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Numero do processo: 10925.002674/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se
requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O,
§1º, da Lei n.º 6.938/81.
Hipótese em que a Recorrente não comprovou a área de preservação
permanente glosada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.414
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Declarouse
impedido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Hipótese em que a Recorrente não comprovou a área de preservação permanente glosada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 96 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Declarouse impedido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, por entender estar na condição descrita no inciso I do parágrafo único do art. 42 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 87/91) interposto em 21 de outubro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (fls. 78/81), do qual o Recorrente teve ciência em 07 de outubro de 2010 (fl. 86), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 01/04, lavrado em 19 de novembro de 2008, em virtude de erro na apuração da base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificado no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n.º 4.771/1965 (arts. 2° e 3°), com as alterações da Lei n.º 7.803/1989. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 78). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 87/91), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 97 3 É o relatório Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a fiscalização ao analisar a DITR da Recorrente houve por bem reduzir a área de preservação permanente declarada de 834,60 ha. para 280,50 ha. (conforme constante do laudo entregue pela própria Recorrente) e corrigir o Valor da Terra Nua – VTN/ha. declarado de R$ 202,66 para R$ 1.652,00 constante do SIPT, nos termos do “relatório e termo de encerramento” de fls. 58/61 dos autos. Conforme constou no acórdão recorrido, a Recorrente “Em síntese, alega que a área do imóvel está localizada na Mata Atlântica, não sendo possível qualquer exploração. Além disso, informa que a área está devidamente comprovada por Laudo Técnico. Argumenta que as áreas isentas não estão sujeitas à comprovação prévia por parte do contribuinte. Defende que a área é isenta, devendo ser aplicada a Lei n° 11.428/2006. Com relação ao valor da terra nua, aduz que o valor apurado no lançamento não condiz com as características do imóvel e com a realidade do mercado imobiliário da região. Solicita que seja acatado o valor proposto pelo Laudo Técnico, por entender que apresenta valor mais confiável que os constantes da Tabela SIPT, que veicula valores genéricos” (fl. 79). Inicialmente, necessário se faz esclarecer que o Recorrente não contesta, em seu recurso, o arbitramento do VTN, limitandose, portanto, a discutir a glosa da área de preservação permanente e o grau de utilização da propriedade para efeitos de determinação da alíquota do imposto. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 98 4 Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 99 5 A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 100 6 c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 101 7 § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 102 8 § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 103 9 critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 104 10 Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 105 11 Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 106 12 fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 107 13 portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 108 14 ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, a Recorrente, conforme se infere da análise dos presentes autos, apresentou o ADA antes do início da fiscalização (fl. 17), todavia informando como área de preservação permanente tãosomente a área de 280,50 ha, que foi aceita pela fiscalização. Assim, como foi declarada como área de preservação permanente na DITR o total de 834,60 ha., em relação à diferença o ônus da prova competia ao contribuinte, até porque a área de preservação permanente de 280,50 ha. constou de laudo apresentado pela própria Recorrente. A esse respeito, a Recorrente alega que “São áreas de matas nativas, integrantes do Bioma Mata Atlântica, declaradas pela Constituição Federal como Patrimônio Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002674/200836 Acórdão n.º 2101001.414 S2C1T1 Fl. 109 15 da Humanidade e com forte restrição de uso, mesmo com Plano de Manejo Florestal Sustentado” (fl. 89). Entendo que nos autos não consta qualquer prova seja das alegações quanto ao grau de utilização da propriedade seja da existência das áreas de Mata Atlântica alegadas, sendo insuficiente o laudo técnico apresentado, pois poderiam ter sido juntados aos autos fotos de satélite, laudo fotográfico, laudo de vistoria do IBAMA ou quaisquer outras formas previstas no Manual de Perguntas e Respostas do ADA editado pelo IBAMA, a fim de comprovar efetivamente a existência da floresta e formar a convicção deste julgador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.009341/2003-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1993
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos
protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, por superar o prazo decenal.
Recurso especial provido
Numero da decisão: 9202-001.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, por superar o prazo decenal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 101 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 09/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O processo trata de pedido de restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário – PDV, protocolado em 12 de dezembro de 2003 (fl. 1) e versando sobre a retenção indevida do tributo efetuada em 05 de outubro de 1992 (fls. 7 e 8). Tanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem (fls. 16 e 17), quanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 23 a 26) indeferiram o pedido, por considerarem que já havia terminado o prazo de cinco anos, contado a partir do pagamento, para a repetição do indébito tributário. De modo contrário, o Acórdão no 280200.122, da 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 18 de agosto de 2009 (fls. 31 a 36), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, por entender que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo se inicia na publicação do ato administrativo que reconhece ser indevida a exação, no caso a Instrução Normativa SRF n° 165/98. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 1993 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR A REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 102 3 início da contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição do indébito dos valores pagos a título de imposto de renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecida, pela administração tributária, a nãoincidência. Recurso Voluntário Provido. Cientificada dessa decisão em 26 de janeiro de 2010 (fl. 37), a Fazenda Nacional manejou na mesma data recurso especial de divergência (fls. 40 a 92), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 93 a 95 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou o seguinte paradigma, alegando que o prazo para pleitear a restituição de indébito se inicia na data do pagamento indevido: Acórdão no 930300.080 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Aduz o recorrente que o fato do tributo ter sido declarado inconstitucional, ou da Administração Tributária ter reconhecido a exação como indevida, não altera os ditames do art. 168, inciso I, do CTN, que define que o direito de pleitear a restituição se extingue após o prazo de 5 anos da data da extinção do crédito tributário, e do art. 156, inciso I, do CTN, que determina que o pagamento extingue o crédito tributário, o que faz com que o direito à repetição do indébito termine após 5 anos do pagamento indevido. Acrescenta que foi esse o entendimento dos arts. 3o e 4o da Lei Complementar no 118/2005, e que decidir de modo contrário equivale a declarar, de forma transversa, a inconstitucionalidade da lei, o que não é permitido ao CARF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões (fls. 97 a 99). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 103 4 Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 104 5 Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 105 6 Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 106 7 após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 107 8 retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 12 de dezembro de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10830.009341/200382 Acórdão n.º 9202001.871 CSRFT2 Fl. 108 9 adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
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Numero do processo: 35379.000120/2007-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN.
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados enquadrados pela fiscalização na condição de segurados empregados, contratados pela empresa por intermédio de cooperativas de trabalho.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo.
No presente caso há de se aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o Relatório de documentos apresentados RDA
(fls. 24 a 26) demonstra que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/04/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 02/2001 encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.574
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados enquadrados pela fiscalização na condição de segurados empregados, contratados pela empresa por intermédio de cooperativas de trabalho. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. No presente caso há de se aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o Relatório de documentos apresentados RDA (fls. 24 a 26) demonstra que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/04/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 02/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 523DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 20600.976, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 05/06/2008 (fls. 477/486), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 494/499). A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência; por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE OFENSA A AMPLA DEFESA. I Não implica em nulidade da DecisãoNotificação, por cerceamento do direito de defesa, o indeferimento de perícia que se mostra totalmente prescindível. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laboral onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III A legalidade formal na constituição das empresas contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Fl. 524DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35379.000120/200788 Acórdão n.º 920201.574 CSRFT2 Fl. 2 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO APLICÁVEL O PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ) ANOS PARA A CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS. I – O prazo decadencial de 10 anos para a autarquia previdenciária constituir seus créditos, previsto no art. 45 da Lei 8.212/91 é compatível com o ordenamento jurídico vigente. II A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Recurso Voluntário Negado.” Explica que a decisão recorrida, ao não aplicar o Código Tributário Nacional, empregando o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias nos termos da Lei n. 8.212/91, diverge dos paradigmas que apresenta. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho nº 2400261 (fls. 513/514), foi dado seguimento ao pedido em análise. Cientificada, a Fazenda Nacional optou por não oferecer contrarazões, consoante despacho à folha 517. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 525DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 526DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35379.000120/200788 Acórdão n.º 920201.574 CSRFT2 Fl. 3 5 O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados enquadrados pela fiscalização na condição de segurados empregados, contratados pela empresa por intermédio de cooperativas de trabalho. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. No presente caso há de se aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o Relatório de documentos apresentados – RDA (fls. 24 a 26) demonstra que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/04/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 02/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte, para declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas no presente lançamento. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 527DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 528DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10166.720506/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/03/2010
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, II da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Ao deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, incorreu a empresa em infração a legislação. Mais precisamente não foram
efetuados em contas individualizadas, de forma a descriminar, clara e precisamente, os fatos geradores das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 29/03/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA FALTA
DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita neste sentido.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.087
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, II da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, incorreu a empresa em infração a legislação. Mais precisamente não foram efetuados em contas individualizadas, de forma a descriminar, clara e precisamente, os fatos geradores das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/03/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA FALTA DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita neste sentido. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Fl. 8796DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araujo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 8797DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720506/201080 Acórdão n.º 240102.087 S2C4T1 Fl. 8.797 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.249.0557, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, II da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização do INSS, a recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos no período de 01/2005 a 12/2006. No caso concreto, conforme descrito no relatório fiscal, fl. 6 a 13: A ação fiscal foi expedida em decorrência de denúncia do Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional do Trabalho da 18a Região, em virtude da instauração de inquérito civil para apuração de pagamento “por fora” a segurados empregados, verificados em Reclamatórias Trabalhistas movidas por segurados empregados contra o contribuinte. Nessa Ação Civil, a pedido do Ministério Público, foi expedido mandado de Busca e apreensão, no qual foram apreendidos 510 cadernos com anotações de remunerações dos segurados empregados. Diante das informações constantes nesses cadernos apreendidos e de informações coletadas no inquérito civil (anexo II), o MPT concluiu pela prática de “caixa 2” ou pagamento “por fora”, configurando contabilidade paralela, nos termos do Relatório Circunstanciado de Encerramento do inquérito. Considerando a denúncia do MPT, foram solicitadas a esse Órgão, oficialmente, cópias dos cadernos apreendidos e da Ação Civil Pública. Durante o procedimento fiscal, foram cotejadas essas informações com os valores constantes em folha de pagamento e em GFIP apresentadas pela empresa à fiscalização. Dessa análise, verificouse que o contribuinte somente declarou os valores de jornada normal de trabalho dos segurados empregados, que, em sua maioria, correspondia ao salário mínimo, sem, entretanto, incluir os valores pagos a títulos de horas extras e ganhos habituais constantes nos cadernos apreendidos. Diante da evidência de que os valores de remuneração da folha de pagamento e da GFIP não demonstravam a verdade real, foram apuradas as diferenças entre os valores constantes em folha de pagamento e GFIP e nos cadernos apreendidos, como também aqueles valores totais de remunerações de segurados que só foram registradas nos cadernos apreendidos, fatos geradores esses discriminados nos anexos XVI e XVII. Ainda, durante a ação fiscal, foi também constatado que a empresa não recolheu contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais discriminados no anexo X, sendo que o anexo XI demonstra o valor pago a esses contribuintes individuais, elaborado a partir dos registros contábeis, fornecidos pela empresa em arquivo MANAD. Os documentos comprobatórios desses pagamentos, fornecidos pela empresa, encontramse no anexo VII. Fl. 8798DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi verificado também que a empresa deixou de incluir em folha de pagamento e GFIP a remuneração paga a segurados empregados, que, durante o período fiscalizado, lhe prestaram serviços, conforme informações cadastrais constantes no anexo XII, extraídos do arquivo digital Manad. Com esses dados, foi verificado que os segurados, discriminados no anexo XIII, não apareciam em todas as competências, tendo a empresa sido intimada a apresentar as folhas complementares de pagamentos desses segurados, contudo não as apresentou. Verificadas as rescisões de contrato de trabalho fornecidas pela empresa, não constava desligamento desses empregados. Diante disso, procedeuse à aferição indireta da remuneração desses empregados, considerando como remuneração recebida, na competência faltante, o valor recebido em folha de pagamento da competência anterior ou o salário mínimo da época, conforme anexo XIV. Para os segurados cujo valor da remuneração não se pode aferir pela competência anterior, por falta de folha de pagamento ou GFIP, a remuneração foi aferida pelos valores declarados nas DIRFs dos anoscalendários de 2005 e 2006, conforme anexo XV. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/04/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou recurso, fls. 8764 a 8773 Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 8775 a 8779. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 8783 a 8793, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, porém estabelecendo que a autoridade julgadora não julgou todos os argumentos trazidos, cerceando o direito de defesa. 1. –que não foram apreciadas na decisão de primeira instância as preliminares de nulidade suscitadas o que importa cerceamento do direito de defesa. 2. A autoridade fiscal, por ser da carreira fazendária deixou de decidir com isenção. 3. A defesa apresentada pautouse apenas em questão de direito, entretanto a decisão alega a falta de prova, mas a presunção de veracidade do ato administrativo não autoriza a inobservância das regras de tributação e do lançamento tributário. A autoridade deveria em sua réplica se opor aos argumentos da autuada, caracterizando vício de consentimento. 4. Preliminarmente, o auto de infração é ato incompleto, insuficiente para produzir os efeitos jurídicos de onerosidade ao contribuinte; 5. que, apesar de mencionados como anexo, faltaram os relatórios DAD, RDA, RADA, DAL e Vínculos, bem como o relatório de anexos descritos no CDR; 6. não há especificação concisa e precisa dos fatos geradores, bem como falta a tipificação do fato gerador do mês e ano de competência, nem descrição do fato econômico que deu causa a lavratura, nem tipificação do fato gerador. Fl. 8799DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720506/201080 Acórdão n.º 240102.087 S2C4T1 Fl. 8.798 5 7. –a menção dos anexos não supre a essência do auto acima, pois os 3 que vieram são genéricos. 8. O auto levou em consideração dado levantados em inquérito judicial, assim o ato fiscal ficou contaminado com dados e conclusões levantados por autoridade que não tem competência para agir em nome da fazenda pública. A atividade do lançamento é indelegável. 9. Inexiste o fato gerador do tributo questionado, portanto sem fato gerador não há obrigação tributária, tal afirmativa decorre da disposição do CTN. Nada mais existe além da suposição de fatos geradores, são meros indícios que geraram conclusões precipitadas 10. Impossível é o agente público, de forma subjetiva ou isoladamente criar um novo fato gerador do tributo fundado apena em indícios, não superando as fases da investigação da materialidade tributária. 11. A fases do Processo Tributário foram atropeladas ou preteridas ao não cumprir a diligência fiscal completamente, pois o lançamento buscou a suposta materialidade tributária apenas em dados supostamente existente em outro processo. 12. faz inserção de comentários ao relatório fiscal, como: deixou o autuante de apurar as diferenças de imposto suplementar; pode ocorrer que algum funcionário favorecido não tenha o seu nome na GFIP; se alguma remuneração não constava da base de cálculo da Guia, caberia o questionamento à autuada; que a autuada não recebeu nenhuma reclamação para se sanar eventuais defeitos de gravação; se houve alguma omissão no percurso da fiscalização e a autuada não foi questionada, por certo houve um erro de procedimento, tal fato é imputado ao trabalho fiscal fora do ambiente da autuada; 13. o anexo XI se confunde com o anexo X, e o anexo VII não foi dado a conhecimento da autuada, assim houve cerceamento de defesa; 14. que a documentação apreendida não conclui se tratar de “pagamento por fora”, e que as reclamatórias trabalhistas favorecem os empregados e levam as empresas a empregar menos; 15. que os documentos apreendidos são insuficientes para constituir fato gerador das obrigações previdenciárias, e se amparam em indícios; 16. que os anexos II, III, VIII não foram dados a conhecimento da autuada, caracterizando cerceamento de defesa; solicita que tais anexos sejam desconsiderados ou dados a conhecimento da autuada; 17. que a Representação Fiscal tratase de ato de opressão perante a empresa; 18. que a fundamentação legal não foi dada a conhecimento da autuada, bem como os relatórios mencionados em anexo não foram dados a conhecimento da autuada, alías são tantos relatórios que um se confunde com outro; 19. que uma mídia digital não constitui elemento de prova, pois ainda não chegamos a essa evolução processual; Fl. 8800DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 20. requer a nulidade do AI, bem como a insubsistência dos seus efeitos, inicialmente pelas preliminares, e se estas foram superadas sejam admitidas as razões de mérito para desconstituir o lançamento. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 8801DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720506/201080 Acórdão n.º 240102.087 S2C4T1 Fl. 8.799 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 8794. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando os argumentos de nulidade apresentados, ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. NULIDADE PELA FALTA DOS RELATÓRIOS ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO Assim como já mencionado pela autoridade julgadora, não apresentou o recorrente, elementos de prova de que os relatórios fiscais não constavam do CDR entregue e autenticado no momento da entrega. Em havendo cerceamento do direito de defesa, pela não entrega de documentos que compõem o auto de infração, competiria a empresa autuada, demonstrar, ou mesmo apresentar dito CDR perante a autoridade da DRFB no intuito de que, em demonstrando a alegada falta, mas não apenas alegar. Dessa forma, não há como acatar a nulidade pretendida de cerceamento do direito de defesa. NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Alegando ainda nulidade, argumenta o recorrente que a falta de motivação para apuração do fatos geradores, sendo que a empresa alega que não realizava qualquer pagamento por fora, mantendose regular perante a previdência social, também é ineficaz para refutar o lançamento. Entendeu o recorrente que o auditor pautouse em considerações de inquérito judicial que não demonstra a realidade contaminandose em documentos que não os pertinentes ao processo administrativo. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Fl. 8802DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, valendose de documentos externos e conclusões de autoridades incompetentes para apurar o crédito tributário, entendo que razão não assiste ao recorrente. Apesar de o procedimento tomar por base denúncia do Ministério Público do Trabalho, é relevante o fato que a constatação de que os documentos e registros efetuados pela empresa não demonstravam a totalidade dos fatos geradores deuse por documentos apreendidos na própria empresa, ou seja, não foram pautados em considerações de terceiros. Quanto a isso nada falou o recorrente para desconstituir as provas apresentadas, alegando tão somente que não passam de indícios incapazes de demonstrar a ocorrência do fato gerador. Observamos que o relatório fiscal da infração, associado ao demais relatórios que compõem o AI demonstram com detalhes as competências e o fatos geradores apurados, tendo o relatório fiscal detalhado de forma satisfatória todos os motivos que levaram a autoridade fiscal a valerse da aferição para apuração dos valores devidos. Assim, primeiramente descreveu a autoridade as irregularidades quanto ao pagamento de valores por fora da folha, conforme descrito em reclamatórias trabalhistas e documentos apurados pelo MPT, e que foram repassados para autoridade fiscal apreciar. Ao contrário do entendimento do recorrente, a falta de contabilização de valores, e a identificação de outros meio de pagamento de salários cadernetas, levaram a autoridade fiscal, a considerar parâmetros para que se apure a mão de obra, capaz de refletir o movimento real da empresa. Neste caso, perfeitamente aceitável não apenas a aferição, como também entendo plenamente cabível a inversão do ônus da prova. Notese que não se trata de contabilização de valores pela empresa, que acabaram desconstituídos pela autoridade fiscal. Pelo contrário, a autoridade fiscal constatou diversas omissões contábeis da empresa, solicitando esclarecimentos, contudo, simplesmente apresentou a empresa defesa e recurso, sem demonstrar com elementos probatórios suas alegações. Entendo que competiria a empresa demonstrar que efetivamente registrava todos o valores pagos por meio das cadernetas, mas apenas promoveu alegações, sem qualquer elemento de prova. Oras, o registro contábil dos fatos da empresa, é que servirá como meio hábil a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não se trata aqui de mera Fl. 8803DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720506/201080 Acórdão n.º 240102.087 S2C4T1 Fl. 8.800 9 obrigação acessória, posto que o desrespeito a contabilização de todos os fato geradores, é quelevou ao descrédito de todo o procedimento da empresa. Assim, por ser a atividade do auditor vinculada e havendo indícios de ausência de contabilização de mão de obra, compete a autoridade fiscal, lançar o que entende devido, é claro que dentro de parâmetros descritos pelas normas da previdência social. Assim, prescreve o artigo 33, §§ 1°c 6° da Lei n°8.212/1991: " Art. 33. (.) § I° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova, em contrário." (grifei). Simplesmente alegar, sem demonstrar a ausência de pagamentos, ou mesmo que os mesmos foram devidamente registrados e recolhidos não é suficiente para refutar o lançamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Fl. 8804DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A empresa é obrigada ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos, conforme previsão no art. 32, inciso II da Lei n ° 8.212/1991, o que não restou demonstrado pelo recorrente, quando contabilizou em conjunto pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, bem como não contabilizou em contas separadas pagamentos de férias e 13. Salário, ou mesmo as parcelas integrantes ou não do salário de contribuição. Ainda de acordo com o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, em seu art. 225, II, § 13, a escrituração pode ser exigida após decorridos 90 dias da ocorrência do fato gerador, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não contabilização em títulos próprios acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 8805DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720506/201080 Acórdão n.º 240102.087 S2C4T1 Fl. 8.801 11 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Por fim, as questões alusivas ao mérito, trazidas pelo recorrente possuem pertinência direta com a preliminar de nulidade apreciada, visto tratarse de alegação de impropriedade na aferição executada, não considerando o recorrente os fatos geradores como devidos. Considerando que a autoridade fiscal, teve acesso a diversos documentos pertinentes ao pagamento de remuneração de segurados empregados, pagamento estes, que embora não estejam descrito na contabilidade em sua totalidade, constituem salário de contribuição e por conseguinte base de cálculo de contribuições previdenciárias, entendo correto procedimento fiscal descrito, que apurou outra bases além das reconhecidas pela empresa em sua GFIP. Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências, mas tão somente Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 8806DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Fl. 8807DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.009317/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.009317/200753 Acórdão n.º 240102.104 S2C4T1 Fl. 111 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fulcro no art. 33, § 3º da Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 15/18 , a notificada deixou de efetuar a retenção de 11% (onze por cento) incidente sobre os valores dos serviços de cessão de mão de obra, contidos nas Notas Fiscais emitidas pela empresa JOÃO DE ALMEIDA – SERVIÇOS DE PINTURA LTDA, no período de 01/2001 a 03/2001. Inconformada com a decisão de fls. 69/82, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em apertada síntese: Que o presente lançamento atinge supostos créditos tributários que se encontram atingidos pela decadência. Sustenta a desnecessidade de retenção de 11% nos serviços prestados pela empresa contratada pois esta é optante pelo SIMPLES; Defende que o regime de retenção não se aplica quando da contratação de serviços considerados de construção civil supostamente prestados mediante empreitada de mãodeobra, sujeitos à responsabilidade solidária. Afirma que o erro na capitulação do fundamento da notificação gera nulidade do levantamento por cerceamento de defesa já que nas hipóteses de solidariedade é permitido ao tomador de serviços elidir sua responsabilidade através da apresentação de comprovantes de pagamentos efetuados pelo prestador de serviços, enquanto no regime de retenção esta possibilidade não existe. Aduz que a fiscalização não comprovou a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra. Que a aplicação da taxa SELIC é ilegal. Manifesta pela nulidade do lançamento em face a negativa de realização de perícia. Requer o provimento do recurso nos termos das fundamentações acima alinhavadas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em maio de 2007, conforme se verifica do AR juntado às fls. 21 e as contribuições exigidas referemse às competências período de 01/2001 a 03/2001, o que fulmina totalmente o direito do fisco de constituir o lançamento, seja qual for o critério utilizado para a contagem do prazo art. 150, IV ou 173, I do CTN. Ante ao exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.009317/200753 Acórdão n.º 240102.104 S2C4T1 Fl. 112 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.002275/99-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-001.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. Esteve presente ao julgamento a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/DF nº 1.801, advogada do sujeito passivo. Julgamento antecipado para 9/11/2011, às 9 horas, a pedido do sujeito passivo.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GUERRA S/A IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. Esteve presente ao julgamento a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/DF nº 1.801, advogada do sujeito passivo. Julgamento antecipado para 9/11/2011, às 9 horas, a pedido do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 22/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pela Terceira Câmara do terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/01/1999 FINSOCIAL. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Segundo entendimento consolidado pelo STJ, não se pode falar em prescrição antes de esgotado o prazo de 10 (dez) anos condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no § 40 do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A PGFN interpôs Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo,começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição do Finsocial, apresentado em 30/08/1999, relativo aos pagamentos efetuados a maior no período de apuração de Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.002275/9915 Acórdão n.º 930301.744 CSRFT3 Fl. 447 3 tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações impetradas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 30/08/1999, somente os pagamentos efetuados anteriormente a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, todo o período objeto do pedido de restituição encontrase dentro do período que não houve a prescrição do direito. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco inexistindo qualquer período alcançado pela prescrição, vez que o primeiro pagamento reivindicado fora efetuado em outubro de 1995. Ante o exposto voto pelo não provimento do recurso interposto pela PGFN, mantendose, na íntegra, a decisão da instância a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16327.000007/2005-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
DESPESAS. GLOSA. RATEIO.
