Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14033.000690/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 14033.000690/2010-12
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5615271
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.405
nome_arquivo_s : Decisao_14033000690201012.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 14033000690201012_5615271.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6455567
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423369801728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.821 1 1.820 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000690/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.405 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de julho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 90 /2 01 0- 12 Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 02/05/2011 (fl. 1.419), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 1.421 a 1.460) em 31/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.184, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 1.532 a 1.542), e Resolução CARF nº 2803000.281, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 1.792 a 1.794), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 1.806/1.808 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.1797 a 1804), nas matrículas CEI nº 50.047.09467/77 e 50.075.02434/73, bem como nos dados da Base Central do sistema RestWeb (fl.1796). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000690/201012 Acórdão n.º 2402005.405 S2C4T2 Fl. 1.822 3 título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 14321.30005.181209.1.2.150430, referente à competência 10/2007(sic!), conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo(fl.1805): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 29122.55743.181209.1.2.152912, referente à competência 03/2008, no valor originário de R$ 40.149,77 (quarenta mil cento e quarenta e nove reais e setenta e sete centavos)." É o relatório. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723069/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008, 2009
DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
Decorrendo a autuação da presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.891/95, o prazo decadencial aplicável rege-se pelo art. 173, I, do CTN, visto tratar-se de lançamento a ser efetuado, necessariamente, de ofício.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
1. O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes.
2. Em não havendo comprovação das causas, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%.
3. Portanto, a falta de comprovação das causas dos pagamentos permite a aplicação da presunção legal, para viabilizar a incidência do IRRF.
Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; II) com relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, por se tratar de lançamento de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado, que acatavam a decadência até o dia 17/12/2008, inclusive, a teor do § 4º do art. 150 do CTN. Redator Designado, neste item, para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson; III) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificação da base de cálculo, conforme planilha do item 5.5 da Conclusão e do item 5.6 da Execução do Julgado, nos termos do voto do Relator; mantendo-se somente a base de cálculo de R$1.350.000,00 e de R$90.000,00.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Ronnie Soares Anderson - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Decorrendo a autuação da presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.891/95, o prazo decadencial aplicável rege-se pelo art. 173, I, do CTN, visto tratar-se de lançamento a ser efetuado, necessariamente, de ofício. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. 1. O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes. 2. Em não havendo comprovação das causas, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. 3. Portanto, a falta de comprovação das causas dos pagamentos permite a aplicação da presunção legal, para viabilizar a incidência do IRRF. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.723069/2013-66
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5613437
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.338
nome_arquivo_s : Decisao_19515723069201366.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 19515723069201366_5613437.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; II) com relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, por se tratar de lançamento de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado, que acatavam a decadência até o dia 17/12/2008, inclusive, a teor do § 4º do art. 150 do CTN. Redator Designado, neste item, para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson; III) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificação da base de cálculo, conforme planilha do item 5.5 da Conclusão e do item 5.6 da Execução do Julgado, nos termos do voto do Relator; mantendo-se somente a base de cálculo de R$1.350.000,00 e de R$90.000,00. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Ronnie Soares Anderson - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6448936
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423389724672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.723069/201366 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402005.338 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrentes FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS ASSOCIACAO EDUCACIONAL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Decorrendo a autuação da presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.891/95, o prazo decadencial aplicável regese pelo art. 173, I, do CTN, visto tratarse de lançamento a ser efetuado, necessariamente, de ofício. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. 1. O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes. 2. Em não havendo comprovação das causas, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. 3. Portanto, a falta de comprovação das causas dos pagamentos permite a aplicação da presunção legal, para viabilizar a incidência do IRRF. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 69 /2 01 3- 66 Fl. 8290DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; II) com relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, por se tratar de lançamento de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado, que acatavam a decadência até o dia 17/12/2008, inclusive, a teor do § 4º do art. 150 do CTN. Redator Designado, neste item, para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson; III) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificação da base de cálculo, conforme planilha do item 5.5 da Conclusão e do item 5.6 da Execução do Julgado, nos termos do voto do Relator; mantendose somente a base de cálculo de R$1.350.000,00 e de R$90.000,00. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Ronnie Soares Anderson Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 8291DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão cuja ementa e resultado são os seguintes: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009 PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Os pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas estão sujeitos à incidência do IRRF, sendo cabível a recomposição da base de cálculo para sua apuração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, a 3ª Turma da DRJ/SDR considerou procedente em parte a impugnação, mantendo o imposto no valor R$ 5.036.929,11, e exonerando o valor de R$ 6.508.598,53, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, conforme Anexo 1 – Demonstrativo de Apuração. Diante do montante exonerado, a própria DRJ recorreu de ofício a este Conselho. Os fundamentos da decisão da DRJ são basicamente os seguintes: a) a decadência é determinada pelo art. 173, inciso I, do CTN, pois não se registra qualquer recolhimento a título de IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada pela pessoa jurídica no período autuado. Ao contrário do que alega a impugnante, não se trata de diferenças recolhidas a menor, pois o imposto lançado não se confunde com o IRRF recolhido sobre as folhas de salário e prestadores de serviço, que têm períodos de apuração e alíquotas diversos; b) a contagem do prazo decadencial dos fatos geradores ocorridos no ano de 2008 se iniciou em 01/01/2009, e teve como termo final 31/12/2013. Tendo sido dada ciência do lançamento fiscal em 18/12/2013, constata se que não ocorreu a alegada decadência; c) quanto à obrigatoriedade da guarda de livros contábeis e documentação comprobatória, cabe observar que o lançamento fiscal está fundamentado no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, que prevê a incidência do IRRF sobre todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, mesmo que imunes, quando não for comprovada a operação Fl. 8292DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 ou a sua causa. Tal dispositivo traz em si a obrigação de comprovar a operação que resultou no pagamento efetuado, independentemente de quando esta tenha se originado, sob pena da exigência do tributo; d) os pagamentos objeto da autuação foram realizados pela pessoa jurídica, nos anos de 2008 e 2009, e ainda estavam sujeitos ao lançamento fiscal do IRRF à época da fiscalização, conforme já analisado. Estes pagamentos foram contabilizados como devoluções de mútuos, portanto, caberia à fiscalizada comprovar a anterior entrega dos recursos pelos supridores, independentemente do ano em que tenham sido contratados os mútuos, bem como a existência de saldo a devolver a cada um dos mutuantes no momento das devoluções. Mesmo que a impugnante não estivesse obrigada a guardar a escrituração contábil relativa a anos anteriores, estava obrigada a comprovar a operação e a causa dos pagamentos em questão; e) a fiscalização apontou uma série de indícios que justificam a exigência de documentação bancária para comprovação da efetiva entrega dos numerários à impugnante pelos supridores: os mutuantes são pessoas físicas ligadas à impugnante; os valores mutuados são da ordem de milhões; os contratos firmados não foram assinados pelo Superintendente da Entidade, em descumprimento a determinação prevista no Estatuto da mesma, nem por testemunhas, bem como não têm qualquer registro público que comprove a data em que foram efetivamente firmados; não foram contabilizados os encargos financeiros (juros); e os recibos de devolução indicam apenas amortização do principal. Não se trata de uma mera presunção subjetiva da autoridade lançadora, como sugerido pela impugnante, mas sim da exigência fundamentada de documentação que comprove a efetividade da operação e a identificação das pessoas envolvidas; f) o art. 302 do RIR/1999, prevê que os pagamentos a pessoas físicas vinculadas à pessoa jurídica podem ser impugnados pela autoridade lançadora se o contribuinte não comprovar a origem e efetividade da operação ou transação; g) tratase de operações de mútuo com pessoas ligadas, envolvendo milhões de reais, que poderiam ser facilmente comprovadas por meio de cópias de cheques e extratos obtidos junto as instituições financeiras, vez que, conforme alega, foram realizadas por meio de cheques nominativos; h) a impugnante junta documentação complementar à já apresentada à fiscalização, comprovando em parte as operações de mútuo que deram causa aos pagamentos objeto do lançamento fiscal. A contribuinte foi intimada da decisão em 06/02/2015 (fl. 8156) e interpôs recurso voluntário em 02/03/2015 (fls. 8158 e seguintes), alegando em síntese que: i) a família Alves da Silva forneceu recursos pessoais à recorrente mediante contratos de mútuo; j) os recursos eram fornecidos através de cheques nominais levados a débito nas contas das pessoas físicas e a crédito nas contas da recorrente; Fl. 8293DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 4 5 k) em raros casos, os recursos eram entregues através de TEDs; l) a escrituração contábil da recorrente contém os lançamentos de todos os mútuos, com menção de datas, valores, números de cheques e bancos sacados; m) equivocadamente, a fiscalização tributou as devoluções de mútuo como pagamentos sem causa (período 01/2008 a 12/2009), tendoos tributado de acordo com o art. 674 do RIR/1999; n) por via reflexa, houve autuações para exigência de contribuições previdenciárias (PAFs nºs 19515.723068/201311 e 19515.723067/201377); o) a decisão recorrida exonerou aproximadamente 56% do crédito apurado; p) a recorrente sempre reteve e recolheu o imposto de renda devido na fonte, nas remunerações que paga a empregados e a terceiros; q) o que se está a exigir é uma diferença de valores recolhidos ao Erário; r) por ser o IRRF tributo sujeito a lançamento por homologação, a decadência é contada na forma do art. 150, § 4º, do CTN; s) ambos os processos retro mencionados, nos quais foram constituídas as contribuições previdenciárias, deveriam ser julgados conjuntamente com este processo; t) o fato gerador do tributo IRRF e o respectivo vencimento ocorrem no mesmo momento, conforme preceitua o § 2º dos arts. 674 e 675 do Regulamento ("no dia do pagamento da referida importância"); u) os fatos geradores ocorridos e vencidos cinco anos antes da data do recebimento do lançamento (18/12/2013) já estavam atingidos pela decadência, de forma que já estavam extintos os fatos geradores ocorridos no período de 03/01/2008 a 17/12/2008; v) para efeito de contagem do prazo decadencial, deve ser considerada a totalidade da folha de pagamentos da recorrente, mesmo porque o lançamento foi efetuado com base no art. 675, que trata da "remuneração indireta"; w) o Relatório Fiscal informa que as devoluções de mútuo, supostamente consideradas como remunerações pagas sem causa, já haviam sido tributadas nas pessoas físicas que receberam ditas devoluções; x) portanto, houve dupla tributação do imposto de renda; y) devem ser excluídas da tributação do IRRF as importâncias já submetidas à tributação nas pessoas físicas, sob pena de dupla tributação e flagrante ofensa à ordem jurídicotributária brasileira; Fl. 8294DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 z) o lançamento decorre de presunção subjetiva e se arrima em procedimento fiscal manifestamente exacerbado, afrontando os princípios da reserva legal absoluta e da tipicidade cerrada; aa) com a abundância de elementos fornecidos à fiscalização (escrituração contábil cujos lançamentos identificam os nomes dos mutuantes, datas e valores dos contratos de mútuos, número do cheque emitido e nome do banco sacado) impunhase fosse cumprido o art. 142 do CTN; bb) dentro do prazo estipulado pela fiscalização, foram atendidas todas as solicitações e entregues 802 documentos, todos contabilizados; cc) a solicitação de documentos relativa ao saldo inicial e aos lançamentos referentes ao ano de 2007 não estava compreendida no período abrangido pela fiscalização, sendo que, em razão da decadência, a recorrente não dispunha mais da escrituração e da documentação contábilfiscal concernente a esse ano; dd) o art. 4º do DecretoLei nº 486/1980 é aplicável aos comerciantes, mas não à recorrente, que é instituição educacional sem fins lucrativos; ee) ainda sobre a guarda e apresentação de documentos, a fiscalização valeu se de um procedimento que não encontra guarida no sistema tributário brasileiro, para aplicar às entidades educacionais sem fins lucrativos, normas dirigidas unicamente às pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo lucro real; ff) o procedimento fiscal feriu os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica, interesse público e da eficiência; gg) a análise da planilha elaborada pela DRJ e o exame das Notas Explicativas constituem a questão nuclear do processo; hh) quase 60% dos empréstimos ali relacionados foram considerados cabalmente comprovados, a revelar que o lançamento decorreu de mera presunção; ii) o total dos empréstimos tomados pela recorrente no triênio 2007/2009 totalizaram a quantia de R$ 16.046.897,14, dos quais foram considerados plenamente comprovados R$ 14.941.879,14, ou seja, mais de 93% dos valores mutuados no período; jj) restaram comprovadas todas as operações de mútuo, inclusive com as saídas dos recursos das contas bancárias das pessoas físicas mutuantes e os respectivos ingressos nas contas da pessoa jurídica, em todas havendo coincidência de datas e valores; kk) afastada, pois, a presunção de que os empréstimos inexistiram e que as devoluções representariam remuneração indireta paga aos destinatários, impõese o cancelamento do lançamento. É o relatório. Fl. 8295DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Já o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, também devendo ser conhecido. 