a  sua adoção exclusivamente por esse motivo.”  Este  ponto  merece  ser  melhor  explicitado,  visto  que  há  muitos  juristas  e  doutrinadores —  quiçá  a  maioria,  até —  que  tratam  os  referidos  artigos  7o  e  8o  como  um  incentivo fiscal às privatizações. Contudo, o entendimento aqui exposto não é isolado, e, neste  sentido,  transcrevo  excerto  de  manifestação  de  Luís  Eduardo  Schoueri  em  recente  livro1  a  respeito do tema:  Muitos  acreditam  que  a  referida  lei  constituiu  incentivo  fiscal  às  privatizações.  Neste sentido é o entendimento de Roberto Quiroga Mosquera e Rodrigo de Freitas,  quando  estes  assinalam  que  o  tratamento  fiscal  conferido  ao  ágio  pela  Lei  no  9.532/1997  ‘foi  estabelecido  no  contexto  de  incentivo  às  privatizações,  em  que  o  Estado brasileiro tinha interesse em oferecer condições vantajosas aos adquirentes  e, com isso, conseguir melhores preços’.  O mesmo raciocínio pode ser visto em Marcel e Michel Gulin Melhem, segundo os  quais  uma  (e  talvez  a  principal)  das  razões  para  a  criação  das  normas  sobre  dedutibilidade do ágio na incorporação teria sido o  incentivo ao “então chamado  Programa  Nacional  de  Desestatização,  tornando  as  empresas  estatais  mais  atraentes  aos  investidores  privados,  uma  vez  que  o  ágio  eventualmente  pago  nos  leilões  de  privatização  poderia  ser  deduzido  fiscalmente”.  É,  ainda,  o  mesmo  entendimento de João Dácio Rolim e de Frederico de Almeida Fonseca, para quem  um dos motivos para o  tratamento dado ao ágio pela Lei no 9.532/1997 “foi o de  fomentar o chamado ‘Programa Nacional de Desestatização do Governo Federal’”.  Tal posicionamento não deixa de  ser curioso. Afinal,  se anteriormente o ágio era  deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um  incentivo.  A  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  no  1.602/1997  deixou  hialino esse  intuito de  restrição da consideração do ágio como despesa dedutível,  mediante  a  instituição  de  óbices  à  amortização  de  qualquer  tipo  de  ágio  nas  operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio  às  hipóteses  em  que  fossem  acarretados  efeitos  econômico­tributários  que  os  justificassem.                                                              1  SCHOUERI,  Luis  Eduardo.  Ágio  em  reorganizações  societárias  (aspectos  tributários).  São  Paulo:  Dialética,  2012, p. 66­68.  Fl. 17335DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     68 Segundo  as  palavras  utilizadas  à  época  pelo  Poder  Executivo  para  justificar  a  introdução  de  disciplina  diferenciada  para  o  ágio  conforme  sua  fundamentação,  houve  a  necessidade  de  se  coibir  planejamentos  tributários  consistentes  na  aquisição  com ágio  de  empresas  deficitárias  e  posterior  incorporação que  fizesse  com que o ágio fosse deduzido na empresa lucrativa.  Como antigamente não havia qualquer coerência e consistência para a dedução do  ágio, a falta de regulamentação específica estava sendo utilizada para distorcer a  lógica do sistema, o que gerou motivação suficiente para que o legislador barrasse  esses artifícios prejudiciais à completude do ordenamento jurídico.”  Ainda  que  possa  não  ser  o  entendimento  dominante,  também  no CARF  se  encontram manifestações no mesmo sentido do quanto exposto no presente voto. Peço vênia  para  transcrever  trecho  do  voto  proferido  pelo  ilustre  Conselheiro  Mário  Junqueira  Franco  Júnior,  no  acórdão  no  101­95.786,  de  18  de  outubro  de  2006,  à  época  acompanhado  por  unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes:  Antigamente, o Decreto 1.598/77, em seu artigo 34, atual artigo 430 do RIR/99 [...]  Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda, certo que alguns  contribuintes,  fortes  na  avaliação  apenas  de  bens  tangíveis  e  ignorando  a  valorização de intangíveis, registravam perdas quase pela totalidade do ágio pago  na aquisição. E isso em operações muitas das vezes instantâneas.  [...]  A motivação para a nova regra  teve  caráter antielisivo,  conforme a  exposição de  motivos  ao  artigo  8°  da MP  1.602/97,  convertido  no  artigo  7°  da  Lei  9.532/97,  verbis:  [...]  A única conclusão possível, portanto, é que a nova regulamentação, além de tomar  despicienda qualquer avaliação de acerco líquido quando existente ágio ou deságio,  criou prazo mínimo para a amortização, no caso 5 anos,  como forma de  evitar o  ganho  fiscal  imediato que anteriormente se obtinha, pelo reconhecimento a um só  tempo da diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido.  No entanto, não há na norma qualquer permissão para que tal efeito represente um  ajuste  ao  lucro  líquido,  mediante  exclusão  no  LALUR.  O  fato  é  contábil,  representativo  do  controle  na  escrituração  da  amortização  do  ágio  após  a  incorporação. Como bem observou  a decisão  recorrida,  apenas  se  a  amortização  ultimar­se  em  período  anterior  a  cinco  anos,  haverá  necessidade  de  ajustes  por  adição e exclusão, para respeito ao prazo mínimo definido na norma.  Portanto,  longe  de  veicular  o  benefício  fiscal  de  amortização  do  ágio,  os  artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 vieram impor limites a tal dedução.  Em  relação  ao  desenho  da  operação  realizada  pela RECORRENTE,  não  se  pode  olvidar  que  o  contribuinte  tem  o  direito  de  estruturar  o  seu  negócio  de  maneira  que  melhor  lhe  convém,  com  vistas  à  redução  de  custos  e  despesas,  inclusive  à  redução  dos  tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade.  Entretanto,  o  que  não  se  admite  atualmente  é  que  os  atos  e  negócios  praticados  se  baseiem  numa  aparente  legalidade,  sem  qualquer  finalidade  empresarial  ou  negocial,  para  disfarçar  o  real  objetivo  da  operação,  quando  unicamente  almeje  reduzir  o  pagamento de tributos.   Fl. 17336DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.303          69 Nesse  sentido,  colacionam­se  a  seguir  os  ensinamentos  de  Marco  Aurélio  Greco2:  ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o  contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado  sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo  e  qualquer  “planejamento”  é  admissível?  Minha  resposta  é  negativa. (pág. 190)  Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não  apenas  sob  a  ótica  das  formas  jurídicas  admissíveis,  mas  também  sob  o  ângulo  da  sua  utilização  concreta,  do  seu  funcionamento  e  dos  resultados  que  geram  à  luz  dos  valores  básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202)  [...]  com  o  advento  do  Código  Civil  de  2002  a  questão  ficou  solucionada,  pois  seu  artigo  187  é  expresso  ao  prever  que  o  abuso de direito configura ato ilícito:  Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que,  ao exercê­lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu  fim  econômico  ou  social,  pela  boa­fé  ou  pelos  bons  costumes.  (pág. 206)  No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao  ato  abusivo  (mesmo  antes  do  Código  Civil  de  2002)  encontra  base  no  ordenamento  positivo,  por  decorrer  dos  princípios  consagrados  na Constituição  de  1988  e  da  natureza  da  figura.  Porém,  a  atitude  do  Fisco  no  sentido  de  desqualificar  e  requalificar  os  negócios  privados  somente  poderá  ocorrer  se  puder  demonstrar  de  forma  inequívoca  que  o  ato  foi  abusivo  porque  sua  única  ou  principal  finalidade  foi  conduzir  a  um  menor pagamento de imposto.  Esta  conclusão  resulta  da  conjugação  dos  vários  princípios  acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do  fenômeno  tributário  que  não  deve mais  ser  visto  como  simples  agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado  ao princípio da solidariedade social. (pág. 208)  Em  suma,  não  há  dúvida  de  que  o  contribuinte  tem  o  direito,  encartado  na  Constituição  Federal,  de  organizar  sua  vida  da  maneira  que  melhor  julgar.  Porém,  o  exercício  deste  direito  supõe  a  existência  de  causas  reais  que  levem  a  tal  atitude.  A  auto­organização  com  a  finalidade  predominante  de  pagar  menos  imposto  configura  abuso  de  direito,  além  de  poder  configurar  algum  outro  tipo  de  patologia  do  negócio  jurídico,  como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228)  Nota­se,  assim,  que  o  direito  ao  planejamento  tributário  não  pode  ser  absoluto,  há  que  haver  uma  conformação  entre  a  existência  do  direito  e  o  modo  como  se  exerceu esse direito, sob pena de incorrer­se em abuso de direito.                                                              2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198­208.  Fl. 17337DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     70 Ricardo  Lobo  Torres,  a  esse  respeito,  esclarece  que  “a  proibição  da  elisão  abusiva  no  campo  tributário  nada  mais  é  que  a  especificação  do  princípio  geral,  jurídico  e  moral, da vedação do abuso de direito”.3  A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o  motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra  de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria  tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição Norte­Americana de 1787  e  a Declaração  dos Direitos  do Homem  e  do Cidadão  de  1789  reprisaram  a  limitação.  Essa  perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma  concessão da  sociedade  em  favor do Estado, mas um  instrumento da  sociedade que  tem por  finalidade manter uma máquina pública  estruturada em  favor da própria  sociedade. Esse  é o  sentido  do  dever  fundamental  do  indivíduo  de  recolher  os  tributos  devidos.  Confira­se,  a  respeito,  o  pensamento  de  Klaus  Tipke  (“Justiça  Fiscal  e  Princípio  da  Capacidade  Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13):  O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto  não  é  meramente  um  sacrifício,  mas  sim  uma  contribuição  necessária  para  que  o  Estado  possa  cumprir  suas  tarefas  no  interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito  tributário  de  um  Estado  de  Direito  não  é  Direito  técnico  de  conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O  direito  Tributário  afeta  não  só  a  relação  cidadão/Estado,  mas  também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito  da coletividade.  A Constituição Federal  de 1988 caminhou no  sentido defendido por Tipke,  quando  afirma  no  seu  art.  1º  que  a  República  Federativa  do  Brasil  constitui­se  em  Estado  Democrático  de  Direito  e  estipula  como  seus  fundamentos  a  soberania,  a  cidadania,  a  dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo  político.  A  atividade  produtiva  deve  cumprir  o  seu  papel  social  de  importância  ao  desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se  sobreponha à cidadania e a dignidade humana.  O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República  Federativa  do  Brasil  a  construção  de  uma  sociedade  livre,  justa  e  solidária,  a  garantia  do  desenvolvimento  nacional,  a  erradicação  da  pobreza  e  a  marginalização  e  a  redução  das  desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem,  raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.  Para  o  atingimento  desses  objetivos  é  de  suma  importância  os  recursos  oriundos  da  tributação,  daí  que  não  se  pode  admitir  o  planejamento  tributário  lastreado  exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos  e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para se esquivar  do pagamento dos tributos.  O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão  aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode  ter  uma  fixação  por  direitos,  sob  o  aspecto  individualista,  esquecendo­se  dos  deveres,  que  também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na  sociedade.                                                              3  LOBO TORRES, Ricardo.  Planejamento Tributário. Elisão  abusiva  e  evasão  fiscal. Rio  de  Janeiro:  Elsevier,  2012, p. 20.  Fl. 17338DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.304          71 Cabível  assentar,  também,  que  a  orientação  constitucional  e  jurisprudencial  antes  referida  não  representa  novidade  em  termos  internacionais.  Nos  Estados  Unidos  da  América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory  v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a  licitude  de  operações  societárias  nas  quais  presente  choque  entre  a  realidade  e  o  artifício  formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda,  colhe­se o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso  Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância  sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de  Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62):  Nessas  circunstâncias,  os  fatos  falam  por  eles  mesmos  e  permitem  apenas  uma  única  interpretação.  O  único  empreendimento, embora conduzido nos termos do  item “b” da  seção  112,  fora  de  fato  uma  forma  elaborada  e  errônea  de  transposição  simulada  como  reorganização  societária,  e  nada  mais.  A  regra  que  exclui  de  consideração  o  motivo  da  elisão  fiscal  não  guarda  pertinência  com  a  situação  presente,  porquanto  a  transação  em  sua  essência  não  é  alcançada  pela  intenção  pura  da  lei.  Sustentar­se  de  outro  modo  seria  uma  exaltação  do  artifício  em  desfavor  da  realidade,  bem  como  retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É  mantido o julgamento de segunda instância.  Marco  Aurélio  Greco  assevera  ainda  que  “nem  tudo  o  que  é  lícito  é  o  honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também  mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo   parte  daquilo  que  Tércio  Sampaio  Ferraz  Júnior  denomina  de  regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais  dão  as  peças  do  sistema  jurídico,  mas  para  que  funcionem  coordenadamente  precisam  ser  calibradas,  ajustadas.  4  (grifo  nosso)  Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que   No direito tributário o mais  importante para a Administração é  requalificar o ato abusivo, sem anulá­lo em suas consequências  no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão,  afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma  tributária;  como  lembra Paul Kirchhof,  a  elisão  é  sempre  uma  subsunção  malograda  [...]  Cabe  à  Administração  Tributária,  conseguintemente,  corrigir  a  subsunção  malograda,  requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da  regra de incidência. 5  Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta:  Recordando:  na  primeira  fase,  predomina  a  liberdade  do  contribuinte  de  agir  antes  do  fato  gerador  e  mediante  atos                                                              4 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231.  5  LOBO TORRES, Ricardo.  Planejamento Tributário. Elisão  abusiva  e  evasão  fiscal. Rio  de  Janeiro:  Elsevier,  2012, p. 25.  Fl. 17339DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     72 lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a  liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos,  porém  nela  o  planejamento  é  contaminado  não  apenas  pela  simulação,  mas  também  pelas  outras  patologias  do  negócio  jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei.  