Não comprovado nos autos que os valores contabilizados a título de despesas operacionais, apurados mediante rateio entre empresas de mesmo grupo econômico, devem ser efetivamente glosados, insubsistente o lançamento tributário.
Numero da decisão: 1801-000.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.O conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni acompanha pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 DESPESAS. GLOSA. RATEIO. Não comprovado nos autos que os valores contabilizados a título de despesas operacionais, apurados mediante rateio entre empresas de mesmo grupo econômico, devem ser efetivamente glosados, insubsistente o lançamento tributário.
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GLOSA. RATEIO. Não comprovado nos autos que os valores contabilizados a título de despesas operacionais, apurados mediante rateio entre empresas de mesmo grupo econômico, devem ser efetivamente glosados, insubsistente o lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. O conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni acompanha pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Este processo foi anteriormente analisado e convertido o julgamento na realização de diligência. Aproveito, por oportuno, o relatório e voto elaborados na Resolução nº 180100.010/09, fls. 493 e ss, para historiar os fatos: “A empresa em epígrafe foi auditada para verificação do cumprimentos das obrigações tributárias em relação ao IRPJ e CSLL para os anoscalendários de 1999, 2000, 2001 e 2002. Em 31/10/2001 a empresa verteu parte de seu patrimônio para a empresa “Chibarás Administração e Participações Ltda” e, em 28/06/2002, parte para “Itaú Gráfica Ltda” e “Tuiuiú Adm. e Participações Ltda.”, o que resultou em entregas de declarações nos momentos das referidas cisões. Em fiscalização levada a efeito junto à empresa coligada – Banco Itaú S/A – verificouse que foram creditados valores na conta contábil daquela empresa de despesa, valores identificados como repasse de “Convênio de Rateio de Custos Comuns”. A fiscalização elaborou às fls. 72 demonstrativo com os valores respectivos creditados em todos os meses dos anoscalendários de 1999, 2000 e 2001, e de janeiro a junho de 2002. Fazem parte do referido convênio 38 empresas, que constituem o “Conglomerado Itaú”. Do referido convênio, cuja cópia encontrase às fls. 29 e 30, a fiscalização destacou as cláusulas que definem a forma de rateio a ser compartilhado entre as diversas empresas, da seguinte forma: “a) O Banco Itaú S/A manterá estrutura material e de pessoal que atenda às necessidades dos contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores) e recursos humanos, com vistas à consecução dos respectivos objetivos sociais; b) Os custos decorrentes da manutenção dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização, segundo métodos estatísticos e matemáticos; c) O Banco Itaú S/A preparará os demonstrativos dos custos e do respectivo rateio.” Intimada a instituição financeira Banco Itaú a apresentar a documentação acima especificada, em relação ao rateio efetuado com a fiscalizada, esclareceu que não dispunha dos documentos e do referido controle de rateio de forma individualizada, por exemplo, em relação à mão de obra. Assim respondeu à intimação fiscal – trecho parcial: “O processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados, bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados. Para tanto utilizase um modelo de apuração de custos, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente às empresas, através da medição dos custos das áreas envolvidas, a saber: Área de Negócios, Unidade de Processamento de Serviços às Agências (UPSA), Sistemas e Órgãos Gestores (como a contabilidade, por exemplo). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 566 3 Sendo assim, como é utilizado o modelo acima, que é válido para o conjunto de empresas envolvidas no compartilhamento de custos, a identificação/qualificação dos funcionários envolvidos fica prejudicada, visto que elas não se dedicam exclusivamente ao produto ou à empresa. Por outro lado, os recursos envolvidos no compartilhamento e o processo de rateio abrangem um imenso volume de informações visto envolver praticamente toda a estrutura operacional do Conglomerado Itaú.” A fiscalizada por sua vez, intimada a esclarecer os termos do convênio celebrado com o Banco Itaú S/A juntamente com as demais empresas, elaborou o demonstrativo de valores deduzidos e repassados ao “Banco Itaú” e respondeu: “a) Tais valores foram registrados na conta contábil nº/nome 813400.9012004 – Conv. Rat. Custo Comum – Itaubanco, e correspondem aos que foram entregues ao Banco Itaú S/A em razão do Convênio de Rateio de Custos Comuns celebrado entre as partes. b) A ARMAZÉNS GERAIS ITAUTEC PHILCO S/A concorda com os termos da resposta do banco Itaú S/A ao termo de Intimação Fiscal nº 09; c) o Convênio de Rateio de Custos Comuns não envolve prestação de serviços do Banco Itaú para a ARMAZÉNS GERAIS ITAUTEC PHILCO S/A – Grupo Itautec, pois se trata de compartilhamento de estrutura material e pessoal para o atendimento das necessidades operacionais de ambas as partes, com custos atribuídos a cada uma delas segundo os critérios apontados pelo Banco Itaú S/A na resposta ao termo acima referido; d) os custos incluídos no Convênio referemse a despesas operacionais, tais quais a manutenção de estrutura de pessoal para atendimento das necessidades das contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/finanças, recursos operacionais e recursos humanos.” Diante dessas informações, a fiscalização teceu considerações sobre: a) os requisitos legais preceituados nos artigos 249, 251, 264, 299 e 300 do RIR/99 sobre a dedutibilidade das despesas incorridas pelas pessoas jurídicas; b) a interpretação dada ao artigo 299 do RIR/99 (antigo 191 do RIR/80), pelo Parecer Normativo Cosit nº 32/81; c) das despesas escrituradas serem compatíveis com as necessidades da empresa; d) cita doutrina sobre os rateios entre empresas, espelhada em Luciana Rosanova Galhardo, in Rateio de Despesas no Direito Tributário; e) as modalidades de rateios de despesas e/ou custos, conforme ensina Alberto Xavier, in Aspectos Fiscais de CostSharing Agreement , discriminandoos diretos e indiretos, explicitando que há três métodos indiretos na impossibilidade de existir uma relação direta entre o custo do serviço prestado e sua remuneração em função do benefício recebido; f) o método utilizado pelo Conglomerado Itaú ao celebrar o convênio entre si identificase como o método direto, pois cada uma das empresas deve admitir como despesas/custos apenas os gastos que foram efetiva e individualizadamente incorridos, citando os ensinamentos também de Luciana Galhardo; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 g) no critério indireto, o método mais adotado é o do volume do faturamento, para correlacionar as despesas incorridas ao benefício obtido; h) nem o Banco Itaú S/A, nem a empresa fiscalizada apresentaram planilhas das despesas, de forma individualizada, com base na efetiva utilização dos serviços, aliás, utilização também não comprovada; i) a fiscalização embora tenha intimado as demais empresas do Conglomerado Itaú a esclarecer e apresentar as planilhas de rateio dos custos/despesas efetivos, não logrou êxito em obter de qualquer uma tal documento que comprovasse a efetiva utilização dos serviços prestados pelo Banco Itaú – fls. 39 a 57; j) inegável, todavia, a prestação de serviços realizada pelo suporte do banco Itaú às demais empresas do Conglomerado Itaú; k) com fulcro no artigo 299 do RIR/99 que estabelece como condição de dedutibilidade das despesas serem essas necessárias à atividade da mesma, somado à ausência de planilhas e documentos que demonstrem a efetividade dos serviços prestados, a fiscalização buscou a verdade material dos fatos adotando o método de custeio indireto, parametrizado pelo conceito de renda bruta; l) intimado o Banco Itaú a fornecer uma planilha discriminando o valor das receitas brutas das empresas que compõem o Conglomerado Itaú, forneceu a relação de fls. 59 a 62; m) desta planilha, a fiscalização extraiu um índice calculado sobre “receita bruta total das empresas do Conglomerado Itaú”/ “receita bruta da fiscalizada”; n) este índice, obtido para cada anocalendário, foi aplicado sobre o valor total das despesas apropriadas pelo Banco Itaú a débito da conta “Despesas com Pessoal”, obtendose os valores passíveis de dedução pela empresa fiscalizada; o) os valores deduzidos irregularmente estão especificados no demonstrativo de fls. 87 e são relativos aos anoscalendários de 1999, 2001 (duas apurações por causa da cisão) e 2002. A glosa dos valores excedentes, apropriados como despesas, indevidamente, segundo a fiscalização, ensejou a tributação ora debatida e consubstanciada nos Autos de Infração lavrados às fls. 94 a 104, integrado pelo Termo de Constatação de Infração de fls. 71 a 93, que minuciosamente esclarece e descreve os fatos. A empresa impugnou a autuação às fls. 147 a 160 insurgindose quanto à utilização de outro critério para apurar as despesas incorridas pela empresa fiscalizada. Argúi, em preliminar, nulidade dos Autos de Infração porque a fiscalização não buscou elementos de prova suficientes junto à fiscalizada para promover a autuação, pelo que agiu imotivadamente, embora a empresa e o Banco Itaú tenham prestado os esclarecimentos e colocado a documentação à disposição da fiscalização, entre outros argumentos. Passa a explicitar sobre o convênio celebrado entre as empresas do Conglomerado Itaú e do critério de rateio utilizado. Apresenta para respaldar o critério por si utilizado e rechaçar a utilização do critério de imputação indireta elegido pela fiscalização, Laudo de Avaliação de Critérios Adotados para a Apuração do Convênio de Rateio de Custos Comuns anexado à impugnação. Protesta, por último, que a diferença apurada em 2000 pela fiscalização, a maior do que aquela efetivamente deduzida pela contribuinte, seja compensada com os valores apurados ex officio e cobrados da contribuinte na exação fiscal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 567 5 Às fls. 269 a 279, a Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/CE exarou o Acórdão nº 6.741/05, mantendo integralmente o lançamento tributário. Assim foi ementado o referido acórdão: Ementa: DESPESAS SEM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. RATEIO. DEDUTIBILIDADE. Para que sejam dedutíveis as despesas com comprovante em nome de uma outra empresa do mesmo grupo, por terem sido as mesmas rateadas, é imprescindível que, além de atenderem os requisitos previstos no art. 191 do RIR/1980, fique justificado e comprovado o critério de rateio. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. ÔNUS DA PROVA. A atribuição do ônus da prova ao Fisco não o impede de efetuar o lançamento de ofício com base nos elementos de que dispuser, quando o contribuinte, obrigado a prestar declaração ou intimado a informar sobre fatos de interesse fiscal de que tenha ou deva ter conhecimento, se omite, recusese a fazêlo, ou o faz insatisfatoriamente. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando efetuado sem a formulação dos quesitos, assim como sem a indicação do nome, endereço e a qualificação profissional do perito, por não se coadunar às regras do artigo 16, inciso IV, e § 1º, do Dec. nº 70.235, de 1972. Ementa: CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido em relação ao lançamento matriz. Extraio trechos do referido acórdão, para demonstrar, em apertada síntese, a motivação da decisão prolatada, no que se refere a matéria de mérito: [...] 22.Por sua vez, com base no art. 251 do RIR/1999 (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 7º), a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Assim, tanto a empresa repassante como aquelas que recebem o rateio das despesas estão obrigadas a manter escrituração com base nas leis comerciais ou fiscais. Nesse sentido, até mesmo por uma questão de classificação contábil dos dispêndios, esses devem ser discriminados ou individualizados, para que se possa alocálos corretamente nas respectivas contas contábeis. 23.Desse modo, a lei exige que as despesas sejam registradas na escrituração contábil da empresa, devendo ser identificadas, quer sob aspectos formais (documentação hábil e idônea, como notas fiscais ou recibos), quer sob aspectos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 intrínsecos (identificação da operação, efetividade da prestação do serviço e do respectivo pagamento, quem o prestou e como e quando o realizou, etc.). 24.Especificamente no caso de rateio de despesas, fazse necessário que a empresa repassante discrimineas em documentos fiscais ou em relatórios ou demonstrativos. Ou seja, as despesas devem estar devidamente identificadas ou individualizadas. 25.Ocorre que o Fisco somente poderia verificar a necessidade, usualidade e normalidade de um determinado gasto, se esse estiver identificado em pormenores. Logo, na contabilização de gastos dedutíveis, a legislação tributária não dispensa os referidos pormenores formais e intrínsecos. 26.No caso vertente, muito embora tenha insistido a defesa que as despesas glosadas referemse aos gastos necessários à sua atividade principal, esses não estão devidamente identificados nos documentos apresentados. A falta de comprovação da efetiva utilização dos serviços, que subsidiaram o rateio, impossibilita a Fiscalização de verificar os três requisitos fundamentais para dedutibilidade de despesas, quais sejam, necessidade, usualidade e normalidade. 27.Observese, como muito bem destacou o autuante, que a contribuinte nem teve a preocupação de apresentar demonstrativos, no sentido de tipificar quais serviços foram efetivamente prestados ou executados. Ao contrário do que se disse na defesa, o ônus dessa prova (relativas aos pormenores das despesas deduzidas na apuração do resultado do exercício) é da contribuinte, e não do Fisco. Ou seja, incumbia à interessada o ônus da prova quanto aos custos e despesas operacionais que importaram em redução do crédito tributário. A dedutibilidade de despesas está condicionada à comprovação de sua efetiva realização e de sua necessidade. [...] 29.O entendimento aqui esposado, de que as despesas rateadas entre empresas de um mesmo conglomerado podem ser dedutíveis desde que, além de estar demonstrado que as mesmas atendem os requisitos previstos no art. 191 do RIR/1980, esteja, também, justificado e comprovado o critério de rateio utilizado, encontra respaldo na esfera administrativa, conforme ementas do Egrégio Conselho de Contribuintes a seguir reproduzidas. [...] 30.Pelo teor das ementas, verificase a necessidade de um critério objetivo, que estabeleça uma certeza nos valores a serem rateados. No caso, apesar de laudos elaborados por Auditores Independentes terem confirmado as informações apresentadas pela interessada de que compartilhava com as demais empresas do grupo diversos serviços, rateando as correspondentes despesas, formalizadas em nome de uma das empresas, não restou demonstrado o respectivo critério de rateio. 31.Como somente são dedutíveis na apuração do lucro real as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, a impugnante poderia ter deduzido somente as despesas próprias que, no tocante às despesas efetuadas em comum com empresas ligadas, poderiam ser definidas somente após um rateio criterioso. Na ausência deste, o autor da ação fiscal adotou a proporcionalidade com as receitas brutas auferidas pelas empresas do grupo, em decorrência do uso de serviços da contribuinte. 32 Assim procedendo, foi definido um critério de cálculo do quantum a ser deduzido para apuração do valor tributável. E a jurisprudência administrativa confirma o acerto deste procedimento, conforme pode ser visto nas ementas de acórdãos a seguir transcritas: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 568 7 [...] 33. Em relação aos Laudos de Avaliação dos Critérios Adotados para a Apuração do Convênio de Rateio de Custos Comuns, elaborados pela Boucinhas e Campos Auditores Independentes para cada uma das empresas signatárias do referido contrato de rateio, cumpre observar que embora estejam datados de 02/02/2001 e 12/12/2002 (conforme fls. 222 e 257), antes, portanto, dos procedimentos fiscais que deram origem à autuação, não foram apresentados à autoridade autuante, mesmo tendo a autuada sido intimada várias vezes a fazer prova dos critérios de rateio. Tais laudos somente foram trazidos à baila em sede de impugnação e se limitam a afirmar genericamente que os critérios de rateio estão de acordo com as normas contábeis, sem, contudo, trazer qualquer demonstrativo que possibilite determinar com precisão se os critérios adotados acarretaram efetivamente a distribuição das despesas levado a efeito pelas empresas signatárias do convênio de rateio. 34.É importante ressaltar que a autoridade fiscal não contesta o critério de rateio em si, mas sim a falta de demonstração de que, ao adotar tal critério, a empresa tenha incorrido nas despesas efetivamente registradas nos seus livros contábeis e fiscais. Os laudos trazidos na impugnação em nada contribuem para elucidar essa questão. Se tais laudos tivessem sido apresentados à autoridade fiscal, esta poderia ter intimado a empresa de auditoria a prestar esclarecimentos a respeito da efetividade das despesas rateadas. Sem elementos (demonstrativos, planilhas etc.) que comprovem a regularidade das despesas rateadas, não há como serem aceitos, em sede de impugnação, os referidos laudos. 35.Em relação à alegação de que, no ano 2000, a fiscalização apurou custo maior que o apropriado pela impugnante, mas, no entanto, não considerou tal diferença em seus cálculos, o que se verifica é que ela pretende que sejam apropriados como custos os valores apurados pela fiscalização com base no rateio sobre a Receita Bruta e que a diferença a seu favor seja ‘compensada’ com os ‘valores deduzidos irregularmente’ nos demais exercícios. Ou seja, a impugnante requer que, de ofício, esta autoridade julgadora recomponha os seus custos de 2000 e a diferença de IRPJ ‘paga a maior’ seja aproveitada para abater o imposto lançado nos períodos seguintes. 36.No entanto, tal pretensão é totalmente descabida. No anocalendário 2000 não houve lançamento do IRPJ resultante de valores irregularmente deduzidos do lucro líquido do exercício (vide fl. 87) e, portanto, tal período de apuração não é objeto do litígio ora em análise. Assim, como os exercícios são independentes entre si, não pode a autoridade julgadora realizar alterações de ofício na declaração de um determinado anocalendário que não tenha sido objeto do lançamento para aproveitar os resultados dessas alterações e modificar o lançamento efetuado, referente a anoscalendário distintos daquele, principalmente quando o contribuinte não concorda com os valores apurados pela autoridade fiscal, conforme ficou claro em sua impugnação. [...] A empresa autuada interpôs Recurso Voluntário às fls. 291 a 309, instruído com: “Parecer Técnico quanto aos procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos comuns com empresas ligadas, face a termos de verificação fiscal da Receita Federal”, emitido pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras – FIPECAFI, datado de julho de 2006 – fls. 335 a 377; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 “Relatório de Revisão Especial sobre convênio da rateio de custos comuns – período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002”, emitido pela empresa de auditoria BDO Trevisan, em julho de 2006 – fls. 380 a 392; “Relatório de avaliação dos métodos utilizados no convênio de rateio de custos comuns do conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2002”, emitido por Moore Stephens, Auditores e Consultores, em junho de 2006 – fls. 395 a 473. Na peça recursal argumenta: I) “Sob a alegação de ausência de planilhas que comprovassem a efetiva utilização da estrutura material e pessoal do banco Itaú S/A, a fiscalização escolheu outro critério para apuração dos custos decorrentes do contrato de Rateio de Custos Comuns, elaborado com base na receita bruta do Recorrente (...)”, o que acarretou a apropriação de menores custos e na exação fiscal; II) o Banco Itaú e a fiscalizada responderam todas as intimações fiscais e colocaram se à disposição para maiores esclarecimentos em razão da quantidade de documentos comprobatórios dos critérios de rateio, mas a fiscalização não buscou tais elementos ou esclarecimentos, pelo que a autuação ofendeu o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, não atendido o princípio basilar da atividade administrativa que é o da motivação dos atos, em outras palavras, caberia ao fisco o ônus da prova quanto ao fato constitutivo; no procedimento fiscal não buscouse entender os critérios adotados como base do rateio de custos, nem mesmo apurouse a dedutibilidade desses, o que causa a nulidade do feito fiscal; III) da mesma forma procederam os julgadores de primeira instância, que mesmo com a juntada de Laudo para esclarecer o critério utilizado pelo Conglomerado Itaú, sequer o analisaram; cita vasta doutrina a respeito do ônus da prova na área administrativa, bem como acórdãos administrativos neste mesmo sentido; IV) explicita sobre os contratos de rateio de custos e despesas entre empresas de mesmo grupo econômico, defendendo que as empresas podem se utilizar de critérios que não o da imputação indireta, embora esse seja o mais comumente utilizado; V) o convênio de rateio adotado pelo Conglomerado Itaú já foi objeto de análise e validação pelo Conselho de Contribuintes, conforme votado nos Acórdãos nºs 101 95.791, 10196.537, 10195792, 10322934, 10195958; VI) passa a tecer esclarecimentos sobre os critérios de rateio utilizados, explicando que a recorrente utiliza a estrutura das áreas de controle econômico, financeira, consultoria jurídica, recursos operacionais, recursos humanos e suporte administrativo, área comercial e correspondência; em razão das características das atividades exercidas, adota critérios de apropriação de custos de diversas maneiras; VII) para a comprovação dos métodos adotados, a recorrente solicitou a elaboração de diversos laudos, acima especificados (i, ii, iii); VIII) os critérios são objetivos e perfeitamente coerentes com as atividades compartilhadas; IX) se ainda assim, perdurar o lançamento tributário, o que apenas se admite por amor ao debate jurídico, e de se argüir sobre o efeito tributário da autuação nas empresas conveniadas; o autuante não contesta o total das despesas escrituradas no Banco Itaú, vale dizer, que enquanto diminui o valor desta despesa em uma empresa do grupo, não corrige e passa o valor glosado para outra empresa, o que certamente seria devido; vale dizer, estáse exigindo tributo que outro contribuinte já assumiu; esse procedimento ofende o princípio da moralidade administrativa e privilegia o enriquecimento ilícito do Estado; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 569 9 X) traz a esse julgado um caso específico, matéria de outro processo administrativo fiscal, no qual a autoridade de lançamento glosou por total todos os custos e despesas objeto do mesmo convênio; isso demonstra a fragilidade do critério imposto pelo fisco, ora agindo de uma forma, ora de outra; propugna para que o mesmo método seja utilizado em relação a todas as empresas conveniadas; XI) ainda que nenhum dos outros argumentos sejam acolhidos, verificase erro na apuração das bases de cálculo utilizadas; por erro de digitação, em relação ao ano calendário de 2001, as receitas brutas das conveniadas foram informadas erroneamente, pelo que ora se junta o demonstrativo com os valores corretos, o que altera o índice utilizado pela fiscalização de 0,0048324% para 0,01545708%; XII) a CSLL foi exigida no percentual de 12%, quando a alíquota vigente à época dos fatos é de 8%; XIII) fala sobre lançamento indevido realizado em decorrência de glosa da compensação de prejuízos fiscais com atividades rurais, relativo ao anocalendário de 2000; Por fim, solicita que seja acolhida a preliminar e/ou razões meritórias, bem como, se for necessário, a realização de perícia técnica. É o relatório.” (grifos não pertencem ao original) Tendo por fundamento os fatos aqui relatados, esta Primeira Turma deliberou: “Consoante relatado, a empresa faz parte do que se denomina Conglomerado Itaú, juntamente com outras 36 empresas, sendo que compete ao Banco Itaú S/A a centralização de diversos serviços, pessoal e material razão pela qual fora firmado um convênio entre as empresas, o Convênio de Rateio de Custos Comuns CRCC. Com efeito, há que se reconhecer, pelo já relatado, que a empresa fiscalizada e a empresa intimada a esclarecer sobre o referido convênio, no caso a centralizadora Banco Itaú, não se esforçaram para atender a fiscalização de modo que essa pudesse entender a complexidade das operações centralizadas de tal conglomerado de empresas. Nada há que invalide a autuação conforme foi efetuada, nas condições com que a fiscalização se deparou, agindo, na falta dos elementos que buscou ou de esclarecimentos melhores prestados, com a devida diligência e fundamentando a autuação na melhor doutrina existente no que respeita ao assunto ‘rateio de custos’ entre coligadas. Basta ler o Termo de Verificações Fiscais para se averiguar o aprofundamento na matéria ao qual a autoridade do lançamento se dedicou. Ressalto, assim como o fez a turma julgadora a quo, que a existência e o convênio firmado para estipular o rateio não são discutíveis, bem como a natureza das despesas, reconhecidas como necessárias ao desempenho das atividades, restando somente dirimir o conflito estabelecido quanto aos critérios utilizados. Todavia, forçoso é, em vista dos elementos juntados aos autos, ainda que na fase impugnatória e na fase recursal que a matéria – rateio de custos – nesse Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 conglomerado em espécie, demanda uma fiscalização mais profunda para averiguar se todos os critérios estatísticos e matemáticos foram devidamente observados pelas empresas participantes conveniadas e, ao meu ver, não basta à fiscalização argumentar que “...os conglomerados econômicos financeiros poderiam manipular resultados, como bem lhes conviesse, sob o manto de um contrato particular, ...”, mas teria que inequivocamente evidenciar a manipulação do grupo empresarial a fim de convencer que tal estratégia é utilizada conscientemente com o fim de fraudar o fisco, o que envolveria não somente uma empresa do grupo, mas todo o conglomerado. E não há como, no presente caso, deixar de conhecer os Pareceres e Laudos apresentados