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Numero do processo: 12268.000306/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE PROVA DOCUMENTAL PARA AS ALEGAÇÕES.
A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas.
Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas
na contestação, sob pena de preclusão.
No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. Caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova.
Numero da decisão: 2302-001.276
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE PROVA DOCUMENTAL PARA AS ALEGAÇÕES. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. Caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova.
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E EXT RURAL EMATER Recorrida DRJ CURITIBA PR Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE PROVA DOCUMENTAL PARA AS ALEGAÇÕES. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. Caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12268.000306/200951 Acórdão n.º 230201.276 S2C3T2 Fl. 2.139 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinadas aos Terceiros. Os fatos geradores incluem valores que transitaram em contabilidade, mas não foram declarados em GFIP; conforme relatório fiscal às fls. 124 a 133. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pelo contribuinte, fls. 221 a 247. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, em parte, fls. 2.111 a 2.117. Foi reconhecida a extinção parcial do crédito pela homologação tácita, bem como foi reconhecido o cunho indenizatório da verba relativa ao PDV. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 2.121 a 2.134. Em síntese o recorrente alega o seguinte: a) Deveria ter sido concedida a dilação probatória, bem como atendido ao pedido de perícia; b) As refeições eram pagas pelos funcionários; c) Deve ser realizada perícia; d) Não houve discriminação do destino dos gêneros alimentícios adquiridos; e) A recorrente possui direito a realizar a compensação; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 187. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A questão controversa reside no ponto de as verbas pagas a título de alimentação in natura sem inscrição no PAT integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12268.000306/200951 Acórdão n.º 230201.276 S2C3T2 Fl. 2.140 5 d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12268.000306/200951 Acórdão n.º 230201.276 S2C3T2 Fl. 2.141 7 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Como se verifica, a única previsão expressa em lei para exclusão da verba alimentação paga in natura da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. No presente caso, a recorrente não fez prova de estar inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. A verba alimentação paga in natura possui natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. A recorrente alega que os funcionários arcaram com parte dos dispêndios referentes à alimentação, acontece que a fiscalização já considerou os valores descontados dos próprios segurados, conforme relatório fiscal à fl. 127. Entretanto, tais valores não foram suficientes para cobertura dos gastos com alimentação. O subsídio fornecido pela recorrente integra assim, o saláriodecontribuição. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração da documentação contábil, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Os quesitos formulados já se encontram respondidos nos autos. Primeiramente, a fiscalização não discorda que os usuários pagaram por parte dos encargos das refeições, tendo inclusive descontado tais valores na apuração do quantum debeatur. Como o pagamento é feito é irrelevante, pois já foram descontados no valor apurado. A discriminação do gasto total com lanches e refeitório é desnecessária, pois seja em um caso, seja em outro são parcelas integrantes pela não adesão ao PAT. Além do mais, quem deveria saber o que gastou em uma unidade ou em outra é a própria recorrente. Os valores descontados dos segurados já se encontram nos autos, fl. 127. Quanto ao alegado recolhimento a maior de contribuições para a Previdência, o que ensejaria a compensação com as contribuições destinadas aos Terceiros, o pleito do contribuinte é juridicamente impossível. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação e de dação em pagamento há que ser remetido para os permissivos legais. Havendo disposição específica na legislação previdenciária, não há que ser aplicado o procedimento das Leis n °s 8.383/1991, 9.430/1996 e o Decreto n ° 2.138/1997. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições previdenciárias os valores referentes a contribuições previdenciárias. Mesmo porque há vinculação específica das receitas de contribuições previdenciárias, conforme expressamente previsto no art. 167, inciso XI da Constituição Federal. O suposto recolhimento a maior não pode ser resolvido nos presentes autos, mas somente no procedimento de restituição das contribuições. Os quesitos de perícia formulados devem ser objeto de prova nos autos de restituição e não afastam a regularidade da presente NFLD. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12268.000306/200951 Acórdão n.º 230201.276 S2C3T2 Fl. 2.142 9 Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10830.002163/96-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF.
Ano-calendário: 1994.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese
aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9202-001.905
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Anocalendário: 1994. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pela contribuinte. Contra a contribuinte foi lançado Imposto de Renda relativo ao exercício de 1995, anocalendário 1994, por se ter apurado saldo do imposto a pagar e restituição indevida, conforme documento de fls. 03. Conforme o relatório constante do acórdão da antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, temse o seguinte panorama: “Em 07.02.2000, após ter sido julgado nulo o Auto de Infração de fls. 16, conforme decisão de fls. 82, a Contribuinte SELMA REGINA PEREIRA DE CARVALHO CORREIA, inscrita no CPF sob o n° 933.126.10710, exfuncionária da empresa IBM Indústrias, Máquinas e Serviços LTDA, requereu, às fls. 92, a retificação da sua Declaração de Ajuste do exercício de 1995, ano calendário de 1994, para que fossem excluídas da tributação as verbas recebidas a título de PDV, auxílio de transferência e adicional de instalação. A DRF em Campinas/SP, após análise do pedido de retificação, decidiu, às fls. 113/116, denegálo, com fundamento no Ato Declaratório da SRF n° 96/99, segundo o qual seria de 5 anos o prazo decadencial para o pedido de restituição, contados da data de extinção do crédito tributário, ocorrido na data do pagamento do imposto, em 31.07.1994. Intimada em 14.04.2003, a contribuinte ofereceu manifestação de inconformidade de fls. 120/134, em que alega que após verificar alguns erros na sua declaração do exercício de 1995, anobase de 1994, solicitou a reclassificação de parte dos valores recebidos a título de ajuda de transferência e a ‘redução do valor pago por conta de contribuição de previdência oficial’. Ainda, afirmou que, ‘em relação às demais informações da declaração (entre elas a indenização recebida pela adesão ao PDV), o contribuinte vinculouse ao que havia informado na declaração original”. No mais, defende a restituição do IR incidente sobre ajuda de transferência com base na IN SRF n° 165/98. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 3 3 Julgando a impugnação, a 2° Turma da DRJ de Campo Grande/MS, às fls. 138/141, decidiu pelo não conhecimento da impugnação, em face de incompetência das DRJ em julgarem o pedido de retificação, de acordo com o art. 203 da Portaria MF n° 259/01, o item 7 da Nota Cosit n° 424/01 e o art. 19 da MP n° 1.990/99. Devidamente intimado da decisão em 18.02.2004, conforme faz prova o AR de fls. 148, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 149/165, em 16.03.2004, no qual defende, em síntese, (a) que mudança no critério de apreciação do pedido de restituição, que passou a ser analisado como simples pedido de retificação, configuraria cerceamento do direito de defesa e (b) que o termo inicial de decadência para pedido de restituição seria a entrega da declaração de ajuste. Apesar de mencionar em algumas passagens do Recurso que se trata também de restituição de valores indevidamente tributados incidentes sobre PDV, a contribuinte conclui, nos seus pedidos, que, quanto ao PDV, requer apenas a manutenção da declaração original, em que essas verbas foram consideradas como isentas e, portanto, não sofreram tributação. Logo, requer a retificação apenas quanto à verba de ajuda de transferência.” A antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 169/174 dos autos, acolheu a preliminar de decadência do direito à retificação do DIRPF: “DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeitas a ajuste na declaração anual, independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, §4°, do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. CRÉDITO TRIBUTÁRIO REPETIÇÃO DO INDÉBITO DECADÊNCIA O direito de o sujeito passivo requerer a retificação do lançamento, para restituição do imposto pago a maior, decai depois de transcorridos cinco anos do fato gerador”. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 176/194, com base em violação ao artigo 173 do CTN. Tendo em vista a ausência de declaração por parte do contribuinte, a recorrente sustentou que a obrigação tributária sequer transmudouse em crédito tributário, não havendo que se cogitar da incidência do artigo 150, §4°, do CTN, mas sim do artigo 173 do mesmo diploma legal. Negouse seguimento ao recurso especial da Fazenda, por falta de interesse processual da recorrente em ver reformada a decisão do Conselho de Contribuintes, que fora proferida em desfavor do contribuinte. A contribuinte, por sua vez, também interpôs recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 207/215). Discorrendo sobre o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, alegou que o acórdão recorrido, embora tenha acolhido a preliminar de decadência do direito à retificação da DIRPF, considerando, no que se refere aos rendimentos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 4 4 auferidos no anocalendário de 1994, o fato gerador ocorreu em 31/12/1994, adotou tese diversa, no sentido de que o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data do pagamento que se considerada indevido. Defendeu a tese, assim, a recorrente, de que o direito à retificação da DIRPF e consequente restituição do imposto de renda não se encontrava atingido pela decadência, tendo em vista que “o efetivo pagamento ocorre apenas com a entrega da declaração. E somente com a entrega da declaração se apuram os efetivos valores a pagar ou a restituir a título de imposto de renda”. Salientou que a declaração original, relativa ao anocalendário de 1994, foi entregue em abril de 1995, não se encontrando atingida pela decadência o direito à retificação da declaração, cujo pedido fora protocolizado em 07/02/2000. Trouxe à tona, neste passo, julgado em que se entendeu que o direito à restituição de valores pagos indevidamente a título de imposto de renda extinguese após o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir da data de entrega da Declaração do Ajuste Anual do Imposto de Renda. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões às fls. 226/231 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial, fundamento do seu recurso. Com efeito, entendeuse, no acórdão recorrido, que o direito de o sujeito passivo requerer a retificação do lançamento, para a restituição do imposto pago a maior, decai no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. A recorrente, contudo, trouxe acórdãos no sentido de que o prazo decadencial para que o contribuinte postule a restituição de valores pagos indevidamente corre a partir da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 5 5 data da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, ocorrido, no caso, em abril de 1995. Fazse relevante ressaltar que o pagamento indevido ocorreu no dia 31/07/1994. A entrega da Declaração de Ajuste Anual, que se pretendeu retificar, ocorreu em abril de 1995. E, finalmente, o pedido de retificação da Declaração de Ajuste Anual do IR foi feito no dia 07/02/2000. O deslinde do caso, em última análise, depende de se aferir se o contribuinte, diante dos termos acima, possuía o direito à restituição. A restituição do indébito é regido pelo artigo 168 do Código Tributário Nacional. No que tange ao ponto que se revela importante, aqui, o respectivo inciso I estabelece que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. A Lei Complementar n° 118/2005, em seu artigo 3°, veio explicitar que a “extinção do crédito tributário”, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorre quando da efetuação do pagamento antecipado, segundo o artigo 150, §1°, do CTN. A Lei Complementar teve por efeito derrubar a tese dos “cinco mais cinco”, até então em vigor no STJ, no sentido de que a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação obedecia a um prazo de dez anos: cinco anos para a homologação e mais cinco anos para a repetição. Destarte, o termo inicial ocorria na data da homologação, expressa ou tácita. Diante desse panorama, surgiu problema de direito intertemporal, no qual o presente caso justamente se enquadra. Isto porque o pagamento indevido efetuado pela recorrente, conforme já exposto, ocorreu em 31/07/1994, quando ainda não existia a LC n° 118. O pedido deuse em 07/02/2000. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao enfrentar o quanto disposto pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamento indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei complementar. Isto mesmo nas hipóteses, tal como a dos presentes autos, de tributo declarado inconstitucional. O termo inicial, assim, para o STJ, é o pagamento indevido (incluindo a hipótese de declaração de inconstitucionalidade do tributo), observandose o prazo de dez anos, desde que não sobeje cinco anos a contar da entrada em vigor da lei complementar n° 118/05. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), no seguinte sentido: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 6 6 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição do indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 7 7 da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decidiuse, na Suprema Corte, portanto, que o prazo reduzido, de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120, da referida lei complementar. Até então, todas as ações se submetem ao prazo de dez anos, conforme o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese bem a diversidade de entendimentos estabelecidos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Para o STJ, o prazo de dez anos persiste, aos indébitos anteriores à Lei Complementar n° 118/2005, mas limitados aos cincos anos, para o período transcorrido posteriormente à sua entrada em vigor. Para o STF, o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase aos pedidos realizados até o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/2005. A partir da sua efetiva entrada em vigor, incide o prazo de cinco anos para os pedidos de restituição então promovidos. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Por óbvio que, sendo o STF o órgão máximo do Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra, no que tange à interpretação das normas do direito positivo brasileiro, havendo divergência de entendimentos, sobre uma mesma matéria, em relação ao STJ, a decisão daquele tribunal é a que deve prevalecer. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 9202001.905 CSRFT2 Fl. 8 8 No presente caso, o pedido ocorreu em 07/02/2000. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como o pagamento deuse em 31/07/1994, é de se reconhecer que não houve a decadência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003956/2002-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES – EXCLUSÃO DÉBITO JUNTO A PFN AUSÊNCIA DA DESCRIMINAÇÃO DO DÉBITO – Não há como subsistir a exclusão do contribuinte do SIMPLES, quando o mesmo não é devidamente cientificado do débito que originou a sua exclusão.
Numero da decisão: 9101-000.983
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Matéria Exclusão do Simples Recorrente Fazenda Nacional Interessado Forma e Cor Confecções de Roupas LtdaME SIMPLES – EXCLUSÃO DÉBITO JUNTO A PFN AUSÊNCIA DA DESCRIMINAÇÃO DO DÉBITO – Não há como subsistir a exclusão do contribuinte do SIMPLES, quando o mesmo não é devidamente cientificado do débito que originou a sua exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Suzy Gomes Hoffmann e João Carlos de Lima Junior. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003956/200206 Acórdão n.º 9101000.983 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 30239.427, que determinou a permanência da empresa no SIMPLES em razão da regularização de seus débitos junto à PGFN. A empresa teve débito inscrito em dívida ativa, motivo pelo qual foi excluída do sistema simplificado, mas no curso do feito administrativo regularizou a pendência. A 2ª Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes entendeu que a regularização do débito sanava o vício e justificava a anulação do Ato Declaratório. A PFN recorreu alegando contrariedade à lei (art. 9°, XV c/c 13, II, "a", todos da Lei nº 9.317/96). Informou, ainda, haver divergência na interpretação da legislação tributária, trazendo como paradigma o Ac. n. 30130.721, de 2003, com a seguinte ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO PFN. REGULARIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA. INEFICÁCIA. A regularização extemporânea das pendências que motivaram a exclusão do contribuinte do SIMPLES não invalida o respectivo ato declaratório. Negado provimento por unanimidade. O Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção de julgamento deu seguimento ao recurso, por entender atendidos os pressupostos que o autorizam. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003956/200206 Acórdão n.º 9101000.983 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam. Dele conheço. A contribuinte foi excluída do SIMPLES em decorrência da existência de débito junto à PGFN e, no decorrer do processo, promoveu sua extinção. O acórdão combatido, por maioria de votos, entendeu correta a manutenção da empresa no Simples, nos termos do voto do Relator, no qual restou assentado que no momento em que a Recorrente apresentou sua defesa contra a exclusão, ficou ela suspensa com base no inciso III do art. 151 do CTN, e que, se no decorrer do processo administrativo a empresa tornase regular novamente, afastando o motivo de sua exclusão, correta é a sua manutenção na sistemática do SIMPLES. A PFN assevera que esse entendimento é contrario a lei, que cita. O disposto nos artigos 9°, inciso XV, art. 13, inc. II, alínea "a", e 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96, dispõem:. Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darse á: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9º; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica;” Nos termos do art. 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96, a autoridade administrativa deve, obrigatoriamente, excluir do sistema a pessoa jurídica que, tendo incorrido Fl. 148DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003956/200206 Acórdão n.º 9101000.983 CSRFT1 Fl. 4 4 em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º, não tenha comunicado sua exclusão. Assim, havendo prova nos autos de que o contribuinte possuía débito inscrito na dívida ativa, conforme o presente caso, o Ato Declaratório expedido pela autoridade está conforme a lei, e expressa à situação da contribuinte no momento de sua expedição. De se registrar que o art. 151, inciso III, do CTN, trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas não suspende os efeitos da exclusão. Na realidade, a manifestação de inconformidade do contribuinte frente à sua exclusão do Simples imprime à exclusão uma condição resolutiva, prejudicial à exigência de créditos eventualmente lançados em razão da exclusão. Se provado que exclusão foi feita em desacordo com as normas legais, a decisão sobre a manifestação de inconformidade resolve a exclusão. Todavia, se demonstrado que o ato de exclusão foi expedido rigorosamente de acordo com a lei, não há como revogálo ou anulálo. Não sendo possível a invalidação do ato jurídico expedido em rigoroso cumprimento da lei, a regularização posterior da pendência não afeta o ato declaratório, e tem como único efeito abrir a possibilidade ao contribuinte de novamente ingressar no SIMPLES. De fato, o artigo 9º da Lei nº 9.317/96 determina expressamente que a pessoa jurídica que apresente débito inscrito em Dívida Ativa da União não poderá optar pelo SIMPLES, não tendo sido concedido pelo legislador ao Administrador Tributário o exercício do mínimo poder discricionário sobre o assunto. A ele compete apenas investigar e constatar a existência de débito em nome da pessoa jurídica interessada e, positivada a hipótese, implementar a exclusão por meio de Ato Declaratório. A única possibilidade de invalidar o ato declaratório é mediante a demonstração da inexistência, à época de sua edição, das razões que constituem sua motivação. Entretanto, por ocasião da exclusão do contribuinte do SIMPLES, não lhe foi informado junto com o ato da exclusão, qual débito que se encontrava pendente de pagamento, o que se impõe a manutenção da decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos. Pelas razões expostas, NEGO provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 149DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003956/200206 Acórdão n.º 9101000.983 CSRFT1 Fl. 5 5 Fl. 150DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003975/2003-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL AVERBADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção
do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, com a participação de órgão ambiental (IBAMA), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL AVERBADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, com a participação de órgão ambiental (IBAMA), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado.
