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Numero do processo: 12466.000269/98-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA - VALORES PAGOS POR IMPORTADORAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS
Os valores pagos por concessionárias às detentoras do uso da marca no país, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no país, não constituem acréscimo ao Valor Aduaneiro da mercadoria, para cálculo dos tributos na importação. Inteligência dos artigos 1° - 8° e 15° do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16.07.86, e das Decisões COSIT n° 14 e 15/97.
PROVA PERICIAL - É de ser indeferida quando desnecessária
para a formação da prova e do processo de convicção da
decisão.
REVISÃO ADUANEIRA A revisão aduaneira é ato expressamente autorizado na lei, enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional.
Inteligência do artigo 173 do Código Tributário Nacional.
Solidariedade - INAPLICABILIDADE DO ART. 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. TENDO O COMISSÁRIO- IMPORTADORA - AGIDO EM NOME PRÓPRIO POR CONTA E ORDEM DO COMITENTE - CONCESSIONÁRIAS - NÃO HÁ QUALQUER EVIDÊNCIA,NEM PROVA NOS AUTOS, QUE CARACTERIZE A ALEGADA SOLIDARIEDADEDE TERCEIROS NA OPERAÇÃO.
Não obstante, são inaplicáveis ao feito, as normas da solidariedade da Medida Provisória 2158, de agosto de 2001 e Lei 10.13 712002, por envolverem matéria de direito substantivo, de aplicação retroativa vedada, eis que o fato gerador das obrigações apuradas ocorreram em 1994, e o lançamento realizado em 1998.
VALORAÇÃO ADUANEIRA - Não provada a vinculação ou a
ocorrência de situações que justifiquem os ajustes previstos no
artigo 8°, do Acordo de Valoração Aduaneira, impõe-se a
aceitação dos valores de .transação, nas operações de
importação.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.578
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, foram rejeitadas as preliminares argüidas pela recorrente; e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e João Holanda Costa.
Nome do relator: SÉRGIO DE CASTRO NEVES
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ementa_s : VALORAÇÃO ADUANEIRA - VALORES PAGOS POR IMPORTADORAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS Os valores pagos por concessionárias às detentoras do uso da marca no país, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no país, não constituem acréscimo ao Valor Aduaneiro da mercadoria, para cálculo dos tributos na importação. Inteligência dos artigos 1° - 8° e 15° do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16.07.86, e das Decisões COSIT n° 14 e 15/97. PROVA PERICIAL - É de ser indeferida quando desnecessária para a formação da prova e do processo de convicção da decisão. REVISÃO ADUANEIRA A revisão aduaneira é ato expressamente autorizado na lei, enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional. Inteligência do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Solidariedade - INAPLICABILIDADE DO ART. 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. TENDO O COMISSÁRIO- IMPORTADORA - AGIDO EM NOME PRÓPRIO POR CONTA E ORDEM DO COMITENTE - CONCESSIONÁRIAS - NÃO HÁ QUALQUER EVIDÊNCIA,NEM PROVA NOS AUTOS, QUE CARACTERIZE A ALEGADA SOLIDARIEDADEDE TERCEIROS NA OPERAÇÃO. Não obstante, são inaplicáveis ao feito, as normas da solidariedade da Medida Provisória 2158, de agosto de 2001 e Lei 10.13 712002, por envolverem matéria de direito substantivo, de aplicação retroativa vedada, eis que o fato gerador das obrigações apuradas ocorreram em 1994, e o lançamento realizado em 1998. VALORAÇÃO ADUANEIRA - Não provada a vinculação ou a ocorrência de situações que justifiquem os ajustes previstos no artigo 8°, do Acordo de Valoração Aduaneira, impõe-se a aceitação dos valores de .transação, nas operações de importação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS - Os valores pagos. por concessionárias às detentoras do uso da marca no país, *los serviços efetivamente contratados e prestados no país, não constituem acréscimo ao Valor Aduaneiro da mercadoria, para cálculo dos tributos na importação. Inteligência dos artigos 1° - 8° e 15° do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nO92.930, de 16.07.86, e das Decisões COSIT n° 14 e 15/97. PROVA PERICIAL - É de ser indeferida quando desnecessária para a formação da prova e do processo de convicção da decisão. REVISÃO ADUANEIRA A reVlsao aduaneira é ato expressamente autorizado na lei, enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional. Inteligência do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Solidariedade - INAPLICABILIDADEDO ART. 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIONACIONAL. TENDOOCOMISSÁRIO- IMPORTADORA - AGIDOEMNOMEPRÓPRIOPORCONTAE ORDEMDOCOMITENTE - CONCESSIONÁRIAS- NÃOHÁQUALQUEREVIDÊNCIA,NEMPROVA NOS AUTOS, QUE CARACTERIZEA ALEGADASOLIDARIEDADEDE TERCEIROSNAOPERAÇÃO. Não obstante, são inaplicáveis ao feito, as normas da solidariedade da Medida Provisória 2158, de agosto de 2001 e Lei 10.13712002, por envolverem matéria de direito substantivo, de aplicação retroativa vedada, eis que o fato gerador das obrigações apurad?-s. ocorreram em 1994, e o lançamento realizado em 1998. VALORAÇÃO ADUANEIRA - Não provada a vinculação ou a ocorrência de situações que justifiquem os ajustes previstos no artigo 8°, do Acordo de Valoração Aduaneira, impõe-se a aceitação dos valores de .transação, nas operações de importação. 1 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVID(,f / Vistos, relatados e discutidos os p7J!f'autos .. .~ MINIsTÉRIO DA FAZENDA ;,- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, foram rejeitadas as preliminares argüidas pela recorrente; e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e João Holanda Costa. SÉRGIO DE CASTRO NEVES Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: NILTON LUIZ BAARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA KARLA FERRAZ . 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 127.608 303-31.578 CONW~A~ORTADORAEEXPORTADORA- COIMEX DRJIFLORIANÓPOLIS/SC SÉRGIO DE CASTRO NEVES RELATÓRIO • Transcrevo literalmente, a seguir, para adotá-lo, o brilhante Relatório do julgamento de primeira instância, elaborado pela insigne ex-Conselheira desta casa, Dra. Elizabeth Maria Violatto, hoje na Delegacia da receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), onde foi prolatada a decisão ora recorrida: De ação fiscal levada a efeito no estabelecimento da empresa em referência, decorreu a constatação de que as importações realizadas por meio das Declarações constantes dos demonstrativos de fls. 8 a 33 foram tributadas com base em valor aduaneiro menor que o real. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração que dá início ao presente processo, para fins de lançamento do correspondente crédito tributário, no valor de R$ 1.760.838,28, constituído das diferenças do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, dos juros moratórios e das multas de oficio de 75%, previstas no art. 4°, inciso I, da Lei nO8.218/1991, c/c art. 44, inciso I, e no art. 364, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Dec. nO 87.981/1982, c/c, respectivamente, com os arts. 44, inciso I e 45 da Lei nO9.430/1996 . A exigência em questão está calcada na hipótese de ajuste do valor aduaneiro, prevista no art. 8°, item 1, alínea "c", do Acordo de Valoração Aduaneira, por referir-se a valores cobrados dos revendedores pelo distribuidor da mercadoria importada, a título de uso da marca, conforme atestam as notas fiscais de serviços vinculadas à operação de distribuição da mercadoria no mercado interno, juntadas aos autos. A importação de que se trata foi realizada em nome da autuada, Cia de Importação e Exportação - Coimex, que, operando na qualidade de companhia comercial de importação, introduziu no país veículos Mitsubishi, marca cujos direitos no Brasil são exclusivos da e"tresa MMC Automotores do Brasil, sucessora da empresa Brabus Autosp t Ltda, na qualidade de distribuidora da empresa Mitsubishi ':~%s Corporation, doravante denominada MMC do Japão, fabricante de Vri1) s. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Contrato de Distribuição firmado entre o fabricante-exportador e o distribuidor-comprador juntado por original da tradução às fls. 464 a 489, dá conta das cláusulas obrigacionais estipuladas pelos contratantes, entre as quais figura a cláusula 13, intitulada "Propaganda", que transfere ao importador o ônus da promoção, divulgação e proteção da marca no mercado nacional. Assim, a fiscalização promoveu a alteração da base de cálculo dos tributos incidentes sobre a operação de importação, adicionando ao valor declarado as quantias auferidas pelo distribuidor a título de concessão de uso da marca, cuja promoção nacional corre por sua conta, em favor de seu proprietário, o exportador. Tais valores, adicionados ao valor de transação declarado, constante das faturas comerciais que instruíram os diversos despachos de importação submetidos à revisão aduaneira, foram apurados a partir do exame da documentação inserida nos autos, obtida em resposta às sucessivas intimações da fiscalização dirigidas às empresas interessadas nas importações, em procedimentos adotados em estrita obediência às determinações constantes do Acordo de Valoração Aduaneira. Integra essa documentação cópias das notas fiscais de serviços e dos apontamentos contábeis mantidos pela empresa distribuidora da marca Mitsubishi no Brasil, MMC Automotores do Brasil Ltda, doravante denominada MMC do Brasil, notas fiscais essas emitidas contra seus concessionários, para cobrança, entre outros, de valores referentes à: "remuneração pela autorização para utilização da marca e para sua divulgação", obtidos mediante diligência realizada "in loeu" pela fiscalização, por força das sucessivas recusas da empresa em atender às intimações que cuidavam da solicitação desses documentos. A sujeição passiva estabelecida na peça acusatória não alcança a empresa MMC do Brasil, contudo, foi-lhe dada ciência da autuação e consignada na descrição dos fatos contida na peça acusatória sua solidariedade com a autuada, em face de seu interesse na situação que constitui o fato gerador dos tributos em questão. Das diligências promovidas por meio de intimações, tanto junto à importadora, quanto junto à distribuidora Mitsubishi no Brasil, resultaram respostas contendo protestos das intimadas, cujo teor, por terem sido reprisados na impugnação, serão oportunamente objeto deste relatório. /" O conhecimento dos fatos nos quaisise fundamenta a exigência, decorreu dessas diversas diligências promOVidiS' se I o de se salientar que foram evasivamente respondidas pelas intimadas solicitações de elementos 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 • probatórios capazes de demonstrar, inequivocamente, a procedência da informação por elas fornecidas, de que as receitas vinculadas ao direito sobre a marca correspondem a um percentual de 10% do valor CIF de cada veículo. Assim, com referência ao parâmetro utilizado para o cálculo do valor faturado pela distribuidora, a título de pagamento pela licença concedida aos revendedores para uso da marca, foi consignado o que consta do documento de fls. 686 a 687, que esclarece sobre a metodologia aplicada para produção dos quadros demonstrativos de fls. 664 a 679. Irresignada e em tempo hábil, a autuada apresenta a impugnação de fls. 717 a 759, argüindo em preliminar a nulidade do auto de infração, em face da impossibilidade de revisão do valor aduaneiro, com base no disposto no art. 447 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 91.030/1985, que estabelece o prazo de 5 dias, a contar do término da conferência, para formalização de eventual exigência de crédito tributário relativo, entre outros elementos do despacho, ao valor aduaneiro. Considera que sendo o imposto de importação lançado por declaração, cabe ao contribuinte fornecer os elementos de fato e à Administração Tributária, no curso do despacho, aplicar o direito, posteriormente ao exame documental e à conferência física, encerrando os procedimentos que culminam com o lançamento definido no art. 142 do CTN. Tem por inadmissível o lançamento de oficio após esse prazo, a não ser em face da constatação de erro de fato, relativo às circunstâncias materiais, estando precluso nos casos de erro de direito, por força do princípio da imutabilidade dos atos administrativos criadores de situações jurídicas individuais, consagradas em nosso direito positivo no art. 145, c/c o art. 149, ambos do CTN. Igualmente em preliminar, argúi a nulidade do Auto de Infração pelo não atendimento do processo legal, instituído pelo Código de Valoração Aduaneira (Decreto n°. 92.930/86), em franco cerceamento do direito de defesa do importador de apresentar as justificativas que determinaram o valor aduaneiro declarado. Afirma que o procedimento adotado pela fiscalização aduaneira subverte as previsões legais, atribuindo ao contribuinte a responsabilidade pela produção de provas negativas, o q~e se afigura incompatível com o ordenamento jurídico vigente e atenta contra osjprincípios atinentes ao lançamento tributário, desrespeitando o Código de Val6ração Aduaneira, além de negar vigência ao "caput" do art. 142 doCTW' 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 • Por fim, nos termos do que dispõe art. 16, IV, da Lei n°. 8.748, de 09/12/1993, aiilda preliminarmente, reivindica a conversão do julgamento em diligência, para a realização de competente Prova Pericial, indicando assistente técnico e formulando os quesitos que entende necessários, além de protestar pela posterior apresentação de quesitos suplementares. Quanto ao mérito, argumenta que: - a suplicante opera apenas como empresa fundapiana, não mantendo qualquer vínculo com o exportador; que não desempenha o papel de intermediária da importação, urna vez que adquire mercadorias importadas de diversas procedências e promove sua venda no mercado interno para várias empresas, praticando preço compatível com o mercado e efetuando o recolhimento dos impostos incidentes na importação sobre o valor real da transação, razão pela qual não se justifica a suposição de vinculação formulada pelo Fisco; - caberia ao Fisco comprovar a existência de vínculo, uma vez que contraria o bom direito exigir-se da defendente a responsabilidade pela realização de prova de natureza negativa; - improcede a alegação das autoridades lançadoras, quando afirmam que a autuada figuraria como mera intermediária entre a exportadora e a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda.,pelo que restaria caracterizada a vinculação, por associação em negócios; - inexiste qualquer contrato entre importador e exportador neste sentido (intermediação) e a empresa que detém no Brasil a licença de uso e comercialização da marca Mitsubishi não procedeu a qualquer importação no período compreendido pelo Auto de Infração, operação esta efetuada pela interessada, que revende, a posteriori, os veículos para os concessionários Mitsubishi; - a importadora não está, não é, nem foi vinculada ao exportador (Mitsubishi Motor Co.), donde improcede a revisão do valor aduaneiro declarado, prevalecendo o mesmo como sendo o valor da transação; - a teor do Acordo de Valoração Aduaneira, o valor de transação é aceitável para fins aduaneiros, quando preço de venda é o valor de mercado, com pequenas variações, conforme suc de no presente caso: o preço FOB tem por parâmetro o da Lista de Preç s fornecida pelo fabricante estrangeiro, tratando-se, portanto, de preço i r cional; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 - procurando atender às solicitações feitas no curso do procedimento fiscal, a requerente consignou documentalmente que o preço FOB da transação de veículos exportados, para mercadorias parelhas, é similar, desta forma, trata-se efetivamente de preço aceitável para fins aduaneiros; - ainda que houvessem diferenças de impostos passíveis de cobrança, não poderia o Fisco arbitrar valores, sem fundamento nas operações de fato ocorridas e sem prova da existência dos pressupostos a que se referem o Código de Valoração Aduaneiro, objeto de impugnação nos itens antecedentes; - o quadro levantado pela fiscalização não é auto-explicativo, de sorte que dele não se consegue a metodologia adotada para se chegar aos ajustes pretendidos; - a fiscalização informou que os percentuais obtidos da ordem de 30% a 40% resultam da divisão do valor da nota fiscal de serviço (emitida pela MMC Brasil) pelo valor tributável (CIF), multiplicando-se o resultado por cem, obtendo-se, pois, os percentuais indicados; - não tendo a impugnante, qualquer ligação com a empresa MMC Brasil, não tem conhecimento quanto aos critérios por ela adotados no tocante aos valores cobrados a título de prestação de serviços, licença pelo uso da marca, treinamento, etc., logo, os valores que a detentora do direito de uso da marca Mitsubishi cobra das concessionárias não têm qualquer relação como aqueles cobrados pela Coimex por ocasião da venda dos veículos importados; - os citados cálculos estabelecem uma relação percentual absolutamente inócua e despropositada, já que sequer foi enfocado o fundamento legal da memória de cálculo que levou a fiscalização à adoção deste procedimento de cálculo, o que vicia de ilegalidade, por fazer supor que a base de cálculo utilizada nas importações seria merecedora de ajuste, implicando na cobrança de valores absolutamente fictícios e desprovidos de correlação com as operações em causa; - o IPI pago pela importação foi tomado a crédito pela empresa importadora, em virtude de nas suas vendas no mercado interno, por equiparação a industrial, estar obrigada a destacar e recolher novamente o imposto federal, o que significa que a e 'gência do IPI, por suposto "ajuste" do valor aduaneiro declarado, viola o princípio constitucional da não cumulatividade, porque o re I ento do referido imposto na etapa 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA - RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 • subseqüente de circulação abrange o da fase anterior, vale dizer, o imposto que deveria ser pago em duas fases, teria sido recolhido de unia só vez; - todo o IPI devido já foi pago, estando extinta a obrigação tributária nos termos do art. 156, I, do CTN, que exigir mais imposto do que já foi efetivamente pago seria incidir em "bis in idem", o que é expressamente vedado pela Constituição Federal; - com a edição das Decisões nOs. 14 e 15, exaradas pelo Coordenador do Sistema de Tributação - COSIT, em 15/12/1997, em respostas a duas consultas formuladas pela Confederação Nacional do Comércio - CNC, no sentido de que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca no País, a título de treinamento, garantia, divulgação da marca, etc., não constituem acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria para fins de cálculo do 11 e do IPI, no caso deste último imposto, ainda que as detentoras de uso da marca tenham atuado como agente de compra das importadoras; - a pretensão fiscal veiculada pelo presente auto de infração já foi afastada por aquela Coordenadoria-Geral (COSIT), o que impõe o cancelamento do lançamento, posto que o entendimento da Administração vincula todos os seus órgãos, sob pena de violação do disposto no art. 37 da Constituição Federal. Cita, em defesa de suas alegações, Ruy de Mello e Raul Reis, "Manual de Imposto de Importação" ,ed. Revista dos Tribunais, 1970, pág. 84; Aliomar Baleeiro "Direito Tributário Brasileiro", 6a• ed., Forense, Rio, pág. 450; Américo Masset Lacombe, Crédito Tributário, Lançamento, "Comentários ao Código Tributário Nacional", vol. 11, Bushatsky, pág. 175; Rubens Gomes de Sousa, Limites dos Poderes do Fisco quanto à Revisão dos Lançamentos, "Estudos de Direito Tributário", Saraiva, 1950, págs~ 232/233; José Souto Maior Borges, "Tratado de Direito Tributário Brasileiro", vol. IV, pág. 108 e demais autores, além de transcrever diversas jurisprudências exaradas pelas instâncias judiciais e administrativas. Em face do exposto, requer que sejam considerados improcedentes os lançamentos referentes ao presente litígio, cancelando-se o auto de infração em exame, por insubsistente. Intimada da autuação, na condição de responsável solidária, insurge-se contra a imput~ão a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda, reprisando em parte os me~mos argumentos expendidos pela autuada e argüindo sua ilegitimidadepa"{fJj 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 • Nesse aspecto defende que a atividade por ela exercida consiste na prestação de serviços, no mercado interno, decorrente de contrato de distribuição firmado com a empresa MMC do Japão, em razão do qual tem o direito de uso da marca "Mitsubishi" no Brasil. Ainda, em função deste mesmo contrato, por ser responsável pela criação e manutenção da rede de concessionários, recebe remuneração de seus concessionários, pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, publicidade' etc. Vale dizer, a ora impugnante não importa veículos. Apenas detém o direito ao uso da marca "Mitsubishi" no território nacional, não tendo, no período abrangido pelo auto de infração, sido intermediária nas importações realizadas pela Coimex, com quem, ressalte-se, não tem qualquer vinculação . Alega, ainda, não ter firmado nenhum contrato com a importadora, mas sim com a rede de concessionários da marca para a prestação dos serviços já referidos, figurando ilegitimamente no pólo passivo da acusação fiscal. Às fls. 808 a 809 encontra-se, em aditamento à impugnação apresentada em 28/01/1999, petição assinada pelaMMCB, cuja intempestividade é flagrante, em face da data de ciência dos autos, ocorrida em 09/03/1998. É o relatório. [Todos os grifos são do original.] Em decisão unânime, aquela Delegacia a Receita Federal de Julgamento manteve a exigência fiscal, acompanhando o voto da insigne Relatora, também transcrito literalmente a seguir: Cuida-se neste processo da apreciação de litígio instaurado relativamente à valoração aduaneira de mercadorias importadas pela empresa comercial importadora e exportadora Coimex, descritas como sendo veículos auto motores, exportados por seu fabricante sediado no Japão, Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão), que mantém com a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda contrato para distribuição e comercialização da marca Mitsubishi em todo o território nacional, conforme estipulado em cláusula preambular do referido contrato. Previamente ao mérito da matéria sobre a qual se litiga, impõe- se a apreciação tanto das argüições de nulidade do auto de infração trazidas pelo impugnante, quanto de preliminares de outra natureza. A primeira dessas, iz respeito à preclusão das razões de defesa intempestivamente apresentadas m aditamento da impugnação, uma vez apresentadas após o decurso c ca de dez meses da data da ciência do Auto de 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Infração, conforme consta do Aviso de Recebimento. Assim, em face da inexistência de previsão legal que contemple a recepção de razões nessas circunstâncias oferecidas, resta afastada sumariamente a hipótese de sua apreciação. A segunda relaciona-se ao pleito de Perícia Técnica de caráter testemunhal e/ou documental, a fim de que se avalie, com base em auditoria contábil, a correção das exigências fiscais formalizadas, em razão de considerar insubsistentes seus fundamentos legais, bem como insuficientes os documentos em que se baseia. De plano, o art. 18 do Decreto n°. 70.235, de 06/03/1972, com as modificações introduzidas pelo art. 12 da Lei n°. 8.748, de 1993, prevê a possibilidade da autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligências, assim dispondo: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-Ias necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1°. da Lei n°. 8.748/93)" (grifei) Como se percebe, o preceito contido na legislação que rege o processo administrativo fiscal é a consagração da idéia de que a prova pericial (documental e/ou testemunhal) deve ser produzida, por meio de diligência, antes de qualquer outra razão, com o fim de firmar convencimento da autoridade julgadora, o que vai ao encontro do que preceitua o art. 420 do Código de Processo Civil (Lei n°. 5.869, de 11/01/1973 e demais alterações): "Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I - a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; U - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; lU - a verificação for impraticável. " As questões levantadas pela impugnante (Coimex) para serem dirimidas por meio de perícia não abordam questão controversa, ou que tenha deixado margem a ambigüidades. Na verdade, os ipúmeros quesitos definidos tratam de pleitear novas verificações sobre document~s atinentes à Valoração Aduaneira de mercadorias importadas já incorporados aos,' autos e já considerados na ação fiscal, e limitam-se, especialmente, à explicita~ 11dados fartamente demonstrados - como ~o MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 • é o caso das listas de preços, contratos sociais, etc, oriundas da atividade mercantil da interessada. Ademais, o pedido de penCla se estende a um pleito genenco, constante na parte final da sua petição impugnatória, no qual a contribuinte defende a revisão de toda documentação acostada aos autos, obtida legalmente pela fiscalização, por meio de diversas intimações, a fim de que se apure se há diferenças merecedoras de tributação. Observa-se nos autos o minucioso trabalho realizado pelo Fisco, objetivando demonstrar os valores constantes do Auto de Infração, apurados por meio do emprego de técnicas usuais e conhecidas pelos que operam no campo da administração contábil empresarial, tal como a elaboração, a partir de dados informados em resposta às intimações dirigidas à interessada, .de planilhas econômico-financeiras, demonstrativas dos resultados compilados. É o que se depreende do material acostados nos autos, representativo dos elementos quantitativos e qualitativos de que se valeu a autuação. O montante exigido resultou do cômputo dos valores dos serviços faturados pela :MMC do Brasil, dos quais foram expurgados, com base em elementos emergidos das diligências realizadas, os valores não correspondentes ao faturado a título de uso da marca. Da relação entre o totalizado como uso da marca e as importações realizadas no mesmo período, foi obtido o percentual que, aplicado ao valor CIF das mercadorias, resultou no valor do ajuste do valor aduaneiro realizado. Como se vê, ou os quesitos formulados pela impugnante referem-se a matéria que não necessita de elucidação complementar, ou postulam pela realização de auditoria geral sem objeto definido, extrapolando os limites da prova pericial. Não bastasse o exposto, o conteúdo dos quesitos envolve matéria do domínio e competência tanto dos Auditores-Fiscais da Receita Federal, quanto deste juízo administrativo, não havendo, portanto, razões para chamar aos autos o conhecimento de quaisquer outros técnicos. Quisesse a impugnante elidir tudo quanto lhe foi atribuído na Ação Fiscal, poderia ter feito uso da impugnação para juntar elementos outros, até mesmo pareceres técnicos especializados, para contraditar a autuação. No entanto, preferiu abster-se do exercício dessa prerrogati a para pleitear a adoção de instrumento que, no caso, prestar-se-ia tão somente ao desvirtuamento processual, mediante a reabertura, por vias tortuosas, de proc dimento já encerrado com a lavratura do Auto de Infração. De tal sorte, cum e e se indefira o pedido de perícia formulado. 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Ainda previamente ao mérito da matéria sobre a qual se litiga, impõe-se a apreciação das preliminares de nulidade do auto de infração argüidas pelo impugnante. A primeira reporta-se à reclamada sucumbência do direito de reVlsao aduaneira, argüida em face do disposto no art. 447 do Regulamento Aduaneiro, in verbis: "Art. 447 - Eventual exigência de crédito tributário relativo a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho deverá ser formalizada em cinco (5) dias úteis do término da conferência . .............................................................................................................. S 2° - A não observância do prazo de que trata este artigo implicará a autorização para entrega da mercadoria antes do desembaraço, assegurados os meios de prova necessários, e sem prejuízo da posterior formalização da exigência." (destaquei) Por suas próprias determinações, particularmente pelo contém seu S 2°, revelam-se inaplicáveis à espécie as disposições contidas no dispositivo legal transcrito que, estando relacionado a exigências formuladas ao longo do despacho de importação, cujos efeitos incluem a não liberação da mercadoria, não alcança os casos de ajuste do valor aduaneiro decorrentes de verificações posteriores ao seu desembaraço, previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nO2.498/1998, que dispõe sobre a aplicação do Acordo sobre a implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT. Considerando que as disposições contidas no mencionado dispositivo regulamentar protege o contribuinte apenas da postergação da liberação de mercadorias submetidas a despacho de importação, evitando que morosas discussões ameacem sua inserção na cadeia econômica e gerem prejuízos irreparáveis para o importador; considerando, também, o que dispõe o art. 54 do Decreto-Lei nO37/1966, com redação dada pelo Decreto-Lei nO2.472/1988, rejeito a preliminar argüida, não sem antes considerar que, em socorro da licitude da revisão por motivos de direito, comparece, entre outros, o saudoso tributarista Aliomar Baleeiro, na consagrada obra "Direito Tributário Brasileiro", Editora Forense, 1995, pág. 512: "Já nos pronunciamos pela admissibilidade da revisão, a favor do Fisco, do lançamento por erro de direito, quando a lei expressamente a admitir. A matéria é controvertida e manifesta-se e sentido oposto à doutrina, fora e dentro do Brasil. Mas se a lei ermite a revis o nesse caso erde ual uer ertinência a doutrina ainda ue fundada em a razões." 