Na  terceira  fase,  acrescenta­se  um  outro  ingrediente  que  é  o  princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio  constitucional  tributário – acaba por eliminar o predomínio da  liberdade, para temperá­la com a solidariedade social inerente à  capacidade contributiva. 6 (grifo nosso)  Salienta  ainda  o  doutrinador  que  a  capacidade  contributiva  é  uma  norma  programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos  preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia  jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 7. (grifo  nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à  lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos  constitucionais.8  O Supremo Tribunal Federal  já vêm se manifestando nesse sentido, como é  possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.832­1 DJ de  28.06.2002), cujo excerto transcreve­se a seguir:  [...]  a  interpretação  puramente  literal  e  isolada  do  §3º  do  art.  155  da  Constituição  Federal  levaria  ao  absurdo,  conforme  linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio  inscrito  no  art.  195,  caput,  da  mesma  Carta  –  “a  seguridade  social  será  financiada por  toda  a  sociedade,  de  forma direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei...”  –  empresas  de  grande  porte,  as  empresas  de  mineração,  as  distribuidoras  de  derivados  de  petróleo,  as  distribuidoras  de  eletricidade  e  as  que  executam  serviços  de  telecomunicações  –  o  que  não  se  coaduna  com  o  sistema  da  Constituição,  e  ofensiva,  tal  modo  de  interpretar  isoladamente  o  §  3º  do  art.  155,  a  princípios  constitucionais  outros, como o da igualdade (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e  da capacidade contributiva.  A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em  excepcional análise sobre o tema, conclui:  [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade  contributiva,  também  é  preciso  ponderar  não  ser  adequado  transformar  a  capacidade  contributiva  num valor  absoluto  que  atropele a legalidade e a tipicidade. [...]  Minha  concepção  ideológica  é  de  que  sempre  haverá  de  ponderar  os  dois  conjuntos  de  valores;  ou  seja,  para  mim  o  ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa  para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida,  mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva  dois  tipos  de  valores.  Isso  está  escrito  com  todas  as  letras  no  artigo  3º,  I,  da  Constituição  de  1988  –  quando  formula  os                                                              6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319.  7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343.  8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344.  Fl. 17340DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.305          73 objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o  de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação  linguística  muito  feliz,  pois  coloca  numa  ponta  a  liberdade  (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade  (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da  ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando  houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 9  (grifo nosso)  Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontra­se em total  sintonia  com  os  princípios  da  legalidade  e  da  livre  iniciativa,  encontrando  eco  não  só  na  doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se  falar  em  desconsideração  da  personalidade  jurídica  ou  de  atos  jurídicos.  O  que  houve,  na  prática,  foi  uma  requalificação  dos  atos  realizados  pelo  contribuinte,  prática  adotada  como  regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização  de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco.  No  caso  concreto,  ressaltam  aos  olhos  o  posicionamento  artificial  da  RECORRENTE em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal.   A  artificialidade  da  operação  está,  justamente,  no  passo  intermediário  utilizado  pela  RECORRENTE  a  fim  de  que  o  ágio,  que  deveria  compor  o  custo  do  investimento,  que  talvez  nunca  seja  alienado,  pudesse  ser  amortizado:  a  criação  de  empresa  veículo, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação  reversa  permitindo,  no  entender  da RECORRENTE,  o  início  da  amortização  dos  valores  de  ágio.   Aduz a autoridade fiscal autuante que o real adquirente de ATACADÃO foi  CARREFOUR  BV,  uma  vez  que  todos  os  recursos  utilizados  na  aquisição  do  novo  investimento  foram  internalizados  por  CARREFOUR BV  (parte  via  aumento  de  capital  em  BREPA,  a  qual,  ato  contínuo,  utilizou  para  aumentar  capital  em  KORCULA,  parte  via  empréstimo  diretamente  a  KORCULA).  Ainda  que  imaginássemos  que  CARREFOUR  BV  pudesse  capitalizar  a  holding  no Brasil  (BREPA),  para  que  ela  fizesse  a  aquisição  direta  de  ATACADÃO, em nada seria alterado o panorama.  Com efeito, mostra­se falacioso o argumento de que o ágio seria amortizado  de  qualquer modo,  pois,  conforme  já  repisado,  o  investimento  no ATACADÃO manteve­se  inerte  em  BREPA  (ou,  no  entender  da  autoridade  fiscal,  em  CARREFOUR  BV),  e,  as  operações a que diziam respeito o investimento, permaneceram segregadas na RECORRENTE,  o  que  inviabilizaria  por  completo  qualquer  forma  de  amortização  do  ágio  para  o  resultado  fiscal. Poderia, por exemplo, haver a incorporação de BREPA por ATACADÃO, viabilizando,  em tal hipótese, a amortização do ágio. Contudo, alega a RECORRENTE que tal operação não  seria viável em razão de BREPA ser holding de outras empresas do grupo. Ora,  se não há a  possibilidade  de  extinção  do  investimento  mediante  confusão  patrimonial  entre  investida  e  investidora, não há como se aceitar a interposição de uma outra pessoa jurídica, flagrantemente  atuando como “empresa veículo”, a fim, de artificialmente, transferir o ágio da real adquirente  para tal empresa veículo, que, ato contínuo, é incorporada pela investida a fim de viabilizar a  amortização do ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.                                                              9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 53­54.  Fl. 17341DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     74 Da análise do Termo de Verificação Fiscal, da decisão recorrida e do recurso  voluntário apresentado, são incontroversos:   ­  A respeito de KORCULA:  o   teve vida efêmera (menos de 1 ano, sendo extinta 8 meses após a aquisição de  ATACADÃO);  o  a  única  operação  relevante  realizada  foi  a  aquisição  de  ATACADÃO  (RECORRENTE), tendo sido, ao final, por esta incorporada;  o  era 100% controlada por empresas do Grupo Carrefour;  o  foi  capitalizada  poucos  dias  antes  da  aquisição  de  ATACADÃO,  parte  via  aumento  de  capital  subscrito  por  BREPA  (que  dias  antes  teve  seu  capital  aumentado  com  subscrição  de  CARREFOUR  BV),  parte  via  empréstimo  concedido por CARREFOUR BV;  o  não possuiu empregados nem incorreu em despesas administrativas durante sua  curta existência;  o  foi incorporada por ATACADÃO 8 meses após a aquisição de tal investimento;  o  as  operações  de  ATACADÃO  mantiveram­se  inertes,  sem  qualquer  outra  operação  societária  de  incorporação/fusão/cisão  com  qualquer  outra  pessoa  jurídica.  Sem  dúvida,  esses  são  os  fatos,  frisa­se,  incontroversos. A  discussão  posta  gira em torno dos motivos e finalidades da criação de KORCULA. A Fiscalização é incisiva ao  afirmar que o único propósito de KORCULA foi possibilitar que o ágio gerado na aquisição de  ATACADÃO pudesse ser amortizado: KORCULA teria sido criada pelo Grupo Carrefour para  adquirir  ATACADÃO  e  ser  por  essa  incorporada  a  fim  de  que,  mantendo  as  operações  de  ATACADÃO intactas e isoladas das demais empresas do grupo, o ágio pudesse reduzir o seu  próprio resultado tributável, e, por conseguinte, reduzir o montante de IRPJ e CSLL devido. Já  a  RECORRENTE  rebate  os  argumentos  da  Fiscalização,  afirmando  e  reafirmando  que  KORCULA era, de fato, uma sociedade empresária (holding não financeira).  Pois  bem.  Cabe,  agora,  analisar  quem  se  desincumbiu  do  ônus  da  prova.  Conforme já salientado, entendo que o trabalho do Fisco não merece reparos.   Em primeiro  lugar,  faz­se  necessário  discorrer  sobre  a  força  probatória  dos  indícios.  Sabe­se  que  os  indícios  e  presunções  constituem  prova.  Já  no  art.  136  do  antigo  Código Civil previa­se que os indícios são substratos fáticos que formam a presunção.  Gilberto  de  Ulhôa  Canto  (Presunções  no  Direito  Tributário,  Resenha  Tributária, São Paulo, 1991, p. 3/4) ensina:  Na presunção toma­se como sendo a verdade de todos os casos  aquilo  que  é  a  verdade  da  generalidade  dos  casos  iguais,  em  virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou  em  decorrência  da  previsão  lógica  do  desfecho.  Porque  na  grande maioria das hipóteses análogas, determinada situação se  retrata  ou  define  de  um  certo  modo,  passa­se  a  entender  que  desse  mesmo  modo  serão  retratadas  e  definidas  todas  as  situações  de  igual  natureza.  Assim,  o  pressuposto  lógico  da  Fl. 17342DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.306          75 formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato  conhecido,  da  conseqüência  já  conhecida  em  situações  verificadas no passado; dada a existência de elementos comuns,  conclui­se  que  o  resultado  conhecido  se  repetirá.  Ou,  ainda,  infere­se o acontecimento a partir do nexo causal  lógico que o  liga aos dados antecedentes.   Já Moacyr Amaral Santos (Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2º  volume, 3ª ed., São Paulo, Ed. Saraiva, 1977, p. 436/437), assim leciona:  [...] prova é a soma dos fatos produtores da convicção, apurados  no processo.  A prova  indireta é o resultado de um processo lógico. Na base  desse  processo  está  o  fato  conhecido.  O  fato  conhecido,  o  indício, provoca uma atividade mental, por via da qual poder­se­ á chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele. O  resultado positivo dessa operação será uma presunção [...]  Um  dos  maiores  especialistas  sobre  provas  no  Direito  Processual  Civil  brasileiro – Darci Guimarães Ribeiro – assim se manifesta sobre os indícios:  Nas  presumptiones  hominis,  também  conhecidas  por  simples,  comuns ou de homem, e que, para os criminalistas, chamam­se  indícios  e,  para  os  ingleses,  denominam­se  circunstâncias,  o  raciocínio  dedutivo  é  feito  pelo  homem. Aqui,  o  legislador  não  quis  legalmente  presumir  o  fato  desconhecido,  deixando,  em  especial, ao juiz fazer o raciocínio necessário, a fim de chegar à  descoberta  do  fato  desconhecido,  utilizando  a  experiência  comum ou  técnica,  a  fim de  obter  o  convencimento necessário.  [...] Enquanto as presunções legais servem para dar segurança a  certas situações de ordem social, política, familiar e patrimonial,  as  presunções  feitas  pelo  homem­juiz  cumprem  uma  função  exclusivamente processual, porque estão diretamente ligadas ao  princípio da persuasão racional da prova, contido no art. 131 do  CPC. [...] Seu campo de atuação é vastíssimo, tanto no processo  civil  quanto  no  processo  penal,  máxime  para  apreender  os  conceitos de simulação, dolo, fraude, má­fé, boa­fé, intenção de  doar, pessoa honesta, etc. 10  Corroborando  essas  teses,  a  jurisprudência  administrativa  segue  a  mesma  direção:  MEIOS DE PROVA ­ A omissão de receitas, quando sua prova  não  estiver  estabelecida  na  legislação  fiscal,  pode  realizar­se  por  todos  os  meios  admitidos  em  Direito,  inclusive  presuntiva  com  base  em  indícios  veementes,  sendo  livre  a  convicção  do  julgador.  (Acórdão  nº  105­4.032/90,  1º  Conselho  de  Contribuintes, Publicado em 14/09/90).  Observe­se  o  que  diz  Paulo  Celso  B.  Bonilha  (Da  prova  no  Processo  Administrativo Tributário, Dialética, São Paulo, 1997, p. 92):                                                              10 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 103.  Fl. 17343DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     76 Sob o critério do objeto, nós vimos que as provas dividem­se em  diretas  e  indiretas.  As  primeiras  fornecem  ao  julgador  a  idéia  objetiva  do  fato  probando.  As  indiretas  ou  críticas,  como  as  denomina  CARNELUTTI,  referem­se  a  outro  fato  que  não  o  probando  e  que  com  este  se  relaciona,  chegando­se  ao  conhecimento  do  fato  por  provar  através  de  trabalho  de  raciocínio que toma por base o fato conhecido. Trata­se, assim,  de conhecimento indireto, baseado no conhecimento objetivo do  fato base, “factum probatum”, que leva à percepção do fato por  provar  (“factum  probandum”),  por  obra  do  raciocínio  e  da  experiência do julgador.  Desse modo, pode­se afirmar que indício é o fato conhecido do qual se parte  para o desconhecido e que assim é definido por Moacyr Amaral dos Santos (op.cit.):  Assim, indício, sob o aspecto jurídico, consiste no fato conhecido  que,  por  via  do  raciocínio,  sugere  o  fato  probando,  do  qual  é  causa ou efeito.   Evidencia­se,  portanto,  que  o  indício  é  a  base  objetiva  do  raciocínio  ou  atividade  mental  por  via  do  qual  poder­se­á  chegar ao fato desconhecido. Se positivo o resultado, trata­se de  uma presunção.  Sobre o tema, evoca­se o voto vencedor do acórdão nº CSRF/01­02.743, da  Câmara Superior de Recursos Fiscais, que toma por base a jurisprudência do Supremo Tribunal  Federal:  Indícios  de  omissão  de  receitas  é  que  não  faltam. A  propósito,  como  relembra  o  preclaro  mestre  Hely  Lopes  Meirelles,  o  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  já  decidiu  que  “indícios  vários  e  concordantes  são  prova”,  com  o  que,  de  plano,  este  relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 52/140  apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro.  São Paulo, Malheiros, 22ª ed., 1997, p. 97.)  Como visto, os indícios, ou fatos conhecidos, são as bases para construção da  prova. No caso concreto, a Fiscalização demonstrou de forma inequívoca uma série de fatos e  apontou como única finalidade destes a exclusão de vultosos valores do lucro real e da base de  cálculo da CSLL. Todos os indícios coligidos possuem consistência e vínculo com a infração  apontada.  Oportuna,  neste  ponto,  a  lição  de  Maria  Rita  Ferragut  (Evasão  fiscal:  o  parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN  e  os  limites  de  sua  aplicação,  Revista  Dialética  de  Direito Tributário nº 67 , Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120), ao tratar da força probatória  das presunções e indícios, bem como da imperatividade de seu uso na esfera tributária:  É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais  meios  de  prova  (exceção  feita  ao  arbitramento,  que  também  é  meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento.  Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula  um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente  presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e,  portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva:  independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se  quer  provar  será  ao máximo  jurídica  certo  e  fenomenicamente  provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento.  Fl. 17344DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.307          77 Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada  ‘presumem’  juridicamente,  mas  prescrevem  o  reconhecimento  jurídico  de  um  fato  provado  de  forma  indireta.  