2 Decadência A DRJ decidiu que a decadência é determinada pelo art. 173, inciso I, do CTN, pois não se registra qualquer recolhimento a título de IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. No seu entender, não se trata de diferenças recolhidas a menor, pois o imposto lançado não se confunde com o IRRF recolhido sobre as folhas de salários e prestadores de serviço, que têm períodos de apuração e alíquotas diversos. A recorrente controverte, afirmando que a decadência é contada na forma do art. 150, § 4º, do Código, mormente porque deve ser considerada a totalidade da sua folha de pagamentos. O recurso voluntário deve ser provido neste ponto. A própria decisão recorrida admitiu que a recorrente havia efetuado retenções de IR sobre a sua folha de salários e sobre os pagamentos efetuados a prestadores de serviços, de forma que o presente lançamento é relativo à diferença atinente aos pagamentos cujas causas não teriam sido comprovadas. Ao contrário do que decidiu a DRJ, o critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Fl. 8296DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Mutatis mutandis, é aplicável o verbete sumular abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Em nenhum momento, ademais, a autoridade lançadora apontou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, de forma que é aplicável a regra do art. 150, § 4º. Como a recorrente foi autuada em 18/12/2013 (fl. 7733), deve ser declarada a decadência dos fatos geradores ocorridos antes de 17/12/2008 (inclusive). 3 Dupla incidência Segundo a recorrente, o Relatório Fiscal informa que as devoluções de mútuo, supostamente consideradas como remunerações pagas sem causa, já haviam sido tributadas nas pessoas físicas que receberam ditas devoluções, de forma que, no seu entender houve dupla tributação do imposto de renda. Nesse contexto, ela entende que devem ser excluídas da tributação do IRRF as importâncias já submetidas à tributação nas pessoas físicas, sob pena de dupla tributação e flagrante ofensa à ordem jurídicotributária brasileira. Contudo, e ao contrário do que alega a recorrente, não devem ser excluídas da incidência do IRRF as importâncias alegadamente tributadas nas pessoas físicas. O art. 674 do Regulamento (art. 61 da Lei nº 8.981/1995), cuja redação segue abaixo, estabelece que a tributação é feita exclusivamente na fonte pagadora, e não no beneficiário do pagamento, o que exclui a plausibilidade da tese invocada no recurso. Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2ºConsiderase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3ºO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Fl. 8297DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 6 9 Na dicção do inc. I do art. 83 do Regulamento, os rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva nem mesmo compõem a base de cálculo do imposto na declaração do contribuinte. Entretanto, é indubitável que os alegados pagamentos sem causa não poderiam ser tributados nas pessoas físicas a título de depósitos ou créditos sem comprovação de origem, pois a referida origem estaria evidenciada nestes autos (operações de mútuo ou pagamentos sem causa), faltando o suporte fático do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Nesse contexto, a existência de pagamento sem causa atrai a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora, e não nas pessoas dos contribuintes, de forma que o lançamento feito nas pessoas dos contribuintes poderia estar equivocado, mas não o contrário. 4 Pagamentos sem causa O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes. Em não havendo comprovação, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Entre outras razões, a norma se justifica porque tais pagamentos poderiam ser atinentes a prólabore, prestação de serviços, entre outros, que estariam sujeitos à retenção do IR na fonte e até mesmo à incidência de contribuições previdenciárias. Ademais, em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançálo de forma direta, impondose a tributação na pessoa da fonte pagadora. Nas hipóteses do § 1º, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento, sendo justificável a tributação. A falta de comprovação, portanto, permite a aplicação da presunção legal sob comento, para viabilizar a incidência do IRRF. Noutro giro, o ônus decorre de expressa previsão legal. Logo, não se pode afirmar que o lançamento decorre de presunção subjetiva da autoridade fiscal, nem que afronta os princípios da reserva legal absoluta e da tipicidade cerrada, sendo necessário, sim, fazer um exame acurado da documentação apresentada pela recorrente, a fim de aferir a existência de comprovação das causas dos pagamentos. Por isso mesmo, também não se pode asseverar, muito menos genericamente, como fez a recorrente, que o procedimento fiscal feriu os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica, interesse público e da eficiência. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado, conforme Termo de Verificação de fls. 7552 e seguintes, e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Fl. 8298DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Em síntese, o procedimento se desenrolou em consonância com o princípio da legalidade, de maneira que somente o exame de mérito comprovação das causas poderá ser ou não favorável à recorrente. 5 Comprovação das causas Como dito anteriormente, a lei impõe ao sujeito passivo o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados e as suas respectivas causas. Ao examinar a documentação apresentada pela recorrente, a própria DRJ acolheu parcialmente a impugnação, tendo em vista a comprovação em parte das operações de mútuo que deram causa aos pagamentos objeto do lançamento fiscal. No seu entender (vide fl. 8109), Nota (2) – Foi apresentada documentação bancária coincidentes em data e valor que comprovam a entrega dos suprimentos à impugnante, bem como a identificação dos supridores. Foi apresentada também, no curso da ação fiscal, a escrituração contábil relacionando todas as devoluções realizadas no período de 01/01/2007 a 31/12/2009, às fls. 6711/6722, com a identificação dos beneficiários. Assim, os valores comprovadamente entregues à impugnante serão computados como obrigações que justifiquem pagamentos efetuados em 2008 e 2009, descaracterizando parcela da infração apontada no auto de infração. Para elucidar, transcrevese abaixo a planilha demonstrativa dos lançamentos analisados pela decisão a quo: Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota 23/03/2005 2.000.000,00 7840/7842 Eduardo? 1 04/04/2005 700.000,00 7844/7846 Eduardo? 1 16/03/2006 1.500.000,00 7848/7850 Eduardo? 1 16/03/2006 1.900.000,00 7852/7854 Edson 1 29/03/2006 1.000.000,00 7856/7858 Eduardo 1 28/06/2006 1.350.000,00 7860/7862 Edevaldo? 1 29/11/2006 2.400.000,00 7864/7868 Edevaldo/Labibi 1 29/06/2007 1.300.000,00 1.300.000,00 7870/7876 Edevaldo/Labibi 2 15/10/2007 231.897,14 231.897,14 7878/7912 Edevaldo/Labibi 2 23/10/2007 650.000,00 650.000,00 7914/7916 Eduardo 2 30/10/2007 320.000,00 320.000,00 7918/1926 Edevaldo/Labibi 2 01/11/2007 655.000,00 655.000,00 7928/7934 Edevaldo/Labibi 2 06/11/2007 200.000,00 200.000,00 7936/7942 Edevaldo/Labibi 2 07/11/2007 1.800.000,00 1.800.000,00 7944/7946 Eduardo 2 13/11/2007 1.300.000,00 1.300.000,00 7948/7954 Edevaldo/Labibi 2 22/11/2007 30.000,00 7956/7960 Edevaldo? 3 28/11/2007 125.000,00 125.000,00 7962/7968 Edevaldo/Labibi 2 Fl. 8299DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 7 11 28/11/2007 85.000,00 7970/7974 Edevaldo? 3 29/11/2007 1.500.000,00 1.500.000,00 7976/7984 Edevaldo/Labibi 2 03/12/2007 665.000,00 665.000,00 7986/7990 Edevaldo/Labibi 2 04/12/2007 150.000,00 7992/7998 Edevaldo/Labibi 4 17/12/2007 550.000,00 550.000,00 8000/8008 Edevaldo/Labibi 2 18/12/2007 1.250.000,00 1.250.000,00 8010/8018 Edevaldo/Labibi 2 20/12/2007 90.000,00 5 04/01/2008 650.000,00 8020/8026 Edevaldo/Labibi? 4 04/01/2008 100.000,00 5 30/04/2009 500.000,00 500.000,00 8028/8032 Labibi 2 10/07/2009 2.855.000,00 2.855.000,00 8034/8042 Edevaldo/Labibi 2 15/07/2009 600.000,00 600.000,00 8044/8046 Edevaldo/Labibi 2 23/07/2009 140.000,00 140.000,00 8048/8050 Edevaldo/Labibi 2 26/11/2009 300.000,00 300.000,00 8052/8054 Edevaldo/Labibi 2 Neste ponto, e conforme será esclarecido adiante, não merece reparos a decisão, na medida em que, além da escrituração contábil, a recorrente apresentou documentação bancária com coincidência de datas e valores, comprovando a entrega dos recursos, bem como a identificação das pessoas físicas mutuantes. Já de acordo com a Nota 1 da DRJ: Não foi apresentada escrituração contábil relativa ao período de 23/03/2005 a 31/12/2006 de forma a comprovar que os valores entregues à impugnante a título de mutuo não tenham sido devolvidos antes do período autuado. Caso os livros contábeis relativos a este período já tivessem sido de fato descartados, conforme alega a impugnante, caberia a apresentação de outra prova hábil e idônea da manutenção dos valores mutuados. Ressaltese que nem mesmo foram apresentados os contratos de mútuos anteriores ao ano de 2008, somente os firmados entre a impugnante e o Sr. Edevaldo em 2008 e 2009, às fls. 7146/7157. Assim, os referidos valores não serão computados como obrigações que justificassem pagamentos efetuados em 2008 e 2009 objeto da autuação. Além disso, somente foram comprovados a efetiva entrega e o supridor dos empréstimos realizados em 16/03/2006 (R$ 1.900.000,00 Edson), 29/03/2006 (R$ 1.900.000,00 Eduardo) e 29/11/2006 (R$ 2.400.000,00 Edevaldo/Labibi) através de documentação bancária coincidentes em data e valor. Já em relação aos empréstimos realizados em: 23/03/2005 (R$ 2.000.000,00) e 04/04/2006 (R$ 700.000,00), não foi apresentada documentação que deu suporte ao lançamento na conta 220150 2201020100 contratos de mútuo, apenas extrato da conta bancária da impugnante, mas este não identifica o depositante; 16/03/2006 (R$ 1.500.00,00), a cópia do cheque e o comprovante de depósito não permitem identificar o depositante; 28/06/2006 (R$ 1.350.00,00), não foi a apresentada documentação que deu suporte ao lançamento na conta 220150 2201020100 contratos de mútuo. Como se vê, a DRJ não admitiu como comprovadas as operações extraídas abaixo, porque a recorrente não apresentou escrituração contábil que comprovasse que os Fl. 8300DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 mútuos não tinham sido devolvidos antes do período de autuação. Vejase, a propósito, que a própria decisão recorrida mencionou que foram comprovados os empréstimos negritados abaixo: Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota 23/03/2005 2.000.000,00 7840/7842 Eduardo? 1 04/04/2005 700.000,00 7844/7846 Eduardo? 1 16/03/2006 1.500.000,00 7848/7850 Eduardo? 1 16/03/2006 1.900.000,00 7852/7854 Edson 1 29/03/2006 1.000.000,00 7856/7858 Eduardo 1 28/06/2006 1.350.000,00 7860/7862 Edevaldo? 1 29/11/2006 2.400.000,00 7864/7868 Edevaldo/Labibi 1 Em primeiro lugar, a recorrente apresentou justificativa plausível sobre a inexistência de guarda e manutenção da contabilidade dos anos de 2005 e 2006, a saber: quando do início da fiscalização, em 2013, tais períodos já estavam atingidos pela decadência e, portanto, ela não estaria obrigada a manter a sua guarda e manutenção. Dizse plausível porque o art. 206 do Regulamento estabelece que a "pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial". Destarte, e embora estivesse obrigada a manter em ordem a documentação ("enquanto não prescritas eventuais ações"), entendese que a inexistência de apresentação da contabilidade, por si só, não é fato suficiente para desacreditar os esclarecimentos e descredibilizar os documentos apresentados pela recorrente. Com efeito, a inexistência da contabilidade não significa que o sujeito passivo não possa comprovar a efetiva realidade dos fatos por outros meios. O direito tributário está intimamente conectado com o princípio da legalidade, do qual decorre que a aplicação da lei tributária somente pode se dar sobre fatos efetivamente ocorridos no mundo fenomênico, e não sobre fatos aparentemente ocorridos. Aplicar a lei sobre um fato apenas aparente é praticar ilegalidade em função do desconhecimento da realidade. Em segundo lugar, ao afirmar que a recorrente não apresentou documentação contábil que comprovasse que os mútuos não tenham sido devolvidos antes do período de autuação, a DRJ acabou se baseando em mera suposição para não aceitar a documentação comprobatória apresentada pela recorrente, o que, como dito, não pode ser aceito em hipótese alguma. Em terceiro lugar, não passa despercebido que a recorrente tinha o hábito de tomar empréstimos das pessoas físicas e que a maior parte desses empréstimos foi confirmada pela própria instância a quo, como se observa na primeira tabela acima colacionada. 5.1 ANÁLISE DA NOTA 1 DA DRJ Nesse contexto, entendese necessário analisar um a um os alegados empréstimos objeto da Nota 1, a saber: Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota Fl. 8301DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 8 13 23/03/2005 2.000.000,00 7840/7842 Eduardo? 1 04/04/2005 700.000,00 7844/7846 Eduardo? 1 16/03/2006 1.500.000,00 7848/7850 Eduardo? 1 16/03/2006 1.900.000,00 7852/7854 Edson 1 29/03/2006 1.000.000,00 7856/7858 Eduardo 1 28/06/2006 1.350.000,00 7860/7862 Edevaldo? 1 29/11/2006 2.400.000,00 7864/7868 Edevaldo/Labibi 1 Relativamente aos empréstimos negritados, como se disse, a própria DRJ confirmou a sua existência, tendo obstado a sua utilização como causa dos pagamentos realizados pela recorrente apenas em função da falta de apresentação da escrituração contábil. Como exposto acima, contudo, não se pode acatar esse entendimento da decisão recorrida, visto que a comprovação dos empréstimos em valores coincidentes com os valores pagos aos respectivos mutuantes comprovam as causas dos pagamentos, sob pena de se basear em mera suposição de que tais empréstimos foram objeto de devolução anterior. Relativamente aos empréstimos remanescentes da Nota 1, abaixo reproduzidos, passase à análise dos documentos apresentados. Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota 23/03/2005 2.000.000,00 7840/7842 Eduardo? 1 04/04/2005 700.000,00 7844/7846 Eduardo? 1 16/03/2006 1.500.000,00 7848/7850 Eduardo? 1 28/06/2006 1.350.000,00 7860/7862 Edevaldo? 1 Os primeiros mútuos, nos valores de R$ 2.000.000,00 e de R$ 700.000,00, feitos pelo Sr. Eduardo, estão inicialmente comprovados nos documentos de fls. 7840/7842 e 7844/7846 (folha do Razão Analítico Individual e extrato da conta corrente do sujeito passivo), que dão conta de sua entrada em conta banco de titularidade da recorrente. Em grau recursal, a recorrente ainda juntou a "Declaração de Bens e Direitos" (vide fl. 8263) do mutuante, a qual, visando complementar a prova constante da impugnação, demonstra a declaração do empréstimo efetuado à recorrente, no valor de R$ 2.700.000,00, anocalendário 2005. Já o mútuo no valor de R$ 1.500.000,00, também efetuado pelo Sr. Eduardo, está igualmente comprovado no cheque de fl. 7848 e no comprovante de depósito de fl. 7850, documento último que comprova que o valor entrou na conta bancária da recorrente. Quanto ao valor de R$ 1.350.000,00, alegadamente mutuado pelo Sr. Edevaldo, todavia, melhor sorte não teve o sujeito passivo. Neste caso, a parte limitouse a apresentar a folha do Razão Analítico, não tendo juntado, contudo, fotocópia do cheque nominativo e nem mesmo do extrato bancário demonstrando a entrada do valor em sua conta. Vejase que a própria recorrente detalhou no Razão que o empréstimo foi concedido através do cheque nº 017133, sacado contra o Banco Bradesco S/A, pelo citado mutuante. Fl. 8302DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Sendo sabido que todo lançamento deve estar lastreado em documentação hábil e idônea, deveria ter trazido aos autos os documentos bancários comprobatórios, até mesmo porque o valor é de elevadíssima monta. 5.2 ANÁLISE DA NOTA 3 DA DRJ Como todos os objetos da Nota 2 foram aceitos pela decisão a quo, passase à análise dos empréstimos da Nota 3: Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota 22/11/2007 30.000,00 7956/7960 Edevaldo? 3 28/11/2007 85.000,00 7970/7974 Edevaldo? 3 Segundo a DRJ, não foi apresentada documentação que deu suporte aos lançamentos na conta 220150 2201020100 contratos de mútuo, apenas extratos da conta bancária da impugnante, mas estes não identificam o depositante. Assim, os referidos valores não serão computados como obrigações que justificassem pagamentos efetuados em 2008 e 2009 objeto da autuação. Entretanto, o Razão Analítico de ambos os lançamentos (vide fls. 7956 e 7970) historiam empréstimos efetuados através de cheques por Labibi e Edevaldo, ao passo que os extratos bancários de fls. 7960 comprovam a entrada desses recursos em datas e valores coincidentes, servindo, pois, de comprovação dos empréstimos e, consequentemente, das causas dos pagamentos efetuados pela recorrente a título de devolução de mútuos. 5.3 ANÁLISE DA NOTA 4 DA DRJ Passase à análise da Nota 4. Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota 04/12/2007 150.000,00 7992/7998 Edevaldo/Labibi 4 04/01/2008 650.000,00 8020/8026 Edevaldo/Labibi? 4 No entender da DRJ, foram apresentados extratos bancários do depositante e do impugnante com débito e crédito coincidentes em valor, mas os primeiros não trazem informação de data. Assim, os referidos valores não serão computados como obrigações que justificassem pagamentos efetuados em 2008 e 2009 objeto da autuação. Equivocouse a DRJ, pois o extrato de fl. 7994 contempla o lançamento de R$ 150.000,00, a débito de cheque compensado na conta do mutuante, em 04/12/2007, ao passo que o extrato mensal de dezembro de 2007, da conta da recorrente (vide fl. 7998), historia o crédito desse exato valor, servindo, pois, de prova da operação de mútuo e, por consectário lógico, da causa do pagamento feito a título de devolução. Situação idêntica está demonstrada nos extratos de fl. 8020/8026, alusivos à quantia de R$ 650.000,00, havendo, consequentemente, igual comprovação da causa do seu pagamento pelo sujeito passivo. 5.4 ANÁLISE DA NOTA 5 DA DRJ Por fim, passase à análise da Nota 5. Fl. 8303DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 9 15 Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante Nota 20/12/2007 90.000,00 5 04/01/2008 100.000,00 5 De conformidade com a decisão recorrida, não foi apresentada documentação que deu suporte aos lançamentos na conta 220150 2201020100 – contratos de mútuo. Assim, os referidos valores não serão computados como obrigações que justificassem pagamentos efetuados em 2008 e 2009 objeto da autuação. Neste ponto, a recorrente controverte, afirmando, em relação ao primeiro lançamento, no valor de R$ 90.000,00, que seu Diário Geral traz um detalhamento que permite confirmar a efetividade do empréstimo; em relação ao segundo lançamento, afirma que houve lapso interpretativo da DRJSDR, pois o seu Razão Analítico não contempla empréstimo da quantia de R$ 100.000,00 em 04/01/2008, mas sim uma devolução de mútuo em 07/01/2008. Relativamente à quantia de R$ 90.000,00, equivocouse a recorrente. Assim como afirmado acima, a parte limitouse a apresentar a folha do Diário Geral, não tendo juntado, contudo, fotocópia do cheque nominativo e nem mesmo do extrato bancário demonstrando a entrada do valor em sua conta. Vejase que a própria recorrente detalhou que o empréstimo foi concedido através do cheque nº 1112, sacado contra o Banco Safra S/A, pelo Senhor Edevaldo. Sendo sabido que todo lançamento deve estar lastreado em documentação hábil e idônea, deveria ter trazido aos autos os documentos bancários comprobatórios. Relativamente à quantia de R$ 100.000,00, realmente o Razão Analítico não contempla empréstimo da quantia de R$ 100.000,00 em 04/01/2008, mas sim uma devolução de mútuo em 07/01/2008, como se vê à fl. 8267. 5.5 CONCLUSÃO Ante o exposto, a planilha demonstrativa constante da decisão a quo deve ser retificada nos seguintes termos: Data Suprimento Alegado Suprimento Comprovado Doc. Fls. Mutuante 23/03/2005 2.000.000,00 2.000.000,00 7840/7842 Eduardo 04/04/2005 700.000,00 700.000,00 7844/7846 Eduardo 16/03/2006 1.500.000,00 1.500.000,00 7848/7850 Eduardo 16/03/2006 1.900.000,00 1.900.000,00 7852/7854 Edson 29/03/2006 1.000.000,00 1.000.000,00 7856/7858 Eduardo 28/06/2006 1.350.000,00 0,00 7860/7862 29/11/2006 2.400.000,00 2.400.000,00 7864/7868 Edevaldo/Labibi 29/06/2007 1.300.000,00 1.300.000,00 7870/7876 Edevaldo/Labibi 15/10/2007 231.897,14 231.897,14 7878/7912 Edevaldo/Labibi 23/10/2007 650.000,00 650.000,00 7914/7916 Eduardo 30/10/2007 320.000,00 320.000,00 7918/1926 Edevaldo/Labibi 01/11/2007 655.000,00 655.000,00 7928/7934 Edevaldo/Labibi 06/11/2007 200.000,00 200.000,00 7936/7942 Edevaldo/Labibi Fl. 8304DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 07/11/2007 1.800.000,00 1.800.000,00 7944/7946 Eduardo 13/11/2007 1.300.000,00 1.300.000,00 7948/7954 Edevaldo/Labibi 22/11/2007 30.000,00 30.000,00 7956/7960 Edevaldo/Labibi 28/11/2007 125.000,00 125.000,00 7962/7968 Edevaldo/Labibi 28/11/2007 85.000,00 85.000,00 7970/7974 Edevaldo/Labibi 29/11/2007 1.500.000,00 1.500.000,00 7976/7984 Edevaldo/Labibi 03/12/2007 665.000,00 665.000,00 7986/7990 Edevaldo/Labibi 04/12/2007 150.000,00 150.000,00 7992/7998 Edevaldo/Labibi 17/12/2007 550.000,00 550.000,00 8000/8008 Edevaldo/Labibi 18/12/2007 1.250.000,00 1.250.000,00 8010/8018 Edevaldo/Labibi 20/12/2007 90.000,00 0,00 04/01/2008 650.000,00 650.000,00 8020/8026 Edevaldo/Labibi 30/04/2009 500.000,00 500.000,00 8028/8032 Edevaldo/Labibi 10/07/2009 2.855.000,00 2.855.000,00 8034/8042 Edevaldo/Labibi 15/07/2009 600.000,00 600.000,00 8044/8046 Edevaldo/Labibi 23/07/2009 140.000,00 140.000,00 8048/8050 Edevaldo/Labibi 26/11/2009 300.000,00 300.000,00 8052/8054 Edevaldo/Labibi 5.6 EXECUÇÃO DO JULGADO Para a execução do julgado, a autoridade executora deverá observar os mesmos critérios de cálculo adotados pela DRJ, observandose, ainda, a planilha retificadora constante do item anterior. Nessa toada, a autoridade deverá: a) elaborar os demonstrativos de débitos e créditos para cada mutuante, identificando os pagamentos sem causa (devoluções sem saldo de mútuos) e o correspondente valor tributável (pagamento sem causa reajustado) vide, exemplificativamente, os Anexos 2 a 4 da decisão a quo; b) a partir dos referidos Anexos, deverá calcular o imposto devido incidente sobre os pagamentos realizados que permaneceram sem comprovação de causa, observandose, por fim, a declaração de decadência. 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER dos recursos de ofício e voluntário para: (i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; (ii) DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, a fim de, (ii.a) PRELIMINARMENTE, declarar a decadência do IRRF cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de 17/12/2008 (inclusive) e, (ii.b) NO MÉRITO, determinar a retificação do lançamento, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 8305DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.723069/201366 Acórdão n.º 2402005.338 S2C4T2 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Dissinto do voto do relator, apenas, na abordagem da prejudicial de decadência. No caso em comento, estáse diante de da presunção legal contida na regra do art. 61 da Lei nº 8.981/95, mais acima transcrita, cuja incidência em determinada situação carece de prévia investigação do Fisco acerca dos pagamentos efetuados pelo contribuinte. Desse modo, tratase não de antecipação de pagamento de tributo sujeito à homologação, mas sim de típico lançamento de ofício, devendo ser aplicado, consequentemente, o art. 173, I do CTN. A respeito, são recorrentes os julgamentos do CARF, dos quais colho como ilustração os Acórdãos nº 1302001.857 (j. 4/5/2016) e nº 2301004.531 (j. 8/3/2016), sendo que deste último vale transcrever as elucidativas palavras do Conselheiro Relator, João Bellini Júnior: Tal regime jurídico é incompassível com o pagamento antecipado, pois decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela administração tributária, não sendo razoável supor que a contribuinte, espontaneamente promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota e 35%. O lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art149 do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido o art. 173, I, do CTN. Na espécie, sendo, não há decadência a ser reconhecida, visto que a contribuinte foi autuada em 18/12/2013, e os fatos geradores examinados reportamse ao ano calendário 2008, dentro do prazo quinquenal em referência. Quanto à Súmula CARF nº 99, tenho que é inapropriada a sua menção na espécie, pois versa seu enunciado sobre casos de natureza bastante diversa, nos quais se verifica pagamento parcial de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a saber, as contribuições previdenciárias. Nos demais fundamentos, acompanho o minucioso voto do relator. Ronnie Soares Anderson. Fl. 8306DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por RONNIE SOARES A NDERSON, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901509/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRE´DITO EXPORTAC¸A~O. RESSARCIMENTO.
Para cálculo do rateio proporcional dos créditos de mercado interno e de exportação, devem ser incluídas todas as receitas.
DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade.
BASE DE CA´LCULO. RECEITA, E NA~O O LUCRO.
A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente e´ a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-002.931
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques DOliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRE´DITO EXPORTAC¸A~O. RESSARCIMENTO. Para cálculo do rateio proporcional dos créditos de mercado interno e de exportação, devem ser incluídas todas as receitas. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CA´LCULO. RECEITA, E NA~O O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente e´ a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10280.901509/2012-78
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5587901
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.931
nome_arquivo_s : Decisao_10280901509201278.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 10280901509201278_5587901.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. VALCIR GASSEN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques DOliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6371657
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423398113280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 329 1 328 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901509/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.931 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Matéria COFINS Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO EXPORTAÇAÕ. RESSARCIMENTO. Para cálculo do rateio proporcional dos créditos de mercado interno e de exportação, devem ser incluídas todas as receitas. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. VALCIR GASSEN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 09 /2 01 2- 78 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 10047.287 (fls. 209 a 223), de 31 de outubro de 2013, proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase do pedido de ressarcimento nº 06004.59676.190110.1.1.091094 (fls. 2 a 5) relativo a créditos oriundos de Cofins nãocumulativa exportação, fundamentado no § 1º, do art 6º, da Lei no 10.833/03, para o período de julho a setembro de 2008, num valor total de R$ 45.212.032,71. Com base nesse pedido de ressarcimento foram transmitidas as seguintes declaracõ̧es de compensação pelo contribuinte: DCOMP Valor Utilizado Folhas 38722.15658.120710.1.3.092676 R$ 11.766.547,22 6 a 9 07573.45643.060810.1.3.091503 R$ 9.616.682,12 10 a 15 08221.27297.241110.1.3.099004 R$ 3.929.675,36 16 a 19 39765.21717.061010.1.3.094333 R$ 15.157.592,08 20 a 23 09869.20755.280111.1.3.096670 R$ 2.596.689,80 24 a 27 Para a análise desse pedido de ressarcimento solicitou a DRF ao manifestante uma seŕie de documentos como arquivos contábeis e fiscais digitais, memórias de cálculo representativas dos valores lançados no DACON, descrição completa do seu processo produtivo, atos aprovadores emitidos pela SUDAM para ampliacã̧o do empreendimento, faturas de energia elétrica, notas fiscais de entrada de bens e de serviços utilizados como insumos, entre outros. Da análise desses documentos foram encontradas irregularidades, seja no rateio proporcional dos créditos de exportaca̧õ, seja na utilização de créditos que não se caracterizariam como insumos. Diante disso, a DRF jurisdicionante emitiu o Despacho Decisório de fl. 28, deferindo um crédito parcial de R$ 32.096.963,81, o qual não foi suficiente para compensar integralmente todos os débitos correspondentes as DCOMPs anteriormente relacionadas. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10280.901509/201278 Acórdão n.