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Finalmente, há que se examinar a invocação da nulidade do Auto de Infração em comento, sustentada por ambas as notificadas, por violação ao devido processo legal em face do cerceamento do direito de defesa e da subversão do "iter" previsto na lei, com a atribuição à Coimex e à MMC do Brasil da responsabilidade pela produção de provas negativas quanto à alegação de vinculação e de sua influência nos valores, declarados. Analisemos a alegação à luz do Acordo de Valoração Aduaneira, da IN/SRF n°. 39, de 1994 e dos atos expedidos pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. Primeiramente, há que se registrar que tanto a COIMEX quanto a MMC do Brasil, na qualidade, respectivamente, de importadora e de responsável solidária, foram notificadas da abertura de Ação Fiscal de Revisão Aduaneira das Declarações de Importação registradas pela Coimex, nos exercícios de 1994 e 1995, relativamente às importações de veÍCulos da marca Mitsubishi. A mesma conduta orientou a continuidade da referida ação fiscal, através de Intimações várias, mediante as quais ambas empresas foram exaustivamente convidadas a prestar informações que, no contexto do procedimento fiscal, as autoridades aduaneiras entenderam relevantes à comprovação e elucidação da veracidade dos elementos constantes das DI' s em questão. Ambas as empresas tiveram, desde o início dos procedimentos, pleno conhecimento da ação fiscal em curso, tendo sido-lhes dada ampla oportunidade para a apresentação das provas materiais que, a juízo delas, sustentariam a correção das informações prestadas ao Fisco por ocasião de cada despacho aduaneiro. No que tange, especificamente, à alegação de subversão do rito específico da investigação relativa ao valor aduaneiro, caberiam as seguintes considerações extraídas da leitura do art. 12, ~ 22, inc. "a" e "b" do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nO.92.930, de 16/07/1986: a) o Acordo de Valoração Aduaneira estabelece que o fato de haver vinculação entre o comprador e o importador não constitui, por si só, motivo suficiente para se consid rar o valor da transação inaceitável. Tal valor poderá ser aceito sempre que examinadas às circunstâncias da venda, a administração aduaneira verifi ar que a vinculação existente não influenciou o preço (art. 1°., ~ r., letra" " 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 b) para a efetivação de tal exame, ainda de acordo com o mesmo dispositivo, a administração poderá embasar-se em informações prestadas pelo próprio importador, ou obtidas por meios diversos, devendo o valor da transação ser aceito, de acordo com o art. 1°., ~ r., letra "b", sempre que o importador demonstrar/comprovar que o referido valor se aproxima muito de um dos quatro critérios nele citados. Do exposto, é de se inferir que: 1 - cabe à administração aduaneira, sempre que assim julgar conveniente, examinar as circunstâncias da venda entre pessoas vinculadas, com vista à verificação da aceitabilidade do valor de transação declarado; e 2 - para o citado exame, a autoridade aduaneira está autorizada a solicitar informações ao importador, a quem caberá comprovar que o valor de transação declarado é compatível com os valores-critério estabelecidos pelo presente Acordo, não se confundindo essa comprovação com a produção de prova negativa, como afirmaram as notificadas. Assim sendo, resta evidente que, ao contrário do sustentado pelas impugnantes, cabe ao importador, no contexto do referido Acordo, sempre que requerido pela autoridade aduaneira, produzir as provas que consubstancie o valor de transação declarado. Tal entendimento encontra-se evidente em disposições complementares ao Acordo: 1 - NOTA INTERPRETATIVA AO ARTIGO l°, PARÁGRAFO 2° "a": "1. Os parágrafos 2 "a" e 2 "b" do artigo 1°. estabelecem diferentes maneiras de se determinar a aceitabilidade de um valor de transação. 2. O parágrafo 2 "a" estabelece que, quando o comprador e o vendedor forem vinculados, as circunstâncias que envolvem a venda serão examinadas e o valor de transação será aceito como o valor aduaneiro, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Com isso não se pretende que seja feito um exame de tais circunstâncias em todos os casos em que o comprador e o vendedor forem vinculados. Tal exame só será exigido quando houver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço [...]. 3. Se a administração aduaneira não) puder aceitar o valor de transação sem investigações &JcomPI~mentares, deverá dar ao importador uma oportunidade fornecer informações mais 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 detalhadas, necessárias para capacitá-Ia a examinar as. circunstâncias da venda [.. .]." 2 - ARTIGO 6° DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 39/94: "Incumbe ao importador, além de corihecer todas as circunstâncias da operação de importação e prestar declarações corretas relativas à apuração do valor aduaneiro, conforme as disposições da legislação de regência, apresentar prontamente à autoridade atuante no despacho aduaneiro todas as informações e documentos comprobatórios necessários à verificação do valor declarado. 9 1°. Em qualquer ato pertinente ao controle do valor aduaneiro, o importador é responsável pela: a) veracidade, exatidão e integridade dos elementos de fato informados; b) autenticidade dos documentos apresentados; e c) prestação de informações ou apresentação de documentos adicionais necessários à comprovação do valor declarado." 3 COMENT ÁRIos DO COMITÊ TÉCNICO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA SOBRE A APLICAÇÃO DO ARTIGO 1°, PARÁGRAFO I: "A existência de vinculação não constitui, em si, um motivo para rejeitar o valor da transação. O parágrafo 2°., "a", do artigo 1°. é claro a esse respeito. Entretanto, a existência de vinculação deve alertar a Aduana para o fato de que pode haver necessidade de investigar sobre as circunstâncias da venda." A Aduana não precisa ter motivos para investigar as circunstâncias que envolvem a venda. Em conformidade com o 9 2°., do art. 1°., as circunstâncias de uma venda entre partes vinculadas devem ser examinadas~ Entretanto, 9 2°. das not.as interpretativas ao art. 1°., 9 2°. dispõe que esse exame não deve ser realizado em todos os casos, mas apenas quando a Aduana tem dúvidas sobre a aceitabilidade dopr~W 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 [...] A própria estrutura do Acordo é tal que a existência de uma vinculação, por si mesma, levanta a quest~o de se o preço entre o vendedor e o comprador está ou não influenciado pela vinculação, pois o preço só pode ser utilizado como base do valor de transação quando o vínculo não o tenha influenciado. Ademais, o Artigo 17 prevê que nada no Acordo pode impedir a Aduana de se assegurar da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração [...]. Nada no Acordo obriga a Aduana a justificar as razões pelas quais solicita as informações de um importador com relação a uma operação de importação. De fato, o S 7°. do Protocolo e o art. 17 reconhecem que a Aduana pode precisar fazer pesquisas para se assegurar da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentado para fins de valoração aduaneira e tem o direito de contar com a plena cooperação dos importadores nessas pesquisas. A Aduana não é obrigada a expor suas razões para pesquisar sobre uma transação. Entretanto, nada impede que a Aduana informe ao importador os motivos de suas dúvidas. Isso é desejável se ela for capaz de fazê-lo." Há que se reconhecer, à luz dos dispositivos e comentários acima transcritos, que a investigação do VALOR ADUANEIRO foi conduzida dentro dos limites estabelecidos na legislação de regência, sem quebra dos ritos processuais e com ampla garantia de direito de defesa às partes envolvidas. No mérito, nos vemos diante da propositura de ação fiscal que visa ajustar o valor aduaneiro declarado pelo importador por ocasião dos registros de importação, mediante adição ao valor de transação das receitas auferidas a título de licença de uso da marca, concedida aos revendedores autorizados pelo distribuidor da marca Mitsubishi no Brasil. A caracterização da infração apontada decorreu de fatos relativos à estratégia comercial adotada pelas empresas envolvidas, direta ou indiretamente, nas importações de que se trata, expostos dispersamente nos autos. Interessada na colocação de seus p, odutos no mercado nacional brasileiro, a empresa .I'vU\1Cdo Japão contratou co a empresa .I'vU\1Cdo Brasil a distribuição, no pais, dos veículos e peças que fabric . 16 " MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Desse modo, sempre atendidas as cláusulas contratuais estabelecidas com o exportador, a distribuidora de seus produtos triangulou as operações no mercado interno, autorizando suas concessionárias a negociar as importações correlatas diretamente com a companhia comercial de importação e exportação - Coimex. Como resultante, a distribuidora da marca não só delegou o ônus operacional relativo à operação de comércio exterior, como também teve garantido seu anonimato nas operações de importação realizadas. o interesse e envolvimento da distribuidora J\1MC do Brasil na operação somente vêm à luz nos contratos firmados entre ela, suas concessionárias e a Coimex, conforme revelam os exemplares do Contrato de Compra e Venda por Encomenda e do Contrato de Prestação de Serviços, especialmente de sua cláusula 38, e do Contrato de Câmbio, cujo fechamento foi operado em nome da empresa distribuidora, J\1MC do Brasil, conforme demonstram os documentos inseridos nos autos. Em síntese, da estruturação empresarial descrita resultou a atomização das responsabilidades decorrentes da importação. Contudo, intactas permanecem as disposições legais vigentes, sobretudo no que concerne à impossibilidade de se opor à Fazenda Pública, por meio de associações particulares em negócio, a pretensão de imobilidade do Estado diante de franca evasão de tributos, aos quais estamos todos obrigados. Tendo em vista ditas condições negociais foi proposto o ajuste do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, segundo critérios acordados no âmbito do GATT, estando contidos no artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, que assim dispõe: "Artigo 8 Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Art. 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer. parcela do resu~tad de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente mercadorias 17 " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor." (destaquei) Conforme tais disposições, estão sujeitas a ajuste de preço somente as mercadorias cujo valor aduaneiro tenha por base o valor de transação, que, por sua vez, tem sua adoção condicionada às regras estabelecidas no art. 1 do referido acordo, que determina: "Art. 10 - O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, desde que: ............................................................................................................... (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) e que não haja vinçulação entre o comprador e o vendedor ou se houver, que o valor de transação seja aceitável para flns aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. " (os destaq ues não pertencem ao original)". Depreende-se desse disciplinamento que o ajuste do valor aduaneiro declarado pelo importador não está condicionado aos mesmos critérios a serem obedecidos para a desqualificação do valor de transação. Pelo contrário. Representando tal ajuste um aperfeiçoamento desse valor, sua prática somente está autorizada quando for esse passível de aceitação. Despiciendo, portanto, comprovar a existência de vínculo entre o vendedor e o comprador. O ajuste, conforme previsto e definido no já mencionado . artigo 8, revela-se, de acordo com as condições negociais, um instrumento de uso obrigatório nas valorações decorrentes da aplicação do método do valor de transação, aplicável nas mais comuns das operações de importação: aq~elas contratadas entre pessoas cuja relação' não possa ser identificada com as circun~âncias enumeradas nos parágrafos 4 e 5 do artigo 15 do Acordo de Valoração A?!Ç'ra 18 " MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Somadas tais razões à inexistência nos autos de acusação da ocorrência de subfaturamento, haja vista ter sido. acolhido para todos os fins, inclusive para fins do ajuste proposto, o valor de transação constante da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, tem-se por insubsistentes os argumentos insistentemente trazidos pela impugnante, no sentido de demonstrar a inexistência de vínculo entre ela e as demais empresas envolvidas com a operação de importação em causa. Muito embora irrelevante para a sustentação da presente ação fiscal o vínculo legal entre o exportador e o importador, éde se notar que a empresa MMC do Brasil Ltda, detentora do direito de comercialização no território nacional dos veículos importados e da marca que os distingue, é quem autoriza, sob condições por ela estabelecidas, a contratação direta das importações, firmadas entre os concessionários da marca e a autuada. A respeito do que representa a marcapara o ativo das empresas, é vasta a doutrina. Constituindo parte de seus ativos intangíveis, reunidos sob a denominação de fundo de comércio, à marca vem sendo, a cada dia, atribuído maior valia, a ponto de nos depararmos com as ditas empresas virtuais, que sequer encontram-se estabelecidas, cujo faturamento obtido apenas com a concessão de uso da marca atinge cifras inimagináveis. Indiscutível tratar-se esse de bem cuja concessão de uso, ainda que não prevista legalmente no acordo para fins de vinculação entre cedente e cessionário, bem traduz o fático interesse negociaI comum que se estabelece entre as diversas empresas responsáveis por sua inserção no mercado consumidor. Representando um dos mais valiosos bens do ativo das empresas, é igualmente indiscutível que os investimentos dos quais decorre a valorização da marca revertem-se, necessariamente, em beneficio direto para seu proprietário, no caso o fabricante exportador. É assim, ainda que a retribuição pelo seu uso não se dê pela via direta do pagamento, porém em decorrência de cláusula contratual onerosa que condiciona sua utilização à realização, por conta e ordem de seu cessionário e distribuidor, de publicidade exaustiva do produto negociado, conforme sucede no contrato de fis. , firmado entre a Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão) e a empresa Brabus Autosport Ltda, atualmente denominada MMC Automotores do Brasil (MMC do Brasil), cujo artigo 13 assim reza: "Artigo 13. PROPAGANDA O DISTRIBUIDOR reconhece que um ampla campanha promocional será necessária para esta bel er de maneira bem sucedida um mercado para os Produt s no Território. O DISTRIBUIDOR concorda em assu ais responsabilidades 19 .. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 de propaganda e em apresentar à MMC, para sua aprovação, uma descrição geral de sua estratégia d~ propaganda, incluindo se sua propaganda será realizada através de cartazes, jornais, revistas, rádio, televisão ou de outra forma. O DISTRIBUIDOR não irá utilizar, ou fazer com que ou permitir que qualquer de seus concessionários utilize qualquer tendência de propaganda para prejudicar a MMC ou para enganar o público. O DISTRIBUIDOR concorda em gastar não menos que os valores periodicamente pactuados pela MMC e pelo DISTRIBUIDOR para a propaganda dos ,Produtos. (...) " Ditos encargos, sabidamente onerosos, são transferidos pelo Distribuidor da marca no Brasil aos seus concessionários autorizados, arrebanhando recursos para implementar a clausula contratada, mediante a emissão de notas fiscais de serviço em que são faturados valores a título de licença de uso da marca, conforme previsão contratual estabelecida entre o Distribuidor, o Importador e o Revendedor. Evidente, pois, o interesse negociaI' em comum nas importações realizadas, ratificados por contratos sociais suficientes para satisfazer os requisitos estabelecidos no art. 15, SS 4 e 5, do Acordo de Valoração Aduaneira, ao comprovar o liame entre a comercial operadora da importação, a distribuidora e as concessionárias. Igualmente evidente o fato de que a maior interessada na importação em questão, a distribuidora de veÍCulos MMC do Brasil, incorre, como condição de venda, em despesas promocionais da marca comercializada, segundo dão conta as cláusulas obrigacionais estipuladas em contrato firmado entre o fabricante e importador. Conforme consta desse contrato, a marca permanece na propriedade do fabricante, bem como todos os seus direitos, e os valores faturados como concessão do seu uso, ao invés de serem remetidos para o exterior, são investidos no seu fortalecimento, razão por que devem ser adicionados ao valor de transação para fins do ajuste obrigatório do valor aduaneiro, previsto nos Ítens c e d do art. 8° do Acordo de Valoração Aduaneira, a ser efetuado consoante os procedimentos determinados no art. 6° do Decreto nO2.498, de 1998. De se notar que o Acordo de Valoração Aduaneira ao prever o ajuste de preço, nos termos de seu art. 8°, além de instituí-lo como procedimento obrigatório, determina que os custos ali relacionados, desd~ que suportados pelo comprador e não inclusos no preço pago ou a pagar 'ela mercadoria, sejam acrescentados nesse preço, sem ual uer restri ão uanto à odalidade o eracional da importação, independentemente de convenções p lares não oponíveis à 20 ..,. - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Tal determinação bem se justifica, tendo em vista serem os bens importados o objeto que se vaiora. Esses bens não se modificam em função da estrutura empresarial constituída para sua introdução no pais e, por permanecerem os mesmos a despeito desse aspecto, o Acordo de Valoração não seateve a tal particularidade subjetiva para obrigar o referido ajuste. Tratou-o objetivamente, simplesmente vinculando ao seu preço ulteriores dispêndios. Relembrando, diz o artigo 8 do referido Acordo que: "ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas deverá ser acrescentado .o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda cessão ou utilização subseqÜente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, " Da peça acusatória não consta como SUjeIto passivo a empresa MMC do Brasil, porém, na descrição dos fatos foi consignada sua solidariedade com a autuada, em face de seu interesse na situação que constitui o fato gerador dos tributos em questão, denunciado por sua condição de exclusiva distribuidora dos produtos importados e de exclusiva detentora de direitos sobre a marca a ser comercializada no mercado interno, confirmada pelos já referidos contratos. Confirmando essa solidariedade encontra-se nos autos tradução de carta assinada pelo exportador, mediante a qual foi cedido à autuada, na qualidade de empresa totalmente controlada pela distribuidora exclusiva da marca, a MMC do Brasil, o direito de importar e distribuir veículos e peças produzidos pela Declarante, a Mitsubishi Motors Corporation, sediada no Japão. A solidariedade que então se estabelece encontra prevIsao em instituto há muito contemplado no Código Tributário Nacional, no inciso I de seu art. 124. No entanto, apesar de sua previsão legal, freqüente tem sido a prática de evasão tributária decorrente da interpretação restritiva desse instituto, condescendente com as angulações e com o esquartejamento das operações comerciais, tendentes a ocultar, ou pelo menos, afastar da tipificação legal, as infrações relacionadas à valoração aduaneira. . o enfrentamento de tais expedientes req~r que a delimitação do sujeito yassivo pa~s~ por ~ma interpretação extensiva que lev\a em conta, os efeitos das operaçoes COmerCIaiSreahzadas, para eleger entre os e;~~.J.dos, tambem aquele que deu causa ao falo gerador de que decorre a obrigação lriW a imponivel 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Ao encontro desse entendimento veio a edição da Medida Provisória nO2.158-35, de 24 de agosto de 2001, cujo teor dos arts. 77 a 81, reproduzido mais adiante, reitera a solidariedade já firmada no CTN: "Art. 77 O parágrafo único do art. 32 do Decreto-Lei n°. 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação": "Art . 32 •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 0. 0 " Parágrafo único. É responsável solidário: l-o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Art. 78 O art. 95 do Decreto-Lei n. 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: V - conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. " Art. 79 Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirírem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80 A Secretaria da Receita Federal poderá: I - estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II - exigir presttção de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital S@OCialouopatrimôniOlíqUidOdOimportadorOUdO adquirente. 22 I.· I , MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 Art. 81 Aplicam-se à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador." Assim, tendo por já caracterizada, anteriormente à edição da mencionada Medida Provisória, a solidariedade entre o importador e o adquirente no mercado interno de mercadoria importada por .conta e ordem desse, tenho por extensivo seus efeitos sobre todas as decorrências tributárias da importação que, indo além do Imposto de Importação, alcançam, inclusive, possíveis lançamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados, por força de sua incidência nas operações de introdução de mercadorias estrangeiras no mercado nacional. Pelo exposto, e considerando que sem a realização do ajuste proposto pela fiscalização, em atendimento ao que dispõe o art. 1°, do Código de Valoração Aduaneira, combinado com seu art. 8°, restariam subvaloradas as mercadorias em questão, voto pela procedência da autuação. Inconformada, empresa ora recorre a este Conselho, oferecendo essencialmente os mesmos argum ntos que fundamentaram sua peça impugnatória. 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA -------------------------------------------------c:'I,~ I.· •,~• ",_ cI RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 VOTO O recurso é tempestivo e guarda os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Rejeitarei as preliminares levantadas pela suplicante, fazendo minhas as razões expendidas no Acórdão recorrido, que minuciosa e abundantemente as rebateu uma a uma. Na concordância de meus insignes Pares a este respeito, passo ao exame do mérito. O assunto não é novo neste Conselho, cujas três Câmaras já decidiram sobre matéria idêntica, em recursos voluntários interpostos pela mesma suplicante. No exame da matéria, em vários processos e em várias instâncias alguma discussão foi inutilmente despendida com relação à existência ou não de vinculação entre importador e exportador, bem como se essa eventual vinculação poderia haver afetado o preço de venda dos veículos. Tal discussão, repito, parece-me inútil, tendo em vista que o fundamento da autuação formalizada na peça vestibular não é a desqualificação do primeiro método de avaliação preconizado no Art. VII do GATT, mas sim a exigência do Fisco de que ajustes fossem aportados ao valor de transação, na forma do art. 8°. do Acordo de Valoração Aduaneira. Tais ajustes seriam tendentes a incluir no valor de transação as parcelas cobradas aos adquirentes- revendedores (ou seja, as denominadas "concessionárias") dos veículos pela recorrente, com o fito específico de remunerar a MMC do Brasil, detentora da marca. Dita parcela de preço é cobrada por uma empresa instalada no Brasil a outra empresa instalada no Brasil, em moeda corrente no País, e dela nenhuma fração é remetida ao exportador no exterior, nem posta à sua disposição aqui. Ela reverterá à MMC do Brasil que, embora evidentemente associada à fabricante e exportadora dos veículos, está constituída em território brasileiro, onde gera emprego e riqueza com sua atividade, que compreende publicidade, assistência técnica e a administração da marca Mitsubishi. Em que possível sentido pode ser dito que a prefalada parcela reverta "direta ou indiretamente ao vendedor", como exigido pelo texto do art. 8°. do Acordo de Valoração Aduaneira? No entender da decisão recorrida, a citad configura-se pela obrigação assumida pela MMC do Brasil d e divulgação da marca valores mínimos acordados periodi japonesa. Ora, o que se poderia esperar de um contrato m 24 condição do art. 8°. aplicar em propaganda amente com a MMC a empresa detentora de •... MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.608 303-31.578 uma marca mundialmente prestIgIOsa nomeia outra empresa para representar e explorar a marca em certo território, senão a exigência de que a representante zele pela manutenção do prestígio e pela divulgação da marca da representada? Este, na verdade, é o negócio da representante. Ela vive disso, e a representada se beneficia de sua boa atuação na medida em que vende mais produtos naquele mercado consumidor específico. As relações comerCIaIS envolvidas no caso sob análise não são essencialmente diferentes das que pautam a importação e distribuição em território brasileiro de marcas prestigiosas de relógios, ou de uísque, ou de roupas e acessórios. No entanto a ninguém ocorre pretender ajustar o valor aduaneiro destas importações agregando-lhe a parcela de remuneração dos detentores e representantes das marcas, paga pelos varejistas. Por razões que têm um componente psicológico possivelmente mais forte do que econômico, a comercialização de veículos importados no Brasil sempre mereceu tratamento diferenciado, quase preconceituoso, quando comparado àquele dado a outros tipos de produtos. Entendo, em suma, que as relações COmerCIaIS reveladas no processo em causa não evidenciam a ocorrência de valores ocultos revertendo direta ou indiretamente ao exportador, que justificassem os ajustes no valor de transação preconizados pelo art. 8°. do Acordo de Valoração Aduaneira para a apuração da base de cálculo do Imposto de Importação. Dou provimento ao recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Atendidas as determinações contidas no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 59 do Decreto nO.70.235/72, e reunidos nos autos todos os elementos garantidores do direito de defesa, não há que falar de nulidade. Preliminar rejeitada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: PROVA PERICIAL - Despicienda a realização de perícia quando todos os elementos necessários ao exame da causa se encontram presentes nos autos. Preliminar rejeitada. VALOR ADUANEIRO - Incabível o ajuste preconizado no art. 8°. do Acordo de Valoração. Aduaneira para agregar ao valor de transação valores pagos por concessionários de revenda de veículos automotores ao detentor da marca no Brasil, se ditos montantes não nfertem, direta ou indiretamente, ao exportador. Recurso provido. , I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000398/00-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Constitui rendimento bruto sujeito ao imposto de renda, o valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte.
PROVA - Todas as informações contidas em escritura pública de compra e venda, registrada em cartório, são tidas como verdadeiras. Só caberá a desconsideração da data da alienação ali indicada, na hipótese de o contribuinte provar que as informações prestadas e testemunhadas por tabelião juramentado são inverídicas.
MULTA DE OFÍCIO - A falta de informações na declaração de ajuste anual faz com que seja considerada como inexata, e autoriza o lançamento de ofício e a conseqüente aplicação da multa de 75% sobre o imposto devido.
