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Numero do processo: 13560.720006/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE CORPORATIVO. COMPROVAÇÃO VIA RECIBOS E DECLARAÇÃO DA CONTRATANTE DO PLANO. DEMONSTRATIVO DISCRIMINATÓRIO DE BENEFICIÁRIOS EMITIDOS PELO PLANO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO..
A apresentação de Declaração da contratante do Plano de Saúde e, bem assim, recibos em nome do contribuinte, com as respectivos valores pagos àquele título, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, , dar-lhe provimento parcial a fim de restabelecer a dedução pertinente ao Plano de Saúde Sul América, no valor de R$ 24.689,52.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE CORPORATIVO. COMPROVAÇÃO VIA RECIBOS E DECLARAÇÃO DA CONTRATANTE DO PLANO. DEMONSTRATIVO DISCRIMINATÓRIO DE BENEFICIÁRIOS EMITIDOS PELO PLANO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO.. A apresentação de Declaração da contratante do Plano de Saúde e, bem assim, recibos em nome do contribuinte, com as respectivos valores pagos àquele título, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 56 0. 72 00 06 /2 01 1- 64 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, , darlhe provimento parcial a fim de restabelecer a dedução pertinente ao Plano de Saúde Sul América, no valor de R$ 24.689,52. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13560.720006/201164 Acórdão n.º 2401004.251 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório DANILO SOBREIRA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1532.3775/2013, às fls. 133/137, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da dedução indevida de despesa médica, em relação ao exercício 2010, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 29/07/2011, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Especificamente, no decorrer da ação fiscal apurouse dedução indevida com despesa médica referente a Casa de Saúde e Maternidade N. S. Perpétuo Socorro LTDA, uma vez que o comprovante não foi emitido pela própria empresa do plano de saúde (Sul América), além dos valores não estarem discriminados por beneficiários, motivo pelo qual foi glosada pelo auditor fiscal. A DRJ não acatou os argumentos e documentos trazidos na impugnação, obviamente julgou procedente a Notificação de Lançamento, sendo mantido o crédito em sua integralidade. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 142/144, procurando demonstrar sua total improcedência e nulidade, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento e dos fundamentos da decisão de primeira instância, suscita que tratase de plano corporativo e o contribuinte figura como participante, restituindo o valor a empresa contratante. Afirma o contribuinte ter juntado todos o documentos comprobatórios referente a despesa realmente suportada por ele, fazendo jus as deduções pleiteadas. Explicita, ainda, ter sido o plano firmado entre a empresa participante e a Sul América Saúde, ou seja, o valor é pago primeiramente pela empresa, tendo os beneficiários a responsabilidade de reembolsar tais valores, sendo quitados e comprovados mediante recibo. Assevera o recorrente ter adotado procedimento correto em relação à dedução das importâncias pagas a título de plano de saúde, porquanto recai sobre si o efetivo ônus do pagamento, tendo como beneficiário o próprio contribuinte e sua cônjuge. A corroborar seus argumentos, junta ao processo documentos comprobatório das despesas suportadas, além de mencionar entendimento constante no site da Receita. Alega que, a diferença entre o valor informado pelo contribuinte para com o valor do extrato plano de saúde, corresponde ao IOF, pois quando pago a empresa participante, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 esta não discriminou tal montante, devendo a glosa recair apenas sobre esse quantum, pois realmente houve um erro, tendo deduzido a maior. Por todo o exposto, requer o contribuinte o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência, relativamente à parte objeto de insurgimento nesta assentada. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13560.720006/201164 Acórdão n.º 2401004.251 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no exercício objeto do lançamento. Não foram aceitas as deduções, pois os comprovantes não foram emitidos pela empresa de plano de saúde, além de não constar a descriminação dos valores por beneficiários, o autuado deixou de apresentálos, razão pela qual a fiscalização entendeu por bem proceder a glosa de referidas despesas, com a conseqüente lavratura da presente notificação de lançamento. Em sede de impugnação, o contribuinte manifestou seu insurgimento, aduzindo se tratarem de despesas próprias, bem como de outros dependentes, trazendo à colação inúmeros documentos com o fito de comprovar suas alegações. Por sua vez, a autoridade julgadora de primeira instância manteve a integralidade da exigência fiscal, por entender, em suma, que a contribuinte não logrou comprovar as despesas deduzidas em sua DIRPF, na linha da acusação fiscal. Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, insurgindose contra a referida glosa, suscitando que o beneficiário do plano é o próprio contribuinte e sua cônjuge, sendo o valor reembolsado (pago) a empresa contratante. Afirma o contribuinte suportar todo o ônus da despesa, pois tratase de plano corporativo pago pela empresa contratante, sendo reembolsada por cada beneficiário do plano. Explicita, ainda, que o valor referente ao plano é pago primeiramente pela empresa, repassando os valores pagos aos beneficiários, sendo estes responsáveis por pagar a quantia devida, o que faz na forma de pagamento direto, comprovado por meio de recibo. Assevera o recorrente ter adotado procedimento correto em relação à dedução das importâncias pagas a título de Plano de Saúde à Sul América, porquanto recaí sobre suas costas todo ônus de pagamento, tendo como beneficiários o própria contribuinte e sua esposa. A corroborar seus argumentos, junta ao processo documentos comprobatório das despesas suportadas. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13560.720006/201164 Acórdão n.º 2401004.251 S2C4T1 Fl. 5 7 Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se as despesas médicas do contribuinte, relativamente ao Plano de Saúde da Sul América, no valor de R$ 25.277,52, encontramse devidamente comprovadas, capaz de rechaçar a glosa procedida pela fiscalização. Isto porque, a autoridade lançadora, ao promover o lançamento quanto à este item, utilizou como fundamento à sua empreitada o fato de o comprovante não foi emitido pela própria empresa de plano de saúde, a Sul América, além da discriminação dos beneficiários, senão vejamos: "Não foram aceitas as despesas declaradas como pagas a Casa de Saúde e Maternidade N. S. Perpétuo Socorro Ltda.. uma vez que o comprovante não foi emitido pela própria empresa de plano de saúde, a Sul América. Adicionalmente os valores não estão discriminados por beneficiários." Em que pese toda a argumentação do contribuinte, tratase, em verdade, de pura e simples matéria de prova, razão pela qual passamos a analisar a documentação ofertada no recurso voluntário. A fazer prevalecer seu entendimento, o contribuinte acostou aos autos, às fls. 20/32, recibos de pagamentos emitidos pelo Hospital Perpétuo Socorro reconhecendo ter recebido do recorrente uma importância referente a reposição do pagamento com o Plano de Saúde Sul América, conforme se depreende dos documentos, ainda juntou planilha com os respectivos pagamentos realizados nos meses do ano de 2009. Não bastasse isso, o recorrente ainda trouxe à colação nesta oportunidade, a relação de segurados, discriminando os valores por beneficiários, além do demonstrativo de fatura e dos boletos de pagamento, todos emitidos pelo Plano de Saúde Sul América, às fls. 33/92. Conforme se extraí dos demonstrativos discriminatórios dos valores emitidos pela Sul América, chegamos ao valor de R$ 24.689,52, diferentemente dos R$ 25.277,52 declarados pelo contribuinte, porém o próprio informa está diferença em seu recurso, alegando tratar dos valores pagos a título de IOF, ou seja, não podendo ser este valor dedutível como despesa médica. Na esteira desse entendimento, mister se faz acolher as provas apresentadas pelo contribuinte, as quais são capazes de comprovar as despesas realizadas a título de Plano de Saúde Sul América, no valor de R$ 24.689,52, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito, restabelecendo a dedução pertinente à aludida despesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, parcialmente em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, decretando a improcedência parcial do lançamento, de maneira a restabelecer a dedução pertinente ao Plano de Saúde Sul América, no valor de R$ 24.689,52, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734532/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente ROSA FERES SAD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 45 32 /2 01 1- 35 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.734532/201135 Acórdão n.º 2402005.218 S2C4T2 Fl. 131 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Os principais aspectos envolvidos no PAF podem ser visualizados no relatório da decisão de primeira instância: "Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, a Fiscalização apurou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação da Justiça Federal, no valor de R$ 282.812,61, fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Considerado valor dos honorários pagos. Na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 10.538,44. Cientificado do lançamento em 30/08/2011 (fl. 53), ingressou a contribuinte, em 29/09/2011, por intermédio de seus procuradores, com a impugnação de fls. 02/22 com os seguintes argumentos reproduzidos em síntese: O Fisco realizou o lançamento sobre os valores recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial referentes aos períodos em que a impugnante deixou de receber o benefício previdenciário por parte do INSS, mas ao calcular o imposto não levou em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem, ferindo os princípios da irretroatividade, legalidade e da segurança jurídica. Não merece prosperar o entendimento de que incidiria imposto de renda sobre a totalidade dos valores auferidos pela impugnante, pois os juros moratórios possuem natureza indenizatória, ou seja, a restituição dos danos emergentes daquilo que o credor perdeu em virtude da mora do devedor, tornandose incabível a incidência do imposto de renda sobre tais valores. É ilegal a imposição de multa quando não caracterizada, por parte do contribuinte, a intenção deliberada de omitir valores devidos a título de imposto de renda sobre valores recebidos em decorrência de decisão judicial. Entretanto, caso se entenda cabível, não merece prosperar a aplicação no percentual de 75% sobre o valor do principal eis que é evidentemente abusiva e totalmente descabida, devendo ser reduzida a patamares razoáveis e proporcionais a suposta infração. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 No direito tributário brasileiro, a tributação revestese de limites que não podem ser transgredidos pelo legislador ordinário, dentre os quais se destaca a vedação constitucional do uso de tributo com efeito de confisco. Por fim, o Fisco ao aplicar a base de cálculo generalizadamente deixou de observar a dedução da parcela isenta dos rendimentos de aposentadoria concedida a maiores de 65 anos, como é o caso da contribuinte." A DRJ manteve o lançamento na íntegra. O voto condutor do acórdão recorrido menciona que, embora a legislação atual (Instrução Normativa _IN RFB n.° 1.127/2010) preveja o cálculo do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito, ela não se aplica ao presente caso, posto que a IN mencionada expressamente dispõe que sua aplicação deve ser feita para os rendimentos recebidos a partir de 01/01/2010. E conclui: "No caso dos autos, como os rendimentos foram recebidos pela Contribuinte no ano de 2009 não estão sujeitos a esse regime especial previsto pelo artigo 12A da Lei no 7.713/1988 e, portanto, não se aplica a Instrução Normativa RFB nº 1.127/2011. Considerando que o AD PGFN no 01/2009 foi suspenso, é forçoso concluir que, no caso dos rendimentos recebidos pela Contribuinte, deve ser aplicada a legislação de regência, ou seja, o artigo 12 da Lei no 12 da Lei no 7.713/1988, pelo qual, como transcrito no início deste voto, os rendimentos devem ser tributados no mês do recebimento ou crédito." Cientificado da decisão em 19/01/2015, fl. 86, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 13/02/2015, fls. 94/125, no qual, inicialmente afirma que, visando à suspensão da exigibilidade do crédito discutido, espontaneamente efetuou o depósito do seu montante integral em 19/03/2012. Requer que o recurso seja regularmente processado. Sustenta que o recurso é tempestivo e faz algumas considerações sobre a marcha processual do feito. No mérito, afirma que a decisão recorrida contraria a jurisprudência do STF adotada em repercussão geral, bem como do STJ em julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, afrontando, assim, o próprio regimento interno do CARF. Sustenta ainda que não incide IRPF sobre os juros relativos a parcelas atrasadas, recebidas acumuladamente. ]Alega que a multa imposta, por ser confiscatória, mostrase flagrantemente inconstitucional. Menciona que o fisco quando definiu a base de cálculo do imposto, desconsiderou a parcelas isenta dos rendimentos de aposentadoria e pensão por pessoas maiores de 65 anos. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.734532/201135 Acórdão n.º 2402005.218 S2C4T2 Fl. 132 5 Ao final, pugna pela improcedência do lançamento, ou pela redução da multa, e que lhe sejam devolvidos prioritariamente os depósitos efetuados. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. IRPF sobre rendimentos acumulados O sujeito passivo se insurgiu contra a forma como foi efetuada a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial. Sustenta que o fisco não levou em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem, ferindo os princípios da irretroatividade, legalidade e da segurança jurídica. Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi vitoriosa a tese constante na divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.734532/201135 Acórdão n.º 2402005.218 S2C4T2 Fl. 133 7 de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Portanto, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser cancelada a notificação. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.734532/201135 Acórdão n.º 2402005.218 S2C4T2 Fl. 134 9 empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Devese, portanto, dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10855.721072/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS COM SAÚDE. PROVA.
A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza, que davam provimento ao recurso voluntário.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS COM SAÚDE. PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza, que davam provimento ao recurso voluntário. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves.
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PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza, que davam provimento ao recurso voluntário. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 10 72 /2 01 4- 09 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1663.335, da 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, f. 8894, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2012, anocalendário 2011, em razão de: a) omissão de rendimentos recebidos pelo dependente João Paulo Cassaniga, CPF 369.410.09896, da fonte pagadora Elias Boy Sampaio (ME), CNPJ 67.112.631/000173, no valor de R$ 4.495,39; na apuração do imposto foram deduzidos os valores de R$ 28,12 e R$ 404,58, a título de imposto de renda retido na fonte e previdência oficial, respectivamente; b) glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 17.450,00, por falta de comprovação. O sujeito passivo apresentou impugnação parcial, contestando apenas a glosa de dedução de despesas médicas, juntou documentos para comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual e solicitou o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada improcedente sob o fundamento de que os documentos apresentados não comprovam a prestação do serviço e o efetivo pagamento da despesa médica. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 12/01/2015, fls. 69. Em 22/01/2015 foi apresentado recurso, fls. 7183, no qual o interessado reitera os argumentos apresentados na impugnação. Por fim, requer o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10855.721072/201409 Acórdão n.º 2301004.616 S2C3T1 Fl. 115 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas A dedução das despesas com saúdes na Declaração de Ajuste Anual é permitida nos casos de prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (art. 8o , inc. II “a” da lei 9.520, de 26/12/1995), quando o beneficiário da prestação do serviço ou o adquirente do produto for o contribuinte ou seus dependentes, e desde que o preço do serviço ou do produto tenha sido suportado pelo contribuinte (art. 8o § 2o, inc. II da lei 9.520, de 26/12/1995). O legislador restringiu a prova da despesa médica ao tipo documental, estipulando requisitos objetivos para sua eficácia, a saber: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No mais, é do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. No caso dos autos, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme abaixo discriminado: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Tabela 1 Nº Prestador Serviço CPF Prestador Serviço Nome Prestador Serviço Referência Valor Declarado DAA Valor Glosado Motivo Glosa 1 834.792.01849 Rosana Maria Paiva dos Anjos Médico 1.050,00 350,00 2 106.247.06883 Decio Pereira Junior Dentista 16.000,00 16.000,00 3 247.311.27890 Cecilia Cazzaniga Bruni Dentista 1.100,00 1.100,00 não comprovou a prestação do serviço e o efetivo pagamento Total 18.150,00 17.450,00 O Recorrente apresentou os seguintes documentos a fim de comprovar a prestação do serviço pelos profissionais de saúde indicados, bem como a quitação do pagamento do valor declarado, e alegou que os pagamentos foram feitos em espécie: Tabela 2 Nº Prestador Serviço Documento Descrição do Documento Valor Data fls 1 Declaração e recibo consulta médica 350,00 26/05/2011 15 e 29 1 recibo consulta médica 350,00 28/01/2011 28 1 recibo e cheque nominal à profissional consulta médica 350,00 22/09/2011 30 e 31 1.050,00 2 recibo, orçamento detalhando o tratamento e radiografia honorários odontológicos 2.000,00 20/01/2011 1719, 2021 e 23 2 recibo, orçamento detalhando o tratamento e radiografia honorários odontológicos 2.000,00 14/03/2011 1719, 2022 2 recibo, orçamento detalhando o tratamento e radiografia honorários odontológicos 2.000,00 20/06/2011 1717, 2021 e 25 2 recibo, orçamento detalhando o tratamento e radiografia honorários odontológicos 2.000,00 20/07/2011 1717, 2021 e 26 2 recibo, orçamento detalhando o tratamento e radiografia tratamento odontológico 8.000,00 15/12/2011 1717, 2021 e 24 16.000,00 3 Declaração e recibo clareamento a laser 1.100,00 30/07/2011 16 e 27 O Recorrente juntou discriminativo de saques em conta bancária, que diz terem sido efetuados para pagamento do profissional Décio Pereira Junior, acompanhado dos extratos bancários, fls. 3255. Os recibos e as declarações emitidos pelos profissionais nº 01 e 03 contêm dados suficientes quanto à identificação do profissional de saúde, como nome do profissional, nº de inscrição no Cadastro de Pessoa Física (CPF) e endereço; quanto à identificação do diagnóstico e do tratamento específico ao qual o contribuinte foi submetido; e, ainda, quanto ao valor do serviço prestado. Demonstram, ainda, a quitação da obrigação contraída pelo contribuinte, pois não há elementos nos autos que possam infirmar os recibos e declarações emitidos pelos mencionados profissionais. Entretanto, em relação ao profissional nº 02, não ficou demonstrado o efetivo pagamento, pois o discriminativo de saques em conta bancária, apresentado pelo contribuinte, revela saques realizados após a data de quitação do serviço prestado, informada no recibo. As declarações presumemse verdadeiras em relação àqueles que participaram do ato1, de modo que é permitido, ao julgador, com base nos princípios da persuasão racional e do livre convencimento, rejeitálas como prova, independentemente de prévia infirmação quanto à sua autenticidade ou veracidade, desde que haja elementos para tanto. 1 Conforme Washington de Barros Monteiro: “Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato”. (Curso de Direito Civil”, 1º vol., 34ª Edição, p. 257 e 258). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10855.721072/201409 Acórdão n.º 2301004.616 S2C3T1 Fl. 116 5 No caso dos autos, a exigência de provas complementares aos documentos emitidos pelo profissional Décio Pereira Júnior decorre do valor do tratamento, aliado à razoabilidade da exigência, feita pela fiscalização, para que o contribuinte apresentasse seus extratos bancários demonstrando a origem dos valores pagos em espécie. Ocorre que os extratos bancários apresentados pelo próprio Recorrente fazem prova contra a sua alegação. Este entendimento é abalizado pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Deve ser mantida a glosa de despesas médicas e odontológicas de valor relevante insuficientemente comprovadas por documentação hábil e idônea quanto ao efetivo pagamento e à efetiva prestação dos serviços por profissional habilitado. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO BASTANTE. A teor do art. 73, §§ 1º e 2º do RIR/1999, afastase a glosa de despesas médicas e odontológicas de pequena monta, devidamente lastreadas em recibos sobre os quais não recaia pecha de inidoneidade. A comprovação do pagamento e da prestação dos serviços deve ser requerida com ponderação e medida, sob pena de se exigir do contribuinte prova impossível. Recurso parcialmente provido. (1a Conselho de Contribuintes /2a. Turma Especial/Acórdão unân. 19200111 em 18/12/2008, rel. Sidney Ferro Barros). DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte. (1a Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / Acórdão unân. 10249395 em 06/11/2008, rel. Eduardo Tadeu Farah). Portanto, restabeleço em parte a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 1.450,00 (profissionais nº 01 e 03) e mantenho a glosa de R$ 16.000,00 (profissional nº 02). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe provimento provimento parcial, alterando o valor glosado a título de despesas médicas de R$ 17.450,00 para R$ 16.000,00. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004385/00-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO.
