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Numero do processo: 10580.721148/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE.
Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
DEDUÇÃO NÃO COMPROVADA.
É cabível a glosa de dedução não comprovada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.945
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO NÃO COMPROVADA. É cabível a glosa de dedução não comprovada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DEDUTIBILIDADE. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO NÃO COMPROVADA. É cabível a glosa de dedução não comprovada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 11 48 /2 01 4- 65 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10580.721148/201465 Acórdão n.º 2201002.945 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1536.369 da 3ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de impugnação a lançamento fiscal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2011, para redução do imposto a restituir declarado, de R$ 1.999,23 para R$ 349,23. A redução do imposto a restituir decorreu da glosa do valor de R$ 6.000,00, indevidamente deduzido a título de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação. Conforme a Notificação fiscal o contribuinte deduziu R$ 22.396,75 a título de pensão alimentícia judicial a José Luiz da Cunha, mas só comprovou pagamentos a este título, no montante de R$ 16.396,75. Na impugnação apresentada, à fl. 2, o contribuinte contesta a Notificação Fiscal alegando que o valor glosado referese a pagamento efetuado a título de pensão alimentícia, em decorrência de decisão judicial, e anexa comprovantes de rendimentos (fl. 8/9), comprovante de pagamento (fl. 11) e decisão judicial em que foi estabelecido o valor da pensão (fls. 10). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde reafirma o que apresentou na impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontrase prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia, por dependente, de: ... Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10580.721148/201465 Acórdão n.º 2201002.945 S2C2T1 Fl. 4 5 serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seus artigos 73, 78 e 83: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. ... Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). ... Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74,75,78a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Conforme as normas acima apresentadas, são requisitos para a dedutibilidade: · que o pagamento tenha a natureza de alimentos; · que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e · que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Valores entregues por liberalidade não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. No presente caso, o contribuinte declarou ter pago R$ 22.396,75 a título de pensão alimentícia judicial a José Luiz da Cunha. O comprovante de rendimentos registra pagamento de R$ 16.396,75, o que foi aceito pelo fisco. A diferença, R$ 6.000,00 foi glosada. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10580.721148/201465 Acórdão n.º 2201002.945 S2C2T1 Fl. 5 7 O contribuinte afirma que a transferência bancária de R$ 6.000,00 foi a título de pensão alimentícia Entendo comprovado que o contribuinte paga pensão para José Luiz da Cunha. A decisão judicial que homologou acordo firmado entre as partes, determinou o pagamento da pensão alimentícia definitiva e estipulou o seu valor, determinou também que a pensão fosse descontada em folha de pagamentos, o que, conforme DIRF, totalizou o valor de R$ 16.396,75. Entendo também que ficou comprovada a transferência de R$ 6.000,00 para José Luiz da Cunha, porém comprovar a transferência não é suficiente para comprovar tratarse de pagamento de pensão judicial. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720329/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE NÃO COMPROVADA.
Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-003.042
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.720329/201373 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.042 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente PAULO LOPES RICCI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE NÃO COMPROVADA. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 03 29 /2 01 3- 73 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10825.720329/201373 Acórdão n.º 2201003.042 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1646.794, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2010, anocalendário 2009, do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 14/01/2013, de fls. 24/30. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública Glosa do valor de R$ 17.004,62, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos Fatos O contribuinte não apresentou a cópia da Decisão Judicial ou acordo homologado judicialmente, solicitado no termo de intimação fiscal nº. 2010/615011181815218, juntando cópia ofício de 1990, e informes de rendimentos, sendo que no da UNESP não consta nome dos beneficiários da pensão, apenas no informe de rendimentos do INSS consta Carmem V. L. Ricci como beneficiária no valor de R$ 4.454,40. Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 524,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. Apresentou apenas uma informação da Associação dos Serv. da UNESP, não identificando o proFissional (CRO/CRM, Serviços Prestados, Paciente, etc.). DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/03, alegando, em síntese, que: Em relação à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 17.004,62 informa que os valores vêm sendo informados à Receita Federal desde a Declaração do ano base 1984, sem qualquer contestação, com exceção dessa referente ao ano de 2009; Existe processo judicial sob no. 1713/84 com a determinação de desconto em folha de pagamento no percentual de 31% sobre os vencimentos líquidos; Os descontos vêm sendo efetuados mensalmente pelas duas fontes pagadoras, ou seja, INSS e UNESP; Estão sendo juntadas cópias do referido processo no ato da apresentação desta impugnação; Caso idêntico do mesmo contribuinte foi acatado, por meio da decisão no Acórdão 1748.819. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10825.720329/201373 Acórdão n.º 2201003.042 S2C2T1 Fl. 4 5 No que concerne à glosa da despesa médica no valor de R$ 524,00, informa que os associados da Associação de Servidores da UNESP Bauru fazem o pagamento dos serviços à referida associação que os repassa ao profissional responsável pelos serviços e emite o comprovante para o associado. De acordo com a previsão contida no art. 71 da Lei no. 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso), solicita prioridade na análise de sua impugnação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Questiona exclusivamente a pensão alimentícia. · Descontos ocorrem desde 1984, quando concluiu o processo de separação judicial. · Em 1990, a UNESP foi notificada, por via judicial, da alteração do desconto da pensão, que passou a 31% dos vencimentos líquidos, o que perdura até o momento. · A falta do nome da beneficiária no comprovante de rendimentos foi comunicado à UNESP, que emitiu declaração atestando que Carmem Vendramini é a beneficiária. · Junta documentos relativos à separação, declaração da UNESP e comprovantes de depósitos bancários. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontrase prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia, por dependente, de: ... Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10825.720329/201373 Acórdão n.º 2201003.042 S2C2T1 Fl. 5 7 serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seus artigos 73, 78 e 83: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. ... Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). ... Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74,75,78a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Conforme as normas acima apresentadas, são requisitos para a dedutibilidade: · que o pagamento tenha a natureza de alimentos; · que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e · que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Valores entregues por liberalidade não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. A doutrina admite que o pagamento de pensão alimentícia se dê após a maioridade e até os 24 anos de idade, apenas se comprovado que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência (salvo em condições excepcionais de saúde). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10825.720329/201373 Acórdão n.º 2201003.042 S2C2T1 Fl. 6 9 Também a legislação fiscal segue esse entendimento, conforme Decreto 3.000/99. Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e5º, parágrafo único(Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): Io cônjuge; IIo companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IVo menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Vo irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VIos pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VIIo absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2ºOs dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). §3ºOs dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §2º). §4ºNo caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §3º). §5ºÉ vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §4º). O recorrente declarou R$ 21.458,62 pagos a título de Pensão Alimentícia Judicial. A fiscalização acatou o valor de R$ 4.454,00 presente no informe de rendimentos fornecido pelo INSS referente ao pagamento de Pensão Alimentícia Judicial em 2009 e glosou o valor de R$ 17.004,62. O contribuinte alega que tal valor foi pago a partir dos proventos de sua aposentadoria na UNESP e pagos a Carmem Vendramini a título de pensão alimentícia em virtude de separação judicial. Alega também que a falta do nome da beneficiária no comprovante de rendimentos foi comunicado à UNESP, que emitiu declaração atestando que Carmem Vendramini é a beneficiária. Ocorre que o documento hábil emitido pela fonte pagadora para comprovar os rendimentos, |Comprovante de Rendimentos, não foi apresentado. Na impugnação foi anexado Comprovante de Rendimentos do ano calendário 2010 (discutese aqui o ano calendário 2009) emitido por São Paulo Previdência, sem informação acerca de pensão. No recurso foi anexada declaração da UNESP informando pagamento de R$ 17.004,62 e recibos mensais de depósito feitos em dinheiro em nome de Carmen Vendranine totalizando R$ 17.099,81. Percebo inconsistência entre o valor informado na declaração e nos depósitos de pagamento e na ausência de pagamento sobre o 13º salário, visto que nos meses em que normalmente é pago, há diminuição dos depósitos. Entendo não comprovado o pagamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10825.720329/201373 Acórdão n.º 2201003.042 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 13005.720367/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
Simples Nacional. Termo de Indeferimento. Débitos Tributários Parcelados.
Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existe, defere-se a opção.
Numero da decisão: 1302-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARCELADOS. Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existe, deferese a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 03 67 /2 01 3- 78 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa em epígrafe, efls. 34 a 36, contra o Acórdão nº 0434.426/13, proferido pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande/MS, efls 30 e 31, que manteve o indeferimento da opção da empresa pelo Simples Nacional, para o anocalendário de 2013. O aresto restou assim ementado: TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. O relatório e votocondutor esclarecem: A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido tendo em vista a existência de 06 (seis) débitos previdenciários nºs. 391699105, 391699113, 398086206, 400659280, 403444144 e 406279420, cuja exigibilidade não está suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 15/02/2013 (fls. 19). Apresentou manifestação de inconformidade em 26/02/2013 (fls. 0203), alegando, em síntese, que todos os débitos do Termo de Indeferimento foram parcelados em tempo hábil. O primeiro parcelamento, referente aos débitos nºs 391699105 e 391699113, foi efetuado em 27/11/2009 por meio eletrônico e o segundo, referente aos débitos 398086206, 400659280, 403444144 e 406279420, foi realizado na agência da RFB em 31/01/2013, conforme comprovantes em anexo. Informa que todas as parcelas estão em dia. Por fim, solicita a inclusão no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 04 e seguintes. [...] Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 1418. Porém, não trouxe certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal, vez que é o documento hábil para tanto, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. (grifos não pertencem ao original) Cumpre esclarecer que o Termo de Indeferimento da opção, efls. 19, datado em 15 de fevereiro de 2013, acusou somente a existência dos débitos previdenciários acima mencionados e as pesquisas juntadas pela RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) às e Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13005.720367/201378 Acórdão n.º 1302001.904 S1C3T2 Fl. 3 3 fls. 20 a 25 comprovam que estes débitos foram efetivamente parcelados pela recorrente, o parcelamento encontrase em situação 'ativo' e está sendo regularmente pago, consoante manifestouse a recorrente. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 34 a 36, reiterando que dois dos débitos que ensejaram o indeferimento ao ingresso no Simples Nacional já estavam em parcelamento e que os demais foram parcelados em tempo hábil (31/01/2013), pelo que imotivado o indeferimento; instrui o recurso voluntário com os documentos comprobatórios de efls. 50 a 59. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 30/12/13, efls. 33; Recurso – 16/01/14, efls. 34 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06, em seu inciso V, dispõe: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; A Resolução CGSN nº 94/2011 regulamentou a norma no seguinte sentido: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao orignal) No caso em concreto, a recorrente regularizou as pendências que ensejaram a emissão do Termo de Indeferimento de efls. 19 em tempo hábil, ou seja, até o último dia útil do mês válido para a opção (janeiro de 2013), parcelando os débitos ainda existentes. Os comprovantes foram acostados aos autos tanto pela autoridade competente, quanto pela própria recorrente. A argumentação trazida no acórdão recorrido de que a recorrente não apresentou certidão negativa de débitos (ainda que com efeitos positivos), ou que, após a emissão do Termo de Indeferimento, surgiram outros débitos, não pode subsistir por falta de previsão legal específica neste sentido. A motivação da vedação à opção, ou mesmo exclusão, do regime tributário favorecido, diferenciado e simplificado deve vir expressa no ato administrativo correspondente e a norma de regência especifica a forma do contribuinte solver as pendências para poder ingressar ou permanecer no Simples Nacional. Tudo dentro da observância dos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. Não é dado, portanto, ao órgão julgador extrapolar, por interpretação, os limites e regras ditados pelas normas que disciplinam a sistemática do Simples Nacional, ainda mais em se tratando de favor fiscal. Aliás, os fundamentos do Termo de Indeferimento provaramse regularizados pela contribuinte e deixaram de existir como óbice ao ingresso no Simples Nacional, pelo que não pode ser mantido por estes, como inapropriadamente constou do acórdão recorrido. Diante destas considerações, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13005.720367/201378 Acórdão n.º 1302001.904 S1C3T2 Fl. 4 5 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 11516.720272/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010
TÍTULO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS.
Os títulos da dívida externa emitidos no início do século XX não se revestem da condição de NTN (Notas do Tesouro Nacional) referidas na Lei n° 10.179/2001. Os títulos da dívida pública a que se refere a Lei n° 10.179/2001 são resgatados, sem exceção, no vencimento pela União, fato que afasta a possibilidade de aplicação do artigo 6° da citada lei, que prevê o poder liberatório dos títulos inadimplidos para fins de pagamento de tributos federais.
TÍTULO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. AÇÃO JUDICIAL. PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS. INFORMAÇÃO EM DCTF. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA.
O depósito efetuado em ação judicial que tem por objeto a execução de título da dívida externa brasileira, não tem o condão de suspender a exigibilidade de tributo federal. Para fins de suspensão da exigibilidade do tributo o depósito deve ser feito em montante integral e em ação judicial que tenha por objeto a discussão do crédito tributário. A conversão do depósito em renda só em possível após o trânsito em julgado de ação judicial em que o ente tributante restou vencido.
Numero da decisão: 1402-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, ROBERTO SILVA JUNIOR e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS. Os títulos da dívida externa emitidos no início do século XX não se revestem da condição de NTN (Notas do Tesouro Nacional) referidas na Lei n° 10.179/2001. Os títulos da dívida pública a que se refere a Lei n° 10.179/2001 são resgatados, sem exceção, no vencimento pela União, fato que afasta a possibilidade de aplicação do artigo 6° da citada lei, que prevê o poder liberatório dos títulos inadimplidos para fins de pagamento de tributos federais. TÍTULO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. AÇÃO JUDICIAL. PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS. INFORMAÇÃO EM DCTF. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. O depósito efetuado em ação judicial que tem por objeto a execução de título da dívida externa brasileira, não tem o condão de suspender a exigibilidade de tributo federal. Para fins de suspensão da exigibilidade do tributo o depósito deve ser feito em montante integral e em ação judicial que tenha por objeto a discussão do crédito tributário. A conversão do depósito em renda só em possível após o trânsito em julgado de ação judicial em que o ente tributante restou vencido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 72 /2 01 1- 05 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 626 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, ROBERTO SILVA JUNIOR e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 627 3 Relatório CANGURU PLÁSTICOS LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A empresa interessada informou a existência de débitos (IRRF, IPI, PIS e COFINS) em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (vide ralação na fl. 117/118), indicando a situação de suspensão em razão da ação judicial n° 39807.03.2007.4.01.3400. Em vista dos débitos confessados em DCTF, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, expediu a informação fiscal de fls. 132 a 134, onde consignou que: Este processo de representação objetiva promover a cobrança de débitos declarados em DCTF como vinculados à ação judicial n° 2007.34.00.0400373 (nova numeração judicial 39807 03.2007.4.01.3400). No que se refere à ação judicial, tratase de ação judicial em andamento na 18a vara federal do Distrito Federal com referência a execução de título da Dívida Pública e sem que se verifique qualquer decisão em relação aos pedidos que possam constar na inicial. Além disso, a interessada sequer consta como parte autora, conforme andamento processual. No que se refere aos depósitos judiciais informados em DCTF, e que alcançariam um total de dezenas de milhões de reais, foram identificados tão somente 62 depósitos judiciais de IRRF, IPI, PIS, COFINS, CSLL e IRPJ no valor de R$ 15,00, somando a irrisória quantia de R$ 930,00, nos termos dos extratos constantes dos autos. Assim, além de ser inapropriada a vinculação da interessada a uma ação judicial ainda em fase inicial da qual não faz parte e que trata de crédito não tributário; temse que são falsas as informações contidas em DCTF acerca de depósitos judiciais em valores suficientes para a suspensão dos débitos vinculados, o que incluiria ainda acréscimos legais não apontados nas tabelas acima. Portanto, cumpre promover a imediata cobrança de todos os valores que teriam sido indevidamente vinculados à ação n° 2007.34.00.040037 3 (3980703.2007.4.01.3400). Irresignada em face da referida cobrança, a empresa interessada apresentou petição de fls. 150 e 151, por meio da qual alegou, em síntese, que: 1. Houve quitação da integralidade dos débitos através da conversão em renda, lastreados com créditos do DecretoLei n° 6.019, de 23 de novembro de 1943, objeto da ação de execução no Processo judicial Fl. 627DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 628 4 n° 2007.34.00.0400373 (art. 156, I e VI do CTN c/c art. 6° da Lei n° 10.179/2001, ratificados pela Lei n° 11.803, de 5 de novembro de 2008), conforme guias de depósito judicial anexadas (fls. 106/129); 2. Tais informações constam em DCTF; 3. Requer o cancelamento do presente processo e das respectivas cobranças; 4. Requer, caso não haja o imediato cancelamento, que se suspenda a exigibilidade do crédito tributário, até ulterior decisão final de conversão em renda. A DRF/Florianópolis, recebeu a petição de fls. 150 e 151 como Pedido de Reconsideração quanto à decisão que determinou a imediata reativação da cobrança dos débitos. Em seguida, por meio do Despacho Decisório de fls. 243 a 246, indeferiu o pleito, com o argumento de que os procedimentos promovidos pela interessada não encontram amparo legal. Em decorrência, o contribuinte foi intimado a regularizar no prazo improrrogável de 10 (dez) dias os débitos em cobrança, sob pena de que seja feita Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público por crime contra a ordem tributária e lesão aos cofres públicos, além do imediato envio dos débitos para inscrição em Dívida Ativa da União e inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal Cadin. A interessada tomou ciência do Despacho Decisório no dia 16/06/2011 (AR na fl. 269). Irresignada, apresentou, em 05/07/2011, o recurso de fls. 272 a 281, alegando, em síntese, que: a) O processo administrativo fiscal é composto por três instâncias (art. 57 da lei n° 9.784, de 1999 e arts. 1° e 9° da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF); b) O procedimento de pagamento com conversão em renda, lastreado com créditos do DecretoLei n° 6.019/43, objeto da ação de execução no Processo n° 2009.34.00.0134966, pela modalidade extinção do crédito tributário do art. 156, I e VI do CTN c/c art. 6° da Lei n° 10.179/2001, ratificados pela Lei n° 11.803/2008, respalda o procedimento adotado; c) O Tesouro Nacional se recusa a efetuar o resgate dos títulos da dívida externa com aplicação dos juros e da correção monetária devidos, razão pela qual a interessada, ora recorrente, recorreu ao judiciário, onde requer "a modalidade de conversão em renda c/c poder liberatório de pagamento de qualquer tributo da esfera federal, como forma substitutiva da Recorrente receber seus créditos, dos quais a União é devedora' (fl. 273); d) Como a dívida da União encontrase vencida e não paga, sendo objeto da ação de execução, tal dívida equivale à NTN, sendo, portanto, aplicáveis os artigos 1° e 2° da da Lei n° 10.179/01; e) A afirmação de que não existe ainda decisão definitiva nos autos da Ação Executiva não procede, pois se trata de execução por título extrajudicial onde eventuais embargos do devedor não teriam o Fl. 628DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 629 5 condão de suspender o curso da referida execução (art. 739A do CPC); f) O autolançamento em DCTF, onde se informou o pagamento através de guias de depósito judicial, especificando o pagamento dos tributos, por meio da modalidade de conversão em renda, tem a faculdade irrefutável de suspender a exigibilidade dos créditos tributários; g) Requer o cancelamento das cobranças, haja vista o pagamento com conversão em renda. Alternativamente, requer a suspensão da exigibilidade até o pagamento do crédito exeqüendo para que seja então convertido em renda e, conseqüentemente, extinto o débito ora cobrado. Finalmente, requer seja revogado o não conhecimento do recurso anteriormente interposto. A DRF/Florianópolis não recebeu o recurso apresentado em 5 de julho de 2011. Argumentou que os recursos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972, limitamse "à discussão do lançamento tributário efetuado pela autoridade administrativa (... ) e à contestação de decisão administrativa em sede de pedido regular de compensação/restituição/ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Nenhuma destas duas hipóteses se aplica ao caso". Os débitos foram encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União e iniciada a execução judicial nos autos n° 500788734.2011.4.04.7204. O contribuinte propôs ação ordinária, autos n° 500755936.2013.404.7204 pretendendo a apreciação de seu recurso na esfera administrativa, com julgamento pelas autoridades competentes, e a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do recurso. Por fim requer o cancelamento o lançamento e a inscrição dos débitos exigidos. O pedido de antecipação de tutela assim como o pedido principal foram indeferidos pelo juiz singular em sentença. Houve apelo ao Tribunal Regional Federal da 4a Região que deu provimento ao recurso. O acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO. DECRETO 70.235/72. 