JUROS MORATÓRIOS - TAXA SELIC - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. O percentual de juros a ser aplicado no cálculo do montante devido é o fixado no diploma legal, vigente à época do pagamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-12666
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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PROVA - Todas as informações contidas em escritura pública de compra e venda, registrada em cartório, são tidas como verdadeiras. Só caberá a desconsideração da data da alienação ali indicada, na hipótese de o contribuinte provar que as informações prestadas e testemunhadas por tabelião juramentado são inverídicas. MULTA DE OFICIO - A falta de informações na declaração de ajuste anual faz com que seja considerada como inexata, e autoriza o lançamento de ofício e a conseqüente aplicação da multa de 75% sobre o imposto devido. JUROS MORATÕRIOS - TAXA SELIC - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. O percentual de juros a ser aplicado no cálculo do montante devido é o fixado no diploma legal, vigente à época do pagamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MANOEL SERPA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto. y--47 y-17/4.:,— IACY OG IRA ARTINS MORAIS PRE 'DENTE-) /41 • affIr E ai E BRITTO "rs D SIGNADA . — MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 FORMALIZADO EM: 07 NOV 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros THAISA JANSEN PEREIRA e LUIZ ANTONIO DE PAULA. Ausentes os Conselheiros EDISON CARLOS FERNANDES, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES e, momentaneamente, ROMEU BUENO DE CAMARGO. 4,4, (V\ , 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 Recurso n° : 127.207 Recorrente : MANOEL SERPA RELATÓRIO Trata-se de auto de infração mediante o qual está exigiu do Recorrente crédito tributário a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPJ, compreendendo o principal de R$ 35.503,21, multa proporcional de R$ 53.2254,81 e juros de mora, tendo o lançamento de ofício ocorrido da apuração de omissão de rendimentos, em decorrência da variação patrimonial a descoberto, resultante de excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, sendo por fim aplicado uma percentual de multa de 150%. O Contribuinte impugnou o lançamento tributário argumentando que: • deve ser deduzida das variações patrimoniais a descoberto a quantia de R$ 34.248,00, recebida em 28109/95, correspondente a venda de um imóvel, localizado na Rua Aldério Tristão; • não houve qualquer fraude ou omissão dolosa, pois lavrou em cartório escritura pública da aquisição do apartamento 302 do edifício "Gran Bay" e da venda do imóvel já referido, não havendo porque ser aplicada a multa de 150% a título de fraude; • deveria ser realizado perícia para recalcular os juros de mora aplicados, uma vez que foram capitalizados; A DRJ do Rio de Janeiro julgou procedente em parte o lançamento efetuado entendendo ser prescindível a realização da perícia uma vez que os juros aplicados foram os da taxa referencial SELIC acumulada mensalmente; que não deve ser considerado como origem de recursos o valor de R$ 34.248,00, recebido em 28/09/95 pela venda do imóvel, pois esta data não consta na escritura do imóvel e porque não existe recibo com força probante para tal pagamento, além do que o artigo 3 11‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 135 do Código Civil dispõe que os efeitos quanto a terceiros só tem início a partir da transcrição no Registro Público. Por outro lado, com relação à multa de 150%, a DRJ do Rio de Janeiro entendeu que a falta de informações na declaração de juste anual não caracteriza o evidente intuito de fraude a justificar a aplicação de 150%, diminuindo, assim, a multa de oficio de 100% para 75%, Lei 9430/96, com fundamento no artigo 106, II do CTN que dispõe que a lei nova aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhe comine penalidades menos severas que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. O Contribuinte, tempestivamente, apresentou suas razões recursais, argumentando preliminarmente que o depósito de 30% sobre o valor da quantia exigida fere o principio do contraditório e da ampla defesa. Quanto ao mérito alega o Recorrente que o valor de R$ 35.503,21 refere-se à aquisição do apartamento 302 do Ed. "Gran Bay", cuja escritura pública juntada juntados aos autos tem validade para comprovar esta transação, uma vez a Fazenda Pública, neste caso, não é terceiro, não sendo, assim, aplicado o artigo 135 do Código Civil, aduzindo que referido valor deveria ser abatido da quantia de R$ 148.283,98 originários dos anos-calendário de 1994 e 1995 e que não foi feito porque o Recorrente equivocou-se, uma vez os atos que envolvem os lançamentos do Imposto de Renda são trabalhosos, confusos e de difícil compreensão, principalmente para o Recorrente que tem idade avançada e apresenta problemas clínicos. Aduz ser necessária a perícia técnica para avaliar a aplicação dos juros aplicados sobre a suposta dívida, bem como que seja cancelada a multa, vez o Recorrente é primado, doente e idoso, sempre apresentou declarações de imposto de renda corretas (por um período de 40 anos) e que não teve intenção de fraudar ou lesara Receita Federal. (sie) Aft\ Eis o Relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 VOTO VENCIDO Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relator Por verificar presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Tendo em vista que o Recorrente apresentou medida judicial desobrigando-o do recolhimento do depósito de 30% do valor do crédito tributário consolidado no processo, o presente recurso está apto a ser apreciado por este E. Conselho de Contribuintes. No mérito a lide concentra-se em aceitar ou não os documentos apresentados pelo Recorrente como prova para validar as variações patrimoniais a descoberto, na quantia de R$ 34.248,00. Para isto o Recorrente junta um recibo particular e uma Escritura Pública de Compra e Venda, sendo o primeiro para comprovar a data do recebimento da quantia de R$ 34.248,00 e o segundo para comprovar a existência da própria venda. Apesar da data de compra e venda constante na mencionada Escritura Pública não ser a mesma da do recibo particular, deve-se, em razão do principio da boa-fé expresso na Constituição Federal, considerar que o contrato de compra e venda efetivou-se no dia 28/09/95, como alega o Recorrente. Ora, deve-se considerar efetivada ou realizada a venda de uma unidade imobiliária quando contratada a operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com principio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 Por outro lado, para os efeitos da incidência de tributo, admite a lei, quando da transmissão ou promessa de transmissão, considerar a data da aquisição como aquela em que foi celebrado o contrato inicial, a qualquer titulo, ainda que através de instrumento particular. Esse já é entendimento deste Conselho de contribuintes, conforme jurisprudência parcialmente transcrita abaixo: "- DATA DA VENDA DE IMÓVEIS - Considera-se efetivada ou realizada a venda de uma unidade imobiliária quando contratada a operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com principio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso (Ac. 1° CC 102- 27.455/92 - DO 03/02/95)". "- DOCUMENTO PARTICULAR - Para os efeitos da incidência de tributo, admite a lei a transmissão ou promessa de transmissão, a qualquer titulo, ainda que através de instrumento particular. Considera-se data da aquisição aquela em axe foi celebrado o contrato Inicial (Ac. 1° CC 102-25.250/90 - DO 29104/91)".(g.n.) Desta forma, o recibo de compra e venda é capaz de comprovar a data da venda do imóvel. Ademais apesar deste recibo constar uma data diferente da Escritura Pública de Compra e Venda, nada impede que o Recorrente tenha celebrado um contrato verbal com o comprador de seu imóvel antes mesmo até do dia 28/09/95 e tenha realizado a escritura do imóvel somente um ano depois. De fato, poder-se-ia argumentar que este recibo, foi efetivado com data retroativa. No entanto, deve-se ressaltar que a Fazenda Pública não produziu contra- prova perante este documento, o deveria ocorrer neste processo uma vez que se trata de contencioso administrativo. 6 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 Todavia, por outro lado, não se pode duvidar que o Recorrente celebrou um contrato particular naquela data, até mesmo porque a boa-fé do contribuinte restou caracterizada no caso em tela, já que comprovou a existência, ainda que tardia, da Compra e Venda do imóvel por meio de uma Escritura Pública, devidamente registrada. Por fim, deve-se ressaltar que o artigo 135 do Código Civil refere-se à validade perante terceiros de cessão de direitos sobre o imóvel, o que não é objeto de questionamento do presente caso. Conforme mencionado, o Recorrente sempre almejou a comprovação da data a realização de uma compra e venda, por meio de uma declaração feita entre vendedores e comprador, e segundo, o artigo 131 do Código Civil, as declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Isto posto, conheço o Recurso Voluntário e dou-lhe total provimento, reformando a decisão de origem. Eis como voto. Sala das Sessões - I , em 18 de abril de 2002. y..- ORLAND • JOSÉ t.S . NÇALVES BUENO 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 VOTO VENCEDOR Conselheira SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, Relatora designada A questão nos autos é apenas de prova. O DD. Relator aceita como documento hábil para justificar a existência de recursos, o recibo de fls.189, pertinente ao recebimento do valor de R$ 34.248,00, em 28/09/95, pela venda de um imóvel. Entendo, que esse valor não pode ser considerado como entrada de recurso na data ali registrada, porque examinados os elementos que integram os autos temos os seguintes fatos: a) Na declaração de bens, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1996, cópia anexada às fls. 15, não há registro da venda de imóvel no ano-calendário de 1995; b) O imóvel descrito no recibo de venda de fls. 189, situado na Rua Aldérico Tristão, Mata da Praia, com área edificada de 196,35 metros quadrados, que o contribuinte alega ter vendido, não consta em sua declaração de bens, relativas aos exercícios de 1994 (f1.5) e na dos exercícios de 1995 (f1.9), de 1996 (f1.15) e de 1997 (f1.16), somente consta a aquisição', c) O registro da venda do imóvel constante do recibo de fls.189, já mencionado e aceito pelo Conselheiro Relator foi registrada na declaração de bens pertinente ao ano — calendário 1997, exercício 1998 (f1.19) como ocorrida em 01109/97. As normas de preenchimento da declaração de bens são suficientemente claras, no sentido de que o contribuinte deve informar a venda do imóvel na data que ela efetivamente ocorrer. Nos termos do Decreto-lei n°1381/74, art. Sr k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00.82 Acórdão n° : 106-12.666 2°, inciso II, a data de alienação é aquela em que for celebrado o contrato inicial da operação imobiliária, ainda que através de instrumento particular. Concluindo, a data de alienação no recibo é 28/09/95, do registro na declaração de bens 01/09197, de da Escritura Pública de Compra e Venda, cópia anexada 190/192, 18/10/96. Isso e considerando as normas disciplinadas pela Lei n° 3.071/16, Código Civil, pertinentes as formalidades a que estão sujeitos os atos jurídicos pertinentes a transmissão de imóveis, que assim determinam: Art. 82 - A validade do ato jurídico requer agente capaz (art. 145, I), objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei (arts. 129, 130 e 145). Art. 134 - É, outrossim, da substância do ato a escritura pública: (..) - nos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais sobre imóveis de valor superior a cinquenta mil cruzeiros, excetuado o penhor agrícola. § 1° -A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena, e, além de outros requisitos previstos em lei especial, deve conter Art. 135 - O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sendo subscrito por 2 (duas) testemunhas, prova as obrigações convencionais de qualquer valor. Mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros (art. 1.067), antes de transcrito no Registro Público, Art. 530 - Adquire-se a propriedade imóvel: I - pela transcrição do título de transferência no Registro do Art. 531 - Estão sujeitos à transcrição, no respectivo Registro, os títulos translativos da propriedade imóvel, por\ ato entre vivos. 9 % t\( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 A data de alienação a ser considerada como correta é 18/10/96, registrada no mencionado instrumento público. Registro, ainda, que a informação inserida na Escritura Pública de Compra e Venda de que o valor de R$ 34.248,80 foi pago aos vendedores em data anterior, apenas prova que o recebimento do preço da alienação foi anterior ao ato da assinatura, mas não autoriza a presumir que foi em 28/09/95, como já registrado, a data constante do recibo. Requere o recorrente cancelamento da multa reduzida pela autoridade julgadora "a quo" para 75%, sob o fundamento de que é doente e idoso e não deve a intenção de fraudar o fisco. Quanto a isso, esclareço apenas que a multa de oficio é uma penalidade à infração cometida, omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, sendo assim, só pode ser cancelada nas hipóteses previstas em lei. O órgão julgador tem atribuição de zelar pela sua aplicação em consonância com a norma legal que a institui, mas não para dispensar seu pagamento. Por último, com relação ao pedido de perícia para o exame do percentual aplicado para o cálculo dos juros de mora cobrado, entendo ser a mesma desnecessária, uma vez que o mencionado acréscimo legal está calculado com base na Taxa Referencial do Sistema - Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), nos estritos termos da legislação tributária vigente. Assim dispõe a Lei n°. 5. 172, de 25/10/66 Código Tributário Nacional, no seu artigo 161: Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das n(\.ç io p ,4,1) irà MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.' (grifei) A norma legal, anteriormente transcrita, é clara no sentido de que serão aplicados juros de mora de um por cento ao mês somente no caso de ausência de previsão em lei ordinária. O legislador ordinário disciplinou essa matéria, e as normas legais pertinentes encontram-se consolidadas no mencionado regulamento de imposto de renda nos seguintes artigos: Art. 953. Em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 12 de abril de 1995, os créditos tributários da União não pagos até a data do vencimento serão acrescidos de juros de mora equivalentes à variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento (Lei n2 8.981, de 1995, art. 84, inciso!, e § 12, Lei n2 9.065, de 1995, art. 13, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 61, § 39). § 1 2 No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento (Lei n2 8.981, de 1995, art. 84, § 22, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 61, §39). § 22 Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o art. 950 (Decreto-Lei n 2 2.323, de 1987, art. 16, parágrafo único, e Decreto-Lei n2 2.331, de 28 de maio de 1987, art. &). § 32 Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-Lei n2 1.736, de 1979, art. 52). § 42 Somente o depósito em dinheiro, na Caixa Económica Federal, faz cessar a responsabilidade pelos juros de mora Ad II 11.4 T MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 devidos no curso da execução judicial para a cobrança da dívida ativa. § 52 Serão devidos juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência, nos casos de que trata o art. 273. Fatos Geradores Ocorridos a partir de 1 2 de janeiro de 1995 até 31 de março de 1995. Art. 954. Os juros de mora incidentes sobre os créditos tributários da União não pagos até a data do vencimento, decorrentes de fatos geradores ocorridos entre 1 2 de janeiro de 1995 e 31 de março de 1995, serão equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, acumulada mensalmente a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês em que o débito for pago (Lei n2 8.981, de 1995, art. 84, § 52 e Lei n2 9.065, de 1995, art. 13). Fatos Geradores Ocorridos a partir de 1 2 de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1994. Art. 955. Os juros de mora incidentes sobre fatos geradores ocorridos no período de 1 2 de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1994, terão (Lei n2 8.383, de 1991, art. 59, § 22, Lei n2 8.981, de 1995, art. 52, e Medida Provisória n2 1.770-46, de 1999, art. 29): I - como termo inicial de incidência o primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do prazo para o pagamento; II - como termo final de incidência o mês do efetivo pagamento. Parágrafo único. Os juros de mora de que trata o caput serio calculados, até 31 de dezembro de 1996, à razão de um por cento ao mês, adicionando-se ao montante assim apurado, a partir de 12 de janeiro de 1997, os juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulados mensalmente, até o último dia útil do mês 4, 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11543.000398/00-82 Acórdão n° : 106-12.666 anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Medida Provisória n P 1.770-46, de 1999, art 30). (grifei) A Medida Provisória n2 1.770-46, originou-se da Medida Provisória 1.699 de 30/06/98 e continua em vigor sob o n° 1.973-62 de 1999. Esclareço que, enquanto não houver a extinção do crédito tributário, incidirão juros de acordo com as normas legais aplicáveis a época do pagamento. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 18 de abril de 2002. I 40 I / ,if • A • h ' DE BRITTO À\ 13 Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13103.000313/2003-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Ementa: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DE ENERGIA ELÉTRICA – O Sistema de Direito Positivo não estabelece vínculos legislativos que possibilite à Administração pública efetivar a compensação do empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica em favor da Eletrobrás com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 301-32748
Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida : DM/BRASÍLIA/DF EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DE ENERGIA ELÉTRICA — O Sistema de Direito Positivo não estabelece vínculos legislativos que possibilite à Administração pública efetivar a compensação do empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica em favor da Eletrobrás com tributos administrados pela Secretaria da • Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ti OTACILIO DA A CARTAXO . Paresid • • atar aep LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Formalizado em: ;23 JUN 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Valmar Fonska de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Henrique Klaser Filho. • ces Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 RELATÓRIO Trata-se Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra decisão prolatada pela DRJ — BRASÍLIA/DF, que indeferiu pedido de compensação, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: "EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. É incabível a compensação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal com Empréstimo Compulsório da Elctrobrás, natureza não tributária, por falta de previsão legal. • Solicitação Indeferida" Intimado da decisão de primeira instância, em 01/06/2004, o recorrente interpôs tempestivo Recurso Voluntário, em 24/06/2004, no qual alega que: a) A edição do Decreto-Lei n.° 1.512/1976 artigo 3° criou a possibilidade da devolução do empréstimo mediante a emissão de títulos da Eletrobrás, criando, desta feita, uma nova modalidade de restituição do empréstimo compulsório sobre Energia Elétrica, qual seja, a emissão de ações preferenciais da Eletrobrás. Tem-se assim como inegável a natureza jurídica tributária dos títulos, haja vista serem estes uma modalidade de devolução do empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pela Lei n.° 4.156/62; b) Os créditos oferecidos têm natureza tributária, são devidos, • solidariamente pela União e a Lei n.° 10.179/2001 prevê no seu art. 6° a utilização de título da dívida publica para quitação de qualquer tributo federal, sendo de responsabilidade de seus titulares o resgate, desta forma, permite a compensação, pois, a época era a Secretaria da Receita Federal o órgão responsável pela Administração e Fiscalização do referido empréstimo; Em seu pedido requer, em suma, seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. 2 Processo n° • : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos regulamentares de admissão e por conter matéria de competência deste Conselho. A questão já foi apreciada por esta Câmara com voto de escol dos Ilustres Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, José Luiz Novo Rossari, Irene Torres e Susy Hoffmarm, cujo voto adoto como razões de decidir: • "1. Recebimento do Recurso Preliminarmente, recebe-se o presente processo por entender que cabe ao 3° Conselho de Contribuintes o deslinde deste processo administrativo, consoante indicado no artigo 9°, inciso XIX do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, eis que é órgão competente para apreciar matéria relacionada a empréstimo compulsório e assuntos correlatos, conforme se depreende do texto normativo: Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: • XIX - tributos e empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora dos demais Conselhos ou de outros órgãos da Administração Federal. (Inciso incluído pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002). Outrossim, deve-se considerar que, nos dizeres do Prof. Heleno Taveira Torres: o Conselho de Contribuintes da Fazenda é órgão da Estrutura do Ministério da Fazenda e atua, dentro dos limites que lhe foram conferidos por lei (Dec. N° 70.235/72), desde 1931 (Dec. N° 20.350/31), com autonomia e independência, garantindo aos cidadãos-contribuintes apreciação mais justa e, independente e de resultados muito mais jurídicos, tendo em vista, principalmente, a 3 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 sua composição paritária (igual número de representantes dos contribuintes e da Fazenda)! Assim, em que pese a alegação do Nobre Relator da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, aduzindo que a SRF só pode restituir tributos que por ela sejam administrados, não sendo possível entender a qualquer pedido administrativo de restituição ou compensação de tributos com supostos créditos oriundos de cautelas ao portador emitidas pela própria Eletrobrás em decorrência do empréstimo compulsório, anota-se, desde de já, que este argumento não será óbice para ampla manifestação do Conselho, órgão autônomo e independente, até em vista do disposto no já citado artigo 9°, inciso XIX do Regimento Interno. O recurso está processado regularmente, motivo pelo qual deve ser conhecido. No mérito, passo a decidir. • Há que se considerar para a análise da questão que, praticamente, todas as questões aventadas no presente recurso já foram decididas reiteradamente pelo Poder Judiciário, por meio de seus Tribunais Superiores, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal • Federal. 2. Natureza Jurídica do Empréstimo Compulsório Notadamente, pode-se afirmar, sem maiores devaneios jurídicos, que o empréstimo compulsório é sim uma espécie de tributo, consoante anotado no próprio artigo 148 da Constituição Federal. Neste sentido: "STF — "O empréstimo compulsório é espécie tributária" (STF — RE n° 148.956 — Rel. Ministro Celso de Mello — RDA 200/129)." • Esta tese foi acolhida por Amílcar de Araújo Falcão 2, Alfredo Augusto Becker3 , Aliomar Baleeiro4 e Geraldo Atalibas. Portanto, completamente superada a discussão acerca da natureza tributária do empréstimo compulsório. 3. O Empréstimo Compulsório em favor da Eletrobrás — Breve Evolução Legislativa I Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados", Heleno Taveira Urres e ou Quartier Latin, pg. 86, 2005. 2 "Empréstimo Compulsório e Tributo Restituível — Sujeição ao Regime Jurídico Tributário", in Revista de Direito Público, vol. 06, pp. 22 a 47. 3 Teoria Geral de Direito Tributário, r ed., SP, Saraiva, 1972, pp. 357 a 359. 4 Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, 3' ed., Forense, RJ, 1974, pp. 297 a 308. 5 Sistema Constitucional Tributário Brasileiro, SP, RT, 1966, p. 289. 4 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 No mais, sabe-se que a instituição de empréstimo compulsório em beneficio da Eletrobrás surgiu com a Lei Ordinária n° 4.156 de 1962, anotado, especificamente, no 'caput' de seu artigo 4°. Durante 5 (cinco) exercícios a partir de 1969, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da Eletrobrás, resgatáveis em . 10 (dez) anos, a juros de 12% (doze por cento) ao ano, correspondente a 15% (quinze por cento) no primeiro exercício e 20% (vinte por cento) nos demais, sobre o valor de suas contas. Tal Lei Ordinária asseverou ainda nos parágrafos 1°, 2° e 3° respectivamente que: 1 0 - "O distribuidor de energia fará cobrar ao consumidor, conjuntamente com suas contas, o empréstimo de que trata este artigo e o recolherá com o imposto único." • 2° - "O consumidor apresentará suas contas à Eletrobrás e receberá os títulos correspondentes ao valor das obrigações, acumulando-se as frações até totalizarem o valor de um título." 3° - "É assegurada a responsabilidade solidária da União, em qualquer hipótese, pelo valor nominal dos títulos de que trata este artigo." A legislação reguladora do empréstimo compulsório da Eletrobrás • estabeleceu, como se vê, que a restituição seria por meio de ações da própria Companhia, sendo solidariamente responsável a União. Seguiu-se todo um histórico legislativo, sendo editadas as Leis n° 4.364/64, 4676/65 e 5.073/66, até a chegada da Constituição Federal de 1967. Sendo que, oportunamente, anota-se a inconstitucionalidade desta exação no período entre 1967 e 1972, • posto que com o advento da Constituição Federal de 1967 foi determinado que os empréstimos compulsórios somente poderiam ser instituídos pela União e por intermédio de lei complementar, que só chegou em nosso ordenamento jurídico em 1972. Assim, em 1972 foi promulgada a Lei Complementar n° 13, que autorizou a União, instituir na forma da lei ordinária (Lei 4.156/62), empréstimo compulsório em beneficio das Centrais Elétricas Brasileiras S/A - Eletrobrás. Desse modo, considerando que a partir de 1967 a Constituição exigiu a lei complementar na instituição de empréstimos compulsórios e somente em 1972 foi promulgada a Lei Complementar que estabeleceu o empréstimo da Eletrobrás, conclui-se que a cobrança efetuada entre o período da vigência da ' Carta Magna de 1967 e a data que passou a vigorar a Lei Complementar 13/72 foi inconstitucional. Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 Posteriormente, a Lei n° 7.181/83 prorrogou a cobrança do empréstimo até 1993, preceituando ainda em seu art. 1° que: O empréstimo compulsório estabelecido na legislação em vigor em favor das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. — ELETROBRÁS, será cobrado até o exercício de 1993, inclusive, e será aplicado de acordo com a destinação prevista na Lei Complementar n° 13, de 11 de outubro de 1972. A mesma Lei 7.181/83, determinou ainda, em seu artigo 4° que: A conversão dos créditos do empréstimo compulsório em ações da Eletrobrás, na forma da legislação em vigor, poderá ser parcial ou total conforme deliberar sua Assembléia-Geral, e será efetuada pelo valor patrimonial das ações apurado em 31 de dezembro do ano anterior ao da conversão. • Atualmente, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, foi superada a crise de constitucionalidade de 1967 por este Poder Constituinte Originário, vez que se anotou em seu artigo 34 do Ato Das Disposições Constitucionais Transitórias, parágrafo 12, que: A urgência prevista no art. 148, II, não prejudica a cobrança do empréstimo compulsório instituído em beneficio das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), pela Lei 4.156, de 28 de novembro de 1962, com as alterações posteriores." (grifo nosso) Analisado o histórico legislativo verifica-se que desde o advento da Lei 4.156/62 e até o exercício de 1993, com exceção do período entre a Constituição de 1967 e o advento da Lei Complementar de 13/72, o empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás esteve . vigente em nosso sistema positivo. Cabe agora analisar a sua constitucionalidade. • 4. Da Constitucionalidade do Empréstimo Compulsório instituído em favor da Eletrobrás O posicionamento do Supremo Tribunal Federal, destacado no Recurso Extraordinário RE 146615/PE— Pernambuco„ em julgamento feito pelo Pleno em 06/04/1995, entendeu, por julgamento da maioria dos seus Ministros, pela constitucionalidade do referido Empréstimo Compulsório nos seguintes termos: Recurso Extraordinário. Constitucional. Empréstimo compulsório em favor das Centrais Elétricas Brasileiras S/A — Eletrobrás. Lei n. 4.156/62. Incompatibilidade do tributo com o sistema constitucional introduzido pela Constituição Federal de 1988. Inexistência. Art. 34, par. 12, ADCT — CF/88. Recepção e manutenção do imposto 6 Processo n° : 13103.000313/2003-11 •Acórdão n° : 301-32.748 compulsório sobre energia elétrica. Integrando o sistema tributário nacional, o empréstimo compulsório disciplinado no art. 148 da CF em vigor, desde logo, com a promulgação da CF/88, e não só a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte a sua promulgação. A regra constitucional transitória inserta no art. 34, par. 12, preservou a exigibilidade do empréstimo compulsório instituído pela Lei n. 4.156/62, com as alterações posteriores, até o exercício de 1993, como previsto no artigo 1 da Lei 7.181/83. Recurso Extraordinário não conhecido. Assim, a constitucionalidade do Empréstimo Compulsório instituído em favor da Eletrobrás é questão já decidida pelo Supremo Tribunal Federal, pela decisão da recepção pela Constituição de 1988 de toda a legislação relativa a tal tributo. Anota-se que este tema será retomado no próximo item, juntamente • com a possibilidade de restituição dos valores pagos a título de ' empréstimo compulsório, bem como a forma pela qual se dará a devolução. 5. Da Restituição dos Valores pagos a titulo de empréstimo compulsório Como se observa do próprio nome desta espécie tributária, que por si só é definida como empréstimo, por óbvio, conclui-se que o que for tomado por empréstimo deverá ser devolvido. Neste diapasão, discorre Roque Carrazza. "Ainda a respeito da restituição da quantia arrecadada, o artigo 15, parágrafo único, do C'IN prescreve: A lei fixará obrigatoriamente o prazo do empréstimo e as condições do seu resgate, observando, no que for aplicável, o disposto nesta lei". "Se a lei que instituir o empréstimo compulsório não previr a devolução integral do produto • de sua arrecadação, será inconstitucional, por ensejar um confisco, vedado pelo artigo 150, IV, do Texto Supremo."6 A Professora Misabel Abreu Machado Derzi, juntamente com o Professor Sacha Calmon Navarro Coelho, também apontam entendimento no mesmo sentido, em brilhante parecer anotado na Revista Dialética de Direito Tributário, n. 53: O empréstimo compulsório pode, de conseguinte, ser definido como um tributo com cláusula de restituição. Seu esquema lógico é perfeitamente delineado por Alfredo Augusto Becker, que salienta existem duas relações jurídicas sucessivas, de natureza diversa. A primeira é tributária, e nasce quando se realiza a hipótese de • Curso de Direito Constitucional Tributário. 19 ed., Malheiros, pg. 508. 7 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 incidência que faz surgir o dever do contribuinte de pagar a prestação e o correlativo direito do Estado de recebê-la. No . momento em que o contribuinte satisfaz o seu dever, realiza a hipótese de incidência da segunda norma, que gera uma segunda relação jurídica, esta de natureza financeira, cujo conteúdo consiste no dever do Estado de efetuar a prestação em favor do particular. Na primeira relação jurídica (tributária), o sujeito passivo é o particular e o sujeito ativo o Estado. A segunda relação jurídica é de natureza administrativo-financeira: o sujeito ativo é o particular e o sujeito passivo é o Estado.7 Neste sentido, escreveu o mestre Alfredo Augusto Becker:8 A primeira relação jurídica é de natureza tributária: o sujeito passivo é um determinado indivíduo e o sujeito ativo é o Estado. A segunda relação jurídica é de natureza administrativa: o sujeito ativo é aquele • indivíduo e o sujeito passivo é o Estado. Note-se que a relação jurídica administrativa é um "posterius" e a relação jurídica tributária um "prius" , isto é, a satisfação da prestação na reação jurídica de natureza tributária, irá constituir o núcleo da hipótese de incidência de outra regra jurídica (a que disciplina a relação do Estado restituir) que, incidindo sobre sua hipótese (o pagamento do • tributo), determinará a irradiação de outra (a segunda) relação jurídica, esta de natureza administrativa. Não se deve cometer o erro elementar de não saber distinguir, numa única forma literal legislativa, duas ou mais relações jurídicas de natureza distinta. Nesta esteira, será inconstitucional a interpretação da lei que instituir o empréstimo compulsório sem levar, direta ou indiretamente, à sua restituição. Por seu turno, a devolução do empréstimo compulsório é mera providência administrativa, que deve ser tomada após o pagamento do tributo. Sendo que, com o • pagamento do tributo, desaparece a relação jurídica tributária, surgindo nova relação jurídica de cunho administrativo, que só vai extinguir-se com a devolução da quantia paga, nos termos definidos por lei. Assim, pelo que consta dos autos, o objeto deste processo administrativo está na segunda relação jurídica, de natureza administrativo-financeira, em que o sujeito ativo é o contribuinte e o sujeito passivo é, em tese, a União, (representada por sua Secretaria da Receita Federal), que deverá ser compelida a cumprir com esta obrigação administrativo-financeira. 