Faticamente,  tanto  elas  quanto  as  provas  diretas  (perícias,  documentos,  depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”.  O  conjunto  de  indícios  e  presunções  é  chamado  pela  doutrina  de  prova  indireta. Sobre o tema, Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva,  São Paulo, 1993, página 305) assim se pronunciou:  Valor  da  prova  indireta.  Em  direito  fiscal  conta  muito  a  chamada  prova  indireta.  Conforme  consta  do  Ac.  CSRF/01­ 0.004, de 26/10/79, ‘A prova indireta é feita a partir de indícios  que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um  processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício),  prova  que  provoca  atividade  mental,  em  persecução  do  fato  conhecido,  o  qual  será  causa  ou  efeito  daquele.  O  resultado  desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção.   Sobre o tema, prossegue o mesmo autor (Op. cit., página 312):  O  julgador  de  uma  causa  não  esteve  em  contato  com  os  fatos,  não conheceu as circunstâncias e as pessoas que atuaram. Tudo  isso é dado no processo e ele procura, manipulando as provas,  chegar  ao  verdadeiro  conhecimento  dos  fatos  para,  depois,  aplicar a norma. Como todo ser humano que se debruça sobre os  fatos,  tem  ele  de  valer­se  por  vezes,  da  experiência  adquirida  com  o  trato  da  coisa  pública.  As  presunções  e  os  indícios  servem, pois, para o julgador chegar à verdade dos fatos.   Alberto Xavier (Do Lançamento – Teoria Geral do Ato do Procedimento e do  Processo Tributário, editora Forense, 1998, pág. 133), quando analisa o lançamento, assim se  manifesta:  Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré­ constituída,  a  Administração  fiscal  deve  também  investigar  livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora  de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte  ou por  terceiros; e por  isso deverá ativamente recorrer a  todos  os elementos necessários à sua convicção.  Tais  elementos  serão,  via  de  regra,  constituídos  por  provas  indiretas,  isto  é,  por  fatos  indiciantes,  dos  quais  se  procura  extrair,  com  o  auxílio  de  regras  de  experiência  comum,  da  ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A  conclusão  ou  prova  não  se  obtém  diretamente,  mas  indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre  o indício e o tema prova. Objeto de prova em qualquer caso são  os  fatos  abrangidos  na  base  de  cálculo  (principal  ou  substitutiva) prevista na lei: só que no caso a verdade material  se obtém de um modo direto e nos outros de um modo  indireto  fazendo intervir ilações, presunções,  juízos de probabilidade ou  de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente  sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção  da verdade.  Fl. 17345DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     78 Para  concluir  que o  propósito  da  criação  de KORCULA  foi  iminentemente  fiscal, a autoridade fiscal afirmou que tal empresa não poderia ser considerada uma sociedade,  a  teor  do  disposto  nos  artigos  966  e  981  do  Estatuto  Civil.  A  RECORRENTE  rechaça  o  entendimento do Fisco.  Convém, nesse momento, discorrer sobre o conceito de empresa.  A  conceituação  jurídica  de  empresa,  parte  da  noção  econômica,  que  se  vincula  à  ideia  central  da  organização  dos  fatores  da  produção  (capital,  trabalho,  insumos  e  tecnologia para a realização de uma atividade econômica). Desse modo, pode­se afirmar que a  empresa consiste na unidade produtora cuja tarefa é combinar fatores de produção com o fim  de oferecer ao mercado bens ou serviços, não importando qual o estágio da produção.11   No Direito italiano – com forte influência para o Direito Comercial pátrio–,  o  Código Civil  de  1942  adotou  a  Teoria  da Empresa  para  definir  o  campo  de  aplicação  do  Direito Comercial. Todavia,  a  legislação  italiana não  formulou  um conceito  jurídico  sobre  o  que seja empresa, restando à doutrina fazê­lo. Nesse sentido, destaca­se a teoria dos perfis da  empresa elaborada por Alberto Asquini.12   Ao  analisar  o  Código  Civil  italiano,  Asquini  concluiu  pela  diversidade  de  perfis  no  conceito,  de  forma  a  compreender  a  empresa  como  “um  fenômeno  jurídico  poliédrico,  o  qual  tem  sob  o  aspecto  jurídico  não  um,  mas  diversos  perfis  em  relação  aos  diversos  elementos  que  ali  concorrem”.  Os  perfis  de  empresa  por  ele  identificados  são  os  seguintes: subjetivo, funcional, objetivo ou patrimonial e corporativo.  O perfil  subjetivo  identifica  a  empresa  com  a  figura  do  empresário,  cujo  conceito é fornecido pelo artigo 2.084 do Código Civil Italiano (bastante semelhante ao artigo  966 de nosso Código Civil) como "aquele que exercita profissionalmente atividade econômica  organizada  com  o  fim  da  produção  e  da  troca  de  bens  ou  serviços".  O  perfil  funcional  identifica empresa com atividade empresarial, ou seja, ela (empresa) seria compreendida como  um  conjunto  de  atos  tendentes  a  organizar  os  fatores  da  produção  para  a  distribuição  ou  produção de certos bens ou serviços.   Por sua vez, o perfil objetivo ou patrimonial identificaria a empresa com o  conjunto de bens destinado ao exercício da atividade empresarial, ao passo que, de acordo com  o  perfil  corporativo,  seria  "aquela  especial  organização  de  pessoas  que  é  formada  pelo  empresário  e  por  seus  prestadores  de  serviço,  seus  colaboradores  (...)  um  núcleo  social  organizado  em  função  de  um  fim  econômico  comum".  Quanto  a  esse  último  perfil  (corporativo), verifica­se que ele foi desconsiderado doutrinariamente, por lastrear­se não com  fundamento  em  dados  objetivamente  apreciáveis,  mas  tão  somente  na  ideologia  fascista,  fortemente marcante na elaboração do Código Civil italiano de 1942.   A utilidade dessa teoria reside no fato de que, à exceção do perfil corporativo  –  de  natureza  eminentemente  político­ideológica  –,  os  perfis  restantes  demonstram  três  realidades  intimamente  ligadas,  e muito  importantes  na  teoria  da  empresa:  a  empresa  (perfil  funcional), o empresário (perfil subjetivo) e o estabelecimento empresarial (perfil objetivo ou  patrimonial).                                                               11  NUSDEO,  Fábio.  Curso  de  Economia:  Introdução  ao  Direito  Econômico.  6ª  ed.  São  Paulo:  Revista  dos  Tribunais, 2010.   12 ASQUINI, Alberto. Perfis de Empresa. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro n. 104.  Trad. Fábio Konder Comparato. São Paulo: Revista dos Tribunais, out.­dez. 1996, p. 109­126.       Fl. 17346DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.308          79 No  ordenamento  jurídico  nacional,  o  Direito  de  Empresa  encontra­se  atualmente previsto nos artigos 966 a 1.195 do Código Civil.   Com  base  nos  ensinamentos  de  Asquini  pode­se  afirmar,  portanto,  que  empresa é a atividade econômica organizada de produção ou circulação de bens ou serviços,  equivalendo ao perfil funcional da teoria do citado doutrinador italiano.   Por  atividade  entende­se  o  conjunto  de  atos  destinados  a  uma  finalidade  comum,  não  bastando,  portanto,  a  ocorrência  de  um  ato  isolado  para  a  caracterização  de  empresa. Faz­se necessária, para tanto, a realização de uma sequência de atos dirigidos a uma  mesma  finalidade,  que,  em  razão  do  caráter  econômico  apresentado,  exige  que  ela  tenha  o  condão de  criar novas utilidades,  novas  riquezas,  afastando­se,  desse modo,  as  atividades de  mero  gozo.  Essa  criação  de  novas  riquezas  abrange  a  transformação  de  matéria­prima  (indústria), bem como também a atividade de intermediação na circulação de bens (comércio  em sentido estrito).   A economicidade da  atividade empresarial  impõe que  ela deva ser dirigida  ao mercado, o que significa dizer que ela deve destinar­se à satisfação de necessidades alheias,  de maneira que o titular da atividade deve ser diverso do destinatário último do produto ou do  serviço. Nesse  contexto,  não  caracteriza  empresa  a  atividade  daquele  que  cultiva  ou  fabrica  para o próprio consumo. A finalidade perseguida pela atividade empresarial é o lucro (busca de  excedente econômico para o fim de acumulação).   Outro  traço  característico  da  empresa  consiste  na  organização  dos  fatores  da produção, pois o fim lucrativo de criação de novas riquezas pressupõe atos coordenados,  inter­relacionados  e  programados  para  a  consecução  de  tal  objetivo.  Essa  organização  pode  variar de acordo com as necessidades da atividade explorada, sendo que os fatores de produção  tradicionalmente são divididos em: a) capital; b)  trabalho ou mão de obra; c) tecnologia; e d)  matéria­prima.  Fábio Ulhôa Coelho  diz  que  na  ausência  de  um  desses  fatores  não  se  fala  mais  em  organização.  Isso  significa  que,  faltando  apenas  um  dos  quatro  fatores,  não  há  organização e, consequentemente, não se pode falar em empresário. Por exemplo: um bar ou  armazém cujo atendimento é feito apenas pelos proprietários, sem utilização de mão de obra,  será uma sociedade simples.  Isso implica que, faltando apenas um dos quatro fatores, não há  organização e, consequentemente, não se pode falar em empresa.   Contudo,  a  doutrina  e  a  jurisprudência  dominantes  sustentam  que,  se  a  natureza da atividade realizada prescindir na sua organização de um desses quatro fatores (por  exemplo, força de trabalho), não há que se falar em descaracterização da atividade de empresa,  desde que presentes e organizados os  fatores de produção  imprescindíveis para a consecução  da atividade especificamente considerada.  No  caso  concreto,  não  há  dúvidas  que  KORCULA  não  preenche  tais  requisitos. Os argumentos trazidos pela RECORRENTE não se mostram consistentes a ponto  de  alterar  minha  convicção  sobre  sua  total  inoperância.  Os  fatos  são  evidentes:  a  única  operação  relevante  realizada  por  KORCULA  foi  a  aquisição  de  ATACADÃO,  sendo  posteriormente por esta incorporada.   Fl. 17347DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     80 Os  valores  aportados  na  constituição  e  posterior  aumento  de  capital  KORCULA foram justamente os necessários para a aquisição de ATACADÃO, e às vésperas  da operação.   A RECORRENTE limita­se a afirmar que KORCULA era uma holding e não  poderia ser considerada empresa veículo simplesmente por não ter empregados e por seu objeto  social ser exclusivamente a detenção de participação em uma ou mais sociedades, visto que o  artigo 2º, § 3º, da Lei 6.404, de 1976, expressamente admite a constituição de empresas com  essa finalidade. Ela também em sua tese invoca o artigo 31 da Lei nº 11.727, de 2008.   A esse respeito, perfeitas as considerações da decisão recorrida, as quais ora  reproduzo:  A objeção da impugnante, contudo, não pode ser acatada. Embora  tenham mencionado, como mais um dos indícios de que se tratava de empresa sem fim  negocial próprio, o fato de a Korcula não ter tido empregados e praticamente nenhuma  despesa  administrativa  em  sua  curta  existência,  os  autuantes  nem  enfatizaram  esse  aspecto.  Em  verdade,  é  inquestionável  que  a  constituição  e  a  existência  de  uma  sociedade  cujo  objeto  seja  a  participação  em  outras  é  expressamente  admitida  pelo  ordenamento.  Em  tese,  pode­se  também  conceber  que  tal  empresa  não  conte  com  nenhuma estrutura administrativa, embora isso somente é possível se ela fizer parte de  um grupo econômico maior que se encarregue de a manter e arcar com um mínimo de  despesas  administrativas  que  seriam  de  sua  responsabilidade,  tais  como  a  remuneração de seus diretores e os encargos decorrentes de sua escrituração. Note­se  que a entidade prevista no § 3º do artigo 2º da Lei nº 6.404, de 1976, não tem de ser  necessariamente  a  controladora  das  empresas  cuja  participação  detenha.  Assim,  holdings  sem  um  grupo  econômico  que  as  ampare  e  com  apenas  participações  minoritárias necessariamente terão de ter gestão e encargos próprios.   De qualquer forma, a sociedade prevista pelo § 3º do artigo 2º da  Lei  nº  6.404,  de  1976,  não  será  classificada  de  empresa  veículo  se,  de  fato,  for  constituída  com o  objeto  social  de  ter  participação  societária,  ou  seja,  se  esse  for  o  propósito  de  seus  fundadores  ou  proprietários.  Não  será  o  caso,  porém,  de  uma  holding cujo propósito, verificado pelas circunstâncias concretamente observadas, for  o  de  apenas  ter  existência  temporária  e  meramente  formal,  com  o  intuito  mal  disfarçado de apenas forjar um quadro de aparente cumprimento de exigências legais  para a obtenção de benefício fiscal. Esse último definitivamente é o caso da Korcula,  porque, como visto, não havia a intenção de a tornar uma sociedade cujo objeto social  permanente  fosse  a  participação  no  capital  de  outras  sociedades.  Para  esse  fim,  o  grupo Carrefour já contava, no Brasil, com a Brepa, e no exterior com a Carrefour BV.  A Korcula, desde que foi adquirida pelo grupo Carrefour apenas dois meses de depois  de constituída com o capital subscrito de R$ 100,00, tinha o propósito específico de lhe  ser  atribuído  o  papel  de  adquirente  aparente  do  Atacadão,  e  de  contrair  um  empréstimo  internacional,  e  em  seguida  ser  incorporada  pela  empresa  que  havia  supostamente adquirido. Portanto, o que lhe empresta o caráter de empresa veículo e  sem  propósito  negocial  não  é  o  seu  objeto  social  nem  a  sua  parca  estrutura  administrativa, mas a sua existência efêmera, apenas formal, e para o cumprimento de  uma única etapa numa cadeia de atos e negócios cujo objetivo é pura e simplesmente a  obtenção de vantagens fiscais, sem que seja cumprida a essência das exigências legais  para a obtenção dessas vantagens  fiscais. Além disso, no caso da Korcula, o caráter  artificial de sua participação na operação é evidenciado pela circunstância de que as  suas  funções  na  cadeia  de  operações  poderiam  ser  satisfatoriamente  realizadas  por  empresas  que  já  faziam  parte  do  grupo  empresarial  que  estava  por  trás  de  todo  o  processo.  Recorde­se  ainda  as  cláusulas  do  contrato  de  aquisição  do  Atacadão  que  demonstravam  a  existência  meramente  protocolar  da  Korcula,  pois  estipulavam  que  Fl. 17348DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.309          81 toda  comunicação  relativa  ao  negócio  devia  ser  enviada  para  a  Brepa  e  que  esta  assumia a responsabilidade de honrar todas as obrigações assumidas pela Korcula.  Ainda  segundo  a  RECORRENTE,  a  constituição  de  KORCULA  se  justificaria porque as atividades da RECORRENTE eram, de certa forma, diversas da atividade  desenvolvida  pelo  grupo Carrefour  no  Brasil.  Por  isso,  o  grupo  entendeu  ser mais  seguro  e  eficiente  ter  o  desenvolvimento  do  novo  investimento  em  uma  sociedade  autônoma,  desvinculada das empresas que já existiam e se dedicavam puramente ao mercado varejista. Tal  arranjo proporcionaria um período de adaptação razoável do novo investimento às diferenças  de  atuação  e  aos  princípios  adotados  pelo  grupo  Carrefour.  A  RECORRENTE  indica  ainda  mais  uma  justificativa  para  a  participação  de  KORCULA  na  operação:  permitir  que  o  ATACADÃO  arcasse  com o  ônus  do  empréstimo  tomado para  em parte  custear  sua  própria  aquisição.  Novamente, por concordar  integralmente com a decisão recorrida a respeito  do tema, lanço mão de suas conclusões:  Ora,  o  Atacadão  e  o  Carrefour  Brasil  são  colossos  no  ramo  de  distribuição  de  alimentos  e  de  outros  produtos  de  consumo,  no  atacado e  no  varejo,  conforme  afirma  a  própria  impugnante.  