º 3301002.931 S3C3T1 Fl. 330 3 A DCOMP 39765.21717.061010.1.3.094333 foi homologada parcialmente, enquanto as DCOMPs 08221.27297.241110.1.3.099004 e 09869.20755.280111.1.3.096670 não foram homologadas. Dessa forma, não haveria valor a ser ressarcido para o pedido aqui em análise, visto que o valor do crédito reconhecido foi totalmente utilizado nas compensações homologadas. A análise que levou a essa conclusão do Despacho Decisório se alicerça no Parecer SEORT/DRF/BEL no 0454/2012, tendo o mesmo sido fornecido ao manifestante (fls. 174 a 202). A cien̂cia foi dada ao contribuinte em 16/10/2012 (fls. 34 e 206). O contribuinte apresentou, em 08/11/2012, manifestação de inconformidade às fls. 35 a 77. Em que a pese durante a manifestação o contribuinte misturar os tópicos de sua contestação, repetindoos muitas vezes durante sua argumentação, talvez por estarem inter relacionados, temos, em síntese, as seguintes alegações: QUE os insumos que geram créditos de Cofins nãocumulativa não se restringem ao universo das matériasprimas, produtos intermediários, e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, aplicados ou consumidos na produção ou fabricacã̧o do produto destinado à venda, como entende a fiscalizaçaõ. Insumo deve ser entendido como cada um dos elementos imprescindíveis para a produca̧õ das mercadorias ou para a prestaca̧õ dos servico̧s. Cita o Parecer Normativo CST no 65/79. QUE as glosas podem ser atribuídas ao fato de que tais insumos não integrariam os produtos aplicados ao processo de industrialização por inexistir contato físico dos mesmos com o produto final (a alumina), mas defende que mesmo sem tal contato, sem tais insumos jamais se poderia chegar ao produto final – cita como exemplo o caso do ácido sulfúrico, do inibidor de corrosão e do carbonato de cálcio. QUE o § 3º, do art. 6º, da Lei no 10.833/03, estabelece como créditos passíveis de ressarcimento todos os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportacã̧o, e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo da alumina exportada. QUE em relação à glosa de materiais e serviços diversos ligados à construca̧õ civil e edificações incorporados ao seu ativo imobilizado temse permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei n° 10.833/03, afirmando também que a IN SRF n° 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 ao mês). Entende, porém, que a Lei n° 11.196/05 (instituiu regime especial de tributaca̧õ para o REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre bens amparados pelo RECAP) e o Decreto nº 5.988/06 (instituiu depreciação acelerada incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuaçaõ das extintas SUDENE e SUDAM) previram incentivos para que as sociedades sujeitas ao SUDAM pudessem optar por uma periodicidade diferenciada (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP. Destaca, ainda, que a alegação do Parecer da DRF de fundamentar que não teria observado as exigências da Lei no 11.196/05, exigirlheia uma conduta impraticável. QUE não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e equipamentos, volvidos no ativo imobilizado, não teriam sido empregados na fabricação de produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, instrumentos, construçaõ civil, veículos e outros. QUE não há como se vislumbrar infringência à Lei n° 11.488/07 (REIDI) no que se refere ao desconto de créditos de edificacõ̧es. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 QUE as glosas pontuadas pela fiscalização se referem a custos que deveriam ter sido homologados com base nos arts. 2º e 3º, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sendo incompreensível a manutenção das mesmas. E não considerar tais despesas como insumos é critério inconciliável com a diretriz constitucional da não cumulatividade, bem como de sua previsão infraconstitucional. QUE destaca decisão da Câmara Superior da 3ª Seção do CARF ter julgado que os insumos passíveis de crédito de PIS e de Cofins são produtos e servico̧s inerentes a ̀ produçaõ, mesmo que não sejam consumidos durante o processo produtivo. QUE não há como se negar que muitas soluções de consulta editadas pela Receita Federal do Brasil tem posicionamento restritivo para o conceito de insumo, sustentando que esses seriam aqueles itens aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de servico̧s, o que seria uma ilegítima importação do conceito de insumo previsto na legislação do IPI. Salienta que a jurispruden̂cia defenderia que o correto seria aproximar insumo ao conceito de despesa dedutível para fins de IRPJ. QUE são incabíveis as glosas de créditos relativos ao ativo imobilizado e edificações, tendo em vista que o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos da empresa, inclusive móveis, utensílios, veículos, instalações, prédios construídos e em construção, com base nas Leis no 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, que qualquer ativo imobilizado gera crédito das contribuicõ̧es. Bastaria que tivessem sido adquiridos para a produção de bens destinados à venda, sendo que para edificações e benfeitorias, nem mesmo tal exigen̂cia e ́feita. QUE a ALUNORTE é uma refinaria de alumina e não haveria mais nada que se pudesse fazer com os móveis, ferramentas, instrumentos, veículos, máquinas e equipamentos genéricos glosados. QUE não há qualquer dispositivo legal que diga que encargos de depreciação e de amortização somente possam ser computados no resultado do exercício a partir da utilização de cada bem considerado. QUE existem autores com entendimento doutrinário sobre a extensão e o alcance do conceito de insumo para fins de creditamento das contribuicõ̧es contrários a reduçaõ dessa amplitude conceitual disposta pela fiscalização. Por fim, requer que sejam acolhidas as razões de sua manifestacã̧o de incoformidade pra fim de descontituir as glosas objeto desse processo no valor de R$ 13.115.068,90, e aproveitandose dos créditos lanca̧dos nos pedidos de compensação do 3º trimestre, advindos da nãocumulatividade de Cofins, sob pena de violacã̧o frontal ao § 12, art. 195 da Constituição Federal, ao § 1º, do art. 6º, da Lei no 10.833/03, ao art. 100, da Lei no 5.172/66 (CTN), aos arts. 13 e 14, da Lei no 11.196/05, ao art. 1º, do Decreto no 5.789/06, aos arts. 1º, 2º e 3º, do Decreto no 5.988/06, ao art 6º e 41, da Lei no 11.488/07, ao art. 8º, da IN SRF no 404/04, e ao art. 1º e 2º, da IN SRF no 457/04. Protesta, ainda, pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da ALUNORTE no período, e as razões de glosa suscitadas pela fiscalizaçaõ, esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e servico̧s glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo, e indicando assistente técnico. O Contribuinte, em vista da negativa do referido acórdão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 227 a 274), em 18 de dezembro de 2013, visando reformar a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF –, por sua vez, por intermédio da Resolução nº 3202000.341 (fls. 304 a 308) da 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, em 18 de março de 2015, converteu o julgamento em diligência. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10280.901509/201278 Acórdão n.º 3301002.931 S3C3T1 Fl. 331 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face ao Acórdão nº 10047.287, atende aos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A questão central no presente processo diz respeito à discussão de reconhecimento de direito a crédito em diversas rubricas pertinentes às contribuições PIS/COFINS Por meio da SEORT nº 0454/2012 (fls. 174 a 202), de 31 de maio de 2012, a Fazenda Nacional verificou que as listas das notas fiscais e memória de cálculo apresentadas pelo Contribuinte não se deram de forma suficiente para a identificação da natureza de cada operação, prejudicando assim o direito creditório solicitado. O Contribuinte manifestou sua inconformidade (fls. 35 a 77) alegando que: Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente a aquisição de ácido sulfúrico, de inibidor de corrosão, de carbono de cálcio e materiais diversos de manutenção, bem como foram glosados créditos relacionados ao transporte de rejeitos industriais, transporte de carga e descarga de bauxita, cinzas, carvão, calcário, Serviços de Limpeza Industrial de desincrustração de tanques e vasos por meio mecanizado e serviços de agenciamento portuário e despesas portuárias, todo sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda, o que estaria em dissonância com o art. 8º, § 4º, inciso II, da IN SRF 404/2004. Por derradeiro, glosaramse os créditos relacionados a materiais e serviços diversos ligados a construção civil e edificações que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. Requereu o Contribuinte, por fim, que se desconstituíssem as glosas e aproveitassem os pedidos de compensação do 3º trimestre de 2008 e, ainda, a produção de prova pericial, via auditagem suplementar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA – decidiu, por unanimidade de votos, por indeferir o pedido de perícia e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa: ASSUNTO: CONTRIBUICÃ̧O PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Para cálculo do rateio proporcional dos créditos de mercado interno e de exportação, devem ser incluídas todas as receitas. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuraca̧õ de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. (grifou se). Manifestaca̧õ de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante do indeferimento do pedido de perícia, os conselheiros da 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, em 18 de março de 2015, por unanimidade, por intermédio da Resolução nº 3202000.341, decidiram converter o julgamento em diligência com os seguintes argumentos: Diante do exposto, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório, e assim sendo, nos termos do que dispõem os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente da DRF – Joaca̧baSC: 1º) Intime a Recorrente a apresentar laudo técnico elaborado por instituica̧õ de reconhecida reputacã̧o técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), no qual deverá constar: a) A descricã̧o detalhada do processo produtivo da Recorrente, apontando, discriminadamente, qual a utilizaçaõ dos insumos ora glosados na produção dos bens destinados à venda; b) Quais insumos objeto da autuaçaõ fiscal são de aplicação direta ou indireta na produção; e c) Se tais insumos possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. 2º) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo acerca da utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosados, em relacã̧o ao processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Porém, conforme se verifica no Relatório Fiscal Seort nº 002/2015 (fls. 316 a 318), emitido pela Fazenda Nacional, em 3 de agosto de 2015, o Contribuinte não apresentou o laudo técnico requerido pela referida Resolução do CARF. Insta observar que a intimação foi recebida pelo Contribuinte em 12 de maio de 2015, conforme Aviso de Recebimento – AR – (fls. 314). A Procuradoria da Fazenda Nacional vem requerer (fls. 326 e 327) que, uma vez não apresentado o laudo técnico pelo Contribuinte, seja negado o provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o acórdão ora recorrido. Como a análise do litígio envolve a questão controvertida acerca da definição de insumos para fins de creditamento com vistas ao atendimento ao preceito da não Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10280.901509/201278 Acórdão n.º 3301002.931 S3C3T1 Fl. 332 7 cumulatividade da Cofins, a não apresentação do laudo técnico por parte do Contribuinte não oferta material probatório para a verificação do alegado além do que já foi verificado. Desta forma, como não houve a apresentação por parte do Contribuinte dos documentos que visavam esclarecer elementos dos autos por ele alegado, cabe observar a legislação e julgar a lide com os meios probatórios expostos nos autos. Observase nas fls. 190 e seguintes a inclusão de diversos itens que não estariam contemplados no entendimento de insumos como serviços e produtos essenciais e passíveis portanto de creditamento da Cofins. Houve também a apuração de irregularidades nos créditos indevidos sobre serviços, conforme fls 193 e seguintes, como nos casos de: serviços não aplicados diretamente no processo produtivo; materiais empregados na manutenção de máquinas industriais, equipamentos e ferramentas incluídos no ativo imobilizado; não apresentação de notas fiscais à fiscalização; falta de previsão legal; serviços de fretes; serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo. O Contribuinte visa a ampliação do creditamento atingindo quase a totalidade dos gastos da empresa, com parâmetro na apuração do lucro para fins do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, porém a base de cálculo da COFINS incide sobre a receita, e não sobre o lucro. Logo, observando o princípio da nãocumulatividade, só poderia ser desonerado tendo em vista a essencialidade dos serviços e produtos que o Contribuinte utilizou como base para o creditamento da contribuição. Face à legislação aplicável ao caso, à concessão do amplo poder de defesa ao Contribuinte, no caso específico da diligência solicitada e concedida e a não apresentação de laudo técnico por parte do Contribuinte, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o acórdão ora recorrido. Valcir Gassen Relator Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100828/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso.
Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11065.100828/2009-75
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595387
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.857
nome_arquivo_s : Decisao_11065100828200975.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 11065100828200975_5595387.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6400444
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423430619136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.100828/200975 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301002.857 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Embargante Ferramentas Gedore do Brasil S/A Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 28 /2 00 9- 75 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100828/200975 Acórdão n.º 3301002.857 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 5.852,95, referente a julho de 2009, cujo prazo final era 08/09/2009, tendo sido entregue em 16/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100828/200975 Acórdão n.º 3301002.857 S3C3T1 Fl. 12 3 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100828/200975 Acórdão n.º 3301002.857 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100828/200975 Acórdão n.º 3301002.857 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720006/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO. OPÇÃO. MOMENTO.
Em regra, a opção pelo método de determinação do preço parâmetro é da pessoa jurídica, inexistindo necessidade de comunicação prévia à Receita Federal. Exercida a opção e sendo os valores apurados objeto de questionamento por parte da Fiscalização, descabe a apresentação, em sede de contestação do feito fiscal, de cálculos segundo um método distinto do correspondente à opção anteriormente exercida, mormente na circunstância em que os referidos cálculos dependem de comprovação por meio de procedimento complementar e em que foi oportunizado meios, no curso da ação fiscal, para que eles fossem apresentados.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Por força do que dispunha o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado.
VALORAÇÃO DO ESTOQUE. METODOLOGIA.
Não é merecedor de reparo a determinação do preço parâmetro que adotou os critérios estipulados pela legislação de regência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE.
A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido.