7 Revista Dialética de Direito Tributário, n. 53, pg. 147, Misabel Abreu Machado Derzi e Sacha Calmou Navarro Coelho. e Teoria Geral d Direito Tributário, Saraiva, 1963, pg. 358/359. 8 • Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 Ocorre que a legislação que originou o referido empréstimo compulsório determinou que a sua devolução fosse feita em obrigações da Eletrobrás, colocando a União apenas como responsável subsidiária pelo cumprimento dessa obrigação, nos seguintes termos: Art. 4° Até 30 de junho de 1965, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da ELETROBRÁS, resgatáveis em 10 (dez) anos, a juros de 12% (doze por cento) ao ano, correspondentes a 20% (vinte por cento) do valor de suas contas. A partir de 1° de julho de 1965, e até o exercício de 1968, inclusive, o valor da tomada de tais obrigações será equivalente ao que for devido a título de imposto único sobre energia elétrica. (Redação dada pela Lei n° 4.676 de 16.6.1965) § 1° O distribuidor de energia elétrica promoverá a cobrança ao • consumidor, conjuntamente com as suas contas, do empréstimo de que trata este artigo e mensalmente o recolherá, nos prazos, previstos para o imposto único e sob as mesmas penalidades, à ordem da Eletrobrás, em agência do Banco do Brasil. (Redação dada pela Lei n°4.364 de 22.7.1964) § 2° O consumidor apresentará as suas contas à Eletrobrás e receberá os títulos correspondentes ao valor das obrigações, acumulando-se as frações até totalizarem o valor de um título, cuja emissão poderá conter assinaturas em fac-simile. (Redação dada pela Lei n°4.364 de 22.7.19641 § 3° É assegurada a responsabilidade solidária da União, em qualquer hipótese, pelo valor nominal dos títulos de que trata este artigo. • § 4° O empréstimo referido neste artigo não poderá ser exigido dos consumidores discriminados no § 5° do artigo 4°, da Lei n° 2.308 de 31 de agosto de 1954 e dos consumidores rurais. (Parágrafo incluído pela Lei n°4.364 de 22.7.1964) § 5° (Parágrafo revogado pela Lei n°5.824. de 14.11.1972) § 6°. (Parágrafo incluído pela Lei n° 4.364, de 22.7.1964) e (Revogado pela Lei n°5.073 de 18.8.1966) § 7° As obrigações a que se refere o presente artigo serão exigíveis pelos titulares das contas de energia elétrica, devidamente quitadas, permitindo-se a estes, até 31 de dezembro de 1969, apresentarem à ELETROBRÁS contas relativas a até mais de duas ligações, independentemente da identificação dos respectivos titulares. • (Redação dada pelo Decreto-lei n°644. de 23.6.1969) 9 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 § 8° Aos débitos resultantes do não recolhimento, do empréstimo referido neste artigo, aplica-se a correção monetária na forma do art. 7° da Lei n°4.357, de 16 de julho de 1964 e legislação subseqüente. (Parágrafo incluído pelo Decreto-lei n° 644, de 23.6.1969) § 9° A ELETROBRÁS será facultado proceder à troca das contas quitadas de energia elétrica, nas quais figure o empréstimo de que trata este artigo, por ações preferenciais, sem direito a voto. (Parágrafo incluído pelo Decreto-lei n°644. de 23.6.1969) § 10. A faculdade conferida à ELETROBRÁS no parágrafo anterior poderá ser exercida com relação às obrigações por ela emitidas em decorrência do empréstimo referido neste artigo, na ocasião do • resgate dos títulos por sorteio ou no seu vencimento. (Parágrafo incluído pelo Decreto-lei n° 644, de 23.6.1969) • § 11. Será de 5 (cinco) anos o prazo máximo para o consumidor de energia elétrica apresentar os originais de suas contas, devidamente quitadas, à ELETROBRÁS, para receber as obrigações relativas ao empréstimo referido neste artigo, prazo este que também se aplicará, contado da data do sorteio ou do vencimento das obrigações, para o seu resgate em dinheiro. (Parágrafo incluído pelo Decreto-lei n° 644, de 23.6.1969) Art. 5° Os 4% (quatro por cento) dos recursos provenientes da arrecadação do imposto de consumo, vinculados ao Fundo Federal de Eletrificação, passarão a ser recolhidos mensalmente pelas repartições arrecadadoras, mediante guias específicas, ao Banco do Brasil, a crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico. (Redação dada pela Lei n° 5.073, de 18.8.1966) Parágrafo único. Os recursos referidos neste artigo serão creditados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico em conta de • movimento à ordem do Fundo Federal de Eletrificação (Redação dada pela Lei n°5.073. de 18.8.1966) Todavia, há que ser observado que a doutrina, em parte, não admite a constitucionalidade de tal forma de devolução que não em dinheiro. Nesse sentido, entre tantos, citamos o Mestre Carrazza . "a restituição do empréstimo compulsório há de ser feita em moeda corrente, já que em moeda corrente é exigido. É, pois, um tributo restituível em dinheiro. A União deve restituir a mesma coisa emprestada compulsoriamente: dinheiro. Não pode a União tomar dinheiro emprestado do contribuinte, devolvendo-lhe outras coisas (bens, serviços, quotas etc.).Quer-nos parecer que a devolução só é to Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 integral se recompuser o poder aquisitivo da moeda paga pelo contribuinte. Numa época de inflação galopante, restituir-lhe a mesma quantidade numérica em dinheiro, após dois, três, cinco anos, é, em termos práticos, nada restituir. Para que não reste burlada a ratio iuris deste tributo, sua devolução deve ser feita, no mínimo, com correção monetária. É ela que vai garantir o mesmo poder de compra da quantia paga a título de empréstimo compulsório."9 Nessa linha, teríamos, evidentemente, a necessidade da devolução do empréstimo compulsório outrora arrecadado em dinheiro. Entretanto, tal matéria já foi objeto de decisão dos Tribunais Superiores, observe-se as ementas a seguir. Primeiro destaca-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal: • "O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 146.615-4, • reconheceu que o empréstimo compulsório, instituído pela Lei n° 7.181/83, cobrado dos consumidores de energia elétrica, foi recepcionado pela nova Constituição Federal, na forma do art. 34, par. 12, do ADCT. Se a Corte concluiu que a referida disposição transitória preservou a exigibilidade do empréstimo compulsório com toda a legislação que o regia, no momento da entrada em vigor da Carta Federal, evidentemente também acolheu a forma de devolução relativa a esse empréstimo compulsório imposta pela legislação acolhida, que a agravante insiste em afirmar ser inconstitucional." (fonte: AI 287229 AgR/SP - São Paulo, Ag. Reg. no Agravo de Instrumento, Relator: Ministro Sydney Sanches, Julgamento: 19/03/2002.)" Há que se destacar ainda, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça por meio de duas Ementas a seguir colacionadas:• "Tributário. Empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pela Lei n. 4156/62 declarado constitucional pelo STF — devolução através de ações da Eletrobrás e não em dinheiro. 1. Precedente do STF e desta Corte no sentido de que a devolução do ' empréstimo compulsório, uma vez declarado constitucional pela Suprema Corte, deve ser feita na sistemática em que foi concebido: através de ações da Eletrobrás e não em dinheiro. 2. Recurso Especial improvido. Acórdão •)2 9 Idem. II Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Min. da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Mnistra-Relatora. "Os Srs. * Ministros Franciulli Netto, João Otávio de Noronha, Castro Meira e Francisco Peçonha Marfins votam com a Sra. Ministra Relatora. (Resp 561792/DF, 2002/0060622-2, Ministra Eliana Calmon, T2 — Segunda Turma, 17/06/04)." "Processo Civil Tributário — Empréstimo Compulsório sobre energia elétrica — Legitimidade da cobrança reconhecida pelo plenário do STF (REI46.615-4) — Devolução mediante ação da Eletrobrás — Possibilidade — Violação do artigo 535 do CPC não configurada — Divergência jurisprudencial não comprovada. — Não se configura violação ao 535 do CPC se o julgador, ao decidir a lide, deixou de apreciar qualquer dos artigos citados pela recorrente, por isto que • não está obrigado a examinar todos os argumentos trazidos pela parte, quando apenas um deles é suficiente para decidir a controvérsia, sendo prejudicial dos demais. — Não se comprova o dissídio jurisprudencial se os arestos paradigmas trazidos a confronto analisaram hipóteses distintas daquela tratadas nos autos. — O STF no julgamento do RE 146.615-4, reconheceu a recepção e manutenção da cobrança do empréstimo compulsório sobre energia elétrica, pela nova ordem constitucional. — Preservada a exigibilidade do empréstimo compulsório com toda a legislação que o regia, no momento da entrada em vigor da Carta Magna, o beneficio se estende também a forma de devolução desta exação, mediante ação, como imposta pela ação acolhida. — Recurso Especial não conhecido. Acórdão • Vistos, relatos e discutidos estes autos, acórdão os Ministros da Segunda Turma do STJ, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, não conhecer do recurso. Votaram com o Relator os Ministros Eliana Calmon e Franciulli Netto. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Paulo Gallotti. (Resp 117369/DF, Recurso Especial 1997/0005831-0, Ministro Francisco Peçonha Martins, T2, Segunda Turma, 19/09/00)." Além do mais o julgado juntado na íntegra pelo Recorrente RE 173266-SC (fls. 153 e seguintes) também indica no mesmo sentido. • Assim, ainda que respeitável doutrina entenda inconstitucional a legislação que institua empréstimo compulsório cuja forma de devolução não seja em dinheiro, entendo que uma vez que a questão já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça não possui esse Órgão Julgador competência 12 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 para decidir de forma diversa sobre a constitucionalidade da referida lei. Portanto, no mérito não há como conhecer o pedido do Recorrente, visto que forma de devolução dos valores somente poderá ser na forma previsto na legislação, de tal forma que não possibilidade de pedido de restituição em dinheiro dos valores pagos a título de empréstimo compulsório e, por conseqüência, não há que sequer aventar a hipótese de compensação. Todavia, passo a seguir a fazer algumas breves considerações sobre as demais questões suscitadas de interesse para a conclusão do presente voto. 6. Do dever solidário da União em ressarcir os valores pagos a titulo de empréstimo compulsório 411 Como se pôde observar, a Lei n°4.156 de 1962, anotou no 'caput' de seu artigo 4° que: Durante 5 (cinco) exercícios a partir de 1964, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da Eletrobrás, resgatáveis em 10 (dez) anos, a juros de 12% (doze por cento) ao ano, correspondente a 15% (quinze por cento) no primeiro exercício e 20% (vinte por cento) nos demais, sobre o valor de suas contas. E seu parágrafo 3°: 3° - "É assegurada a responsabilidade solidária da União, em qualquer hipótese, pelo valor nominal dos títulos de que trata este artigo." • Não resta dúvida que a União responde solidariamente pela devolução do empréstimo compulsório na forma prevista na lei, o que implicaria em sua legitimidade passiva nos processos judiciais e administrativos, nesse sentido: "Tributário e processo civil. Empréstimo compulsório sobre energia elétrica. Inocorrência de prescrição. Legitimidade passiva da União. Correção monetária. Aplicação de expurgos inflacionários. Incidência de juros de mora. Precedentes. 1. Há total interesse da União nas causas em que se discute o empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pela Lei n. 4.156/62, visto que a Eletrobrás agiu na qualidade de delegada da União (Resp, 525 38, Rel. Min. José Delgado, 1T, 02/09/03)." E ainda: 13 Processo n° : 13103.000313/2003-11• Acórdão n° : 301-32.748 Empréstimo compulsório instituído em favor da Eletrobrás. A União Federal é litisconsorte nas causas em que se discute o empréstimo compulsório instituído pela Lei n° 4.156, de 1962, que por isso devem ser processadas e julgadas perante a Justiça Federal." (fonte: DJ: 18/11/1996, p. 44862, Acórdão: RESP 399191PR - 199300293710 - 138700 Recurso Especial, decisão: 24/10/1996, Relator: Ministro Ari Pargendler.) Aqui, há que se considerar que a própria lei fez constar a responsabilidade da União pela devolução dos valores arrecadados a título de empréstimo compulsório. Todavia, tal responsabilidade, deve-se limitar a devolução dos valores do empréstimo compulsório em ações, impedindo que este ente político seja compelido a devolver em dinheiro, mas para tanto, deverá ser provado pelo . contribuinte que a Eletrobrás não devolveu os valores na forma prevista na lei, o que não é o caso objeto do presente processo administrativo. 7. Da prescrição do pedido de ressarcimento. A Lei n. 4.156/62 estabeleceu o resgate sobre o aludido empréstimo compulsório a favor da Eletrobrás, em 20 (vinte) anos de prazo, admitindo ainda prazo de carência em até 07 (sete) anos, conforme artigo 20, parágrafo 1, com redação dada pela Lei n. 4.676/65. Assim, conclui-se que a contagem do prazo prescricional tem seu início a partir de 20 anos após a aquisição compulsória das obrigações emitidas em favor do contribuinte. Este entendimento está praticamente pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça. "Tributário e Processo Civil. Empréstimo compulsório sobre energia elétrica. Inocorréncia de Prescrição. Correção Monetária Plena. Aplicação de Expurgos Inflacionários. Incidência de Juros de Mora. 1111 Precedentes, O STJ firmou entendimento que o prazo prescricional das ações que objetivam a restituição do empréstimo compulsório incidente sobre energia elétrica é vintenário..." (Resp. 587.052/SC, Rel. MM. José Delgado, 02/12/2003, Primeira Turma). 8. Da correção monetária e juros incidentes sobre os valores ressarcidos e da não incidência da SELIC Entende-se também ser legítima a aplicação de correção monetária e juros sobre os valores recolhidos a título de empréstimo compulsório, sendo certo que deverão incidir desde o seu recolhimento até a data da efetiva devolução, sob pena de ocorrência de enriquecimento indevido. "O resgate das obrigações do portador, decorrentes do empréstimo compulsório à Eletrobrás deve ser feito com correção monetária 14 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 " correspondente ao índice de "(fonte: DJ 08/06/1998, p. 65: AGA 175289/R.T - 199800045848 - 214036 Agravo Regimental no Agravo de Instrumento, decisão: 21/05/1998, Relator: Ministro José Delgado.)" "Tributário. Consumo de energia elétrica. Empréstimo compulsório. Restituição. Correção Monetária. Incidência. Sendo a correção monetária simples fator de atualização — e não propriamente acréscimo — incide até o pagamento do débito." (RESP n. 86226/RJ, 2T, Rel. MM. Hélio Mosimann). Contudo, o mesmo não se aplica à incidência da SELIC: "TRIBUTÁRIO — EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DA ELETROBRÁS — INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. 1.0 empréstimo compulsório em favor da ELETROBRÁS, criado • pela Lei 4.156/62, até a EC 1/69 era considerado espécie de contrato coativo (Súmula 418/STF). 2. A EC 01/69 alterou a espécie para dar natureza tributária ao empréstimo compulsório, o que foi mantido , com a CF/88. 3. No empréstimo compulsório estabelecem-se duas relações: a existente entre o Estado e o contribuinte, regida por normas de direito tributário e a existente entre o contribuinte e o Poder Público com vista à devolução do que foi desembolsado, a qual nada tem de tributário, por tratar-se de crédito comum. 4. Nesse caso, não tem aplicação o teor do art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, que determina a incidência da Taxa SELIC tão-somente na compensação e restituição de tributos federais. 5. Recurso especial improvido. REsp 694051 / SC; RECURSO ESPECIAL 2004/0144413-6, Ministra ELIANA CALMON (1114), DJ 09.05.2005 p. 363. Cabe destacar que a correção monetária e juros aplicados na devolução dos valores arrecadados a titulo de empréstimo 4111 compulsório deverá surtir efeitos no momento da devolução das respectivas ações, nos termos do artigo 4, parágrafo 2, da Lei 4156/62. 9. Considerações acerca da impossibilidade da compensação dos valores pagos a titulo de empréstimo compulsório com outros • tributos por falta de previsão legal A compensação, conceituada pelo direito privado (CC, art. 1009), tem aplicação nos casos em que a lei expressamente a preveja, consoante artigo 170 do Código Tributário Nacional. Tal instituto ocorre no instante em que duas pessoas forem ao . ,.2.mesmo tempo credora e devedora uma da outra, ocasionando a extinção das duas obrigações até o montante da compensa7ção. N 15 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 caso em tela não se tem lei tratando do assunto, razão pela qual a extinção do crédito não poderá ocorrer por este dispositivo legal. Ademais, quatro são os requisitos necessários à compensação: a) reciprocidade das obrigações, b) liquidez das dívidas, c) • exigibilidade das prestações, e d) fungibilidade das coisas devidas. Nesse sentir, a lei que autoriza a compensação pode estipular condições e garantias, ou instituir os limites para que a autoridade administrativa o faça. Quer isso significa que, num outro caso, a atividade é vinculada, não sobrando ao agente público qualquer campo de discricionaridade, antagônico ao estilo de reserva legal estrita que preside toda normalização dos momentos importantes da existência das relações jurídicas tributárias.i° Desta forma, a compensação é uma das formas das extinções das obrigações tributárias que, ao contrário do que ocorre no âmbito das relações jurídicas regradas pelo Direito Civil, não se opera automaticamente, pois se subordina à autorização legal. Repita-se a lei pode autorizar a compensação, não o fazendo, não poderá o contribuinte compensar tributos com outros créditos que possua contra a Fazenda respectiva. Acrescenta-se ainda que, conforme julgados do STF e STJ, restou impossível a realização da devolução dos valores pagos a título do citado empréstimo compulsório por compensação com tributos federais, visto que tal exação se vinculou desde do seu início à forma de devolução previamente estipulada em lei. Ou seja, a devolução do valor pago a título de empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás deve ser feita na forma prevista na legislação, ou seja, por meio de ações. Por seu turno não que se cogitar em compensar o valor dessas ações com tributos federais, por expressa falta de previsão legal. Ademais, • como já explanado nesse voto, a devolução dos valores pagos a título de empréstimo compulsório não tem natureza tributária, de tal forma que não podem ser compensados com outros tributos sob o manto da previsão genérica da Lei. Para corroborar tal posicionamento cita-se o Acórdão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, que teve por Relatora a Ministra Eliana Calmon, no EDcl no REsp 603215 / PR; EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2003/0197791-4 , Julgado em 22/03/2005 e publico no DJ de 09.05.2005, p. 339, nos seguintes termos: • 1° Curso de Direito Tributário. Paulo de Barros Carvalho, 14 ed., Saraiva, pg. 457. 16 Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 PROCESSUAL CIVIL - TRIBUTÁRIO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — CONTRADIÇÃO - EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DA ELETROBRÁS - TAXA SELIC. 1. É contraditório o julgado que determina a incidência da Taxa SELIC devolução do empréstimo compulsório sobre energia elétrica, partindo-se do pressuposto de que a hipótese constitui repetição de indébito tributário, quando, na verdade, a referida devolução não tem natureza tributária, sendo inaplicável a norma do art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95. 2. O empréstimo compulsório em favor da ELETROBRÁS, criado pela Lei 4.156/62, até a EC 1/69 era considerado espécie de contrato coativo (Súmula 418/STF). 3. Contudo, a referida emenda alterou a espécie para dar natureza • tributária ao empréstimo compulsório, o que foi mantido com a CF/88. 4. No empréstimo compulsório estabelecem-se duas relações: a existente entre o Estado e o contribuinte, regida por normas de direito tributário, e a existente entre o contribuinte e o Poder Público, com vista à devolução do que foi desembolsado, a qual nada tem de tributário, por tratar-se de crédito comum. 5. Nesse caso, não tem aplicação o teor do art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, que determina a incidência da Taxa SELIC tão-somente na compensação e restituição de tributos federais. 6. Embargos declaratório providos, com efeitos modificativos. Portanto, seja por falta de previsão legal, seja em vista dos julgados do STF e STJ não é possível o reconhecimento do direito à • compensação pelo Recorrente. Assim constata-se que a compensação efetuada pelo Recorrente e noticiada nos autos foi feita ao arrepio da lei e, como se verifica pelo documento juntado, com informações falsas, pois indica que já houve o trânsito em julgado de processo judicial, quando não há notícias da propositura da ação judicial. Na verdade, a inclusão de tais dados teve por único objetivo possibilitar que o Recorrente pudesse preencher os dados da Per/Dcomp. E, o que ainda toma pior a situação do Recorrente é que consta dos dados ad Per/Dcomp que a empresa é optante do PAES, e por força da lei que rege tal parcelamento, não pode ficar inadimplente dos tributos correntes, de tal modo que se feita a compensação de forma irregular, há que observar que o Recorrente, por conseqüência do inadimplemento deverá ser excluído do PAES. 17 • Processo n° : 13103.000313/2003-11 Acórdão n° : 301-32.748 10. Da conclusão Nesta esteira, pode-se depreender e concluir que: a) possui natureza tributária o empréstimo compulsório; b) há responsabilidade solidária da União pela restituição do empréstimo compulsório vinculada tão somente a devolução dos valores em ações; c) a prescrição para restituição do empréstimo compulsório é "vintenária"; d) há direito à correção monetária e juros de mora, não se aplicando a SELIC e, por fim; 4111 e) fixou-se a impossibilidade da compensação dos valores pagos a título de empréstimo compulsório com tributos federais, em vista da falta de previsão legal, restando claro que a devolução do empréstimo se fará tão somente por meio de ações, conforme pacificado no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. Outrossim, como a eventual restituição dos valores postulados neste . processo somente se dará por meio de ações, não há como ser atendido o pedido de restituição do contribuinte por esta via processual, muito menos, realizar a tão buscada compensação. Lembra-se que a lei da pessoa competente para instituir o tributo molda o instituto e lhe fixa a oportunidade e as condições. Como define o Código Tributário Nacional no artigo 170. 11 Nesse sentido pronunciou-se acertadamente a DRJ, devendo ser acolhido por OIN completo a sua orientação." O que se verifica do exposto é que o Sistema de Direito Positivo não contempla normas jurídicas que possibilitem à Administração Pública Federal, que deve agir de modo vinculado, proceder à compensação pretendida pela Recorrente. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das e ões, - 7 aberi e2006 40a, Alo'n • LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator "Direito Tributário Brasileiro. Aliomar Balleiro, 11° edição, ed. Forense, pg. 900. IS Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.101409/2003-77
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NÃO INCIDÊNCIA - ADESÃO AO PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Os valores recebidos a título de indenização por adesão ao programa de desligamento voluntário não se situam no campo de incidência do imposto de renda e o prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional ou de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo.
Preliminar rejeitada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 104-20.486
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cofia Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso,
nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Recurso n°. : 140.718 Matéria : IRPF - Ex(s): 1994 Recorrente : JOANA CAMINHA Recorrida : 4a TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS Sessão de : 24 de fevereiro de 2005 Acórdão n°. : 104-20.486 NÃO INCIDÊNCIA - ADESÃO AO PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Os valores recebidos a título de indenização por adesão ao programa de desligamento voluntário não se situam no campo de incidência do imposto de renda e o prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional ou de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo. Preliminar rejeitada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOANA CAMINHA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cofia Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. ARIA HErLENA COTTA èARDOZ PRESIDENTE p I tAN A ROD GUES e ELATORK FORMALIZADO EM: 2 2 MAR ,uu3 e e, MINISTÉRIO DA FAZENDAt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Acórdão n°. : 104-20.486 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 s- J iNa - MINISTÉRIO DA FAZENDA 10 11 " # ...,47-.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Acórdão n°. : 104-20.486 Recurso n°. : 140.718 Recorrente : JOANA CAMINHA RELATÓRIO JOANA CAMINHA, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 28/29) contra a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre- RS que indeferiu o pedido de restituição de valores referentes a Imposto de Renda Retido na Fonte, em razão de indenização pelo Programa de Desligamento Voluntário- PDV. A recorrente requer, em outubro de 2003, a restituição do imposto de renda que incidiu sobre verbas de incentivo à participação em programa de demissão voluntária datado do exercício de 1993. Para tanto, junta farta documentação. O pedido foi indeferido (fls. 10/12), tendo como fundamento a extinção do direito do contribuinte de pleitear a restituição com o transcurso do prazo de cinco anos. Fundamenta, autoridade julgadora, suas argumentações nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Cientificada da decisão que indeferiu o pedido de restituição, a contribuinte apresentou suas manifestações de inconformidade tempestivamente, as fls. 15 a 19, alegando ter direito à restituição pleiteada, porquanto que o prazo para este pedido iniciou- se com a publicação da instrução normativa 165/98, sendo esta a data a partir da qual começa a correr o qüinqüênio. 3 -0•,; MINISTÉRIO DA FAZENDA S PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESktrg.,,, QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Acórdão n°. : 104-20.486 Prossegue a recorrente afirmando que o Parecer da PGFN, sob o n. 96, suporte da fundamentação da autoridade administrativa julgadora, não possui aplicabilidade legal para o deslinde da controvérsia. Isto porque contraria a Constituição Federal de 1988 e não observa o parecer COSIT n. 04 de 1999 e jurisprudências. De igual forma, contrapõe-se a recorrente aos atos da SEORT. Afirma que a informação DRF/POA/SEORT n. 92/03 e 93/03 refere que a restituição fica assegurada de acordo com os Acórdãos do Conselho de Contribuintes. Enfrenta a questão expressando não ser compreensível que a DRJ continue indeferindo o pedido dos contribuintes, alegando atos eivados de vícios de legalidade. Acrescenta, a recorrente, que para fazer jus ao contraditório e à ampla defesa, suas argumentações deveriam ser levadas em conta no momento da decisão e que não foi feito no caso em tela, por conta do simples indeferimento da autoridade competente. O Delegado da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre proferiu decisão (fls. 24/27), pela qual manteve, integralmente, o indeferimento do pedido de restituição. Em suas razões de decidir, a autoridade julgadora de primeira instância argumentou que a matéria em litígio versa sobre a preliminar de decurso de prazo para pleitear restituição de indébito. Referiu o julgador que possui sua liberdade de convicção restrita aos entendimentos expedidos em atos normativos pelo Ministério da Fazenda, conforme dispõe a Portaria MF n° 258/2001 e que aprecia o presente feito. Expõe que a IN n° 165/1998 reconheceu o caráter indenizatório das verbas pagas em programa de demissão voluntária e que estão isentas do imposto de renda, mas, quanto ao prazo para pleitear a restituição de possível indébito tributário, esclarece que foi o Ato Declaratório Normativo- SRF n° 96/1999 que determinou a matéria. 4 dé),..*t; - i-t ;,,* MINISTÉRIO DA FAZENDA tap -1,4y: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Acórdão n°. : 104-20.486 Segundo o julgador, o prazo é contado da data do recolhimento e que na situação do presente feito, o direito de pleitear da recorrente encontra-se extinto, porquanto que, por tratar-se de imposto na fonte, que incide sobre os rendimentos auferidos por pessoas físicas no mês em que forem pagos ao beneficiário, este ocorreu em 1992, quando houve a retenção relativa ao pagamento efetuado pela empregadora. Por tanto, estaria extinto o crédito da recorrente, posto que este apenas encaminhou o pedido de restituição no ano de 2003. A autoridade julgadora determinou informar, à recorrente, que não há previsão legal para que se processe o pedido de : "que um órgão consultivo emane Parecer sobre o caso em tela no prazo legal de 15 dias sob pena de ser este recurso já indeferido como de praxe". De igual forma, aduz a autoridade que não pode julgar contrariamente ao Ato Declaratório SRF n. 96/99 e tão pouco em conformidade coma jurisprudência administrativa e judiciária, por serem estas decisões pertinentes a cada caso especifico. E entende não ter ocorrido agressão ao artigo 150, III, da CF/88, como alegado pela recorrente, porque não se trata a questão das limitações ao poder de tributar, mas sim sobre prazos decadenciais. Cientificada da decisão singular, na data de 21 de maio de 2004, a contribuinte protocolou o recurso voluntário (fls. 28/29) ao Conselho de Contribuintes, de forma tempestiva. Em sua defesa, a recorrente sustenta como fundamento legal a Instrução Normativa 165/98, bem como reitera todos os seus argumentos já expostos na impugnação apresentada anteriormente. É o Relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA ;,!,aitZtfy PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Acórdão n°. : 104-20.486 VOTO Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente pede a restituição da importância paga a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, devidamente corrigida, a partir da sua retenção, alegando que estes valores, por referirem-se à indenização paga em decorrência da adesão ao Programa de Desligamento Voluntário - PDV, não podem ser tributados. Para tanto, a recorrente fundamenta seu pleito na Instrução Normativa n.: 165/1998 e junta farta documentação que comprovam seu desligamento, a adesão ao programa e a retenção dos valores. Os valores recebidos pela recorrente, a titulo de indenização por adesão ao Programa de Desligamento Voluntário, há muito já vem sendo decidido, tanto pelo STJ como por este próprio colegiado, como não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem na Declaração de Ajuste Anual. Isto porque estes valores possuem natureza indenizatória, ou seja, possuem o condão de repor uma perda e não de acrescer o património da recorrente. Ademais, é de se ressaltar que, a não incidência do Imposto de Renda sobre as denominadas verbas indenizatórias a título de incentivo à demissão voluntária, decorre da constatação de não constituírem acréscimos patrimoniais subsumidos na hipótese do artigo 43 do CTN. No que diz respeito ao prazo decadencial, fundamento da decisão singular, não prospera, visto que o direito à Restituição do Imposto de Renda retido na fonte, tem por 6 AC:44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11080.101409/2003-77 Acórdão n°. : 104-20.486 fundamento a decisão administrativa Instrução Normativa n°: 165 e o Ato Declaratório Normativo COSIT n°: 04 de 28.01.1999. Há que se dispor que o referido Ato Declaratório possui a determinação de restituição dos valores e a autorização da revisão de ofício dos lançamentos e a Instrução Normativa SRF n°. 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada no DOU de 06 de janeiro de 1999, reconheceu o direito do contribuinte ao beneficio fiscal. A contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, permitida, nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido, entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária (IN n.° 165, de 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Assim, a recorrente possui o legitimo direito de pedir os valores retidos indevidamente a titulo de imposto de renda, por serem verbas indenizatórias do programa de desligamento voluntário e por serem não tributáveis. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões (DF), 24 de fevereiro de 2005 ROD I ES 7 Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.009735/98-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IPI. DECADÊNCIA. DEVOLUÇÃO DE RESSARCIMENTO INDEVIDO. Não havendo sido apontada hipótese de fraude, dolo ou simulação, decai em 5 (cinco) anos, contados da data do ressarcimento, o direito de o Fisco rever o ato administrativo que concedeu o ressarcimento, ora considerado indevido. Recurso provido.