Na  ocasião  da  aquisição,  em  conjunto  passaram  a  posição  de  maior  rede  de  supermercados  e  hipermercados  do  país,  contando  com  mais  de  uma  centena  de  unidades  espalhadas  pelo  país  e  com  faturamento  anual  na  casa  de  bilhões  de  reais.  Se  de  fato  havia  consideráveis  discrepâncias  na  cultura  empresarial  das  duas  empresas,  elas  não  desapareceriam  num  período  relativamente  curto  de  convivência  no  mesmo  grupo.  No  entanto,  a  Korcula, cuja alegada função seria propiciar essa adaptação do Atacadão ao seu novo  controlador, foi extinta apenas oito meses depois de ter sido ela mesma integrada ao  grupo Carrefour.   Mais importante ainda é que, visto que a Korcula não contava com  nenhuma  estrutura  administrativa  e  existia  apenas  formalmente,  não  podia  ela  desempenhar  o  papel  de  permitir  a  alegada  adaptação  do  Atacadão  às  práticas  do  grupo Carrefour. Quem podia de fato se desincumbir da função de intermediário entre  o  Atacadão  e  o  grupo  era  a  Brepa,  que  era  a  controladora  da  Korcula.  Logo,  a  Korcula  se  revela  inteiramente  desnecessária  para  essa  função,  e  sua  interposição  entre  a  Brepa  e  o  Atacadão  definitivamente  não  tinha  o  objetivo  alegado  pela  impugnante.  Tanto  era  ela  desnecessária  para  esse  fim  que,  após  a  sua  extinção,  a  Brepa assumiu ostensiva e formalmente a função que de fato já exercia.   A  outra  função  empresarial  que,  segundo  a  impugnante,  tornaria  necessária  a  participação  da  Korcula  na  operação  seria  permitir  que  o  Atacadão  arcasse  com  o  ônus  do  empréstimo  tomado  para  em  parte  custear  sua  própria  aquisição.  Contudo,  mais  uma  vez,  não  se  mostra  indispensável  a  participação  da  empresa  veículo  com semelhante  objetivo. O mesmo  fim poderia  ser  atingido  caso  a  Brepa assumisse o empréstimo e o fosse quitando com as transferências de dividendos  que  o  Atacadão  lhe  viria  a  fazer.  Afinal,  somente  seria  alcançado  o  objetivo  de  comprar o Atacadão parcialmente com recursos tomados de empréstimo de terceiros e  de liquidar esse empréstimo por meio da própria empresa adquirida, se essa empresa  adquirida propiciasse lucros suficientes para quitar o empréstimo, do contrário, para  quitar  a  dívida  contraída  o  adquirente  deveria  desfazer­se  total  ou  parcialmente  do  investimento adquirido ou encontrar fonte diversa de recursos.   É  verdade  que  haveria  um  prejuízo  tributário  com  o  arranjo  aventado no parágrafo anterior, pois os  lucros  seriam repassados à Brepa depois de  Fl. 17349DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     82 terem sofrido a incidência do IRPJ e da CSLL. Outra solução, ainda mais simples e na  qual a participação da Korcula seria igualmente dispensável, seria o empréstimo sem  ônus da Carrefour BV ter sido concedido à Brepa, a exemplo do que fizera em favor da  Korcula.  Caso  de  fato  a  Carrefour  BV  necessitasse  que  esses  recursos  lhe  fossem  devolvidos  num  prazo  relativamente  curto  (supostamente  por  ter  ela  própria  tomado  outro  empréstimo  para  o  custear),  a  Brepa  poderia  simplesmente  determinar  que  o  Atacadão  (que  já  se  encontrava  inteiramente  sob  seu  controle  por  já  ter  sido  consumada a aquisição) obtivesse diretamente de  terceiros um empréstimo oneroso e  lhe  repassasse  a  quantia  mediante  empréstimo  com  ônus  mínimo  estabelecido  pelo  artigo 22, § 2º, do Lei nº 9.430, de 1996. A Brepa então quitaria o empréstimo com a  Carrefour BV e o Atacadão é que passaria a sofrer os ônus do empréstimo até que o  liquidasse.  Obviamente,  esse  segundo  arranjo  também  implicaria  que  as  despesas  financeiras  com  o  empréstimo  seriam  indedutíveis  pelo  Atacadão  no  montante  que  excedesse  aos  ônus  repassados  à  Brepa,  em  virtude  de  o  empréstimo  não  se  caracterizar  como útil  e necessário a  suas atividades  e  estar  correlacionado a outro  realizado sem ônus para uma parte relacionada. Mas essa desvantagem é inevitável em  operações dessa natureza, qualquer que seja o arranjo societário posto em prática, [...]  Entendo, assim, restar evidente que KORCULA era suma simples “empresa  de prateleira”, sem qualquer atividade operacional. O objetivo de sua constituição, sem dúvida,  foi permitir a amortização do ágio, e, para tanto foi utilizada para adquirir o investimento com  ágio e, em seguida, ser incorporada pela investida a fim de possibilitar a redução dos resultados  tributáveis da RECORRENTE.  No  que  atine  aos  propósitos  trazidos  para  a  incorporação,  além  de  serem  inerentes  a  qualquer  operação  de  incorporação,  há  de  se  perguntar  o  porquê da  alteração  de  panorama:  todos  esses  objetivos  de  simplificação  da  estrutura  societária,  consolidação  e  redução  de  gastos  e  despesas  não  seriam  necessários  se  o  real  adquirente  de  ATACADÃO  tivesse feito, meses antes, a aquisição direta de suas ações.   Ora, não é crível que em poucos meses o mesmo grupo econômico justifique  a  criação de uma empresa para a  aquisição de  controle  total  de uma outra e,  ao  final,  altere  completamente  o  seu  comportamento  justificando  que  se  faz  necessária  a  simplificação  da  estrutura  do  grupo  econômico  por meio  da  incorporação  empresa  recém  criada  pela  própria  empresa investida. Trata­se da máxima do venire contra factum proprium, ou seja, vedação ao  comportamento contraditório.  Ademais,  em  nenhum  momento  a  RECORRENTE  esclarece  o  porquê  da  criação  KORCULA.  A  pseudo  justificativa  trazida  aos  autos  pode  ser  considerada  um  argumento  sem  conteúdo. A RECORRENTE deveria  demonstrar  algo  bem  simples:  por que  não  se  fez  a  aquisição  de  ATACADÃO  diretamente  pelas  empresas  já  existentes  do  grupo  Carrefour, sem a criação de KORCULA? A alegação de que necessitava manter as operações  segregadas em nada interfere em minha conclusão: bastaria adquirir ATACADÃO diretamente,  sem  contudo,  incorporá­lo!  Repise­se:  não  há  um  só  elemento  objetivo  trazido  pela  RECORRENTE  que  justifique  o  porquê  da  criação  de  KORCULA,  empresa  efêmera,  que  realizou um único negócio durante sua existência (a aquisição de ATACADÃO), servindo, sem  sombra  de  dúvidas,  para  permitir  a  amortização  de  ágio.  Outra  finalidade  deveria  ser  comprovada pela RECORRENTE, que não se desincumbiu de seu ônus probatório.  Salienta­se  que  sem  a  utilização  da  denominada  “empresas  veículo”  (KORCLA) não  haveria  amortização  do  ágio,  pois  tais  valores  deveriam  compor  o  custo  do  investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se a “empresa veículo”  efetivamente  operava,  ou  se  sua  existência  foi  efêmera.  O  importante  para  a  caracterização  como conduit company  foi a efemeridade de  suas participações no negócio, em si. Em curto  Fl. 17350DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.310          83 lapso,  simplesmente  por  sua  interposição  em  negócio  jurídico,  foi  capaz  de  causar  efeitos  tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos  da operação negocial perpetrada, no caso, a RECORRENTE.  Merece  aprofundamento,  ainda,  a  questão  das  operações  estruturadas  em  sequência. Greco13 trata o tema com a maestria peculiar:  Operação Estruturadas em Sequência  Sob  esta  denominação  estão  as  step  transactions,  vale  dizer,  aquelas  sequências  de  etapas  em  que  cada uma  corresponde  a  um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado  com  o  subsequente  para  obter  determinado  efeito  fiscal  mais  vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que  lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede.  Uma  operação  estruturada  indica  a  existência  de  um  objetivo  único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais,  indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo  o  conjunto.  Neste  casos,  cumpre  examinar  se  há  motivos  autônomos,  ou  não,  pois  se  estes  inexistirem,  o  fato  a  ser  enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. (p. 462)  Uso de Sociedades  [...]  o  elemento  relevante  quando  estamos  perante  uma  pessoa  jurídica  não  é  apenas  a  sua  existência  formal  (no  registro  competente  etc.);  tão  importante  ou  até  mais  –  em  matéria  tributária  –  é  a  identificação  do  empreendimento  que  justifica  sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na  medida  em  que  corresponda  à  vestimenta  jurídica  de  determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia  de empresa é o núcleo a ser perquirido. (vide a importância que  o Código Civil dá à noção de empresa – artigos 966 e segs.). (p.  468/469)  Conduit companies  A  primeira  situação  a  observar  é  das  chamadas  conduit  companies  (empresas­veículos  ou  de  passagem)  em  que  uma  pessoa  jurídica  é  criadas  apenas  para  servir  como  canal  de  passagem  de  um  patrimônio  ou  de  dinheiro  sem  que  tenha  efetivamente outra função dentro do contexto. (p. 470)  Este  é  o  ponto  a  considerar,  pois  –  dependendo  das  circunstâncias do caso  concreto – pode  configurar  fraude à  lei  tributária. (p. 475/476) (grifos nossos)  Na  mesma  linha  de  raciocínio  desenvolvida,  trata­se,  aqui,  do  exame  de  operações realizadas em sequência, cujos fatos, de per si, não denotam qualquer infração, mas,  em seu conjunto, demonstram inequivocamente que o único propósito negocial das operações  foi antecipar a diminuição da carga tributária incidente sobre o negócio efetivamente realizado.                                                              13 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 462­476.  Fl. 17351DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     84 Conforme se observa, os pontos destacados por Greco ressaltam aos olhos no  caso  concreto,  pois  as  operações  perpetradas  pela  RECORRENTE  foram  estruturadas  em  sequência  (a­  constituição  de  nova  empresa  – KORCULA –  com  imediata  capitalização;  b–  aquisição de ATACADÃO; c – incorporação de KORCULA por ATACADÃO (vida efêmera  de  KORCULA);  d  –  amortização  do  ágio  das  bases  de  cálculo  de  IRPJ  e  CSLL).  Ou  seja,  utilizou­se de uma sociedade de passagem com único intuito de permitir a amortização do ágio  criado na aquisição da própria RECORRENTE.  Impende­se repetir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: a motivação e a  finalidade  dos  atos  necessitam  ser  comprovadas  pelo  próprio  contribuinte,  desde  que  a  Fiscalização tenha trazido elementos que demonstrem que a motivação e a finalidade mostrem­ se preponderantemente fiscais. A Fiscalização, sem sombra de dúvidas, cumpriu com sua parte.  Caberia à RECORRENTE fazer a sua.  Nesse contexto, conclui­se que competia ao contribuinte provar a veracidade do  que afirmou, nos termos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo  administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.    No mesmo sentido dispõe o art. 333 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de  1973 (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...]  II  ­  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor.    Corroborando  tal  tese,  convém  transcrever  jurisprudência  do Superior Tribunal  de  Justiça:  Allegare  nihil  et  allegatum  non  probare  paria  sunt  —  nada  alegar  e  não  provar  o  alegado,  são  coisas  iguais.  (Habeas  Corpus n° 1.171­0 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39):  211­276, novembro 1992, p. 217)  Alegar  e  não  provar  significa,  juridicamente,  não  dizer  nada.(Intervenção  Federal  N°8­3  —  PR,  R.  Sup.  Trib.  Just.,  Brasília, a. 7, (66): 93­116, fevereiro 1995. 99)  RECURSO  ORDINÁRIO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA  ­ APOSENTADORIA  ­ NEGATIVA DE REGISTRO  ­ TRIBUNAL  DE  CONTAS  ­  ATOS  ADMINISTRATIVOS  NÃO  COMPROVADOS ­ ART.  333,  INCISO  II, DO CPC  ­  PAGAMENTO DOS PROVENTOS  DE  NOVEMBRO/96  E  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO  DAQUELE  MESMO  ANO  ­  IMPOSSIBILIDADE  ­  SÚMULAS  269 E 271 DA SUPREMA CORTE ­ 1. O ônus da prova incumbe  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo, modificativo  ou  extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo  Civil).  Incumbe  às  Secretarias  de  Educação  e  da  Fazenda  a  demonstração  de  que  a  professora  havia  sido  notificada  da  suspensão de sua aposentadoria. (STJ ­ ROMS 9685 ­ RS – 6ª T.  ­ Rel. Min. Fernando Gonçalves ­DJU 20.08.2001 ­ p. 00538)  Fl. 17352DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.311          85 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ­ IMPOSTO DE RENDA  ­ VERBAS INDENIZATÓRIAS ­ FÉRIAS E LICENÇA­PRÊMIO ­  NÃO  INCIDÊNCIA  ­  COMPENSAÇÃO  ­  AJUSTE  ANUAL  ­  ÔNUS DA PROVA ­ O ônus da prova incumbe ao autor quanto  ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  do  autor.  Cabe  ao  contribuinte  comprovar  a  ocorrência  de  retenção  na  fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias  e  à  Fazenda  Nacional  incumbe  a  prova  de  eventual  compensação  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  no  ajuste  anual  da  declaração  de  rendimentos.  Recurso  provido.  (STJ  ­  REsp  229118  ­  DF  ­  1a  T.  ­  Rel.  Min.  Garcia  Vieira  ­DJU  07.02.2000 ­ p. 132)  PROCESSO  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  ­  EXECUÇÃO  FISCAL  ­  EMBARGOS  DO  DEVEDOR  ­  NOTIFICAÇÃO  DO  LANÇAMENTO ­IMPRESCINDIBILIDADE ­ ÔNUS DA PROVA  ­  1.  Imprescindível  a  notificação  regular  ao  contribuinte  do  imposto  devido.  2.  Incumbe  ao  embargado,  réu  no  processo  incidente  de  embargos  à  execução,  a  prova  do  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II).  3. Recurso especial conhecido e provido.  (STJ ­REsp 237.009 ­  (1999/0099660­7)  ­  SP  –  2ª  T.  ­  Rel. Min.  Francisco  Peçanha  Martins ­ DJU 27.05.2002 ­ p. 147)  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL  ­  IRPF  ­  REPETIÇÃO  DE INDÉBITO ­ VERBAS INDENIZATÓRIAS ­ RETENÇÃO NA  FONTE  ­ ÔNUS DA PROVA  ­ VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL  CONFIGURADA  ­  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  NÃO  COMPROVADA  ­  SÚMULA  13/STJ  ­  PRECEDENTES  ­  Cabe  ao autor provar que houve a  retenção do  imposto de  renda na  fonte,  por  isso  que  é  fato  constitutivo  do  seu  direito;  ao  réu  competia a prova de eventual compensação na declaração anual  de  rendimentos dos recorrentes,  do  imposto de  renda  retido na  fonte,  fato  extintivo,  impeditivo  ou  modificativo  do  direito  do  autor  ­  Incidência  da  Súmula  13  STJ  ­  Recurso  especial  conhecido pela letra a e provido. (STJ ­RESP 232729 ­ DF ­ 2a  T.  ­ Rel. Min. Francisco Peçanha Martins ­DJU18.02.2002 ­ p.  00294)  Por  fim,  cabe  ressaltar  que  as  normas  legais  citadas  pelo  autuante  não  abrigam  aqueles  que  se  posicionam  artificialmente  diante  dela.  Nada  impede  que  os  contribuintes busquem formas de pagar menos tributos, mas o procedimento deve estar dentro  daquilo  que  é  autorizado  pelo  ordenamento  jurídico,  mas  sem  o  mascaramento  dos  atos  praticados  para  o  atingimento  desses  objetivos,  como  é  o  caso  dos  autos. De  igual  forma,  o  princípio  da  livre  iniciativa  insculpido  na  Constituição  Federal  não  possui  o  condão  de  transformar os fatos efetivamente ocorridos.  