151, INC. III, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO ATÉ O JULGAMENTO. 1. De acordo com o disposto na Lei 9.430/96, a decisão que não homologa compensação declarada em DCTF sujeitase à manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias, com direito a recurso ao CARF, na forma do Decreto 70.235/72. 2. Neste caso, enquanto pendente o processo administrativo fiscal, resta garantida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no artigo 151, III, do CTN. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 630 6 A União apresentou embargos de declaração, os quais foram recebidos apenas para fins de esclarecimento, não se manifestando sobre o rito aplicável ao recurso administrativo apresentado. Em decorrência os autos foram restituídos à DRF/Florianópolis para posterior envio à DRJ competente para julgamento do recurso.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 66.068 (fls. 572 584) de 26/02/2015, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010 Ementa: TÍTULO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. AÇÃO JUDICIAL. PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS. INFORMAÇÃO EM DCTF. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. O simples ingresso de ação judicial para cobrança de títulos da dívida externa brasileira, emitidos no início do século XX, sem qualquer provimento judicial favorável, não dá guarida ao contribuinte para quitar seus débitos de tributos federais, mediante simples informação em DCTF. Os títulos da dívida externa emitidos no início do século XX não se revestem da condição de NTN (Notas do Tesouro Nacional) referidas na Lei n° 10.179/2001. Os títulos da dívida pública a que se refere a Lei n° 10.179/2001 são resgatados, sem exceção, no vencimento pela União, fato que afasta a possibilidade de aplicação do artigo 6° da citada lei, que prevê o poder liberatório dos títulos inadimplidos para fins de pagamento de tributos federais. O depósito efetuado em ação judicial que tem por objeto a execução de título da dívida externa brasileira, não tem o condão de suspender a exigibilidade de tributo federal. Para fins de suspensão da exigibilidade do tributo o depósito deve ser feito em montante integral e em ação judicial que tenha por objeto a discussão do crédito tributário. A conversão do depósito em renda só em possível após o trânsito em julgado de ação judicial em que o ente tributante restou vencido.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 09/03/2015 (A.R. de fl. 601) a interessada interpôs recurso voluntário em 27/03/2015 (fls. 605613) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 631 7 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Convém repisar, de início, conforme já aventado na decisão recorrido, que o rito do Decreto n° 70.235/72, restringese aos processos administrativofiscais de exigência dos créditos tributários da União e aos casos de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela Secretaria Receita Federal do Brasil (RFB). O caso concreto envolve a cobrança de crédito tributário já constituído em DCTF. A requerente argumenta que os débitos em comento foram extintos por meio de conversão em renda, objeto de ação de execução no processo n° 2009.34.00.0056188, em trâmite perante a 18a. Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (DF). Informa tratarse de execução de título da dívida externa brasileira na qual a União seria devedora. Vêse, portanto, que a discussão em tela não está sujeita ao rito do Decreto n° 70.235/1972. A defesa apresentada é conhecida por força da sentença proferida na ação ordinária n° 500755936.2013.404.7204, processo com Recurso Especial da Fazenda Nacional, Resp nº 1515571/RS (2015/00317917) no e.STJ, ainda sem decisão (consulta em 03/05/2016, link: https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?termo=2015%2F0031791 7&aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&chkordem=DESC&chkMort o=MORTO). No mérito, o procedimento adotado pelo contribuinte visando à quitação de tributos federais encontrase em total descompasso com a legislação tributária, como adiante se demonstra, com supedâneo nos fundamentos da decisão recorrida, que adoto a seguir como razão de decidir neste voto. Breve histórico dos fatos Diversos contribuintes têm ingressado com Ações de Execução de Títulos Extrajudiciais contra a União Federal, cujo objeto é a execução de títulos da dívida pública ao portador, emitidos no final do século XIX e início do século XX por estados e municípios. No entender dos autores das ações, apesar de os títulos terem sido emitidos por municípios ou por estados da federação, a União figuraria no pólo passivo pelo fato de ter assumido a dívida externa desses entes em 1943, nos termos do DecretoLei n° 6.019 daquele ano. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 632 8 Inaugurado o processo judicial, os autores das ações passam a protocolizar petições incidentais visando, em geral, aumentar o rol dos sujeitos ativos da ação. A cada um dos novos executantes atribuiuse um percentual sobre o valor pleiteado, com a conseqüente diminuição do quinhão imputado aos autores que inauguraram o processo judicial, mediante cessão de parcela de seu crédito a favor dos novos executantes. Apesar de os processos judiciais em trâmite não possuírem qualquer provimento judicial favorável, os executantes, por sua conta e risco, vêm efetuando depósitos judiciais em valores ínfimos (R$ 15,00, por exemplo), vinculados às ações judiciais em andamento, correspondente ao valor residual de débitos de tributos federais, tais como PIS, COFINS, CSLL, IRPJ e IPI, utilizando, como parte de pagamento, a expectativa de recebimento do crédito de títulos da dívida externa pleiteada judicialmente. O valor de R$ 15,00 é depositado judicialmente e, perante a RFB, o contribuinte informa em DCTF que o débito tributário foi quitado com parcela oriunda de conversão de depósito em renda vinculado ao processo judicial em questão. O recorrente posicionase no sentido de que os títulos em execução teriam caráter liberatório para pagamento de tributos, sem necessidade de decisão judicial para suspender sua exigibilidade. Segundo o recorrente, os títulos em questão estariam albergados pelas disposições da Lei n° 10.179, de 2001, art. 1°, inc. IV e caput e art. 6°, pois, a despeito de terem sido emitidos no início do século passado, tratarseiam de Notas do Tesouro Nacional (NTN) inadimplidas pela União. Tal circunstância autorizaria os procedimentos adotados pelo contribuinte para pagar seus tributos perante o Fisco, "através de conversão em renda". Do pretenso direito creditório O recorrente opõe ao Fisco créditos que teriam origem em títulos públicos, emitidos há mais de século, e sobre os quais tramitam ações judiciais visando ao recebimento dos valores em moeda nacional, inclusive atualização monetária. O Tesouro Nacional, por intermédio da tela inicial de seu sítio na Internet (www.tesouro.fazenda.gov.br) já destaca seção sobre "títulos públicos antigos", e de cuja subseção "Títulos do Decreto Lei n° 6019/43", temse as seguintes informações de relevância: "Quanto a títulos em libras, há ainda em circulação um estoque reduzido. Vários foram chamados para resgate estando os recursos disponíveis com os agentes pagadores respectivos aguardando apresentação nos prazos determinados para cada papel. O resgate se dá exclusivamente no exterior por meio de agente pagador credenciado e na moeda de emissão. Não há possibilidade legal de resgate em moeda nacional. Os valores do principal e de eventuais cupons de juros dos títulos listados pelo art. 1 ° são pagos pelos respectivos valores nominais registrados na face do papel. Já aqueles listados pelo art. 2o são resgatáveis por 12% do valor de principal registrado na face. Portanto, enfatizase, não há incidência de qualquer ajuste ou correção sobre os valores de resgate de principal e dos cupons de juros das apólices. Aos detentores de títulos, recomendase leitura atenta do DecretoLei n° 6019/43, inclusive anexos, e das condições gerais de emissão constantes na frente e no verso de cada título. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 633 9 O quadro a seguir apresenta os títulos regulados pelo DecretoLei por agente pagador ainda válidos e aqueles já prescritos. " Tabelas que seguem essa informação apontam o primeiro título como vinculado ao art. 1°, § 4°, pago pelo valor de face e cupom de juros, com chamada em 2002, enquanto que o segundo como vinculado ao art. 2°, pago por 12% do valor de face. Assim, conforme reconhecido pelo Tesouro Nacional, os títulos, se legítimos, seriam válidos, porém em valores extremamente inferiores aos da execução judicial da interessada. Além disso, são documentos que devem ser resgatados pelo agente pagador credenciado e na moeda da emissão (libras), não havendo a possibilidade legal de pagamento em moeda nacional. Isto porque já teria havido a transferência de recursos aos agentes pagadores. O agente pagador dos títulos são instituições financeiras localizados no exterior (exemplo: Bank of New York Mellon, N. M. Rothschild & Sons Ltd., ambos com sede em Londres). A eles compete, portanto, prestar as informações cabíveis relativas aos títulos, especialmente quanto à autenticidade, à validade e à não ocorrência de resgate anterior. Assim sendo, partindose de títulos que seriam resgatáveis em instituições bancárias estrangeiras pelo seu valor de face; passando por uma tentativa judicial de transferência do ônus ao Tesouro Nacional; da aplicação de índices de correção não previstos e de forma capitalizável; e pela tentativa de cessão desse pretenso direito à autora, temse um direito creditório que é totalmente incerto e ilíquido. O interessado quer fazer crer que o crédito oriundo dos títulos apresentados em Juízo poderia ser oposto ao Fisco para fins de pagamento de tributos federais, baseado na Lei n° 10.179, de 06 de fevereiro de 2001, que assim dispõe: "Art. 1 ° Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: I prover o Tesouro Nacional de recursos necessários para cobertura de seus déficits explicitados nos orçamentos ou para realização de operações de crédito por antecipação de receita, respeitados a autorização concedida e os limites fixados na Lei Orçamentária, ou em seus créditos adicionais; II aquisição pelo alienante, no âmbito do Programa Nacional de Desestatização PND, de que trata a Lei no 9.491, de 9 de setembro de 1997, de bens e direitos, com os recursos recebidos em moeda corrente ou permuta pelos títulos e créditos recebidos por alienantes; III troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988; IV troca por títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira, a exclusivo critério do Ministro de Estado da Fazenda; Fl. 633DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 634 10 V troca, na forma disciplinada pelo Ministro de Estado da Fazenda, o qual estabelecerá, inclusive, seu limite anual, por títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa para utilização em projetos voltados às atividades de produção, distribuição, exibição e divulgação, no Brasil e no exterior, de obra audiovisual brasileira, preservação de sua memória e da documentação a ela relativa, aprovados pelo Ministério da Cultura, bem como mediante doações ao Fundo Nacional da Cultura FNC, nos termos do inciso XI do art. 5o da Lei no 8.313, de 23 de dezembro de 1991; VI permuta por títulos do Tesouro Nacional em poder do Banco Central do Brasil; VII permuta por títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional ou por créditos decorrentes de securitização de obrigações da União, ambos na forma escritural, observada a equivalência econômica. VIII pagamento de dívidas assumidas ou reconhecidas pela União, a critério do Ministro de Estado da Fazenda. IX assegurar ao Banco Central do Brasil a manutenção de carteira de títulos da dívida pública em dimensões adequadas à execução da política monetária. X assegurar ao Banco Central do Brasil a manutenção de carteira de títulos da dívida pública em dimensões adequadas à execução da política monetária. (...) Art. 2° Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: I Letras do Tesouro Nacional LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; II Letras Financeiras do Tesouro LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos. Parágrafo único. Além dos títulos referidos neste artigo, poderão ser emitidos certificados, qualificados no ato da emissão, preferencialmente para operações com finalidades específicas definidas em lei. (...) Art. 5° A emissão dos títulos a que se refere esta Lei processar seá exclusivamente sob a forma escritural, mediante registro dos respectivos direitos creditórios, bem assim das cessões desses direitos, em sistema centralizado de liquidação e custódia, por intermédio do qual serão também creditados os resgates do principal e os rendimentos. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 635 11 Art. 6° A partir da data de seu vencimento, os títulos da dívida pública referidos no art. 2° terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, de responsabilidade de seus titulares ou de terceiros, pelo seu valor de resgate. " A Lei n° 10.179/2001 é expressa no sentido de que apenas os títulos públicos emitidos com base nela poderão ser utilizados, em determinadas condições, para o pagamento de tributo federal. Isto porque se trata de títulos escriturados e controlados por sistemas de liquidação e custódia, o que permite a partir da data do vencimento, a identificação inequívoca do detentor do direito e do valor desse direito (valor de resgate), com liquidação imediata, nestas condições, pelo Tesouro Nacional. E podem atender a estes critérios tão somente três títulos específicos emitidos no âmbito da própria Lei n° 10.179/2001: LTN, LFT e NTN. Não há, portanto, qualquer relação entre a Lei n° 10.179/2001 e títulos da dívida externa do início do Século XX sem qualquer controle e já liquidados perante os órgãos pagadores, a quem compete o repasse dos valores de resgate aos seus respectivos portadores. Aliás, conforme consta do site da Receita Federal do Brasil http://www.receita.fazenda.gov.br/guiacontribuinte/restressarcomp/compensacao/Creditos.htm a CoordenaçãoGeral de Operações da Dívida Pública da Secretaria do Tesouro Nacional, o poder liberatório dos títulos para pagamento de tributos federais, previsto no art. 6° da Lei n° 10.179, de 2001, não tem, na prática, qualquer repercussão no âmbito tributário, haja vista inexistir título da dívida pública na condição de vencidos, uma vez que os títulos nessa situação são resgatados no seu vencimento, sem exceção. Atualmente, os únicos títulos públicos que podem ser utilizados para pagamento de tributos federais (e, mesmo assim, a utilização é restrita para pagamento apenas de débitos de ITR Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) são os Títulos da Dívida Agrária (TDA), desde que observados os procedimentos específicos constantes na Instrução Normativa SRF/STN n° 1, de 25 de outubro de 2001. Da suspensão do crédito tributário O Código Tributário Nacional prevê a suspensão do crédito tributário, na hipótese de o sujeito passivo efetuar o depósito do montante integral do tributo, nos seguintes termos: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral,;' Temse, portanto, como causa suspensiva da exigibilidade da obrigação tributária o depósito integral da dívida, que pode ser feito nos autos de uma ação judicial. Porém, deve haver correlação entre o objeto da ação judicial e o depósito realizado. Ou seja, para os fins do art. 151, inciso II, do CTN, a suspensão da exigibilidade pressupõe que o depositante esteja discutindo, na ação judicial, a legalidade da obrigação de pagar o tributo devido. Daí o motivo do depósito, que é feito com vistas a discutir a legitimidade da exigência da exação, a inexistência da relação tributária, etc., razão pela qual o contribuinte deposita o seu valor integral em juízo, a fim de suspender a sua exigibilidade. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 636 12 O depósito do montante integral do tributo impossibilita a cobrança da dívida, sendo causa suspensiva até que decisão judicial definitiva seja proferida, quando então será convertido em renda ou levantado pelo autor. In casu, o depósito do valor do tributo não guarda qualquer correlação com a ação judicial; esta tem por objeto o resgate de título ao portador da dívida externa brasileira; o depósito realizado diz respeito a valor de tributo federal, cuja legalidade não se discute na ação; ao contrário, o contribuinte reconhece o tributo como devido, tanto que o valor do débito encontrase devidamente confessado em DCTF. Assim, haja vista que a medida judicial não é relativa à discussão do lançamento do crédito tributário, não há que se falar em suspensão da exigibilidade em face do depósito efetuado. Entrementes, ainda que ultrapassado, hipoteticamente, esse primeiro obstáculo, para fins de suspensão da exigibilidade do tributo o depósito precisa ser feito em seu montante integral. A necessidade de que o valor do depósito deve representar a integralidade do tributo devido advém da dicção literal do art. 151, inc. II, do Código Tributário Nacional e de uníssona jurisprudência no âmbito judicial, que redundou, inclusive, na edição da Súmula n° 112, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos seguintes termos: "O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro". No caso concreto, os débitos declarados em DCTF como suspensos por depósito judicial, alcançam a casa da dezena de milhões ao passo que os valores depositados pelo contribuinte, representado pelos DARF(s) juntados aos autos às fls. 190 a 242, somam a irrisória quantia de R$ 1.575,00. Portanto, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário quer pela ausência de correlação entre o objeto da ação judicial e o depósito efetuado, quer pela patente insuficiência do depósito realizado. Ausente essas condições, a autoridade fiscal deverá cobrar, de imediato, os débitos declarados em DCTF e não recolhidos no prazo legal. Da conversão em renda O interessado argumenta que o débito fiscal está sendo extinto por conversão do depósito em renda. O artigo 156, inciso VI, do CTN assim prevê: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda;" A conversão de depósito em renda é uma das diversas modalidades de extinção do crédito tributário. Pressupõe, obrigatoriamente, a existência de depósito anterior efetuado pelo contribuinte, correspondente ao valor do tributo cuja legitimidade de exação está sendo discutida pelo sujeito passivo. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 637 13 Ao final do litígio, o valor depositado poderá ser levantado pelo autor ou ser convertido em renda a favor do ente tributante. E é precisamente o respectivo montante desse depósito que, restando o depositante vencido no processo, será convertido em renda a favor do sujeito ativo, quando, somente então, o crédito tributário será extinto na forma do art. 156, VI, do CTN. Portanto, para fins de conversão de depósito em renda, há necessidade de que o contribuinte, tendo efetuado o depósito judicial do tributo questionado, tenha sido malsucedido no resultado final da ação. Imprescindível, ainda, que a ação judicial tenha transitado em julgado. A Súmula 18 do TRF 4a R. expressamente prevê que "o depósito judicial destinado a suspender a exigibilidade do crédito tributário somente poderá ser levantado, ou convertido em renda, após o trânsito em julgado da sentença' (grifouse). Destarte, nenhum dos pressupostos mínimos para fins de conversão de depósito em renda encontrase presente, uma vez que: · A demanda judicial tem por objeto a execução de título da dívida externa brasileira; · A ação judicial não questiona a legalidade de exação tributária, ou, ainda, a possibilidade de extinção de tributos federais com o crédito pleiteado; · Não há qualquer correlação entre o objeto da ação judicial e o depósito efetuado; · O depósito é meramente simbólico, representando parcela ínfima do tributo devido; · Não há qualquer provimento judicial favorável ao contribuinte; · A ação judicial continua em andamento em primeira instância, sem sentença de mérito; portanto, bem distante do trânsito em julgado. Assim, cogitarse, no caso concreto, em possibilidade de pagamento de tributo mediante conversão de depósito em renda é um grande nonsense jurídico, uma vez ausente decisão desfavorável ao sujeito passivo que efetuou o depósito em ação judicial transitada em julgado. Qualquer outra interpretação, visando antecipar os efeitos de um futuro e incerto provimento judicial, é desfigurar o instituto da conversão em renda como modalidade de extinção do crédito tributário. Enfim, sob qualquer ângulo que se analise a questão, os procedimentos adotados pelo recorrente visando à extinção de seus débitos tributários não encontra qualquer amparo legal. Sobre o assunto, convém destacar recente nota, disponível no link http://www.receita.fazenda.gov.br/Novidades/Informa/AvisoFraude.htm, na qual a Receita Federal do Brasil alerta os contribuintes acerca de fraude que vem sendo praticada envolvendo títulos da dívida pública, nos seguintes termos: Fl. 637DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 638 14 "Receita Federal do Brasil alerta para fraudes envolvendo títulos da dívida pública brasileira A Receita Federal do Brasil alerta os contribuintes para uma fraude explorada por alguns escritórios de advocacia, que oferecem a possibilidade de extinção de créditos tributários declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), na Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) e na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), por meio da aquisição de supostos "créditos " referentes a apólices de títulos da dívida pública externa e interna brasileira emitidos no início do Século XX. Esses títulos inseremse em diversos diplomas normativos, tais como os Decretos n° 8.154/1910 e 8.033/1911 e a Lei n° 1.101/1903. Porém, a pretensão encontrase prescrita, a teor do DecretoLei n° 263, de 28.2.67, e o DecretoLei n° 396, de 30.12.68, que estabeleceram dataslimite para apresentação desses papéis para resgate e anteciparam seus vencimentos para as datas ali determinadas. A partir daquelas datas, iniciouse a contagem do prazo da prescrição qüinqüenal (Decreto n° 20.910, de 6.1.32, e a Lei n° 4.069, de 11.6.62), ou seja, de cinco anos. Há também os títulos da dívida externa emitidos pelos Estados e Prefeituras em libras e em dólares, com base no Decretolei n° 6.019/1943, para os quais o resgate, se ainda válido, será exclusivamente no exterior e não há possibilidade legal de resgate na moeda nacional, nem tampouco previsão legal de utilização para quitação de tributos federais. O Poder judiciário tem, reiteradamente, decidido pela prescrição dos referidos títulos públicos, não se prestando estes à garantia de pagamento de dívida fiscal, tampouco à compensação tributária. Na maioria dos casos, as empresas são induzidas, por meio de pareceres e laudos periciais duvidosos, a integrar o pólo ativo em ações judiciais que visem ao reconhecimento da validade e conseqüente cobrança desses títulos. Na seqüência, são orientadas a praticar atos que configuram fraude à Fazenda Nacional. A Receita Federal está realizando rigoroso levantamento das empresas que estão suspendendo indevidamente débitos nas declarações, com base nestas ações judiciais, e intimandoas a regularizar imediatamente todos os débitos, sob pena de que seja feita Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público por crime contra a ordem tributária e lesão aos cofres públicos, além do imediato envio dos débitos para inscrição em Dívida Ativa da União e inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal Cadin. " Portanto, a RFB, por considerar tais operações ilegais, vem efetuando a cobrança dos créditos tributários relacionados a essas ações judiciais, além de outras ações pertinentes. No caso concreto, a DRF, ao efetuar a cobrança dos débitos confessados em DCTF não recolhidos no prazo legal, atuou em estrito cumprimento da legislação tributária pertinente, não havendo reparos a fazer na decisão impugnada nem na recorrida. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 638DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720272/201105 Acórdão n.º 1402002.185 S1C4T2 Fl. 639 15 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10865.723447/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2011
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO.
Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA.