Numero da decisão: 201-77830
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sérgio Gomes Velloso.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo Galvão
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DECADÊNCIA. DEVOLUÇÃO DE RESSARCIMENTO INDEVIDO. Não havendo sido apontada hipótese de fraude, dolo ou simulação, decai em 5 (cinco) anos, contados da data do ressarcimento, o direito de o Fisco rever o ato administrativo que concedeu o ressarcimento, ora considerado indevido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PERTO S/A PERIFÉRICOS PARA AUTOMAÇÃO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade . de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de setembro de 2004. t Q.aaezika- t-osefa aria Coelho Marques cr ." Presidente c.4btiCvnct,nr, --- Adriana Go ne)R= vãfi°°""tra") Relatora MIN PA FAZEN nA - 2 " cc\ CONFERE COM O ORIGINAL enchi-1i 1.% -3 G 1.21_1_9(1 te., VISTO --.. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto, Antonio Carlos Atulim, Roberto Velloso (Suplente), Jose Antonio Francisco, Gustavo Vieira de Melo Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer. 1 • .,-,eík 2° CC-MF-:t;srerar,,. Ministério da Fazenda MIN I )A F AZEM -MN - 2." CC FI. Segundo Conselho de Contribuintes CeNi F rdE. COM O ORIGINAL FtPAi. 4í. CS Processo n2 : 11080.009735/98-03 Recurso n2 : 122.125 VISTO Acórdão n2 : 201-77.830 Recorrente : PERTO S/A PERIFÉRICOS PARA AUTOMAÇÃO RELATÓRIO Perto S/A Periféricos para Automação, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 300/328, contra o Acórdão n2 945, de 31/5/2002, prolatado pela 3 1 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS, fls. 289/293, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de IPI, fls. 1/3, lavrado em 1/12/1998, relativo a ressarcimentos efetuados entre julho e •setembro de 1993. Do relatório da decisão recorrida, destaco : "O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado pela fiscalização do 1191, para exigência da devolução do ressarcimento indevido de créditos referentes a insumos utilizados na industrialização de bens de informática, isentos com base na Lei n2 de 23 de outubro de 1991, conforme descrição dos fatos de _fls. 2 e 3, a seguir resumida. 1.1 O contribuinte se limitava a solicitar o ressarcimento da totalidade do saldo credor do período de apuração correspondente, em vez de calcular o crédito a ressarcir, de acordo com a Instrução Normativa SRF n2 114, de 3 de agosto de 1988, então vigente. 1.2 A fiscalização refez os cálculos, em conformidade com o item 4 da IN citada há pouco, o qual estabelece que poderão ser calculados, proporcionalmente, com base no valor das saldas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos oriundos de matérias-primas (liP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) que se destinem, indistintamente, à industrialização de produtos que tenham expressamente assegurada a manutenção e utilização de créditos como incentivo, produtos que gerem créditos básicos e produtos desonerados do IPI no mercado interno, sem direito a crédito. 1.3 Tais cálculos foram refeitos para todos os processos de ressarcimento formalizados pelo contribuinte, desde o ano de 1993, sendo que o resultado se acha explicitado no Anexo 1, de _fls. 8 e 9, que relaciona o montante de crédito incentivado a que o contribuinte tem direito, por processo. 1.4 Com base nos resultados apurados no Anexo 1, foi reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, conforme planilha de/is. 10 a 12, que explicita os valores indevidamente ressarcidos ao contribuinte, passíveis de exigência fiscal. 2. À vista disso, foi lavrado o Auto de Infração de fl. 1 e anexos, para formalizar a exigência da devolução do ressarcimento indevido, no valor de R$ 22.689,73, e dos juros de mora, o que totalizou, na data da autuação, a importância de R$ 41.680,81. 3. As infrações foram enquadradas nos arts. 99, 104 e 397 do Regulamento do 1P1, aprovado pelo Decreto n2 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI, de 1982), em vigor na época, e na IN SRF n2 114/88. 4. Esse enquadramento sujeitou o interessado a juros de mora, conforme art. 59, e § 22, da Lei n2 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 84, sç 52, da Lei tz2 8.981, de 20 de 494k- 2 MIN DA F AZENDA - 2.° CC Ministério da Fazenda 22 CC-MF btle", CCMTPE COM O ORIGINAL FI.n:c Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 11080.009735/98-03 visto Recurso n2 : 122.125 Acórdão ré! : 201-77.830 janeiro de 1995, art. 38 e § 1 2 da Lei n2 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 26 da Medida Provisória ti2 1.542, de 18 de dezembro de 1996, e convalidaçães posteriores, e art. 30, da Medida Provisória n2 1.621-30, de 12 de dezembro de 1997, e convalidações posteriores. 5. O contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, por meio do arrazoado de fls. 275 a 277, instruído com os documentos de fls. 278 a 287, alegando, em síntese, que: a) a Portaria Interministerial n 2 149, de 26 de maio de 1993, dos Ministros da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, concedeu isenção do IPI para os produtos fabricados pelo impugnante, bem como a manutenção dos créditos relativos às MP. PI e ME, empregados na industrialização, no período de 28 de maio de 1993 a 29 de outubro de 1999; b) a Lei n2 8.248, de 1991, não limita o ressarcimento; c) a IN SRF ns 114/88 é ato interno, que não pode prevalecer sobre a Lei n2 8.248, de 1991, que sucedeu, no tempo, aquele ato administrativo; d) é impossível calcular a média no primeiro mês do gozo do beneficio; e) da forma como foram feitos os cálculos, o beneficio fica restringido a um terço de seu valor; e fi conforme planilha de fl. 283, elaborada pelo impugnante, o cálculo efetuado pela fiscalização não levou em consideração que o excesso verificado no início do gozo do beneficio foi absorvido nos meses posteriores, visto que os pedidos de ressarcimento são inferiores aos que efetivamente foram solicitados, porque passou a existir base de cálculo para efeito da média nos meses anteriores, já que então existiam vendas/saídas incentivadas." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS manteve o lançamento, conforme o Acórdão citado, cuja ementa apresenta o seguinte teor: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 27/07/1993 a 02/09/1993 Ementa: APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. MODALIDADES. RESSARCIMENTO INDEVIDO. O valor do crédito incentivado, com direito a ressarcimento, é calculado proporcionalmente entre as saídas incentivadas e o total das saídas, nos últimos três meses que antecedem o período a considerar, aplicando-se o quociente encontrado sobre o saldo credor do imposto no final do período, quando os mesmos insumos forem empregados indistintamente na fabricação de produtos isentos incentivados, tributados, com aliquota zero, isentos não incentivados e não tributados. Lançamento Procedente". Ciente da decisão de primeira instância em 3/7/2002, fl. 297, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 1/8/2002, onde, em síntese, argumenta: 1) como preliminares, a nulidade da decisão recorrida, que não teria apreciado os seus argumentos de que o cálculo realizado pela Fiscalização não considerou que o valor ressarcido em excesso no inicio do gozo do beneficio foi absorvidos nos meses posteriores, porque os valores então ressarcidos foram inferiores àqueles a que a recorrente fazia jus, e a nulidade do auto de infração em razão de ter se operado a decadência do direito de o Fisco formalizar a exigência em 1/12/1998, relativo à homologação aperfeiçoada com o despacho Av, 3 ,Z 22 CC-MF. -- -",...eN.fe Ministério da Fazenda MIN A AF.N . Fl. . 7 ;1:4:C Segundo Conselho de Contribuintes rc• • u't O c;Fetr.1.1 '-f4t ."- »C> Ew Processo n2 : 11080.009735/98-03 Recurso n2 : 122.125 Acórdão n2 : 201-77.830 concessório do deferimento dos pedidos de ressarcimento, materializados através das ordens de pagamentos datadas de 27/7/1993, 20/8/1993 e 2/9/1993, ultrapassados os 5 anos previstos no art. 150, § 42, do CTN; 2) no mérito: 2.1) que os pretensos valores ressarcidos em excesso foram totalmente absorvidos quando do ressarcimento a menor nos meses posteriores, conforme planilha à fl. 283, bem como no documento 2 que junta, onde demonstra que, nos nove pedidos de ressarcimento subseqüentes houve a absorção destes valores; 2.2) ainda que se admita como indevido o recebimento destes valores, devem ser excluídos do lançamento os juros de mora e a atualização monetária do crédito tributário constituído, porque os valores ressarcidos durante o período auditado apenas foram disponibilizados pelo Fisco após a homologação dos pedidos; se agiu mal, foi porque assim a orientava a administração, através da prática reiterada do deferimento de seus pedidos de ressarcimento; e 2.3) que a Lei n2 8.248/91 não prevê qualquer limitação como aquelas expostas na IN SRF n2 114/88, que faz tábula rasa ao estímulo fiscal previsto em lei e afronta o princípio da hierarquia das normas. Por fim, pede pelo acolhimento das preliminares suscitadas, ou, de forma diversa, a reforma da decisão recorrida, para que seja desconsiderada a cobrança dos valores objeto do presente lançamento. Às fls. 350/354 consta o arrolamento de bens para seguimento do recurso a este Colegiado. É o relatório* ,Niek, 4 . , ,,,;4•:-- 2° CC-MFMinistério da Fazenda Fl. z, fr_t ": .. Segundo Conselho de Contribuintes •;-`"S'7.trt-;^ MIN ''A F' AZF-N il - 2 ' re b---f---Ei- CONr rcT COM O CRItill..AL_Processo n2 : 11080.009735/98-03 te j __I I__ __I 99 Recurso n2 : 122.125 Acórdão n2 : 201-77.830 VISTO VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ADRIANA GOMES RÊGO GALVÃO O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão porque dele tomo conhecimento. Como preliminar, alega a recorrente omissão da decisão recorrida e a decadência do direito de o Fisco constituir o presente lançamento. Analisando inicialmente a questão da decadência, verifica-se que o auto de infração, na verdade, exige valor que foi considerado indevidamente ressarcido ao sujeito passivo. Ou seja, trata-se de urna revisão, pelo Fisco, do ato administrativo que deferiu aqueles ressarcimentos, e neste sentido convém trazer à tona o que diz o parágrafo único do art. 149 do CIN, verbis: "Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." Da mesma forma opera-se no presente caso: a Fazenda Nacional tem o direito de rever o ato administrativo que concedeu os ressarcimentos, porém, tal direito não se perpetua ao longo do tempo, há limites temporais que o Fisco deve observar. Assim, sendo o IPI um tributo sujeito a lançamento por homologação, decai o direito de o Fisco constituir o crédito tributário correspondente ao mesmo, após decorridos cinco anos do fato gerador, se houver pagamento, ou do primeiro dia do exercício seguinte, no caso de não haver pagamento, ou de, havendo pagamento, se vislumbrar dolo, fraude ou simulação. Ocorre que no presente caso não foi apontada pela Fiscalização a existência de dolo, fraude ou simulação, havendo apenas sido identificado que a Fazenda homologou pedidos de ressarcimento que a recorrente pleiteara e, passados mais de cinco anos da concessão destes ressarcimentos, agia a Fiscalização no sentido que cobrar os valores que foram ressarcidos a esta, porém, indevidamente, já que a mesma cometera infração à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Ora, se a Fazenda está exigindo, até sem multa de oficio, valores que pagou indevidamente, entendo que somente pode fazê-lo no transcurso do prazo decadencial, relativo aos valores que pretende exigir. No caso, se a União pagou, em julho, agosto e setembro de 1993, valores relativos a créditos de IPI que a contribuinte apurou indevidamente, passados mais de cinco anos destes pagamentos, não podia mais o Fisco formalizar a presente exigência fiscal, operando-se, portanto, a extinção do crédito tributário, dada a decadência do direito do Fisco para exigi-lo. Por esta razão, fica prejudicada a análise da preliminar de omissão da decisão recorrida, bem assim do mérito da autuação. ,W.)1/4k 5 fa .ora. Ministério da Fazenda MIN DA FAZENDA - 2.° CD 29 CC-MF FI. /- 1 "; Segundo Conselho de Contribuintes cct tgE COM O ORIGINAL P::n• - /0'1 Processo n2 : 11080.009735/98-03 _— Recurso n2 : 122.125 VISTO Acórdão n2 : 201-77.830 Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de setembro de 2004. ADRIANA GOarEG.0\jr 42k 6
score : 1.0
Numero do processo: 11080.103796/2004-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Legalidade da exigência da multa por atraso na entrega. Entrega espontânea e a destempo.
Instituição da obrigação acessória com fundamento de validade no Decreto-lei 2.124, de 13 de junho de 1984, e no Decreto-lei 200, de 25 de fevereiro de 1967. Fatos não alcançados pelo artigo 25 do ADCT de 1988 porque consumados na ordem constitucional anterior. Penalidade instituída pelo próprio Decreto-lei 2.124, de 13 de junho de 1984. A entidade denúncia espontânea (CTN, art. 138) não alberga a prática de ato puramente formal do cumprimento extemporâneo de obrigação tributária acessória. Neste particular, precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
Normas gerais de Direito Tributário. Obrigação acessória. Penalidade pecuniária. Lançamento.
Irreparável o lançamento da penalidade pecuniária motivado em inescusável adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 303-32938
Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 11080.103796/2004-67 Recurso n° : 133.539 Acórdão n° : 303-32.938 Sessão de : 23 de fevereiro de 2006 Recorrente : TORRES PINTO — ASSESSORIA A CONDOMÍNIOS LTDA. Recorrida : DRJ-PORTO ALEGRE/RS Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Legalidade da exigência da multa por atraso na entrega. Entrega espontânea e a destempo. Instituição da obrigação acessória com fundamento de validade no Decreto-lei 2.124, de 13 de junho de 1984, e no Decreto-lei 200, de 111 25 de fevereiro de 1967. Fatos não alcançados pelo artigo 25 do ADCT de 1988 porque consumados na ordem constitucional anterior. Penalidade instituída pelo próprio Decreto-lei 2.124, de 13 de junho de 1984. A entidade denúncia espontânea (CTN, art. 138) não alberga a prática de ato puramente formal do cumprimento extemporâneo de obrigação tributária acessória. Neste particular, precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Normas gerais de Direito Tributário. Obrigação acessória. Penalidade pecuniária. Lançamento. Irreparável o lançamento da penalidade pecuniária motivado em inescusável adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória. Recurso desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. • ANELtI DAU91T PRIETO Preside DM Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 • TARÁSIO CAMF'ELO BORGES t1"7 Relator Formalizado em: 05 ABR 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves e Silvio Marcos Barcelos Fiúza. Ausente o Conselheiro Marciel Eder Costa.• • 2 Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 RELATÓRIO Os autos do presente processo tratam de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Porto Alegre (RS) que julgou procedente a exigência de multas infligidas no auto de infração de folha 2, motivadas por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo no valor de R$ 57,34 por mês-calendário ou fração de atraso relativas aos três primeiros trimestres de 2001, com a redução de 50% concedida nos casos de entrega espontânea, e no valor mínimo de R$ 500,00 por infração relativas ao último trimestre do ano citado. • Segundo a denúncia fiscal, somente no dia 14, 12 e 6 de agosto e 31 de julho de 2002 foram entregues as declarações relativas aos quatro trimestres de 2001. Com guarda do prazo fixado para o recolhimento da multa lançada, a interessada instaurou o contraditório. As suas razões de impugnação de folha 1 estão assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 2. A autuada impugna o lançamento, alegando primeiramente que não se trata de pagamento de imposto, dolo ou sonegação. Houve apenas um lapso decorrente da desinformação de uma novidade criada. Ao tomar conhecimento da nova lei, a empresa apresentou as DCTFs devidas de forma espontânea, sendo que não houve alteração ou acréscimo da situação, pois os dados apresentados na DCTF trimestral já haviam sido declarados da DCTF anual. • 3. Após, ressalta que a receita da empresa é demasiadamente pequena e que sua manutenção é feita com recursos próprios, incapacitando-a de efetuar o pagamento do valor alto da multa em relação aos ganhos da empresa. 4. Isso posto, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade e cancelado o auto de infração. Transcrevo, imediatamente a seguir, o inteiro teor do voto condutor do acórdão recorrido: 5. A impugnação é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972, dela, pois, toma-se conhecimento. 3 Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 6. Inicialmente, ressalto que nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001 a entrega das Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTFs era disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, que assim dispunha: Art. 22 A partir do ano-calendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. (...) Art. 62 A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 22, sujeitará a pessoa • jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mês-calendário ou fração de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega (Decreto-lei n2 1.968, de 1982, art. 11, §§ 22 e 32, com as modificações do Decreto-lei n2 2.065, de 1983, art. 10; Lei n2 8.383, de 1991, art. 32, inciso I; da Lei n2 9.249, de 1995, art. 30). [grifos do relator do acórdão recorrido] 7. A Instrução Normativa SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, estabeleceu, com esteio no artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, novas formas de cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF, observando-se a retroatividade benigna estatuída no art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN). Dispõe o art. 7° da • referida Instrução Normativa: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas: I - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o móntante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 32; 4 Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 (...) § 22 Observado o disposto no § 3 2, as multas serão reduzidas: I - em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II - em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 2 A multa mínima a ser aplicada será de: 410 I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa jurídica inativa; II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 42 Para DCTF que seja referente até o terceiro trimestre de 2001, a multa será de R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mês- calendário ou fração, salvo quando da aplicação do disposto no caput resultar penalidade menos gravosa. 8. Resta patente, portanto, que têm [sic] suporte legal a exigência de apresentação da DCTF, bem assim a aplicação de penalidade por atraso na sua entrega, ainda que os tributos e contribuições hajam sido integralmente pagos. • 9. A autuada não contesta o atraso na entrega das declarações, argüi ser a multa inaplicável ao presente caso, visto que a entrega das DCTF se deu espontaneamente. No que concerne à alegada espontaneidade, prevê o art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 10. Vê-se que o instituto da denúncia espontânea prende-se ao pagamento do tributo devido ou ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 montante do tributo dependa de apuração. É certo, também, que multa não é tributo, na dicção do art. 30 do CTN: Art. 30 Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. [grifo do relator do acórdão recorrido] 11. Sendo a multa por atraso na entrega da declaração uma "sanção de ato ilícito" não se amolda à definição de tributo. Não sendo tributo, não se lhe aplica o instituto da denúncia espontânea. • 12. Nesse sentido, há julgados com entendimento de que os dispositivos mencionados não são incompatíveis com o preceituado no art. 138 do CTN. Veja-se o que decidiu a Egrégia 1' Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n.° 195161/G0 (98/0084905-0), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a • prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido. 6 Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 13. Também há decisões do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido, a exemplo do Acórdão n.° 02- 0.829, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais [sic]. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CIN. Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento. 14. Portanto, a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois se trata de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN. 15. Os demais argumentos da contribuinte não a socorrem, pois não há como o contribuinte alegar desconhecimento de lei, consoante o artigo 30 da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Destaque-se ainda que não compete à autoridade julgadora considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal e de natureza econômico-financeira dos contribuintes. 16. Igualmente não há como dar guarida aos argumentos de que a declaração de [sic] anual supriria a ausência de DCTF's [sic], pois estas declarações não possuem apenas o condão de informar ao Fisco com diferentes informações econômico-fiscais, • mas principalmente possuem efeitos diferentes quanto à executoriedade das confissões de dívidas nelas informadas, afora o fato de que entrega de DCTF estar prevista em lei e de que não há previsão para referida substituição. 17. Outrossim, é - cediço que a autoridade administrativa não dispõe de competência para examinar argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário, refutando-se, por este motivo o questionamento quanto ao caráter confiscatório da penalidade. 18. Assim é que, estando comprovada a prática da infração, como no caso vertente, resta procedente a lavratura do auto de infração pela autoridade fiscal, a quem cumpre efetuar o lançamento, que constitui atividade vinculada e obrigatória, nos 7 Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 termos do art. 142 do CTN. Observo ainda que o auto de infração está em plena conformidade com o Decreto 70.235/1972 (e alterações posteriores), não havendo necessidade de notificação prévia ao contribuinte antes da entrega da autuação. 19. Em face do exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento. Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Porto Alegre (RS), a empresa interpôs o recurso voluntário de folha 58, no qual aduz, abstraídos os apelos meramente emocionais: a) a obrigação acessória foi adimplida espontaneamente e "não existiu falta de pagamento de imposto"; • b) "não encontra guarida em lei o valor da multa aplicada pela SRF", contrário ao disposto no artigo 61, § 2°, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996; c) necessário se fazia um período de adaptação à nova norma que instituiu a obrigação acessória trimestral, redundante por nela constar dados coincidentes com a declaração anual; d) a receita da empresa é pequena, decorrente da perda de clientes, e a multa exigida tem valor exorbitante se considerado o porte da empresa. Porque cuida de exigência fiscal de valor inferior a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), o recurso voluntário foi encaminhado a este Conselho de Contribuintes desacompanhado do arrolamento de bens regulamentado pela IN SRF 264, de 20 de dezembro de 2002, editada por força do disposto no artigo 33, § 4°, do 1111 Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Os autos foram distribuídos a este conselheiro em único volume, processado com 62 folhas. É o relatório. 8 Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 VOTO Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Relator Conheço do recurso voluntário, porque tempestivo e desnecessária a garantia de instância: cuida de exigência fiscal de valor inferior a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais). Versa a lide, conforme relatado, acerca da exigência das multas por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo no valor de R$ 57,34 por mês- calendário ou fração de atraso relativas aos três primeiros trimestres de 2001, com a • redução de 50% concedida nos casos de entrega espontânea, e no valor mínimo de R$ 500,00 por infração relativas ao último trimestre do ano citado. A despeito da alegada espontaneidade, entendo incabível, no caso ora examinado, a exclusão da responsabilidade com fundamento no artigo 138 do CTN, porquanto a responsabilidade tributária ali albergada não alcança as obrigações acessórias autônomas. Neste particular, há, inclusive, jurisprudência mansa e pacífica das Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça, conforme nos dá conta a ementa do acórdão referente ao Recurso Especial 208.097 — PR, a saber: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO DA FAZENDA. PROVIMENTO. O voto condutor do acórdão acima referido, da lavra do Ministro Hélio Mosimann, cita precedente da Primeira Turma daquele Tribunal (REsp. 190.388 — GO, acórdão da lavra do Ministro José Delgado, DJ de 22 de março de 1999), cuja ementa tem o seguinte teor: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 9 • Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei ri 2 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido. Deixo aqui consignado que já adotei, quando membro do Segundo Conselho de Contribuintes, em situações semelhantes, a exclusão da responsabilidade com base no artigo 138 do CTN, seguindo antiga jurisprudência daquele colegiado. Contudo, ainda naquela casa, modifiquei meu entendimento após a manifestação do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Por outro lado, nada obstante os julgados paradigmáticos do Superior Tribunal de Justiça tratem de Declaração do Imposto de Renda, os fundamentos de tais decisões têm perfeita aplicação, também, para o caso de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), uma vez que esta é uma • obrigação tributária de igual natureza daquela. Outrossim, o estudo da incidência ou não da penalidade moratória nos adimplementos espontâneos e a destempo das obrigações tributárias acessórias poderia até revelar uma antinomia aparente entre a inteligência do § 30 do artigo 113 e a dicção do artigo 138, ambos do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. • Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Ambos pertencem ao Livro Segundo do CTN, que traça normas gerais de direito tributário, e ao Título II, que cuida das obrigações tributárias. Dito isso, recorro ao critério da especialização para solucionar antinomias aparentes no ordenamento jurídico: a norma específica prevalece sobre a norma geral. • • Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 In casu, entendo preponderante a inteligência do § 3° do artigo 113, que prevê a penalidade pecuniária pelo simples fato da inobservância da obrigação tributária acessória, quando confrontada com a dicção do artigo 138, vinculado à responsabilidade tributária por infrações. Consoante" essa exegese, os dispositivos tratam de assuntos distintos: este exclui a multa de natureza penal (multa de oficio) na denúncia espontânea da infração; aquele prevê a penalidade de caráter moratório (multa de mora) pelo inadimplemento de obrigação acessória, independentemente da atuação da Fazenda Nacional. Relativamente à legalidade da exigência, entendo que o artigo 5°, 1 caput e § 3°, do Decreto-lei 2.124, de 13 de junho de 1984, outorga ao Ministro da Fazenda a competência para "instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal" e impõe aos inadimplentes a "multa de que tratam os parágrafos 2°, 3° e 4°, [sic] do art. 11, [sic] do Decreto-Lei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto- Lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983". A penalidade, portanto, foi instituída por norma com força de lei: o próprio Decreto-lei 2.124, de 1984. Também nenhuma anomalia vislumbro no fundamento de validade da Portaria MF 118, de 28 de junho de 1984, porque desnecessária a expressa outorga de competência para a delegação. O fundamento de validade da portaria ministerial é o Decreto-lei 200, de 25 de fevereiro de 1967, que elege a delegação de competência como um dos princípios fundamentais e instrumento de descentralização das atividades da administração pública federa1 2. A delegação de competência é regra, vedada apenas quando assim expressamente a norma determinar. Além disso, entendo não alcançada pelo artigo 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias de 1988 a delegação outorgada pelo artigo 5° do Decreto-lei 2.124, de 1984, visto que exercida na ordem constitucional anterior. • Por outro lado, a multa citada no artigo 61, § 2°, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é estranha à matéria objeto da lide. Esta é decorrente do adimplemento extemporâneo de obrigação tributária acessória; aquela, de obrigação tributária principal. Sobre a alegada necessidade de um período de adaptação para o início da exigência da então nova obrigação tributária acessória, carece de fundamento jurídico a pretensão da recorrente. Finalmente, não há no ordenamento jurídico subordinação do valor da multa ao porte da empresa. 1 Competência delegada ao Secretário da Receita Federal por intermédio da Portaria MF 118, de 28 de junho de 1984. 2 Decreto-lei 200, de 25 de fevereiro de 1967, artigos 6° e 11., 11 \-M Processo n° : 11080.103796/2004-67 Acórdão n° : 303-32.938 Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2006. i;;•.; TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator • • 12 Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.002351/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 05/01/2004 a 05/04/204
PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE.