Comprovado em parte o direito creditório alegado é devida a reforma do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Comprovado em parte o direito creditório alegado é devida a reforma do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 43 85 /0 0- 21 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 3 2 Adoto o relatório da DRJ, por contemplar de forma clara e completa os fatos relevantes para a presente, conforme a seguir transcrito: Tratase de pedido de restituição de fls. 01, datado de 09/03/2000, relativo a retenção de IRRF sobre ganhos em aplicações financeiras do anocalendário 1999, código retenção 3426, num total de R$145.929,28, valor este retido pelo Banco Central do Brasil, fls. 02. 2. O interessado solicitou ainda que, com o referido montante, se desse a compensação de débitos, conforme pedidos de compensação de fls. 11, 12, 17/22, 26, 30 e 59. 3. Em 06/04/2000 (fls. 13), o interessado retificou seu pedido para que o valor de restituição pleiteado fosse de R$86.531,49, tendo em vista a elaboração da sua DIPJ 2000. 4. A autoridade da Deinf/RJO, consoante decisão de fls. 142/144, indeferiu o pleito com base nos seguintes fundamentos: 4.1 Conforme comprovante de rendimentos e Dirf de fls. 57, a autoridade da Deinf/RJO verificou que a retenção se deu de forma consente com a legislação; logo, não se caracterizou o recolhimento a maior ou indevido. 4.2 Esclareceu que a restituição de tal valor só pode se dar mediante o confronto com o IRPJ devido na apuração anual na DIPJ 2000 (fls. 31/56), apurandose IR a pagar ou a recuperar. 4.3 Informou, todavia, que o interessado devidamente declarou esses valores de IRRF em sua DIPJ, apurando IRPJ a recuperar no montante de R$99.812,87 (fls. 56). 4.4 Esclareceu também a Deinf/RJO que parte desse valor a recuperar de IRPJ decorre de valores mensais de IRPJ, sobre base estimada (DCTF fls. 100/119), sendo que foram esses, em verdade, objeto de pedidos de compensação por meio dos seguintes processos: 10305.000299/9863, 10305.000375/9769 e 10768.014117/9901. O primeiro encontravase em análise por aquela autoridade, e os dois últimos foram indeferidos pela Deinf/RJO. 4.5 A autoridade argumenta que, admitindose que o pedido de restituição seja, em verdade, de valor a recuperar de IRPJ do anocalendário de 1999, dado que os valores de estimativa não foram pagos, e suas compensações por meio dos processos estavam pendentes de decisão final, não havia certeza e liquidez para restituir o valor do IRPJ a recuperar. Assim, foi indeferido o pedido de fls. 01. 5. Em 24/10/2000, a interessada, por meio da peça de fls. 158/159, apresentou seu recurso contra a decisão a quo, alegando, em síntese, o que se segue: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 4 3 5.1 que se infere, da própria decisão, que é titular do crédito de IRRF em tela; 5.2 que esses valores foram efetivamente retidos pelo Banco Central do Brasil, conforme documentos antes juntados; 5.3 que o art. 774 do RIR, de 1999 expressamente determina que não deve haver retenção do IRPJ em seu caso, pois "... O regime de tributação previsto neste Título não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, sociedade de seguro, de previdência e de capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil" ; 5.4 que, como é de conhecimento público, estava sob regime de liquidação extrajudicial, conforme fls. 161; 5.5 que o Ato Declaratório SRF n° 97/99 reconhece expressamente que essa retenção é indevida, conforme se vê: O Secretário da Receita Federal (...) declara que as instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às mesmas normas de legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quanto à não incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa de sua titularidade. 5.6 que corretamente informou em sua DIPJ 2000 os valores dos rendimentos auferidos, o que confirma o acerto de seu pedido. 6. Ao fim, requer a reforma da decisão da Deinf/RJO e o deferimento de seus pedidos. 7. Às fls. 172/195 foram juntados pelo interessado mais pedidos de compensação vinculados ao crédito em análise. 8. Em 17/09/2003, os autos foram remetidos para a PFNRJ, conforme fls. 207/208. 9. Lá foram juntados, em especial, os documentos de fls. 232/247, com retorno dos autos à Receita Federal em 09/11/2007 (fls. 257) para ciência do andamento do mandado de segurança n° 2003.51010064990 (28a VF/RJ). 10. Após transitar pela Deinf/RJO para controle e ciência, os autos retornaram em 08/09/2010 a esta DRJ (fls. 258) para apreciação da impugnação de fls. 158/159. Esses os fatos destacados no relatório da DRJ, no acórdão recorrido. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 5 4 Ao final, a DRJ assim concluiu: Dessa forma, voto por reformar em parte o despacho decisório da Deinf/RJO de fls. 142/144, de modo a reconhecer como direito creditório de IRPJ apurado no anocalendário de 1999 o valor de R$17.173,12, ao qual se limitarão as compensações pedidas neste processo. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 06/04/2001 (fl. 407). Interpôs recurso voluntário, em 06/05/2011 (fl. 409/420), devidamente representada (fl. 421/438. Apresentou as seguintes razões de recurso: A recorrente, conforme se depreende dos autos, principalmente, como confirmado na r. decisão recorrida, é titular de crédito tributário de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras de renda fixa, indevidamente retido e recolhido pelo Banco Central do Brasil aos cofres públicos federais no ano de 1999 no montante total de R$145.929,28, conforme comprova o informe de rendimentos do referido anocalendário juntados aos autos, o que motivou o pedido de restituição sob exame, no valor de R$99.812,87, tal como registrado nos autos, através do pedido retificador (e final) formalizado em 21.12.2000. De registrar que o pedido de restituição do crédito tributário de IRRF foi requerido somente no valor deR$99.812,87, pelo simples motivo de ter a ora recorrente utilizado o saldo remanescente de R$46.116,41 (145.929,28 99.812,87). juntamente com a sua estimativa mensal paga, para compor a sua apuração anual, fazendo face ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no referido anocalendário de 1999, conforme declarado na DIPJ 2000 constante dos autos. Assim, o valor do crédito de IRRF acima destacado, uma vez requerido em formulário e procedimento próprio, foi, posteriormente, utilizado para a compensação tributária com os débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados nos anos imediatamente subsequentes (2000 e 2001), tendo, para tanto, sido formalizadas as Declarações de Compensação (DCOMPs) juntadas aos autos às fls. 11, 12, 17/22, 26, 30, 59, 141, 145, 154/155 e 172/193. Apesar de inteiramente demonstrada a integridade jurídica dos créditos fiscais de IRRF de titularidade da ora recorrente, a Autoridade Administrativa indeferiu o presente pedido de restituição/compensação, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade. Por sua vez, a d. autoridade julgadora recorrida, ao examinar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu por reconhecer parcialmente o direito creditório de IRRF, somente no montante de R$17.173,12, tendo a r. decisão de fls. 310/316 merecido a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 6 5 Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO Comprovado em parte o direito creditório alegado, reformase o despacho decisório recorrido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Em breve síntese, na referida decisão de fls. 310/316 foi exarado o posicionamento de que (i) não se trata de pedido de restituição de IRRF indevidamente pago, mas sim de saldo negativo de IRPJ apurado para o ano calendário de 1999, além de que (ii), por irregularidades na quitação das estimativas mensais utilizadas na composição do IRPJ devido no referido anocalendário de 1999, o montante de saldo negativo utilizado objeto de compensação deverá ser reduzido, prevalecendo o valor de R$17.173, 12. Com a devida vênia e respeito que merecem os Ilmos. Srs. Julgadores de 1a Instância Administrativa, a r. decisão recorrida merece ser reformada, eis que não ofertou ao caso o melhor tratamento jurídico que merece, bem como incorreu em claro erro ao compor o montante de crédito de IRRF requerido pela ora recorrente, devendo, pois, ser totalmente reparada, em julgamento justo e técnico que a recorrente espera ter desse Egrégio Conselho, a partir dos fundamentos a seguir aduzidos. III DAS RAZOES DA REFORMA DA R. DECISÃO DE FLS. 310/316 III.1 DA LEGALIDADE E DO RECONHECIMENTO EXPRESSO DO DIREITO CREDITÓRIO DE IRRF PLEITEADO PELA RECORRENTE DO EQUÍVOCO NA COMPOSIÇÃO DO SEU QUANTUM PELA R. DECISÃO RECORRIDA Conforme se denota dos presentes autos, e foi sintetizado no esforço fático acima descrito, a recorrente detém, para o ano de 1999, direito creditório decorrente de indevidas retenções de IRRF realizadas pelo Banco Central do Brasil, sobre aplicações financeiras de renda fixa. Com efeito, o referido direito creditório de IRRF, incontestavelmente, como assim restou confirmado na r. decisão recorrida, possui respaldado legal no artigo 774, do RIR/1999, in verbis: "Art. 774. O regime de tributação previsto neste Título não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos (Lei n° 8.981/95, art. 77, Lei n° 9.605/95, art. 1°, Lei n° 9.249/95 e art. 12, Lei n° 9,779/95): I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, sociedade de seguro, de previdência e de capitalização, sociedade corretora de títulos e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil;" Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 7 6 Assim, a recorrente, por se tratar de distribuidora de títulos e valores mobiliários, inegavelmente constituiu crédito tributário de IRRF, pois, conforme comprovam os informes de rendimentos acostados aos autos, no anocalendário de 1999, o Banco Central do Brasil reteve e recolheu aos cofres públicos federais o montante de R$145.929,28 a título de IRRF, sobre aplicações financeiras mantidas pela recorrente. Esta é a informação que consta do informe de rendimentos acostado à fl. 02, não prevalecendo qualquer dúvida que o IRRF retido e recolhido pelo BACEN foi de R$145.929,28, revelandose, portanto, imposto indevidamente pago pela ora recorrente, sendo, portanto, passível de restituição/ compensação. No caso, conforme já explicitado, a ora recorrente optou por não requerer a integral restituição do referido montante, pois utilizou parte (R$46.116,41) do valor de IRRF na composição do IRPJ devido no referido anocalendário de 1999, remanescendo, para fins de restituição, o montante de R$99.812,87 (= 145.929,28 46.116,41), que fora requerido nos presentes autos, conforme requerimento retificador protocolizado em 21.12.2000. Assim, a composição do IRPJ do ano de 1999 pode ser resumida, conforme comprova a DIPJ juntada aos presentes autos, da seguinte maneira: IRPJ (alíquota de 15%): R$56.015,02 Adicional do IRPJ: R$13.343,35 Total de IRPJ devido: R$69.358,37 Estimativa mensal paga: R$23.241,96 Valor do IRRF (BACEN aplicações financeiras) utilizado: R$46.116,41 Por conseguinte, restou o montante de R$99.812,87 (145.929,28 46.116,41) a título de restituição de IRRF passível de restituição/compensação. Mas isto não significa dizer por razões óbvias que o valor do crédito de IRRF, para o ano de 1999, é somente de R$99.812,87, pois não é, mas sim o valor de R$145.929,28 efetiva parcela de IRRF retido e recolhido pelo BACEN em face das aplicações financeiras mantidas pela recorrente. Aí reside o claro e evidente equívoco cometido na r. decisão recorrida, já que, ao conjugar os procedimentos adotados pela recorrente registrase, em nenhum momento impugnados/rechaçados pelas autoridades fazendárias, qual seja, a utilização de parte (R$46.116,41) do IRRF para a composição do IRPJ devido no ano de 1999 e parte remanescente (R$99.812,87) objeto de restituição, a d. autoridade julgadora adotou como valor total do IRRF retido e recolhido pelo BACEN o montante de R$86.531,49 (inicialmente requerido pela recorrente, que foi retificado para o valor efetivo e real de R$99.812,87). Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 8 7 Nada mais insubsistente e equivocado, pois não há dúvida de que o IRRF indevidamente retido e recolhido foi de R$145.929,28, devendo este valor ser considerado para fins de (i) utilização na composição do pagamento do IRPJ do ano de 1999 (R$46.116,41), e (ii) pedido de restituição/compensação da parcela remanescente (R$99.812,87), não utilizada no ano de 1999 para composição do pagamento do IRPJ devido. Portanto, mesmo que se possa considerar que não se trata de pedido de restituição de IRRF indevidamente pago, a d. autoridade ao dar tratamento como saldo negativo de IRPJ jamais poderia utilizar o montante residual (objeto do presente pedido) de R$99.812,87, mas sim deveria utilizar o valor de IRRF efetivo e reconhecidamente retido e recolhido pelo BACEN, no valor de R$145.929,28. Assim, mesmo que seja procedida a glosa dos pagamentos à estimava mensal procedidos pela recorrente, procedimento este que será rechaçado no tópico a seguir, não pode prevalecer, por inteiramente equivocada, a metodologia imposta na r. decisão recorrida para fins de apuração do crédito de IRRF em questão, sendo gritante o erro ao se alegar que se trata de IRRF no valor de R$86.531,49, em face de IRPJ devido no valor total de R$69.358,37, prevalecendo o IRRF a ser objeto de compensação no valor de R$17.173,12. Nada mais absurdo e equivocado, pois, repitase, o montante a título de IRRF efetivamente (indiscutível pois, além de constar no informe de rendimentos acostados aos autos, foi reconhecido pela d. autoridade de 1a instância administrativa) retido e recolhido no valor de R$145.929,28, sendo este o valor de IRRF que deve ser utilizado para a composição do dito saldo negativo de IRPJ, passível de restituição pela recorrente. Ainda que se possa admitir o que é inesperado que a recorrente incorreu em equívoco ao indicar na sua DIPJ 2000 o valor total de IRRF para fins de composição do seu IRPJ no ano de 1999, quando deveria informar a efetiva parcela deste quantum que seria utilizada (o valor de R$46.116,41, como demonstrado acima), eventual erro no preenchimento de obrigação acessória, como é cediço e à luz da vasta jurisprudência desse Eg. CARF, não pode macular o direito material da ora recorrente de utilizar o valor de IRRF efetivamente retido e recolhido pelo BACEN, de R$145.929,28, para fins de cálculo do montante a ser objeto de compensação. Isto porque, não há dúvida de que o IRRF foi retido e recolhido no valor de R$145.929,28, sendo este o numerário a ser considerado, tanto na composição do valor de IRPJ devido no ano de 1999, quanto no valor do saldo passível de restituição/compensação aqui sob exame. Desta forma, ainda que seja admitida a equivocada glosa da estimativa mensal recolhida pela recorrente no valor de R$23.241,96, considerando (i) o IRRF efetivamente retido e recolhido pelo BACEN no valor de R$145.929,28, e (ii) o valor total de IRPJ devido em 1999, de R$69.358,37; (iii) o saldo de imposto passível de restituição/compensação seria de R$76.570,91 [145.929,28 (23.241,96 + 69.358,37)], mas não de valor de R$17.173,12. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 9 8 É, portanto, manifestamente equivocada a sistemática adotada na r. decisão recorrida, que (i) utilizou somente o valor inicial objeto de restituição formulado pela recorrente (86.531,49); (ii) contrapôs ao valor de IRPJ devido no ano de 1999, no valor de R$69.358,38; (iii) com isso homologou o crédito remanescente de R$17.173,12. Isto porque, ainda que se possa admitir a desconsideração das estimativas mensais recolhidas pela recorrente, temse que: O crédito de IRRF total é de R$145.929,28; O valor total de IRPJ é de R$69.358,37, e; O saldo, desconsiderando a estimativa mensal, é de R$76.570,91. Diante de todo posto, ainda que desconsiderado o valor recolhido pela recorrente a título de estimativa mensal de IRPJ, o que, conforme demonstrarseá no tópico a seguir, é equivocado, não assiste razão ao entendimento exposto na decisão recorrida, no que concerne ao reconhecimento do crédito parcial de R$17.173,12, já que, como visto e comprovado, adotando a sistemática adotada na r. decisão recorrida, seria de R$76.570,91, merecendo, portanto, ser reparada a r. decisão recorrida, provendose o presente Recurso Voluntário. II.2 DA LEGITIMIDADE DO RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL ATRAVÉS DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS OBSERVÂNCIA AO ARTIGO 21, DA IN SRF N° 210/2002 No caso, na r. decisão recorrida foi consignado o entendimento de que o valor de R$23.241,96, recolhido à estimativa mensal de IRPJ, deveria ser integralmente desconsiderado em decorrência de não ter sido adimplido, mas sim objeto de compensação com créditos tributários da própria recorrente, apurados através dos processos administrativos n°s 10305.00299/9863, 10305.000375/9769 e 10768.014117/9901, que, segundo consta para a autoridade julgadora a quo, não houve o reconhecimento do direito creditório pugnado pela recorrente. Assim, diante do suposto não reconhecimento das compensações implementadas pela recorrente, por suposta ausência de direito creditório, inexistiu a quitação dos valores a título de estimativa mensal, não podendo o montante de R$23.241,96 ser considerado na apuração do IRPJ de 1999. Neste particular, data máxima vênia, também não assiste razão à d. autoridade julgadora de 1a Instância Administrativa. Primeiro porque, o direito creditório indicado à compensação como as estimativas mensais da recorrente, diferentemente do que fora afirmado na r. decisão recorrida, não foram negados, ao menos em julgamento definitivo, conforme é o caso do processo administrativo n° 10305.000375/9769, que, Fl. 483DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 10 9 conforme comprova a decisão anexa, foi reconhecido pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes o direito creditório pleiteado pela recorrente. Assim, ainda que os créditos objetos de compensação com os débitos de estimativa mensal possam ter sido negados inicialmente pela autoridade fazendária, esse posicionamento não prevaleceu após julgamento na esfera administrativa, ao menos em relação ao referido PA n° 10305.000375/9769, onde se teve pelo Eg. Conselho o reconhecimento do direito creditório. Não pode, portanto, ser adotada como premissa verdadeira e final o julgamento desfavorável (digase, sempre desfavorável e, felizmente, quase sempre reformado por esse Eg. CARF) realizado em primeira instância administrativa, o qual, como se vê, não foi mantido, sendo, desta feita, improcedente a glosa do valor da estimativa mensal para fins da composição do valor de IRPJ devido no ano de 1999, e, por conseguinte, do montante a restituir/compensar aqui debatido, prevalecendo aquele requerido pela recorrente, de R$99.812,87. Por outro lado, de registrar que, com base nos artigos 170, do CTN e 74, da Lei n° 9.430/96, regulamentado pelo artigo 21, da IN/SRF n° 210/2002, a ora recorrente efetivou corretamente a compensação em tela. Portanto, se a legislação de regência autoriza a compensação implementada pela recorrente quando o crédito utilizado não tenha decisão definitiva em esfera administrativa, incorreu em equívoco a r. decisão recorrido. Assim, inadmitir a compensação pelo fato de que houve decisão administrativa proferida pela SRFB, ainda não definitiva, é dar interpretação diversa da legislação de regência artigo 21, da IN n° 210/02. Vale destacar, por oportuno, que o então 2° Conselho de Contribuintes, por sua 3a Câmara, ao apreciar a matéria em voga, manifestou entendimento que corrobora com o aqui exposto pela ora recorrente, senão vejase pela ementa do julgado abaixo transcrita, cuja íntegra acompanha o presente recurso: "NORMAS PROCESSUAIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DECISÃO ADMINISTRATIVA. IN N° 210/02. A Instrução Normativa n° 210/02, art. 21 § 4o permite ao sujeito passivo utilizar na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que o referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da 'Declaração de Compensação'. Havendo recurso administrativo, a condição resolutória acima posta, qual seja, pendência de decisão administrativa, ainda permanece. Recurso provido em parte. (Recurso n° 128.671, Proc. 13502.000347/200302, Acórdão n° 20311835, Sessão do dia 27/02/2007)" Aliás, a interpretação adotada pela decisão recorrida é dissociada da realidade, já que a jurisdição administrativa criada pela Lei n° 9.430/96 no Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 11 10 artigo 74, § 9o e 10°, não pode ser desconsiderada, pois foi equiparada ao processo administrativo fiscal previsto no Decerto n° 70.235/72. No caso em análise, a interpretação adotada na r. decisão recorrida é restritiva de direito e não se aperfeiçoa com a disposição legal vigente sobre o tema, afrontando também o artigo 99, do CTN. Tanto é assim, que o legislador ordinário, após algumas interpretações incorretas sustentadas pela SRF, modificou o artigo 74, da Lei n° 9.430/96, através da edição do artigo 49, da Lei n° 10.637/02, lecionando que a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento, o que foi incorporado pela Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, em seu artigo 21, confirmando a legitimidade do procedimento adotado pela recorrente, já que não criou nenhum tipo de exigência ou limitação ao direito de compensação, pelo contrário, deu maior transparência ao procedimento adotado pelo contribuinte. O legislador ordinário reconheceu o direito de compensação e determinou que a SRFB acompanhasse o procedimento a ser adotado pelo contribuinte e verificasse a existência de crédito, bem como a certeza do encontro algébrico (crédito x débito) realizado pelo contribuinte, registrando internamente nos seus controles o procedimento adotado, vedando qualquer questionamento discricionário por parte da administração pública, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser modificada nesse particular. Logo, verificandose que não há decisão definitiva acerca do pedido de compensação formulado pela ora recorrente, permanecendo o pleito pendente de julgamento, não pode a r. decisão recorrida deixar de considerar a forma de extinção, ou melhor, quitação dos valores das estimativas mensais, sob o fundamento de existência de julgamento administrativo que inicialmente desconsiderou (ou melhor, deixou de apreciar) o crédito tributário existente em nome da recorrente com o qual pretende compensar os valores devidos à estimativa mensal. No mínimo, a considerar o disposto no art. 151, III, do CTN, mereceria a presente questão, atinente à glosa dos valores recolhidos à estimativa mensal, restar suspensa, não podendo ser exigido a parcela de débito fiscal a ela atrelada até que ocorra o julgamento definitivo dos citados processos administrativos de compensação. Destacase, ainda, o fato de que caso a composição implementada seja indeferida, o valor do débito compensado ficará em aberto, gerando um crédito à Fazenda Nacional a ser exigido do contribuinte, tendo natureza autônoma para sua exigência, de forma que, uma vez satisfeito implicará em recolhimento a maior, caso não seja reconhecido como parcela do saldo negativo a compensar. Assim, por tudo aqui exposto, por qualquer ângulo que se analise a questão, é a decisão recorrida totalmente improcedente, merecendo ser reformada para reconhecer o direito creditório da recorrente, no valor de R$99,812,87 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 12 11 (conforme consta do pedido retificador apresentada em 21.12.2000) e, por conseguinte, homologar integralmente as compensações formalizadas através das dcomps juntadas aos autos às fls. 11, 12, 17/22, 26, 30, 59, 141, 145, 154/155 e 172/193. III DO PEDIDO Por todo o exposto, a recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, reformando a decisão a quo para reconhecer o valor de R$99,812,87 (conforme consta do pedido retificador apresentada em 21.12.2000) e, por conseguinte, homologar integralmente as compensações formalizadas através das DCOMPs juntadas aos autos às fls. 11,12,17/22, 26, 30, 59, 141, 145, 154/155 e 172/193. Caso assim não se entenda, no mínimo seja reconhecido, por indiscutível, o montante de crédito de R$76.570,91, restando suspensa a parcela atinente à glosa dos valores a título de estimativa mensal, à luz do art. 151, III, do CTN, até que ocorra o julgamento definitivo dos citados processos administrativos de compensação de n°s 10305.00299/9863, 10305.000375/9769 e 10768.014117/9901. Outrossim, a recorrente protesta por juntar elementos, supervenientes, materiais de prova no decorrer do processo, caso julgue necessário. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL A recorrente está devidamente representada e por ser tempestivo, conheço do recurso. Nos termos do acórdão recorrido, é indevida, no presente caso, a retenção na fonte de imposto de renda sobre aplicações financeiras, tendo em vista tratarse a recorrente de sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários (art. 774, RIR/99). Verificase que o direito creditório de IRRF sobre operações financeiras (fls. 01), com pedido inicial de restituição no valor de R$145.929,28, foi posteriormente retificado para RS 86.531,49 (fls. 13). Na forma da DIPJ 2000 (fls. 259), a recorrente optou por informar tal valor como dedução do IR devido no ano. Esse procedimento da recorrente levou a Deinf/RJO à conclusão de que temse em tela, pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 1999, e não de restituição de IRRF indevido. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 13 12 A indicação na DIPJ 2000, portanto, afasta o pedido de restituição por retenção indevida da recorrente e dá lugar à restituição de saldo negativo de IRPJ, cuja apuração consta da Ficha 13B (fl. 259), a seguir reproduzida: Com relação ao IRRF, o informe de rendimentos (fl. 02) demonstra que em 1999 a recorrente sofreu, por parte do Banco Central do Brasil, retenção na fonte de rendimentos oriundos de aplicações financeiras, código 3426 (IRRF aplicações financeiras de renda fixa pessoa jurídica), nos seguintes valores: 1999 Rendimento R$ alíquota IRRF R$ março 339.046,82 0,20 67.809,36 maio 1.750,49 0,20 350,10 outubro 354.440,73 0,20 70.888,15 novembro 31.944,79 0,20 6.388,96 dezembro 2.463,74 0,20 492,75 Totais 729.646,57 145.929,31 A fiscalização confirmou a retenção na DIRF do BACEN (fl. 57), em valores com divergência: 1999 Rendimento RS alíquota IRRF RS março 347.028,47 0,20 69.405,69 maio 1.791,69 0,20 358,33 outubro 362.784,77 0,20 72.556,94 novembro 32.696,81 0,20 6.539,35 dezembro 2.521,74 0,20 504,33 Totais 746.823,48 149.364,64 Os rendimentos que ensejaram a retenção indevida em questão foi devidamente oferecida à tributação, em cumprimento às disposições do art. 775 do RIR/99, de 1999, conforme Demonstração de Resultado da DIPJ (Ficha 07B, fls. 266) que, a título de rendimento com títulos de renda fixa (linha 11), foi oferecido à tributação no anocalendário de 1999 o montante de R$637.981,09, valor menor, portanto daquele visto no informe (R$729.646,57). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 14 13 Dessa forma, verificase que é devido o pedido de restituição de R$99,812,87, à vista das comprovações acima que são suficientes a suportar o valor pleiteado pela recorrente, após a referida retificação do valor inicialmente pleiteado. O valor de R$23.241,96, utilizado pela recorrente para deduzir do IR mensal devido da estimativa, compõese dos valores a seguir relacionados, conforme DIPJ (fl. 260/265), e DCTF (fl. 102/119): 1999 Valor R$ Pagamento Processo de compensação jan 2.321,08 0,00 10305.000299/9863 fev 2.498,59 0,00 10305.000375/9769 mar 3.761,99 0,00 10305,000375/9769 abr 2.299,85 0,00 10305.000375/9769 mai 2.065,48 0,00 10768.014117/9901 jun 1.639,31 0,00 10768.014117/9901 jul 1.682,93 0,00 10768.014117/9901 ago 1.676,82 0,00 10768.014117/9901 set 1.531,73 0,00 10768.014117/9901 out 1.272,59 0,00 10768.014117/9901 nov 1.154,03 0,00 10768.014117/9901 dez 1.337,56 0,00 10768.014117/9901 Total 23.241,96 0,00 A recorrente sustenta que estaria autorizada a utilizar esses R$23.241,96, mesmo não tendo sido confirmados por decisão administrativa final. A Deinf/RJO não acolheu essa tese. Por sua vez, a DRJ levantou a situação dos alegados créditos e constatou que os valores não prevaleceram, como a seguir se transcreve do voto da DRJ: Saliento que, passados anos do início da lide (2000), a situação da impossibilidade de uso desse valor como dedução ainda se mantém. Não só esses processos tiveram seus pedidos de reconhecimento de crédito denegados pela Deinf/RJO (fls. 136/137 e 139/140) e pela própria DRJ (fls. 267/291), como também seus débitos compensados aqui incluídos todos de estimativa mensal de IRPJ (código 2319) do anocalendário de 1999 encontramse inscritos em dívida ativa na PFN, conforme pesquisas de fls 299/309. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 15 14 Assim, não há como tratar o valor total de R$23.241,96 como estimativa adimplida a servir de dedução do devido no anocalendário de 1999; logo, mantenho a decisão da Deinf/RJO nesse ponto. De outro modo, em conformidade com o Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, a estimativa deve compor o saldo negativo de IRPJ, tendo em vista que está sendo cobrado, inclusive com inscrição em dívida ativa, pela PFN. Transcrevese, abaixo, os termos objetivos do referido Parece, relativos a essa questão: 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. (grifei) 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III. Conclusão 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; (grifei) b) propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Assim, a recorrente deduziu do IR devido o IRRF (R$145.929,28) e o imposto mensal por estimativa (R$23.241,96) que já estava em cobrança. De outro lado, não obstante estejam comprovados os R$145.929,31 de IRRF, verificase que o contribuinte ofereceu à tributação o montante de R$637.981,09, enquanto que o referido informe fornecido pelo Bacen apresenta o valor de R$729.646,57, assim, nessa parte, Fl. 489DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10768.004385/0021 Acórdão n.º 1302001.927 S1C3T2 Fl. 16 15 seu direito creditório só pode ser reconhecido, proporcionalmente, à parcela oferecida à tributação, como a seguir demonstrado: Anocalendário 1999 Ficha 13B Cálculo do IR sobre o Lucro Real DIPJ Alíquota de 15%: R$56.015,02 Adicional: R$13.343,35 ()IRRF: R$127.596,21 (proporcionalmente, em relação ao que realmente foi oferecido à tributação: R$637.981,09) () Imposto mensal pago por estimativa: R$23.241,96 Imposto de renda a pagar R$81.479,80 Assim, considerando que, nesse caso (DTVM), é indevida a retenção na fonte do imposto de renda sobre aplicações financeiras; que houve a retificação do pedido de restituição; que os informes demonstrativos de rendimentos fornecidos pelo BACEN e respectiva DIRF amparam o valor pretendido; que os rendimentos dos quais decorre o pedido de restituição foram, em sua maior parte, oferecidos à tributação; que, na forma acima demonstrada é devida a proporcionalização do respectivo valor de IRRF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$81.479,80. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 30/07/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 30/07/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 10783.724323/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
Ementa:
SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004.
Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições sociais no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.170
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos reconheceu-se o benefício pleiteado de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004; b) por maioria de votos reverteu-se as glosas relativas aos fretes de matéria-prima entre os estabelecimentos da recorrente e com as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencido Conselheiro Jorge Freire. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto aos créditos sobre despesas de condomínio portuário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para que fosse apurado o crédito presumido na transferência entre filiais do contribuinte. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições sociais no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições sociais no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratandose de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 43 23 /2 01 1- 47 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos reconheceuse o benefício pleiteado de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004; b) por maioria de votos reverteuse as glosas relativas aos fretes de matériaprima entre os estabelecimentos da recorrente e com as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencido Conselheiro Jorge Freire. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto aos créditos sobre despesas de condomínio portuário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para que fosse apurado o crédito presumido na transferência entre filiais do contribuinte. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento – PER nº 16955.41826.311006.1.1.091258, de crédito de Cofins não cumulativa Exportação, nos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo ao 1º trimestre de 2006, no montante de R$ 3.164.573,78. O saldo a ressarcir foi objeto das Declarações de Compensação nº 13006.01936.311006.1.3.096942 e nº 35117.57422.011106.1.3.099650. A DRF/Vitória reconheceu em parte o direito creditório e homologou parcialmente as compensações. Foi homologado o montante de R$ 257.558,60 (duzentos e cinquenta e sete mil, quinhentos e cinquenta e oito reais e sessenta centavos); e não homologado o valor de R$ 2.907.015,18 (dois milhões, novecentos e sete mil, quinze reais e dezoito centavos), na seguinte forma, como consta na decisão recorrida: (...) Da análise do pleito em questão resultou o Parecer Sefis nº 174/2011, do qual se destaca o seguinte: ...Informa o contribuinte que no 1° trimestre de 2006, no que se refere à Cofins nãocumulativa, gerou créditos relativos a importações ou aquisições no mercado interno vinculados a receitas de exportação, ou vendas a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, em montante Fl. 884DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 884 3 superior às deduções decorrentes de operações tributadas no mercado interno, nos termos do art. 6°, §1°,I, da Lei n° 10.833, de 2003, como demonstrado na tabela abaixo: ...o objetivo da diligência fiscal foi verificar os procedimentos adotados pelo contribuinte no sentido de apuração dos débitos e créditos, manifestandose sobre procedência ou não dos saldos objeto de pedido de ressarcimento e respectivas compensações. Para a análise foram considerados os valores informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, as planilhas com o detalhamento dos valores totalizados no Dacon, e os respectivos registros contábeis. Cumpre acrescentar que, apesar de o pedido de ressarcimento objeto deste procedimento referirse ao 1° trimestre de 2006, há referência a saldos a ressarcir apenas em relação aos meses 02/2006 e 03/2006, como demonstrado na Tabela I. ... DOS DÉBITOS Venda de Mercadoria com Suspensão (Soja e milho) O contribuinte, no 1° trimestre de 2006, comercializou produtos in natura de origem vegetal (soja e milho), destinados a fabricação de produtos destinados a alimentação humana ou animal, com suspensão da Cofins, nos termos do art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004. Entretanto, de acordo com art. 9°, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, na redação da Lei n° 11.051, de 2004, a suspensão seria aplicada nos termos e condições estabelecidos pela então Secretaria da Receita Federal; o que ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF n° 636, de 24/03/2006, publicada no DOU em 04/04/2006, posteriormente IN SRF n° 660, de 17/07/2006. Ou seja, tratava o dispositivo legal de uma norma de eficácia limitada, produzindo efeitos apenas a partir da edição da norma regulamentadora, cuja publicação ocorreu em 04/04/2006. Desse modo, as vendas relativas a soja e milho, efetuadas no 1° trimestre de 2006, classificadas pelo contribuinte como vendas com suspensão, foram incorporadas à basedecálculo da Cofins para apuração da contribuição devida, como detalhado abaixo: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 Os dados estão apresentados detalhadamente no anexo I. DOS CRÉDITOS Bens utilizados Insumos ... especificamente em relação aos bens utilizados como insumos, constante da linha 2, da ficha 16A do Dacon, referente a apuração dos créditos da Cofins, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que não tiveram ação direta sobre o produto fabricado (os insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado, como detalhados no anexo II. Foram excluídos os itens contidos nas contas relativas a material de limpeza, vestuários (incluindo uniformes e equipamentos de segurança dos trabalhadores, uniformes), alimentação (incluindo refeições de trabalhadores, mesmo quando abrangido pelo Programa de Alimentação do Trabalhador, almoços de negócios, bebidas, despesas de copa e cozinha), treinamentos, entretenimentos, despesas médicas, viagens (incluindo hospedagem, combustíveis, feiras e eventos). Para essas despesas, apesar de sua importância na rotina da empresa, não há previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade da Cofins. Foram também excluídos os itens relativos a materiais de laboratório, de escritório, suprimentos de informática, telefonia, também importantes como suporte às atividades operacionais da empresa, mas apenas indiretamente relacionadas à planta produtiva, não havendo previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade da Cofins. No que tange especificamente à conta 133020.502, relativa ao suprimento lenha, as exclusões referemse a aquisições de pessoas físicas e a despesas relativas ao corte da madeira. Com relação às aquisições de lenha de pessoas físicas, como se sabe, um dos pressupostos para a obtenção de créditos na sistemática da nãocumulatividade da Cofins é a aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País, com as exceções previstas na lei (o que não foi o caso do item sob análise), de acordo com o art. 3°, §3°, I, da Lei n° 10.833, de 2003. Quanto às despesas referentes a corte de madeira, tratase de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria... As contas 133160.501 e 616018.501 contemplam uma ampla variedade de itens, enquadradas pelo contribuinte a título de manutenção e conservação: materiais de limpeza, conservação, segurança, escritório, e pequenos reparos, para os quais não se verificou a vinculação direta com o produto em elaboração. Desse modo, foram também excluídos da basedecálculo da apuração dos créditos. Quanto aos itens contabilizados no ativo imobilizado, grupo 180000, há expressa vedação, no que se refere a bens utilizados Fl. 886DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 885 5 como insumos, à sua apropriação para fins de apuração de créditos, nos termos do art. 8°, §4°, I, “a”, da IN SRF n° 404, de 2004. Serviços utilizados como Insumos ...especificamente em relação aos serviços utilizados como insumos, constante da linha 3, da ficha 16A do Dacon, referente a apuração dos créditos da Cofins, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que, no caso da indústria, não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou no caso da unidade prestadora de serviços, não tenham sido aplicados ou consumidos na prestação do serviço, tais como: fretes (fiscal/diversos e transferência entre unidades da ADM); e serviços diversos como limpeza, jardinagem, mãodeobra sem especificação, manutenção de florestas, corte de madeira, combate a insetos, serviços de inspeção e supervisão, manutenção de arcondicionado, análises laboratoriais, calibração de equipamentos laboratoriais, auditorias e consultorias, manutenção de máquinas e equipamentos fora da fábrica, manutenção efetuada por pessoa física, representação comercial, transporte de funcionários, aplicação de pavimentação, aluguel de toalhas, serviço de água e esgoto, etc. Os dados estão expressos detalhadamente no anexo III. ... No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8°, §4°, II ”b”, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado ... O contribuinte, na filial Rondonópolis, apropriouse de créditos relativos a depreciação de vagões, como detalhado no anexo IV. Os vagões atendem a parte da demanda de transporte do contribuinte. São, portanto, úteis e necessários às atividades da empresa, entretanto operam fora da fábrica, não sendo propriamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, como pressupõe o art. 3°, VI, da Lei n° 10.833, de 2003. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Crédito Presumido ... Dos documentos analisados e das informações prestadas pelo contribuinte, verificouse que o crédito presumido foi apurado, em parte, com base nas aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Mas também apurou o contribuinte crédito presumido com base no preço médio da unidade da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação ao estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que, de acordo com o contribuinte, remonta ao ano de 2003). Entretanto, estabelece o art. 8°, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, que “o direito ao crédito presumido” da Cofins “só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)”. ... No anexo V estão discriminados os valores relativos às glosas efetuadas a título de créditos presumidos indevidamente apropriados pelo contribuinte. (...) A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: a) vigência da suspensão no período de apuração; b) conceito amplo de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas; c) direito ao crédito sobre os fretes, sobre os bens e serviços portuários utilizados prestação de serviços a terceiros e sobre a depreciação de vagões utilizados no transporte da fábrica para o porto; e d) crédito presumido de soja in natura pelo valor do preço médio acumulado. Mediante o Acórdão nº 0950.009, de 27/02/2014, a 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. REGIME NÃO CUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, como estabelecido pela IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade da Cofins não cumulativa em relação às vendas efetuadas nos moldes previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 886 7 Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não cumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Não há previsão legal para rateio de despesa, encargo ou custo comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Diante disso, os encargos de depreciação dos vagões utilizados no transporte de insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição. CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. A apuração do crédito presumido com base no preço médio da soja para cada filial comercial não encontra amparo legal. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância com a abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 20/03/2014. Em 04/04/2014 deuse a ciência por decurso de prazo. Em 16/04/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Da nulidade da decisão de primeira instância administrativa As autoridades julgadoras de primeira instância desconsideraram as alegações e documentos apresentados pela Recorrente em sede de defesa e proferiram sua decisão de forma desvinculada aos argumentos e provas e, portanto, de forma totalmente desmotivada. Essa reprovável conduta fica bastante clara no que concerne aos serviços portuários prestados pela filial de Santos. Pelo que resta clara a nulidade da decisão de primeira instância administrativa. NO MÉRITO: a. Da suspensão da Cofins sobre vendas de soja e milho Fl. 889DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 A despeito de o parágrafo 2º do art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, fazer menção a “termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF”, é claro que a Receita Federal somente poderia se limitar a regulamentar os procedimentos para aplicação da suspensão de PIS e Cofins, não podendo criar novas regras ou alterar o benefício fiscal definido em Lei, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. A IN 636/2006, regulamentando a aplicação da suspensão do PIS e da Cofins, confirmou a produção dos efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004 (vigência original da Lei nº 10.925/2004). A leitura da IN nº 660/2006, que revogou a IN nº 636/2006, revela que não houve qualquer alteração na forma de aplicação da suspensão do PIS e da Cofins, exceto, quanto à vigência da suspensão. Fixouse o entendimento de que a referida suspensão aplicase desde 1º de agosto de 2004 nos Acórdãos do CARF nºs 3401002.070, .071, .072 e .078. Também o STJ reconheceu a vigência da suspensão das contribuições desde de dezembro de 2004, afastando a aplicação do art. 11 da IN nº 660/2006. b. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de COFINS no regime não cumulativo: A legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos, dessa forma, atendendo ao determinado no artigo 109 do Código Tributário Nacional, devese utilizar o conceito genérico de insumo, qual seja, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços. A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil indica que custos, despesas e encargos geram créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento, sem que haja qualquer restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de bens e serviços. Dessa forma, no presente caso, devem ser admitidos os créditos de COFINS relativos a bens e serviços pertinentes à produção de bens e à prestação de serviços, como é o caso dos vestuários, material de limpeza, material de laboratório, treinamentos, fretes, serviços portuários, etc. Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente Sem o transporte da matériaprima entre os estabelecimentos da empresa, não haveria produção e, assim, não seria possível a posterior venda das mercadorias. Dessa forma, mesmo sendo antes da efetiva operação de venda de mercadorias, os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, na situação específica, são despesas extremamente necessárias para a manutenção das atividades de comercialização de produtos. O frete entre estabelecimentos da empresa consiste num genuíno insumo na fabricação dos produtos da Recorrente e, portanto, devem gerar créditos de PIS e COFINS. Esse frete compõe o custo da mercadoria, nos termos do artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda, conforme já decidido nos Acórdãos 3403002.753, 3403002.750, 3403002.751 e outros. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros Fl. 890DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 887 9 As dd. autoridades fiscais glosaram parcela dos créditos de PIS e COFINS apropriados pela filial de Santos alegando que "foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como 'condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)' para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com os serviços prestados a terceiros ". Diante das alegações de defesa apresentadas pela Recorrente, as autoridades julgadoras analisaram a questão da glosa de créditos de serviços portuários e, inovando com relação ao próprio Despacho Decisório, concluíram que a razão pela não aceitação dos créditos em disputa residiria no presumido fato de que se teria em mãos um "rateio de despesas" na forma prevista no artigo 3o, §§ 7o, 8°e 9° da Lei n.° 10.637/2002. Contudo, bastaria a leitura dos autos para que os dd. julgadores a quo observassem que a disputa em exame não se trata de "rateio de despesas". A Recorrente presta serviços portuários através de sua filial de Santos, sendo que parte desses serviços se reverte em benefício próprio (transporte de mercadorias da própria ADM) e parte desses serviços é prestado a terceiros, não vinculados à Recorrente. Os custos e despesas relacionadas aos insumos adquiridos para a prestação desses serviços, diferentemente do que concluíram os d. julgadores, não são rateados com outras pessoas jurídicas mas, sim, integralmente arcadas pela Recorrente, sendo que apenas e tão somente a parcela dos referidos insumos que dizem com a prestação de serviços a terceiros é que foi considerada para fins de cálculos dos créditos de PIS e COFINS ora em disputa. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade e lancha (leitura de calado) contratados pela Recorrente e para os valores pagos à Companhia Docas do Estado de São Paulo ("CODESP") relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação entre os serviços portuários prestados a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita a cada embarque. Para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como, almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços portuários prestados pela filial de Santos a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita com base no volume total de produtos movimentado por mês. Essas atividades e o critério para registro dos créditos de PIS e COFINS são facilmente comprovados através dos registros mantidos pela Recorrente, que demonstram, detalhadamente, o procedimento adotado para a segregação dos custos e despesas relacionados ao embarque de produtos próprios e de terceiros em navios atracados no Porto, os quais são juntados novamente aos autos. A recorrente cita como exemplo o mês de fevereiro de 2006 para comprovação da proporcionalidade dos créditos. A legitimidade dessa parcela dos créditos foi reconhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão 3403002.750, de 25 de fevereiro de 2014, em outro processo em que a Recorrente é parte, cujos documentos são idênticos aos juntados nestes autos. Depreciação de vagões Fl. 891DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Na linha já exposta no recurso voluntário, a Recorrente reforça que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS, devendose ressaltar que o artigo 3º, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. c. Crédito presumido As autoridades fiscais glosaram parte do crédito presumido de COFINS registrado pela Recorrente no 1° trimestre de 2006, com base no artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004, sob o argumento de que, apesar de a Recorrente ter direito de calcular referido crédito nas aquisições de soja realizadas diretamente através de seus estabelecimentos fabris, não poderia ter registrado esse mesmo tipo de crédito sobre as aquisições de soja efetuadas através de seus estabelecimentos comerciais (silos), eis que, nessa situação específica, foram os créditos calculados com base em notas fiscais de transferência dos silos para a fábricas, fora do período da aquisição da soja. O valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. Em outras palavras, o valor constante da Nota Fiscal emitida pelo produtor pode ser inferior ou superior ao preço do produto, que é fixado no fechamento do contrato, de acordo com um preço médio de compra pela Recorrente. Essa forma de contratação é padrão para o mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. O preço da soja pode variar significativamente dentro de uma mesma safra, sendo que a celebração de contratos com preço a fixar consiste em uma forma de resguardar os direitos tanto dos produtores quanto dos adquirentes. Nesse contexto, concluise que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS. O artigo 8º, §3° da Lei n° 10.925/2004 determina a forma de apuração desses créditos sobre o valor das aquisições, o que, na operação da Recorrente, não corresponde ao valor individual de cada Nota Fiscal recebida pelas filiais comerciais. Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e COFINS, a Recorrente decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Por fim, alternativa e subsidiariamente, a Recorrente requer, com relação ao crédito presumido de COFINS, que, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 888 11 Mediante a Resolução nº 3402000.736– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 25 de janeiro de 2016, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem adotasse as seguintes providências: a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce efetivamente a atividade de "cerealista", tal como definida no art. 8º, §1° da Lei nº 10.925/04, antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal. b) Considerando vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, analise conclusivamente se a contribuinte faz jus ou não ao benefício de suspensão pleiteado e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar. (...) Em conclusão da diligência esclareceu a fiscalização que "nos Laudos Técnicos apresentados, verificase que o contribuinte, entre suas múltiplas atividades, atuou também, no período, como cerealista; ou seja, limpando, padronizando, armazenando e comercializando produtos in natura de origem vegetal, como milho e soja em grãos". No entanto, ressalta a fiscalização que mantém o entendimento de que é incabível o reconhecimento do direito à suspensão das contribuições sobre as vendas nos meses de 02/2006 e 03/2006, eis que a vigência da referida suspensão somente vigoraria a partir de 4 de abril de 2006. Ressalvou a fiscalização que, especificamente na competência 02/2006, apesar de terem sido glosados valores superiores ao saldo a ressarcir informado pelo contribuinte, não foi constituído crédito tributário do saldo remanescente em face da decadência. Assim, "mesmo que o CARF reconheça o direito do contribuinte à suspensão da Cofins relativa às vendas efetuadas na competência 02/2006, tal decisão (mantidas as demais glosas) não pode alterar, em termos objetivos, o montante relativo às declarações de compensação não homologadas". Verificase também na diligência que os documentos fiscais solicitados por amostragem pela fiscalização à recorrente foram todos por ela apresentados (fls. 840/850). A recorrente apresentou sua manifestação em face da diligência, reclamando da alteração do critério jurídico, vez que a fiscalização anteriormente não havia questionado sua condição de cerealista, a qual, no entanto, acabou restando confirmada com a diligência. Também alega a recorrente que a fiscalização não teria atendido plenamente à determinação deste Colegiado, eis que não teria identificado corretamente o montante do crédito caso seja reconhecido o seu direito a suspensão da contribuição. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 893DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. A preliminar, suscitada pela recorrente, de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa não pode prosperar. O julgador de primeira instância apresentou seu conceito de bens e serviços utilizados como insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas, em consonância com as Instruções Normativas que regem a matéria, e a seguir, decidiu, motivadamente sobre todas as glosas objeto de contestação cotejandoas com os argumentos apresentados pela ora recorrente. Com relação especificamente à glosa dos serviços portuários prestados pela filial de Santos, o julgador de primeira instância justificou a manutenção da glosa em face da ausência de previsão legal para cálculos dos créditos por meio de rateio de despesas: (...) Cumpre de pronto destacar que não há controvérsia quanto ao fato de que apenas os insumos vinculados à prestação de serviços a terceiros geram créditos do PIS e da Cofins. A própria interessada admite que os serviços contratados e aplicados nas operações de exportação dos produtos da ADM não devem ser incluídos na base de cálculo dos créditos apurados no regime não cumulativo. Isso porque, nesta situação, tais despesas não se caracterizam como insumo conforme definição dada pela legislação específica, mas sim despesas vinculadas à comercialização. Caberia à interessada, portanto, a comprovação das despesas efetivamente incorridas com a prestação de serviços a terceiros. Ocorre que, de acordo com o alegado, depreendese que a empresa utilizase de um mecanismo de rateio para a apropriação dos custos vinculados aos serviços prestados a terceiros. A utilização de qualquer método de rateio é mecanismo excepcional, somente admitido quando expressamente previsto em lei. É o caso, por exemplo, da permissão estabelecida pelo art. 3º, §§ 7º e 8º da Lei 10.833, de 2003, que assim dispõe: Art. 3º (...) Verificase que a previsão de rateio aplicase aos casos em que apenas parte da receita da pessoa jurídica está sujeita a não cumulatividade. Destaquese que quando a lei permite o rateio, ela define em que base será efetuado valor da receita. No caso em exame, não há previsão legal para a utilização de rateio dos custos e despesas efetuado pela interessada. Para o aproveitamento dos créditos pretendidos, necessário se faz que a empresa mantenha escrituração efetuada de forma individualizada que permita a correta identificação das despesas vinculadas à exportação de produtos próprios e as despesas vinculadas aos serviços prestados a terceiros. Portanto, por não estar em conformidade com a legislação que rege a matéria, o método de rateio utilizado pela empresa não se presta à comprovação dos créditos apropriados, sendo ineficaz qualquer tentativa de demonstrálo. Consequentemente, deve ser mantida a glosa efetuada neste item. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 889 13 Diante do exposto ficam mantidas as glosas constantes do anexo III. (...) Razão pela qual não há que se falar, também nessa parte, da ausência de motivação da decisão recorrida, a qual possibilitou à recorrente o pleno exercício do direito de defesa no âmbito administrativo em relação à manutenção das glosas. No mais, a insurgência da recorrente diz respeito ao próprio mérito do recurso. Assim, entendo que a preliminar de nulidade suscitada deve ser rejeitada. MÉRITO: a. Da suspensão da Cofins sobre vendas de soja e milho A primeira questão controversa diz respeito ao início da vigência da suspensão das contribuições não cumulativas prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme expresso no art. 17 da própria Lei nº 10.925/2004, a referida suspensão deveria produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004: Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; (...) Fl. 895DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 A Secretaria da Receita Federal veio regulamentar a referida suspensão, nos termos do §2º do art. 9º acima transcrito, com a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24/03/2006, que entrou em vigor na data de sua publicação 04/04/2006, mas produzia efeitos desde 1º de agosto de 2004, em consonância ao disposto no art. 17 da Lei. Ocorre que posteriormente essa Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF nº 660/2006, a qual veio dispor que a suspensão das contribuições produziria efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira regulamentação (Instrução Normativa SRF nº 636/2006). Assim, a fiscalização excluiu o benefício da recorrente relativo ao primeiro trimestre de 2006, pois anterior a 04/04/2006. A matéria não comporta, a meu ver, maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do §2º do art. 9º da Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. Conforme bem lembrou a recorrente, a matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, no qual se fixou o entendimento de que a suspensão das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase desde 1º de agosto de 2004, conforme trecho da ementa abaixo: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDA DE PRODUTOS IN NATURA. SOJA E CAFÉ. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o art. 17, III, da Lei nº 10.925, de 2004, e a Instrução Normativa nº 636, de 2006, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, que atinge a venda de soja e café in natura efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real. (...) Assim, ao contrário do decidido pela fiscalização e pela DRJ, entendo que deve ser reconhecida a vigência da suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 no período de que trata o presente processo primeiro trimestre de 2006. Como a questão da recorrente fazer jus ou não ao benefício da suspensão previsto na Lei, após o reconhecimento da sua vigência no período de apuração, não havia sido analisada pela fiscalização da Unidade de origem, eis que havia considerado que o referido benefício não estava vigente no período sob estudo, o julgamento foi convertido em diligência para tal apuração. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 890 15 Ao contrário do alegado pela recorrente na manifestação em face da diligência, esse fato não caracteriza alteração de critério jurídico, pois, além de não se tratar de lançamento, a condição de cerealista é requisito previsto em lei para a concessão de benefício. Ocorreu que, tendo sido afastada a preliminar de não vigência do benefício no período de apuração, tornouse obrigatória a análise do seu mérito, o que se fez com o auxílio da diligência. Também a questão levantada pela recorrente de que a fiscalização não teria identificado corretamente o montante do crédito caso seja reconhecido o seu direito a suspensão da contribuição não prejudica o prosseguimento do presente julgamento, pois poderá ser apurada por ocasião da execução do julgado, inclusive com o cálculo relativo a eventuais outras glosas revertidas. Assim, tendo sido confirmada a condição de cerealista da recorrente na diligência e verificados alguns documentos fiscais por amostragem, há de ser concedido o benefício da suspensão pleiteado, reformandose a decisão recorrida nesta parte. b. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de COFINS no regime não cumulativo: Insurgiuse, genericamente, a recorrente em face da interpretação da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância do conceito restrito de insumos para o reconhecimento dos créditos das contribuições não cumulativas, levando em consideração a regulamentação das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Ocorre que este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo como o da legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo Fl. 897DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Há de se ressaltar, no entanto, com relação à insurgência genérica de recorrente ao conceito de insumo aplicado nas glosas, que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Por certo, não basta ao contribuinte contestar genericamente a interpretação da legislação adotada pela fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, sem apresentar todas as razões de fato e de direito com que contesta as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pelo órgão julgador de primeira instância. O direito ao crédito da Cofins e do PIS/Pasep não é tão abrangente como quer a recorrente e deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias. A não cumulatividade das contribuições está totalmente regulamentada por lei ordinária, na qual Fl. 898DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 891 17 houve a opção de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas que são capazes de gerar o direito ao crédito. Com efeito, no presente caso concreto, incumbe a análise por este Colegiado, dentro do seu livre convencimento racional, das glosas que foram especificamente contestadas pela recorrente. Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Trata o caso presente de serviço de transporte de matériasprimas entre os estabelecimentos da recorrente dentro do seu contexto produtivo, razão pela qual se enquadra como custo de produção, nos termos do art. 290, I do Regulamento do Imposto de Renda/991, cabendo o creditamento da Cofins com fundamento no art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido já foi decidido no Acórdão nº 340301.556, da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária desta Seção, j. 25 de abril de 2012, Relator Marcos Tranchesi Ortiz, conforme trecho transcrito abaixo da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: (...) PIS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, 1 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) Fl. 899DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Assim, entendo que deve ser revertida a glosa relativa ao frete de matéria prima entre estabelecimentos da recorrente. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, a fiscalização glosou somente os créditos para os quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros, conforme consta no Parecer: (...) 30. No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8°, §4°, II ”b”, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. (...) Assim, entendeu a fiscalização que, quando a recorrente atende a terceiros, ela atua como uma autêntica prestadora de serviços, sendo cabível o creditamento da contribuição, mas quando efetua os serviços para si própria, estes se caracterizam como despesas vinculadas à comercialização do seu produto final, para as quais inexiste previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Dessa forma, o motivo da glosa não foi o rateio da recorrente entre as despesas com serviços próprios e para terceiros, conforme constou na decisão recorrida, eis que foi reconhecida pela fiscalização a parcela do direito creditório que estava vinculada, comprovadamente, à prestação de serviços pela recorrente a terceiros. Essa questão já foi objeto de análise por este Colegiado, em situação idêntica para a recorrente, mediante o Acórdão nº 3402002.835– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 25 de janeiro de 2016: (...) Fl. 900DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 892 19 (...) É, portanto, matéria incontroversa nos autos a correção do método de rateio da contribuinte para os serviços prestados a terceiros. Agora resta analisar se as despesas glosadas classificadas como "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, possuem, de fato, vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros para o direito ao creditamento. Considerando que as despesas relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” estão vinculadas, ainda que indiretamente, à atividade da contribuinte no âmbito portuário como um todo, seja para si própria ou para terceiros, é razoável se supor que a parcela dessas despesas, obtida por rateio já aceito pela fiscalização, está vinculada aos serviços prestados a terceiros. Assim, afastando a interpretação restrita do conceito de insumo estabelecida pelas Instruções Normativas, em consonância com os precedentes deste CARF mencionados acima, entendo que as despesas obtidas por rateio relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” são essenciais e indispensáveis à prestação dos serviços portuários a terceiros, ainda que sejam indiretamente neles empregados, devendo as correspondes glosas serem revertidas. (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos acima, entendo que devem ser revertidas as glosas relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”. Depreciação de vagões A recorrente alega que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS, devendose ressaltar que o artigo 3º, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não haveria porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. Os vagões utilizados para transportar produtos da fábrica para o porto, embora sejam essenciais às atividades da recorrente, não se tratam de equipamentos utilizados no seu processo produtivo, conforme exige o art. 3º, VI da Lei 10.637/2002 ("VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;"). Nesse mesmo sentido foi decidido no Acórdão nº 3403002.761, da 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária desta Seção, j. 25/02/2014, em outro processo de interesse da recorrente, em relação a vagões utilizados para o transporte de produtos entre a fábrica e o porto, conforme trecho abaixo transcrito do Voto do Relator Antonio Carlos Atulim, que ora adoto como fundamentação, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99: Fl. 901DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO (VAGÕES) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. b. Crédito presumido Conforme exposto no Parecer, a fiscalização procedeu às glosas sobre as aquisições em que o contribuinte apurou o crédito presumido com base no preço médio da soja estocada, no momento da sua transferência do armazém para a indústria, o que impossibilitou a análise da fiscalização se tais aquisições se refeririam ao mesmo período de apuração, conforme trecho abaixo do Parecer: (...) 36. Dos documentos analisados e das informações prestadas pelo contribuinte, verificouse que o crédito presumido foi apurado, em parte, com base nas aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Mas também apurou o contribuinte crédito presumido com base no preço médio da unidade da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação ao estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que, de acordo com o contribuinte, remonta ao ano de 2003). Entretanto, estabelece o art. 8°, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, que “o direito ao crédito presumido” da Cofins “só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)”. Ou seja, na apuração do crédito presumido deve o contribuinte considerar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores. Desse modo é possível ao Órgão Fiscalizador efetuar diretamente as verificações relativas às aquisições, Fl. 902DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 893 21 notadamente preços (se compatíveis com o que se pratica no mercado naquele momento) e a qualificação dos fornecedores, tópicos sensíveis à validação dos créditos presumidos na sistemática da nãocumulatividade da Cofins, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004. Do modo como procedeu o contribuinte, tal verificação só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados, impondo à RFB, ao contrário do que estabelece a lei, a retroatividade do procedimento fiscal a períodos anteriores aos demonstrativos (Dacon’s) de referência apresentados pelo próprio contribuinte, a períodos anteriores aos meses de referência dos pedidos de ressarcimento e respectivas declarações de compensação, e fora do âmbito de abrangência temporal do Mandado de Procedimento Fiscal em curso. Afinal, de que outro modo poderia ser comprovada a procedência dos créditos e se esses ditos créditos já não foram utilizados no passado para abater as contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração? Ou seja, não pode o contribuinte, no âmbito tributário, a título de melhor controle interno de suas operações, ignorar o critério temporal formalmente estabelecido e adotar metodologia diversa da prevista em lei, principalmente se este método causa prejuízo ou impossibilita as verificações imprescindíveis à constituição de créditos tributários ou a homologações decorrentes de procedimentos fiscais conduzidos pela RFB. 37. Assim, observandose o procedimento legal estabelecido para a apuração do crédito presumido, tal como previsto no art. 8°, §2°, e §3°, III, da Lei n° 10.925, de 2004, foram efetuadas as glosas como demonstrado sinteticamente na tabela abaixo: 38. No anexo V estão discriminados os valores relativos às glosas efetuadas a título de créditos presumidos indevidamente apropriados pelo contribuinte. (...) Alega a recorrente que o valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. O valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não poderia, a seu ver, servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e Cofins. A recorrente assim descreve a sua metodologia: Fl. 903DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 (...) Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e COFINS, a Recorrente decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Nesse cenário: (i) A filial comercial recebe as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, bem como, no fechamento do contrato, emite as Notas Fiscais de Devolução ou recebe as Notas Fiscais de Complemento de preço; (ii) As quantidades de soja e os valores constantes nesses três tipos de Nota Fiscal são consolidados mês a mês e passam a integrar a base acumulada da filial; (iii) Com base nesses valores acumulados, as filiais apuram o preço médio acumulado por quilograma de soja adquirido; (iv)No momento da transferência da soja da filial comercial para a fábrica, as Notas Fiscais de transferência são emitidas com base na legislação estadual, mas, para todos os efeitos contábeis e fiscais, o custo da soja para a fábrica é baseada no preço médio acumulado da filial. Nesse cenário, os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Recorrente no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. (...) Pela peculiaridade da operação, não obstante reconheça que essa metodologia não esteja expressamente prevista na legislação fiscal, a recorrente acredita que ela é a mais consistente e razoável, inclusive para o Fisco. Nesse aspecto, conforme todos no processo reconhecem, não há previsão legal para a metodologia utilizada pela recorrente para apuração dos créditos pelo valor médio da soja, além do que essa forma de apuração impossibilita a verificação do direito ao crédito presumido quanto à necessidade de que o crédito seja do mesmo período de apuração, nos termos do disposto no art. 8º, §2º da Lei nº 10.925/2004, ora transcrito: Art. 8º (...) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no§ 4o do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (...) Desta forma, entendo que deve ser mantida a glosa do crédito presumido. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10783.724323/201147 Acórdão n.º 3402003.170 S3C4T2 Fl. 894 23 Também há de ser indeferido o pedido subsidiário da recorrente de, com relação ao crédito presumido de Cofins, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período, tendo em vista que é da recorrente o ônus da prova do direito alegado por ocasião da apresentação do pedido de ressarcimento ou da manifestação de inconformidade. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório sob litígio, homologando as compensações na proporção do saldo acrescido ao período, na seguinte forma: i) reverter as glosas relativas às despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte, bem como as glosas referentes aos fretes de matériaprima entre os estabelecimentos da recorrente; e ii) reconhecer o benefício pleiteado de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 905DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.721635/2013-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS.
São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pelo Lei nº 11.941, de 2009.