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL AVERBADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, com a participação de órgão ambiental (IBAMA), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido Carlos (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (Conselheiro convocado), Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório EDUARDO ORLANDO ARAÚJO GADELHA SIMAS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 11/12/2003, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Recanto”, localizado no município de Lagoa Salgada/RN, cadastrado na RFB sob o nº 28003160, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 11 16.456/2006, às fls. 87/99, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Especial, em 18/11/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 39100.076, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1999 Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA A comprovação da área de utilização limitada, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, em apreço ao Princípio da Verdade Material, é se reputar a comprovação da área de utilização limitada em função da juntada de averbação à margem da matrícula do imóvel e de laudo técnico. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 125/140, com arrimo no artigo 7º, incisos I e II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 16707.003975/200323 Acórdão n.º 920201.336 CSRFT2 Fl. 2 3 Acórdão nº 30236.278, impondo seja conhecido o recurso especial do recorrente, uma vez comprovadas a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que impõe que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, defendendo que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal e/ou de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Quanto à área de reserva legal, em que pese o Acórdão recorrido sustentar a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, na forma que exige a legislação de regência, não logrou demonstrar de onde extraiu aludida conclusão, eis que inexiste nos autos qualquer comprovação da averbação, ao revés do que inferiu o contribuinte. Assevera que o contribuinte somente acostou aos autos Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta e Demais Formas de Vegetação, junto ao IBAMA e Plano de Manejo Florestal, os quais não substituem a necessidade da averbação da área de reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do ITR. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, necessidade do requerimento atempado do ADA relativamente às áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 920200.192, às fls. 144/145. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30236.278, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévio protocolo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro dos seis meses subseqüentes à entrega da DITR, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para efeito da benesse isentiva, a 1ª Turma Especial do então 3º Conselho de Contribuintes, contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente às áreas de reserva legal e preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 16707.003975/200323 Acórdão n.º 920201.336 CSRFT2 Fl. 3 5 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal, ao revés do entendimento da Câmara recorrida. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal e/ou preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 6 requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora entendimento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende a jurisprudência dominante que a protocolização atempado do ADA passou a ser exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, é que a contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, ao contrário do que pretende fazer crer a Fazenda Nacional. Com efeito, da simples leitura dos documentos de fls. 16/47, quais sejam, “Plano de Manejo Florestal” e “Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta e Demais Formas de Vegetação”, lavrados em 15/12/1995 e 10/04/1996, respectivamente, concluise pela existência da Área de Reserva Legal informada pelo contribuinte em sua Declaração. E mais, demonstrando que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo ora exigido (1999), afastando de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pelo autuado. Não bastasse isso, mister esclarecer que a autuação sob análise se deu em virtude da falta de apresentação tempestiva do ADA e não em razão da ausência de averbação da área de reserva legal junto à matrícula do imóvel, como se verifica do Termo de Encerramento do Auto de Infração, às fls. 07, bem como do item 3 do Relatório do Acórdão de primeira instância, às fls. 89, rechaçando de uma vez por todas as argumentações da Procuradoria neste sentido, impondo a apreciação da presente lide nos limites da autuação (inexistência de ADA tempestivo), sob pena de inovação no lançamento, cerceamento do direito de defesa do contribuinte e supressão de instância. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à protocolização atempada do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 16707.003975/200323 Acórdão n.º 920201.336 CSRFT2 Fl. 4 7 regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 8 Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Turma Especial do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001266/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para comprová-las.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-01.276
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para comproválas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 65DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 210101.276 S2C1T1 Fl. 62 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente justificadamente o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 48/56) interposto em 16 de setembro de 2010 (fl. 57) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 41/43), do qual a Recorrente teve ciência em 30 de agosto de 2010 (fl. 47), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/09, lavrado em 13 de julho de 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2006. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pela contribuinte, quando essa não demonstra os efetivos pagamentos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 41). Não se conformando, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 48/56, pedindo a reforma da decisão recorrida, para cancelar a notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 210101.276 S2C1T1 Fl. 63 3 A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas médicas e odontológicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma a Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas ou odontológicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está Fl. 67DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 210101.276 S2C1T1 Fl. 64 4 obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Como se extrai dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado em virtude da suposta dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, relativas a recibos emitidos pela filha da Recorrente, Melyssa Fonseca de Vilhena Felix (R$ 14.250,00), e Sandro Lúcio Oliveira Gadbem (R$ 8.350,00), totalizando R$ 22.600,00 no anocalendário de 2006. Intimada a comprovar os pagamentos e a prestação dos serviços, a Recorrente apresentou os recibos dos profissionais e declaração de Melyssa Fonseca de Vilhena Felix, no sentido de que prestou serviços à sua mãe, que teriam sido pagos em dinheiro. Nenhum outro documento foi apresentado. Em casos como o presente, em que os valores gastos são expressivos e uma das profissionais é a própria filha da Recorrente, tenho entendido que o contribuinte deve apresentar outros documentos além dos recibos, como declarações dos prestadores, fichas médicas ou odontológicas, agendas do profissional, exames, extratos bancários para comprovação de saques etc. Como nenhum documento complementar foi apresentado, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da interposição do presente recurso, entendo que este deva ser improvido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 68DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 210101.276 S2C1T1 Fl. 65 5 Fl. 69DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
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Numero do processo: 10140.000216/2005-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL
EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA
RECONHECIDA.
Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização
incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1803-001.136
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 180301.136 S1TE03 Fl. 239 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão no. 0413.698, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS, fls. 168 e seguintes, a seguir transcrito: “Anees Salim Saad, acima qualificada, foi autuada conforme Auto de Infração de fls. 111 a 117, efetuado com base nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, relativas aos anoscalendário de 2000 e 2001, pelo qual foram lançados os valores de R$ 150.895,10 de imposto e R$ 113.171,31 de multa proporcional (75%). Os juros moratórios calculados até 30 de dezembro de 2004 foram da monta de R$ 97.744,35, totalizando R$ 361.810,76 de crédito tributário. A descrição e o enquadramento legal da infração encontramse nas fls. 112/113. O lançamento originouse da realização de revisão interna nas referidas DIPJ, tendo sido constatada a ausência de adição ao lucro liquido do período, nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2001 e 2002), do Lucro Inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência e insuficiência de recolhimento ou de declaração, em confronto destas declarações com as DCTF. A pessoa jurídica foi cientificada do lançamento em 31 de janeiro de 2005 (AR fl. 125). No dia 23 de fevereiro de 2005, apresentou impugnação (fls. 129/130 e anexos às fls. 131 a 155), alegando o pagamento, em 29 de dezembro de 1994, de R$ 30.191,08 relativo ao saldo do lucro inflacionário, nada mais restando a tributar posteriormente. Para comprovar o alegado é anexada cópia da fl. 02 do 4de Apuração do Lucro Real, parte "B". É argumentado ainda que existem duas decisões proferidas pelo Delegado da DRF/Campo Grande, datadas de 27 de agosto de 1997, que declara a nulidade do "devido imposto" (sic). Ao final, requer o cancelamento do referido auto de infração, por se tratar de justiça. Foram juntados nesta DRJ os demonstrativos atualizados do SAPLI relativos ao lucro inflacionário (fls. 162/166)”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS, na sessão de 28/02/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão no. 0413.698 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedente em parte do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 180301.136 S1TE03 Fl. 240 3 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir de 1° de janeiro de 1995, os contribuintes deveriam realizar o correspondente a 1/120 do saldo do lucro inflacionário acumulado. NULIDADE DE LANÇAMENTO. VICIO FORMAL: A declaração de nulidade por vicio formal não impede que haja um novo lançamento, desde que observadas às formalidades legais e o prazo decadencial. LUCRO INFLACIONÁRIO. BAIXA POR DECADÊNCIA. Consideradas as baixas por decadência de oficio, o novo saldo do lucro inflacionário em 31/12/1995 deve ser a base de calculo para a realização mínima obrigatória. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Consolidase administrativamente, o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235/72, art. 17)”. Cientificada da decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS, em 10/04/2008, (AR constante das fls. 182 dos autos), a ANEES SALIM SAAD, qualificada nos autos em epígrafe, apresentou, em 06/05/2008, seu recurso voluntário (fls. 183 e segs) em somente uma lauda, com o seguinte teor: Em síntese, é o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 180301.136 S1TE03 Fl. 241 4 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão principal dos autos trata da imposição tributária pela ausência de oferecimento à tributação da parcela mínima realizável do lucro inflacionário acumulado para os anoscalendários de 2000 e 2001. E, para o deslinde da questão peço vênia para trazer a colação julgamento do processo nº. 10140.000002/200490, que também tem a Recorrente como sujeito passivo, proferido pela 1ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF na sessão de 04/08/2011, que teve como relator o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro e que proferiu o Acórdão nº 140100.643 entendendo “por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1999 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada.” O assunto da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF é exatamente igual ao dos presentes autos e demonstra que a Recorrente manteve a mesma linha de conduta em relação a não oferecer o saldo de lucro inflacionário à tributação agora para os anos calendário de 2000 e 2001. Por isso, peço vênia para utilizar as razões de decidir do Ilustre Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, “verbis”: “(...)Em suma, o lançamento originouse de revisão interna da DIPJ/2000, tendo sido constatada a ausência de adição, ao lucro liquido do período, da realização mínima do Lucro Inflacionário prevista na legislação de regência. De início, vale reportar, como posto no relatório, que a DRJ já considerou alguns valores a título de “Baixa por decadência”, de sorte que ao final do ano de 1995 o Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 180301.136 S1TE03 Fl. 242 5 saldo do lucro inflacionário a realizar foi reduzido para R$308.822,94, base de cálculo para a aplicação do percentual de realização mínima. In verbis: “(...) Segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário extraído do SAPLI (f.02 a 06), sistema que, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil controla o diferimento e as realizações do lucro inflacionário, a partir dos valores informados nas declarações de imposto de renda (DIRPJ/DIPJ), eventualmente alterados pelas malhas fiscais, o lucro inflacionário acumulado objeto da autuação é oriundo de saldo de 1979. Como visto nesse demonstrativo, em 1994 houve, de fato, realização incentivada de R$603.822,00, segundo a Lei n.8.541/1992. Ocorre que tal realização (de apenas 62,9085%) não fez com que o saldo do lucro inflacionário fosse "zerado” como alegou a contribuinte. Restou, ainda, um saldo de lucro inflacionário a realizar de R$356.020,00 que, corrigido, montou em R$435.982,09 em 31 de dezembro de 1995, motivo da autuação (realização mínima de 10% desse saldo nos anos subsequentes). Tal lançamento deuse em observância ao disposto no art. 33, da Lei n. 8.541/1992, base legal do art. 529 do RIR/1994. Deveria ter sido realizado o correspondente a 1/120 do saldo do lucro inflacionário acumulado, corrigido monetariamente, a partir de 10 de janeiro de 1995. Cumpre salientar que os dados constantes do demonstrativo SAPLI são alimentados pelas declarações apresentadas pelos contribuintes. Relativamente a isso, nenhuma alegação houve. Ademais, a cópia de folha do Livro Apuração do Lucro Real não tem o condão de, por si só, comprovar a correção dos dados ali inseridos. Nesses casos, deveriam ser carreados aos autos outros documentos que pudessem emprestar aos lançamentos no LALUR a devida certeza (livro Diário etc.). ..... É de se salientar, também, que no demonstrativo SAPLI anexado nesta DRJ/CGE (f.118 a 122), já constam as baixas por decadência (de ofício), o que fez resultar, em 31 de dezembro de 1995, o saldo de R$308.822,94, base de cálculo para a aplicação do percentual de realização mínima do lucro inflacionário. Assim, a infração fica reduzida à não adição de R$30.882,29 ao lucro liquido do período.” Afirma o recorrente ter realizado integralmente o lucro inflacionário com base no incentivo previsto no art.31 da Lei nº 8.541/92: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/ 60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 180301.136 S1TE03 Fl. 243 6 V em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do período base. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subsequente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. De acordo com o sistema SAPLI (fl.03), o lucro inflacionário a realizar referiase exclusivamente a períodos anteriores a 31/12/92 e totalizava, a título de “Lucro Inflac. Dif. Período Anterior até 31/12/92”, R$ 884.025,00 ao final de 1994. A existência de lucro inflacionário a realizar após este anocalendário, mesmo tendo o contribuinte optado pela realização integral, como afirma, decorre do fato de sua escrituração não coincidir com os valores controlados pela Receita Federal, devidamente corrigidos, a partir de informações prestadas nas declarações de rendimentos ao longo dos anos. À primeira vista, a diferença decorreria, salvo melhor juízo, do fato de o contribuinte não ter considerado, em 1989, o “Lucro Infla. Diferido de Períodos Anteriores Corrigido”, no valor de NCz$408.409,00, tendo iniciado a escrituração do LALUR a partir do “Lucro Inflacionário do Período – Demais Atividades”, no valor de NCz$5.994.954,18. Para o recorrente, o saldo do lucro inflacionário acumulado em períodos anteriores a 1992 consistia em apenas R$603.821,68 (fl.146), tendo sido esta a base para a suposta realização integral incentivada em quota única. O fato de constar nos demonstrativos SAPLI os índices de correção (não contestado), bem como o saldo de lucro inflacionário corrigido em cada ano calendário, não implica que esta apuração deuse na data da lavratura do auto de infração, como afirma o recorrente quando conclui pela ocorrência da decadência. Como dito antes, é por meio de tal sistema que a Receita Federal realiza ao longo dos anos o controle do saldo de lucro inflacionário, o que permitiu, no caso concreto, verificalo ao final de 1995, bem como identificar se houve realizações nos anos subsequentes, nada mais. A fundamentação do auto de infração não se reporta ao que deixou de ser realizado ao final do anocalendário 1994, mas ao que deveria, sob a ótica da fiscalização, ter sido oferecido à tributação nos anos subsequentes, em virtude de ainda ter restado saldo de lucro inflacionário acumulado ao final do anocalendário 1995. No entanto, nesta análise não se pode olvidar que no demonstrativo SAPLI consta informação explícita sob o título “Realização incentivada – Lei 8541/92”, o que leva à conclusão de que o Fisco federal tinha conhecimento de que o contribuinte optara por alguma das formas de realização estabelecidas na Lei nº 8.541/92, que poderia, inclusive, ter sido aquela prevista no art.31, V, da Lei nº 8.541/92. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 180301.136 S1TE03 Fl. 244 7 Assim, mesmo considerando que o contribuinte poderia ao longo dos anos realizar percentual acima do mínimo estabelecido na legislação, é inegável, à luz das informação do SAPLI, que a Receita Federal identificou que o contribuinte havia optado pela realização incentivada. Logo, até mesmo em razão da possibilidade da realização integral, deveria no mínimo, caso a declaração de rendimentos da época não permitisse extrair tal informação, ter intimado o contribuinte a prestar os devidos esclarecimentos. Caso constatasse que de fato a opção, irretratável nos termos do parágrafo quarto da Lei nº 8.541/92, houvesse sido realmente a integral à base de cinco por cento, caberia no prazo decadencial proceder à constituição do crédito tributário relativo à suposta diferença do saldo do lucro inflacionário. Considerando a ciência do lançamento em janeiro de 2004, há de se reconhecer a decadência nos termos do Código Tributário Nacional, por quaisquer das hipóteses legais de contagem (art.150, §4º, ou art.173, I), haja vista que a opção pela realização integral incentivada foi manifestada com o recolhimento em 29/12/94 (fl.147). (...)” Diante da decisão acima fica evidente a conexão existente entre os processos, uma vez que a única coisa que os distingue é ambos é só o anocalendário. Por conseguinte, observando tudo que consta nos autos e a decisão proferida no processo nº. 10140.000002/200490 em 4/08/ 2011, voto no sentindo de dar provimento ao Recurso para exonerar a imposição tributária. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 2/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001907/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/09/2003
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO NÃO REALIZADO EM JUÍZO.
O depósito não realizado em conta aberta pelo juízo não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja o lançamento do tributo e a exigência de multa de mora.
PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO SEM MULTA DE MORA EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE AFASTADA a partir da Lei nº 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3102-01.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 01/08/2002 a 30/09/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO NÃO REALIZADO EM JUÍZO. O depósito não realizado em conta aberta pelo juízo não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja o lançamento do tributo e a exigência de multa de mora. PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO SEM MULTA DE MORA EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE AFASTADA a partir da Lei nº 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Recurso voluntário provido em parte.