Isso posto, peço vênia a Marco Aurélio Greco para tomar como minhas suas  conclusões, já transcritas no corpo de meu voto, que muito se encaixam no fechamento do meu  entendimento sobre o caso, em especial o conflito entre livre iniciativa e solidariedade:  Minha  concepção  ideológica  é  de  que  sempre  haverá  de  ponderar  os  dois  conjuntos  de  valores;  ou  seja,  para  mim  o  Fl. 17353DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     86 ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa  para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida,  mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva  dois  tipos  de  valores.  Isso  está  escrito  com  todas  as  letras  no  artigo  3º,  I,  da  Constituição  de  1988  –  quando  formula  os  objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o  de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação  linguística  muito  feliz,  pois  coloca  numa  ponta  a  liberdade  (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade  (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da  ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando  houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 14  Por fim, é  imperioso esclarecer que a autuação baseia­se exclusivamente no  passo  intermediário  da  reorganização  societária  e  dos  seus  efeitos  tributários.  Não  se  contestam, pois, os objetivos negociais finais da reorganização.  Destaca­se ainda, que o lançamento não se baseia no disposto no art. 116, §  único  do,  Código  Tributário  Nacional,  como  bem  demonstram  o  Termo  de  Verificação,  a  decisão recorrida e a fundamentação do presente voto.  Assim  sendo,  entendo  que  o  lançamento  em  questão,  bem  como  a  decisão  recorrida, não estão em descompasso com a legislação vigente.  Por  esses  motivos,  nego  provimento  ao  recurso  quanto  a  amortização  dos  ágios mediante utilização de empresa veículo, aplicando as conclusões também à CSLL, dada a  ausência de qualquer aspecto específico tratado em recurso.  2.2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA EM RELAÇÃO À AMORTIZAÇÃO/EXCLUSÃO  DO ÁGIO  A  RECORRENTE  contesta  a  qualificação  da  multa,  asseverando  que  não  ocorreu  nenhuma  conduta  simulada,  dolosa  ou  fraudulenta.  Acrescenta  ainda  que  cabe  às  autoridades fiscais trazer provas inequívocas da ocorrência desses vícios.   Para  a  decisão  recorrida,  as  circunstâncias  caracterizadoras  da  fraude  e  da  conduta  dolosa  da  autuada  e,  por  conseguinte,  o  cabimento  da  multa  qualificada  estão  cabalmente comprovados pelo conjunto de provas reunido pela fiscalização.   O  fundamento  do  voto  condutor  do  aresto  pode  ser  sintetizado  a  partir  do  seguinte trecho da decisão recorrida:  A utilização de uma empresa  veículo, a  exemplo do que  fizeram a  autuada e os  seus  sócios controladores, por  intermédio da Korcula, com o propósito  específico de  forjar uma incorporação para fins meramente tributários, sem que haja  absorção  efetiva  do  patrimônio,  quer  de  quem  pagou  pelo  investimento,  quer  da  empresa cujo patrimônio fora adquirido, caracteriza fraude e uma burla evidente tanto  do texto legal como dos objetivos do legislador ao instituir o benefício fiscal.  Divirjo  de  tal  entendimento.  À  época  em  que  os  atos  contestados  foram  praticados  a  jurisprudência  do  CARF  agasalhava  o  procedimento  adotado  pela  RECORRENTE.                                                              14 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 53­54.  Fl. 17354DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.312          87 Esta própria turma julgadora, ainda que em composição bem distinta da atual,  em  situações  idênticas  ao  presente  caso,  não  só  não  mantinha  a  multa  qualificada  como  considerava  legitimas  operações  como  as  perpetradas  pela  RECORRENTE,  cancelando  integralmente os  respectivos  créditos  tributários  (por  exemplo, Acórdão  1402­00.802 – Caso  Santander).  Conforme já abordado em meu voto, somente no julgamento do Caso Bunge  – Acórdão 1402­001.460, na sessão de 08/10/2013, esta turma passou a incluir nova premissa  para  amortização  do  ágio  (necessidade  de  extinção  do  investimento),  não  aceitando  a  interposição  de  “empresa  veículo”  para  aquisição  do  investimento  e  posterior  incorporação  reversa a fim, de que, de modo artificial, se pudesse deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da  CSLL o ágio efetivamente pago em razão de rentabilidade futura.  Saliento que não se trata da hipótese de ágio inexistente, como nos casos de  “ágio interno”, mas sim de ágio efetivamente pago e de uma interpretação da legislação, ainda  que equivocada, aceita, inclusive, por boa parte da doutrina, como bem demonstra o Parecer do  Ilustre Dr. Ricardo Mariz de Oliveira.  Nesse  cenário,  considero  não  restar  caracterizada  a  ocorrência  de  fraude,  sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64) necessária à qualificação da multa  de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  Assim sendo, voto por reduzir a penalidade aplicada para 75%.  2.3 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMO  Para a Fiscalização, o empréstimo tomado por KORCULA perante terceiros  não era necessário, tanto para a aquisição das quotas do ATACADÃO, como para a operação  dessa última empresa.  Já  a  RECORRENTE  aduz  que  a  dedutibilidade  da  referida  despesa  é  evidente. Alega  que  o  empréstimo  tomado  com  terceiros  foi  imprescindível  à  aquisição  das  quotas do ATACADÃO por KORCULA. Nesse cenário, a despesa financeira em questão seria  necessária  à  operação  de  KORCULA,  e,  tendo  em  vista  a  incorporação  desta  pela  RECORRENTE,  tal  dedutibilidade  permanece  em  seu  patrimônio  em  face  da  sucessão  empresarial levada a efeito.  Alega ainda que a estrutura adotada para aquisição da totalidade do capital da  RECORRENTE – compra alavancada – corresponderia a prática conhecida no mercado, usual  e  normal  no  contexto  de  aquisições  de  empresas.  Não  haveria  dúvidas  de  que  as  despesas  financeiras  incorridas  por  ela  incorridas,  derivadas  de  empréstimo  tomado  para  efetuar  a  transação  em  exame  nesse  processo  administrativo,  são  consideradas  como  necessárias  e,  portanto,  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  IRPJ/CSL. A  possibilidade  de  a  RECORRENTE  deduzir essas despesas financeiras estaria prevista no artigo 17, parágrafo único, do Decreto­lei  1.598/77, e também o artigo 31 da Lei 11.727/08.  Fl. 17355DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     88 Além disso, haveria erro na interpretação dos fatos por parte da Fiscalização,  isso  porque,  ainda  que  a  dívida  original  tenha  sido  contratada  pela  KORCULA  com  parte  relacionada  no  exterior  (CARREFOUR BV),  no  final  da  operação  a  dívida  foi  tomada  com  terceiro  (o  BNP  Paribas).  No  momento  da  incorporação  de  KORCULA  ao  patrimônio  da  RECORRENTE, a dívida questionada pela autoridade fiscal (Korcula x Carrefour BV) já havia  sido  quitada,  de  forma  que  a  RECORRENTE  teria  assumido  diretamente  uma  dívida  com  terceiro não relacionado (o BNP Paribas).  A opção pelo empréstimo, ainda segundo a RECORRENTE, se deu porque o  Grupo Carrefour não deteria recursos disponíveis para investimento de longo prazo, tanto que,  no  período  a  que  se  refere  o  presente  lançamento,  o  empréstimo  já  havia  sido  quitado,  capitalizando  novamente  CARREFOUR  BV,  sendo  que  as  despesas  glosadas  advieram  justamente  de  novo  empréstimo  tomado  junto  a  terceiros  (e  utilizados  para  quitação  do  empréstimo original alcançado por CARREFOUR BV).  Alega ainda que caso fosse considerado que a dívida foi efetivamente tomada  face ao Carrefour BV, o que, a seu ver, não foi o que teria ocorrido, a dedução das despesas de  juros  incorridas  no  caso  em  exame  só  estariam  sujeitas  aos  limites  impostos  pelas  regras  de  preços  de  transferência  (Lei  nº  9.430/96),  regras  que  foram  plenamente  observadas  por  KORCULA  e  pela  RECORRENTE.  É  hipótese  regulada  de  forma  expressa  pela  legislação  tributária em vigor. Assim, se a operação foi completamente efetuada de acordo com as regras  que vigoravam à aquela época, não poderia a D. Fiscalização exigir ou obrigar que a Korcula  ou a Recorrente adotassem a prática que elas entendem que resultaria em maior pagamento de  tributo.  O primeiro ponto a ser observado é que, embora a autoridade fiscal aborde o  empréstimo  inicial de KORCULA junto à CARREFOUR BV, a glosa efetivamente realizada  se  deu  em  relação  às  despesas  financeiras  escrituras  pela  RECORRENTE  e  relativas  ao  empréstimo tomado junto a BNP Paribas.  De toda forma, entendo assistir razão à RECORRENTE.  Imaginemos que  a operação de  capitalização  tivesse ocorrido  integralmente  em  BREPA,  e  esta  adquirido  ATACADÃO,  sendo  BREPA  posteriormente  incorporada  por  ATACADÃO. As despesas em questão poderiam ser questionadas? A própria decisão recorrida  entende  que  não,  uma  vez  que  afirma  categoricamente  que  “Enquanto  a  dívida  era  responsabilidade da Korcula, cujo objeto social declarado era exclusivamente a participação  em outras sociedades, os eventuais encargos eram dedutíveis”.   Discordo  da  decisão  recorrida  justamente  a  partir  daí:  como  poderia  uma  despesa ser dedutível para determinada pessoa jurídica e, após essa ser incorporada por outra,  que  lhe  sucede  em  todos  os  direitos  e  obrigações,  as  mesmas  despesas  não  mais  serem  dedutíveis?  A meu ver, a teor do que dispõe o art. 374 do RIR/99, as despesas com juros  pagos  ou  incorridos  pelo  contribuinte  são  dedutíveis  como  custo  ou  despesa  operacional.  Vejamos a redação de tal dispositivo:  Fl. 17356DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.313          89 Art. 374.  Os  juros  pagos  ou  incorridos  pelo  contribuinte  são  dedutíveis,  como  custo  ou  despesa  operacional,  observadas  as  seguintes  normas  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único):  I ­ os  juros  pagos  antecipadamente,  os  descontos  de  títulos  de  crédito,  e  o  deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão  ser  apropriados, pro  rata  temporis, nos  períodos  de  apuração  a  que  competirem;  II ­ os  juros  de  empréstimos  contraídos  para  financiar  a  aquisição  ou  construção  de  bens  do  ativo  permanente,  incorridos  durante  as  fases  de  construção e pré­operacional, podem ser registrados no ativo diferido, para  serem amortizados. [grifo nosso]  Parágrafo único.  Não  serão  dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real,  os  juros,  pagos  ou  creditados  a  empresas  controladas  ou  coligadas,  domiciliadas  no  exterior,  relativos  a  empréstimos  contraídos,  quando,  no  balanço  da  coligada  ou  controlada,  constar  a  existência  de  lucros  não  disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de  1997, art. 1º, § 3º).  Obviamente,  não  se  pode  esquecer  que  continua  válida  a  norma  geral  de  dedutibilidade contida no art. 299 do RIR/99 no sentido de que as despesas são necessárias à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção  da  respectiva  fonte  produtora,  quando  pagas  ou  incorridas para a realização das transações exigidas pela atividade da empresa, e são usuais ou  normais no tipo de transação, operações ou atividades da empresa.  No Parecer anexo aos autos de lavra do Ilustre Dr. Ricardo Mariz de Oliveira,  consta, explicitamente, esse mesmo entendimento:  Dentre  as  normas  especiais  temos  a  contida  no  art.  17  do  Decreto­lei  n.  1598,  que  está  reproduzida  no  art.  374  do  RIR/99,  significando,  portanto,  que,  tais  despesas  estão  submetidas  à  norma  especial  que  lhes  reconhece  implicitamente  a  condição  de  necessárias,  e  as  afasta  da  cláusula  geral  contida  no  art.  299  do  atual  regulamento  em  virtude  do  preceito  normativo  e  de  hermenêutica  segundo  o  qual  a  norma  especial  afasta  a  geral.  Destarte,  a  única  situação  na  qual  a  despesa  financeira  pode  se  tornar  indedutível  é  aquela  em  os  recursos  correspondentes  ao  principal  da  operação  que  lhes  dá  origem  não  sejam  aplicados  para  a  produção  dos  lucros,  como,  de  resto,  ocorre  com  qualquer  despesa  objeto  de  norma  especial.  Realmente,  se  a  pessoa  jurídica  toma  empréstimo  e  repassa  o  valor  mutuado  a  outra pessoa, ao invés de utilizá­lo em seu empreendimento (sua empresa), não há  Fl. 17357DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     90 como justificar a dedução dos respectivos juros contra o seu lucro, para o qual o  empréstimo não contribuiu.   [...]  Nestes  casos,  há  uma  aproximação  da  situação  com  a  norma  geral  do  art.  299,  porque  esta  também  reflete  a mesma  essência  da  vinculação  das  despesas  com  a  produção  do  lucro,  por  serem  despesas  “necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção  da  respectiva  fonte  produtora”,  “pagas  ou  incorridas  para  a  realização  das  transações  exigidas  pela  atividade  da  empresa”,  e  “usuais  ou  normais no tipo de transação, operações ou atividades da empresa”.  Como diz a este respeito o Parecer Normativo CST n. 32/81, referindo­se ao  art. 47 da lei e ao seu correspondente regulamentar:  “4.  Segundo  o  conceito  legal  transcrito,  o  gasto  é  necessário  quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela  exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam  vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.”   Nesta  linha,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  apreciando  caso  de  despesas  financeiras  em  que  se  discutia  ter  ou  não  havido  repasse,  preceituou que “a despesa financeira é, em regra, uma despesa operacional,  salvo  quando  utilizado  o  recurso  para  fins  estranhos  à  atividade  fim”  (Acórdão n. 9101­00589, de 18.5.2010).  Retornando  ao  art.  374  do RIR/99,  especificamente  em  seu  inciso  II,  resta  evidente  que  os  juros  pagos  na  aquisição  de  investimentos  são  dedutíveis.  Ainda  que  tal  dispositivo  trate  da  necessidade  de  ativação  de  tais  despesas  financeiras  durante  a  fase  pré­ operacional da pessoa jurídica, fecha­se qualquer dúvida a respeito de sua dedutibilidade. Peço  vênia para novamente destacar a redação de tal dispositivo: os juros de empréstimos contraídos  para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as  fases  de  construção  e  pré­operacional,  podem  ser  registrados  no  ativo  diferido,  para  serem  amortizados. Ora,  caso  a  pessoa  jurídica  não  se  encontre  em  fase  pré­operacional,  como  no  caso de KORCULA, ou ainda BREPA se não houvesse a interposição da empresa veículo, não  há dúvidas que tais despesas são dedutíveis de imediato, exceto nas hipóteses em que a própria  legislação  impõe  limites  a  tal  dedutibilidade,  como no  caso  de  juros  pagos  a  controlador  no  exterior  (preço  de  transferência)  ou  subcapitalização,  matérias  sequer  questionadas  pela  autoridade lançadora.  Aliás,  a própria Receita Federal  reconhece  tais despesas  como operacionais  ainda que  relacionada a  financiamentos de ativos, Pareceres Normativos CST nº 127/73 e nº  26/79, como bem observa o Parecer anexo aos autos.  Corroborando  a  ideia  de  que  tais  despesas  seriam  dedutíveis  pela  holding  (quer  KORCULA,  quer  BREPA  se  assim  fosse  realizada  a  operação),  o  art.  31  da  Lei  nº  11.727/2008, assim dispõe:  Art.  31  ­  A  pessoa  jurídica  que  tenha  por  objeto  exclusivamente  a  gestão  de  participações  societárias  (holding)  poderá  diferir  o  Fl. 17358DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.314          91 reconhecimento  das  despesas  com  juros  e  encargos  financeiros  pagos  ou  incorridos  relativos  a  empréstimos  contraídos  para  financiamento de investimentos em sociedades controladas.  