Numero da decisão: 1402-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e, com o restabelecimento da exigência, determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pelo Lei nº 11.941, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e, com o restabelecimento da exigência, determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 35 /2 01 3- 03 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 426 2 GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 427 3 Relatório A 8ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJ recorre de ofício a este Conselho contra decisão de primeira instância que exonerou o crédito tributário objeto do presente processo, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo da exigência fiscal formulada contra à interessada acima identificada, por meio de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 7.342.050,36 e R$ 2.651.778,13 , acrescidos de juros de mora, calculados com emprego da taxa Selic, e de multa de ofício, determinada à razão de 75%. Houve, ainda, multa isolada referente a ambos os tributos, fixadas em R$ 3.671.025,18 para o IRPJ e R$ 1.325.889,07 para a CSLL. O lançamento refere se ao anocalendário 2009. Autos de infração às fls. 167 e ss. No período, a interessada era tributada pelo regime do lucro real anual (fls. 162). O enquadramento legal empregado pela fiscalização consta dos autos de infração. Fora consignado no termo de verificação de infração fiscal (TVF) de fls. 157 e ss que a interessada incorreu nas seguintes infrações: (i) adições não computadas na apuração do lucro real / falta de recolhimento de CSLL e (ii) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. Sobre as adições não computadas na apuração do lucro real e a falta de recolhimento de CSLL, a autoridade autuante informou ter apurado, com base nas respostas da interessada no curso da ação fiscal: · que o valor de R$ 18.625.056,78, informado na ficha 06A linha 67 (CSLL) da DIPJ, "é constituído de contrapartida de crédito da base negativa da CSLL no valor de R$ 16.105.056,78 e de reversão dos valores provisionados no ano calendário de 2008, por conta de ganhos sobre futuros parcelamento de impostos no valor de R$ 2.520.000,00" (sic); · que o valor de R$ 51.712.268,86, informado na ficha 06A linha 69 (provisão para IRPJ), "é constituído de crédito de prejuízo fiscal de IRPJ no valor de R$ 44.736.268,86 e de reversão dos valores provisionados no ano calendário de 2008, por conta de ganhos sobre futuros parcelamento de impostos no valor de R$ 6.976.000,00" (sic); · que a interessada esclareceu que ambos os valores acima não foram oferecidos à tributação, razão pela qual o seu somatório R$ 70.337.325,64 foi objeto do auto de infração. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 428 4 Quanto às multas isoladas de IRPJ e CSLL, disse a fiscalização que, na apuração das estimativas desses tributos em dezembro, a interessada não adicionou os valores da contrapartida do lançamento contábil de créditos de prejuízos fiscais e bases negativas e as reversões de provisões por conta de ganhos sobre futuros parcelamentos. Diante de tal fato, apurou as estimativas devidas e, sobre elas, lançou as penalidades em questão à razão de 50%. Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência em 12/08/2013 (fls. 186), a interessada interpôs, no dia 11 do mês seguinte, a impugnação de fls. 191 e ss, alegando em síntese: · que "aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/09, a qual prevê a não inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargos legais, redução esta que deve ser entendida no seu sentido amplo, bem como o prejuízo fiscal/base negativa de CSLL utilizados para liquidar as multas e os juros, não se configuram como receitas e, por isso, não devem ser oferecidos à tributação". Discorreu que, "considerando que as multas e os juros são despesas, a princípio os mesmos deveriam ser adicionados ao lucro líquido [art. 249 do RIR/99]. No entanto, as despesas somente são adicionadas ao lucro líquido, quando estas estão atreladas a uma receita. Em outras palavras, significa dizer, que as despesas somente são consideradas para apuração do lucro real, pois para o pagamento das mesmas, há uma contrapartida, qual seja, o desembolso por parte do contribuinte de uma determinada quantia (receita). Esta receita é tributável e não as multas e os juros. No caso em questão, ao utilizar de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL para 'liquidar' as multas e os juros, a Recorrente não desembolsou quantia alguma (receita). (...) não precisou efetuar 'retirada de caixa', ou seja, não realizou desembolso efetivo, esse sim, tributável. (...) Não obstante tal conclusão, cumpre salientar que o prejuízo fiscal e a base negativa de C SLL, na regra geral, ou seja, na utilização dos mesmos para compensação com o lucro real, não são receitas e, portanto, não são adicionados ao lucro líquido para a apuração do lucro real"; · que "a reversão da provisão por conta de ganhos sobre futuro parcelamento não devem sofrer tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que só foi realizada para ajustar equívoco contábil, dado que o parcelamento que ensejou os referidos ganhos não foi efetivado, ou seja, não gerou efeitos patrimoniais e, portanto, não causou nenhum dano ao erário."; · que "é vedada a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas depois de encerrado o respectivo anocalendário e realizado os fatos geradores do IRPJ e da CSLL; bem como a cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL com a multa de ofício pelo não recolhimento dos tributos em comento"; · que "as multas aplicadas foram definidas em patamares desproporcionais e confiscatórios, em total descompasso com as orientações legais e constitucionais aplicáveis"; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 429 5 · que "é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3° e 161, do Código Tributário Nacional, e 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95". É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 68.698 (fls. 367388) de 23/09/2014, por maioria de votos, considerou improcedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 CRÉDITO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. UTILIZAÇÃO NA REDUÇÃO DE MULTAS, JUROS E ENCARGOS LEGAIS. VALOR NÃO TRIBUTÁVEL. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei n°.11.941, de 2009. (Parágrafo único do artigo 4°., da Lei n°. 11.941, de 2009).” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/01/2015 (termo de fl. 398) a interessada não interpôs recurso voluntário. A DRJ Rio de Janeiro/RJ recorreu de ofício a este Conselho tendo em vista o crédito tributário exonerado ter excedido o limite de alçada previsto na legislação. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 430 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Com efeito, e com a devida vênia, entendo que os fundamentos do voto vencedor do acórdão recorrido merece outra análise. Vejase seus termos. É bem verdade que o caso revela um benefício fiscal traduzido pela utilização de resultados negativos acumulados para quitar multa e juros de créditos tributários devidos pelo contribuinte, conforme autorizado pela Lei n° 11.941/09. Ainda que este favor fiscal represente um incremento patrimonial ao contribuinte, não se pode deixar de examinar o que consta no parágrafo único, do artigo 4°, da Lei n° 11.941/09, abaixo transcrito. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2 e 3 desta Lei. Do acima transcrito, cabe entender que a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º da mencionada Lei, é justamente a parcela de resultados fiscais negativos após a aplicação das respectivas alíquotas, conforme previsto nos parágrafos 7° e 8°, do artigo 1°, da dita Lei. Registrese que a presente autuação não versa sobre exclusão indevida realizada pelo contribuinte, mas sim, de adição não computada na apuração dos resultados fiscais: lucro real e base de cálculo da CSLL. Neste sentido, entendo não caber a autuação nos moldes relatados pela Fiscalização e acolhidos pelo voto vencido, visto que o parágrafo único, do artigo 4°, da Lei n° 11.941/09 não permite a tributação dos correlatos valores. Quanto à multa isolada, multa proporcional e juros, a questão perde objeto tendo em vista que não há que se falar em falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada, e os tributos autuados foram exonerados. Do exposto, voto por dar provimento à impugnação da Interessada, para exonerar o crédito tributário lançado. Este Colegiado, embora em outra composição, tem posição em sentido diverso do voto vencedor da decisão recorrida. Nesse sentido, matéria idêntica foi analisada no Acórdão 1402001.478, de 09/10/2013, cuja ementa transcrevo. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E Fl. 430DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 431 7 BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pelo Lei nº 11.941, de 2009. Nessa esteira, adoto os fundamentos do voto lá proferido como razão de decidir neste caso, na forma a seguir apresentada. 4 – DA EXCLUSÃO DAS RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL: Observase que a contribuinte liquidou juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, como faculta a Lei nº 11.941 de 2009. A autoridade fiscal lançadora alega que houve uma diminuição do passivo da fiscalizada, resultando em aumento de seu patrimônio e, com isso, haveria de a sociedade reconhecer uma receita. Tal receita integraria as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, tendo em vista a inexistência de autorização legal para sua exclusão. Por seu turno a recorrente alega, que a compensação de prejuízos fiscais nunca foi considerada um benefício fiscal. A utilização de prejuízos e bases negativas nada mais seria do que antecipação de um direito da contribuinte e não pode ser caracterizado como receita. Somente poderia haver a tributação caso houvesse um aumento de patrimônio da sociedade, o que não teria ocorrido.O direito à utilização dos prejuízos e bases negativas para quitação de multas e juros foi concedido sob condição, podendo ser extinto por eventual descumprimento das normas do parcelamento e, assim, se receita fosse, somente poderia ser computada no momento em que se tornar definitiva. Não há dúvidas de que de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, passou a haver duas possibilidades para aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: (1) utilizar o benefício fiscal previsto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995; (2) utilizar o benefício previsto nos §§ 7º e 8º da Lei nº 11.941/2009; O primeiro desses benefícios trata de uma forma de compensação em que são confrontadas bases de cálculo negativas de períodos anteriores, com bases positivas do período em que o benefício é utilizado; O segundo benefício (da Lei nº 11.941/2009) permite a quitação de dívidas que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração anteriores com a utilização de um direito incerto. Isto porque os prejuízos fiscais poderiam ser utilizados se e caso a contribuinte viesse a apurar lucros e se a legislação assim permitisse nesse momento. A opção pela utilização dos prejuízos e bases negativas para quitar juros e multas pressupõe que se abra mão de uma expectativa de direito (dependente da ocorrência de lucros) por um direito ilíquido e certo (quitação daquelas dívidas). Ora, a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio. Tratarseia, portanto, de receita, como reconhece o Conselho Federal de Contabilidade, o qual, por meio da Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 432 8 Resolução CFC n° 1.121/08 e da Resolução CFC n° 1.374/11, dispõe que a diminuição de um passivo que resultar em aumento do patrimônio é uma receita. Além disso, esse valor adicionado ao patrimônio líquido ficará à disposição da assembléia e/ou sócios e poderá ser distribuído a título de distribuição de lucros a qualquer momento. Sendo receitas, tais valores integram o lucro líquido do período de apuração em que foram reconhecidas e, conseqüentemente, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na legislação não existe qualquer autorização legal para sua exclusão do lucro líquido, através do LALUR. Ciente de que tal benefício constitui receita, a contribuinte reconheceu contabilmente parte do ganho em 30/11/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado. Depois excluiu tais receitas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Enfim, a exclusão do lucro líquido efetuado pela recorrente não é autorizada pela legislação. E não há previsão legal para exclusão das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para quitação de multas e juros. É nesse mesmo sentido o voto vencido, constante da decisão recorrida. Veja se seus fundamentos. Sobre o tema que deu ensejo ao lançamento, qual seja, o não oferecimento à tributação das receitas relativas à utilização de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, é imperioso observar que o STF já tem orientação firmada no sentido de considerar como benefício fiscal a compensação de tais resultados negativos acumulados com o lucro real auferido em determinado período de apuração. A ementa da decisão do RE n° 344.994, que decidiu, entre outros pontos, sobre a constitucionalidade dos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981/95, demonstra claramente esse posicionamento do STF, in verbis: "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981 /95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento." (grifado agora) Se a nossa mais alta corte de justiça considera o aproveitamento de prejuízos fiscais como um benefício fiscal e ressaltese aqui que esse aproveitamento representa uma compensação entre dois valores ao menos consistentes entre si (lucro com prejuízo) não há como deixar de se considerar também um benefício fiscal a singular concessão da Lei n° 11.941/09 relativa ao "aproveitamento" dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para quitar multa e juros de créditos tributários devidos pela contribuinte, já que a natureza dos valores envolvidos é completamente distinta entre si. Qualquer um desses benefícios pode ser concedido ou deixar de ser concedido, a qualquer tempo. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 433 9 A utilização do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL para liquidação de débitos fiscais correspondentes a multa de mora ou de ofício e a juros moratórios, benefício concedido pela Lei n° 11.941/09, representou um incremento patrimonial à impugnante, cujo reconhecimento deve passar por uma conta de resultado (receita). Aliás, esse efeito está representado pelos créditos contabilizados pela impugnante, mas indevidamente nas contas provisão para o IRPJ e provisão para a CSLL. Os créditos deveriam impactar o lucro operacional. O RIR/99 estabelece as possibilidades de exclusões do lucro líquido do período de apuração, para fins de apuração do lucro real: "Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração: 1 os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei n° 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Parágrafo único: também poderão ser excluídos: a) os rendimentos e ganhos de capital nas transferências de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, quando auferidos pelo desapropriado (CF, art. 184, § 5°); b) os dividendos anuais mínimos distribuídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei n° 2.288, de 1986, art. 5°, e DecretoLei n° 2.383, de 1987, art. 1°); c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8° do DecretoLei n° 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei n° 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7° e 8°, e Medida Provisória n° 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4°); d) os juros reais produzidos por Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para troca compulsória no âmbito do Programa Nacional de Privatização PND, controlados na parte "B" do LALUR, os quais deverão ser computados na determinação do lucro real no período do seu recebimento (Lei n° 8.981 , de 1 995, art. 100); e) a parcela das perdas adicionadas conforme o disposto no inciso X do parágrafo único do art. 249, a qual poderá, nos períodos de apuração subseqüentes, ser excluída do lucro real até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas nos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 434 10 mercados de renda variável e operações de swap (Lei n° 8.981, de 1995, art. 76, § 5°)." Vejase que enquanto há previsão legal para exclusão da compensação do prejuízo fiscal de anoscalendário anteriores, limitada a 30%, não há guarida para a exclusão do benefício fiscal da Lei 11.941/09. Esta lei apenas previu que não fosse computada na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos seus arts. 1°, 2° e 3° (art. 4°, parágrafo único). A glosa da exclusão do ganho patrimonial com a utilização das parcelas correspondentes ao saldo do prejuízo fiscal e ao saldo da base de negativa da CSLL, efetuada pela fiscalização, está correta, já que não há permissivo legal para que ela ocorra. A interessada alega que o valor da receita correspondente ao aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na liquidação de multas e juros não poderia ser reconhecido como receita tributável porque não seguiu adiante com o parcelamento. Ocorre que, se a contribuinte optou por aderir ao parcelamento especial criado pela Lei n° 11.941/09, ele passa a usufruir de todos os direitos e benefícios por ela concedidos desde a data em que fez essa opção. Portanto, não há óbice para a tributação dessas receitas quando as multas e juros forem liquidados com a utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativa da CSLL, não sendo necessário o término do parcelamento para que ocorra o seu reconhecimento. Assim, entendo que a decisão recorrida merece reforma, com o restabelecimento da exigência, na linha do que foi defendido neste Voto. Ressaltese que as demais razões de defesa apresentadas na impugnação não foram objeto de análise pelo acórdão recorrido, uma vez que aquela decisão exonerava a exigência in totum. Devese, para evitar supressão de instância, retornar aos autos para decisão complementar analisando tais pontos. Conclusão Por todo o exposto, Voto por dar provimento ao recurso de ofício e, com o restabelecimento da exigência, determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1402002.149 S1C4T2 Fl. 435 11 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10140.722638/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Presidente Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: AURORA TOMAZINI DE CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Presidente Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Aurora Tomazini de Carvalho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Presidente Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Aurora Tomazini de Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 22 63 8/ 20 14 -6 8 Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 11 ___________ Relatório A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 0140100.2013.00563, que culminou com a formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2010 a 31/12/2010 na modalidade do Simples Nacional. Consta do Relatório de Auditoria, fls. 04/05, que a contribuinte foi cientificada, via postal, do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 23/12/2013 (fls. 110). Neste termo era solicitada a apresentação de todos os livros da contribuinte, bem como os extratos de contas correntes e aplicações do ano de 2010. A empresa não atendeu à intimação e nem manifestou se sobre ela. A contribuinte era optante do Simples Nacional e havia declarado valores incompatíveis com as movimentações financeiras constantes na DIMOF – Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira. Em 24/03/2014 foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira para as instituições nas quais o contribuinte possuía contacorrente ou outras informações. De posse destes documentos, o fiscal intimou o sujeito passivo a comprovar a origem dos créditos constantes das suas contas em 2010. Neste Termo de Intimação constava que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados no mesmo, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do art. 849 do RIR/1999, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis. A intimação (fls. 2644) foi recebida em 30/09/2014 (fls. 2694) e novamente não houve manifestação por parte da contribuinte. Diante do exposto, foi lavrado o Auto de Infração do Simples Nacional, com base nos depósitos bancários não justificados, com multa de ofício. O lançamento de ofício relativo ao Simples Nacional, período de 01/01/2010 a 31/12/2010 está consubstanciado nos autos de infração – Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 7.940.711,05; Contribuição para o PIS no valor de R$ 738.203,81; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 3.302.032,81, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no valor de R$ 3.436.389,58, ISS/Corumbá no valor de R$ 12.023,62, ISS/Dourados no valor de R$ 10.731,64 e ISS/Campo Grande no valor de R$ 6.519.750,84, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 21.959.843,35 (vinte e um milhões, novecentos e cinqüenta e nove mil, oitocentos e quarenta e três reais e trinta e cinco centavos), aí incluído o principal, multa de 75% e juros de mora calculados até 11/2014 (fls. 02). Após encerrado o trabalho de fiscalização na empresa “SERMIX – Serviço e Locação de Máquinas e Equipamentos Ltda”, o Auditor Fiscal formalizou a Representação Fiscal para Fins Penais por ter ficado demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime de sonegação fiscal e crime contra a ordem tributária, qualificando os sócios Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 10140.722638/201468 Resolução nº 1401000.385 S1C4T1 Fl. 12 3 administradores da empresa, Sr. Rogério Dias, CPF 038.413.15810 e o Sr. Paulo Sergio Dias, CPF no 082.489.928/04, assim como o Administrador Sr. Roberto Dias, CPF no 056.937.368 90, pelo ilícito, em tese, cometido. Em 26/11/2014 foi apensado ao presente processo o de no 14120.720017/2014 39, que trata de Representação Fiscal para Fins Penais. Os autos de infração foram cientificados ao sujeito passivo, juntamente com seus anexos, via postal, em 13/11/2014 (fls. 2695) e, em 12/12/2014 a empresa apresentou sua impugnação de fls. 2703/2736, alegando em síntese a (i) quebra de sigilo bancário; confisco nos acréscimos legais. A decisão recorrida (fls. 2758 a 2767) negou provimento à impugnação, mantendo os valores dos créditos tributários lançados. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 2782), pleiteando a aplicação do princípio da verdade material para afastar a atuação fiscal que teria sido feita com base em depósitos bancários não justificados. Alegou a inversão do ônus da prova e requereu a análise de documentos apresentados na forma de anexos no recurso (fls. 2793 a 3097), para comprovação da origem dos depósitos bancários sobre os quais se fundaram a autuação. Alegou que as importâncias (tomadas como base para tributação) seriam: (i) transferências entre bancos de sua titularidade, (ii) oriundos de recebimento de duplicatas e (iii) títulos em cobrança bancária. E que os documentos juntados, tomados por verificação e amostragem teriam o condão de comprovar suas alegações. É o relatório. Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 10140.722638/201468 Resolução nº 1401000.385 S1C4T1 Fl. 13 4 Voto Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Consoante relatado, a contribuinte avocando em sede de preliminar o princípio da verdade material apresentou, anexo ao recurso voluntário documentos que fundamentaram o auto de infração de Fls 02 e que, segundo ela, se tomados por verificação e amostragem, teriam o condão de comprovar que a origem de importâncias utilizadas na apuração do tributo, como sendo transferências entre contas bancárias de sua titularidade que teriam o condão de afastar a incidência da obrigação tributária. A contribuinte se pautou em reproduzir os anexos que fundamentaram o auto de infração e não fez as devidas vinculações das provas, indicando precisamente os valores nos demonstrativos bancários por ele anexados e as referências destes no crédito tributário constituído, bem como a indicação de que tais valores foram oferecidos à tributação, em sua peça recursal. Ao fazer a conferência dos documentos apresentados, verifiquei que o valor de R$ 20.713,81 (fls. 3061) consta como transferência de valores entre as contas de no. 309.237X (fls. 3066) e no. 86096 (fls. 3074) da contribuinte, no banco do Brasil e está informado, pela autoridade administrativa, nos depósitos que fundamentam a autuação fiscal (fls. 2659). Nos casos de autuação com base no art. 42 da Lei 9.430/96 (omissão de receita), os extratos edepósitos bancáriossão aptos a comprovar a omissão dereceitas, desde que o contribuinte, devidamente intimado, deixe de comprovar a origem das verbas recebidas, o que aconteceu no caso em questão, conforme informações constantes no TRF. A lei cria uma presunção relativa, de modo que, cabe ao contribuinte comprovar que os valores de depósitos utilizados como base para autuação não estão sujeitos a incidência tributária. Provar algo, no entanto, como explica Fabiana Del Padre Tomé, “não significa simplesmente juntar um documento aos autos. E preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento.” (A prova no direito tributário, Editora Noeses, 2005) Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Conforme bem delimita o colega Conselheiro GUILHERME MENDES: a prova não se confunde com os elementos probatórios, ela é constituída a partir deles. Uma nota fiscal, um contrato, uma página da escrituração contábil não são prova, mas sim elementos de prova. A prova corresponde à articulação lingüística que relacione os documentos apresentados com o objeto da refrega jurídica no sentido de confirmar o que se alega” (Acórdão 10323.534 agosto de 2008). Fl. 3132DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 10140.722638/201468 Resolução nº 1401000.385 S1C4T1 Fl. 14 5 Não cabe à autoridade julgadora diante de um emaranhado de documentos juntados como anexos ao recurso voluntário, identificar e demonstrar que as transferências bancarias apontadas pela defesa existiram como tais e compuseram a base “presumida” no lançamento do tributo. Cabe à defesa constituir a prova pela precisa articulação dos elementos e não o contrário. Na lavratura do auto de infração o fiscal faz a devida identificação dos depósitos bancários utilizados na apuração da base de cálculo presumida (fls 121 a 2693). Muito embora, no entanto, essa identificação não se espelhe nas alegações da contribuinte (fls. 2782 a 2793), por se tratar de lançamento motivado por ato presuntivo, a "verdade material" do fato jurídico tributário deve prevalecer, por ser ela um pressuposto de qualquer processo. Assim, no sentido de se buscar a “verdade do fato jurídico tributário”, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que estes autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora para que, com base nos documentos acostados aos autos, se manifeste sobre o que se segue: 1) Proceda a intimação do contribuinte, para que este, com base nos documentos acostados nos autos, faça o nexo de conexão entre as provas apresentadas e os fatos alegados no recurso voluntário, apontando de forma precisa e pontual, os valores integrantes da base de cálculo arbitrada identificados como i) transferências entre contas bancárias de sua titularidade, ii) oriundos de recebimento de duplicatas e títulos de cobrança, se preocupando em identificar não só a origem, como também o oferecimento de tais valores a tributação. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Fl. 3133DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O
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Numero do processo: 35415.000032/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO .ÚLTIMO CO-OBRIGADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário.