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DEPÓSITO NÃO REALIZADO EM JUÍZO. O depósito não realizado em conta aberta pelo juízo não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja o lançamento do tributo e a exigência de multa de mora. PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO SEM MULTA DE MORA EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE AFASTADA a partir da Lei nº 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 27/09/2011 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 06.22.047 da 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou procedente o lançamento. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 77//94, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 41.405,49 de CPMF, além dos correspondentes valores de multa de oficio e juros de mora. A autuação, lavrada em 17/03/2006 (fl. 88) e cientificadas em 20/03/2006 (AR, fl. 97), ocorreu devido à falta de recolhimento da CPMF, relativamente aos períodos de apuração 08/2002 a 09/2003, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 95/96, tendo por fundamentação legal os dispositivos citados à fl. 92. De acordo com o referido Termo de Verificação Fiscal, em virtude da ação judicial proposta pelo sujeito passivo com o fim de não se sujeitar ao recolhimento da CPMF, foram efetuados depósitos em uma conta à disposição do juízo na própria cooperativa, relativos aos períodos de apuração dos anos calendário de 2002 e 2003, e somente, em 15/10/2003, foi realizado o depósito na Caixa Econômica Federal, no montante de R$ 279.070,24, razão pela qual a fiscalização o considerou como depósito em atraso, sujeito a cobrança de juros e multa de mora. Assim, após ter sido efetuada a imputação dos pagamentos (fls. 69/76), constatouse que os depósitos não correspondem ao montante integral dos correspondentes débitos. Com efeito, o presente auto de infração foi lavrado para exigir as devidas diferenças, conforme demonstrativos de fls. 77/87. A interessada, em 17/04/2006, interpôs a impugnação de fls. 98/111, cujo teor será a seguir sintetizado. Inicialmente, discorre sobre os fatos e a natureza jurídica de uma sociedade cooperativa. Quanto ao mérito, alega que, apesar de ter incorrido em dois equívocos, quando, indevidamente, efetuou o depósito na própria cooperativa e a entrega da declaração de medidas judiciais, o valor depositado foi integralmente e espontaneamente repassado à Caixa Econômica Federal, em 15/10/2003, devidamente corrigido pela SELIC, para que pudesse ser convertido em renda pela União. Dessa forma, entende que o depósito efetuado suspendeu a exigibilidade do crédito tributário por força do art. 151, II, do CTN, não havendo nenhum prejuízo ao Fisco. Destaca que as diferenças apuradas pelo Fisco inexistem, uma vez que o valor da contribuição devida em cada período de apuração e por ele apurada é exatamente igual â apurada pela Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10935.001907/200601 Acórdão n.º 310201.178 S3C1T2 Fl. 232 3 empresa, não havendo, portanto, suporte legal para aplicação dos juros de mora e multa de oficio. Pretende seja levado a efeito os benefícios do Instituto da Denúncia Espontânea, previsto no art. 138 do CTN, exonerando a multa moratória, multa de oficio e os juros de mora. Argumenta que, com base no principio da hierarquia das normas, não poderia a repartição fazendária aplicar a multa de oficio e nem os juros de mora, conforme previsto na Lei n° 9.430/1996, vez que se trata de norma de hierarquia inferior às disposições e requisitos cumpridos do art. 138 do CTN. Aduz, ainda, que o Fisco não observou o preceito contido no art. 112 do CTN, que manda interpretar mais favoravelmente ao contribuinte as normas tributárias quanto natureza ou às circunstâncias materiais do fato, à natureza de seus efeitos e à natureza da penalidade aplicável. Após analisar a defesa ao auto de infração, decidiu a 3ª Turma da DRJ/CTA, pela procedência do lançamento nos termos da ementa do voto abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 01/08/2002 a 30/09/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. O depósito parcial não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja o lançamento do tributo, acompanhado da multa de oficio. DEPÓSITOS JUDICIAIS. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE DO ART. 138 DO CTN. 0 instituto da denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa de mora, a qual deve ser exigida inclusive na hipótese de depósito judicial de tributo não pago no vencimento. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA HIERARQUIA DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. 0 controle da legalidade e da constitucionalidade das leis definitivamente não é da alçada dos órgãos Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 administrativos. Enquanto a norma não tem declarada a sua ilegalidade pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 – Foi intimada da decisão proferida no mandado de segurança nº 2002.70.05.0073447 movido pela empresa Lavoura Indústria do Oeste Ltda., assim passou a depositar os valores devidos a título de CPMF, entretanto como não havia agência da Caixa Econômica Federal no município, efetuou os depósitos em conta própria a disposição do juízo, o que posteriormente foi ratificado pelo juízo; 2 – Os depósitos, efetuados antes do início de qualquer procedimento fiscal, foram atualizados pela SELIC até a data do repasse a Caixa Econômica Federal em 15/10/2003 e após o trânsito em julgado, não havendo nenhum prejuízo ao fisco; 3 – A diferença encontrada decorre das sanções impostas em razão do fisco entender que o pagamento foi realizado em atraso, entretanto a exigibilidade do crédito estava suspensa, e portanto não há como incidir a multa moratória. Ressalta ainda que a quantia apurada pela fiscalização corresponde exatamente a quantia depositada; 4 Negada a segurança, após o trânsito em julgado, realizou “equivocadamente’ a entrega da Declaração CPMF Judiciais, prevista na IN nº 89/2000, quando no caso dos autos os valores depositados foram convertidos em renda para União; 5 – Com a conversão do depósito em renda o crédito tributário deve ser extinto; 6 – Após a lei nº 11.488/2007 deixou de ser exigida a multa de ofício de 75%; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. De acordo com o termo de início da ação fiscal a empresa Lavoura Indústria e Comércio Oeste Ltda. propôs um mandado de segurança para não recolher a CPMF, entretanto foi constatado o desconto relativo a CPMF nos extratos da conta corrente da impetrante mantida com a recorrente, assim foi lavrado o auto de infração(fls. 88/92) por não ter sido identificado o recolhimento da contribuição junto a receita federal. O lançamento compreende o período de 21/08/2002 a 23/04/2003, exigindose o montante de R$ 41.405,49, acrescido dos juros de mora e multa de ofício. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10935.001907/200601 Acórdão n.º 310201.178 S3C1T2 Fl. 233 5 Como demonstrado a recorrente busca a improcedência do lançamento com argumento de que estava amparada por uma medida judicial, realizando os depósitos relativos a CPMF devida pela empresa impetrante, no período de agosto de 2002 à setembro de 2003, para assim afastar a cobrança do valor principal e das sanções decorrentes do pagamento em atraso. Observando a decisão de fls. 06/07 proferida em 08/08/2002, percebese que o Juiz deferiu o pedido liminar determinando que aos bancos descritos nos autos do mandado de segurança, que suspendessem o desconto da CPMF durante o período nonagesimal em razão da prorrogação da EC nº 37/02, e posteriormente passassem a depositar em juízos os valores devidos, no seguintes termos: "Portanto, presente os requisitos legais, defiro, em termos, a liminar pretendida, reconhecendo a inexistência de relação jurídica que obrigue a Impetrante ao recolhimento da CPMF, prorrogada pela EC n° 37102, durante o período nonagesimal previsto no artigo 195, § 6°, da Constituição Federal. Decorrido o prazo supra, os valores questionados deverão ser depositados em juízo para fins de suspensão do crédito tributário, a teor do disposto no artigo 151, IV, do Código Tributário Nacional, conforme requerimento de fl. 18, primeiro parágrafo. Deverá ser oficiado aos bancos relacionados às fl. 34 para que deixem de efetuar o desconto da CPMF, conforme item 4, e para que, após aquele prazo, depositem em juízo a respectiva exação. (grifo nosso). Ora, resta claro que a decisão determinou a realização do depósito em juízo para suspender a exigência do crédito tributário, entretanto como afirmado pela própria recorrente os valores não foram depositados imediatamente em conta do juízo, e sim em conta própria, a disposição da justiça, restando saber se o procedimento adotado pela recorrente suspendeu a exigibilidade do crédito. O art. 151 do CTN ao dispor sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevê dentre suas hipóteses o depósito em seu montante integral nos termos do inciso II, entretanto no caso dos autos restou especificado na decisão judicial que o depósito deveria ter sido realizado em juízo, o que de fato não ocorreu. Ressaltese ainda que os depósitos judiciais de tributos e contribuições federais devem obedecer aos preceitos da Lei nº 9.703/1998, a qual especifica, já em seu artigo 1º1, que os depósitos devem ser realizados junto a “Caixa Econômica Federal para a Conta 1 Lei 9.703/98 Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 Única do Tesouro Nacional”, e no mesmo prazo do recolhimento do tributo ou da contribuição. Percebese que o depósito efetuado em conta própria da recorrente, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito, pois mesmo que tenha ocorrido na data correta, não foi realizado junto a Caixa Econômica Federal, o que só efetivamente aconteceu em 15/10/2003, através do DARF(fls.12) ao ser realizado o depósito de R$ 279.070,24(duzentos e setenta e nove mil, setenta reais e vinte e quatro centavos), ao qual não foi acrescida multa de mora, já que a Recorrente entendia que a exigibilidade estava suspensa. Quanto a multa de ofício de 75%(setenta e cinco por cento), lançada com base no art. 44, inciso I da lei nº 9.430/96, requer a recorrente a sua exclusão, ao afirmar sua revogação após a lei nº 11.488/2007. Quando lançamento vigorava a redação inciso I do art. 44 com a seguinte redação: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Com a edição da lei nº 11.488/2007 a norma acima passou a ter a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Contatase que a nova redação deixou de tratar como infração o pagamento do tributo em atraso sem o pagamento da multa de ofício nos termos da súmula nº 31 do CARF, assim deve ser aplicado o princípio da retroatividade benigna, disposto no art. 106, II do CTN. Pelas razões acima, conheço do recurso voluntário, para dar parcial provimento excluindo a multa de ofício de 75%(setenta e cinco por cento). Sala de sessões 31 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10935.001907/200601 Acórdão n.º 310201.178 S3C1T2 Fl. 234 7 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10768.005948/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO
LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO
JUDICIAL.Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial,
ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência
de fundamento e objeto.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.202
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, , por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela
recorrente, o Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita – OAB/SP 119076.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL.Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso de Ofício Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL.Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita – OAB/SP 119076. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondentes ao PIS não recolhido referente aos meses 04/1997 a 06/1997, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora correspondentes, tendo por fundamento a expressão “processo judicial não comprovado”. O relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro assim sintetizou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade: Na impugnação, anexada às folhas 1 a 17, a Interessada alega, em síntese: Que o débito inexiste, correspondendo todo ele a débito com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, devidamente informada nas DCTF. A impropriedade da utilização do lançamento em situação que enseja, não a exigência da tributo, mas a intimação para apresentação de documentos suficientes à satisfação das necessidades do ente tributante, sem necessidade de instauração do contencioso. Assim, falta ao caso em exame a indispensável caracterização ao ato de lançamento, tendo em vista que o fundamento apontado na peça de autuação não corresponde a qualquer inadimplemento obrigacional, mas sim à necessidade de comprovação da discussão judicial informada na declaração. Esclarece que propôs em 08/05/1997 Ação Cautelar Inominada com Pedido de Liminar n° 97.00131572, cujo objeto é ver garantido o direito de permanecer recolhendo o PIS na forma estabelecida pela Lei n° 7/70 (fl. 61 a 82). Em 22/05/1997 foi deferida a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido (fls. 83 a 89). A teor do artigo 151 do CTN, o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Em conseqüência, é incabível a exigência de multa e juros de mora. Com base no exposto afirma ser a exigência materialmente improcedente, por supressão de sua razão de existir — a ausência de comprovação da suspensão de exigibilidade por via de depósito judicial. A partir das informações e documentos apresentados, a DRJ do Rio de Janeiro entendeu por bem cancelar o lançamento fiscal em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO.DCTF. Cancelase a autuação fundamentada tão somente pela expressão "processo judicial não comprovado" a partir da Fl. 181DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.005948/200211 Acórdão n.º 330201.202 S3C3T2 Fl. 2 3 constatação de que a interessada é parte na demanda judicial tida como inexistente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso de Ofício preenche os requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório acima transcrito, o presente processo trata de lançamentos eletrônicos decorrentes de auditoria interna nas DCTFs do período. Os débitos lançados no auto de infração foram declarados com exigibilidade suspensa na DCTF apresentada, tendo sido informado que estariam vinculados ao processo nº 9700131572 . Conforme se verifica do DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS de fls. 53/54, a motivação para o lançamento foi “proc jud não comprova”, ou seja, não houve comprovação da existência do processo judicial informado. A Recorrida, por sua vez, apresentou copia da ação judicial nº. 97.00131572 proposto junto a Justiça Federal de São Paulo, juntado ainda, guias de depósitos judiciais relacionados aos débitos cobrados no presente processo. Ou seja, a ação informada na DCTF de fato existia. Embora saibamos que tais autos de infração são emitidos eletronicamente através do cruzamento de informações, não podemos esquecer que a atividade do lançamento é vinculada e deve respeitar todos os requisitos legais para que tenha validade. Neste norte prescreve o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifouse) Restando clara e inequívoca a veracidade do fato apontado pelo contribuinte, qual seja, a existência do processo judicial, fica prejudicado o presente auto do infração. Isto porque não compete à autoridade julgadora “ajustar” a descrição do motivo para que o auto de infração tenha validade. Sendo o motivo ensejador do lançamento a ausência de processo judicial, não se pode após comprovada a existência do mesmo transmutar o lançamento justificandoo pela ausência de ordem judicial ou compensação em desacordo com a legislação. Ademais, quanto à possibilidade manter o presente lançamento sob outros pressupostos, agravando a exigência da inicial, encontra óbice no que determina o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993: “§ 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” No presente caso não foi emitida notificação complementar nem tampouco novo auto de infração. É de se ressaltar que bastaria uma simples intimação ao contribuinte para que este comprovasse a existência do processo judicial, o que possibilitaria a fiscalização de analisar as questões de mérito quanto às compensações efetuadas, se possíveis, se albergadas por decisão liminar, se o crédito era suficiente, e assim por diante. A informatização dos sistemas de controle e de lançamentos não pode ser desculpa para o não cumprimento das determinações legais quanto ao lançamento. Se o “sistema” possui falhas, ou não é capaz de prever todas as situações não deve ser utilizado, ou ainda, deve ser atualizado e melhorado. Assim entendo por correta a decisão exarada pela Delegacia Regional de Julgamento, motivo pelo qual voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Oficio. ALEXANDRE GOMES Fl. 183DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.005948/200211 Acórdão n.º 330201.202 S3C3T2 Fl. 3 5 Fl. 184DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.005822/97-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1993
IRRETROATIVIDADE DA NORMA.
No sistema constitucional brasileiro, a regra geral é a eficácia prospectiva. A eficácia retroativa das leis é sempre excepcional, jamais se presume e deve necessariamente emanar de disposição legal expressa.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. IPI. FINSOCIAL
Impossibilidade de compensação entre espécies tributárias distintas e com destinação constitucional diferente, sem prévia solicitação à unidade da Receita Federal, nos termos da legislação vigente.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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No sistema constitucional brasileiro, a regra geral é a eficácia prospectiva. A eficácia retroativa das leis é sempre excepcional, jamais se presume e deve necessariamente emanar de disposição legal expressa. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. IPI. FINSOCIAL Impossibilidade de compensação entre espécies tributárias distintas e com destinação constitucional diferente, sem prévia solicitação à unidade da Receita Federal, nos termos da legislação vigente. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de análise de recurso especial interposto pela contribuinte. Pretende a Recorrente, no presente feito, ver retroativamente aplicado o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 à compensação por ela levada a efeito no ano calendário de 1993 entre créditos seus de FINSOCIAL com débitos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados. A fundamentar sua argumentação, invoca o artigo 106 do Código Tributário Nacional. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de auto de infração do qual a Contribuinte fora intimada em 12.08.97, no valor histórico de R$ 952.467,32 por entender a Fiscalização terem sido incorretamente classificados na TIPI os produtos por ela elaborados, bem como por ter a Recorrente, durante os períodos de apuração de janeiro a julho de 1993, utilizadose de créditos extemporâneos concernentes à contribuição ao FINSOCIAL paga em alíquotas superiores a 0,5% de seu faturamento, tudo conforme Relatório da Ação Fiscal constante de fls. 190/195. Impugnação da Contribuinte, às fls. 321/350, na qual aduz, em síntese, que a compensação por ela efetuada encontra guarida, atualmente, no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do Decreto nº 2.138/97 e demais atos emanados pelo Fisco que reconhecem a possibilidade de compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que de espécies diversas, entendimento que fundamenta no disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional. No tocante à incorreta classificação de seus produtos, nada opõe aos termos do lançamento. Às fls. 399/406, acórdão lavrado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, assim ementado: “Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1993 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente podiam ser compensados, independentemente de solicitação administrativa, os valores de tributo pagos indevidamente ou a maior, por erro ou duplicidade, a partir de 01/01/92, com débitos vencidos relativos a tributo com idêntico código de receita, ou mesma destinação constitucional. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada inconstitucionalidade de atos normativos regularmente editados. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005822/9719 Acórdão n.