que convalidam o rateio realizado pelo referido grupo de empresas tal a complexidade da matéria ora debatida. A minha posição com relação ao artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72 PAF, registro por oportuno, é que esse dispositivo do processo administrativo fiscal deve ser interpretado de forma temperada, sobrepesando os demais princípios processuais administrativos, em vista de cada situação proposta. Declarar a preclusão do direito à contribuinte de apresentar as várias perícias que buscou junto a empresas especializadas para demonstrar a plausibilidade e a correição do rateio conforme os critérios adotados e rechaçados na fiscalização, é fugir do conhecimento da verdade material dos fatos, princípio esse que deve ser privilegiado no Direito Tributário Processual. O fato de a contribuinte não haver atendido à fiscalização como deveria ter feito não pode ser penalizado com a exigência de tributo não devido, se lograr comprovar a improcedência da autuação. Para penalizar os contribuintes que se recusam a atender a fiscalização o legislador cominou o agravamento da multa de ofício, o que não ocorreu na presente autuação. Não acolhido, pela turma a quo como prova suficiente para afastar a tributação imposta o laudo apresentado às fls. 191 a 257, juntamente à impugnação, não vejo como desconhecer os demais pareceres especializados apresentados em recurso para fortalecer a prova já iniciada no prazo legal. Resta, portanto, uma situação deveras complexa a ser dirimida. De um lado, a ineficiência deste enorme grupo empresarial em demonstrar cabalmente à fiscalização os critérios utilizados no referido rateio de custos, fato este que entendo estar suficientemente comprovado aos autos, e que ensejou a adoção de outro critério pela fiscalização, que não glosou totalmente as despesas incorridas com o referido repasse ao Banco Itaú, mas adequouo a valores conforme critérios adotados. Se ao menos o grupo tivesse entregue para conhecimento da fiscalização o tal laudo de avaliação de critério emitido por “Boucinhas & Campos”, o desfecho da fiscalização poderia ter sido diferente com o procedimento direcionado para o aprofundamento do conhecimento da forma de funcionamento do referido rateio e auditoria da documentação que comprovasse os valores efetivamente despendidos. Sem falar que é dever dos contribuintes apresentar toda a documentação que embasa a escrituração contábil à fiscalização quando solicitada, o que vale dizer, com efeito os laudos e pareceres que convalidam o rateio por critérios mais complexos do que os usualmente adotados deveriam já estar prontos para serem exibidos. Por outro lado, esses documentos apresentados a posteriori e ora admitidos no processo, conforme acima fundamentado, constituem prova de que os critérios Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 570 11 utilizados pelo Banco Itaú e conveniadas são objetivos, aceitos juridicamente e estão em conformidade com o Convênio de Rateio de Custos Comuns firmado, não cabendo à esse órgão colegiado colocar a lisura das provas periciais em suspeita. Esclareço, ainda, que esta matéria já foi objeto de outros recursos apreciados no âmbito desse órgão colegiado, consoante aventado pela recorrente. E, para reforçar o entendimento ora esposado, junto às fls. 484 a 492, cópia do Acórdão nº 10195.791, cujo voto é de lavra da i. conselheira Sandra Faroni, aproveitando as suas conclusões sobre os pareceres técnicos apresentados pela autuada, que transcrevo, in verbis: “Ocorre que o Recorrente está agora trazendo pareceres técnicos de renomadas entidades que analisam procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, e relatam uma revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio decustos comuns do Conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003. [...] Da análise dos documentos trazidos, a primeira constatação que aflora é de que a possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar “planilhas e demonstrativos”, exigindo uma auditoria profunda, tal como as feitas, especialmente, pelo FIPECAFI e pela Moore Stephens, cujos relatórios se encontram anexos ao memorial. [...] A análise de FIPECAFI conteplou aspectos conceituais e procedimentais relativos ao sistema de custos utilizado pelo Grupo Itaú e à forma de rateio, abrangeu o período de 1999 a 2003. Convém pinçar alguns registros contidos no relatório produzido por aquele instituto: O sistema de apuração e rateio de custos compreende um processo composto por três grandes fases: departamentalização de custos, custeio de produtos e rateio de custos às empresas do grupo. [...] O processo de custeio realizase em dois estágios. No primeiro, o valor de cada centro de custo é alocado a outros centros de custos e aos centros de resultados. No segundo, os valores remanescentes nos centros de custos são alocados aoscentros de resultados. Nos centros de custos cujas atividades são dirigidas a mais de um órgão usuário, a alocação se faz de acordo com o volume de atividade absorvido por esses centros recebedores. Esse volume de atividade é medido por meio de fatores físicos e operacionais que representam, efetivamente, a demanda de atividades por parte do centro usuário, e são conhecidos como direcionadores de custos. [...] Há ainda uma situação em que a alocação não é feita nem diretamente, nem por meio de direcionadores. Tratase de centros de custos para os quais, seja por sua complexidade, seja pela relevância de seu valor, não se identificou o respectivo direcionador. [...] Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 O Grupo Itaú utiliza o método de Custeio por Absorção Total (Custeio Pleno), pelo qual todos os custos são apropriados aos produtos. [...] Pondera o parecerista que embora o sistema adotado pelo Itaú seja realmente complexo, devido à quantidade de empresas e à diversidade de atividades, o mecanismo de ressarcimento é conceitualmente correto. Afirma que “o ressarcimento de custos das atividades compartilhadas com base nos critérios demonstrados é realizado conforme previsto no Convênio de Rateio de Custos Comuns, tanto no que se refere à efetiva utilização, pelas empresas, daquelas atividades, como por satisfazer aos requisitos técnicos necessários aos direcionadores de custos.” Em sua conclusão, afirma o parecer da FIPECAFI que: (a) o procedimento está conceitualmente correto; (b) nas duas formas de ressarcimento (com base na grade de rateio e com base no custo dos produtos efetivamente comercializados) houve mensuração sistemática, direta e indireta, individualizada por empresa; (c) embora a empresa venha migrando, gradativamente, do ressarcimento feito com base na grade de custeio para o feito com base no custo dos produtos – na medida em que se aperfeiçoa o processo de mensuração de seus custos – não foi detectada utilização assistemática, errática ou aleatória de critérios de rateio, como se houvesse intuito de manipular resultados. Da mesma forma, a Moore Stephens Auditores Independentes, no item 2 do Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados, descreve as principais características do sistema de custos adotado pelo Grupo Itaú. [...]” Destarte, acolho a argumentação trazida pela recorrente de que a fiscalização não poderia ter adotado critério divergente daquele adotado pela empresa para repartir custos entre empresas do mesmo grupo, no entanto divirjo nas conclusões do brilhante voto acima transcrito, pois entendo que a empresa não pode se beneficiar da sua própria ineficiência em demonstrar prontamente o referido critério de CCRC ao fisco e, mais importante, constato que o critério foi demonstrado, mas não a efetividade dos dispêndios em conformidade com os tais critérios. Por conseguinte, se as despesas com o referido rateio não foram realizadas nos estritos moldes do referido critério, é sinal inequívoco que este não foi aplicado pela empresa auditada e a adoção do critério de aferição de custos de forma indireta, consoante aplicado pela fiscalização, está correto. Determino que retorne à fiscalização para que, com base no critério de aferição de custos apresentado pela empresa: _ intime a empresa e/ou o Banco Itaú S/A a fazer a prova real da utilização do critério, comprovando a sua efetiva aplicação e esclarecendo quanto aos valores que constaram na contabilidade a título das despesas em questão; _ após a resposta da(s) empresa(s) verifique junto à contabilidade e documentação correlata as informações prestadas, exarando relatório conclusivo. A empresa deverá ser cientificada do resultado da diligência para, se assim desejar, se manifestar.” (grifos não pertencem ao original) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 571 13 A fiscalização intimou a recorrente às fls. 504 objetivando cumprir a diligência requerida. Às fls. 506 e 507 a recorrente, em atendimento à fiscalização, explicou que o sistema de custeio adotado pela empresa é o Activity Based Cost, pelo qual os custos (diretos e indiretos) são agrupados por atividade, estas são agrupadas e geram relatórios gerenciais. Quanto à intimação para que apresentasse a demonstração da aplicação dos critérios do convênio – CRCC, relativamente a janeiro de 1999 a dezembro de 2001 (período que gerou as glosas parciais das despesas), esclareceu que verbalmente acordou com a fiscalização apresentar a demonstração com referência a janeiro de 2000, haja vista o enorme volume de documentos envolvidos, próximos a 1.000 páginas por mês (x 36 meses). Desta forma, foram anexados ao presente processo 04 volumes de documentos e relatórios (Anexos I, II, III e IV) que demonstram, segundo a recorrente, a precisão dos valores contabilizados a título de despesas rateadas entre as empresas do conglomerado, sendo que os departamentos – órgãos de custos – que participaram do rateio à recorrente foram assim discriminados: Anexo 1 – Área financeira – Superintendência Controle e Liquidação Operações – SCLO; Anexo 2 – Área de controle econômico – Sup. Controle e Cons. Holding – SCCH; Assessoria de Controle Fiscal e Financ das Hold; Ass de Contabilidade Itaúsa; Anexo 3 – Área de mercado de capitais – sem valores Anexo 4 – Área de consultoria jurídica – Sup. Assuntos Corporativos e departamentos; Anexo 5 – Área de recursos operacionais – sistemas compartilhados; Anexo 6 – Área de recursos humanos e suporte administrativo – diversas superintendências, setores e departamentos; Anexo 7 – Diretoria de contenciosos judicial – área comercial Às fls. 06, o Anexo I, traz a discriminação pormenorizada dos retro mencionados anexos, valores e percentuais. A recorrente aditou a retro mencionada resposta com as petições de fls. 539/540, nas quais teceu maiores esclarecimentos sobre o manejo dos dados considerados pelo sistema de custos (ABC), a fim de atender a solicitações da fiscalização para o perfeito entendimento. Cumpre esclarecer que os valores gerados pelos relatórios não são diretamente coincidentes com os valores contabilizados a título das despesas mensais registradas, pois o método utilizado pelas empresas do conglomerado Itaú utilizam médias mensais aferidas, conforme explicado às fls. 540 e constante no CRCC – fls. 556/557, item 5 (fls. 29 e 30). O relatório fiscal informa – fls. 561/562: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 “Em 26/11/2010, o contribuinte apresentou a esta fiscalização a demonstração da aplicação do critério de custos, relativo ao período de janeiro de 1999 à dezembro de 2001. Foi determinado por esta fiscalização que, em função da enorme quantidade de documentos (cerca de 1.000 páginas por mês) relativos aos custos utilizados pela empresa, fosse apresentado a esta fiscalização a completa aplicação de custos referentes ao mês de janeiro de 2000, tendo em vista que, s.m.j., a divergência apontada pelo Conselho (fl. 499) diz respeito à correta aplicação do critério de custos pela interessada, bem como quanto aos corretos lançamentos contábeis. Os documentos referentes ao mês de janeiro de 2000 encontramse em quatro volumes (sete anexos principais em cada volume) anexados ao processo. Verificandose o anexo 1 do primeiro volume, temos o cálculo dos percentuais de rateio da área financeira janeiro de 2000. Para o setor em referência, a interessada cita a referida superintendência de contabilidade e liquidações financeiras (SCLOF), apresentando o critério de alocação de horas gastas nos diversos produtos da área, configurada proporcionalmente a participação no total (percentual). Já para os casos referentes às coligadas, o critério utilizado deuse com base no volume das aplicações, por percentuais ponderados, pela média de aplicações do período. No anexo 1.2, foram apresentados os custos diretos apresentados pelo setor SCLO Superintend. Controle e Liquid. Oper.. Conforme solicitação desta Fiscalização, em 28/02/2011 a empresa apresentou esclarecimentos (declaração em anexo fl. 539 à 540) no que se refere ao valor atribuído como custo aos Armazéns Gerais Itautec S/A . A título de exemplificação foi questionado como se deu o cálculo no valor de R$ 80,00 advindo da Superintend. Controle e Liquid. Oper. fl. 6 do caderno 1 / 4 do Mapa Resumo dos Órgãos de Custos a título de rateio deste setor. Somandose tal custo de R$ 80,00 aos outros custos do Mapa Resumo totaliza o montante de R$ 21.549,00 para o mês de janeiro de 2000. No item 3 do relatório, a empresa exemplifica o cálculo efetivo, de acordo com os critérios de custos utilizados pela mesma (cláusula 5 CRCC). Nos itens 4 e 5 são demonstrados os efetivos cálculos para os meses de janeiro e fevereiro de 2000. Diante do exposto, a empresa, s.m.j., apresentou a esta Fiscalização a demonstração do efetivo critério de custos utilizados, bem como o valor a eles atribuídos para o mês de janeiro de 2000. Informo que ao presente PAF, encontramse os anexos (cadernos de n. 01 à 04) apresentados pelo contribuinte com a demonstração completa da utilização do sistema de custos da empresa. Conforme o artigo 44 da Lei 9.784/99, a empresa tem o direito de se manifestar quanto o resultado da presente diligência, no prazo de 10 (dez) dias.” A recorrente fez sustentação oral, representada pelo dr. Luciano Amaro, OAB/SP nº 40955. É o suficiente para o relato. Passo a analisar as razões recursais. Voto Fl. 14DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000007/200500 Acórdão n.º 180100.821 S1TE01 Fl. 572 15 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Conforme fartamente esposado no relatório supra, a questão principal em litígio é a efetiva utilização por parte da recorrente do Convênio de Rateio de Custos Comuns – CRCC e a conferência dos valores escriturados a título de despesas, que foram, em trabalho de auditoria fiscal, glosadas parcialmente, devido à não comprovação dos métodos utilizados quando no curso da fiscalização. Preliminarmente, repriso as razões de decidir expostas por ocasião da conversão do julgamento deste em realização de diligência, ressaltando que não atribuo à fiscalização, inicial, qualquer nulidade de atuação ou falha de procedimentos, nem imputo ao processo inversão de ônus de prova, pois as intimações fiscais constantes dos autos comprovam que a fiscalização buscou todas as formas de esclarecimentos junto à recorrente para entender o rateio conveniado, não se esmerando a empresa em demonstrar os métodos utilizados. Agora o fez, mas em razão de diligência requerida por esta turma de julgamento. A empresa esperou, de forma inconseqüente e inexplicável, até a fase de recurso para demonstrar em que consistia o CRCC do conglomerado Itaú. E somente quando da realização das diligências prestouse à demonstração, parcial, dos valores contabilizados no período compreendido entre janeiro de 1999 a dezembro de 2001. Aliás, neste concernente, constatase que a autoridade designada pela administração tributária restringiu o seu trabalho em somente um mês, entre os 36 meses requeridos, e, ainda assim, parcialmente, pois como explicitado minuciosamente pela recorrente, os valores apresentados nos Anexos I a IV não englobam os meses considerados na média mensal utilizada para quantificar as despesas registradas na contabilidade. Esclareço. Na contabilidade foi registrado, para janeiro de 2000, despesa no valor de R$ 24.823,00, mas os relatórios e demonstrativos juntados nos anexos apresentados pela recorrente as despesas, para janeiro, perfazem R$ 21.549,00 – fls. 558, 559 e 560, mais anexos I a IV. Os valores dos demais meses para extrair a média explicada no item 5 não foram verificados pela autoridade fiscal. Por conseguinte, a fiscalização, neste segundo momento em que poderia checar os valores das despesas, uma vez restar finalmente demonstrados e explicados os critérios de rateio pela empresa sob fiscalização e então autuada, optou por uma verificação débil e extremamente limitada; longe de ser uma amostragem, pois um mês em três anos calendários não chegam à verificação de 10% dos valores dentro do período fiscalizado. Desta forma, a própria administração tributária, representada pela fiscalização, não logrou respaldar o lançamento fiscal, quando oportunizado por razão de equilibrarse as forças probatórias nos presentes autos (visto que a empresa somente comprovou efetivamente valerse do convênio de rateios em fase de defesa). Ao contrário, por um exemplo, endossou todos os valores contabilizados a título de despesas pela empresa ora recorrente. Voto, pois, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 15DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.006024/2005-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercícios: 1998, 2000, 2002
Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante
ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falar-se em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a co-existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicar-se-á ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo
administrativo, o que não se verifica na hipótese.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastada a preliminar de não conhecimento do recurso e, no mérito, negado provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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CSRF-T I Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10580.006024/2005-65 Recurso n° 154.774 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.216 — la Turma Sessão de 18 de outubro de 2011 Matéria Normas Gerais - Processo Tributário - Concomitância Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL DO BANCO ECONÔMICO S/A Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercícios: 1998, 2000, 2002 Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. t impróprio falar-se em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a co-existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicar-se-á ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastada a preliminar de não conhecimento do recurso e, no mérito, negado provimento ao recurso. 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Joao Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7°, inciso I, do antigo Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n. 147, de 25.06.2007, contra acórdão proferido pela Primeira Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: ASSUNTO: IMP OS TO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Anos-calendário: 1998, 2000 e 2002 Ementa: CONCOMITA . NCIA - MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO - INOCORRÊNCIA. O Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação não configura renúncia ao direito subjetivo do contribuinte de pleitear individualmente a mesma prestação jurisdicional requerida pela associação, vez que a decisão do Mandado de Segurança Coletivo sá fará coisa julgada se for favorável ao contribuinte. Assim não há que se falar em concomitância entre as esferas judicial e administrativa. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO Afastada a concomitância cabe o enfrentamento do mérito em primeira instância, em obediência ao Decreto 70.235/72. 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Trata-se de Auto de Infração lavrado em 25.07.2005 pela Delegacia da Receita Federal em Salvador/BA, por meio do qual é exigida a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no valor de R$ 22.543.340,54 (vinte e dois milhões, quinhentos e quarenta e três mil, trezentos e quarenta reais e cinqüenta e quatro centavos) referente aos fatos geradores ocorridos en? 31.12.1997, 31.12.1999 e 31.12.2001 sob o Andamento de que a entidade fechada de previdência privada é obrigada ao seu recolhimento até 31.12.2001, uma vez que a concessão de isenção da CSLL se deu somente a partir de 01/01/2002 com o advento da Lei n. 10.426/01. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL as fls. 13 e 14, foram descritos os seguintes fatos: O contribuinte através do Termo de inicio aft. 23 foi intimado a apresentar dentre outros um demonstrativo com a formação da base de calculo e apuração de débito da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do período de agosto de 1998 a junho de 2003 Posteriormente foi incluído também o período de 1997 e todo o período de 1998. 2 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-T1 AcOrdRo n.° 9101-001.216 Fl. 2 Eni resposta et intimação, o contribuinte apresentou documento datado de 28/10/2003, fls. 45 a 48, em que esclarece que através da ABRA PP — Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar da qual é filiado, foi impetrado Mandado de Segurança Coletivo n° 2002.33.00.001.008-0 contra a cobrança do IRRF sobre aplicações financeiras e da CSSL. Tendo em vista ex anistia concedida pela MP 2.222/2001, o contribuinte desistiu da ação em relação ao imposto de Renda Retido, mantendo a mesma em relação à CSSL. Ao apreciar o mérito, a Juiza Federal Neuza Maria Alves da Silva julgou improcedente o pedido quanto a CSSL, senão vejamos: "Quando o legislador definiu a base de cálculo da CSSL corno sendo o resultado contábil positivo do contribuinte, não se preocupou eni distinguir se este resultado contábil teria esta ou aquela nomenclatura; se chamar-se-ia lucro, superávit ou teria outra denominação qualquer. O fato é um só e não poderia ser diferente: Se as aplicações realizadas pela entidade, aberta ou fechada de previdência tiverem resultado positivo, ou seja, se houver acréscimo de capital corn operação, deve sim haver a incidência da CSLL, principalmente porque quando o legislador constituinte remeteu ei sociedade corno um todo a obrigação de financiar a previdência e assistência social públicas, não eximiu qualquer entidade ou instituição de cumprir este dever." Assim, foi solicitado através de novo Termo de Intimação datado de 04.04.2005, fls. 41, que fosse levantada a base de cálculo da CSLL dos anos-calendários de 1997 a 2001, tendo em vista a sentença citada acima, e que a isenção somente se aplica a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro/2002, como disposto no art. 5° dá Lei n° 10.462/01. Respondeu o contribuinte apenas que não era devida a CSLL pela, entidades fechadas de previdência complementar. O auditor fiscal ao verificar as cópias das Demonstrações de Resultados de cada período, 1997 a 2001, apurou a base de cálculo da CSLL de acordo corn os esclarecimentos contidos na Solução de Consulta COSIT n° 07, de 26 de dezembro de 2001, conforme se verifica através das planilhas de fls. 15 a 22, onde estão os valores a serem recolhidos da CSLL nos anos calendários de 1997, 1999 e 2001. Diante disto, o fisco utilizou para determinação da base de cálculo a Demonstração de Resultado do Exercício constante do ANEXO C, "item 3" da Portaria MPAS n° 4.858, de 26 de novembro de 1998, deduzindo do SALDO DISPONIVEL PARA CONSTITUIÇÕES a FORMAÇÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE CONTINGÊNCIAS, 3 observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL. Foram ainda adicionados os valores referentes a formação de fundos do Programa Administrativo, do Programa Previdencial e do Programa de investimentos, tendo em vista, segunda a DRJ, a falta de previsão legal para dedução desses fundos. Por fim, foram adicionados também a provisão para o imposto de renda, bem como a correção dessa provisão através da Taxa Selic, computados no resultado, por se tratar de provisão indedutivel, conforme se verifica nas planilhas anexas, fls.18 a 22, elaboradas a partir dos balancetes apresentados pelo contribuinte. Notificado, o contribuinte em 25.08.2005 impugnou o lançamento, fls. 120 a 171. Preliminarmente, alegou o contribuinte o seguinte: DA INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE 0 PRESENTE PROCESSO E 0 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO N. 2002.33.00.001.008-0 Alega que, "em 09 de janeiro de 2002, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP) impetrou perante a Vara da Justiça Federal de Salvador, Mandado de Segurança Coletivo n° 2002.33.00.001.008-0 pleiteando a concessão da segurança para que o Sr. Delegado da Receita Federal' de Salvador se abstenha de adotar qualquer medida tendente a exigir das entidades a ela associadas a CSLL, vez que tais entidades não são contribuintes de mencionado tributo." Entende que por se tratar de mandado de segurança coletivo impetrado por entidade da qual faz parte, não acarretou a renúncia ao direito de se defender na esfera administrativa, conforme prescreve o artigo 38 da Lei n° 6.830/80. Fundamenta tal assertiva no artigo 117 do Código de Defesa do Consumidor que determina que na defesa dos interesses difusos, coletivos ou individuais aplica-se os dispositivos.do Titulo III desta lei. " - dentre os dispositivos do Titulo III do Código de Defesa do Consumidor, tern-se o artigo 104, cuja primeira parte prescreve que as ações coletivas previstas nos incisos I e II do parágrafo único do art. 81 não induzem litispendência para as ações individuais. - apesar de mencionar apenas as ações cujo objetivo seja a tutela dos interesses ou direitos difusos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso I) ou coletivos ( CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso II), entende-se que o artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor também se aplica aos casos de tutela jurisdicional dos interesses individuais homogêneos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso III) que é o caso do Direito Tributário:" Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-T I Acórdão n.' 9101-001.216 Fl. 3 Entendeu assim, por se tratar de direitos individuais homogêneos tratados coletivamente, a sentença, só fará coisa julgada erga omnes no caso de procedência do pedido (artigo 103, III, CDC). No caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual (artigo 103,§2°, CDC) podendo assim no presente caso, exercer individualmente, a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia prevista no artigo 38 da Lei ii° 6.830/80 jamais poderá ser presumida, na medida em que individualmente ainda não ingressou COM sua própria ação. DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 38 DA LEI N.