Decisão judicial em sede de Medida Cautelar em Ação Rescisória ajuizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional assegurou à autoridade Tributária o direito de proceder ao lançamento com o fim de prevenir a decadência em face da suspensão dos efeitos de decisão judicial anterior que assegurara o direito à compensação de débitos da Recorrente com créditos de terceiros - Crédito-Prêmio de IPI. Nos termos do art. 9°, § 3°, do Decreto n°70.235/1972 - Processo Administrativo Fiscal (PAF) a formalização do auto de infração previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. No âmbito federal, a competência para lavratura de auto de infração é do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil.
PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A instituição do MPF visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil e foi dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida corno instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa a Lei, sujeita a sua atividade a. responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CTN. 0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento.
PROCEDIMENTO FISCAL. MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO RESCISÓRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Nas hipóteses de alienação de coisa ou direito litigioso os efeitos da sentença são extensivos ao adquirente ou cessionário (art. 42, § 3, CPC). Nos casos da espécie, em se tratando de impostos incidentes na importação de mercadorias cujo pagamento tenha sido promovido com créditos adquiridos de terceiros, ainda objeto de apreciação judicial, e que tenham como importador o cessionário desses direitos, é licito que este figure como sujeito passivo da relação tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-000.058
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do Conselheiro Joao Luiz Fregonazzi. Vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Valdete Aparecida Marinheiro. 2) Pelo voto de qualidade, em
rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração por inexistência de MPF, por falta de motivação do lançamento e também de nulidade do lançamento pelo não alcance da decisão
judicial A. recorrente. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, relator, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Helcio Lafetá Reis, para redigir o voto vencedor quanto às preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em razão de, a matéria encontrar-se submetida a tutela judicial.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-21T15:56:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-11-21T15:56:21Z; Last-Modified: 2011-11-21T15:56:22Z; dcterms:modified: 2011-11-21T15:56:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:df2d54ae-264e-4d16-ae55-20e781384e94; Last-Save-Date: 2011-11-21T15:56:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-11-21T15:56:22Z; meta:save-date: 2011-11-21T15:56:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-11-21T15:56:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-11-21T15:56:21Z; created: 2011-11-21T15:56:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2011-11-21T15:56:21Z; pdf:charsPerPage: 2085; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-11-21T15:56:21Z | Conteúdo => S3-CITI H. 997 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12466.002351/2008-22 Recurso n" 144.299 Voluntário Acórdão n° 3101-00.058 — P Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 Matéria IPI Recorrente SAB SP TRADING COMPANY (ANTIGA DENOMINAÇÃO SAB COMPANY COM. INT. S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/01/2004 a 05/04/204 PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. Decisão judicial em sede de Medida Cautelar em Ação Rescisória ajuizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional assegurou à Autoridade Tributária o direito de proceder ao lançamento com o fim de prevenir a decadência em face da suspensão dos efeitos de decisão judicial anterior que assegurara o direito à compensação de débitos da Recorrente com créditos de terceiros - Crédito-Prêmio de IPI. Nos termos do art. 9°, § 3°, do Decreto n° 70.235/1972 - Processo Administrativo Fiscal (PAF) a formalização do auto de infração previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. No âmbito federal, a competência para lavratura de auto de infração é do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A instituição do MPF visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil e foi dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida corno instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa a Lei, sujeita a sua atividade a. responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CTN. 0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lanyamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. PROCEDIMENTO FISCAL. MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO RESCISÓRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. Nas hipóteses de alienação de coisa ou direito litigioso os efeitos da sentença são extensivos ao adquirente ou cessionário (art. 42, § 3, CPC). Nos casos da espécie, em se tratando de impostos incidentes na importação de mercadorias cujo pagamento tenha sido promovido com créditos adquiridos de terceiros, ainda objeto de apreciação judicial, e que tenham como importador o cessionário desses direitos, é licito que este figure como sujeito passivo da relação tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do Conselheiro Joao Luiz Fregonazzi. Vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Valdete Aparecida Marinheiro. 2) Pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração por inexistência de MPF, por falta de motivação do lançamento e também de nulidade do lançamento pelo não alcance da decisão judicial A. recorrente. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, relator, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Helcio Lafetd Reis, para redigir o voto vencedor quanto às preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em razão de, a matéria encontrar-se submetida a tutela judicial. enrique Pinheiro/ ones - Presidente - Luiz Roberto Domingo - Relator Hélcio Lafetd Reis — Redator Designado EDITADO EM: 06/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Jose Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro, Tardsio Campelo Borges, Susy Gomes Hoffmann e Helcio Lafetá. Reis. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ — Florianópolis/SC que manteve o lançamento do imposto de importação e imposto de produtos industrializados, vinculados à importação sob o argumento que o Recorrente deixou de recolher os tributos que 2 Processo n° 12466.002351/2008-22 S3-C IT I Acórdão 11.° 3101-00.058 Fl. 998 incidiram nas operações de importação referente as Declarações de Importação que fez registrar nos meses de abril a julho de 2004, haja vista que fez uso, na condição de cessionária dos créditos-prêmio de IPI que a empresa SAB Trading Comercial Exportadora S/A era detentora. Os fundamentos mencionados pela fiscalização para lavratura do auto de infração são: - a empresa SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A, através dc decisão judicial transitada em julgado em 03 de outubro de 2005, obteve o direito a utilização dos créditos - prêmio de IPI para compensação com débito de terceiros; - sendo SAB COMPANY COMERCIO INTERNACIONAL S/A cessionária destes créditos, registrou diversas declarações de importação (DI) efetuando a compensação dos débitos resultantes destas DI's com créditos da empresa SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A; a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu a Nota 91 de 06/06/05, na qual informa que a SAB TRADING somente poderia realizar a compensação de seus créditos com débitos de terceiros até a edição da IN/SRF n. 41/00 que vedou essa possibilidade, e que não há que se admitir a compensação do crédito-prêmio de IPI antes do trânsito em julgado da ação em questão; o Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Vitoria — ES, determinou a lavratura do competente auto de infração visando prevenir a decadência dos créditos de II e 1PI; - a Unido Federal, por meio de Medida Cautelar em Ação Rescisória, obteve a suspensão da execução da sentença que garantia à SAB TRADING, o direito de utilização dos créditos Prêmio de IPI; - -por meio do Oficio PRFN 115/2005 foi comunicado o deferimento de liminar em favor da Fazenda Nacional em ação cautelar, tendo como resultado a suspensão dos efeitos da decisão proferida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro; - a contribuinte apresentou diversas copias de decisões judiciais, mostrando que as decisões desautorizavam a Fazenda Nacional a encaminhar para cobrança e aplicar multa por falta de pagamento nos autos de infração lavrados contra a SAB COMPANY, na condição de cessionária da SAB TRADING, tendo por referência o MS n. 990016658-2, uma vez que a medida liminar concedida nos autos da Medida Cautelar n. 2005.02.01.014472-3. dita preparatória para a ação rescisória, não teria autorizado a Fazenda Nacional a constituir ou desconstituir os pedidos de ressarcimento e de compensação apresentados; em razão destes documentos, o processo foi encaminhado ao SEORT para questionamento das decisões apresentadas pela contribuinte, sendo que em 23/10/06 o Inspetor da Alfândega encaminhou para a equipe de revisão aduaneira, o memorando n. 096/2006/ALF/VIT/Gabinete, onde determina que os autos deverão ser lavrados com tributos e multa de oficio em razão do não recolhimento dos tributos; Cientificado do lançamento em 18/07/2008, o Recorrente apresentou impugnação em 18/08/2008 (fls. 748/788), a qual lhe foi negado provimento, conforme a ementa abaixo transcrito: "ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/01/2004 a 05/04/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento ex-officio, ao formalizar o crédito tributário, materializa a pretensão da Administração Pública, permitindo contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, mediante apresentação de impugnação, sendo completamente infundadas as argiiições relativas a ofensa dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. É defeso em sede de impugnação administrativa a apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, normas ou atos, bem como a afronta a princípios constitucionais, na medida que estas matérias estão no escopo e somente podem ser deferidas pelo Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 05/01/2004 a 05/04/2004 II/IPI. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A utilização, mediante compensação dos débitos fiscais cujos créditos a cedente ainda discute na Justiça o direito ao seu usufruto, não preenchem os requisitos certeza e liquidez, não sendo hábeis, portanto, para extinguir o crédito tributário apurado pelo sujeito passivo. AÇÕES JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA ESFERA ADMINISTRATIVA NA PARTE QUE NÃO /Li IDENTIDADE DE OBJETO. As matérias em que não há identidade de objeto, não submetidas, portanto, ao Poder Judiciário, devem ser apreciadas na esfera administrativa, não ocorrendo, na espécie, desrespeito ao principio da unicidade jurisdicional adotado pelo sistema jurídico-brasileiro. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. Não consta nos autos decisão judicial em favor do contribuinte autuado que o condão de obstaculizar o ato do lançamento realizado pelo Fisco Federal no sentido de prevenir a decadência dos respectivos créditos tributários. Lançamento Procedente" Inconformado com a decisão do órgão julgador de primeira instância, da qual tomou conhecimento em 01/12/2008, interpôs o Recorrente Recurso Voluntário, em 3( 4 Processo n° 12466.002351/2008-22 S3-C1T1 Acórdão n°3101-00.058 Fl. 999 12/12/2008 (fls. 945/970), reiterando suas alegações apresentadas em impugnação, frisando que: a) a inexistência de concomitância de matérias, objeto ou causa de pedir entre o processo administrativo e o judicial, para a apreciação do recurso pelo E. Conselho de Contribuintes; b) a autoridade autuante é incompetente em face do §4°, do artigo 15, da IN SRF n° 21/2007 que indica como autoridade competente a da jurisdição do titular do crédito; c) o auto de infração é nulo em razão da falta de mandado de procedimento fiscal — MPF; d) devido a falta de inclusão e citação no pólo passivo da ação rescisória e na medida cautelar, não pode a Recorrente ser atingida pelas decisões proferidas nos processos, em respeito ao artigo 156, X, do CTN; e) os autos de infração são improcedentes por descrever como fato ensejador da autuação fatos que não correspondem à realidade, ou seja, um fato que não foi praticado pela Recorrente; f) embora a DRJ tenha reconhecido que o presente procedimento administrativo deverá ser vinculado ao desfecho do processo judicial n° 2006.02.01.000416-4, em substituição ao processo administrativo n° 12466.002362/2000-20 que constou nos autos de infração, notadamente às fls. 926-v, a Recorrente requer por questões de segurança jurídica, que tal vinculação seja determinada expressamente. Em resposta ao Recurso Voluntário interposto, a D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contra-razões de fls. 981/996, alegando em síntese que: a) diante das peculiaridades do processo em questão, não há como defender a inexistência de concomitância entre o processo judicial e administrativo, já que vigora no Brasil o sistema de jurisdição única; b) não há que se falar na incompetência da autoridade autuante, visto que a IN SRF n°41/2000 revogou o artigo 15 da IN 21/97; c) a ausência de MPF não gera nulidade, tendo em vista que o MPF se configura como mero ato de controle administrativo interno, incapaz de interferir na validade da autuação, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos artigos 59 e 60, do Decreto n° 70.235/72; d) trata-se de matéria preclusa disposta no artigo 17 do Decreto 70.235/72, as alegações da Recorrente referente as alegações de que os efeitos da liminar proferida em ação cautelar não a alcança, visto que a matéria não foi arguida em impugnação; e) está correta a descrição do fato no Auto de Infração, pois a Recorrente não recolheu os tributos, já que pretendeu extinguir o credito tributário por meio de modalidade de compensação que além de ser ilegal, pois proibido pela lei, encontrava-se em discussão / judicial; f) a decisão do Conselho de Contribuintes não pode ser condicionada ao resultado de um outro processo, visto que a atividade judicante não pode expressar-se de forma condicionada a fato futuro, sob pena de não solucionar a lide proposta. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ — Florianópolis/SC que manteve o lançamento do imposto de importação e imposto de produtos industrializados, vinculados à importação sob o argumento que o Recorrente deixou de recolher os tributos que incidiram nas operações de importação referente as Declarações de Importação que fez registrar nos meses de abril a julho de 2004, haja vista que fez uso, na condição de cessionária dos créditos-prêmio de IPI que a empresa SAB Trading Comercial Exportadora S/A era detentora. A matéria recursal acerca do MPF e as discussões travadas nesta Camara foram um incentivo para apresentação desta declaração de voto. Assim, passo a tratar da matéria preliminar. A luz do art. 142 do CTN o lançamento é ato vinculado e obrigatório, ou seja, a fiscalização está obrigada a realizar o ato administrativo de lançamento segundo as normas de incidência tributária e segundo as normas de competência. Não pode a fiscalização exceder ou agir em desconformidade com as normas editadas pelo Poder Legislativo ou pelo próprio Poder Executivo, disciplinando a atuação do serviço público. Senão Vejamos. A Lei n° 8.112, que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da Unido, dispõe em seu art. 116 o seguinte: "Art. 116. São deveres do servidor: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - ser leal as instituições a que servir; III - observar as normas legais e regulamentares; IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;... " A preexistência e renovação continua do MPF no procedimento fiscalizatório e a manutenção de sua exigência para validar o ato administrativo de lançamento 6, em verdade, norma que cumpre os designios legais do ato vinculado e, também, constitui ordem, emanada por superior hierárquico que não pode ser desrespeitada pelo servidor. Vejamos a natureza jurídica do MPF. Inicialmente é de suma importância lembrar que o MPF não surgiu aleatoriamente. 0 artigo 2° do Decreto 3724/01 assim dispunha sobre o Mandado de Procedimento Fiscal, in verbis: 6 Processo n° 12466.002351/2008-22 Acórdão n.° 3101-00.058 Art. 2° A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, ,somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscaliza cão em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. § 1° Entende-se por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7 0 e seguintes do Decreto No 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. § 2° 0 procedimento de fiscalização somente terá inicio por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos §§ 3' e 4 0 deste artigo. § 3° Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que a retardação do inicio do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o Auditor-Fiscal da Receita Federal deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. § 0 MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I - realizado no curso do despacho aduaneiro; - inferno, de revisão aduaneira; Ill - de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em opera cão ostensiva; IV - relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). § 5o Para fins deste artigo, o MPF deverá observar o que se segue: I - a autoridade fiscal competente para expedir o MPF será ocupante do cargo de Coordenador-Geral, Superintendente, Delegado ou Inspetor, integrante da estrutura de cargos e funções da Secretaria da Receita Federal; - conterá, no mínimo, as seguintes informações: a) a denominação do tributo ou da contribuição objeto do procedimento de fiscalização a ser executado, bem assim o período de apuração correspondente; S3-CITI 11. 1000 7 b) prazo para a realização do procedimento de fiscalização, prorrogável a juizo da autoridade que expediu o MPF; c) nome e matricula dos Auditores-Fiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; d) nome, número do telefone e endereço funcional do chefe iniedicito dos Auditores-Fiscais da Receita Federal, a que se refere a alínea anterior; e) nome, matricula e assinatura da autoridade que expediu o MPF; J) código de acesso a Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento de fiscalização, identificar o MPF. § 6o Não se aplica o exame de que trata o caput ao procedimento de fiscalização referido no inciso IV do sr 4o deste artigo. A legislação que trata da matéria está fundada no Decreto 3.724/2001 alterado pelo Decreto 6.104/2007, nos seguintes termos: "Artigo 2°.... Parágrafo 2°. 0 procedimento de fiscalização somente terá inicio por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos parágrafos 3°. e 4°. deste artigo. Parágrafo 4°. 0 MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização. I — realizado no curso do despacho aduaneiro; II — interno, de revisão aduaneira. III — de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV — relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Referido Decreto foi alterado pelo Decreto 6.104/2007 e a redação dos artigos ficou da seguinte maneira: Art.2 Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores- Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão inicio por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). § l'Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação Processo n° 12466.002351/2008-22 83-CITI Acórdão n.° 3101-00.058 H. 1001 tributária, ent que o retardamento do inicio do procedimento fiscal coloque em t risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de inicio, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). P'Entende-se por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7' e seguintes do Decreto n" 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). §3 2 0 MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (Redação dada pelo Decreto 1106.104, de 2007). 1-realizado no curso do despacho aduaneiro; II-interno, de revisão aduaneira; 111-de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado en, operação ostensiva; 1V-relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). §4'0 Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações eni que seja necessário o inicio do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). §5"A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização ent curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). §6"A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). A Instrução Normativa da SIZF n°. 3007/01 assim dispõe acerca da necessidade de ser emitido Mandado de Procedimento Fiscal: "Art. 2 0. Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal (AFRF) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização ser emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF- F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D). Art. 3 0. Para os fins desta Portaria, entende-se por procedimento fiscal: I - de fiscalização, as ações que objetivam a verificacão do cumprimento das obrigações Tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem assim da correta aplicação da legislação do Comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário ou apreensão de mercadorias; II - de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração Tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Art. 70. O MPF-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: I - a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; II - os dados identificadores do sujeito passivo; Ill - a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV - o prazo para a realização do procedimento fiscal; V - o nome e a matricula do AFRF responsável pela execução do mandado; VI - o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior,. VII - o nome, a matricula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso a Internet que permitir ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. § I°. 0 MPF-F e o MPF-E indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos, observados os modelos constantes dos Anexos I e III. ,sç' 2°. Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPF-F alcançar o exame dos livros e 1 0 Mandado de Procedimento Fiscal e Espontaneidade. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 80: p. maio/2002, p. 104 Fl Processo n° 12466.002351/2008-22 S3-CITI Acórdão n.° 3101-00.058 II. 1002 documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. ,¢ 3°. 0 MPF-D indicar , ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo constante do Anexo II. 5S' 40 0 MPF-E indicar a data do inicio do procedimento fiscal, observado o modelo constante do Anexo III. Sobre a indispensabilidade do MPF para validade dos atos praticados no curso da ação fiscal, eis os comentários, com extremo rigor técnico, dos eminentes doutrinadores Roque Antonio Carrazza e Eduardo D. Bottallo: (...) o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tem a natureza jurídica de ato administrativo, implicando 'ordem especifica' para instauração, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, dos 'procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. A partir da criação da figura do MPF, em suas várias modalidades, o agir fazendário, na esfera federal, sofreu expressiva limitação, já que este documento tornou-se juridicamente imprescindível et validade dos 'procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF'. Vai dal que procedimentos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, que sejam instaurados a descoberto de competente MPF, são inválidos e, nesta medida, tisnam de irremediável nulidade as providências fiscais eventualmente adotadas contra os contribuintes. (..) não existe afigura da `transformação' do MPF. As portarias que regulam a matéria, restringindo o agir da Administração Fazenddria Federal, não prevêem a hipótese. Noutros falares, inexiste fungibilidade entre estas espécies de MPFs, servindo cada qual aos seus respectivos propósitos. Vai dai que, estando prestes a fluir o prazo de validade, quer do MPF-D, quer do MPF-F, sempre será necessária, para que continuem a irradiar efeitos, a edição de um MPF-C (mandado complementar), do qual o contribuinte deverá tomar oficial conhecimento, antes de vencido tal prazo..." Vale ressaltar que a legislação em comento, conforme os doutrinadores, na medida em que estabelece o procedimento da fiscalização, a cargo dos Auditores Fiscais, cria direito subjetivo em favor do contribuinte, que nenhum interesse arrecadatório, por mais relevante que pareça, pode atropelar. Nesse diapasão o festejado Hugo de Brito Machado leciona: A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o inicio do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para conclusão daqueles (CTN, art. 196)... (..) 0 auto de infração lavrado depois de esgotado o prazo 2 fixado para conclusão das diligências é nulo. Esse é o entendimento da 23. Turma da DRJ-Brasilia/DF, Acórdão n° 1.574. de 29/04/2002, considerou nulo lançamento com vícios nas prorrogações dos MPF, verbis: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE MPF COMPLEMENTAR PARA PRORROGAÇÃO DO PRAZO DA AUDITORIA — Consoante artigo 7 °. da Portaria MF 258 de 2001, o julgador administrativo deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Não tendo sido provada a emissão tempestiva do MPF-Complementar para prorrogar o prazo da ação fiscal, bem assim sua ciência ao contribuinte, reputa-se extinto o MPF, cuja conseqüência é a nulidade do auto de infração, haja vista que o AFRF que deu continuidade aos trabalhos de fiscalização e efetuou o lançamento estava desamparado da competente autorização. Lançamento Nulo." Na mesma linha cite-se os Acórdãos n's. 1.575 e 1.576, de 29/04/2002, e 2.933 e 2.934, de 20/09/02, todos de lavra da mesma turma da DRJ/Brasilia, e Acórdão n° 247. de 13/12/01 da DRJ Florianópolis (SC), Acórdão no 850, de 27/03/2002, Curitiba (PR) e Acórdão n°. 781, de 21 de fevereiro de 2002, Fortaleza (CE). Reafirmando tal entendimento, o 1 ° Conselho de Contribuintes assim também tem decidido, conforme demonstra ementas dos Acórdãos abaixo transcritas: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — ATO PRATICADO FORA DO PRAZO DE VALIDADE — NULIDADE OCORRIDA — Os prazos fixados na legislação processual administrativa e do imposto de renda são peremptórios. Por conseguinte, é nulo o auto de infração lavrado quando expirado o prazo de execução constante de mandado de procedimento fiscal. (Acórdão n°102-45546) PRELIMINAR - NULIDADE DO LANÇAMENTO - 0 Mandado de Procedimento Fiscal é um documento que atribui a competência especifica de fiscalização sobre determinada pessoa jurídica em nome da Secretaria da Receita Federal (.). A prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal deve ser feita antes de ter se escoado o seu prazo de validade, sendo que a ciência do contribuinte pode ser dada posteriormente, sem coin isto causar a nulidade do lançamento. Acórdão n° 106-12653. ----- Z-1-4-1---- '` Curso /4 de Direito Tributário, 19. ed., So Paulo: Malheiros, 2001 12 Processo 12466.002351 12008-22 S3-C IT1 Acórdão ri.° 3101-00.058 l'1. 1003 Deve lembrar-se que o ato administrativo é uma espécie do gênero ato jurídico, tanto é que ambos possuem os mesmos elementos. 0 ato jurídico, para sua validade, exige agente capaz, objeto licito e forma prescrita ou não defesa em lei (art. 82 do CC). 