Numero da decisão: 1301-001.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO. OPÇÃO. MOMENTO. Em regra, a opção pelo método de determinação do preço parâmetro é da pessoa jurídica, inexistindo necessidade de comunicação prévia à Receita Federal. Exercida a opção e sendo os valores apurados objeto de questionamento por parte da Fiscalização, descabe a apresentação, em sede de contestação do feito fiscal, de cálculos segundo um método distinto do correspondente à opção anteriormente exercida, mormente na circunstância em que os referidos cálculos dependem de comprovação por meio de procedimento complementar e em que foi oportunizado meios, no curso da ação fiscal, para que eles fossem apresentados. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Por força do que dispunha o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. VALORAÇÃO DO ESTOQUE. METODOLOGIA. Não é merecedor de reparo a determinação do preço parâmetro que adotou os critérios estipulados pela legislação de regência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720006/2011-42
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5582270
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-001.983
nome_arquivo_s : Decisao_16561720006201142.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16561720006201142_5582270.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
id : 6350944
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423453687808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 6.552 1 6.551 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720006/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.983 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2016 Matéria IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE AUTOMOTORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO. OPÇÃO. MOMENTO. Em regra, a opção pelo método de determinação do preço parâmetro é da pessoa jurídica, inexistindo necessidade de comunicação prévia à Receita Federal. Exercida a opção e sendo os valores apurados objeto de questionamento por parte da Fiscalização, descabe a apresentação, em sede de contestação do feito fiscal, de cálculos segundo um método distinto do correspondente à opção anteriormente exercida, mormente na circunstância em que os referidos cálculos dependem de comprovação por meio de procedimento complementar e em que foi oportunizado meios, no curso da ação fiscal, para que eles fossem apresentados. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Por força do que dispunha o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. VALORAÇÃO DO ESTOQUE. METODOLOGIA. Não é merecedor de reparo a determinação do preço parâmetro que adotou os critérios estipulados pela legislação de regência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 06 /2 01 1- 42 Fl. 6552DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.553 2 A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 6553DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.554 3 Relatório VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE AUTOMOTORES LTDA, já devidamente qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de retificação das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativas ao ano calendário de 2006, promovidas em virtude da revisão de ajustes relacionados às regras de preços de transferência. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos, os ajustes promovidos e as razões de impugnação trazidas pela contribuinte fiscalizada. [...] A autuação foi realizada em razão da aplicação do controle de preços de transferência sobre os custos, despesas e encargos na importação de bens adquiridos pela fiscalizada de pessoa vinculada no exterior que, segundo a autoridade fiscal, provocaria uma adição de R$ 182.870.778,75 às bases de cálculo tributáveis, ao invés dos R$ 2.486.629,17 reconhecidos originalmente na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do exercício 2007. Notificada da presente autuação em 27/10/2011 (fl. 5058), a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal em 28.11.2011 (fl. 5077/5091), em que pede a declaração da improcedência da autuação, com fundamento nas alegações sintetizadas a seguir: (i) A fiscalização adotou o preço FOB praticado na importação, acrescido dos valores de transporte e seguro (CIF) e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação, enquanto que a Impugnante utilizouse do valor FOB, sem a inclusão dos valores correspondentes ao frete e ao seguro, uma vez que, conforme demonstra a documentação, em anexo (Doc. 02), o transporte e o seguro das mercadorias importadas não é contratado com empresa vinculada, razão pela qual os preços praticados não estão sujeitos às regras do preço de transferência, eis que o real alcance do disposto no § 6°, do art.18, da Lei n° 9430/96, deve ser a inclusão dessas parcelas, apenas quando pagas a pessoa jurídica vinculada à importadora brasileira; (ii) No cálculo dos preços praticados, foi somado o custo de todas as compras do ano com o valor do estoque inicial, dividindose pela soma das quantidades compradas e em estoque inicial, fazendo com que sejam computadas, na apuração dos preços praticados, compras que restaram em estoque no final do anocalendário, e não apenas os custos efetivos das compras consumidas; assim, informações de estoque que ainda não transitavam no resultado do anocalendário de 2006, tais como receitas e custos, participaram indevidamente da formação dos preços praticados; Fl. 6554DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.555 4 (iii) O segundo equívoco se dá na utilização do valor do estoque, para determinar os custos dos produtos, que compuseram o saldo inicial, uma vez que o valor de estoque envolve várias parcelas de custo, além do valor da mercadoria (FOB), como as parcelas de seguro, frete e imposto de importação, parcelas que, consoante já mencionado, não devem ser computadas para a apuração do preço praticado; (iv) Ainda que se entenda que se deva utilizar o valor CIF+II, para determinar o preço praticado, o valor considerado pela fiscalização envolve parcelas referentes a outros custos, resultando em um preço praticado maior que o FOB e o próprio valor CIF+II e, obviamente, um ajuste não previsto em lei; (v) Diante disso, concluise que tanto no cálculo pelo método do Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 20% PRL20, quanto no Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 60% PRL60, houve equívoco nos valores utilizados pela fiscalização para o cálculo dos preços praticados, não havendo, consequentemente, fundamento para os ajustes realizados; (vi) Na aplicação do método Preço de Revenda Menos Lucro com margem de lucro de 60%, o autuante apurou a participação do insumo importado, no preço de venda do produto acabado e sobre este valor aplicou o percentual de 60%, obtendo o preço parâmetro da mercadoria importada da pessoa jurídica coligada, conforme disposto no § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/2002, procedimento flagrantemente em desacordo com a literalidade da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, que expressamente determina que a margem de lucro de sessenta por cento seja calculada sobre o preço de revenda, depois de deduzido o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção, sendo esse o cálculo adotado pela Impugnante, conforme planilha em anexo (Doc. 04); (vii) A Impugnante optou, em sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2006, pela adoção do método Preço de Revenda Menos Lucro — com margem de lucro de 20% para os veículos, tendo em vista a dificuldade, na obtenção e comprovação dos preços praticados na venda dos veículos em questão em operações realizadas com pessoas não vinculadas, de forma a viabilizar a adoção do método dos Preços Independentes Comparados PIC, que foi utilizado para os veículos SpaceFox e que ficaram dispensados de qualquer ajuste, conforme ratificado pela própria fiscalização; (viii) No entanto, a Impugnante conseguiu apurar esses preços e elaborar a planilha, em anexo, que demonstra a ausência de divergência entre os preços praticados e os preços parâmetros, no que tange a dois dos dez veículos, objetos das autuações (Doc. 03), devendo, portanto, serem canceladas as autuações quanto a esses itens. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1654.005, de 08 de janeiro de 2014, pela procedência das retificações empreendidas pela Fiscalização. O referido julgado foi assim ementado: ATO NORMATIVO. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. VEDAÇÃO. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de entendimento da administração tributária expresso em ato normativo, com fundamento em sua suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade. Fl. 6555DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.556 5 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ESCOLHA DO MÉTODO. COMPROVAÇÃO. A adoção de método de apuração de preço de transferência está condicionada à comprovação dos elementos utilizados pelo contribuinte para o cálculo do preço parâmetro. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DESPESAS COM FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. O valor de frete e seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação devem ser incluídos na apuração dos preços praticados, assim como dos preços parâmetros, segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro). MÉTODO PRL. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. O preço praticado, para fins de apuração dos ajustes relativos aos preços de transferência, é obtido a partir do preço médio ponderado dos bens, serviços e direitos adquiridos pela empresa vinculada domiciliada no País durante o período de apuração sob exame, e não pelo método PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair). CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Irresignada, a contribuinte fiscalizada interpôs recurso voluntário, fls. 6.484/.6500, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 6556DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.557 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de IRPJ e CSLL, relativas ao ano calendário de 2006, formalizadas a partir de ajustes promovidos com base nas normas de PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 5019/5058, as matérias tributáveis apuradas foram as seguintes: i) R$ 8.920.378,65: AJUSTE PRL 20% VEÍCULOS; ii) R$ 4.014.922,25: AJUSTE PRL 20% PEÇAS; iii) R$ 91.914.472,82: AJUSTE PRL 60% PEÇAS; e iv) R$ 78.021.005,03: AJUSTE PRL 20% e PRL 60% PEÇAS. TOTAL: R$ 182.870.778,75 Na medida em que a fiscalizada promoveu ajustes no montante de R$ 2.486.629,17, os lançamentos tributários recaíram sobre o valor de R$ 180.384.149,58 (R$ 182.870.778,75 R$ 2.486.629,17). Aprecio os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. AUSÊNCIA DE AJUSTE PARA VEÍCULOS COM BASE NO MÉTODO PIC Alega a Recorrente que optou pelo método PRL 20% para os veículos que foram objeto de ajuste por parte da Fiscalização, porém, conseguiu apurar preços independentes e elaborar planilha, anexa à impugnação, que demonstra a ausência de divergência entre os preços praticados e os preços parâmetros no que tange a dois dos dez veículos submetidos à autuação. Penso que, aqui, a questão a ser enfrentada inicialmente diz respeito à possibilidade de a Recorrente, tendo optado por determinado método de apuração de ajuste de preços de transferência, pode, em virtude questionamento feito em âmbito de procedimento fiscal regular, apresentar, em sede de defesa, nova determinação de ajuste com base em método distinto. Conforme registro feito no Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente foi intimada em 29/06/2010 a informar os métodos de ajuste relativo aos preços de transferência. Com base na resposta apresentada, a Fiscalização concluiu que para os veículos SPACE FOX, Fl. 6557DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.558 7 importados da Argentina, os denominados preços parâmetros foram determinados com base no método PIC. Para os demais veículos, importados para revenda, foi utilizado o método PRL 20. Ainda de acordo com o referido Termo de Verificação, em 03/06/2011, por meio do Termo de Intimação nº 007/2011, a Recorrente foi intimada a eleger, para as operações envolvendo veículos cujo método utilizado foi o PRL 20, outro método, caso não tivesse sido possível a utilização do citado método. Para o item 4 do referido Termo de Intimação nº 007/2011, que representa o item no qual a Fiscalização oportuniza a eleição de um outro método caso o PRL 20 não fosse possível, a Recorrente respondeu: [...] Item 4: informar que o arquivo "Fiscalização_2006_Vendas" representa todas as vendas realizadas para pessoas não vinculadas. Cabe ressaltar, conforme mensagem eletrônica endereçada a V. Sas. em 21.06.2011 e reproduzida abaixo, a Volkswagen teceu algumas ponderações acerca do conceito de pessoa vinculada para fins de Preço de Transferência, o qual entende que os concessionários da marca não são vinculados, permitindo, assim, a aplicação do método PRL, restando os demais subitens (letras b, c, d, e) prejudicados, vez que remetem à aplicação de outros métodos. (GRIFEI) Os subitens "b", "c", "d" e "e" são exatamente os que se relacionam com a oportunidade oferecida pela Fiscalização para que a contribuinte, caso não dispusesse de meios para aplicar o método PRL 20, adotasse outro método. Como se vê, a própria Recorrente, na ocasião, julgou prejudicadas as solicitações, por entender que, a partir das suas considerações acerca do conceito de pessoa vinculada (aceita pela Fiscalização1), seria perfeitamente possível a aplicação do método PRL 20. Não me parece razoável que, agora, em sede de contestação do feito, possase admitir a apresentação de novos preços parâmetros com base em método distinto do que foi, por opção, adotado, mormente na circunstância em que seria necessária a realização, de ofício, de procedimento complementar (diligência) objetivando a comprovação dos cálculos trazidos ao processo, ou, no mínimo, aguardar que a contribuinte aporte aos autos cópia das faturas que ela se propõe a obter junto à empresa exportadora (no recurso, a contribuinte assinala: "Caso assim não se entenda, a Recorrente protesta pela juntada da cópia das faturas utilizadas na apuração dos preços parâmetros pelo método PIC, que terá que obter com a empresa exportadora"). Deixo, pois, de acolher o requerido pela Recorrente PRL 20% E 60%: INDEVIDA UTILIZAÇÃO DO VALOR CIF E VALORAÇÃO DO ESTOQUE INICIAL PARA APURAÇÃO DOS PREÇOS PRATICADOS 1 Às fls. 08 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante assinala: "Analisamos as ponderações, apresentadas pela empresa em resposta ao referido Termo, no que se refere à conceituação das concessionárias nacionais de veículos como pessoas jurídicas vinculadas a empresa Volkswagen, sendo que essa fiscalização acatou a argumentação apresentada. Fl. 6558DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.559 8 Alega a Recorrente que os Auditores Fiscais têm utilizado na aplicação do método PRL o custo da mercadoria adicionado das parcelas pagas a terceiros a título de frete, seguro e imposto de importação. Diz que, se tais valores são pagos a terceiros não vinculados, eles não devem ser incluídos na apuração dos preços de transferência. Alega que, quanto à valoração do estoque inicial, no item B5, página 34 do Termo de Verificação Fiscal, consta que somente é passível de ajuste no ano calendário a quantidade efetivamente consumida durante o ano, de modo que, para determinar os preços praticados, devese utilizar o custos das importações, que foram consumidas, por meio da metodologia PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), de acordo com as regras contábeis. Afirma que no cálculo dos preços praticados estão sendo levadas em conta compras que restaram no estoque no final do ano calendário, e não apenas os custos efetivos de compras consumidas. Adiante, repisa que as parcelas de seguro, frete e imposto de importação não devem ser computadas na apuração do preço praticado. Relativamente aos valores do frete, seguro e tributos incidentes na importação, releva, de início, reproduzir as disposições da Lei nº 9.430, de 1996, acerca da matéria, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Com efeito, temos (verbis): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Antes de adentrar à questão propriamente dita, destaco que o disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, há muito disciplina a apropriação de custos na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas submetidas ao lucro real. Nessa linha, assim dispõe o artigo 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...] O referido dispositivo constitui, inclusive, matriz legal dos artigos 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Penso que não exista dúvida de que a disposição contida na Lei nº 9.430, de 1996, efetivamente diz respeito ao custo contábil. Fl. 6559DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.560 9 Entendo, também, que a norma em comento tinha aplicação genérica, isto é, não dizia respeito a um determinado método de determinação de preço parâmetro, mas, sim, à determinação do custo em qualquer dos métodos preconizados no artigo em que se encontra inserida. A meu ver, quando se trata de aplicação de métodos de preços de transferência, o cuidado que se deve ter (na consideração ou não do frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do custo de importação) diz respeito à possibilidade de se distorcer os termos da comparação que se pretende empreender. Observese que a regra é a inclusão, na determinação do custo da importação, do frete, seguro e dos tributos devidos na importação. Nesse sentido, a Instrução Normativa nº 243, de 2002, tratando do que denominou de normas comuns aos custos na importação, esclareceu que, verbis: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. § 5º Nos preços apurados com base nos métodos dos arts. 8º e 13, os valores referidos no § 4º poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado, para efeito de comparação. Os artigos 12, 8º e 13, acima referenciados, tratam do PRL, PIC e CPL, respectivamente. No caso do método do Preço de Revenda menos Lucro, penso que, ausente a comprovação de que na determinação dos preços de revenda não se encontram agregados os valores correspondentes ao frete, ao seguro e ao tributos devidos na importação, descabe falar em exclusão dos referidos valores. A inclusão ou não de tais montantes, à evidência, associase às condições de comparabilidade, isto é, comprovasse a Recorrente que na determinação dos seus preços de revenda não fez repercutir os dispêndios em comento, ganharia plausibilidade a sua argumentação, porém, na inexistência de tal comprovação, a suposição decorre do que é tecnicamente correto, qual seja, a de que nos preços de revenda praticados encontramse incluídos os gastos incorridos na importação do produto. Apreciando idêntica matéria, o Ilustre Conselheiro Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, nos autos do processo administrativo nº 16327.000966/200274 (acórdão nº 10517.077), assinalou: A questão gira em tomo da imperiosidade, ou não, da consideração dos custos de transporte e seguro e do imposto de importação na composição do preço Fl. 6560DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.561 10 parâmetro. Isso porque a Recorrente entende que "sendo o frete e o seguro pagos a terceiros e o II ao Erário Federal, tratase de encargos não manipuláveis pela importadora e a empresa vinculada no exterior e que, portanto, não devem ser levadas em consideração na comparação entre o preço dos produtos praticados entre estas e aqueles considerados aceitáveis pelo mercado" (fls. 1188). Por outro lado, "a Fiscalização, conforme impõe o par. 4° do art. 4° da IN SRF n° 32/01, trabalhou com o Custo de Importação CIF, ou seja, o valor do frete e do seguro, suportado pelo importador, foi incluído no cálculo. Vejamos o que dispõe o § 6° do referido art. 18 da Lei n° 9.430/96: ... Como bem pontuou a decisão recorrida "examinandose o dispositivo no contexto dos objetivos pretendidos pela legislação de preços de transferência, observase que os valores do frete, do seguro internacional e do imposto de importação certamente não poderiam deixar de ser considerados na busca pelo preço parâmetro, pois, apesar de normalmente não constituírem encargos devidos à empresa vinculada no exterior, esses valores são agregados ao custo de importação e compõem o preço pelo qual a mercadoria importada ficou efetivamente disponível para o importador no Brasil". De outra forma, não é razoável supor que o preço utilizado possa ser contraposto ao preço parâmetro utilizandose critérios diversos na composição do custo em um e noutro caso. Não pode, assim, referidas parcelas serem excluídas da composição do custo a ser considerado na importação. E não se está falando, aqui, de aplicação retroativa da IN n°. 