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Recurso de Ofìcio Negado
Numero da decisão: 2301-004.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões a Dra. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275.
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 18/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1997 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO .ÚLTIMO COOBRIGADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso de Ofìcio Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões a Dra. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 32 /2 00 6- 11 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 18/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 362DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000032/200611 Acórdão n.º 2301004.471 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo transcrito , que compulsei com os autos , e tendo corroborado , por economia processual ,com grifos de minha autoria, o reproduzo na íntegra: " Consoante o relatório fiscal que acompanha a NFLD acima citada, o presente lançamento foi efetuado para a constituição do crédito relativo às contribuições sociais previstas nos arts. 20 e 22, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, incidentes sobre o valor da remuneração contida nas notas fiscais emitidas pela empresa "CATUAI CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA.", no período de abril de 1996 a dezembro de 1997 (não continuo), em virtude dos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra "RESTCO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.", posteriormente sucedida pela "MC DONALDS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.". Aduz, o mesmo relatório, que o lançamento contra ambas as empresas prestadora e tomadora dos serviços VI do art. 30 da Lei n° 8.212, de 2471991, segundo o qual "o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem". Ainda nos termos do relato do AFRFB notificante, a "MC DONALDS" não apresentou as cópias das guias de recolhimento correspondentes às faturas dos serviços prestados pela "CATUAI", não se elidindo, desta forma, de sua responsabilidade solidária pelo adimplemento das obrigações previdencidrias noticiadas nos autos. Por fim, o relatório da NFLD dános conta de que os valores da base de cálculo das contribuições lançadas foram apurados ante ao exame da contabilidade da empresa fiscalizada e, também, das notas fiscais por esta apresentadas. Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 21/12/2005, a "MC DONALDS" impugnoua em 05/01/2006, conforme o expediente protocolado sob n° 37376.000076/200681, onde requer a declaração de nulidade do lançamento, mediante a alegação de terse operado a decadência prevista no § 4° do art. 150 do Código Tributário Fl. 363DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Nacional, ou de sua insubsistência em virtude das demais razões suscitadas na peça de fls. 105 a 128. Em 03/03/2006, a Seção de Contencioso Administrativo da ex Delegacia da Receita Previdencidria em Osasco converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se manifestasse as respeito das questões suscitadas no despacho de fls. 171. Dando cumprimento A mencionada diligência, os AFRFB notificantes elaboraram o relatório fiscal complementar de 20/03/2006 (fls. 177), em que, além dos esclarecimentos solicitados pela unidade julgadora da DRP Osasco, concederam a ambas as empresas notificadas o prazo de 10 (dez) dias para, em desejando, complementarem sua defesa. No curso desse lapso decendial, a "MC DONALDS" ratificou em todos os seus termos a defesa anteriormente apresentada (fls. 190). Posteriormente, em 22/06/2006, protocolou novo expediente (fls. 191 a 259), para efeito de anexar aos autos diversas Certidões Negativas de Débito CND expedidas pelo INSS em favor da "CATUAI", objetivando, com isto, provar a regularidade da situação desta prestadora de serviços perante a previdência social e, destarte, a própria insubsistência da NFLD. Novamente, em 16/08/2006, a Seção de Contencioso Administrativo da exDRP Osasco retornou os autos A fiscalização, sobretudo para que esta se manifestasse a respeito da aplicação da aliquota de 8% para o cálculo das contribuições dos segurados, "sem levar em consideração o valor recolhido pelo empregado e aplicação da tabela de contribuição mensal. (fls. 263 e 264). Em seu pronunciamento de 26/12/2006, o AFRFB que assina o despacho de fls. 268 informa o seguinte: a) a contribuição dos segurados foi calculada pela alíquota mínima face A determinação contida no art. 452 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005; e b) o débito teve como base os lançamentos contábeis na conta de construção civil, feitos de maneira globalizada, sem que houvesse a identificação das obras, fato esse que não permite apreciar os documentos anexados A defesa. Cientificadas destas considerações, bem como de que dispunham do prazo de 15 (quinze) dias para, em desejando, sobre elas se manifestar: 1°) a "CATUAI" argúi a caracterização de cerceamento ao seu direito de defesa, a decadência do crédito lançado e, também, corn base nas CND que apresenta, a inexistência do débito apontado na NFLD (fls. 175 a 298), enquanto 2°) a "MC DONALDS" reitera as razões já expendidas em suas defesas anteriores (fls. 299 a 305).Nestes termos, vêm os autos conclusos para julgamento. o relatório." Fl. 364DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000032/200611 Acórdão n.º 2301004.471 S2C3T1 Fl. 4 5 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de n.° 0523.748, de fls.335, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas ( SP), em 10/10//2008, considerou o lançamento improcedente em razão de se ter operado a decadência total do crédito em comento.. DO RECURSO DE OFÍCIO Com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e c/ o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda. o Julgador recorreu de oficio da decisão ao então 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não houve interposição de recursos voluntários. É o Relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO RECURSO DE OFÍCIO DA DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal. Na condução do voto a quo, o i. Julgador registra que efetuara contagem do prazo decadencial a partir da data do lançamento . 21/12/2005. De fato às fls 01, tal data se verifica correta. Entretanto, como adiante se observará, a data da contagem se inicia com a notificação posto que o lançamento somente se aperfeiçoa com este ato: "Diante destas considerações, e levandose em conta que o lançamento sob exame foi efetuado em 21/12/2005, temos que o mesmo somente poderia albergar contribuições cujos fatos geradores tivessem ocorrido a partir de 01/12/1999, isto 6, dentro do lapso qüinqüenal a que alude o dispositivo reproduzido no parágrafo anterior." Às fls. 272, consta documento onde reabriramse prazos e notificaramse a prestadora , que jamais o fora anteriormente, e a tomadora, vide AR Aviso de Recebimento datado de 23/04/2007. Na seqüência, a empresa solidária prestadora dos serviços interpôs impugnação , fls 275, em 04/05/2007 quando , aqui em apertada síntese, alegou que até então não tivera sido notificada da autuação: "1.2 Ocorre que a reabertura de prazo para defesa retratada nos documentos referenciados na precedência padece de vicio insanável na medida em que a signatária, até então, sequer foi assegurado prazo para defesa que, por cediço, precede a todo e qualquer outro prazo. 1.3 Tanto assim o é que a signatária é indicada nos documentos referenciados na precedência como prestadora Fl. 366DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000032/200611 Acórdão n.º 2301004.471 S2C3T1 Fl. 5 7 de serviços, não podendo passar despercebido que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n° 35.900.9441 foi destinada a empresa outra que se encontra definida como Macdonald's Comércio de Alimentos Ltda., detentora do CNPJMF n° 42.591.651/000143, com quem não se confunde a signatária. 1.4 Assim, como ressaltado as fls., se a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou a omissão de requisitos essenciais ao lançamento fiscal pode implicar no afastamento do contraditório que macula o procedimento fiscal instaurado, pelas mesmas razões maculado por vicio insanável o procedimento fiscal para o qual não for convocado quem figura como seu destinatário, hipótese ocorrente no caso vertente onde a signatária, que vem sendo indicada apenas como prestadora de serviços, é intimada da reabertura de prazo para defesa sem que lhe tenha sido destinado qualquer tipo de exigência fiscal anterior." Em face do sobredito, cumpre ressaltar que com fulcro na legislação de regência, em específico no comando do artigo 34, III, "b", § 4º da Portaria MPS nº 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerarseá concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último coobrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial. " PORTARIA MPS Nº 520/2004 Disciplina os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração e, no que couber, ao pedido de isenção da cota patronal, de restituição ou de reembolso de pagamentos e à Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, quando instaurado o contencioso. O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pelo inciso II, do parágrafo único, do artigo 87, da Constituição e tendo em vista o disposto no artigo 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, resolve: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Art. 1º O Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social reger seá segundo as normas contidas nesta Portaria. CAPÍTULO I Das Disposições Preliminares Art. 2º Esta Portaria aplicase aos processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração e, no que couber, ao pedido de isenção da cota patronal, de restituição ou de reembolso de pagamentos e à Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, quando instaurado o contencioso. (...) Das Intimações Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência Fl. 368DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000032/200611 Acórdão n.º 2301004.471 S2C3T1 Fl. 6 9 franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último co obrigado. " O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal. Em razão de tudo que foi encimado, considerando que o lançamento se aperfeiçoou com a notificação da prestadora, fato este ocorrido em 23/04/2007 como visto alhures, tendo presente que o período autuado compreendeu as competências 04/1996 a 12/1997, " in casu" , por qualquer dos artigos 150, § 4º ou 173, do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário então constituído fora fulminado pelo Instituto da Decadência. Em face do exposto, resta negar provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Conheço do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO reiterando que se desconstitua totalmente o crédito tributário lançado para todo o período autuado em razão deste ter sido fulminado pelo Instituto DECADÊNCIA por qualquer dos artigos 150, § 4º ou 173, do Código Tributário Nacional CTN,. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 369DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15504.018302/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS. ACOLHIMENTO.
Restando constatado que o acórdão atacado incorreu em omissão, eis que não apreciou, na integralidade, os fundamentos que serviram de suporte à impetração de recurso de ofício por parte da Turma Julgadora a quo, há de se acolher os declaratórios para, sem efeitos infringentes, complementar a decisão.
TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO.
Não é merecedora de reparos a decisão que, lastreada em robustos fundamentos, exclui de tributação valores computados em duplicidade nas infrações imputadas ao contribuinte fiscalizado.