E, sendo a despesa dedutível pela holding, se esta vem a ser incorporada pela  investida, como, aliás, permite explicitamente o art. 8º, alínea “b”, da Lei nº 9.532/97 para fins  de amortização de ágio, a despesa antes dedutível assim permanecerá sendo na sucessora, por  força do disposto no caput do art. 227 da Lei nº 6.404/76:   Art.  227.  A  incorporação  é  a  operação  pela  qual  uma  ou  mais  sociedades  são  absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.  Importante  salientar  que  o  precedente  da  Câmara  Superior  citado  pela  autoridade  autuante  (Acórdão  9101­00.287)  não  se  amolda  perfeitamente  ao  caso  concreto,  uma vez que houve repasse dos recursos recebidos no mútuo. Nesse sentido, destaco passagem  do voto condutor do aresto:  Analisando,  então,  as  operações  sob  o  aspecto  formal,  é  possível  constatar  que,  em  ato  contínuo  à  contratação  do  empréstimo,  a  autuada repassou os recursos obtidos por meio de outro contrato à empresa  Albala S.A.  No  entanto,  se  emprestou,  como  dizer  que  precisava  dos  recursos?  O caso  concreto mais  se  amolda  ao decidido no Acórdão nº 1302­001.293,  cujo voto vencedor, na matéria, foi lavrado pelo E. Conselheiro Waldir Veiga Rocha, negando  provimento ao recurso de ofício na matéria. Destaco o seguinte excerto do voto condutor:  Acrescento que o conjunto de fatos questionados pelo Fisco  se,  por  um  lado,  conduzem  à  indedutibilidade  do  ágio,  pelos  motivos  já  ventilados,  devem  também  conduzir  à  conclusão  de  que  os  encargos  financeiros  decorrentes  dos  empréstimos  eram  necessários  à  atividade  da  empresa, visto que este foi o modo encontrado para honrar acordo firmado  em momento anterior. Considero irrelevante que os empréstimos não tenham  sido  contraídos  diretamente  pela  Itiquira  e  que,  no  caso  concreto,  tenham  sido contraídos pela incorporada São Pedro, passando a seguir ao domínio  da  incorporadora  Itiquira. Em qualquer caso,  tenho que sua necessidade  é  incontestável.   Quanto  aos  aspectos  de  normalidade  e  usualidade,  se  a  empresa  não  dispunha  de  recursos  próprios,  nada  mais  normal  do  que  recorrer ao mercado financeiro para obter os recursos para honrar o acordo  de acionistas, tendo que arcar com os ônus daí decorrentes.  Por fim, como o empréstimo tomado junto à BNP Paribas justamente serviu  para quitação do mútuo original entre CARREFOUR BV e KORCULA, a meu ver, corrobora o  Fl. 17359DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     92 argumento da RECORRENTE de que CARREFOUR BV não poderia ter utilizado tal parcela  também  para  aumento  de  capital  em BREPA,  ou mesmo  em KORCULA,  em  razão  de  não  poder  abrir  de  tais  recursos  financeiros  a  longo  prazo.  A  quitação  do  empréstimo  original,  repito,  fornece  elementos  mais  concretos  de  que  CARREFOUR  BV  poderia  até  fornecer  recursos financeiros para sua holding no Brasil adquirir ATACADÃO, mas somente uma parte  em caráter permanente (via aumento de capital), sendo o restante realizado por meio de mútuo  em razão da necessidade de utilização de tais recursos em prazo mais curto, não se coadunando  com aumento de capital para,  logo em seguida, diminuí­lo para devolução à controladora no  exterior.  Saliento  ainda  que  a  novel  legislação  que  trata  da  subcapitalização  (thin  capitalization),  somente  vem  corroborar  que,  em  princípio,  as  despesas  de  mútuo  entre  controladora  situada  no  exterior  e  controlada  no Brasil  são  dedutíveis,  somente  limitando­se  sua  dedutibilidade  a  determinados  patamares.  No mesmo  sentido,  a  legislação  de  preços  de  transferência também impõe limites a tal dedutibilidade, confirmando a tese de que, em regra,  tais  dispêndios  são  dedutíveis.  Contudo,  conforme  já  explanado,  não  foi  esse  o  caminho  seguido pela autoridade fiscal, que preferiu glosar  integralmente  tais despesas, a meu ver, de  forma incorreta.  Isso  posto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  para  cancelar  a  exigência  referente a glosa de despesas financeiras.  2.4  COMPENSAÇÕES  INDEVIDAS  ­  INSUFICIÊNCIA  DE  SALDOS  DE  PREJUÍZO  FISCAL E DE BASE NEGATIVA DE CSLL  Em razão das compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL  realizadas de ofício e em prol do contribuinte no momento do lançamento, houve apuração de  insuficiência de saldos já compensados pela Recorrente em outros períodos.  Em  relação  à  insuficiência  de  saldo  de prejuízos  fiscais,  essa  foi  a base  de  cálculo do lançamento:    No tocante à base de cálculo da infração relativa à insuficiência de saldo de  base negativa de CSLL, esses são os valores constantes no auto de infração:       Ocorre  que,  com  o  restabelecimento  da  dedutibilidade  das  despesas  financeiras a que se refere o item precedente deste voto (2.3), há de se restabelecer também os  Fl. 17360DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.315          93 saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL que haviam sido compensados de ofício por  ocasião do lançamento.  O  valor  das  despesas  financeiras  glosadas  pela  autoridade  fiscal  autuante  e  restabelecidas neste julgado são esses:     Conforme  se  observa,  os  valores  de  despesas  restabelecidas,  em  quaisquer  dos períodos de apuração em questão, são substancialmente superiores aos que deram ensejo ao  lançamento por insuficiência de saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL.  Por conseguinte, como decorrência do restabelecimento da dedutibilidade de  tais  despesas  financeiras,  voto  por  cancelar  também  a  infração  referente  à  insuficiência  de  saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL (item XI.4 do Termo de Verificação Fiscal –  fls. 15528­15529).    2.5 DESPESAS COM O PAGAMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO  A autoridade lançadora constatou que o JCP pago a Brepa e Carrefour foram  realizados em percentuais trocados: Brepa, que detinha 98,91% do capital, recebeu 1,09% dos  juros sobre o capital próprio, e o Carrefour, que possuía 1,09% do capital, recebeu 98,91% dos  juros sobre o capital próprio.  Como  os  juros  sobre  capital  próprios  não  despesas  incorridas  ao  natural,  entendo que, para sua dedutibilidade, faz­se necessário o preenchimento de todos os requisitos  legais exigidos para tanto.  Por  conseguinte,  os  valores  pagos  em  descompasso  com  a  legislação  não  podem ser considerados  despesas  com  juros  sobre  capital  próprio. Logo,  tornam­se despesas  indedutíveis.  Nesse  cenário,  perfeitas  as  considerações  da  decisão  recorrida,  cujos  fundamentos adoto como razão de decidir:  A terceira infração imputada pelos autuantes é descrita como efetuar  o  pagamento  de  juros  sobre  capital  próprio  em  percentuais  invertidos  em  relação  à  participação  societária  e  por  um  valor  superior  ao  correto,  em  decorrência  da  aquisição  do  Atacadão  ter  passado  por  uma  empresa  veículo.  A  Brepa,  que  detém  98,91% do capital, recebeu 1,09% dos juros sobre o capital próprio, e o Carrefour, que  detém 1,09% do capital, recebeu 98,91% dos juros sobre o capital próprio.  Fl. 17361DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     94 Segundo a impugnante, a irregularidade apontada pelo fisco não tem  nenhum  efeito  prático,  pois  se  o  pagamento  dos  juros  tivesse  sido  feito  de  forma  proporcional ao capital social, os valores que seriam dedutíveis pela sociedade seriam  exatamente os mesmos.  No  entanto,  o  argumento  da  impugnante  contém  um  sofisma  e  por  isso  sua conclusão não  pode  ser aceita. Esse  sofisma consiste  em desprezar a  forma  como se dá a tributação dos juros pelas pessoas físicas ou jurídicas que forem as suas  beneficiárias. Conforme já demonstrado alhures neste voto, juro sobre capital próprio  é  uma  contradição  terminológica,  pois  os  sócios  ou  acionistas  de  uma  sociedade  na  realidade  não  recebem  juros  pelo  capital  nela  investido.  A  constituição  de  uma  sociedade  empresarial  é  uma  iniciativa  de  risco,  e  a  remuneração  do  montante  investido  dá­se  sob  a  forma  de  distribuição  de  lucros  ou  dividendos,  quando  o  empreendimento é bem sucedido.   Portanto,  os  juros  sobre  capital  próprio  são  uma  ficção  legal,  introduzida com o objetivo de incentivar as empresas a tomar capital de seus próprios  acionistas ou sócios,  especialmente quando esses  forem pessoas  físicas, em vez de  se  endividar  perante  terceiros.  Paralelamente,  também  estimula­se  a  ampliação  do  mercado de capitais de risco no Brasil, seja pelo ingresso de novos investidores, seja  pela  conversão  em  ações  ou  participações  no  capital  de  empresas  de  aplicações  em  ativos  de  renda  fixa,  pois  os  juros  sobre  o  capital  próprio,  quando  pagos  a  pessoas  físicas, se sujeitam a carga tributária similar àquela que sofrem as demais aplicações  financeiras de renda fixa de longo prazo.   O  incentivo  fiscal  opera­se  pelo  seguinte  mecanismo:  à  pessoa  jurídica que paga os juros, permite­se deduzi­los como despesas, de sorte que sobre seu  montante  deixa  de  incidir  a  tributação  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Por  outro  lado,  o  beneficiário sofre a retenção na fonte à alíquota de 15%. Essa alíquota é menor do que  a  soma  da  incidência  de  conjunta  do  IRPJ  e  da  CSLL,  e  o  benefício  fiscal  resulta  exatamente dessa diferença. Se, em vez dos juros sobre o capital próprio, o acionista  ou  sócio  recebesse  apenas  participação  nos  lucros  ou  dividendos,  o  montante  disponível para distribuição seria menor, pois o lucro distribuível é o que restar após a  incidência  do  IRPJ  e  da  CSLL.Se  o  beneficiário  é  pessoa  física,  a  tributação  é  definitiva e o montante recebido não é computado na declaração de ajuste anual. Se o  beneficiário  é  pessoa  jurídica,  o  montante  recebido  deverá  ser  computado  na  determinação  do  resultado  tributável,  e  o  imposto  retido  poderá  ser  deduzido  na  declaração  de  ajuste  anual.  No  entanto,  a  pessoa  jurídica  beneficiária,  por  sua  vez,  poderá  também  optar  por  distribuir  juros  sobre  capital  próprio,  de  modo  que  a  redução da tributação também se observará no seu caso, desde que os seus sócios ou  acionistas sejam pessoas físicas.  Por  conseguinte,  o  mecanismo  do  benefício  fiscal  implica  a  transferência  da  tributação  sobre  os  lucros  da  pessoa  jurídica  que  os  gerou  para  a  figura do investidor final pessoa física, em posse do qual sofre uma incidência menor  que a que sofreria caso lhe fossem distribuídos esses lucros sob a forma de dividendos  ou de participação nos resultados. Daí se segue também que, para que sejam aferidos  todos  os  efeitos  tributários  do  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  é  imprescindível levar em conta também sua forma de tributação nas pessoas físicas ou  jurídicas  que  forem  seus  beneficiários,  e  não  apenas  suas  conseqüências  na  pessoa  jurídica que os distribuir.  Fl. 17362DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.316          95 Pois bem, os autuantes desvendam as causas da proporção inusitada  que a autuada adotou na distribuição dos juros, ao demonstrar que enquanto a Brepa  teria  um  resultado  tributável  positivo  com  o  recebimento  de  juros  sobre  o  capital  próprio  no montante  que  lhe  corresponde,  o Carrefour  pôde  absorver  essa  receita  e  permanecer  com  o  resultado  negativo.  Veja­se  o  Lucro Real  declarado  pelas  sócias,  considerando a receita de JCP:  DIPJ / Ano­calendário  Lucro Real (R$) BREPA  Lucro Real (R$) CARREFOUR  2010/2009  2011/2010  2012/2011  539.321.979,15  ­613.111,78  ­1.360.273,82  220.620,74  ­378.514.320,22  ­198.903.749,12  Portanto,  o  procedimento  da  autuada  teve  o  efeito  de  reduzir  indevidamente a tributação total do lucro por ela gerado não na forma pretendida pelo  legislador, mas  simplesmente manipulando  a  proporção  dos  juros  que  é  destinada  a  cada um de seus sócios. Se tivessem sido pagos de acordo com a participação de cada  sócio no capital, a tributação nos beneficiários seria maior. Uma vez que a maior parte  dos  juros foi paga ao sócio deficitário, praticamente não houve  transferência alguma  da  tributação,  visto  que  quase  todo  o  montante  relativo  aos  juros  deixou  de  ser  tributado na pessoa jurídica que os pagou e tampouco o foi na que os recebeu. Com a  manobra,  a  autuada  e  os  seus  sócios  obtiveram  ilicitamente  uma  vantagem  fiscal  superior àquela prevista na legislação.   A impugnante argumenta ainda que o artigo 1.007 do Código Civil de  2002 dispõe que os sócios podem optar pela distribuição desproporcional de lucros, tal  como  passou  a  prever,  desde  dezembro  de  2009,  o  artigo  9º  do  contrato  social  da  autuada.   Contudo,  ainda  que  a  distribuição  desproporcional  dos  lucros  seja  facultada pela lei, ela não é a regra geral disposta no próprio artigo 1.007, do Código  Civil,  segundo o qual,  salvo estipulação em contrário, o  sócio participa dos  lucros  e  das  perdas,  na  proporção  das  respectivas  quotas.  Assim,  somente  por  meio  de  uma  convenção  entre  particulares  é  que  se  permite  que  seja  derrogada  a  regra  geral,  legalmente estabelecida. Tem esse caráter a mudança efetuada no estatuto da autuada.  Essa  mudança,  porém,  não  pode  ter  como  conseqüência,  no  que  concerne  aos  contribuintes, a alteração da incidência do IRRF sobre os juros pagos sobre o capital  próprio, uma vez que o artigo 123 do CTN estabelece que as convenções particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda Pública,  para modificar  a definição  legal do  sujeito passivo das obrigações  tributárias  correspondentes.  Embora  no  presente  caso  a  fonte  pagadora  tenha  permanecido a mesma, isto é, a autuada, na incidência em causa ela atua apenas como  responsável,  enquanto  os  contribuintes  de  fato  são  os  beneficiários  do  pagamento.  Recorde­se que a definição de sujeito passivo da obrigação tributária dada pelo artigo  121  também  do  CTN  compreende  tanto  o  responsável  como  o  contribuinte.  Ao  distribuir desproporcionalmente os  lucros,  sem  levar  em conta a participação efetiva  de  cada  sócio  no  capital  social,  a  autuada  modificou  indevidamente  os  sujeitos  passivos  legalmente  definidos,  já  que  atribuiu  a  um  deles  rendimento  tributável  superior a que lhe cabia e ao outro menos, e assim promoveu a inversão dos sujeitos  passivos no concernente a quanto cada um poderia sofrer de incidência do tributo.   Se  os  beneficiários  fossem  pessoas  físicas,  não  haveria  maiores  conseqüências,  visto  que  a  incidência  na  fonte  seria  definitiva  e  homogênea,  isto  é,  Fl. 17363DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     96 nada  mais  seria  exigível  além  dos  15%  já  retidos,  nem  os  contribuintes  de  fato  poderiam futuramente, na declaração de ajuste anual, reivindicar qualquer redução ou  restituição do total retido. No entanto, em se tratando de pessoa jurídica, a incidência  na fonte é apenas antecipação e o montante do tributo efetivamente devido depende dos  demais  resultados  tributáveis  de  cada  beneficiário.  Assim,  em  virtude  dessa  peculiaridade (a tributação na fonte não ser definitiva no caso de beneficiário pessoas  jurídica), ainda com mais razão não se admite que convenções particulares alterem os  sujeitos passivos legalmente definidos.  