° 6.830/80 AO PRESENTE CASO E A APLICABILIDADE DA LEI 9.784/99 Alega o contribuinte que o artigo 38 da Lei 6.830/80 não pode ser aplicado na espécie. "Ao se fazer a interpretação do artigo 38 da Lei n." 6.830/80, fica claro que o legislador pretendeu considerar apenas as hipóteses em que ocorreu a interposição de medida judicial pelo contribuinte após a lavratura do auto de infração para que ele, ou os seus efeitos, sejam desconsiderados (ação anulatória do ato declarativo da divida, ação de repetição de indébito, mandado de segurança contra ato coator da autoridade que realizou a autuação)" Portanto, segundo o contribuinte, "somente nos casos de ingresso em juizo "CONTRA 0 TITULO MATERIALIZADO DA OBRIGA ÇA 0", ou seja, contra o próprio auto de infração é que lid renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, não devendo tal entendimento ser aplicado, quando o contribuinte, sem ter sido autuado, ingressa com ação judicial para a discussão de um determinado direito, visando o não recolhimento de tributos, como forma de manifestamente ilegal, determina o Ato Declaratório COSIT n° 3/96." Corroborado com o acima aludido, afirma o contribuinte que o artigo 51 da Lei n.° 9784/99 prescreve que qualquer renúncia ã esfera administrativa não pode ser presumida, devendo ser requerida mediante manifestação escrita, estando assim revogado o parágrafo único do artigo 38 da Lei 6.830/80, tendo en, vista que a lei posterior (Lei 9;784/99) revogou a anterior (Lei 6.830) por se tratar de incompatibilidade entre os dispositivos legais Por fim, alegou que os objetos são distintos, devendo assim ser apreciado por este Colendo Colegiado, visto que corre-se o risco ainda de se ter decisão sem julgamento do mérito na esfera judicial, em total afronta a independência entre as esferas. DA EXTINÇÃO DOS SUPOSTOS CRÉDITOS EM FACE DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA EM CONSTITUI- LOS. 5 Alega em síntese, ter-se operado a decadência do direito do fisco em constituir o crédito tributário, e conseqüente de proceder ao lançamento dos valores da CSLL apurados nos anos-calendários de 1997 e 1999, o que acarretaria a nulidade de parte do crédito tributário referente a estes exercícios. Segundo o contribuinte, a CSSL está sujeita ao lançamento por homologação, aplicando-se portanto o prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional, ou seja, (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador. Por se tratar de tributo lançado com base em exercícios anuais, estaria o Fisco impedido de efetuar o lançamento da CSLL apurada nos anos-calendários de 1997 e 1999, dado que o direito de constituição deste crédito se extinguiu pela decadência. "Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos durante os anos-calendários de 1997 e 1999, o prazo para a constituição dos referidos créditos expirou-se em dezembro de 2002 e dezembro de 2004, respectivamente, pelo que eles não mais podem ser cobrados, já que o auto de infração impugnado foi lavrado somente em 25 de julho de 2005, tendo o IMP UGNANTE tomado ciência tão somente ern 26 de julho de 2005, quando o prazo para a constituição do crédito relativo aos períodos mencionados já tinha decaído." Alega ainda que o prazo de decadência de dez anos previsto na Lei no 8212/91 não prevalece, em face do disposto no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, na medida ern que por força do disposto em tal artigo cabe a lei complementa, no caso o Código Tributário Nacional, estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especiahnente sobre prescrição e decadência. Quanto ao mérito alegou o seguinte: "OBTENÇÃO DE LUCRO" — HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA NÃO REALIZADA PELA IMP UGNANTE Alega em síntese que o art.195, I, alínea "c" da Constituição Federal de 1988, atribuiu competências à Unido para instituição de contribuição social sobre o lucro das empresas, por isso a CSLL possui respaldo constitucional. Com base neste artigo, a grandeza-medida de riqueza eleita pelo legislador foi o lucro, não podendo desta forma a CSLL em hipótese alguma, incidir sobre algo que não esteja contido no estrito conceito de medida de riqueza. A Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988 dispõe sobre o critério quantitativo do conseqüente da norma tributária, é o valor do resultado do exercício antes da provisão para o Imposto de renda, apurado com observância da legislação comercial e sujeito aos ajustes previstos na legislação. 6 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-TI Acórdão n°9101-001.216 11. 4 Alega assim, que ao examinar a acepção do termo "lucro", base de cálculo da - CSLL, percebe-se que o contribuinte não aufere lucros ou prejuízos, mas superávit ou déficit técnicos, com destinação especifica. Não havendo, portanto, a realização da hipótese de incidência prevista na Lei n° 7.689, está desobrigada ao recolhimento do CSLL. LUCRO E SUPERAVIT - CONCEITOS DISTINTOS Entende o contribuinte que na época dos fatos a Lei no 6.435, de 15 de julho de 1977, regia as EFPC, e em seu parágrafo 1°, inciso I, do art. 4°, determinava que estas não podiam, como ainda não podem, obrigatoriamente, ter finalidade lucrativa. E ainda, que as EFPC tinham como finalidade a execução e operação de planos de benefi'cios para os quais tenham autorização especifica, segundo as normas aprovadas pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social. A mencionada Lei determinava também que as EFPC, não teriam caráter mercantil, e todo seu resultado deveria ser revertido para um fundo que tinha por objetivo a diminuição das contribuições dos assistidos ou a majoração de seus benefícios. Coni a entrada em vigência da Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, foi revogada a supracitada lei, mantendo incólume que "As entidades fechadas organizar-se-ão sob a forma de fundação ou sociedades civis sem fins lucrativos." Tal Lei Complementar determinou que as EFPC's estão proibidas de prestarem quaisquer serviços que não estejam no âmbito do seu objeto social e que estão sujeitas as penalidades previstas no Decreto n° 4.942/03, caso não revertam para o seu fundo os resultados obtidos, a diminuição das contribuições dos assistidos ou a majoração de seus beneficios. Portanto, por ser unia fundação sem fins lucrativos e também estar impossibilitada de auferir lucros, nos termos da legislação comercial, não há como submeter seu eventual superávit a tributação com base na Lei n° 7.689/88. Alegou assim que "a Lei 7.689/88, ao dispor que a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício, não abrange, na sua base de cálculo, o eventual superávit das EFPC, posto que a competência outorga â Unido pelo artigo 195, I da Constituição Federal restringe-se a possibilidade de instituição de contribuições sociais com base nas grandezas ali erigidas, de forma expressa e cerrada, dentre elas, o lucro, não havendo a possibilidade legitima de alargamento do conceito de 'lucro unicamente com intuito de tributar-se o superávit das EFPC." Por fim, alegou que houve tentativa de alargamento da competência para tributação de lucros, estabelecido no artigo 195, I, da Constituição Federal, violando frontalmente, o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e 7 o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas constituições do Estado, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. DO ATO DECLARA TÓRIO NORMATIVO DO COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO N° 17/90 E A EXCLUSÃO DA IMPOSIÇÃO DE PENALIDADES EM FACE DA OBSERVÂNCIA DE NORMAS COMPLEMENTARES 0 contribuinte alega que o Conselho dos Contribuintes jet possui entendimento pacific° em relação ao item anteriormente exposto e que não procedeu ao recolhimento da CSLL uma vez que não contribui para o mencionado tributo. Tal fato já foi expressamente reconhecido pela Secretaria da Receita Federal, ao publicar o Ato Declaratório Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CTS n° 17, de 3' de novembro de 1990, o qual estabelece que a CSLL não será devida pelas pessoas jurídicas que não desenvolvem atividade sem fins lucrativos. Alega ainda que "sendo o Ato Declaratório Normativo n° 17/90 norma interpretativa da Administração, se enquadrando no conceito de norma geral do Direito Tributário, nos termos do artigo 968 e seguintes do Código Tributário Nacional, é de observância obrigatória por toda a Administração Pública responsável pelo recolhimento da CSLL, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal. A única hipótese de inobservância de mencionado dispositivo, seria no caso de mudança expressa de interpretação, o que não ocorreu no caso". Fundamentou também que mesmo que tivesse ocorrido "mudança interpretativa", não poderia o Auto de Infração exigir quaisquer valores de multa ou juros de mora em razão do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe "exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo;" Haja vista este dispositivo, o contribuinte não considera correto receber o mesmo tratamento que um infrator, urna vez que agiu dentro das orientações administrativas, ou seja, observou o ADN CST n° 17/09, o qual estabelece que a CSLL não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvem atividades sem fins lucrativos. Conclui portanto, que é incabível a cobrança dos juros de mora e da multa de oficio em face do ADN CST no 17/90 e do parágrafo único do art.100 do CTN. DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA O contribuinte alega que houve ofensa ao Principio da Igualdade, vez que foi tributada pela CSLL nos mesmos termos eni que esta é cobrada dos demais tipos societários, ou seja, sobre o "lucro", que, sem ao menos reconhecer como fator determinante o resultado do período. Ern outras palavras "a Fiscalização exige a tributação sobre algo que não pode ser chamado de lucro', que, se assim fosse-o que se admite apenas a titulo de argumentação deveria ter sido 8 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-001.216 Fl. 5 apurado excluindo a parcela que representa o capital de terceiros, sob pena de afronto ao Principio Constitucional da Isononzia." Alega ainda, que a Autoridade Fiscal violou mais urna vez o Principio em questão, ao imputar a aliquota de 18%, privativa das instituições financeiras,sem, contudo permitir ao contribuinte a exclusão de capitais de terceiros quando do cálculo de seu resultado, procedimento legalniente aplicável as instituições financeiras. DA EXCLUSÃO DOS RECURSOS DE TERCEIROS NA APURAÇÃO DA CSLL E A VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA Alega o contribuinte, que como parâmetro para se verificar a violação ao principio constitucional da isonomia, Ionia como exemplo a situação das instituições financeiras. Compara que as referidas instituições têm como fonte de financiamento duas categorias: os capitais próprios (compostos por capital social, reservas e fundos) e capitais alheios compostos de depósito 5 vista, a curto ou médio prazo. Assim, segundo o contribuinte, as instituições financeiras percorrem a finalidade lucrativa valendo-se do uso dos capitais próprios e alheios, porém, sem se comprometer a responsabilidade junto a terceiros, titulares de capital alheio, sob pena de gerar passivo descoberto. Com essa alegação, o contribuinte pretende evidenciar a condição das EFPC e das instituições financeiras, sendo que as primeiras possuem duas fontes de custeio; capitais alheios, entendidos como a contribuições de patrocinadores e participantes; e capitais não pertencentes a terceiros vinculados entretanto aos planos de beneficios entendidos corno a receita decorrente da taxa de administração. Alega, ainda, que as EFPC nab possuem finalidade lucrativa, objetivam a garantia de retorno do valor investido aos participantes. Nesse sentido, conclui que o alcance da tributação da CSLL sobre algo que não é lucro inviabiliza a manutenção do plano de previdência complementar, prejudicando aqueles que poupam objetivando recompensa futura, bem como o compromisso entre as EFPC e os participantes. DA ALiQUOTA DE 18% E A VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA. Alega o contribuinte, que o lançamento efetuado no presente Auto de Infração não só viola o principio da isononiia ao utilizar metodologia distinta das instituições financeiras ao incidir a CSLL, como viola novamente o referido principio constitucional ao pagamento da CSLL a aliquota de 18%, quando deveria aplicar uma aliqziota única de 8% a todas sociedades mercantis. 9 Alega, ainda, que em nenhum momento a Constituição Federal determina que as instituições financeiras ou as EFPC devam ser mais oneradas do que as empresas que não desempenham tal função no mercado, a fim de justificar o tratamento desigual erigido pela legislação de regência da CSLL. Por fim, concluiu que ao outorgar tratamento discriminatório apenas coin relação as entidades financeiras, como pretendeu a autoridade fiscal, onerando o contribuinte com aliquotas mais gravosas relativamente a CSLL, incorreu em flagrante ofensa ao principio da isonotnia. Dessa forma, requereu que a autuação seja julgada improcedente. DA ESPECIFICIDADE DA IMP UGNANTE DECORRENTE DE IMPOSIÇÃO LEGAL E DA NECESSIDADE DE RESPEITO A ESTAS ESPECIFICIDADES QUANDO DA APURAÇÃO DE SEU RESULTADO, SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO DA ISONOMIA. Alega, em síntese, o Recorrente que como as EFPC's se submetem aos preceitos e planificacdo contábil emanadas pelos entes reguladores e fiscalizadores, Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) e a Secretaria da Previdência Complementar (SPC), existem especificidades nas informações contábeis apresentadas. Dessa maneira, em muitos casos os procedimentos contábeis propostos e impostos pelos agentes fiscais não são compatíveis corn a contabilidade fiscal imposta por aqueles órgãos. Isso porque, ao instituírem critérios objetivos para contabilizar as operações, as agencias reguladoras visam se adaptar a contabilidade das entidades. Diante disto, o contribuinte fundamentou, coin base no artigo 187 da Lei n° 6.404/76, que a apuração do resultado contábil das EFPC's é consolidada na Demonstração do Resultado de Exercício (DRE), cujo objetivo é demonstrar as operações realizadas pela entidade durante o exercício social do período. Ressaltou que o resultado apurado representa o retorno do investimento feito pela pessoa jurídica, materializada no "lucro", cujo montante poderá ser vertido, total ou parcialmente, ao patrimônio liquido, compondo o capital próprio da entidade. Entretanto, segundo o contribuinte, esse não é o conceito aplicável às EFPC's, tendo em vista a sua regulamentação contábil especifica das entidades sociais. Alega, ainda, que o resultado superavitário não representa rendimento pertencente A entidade, ou seja, "lucro" da entidade, na medida em que a sua totalidade é revertida para a formação de fundos e reservas, os quais estão atrelados a compromissos futuros da entidade para coin os participantes. Assim, conclui que o fisco ao exigir tributo na forma em que é apurado nas demais sociedades, deveria considerar as diferenças que existem no seguimento especifico da recorrente. Contudo, o contribuinte alega que supondo que fosse devido o tributo sobre o lucro, diz que as EFPC deveriam ser tributadas sobre o lucro apurado na forma em que este é apurado pelos 10 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-T 1 Acórno n.° 9101-001.216 Fl. 6 demais seguimentos de mercado, ou seja, em função das receitas e despesas decorrentes exclusivamente da atividade. Ademais, considerou que o conceito de lucro, adotado pela legislação comercial, corresponde ao rendimento liquido auferido no exercício pertencente h pessoa jurídica por efetivamente pertencer As EFPC's é o decorrente do pagamento da taxa de administração. Além disso, após apresentar o conceito de lucro aplicável aos demais tipos de sociedades para as EFCP's, classificou lucro COMO a renda auferida no exercício em função da cobrança de taxa de administração de patrocinadores e participantes, acrescido de rendimento decorrentes das aplicações financeiras de lucros anteriores, menos o custo administrativo do exercício. DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADOTADA PELA AUTORIDADE FISCAL PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO Alega o contribuinte que o fisco utilizou como fundamento legal para fins de apuração da base de cálculo da base de cálculo da CSLL, os esclarecimentos contidos na Solução de Consulta COSIT n° 07, de 26 de dezembro de 2001. Tal procedimento, segundo o contribuinte, demonstrou que inexiste previsão legal dispondo sobre a incidência da CSLL e apuração da sua base de cálculo sobre os resultados das EFPC, o que fez coin que o agente fiscal utilizasse os entendimentos firmados em solução de consulta, o que só deveria ser, utilizado para esclarecer, dirimir dúvidas, sem contudo inovar o que a lei previamente estabeleceu o que não se aplicaria no presente caso. DA IMPOSSIBILIDADE DA BASE DE CALCULO DA CSLL A parte alega não ser contribuinte de CSLL, primeiramente por ser entidade sem fins lucrativos e não auferir lucros, mas sim superávit, e que a legislação pátria não autoriza a analogia para fins de incidência tributária, uma vez que todo o ingresso de recursos é destinado ao financiamento dos beneficios de aposentadoria assegurados aos participantes, não sendo possível apurar outro resultado como "lucro" que não o resultado "zero". Diz ainda que "ao considerar todo o ingresso de recursos (representados pelas contribuições recebidas dos participantes e patrocinadoras) e subtraindo-se o valor destinado a constituição das reservas e provisões técnicas para pagamento dos beneficiários futuros aos participantes, tem-se a impossibilidade de apura base de cálculo para a ora Impugnante". Assim, por se tratar de atividade especifica, a contabilização dos ingressos e saídas de recursos segue uma planificação própria, direcionada aos objetivos sociais da EFPC, de acordo com regulamentação da Secretaria de Previdência Complementar. Tal regulamentação visa determinar a destinação dos recursos recebidos e mantidos pela EFPC relativamente ao plano II previdenciário, de forma que haja reversão integral dos mesmos, para pagamento dos beneficios assegurados aos participantes. Visando fundamentar tal alegação,o contribuinte menciona que o 1° Conselho de Contribuintes, no Acórdão 101-94.473 manifestou o seguinte entendimento "Há vários aspectos que dificultam a aplicação direta da norma prevista para as empresas em geral as entidades fechadas de previdência privada. Isso porque a norma prevê que a incidência se dê sobre o lucro (resultado positivo do exercício) ajustado, e as entidades fechadas de previdência privada, por não visarem o lucro, não tem uma demonstração financeira que o evidencie." Conclui assim que "fica evidenciado de acordo corn o entendimento do contribuinte, que a incidência da CSLL sobre o resultado de EFPC, está reconhecido pelas autoridades julgadoras de segunda instância e a total inexistência de parâmetros jurídicos para apuração de base de cálculo do referido tributo." DA ANALISE DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO QUANDO DA APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO Da Adição indevida dos valores referentes As reservas para a formação dos Fundos de Oscilação de Risco. Segundo o contribuinte, os superávit apurado pelas EFPC destinado para constituição de fundos de reservas técnicas, conforme determinação Todavia, a autoridade fiscal adicionou A base de cálculo da CSLL os valores contabilizados à titulo destes fundos, por entender que não existe previsão legal para referida dedução. Assim, os valores registrados a titulo de fundos específicos (de ajuste de plano de oscilações de riscos), seja do programa previdencial, administrativo ou de investimento, visa exclusivamente oferecer uma proteção efetiva contra os riscos futuros e, conseqüentemente, beneficiar os participantes dos pianos, fortalecendo suas reservas/provisões técnicas que, no caso das EFPC constituem seu patrimônio liquido. Justifica assim que "...dentro do contexto das EFPC, que a Constituição e manutenção de reservas/provisões técnicas, com os recursos excedentes apurados após as destinações efetuadas para as reservas matemáticas e de contingência é de observância obrigatória pelas EFPC e, portanto, pela IMPUGNANTE". Informa ainda que "neste mesmo contexto das EFPC, estas não destinam somente uma parcela de seu superávit para composição do fundo de oscilações de Riscos e Reservas de Ajustes do Plano, mas sim a TOTALIDADE dos recursos excedentes, isto 6, do superávit remanescente!" Assim sendo, "se a destinação dos recursos excedentes do superávit das EFPC é destinado à constituição e manutenção de reservas e fundos integrantes das suas reservas/provisões 12 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.216 Fl. 7 técnicas, por determinação legal/normativa, então jamais poderia a despesa registrada na contabilização de tais valores serem objeto de questionarnento por parte do fisco federal, especificamente em relação à sua adição a base de cálculo da CSLL." Por fim, cita o Acórdão n° 101-94.473 deste E. Conselho de Contribuintes que afastou a aplicação da indigitada Solução de Consulta COSIT n° 07/2001, reconhecendo expressamente a dedutibilidade da Reserva para Ajuste do Plano e do Fundo de Oscilações de Risco, da base de cálculo da CSLL, nos casos das entidades privadas. Não Exclusão das Receitas Decorrentes das Variações Positivas de Investimentos. Conforme determina o art. 2° da Resolução CGPC n° 04, de 30 de janeiro de 2002, o contribuinte ajusta o saldo dos ativos mobiliários ainda não liquidados, a valor de mercado, contabilizando no resultado do exercício do Programa de Investimento as variações ocorridas no período. Assim, segundo o que dispõe o art. 35 da Lei n° 10.637/02, tais ajustes não podem impactar a tributação da pessoa jurídica até que haja a alienação dos respectivos ativos financeiros. Alega então o contribuinte que apesar do dispositivo se aplicar as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos, o Fisco ao considerar o Recorrente como contribuinte da CSLL, deveria ter aplicado tal dispositivo em respeito ao principio da isonomia. Portanto, aduz o contribuinte que "verifica-se da análise da planilha, que não foi adotado, quando da apuração da base de cálculo da CSLL, tal tratamento tributário, haja vista que as variações positivas dos investimentos mobiliários, contabilizadas nos exercícios autuados, itnpactaram a apuração da referida base", o que deveria ter sido excluída da base de cálculo da CSLL. Dividendos recebidos — Rendimento não tributáveis Alega o contribuinte ser possuidor de diversas ações, as quais, contabiltnente estão registradas no programa de investimento na rubrica renda variável. Em decorrência da remuneração dos referidos títulos, os rendimentos são contabilizados, no mesmo programa, sobre a mesma rubrica. Posteriormente, o total dos rendimentos auferidos neste programa são transferidos para o programa previdencial, o qual foi utilizado pela fiscalização da base de cálculo da CSLL. "Ora, se os dividendos recebidos, os quais não são tributáveis por determinação legal, estavam contabilizados, por imposição da planificação contábil padrão das EFPC, no programa de investimentos, rubrica receitas de renda variável (conta contábil n° 611.20.10101), e o saldo total deste programa é 13 transferido para o programa previdencial e a fiscalização o utiliza corno base de cálculo da CSLL, de fato, se está tributando algo que não é tributável. Não há qualquer dúvida quanto ci não tributação dos dividendos recebidos, quer seja pelo Imposto de Renda ou pela CSLL. 0 que se verifica no caso em tela é o equivoco da fiscalização em considerar tais dividendos como base de cálculo da CSLL." Adição em Duplicidade - Atualização Monetária do IRRF Provisionado. O contribuinte discutiu judicialmente a cobrança do IRRF sobre as aplicações dos recursos das provisões, reservas técnicas e fundos, efetuadas até dezembro de 2001, vindo posteriormente a desistir de tal pedido, recolhendo os valores provisionados com anistia de multa e juros concedidos pela MP no 2.222/01. Em detrimento disto, os valores contabilizados até dezembro de 2001 estavam sob judice, não sendo assim despesas incorridas e sim meras provisões contábeis, haja vista a incerteza quanto a sua realização, devendo assim serem ajustados a base de cálculo da CSLL, conforme determina o art. 20 da Lei 7.689/88, alterado pela art. 2° da Lei n° 8.034/90. Alega assim que "ao analisar a base de cálculo apurada pela d. Fiscalização no ano-calendário de 1999, verifica-se que a parcela da despesa da IRRF relativa a atualização monetária, contabilizada no resultado a titulo de "contingência fiscal" (contas contábeis no 6431, 6432,6433,6436, e 6437) foi adicionada em duplicidade, de forma a tributar pela CSLL e valor não sujeito a tal exação." Reversão de provisão para Contingência Fiscal — Atualização Monetária do IRRF. O contribuinte em razão da anistia fiscal concedida pela MP 2.222/01, alega que os valores provisonados, a titulo de atualização monetária de IRRF foram estornados e contabilizados como "reversão de provisão de contingência fiscal", no ano calendário de 2001. Segundo o mesmo, através da análise da planilha de cálculo elaborada pela fiscalização, a reversão não foi considerada nas exclusões feitas na base de cálculo da CSLL. Por fim aduz que "de acordo com a legislação tributária vigente, as reversões de provisões, seja em virtude de realização da condição provisionada, seja ainda por mero ajuste contábil, não implicam na tributação da receita registrada em contrapartida de tais reversões.", estando assim eivados de erros os procedimentos adotados pelo Fisco. DA BASE DE CALCULO NEGATIVO DA CSLL Além dos erros cometidos pelas autoridades fiscais anteriormente demonstrados, o contribuinte ainda alega que os 14 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.216 Fl. 8 mesmos não consideraram para o recolhimento da CSLL as bases de cálculo negativas apuradas nos períodos anteriores. COMPENSAÇÃO DAS BASES NEGATIVAS —DIREITO ADQUIRIDO 0 contribuinte fundamenta a alegação supra mencionada com base no art.44, da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o qual dispõe "que a base de cálculo negativa da CSLL apurada em uni período-base, a