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Numero do processo: 10880.721862/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face do litígio presente nos autos.
Numero da decisão: 1302-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face do litígio presente nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 18 62 /2 01 0- 45 Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 14 de março de 2012, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso de ofício interposto nestes autos, assim relatado no Acórdão nº 130200.834: A 5ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, tendo exonerado o crédito tributário constituído em desfavor de CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) glosa de despesas de juros, consignadas como decorrentes de operação de emissão de Fixed Rate Notes, mas que, para a autoridade autuante, representou operação de mútuo entre pessoas jurídicas vinculadas, com taxa superior ao permitido pela legislação; b) glosa de dedução de ágio em razão da ausência de observância dos requisitos legais. A autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%, por entender que a conduta adotada pela contribuinte revelou planejamento das operações com o intuito de reduzir a base tributável das exações objeto de lançamento (IRPJ e CSLL). Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a já citada 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por meio do acórdão nº. 1631.907, de 07 de junho de 2011, julgou improcedentes os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR FIXED RATE NOTES CONTRATOS FIRMADOS ATÉ DEZEMBRO DE 1999. Exonerase o lançamento relativo a preços de transferênciajuros, quando a fiscalizada comprova, documentalmente, o registro do contrato no BACEN, exigindo a remessa de juros semestrais. INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. A legislação fiscal admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controlada por sua controladora, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, e a incorporação tenha sido realizada observando os ditames da legislação societária. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS. Se não é evidente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que justificasse a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o lançamento efetuado, exonerase o acréscimo correspondente, mantendose a multa de oficio de 75% se houver lançamento mantido. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 4 3 O voto condutor da decisão de primeira instância, acolhido por unanimidade pela Turma Julgadora, apresenta como suporte para exoneração do crédito tributário constituído os seguintes elementos: REMESSA DE JUROS 1. a análise da documentação apresentada na impugnação, bem como dos demais documentos apresentados posteriormente pela fiscalizada antes do julgamento do processo (documentos do BACEN), permitiu verificar que a contribuinte possuía uma autorização Banco Central do Brasil (nº 241/33955, de 31 de outubro de 1997) para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00; 2. inexiste no Brasil diploma legal que vede a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes; 3. o §1º do art. 1º da Lei nº 9.959/2000, garantiu que a isenção de imposto de renda retido na fonte para remessa de juros desse tipo de contrato, prevista no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.481/1997, na redação da Lei nº 9.532/1997, continuaria valendo para contratos em vigor em 31/12/1999; 4. inexiste também qualquer vedação para que uma coligada da empresa no exterior readquira os títulos anteriormente em posse de terceiros, sendo importante para o Banco Central, apenas, que o numerário relativo às Fixe Rate Notes, tenha entrado no prazo autorizado e somente seja remetido ao credor ao término do contrato; 5. a coligada no exterior permaneceu com os títulos por apenas dois anos, de 2005 a 2007, quando então os repassou novamente; 6. a remessa de juros glosada está registrada no Banco Central que, necessariamente, autorizou a operação, não podendo a Fiscalização descaracterizar a operação e tributála pela regra dos preços de transferência para remessas sem contrato à controladas ou coligadas no exterior. ÁGIO 1. no presente caso, consideradas as características do negócio realizado, é indevida a utilização da expressão “empresaveículo”, como reforço da argumentação de ocorrência de planejamento tributário; 2. a controladora da fiscalizada (Camargo Correa S.A. – CCSA) realmente pagou pela aquisição das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 com ágio, sendo tal ágio determinado por meio de relatório de rentabilidade futura elaborado pelo banco Goldman Sachs, tendo ocorrido, inclusive, um ligeiro desconto no valor pago; 3. por serem grupos econômicos distintos, a CCSA teria o máximo empenho em pagar o menor valor possível, e não ao contrário, como é feito em “criação de ágio” entre empresas do mesmo grupo econômico; 4. a argumentação da Fiscalização no sentido de que o Grupo Econômico buscou adquirir empresas com o intuito único de transferir ágio é descabida; 5. a manifestação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais referenciada pela Fiscalização diz respeito a incorporações com ágio efetuadas através de empresasveículo, dentro de um mesmo grupo econômico, não sendo aplicável ao presente caso; 6. a indagação da Fiscalização no sentido de que, no caso sob apreciação, a contribuinte teria pago algum ágio ou teria tido um ganho de capital, é absurda, pois, ao que parece, esqueceuse que ganho de capital em transações de compra e venda só existe para a vendedora que venda o bem com um preço maior que a avaliação histórica dele na contabilidade (o lucro na venda constitui o ponto de partida para o cálculo do ganho de capital a ser pago pela vendedora do bem); Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 5 4 7. ágios em aquisição de bens são legais e podem ser amortizados, tanto que os arts. 385 e 386 do RIR/99 autorizam expressamente essa amortização; 8. o legislador deixou para os contribuintes a escolha de qual fundamento de ágio seria utilizado, não obrigando de maneira alguma que a avaliação fosse feita pelo fundo de comércio, podendo perfeitamente utilizar como fundamento de ágio o valor de rentabilidade da controlada com base em previsão de resultados futuros; 9. a Fiscalização declara e a contribuinte confirma que o fundamento para a apuração do valor do ágio foi o relatório efetuado pelo banco Goldman Sachs, com base em previsão de exercícios futuros, não havendo contestação, por parte da Fiscalização, desse relatório; 10. a descrição dos fatos apurados revela contradição, pois, nos parágrafos 2.2.3.8 a 2.2.3.17, afirmase em dado momento que o fundamento do ágio deveria ser a expectativa de rentabilidade futura, enquanto em outro desprezase essa avaliação em favor da avaliação do fundo de comércio, esquecendose com isso que a avaliação de fundo de comércio faz parte integrante do valor calculado com base em previsão de resultados futuros; 11. a argumentação sobre fundo de comércio não invalida o relatório do Banco Goldman Sachs, pois a Fiscalização não comprovou que os valores apresentados no referido relatório seriam falsos ou estariam errados; 12. a Fiscalização utilizou parte do estudo do valor das empresas Gaby 1, Gaby2 e Gaby3 encomendado pela contribuinte à KPMG Corporate LTDA para descaracterizar a avaliação feita pelo banco Goldman Sachs, porém, o que está dito apenas confirma que a avaliação foi feita à época da transação e que os valores não foram criados em 2010 por ocasião do estudo, que manteve os valores apurados anteriormente, servindo apenas para formalizar, no Brasil, o mesmo estudo feito pelo banco americano; 13. a argumentação tecida pela Fiscalização no sentido de que a contribuinte teria procurado obter o maior valor possível de ágio para aproveitarse da amortização, não é coerente, pois seria muito mais vantajoso para o grupo Camargo Correa pagar o menor preço possível pela aquisição, e não o contrário; 14. as afirmações da Fiscalização só fariam sentido se a transação tivesse ocorrido entre empresas do mesmo grupo econômico, com aquisições “pagas” em ações da empresa “compradora”, em que haveria interesse em criar o maior ágio possível, para ser amortizado posteriormente por ela ou pela sua incorporadora; 15. relativamente ao fato, destacado pela Fiscalização, de que a adquirente das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 foi a CCSA, inexistindo suporte legal para repasse à Fiscalizada da despesa de ágio, deve ser esclarecido que a CCSA não descontou qualquer ágio decorrente da aquisição e não incorporou as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, pois utilizou essas empresas para aumentar o capital da fiscalizada por conferência de ações, juntamente com o valor do pagamento de dívida que a CCSA tinha com uma controlada da fiscalizada, a empresa Cauê; 16. a empresa CCSA não reavaliou o valor das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, tendo transferido o controle dessas empresas pelo custo de aquisição, ou seja, não gerou qualquer ágio por essa transferência de controle das empresas; 17. somente quando as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 passaram ao controle da fiscalizada é que foram incorporadas e, a partir daí, o ágio gerado começou a ser amortizado; 18. o ágio somente é dedutível após a incorporação da controlada ou coligada, adquirida com ágio, conforme determina o art. 386 do RIR/99; Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 6 5 19. a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago, e uma vez que a CCSA não amortizou o ágio pago pelas empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e tendo a fiscalizada recebido e posteriormente incorporado as três empresas e desdobrado o custo de aquisição, tem ela (a fiscalizada) o direito de descontar o ágio nas condições preconizadas pelo o art. 386 do RIR/99; 20. não cabe a aplicação do art. 389 do RIR/99 para o presente caso como alega a Fiscalização, assistindo razão à contribuinte quando alega a aplicação indevida do artigo; 21. o artigo 389 trata de ágios e deságios obtidos em aquisições efetuadas por empresas, situadas no exterior, que sejam coligadas ou controladas de empresas situadas no país, consignando que o resultado de investimentos em coligadas ou controladas no exterior não pode se refletir na apuração do lucro real da empresa controladora ou coligada situada no país; 22. o artigo 389 do RIR/99 trata da proibição de refletir no resultado da apuração do lucro real da empresa no Brasil as contrapartidas de ajuste do valor dos investimentos ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição de investimentos efetuados por sociedades coligadas ou controladas, situadas no exterior, não se aplicando portanto ao caso em comento; 23. a Fiscalização limitouse a tomar como base de cálculo para o lançamento valores que a própria fiscalizada informou em resposta à intimação recebida (fls. 106), não se preocupando sequer em confirmar a exatidão das informações prestadas. MULTA QUALIFICADA 1. não restou comprovado o evidente intuito de fraude que justificasse a aplicação da multa de 150%; 2. a constatação da fraude exige que reste provada a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que esta quis os resultados que o art. 72 da Lei nº 4.502/1964 elenca como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos; 3. a redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, que estava em vigor à época dos fatos, falava em “evidente intuito de fraude”, o que exige que os elementos de prova utilizados em sua caracterização sejam facilmente identificáveis nos autos; 4. a Fiscalização limitouse a apresentar suas idéias, sem qualquer comprovação do alegado; 5. o que está declarado nos documentos acostados ao processo realmente ocorreu e a contribuinte não se negou a prestar qualquer informação, nem colocou obstáculos ao procedimento fiscal. O Colegiado embargado acordou, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer os créditos tributários constituídos, reduzindo a multa de 150 para 75% e, por voto de qualidade, determinar a aplicação de juros de mora de 1% sobre multa de ofício, vencidos os Conselheiros Diniz Raposo da Silva e Guilherme Polastri Gomes da Silva que afastavam os juros de mora aplicados sobre a multa de ofício. O acórdão em tela foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. DEDUTIBILIDADE. LIMITE. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 7 6 Nos termos do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 1996, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Imprestável, como meio de prova do referido registro, extrato que, ainda que emitido pelo Banco Central do Brasil, não revela características essenciais do acordo pactuado. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio, supostamente incorrido na aquisição de participação societária de pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode ser transferido por meio de aumento de capital e quitação dívida. CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limitase à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há que se reduzir o percentual correspondente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra a redução dos juros de mora aplicados sobre a multa de ofício, o qual foi admitido conforme despacho de fls. 1535/1538. Os autos seguiram para a Unidade de origem que lavrou a intimação de fls. 1542/1548, da qual a contribuinte foi cientificada em 09/03/2015 (fl. 1549), apresentando contrarrazões ao recurso especial (fl. 1550/1627). Antes, porém, a contribuinte opôs embargos, tempestivamente, em 16/03/2015, no qual apontou obscuridades e contradições assim abordadas no despacho de fls. 1765/1770: Obscuridade: Da Não Indicação dos Requisitos para a Comprovação do Registro da Repactuação dos Fixed Rate Notes no BACEN A embargante assevera que, embora o Conselheiro Relator tenha concluído que os documentos apresentados no curso do processo administrativo não seriam suficientes para comprovar o registro da repactuação dos Fixed Rate Notes no Banco Central do Brasil, acabou por esquivarse de esclarecer qual seria a documentação hábil e suficiente à comprovação do atendimento à necessidade de registro no BACEN, limitandose a, de forma reiterada, afirmar que a documentação trazida à baila pela ora Embargante é imprestável para tal fim. Acrescenta que a legislação invocada tão somente faz referência genérica à necessidade de registro no BACEN para fins de dedutibilidade dos juros pagos a pessoa ligadas no exterior, sem que quaisquer requisitos formais específicos seja estabelecidos. E, destacando as expressões que classifica como vagas, adotadas no voto condutor do julgado, aduz que não foi indicada qual seria a forma de registro no BACEN adequada, devida e prevista em lei. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 8 7 Assevera que a legislação fiscal não traz qualquer exigência quanto à forma a ser observada para fins de registro dos contratos de mútuo no BACEN e que a repactuação dos Fixed Rate Note foi efetivamente registrada no BACEN, cumprindo todas as formalidades exigidas por tal órgão em operações desta natureza, especialmente mediante realização do Registro de Operações Financeiras para informação da referida renovação, depois da migração dos Certificados de Registro para o sistema SISCOMEX, ainda que com alteração na numeração do título, consoante detalhado nos embargos. Finaliza observando que não verificando qualquer irregularidade no procedimento da contribuinte, o BACEN emitiu o ROF nº TA 345775, que é a formalização do seu deferimento quanto à operação de renovação, e, se reporta a documento juntado no qual o BACEN responde aos questionamentos formulados pela contribuinte acerca dos documentos que seriam aptos à comprovação do registro da operação de renovação dos títulos emitidos em 1997. Observase no relatório do acórdão embargado que a decisão de 1ª instância reconhecera que houve autorização do BACEN para emissão de Fixed Rate Notes, que não havia vedação legal à repactuação, e que a remessa de juros foi registrada, a evidenciar que o BACEN autorizou a operação. Por sua vez, o voto condutor do julgado evidencia as características da contratação inicial, destaca ressalva expressa pelo BACEN no registro da operação acerca da alteração de condições/características constantes do certificado, e assim expressa a análise dos documentos presentes nos autos: [...] Nestes termos, o voto condutor do julgado nega efeitos à simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento, exigindo o registro da repactuação do empréstimo e da taxa de juros acordada. Destaca que foi alterada característica essencial do empréstimo (de captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral) e que em tais circunstâncias, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. Quanto à prova do registro da repactuação, o Conselheiro Relator consigna que só foi trazido o extrato correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. E isso provavelmente porque, a descrição dos documentos juntados às fls. 126/132, 1314/1322 e 1416/1424 não revelaria a concordância do BACEN com a ressalva posta no primeiro registro, de que o BACEN não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a prévia autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas das nele consignadas. Tal inferência, porém, evidencia, neste juízo preliminar, que há, de fato, obscuridade a ser sanada, dado que frente aos registros de renovação apresentados em impugnação, não restou claro qual procedimento seria esperado para evitar a adição dos valores exigidos pela autoridade lançadora. Contradição: Transferência Indevida do Ágio A embargante diz que o voto condutor do julgando, em primeiro momento, afirma a impossibilidade legal de transferência do ágio, porque quem incorreu no sobrepreço foi outra pessoa jurídica (Camargo Corrêa S/A), e a transferência das participações para a fiscalizada se deu em razão de aumento de capital e quitação Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 9 8 de dívida, porém, mais à frente, o Conselheiro Relator parece entender que, no caso concreto, teria ocorrido uma indevida transferência do ágio para a ora Embargante, ao apontar que a subscrição e integralização do capital da embargante, com as ações das investidas, se deu sem a segregação do ágio. Entende a interessada que o raciocínio desenvolvido no julgado é claramente contraditório, porque ao mesmo tempo em que se afirma que o ágio teria sido transferido indevidamente para a Embargante em um determinado ponto da decisão, em outro aparentemente se questiona a própria ocorrência da transferência do ágio. Em consequência, não lhe é possível determinar com certeza qual é o entendimento manifestado por esta E. Turma a respeito da ocorrência ou não de indevida transferência do ágio para a Embargante. A contradição vislumbrada pela interessada decorre da abordagem sucinta do tema, revelando, em verdade, obscuridade, que também demanda saneamento para regular exercício do direito de defesa pela embargante. Contradição: Dedução do Ágio da Base de Cálculo da CSLL A interessada entende que há contradição na afirmação contida no voto condutor do acórdão embargado, no sentido de que a amortização do ágio seria aplicável apenas à base de cálculo do IRPJ, uma vez que não haveria autorização legal para a sua dedução da base de cálculo da CSLL. Reportandose aos argumentos apresentados em recurso voluntário, a embargante aduz que não há previsão legal da adição correspondente no âmbito da apuração da CSLL e que, considerando que a CSLL tem por base de cálculo o lucro líquido com ajustes expressamente previstos, sendo a amortização contábil do ágio permitida até a edição da Lei nº 11.638/2007, nada há que vede a referida dedução. Novamente não se verifica contradição como apontado pela embargante, até porque sua argumentação confronta a decisão com sua defesa, e não a decisão e seus fundamentos. Mas isto também porque a decisão limita a previsão legal de amortização do ágio ao art. 386, III do RIR/99, refutando de forma sumária a alegação, contida em impugnação (fls. 1151/1153), de que a jurisprudência administrativa demanda norma legal específica a determinar a adição em referência. Assim, também aqui há obscuridade na decisão acerca do ponto em referência. Confirmase, portanto, obscuridade nos três pontos indicados pela embargante, razão pela qual, neste juízo de cognição sumária, com fundamento no art. 65, §7o, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente distribuição para relatoria por esta Conselheira, em conformidade com o sorteio antes promovido. Esclareçase que, como o Conselheiro Relator não mais integra o Colegiado embargado, os autos foram atribuídos por meio de sorteio a esta Conselheira, na forma do art. 49, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os embargos foram opostos tempestivamente, e a embargante demonstrou aspectos que, embora não caracterizassem, propriamente, as contradições alegadas, revelavam obscuridades que demandavam saneamento, nos termos expostos no despacho de admissibilidade. Por tais razões, os embargos são CONHECIDOS. Passase, assim, ao exame das alegações da embargante. Da Não Indicação dos Requisitos para a Comprovação do Registro da Repactuação dos Fixed Rate Notes no BACEN Consta na decisão de 1ª instância a seguinte síntese da acusação fiscal: REMESSA DE JUROS O auditor relata que a fiscalizada emitiu, em 1997, Fixed Rate Notes (FRN) em um único lote de US$ 150.000.000 (cento e cinqüenta milhões de Dólares), operação registrada no Banco Central conforme Certificado de Registro n° 241/33955. Em 2005, na data do vencimento mas antes do resgate, a empresa Cauê, teria adquirido todos os títulos que estavam em poder de terceiros, passando a ser detentora dos mesmos no período de 2005 a 2007. A fiscalizada remeteu pagamento de juros à empresa Cauê, por conta de pagamento de juros dos títulos emitidos mas o auditor contestou essa remessa, afirmando que: “Entretanto, a intenção do contribuinte era a transferência de recursos para sua subsidiária no exterior, mediante o pagamento de juros, o que produz os mesmos efeitos de um contrato de mútuo, apesar de revestido de outra forma (emissão das FRN). Afinal, que outro motivo poderia haver, uma vez que a emissão das FRN tem por objetivo captar novos recursos para a empresa fiscalizada. Como essa captação poderia acontecer, uma vez que a detentora das FRN é sua própria subsidiária? Fica claro, o intuito de reduzir o resultado mediante o pagamento de juros. E ainda por cima, com uma taxa superior a que se praticaria com uma operação de mútuo comum. Tendo em vista as informações acima, fica patente que durante o ano de 2005 a empresa fiscalizada não estava apropriando despesas com o pagamento de juros de uma operação de lançamento de FRN e sim de uma operação de mútuo entre empresas vinculadas, com uma taxa muito superior ao que permite a legislação pertinente ao assunto. [...] Desse modo, o auditor fiscal apurou a base de cálculo tributável conforme a tabela a seguir: DESPESAS ANOCALENDÁRIO 2005 JUROS 8.178.730,06 [...] [...] Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 11 10 Entendeu também ser cabível o lançamento da multa de oficio qualificada , justificando, no caso de remessa ao exterior como , “A empresa fiscalizada, sabendo que suas FRN haviam sido adquiridas por sua controlada no exterior, continuou enviando juros para fora do país a uma taxa superior à permitida para operações entre vinculadas e por isso deve sujeitarse ao disposto no Art. 44, inciso I, § Io, da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)” A autoridade lançadora reportouse ao art. 22 da Lei nº 9.430/96 que estabelece limites à dedução de juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central no Brasil, observou que as remessas de recursos para o exterior, representadas pelos pagamentos de juros do contribuinte para sua subsidiária no exterior, deveriam ter sido registradas no Banco Central do Brasil, como uma operação de mútuo entre pessoas vinculadas, e concluiu que a dedução dos juros estaria limitada à variação da taxa Libor para os depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de 3% ao ano, a título de spread. À fl. 1092 consta demonstrativo que confronta as despesas escrituradas de R$ 31.549.287,83 com os juros calculados na forma do art. 22 da Lei nº 9.430/96 (R$ 23.370.557,77), e evidencia a glosa promovida de R$ 8.178.730,06. A Turma Julgadora de 1ª instância cancelou a exigência com base nos seguintes fundamentos expostos no voto condutor do julgado: Ocorre que, analisando a documentação apresentada na impugnação e mais os documentos apresentados posteriormente pela fiscalizada antes do julgamento do presente processo (documentos do BACEN), observase que, realmente, a contribuinte possuía uma autorização do BACEN de 31/10/1997, nº 241/33955, para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00. Observase que esse contrato sofreu em 16/01/2002 mudança de numeração quando o BACEN passou a utilizar a numeração eletrônica, passando a ser identificado pelo nº SA 008987, após a alteração feita pelo BACEN, de forma automática no sistema SISCOMEX. Em julho de 2005, a fiscalizada promoveu repactuação dos títulos passando o vencimento para 2035, e esse acordo, aprovado pelo BACEN , recebeu o nº TA 345775. Cabe notar, no presente caso, que não há diploma legal , emitido aqui no Brasil que proíba a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes e o §1º do art. 1º da Lei nº 9.959/2000, garantiu que a isenção de IRRF para remessa de juros desse tipo de contrato, prevista no inciso IX do art. 1º da Lei nº9.481/1997, na redação da Lei nº9.532/1997, continuaria valendo para contratos em vigor em 31/12/1999. Tampouco existe qualquer vedação que uma coligada da empresa do exterior readquira os títulos anteriormente em posse de terceiros, sendo importante para o BACEN apenas que o numerário relativo as Fixe Rate Notes, tenha entrado no prazo autorizado e somente seja remetido ao credor, ao término do contrato. Observase ainda que a coligada no exterior, permaneceu com os títulos por apenas dois anos , de 2005 a 2007, quando então os repassou novamente. Assim , a remessa de juros glosada pelo auditor fiscal, para o pagamento das obrigações fixadas no ROF nº TA 345775, está registrada no BACEN que, necessariamente autorizou a operação, não podendo o auditor fiscal descaracterizar a operação e tributála pela regra dos preços de transferência para Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 12 11 remessas sem contrato à controladas ou coligadas no exterior, impondose a exoneração do lançamento nesse quesito. Da mesma forma exonerase o lançamento decorrente de CSLL relativo a autuação da remessa de juros. A autoridade lançadora, portanto, afirmou que a remessa de juros a subsidiária no exterior em razão de Fixed Rate Notes por ela detidas estaria sujeita aos limites fixados no art. 22 da Lei nº 9.430/96, ao passo que a autoridade julgadora de 1ª instância deu relevo ao ingresso dos recursos em favor da autuada na forma registrada junto ao BACEN e à sua devolução ao credor no final do contrato, não vislumbrando vedação à aquisição, temporária, de tais títulos por uma subsidiária da contribuinte, e negando a possibilidade de descaracterização da operação como originalmente contratada. Já no acórdão embargando, observase que o voto condutor evidencia as características da contratação inicial, destaca ressalva expressa pelo BACEN no registro da operação acerca da alteração de condições/características constantes do certificado, e assim expressa a análise dos documentos presentes nos autos: Considerados os elementos reunidos ao processo, entendo, na linha da descrição trazida pela autoridade autuante, que, para fins tributários, estamos diante de dois negócios absolutamente distintos, sendo o primeiro, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, firmado pela contribuinte em 1997, em que ela captou recursos no exterior por meio de lançamento de Fixed Rates Notes; e o segundo, representativo de mútuo entre a contribuinte e sua subsidiária integral, conforme ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA (fls. 1.227/1.313). Observese que, nos termos da observação 2 constante do registro da operação financeira realizada em 1997, restou assinalado pelo Banco Central do Brasil que ele não reconheceria qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrariasse ou modificasse as condições (características) constantes do certificado que, na ocasião, estava sendo registrado. Aditou, ainda, o BACEN, que seria necessária uma prévia autorização dele para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas naquele documento ou em condições diversas das nele consignadas. Entretanto, tomandose por base a ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA, verificase que: i) a contribuinte pactuou (expressão contida no referido documento) com sua subsidiária integral no exterior “a prorrogação da Data de Vencimento das Notas e a alteração de determinados outros termos das Notas”. Por ser digno de destaque, transcrevo, a seguir, excerto do item 1 (COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO À FIDUCIÁRIA) da citada ESCRITURA. ... Em conexão com a compra por uma subsidiária integral da emitente de 100% das Notas na Data de Vencimento ou antes dela e de acordo com a Seção 7.1 da Escritura de Fideicomisso, pelo presente solicitamos que V. Sas. dispensem as disposições estabelecidas em: (i) Condição 5(f) que exige que quaisquer Notas resgatadas ou compradas pela Emitente sejam canceladas, de forma que as Notas não sejam canceladas e permaneçam em circulação após a Data de Vencimento; e (ii) Condição 5 (e) que proíbe que a Emitente ou quaisquer de suas subsidiárias, na condição de Titulares das Notas, votem em quaisquer reuniões dos Titulares das Notas, de forma que a Emitente ou quaisquer de suas subsidiárias, na medida em que detenham coletivamente 100% das Notas, possam votar em quaisquer reuniões de Titulares das Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 13 12 Notas (ou celebrem uma Resolução por Escrito em vez de uma reunião de Titulares das Notas). Além disso, solicitamos que V. Sas. dispensem quaisquer exigências de notificações para convocar ou votar em uma reunião de Titulares das Notas. Solicitamos ainda pela presente que, quando a Fiduciária receber a comprovação ou confirmação de que a Cauê Finance Limited, uma subsidiária integral da Emitente, tem a titularidade de 100% das Notas na Data de Vencimento ou antes dela, a Fiduciária efetive a alteração e a consolidação da Escritura de Fideicomisso e as demais alterações determinadas na Resolução por Escrito da Cauê Finance Limited, juntada à presente como ANEXO A. Destaco que JP MORGAN TRUSTEE AND DEPOSITARY COMPANY LIMITED, como fiduciária, estabeleceu condições para aceitar as solicitações formalizadas pela contribuinte (item 2 – CARTA DO JP MORGAN). Chama atenção na documentação aportada ao processo pela contribuinte o fato de a ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA (traduzida por Tradutor Público) apresentar itens com a expressão “INTENCIONALMENTE OMITIDO”. Ainda que as alterações promovidas pela contribuinte no instrumento de captação de recursos no exterior tenham sido aceitas pelos demais intervenientes, penso que, mesmo desconsiderando outras modificações, a compra de 100% das notas emitidas por parte da sua subsidiária integral, revelou circunstância que, à luz do ordenamento jurídico pátrio, trouxe implicação tributária, qual seja, a de que a repactuação do empréstimo, dada a taxa de juros acordada, fosse devidamente registrada no Banco Central do Brasil, revelandose imprópria para tal a simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento. Observo, também, que o registro colacionado aos autos pela contribuinte, ao descrever as condições de lançamento da operação financeira, assinala que as NOTAS são listadas em BOLSA, tendo como praça a BOLSA DE VALORES DE LUXEMBURGO e como mercados de colocação a Europa e os Estados Unidos da América, representando, assim, uma OFERTA PÚBLICA de títulos. Com a devida vênia, tais condições não guardam qualquer relação com o que foi proposto e acordado na alteração promovida na ESCRITURA DE FIDEICOMISSO. O fato de o empréstimo tomado pela contribuinte contemplar sua repactuação não significa dizer que, alterada a sua característica essencial (captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral), tal “inovação” não deva ser adequadamente registrada no Banco Central do Brasil, de modo a satisfazer a exigência da lei tributária. Inexiste, como alegou a contribuinte, vedação legal quanto a quem deve ou pode adquirir FIXED RATES NOTES no exterior, porém, quando resta configurada uma efetiva modificação na forma de obtenção do empréstimo, traduzida pela reunião de todos os títulos emitidos na titularidade de sua subsidiária integral no exterior, fica evidente que, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. A contribuinte, por meio da peça impugnatória, afirmou que o Banco Central analisou e aprovou a repactuação em debate, tendo, por meio da transmissão do Registro da Operação Financeira, lhe comunicado a respeito. Contudo, aos autos, só foi trazido o extrato correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. O argumento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que, considerados os documentos apresentados, foi possível verificar que a contribuinte possuía uma autorização Banco Central do Brasil (nº 241/33955, de 31 de outubro Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 14 13 de 1997) para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00, não é digna de reparo. Porém, o que não restou comprovado foi o registro, nos termos da lei, do contrato representativo do mútuo pactuado com a sua subsidiária integral. De fato, como alega a decisão combatida, não existe no Brasil diploma legal que vede a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes, contudo, existe lei que fixa limite à dedução dos juros no caso em que essa repactuação não é registrada no Banco Central do Brasil. A embargante assevera que, embora o Conselheiro Relator tenha concluído que os documentos apresentados no curso do processo administrativo não seriam suficientes para comprovar o registro da repactuação dos Fixed Rate Notes no Banco Central do Brasil, acabou por esquivarse de esclarecer qual seria a documentação hábil e suficiente à comprovação do atendimento à necessidade de registro no BACEN, limitandose a, de forma reiterada, afirmar que a documentação trazida à baila pela ora Embargante é imprestável para tal fim. Acrescenta que a legislação invocada tão somente faz referência genérica à necessidade de registro no BACEN para fins de dedutibilidade dos juros pagos a pessoa ligada no exterior, sem que quaisquer requisitos formais específicos sejam estabelecidos. E, destacando as expressões que classifica como vagas, adotadas no voto condutor do julgado, aduz que não foi indicada qual seria a forma de registro no BACEN adequada, devida e prevista em lei. Assevera que a legislação fiscal não traz qualquer exigência quanto à forma a ser observada para fins de registro dos contratos de mútuo no BACEN e que a repactuação dos Fixed Rate Note foi efetivamente registrada no BACEN, cumprindo todas as formalidades exigidas por tal órgão em operações desta natureza, especialmente mediante realização do Registro de Operações Financeiras para informação da referida renovação, depois da migração dos Certificados de Registro para o sistema SISCOMEX, ainda que com alteração na numeração do título, consoante detalhado nos embargos. Finaliza observando que não verificando qualquer irregularidade no procedimento da contribuinte, o BACEN emitiu o ROF nº TA 345775, que é a formalização do seu deferimento quanto à operação de renovação, e, se reporta a documento juntado no qual o BACEN responde aos questionamentos formulados pela contribuinte acerca dos documentos que seriam aptos à comprovação do registro da operação de renovação dos títulos emitidos em 1997. O voto condutor do julgado embargado, como visto, nega efeitos à simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento, exigindo o registro da repactuação do empréstimo e da taxa de juros acordada. Destaca que foi alterada característica essencial do empréstimo (de captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral) e que em tais circunstâncias, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. Quanto à prova do registro da repactuação, o Conselheiro Relator consigna que só foi trazido o extrato correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. E isso provavelmente porque, a descrição dos documentos juntados às fls. 126/132, 1314/1322 e 1416/1424 não revelariam a concordância do BACEN com a ressalva posta no primeiro registro, de que o BACEN não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a prévia autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas das nele consignadas. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 15 14 De fato, especialmente o documento de fls. 1318/1322 e 1416/1424, correspondente ao Registro de Operação Financeira nº TA 345775, apenas traz a renovação do prazo de pagamento dos títulos FRN para acrescerlhe mais 360 (trezentos e sessenta) meses, expressamente negando a operação com o intercompany, e mantendo as características iniciais do lançamento dos títulos na Bolsa de Valores de Luxemburgo, em oferta pública. De outro lado, como exposto na escritura transcrita no voto condutor do acórdão embargado, o acordo para evitar o cancelamento das Notas na data de vencimento, e permitir que o pagamento da dívida somente fosse finalizado em 2035, foi firmado com subsidiária integral da contribuinte, e possivelmente somente se verificou em razão da ligação entre as empresas. Evidente, assim, que a contribuinte estendeu o prazo de pagamento dos juros em razão do novo acordo firmado com sua subsidiária, sendo insuficiente o registro junto ao BACEN, apenas, da prorrogação do prazo de vencimento dos títulos, sem a indicação de que esta renovação foi acordada com empresa ligada. A ausência desta informação no Registro de Operação Financeira nº TA 345775 impõe que sejam aplicados os limites legais à dedução de juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no BAnco Central do Brasil. Estas as razões para ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, sanando a obscuridade apontada pela contribuinte. Transferência Indevida do Ágio A acusação fiscal trouxe vários argumentos para glosar as amortizações de ágio que afetaram o lucro tributável do anocalendário 2005: A dedutibilidade dos encargos de amortização, portanto, está condicionada ao estrito cumprimento das condições impostas pelos referidos dispositivos. Caso estas sejam descumpridas, é inarredável concluir pela indedutibilidade de eventuais encargos de amortização contabilizados. Conquanto os documentos apresentados mencionem que o ágio pago pela Camargo Corrêa Cimentos teve como fundamento econômico o valor de rentabilidade da empresa Loma Negra C.I.A.S.A., com base em previsão de resultados em exercícios futuros, há que se tecer algumas observações sobre este assunto, levandose em conta as particulares do negócio. O exame da legislação tributária correlata ao tema aqui enfrentado denota que a dedutibilidade dos encargos de amortização de ágio para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL cingese ao sobre preço pago que esteja assentado em expectativas de rentabilidade futura. Quaisquer outros fundamentos econômicos que eventualmente tenham alicerçado o ágio pago não autorizam sua amortização para efeito da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Outrossim, é inverossímil que o ágio efetivamente pago pela empresa CCC tivesse como fundamento econômico as expectativas de rentabilidade futura. Como desprezar todo o fundo de comércio da empresa "Loma Negra"? Para bem entender o alcance deste conceito, vem a propósito transcrever a definição do "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações" (7a edição página 172): [...] Relembrando que as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 foram compradas pelo valor de US$ 775.818.303, em 09/11/2005, apesar de ser constituída por um Patrimônio Líquido de US$ 136 milhões e com um ágio de US$ 639,8 milhões e no estudo elaborado peio grupo econômico Camargo Corrêa e seus assessores financeiros, a Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 16 15 Média Revisada do Valor do Capital era de US$ 829 milhões, em 29/03/2005. Diante dos fatos apresentados, cabe indagar: O Grupo Camargo Corrêa pagou algum ágio ou teve ganho de capital na compra das empresas Gaby's ? Qual foi o intuito da criação das empresas Gaby's, sendo que as sócias já detinham as participações nas empresas Holdtotal S.A. e na Loma Negra CIASA? Qual a expectativa de rentabilidade futura? Por que foram feitos dois estudos das empresas Gaby's, sendo que um deles foi feito quase cinco após a transação? Apenas para tentar uma justificativa perante o fisco? [...] Na situação posta, as operações societárias engendradas pelo grupo econômico Camargo Corrêa tiveram como objetivo aproveitarse da amortização do ágio pago pela empresa CCSA e gerado quando da aquisição das ações das empresas Gaby1 Gaby2 e Gaby3 (concretizadas em 09/11/2005) e transferidas para a empresa fiscalizada, em 30/11/2005 e no dia seguinte, incorporadas. E o ponto de partida para tal apropriação do ágio na empresa fiscalizada deuse com o aumento de capital na empresa CCC, ocorrido em 30/11/2005, com a transferência das ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e pelo pagamento de uma dívida, que a empresa CCSA tinha com sua controlada CCC. Concluise, por conseguinte, que o ágio inicialmente pago pela empresa CCSA foi transferido indevidamente para a empresa fiscalizada. É patente o desiderato do grupo econômico Camargo Corrêa de utilizarse das empresas adquiridas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 para carrear tal ágio para a empresa fiscalizada. Tanto é assim que as empresas foram constituídas apenas para facilitar a concretização das transações de Compra e Venda de Ações ("Stock Purchase Agreement") e a transferência do ágio da empresa CCSA para a empresa fiscalizada, sendo efêmeras suas existências legais (foram constituídas em 05/2005, adquiridas em 09/11/2005, transferidas em 30/11/2005 e incorporadas em 12/2005), sendo que no breve período em que foram dotadas de personalidade jurídica, os balanços patrimoniais das empresas Gaby1, Gaby2, Gaby3 foram compostos apenas das contas de Participações em Investimentos contra Patrimônio Líquido. Mostrase de hialina clareza a flagrante intenção do grupo econômico de adquirir as empresas com o fim único de transferir o ágio. Tratase de um caso típico de "empresas veículos", criada com este cínico intuito. A recente jurisprudência administrativa vem sendo firmada no sentido de se exigir um propósito negocial em operações societárias que visem apenas e tãosomente a alcançar benefícios fiscais, tal como no caso "sub examine". A título meramente ilustrativo, é oportuno transcrever excerto de julgado do então Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Medida Provisória n° 449/2008): [...] A transferência do ágio pago pela empresa CCSA constituiu a "operação chave", a partir da qual o grupo econômico Camargo Corrêa pretendeu aproveitarse do beneficio fiscal concedido pela legislação pátria para diminuir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ora, o ágio foi efetivamente pago pela empresa CCSA e não pela sua controlada CCC. Portanto, o ativo (ágio) decorrente da aquisição de ações haveria de ser contabilizado na empresa CCSA adquirente das ações das empresas Gabyl, Gaby2 e Gaby3 e não na sua controlada CCC, que recebeu as ações. As operações societárias desencadeadas após a aquisição das ações das Gaby's lastrearamse nessa transferência do ágio pago pela empresa CCSA para a empresa CCC. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 17 16 As condições de dedutibilidade de encargos de amortização de ágio previstas no art. 386 do RIR/99 tem como pressuposto uma anterior contabilização do custo de aquisição do investimento, nos termos do art. 385 também do RIR/99. [...] Resta incontestável, portanto, que o previsto no art. 385 do RIR/99 não é aplicável à Camargo Corrêa Cimentos, pois a empresa não comprou as empresas Gaby's, que foram usadas para a conferência de bens na subscrição de ações pelo seu valor "cheio", isto é, pelo seu valor de patrimônio líquido mais o ágio pago quando de sua aquisição pela empresa CCSA Em sendo indiscutível a inaplicabilidade da norma contida no art. 385, § 2° inciso II, do RIR/99 à operação que deu origem ao ágio pago na aquisição das ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, também é de cristalina certeza a não subsunção dos fatos correspondentes às operações societárias subseqüentes (incorporação) à norma prevista no art. 386, inciso III do RIR/99, uma vez que a incidência daquela constitui pressuposto para a dedutibilidade autorizada por esta (atendidas as demais condições por ela impostas). Por conseguinte, a despeito da tentativa da empresa CCSA de transferir para sua controlada CCC o ágio pago, a legislação não autoriza que tal ágio seja aqui transferido, no momento posterior a aquisição da participação, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSSL da empresa CCC. [...] É de cristalina certeza a subsunção dos fatos, que as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 eram sociedades estrangeiras controladas e não funcionaram no país à norma contida no art. 389, § Io do RÍR/99, que impossibilita a amortização do ágio e conseqüentemente a redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL na empresa CCC. A Turma Julgadora de 1ª instância cancelou a glosa refutando todos os argumentos apresentados pela autoridade lançadora e, especificamente com referência à impossibilidade de transferência do ágio, consignou que: Ocorre que a empresa CCSA não descontou qualquer ágio decorrente da aquisição e não incorporou as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, pois utilizou essas empresas para aumentar o capital da fiscalizada por conferência de ações, juntamente com o valor do pagamento de dívida que a CCSA tinha com uma controlada da fiscalizada, a empresa Cauê. Constatase que a empresa CCSA não reavaliou o valor das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, tendo transferido o controle dessas empresas pelo custo de aquisição, ou seja não gerou qualquer ágio por essa transferência de controle das empresas. Somente quando as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 passaram ao controle da fiscalizada é que foram incorporadas e, a partir daí, o ágio gerado começou a ser amortizado. Observase aqui, por importante, que o ágio somente é dedutível após a incorporação da controlada ou coligada, adquirida com ágio ,conforme determina o art. 386 do RIR/99 a seguir reproduzido: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n2 9.532, de 1997, art. 7, e Lei n 9.718, de 1998, art. 10): Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 18 17 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2 do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de quetrata o inciso III do § 2 do artigo anterior, em contrapartida a contade ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 22 do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo para cada mês do período de apuração; ......................................................................................................................” Por outro lado, a legislação fiscal não proíbe, que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , ´pelo valor total pago, e uma vez que a CCSA não amortizou o ágio pago pelas empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e tendo a fiscalizada recebido e posteriormente incorporado as três empresas , desdobrado o custo de aquisição , a fiscalizada tem o direito de descontar o ágio nas condições preconizadas pelo o art. 386 do RIR/99, acima citado. No voto condutor do julgado, depois de descrever a acusação fiscal, o Conselheiro Relator afastou dois dos fundamentos expostos pela autoridade lançadora, e restabeleceu as glosas de amortização em razão da constatação de que o ágio efetivamente pago pela empresa CAMARGO CORRÊA S/A, e não pela fiscalizada, inexistindo, na legislação, norma que autorize transferência da referida despesa em momento posterior a aquisição da participação, a evidenciar que na dedução do ágio, a fiscalizada não observou as condições impostas pela legislação (art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997), consoante assim exposto: Apreciando, contudo, os fatos e a legislação a eles aplicada, inclinome a acolher a tese expendida pela autoridade fiscal no sentido de que não encontram presentes circunstâncias capazes de autorizar a amortização do ágio em questão. Com efeito, considerado o disposto no caput do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, descabe falar em apropriação de ágio por parte da CAMARGO CORRÊA CIMENTOS, a fiscalizada, quando resta indiscutível que quem incorreu no suposto sobrepreço foi a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A e que a transferência das participações, dela para a fiscalizada, se deu em razão de aumento de capital e quitação de dívida. Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): ... Alinhome, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 19 18 ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; ... Registro que a única transferência de ágio albergada pela legislação vigor, condenada, digase de passagem, por robusta doutrina, é a prevista no inciso II do parágrafo 6º do art. 386 do RIR/99, que em nada se assemelha à situação sob exame. Nesse particular, discordo da apreciação feita em primeira instância acerca da referida indagação, eis que, salvo melhor juízo, não resta dúvida de que aquele que paga por um ativo montante inferior ao que este efetivamente representa no ato de aquisição, tem efetivamente um GANHO DE CAPITAL. Considerado o relato feito pela autoridade autuante, parece que a própria empresa CAMARGO CORRÊA S/A tinha conhecimento da impossibilidade, face a ausência de previsão legal, da transferência do ágio em questão, eis que, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor “cheio”, ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio líquido e ágio. Apesar de concordar com a decisão de primeiro grau no sentido de que não restam configurados nos autos circunstâncias que indiquem a constituição de “empresa veículo” no âmbito de um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago. Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Diante do exposto sou, também, por dar provimento ao recurso relativamente a este item. A embargante diz que o voto condutor do julgado, em primeiro momento, afirma a impossibilidade legal de transferência do ágio, porque quem incorreu no sobrepreço foi outra pessoa jurídica (Camargo Corrêa S/A), e a transferência das participações para a fiscalizada se deu em razão de aumento de capital e quitação de dívida, porém, mais à frente, o Conselheiro Relator parece entender que, no caso concreto, teria ocorrido uma indevida Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 20 19 transferência do ágio para a ora Embargante, ao apontar que a subscrição e integralização do capital da embargante, com as ações das investidas, se deu sem a segregação do ágio. Entende a interessada que o raciocínio desenvolvido no julgado é claramente contraditório, porque ao mesmo tempo em que se afirma que o ágio teria sido transferido indevidamente para a Embargante em um determinado ponto da decisão, em outro aparentemente se questiona a própria ocorrência da transferência do ágio. Em consequência, não lhe é possível determinar com certeza qual é o entendimento manifestado por esta E. Turma a respeito da ocorrência ou não de indevida transferência do ágio para a Embargante. Constatase no voto condutor do julgado que o Conselheiro Relator expressou motivação suficiente para a conclusão de que o ágio somente poderia ensejar amortizações dedutíveis pela sociedade que efetivamente adquiriu os investimentos com ágio, qual seja, Camargo Corrêa S/A (CNPJ nº 01.098.905/000109), e não pela fiscalizada, sua controlada, Camargo Corrêa Cimentos S/A (CNPJ nº 62.258.884/000136), que somente recebeu as participações em razão de aumento de capital e quitação de dívida. Isto porque os arts. 385 e 386 do RIR/99 impõem a interpretação de que o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido cabe àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço, no caso, Camargo Corrêa S/A. Porém, na sequência desta abordagem, o Conselheiro Relator menciona que Camargo Corrêa S/A, sabendo daquela limitação, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor “cheio”, ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio líquido e ágio. A análise de todo o processo fiscal revela, em verdade, que o Conselheiro Relator pretendia, apenas, reproduzir em sua argumentação o seguinte excerto da acusação fiscal: 2.2.3.27 Resta incontestável, portanto, que o previsto no art. 385 do RIR/99 não é aplicável à Camargo Corrêa Cimentos, pois a empresa não comprou as empresas Gaby's, que foram usadas para a conferência de bens na subscrição de ações pelo seu valor "cheio", isto é, pelo seu valor de patrimônio líquido mais o ágio pago quando de sua aquisição pela empresa CCSA Significa dizer que para cumprir com sua obrigação de subscrever o capital da fiscalizada, Camargo Corrêa S/A entregoulhe as participações societárias em Gaby1, Gaby2 e Gaby3 já pelo valor "cheio" pago em sua aquisição, contemplando o valor equivalente ao patrimônio líquido das investidas e o ágio. Certamente os investimentos assim transferidos foram registrados pela fiscalizada com a segregação do ágio, pois de outra forma não seria possível a existência das amortizações aqui glosadas. Contudo, a argumentação desenvolvida pelo Conselheiro Relator evidencia, nos termos da sua conclusão, que embora assim promovida a operação, sua repercussão tributária não pode ser admitida, dada a ausência de lei autorizativa de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. Concluise, do exposto, que inexiste contradição no julgado, mas sim obscuridade acima esclarecida, razão pela qual os embargos são ACOLHIDOS sem efeitos infringentes. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 21 20 Dedução do Ágio da Base de Cálculo da CSLL A interessada entende que há contradição na afirmação contida no voto condutor do acórdão embargado, no sentido de que a amortização do ágio seria aplicável apenas à base de cálculo do IRPJ, uma vez que não haveria autorização legal para a sua dedução da base de cálculo da CSLL. Reportandose aos argumentos apresentados em recurso voluntário, a embargante aduz que não há previsão legal da adição correspondente no âmbito da apuração da CSLL e que, considerando que a CSLL tem por base de cálculo o lucro líquido com ajustes expressamente previstos, sendo a amortização contábil do ágio permitida até a edição da Lei nº 11.638/2007, nada há que vede a referida dedução. O voto condutor do acórdão embargado trouxe as seguintes referências acerca do tema: Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Novamente não se verifica contradição como apontado pela embargante, até porque sua argumentação confronta a decisão com sua defesa, e não a decisão e seus fundamentos. Mas isto também porque a decisão limita a previsão legal de amortização do ágio ao art. 386, III do RIR/99, refutando de forma sumária a alegação, contida em impugnação (fls. 1151/1153), de que a jurisprudência administrativa demanda norma legal específica a determinar a adição em referência. Assim, cumpre apenas esclarecer que o art. 386, III do RIR/99 tem por fundamento legal a Lei nº 9.532/97, cujo texto fez referência, apenas, à repercussão das amortizações de ágio na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ. Vejase: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 22 21 IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Daí a interpretação de que caberia à legislação de regência da CSLL constituir hipótese semelhante para permitir que as amortizações afetassem sua base de cálculo. Desta forma, inexistindo contradição no julgado, mas sim obscuridade acima esclarecida, os embargos são ACOLHIDOS sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 23 22 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13808.005507/2001-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. O não recolhimento da contribuição devida no caso da inconstitucionalidade declarada afasta a aplicação do art. 173, I do CTN.
Embargos Providos.
Numero da decisão: 9303-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. O não recolhimento da contribuição devida no caso da inconstitucionalidade declarada afasta a aplicação do art. 173, I do CTN. Embargos Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 55 07 /2 00 1- 03 Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303003.443 CSRFT3 Fl. 1.316 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 1.307), diante da decisão consubstanciada no Acórdão 9303002.859 (fls. 13011305), de 18 de fevereiro de 2014, proferida pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado Diante de tal decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta Embargos de Declaração alegando omissão no que tange a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, pedido formulado quando do Recurso Especial. O Recurso Especial foi interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão 20403.234 (fl. 1.240), de 03 de junho de 2008, proferida pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, de se aplicar o prazo de cinco Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303003.443 CSRFT3 Fl. 1.317 3 anos a contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional e a não incidência do PIS sobre receitas oriundas de variações monetárias no período apurado. A admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional interposto em 18 de fevereiro de 2009, por divergência e por contrariedade à lei, ocorreu por intermédio do Despacho 34001022, em 19 de julho de 2010. Foram dois os pedidos da Procuradoria da Fazenda Nacional: 1) que fosse modificada a decisão recorrida afastandose a decretação de decadência parcial do direito da Fazenda Pública de lançar o PIS, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional; e, 2) que seja mantida a correção monetária na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator Por intermédio do Despacho S/N° de 11 de setembro de 2015 julgouse pela admissibilidade dos Embargos de Declaração por omissão proposto pela Fazenda Nacional. Diante da tempestividade e do atendimento dos requisitos de admissibilidade, conheço dos embargos de declaração. A Fazenda Nacional volta aos autos com a interposição de Embargos de Declaração apontando que a decisão não contemplou o item do Recurso Especial que pugna pela aplicação na contagem do prazo decadencial o estabelecido no art. 173, I, da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional. É possível a interposição dos Embargos de Declaração quando na decisão embargada ocorre alguma obscuridade, contradição ou omissão. No presente caso, a Procuradoria da Fazenda Nacional aponta o vício da omissão como fundamento para o pleito. Conceitualmente os Embargos de Declaração não visam a reforma do acórdão ou da sentença, portanto, habitualmente se mantém o conteúdo da decisão sem ocasionar um novo julgamento da causa. No Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional alegouse, em resumo, que na hipótese de total ausência de recolhimento do tributo o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ter sido lançado de acordo com o disposto no art. 173, I, do CTN. Ocorre que a ausência de recolhimento do tributo, o que possibilitaria a aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, foi motivada pelo entendimento do que seja receita financeira, e, neste caso, entendeuse que a incidência do PIS sobre receitas oriundas de variações monetárias somente encontra base legal com a superveniência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303003.443 CSRFT3 Fl. 1.318 4 O referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, limitando a eficácia da decisão às partes do litígio (controle difuso de constitucionalidade). Posteriormente, no julgamento do RE n° 582.235/MG, foi reconhecida a repercussão geral e inclusive por intermédio da seguinte Súmula Vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Portanto, a contribuição não foi recolhida por entender a Contribuinte que as receitas oriundas de atualização monetária dos créditos relativos a venda de imóveis a prazo ou a prestação não integrariam a base de cálculo do PIS, o que foi decidido favoravelmente no Acórdão n° 20403.234, de 03 de junho de 2008. Nestes termos a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998,01/01/1999 a 31/01/1999,01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999,01/05/2000 a 31/0812000,01/01/2001 a 28/02/2001 PIS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, III, b, da Constituição Federal cabe à lei complementar estabelecer normas sobre decadência. Sendo assim, é de se aplicar o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, 4° do CTN. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A incidência do PIS sobre receitas oriundas de variações monetárias, somente encontra base legal com a superveniência do art. 3°, 1° da Lei n.° 9.718/98, que já foi afastado do mundo jurídico com a declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303003.443 CSRFT3 Fl. 1.319 5 Com estas considerações, no caso sob exame, não deve ser aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN. Com isso acolho os embargos apenas para sanar a omissão sem conferir a eles efeitos modificativos. Valcir Gassen Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.723910/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado.
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 10 /2 01 1- 37 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.166 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de ZONA LIVRE LOGISTICA LTDA, como real adquirente. Na sessão de 23/02/2016, esta turma proferiu o acórdão nº 3302003.071, com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na infração punida com a multa lavrada (interposição fraudulenta na importação), o que levaria à aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, observando julgamento do STJ sob a sistemática de recursos repetitivos e as Súmulas CARF nº 72 e 101, os quais foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A Fazenda Nacional alegou omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na interposição fraudulenta, o que levaria à aplicação do artigo 173, inciso I do CTN e das Súmulas CARF nº 72 e 101. De fato, a DRJ entendeu que a ocorrência de fraude levaria o prazo decadencial para o artigo 173, I do CTN. Entretanto, este não é o posicionamento deste Conselho, nem da própria Receita Federal. A pena de perdimento decorrente do dano ao erário possui natureza Fl. 852DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.166 S3C3T2 Fl. 4 3 administrativa, cujo bem tutelado não se restringe à arrecadação tributária, mas referese ao próprio controle aduaneiro, evitando a burla ao controle da habilitação para operar no comércio exterior, a blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante etc, e é aplicada ainda que não haja tributos devidos numa importação com interposição fraudulenta. Assim, as disposições do Decretolei n º 37/1966 são específicas em relação à Lei nº 5.172/1966. Observase que o DL nº 37/1966, publicado em 21/11/1966, posterior à Lei nº 5.172/1966, publicada em 27/10/1966, previu no artigo 139 o prazo decadencial de cinco anos a contar da data da infração para o direito de impor penalidade. Por sua vez, o Decretolei nº 2.472/1988 alterou a redação do artigo 138, adequando ao comando do artigo 173, inciso I e ao artigo 150, §4º do CTN, evidenciando a diferença entre os prazos decadenciais para constituição de crédito tributário e para imposição de penalidade. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. A Receita Federal reconheceu este entendimento com a edição da Solução de Consulta nº 32/2013, cuja ementa dispôs: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. PRAZO O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. A natureza administrativotributária das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações permite que a elas se apliquem regras tributárias de constituição e cobrança do respectivo crédito, inclusive o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), mas não a regra de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois a norma aplicável à espécie, pelo critério da especialidade, é o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 4º, 113 e 173; Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 78 e 83; DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, arts. 94, 96, 138 e 139; Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, art. 704; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De outro lado, não houve declaração de inconstitucionalidade do artigo 139 do Decretolei nº 37/1966, mas, pelo contrário, o Superior Tribunal de Justiça afirmou a Fl. 853DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.166 S3C3T2 Fl. 5 4 validade do artigo 139 nos julgamentos dos Recursos Especiais nº 1.379.708CE, julgado em 05/12/2015, e nº 643.185SC, julgado em 15/03/2007, cuja ementa deste último transcrevese: EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. PERDIMENTO DOS BENS. EXPORTAÇÃO CLANDESTINA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: EDcl no AgRg no EREsp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; EDcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; EDcl no AgRg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, é de cinco anos o prazo decadencial para a imposição das penalidades nele previstas. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Destacase, ainda, que o HC nº 70.379/RS, julgado em 06/08/2009, ao tratar sob a incursão em crimes de descaminho, reafirmou a natureza administrativa da pena de perdimento, conforme ementa abaixo: EMENTA PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS . 1. DESCAMINHO. PENA DE PERDIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO E ACESSÓRIOS. 2. ILEGITIMIDADE PASSIVA DE UMA DAS ACUSADAS. QUESTÕES DE FUNDO. VIA ANGUSTA. INCURSÃO FÁTICOPROBATÓRIA. COGNIÇÃO VEDADA. 3. ORDEM DENEGADA. 1. A pena de perdimento caracteriza sanção de natureza administrativa, que não obsta a perseguição do crime de descaminho, diante da omissão no recolhimento do imposto devido, que muitas vezes se revela superior ao preço da própria mercadoria. 2. Não é lícito a esta Corte Superior ingressar em questionamentos acerca de matéria de fundo da ação penal. Tais aspectos devem ser examinados na via ordinária, em que a Fl. 854DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.166 S3C3T2 Fl. 6 5 dialética processual terá lugar com toda a amplitude que lhe é conatural. 3. Ordem denegada. Assim, o artigo 139 não traz nenhuma dissonância com o artigo 173 do CTN. Salientase, ainda, que este Conselho já se posicionou em diversos acórdãos sobre a matéria, a saber: Acórdão nº 3402002.989, de 17/03/2016: DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DA INFRAÇÃO. TERMO INICIAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº. 37/66. Tratandose de penalidade devida em face da interposição fraudulenta na importação (DL nº 1.455, art. 23, V), sujeitase à decadência ao cabo do prazo de cinco anos, cujo termo inicial é a prática da infração na data de registro da declaração de importação. Acórdão nº 3202001.588: SUBFATURAMENTO. MULTAS ADMINISTRATIVAS.DECADÊNCIA. Tratandose de imposição de multa, previstas no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/ 01, para o II, e no art. 83, I, da Lei nº 4.502/1964., para o IPI, por se cuidarem de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial, na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco)anos tem seu curso iniciado na data da infração. Precedentes. Acórdão nº 3201001.884, de 25/02/2015: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Acórdão nº 3401002.807, de 11/11/2014: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.166 S3C3T2 Fl. 7 6 Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Acórdão nº 3403003.225, de 16/09/2014: AUTO DE INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. DECADÊNCIA. O direito de aplicação de penalidade relacionada à interposição fraudulenta de pessoa em operações de importação extinguese em cinco anos contados da data do registro da Declaração de Importação. Quanto à suposta inobservância das Súmulas nº 72 e nº 101, ressaltase que todos os paradigmas destas súmulas versaram sobre constituição de crédito tributário e não sobre imposição de penalidade aduaneira, restando, portanto, inaplicáveis a este processo. Diante do exposto, voto para acolher os embargos opostos, para sanar a omissão alegada, sem, contudo, aplicarlhes efeitos infringentes, ratificando o Acórdão nº 3302003.071. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 856DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10580.729581/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007.
A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata.
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplica-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta e Relatora
Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplica-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta e Relatora Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.729581/201104 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.065 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRRF Recorrente COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 95 81 /2 01 1- 04 Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 10580.729581/201104 Acórdão n.º 2401004.065 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão proferida no Acórdão 15 29.308 da 3a. Turma da DRJ/SDR que considerou a impugnação do contribuinte improcedente. O lançamento de ofício decorre da falta de retenção e recolhimento de IRRF incidente sobre valores distribuídos a título de juros sobre o capital próprio para a empresa Neoenergia S/A nos anos calendário 2006 a 2010, no valor de R$ 48.896.799,51. A intimação do resultado do julgamento da impugnação ocorreu por via eletrônica quando a ciência teria acontecido por decurso de prazo em 10/03/2012. O recurso voluntário foi interposto em 22/03/2012. As razões de recorrer apresentadas pelo contribuinte e já exaustivamente tratadas no Acórdão de Impugnação estão a seguir. Preliminarmente 1. Ausência de dolo, fraude ou simulação a ensejar a aplicação do art. 173 do CTN. Entende que o tributo teria sido recolhido, tanto que foi lançado apenas a multa isolada em virtude da não retenção tempestiva do IRRF. Mais ainda, não teria ficado demonstrado pela fiscalização de que teria havido clara intenção da impugnante de não proceder a retenção/recolhimento do IRRF devido. Entende que não existem provas ou indícios da suposta fraude ou dolo praticado pelo recorrente. 2. Além do tributo ter sido devidamente oferecido à tributação pela NEOENERGIA antes da lavratura do auto de infração, a recorrente efetuou o recolhimento da multa de mora devida em razão da falta de retenção e recolhimento do IR/fonte. Deste modo, entende que os atos praticados pela recorrente não geraram nenhum dano ao erário público e não podem ser classificados como intenção de dolo, fraude ou simulação. 3.Visando a exoneração do tributo pelo par. 4, art. 150 do CTN, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial se daria na data da ocorrência de cada fato gerador, que no caso de 2006, ocorreram em 31/05/2006 e 31/07/2006. O recorrente foi intimado do auto de infração em 29/09/2011. Cita decisões deste Conselho sobre o assunto. Mérito Multa isolada sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF em decorrência da distribuição de juros sobre o capital próprio (de 2004 a 2008) Informa que não obstante não ter recolhido o IRRF, a beneficiária NEOENERGIA S/A ofereceu tais rendimentos à tributação (doc. 4 da impugnação e livros). Entende que o oferecimento do tributo devido à tributação por parte da NEOENERGIA equivale ao recolhimento do tributo e, portanto, não haveria razão para a multa, conforme art. 138 do CTN. O dispositivo sobre a aplicação da multa isolada estaria revogado pelo art. 14 da MP 351/2007. Com a modificação dada pela nova redação, apenas permanece o inciso I do Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 art. 44 da Lei 9.430/96 e não o inciso II, que prevê a cobrança de multa isolada. Assim, a imposição da multa de ofício deve estar acompanhada da falta de recolhimento do IRRF, o que não ocorreu. Cita decisões deste CARF sobre o assunto. A exigência da multa padece de vício pois inexiste base de cálculo a sustentar a cobrança. Argumenta também que as multas isoladas somente podem ser cobradas à razão de 50% do valor do imposto, no caso de recolhimento mensal (estimativa) e não 75%, em caso que não se confunde com os recolhimentos mensais. Pelos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco entende que a multa aplicada é ilegal e desarrazoada, pois o tributo teria sido pago pela beneficiária. O que deixou de ser feito foi a antecipação do mesmo. Os cofres públicos não foram prejudicados. Também não deve prosperar, por ilegalidade, a cobrança dos juros sobre a multa de ofício isolada. A multa isolada não seria considerado tributo conforme art. 3 do CTN e art. 61 da Lei 9430/96 a seguir transcrito. A taxa SELIC foi criada para medir a variação apontada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. A sua aplicação como sansão por atraso no cumprimento de obrigação não tem respaldo legal. Mais ainda, a referida taxa não foi criada por lei, mas por resolução do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil. É o relatório. Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 10580.729581/201104 Acórdão n.º 2401004.065 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O lançamento fiscal foi feito com base nos seguintes dispositivos legais: O valor lançado referese à multa isolada conforme art. 9o. da Lei 10.426/2002, a seguir transcrito, que continua vigente no direito brasileiro. Conforme mencionado no Acórdão de Impugnação, os valores devidos de Imposto de Renda não teriam sido pagos em moeda, mas compensados com saldo negativo de IRPJ. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. O artigo 44 da Lei 9430 foi alterado pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, que passou a vigorar com a seguinte redação: Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Enfatizo que o comando legal relativo à multa pelo não recolhimento do tributo IRRF menciona apenas o inciso I do art. 44 da Lei 9430/96, da multa. O fato da lei não ter expressamente utilizado o termo "multa isolada", não significa que não exista. Pelo entendimento do contribuinte, a lei que penaliza a não retenção na fonte nunca deveria ser aplicada, o qual discordo. Se assim fosse, teríamos uma lei tributária inócua, que, se não cumprida dentro de um curto espaço de tempo (menor que um ano), não mais precisaria ser. Tal entendimento, se aplicado, seria nefasto para o fisco, pois dificilmente seria aplicada penalidade pelo descumprimento do comando legal. Uma afronta, inclusive, ao prazo legal para a decadência do direito do fisco fazer o lançamento tributário de ofício, de 5(cinco) anos. Observase que o PARECER COSIT 01/2002 (a seguir transcrito no que se refere ao mencionado pelo recorrente) referese à responsabilidade pelo recolhimento do IRRF. No caso dos autos, não foi lançado o tributo, mas a multa isolada pelo não recolhimento do mesmo. Nem teria sentido lançar o tributo, pois o beneficiário já havia feito a compensação do mesmo com o saldo negativo de IRPJ. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. (grifei) Na sequência, o Parecer esclarece o procedimento relativo ao não pagamento do IRRF pela fonte pagadora IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 10580.729581/201104 Acórdão n.º 2401004.065 S2C4T1 Fl. 5 7 ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.(grifei) Entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois caso não houvesse penalidade, não haveria efetividade na cobrança do IRRF após o período de apuração do resultado (pessoa jurídica) ou da entrega da declaração anual (pessoa física) mencionado no Parecer CST 01/2002. A norma legal relativa à ocorrência de dolo no direito tributário, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, define os tipos penais: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) Fl. 3888DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 § 2º Se a pena cominada fôr a de perda da mercadoria ou de multa proporcional ao valor do impôsto ou do produto a que se referirem as infrações, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) § 3º Quando se tratar de infração continuada, em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão êles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 4º Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado. O recorrente, deliberadamente (vide resposta ao Termo de Intimação n.002), não efetuou o recolhimento do tributo aos cofres públicos, desobedecendo o comando legal para tanto. Desta forma, beneficiou o terceiro, contribuinte do Imposto de Renda, que recebeu os valores que deveriam ter sido recolhidos aos cofres públicos. Considerando que o terceiro beneficiado possui saldo negativo de IRPJ, nada foi recolhido aos cofres públicos em decorrência do procedimento omisso da recorrente. O art. 150 da Lei 5172/66 estabelece o prazo limite para a fazenda lançar o tributo cujo lançamento é por homologação, conforme a seguir. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Observase, contudo, que não houve qualquer pagamento do tributo, o que nos remete ao art. 173 do mesmo diploma legal, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a seguir transcrita. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ARTS. 150, § 4º, E 173 DO CTN. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. Fl. 3889DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 10580.729581/201104 Acórdão n.º 2401004.065 S2C4T1 Fl. 6 9 1. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorre pagamento antecipado, o prazo decadencial regese pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, será de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Não cabe ao STJ a análise acerca da ocorrência de dolo ou fraude, pois tal apreciação requer, necessariamente, o reexame de fatos e provas, o que é vedado ao STJ, em recurso especial, por esbarrar no óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 616.398/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2015, DJe 09/02/2015)(grifei) Desta forma, não merece acolhida a argumentação do contribuinte sobre a decadência dos valores lançados para o ano 2006 (31/05/2006 e 31/07/2006), cujo início da contagem do prazo decadencial se inicia em 01/01/2007. O recorrente foi intimado do auto de infração em 29/09/2011. A Súmula CARF n. 4, a seguir transcrita, sumariza o entendimento deste Conselho sobre a utilização da taxa SELIC como indexadora dos créditos tributários devidos. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A utilização da taxa SELIC para execução de sentença também foi corroborada pela decisão a seguir, do Superior Tribunal de Justiça. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. TAXA DE JUROS. NOVO CÓDIGO CIVIL. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. ART. 406 DO NOVO CÓDIGO CIVIL. TAXA SELIC. 1. Não há violação à coisa julgada e à norma do art. 406 do novo Código Civil, quando o título judicial exequendo, exarado em momento anterior ao CC/2002, fixa os juros de mora em 0,5% ao mês e, na execução do julgado, determinase a incidência de juros previstos nos termos da lei nova. 2. Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo [art. 406 do CC/2002 ] é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei 9.065/95, 84 da Lei 8.981/95, 39, § 4º, da Lei 9.250/95, 61, § 3º, da Lei 9.430/96 e 30 da Lei 10.522/02)' (EREsp 727.842, DJ de 20/11/08)" (REsp 1.102.552/CE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao regime do art. 543C do CPC, pendente de publicação). Todavia, não houve recurso da parte interessada para prevalecer tal entendimento. Fl. 3890DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 10 3. Recurso Especial não provido (REsp 1.111.117/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Relator para acórdão o Exmo. Senhor Min. Mauro Campbell Marques, Corte Especial, DJe de 02.09.10 sem destaques no original). (grifei) Este Conselho não possui competência para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei, conforme entendimento já sumulado (Súmula CARF n. 02) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Voto por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 3891DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 10580.729581/201104 Acórdão n.º 2401004.065 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Redator Designado Em que pese os argumentos lançados pela ilustre relatora no presente voto, divirjo quanto à aplicação, no caso concreto, da multa aplicada pela autoridade fiscal, prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002. No presente processo, depreendese que a multa aplicada, isoladamente, se dá única e exclusivamente pela falta de retenção do IRRF, posto que como mencionado pela própria relatora, o tributo devido (IRPJ) foi compensado (via saldo negativo de IRPJ) pela empresa beneficiária dos pagamentos de juros sobre capital próprio realizados pela ora recorrente. Assim, não restando dúvidas quanto ao pagamento do tributo e, consequentemente, de que o presente lançamento se dá única e exclusivamente pela ausência de retenção do IRRF, vejamos o arcabouço legal que fundamenta o lançamento e sua inaplicabilidade do presente caso. Eis a redação do artigo 9º da Lei nº. 10.426, já com a alteração produzida pela MP nº. 351/2007, convertida na Lei nº. 11.488/2007: Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. De dicção bastante clara, concluise que incide a referida penalidade nos casos em que a “fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição” deixe de assim proceder, sujeitandose “à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Vejase que a redação acima reproduzida do dispositivo aplicado à recorrente é dada pela Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007. Os fatos geradores relacionados no presente processo administrativo fiscal remetemse aos anoscalendário de 2006 a 2010. O lançamento se concretizou em 29/09/2011. O mencionado artigo dispõe que, incorrendo o contribuinte na conduta de não realizar a retenção do imposto ou contribuição, será aplicada a multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Quando da edição da redação do art. 9º acima reproduzido dada pela Lei nº. 11.488/2007, essa foi a redação dada ao inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 (também alterada pela MP nº. 351/2007, posteriormente convertida na lei nº. 11.488/2007): Fl. 3892DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Antes de promovida a referida alteração, esta era a redação do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 a que se referia o art. 9º da Lei nº. 9.426/2002 antes da alteração já mencionada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Em que pese a menção feita pelo art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 ao artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/96, tratamse de multas de natureza absolutamente distintas, sendo totalmente inócua a aplicação deste (art. 44) mediante a conjugação dos dois artigos. Qual é a multa que trata o inciso I do art. 44 da Lei nº. 9430/96? Tratase da multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos Fl. 3893DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 10580.729581/201104 Acórdão n.º 2401004.065 S2C4T1 Fl. 8 13 casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Importante destacar que a redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2006 acima reproduzida é a verificada após a alteração introduzida pela Lei nº. 11.488/2007. Para que se entenda a alteração realizada, eis a redação original do art. 9º: Art. 9o Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifamos) À época desta redação, o artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 previa a aplicação das multas de 75% (inciso I) e 150% (inciso II). Contudo, vieram as alterações promovidas pela Lei nº. 11.488/2007, tanto no artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002, quanto no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96. E, ora, ao se alterarem ambos os dispositivos legais ao mesmo tempo, com a nova redação do artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002 ficou clara a revogação tácita da previsão de aplicação de multa de ofício na modalidade isolada, posto que o mencionado dispositivo fez menção somente ao inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Destacase que, como visto acima, a alteração promovida pela Lei nº. 11.488/2007 no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 previu, expressamente, a aplicação da multa isolada e no percentual de 50%, em seu inciso II. Porém, o artigo 9º da Lei nº. 9426/2007 não previu a incidência dessa multa (inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/2007) nos casos de ausência de retenção ou recolhimento. Assim, somente cabe a aplicação do art. 9º da Lei nº. 9.426/2002 mediante a incidência da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, se verificada na situação em concreto a ausência de recolhimento do imposto, na declaração da pessoa jurídica beneficiária dos juros sobre capital próprio, que deixou de ser retido pela recorrente. E, nos termos das informações da própria autoridade fiscal e da nobre relatora, houve o recolhimento via compensação de saldo negativo. Portanto, se não há imposto a ser exigido, inaplicável é o artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002 que prevê a aplicação da multa de 75% do inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, esta última aplicável aos casos em que verificada a ausência de recolhimento do tributo. As alegações de que o mencionado artigo 9º se tornaria letra morta ou de difícil aplicação, em prejuízo ao Fisco, não devem servir de fundamento para manutenção da autuação, posto que não há previsão legal que assim determine e, nitidamente, tratarse de afronta ao princípio da legalidade. Se o legislador “pecou” em mal redigir determinado dispositivo, ou mesmo sua “intenção” fosse diferente da disposta no ordenamento, que faça as alterações devidas via o devido processo legal, não podendo ser admitidas correções legais por meio de lançamentos realizados com base em legislação que não se aplique ao caso concreto. Fl. 3894DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 14 Utilizome, também, do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe acerca da interpretação da lei tributária que comine infrações, nitidamente aplicável ao presente caso ante as disposições legais acima reproduzidas, : Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, para os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP nº. 351/2007 (22/01/2007) não há embasamento legal para a aplicação da multa prevista no art. 9º da Lei nº. 9.426/2002, conforme fundamentação acima. Para os fatos geradores anteriores à edição da MP nº. 351/2007, por se tratar de atos ainda não definitivamente julgados, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, assim, afastase o lançamento nos termos do inciso II, a, do referido artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Assim, nos termos da fundamentação acima, divirjo das razões da nobre relatora para o fim de dar integral provimento ao recurso voluntário e julgar improcedente o lançamento das multas de ofício aplicadas isoladamente com fulcro no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 , com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 3895DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Numero do processo: 19515.722018/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito.