Numero da decisão: 1301-001.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, suprindo a omissão apontada, ratificar a decisão embargada.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ACOLHIMENTO. Restando constatado que o acórdão atacado incorreu em omissão, eis que não apreciou, na integralidade, os fundamentos que serviram de suporte à impetração de recurso de ofício por parte da Turma Julgadora a quo, há de se acolher os declaratórios para, sem efeitos infringentes, complementar a decisão. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. Não é merecedora de reparos a decisão que, lastreada em robustos fundamentos, exclui de tributação valores computados em duplicidade nas infrações imputadas ao contribuinte fiscalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, suprindo a omissão apontada, ratificar a decisão embargada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 02 /2 01 0- 11 Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.973 S1C3T1 Fl. 4.082 2 Relatório Cuida o presente de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, interpostos pela Fazenda Nacional, tendo por objeto o acórdão nº 1301001.606, prolatado na sessão realizada em 26 de agosto de 2014. No referido acórdão, o Colegiado decidiu negar provimento aos recursos de ofício e voluntários, conforme ementa abaixo reproduzida. RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. PIS/COFINS. Restando comprovado que a douta turma julgadora de primeira instância, diante dos argumentos promovidos pelos recorrentes, efetivamente identificou nos autos casos em que, de acordo com as expressas disposições da Lei 10.925/2004, mostrase indevida a exigência das contribuições para o PIS e a COFINS em decorrência das isenções ali então especificamente tratadas, mostrandose, portanto, perfeitamente regular os ajustes promovidos. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. TERMO INICIAL. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. À evidência, nos casos de dolo, fraude ou simulação, igual regra deve ser aplicada, haja vista a excepcionalidade prevista no parágrafo 4º do art. 150 do diploma legal referenciado (Código Tributário Nacional). Assim, tratandose, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2004, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial é o dia 1º de janeiro de 2006, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 2005, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte tornase inaplicável. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a sujeição passiva, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações formalizadas. No que tange às razões declinadas na peça de EMBARGOS, sirvome de fragmentos do relato feito no despacho de admissibilidade de fls. 4.074/4.078. [...] Analisando o mérito dos Embargos, por outra via, verificase que a embargante sustenta a ocorrência do vício de Omissão no julgado referenciado, especificamente e exclusivamente em relação aos termos do acórdão onde trata dos Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.973 S1C3T1 Fl. 4.083 3 termos do Recurso de Ofício interposto que, negando provimento aos termos da decisão exarada pela Douta Turma Julgadora de primeira instância, teria deixado de especificamente se manifestar a respeito de uma das teses ali apresentadas, relativa aos ajustes efetuados pela DRJ na apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS incidentes sobre a omissão de receita decorrente da falta de comprovação de créditos bancários, ajustes esses que decorreram do acolhimento da alegação de dupla tributação. Pois bem. Da análise do Acórdão embargado especificamente no que se refere à análise do Recurso de Ofício , verificase que ali restou enfrentado o apontamento trazido pela r. decisão de primeira instância especificamente relacionado ao "controle de legalidade" desenvolvido pelos julgadores da DRJ, especificamente no que diz respeito às configurações das especificas disposições da Lei 10.925/2004 e do Decreto 5.630/2005, promovendose a dedução dos montantes que, a princípio, deveriam sim ser agraciados pelas específicas hipóteses isentivas ali tratadas. Revisitando os termos da decisão de primeira instância (Acórdão da DRJ), verificase que, em que pese grande parte da exoneração realizada ser, de fato, relativa à aplicação da isenção decorrente das disposições da referida Lei 10.925/2004, verificase também sobretudo às fls. 1325/1326 dos autos , a específica referência ao (parcial) acolhimento da tese da contribuinte, reconhecendo se a duplicidade de algumas das exigências, cujos termos, inclusive, são especificamente os seguintes: Arguição de tributação em duplicidade oposta por Pink Alimentos do Brasil Ltda Segundo alega a impugnante, no tocante às omissões de receitas apuradas com base em créditos ou depósitos bancários de origem não comprovada, teria havido tributação em duplicidade do mesmo valor, porque o autuante não teria excluído da base de cálculo valores que já haviam sido tributados a titulo de omissão de receita em decorrência da emissão de notas fiscais paralelas. (...) Não obstante, ainda que os impugnantes não tenham trazido provas de suas alegações, cumpre acatar parcialmente a arguição de dupla tributação. Ocorre que, graças ao histórico dos extratos bancários é possível estabelecer a correlação entre o depositante da quantia e o destinatário indicado em algumas das notas fiscais. Os destinatários indicados nessas notais fiscais especificas é sempre um órgão pertencente a Prefeitura Municipal de São Paulo. Esta, por sua vez, é identificada nos extratos bancários como a origem da quantia creditada na conta da autuada. As datas de emissão das notas fiscais e das transferências ou depósitos são próximas, o que confirma que se trata de pagamento da compra representada pelas notas fiscais. No caso das últimas seis notas fiscais em questão, notese que até consta dos autos uma cópia das duplicatas respectivas. Essas duplicatas trazem a data de vencimento da divida resultante da compra. Essa informação permite que se verifique que o depósito ou a transferência da quantia em conta corrente deuse na data de vencimento indicada na duplicata ou no máximo um ou dois dias depois. Portanto, há de se considerar comprovado, em relação a essas somas, que o mesmo valor já tributado como omissão de receita em virtude da emissão de notas fiscais paralelas é novamente tributado como omissão de receita por falta de comprovação de depósitos ou de créditos em conta bancária. Cumpre, pois, manter esses valores como parte apenas da base de cálculo da tributação da primeira Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.973 S1C3T1 Fl. 4.084 4 omissão (notas fiscais paralelas). São enumeradas na tabela adiante as notas fiscais cujos valores devem ser excluídos das importâncias tributadas a titulo de omissão de receita por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. (...) Às fls. 1.332/1.334, como indica a embargante, são apresentados os montantes exonerados, sem, entretanto, qualquer destaque às razões que lhos fundamenta, verificandose, assim, de fato, a configuração da "Omissão" da decisão embargada em relação a este específico da parte do Acórdão que trata do Recurso de Ofício interposto. Conclusão Em face dessas considerações, verificando a existência de capítulo específico da decisão de primeira instância que importava em efetiva exoneração (parcial) do crédito tributário não tratado pelo Acórdão Embargado, considero presente o vício de "Omissão" apontado pela embargante, mostrandose, aqui, necessário o enfrentamento da tese por esta turma julgadora, nos termos do Art. 65. par. 3º do RICARF, razão porque entendo pelo acolhimento dos Embargos para sua ulterior apreciação e julgamento pela competente Turma Julgadora. É o Relatório Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.973 S1C3T1 Fl. 4.085 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo Trata a lide de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, interpostos pela Fazenda Nacional, tendo por objeto o acórdão nº 1301001.606, prolatado por esta Primeira Turma de Julgamento na sessão realizada em 26 de agosto de 2014. Os referidos EMBARGOS foram admitidos, eis que confirmado que o acórdão contestado omitiuse em relação à parte da exoneração do crédito tributário promovida em primeira instância, ou seja, embora tenha negado provimento in totum ao recurso de ofício, não apreciou de forma integral os fundamentos que serviram de suporte para impetração do recurso necessário. Como já relatado, o recurso de ofício impetrado pela autoridade julgadora de primeiro grau teve por lastro os seguintes cancelamentos: i) PIS e COFINS incidentes sobre receitas auferidas com a comercialização de produtos beneficiados com alíquota "zero"; e ii) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre depósitos de origem não comprovada, já tributados por meio da imputação de outra infração (omissão de receitas em decorrência de notas fiscais paralelas). Os declaratórios foram interpostos e foram admitidos em virtude do fato de o cancelamento indicado no item "ii" acima não ter sido apreciado pelo acórdão nº 1301 001.606, o que me parece incontestável. Suprindo, pois, a omissão, passo a apreciar a exoneração promovida pela autoridade a quo em razão da alegação da impugnante PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, incluída no pólo passivo da obrigação tributária formalizada como responsável tributária. A Turma Julgadora de primeira instância serviuse dos seguintes fundamentos para excluir de tributação, com base na arguição de duplicidade de incidência, parte dos créditos bancários de origem não comprovada: a) a análise levou em conta tão somente os valores expressamente apontados como sujeitos à dupla tributação pela então impugnante, haja vista que, tratandose de aplicação de presunção prevista em lei, o ônus probatório é invertido, de modo que caberia à reclamante produzir provas da improcedência da exigência fiscal; b) não obstante o fato de que a impugnante não aportou provas ao processo, a alegação de ocorrência de dupla tributação deve ser parcialmente acolhida, visto que, diante dos históricos dos extratos bancários, foi possível estabelecer correlação entre o depositante da quantia e o destinatário indicado em algumas notas fiscais; Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.973 S1C3T1 Fl. 4.086 6 c) o destinatário apontado nas notas fiscais consideradas é sempre um órgão pertencente à Prefeitura Municipal de São Paulo, sendo esta identificada nos extratos bancários como responsável pelo crédito na conta bancária auditada; d) as datas de emissão das notas fiscais e das transferências ou depósitos bancários são próximas, o que autoriza afirmar que, no caso, tratamse de pagamentos correspondentes às aquisições refletidas nas citadas notas fiscais; e) em algumas situações, inclusive, consta do processo cópia das duplicatas, nas quais há registro da data de vencimento, o que permite verificar que o depósito ou a transferência da quantia deuse na data de vencimento indicada na duplicata ou no máximo um ou dois dias depois. Tenho por suficiente os elementos utilizados pela Turma Julgadora de primeiro grau para, sob fundamento de tributação em duplicidade, exonerar a autuada de parte do crédito tributário constituído. No caso, além de restringir a apreciação às situações em que encontramse reunidos ao processo elementos de prova, desconsiderando, pois, inúmeras outras apontadas na peça impugnatória, a autoridade julgadora de primeira instância cuidou ainda de apurar convergências que lhe permitisse criar convicção de que determinado crédito bancário efetivamente guardava relação com os valores consignados nas denominadas notas fiscais paralelas. Pelas razões expostas, suprindo a omissão indicada pela embargante, conduzo meu voto no sentido de ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO interpostos pela Fazenda Nacional, sem contudo emprestarlhes efeitos infringentes. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13819.908293/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro - Presidente Andrada Márcio Canuto Natal, que negou a diligência.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Presidente Andrada Márcio Canuto Natal, que negou a diligência. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 08 29 3/ 20 09 -4 9 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS do período de apuração 02/2003, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 23.901,82 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada." Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que seu direito creditório decorre de incorreção cometida na apuração da contribuição ao não excluir da base de cálculo os valores pagos aos concessionários pela intermediação ou entrega de veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI nas vendas diretas, conforme autorização do art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Constatou seu equívoco com o advento da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26 de dezembro 2005. Assim, efetuou a revisão dos valores originalmente apurados e pagos, e, embora tenha procedido à retificação do Dacon pertinente, não retificou a DCTF, razão que teria levado à não homologação da compensação. Anexa aos autos relação de notas fiscais exemplificativa dos créditos a que teria direito, assinalando a enorme quantidade de documentos fiscais envolvidos, os quais coloca à disposição para verificação fiscal. Alega que a ausência de retificação da DCTF não tem o condão de inviabilizar o reconhecimento de seu direito creditório. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto destes autos até o julgamento da manifestação de inconformidade. Ao final, requer, em caso de não ser reformada a decisão combatida, a realização de perícia, indicando os quesitos a ser respondidos, os quais comprovariam a existência de seu crédito. A manifestação de inconformidade foi considerada integralmente improcedente. O Acórdão n° 0537.089 foi assim ementado: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 12 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que apresenta, basicamente, as mesmas alegações, protestando pela realização de diligência, caso novamente os elementos apresentados na impugnação sejam considerados insuficientes para comprovar a legitimidade do crédito a compensar. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A Recorrente apresentou a Declaração de Compensação DCOMP n° 15559.90900.290807.1.3.040056, para compensação do montante de R$ 23.901,82, relativo ao PIS/PASEP do mês de competência fevereiro de 2003, que teria sido pago a maior. O valor original da guia de recolhimento, da qual teria emergido o citado crédito, era de R$ 5.945.865,57 (Despacho Decisório, fl. 7). Na DACON retificadora (fl. 75), consta que o valor realmente devido seria de R$ 5.921.963,75. A DCOMP não foi homologada, porque o valor da guia era idêntico ao que figurava na DCTF como devido. Na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, a Recorrente alegou que o cálculo do PIS/PASEP do mês de fevereiro de 2003 havia sido efetuado incorretamente., pois não deduzira da base de cálculo os valores pagos aos concessionários pela venda ou entrega de veículos vendidos diretamente a consumidor final, o que é autorizado pelo art. 2° da Lei n° 10.485/02. Tal procedimento teria ocasionado o pagamento a maior de R$ 23.901,82. A questão foi assim enfrentada pelo colegiado de primeira instância, de cujo acórdão extraio excertos: "Alega a contribuinte que seu direito creditório originase de incorreção cometida na apuração do PIS/Cofins, ao não excluir da base de cálculo os valores pagos aos concessionários pela intermediação ou entrega de veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI nas vendas diretas, conforme autorização do art. 2º da Lei nº Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 13 4 10.485, de 3 de julho de 2002, e disposições da Instrução Normativa SRF nº 594, 26 de dezembro de 2005. Dispõem referidos dispositivos legais: Lei nº 10.485 de 2002 (redação vigente à época) Art. 2° Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata a Lei no 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. §1° Não serão objeto da exclusão prevista no caput os valores referidos nos incisos I e II do §2° do art. 1°. §2° Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários IN SRF nº 594, de 2005 Art.7º O fabricante e o importador, nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04, da Tipi, efetuadas por conta e ordem dos concessionários de que trata a Lei nº 6.729, de 28 de novembro de 1979, podem excluir da base de cálculo das contribuições: I os valores devidos aos concessionários pela intermediação ou entrega dos veículos, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão; e II o ICMS incidente sobre os valores de que trata o inciso I. §1º A soma dos valores referidos nos incisos I e II do caput não poderá exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação. §2ºA exclusão de que trata o caput deste artigo, na hipótese de venda dos produtos da posição 87.04, relacionados nos incisos I e II do caput do art. 6°, alcançará apenas a parcela remanescente da base de cálculo após efetuadas as reduções previstas nos referidos incisos. §3° Estão reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre os valores recebidos pelos concessionários na forma do caput. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 14 5 Dessa forma, e tendo em vista que a interessada é fabricante de automóveis, pode ela deduzir de sua base de cálculo do PIS/Cofins os valores pagos aos concessionários de que trata a Lei nº 6.729, de 28 de novembro de 1979, pela intermediação ou entrega dos veículos, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão, em decorrência de vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04, da TIPI, efetuadas por conta e ordem daqueles. Contudo, eventual direito creditório decorrente de não ter ela efetuado a referida dedução da base de cálculo do PIS/Cofins quando da apuração original e respectivo pagamento do Darf utilizado na DCOMP dos autos deve ser documentalmente comprovado. Examinandose os autos, notase que a interessada anexou à manifestação de inconformidade cópia dos Dacon original e retificador do período, cópia da DCTF, planilhas intituladas “Relação das Notas Fiscais de Vendas – Caminhões com Redutor de 30,2% PISCOFINS monofásico”, e planilha demonstrativa dos valores compensados. Entretanto, as informações desses documentos não evidenciam a apuração da contribuição devida pelo regime monofásico no período, e, conseqüentemente, não demonstram a existência do direito creditório apontado na DCOMP dos autos. Com efeito, da análise das informações constantes do Dacon retificador e da DCTF sobre o valor devido a título de PIS a pagar do código 8109, não se pode constatar a existência de pagamento a maior no montante veiculado na compensação em análise. Ainda, é sabido que a apuração da contribuição para o PIS monofásico do ano calendário de 2003 deve estar demonstrada na DIPJ. Embora essa declaração não tenha sido apresentada pela interessada, suas informações estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB. Verificouse que a interessada retificou sua DIPJ contemporaneamente ao Dacon. E, em análise às informações da ficha pertinente do cálculo do PIS, constatouse que a contribuinte não informou qualquer valor na linha “valores devidos pela intermediação de vendas diretas” – rubrica em que deveria estar registrada a dedução efetuada quando da alegada nova apuração da contribuição (vide fichas da DIPJ 2004 por mim anexadas aos autos). Demais disso, acerca da produção de provas, conforme disposto no art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. A interessada apresentou apenas uma relação exemplificativa de notas fiscais que aludiriam às referidas vendas, documento que, por si só, não tem a força requerida à comprovação do direito creditório em análise. Seria indispensável a apresentação dos registros contábeis que evidenciem a apuração da contribuição em comento, e o lançamento de valores a título de vendas diretas a consumidor final e comissões pagas em decorrência dessas vendas, acompanhada das cópias das notas fiscais relativas àquelas operações. O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 15 6 na fase em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. E, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas documentais devem ser apresentadas pelos contribuintes no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. Por essa razão, cumpre indeferir o pedido de perícia, já que esse procedimento não pode ser utilizado para a produção de provas, ônus que, como dito, compete à interessada. Dessa forma, diante da ausência de provas, não se constata a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP destes autos, revelandose procedente o ato de não homologação da compensação. Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade, por tempestiva, para, no mérito, julgála improcedente." A revisão dos autos realizada pela relatora do voto foi detalhada e não merece reparos. No entanto, no tocante à conclusão, peço vênia para discordar. Em se tratando de créditos a compensar, inclusive derivados de pagamentos a maior, é cediço que o ônus da prova cabe àquele que alega têlos, isto é, do contribuinte. Este entendimento pode ser extraído do art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor na data da autuação, reproduzido pelo art. 373 do novo CPC, cuja aplicação ao Processo Administrativo Fiscal é supletiva: "Antigo CPC Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (. . .)" Quanto ao aspecto temporal da apresentação de provas, dispõe o art. 16 do Decreto n° 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (. . .) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 16 7 Uma vez que é dever do contribuinte fazer prova do direito e a Recorrente não o fez, plenamente, na impugnação, poderseia alegar, tal qual o colegiado de primeira instância, que o direito de fazêlo já teria precluído e, então, negar provimento ao recurso. Não seria, de forma alguma, uma decisão juridicamente incorreta. Não obstante, minha leitura da legislação e doutrina que disciplinam o processo administrativo fiscal é um pouco diferente. O Processo Administrativo Fiscal, entre outros, é norteado pelos Princípios da Verdade Material e do Informalismo Moderado, sendo que o primeiro, segundo significativa parte dos doutrinadores, emana dos princípios constitucionais que versam sobre os direitos à ampla defesa e ao contraditório. Segundo o Dr. Marcus Vinicius Neder e a Dra. Maria Tereza Martinez Lopes ("Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado" 3° Ed. São Paulo: Dialética, 2010), "(. . .) Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário (. . .). No processo administrativo, há uma maior liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador sobre os fatos alegados no processo (. . .)." Na mesma obra, sobre o Princípio do Informalismo Moderado, citados autores dispõem que "A concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado da protelação injustificada do processo. (. . .) Por outro lado, o formalismo exagerado tem o inconveniente de restringir a possibilidade de defesa do contribuinte em face da dificuldade da apresentação de todas as alegações e provas no início do processo (. . .)". No Despacho Decisório sobre o DCOMP (fl. 7), consta que o pagamento de PIS/PASEP de fevereiro de 2003 montou a R$ 5.945.865,57. Na DACON retificadora (fl. 47), na página em que consta o demonstrativo de apuração do PIS/PASEP, que o montante total devido era de R$ 5.921.963,75. Encontrase, então, a diferença de R$ 23.901,82, que corresponde ao crédito a compensar pleiteado. Ademais, a própria decisão recorrida reconhece que o contribuinte fazia jus à dedução, de acordo com o art. 2° da Lei n° 10.485/02. E, como vimos, a DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, porque carecia de cópias do livros contábeis e notas fiscais que permitissem a validação da base de cálculo, deduções das comissões pagas às concessionárias de veículos e cálculos dos valores do PIS/PASEP devido e eventual pagamento a maior, à luz da legislação aplicável. Diante dos elementos apresentados pela Recorrente, que indicam que há significativa possibilidade de realmente ter havido pagamento a maior de PIS/PASEP, e privilegiando os Princípios da Verdade Material e Informalismo Moderado, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que seja realizado o processo de validação do valor de PIS/PASEP que a Recorrente alega ter pago a maior. Para tanto, a DRF São Bernardo do Campo (SP) deverá intimar a Recorrente a apresentar os seguintes documentos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908293/200949 Resolução nº 3301000.258 S3C3T1 Fl. 17 8 livros contábeis do anocalendário de 2003; demonstrativo da base de cálculo do PIS do mês de fevereiro de 2003, com indicação das contas contábeis em que foram registradas as receitas, deduções das receitas e despesas e custos que originaram créditos, devidamente conciliado com os respectivos livros contábeis; e totalidade das notas fiscais de venda de veículos e dos pagamentos das comissões correspondentes, devidamente conciliadas com os razões contábeis e com a base de cálculo do PIS/PASEP. Após revisão dos documentos preparados pela Recorrente, a autuante deverá preparar relatório conclusivo, acerca do qual deve dada ciência à Recorrente e aberto o prazo regulamentar para manifestação. Em seguida, os autos devem retornar ao CARF, para julgamento. É como voto. Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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