º 930301.541 CSRFT3 Fl. 696 3 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Anocalendário: 1993 Ementa: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ESCRITURAÇÃO. REQUISITOS. Somente é admissível o aproveitamento, mediante a escrituração no livro registro de apuração, de créditos serôdios relativos a insumos restritivamente admitidos pela legislação tributária, à vista de documentação fiscal hábil e idônea emitida, na época própria, para respaldar o efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento industrial. GLOSA DE CRÉDITOS. INDÉBITO DE FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. Glosamse os créditos apropriados no livro registro de apuração do IPI, à guisa de compensação de valores de FINSOCIAL recolhidos sob a égide de legislação posteriormente declarada inconstitucional, por falta de supedâneo legal. Lançamento Procedente”. Irresignada, apresentou a Contribuinte, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 440/470, basicamente repisando os argumentos já aduzidos em sede de impugnação. Por meio do Acórdão nº 202.15.659, os Membros da então Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso. A ementa dessa decisão está assim redigida: IPI. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE PAGAMENTOS INDEVIDOS DE FINSOCIAL. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/96. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 106, II, B, CTN. É vedada a aplicação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 à compensação de créditos oriundos de pagamentos indevidos a título de Contribuição ao FINSOCIAL com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados efetuada pelo próprio contribuinte à época da vigência do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, por força do disposto na alínea b do inciso II do artigo 106 do CTN, segundo a qual a aplicação retroativa de lei, tratandose de ato não definitivamente julgado, somente é possível quando este não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Recurso ao qual se nega provimento. Consta das razões de decidir, do voto da decisão ora guerreada o que a seguir transcrevo: Como mencionei anteriormente, a compensação é modalidade autônoma de extinção do crédito tributário, na forma do inciso II do artigo 156 do Código Tributário Nacional. Importante se faz Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 este destaque para demonstrar que a compensação efetuada pela Recorrente em 1993, sem amparo legal, implicou falta de pagamento de tributo, a saber, o Imposto sobre Produtos Industrializados, fazendo com que a sua pretensão recaia justamente na hipótese impeditiva de retroatividade da norma tributária constante do próprio artigo 106, II, b, por ela citado em seu Recurso Voluntário. A meu ver, portanto, é vedada a aplicação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 à compensação de créditos oriundos de pagamentos indevidos, a título de Contribuição ao FINSOCIAL, com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados efetuada pela Recorrente à época da vigência do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, por força do disposto na própria alínea b do inciso II do artigo 106 do CTN por ela citada, segundo a qual a aplicação retroativa de lei, tratandose de ato não definitivamente julgado, somente é possível quando este não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo – justamente o caso versado nos presentes autos. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso especial de divergência. Segundo a recorrente, a decisão recorrida veiculou interpretação divergente da legislação tributária quanto à possibilidade de aplicar retroativamente o art. 74 da Lei nº 9.430/96 a uma compensação efetuada ao amparo do art. 66 da Lei n" 8.383/91, relativa ao indébito oriundo de pagamentos do FINSOCIAL a alíquota superior a 0,5%. À guisa de comprovação das divergências, foi indicado o Acórdão n2 20172.918 (fls. 600/603). Por meio do Despacho nº 202318, inicialmente o seguimento do recurso interposto foi negado sob a seguinte motivação: No paradigma nº 20172.918 ficou decidido que na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 firmouse a jurisprudência do STJ no sentido de que, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, poderia o contribuinte compensarse a seu talante, ficando preservada a futura ação fiscal para verificar a regularidade da mesma. Assim, com base no Decreto nº 2.346/97, a jurisprudência do STJ deveria ser aplicada àquele caso concreto para se aceitar a compensação entre tributos de espécies distintas independentemente de pedido à autoridade administrativa. No acórdão recorrido, ficou decidido que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não podia ser aplicado de forma retroativa a compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos do IPI efetuada pelo contribuinte à época da vigência do art. 66 da Lei nº 8.383/91, por força do disposto no art. 106,11 do CTN. Portanto, o paradigma apresentado não comprova a divergência alagada, pois no paradigma a compensação entre tributos de espécies distintas foi aceita por força da aplicação da jurisprudência do S71 e não pela aplicação retroativa do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em momento algum o acórdão paradigma debateu a questão da aplicação retroativa do art. 74 da Lei nº 9430/96 em face do art. 106, TI, do CTN, que nem sequer foi mencionado na aludida decisão. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005822/9719 Acórdão n.º 930301.541 CSRFT3 Fl. 697 5 Dessa decisão houve Agravo. No exame da admissibilidade (fls. 685), foi proposto o acolhimento do agravo. A seguir, reproduzo excertos da fundamentação dessa decisão: No acórdão paradigma, esteve sob análise, pois, uma compensação sob a égide da Lei 8.383/91, que era permitida apenas entre tributos da mesma espécie, hipótese em que não era contemplado o encontro de débitos e créditos de FINSOCIAL com o IPI. Apesar dessa limitação, no julgado tomado como parâmetro de divergência, acatouse a compensação exatamente entre créditos de FINSOCIAL e débitos de IPI. Assim não há como negar que, no acórdão recorrido, a questão da possibilidade de compensação entre tributos de espécies diferentes foi enfrentada, ainda que, de forma explicita, não se tenha mencionado a retroatividade da disposição da Lei 9.430/96, como mencionado na decisão agravada. Às fls. 688 a 693 contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional. Requer que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes Acolhido o Agravo (Despacho nº 9503023) retornam os autos para julgamento da CSRF. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte, foi acolhido em sede de reexame de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme exposto no relatório, pretende a Recorrente, no presente feito, ver retroativamente aplicado o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 à compensação por ela levada a efeito no anocalendário de 1993 entre créditos seus de FINSOCIAL com débitos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados. A fundamentar sua argumentação, invoca o artigo 106 do Código Tributário Nacional. i) Dos fatos: Segundo a descrição dos fatos elaborada pela fiscalização, de fls. 190/195, que remete ao termo de verificação fiscal de lis. 121/128, a recorrente escriturou no livro registro de apuração do IPI (modelo 8), nos períodos de apuração de janeiro a julho de 1993, conforme cópias de fls. 87/112, créditos extemporâneos concernentes ao FINSOCIAL pago sobre o faturamento, às alíquotas de 1,0%, 1,2% e 2,0%, dos meses de outubro de 1989 a março de 1991. Ingressara a contribuinte com a ação ordinária de repetição de indébito processada sob o n° 91.673305O, em 24/07/1991, perante a Justiça Federal, conforme cópia da peça vestibular de fls. 06/30, com o objetivo de receber a restituição dos valores integrais Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 recolhidos a título de FINSOCIAL no que respeita aos meses de janeiro de 1989 a maio de 1991. Posteriormente, a apresentou, em 18/01/1993, petição, de fls. 31/34, com a menção a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1989 e março de 1991 e com o acréscimo ao escopo da ação da compensação dos valores pleiteados, de que trata a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66. Sem manifestação acerca do aditamento da inicial, a sentença foi prolatada pela autoridade judicial a quo com o acolhimento da pretensão daquela no que pertine aos recolhimentos de FINSOCIAL superiores à alíquota de 0,5%. O recurso de apelação interposto teve provimento parcial dado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sendo negado provimento à remessa oficial, conforme cópias de is. 35/40; o respectivo acórdão transitou em julgado em 28/08/1996. A fiscalização efetuou a glosa dos valores dos créditos em virtude da inexistência de supedâneo legal para a conduta do sujeito passivo. Ademais, acrescenta a autoridade fiscal que o provimento jurisdicional concedido foi para a União devolver à contribuinte valores indevidamente recolhidos e não para que esta efetuasse compensação do indébito com valores de IPI, tributo com natureza diversa daquela do FINSOCIAL; também destaca a violação do principio da autonomia de estabelecimentos, uma vez que o estabelecimento epigrafado, de Vinhedo/SP, não poderia ter os débitos do IPI de sua escrita fiscal compensado com valores de indébito do FINSOCIAL relativos a outros estabelecimentos da mesma empresa. Há de se observar, primeiramente, que o pedido de provimento jurisdicional ajuizado pela contribuinte consistia na repetição do indébito relativo aos recolhimentos dos valores totais de FINSOCIAL efetuados entre 1989 e 1991; no acórdão prolatado pelo TRE da 3ª Região, que passou em julgado, houve a condenação da União para devolver os valores do tributo apurados com alíquota superior a 0,5%. Paralelamente, no meu sentir, é importante registrar não ter havido pedido de compensação junto ao órgão administrativo. ii) Da evolução legislativa – da Lei nº 9.430/96 : A recorrente evoca a aplicabilidade da lei nº 9.430/96. A partir da citada lei, a possibilidade de compensação com tributos de espécies diversas passou a ter amparo legal, tendo como requisitos expressos o requerimento do contribuinte e a autorização prévia pela Receita Federal1. Regulamentando o art. 74 da Lei nº 9.430/96 foi editado o Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, que, em seu art. 1º, estabeleceu: Art. 1º É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. 1 TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO FINSOCIAL ESPÉCIES DIFERENTES LEI 8.383/91 LEI 9.430/96. 1. É pacífica a jurisprudência desta Corte, quanto à possibilidade de compensação dos créditos advindos de pagamentos indevidos a título de FINSOCIAL com débitos da COFINS, mas não com tributos de espécies diversas, no regime da Lei 8.383/91. 2. A Lei 9.430/96 permite a compensação de tributos de espécies distintas, todavia, mediante requerimento à Secretaria da Receita Federal. 