Cofins. PIS. Base de Cálculo. Exclusão ICMS.
Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional.
DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS.
Segundo o que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA.
A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito.
Cofins. PIS. Base de Cálculo. Exclusão ICMS.
Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional.
DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS.
Segundo o que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA.
A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 3401-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: i) no tocante à desnecessidade e/ou impedimento do lançamento de ofício - por unanimidade, negou-se provimento; ii) acerca da configuração da sonegação, qualificação da multa de ofício e exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS - por maioria, negou-se provimentos ao recurso, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, que davam provimento; iii) quanto ao cálculo do crédito presumido da Lei n.º 10.925/2004 - por unanimidade, deu-se provimento; iv) relativamente ao embaraço à fiscalização e a multa correspondente - por unanimidade, negou-se provimento; e, v) quanto à sujeição passiva e a solidariedade - por maioria, negou-se provimento, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. Segundo o que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. Cofins. PIS. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. Segundo o que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-06-02T13:14:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-06-02T13:14:41Z; Last-Modified: 2016-06-02T13:14:41Z; dcterms:modified: 2016-06-02T13:14:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:df37cf7a-3748-4eec-b261-c994bfb16d5e; Last-Save-Date: 2016-06-02T13:14:41Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-06-02T13:14:41Z; meta:save-date: 2016-06-02T13:14:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-06-02T13:14:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-06-02T13:14:41Z; created: 2016-06-02T13:14:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2016-06-02T13:14:41Z; pdf:charsPerPage: 2460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-06-02T13:14:41Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722018/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.166 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria PIS E COFINS Recorrente FRIGONOVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 18 /2 01 3- 17Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. Segundo o que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 3 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. Segundo o que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: i) no tocante à desnecessidade e/ou impedimento do lançamento de ofício por unanimidade, negouse provimento; ii) acerca da configuração da sonegação, qualificação da multa de ofício e exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS por maioria, negouse provimentos ao recurso, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, que davam provimento; iii) quanto ao cálculo do crédito presumido da Lei n.º 10.925/2004 por unanimidade, deuse provimento; iv) relativamente ao embaraço à fiscalização e a multa correspondente por unanimidade, negouse provimento; e, v) quanto à sujeição passiva e a solidariedade por maioria, negouse provimento, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Trata o presente de autos de infração que constituíram e exigem contribuições de PIS e de COFINS do período de janeiro de 2008 a dezembro de 2008, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. A autoridade fiscal, com base na documentação apresentada pela contribuinte, concluiu que a contribuinte deixou de declarar na DCTF, de parcelar e de recolher os valores devidos de PIS e de COFINS, e registrou em sua contabilidade valores menores que os efetivos e verdadeiros. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte deixou de incluir na base de cálculo dessas contribuições o valor do ICMS dos bens que faturou, e aproveitou créditos com base no artigo 8º da Lei 9.285/2004 na proporcionalidade de 60%, quando o correto seria na proporção de 35%. A autoridade fiscal também lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária para os Srs Aparecido Augusto da Silva e José Clarindo Capuci. Segundo o relato que consta dos autos: Durante o procedimento, a fiscalização intimou e reintimou o contribuinte a apresentar documentação contábil e fiscal, a saber: Livro Diário; Livro Razão; Livro de Registro de Entradas e de Saídas; Livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência; DACONs; DCTFs; esclarecimentos e apresentação de planilha analítica de apuração do PIS e da Cofins, com discriminação das contas contábeis referentes aos seus créditos; esclarecimentos sobre as compras declaradas em sua DIPJ; notas fiscais que originaram créditos pelo regime de apuração nãocumulativo; movimentação financeira; informação sobre beneficiários das saídas (débitos) das contascorrentes especificadas; relação de imóveis, veículos, aeronaves ou embarcações; Balanço Patrimonial elaborado com detalhamento de seu imobilizado; apresentação de declarações omissas à Receita Federal do Brasil; entre outros (fls. 6/9, 89/93, 99/102, 109/112, 1.348/1.353, 1.375/1.377, 1.378/1.381, 1.400/1.402). Foram juntados aos autos: a) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ 2009) do anocalendário de 2008 (fls. 18/45, 1.427/1.454); b) lançamento de entradas do período de 01/01/2008 a 31/12/2008 (fls. 117 a 268); c) fornecedores e notas fiscais (fls. 278/483, 494/601, 980/1.169 e 1.172/1.343); d) Registro de Entradas (fls. 604 a 978); e) favorecidos de saídas da contacorrente (fls. 1.369 a 1.371); f) Dossiê CNPJ (fls. 1.415 a 1.424); g) Relação DACONs (fl. 1.425); h) Relação DCTFs (fl. 1.426); i) DIRF/PJ (fls 1.455 a 1.459); j) Extrato PAES e Refis (fl. 1.460 e 1.461); k) Demonstrativos Contábeis (fls. 1.462 a 1.501); 1) Informações Bancárias e RMFs (fls. 1.502 a 1.576); m) Diligências, Fornecedores e Clientes (fls. 1.577 a 1.678); n) DIRPF de Batista Cajueiro Sobrinho (fls. 1.679 a 1.692); o) Dossiês CPF (fls. 1.693 a 1.725); p) Responsáveis Tributários (fls. 1.726 a 1.812); q) Dossiê e Representação Fiscal (fls. 1.813 a 1.823); entre outros documentos. O contribuinte apresentou as planilhas de cálculo das fls. 107/108 e 484/489. A contribuinte FRIGONOVA e o Sr. Aparecido Augusto da Silva apresentam impugnação em conjunto e contestam a autuação, apresentando as razões por que defendem deve ela ser tornada sem efeito, consoante resumo escrito pelo relator de 1º piso, que reproduzo graças à sua objetividade: QUE é insubsistente a imputação da sujeição passiva solidária ao senhor APARECIDO. A inclusão do sócio no pólo passivo teve como base a infração descrita no inciso II, do art. 2º da Portaria PGFN n.º 180/2013, cuja matriz é o art. 135, do CTN. Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 4 5 QUE consta no Termo de Verificação de Infração que os registros contábeis auditados estariam em conformidade com os valores declarados em DIPJ, e, portanto, afastarseia a acusação de sonegação. Diz, ainda, que o inadimplemento por si só não representaria infração de lei, contrato social ou estatuto, sendo certo que as pessoas jurídicas têm existência distinta da de seus membros. QUE é insubsistente a exigência de tributos em face de sua anterior confissão por meios que representam constituição de crédito tributário, dispensando o lançamento de ofício. QUE o Anexo Único do Termo de Verificação de Infração, em que pese sua dificuldade no manejo, pela a análise do conjunto de documentos encartados, é razoável admitir que as declarações apresentadas foram consideradas extemporâneas, ou seja, apresentadas no curso da ação fiscal. Em que pese isso ser incontroverso, entende que os referidos documentos constituem crédito tributário confessado, do que resultaria na desnecessidade de lançamento tributário de ofício, o que resultou em inequívoco bis in idem. O lançamento deveria exigir tão somente as eventuais diferenças entre o levantamento feito pela fiscalização e os valores apurados pelo contribuinte. QUE é insubsistente as diferenças apontadas resultantes das glosas de créditos presumidos legalmente admitidos e da exclusão do ICMS das respectivas bases de cálculos. A interpretação é de que teria se considerado a alíquota de 60% sobre o valor de compras de carne in natura, e não de 35% como descrito no Capítulo 1, da TIPI. Sobre isso argumenta que quando da efetiva aquisição do rebanho, o frigorífico não adquire o gado "em pé" (animais vivos), entendendo que o crédito presumido pleiteado diz respeito à carne in natura contida no Capítulo 2, da TIPI, a qual prevê uma alíquota de 60%. QUE excluiu da base de cálculo das contribuições o ICMS porque da receita e do faturamento se deve fazer tal exclusão, em razão da sistemática "por dentro" desse imposto, o qual não agrega receita bruta. Afirma que o ICMS, que é receita dos Estados, não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. QUE é insubsistente a imposição de multa qualificada, cuja demonstração é extraída do próprio trabalho fiscal. A multa qualificada resultou da infração descrita no inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64. Defende que não há como se sustentar a acusação de sonegação, tendo em vista que em momento algum os fatos geradores foram ocultados, e a tempo e modo declarados na DIPJ apresentada. Discorre que houve atendimento ao que foi solicitado pela fiscalização a contento como retratado no relatório fiscal. POR FIM, conclui dizendo esperar o acolhimento integral das suas razões, para a insubsistência da ação fiscal nos termos demonstrados. Como os responsáveis solidários foram devidamente arrolados em Termo de Sujeição Passiva Solidária, tivemos outra impugnação anexada aos autos, conforme a seguir: O sr. JOSÉ CLARINDO CAPUCI impugnou a autuação e fez, em síntese, as seguintes alegações: Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 o QUE é insubsistente a inclusão do impugnante no pólo passivo da obrigação tributária, visto que a base para isso se sustenta em meras afirmações firmadas por produtores rurais. Diz que o curso da ação fiscal não revelou uma única participação sua na atividade da pessoa jurídica fiscalizada. o QUE há um só tempo o impugnante é considerado responsável tributário enquadrado no art. 2° da Portaria PGFN n° 180/2010, que tem sua matriz legal no art. 135 do CTN, e, também, devedor solidário, na matriz legal disposta no art. 124, do CTN. Diz que o relatório fiscal não definiu, de forma precisa, qual a efetiva acusação. o QUE não teria se verificado na contabilidade da FRIGONOVA nenhum pagamento ao impugnante. o QUE o próprio Termo de Sujeição Passiva Solidária conclui que a fiscalização não teria conseguido provas cabais e irrefutáveis sobre a sua participação como titular e administrador de fato da FRIGONOVA. POR FIM, diz que todas as demais afirmações da fiscalização foram alicerçadas em meras presunções e não se prestariam ao desiderato pretendido, precisamente por conta da exigência da garantia da legalidade. Diz que espera pelo acolhimento integral das razões precedentes, para a improcedência de sua inclusão no pólo passivo da exigência tributária. Os respeitáveis julgadores da 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, após apreciarem as impugnações e demais atos e documentos que compõe o processo, concluíram pela improcedência das impugnações e decidiram pela manutenção integral do crédito tributário exigido. O Acórdão n. 10049.900 proferido na sessão de 08/05/2014 ficou assim ementado: Acórdão 10049.900 2a Turma da DRJ/POA Sessão de 08 de maio de 2014 Processo19515.722018/201317 Interessado FRIGONOVA LTDA. CNPJ/CPF 05.220.944/000198 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2008 A 31/12/2008 SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 124 combinado com o art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 5 7 DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) apenas quando as aquisições se tratarem de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. ICMS. BASE DE CÁLCULO. Os valores correspondentes ao ICMS compõem a base de cálculo da Cofins e do PIS, inexistindo previsão legal para sua exclusão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 124 combinado com o art. 135 do Código Tributário Nacional. DCTF. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a não declaração da receita devida, assim como a falta de recolhimento da mesma, correta a exigência através de lançamento de ofício. Caracterizada a sonegação pela prática do artifício de reiteradamente não apresentar DCTF, sabendo da existência de valores devidos, com o objetivo de impedir ou retardar a cobrança da obrigação tributária principal, diante do fato que é essa declaração que funciona como confissão de dívida, em evidente intuito de fraude. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) apenas quando as aquisições se tratarem de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. ICMS. BASE DE CÁLCULO. Os valores correspondentes ao ICMS compõem a base de cálculo da Cofins e do PIS, inexistindo previsão legal para sua exclusão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em ilicitude cometida pelo contribuinte, que além da omissão deliberada de receitas, não prestou informações, embaraçando o procedimento de fiscalização. Correta a qualificação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados, os autuados ingressaram com recurso voluntário, meio dos quais repisaram respectivamente as alegações anteriormente trazidas ao contraditório. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivos os recursos e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Prolegômenos Os contornos da lide se erguem na descrição dos fatos apurados pela autoridade fiscal e imputados à contribuinte aos responsáveis solidários. Em rápido resumo: No ano de 2008, a contribuinte deixou de apresentar as DACONs e as DCTFs e de recolher PIS e COFINS. Após iniciada a fiscalização em 2011, a contribuinte apresentou as DACONs e as DCTFs, confessando os valores que ela considera seriam devidos, e que corresponderiam ao constante em sua escrita fiscalcontábil e na DIPJ que havia sido apresentada tempestivamente à Receita Federal. A fiscalização identificou diferença entre o que ela calculou como valores devidos dessas contribuições, e o que a contribuinte confessou. A diferença residiria na não inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos e na proporcionalidade adotado de 60%, ao invés de 35%, no aproveitamento de créditos de insumo estipulado no artigo 8º da Lei 9.725/2004. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 6 9 Além disso, a autoridade fiscal concluiu que essa situação de não declaração espontânea e de não pagamento desses tributos se enquadra na hipótese de sonegação (art. 71, da Lei n. 4.502/1964), pelo fato "de ficar caracterizada a omissão contumaz e intencional (dolo) pela não entrega em 2008 de suas DCTF à RFB, mês após mês, assim como pelo não recolhimento, ou parcelamento, do PIS e COFINS devidos, ao mesmo tempo em que se conhecia suas receitas, custos e despesas, visto a entregava de sua DIPJ referente ao mesmo ano com tais informações,...". Por essa razão, o lançamento incluiu a qualificação da multa de ofício para a alíquota de 150%. A autoridade fiscal considerou que houve embaraço à fiscalização (inciso I, artigo 33 da Lei n. 9.430, de 1996), pelo fato da contribuinte não ter atendido satisfatoriamente às suas intimações e reintimações. Justificaria assim a incidência da multa prevista neste artigo da lei. Por fim, lavrouse o termo de sujeição passiva, incluindo o Sr. aparecido e o o Sr. Capucci com responsáveis solidários. Sobre o lançamento de ofício face a confissão da divida com as declarações da DCTF, sobre a descaracterização da sonegação (pelo fato de ter declarado DIPJ tempestivamente e ter confessado) e sobre as multa de ofício sobre o valor total devido: As contribuinte contesta a necessidade de lançamento de ofício, face à sua confissão em DCTF; aponta que há um bis in idem. Apresenta jurisprudência das Cortes Superiores. Ela também contesta a multa de ofício calculada sobre o valor total das contribuições do ano de 2008, ao invés de ser sobre a diferença entre o confessado e o calculado pelo Fisco. Argumenta, ainda, que havia informado tempestivamente por DIPJ os valores em que a contribuinte incorrera, e que o fisco confirmou que a DIPJ correspondia ao constante na escrita contábil. Que esse fato demonstra que não houve sonegação, uma vez que o fisco possuía as informações verdadeiras. Senhores Conselheiros, tentarei expor brevissimamente por que entendo deve haver o lançamento de ofício nesse caso. A meu ver. um auto de infração, na esfera tributária, cumpre três funções concorrentes: (i) definir o fato imputado, (ii) constituir o crédito tributário e (iii) dar condições para exigir todo ou parte desse crédito tributário. O lançamento de ofício não somente constitui o crédito tributário, mas conhece e define os fatos que explicam o crédito e, ademais, explica e define a extensão da sua exigência. O fato apurado pela autoridade fiscal não é atendido pelas confissões dos valores devidos através das DCTFS e informados nas DACONS, pois ele se compõe, além dos valores devidos base do crédito constituído e exigido , de uma conduta, neste caso caracterizada como deliberada e de sonegação. Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Sublinho que,. consoante a informação fiscal e não negado pela contribuinte, a contribuinte sistematicamente não havia apresentado as DCTF e DACONs. Ela somente veio a declarar os valores que acredita seriam devidos extemporaneamente, após o início da fiscalização. Acolher a tese que as DCTFs declaradas após o início da fiscalização justificariam afastar o lançamento de ofício seria subtrairlhe uma função essencial. O questionamento sobre o bis in idem não procede, pois as DCTFs e DACONs compõem e instruem a ação fiscal objeto deste processo administrativo. Não há dois créditos tributários constituídos sobre o mesmo fato, nem há duplicidade de exigências. As declarações extemporâneas constituem confissão e demonstram o comportamento da contribuinte, mas elas não geram duplicidades. É evidente e lógico que a formalidade, nessa situação, rende homenagem à verdade material. Os fatos, de fato, estão lastreados nas ocorrências de interesse jurídico e fiscal naquele ano (2008), objetos da fiscalização. Não há razão para o temor de uma duplicidade de cobrança de crédito sobre o mesmo fato, na eventualidade da contribuinte não lograr êxito em desconstituir a exigência. Não só a própria administração cuidará de evitála, como a contribuinte cooperará para que isso não se dê, ou para exigir que esse equivoco seja imediatamente sanado. O que me parece inaceitável é contrapor o sentimento de um risco muito pouco provável de ocorrer como base para alegar causa para desconstituir um lançamento de ofício. A recorrência, ao longo do ano de 2008, de não apresentar justamente as declarações que representariam confissão de dívida junto à Receita Federal, somada à apresentação em bloco dessas declarações após iniciada a fiscalização, a meu ver, demonstram o que a autoridade fiscal concluiu. A não apresentação das DCFT e DACON se constituíam em artifício reiterado. Houve uma conduta deliberada e intencional para retardar ou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e para não se efetuar o pagamento dos tributos concernentes. A apresentação tempestiva da DIPJ, a meu ver, não descaracteriza essa conduta, ao contrário, concorre para confirmála, pois serve para a contribuinte alegar que havia prestado as informações à administração tributária e que não houve sonegação. Ora, a contribuinte tinha conhecimento de que a DIPJ não cumpria o mesmo papel que a DCTF, pois somente esta se prestaria a informar a ocorrência do fato gerador e constituir o crédito, a outra não. Notese que: (i) não se dá o contrário: deixar de entregar a DIPJ, mas apenas as DCTF e DACON; (ii) não foi uma omissão eventual, mas reiterada e sistemática ao longo de todo o ano. Entendo que restou demonstrada a sonegação, o que justifica a qualificação da multa de ofício. A multa de ofício incide sobre o valor não pago e não declarado. As DCTF e DACON foram apresentadas pela contribuinte depois de iniciada a fiscalização, quando ela já não podia ser enquadrada na hipótese de espontaneidade. Divergindo do exposto pela contribuinte em seu recurso que rogou ser ela calculada somente sobre a diferença entre o apurado pelo fiscal e o confessado , penso que a multa de ofício deve incidir sobre o total Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 7 11 considerado devido como resultado da apuração de ofício. Esse entendimento corresponde exatamente ao que dispõe a lei (art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996). abraçar a proposta ou alegação da contribuinte seria concederlhe um benefício para o qual não há previsão na lei. Por essas considerações que proponho aos Senhores Conselheiros reconhecer a ocorrência de sonegação e a legitimidade e necessidade do lançamento de ofício. Proponho por fim, não dar provimento ao recurso voluntário nestas matérias. Sobre a não inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos exigidos: A autoridade do lançamento e os julgadores de 1º piso entenderam que o ICMS compõe o conceito de receita para fins de apuração do PIS e da COFINS, e que não há previsão legal para a sua exclusão desses cálculos. A contribuinte argüi as razões por que defende que o ICMS não pode ser incluído na base de tributação do PIS e da COFINS. Em suas palavras: Daí porque inexistentes, sob esses fundamentos, as diferenças apontadas e exigidas. O mesmo se pode concluir relativamente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, cujos modelos constitucionais de incidência estabelece como base a receita ou o faturamento do empregador, da empresa ou à entidade a ela equiparada, na forma da lei. Sendo assim, a incidência dessas contribuições será legítima somente enquanto recair sobre a receita bruta ou o faturamento do empregador, quando do somatório das notas fiscais de saídas por vendas de mercadorias, sendo necessária a exclusão do ICMS, que em razão de sua sistemática "por dentro", acaba compondo o valor total da nota, mas que não corresponde e não se agrega à receita bruta do empregador. Nesse passo, o ICMS representa receita do Estado. O empregador, tão logo emite e escritura a nota fiscal de saída, deve concomitantemente, escriturar o ICMS numa conta transitória de passivo denominada "ICMS a recolher". Figura, então, unicamente como receita o valor da nota fiscal de saída, deduzido o valor do ICMS que deverá repassar ao Estado no prazo legal que lhe é assinado, sob pena inclusive de apropriação indébita. Não pode, portanto, o ICMS, que é receita do Estado, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, que devem incidir sobre a receita bruta ou o faturamento do empregador, sendo certo que o ICMS, como receita do Estado, não se subsome a esses pressupostos constitucionalmente delineados. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Dessa forma, deve ser excluído o ICMS da composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, por não se amoldar aos conceitos de receita bruta ou de faturamento do empregador, uma vez que apenas transitam pela contabilidade do empregador. Como se pode ver, a questão em debate nesta matéria é definir se o ICMS deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS apurados pela sistemática da não cumulatividade. Este questionamento foi solucionado no Acórdão n° 3402002.454, de 19 de agosto de 2014, da lavra do Ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, que, por concordar, adoto aqui como razão de decidir neste ponto do julgamento, e que reproduzo a seguir: A discussão que emana dos autos, diz respeito à possibilidade, defendida pela Recorrente, ou à vedação, sustentada pela Administração de se excluir da base de cálculo da Contribuição à PIS e COFINS, os valores relativos ao ICMS, sob o fundamento de que tais valores não se constituem em receita ou faturamento da empresa e ainda afirma que o STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS. Adentrando ao mérito da questão, sabese que a matéria é objeto de discussão no âmbito do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG, em curso de julgamento desde 1999, que discute a incidência no âmbito da Lei n° 9.718/98. Em referido RE o "score " está 6x1 em favor do contribuinte, tendo sido publicado o seguinte resultado de julgamento: "O TRIBUNAL, POR MAIORIA, CONHECEU DO RECURSO, VENCIDOS A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA E O SENHOR MINISTRO EROS GRAU. NO MÉRITO, APÓS OS VOTOS DOS SENHORES MINISTROS MARCO AURELIO(RELATOR), CÁRMEN LÚCIA, RICARDO LEWANDOWSKI, CARLOS BRITTO, CEZAR PELUSO E SEPÚLVEDA PERTENCE, DANDO PROVIMENTO AO RECURSO, E DO VOTO DO SENHOR MINISTRO EROS GRAU, NEGANDOO, PEDIU VISTA DOS AUTOS O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS SENHORES MINISTROS CELSO DE MELLO E JOAQUIM BARBOSA. FALARAM, PELA RECORRENTE, O PROFESSOR ROQUE ANTÔNIO CARRAZA E, PELA RECORRIDA, O DR. FABRÍCIO DA SOLLER, PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. PRESIDÊNCIA DA SENHORA MINISTRA ELLEN GRACIE. PLENÁRIO, 24.08.2006". Sabese também, no entanto, que houve a apresentação da Ação julgamentos de matérias similares a esta até o julgamento final da lide pela Corte Suprema, sendo em razão desta liminar que tais demandas aguardam o pronunciamento do STF, inclusive as que estavam pendentes perante este Conselho por força da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, revogada através da Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013. Tenho, no entanto, que a matéria está muito longe de restar pacificada mesmo com eventual decisão do STF favorável aos contribuintes, pois que dela emanariam efeitos que alterariam premissas firmadas há décadas a respeito do ICMS, inclusive de ordem criminal (por ser imposto próprio ou de terceiro, p. ex.) e que acabariam por não resolver, também, as demandas que poderiam se originar nos períodos em que as contribuições ao PIS e à COFINS passaram a ser apuradas sob o regime Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 8 13 da não cumulatividade, pois que viria à tona o questionamento sobre o direito de se tomar crédito sobre a parcela do ICMS incluído no custo das mercadorias para revenda ou dos insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens. Firmouse a premissa de que o ICMS é um "imposto próprio", ou seja, seu ônus é do próprio contribuinte, e seu mecanismo de incidência não comporta a transferência jurídica do encargo ao adquirente da mercadoria (diferentemente do IPI, no qual se fatura o preço do produto e o preço do IPI, separadamente). Daí surgem efeitos primeiramente no art. 166, do CTN, para fins de eventual indébito e demandas por créditos, e também no âmbito criminal, pois que a simples falta de pagamento de ICMS poderá passar a ser considerada "apropriação indébita", pois que o contribuinte passaria a ser mero depositário do tributo, para repassálo ao ente arrecadador estadual. Daí porque já no final da década de 1980 e início da de 1990, o Superior Tribunal de Justiça editou as Súmulas n°s. 68 e 94, com os seguintes teores: Súmula 68. A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Súmula 94. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Sabese que o FINSOCIAL foi substituído pela COFINS com a edição da Lei Complementar n° 70/91, tanto que no início acabou recebendo a alcunha de "novo Finsocial", acomodando com isso as diversas discussões quanto à sua constitucionalidade que pairavam no Brasil pós Constituição de 1988. A digressão história anterior foi necessária para dizer que a análise jurídica da exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS passam pela análise da constitucionalidade do art. 13, da Lei Complementar n° 87/96 (Lei Kandir), que determina que o ICMS seja calculado "por dentro", e que lhe concede todo esse contorno de "imposto proprio", como mencionado alhures. E essa competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária não cabe aos julgadores do CARF, nos termos da Súmula CARFn° 2. Tratase de uma função que compete ao STF e que o fará com o julgamento da ADC n° 18. Até lá, temse a presunção de constitucionalidade da Lei, tanto do art. 13 da LC 87/96, como da Lei n° 9.718/98 questionada em sede de STF, e que não preveem a hipótese de exclusão da receita bruta de vendas ou do faturamento, os valores relativos ao ICMS incidente sobre as vendas, de modo que não merece amparo o pleito recursal. Finalmente, trago à colação parte do voto do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que ao julgar o Processo n° 13851.001210/200640 (sessão de janeiro de 2014, pendente de publicação), com maestria pontuou: ...em relação à inclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC n° 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado "por dentro", não Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3°da Lei n°9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou, no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do STJ. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592)." (cf. Ac. da 1 a Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp 706766RS, Reg. n° 2004/01685982, em sessão de 18/05/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 29/05/06p. 169) Finalmente releva notar que no caso excogitado (pretensão de exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo "os magistrados e Tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello). (cf. Ac. da 1a Turma do STF no Agr. Reg. no AI n° 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237). Com essas considerações, proponho a este Colegiado não seja dado provimento ao recurso voluntário quanto a esta matéria: que pretendia a não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre o cálculo e aproveitamento dos créditos com base no artigo 8º da Lei 9.285/2004: na proporcionalidade de 60% ou na proporção de 35%. A autoridade fiscal constatou que a contribuinte aproveitou pela proporcionalidade de 60%, com base no disposto no inciso I do § 3º do artigo 8º da Lei n. 10.925, de 2004, os créditos provenientes das aquisições de bovinos junto a pessoas físicas. Na visão da autoridade de lançamento, os bovinos, como insumos, pertencem ao capítulo I da Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 9 15 TIPI, e não são recepcionados pelo inciso I deste § 3º, mas pelo inciso II, que lhe reserva a proporcionalidade de 35% para aproveitamento dos créditos. in verbis: O contribuinte interpretou a legislação sobre o crédito presumido decorrente de suas compras de bois vivos junto a fornecedores pessoas físicas de maneira diferente da interpretação desta fiscalização, relatado logo após a legislação aqui copiada. O disciplinamento normativo vigente durante o ano 2008 sobre essa matéria e aplicável ao presente caso é o seguinte: Lei n. 10.925, de 23 de julho de 2004 "Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010) §2 ° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II—35% (trinta e cinco por cento) daquola prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dozombro do 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nr 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2a das Leis rfs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007) O contribuinte aqui fiscalizado se enquadra na hipótese excepcional de admissão de crédito presumido sobre a compra de insumos de pessoas físicas residentes no Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 País, que na regra geral não poderia, e descrita no art. 8° da Lei 10925/2004, e seu parágrafo 2°, isto é, é pessoa jurídica que comercializa produtos classificados no Capítulo 2 da TIPI Decreto 4542/2002 ("Carnes e Miudezas, Comestíveis"), destinados ao consumo humano, ou animal, e que faz compras de bovinos em pé (Capítulo 1 da TIPI "Animais Vivos", no caso código NCM 01.02) de pessoas físicas aqui domiciliadas, como constatei nesta auditoria. Verifiquei que o contribuinte contabiliza suas compras de bois junto a pessoas físicas nas contas 2.1.1.001.0001 e 2.1.1.001.0002. conforme se constata em seu Livro Razão. Verificouse as Notas Fiscais de compras lá registradas em diligências aos seus fornecedores onde se constata a descrição da compra de bovinos animais vivos em pé adquiridas de pessoas físicas. Cotejouse também o registro dessas compras em seu Livro de Registro de Entradas. Na resposta do contribuinte de 06/03/2012, onde nos enviou planilha com sua apuração de PIS e COFINS. constatei no seu final (4a das últimas linhas "60% COMPRA DE BOVINOS") que este entendeu que o percentual a aplicar sobre suas compras de boi em pé seria o estipulado pelo inciso I do parágrafo 3° do art. 8° da Lei 10925/2004. Ocorre que o inciso I (60% da alíguota normah) do parágrafo 3° do art. 8° da Lei acima não contempla aquisições referentes a produtos de origem animal classificados no Capítulo 1 da TIPI, que é o presente caso (código NCM 01.02). O enquadramento correto é no inciso III 35% ("para. os demais produtos") A IN SRF 660/2006 estipula em seu artigo 5° as condições para o direito ao crédito presumido, esta fiscalização entende ser o caso presente, quais sejam: exercer atividade agroindustrial, aquisição junto a pessoas físicas que sejam insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana, ou animal, classificados no Capítulo 2 ("Carnes e Miudezas, Comestíveis"), exceto os produtos vivos deste Capítulo, e código NCM 0504.00 da TIPI miúdos. O art. 8°. parágrafo 1°, inciso I, alínea "a" da IN acima não prevê a utilização da alíquota de 0,99% e 4,56% (60% da normal), utilizada pelo contribuinte como crédito presumido, pois não contempla como aquisição de insumos o Capítulo 1. código NCM 01.02 da TIPI (bois vivos), que é o que a FRIGONOVA compra de pessoas físicas, e registra nas contas contábeis 2.1.1.001.0001 ("Fornecedores/Bovinos (002)") e 2.1.1.001.0002 ("Fornecedores/Bovinos (0003)") Assim, resumindo, há o direito ao crédito presumido nas compras de bois vivos de pessoas físicas, mas a alíquota é de 0,5775% para o PIS e 2,66% para a COFINS (35% das alíguotas normais), como prevê o inciso II do parágrafo 1° do art. 8° da IN SRF 660/2006, vigente em 2008. A contribuinte contesta, afirmando que "se dedica à exploração de frigorífico, com venda de carnes in natura no mercado interno e aquisições de bovinos em pé, principalmente de pessoas físicas, compras de carnes in natura, além de insumos passíveis de créditos decorrentes da não cumulatividade. Quando da aquisição do rebanho, do ponto de vista material, o frigorífico não adquire o gado em pé animas vivos. .... por essa razão, o crédito presumido, pleiteado diz respeito a carne in natura contida no capítulo 2 da TIPI, sendo adequadamente utilizada na apuração dos débitos das contribuições devidamente contabilizadas, a alíquota de 60% sobre o valor das mencionadas aquisições, para se chegar ao crédito presumido." Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 10 17 Nesse ponto, pareceme que a razão não assiste à autoridade de lançamento e aos julgadores de 1º piso. Em minha leitura do que dispõe o artigo 8º, caput e seus §§, da Lei n. 10.925, de 2004, a proporção de 60% e de 35% previstas nos incisos I e II do § 3º não são determinados pela natureza ou classificação dos bens adquiridos (insumos), mas, sim, pela natureza e classificação dos bens produzidos (produtos), consoante o que está no caput deste artigo. Faço notar que o caput deste artigo informa que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificados nos capítulos (....), destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir do PIS e da COFINS crédito presumido calculado sobre o valor dos bens (referidos no inciso II do art. 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003) adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. O coerência do texto do artigo 8º está clara em sua redação original. O caput identifica duas categorias de bens: (a) os produzidos que são os produtos e (b) os adquiridos que são os insumos. Os §§ seguintes mantêm essa nomenclatura. O § 3º, ao firmar a proporção de 60% ou de 35% para o aproveitamento dos créditos, está a se referir aos produtos, ou seja, àquilo que é produzido, e não àquilo que é adquirido para se obter o produto. A Instrução Normativa IN RFB n. 660, de 2006, definiu que essas proporcionalidades seriam apoiadas no critério dos insumos, e não dos produtos. Ao agir assim, ela transbordou o disposto na lei, ao estipular limites e significados que não constam do texto original. Pude constatar que não estou só neste entendimento, Encontramos outras decisões no CARF que chegam a conclusões convergentes, como, por exemplo, os Acórdãos 3401002.139 e 3403002.413, de lavra respectivamente dos Eminentes Conselheiros Marcos Tranchesi e Antonio Carlos Atulim. A meu ver, a autoridade lançadora e os julgadores de 1º piso marcharam pela estrada equivocada. Essa lei não oferece o significado pretendido no lançamento, por isso proponho a este colegiado que o auto de infração seja declarado nulo nesta parte do crédito e da exigência por lhe faltar fundamentação legal. Sobre o embaraço à fiscalização e a aplicação da multa respectiva (inciso I, artigo 33 da Lei n. 9.430, de 1996): A autoridade fiscal considerou que houve embaraço à fiscalização (inciso I, artigo 33 da Lei n. 9.430, de 1996), pelo fato da contribuinte não ter atendido satisfatoriamente às suas intimações e reintimações. Justificaria assim a incidência da multa prevista neste artigo da lei. A contribuinte, nessa matéria, argumentou que a fiscalização reconheceu que a contribuinte, no geral, entregou livros, documentos, planilhas e esclarecimentos. E que embora não tenha sido satisfatório em certo momento, ela atendeu à demanda da autoridade fiscal. Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 A contribuinte não contesta o que motivou essa multa. A autoridade fiscal explicou que, além de ter intimado e reintimado a contribuinte inúmeras vezes (em dezembro de 2011, julho de 2012, agosto de 2012, setembro de 2012, setembro de 2012 e outubro de 2012), conseguindo com dificuldade o atendimento de parte do que foi requerido, não obteve resposta com relação às informações para identificar os beneficiários das saídas de numerários de sua conta bancária e para esclarecer sua movimentação financeira. Pareceme claro que a situação corresponde ao texto do inciso I do art. 33 da Lei 9.430, de 1996, pois a contribuinte se negou injustificadamente a exibir e prestar as informações solicitadas pela autoridade fiscal. Por isso, proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário neste item. Sobre a Sujeição Passiva Solidária para os Srs Aparecido Augusto da Silva e José Clarindo Capuci. A autoridade fiscal lavrou termo de sujeição passiva declarando os Srs Aparecido Augusto da Silva e José Clarindo Capuci como responsáveis tributários solidário com a empresa FRIGONOVA Ltda. Em seu entendimento, os Sr. Silva e o Sr. Capucci praticaram atos de gerência, de direção e de representação da pessoa jurídica Frigonova que infringiram a lei, nos termos definidos pelo inciso III do artigo 135 do CTN. "Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (gri fos nossos) A autoridade fiscal traçou as condições de identificação da origem e composição societária da Frigonova e do perfil dos sócios. Pode se ver que o Sr. Aparecido Silva consta como sócio fundador e se manteve como seu administrador durante muitos anos. Apesar da empresa ter um faturamento médio anual expressivo (no ano de 2008 ele foi superior a R$ 180 milhões), o Sr. Aparecido Silva e o outro sócio têm um perfil econômico, como pessoas físicas, extremamente modestos. Vejamos trechos do termo fiscal em questão: A SOCIEDADE DE DIREITO Em análise das f ichas cadastrais completas extraídas da JUCESP via onl ine, verif icouse que o contribuinte pessoa jur ídica alvo desta fi scalização foi consti tuído e iniciou suas at ividades em 06/08/2002 na cidade de Nova Andradina/MS (NIRE 54200761182). Em 09/09/2003 foi fei ta a mudança para o Estado de São Paulo (NIRE 35218501420). Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 11 19 A sociedade foi const i tuída inicialmente em Mato Grosso do Sul pelos sócios FRANCISCO VALÉRIO, CPF: 086.491.89920 , RG 1.899.175 SSP/PR, e APARECIDO AUGUSTO DA SILVA, CPF 827.069.05891, RG 7.438.153 SSP/SP, ambos como sócios gerentes. Em 14/02/2003 ret i rase o Sr . VALÉRIO e admitese BATISTA CAJUEIRO SOBRINHO, CPF 174.681.16920, RG. 35.458.2471, SSP/SP, ambos como sócios administradores. O sócio responsável perante a Receita Federal do Brasil RFB é o Sr . SILVA. A FRIGONOVA consta como "ATIVA" nos cadastros da RFB. Contrato Social e fichas cadastrais JUCESP estão presentes neste e processo no tópico "RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS" e o cadast ro da FRIGONOVA na RFB onde consta o responsável está em "DECLARAÇÕES à RFB". SITUAÇÃO ECONÔMICA FINANCEIRA DOS SÓCIOS DE DIREITO O Srs. SILVA e SOBRINHO coincidentemente apresentam as mesmas caracterí st icas f iscai s e econômicas constatadas nos últ imos anos em que apresentaram suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF: rendimentos em cerca de R$40 mil pagos pela FRIGONOVA e bens aproximados de R$160 mil , sendo R$150 mil provenientes de suas part icipações societár ias na FRIGONOVA. Consta na DIRPF e no Registro de Imóvel para o Sr. SILVA uma parte em um modesto imóvel em Ourinhos/SP. Consta no DENATRAN para o Sr. SOBRINHO dois modestos veículos. Observese que o faturamento da empresa no ano 2008 foi de R$183 milhões. Através do extrato do Cadastro Nacional de Informações Sociai s CNIS, observase que o sócio de direi to Sr . SILVA é um exfuncionário da família CAPUCI, tendo já trabalhado do Frigoríf i co PIRAPÓ, pertencente, entre outros, a Osmar Capuci. O sócio SOBRINHO t inha 64 anos em 2008, era aposentado e consta no extrato CNIS o seu óbito em 2013. DIRPF e CNIS do sócio de di rei to SILVA presente neste e processo no tópico "RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS", do sócio SOBRINHO em "DILIGÊNCIAS OUTRAS" e a DIPJ ac 2008 da FRIGONOVA em "DECLARAÇÕES à RFB'") . Segundo a autoridade fiscal, a participação do Sr. Capuci no cometimento dos atos que levaram à sonegação não se apóiam no atendimento das formalidades que identificam os sócios e administradores através dos atos constitutivos da sociedade. Diversos depoimentos e outros elementos concorreriam para demonstrar a sua condição de prática desses atos. In verbis: Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 20 O Sr. JOSE CLARINDO CAPUCI se enquadra no ar t . 135 em virtude da constatação mais a seguir relatada da sua t i tular idade de fato da FRIGONOVA, assim como da sua intenção (omissão dolosa) em impedir ou retardar o conhecimento por parte da Receita Federal do Brasil RFB dos tr ibutos federais devidos por esta, incorrendo no crime de sonegação fiscal est ipulado pela Lei n° 4.502/64 abaixo reproduzida, na medida em que agia na compra e venda de gado/carne in natura, e sabia, ou deveria saber, que tais ações implicavam em pagamento do PIS e da Cofins, e conhecia seu faturamento, t anto é que houve a entrega da sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ referente ao ano em comento, 2008. ... Corroborando o entendimento do Sr . JOSE CLARINDO CAPUCI ser responsável tr ibutário pelo crédito tr ibutário ora consti tuído , devido a sua t i tular idade de fato e não de direi to, verifi case a Portar ia PGFN n°. 180/2010, que assim dispôs: "Art. 1o Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial." (gr ifos nossos) Ainda no sentido de colocar o Sr. JOSE CLARINDO CAPUCI no pólo passivo da obrigação temos a Portar ia PGFN n.o 180/2010, que assim dispôs: "Art. 2o A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; ..... CONCLUSÃO sobre a TITULARIDADE e ADMINISTRAÇÃO de FATO da FRIGONOVA Esta f iscalização não conseguiu provas cabais e irrefutáveis sobre a ti tular idade e adminis tração de fato da FRIGONOVA por parte do Sr . JOSE CLARINDO CAPUCI, mesmo porque, como se demonstrou, se trata de planejamento efetuado ao longo de vários anos e aprimorado na medida em que a fiscal ização, a procuradoria e a just iça chegavam até ele, e à sua família, como se constata pelas Cert idões de Cartórios e da JUCESP aqui presentes. Assim, eles se valeram de " laranjas" desde o início da consti tuição da empresa, tomando o cuidado de não deixarem procurações regist radas, do sócio de di rei to assinar sempre os cheques e ordens de pagamento, de não adotarem a sistemática de pagamentos aos reais beneficiár ios através de saques em dinheiro na boca do caixa, cuidando para que as saídas bancárias para os beneficiár ios de fato Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 12 21 fossem feitas de maneira indireta através de vários fornecedores com atividades correlatas e com as devidas emissões de notas f iscais para não configurar pagamentos sem causa, dif icultando a obtenção de provas contundentes. Nem tampouco os indícios obtidos são, cada um por si só, suficientes como prova cabal da responsabi l ização aqui imputada, mas no entender dessa f iscalização o conjunto dessas evidências aqui relatadas são relevantes e claras, visto serem oriundas de fontes diversas e f idedignas, e que acabaram por levar de maneira robusta a conclusão da t itular idade e administração exercida pelo Sr . JOSE CLARINDO CAPUCI, que em resumo são: O Sr. JOSE CLARINDO CAPUCI não teve em 2008 qualquer relação formal com a FRIGONOVA, quer como funcionário, quer como prestador de serviço, sendo que atuou como comprador de gado conforme várias declarações de fornecedores , di ferente do declarado por ele de que só vendia carne, o que leva a conclusão de que assim o fez porque agiu em seu próprio interesse, sem falar nas várias declarações de que ele, de fato, era o real proprietário da FRIGONOVA. Tais ações o quali ficam como administrador da empresa e, por conseguinte, agente pessoal da sonegação f iscal impetrada. Mais uma evidência da administração de fato pelo Sr. JOSE CLARINDO CAPUCI é a sucessão de empresas dele e da família CAPUCI no mesmo endereço em Pirapozinho/SP: seis empresas estão lá cadastradas . A interposição de pessoa na FRIGONOVA evidenciase pelas declarações dos AuditoresFiscais da RFb da Delegacia de Presidente Prudente/SP, em visi ta a fi l ial de Pirapozinho/MS, onde constataram a simplicidade da si tuação econômica e f inanceira do sócio de direi to Sr . SILVA, representado celeremente na ocasião pelo advogado da família CAPUCI, Sr. SANTIAGO. Tais conclusões dos colegas são corroboradas pelas DIRPF dos sócios de direi to, histórico de trabalho e como sócios constatados em suas CNIS. A troca estranha de quadro societár io entre as empresas da família CAPUCI, como se observa com o primeiro sócio da FRIGONOVA, Sr. VALÉRIO, que assim o foi por somente 56 dias durante o ano de 2002, sendo que já era também sócio da NAVI CARNES, de propriedade de JOSE CLARINDO CAPUCI, desde 1999, permanecendo assim até 2006. O planejamento envolvendo várias pessoas é corroborado quando se verif ica a resposta dada pelo advogado e procurador Sr . SANTIAGO; pelo Sr. GUIMARÃES, contador da FRIGONOVA e funcionário da NAVI CARNES; e pelo Sr . OSMAR CAPUCI, onde se constata que foram evidentemente formuladas pela mesma pessoa, dado a coincidência de conteúdo, forma e disposição gráfica destas missivas. E o detalhe mais interessante, a mesma data em todas elas: 14/05/2012. Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 22 O planejamento tr ibutário com a interposição de pessoas perpetuado pela famíl ia CAPUCI se evidencia no tempo quando se verif ica o abri r e fechar de frigoríf icos desde o PRUDENFRIGO, passando por PIRAPÓ, FRIPORA, FRIGONOVA e atualmente NAVI CARNES. Constatação da prática rei terada de sonegação fiscal pela família CAPUCI quando se observa nas f ichas cadastrais da JUCESP e nas Cert idões emitidas por vários Cartórios de Registro de Imóveis, os apontamentos de consecutivas ações jud iciais impetradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional tornando indisponíveis os bens das empresas PRUDENFRIGO e PIRAPÓ, assim como das pessoas físicas da família CAPUCI, para assegurar as dívidas executadas pela Just i ça. Cumpre aqui esclarecer sobre, talvez, uma incongruência em imputarse responsabil idade pessoal pelo crédito tributário ora consti tuído ao sócio de direi to, APARECIDO AUGUSTO SILVA, aqui apontado como interposta pessoa, e para o beneficiár io e tercei ro JOSE CLARINDO CAPUCI. Ocorre que o fato do Sr . SILVA terse permitido ser "laranja" de outrem não o exime da conseqüência (crime de sonegação) de seus atos como administrador. E o fato do "laranja" ter administ rado a FRIGONOVA, mesmo sem grandes benefícios da sonegação fiscal impetrada, não exime o terceiro aqui imputado pela administração principal , ou conjunta, e a conseqüente imputação criminal dela decorrente, sendo ele o beneficiár io de fato desta sonegação. O Sr. Aparecido Silva contesta argumentando que: Não cabe, como pretende o acórdão recorrido, fundamentar a responsabilidade indistintamente no artigo 124 e no art. 135 do CTN "Para fundamentar a permanência de Aparecido Augusto da Silva no polo passivo da relação jurídica tributária, o Acórdão invocou ora o art. 134 do CTN, ora o art. 135, ora o art. 124 do mesmo diploma legal, em clara tentativa de aplicação cumulativa e combinada de tais dispositivos, como se eles não pressupusessem hipóteses normativas distintas." Não houve sonegação, pois a empresa prestou as informações através de DIPJ. A empresa cooperou com a fiscalização, entregando livros e documentos. Não houve, nem ficou demonstrado, que a pessoa do sócio infringiu a lei (inciso III do art. 135 do CTN). Não se caracterizou o interesse comum (inciso I do art. 124), nem a hipótese do inciso II deste artigo. O sr. JOSÉ CLARINDO CAPUCI, por sua vez, como já resumido, contestou a sua inclusão no pólo passivo, em síntese, apresentando as alegações constantes da contestação do Sr. Aparecido Silva, e acrescentando as seguintes: QUE é insubsistente a inclusão do impugnante no pólo passivo da obrigação tributária, visto que a base para isso se sustenta em meras afirmações firmadas por produtores rurais. Diz que o curso da ação fiscal não revelou uma única participação sua na atividade da pessoa jurídica fiscalizada. Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19515.722018/201317 Acórdão n.º 3401003.166 S3C4T1 Fl. 13 23 QUE há um só tempo o impugnante é considerado responsável tributário enquadrado no art. 2° da Portaria PGFN n° 180/2010, que tem sua matriz legal no art. 135 do CTN, e, também, devedor solidário, na matriz legal disposta no art. 124, do CTN. Diz que o relatório fiscal não definiu, de forma precisa, qual a efetiva acusação. QUE não teria se verificado na contabilidade da FRIGONOVA nenhum pagamento ao impugnante. QUE o próprio Termo de Sujeição Passiva Solidária conclui que a fiscalização não teria conseguido provas cabais e irrefutáveis sobre a sua participação como titular e administrador de fato da FRIGONOVA. que sem manter contacto com o fato gerador, direta (contribuinte) ou indiretamente (responsável), como restou suficientemente comprovado no processo administrativo, ninguém pode responder solidariamente pelo débito tributário. POR FIM, diz que todas as demais afirmações da fiscalização foram alicerçadas em meras presunções e não se prestariam ao desiderato pretendido, precisamente por conta da exigência da garantia da legalidade. Diz que espera pelo acolhimento integral das razões precedentes, para a improcedência de sua inclusão no pólo passivo da exigência tributária. Senhores Conselheiros, passemos a analisar a matéria. A sujeição passiva fixada pela autoridade fiscal se baseou no disposto no inciso III do artigo 135 do CTN. No termo fiscal não há inclusão do artigo 124 do CTN para justificar a sujeição passiva. A exposição do nosso entendimento de que houve a ocorrência da Frigonova ter infringido a lei já ficou demonstrado anteriormente neste voto. E também que houve sonegação. Avaliado no conjunto, os atos que conduziram à sonegação demonstrada para o ano de 2008 se insere num quadro cuja origem se estende para anos anteriores. As informações existentes levam à essa conclusão (por exemplo: a permanência do Sr. Aparecido Silva como sócio e administrador formalmente declarado da empresa por muitos anos, contrastado com os depoimentos dos fornecedores que não o citaram ou o reconheceram como representante negociador da empresa, mas, sim, ao sr. Capuci). A meu ver, a atuação com poderes de administração desses senhores ficou demonstrado na autuação. Com relação ao Sr. Silva, essa demonstração reside na sua permanência como administrador e por ele assinar documentos em nome da Frigonova. Com relação ao Sr. Capuci, essa demonstração reside no teor dos depoimentos que relatam a sua ascendência e direta participação nas relações comerciais com seus parceiros e fornecedores, e também com o conhecimento das várias e/ou sucessivas empresas com sócios ligados à sua pessoa e à sua família situados nos mesmos endereços. Assim, não é verdade que estejamos diante de meras presunções, mas, sim, diante de uma série de informações que nos permitem ter a convicção de que a Frigonova se insere em um planejamento de um grupo econômico em que o Sr. Silva e o Sr. Capuci desempenham papeis de administração. Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 24 Por essas razões é que concluo que as alegações desses recorrentes não pode prosperar e me parece que a razão assiste à autoridade fiscal na sujeição passiva desses senhores. Proponho ao Colegiado não dar provimento aos recursos nesta matéria. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 11128.006663/2009-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/06/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.628
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 66 63 /2 00 9- 64 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 177 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.284, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 178 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 179 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 180 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 181 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 182 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 183 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 9303003.628 CSRF‐T3 Fl. 184 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.729348/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
ASSUNÇÃO DE DÍVIDA. COMPROVAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE INCIDÊNCIA.
Efetivamente comprovado o negócio jurídico firmado pelo contribuinte, cujo resultado não atrai a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, o lançamento correspondente deve ser retificado.
Numero da decisão: 2201-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negar-lhes provimento.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 02/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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COMPROVAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE INCIDÊNCIA. Efetivamente comprovado o negócio jurídico firmado pelo contribuinte, cujo resultado não atrai a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, o lançamento correspondente deve ser retificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negarlhes provimento. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 02/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 93 48 /2 01 2- 91 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interpostos contra a decisão de primeiro grau que manteve parcialmente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 389 do processo digitalizado), referente ao suposto imposto sobre a renda da pessoa física decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O crédito constituído referese aos exercícios de 2008 e 2009 e se aperfeiçoou com a ciência do contribuinte, por via postal, em 19 de dezembro de 2012 (AR fls. 403). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 406), em 18 de janeiro de 2013. A 4ª Turma da DRJ Curitiba, em 07 de maio de 2013, dá parcial procedência à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 0640.687 (fls 457), no qual já apresenta recurso de ofício. Ciente da decisão que parcialmente contrariou seus interesses, em 06 de junho de 2013 (fls 476), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 07 de junho (fls. 484). Em 11 de março de 2015, a 1ª Turma da 1ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução 2101000.206 (fls 530), resolve converter o julgamento em diligência para esclarecimento de questões de fato. Assim foi resolvido: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (1) registro no livro diário, com as formalidades, das operações referidas nos livros razão acostados aos autos, com indicação do registro desses livros na junta comercial ou em outro registro público próprio, (2) documentação de suporte aos lançamentos da assunção de dívida alegada, inclusive instrumentos contratuais e recibos, caso existentes, e (3) comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados pelo recorrente, na operação de assunção de dívida." O Conselheiro Relator assim conduziu o voto acatado de forma unânime pela turma: "Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0640.687 da 4ª Turma da DRJ/CTA (fls. 457/470), que, por unanimidade de votos, não acolheu o pedido de sobrestamento e deu parcial provimento às razões de impugnação, para cancelar parte da exigência fiscal, mantendo a cobrança de R$151.455,31 a título de imposto, além da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais correspondentes. No caso, consta nos autos que, em decorrência de ação fiscal efetuada na empresa CESPO – Centro de Estudos Superiores Positivo, CNPJ/MF nº 78.791.712/000163, que culminou em lançamento de créditos tributários (Processo nº10980.724013/201104), a Receita Federal obteve documentos Fl. 842DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 842 3 que evidenciavam a transferência de recursos da pessoa jurídica para seus sócios, por meio de “Instrumentos Particulares de Assunção de Dívidas”, onde tais pessoas físicas assumiam as dívidas da empresa em conta corrente de cada sócio como “créditos”, e posteriormente ocorriam repasses reduzindo o saldo negativo da respectiva conta. Vale ressaltar que, quando o sócio recebia valores em espécie da empresa CESPO, mediante recibos assinados, estes também eram lançados como débitos na conta corrente do sócio, reduzindo o saldo negativo da conta e promovendo a respectiva quitação da empresa de sua dívida com o sócio. Neste sentido, o Contribuinte CIXARES LIBERO VARGAS, sócio da empresa CESPO, foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a natureza das dívidas assumidas e comprovar mediante documentos de transferência de valores, que teria efetivamente quitado as dívidas em nome da empresa. Em resposta, o Contribuinte Fiscalizado informou que quitou as dívidas assumidas, alegando que não se trata de mútuos entre as empresas envolvidas, mas apenas de mera movimentação operacional resultante da administração centralizada de caixa das empresas do grupo. Apresentou cópias dos “Instrumentos Particulares de assunção de dívidas” entre o CESPO e outras empresas do grupo, assumidas pelos sócios pessoas físicas da referida empresa, referentes ao anocalendário 2007 e 2008, onde se destaca a Cláusula Sétima com seguinte teor: “Como pagamento pelas dívidas assumidas, ficarão com um crédito em conta corrente com a CESPO, em valor igual ao do débito assumido” (fls. 137 como exemplo). Juntou ainda cópia do Relatório Analítico – Positivo de sua Conta, escriturado pela empresa CESPO, onde contabilizados os tais “instrumentos particulares de assunção de dívidas”, e os repasses financeiros efetuados ao sócio. Considerando a documentação apresentada e os resultados das diligências promovidas, a Fiscalização não acolheu as provas da quitação das dívidas da empresa CESPO com outras empresas do grupo, entendendo que as manobras contábeis se caracterizavam como rendimentos ofertados nos termos do art. 55, inc. IV do Decreto nº 3000/99 – RIR, razão pela qual lavrou o Auto de Infração de fls. 389/402, considerando ter havido omissão de rendimentos recebidos de trabalho com vínculo empregatício, cujo crédito tributário foi lançado no valor histórico de R$8.586.477,43, referente a imposto R$ 4.084.235,80; multa proporcional R$ 3.063.176,86; e juros de mora R$ 1.439.064,77 (calculados até 12/2012). Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: Fl. 843DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 “Cientificado do lançamento, por via postal, em 19/12/2012 (fl. 403), o interessado, por intermédio de procuradores (fl. 434), apresentou, tempestivamente, em 18/01/2013, impugnação (fls. 406/431), instruída com documentos (fls. 432/454), a seguir sintetizada. Preliminarmente, requer o sobrestamento do feito até a conclusão do Processo Administrativo nº 10980.724013/201104, arguindo que, conforme descreve a fiscalização, o presente auto de infração decorre da ação fiscal efetuada na empresa CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES POSITIVO – CESPO, que resultou em exigência de contribuição previdenciária patronal, sob o fundamento de que teria efetuado o pagamento de remunerações aos sócios ORIOVISTO GUIMARÃES, CIXARES LIBERTO VARGAS, RENATO RIBAS VAZ, SAMUEL RAMOS LAGO e RUBEN T. FORMIGUIERI. Aduz que, naquele processo administrativo, foi explicado que os valores recebidos pelos sócios são oriundos da quitação de contratos de assunção de dívida da CESPO, concluindo que, se houver decisão favorável à empresa naquele processo, a presente autuação perderá o seu objeto. Ressalta a importância do resultado daquele litígio, para que não haja decisões conflitantes. Alega que a fiscalização não aponta com precisão qual o enquadramento correto que se deve dar aos valores recebidos pelos sócios da empresa CESPO, generalizando e indicando inúmeras possibilidades que sustentariam a exigência do imposto. Refuta que os valores constituiriam remuneração a qualquer título, seja pro labore ou qualquer outra classificação que conduza à sujeição ao imposto de renda, salientando que não há que se falar em vínculo empregatício em relação ao sócio, o que pressuporia subordinação, aduzindo que a fiscalização confunde pagamento de dívidas com pro labore, que diz ser a “pior hipótese possível em termos de remuneração”. Descreve que a empresa CESPO tinha dívidas com as empresas SOCIEDADE EDUCACIONAL POSITIVO LTDA, EDITORA POSITIVO LTDA e GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A, dívidas essas que foram assumidas pelos sócios, dentre os quais o impugnante, conforme contratos apresentados à fiscalização e que já constam dos autos. Esclarece que, em contrapartida à assunção da dívida, houve o lançamento de crédito em conta corrente em nome dos sócios, perante a empresa CESPO, tendo as operações sido devidamente contabilizadas. Exemplifica as operações ocorridas entre a CESPO e a SOCIEDADE EDUCACIONAL POSITIVO, destacando que as dívidas assumidas foram devidamente quitadas pelos sócios, conforme diz constar da contabilidade das empresas, no razão contábil, documentos 6 e 7, em que alega constar a origem da dívida e a sua quitação. Sustenta que a CESPO, posteriormente, visando quitar as dívidas com os sócios, promoveu o pagamento, em espécie e com transferências bancárias, valores esses que a fiscalização Fl. 844DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 843 5 pretende tributar, desconsiderando, sem razões plausíveis, as provas que demonstram a regularidade das operações. Discorre acerca da assunção de dívida e da subrogação, que fundamenta nos arts. 299, 347 e 349 do Código Civil, arguindo que, no caso concreto, foram cumpridos todos os seus pressupostos, consistentes na existência e validade da obrigação transferida (instrumentos particulares válidos), substituição do devedor com permanência na substância do vínculo obrigacional e a concordância do credor. Destaca, por outro lado, que não há na legislação dispositivo que desobrigue o devedor originário em relação aos “assuntores da dívida”. Aduz que a CESPO não tinha condições de honrar a dívida com as empresas, tendo acordado com seus sócios o cumprimento do encargo, subrogandose a todos os direitos e obrigações concernentes à operação; que posteriormente, houve a quitação da dívida, por meio de pagamentos aos sócios, considerando restar demonstrada a inexistência de irregularidade nas operações realizadas, não tendo os valores a natureza de pro labore, que conceitua como sendo os valores pagos ou creditados aos sócios, diretores ou administradores das empresas, a título de remuneração, tendo como principal característica o fato de ser uma retirada fixa mensal, acrescentando que não pode a fiscalização alterar a norma de direito privado, porquanto vedado pelo art. 110 do Código Tributário Nacional. Defende, ainda, que os documentos contábeis da empresa gozam de presunção de veracidade e legitimidade e que, no caso, não há prova hábil apresentada pela fiscalização capaz de anular a operação ou descaracterizar sua natureza. Considera que não ocorreu o fato gerador do imposto e que a exigência encontrase embasada em mera presunção, que está elidida pelos documentos juntados aos autos, ilustrando a hipótese com jurisprudência administrativa. Na sequência, descreve os valores movimentados nos anos de 2007 e 2008 em face da operações alegadas, cotejandoos com os valores apontados pelo fisco, sustentando que o auto de infração originouse das quitações das dívida assumidas, que não ensejam o pagamento de imposto de renda. Contesta a multa de ofício de 75%, arguindo o princípio constitucional do nãoconfisco, implícito no art. 5º, XXII, da Constituição Federal, citando doutrina e jurisprudência acerca de multas de feição confiscatória, com destaque ao limite de 20% determinado pelo Superior Tribunal de Justiça em face de decisão do Supremo Tribunal Federal, percentual pelo qual pugna no presente caso. Questiona, ainda, a exigência de juros sobre a multa de ofício, transcrevendo jurisprudência administrativa e concluindo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, Fl. 845DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 mas do descumprimento do dever legal de declarálo ou pagálo, não se estando alcançada pela regra do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996.”(fls.458/460). A decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR), restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Anocalendário:2007, 2008 PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. RAZÕES APONTADAS NÃO COMPROVADAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As razões suscitadas na impugnação devem ser comprovadas e, mesmo em tese, no que se refere a pedido de sobrestamento, não há previsão legal que vincule o curso de um processo administrativo a outro relativo a uma imposição de natureza diversa e a sujeito passivo distinto, ainda que tratem de matérias que apresentem alguma espécie de conexão. CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA. BENEFÍCIO AUFERIDO PELA PESSOA FÍSICA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. À mingua da caracterização de benefício auferido pela pessoa física, descabe considerar como tributáveis para fins de apuração de imposto de renda os valores das dívidas assumidas de pessoas jurídicas. VALORES RECEBIDOS. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE DÍVIDAS ASSUMIDAS. PROVA DE QUITAÇÃO ANTERIOR. Para que os valores efetivamente recebidos sejam reconhecidos como sendo decorrentes de devolução de dívidas assumidas perante terceiros, há que se comprovar a prévia entrega de recursos equivalentes. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. PREVISÃO LEGAL. A multa aplicada no lançamento de ofício é decorrente de previsão legal expressa, não lhe sendo oponíveis, em sede administrativa, arguições de ofensa a princípios constitucionais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” No julgamento, a Turma cancelou a exigência de R$3.932.780,49 de imposto, e manteve a exigência de R$ 151.455,31 de imposto, além da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais correspondentes, ao entendimento que as “assunções de dívida” não corresponderam a recursos transferidos pelas empresas às pessoas físicas, nem dessas àquelas, mas à interposição dos “sócios” nos ajustes dos saldos de movimentação de recursos, ao final de cada mês, entre as pessoas jurídicas. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 844 7 Conforme descrito nos autos, as “assunções de dívidas” estariam relacionadas à “movimentação operacional, resultante da administração centralizada de caixa das empresas do grupo”, estabelecendo elo comum entre as empresas do mesmo grupo, possibilitando o encontro de contas devedoras e credoras, cumprindo o objetivo de um “caixa centralizado”. Nesses termos, os julgadores entenderam que eventual repercussão tributária nas pessoas jurídicas das operações assim realizadas não seria objeto deste contencioso, limitado à análise de suposto benefício que teria sido auferido pelas pessoas físicas, que não se encontra caracterizado. Como consequência da redução do crédito tributário lançado inicialmente, houve Recurso de Ofício. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera os argumentos anteriormente suscitados, repetindo a argumentação de que os saldos remanescentes da movimentação operacional em conta corrente entre as empresas, também foi procedida da transferência de saldos devedores para os sócios pessoas físicas, via contrato de assunção de dívidas. Assim, o retorno dessas quantias não poderiam ser tributados." Em cumprimento à diligência requerida, a Autoridade Fiscal intimou o Contribuinte a apresentar os documentos solicitados pela Turma deste Colegiado. Assim se pronunciou a Fiscalização sobre o resultado da diligência (fls 827): "Em atendimento a essa intimação, o contribuinte Cixares Libero Vargas, através de seus procuradores, na data de 14/09/2015 apresentou os documentos das folhas 543 a 612, e solicitou prorrogação de prazo de 10 dias, que foi concedido, para apresentar as informações referentes ao item 3 da intimação fiscal, bem como o livro diário n° 19 não apresentado nesta data. Na documentação apresentada na data de 14/09/2015 (fls 542 a 612) constatamos que: Os livros diários apresentados em resposta ao item n° 01 da intimação foram devidamente registrados à época nos órgão competentes. Nesses livros constam os registros contábeis da assunção das dívidas, das empresas do mesmo grupo, pelos sócios; O contribuinte também relaciona as páginas do processo (fls. 546), acima citado, onde consta a documentação, entregue anteriormente, que, para ele, dá suporte aos lançamentos de assunção da dívida; Na data de 16/09/2015 após análise dos livros diários entregues pelo fiscalizado, efetuamos a devolução dos mesmos (fls. 825 a 8826). Na documentação apresentada na data de 24/09/2015 (fls 613 a 824) constatamos que: Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 o fiscalizado reitera que toda a documentação pertinente às operações de assunção de dívida foram apresentadas no decorrer da fiscalização, conforme já relatado quando da resposta na data de 14/09/2015; foram apresentados digitalizados todos os termos de abertura e encerramento dos livros diários bem como as folhas dos respectivos livros onde constam os lançamentos contábeis de transferência das assunções de dívidas feitas pelos sócios (Fls. 622 a 749); O fiscalizado não apresentou comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários, que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados nas operações de assunção de dívida. No entanto, apresentou um mapa das assunções de dívidas assumidas, desde 2003, pela empresa Centro de Estudos Superiores Ltda, onde afirma que estas foram amortizadas em parte pela obsorção de prejuízos, adiantamentos para futuro aumento de capital e aumento de capital, tendo como resultado um saldo (direito creditório) em 31/12/2006 de R$ 1.625.545,67 (fls.615 a 616). Essas informações foram comprovadas no livro razão analítico da empresa às folhas 751 a 791 do processo. Por intermédio de um resumo da movimentação entre empresas do grupo com o Centro de Estudos Positivo (fl. 616), o fiscalizado demonstra o valor total. das dívidas assumidas no período de 2005 a 2006; Apresenta, em anexo (fls. 809 a 824), cópia da 10a alteração contratual e consolidação do contrato social da empresa Centro de Estudos Positivo que foi lavrada na data de 29/12/2006 e registrado no órgão competente (Junta Comercial do Paraná) na data de 12/02/2007. Nessa alteração contratual constam os fatos descritos pelo fiscalizado relativos a Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) e Aumento de Capital (fls. 809 a 810) informados no mapa de composição de saldo à folha 615 e no livro razão contábil às folhas 806 e 807; Por fim, apresenta um resumo da movimentação de dividendos na Sociedade Educacional Positivo Ltda., no período de 2002 a 2007 (fl. 618). Nesse resumo é apresentado o total de dividendo provisionado no período, o total de dividendos pagos e o valor amortizado via conta corrente. Na linha do resumo "amortizado via conta corrente", de acordo com o fiscalizado, estão inclusos os valores transferidos para liquidação das assunções de dívidas assumidas. Todos os lançamentos contábeis, referente as movimentações relatadas, foram comprovados por intermédio da cópia do livro razão analítico do período (fls 793 a 804)." (destacamos) Foi dada ciência do relatório de diligência fiscal ao Contribuinte e oportunizado prazo para manifestação, que ocorreu, tempestivamente (fls. 831). São as alegações finais do Recorrente: "No relatório de diligência realizado, a fiscalização descreveu os documentos apresentados pelo contribuinte e atestou que muito embora não tenha sido apresentado o fluxo financeiro através de extratos bancários, foram apresentados a movimentação Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 845 9 financeira entre as empresas do Grupo Positivo, os pagamentos de duplicada que deram origem as assunções de dívida assumida, desde 2003, pela empresa Centro de Estudos Superiores Positivo Ltda. entre outros documentos. Por meio dos documentos apresentados pelo contribuinte, a fiscalização denota que as assunções de dívidas foram amortizadas em parte pela absorção de prejuízos, adiantamento para futuro aumento capital e aumento de capital tendo como resultado um saldo creditório em 31/12/2006 de R$ 1.625.545,67. Afirma, também, que as informações apresentadas podem ser comprovadas no livro razão analítico da empresa Centro de Estudos Superiores Positivo Ltda Por derradeiro, convém destacar que na resposta a intimação, o contribuinte apresentou os seguintes quadros: Fl. 849DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 Sendo assim, para que não restem dúvidas quanto a origem dos valores lançados nas tabelas acima, o contribuinte junta, em anexo, CD contendo inúmeras planilhas, cujas informações foram colhidas da contabilidade da empresa, e que demonstram cabalmente que: 1)A empresa Centro de Estudos Superiores Positivo CESPO recebeu de outras empresas do grupo, respectivamente R$ 37.542.525,37 e R$ 8.397.932,84 e que esses montantes, foram transferidos por assunção de divida para cada sócio (dentre os quais o peticionário) que receberam individualmente o valor de R$ 7.508.505,07 (2005) e R$ 1.679.586,57 (2006), que c ^ondem a 20% da participação individual de cada sócio. 2)Que os valores de R$ 7.508.505,07 (2005) e R$ 1.679.586,57 (2006), se originaram entre os valores de débito e crédito (R$ 79.716,12 + (R$ 7.588.421,19) = R$ 7.508.505,07 para o ano de 2005) e (R$ 2%u.001,04 R$ 710.414,47 (R$ 455.543,59 + R$ 254.870,88) = R$ 1.679.586,57 para o ano de 2006). 3)Que as distribuições de lucros ocorridas entre 2004 a 2006 das empresas do Grupo Positivo para o Sr. CIXARES LIBERO VARGAS, confrontando com os valores que efetivamente foram retirados por esse sócio, para demonstrar que os valores distribuídos serviram de base para pagar as assunções de dívidas assumidas. Em suma, por toda a documentação apresentada é possível extrair a origem do saldo de R$ 1.625.545,67 que consta na conta 230016 em nome do peticionário. Do mesmo modo é possível atestar que tal montante decorre das operações de assunção de dívidas realizadas entre as empresas do Grupo Positivo e outras amortizações que foram assumidas pelos sócios (dentre os quais o peticionário). Logo, não restam dúvidas, pelos documentos apresentados, que houve distribuição de lucro parcial e que o restante foi amortizado do saldo que o sócio possuía com a empresa." Fl. 850DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 846 11 Por sorteio eletrônico, em razão da renúncia do Conselheiro Relator, o presente processo foi para mim distribuído. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Como relatado, tratase de recurso de ofício e voluntário que, por decisão da extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, teve o julgamento convertido em diligência, sendo que nessa decisão observouse as condições para o conhecimento de ambos recursos, o que reitero. Tais recursos decorrem de decisão proferida em julgamento da impugnação ao lançamento que entendeu haver incidência do imposto de renda da pessoa física recebido de pessoa jurídica nos anoscalendário 2007 e 2008. A insurgência ao lançamento se dá em razão do Contribuinte alegar a não incidência tributária em face dos valores percebidos terem ocorrido em razão do pagamento de valores devidos pelas pessoas jurídicas à pessoa física por conta de pagamentos de dívida daquelas, as jurídicas, por essa assumida. A DRJ Curitiba, por meio de sua 4ª Turma, exonerou grande parte do crédito tributário lançado. recorrendo de ofício da decisão. Por seu lado, em recurso voluntário, o contribuinte reiterou os argumentos constantes da impugnação. Ao fundamentar a decisão, o Conselheiro Relator entendeu que (fls 536): "A questão trazida ao debate diz respeito às consequências tributárias no fato dos sócios de pessoa jurídica assumirem débitos da empresa, de modo que, no momento da restituição/quitação dos respectivos débitos aos sócios, ocorre ou não disponibilidade econômica ou acréscimo patrimonial a ser alcançado pelo Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Contudo, uma análise mais crítica da realidade fática e jurídica exposta nos autos, impõe ainda alguns questionamentos visando assegurar certeza à conclusão a ser proferida, quando a existência ou não de saldo em benefício do sócio pessoa física, assim como se este recebia valores ou apenas “emprestava o nome” para o encontro de contas das pessoas jurídicas. Pelo exposto, voto no sentido converter o julgamento do recurso em diligência, a ser realizada na repartição de origem, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (1)registro no livro diário, com as formalidades, das operações referidas nos livros razão acostados aos autos, com indicação do registro desses livros na junta comercial ou em outro registro público próprio, (2) documentação de suporte aos lançamentos da assunção de dívida alegada, inclusive instrumentos contratuais e Fl. 851DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 recibos, caso existentes, e (3) comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados pelo recorrente, na operação de assunção de dívida. A autoridade fiscal deverá fazer análise dos elementos acolhidos em termo circunstanciado, confirmando ou afastando a existência dos documentos e seus reflexos, após o qual o Recorrente deverá ser intimado para, se desejar, apresentar manifestação, no prazo de 30 dias." (destacamos) Como explicitado pelo Conselheiro Relator da Resolução 2101000.206, a questão que se põe é fática, ou seja, devese verificar se a operação alegada pelo Contribuinte, o negócio jurídico denominado assunção de dívida, realmente ocorreu. Tal necessidade decorre da interdependência das partes, ou seja, sócios de empresas do mesmo grupo econômico e estas. Sobre o tema e em resposta à diligência, assim se pronunciou a Autoridade Lançadora (fls. 828): "Na documentação apresentada na data de 14/09/2015 (fls 542 a 612) constatamos que: Os livros diários apresentados em resposta ao item n° 01 da intimação foram devidamente registrados à época nos órgão competentes. Nesses livros constam os registros contábeis da assunção das dívidas, das empresas do mesmo grupo, pelos sócios; O contribuinte também relaciona as páginas do processo (fls. 546), acima citado, onde consta a documentação, entregue anteriormente, que, para ele, dá suporte aos lançamentos de assunção da dívida; Na data de 16/09/2015 após análise dos livros diários entregues pelo fiscalizado, efetuamos a devolução dos mesmos (fls. 825 a 8826). Na documentação apresentada na data de 24/09/2015 (fls 613 a 824) constatamos que: o fiscalizado reitera que toda a documentação pertinente às operações de assunção de dívida foram apresentadas no decorrer da fiscalização, conforme já relatado quando da resposta na data de 14/09/2015; foram apresentados digitalizados todos os termos de abertura e encerramento dos livros diários bem como as folhas dos respectivos livros onde constam os lançamentos contábeis de transferência das assunções de dívidas feitas pelos sócios (Fls. 622 a 749); O fiscalizado não apresentou comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários, que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados nas operações de assunção de dívida. No entanto, apresentou um mapa das assunções de dívidas assumidas, desde 2003, pela empresa Centro de Estudos Superiores Ltda., onde afirma que estas foram amortizadas em Fl. 852DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 847 13 parte pela obsorção de prejuízos, adiantamentos para futuro aumento de capital e aumento de capital tendo como resultado um saldo (direito creditório) em 31/12/2006 de R$ 1.625.545,67 v 615 a 616). Essas informações foram comprovadas no livro razão analítico Ja empresa às folhas 751 a 791 do processo. Por intermédio de um resumo da movimentação entre empresas do grupo com o Centro de Estudos Positivo (fl. 616), o fiscalizado demonstra o valor total. das dívidas assumidas no período de 2005 a 2006; Apresenta, em anexo (fls. 809 a 824), cópia da 10a alteração contratual e consolidação do contrato social da empresa Centro de Estudos Positivo que foi lavrada na data de 29/12/2006 e registrado no órgão competente (Junta Comercial do Paraná) na data de 12/02/2007. Nessa alteração contratual constam os fatos descritos pelo fiscalizado relativos a Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) e Aumento de Capital (fls. 809 a 810) informados no mapa de composição de saldo à folha 615 e no livro razão contábil às folhas 806 e 807; Por fim, apresenta um resumo da movimentação de dividendos na Sociedade Educacional Positivo Ltda., no período de 2002 a 2007 (fl. 618). Nesse resumo é apresentado o total de dividendo provisionado no período, o total de dividendos pagos e o valor amortizado via conta corrente. Na linha do resumo "amortizado via conta corrente", de acordo com o fiscalizado, estão inclusos os valores transferidos para liquidação das assunções de dívidas assumidas. Todos os lançamentos contábeis, referente as movimentações relatadas, foram comprovados por intermédio da cópia do livro razão analítico do período (fls 793 a 804)." (destaques nossos) Conforme o relatado pelo Fisco, a diligência atendeu os quesitos formulados. A uma porque comprovou que os livros contábeis estavam revestidos das formalidades extrínsecas e intrínsecas previstas. Deles constavam os registros das operações realizadas e que ensejam a análise necessária para o deslinde deste julgamento. Quanto à segunda questão, a Autoridade Fiscal reafirma que todos os documentos necessários à comprovação das assunções de dívidas feitas pelas sócios foram entregues quando da fiscalização, e que as operações comprovadas por tais documentos se encontram devidamente contabilizadas. Por fim, a Autoridade Lançadora explicita que embora não tenham sido apresentados documentos bancários que comprovem o fluxo financeiro da assunção de dívida alegada foi apresentado "um mapa das assunções de dívidas assumidas, desde 2003, pela empresa Centro de Estudos Superiores Ltda., onde afirma que estas foram amortizadas em parte pela obsorção de prejuízos, adiantamentos para futuro aumento de capital e aumento de capital tendo como resultado um saldo (direito creditório)". Mister realçar que, como consta do relatório de diligência, tais operações foram devidamente contabilizadas e podem ser comprovadas por meio do livro razão analítico devidamente registrado. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Nesse ponto, necessária uma constatação. As operações mencionadas pelo Contribuinte apresentam presunção de veracidade. Tal afirmação decorre do conteúdo probatório acostado aos autos e devidamente verificado e asseverado pela Autoridade Fiscal por meio do Relatório de Diligência produzido. Tal comprovação decorre da escrituração contábil regular e formal apresentada. Segundo o Código Civil, aprovado pela Lei 10.406/2002, contém a seguinte determinação: "Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos." Ao serem apresentados os instrumentos de assunção de dívida devidamente assinados, os registros contábeis de tais operações e a existência e finalidade das mesmas, devemos emprestar o necessário conteúdo probatório aos fatos narrados na impugnação e reiterados no recurso voluntário. Importante ainda, ao meu ver, mencionar que me convenço da existência e finalidade dos negócios jurídicos realizados em razão das informações prestadas em diligência, que corroboram as alegações recursais, no sentido da assunção de dívida pelos sócios ter seu valore revertido para o aumento de capital ocorrido. São as considerações fiscais, em parte repetidas em razão de sua importância na construção de nosso posicionamento, sobre os documentos apresentados pelo Contribuinte (fls. 828): "(...) apresentou um mapa das assunções de dívidas assumidas, desde 2003, pela empresa Centro de Estudos Superiores Ltda, onde afirma que estas foram amortizadas em parte pela obsorção de prejuízos, adiantamentos para futuro aumento de capital e aumento de capital, tendo como resultado um saldo (direito creditório) em 31/12/2006 de R$ 1.625.545,67 (...) Nessa alteração contratual constam os fatos descritos pelo fiscalizado relativos a Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) e Aumento de Capital (fls. 809 a 810) informados no mapa de composição de saldo à folha 615 e no livro razão contábel às folhas 806 e 807 (...) apresenta um resumo da movimentação de dividendos na Sociedade Educacional Positivo Ltda., no período de 2002 a 2007 (fl. 618). Nesse resumo é apresentado o total de dividendo provisionado no período, o total de dividendos pagos e o valor amortizado via conta corrente. Na linha do resumo "amortizado via conta corrente", de acordo com o fiscalizado, estão inclusos os valores transferidos para liquidação das assunções de dívidas assumidas. Todos os lançamentos Fl. 854DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 848 15 contábeis, referente as movimentações relatadas, foram comprovados por intermédio da cópia do livro razão analítico do período" (destacamos) Ora, aqui em minha convicção, há a motivação e finalidade do negócio jurídico firmado entre o Contribuinte e as pessoas jurídicas das quais possuía quinhão de capital: o uso de dividendos de algumas empresas para o aumento de capital de outras. Tais afirmações da Autoridade Fiscal corroboram as alegações recursais, reiteradas na manifestação sobre o relatório de diligência fiscal, e constam das folhas 833: "A empresa Centro de Estudos Superiores Positivo CESPO recebeu de outras empresas do grupo, respectivamente R$ 37.542.525,37 e R$ 8.397.932,84 e que esses montantes, foram transferidos por assunção de divida para cada sócio (dentre os quais o peticionário) que receberam individualmente o valor de R$ 7.508.505,07 (2005) e R$ 1.679.586,57 (2006), que correspondem a 20% da participação individual de cada sócio. 2)Que os valores de R$ 7.508.505,07 (2005) e R$ 1.679.586,57 (2006), se originaram entre os valores de débito e crédito (R$ 79.716,12 + (R$ 7.588.421,19) = R$ 7.508.505,07 para o ano de 2005) e (R$ 2%u.001,04 R$ 710.414,47 (R$ 455.543,59 + R$ 254.870,88) = R$ 1.679.586,57 para o ano de 2006). 3)Que as distribuições de lucros ocorridas entre 2004 a 2006 das empresas do Grupo Positivo para o Sr. CIXARES LIBERO VARGAS, confrontando com os valores que efetivamente foram retirados por esse sócio, para demonstrar que os valores distribuídos serviram de base para pagar as assunções de dívidas assumidas. Em suma, por toda a documentação apresentada é possível extrair a origem do saldo de R$ 1.625.545,67 que consta na conta 230016 em nome do peticionário. Do mesmo modo é possível atestar que tal montante decorre das operações de assunção de dívidas realizadas entre as empresas do Grupo Positivo e outras amortizações que foram assumidas pelos sócios (dentre os quais o peticionário). Logo, não restam dúvidas, pelos documentos apresentados, que houve distribuição de lucro parcial e que o restante foi amortizado do saldo que o sócio possuía com a empresa" Convencidos do negócio jurídico realizado, analisemos agora se há incidência do imposto sobre a renda da pessoa física. Dispõe o artigo 3º da Lei nº 8849/94: Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto sobre a renda.(Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) Fl. 855DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 § 1º Podem ser capitalizados nos termos deste artigo os lucros apurados em balanço, ainda que não tenham sido submetidos à tributação.(Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 2º A isenção estabelecida neste artigo se estende aos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, beneficiárias de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento do capital social, e ao titular da firma ou empresa individual. Já a Lei nº 7.713/88, explicita: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XVII os valores decorrentes de aumento de capital: a) mediante a incorporação de reservas ou lucros que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei; Por seu turno, a Lei 9249/95 determina: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Diante do exposto, não observo incidência decorrente das assunções de dívidas ocorridas em razão da operação em si não ensejar a tributação, tampouco o seu resultado, vez que a origem e a destinação dos recursos pela pessoa física não sofrem a incidência tributária. Firmado em tais premissas, passo a decidir os pontos restantes constantes dos recursos de ofício e voluntário. Recurso de Ofício A decisão de piso entendeu necessário exonerar grande parte do crédito tributário lançado. Assim se pronunciou o Relator no voto condutor da decisão unânime (fls 465): "Desse modo, embora os registros das “assunções de dívidas” na coluna “débitos” do “Relatório Razão Analítico – POSITIVO”, às fls. 202/205, refiramse a aparentes direitos que estariam beneficiando a pessoa física, posto que reduziam o saldo de haveres em relação à empresa CESPO, está caracterizado no presente processo que são relativos, na realidade, a dívidas das demais empresas do grupo (SEP, EP ou POSIGRAF) assumidas em relação à CESPO, não se tratando de “assunção de crédito” da CESPO. Pelo mesmo mecanismo, os valores lançados na coluna “créditos” são relativos a dívidas da CESPO assumidas pela pessoa física em relação às outras empresas. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 849 17 A consideração fiscal de que as “assunções de dívida” de terceiros, tratadas como se fossem “assunção de créditos” da CESPO, representariam alguma espécie de benefício tributável para a pessoa física conduziria a igual tratamento das operações inversas nas demais empresas, nas quais, evidentemente, os controles de “conta corrente” devem apresentar os mesmos registros, porém invertidos. A operação que, neste, é considerada dívida assumida da CESPO, nas contabilidades das demais empresas seria, pela ótica fiscal, reputada como “assunção de crédito”. Assim, a título de exemplo, caso analisada a contabilidade da POSIGRAF, a dívida assumida da CESPO, de R$ 224.451,84, em 31/01/2007, pelo entendimento adotado pela fiscalização, constituiria base tributável para o imposto de renda da pessoa física, ao passo que, visto pela contabilidade da CESPO, se trata de “assunção de dívida”. (...) De outra parte, conforme descreve a fiscalização, após intimação, o contribuinte informou que as “assunções de dívidas” estariam relacionadas à “movimentação operacional, resultante da administração centralizada de caixa das empresas do grupo”, o que se mostra condizente com os fatos, ainda que fosse desnecessária a intervenção dos “sócios” nas operações pelas quais as empresas do grupo assumiam posições mensais credoras ou devedoras umas das outras, ressalvada, por outro lado, a conveniência de que a “conta corrente” em nome dos “sócios” estabelecia elo comum entre as empresas do grupo, com a possibilidade de, assim, haver o encontro de contas devedoras e credoras, cumprindo o objetivo de um “caixa centralizado”. Ressaltese que eventual repercussão tributária nas pessoas jurídicas das operações assim realizadas não é objeto deste contencioso, limitado à análise de suposto benefício que teria sido auferido pelas pessoas físicas, que não se encontra caracterizado. Pelo exposto, dos valores reputados como tributáveis no auto de infração,devem ser excluídos os seguintes: (...)" Embora com algumas divergências quanto às razões da improcedência do lançamento tributário, tornase patente por tudo acima dita que concordo com a decisão de piso quanto ao seu resultado prático, ou seja, a improcedência parcial do lançamento. Nesse sentido, e pelos motivos e fundamentos descritos linhas acima, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Como relatado, o Contribuinte reitera em seu recurso voluntário os argumentos que embasaram a sua impugnação, não se pronunciando, porém, quanto à multa de ofício e juros moratórios, restando, portanto, tais temas definitivos nos termos da decisão de piso. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 Mister ressaltar que, embora se insurja especificamente contra a decisão 'a quo' que deu parcial provimento à impugnação ao lançamento tributário, nada foi apresentado que afastasse os motivos pelos quais a decisão de primeiro grau manteve parcialmente o lançamento. Vejamos. Consta do recurso (fls 490): Na decisão ora recorrida, decidiuse por manter os lançamentos referentes aos valores recebidos, descritos às fls. 206/215 dos autos, que correspondem à devolução, em espécie, de recursos que antes foram entregues, pelo recorrente, às pessoas jurídicas (empresas do Grupo Positivo), em face dos contratos de assunção de dívida entre eles firmados. Entretanto, ao se detalhar a operação objeto do lançamento em d:si;ussão, fica clara a improcedência da presente autuação. Explicase: A empresa Centro de Estudos Superiores PositivoCESPO possuía dívidas com as empresas Sociedade Educacional Positivo Ltda. (SE) Editora Positivo Ltda. e Gráfica e Editora Posigraf S.A. Essas dívidas foram assumidas pelos sócios (pessoas físicas) da empresa CESPO, dentre os quais o ora recorrente. Os documentos que respaldam referidas operações são os Contratos de Assunção de Dívida celebrados pela CESPO e os sócios (incluindo o ora recorrente). Os contratos em comento já foram apresentados à Fiscalização e já constam nos autos (documentos 2 ao 5). Os sócios assumiram a obrigação de pagar as dívidas que a empresa CESPO possuía com as empresa Sociedade Educacional Positivo Ltda., Editora Positivo Ltda. e Gráfica e Editora Posigraf S.A., com subrogação de todos os direitos e obrigações do devedor primário (CESPO). Em contrapartida à mencionada assunção de dívida, houve o lançamento de crédito em conta corrente em nome dos sócios, perante a empresa CESPO. Vale frisar que todas as operações foram devidamente contabilizadas pela CESPO. As relatadas movimentações ocorreram em todos os contratos de assunção de dívida celebrados entre a CESPO e as empresas Sociedade Educacional Positivo Ltda., Editora Positivo Ltda., e Gráfica e Editora Posigraf S.A" Observemos agora a motivação da decisão da DRJ (fls. 465): Notese que o contrato de fls. 28/30, de 30/11/2007, teve por partes a EP e a CESPO, e não é referente à assunção de dívida de R$ 105.515,92 pela pessoa física, mas pela empresa por ele representada, a CIR INVESTIMENTOS S/A; já no relatório do razão analítico da CESPO, à fl. 203, o mesmo valor foi Fl. 858DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.729348/201291 Acórdão n.º 2201003.265 S2C2T1 Fl. 850 19 escriturado como sendo relativo à assunção de dívida da empresa SEP por CIXARES LÍBERO VARGAS. Por outro lado, não obstante se possa atribuir à operacionalização da administração centralizada de caixa das empresas do grupo os contratos de assunção de dívida pela pessoa física, há que se considerar que por esse procedimento, por si só, não haveria a constituição de saldo em benefício ou em prejuízo das pessoas físicas, posto que meras intermediárias da movimentação de recursos das pessoas jurídicas, sendo que apenas seriam “utilizadas” ao final de cada mês para liquidação contábil dos saldos dos recursos transitados entre as empresas. Vale dizer, as pessoas físicas não recebiam valores e nem quitavam dívidas, mas “emprestavam o nome” para o encontro de contas das pessoas jurídicas. Nesse sentido, o instrumento de “assunção de dívida”, tal como consta dos históricos dos lançamentos do “Relatório Razão Analítico”, às fls. 202/205, teve como pressuposto a liquidação de saldo em “conta corrente” existente entre as pessoas jurídicas, não tendo por finalidade a quitação da dívida pelas pessoas físicas para posterior recebimento." Verifico os vícios apontados na decisão de piso com simples consulta aos documentos mencionados. Perquirindo toda a peça recursal, não encontro nenhum documento ou comprovação que afaste o decidido pela 4ª Turma da DRJ Curitiba, somente as alegações das operações de assunção de dívida, que nesse caso específico, não se encontram comprovadas, em face da distinção entre os sujeitos envolvidos, fato muito bem apontado pela decisão vergastada. Nesse sentido, nego provimento ao recurso nessa parte. Conclusão Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, conheço dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência de R$ 151.455,31 além da imputação de multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais correspondentes, nos termos da decisão de primeira instância. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 859DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10940.000849/2003-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO.
Compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento - DRJ, julgar em primeira instância, a manifestação de inconformidade do sujeito passivo nos processos administrativos relativos, à restituição, compensação de tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. A competência administrativa para decisão de recursos administrativos, sendo um requisito de ordem pública, é irrenunciável, intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, não podendo ser objeto de delegação.
NULIDADE DE ACÓRDÃO DA DRJ.
A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância. Recurso provido parcialmente para anular a decisão da DRJ, para novo provimento pela autoridade competente da instância a quo sobre o mérito da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ, julgar em primeira instância, a manifestação de inconformidade do sujeito passivo nos processos administrativos relativos, à restituição, compensação de tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. A competência administrativa para decisão de recursos administrativos, sendo um requisito de ordem pública, é irrenunciável, intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, não podendo ser objeto de delegação. NULIDADE DE ACÓRDÃO DA DRJ. A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância. Recurso provido parcialmente para anular a decisão da DRJ, para novo provimento pela autoridade competente da instância a quo sobre o mérito da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 08 49 /2 00 3- 78 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 444 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 445 3 Relatório O processo em exame, protocolizado em 27/03/2003, versa sobre o documento de fl. 01, relativo à declaração de compensação de débitos de PIS dos períodos de apuração 04/2002, 06/2002 a 08/2002 e 10/2002, com supostos indébitos de PIS, relativos aos períodos de apuração 02/1999 a 04/1999, conforme relacionado à fl. 02. Instruindo o pleito, a interessada apresentou, ainda, os documentos de fls. 03/57, dos quais se destacam: (a) fl. 03, declaração de que os valores peticionados não foram e nem serão objeto de pedido de restituição, bem como de que não se encontram sub judice; (b) às fls. 04/05, listagem de créditos a recuperar; (c) às fls. 06/07, cópias de DARF do código de receita 8109, pagamentos havidos entre 15/03/1999 e 14/05/1999. Posteriormente, foram juntados aos autos os documentos de fls. 59/69, relativos a demonstrativo dos supostos pagamentos a maior ou indevidos e a listagens de créditos a recuperar. À fl. 70, houve intimação da Saort da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa/PR para a interessada, entre outras providências relativas à instrução de seu pleito, “esclarecer o(s) motivo(s) dos pagamentos indevidos ou a maior informados como créditos a serem compensados”, com ciência em 03/07/2003 (AR à fl. 71). No despacho decisório de fls. 73/74, datado de 08/12/2003, a Saort/DRF/PTG houve por bem não homologar as compensações declaradas pelo sujeito passivo, sem análise do mérito, em face de a interessada não ter atendido à precitada intimação de fl. 70. Às fls. 75/76, houve representação da Saort/DRF/PTG, no sentido de que seja promovido o lançamento de ofício relativamente aos débitos fiscais indicados na declaração de compensação, que restaram não pagos; à fl. 78, há despacho no sentido do arquivamento do processo. Cientificada em 10/12/2003 (AR à fl. 77), a contribuinte apresentou em 09/01/2004 a manifestação de inconformidade de fls. 80/85, na qual apresenta os argumentos a seguir sintetizados. Em preliminar, alega que não foi validamente intimada das diligências requeridas pela autoridade administrativa, nem tampouco da decisão ora impugnada, com violação do disposto no art. 23, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972, tendo tomado ciência da decisão proferida no presente processo em 08/01/2004, a partir de diligência de seu procurador junto à DRF/PTG; reclama, também, de que o encaminhamento de intimação pelo correio, com AR, foi recebida por pessoa que não era sua representante legal ou procuradora, ou seja, pessoa que não poderia promover o ato de recebimento de tal correspondência em seu nome, não havendo, assim, a ‘prova de recebimento’ de que fala o mencionado dispositivo legal; por tais Fl. 445DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 446 4 razões, que terlheia ocasionado ‘graves prejuízos ao seu amplo direito de defesa’ considera nula a intimação promovida, devendose proceder a nova intimação ao seu procurador. Quanto ao procedimento de compensação, após transcrever o art. 49 da Lei n.º 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, bem como o art. 21 da IN SRF n.º 210, de 2002, alega que cabia apresentar ‘declaração de compensação’ para levar seu pleito à apreciação da SRF, o que teria feito, restando evidente que, formalmente, cumpriu com todas as obrigações previstas na legislação para a apreciação do mérito de seu pedido; assim, caso o fisco não concordasse com os créditos apresentados, ou com os débitos mencionados, deveria apontar, de forma fundamentada, as razões para a não aceitação de sua declaração, o que, no caso, não ocorreu, havendo a não homologação por ‘suposta ausência de envio de fotocópia autenticada da carteira de identidade do sócio gerente da empresa Contribuinte, bem como da alteração de contrato social’. Por tais razões, requer a reforma da decisão impugnada, pedindo que se efetue nova apreciação do pleito administrativo formulado. Às fls. 87/102, documentos relativos à regularização da representação da interessada; com o despacho de fls. 103/104, o processo foi encaminhado a DRJ/CTA para apreciação da manifestação de inconformidade; por sua vez, à fl. 104, despacho desta DRJ/CTA, com a seguinte redação: Consoante despacho decisório, fls. 73/74, não houve análise de mérito. De orientação da Srª. Delegada da DRJ em Curitiba a DRF, no que se refere à solicitação de documentos autenticados ao contribuinte, deve atentar p/ o preconizado no Decreto n.º 83.936, de 1979 (desburocratização) e, para que não ocorra supressão de instância, apreciar as petições da PJ, se for o caso, no que se refere ao mérito. À Saort/DRF Ponta Grossa. Às fls. 105/315, foram anexados documentos para apurar as bases de cálculo da interessada; às fls. 316/319, demonstrativos com as bases de cálculo do PIS e da Cofins relativas aos períodos de apuração do anocalendário de 1999; às fls. 320/321, planilha da composição da base de cálculo, matriz e filial 04; às fls. 322/323, demonstrativo “apuração de débito” da Cofins e do PIS; às fls. 324/325, demonstrativo “situação fiscal apurada” da Cofins e do PIS. À fl. 327, intimação da Saort/DRF/PTG, no sentido de contribuinte promover a retificação de DCTF relativas aos anoscalendário 2001 e 2002, com ciência em 14/02/2005 (fl. 328); às fls. 331/336, documentos relativos às mencionadas DCTF. O despacho decisório de fls. 342/346, datado de 14/06/2005, torna insubsistente o anterior despacho decisório de fls. 73/74, e defere parcialmente o pleito da interessada, reconhecendo o direito creditório de R$ 105,93, acrescidos de juros Selic, bem como homologa a compensação até o limite do crédito reconhecido. Às fls. 353/358, demonstrativos dos trabalhos do fisco para a utilização do crédito deferido para fins de compensação; à fl. 359, comunicação de restituição/compensação, informando que feita a compensação, restou valores a cobrar; à fl. 360, carta cobrança. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 447 5 Cientificada em 09/11/2005 (AR de fl. 361), a interessada apresentou em 09/12/2005, por meio de procurador (mandato de fl. 383), a manifestação de inconformidade de fls. 365/381, na qual formula as alegações a seguir sintetizadas. Argumenta que o primeiro despacho decisório (fls. 73/74), acabou não homologando o seu “pedido de compensação”, por entender que não se haviam cumprido determinações da juntada de documentos, mas que, curiosamente, mesmo diante do despacho da DRJ/CTA de fl. 104, que mandava que se apreciasse sua petição, a DRF/PTG acabou não realizando qualquer solicitação à contribuinte no sentido da apresentação dos documentos e informações tidos por não entregues até a edição daquele despacho decisório; na seqüência, comenta: “foi iniciado procedimento de fiscalização e solicitados centenas de documentos, contudo, em momento algum solicitaramse os documentos e informações relacionados no primeiro despacho decisório” (fl. 366); diz que o fisco expendeu algumas considerações e extraiu ilações que considera incompreensíveis (transcreve trecho de manifestação fiscal à fl. 366), acrescentando que se nada expôs em sua manifestação de inconformidade de fls. 80/85 acerca dos créditos e débitos objeto de compensação, é porque reclamava do despacho proferido às fls. 73/74, e se esse despacho não abordou o mérito e deliberou pela não homologação pautado em questões procedimentais, também não poderia pronunciarse sobre algo que não foi dito. Alega que se houve manifestação da DRJ/CTA no sentido de que o processo deveria retornar à origem para apreciação do mérito, deveria o órgão competente da DRF/PTG ter solicitado as informações e documentos objetos do primeiro despacho decisório, juntamente com os demais documentos requeridos; diz, também, que apesar de haver menção no despacho ora em debate de ter ingressado no mérito, entende que novamente houve supressão da etapa de análise das razões do pedido de compensação da contribuinte. Acrescenta que se a documentação solicitada nos pedidos de compensação, e prevista em lei, não é suficiente para a cognição plena por parte da administração fiscal, deverseia alterar o procedimento e não apenar a contribuinte; após transcrever o art. 49 da Lei n.º 10.637, de 2002, e o art. 21 da IN SRF n.º 210, de 2002, fala que somente lhe cabia a entrega da declaração de compensação para formular seu pleito, o que, formalmente, fez, tendo assim cumprido com todas as imposições legalmente previstas para a apreciação do mérito do pedido; sustenta que se ocorreu equívoco no preenchimento da declaração de compensação, passível de seu indeferimento, deveria o órgão fiscal indicar a irregularidade, fundamentando seus atos, o que não teria ocorrido. Na seqüência, no item “II – Da nulidade da decisão”, reafirmando que não houve a análise do mérito de seu “pedido” (sic) de compensação, e, assim, não teria sido observado o seu direito a ampla defesa (art. 5º, LV, da CF de 1988) e ao devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF de 1988), além das próprias previsões do PAF para o ‘cometimento do ato administrativo da constituição de crédito tributário’, o que implicaria na anulação do despacho decisório em exame, com retorno do processo à origem para que se instrua corretamente o processo, respeitandose os princípios constitucionais mencionados, e proferindose um novo despacho decisório. Já, no item “III – Dos créditos”, onde pretende informar a origem de seus créditos, esclarece que desde o início do processo, em planilhas e demonstrativos, há a indicação de que os créditos vindicados promanam da ‘tese de isonomia de PIS’; na seqüência, após discorrer sobre a composição do ordenamento jurídico, conclui Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 448 6 que “não pode o legislador estabelecer normas que sejam incompatíveis com a ordem constitucional positivada, sob pena do Poder Judiciário, por iniciativa das partes, intervir na relação jurídica estabelecida pela norma inconstitucional, restabelecendo, portanto, a supremacia da Constituição. É, evidentemente, o que se quer na presente demanda, ou seja, que a Constituição Federal se sobreponha às normas que a contrariam.” (fl. 372); com base em tal raciocínio, e após citar as regras que estabelecem a base de cálculo da Cofins e do PIS (Lei n.º 9.718, de 1998, e Lei n.º 10.637, de 2002), bem como mencionar as disposições que tratam das exclusões da base de cálculo dessas contribuições, constata que: “Com efeito, bem se verifica que as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base naquilo que se pode conceituar contabilmente como ‘lucro bruto’, já que deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tão somente pela diferença entre o custo da sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes são compelidos ao pagamento daqueles tributos com base em suas receitas, independentemente de sua classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais.” (fls. 373/374), pelo que pretende que se lhe estenda o tratamento dado às instituições financeiras, de modo que possa adotar as mesmas deduções de base de cálculo da Cofins permitidas às instituições financeiras; a embasar tal pretensão, cita o art. 150, II, da CF de 1988, ou seja, tal dispositivo determinaria que às empresas privadas deve ser dispensado o mesmo tratamento tributário e fiscal, não podendo a simples atividade empreendedora servir como escopo diferenciador que excetue a regra geral; sobre o tema isonomia, transcreve trechos da doutrina de Ivens Gandra da Silva Martins, Alexandre de Moraes, Marciano Seabra de Godoi e Sacha Calmon Navarro Coelho. Diz que esse princípio constitucional não pode ser suprimido ou abolido de forma alguma, posto que cláusula pétrea, e, desse modo, não se pode dizer que sobre o caso em comento geraria efeito o permissivo diferenciador estabelecido na norma estatuída pelo art. 195, § 9º, da CF de 1988, acrescentado pela EC n.º 20, de 1998, haja vista que tal acréscimo, se aplicando em concreto, chocase frontalmente com o precitado dispositivo constitucional, razão de sua material inconstitucionalidade, o que, incidentalmente, a reclamante requer que seja objeto de declaração por parte da autoridade administrativa; transcreve, a propósito, trechos de pronunciamentos judiciais sobre o tema da isonomia (fls. 376/380). Conclui esse item dizendo: “Com isso, considerando que nos períodos declinados no pedido de compensação a ora manifestante recolheu o PIS sem as devidas exclusões a que tem direito, não resta dúvida acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior. Portanto, possível é a composição dos montantes e o respectivo pagamento daquelas exações nos moldes idênticos aos outorgados às instituições financeiras, a correspondentes declaração de compensabilidade dos créditos de PIS pagos indevidamente, nos termos da legislação em vigor, ou seja, de acordo com o artigo 74 da Lei n.º 9.430/96 com a redação dada pela Lei n.º 10.637/2002, acrescida, naturalmente da taxa Selic e dos juros de mora de um por cento ao mês, desde a data dos pagamentos indevidos.” (fl. 411). Por fim, pede: (a) que seja declarada a nulidade da decisão impugnada e determinado o retorno para instrução e prolação de novo julgamento, evitandose a supressão de instância; (b) não sendo esse o entendimento, pugna pelo reconhecimento de seu direito creditório e de compensação, conforme explicitado em sua defesa. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 449 7 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR não conheceu da manifestação de inconformidade em Acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999 DCOMP. DÉBITO NÃO CONFESSADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCABIMENTO. Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de ofício é o ato jurídico que, nos termos do art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal hábil para formalizar a pretensão fazendária e conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito ao contraditório, nestes casos, deve se dar em sede da impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconformidade contra a nãohomologação de declaração de compensação. No Recurso Voluntário, a contribuinte contesta o não conhecimento da manifestação de inconformidade e, quanto ao mérito, repete os argumentos apresentados a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR A Saort/DRF/Ponta GrossaPR comunicou que dos processos nºs 10940.000846/200334, 10940.000847/200389, 10940.000848/200323 e 10940.000849/200378, resultaram a lavratura de autos de infração, protocolados sob nºs. de processo 12751.000011/200789 e 12571.000010/200734, em atendimento à determinação da 3º Turma Julgadora da DRJ/CTBA (via acórdão n° 0613.921). É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 450 8 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. O processo é relativo à declaração de compensação de débitos de PIS dos períodos de apuração 04/2002, 06/2002 a 08/2002 e 10/2002, com supostos indébitos de PIS, relativos aos períodos de apuração 02/1999 a 04/1999. A declaração de compensação foi protocolizada em 27/03/2003. No recurso voluntário, o contribuinte alega que, tendo em vista que nenhum dos argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade administrativa foram analisados, entende viável a análise imediata do mérito por este órgão, se remetendo aos fundamentos lançados naquela Manifestação de Inconformidade. Preliminarmente, é inquestionável o direito da Recorrente de apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão da Delegacia da Receita Federal que defere parcialmente pedido de restituição e compensação deixando de homologar os créditos submetidos à homologação de compensação, assim como é inquestionável seu direito ao exame do mérito pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de sua manifestação de inconformidade oportunamente apresentada nos casos de homologação deferida apenas parcialmente, ainda que seja para indeferir o pleito desta última. De fato, ao dispor sobre os procedimentos administrativos de restituição, ressarcimento e compensação, a Lei n° 9430/96 trouxe em seu art. 74 que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, (com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002 DOU de 31/12/2002 Ed. Extra em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002). §1°A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(§ 1º acrescido pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002 (DOU de 31/12/2002 Ed. Extra em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002). § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(§ 2° acrescido pela Lei n" 10.637, de Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 451 9 30/12/2002 DOU de 31/12/2002 Ed. Extra em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002). (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (acrescido pela Lei nº 10.637, de 31/12/2002 DOU de 31/12/2002 Ed. Extra em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002). § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco anos), contado da data da entrega da declaração de compensação. (§ 5o com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003 DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). § 6º A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (§ 6° acrescido pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003 DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta dias), contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(§ 7a acrescido pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (§ 8o acrescido pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação.(§ 9a acrescido pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003 DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (§10 acrescido pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (§ 11 acrescido pela Lei n° 10.833, de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 452 10 29/12/2003 DOU de 30/12/2003 Ed. Extra A em vigor desde a publicação). (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (§ 14 acrescido pela Lei n° 11.051, de 29/12/2004 DOU de 30/12/2004 em vigor desde a publicação). Por seu turno, o art. 224, inc. I e § 2° do RI/SRF, aprovado pela Portaria MF 30/05, tal como o antigo RI/SRF/01 (art. 203 da Portaria MF n° 259/2001) expressamente estabelece que: Art. 224. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ compete: I julgar, em primeira instância, conforme Anexo V, processos administrativos fiscais de (...) de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; (...) § 2° O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a nãohomologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere, conforme previsto no Anexo V. Dos preceitos expostos, parece não haver dúvida que tanto a DRF, como a DRJ, estão obrigadas a decidir os recursos administrativos expressamente previstos para os processo de restituição e compensação, sendo que a omissão daqueles órgãos no cumprimento do dever imposto por lei, não somente compromete a regularidade do processo administrativo legalmente previsto para a restituição e compensação de tributos, como implica em manifesta nulidade, como visto no art. 59, II do Dec. 70.235/72. Assim já decidiu o STF: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/Lex Vol. 195, pág. 135) Fl. 452DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 453 11 Em complemento, trago o Acórdão de nº 3402001.507 lavrado pelo Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça, no Processo n° 10940.000847/200389 do mesmo contribuinte: Na aplicação desses preceitos de inegável juridicidade, ressaltando a necessidade de observância do rito legalmente previsto nos processos administrativos, como garantia da plena defesa dos administrados, a Jurisprudência do STJ recentemente assentou que: "o procedimento administrativo é informado pelo princípio do 'due process of law'. Se o ato eivado de ilegalidade não cumpriu sua finalidade, ocasionando prejuízo à parte, deve ser anulado, como anulados devem ser os atos subseqüentes a ele. A garantia da plena defesa implica a observância do rito, as cientificações necessárias, a oportunidade de objetar a acusação desde o seu nascedouro, a produção de provas, o acompanhamento do iter procedimental, bem como a utilização dos recursos cabíveis" (cf. Ac. da I a Turma do STJ no R.Esp. 536.463SC, Reg. n° 200300853863, em sessão de 25/11/03, Rei. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 10/12/03, pág. 360). Nessa mesma ordem de idéias aquela E. Corte Superior de Justiça concluiu que "formulado na esfera administrativa pedido de compensação de exação declarada inconstitucional com débitos referentes a tributos da mesma espécie, não pode a fazenda pública ignorar a reclamação (art. 151, III do CTN), e inscrever o débito, executandoo judicialmente" (cf. Ac. da I a Turma do STJ no REsp 491557RS , Reg. n° 2002/01622319, em sessão de 26/08/03, Ministro LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/10/03 p. 194). Da mesma forma já assentou a Jurisprudência judicial "o motivo é requisito necessário à formação do ato administrativo e a motivação, alçada à categoria de princípio, é obrigatória ao exame da legalidade, da finalidade e da moralidade administrativa (cf. AC. da 6a Turma do STJ no AgRg no RMS n° 15350DF, Reg. n° 2002/01214348, em sessão de 12/08/03, Rei. Min. HAMILTON CARVALH1DO, publ. in DJU de 08/09/03 p. 367) e que sua "apreciação sem a devida motivação de questão levantada" em processo administrativo, "caracterizase como cerceamento de defesa do acusado, ensejando anulação do processo (cf. Ac. da 5a Turma do STJ no RMS n° 19409PR, Reg. n° 2004/01848486, em sessão de 07/02/06, Rei. Min. FELIX FISCHER, publ. in DJU de DJ 20/03/06 p. 309) razões pelas quais, tem reiteradamente proclamando a nulidade dos atos administrativos que não explicitam os motivos ou não apresentam exposição detalhada dos fatos concretos e objetivos em que se embasou para chegar à conclusão ato (cf. AC. da Ia Seção do STJ no MS n° 9944DF, Reg. n° 2004/01224610, em sessão de 25/05/05, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 13/06/05 p. 157). Como também é curial e já assentou a Jurisprudência Administrativa, a nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância Acórdão nº 20309919, da 3ª Câmara do 2º CC, Fl. 453DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10940.000849/200378 Acórdão n.º 3301002.872 S3C3T1 Fl. 454 12 Processo. n° 10830.005027/9776, Reiator Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUÍMICAS) Portanto, considerando os fatos e fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR, para que outra decisão seja proferida com o exame do mérito. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 454DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10120.724590/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/07/2008 a 30/06/2011
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFICÁCIA.