partir de 1" de janeiro de 1992, poderá ser deduzida das bases de calculo positivas apuradas emit períodos-base posteriores." Esclarece ainda, que os períodos anteriores não foram nem considerados pela fiscalização e as bases negativas dos citados períodos, quando da apuração da CSLL, foram desconsideradas. Explica que, através da Medida Provisória n° 812, posteriormente convertida na Lei 8.981/95, a Unido introduziu modificações quanto ao recolhimento da exação ora discutida, limitando a 30% da base apurada o aproveitamento, por dedução, das bases negativas da CSLL. Alega que tal determinação foi relativa ao período -base de 1995 e por dedução foi estendida nos períodos -base iniciados a partir de 10 de janeiro de 1996, no entanto, não pode ser aplicado sobre as bases negativas de cálculo geradas até 31 de dezembro de 1994, unia vez que, nesta data tal Medida Provisória ainda não produzia efeitos. Desta forma, diz que qualquer limitação ao aproveitamento dessas bases negativas, anteriores a janeiro de 1995, estariam infringindo o principio da irretroatividade das leis e o art. 50, inciso XXXVI da Constituição Federal, o qual protege o direito adquirido. Com fundamento no exposto, entende que possui o direito de compensar integralmente as bases de cálculo negativas geradas até 1994, não se aplicando em hipótese alguma a incabível limitação de 30% prevista no artigo 58 da Lei n°8.981/1995. DA UT1LIZAÇÃO DA TAXA SELIG Quanto à taxa SELIC, o contribuinte alega que não pode prosperar a cobrança do juros de mora, eis que a referida taxa foi criada para medir a variação apontada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sendo, portanto, taxa de juros remuneratórios. Dessa forma, dispõe que sua finalidade é a remuneração do investidor e não a de aplicar uma sanção pelo atraso do cumprimento de unia obrigação. Assim, segundo o contribuinte, a taxa SELIC não poderia ser utilizada como "juros moratórios". Ademais, alega que a referida taxa não criada por lei, ofendendo assim o principio constitucional da legalidade. Colacionou julgado do STJ corroborando com seu entendimento. LS Ao julgar a manifestação de inconformidade a DRF de Julgamentos em Salvador, preliminarmente entendeu o seguinte: - Que apenas decai o direito de constituir o crédito tributário corn o decurso do prazo de 10 anos. Isso porque as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, nos termos do artigo 195, 1, da CF, esteio adstritas As normas especificas do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, concluindo assim, não estar decaído o direito de lançar. - Que as questões de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo levantadas na impugnação não podem ser apreciadas pela DRJ, competindo ao STF, por via direta ou indireta, declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. - Que el identidade de ações, de fato não ocorre no presente processo. - Que deixou de analisar a questão relativa a incidência do imposto de renda na fonte sobre os resultados positivos, em virtude do contribuinte renunciar judicialmente a matéria. - Que as entidades privadas fechadas são contribuintes da CSLL, existindo inclusive Mandado de Segurança em trâmite perante TRF da 1° Regido, em fase recursal, para apreciar a matéria, estando assim vedada sua apreciação na esfera administrativa. - Que apesar de reconhecer essa vedação, a DRJ informou que nos períodos de 1997,1999 e 2001 o contribuinte estava inserido no campo de incidência da CSLL, com base no Parecer da Coordenação do Sistema de Tributação — COSIT (órgão normativo da Receita Federal) e na Solução de Consulta n° 7. - Que o contribuinte, entidade fechada de previdência privada, não se enquadra corno entidade de assistência social de que trata o artigo 150, VI, alínea "c" da Constituição Federal, vez que a concessão dos benefícios aos filiados dá-se mediante o recolhimento das contribuições pactuadas. - Que o STF, reiteradamente tem se manifestado no sentido de que as entidades fechadas de previdência, quando cobram contribuições de seus filiados, não fazem jus imunidade tributária, dada a ausência das características de universalidade e de generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social — caso do contribuinte. - Que a matéria foi sumulada pelo STF — Súmula 730 — "A imunidade tributária conferida a instituição de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, IV, C, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuições dos beneficiários." - Que o contribuinte apresentou durante o procedimento fiscal as Demonstrações de Resultados dos anos-calendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, e que através das referidas Demonstrações, apurou-se a base de cálculo da CSLL. - Que a relação aos anos de 1998 e 2000, apesar da contribuinte estar amparado pela isenção (ano 1998), ambos os períodos tiveram resultados negativos. 16 Processo n 0 10580.006024/2005-65 CSRF-TI Accirdâo n.° 9101-001.216 Fl. 9 - Que "Comparando os Demonstrativos de resultado de fls. 57 a 60, apresentados pelo contribuinte, e as planilhas de fls.15 a 22, elaboradas pela Fiscalização, verifica-se que a partir do resultado positivo apurado no encerramento do período de apuração, segundo regas da Portaria MPAS n°4.858, de 26 de novembro de 1988, o agente fiscal deduziu do saldo disponível, os valores destinados ã formação de reservas matemáticas e a formação de contingência, além da exclusão das bases negativas da CSLL apuradas em cada período." - Que 'Adicionou, também, por fim, à base de cálculo, o valor da Provisão para o contribuinte, valores estes coniputados nos resultados, visto que para efeito de base de cálculo da CSLL vedada dedução de qualquer provisão, exceto as provisões técnicas exigidas pela legislação especial das entidades de previdência privada." - Que o contribuinte discutiu judicialmente a cobrança do IRRF sobre as aplicações dos recursos de provisões, reservas técnicas e constituições de fundos, efetuadas até dezembro de 2001, sendo que desistiu da ação em fevereiro de 2002, afim de se beneficiar na anistia concedida pela MP n° 2222/01, e recolheu o principal relativo aos valores devidos do Imposto de Renda na fonte que foram provisionados, sem multa e juros. - Que os valores sub judice não constituíram "meras provisões contábeis" pois compuseram e influenciaram a apuração do resultado do exercício a titulo de despesa. Por ter computado o total da previsão - valor original e acréscimos com base na Taxa SELIC - no resultado do exercício, está agora obrigado a oferecer a tributação o total da quantia que alterou o resultado, ao reduzir o lucro. - Que em relação à aplicação da mesma aliquota da CSLL para as instituições de previdência privada e para as instituições financeiras estabelecidas ern lei, bem como em relação ao limite da compensação da base negativa de 30%, por se fundamentar em questões de inconstitucionalidade, não cabe a sua apreciação no âmbito administrativo. - Que a multa de oficio é devida por não se tratar de constituição de crédito tributário para prevenir a decadência e por não estar presente nenhuma das hipóteses de suspensão à exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151 do CTN. - Que em relação "a não incidência de multa na hipótese de cumprimento dos atos administrativos, diga-se que a interpretação disposta pelo Ato Declaratório Normativo CST n° 17 editado eni 30 de novembro de 1990 em relação às EFPC, por se tratar de ato interpretativo, retroagiu seus efeitos até o inicio da incidência da CSLL, em 1989, e vingou até instituição da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1981 quando foi revogado o beneficio. E sabido que embora concedida a isenção novamente em 1988, foi posteriormente revogada, sendo atualmente concedido o beneficio". Assim, sendo o ato declaratório de natureza interpretativa, não criando norma legal mas 17 objetivando dar interpretação da Administração Tributária em relação a norma posta é que a vigência do ato perdura somente enquanto a lei tem vigência no ordenamento jurídico. No mais, os períodos dos fatos geradores em relação aos quais tiverem constituídos, os lançamentos estavam sob a égide de outra norma legal. - Que não ode apreciar a questão da inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIG suscitada pelo contribuinte, por extrapolar os limites de sua competência porém, entende que deves ser aplicado juros moratórios nos termos do art.161 do CTN. Por fim afirma que "Todas as alegações da Impugnante seriam válidas não fosse o fato de que nos anos-calendário de 1997, 1999 e 2001, a Impugnante não ser isenta, tampouco sem fins lucrativos, como decidiu a autoridade judicial nos autos do mandado de segurança, enquadrando-se como urna pessoa jurídica normal, com fins lucrativos e jaturamento. E isso se deu pleno júri, como já abordado neste voto." Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes reforçando os argumentos anteriormente apresentados, pedindo apenas en) caráter preliminar a anulação da decisão de primeira instância por ter se caracterizado o cerceamento de defesa, vez que nab foram apreciadas pela DRJ de todos os pontos apresentados em sua defesa." No que interessa a essa instância recursal, o Acórdão n° 101-96.674 proferido pela extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, afastou a concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela ABRAPP, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador para apreciação integral da impugnação apresentada pelo Contribuinte. Entendeu o acórdão recorrido que a existência de mandado de segurança coletivo impetrado por entidade associativa, visando proteger os interesses de suas associadas, entre as quais o contribuinte, não acarreta a renúncia ao direito do contribuinte de se defender pessoalmente na esfera administrativa. Em seu recurso especial (fls.720/728), a Fazenda Nacional alega que a decisão recorrida viola o art. 38 da Lei 6.830/80, tendo em vista não ser possível afastar a concomitância entre processos administrativos e mandados de segurança coletivos impetrados por associação de classe quando, cumulativamente, (i) o objeto de ambos for semelhante; e (ii) o contribuinte integrar os quadros da o respectivo ente coletivo.. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 17 - fls.731), ante a potencial configuração de contrariedade à lei. Foram apresentadas contra-razões pela Contribuinte (fls. 734/750). É o relatório. 18 Processo n° 10580.006024/2005-65 Acórdão n.° 9101-001.216 CSRF-Tl Fl. 10 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Não procede a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pela Contribuinte em contra-razões sob o fundamento de que a insurgência da Fazenda Nacional não teria atendido ao pressuposto da demonstração analítica de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outro aresto desta Corte Administrativa. Embora o atual Regimento da Corte não preveja o cabimento de recurso especial com base em contrariedade A. lei ou à evidência da prova, os recursos interpostos contra acórdãos proferidos em sessões de julgamento ocorridas até 30/06/2009 devem ser processados de acordo no rito previsto no (anterior) Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007, o qual previa a insurgência especial da Fazenda Nacional com base em tais fundamentos. Assim dispõe a Portaria MF n. 256, de 22.07.2009, com redação dada pela Portaria MF n. 446, de 27 de agosto de 2009. Verbis: Art. 4 0 Os recursos com base no inciso Ido art. 7°, no art. 8° e no art. 90 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior a vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF n° 446, de 27 de agosto de 2009) No caso, o acórdão recorrido foi proferido em sessão anterior a 0/06/2009 e seu voto condutor foi acolhido pela maioria absoluta dos membros do Colegiado, sendo cabível, portanto, a interposição de recurso exclusivamente fundamentado em potencial violação à lei nos termos do art. 7 °, I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mérito, cinge-se a controvérsia em saber se a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe da qual pertença o contribuinte implica renúncia deste (contribuinte) à instância administrativa por alegada configuração de concomitância entre os processos administrativo e judicial decorrente da identidade dos respectivos objetos. Em outros termos, discute-se no caso a aplicação (ou não) do art. 38 da Lei n. 6.830/80 e do art. 1°, §2° do Decreto-lei n. 1.737/79 às hipóteses de mandado de segurança coletivo impetrado por associação de classe cuja sentença judicial possa eventualmente beneficiar o contribuinte que discute a (mesma) exigência fiscal em seara administrativa. Eis, em síntese, os fundamentos da insurgência da Recorrente, verbis: 19 A controvérsia principal cinge-se à possibilidade de apreciação, no âmbito do procedimento administrativo fiscal, do mérito acerca da tributação de CSLL da Contribuinte Recorrida, dada sua qualidade de Entidade Fechada de Previdência Privada. A esse respeito, depreende-se dos autos que a Contribuinte Recorrida faz parte do quadro associativo da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (ABRAPP), a qual interpôs Mandado de Segurança Coletivo n.o 2002.33.00.001.008-0, perante Vara da Justiça Federal de Salvador, objetivando a exoneração de suas associadas da exigência da CSLL das Entidades Fechadas de Previdência Complementar. Pois bem. Diante desses fatos, resta configurada a concomitância dos feitos administrativo e judicial, haja vista que a matéria versada no presente recurso é a mesma discutida no Poder Judiciário e ainda pendente de resolução definitiva (Mandado de Segurança Coletivo n. 2002.33.00.001.008-0). Tal circunstância importa, indiscutivelmente, na impossibilidade de apreciação da controvérsia pela e. Camara a quo. E cediço que a opção pela via judicial implica a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso formulado. Inicialmente, para se evitar decisões conflitantes. Ademais, porque é inquestionável a autoridade do pronunciamento do Poder Judiciário em relação aos decisórios proferidos por órgãos administrativos, em razão do Principio da Inafastabilidade da Jurisdição. Nesse sentido, o Decreto-lei n.o 1.737/1979, em seu art. lo, § 20 , bem como a Lei n.o 6.830/1980, art. 38, parágrafo único, estabelecem que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso acaso interposto." Conforme se depreende do trecho acima transcrito, o recurso da Fazenda Nacional está embasado em duas premissas fundamentais, quais sejam: (i) a propositura de demanda judicial por entidade de classe equipara-se à propositura de demanda pelo próprio contribuinte, nas hipóteses em que este pertencer aos quadros associativos daquela; (ii) a co- existência potencial de duas decisões na hipótese violaria o principio da unicidade de jurisdição, já que não caberia mais à Administração manifestar-se sobre tema levado A. apreciação (pelo Contribuinte) ao Poder Judiciário. Entendo que a insurgencia da Fazenda Nacional não procede. Primeiramente, não é correta a reiterada afirmação da Fazenda Nacional de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe corresponde propositura da ação pelo contribuinte associado. Embora a ação coletiva possa potencialmente beneficiar o contribuinte a depender do resultado da ação, é absolutamente certo na lei (v.g., LACP, Lei do Mandado de Segurança e CDC, especialmente), na doutrina e na jurisprudência que as demandas coletiva e individual não se confundem. 20 Processo n° 10580.006024/2005-65 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.216 Fl. 11 Basta dizer que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva. A ação coletiva não induz litispendência entre ela e demandas individuais dos respectivos associados (tal como seria de rigor se se estivesse tratando de ações de mesmas partes, objeto e pedido) e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte. As assertivas acima não decorrem tão somente dos expressos textos de lei neste sentido (LACP, art. ), (LACP, arts , CDC, art. , Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/ ), mas principalmente da garantia constitucional do direito de ação, segundo o qual é defeso subtrair da pessoa o direito de defender seus interesses (em seara administrativa ou judicial) por força da existência de lide pretérita na qual não lhe tenha sido dado o direito de atuar direta e pessoalmente, "com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos". Veja-se, nesse sentido, lição de Lacia Valle Figueiredo, verbis: "Se o impetrante for sindicato, como lhe incumbe a tutela dos direitos de seus associados e da categoria (art. 513 da CLT) concluímos que a sentença atinge toda categoria. Todavia, se estivermos diante de associações, a questão colocar- se-á deforma diversa. As associações cabe tutelar os interesses e direitos de seus associados. Até porque há, ou pode haver, diversas associações de classe (vejam-se por exemplo, o Instituto dos Advogados e a Associação dos Advogados). Se assim é, não nos parece pudesse se cogitar de a sentença transcender a esfera dos associados. Seria mesmo intromissão indevida. Problema cruciante é o da coisa julgada. Entendemos deva-se procurar a solução secundum event um litis. É dizer: se favorável fará coisa julgada. Entretanto, se desfavorável poderá ser interposto novo mandado de segurança individual" No mesmo sentido, explica Ferraz: "Sendo o writ ajuizado por sindicato, não só os seus associados mas toda a categoria econômica ou operária por ele tutelada são atingidos pelos efeitos da coisa julgada. Assim é por força da extensão da representação sindical, expressamente assentada, p. ex., no art, 513 da CLT (esse, é também, o pensamento de Lúcia Valle Figueiredo, Perfil do Mandado de Segurança Coletivo, Ed RT: p.36). Por isso, a decisão concessiva da segurança, aqui terá cunho declaratório amplo, normativo mesmo, e beneficiará toda a gama de componentes do universo que o sindicato, por forgo' legal, tutela, e não apenas seus efetivos associados. ... desfavorável a sentença ao impetrante, independentemente da extensão de sua representatividade poderá ser formulado novo mandado de segurança individual (pliirimo ou não): efetivamente, é inadmissível que a ampla garantia constitucional do direito de acão(CF; art. 50, XXXV e Dux) possa ser extraída de alguém por forca de uma lide na qual não !he foi dado atuar direta e pessoalmente, com os Onus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos" (negritos nossos) 21 (FIGUEREIDO, Lúcia Valle. Perfil do mandado de segurança coletivo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989). Não é outro o entendimento jurisprudencial sobre o tema. Veja-se, a titulo ilustrativo, ementas de v. acórdãos proferidos pelo E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. INEXISTÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. MANDADOS DE SEGURANÇA COLETIVO E INDIVIDUAL. LITISPENDÊNCIA INEXISTENTE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3° DA LC N° 118/05. 5. '!A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe e de writ individual não induz litispendência, tendo em vista que aquele não retira o direito de agir de seus associados" (AgRg no REsp 675.992/AC, Rel. Min. Laurita Voz, DJU de 07.04.08). (REsp 1091597 / DF (2008/0212550-9), STJ, 2' Turma, Relator Ministro CASTRO MEIRA, j. 18/11/2008, DJe 15/12/2008, RDDT vol. 162 p. 183). No mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. ART 18 DA LEI N. 1.533/81. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE LITISPENDÊNCIA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N. 280 E 283 DO STF. 2. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe não impede o exercício do direito subjetivo de postular, mediante a proposição de ação mandamental individual, o resguardo de direito liquido e certo, não incidindo, nessa hipótese, os efeitos da litispendência. Precedentes. (AgRg no Ag 549988/RJ (2003/0170689-6), STJ, 2" Turma, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, j. 20/04/2004, DJ 21/06/2004 p. 201). Em respeito ao direito constitucional de ação e de petição, é até intuitiva a assertiva de que a renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do próprio contribuinte. Não há como admitir renúncia a direito por ato praticado exclusivamente por terceiro (no caso, a associação), ainda que tal ato possa circunstancialmente influenciar na esfera jurídica de interesses da pessoa (no caso, o associado). 0 titular do direito (no caso, de instauração de lide administrativa) apenas pode 22 Processo IV 10580.006024/2005-65 CSRF-T I Acórdão ri.° 9101-001.216 Fl. 12 renunciar a este por ato próprio, tal como se daria, por exemplo, se tivesse tido aceito eventual pedido de litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou se tivesse proposto ação individual de objeto análogo ao processo administrativo em referência. imprópria a alegação da Fazenda Nacional de que o não acolhimento da concomitância afrontaria ao principio da unicidade de jurisdição. Como é de conhecimento geral, o principio da unicidade de jurisdição prescreve que caberá ao Poder Judiciário estabelecer, em última análise e instância, a interpretação e aplicação da legislação ao caso concreto. Assim, submetido o caso à apreciação do Poder Judiciário, não ha sentido na manutenção (concomitante) da discussão do (mesmo) tema em seara administrativa, já que é do Poder Judiciário a atribuição de exercer a jurisdição. Evita-se o risco de contradição (prática) entre decisões proferidas em processos instaurados pelo contribuinte nas diferentes instâncias (administrativa e judicial). Eis a razão da renúncia à instância administrativa e a preponderância da instância judicial. No caso, a par da inexistência de demanda judicial proposta pelo contribuinte, o que por si so seria suficiente para afastar a alegação de concomitância, diga-se que não há risco de contradição (pratica) entre as decisões proferidas neste processo administrativo e naquele processo judicial. O sistema jurídico brasileiro prevê expressamente a co-existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual). Como se disse, o jurisdicionado pode insurgir-se pessoalmente contra o ato lesivo independentemente (e nada obstante) a existência de demanda (contra este mesmo ato) já movimentada por ente coletivo. Não há desrespeito ao principio da unicidade de jurisdição pois o comando proferido em demanda de natureza coletivo não é "único e definitivo" ao contribuinte por definição legal, já que o sistema jurídico admite que o contribuinte pessoalmente busque (e obtenha) um comando novo e distinto daquele proferido na demanda coletiva. Nesses casos, via de regra, apenas a decisão proferida em seara individual é eficaz para o contribuinte (seja ela favorável ou contrária aos seus interesses), independentemente do resultado da demanda coletiva. Esta Corte Administrativa _id possui inúmeros precedentes no sentido de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não configura renúncia à instância administrativa pelo contribuinte associado. Veja-se, nesse sentido, precedente da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." (Acórdão n. 9202-00.278, de 22.9.2009, da 2" Turma da CSRF). No mesmo sentido: PRELIMINAR - CONCOMITÂNCIA 23 Antonio ni Filho Não há que se falar em concomitância entre a discussão judicial travada em Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação de classe, e a discussão travada em sede de processo administrativo fiscal, no qual se discute lançamento efetuado em face de unia de suas associadas. (Acórdão n. 106-17.185, de 16.12.2008, da 6° Camara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: CSLL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO COISA JULGADA — A decisão meritória de improcedência do pedido, ao final do processo, em mandado de segurança coletivo impetrado por entidade de classe, não faz coisa julgada contra seus associados, salvo em caso de procedência. (Acórdão n. 101- 96.687, de 17.4.2008, da 1° Camara do P Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: PAF — NORMAS PROCESSUAIS — PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — CONCOMITÂNCIA - INEXISTÊNCIA — Pelas regras emergentes da Constituição Federal e da legislação processual em vigor, a propositura, por entidade que defende interesses coletivos de determinada coletividade, de mandado de segurança coletivo, não impede que seus associados, individualmente, postulem ern Juizo ou fora dele seus direitos, mormente quando presente no lançamento de oficio questões que desbordam o direito litigado pela entidade em face do Poder Judiciário. (Acórdão IL 107-08.985, de 25.4.2007, da 7a Camara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL POR CONCOMITÂNCIA COM MEDIDA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por entidade sindical não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância, pois, ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade sindical, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. (Acórdão n. 301-34.861, de 13.11.2008, da 1° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes). Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das de outubro de 2011. 24
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Numero do processo: 18471.000221/2002-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ - SUSPENSÃO DE IMUNIDADE - ADI N° 1802 E N° 4021 - SUSPENSÃO DO ARTIGO 14 DA LEI N° 9.532/97 - NÃO EXTENSÃO AO ARTIGO 32 DA LEI N° 9430/96. Não se pode considerar suspenso o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, tão -somente pela suspensão liminar da vigência do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, cujo texto se refere àquele. Primeiro porque a suspensão deste dispositivo somente se deu por não subsistir sem os demais dispositivos sobrestados, no âmbito da ADI 1820. E segundo porque já existe ADI especifica questionando o artigo 32 da Lei no 9430196, cuja medida cautelar ainda - não foi analisada, e em relação à qual não se reconheceu conexão com a ADI 1802.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO - Restando preservado o objetivo maior da exigência quanto à exatidão da escrituração, qual seja, possibilitar ao Fisco o conhecimento da integralidade das operações realizadas pela instituição, pequenos erros materiais na escrituração não desnaturam o direito ao gozo da imunidade. Para efeitos de gozo da imunidade, a jurisprudência atual não aceita restrições fonte de recursos da instituição. A prova do desvio na aplicação de recursos da instituição a justificar a suspensão de sua imunidade tributária, deve ser evidente e cabal, eis que pequenas irregularidades formais, não são capazes de desnaturar a sua condição.