A falsidade da declaração se manifesta na volitiva e consciente ação de declarar nas GFIP um crédito sabidamente inelegível para os fins de compensação de Contribuições Previdenciárias, eis que não se encontravam ornados com os atributos da liquidez e certeza indispensáveis à compensação pretendida, alterando, assim, a verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, de que possuía direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública, prejudicando, em consequência, o direito creditório do Fisco Federal, consubstanciado nas contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Vencidos os Conselheiros Rayd Santana Ferreira, que deu provimento parcial ao recurso, excluindo a parte da multa relativa às contribuições que foram concedidas no processo judicial, e o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, que fará Declaração de Voto.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 34 47 /2 01 2- 86 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 A falsidade da declaração se manifesta na volitiva e consciente ação de declarar nas GFIP um crédito sabidamente inelegível para os fins de compensação de Contribuições Previdenciárias, eis que não se encontravam ornados com os atributos da liquidez e certeza indispensáveis à compensação pretendida, alterando, assim, a verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, de que possuía direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública, prejudicando, em consequência, o direito creditório do Fisco Federal, consubstanciado nas contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, NEGARLHE PROVIMENTO. Vencidos os Conselheiros Rayd Santana Ferreira, que deu provimento parcial ao recurso, excluindo a parte da multa relativa às contribuições que foram concedidas no processo judicial, e o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, que fará Declaração de Voto. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.105 3 Relatório Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2011 Data da lavratura dos Autos de Infração: 13/11/2012. Data da Ciência dos Autos de Infração: 05/12/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.030.9593 e 51.030.9601, decorrentes de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, juntamente com a multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 33/43 De acordo com a resenha assinada pela Autoridade Lançadora, o crédito tributário ora em lançamento é constituído pelos seguintes Autos de Infração: · AI nº 51.030.9593: referente à glosa de compensações indevidas declaradas em GFIP, no período de 08/2010 a 08/2011. · AI n° 51.030.9601: referente à multa isolada prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, o sujeito passivo declarou em GFIP compensações de Contribuições Previdenciárias utilizando créditos oriundos de recolhimentos feitos a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas 1/3 de férias, horas extras, abono triênio, abono sexta parte, abono gratificação função e abono gratificação difícil acesso. Tendo em vista que tais compensações foram efetuadas totalmente sem amparo legal, não sendo apresentada ação judicial que autorizasse tal procedimento, a Fiscalização glosou as compensações realizadas, procedendo ao lançamento dos montantes que deixaram de ser recolhidos em razão da compensação realizada (e glosada). A fiscalização destacou ainda que o contribuinte é parte no Mandado de Segurança nº 000584429.2011.4.03.6109/14.06.2011, em trâmite na Vara Federal da 9ª Subseção Judiciária em Piracicaba/SP, no qual consta a afirmação de que horas extras e terço constitucional de férias são de natureza remuneratória e sofrem incidência de contribuição previdenciária. Esclareceu também que no referido processo foi deferida medida liminar para determinar a suspensão da exigibilidade do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os primeiros 15 dias de auxílio doença e auxílio acidente, auxílio creche, férias indenizadas e em pecúnia, aviso prévio indenizado, vale transporte e abono assiduidade indenizado, não estando incluídas nessas rubricas nenhum dos abonos compensados, a saber, abono triênio, abono sexta parte, abono gratificação função e abono gratificação difícil acesso. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Assim, tendo em vista que a compensação não se houve realizada de acordo com oque reza o art. 89 da Lei nº 8.212/91, a Fiscalização procedeu à glosa de compensação indevida. Por outro lado, em razão da inserção, nas GFIP, de declaração falsa referente a titularidade de direitos creditórios líquidos e certos, de natureza tributária previdenciária, em face da Fazenda Pública, a Fiscalização infligiu ao Sujeito Passivo a multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 137/953. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0645.371 7ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 1017/1029, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/03/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1031. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 5737/5766, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que os créditos utilizados para compensação são legítimos, proveniente de recolhimentos efetuados e recolhidos nas datas exigidas; · Que as compensações podem ser efetuadas administrativamente, sem necessidade da anuência do Poder Judiciário ou da RFB; · Que as compensações podem ser efetuadas administrativamente, sem a necessidade da aplicação do art. 170A do CTN; sem ter que aguardar o “trânsito em julgado”, no caso de impetração de “mandado de segurança ” ou quando inexistir ação judicial, a este não se aplica; · Que o lançamento de multa isolada por compensação não homologada, lançadas em GFIP e rotuladas de declaração falsa, somente teriam aplicabilidade em situações de fraude, com a aplicação da multa de 150%; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre as verbas cujos créditos foram utilizados para a compensação; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre a verba paga a título do terço constitucional de férias; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre a verba paga a título de gratificações eventuais; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre a verba paga a título de horas extras; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.106 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 18/03/2014. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agencia dos Correios no dia 11/04/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que os créditos utilizados para compensação são legítimos, proveniente de recolhimentos efetuados e recolhidos nas datas exigidas. Aduz que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre as verbas cujos créditos foram utilizados para a compensação, a saber, terço constitucional de férias, gratificações eventuais e horas extras. As questões atinentes à incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas elencadas no parágrafo anterior e também ao direito de compensar valores supostamente recolhidos de forma indevida a título de tais rubricas não poderão ser conhecidas por este Sodalício, uma vez que, em tal louvor, abdicou tacitamente o Recorrente de debatêla na esfera administrativa. Com efeito, compulsando a exordial do Mandado de Segurança nº 000584429.2011.4.03.6109/14.06.2011, a fls. 62/65, em trâmite na Vara Federal da 9ª Subseção Judiciária em Piracicaba/SP, verificamos que o objeto Writ em tela se circunscreve exatamente ao debate acerca da incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas pelo Município a segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias, Aviso Prévio Indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença e auxílio acidente (15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente), abono assiduidade, abono anual único, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, bem como a suspensão da exigibilidade das Contribuições Previdenciárias patronais incidentes sobre tais rubricas até o Trânsito em Julgado do suso mencionado Mandamus. Assentado que a citadas medida judicial versa sobre matérias idênticas às tratadas nos ora debatido Auto de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.107 7 A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor os frutos que lhe são positivos dimanados dos provimentos obtidos nas Instâncias Judiciais acima referidas, requerendo, inclusive, a suspensão de eventual cobrança, enquanto não se houver produzido o Trânsito em Julgado do Mandado de Segurança em foco. “DO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO NO PRESENTE CASO TEMSE QUE A OCORRÊNCIA DO LANÇAMENTO, SOMENTE PODE OCORRER COM FITO DE PREVENIR A DECADÊNCIA UMA VEZ QUE COM A PROPOSITURA DAS AÇÕES DE MANDADO DE SEGURANÇA, ABAIXO RELACIONADOS, A DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINSITRATIVO DEVE TER COMO OBJETIVO A CONSTITUIÇÃO CREDITO, MAS NÃO A SUA COBRANÇA, UMA VEZ QUE A EXIGILIDADE DO CREDITO ESTÁ SUSPENSA, MESMO QUE PARCIALMENTE. MANDA DO DE SEGURANÇA NÚMERO: 000584429.2011.4. 03. 6109” Diante desse quadro, atraindo para si o Recorrente os efeitos da demanda judicial, qualquer que seja a decisão proferida na esfera Administrativa, esta não surtirá qualquer consequência perante o provimento judicial. A celeuma em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial ajuizada pelo Recorrente sobre a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas pela empresa a segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias, Aviso Prévio Indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença e auxílio acidente (15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente), abono assiduidade, abono anual único, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, inviável se torna o conhecimento de alegações de idêntico naipe por esta Corte Administrativa, que restringirá sua apreciação e julgamento, tão somente, sobre as questões não incluídas na ação mandamental em relevo, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, e em atenção à Súmula nº 01 do CARF. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.108 9 de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O Recorrente alega que as compensações podem ser efetuadas administrativamente, sem necessidade da anuência do Poder Judiciário ou da RFB e sem a necessidade da aplicação do art. 170A do CTN; sem ter que aguardar o “trânsito em julgado”, no caso de impetração de “mandado de segurança ” ou quando inexistir ação judicial, a este não se aplica. Será ??? No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. Código Tributário Nacional – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende, pois, de previsão legal. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, em atenção ao art. 170 do CTN, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.109 11 parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento INDEVIDO de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Ocorre que a impossibilidade da compensação de contribuições previdenciárias com qualquer outra espécie de tributo que não os previstos nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91 não partiu de mera decisão política nem da consciência social do Legislador Ordinário. Antes, tem matriz constitucional. O inciso XI do Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 Art. 167 da Constituição da República determina ser vedada a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, ‘a’, e II, da CF/88 para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social – RGPS de que trata o art. 201 da CF/88. Constituição Federal Art. 167. São vedados: XI a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) Dessarte, pela perspectiva constitucional, a destinação dos recursos provenientes das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; e das contribuições sociais a cargo do trabalhador e dos demais segurados da previdência social não pode ser outra que não o pagamento dos benefícios do RGPS, circunstância que afasta, peremptoriamente, e em definitivo, qualquer possibilidade de compensação de contribuições previdenciárias com qualquer outra espécie de tributo que não os previstos nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91. Realçadas as normas constitucionais e legais supracitadas, deflui que a compensação de contribuições previdenciárias somente e tão somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91. NENHUMA OUTRA HIPÓTESE. O exercício do direito à compensação de Contribuições Previdenciárias, portanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.110 13 de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade de direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública decorrente de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, dentre outras condições específicas de cada caso. Nessa perspectiva, para que o Contribuinte possa realizar o procedimento de compensação previsto no art. 89 da Lei nº 8.212/91 tem que ter em sua carteira direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, dentre outras exigências. Merece ser trazido à balha neste comenos que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a “folha de salários” como, também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Dessarte, o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 da Lei nº 8.212/91 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”, à exceção, tão somente, das hipóteses de isenção previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Por outro viés, vinho de outra pipa, entretanto, deve ser lembrado que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 competente. Com efeito, a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Também não deve fugir ao conhecimento daqueles que operam com profissionalismo no ramo do Direito que as decisões judiciais proferidas em sede de Controle Difuso de Constitucionalidade somente produzem efeitos inter partes, não irradiando consequências sobre aqueles estranhos ao processo judicial no qual a decisão houvese por prolatada. Assim, enquanto a Norma Tributária não for definitivamente extirpada do Ordenamento Jurídico, ela permanece produzindo efeitos sobre os Administrados, ressalvados os casos em que o Contribuinte se encontre protegido por decisão judicial que lhe seja favorável, transitada em julgado. Daí a inafastável necessidade do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária de ingressar nas Instâncias Judiciárias competentes para se ter declarada qualquer eventual inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo e, dessa maneira, adquirir o direito à compensação dos valores declarados judicialmente como “indevidamente recolhidos”. Então, somente a partir do Trânsito em Julgado do provimento judicial que lhe for favorável pode o Contribuinte se eximir da observância da Lei genérica e abstrata, nas exíguas condições de contorno da Sentença Judicial. ANTES NUNCA, como assim estatui o art. 170A do CTN. Código Tributário Nacional Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104/2001) Não procede, portanto, a alegação de que o art. 170A não se aplica a Mandado de Segurança. A norma inscrita no aludido dispositivo legal é ampla, genérica e abstrata, não comportando em seu bojo qualquer espécie de exceção. Por conseguinte, somente a contar do Trânsito em Julgado da ação judicial é que o Direito Creditório debatido e deferido pelo Poder Judiciário pode ser considerado como CERTO. Antes do Trânsito em Julgado da ação não se tem “DIREITO CERTO”, mas mera “EXPECTATIVA DE DIREITO”, tendo em vista que a decisão vigente encontrase ainda susceptível de modificação pela Instância Hierarquicamente Superior. No caso em apreciação, colhemos das provas dos autos que a compensação levada a efeito pelo Município Recorrente teve por fundamento e apoio o Mandado de Segurança nº 000584429.2011.4.03.6109/14.06.2011, em trâmite na Vara Federal da 9ª Subseção Judiciária em Piracicaba/SP, mediante o qual o Impetrante requer a declaração de inexistência de relação jurídica tributária que a obrigue ao recolhimento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas pelo Município a segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias, Aviso Prévio Indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença e auxílio acidente (15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.111 15 doença/acidente), abono assiduidade, abono anual único, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, bem como a suspensão da exigibilidade das Contribuições Previdenciárias patronais incidentes sobre tais rubricas até o Trânsito em Julgado do suso mencionado Mandamus. A sentença proferida em sede de 1ª Instância proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000584429.2011.4.03.6109/14.06.2011, julgou parcialmente procedente o pedido, e concedeu parcialmente a segurança, para afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de pagamentos relativos aos quinze primeiros dias de auxíliodoença e auxílioacidente, auxíliocreche, férias indenizadas e em pecúnia, aviso prévio indenizado, vale transporte e abono assiduidade indenizado, mediante Decisão sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório, nos termos que se vos seguem: “Posto isso, julgo parcialmente procedente o pedido, com resolução de mérito, com base no artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil e concedo parcialmente a segurança afastandose da incidência da base de cálculo das contribuições devidas a título de pagamentos relativos aos quinze primeiros dias de auxíliodoença e auxílioacidente, auxíliocreche, férias indenizadas e em pecúnia, aviso prévio indenizado, vale transporte e abono assiduidade indenizado Custas ex lege. Indevidos honorários advocatícios (Artigo 25 da Lei 12.016/09). Decisão sujeita ao duplo grau de jurisdição, devendo oportunamente ser remetida ao Egrégio Tribunal Federal da 3ª Região”. Em face de tal decisão, além da remessa obrigatória, a União interpôs Recurso de Apelação dirigido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, a qual ainda se encontra pendente de Julgamento naquela Egrégia Corte. De tal situação fática se extraem as seguintes conclusões: a) Nem todas as rubricas empregadas pelo Recorrente nas compensações por ele realizas foram deferidas pelo Poder Judiciário. b) Mesmo os valores recolhidos à título das rubricas albergadas pela sentença de 1º grau não podem serem ainda considerados como Direito Creditório CERTO, eis que a decisão de 1ª Instância não é definitiva, e o recurso de apelação encontrase pendente de julgamento no TRF da 3ª Região. De outro eito, quanto às verbas pagas pelo Município a seus segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias, salário educação, abono assiduidade não indenizado, abono anual único, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, a Justiça Federal não concedeu a segurança, reconhecendo que tais rubricas possuem natureza remuneratória e sobre elas há a efetiva incidência de Contribuições Previdenciárias. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 Aditese ainda que em relação às rubricas eleitas pelo Contribuinte como susceptíveis de Compensação Tributária, o Autuado não produziu nos autos qualquer espécie de prova tendente a demonstrar a ocorrência do efetivo recolhimento das exações sobre elas incidentes, e ora reclamadas como créditos compensáveis, fato que compromete de morte o atributo da LIQUIDEZ do crédito utilizado na compensação efetuada, e posteriormente glosada pela Fiscalização. Diante de tal quadro, além de não comprovar, mediante documentos idôneos, o efetivo recolhimento de Contribuições Previdenciárias decorrentes das rubricas acima elencadas, o Recorrente não possui qualquer provimento judicial definitivo apto a afastar o Poder de Império das leis tributárias que estabelecem a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as rubricas ora em debate, não se prestando para tal fim as decisões isoladas proferidas incidenter tantum em ações judiciais das quais o Autuado não consta como parte do processo, eis que os efeitos de tais decisões operam, apenas, efeitos inter partes, jamais erga omnes. Devese ressaltar, por relevante, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.230.957RS, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu não haver incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, sobre o terço constitucional incidentes sobre a remuneração das férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado, e ratificou a incidência das citadas Contribuições Sociais sobre o Salário Maternidade e sobre o Salário Paternidade. Por outro viés, no julgamento do REsp nº 1.358.281, também submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil, assentouse o entendimento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre horas extras, adicional noturno e adicional de periculosidade e insalubridade. Tais decisões, todavia, ainda não se encontram ornadas com o atributo da coisa julgada, eis que são objeto de Recurso Extraordinário em trâmite no STF. O Resp nº 1.230.957 encontrase suspenso no Superior Tribunal de Justiça, por depender do julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 593.068, com repercussão geral, circunstância que afasta a incidência do preceito inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual exige decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) Portanto, estando ainda pendentes de recurso as decisões judiciais acima referidas, não há que se falar em decisões definitivas de mérito, tampouco em reprodução, no vertente Recurso Voluntário, dos julgados ora em debate. Nesse contexto, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, tampouco decisão judicial favorável ao Contribuinte transitada em julgado, as contribuições previdenciárias Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.112 17 eventualmente recolhidas, incidentes sobre tais verbas, SÃO DEVIDAS, não gerando qualquer direito creditório a ser utilizado em compensações tributárias Repisese que sem o Trânsito em Julgado das decisões judiciais favoráveis ao contribuinte a respeito da inexigibilidade de tributos previstos em lei, os recolhimentos efetuados a tal título não podem ser considerados como indevidos para fins de compensação tributária. Dessarte, inexistindo comprovação por parte do Interessado de recolhimento indevido ou a maior que o devido das contribuições sociais de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, não haverá constituição de crédito em favor do Sujeito Passivo. Inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Autuado. Procedente a glosa. 3.2. DA MULTA ISOLADA O Recorrente alega que o lançamento de multa isolada por compensação não homologada, lançadas em GFIP e rotuladas de declaração falsa, somente teriam aplicabilidade em situações de fraude, com a aplicação da multa de 150%. Conforme já salientado anteriormente, lido pela lente do art. 170 do CTN, a redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos líquidos e certos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. De outro eito, o §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 estatui que nas hipóteses de compensação indevida, quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, in casu, a GFIP, o Contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% incidente sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 18 o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Da mera leitura dos dispositivos suso transcritos, percebemos a cominação de duas penalidades pecuniárias para a conduta consistente na compensação indevida de contribuições previdenciárias: I. A multa de mora, calculada segundo a memória de cálculo descrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §9º da Lei nº 8.212/91) II. Multa isolada, no valor correspondente a 150% incidente sobre o valor indevidamente compensado, nos casos em que ocorrer falsidade da declaração onde a compensação houvese por informada ao Fisco. (art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91) Em razão da duplicidade de penalidades cominadas a uma mesma conduta, pipocam alguns questionamentos a exigir nossa digressão, dentre outros: a) As penalidades indicadas são aplicáveis de forma alternativa ou de maneira cumulativa? b) Em que hipóteses será aplicada a multa de mora? E a multa isolada? c) O que se entende por “falsidade da declaração” e qual a abrangência de tal termo? d) Quais seriam os elementos de convicção com aptidão para se comprovar a falsidade de declaração? Entendo que a resposta a tais indagações deve ser formulada levandose em consideração uma interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias em realce, realizada de acordo com o balizamento encartado no Capítulo IV do Título I do CTN, observado o princípio da proporcionalidade implicitamente permeado na Escritura Constitucional. Nessa perspectiva, se nos afigura que a pedra de toque a impingir um diferencial significativo entre as penalidades previstas nos §§ 9º e 10 do aludido art. 89 encontrase assentado na comprovação da falsidade da declaração, circunstância essencial e indispensável para a inflição da penalidade mais severa. Do que se extrai da dicção do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a aplicação da multa isolada encontrase subjugada à ocorrência simultânea de duas condicionantes inafastáveis, sendo a primeira a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e a segunda, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que a ausência de uma ou de outra não rende ensejo à aplicação da penalidade em relevo. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.113 19 Nessa perspectiva, a mera compensação indevida de contribuições previdenciárias configurase, tão somente, inadimplemento de tributo devido e não recolhido, em relação aos quais, na constituição de ofício do crédito tributário, além do principal, o lançamento deverá contemplar os acréscimos legais de caráter moratório, nos termos fixados no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fato diametralmente diverso se configura com o emprego de declaração falsa em GFIP, visando a iludir o Fisco Federal sobre a efetiva existência de direito creditório líquido e certo do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública decorrente de recolhimento indevido das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Na apreciação do caso concreto, uma vez caracterizada a compensação indevida, a configuração da hipótese de incidência da multa isolada exige, para a sua consumação, a demonstração da falsidade, eis que elemento objetivo do tipo, sendo necessária e imprescindível sua comprovação, a teor do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Indispensável, pois, se perquirir onde se encontra a falsidade na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, e se fazer coligir aos autos os elementos de convicção da efetiva ocorrência da falsia em relevo. Ora, mas o que se entende por falsidade de declaração? Um mero erro material de digitação na GFIP, resultando num montante de compensação a maior que as forças do crédito de titularidade do sujeito passivo, já se consumaria numa falsidade de declaração? Uma declaração a maior do montante compensável, em GFIP, resultante do emprego de metodologia de atualização do crédito e de acumulação de juros moratórios diferente da adotada pela RFB, seria suficiente para enquadrala como acometida de falsidade? Ou seria necessário, para a consumação da conduta típica em tela, que o Infrator, consciente de que não possui o direito creditório declarado, informe dolosamente no documento em apreço compensação de créditos previdenciários sabidamente inexistentes (ou a menor) visando à redução do montante a ser recolhido? A Lei nº 8.212/91 não define, para fins de enquadramento na conduta tipificada no §10 do seu art. 89, o conceito do termo “falsidade de declaração”, tampouco sua abrangência e alcance. Nessas situações, ante a ausência de disposição expressa, o codex tributário impõese a integração legislativa mediante a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a equidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 20 §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Tratandose de normas que impingem ao infrator uma penalidade decorrente da transgressão de uma norma de conduta, nada mais natural do que a integração analógica com as normas que dimanam do Direito Penal. Sob tal prisma, há que se perquirir se, para a caracterização de falsidade de declaração, seria necessária a tipificação de falsidade de documento público ou, numa gradação mais branda, suficiente seria a mera falsidade ideológica? Cumpre salientar que, para os efeitos da incidência da lei penal, a GFIP equiparase a documento público, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 297 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/ 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.114 21 Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Seja num caso, seja no outro, os princípios de direito público atávicos ao Direito Penal exigem, para a subsunção à conduta típica, não somente a coincidência objetiva de condutas, mas, também, a presença do elemento subjetivo consubstanciado no dolo ou na culpa, esta, quando expressamente prevista no corpo do tipo, a teor do Parágrafo Único do art. 18 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209/84) Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209/84) I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Crime culposo (Incluído pela Lei nº 7.209/84) II culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Parágrafo único Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Sublinhese que a conduta dolosa se verifica não somente quando o agente quer o resultado, mas também quando ele assume o risco de produzilo. Assim, sob o prisma da norma que pespega penalidades, indispensável para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo consistente na consciência e vontade de concretizar os requisitos objetivos do tipo. Pintado nesse matiz o quadro fáticojurídico, se nos antolha que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, necessária é a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, consistente na consciência do agente de que, mesmo sabedor de que não possui direito creditório à altura, mesmo assim informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando a esquivarse do recolhimento da exação devida. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar os elemento de convicção reveladores da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 22 A tal conclusão também se converge ao se apreciar, pelo crivo da proporcionalidade, a dualidade de imputações fixadas nos parágrafos 9º e 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: Tratandose de compensação indevida, nas hipóteses em que o agente não teve a intenção de fraudar a norma tributária, a penalidade pecuniária a ser aplicada será a mais branda, nos termos fixados no §9º do suso mencionado art. 89, consistente na multa de mora graduada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, além dos juros moratórios. Tratandose, por outro viés, de consciente e inescusável inserção de informações sabidamente não verdadeiras na GFIP, visando a reduzir tributo, rigorosa deverá ser a punição a ser infligida ao infrator, consistente na multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Nestes casos, assentado que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, deve o agente fiscal se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Não se pode perder de vista que a interpretação defendida nos parágrafos antecedentes também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as compensações indevidas nas quais o agente não teve a intensão de inserir declaração não verdadeira nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, conduzindo tais casos à hipótese genérica e abstrata assentada no §9º do citado art. 89 da Lei nº 8.212/91, que prevê, tão somente, a incidência de juros e multa moratória sobre o montante indevidamente compensado. Corrobora o entendimento acima externado as disposições inscritas na Seção V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, do Capítulo V da IN RFB nº 900/2008, cujo art. 45 prevê que o sujeito passivo deve recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos, mesmo na hipótese de a compensação considerada como indevida ser decorrente de informação incorreta em GFIP. Instrução Normativa RFB nº 900/2008 SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.115 23 Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Art. 45. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 46. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Da conjugação dos termos alinhados nos artigos 45 e 46 extraise que a mera constatação de informação incorreta em GFIP da qual decorra compensação indevida de contribuições previdenciárias não implica, automaticamente, a imputação da multa isolada prevista no art. 46 da mesma Instrução Normativa em foco, eis que tal increpação depende da efetiva comprovação da falsidade da declaração. Deflui daí o reconhecimento do próprio Poder Executivo de que a simples informação incorreta na GFIP da qual decorra compensação indevida não importa de per se em falsidade da declaração, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do tipo, consistente na consciência e vontade de fraudar a lei visando a reduzir o montante de tributo devido. Avulta de todo o exposto que a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo de inserir informação sabidamente não verdadeira nas GFIP, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, situação que, por sua gravidade, deve ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Olhando com os olhos de ver, se nos afigura que o fator agravado na hipótese do §10 do dispositivo legal em realce não é a mera compensação indevida, mas, sim, a ação dolosa e consciente falsear a forma ou o conteúdo da declaração de compensação visando a iludir o Fisco Federal quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. Alertese que de acordo com o art. 3º do DecretoLei nº 4.657/42, o Ordenamento Jurídico não concede a ninguém a escusa de descumprir a Lei sob a alegação de que não a conhece. DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 24 Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Não procede, portanto, a alegação recursal de que “o lançamento de multa isolada por compensação não homologada, lançadas em “GFIP” e rotuladas de “declaração falsa”, somente teriam aplicabilidade em situações de fraude, com a aplicação da multa de 150%”. A lei não exige a caraterização de fraude. Como visto, a lei se contenta com a demonstração da falsidade da declaração. Assim delimitadas as condições de contorno fáticas e jurídicas do caso em apreciação, e: · Considerando que o CTN detém competência constitucional para estabelecer regras gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação e crédito tributários; · Considerando que o art. 170 do CTN estatui que a lei só pode autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública; · Considerando que o caput do art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente autoriza a compensação das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; · Considerando que o inciso XI do art. 167 da CF/88 veda, expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social; · Considerando que a conduta dolosa se dá não somente quando o agente quer o resultado, mas, também, quando ele assume o risco de produzilo; · Considerando que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei para se escusar do cumprimento de obrigação a todos imposta; · Deve se considerar igualmente que o Sujeito Passivo, ao volitivamente informar determinada compensação de Contribuições Previdenciárias em GFIP, tem a plena consciência de que está formal e oficialmente declarando possuir Crédito Tributário LIQUIDO E CERTO em face da Fazenda Pública, no montante correspondente à compensação informada, decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. No caso em estudo, o Autuado declarou em suas GFIP compensação de contribuições previdenciárias com créditos que sabia não serem certos: A uma, porque o Mandado de Segurança nº 000584429.2011.4.03.6109/14.06.2011, que concedeu parcialmente a segurança, para afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de pagamentos Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.116 25 relativos aos quinze primeiros dias de auxíliodoença e auxílioacidente, auxíliocreche, férias indenizadas e em pecúnia, aviso prévio indenizado, vale transporte e abono assiduidade indenizado, ainda não havia transitado em julgado, estando na pendencia do julgamento do recurso de Apelação, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de maneira que os créditos tributários nele consignados ainda não se encontravam ornados com os atributos da certeza e liquidez, indispensáveis à procedência da compensação. A duas, porque quanto às verbas pagas pelo Município a seus segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias, salário educação, abono assiduidade não indenizado, abono anual único, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, a Justiça Federal não concedeu a segurança, reconhecendo que tais rubricas possuem natureza remuneratória e sobre elas há a efetiva incidência de Contribuições Previdenciárias, o que torna devidas as contribuições eventualmente recolhidas pelo Autuado. A três, porque os recolhimentos supostamente realizados pelo Recorrente, incidentes sobre as rubricas em debate no Mandado de Segurança nº 000584429.2011.4.03.6109/14.06.2011, até o presente momento SÃO CONSIDERADOS DEVIDOS, em conformidade com as leis tributárias vigentes e eficazes, não possuindo o Recorrente qualquer decisão judicial favorável transitada em julgado lhe conferindo direito creditório apto a compensação de Contribuições Previdenciárias. A quatro, porque o Recorrente sequer comprovou nos autos, mediante documentos idôneos, o efetivo recolhimento das Contribuições Previdenciárias decorrentes das rubricas acima elencadas, o que compromete a liquidez do crédito alegado. Nesse contexto, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, tampouco decisão judicial favorável ao Contribuinte transitada em julgado, as contribuições previdenciárias eventualmente recolhidas, incidentes sobre tais verbas, SÃO CONSIDERADAS DEVIDAS, não gerando qualquer direito creditório a ser utilizado em compensações tributárias A falsidade se manifesta, portanto, na volitiva e consciente ação de declarar nas GFIP um crédito sabidamente inelegível para os fins de compensação de Contribuições Previdenciárias, eis que não se encontravam ornados com os atributos da liquidez e certeza indispensáveis à compensação pretendida, alterando, assim, a verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, de que possuía direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública, prejudicando, em consequência, o direito creditório do Fisco Federal, consubstanciado nas contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) (...) Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 26 Todos os elementos objetivos e subjetivos da conduta infracional, consubstanciados na efetiva declaração de direito creditório na GFIP, bem como os elementos de convicção de que os créditos informados não se encontravam vestidos dos indispensáveis trajes da liquidez e certeza, encontramse, um a um, descritos e presentes nos autos do vertente Processo Administrativo Fiscal, demonstrando e comprovando a efetiva presença de todos os elementos objetivos e subjetivos da falsidade ideológica consistente na consciente inserção nas GFIP de declaração diversa daquela que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar o Direito do Fisco Federal relativo às contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita pela Fiscalização a caracterização da efetiva ocorrência de compensação indevida de contribuições previdenciárias, bem como os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da falsidade das GFIP, demonstrados e devidamente comprovados pelos elementos de prova acostados aos autos, circunstância que clama a incidência da multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Por todo o exposto, voto na manutenção da multa isolada. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10865.723447/201286 Acórdão n.º 2401004.032 S2C4T1 Fl. 1.117 27 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Em que pese os bem colocados argumentos do ilustre relator, especialmente no tocante à manutenção da multa isolada de 150%, apresento esta declaração de voto para pontuar o meu posicionamento de discordância quanto ao ponto específico. Divergi do relator na aplicação da multa isolada de 150%, prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº. 8.212/91, pois não vislumbro com a mesma clareza o "o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo de inserir informação sabidamente não verdadeira nas GFIP" mencionado no voto acima. Entendo que o fato de haver um processo judicial discutindo a incidência ou da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas já mencionadas, uma decisão judicial (sentença) parcialmente favorável ao município, e a informação deste na compensação declarada em GFIP, com a menção ao processo judicial, descaracteriza o intuito doloso vislumbrado pelo relator. Não se trata aqui de "privilegiar" eventual desconhecimento de lei, o que seria nítida ofensa ao artigo 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, tampouco de permitir uma compensação antes do trânsito em julgado, o que seria ofensa ao art. 170A do CTN, mas simplesmente reconhecer que as circunstâncias fáticas do caso concreto, acima apontadas, afastam os "elementos objetivos e subjetivos qualificadores da falsidade das GFIP". Ora, fosse essa a real intenção do município recorrente, outra seria a conduta, pois não consigo vislumbrar o intuito doloso da falsidade verificado pelo relator, com a inclusão das informações pelo município na GFIP, a existência da ação judicial e o resultado, ainda que parcial, verificado na sentença proferida. Por estes motivos, no caso concreto, entendo pelo afastamento da multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº. 8.212/91. É como voto. Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.013330/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. LIMITES DO PEDIDO. OBSERVÂNCIA.
Descabe ao colegiado de segunda instância administrativa, em sede de embargos de declaração, extrapolar os limites do pedido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES DECLARADOS. EXCLUSÃO.
A exclusão dos valores declarados deve levar em conta a base de cálculo correspondente aos valores não comprovados mais os valores comprovados pela Autoridade lançadora, uma vez que ambos os valores transitaram pelas contas correntes do contribuinte.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2201-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, atribuindo-lhes efeitos infringentes, e, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-002.024, de 12/03/2013, alterar a decisão no sentido de esclarecer que a exclusão dos rendimentos declarados no ano-calendário 2000 deve resultar em imposto suplementar igual a zero. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Carlos Henrique de Oliveira. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Assinado Digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LIMITES DO PEDIDO. OBSERVÂNCIA. Descabe ao colegiado de segunda instância administrativa, em sede de embargos de declaração, extrapolar os limites do pedido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES DECLARADOS. EXCLUSÃO. A exclusão dos valores declarados deve levar em conta a base de cálculo correspondente aos valores não comprovados mais os valores comprovados pela Autoridade lançadora, uma vez que ambos os valores transitaram pelas contas correntes do contribuinte. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, atribuindolhes efeitos infringentes, e, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201002.024, de 12/03/2013, alterar a decisão no sentido de esclarecer que a exclusão dos rendimentos declarados no anocalendário 2000 deve resultar em imposto suplementar igual a zero. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Carlos Henrique de Oliveira. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Assinado Digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 01 33 30 /2 00 4- 91 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10945.013330/200491 Acórdão n.º 2201003.155 S2C2T1 Fl. 1.477 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pela autoridade responsável pela execução do acórdão, fls. 1469/1471, em face do Acórdão nº 2201002.024, de 12/03/2013, de relatoria da Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, cujo resultado do julgado restou assim consignado (fl. 1449): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de sobrestamento do julgamento do recurso e de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores dos rendimentos declarados. Fez sustentação oral o Dr. Jose Aderlei de Souza, OAB/PR 37226. (grifei) Por sua vez, o voto condutor do aresto embargado anotou que (fl. 1455): Não obstante, outro é meu entendimento no que se refere aos valores oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual do contribuinte nos valores abaixo especificados: Rendimentos Tributáveis Exercício Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior Total DAA Fls. 2000 R$ 32.138,89 R$ 5.448,00 R$ 37.586,89 5 2001 R$ 222.645,99 R$ 11.938,00 R$ 234.583,99 12 2002 R$ 65.540,76 R$ 6.747,00 R$ 72.287,76 18 Entendo que os referidos valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, pois é bastante razoável entender que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Por sua vez, alega a autoridade embargante que o acórdão possui uma obscuridade, pois ao inserir os valores dos créditos tributários exonerados pelo julgamento resultaria, para o exercício 2001 (anocalendário 2000), em imposto suplementar negativo, já que o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte supera o valor de rendimentos omitidos (depósitos não justificados) apurados pela autoridade lançadora e mantidos pela DRJ. Transcrevese o quadro elaborado pela DRF/Foz do Iguaçu (fl. 1470): Anocalendário 1999 2000 2001 Base de Cálculo 25.589,69 182.032,99 64.343,62 Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10945.013330/200491 Acórdão n.º 2201003.155 S2C2T1 Fl. 1.478 3 declarada (DIRPF) (+) Depósitos bancários não justificados 253.838,57 221.389,55 173.357,11 () Depósitos bancários justificados (DRJ) (4.856,42) (55.663,26) (1.744,83) (=) Base de cálculo apurada pela DRJ 274.571,84 347.759,28 235.955,90 ()Valores Excluídos pelo CARF (37.586,89) (234.583,99) (72.287,76) (=) Nova Base Cálculo apurada pelo CARF 236.984,95 113.175,29 163.668,14 Imposto devido 60.850,86 26.803,20 40.688,74 () Imposto pago (Declaração) (2.717,16) (45.739,07) (13.374,49) Imposto suplementar 58.133,70 (18.935,87) 27.314,25 De fato, compulsandose o quadro elaborado pela Embargante, verificase que, relativamente ao anocalendário de 2000, o imposto suplementar apurado restou negativo, já que os rendimentos considerados omitidos no anocalendário de 2000 têm montante menor que os declarados pelo contribuinte. Diante da contradição/obscuridade, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 1474/1475, acolheu os Embargos e determinou a reinclusão do processo em pauta de julgamento, no sentido de submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com o fito de esclarecer o alcance do julgado. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos são tempestivos e reúnem os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, o objeto dos Embargos diz respeito ao valor do imposto a ser cobrado, já que se levar em consideração às exclusões da base de cálculo perpetradas pela Segunda Instância, o imposto suplementar apurado, para o anocalendário de 2000, seria negativo. Pois bem, compulsandose a Relação dos Depósitos/Créditos Bancários Apurados, fls. 137/142, verificase que a autoridade fiscal identificou que o montante de depósitos havidos no movimento financeiro do autuado representou R$ 1.373.628,53. Após a comprovação de parte dos depósitos pelo Contribuinte, o valor relativo aos depósitos e créditos não comprovados representou R$ 648.585,23 (fl. 158). Assim, como bem pontuou a Embargante, “o lançamento de ofício considerou como rendimentos omitidos somente os depósitos não justificados pelo contribuinte, e não o total dos depósitos e créditos que circularam pelas contas bancárias do contribuinte”. Em razão da observação supra, verificase que, diferentemente do que entendeu a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, a autoridade fiscal excluiu do lançamento os valores comprovados pelo contribuinte, portanto a exigência fiscal considerou Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10945.013330/200491 Acórdão n.º 2201003.155 S2C2T1 Fl. 1.479 4 como rendimentos omitidos somente os depósitos não comprovados, como é possível inferir pela própria base de cálculo negativa apurada pela autoridade administrativa quando da execução do acórdão. Ademais, compulsandose a DIRPF/2001, verificase que o Contribuinte informou a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas e jurídicas o valor de R$ 234.583,99. Por sua vez, a autoridade lançadora consignou no Termo de Verificação Fiscal à fl. 161 que, relativamente aos rendimentos auferidos “... não foram encontradas irregularidades”. Não se pode perder de vista que na presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não há como considerar como comprovado a origem apenas com a indicação genérica da fonte do crédito. In casu, para a exclusão dos rendimentos declarados em suas DIRPF’s é necessário à indicação da origem, caso contrário, a conclusão que se impõe é que os valores não transitaram pelas contas bancárias do Contribuinte. Assim, os fundamentos utilizados quando da análise do anocalendário de 2000, deve ser aplicado aos anoscalendário de 1999 e 2001. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201002.024, de 12/03/2013, alterar a decisão, atribuindolhe efeitos infringentes, no sentido de “rejeitar a preliminares de sobrestamento do julgamento do recurso e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Em que pese o brilhantismo do voto do Ilustre Relator, Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, permitome discordar de seu entendimento, pelas razões lançadas abaixo. Como se observa às fls. 1.469/1.471, a Autoridade embargante aponta no acórdão embargado uma obscuridade, pois ao inserir os valores dos créditos tributários exonerados pela decisão recorrida o julgamento resultaria, para anocalendário 2000, em imposto suplementar negativo, já que o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte supera o valor de rendimentos omitidos (depósitos não justificados) apurados pela autoridade lançadora e mantidos pela DRJ. A Autoridade embargante pleiteia o esclarecimento acerca de três pontos, que, resumidamente, são os seguintes: 1. se a exclusão dos rendimentos declarados deve levar em conta os valores dos depósitos considerados justificados pela autoridade que lançou o IR suplementar e pela DRJ. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10945.013330/200491 Acórdão n.º 2201003.155 S2C2T1 Fl. 1.480 5 2. a forma como o cálculo da exclusão dos rendimentos declarados será feita, a fim de evitar resultado negativo do IR suplementar. 3. se, estando correto o cálculo acima, a exclusão dos rendimentos declarados no anocalendário 2000 deve ser limitada a um valor que componha base de cálculo que resulte em imposto suplementar igual a zero, evitando o IR negativo. Nesse cenário, penso que essa Turma deve se ater a esclarecer a obscuridade apontada na peça de embargos, sem ultrapassar os limites do pedido. É fato que a jurisprudência deste Conselho vem entendendo que os rendimentos declarados pela pessoa física podem ser considerados como origem para fins de apuração do imposto de renda devido nos casos em que a tributação se dá com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados tenham sido utilizados de qualquer outra forma que não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Nesse sentido: Acórdão 210202.220, de 14/08/2012, Acórdão 220200.415, de 04/02/2010, dentre outros. Este também foi o entendimento da Relatora do acórdão embargado, a ver: Entendo que os referidos valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, pois é bastante razoável entender que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Embora na conclusão do acórdão a Ilustre Relatora tenha se manifestado no sentido de “dar provimento parcial ao recurso para afastar das bases de cálculos dos depósitos de origem não identificada, os valores dos rendimentos declarados”, penso que a exclusão deve ser feita levandose em conta todos os valores que transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. Em outras palavras: da mesma forma que os depósitos não comprovados transitaram pela conta do contribuinte os depósitos comprovados também transitaram, de forma que a exclusão dos valores declarados deve ser feita da base de cálculo correspondente aos valores não comprovados mais os valores comprovados. Mais com um detalhe: apenas devem ser considerados os valores comprovados pela Autoridade lançadora, uma vez que estes não foram computados na relação de depósitos bancários de origem não comprovada. Os depósitos considerados comprovados pela decisão de piso já constavam da relação de depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 169/171 evidencia que: 7 Em 30/03/04 o contribuinte respondeu as intimações, com justificativas sobre a origem dos créditos bancários dos anos calendário de 1998 a 2000, não se manifestando em relação ao anocalendário de 2001 (fls. 145/151). (...) Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10945.013330/200491 Acórdão n.º 2201003.155 S2C2T1 Fl. 1.481 6 Em relação aos créditos bancários correspondentes ao ano calendário 1999, junto ao BANCO DO BRASIL e ao BANESPA, nada foi comprovado. Em relação aos créditos bancários correspondentes ao ano calendário 2000, restaram comprovados somente os seguintes valores: a) BANESPA foi comprovado somente o depósito efetuado em 31/01/2000, no valor de R$ 6.000,00 correspondente à venda de parte de imóvel a SANEPAR. b) BANCO DO BRASIL, foram comprovados somente os depósitos de R$ 258.408,15 efetuado em 23/02/2000 e de R$ 113.789,82 efetuado em 05/12/2000, correspondentes à liquidação de sentença judicial na qual o contribuinte era parte. Assim, penso que a exclusão dos rendimentos declarados, no ano 2000, deveria levar em conta os valores dos depósitos considerados justificados pela Autoridade lançadora, no montante de R$ 378.197,97 (R$ 6.000,00 + R$ 258.408,15 + 113.789,82), o que esclarece a dúvida de nº 1 da Embargante. Isso seria feito somando R$ 378.197,97 aos valores dos depósitos não justificados relativos ao anocalendário de 2000 (R$ 221.389,55), o que resultaria em R$ 599.587,52 (Depósitos não justificados + depósitos justificados) e esclarecia a dúvida de nº 2 da Embargante. Ocorre que a nova base de cálculo apurada pelo CARF ficaria maior do que o base de cálculo apurada pela DRJ, o que implicaria em reformatio in pejus, o que, a meu ver, é inviável no processo administrativo fiscal. Nesse cenário, penso que a solução para o caso é justamente aquela que consta da dúvida de nº 3 da Embargante, vale dizer, a exclusão dos rendimentos declarados no anocalendário 2000 deve ser limitada a um valor que componha base de cálculo que resulte em imposto suplementar igual a zero, evitando o IR negativo. Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201002.024, de 12/03/2013, alterar a decisão, atribuindolhe efeitos infringentes, no sentido de esclarecer que a exclusão dos rendimentos declarados no anocalendário 2000 deve ser limitada a um valor que componha base de cálculo que resulte em imposto suplementar igual a zero, evitando o IR negativo. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10166.730384/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA - PREVISÃO LEGAL