3. Recurso provido. (STJ, Primeira Turma, REsp. nº 327.997, sessão de 28/05/2002, relatora Min. Eliana Calmon, unânime, www.stj.gov.br, acesso em 06/04/2007). Fl. 737DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005822/9719 Acórdão n.º 930301.541 CSRFT3 Fl. 698 7 Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Após a Lei nº 9.430/96, passaram a coexistir dois regimes de compensação: o do art. 66 da Lei nº 8.381/91 restrito a tributos da mesma espécie (inclusive contribuições previdenciárias) e com mesma destinação constitucional, mas independente de requerimento prévio à administração tributária (Receita Federal ou Previdência Social, antes da fusão dos fiscos federais); e o do art. 74 da Lei nº 9.430/96 relativo a tributos de espécies diversas, desde que arrecadados pela Receita Federal mas dependente de prévia solicitação. Os dois regimes são compatíveis com o art. 170 do CTN, que exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar. A diferença é que no regime do art. 66 referido, tal certeza e liquidez são apuradas posteriormente pela administração tributária, de forma expressa ou tácita, dentro do prazo decadencial dos tributos submetidos ao lançamento por homologação, enquanto no regime do art. 74 tal apuração é sempre expressa e não se sujeitava, inicialmente, à preclusão temporal. O art. 74 da Lei nº 9.430/96 foi alterado três vezes: a primeira pelo art. 49 da MP nº 66, convertida na Lei nº 10.637/2002, com efeitos (o artigo) a partir de 1º de outubro de 2002, como expresso no art. 68, I, da citada Lei; a segunda pelo art. 49 da MP nº 135, convertida na Lei nº 1.833/2003, com efeitos a partir de 31/10/2003 (data de publicação da MP); e a terceira pelo art. 4º da Lei nº 11.051, publicada em 30/12/2004. Com atenção para as modificações introduzidas pelas MP nºs 66 e 135 e respectivas leis de conversão, observemos as alterações no art. 74 da Lei nº 9.430/96, das quais destacamos os § 2º, 4º, 5º e 6º (com negritos abaixo): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela MP nº 66/2002, Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela MP nº 66/2002, Lei nº 10.637, de 2002) (...) Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela MP nº 66/2002, Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela MP nº 135/2003, Lei nº 10.833, de 2003)2 § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela MP nº 135/2003, Lei nº 10.833, de 2003) Com a alteração introduzida pela MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, houve uma aproximação com o regime estabelecido pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, cuja essência consistia exatamente no fato de o contribuinte operar a compensação por sua conta e risco na sua escrita contábil, informandoa à Receita Federal apenas por ocasião da entrega de DCTF.3 De modo semelhante acontece na compensação efetuada com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96, após a modificação da Lei nº 10.637/2002: o que era pedido, submetido previamente à apreciação da administração tributária, passou a ser declaração, submetida à ulterior homologação da autoridade administrativa. Na compensação escorada tãosomente no citado art. 66 (tributos de mesma espécie), não havia necessidade de formalização de processo próprio. Por isto a DCTF consistia no único pelo qual era dado conhecimento à Receita Federal, do encontro de contas efetuado pelo sujeito passivo. iii) Da análise específica do caso: Alega a recorrente a retroatividade da lei nº 9.430/96 (artigo 74). O princípio da segurança jurídica visa a estabilidade e a previsibilidade das relações jurídicas, protegendo o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (Constituição Federal art. 5º, XXXVI). Busca também preservar as relações jurídicas já estabelecidas, ante as alterações da conjuntura política de governo.4 Quanto à irretroatividade, em termos gerais é decorrente do inc. XXXVI do art. 5º da Constituição; em sede tributária, está assentado no art. 150, III, a.5 No sistema constitucional brasileiro, a regra geral é a eficácia prospectiva. A eficácia retroativa das leis é sempre excepcional (a), jamais se presume (b) e 2 Antes: § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo (incluído pela MP nº 66/2002, Lei nº 10.637, de 2002). 3 No sentido de obrigatoriedade de informação das compensações em DCTF, o art. 7º da IN SRF nº 73/96, cujos §§ 1º e 2º esclarecem: no caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado, dispensandose o número do ato autorizativo (ou processo administrativo) da Receita Federal, quando compensação com tributos da mesma espécie; no caso de compensação de tributos de espécies diferentes deverá ser indicado, também, o número do correspondente ato autorizativo (ou do processo administrativo). 4 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal comentado. São Paulo: Dialética, 2004,.p.70. 5 Como informa Mizabel Derzi, em outros países (cita Estados Unidos e Espanha) a irretroatividade não consta expressamente de suas Cartas Constitucionais. Daí a maior liberdade do legislador infraconstitucional no trato da matéria (BALEEIRO, Aliomar. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, atualizadora Misabel Abreu Machado Derzi. Rio de Janeiro, Forense, 1998, p. 189/191). Fl. 739DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005822/9719 Acórdão n.º 930301.541 CSRFT3 Fl. 699 9 deve necessariamente emanar de disposição legal expressa (c). Assim já se pronunciou o STF6, que ainda assentou o seguinte: “O disposto no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, se aplica a toda e qualquer lei infraconstitucional, sem qualquer distinção entre lei de direito público e lei de direito privado, ou entre lei de ordem pública e lei dispositiva.”7 A irretroatividade em matéria tributária visa à proteção do contribuinte.8 Por isto admissível a retroatividade de lei expressamente interpretativa ou de lei que deixe de definir infração ou reduza penalidade e possa seja aplicável a ato não definitivamente julgado (art. 106 do CTN). Além dessas duas hipóteses, há uma terceira: a da lei processual, cuja aplicação é imediata e alcança os processos em curso. Nenhuma das três hipóteses acima é compatível com as disposições dos §§ 2º, 4º, 5º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as redações dadas pelo art. 17 da MP nº 66/2002 e art. 49 da MP nº 135/2003. A irretroatividade geral, por sua vez, e o princípio da segurança jurídica, especialmente, visam proteger, além do contribuinte, também o sujeito ativo da relação jurídicotributário. Neste ponto convém atentar para as palavras sábias de Souto Maior Borges, que tratando do princípio da segurança jurídica pontifica:9 E a virtude, na relação tributária, identificase com a igualdade de tratamento, o justo equilíbrio, a ponderação equilibrada das relações isonômicas entre fisco e contribuinte no plano normativo. A justiça fiscal não deve temer o passo atrás, em direção à aurora romana da meditação sobre o direito: suum cuique tribuere; justiça fiscal é também ela a arte de dar a cada um (p. ex., fisco/contribuinte), o que é seu. O estatuto tributário não é só do contribuinte. É do fisco e contribuinte numa relação isônoma. Penso, portanto, acertada a decisão recorrida. Mas ainda, pelo amor ao debate, ainda que pudesse ser admitida a retroatividade da Lei nº 9.430/96, para atingir fatos consumados anteriormente à vigência da Lei nº 9.430/96, o que se verifica no caso, é ausência de pedido administrativo junto à Receita Federal. Tal procedimento, é no entender desta Conselheira, imprescindível, dentro das normas da própria lei nº 9.430/96. A recorrente, com a máxima vênia, requer a aplicabilidade retroativa da norma que admitiu a compensação de espécies diferentes, mas se olvida dos demais requisitos impostos pelo mesmo ato jurídico, dentre os quais, pedido formulado à Receita Federal. 6 Revista Trimestral de Jurisprudência 163/795, apud MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada, 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 300. 7 STF, Pleno, ADI nº 4930/DF, Relator Min. Moreira Alves, julgamento em 25/06/92, maioria, www.stf.gov.br, acesso em 08/04/2007. 8 “O princípio da irretroatividade da lei tributária deve ser visto e interpretado, desse modo, como garantia constitucional instituída em favor dos sujeitos passivos da atividade estatal no campo da tributação. Tratase, na realidade, à semelhança dos demais postulados inscritos no art. 150 da Carta Política, de princípio que — por traduzir limitação ao poder de tributar — é tãosomente oponível pelo contribuinte à ação do Estado." (STF, ADI 712MC, voto do Relator, Min. Celso de Mello, julgamento em 07/10/92, www.stf.gov.br, acesso em 08/04/2001). 9 BORGES, José Souto. O princípio da segurança jurídica na criação e aplicação do tributo. Revista Dialética de Direito Tributário nº 22, São Paulo: Dialética, julho de 1997, p. 27. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Vejase que no presente, a contribuinte ingressou na Justiça com pedido de restituição dos valores pagos de FINSOCIAL, sendolhe deferido o pedido (acórdão transitado em julgado em 28/08/1996). Também é relevante observar, ter a contribuinte registrado em sua escrita, valores recolhidos à alíquota de 1%, 1,2% e 2% pagos sobre o faturamento. Nesse sentido, temse que com o advento da Lei nº 9.430/96, o legislador pátrio reconheceu a necessidade de a Administração ter o controle da eventual utilização de créditos do contribuinte em compensação com seus débitos frente à Fazenda Nacional ( artigos 73 e 74). Como base em tais fundamentos, e nos casos de compensação de impostos e contribuições de natureza distinta, e considerando a legislação em vigor, a jurisprudência vinha entendendo não caber pedido de compensação em exceção de defesa em lançamento de ofício, devendo o contribuinte fazêlo em procedimento interno junto à Receita Federal, onde haverá a oportunidade para conferência da liquidez, certeza e fungibilidade dos valores, objeto da compensação. 10 Em conseqüência, algumas decisões do antigo Conselho de Contribuintes, o foram pela não negação do direito do contribuinte em eventuais créditos com a Administração Tributária, mas sim que, para que o contribuinte procedesse posteriormente ao previsto nas normas previstas, de forma apartada, nos termos do então Decreto n° 2.138, de 29/01/1997, da IN/SRF n.º 21, de 10/03/1997 e da IN/SRF n.º 73, de 15/09/1997. CONCLUSÃO: Em face do acima exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte. Maria Teresa Martínez López 10 Vejase REsp. 144.250PB ( julg. 25/09/97, DJ 13/10/97) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 37317.003769/2003-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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