A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão.
DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE.
À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornou-se inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891.
CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS.
Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67.
CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL.
Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matérias-primas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75.
MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que consideraram que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. II) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955.
Antonio Carlos Atulim - Presidente e redator designado.
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/07/2008 a 30/06/2011 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFICÁCIA. A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão. DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornou-se inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67. CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matérias-primas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75. MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso voluntário provido em parte.
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COISA JULGADA. EFICÁCIA. A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão. DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornouse inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matériasprimas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 45 90 /2 01 3- 80 Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que consideraram que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. II) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955. Antonio Carlos Atulim Presidente e redator designado. Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por questões de brevidade, reproduzirseá aqui o relatório apresentado na Resolução de fls.1351 e seguintes, que bem sumariza a lide: Versa o processo de auto de infração lavrado para a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor consolidado de R$135.837.346,32 (cento e trinta e cinco milhões, oitocentos e trinta e sete mil, trezentos e quarenta e seis reais e trinta e dois centavos), relativo aos períodos 07/2008 a 06/2011. Segundo se colhe do Relatório de Fiscalização de fls. 859/880 – numeração eletrônica, a motivação do lançamento, resumidamente, é decorrente da apropriação indevida de crédito básico de IPI, relativo às aquisições do produto “concentrado para bebidas não alcoólicas”, cujo fornecedor (a empresa Recofarma Industria do Amazonas Ltda.), em virtude de uma específica isenção (art. 82, III, do RIPI), não destaca nas notas fiscais emitidas o aludido imposto, mas que garante ao adquirente a tomada de crédito como se incidente o IPI. Da leitura do mencionado Relatório, obtémse que a isenção considerada pelo fornecedor do sujeito passivo destes autos, somente seria válida, acaso a mesma utilizasse em sua produção matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, e que, segundo a acusação fiscal, teria sido adquirido pelo citado fornecedor, matériasprimas industrializadas, o que desnatura o benefício de isenção de que faria jus, afetando o crédito tomado pela Autuada. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 11 3 O parágrafo abaixo sintetiza as análises efetuadas pela fiscalização neste tocante: “Destarte, constatase que a Recofarma não cumpriu os requisitos do art. 6º do DecretoLei 1.435/75 (art. 82, inciso III, do RIPI/2002), pois não fez uso de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, e, portanto, a Refrescos Bandeirantes não poderia ter se creditado do IPI nas aquisições de “concentrados para bebidas não alcoólicas” da primeira empresa, conforme §1º do mesmo dispositivo legal citado (art. 175 do RIPI/2002.” Com a glosa dos créditos acima, e reconstituída a escrituração fiscal do contribuinte, surgiram débitos de IPI, os quais também foram lançados. Ainda houve a apuração de IPI escriturado a menor no Livro Registro de Apurações do IPI (RAIPI), não recolhido pelo sujeito passivo. Quanto à esta constatação, em apertadas palavras, a Autoridade Administrativa fundamentou o lançamento asseverando que ante à análise das NFes. emitidas pela fiscalizada e cotejando o valor total do IPI lançado nestas com o total do débito de IPI por saídas no mesmo período, foi constatada uma diferença de R$81.545,30. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 28/05/2013, o contribuinte apresentou em 21/06/2013, as fls. 886 e ss. (numeração eletrônica) sua Impugnação Administrativa, alegando em síntese os seguintes argumentos: Que é fato inconteste que as notas fiscais emitidas pelo fornecedor questionado (Recofarma) gozavam da isenção prevista no art. 82, III do RIPI/02; Que as notas fiscais emitidas pela Recofarma são idôneas e possuem validade fiscal e que a autuada é adquirente de boafé, tendo direito à manutenção do referido crédito de IPI; Que o STJ já firmou entendimento de que o adquirente de boafé possui direito à manutenção de créditos, mesmos que posteriormente as notas fiscais que o originem sejam consideradas inidôneas; Que mesmo que a Recofarma não possuísse a isenção discutida, por si só a contribuinte autuada possuiria o direito aos créditos, nos Termos da Resolução do SUFRAMA nº. 298/2007 e do Parecer Técnico nº. 224/2007; Que o DecretoLei nº. 1435/1975 – Regulamentado pelo Decreto nº. 7.139/2010 conferiu à Suframa a competência para aprovação de projetos de empresas que visem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6º do DL 1.435/75, e que a Resolução e Parecer anteriormente mencionadas assim aprovam o produto produzido pela Recofarma; Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 4 Que o art. 179, do CTN, determina que a isenção, quando não concedida em caráter geral, pode ser efetivada por meio de Despacho da Autoridade Administrativa, no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos da Lei, e que este foi o caso da Recofarma; Que na hipótese de ser entendido que a Recofarma não cumpria os requisitos para a isenção do art. 6°, do DL 1.435/75, seja então cancelado o incentivo fiscal à mesma concedida, e não simplesmente desconsiderálo para glosar os créditos dos adquirentes de boafé; Acaso superados os argumentos anteriores, ainda assim a impugnante teria o direito ao crédito em face da coisa julgada ocorrida nos autos do Mandado de Segurança nº. 91.00477834, que por sua vez objetivava o direito dos associados da AFBCC (Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola) de não serem compelidos a estornarem os créditos de IPI incidentes sobre as aquisições de matériaprima isenta (concentrado), de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizados na industrialização de seus produtos; Que ainda que não se aplique a coisa julgada acima alegada, de igual forma teria direito aos créditos mantidos, por força do que decidiu o STF no RE 592.891SP com reconhecida repercussão geral; Que nos termos do art. 76, II, da Lei 4.502/64 é descabida a multa aplicada; O Impugnante pediu ao final o cancelamento da autuação pelas razões expostas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), houve por bem considerar improcedente a Impugnação apresentada, tendo proferido Acórdão nº. 09045.290, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2008 a 30/06/2011 CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL/ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 6º DO DL 1.435/75 [Art. 82II c/c Art. 175, DO RIPI/2002]. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSA. PROCEDÊNCIA São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Zona Franca de Manaus e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 12 5 INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos tributados do estabelecimento contribuinte com o crédito relativo ao imposto cobrado nas operações anteriores, referentes às entradas oneradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI,e ME) a serem utilizados no processo industrial do adquirente. Não tendo havido IPI cobrado nessas operações anteriores de aquisição, porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo adquirente. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADE. EXIGÊNCIA. Não há de se falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502/64 c/c o art. 100,II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Em resumo, a DRJ/JFA entendeu que os produtos revendidos pela Recofarma à fiscalizada não eram produzidos com “matériaprima” agrícola e extrativa vegetal de produção regional, mas sim, fabricados a partir de produtos industrializados, o que não ensejava a isenção prevista nos artigos 82 do RIPI/2002 e 6º do DecretoLei 1.435/75. Asseverou ainda, que sobre a utilização de normas que disponham sobre outorga de isenção, a interpretação deve ser literal, não se podendo confundir matériaprima agrícola e extrativa vegetal, com matériaprima industrializada. Em relação à alegação do impugnante de que existia ato da SUFRAMA em vigor a favor da isenção considerada pelo Recofarma, a instância de julgamento o quo afirma que “a resolução nº. 298/2007, em seu art. 1º limitase a aprovar o projeto industrial para produção do concentrado PARA O GOZO DOS INCENTIVOS previstos, dentre outros, no art. 6º do DL nº. 1.435/75” e que o art. 4º da referida resolução determina que para o gozo do benefício deva haver “a utilização de matéria prima regional de origem vegetal na elaboração dos produtos constantes (...)”, não tendo sido cumprida tal condição, não está a empresa apta ao referido incentivo fiscal. Quanto às alegações da Impugnante de que era adquirente de boafé, a Delegacia de Julgamento considerou que nas Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 6 boas práticas de relações comerciais, é dever de ambas as partes um mínimo de cautela na relação negocial, não tendo a autuada se valido do dever acautelatório necessário à salvaguarda de seu patrimônio. No que tange ao fundamento de que em favor da Impugnante há coisa julgada nos autos do MS 91.00477834, o julgador entendeu que tendo sido impetrado o mesmo por entidade de classe e não pela autuada, nos termos de precedente do STF, à mesma não se aplica a referida decisão judicial, pois seus efeitos não a alcançam. Relativamente ao julgado do STF alegado pela impugnante como tendo sido proferido em sede de repercussão geral, e, portanto, extensivo à mesma, a DRJ explana não cumprir o RE 212.4842/ RS os requisitos do Decreto n° 2.346/97 para ser considerado como “definitivo” e “inequívoco”, e que mais recentemente ainda, no RE n° 566.819/RS o mesmo STF pacificou o entendimento de que não há crédito nas aquisições de matériaprima e/ou insumos nãotributados, isentos ou sujeitos a alíquota zero. Quanto ao valor de IPI não escriturado no RAIPI, não recolhido, não tendo sido tal valor impugnado pelo sujeito passivo, considerou o lançamento definitivo neste tocante. E por fim, em relação à impossibilidade de aplicação da multa alegada pela empresa, em resumo entendeu a DRJ que tal argumento carece de fundamento, afastandoo e mantendo a multa aplicada nos termos em que lançados. Em sede de Recurso Voluntário, apresentado em 26/08/2013, o Recorrente reiterou os argumentos esgrimidos em sua impugnação. O então relator desse processo, Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, entendeu indispensável converter o julgamento em diligência (fls.13501358) para oficiar a SUFRAMA para que a mesma se manifeste a respeito do cumprimento, pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., das condições previstas na Resolução n° 298/2007 ou em atos posteriores se o caso, abrangendo todo o período do lançamento tributário em questão (07/2008 a 06/2011), manifestandose se a mesma incorreu em infração que determinasse a perda dos incentivos fiscais de isenção de que trata o inciso III, do art. 82, do RIPI, em função das matériasprimas adquiridas (art. 6º, do DecretoLei nº 1.435/75). A autoridade competente da SUFRAMA respondeu ao pedido de informações (fls.1369 e ss) informando a regularidade da empresa RECOFARMA, no que se refere à isenção na produção de "concentrado para bebidas não alcoólicas", nos termos da Resolução do CAS nº 298/2007, in verbis: Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 13 7 Sobre as informações prestadas pela SUFRAMA, Recorrente se manifestou, em fls.1455 e ss, reafirmando a correção da aplicação do art.6º do DL 1.435/75 para o caso do referido concentrado, e que uma vez confirmada o atendimento dos requisitos para fruição do benefício pela RECOFARMA, não restariam dúvidas acerca do direito ao crédito do IPI da Recorrente, decorrente da aquisição dos insumos isentos em questão. Além disso, ressalta que ainda que a Receita Federal divirja da interpretação dada pela SUFRAMA, cabe a esta, e não àquela, verificar que atende às condições de fruição do benefício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido, por atender a todos os requisitos legais. Toda a lida se dá no entorno da inteligência do art.6º e §§ do Decreto Lei 1435/75, reproduzido abaixo: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 8 § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Com efeito, entende o Recorrente que o art. 6º, §§ 1º e 2º, do DL n° 1.435/75, determina que os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA, são isentos de IPI para o respectivo fabricante e geram crédito de IPI para o adquirente, haja vista que Resolução n° 298, de 11.12.2007 e o Parecer Técnico de projeto n° 224/2007SPR/ CGPRI/COAPI, que a integra, reconheceram expressa e literalmente que o concentrado (insumo) foi contemplado pelo benefício do art. 6ºdo DL n° 1.435/75, porque produzido com açúcar e álcool, adquiridos de produtores locais da Amazônia Ocidental. O argumento utilizado pela DRJ para negar o direito ao crédito foi o de que foi verificado pela fiscalização que a Recofarma, contrariando o disposto no referido dispositivo regulamentar, não utiliza matériaprima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional em seu processo industrial, mas, produtos já industrializados (açúcar mascavo, açúcar refinado, açúcar denominado regional e extrato natural de guaraná), que são a matériaprima para fabricação, por encomenda, do corante caramelo, que, por sua vez, é utilizado como matériaprima na fabricação do concentrado enviado com isenção à Fiscalizada. Dessa forma, entendeu o fiscal responsável pela autuação e a DRJ que: 19. Destarte, constatase que a Recofarma não cumpriu os requisitos do art. 6º do DecretoLei n° 1.435/75 (art. 82, inciso III, do RIPI/2002), pois não fez uso de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, e, portanto, a Refrescos Bandeirantes não poderia ter se creditado do IPI nas aquisições de "concentrados para bebidas não alcoólicas" da primeira empresa, conforme § 1º do mês no dispositivo legal citado (art. 175 do RIPI/2002). Por considerar que a RECOFARMA não faria jus aos benefícios fiscais previstos, o §1º do art.6º do DL 1.435/75 não se aplicaria à Recorrente. Todavia, esse argumento não pode prosperar. A apresentação de informações, pela SUFRAMA, relativas ao período de apuração do IPI em discussão, deixa claro que a RECOFARMA estava regularmente fruindo do benefício fiscal, atendendo a todos os requisitos legais e infralegais para a sua concessão. Ora, tratase de competência exclusiva da SUFRAMA o reconhecimento e o afastamento dos benefícios fiscais relativos à Amazônia Ocidental, bem como a interpretação dos dispositivos respectivos. Devidamente comprovado nos autos a fruição da isenção pela RECOFARMA, é matemática a conclusão de que faz jus ao crédito a Recorrente, nos termos do art.6º, §§1º e 2º do DL 1.435/75. Analisando a jurisprudência desse Conselho, verificase que o Acórdão 202 15.304, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e julgado em Dezembro de 2003, versa sobre questão absolutamente idêntica, onde adotouse o mesmo posicionamento deste voto, ementado nos seguintes termos: Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 14 9 Diante do reconhecimento da erronia do argumento que carreou a autuação, restam prejudicados os demais argumentos da Recorrente, não sendo necessário exame pormenorizado dos mesmo. Ex positis, devese dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito de IPI nas aquisições de concentrados de refrigerantes originados na Amazônia Ocidental, que gozaram de isenção reconhecida pela SUFRAMA na sua fabricação. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Ouso discordar do ilustre relator originário, na parte em que reconheceu a aplicabilidade do mandado de segurança coletivo ao caso concreto. Conforme se pode verificar nas notas fiscais acostadas aos autos, a fornecedora das matériasprimas, Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., informou que os concentrados para a produção de refrigerantes eram isentos por força dos arts. 81, incisos I e II e 95, inciso III, do RIPI/2010. O que significa que o fornecedor valeuse não só da isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67; mas também da isenção prevista para produtos industrializados na Amazônia Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, que prevê expressamente o direito ao crédito ficto. A defesa alegou que seu direito à isenção está amparado por decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação dos Fabricantes, enquanto que a Administração Tributária e a Procuradoria da Fazenda Nacional contestam essa afirmação. Entretanto, a Fazenda Nacional entende que a eficácia da decisão proferida naquela ação coletiva restringese aos associados localizados sob a jurisdição territorial do órgão judiciário perante o qual foi interposta. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 10 Na fl. 462 verificase que o objeto da ação coletiva foi o reconhecimento do direito dos associados " (...) não serem compelidos a estornar o crédito do IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (concentrado código 2106.90 da TIPI) (RIPI, art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90 da TIPI), (...)". Acontece que o mandado de segurança coletivo foi impetrado no Rio de Janeiro, exclusivamente em face de atos que viessem a ser praticados pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro. No caso concreto, é incontroverso que o contribuinte, está localizado no Município de Trindade GO, sob a jurisdição de autoridade administrativa distinta da arrolada no polo passivo do mandado de segurança coletivo. Portanto, a decisão judicial coletiva é inaplicável à recorrente, pois ela se encontra domiciliada na circunscrição fiscal da DRF Goiânia GO. A decisão proferida no mandado de segurança coletivo somente beneficia os substituídos domiciliados na circunscrição fiscal da DRF Rio de janeiro. O entendimento deste relator quanto à inaplicabilidade da decisão coletiva aos associados com domicílio fora do Rio de Janeiro, parece coincidir com o entendimento do Ministro Gilmar Mendes ao decidir o Agravo interposto na Reclamação 7.7781/SP, em relação à associada localizada na cidade de Ribeirão Preto SP, cuja decisão foi publicada no DJE nº 124/11, conforme se pode verificar em consulta à página de jurisprudência do STF na internet. (https://www.stf.jus.br/arquivo/djEletronico/DJE_20110629_124.pdf.). No bojo da referida decisão plenária, o Ministro Gilmar Mendes escreveu o seguinte: "(...). No entanto, por ter sido esta ação impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, seus efeitos se restringem aos associados estabelecidos no território de competência daquela autoridade administrativa. A decisão proferida no referido agravo de instrumento não beneficia o associado ora reclamante. Este se situa no Município de Ribeirão PretoSP, que tem, como competente para fiscalizar, seu respectivo Delegado da Receita Federal. (...)" No que concerne à aplicabilidade do art. 2A da Lei nº 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo em questão, destacase o seguinte excerto da referida decisão: "(...) Registrese, ainda, que o fato de o MSC nº 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. Ademais, o trânsito em julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997.(...)" A defesa tentou desqualificar a decisão proferida nessa Reclamação, sob o argumento de que teria sido negado seguimento à Reclamação, pois não havia decisão do STF a ser preservada e que as referências à eficácia territorial do mandado de segurança coletivo foram feitas em caráter obter dictum. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 15 11 A sorte da Reclamação nº 7.778 em nada influencia o voto deste relator, uma vez que este voto não está estendendo e nem aplicando a decisão proferida no âmbito da Reclamação nº 7.778 à recorrente. Este voto está escorado na premissa de que o mandado de segurança coletivo não pode ter e não tem eficácia em todo o território nacional porque foi impetrado em face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro. Então é óbvio que os contribuintes que não estão localizados na circunscrição fiscal do Rio de Janeiro não podem ser beneficiados e nem prejudicados pela decisão proferida no MSC nº 91.00277834. A defesa argumentou com a suspensão dos efeitos do acórdão proferido no AI nº 2004.02.01.0132984, nos autos da Medida Cautelar nº 19.988, e com três Acórdãos do STJ que teriam garantido a alguns associados de fora do Rio de Janeiro a aplicabilidade da decisão coletiva, citando expressamente os RESP 1.117.887SP; 1.295.383; e 1.243.887 (repetitivo). Nenhuma dessas decisões do STJ citadas pela defesa possuem o condão de alterar o entendimento deste relator quanto à eficácia territorial do mandado de segurança coletivo, pois para mim é inadmissível que uma decisão proferida em mandado de segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro possa vincular o Delegado da Receita Federal de Jundiaí, que não integrou o polo passivo da ação. Sendo assim, para este relator pouco importa o destino do AI nº 2004.02.01.0132984 e da Medida Cautelar nº 19.988, pois essas ações não se referem a este contribuinte e o que lá vier a ser decidido não terá nenhuma repercussão neste processo. No que concerne ao RESP nº 1.243.887, embora tenha sido proferido na sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento não pode ser aplicado a este caso concreto, uma vez que o STJ decidiu pela inaplicabilidade do art. 2ºA da Lei nº 9.494/97 em uma situação específica na qual se pretendia alterar a coisa julgada no momento da execução individual de uma sentença proferida em ação civil pública, pois o dispositivo dessa sentença havia assegurado expressamente o direito aos expurgos inflacionários a todos os poupadores do Banestado residentes no Estado do Paraná. Essa situação nada tem a ver com a discussão nestes autos, pois além de aqui não estarmos tratando de uma ação civil pública e nem de relação de consumo, a decisão proferida no mandado de segurança coletivo não ampliou expressamente seu alcance aos associados domiciliados fora da circunscrição fiscal do Rio de Janeiro. Além disso, o mandado de segurança coletivo tem um âmbito de abrangência menor do que o da ação civil pública, pois é ajuizado em face de determinada autoridade coatora, que tem competência territorial restrita. Já no que concerne aos RESP 1.117.887SP e 1.295.383, verificase que não foram proferidos na sistemática dos recursos repetitivos e alcançam outros associados distintos da ora recorrente, não havendo vinculação deste colegiado ao que ali restou decidido. Também não se aplica à recorrente a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pois com no julgamento do RE nº 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 12 Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF, ou mesmo o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, para estender aquela interpretação ao caso concreto. A decretação da repercussão geral retira o caráter de definitividade do RE 212.484 porque o tribunal pode modificar seu entendimento. Sendo inaplicáveis ao caso concreto as decisões judiciais proferidas no mandado de segurança coletivo e no RE 212.484, resta analisar se o contribuinte tem direito ao aproveitamento de créditos de IPI com base nas isenções concedidas ao seu fornecedor em Manaus, previstas no art. 9º do DecretoLei nº 288/67 e no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. A isenção ao IPI dos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, que foi instituída pelo art. 9º do DecretoLei nº 288/67, foi regulamentada pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002 e pelo art. 81, I e II, do RIPI/2010. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito. Já no que concerne à isenção do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, regulamentado pelo art. 95, III, do RIPI/2010, existe previsão legal expressa para o aproveitamento de crédito ficto no § 1º do art. 6º do Decreto e no art. 175 do RIPI/2002. Assim, o reconhecimento do direito de crédito pode ser feito na via administrativa, se o contribuinte comprovar o atendimento dos requisitos legais e regulamentares. Nesse passo, verificase que o óbice oposto pela fiscalização consiste na inexistência desse direito, em face de o concentrado não ter sido produzido com matérias primas de origem vegetal. Em sua defesa o contribuinte alegou que os atos da Suframa concederam expressamente a isenção do art. 6º do DL nº 1.435/75 à Recofarma, o que assegura a isenção ao fabricante e o direito aos créditos fictos do imposto aos adquirentes. Analisando o conteúdo da Resolução CAS nº 298/2007 (fls. 1388 e ss), verificase que em momento algum a Suframa concedeu a isenção à recorrente, não havendo que se falar em isenção concedida em caráter individual mediante despacho (art. 179 do CTN). O que a Resolução CAS nº 298/2007 fez foi aprovar o projeto industrial de atualização da Recofarma, com base no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007, para a produção de concentrado para bebidas não alcólicas, com a finalidade de gozo dos incentivos previstos nos arts. 7º e 8º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75. Eis o excerto da fl. 1388 no qual se pode conferir o conteúdo da Resolução CAS nº 298/2007: Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 16 13 Portanto, o objeto dessa Resolução não foi o reconhecimento do direito subjetivo às isenções mencionadas. O CAS reconheceu apenas que a empresa cumpriu os requisitos que a habilitam a se instalar na região para usufruir daquelas isenções, mas isso de forma alguma significa que existe um despacho administrativo que reconheceu o direito subjetivo à isenção dos produtos. Isso porque nos artigos seguintes dessa mesma resolução, o CAS condicionou o direito à isenção ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 6º do DL nº 1.435/75, in verbis: O texto da Resolução CAS nº 298/2007 desautoriza a alegação da recorrente no sentido de que se trata de uma isenção individual concedida por despacho (art. 179 do CTN). A Suframa não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo CAS no momento da emissão da resolução. Por tal motivo, também é improcedente a alegação no sentido de que a discriminação dos insumos existente no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 significa o reconhecimento por parte da Suframa de que tais insumos atendem ao disposto no art. 6º do DL nº 1.435/75. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 14 O referido Parecer encontrase às fls. 1390 e ss. e o exame de seu inteiro teor revela que só foi analisada a viabilidade técnica do empreendimento, tanto que o parecer foi assinado por um economista e por um engenheiro de produção. Eis a conclusão do referido parecer: Sendo assim, salta aos olhos que a Resolução do CAS não reconheceu o direito subjetivo à isenção prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, pois ninguém em sã consciência poderia reconhecer um direito condicionado a um comportamento futuro da empresa. O que a Suframa reconheceu foi que o empreendimento era viável e que estava apto a usufruir do benefício estabelecido no art. 6º da DecretoLei nº 1.435/75, desde que cumprisse o PPB e que aplicasse matériaprima regional de origem vegetal nos concentrados. Reforça essa conclusão a redação do § 2º do art. 6º do DL nº 1.435/75, que estabelece claramente que a isenção só se aplica a produtos elaborados por estabelecimentos cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa. Ou seja, a aprovação do projeto é um dos requisitos necessários para usufruir da isenção e não o reconhecimento do direito subjetivo à isenção. Nesse passo, é improcedente a alegação da defesa no sentido de que a Receita Federal estaria desconsiderando uma isenção concedida por ato da Suframa. A uma, pelos argumentos acima declinados. E, a duas, porque as competências da Suframa e da Secretaria da Receita Federal são inconfundíveis. Enquanto que à Suframa compete administrar a Zona Franca, analisar e aprovar analisar projetos de particulares que pretendam se instalar naquela região, a teor do art. 4º do seu Regimento Interno, conforme reconheceu a própria defesa; à Secretaria da Receita Federal compete a fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias. No âmbito do IPI a competência da Secretaria da Receita Federal encontrase prevista no art. 91 da Lei nº 4.502/64, combinado com o art. 2º da Lei nº 11.457/2007. No caso concreto, a Recofarma não cumpriu a exigência contida no art. 6º do DL nº 1.435/75, pois não utilizou matériaprima de origem vegetal de produção regional nos seus produtos, mas sim matériasprimas e produtos intermediários processados ou industrializados por outras empresas localizadas na região, como o açúcar e o corante caramelo. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 17 15 A defesa argumentou que o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 não exige o emprego direto de matériaprima de origem vegetal. Não é isso que se deduz da leitura do art. 6º, caput, pois o legislador utilizou apenas a seguinte expressão: "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". A exigência legal é clara no sentido de que os produtos beneficiados pela isenção devem ser produzidos com matériasprimas vegetais provenientes de cultivo ou de extrativismo na região. A lei não se referiu a produtos intermediários, mesmo que sejam produzidos com matériasprimas extraídas ou cultivadas na região, como parece ser o entendimento da defesa. Reforça essa interpretação a redação do § 1º do mesmo art. 6º, na parte em que estabelece que os produtos mencionados no caput gerarão crédito ficto do IPI quando forem empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização de produtos tributados. No âmbito do IPI, quando o legislador quer abranger os insumos em geral ele menciona as três espécies (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). Sendo assim, se o caput do art. 6º só mencionou "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não há espaço para a interpretação mais alargada pretendida pela recorrente, para o fim de incluir produtos intermediários fabricados na região, ainda que esses produtos intermediários tenham sido produzidos com matériasprimas de origem vegetal. A recorrente alegou que agira de boafé pois tomara o crédito com base em notas fiscais idôneas, emitidas por seu fornecedor regularmente instalado na Zona Franca, tendo direito aos créditos fictos aproveitados. Tal alegação não merece guarida, pois as notas fiscais que deram suporte ao crédito consignaram dois dispositivos legais que contemplam isenções diferentes. Um deles não dá direito ao crédito ficto por inexistência de expressa disposição legal (art. 81, II, do RIPI/2010). E o outro dispositivo foi utilizado indevidamente, pois não houve aplicação de matériaprima vegetal de origem regional (art. 95, III, do RIPI/2002). Desse modo, as aludidas notas fiscais, embora legítimas e idôneas, não podem amparar o crédito ficto de IPI escriturado e reclamado pela recorrente, pois uma das isenções não dá direito ao crédito ficto e a outra foi desvirtuada pelo fornecedor em Manaus. Tratandose de créditos ilegítimos, eles devem ser glosados da escrita fiscal e com a retirada dos créditos do livro, os saldos da escrita que eram credores, passaram a ser devedores, decorrendo daí a falta de recolhimento do imposto. A falta de recolhimento do imposto é infração cometida pela ora recorrente e punível com a multa de ofício de 75% a teor dos dispositivos legais indicados no enquadramento legal do auto de infração. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 16 Tendo em vista que o art. 136 do CTN estabelece que a responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, não há como se considerar o princípio da boafé nem para dispensar a exigência do tributo e nem para se dispensar a exigência da multa. Ainda com respeito ao princípio da boafé, é inaplicável ao caso concreto o entendimento vertido no RESP 1.148.444 e na Súmula 509 do STJ, pois tais precedentes se referem a tributo estadual. No que concerne ao IPI escriturado a menor no livro de apuração do IPI, a defesa precluiu do direito de discutir essa matéria em segunda instância, pois não a impugnou expressamente (art. 17 do Decreto nº 70.235/72). Por fim, a defesa pleiteia a exclusão da penalidade com base no art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64, por ter observado entendimento que prevalecia na Câmara Superior de Recursos Fiscais na época dos fatos geradores. Embora o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase em desarmonia com o art. 100, II, do CTN, que passou a disciplinar de maneira diversa a questão relativa à dispensa ou redução de penalidades. O art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade, em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que essas decisões possuam eficácia normativa, o que não ocorre com os julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A defesa alegou que o art. 97, VI, do CTN autoriza a lei a estabelecer hipóteses de dispensa ou de redução de penalidades, o que legitimaria sua pretensão em aplicar o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Ora, o art. 97, VI, do CTN em nada altera a conclusão de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Isso porque uma lei complementar tem a função de impedir que o legislador ordinário regule certas matérias ao seu belprazer. Admitir que o art. 97, VI, do CTN possa permitir que uma lei ordinária disponha de forma contrária ao que está estabelecido no art. 100, II, do CTN é transformar esse dispositivo em letra morta. Dessa forma, não resta nenhuma dúvida de que o art. 100, II, do CTN subtraiu do legislador ordinário a possibilidade de dispor sobre dispensa ou redução de multas em desconformidade com o que nele está previsto. Por tais motivos é que me mantenho firme na convicção de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico a partir do advento do CTN, entendimento que declinei nas as razões de decidir do Acórdão 3403003.323, julgado em 2014. Entretanto, conforme bem apontou a defesa, os Regulamentos do IPI têm considerado que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 está vigente e eficaz, conforme se pode conferir no art. 567, II, do RIPI 2010 e também no art. 486, II do RIPI 2002. Sendo assim, embora os regulamentos dos outros tributos não tenham contemplado a vigência do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, é fora de dúvida que tal disposição foi mantida por meio dos decretos que instituíram os regulamentos do IPI, devendo Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 18 17 tais decretos serem observados de forma obrigatória pelo CARF, a teor do que dispõe o art. 26 A do Decreto nº 70.235/72. Afinal de contas, este colegiado aplicou a vinculação contida no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 no julgamento dos Acórdãos 3402002.856 e 3402002.928, para fazer cumprir a letra dos arts. 169, II, b, e 388, ambos do RIPI/2002, a fim de condicionar o direito de crédito do IPI por devoluções e retornos à escrituração do livro modelo 3 ou do controle permanente de estoque. Igualmente, no Acórdão 3402002.929, este colegiado fez prevalecer o disposto no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, para manter a autuação da CIDE TECNOLOGIA sobre contratos que não envolviam transferência de tecnologia. Agora se trata de aplicar a mesma vinculação estabelecida no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 para fazer valer a letra do art. 486, II, do RIPI/2002, ainda que pessoalmente este relator considere que seu suporte legal não foi recepcionado pelo CTN. A aplicabilidade do art. 486, II, do RIPI/2002 parece ter sido admitida de forma implícita no Acórdão 3302001.790, por meio do qual o relator, ilustre Conselheiro José Antonio Francisco, silenciou quanto à eficácia do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, mas indeferiu o pedido de exclusão da multa, sob o argumento de que os Acórdãos CSRF/02 03.677; 0202.979; 0203.029; 0203.585; 930301.274 e 930300854 traduziram uma mudança no entendimento da CSRF. Nos Acórdãos 3402002.921 e 3402002.922, julgados nesta mesma assentada, este conselheiro seguiu a mesma trilha do Acórdão 3302001.790, ou seja, prestigiou a eficácia do art. 486, II, do RIPI/2002, mas considerou que a CSRF havia reformado sua interpretação quanto ao direito de crédito pela aquisição de insumos isentos. Entretanto, na sustentação oral proferida no âmbito deste processo, a defesa alegou que os acórdãos da CSRF que foram por mim citados nos Acórdãos 3402002.921 e 3402002.922, assim como aqueles que já haviam sido citados pelo Conselheiro José Antonio Francisco no Acórdão 3302001.790, não se referiam especificamente ao caso da Zona Franca de Manaus, mas sim ao crédito de IPI decorrente de insumos isentos em geral. Realmente, todos aqueles julgados da CSRF se referiram ao crédito pela aquisição de insumos isentos em geral. Nenhum deles decidiu a questão do crédito ficto de IPI decorrente de aquisições isentas da Zona Franca. Considerando que o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 566.819, esclareceu que aquela corte faz distinção entre insumos isentos originários da Zona Franca de Manaus e insumos isentos em geral, considero que é relevante levar em conta tal distinção na aferição da mudança de posicionamento da CSRF, pois os julgados da CSRF, sem dúvida alguma, servem de balizamento para as condutas dos contribuintes. Nesse passo, cumpre a este colegiado verificar se existia decisão irrecorrível da CSRF reconhecendo o direito de crédito ficto de IPI pela aquisição de produtos isentos originários da Zona Franca de Manaus na época dos fatos geradores abrangidos por este processo. Em pesquisa na página de jurisprudência do CARF na internet constatei que no Acórdão CSRF/021.212, de 11/11/2002, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito ficto com base na extensão administrativa dos efeitos do RE Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 18 212.484 a um caso concreto semelhante ao ora analisado, ou seja, crédito ficto de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas produzidas na Zona Franca de Manaus (DL nº 288/67). Naqueles tempos, a CSRF, por maioria de votos, realmente estendia os efeitos do RE 212.484 a todos os contribuintes para reconhecer o direito de crédito sobre aquisição de qualquer insumo isento. Esse reconhecimento ocorria de forma ampla, tanto para insumos adquiridos da ZFM, quanto para qualquer outro insumo produzido em qualquer ponto do território nacional. No que concerne ao direito ao crédito ficto pela aquisição de insumos em geral, a partir de 2008 houve alteração no entendimento da CSRF, cessando a prolação de acórdãos que reconheciam esse direito com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484, conforme se pode comprovar pelo exame dos seguintes julgados: CSRF/0202.979, de 29/01/2008; CSRF/0203.029, de 05/05/2008; CSRF/0203.071, de 05/05/2008 e CSRF/02 03.585, de 25/11/2008; 930301.274 e 930300.854, ambos de 2010; 9303001.617, 9303 001.612, e 9303001.448, todos de 2011; e 9303002.188, de 2013. No que tange ao caso específico do crédito ficto sobre matériasprimas isentas originárias da Zona Franca de Manaus, a CSRF somente alterou seu entendimento no Acórdão nº 9303003.293, de 24 de março de 2015, que foi proferido especificamente em relação à isenção concedida para empresa localizada na Zona Franca. Desse modo, se entre novembro de 2002 e março de 2015 vigeu o entendimento estampado no Acórdão CSRF/0201.212, de 11/11/2002, no sentido de que os contribuintes poderiam tomar o crédito ficto de IPI em relação a produtos isentos originários da Zona Franca, com base na interpretação contida no RE 212.484, então deve ser aplicada a restrição à imposição de penalidades previstas nos arts. 567, II, do RIPI 2012 e art. 486, II do RIPI 2002, in verbis: "(...) Não serão aplicadas penalidades: I omissis... II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, II); (...)" Considerando que no caso concreto o período abrangido pelo auto de infração está compreendido entre novembro de 2002 e fevereiro de 2015, forçoso concluir no sentido de que deve ser excluída a multa de ofício, pois mesmo que se considere ineficaz o art. 76, II da Lei nº 4.502/64, este colegiado está vinculado ao disposto no art. 468, II, do RIPI/2002 por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. A divergência deste voto em relação aos acórdãos 3402002.921, 3402 002.922 e 3302001.790, reside exclusivamente no critério de aferição da mudança de entendimento da CSRF. Enquanto naqueles três julgados não se fez distinção entre insumos isentos da Zona Franca e insumos isentos em geral; neste voto foi feita tal distinção, em virtude de o próprio STF considerar esse discrimen relevante. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 19 19 Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator, Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, para votar no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para excluir a multa de ofício, com base no 486, II do RIPI 2002 e no art. art. 567, II, do RIPI 2010. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Declaração de voto da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, quanto à eficácia do mandado de segurança coletivo: 1. DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DO CONTRIBUINTE Inicialmente, é preciso esclarecer que, pelas notas fiscais juntadas aos autos, constato que fornecedora dos insumos, informava nas notas fiscais de saída que os concentrados para a produção de refrigerantes eram isentos do IPI por força dos artigos 69, incisos I e II e 82, inciso III do RIPI/2002. Isto significa que a Recofarma (fornecedor das mercadorias ao Contribuinte) usufruiu tanto da isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (artigo 9º do DecretoLei nº 288/67), quanto da isenção prevista para produtos industrializados na Amazônia Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75). Tendo isto em vista, antes de adentrar na discussão sobre o cumprimento ou descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária e o consequente direito ao crédito de IPI ora sob análise (artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75), cumpre avaliar a existência ou não de coisa julgada em favor do contribuinte. Isto porque no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que o Contribuinte alega fundar seu direito, buscavase a tutela judicial para garantir o crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos estampada no artigo 9º do Decreto lei n. 288/67, haja vista que, para esta específica isenção, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à escrituração de crédito do IPI. Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende o Contribuinte que possui coisa julgada em seu favor, à medida que esta ação foi impetrada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), como substituta processual de seus associados. A seu turno a Fazenda Pública alega que a coisa julgada não beneficia o Contribuinte. Isto porque a ação foi manejada no Rio de Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte, cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise. A discussão acerca dos efeitos do julgamento do citado Mandado de Segurança Coletivo com relação às empresas associadas à AFBCC não é nova no CARF. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 20 Em julgamentos de casos semelhantes, este Conselho vem afastando a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, cuja decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, depois de negado o Agravo de Instrumento interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União (e.g. Processo n. 10950.000026/201052, Acórdão n. 3403003.323, de 15 de outubro de 2014; e Processo n. 15956.720043/201316, Acórdão n. 3403003.491, de 27 de janeiro de 2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando da análise da Reclamação 7.7781/SP (apresentada por Associado da AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira, no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido: Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei) Todavia, ouso, com a devida vênia, discordar do julgamento proferido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, razão pela qual entendo que esta decisão não merece guarida do CARF. Efetivamente, o julgamento da Reclamação n. 7.7781/SP recaiu em uma “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do direito processual aplicável aos mandados de segurança coletivos de matéria tributária, bem como do caso concreto levado à apreciação do STF, e que agora merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho. Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada que fora substituída pela AFBCC no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 20 21 Dito isto, passo à demonstração dos sucessivos equívocos que são cometidos ao se afastar a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834 dos membros da AFBCC. 1.1. Mandado de segurança coletivo como meio de tutela de direitos individuais homogêneos em contraposição aos instrumentos de tutela dos interesses transindividuais em juízo Desde já adianto que a confusão iniciada no julgamento da Reclamação n. 7.7781, que vem reverberando nos julgamentos do CARF, consiste em tratar o mandado de segurança coletivo (regulado pela Lei do Mandado de Segurança) como se fosse uma ação coletiva que visa provimento jurisdicional acerca de direitos transindividuais (ou coletivos em sentido lato). Tal confusão tornase especialmente grave pois acarreta na indevida aplicação das regras que disciplinam a coisa julgada formada nas ações coletivas aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária, o que não se coaduna com o direito que cada uma desses instrumentos processuais visa tutelar, tampouco com a disciplina jurídica expressamente posta pelo ordenamento pátrio para cada uma dessas ações. O problema processual é de fato delicado, merecendo detida explanação. 1.1.1. Dos diferentes direitos tutelado nas Ações Coletivas e nos Mandados de Segurança Coletivos, acarretando em diferentes regimes jurídicos aplicáveis Não se deve confundir “direito coletivo” (= gênero do qual fazem partes as espécies direito coletivo em sentido estrito e direito difuso) com “defesa coletiva de direitos” (= defesa por meio de ações coletivas de direito individual homogêneo). 1 A mais abalizada doutrina sobre a matéria aponta que foi com o advento do Código de Defesa do Consumidor que insurgiu o errôneo e problemático tratamento dos direitos “individuais homogêneos” como espécie dos “direitos coletivos ou difusos”, acarretando na utilização equivocada de instrumentos processuais específicos para uma ou outra situação.2 Tal equívoco, de aplicação de regime jurídico incorreto ao mandados de segurança coletivo, como já aventado alhures, é exatamente o que aconteceu no julgamento da Reclamação n. 7.7781. Simplificando a classificação pincelada acima, temos que os direitos coletivos são direitos sem titular individualmente determinado e materialmente indivisíveis (e.g. meio ambiente, direito do consumidor, patrimônio histórico, cultural, etc). Os direitos individuais e homogêneos são totalmente distintos. Sobre sua conceituação, peço licença para fazer uso das palavras de Teori Zavaski, 3 que sintetiza o espinhoso assunto de forma didática: 1 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 32. 2 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 33. 3 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, pp. 145 e 146. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 22 A expressão ‘direito individuais homogêneos’ foi cunhada, em nosso direito positivo, pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei 8.078/90), para designar um conjunto de direitos subjetivos ‘de origem comum’ (art. 81, parágrafo único, III), que em razão de sua homogeneidade, podem ser tutelados por ‘ações coletivas’ (...). Não se trata, já se viu, de um novo direito material, mas simplesmente de uma nova expressão para classificar certos direitos subjetivo individuais, aqueles mesmo aos quis se refere o CPC no art. 46, ou seja, direitos que ‘derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito’ (inciso II) ou que tenham entre si relação de afinidade ’por um ponto comum de fato ou de direito’. (...) Tratase de direitos originados da incidência de um mesmo conjunto normativo sobre uma situação fática idêntica ou assemelhada. (grifei) O mesmo jurista, destaca então que o sistema processual brasileiro separou o tratamento desses direitos (direitos coletivos x direitos individuais homogêneos) em traçou dois subsistemas distintos: i) o subsistema dos instrumentos de tutela dos direitos coletivos (ações civis públicas e ação popular), ii) subsistema processual dos instrumentos para tutelar coletivamente os direitos subjetivos individuais homogêneos (ações civis coletivas, nas quais se inclui o mandado de segurança coletivo). 4 Sendo diferentes os regimes jurídicos citados acima, igualmente diversa é a forma com que o direito processual trata a coisa julgada formada em ação de tutela de direito coletivo da coisa julgada formada em ação coletiva de tutela de direito individual, como pormenorizadamente destacado no tópico abaixo: 1.1.2. Da impropriedade de aplicação das normas relativas à coisa julgada das ações coletivas ao Mandado de segurança Coletivo sobre matéria tributária Nas ações coletivas (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) de modo geral (ação civil pública e ação popular), os colegitimados ativos da ação (Ministério Público, associações, etc) não são os titulares de interesses coletivos (direitos difusos ou direitos coletivos em sentido estrito). Os titulares destes direitos são, isto sim, as pessoas, determinados grupos sociais, ou a sociedade como um todo, que compartilham esses direitos. Os primeiros substituem os segundos ao apresentarem as ações judiciais, conforme previsão legal. Vêse que os interesses em jogo nestas ações excedem o âmbito estritamente pessoal, porém não caracterizam propriamente o interesse público. 5 Em função destas características, na tutela coletiva (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) é necessário que a imutabilidade da sentença proferida pelo Poder Judiciário ultrapasse os limites das partes que compuseram o processo, ou seja, a coisa julgada nas ações coletiva é erga omnes ou ultra partes (e.g. artigo 103 do CDC).6 Afinal, o direito é de uma determinada coletividade, devendo a toda ela surtir efeito a decisão. 4 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 49. 5 MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. São Paulo, Saraiva, 2012, 25ª ed, p. 50. 6 Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendose de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 21 23 Neste contexto é que se insere o art. 16 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 (Lei da Ação Civil Pública), cuja redação original segue transcrita a seguir: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova (grifei) Este dispositivo, contudo, teve sua redação alterada pela Lei n. 9.494/1997 passando a ter a seguinte forma: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova. (grifei) Além de modificar a redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, a Lei n. 9.494/1997 trouxe nova regra às ações coletivas, em seu artigo 2ºA – que é o fundamento da decisão do STF na Reclamação n. 77781, e, portanto, o cerne da presente controvérsia , in verbis: Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (grifei) Constatase de pronto que este dispositivo veio disciplinar o “problema” relativo ao efeito erga omnes das sentenças prolatadas em ações para tutela de interesses coletivos (ação popular e ação civil pública), nas quais a eficácia subjetiva da coisa julgada não se limita às partes que compõe o processo, diferentemente do que ocorre com as ações individuais. Recordese que a ação civil pública também pode ser promovida por entidades associativas, porém, quando transitada em julgado, a coisa julgada material ali formada possuía efeitos erga omnes antes da alteração promovida pelo artigo 2ºA da Lei n. 9.494/97, acima transcrito. Com a nova redação, o efeito erga omnes ficou restrito aos substituídos localizados na jurisdição territorial em que foi prolatada a decisão. Diante destes dispositivos, o STF, ao se deparar com a Reclamação n. 7.778 1, a qual, recordese, foi apresentada por um dos membros da Associação que impetrou o mandamus, uma vez que fora autuado pela Receita Federal de Ribeirão Preto mesmo possuindo a coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834, aplicouos ao caso, decretando ser impossível a utilização da autoridade da coisa julgada pela empresa reclamante, por estar fora da competência territorial do órgão prolator da decisão. Perguntase: está correto tal entendimento? Entendo que não. Por dois motivos, tratados nos itens seguintes. III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81 Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 24 1.1.2.1. O MSC n. 91.00477834 cuida de direito individual homogêneo, específico e restrito aos membros da AFBCC, que vem sendo requerido pelas partes do processo, e não por terceiros Como esclarecido nos itens anteriores, não se deve pensar que os mandados de segurança coletivo são invariavelmente manejados para tutelar direitos coletivos (transindividuais). Não. Em regra, os mandados de segurança coletivos são utilizados processualmente para resguardar direito líquido e certo individual homogêneo de um grupo, com base no artigo 5º, inciso LXX da Constituição. 7 Em matéria tributária tal situação é hialina, uma vez que os temas tributários poucas vezes serão enquadrados nos direitos coletivos em sentido estrito, e simplesmente não se enquadram entre os direitos difusos jamais, como observa Cleide Previtalli Cais: 8 Por sua própria natureza, caracterizados pela indivisibilidade, indeterminação de indivíduos e indisponibilidade, os direitos difusos jamais compreenderão temas tributários, marcados pela divisibilidade, identificação do titular e disponibilidade, uma vez que são dotados de cunho eminentemente patrimonial. Desse modo, quando estamos diante de mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, normalmente encontraremos um conjunto de indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas), que, por meio de associação, levam ao Poder Judiciário questões fiscais que lhe são comuns em razão de suas atividades, exatamente como ocorreu no MSC n. 91.00477834. Ou seja, os contribuintes, buscam a tutela coletiva de seus direitos (e não tutela de direito coletivo), 9 que são individuais homogêneos e, por isso, o direito processual permite que sejam resolvidos pelo Poder Judiciário em uma única ação, o mandado de segurança coletivo. Nesse sentido a Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), que não era vigente quando sobreveio a sentença do MSC n. 91.00477834, mas que nada mais fez do que esclarecer os procedimentos que vinham sendo adotados pelos jurisdicionados, pela doutrina e pela jurisprudência, já que a antiga Lei do MS (Lei n. 1.533/1951) não disciplinava o mandado de segurança coletivo, estabelece que: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída 7 Não se está aqui a olvidar que é possível que determinada classe de indivíduos bata às portas do Judiciário não por meio de uma ação civil pública, ação popular, etc, mas sim por meio de mandado de segurança coletivo (artigo 5º, incisos LXIX e LXX da Constituição Federal), por substituição processual, sendo representados por sua associação. Teori Zavaski, em sua obra “Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos” dá o exemplo de uma associação que, em nome de seus associados (e.g. engenheiros), impetra mandado de segurança coletivo contra a ilegítima exclusão dos membros da classe de determinado edital de concurso público. Temos aí exemplo de mandado de segurança coletivo como ferramenta para tutela de direito transindividual, prevista no artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009, que alargou a regra do artigo 5º, LXX da Constituição. Contudo, tal situação é exceção, e não a regra. A regra é que mandados de segurança coletivos sejam manejados para fazer valer “direitos individuais e homogêneos”, como visto acima. (Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 194). 8 CAIS, Cleide Previtalli. O Processo Tributário, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, 6ª ed, p. 359 9 Não por outra razão a Lei n. 7.437/85 veda expressamente o uso da Ação Civil Pública para questões tributárias (artigo 1º, §1º) Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 22 25 e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: I coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (grifei) Notase que o artigo 22, que trata da coisa julgada no mandado de segurança coletivo, dispõe que a imutabilidade da sentença abarca todos os substituídos pela associação impetrante. Tal regra se dirige às duas hipóteses de MSC do artigo 21: aquele que resguarda direitos coletivos, e aquele que resguarda direitos individuais homogêneos. Ocorre que os direitos individuais homogêneos, conforme exposto no item 1.1.1., nada mais são do que os direitos individuais que estamos acostumados, cuja disciplina consta do CPC. A única diferença é que, por terem origem comum, podem ser resolvidos numa só ação coletiva, como o MSC. Assim, o manejo do MSC para tutela dos direitos individuais homogêneos não pretende, em momento algum, qualquer expansão dos efeitos da decisão para terceiros (ultra partes). Nestes tipos de MSC os membros da associação são por ela substituídos, mas os direitos ali pleiteados são próprios dos seus membros (artigo 6º do CPC).10 Por essas razões, não se poderia nem mesmo cogitar da aplicação do regime jurídico das ações que tutelam direitos coletivos para o presente caso (artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997). Afinal no mandado de segurança coletivo, que visa tutelar direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada necessariamente se restringe aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante (legitimado ativo da ação). Pela letra do artigo 22, é evidente que "a coisa julgada, uma vez formada, restrinjase aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante; por definição, os direitos daquela tipologia pertencem a pessoas determinadas ou determináveis."11 Ou seja, não é necessária a preocupação em se reduzir eventual efeito erga omnes do julgamento, pois ele simplesmente não existe nestes casos. Não se confunde tal situação, com direitos coletivos, de maior amplitude e que possuem destinatário indeterminados, aos quais sim aplicável a regra do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, em instrumentos como a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meioambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, 10 Art. 6º Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. 11 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 133. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 26 histórico, turístico e paisagístico, como claramente coloca a Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985. A permissão judicial para a escrituração de crédito de IPI decorrente de aquisição de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus é o direito individual homogêneo pleiteado pela AFBCC em nome de seus membros, que só a eles se aplica, nos termos do artigo 22 da Lei 12.016/2009. A decisão que formou a coisa julgada no MSC n. 91.00477834 tem, portanto, força de lei entre as partes, vale dizer, entre a União e os membros da AFBCC, que foram por ela representados. In casu, o Contribuinte, por estar legalmente representada pela AFBCC para a impetração do MSC n. 91.00477834, transitado em julgado em favor da Impetrante, está abarcado pela coisa julgada. Lembrese que não se trata de empresa terceira, que não fez parte da ação, e que procura indevidamente se beneficiar de suposto "efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva” (Reclamação n. 7.7781), como precipitadamente considerou o STF. Mesmo porque não há efeito erga omnes nesse caso, como amplamente tratado acima. Desse modo, a questão do efeito erga omnes, e sua consequente restrição pelo artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, é totalmente alheia aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária em que se discutem direitos individuais homogêneos, restringindose tão somente às ações nas quais são tutelados direitos coletivos (transindividuais), que nem de perto tangenciam o MSC n. 91.00477834. 1.1.2.2. Mesmo que o MSC n. 91.00477834 tivesse por escopo tutelar direito transindividual, o artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 não se aplica aos mandados de segurança coletivos Cumpre ainda assinalar que, mesmo se não tivessem sido despendidas todas as linhas acima para comprovar que o Contribuinte está legitimamente abarcado pela coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834 (mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, para tutela de direito individual homogêneo e cuja sentença não acarreta em efeitos erga omnes, tanto pela dicção da lei como pelo pedido do writ, formulado estritamente para beneficiar os membros da AFBCC, de modo que o artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 é totalmente estranho à questão), ainda assim restaria equivocado o entendimento constante da Reclamação n. 7.7781. Efetivamente, também nos casos em que o mandado de segurança coletivo é utilizado para tutelar direitos coletivos em sentido estrito (artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009) o que não é o caso, repitase , não é válida a aplicação do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, de modo a restringir a coisa julgada aos “substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. É o que ensina a doutrina do Direito Processual Tributário, da qual destaco a lição de James Marins: 12 “A Lei n. 12.016/2009 – acertadamente – estabeleceu a eficácia da coisa julgada diferente do mandado de segurança coletivo em relação às demais ações coletivas, conforme se depreende da redação dada ao artigo 22, caput, do referido diploma legal.” (grifei) 12 MARINS, James. Direito Processial Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial. Dialética, São Paulo: 5ª edição, p. 623. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 23 27 Cássio Scarpinella Bueno, 13 ao abordar especificamente o tema, leciona que mesmo anteriormente à publicação da nova lei do mandado de segurança (Lei n. 12.016/2009), tanto a doutrina como a jurisprudência eram uníssonas sobre a inaplicabilidade do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo, in verbis: Sobre regras restritivas, cabe lembrar do caput do art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997, fruto da Medida Provisória n. 2.18035/2001, segundo a qual ‘“ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator’. O dispositivo, já ensinavam doutrina e jurisprudência, não deveria ser aplicado no mandado de segurança coletivo. O silêncio da nova lei, no particular, deve ser entendido como consciente (e correto) afastamento daquela disciplina. Para estar sujeito à coisa julgada que se forma no mandado de segurança coletivo, basta que o indivíduo tenha sido devidamente substituído pelo impetrante, sendo indiferente, para tanto, o momento em que se verificou o elo associativo, que, de resto, pode até não existir tendo em conta as exigências feitas pela Lei n. 12.016/2009 e, superiormente, pela Constituição Federal, para reconhecer àqueles entes legitimidade ativa para agir em juízo. (grifei) Ratificando este entendimento, peço vênia para mais uma vez fazer uso das lições de Teori Zavaski: 14 No mandado de segurança coletivo a eficácia subjetiva está, portanto vinculada à representatividade do impetrante, sem limites de natureza territorial. É diferente o que ocorre nas ações coletivas em geral, em que há também o limite territorial estabelecido no art. 2ºA e seu parágrafo da Lei n. 9.494/1997. (...) Não há como justificar a aplicação destes limites e exigências restritivas ao mandado de segurança coletivo, que, como garantia constitucional fundamental que é, deve ter sua eficácia potencializada em grau máximo. As eventuais limitações que possa merecer, que não decorram expressa ou implicitamente da própria Constituição, supõem fundamento razoável e previsão específica em lei. Não se concebendo razão plausível da extensão da exigência do mandado de segurança coletivo, nem havendo menção expressa nesse sentido no art. 2ºA, é de se entender que suas disposições não lhe são aplicáveis. (grifei) Portanto, ainda que este Colegiado entendesse que o direito tutelado no MSC 91.00477834 é direito coletivo, e não direito individual homogêneo, por se tratar de instrumento processual com disciplina jurídica própria, além de possuir status de garantia 13 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 136. 14 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 208 Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 28 constitucional, não pode prevalecer o entendimento de que se aplicaria a limitação territorial do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997. Por essa razão, muito embora o Contribuinte esteja fora da competência territorial do órgão prolator da decisão (Rio de Janeiro), não se pode afastar a coisa julgada ali formada em relação a eles. 1.3. Da questão da autoridade coatora Cumpre, por fim, analisar o argumento do Contribuinte no sentido de que a AFBCC teria elencado autoridade coatora no MSC n. 91.00477834 (Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro) que não abrange a autoridade que teve a competência para o lançamento tributário em questão, vale dizer, o Delegado da Receita Federal do Distrito Federal (local de Domicílio do Contribuinte, associada à AFBCC). Desta feita, legítima seria a lavratura do auto de infração. Pois bem. Ressalto que na petição inicial do MSC n. 91.00477834 há tópico dedicado exclusivamente a questão da utilização do mandado de segurança coletivo. Ali está ressaltado pela Impetrante (AFBCC) que, no momento da propositura do writ não havia lei disciplinando este remédio constitucional em seu caráter coletivo, mas tão somente o mando de segurança individual (Lei n. 1.533/1951). Ademais, resta esclarecido que o objetivo da AFBCC foi insurgirse, em nome de seus membros, contra eminente ato coator de qualquer um dos delegados da receita federal do domicílio de qualquer dos associados, uma vez que o objeto da ação é um tributo federal (IPI) recolhido pelas empresas associada espalhadas pelo Brasil. Inclusive, no pedido do mandamus, a Impetrante requer que seja dada ciência da decisão aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os Associados. Tudo isso de acordo com o fato de que a União Federal que é a legitimada passiva da ação, e o foro do Rio de Janeiro foi escolhido, colocandose o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro como autoridade coatora, tão somente porque ali estava situada a Associação, substituta processual dos seus associados. Não poderia ter andado melhor, em termos processuais, a AFBCC. Inclusive, nas decisões judiciais que integram o processo nunca foi contestada a exatidão do procedimento adotado pela AFBCC. Seja em primeira, seja em segunda instância, o processo correu normalmente, sem que os magistrados apontassem qualquer problema formal no writ. A autoridade coatora, devemos lembrar, é mero representante funcional do poder público que presta informações e determina a competência para a impetração do mandado de segurança. Destarte, a autoridade coatora não se confunde com a parte do Mandado de Segurança, como ensina Rodolfo Mancuso. 15 Autoridade, para fins de mandado de segurança, é o agente público investido de poder de decisão e, certa escala hierárquica, que, nessa qualidade: praticou a omissão; ordenou e/ou executou o ato guerreado. Como bem se sabe, a coisa julgada tem força de lei entre as partes que compuseram a lide. Assim, a coisa julgada oriunda da sentença do mandado de segurança coletivo atingirá a Impetrante (resvalando no direito daqueles que substitui artigo 22 da Lei n, 12.016) e a Impetrada, que é, como visto nos trechos acima destacados, a pessoa jurídica de direito público que compõe o polo passivo, e não a autoridade coatora, como pretende a Fazenda Nacional. 15 MANCUSO, Rosolfo. Sobre a identificação da autoridade coatora e a impetração contra a lei em tese nos mandados de segurança. Revista de Processo, n. 44, p. 6984, ano 11. São Paulo: RT, out./dez., 1986, p. 74. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.724590/201380 Acórdão n.º 3402002.934 S3C4T2 Fl. 24 29 No âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Teori Albino Zavascki, proferiu julgamento categórico sobre o tema, afiançando que: Parte passiva no mandado de segurança é a pessoa jurídica de direito público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à autoridade” (STJ, REsp 750693/GO, DJ 5.9.2005, p. 308) (grifei) Não foi de outra forma que o Supremo Tribunal Federal, por julgamento unânime do seu plenário, enfrentou a questão, como podemos constatar da ementa da decisão proferida no Ag. Reg. em Mandado de Segurança 26.662/DF: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. PLURARIDADE DE IMPETRADOS. MESMA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO DAS AÇÕES. IDENTIDADE DE PEDIDOS QUANTO À MATÉRIA SUSCEPTÍVEL DE EXAME PELA VIA MANDAMENTAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A existência de diferentes impetrados não afasta a identidade de partes se as autoridades são vinculadas a uma mesma pessoa jurídica de direito público. 2. Há litispendência, e não continência, se a diferença entre os objetos das ações mandamentais é matéria insusceptível de exame por meio de mandado de segurança. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesta oportunidade, para avaliar problema específico de litispendência entre ações, o Minitro Relator do caso, Ayres Britto, consignou que: Muito bem. Feita a radiografia das ações, verificase a identidade de partes, pois o impetrante é o mesmo e a União está no polo passivo, com legitimidade para recorrer e contra arrazoar. Isso porque as autoridades coatoras são vinculadas à mesma pessoa jurídica de direito público, que é a verdadeira parte, não cabendo a elas senão o dever de prestar informações. No mesmo sentido destacase ainda o voto do Ministro Cesar Peluso no julgamento do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento n. 431.2644 E a razão óbvia era e é porque parte passiva legítima ad causam, no mandado de segurança, não é nem pode ser a autoridade a que, nos termos da lei, se requisitam as informações, enquanto suposto autor da omissão ou do ato impugnado, senão a pessoa jurídica a cujos quadros pertença, na condição de única destinatária dos efeitos jurídicos da sentença mandamental. (...) Transpostas essas premissas à espécie, vêse logo que não pode reputarse parte passiva legítima na ação de mandado de segurança, a autoridade a que se atribui a prática do ato supostamente lesivo a direito líquido e certo, pela razão brevíssima de que não é destinatário teórico dos efeitos da sentença definitiva. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 30 Portanto, os efeitos da sentença, bem como a sua imutabilidade (coisa julgada) do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que visava garantir direito individual homogêneo, abrangem a União e os membros da AFBCC, e não o Delegado da Receita Federal deste ou daquele estado e os membros da AFBCC. Ademais, o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro foi devidamente listado pela AFBCC como autoridade coatora, uma vez que neste estado encontravase situada a Associação, que substituía seus membros, com a finalidade de prestar informações, como destacado acima. Cumpriuse o artigo 2º da Lei n. 1533/1951, a lei do mandado de segurança então vigente, que em seu artigo 2º colocava: "considerarseá federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais." Não se pode deixar de notar que, caso prevalecesse o argumento levantado pela Fazenda Nacional, ou o entendimento do STF exposto na Reclamação n. 7.7781, concluiríamos que inexiste a possibilidade de utilização do mandado de segurança coletivo para questões de tributação federal, o que certamente não é verdade, e corrobora a carência de lógica da alegação da Autoridade Fiscal. E pior, caso prevalecesse tal argumento da Fazenda Nacional, forçosamente estaríamos afastando a autoridade da coisa julgada que paira entre a União e os membros da AFBCC, sem qualquer razão jurídica para tanto, incidindo assim tanto em desrespeito à Constituição (artigo 5º, inciso XXXVI, Constituição) quanto à lei. 2. CONCLUSÃO Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito do Contribuinte, nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve ser viabilizado. Nesse sentido, voto pelo provimento do recurso voluntário. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOW ICZ, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 11516.723135/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis, como receitas, as subvenções obtidas pelo contribuinte para o custeio de suas atividades, ainda mais quando não demonstrada qualquer exigência concreta e específica a título de investimentos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) consiste em mero instrumento de controle interno, criado para a seleção e o planejamento das atividades de fiscalização da Receita Federal. Não macula o lançamento efetuado a extensão dos efeitos previstos no Mandado de Procedimento Fiscal porque a relação jurídica instaurada entre a autoridade e o contribuinte não se inaugura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
PIS/COFINS. SUBVENÇÕES. INCLUSÃO.