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.239
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA PREVISÃO LEGAL Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 03 84 /2 01 2- 00 Fl. 5717DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 5718DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.718 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes – VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA e INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME contra Acórdão nº 0352.662 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 51.013.9604(parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados): Auto de infração nº 51.013.9604 (PATRONAL) no valor de R$ 27.977.261,45 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (parte patronal), incidentes sobre o fato gerador apurado Auto de Infração nº 51.013.9612 (Desconto de Segurados sem Apropriação Indébita) no valor de R$ 1.226.536,04 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social pelos segurados, incidentes sobre os fatos geradores apurados. O Relatório Fiscal mostra a descrição dos fatos: Primeiramente a fiscalização tentou intimar a empresa do TIPF peto correio através de vários envios de correspondências com Aviso de Recebimento, para os endereços encontrados para a empresa, mas todas as correspondências retornaram com a indicação de "MUDOUSE". Para facilitar o entendimento listo abaixo os números de identificação e controle de cada envio: SI 15808333 8 BR (Enviado para o endereço Q ADE SUL, Conjunto 3 Lote 39, Samambaia, CEP 72.314703) enviado em 27/04/2012 e devolvido em 30/04/2012. SI 15808334 1 BR (Enviado para o endereço Av Contorno A Especial 02 Lote V Sobreloja 1 Loja 1 PT, Núcleo Bandeirantes, CEP 71.705505) enviado em 27/04/2012 e devolvido em 30/04/2012. Então, após todas estas tentativas frustradas de envio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF pelo correio e não sendo possível mesmo após outras diligências descobrir outro endereço válido para o envio do TIPF, não restou outra escolha Fl. 5719DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 a não ser a convocação da empresa para tomar ciência do TIPF através do EDITAL/DRF/BSB/DF/DIFIS n° 176 de 14 de setembro de 2012, que teve como data de desafixação e consequente marco para início da ação fiscal 02/10/2012. Pelo motivo listado acima, a fiscalização foi forçada a buscar outros meios para verificar os valores devidos pela empresa com relação aos tributos ora fiscalizados. E para melhor recuperar os valores devidos utilizou as várias bases existentes a sua disposição, onde foram encontrados dados relacionados com a empresa, quais sejam: Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF (de 2008 e 2009), Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP (de 2008 a 2010), Relação Anual de Informações Anuais RAIS (de 2008 e 2009) e Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (de 2010, pois as demais bases DIRF e RAIS não continham informações deste ano). De posse destes dados a fiscalização fez uma verificação comparativa entre os valores existentes e concluiu que existiram diversos segurados que constavam na DIRF/RAIS e não constavam na GFIP, e além disso, verificou que os valores informados pela empresa na GFIP foram muito inferiores aos valores informados na DIRF, na RAIS e na DIPJ (CUSTOS E DESPESAS COM PESSOALFICHA 70). O Relatório Fiscal aponta as dificuldades encontradas na auditoriafiscal: 23. Cabe destacar que durante a fiscalização foram encontradas algumas dificuldades, tais como: a) A empresa não foi localizada em nenhum dos endereços cadastrados, tendo sido aberta a fiscalização por EDITAL. b) Devido ao problema para se localizar a empresa foi necessária a aferição dos valores a serem apurados a partir da comparação dos dados constantes nos sistemas RAIS, DIRF, GIFP, DIPJ. c) Não foi incluído no levantamento, ora realizado, os valores encontrados em GFIP, visto que existe o procedimento de cobrança automática destes valores. d) Verificouse que a empresa estava omitindo dados nas suas declarações pela análise dos dados obtidos nos sistemas, pois em vários períodos as declarações da empresa não foram devidamente informadas, conforme listado abaixo: • DIPJ dados não informado em 2008; • RAIS dados não informados em 2010; • DIRF dados não informados em 2010. e) Pelo fato exposto acima, foi necessário, para o ano de 2008 e de 2009, apurar os valores salariais mês a mês existentes na Fl. 5720DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.719 5 GFIP, para comparandoos com os valores da RAIS e da DIRF verificar segurados com valores não declarados e proceder a devida apuração de valores. Para o ano de 2010 como não foram localizados dados na RAIS e nem na DIRF para a empresa, foi feita a apuração a partir dos valores declarados na DIPJ Custos e despesas com pessoal / Ficha 70 (excluindose destes os valores já declarados em GFIP). f) Todas as Guias de Pagamento de Previdência Social GPS constantes no sistema que possuíam os códigos 2003 / 2127 / 2631 / 2640 foram convertidos para o código 2100, para facilitar a apropriação dos valores no crédito apurado. g) Logo, todos os valores finais apurados e levantados nesta fiscalização foram aferidos com base na DIRF, GFIP, RAIS e DIPJ, após excluídos os valores já declarados em GFIP e após abatidas as GPS encontradas no sistema. O Relatório Fiscal aponta a existência de grupo econômico: 22. DESTACAMOS QUE A EMPRESA VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO, CNPJ 00.617.589/000171, pertence a Grupo econômico conforme CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 12.529/2011, art. 33, conforme relatório de VÍNCULOS em anexo. 23. A empresa faz parte do grupo econômico, formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.619.612/000155, Nome: CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME 24. Os indícios que proporcionaram a esta fiscalização a certeza da existência do grupo econômico foram: a) Foi detectada a migração de empregados da empresa Visual para todas as empresas do grupo econômico a partir do ano de 2009, conforme anexos: Fl. 5721DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) b) Constatase que todas as empresas do Grupo Econômico, de forma contumaz, sonegam informações das declarações apresentadas, para dificultar o acompanhamento e a fiscalização das suas obrigações tributárias, conforme lista em anexo (ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico). c) Além da migração dos empregados, há várias Reclamatórias Trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do grupo, onde as mesmas respondem solidariamente (ANEXO Reclamatórias Trabalhistas). d) O Quadro Societário de cada uma das empresas do grupo em confronto com os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS mostra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual, o que se caracteriza em uma situação estranha onde um dos sócios das outras empresas é sempre vinculado a Visual (ANEXO consultas CNIS). e) O Senhor Nilton Monteiro Mendes, CPF 563.545.92187 é sócio tanto da HEPX antiga GVB, quanto da InfoKey (ANEXO Consulta Sócios). Os dados extraídos do Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros RADAR mostram a correlação de pessoas jurídicas em torno da Visual, e vincula estas empresas a Visual (ANEXO Consulta do Radar). CONJUNTO DE PROVAS 24. O presente procedimento fiscal baseouse nas informações apuradas em sistemas (DIRF, GFIP, RAIS, DIPJ e GPS). E juntamente com este processo temos os seguintes anexos: • MPF, TIPF, TEPF, outros termos/documentos • ANEXO Comparação de multas B ANEXO DIPJ AC 2009 (FICHA 70) • ANEXO DIPJ AC 2010 (FICHA 70) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2008) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2009) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2010) • ANEXO Lista das GFIPs utilizadas na apuração dos valores devidos pela empresa Fl. 5722DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.720 7 • ANEXO Cálculo da contribuição omitida em GFIP e encontrada na RAIS, DIRF, DIPJ (Al 68) • ANEXO Calculo do teto da multa a ser aplicada (Al 68) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) • ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico ANEXO Reclamatórias Trabalhistas • ANEXO Consultas CNIS • ANEXO Consulta Sócios • ANEXO Consulta do Radar O Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 2885, aponta a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. O Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 33, aponta o lançamento de ofício com base na aferição indireta: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. O Relatório Fiscal mostra que houve a elaboração de quadro comparativo de multas até a competência 11/2008 e a partir da competência 12/2008 aplicouse a multa de ofício DE 75%. A Recorrente foi intimada por meio do Edital DRF/BSB/DF/DIFIS/ nº 223, de 03.12.2012, às fls. 2895. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2009 a 12/2010. A Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 5723DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Em relação ao Auto de infração nº 51.013.9604 (PATRONAL) que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que a multa, no percentual de 75%, afronta a constituição, além de ser ofensiva aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Colaciona julgados em que foi determinada a redução de multas aplicadas para o percentual de 20%. Por fim, requer: Seja julgada procedente a impugnação e, caso não seja este o entendimento, seja a multa reduzida de 75% para 20%. Em relação ao Auto de Infração nº 51.013.9612 (SEGURADOS). A empresa reproduz, fls. 2.946/2.959, as mesmas alegações feitas para o AIOP 51.013.9612, constante acima e, da mesma forma, requer que seja julgada procedente a impugnação e, caso não seja este o entendimento, seja a multa reduzida de 75% para 20%. A empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Insurgese a empresa, fls. 3.183/3.193, contra a sujeição passiva solidária, alegando, em síntese: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. Fl. 5724DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.721 9 que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. que, a respeito da migração de empregados demonstrada pela Autoridade Lançadora, a contratação desses empregados não se deu em razão de grupo econômico, mas por força de convenções de trabalho firmadas entre o Sindicato das trabalhadores e Sindicato das empresas do Setor de Serviços, cuja cláusula 54a. da Convenção Coletiva de Trabalho do período 2011/2012, 2010/2011, 2009/2010 e 2008/2009 consta que “visando à manutenção e continuidade do emprego fica pactuado que as empresas que sucederem outras na prestação do mesmo serviço, em razão de nova licitação pública, novo contrato administrativo ou particular e/ou contrato emergencial, ficarão obrigadas a contratar todos os empregados da empresa anterior sem descontinuidade quanto ao pagamento de salários e a prestação de serviços...”. que, em relação à afirmação da fiscalização da existência de várias reclamatórias trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do Grupo Econômico ocorre que, quando vitoriosa em licitação, em razão da contratação de empregados da empresa anterior, eventuais reclamações trabalhistas ajuizadas contra a empresa que perdeu o contrato podem incluir a empresa vencedora no polo passivo, mas em razão da sucessão de empregadores, e não da existência de grupo econômico. quanto à alegação de que todas as empresas arroladas sonegam, de forma contumaz informações nas declarações apresentadas para dificultar o acompanhamento das suas obrigações tributárias, informa que todas as receitas da impugnante são decorrentes dos contratos de prestação de serviços que celebra com o Poder Público, sem exceção, precedidos de licitação pública e, para manter seus contratos a impugnante é obrigada a manter regular sua situação tributária e, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91 sofre retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. quanto à alegação de que o quadro societário demonstra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual informa que nunca um sócio da impugnante foi, simultaneamente, sócio da empresa Visual e, além disso, Nilton Monteiro Mendes nunca foi sócio ou empregado da empresa Visual. Fl. 5725DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 que mesmo se fosse procedente a informação de que cada um dos sócios já teve vinculo com a empresa Visual, daí não se segue, por absoluta carência de supedâneo legal, que exista grupo econômico entre a impugnante e as demais empresas mencionadas no termo impugnado, sobretudo por ser absolutamente normal que sociedades sejam desfeitas e os antigos sócios abram empresas distintas ou, até mesmo, que empregados deixem de ser empregados para abrir a própria empresa. Pelos motivos expostos, solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de conseqüência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A empresa solidária CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda. No mais, reproduz integralmente os mesmos argumentos utilizados na defesa da empresa Hepx e solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de consequência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. No mais, reproduz integralmente os mesmos argumentos utilizados na defesa da empresa Hepx e solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de conseqüência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A Recorrida, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0352.662 5a. Turma julgando procedente em parte a autuação, apenas para excluir a empresa Condor Fl. 5726DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.722 11 Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a autoridade fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. MULTA. CONFISCO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo à autoridade administrativa afastar a incidência da lei. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, controle ou a administração de uma delas, compondo grupo de qualquer atividade econômica. Verificada a existência de um “grupo econômico de fato”, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. Ao reverso, não demonstrada a situação fática que demonstre a existência do grupo, devese afastar a imputação de responsabilidades. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, apenas para excluir a empresa Condor Fl. 5727DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Consultoria e Administração Ltda do polo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações. Regularmente intimada da decisão do órgão julgador “a quo”, a empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que as multas de caráter confiscatório, por serem acessórias em relação ao crédito tributário devem acompanhar o principal e serem desconstituídas. Regularmente intimada da decisão do órgão julgador “a quo”, a empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que Fl. 5728DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.723 13 exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. A empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP e a empresa solidária CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP não apresentaram Recurso Voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.257, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2009 a 12/2010: (i) se houve ou está em curso algum procedimento administrativofiscal de exclusão do SIMPLES e/ou do SIMPLES NACIONAL em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME; (ii) em caso de ter havido o procedimento administrativofiscal de exclusão, qual é o teor da decisão administrativa que fez coisa julgada; (iii) qual é a situação atual de enquadramento, em relação ao SIMPLES e ao SIMPLES NACIONAL, das empresas solidárias; (iv) se, em relação à empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, houve a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. (v) em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP, conforme informação do Recorrente VISUAL Fl. 5729DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP nº 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados). (vi) em função do analisado no tópico anterior (tópico v), caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. (vii) em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, se nos levantamentos efetuados pela Fiscalização há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados dessas empresas com fundamento na desconsideração dos vínculos empregatícios com tais empresas solidárias em prol da empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 3764 a 3768, na qual informa que os contribuintes foram devidamente intimados mas não apresentaram Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. RESPOSTAS À DILIGÊNCIA DO CARF Com o objetivo de responder aos questionamentos levantados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF passo a analisar item por item dos questionamentos: Questionamento (1): Qual é a situação atual de enquadramento, em relação ao SIMPLES e ao SIMPLES NACIONAL, das empresas solidárias: Em primeiro lugar analisando a situação das empresas com relação ao SIMPLES/SIMPLES NACIONAL (anexo as consultas realizadas): a empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, CNPJ: 00.617.589/000171, NÃO é optante pelo Simples Nacional e não foi optante pelo Simples em Períodos Anteriores. a empresa INFOKEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ: 03.873.406/000177, NÃO é optante pelo Simples Nacional I não foi optante pelo Simples em Períodos Anteriores. a empresa HEPX SERVIÇOS, CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP, CNPJ: 01.835.580/000108, NÃO é optante pelo Simples Nacional, tendo sido optante do Simples Nacional apenas no período de 1/01/2009 a 31/12/2010 e tendo sido "Excluída por Opção do Contribuinte". Questionamento (2): Se houve ou está em curso algum procedimento administrativofiscal de exclusão do SIMPLES Fl. 5730DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.724 15 e/ou do SIMPLES NACIONAL em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME: Em verificação no sistema eprocessos constatouse que a empresa HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP já teve a apuração da parte patronal de 2009 a 2010 lançada nos processos comprots números 13116721106201156 e 13116720752201104. E da mesma forma a empresa INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME já confessou a parte patronal previdenciária de 2009 a 2010 nos processos comprot números 13128720123201218, 13128720267201274 e 13128720124201262. Questionamento (3): em caso de ter havido o procedimento administrativof iscai de exclusão, qual é o teor da decisão administrativa que fez coisa julgada: Prejudicado, pela resposta do item anterior. Questionamento (4): se. em relação à empresa VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO. CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, houve a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Não foi localizado por esta fiscalização nenhuma propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, conforme consulta nos sites dos tribunais (consultas dos processos existentes em anexo). Questionamento (5): em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP n° 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP n° 51.013.9612 (Segurados). A mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. Fl. 5731DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 O problema é que no caso da empresa VISUAL foram enviadas novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Ou seja, o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Questionamento (6): em função do analisado no tópico anterior, caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. Prejudicado, devido a resposta negativa do item anterior. Questionamento (7): em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, se nos levantamentos efetuados pela Fiscalização há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados dessas empresas com fundamento na desconsideração dos vínculos empregatícios com tais empresas solidárias em prol da empresa VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. Não há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados das empresas HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e nem da empresa INFO KEY COMERCIO E SEK ''Ç S LTDA ME, pois foram utilizados na apuração apenas os segurados relacionados nos documentos relativos a empresa VISUAL L CAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, sendo até mesmo na GFIP/DIRF/RAIS apurados apenas os segurados da empresa Visual. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5732DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.725 17 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Delimitação da Lide. Observase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0352.662 5a. Turma julgando procedente em parte a autuação, apenas para excluir a empresa Condor Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Desta forma, permanece em discussão o grupo econômico formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Fl. 5733DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes – VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA e INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME contra Acórdão nº 0352.662 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 51.013.9604(parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados): Auto de infração nº 51.013.9604 (PATRONAL) no valor de R$ 27.977.261,45 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (parte patronal), incidentes sobre o fato gerador apurado Auto de Infração nº 51.013.9612 (Desconto de Segurados sem Apropriação Indébita) no valor de R$ 1.226.536,04 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social pelos segurados, incidentes sobre os fatos geradores apurados. O Relatório Fiscal também caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO, CNPJ 00.617.589/000171; HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP; INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 Fl. 5734DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.726 19 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos Fl. 5735DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose os AIOPs, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 5736DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.727 21 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) Recurso Voluntário da empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA Fl. 5737DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que as multas de caráter confiscatório, por serem acessórias em relação ao crédito tributário devem acompanhar o principal e serem desconstituídas. Analisemos por tópicos. (i.1) as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários O contribuinte aduz que as GFIPs foram enviadas corretamente, em consonância com a Folha de Salários e que, em sede de Recurso Voluntário, o envio das Folhas de Pagamento em meio digital demonstrariam esta correta transmissão da GFIP. Ora, quanto ao aspecto do envio de GFIP sem incluir os empregados recém admitidos, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho a decisão do que já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 3691, na qual se observou que é obrigação da empresa cadastrar os empregados recémadmitidos de forma que quando a empresa omite os empregados em GFIP está também omitindo fatos geradores de contribuição previdenciária: A alegação de que os segurados não apresentaram a inscrição para incluílos na GFIP, da mesma maneira, não merece acolhimento, pois é obrigação da empresa cadastrar os trabalhadores que não possuírem inscrição e, no sentido de demonstrar que a motivação fornecida pelo autuado diverge da exigência contida na legislação, devemos perfilhar, de início, a obrigação cujos dispositivos são o artigo 17 da Lei n° 8.213/1991, combinado com o art. 18, I,e § 1° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, Fl. 5738DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.728 23 Anotese que em relação à argumentação feita pelo contribuinte, desde a sede de Impugnação, de que anexou as folhas de pagamento ao processo, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho a decisão de primeira instância que verificou esta situação fática e concluiu que tal afirmação não procede, conforme fls. 3692: Embora a empresa tenha alegado que anexou as folhas de pagamento ao processo, verificase que tal afirmação não procede. A impugnante apenas anexou a “Relação de Empregados Demitidos” (fls. 3.061/3.182), que nada acrescenta ao julgamento do presente processo. Salientese que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, as alegações devem vir acompanhadas de suas provas: Nestes aspectos, não prospera a argumentação do contribuinte. (i.2) o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções O contribuinte reitera as alegações feitas em sede de primeira instância, sem aduzir a novos elementos de prova. Conforme o já debatido em sede de decisão de primeira instância, embora a entrega da RAIS seja anual, as remunerações informadas nela são mensais, de forma que a utilização da RAIS foi necessária para o arbitramento (DIRF/RAIS) porque o contribuinte não fez prova com as folhas de pagamento e seus registros contábeis para demonstrar que estes documentos estariam de acordo com o que foi informado nas GFIP. O Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 33, aponta o lançamento de ofício com base na aferição indireta: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Ademais, o arbitramento (DIRF/RAIS) foi corretamente utilizado pela AuditoriaFiscal com base no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91, constante do anexo FLD – Fundamentos Legais do Débito. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 5739DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 (i.3) está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento O contribuinte alega que a apresentação em meio digital da Folha de Pagamento prova que as GFIPs foram transferidas em conformidade com as Folhas de Pagamento. Para se verificar tal argumentação, entre outras, a Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.257, baixou o processo em Diligência nestes termos, mais especificamente os tópicos (v) e (vi): CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2009 a 12/2010: (...) (v) em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP, conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP nº 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados). (vi) em função do analisado no tópico anterior (tópico v), caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. (...) Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 3764 a 3768, na qual informa que os contribuintes foram devidamente intimados mas não apresentaram Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. RESPOSTAS À DILIGÊNCIA DO CARF Com o objetivo de responder aos questionamentos levantados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF passo a analisar item por item dos questionamentos: (...) Questionamento (5): em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP n° 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP n° 51.013.9612 (Segurados). A mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.729 25 nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. O problema é que no caso da empresa VISUAL foram enviadas novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Ou seja, o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Questionamento (6): em função do analisado no tópico anterior, caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. Prejudicado, devido a resposta negativa do item anterior. (...) Ora, em sede de Diligência Fiscal requerida pelo CARF, a AuditoriaFiscal conclui que a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. A AuditoriaFiscal aponta ainda que a Recorrente enviava novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Desta forma, a AuditoriaFiscal conclui que o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Portanto, em função das Informações Fiscais produzidas em sede de Diligência Fiscal requerida pelo CARF, na qual se concluiu que a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP não altera os levantamentos realizados pela fiscalização, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho o posicionamento da AuditoriaFiscal e concluo pela improcedência da arguentação do contribuinte neste aspecto. Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 (i.4) as multas de caráter confiscatório Tanto em relação à regularidade do lançamento, debatida no tópico (a), quanto às alegações de inconstitucionalidade, debatida no tópico (b), tais argumentos da Recorrente foram afastados. Por outro lado, as multas foram aplicadas com os fundamentos legais descritos no Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 22 e fls. 34, tendo sido considerado os dispositivos legais em vigor à época dos fatos geradores. 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.08 Competências : 01/2009 a 13/2010 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.08 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Recurso Voluntário da empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.730 27 que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. Analisemos. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO ii.1 Aspectos gerais Nas alegações do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização da empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nesse compasso, asseveram ser equivocada, no caso concreto, a aplicação do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não podendo servir como fundamento à pretensão fiscal, eis que referida matéria exige que seja apreciada anteriormente o art. 124, I, CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo a decretação da insubsistência do feito. Lei 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (gn) Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) A corroborar tal entendimento, a empresa Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referida pessoa jurídica não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independente e autônoma, inobstante terem possuído o mesmo controle em um determinado período. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seu entendimento não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal e, bem assim, na Decisão Recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.731 29 I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 I.4 Aplicação da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 Por outro lado, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 trata o grupo econômico nos artigos 152, 494 e 495, na redação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, a seguir: Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.732 31 solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato, onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal. Observase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0352.662 5a. Turma julgando procedente em parte a autuação, apenas para excluir a empresa Condor Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Desta forma, permanece em discussão o grupo econômico formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME O Relatório Fiscal caracteriza o Grupo Econômico formado: 22. DESTACAMOS QUE A EMPRESA VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO, CNPJ 00.617.589/000171, pertence a Grupo econômico conforme CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 12.529/2011, art. 33, conforme relatório de VÍNCULOS em anexo. 23. A empresa faz parte do grupo econômico, formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.619.612/000155, Nome: CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME 24. Os indícios que proporcionaram a esta fiscalização a certeza da existência do grupo econômico foram: a) Foi detectada a migração de empregados da empresa Visual para todas as empresas do grupo econômico a partir do ano de 2009, conforme anexos: • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) b) Constatase que todas as empresas do Grupo Econômico, de forma contumaz, sonegam informações das declarações apresentadas, para dificultar o acompanhamento e a fiscalização das suas obrigações tributárias, conforme lista em anexo (ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico). Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.733 33 c) Além da migração dos empregados, há várias Reclamatórias Trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do grupo, onde as mesmas respondem solidariamente (ANEXO Reclamatórias Trabalhistas). d) O Quadro Societário de cada uma das empresas do grupo em confronto com os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS mostra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual, o que se caracteriza em uma situação estranha onde um dos sócios das outras empresas é sempre vinculado a Visual (ANEXO consultas CNIS). e) O Senhor Nilton Monteiro Mendes, CPF 563.545.92187 é sócio tanto da HEPX antiga GVB, quanto da InfoKey (ANEXO Consulta Sócios). Os dados extraídos do Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros RADAR mostram a correlação de pessoas jurídicas em torno da Visual, e vincula estas empresas a Visual (ANEXO Consulta do Radar). CONJUNTO DE PROVAS 24. O presente procedimento fiscal baseouse nas informações apuradas em sistemas (DIRF, GFIP, RAIS, DIPJ e GPS). E juntamente com este processo temos os seguintes anexos: • MPF, TIPF, TEPF, outros termos/documentos • ANEXO Comparação de multas B ANEXO DIPJ AC 2009 (FICHA 70) • ANEXO DIPJ AC 2010 (FICHA 70) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2008) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2009) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2010) • ANEXO Lista das GFIPs utilizadas na apuração dos valores devidos pela empresa • ANEXO Cálculo da contribuição omitida em GFIP e encontrada na RAIS, DIRF, DIPJ (Al 68) • ANEXO Calculo do teto da multa a ser aplicada (Al 68) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 • ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico ANEXO Reclamatórias Trabalhistas • ANEXO Consultas CNIS • ANEXO Consulta Sócios • ANEXO Consulta do Radar Ademais, no presente caso concreto, em que ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, temse a Decisão Recorrida, as quais pedimos vênia para nos reportar, como se aqui estivessem escritas, eis que a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação. Ainda a respeito do Grupo Econômico de Fato, caracterizado pela autoridade lançadora, impende transcrever excerto da Decisão da Recorrida, às fls. 3694 a 3698, a partir da análise do Relatório Fiscal da Infração, de maneira a rechaçar de uma vez por todas qualquer dúvida quanto a matéria em comento, in verbis: De acordo com o Relatório Fiscal, as razões de terem sido incluídas outras empresas no polo passivo do presente obrigação foram as seguintes: houve migração de empregados da empresa Visual para as demais empresas citadas; todas as empresas sonegam informações das declarações apresentadas; há várias reclamatórias envolvendo as empresas mencionadas, onde estas respondem solidariamente; pelo menos um dos sócios já teve vinculo com a empresa Visual; Nilton Monteiro Mendes é sócio tanto da empresa Hepx quanto da Infokey. A Auditoria Fiscal identificou, consoante explanação no Relatório Fiscal, a caracterização de grupo econômico de fato com fulcro no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual preconiza que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. (...) Analisandose os elementos que formaram a convicção da Autoridade Lançadora, bem como os argumentos da defendente, verificase que, de acordo com as Convenções Coletivas das Empresas do Setor, mais precisamente às fls. 3.223 (Convenção 2011/2012), fls. 3.244 (Convenção 2010/2011) e fls. 3.258 (Convenção 2009/2010), consta cláusula que define que, em razão de nova licitação pública, novo contrato administrativo ou particular e/ou contrato emergencial, ficarão as novas empresas obrigadas a contratar todos os empregados da empresa anterior, evitando a descontinuidade. Fl. 5750DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.734 35 Assim, por ser procedimento comum das empresas do setor, previsto em Convenção Coletiva para evitar danos aos empregados que seriam demitidos, não se pode aceitar o argumento da fiscalização como motivo para demonstrar a utilização de recursos humanos em comum, salvo se fosse demonstrada a utilização concomitante desses empregados. No que se refere à afirmação da Autoridade Lançadora de que há várias reclamatórias envolvendo as empresas mencionadas, onde estas respondem solidariamente, é necessário esclarecer que, de fato, em razão da contratação de empregados da empresa sucedida nos contratos de licitação, é possível que tais empresas figurem no pólo passivo da exigência, sem que isso configure grupo econômico. A única empresa em que de acordo com as reclamatórias trabalhistas houve o reconhecimento de grupo econômico foi a empresa InfoKey que, segundo a Justiça, forma grupo econômico com a empresa Visual, em razão de que a InfoKey não efetuou qualquer alteração na carteira de trabalho dos empregados oriundos da Visual quando contratou os empregados, além de que, segundo o referido voto (fls. 2.839), na audiência de 08/09/2011 a empresa Visual foi representada pelo preposto Nilton Monteiro Mendes, o qual, conforme segunda alteração da empresa InfoKey passou a ser sócio aparente a partir de 05/01/2011. Neste ponto, há de se admitir que, se não houve qualquer alteração na carteira de trabalho dos empregados que foram contratados pela InfoKey (oriundos da Visual), concluise pela confusão administrativa pois, se não houve interesse em formalizar o cadastramento desses empregados junto à empresa contratante, é sinal evidente que a InfoKey tinha acesso aos dados de todos os trabalhadores, utilizandse da estrutura administrativa da Visual. Além disso, o fato do sócio Nilton Monteiro Mendes (sócio administrador da InfoKey conforme fls. 2.873) estar representando a empresa Visual, demonstra de maneira contundente a influência administrativa comum. Notese que a InfoKey, em sua defesa (fls. 3.465), alega que Nilton Monteiro Mendes nunca foi sócio ou empregado da Visual. Contudo, embora tenha rechaçado qualquer vínculo, o fato de ter estar representando a empresa Visual junto à Justiça do Trabalho deixa claro sua ingerência administrativa, ainda mais por se tratar de uma pessoa estranha ao Contrato Social desta empresa e que, formalmente, é administrador de outra empresa que atua exatamente no mesmo ramo. A fiscalização também informa que Nilton Monteiro Mendes é sócio tanto da empresa Hepx quanto da Infokey. Pois bem: em relação InfoKey, conforme acima, vimos que está configurado o grupo econômico com a empresa Visual. Resta analisar a situação da empresa Hepx. Fl. 5751DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 36 Verificase, às fls. 2.872, que Nilton Monteiro Mendes passou a ser sócio administrador da empresa Hepx a partir de 13/04/2011, segundo sistema de consulta de CNPJ. Assim sendo, Nilton Monteiro Mendes administra conjuntamente empresas que atuam na mesma atividade econômica e, neste caso, entendo que está também configurado o interesse comum, pois, no caso específico deste ramo de atividade, utilizandose de empresas diferentes que concorrem no mesmo mercado, tornase evidente o intuito de ganharem mercado, para fins licitatórios, beneficiandose mutuamente, pois, em termos de licitações, em vez de uma, haverá duas ou mais empresas participando da mesma licitação. Ou, ainda, na pior da hipóteses, se não fosse esse o caso, poderíamos, em tese, estar diante de um caso que ensejaria desconsideração de pessoa jurídica, quando determinadas empresas são utilizadas apenas para deixarem a dívida para outras empresas do mesmo segmento. É de se acrescentar que outros elementos trazidos aos autos pela fiscalização que, embora isoladamente não demonstram a formação de grupo econômico, ganham nova dimensão para demonstrar a formação do grupo, como se vê às fls. 2.779, na qual a empresa Hepx e InfoKey não entregaram a DIRF de 2010 nem a DIPJ de 2008, exatamente da mesma maneira que a empresa Visual, que também não entregou estes documentos. Pelo exposto, resta demonstrada a caracterização de grupo econômico das empresas InfoKey e Hepx, que formam grupo econômico juntamente com a empresa Visual. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Observase também que a desconsideração da personalidade jurídica, com fundamento no art. 50 do CC/2002, ocorre com o intuito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, de modo que este dispositivo não guarda relação com o presente processo administrativofiscal. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 5752DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730384/201200 Acórdão n.º 2202003.239 S2C2T2 Fl. 5.735 37 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER dos Recursos Voluntários, para NEGAR LHES PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 5753DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10860.720055/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 93 e ss.), que bem descreve a situação dos autos, complementandoo ao final: Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 05, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 213.288,82, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 05 5/ 20 08 -2 9 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2202000.698 S2C2T2 Fl. 365 2 Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal, tais como, Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, motivo pelo qual esse item foi glosado e constituído o lançamento suplementar nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393/1996. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 76, o interessado apresentou a impugnação de fls. 50 a 53, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontra se em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 27/09/2008; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse do imóvel, pois ainda não recebeu indenização, razão pela qual não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento por erro no preenchimento da declaração e, se for o caso, solicita autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 57 a 75. O julgamento recorrido assim analisou, em resumo, a questão: a) O presente processo versa sobre a glosa total da área de preservação permanente declarada em virtude de o contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos que foram solicitados no Termo de Intimação Fiscal. Nesta fase, basicamente, a Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2202000.698 S2C2T2 Fl. 366 3 interessada pretende que seja considerada isenção relativa a área declarada no DIAT/2003, porque o imóvel estaria integralmente inserido no Parque Estadual da Serra do Mar, fato que tornaria legítimo o cabimento da isenção, sem necessidade de exigências para tal, e para justificar seus argumentos anexou os documentos às fls. 59 a 78. Para comprovar estes tipos de preservação permanente bastaria a apresentação de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atentando a existência de florestas, com as dimensões e locais listados de conformidade com a legislação. Além da comprovação da existência da APP, seja mediante laudo técnico e/ou ato específico é indispensável a comprovação da regularização dessas áreas junto ao Ibama, através do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício analisado. Não há possibilidade de procederse a apresentação de ADA, de um ou mais exercícios anteriores por não haver retroatividade desse documento. Em que pesem as argumentações do contribuinte, mas não atendido o requisito de protocolização tempestiva do ADA perante o Ibama, apresentação do Laudo Técnico e Ato Específico, a pretensa área de preservação permanente ficará sujeita à tributação. b) Quanto à multa de 75% exigida no lançamento de ofício, encontra previsão no art. 44,1, da Lei n.° 9.430/1996, combinado com o art. 14, § 2 o da Lei n.° 9.393/1996. Quanto aos juros, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º , dispôs que o crédito tributário não pago no vencimento, qualquer que fosse o motivo da falta, seria acrescido de juros de mora. c) O imposto pago pelo contribuinte, no valor de R$ 103,77, foi devidamente compensado, sendo mantida a exigência na Notificação de Lançamento da diferença apurada, com os devidos acréscimos legais cabíveis no procedimento de ofício. Assim, reputouse improcedente a impugnação apresentada. Cientificado dessa decisão em 01 de abril de 2011 (AR na folha 103), o contribuinte apresentou recurso voluntário (anexado na folha 104 e ss.), onde, em síntese, assim manifesta sua inconformidade com o acórdão recorrido: a) Requer seja citada a Fazenda do Estado de São Paulo, para integrar a lide, vez que a totalidade do imóvel foi por ela desapropriada para a implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, pelo Decreto n° 10.251/77. Logo, se há um devedor esse é a própria Fazenda do Estado de São Paulo. Citando lide judicial entre ele e a Fazenda do Estado de São Paulo, diz que na realidade o imóvel objeto do presente Recurso pertence ao Estado, conforme comprova o Acórdão ora anexo. b) Requer ao CARF que se digne Julgar nulo o lançamento efetuado, uma vez que, no caso, o próprio Decreto Estadual n° 10.251/1977, substitui o ADA, por ser ato emanado do próprio Governo Estadual, logo, é merecedor de toda a credibilidade, de que todo o imóvel do Recorrente é de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, motivo de excluirse da área tributável. c) Diz que embora não tenha apresentado o ADA em tempo hábil para comprovar que o imóvel objeto desta autuação é área de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, não muda o fato de a área estar realmente preservada pelo próprio Decreto Estadual. d) Por estar o imóvel improdutivo, não tem como o Recorrente arcar com o exorbitante do valor fixado de ITR, mormente porque sua área foi objeto de desapropriação Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2202000.698 S2C2T2 Fl. 367 4 indireta, por força do Decreto n° 10.251/77 e até a presente data, ainda não recebeu o valor que lhe é devido pelo Estado de São Paulo. PEDE que se traga ao no pólo passivo a Fazenda Estadual, tendo em vista a Ação de Interdito Proibitório acima citada, ou então que seja anulado o lançamento, mas, se assim não se entender, espera e requer que seja acolhido o presente recurso voluntário, para cancelarse o débito reclamado. O recurso foi encaminhado a este CARF que proferiu Resolução a fim de que o julgamento fosse convertido em diligência, nos seguintes termos: Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Foi cumprida a diligência, com comunicação entre a Unidade da RFB preparadora e os órgãos de competência sobre meio ambiente do Estado de São Paulo, restituindose o processo ao CARF nos seguintes termos: Em atenção à Resolução 2801000.083 de 30 de novembro de 2011 às fls 265 a 268 foi juntado o Ofício Resposta da Fundação Florestal às fls 339. Isto posto, restituo o presente processo à 2ª Seção de Julgamento do CARF para continuidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). A primeira verificação que compete ao julgador fazer é sobre a admissibilidade do recurso voluntário interposto. Os votos começam com "conheço do presente recurso uma vez que tempestivo e com condições de admissibilidade", com pequenas variações no texto. É que o Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece em seu artigo 33 que da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, com efeito suspensivo, dentro do prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ao ser proferida a decisão de 1ª instância, a Unidade preparadora emitiu a Intimação ARF nº 034/2010, para dar ciência ao contribuinte, em 25/03/2011, conforme folha 102. O aviso de recebimento data de 01/04/2011 (cópia na folha 103). O contribuinte tinha, então, trinta dias contados na forma do artigo 5º do referido Decreto, para apresentar seu recurso. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2202000.698 S2C2T2 Fl. 368 5 O recurso, conforme relatado, está anexado nas folhas 104 e seguintes, mas não verifico um carimbo com a data do protocolo. Também não localizei qualquer manifestação da Unidade preparadora sobre a data em que foi apresentado o mesmo. Na folha 133, consta um despacho ao CARF, datado de 24/05/2011, com o seguinte texto: Após as devidas correções, adequando ao eprocesso, encaminhamos Recurso Voluntário para análise. A seguir vem a resolução do CARF, já relatada, que em seu voto diz ser o recurso "tempestivo", mas não menciona, nem no relatório, nem no voto, qual parâmetro de datas utilizou. Não consigo afirmar, portanto, se o recurso é tempestivo ou não e a manifestação anterior do CARF, conforme analisase, proferida por outro Relator, não pode suprir tal verificação determinada por Decreto. Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora informe qual a data de protocolo do recurso em questão ou, na impossibilidade de fazêlo, manifestese expressamente. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 368DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13048.000118/2003-94
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998,31/03/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF.
VINCULAÇÃO DO DÉBITO. PROCESSO JUDICIAL DE
OUTRO CNPJ. ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
Sendo a causa do lançamento a acusação de que o
processo judicial seria de outra empresa, é defesa a
posterior alteração da sua fundamentação para ajustá-lo
ao resultado da decisão do tribunal.
Recurso provido
Numero da decisão: 201-80.920
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: José Antonio Francisco
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES bs CONFERE COMO ORIGINAL CCOVC01 DreSilia. t losa I .7oce - Fls. 95 ume ma' ~91745 C -k •.5) i; .• - . MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ferd- 1---A--. PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13048.000118/2003-94 Recurso n° 133.968 Voluntário Matéria PIS/Pasep torOntei de Go" . . ,o Acórdão n° 201-80.920 ofI0 Sessão de 13 de fevereiro de 2008 ):_* nn a fkutsce :ir Recorrente BRAMOTO MOTOCICLETAS LTDA. Recorrida DRJ em Santa Maria - RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PISRASEP Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998,31/03/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÃO DO DÉBITO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Sendo a causa do lançamento a acusação de que o processo judicial seria de outra empresa, é defesa a posterior alteração da sua fundamentação para ajustá-lo ao resultado da decisão do tribunal. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Lida_ 7 i MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13048.000118/2003-94 CCO2/C01 Acórdão n.° 201 -80.920 Bresfila, /2t2g1._ Fls. 96 stisic n'Sa Mai: sans 91745 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. 4 .! e Okieljta, . SE A MARIA COELHO MARQU Presidente JOS 01 1 RANCISCO R 0 .tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. 2 • ME - SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES Processo n° 13048.000118/2003-94 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C0 I Acórdão n.° 20140.920 Brasla, 1_0/ J00e. Fls. 97 SiMo. Mat Sapa 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 69 a 88) apresentado em 10 de abril de 2006 contra o Acórdão ri2 5.131, de 6 de janeiro de 2006, da DRJ em Santa Maria - RS (fls. 58 a 63), que, relativamente a auto de infração de DCTF de PIS, considerou procedente o lançamento. Foi dada ciência do Acórdão à interessada em 15 de março de 2006. O auto de infração foi lavrado em 14 de julho de 2003 e referiu-se aos períodos de janeiro a março de 1998. De acordo com o termo de fl. 30, o processo judicial informado em vinculação seria de outro CNPJ. Pesquisa aos sistemas do Tribunal Regional Federal da 4 a Região na Internet revelou que a interessada era litisconsorte (fl. 43) no processo, no âmbito do qual foi concedida a segurança. Ademais, o Tribunal Regional Federal da 4 4 Região deu provimento parcial à remessa oficial. A DRJ, entretanto, considerou que, mesmo diante do direito de compensação com a decisão do TRF, o procedimento adotado pela contribuinte não estaria de acordo com as normas administrativas que tratavam da compensação e que a medida judicial ainda estaria "em tramitação" à época da compensação. No recurso, após fazer uma revisão das alterações da legislação do PIS, alegou a interessada que a disposição do art. 170-A do CTN somente se aplicaria a partir da publicação da Lei Complementar ng 104, de 2001. Ademais, o direito à compensação seria imediato. Contestou, a seguir, a aplicação da penalidade, alegando que a Lei n' 10.833, de 2003, teria restringido a aplicação da multa do art. 90 da Medida Provisória rf 2.158-35, de 2001, aos casos de apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida. É o Relatório. 3 .. a Processo n° 13048.0001182003-94 CCO2/C01 ME - SEGUNDO CONSEUHO DE CONTMBOINT88 Acórdão n.° 201-80.920 CONFERE COM O MO INAI FLs. 98 &asila, Ifi (2/g, /79re' O So 5- .4sowt Mat.. t, 11745 Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Inicialmente, deve-se esclarecer que se trata apenas da compensação de PIS, sendo indevidas as referências efetuadas ao Finsocial. A causa inicial do lançamento foi a consideração de que a ação judicial teria sido movida por empresa com outro CNPJ. Não obstante, o Acórdão de primeira _ instância claramente alterou a fundamentação da autuação para fundamentar sua decisão no fato de o TRF haver dado provimento parcial à remessa oficial. Logo, não podendo negar a notória improcedência da causa inicial do lançamento, o Acórdão inovou sua fundamentação, tentando ajustá-lo a causas não cogitadas à época da autuação. Como o lançamento é ato plenamente vinculado, à vista do que dispõe o art. 142, parágrafo Único, do CTN, não é possível adaptá-lo à realidade diversa da contida na descrição dos fatos. A circunstância de haver sido dado provimento à remessa oficial é caso fortuito em relação à causa do lançamento. Caso não houvesse decisão do TRF até o julgamento de primeira instância administrativa, a justificativa atribuída ao lançamento com base no art. 90 da MP n'' 2.158-35, de 2001, ficaria prejudicada, o que demonstra a impropriedade da fundamentação do Acórdão de primeira instância. O fato é que a causa do lançamento - processo judicial de outro CNPJ - deveu-se a uma limitação do sistema eletrônico, que somente verifica o "cabeça" da ação judicial em litisconsórcio, e, nesses casos, o lançamento não poderia prevalecer, pois o auto de infração, por sua fundamentação, é improcedente. Dessa forma, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. JOS ONICCNCISCO 4'1/ 4 Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.730683/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/04/2012
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. PRINCÍPIO INQUISITÓRIO
Não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, pois essa é regida pelo princípio inquisitório. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado.
EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS.
Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIAS
O artigo 113 do Código Tributário Nacional prevê que as obrigações principal e acessórias tem pressupostos distintos. Assim, ainda que inexista a obrigação principal (obrigação de dar) subsistem as obrigações acessórias (obrigações de fazer) o que justifica os lançamentos efetuados.
MULTA QUALIFICADA
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
Numero da decisão: 2202-003.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as 8 (oito) pessoas que se declararam prestadoras de serviços.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Saulo Martins Mesquita, OAB/DF nº 44.421.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
.
EDITADO EM: 29/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 30/04/2012 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. PRINCÍPIO INQUISITÓRIO Não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, pois essa é regida pelo princípio inquisitório. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIAS O artigo 113 do Código Tributário Nacional prevê que as obrigações principal e acessórias tem pressupostos distintos. Assim, ainda que inexista a obrigação principal (obrigação de dar) subsistem as obrigações acessórias (obrigações de fazer) o que justifica os lançamentos efetuados. MULTA QUALIFICADA Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as 8 (oito) pessoas que se declararam prestadoras de serviços. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Saulo Martins Mesquita, OAB/DF nº 44.421. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora. . EDITADO EM: 29/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. PRINCÍPIO INQUISITÓRIO Não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, pois essa é regida pelo princípio inquisitório. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 06 83 /2 01 3- 17 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIAS O artigo 113 do Código Tributário Nacional prevê que as obrigações principal e acessórias tem pressupostos distintos. Assim, ainda que inexista a obrigação principal (obrigação de dar) subsistem as obrigações acessórias (obrigações de fazer) o que justifica os lançamentos efetuados. MULTA QUALIFICADA Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as 8 (oito) pessoas que se declararam prestadoras de serviços. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Saulo Martins Mesquita, OAB/DF nº 44.421. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. . EDITADO EM: 29/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.477 3 Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, reproduzo, resumidamente, o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC): Versa o presente processo sobre Autos de Infração (fls. 6 a 16) lavrados contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário no valor de R$ 1.046.318,14 (DEBCAD 51.015.0330), valor esse já acrescido de multa de ofício proporcional a 150% do valor da contribuição não declarada em GFIP e não recolhida, além de juros moratórios, relativamente aos períodos de apuração de setembro de 2009 a abril de 2012, e, bem assim, nos valores de R$ 54.385,29 (DEBCAD 51.015.0349) e R$ 54.385,29 (DEBCAD 51.015.0357), em razão de multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória. Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 17 a 77), o lançamento da contribuição, cumulada com os mencionados consectários legais, referese, mais precisamente, ao seguinte: a) DEBCAD 51.015.0330: Contribuições sociais devidas ao INSS, destinadas a outras entidades e fundos (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), contribuições essas que foram apuradas utilizando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; Relata a fiscalização que o objetivo do procedimento fiscal era averiguar, entre outras questões, a natureza de pagamentos efetuados à empresa PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 10.683.275/000120 (doravante denominada Prática), a título de despesas com consultoria, porquanto verificouse que esta empresa era utilizada para intermediar pagamentos efetuados pelas empresas do Grupo SMAFF a segurados empregados que lhes prestavam serviços. Mais precisamente, aduz a autoridade autuante que estes segurados eram admitidos como sócios da empresa PRÁTICA com a finalidade de trabalhar como gerentes de área nas concessionárias que integram o Grupo SMAFF e, deste modo, os rendimentos destas pessoas eram pagos por meio de empresa interposta e o contribuinte se beneficiava com a redução indevida de encargos tributários e trabalhistas, ao que ressalta que muitos destes segurados eram empregados registrados das Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 empresas do Grupo que, para assumir cargos de gerência, com maiores salários, eram coagidos a integrar o quadro societário da PRÁTICA, sob pena de não serem promovidos aos cargos de gerência. Prossegue relatando a fiscalização ter intimado três empresas do Grupo SMAFF (SMAFF IMPORT, SMART AUTOMÓVEIS e ÚNICA BRASÍLIA AUTOMÓVEIS) a apresentar a relação das gerências, áreas, divisões e/ou setores em que tais empresas sesubdividem, indicando nome e CPF dos respectivos responsáveis, porém, as empresas intimadas omitiram todos os gerentes que foram contratados por intermédio da empresa PRÁTICA, além de apresentar a improvável situação em que três grandes empresas, com filiais em outros estados, são administradas diretamente pelos mesmos quatro sócios sem que haja nenhuma outra cadeia de comando A este quadro, aduz a fiscalização ter verificado que a sede da empresa PRÁTICA era localizada em Valparaíso de Goiás, Trecho 1 RP II, Lotes 1, 2 e 3 Parte A, e no mesmo endereço Parte B funcionou, até 30/10/2011, a Filial 03 da SMAFF IMPORT, denominada SMAFF VALPARAÍZO, onde hoje, existe a concessionária SMAXX CHEVROLET, também pertencente ao Grupo SMAFF, ao passo que, atualmente, a situação da empresa PRÁTICA junto à Receita Federal do Brasil, é a de "BAIXADA", com data de 29/03/2012, sendo que o deferimento da baixa só foi efetuado em novembro de 2013. Relativamente à indigitada empresa PRÁTICA, relata a fiscalização que referida empresa foi constituída como uma sociedade simples por quotas de responsabilidade limitada, registrada em 22/01/2009, no 1º Registro Notarial e Registral de Pessoas Jurídicas de Valparaíso de Goiás GO, embora o contrato social seja datado de 22/09/2008, e seu objeto social era a prestação de serviços de gestão de toda e qualquer atividade relacionada às seguintes áreas: Recursos Humanos, Financeira, Administrativa, Gerenciamento de Força de Vendas e Participações em Outra Sociedades. Destaca a autoridade autuante que, inicialmente, o capital da empresa PRÁTICA era dividido em três mil quotas de valor unitário igual a R$ 1,00, divididas da seguinte maneira: Sócios Número de Quotas Fernanda Accioly Carlos Machado Farah 2567 Márcio Antônio Carlo Machado 200 Márcio Antônio Carlos Machado Junior 200 Outros 33 Esclarece a autoridade lançadora que, afora a participação dos sócios majoritários com 2767 quotas do capital social, as 33 (trinta e três) quotas restantes pertenciam a outros 33 (trinta e três) sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00, ao passo que a administração da empresa PRÁTICA cabia à sócia Fernanda Accioly, que detinha a maioria das ações. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.478 5 Esclarece, ainda, que na primeira alteração contratual, datada de julho de 2009, mas registrada no cartório somente em dezembro do mesmo ano, Fernanda Accioly cedeu 12 (doze) quotas de sua titularidade para 12 (doze) sócios, que ingressaram na sociedade, ao passo que outros 14 (quatorze) sócios cederam suas 14 (quatorze) quotas para Fernanda Accioly e se retiraram da sociedade, ocasião em que a cláusula décima do contrato social, que regulamentava as deliberações dos sócios na empresa PRÁTICA, foi acrescida dos §§ 1º e 2º, cujas disposições passaram a estabelecer que as deliberações de matérias que promovessem quaisquer atos que alterassem o contrato social da sociedade, só poderiam ser praticadas por sócios que representassem a maioria do capital social da sociedade, ao passo que os sócios minoritários ficariam desobrigados de assinar os atos da sociedade nos termos do Decreto1.800, de 1996, artigo 53, VII. Prossegue a fiscalização relatando que, dessa mesma forma, ocorreram outras cinco alterações contratuais, com entrada e saída de vários sócios, sempre adquirindo e cedendo uma quota cada, para a sócia majoritária Fernanda Accioly, de forma que, no "auge" do funcionamento da empresa, após a quinta alteração contratual, em 28/12/2010, a PRÁTICA apresentava o seguinte quadro societário: Sócios Número de Quotas Fernanda Accioly Carlos Machado Farah 2548 Márcio Antônio Carlos Machado 200 Márcio Antônio Carlos Machado Júnior 200 Outros 52 No ponto, esclarece a fiscalização que as 52 (cinquenta e duas) quotas restantes pertenciam a 52 (cinquenta e dois) sócios que trabalhavam como gestores de área em alguma das empresas do Grupo SMAFF, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00, sendo que, em 25/10/2011 ocorreu a penúltima alteração contratual, na qual os três sócios majoritários se retiraram da sociedade para, logo a seguir, em 29/02/2012, celebrarem o distrato social da PRÁTICA, que foi registrado em 29/03/2012 no Cartório de Valparaíso de Goiás GO. (...): De outro lado, no concernente à relação mantida entre a empresa PRÁTICA e os diretores do Grupo SMAFF, a fiscalização teceu as seguintes considerações: a) Márcio Antônio, Márcio Júnior e Fernanda Accioly, juntamente com o irmão Marcelo Accioly, administram as empresas do Grupo SMAFF, que contrataram os serviços da PRÁTICA; Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 b) Márcio Antônio, Márcio Júnior e Fernanda Accioly constituíram a empresa PRÁTICA; c) A empresa PRÁTICA prestava serviços exclusivamente para empresas do Grupo SMAFF. d) Podese concluir, em razão disso, que os diretores do Grupo SMAFF constituíram a empresa PRÁTICA para prestar serviços exclusivamente para o próprio Grupo SMAFF. Ademais disso, prossegue relatando a autoridade lançadora que a empresa PRÁTICA, com sede na pequena cidade de Valparaíso de Goiás, se apresentava como uma empresa de consultoria constituída por especialistas de diferentes áreas, com atuação em várias unidades da Federação, que nos anos de 2009 a 2012 faturou mais de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais) e cujos clientes exclusivos eram empresas do Grupo SMAFF, grupo este administrado pelos sócios da própria empresa PRÁTICA, e que atuam prioritariamente no ramo automobilístico. A par disso, informa a fiscalização que, ao observar a situação cadastral e fiscal da empresa PRÁTICA, junto à Receita Federal do Brasil constatouse que, apesar de todo o faturamento noticiado, a PRÁTICA se manteve à margem de uma empresa em funcionamento normal, pois: a) Não registrou um empregado; b) Até junho de 2013 não havia apresentado GFIP. No mês de julho de 2013, apresentou todas as GFIP relativas ao período em que esteve ativa (2009 a 2012) SEM MOVIMENTO, ou seja, sem trabalhadores no período; c) Até setembro de 2013 não havia apresentado DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. No mês de outubro de 2013 apresentou todas as DIPJ relativas ao período em que esteve ativa (2009 a 2012), informando apenas a Receita Bruta, porém sem prestar informações nas fichas de Balanço Contábil, de Lucros ou Prejuízos ou de Informações Previdenciárias; d) Não apresentou DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte; e) Não apresentou contabilidade após ter sido intimada e reintimada para fazêlo pela fiscalização. (...) Ademais disso, informa o Fisco que outra cláusula do referido contrato evidencia a preocupação das empresas do Grupo SMAFF em evitar que seja caracterizado o vínculo empregatício entre os prestadores de serviço e as contratantes, simplesmente consignando nos termos do contrato a inexistência de subordinação e de cumprimento de jornada de trabalho, porém, nos depoimentos colhidos junto aos sócios minoritários da PRÁTICA, todos afirmaram que tinham horário de trabalho a cumprir, ao passo que, em relação à subordinação, afirmaram Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.479 7 que tinham que se reportar a um superior que, na maioria dos casos, era Fernanda Accioly ou Márcio Júnior, sócios tanto da contratante (empresas do Grupo SMAFF) como da contratada (PRÁTICA). Ademais disso, relata o Fisco ter observado que até o mês de julho de 2013, nenhuma GFIP havia sido apresentada pela PRÁTICA, apesar da obrigatoriedade prevista no referido contrato de prestação de serviços, e que, entre os dias 17 e 19 de julho de 2013 a empresa PRÁTICA enviou as GFIP relativas aos anos de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, todas SEM MOVIMENTO, embora o distrato da empresa tenha sido registrado em março de 2012. Da mesma forma, segundo o Fisco, as DIPJ apresentadas em outubro de 2013, embora registrassem a receita da empresa PRÁTICA, não informam a ocorrência de qualquer despesa, bem como não apresentam balanços contábeis, sendo que a empresa emitiu nota fiscal em todo o período fiscalizado e mantinha contratos de prestação de serviços. Intimada reiteradamente a apresentar a documentação solicitada, informa a fiscalização que a empresa PRÁTICA não apresentou os documentos exigidos e, durante o procedimento fiscal, solicitou baixa junto à Receita Federal do Brasil, baixa esta que foi concedida em novembro de 2013. No entanto, informa o Fisco, a empresa manteve como domicílio tributário, durante todo o período desta fiscalização, o mesmo endereço, que coincide com a SMAFF Chevrolet Valparaíso, em Valparaíso de Goiás. (...) A partir desses depoimentos, constatou a fiscalização que o contrato de prestação de serviço de consultoria celebrado com a empresa PRÁTICA, na verdade é um instrumento simulatório, uma vez que os depoentes continuaram trabalhando em condições idênticas, com as mesmas cargas horárias e nos mesmos locais de trabalho do período de carteira anotada, restando claro que sempre que um empregado assumia um cargo de gerência, era forçado a rescindir seu contrato de trabalho e entrar como sócio da empresa PRÁTICA e a maioria desses gerentes desconhecia o nome dessa empresa e até o local de seu funcionamento, além de desconhecer também as receitas e os lucros auferidos pela PRÁTICA no período em que tais gerentes integraram o seu quadro societário, pelo que considerou o Fisco ser óbvia a presença da subordinação jurídica, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade na relação de emprego em questão. (...) No Relatório Fiscal, informa, ainda, a autoridade autuante ter localizado uma reclamatória trabalhista relacionada aos negócios realizados pela PRÁTICA e as empresas do Grupo Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 SMAFF, processo este que tramitou no Tribunal Regional do Trabalho da 18a Região, figurando como reclamante o Sr. Linário José Leal e como reclamada a empresa ÚNICA BRASÍLIA AUTOMÓVEIS LTDA (SMAFF FORD); Solicitada à Presidência do Tribunal uma cópia do inteiro teor do referido processo n° 000196890.2010.5.18.0001, a fiscalização pôde examinar as provas levadas a efeito naqueles autos e que, segundo a autoridade autuante, corroboram com a conclusão de que a prestação de serviços de consultoria em gestão por meio da empresa PRÁTICA tratavase apenas de um simulacro utilizado por empresas do Grupo SMAFF para furtarse ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas e previdenciárias decorrentes do vínculo empregatício que ultimou por ser reconhecido pela Justiça do Trabalho nos autos do citado processo. (...) Dado este quadro, relata a fiscalização que referidas empresas omitiram todos os gerentes que foram contratados por intermédio da PRÁTICA, ou seja, de acordo com a informação prestada, os sócios proprietários dessas empresas do Grupo SMAFF seriam responsáveis por gerenciar um Grupo de 23 estabelecimentos, espalhados pelas regiões centro oeste e nordeste do Brasil, sendo que abaixo desses sócios todos os demais colaboradores estariam no mesmo nível hierárquico, o que seria absolutamente inconcebível. (...) Relativamente ao elemento fáticojurídico da onerosidade relata a fiscalização que os gerentes do Grupo SMAFF, contratados por intermédio da empresa PRÁTICA, recebiam salários em contraprestação aos serviços prestados e os depoimentos de sócios ou exsócios da PRÁTICA afirmam que a remuneração comportava parcelas fixas (valor mínimo) e variáveis, estas em decorrência do alcance de metas. Os rendimentos de cada sócio eram definidos pelas próprias empresas do Grupo SMAFF e, em muitos casos, os sócios da PRÁTICA recebiam na própria tesouraria das empresas do grupo, além do que observouse na reclamatória trabalhista já relatada que houve o devido reconhecimento dos valores pagos como salário ao reclamante, exsócio da empresa PRÁTICA que trabalhava como gerente de recursos humanos de uma das empresas do Grupo SMAFF (ÚNICA BRASÍLIA AUTOMÓVEIS). Quanto ao elemento fáticojurídico da não eventualidade, assinala a autoridade autuante que os sócios da empresa PRÁTICA prestavam serviços relacionados direta ou indiretamente com a atividade fim das empresas contratantes, como venda de veículos novos e usados, serviços de oficina, venda de peças, administração e finanças, negócios, contabilidade, operação de concessionárias, dentre outras, sendo, portanto, óbvia a essencialidade e a necessidade permanente desta relação para que se desse andamento normal às atividades das contratantes. São, enfim, serviços de natureza Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.480 9 não eventual, de necessidade permanente, e essenciais ao funcionamento normal das empresas do Grupo SMAFF. (...) Quanto ao elemento da pessoalidade, assinala a fiscalização que a existência da pessoa jurídica (PRÁTICA) era totalmente dispensável na execução dos trabalhos executados. Indispensável somente era a existência de uma pessoa física específica, preparada e com capacidade técnica adequada para cumprimento da demanda contratada. Daí a pessoalidade, pois quem detinha o conhecimento e realizava as tarefas designadas era a pessoa física. Destaca, ainda, o Fisco que o contrato celebrado com a empresa PRÁTICA foi elaborado exclusivamente para possibilitar a contratação de gerentes, por parte das empresas do Grupo SMAFF. O trabalho que o empregador pretendia obter ao contratar a pessoa jurídica era o de determinados e específicos profissionais e ficou comprovado que eles não podiam se fazer substituir por qualquer pessoa. Os serviços eram prestados por pessoas físicas que exerciam funções de gerência, apesar da simulação envolvendo a pessoa jurídica (empresa PRÁTICA). Relativamente ao elemento fáticojurídico da subordinação, pondera a autoridade autuante que esta decorria da relação de trabalho por meio do qual o prestador de serviço na pessoa do sócio (empregado) passava a se sujeitar aos comandos e objetivos da instituição (empregador) tomadora dos serviços (empresas do Grupo SMAFF). Tais empresas, por sua vez, definiam quais e quando as tarefas ou serviços – atividadesfim da instituição necessitavam e deveriam ser executadas e, em função disso, após designarem o trabalhador,sócio da pessoa jurídica PRÁTICA, com características que melhor lhe atenderiam, determinavam a tarefa/serviço que este deveria executar. Com isso, o trabalhador, na pessoa física do sócio da contratada, passava a se sujeitar, nas condições determinadas pela empresa do Grupo SMAFF (contratante) e o contrato, ao cumprimento do encargo que lhe foi atribuído. Assinala, ainda, a fiscalização que os profissionais (sócios da PRÁTICA) se encontravam inquestionavelmente à disposição da empresa contratante, cumprindo ordens ou determinações para a realização de sua atividadefim, de forma continua e por conta e risco da contratante. Caracterizase, nessa situação, a interferência do poder jurídico das empresas do Grupo SMAFF (empregadores) no procedimento de seus empregados (sócios da PRÁTICA), colimando a manutenção e adequação de suas atividades em favor dos empreendimentos das empresas do citado grupo. De todo o exposto, concluiu o Fisco que estão presentes na espécie todos os elementos caracterizadores da relação de emprego, uma vez que não há como desconhecer o vínculo empregatício entre o sujeito passivo e trabalhadores que lhe prestaram serviços, mesmo que tais serviços estejam mascarados Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 sob o rótulo de serviços de consultoria prestados pela empresa PRÁTICA. Neste passo, aduz a fiscalização que as empresas do Grupo SMAFF, ao pagar remunerações a trabalhadores por meio de empresa interposta, se esquivavam indevidamente de pagar benefícios trabalhistas e contribuições previdenciárias. (...) Quanto à base de cálculo das contribuições exigidas, relata a fiscalização que a contratação por empresa interposta impede a contabilização em títulos próprios, já que a empresa fiscalizada contabilizou os pagamentos efetuados à PRÁTICA em conta de despesa de serviços prestados por pessoa jurídica e, da mesma forma, a empresa também não incluiu os trabalhadores que prestaram serviços por intermédio da PRÁTICA em suas folhas de pagamento, concluindose, assim, que as informações prestadas pela empresa, tanto relacionadas à folha de pagamento, quanto à contabilidade, não registravam o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Neste quadro, aduz o Fisco que, dada a impossibilidade de identificar os trabalhadores e respectivas remunerações pela contabilidade e pela folha de pagamento, o sujeito passivo foi intimado a relacionar os sócios da PRÁTICA que prestaram serviços no período fiscalizado, com indicação do local, período e valor da remuneração, ocasião em que a empresa fiscalizada (SMAFF AUTOMÓVEIS LTDA) respondeu que não possuía a relação dos sócios da empresa PRÁTICA e nem teria como informar os seus rendimentos. Relata, ainda, a fiscalização que a empresa PRÁTICA também foi intimada a apresentar relação de todos os sócios que prestaram serviços no período compreendido entre 01/2009 a 05/2012, com indicação do período e empresa contratante em que cada sócio prestou os serviços, além do que também foi intimada a apresentar o rendimento mensal de cada sócio no período fiscalizado, desmembrando esse rendimento em valor bruto, valor líquido, verbas creditadas, porém, tais documentos não foram apresentados à fiscalização. Diante desta situação em que a folha de pagamento e a contabilidade não registram o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço e que documentos necessários à fiscalização não foram apresentados pelo sujeito passivo, inviabilizando a apuração direta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, a identificação dos estabelecimentos e o período em que os serviços foram realizados, relata a autoridade autuante ter utilizado a aferição indireta para determinação da base de cálculo das contribuições em causa, conforme previsto nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212, de 1991. Mais precisamente, o valor tributável referente às remunerações pagas aos segurados empregados das empresas fiscalizadas, por intermédio da empresa interposta PRÁTICA, foi aferido considerandose como base de cálculo das contribuições previdenciárias o valor total mensal das notas fiscais emitidas pela PRÁTICA para as empresas fiscalizadas (SMAFF Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.481 11 AUTOMÓVEIS, ÚNICA E SMAFF IMPORT) e, para fins de lançamento fiscal, foram utilizadas as datas de emissão da notas fiscais como competência de ocorrência do fato gerador. Finalmente, relata a fiscalização que a contribuinte remunerou segurados que lhe prestaram serviços por meio da PRÁTICA. A tentativa do sujeito passivo de simular situação que não reflete a realidade dos fatos para se eximir do pagamento de tributos, mediante utilização de empresa interposta, caracteriza fraude, em razão de que foi aplicada a multa qualificada (150 %), conforme determina o § 1º do art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996. Já os lançamentos das multas formais por descumprimento de obrigação acessória decorreram dos seguintes fatos geradores: a) DEBCAD 51.015.0349 (CFL34): Pelo fato de a contribuinte ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, sujeitandose, assim à penalidade prevista nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei n.