DOAÇÕES 1998 - Verificado o descumprimento de condição necessária a fruição do beneficio da imunidade tributária, procedente se toma a suspensão do beneficio.
Numero da decisão: 9101-000.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer a preliminar suscitada pelo relator, vencido o Conselheiro Valmir Sandri (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a suspensão da imunidade relativa ao ano calendário de 1998, determinando o retorno dos autos a câmara de origem para apreciação do mérito das atuações fiscais.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : IRPJ - SUSPENSÃO DE IMUNIDADE - ADI N° 1802 E N° 4021 - SUSPENSÃO DO ARTIGO 14 DA LEI N° 9.532/97 - NÃO EXTENSÃO AO ARTIGO 32 DA LEI N° 9430/96. Não se pode considerar suspenso o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, tão -somente pela suspensão liminar da vigência do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, cujo texto se refere àquele. Primeiro porque a suspensão deste dispositivo somente se deu por não subsistir sem os demais dispositivos sobrestados, no âmbito da ADI 1820. E segundo porque já existe ADI especifica questionando o artigo 32 da Lei no 9430196, cuja medida cautelar ainda - não foi analisada, e em relação à qual não se reconheceu conexão com a ADI 1802. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO - Restando preservado o objetivo maior da exigência quanto à exatidão da escrituração, qual seja, possibilitar ao Fisco o conhecimento da integralidade das operações realizadas pela instituição, pequenos erros materiais na escrituração não desnaturam o direito ao gozo da imunidade. Para efeitos de gozo da imunidade, a jurisprudência atual não aceita restrições fonte de recursos da instituição. A prova do desvio na aplicação de recursos da instituição a justificar a suspensão de sua imunidade tributária, deve ser evidente e cabal, eis que pequenas irregularidades formais, não são capazes de desnaturar a sua condição. DOAÇÕES 1998 - Verificado o descumprimento de condição necessária a fruição do beneficio da imunidade tributária, procedente se toma a suspensão do beneficio.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 18471.000221/2002-77 Recurso n° 154.113 Especial do Procurador Acórdão no 9101-000.702 — la Turma Sessão de 08 de novembro de 2010 Matéria IRPJ e OUTRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOCIEDADE BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO Ementa: IRPJ - SUSPENSÃO DE IMUNIDADE - ADI N° 1802 E N° 4021 - SUSPENSÃO DO ARTIGO 14 DA LEI N° 9.532/97 - NÃO EXTENSÃO AO ARTIGO 32 DA LEI N° 9430/96. Não se pode considerar suspenso o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, tão -somente pela suspensão liminar da vigência do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, cujo texto se refere àquele. Primeiro porque a suspensão deste dispositivo somente se deu por não subsistir sem os demais dispositivos sobrestados, no âmbito da ADI 1820. E segundo porque já existe ADI especifica questionando o artigo 32 da Lei no 9430196, cuja medida cautelar ainda - não foi analisada, e em relação à qual não se reconheceu conexão com a ADI 1802. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO - Restando preservado o objetivo maior da exigência quanto à exatidão da escrituração, qual seja, possibilitar ao Fisco o conhecimento da integralidade das operações realizadas pela instituição, pequenos erros materiais na escrituração não desnaturam o direito ao gozo da imunidade. Para efeitos de gozo da imunidade, a jurisprudência atual não aceita restrições fonte de recursos da instituição. A prova do desvio na aplicação de recursos da instituição a justificar a suspensão de sua imunidade tributária, deve ser evidente e cabal, eis que pequenas irregularidades formais, não são capazes de desnaturar a sua condição. DOAÇÕES 1998 - Verificado o descumprimento de condição necessária a fruição do beneficio da imunidade tributária, procedente se toma a suspensão do beneficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer a preliminar suscitada pelo relator, vencido o Conselheiro Valmir Sandri (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para rnirSar_is_H- elator. restabelecer a suspensão da imunidade relativa ao ano calendário de 1998, determinando o retorno dos autos a câmara de origem para apreciação do Merit° das autuações fiscais. / - I/ ..---- ' - --- ."--tio Mar' cos Cândido - Presidente. 1 4 Susygo es - Redatora Designada. Editado em: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Conto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Com base no permissivo do art. 7, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerialn° 147, de 2007, a D Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, contra acórdão proferido pela Terceira Camara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que, pelo voto de qualidade, restabe-leceu a imunidade tributária da Interessada e, via de conseqüência, declarou sem efeito o Ato Declaratório n. 05-G, de 13 de maio de 2003, do Delegado da Defic/RJO. Alega a D. Procuradoria que a questão posta nos autos vai frontalmente de encontro ao estabelecido no art. 12, § 2°, alínea "b", da Lei 9.532/97 e no art. 14, inciso II, do CódigoTributário Nacional, bem como as provas constantes dos autos, na medida em que a Interessada não cumpre condição objetiva essencial para o gozo da imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, qual seja, a aplicação integral de seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais. Alega que no caso em tela, o Ato Declaratório n° 05-G, de 13 de maio de 2003, que declarou suspensa a imunidade tributária prevista no art. 150, VI, alínea "c", cia CF188, da Interessada, adotou como fundamentação, dentre outros, o argumento de que a empresa não aplica, integralmente, seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, contrariando, assim, frontalmente o disposto no art. 12, § alínea "h", da Lei 9.532/97, e o art. 14, inciso 11, do CTN. Após transcrever o disposto no art. 12, § alínea "h", da Lei 9.532/97, assevera que o Ato Declaratório adotou como fundamentação para suspender a imunidade da Interessada, alega a Recorrente a sua vigência e aplicabilidade, na medida em que a decisão liminar proferida nos autos da ADIN n° 1.802-3 é categórica em determinar que a única alínea do § 2°., do art.12 da Lei 9.532/97, que se encontra com sua aplicabilidade suspensa é a alínea "1". A alínea "b", concernente ao caso em exame, teve sua eficácia referendada pelo Pleno do STF. 2 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-Tl Acórdão n_° 9101-000.702 Fl. 2 Assim, concluiu que a determinação legal de aplicação integral dos recursos da instituição na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais está em vigência, configurando vedação apta a incidir no caso concreto e critério a ser observado pelas entidades ditas imunes, sob pena de suspensão de sua imunidade. Alega que no caso concreto, inexiste prova nos autos de que as doações efetuadas pela contribuinte, da forma como posta nos autos, encontram-se vinculadas as suas finalidades essenciais. Ao contrário, conforme consta dos autos, a contribuinte efetuava doações a pessoas jurídicas (fls. 113/121), sem exigir comprovações da destinação dos donativos e nem demonstrar o correto emprego dos recursos doados, a fim de externar os comandos do art. 12. § 2°, da Lei 9.532/97, bem como a pessoas fisicas, sem comprovar que os recursos foram empregados com fins assistenciais ou que foram revertidos em proveito de pessoas necessitadas, sendo, portanto, acertada suspensão da imunidade por violação expressa do art. 14, do CTN e ao dispositivo acima citado (art. 12, § 2°, da Lei 9.532197). Alega também que as receitas decorrentes dos aluguéis não foram corretamente empregadas pela contribuinte na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, posto que não há prova contundente nos autos quanto à destinação destas verbas, aliado ao fato de que as irregularidades registradas na escrituração contábil da Interessada são pontos relevantes a serem considerados como fundamento bastante para a manutenção da suspensão da imunidade da autuada, sobretudo no que tange à contabilização como despesas de construção, valores que deveriam ser ativados. Mais uma vez o art. 14, no seu inciso III, do CTN, deve ser invocado, assim como o art. 12, § 2°, alíneas "c" e "d", da Lei 9.532/97, na medida em que estabelecem como condição objetiva para o gozo da imunidade, a manutenção, por parte da contribuinte, de escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. As fls. 577/591, contra-razões da Interessada refutando todos os pontos argüidos pela Recorrente. o relatório. 3 Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator 0 presente recurso foi interposto com base nos permissivo do art. 7°., inciso I, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria ME u°. 147 - Anexo II, restando demonstrado, no entendimento da Recorrente, que a decisão recorrida seria contraria a lei e as provas dos autos, consoante o disposto no §1°, do art. 15, do RICSRF. Conforme se depreende do Relatório, cinge-se a controvérsia em razão do restabelecimento da imunidade tributária da Interessada pelo acordo recorrido, .ao entendimento de que, preservado o objetivo maior da exigência quanto A exatidão da escrituração, qual seja, possibilitar ao Fisco o conhecimento da integralidade das operações realizadas pela instituição, pequenos erros materiais na escrituração não desnaturam o direito ao gozo da imunidade. Quanto à aplicação de recursos, entendeu a decisão recorrida que a prova do desvio na aplicação de recursos da instituição a justificar a suspensão de sua imunidade tributária deve ser evidente e cabal, eis que pequenas irregularidades formais não são capazes de desnaturar a sua condição, bem como, para efeitos de gozo da imunidade, a jurisprudência atual não aceita restrições A fonte de recursos da instituição. Conforme se depreende dos autos, os motivos que ensejaram a suspensão da imunidade da Interessada foram as seguintes: 1 - Irregularidades em transações de permuta, associação e alienação de imóvel; 2 — Gastos não ativados com construção; 3 — Omissão de receitas; 4— Da não consolidação dos resultados mensais de filiais; 5 — Empréstimos as filiais; 6 — Doações recebidas e efetuadas pela Interessada; 7 Receitas de alugueres, e 8 — Receitas de aplicações financeiras; Por seu turno, os dispositivos legais utilizados para concretizar o procedimento de suspensão, que culminou com a emissão do Ato Declaratório DEFIC/RJO-I - 05-G, de 13 de maio de 2003, foi o disposto no § 2° do artigo 30 da Lei n. 4506/64, c/c o artigo 32 da Lei n° 9430/96 e, os artigos 12 a 15 da Lei n° 9.532/97. Como se ye, a questão posta A análise desta E. Turma diz respeito A suspensão da imunidade da Interessada e restabelecida pela r. decisão recorrida, sendo necessário, antes de adentrar nos motivos que ensejaram a referida suspensão, analisar os efeitos da ADIn n° 4 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.702 Fl. 3 1802-3 que suspendeu, liminarmente, até decisão final da ação direta, a vigência do § l° e a alínea "f' do § 2°, ambos do art. 12, bern como o art. 13, caput e o art. 14 da Lei no 9.532/97 e, por decorrência, os procedimentos previstos no art. 32 da Lei n° 9A30196, eis que a suspensão da imunidade teve por abrangência quatro anos-calendário (1997, 1998, 1999 e 2000), com supedâneo na legislação acima apontada e, por fim, os efeitos da ADIn 4.02, que tratou especificamente do art. 32 da Lei n. 9.430/96. Pois bem. A questão suscitada versa sobre os requisitos necessários para a fruição de imunidade por instituição de educação e qual a legislação que deverá reger a matéria. O marco legal se inicia com o artigo 150, VI, "c", CRFB188: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI- instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos politicos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. 0 que foi devidamente explicitado pela Lei Complementar,' nos termos previstos pela Magna Carta: CTN Art. 9° É vedado A. Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV - cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos politicos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo. Art. 14. 0 disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II- regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; HI - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como; em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 5 s I - não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; II - aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1 0 Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 90 , a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. A importância de que o tema de imunidade seja tratado e regulado em lei complementar é que, além de ser questão relativa As limitações ao poder de tributar, também é matéria que adentra no âmbito dos três entes da federação e somente uma lei nacional, como a lei complementar, poderá disciplinar a questão a fim de evitar conflitos de competência, como reiteradamente vem decidindo o Colend° Supremo Tribunal Federal, são exemplos: AI 769.613 AgR / SP - 09/03/2010 Relator(a): Min. EROS GRAU EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE 'ART. 150, VI, "C", DA CONSTITUIÇÃO do BRASIL]. ENTIDADE FILANTRÓPICA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. ARTS. 12 A 14 DA LEI N. 9.532/97. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. A imunidade das entidades de assistência social prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição do Brasil, abrange rendimentos em aplicações financeiras enquanto não houver - regulação do disposto no § 4° do artigo 150 da Constituição do Brasil por Lei Complementar. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. RE 556.664 /RS — 12/06/2008 Relator(a): Min. GILMAR MENDES EMENTA: PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA TRIBUTARIAS. MATÉRIAS RESERVADAS A LEI COMPLEMENTAR. DISCIPLINA NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTS. 45 E 46 DA LEI 8.212/91 E DO PARAGRAFO ÚNICO DO ART. 5° DO DECRETO-LEI 1.569/77. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. L PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA TRIBUTARIAS. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. As nolinas relativas â. prescrição e A decadência 6 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.702 Fl. 4 tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art. 18, § 1 0, da CF de 1967/69) quanto sob a Constituição atual (art. 146, b, III, da CF de 1988). Interpretação que preserva a força normativa da Constituição, que prevê disciplina homogênea, em âmbito nacional, da prescrição, decadência, obrigação e crédito tributários. Permitir regulação distinta sobre esses temas, pelos diversos entes da federação, implicaria prejuizo à vedação de tratamento desigual entre contribuintes em situação equivalente e à segurança jurídica. II. DISCIPLINA PREVISTA NO CODIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. 0 Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), promulgado como lei ordinária e recebido como lei complementar pelas Constituições de 1967/69 e 1988, disciplina a prescrição e a decadência tributárias. III_ NATUREZA TRIBUTÁRIA DAS CONTRIBUIÇÕES. As contribuições, inclusive as previdenciárias, têm natureza tributária e se submetem ao regime jurídico-tributário previsto na Constituição. Interpretação do art. 149 da CF de 1988. Precedentes. IV. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art: 146, III, b, da Constituição de 1988, e do parágrafo ú nico do art. 5° do Decreto-lei 1.569/77, em face do § 1 0 do art. 18 da Constituição de 1967/69. V. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. Sao legítimos os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 e não impugnados antes da data de conclusão deste julgamento. Súmula Vinculante STF 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decreto-Lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Na tentativa de regulamentar e criar restrições ao gozo da imunidade, contudo, foi editada a Lei n° 9.532/1997, lei ordinária, que claramente inovou a ordem jurídica e invadin a competência constitucional de lei complementar, usurpando assim os poderes que não haviam sido conferidos constitucionalmente ao legislador ordinário, vejamos: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1 0 Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; 7 b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, ern conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias dai decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda As condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a Órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei especifica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, a manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos-calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considera-se, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutiveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro liquido. Art. 14. ik suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32. da Lei n° 9.430, de 1996. Processo IV 18471.000221/2002-77 CSRF-Tl Acórdão n." 9101-000.702 FL 5 Dessa forma, para restabelecer a ordem jurídica violada com a Lei nr. 9.532/1997, na parte que dizia respeito A. imunidade e justamente no intuito de fazer respeitar a Constituição, o Egrégio Supremo Tribunal Federal foi chamado a intervir e demarcar as normas que deveriam incidir e regular a imunidade, o que aconteceu por intermédio da Ação Direta de Inco2nstitucionalidade n° 1.802, a qual foi objeto de Medida Cautelar para suspender a aplicação e os efeitos dos dispositivos cuja constitucionalidade estava sendo discutida na ADI, até o julgamento final desta. Com efeito, em sessão plenária de 27/08/98, houve a apreciação do pedido cautelar, sendo a seguinte a decisão resultante deste julgamento, publicada em 09/09/98, verbis: 0 TRIBUNAL, POR UNANIMIDADE, DEFERIU, EM PARTE, 0 PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR, PARA SUSPENDER, ATÉ A DECISÃO FINAL DA AÇÃO DIRETA, A VIGÊNCIA DO § 1° E A ALÍNEA F DO § 2°, AMBOS DO ART. 12, DO ART. 13, CAPUT E DO ART. 14, TODOS DA LEI N° 9.532. DE 10.12.97, E INDEFERINDO-0 COM RELAÇÃO AOS DEMAIS. VOTOU 0 PRESIDENTE. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS SRS. MINISTROS CELSO DE MELLO, PRESIDENTE, SYDNEY SANCHES E MARCO AURÊLIO. PRESIDIU 0 JULGAMENTO 0 SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO, VICE-PRESIDENTE. Assim, a partir da publicação do resultado do julgamento, a força vinculante emprestada a tal decisão já não podia ser subvertida, sendo este o teor da emenda do citado julgado: ADI-MC 1802 Jul amento 27/08/1998 Acórdão DJ 13-02-2004 EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos a distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): "instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei": delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto. intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir dai, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Munoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete 6. lei ordinária, no tocante a imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e 9 o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade. que. quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes á. eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2° (salvo a alínea f) e 3°, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2', f; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não s6 formal, mas também material do § 10 do art. 12, da lei questionada. E tudo ficou mais explicito às folhas 09 do citado acórdão, que expressamente confirmou a mácula da inconstitucionalidade a viciar os dispositivos da Lei n° 9.532, no que tratavam da imunidade e, portanto, justificada a sua suspensão, vejamos: Fl. 09 do Acórdão EMENTA: (...) 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes eiva da inconstitucionalidade formal arguida os arts. 12 e §§ 2° (salvo a alínea 1) e 3°, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2°, 'f'; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal, mas também material do §, 1° do art. 12, da lei questionada. Acerca dos efeitos da ADI, é importante considerar que, no controle da constitucionalidade, as decisões definitivas de mérito do STF são dotadas de efeito vinculante, notadamente para a administração pública, conforme expresso no § 2°., art. 102, da Carta Magna: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração publica direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Acerca dos efeitos da Medida Cautelar do STF, o artigo 11 da Lei n° 9.868/1999, expressamente estende a todos a eficácia ex-nunc, vejamos: Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da Unido e do Diário da Justiça da Unido a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato, observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capitulo. § 1 ° A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida corn efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa. 10 • Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.702 H. 6 Todavia, resta aquilatar qual o efeito sobre os atos da Administração Pública quando a hipótese trate de Medida Cautelar em ADI, para tanto, são importantes as lições do Ministro Gilmar Ferreira Mendes: "Se não subsiste dúvida relativamente à eficácia erga omnes da decisão concessiva proferida em sede de cautelar na ação direta de inconstitucionalidade, é licito indagar se essa decisão seria, igualmente, dotada de efeito vincul ante. (..-) Nesse passo, o Supremo Tribunal Federal, ao conceder o provimento cautelar requerido na ADC 4/DF, proferiu, por maioria de nove votos a dois, a seguinte decisão: "0 Tribunal, por votação majoritária, deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, com eficácia ex nunc e com efeito vinculante, ate final julgamento da ação, a prolação de qualquer decisão sobre pedido de tutela antecipada, contra a Fazenda Pública, que tenha por pressuposto a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade do art. 10 da Lei n° 9.494, de 10/9/97, sustando, ainda, com a mesma eficácia, os efeitos futuros dessas decisões antecipatórias de tutela já proferidas conta a Fazenda Pública, vencidos, em parte, o Ministro Néri da Silveira, que deferia a medida cautelar em menor extensão, e, integralmente, os Ministros Einar Galva° e Marco Aurélio, que a indeferiam" (DJ de 21-5-1999).2 Importante transcrever a linha jurispnidencial que vem sendo mantida no STF: Rcl-AgR-AgR 4903, DJe 08/08/08 (...) I - 0 provimento cautelar deferido, pelo Supremo Tribunal Federal, ern sede de ação declaratória de constitucionalidade, além de produzir eficácia "erga omnes", reveste-se de efeito vinculante, relativamente ao Poder Executivo e aos demais órgãos do Poder Judiciário. II - A eficácia vinculante, que qualifica tal decisão, legitima o uso da reclamação se e quando a integridade e • a autoridade desse julgamento forem desrespeitadas. Por conseguinte, existindo ADI para discutir a matéria e também havendo Medida Cautelar suspendendo os efeitos e a vigência dos dispositivos objetos da ADI, os respectivos dispositivos ficam com a sua aplicação suspensa, isto quer dizer, fica a Administração Publica impossibilitada de aplicar tais dispositivos até que seja decidido, em definitivo, o mérito da ADI. 2 FERREIRA MENDES, Gilmar; e outros; Curso de Direito Constitucional, 3' edição, 2008, edt. Saraiva, pag. 1300. 