32/01. Isso porque a disposição constante da IN n°. 38/97 de que os valores de transporte e seguro poderão integrar o custo de bens adquiridos do exterior não pode fugir à própria disposição da lei que é tomada como seu fundamento, sendo lida nos termos do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei n°. 9.430/96. Não consiste, assim, a reclamada disposição da IN/97, em mera faculdade do Contribuinte, mas senão um dever de, na composição do custo de importação, adicionar os valores referentes ao frete e seguro. O mesmo se diga com relação aos II, que somente tratará bases corretas de comparação se for considerado no custo de ambos os valores apurados. No que tange à valoração de estoque, para rejeitar as alegações da Recorrente, sirvome do mesmo elemento por ela apontado, qual seja, o Termo de Verificação Fiscal. Com efeito, a autoridade autuante assinala de forma expressa que, no caso do PRL, a determinação do preço parâmetro deve levar em consideração a quantidade consumida no processo produtivo e a quantidade revendida (subitem B.4, fls. 5.050 do processo), e, diferentemente do que alega a Recorrente, apresenta DEMONSTRATIVO DE CONSUMO, no qual efetiva a utilização da fórmula QUANTIDADE CONSUMIDA = ESTOQUE INICIAL + COMPRAS ESTOQUE FINAL (subitem B.5, fls. 5.053/5.054 do processo). No mais, como bem ressaltou o ato decisório recorrido, na aplicação do método PRL a legislação tributária estabelece que sejam considerados os custos médios, descabendo falar, pois, em método PEPS. Fl. 6561DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.562 11 Sou, assim, pelo não acolhimento das razões recursais tratadas no presente item. PRL 60% Alega a Recorrente que a exigência fiscal também decorre de manifesto equívoco de interpretação por parte da autoridade lançadora do disposto na Lei nº 9.430/96. Afirma que os preceitos fixados pela referida lei foram rigorosamente observados por ela. Alega que, comparando os cálculos por ela efetuados com os apresentados pela autoridade fiscal, constatase que a diferença reside na apuração da margem de lucro. Sustenta que o procedimento de determinar a proporção do insumo importado no preço de venda do produto acabado e sobre este valor aplicar a margem de lucro de 60% está flagrantemente em desacordo com a literalidade da Lei nº 9.430/96. Diz que a IN/SRF nº 243/2002 jamais poderia instituir forma de cálculo contrária à previsão legal. Argumenta que a fórmula de cálculo estabelecida pelas Instruções Normativas SRF nº 113/00 e 32/01, que antecederam a IN SRF nº 243/2002, reproduz o que está determinado na Lei nº 9.430/96 e que foi essa a forma de cálculo por ela adotada. Penso, primeiramente, que a requisição de invalidade do lançamento formalizada pela Recorrente vem acompanhada de afirmação digna de reparo, vez que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não estabeleceu qualquer fórmula para a determinação do preço parâmetro relativo ao denominado método PRL 60%. As fórmulas, sejam as porventura referenciadas pela contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal (Instruções Normativas nºs 113/2000; 32/2001; e 243/2002), representam expressões matemáticas do exercício interpretativo feito pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do citado art. 18 da Lei nº 9.430/96. A análise do presente item deve ser direcionada no sentido de se aferir se a Instrução Normativa nº 243, de 2002, ao estabelecer fórmula para determinação do denominado preço parâmetro, foi além dos limites a ela impostos, isto é, extrapolou a lei que objetivou complementar. Digo que a questão limitase à análise das prescrições trazidas pela Instrução Normativa nº 243/2002, pois, neste item, em que pese a variação de argumentos, a linha de defesa da Recorrente tem por premissa a invalidade do referido ato normativo. Aqui, é importante ressaltar, não existe questionamento relacionado aos cálculos em si, efetuados pela autoridade fiscal. Pontuo que, no que tange à legalidade IN 243, já tive a oportunidade de me pronunciar nos autos do processo administrativo nº 16643.000266/201015, razão pela qual, adiante, promovidas as devidas adaptações aos questionamentos veiculados por meio da peça recursal, repisarei argumentos ali expendidos. Retornando à questão da “fórmula”, reitero que, a meu ver, não estamos diante de instituição, por meio de Instrução Normativa, de fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60% diversa da estabelecida pelo art.18 da Lei nº 9.430/1996, vez que, como já dito, a lei não estabeleceu “fórmula” no sentido empregado pela ora Recorrente, Fl. 6562DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.563 12 isto é, não exprimiu por meio de símbolos os elementos que compunham o chamado preço parâmetro. Vejamos, então, o disposto em cada um dos atos antes referenciados, relativamente ao caso em debate (art. 18 da Lei nº 9.430/96 e art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002). Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: ... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; ... Instrução Normativa nº 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: ... b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. Fl. 6563DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.564 13 § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. ... § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou Fl. 6564DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.565 14 direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Para fins de solução da controvérsia, o que importa apreciar é se a interpretação feita pela Recorrente efetivamente traduz a disposição da lei. Cabe, da mesma forma, verificar se a “interpretação oficial”, promovida pela Receita Federal e esposada na Instrução Normativa nº 243, reflete o comando da lei, de modo a afastar a trazida pela ora Recorrente. Não me parece restar dúvida que o valor resultante da aplicação da “fórmula” descrita pela Recorrente não tem qualquer relação com o denominado preço parâmetro almejado pela lei. As regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade Fl. 6565DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.566 15 terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro sugerido pelas Instruções Normativas anteriores à edição da IN 243, na interpretação que tem sido emprestada em variadas teses de defesa, seria expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Fl. 6566DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.567 16 Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, sirvome do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão nº 110200610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos do original) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: Fl. 6567DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.568 17 “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Trata se da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 2 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; 2 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 6568DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.569 18 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Creio não restar dúvida que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN 243, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Fl. 6569DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720006/201142 Acórdão n.º 1301001.983 S1C3T1 Fl. 6.570 19 A proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. Esclareço que, aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. Nesse particular (conformidade com o texto da lei), reitero o entendimento no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. Sou, pois, pela procedência do ajuste promovido pela Fiscalização. Assim, com suporte nos fundamentos ora esposados, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 6570DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722338/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a isenção do imposto de renda a partir de agosto de 2008, inclusive.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13830.722338/2013-18
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596331
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.236
nome_arquivo_s : Decisao_13830722338201318.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830722338201318_5596331.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a isenção do imposto de renda a partir de agosto de 2008, inclusive. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente. Lourenço Ferreira do Prado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6403595
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423475707904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1791; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.722338/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.236 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente YASUO ASHIKAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a isenção do imposto de renda a partir de agosto de 2008, inclusive. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 23 38 /2 01 3- 18 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por YASUO ASHIKAGA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora apurado omissão de rendimentos na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2008 do recorrente. A omissão de receita decorre do fato do contribuinte ter declarado no campo de rendimentos isentos e não tributáveis o valor de R$ 66.720,00 (sessenta e seis mil setecentos e vinte reais) em decorrência de considerarse como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda, o que não restou comprovado, em razão dos motivos a seguir elencados. Consta dos autos que quando da entrega de sua DIRPF original em 23/03/2009 o contribuinte informou o total dos rendimentos recebidos do INSS como sendo rendimentos tributáveis, sendo que, ao apresentar a Declaração Retificadora em 02/07/2013, passou a informar parte dos rendimentos como isentos e não tributáveis, em razão de ter obtido declaração médica oficial o considerando como portador de cardiopatia grave. Também se apura dos autos, que às fls. 62, o médico Dr. André Fernando Teixeira Coelho Filho, subscritor do laudo pericial oficial que atestou a existência de cardiopatia grave no autor desde 20/07/2008, veio a ser intimado pela Secretaria da Receita Federal, a confirmar as conclusões de seu laudo, diante da realização de uma angioplastia em 20/08/2008, emitido pelo médico Dr. Pedro Beraldo de Andrade. Ademais o médico também foi intimado a esclarecer se tinha conhecimento da realização de tal procedimento. Em resposta, o médico intimado afirmou que após o procedimento de angioplastia, a lesão no coração do contribuinte diminuiu para menos de 5% e, por este motivo, o mesmo não mais poderia ser considerado como portador de uma lesão GRAU III ou IV, mas de GRAU I ou II, situações que não se enquadrariam no conceito de cardiopatia grave. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que é portador de cardiopatia grave, o que foi atestado por 02 (dois) médicos peritos do INSS, além de outros 03 laudos médicos, dois subscritos por especialista cardiologista e outro subscrito por médico de serviço médico oficial estadual; 2. que somente um dos peritos que subscreveram a perícia oficial realizada é que mudou as suas conclusões do contribuinte ser possuidor de cardiopatia grave; 3. que é desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para a concessão da isenção do imposto de renda, bastando, para tanto, a apresentação de laudos que comprovem a cardiopatia grave; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722338/201318 Acórdão n.º 2402005.236 S2C4T2 Fl. 3 3 4. diante da contradição de laudos, deve prevalecer o entendimento mais favorável ao contribuinte; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de cardiopatia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... .............................. XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Pois bem, o não reconhecimento do autor se portador de cardiopatia grave, decorreu do fato de que um dos médicos subscritores do laudo pericial oficial, quando intimado pela SRFB, veio a apresentar declaração no sentido de que a realização de um procedimento de angioplastia em 20/08/2008 trouxe melhora no quadro de saúde do autor, que ainda possuía Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722338/201318 Acórdão n.º 2402005.236 S2C4T2 Fl. 4 5 cardiopatia, mas não mais uma cardiopatia grave, em decorrência das lesões no coração terem diminuído para menos de 5%. Em face da mudança de entendimento, o recorrente trouxe aos autos outros laudos médicos, sendo um deles, subscrito por serviço médico oficial, cujo avaliador foi o Dr. José Dorivaldo Zaia. Os demais laudos foram subscritos por médicos particulares. A DRJ entendeu por afastar os argumentos do contribuinte pois entendeu que o laudo médico realizado pelo Dr. André, perito do INSS deveria prevalecer sobre os demais, tendo em vista que é realizado com a observância de metodologia específica, observando os critérios do Manual de Perícias, a seguir elencados: “4. CONCEITUAÇÃO: 4.1 Para o entendimento de cardiopatia grave tornase necessário englobaremse no conceito todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. 4.2 São consideradas Cardiopatias Graves: a) as cardiopatias agudas, que, habitualmente são rápidas em sua evolução, tornaremse crônicas, caracterizando uma cardiopatia grave, ou as que evoluírem para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como cardiopatia grave, com todas as injunções legais; b) as cardiopatias crônicas, quando limitarem, progressivamente, a capacidade física, funcional do coração (ultrapassando os limites de eficiência dos mecanismos de compensação) e profissional, não obstante o tratamento clínico e/ou cirúrgico adequado, ou quando induzirem à morte prematura. 4.3 A limitação da capacidade física, funcional e profissional é definida habitualmente, pela presença de uma ou mais das seguintes síndromes: a) insuficiência cardíaca; b) insuficiência coronária; c) arritmias complexas; d) hipoxemia e manifestações de baixo débito cerebral secundárias a uma cardiopatia. 4.4 A avaliação da capacidade funcional do coração permite a distribuição dos pacientes em Classes ou Graus, assim descritos: a) GRAU I Pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação para a atividade física. A atividade física normal não provoca sintomas de fadiga acentuada, nem palpitações, nem dispnéias, nem angina de peito; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 b) GRAU II Pacientes portadores de doença cardíaca com leve limitação para a atividade física. Estes pacientes sentemse bem em repouso, porém os grandes esforços provocam fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito; c) GRAU III Pacientes portadores de doença cardíaca com nítida limitação para a atividade física. Estes pacientes sentem se bem em repouso, embora acusem fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito, quando efetuam pequenos esforços; d) GRAU IV Pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilitam de qualquer atividade física. Estes pacientes, mesmo em repouso, apresentam dispnéia, palpitações, fadiga ou angina de peito. 6. NORMAS DE PROCEDIMENTO: 6.1 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus III ou IV da avaliação funcional descrita no item 4.4 destas Normas serão considerados como portadores de Cardiopatia Grave. 6.2 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus I e II da avaliação funcional do item 4.4 destas Normas, e que puderem desempenhar tarefas compatíveis com a eficiência funcional, somente serão considerados incapazes por Cardiopatia Grave, quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários. 6.2.1 A idade do paciente, sua atividade profissional e a incapacidade de reabilitação são parâmetros que devem ser considerados na avaliação dos portadores de lesões citadas no item 6.2. Em que pesem os argumentos dos julgadores de primeira instância, tenho outro entendimento quanto ao presente caso. Fato é que este julgador carece do conhecimento técnico suficiente a diferenciar uma cardiopatia grave, de uma simples cardiopatia. E é exatamente por isso, que tal incumbência é reservada aos médicos oficiais do Estado, conforme prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, não vislumbrei que o médico Dr. Mario Katsutani Sobrinho, também subscritor do laudo inicialmente utilizado pelo contribuinte a justificar a Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722338/201318 Acórdão n.º 2402005.236 S2C4T2 Fl. 5 7 cardiopatia grave, também tenha sido intimado manifestarse sobre a necessidade de ratificação de suas conclusões quanto ao diagnóstico de cardiopatia grave, mesmo após a realização da angioplastia. Creio que a sua intimação deveria ser medida imperiosa a ser tomada pela Secretaria da Receita Federal, considerando que subscreveu o laudo em conjunto com o Dr. André, médico que retificou o seu diagnóstico. Em não tendo sido intimado ou provocado a sustentar ou não suas conclusões, tenho que a respeitável mudança de entendimento do médico, Dr. André, não pode ser simplesmente estendida ao médico não intimado, de modo que, a meu ver, num primeiro momento, devo considerar como válida a conclusão inicial sobre o assunto do Dr. Mário. Ademais, o contribuinte trouxe aos autos outro laudo oficial, que se adequa ao disposto na IN/SRF nº 15, de 2001, o qual, já considerando a realização da angioplastia, entendeu que o mesmo é portador de cardiopatia grave desde 20/08/2008. Assim, das provas coligidas as autos, verifico que da manifestação de 03 (três) médicos oficiais, ainda existem duas conclusões pelo diagnóstico de que o recorrente é portador de cardiopatia grave, considerando, ademais, que o laudo mais recente atesta a existência da moléstia grave. Assim, não vejo como deixar de considerar os argumentos trazidos no recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a isenção do imposto de renda a partir de agosto de 2008, inclusive. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722645/2014-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011
GRUPO ECONÔMICO DE FATO.
Considera-se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas.
NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO
A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora.
INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO.
A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011
GRUPO ECONÔMICO DE FATO.
Considera-se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas.
NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO
A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora.
INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO.
A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido.