º 8.212, de 1991 e, bem assim, no art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e §§ 13 a 17, todos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 1999; b) DEBCAD 51.015.0357 (CFL35): Pelo fato de a contribuinte ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, sujeitandose, assim, à penalidade prevista nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei n.º 8.212, de 1991 e, bem assim, no art. 283, inciso II, alínea “b”, combinado com o art. 283, ambos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 1999. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1345 a 1377, onde, em síntese: Preliminarmente Alega que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não possuem competência para reconhecer nulidade de negócio jurídico celebrado, pois o decreto de invalidade de qualquer ato jurídico é matéria privativa do Poder Judiciário; Alega que, segundo a tese da fiscalização, houve coação em desfavor de trabalhadores para que se associassem à determinada empresa, sendo inequívoco que o reconhecimento da nulidade de um negócio jurídico por coação requer provimento jurisdicional de natureza constitutivonegativo, e esta fatia de poder não foi atribuída à ilustre carreira dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil; Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 Aduz que a autoridade autuante sustenta a ilegalidade na existência de coação, e o decreto de eventual vício desta natureza não pode ser alcançado pelas vias administrativas, em que pese opiniões em sentido contrário; Argumenta que, mesmo que assim não fosse, e que o fundamento se assentasse simplesmente em simulação ou fraude, o legislador não poderia ter atribuído à carreira dos auditores o poder de reconhecer a relação de emprego, principalmente após a EC n° 45/2004, que deu nova redação ao art. 114 da CF/88, estabelecendo ser da Justiça do Trabalho a competência para dirimir as controvérsias atinentes às relações de trabalho, dentre elas, a de emprego; Em razão disso, sustenta ser nula a autuação, em face da usurpação da competência da Justiça do Trabalho para dirimir a controvérsia, o que, a seu ver, impõe que seja julgado improcedente o auto de infração hostilizado; Em outro plano, aduze que a matéria em exame tratase de bis in eadem, pois o mesmo objeto ora em discussão, inclusive o período, foi abordado nos autos do processo n° 10166.730264/201385, pelo que, a presente autuação caracteriza dupla punição sobre o mesmo fato, logo, deve ser julgado improcedente a exigência fiscal; Reclama, ademais disso, que houve cerceamento de defesa no curso do procedimento fiscal, em virtude da inversão na ordem de processamento do feito, pois boa parte do convencimento a que chegaram os auditores partiu de depoimentos colhidos entre funcionários das empresas fiscalizadas, mediante audiência de instrução onde as testemunhas foram compromissadas ainda na fase preliminar, antes de se tornar litigiosa, ou seja, antes da impugnação do contribuinte, caracterizando incontestável mácula às garantias do contraditório e da ampla defesa; (...); Aduz que a possibilidade de apresentação de defesa, com ampla dilação probatória não supre o vício que inquina a autuação, pois o contraditório deve ser prévio, não posterior, ao que argumenta que a fase preliminar de investigação, de natureza inquisitorial, comporta apenas meras entrevistas com funcionários, porém, na medida em que os depoimentos foram tomados dos sócios da empresa PRÁTICA sem sequer serem intimados os representantes das empresas autuadas, tornase óbvio que houve preterição do direito de defesa, pois sequer foi oportunizada a possibilidade de contradita das testemunhas e menos ainda foi franqueada a palavra para argüições que de certo revelariam situação bem distante das conclusões a que chegou a fiscalização; (...); Mérito Quanto ao mérito, alega que não houve terceirização ilícita, bem como não restaram demonstrados os elementos da relação de emprego, pois, nada há de ilegal no fato de uma empresa ter Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.482 13 cliente único, assim como nada há de ilegal em possuírem quadro societário parcialmente coincidente, já que a empresa PRÁTICA sempre existiu de fato, não sendo "fantasma", sendo, portanto, lícita a terceirização e válido o respectivo contrato, além do que na prestação de serviços não estavam presentes os elementos da relação de emprego; Aduz que não há qualquer disposição normativa que obrigue um estabelecimento a contratar gerentes, sendo absolutamente lícita a gestão centralizada do empreendimento pelos próprios donos e direção, assessorada por corpo técnico vinculado ou desvinculado, e disso obviamente não decorre fato gerador de qualquer tributo; (...) Alega que os diretores do Grupo SMAFF não poderiam se imiscuir nos detalhes da gestão do empreendimento, todavia, para atender esses detalhes não são obrigados a se valerem de empregados, pois sua atividade finalística é a venda de veículos zero quilômetro, de forma que avaliações de veículos seminovos dados como parte do pagamento e procedimentos administrativos entravam o processo produtivo, e por serem atividadesmeio, tais atividades foram desvinculadas da atividadefim, e nisso não há nenhuma irregularidade; (...) Alega também que, da mesma forma, tudo o que as montadoras podem dizer é que tratavam com pessoas que não eram diretamente os diretores, mas disso não resulta concluir que no organograma funcional existia a Direção e a Controladoria, e as Gerências apontadas e vinculadas a cada direção; Aduz que as informações prestadas pelas montadoras partem de seus próprios dados e foram prestadas a partir de suas convicções, todavia, jamais qualquer empresa do Grupo SMAFF disse às montadoras que tal ou qual pessoa era gerente seu e menos ainda que possuía com a concessionária relação de emprego reconhecida; (...) Relativamente à empresa PRÁTICA, alega que a parcial identidade societária e a gestão nas mãos da sócia Fernanda não torna referida empresa uma empresa "fantasma", pois se assim fosse cada empresário só poderia ser sócio e só poderia ser diretor de uma empresa por vez, o que obviamente não condiz com o ordenamento jurídico pátrio, além do que uma empresa não é obrigada a ter empregados, assim como é perfeitamente possível que em determinado endereço, se física e contabilmente for possível, funcione mais de uma empresa, principalmente se há ligação entre elas, o que não é negado nesta impugnação e também não é ilegal; Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 14 Alude a descumprimento parcial ou total de obrigações acessórias por parte da PRÁTICA, como entrega de documentos fiscais, para alegar que disso também não resulta a conclusão de que a PRÁTICA é empresa de fachada, ainda que tal descumprimento atraia a aplicação de penalidades previstas em lei, não sendo possível, contudo, concluir, a partir disso, que se trata de empresa fantasma, ao que aduz que a identidade societária parcial, a questão do endereço, a gestão por determinado sócio, a ausência de empregados, e eventual descumprimento de obrigações acessórias são, no máximo, indícios de empresa de fachada,mas não sua prova cabal; (...) Alega, ainda, que nem mesmo a fraude imputada pela fiscalização, no que se refere à contratação de sócios para ocultar relação de emprego, tem o condão de convolar empresa real em empresa de fachada, mas tão somente teria o condão de contribuir para o reconhecimento da relação de emprego se, e somente se, estivessem presentes os requisitos do art. 2º e 3º da CLT; Sustenta a licitude da terceirização em qualquer atividademeio, desde que não haja pessoalidade e subordinação direta, entendendose por pessoalidade o impedimento de subcontratar o serviço sem anuência do tomador, e por subordinação direta a sujeição do empregado ao poder disciplinar do tomador do serviço, sendo que no caso dos autos, a seu ver,nem uma nem outra estiveram presentes; (...) Em outro plano, alega que, uma vez rompida a relação de emprego com o Grupo SMAFF, nenhuma relação de emprego possuíam os sócios da PRÁTICA com o Grupo, sendo que a mera habitualidade na prestação dos serviços não pode levar à conclusão diversa pois não é esse o único elemento caracterizador da relação de emprego; Aduz que, além de a tese de coação de empregados para a vinculação societária não ter sido demonstrada cabalmente pela fiscalização, há várias nuances que diferenciam contratos de prestação de serviços continuados das relações de emprego comuns, ao que ressalta que o modelo adotado pelo Grupo SMAFF não afronta a legislação tributária, pois o art. 3º da CLT conceitua empregado como toda pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador sob a dependência deste mediante salário, e quem prestou serviços ao Grupo SMAFF foi a pessoa jurídica PRÁTICA, não a pessoa física dos sócios, tanto que o próprio contrato admite a delegação, tratandose de mero contrato de resultado, e não intuitu personae, qual seja, a pessoa dos sócio não atuava em nome próprio; (...) Reconhece a existência de tarefas cotidianas a cumprir, conforme apurado nas entrevistas, mas disso não decorre subordinação, pois esta só existe se restar inconteste a presença Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.483 15 de poder diretivo, especificamente na modalidade de poder disciplinar, com sujeição à punição tais como advertência, suspensão e dispensa por justa causa; (...) Reclama, ademais disso, que a fiscalização não pode entender que todo o valor da fatura possui natureza salarial e é base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois, como o próprio nome diz, as faturas representam o faturamento, não o valor especifico que foi entregue a cada “empregado", e que consubstanciaria a folha de pagamento e o fato gerador das obrigações; Relativamente às multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória, alega ser ilegal que o Fisco exija que sejam apresentados documentos de outra empresa acerca de pessoas que não eram seus empregados, além do que, se acaso restasse caracterizada a fraude, a penalidade aplicável, a seu ver, seria apenas a multa por falta de pagamento de contribuição, não multa por descumprimento de obrigação acessória, pois esta infração estaria inserida na análise da suposta infração maior; Quanto à aplicação da multa de ofício qualificada, alega que não houve, na hipótese, dolo, fraude ou máfé, mas sim, mera interpretação da legislação de regência que afirma categoricamente que o empregado deve ser pessoa física, sendo que a contratação se deu com pessoa jurídica, além do que, na execução contratual, o Grupo SMAFF distanciouse dos elementos da subordinação, adotando sistema de gestão alternativo e legalmente previsto,sendo que em momento algum restou demonstrada a máfé, o dolo no sentido de prejudicar o Fisco, pelo que, na hipótese de a autuação ser julgada procedente, vindica a redução da multa aplicada a seu patamar mínimo; Requer a produção de prova testemunhal, inclusive com a reinquirição dos sócios da PRÁTICA já ouvidos, além de oitiva de testemunhas a serem oportunamente arroladas com vistas a demonstrar que não houve coação para que se associassem à PRÁTICA, que não havia subordinação, e que foi um meio de gestão sem intuito de fraudar o Fisco, além de demonstrar que a empresa PRÁTICA de fato existiu e não era uma empresa de fachada; Requer também a produção de prova pericial para que seja apurado efetivamente quanto foi pago a cada "empregado" que atuou como gestor na condição de sócio, para avaliar a efetiva base de cálculo da tributação, requerendo prazo para indicação do assistente técnico; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis julgou improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 16 Período de apuração: 01/09/2009 a 30/04/2012 PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2009 a 30/04/2012 PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.484 17 impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA FORMAL. CFL35. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 18 É cabível a aplicação de multa formal pelo fato de a contribuinte ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA FORMAL AUTÔNOMA. CFL34. Independentemente da aplicação da multa de ofício por descumprimento da obrigação principal, é cabível a aplicação de multa formal pelo fato de a autuada não ter lançado mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, as remunerações pagas a segurados empregados, eis que contabilizou indevidamente tais remunerações em contas de despesas de serviços prestados por pessoas jurídicas. Cientificado da decisão acima (AR fls. 1425), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual reitera as alegações formuladas na Impugnação. É o Relatório Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso está dotado pelos pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 1) Preliminares 1.1) Incompetência da fiscalização para decretar nulidade de negócio jurídico A competência para que a fiscalização reconheça o vínculo laboral vem expressamente prevista no artigo 229, §2º do Regulamento da Previdência Social que assim dispõe: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.485 19 O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já se manifestou, diversas vezes, quanto a possibilidade de reconhecimento de vínculo laborar pela fiscalização para efeito de cobrança das contribuições previdenciárias PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços.Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821∕RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086∕PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). (grifamos) Ademais, a alegação do Recorrente no sentido de que "é preciso que se entenda que há uma diferença entre reconhecer uma situação fática que revele um fato gerador de um tributo e desconsiderar o negócio jurídico em virtude de sua nulidade" é despropositada. Isso porque, no próprio relatório fiscal, o fiscal autuante deixa claro que não estava promovendo a desconsideração ou decretando a nulidade da pessoa jurídica PRÁTICA, mas, simplesmente, reconhecendo que os seus "sócios minoritários" eram, na verdade, empregados da Recorrente. 1.2) "Bis in idem" com o processo 10166.730.264/201365 Em relação a alegação de que teria ocorrido duplicidade de exigência em razão do lançamento constante do 10166.730.264/201365, a DRJ esclareceu a improcedência da alegação pela singela razão de que, no referido processo, o sujeito passivo era outro, qual seja, a empresa SMAFF IMPORT e que, sendo assim, os empregados a nele abrangidos seriam os dela e não os da Recorrente. Não obstante, mesmo reconhecendo que "é verdade que as partes investigadas são outras" (fls. 1440) o fato é exatamente o mesmo. A obrigação tributária, como aliás qualquer outro vínculo obrigacional, compõese de três partes. Sujeito ativo, sujeito passivo e objeto. Ora, para se falar em dupla tributação é indispensável a dupla incidência Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 20 sobre o mesmo fato gerador e o mesmo sujeito passivo, o que, como reconhece a própria Recorrente, não ocorreu. 1.3) Cerceamento do direito de defesa Alega ainda a Recorrente que as provas testemunhais não poderiam ter sido colhidas unilateralmente pela fiscalização e que a, possibilidade da defesa posterior, com ampla dilação probatória não supre o vício da autuação, pois o contraditório deve ser prévio, não anterior. Como bem esclarecido pela DRJ, não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório de ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.486 21 prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Sendo assim, não há que se falar no direito ao contraditório pleiteado pela Recorrente. Além disso, a oitiva dos funcionário é apenas um dentre os diversos elementos trazidos pela fiscalização para demonstrar as operações realizadas. 1.4 ) Indeferimento de prova pericial Conforme decidido pela DRF e reconhecido pela própria Recorrente, o pedido de perícia, previsto do artigo 16, IV, considerase não formulado quando não houver a indicação do assistente técnico e a formulação dos quesitos, o que não foi feito quando da Impuganção. Ademais, o objetivo da perícia seria especificar quais os valores devidos. Todavia, a demonstração dos valores pagos aos sócios minoritários da empresa PRATICA foi solicitada, mais de uma vez, pela fiscalização não tendo a Recorrente atendido a qualquer dessas solicitações. Em face de todo exposto, rejeito todas as preliminares. 2) MÉRITO Em suas razões de mérito, a Recorrente se limita a reiterar as razões expostas quando da Impugnação no sentido de que não houve fraude e que a operação tratavase, na verdade, de uma terceirização lícita, não trazendo aos autos qualquer elemento probatório que pudesse suportar suas alegações Por outro lado, o extenso conjunto probatório trazido aos autos no trabalho fiscal deixam clara a contratação de empregados da Recorrente sob a roupagem de sócios da pessoa jurídica prática. Tais fatos, como já evidenciado no relatório, permitem concluir pela existência de vínculo de emprego diante da presença dos elementos de onerosidade, subordinação e habitualidade constantes do artigo 12 da Lei 8.212/91. Tais elementos podem ser identificados pelas seguintes situações, já descritas no relatório: Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 22 a) A empresa Prática localizavase no mesmo endereço; b) A empresa Prática prestava serviços exclusivamente para empresas do próprio Grupo SMAFF; c) A Prática se manteve à margem de uma empresa em funcionamento normal, uma vez que não registrou qualquer empregado, não havia apresentado GFIP até junho de 2013 quando apresentou todas as GFIPs do período em que esteve ativa (2009 a 2012) como "sem movimento", não apresentou DIPJ até setembro de 2013, em outubro de 2013 apresentou todas as DIPJ´s relativas ao período em que esteve ativa informando apenas a receita bruta, porém sem prestar informações nas fichas de balanço contábil de lucros ou prejuízos ou de Informações Previdenciárias, não apresentou DIRF nem contabilidade mesmo após ter sido intimada e reintimada para fazêlo. d) nos depoimentos colhidos junto aos sócios minoritários da PRÁTICA, todos afirmaram que tinham horário de trabalho a cumprir, ao passo que, em relação à subordinação, afirmaram que tinham que se reportar a um superior que, na maioria dos casos, era Fernanda Accioly ou Márcio Júnior, sócios tanto da contratante (empresas do Grupo SMAFF) como da contratada (PRÁTICA). e) os depoentes continuaram trabalhando em condições idênticas, com as mesmas cargas horárias e nos mesmos locais de trabalho do período de carteira anotada, restando claro que sempre que um empregado assumia um cargo de gerência, era forçado a rescindir seu contrato de trabalho e entrar como sócio da empresa PRÁTICA e a maioria desses gerentes desconhecia o nome dessa empresa e até o local de seu funcionamento, além de desconhecer também as receitas e os lucros auferidos pela PRÁTICA no período em que tais gerentes integraram o seu quadro societário; f) Foi identificada reclamatória trabalhista relacionada aos negócios realizados pela Prática e as empresas do Grupo SMAFF na qual foi reconhecido o vínculo empregatício. Quanto a multa por descumprimento das obrigações acessórias, alega a Recorrente que "eventual descumprimento de obrigação de fazer, no sentido de entregar os documentos , por justificadamente não possuílos, temse que essa infração, se existisse, estaria inserta na violação maior, mal comparando, seria o mesmo que penaliza o homicida por lesão corporal além da penalidade do próprio homicídio." A referida alegação parte do princípio utilizado nas obrigações de direito civil no sentido de que o acessório segue o principal. Tal raciocínio, no entanto, não se aplica as obrigações tributárias. Isso porque, o artigo 113 do Código Tributário Nacional é claro ao prever que as obrigações principal e acessórias tem pressupostos distintos. Assim, ainda que inexista a obrigação principal (obrigação de dar) subsistem as obrigações acessórias (obrigações de fazer) o que justifica o lançamentos efetuados. Finalmente, alega que Recorrente que não houve, no caso dos autos, dolo fraude ou simulação, mas mera divergência quanto a interpretação dos conceitos da legislação de regência. Nesse ponto, como já extensamente demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, entendo que resta claramente demonstrada a simulação da qualidade de "sócios" para se que a Recorrente se esquivasse das suas obrigações tributárias e trabalhistas. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730683/201317 Acórdão n.º 2202003.478 S2C2T2 Fl. 1.487 23 Sendo assim, considero correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, devendo ser mantida a penalidade qualificada porquanto aplicada nos exatos termos das disposições contidas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007, as quais determinam: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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