Ainda que se entendesse que o artigo 123 do CTN não se aplique ao  caso  ora  em  discussão,  nem  assim  o  procedimento  da  autuada  seria  legítimo,  em  virtude de outra norma do CTN. É que, como se trata de benefício fiscal que implica  exclusão parcial do crédito tributário, as regras relativas à tributação dos juros sobre  o  capital  próprio  devem  ser  interpretadas  literalmente,  nos  termos  do  artigo  111  do  CTN.  Não  se  admite,  pois,  interpretação  extensiva.  Pois  bem,  o  artigo  9º  da  Lei  nº  9.249, de 1995, dispõe textualmente que a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos  da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular,  sócios ou acionistas, a  título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as  contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de  Longo Prazo.   Aplicando­se a determinação do CTN ao disposto no artigo 9º da Lei  nº  9.249,  de  1995,  conclui­se  que  a  tributação  favorecida  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  somente  é  conferida aos  pagamentos ou  créditos  efetuados de acordo com a  participação  de  cada  sócio  ou  acionista  no  capital  social,  visto  que  a  lei  fala  em  pagamento  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio.  Ora,  se  os  juros  são  pagos  ou  creditados  individualizadamente e a título de remuneração do capital próprio, é incontestável que  deve ser levada em conta rigorosamente a participação de cada sócio ou acionista, do  contrário,  não  se  está  remunerando  individualmente  cada  sócio  em  virtude  de  sua  contribuição específica na formação do capital da sociedade.   Além  disso,  a  prática  adotada  pela  impugnante  é  incompatível  com  um dos objetivos almejados  pelo  legislador  ao  instituir o benefício  fiscal,  que é o de  estimular  as  pessoas  físicas  a  aumentar  o  investimento  em  ações  ou  em  quotas  de  capital  e  assim,  indiretamente,  impulsionar  o  crescimento  econômico.  A  intenção  do  legislador  é  que  as  empresas  passem  a  contar  com  uma  fonte  de  capital  de  custo  inferior ao dos empréstimos e financiamentos, pois em vez de credores, ganham novos  sócios  ou  acionistas  (ou  injeção  de mais  recursos,  por  parte  dos  sócios  e  acionistas  antigos), dispostos a correr os riscos do empreendimento. Se os juros, porém, não são  pagos individualmente a cada investidor na proporção de sua participação no capital,  eles  não  se  sentirão  estimulados  a  investir  novos  recursos  na  empresa,  e  preferirão  continuar com seus investimentos em ativos de renda fixa.   Convém  ressaltar  que  a  impugnante  não  esclarece  os  motivos  que  levaram  a  autuada  a  inverter  a  proporção  no  pagamento  dos  juros  sobre  o  capital  próprio.  Isto  é,  não  se  sabe  a  que  título  os  pagamentos  em  causa  foram  realizados.  Certamente,  na  forma  realizada,  não  foram  realizados  a  título  de  remuneração  do  capital próprio.  Não  sem  razão,  invocando  a  Deliberação  CVM  nº  207,  de  1996,  e  fazendo  citações  doutrinárias,  a  impugnante  argumenta  que  o  pagamento  de  juros  sobre o  capital,  em vez de configurar  despesa ou  custo,  tem mais  verdadeiramente o  Fl. 17364DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.317          97 efeito de destinação do lucro, de sorte que se equipararia à distribuição de dividendos.  Corrobora esse entendimento o disposto no § 7º do artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995,  segundo  o  qual,  os  juros  pagos  ou  creditados  pela  pessoa  jurídica,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  poderão  ser  imputados  ao  valor  dos  dividendos  de  que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 1976.  Todavia, da classificação doutrinária da natureza dos  juros sobre o  capital próprio como destinação do lucro não se extraem as conseqüências tributárias  pretendidas pela impugnante. Conforme explanado nos parágrafos precedentes, trata­ se de uma  ficção  legal,  cujo objetivo  é,  por meio de um  incentivo  fiscal,  promover a  captação  de  recursos  das  empresas  diretamente  de  investidores  no  seu  empreendimento, em vez de contrair empréstimos com terceiros. Como também se trata  de  um  benefício  fiscal,  só  fazem  jus  a  ele  os  contribuintes  que  cumprirem  rigorosamente  as  disposições  legais.  Visto  que  a  lei  estabelece  que  o  pagamento  ou  crédito  dos  juros  se  deve  fazer  individualizadamente  e  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  não  se enquadram como  tal  nem  se  credenciam ao  tratamento  fiscal  favorecido aqueles pagamentos que não se fazem de acordo com a participação efetiva  de cada sócio ou acionista no capital social.  Nos  termos do artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995, o valor dos  juros  sobre  o  capital  próprio  é  calculado  tomando­se  como ponto  de partida as  contas  do  patrimônio  líquido.  Como  conseqüência  da  incorporação  da  empresa  veículo,  o  Atacadão  teve  um  aumento do seu capital social, que passou a ser parte da base de cálculo para os juros  sobre  capital  próprio.  O  aumento  de  capital  social  no  Atacadão  por  ocasião  da  incorporação  da  Korcula  foi  de  R$  675.238.682,84,  correspondentes  ao  seu  ativo  líquido. Conforme observa os autuantes,  se a operação  tivesse ocorrido  diretamente,  sem  o  uso  de  empresa  veículo,  o  ágio  não  poderia  estar  sendo  amortizado  pelo  Atacadão,  e  o  seu  capital  social  também  não  teria  sido  aumentado  em  R$  675.238.682,84. Logo, o valor dos juros sobre o capital próprio que poderia ser pago  ou creditado com o benefício fiscal em questão autuada seria significativamente menor.  Já  que  consideraram  inválidos  os  efeitos  tributários  da  participação  da  Korcula  na  operação  de  aquisição  do  Atacadão  pelo  grupo Carrefour,  os  autuantes  refizeram  o  cálculo dos juros passíveis de destinação para determinar o seu valor caso não tivesse  havido  a  incorporação  da  Korcula  e  demonstraram  que,  mesmo  que  tivesse  sido  observada  a  real  participação  de  cada  sócio  no  capital,  haveria  montante  a  ser  glosado. Esse montante é discriminado na tabela adiante.  Ano­calendário  Valor JCP pago  Valor JCP dedutível  Valor que seria glosado  2009  30.186.796,18  21.424.046,40  8.762.749,78  2010  85.419.779,39  44.845.924,32  40.573.855,07  2011  104.467.725,99  63.880.743,28  40.586.982,71  A impugnante opõe­se à recomposição do valor do patrimônio líquido  pela  fiscalização,  não  questionando  os  números  apurados  pela  fiscalização,  mas  sustentando que  a  incorporação da Korcula  ao  patrimônio  da  autuada,  bem  como a  geração do ágio pago e  reconhecido pela Korcula no momento da aquisição,  teriam  preenchido todos os requisitos estabelecidos na legislação societária e fiscal.   Contudo, a objeção da impugnante não pode ser acatada. Conforme  explanado na subseção deste voto em que se analisou a glosa da amortização do ágio,  as exigências fiscais devem ser julgadas procedentes, visto que, em virtude de as partes  Fl. 17365DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     98 envolvidas terem recorrido ao artifício de empregar na operação uma empresa veículo  sem propósito negocial e sem substância econômica, não houve a efetiva junção numa  só entidade do patrimônio que pagou pelo ágio e do patrimônio em função do qual o  ágio foi pago, o que viola uma dos requisitos indispensáveis estabelecidos no artigo 7º  da  Lei  nº  9.532,  de  1997.  Uma  vez  que  tal  incorporação  foi  forjada,  todos  os  seus  efeitos  tributários  devem  ser  rejeitados,  e  não  apenas  a  dedução  da  amortização  do  ágio.  Daí  se  segue  que  não  merece  reparo  o  recálculo  feito  pela  fiscalização  do  patrimônio líquido da autuada e dos valores que ela poderia legitimamente distribuir a  título de juros sobre o capital próprio.   Ressalve­se, não obstante, que esse recálculo é feito pelos autuantes  apenas  para  se  prevenir  da  eventualidade  de  que  se  viesse  a  entender  que  seria  permitido  adotar  o  critério  empregado  pela  autuada  na  atribuição  a  cada  sócio  dos  juros  sobre  o  capital  próprio.  Quanto  ao  valor  do  crédito  tributário  efetivamente  constituído mediante o lançamento de ofício, o recálculo não  teve nele nenhum efeito  concreto, pois a glosa efetuada em virtude da distribuição desproporcional é maior que  a glosa que poderia ser efetuada em virtude da recomposição do valor do patrimônio  líquido.  Ocorre  que  a  primeira  glosa  absorve  inteiramente  a  primeira,  visto  que  foi  glosado  o  montante  distribuído  em  excesso  para  o  sócio  de  menor  participação,  ao  passo  que  o  montante  distribuído  ao  sócio  com maior  participação,  somado  ao  que  legitimamente poderia ser distribuído ao outro sócio, não excede ao total que poderia  ser distribuído levando­se em conta o valor do patrimônio líquido reconstituído.   Conseguintemente,  cumpre  rejeitar  as  arguições  da  impugnante  e  manter integralmente as exigências fiscais relativas à matéria discutida nesta subseção  do voto.  Há de ressaltar ainda que o argumento de que o JCP possui a mesma natureza  que  a  distribuição  de  lucros  não  pode  prevalecer.  Primeiro,  porque  decorrem  de  efeitos  distintos: enquanto o JCP remunera o capital dos sócios com base em índices  financeiros, os  lucros decorrem do resultado dos próprios negócios. Além disso, enquanto o JCP, em tese, é  dedutível na apuração do lucro real, a distribuição de lucros não afeta o resultado tributável do  período.  2.6 DA MULTA ISOLADA  Em  razão  da  glosa  de  despesas,  a Recorrente  deixou  de  recolher  valores  a  título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas.  Há  de  separar  a  exigência  em  dois  períodos  distintos  em  razão  da  nova  redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº  351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato.  Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa  de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada  súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96,  conforme  se  observa  do  enunciado  nº  105  da  Súmula CARF:  "A multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo  da  multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício."   Considerando­se que a Medida Provisória nº 351/2007 ­ que em seu art. 14  deu nova  redação ao  art.  44 da  lei  nº 9.430/1996 –  foi  editada  em 22 de  janeiro de 2007  (e  Fl. 17366DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.318          99 posteriormente  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007),  as  multas  isoladas  cujos  recolhimentos  deveriam  ter  sido  realizados  antes  de  tal  data  devem  ser  exoneradas.  Assim  sendo,  como  o  vencimento  para  pagamento  da  estimativa  é  o  último  dia  útil  do  mês  subsequente,  deve­se  exonerar  as  multas  isoladas  relativas  às  estimativas  referentes  ao  período  de  janeiro  a  novembro de 2006, já que a estimativa referente ao mês de dezembro de 2007 deveria ter sido  recolhida até o dia 31/01/2007, quando já vigia a nova redação do dispositivo legal em questão.  No  caso  concreto,  contudo,  o  lançamento  diz  respeito  a  fatos  geradores  ocorridos a partir de janeiro de 2008, quando já vigia a nova redação do dispositivo legal em  questão.  Com  a  edição  da  Medida  Provisória  nº  351/2007  em  22/01/2007,  posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL  passou  a  ter  novo  regramento,  não  se  aplicando,  portanto,  a  Súmula CARF nº 105. Confira­se a nova redação do dispositivo em questão:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  [....]  As  multas  exigidas  juntamente  com  o  tributo  ou  isoladamente,  como  definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculam­se a infrações de natureza distinta. A  Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro  de  1997,  a  apuração  do  lucro  real  trimestral.  Apenas  por  exceção  a  pessoa  jurídica  poderia  optar  pela  apuração  do  lucro  real  anual,  situação  em  que  fica  obrigada  a  efetuar  os  recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º).  As  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  devidos  mensalmente  são  determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro  de  1995,  de  acordo  com  as  atividades  desenvolvidas pela pessoa jurídica.   Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente  duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”,  “I...II”):  uma,  exigida  juntamente  com  o  tributo  faltante,  nas  hipóteses  de  “de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata”.  Essa  penalidade  está  valorada  em  75%  “sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  Fl. 17367DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     100 contribuição”;  outra,  exigida  de  forma  isolada,  no  percentual  de  50%,  na  hipótese  da  falta  recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL.   É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título  de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a  apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada ano­calendário. Esse o  motivo  pelo  qual  a  penalidade  pelo  inadimplemento  dessa  obrigação  é  denominada  multa  isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não  tributo devido ao  final do período de apuração. E  também não há qualquer correlação entre o valor do  tributo  devido  ao  final  de  apuração  e  a multa  isolada:  sua  base  de  cálculo  é  o  valor  do  pagamento  mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido.  Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e  autônomas.  Isso  decorre,  acima  de  tudo,  das  evidentes  diferenças  que  existem  entre  as  hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas.  No  IRPJ  e  na  CSLL,  observamos  que  os  critérios material  e  temporal  são  completamente  distintos.  O  tributo  não  pago,  decorrente  da  existência  de  lucro  apurado  trimestralmente ou anualmente, submete­se à multa do  inciso  I do art. 44 da Lei nº 9.430 de  1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal  ou balanços de redução, submete­se à multa do inciso II do dispositivo antes citado.   No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma  por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral  passível de qualificação e agravamento ­ §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”,  do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da  receita  bruta  ou  resultados  mensais,  fazendo  incidir  o  percentual  de  50%  (regra  geral  não  passível de qualificação ou agravamento).  Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem,  em diferentes graus, ilicitudes diversas.   Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada  no auto de infração, viola o princípio da  legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicá­la  após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%.  Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese.  Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos.  Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência  de  recolhimento  de  estimativas mensais  está  prevista  no  art.  44,  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  não  havendo  que  se  falar  em  ofensa  ao  princípio  da  legalidade.  Nesse  sentido,  também,  não  há  ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei.   Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do  exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que  prevê,  de  forma  expressa,  a  aplicação  da  penalidade  isolada  “ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no  ano­calendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  negativa  de  CSLL,  pressupõe­se,  por  óbvio,  que  o  exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do  exercício.   