Numero da decisão: 3402-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Relator Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considera-se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considera-se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11065.722645/2014-72
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5593385
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.043
nome_arquivo_s : Decisao_11065722645201472.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 11065722645201472_5593385.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Relator Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6393903
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423492485120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722645/201472 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.043 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Matéria PIS/Cofins Recorrente PALMITEC INDÚSTRIA DE PALMILHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 26 45 /2 01 4- 72 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Antônio Carlos Atulim Presidente. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativas aos períodos de apuração de março de 2010 a dezembro de 2012. Reproduziremos aqui trecho do relatório do Acórdão da DRJ para esclarecer o histórico da lide: No Relatório Fiscal o auditor informa ter constatado que a autuada e a empresa PalmiServi Beneficiamento de Calçados Ltda. constituíram grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de utilizar, indevidamente, mãodeobra registrada em empresa optante pelo Simples Nacional, obtendo dessa forma vultosas vantagens fiscais indevidas. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.722645/201472 Acórdão n.º 3402003.043 S3C4T2 Fl. 3 3 A autuada se utilizou desta manobra para se eximir do pagamento do PIS e da Cofins, usufruindo indevidamente do creditamento destas contribuições na contratação de serviços de pessoa jurídica, no caso a PalmiServi, que de fato se tratava de uma empresa interposta, cuja mãodeobra (empregados) era de responsabilidade da autuada, pois se trata de uma única empresa que se encontra fracionada para obtenção de vantagens fiscais. Assim, o auditor fiscal desconsiderou os serviços prestados pela empresa PalmiServi para efeito de cálculo dos créditos das contribuições. A partir das relações de notas fiscais confirmadas pela fiscalizada como utilizadas na base de cálculo do crédito do PIS e da Cofins, foram elaboradas as planilhas do Anexo XII, onde estão relacionadas todas as notas fiscais emitidas pela “prestadora de serviço” no período, e, aplicandose as alíquotas de 1,65% e 7,6%, foram recalculados os créditos de PIS e Cofins, considerandose as informações do DACON apresentado pela fiscalizada. Nos Autos de Infração foi, ainda, aplicada a multa qualificada prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007; e, conseqüentemente, de acordo com o estabelecido nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, em função do ilícito descrito, efetuouse Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificada dos Autos de Infração, a contribuinte apresenta impugnação com as seguintes razões de defesa, em síntese: 1. Diferentemente do sustentado pelo Auditor Fiscal, a autuada possuía endereço distinto da empresa PalmiServi, não havendo qualquer “confusão” nesse sentido; 2. O auditor fiscal informa que a sociedade teve início com os sócios Karlei Reinaldo Erhart e Ana Maria Pohren Erhart (mãe de Karlei), quando na realidade a sociedade, conforme se depreende do Contrato Social, era formada por Karlei e Frida Brill Erhart; 3. Esses elementos, apostos no relatório fiscal de forma errônea, prejudicam a defesa da impugnante, incitando o julgador ao erro e violando, de forma direta, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, razão pela qual hão que ser declarados nulos os Autos de Infração em tela; 4. O auditor fiscal imputou à impugnante os Autos de Infração desconsiderando todos os atos jurídicos relativos às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, sustentado apenas em suposições, com base no artigo 116, parágrafo único, do CTN, que não é auto aplicável, tanto que remete à observância dos procedimentos “a serem estabelecidos em lei Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ordinária”, ou seja, requer regulamentação própria específica; 5. A aplicação pelo Fisco deste dispositivo requer a sua previsão por lei em sentido estrito, delimitando os seus aspectos, tais como o procedimento fiscal adotado para a descaracterização do ato ou negócio simulado e caracterização do dissimulado, a autoridade competente, os meios de prova e os demais elementos da teoria do abuso de forma e de direito adotada, não podendo entrar em conflito com os princípios de garantia dos contribuintes, com os conceitos adotados do direito privado e demais critérios jurídicos de interpretações das normas e dos fatos imponíveis; 6. A única tentativa de regulamentação da referida norma se deu por meio dos artigos 13 e 19 da MP nº 66, de 2000, que, entretanto, foi repelida pelo Congresso Nacional, pois na conversão da referida MP na Lei nº 10.637, de 2002, foram suprimidos os artigos que tratavam da matéria, de modo, que, no particular, não houve conversão; 7. Além da falta de auto aplicabilidade do parágrafo único do art. 116 do CTN, a norma padece de sérias inconstitucionalidades, tais como a violação à separação dos poderes, pois, ao autorizar o agente fiscal a desconsiderar atos jurídicos e aplicar a norma que lhe convier, despoja o Congresso Nacional do poder de produzir a lei tributária, e transforma o agente fiscal em verdadeiro legislador, para cada caso aplicando, não a lei parlamentar, mas aquela que escolher; 8. Pela referida norma, nenhum contribuinte terá qualquer garantia, em qualquer operação que fizer, pois, mesmo que siga rigorosamente a lei, sempre poderá o agente fiscal, à luz do despótico dispositivo, entender que aquela lei não vale e que o contribuinte pretendeu valerse de uma “brecha legal” para pagar menos tributos, razão pela qual, mais do que a lei, a sua opinião prevalecerá; 9. O parágrafo único do art. 116 do CTN também viola o princípio constitucional da segurança jurídica, pois admitir que o agente fiscal possa desconsiderar uma operação legítima praticada pelo contribuinte, por entender como a solução mais eficiente do ponto de vista econômico e empresarial, apenas porque, para o Fisco, o melhor seria que o contribuinte tivesse praticado uma outra operação que garantisse aos cofres públicos maior arrecadação, é gerar, permanentemente, a insegurança jurídica; 10. No mérito, inexistem elementos ensejadores da desconsideração dos atos jurídicos praticados pela empresa “PalmiServi”, pois tratase de situação jurídica criada de forma independente pelos seus respectivos responsáveis legais, tendo em vista questões mercadológicas inerentes ao objeto social das empresas relacionadas ao caso; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.722645/201472 Acórdão n.º 3402003.043 S3C4T2 Fl. 4 5 11. Existem 2 (duas) empresas que atuam de forma independente, com objetivos negociais distintos, e o fato de existir forte vínculo familiar entre os sócios das empresas não pode ensejar qualquer desconsideração; 12. Inexiste, nesse sentido, qualquer vedação legal para pessoas com vínculo familiar atuar em empresas distintas, porém no mesmo ramo de negócios, tratandose, muitas vezes, de grupo econômico que visa a produção de produtos diversos, que se diferenciam em qualidade, quantidade e preço, com vistas a manutenção de questões mercadológicas competitivas relacionadas ao bem produzido, no caso em discussão, palmilhas; 13. O fato de se tratar de empresas independentes entre si pode ser provado por meio dos balancetes anexos, nos quais se verifica que inexiste triangulação entre as empresas, que têm fornecedores e clientes distintos; 14. Ao contrário das suposições do auditor fiscal, a impugnante prova que as empresas (i) possuem endereço próprio, (ii) parque fabril com entrada própria, (iii) contabilidade própria, (iv) clientes próprios e (v) fornecedores próprios; 15. Analisando o balancete da impugnante, verificase, inclusive, que a mesma se utiliza da prestação de serviços de ateliês terceirizados, ficando provado que inexiste qualquer triangulação entre a impugnante e a outra empresa do grupo econômico; 16. Ademais, inexiste qualquer vedação ao benefício do crédito de PIS e Cofins relativo à mão de obra prestada por pessoa jurídica domiciliada no país, segundo artigo 3º, §3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; 17. O percentual da multa aplicada, superior ao valor do tributo, configura igualmente afronta à Carta Federal de 1988, que em seu artigo 150, inciso IV, não admite a utilização de tributo com efeito de confisco, citando doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos. A DRJ de Salvador julgou improcedente a impugnação do Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO A autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas apenas formalmente, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por consequência, correta a desconsideração dos atos jurídicos simulados, devendo o correspondente tributo ser exigido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo os argumentos da impugnação. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.722645/201472 Acórdão n.º 3402003.043 S3C4T2 Fl. 5 7 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Recorrente pleiteia preliminarmente a nulidade do Auto de Infração, alegando imprecisão do mesmo. A empresa autuada foi constituída pelo Sr. Karlei Reinaldo Erhart e pela Sra. Frida Brill Erhart, conforme Contrato Social às folhas 78/81, sendo esses os sócios da empresa à época dos fatos geradores objeto da autuação. No Relatório Fiscal, elaborado em 06/08/2014, o autuante informa que os sócios da empresa são: o Sr. Karlei e sua mãe, a Sra. Ana Maria Pohren Erhart, fato comprovado pela Alteração do Contrato Social às folhas 84/88, datado de 21/01/2013. Não há, portanto, neste aspecto, qualquer imprecisão que possa acarretar a nulidade dos Autos de Infração, estando correto o agente do Fisco, cuja constatação foi sintetizada no item 4.1.3 do Relatório Fiscal. As provas são indicativas do controle das empresas pela família Erhart. Quanto à alegação de erro na indicação do endereço, também não merece prosperar. O auditor fiscal informou no item 4.3 do Relatório Fiscal as diversas mudanças de endereço, anexando, inclusive, fotografias às folhas 146/148, em relação às quais, porém, a impugnante não se manifestou, limitandose apenas a informar que a sua sede social mudarase no início do ano de 2004. Portanto, não merecem prosperar as alegações de nulidade do Auto de Infração. Conforme descrito na decisão da DRJ, A autoridade fiscal constatou que as empresas Palmitec e Palmi Servi formavam um grupo econômico de fato, irregular, registrando indevidamente toda a mãodeobra na empresa optante pelo Simples Nacional (PalmiServi), ao passo em que a autuada incluía indevidamente no cálculo dos créditos do PIS e da Cofins a que fazia jus os valores da contratação de serviços da PalmiServi. Assim, nos Autos de Infração foram desconsiderados os serviços prestados por aquela empresa para efeito de cálculo dos créditos das contribuições devidas pela autuada. A legislação brasileira e, especificamente, a Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), trata, nos seus arts. 265 a 277, dos Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 grupos econômicos que poderiam ser considerados de direito, uma vez que constituídos segundo os requisitos legais e por deliberada e expressa vontade de seus controladores. Sobre grupo econômico, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, assim se reporta: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. É vexata quaestio a qualificação da situação descrita nos autos como grupo econômico de fato, o que parece ficar evidenciado pela análise dos contratos sociais e respectivas alterações, que deixam claro que o controle esteve sempre em mãos da família Erhart. O Recorrente alegou tratarse de empresas independentes entre si, que possuem (i) endereço próprio, (ii) parque fabril com entrada própria, (iii) contabilidade própria, (iv) clientes próprios e (v) fornecedores próprios. O argumento de que as empresas tinham endereços distintos não procede, conforme informação fiscal de fl.69: Os fatos a seguir narrados e demonstrados documentalmente comprovam, de forma inequívoca, que a “engenharia societária” levada a cabo pelo contribuinte não passa de mera simulação. As empresas Palmitec e PalmiServi constituíram grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de utilizar, indevidamente, mãodeobra registrada em empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL, obtendo dessa forma vultosas vantagens fiscais indevidas. 4.3 Conforme registros na Receita Federal do Brasil, informados pelas empresas, ambas iniciaram suas atividades em final de 2003 e início de 2004 na Rua Pedro Fridolino Weber, Nº 66 e 80 Bairro Sete de Setembro em Ivoti, dois pavilhões geminados de mesmo tamanho, mesma área construída onde teoricamente conforme contratos e registros, no primeiro não existiam empregados e no segundo toda atividade industrial com todos os empregados. Mudaram de endereço para Rua Henrique Dias, 320 e 320 Sala B – Jardim Panorâmico – Ivoti, em 2009, conforme registro fotográfico tratase de um pavilhão sem divisórias apenas com separação para banheiro e escritório. Em Fevereiro de 2013 as empresas mudam de endereço para: Rua Albino Cristiano Muller, nº 1001 e 1011, onde o nº 1011 está apenas identificando o gerador de energia da empresa. Nas Informações da GFIP temos sempre o mesmo responsável e mesmo telefone das envolvidas. Anexo II – Cadastro, Alterações Cadastrais, Sócios e Histórico Simples. Nossa conclusão é de que as empresas cohabitaram todo o período, simulando independência física. O Recorrente alegou também que possuir fornecedores próprios, apresentando uma "Listagem de Movimentos" (fls.420/436) que demonstraria que o fornecimento de serviços não seria feito apenas pela PalmiServi. Compulsando a documentação, todavia, ela parece laborar contra a tese do Contribuinte. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.722645/201472 Acórdão n.º 3402003.043 S3C4T2 Fl. 6 9 O que se verifica que é economicamente o fornecimento de outras empresas que não a PalmiServi é praticamente desprezível, como se vê desse trecho: O que se vê é que enquanto as outras fornecedoras custam algumas centenas de Reais, a PalmiServi custa centenas de milhares de reais, de modo que esta empresa não era mais um fornecedor, mas O fornecedor que abarcava esmagadoramente os gastos da Recorrente. Quanto aos demais itens alegados, a Recorrente não apresentou prova alguma, nem a nível de impugnação, nem a nível de recurso. Ademais, reiterese o robusto corpo probatório levantado pelo fiscal, constante de fls. 125348 dos autos: 1) a empresa autuada pagava em torno de R$5.000,00 de água por mês; seu faturamento variou (de 2006 a 2011) de R$3.551.623,62 a R$7.964.322,72; seu imobilizado era da ordem de R$276.310,26; sua receita operacional em 2011 foi de R$9.696.504,33, mas seu custo com pessoal em 2011 foi de apenas R$12.000,00, o que, se comparado com a receita anual, representa um percentual de 0,12%; 2) por sua vez, a empresa PalmiServi possuía, em 2006, 56 (cinqüenta e seis) empregados, chegando a 115 (cento e quinze) empregados em 2011; seu faturamento variou, neste período, de Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 R$1.253.330,55 a R$2.399.684,52; o custo com pessoal, em 2011, foi de R$1.348.237,93, sendo de 56,18% o percentual quando comparado com o faturamento; 3) o imobilizado da Palmitec, com um único empregado, era da ordem de R$276.310,26, enquanto que o imobilizado da PalmiServi (um software de ponto e dois relógios de ponto), com média de 115 empregados e remuneração de mãode obra de mais de R$1.300.000,00 por ano, era de R$5.950,06, conforme registros contábeis, ou seja, de R$ 51,74 por empregado; 4) as empresas pertencem à mesma família; 5) a PalmiServi produz exclusivamente para a Palmitec; 6) em reclamatória trabalhista anexada aos autos, constam como reclamadas as duas empresas, tendo a inicial tratado como grupo econômico; 7) o valor e o volume de compras de matéria prima adquirida pela Palmitec (R$3.483.837,47 em 2011) não são compatíveis com o número de empregados da empresa; 8) a Palmitec, apesar de ter apenas um empregado, possui 4 veículos e contabilizou despesas com veículos, em 2011, no montante de R$127.371,36; 9) a PalmiServi, por sua vez, que tem em média 115 funcionários, não contabiliza veículos, e sua despesa com veículos foi de R$2.179,19; 10) nas notas fiscais eletrônicas da PalmiServi, no campo “identificação do emitente”, consta o mesmo telefone e endereço eletrônico da Palmitec, empresa que é a responsável por todos os atos administrativos, fiscais e financeiros da PalmiServi Não há como se desconsiderar a evidente simulação que se afigura, com finalidade de aproveitamento de créditos indevidos e pagamento a menor de tributos. Quanto à alegação de impossibilidade de utilização do parágrafo único do art.116 do CTN, pela ausência de lei regulando seu procedimento, há que se mencionar que o fiscal não está requalificando atos e negócios jurídicos, mas sim tratando as duas empresas como uma só, com operações simuladas, isto é, vazias de conteúdo se enquadrando perfeitamente na sua competência fiscalizatória prevista no art.149, VII do CTN. Quanto à alegação de confiscatoriedade das multas de ofício aplicadas, este colegiado não pode se manifestar sobre a constitucionalidade delas por força da Súmula CARF nº02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." e impedimentos regimentais veiculados na Portaria MF nº343/2015, art.72 (As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.) Pelas razões acima expostas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.722645/201472 Acórdão n.º 3402003.043 S3C4T2 Fl. 7 11 É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725604/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE POR MEIO DE LAUDO PERICIAL OFICIAL.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, a contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 ISENÇÃO. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE POR MEIO DE LAUDO PERICIAL OFICIAL. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, a contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.725604/2013-15
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5590842
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.110
nome_arquivo_s : Decisao_12448725604201315.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 12448725604201315_5590842.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6380738
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423500873728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 83 1 82 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.725604/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.110 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARILIA TRINDADE BARBOZA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 ISENÇÃO. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE POR MEIO DE LAUDO PERICIAL OFICIAL. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, a contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 56 04 /2 01 3- 15 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 24/04/2013, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, decorrente da omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 19.575,92 (dezenove mil quinhentos e setenta e cinco reais e noventa e dois centavos) recebidos pelo titular e/ou dependentes. Constou da mencionada notificação que a contribuinte não apresentou laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Municípios e/ou Distrito Federal. Também dispôs a notificação sobre a glosa parcial da dedução de contribuição à previdência privada e à FAPI, na quantia de R$ 1.745,97 (fls. 7, 8, 18 e 24), calculando, ao final, saldo de imposto a restituir, no valor originário de R$ 8.286,11. Conforme relatado pela DRJ, na impugnação interposta às fls. 2 e 3, a contribuinte concorda expressamente com a glosa da dedução de contribuição à previdência privada e FAPI , requerendo, porém, a exclusão dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, no valor de R$ 19.575,92, alegando tratarse de rendimentos isentos de tributação, por corresponderem a proventos de aposentadoria recebidos por portadora de moléstia grave. Para comprovar suas alegações e embasar seu pleito, anexou os documentos de fls. 11 a 14. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) na impugnação de fls. 2 e 3, a contribuinte concordou expressamente com a glosa parcial da dedução de contribuição à previdência privada e FAPI, no valor de R$ 1.745,97, devendo, desta forma, ser mantida a referida glosa efetuada no lançamento, por constituir matéria incontroversa; b) muito embora os documentos de fls. 11 a 14, carreados aos autos pela Impugnante, demonstrem que ela recebeu, no ano calendário 2.011, do Colégio Pedro II, CNPJ 42.414.284/0001 02, proventos de aposentadoria, no montante de R$ 19.575,92, não consta nos autos laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e/ou dos Municípios, comprovando que ela era portadora, no referido anocalendário, de moléstia grave que daria ensejo à isenção de tributação do Imposto de Renda, de que trata o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1.988. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a recorrente sustentou que, na fase de impugnação, foi efetuada a juntada do laudo pericial emitido por serviço médico oficial, a fim de comprovar o direito à isenção. Na fase recursal, foram novamente juntados pela contribuinte os documentos referentes à comprovação da moléstia grave, fls. 59/71. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.725604/201315 Acórdão n.º 2201003.110 S2C2T1 Fl. 84 3 É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a questão controversa do presente lançamento é a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Cumpre ressaltar que foi devidamente comprovada a percepção de aposentadoria pela contribuinte, conforme reconheceu a DRJ, estando em discussão apenas a comprovação da moléstia grave. Sobre tal comprovação, observase na fl. 62 dos autos a existência de laudo pericial oficial emitido pelo Instituto Nacional de Seguro Social, em 19//07/2010, no qual consta o acometimento pela contribuinte de CID C18 (neoplasia maligna do cólon) + C34 (neoplasia maligna dos brônquios e dos pulmões), desde de 19/08/2009. Há também, na fl. 70, laudo pericial oficial emitido pelo Ministério da Educação, no qual foi reconhecido o acometimento de neoplasia maligna com data de diagnóstico em 31/07/2009 e validade em setembro de 2017. Nesse contexto, restam cumpridos os requisitos necessários ao reconhecimento da isenção referentes aos proventos de aposentadoria e ao acometimento de moléstia grave, no período autuado, conforme o disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.725604/201315 Acórdão n.º 2201003.110 S2C2T1 Fl. 85 5 Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000403/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2007
PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMA INQUISITÓRIO.