Caracterizado, de acordo com o permissivo legal vigente, o conceito de receita bruta como acréscimo patrimonial, deve o montante ser tributado a título de PIS e COFINS quando não há previsão de exclusão dos respectivos valores das base de cálculo dessas contribuições.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 1201-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis, como receitas, as subvenções obtidas pelo contribuinte para o custeio de suas atividades, ainda mais quando não demonstrada qualquer exigência concreta e específica a título de investimentos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) consiste em mero instrumento de controle interno, criado para a seleção e o planejamento das atividades de fiscalização da Receita Federal. Não macula o lançamento efetuado a extensão dos efeitos previstos no Mandado de Procedimento Fiscal porque a relação jurídica instaurada entre a autoridade e o contribuinte não se inaugura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PIS/COFINS. SUBVENÇÕES. INCLUSÃO. Caracterizado, de acordo com o permissivo legal vigente, o conceito de receita bruta como acréscimo patrimonial, deve o montante ser tributado a título de PIS e COFINS quando não há previsão de exclusão dos respectivos valores das base de cálculo dessas contribuições. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis, como receitas, as subvenções obtidas pelo contribuinte para o custeio de suas atividades, ainda mais quando não demonstrada qualquer exigência concreta e específica a título de investimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) consiste em mero instrumento de controle interno, criado para a seleção e o planejamento das atividades de fiscalização da Receita Federal. Não macula o lançamento efetuado a extensão dos efeitos previstos no Mandado de Procedimento Fiscal porque a relação jurídica instaurada entre a autoridade e o contribuinte não se inaugura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PIS/COFINS. SUBVENÇÕES. INCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 31 35 /2 01 2- 03 Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 3 2 Caracterizado, de acordo com o permissivo legal vigente, o conceito de receita bruta como acréscimo patrimonial, deve o montante ser tributado a título de PIS e COFINS quando não há previsão de exclusão dos respectivos valores das base de cálculo dessas contribuições. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no valor total de R$ 93.712.364,86, em razão de infrações à legislação tributária praticadas pela contribuinte em epígrafe, nos anoscalendário de 2008 a 2011, que, no período, optou pela sistemática de apuração do lucro presumido. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, peço vênia para reproduzir os seus principais trechos: De acordo com o termo de verificação e encerramento de ação fiscal (fls. 782/796) a autuação devese, em síntese, ao fato de o contribuinte não ter oferecido à tributação parte de subvenções correntes recebidas do Estado de Santa Catarina, correspondentes a créditos presumidos de ICMS calculados Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 4 3 sobre os valores das importações para que a tributação efetiva ficasse em 3,45%, no caso do regime PróEmprego, e 0,92%, no caso do regime especial do art. 148A do Regulamento do ICMS/SC. As subvenções foram lançadas contabilmente a débito da conta 8042 – ICMS a Pagar – Passivo – Obrigações Tributárias e a crédito da conta 9136 – Comissão de Importação – Ativo – Contas a Receber. O valor oferecido à tributação corresponderia a, aproximadamente, 30% do benefício fiscal, enquanto a diferença, segundo o contribuinte, teria sido negociada e repassada aos seus clientes. Os valores repassados aos clientes, afirma o autuante, seriam uma mera liberalidade do contribuinte, que não poderia transacionar reduzindo o valor devido em impostos e contribuições federais. O autuante afirma, baseado em informações do sujeito passivo, que os benefícios configuram subvenção corrente para custeio ou operação, circunstância em que, sob a égide da legislação tributária federal, têm natureza de receita. Sob esse delineamento o tratamento dispensado pelo sujeito passivo à matéria não se conforma com o entendimento fiscal, considerando que os eventos foram consignados na escrita comercial a crédito de conta com natureza devedora, do Ativo Circulante, precisamente na rubrica intitulada “COMISSÃO DE IMPORTAÇÃO”, e não em conta de receita, situação em que efetivamente permaneceram à margem da mensuração das bases imputáveis das contribuições objetos do procedimento fiscal. Em relação ao PIS/Pasep e a Cofins, a partir de 28 de maio de 2009, com a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa, o crédito presumido do ICMS deixou de ser considerado faturamento (receita bruta) e, consequentemente, deixou de integrar a base de cálculo das mencionadas contribuições. As diferenças a tributar são: (a) em 2008, R$ 8.244.936,08 e (b) em 2009, R$ 4.519.421,12. Em relação ao IRPJ e à CSLL, as subvenções correntes para custeio ou operação – ICMS devem integrar como demais receitas as respectivas bases de cálculo, conforme preceituam os arts. 392, 519 e 521 do RIR/99 e art. 36 da IN SRF nº 93/97. As diferenças a tributar no IRPJ e CSLL são: (a) em 2008, R$ 11.123.001,61; (b) em 2009, R$ 13.211.728,38; (c) em 2010, R$ 40.999.137,48 e, (d) em 2011, R$ 75.887.064,73. Os valores oferecidos à tributação pelo contribuinte (30% aproximadamente), conforme a DIPJ, foram submetidos ao coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido, porém, esta receita deve ser acrescentada à base de cálculo como demais receitas, sem aplicação de qualquer coeficiente, conforme art. 521 do RIR/99. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 5 4 O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 799 a 877, alegando, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração em razão dos seguintes fatos: desvio da finalidade do Mandado de Procedimento Fiscal, que, ao identificar como objeto da fiscalização as contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, lhe direcionou a atender as exigências relacionadas a essas contribuições, que tem conotações bem diversas do IRPJ e da CSLL. Ao não ser inicialmente cientificado do início da fiscalização para o fim de análise destes tributos em especial, não lhe permitiu elaborar melhores respostas e apresentar outros documentos que mais entendesse necessários, o que caracteriza nítida violação à ampla defesa. ausência de análise pelo Autuante dos tratamentos tributários diferenciados – TTD’s posteriores ao PróEmprego, que se limitou unicamente a analisar esse regime, evidenciando erro na essência do lançamento. erro grosseiro quanto à classificação do crédito presumido, confusão de documentos, informações, critérios de avaliação que esvaziam a razão de ser da autuação. No mérito, alega que, mesmo na ausência da análise pelo autuante dos contornos de cada regime, se faz necessária essa análise. Em relação ao benefício denominado próemprego afirma que, segundo a redação do art. 1º do Decreto Estadual 105/2007 (SC), tinha o condão de atrair investimentos ao território catarinense, tais como projetos de implantação, expansão, reativação, modernização tecnológica, considerados prioritários ao desenvolvimento econômico, social e tecnológico do Estado e que resultem em geração e manutenção de empregos, bem como os que consolidem, incrementam ou facilitam exportações e importações, não tendo como destinação a reposição de custos, como faz crer o autuante. Além disso, para receber o tratamento tributário diferenciado de que diz respeito o referido benefício fiscal a empresa deve apresentar projeto de implantação do investimento subvencionado, conforme previsto no art. 2º do referido Decreto. Alega que é evidente que não se trata de benefício concedido como forma de reposição de custeio, como buscou caracterizar a fiscalização. Nesta linha, seguem os demais regimes especiais, todavia, com imposições mais severas, exigindo da empresa maior investimento para atender os requisitos básicos para a validade da concessão. Alega que, a partir de 09/2009, vigeu o tratamento tributário diferenciado conhecido como Regime do 148A, em remissão ao dispositivo legal que subsidia o benefício fiscal, o qual, assim como o regime anterior, visa nítida e formalmente o incentivo a investimentos como forma de fomento a economia local, o que pode ser constatado no protocolo de intenções firmado com o Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 6 5 Estado de Santa Catarina (Parecer TTD n. 0916/2009 – COGAT – anexo à impugnação – fls. 886/897). Do referido termo extraise as seguintes características: (1) incrementar a atividade desenvolvida de industrialização, serviços de logística, comercialização de mercadorias, matérias primas, produtos acabados e semiacabados, importados do exterior do país em volume não inferior a R$ 350.000.000,00; (2) investir em tecnologia apropriada às suas atividades; (3) gerar no mínimo vinte e cinco empregos diretos; (4) utilizar em suas atividades, sempre que possível, insumos de origem Catarinense; (5) contribuir ao fundo social; (6) estimular e manter o desenvolvimento de uma economia de serviços e geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina e (7) manter seus estabelecimentos em Santa Catarina pelo prazo mínimo de cinco anos. Essas premissas não deixariam dúvidas quanto à natureza jurídica do crédito presumido, que é, induvidosamente, incentivo à investimento. Alega que, ainda que fossem créditos presumidos para custeio de operação, da mesma forma não teriam natureza de faturamento, muito menos de receita, e menos ainda incluído no rol restritivo do alcance da incidência dos respectivos tributos, mormente porque não revelam capacidade contributiva, uma vez que não transitaram por conta de resultado, não viraram lucro e sequer foram distribuídos aos sócios. Alega que o Regulamento do Imposto de Renda (art. 443) exclui da base de cálculo a subvenção para investimento, o que é reconhecido pela própria Receita Federal por meio do Parecer Normativo CST nº 112/78, que assentou o conceito para subvenção para investimento e que elas não devem ser tributadas. Entendimento também firmado na Solução de Divergência COSIT 15/2003. Nessa linha é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Alega ser ilegal a inclusão do PIS e Cofins dos períodos de fevereiro de 2008 a maio de 2009 na autuação, pois, independentemente dos fatos geradores e sem adentrar na discussão sobre a natureza do crédito (se subvenção para custeio ou para investimento), certo é que em nenhuma hipótese podese admitir a incidência desses tributos sobre a concessão pelos Estados Federados de crédito presumido de ICMS, conforme entendimento consolidado de nossos tribunais no sentido de que esse crédito não constitui receita tributável, mas renúncia fiscal com o fito de incentivar o desenvolvimento regional e que, ao se admitir a tributação, seria o mesmo que admitir a interferência da União na competência dos Estados, mormente mitigando a independência destes frente a suas medidas desenvolvimentistas. Alega que os requisitos para a classificação da subvenção para investimento exarados no Parecer Normativo COSIT 112/78 foram cumpridos: (a) a intenção do subvencionador de destiná Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 7 6 las para investimento; (b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implementação ou expansão do empreendimento econômico projetado, e (c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Alega que atendeu também as exigências estabelecidas pelo Estado de Santa Catarina, as quais podem ser encontradas nos respectivos dispositivos legais. Como prova disso junta em anexo prova suficiente para caracterização de cada ponto exigido. (a) Conforme a GFIP anexa, o número de empregos diretos formais assumidos pela empresa, de 2010 para 2011, ultrapassou consideravelmente o mínimo exigido pelo Estado, o que demonstra o investimento no desenvolvimento do empreendimento, certo que essa evolução se traduz única e exclusivamente com o investimento; (b) para o regime pró emprego, além dos requisitos como a manutenção e criação de empregos, a empresa apresentou projeto específico de investimento, com cronograma, valores e metas de investimento, o que pode ser verificado no protocolo e projeto, ambos em anexo; (c) os faturamentos mínimos exigidos, requisito este diretamente proporcional ao adjetivo “investimento”, também foram cumpridos, conforme documentos contábeis em anexo; (d) contratações de mãodeobra e prestadores de serviços locais, além da utilização exclusiva de portos e aeroportos localizados no Estado. Alega violação do princípio da capacidade contributiva em razão da falsa presunção de disponibilidade econômica, pois o resultado prático do crédito presumido é nada mais nada menos do que reduzir a carga tributária incidente em uma determinada operação, a qual resulta do confrontamento entre um débito e um crédito. Não há aquisição de disponibilidade reveladora de capacidade contributiva, mas simplesmente a redução do ICMS. Alega que foi indevidamente descaracterizada a base de cálculo de 32% empregada pela empresa para as receitas de prestação de serviços, tanto de assessoria nos procedimentos quanto de receitas de comissão recebidas com base na intermediação de operações de importação, classificandoas como demais receitas. Incrivelmente o autuante buscou classificar essas receitas como se fossem advindas de subvenção para custeio, o que não se coaduna com a prática. Alega que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Alega que o procedimento adotado pela fiscalização viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, por serem medidas descabidas e incompatíveis com a atividade vinculada a que se submete. Por fim, requer que sejam anulados os autos de infração em face de serem constituídos com erros formais ou, alternativamente, que sejam julgados improcedentes em razão dos argumentos relacionados ao mérito da autuação. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 8 7 O processo foi remetido, em diligência, para que o autuante (a) informasse se nas bases de cálculo utilizadas no lançamento foram considerados apenas valores oriundos do PróEmprego; e (b) caso tivessem sido incluídos valores de outras origens que não o Pró Emprego: (b1) informasse quais são esses regimes e quais são os motivos pelos quais os benefícios fiscais recebidos pelo interessado com base neles foram considerados subvenções correntes; e (b2) juntasse tabela discriminando mensalmente os valores recebidos pelo interessado com base em cada um dos regimes. Retornaram os autos com o Termo de Informação Fiscal (fls. 1041/1044), onde o autuante afirma ter tratado dos regimes Pró Emprego e do regime especial do Artigo 148A do Anexo II do RICMS/SC, conforme constam nas diversas intimações e respostas do contribuinte. Que o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal é apenas uma das várias peças que compõem o processo e também menciona todas as formas de subvenção de ICMS, que o contribuinte informa depois das intimações. Que os Termos de Tratamento Tributário Diferenciado encontramse às folhas 653, 656, 661 e 783 (conforme mencionado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal) e tratam dos regimes PróEmprego e Especial do Artigo 148A, com início dos benefícios em 08/2007 e 09/2009 e 01/2012 (Pró Emprego). Em respostas aos questionamentos efetuados no pedido de diligência, afirma que nas bases de cálculos foram utilizados os valores do benefício PróEmprego e Regime Especial do Artigo 148A do RICMS/SC. Além disso, elaborou planilhas indicando os valores por tipo de benefício fiscal e também por base de cálculo de cada tributo (fls. 1042/1044). Finalmente, afirma que os dois regimes foram tratados como subvenção corrente. O contribuinte manifestase sobre a diligência (fls. 1046/1051) reiterando seus argumentos sobre a nulidade da autuação por violação do princípio da motivação, da legalidade, da segurança jurídica, da ampla defesa e do contraditório, porque, afirma, a fiscalização limitouse à análise da natureza do regime Pró Emprego. Reitera que todos os procedimentos elencados pela fiscalização foram efetuados anteriormente à lavratura do auto de infração, ou seja, no curso do procedimento fiscalizatório, sendo que em momento algum houve análise da natureza dos demais regimes nas razões apresentadas no auto de infração, como se pode facilmente avaliar de todo o teor do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, pelo qual observarseá tão somente menção e análise referente ao PróEmprego. Encerra requerendo que sejam declarados insubsistentes os autos de infração. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 9 8 Em sessão de 04 de setembro de 2014 a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo, de forma integral, os lançamentos efetuados. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual ataca pontos da decisão de primeira instância e repete, no mais, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A peça recursal é bastante extensa e aborda diversos pontos, que serão analisados em tópicos, a seguir. 1. Da nulidade dos Autos de Infração Alega a Recorrente que a autuação deveria ter considerado todos os regimes de que era beneficiária, e não apenas o PróEmprego. Além disso, aduz, como já fizera na impugnação, que o MPF originalmente se referia ao PIS e à Cofins, razão pela qual não poderia abarcar créditos relativos ao IRPJ e à CSLL. Diante das alegações de nulidade, cumpre notar que não se verifica, nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como os atos e termos foram lavrados por pessoa competente, dentro dos limites legais e com a garantia ao mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração ou do procedimento das autoridades fiscais. Prova da inexistência de qualquer prejuízo aos direitos do interessado são as peças por ele acostadas ao processo, que rebatem todas as acusações formuladas, o que demonstra a plena compreensão das infrações imputadas. Em relação aos fundamentos utilizados pela fiscalização, que não teriam contemplado outros benefícios concedidos à empresa, ressaltese que a matéria foi objeto de Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 10 9 diligência específica, para manifestação do Fisco e consequente resposta da interessada, de sorte que não se vislumbra, na espécie, qualquer nulidade. Por fim, no que tange ao alcance do MPF, a despeito do argumento veiculado pela Recorrente, é assente neste Conselho, há tempos, o entendimento de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa ato de controle interno da Receita Federal, com o objetivo de planejar e organizar as atividades de fiscalização. O MPF, em nenhum momento, limita ou condiciona o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, desde que atendidos os pressupostos de validade do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, destacamos, entre muitas, as seguintes decisões da Câmara Superior: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40202187 do Processo 10120009665/200246 23/01/2006 NORMAS PROCESSUAIS – MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (grifamos) Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40105330 Processo 13982001173/200170 05/12/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts. 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 11 10 formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. (grifamos) Nesse contexto, afasto todas as alegações de nulidade suscitadas pela Recorrente, com fundamento na invalidade dos lançamentos por supostos vícios decorrentes dos Mandados de Procedimento Fiscal mencionados neste processo. 2. Do Mérito Quando ao mérito, o ponto central em debate são os benefícios, a título de créditos de ICMS, concedidos pelo Governo de Santa Catarina e autuados pela fiscalização como receita do Contribuinte. A questão das subvenções gera debates acalorados, que movimentam a doutrina e a jurisprudência nacionais, embora, na essência, revelem grave patologia, ou seja, são a prova concreta da absoluta falta de coerência e planejamento do sistema tributário brasileiro. Como, no âmbito deste Conselho, só nos cabe analisar os casos propostos à luz da legislação, vejamos qual o fundamento legal para mais uma manifestação da infindável "guerra fiscal" que assola as unidades da Federação. O caso em tela trata de benefícios concedidos por Santa Catarina, cuja natureza foi assim apresentada pelo Contribuinte, em resposta à fiscalização (verbis): Os créditos presumidos calculados estão amparados no Decreto 105 de 14 de março de 2007 e na Lei 13.992 de 15 de fevereiro de 2007 no caso do Regime Especial Pró Emprego, no Artigo 148A do Anexo II do RICMS/SC no caso do regime especial que substitui o Pro Emprego na Capital Trade. Ambos são calculados e apropriados como forma de redução de custos da importação, de modo a resultar em uma tributação efetiva de 3,45% no caso do Regime especial Pró Emprego e 0,92% no caso do Regime Especial 148A, a diferença entre o que é destacado na Nota Fiscal e o que a empresa efetivamente recolhe, são apropriados a título de crédito presumido, mero redutor de custos da importação. (grifamos) É incontroverso, portanto, que a própria autuada entende que os benefícios atuam como redutores da carga tributária (custos) incidente nas importações, que "travam" as alíquotas nos índices apontados, de forma que a diferença representa, na prática, a renúncia fiscal conferida por aquele ente federativo. E é sobre tal diferença, considerada como receita da empresa, que se deitou a fiscalização para efetuar os lançamentos. Nesse contexto, convém destacar os argumentos do Fisco para a tributação, a título de receita de PIS e COFINS, das diferenças de crédito aproveitadas pela empresa, acompanhados de planilha que integra o Termo de Verificação (fls. 784 e 785): Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 12 11 Na planilha acima, foi descontado o valor que o contribuinte já ofereceu à tributação do PIS/COFINS. Estes valores estão registrados na contabilidade em conta de Resultados 9159 RECEITA DE COMISSÃO DE IMPORTAÇÃO, e também registrados nas memórias de cálculo do PIS/COFINS, conforme arquivo anexo “Razão Comissao Importacao Receita Declarada 2008 a 2011” fls.646 e “Memoria Calculo PIS COFINS”, fls. 556 e “Incentivos Fiscais Capital Trade” fls.652. Fonte: Livro Apuração ICMS, fls.50, e informações do contribuinte. O valor que o contribuinte ofereceu à tributação é uma parte, aproximadamente 30%, do benefício fiscal Subvenção Estadual. A diferença, não tributada, segundo a CAPITAL TRADE, é o valor negociado e repassados aos seus clientes. Convém lembrar que o valor negociado com seus clientes, é uma liberalidade do contribuinte. Porém, não pode transacionar reduzindo o devido em impostos e contribuições federais. Conforme Termos de Concessão de Tratamento Tributário Diferenciado, do Estado de Santa Catarina, a CAPITAL TRADE é titular e beneficiária desta Subvenção Corrente. Estes valores de crédito presumido foram lançados na contabilidade, sendo o débito na conta contábil 8042 ICMS a Pagar – Passivo – Obrigações Tributárias e o crédito na conta contábil 9136 – Comissão de Importação – Ativo – Contas a Receber. Anexo Razão dos lançamentos contábeis, conforme arquivo “Razão ICMS a Pagar a Recolher 2008a2011”, fls. e arquivo “Razão Comissao Importação Ativo 2008 a 2011” fls.648 e 642. Mediante as análises iniciais realizadas depreendeuse que esses benefícios configuram subvenção corrente para custeio ou operação, circunstância em que os fatos, sob a égide da legislação tributária federal, têm natureza de receita. Sob esse delineamento o tratamento dispensado pelo sujeito passivo à matéria não se conforma com o entendimento fiscal, considerando que os eventos foram consignados na escrita comercial a crédito de conta com natureza devedora, do Ativo Circulante, precisamente na rubrica intitulada “COMISSÃO DE IMPORTAÇÃO”, e não em conta de receita, situação em que efetivamente permaneceram à margem da mensuração das bases imputáveis das contribuições objetos do procedimento fiscal. (grifamos) Quanto à base para a tributação do IRPJ e da CSLL, os fundamentos da fiscalização, apresentados em conjunto com as planilhas de fls. 786 e 787, foram: Na planilha acima, foi considerado o valor que o contribuinte já ofereceu à tributação e declarado na DIPJ. Estes valores estão registrados na contabilidade em conta de Resultados 9159 RECEITA DE COMISSÃO DE IMPORTAÇÃO, conforme Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 13 12 arquivo anexo “Razão Comissao Importacao Receita Declarada 2008 a 2011” e “Memoria Calculo IRPJ CSLL” e “Incentivos Fiscais Capital Trade”, fls.642/646/611. Fonte: Livro Apuração ICMS, fls.50, e informações do contribuinte. O valor que o contribuinte ofereceu à tributação é uma parte, aproximadamente 30%, do benefício fiscal Subvenção Estadual. A diferença, não tributada, segundo a CAPITAL TRADE, é o valor negociado e repassados aos seus clientes. Convém lembrar que o valor negociado com seus clientes, é uma liberalidade do contribuinte. Porém não pode transacionar reduzindo o devido em impostos e contribuições federais, até mesmo porque não há previsão legal para este tipo de dedução para a apuração do Lucro Presumido. Conforme Termos de Concessão de Tratamento Tributário Diferenciado, do Estado de Santa Catarina, a CAPITAL TRADE é titular e beneficiária desta Subvenção Corrente. Estes valores de crédito presumido foram lançados na contabilidade, sendo o débito na conta contábil 8042 ICMS a Pagar – Passivo – Obrigações Tributárias e o crédito na conta contábil 9136 – Comissão de Importação – Ativo – Contas a Receber. A partir de 2011, após reestruturação no plano de contas, os lançamentos ficaram assim registrados: débito na conta contábil 2.1.05.001.1541 – ICMS a Recolher – Passivo – Obrigações Tributárias e o crédito na conta contábil 1.1.02.005.5023 – Comissão de Importação – Ativo – Comissão de Clientes. O contribuinte fez 05 lançamentos de diminuto valor, A CREDITO, em outras contas, porém também não foi oferecido à tributação como receita. Anexo Razão dos lançamentos contábeis, conforme arquivo “Razão ICMS a Pagar a Recolher 2008a2011”, fls.648 e arquivo “Razão Comissao Importação Ativo 2008 a 2011” fls. 642. Mediante as análises iniciais realizadas depreendeuse que esses benefícios configuram subvenção corrente para custeio ou operação, circunstância em que os fatos, sob a égide da legislação tributária federal, têm natureza de receita. Sob esse delineamento o tratamento dispensado pelo sujeito passivo à matéria não se conforma com o entendimento fiscal, considerando que os eventos foram consignados na escrita comercial a crédito de conta com natureza devedora, do Ativo Circulante, precisamente na rubrica intitulada “COMISSÃO DE IMPORTAÇÃO”, e não em conta de receita, situação em que efetivamente permaneceram à margem da mensuração das bases imputáveis das contribuições objetos do procedimento fiscal. (grifamos) Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 14 13 Parecenos, portanto, que os procedimentos para a apuração das bases tributáveis está correto, pois considerou os valores já declarados e oferecidos à tributação, gravando apenas a diferença considerada omitida. Contudo, restanos, ainda, analisar a questão principal, qual seja, a natureza jurídica das subvenções e os dispositivos legais a elas pertinentes. O Decreto Estadual (SC) n. 105/2007 regulamenta a Lei n. 13.992, do mesmo ano, que instituiu o Programa PróEmprego, possibilitando o seguinte benefício: Art. 8º Poderá ser diferido para a etapa seguinte de circulação à da entrada no estabelecimento importador, o ICMS devido por ocasião do desembaraço aduaneiro, na importação realizada por intermédio de portos, aeroportos ou pontos de fronteira alfandegados, situados neste Estado, de: (...) III – mercadorias destinadas à comercialização por empresa importadora estabelecida neste Estado; (...) § 6º Na hipótese do inciso III do caput: II – poderá, quando autorizado pela resolução de que trata o art. 5º, ser apropriado crédito em conta gráfica, por ocasião da saída subseqüente à entrada da mercadoria importada, de modo a resultar em uma tributação equivalente a três por cento do valor da operação própria; Percebese, portanto, que as condições para o gozo do benefício incluem a localização da empresa no Estado de Santa Catarina e a utilização, nas importações, de portos, aeroportos ou pontos de fronteira ali situados. O incentivo permite, ainda, que o crédito seja tomado integralmente, apesar de a alíquota efetiva limitarse a 3%. Discutese, a partir da legislação, se seria o caso de uma subvenção de investimentos, como aduz a Recorrente ou, ao revés, uma subvenção de transferências correntes, de natureza econômica, para cobrir despesas de custeio, como entendeu a fiscalização. O conceito de subvenções pode ser encontrado no artigo 12, parágrafos 2o e 3o, da Lei n. 4.320/64: Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Transferências Correntes DESPESAS DE CAPITAL Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 15 14 Investimentos Inversões Financeiras Transferências de Capital (...) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (grifamos) Desde a edição da referida Lei, entende a doutrina mais abalizada que as subvenções são transferências de patrimônio público para entidades privadas, que, supostamente, preenchem requisitos capazes de atender aos interesses públicos. É a lição, entre outros, de Modesto Carvalhosa, para quem as subvenções são “ajudas ou auxílios pecuniários, concedidos pelo Estado, em favor de instituições que prestam serviços ou realizam obras de interesse público.” (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, v. 3, São Paulo, Ed. Saraiva, 1997, p. 603). O interesse público, no contexto dos autos, seria a fixação local da empresa e a realização de atividades que contribuíssem para o desenvolvimento do Estado. Não se pode olvidar, contudo, que esses benefícios são regionais e, em certa medida, ferem o princípio do pacto federativo, pois revelam a disputa entre os entes políticos, que buscam a qualquer custo deslocar atividades econômicas para os seus respectivos territórios. Sob o ponto de vista contábil, o Conselho Federal de Contabilidade, ao aprovar a Norma Brasileira de Contabilidade, entende, à luz da NBC TG 07 (citada, inclusive, pela fiscalização), que a subvenção governamental possui natureza de receita: Item 3: Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 16 15 transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade. E os itens 12, 15 e 21 da NBC TG 07 esclarecem a forma de contabilização desses valores: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. (...) 15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. (...) 21. Em determinadas circunstâncias, a subvenção governamental pode ser outorgada mais com o propósito de conceder suporte financeiro imediato a uma entidade do que servir como incentivo para que determinados gastos sejam incorridos. Dita subvenção pode ser outorgada exclusivamente a uma entidade em particular e não ficar disponível para uma classe inteira de beneficiários. Essas circunstâncias podem ensejar o reconhecimento da receita de subvenção na demonstração do resultado do período no qual a entidade qualificarse para seu recebimento, com a divulgação adequada de forma a assegurar que os seus efeitos sejam claramente compreendidos. (grifamos) Ressaltese, por oportuno, que os pronunciamentos técnicos do CPC são vinculantes e espelham, atualmente, as normas contábeis internacionais. Nesse contexto, o documento em questão foi elaborado a partir do IAS 20 – Accounting for Government Grants and Disclosure of Government Assistance (BV2010), emitido pelo International Accounting Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 17 16 Standards Board (IASB) e sua aplicação, no julgamento do Comitê, produz reflexos contábeis que estão em conformidade com o documento editado pelo IASB. Portanto, à luz dos entendimentos apresentados, pareceme induvidoso que as subvenções possuem natureza de receitas, ou seja, valores que as empresas recebem, ainda que mediante renúncia fiscal, o que, certamente, lhes propicia benefícios que não são extensíveis a outras pessoas jurídicas. Na seara tributária, o entendimento é exatamente o mesmo, conforme se depreende da legislação do Imposto sobre a Renda, conforme veiculado pelo artigo 44, da Lei n. 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (grifamos) Idêntico tratamento é dispensado pelo artigo 392 do Regulamento do Imposto de Renda, que assevera: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. (grifamos) Assim, entendo que os benefícios outorgados pelo Programa PróEmprego efetivamente se constituem, por meio dos créditos de ICMS, em subvenções para custeio da atividade das empresas alcançadas, de tal sorte que deve ser computados na determinação do resultado e incluído na base de cálculo do IRPJ e reflexos. Descabe o argumento de que seria uma subvenção para investimentos e que, em razão disso, não seria passível de tributação. Subvenções para investimentos ocorrem com as transferências de recursos para uma pessoa jurídica e têm por objetivo auxiliála na aplicação em bens ou direitos (aquisição de bens de capital, por exemplo) ou nos casos de implantação ou expansão de Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 18 17 empreendimentos econômicos. A simples utilização de portos ou aeroportos não contempla a espécie, até porque, para tanto não é necessária qualquer expansão, investimento ou empreendimento, mas apenas o deslocamento das atividades logísticas e aduaneiras. Por outro lado, subvenções correntes para o custeio são transferências de recursos para uma pessoa jurídica com o objetivo de auxiliála a fazer frente ao seu conjunto de despesas operacionais. Cabe aqui enfatizar que o caso em tela difere daquele apreciado por esta Turma, quando do julgamento do processo n. 10920.724243/201251 (DIAMOND BUSINESS TRADING S/A), com relatoria do Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Naquela oportunidade a Turma decidiu, por maioria, que se tratava de subvenções para investimento e que o contribuinte havia preenchido os requisitos legais, conforme se pode depreender do voto do relator: Isso posto, com base no conceito geral de subvenção (gênero) contido no art. 12, §§ 2° 3°, da Lei n° 4.320/64, e nas características específicas presentes na Lei Societária e no Decretolei n° 1.598/77, é possível concluir com segurança que as subvenções para investimento: a) sendo espécie do gênero "subvenções", são dotações orçamentárias realizadas pelo Estado a entidades de direito público ou de direito privado, sem caráter contraprestacional; b) tais dotações devem, necessariamente, ser registradas no patrimônio líquido da entidade beneficiária a título de reserva de capital, submetendo assim às limitações contidas no art. 200 da Lei Societária; c) em razão de seu nomen juris a ela atribuído, essas dotações têm como finalidade a realização de investimentos por parte da entidade beneficiária, e; d) são dotações orçamentárias que, inclusive, podem assumir a forma isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Na hipótese dos autos, a própria Recorrente afirma que os benefícios oriundos dos dois regimes, Próemprego e Artigo 148A do RICMS/SC são decorrentes de operações de importação, atuam como redutor dos custos e são repassados, mediante negociação, aos seus clientes. Como visto, a contribuinte, submetida à sistemática do lucro presumido, contabilizou os montantes em conta de ativo, como comissões de importação e não como reserva de capital. Conquanto não sujeita ao regime das sociedades anônimas, é fato que os valores não transitaram pelo resultado nem tampouco foram integralmente oferecidos à tributação. E mais: a análise dos atos concessórios dos benefícios demonstram, à evidência, que não houve qualquer condicionamento adicional, no sentido de expandir investimentos ou empreendimentos econômicos, mas apenas o óbvio fato de que as Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 19 18 atividades fossem mantidas no Estado de Santa Catarina e houvesse a geração de 25 empregos diretos, numa primeira etapa. Vale dizer, não houve a exigência de qualquer investimento de caráter econômico ou de expansão como contrapartida aos milhões de reais auferidos a título de crédito presumido. Como bem destacado na decisão recorrida: Em nenhum momento ficou manifesta intenção do subvencionador de que as subvenções fossem destinadas a investimento, restando suficiente para ele que o interessado incrementasse o volume de importações por qualquer meio (independentemente de haver investimento) e mantivesse vinte e cinco postos de trabalho. Aliás, nesse tocante, não há sequer a exigência de geração de novos empregos, desde que o contribuinte já tivesse esse número de empregados. Há a imposição de outras condições para a concessão da subvenção, mas nenhuma delas exige o desenvolvimento de projetos, aplicação de montantes de recursos e, principalmente, não especificam a origem dos recursos, que podem, destarte, vir de qualquer fonte que não as subvenções. Notase que no Parecer TTD nº 0916/2009 – COGAT – consta a obrigação de o contribuinte investir em tecnologia apropriada às atividadesfim, de modo a contribuir à criação de um pólo de excelência do Estado de Santa Catarina no setor logístico. Entretanto, essa obrigação é imposta de forma vaga, sem nenhuma especificação de como se dariam esses investimentos. Há, na verdade, para o incremento das importações um vago compromisso de investimento da empresa, sem que se especifique quanto, com que e em que investir, situação insuficiente para caracterizar a intenção do subvencionador de destinar a investimento as subvenções. O conjunto dos objetivos, dos compromissos e das obrigações contidas nos documentos acima referidos, deixa claro que a intenção do Estado de Santa Catarina é que o interessado não retire seus estabelecimentos de seu território antes de decorridos cinco anos, contados da data da concessão do benefício fiscal, independentemente de fazer ou não investimentos, quer seja com a utilização das subvenções ou de recursos de outras fontes quaisquer. Em nenhum momento ficou manifesta intenção do subvencionador de que as subvenções fossem destinadas a investimento, restando suficiente para ele que o interessado incrementasse o volume de importações por qualquer meio (independentemente de haver investimento) e mantivesse vinte e cinco postos de trabalho. Aliás, nesse tocante, não há sequer a exigência de geração de novos empregos, desde que o contribuinte já tivesse esse número de empregados. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 20 19 Há a imposição de outras condições para a concessão da subvenção, mas nenhuma delas exige o desenvolvimento de projetos, aplicação de montantes de recursos e, principalmente, não especificam a origem dos recursos, que podem, destarte, vir de qualquer fonte que não as subvenções. Notase que no Parecer TTD nº 0916/2009 – COGAT – consta a obrigação de o contribuinte investir em tecnologia apropriada às atividadesfim, de modo a contribuir à criação de um pólo de excelência do Estado de Santa Catarina no setor logístico. Entretanto, essa obrigação é imposta de forma vaga, sem nenhuma especificação de como se dariam esses investimentos. Há, na verdade, para o incremento das importações um vago compromisso de investimento da empresa, sem que se especifique quanto, com que e em que investir, situação insuficiente para caracterizar a intenção do subvencionador de destinar a investimento as subvenções. O conjunto dos objetivos, dos compromissos e das obrigações contidas nos documentos acima referidos, deixa claro que a intenção do Estado de Santa Catarina é que o interessado não retire seus estabelecimentos de seu território antes de decorridos cinco anos, contados da data da concessão do benefício fiscal, independentemente de fazer ou não investimentos, quer seja com a utilização das subvenções ou de recursos de outras fontes quaisquer. A autuação seguiu, portanto, as orientações exaradas pela própria Receita Federal, que no Parecer Normativo COSIT n. 112/78 assim concluiu: Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item I, letra “b”, do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado nãooperacional; II – SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 21 20 III – As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionados no item anterior; IV – As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para utilização da reserva; V – As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; VI – O § 2º do artigo 38 do Decretolei nº 1.598/77 aplicase a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII – As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização e exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei nº 1.598/77. Diferente do caso ao norte mencionado, aqui não se condiciona, a partir do Parecer n. 112/78, que os investimentos sejam feitos em ativo fixo, até porque se cuida, no presente processo, de subvenções para custeio. Correto, portanto, o tratamento tributário dispensado às subvenções, que possuem, em meu sentir, natureza de custeio, vale dizer, ressarcimento por custos de operações realizadas pela empresa, como amplamente demonstrado nos autos. É a lição, entre outros, de Ricardo Mariz de Oliveira (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditoprêmio e outros e respectivas cessões. 10º Simpósio Nacional IOB de Direito Tributário, 2001, p. 45): De fato, a distinção implícita feita por esta lei entre subvenções para investimento e subvenções para custeio de operações, no sentido de que apenas as primeiras devem ser levadas à reserva de capital, tem uma razão de ser, e que é a seguinte: as subvenções para investimento não integram a receita porque elas não interferem diretamente com a apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, do qual a receita é parte integrante, eis que se destinam ao fornecimento de fundos para financiar acréscimos ao Ativo Permanente, enquanto que as subvenções para custeio de operações afetam diretamente o lucro líquido, eis que os custos e despesas que elas financiam são debitados ao lucro líquido. (grifamos) Nesse sentido manifestase a administração tributária, nos casos relativos ao tratamento dos créditos presumidos de ICMS na sistemática do lucro presumido, a exemplo da Solução de Consulta DISIT/SRRF07 n. 65, de 24 de junho de 2013, que versa sobre hipótese idêntica à dos autos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 22 21 EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. OUTRAS RECEITAS. INCIDÊNCIA. Integra a base de cálculo da contribuição devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido a parte da receita tributária dispensada de recolhimento ou devolvida pelos governos estaduais aos contribuintes do ICMS a título de crédito presumido, a qual configura receita de subvenção para custeio. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.249, de 1995, art. 20; Lei nº 9.430, de 1996, art. 29. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA. INCIDÊNCIA. Adicionase ao lucro presumido, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto, a parte da receita tributária dispensada de recolhimento ou devolvida pelos governos estaduais aos contribuintes do ICMS a título de crédito presumido, a qual configura receita de subvenção para custeio. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 3000, de 1999, artigos 392, I, e 521. O mesmo entendimento pode ser encontrado na Solução de Consulta n. 34/2012, da SRRF/5ª: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. A receita decorrente de desconto no pagamento do ICMS devido obtido em função de programa de incentivo fiscal do Estado deve ser acrescida à base de cálculo da CSLL apurada com base no lucro presumido. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), arts. 392 e 443; Parecer Normativo CST nº 112, de 1978. Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A receita decorrente de desconto no pagamento do ICMS devido obtido em função de programa de incentivo fiscal do Estado deve ser acrescida à base de cálculo do IRPJ apurado com base no lucro presumido. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), arts. 392 e 443; Parecer Normativo CST nº 112, de 1978." (Solução de Consulta 34/12, SRRF, 5ª Região Fiscal, 24.08.2012) De se notar que as interpretações transcritas estão de acordo com o disposto no artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda, que serviu de base para a autuação e trata do lucro presumido. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 23 22 No que tange aos lançamentos a título de PIS e COFINS o entendimento é o mesmo, ao tempo da vigência da Lei n. 9.718/98, que considerava que as bases de cálculo do PIS e da COFINS eram definidas a partir do conceito de receita bruta. Assim, a fiscalização autuou os períodos de 2008 e 2009 abrangidos pela regra da Lei n. 9.718/98, mas excluiu dos autos qualquer montante posterior ao advento da Lei n. 11.941/2009, que expressamente revogou o § 1º do art. 3º daquele diploma legal e, como consequência, limitou o conceito de faturamento para a receita bruta da pessoa jurídica, razão pela qual as receitas decorrentes de subvenções deixaram de ser incluídas nas determinação das bases de cálculos do PIS e da COFINS. O assunto, inclusive, já foi objeto de Solução de Divergência, exarada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) da Receita Federal do Brasil: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA No 13, DE 28 DE ABRIL DE 2011 D.O.U.: 20.05.2011 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art.79 da Lei No 11.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 150 da Constituição Federal; Art. 97 da Lei N. 5.172, de 1966 (CTN); Arts. 2º e 3º da Lei N. 9.178, de 1998; Art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002; Inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009; Arts. 392 e 443 do Regulamento aprovado pelo Decreto N. 3.000, de 1999 (RIR/99); e Parecer Normativo CST N. 112, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei No 11.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 24 23 atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 150 da Constituição Federal; Art. 97 da Lei N. 5.172, de 1966 (CTN); Arts. 2º e 3º da Lei N. 9.178, de 1998; Art. 1º da Lei N. 10.833, de 2003; Inciso XII do art. 79 da Lei N. 11.941, de 2009; Arts. 392 e 443 do Regulamento aprovado pelo Decreto N. 3.000, de 1999 (RIR/99); e Parecer Normativo CST N. 112, de 1978. Procedentes, pois, os lançamentos efetuados. Sobre a descaracterização da base presumida de 32%, relativa às comissões pela intermediação das importações, alega a interessada que a fiscalização incorreu em erro, pois foram tributadas integralmente as diferenças, a título de subvenções, apuradas. Ressaltese, de plano, que não há divergência fática, mas apenas quanto ao percentual a ser adotado, posto que a empresa escriturou no Razão esses créditos, mas aplicou o percentual de 32% para apuração do lucro presumido. Conquanto o contribuinte tenha declarado os valores e os submetido ao percentual de 32%, entendeu a fiscalização, acertadamente, que as subvenções não se enquadram como prestações de serviços, mas sim compõem a rubrica de outras receitas, que devem ser tributadas integralmente, conforme determina o artigo 521 do RIR/99: Art.521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no §3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (grifamos) A documentação acostada aos autos nos leva a concluir que não se trata, efetivamente, de receitas relativas à prestação de serviços, mas sim das subvenções recebidas, de sorte que o procedimento de tributação integral, adotado pela fiscalização, corresponde à determinação legal. Portanto, ao contrário do que aduz a Recorrente, existe regulamentação jurídica específica quando ao tratamentos dos efeitos fiscais das subvenções recebidas por pessoas jurídicas submetidas tributadas pelo lucro presumido, sendo certo que estas devem ser adicionadas à base de cálculo do período. Ademais, essa também é a lógica no caso das sociedade por ações o que nos faz entender, em sentido amplo, a vontade do legislador , a partir da introdução do artigo 195 A, efetuada pela Lei n. 11.638/2007 (destaquese, para fins de esclarecimento, que as autuações no presente caso correspondem aos anoscalendário de 2008 a 2011): Art. 195A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 25 24 governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei). Não se vislumbra, nesse sentido, qualquer ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade nem tampouco ao que veda o efeito confiscatório, pois a conduta fiscal foi lastreada em normas vigentes e eficazes, inclusive no que tange à aplicação das multas de ofício e dos juros moratórios. Aplicáveis, na espécie, as Súmulas n. 2 . e n. 4 deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. e Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, a Recorrente alega, ainda, que haveria vício insanável na autuação, por força de erro no regime de tributação dos anoscalendário de 2010 e 2011, pois entende que, acaso consideradas como receita operacional, o montante omitido a partir das subvenções ultrapassaria o limite previsto para o lucro presumido nos períodos. Todavia, convém destacar que a Recorrente só formulou esse argumento em memoriais. Sabese que o limite para opção pelo lucro presumido é verificado em relação à receita bruta total do anocalendário anterior e que quando a pessoa jurídica ultrapassa o limite legal em algum período de apuração dentro do próprio anocalendário, tal fato não implica necessariamente mudança do regime de tributação, podendo permanecer a tributação com base no lucro presumido dentro deste mesmo ano. Ademais, o raciocínio da Recorrente, acaso utilizado, colocaria em dúvida o próprio enquadramento da empresa nos regimes diferenciados de Santa Catarina (artigo 148A do RICMS/SC, entre outros), visto que os compromissos assumidos, acaso atendidos, implicam atividade econômica vultosa e totalmente incompatível com os limites fixados pela sistemática do lucro presumido. Transcrevemos e destacamos alguns exemplos dos benefícios concedidos, com os respectivos períodos de vigência e montantes, conforme constam dos autos: 1. A partir de setembro de 2009 e até dezembro de 2011, por meio do Parecer TTD nº 0916/2009 – COGAT (fls. 886/897), fundamentado no art. 148A do RICMS/SC, foi revogado o regime anterior e concedidas novas condições de utilização do benefício fiscal, com vigência até dezembro de 2011. Do referido parecer extraemse as principais obrigações da empresa para usufruir do regime, assumidas no Protocolo de Intenções firmado com o Estado em 22 de junho de 2008. São elas: (i) Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.723135/201203 Acórdão n.º 1201001.404 S1C2T1 Fl. 26 25 incrementar o volume de importações em volume não inferior a R$ 350.000.000,00, no período de 12 meses a contar da data de concessão do regime, e de R$ 500.000.000,00 nos 12 meses seguintes; (...) 2. Tratamento Tributário Diferenciado nº 115000001384380 – Termo de Concessão nº 115000004484105 (fls. 661/672, e anexo à impugnação fls. 926/937) consistindo em diferimento do ICMS devido na importação, diferimento parcial nas operações internas subseqüentes e crédito presumido nas operações subsequentes à importação e dispensa de apresentação de garantia do ICMS diferido. Data 27 de dezembro de 2011 – vigência a partir de 01/2012. Dentre as obrigações específicas atribuídas ao contribuinte, cabe destacar (i) obter um faturamento não inferior a R$ 250.000.000,00 (...) (grifamos) Como a própria Recorrente afirma às fls. 64 do Recurso Voluntário, ao postular o suposto efeito confiscatório das autuações, que a soma, durante 5 anos, dos valores distribuídos a título de lucros seria no máximo de 5 milhões de reais, o que seria "astronomicamente distante" de um resultado hipotético de 250 milhões, pareceme que o reconhecimento, pela interessada, do verdadeiro porte econômico da empresa fulmina a tese defendida em memoriais. Somese a isso a ausência de qualquer cálculo ou documento comprobatório apresentado junto com os memoriais. Forçoso, portanto, afastar a pretensão da Recorrente sobre este ponto, assim como considerar plenamente jurídicos e conforme o ordenamento os lançamentos efetuados pela autoridade fiscal, bem assim a sistemática de apuração neles utilizada. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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