Fl. 17368DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.319          101 Pode­se concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o  fluxo  financeiro  advindo  do  pagamento mensal  das  estimativas.  Ora,  inexistindo  penalidade  pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o  tributo, e o  pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da  norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável.  Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frise­se que se baseiam  na  redação  anterior  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96.  Em  que  pese  minha  particular  discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão,  não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada  ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos.  Ao  se  comparar  a  alteração  da  redação  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  constata­se que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF,  mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de  Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas  sobre  a  totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in  idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão  CSRF  01­05503  ­  101­134520).  Na  nova  redação  do  citado  artigo,  o  caput  não  mais  faz  referência  à  diferença  de  tributo  (“Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de  75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora  é  tratada em dispositivo específico (inciso  II), com multa em percentual distinto da multa de  ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vê­se, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em  percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de  estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido.  Assim sendo, concluo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que  aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento  de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de  penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda  aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a  aplicação concomitante das penalidades em comento.  Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas.    2.7 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício  seria ilegal.  Observa­se,  inicialmente, que a questão  tem sido objeto  intenso debate pela  Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos  opostos,  ambos  decididos  por  maioria  apertada  de  votos,  como  se  verifica  dos  acórdãos  n°  9101­00539, de 11/03/2010, e n° 9101­00.722, de 08/11/2010.  Abstraindo­se  de  argumentos  finalísticos,  como  o  enriquecimento  ilícito  do  Estado, os quais  fogem à alçada deste  tribunal administrativo, conforme determina a Súmula  Fl. 17369DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     102 CARF n° 2, expõe­se os  fundamentos considerados suficientes para  justificar a cobrança nos  presentes  autos,  com  espelho  no  acórdão  n°  9101­00539,  de  11/03/2010,  de  lavra  da  Conselheira Viviane Vidal Wagner:  O  conceito  de  crédito  tributário,  nos  termos  do  art.  139  do  CTN,  comporta  tanto tributo quanto penalidade pecuniária.  Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96,  que  regula  os  acréscimos moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses débitos a multa de ofício.  Contudo,  uma  norma  não  deve  ser  interpretada  isoladamente,  especialmente  dentro do sistema tributário nacional.  No  dizer  do  jurista  Juarez  Freitas  (2002,  p.70),  "interpretar  uma  norma  é  interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente,  uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do  seu raciocínio:  "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação  sistemática,  quando  entendida  em  profundidade,  o  processo  hermenêutico  por  excelência,  de  tal  maneira  que  ou  se  compreendem  os  enunciados  prescritivos  nos  plexos  dos  demais  enunciados  ou  não  se  alcançará  compreendê­los  sem  perdas  substanciais.  Nesta  medida,  mister  afirmar,  com  os  devidos  temperamentos,  que  a  interpretação  jurídica  é  sistemática  ou  não  é  interpretação." (A interpretação sistemática do  direito,  3.ed.  São  Paulo:  Malheiros,  2002,  p.  74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa  que  resulte  logicamente contraditória com alguma norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual  deve  incidir  os  juros  de  mora,  ao  dispor  que  o  crédito  tributário  não  pago  integralmente  no  seu  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  independentemente dos motivos do inadimplemento.  Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário  há de ser uniforme.  De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito  tributário "é o vínculo  jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o  Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou  responsável  (sujeito passivo),  o pagamento do  tributo ou da penalidade pecuniária  (objeto  da relação obrigacional)."  A  obrigação  tributária  principal  referente  à  multa  de  ofício,  a  partir  do  lançamento, converte­se em crédito tributário, consoante previsão do art. 113,  §1°, do CTN:  Fl. 17370DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.320          103 Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1°  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento de tributo ou penalidade pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  tributário dela decorrente. (destacou­se)  A obrigação principal  surge,  assim,  com a ocorrência do  fato gerador  e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional.  A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida  "juntamente  com  o  imposto,  quando  não  houver  sido  anteriormente  pago''"  (§1°).  Assim,  no  momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a  multa  de  ofício,  tornando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.    A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício,  tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza  indenizatória, ,  compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de  direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre  a multa isolada.  Eventual  alegação  de  incompatibilidade  entre  os  institutos  é  de  ser  afastada  pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros  de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da  Lei  n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.  O  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e contribuições,  alcança os débitos em geral  relacionados  com esses  tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento,  dizia  então,  reforçado  pelo  fato  de  o  art.  43  da  mesma  lei  prescrever  expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente.  Nesse  sentido,  o  disposto  no  §3°  do  art.  950  do Regulamento  do  Imposto  de  Renda  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99)  exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96  poderia  ser  aplicada  concomitantemente  com  a  multa de ofício.  Art.950.  Os  débitos  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica  serão  acrescidos de multa de mora, calculada à  taxa  Fl. 17371DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     104 de trinta e três centésimos por cento por dia de  atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61).  §1°A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada a partir do primeiro dia subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento do imposto até o dia em que ocorrer  o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61,  §1°).  §2°O percentual de multa a ser aplicado fica  limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996,  art. 61, §2°).  §3°A multa  de mora  prevista  neste  artigo  não  será  aplicada  quando  o  valor  do  imposto  já  tenha  servido  de  base  para  a  aplicação  da  multa decorrente de lançamento de ofício.  A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante  do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser  acrescido  dos  juros  de  mora  devidos  em  razão  do  atraso  da  entrada  dos  recursos nos cofres da União.  No mesmo  sentido  já  se manifestou  a Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  quando  do  julgamento  do  Acórdão  n°  CSRF/04­00.651,  julgado  em  18/09/2007, com a seguinte ementa:    JUROS  DE  MORA  ­  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  OBRIGAÇÃO  PRINICIPAL  ­  A  obrigação  tributária principal surge com a ocorrência do  fato  gerador  e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento,  incluindo  a  multa  de  ofício  proporcional.  O  crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem  incidir  os  juros  de  mora  à  taxa  Selic.  Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."  Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca­se  na  legislação  ordinária  a  norma  complementar  que  preveja  a  correção  dos  débitos para com a União.  Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem­se a taxa Selic, instituída pela Lei  n° 9.065, de 1995.  No  âmbito  do  Poder  Judiciário,  a  jurisprudência  é  forte  no  sentido  da  aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê  no exemplo abaixo:  REsp  1098052  /  SP  RECURSO  ESPECIAL2008/0239572­8 Relator(a) Ministro  Fl. 17372DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.321          105 CASTRO MEIRA  (1125) Órgão  Julgador  T2  ­  SEGUNDA  TURMA  Data  do  Julgamento  04/12/2008  Data  da  Publicação/Fonte  DJe  19/12/2008  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  OMISSÃO.  NÃO­OCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.    DESNECESSIDADE.  TAXA SELIC. LEGALIDADE.  1.  É  infundada  a  alegação  de  nulidade  por  maltrato  ao  art.  535  do  Código  de  Processo  Civil,  quanto  o  recorrente  busca  tão­somente  rediscutir as razões do julgado.  2.  Em  se  tratando  de  tributos  lançados  por  homologação,  ocorrendo  a  declaração  do  contribuinte e na falta de pagamento da exação  no  vencimento,  a  inscrição  em  dívida  ativa  independe de procedimento administrativo.  3.  É legítima a utilização da taxa SELIC como  índice  de  correção  monetária  e  de  juros  de  mora,  na  atualização  dos  créditos  tributários  (Precedentes:  AgRg  nos  EREsp  579.565/SC,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJU  de  11.09.06  e  AgRg  nos  EREsp  831.564/RS,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon, DJU de 12.02.07).  No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  foi  pacificada  com  a  edição  da  Súmula  CARF  n°  4,  de  observância  obrigatória  pelo  colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes  termos:    Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC para títulos federais.    No que se  refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996,  sustentam alguns  que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros  sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95.  O mencionado Parecer, ainda que conclua pela  incidência dos  juros  sobre a  multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifesta­se nos  termos  dessa  tese.  Entretanto,  constata­se  que  o  referido  Ato  Administrativo  não  levou  em  consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o §  8º  ao  art.  84,  da  Lei  8.981/95,  e  que  estendeu  os  efeitos  do  disposto  no  caput  aos  demais  Fl. 17373DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO     106 créditos da Fazenda Nacional cuja  inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de  competência da Procuradoria da Fazenda Nacional.  Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões  recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos  9101­001.863, 9202­003.150 e 9303­002.400).  Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no  mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme  se observa na ementa a seguir reproduzida:  DIREITO TRIBUTÁRIO.  INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE  MULTA FISCAL PUNITIVA.   É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a  qual  integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990­ PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681­MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp  1.335.688­PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012.  Ressalta­se ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do  parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo  legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de  reduções  superiores às  fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja,  visto sob outro enfoque, reafirmou­se o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as  multas  de  mora  e  de  ofício.  Tal  exegese  pode  ser  observada  no  REsp  1.492.246/RS  (Rel.  Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e  no  REsp  1.510.603–CE  (Rel.  Min.  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  20/08/2015), em relação ao qual transcreve­se a seguir sua ementa:  TRIBUTÁRIO.  PARCELAMENTO.  11.941/2009.  REMISSÃO  DE  MULTA  EM  100%.  DESINFLUÊNCIA  NA  APURAÇÃO  DOS  JUROS  DE  MORA.  PARCELAS  DISTINTAS.  PRECEDENTE.  1.  "Em  se  tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009  que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas  de  mora  e  de  ofício  estabelecida  no  art.  1º,  §3º,  I,  da  referida  lei  implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento)  dos  juros  de  mora  estabelecida  nos  mesmo  inciso,  para  atingir  uma  remissão completa da rubrica de  juros  (remissão de 100% de  juros de  mora),  como  quer  o  contribuinte  "  (REsp  1.492.246/RS,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  02/06/2015,  DJe  10/06/2015.).  2.  Consequentemente,  a  Lei  n.  11.941/2009  tratou  cada  parcela  componente  do  crédito  tributário  (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo  que  a  redução percentual  dos  juros moratórios  incide  sobre  as multas  tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso  especial  provido.  REsp  1.510.603–CE,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  Segunda Turma, julgado em 20/08/2015.  Isso posto, voto por manter tal exigência.  2.8 DA TAXA SELIC  No  que  tange  ao  questionamento  da  aplicação  da  taxa  Selic,  a  matéria  encontra­se  absolutamente  pacificada  no  âmbito  do  CARF,  tendo  sido  alvo,  inclusive  de  súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação:  Fl. 17374DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720053/2013­58  Acórdão n.º 1402­002.119  S1­C4T2  Fl. 17.322          107 A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os  enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros.  Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados.    3 CONCLUSÃO  Isso  posto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para:  (i)  cancelar a exigência referente à glosa de despesas financeiras e determinar a reconstituição do  saldo  de  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  como  decorrência  desse  entendimento,  cancelando  também  a  infração  referente  à  insuficiência  de  saldos  de  prejuízo  fiscal e base negativa de CSLL; e ii) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator                                Fl. 17375DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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