0 ato administrativo não é diferente, ele tem o agente, que no Direito Público denomina-se de competência, a forma e o objeto. Só que, como o ato administrativo é espécie, ele tem certas peculiaridades, e estas particularidades dão ao ato mais dois elementos próprios, são eles: motivo e finalidade. Dos cinco elementos acima citados, que constituem o ato administrativo, temos variação quanto a ser ou não vinculados em dois deles somente, quais sejam: motivo e objeto, estes podem ser tanto vinculados quanto discricionários. A competência, a forma e a finalidade são sempre vinculados, conforme se pronunciou Seabra Fagundes: "A competência discricionária não se exerce acima ou além da lei, senão, como toda e qualquer atividade executória, com sujeição a ela. 0 que a distingue da competência vinculada é a maior mobilidade que a lei enseja ao executor no exercicio, e não na liberação da lei. Enquanto ao praticar o ato administrativo vinculado a autoridade está presa à lei em todos os seus elementos (competência, motivo, objeto, finalidade e forma), no praticar o ato discricionário é livre (dentro de opções que a própria lei prevê) — quanto el escolha dos motivos (oportunidade e conveniência) e do objeto ('conteúdo,). Entre praticar o ato ou dele se abster, entre praticá-lo com este ou aquele conteúdo (por exemplo: advertir apenas ou proibir), ela discricionária. Porém, no que concerne a competência, finalidade e à forma, o ato discricionário está tôo sujeito aos textos legais como qualquer outro." (TJRN — RDA 14/52). Considerando todo o acima exposto, o que ocorreu, no caso presente, foi o preterimento de formalidade prescrita na norma legal, o que, conseqüentemente, tornou incompetente o agente e, por conseguinte, inquinou de nulidade o feito fiscal. Não havendo a possibilidade de discricionariedade com relação à matéria, uma vez que o ato administrativo vinculado, o ato praticado fora dos ditames legais e regulamentares é inválido, pois o mesmo prescindiu certos requisitos que formam a competência legal de quem o praticou e a forma prescrita em lei. De acordo com o CTN, art. 96: "A expressão legislação tributária' compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes". Ora, no rol das normas disciplinadora do procedimento administrativo tendente a constituição do crédito tributário, encontra-se o Decreto e Portaria, motivo pelo qual não se pode conceber a constituição de crédito tributário em total desacordo com a Portaria n° 1.265/99, bem assim com o Decreto n° 3.724/2001. Alias, o referido Decreto impõe que nenhum procedimento de fiscalização terá inicio sem previa emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (art. 2 ° ,§2° .): Assim, se o Mandado de Procedimento Fiscal é peça inaugural da ação fiscalizadora, seu desatendimento, seja quanto à emissão, seja quanto aos prazos previstos, constitui motivo para nulidade do ato administrativo do lançamento, vez que este ato figura dentre aqueles que exigem para sua prática a realização de várias formalidades imposta pela legislação tributária. A norma administrativa, Portaria, não é um conselho para a administração, mas norma cogente e de obrigatório cumprimento por parte da administração. Ademais, o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes dispõe em seu art. 1 0, parágrafo único , dispõe: Art. I° 0 Primeiro, o Segundo e o Terceiro Conselhos de Contribuintes, órgãos colegiados judicantes integrantes da estrutura do Ministério da Fazenda têm por finalidade julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas suas competências e dentro dos limites de sua alçada. Parágrafo único. Os Conselhos de Contribuintes observarão os tratados, acordos internacionais, leis e decretos. Ora, se os Conselhos, que são órgãos judicantes obrigados a julgar de acordo com a Lei e o Direito (Lei 9.784/99) estariam submetidos à disposições veiculados por Decretos, com muito mais razão o agente público não poderia afastar a norma expressa sob pena da ilegalidade. E nem se diga que no âmbito da revisão aduaneira não há obrigatoriedade da emissão do MPF, pois a lei determina, sempre, um instrumento de legitimação da competência de fiscalizar. Tal entendimento é ratificado pela própria descrição do ato administrativo de lançamento que nenhuma menção faz ao fato gerador do Imposto de Importação e do IPI- vinculado, não questiona base de calculo, aliquota, sujeição passiva, ou quaisquer critérios informados pela Recorrente em suas Declarações de Importação. Não havendo qualquer razão ou fundamento para que a decisão recorrida refira-se ao lançamento como sendo de "revisão aduaneira". Quanto ás alegações da Recorrente que a autoridade autuante é incompetente em face do §4°, do artigo 15, da IN SRF n° 21/97 que indica como autoridade competente a da jurisdição do titular do crédito, entendo que tem razão a D. Procuradoria da Fazenda, visto que o dispositivo trazido pelo Recorrente foi expressamente revogado pela IN SRF no 41/2000. Em verdade, lançamento tributário se refere à conclusão de procedimento fiscal instaurado com base em interpretação de decisão judicial que suspendeu as compensações com créditos de terceiros (crédito-prêmio de IPI). Tal interpretação levou a autoridade fiscal a, de forma indireta, anular ato homologatório de compensação, o que nos leva a concluir que o procedimento fiscal refere-se à "processo de compensação", ou seja, não trata de revisão aduaneira, pois nenhum dos procedimentos levados a efeito nas importações foi objeto de fiscalização, mas sim decorre da ação fiscal sobre processos de compensação que nada mais são que forma de pagamento para extinção do crédito tributário. Desta forma, entendo que os limites instituidos pela legislação de regência, não autoriza à fiscalização inicial procedimento fiscalizatório tendente a anular ato homologatório de compensação, sem que lavre o competente mandado de procedimento fiscal, sendo sem qualquer propósito a alegação de trata de "revisão aduaneira", motivo pelo qual ACOLHO A PRELIMINAR DE NULIDADE PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. 14 Processo II' 12466.002351/2008-22 S3-CIT1 AcOrao n.° 3101-00.058 IT 1004 Ainda, se superada a nulidade pela ausência do MPF, cumpre veri fi car a existência das nulidades argUidas pela ora Recorrente no tocante A. falta de motivação do auto de infração. Alega a Recorrente que a motivação constante dos autos de infração está totalmente dissociada da realidade atica, tendo em vista que o auto de infração não foi lavrado para prevenir a decadência, como aduz a Fazenda Nacional. Com a finalidade de esclarecer os argumentos aduzidos, faz-se necessária a análise da motivação dos autos, bem como dos efeitos da Medida Cautelar, preparatória da Ação Rescisória, proposta pela Unido Federal. A Medida Cautelar Inominada n°. 2005.02.01.014472-3, preparatória da ação rescisória, foi proposta pela União Federal em face de Sab Trading Comercial Exportadora S/A, com o objetivo de obter provimento cautelar, inclusive liminar, que suspendesse a execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n°. 2001.02.01.047030-0. Foi proferida decisão concedendo a liminar, determinando-se a suspensão dos efeitos e da consequente execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança, nos seguintes termos: "Posto isso, concedo a liminar "inaudita ahera partes", determinando a suspenseio dos efeitos e da conseqüente execução do v.Acórdelo proferido na Apelação em Mandado de Segurança n°. 2001.02.01.047030-0, pela egrégia Segunda Turma (antiga) deste Tribunal Regional Federal da 2" Região, até a decisão definitiva da lide na ação rescisória, a ser proposta no prazo do artigo 806 do Código de Processo Civil, como consta do pedido liminar formulado pela Fazenda Nacional." A Sab Trading Comercial Exportadora S/A apresentou Agravo de Instrumento Interno, eis que a Fazenda Nacional estava desconstituindo os pedidos de compensação realizados pela empresa Sab Company. Em decisão, o Desembargador Relator do Agravo, assim dispôs sobre os efeitos da liminar concedida, in verbis: "Posto isso, na forma do artigo 242 do Regimento Interno deste Tribunal, reconsidero a decisão de fls. 2055/2058, determinando que seja oficiado a Procuradoria da Fazenda Nacional e a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, para que cumpram a decisão liminar nos termos em que deferida, isto é, sem que seja levado a efeito a desconstituiçdo dos pedidos de ressarcimento e compensacões tributárias realizadas pela agravante, uma vez que apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar, donde se conclui a possibilidade da realização dos atos tendentes a prevenir a eventualidade do direito e ao aperfeiçoamento dos créditos tributários respectivos ou ei sua subsistência, como no caso dos lançamentos". (grifado) 15 1 — Quanto aos pedidos de ressarcimento e compensação já homologados anteriormente a decisão liminar proferida nesta ação cautelar, em razão da existência de coisa julgada assegurando o aproveitamento desses créditos, e considerando que a decisão proferida nestes autos não têm o condão de atingir o acórdão transitado em julgado; o alcance desta decisão restringe-se à suspensão dos efeitos da homologação, permitindo que se proceda ao lançamento dos créditos tributários já aproveitados, porém, com a sua exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal (rescisória). Ora, pela análise da decisão acima transcrita, observa-se que a liminar da Medida Cautelar Inominada (2005.02.01.014472-3) teve tão-somente o condão de afastar a execução do v. acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança. Importante ressaltar, que foi concedida a segurança pleiteada pela Sab Trading Comercial e Exportadora para garantir seu direito A. utilização dos créditos provenientes de estímulos fiscais relativos ao IPI incidente sobre a venda de produtos industrializados para o exterior, admitindo-se, assim, as formas de restituição, ressarcimento, compensação entre tributos, contribuições de diferentes espécies e compensação com débito de terceiro. Assim, a empresa Sab Trading Comercial e Exportadora estaria autorizada a aproveitar créditos provenientes de estímulos fiscais para compensar com débitos de terceiros. Ocorre que em razão da citada Medida Cautelar, a empresa Sab Tradimy, Comercial e Exportadora estaria impedida de aproveitar créditos provenientes de estímulos fi scais para compensar com débitos de terceiros e quanto àquelas compensações já realizadas a Unido deveria promover "atos tendentes a prevenir a eventualidade do direito". Ocorre que independentemente da liminar concedida na Medida Cautelar, e, ainda, sem entrar no mérito desta questão especifica — os efeitos da Medida Cautelar — a fiscalização procedeu A lavratura do auto de infração, para cobrança de II e IPI, da Sab Company Comércio Internacional, que foi realizada em 27/11/06, fundamentando sua motivação nos seguintes termos (fls. 04): "Face ao exposto, os créditos tributários objetos das compensações de débitos utilizadas pela Sob Company Comércio Internacional S/A, referentes as declarações de importação registradas pela mesma, utilizando os créditos da empresa Sob Trading Comercial Exportadora S/A, com base nas ações impetradas pela última no Rio de Janeiro e Selo Paulo, devem ser constituídos mediante lançamento de oficio, prevendo juros, multa de oficio pelo não pagamento e serem objeto de cobrança administrativa". (grifado) Ora, as compensações perpetradas pela Recorrente foram homologadas pela autoridade competente e só poderiam ser desconstituidas por ordem judicial e especifica para tal. Observe-se que tais compensações fundaram-se em sentença judicial transitada em julgado que gerou direito para a Recorrente, direito este somente passível de alteração por ordem judicial. Entretanto, o auto de infração - veiculo do lançamento tributário - não foi motivado por ordem judicial e sim pela constituição pura e simples dos créditos tributários que já tinham sido extintos pela homologação da compensação. Assim, não procede a alegação da Fazenda Nacional no sentido de que o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência, conforme se depreende da leitura do texto acima transcrito. It 16 Processo IV 12466.002351/2008-22 S3-C IT I Acórdão n.° 3101-00.058 Fl. 1005 Curioso notar que nos autos da Execução Fiscal n° 2007.50.01.003145-7, em trâmiteperante a 3' Vara Federal de Execução Fiscal de Vitória-ES, a Procuradoria da Fazenda Nacional, ainda que contraditoriamente, expõe: "... a suspensão da exigibilidade, atribuida aos efeitos da decisão proferida no processo 2005.02.01.014472-3, medida cautelar inominada proposta para garantia dos efeitos da ação rescisória n° 2006.02.01.000416-4, C0171 julgamento favorável a União, somente vincula as partes e a requerente não é parte na ação cautelar." "Assim, a excipiente não pode valer-se da decisão judicial para suspender as inscrições, controladas por este processo, vez que se trata de pessoa jurídica diversa de SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A." Ora, se a Recorrente, conforme reconhecido pela Fazenda Nacional não é parte do processo, a decisão judicial não pode afetar-lhe nem para a suspensão da exigibilidade nem para a realização do próprio lançamento tributário. Ou seja, não pode a decisão judicial alcançar terceiros nem em favor do Fisco nem contra o Fisco, ou se afetar, dever ser integralmente. Assim, o que percebo é que há indiscutível pessoalidade a influenciar a ação fiscal e a postura do Fisco no caso em pauta, pois considera apenas normas e decisões judiciais que vem em desfavor da Recorrente, o que denota a ausência de isenção por parte do Fisco, bem como a ação nitidamente contrária ao interesse público, pois ilegal. Dessa forma, não resta outra alternativa a não ser a nulidade do auto de infração em virtude da falta de motivação do ato administrativo de forma lógica e coerente com o direito aplicável. Nos termos da Lei n°. 9.784/99, art. 2°, um dos princípios a que se obriga a Administração Pública é o da motivação, cujo detalhamento encontra-se no diploma legal nos seguintes dispositivos: "Art. 2°. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros os critérios de: VII — indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII — observância das formalidades essenciais a garantia cios direitos dos administrados. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I — neguem, limitem ou afetem direitos ou interesse; — imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções". E ainda, o Decreto n°. 70.235/72, o qual rege o processo administrativo, dispõe sobre a obrigatoriedade da descrição dos fatos e fundamentos legais que motivaram a lavratura do auto de infração, in verbis: "Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (-.) III — a descrição do fato; IV — a disposição legal infringida". Sobre a importância da motivação, Paulo de Barros Carvalho 3 ensina em sua obra que: "0 motivo está atrelado aos fundamentos que ensejaram a celebração do ato. Pode vir expresso em lei ou ficar a critério do administrador. Tratar-se-6, então, de ato vinculado ou discricionário, segundo a hipótese. No prime fro caso, terá o agente que houver de exará-lo de justificar a existência do motivo, sem que o ato será inválido ou, pelo menos, invalidável por ausência de motivação. Deixado ao talante do agente, no entanto, poderá ele expedi-lo sem motivação expressa, mas, caso venha a mencioná-la, ficará jungido aos motivos aduzidos". Portanto, o lançamento, como ato administrativo vinculado e obrigatório, é de competência privativa da autoridade administrativa regularmente constituída, devendo esta vincular o fato material da irregularidade fiscal levada a efeito pelo contribuinte, com a norma legal disciplinadora. Como dito anteriormente, o autoridade fiscal não lavrou o lançamento para evitar a decadência, mas sim para cobrar o crédito tributário, que ela julgou existente, em face da suspensão da execução do v.acórdão do Mandado de Segurança. Assim, é patente que a motivação do auto de infração levado a efeito pela autoridade administrativa não condiz com a realidade fática apresentada nos autos o que traz nulidade absoluta ao presente processo. Portanto, o lançamento não foi motivado para prevenir a decadência com base na liminar obtida pela Fazenda Nacional tanto que a DRJ em seu acórdão de fls. 2049 e seguintes buscou "salvar" o lançamento como se nota por alguns trechos da referida decisão: "Resumindo, não existe nenhuma previsão legal para "lançamento judicial", nem legislação no sentido de que a discussão judicial substitui o lançamento, ou interrompa a decadência, pelo contrário, ocorreram muitos casos eni que quando a decisão judicial transitou em julgado a favor da Fazenda Nacional o crédito tributário já estava decaído por falta de lançamento (ato administrativo privativo do Auditor Fiscal), dai a orientação interna da SERF no sentido de que a Carvalho, Paulo de Barros; Curso de Direito Tributário, Editora Saraiva, 17a edição; 2005. 18 Processo n° 12466.002351/2008-22 S3-C I T1 Acórdão n°3101-00.058 II. 1006 autoridade fiscal sempre efetue o lançamento preventivo da decadência quando o contribuinte toma a iniciativa de discutir o crédito tributário na Justiça. Nenhuma violação el lei, ou ao Poder Judiciário ocorreu no caso porque, como já vimos, a constituição do crédito tributário pelo lançamento isoladamente, não é definitiva, ou seja, não se pode extrair dele o titulo executivo extrajudicial (art. 585, VI do CPC c/c art. 2°., parágrafo 30 ., da Lei no. 6830/1.980) E bent verdade, que o caso em tela não se trata, exatamente, de constituição de crédito tributário para prevenir a decadência contra exigência suspensa por inundado de segurança. Trata-se de constituição de crédito tributário compensado-eventual que passará a existir se ocorrer a condição resolutória representada pela ação rescisória, ou seja, se a Unido vencer aquela ação rescindindo o Acórdão sobre o Mandado de Segurança que autorizou a compensação dos débitos da peticionaria com créditos de terceiros. As providências a serem tomadas, entretanto, são análogas. O presente lançamento é possível e necessário, conforme visto, pois de nada adiantaria a Unido veneer nu ação rescisória se a possibilidade de se exigir o crédito tributário já não existir, devido à ocorrência da decadência, por falta de sua constituição. Quanto as multas de lançamento de oficio elas estão lançadas corretamente, pois como já vimos se a Unido vencer a rescisória a situação equivalerá aos casos em que as importações são realizadas sem o devido pagamento dos tributos, devido ao fato que em tal situação (compensações anuladas) deixaria de existir qualquer pagamento ou garantia relativamente aos tributos em questão. Entretanto, há que se reconhecer que qualquer tipo de cobrança deve ser suspensa até o julgamento final da rescisória, quando terão seguimento caso a Unido vença, ou o processo deverá ser arquivado, caso a União sucumba. Isso, entretanto, não invalida a presente constituição do crédito tributário que o Poder Judiciário, em decorrência, decidirá se será definitiva ou não quando encerrar o julgamento da ação rescisória." Assim, entendo que a motivação do lançamento não tern lastro no suporte fático bastante e suficiente para sua manutenção, sendo que, me parece evidente, que a DIU, por meio dos argumentos do acórdão recorrido, buscou ajustar a forma ao fato, o que, por si só, no tornar legal o lançamento. Essa intervenção da decisão da DRJ no fundamento do lançamento, inclusive, alterou o critério jurídico do ato administrativo de lançamento, o que implica cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Ora, como visto, o lançamento foi lavrado com base na falta de pagamento, sem amparo da liminar obtida pela Fazenda Nacional na Medida Cautelar Inominada preparatória de Ação Rescisória; assim, não há que cogitar-se sua lavratura com o fim de prevenir decadência ou para constituir crédito tributário compensado-eventual (sic) como indicou a DRJ. Assim, como A época dos fatos, havia decisão judicial transitada em julgado que autorizava as compensações, voto pela nulidade do lançamento. Outra questão exsurge dessa intrincada e malfadada interpretação que a fiscalização e a DRJ fizeram das compensações dos efeitos da liminar concedida na Medida Cautelar Inominada que antecedeu A. Ação Rescisória, qual seja a de que a Recorrente não é parte do processo judicial, ou seja, nem a Medida Cautelar nem a Ação Rescisória podem propagar seus efeitos a Sab Company Comércio Internacional, uma vez que apenas a Sab Trading Comercial Exportadora S/A é parte naqueles autos. certo que liminar concedida em Medida Cautelar suspendeu a execução da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança, o que significar dizer que a empresa Sab Trading estaria impedida de utilizar créditos de IPI para efetuar compensações com débitos de terceiros (Sab Company). Contudo, não poderia a Fazenda Nacional estender os efeitos da liminar para desconsiderar as compensações já realizadas por uma terceira pessoa, que não é parte diretamente envolvida na Ação Rescisória. A Sab Trading obteve a segurança pretendida para efetuar compensação com créditos de IPI com débitos de terceiros. A compensação foi realizada pela Sab Company, na condição de cessionária, em face do direito reconhecido em sentença transitada em julgado em 03/10/2005. Assim a origem e liquidez dos créditos cedidos foram verificadas e atestadas pela Divisão de Fiscalização I, da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, nos autos do pedido de ressarcimento consubstanciado no processo administrativo n'. 10768.006930/2001-48. Os créditos foram auditados pela SRF e todas as compensações foram devidamente homologadas. Portanto, os débitos ora cobrados no auto de infração, encontram-se devidamente extintos, em virtude da existência de coisa julgada do mandado de segurança que sobreveio assegurando o aproveitamento desses créditos nas compensações realizadas. De modo que não poderia a autoridade fiscal desconsiderar as compensações realizadas, ainda mais no presente caso, eis que as compensações foram efetuadas por terceiro, e não pela empresa-ré da Ação Rescisória. Neste sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça proferida no AgRg da MC 12830/DF, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MEDIDA CAUTELAR. I. Medida cautelar incidental, distribuída por dependência Ação Rescisória n°. 3690/DF, corn pedido de liminar, objetivando manter os exatos termos da antecipação de tutela concedida na referida rescisória. 2. A suspensão do processo é o fenômeno processual consistente na paralisação da marcha processual com a estagnação da prática de atos necessários à prestação jurisdicional, mantendo- se o statu quo. 20 Processo n°12466.002351/2008-22 S3-C I T I Acórao n° 3101-00.058 11. 1007 3. Entrementes, a autoridade fiscal extrapolou o einibito da referida decisão ao proceder ao cancelamento da habilitação de créditos, à desconsideração das compensações jã efetuadas pela requerente, ao ajuizamento da execução fiscal, e ei iminente inclusão do nome da requerente no CADIN, distorcendo os limites da decisão concessiva da liminar na ação rescisória em tela, que teve como único fim a suspensão da execução do acórdão rescindendo, até o julgamento final da rescisória, o que caracteriza a presença do fumus boni juris. 4. 0 periculum in mora exsurge dos prejuízos suportados peltt requerente, que resta impossibilitada de participar de licitações, celebrar negócios jurídicos, contrair empréstimos, receber eventuais pagamentos por serviços prestados a órgãos públicos e privados, desembaraçar mercadorias, gozar de benefícios fiscais, bem como ter contra si ajuizado executivo fiscal e ter seu nome incluído no CA DIN. 5. Liminar deferida, para suspender os efeitos da decisão proferida pela autoridade fiscal, bem assim de todos os atos administrativos decorrentes da execução de sentença - iniciada perante a esfera administrativa anteriormente à concessão da tutela antecipada na Ação Rescisória eni referência na forma de Declarações de Compensação, bem como as efetuadas mediante pedido de habilitação parcial de crédito concedido. 6. Agravo Regimental desprovido. Inconteste, portanto, que não poderia a autoridade fiscal desconsiderar as compensações realizadas pela Sab Company, tendo em vista que esta empresa sequer integra a lide, sendo que nos termos do art. 468 do Código de Processo Civil não pode ser atingida pela sentença judicial (A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas). Ressalte-se que, no caso em tela, haveria um litisconsórcio necessário, haja vista que a autorização de compensação com débitos de terceiros traria, obrigatoriamente, para a rescisória a figura do terceiro que adquiriu os créditos. Ocorreu que a Fazenda Nacional não promoveu a Ação Rescisória considerando esse fato, o que, entendo, impede que por spoilt e sua faça valer para o terceiro os efeitos da liminar. Portanto, ainda que fosse possível entender que o lançamento veiculado pelo auto de infração foi realizado com base em ordem judicial, há que se entender que também não pode prevalecer tal lançamento, visto que ordem judicial não foi dirigida A. Recorrente, pois ela não fazia parte daquela relação jurídica processual, e para que a medida cautelar pudesse atingi-la seria fundamental que a Recorrente figurasse no pólo passivo daquela demanda como litisconsorte passiva necessária. Por mais esse motivo, entendo que houve desconexão entre os fatos e direitos e o ato de aplicação (auto de infração), que implica a nulidade do lançamento. Considerando que fiquei vencido nas preliminares, e, em especial em relação ao alcance das Medidas Judiciais e liminares aos fatos discutidos nestes autos, a apreciação do mérito fica prejudicada, em face da inexorável aplicação da prevalência da decisão judicial em 21 Luiz Roberto Domingo 22 face da decisão administrativa, motivo pelo qual a apreciação de mérito fica prejudicada. por ser matéria coincidente à discussão judicial. Diante do exposto,-acolho as preliminares apresentadas, e, porque vencido na preliminar de concomitância co ‘. icial, não conheço da questão de mérito suscitada. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetd Reis - Redator Designado São examinadas neste voto apenas as quest6es atinentes as preliminares de nulidade do lançamento suscitadas pela recorrente, a saber: a) de incompetência da autoridade lançadora; b) de nulidade por falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de que trata a Portaria SRF n 6.08712005; e c) da ausência de citação da Recorrente na Ação Rescisória e na Medida Cautelar — hipótese de litisconsórcio necessário. Argüição de incompetência da autoridade lançadora A previsão contida no § 4 0 do art. 15 da Instrução Normativa SRF no 21/1997 refere-se aos pedidos de compensação formulados pelos contribuintes interessados, cuja análise fica a cargo da unidade administrativa da jurisdição do titular do crédito. 0 presente caso, no entanto, decorre de decisão judicial em sede de Medida Cautelar em Ação Rescisória ajuizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional que assegurou Autoridade Tributária o direito de proceder ao lançamento com o fim de prevenir a decadência em face da suspensão dos efeitos de decisão judicial anterior que assegurara a compensação de débitos da Recorrente com créditos de terceiros — Crédito-Prêmio de IPI. Referida decisão teve como destinatário a Autoridade Administrativa da jurisdição do contribuinte Recorrente, cuja atuação se deu nos limites da legislação de regência, tanto no que se refere à operacionalização do lançamento de oficio — lavratura do auto de infração —, quanto à. exigência dos impostos incidentes na importação em sua materialidade. Além disso, não se pode olvidar que, nos termos do art. 9 0 , § 3°, do Decreto n° 70.235/1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF) —, a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. No âmbito federal, a competência para lavratura de auto de infração é do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, tendo sido essa a autoridade que, no presente caso, procedeu ao lançamento judicialmnente autorizado. Argüição de nulidade por falta de MPF Quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), trata-se de instrumento interno e operacional de planejamento e controle das atividades de fiscalização, qt. e foi Processo n° 12466.002351/2008-22 S3-C I T I Ac6rao n.° 3101-00.058 Fl. 1008 instituído visando ao melhor controle administrativo das ações fi scais da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Tal disciplinamento foi dirigido aos recursos humanos daquele órgão e não pode ser entendido como instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade A. responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional. Por isso que, no pleno gozo de suas funções, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no Código Tributário Nacional. Nesse sentido já houve o pronunciamento desta Camara em caso semelhante (Acórdão n 301-31806, de 18/5/2005), bem como da Camara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão ri" CSRF/01-05.558, de 4/12/2006, cuja ementa dispôs, verbis: "MPF — DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 — NULIDADE — O desrespeito à previsão de indicação no MPF- F de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento: ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato." De outra parte, mesmo que compulsória fosse tat exigência, estaria a ação fiscal protegida pela exceção estabelecida no Decreto n' 3.724/2001 e na Portaria SRF 6.087/2005, visto que tais atos dispensam tal documento quando de ações fiscais efetuadas com base em procedimento de fiscalização interna de revisão de declarações e de revisão aduaneira. Finalmente, mesmo que os outros anteriores argumentos não fossem suficientes, o MPF estaria dispensado no caso presente tendo em vista que a ação fiscal foi efetuada a partir de autorização judicial para constituir o crédito tributário, objetivando evitar a decadência do direito da Fazenda Nacional. Destarte, e ainda considerando não estar tal hipótese incluída entre as sujeitas nulidade indicadas de que trata o art. 59 do Decreto ri g- 70.235/72, entendo descabida a argüição de nulidade do Auto de Infração em decorrência da inexistência do MPF. Argüição de nulidade por falta de citação na Ação Rescisória e na Medida Cautelar 0 Recorrente alega que a motivação constante dos Autos de Infração esta dissociada da realidade fatica, tendo em vista que o fundamento de validade para a constituição do crédito tributário é absolutamente ineficaz contra ele, pelo fato de não ter sido incluído no pólo passivo da Medida Cautelar em Ação Rescisória. Alega, ainda, que a decisão exarada na referida ação judicial teve a finalidade de suspender a execução do acórdão de Mandado de Segurança transitado em julgado, do que decorreria estar a empresa SAB TRADING impossibilitada de utilizar os créditos de IPI para efetuar compensações com débitos de terceiros, no caso o Recorrente SAB COMPANY. Assim, ./( 23 não poderia a Fazenda Nacional estender os efeitos da decisão para desconsiderar as compensações realizadas por uma terceira pessoa que não a parte diretamente envolvida na ação rescisória, que diz respeito à SAB TRADING. Essa matéria se subsume na dicção do art. 42 do Código de Processo Civil, in verb is: Art. 42. A alienação da coisa ou do direito litigioso, a titulo particular, por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes. sç 32 A sentença, proferida entre as partes originárias, estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário. Constata-se, pelo § 3 acima reproduzido, que nas hipóteses de alienação de coisa ou direito litigioso, a legislação estende os efeitos da sentença ao adquirente ou cessionário. Trata-se exatamente da matéria sob exame, cuja interpretação não pode ser de molde a excluir a cessionária, tendo em vista a nítida e inequívoca vinculação que existe entre ela e a cedente, e o fato de se tratar de matéria submetida A. apreciação judicial e ainda pendente de sentença definitiva. Portanto, nos casos da espécie, em se tratando de impostos incidentes na importação de mercadorias cujo pagamento tenha sido promovido com créditos adquiridos de terceiros, ainda objeto de apreciação judicial, e que tenham como importador o cessionário desses direitos, considerada a definição do contribuinte do Imposto de Importação (art. 80, I. '"a- do Regulamento Aduaneiro/1985) e do IPI (art. 23, I, do RIP1/1998), é licito que o Recorrente figure como sujeito passivo da relação tributária. Ademais, o procedimento fiscal do qual decorreu a constituição do crédito tributário teve como base autorização judicial e a pessoa jurídica autuada é efetivamente o sujeito passivo da obrigação tributária e faltante no recolhimento dos tributos na importação, razão pela qual não se acolhe a preliminar de ilegitimidade passiva. Conclusão Diante de tudo exposto, e por não ver sustentação nas arguições de nulidade do lançamento trazidas pelo Recorrente, voto por que sejam rejeitadas as preliminares suscitadas. nélcio Lafetd Reis 24
score : 1.0
Numero do processo: 13009.000239/95-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando o contribuinte, não reunindo as condições para o enquadramento pelo lucro presumido, não mantiver escrituração contábil e fiscal na forma das leis comerciais e fiscais. (Publicado no D.O.U. nº 168 de 01/09/2003).