1 1 Então, restaram corn a sua vigência e aplicação suspensa, seja pelo Poder Judiciário seja pela Administração Tributária, os seguintes dispositivos da Lei n° 9.532/97: a. 0 § 1° do art. 12: § 1° Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. b. 0 art. 13, caput: Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos-calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a pratica de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. c. 0 art. 14. Art. 14. A suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32. da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa forma, ante a hierarquia, amplitude e a magnitude da decisão do STF na ADI n. 1.802, faz-se necessário delimitar os efeitos desta, vejamos: A Medida Cautelar na ADI n. 1.802, decidida pelo Plenário do STF, foi expedida norma geral e concreta, definitiva e terminativa, com apreciação de mérito e com efeito vinculante e erga omnes, cujos comandos são obrigatórios e deverão ser aplicados por todos, inclusive, pelos órgãos do Poder Judiciário e do Poder Executivo, nos termos da Lei n. 9.868/99. Desta feita, por ter o STF suspendido a aplicação do artigo 14 da Lei n. 9.532/97, com efeito vinculante e erga omnes, todos os procedimentos de suspensão de imunidade atribuído à Receita Federal do Brasil pelos citados diplomas legais, continuam suspensos, inclusive o artigo 32 da Lei n. 9.430/96. Isto porque, o artigo 32 da Lei n° 9.430/1996, citado expressamente como conteúdo normativo do artigo 14 da Lei n° 9.532, é igualmente lei ordinária, portanto, a ele se aplica idêntica conclusão nos termos do decidido em sessão plenária pelo STF, estando suspensa a sua aplicação por também invadir a competência da lei complementar ao criar procedimento para suspensão de imunidade. Vejamos o que diz tal dispositivo: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. 12 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-TI Acórdão n.° 9101-000.702 Fl. 7 § 1° Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9°, 1°, e 14, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do beneficio, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2° A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entenderem necessárias. § 3 0 0 Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência b. entidade. patente que, se o artigo 14 da Lei n° 9.532/97, que tentou regular o procedimento para suspensão de imunidade, fazendo menção expressa aos procedimentos da Lei n° 9.430/96, está com sua vigência e aplicação suspensas, pelo fato de o STF ter considerado que tal matéria somente poderia ser veiculada por lei complementar, assim, igualmente, está suspensa a aplicação do artigo 32 da Lei n° 9.430/1996, que é o conteúdo normativo do citado artigo 14. Ora, não faria sentido suspender o artigo 14 da Lei 9.532/97, que é lei ordinária, em razão de o STF exigir que somente a lei complementar tratasse da matéria, para se admitir que, por vias transversas, outra lei ordinária, citada como conteúdo do dispositivo com aplicação suspensa, pudesse disciplinar o tema e, assim, ser burlada a decisão do Pretória Excelso. Dessa forma, assim ficou estabelecido o marco legal: estando suspensa e vedada a aplicação do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, por decorrência, igual efeito terá que ser dada à norma que é o seu próprio conteúdo, isto 6, o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, para fins de suspensão de imunidade. Nesse passo, é de se registrar que o próprio dispositivo com aplicação suspensa é que é a matriz legal do artigo 173 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, que trata da suspensão de imunidade, vejamos: Art. 173. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade relativamente aos anos- calendário em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. (Matriz legal: Lei n° 9.532/1997, art. 13) Como se não bastasse, com o objetivo de regular e dar a interpretação oficial dos novos dispositivos legais introduzidos pela Lei n° 9.532/97 e disciplinar os procedimentos 13 para a suspensão da imunidade, a Secretaria da Receita Federal editou o seguinte Ato NormatiVo: Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL - SRF n° 113 de 21.09.1998 Dispõe sobre as obrigações de natureza tributária das instituições de educação. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso das suas atribuições e tendo em vista as disposições dos artigos 12 a 14 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, resolve: Suspensão do Gozo da Imunidade Art. 15. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisito legal, previsto nesta Instrução Normativa, deve ser procedida de conformidade com as disposições deste artigo. (...) § 6° Efetivada a suspensão da imunidade: (...) II - a fiscalização de tributos federais deverá, se for o caso, lavrar o auto de infração para exigir os tributos e contribuições devidos. (...) § 8° Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Isto 6, o Regulamento do Imposto sobre a Renda e a IN SRF if 113/1998, ao fazerem menção expressa A. Lei no 9.532/97, na verdade, restaram igualmente maculados de vicio, por estarem a regular e interpretar dispositivo de lei ordinária, com vigência suspensa, em decorrência de usurpação de competência de lei complementar. Então, no tocante a possibilidade de suspensão de imunidade pela RFB, não poderão ser aplicadas As disposições do artigo 14 da Lei no 9.532, bem como a do artigo 32 da Lei n° 9.430/96 e, em decorrência o art. 173 do RIR/99 e o art. 15 da IN SRF n° 113/1998, cuja vigência e aplicação estão todas suspensas por Medida Cautelar em ADI, com efeito erga omnes. Dessa forma, ante a suspensão acima, resta, entretanto, a seguinte indagação: e quando for comprovado pela RFB, no uso do seu dever-poder legal de fiscalizar e cobrar tributos, como previsto no art. 145, § 1 0, do texto constitucional, qualquer descumprimento As regras dos artigos 9° e 14° do CTN, como ela deverá proceder? 14 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T I Acórdão rl.° 9101-000.702 FL 8 A resposta a essa indagação, em minha opinião, é a seguinte: a RFB não poderá ser obstada no seu mister, contudo, não poderá aplicar e agir com base em dispositivos legais cuja aplicação esteja suspensa, com efeito erga omnes, pelo Pretório Excelso. Isto significa dizer que, verificada irregularidade is normas dos artigos 9 0 e 14 do CTN, a Administração Tributária poderá lavrar o respectivo auto de infração, contudo, não poderá basear essa autuação em ato declaratório expedido para suspender imunidade e nem poderá ele estar fundamentado em procedimento ou ato que tenha por base legal os dispositivos das leis cuja vigência esteja suspensa por decisão plenária em Medida Cautelar em ADI, ou seja, a fiscalização terá que buscar outro fundamento de validade para justificar a suspensão de imunidade e a respectiva autuação. E mais, não se trata aqui de mera questão formal que possa ser superada, pois a legalidade tem que ser visualizada também sobre os aspectos da motivação e formalidades essenciais necessárias para a sua conformação, nos termos da Magna Carta e da Lei n° 9.784, pois ela diz respeito à concretude do ato e ao seu relato na linguagem competente que o direito reconhece e valida. Entendimento em contrário implicaria em afronta à legalidade e ás decisões plenárias do Egrégio Supremo Tribunal Federal, com grave subversão da ordem jurídica e desobediência a ato judicial. Realmente, em cada caso terá que ser avaliada a higidez formal e material da suspensão da imunidade e se ela está representada por Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade e nos dispositivos com vigência suspensa, devendo permanecer somente aquelas em que não tenham sido aplicados os dispositivos com vigência suspensa pela Medida Cautelar no ADI, cuja constitucionalidade est á sendo questionada. que, como já indicado no dispositivo - da ADI-MC 1802, encontram-se suspensa a aplicação das normas que permitiam o procedimento gerador de Atos Declarató rios de Suspensão de Imunidade. Neste diapasão e o entendimento que vem sendo adotado pelo próprio CARF, Ex-Conselho de Contribuintes, vejamos: 3' Camara do 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Acórdão 103-21076, sessão de 05.11.2002 NORMAS DE DIREITO PROCESSUAL - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE A ADIn no 1802-3 que suspendeu, liminarmente, até decisão final da ação, a vigência do § 10 e a alínea f do § 2°, ambos do art. 12, o art. 13, caput e o art. 14 da Lei n° 9.532/97, tem eficicia tão-somente a suspensão da imunidade que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/96, não tendo aplicabilidade ao instituto da isenção de tributos e contribuições federais. 15 Como se vê, a decisão acima está baseada no fato de que havia o empecilho normativo para esta base legal, quando se tratar de imunidade, cabendo repetir, por didatismo', o já citado julgado do STF: . ADI-MC 1802, DJ 09.09.1998 2. A luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes h. eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2° (salvo a alínea f) e 3 0 , • assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2°, f: 13. caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1° do art. 12, da lei questionada. E a emblemática norma suspensa, qual seja, o art. 14 da Lei n. 9.532/97, verbis: Art. 14. A suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32. da Lei n° 9.430, de 1996. Pacifico, então, que o julgamento 'em ADI, mesmo que cautelar, é vineulante e submete a administração pública e o judiciário ás suas prescrições. Assim, se o art. 14 da Lei n° 9.532/97, determinava aplicar o art. 32 da Lei no 9.430/96, e tudo isio estava suspenso, conclui-se que a expedição de atos declaratórios de suspensão e a conseqüente autuação com base em tal ato, fazem o auto de infração nascer embalado pela ilegalidade. Por outro lado, os autos de infração lavrados sem qualquer menção as normas com vigência suspensa, não são alcançados por tal ilegalidade, isto e, apenas não prevalecem os lançamentos fundamentados em ato declaratório de suspensão de imunidade, nos termos da nolina e nos dispositivos legais com aplicação suspensa. No presente caso, como visto acima, a suspensão da imunidade da Interessada está fundamentada no disposto do § 2°, artigo 30 da Lei n. 4506/64, c/c o artigo 32 da Lei no 9430/96, bem como o disposto nos artigos 12 a 15 da Lei n° 9.532/97, portanto, eivado de ilegalidade, não merecendo, a meu ver, prosperar, razão porque, nego provimento ao recurso. Por outro lado, se este não for o entendimento desta E. Turma, volta-se a questão de mérito, qual seja, a suspensão da imunidade tributária por infringência do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, e no art. 14, inciso II, do CódigoTributdrio Nacional. Como se depreende dos autos, a suspensão da imunidade da instituição foi procedida pelo fato de ter sido constatado as seguintes irregularidades pela fiscalização: (a) irregularidades em transações de permuta, associação e alienação de imóvel; (b) gastos não ativados com •construção; (c) omissão de receitas; (d) a não consolidação dos resultados mensais de filiais; (e) empréstimos As filiais; (f) doações recebidas e efetuadas pela Interessada; (g) receitas de alugueres; (h) receitas de aplicações financeiras. Entretanto, entendo que de todas as irregularidades acima apontadas pela fiscalização, apenas uma pode ser levada em consideração para efeito de suspensão da imunidade tributária, qual seja, as doações efetuadas pela Interessada, eis que, nos termos do inciso II, do art. 14 do CTN e da alínea "b", do § 2°, art. 12 da Lei n° 9.532/97, é condição essencial para o gozo da imunidade a aplicação integral de seus recursos na manutenção de 16 Processo n°18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórd5o n.° 9101-000.702 FL 9 seus objetivos institucionais, sendo que as demais irregularidades apontadas pela fiscalização não são motivos suficientes para suspender a imunidade da Interessada. Para uma melhor análise das irregularidades acima apontadas por parte desta E. Turma, tomo como minha, com a devida vênia, Declaração de Voto proferida pelo julgador Marcelo Franco de Matos, quando da decisão de primeira instância que tab bem apreciou as matérias aqui posta a apreciação, á luz da legislação que estabelece os requisitos para gozo da imunidade, a saber: art. 14 do Código Tributário Nacional (fatos ocorridos até 31/12/1997); e arts. 12 a 14 da Lei n° 9.532/1997 (fatos ocorridos após 01/1998), vejamos: "Das operações realizadas com o imóvel da Av. Paulista. Os itens 1 a 4 do Relatório Fiscal fazem menção aos seguintes fatos, supostamente irregulares parceria firmada entre a Interessada e a Construtora Romeu Chap Chap S.A., com vistas 6. construção de um prédio na Av. Paulista n° 2300; mediante permuta de fração ideal do terreno e respectivas edificações por área comercial a ser construida; associação feita posteriormente com as construtoras Monteiro de Barros e SLG; alienação de parte do prédio construido a PREVI pelo valor de R$ 55.787.008,48; e contabilização da importância de R$ 4.139.322,50 como lucro na venda do imóvel. A descrição dos fatos não esclarece, infelizmente, qual teria sido a infração cometida pela Interessada, nem especifica o dispositivo legal infringido. Dai porque acompanho o voto da Relatora, no sentido de desconsiderar as referidas operações como causa de suspensão da imunidade. Dos gastos não ativados. De acordo com o item 5 do Relatório Fiscal, a Interessada contabilizou como despesa de construção o montante de R$ 4.711.774,65, tendo efetuado ainda pagamentos a terceiros, no valor total de R$ 2.048.915,55, que deveriam ter sido ativados. 0 fato de a Interessada haver contabilizado como despesa gastos que deveriam ter sido ativados pode atentar, talvez, contra a boa técnica contábil. Trata-se de erro, todavia, que não justifica a medida extrema da suspensão da imunidade, até porque a entidade não omitiu a realização dos gastos, nem mascarou sua natureza jurídica. Cometeu, simplesmente, uma falha de coritabilização, que não chega a comprometer a validade de sua escrituração, nem retira sua confiabilidade. Tanto é assim, que a própria Fiscalização, em momento posterior, utilizou a referida escrituração como base para a apuração do lucro real. Por conta de tais razões, penso que o referido erro contábil deve ser desconsiderado, para efeitos de suspensão da imunidade. Da omissão de receitas. Conforme descrito no item 6 do Relatório Fiscal, a Interessada alugou parte do imóvel situado na Av. Paulista para as pessoas jurídicas Regus do Brasil e Telesp, pagando corretagem, no caso, à empresa Predium Consultoria e Planejamento Imobiliário Ltda. Segundo afirma a Fiscalização, a Interessada teria contabilizado como receitas de aluguéis apenas os valores líquidos recebidos das locatárias, omitindo de sua contabilidade as corretagens pagas. 17 Os esclarecimentos prestados para a Interessada, no caso em questão, me parecem suficientes para descaracterizar a acusação fiscal de omissão de receitas. Dai porque acompanho o voto da Relatora, nos seus fundamentos e nas suas conclusões. Da falta de consolidação dos resultados mensais. Conforme descrito nos itens 7 e 8 do Relatório Fiscal, a Interessada mantinha contabilidade descentralizada, mas não consolidava os resultados mensalmente na matriz, fazendo -o apenas ao fim de cada exercício, em desacordo, portanto, com o que determina o art. 252 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26/03/1999. Penso que há, aqui, Um rigor excessivo da Fiscalização. A obrigação de consolidar os resultados mensalmente na matriz, a que se refere o art. 252 do RIR1 1999, só se aplica As pessoas jurídicas contribuintes do imposto de renda, e, mais especificamente, àque las tributadas com base no lucro real. No presente , processo, não há que se falar em legislação do imposto de renda, nem sequer em apuraçao, de lucro real, vez que estamos numa fase de investigação anterior, cujo objeto limita-se verificação do cumprimento das condições para gozo da imunidade. 0 que cabe verificar aqui, portanto, e, apenas e tão somente, se a empresa mantém escrituração completa de suas receitas e despesas, em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão (art. 14, inciso III, do Código Tributário Nacional; art. 12, § 2°, alínea "c", da Lei n° 9.532/1997). Poder-se-ia dizer que a obrigação de consolidar, periodicamente, na matriz, os resultados das filiais é um imperativo de transparência gerencial, aplicável a qualquer entidade que opte por manter contabilidade descentralizada. Poder-se-ia argumentar, também, que a inexistência de consolidação dos resultados, na matriz, cria sérias dificuldades para o procedimento de auditoria fiscal, sobretudo quando se trata de uma instituição de grande porte, com muitas filiais. Correto. Nada disso se discute. 0 que apenas se afigura excessivo, no presente caso, é obrigar a Interessada a incorporar, mensalmente, os resultados de suas filiais, quando é certo que já o faz ao final de cada exercício. Ora, se até mesmo as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real têm a faculdade de apurar o resultado com periodicidade anual, livrando-se da onerosa obrigação de levantar balancetes mensais ou trimestrais, com mais razão penso que não se deva impor tal castigo 'as entidades imunes. De mais a mais, o art. 2° da Lei n° 2.354, de 29/11/1954, base legal do art. 252 do R1R/1999, fala, apenas, em incorporação dos resultados na matriz, sem mencionar, em momento algum, que tal procedimento deva ser feito a cada mês. Por conta de tais razões, penso que os fatos acima referidos devem ser desconsiderados, para efeitos de suspensão de imunidade. Dos empréstimos às filiais. No item 9(A) do Relatório Fiscal, aponta-se como irregularidade o fato de a Interessada fazer e receber doações no âmbito da própria entidade. Os esclarecimentos prestados pela Interessada, no caso em questão, me parecem suficientes para demonstrar que as referidas operações consistiam em simples transferências entre contas-correntes de mesma titularidade, não havendo qualquer indicio de que os recursos tenham sido desviados das finalidades essenciais da entidade. 18 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.702 n_ 10 No item 10 do mesmo relatório, a Fiscalização questiona, ainda, empréstimos concedidos pela matriz 6. sua filial de São Paulo, mediante cobrança de juros. Tampouco aqui vislumbro qualquer irregularidade que justifique a suspensão de imunidade da Interessada. Acompanho, pois, o voto da Relatora, nos seus fundamentos e nas suas conclusões. Das doações efetuadas a outras pessoas jurídicas. No item 9(B) do Relatório Fiscal, questionam-se diversas doações realizadas pela Interessada, no ano de 1998, em beneficio de outras pessoas jurídicas. Segundo- afirma a Fiscalização, a impugnante não exigiu das entidades beneficiárias documentação comprobatória da destinação das verbas doadas, apesar de tal procedimento estar previsto nas clausulas dos respectivos convênios. A preocupação do Fisco e justi ficável. Em se tratando de doações realizadas em proveito de outras pessoas jurídicas, penso que seja dever da Interessada zelar pela correta destinação dos recursos doados, assegurando-se de que foram efetivamente empregados nos fins pretendidos. Não se está, aqui, a questionar a idoneidade de nenhuma das entidades beneficiárias das doações. A questão está em assegurar a transparência dos procedimentos. Fosse a Interessada uma sociedade com . fins lucrativos, contribuinte do imposto de renda, poderia doar recursos a quern bem quisesse, e o Fisco nada teria a ver com isso. Sendo, no entanto, uma entidade imune de impostos, é seu dever prestar contas à sociedade dos dinheiros que distribui. Afinal, é esta sociedade que, em última análise, lhe confere a referida imunidade. Pois bem. Examinando os documentos acostados aos autos, verifico que a Interessada comprovou, apenas parcialmente, a destinação dada aos recursos doados a pessoas jurídicas, no ano de 1998. Por tais razões, penso que desatendeu ao requisito previsto no art. 12, § 2°, alínea "d", da Lei n° 9.532/1997. Das transferências contabilizadas como donativos. No item 9(C) do Relatório Fiscal, questionam-se diversos valores registrados como donativos. Intimada a prestar esclarecimentos, a Interessada alegou que os referidos valores foram contabilizados erroneamente, já que representavam simples transferências feitas pela matriz às filiais. Os elementos coligidos na ação fiscal sugerem, mais uma vez, tratar-se de simples erro de escrituração contábil, nada havendo nos autos que revele utilização de recursos fora dos objetivos institucionais da impugnante. Da doação recebida do Colégio Loyola. Conforme descrito no item 9(D) do Relatório Fiscal, a Interessada teria deixado de comprovar uma doação recebida do Colégio Loyola, no valor de R$ 245.000,00. Os documentos acostados aos autos parecem-me suficientes para comprovar a lisura dos procedimentos contábeis da Interessada. Acompanho, pois, o voto da relatora, para desconsiderar a referida doação como causa de suspensão da imunidade. Das doações efetuadas a associados e/ou dirigentes. 19 Segundo afirma a Fiscalização, no item 9(E) do Relatório Fiscal, as doações feitas pela Interessada nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000 são consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, infringindo desta maneira o art. 13, parágrafo único, da Lei n° 9.532/1997. A descrição dos fatos não esclarece, infelizmente, que despesas ou doações foram essas. Não especifica, tampouco, quando é que foram feitas. Nem mesmo identifica os supostos beneficiários, e sua ligação com a entidade. Na falta de tais elementos, penso que a Interessada está impossibilitada de realizar eficientemente a sua defesa. Dai porque desconsidero as doações acima referidas, como causa de suspensão de imunidade. Das doações feitas a pessoas fisicas. Conforme descrito no item 9 (F) do Relatório Fiscal, a Interessada teria 'deixado de comprovar doações feitas a pessoas fisicas, no ano de 1998. A impugnante alega que as doações eram realizadas em proveito de pessoas carentes, mas confessa que não ex. igia qualquer recibo dos beneficiários. A entidade imune tem todo o direito, e porque não dizer o dever; de auxiliar os. carentes e necessitados. Pode, pois, e deve, oferecer bolsas de estudo, custear tratamentos médicos, financiar a construção de moradias e tudo o mais que contribua para a minoração das desigualdades sociais. Não pode perder de vista, entretanto, que deve prestar contas h. sociedade, afinal é uma entidade imune de impostos. Neste sentido, tem a obrigação de manter um mínimo dc controle sobre as doações que promove. Para tanto, não basta que as doações estejam escrituradas. É preciso, também, que a instituição doadora identifique os beneficiários, com nome e endereço, exija-lhes recibo, e especifique, claramente, a finalidade da doação. So assim poderá o Fisco, em nome da sociedade, certificar-se de que os recursos doados foram bem empregados. Pois bem. Examinando os documentos acostados aos autos, verifico que a Interessada não comprovou, satisfatoriamente, a destinação dada aos recursos doados a pessoas fisicas, no ano de 1998. Por tais razões, penso que desatendeu ao requisito previsto no art. 12, § 2°, alínea "d", da Lei n° 9.532/1997. Das doações feitas ao Colégio Loyola. Conforme descrito no item II do Relatório Fiscal, a Interessada transferiu a titulo de doação, para o Colégio Loyola, os seguintes valores: R$ 380.000,00, em 05/06/1998, e R$ 200.000,00, em 10/06/1998. Segundo apurado na ação fiscal, a referida importância foi empregada na aquisição de um imóvel situado na Rua Sinval de Sá n 700, em Belo Horizonte, imóvel este que acabou sendo cedido A. Associação Pedro Arrupe. Segundo afirma a Fiscalização, o Colégio - Loyola é uma entidade que tem superavit em suas contas, valores expressivos aplicados no mercado financeiro, efetuando, além disso, comercialização de produtos. Examinando os documentos acostados aos autos, não percebo, sinceramente, nenhuma irregularidade que justifique a suspensão da imunidade. 