O procedimento de fiscalização se desenvolve unilateralmente pela fiscalização e o sistema de produção probatória é o inquisitório, não havendo direito ao contraditório antes da impugnação ao lançamento.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora.
EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ.
A retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais - SIMPLES (RESP 1.112.467/DF).
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2301-004.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos serviços prestados por empresas comprovadamente optantes pelo Simples/Simples Nacional.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2007 PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMA INQUISITÓRIO. O procedimento de fiscalização se desenvolve unilateralmente pela fiscalização e o sistema de produção probatória é o inquisitório, não havendo direito ao contraditório antes da impugnação ao lançamento. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. A retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais - SIMPLES (RESP 1.112.467/DF). INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15586.000403/2010-72
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5578019
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.412
nome_arquivo_s : Decisao_15586000403201072.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15586000403201072_5578019.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos serviços prestados por empresas comprovadamente optantes pelo Simples/Simples Nacional. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6329732
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423511359488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 830 1 829 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000403/201072 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.412 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO DE OBRA Recorrente INSTITUTO EUVALDO LODIIELES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2007 PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMA INQUISITÓRIO. O procedimento de fiscalização se desenvolve unilateralmente pela fiscalização e o sistema de produção probatória é o inquisitório, não havendo direito ao contraditório antes da impugnação ao lançamento. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. A retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais SIMPLES (RESP 1.112.467/DF). INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 03 /2 01 0- 72 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos serviços prestados por empresas comprovadamente optantes pelo Simples/Simples Nacional. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000403/201072 Acórdão n.º 2301004.412 S2C3T1 Fl. 831 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 19/05/2010 para constituir crédito sobre diferenças de valores não retidos pela contratante de serviço mediante cessão de mão de obra. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório que compõem o acórdão recorrido: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2007 Empresas filiadas ao Simples. Falta de previsão legal para a dispensa da retenção de 11% instituída pela Lei 9.711/1998. Havendo previsão legal de que as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãodeobra estão sujeitas a retenção de 11%, prevista na Lei 8.212/1991, e na falta de dispositivo legal, ou de ato normativo, que dispense as empresas filiadas ao Simples, e que prestem serviços nas condições acima, de sofrerem a retenção, não pode o julgador administrativo acatar o argumento de que tais empresas estão dispensadas de sofrer a retenção. Empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãode obra.Dispensa da obrigação de sofrer a retenção. Requisitos. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra só estará dispensada da obrigação de efetuar a retenção quando exigir das empresas contratadas que emitam declaração prestada nos moldes impostos pelo artigo 148 da Instrução Normativa 003/2005. Cerceamento de defesa. Inocorrência. Satisfaz o principio constitucional da ampla defesa, o lançamento fiscal que contém a descrição clara e precisa do fato gerador do crédito fiscal. Alegação de inconstitucionalidade de diploma legal que di suporte ao lançamento fiscal. Impertinência da alegação na esfera administrativa. Conforme determina o artigo 26A do Decreto 70.235/1972, não cabe ao julgador administrativo apreciar alegação de inconstitucionalidade de diploma legal que embasa o lançamento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 3. Na análise da contabilidade da empresa, constatamos pagamentos efetuados a diversas pessoas jurídicas, por diversos serviços prestados, dentre os quais destacamos os de Instrutoria, Treinamento, Palestras, Cursos e outros, serviços coincidentes com o objetivo principal da empresa que é voltado especialmente para o aprimoramento da gestão e da capacitação empresarial, inclusive cursos de Pós Graduação, em que o Instituto Euvaldo Lodi ora fiscalizado, monta e oferece à sociedade, como também para suprir demanda das empresas do Estado. Observamos que em sua maioria, os prestadores de serviços contratados para treinamento, ensino, capacitação etc., são pessoas jurídicas que prestam os serviços pessoalmente pelos respectivos sócios. Nas notas Fiscais de Serviço emitidas contra a empresa fiscalizada, não constavam o destaque da retenção de 11% para a Previdência Social, previsto na Lei 9.711, de 20/11/1998, nem tampouco a retenção feita por parte da contratante dos serviços, previsto na mesma lei, sob a alegação de que os serviços foram prestados pelos próprios sócios das empresas contratadas. A empresa em um primeiro momento, apresentounos diversas declarações com o objetivo de eximirse da obrigatoriedade da retenção, porém, fazendo apenas referencia aos itens do artigo 148 da IN 003/2005, ou seja, as declarações apresentadas não atendiam aos parágrafos 1° e 2° do mesmo artigo da citada IN. Isto posto, solicitamos através do TIF — Termo de Intimação n° 2, declarações dos prestadores dos serviços sob penas da lei, nos moldes dos incisos II e/ou III e parágrafos 1° e 2° todos do artigo 148 da IN 003/2005. Neste segundo momento, a empresa nos apresentou algumas declarações que também não atendiam a todos os requisitos contidos na norma citada anteriormente, conforme pode ser verificado nas cópias anexadas neste processo. Num terceiro momento, com a finalidade de esgotar todas as possibilidades de comprovação de dispensa do destaque e da retenção, foi lavrada outra intimação, mais especifica, solicitando a comprovação da dispensa legal do destaque e da retenção de 11% sobre as Notas Fiscais de Serviço de Treinamento e Ensino (TIF n° 4) e dentro do prazo estipulado para apresentação das declarações, a empresa novamente não o fez de acordo com as normas estabelecidas na referida Norma. Foram então lançados os créditos previdenciários decorrentes da contratação de serviços sujeitos à retenção de 11% por se tratarem de serviços contratados por cessão de mãodeobra, ou seja, a colocação a disposição da empresa contratante em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores para a realização de serviços. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 4. Alegou a Impugnante que "não foi oportunizada A autuada, a apresentação de defesa antes da realização do lançamento ex officio da apuração da contribuição devida, acrescida de multa e juros, havendo sido simplesmente comunicada dos atos da ação fiscal em referência, que culminou, como dito, na imposição tributária ora impugnada. 5. Outro questionamento apresentado foi o de que a Auditoria Fiscal "considerou que a conduta da Autuada resultou em Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000403/201072 Acórdão n.º 2301004.412 S2C3T1 Fl. 832 5 afronta a Lei Federal 8.212/1991, sem, contudo, conceituar ou delimitar o sentido ou o que teria sido por ela considerado como infração ao dispositivo acima mencionado. 6. Ponderou a Impugnante que procedeu de acordo com o procedimento prescrito no artigo 148 da Instrução Normativa 003/2005, apresentando A fiscalização declarações dos prestadores de serviço, elaboradas em consonância com a referida instrução normativa. 7. No entender da Impugnante as prestadoras filiadas ao Simples não estão obrigadas a sofrer a retenção. Junta a Impugnante jurisprudência sobre o assunto. 8. Para a Impugnante o lançamento de oficio não poderia gerar um percentual mais elevado de multa, o que constitui verdadeira aplicação de penalidade pelo Poder Executivo, "invadindo seara que, histórica e constitucionalmente, cabe ao Poder Judiciário". Acrescenta a Impugnante que aplicamse is multas fiscais as limitações constitucionais ao poder de tributar. 9. No entender da Impugnante, na apreciação da validade das multas impostas devem ser levados em conta os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva. 10. Assinala a Defendente que a multa aplicada tem caráter confiscatório. É o Relatório. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares e de mérito. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 835DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000403/201072 Acórdão n.º 2301004.412 S2C3T1 Fl. 833 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ressaltase que, de fato, conforme dispõe o artigo 25 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, as sessões de julgamento no âmbito das DRJ são realizadas por deliberação interna, não comportando a possibilidade de provas testemunhais: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: Fl. 836DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ... Além do mais o recorrente sequer apresentou argumentos de defesa que possam ser comprovados por testemunha. Na verdade, tratase de alegação desprovida de finalidade processual, desalinhada com o exercício ao contraditório. Quanto à possibilidade de apresentála em segunda instância, não haveria óbices já que, nesse caso, as sessões realizadas por este CARF são públicas e com oportunidade de manifestação oral do recorrente, quando então a defesa poderia, livremente, trazer a prova testemunhal. Contudo, até a presente data não houve qualquer indicação do recorrente nesse sentido. Outro ponto em exame é a alegação de que o contribuinte teria direito a se manifestar antes do lançamento tributário. É pacífico na jurisprudência deste CARF e na doutrina que o procedimento fiscal tem natureza inquisitória: Número do Processo: nº 10882.002869/200404 Contribuinte: HARD SELL ARQUITETURA PROMOCIONAL INDUSTRIA E COM LTDA Tipo do Recurso: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão24/03/2015 Relator(a)JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Nº Acórdão1102001.322 Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O procedimento de fiscalização tem caráter eminentemente inquisitorial, não sendo exigido contraditório nem ampla defesa, muito menos necessidade de fiscalização de terceiras empresas. In casu, a autoridade autuante exerceu sua única obrigação, que era intimar a contribuinte para que indicasse a origem dos recursos depositados, garantindolhe prazo e oportunidade para fazêlo adequadamente. ... E de acordo com o artigo 14 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, a inconformidade do contribuinte somente tem início com a impugnação, antes se trata de procedimento administrativo de ofício, conduzido unilateralmente pela fiscalização: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ... Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000403/201072 Acórdão n.º 2301004.412 S2C3T1 Fl. 834 9 No mérito A recorrente não trouxe aos autos prova do alegado, especialmente de que os serviços foram prestados diretamente pelos sócios das empresas contratadas. Os documentos juntados, com ausência de formalidades mínimas necessárias para confiança nas declarações, não se prestam para comprovação da dispensa de se realizar a retenção. Outra questão jurídica de mérito é a dispensa de retenção quando os prestadores de serviços são empresas optantes pelo SIMPLES. A matéria foi apreciada pelo plenário do STJ sob rito dos recursos repetitivos, artigo 543C do CPC, tendo assim decidido: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08(recurso especial nº 1.112.467/DF). Por tudo, o entendimento do STJ deverá ser reproduzido por essa turma, conforme artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015: Art. 62 (...) Fl. 838DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. SELIC Ressaltase que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa Fl. 839DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000403/201072 Acórdão n.º 2301004.412 S2C3T1 Fl. 835 11 moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: ... Plenário, 18.05.2011. No mais se insurge contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Entendimento sumulado no âmbito deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tudo, voto por não conhecer da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, pelo provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos serviços prestados por empresas comprovadamente optantes pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10715.005252/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10715.005252/2010-11
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591933
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.766
nome_arquivo_s : Decisao_10715005252201011.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10715005252201011_5591933.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6386265
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423516602368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 279 1 278 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.005252/201011 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.766 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNITED AIRLINES, INC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 52 52 /2 01 0- 11 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 280 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.893, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 281 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 282 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 283 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 284 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 285 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 286 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 9303003.766 CSRFT3 Fl. 287 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