Numero da decisão: 103-21349
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe
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Cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando o contribuinte, não reunindo as condições para o enquadramento pelo lucro presumido, não mantiver escrituração contábil e fiscal na forma das leis comerciais e fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto • por TABET MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SIDENTE 0-• e e • -0D- 11011~5 — Á ALEXANDRk - B • SA JAGUARIBE RELATOR FORMALIZADO EM: 25 AGO 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros:, ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, NADJA RODRIGUES ROMERO, JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, ANTONIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA (Suplente Convocado) e VICTOR LUIS DE SALLE FREIRE. Acas/11-8/03 MINISTÉRIO DA FAZENDA ^t.-0‘pk--'-k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :13009.000239/95-02 Acórdão n° : 103-21.349 Recurso n° :132.515 Recorrente : TABET MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA RELATÓRIO O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 11/14, lavrado pela DRFNolta Redonda/RJ, contra a interessada acima identificada, para exigir o Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ do ano-base 1991, bem como a multa proporcional de 100%, prevista no artigo 4°, inciso 1, da Lei n° 8.218/1991, acrescidos dos encargos moratórios. Deu causa à autuação, conforme Termo de Contratação de fl. 09, o arbitramento do lucro, em virtude de a interessada haver ultrapassado o limite de receita permitindo para o lucro presumido e não ter atendido a intimação para apresentar documentação contábil e fiscal. Enquadramento legal: art. 400 do RIR/80 (Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 85.450/80). Em decorrência da autuação do IRPJ, foi lavrado o auto de infração de fls. 15/18, para exigir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como a multa proporcional de 100%, prevista no art. 4°-I da Lei n° 8.218/1991, acrescidas dos encargos moratórios. Enquadramento lega: art. 2° e parágrafo da Lei n° 7.689/88 e art. 38 e 39 da Lei n° 8.541192. Fazem, ainda, parte integrante dos autos os seguintes documentos. - às fls. 03/08, termos de intimação; - às fls. 20/26, declaração de rendimentos dos anos-base 1990 e 1991. Cientificada das autuações, fls. 11 e 15, a interessada apresentou a impugnação de fls. 28/32, alegando, em síntese, que: 2 poi MINISTÉRIO DA FAZENDA• k' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :13009.000239/95-02 Acórdão n o :103-21.349 a) os livros e documentos solicitados foram colocados à disposição e estiveram em poder de fiscalização; b) optou pela tributação pelo lucro presumido e, ao verificar que o valor das vendas ultrapassaram o limite permitido, aplicou coeficiente superior (7%) sobre a parte excedente, conforme declaração de rendimentos apresentada: c) se utilizasse o lucro real, a interessada teria pago menos imposto do que pagou pelo lucro presumido, conforme demonstra. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, do Rio de Janeiro, considerou o lançamento procedente, em parte, tendo ementado assim a sua decisão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1991 Ementa: ARBITRAMENTO. Deve ser arbitrado o lucro do contribuinte que, impedido de ser tributado com base no lucro presumido, não atendeu a intimação para apresentar documentação contábil e fiscal. MULTA ABRANDAMENTO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, "c", da Lei n° 5.172/66 — CTN) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Ano-calendário: 1991 Ementa: É indevida a exigência, por meio de auto de infração, de tributos já incluído na declaração de rendimentos. Desta decisão, recorreu ordinariamente a este Conselho, aduzindo, para tanto que teria apresentado toda a documentação requisitada pela fiscalização, contudo, que não possuía o recebido de entrega da referida documentação, e que todos os livros estavam escriturados. Afirma que os exercícios de 1990 e 1991 est. • escriturados no mesmo livro diários, de n° 11, o qual foi examinado pelo fiscal. 3 Lt." MINISTÉRIO DA FAZENDA •'str,-,;iit PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4•:-.34: 47.> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :13009.000239195-02 Acórdão n o :103-21.349 Afirma, ainda, que o imposto apurado e recolhido pela sistemática do lucro presumido — adotada pela contribuinte — seria superior ao que seria encontrado, adotando-se a apuração pelo lucro real, daí, afirma que o fato de haver extrapolado o limite de enquadramento no lucro presumido, não teria causado nenhum prejuízo ao erário. Pede que o imposto recolhido seja abatido daquele apurado pela auditoria fiscal. É o relatório. \ 1 4 • e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ga:N,,rt:fr TERCEIRA CÂMARA Processo n° :13009.000239/95-02 Acórdão n° :103-21.349 VOTO Conselheiro, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele conheço. Como se denota da leitura do relatório, a matéria versa exclusivamente sobre matéria de prova. A fiscalização intimou a interessada a apresentar seus livros e documentação contábil e fiscal, por cinco (05) vezes, no período de junho de 1994 a abril de 1995, conforme termos de fls. 03/08. Contudo, as intimações não foram totalmente atendidas, como se constata da leitura do termo de constatação de fl. 09. A recorrente, de outro lado, afirma que teria entregue a documentação solicitada, contudo, não se municiara do comprovante em questão. Releva notar, que a recorrente, em diversas passagens, dá ênfase à escrituração dos livros diário, contudo, não menciona se entregou ou não os demais documentos fiscais e contábeis solicitados que embasaram a escrituração dos referidos livros e que foram solicitados. Destarte, a simples alegação de que teria entregue a documentação contábil e fiscal solicitada não é suficiente para elidir as robustas provas, em sentido contrário, constantes dos autos. A contribuinte, no ano-base de 1990, apresentou declaração do imposto de renda pela sistemática do lucro real, estando, portanto, obrigada a manter escrituração contábil e fiscal na forma da lei e, no ano-ba w de 1991, embora, tenha 5 * MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';'itc-çttl>" TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 13009.000239/95-02 Acórdão n° :103-21.349 optado pelo regime do lucro presumido, sua receita de vendas foi superior ao limite para opção pelo lucro presumido. E, como, no ano anterior, havia optado pelo lucro real, não poderia permanecer sob o regime do lucro presumido. Destarte, é transparente que a recorrente tinha a obrigação legal de manter escrituração contábil e fiscal compatível com o regime de apuração do lucro real, fato que não ocorreu, segundo as provas dos autos. Assim, ante a falta da documentação contábil e fiscal em questão, não teve outra saída a fiscalização que não o arbitramento do lucro. A jurisprudência deste Conselho é pacífica neste sentido: IRPJ — ARBITRAMENTO DE LUCROS — A escrituração do Livro Diário em partidas mensais, obriga o contribuinte ao registro de livros auxiliares. Cabível o arbitramento de lucros, quando o contribuinte, efetuando a escrituração do Livro Diário em partidas mensais, não apresenta a fiscalização, livros auxiliares, após ter sido intimado, de forma clara e objetiva e concedido prazo razoável para tal apresentação. AC 103-19622 IRPJ - ARBITRAMENTO DE LUCROS - A escrituração do livro Diário por lançamentos mensais, de forma resumida, sem a adoção de livro auxiliares para registro individuado, com inobservância do disposto no artigo 539 do RIR/94, enseja a desclassificação da escrita do contribuinte, dando lugar ao arbitramento de seus lucros. AC 107-05462 ARBITRAMENTO DO LUCRO - Cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando o contribuinte, não reunindo as condições para o enquadramento pelo lucro presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras na forma da legislação em regência. AC 105-13443 Sobre o pedido de compensação do imposto ou contribuição eventualmente paga pela contribuinte, igualmente, não pode ser deferido, uma vez que, segundo as declarações de rendimentos acostadas aos autos, a recorrente somente recolheu a Contribuição Social sobre o Lucro liquido e a decisão de primeiro grau já cancelou a exigência fiscal relativa à nupercitada contribui :o. eiík Recurso negado. 41 6 , . -% -- --- MINISTÉRIO DA FAZENDA. ... r , i, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :13009.000239/95-02 Acórdão n° :103-21.349 CONCLUSÃO Diante dos fatos retro expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. IPSala de Sessões-D 7 15 de agosto de 2003 ALEXANDRE t L " 'il• SA JAGUARIBE 1 7 Page 1 _0082700.PDF Page 1 _0082900.PDF Page 1 _0083100.PDF Page 1 _0083300.PDF Page 1 _0083500.PDF Page 1 _0083700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003788/2001-63
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2005
Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO – REALIZAÇÃO A MENOR – No cômputo do saldo acumulado de lucro inflacionário de determinado exercício, base para a realização, devem ser consideradas como parcelas redutoras as realizações mínimas exigidas por lei em períodos antecedentes.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 101-95.102
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do saldo do lucro inflacionário acumulado em 01.01.96 as parcelas de realizações mínimas obrigatórias do período de julho a dezembro/95, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Junior
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ementa_s : LUCRO INFLACIONÁRIO – REALIZAÇÃO A MENOR – No cômputo do saldo acumulado de lucro inflacionário de determinado exercício, base para a realização, devem ser consideradas como parcelas redutoras as realizações mínimas exigidas por lei em períodos antecedentes. Recurso parcialmente provido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';;;I:A;;'5• PRIMEIRA CÂMARA Processo n°. : 11618.003788/2001-63 Recurso n°. : 140.890 Matéria: : IRPJ — EX: DE 1997 Recorrente : ENGEPLAN ENGENHARIA E PLANEJAMENTO LTDA. Recorrida : 5'. TURMA/DRJ-RECIFE — PE. Sessão de : 08 de julho de 2005 Acórdão n°. : 101-95.102 LUCRO INFLACIONÁRIO — REALIZAÇÃO A MENOR — No cômputo do saldo acumulado de lucro inflacionário de determinado exercício, base para a realização, devem ser consideradas como parcelas redutoras as realizações mínimas exigidas por lei em períodos antecedentes. . Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ENGEPLAN ENGENHARIA E PLANEJAMENTO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do saldo do lucro inflacionário acumulado em 01.01.96 as parcelas de realizações mínimas obrigatórias do período de julho a dezembro/95, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -L•Th l(---, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE MÁRIO UN E I:tr NCO JÚNIORi RELA R FORMALIZADO EM: 1 6 AGO 5 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, VALMIR SANDRI, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI, CAIO MARCOS CÂNDIDO e ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO. 1 e; ., , Processo n°. : 11618.003788/2001-63 Acórdão n°. : 101-95.102 Recurso n°. : 140.890 Recorrente : ENGEPLAN ENGENHARIA E PLANEJAMENTO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário, tendo em vista exigência de IRPJ no ano-calendário de 1996. As apontadas infrações compreendem: - lucro inflacionário acumulado realizado a menor; - compensação indevida de prejuízos, pois superior ao limite legal. A decisão vergastada, fls. 176, ajustou a exigência referente ao lucro inflacionário, por ter identificado a não inclusão de valores realizados durante os meses de janeiro a junho de 1995, fato que diminuiria o saldo acumulado para realização no ano-calendário de 1996. Identificou que, mesmo com tais realizações, ainda haveria saldo acumulado a realizar, razão pela qual apenas ajustou as exigências mensais de realização mínima. Anotou não terá contribuinte apresentado razões de impugnação específicas para a limitação na compensação de prejuízos, mantendo, portanto, a exigência quanto a este item. No mais, recompôs todos os valores devidos mediante a compensação de ofício de prejuízos fiscais acumulados, obedecendo, obviamente, aytrava de 30% do lucro líquido ajustado. CÁ) 2 ---„,n , Processo n°. : 11618.003788/2001-63 Acórdão n°. : 101-95.102 Em seu recurso de fls. 207, a recorrente afirma que a autuação derivou de mero erro de dados do SAPLI, e que no ano-calendário de 1996 não existia saldo acumulado de lucro Inflacionário, pois o mesmo foi integralmente tributado no ano precedente. Aduz que a compensação de ofício de prejuízos fiscais, embora correta em tese, prejudica a recorrente, pois inexiste adição que aumente o lucro real compensável. Chama a atenção para o fato de que, como optante pelo Refis, os seus débitos, constituídos ou não, haveriam de ser automaticamente incluídos no referido parcelamento, à luz da Resolução CG/REFIS n° 5/2000. Por fim, indica existir processo sobre realização de lucro inflacionário, para o ano-calendário de 1997, no qual não se teria levado em consideração a cobrança ora realizada para o ano-calendário de 1996, o que levaria a dupla cobrança. Junta cópia desta mencionada autuação. rÉ o Relatório. gi 3 Processo n°. : 11618.003788/2001-63 Acórdão n°. : 101-95.102 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Não se pode acolher os argumentos da recorrente acerca da integral realização do lucro inflacionário no ano-calendário de 1995, pois, como bem demonstrou a decisão recorrida, o seu saldo acumulado em muito supera a realização daquele período-base. No entanto, a realização do lucro inflacionário deve ser sobre o saldo acumulado, deduzido das realizações efetivadas pela contribuinte e das realizações mínimas de períodos diversos daqueles em que haja autuação, pois ou estes estão decadentes, ou pertencem a outro período-base. No caso em apreço a decisão vergastada bem agiu em reduzir o saldo acumulado com base nas realizações efetivadas pela recorrente nos meses de janeiro a junho de 1995, tendo em vista a declaração retificadora apresentada. Esqueceu-se, no entanto, data venia, de reduzir do saldo acumulado em 31/12/95, base para as realizações durante o ano-calendário de 1996, objeto das exigências deste processo, as realizações mínimas exigidas por lei durante os meses de julho a dezembro de 1995. O argumento da recorrente quanto ao REFIS não procede, haja vista que só seriam automaticamente incluídos no parcelamento especial as parcelas já declaradas ou as que, durante o prazo de opção, já estivesse o r contribuinte sobre fiscalização, o que não é o caso dos autos. 4 Processo n°. : 11618.003788/2001-63 Acórdão n°. : 101-95.102 Quanto ao processo referente ao ano-calendário de 1997, para exigência de realização do lucro inflacionário, no caso de haver qualquer base majorada na realização, a defesa específica deve ser naquele procedimento apreciada, sem prejuízo da possibilidade da autoridade lançadora, exercendo corretamente a sua atividade, rever de ofício o lançamento, se for o caso. Estes autos precedem aquele, e aqui não se pode discutir qualquer irregularidade na base daquele lançamento de ofício. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso, para admitir a redução, no saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/95, das parcelas de realização mínima exigida por lei durante os meses de julho a dezembro de 1995. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 08 de julho de 2005 MÁRI, kas9 UEI FRANCO JÚNIOR 5 Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.003738/99-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2000
Ementa: CLASSIFICAÇÃO.
Sacos de polietileno de sobrepor produtos farmacêuticos com o objetivo de protegê-los do meio ambiente não podem ser classificados na posição NCM 3923.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-29.553
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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Sacos de polietileno de sobrepor produtos farmacêuticos com o 1111 objetivo de protegê-los do meio ambiente não podem serclassificados na posição NCM 3923. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 04 de dezembro de 2000 JO tt MIL • 'ACOSTA Pre• dente ANELISE DAUDT PRIETO 8 Off ?In Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: NILTON LUIZ BARTOLI, SÉRGIO SILVEIRA MELO, MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO e IRINEU BIANCHI. Ausente o Conselheiro ZENALDO LOIBMAN. ¡mi MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.823 ACÓRDÃO N° : 303-29.553 RECORRENTE : BAXTER HOSPITALAR LTDA RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Por meio da Adição 01 da Declaração de Importação n.° 98/0398180-3, registrada em 28/04/98, a empresa acima qualificada importou • mercadoria que descreveu como "sacos de sobrepor de plástico", de 1000 e 250 ml, classificando-a no código NCM 3923.90.00, relativo a "outros artigos de transporte ou de embalagem, de plástico", com alíquotas de 21% para o Imposto de Importação e de 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. A conclusão da análise da mercadoria, submetida ao Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, foi de que tratava-se de sacos de polietileno especial, que suportam esterilização por vapor (120°C 1,1 bar), artigo de matéria plástica para embalagem, com capacidade de 2.000 cm 3 (fl. 23). Segundo literatura técnica específica, a mercadoria é utilizada para sobrepor bolsas flexíveis à base de PVC que contém aproximadamente 1.000 cm s de solução intravenosa e trata-se de saco de polietileno de alta densidade que é utilizado como embalagem secundária de produtos farmacêuticos, com o objetivo de protegê- los do meio ambiente, sendo esterilizável por calor úmido. 1111 Em decorrência, foi lavrado Auto de Infração em que é afirmado que a mercadoria classifica-se no código NCM 3923.21.90, cuja aliquota de IPI é de 15%. O crédito lançado constou daquele imposto, de juros de mora e da multa prevista no artigo 61, parágrafo 2°, da Lei 9.430/96. Inconformada, a contribuinte impugnou o feito alegando que o fiscal citou a RGI-l a para interpretação do sistema harmonizado e não realizou a tipificação ou o cotejo. Isto seria ilegal, pois as normas de Direito Administrativo impõem que o ato seja devidamente motivado, principalmente se envolver matéria ligada a tributos e penalidades. No mérito, alegou que trata-se de saco de sobrepor, de plástico para embalagem de proteção de produto farmacêutico. Faz parte do conjunto "solução, bolsa flexível e saco de sobrepor" e é esterilizado por calor úmido e posteriormente embalado em caixas de papelão. É utilizado para sobrepor as bolsas plásticas que contém solução intravenosa que é introduzida em pacientes crônicos de disfunção renal, em procedimento de hemodiálise. p26) 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.823 ACÓRDÃO N° : 303-29.553 Não é um saco de plástico comum, mas sim um artefato especial com fim determinado, farmacêutico, de proteger o produto do meio ambiente, tendo sido produzido com essa natureza especial. Não poderia, então, ser inserido entre os outros sacos de plástico do código 3923.21.90.00, definidos simplesmente pela sua capacidade, mas sim entre os "outros", pela sua especificidade. O legislador sempre incluiu no código 3923.90.00 da Nomenclatura as embalagens para produtos farmacêuticos, ou seja, entre as "outras" embalagens da posição 3923. Concluiu solicitando fosse considerado insubsistente a ação fiscal. • A autoridade monocrática entendeu que o lançamento foi procedente, pois o saco de polietileno especial para sobrepor embalagens de produtos farmacêuticos classifica-se na posição 3923.21.90, conforme ROI-1 e RGI-6, ou seja, considerados os textos de posição e de subposição. Ressaltou, ainda, que o "ex" tem caráter exclusivamente tarifário, não influenciando na classificação da mercadoria. Quanto à alegação da contribuinte de que seria ilegal somente a citação da RGI-1, entende que a tipificação estaria contida na própria regra. Além disso, as regras, que são derivadas de Convenção Internacional, foram aprovadas pelo Decreto n.° 97.409/88 — Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. E, por meio do Decreto n.° 2.376/97, foi aprovada a Nomenclatura Comum do Mercosul — NCM e pelo Decreto 2.092/96 a Tabela de Incidência do IPI. Portanto, o procedimento do autuante, estaria plenamente enquadrado dentro da legalidade. Tempestivamente e com a comprovação da realização do depósito • recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, quanto à tipificação do Auto, que: "Vê-se, então, que o Sr. Julgador singular, data permissa venia, não teve condições de "esclarecer" à Impugnante sobre manifestação desta a respeito da falhosa fundamentação da autuação, no que tange à prefalada ausência de tipificação, pois em momento algum a Defendente alegou que as Regras não são derivadas da legislação que especifica ou que seriam ilegais. A tipificação, ao contrário do que pensa o Sr. Julgador, não está contida, por si só, na própria Regra. Se assim fosse não haveria labor de tipificação, mas sim uma simples leitura gramatical do texto daquela. Tipificar é o trabalho que o intérprete e aplicador da lei realiza e que consiste na aferição da perfeita correspondência entre o fato concreto, ocorrido no mundo fenomênico, e a hipótese abstrata posta pelo legislador no texto legal, que no Direito Tributário, por exemplo, denomina-se "Hipótese de Incidência". Não basta, portanto, a citação simplista /43 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 120.823 ACÓRDÃO N° : 303-29.553 no número da Regra que se admite incidir sobre um caso concreto, pois isto, por si só, não caracteriza labor de tipificação. Este se dá com as necessárias e suficientes explicitações das razões pelas quais o fato real se afeiçoa ao fato-tipo definido genérica e abstratamente pelo legislador. E tanto a então Defendente tinha razão que o Sr. Julgador solitário, já então numa Segunda fase na qual a parte não mais pode falar no processo, apressou-se em explicar as razões e os motivos que — segundo entende, justificariam o enquadramento do fato real àquela • hipótese de incidência, malgrado, diga-se, a Recorrente não concorde com os argumentos desenvolvidos. E isso fica ainda mais corroborado quando na peça fiscal originária o Sr. Representante da Fazenda Nacional citou a "Regra 1 das Regras Gerais para ", e o decisório ora atacado traz à lume uma outra, a RGI 6, a qual, aliás, foi transcrita, fato, assim, que não se contém no auto de infração, evidenciando, sem dúvida, que inexistiu mesmo naquela fase qualquer trabalho de tipificação, o que é defeso pela lei tributária, em especial a de natureza penal (art. 5°, inciso XXXIX, da Carta Política). Agiu o Sr. Servidor Fazendário, repita- se, de forma absolutamente ilegal." No mérito, repetiu os argumentos da impugnação, alegando, ainda, fazer jus ao "ex" tarifário que consta do código 3923.90.00, relativo a embalagens para produtos farmacêuticos. O próprio julgador teria assinalado que o "ex" tem • caráter exclusivamente tarifário, não influenciando na classificação da mercadoria e "que se a mercadoria for perfeitamente identificada como destinada a embalar produto farmacêutico, então esta embalagem enquadra-se no destaque tarifário "Ex 02". Qualquer embalagem para produto farmacêutico, de plástico, estaria enquadrada no referido "ex". E tal "ex" está inserido na posição 3923.90.00. Continua afirmando que: "Tem sido entendimento da fiscalização que o ato do Poder Executivo estabelecedor de redução de aliquota pode atingir a classificação tarifária, ou seja, TODAS as mercadorias classificadas em determinado código tarifário da Tarifa Externa Comum-TEC- NCM, ou apenas uma única mercadoria do código tarifário. E quando a redução de aliquota atinge uma única mercadoria, a mesma é considerada objetiva, sendo, portanto, irrelevante a sua classificação tarifaria para que a mesma possa ser beneficiada com um menor nivel tarifário, inclusive com aliquota zero. Este 4 res MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.823 ACÓRDÃO N° : 303-29.553 entendimento vem constando de várias peças fiscais lavradas pela Fiscalização Aduaneira e certamente por isso o próprio Sr. Julgador tenha admitido que se a bolsa for realmente utilizada como embalagem para produtos farmacêuticos, o "ex" poderia ser aplicado no despacho sub examine." O próprio laboratório teria afirmado que o saco é utilizado como embalagem para produtos farmacêuticos. A classificação, no caso, seria irrelevante, já que o destaque não faz restrição à capacidade ou à natureza do plástico. A decisão guerreada conteria um insanável conflito, pois reconhece expressamente que caberia no "ex" em comento o material importado caso ele se configurasse como destinado a embalar produtos farmacêuticos, sendo que tal utilização foi confirmada pelo Laboratório. Conclui solicitando a reforma da decisão, para manter a aplicação do "ex". É o relatório. , o MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.823 ACÓRDÃO N° : 303-29.553 VOTO As normas de Direito Administrativo voltadas para o Processo Administrativo Fiscal estão especificamente reguladas pelo Decreto 70.235/72 que, em seu artigo 59, reza que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Tal dispositivo não se aplica ao presente lançamento, que a empresa alega não ter sido devidamente motivado, já que não estaria clara a tipificação. Isto porque, de um lado não foi lavrado por pessoa incompetente e, de outro, não houve preterição do direito de defesa do contribuinte, que tanto entendeu a que se referia o lançamento que apresentou devidamente suas razões de defesa em primeira e segunda instância. Nego, portanto, a preliminar levantada. No mérito, entendo que a autuação não pode prosperar, pelo motivo que a seguir exporei. A lide em pauta parece centrar-se em saber se a classificação dos sacos que o LABANA afirmou tratarem-se de sacos de polietileno especial, de alta densidade, que suportam esterilização por vapor, e que, segundo literatura técnica específica, são utilizados para sobrepor bolsas flexíveis à base de PVC que contêm solução intravenosa, e que funcionam como embalagens secundárias de produtos IA farmacêuticos, com o objetivo de protegê-los do meio ambiente, deve ser realizada no código NCM 3923.90.00, utilizado pela contribuinte, ou no 3923.21.90, atribuído pela fiscalização. Entendo, entretanto, que a posição 3923, relativa a "Artigos de transporte ou embalagem, de plástico; rolhas, tampas, cápsulas e outros dispositivos para fechar recipientes, de plástico", não é adequada à mercadoria em questão. Com efeito, a principal função do saco de sobrepor é proteger o produto farmacêutico, isto é, a bolsa flexível utilizada em hemodiálise, do meio ambiente. O próprio Laboratório admite que a mercadoria seria embalagem secundária de produtos farmacêuticos. A embalagem à qual se refere a posição 3923 seria outro invólucro, utilizado para envolver o conjunto. A empresa esclarece, inclusive, que o saco de sobrepor faz parte do conjunto "solução, bolsa flexível e saco de sobrepor" e é esterilizado por calor úmido e posteriormente embalado em caixas de papelão. 6 ./Q25? MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.823 ACÓRDÃO INI° : 303-29.553 Não pode, portanto, ser classificado como mero produto de embalagem ou transporte. Aliás, sua classificação, de acordo com o estabelecido na Nota 1 da Seção VII da NCM, deve ser realizada na mesma posição da bolsa flexível utilizada na hemodiálise que, com certeza, não se trata de um produto de embalagem e que é mais adequadamente classificada na posição 3926, relativa a "Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 3901 a 3914". Pelo exposto, conheço do recurso, que é tempestivo, de competência S deste Conselho e está acompanhado do depósito recursal, para, no mérito, entendendo ser o lançamento improcedente, dar-lhe provimento. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2000 :_dtp_iCi c i "-h AN llELISE AUDT PRIET-0 - Relatora O 7 - - - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n.° : 11128.003738/99-12 Recurso n.° : 120.823 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, 110 Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência da Acórdão n° 303-29.553 Brasília-DF, 23 de março de 2001 Atenciosamente 11/ João ndac:6;à3° Pr idente da Terceira Câmara Ciente em: c2 joit2w3 Lch.Noe, eti te 5 fift4ND Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1
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