0 fato de o Colégio Loyola possuir superavit em suas contas, ou de aplicar recursos no mercado financeiro, ou mesmo de comercializar produtos relacionados com suas atividades educacionais, não desqualificam a doação realizada pela Interessada. De mais a mais, em nenhum momento restou demonstrada, 20 Processo la' 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.702 Fl. 11 pelo Fisco, a utilização do imóvel em atividades estranhas As finalidades assistenciais que são a marca da Associação Pedro Arrupe. Dos rendimentos de aluguéis. Conforme descrito nos itens 12 e 13 do Relatório Fiscal, a Interessada cedeu parte do imóvel situado na Av. Paulista, em troca de salas comerciais, com o objetivo de arrecadar receitas de aluguel. No entendimento da Fiscalização, teria havido, ai, desvio das finalidades educacionais e sociais da entidade. Também aqui, não me parece haver motivo que justifique a suspensão da imunidade da Interessada. Se uma entidade imune, por variadas razões, não consegue dar a um determinado imóvel a destinação institucional que lhe é própria, nada lhe impede que o alugue, temporariamente, a fim de obter renda. Problema haveria, sim, se a entidade utilizasse todo o seu patrimônio, ou boa parte dele, na atividade especulativa. Este, todavia, não parece ser o caso, ou, pelo menos, nada ficou comprovado a tal respeito. Das aplicações financeiras. Segundo afirma a Fiscalização, no item 13 do Relatório Fiscal, apenas 55% da receita bruta da entidade advêm de mensalidades escolares, sendo o restante proveniente de outras fontes, inclusive aplicações financeiras. 0 art. 159, § 4°., da Constituição Federal de 1988 limita, de fato, o alcance da imunidade das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos aos rendimentos relacionados com suas finalidades essenciais. Isto não significa, porem, que tais instituições estejam impedidas de aplicar seus recursos no mercado financeiro, até porque, não fosse assim, tais instituições estariam praticamente condenadas h. extinção. A interpretação que se deve dar ao dispositivo constitucional, segundo penso, é no sentido de segregar os rendimentos das aplicações financeiras das demais receitas relacionadas com as finalidades essenciais. Ou seja, a entidade não deixa de ser imune pelo fato de aplicar no mercado financeiro. Simplesmente os rendimentos de tais aplicações financeiras serão tributados, como ocorreria com qualquer outra pessoa jurídica (art. 12, § 1 0., da Lei no 9.53211997). As demais rendas, auferidas em razão da atividade, permanecem ao abrigo da imunidade. 0 fato é que, para verificar se as doações efetuadas caracterizavam a atividade assistencial apregoada pela recorrente, foram expedidas intimações com vistas a apresentação dos comprovantes de aplicação dos recursos em atividades assistenciais e esses comprovantes não foram trazidos aos autos, com exceção da doação ao Colégio Loyola." 0 fato é que, tanto para as doações efetuadas 110 ano-calendário de 1998 pela Interessada as pessoas jurídicas, como para as pessoas fisicas, não houve a devida comprovação das doações efetuadas. Ao contrário, o que se vê dos documentos acostados aos autos é que a instituição não tomou o devido cuidado em justificar e documentar as doações efetuadas, contrariando, portanto, os dispositivos legais para o gozo da imunidade. 21 Valrnir-S-Cndri - Relator Pelo acima exposto, sou pelo provimento PARCIAL do Recurso Especial da D. Procuradoria, tão somente para restabelecer a suspensão da imunidade da Interessada relativo ao ano-calendário de 1998. como voto. •t ' 22 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.702 Fl. 12 Voto Vencedor Conselheira Susy Comes Hoffiiann, Redatora Designada QUANTO A PRELIMINAR 0 eminente Conselheiro relator restou vencido em relação A. preliminar por ele suscitada de oficio. Designada para redigir o voto vencedor, no ponto, passo a expor o meu posicionamento. Impõe-se, aqui, a analisar a existência de duas Aches Diretas de Inconstitucionalidade ern trâmite no STF, que dizem com o tema ora em julgamento, uma das quais foi objeto de análise pelo nobre relator, de cujas conclusões a turma discordou. Com efeito, estão a tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADI .n° 1802, protocolizada no ano de 1998, que questiona a constitucionalidade dos artigos 12, 13 e 14 da Lei n° 9.532/1997, e a ADI n° 4021, protocolizada em 2008, tendo como objeto a declaração de inconstitucionalidade do artigo 32 da Lei n° 9.430/96. Tem-se, assim, o seguinte panorama: a) ADI n° 1802: em 27/08/1998, o Tribunal, por unanimidade, deferiu parcialmente o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão definitiva da ADI, a vigência do §1° e alínea "f" do §2°, ambos do artigo 12, do artigo 13, "caput", e do artigo 14, todos da Lei n° 9.532/97. b) ADI no 4021: diante do pedido de medida cautelar, o relator, Min. Eros Grau, entendeu por bem aplicar o artigo 12 da Lei n° 9.868/99, a fim de submeter o processo diretamente ao Tribunal, tendo em vista a relevância do caso. Ainda, em face da alegação do autor da ação de conexão com a ADI no 1802, acima referida, submeteu-se a consideração do Presidente do STF no que tange h eventual necessidade de redistribuição do feito, por prevenção, ao relator desta ADI. Entendeu -se, neste ponto, consoante despacho proferido em 27/08/2008, que não restou caracterizada a conexão, sob o fundamento de que as duas ações versam sobre dispositivos de leis diferentes. de se ressaltar que, na ADI no 4021, o STF ainda não apreciou o pedido de medida cautelar. A celeuma que se trava, diante disso, conceme à vigência ou não do artigo 32 da Lei no 9.430/96, diante do deferimento da medida cautelar no bojo da ADI 1802, suspendendo-se, dentre outros, o artigo 14 da lei n° 9.532/97. Este dispositivo legal tem a seguinte redação: Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32 da Lei n°9.430, de 1996. 23 Poder-se-ia depreender, de fato, desta circunstância que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, já que a ele se refere expressamente o artigo 14 suspenso, também estaria com a sua vigência sobrestada. Nesse sentido o voto ora vencido. Entretanto, tal entendimento é destituído de razão jurídica. Vejamos. Analisando-se o voto do Min. Sepialveda, a. época relator da ADI n° 1802, o qual fora acolhido por unanimidade, tem-se que, tratando especificamente dos artigos 13 e 14 da Lei n° 9.532/97, e baseando-se no entendimento já consolidado da Suprema Corte, entendeu, em juizo provisório, que a suspensão da imunidade tributária, nos termos do disposto no artigo 13, aplicável sob a forma de sanção ao sujeito passivo que "houver contribuído para a prática do ato que constitua infraçc-io a dispositivo da legislação tributária (..)" extrapolaria os lindes legítimos de regulação por lei ordinária de matéria atinente a imunidade tributária. Destarte, nessa esteira, partindo-se do pressuposto da inconstitucionalidade do artigo 13, suspendeu-se, também, o artigo 14, que se liga umbilicalmente Aquele dispositivo, e sem o qual não haveria razão de existir. De fato, afigura-se, neste ponto, não obstante não expresso neste sentido o voto do ilustre ministro, uma verdadeira "inconstitucionalidade por arrastamento", aquela em que "a dependência ou interdependência normativa entre os dispositivos de uma lei pode just? ficar a extensão da declaração de inconstitucionalidade a dispositivos constitucionais mesmo nos casos em que estes não estejam incluidos no pedido inicial da ação" 3 . Inconstitucionalidade, é de se enfatizar, "provisória", já que a norma encontra-se com sua eficácia suspensa, em virtude de concessão de medida cautelar. Realmente, o artigo 14 não subsiste sem o artigo 13, de modo que a suspensão deste importa, inexoravelmente, a suspensão daquele. Sob esta perspectiva, tem-se, na medida cautelar, que o relator foi explicito, ao tratar do artigo 32 da Lei n° 9.430/96, no seguinte sentido: "Essa L. 9.430/96 prevê a 'suspensão' da imunidade tributária por falta de observância dos requisitos do art 9°, §1°, e 14, do CTN claramente enquadráveis no campo que vimos considerando facultado até à lei ordinária" E, cuidando do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, sob o prisma em que tal dispositivo determina a aplicação do artigo 32 da Lei n° 9.430/96 na hipótese de configuração dos pressupostos para a suspensão da imunidade tributária previstos no artigo 13 daquele diploma legal, adianta o seu juizo de inconstitucionalidade, externando que: "A norma agora impugnada, contudo, uma vez mais, instrumentaliza a suspensão da imunidade tributária como sanção dos ilícitos fiscais que não dizem com os pressupostos do beneficio constitucional" 3 MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocencio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 2° edição. Saravia. 2008. p. 1247. 24 Processo n° 18471.000221/2002-77 CSRF-T1 Accireráo n.° 9101-000.702 Fl. 13 Vê-se, com isso, que, inequivocamente, não se pode dizer que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 está com a sua vigência suspensa por força da suspensão do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, tão-somente pelo fato de que este artigo faz referência àquele. Com efeito, o sobrestamento do artigo 14 da Lei n° 9.532/97 deu-se em razão do juizo provisório de inconstitucionalidade que recaiu sobre o artigo 13 da mesma lei, o qual constitui-se em condição para a aplicação do artigo 14, e sem o qual este não subsistiria (conforme já exposto); é dizer, a suspensão da imunidade tributária que se reputou como ilegítima é aquela que tem como pressuposta a tipificação de uma infração à legislação tributária, consubstanciando-se, portanto, numa verdadeira sanção; ressalvou-se, de outro lado, expressamente, que a suspensão da imunidade sob o pressuposto da falta de preenchimento dos requisitos estabelecidos nos artigos 9°, §1°, e 14 do CTN, conforme regulado pela Lei n° 9430/96, é dotada de compatibilidade constitucional. Ora, como se sabe, o efeito vinculante, em termos objetivos, que assoma de uma sua decisão, seja definitiva seja cautelar, sobretudo em sede de controle abstrato de constitucionalidade, que tem eficácia erga omnes, abrange não só a sua parte dispositiva, mas também os seus fundamentos determinantes, conforme se depreende da seguinte passagem do voto proferido pelo ex-ministro Mauricio Correa, no âmbito da Reclamação n° 1.987 (DIU 21/05/2004): "A questão fundamental é que o ato impugnado não apenas. contrastou a decisão definitiva proferida na ADI 1.662, como, essencialmente, está em confronto coin seus motivos determinantes. A propósito, reporto-me a recente decisão do ministro Gilmar Mendes (RCL 2.126, DJ de 19/08/02) sendo relevante a consideração de importante corrente doutrinária, segundo a qual a 'eficácia da decisão do Tribunal transcende o caso singular, de modo que os princípios dimanados da parte dispositiva e dos fundamentos determinantes sobre a interpretação da Constituição devem ser observados por todos os Tribunais e autoridades nos casos futuros', exegese que fortalece a contribuição do Tribunal para preservação e desenvolvimento da ordem constitucional". Neste sentido, o ministro Gilmar Mendes diz que: "Como se vê, com o efeito vinculante pretendeu-se conferir eficácia adicional a decisão do STF, outorgando-lhe amplitude transcendente ao caso concreto. Os órgãos estatais abrangidos pelo efeito vinculante devem observar, pois, não apenas o conteúdo d aparte dispositiva da decisão, mas a norma abstrata que dela se extrai, isto é, que determinado tipo de situação, conduta ou regula cão- e na apenas aquele objeto de pronunciamento jurisdicional- é constitucional ou inconstitucional e deve, por isso, ser preservado ou eliminado (.) Com a positiva cão dos institutos da eficácia erga omnes e do efeito vinculante das decisões proferidas pelo STF na ação declaratória de constitucionalidade e na agido direta de inconstitucionalidade deu-se um passo significativo no rumo da 25 modernização e racionali:wOo da atividade da jurisdição constitucional entre nós" 4. Assim é que não se pode levar em conta a medida cautelar concedida pelo STF na ADI 1802, sem se analisar e considerar o teor da sua fundamentação. E esta, como já demonstrado, faz explicita distinção entre as hipóteses de suspensão tributária previstas na Lei n° 9.532/97 e na Lei n° 9.430/96, reputando-se como suspensa aquela (artigos 13 e 14). Por outro lado, além do fato de, nos termos_ do já exposto, não se poder afirmar que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 encontra-se suspenso, em razão da decisão proferida no bojo da ADI n° 1802, também não se pode relegar que existe uma ADI especi fica que questiona a constitucionalidade de tal dispositivo, na qual ainda não houve sequer a análise da medida cautelar postulada. Ademais, nessa ADI, de no 4021, verifica-se a existência de despacho do Presidente da Corte no sentido da inexistência de conexão entre as duas ações comentadas, deteiminando-se o seu trâmite com relatores diferentes. Ora, como se sabe, os institutos processuais da prevenção, da prorrogação de cómpetência e da conexão, tam o escopo ultimo de evitar que, no âmbito do Poder Judiciário, surjam decisões divergentes em casos de ações que, por suas elementos, encontram-se intimamente ligadas, o que geraria, alem de incongruência, uma insegurança jurídica latente nos jurisdicionados. Esta razão revela-se ainda mais premente quando se trata de ações existentes num mesmo tribunal. Diante do exposto, não se considera suspenso o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 e por isso é de se afastar a preliminar argüida de oficio pelo Conselheiro Relator. como voto. Sala das Sessões, 08 de novembro de 2010. Susy ann - Redatora Designada 4 Idem. p. 1285/1286. 26
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000901/2001-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/03/1991 a 31/08/1997
IPI. Glosa de Créditos Básicos. Aquisições de Insumos Isentos.
O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não-cumulatividade; tratando-se
de instituto de direito público, deve o seu exercício dar-se
nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.612
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1991 a 31/08/1997 IPI. Glosa de Créditos Básicos. Aquisições de Insumos Isentos. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da nãocumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 743DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no Acórdão recorrido: Tratase de diversos Pedidos de Ressarcimento de Créditos do IPI, resumidos às fls. 547/565, vol. II, relativos ao período de março de 1991 a agosto de 1997, tendo o processo sido protocolizado em 29/05/2001. O valor total a ressarcir importa em R$ 61.846,35 (fl. 565), tido como recolhido indevidamente a título de IPI. Fundamenta o pedido na IN SRF nº 33, art. 66 da Lei nº 8.383/91 e art. 153, §3º, inciso II, da Constituição Federal. Informa a requerente que os créditos são oriundos de matérias primas e produtos intermediários nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero do IPI (especialmente a madeira, isenta), empregados nos móveis por ela fabricados e submetidos, estes, à alíquota de 10% (dez por cento). Por bem resumir o que consta dos autos até a Manifestação de Inconformidade, reproduzo o relatório da primeira instância (fl. 594): Na análise do pleito pela Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora, a autoridade fiscal, ressaltando e comentando sobre os dispositivos legais que estabelecem e normatizam o princípio da nãocumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados, indeferiu a solicitação por meio do Despacho Decisório de fls. 568/570, tendo em vista que se nada é cobrado a título de IPI na operação de compra de insumo, não existe previsão, na esfera administrativa, de que tais operações possam gerar créditos de IPI. Legalmente cientificada do despacho decisório, a interessada apresenta, às fls. 572/590, extensa argumentação contrária ao indeferimento de seu pleito, consignando que seu direito à utilização de crédito sobre insumos isentos ou reduzidos à alíquota zero está pautado na correta interpretação do Supremo Tribunal Federal e invoca, em seu benefício, o artigo 102, I, §2º, da Constituição Federal; o Decreto nº 2.436, de 1997, e o artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Citou, ainda, as Instruções Normativas (IN) nº 21, de 10 de março de 1997, e 73, de 15 de setembro de 1997, como normas que regulamentam a compensação na via administrativa com reconhecimento do direito ao crédito decorrente de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero. Por fim, requer; seja declarado válido e pertinente o processo de compensação administrativa; Fl. 744DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10640.000901/200117 Acórdão n.º 930301.612 CSRFT3 Fl. 707 3 que se reconheça o direito aos créditos decorrentes das operações realizadas com insumos isentos ou reduzidos à alíquota zero, conforme determina a correta interpretação do artigo 153, §3º, II, da Constituição Federal de 1988; o teor da Decisão Plenária do Supremo Tribunal Federal e o Decreto nº 2.436, de 1997; a declaração de ilegalidade do despacho decisório, por total desconformidade com os instrumentos legais de regência, tornandoo nulo. A 2ª Turma da DRJ manteve o indeferimento, nos termos do acórdão de fls. 592/603. Julgou que eventual direito de pleitearse ressarcimento de créditos básicos de IPI prescreve em cinco anos contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, pelo que os créditos pertinentes aos períodos de apuração anteriores ao terceiro decêndio de maio/1996 já prescrevera à data do Pedido. No mais, interpretou que a legislação tributária brasileira não permite a apropriação de crédito de IPI na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem nãotributados, isentos ou tributados à alíquota zero. Afirmou a DRJ que, se nada foi pago de imposto pelo industrial na aquisição do insumo, não haverá o que diminuir, deduzir ou abater do imposto a ser pago na saída do produto final. O Recurso Voluntário de fls. 606/619, tempestivo (605/606), insiste no pleito, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Com relação ao prazo decadencial, argúi que os cinco anos referidos no art. 168 do CTN devem ser contados a partir da homologação da tácita, pelo que o prazo perfaz dez anos, mencionando neste ponto a jurisprudência do STJ em seu favor. Julgando o feito, a câmara recorrida negou provimento ao recurso, em acórdão assim ementado: IPI. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos do IPI fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do insumo. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a créditos do IPI os insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, ainda que empregados em produtos tributados. Recurso negado. Inconformada com a decisão do Colegiado a quo, a reclamante apresentou recurso especial, o qual foi admitido, apenas no tocante ao creditamento de insumos isentos. Fl. 745DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Intimado, por edital, posto que falhara a tentativa por via postal, o sujeito passivo não agravou do despacho de admissibilidade. Contrarrazões da PGFN vieram às fls. 693 a 704 É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cingese à possibilidade de creditamento de IPI pertinente à aquisição de insumos isentos. A solução do litígio resumese em determinar se os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados têm direito a ressarcimento de créditos de IPI referente à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem acobertados por isenção desse tributo. A controvérsia tem como “pano de fundo” a interpretação do princípio da nãocumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inc. II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: I omissis IV produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. Fl. 746DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10640.000901/200117 Acórdão n.º 930301.612 CSRFT3 Fl. 708 5 Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea “a” do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior Fl. 747DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matéria prima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base”, (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adota, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase “a” está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregouse, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase “a” forem taxados em 5% e o da “b” em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase “a”: valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase “b”: valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Fl. 748DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10640.000901/200117 Acórdão n.º 930301.612 CSRFT3 Fl. 709 7 Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o princípio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos adquiridos ao abrigo de isenção do imposto não implica, absolutamente, em afronta ou restrição ao princípio da nãocumulatividade ou a qualquer outro dispositivo constitucional. Esse entendimento tem sido reiterado pelo Supremo Tribunal Federal, a exemplo AI 736994 AgR / SP SÃO PAULO AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, relatado pelo Min. RICARDO LEWANDOWSKI, cujo Julgamento ocorreu em 28/06/2011, na Primeira Turma, publicado no DJ de 16 de agosto de 2011. RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) : USINA CERRADINHO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A ADV.(A/S) : FLAVIA CECILIA DE SOUZA OLIVEIRA VITORIA E OUTRO(A/S) AGDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO IMPROVIDO. I Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. II Agravo regimental improvido. Com essas considerações, nego provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 749DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Fl. 750DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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